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MANUAL BÁSICO

DE ATENDIMENTO
PRÉ – HOSPITALAR
Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-
hospitalar - CEPAP

Suporte Básico de Vida em Cardiologia

Emergências Clínicas e Cardiológicas

Assistência ao Politraumatizado no Pré-hospitalar

Acidentes com Animais Peçonhentos

2ª EDIÇÃO
2017
1ª Edição - 2014: Sub Ten BM Q11
Robson Esteves
Centro de Educação Profissional em
Atendimento Pré-Hospitalar Sub Ten BM Q11
Edmilton de Souza
Comandante: Ten. Cel. BM QOC
Aurélio de Carvalho Sub Ten BM Q11
Luiz Carlos Siqueira
Sub-Comandante: Maj BM QOS/Méd
Zoraia Oliveira Sub Ten BM Q11
Rubens Ferreira Lopes
Colaboradores:
Sub Ten BM Q11
Ten. Cel. BM QOS- Simone de Oliveira Costa
Enf Márcia Fernandes Mendes Araújo
Sub Ten BM Q11
Maj BM QOS/Méd Danieli Bello Chimer da Silva
Maria Fernanda Lattanzi Bezerra de Melo
Sub Ten BM Q11
Maj BM QOS/Méd Sandro Lucas da Silva
Adriano Bertola Vanzan
Sub Ten BM Q11
Cap BM QOS/Enf José Henriques Marques Neto
Vladimir Fernandes Chaves
Sub Ten BM Q11
Cap BM QOS/Enf Robson Fernandes Castro Torres
Flávio Sampaio David
Sub Ten BM Q06
Cap BM QOS/Méd Flavio Henrique Cesário de Souza
Carlos Otávio Santos Silva
Sub Ten BM Q06
Cap BM QOS/Enf Valmir Rufino Vieira
Gilson Clementino Hanzsman
Sub Ten BM Q11
Cap BM QOS/Méd Valcir José de Almeida
Roberto Fernandes Outeiro Júnior
Sub Ten BM Q06
CapBM QOS/Méd José Marcos Menezes
Antônio Carlos Rodrigues Justo
Sub Ten BM Q11
Cap BM QOS/Méd Rivelino Adriano da Silva
Andréia Pereira Escudeiro
Sub Ten BM Q11
Ten BM QOS/Enf Leandro Lessa de Vasconcellos
Cristiane Pontes
3º Sgt BM Q11
Ten. BM QOA Ana Paula Lopes
Sérgio Corrêa da Silva
3º Sgt BM Q11
Ten. BM QOA Alexander Simonato
Carlos Eduardo Sá Ferreira
3º Sgt BM Q11
Silvana Raquel Ferreira Q. de Olivieira

*************************************************
Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ

2ª Edição - 2017:

Comandante:

Ten Cel BM QOC Cesar Augusto dos Santos Junior

Colaboradores:

Ten Cel BM QOS/Enf Gilson Clementino Hanszman

Maj BM QOS/Enf Cristiane Costa Marinho Pereira

Maj Bm QOS/MED Adriano Bertola Vanzan 2

Maj BM QOS/Enf Vladimir Fernandes Chaves

Maj BM QOS/Enf Flávio Sampaio David

Cap BM QOA Walter Evangelista de Souza

Cap BM QOA Carlos Eduardo Sá Ferreira

Cap BM QOA Sérgio Corrêa da Silva

Ten BM QOS/ENF Sergio Gottgtroy de Araújo

Ten BM QOA Evaldo Freitas Soares

Sub Ten BM QBMP06/AxE Regina Célia Evangelista Silva

Sub Ten BM QBMP11/TEM Simone de Oliveira Costa

Sub Ten BM QBMP11/TEM Robson Fernando de Castro Torres

Sub Ten BM QBMP11/TEM José Henriques Marques Neto

Sub Ten BM QBMP11/TEM Rivelino Adriano Silva

Sub Ten BM QBMP11/TEM Elaine de Souza Cabral de Oliveira

Sub Ten BM QBMP06/AxE Alexandre Belarmino

Sub Ten BM QBMP11/TEM André Carlos Silva Anselmo

2̊ SGT BM QBMP11/TEM Alexander Simonato

2̊ SGT BM QBMP06/AxE José Luciano Sucupira Otero

2̊ SGT BM QBMP11/TEM Ana Paula Lopes das Neves

2̊ SGT BM QBMP11/TEM Silvana Raquel da Silva Ferreira

SGT BM QBMP06/AxE Carlos José Cesário de Souza

CB BM QBMP06/AxE Victor Pinheiro de Carvalho

CB BM QBMP06/AxE Mércia Jesus da Silva Conrado

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ÍNDICE
CAPÍTULO 1: SUPORTE BÁSICO DE VIDA

INTRODUÇÃO 06

CENA 07

RCP EM ADULTOS E USO DO DEA/AED 12

RCP EM CRIANÇAS 20
3
RCP EM BEBÊS 27

ASFIXIA EM CRIANÇAS 29

ASFIXIA EM BEBÊS 32

ASFIXIA EM ADULTOS 34

ASFIXIA EM GESTANTES 35

CAPÍTULO 2: EMERGÊNCIAS CLÍNICAS E CARDIOLÓGICAS

AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA 37

EPLEPSIA / CRISE CONVULSIVA 39

ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO 42

HIPOGLICEMIA 46

SINDROME CORONARIANA AGUDA 48

HIPOTERMIA 50

HIPERTENSÃO 51

ASMA 52

CAPITULO III: ASSISTÊNCIA AO POLITRAUMATIZADO NO APH

EXAME DO PLITRAUMATIZADO 59

ESTADO DE CHOQUE 66

TRAUMATISMO CRÂNIO ENCEFÁLICO E RAQUIMEDULAR 72

TRAUMA DE TÓRAX 73

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TRAUMA ABDOMINAL 77

TRAUMA PÉLVICO E DE EXTREMIDADES 79

TRAUMA EM SITUAÇÕES ESPECIAIS 86

INCIDENTES COM MULTIPLAS VÍTIMAS 97

MOBILIZAÇÃO E TRANSPORTE DE ACIDENTADOS 103

4
CAPITULO IV: ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS

OFIDÍSMO 115

ARANEÍSMO 118

ESCORPIANISMO 123

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 127

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Capitulo I
Suporte Básico de Vida

No Brasil, o mal súbito é conhecido como um problema de saúde inesperado,


sendo responsável pela morte de milhares de pessoas por ano. Os óbitos acontecem,
muitas vezes, porque os cuidados imediatos não foram realizados corretamente.
5
Destaca-se que dominar o conhecimento acerca do primeiro atendimento é
fundamental para salvar vidas. Podemos afirmar que o primeiro atendimento em
caso de mal súbito possuí dois objetivos: evitar o agravamento do quadro e manter a
vítima em condições de sobrevida até a chegada do socorro especializado. Cabe
ressaltar, que a situação mais grave de mal súbito é quando a vítima apresenta um
colapso, com perda de consciência, e ausência dos sinais vitais, ou seja, entra em
Parada Cardiorrespiratória (PCR).
Podemos afirmar também, que qualquer sintoma clínico que resulta na perda
ou queda do nível de consciência, como é o caso de uma crise convulsiva, ou de um
desmaio, ou de uma hipotensão arterial, ou de uma grave dificuldade respiratória, é
considerado um mal súbito. Destacamos que a contextualização do atendimento pré-
hospitalar para as principais alterações clínicas serão abordadas posteriormente, e
neste capítulo, abordaremos o atendimento inicial à vítima que apresenta um quadro
de PCR.
Sublinhamos que aplicação da RCP (Reanimação Cardiopulmonar) de alta
qualidade aumenta as chances de sobrevida de uma vítima em Parada
Cardiorrespiratória (PCR). Neste contexto, cabe ressaltar, que a maior causa de PCR
súbita é a Fibrilação Ventricular (F.V. - atividade elétrica caótica que não gera
função de bomba para o coração). A Fibrilação Ventricular, quando não tratada
corretamente, pode levar a vítima ao óbito.
O Suporte Básico de Vida (SBV) é o conjunto de procedimentos técnicos e
medidas coordenadas que visam manter os órgãos vitais viáveis (cérebro e coração),
até que seja iniciado o Suporte Avançado de Vida (SAV). Apesar de sua
nomenclatura ser básica, ele é o pilar que antecede o SAV. A Desfibrilação Precoce
deve sempre ser priorizada em eventos de PCR.

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No protocolo de RCP/DEA do CBMERJ recomenda-se que todo Bombeiro


Militar (BM) deve utilizar o Desfibrilador Externo Automático (DEA), assim que
disponível. Buscando assim, obter êxito no procedimento e manter acesa a chama do
lema “VIDAS ALHEIAS E RIQUEZAS SALVAR”.
Em uma situação de PCR as manobras de RCP podem fazer toda a diferença
para a vítima. Portanto, quanto mais precoce e eficaz for o atendimento, maiores
serão as chances de sucesso. Isso é possível devido à presença de oxigênio residual
no organismo da vítima depois de estabelecida a PCR. Ao iniciar a RCP 6

precocemente (em até 4 minutos de sua ocorrência), as chances do cérebro sofrer


danos serão pouco prováveis. Após estes 4 minutos, as chances de recuperação sem
sequelas neurológicas diminuem muito e acima de 6 minutos provavelmente surgirão
danos irreparáveis devido à falta de oxigenação (hipóxia).

Torna-se fundamental adotar os seguintes procedimentos:

· Checar se o local é seguro;


· Acionar precocemente o Sistema Médico de Emergência (SMS);
· Iniciar as compressões nos primeiros 10 segundos do início da PCR;
· Comprimir o tórax com força e rapidez entre 100 a 120 compressões por
minuto
· Permitir o retorno total do tórax a cada compressão;
· Minimizar interrupções nas compressões (não passar de 10 segundos cada
intervalo das compressões);
· Administrar as ventilações de forma eficaz;
· Evitar ventilações em excesso;
· Utilizar precocemente o DEA.

1 - CENA
A avaliação da cena é a etapa na qual o Socorrista deve observar
criteriosamente a segurança no local de atuação da sua equipe. Se houver risco na
cena, a vítima só deverá ser abordada quando o risco for neutralizado.

Nunca entre em um local que não esteja seguro

Se o local em que você estiver não parecer seguro, saia imediatamente!

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1.1- Perguntas preliminares:

a) A cena está segura?


É importante reconhecer os possíveis riscos assim como as medidas a serem
tomadas para a abordagem correta e segura da vítima. É necessário evitar ou eliminar
os prováveis agentes causadores de lesões ou agravos à saúde, tais como fogo,
explosão, eletricidade, fumaça, água, gás tóxico, tráfego, desmoronamentos,
ferragens cortantes, materiais perigosos etc. Caso o controle desta situação esteja
7
fora de sua governabilidade, acione imediatamente a ajuda necessária, exemplo:
Polícia Militar, equipes de resgate especializadas e concessionárias de energia
elétrica, entre outras.

b) O que aconteceu e como aconteceu?


É indispensável para a tomada correta de decisão, que o Socorrista faça uma
avaliação global do local do evento, incluindo a avaliação física da cena, dos
transeuntes, dos familiares e da vítima. Em muitas situações a vítima parece bem, o
que nos leva a subestimar a sua gravidade. Mas se levarmos em consideração o
motivo que causou o evento clínico poderemos suspeitar de uma provável gravidade.

1.2- Cuidados na abordagem da vítima:


1.2.1- Bio-proteção:
Ao aproximar-se da vítima, o Socorrista deverá ter sempre em mente a sua
própria segurança e utilizar Equipamento de Proteção Individual (EPI), pois o
contato direto com sangue, urina, fezes, saliva, pode causar vários danos à saúde.
Em caso de contato acidental com o sangue ou secreções da vítima, o socorrista
deve proceder da forma a seguir:

a) Se houver contato direto com a pele, lave-a com água corrente e sabão.
Verifique se não há rachaduras, ressecamentos ou lesões no local. Caso haja,
procure orientar-se com o profissional de saúde responsável pelo protocolo de
acidente com material biológico de sua Unidade.
b) Se houver contato direto com os olhos ou mucosas, lave-os imediatamente
com água corrente abundante e siga o protocolo para acidente com material
biológico de sua Unidade.

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ATENÇÃO
(1) Caso tenha sangue ou vômitos na boca da vítima, aspire às vias aéreas;
(2) Evite respiração boca a boca. Prefira os dispositivos de barreira para ventilação
(máscara de bolso e dispositivo Bolsa Válvula Máscara – “AMBU”);
(3) Utilize EPI em todos os atendimentos!!!

1.3- Cadeia de Sobrevivência


8
A Cadeia ou corrente da sobrevivência (figura 1) representa elos importantes
na sequência do atendimento, onde cada um destes elos representa procedimentos
fundamentais no processo de atendimento à parada cardiorrespiratória. Nas diretrizes
de 2015, estão representadas duas cadeias: Parada Cardiorrespiratória Intra-
Hospitalar (PCRIH) e Parada Cardiorrespiratória Extra-Hospitalar (PCREH).

Figura 1: Cadeia da sobrevivência AHA / (Fonte)American heart association®

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1.4- Abordagem Inicial

1.4.1-Avaliação do nível de consciência


Para avaliar a responsividade, posicione a vítima em decúbito dorsal (barriga
para cima), segure-a pelos ombros com o objetivo de contê-la caso a mesma queira
se levantar, e chame-a:

“Senhor (a), está me ouvindo?”


Ao mesmo tempo em que é avaliada a responsividade, o socorrista deverá 9
observar se há movimentos respiratórios. Caso a vítima não responda e não respire,
ou apresente respiração ineficaz tipo gasping (“peixe fora d’água”), solicite ajuda e
inicie as manobras de RCP.

Os profissionais de saúde deverão, simultaneamente, avaliar


a responsividade, a respiração e o pulso carotídeo.

Se a vítima apresentar movimentos respiratórios dentro de um padrão


aceitável, o socorrista deverá atentar para a abertura das vias aéreas, permanecendo
com a mão na testa (região frontal de crânio) e elevando o queixo da vítima (técnica
descrita a seguir) e oferecer oxigênio suplementar através do uso de máscara facial
com reservatório a um fluxo suficiente para manter a saturação de O2 acima de 92%.
Caso haja necessidade de deixar a vítima para realizar algum procedimento, deve-se
colocá-la em Posição Lateral de Segurança (P.L.S.). Essa técnica será descrita ainda
neste capítulo.
Com a sequência CAB, as compressões torácicas serão iniciadas o mais
precocemente possível e o atraso nas ventilações será mínimo. O tempo necessário
para aplicar o primeiro ciclo de 30 compressões torácicas, dura em média 18
segundos.

C Compressões Torácicas

A Abrir as Vias Aéreas

B Boa Ventilação

FONTE: American heart association®

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1.4.2-Algoritmo de PCR em adultos para profissionais da saúde de SBV –


atualização de 2015

10

FONTE: American heart association®

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RCP NO ADULTO E O USO DO DEA/AED


A Reanimação Cardiopulmonar (RCP) consiste em comprimir o tórax e
ventilar uma pessoa em Parada Cardiorrespiratória (PCR) na proporção 30
compressões X 02 ventilações, utilizando dispositivo de barreira e ininterruptamente
caso não possua um dispositivo de barreira.

ETAPAS AÇÃO

1 Posicionar a vítima na posição decúbito dorsal (de barriga para cima) em uma
superfície rígida e plana 11
2 Retirar as vestes da vítima

3 Colocar o (apelidado) “calcanhar de sua mão”, posicionando a outra mão sobre


a primeira entrelaçando os dedos para maior firmeza e posicionar sobre o tórax
da vítima, ou seja, na metade inferior do esterno que coincide com a linha
intermamilar.

4 Comprimir com os braços retos a uma profundidade próxima a 5 a 6 cm e uma


frequência de 100 a 120 compressões por minuto.

5 Após cada compressão, devemos deixar o tórax voltar à posição normal.

Na abordagem de uma vítima, devemos sempre avaliar riscos próximos a esta


pessoa, observando se há algo que possa colocar a vida do socorrista e de sua equipe
em risco iminente. Após a checagem, devemos abordar a vítima segurando pelo
ombro e perguntando “você está bem?” (Figura 1).

Figura 1: Abordagem da Vítima / Nível de consciência

Após avaliar que a mesma se encontra inconsciente, devemos olhar o tórax


abrindo as vestes e observar se há respiração normal e checando o pulso
simultaneamente, este procedimento pode ser observado na (figura 2 e figura 3).

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Figura 2: Visão do profissional de saúde. Figura 3:Visão do Leigo, não profissional. 12

Ao observar que esta pessoa não responde, não respira e não tem pulso, acione
um serviço de emergência (192 ou 193) e solicite um DEA/AED.

Figura 4: Pedido de ajuda / Acionamento do Socorro.

1 – RCP - ADMINISTRAÇÃO DAS COMPRESSÕES E VENTILAÇÕES

Após avaliar a “responsividade” da vítima e constatar que a mesma não


responde, não respira e não tem pulso (checagem por profissionais de saúde),
devemos acionar o sistema médico de emergência e solicitar um desfibrilador –
DEA/AED (Figura 4).
Logo em seguida a solicitação de ajuda, devemos iniciar as manobras de
Reanimação CardioPulmonar (RCP) imediatamente, iniciando pelas compressões no

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tórax. A RCP se compõe em duas etapas principais: compressões e ventilações, onde


devemos comprimir o tórax com certa força e rapidez promovendo um bombeamento
de sangue oxigenado para os órgãos vitais, como o coração e o cérebro.
Devemos comprimir o tórax, promovendo uma RCP de alta qualidade para
manter uma boa perfusão de oxigênio já que este coração não está bombeando
normalmente.
Deve-se apoiar o (apelidado) “calcanhar da mão” na metade inferior do osso
externo do paciente e apoiando a outra mão sobre a primeira entrelaçando os dedos 13

para uma maior segurança nas manobras (figuras 5, 6, 7 e 8).


Os braços do socorrista deverão estar em um ângulo a 90º sobre o tórax do
paciente e deprimindo este tórax a uma profundidade de 5 a 6 centímetros.

Figura 5: Marcação do local da compressão. Figura 6: Técnica de compressão torácica.

Figura 7: Técnica de compressão torácica e Figura 8: Técnica de compressão torácica e


ventilação assistida com uso de bolsa-válvula- ventilação assistida com uso de bolsa-válvula-
máscara máscara

Destacamos que, caso por algum motivo o socorrista não conseguir entrelaçar
os dedos, este poderá segurar com sua segunda mão o punho, onde dará também
firmeza para comprimir.

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Caso a RCP seja realizada sem um dispositivo de barreira, o socorrista poderá


realizar apenas as compressões no tórax do paciente e revezando com outro
socorrista a cada dois minutos.
Lembramos que, com dois socorristas e sem dispositivo de ventilação,
enquanto um realiza as compressões o segundo poderá deixar a via aérea aberta
segurando e inclinando a cabeça, mas, caso esteja sozinho deverá apenas comprimir.
Após as 30 compressões, caso haja um dispositivo de ventilação, devemos
abrir as vias aéreas a fim de liberar a passagem de ar com a retirada da base da 14

língua. A técnica consiste em inclinação da cabeça e elevação do queixo (Figuras 9 e


10).

Figura 10:Técnica de hiperextensão da


Figura 9:Técnica de hiperextensão da cabeça.
cabeça.

Destaca-se que se o socorrista administrar uma ventilação e o tórax não se


elevar, deve então deixar a cabeça retornar à posição normal. Em seguida, abra as
vias aéreas novamente, inclinando a cabeça e elevando o queixo. Depois,
administre outra ventilação. Certifique-se de que o tórax se eleve.
Não interrompa as compressões por mais de 10 segundos para administrar
ventilações. Se o tórax não se elevar em 10 segundos, comece a comprimi-lo com
força e rapidez novamente.
Apesar da ventilação boca a boca oferecer poucos riscos, é contra indicada
quando houver presença de sangue, secreções, fluidos ou ferimentos na boca, sendo
entendido como situações que podem vir a oferecer riscos ao socorrista. Durante a
RCP, a chance de contrair uma doença é pequena, ainda assim, alguns locais de

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trabalho exigem que os socorristas usem máscara de ventilação. Às máscaras são


feitas de material sintético flexível que se encaixam sobre a boca e o nariz da pessoa
doente ou lesionada (figura 11 e 12).
Talvez seja necessário montar a máscara antes de usá-la. Se a máscara tiver
uma extremidade afunilada, coloque a parte estreita da máscara no alto do nariz.
Posicione a parte larga de modo a cobrir a boca da vítima (em caso de crianças
pequenas a máscara será aplicada em posição invertida).
15

Figura 11: PocketMask (Máscara de Bolso) Figura 12: Ventilação sob máscara

ETAPA AÇÃO

1 Coloque a máscara sobre a boca e o nariz da pessoa.

2 Incline a cabeça e eleve o queixo enquanto pressiona a máscara contra o rosto da


pessoa.
É importante produzir uma vedação impermeável entre o rosto da pessoa e a máscara
enquanto o queixo é elevado para manter abertas as vias aéreas.

3 Administre 2 ventilações (sopre por 1 segundo em cada).


Aguarde que o tórax se eleve a cada ventilação administrada.

Caso você tenha a mão um dispositivo como bolsa de ventilação e esteja em


dupla com outro socorrista, posicione-se atrás da cabeça da vítima para adequar a
máscara a face e administrar as ventilações (Figura 13).

Figura 13:Bolsa de Ventilação (bolsa-válvula-máscara)

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2- DESFIBIRLAÇÃO EXTERNA AUTOMÁTICA:

Com estas etapas manteremos uma RCP executando os ciclos de 30


compressões x 02 ventilações, ou sem dispositivo de ventilação, apenas com as
compressões sem parar até a chegada do DEA/AED.
Um DEA/AED é uma máquina com um microprocessador integrado que pode
aplicar choques no coração e ajudá-lo a voltar a funcionar normalmente. Se você
iniciar a RCP imediatamente e após alguns minutos usar um DEA/DAE, terá maior
16
chance de salvar uma vida.
Os AEDs/DEAs são seguros, precisos e fáceis de usar. O DEA/DAE
determina se a pessoa necessita de um choque e avisa para administrá-lo se
necessário. Avisa inclusive quando é necessário certificar-se de que ninguém esteja
tocando a vítima. As pás usadas para administrar o choque têm um diagrama que
indica como posicioná-las no tórax pessoa. Siga o diagrama.
As formas mais comuns de ligar um DEA/AED são pressionar o botão “ON”
(Ligar) ou erguer a tampa do DEA/AED. Uma vez ligado o DEA/AED, ele indicará
tudo o que você precisa fazer.

Use o DEA/AED somente se a pessoa não responder e não estiver respirando ou


apresentar gasping.

