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Ofertas e

DÍZIMOS
hoje em dia

Rio de Janeiro/RJ

Joel Santana
2018
Copyright©2018 por Joel Santana Todos os direitos
reservados ao autor/editor; permitindo-se, porém,
citações esparsas, conquanto a fonte seja informada.

Dados Internacionais de Catalogação na publicação


(CIP): Agência Brasileira do ISBN Ministério da
Cultura Fundação Biblioteca Nacional do Rio de
Janeiro/RJ _ Brasil.
SANTANA, Joel
Ofertas e Dízimos Hoje em Dia Rio de
Janeiro/RJ _ Brasil ISBN: 978-85-915340-1-2
1ª edição: Junho de 2018

Capa: Cortesia de Nelson de Jesus Kuh Filho


SUMÁRIO
CAPÍTULO 1
PONDERANDO DIZIMISTAS E NÃO
DIZIMISTAS
CAPÍTULO 2
OS FARISEUS AINDA VIVEM
CAPÍTULO 3
DESFAZENDO UM MAL-ENTENDIDO
CAPÍTULO 4
COMPREENDAMO-LOS
CAPÍTULO 5
CORRENTE TEOLÓGICA OU AVAREZA?
CAPÍTULO 6
EVITANDO CONDENAÇÃO MÚTUA
CAPÍTULO 7
O DÍZIMO HOJE EM DIA – QUESTÃO DE
FORO ÍNTIMO
CAPÍTULO 8
TIPOS DE DÍZIMOS E SUAS RESPECTIVAS
FINALIDADES
CAPÍTULO 9
DIZIMISTA/ACIONISTA
CAPÍTULO 10
PODE UM CRISTÃO GUARDAR A LEI DE
MOISÉS?

CAPÍTULO 11
JESUS E O DÍZIMO
CAPÍTULO 12
QUEM RESSUSCITOU O DÍZIMO?
CAPÍTULO 13
ABRAÃO E JACÓ – DIZIMISTAS ANTES DA
LEI?
CAPÍTULO 14
A BÊNÇAO É DO TAMANHO DA OFERTA?
CAPÍTULO 15
QUE DIZER DE HEBREUS 7.8?
CAPÍTULO 16
ADMOESTAÇÕES
CAPÍTULO 17
SÓ SOBRE O LUCRO OU...?
CAPÍTULO 18
IMAGINAÇÕES ALADAS
CAPÍTULO 19
HÁ LEIGOS E MINISTROS VENDO
CAPÍTULO 20
CERIMONIAIS, SIM; MORAIS, NÃO?
CAPÍTULO 21
A VERDADE SOBRE OS DEZ
MANDAMENTOS
CAPÍTULO 22
AINDA SOBRE A AB-ROGAÇÃO DA LEI
CAPÍTULO 23
BÊNÇAO AO PORTÃO
CAPÍTULO 24
BÊNÇÃO VIA RBN
CAPÍTULO 25
OUTRAS CONSIDERAÇÕES
EPÍLOGO
APÊNDICE
ABREVIATURAS
PREÂMBULO

O tema deste livro Há controvérsias quanto a se a


doutrina dos dízimos está ou não de pé hoje em dia.
Muitos entendem que o Novo Testamento manda
apenas ofertar; e que, portanto, isso nos deixa livres
para doarmos 10%, 5%, 30%, 15, 20%, etc. Outros,
porém, creem que o cristão tem o dever de
contribuir com dízimos e ofertas, pois creem na
continuidade dessa doutrina, dentro dos moldes de
Ml 3.10 e textos correlatos. Sim, estes entendem
que o não dizimar na atualidade ainda é pecado. E
como em todas as controvérsias, há, quanto a esta
questão, os que alegam não ter opinião formada.
Mas este livro é um tira-teima, ou seja, um formador
de opinião. Este livro pode: a) dar mais chão aos
que já estão do lado certo, que é o da
descontinuidade do mandamento em questão; b)
levar os equivocados à retração; e c) encorajar os
indecisos a se posicionarem com firmeza. Tal se dá
porque este tratado é uma magistral pronunciação
sobre essa polêmica, advogando de cadeira, a tese
de que nenhum cristão tem o dever de pagar dízimo.
Leia-o, pois, e posicione-se com conhecimento de
causa.

