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Segurança da Informação

QUESTÃO 2 - O MENINO DA INTERNET


Barbara Teixeira

O filme conta o caso de Aaron, um menino prodígio que aprendeu a programar muito
cedo, e que começou a criar sites na internet e a se envolver com empresas de
programação. Ele rapidamente ficou famoso pela criação do website Reddit, e por acreditar
em valores como liberdade de expressão, acesso público livre, e num mundo melhor,
participando de discussões sobre cultura livre no desejo de solucionar problemas da
sociedade por meio da Web. Criticava o sistema educacional americano tradicional e a
partir daí começou a questionar a sociedade que criou aquele sistema, as empresas, e o
governo, que construiu e financiou essa estrutura. Começou a lutar pela questão dos
direitos autorais e ganhou visibilidade de mídia, começou então a ser investigado pelo FBI
por ter hackeado um sistema de pesquisa que guardava informações de governo
confidenciais(que ele achava que deveriam ser verdadeiramente de domínio público).
Entretanto, seu caso foi diferente dos outros casos vistos como ‘terrorismo’ pois ele não
havia de fato causado uma violência concreta, e nem roubado dinheiro e sim disponibilizado
mais conhecimento à população. A partir desse momento sua vida começa a se transformar
em meio a ativismo político e ao debate em torno do seu controverso inquérito criminal.
A grande questão é até que ponto o ativismo de Aaron era desobediência civil, e até
que ponto era o desejo do governo de controlar que assuntos devem ser debatidos e
disponibilizados para a população. E por que a desobediência civil anti-violência de Aaron
teria sido levada com tanta seriedade pelo governo. A participação ativa de Aaron no
movimento “Acesso Livre" levou milhares de pessoas a repensar a maneira como navegam
na internet e a demandar seus direitos ao se tratar em ampliar acesso à informação e à
maior transparência das instituições governamentais. Antes mesmo do caso do Snowden,
Aaron já estava levantando questões sobre como as pessoas são influenciadas nas redes,
e quem é escutado, ou silenciado. Ele polarizou o debate entre 1. a internet é uma incrível
ferramenta de conhecimento e liberdade de expressão e 2. é um cenário catastrófico de
espionagem e abordagens anti-democráticas de influenciar cidadãos por parte das
instituições e empresas. Ambos os lados são verdadeiros e o que será mais valorizado
dependerá da participação popular e de qual internet queremos propagar para gerações
futuras.
Uma outra questão que é levantada é que quando alguém quando uma genialidade
avançada resolve instrumentalizar suas habilidades de computação em direção ao
lucro(Steve Jobs, Bill Gates), geralmente são isentas de qualquer retaliação política e
criminal. Enquanto que Aaron, alguém que muito cedo negou valores reproduzidos no Vale
do Silício, foi gravemente acusado e considerado terrorista por instrumentalizar sua
habilidade técnica para gerar uma mudança política, o que não é muito diferente do que
acontece com outros tipos de ativismo, por exemplo ativismo ambiental. É evidente como no
início da sua vida ele acredita que inovação em empresas privadas têm um imenso poder
de mudança, e na medida que ele cresce, amadurecendo suas ideias e percebendo que as
empresas não estavam preocupadas em gerar mudanças e sim lucrar com a indústria da
tecnologia, ele rapidamente modifica seu discurso em direção a um caminho mais político,
deixando de lado sua vocação para o empreendedorismo.
Além disso, a geração que recebeu a Internet como se conhece hoje, enfrentou a
colisão entre um sistema de direitos autorais antigo, antiquado, e uma realidade virtual que
é ampla e expressiva, que dificilmente comporta um sistema de direitos autorais
experienciado até os anos 2000. É necessário repensar a maneira como são vistos os
direitos autorais para a construção de uma internet melhor, mais acessível. Era possível
baixar uma série de programas, livros, artigos, sem pagar por eles, o que não garante lucro
ao autor original, mas que garante acesso livre ao conhecimento. No Brasil, por exemplo,
livros eram lançados mais tarde do que nos Estados Unidos, então alguém lá nos EUA
poderia digitalizar o livro e disponibilizá-lo na internet, de maneira que pessoas de outros
países teriam a possibilidade de ler aquele livro, mesmo que essa atitude não banque o
autor. Isso está por trás das acusações sobre o site do Mega alguns anos atrás, que foi
fechado e era um grande polo de conhecimento “ilegal”, gratuito, disponibilizado por
pessoas comuns. Na tentativa de repensar direitos autorais, foi idealizado o
CreativeCommons e criado as licenças all rights reserved, que garante que o autor seja
pago pelo seu trabalho. Até nos dias de hoje pessoas nos sites como Flickr utilizam essa
licença, e foi Aaron que construiu a plataforma.
O filme nos faz refletir sobre o papel das instituições públicas na construção de uma
internet mais acessível e democrática e a tentativa do governo de encobrir informações ao
público geral. Também mostra a importância do papel da universidade em se posicionar
frente a uma situação como essa, que expõe um aluno do MIT ao Serviço Secreto dos EUA
e quando a situação aperta, a universidade deveria ser um ponto de apoio ao estudante e
não de neutralidade. Também sobre o que é um terrorista e das proporções que hoje atos
de ativismo digital têm para o governo, já que qualquer hacker ou pessoa pode ser ativista
digital. Além disso, questiona-se o papel da democracia como propagador de diferentes
opiniões e posicionamentos políticos, enquanto evidencia que o poder cristalizado tenta
silenciar posicionamentos antagônicos aos seus, defendendo seus interesses, ao invés dos
interesses da população.

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