Se você tiver acesso a um DEA/DAE, use-o IMEDIATAMENTE. Certifique-


se de que ninguém esteja tocando a vítima antes de pressionar o botão “SHOCK”
(Choque) (figura 15). Se não localizar um DEA/AED rapidamente, inicie a RCP
Comprimindo com Força e rapidez.

Etapa Ação
1 Ligar o DEA/DAE
2 Seguir os avisos visuais e sonoros,

3 Coloque os eletrodos no tórax do paciente conforme as (figuras 14 e 15)

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Figura 14:RCP após o Choque. Figura 15:Posições dos socorristas durante a


17
aplicação do choque.

Após a administração do choque, inicie imediatamente as compressões torácicas


interrompendo apenas 10 segundos no máximo para executar as duas ventilações e faça a RCP
até o DEA/AED sinalizar para interromper a RCP, para que ele possa novamente analisar e se
necessário indicar outro choque. Mas, se o mesmo falar: “choque não indicado”, inicie
imediatamente às manobras de RCP até a chegada do serviço médico de emergência, caso seja
um profissional da saúde avaliar pulso.

2.1 - Cuidados na colocação das pás/eletrodos

· Retirar excesso de pêlos no tórax do paciente


Caso a vítima tenha muito pelo no tórax, deve-se retirar com dispositivos de barbear ou
até mesmo com as pás, cuidado para não rasgá-la (ideal ter uma reserva)

· Secar o tórax
Devemos secar todo tórax da vítima a fim de que o choque não se espalhe pela
superfície e também para as pás colarem na pele.

· Retirar adesivos de medicamentos


Caso haja adesivos de medicamentos colados na pele, estes deverão ser retirados.

· Cuidados com marcapasso implantado


Se este paciente possuir um marcapasso implantado no local da posição das pás,
deve-se colar o eletrodo cerca de 4 a 5 centímetros para o lado, pois se colocar as pás
em cima do aparelho, este poderá ser inutilizado.

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Após a RCP e o choque, se a pessoa estiver respirando, mas não estiver


respondendo, vire-a de lado e aguarde que alguém com treinamento mais avançado
assuma o socorro (Se for uma equipe de SME realizar avaliação e considerar
remoção). Coloque a pessoa em posição lateral de segurança (Figuras 16 e 17), pois
manterá as vias aéreas desobstruídas caso a pessoa vomite. Se a pessoa parar de
respirar ou apresentar somente gasping, vire-a na posição decúbito dorsal e avalie a
necessidade de RCP. Enquanto esta pessoa que retornou aos batimentos e aguarda o
suporte avançado, o desfibrilador deverá estar ligado todo o tempo, mesmo que a 18

cada dois minutos ele fique falando, pois este o manterá informado e monitorando o
paciente todo o tempo.

Figura 16: Socorrista executando a Figura 17: Vítima na posição lateral de


técnica de lateralização - PLS segurança

2.2 - Resumo de Habilidades de RCP/adulto com DEA:


Etapa Ação
1 Certifique-se de que o local é seguro.
2 Segure no ombro chame.
Verifique se a pessoa responde.
Se a pessoa não responder, avance para a Etapa 3.
3 Peça ajuda.
Peça à pessoa que o atender que telefone para o serviço médico de
emergência e busque um DEA/DAE.
Se ninguém puder ajudar, telefone para o número do serviço médico de
emergência/ urgência e busque um DEA/DAE.

4 Verifique a respiração.
Certifique-se de que a pessoa esteja sobre uma superfície firme e plana.
Verifique a respiração.
Se a pessoa não estiver respirando ou apresentar somente gasping,
administre a RCP.
Sem responder e sem respiração = RCP

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5 Comprima e administre ventilações executando 30 compressões e 2


ventilações.
Compressões:
Retire as roupas que atrapalharem.
Coloque o calcanhar de uma mão sobre a metade inferior do esterno.
Coloque o calcanhar da outra mão sobre a primeira mão.
Comprima em linha reta de cinco a seis centímetros de profundidade, a uma
frequência de 100 a 120 compressões por minuto no mínimo.
Após cada compressão deixe o tórax retornar à sua posição normal.
Comprima o tórax 30 vezes.
Ventilações:
Após 30 compressões, abra as vias aéreas com inclinação da cabeça e elevação 19
do queixo.
Com as vias aéreas abertas, faça uma inspiração normal.
Use um dispositivo de barreira para empregar as ventilações. Caso não o tenha,
comprima de forma ininterrupta.
Administre duas ventilações (sopre por 1 segundo em cada). Aguarde que o
tórax se eleve a cada ventilação administrada.
DEA/DAE:
Use-o assim que o tiver à mão.
Ligue-o erguendo a tampa ou pressionando o botão “ON” (Ligar).
Siga os avisos.

6 Continue.
Continue executando séries de compressões e ventilações até que a pessoa
comece a respirar ou se mexer ou até que alguém com treinamento mais
avançado chegue e assuma o socorro.

RCP EM CRIANÇAS

RCP em criança e uso do DEA/AED:

RCP é o ato de comprimir o tórax com força e rapidez e administrar


ventilações. A RCP é administrada a alguém cujo coração tenha parado de bombear
o sangue.

Etapa Ação

1 Certifique-se de que a criança está deitada com as costas sobre uma superfície
firme e plana.
2
Retire as roupas que atrapalharem.
3 Coloque o calcanhar de uma mão sobre a metade inferior do esterno.

4 Comprima em linha reta cerca de cinco centímetros, a uma frequência de 100


a 120 compressões por minuto no mínimo.
5
Após cada compressão, deixe o tórax retornar à sua posição normal.

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Uma criança é alguém com mais de um ano de idade e que ainda não chegou
à puberdade. Se estiver em dúvida se a pessoa é um adulto ou uma criança,
considere-a adulta.
Uma criança “responsiva”, é aquela que se mexe, fala, pisca ou reage de
alguma outra forma quando você a toca e pergunta se está bem. Uma criança que não
“responde”, que não faz nada quando você a toca e pergunta se está bem, é
considerada inconsciente.
Comprimir o tórax com força e rapidez é a parte mais importante da RCP. 20

Comprimindo o tórax você bombeia sangue para o cérebro e o coração.


As pessoas muitas vezes não comprimem com força suficiente por temerem
ferir a criança. Uma lesão é improvável, mas melhor do que a morte. É melhor
comprimir forte demais do que insuficientemente.
Use uma única mão para as compressões. Se não conseguir comprimir 5 cm
com uma mão, use as duas. Uma mão não é melhor do que duas, nem o contrário.
Faça o que for necessário para comprimir o tórax cerca de 5 cm de profundidade.Não
diferente do adulto, devemos, assim que observar uma criança caída ao solo, abordá-
la segurando pelo ombro, como mostra a (figura 18). Em seguida devemos observar
se há respiração normal, caso seja um profissional de saúde verificará pulso também.
(figuras 19 e 20).

Figura 18 Figura 19
Em seguida devemos pedir ajuda do serviço médico de emergência e solicitar
um DEA/AED (figura 21). Caso não haja como pedir ajuda no momento ou está
distante de um telefone, inicie imediatamente as manobras de RCP, pois a maioria
das crianças para por problemas respiratórios e a RCP será fundamental neste
primeiro momento. Após 5 ciclos de RCP, dirija-se a um telefone ou ache alguém
para solicitar um DEA/AED e volte a executar as manobras de reanimação.

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Figura 20 Figura 21
21
As compressões são importantes na RCP e executá-las da maneira correta é
cansativo. Quanto mais cansado(a) você estiver, menos eficazes serão as
compressões. Se mais alguém souber aplicar RCP, faça revezamento. Reveze a cada
2 minutos mais ou menos, movendo-se rapidamente para minimizar ao máximo a
pausa nas compressões. Lembrem-se, mutuamente, de comprimir 5 cm de
profundidade a uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto e permitir
que o tórax retorne à sua posição normal após cada compressão (figuras 22 e 23).

Figura 22 Figura 23

1 - Administrar ventilações

Crianças, em geral, têm coração saudável. Normalmente o coração da


criança para porque ela não consegue ou está tendo dificuldade para respirar. Em
consequência disso, além das compressões, é muito importante administrar
ventilações a uma criança (figura 23).
As ventilações precisam fazer com que o tórax da criança se eleve. A
elevação do tórax indica que a criança recebeu ar suficiente. As compressões formam
a parte mais importante da RCP. Se você também puder administrar ventilações,
ajudará a criança ainda mais. Antes de administrar ventilações, abra as vias aéreas.

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2 - Aplicação do DEA/AED

ETAPA AÇÃO

1 Ligar o DEA/DAE.

2 Verifique se há pás pediátricas ou um botão ou interruptor pediátrico

3 Use as pás pediátricas ou acione o botão ou interruptor pediátrico.

4 Seguir os avisos visuais e sonoros.


22

Figura 24 Figura 25

O DEA/DAE determina se a criança necessita de um choque e lhe avisa para


administrá-lo se necessário. Avisa inclusive quando é necessário certificar-se de que
ninguém esteja tocando a criança. As pás usadas para administrar o choque têm um
diagrama que indica como posicioná-las na criança. Siga o diagrama.
Se não houver pás pediátricas ou um botão/interruptor pediátrico, use as pás
de adulto. Se a criança tiver mais de 8 anos, use pás adultas. (Se estiver em dúvida se
a criança tem mais de 8 anos, presuma que ela tem e use as pás adultas). Ao colocar
as pás no tórax, deve-se tomar cuidado para uma pá não tocar na outra. Se a criança
for muito pequena, talvez seja necessário colocar uma pá no tórax e a outra nas
costas da criança (figura 24).

ETAPA AÇÃO

1 Enquanto mantém as vias aéreas abertas, comprima o nariz fechando-o.

2 Inspire normalmente e cubra a boca da criança com a sua boca.

3 Administre 2 ventilações (sopre por 1 segundo em cada). Verifique se o


tórax começa a elevar-se a cada ventilação administrada.

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Se for usar uma máscara de ventilação e se esta máscara tiver uma


extremidade afunilada, Coloque a parte estreita da máscara no alto (ponte) do nariz.
Posicione a parte larga para cobrir a boca. Podemos usar como referência a técnica
usada no capítulo anterior, pois, a técnica é a mesma (figura 25).

23

Figura 26: Fluxograma da utilização do DEA/AED em crianças. (fonte:American heart association®)

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3 - Revisão do atendimento da criança em PCR

Etapa Ação

1 Certifique-se de que o local é seguro.

2 segure pelo ombro e chame para certificar se a criança responde.


Se a criança não responder, avance para a Etapa 3.

3 Solicite ajuda.
24
Veja se alguém pode ajudá-lo (a).
Peça a essa pessoa que telefone para o número do serviço médico de
emergência/urgência e busque um DEA/DAE.

4 Verifique a respiração e cheque se a criança está respirando ou se apresenta


gasping.
Sem respiração e sem responder +ou apenas gasping= EXECUTAR RCP
Certifique-se de que a criança esteja sobre uma superfície firme e plana.
5 Administre a RCP executando 5 séries de 30 compressões e 2 ventilações e em
seguida telefone para o número do serviço médico de emergência/ urgência e
busque um DEA/DAE.
Compressões:
- Retire as roupas que atrapalharem.
- Coloque o calcanhar de uma mão sobre a metade inferior do esterno.
- Comprima em linha reta cerca de 5 cm de profundidade, a uma frequência de 100
a 120 compressões por minuto.
- Após cada compressão, deixe o tórax retornar à sua posição normal.
- Comprima o tórax 30 vezes.
Ventilações:
- Após 30 compressões, abra as vias aéreas com inclinação da cabeça e elevação
do queixo.
- Abertas as vias aéreas e faça uma inspiração normal.
- Comprima o nariz para cerrá-lo. Cubra a boca da criança com a sua boca.
Administre 2 ventilações (sopre por 1 segundo em cada). Aguarde que o tórax se
eleve a cada ventilação administrada.
DEA/DAE:
- Use-o assim que o tiver à mão.
- Ligue-o erguendo a tampa ou pressionando o botão “ON” (Ligar).
Use pás pediátricas ou o botão/interruptor pediátrico. (Use pás de adulto se não
houver pás pediátricas disponíveis).
- Siga os avisos.

6 Continue.
Continue executando séries de compressões e ventilações até que a criança
comece a respirar ou se mexer ou até que alguém com treinamento mais avançado
chegue e assuma o socorro.

Se houver outra pessoa com você durante a RCP ou se você puder gritar por
ajuda e pedir a alguém que o ajude, peça a ela que telefone para o número do serviço

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médico de emergência/urgência enquanto você comprime com força e rapidez e


administra as ventilações. Você executa as compressões e ventilações enquanto a
outra pessoa telefona e busca o DEA/AED. A tabela abaixo resume as diferenças
entre RCP em adultos e crianças:

O que é diferente O que fazer em um adulto O que fazer em


uma criança

Quando telefonar para o Telefonar depois de verificar Telefonar após aplicar 5 25


serviço médico de se há resposta. séries de compressões e
emergência/urgência ventilações, caso esteja
sozinho.

Procure um botão ou
interruptor pediátrico.
• Use pás para crianças.

Usar um DEA/DAE Use pás para adultos. Se não houver pás para
crianças, use as de adultos.
Se usar pás de adulto,
certifique-se de que elas
não se toquem.
Profundidade da Comprimir no mínimo 5 cm Comprimir cerca de 5 cm
compressão de profundidade. de profundidade.

Após 5 ciclos de RCP, telefone para o número do serviço médico de


emergência/urgência e busque um DEA/DAE, se isso ainda não tiver sido feito.
Assim que o DEA/DAE estiver à mão, use-o. Depois de telefonar para o número de
emergência/urgência, continue executando séries de 30 compressões e 2 ventilações
até que a criança comece a responder ou que alguém com treinamento mais avançado
chegue e assuma o socorro. Permaneça na linha até que o atendente/operador do
SME lhe diga que pode desligar.
O atendente/operador fará perguntas sobre a emergência. E também poderá
dar instruções sobre como socorrer a criança até que alguém com treinamento mais
avançado chegue e assuma o socorro.
Responder às perguntas do atendente/operador não retardará a chegada do
socorro. Se for possível leve o telefone com você para falar com o atendente/
operador ao lado da criança.

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RCP EM BEBÊS
RCP em Bebês:

Um bebê é alguém com menos de 1 ano de idade. Na abordagem de uma


criança com idade inferior a 1 ano, você espera que este se mexa, emita sons, pisque
ou reaja de alguma outra forma quando você o estimula e grita seu nome. Um bebê
que não “responde”, não faz nada quando você o toca e grita, considerar em PCR.
Caso o Bombeiro esteja acompanhado, um telefona para o Serviço Médico de 26
Emergência enquanto o outro inicia RCP. Caso o Bombeiro esteja sozinho, realizar 5
ciclos de 30 compressões X 2 Ventilações e, só depois, solicita o apoio.
Comprimir o tórax com força e rapidez é a parte mais importante da RCP.
Comprimindo o tórax, você bombeia sangue para o cérebro e o coração.
As pessoas muitas vezes não comprimem com força suficiente por temerem
ferir o bebê. Uma lesão é improvável, mas, caso ocorra, será melhor do que a morte.
É melhor comprimir forte demais do que insuficientemente. Se possível, coloque o
bebê sobre uma superfície firme e plana acima do chão (caso não seja possível utilize
o chão mesmo), como uma mesa. Isso facilita a administração da RCP.

1 - Abordagem do Bebê

Bata no
pezinho do
bebê e chame,
observe se
respira
normalmente,
peça ajuda e
inicie RCP.
Figura 27: Sequência de atendimento a um bebê.

As compressões são importantes na RCP e executá-las da maneira correta é


cansativo. Quanto mais cansado (a) você estiver, menos eficazes serão as
compressões. Se mais alguém souber aplicar RCP, reveze. Reveze a cada 2 minutos
mais ou menos, movendo-se rapidamente para minimizar ao máximo a pausa nas
compressões. Lembrem-se mutuamente de comprimir cerca de 4 cm de
profundidade, a uma frequência de pelo menos, 100 compressões por minuto e
permitir que o tórax retorne à sua posição normal após cada compressão (figura 27).

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Se profissional da saúde, verifique o pulso braquial não menos que 5


segundos e não mais que 10 segundos (figura 27). Se ausente, inicie a RCP
imediatamente. Lembrando que se pulso ausente, mas a frequência estiver abaixo de
60 batimentos por minuto, inicie imediatamente a RCP (figura 28).

27

Figura 28: RCP no bebê

Bebês em geral têm coração saudável. Normalmente o coração do bebê para


porque ele não consegue ou está tendo dificuldade para respirar. Em consequência
disso, além das compressões, é muito importante administrar ventilações a um bebê.
As ventilações precisam fazer com que o tórax do bebê se eleve. A elevação
do tórax indica que o bebê recebeu ar suficiente. As compressões formam a parte
mais importante da RCP. Se você também puder administrar ventilações, ajudará o
bebê ainda mais (figura 28). Antes de administrar ventilações, abra as vias aéreas.
Siga as seguintes etapas para abrir as vias aéreas.
Ao inclinar a cabeça do bebê, não a empurre demais para trás, porque isso
pode bloquear as vias aéreas. Evite pressionar a parte mole do pescoço ou abaixo do
queixo. Se você administrar uma ventilação em um bebê e o tórax não se elevar, abra
novamente as vias aéreas permitindo que a cabeça retorne a posição normal.
Em seguida, abra as vias aéreas novamente, inclinando a cabeça e elevando o
queixo e administre outra ventilação. Certifique-se de que o tórax se eleve. Não
interrompa as compressões por mais de 10 segundos para administrar ventilações. Se
o tórax não se elevar em até 10 segundos, comece a comprimi-lo com força e rapidez
novamente.
Caso você possua uma máscara de ventilação, coloque a parte afunilada para
o queixo do bebê, pois se adaptará melhor evitando fuga durante as ventilações.

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Figura 29:Ventilação em bebê com o auxilio da


máscara de ventilação 28

Caso haja dois ou mais socorristas da área de saúde, a RCP poderá ser
realizada com ciclos de 15 compressões para 2 ventilações, sendo que agora quem
comprimir, deverá segurar o tórax da criança com os polegares, como mostra a figura
30.

Figura 30: Dois socorristas realizando RCP em


bebê.

ASFIXIA EM CRIANÇAS
A asfixia é provocada por alimento ou outro objeto preso na via área ou na
garganta. O objeto impede que o ar chegue aos pulmões. Algumas asfixias são leves
e outras graves. Se for grave, aja rápido. Retire o objeto para que a criança possa
respirar.

Socorrendo uma Criança em Asfixia


Etapa Ação

1 Se desconfiar que a criança está asfixiada, pergunte: “Você está sentindo


dificuldade para respirar?”. Se ela acenar que sim, diga-lhe que você vai ajudar.

2 Fique atrás da pessoa. Abrace a pessoa de modo que suas mãos fiquem na parte
da frente do corpo dela.

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3 Feche uma das mãos.


4 Coloque o lado do polegar da mão fechada ligeiramente acima do umbigo da
criança e bem abaixo do esterno.
5 Agarre a mão fechada com a outra mão e faça compressões rápidas para cima
no abdômen.

6 Faça compressões até que o objeto seja expulso e a pessoa possa respirar, tossir
ou falar ou até que pare de responder.

29

Figura 31:Sinais de Figura 32:Manobra de


obstrução de Via aérea. desobstrução de via aérea.

Se a criança em asfixia for obesa e você não puder abraçar totalmente a


cintura, execute compressões torácicas, em vez de abdominais (Figura 33).

Siga as mesmas etapas, exceto pelo local onde posicionar seus braços e
mãos. Coloque seus braços por baixo das axilas da criança e suas mãos na metade
inferior do esterno. Puxe diretamente para trás para aplicar as compressões
torácicas.

Figura 33: Manobra de


desobstrução em criança obesa.

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Como Socorrer uma Criança em Asfixia Que Deixa de Responder

Se você fizer compressões numa criança, mas não conseguir remover o objeto
que está bloqueando as vias aéreas, a criança irá parar de responder. Comprimir o
tórax pode fazer com que o objeto seja expelido.
Se a criança deixar de responder, siga estas etapas:

Etapa Ação
1 Deite a criança sobre uma superfície firme e plana.
30
2 Segure pelo ombro e chame.
3 Peça ajuda.
4 Verifique a respiração.
5 Administrar 30 compressões.
6 Após 30 compressões, abra as vias aéreas. Se vir um objeto na boca,
retire-o.

7 Administre 2 ventilações.
8 Repita a execução de séries de 30 compressões e 2 ventilações,
Inspecionando a boca quanto a objetos após cada série.

9 Após 5 séries de 30 compressões e 2 ventilações, telefone para o


serviço médico de emergência/urgência e busque um DEA/DAE.

10 Administre séries de 30 compressões e 2 ventilações,


Inspecionando a boca quanto a objetos após cada série de compressões,
até que a criança comece a responder ou que alguém com treinamento
mais avançado chegue e assuma o socorro.

Figura 34:Abra bem a boca da


criança e procure o objeto.

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ASFIXIA EM BEBÊS
A asfixia é provocada por alimento ou outro objeto preso na via área ou na
garganta. O objeto impede que o ar chegue aos pulmões. Algumas asfixias são leves
e outras, graves. Se for grave, aja rápido. Retire o objeto para que o bebê possa
respirar. Em caso de engasgo com líquidos (leite por exemplo) proceder da mesma
forma que sólidos.

Ação: Use a tabela a seguir para determinar se o bebê está em asfixia leve ou grave e o 31
que fazer.

Se o bebê Bloqueio nas vias aéreas E você deve

• Permanecer ao lado e deixá-


lo tossir
• Se estiver preocupado com a
• Conseguir emitir sons
Leve respiração do bebê, telefone para
• Conseguir tossir alto
o número do serviço médico de
emergência/ urgência mais
próximo.
• Agir rapidamente
• Não conseguir respirar • Siga as etapas de socorro
ou tossir sem som ou não Grave para bebês em asfixia
conseguir emitir sons

Figura 35 Figura 36 Figura 37

Figura 38 Figura 39 Figura 40

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ETAPA AÇÃO
1 Segure o bebê com o rosto voltado para baixo com as pernas em seu cotovelo.
Sustente a cabeça e a mandíbula do bebê com a mão. (figura 37)

2 Dê até 5 pancadas nas costas com o calcanhar da outra mão, entre as


escápulas do bebê. (figura 37)
3 Se o objeto não for expelido após 5 pancadas nas costas, vire o bebê de frente,
sustentando a cabeça. (figura 38)

4 Administre até 5 compressões torácicas, usando 2 dedos da outra mão para


comprimir o tórax da mesma maneira que em RCP. (figura 38)
5 Repita as 5 pancadas nas costas e as 5 compressões torácicas até que o bebê
32
consiga respirar, tossir ou chorar ou deixe de responder.