Completa a tua obra, ó Senhor!


Embora nenhuma igreja consiga ser inerrante
durante o seu peregrinar terráqueo (Tg 3.2a; 1Jo
1.8), todos os cristãos podem e devem crescer no
conhecimento do Senhor (2Pe 3.18). E a minha
igreja é prova viva dessa possibilidade de
crescimento espiritual, pois tem experimentado este
louvável desenvolvimento qualitativo. Haja vista o
fato de que antigamente a minha igreja (Assembleia
de Deus, Campo de Madureira, hoje, Ministério de
Madureira) não permitia às mulheres o uso de
brincos, maquiagem, corte dos cabelos, etc. Jogar
futebol, torcer por um time, usar barba, possuir
televisão, etc., eram práticas que levavam à
excomunhão do recalcitrante. Mas, felizmente,
demos a mão à palmatória. Ora, estes avanços
evidenciam que “aquele que em [nós] começou a
boa obra” (Fp 1.6), libertando-nos daquele “zelo de
Deus [sem] entendimento” (Rm 10.2), pode,
também, nos expurgar da anacrônica crença na
perpetuação do dizimismo.

Tenho cúmplices de peso Não sou o único


assembleiano revolucionário. Prova isso, o fato de
que além das mudanças supracitadas, já faz cerca de
seis anos que a minha igreja passou a ordenar
mulheres ao Sacro Ofício Pastoral. Ademais, os
títulos de Bispo e Bispa também são novidades entre
nós. Que, pois, os meus confrades, tidos por
conservadores, não me olhem atravessado, sem
primeiro olhar de alto a baixo a cúpula da nossa
denominação. Sim, visto que encrencar comigo, me
tachando de inovador, sem encrespar com a elite
que introduziu as mudanças supracitadas, me parece
uma pinimba que só presta para salvaguardar a vaca
leiteira, objeto do presente tratado.

***

O dizimismo não é uma doutrina cristã, e sim, um


anacronismo. Que, pois, este tratado promova a
libertação das vítimas dessa camisa-de-força que,
diga-se de passagem, vem rendendo “bons”
dividendos aos vigaristas que se fazem passar por
Pastores do Rebanho do Senhor.

A verdade ao alcance de todos Embora este livro


aborde uma especialidade da especificidade
teológica, não é necessário ser teólogo para haurir
bom aproveitamento de sua leitura. Até mesmo os
que não estão familiarizados com a Bíblia, com os
termos próprios da teologia e com os pidgins
evangélicos, conseguem compreender a mensagem
que aqui consigno. Tal se dá porque este livro se
destina principalmente aos evangélicos, cuja maioria
não se constitui de teólogos. Logo, pareceu-me
prudente que o academismo exigível de um tratado
deste porte, fosse mesclado com uma linguagem
que, embora pautada pela Norma Culta, se
circunscrevesse ao coloquial.

Definindo os neologismos O termo malaquiano,


bastante recorrente neste livro, não é pejorativo,
nem tempestivo, mas apenas uma maneira fácil,
rápida e objetiva de se referir a todo aquele que crê
que a doutrina dos dízimos está de pé no Novo
Testamento. Talvez, deva-se a autoria deste
vocábulo à escritora, teóloga e poetisa Mary
Schultze, de cuja boca o ouvi, pela primeira vez, na
década de 1990.
Os termos dizimismo e malaquianismo são
sinônimos entre si e designam a difusão e a defesa
da crença de que tal qual na Antiga Aliança, o não
contribuir com dízimos e ofertas é prevaricar.
Os adeptos do dizimismo (ou malaquianismo) se
dividem em quatro grupos: Primeiro grupo: Os que
creem que a proatividade dos cristãos primitivos
poupou o Espírito Santo de mandá-los fazer isso; e
que esse é o motivo pelo qual não se encontra este
mandamento no Novo Testamento. Segundo
grupo: Os que pensam que este mandamento,
embora não conste de maneira explícita do Novo
Testamento, consta de maneira implícita. Os tais
alegam que “não há referência, mas há inferências”.
Terceiro grupo: Os que entendem que este
mandamento consta do Novo Testamento, tanto de
maneira explicita quanto implicitamente. Quarto
grupo: Pasme o leitor, mas conheço um instituto
teológico evangélico, em cuja grade curricular há um
livro que apoia as quatro posturas acima. É como se
o tal compêndio teológico, discorrendo acerca da
controvérsia quanto a se há ou não há mandamentos
para pagar dízimo no Novo Testamento, dissesse
que não há mas há, porque embora isso não tenha
sido registrado de maneira explícita, contudo, foi
escriturado tanto implícita quanto explicitamente.
E se isso lhe parece muito disparatado e um tanto
estapafúrdio, saiba que o filho não é meu.

A primitiva do neologismo malaquiano O


vocábulo malaquiano vem do substantivo próprio
Malaquias, que é o nome do autor do último livro
do Antigo Testamento (último livro, na nossa
arrumação, e não na arrumação da Tanakh), e se
deve ao fato de que, por constar dos versículos 8-12
do terceiro capítulo do tal livro, que aos não
dizimistas, tachados de ladrões de Deus e de
amaldiçoados, Deus prometeu bênçãos mil, se se
convertessem daquele mau caminho, esses versos
tornaram-se os mais citados nos momentos que
precedem ao ofertório. Fá-lo não só os sinceramente
enganados, mas também, e principalmente, os
charlatões que se servem disso para, intimidando os
incautos, lhes extorquir os bens.

Tratamento individualizado A todos os


malaquianos, o meu respeito; aos malaquianos que
não condenam os não malaquianos, dedico este livro
como um conselho, para que o que já está bom se
torne melhor. Já aos malaquianos que veem todos os
não malaquianos como perdidos, e aos não
malaquianos que condenam a todos os malaquianos,
admoesto ao arrependimento e à conversão, antes
que seja tarde demais.

SOBRE O AUTOR: Teólogo, pastor evangélico,


professor de teologia, acadêmico de letras, etc.
CAPÍTULO 1
PONDERANDO
DIZIMISTAS E NÃO
DIZIMISTAS
Tanto entre os dizimistas, como entre os não
dizimistas, há pessoas tempestivas, igualmente
carentes de admoestações. E me dou a este trabalho,
no presente capítulo, que é o primeiro deste
compêndio.

1.1. Não dizimistas julgam os dizimistas


Não são poucos os que nos condenam por sermos
dizimistas, chegando mesmo a nos tachar de
legalistas, judaizantes, falsos profetas, malditos, etc.
Os tais asseveram que seremos condenados por
Deus, caso não nos retratemos antes que seja tarde
demais. E de onde sacaram essa conclusão?
Resposta: Do fato de o dizimismo não ser uma
doutrina neotestamentária, somado a outro fato
igualmente inegável, que é a carga que o Novo
Testamento faz contra a judaização do Cristianismo
(At 15.1-2; Gl 4.9-11; 5.1-4). O raciocínio é o
seguinte: A repreensão apostólica aos que
mesclavam doutrinas cristãs com mandamentos da
Lei de Moisés (Lei esta, arcaica desde a inauguração
da Nova Aliança), como a prática da circuncisão (At
15.1-2; Gl 5.1-4) e a guarda de datas santas do
sistema mosaico, como o sábado semanal, a festa da
lua nova, a festa da Páscoa, a festa do Pentecostes
(Cl 2.16-17; Gl 4.9-11), etc., os leva à conclusão de
que dizimar é judaizar o Cristianismo e, portanto,
um pecado suficientemente grave para privar da
comunhão com Deus e conduzir à perdição eterna.