Um bebê que receber pancadas nas costas e compressões torácicas deve ser
examinado por um profissional de saúde. Como Socorrer um Bebê em Asfixia Que
Deixa de Responder. Se você der pancadas nas costas e fizer compressões torácicas
no bebê e ainda assim, não conseguir remover o objeto que está bloqueando as vias
aéreas, o bebê deixará de responder. Comprimir o tórax pode fazer com que o objeto
seja expelido.

Se o bebê deixar de responder, siga estas etapas:

ETAPA AÇÃO

1 Coloque o bebê com o rosto voltado para cima sobre uma superfície firme e
plana acima do chão, como uma mesa. (figura 39)

2 Estimule o pezinho

3 Peça por ajuda.

4 Verifique a respiração.

5 Comprima o tórax 30 vezes.

6 Após 30 compressões, abra as vias aéreas. Se vir um objeto na boca, retire-o.

7 Administre 2 ventilações. (figura 40)

8 Repita a execução de séries de 30 compressões e 2 ventilações,


Inspecionando a boca quanto a objetos após cada série de compressões.
9 Após 5 séries de 30 compressões e 2 ventilações, telefone para o serviço
médico de emergência/urgência.

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10 Administre séries de 30 compressões e 2 ventilações,


Inspecionando a boca quanto a objetos após cada série de compressões, até que
o bebê comece a responder ou que alguém com treinamento mais avançado
chegue e assuma o socorro.

ASFIXIA NO ADULTO

Etapa Ação
1 Se desconfiar que alguém esteja asfixiado, pergunte: “Está com dificuldade para 33
respirar?”. Se a pessoa acenar que sim, diga-lhe que você vai ajudar. (figura 41)

2 Fique atrás da pessoa, abrace- a de modo que suas mãos fiquem na parte da
frente do corpo dela. (figura 42)
3 Feche uma das mãos.
4 Coloque a mão fechada com o lado do polegar ligeiramente acima do umbigo da
pessoa e bem abaixo do esterno.

5 Agarre a mão fechada com a outra mão e faça compressões rápidas para cima
no abdômen da pessoa.

6 Faça compressões até que o objeto seja expulso e a pessoa possa respirar,
tossir ou falar ou até que pare de responder.

Figura 41: Figura 42:

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ASFIXIA NA GESTANTE

Se alguém estiver asfixiado e for obeso ou estiver nos últimos estágios de


gravidez e você não conseguir envolver totalmente a cintura da vítima com seus
braços, administre compressões no tórax em vez de no abdômen. Siga as mesmas
etapas, exceto pelo local onde posicionar seus braços e mãos. Coloque seus braços
por baixo das axilas e suas mãos na metade inferior do esterno. Puxe diretamente
para trás para aplicar as compressões torácicas.

34

Figura 43

Em todas as vítimas que deixam de responder ou se tornam inconscientes,


você deverá posicioná-las ao solo com cuidado para não se ferirem, pedir ajuda e
imediatamente aplicar séries de 30 compressões torácias durante dois minutos. Após,
cheque se o corpo estranho saiu e se esta voltou a respirar, caso contrário inicie
imediatamente as manobras de RCP até a chegada do socorro ou se esta acordar.

Etapa Ação

Verifique se ela necessita de RCP. Administre a RCP, se necessário e se souber


1
fazer isso. Se não souber como executar RCP, faça somente compressões
torácicas.

2 Verifique se encontra objetos na boca a cada série de 30 compressões.

Continue a RCP até que ela fale, se mexa ou respire, ou até que alguém com
3 treinamento mais avançado chegue e assuma o socorro.

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Resumo de RCP e DEA/AED para adultos, crianças e bebês.

35

Não ultrapassando 6 cm

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Capítulo II
Emergências Clínicas e Cardiológicas:
1 - Avaliação Neurológica

Nível de Consciência:

Quando avaliamos uma vítima a primeira ação que devemos realizar é ver o
seu nível de consciência. Se ela estiver lúcida e orientada é algo que nos deixa mais 36
tranquilo e a princípio podemos dizer que seu estado neurológico está preservado.
Na avaliação do nível de consciência também podemos explorar a fala e o seu
grau de compreensão. Se a vítima está acordada e fala com clareza aquilo que é
perguntado e apresenta espontaneidade na interação com o socorrista, podemos
considerar que a mesma apresenta um bom referencial de nível de consciência.
Entretanto, em um outro cenário quando a vítima está desacordada ou não
fala com nitidez, clareza com o socorrista, acompanhada de algum grau de
desorientação, com certeza algum evento neurológico está acontecendo, devido essa
mudança de comportamento. Vale ressaltar que a possibilidade em obter informações
de acompanhantes ou parentes, ajuda na formação da hipótese diagnóstica.
No paciente clínico o que pode interferir nessa interação? Aumento da
pressão intracraniana (ocasionado por extravasamento de sangue, líquor e/ou edema);
baixo débito sanguíneo; sedação; uso de medicamentos; alterações metabólicas
como: a hipoglicemia; trauma; rompimento de aneurisma, início de doenças crônico
degenerativas, entre outros.
Portanto, esse paciente precisará realizar exames laboratoriais e
principalmente de imagem como a tomografia computadorizada e ressonância
magnética para que a avaliação do estado neurológico do paciente fique completa.
Identificar tais alterações descritas, registrá-las e comunicar ao enfermeiro ou
ao médico da unidade, assim que as perceber é valioso para a segurança do paciente.

Motricidade:

O paciente que obedece e executa comandos como: “aperta a minha mão”;


“segure esse objeto”; “coloque a ponta do dedo no nariz”; “levante a perna direita”,
mostra uma boa condição de lucidez e de domínio corporal.

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Agora, se o paciente não obedece às ordens solicitadas, uma gama de


problemas clínicos pode aparecer entre eles, doenças dismielinizantes, acidentes
vasculares, tumores cerebrais, entre outros.
Portanto, a preservação dos movimentos coordenados no paciente são sempre
bons indicadores de normalidade no sistema nervoso.

Sensibilidade:

Esta é uma avaliação sutil do exame neurológico, que obedece as mesmas 37


regras de obediência a comando, só que ao invés de avaliar movimento, examinamos
o tato do paciente através de pressão leve, moderada e profunda.
Quanto mais profunda for a pressão que se faça para perceber uma
sensibilidade, maior a possibilidade de lesão no segmento avaliado, como: face,
tronco e membros superiores e inferiores.

Fotorreação:

Não podemos falar de avaliação clinica neurológica, sem falar da fotorreação


pupilar. Elas estão intimamente ligadas a normalidade do sistema nervoso, porém
suas alterações fazem com que a percepção de problemas podem estar em processo
de evolução.
Normalmente as pupilas se acomodam de acordo com a luminosidade,
portanto, se o examinador insere uma luz sob a as pupilas elas tendem a contrair e na
ausência da luz em dilatar.
Nos casos clínicos em que ocorre lesão no sistema nervoso central, as pupilas
dilatadas, não fotorreagentes, já sinalizam alteração neurológica, como por exemplo:
falta de oxigenação cerebral, hipóxia. Pupilas bastante contraídas chamadas de
puntiforme, também apresentam um prognóstico preocupante e podem demonstrar
sedação ou intoxicação exógena.

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A anamnese de qualquer paciente, para qualquer tipo de patologia deve seguir


um roteiro importante no processo de investigação dos problemas de ordem clínica.

Sinais e Sintomas

Os sintomas relatados pelos pacientes são diversos e acometem diferentes


tipos de sistemas são eles; alterações do nível de consciência, cefaléia, dor na face,
tonturas e vertigens, convulsões, automatismos (reflexos de defesa); amnésia
(esquecimento), movimentos corporais involuntários, distúrbios visuais e/ou 38
auditivos, náuseas e vômitos, disfagia (dificuldade de engolir), marcha, paresias e
paralisias, distúrbios de sensibilidade, dores radiculares (dor de origem nervosa com
sensação de formigamento ou compressão), perda ou relaxamento esfincterianos
(sem controle voluntário urinário e fecal), distúrbios do sono.
Após a revisão destas estruturas e funções do sistema nervoso podemos
entender os distúrbios neurológicos possibilitando intervir com o cuidado necessário
para a sobrevida do paciente.

2 - Epilepsia/Crise Convulsivas:

A convulsão é uma manifestação de que a atividade cerebral está em


desajuste. É uma resposta a uma descarga elétrica anormal no cérebro. Uma parte dos
pacientes que apresentam a convulsão jamais voltará a apresentá-la, enquanto o outro
grupo continuará a apresentá-las repetidamente. Quando isto ocorre dá-se o nome de
epilepsia. O que ocorre exatamente durante uma convulsão depende da parte do
cérebro que é afetada pela descarga.
As crises convulsivas são movimentos musculares súbitos e involuntários,
que ocorrem de maneira generalizada ou apenas em segmentos do corpo, podem ser
classificadas como as crises de pequeno mal e grande mal.
As crises convulsivas de pequeno mal são também chamada de crises de
ausência, sendo mais comuns em crianças, caracterizada quando o paciente perde o
contato com o meio ambiente por alguns segundos e parece estar fitando o vazio. A
conduta no atendimento é a observação, proteção da vítima e encaminhamento a uma
unidade hospitalar.
As chamadas de grande mal são classificadas de duas maneiras e de acordo
com as contrações que exercem no corpo. São chamadas de tônica e clônica.

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As contrações tônicas se caracterizam por serem sustentadas e imobilizarem


as articulações, geralmente dura poucos segundos. O paciente tem a perda da
consciência, contração muscular contínua, inclusive do diafragma e com essa
contração o ar é forçado a sair pela laringe que está fechada, produzindo um grito.
As clônicas são contrações rítmicas,
alternando-se contração e relaxamento. É a
mais clássica forma de apresentação da
convulsão. Tem uma duração maior que a 39

tônica e é caracterizada pela alternância entre


contrações musculares e relaxamento em
rápida sucessão, pode haver parada
respiratória, perda do controle esfincteriano e
salivação excessiva (sialorréia).
É importante ressaltar, que não há um padrão nas crises convulsivas e nem
uma maneiras específica que determinará que um paciente fará de forma tônica,
clônica e/ou ausência. Essas apresentações estão relacionadas aos estímulos nervosos
que proporcionaram a crise convulsiva. A representação no exame de
Eletroencéfalograma é dada por traçados em que a intensidade de resposta elétrica
mostra o tipo de crise que o paciente apresenta.

O quadro clínico é geralmente manifestado pela alteração ou perda da


consciência acompanhada por alterações de comportamento; presença de atividade
motora involuntária, automatismos (piscar de olhos), perda de tônus motor
(resultando em queda) e incontinência esfincteriana.
O estado de mal epiléptico (status epleticus) constitui uma emergência
médica, pois, pode levar à morte por arritmias cardíacas ou dano cerebral devido a
hipoxemia. Ela é definida como a ocorrência de dois ou mais episódios de convulsão
sem que a vítima recobre a consciência ou convulsões generalizadas e que tenha mais

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de trinta minutos de duração. Portanto, sempre devemos suspeitar dessa hipótese


diagnóstica, quando alguém referenciar que o paciente convulsionou de forma muito
demorada. Após a ocorrência da crise, o paciente apresenta um estado neurológico
chamado de pós-comicial. Este deve ser analisado a partir da recuperação do paciente
que provavelmente será imediata se paciente já apresentava história prévia de
epilepsia, o que é um bom sinal de melhora. Contudo, se o paciente apresenta
suspeita de lesão na estrutura cerebral, alterações ao exame neurológico e crise
convulsivas com início focal, ou seja, localizado, o prognóstico torna-se mais 40
desfavorável.

A conduta para se avaliar e tratar uma crise convulsiva é inicialmente de


avaliar a cena, sempre utilizar um equipamento de proteção individual (EPI) para
evitar a transmissão de doenças por gotículas de saliva, verificar o nível de
consciência e a persistência de convulsões, buscar por indícios de usos de drogas,
envenenamento ou por truamatismos.
Durante o atendimento não se
deve introduzir objetos na boca do
paciente.
A proteção da cabeça do
paciente é prioridade durante a crise,
pois evita traumatismo craniano.
Não se deve conter a vítima,
Vítima colocada na posição lateral de segurança - PLS
devendo apenas proteger os membros
superiores e inferiores evitando lesões.
Abrir a via aérea empregando manobras manuais durante o estado pós
comicial (utilizar posição lateral de segurança), avaliar a necessidade de ventilar o
paciente artificialmente, administrar oxigênio sob máscara 10 a 15 litros por minuto.e
manter a saturação acima de 92%.

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Importante lembrar que a conduta de proteger o paciente e esperar a crise


passar é uma conduta em ambiente pré hospitalar. No hospital esperamos que a crise
seja interrompida com o uso de sedativo do grupo dos benzodiazepínicos, sendo o
mais recomendado o diazepam.
O uso de anticonvulsivante se faz necessário após a crise e temos a fenitoína
como droga de escolha em um primeiro momento após a crise.

3 - Acidente Vascular Encefálico (AVE): 41

O acidente vascular encefálico (AVE), também conhecido como acidente


vascular cerebral (AVC) é caracterizada pela interrupção aguda do fluxo de sangue
para alguma região do sistema nervoso central, principalmente o cérebro. Esse
acidente vascular pode ocasionar diversos sintomas como: Paralisia de parte do
corpo, dificuldade para falar, desmaio, tontura e dor de cabeça, dependendo do local
afetado.
Este derrame cerebral pode ser do tipo isquêmico, que é mais comum e acontece
quando há perda do fluxo de sangue por um coágulo, por exemplo, ou do tipo
hemorrágico, quando um vaso se rompe e provoca sangramento dentro do cérebro
ou nas meninges, que são as películas que envolvem o cérebro.
Ambas as condições devem ser tratadas com urgência e podem deixar
sequelas, como dificuldades na movimentação ou na comunicação. Assim, o ideal é
que se previna o surgimento do AVE, o que pode ser feito com hábitos de vida
saudáveis, alimentação equilibrada, prática de atividades físicas e o tratamento
correto de doenças que podem desencadear esta situação, como pressão alta,
colesterol ou triglicerídeos altos e diabetes, por exemplo.
Dentro das doenças cerebrovasculares, o AVE destaca-se como sendo uma
das grandes preocupações da atualidade, tendo em vista ser a terceira maior causa de
morte por doença no mundo. Por definição o Acidente vascular cerebral caracteriza-
se por disfunção neurológica causada por interrupção no suprimento sanguíneo
encefálico.
O acidente vascular cerebral é uma interrupção ou inadequação do fluxo
sanguíneo a uma área específica do cérebro, resultando em disfunção neurológica
transitória ou permanente. O acidente vascular cerebral isquêmico transitório (AIT)
dura menos de vinte quatro horas. O acidente vascular cerebral isquêmico é similar

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ao infarto agudo do miocárdio, uma vez


que a o mecanismo de ação é a perda do
suprimento sanguíneo ao tecido, que
pode resultar de lesão irreversível se o
fluxo sanguíneo não for restabelecido
rapidamente.
O cérebro por ser a maior
estrutura presente no sistema nervoso 42

central, este tipo de acidente circulatório acomete mais o tecido cerebral, no qual
temos a maior ocorrência dos acidentes vasculares cerebrais (AVC).
Estas situações resultam da diminuição ou ausência do fluxo de sangue e,
conseqüentemente, de oxigênio ao nível dos tecidos das estruturas encefálicas.
Como resultado das alterações da circulação do sangue oxigenado nas
estruturas encefálicas (cérebro, cerebelo e tronco cerebral), estas entram em
sofrimento decorrente da isquemia, sendo a situação agravada de acordo com a
extensão da área afetada.
Essa alteração no suprimento sanguíneo também pode ocorrer por
rompimento das artérias que fazem parte da circulação encefálica, que além de
interromper o fluxo de sangue, também comprimem as estruturas cerebrais por
compressão. O que transforma esse quadro com mais gravidade em relação aos
eventos isquêmicos. Portanto consideram-se dois grandes tipos de AVC: Isquêmicos
quando existe uma interrupção no fluxo sanguíneo por um trombo e Hemorrágicos
quando a interrupção do fluxo ocorre pelo
rompimento de um vaso sanguíneo.
Mas quando suspeitar? É importante
considerar essa situação clínica em qualquer
indivíduo com déficit neurológico focal ou
alteração do nível de consciência.
Existe uma forma de avaliação rápida e
que aumenta a atenção do profissional de
enfermagem, diante de alguma situação de
acidente vascular cerebral que é a Escala de

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Cincinatti, que consiste em observar o Desvio de comissura labial, disartria e


parestesia.

Desvio da comissura Parestesia (perda de


labial força muscular)

43

A Escala de Cincinatti, não é uma tríade, o paciente não precisa ter a


manifestação clínica dos três sinais, basta ter um deles para evidenciar a necessidade
do atendimento em uma unidade de emergência.
Os sinais e sintomas apresentados por uma pessoa que teve ou está
apresentando o AVC são a perda orientação, descontrole ou mesmo incapacidade de
realização de movimentos, dores de cabeça (cefaléias) fortes (associados à
hemorragia cerebral), agitação e ansiedade, dificuldade na articulação das palavras
(disartria), pupilas anisocóricas, estando mais dilatada a do lado da lesão, paralisia
facial, sensibilidade reduzida aos estímulos táteis, palidez cutânea, sudorese,
hemiplegia (paralisia de metade do corpo).
A conduta para se iniciar o atendimento a pessoa com AVC após suspeitar do
diagnóstico é encaminhar o paciente para o hospital, de referência, o mais rápido
possível, pois, o sucesso no tratamento deste paciente dependerá da celeridade no
qual o diagnóstico será estabelecido, através dos exames de imagens e da terapêutica
indicada for iniciada.
Portanto, protocolarmente deve-se reduzir tensão emocional do paciente,
avaliar nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow), avaliar possibilidade de
AVE (Escala de Cincinatti), promover o estímulo cerebral por meio de estímulos
verbais, manter a via aérea permeável, colocar a vítima em uma posição confortável
de acordo com o seu grau de consciência (cabeceira elevada), oferecer oxigênio sob
máscara se respiração estiver presente (10 a 15 litros por minuto) e caso respiração

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com alteração ventilar o paciente, realizar um acesso venoso com solução fisiológica,
com controle do gotejamento lento (sete gotas por minuto), aquecer a vítima com um
lençol avaliar os sinais vitais.

44

Nos casos de acidente vascular isquêmico uma das condutas é o tratamento


com trombolítico, mas ele depende do hospital ter um protocolo de atendimento ao
AVE e do tempo de chegada do paciente ao hospital que começa a contar do início
dos sintomas do paciente, não podendo ultrapassar de 4 horas.
A droga de escolha é a Alteplase (RT-PA), seguem abaixo os critérios de
inclusão e exclusão para se fazer o trombolítico no AVE, lembrando que a unidade
hospitalar tem que ter tomografia computadorizada, pois o trombolítico só pode ser
feito em AVE isquêmico, e o exame de imagem descartará acidente vascular
hemorrágico.
Existem critérios de inclusão e exclusão para o uso de trombolíticos nos
paciente com AVE e que estão dispostos no quadro abaixo.

Critérios de INCLUSÃO para uso de Critérios de EXCLUSÃO para uso de


rt-PA rt-PA

Idade > 18 anos Melhora clinica completa.


Diagnóstico clínico de acidente História conhecida de hemorragia
vascular cerebral isquêmico intracraniana

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Início dos sintomas com menos de 4h e Pressão Arterial Sistólica sustentada


30 minutos. >185mmHg ou Pressão Arterial
Diastólica sustentada > 110mmHg.

Ausência de alterações na tomografia Hemorragia gastrointestinal ou genito-


urinária nos últimos 21 dias, varizes de
esôfago

AVC isquêmico em qualquer território Cirurgia de grande porte nos últimos 14


encefálico dias 45

Outra maneira de se avaliar o AVE é a escala usada pela NIHSS (National Institutes
of Health Stroke Scale).

4 – Hipoglicemia:

A Diabetes Mellitus é uma doença crônica muito comum e suas complicações


são diversas, apesar do raciocínio clinico sempre trazer para aspectos
hiperglicêmicos, a hipoglicemia é o seu maior complicador em situações de
emergência, principalmente no paciente que está em ajuste com o seu medicamento
hipoglicemiante, que pode ser oral ou a injeção de insulina.

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46

As complicações agudas do diabetes são graves e implicam risco de vida,


caso o paciente não seja tratado a tempo. As complicações agudas do diabetes em
geral são dramáticas, pois os pacientes estão bem e, em pouco tempo, parecem estar
gravemente enfermos, com alteração aguda do nível de consciência.
Em uma primeira análise, pacientes que estejam fazendo hipoglicemia
parecem fazer eventos neurológicos agudos como um acidente vascular encefálico.
A hipoglicemia não relacionada a medicamentos ainda pode ser causada por
jejum prolongado ou falta adequada de uma alimentação. Também pode ocorrer,
após grande esforços físicos sem reposição alimentar.
A hipoglicemia é um distúrbio em que a concentração de glicose do sangue
encontra-se anormalmente baixa, porém, nem todos aceitam esse critério sugerido de
diagnóstico, e até o nível de glicose baixo o suficiente para definir hipoglicemia tem
sido fonte de controvérsia. Para muitos propósitos, níveis de glicose no plasma
abaixo de 70 mg/dl ou 3,9 mmol/L podem ser considerados hipoglicêmicos, mas
esses valores são muito variáveis de um indivíduo para outro.

Principais sinais e sintomas:

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Conduta:

· Abordar a vítima avaliando o nível de consciência e realizando o exame


primário.
· Caso o exame primário esteja sem alterações, no exame secundário, avalie o
sinais vitais e realize o exame de glicemia capilar.
· Se o exame glicêmico apresentar valor igual ou abaixo de 50 mg/dl, realize
um acesso venoso com solução salina e administre de 3 a 4 ampolas de 47
glicose hipertônica à 50%.
· Lembrando de realizar este atendimento em comum acordo com a regulação
médica.
· Fornecer oxigênio
suplementar de 3 a 5 litros
por minuto, mesmo sem
descompensação
respiratória é adequado.
· Mesmo que a vítima

recobre a consciência é prudente Teste de Glicose utilizando o glicosímetro digital


encaminhar para uma unidade
hospitalar para se descartar problemas de ordem metabólica e neurológica.

5 - Síndrome Coronariana Aguda (SCA)

A síndrome coronariana aguda


abrange a angina estável, a angina
instável e o infarto agudo do miocárdio.
ocorre por uma alteração da relação
oferta\ demanda de oxigênio ao coração
ou por uma interrupção abrupta da
passagem de sangue ao coração.
Necessita de avaliação médica o
mais rápido possível para que o
tratamento seja iniciado e assim mais células miocárdicas sejam poupadas.