1.2. Dizimistas julgam os não dizimistas


Também não são poucos os dizimistas que tacham
os não dizimistas de ladrões de Deus. Entre os que
assim falam, há os que dizem crer na salvação
daqueles que eles, baseados em Ml 3.8, rotulam de
ladrões de Deus, bem como os que veem os não
dizimistas, como perdidos, a caminho do Inferno.
Os integrantes deste segundo grupo de dizimistas,
mais radicais do que os do primeiro grupo, se
fundamentam no silogismo haurido das premissas de
que “se quem rouba o homem não se salva (1Co
6.10), como se salvará quem rouba a Deus (Ml
3.8)?” Mas entre as razões pelas quais essa
conclusão é falsa, estão os seguintes fatos: a) uma
das premissas que contribuíram para esse mau juízo,
que é Ml 3.8, é obsoleta há quase dois mil anos; b)
Se não todos, pelo menos a grande maioria dos
“Pastores” que pregam esse absurdo, não excluem
os não dizimistas do rol de membros de suas igrejas.
Ora, se de fato quem não paga dízimo está indo para
o Inferno, então o não dizimar é um pecado tão
grave quanto matar, roubar, adulterar, etc. E, sendo
assim, faltam-lhes coerência e obediência à Bíblia.
Falta-lhes coerência porque excluem da igreja os
que, uma vez admoestados, persistem nessas
práticas (roubo, adultério, homicídio...), mas não
excluem os não dizimistas, que eles,
contraditoriamente, dizem ver como pecadores
perdidos. E falta-lhes obediência à Palavra de Deus,
porque esta não nos autoriza a sermos tolerantes
para com os que identificamos como condenados
(Ap 2.20); antes, nos diz que os tais, se não
reagirem positivamente aos conselhos da Igreja e/ou
do Pastor, devem ser evitados (Tt 3.10), tirados do
nosso meio (1Co 5.2,11) e entregues a Satanás (1Co
5.5). (Nesse caso, entregar a Satanás significa
excluir do rol de membros da Igreja; o que é uma
espécie de formalização de devolução ao mundo, o
qual está no maligno [1Jo 5.19]). E a esses anátemas
(Gl 1.8) não podemos saudar e/ou receber em casa
(2Jo 1.10-11), isto é, não podemos dar-lhes boas
vindas às comunidades cristãs, na qualidade de
cristãos, ou seja, eles não são, de fato e de direto,
membros da Igreja; e, por conseguinte, não
podemos recebê-los como membros das igrejas
locais. Mas os “Pastores” malaquianos intolerantes
não têm chegado a tanto. E disso nasceu uma
pergunta que não quer calar: Por que são tão
compassivos para com esses inveterados e
empedernidos “ladrões de Deus”, hein?! Acho que a
resposta está no fato de que “é melhor pingar do que
secar”. Uma ofertinha aqui, outra acolá, vindas de
milhões de “ladrões de Deus”, não é de se jogar
fora. Digo isso porque muitos dos que não
contribuem com um décimo de suas rendas,
depositam ofertas nas salvas, sempre que estas são
passadas diante dos fiéis. E o valor das cédulas e
moedas depositadas nessas sacolinhas, a título de
ofertas, oscila entre cinco centavos e cem reais. Ora,
faz pena excomungar a esses “ladrões de Deus”! A
sabedoria popular já filosofou que “de grão em grão
a galinha enche o papo”.
É impossível ser malaquiano sem ser incoerente,
visto que a incongruência é inerente ao
malaquianismo. Mas há muitos graus de incoerência
no dizimismo, dos quais considero um, neste
parágrafo, a saber, a incoerência dos malaquianos
tolerantes. Estes precisam entender que se de fato
Ml 3.10 está de pé, os que não se enquadram na
mensagem deste texto estão, sim, roubando a Deus,
e, portanto, pecando deliberadamente e se pondo
sob maldição divina (Ml 3.9). Ora, a Bíblia é clara
ao dizer que “se pecarmos voluntariamente, depois
de termos recebido o conhecimento da verdade, já
não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma
certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo,
que há de devorar os adversários” (Hb 10.26-27). E
isso me leva à conclusão de que, embora ser
malaquiano intolerante seja um pecado infinitamente
mais grave do que o erro de ser malaquiano
tolerante, estes são mais incoerentes do que aqueles.
Quem disse que podemos conviver pacificamente
com esses ladrões (Ml 3.8) amaldiçoados (Ml 3.9)?
Hein?! Certamente que não foi lendo Tg 2.10-11
que os malaquianos tolerantes aprenderam a ser
compassivos para com os que pecam consciente e
voluntariamente contra uma clara ordem de Deus.
Moral da história: Das incoerências do
malaquianismo tolerante podemos inferir que o
mesmo também é falso, visto que embora seja
possível haver mentira na coerência, a recíproca não
é verdadeira.
É verdade que os malaquianos intolerantes também
convivem com os não dizimistas (pois não os
excluem da igreja), mas eles o fazem tachando os
tais de ladrões perdidos a caminho do Inferno. Eles
dizem abertamente que creem que a justiça de Deus
não vai permitir que eles tenham a desdita de dividir
o Céu com esses malditos ladrões, já que isso não
seria justo.
1.3. Ponderando os intolerantes
Nos parágrafos abaixo, dou aos que mutuamente
se excomungam por causa de dízimos, importantes
informações. Aprecie-as.
Quando um cristão esclarecido opta por dizimar,
não o faz em obediência cega à Lei Mosaica, e sim,
por princípio moral, por proatividade, com amor,
espontaneidade e bom-senso. Ademais, não faz
disso, tábua de salvação. Tal se dá porque o fato de
o Cristianismo não mandar pagar dízimo, nos deixa
livres para sermos ou não dizimistas. Como bem o
disse Paulo, “...onde não há lei também não há
transgressão” (Rm 4.15. [Veja também Rm 5.13;
7.8]). Sim, o silêncio do Novo Testamento a
respeito dos dízimos, prova que dizimar não é
constitucional, nem tampouco anticonstitucional,
mas apenas inconstitucional. Logo, quem dizima não
peca por comissão, e quem não dizima não peca por
omissão. E não estamos errados não, considerando
que se Abraão e Jacó dizimaram antes da Lei, por
que os cristãos não poderiam perpetuar essa prática
após a Lei? A resposta a esta pergunta teria que ser
negativa se o Novo Testamento prescrevesse contra
essa prática. Mas como a Nova Aliança guarda
silêncio sobre este assunto, o cristão está livre para
ser ou não dizimista, conquanto não faça disso tábua
de salvação ou motivo de perdição.
Obviamente, nenhuma igreja deixaria de ser
genuinamente cristã, só por não acatar a prática do
dízimo, e a recíproca é verdadeira.
Desde que o façamos com conhecimento de causa
(e não em obediência cega à Lei Mosaica,
judaizando, assim, o Cristianismo), ser dizimista não
é, pois, submeter-se ao jugo da Lei (como os
testemunhas-de-jeová e outros grupos religiosos o
supõem); antes, equivale a ser contribuinte
metódico.
Contribuir para sustento da Obra de Deus era,
antes da Lei (pelo menos até aonde podemos saber),
uma proatividade procedente do princípio moral
óbvio de que dedicar algo de nossa propriedade
como culto a Deus é necessário. E um décimo de
suas propriedades pareceu a Abraão e a Jacó uma
boa ideia. Mas esse princípio evoluiu a
mandamento, pois foi incorporado e regulamentado
na Lei. E, ao transformar esse princípio moral em
Lei, Deus deu forma e conteúdo às contribuições,
estipulando o mínimo (os dízimos) e deixando os
demais valores (também obrigatórios, mas sem
delimitações) mais ou menos a cargo da disposição
de cada coração e da prosperidade de cada um. Por