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A dor torácica de origem cardíaca geralmente tem como características, uma


dor no peito fortemente opressiva com irradiação para o dorso, membro superior
esquerdo e mandíbula, podendo durar de minutos a horas.
Outros sinais e sintomas que podem estar associados são: pele fria e
sudoreica, palidez cutânea intensa, sensação de morte iminente, além de náuseas e
vômitos.
Lembrando sempre que pacientes idosos, diabéticos e mulheres acima de 50
anos podem apresentar síndrome coronariana aguda sem desconforto torácico, 48

evoluindo com sinais e sintomas de descompensação cardíaca como dispnéia,


sensação de desmaio e cianose de extremidades ou até mesmo sinais mal definidos
como desconforto abdominal e náuseas.
A síndrome coronariana geralmente é decorrente de doença aterosclerótica da
coronária. E alguns fatores como stress, trauma, infecções, exercício físico podem
desencadear essa alteração da demanda\oferta de sangue ao coração.
Importante lembrar da necessidade da urgência de reconhecimento dos sinais
e sintomas da dor torácica de origem cardíaca e do rápido transporte em segurança
para um centro médico mais próximo.
O paciente deve ser prontamente avaliado, colocado em uma posição
confortável, ofertado oxigênio, mantida a cabeceira da maca elevada, proibida a
ingestão oral e realizada a regulação para o hospital mais próximo.
Tentar fazer uma anamnese rápida com dados como uso de medicações,
doenças previas, checar se já fez cirurgia cardíaca ou implante de stent,ou caso teve
indicação de tais procedimentos, tempo decorrido do inicio da dor,histórico de
alergia,para serem relatados na chegada ao hospital.

No atendimento pré hospitalar caso não haja contra indicação costuma-se


fazer a utilização de aspirina de 2 a 4 comprimidos (aspirina infantil), administrar
oxigênio,nitroglicerina sub lingual( 1 comprimido) em pacientes que permaneçam
com pressão arterial sistólica acima de 90 mmhg.
No hospital alguns exames serão realizados para confirmar ou descartar a
síndrome coronariana aguda.
Exames comumente solicitados são o eletrocardiograma de 12 derivações, rx
de tórax e dosagem de enzimas cardíacas. conforme o resultado podem ser
solicitados ecocardiograma e se necessário cateterismo cardíaco.

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6 - Hipotermia

A hipotermia é o resfriamento
generalizado do organismo que ocorre
pela exposição a temperaturas baixas. a
gravidade da hipotermia é proporcional
ao tempo de exposição ao frio e ao
meio em que a vítima se encontra.a 49
transferência de calor corporal é até 25
vezes mais rápida em meio líquido do
que no ar,por esse motivo a hipotermia
ocorre mais rapidamente em vítimas
imersas em ambiente líquido.
Crianças principalmente os recém nascidos e os idosos são mais propensos a
hipotermia,assim como os desabrigados,desnutridos e pessoas com alteração do nível
de consciência por ingestão alcoólica.
Para se fazer o diagnóstico de hipotermia, sempre deve se ter em mente essa
possibilidade, mesmo que as condições ambientais não sejam altamente propícias. Os
sinais e sintomas se tornam mais severos com a progressão da hipotermia. Não
esquecer que os termômetros comuns de mercúrio só marcam até 35c°. A
classificação se dá da seguinte forma:

· Hipotermia leve (32 a 35c°): vítima com tremores, mecanismo gerado pelo
organismo para ganhar calor, com queixa de frio, falta de coordenação
motora e confusão mental, pele fria e pálida.
· Hipotermia moderada (30 a 32c°): cessam os tremores, ocorre queda da
pressão arterial. o pulso se torna lento e irregular. Deve ser palpado o pulso
central pois o periférico às vezes se torna ausente pela vasoconstricção
periférica. A freqüência respiratória diminui e as pupilas se dilatam,
ocorrendo a diminuição importante do nível de consciência.
· Hipotermia grave (<30c°): ocorre queda maior da pressão arterial, piora do
nível de consciência com evolução para o coma e diminuição acentuada da
freqüência respiratória.

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Mobilizar com cuidado esta vítima, pelo risco acentuado em evoluir com
degeneração para Fribrilação ventricular.
A avaliação inicial ocorre com o A-B-C-D-E. Estabilização de via aérea com
oferta de oxigênio,checagem da circulação e, quando possível, colocar a vítima em
local aquecido, retirando roupas molhadas e agasalhar com cobertores e mantas
térmica. Em pacientes com hipotermia severa o aquecimento ativo poderá ser
realizado com soro aquecido.avaliar o nível de glicemia através do glicosímetro e
ofertar glicose quando necessário.pacientes conscientes podem receber oferta de 50

glicose por via oral através de bebidas aquecidas e alimentos. Nos pacientes com
queda do nível de consciência, os mesmos devem receber por via venosa.
Colocar o paciente em posição confortável e realizar a transferência para
hospital próximo.manter avaliação dos sinais vitais durante o transporte.
Em caso de parada cardiorespiratória, manter a rcp por tempo prolongado, até
que ocorra elevação da temperatura para 35c °. o coração em hipotermia severa
responde mal às drogas vasoativas e à desfibrilação elétrica.

7 - Hipertensão Arterial

A hipertensão arterial geralmente é


uma doença silenciosa, multifatorial,
caracterizada por elevação sustentada da
pressão arterial com níveis pressóricos
maiores ou iguais a 140x 90 mmhg.
Apresenta uma prevalência elevada na
população acima de 60 anos.
Mantém associação com doenças
como acidente vascular cerebral, infarto
agudo do miocárdio, doença vascular
periférica, insuficiência cardíaca e
insuficiência renal. sendo sua descoberta realizada às vezes no primeiro atendimento
de uma crise hipertensiva, já com lesão de órgão alvo.
Entre os fatores de risco modificáveis encontramos a diminuição da ingestão
de sódio, a diminuição no consumo de álcool e o início de atividade física regular.

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Pacientes hipertensos com sintomas como: dor de cabeça, visão turva, dor torácica,
alteração do nível de consciência e dispnéia, devem ser prontamente atendidos com
avaliação dos sinais vitais como pressão arterial, oximetria de pulso, realização de
haemoglucotest. colocados em posição confortável com cabeceira elevada e ofertado
oxigênio quando necessário para o transporte ao hospital mais próximo. Pacientes
hipertensos sem sinais ou sintomas de descompensação de órgãos alvos, devem ser
orientados a procurar atendimento ambulatorial para controle pressórico.
51
8 - Asma

A asma é uma doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) são doenças das
vias aéreas inferiores, em que há relato de episódios anteriores de dificuldade
respiratória com fatores precipitantes.
A asma é uma causa comum de atendimento em emergência e reponde por
uma taxa alta de internações anuais, apresentando alto índice de reinternação por não
adesão ao tratamento. Os achados precoces de asma incluem uma combinação dos
seguintes sinais e sintomas: roncos e sibilos, dispnéia, tosse e relato de doença
infecciosa recente do trato respiratório.
Na elaboração de um diagnóstico de asma, um episódio somente de roncos e
sibilos não fecha o diagnóstico. Surtos repetidos são necessários para identificar o
provável diagnóstico. Outras doenças que se manifestam com sinais de roncos,
sibilos e dispnéia são as pneumonias virais ou bacterianas, disfunção ventricular por
infarto agudo do miocárdio e dpoc.
Em crianças, essas manifestações devem levar em conta o diagnóstico
diferencial com manifestações de doenças cardíacas congênitas além de obstrução de
via aérea por aspiração de corpo estranho.
Indicadores de exacerbação
grave da asma incluem saturação de
oxigênio menor que 92%, taquipnéia,
consulta recente ao pronto socorro ou
hospitalização, história de intubação
por asma e uso frequente de corticóide.
A conduta do Bombeiro se dará
através da avaliação primária da vítima

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com monitorização dos sinais vitais, suplementação de oxigênio e transporte em


maca com a cabeceira elevada para atendimento hospitalar.

52

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Capitulo III
Assistência ao Politraumatizado no APH

De acordo com o DATASUS 2014, as causas externas compõem a principal


causa de morte em indivíduos jovens na faixa etária compreendida entre 10 e 29 anos
de idade, sendo a 3º causa de morte entre todas as faixas etárias. Apenas na quinta
década de vida é que o câncer e as doenças cardiovasculares se comparam ao trauma 53
como principais causas de morte. Destacamos ainda, que 80% das mortes na
adolescência e 60% das mortes na infância, decorrem de trauma.
Em alguns casos, é possível evitá-la através de intervenções simples tais
como: manter a via aérea desobstruída, imobilizar a coluna vertebral, assegurar uma
respiração patente, ocluir feridas abertas no tórax, manter uma temperatura normal e
conter as hemorragias externas, são exemplos de procedimentos críticos e eficientes
que podem ser realizados até a chegada do socorro especializado.
Os Bombeiros Militares do Estado do Rio de Janeiro devem ter como rotina
avaliar as condições do evento durante o trajeto entre a Unidade de Bombeiro Militar
e o local do evento baseando-se no maior número de informações colhidas desde a
solicitação do socorro, obtendo detalhes quanto à natureza do incidente de trauma,
número de vítimas, condições locais (iluminação, exposição a produtos perigosos,
risco de desabamento, explosões, etc.) e a necessidade de solicitar apoio de socorro
avançado de saúde e/ou outros órgãos (Polícia Militar, Companhia de Engenharia de
Tráfego, Guarda Municipal, concessionárias de energia, água e esgoto, dentre
outras).

1- Etapas Iniciais do Socorro – Perguntas Norteadoras:

A base do conhecimento do socorrista provém de várias fontes, incluindo


treinamento pessoal, perfil profissional, cursos de especialização, Instruções Técnico
profissional (ITP) e a experiência de campo. Destacamos que o início de todo
atendimento ao trauma no ambiente pré-hospitalar, perpassa pela realização de
perguntas norteadoras. Neste contexto, o socorrista deve questionar-se acerca das
seguintes indagações:

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1- Qual foi a Cinemática do Trauma?


2- A cena está segura e qual é a impressão geral da vítima?
3- Qual é o Número de vítimas e qual a necessidade solicitar de apoio?
4- Qual Equipamento de Proteção Individual (EPI) devo utilizar além da
Biossegurança?

1.1 Cinemática do Trauma

A aplicação dos princípios da cinemática do trauma na avaliação da vítima


ajuda a prever lesões que de outra forma poderiam passar não percebidas. Deixar de 54
suspeitar de lesões, por não avaliar adequadamente a cinemática, pode ter um
impacto desastroso no prognóstico do paciente.
Neste contexto, ressaltamos que diferentes tipos de acidentes apontam para
um padrão diferente de lesão na vítima. Essa interpretação, acerca da cinemática,
realizada pelo socorrista, direciona o exame que será realizado na vítima, a fim de
descobrir o trauma grave.

Gravidade do incidente a partir da avaliação da Cinemática do Trauma:

AVALIANDO A VÍTIMA: AVALIANDO O LOCAL – CENA

Alteração do nível de consciência Morte de um dos ocupantes do


veículo

Dificuldade para falar Ejeção de um dos ocupantes

Palidez, Sudorese, Pele fria. Queda maior que 2 X a altura da


vítima

Sangramento massivo em jatos. Colisão com velocidade maior 32


Km/h.

Dor intensa no pescoço Danos severos ao veículo

Lesão penetrante cabeça, pescoço Atropelamento


e tronco

Fratura de clavícula, Traumatismo Queda de moto


craniano, Traumatismo de coluna
vertebral, trauma de tórax, trauma
abdominal e trauma bacia e
extremidades

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1.2 Segurança da Cena e Impressão Geral

A primeira preocupação do socorrista quando chegar ao local de incidente de


trauma deve ser: A segurança dele, depois da equipe e posteriormente a segurança
da vítima. Ninguém deve tentar realizar um socorro se não for habilitado a fazê-lo e
nenhum membro da equipe deve se tornar uma vítima, pois isso impedirá que a
equipe esteja apta a atender outras pessoas, aumentará o número de vítimas e
diminuirá a disponibilidade de socorristas, o que resultará na desestabilização da
55
equipe e retardo do atendimento.
Além da segurança da guarnição, a segurança da vítima também deve ser
garantida. Toda vítima de lesão traumática deverá ser transportada para um local
seguro antes mesmo da abordagem inicial e instituição do tratamento das lesões.
Ao chegar à cena, o socorrista deve também estar atento para realizar uma
impressão geral da vítima. A impressão geral é um procedimento que busca uma
visão simultânea ou geral da posição em que a vítima se encontra e seus estados
respiratório, circulatório e neurológico, a fim de identificar qualquer problema
externo significativamente grave.
Ao realizar a impressão geral, o socorrista já terá dado uma olhada rápida, em
torno de 10 a 15 segundos, na vítima, efetuando num primeiro momento um exame
global de sua condição e uma avaliação da possibilidade de risco iminente de morte.

Destacamos três (3) prioridades na chegada à cena:

1- Avaliar a cena e estabelecer a segurança na operação;

2- Reconhecer a existência de múltiplas vítimas e desastres. Neste caso as


prioridades mudam que ao invés de destinar os recursos à vítima mais
grave, deve-se dirigir-se ao maior número de vítimas possíveis, executando
uma triagem diferenciada, assunto este que será abordado posteriormente e;

3- Examinar a vítima (Nível de consciência, A, B, C, D e E)

Exemplos de condições que oferecem risco à Segurança da Cena:

1. Condições climáticas e ambientais desfavoráveis ao atendimento;


2. Ausência de Policiamento;

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3. Armas de qualquer natureza;


4. Tráfego de veículos no local;
5. Exposição a explosivos, material inflamável e produtos perigosos;
6. Fios energizados expostos;
7. Iluminação local inadequada;
8. Sangue e fluidos corporais;
9. Estruturas colapsadas;
10. Posicionamento e sinalização inadequados da viatura de socorro durante 56
o atendimento.

1.3 Número de Vítimas e Necessidade de Apoio (recursos adicionais)

Quando a situação no local exigir recursos que excedem à capacidade da


viatura e da equipe, quer seja pelo número de vítimas, quer pela complexidade das
lesões encontradas, a melhor conduta é solicitar apoio imediatamente.
Em relação ao número de vítimas, o socorrista deve confirmar, com
assertividade, o quantitativo das mesmas. Desta forma, destacamos alguns pontos
que devem ser avaliados: a cinemática do trauma, o local do incidente, as condições
da estrada, condições climáticas adversas, acidente noturno, a presença de barrancos
e desfiladeiros, o número de automóveis envolvidos e o relato das testemunhas do
incidente.
Reiteramos que todo serviço de atendimento pré-hospitalar possui um sistema
organizado de Regulação Médica. E desta forma, a atividade de atendimento direto
ao paciente na cena deve ser regulada, possibilitando o apoio operacional necessário
ao socorrista.

1.4 Biossegurança – EPI

Antes de abordar a (s) vítima (s), tendo garantido a segurança da cena e já


ciente das informações sobre a situação do incidente, o socorrista deve utilizar todo o
equipamento de proteção individual (EPI) disponível e adequado à necessidade do
momento: óculos de proteção, luvas de látex, máscaras e protetores faciais,
capacetes (quando indicados), roupas especiais e etc.
Os riscos biológicos mais comuns no atendimento as vítimas de trauma estão
relacionados principalmente a sangramentos e outros fluidos e eliminações corporais
(vômitos, urina e/ou fezes). Os principais riscos na exposição a esses fluidos estão

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associados a contaminação por vírus dos tipos HIV e os das hepatites, sendo a
hepatite B o maior potencial de contaminação. Por essa razão é de grande
importância que o bombeiro militar esteja devidamente protegido ao realizar
atendimento a vítimas de trauma. Caso ocorra algum tipo de exposição, tal como
perfurações, respingos de sangue nos olhos, por parte dos componentes das
guarnições, estes devem imediatamente comunicar a equipe de saúde de sua unidade
ou ao seu superior para que os devidos cuidados preventivos sejam iniciados.
57
Roteiro de avaliação situacional para o atendimento ao trauma:

PERGUTAS NORTEADORAS ETAPAS INICIAIS

O que aconteceu? Por que solicitaram o socorro? Cinemática do


1
Trauma

Como aconteceu o incidente? Qual foi mecanismo ou


cinemática (biomecânica) do trauma e que forças e
energias provocaram as lesões da (s) vítima (s)? Cinemática do
2 Trauma
Existe algum outro fator relacionado à vítima
(alteração clínica) que possa ter desencadeado o
trauma?

A cena encontra-se realmente segura?


3 Segurança da Cena
Há produto perigoso na cena?

Qual a impressão geral do paciente? (Avaliar


Segurança da Cena e
4 posição vítima, comunicação verbal, respiração e
sangramento externo) Impressão Geral

Qual o número de vítimas envolvidas e qual a idade de


5 Número de Vítimas
cada uma delas?

Há necessidade de apoio de socorro avançado ou de


6 Necessidade de Apoio
mais recursos de pessoas e/ou viaturas?

Há necessidade de acionar apoio de outras instituições


7 (CET, GM, PM, Cia de Energia, Cia de Água e Esgoto, Necessidade de Apoio
etc.)?

Há necessidade de apoio com equipamento


8 Necessidade de Apoio
especializado (guindaste, reboque, etc.)?

9 Há necessidade de Socorro Aeromédico? Necessidade de Apoio

10 Qual EPI devo utilizar para o atendimento? Biossegurança

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Há necessidade de EPI especial para o atendimento?

2- EXAME DO POLITRAUMATIZADO
O Exame do politraumatizado é a pedra fundamental para o melhor
tratamento da vítima. Para a vítima traumatizada, bem como para qualquer paciente
numa emergência, a avaliação é a base para todas as decisões de atendimento e
transporte.
58
Primeiramente devemos determinar a condição atual da vítima para detectar
condições que ameacem a vida e quais intervenções de urgência e reanimação serão
iniciadas e condições que requeiram atenção sejam identificadas e tratadas antes da
remoção da vítima para o hospital de referência, para que a mesma possa suportar o
transporte e receber seu tratamento definitivo no ambiente intra-hospitalar.
Caso haja tempo e a vítima apresente condições é recomendado realizar uma
avaliação secundária, para identificar lesões que ameacem os membros ou que não
estão comprometendo a vida. De modo geral, essa avaliação ocorre durante o
transporte da vítima para o hospital. Todas essas etapas são realizadas de forma
rápida e eficiente, com o objetivo de minimizar o tempo gasto no local.
Vítimas críticas não devem permanecer no local, a não ser que estejam
encarcerados ou existam outras complicações que impeçam o transporte rápido.
Levar a vitima politraumatizado para tratamento cirúrgico definitivo em um mínimo
de tempo, após a instalação da lesão é prioridade porque geralmente o
politraumatizado grave que não responde ao tratamento inicial e está provavelmente
com hemorragia interna.
O tempo estimado de cena não deve ultrapassar 10 minutos para que a vítima
esteja tendo seu tratamento definitivo ainda dentro da primeira hora do evento
ocorrido (Hora de Ouro).

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2.1 Avaliação Primária do Politraumatizado:

NC- Nível de consciência


A- Abertura das Vias Aéreas e estabilização da coluna cervical

B- (Boa) Ventilação
59
C- Circulação (perfusão e controle de hemorragias)

D- Déficit neurológica

E- Exposição e ambiente

O exame primário é dividido em seis etapas que devem ser seguidas de forma
sistemática para que nenhuma informação sobre as condições da vítima seja
negligenciada.

NC- Nível de consciência:

Avaliação do nível de consciência.

No momento da avaliação do nível de consciência o socorrista deve focar


somente em duas vertentes, consciente ou inconsciente e rapidamente determinar se a
vítima preserva ou não a via aérea patente. Estimar a escala de Glasgow de coma
para determinar se é inferior a 9 também pode auxiliar o Bombeiro, contudo não é
necessária sua aplicação nesse primeiro momento. O método recomendado pelo

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CBMERJ para o socorrista avaliar o nível de consciência é o AVDI (Alerta, Resposta


Verbal, Resposta ao estimulo doloroso e inconsciência).

A - Abertura de vias aéreas e estabilização da coluna cervical:

O objetivo dessa etapa é checar rapidamente se a vítima respira e garantir que


não haja nenhuma obstrução à passagem do ar. Caso haja algum tipo de
obstrução,deve ser corrigida imediatamente, pois a obstrução leva à redução da 60
quantidade de oxigênio no organismo (hipóxia). Esta hipóxia é uma importante causa
de morte que pode ser evitada com o emprego de algumas manobras simples. Nos
casos de traumatismo, devemos atentar para a presença de: - queda de língua,
presença de corpo estranho na cavidade oral, traumas de face, secreções (sangue e
vômito).

Técnica de abertura de boca com os dedos cruzados (figura 1) e Técnica


estabilização manual da coluna cervical e elevação modificada da mandíbula
(figura 2):

Figura 1: Figura 2

O socorrista deve estabilizar a coluna cervical da vítima segurando sua a


cabeça apoiada sobre uma superfície rígida e elevar o a mandíbula empurrando para
cima os dois ângulos da mandíbula com os dedos indicadores ou polegares.
Caso haja muita secreção ou sangue e o aspirador não esteja disponível, o
socorrista deve realizar o rolamento a 90º e fazer varredura digital com compressas
de gazes.

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No pré-hospitalar a técnica de aspiração respeita os seguintes critérios: pré-


oxigenação e re-oxigenação no intervalo da aspiração, período máximo de aspiração
de 10 segundos, a aspiração deve acontecer durante a retirada do cateter,
preferencialmente o cateter deve ser rígido, a prioridade é a aspiração da cavidade
oral e vítimas com TCE e suspeita de fratura da base do crânio tem contraindicação
de aspiração nasal.
Outro recurso disponível é o uso de cânulas orofaríngeas. A finalidade desse
dispositivo é manter a base da língua distante da região da passagem do ar. O 61

socorrista deve medir a Cânula antes de introduzi-la, a técnica de mensuração e


introdução da cânula é a seguinte: após identificar o equipamento o socorrista deve
medir a cânula do ângulo da Mandíbula ou do lóbulo da orelha até a comissura labial
da vítima, certificando-se que o tamanho é compatível com a vítima, o mesmo deve
introduzi-la direcionando-a para o palato duro (céu da boca) e quando encontrar a
primeira resistência deve girar a mesma e acabar de introduzi-la. Em crianças é
necessário ter um abaixador de língua e a cânula deve ser introduzida no mesmo
sentido que irá permanecer na cavidade oral.