isso, negligenciar a ordem divina de dizimar e
ofertar, era roubar a Deus. Logo, quem se limitasse
a contribuir só com dez por cento, também era
tachado pela Lei de roubador de Deus. Mas, como a
Lei findou no Calvário, estes dois mandamentos
(dizimar e ofertar) só podem ser vistos como em
vigor na presente dispensação, se estiverem
repetidos no Novo Testamento. Porém, como
sabemos, destes dois mandamentos, só o
mandamento de ofertar consta da lei de Cristo _ que
é a Lei que rege a Igreja. Contudo, precisamos
lembrar que embora o mandamento de dizimar já
tenha expirado há quase dois mil anos, o princípio
está de pé. Em outras palavras: O dízimo não é legal
(pois não temos essa Lei), nem tampouco ilegal (não
há uma Lei proibindo essa prática), e continua sendo
um princípio moral, como era antes da Lei. Logo,
repito que nós, os pastores, não pecamos, quando o
praticamos; antes, legamos às ovelhas um exemplo
digno de ser imitado, como também Abraão e Jacó
não pecaram por terem dizimado sem uma Lei que
os obrigasse a fazê-lo. Repito que a ausência de
qualquer lei sobre uma questão, impossibilita ao
pecado, quer por comissão, quer por omissão, já
que é impossível prevaricar em relação a uma lei
inexistente. O pecado é a transgressão da Lei, e,
obviamente, não se pode obedecer, nem tampouco
desobedecer, a um mandamento inexistente. E
igualmente óbvia é a conclusão de que a ausência de
uma lei, exigindo que se faça algo, ou que não se
faça algo, não priva a quem quer que seja da
liberdade de fazê-lo ou não; antes, muito pelo
contrário. Até porque, do simples fato de um rei não
promulgar uma lei normatizando e regulamentando
uma questão, se subentende a liberdade de ação
(quanto à tal questão), que tal rei outorgou aos seus
súditos. E, como sabemos, a liberdade não exige o
sim, nem tampouco o não. Mas, no caso do dízimo,
o cristão tem diante de si não só a liberdade de ser
ou não dizimista, mas também (e principalmente) o
prazer e o privilégio de sê-lo, caso o queira.
Assim como o fato de o Novo Testamento não nos
dar uma ordem expressa quanto ao uso ou não de
instrumentos musicais, nos confere, por conseguinte,
a liberdade de usá-los ou não, sem receio algum, as
igrejas (assim como cada crente em particular)
devem se sentir bem à vontade quanto a dizimar ou
não. Sim, dizimar e tocar instrumentos musicais
eram elementos do culto veterotestamentário, mas
não o são do culto cristão, e, portanto, atualmente
são apenas pontos facultativos. E esta facultatividade
nos confere liberdade para termos ou não
instrumentos musicais em nossos cultos. E, sendo
assim, então optemos por usá-los, pois são tão
enlevantes, não é mesmo? Ademais, o bom-senso
nos diz que Deus ainda Se agradada disso,
conquanto vejamos isso como circunstâncias do
culto, e não como elementos do culto.
Conheço um estimado irmão em Cristo que
contribui (na sua igreja) mensalmente com 20% de
seus rendimentos, exatamente porque teme doar
10% e ser achado guardando a Lei, e, por
conseguinte, ser condenado. Mas isso é ingenuidade.
O cristão está livre para doar 10%, 20%, 5%, 14%,
30%, 1%, 90%, 100%, ou qualquer outro valor que
propuser no seu coração, sem se esquecer de duas
coisas: 1) O apóstolo Paulo asseverou que quem
muito semeia, muito colhe; e que aquele que pouco
semeia, pouco colhe (2Co 9.6); 2) O Senhor Jesus
sabe como ninguém se estamos semeando pouco ou
muito, pois Ele avalia mais a qualidade da nossa
contribuição, do que a quantidade em si (Mc 12.42-
45). Ele sabe se somos ou não avarentos. Ele sabe se
amamos ou não a Ele, ao próximo e à Sua Obra.
Já que Abraão (figura da Igreja) pagou dízimo a
Melquisedeque (tipo da Pessoa de Cristo), salta aos
olhos que a Igreja deve fazê-lo? Há quem diga que
sim; mas, como já deixei claro, não comungo da
mesma ideia. Essa interpretação dá azo a
jurisprudência para diversos erros, como, por
exemplo, a alegação de que se Abraão, que tinha um
relacionamento com o tipo de Cristo que era
Melquisedeque (Gn 14.18-20), podia ter concubinas
(Gn 25.6), então nós, os cristãos, também podemos
fazer o mesmo. Portanto, a conclusão correta é: O
cristão pode dar dízimo, ou até muito mais do que
isso, porém, não tem este mandamento, e só pode
imitar a Abraão nisso, porque o Novo Testamento
não nos proíbe de agir assim. O que Abraão fez ou
deixou de fazer antes da Lei, não é,
necessariamente, para nós. O que é para nós, foi-
nos dado pelo Espírito Santo, na instrumentalidade
dos apóstolos, e jaz consignado por escrito no Novo
Testamento. Você entendeu? Eu disse por escrito.
Sim, está tudo escriturado.
Um cristão que tenha entendido bem este assunto,
não tem o mandamento de dizimar em “tábuas de
pedra” (isto é, dizimar não é, para o cristão, uma
lei), nem tampouco escrito com tinta em papel, mas
pode tê-lo na mente (pois pode ser uma iniciativa
advinda do bom-senso) e no coração (o amor a
Cristo, bem como o amor às almas perdidas, pode
constrangê-lo a isso ou a muito mais do que isso).
Em outras palavras: Não temos essa Lei, e sim, o
prazer de fazermos pelo menos isso, por amor às
almas perdidas, aos pobres, e, sobretudo, por
gratidão e amor àquEle que nos ama e tanto tem
feito por nós __ Jesus! Quanto a isso, os tempos de
Abraão e Jacó voltaram, visto que a Lei expirou ao
esvaziar da tumba, e o nosso “Sumo Sacerdote
segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 5-7), a
saber, Jesus, está entre nós, a oficiar no Sano dos
Santos! Aleluia!
O Antigo Testamento mandava pagar dízimos e
ofertas. O Novo Testamento, porém, só manda
ofertar. Logo, um cristão verdadeiramente liberto do
jugo da Lei, não paga dízimo, mas somente
contribui com ofertas. Portanto, ainda que façamos
o propósito de dar exatamente 10% de nossa renda
para a Obra de Deus, devemos fazer a título de
oferta, e não a título de dízimo. Com isso quero
dizer que podemos contribuir com 10%, mas não
podemos crer que Deus mandou dar 10%. De fato,
dizimar em obediência às passagens
veterotestamentárias que mandam fazê-lo, demostra
desalinhamento com o espírito neotestamentário.
Por que a Lei distinguia entre dízimos e ofertas
(Ml 3.8)? Dizimar não é ofertar? Claro que dizimar
também é ofertar. Mas do fato de Deus determinar
que as contribuições fossem de um décimo,
acrescidas de mais alguma coisa relativamente
voluntária, nasceu a necessidade de dar nome aos
bois, isso é, a necessidade de chamar de dízimos ao
valor estipulado, e de ofertas ao valor que Ele em
parte deixava a cargo do coração de cada um. Mas
do fato de aos cristãos não ser dada a ordem para
pagar dízimo, se subentende que dar nome aos bois,
ou seja, a necessidade de distinguir entre dízimos e
ofertas, inexiste na Nova Aliança. Logo, o cristão
que realmente entendeu o que é o Novo
Testamento, não paga dízimos e ofertas, nem
tampouco paga dízimos, mas tão-somente contribui
com ofertas. Essa oferta não deixa de ser oferta nem
mesmo quando corresponde precisamente a um
décimo dos rendimentos. Nesse caso, a chamamos
de dízimo, porque o vocábulo dízimo e a expressão
um décimo são termos sinônimos entre si. Destarte,
quando um cristão, deveras moldado pela Nova