Medição , aplicação e adaptação da cânula orofaríngea na vítima

B- (Boa) Ventilação:

Ao avaliar a ventilação, o socorrista deve atentar para a presença ou não de


respiração e determinar a qualidade da mesma através do método “VER, OUVIR e
SENTIR” estimando sua frequência e profundidade para decidir qual procedimento
irá tomar. Vítimas que não respiram e de um modo geral, vítimas inconscientes que
respiram acima 24 e abaixo de 08 incursões respiratórias por minuto necessitam de
suporte ventilatório, e as demais necessitam de oxigênio suplementar.
Ao detectar alteração na respiração da vítima, o socorrista deve inspecionar o
pescoço e tórax (anterior e posterior) da vítima procurando sinais como: alteração de

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jugulares, hematomas e feridas no tórax. No caso de existência de ferida aspirativa


no tórax uma medida salvadora é a oclusão da ferida.

62
Oferta de O2 Suplementar sob Suporte ventilatório enriquecido Oclusão de ferida aspirativa
máscara com O2

Toda vítima de trauma necessita de oxigenioterapia para prevenir a lesão


secundária causada pela hipóxia.

Execução da técnica “Ver, Ouvir e Sentir”.

C- circulação:

O choque hemorrágico, causado pelas hemorragias internas, é a maior causa


de morte no trauma. Ao avaliar o sistema circulatório, socorrista deve buscar
hemorragias externas e sinais de hipoperfusão tais como: palidez cutânea, pele fria
e pegajosa, pulso radial fino e rápido, enchimento capilar superior a 2 segundos
e respiração rápida, que são todos sinais precoces de estado de choque
hipovolêmico. Na presença de sangramentos vultuosos em membros que não são
controlados com curativo compressivo, o socorrista deve considerar aplicação de
torniquete.

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Avaliação de pulso e temperatura. Avaliação do pulso e perfusão Verificação, comparativa, de pulso


tecidual. central e periférico.

63
D- Déficit neurológico:

Ao avaliar o déficit neurológico o socorrista deve minimamente reavaliar o


nível de consciência, verificar o padrão das púpilas e as condições de sensibilidade e
motricidade, avaliando força e movimentos. Pode ainda calcular a escala de Glasgow
de coma que varia de 3 a 15, avaliando a abertura ocular, a resposta verbal e a
resposta motora e quanto menor o valor, mais grave é o quadro da vítima. Importante
ressaltar que durante a avaliação da abertura ocular o Bombeiro deve avaliar as
pupilas também.

Exame de foto reação pupilar. Exame de verificação de força e motricidade.

Avaliação de pulso, motricidade e sensibilidade.

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E - Exposição e Ambiente:

Durante a avaliação é feita a exposição da vítimaque tem por finalidade


identificar lesões ou sinais de traumatismos fechados (exemplo a visualização de um
hematoma abdominal), porém o socorrista deve atentar para o ambiente e prevenir a
hipotermia expondo o necessário e aquecendo a vítima após terminar a avaliação
primária.A exposição deve ser criteriosa e objetiva. O socorrista deve ainda ter em
mente que vítimas de trauma sofrem agravo no seu estado geral quando expostas a
64
baixas temperaturas. A hipotermia pode agravar o estado de choque hemorrágico,
pois interfere nas respostas fisiológicas compensatórias. Roupas molhadas, ar
condicionado da viatura, eventos em regiões climáticas de baixa temperatura, são
situações que podem levar ao quadro de hipotermia.
Ao término da avaliação primária, o socorrista deve concluir com um
diagnóstico sindrômico como, por exemplo, o estado de choque e caso seja
identificado risco iminente de morte para a vítima, o socorrista esta autorizado a
interromper a avaliação primária logo após a avaliação da circulação e retomar a
avaliação no interior da ambulância a caminho do hospital.

Exposição da vítima.

Reavaliação:

A reavaliação consiste na verificação do nível de consciência, A, B, C,


pescoço, tórax , abdome e checagem de procedimentos tais como: Acesso Venoso,
Imobilizações e curativos e sinais vitais. Esta deve ser sempre realizar a cada 5
minutos em vítimas graves e sempre que realizar algum procedimento.

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2.2 Avaliação Secundária do Politraumatizado:


A avaliação secundária consiste na avaliação sistematizada e minuciosa da
vítima como um que visa buscar lesões que não foram percebidas durante a avaliação
primária, tal avaliação, segue a sequência crânio podal onde o socorrista deve passar
por todos os seguimentos corporais (Cabeça, pescoço, tórax, abdome, cintura
pélvica, MMIS, oco axilar e região dorsal), na avaliação dos sinais vitais utilizando
equipamentos de monitorização, e no colhimento da estória AMPLAS (Alergias,
Medicações, Prenhes, Líquidos e alimentos, Ambiente do Evento e Sinais e
Sintomas). Em vítimas graves é comum que a equipe acabe por não realizar todo o
65
exame secundário devido a necessidade de manter as reavaliações, realizando apenas
a coleta da história e verificação dos sinais vitais.

3- Estado de Choque:

3.1 Choque Hipovolêmico (hemorrágico): Relacionado com perda de volume


sanguíneo circulante. Perfusão orgânica inadequada.

“É a causa mais comum de choque no doente traumatizado”.

CLASSIFICAÇÃO DO CHOQUE HIPOVOLÊMICO:

O choque hemorrágico pode ser dividido em quatro classes, dependendo da


gravidade da hemorragia, conforme abaixo:

Hemorragia classe I: Estágio de poucas manifestações clínicas. Os mecanismos de


compensação estão agindo e auxiliam a manutenção da pressão arterial estabilizada.

Hemorragia Classe II: A maioria dos adultos consegue compensar esta perda de
sangue, ativando o sistema nervoso simpático (adrenalina na corrente sanguínea) que
manterá a pressão arterial estável = choque compensado!

Hemorragia classe III: a maioria das vítimas não consegue compensar esta perde
de volume, e ocorre hipotensão. Muitos desses doentes necessitam de transfusão de
sangue e intervenção cirúrgica.

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Hemorragia Classe IV: estágio de choque grave. Essas vítimas geralmente têm
poucos minutos de vida. A sobrevida depende de controle imediato da hemorragia
(cirurgia quando necessária) e reanimação agressiva, incluído transfusão de sangue e
plasma, com mínimo de solução cristaloide.

Avaliação do Choque Hemorrágico de Acordo com sua Classe:

Qnt Perda Classe I Classe II Classe III Classe IV

Perda de Até 750 750-1.500 1.500 - 2000 > 2.000 66


Sangue (ml)
% do volume Até 15% 15% -30% 30%-40% >40%
Pulso <100 100-120 120-140 >140

Pressão Normal Normal Diminuída Muito diminuída


Arterial
Pressão de pulso Normal ou Diminuída Diminuída Diminuída
aumentada

Frequência 14-20 20-30 30-40 >35


Ventilatória
Estado Ansiedade bem Ansiedade leve Ansiedade, Confusão,
discreta confusão letargia
Mental
Débito urinário >30 ml 20-30 5-15 Imperceptível
(ml/h)

Reposição de Cristalóide Cristalóide Cristalóide + Cristalóide +


fluidos sangue sangue

Fonte: Modificado de American Collegeof Surgeons Committee: Advanced Trauma Life Support for doctors,
th
student course manual, 7

Perda Sanguínea Associada às Fraturas:

Tipo de Fratura Perda Aproximada (ml)

Costela 125

Rádio e ulna 250-500

Úmero 500-700

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Tíbia e fíbula 500-1000


Fêmur 1000-2000
Pelve 1000- intensa

3.2 Choque Distributivo: está relacionado com as alterações do tônus vascular


decorrentes de várias causas diferentes. O choque distributivo pode ocorrer em
virtude da perda do controle do sistema nervoso autônomo sobre a musculatura lisa 67
que controla o tamanho dos vasos sanguíneos ou da liberação de substâncias
químicas que causam vasodilatação periférica. Essa perda pode ser causada por
trauma de medula espinhal, simples desmaio, infecções graves ou reações alérgicas.
Ex: choque neurogênico (hipotensão), choque séptico, choque anafilático.

3.3 Choque Cardiogênico: relacionado com a interferência na função de


bombeamento do coração. É toda alteração que leva à falha no mecanismo de
bombear sangue. Ex: Tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo, arritmias.

3.4 Sinais Associados aos Tipos de Choque:

Sinais Vitais Hipovolêmico Neurogênico Séptico Cardiogênico

Temperatura Fria, pegajosa Quente, seca Fria pegajosa Fria pegajosa


da pele

Coloração da Pálida, cianótica Rosada Pálida Pálida, cianótica


pele

Pressão Diminuída Diminuída Diminuída Diminuída


arterial

Nível de Alterado Lúcido Alterado Alterado


consciência

Enchimento Retardado Normal Retardado Retardado


capilar

3.5 Tratamento:

ü Garantia de oxigenação (via aérea e ventilação adequada). FiO2 > 0,85.

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ü Identificação de hemorragias (controle de hemorragias externas)


ü Transporte rápido ao centro de tratamento definitivo.
ü Administrar fluidos durante o transporte, conforme adequado.
ü Manutenção da temperatura corpórea. (aquecer a vítima)

3.6 Etapas de controle da hemorragia externa no ambiente pré-hospitalar são:

ü Pressão manual direta


ü Curativos compressivos (bandagens, gaze, atadura) 68
ü Torniquetes (membros)

O controle da hemorragia externa deve ocorrer por etapas.

Em locais onde torniquetes não podem ser colocados (tronco ou pescoço),


agentes hemostáticos podem ser utilizados.

3.7 Torniquetes - Orientação:

Caso uma hemorragia externa não possa ser controlada por pressão, a
aplicação do torniquete é a etapa lógica seguinte que também deve ser utilizado
quando houver síndrome do esmagamento e amputação traumática.
Cabe ressaltar que o torniquete é um equipamento industrializado disponível
e comercializado no Brasil, porém seu custo ainda é muito elevado, desta forma o
CBMERJ orienta os bombeiros militares improvisarem de duas formas respeitando
os seguintes princípios:

Largura da bandagem: Deve ter cerca de 10 cm.

Local da aplicação: Proximal ao ferimento – cerca de 10 cm ou um punho cerrado.


Caso o torniquete não interrompa, completamente, a hemorragia, então, outro deve
ser colocado proximal ao primeiro.

Força: Deve ser apertado o suficiente para bloquear o fluxo arterial.

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Tempo:Podem ser usados com segurança por até 120 a 150 minutos até a sala de
cirurgia, sem lesões nervosas ou musculares. Identificar no torniquete a hora de
colocação.

69

Torniquete industrializado Bandagem elástica industrializada

O torniquete industrializado e as bandagens elásticas deverão ser,


preferencialmente, a escolha em casos de hemorragias não controladas,
entretanto, na ausência dos materiais em questão, poderá ser utilizado como
meios de fortuna, câmara de ar de bicicleta ou torniquete improvisado com
material rígido e tecido.

3.8 Administração de Fluidos – reanimação volêmica:

Vítimas de choque hemorrágico devem ser submetidas a medidas que


controlem a hemorragia externa, receber quantidades mínimas de solução eletrolítica
por via intravenosa ou intraóssea e ser rapidamente transportado ao hospital.
A administração de um volume limitado de solução eletrolítica antes da
reposição de sangue é a abordagem correta durante o transporte ao hospital. Como
resultado da superinfusão de cristalóide terá maior quantidade de fluido intersticial
(edema), resultando em menor transferência de oxigênio às hemácias resultando em
mais hipoxia tecidual.
O objetivo NÃO é elevar a pressão arterial a níveis normais, mas fornecer a
quantidade de fluido necessária à manutenção da perfusão e continuar o suprimento
de hemácias oxigenadas ao coração, cérebro e pulmões.

Hemorragias descontroladas:
Atentar para hemorragias nos seguintes locais: tórax, abdômen, pelve e
fêmur, devido ao grande potencial de sangramento. A administração de cristalóides

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IV para manter uma pressão arterial sistólica em um intervalo 80 a 90 mmhg, é


conhecida como hipotensão permissiva. Este novo conceito é a tentativa em manter
a pressão arterial da vítima abaixo dos níveis de normalidade até a chegada ao
hospital de origem. Uma grande quantidade de volume pode causar hemorragia
intratorácica, intra-abdominal e retroperitoneal. Após a chegada ao hospital, a
administração de fluido é continuada, com plasma e sangue.

Hemorragias controladas:
70
Doentes com hemorragia externa importante que foi controlada podem ser mantidos
com uma estratégia de reanimação volêmica mais agressiva, desde que o socorrista
não tenha razões para suspeitar de lesões intratorácica, intra-abdominais ou
retroperitoniais associadas. Os adultos em Choque Classe II, III ou IV devem receber
um bolus inicial de 1 a 2 litros de solução cristalóide. As crianças podem receber um
bolo inicial de 20 ml/kg de solução cristalóide.

A caminho do hospital devemos monitora: sinais vitais, incluindo pulso,


frequência ventilatória e pressão arterial.

Pode haver 03 respostas a essa reposição volêmica inicial:

Resposta rápida: sinais vitais voltam ao normal e assim permanecem. Paciente


perdeu cerca de 20% de volemia e hemorragia cessou.

Resposta transitória: inicialmente os sinais vitais melhoram, contudo, na evolução


pioram e voltam a entrar em choque. Perderam 20 a 40% de volemia.

Resposta mínima ou ausente: não apresentam quase nenhuma alteração dos sinais
vitais, após administração de 1 a 2 litros de volume.

Os grupos de resposta transitória e ausente têm uma hemorragia contínua,


provavelmente interna. A melhor conduta nesses doentes é manter um estado de
hipotensão permissiva, e os líquidos IV devem ser administrados até que se
obtenha uma pressão arterial sistólica na faixa de 80 a 90 mmhg.

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OBS: Lesões no Sistema Nervoso Central – a hipotensão foi associada a um


aumento de mortalidade no quadro de lesão cerebral traumática (LCT). Diretrizes do
trauma recomendam manter uma pressão arterial sistólica acima de 90 mmhg em
doentes com suspeita de LCT. Para atingir esse objetivo, pode ser necessária uma
reanimação volêmica agressiva, aumentando os riscos de hemorragia recorrente de
lesões internas associadas.

4- TRAUMATISMO CRÂNIO ENCEFÁLICO E RAQUIMEDULAR: 71

A Cabeça é a região do corpo mais lesada em pacientes politraumatizados


destes 80% apresentarão TCE leves, a principal causa é a colisão automobilística
seguida de queda principalmente nos idosos. Cerca de 2 a 5% destas vítimas
apresentará TRM associado.
A injúria cerebral traumática contribui em 50% das mortes em vítimas de
politrauma. A mortalidade em TCE moderado chega a 10% e no TCE grave em
30%.Alguma sequela com déficit neurológico permanente ocorre em 50 a 99%
destas vítimas.
As lesões no tecido cerebral ocorrem por aplicação direta de forças externas
sobre o cérebro e por lesões de contragolpe pelo movimento deste dentro da caixa
craniana.
A lesão primária ocorre no momento do trauma e não pode ser evitada, já a
lesão secundária será decorrente da má oxigenação ou da diminuição da perfusão do
tecido cerebral e pode ser evitada com a proteção das vias aéreas e com o
fornecimento de oxigênio.

Sinais que devem servir de alerta quanto a gravidade do TCE são: alteração
do nível de consciência, concussão cerebral, sangramento pelo ouvido ou nariz,
convulsões, pupilas anemocóricas e trismo.
Após avaliação rápida da cena e abordagem inicial a prioridade é o ABC com
estabilização manual da coluna cervical durante abordagem das vias aéreas no “A”.
Deve ser realizada avaliação da motricidade e sensibilidade das extremidades durante
o exame dos membros. A lesão da coluna vertebral pode estar associada à lesão
medular e esta pode ser completa ou incompleta.
Nas lesões medulares completas ocorre ausência de função motora e sensitiva
abaixo do local da lesão, com pouca chance de recuperação. Nas lesões medulares

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incompletas a função motora ou sensitiva pode estar presente com chances de


recuperação.
O suporte de vida ABC com abertura das vias aéreas através da elevação
modificada de mandíbula e estabilização da coluna cervical, previne a lesão
secundária da medula. O alinhamento da coluna cervical com colocação de colar
cervical apenas limita os movimentos de extensão e flexão da coluna cervical e não
previne os movimentos de lateralização e rotação. Um colar rígido faz com que a
carga inevitável entre cabeça e tronco seja transferida da coluna cervical para o colar, 72
eliminando ou minimizando a compressão cervical que de outra forma ocorreria.
É importante testar a sensibilidade e a motricidade antes e após qualquer
mobilização da vítima, não esquecendo de anotar no formulário específico, para
proteção do socorrista, contra processos e, para propiciar o fator continuidade do
serviço.

5- TRAUMA DE TÓRAX:

O trauma de tórax pode ser fechado ou penetrante, aproximadamente 15% a


20% de todas as lesões de tórax requerem cirurgia para tratamento definitivo as
restantes são tratadas apenas com intervenções simples (ex.: dreno de tórax).

5.1 Trauma penetrante:

Um objeto transfixa a parede torácica penetra na cavidade e lesa os órgãos


internos do tórax. A ferida favorece a entrada rápida de ar no espaço pleural, os
tecidos e os vasos lesados sangram para o espaço pleural, os alvéolos que ficam
cheios de sangue não participam das trocas gasosas.

5.2 Trauma Fechado:

No trauma fechado, o mecanismo é menos direto. A força é aplicada na


parede torácica e transmitida para os órgãos internos, a onda de choque pode lacerar
o tecido pulmonar e os vasos sanguíneos. Assim pode levar a sangramento para
dentro dos alvéolos. O impacto causado na oxigenação e na ventilação é o mesmo.

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5.3 Fratura de costelas:

É a lesão torácica mais comum. É mais freqüente nas costelas 4 e 8, lateralmente


pode estarem associadas as lesões de fígado e de baço. As queixas mais comuns nas
fraturas simples de costelas são a dor e a falta de ar.

5.4 Tórax instável:

Duas ou mais costelas adjacentes fraturadas em mais de um local (movimento


paradoxal), existe uma força (energia cinética) suficiente para causar contusão 73
pulmonar.

5.5 Contusão Pulmonar:

Lesão do tecido pulmonar ocasionada por impacto com significativa


transmissão de energia cinética, ocorrida no trauma fechado. A troca gasosa fica
prejudicada, complicação potencialmente letal do trauma de tórax.

5.6 Pneumotórax:

Ocorre em até 20% dos traumas graves de tórax. Podemos classificar como
simples (fechado), aberto ou hipertensivo (evolução do simples / ou do aberto) . É
importante evitar a transformação de simples em hipertensivo. Pode ser necessária a
descompressão por punção. O pneumotórax hipertensivo é uma lesão com risco
iminente de morte.

Sinais e sintomas de pneumotórax:

Simples Fechado ou penetrante: Murmúrio vesicular diminuído ou ausente,


desconforto respiratório moderado, taquipnéia, hipertimpanismo e dor.
Hipertensivo Fechado ou penetrante: Murmúrio vesicular diminuído ou
ausente, desconforto respiratório intenso, comprometimento hemodinâmico turgência
jugular, hipertimpanismo e desvio de traquéia (sinal tardio).

5.7 Hemotórax:

Pode ocorrer no trauma fechado ou penetrante. Apresenta acúmulo de sangue


para a cavidade pleural. A transferência de energia que atinge a região torácica
promove lesão das estruturas acondicionadas na cavidade torácica resultando em

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sangramento interno. Diferencia-se do pneumotórax pelos sinais e sintomas que são:


Sinais de choque hipovolêmico, Jugulares colabadas, Ausculta pulmonar diminuída
ou abolida, maciçez a percussão, dor a palpação pode apresentar fratura de arcos
costais gerando a instabilidade óssea.

5.8 Tamponamento Pericárdico:

Mais comum nos ferimentos penetrantes, contudo também pode ocorrer nos
traumatismos contusos e ainda em casos crônicos como pericardites. Se caracteriza 74

por apresentar uma quantidade de sangue no saco pericárdico. Esse sangue que se
acumula no saco pericárdico impede que o coração realize seu enchimento normal
(pré - carga).
Resultando assim em uma má perfusão por diminuição do volume sanguíneo
ejetado para a circulação.
É um quadro grave que requer rápida intervenção. No ambiente pré-hospitalar
os recursos por vezes é insuficiente, a presença de um profissional médico habilitado
para realizar “pericardiocentese” aumentará em muito as condições de melhora desse
quadro.
São Sinais clássicos: Turgência de jugular, hipotensão arterial, bulhas
cardíacas abafadas e pulso paradoxal (durante a inspiração o pulso radial some).

5.9 Avaliação do Tórax no Pré – hospitalar:

O tórax deve ser avaliado na busca de sinais de lesões causadoras de


transtornos respiratórios, tais como: Enfisema subcutâneo, assimetria do movimento
torácico, hematomas, deformidades, dor a palpação e crepitação, perfurações e etc.
outros sinais que sugerem lesões torácicas podem se manifestar nas estruturas do
pescoço, tais como: Alterações nas jugulares (turgidez e colabamento) e desvio de
traquéia. Em caso de perfuração o dorso deverá, obrigatoriamente, ser inspecionado.

Inspeção: Consiste em localizar, por observância, as possíveis lesões do tórax. A


varredura visual deverá ocorrer em toda extensão torácica e de forma criteriosa.

Palpação: O socorrista deve se posicionar de frente para a vítima e com as duas


mãos deverá seguir a clavícula com a ponta dos dedos procurando por alguma
deformidade ou crepitação. Deverá ainda, com as duas mãos, comprimir levemente o
tórax na altura do peitoral procurando sinais de instabilidade. O socorrista, com as
mãos na lateral da caixa torácica, comprime o gradil costal buscando crepitação e

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sinais de instabilidade da caixa torácica, terminando, esse movimento, com a


palpação do osso esterno.

Ausculta: A ausculta pulmonar deverá ser comparativa entre ápice/ápice e base/base,


buscando alterações em murmúrios vesiculares. As bulhas cardíacas também deverão
ser auscultadas no intuito de perceber se há abafamento, diminuição ou ausência.

Percussão: A utilização desta técnica busca, através do som, identificar se existe


sangue ou ar na cavidade torácica. Som timpânico remete a existência de ar na
cavidade (pneumotórax), som maciço remete a existência de sangue na cavidade 75
torácica (hemotórax).

Sequência do exame do tórax:

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Intervenções e ações no atendimento ao trauma de tórax:

ü Avaliação do nível de consciência;

ü Abertura de vias aéreas com estabilização da coluna;

ü Avaliação da qualidade da respiração;

ü Oferecer oxigênio sob máscara em alto fluxo; 76


ü Avaliar necessidade de ventilação assistida por meio de bolsa válvula

máscara;

ü Exame do pescoço buscando desvio de traquéia e alterações em

jugulares;

ü Inspeção do tórax, buscando alterações, simetria, deformidades e dor;

Ausculta pulmonar e cardíaca;

ü Curativo oclusivo em feridas aspirativas.

Resumo:

A cavidade torácica contém os órgãos vitais que oxigenam e distribuem


sangue para todo o corpo. Apenas algumas poucas intervenções fundamentais
podem ser feitas no local. O reconhecimento e o tratamento precoce das lesões
torácicas melhoram o prognóstico dos pacientes que sofreram traumas no
tórax.

6- TRAUMA ABDOMINAL:

O abdômen representa no corpo humano uma das regiões mais críticas no que
diz respeito a vítimas de trauma, principalmente quando associados ao choque
hipovolêmico (hemorrágico). Conforme as evidências, em vítimas que apresentam

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sinais de choque, mesmo não tendo lesões aparentes, deveremos suspeitar de lesões
em algum órgão dessa estrutura, devido haver a presença de vísceras maciças e vasos
calibrosos, que têm como uma das características principais, promover sangramento
abundante quando acometido.
Logo, podemos entender que as lesões abdominais quando não reconhecidas,
acabam sendo uma das maiores causas de morte em vítimas de trauma, não apenas
pelas características desse tipo de trauma, mas também pela difícil avaliação no
ambiente pré-hospitalar. 77

6.1 O trauma abdominal pode ser resultante de:

Ferimentos penetrantes – Neste caso temos as lesões por armas de fogo, armas
brancas e outros objetos que podem penetrar no abdômen durante um evento
traumático. No caso das armas de fogo, o órgão mais acometido é o intestino delgado
e no caso das armas brancas, temos o fígado como o órgão mais atingido.

Trauma fechado – Podemos citar: contusão, compressão, cisalhamento ou


esmagamento, neste tipo de trauma tem o fígado como órgão mais acometido e nas
lesões por desaceleração o órgão mais acometido é o baço.

6.2 Exame do abdômen no pré-hospitalar:

O abdômen deve ser avaliado a procura de lesões de partes mole que


geralmente culminam com dor, rigidez e mais tardiamente distensão.

Inspeção: Devemos avaliar o contorno abdominal, verificando se está plano ou


distendido, no caso de distensão sugere uma hemorragia interna significativa ou
então, distensão gástrica. Reiteramos que a palpação oferece pouco benefício,
podendo ser desconsiderada no ambiente pré hospitalar.

Intervenções e ações no atendimento ao trauma abdominal:

ü Reconhecimento ou suspeição e transporte rápido para o hospital mais


adequado;
ü Oxigênio suplementar ou suporte ventilatório quando necessário;
ü Acesso venoso durante o transporte com infusão de volume criteriosa
(apenas para manter PAS entre 80 e 90 mmhg).

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6.3 Considerações Especiais:

6.3.1 Objetos empalados / encravados:

Não devem ser retirados ou manipulados, sob o risco de iniciar e/ou aumentar
o sangramento. As ações neste caso devem estar voltadas para a estabilização desse
objeto, pois a retirada deve ocorrer apenas no centro cirúrgico. Em alguns casos, o
objeto pode ser cortado, para facilitar a extricação e/ou mobilização da vítima e
posteriormente o seu transporte. 78

6.3.2 Evisceração:

Ocorre quando um segmento do


intestino ou de outro órgão abdominal fica
exposto da cavidade abdominal. Nestes
casos, não devemos tentar reintroduzir as
vísceras, apenas protegê-las com curativo
limpo ou estéril umedecido com solução
salina, na falta de um pano ou gaze, podemos estar utilizando um saco plástico
limpo, considerando que quando as vísceras permanecem expostas, necrosam
rapidamente.

7- TRAUMA PÉLVICO E DE EXTREMIDADES:

As lesões musculoesqueléticas
demandam do socorrista, o
reconhecimento de lesões que
representam risco à vida do doente,
sem que o mesmo desconsidere os
princípios do atendimento no que
tange a avaliação primária.
O socorrista, ao observar a
cinemática do trauma tem a
oportunidade de estimar, pela troca de energia entre o agente causador da lesão e a
vítima, as possíveis lesões que proporcionem risco à vida, ao passo que realizem as
intervenções necessárias para manter a sobrevida do doente no trauma. Embora as

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lesões musculoesqueléticas nas vítimas de trauma raramente apresentem risco de


morte, fraturas podem gerar sangramentos extremamente significativos, como é o
caso das fraturas de fêmur e pelve, podendo o doente adulto perder aproximadamente
1000 a 2000 ml de sangue.
As fraturas são classificadas genericamente em fraturas fechadas ou fraturas
expostas. As fraturas fechadas são aquelas que não ocorre o rompimento dos tecidos
pelo osso fraturado. Os sinais observados nas fraturas fechadas identificam-se por:
deformidade do membro, crepitação ou instabilidade óssea, dor, edema e hematomas. 79

O socorrista deverá sempre considerar relevante as queixas do doente, uma vez que
nem sempre estará evidente a deformidade no membro.
As fraturas expostas, são definidas pelo rompimento tecidual (músculo e
pele), pelo osso fraturado. Nas fraturas expostas vale ressaltar que pode ocorrer a
contaminação do osso exteriorizado, podendo causar infecção óssea e complicações
no processo de cura. Por vezes, o socorrista poderá ter dificuldade na identificação
de fraturas, uma vez que o osso fraturado pode sair após o rompimento do tecido,
retornando seguidamente. Nesses casos, são consideradas fraturas expostas até a
confirmação do médico especialista.
Como citado anteriormente, fratura de ossos longos podem proporcionar
sangramentos significativos, comprometendo a hemodinâmica do paciente, podendo
causar choque hemorrágico. A fratura bilateral de fêmur, bem como a fratura de
pelve correspondem a perdas sanguíneas vultuosas pelo potencial de lesões
vasculares, ósseas e de órgãos adjacentes.

Exame da vítima (avaliação dos membros)

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7.1 Tratamento de Extremidades no APH:

O socorrista ao realizar o tratamento de fraturas no ambiente pré-hospitalar,


deve priorizar o controle de hemorragias com objetivo de evitar o choque
hemorrágico, principal causa de morte no trauma. A manipulação do membro
fraturado deve ser o menos possível, sempre efetuando pelas articulações.
Após expor a lesão da vítima, o socorrista avaliará o pulso distal, motricidade
e sensibilidade do membro lesionado, com objetivo de identificar possíveis lesões
80
vasculares ou neurológicas, efetuando posteriormente o alinhamento do membro para
posição anatômica. Não havendo resistência ou dor relevante durante a manipulação
do membro, o mesmo deve ser posicionado para estabelecimento da imobilização. O
alinhamento do membro em posição anatômica, geralmente proporciona melhor
perfusão e função neurológica, ao passo que ocorre a descompressão de artérias e
nervos após redução da fratura. Nas fraturas expostas, o socorrista deve lavar com
solução salina ou água destilada o ferimento e só após tentar alinhar o membro.
Diante de qualquer tipo de resistência, sendo nas fraturas fechadas ou
expostas, o socorrista deverá imobilizar na posição encontrada. O estabelecimento da
imobilização consiste na aplicação de tala por todo o osso fraturado, logo, a tala
imobilizadora deverá abranger a articulação anterior e posterior ao sítio da fratura,
tendo como objetivo não movimentar o segmento fraturado.

Na execução da imobilização o socorrista deve atentar para:

ü Retirada de acessórios, jóias, relógios ou qualquer objeto que possa comprometer a


circulação sanguínea;

ü Em talas rígidas, acolchoar para evitar desconforto e minimizar a chance do


surgimento de úlceras de pressão;

ü Antes e depois da imobilização, avaliar pulso, motricidade e sensibilidade no membro;

ü Considerar aplicação de compressas frias na extremidade do membros fraturado, com


intuito de diminuir a dor e edema, bem como elevar o membro fraturado quando
possível.

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7.2 Tratamento de lesões pélvicas no APH:

O tratamento de fraturas pélvicas no cenário do atendimento pré hospitalar é


de suma importância em relação ao manejo do doente, na estabilização, e no
transporte rápido a unidade hospitalar.
O potencial de gravidade na vítima de trauma, deve sempre ser considerado,
pelas chances de hemorragias internas maciças. Neste contexto, durante o avaliação
primária, o socorrista deve atentar para a inspeção da pelve e considerar que a
81
palpação da mesma vêm sendo altamente discutida quanto à possibilidade de
agravo, e desta forma não sendo estimulada sua realização. O socorrista, ao efetuar a
avaliação primária e identificar possíveis lesões (dor, deformidades e cinemática do
trauma sugestiva), deve atuar de forma rápida,
objetiva, estabelecendo medidas adequadas
para a estabilização da região.
Atualmente o uso de cintas pélvicas são
questionáveis antes do conhecimento das
características específicas de uma fratura. Uma
boa opção utilizada em alguns tipos de fraturas
de pelve instáveis é a utilização de um lençol
envolto na parte inferior pélvica amarrando Compressão pélvica com lençol - (cinturão)

como um cinturão.

7.3 Fraturas de Fêmur:

As fraturas de fêmur correspondem a estimativa de grande perda sanguínea


interna, de aproximadamente de 1.000 a 2000 mililitros de sangue por fratura na
vítima adulta.
Na fratura de fêmur existe uma grande propensão para evolução a uma fratura
exposta, principalmente se esta ocorra em terço médio, uma vez que, pela contração
da musculatura considerada uma das mais fortes do corpo humano, a extremidade
fraturada facilmente pode romper os tecidos, bem como lesar artérias, veias e nervos.
A imobilização do membro deve seguir os princípios básicos, abrangendo as
articulações distais e proximais, e o transporte ser efetuado com a vítima sobre
prancha longa a unidade hospitalar.

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7.4 Luxações:

As luxações são o desencaixe de dois ossos em suas articulações, geralmente


proveniente da ruptura dos ligamentos que sustentam e dão estabilidade às
articulações.
Durante abordagem da vítima é difícil identificar clinicamente se ocorreu
uma fratura ou luxação. Existem características em relação à deformidade do
membro que indicam a provável lesão, tendo como exemplo, a fratura de colo de
82
fêmur por geralmente, apresentar o encurtamento do membro com rotação externa.
Em luxações na articulação coxo-
femural, geralmente observa-se o
encurtamento do membro com rotação interna.
O socorrista deverá imobilizar as luxações na
posição encontrada, atentando sempre para os
critérios anteriormente citados referentes a
avaliação de pulso, motricidade e
sensibilidade, coloração do membro lesionado
e avaliando sempre a necessidade da aplicação
Luxação de ombro esquerdo
de tipóias na sustentação do membro.

7.5 Entorses:

A entorse ocorre pela torção de uma articulação, causando, dor, edema com a
presença ou não de hematoma. Os ligamentos da região afetada foram estendidos ou
rompidos ocasionando assim os sintomas anteriormente citados. O socorrista deverá
proceder com os princípios de avaliação (inspeção, checagem de pulso, motricidade e
sensibilidade do membro), imobilização e conduzir a vítima a unidade hospitalar
para efetuar exame radiológico e avaliação médica confirmando ou não a entorse.

7.6 Amputações:

As amputações ocorrem quando um segmento do corpo é separado na sua


totalidade ficando totalmente desprovido de sangue oxigenado. As amputações
podem ser consideradas totais ou parciais.

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Nas amputações totais pode


ocorrer a retração das artérias e veias,
bem como a coagulação sanguínea que
podem contribuir para perda de sangue
ser menor em sua intensidade. As
amputações parciais costumam
apresentar hemorragias vultuosas, pois
os fenômenos descritos acima não Amputação traumática de mão esquerda 83

acontecem. Diante de hemorragias não


contidas pela compressão direta do ferimento, efetuar o torniquete como a segunda
técnica para a hemostasia.
Os cuidados com o segmento amputado são fundamentais para viabilizar o
procedimento de implante. São eles:

1 - Lavar o segmento amputado com Solução Ringer Lactato (RL), com


objetivo de retirar sujidades;

2 - Cobrir segmento amputado com gaze estéril umedecendo com


solução ringer lactato (RL);

3 - Colocar segmento amputado dentro de um saco plástico,


posteriormente colocar dentro de outro saco contendo gelo se possível
moído.

4 - Identificar o saco e transportar juntamente com o paciente até a


unidade hospilar.

O socorrista deve atentar para o transporte rápido a uma unidade hospitalar de


referência, considerando que, quanto mais tempo o membro fica desprovido de
oxigênio, menos chance terá para reimplantar.

Em hipótese alguma o segmento deverá permanecer em contato direto com o


gelo.

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7.7 Síndrome Compartimental X Síndrome do Esmagamento:

A síndrome compartimental e a síndrome do esmagamento são


acometimentos inerentes ao trauma músculo esquelético, onde, o bombeiro, necessita
de um conhecimento básico para o manejo do paciente, bem como a tomada de
decisão orientada pela coordenação médica, responsável pela regulação do
atendimento.
A síndrome compartimental se dá pelo aumento de pressão em um membro,
84
no qual este estado compromete o aporte de sangue oxigenado. A hemorragia
proveniente de lesões vasculares, de fratura ou de inchaço, causa a isquemia
(diminuição da chegada de sangue no tecido), pelo aumento da pressão entre o
músculo e a fáscia (tecido conjuntivo que envolve músculos nas extremidades).
Associada ao processo de reperfusão da musculatura após um período de diminuição
ou ausência do fluxo sanguíneo (pela compressão do membro) instala-se a referida
síndrome. Tendo como exemplo de causas, dos fenômenos acima citados, podemos
considerar uma imobilização malfeita, onde uma atadura ou tala muito apertada
acarretará as consequências citadas.
O socorrista deverá atentar para os sinais da síndrome compartimental que
inicialmente são de dor, prurido (coceira), formigamento, dormência. Os sinais
tardios, consiste na ausência de pulso, palidez e paralisia no membro.
O tratamento da síndrome compartimental é realizado no hospital, através de
procedimento cirúrgico chamado fasciotomia (incisão da pele e fascia até a
descompressão do local afetado).
O profissional deverá observar os procedimentos das imobilizações e
curativos efetuados, evitando pressão excessiva, estabelecer contato com a regulação
médica e seguir as diretrizes determinadas.
A Síndrome do Esmagamento ou Rabdomiólise traumática, provém da
insuficiência dos rins após uma lesão muscular gravíssima, onde geram condições
clínicas que levam a morte do doente.
A destruição do músculo em situações de esmagamento, libera uma proteína
chamada mioglobina que ao cair na corrente sanguínea e chegar aos rins, levam à
insuficiência renal aguda (IRA). A destruição do músculo também libera potássio
em grandes quantidades podendo causar arritmias cardíacas.

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Sabendo das consequências que podem ocorrer quando, por exemplo, um


membro esmagado for liberado, o socorrista deverá além de todos os procedimentos
relativos ao exame primário, bem como as intervenções necessárias para manter a
sobrevida da vítima, deverá estabelecer contato com a regulação médica, solicitando
autorização para aplicação de um torniquete antes retirada do membro esmagado.

8- TRAUMAS EM SITUAÇÕES ESPECIAIS:


85
8.1 Trauma na Gestante:

As alterações que ocorrem, naturalmente, durante a gravidez são


fundamentais para o desenvolvimento do feto, bem como, para preparar a gestante
para o parto. Portanto, torna-se fundamental que sejam conhecidas pela equipe que
atua em emergência. Se a equipe não possui este conhecimento pode confundir
situações fisiológicas com situações patológicas e, com isso, realizarem
interpretações equivocadas dos dados apresentados e aplicarem condutas
inapropriadas.

8.1.2 Alterações morfológicas:


No primeiro trimestre da gravidez o útero encontra-se protegido pelos ossos
da bacia e a espessura das suas paredes está aumentada. No segundo trimestre o
útero deixa de ser protegido pela pélvis, passando a ser abdominal, porém o feto é
protegido por grande quantidade de líquido aminiótico.
No terceiro trimestre o útero atinge as suas maiores dimensões, as suas
paredes tornam-se mais finas e a quantidade de líquido aminiótico diminui, ficando
então o feto mais susceptível ao trauma neste período.
Em relação à placenta, sabe-se que esta atinge o seu tamanho máximo entre a
36ª e a 38ª semanas e que a quantidade de fibras elásticas é pequena, o que
predispõe a falta de adesividade entre a placenta e a parede uterina, induzindo a
complicações como o descolamento da placenta. O feto é considerado viável a partir
da 28ª semana e é considerado prematuro quando tiver menos de 2,5 Kg.
Quanto maior for a idade gestacional (aumento uterino) maior será a
probabilidade de trauma, mas a possibilidade de lesões de outros órgãos diminui,
pois o útero funciona como barreira protetora dos órgãos abdominais.

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Neste tipo de trauma devemos estar atentos para algumas alterações


anatomofisiológicas que são características nas vítimas gestantes:

ü FC aumenta 15 a 20 bpm no 3° trimestre;


ü PA reduz 5 a 15 mmHg no 2° trimestre (depois retorna ao normal);
ü Volume sanguíneo aumenta em 50%

ATENÇÂO
86
Pode ocorrer perda de 30 a 35% de sangue sem que apareçam sinais de
hipovolemia.

8.1.3 Condutas no APH:

ü Transportar a gestante deitada sobre o lado esquerdo, desde que não tenha
indicação de imobilização de coluna.
ü Se imobilizada, elevar o lado direito da prancha em 10 a 15 cm;
ü Se a vítima não puder ser girada, elevar a perna direita para deslocar o útero
para o lado esquerdo.

8.1.4 Exame secundário (sinais de alerta):

ü Sangramento vaginal;
ü Lesões pélvicas maternas;
ü Lesões útero/vagina;
ü Sinais e Sintomas de DPP;
ü Irritabilidade/sensibilidade/contratilidade uterina;
ü Movimentação e Batimento cardíaco fetal.

O decúbito Lateral Esquerdo faz parte do tratamento. O melhor tratamento


para o feto é o tratamento materno adequado.

8.2 Trauma na Criança

Durante o atendimento a uma criança politraumatizada é fundamental incluir


o responsável pelo menor no processo, pois uma das principais dificuldades é lidar

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com os responsáveis, que desejam colaborar, porém encontram-se, geralmente,


agitados, preocupados e descontrolados.
A melhor maneira de ganhar a confiança dos pais é demonstrar confiança,
não afastá-los do paciente durante o atendimento, ou seja, permitir que participem
do socorro.
O traumatismo da cabeça é a causa mais comum de óbito após trauma em
crianças. As lesões da cabeça são mais frequentes na criança devido ao tamanho e
peso desta em relação ao corpo. As crianças costumam apresentar um prognóstico 87
melhor do que adulto com o mesmo grau de lesão e a recuperação pode ser completa
mesmo em pacientes com lesões graves.
O traumatismo de abdome representa a segunda causa de óbito após trauma
em pacientes pediátricos. Sua principal manifestação é o choque hemorrágico
causado pela rotura do fígado e do baço. Estes órgãos são menos protegidos pelas
costelas e são relativamente maiores emcrianças, portanto, o profissional deveestar
atento aos sinais de choque, bem como, aos sinais de trauma fechado.

A parede torácica é mais elástica em crianças do que em adultos diminuindo


a chance de lesões como tórax instável e tamponamento cardíaco, após o
traumatismo de tórax.
Na avaliação da cena devem-se observar as condições que levaram ao
trauma, por exemplo: em caso de colisão, deve-se observar se a criança estava sendo
transportada adequadamente.
O controle da cervical, após instalação dos dispositivos de imobilização,
poderá contar com a participação do responsável. Assim o mesmo poderá
acompanhar a avaliação da via aérea (A), avaliação da respiração (B) e avaliação da
circulação (C). Quanto a avaliação do nível de consciência, este é um excelente
indicador de traumatismo de crânio. O profissional poderá utilizar como parâmetro a
variação da pontuação na escala de glasgow adaptada para pediatria.
As contusões abdominais, equimoses provocadas por cintos de segurança,
dor abdominal em pacientes pediátricos representam indicações de transporte rápido
(load and go).

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Sinais de alerta no traumatismo de tórax:

ü Dispnéia;
ü Taquipnéia (crianças > 40 irpm) e (lactente > 60 irpm) – loadand go;
ü Batimentos de asa de nariz;
ü Retrações supra-esternais, intercostais e subcostais.

8.2. Conduta pré-hospitalar: 88

Adotar medidas de auto-proteção é fundamental, mesmo quando se tratar de


crianças. Lembre-se que o trauma pode gerar secreções, sangue e eliminações de
fluidos corporais.
Manter as vias aéreas abertas com manobras manuais e estabilização manual
da cabeça e pescoço e determinar após a abertura da via aérea, se a vítima apresenta
respiração adequada. O profissional deverá iniciar a assistência ventilatória
commáscara, caso a respiração esteja ausente ou inapropriada. As causas mais
comuns de obstrução de vias aéreas em crianças, vítima de trauma, são queda de
língua e corpo estranho.
Estabilizar a cabeça e pescoço manualmente, o colar cervical só é aplicado
no final da avaliação rápida, em virtude da criança apresentar baixa tolerância a
imobilização cervical. Em crianças menores de um ano considerar necessidade de
instalar um coxim sob os ombros para promover alinhamento da cabeça, cervical e
corpo.
Avaliar a respiração através da visão da expansão do tórax/abdome, ouvir
sons expiratórios e/ou sentir a expiração (ver, ouvir e sentir) e quando necessário
avaliar a frequência observando a faixa etária que são: 20 IRPM para pacientes
menores que um ano de idade e 15 a 20/min para crianças maiores e adolescentes.
Não esquecerde ofertar oxigênio se saturação estiver menor de 95%.
A avaliação da circulação deve ser feita através da palpação do pulso
braquial, em crianças, juntamente com a avaliação de hemorragias externas. Os
locais de sangramento óbvios devem ser controlados para manter a circulação.
Como o volume sanguíneo da criança é de 80 a 90 ml/kg sangramentos com
perdas que seriam bem toleradas em um adulto podem causar o choque em crianças.

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Assim, torna-se fundamental o controle da hemorragia para prevenir grandes perdas


sanguíneas e o choque.

8.3 Trauma no Idoso:

Alterações fisiológicas:

Cardiovascular
O miocárdio apresenta alterações importantes, pois ocorrem mudanças em
89
sua estrutura tal como: acumulo de gordura, que juntamente com outras alterações
como a calcificação das valvas compromete a resposta cardíaca quando há
necessidade de compensação.
A contração e a capacidade diminuem tanto em repouso como em atividade
física levando a diminuição na oferta de oxigênio para a massa cardíaca. Isto acende
um alerta quando necessário realizar reposição volêmica.

Respiratório:
A frequência respiratória diminui devido às alterações estruturais e
funcionais.
A parede torácica sofre alterações devido à calcificação da cartilagem
produzindo baixas no volume e difusão do oxigênio, assim a resposta ventilatória e
elasticidade pulmonar diminuem.

Sistema digestório:

Apresenta alterações estruturais de motilidade e da função secretória o que


leva a uma lentidão no esvaziamento do estômago. Este fato leva a aumento do risco
de refluxo e broncoaspiração.

Aparelho gênitourinário:

O rim sofre modificações importantes, tais como: redução em seu peso,


esclerose em vasos renais, diminuição na capacidade de filtração glomerular
ocasionando drástica diminuição no volume filtrado.
A avaliação do idoso vítima de trauma não pode ser isolada, ou seja, avaliar
somente o evento e seus componentes. Portanto lembre-se das possíveis alterações
que podem agravar a clínica da vítima, como:

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ü Diminuição da atividade simpática


ü Redução da complacência cardíaca e pulmonar
ü Capacidade de difusão pulmonar diminuida
ü Enfraquecimento muscular intercostal
ü Redução da resposta renal à depleção de volume

Co – morbidades:

ü Uso crônico de diuréticos 90


ü Desnutrição
ü Oclusão vascular por ateroesclerose
ü Medicação vasodilatadora
ü Beta-bloqueadores
ü Marcapasso

Reposição volêmica:

O idoso tolera mal a hipotensão e tem mecanismos compensatórios menos


eficientes. A tolerância à sobrecarga de volume também é pequena assim as
margens para a reposição volêmica tornam-se estreitas.

Respiração:

A disponibilização de oxigênio a nível pulmonar está antecipadamente


reduzida no idoso. Fraturas de costelas podem comprometer a dinâmica respiratória
e gerar atelectasias.

Trauma de crânio:

O trauma de crânio no idoso tem o potencial de gerar HEMATOMAS cujo


diagnóstico pode ser difícil no paciente previamente comprometido
neurologicamente, portanto devemos SUSPEITAR SEMPRE, especialmente quando
há mudança no status mental do paciente.

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Resumo:
Nível de consciência, A B C D E
Nível de consciência
Imobilização cervical/Avalie coxim
Reposição volêmica cuidadosa e criteriosa
Reavalie periodicamente/Ausculta pulmonar
Oxigênio suplementar /100%
Mantenha monitorado 91

Morbidade e mortalidade

“O efeito do envelhecimento diminuindo a “reserva fisiológica” somado às


patologias pré-existentes aumenta a morbidade e a mortalidade pelo trauma”

8.4 Queimaduras:

Pele: Maior órgão do corpo, órgão dos sentidos sendo responsável pelo controle da
temperatura, atua como barreira de proteção além de controlar a perda de água e
eletrólitos.

Tipos de queimaduras: Depende do agende causador podendo ser decorrente de


acidentes por chama, natureza elétrica, química, radiação, vapor ou líquido
aquecido.

Gravidade da queimadura:

A gravidade da queimadura vai depender do agente causador, da extensão da


área afetada que é avaliada pela percentual de superfície corporal acometida, da
profundidade das camadas da pele envolvidas, da idade da vítima lembrando que os
extremos de idade apresentam pior evolução clínica, além das condições clínicas da
vítima tais como doenças pré- existentes como: diabetes, hipertensão arterial e
traumatismos associados à queimadura como por exemplo: traumatismo craniano,
trauma de tórax e etc. Um ponto que merece destaque são as vítimas que sofrem

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queimaduras das vias aéreas por inalação, sendo esse fato por si só gerador de
grande gravidade, independente dos fatores acima listados.

Ao atingir mais de 40% da área corporal, as queimaduras poderão provocar a


morte, e acima de 70% da superfície do corpo atingida as chances de
sobreviver são mínimas.

92
Regra dos “9”:

Modelo representativo da Regra dos 9.

A consequência mais grave das queimaduras é a porcentagem da área


corporal atingida (Imagem X). A maneira mais simples para esta avaliação, embora
seja imprecisa, é calcular a área queimada através da “palma da mão do acidentado”,
que corresponde à 1% de sua superfície corpórea. De acordo com esta informação
temos a seguinte classificação:

ü Portador de queimaduras: o acidentado tem menos de 15% da área corporal


atingida.
ü Grande queimado: a área corporal atingida ultrapassa 15%
(aproximadamente 15 palmos)

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Queimaduras de 1º e 2º graus:

93
Imagens de Queimaduras de primeiro e segundo grau.

1º grau: Atingem somente a epiderme, causando vermelhidão, inchaço, dor local, às


vezes insuportável, sem formação de bolhas. (Queimaduras superficiais)
Característica: rubor, calor, dor.

2º grau: Atingem as camadas mais profundas da pele, envolvendo epiderme e


porções variadas da derme subjacente. Causam formação de bolhas, pele
avermelhada, com leito da ferida brilhante, com manchas e coloração variável, dor,
inchaço, desprendimento de camadas da pele, e possível estado de choque.
(Queimaduras de espessura parcial) Característica: formação de bolhas, dor, leito da
ferida é brilhante.

Bolha ou Flictema:
Separação entre a epiderme e a derme.

Imagem de flictema (bolha) em MSE.

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Queimaduras de 3o grau e 4º grau

94

3º grau: Esta lesão envolve toda a espessura da pele. Essas queimaduras podem
apresentar diversas aparências. Com maior frequência estes ferimentos são espessos,
secos, esbranquiçados, com aparência semelhante a couro. Em casos mais graves, a
pele parece chamuscada, com visível trombose de vasos sanguíneos. (Queimaduras
de espessura completa).

As vítimas com queimaduras de 3º grau sentem dor. Estas lesões estão cercadas
por áreas de queimadura de 2º grau e 1º grau.

Característica: aparência similar a couro, coloração branca a chamuscada, tecido


morto, presença de dor.

4º grau: São lesões que acometem não só todas as camadas da pele, mas também o
tecido adiposo subjacente, os músculos, os ossos ou os órgãos internos.

Queimadura de via aérea

Pode ocorrer devido à inalação de vapor ou gás aquecido levando a edema


das vias aéreas apresentando como sinais rouquidão precoce e estridor tardio
correspondendo a 85% de obstrução. (Imagem 11)

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Imagem 11: Edema de vias aéreas causado por queimadura

95
Tratamento da vítima queimada:

Deve ser iniciada com a avaliação da área queimada e caso seja maior que
20% demonstra gravidade. Prosseguir retirando anéis e pulseiras da área lesada, pois
após o início do edema se torna impossível sua retirada, podendo desempenhar
papel de garrote. Esfriar as queimaduras recentes com solução salina ou água estéril
em temperatura ambiente (a lavagem dos ferimentos com água deverá ser avaliada
com cautela, pois em casos de queimaduras por pós químicos esta não é
recomendada.).As áreas lesadas devem ser cobertas com gaze limpa. A hipotermia
em grandes queimados deve ser prevenida com aplicação de mantas sobre a vítima,
após sua avaliação.

Queimadura elétrica:

A queimadura elétrica apresenta na maioria das vezes pouca extensão


superficial e grande extensão na profundidade, ocorrendo até lesão muscular,
podendo acarretar um quadro de rabdomiólise com grande risco de insuficiência
renal pelo depósito de mioglobina nos túbulos renais. Há risco de queda pela titânia
acarretada pelo choque com trauma contuso associado e risco de trombose venosa
profunda por alterações na coagulação. Pode ocorrer parada cardíaca pelo
aparecimento de arritmias cardíacas.

Queimadura por radiação

Na queimadura por radiação ocorre morte tecidual pela absorção da energia


nuclear deve ser dada atenção especial na avaliação da cena com solicitação de
apoio devido aos produtos perigosos. A abordagem médica só deve ser realizada
após a extricação e descontaminação da vítima.

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Queimadura química:

Da mesma maneira a avalição da cena merece atenção especial com


solicitação de apoio os cuidados médicos só serão realizados após extricação e
descontaminação da vítima. A gravidade da queimadura química dependerá do
tempo de exposição, da natureza e concentração do agente. Ácidos irão queimar por
necrose de coagulação e álcalis por liquefação, com maior penetração tecidual.

96
Vítimas que devem ser encaminhadas ao CTQ (Centro de Tratamento de
Queimados):

Vítimas que apresentem lesão por inalação, com queimaduras de 2ºgrau


maior que 10% SCQ, queimaduras 3ºgrau, queimaduras em face, mãos, pés, grandes
articulações e genitália assim como queimadura elétrica ou química,
politraumatizados com área extensa queimada, após estabilização do outro trauma e
crianças.

9- INCIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS:


Problematizando o atendimento nos acidentes com múltiplas vítimas:

Quando abordamos o trauma, temos a necessidade de nos remeter aos protocolos


internacionais de atendimento pré e intra-hospitalar, pois os mesmos nos direcionam
a buscar as possíveis gravidades nos pacientes, de acordo com a cinemática do
trauma envolvido. Para um incidente com múltiplas vítimas, necessitamos neste
momento usar ferramentas semiológicas apropriadas para essas ocasiões, pois o
atendimento em desastres inicialmente é para quem apresenta maior possibilidade de
sobrevivência, reduzindo assim a morbimortalidades dos pacientes, do que atender
primeiramente o paciente mais grave. A avaliação de desastres é baseada em
atendimentos de medicina de guerra, onde o lema é:“fazer o melhor para o maior
número possível de vítimas”.

Organizamos o atendimento pré-hospitalar em três etapas, chamadas de


“Três Ts do incidente com múltiplas vítimas” que compreendem em:Triagem,
Tratamento e Transporte.

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TRIAGEM:

Protocolo Internacional de Triagem em Acidente com Múltiplas Vítimas: 97

Método S.T.A.R.T.:

O método S.T.A.R.T. (SimpleTriageAndRapidTreatment) é o método de


triagem mais difundido e aplicado no mundo de acordo com a Organização Mundial
de Saúde (OMS) e que pode ser feita por profissionais de saúde, socorristas e até
leigos, desde que sejam devidamente treinados.
Avalia-se a vítima e classifica a mesma por prioridade destacando-a por uma
forma padronizada de cores reconhecida internacionalmente onde:

Vítima grave;

Vítima estável que apresenta potencial gravidade e que não deambula;

Verde sem gravidade aparente, com lesões superficiais e que deambula;

Cinza considerada em óbito ou fora de possibilidades terapêuticas.

No método START, as ferramentas semiológicas utilizadas são avaliadas


através de três manifestações clínicas, chamadas de R.P.M. onde se avalia
parâmetros de: Respiração, Perfusão e status Mental. Trata-se de uma avaliação
rápida, preconizada que seja feita em até sessenta segundos.

Referências Referências
Avaliação START Semiológicas de Semiológicas com
Normalidade Alteração
Abaixo de 30 Acima de 30 incursões
RESPIRAÇÃO
incursões por minuto por minuto

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Abaixo de 2
PERFUSÃO CAPILAR Acima de 2 segundos
segundos
STATUS MENTAL /
Lúcido e orientado Desorientado ou
NÍVEL DE atendendo as
solicitações Inconsciente
CONSCIÊNCIA

Avaliação R.P.M.:

Respiração: 98

Observar movimentos inspiratórios e expiratórios que estejam em até 30


incursões por minuto.
Em situações traumáticas, todo e qualquer paciente que esteja taquipneico
entrará em um quadro de fadiga respiratória, havendo a necessidade de suporte
ventilatório imediatamente.

Em casos de bradipnéia ou de respiração com assimetria torácica, considerar


gravidade e necessidade de suporte ventilatório.

Perfusão Capilar:

ü Pressionar a polpa digital ou o leito ungueal e soltar rapidamente.


ü Se a perfusão voltar em até dois segundos considerar normal.
ü Caso o paciente apresente uma perfusão lentificada, devemos considerar a
diminuição de perfusão por hipotensão.
ü No trauma hipotensão é déficit circulatório por provável hipovolemia ou
mecanismo de bomba cardíaca lesionada.

Status Mental:

ü Avaliar nível de consciência.


ü Quaisquer alterações no sensório em vítimas politraumatizadas direcionarão
o diagnóstico para baixo débito cerebral (hipovolemia) ou lesão direta no
encéfalo (edema ou sangramento).
ü Portanto, em grande resumo classificamos as vítimas da seguinte forma:
ü Vítima que deambula e obedece a comandos é classificada como verde, pois
entende-se que o R.P.M. está mantido em uma vítima que anda.

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É necessário lembrar que a avaliação pelo método START é uma triagem de


prioridade de atendimento em situações de desastres, portanto neste momento de
avaliação não cabe diagnóstico diferencial nem tão pouco ser usado em rotina de
atendimento clínico ou em um atendimento individualizado.
Vítima que respira normalmente, e que apresenta uma perfusão periférica
sem alterações, esteja lúcida, mas não deambula é classificada como amarela.
Vítima que apresenta alterações na respiração principalmente taquipnéia e/ou
que esteja com perfusão periférica lentificada e/ou que apresente alteração 99
neurológica é classificada como vermelha.
Vítima que não respira, abre-se a via aérea e mesmo assim não apresenta
reflexo respiratório ou com lesões incompatíveis com a vida ou fora de possibilidade
terapêutica é classificada como preta. Abaixo o fluxograma do método START:

Cartão para triagem de vítimas

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100

Tratamento em desastres:

É o local que deve ser direcionado as vítimas após a triagem e estabelecida


em uma área segura.
Na área de tratamento devemos realizar o que chamamos de “triagem
secundária”, pois se houver alguma não conformidade no momento da triagem ou
uma mudança no quadro clínico da vítima até a chegada a área de tratamento, a
mesma deverá ser reclassificada pelo método START.
Na área de tratamento, devemos manter uma distância visual entre vítimas
conscientes em relação a vítimas graves ou mortas, com o intuito de manter um
controle emocional na cena.
A equipe da área de tratamento deve tratar apenas os chamados vilões do
acidente com múltiplas vítimas que são: permeabilização das vias aéreas, contenção
de hemorragias e oclusão de feridas abertas no tórax. Os cuidados e intervenções na
área de tratamento são necessárias para estabilizar a vítima em suas lesões mais

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críticas. O exame primário do politraumatizado deve ser realizado e deve ser


realizado pela equipe de APH que irá transportar a vítima para o hospital.
O modelo em cruz é o recomendado, mas a adaptação a esta regra dependerá
única exclusivamente da cena do desastre e da manutenção da segurança.

101

Área de tratamento em forma de cruz.

Durante o tratamento, o socorrista deve atentar para contaminação cruzada


trocando de luvas toda vez que for manipular um paciente diferente.

Transporte:

Após a estabilização da vítima, conduzi-la por meios adequados é outra


forma de minimizar os problemas ocasionados pelos desastres.
A regra é simples: Vítima grave deve ser levada por recurso avançado
(ambulância ou transporte aéreo, quando este recurso estiver disponível) e vítimas
de menor gravidade em recurso intermediário ou básico.

Essa regra modifica dependendo dos recursos disponíveis em cada situação


específica de desastre, onde a falta de recursos é uma característica a ser
considerada.

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As vítimas verdes podem ser transportadas em veículos comuns como: carros


de passeio, vans e ônibus, desde que tenham sido classificadas pelo método START
e reavaliadas na área de tratamento verde. Após esse respaldo, as vítimas verdes
devem ser acompanhadas neste transporte por um profissional de saúde,
devidamente capacitado em atendimento pré-hospitalar.
O médico Regulador tem papel fundamental no momento do transporte, ele
que avaliará para qual hospital será transportada as vítimas distribuindo-as de
maneira coerente para os hospitais disponíveis, avaliando o tempo de chegada, a 102
gravidade da vítima e o tipo de recurso que o mesmo oferece.

10- MOBILIZAÇÃO E TRANSPORTE DE ACIDENTADOS:

Destacamos que as vítimas de trauma requerem cuidados específicos durante


o atendimento pré-hospitalar. Nessa perspectiva, ressaltamos a necessidade de
cautela e prudência da equipe de socorro ao manipular a vítima de trauma durante
todo o atendimento, que implica em procedimentos de movimentação da vítima na
cena, transporte e chegada a unidade hospitalar de referência.
Os conceitos e técnicas apresentadas nesse capítulo têm como objetivo evitar
o agravamento de lesões primárias da vítima e promover condições ergonômicas
adequadas pelas equipes de atendimento pré-hospitalar.

Mobilização: consideramos que o termo refere-se às técnicas aplicadas no manuseio


e movimentação das vítimas de trauma. Suas indicações ocorrem de acordo com os
aspectos do cenário e a condição geral da vítima.

Imobilização: consideramos que o termo refere-se ao uso de dispositivos a serem


utilizados nas vítimas, visando alinhamento, estabilização e/ou fixação de partes do
corpo, afim de que movimentos indesejados possam agravar lesões já existentes.

Materiais básicos de imobilização: prancha longa com cintos e estabilizadores de


cabeça, colar cervical e talas de membros.

Preparação da vítima para retirada da cena e transporte: Ressalta-se que vítimas


de trauma nem sempre estarão ao solo em posição ideal para serem mobilizadas (ex.
colocadas na prancha). Neste contexto, pode ser necessário o alinhamento dos
membros junto ao corpo, objetivando deixar a vítima em posição anatômica. Esse

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alinhamento é realizado sustentando os membros pelas articulações e posicionando-


os, gradualmente, ao eixo do corpo. Caso a vitima apresente algum tipo de restrição a
esse movimento, essa vitima deverá ser mobilizada e imobilizada mantendo a
posição inicial do membro.

TÉCNICAS DE MOBILIZAÇÃO E IMOBILIZAÇÃO:

Rolamento 90°:
103
Indicação: vítima em decúbito dorsal.

Número mínimo de socorristas: três (3).

Ao encontrar uma vítima em decúbito dorsal, e havendo a necessidade de


transporte, a primeira decisão da equipe será: para qual lado deverá ser realizado o
rolamento da vítima. A decisão mais convencional sugere que a vítima deva ser
“rolada” para o lado contrário a lesão. Contudo, algumas condições da vítima e da
cena podem requerer que o rolamento seja feito para cima do lado lesionado da
vítima. Caberá a equipe decidir qual movimento agravará mais o estado geral da
vítima, e assim realizar a técnica. Após decisão da equipe acerca do rolamento da
vítima, a prancha deverá ser posicionada do lado contrário ao posicionamento dos
socorristas.

Figura 1 Figura 2

Considerando a equipe mínima para o atendimento, um dos socorristas deve


se posicionar por trás da vítima e com as mãos espalmadas, estabilizar a cabeça da
vítima (imobilização manual da cabeça) e, obrigatoriamente, manter pelo menos um
dos joelhos no chão, conforme figura 1. Os outros dois socorristas, devem se
posicionar no lado para o qual decidiram realizar o rolamento, conforme figura 2.

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O socorrista líder deve ficar na altura do tórax, colocando a mão na cintura


escapular (ombro), enquanto sua outra mão será posicionada na cintura pélvica,
sustentando juntamente o braço da vítima. O terceiro socorrista deve se posicionar ao
lado do socorrista líder. Ambos devem manter um dos joelhos ao solo e outro
elevado visando maior estabilidade, atentando para que os mesmos joelhos estejam
ao solo e levantados. A mão do terceiro socorrista, mais próxima ao socorrista líder
deverá ser posicionada na região pélvica distal da vitima, ao lado da mão do
socorrista lide, formando um “X”, enquanto sua outra mão será posicionada no 104

joelho distal da vítima, conforme figura 2.


Uma vez posicionada a equipe e a prancha, o rolamento 90° deverá ser
realizado - movimento em bloco. O socorrista que está na cabeça é responsável pelo
sincronismo do movimento, pois será ao seu comando que a equipe irá realizar a
técnica, conforme figura 3.

Figura 3

Após o exame do dorso (crânio, pescoço e coluna), realizado pelo líder, com
mão que está na região pélvica, a equipe se prepara para a colocação da vítima na
prancha. Nesse momento, o terceiro socorrista, libera sua mão da cintura pélvica ou
do joelho da vítima e traz a prancha para o mais próximo possível da vítima,
conforme figura 4. Havendo uma quarta pessoa disponível no local, ela poderá
posicionar a prancha junto a vítima.

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105

Figura 4

Ressaltamos que uma vez colacada na prancha, é provável que a vítima ainda
precise de ajustes na sua posição. Neste contexto, o socorrista líder “cavalgará” a
vítima na altura do tórax posicionando as suas mãos sob os ombros ou entre as
axilas, enquanto o terceiro socorrista “cavalgará” a vítima na altura da região pélvica
ficando atrás do líder, conforme figura 5. Ao comando do socorrista que está na
cabeça, a equipe realizará um movimento de “arrasto”, em forma de “zig-zag”
diagonal para cima e para baixo, até a vítima atingir a posição correta na prancha. É
importante nesse momento que os socorristas travem a prancha para ela não
escorregar sobre o solo. Ressaltamos que a estabilização manual da cabeça da vítima
só pode ser desconsiderada quando os demais recursos de imobilização de cabeça e
pescoço já tiverem sido colocados de maneira eficaz.

Figura 5

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Figura 7 Figura 6
106
Rolamento 180°

Indicação: vítima em decúbito ventral.

Número mínimo de socorristas: três (3).

Esta técnica consiste em mobilizar a vítima em bloco para cima de uma


prancha longa, permitindo um devido alinhamento do corpo com a cabeça. Nesta
perspectiva, diferentemente da técnica de rolamento a 90°, a prancha deverá ser
colocada no lado oposto a face da vítima. Enfatizamos que o socorrista que estabiliza
a cabeça deve estar atento para a posição adequada das mãos, onde o seu polegar
deve estar voltado para a face da vítima, conforme figura 8.

Figura 8 Figura 9

Os outros dois socorristas deverão se posicionar sobre a prancha, e realizar a


pegada da vítima na mesma posição citada na técnica anterior, permitindo o
cruzamento dos braços em “X”. Devemos considerar, que nesta posição, o socorrista
líder poderá realizar do exame do dorso antes de iniciar a técnica de rolamento.

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Apósestabilização da cabeça, posicionamento lateral dos socorristas e da prancha, a


equipe estará apta para realizar o rolamento, conforme figura 9.
Este rolamento ocorre em dois tempos, no primeiro os socorristas que estão
sob a prancha na lateral da vítima realizarão o primeiro movimento de 90°, que
deverá alinhar a cabeça e o corpo da vítima, conforme figura 10 e 11. Em seguida
com a vítima alinhada e lateralizada, o socorrista responsável pelo rolamento dará
um novo comando e a vítima será rolada em bloco para cima da prancha, conforme
figura 12 e 13. 107

Figura 11 Figura 12

Figura 13 Figura 14

Ressaltamos que da mesma forma como no rolamento a 90°, a vítima ao ser


posicionada em cima da prancha poderá precisar ser ajustada de maneira segura.
Neste contexto, a equipe realizará o posicionamento a cavaleiro e fará o arrasto em
“zigzag”, conforme visto previamente no rolamento a 90°.

Elevação a Cavaleiro:

Indicação: vítima em decúbito dorsal que as condições clínicas/físicas sejam


agravadas com a técnica de rolamento ou por impossibilidade de rolamento devido

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espaço insuficiente na cena. Esta técnica pode também ser um recurso em locais de
difícil acesso e com vítimas em outros decúbitos.

Número mínimo de socorristas: cinco (5).

Para iniciar esta técnica, o socorrista um (1) estabilizará a cabeça, mantendo


um joelho no chão, e a ponta do coturno do outro pé à frente. Isso o protegerá de ser
atingido pela prancha, conforme figura 1. Os demais socorristas tomarão as seguintes
posições: o socorrista dois (2) se posicionará na altura do tórax, segurando os 108
ombros; o socorrista três (3) na altura da pelve, mantendo os braços da vítima entre
seus braços; o socorrista quatro (4) na altura do joelho da vítima, conforme figura 14.
O quinto elemento (socorrista ou não) ficará responsável em colocar a prancha
embaixo da vítima, conforme figura 15.

Figura 14 Figura 15

Assim que todos estiverem posicionados, e a prancha preparada com os cintos


desafivelados e alinhados, o socorrista que estiver na cabeça dará o comando para
elevação da vítima. Esse movimento deve ser realizado de maneira sincrônica,
mantendo o alinhamento da coluna da vítima. A elevação deve ser o mínimo
necessário para o posicionamento da prancha sob a região dorsal da vítima, conforme
figuras 16 e 17.

Figura 16 Figura 17

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Procedimentos de imobilização: Após a colocação da vítima sobre a prancha longa,


seguimos com as seguintes ações:

COLOCAÇÃO DO COLAR CERVICAL – ORIENTAÇÕES:

1. Na aplicação da técnica de rolamento a 90°, orientamos que o colar cervical seja


colocado na vítima após o rolamento, para possibilitar um exame mais adequado
da região occipital e cervical da vítima. Lembrando que a estabilização manual é
extremamente segura e precisa. 109

2. O socorrista que for realizar a colocação do colar deve estar posicionado de


forma que permita a visualização da passagem do colar pela parte posterior do
pescoço da vítima, assim como mensurar o tamanho do colar cervical.

3. Após a colocação do colar cervical, o socorrista deve aplicar os estabilizadores de


cabeça (headblock), e seus respectivos tirantes (frontal e mentoniano),
ressaltando que um dos socorristas não pode soltar a cabeça da vítima.

4. O tirante mentoniano deve ser o primeiro a ser colocado, ele é posto sobre o colar
cervical fazendo uso da abertura que possui. Após essa ação é que colocamos o
tirante frontal e a finalização da fixação da cabeça. A partir desse momento não
será mais necessário manter a imobilização manual da cabeça.

FIXAÇÃO DA VÍTIMA NA PRANCHA COM OS CINTOS:

Possuem a finalidade manter a vítima fixada ao longo da prancha, prevenindo


o risco de quedas e movimentos indesejados.

Padrão de fixação dos cintos: (figuras 18 e 19) os cintos devem estar bem
posicionados para atuarem de forma eficaz. O cinto superior deve ser posicionado na
altura do tórax próximo a região axilar. O ajuste deve permitir a expansão do
movimento respiratório. O cinto mediano deve ficar na altura da pelve. O cinto
inferior deve ser colocado aproximadamente cinco (5) centímetros acima dos joelhos.

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Figura 18 Figura 19

110
TRANSPORTE DA PRANCHA COM 03 SOCORRISTAS:

Ressaltamos que para erguer a prancha os socorristas devem executar dois


movimentos à comando líder: o primeiro movimento até a altura dos joelhos e o
segundo movimento acima, na posição ereta, conforme figuras 20, 21 e 22. A figura
23 demonstra o transporte de vítima com três (3) socorristas.

Figura 21 Figura 22

Figura 23 Figura 24

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TRANSPORTE DA PRANCHA COM 04 SOCORRISTAS:

Ressaltamos que para erguer a prancha os socorristas devem executar dois


movimentos à comando líder: o primeiro movimento até a altura dos joelhos e o
segundo movimento acima, na posição ereta, conforme figuras 24, 25 e 26. A figura
27 demonstra o transporte de vítima com quatro (4) socorristas.

111

Figura 25 Figura 26

Figura 27 Figura 28

RETIRADA DE CAPACETE:

A indicação da retirada do capacete é ter acesso as vias aéreas da vítima, que


eventualmente possam estar obstruídas ou em casos de inconsciência. Ressaltamos
que a técnica deve ser precisa, pois a mobilização inadequada pode causar lesão

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secundária na coluna cervical. Portanto, a equipe de socorristas deve avaliar


criteriosamente o procedimento, conforme a seguir:

1. São necessários dois socorristas para executar com segurança a técnica;

2. O primeiro socorrista estabiliza manualmente a cabeça por trás da vítima;

3. O segundo socorrista estabiliza manualmente a cabeça e o pescoço, apoiando


uma das mãos sob a região posterior do pescoço da vítima e a outra a mandíbula.
112
Mantendo a cabeça em posição neutra;

4. O primeiro socorrista, que está posicionado na cabeça da vítima, segura o


capacete pelas abas laterais e vai tracionando-o cuidadosamente em sua direção;

5. Após a retirada do capacete, o primeiro socorrista mantém a estabilização manual


da cabeça e pescoço.

Sequência da Retirada de Capacete:

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113

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Capítulo IV
Acidentes com Animais Peçonhentos:

São animais que possuem em sua


maioria glândulas que armazenam substâncias
venenosas, utilizadas para proteção contra a
ação de predadores ou ainda que os auxiliam
na captura de suas presas. 114

Animais venenosos:

São animais que possuem veneno,


mas não apresentam um aparelho específico para inocular nas suas possíveis vítimas.
Ex: o veneno do sapo está em glândulas na sua pele.

Animais Peçonhentos:

São animais que possuem veneno e um aparelho específico para introduzi-lo


no organismo da vítima. Eles possuem a capacidade de produzir, armazenar e
inocular seu veneno.

1 - Ofidismo:

Acidentes oriundos de picadas de cobra.

1.1 Características básicas cobras:

São animais predadores e se alimentam de peixes, moluscos, anfíbios,


mamíferos, aves e até de outras cobras. Como não possuem braços ou garras para
matar ou imobilizar suas presas, contam com o veneno para auxiliar nessa tarefa. A
forma da boca das serpentes impede que elas mastiguem o alimento. Ao capturar
uma presa, a cobra a engole inteira. O veneno serve para neutralizar esta presa e,
assim, facilitar a captura da mesma, outra função do veneno é ajudar, a cobra, na
digestão da presa abatida, facilitando a absorção dos nutrientes necessários para sua
sobrevivência.

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Tabela 1: Comparativo de serpentes peçonhentas X não peçonhentas.

CARACTERÍSTICAS PEÇONHENTAS NÃO-PEÇONHENTAS

CAUDA AFINA ABRUPTAMENTE AFINA GRADUALMENTE

FOSSETA LACRIMAL OU APRESENTA


NÃO APRESENTA
LOREAL (exceto cobra coral)
115

PUPILA VERTICAL REDONDA

ESCAMAS CORPO = CABEÇA CORPO X CABEÇA

PICADA UM OU DOIS ORIFICIOS MORDIDA

DENTES DUAS PRESAS PEQUENOS E UNIFORMES

AGEIS E PARTEM EM
ATITUDE (PERIGO) LENTAS E ENRRODILHA
RETIRADA

A nível de campo a diferenciação da cobra coral falsa da cobra coral verdadeira é impossível de
ser executada, portanto, tratar todas como peçonhenta.

1.2 Gêneros e Espécies de Importância Médica:

No Brasil há cerca de 260 espécies de serpentes, sendo que cerca de 40 são


peçonhentas. Essas espécies de serpentes são dividas em gêneros, dos quais
estudaremos: Crotalus, Bothrops, Lachesis, e Micrurus. O veneno de cada gênero de
serpente possui composição diferente, conseqüentemente, ira provocar sintomas
distintos, confira o esquema a baixo e entenda como cada grupo de veneno age no
corpo da vítima de acidente com cobras peçonhentas.

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Tabela 2: Comparativo de ação de veneno X gênero / espécie de serpentes:

GÊNERO ESPÉCIE AÇÃO DO VENENO SORO ANTIOFÍDICO

CASCAVEL HEMOLISANTE E

CROTALUS PARALISANTE ANTI-CROTALICO

(neurotóxico)

116
JARARACA
NECROSANTE E
ANTI-BOTHROPICO
BOTHROPS COAGULANTE

SURUCUCU NECROSANTE E
PARALISANTE ANTI-LACHESICO
LACHESIS
(neurotóxico)

CORAL
PARALISANTE ANTI-MICRURICO

MICRURUS (neurotóxico) ANTI-ELAPÍDICO

Existe um soro antiofídico genérico, ou seja, que serve para mais de um veneno. Contudo, as
reações do corpo a ele são complicadas e podem deixar seqüelas.

1.3 Ação do Veneno:

Necrosante:

Destruição do tecido muscular no local da picada.

Paralisante (neurotóxico):

Paralisia dos músculos da vitima, impedindo a sua locomoção, ocorrendo em


alguns casos à paralisia da musculatura respiratória.

Coagulante:

Promove um aumento significativo do fator de agregação plaquetária fazendo


o sangue se transformar em um “mingau”.

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Hemolisante:

Rompe a membrana das hemácias efetuando o “lise”, destruição, das células.

Sintomas no Local da Picada:

Dor, hemorragia, equimose ou hematoma.

Condutas em ofidismo:
117
ü Nunca tentar capturar a serpente, se possível, tente fotografar ou gravar
na cabeça as características de cor ou barulho emitido pela cobra;
ü Manter a vítima em repouso (a vítima não poderá efetuar nenhum tipo
de movimento para não acelerar a metabolização do veneno);
ü Realizar a assepsia do local;
ü Retira anéis e pulseiras;
ü Imobilizar o local da lesão (se for necessário);
ü Monitorar os sinais vitais;
ü Não amarrar membros fazendo um garrote e nem fazer torniquete (isso
poderá piorar as condições da vítima, pois, concentrará o veneno em
uma região e não impedirá que ele circule pelo corpo da mesma);
ü Não fazer cortes e nem chupar o local da picada (isso não retira o
veneno);
ü Transportar a vitima, de maca, imediatamente ao hospital mais próximo,
pois apenas o soro poderá agir contra os sintomas.

2 - Araneismo:

Acidentes oriundos de picadas de aranhas.

2.1 Características Básicas das Aranhas:

Não são agressivas, abrigam-se sob folhas, troncos e arvores. Possuem


hábitos noturnos. Têm quatro pares de patas. As patas podem ter garras nas pontas.
Algumas espécies usam o primeiro par de patas como apêndices para capturar ou

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segurar a presa. Na parte de trás do corpo, as aranhas possuem órgãos, chamados


fiandeiras, que fabricam seda. São animais de hábitos noturnos e carnívoros.

2.2 Gêneros e Espécies de Importância Médica:

Viúva Negra (Latrodectus mactans):

118
De coloração bonita e, tamanho minúsculo, são
espécies consideradas de importância médica e
encontradas em áreas de restinga. Os casos de picada
desta aranha não são frequentes em humanos e, geralmente os ataques são
promovidos pelas fêmeas. Seu veneno possui vários componentes químicos como o
ácido aminobutírico, hialuronidase, fosfodiesterase, polipetídeos, além de proteínas
como latrotoxinas, característica do grupo. Essas toxinas atuam sobre terminações
nervosas sensitivas, provocando quadro doloroso no local da picada. Atuam também
no sistema nervoso autônomo.
O quadro clínico é dor no local da picada com intensidade variável, tipo
mialgia, evoluindo para sensação de queimação (ocorrendo 15 a 60 min. após o
acidente). Lesões puntiformes com uma ou duas perfurações de 1 a 2mm e edema
discreto no local da picada. Pode ocorrer Hiperestesia na área da picada, placa
urticariforme e infartamento ganglionar. Frequentemente há ocorrência de tremores,
contrações espasmódicas dos membros, sudorese local, ansiedade, excitabilidade,
insônia, cefaléia, prurido, eritema de face e pescoço, dor no tórax com sensação de
morte eminente, taquicardia inicial e hipertensão seguidas de bradicardia.
Para tratamento dos sintomas recomenda-se a utilização de compressas
mornas no local e o uso de analgésicos. Quando a dor é muito intensa, pode-se usar
meperidina ou morfina. O tempo de permanência hospitalar para doentes não
submetidos a soroterapia é de no mínimo 24 horas. O tratamento com soro
Antilatrodectus (SALatr) - SORO ANTIARACNÍDEO - é indicado nos casos
graves. A melhora do paciente ocorre de 30 min a 3h após a soroterapia.

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Aranha Marrom (Loxosceles):

Essas aranhas são animais do gênero Loxosceles, mas


que comumente são chamadas de aranhas marrons, no
Brasil. São amarronzadas, variando o tom e algumas
possuem um desenho no cefalotórax e podem medir até 4
cm (o corpo mede apenas um terço disso). É distribuída por quase todo planeta,
tendo mais de 30 espécies só na América do Sul. É uma das aranhas que mais gera 119
mortes no mundo e tem o veneno mais tóxico entre as aranhas brasileiras. Podem ser
encontradas em áreas livres, entre frestas de troncos, folhas secas, rochas, dentro de
casa embaixo ou atrás de móveis, em galpões, etc. As aranhas marrons não são
agressivas. Os ataques a humanos ocorrem como defesa quando, sem querer, alguém
toca nela. É comum acidentes com estes animais na hora de pôr calçados ou roupas,
onde elas estão escondidas, ou são vítimas que colocaram a mão em alguma fresta,
mas não é comum elas atacarem sem ser por defesa, quando se sentem comprimidas.
A picada não é dolorida, mas cerca de 14 horas depois há desenvolvimento de edema
(inchaço) e eritema (vermelhidão), podendo ser acompanhado de prurido (coceira).
Sua toxina é hemolítica, podendo não causar problemas apenas na área picada, mas
na região visceral, levando o indivíduo a ter febre, urinar escuro e sem tratamento
adequado pode gerar necrose no tecido local da picada, falência renal e óbito. A
conduta do Bombeiro é não deixar a vítima se movimentar, solicitar ajuda e levar, o
mais rápido possível, a vítima para o atendimento médico para que possa tomar o
soro antiaracnídeo.

Armadeira (Phoneutria):

Essas aranhas não constroem teias para capturar suas


presas, elas imobilizam a vítima com o auxílio do veneno.
Estas aranhas caracterizam-se pela disposição dos olhos em
três filas (2-4-2); no abdômen há pares de manchas claras
formando uma faixa longitudinal. As pernas apresentam
espinhos negros implantados em manchas claras. Sua marca registrada é o
comportamento defensivo em posição ereta, com movimentos laterais do corpo e
com as pernas dianteiras elevadas: tal comportamento originou seu nome popular.

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Estão distribuídas por quase toda a América Central e do Sul, desde a Guatemala até
o norte da Argentina, podendo ser encontradas em bananeiras, folhagens, entre
madeiras e pedras empilhadas e no interior de residências.
As aranhas armadeiras possuem um veneno extremamente ativo em seres
humanos, aliado ao seu sinantropismo, ou seja, sua adaptação em ambientes urbanos,
faz com que as armadeiras sejam responsáveis por boa parte dos acidentes
com artrópodes peçonhentos no Brasil. Por outro lado, algumas propriedades
farmacológicas instigam cientistas que buscam por aplicações biotecnológicas de 120

compostos derivados das toxinas presentes no veneno.


Os acidentes provocados por Phoneutria ocorrem durante o ano todo,
aumentando a incidência nos meses de abril e maio. Este período coincide com a
época de acasalamento das armadeiras, o que as torna mais ativas.
As ações do seu veneno causam retardo da inativação dos canais neuronais de
sódio, o que pode provocar despolarização das fibras musculares e terminações
nervosas sensitivas, motoras e do sistema nervoso autônomo, favorecendo a
liberação de neurotransmissores, principalmente acetilcolina e catecolaminas.
Também isola peptídeos que podem induzir a contração da musculatura lisa vascular
e aumentar a permeabilidade vascular, independentemente da ação dos canais de
sódio.
No quadro clínico de um acidente com armadeiras predominam as
manifestações locais. A dor imediata é o sintoma mais frequente; apenas 1% dos
casos apresentam-se assintomáticos após a picada. Sua intensidade é variável,
podendo se irradiar até a raiz do membro acometido. Outras manifestações que
podem ocorrer são: edema, eritema, parestesia e sudorese no local da picada, onde
podem ser encontradas as marcas de dois pontos de inoculação, priapismo, choque
anafilático e edema pulmonar.

Os acidentes são classificados em Leve, Moderado e Grave:

· Leve: Predominam as manifestações locais como dor, inchaço, vermelhidão


da pele e suor na região da picada. Pode aparecer a marca da picada.
· Moderado: Além das manifestações locais, observam-se alterações
sistêmicas como aceleração da frequência dos batimentos cardíacos, aumento
na pressão sanguínea, suor, agitação e vômito.

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· Grave: Ocorrem principalmente em crianças que apresentam, além das


manifestações já descritas, vômito profuso, ereção peniana involuntária
persistente, diarreia, diminuição da frequência dos batimentos cardíacos,
pressão sanguínea baixa, arritmia cardíaca, edema agudo de pulmão e choque.

A conduta do Bombeiro é não deixar a vítima se movimentar, solicitar ajuda e


levar, o mais rápido possível, a vítima para o atendimento médico para que possa ser
administrado o soro antiaracnídeo. 121

Aranha de Jardim (Lycosa erythrognatha):

A aranha-de-jardim, também conhecida como aranha-de-


grama ou aranha-lobo (Lycosa erythrognatha) é uma
espécie de aranha da família Lycosidae. Esta aranha possui
aproximadamente 5 cm de comprimento. Apresenta
coloração marrom-clara ou cinzenta, ventre negro
e quelíceras com pêlos alaranjados ou avermelhados. Na
parte dorsal do abdome, há um desenho negro em forma de
seta, bem característico da espécie. O veneno da aranha-de-grama causa uma dor
intensa, com sensação de queima e formigação, e pode provocar reações alérgicas
como sudorese no local da picada. Mas geralmente a mordida não causa problemas
tão graves. Dada a ação meramente proteolítica do veneno, não há necessidade de
soroterapia específica. A conduta do Bombeiro é não deixar a vítima se movimentar,
solicitar ajuda e levar, o mais rápido possível, a vítima para o atendimento médico
para que possa tratar os sintomas de forma correta.

Condutas em Araneismo:
ü As picadas de Aranha deverão ter maior atenção, pois, acidentes com
aranha marrom e viúva negra o soro anti-aracnídeo se fará necessário;
ü Não tente capturar e nem apanhe com as mãos a aranha, isso poderá
provocar outro acidente;
ü Fique atento aos sinais vitais;
ü Não realizar torniquetes;
ü Não tentar chupar o veneno;
ü Sempre valorize um acidente com aranhas.

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3 - Escorpianismo:

Acidentes derivados de picadas de escorpiões.

3.1 Características Básicas dos Escorpiões:

Os escorpiões são animais de corpo alongado que possuem quatro pares de


patas, um par de pinças no extremo anterior e apresentam um ferrão com glândulas
de veneno na ponta da "cauda" articulada. Quando se sentem perturbados, picam com 122
facilidade, causando muita dor, e podendo provocar até a morte em crianças e
pessoas debilitadas.
As espécies que habitam o estado do Rio de Janeiro têm coloração e hábitos
que as confundem com o ambiente em que vivem. Entre essas espécies encontramos
com muita frequência o "escorpião-amarelo" (Tityus serrulatus), que é considerado o
escorpião mais perigoso da América do Sul.
Os escorpiões procuram alimento durante a noite e, frequentemente, penetram
nas residências humanas, onde se instalam sem serem notados, pois durante o dia
"desaparecem" em esconderijos escuros e úmidos. Para capturar alimento e para
defesa utilizam-se do ferrão venenoso. Os escorpiões se proliferam sob pedras,
frestas de pedras e barrancos, debaixo de cascas de árvores, em paredes e muros mal
rebocados, madeira empilhada, entulhos, caixas de gordura, ralos, forros, etc. Gostam
muito de umidade, pouca luz e insetos em abundância (principalmente baratas e
outros insetos do gênero).
A picada de escorpião causa muitos transtornos ao organismo humano: dor
imediata, sudorese, febre, sensação de frio, contrações musculares, irregularidades
cardio-respiratórias, e pode levar à morte. Qualquer acidente com escorpião deve ser
avaliado por um médico. Em várias regiões do estado do Rio de Janeiro e em outros
estados da região sudeste tem ocorrido um significativo aumento na ocorrência de
escorpiões.

Medidas de prevenção para evitar acidente com escorpiões:

· Manter jardins e quintais limpos; evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas,


lixo doméstico, material de construção nas proximidades das casas; evitar
secar roupas no chão ou em cercas e muros.

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· Evitar folhagens densas (plantas ornamentais, trepadeiras, arbusto, bananeiras


e outras) junto a paredes e muros das casas; manter a grama aparada; limpar
periodicamente os terrenos baldios vizinhos, pelo menos, numa faixa de um a
dois metros junto das casas;

· Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los, pois os escorpiões podem se


esconder neles e picar ao serem comprimidos contra o corpo; combater a
proliferação de insetos, para evitar o aparecimento de escorpiões que deles se 123
alimentam; verificar a presença de escorpiões em hortifrutigranjeiros e outros
produtos;

· Vedar frestas e buracos em paredes, ralos, assoalhos e vãos entre o forro e


paredes para impedir o trânsito de escorpiões pela residência.

3.2 Gêneros e Espécies de Importância Médica:

Tityus Bahienses:

Também conhecido como escorpião-preto, é uma


espécie de escorpião do Leste e Centro do Brasil. Mede 6
cm de comprimento, tem coloração marrom muito escura e
patas castanhas.

Tityus Serrulatus:

Coloração amarelada, encontrado nas cidades, mede 6


cm e seu veneno é duas vezes mais potente que o de o de
gênero Tityus bahienses.

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Sintomatologia:

Varia de leve (dor intensa, eritema e flictema), moderada (sudorese intensa,


tontura, vômito, sialorréia e arritmias) e grave (convulsão, edema pulmonar, coma,
insuficiência cardíaca, bradicardia, hipotermia e choque). A gravidade dos sintomas
esta relacionada com proporção entre a quantidade do veneno injetado, massa
corporal do individuo picado, espécie e tamanho do escorpião, da sensibilidade ao
veneno e do retardo no atendimento. 124

Condutas em escorpionismo:

ü A maioria das picadas de escorpião não necessitam de tratamento;


ü Os casos graves de acidentes com escorpiões podem precisar de soro
antiescorpiônico;
ü Em alguns casos são utilizados antiinflamatórios não esteróides;
ü Cuidado redobrado com idosos e crianças, o acidente com eles será
sempre considerado grave.

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