Aliança, dizima, fá-lo a título de oferta, e não em
atenção a Ml 3.8-11. Não dou dízimo e oferta, mas
apenas oferta, porque o meu dízimo é uma oferta, e
o que dou além do dízimo, oferta é.
Visto que o Antigo Testamento mandava dizimar e
ofertar, então era possível roubar a Deus nos
dízimos e nas ofertas. Mas, como o Novo
Testamento só manda ofertar, então, agora só é
possível roubar a Deus nas ofertas. E quando é que
alguém que se diz cristão “rouba” a Deus nas
ofertas? Respostas: 1) quando não oferta, podendo
fazê-lo; 2) quando oferta sem amor a Deus e à Sua
Obra; 3) quando oferta sem alegria; 4) quando o
ofertar é a última coisa na sua escala de valores; 5)
quando oferta sem lamentar por não poder dar uma
oferta maior; 6) quando oferta sem estar disposto a
dar tudo que tem, caso Deus o reclame; 7) quando
oferta mais para se livrar do “devorador” do que
para incrementar a Obra do Senhor, quais sejam, o
sustento dos Missionários, Pastores e Evangelistas
de tempo integral; filantropia; construção de
templos, etc.; 8) quando oferta cônscio de que não
ofertaria se não pudesse contar com um retorno em
forma de saúde, prosperidade financeira e sucesso
patrimonial; 9) quando, por não ter recebido o
retorno esperado, se arrepende por ter ofertado; 10)
quando se vê no direito de exigir de Deus a “justa”
recompensa, dizendo-Lhe insolentemente que “já fiz
a minha a minha parte, Senhor; agora só resta que
faças a Tua”; etc. Quem se enquadra em quaisquer
dos dez enunciados acima listados, subtrai (ou
melhor, tenta subtrair) a Deus de Seu Senhorio e de
Seu natural e legal direito de posse (Sl 24.1-2), o
que é um roubo e um crime de lesa Majestade.
Além de, ao longo deste livro, eu afirmar que
contribuo com dízimos e ofertas, ainda exorto meus
leitores a fazerem o mesmo. E, por isso, antes que
este primeiro capítulo lhe pareça contradizer os
demais, urge que eu lhe ponha a par de que quando
digo que contribuo com dízimos e ofertas, e que a
todos é permitido fazer isso, quero dizer apenas que,
longe de eu contribuir só com um décimo de meus
rendimentos, dou outros valores, tanto em espécie
como em gênero alimentício, roupas, calçados,
remédio, etc. Com o termo “dou dízimos e ofertas”
quero dizer que a soma de minhas ofertas sempre
vai além dos 10%. E quando estimulo os meus
leitores a darem dízimos e ofertas, na verdade, estou
dizendo apenas que lhes é permitido irem além de
um décimo de suas rendas, em suas contribuições. O
piso de nossa contribuição pode ser inferior a 1%, e
nosso teto pode ser 10%, mas se tivermos fé para
irmos muito além de um décimo, nunca vamos
arrepender aqui na Terra, e menos ainda quando
entrarmos no Céu, onde e quando veremos que
Cristo tomou notou e anotou tudo, e que Ele não o
fez à toa.
Não se deve esquecer que ainda pertenço a uma
igreja que, além de pregar que “a doutrina dos
dízimos e ofertas está de pé no Novo Testamento”,
ainda impõe a obediência a esta prática, como
condição sene qua non para a ordenação de pastores
e outros oficiais e líderes. Além disso, prometi alto e
bom som, tanto ao Ministro que me batizou nas
águas, como a toda a congregação, obedecer às
doutrinas da minha denominação. E a luz que mais
tarde recebi de Deus sobre dízimos não se me
tornou um impasse, pois sei como obedecer à minha
igreja, sem ser um malaquiano legalista, a saber,
chamo de dízimo às ofertas correspondentes a um
décimo de minha renda, e ao que passa disso, não
chamo de dízimo, e sim, de oferta. Ora, o nome que
se dá à oferta é o de menos. O importante é ofertar.
E nisso imito o apóstolo Paulo (1Co 11.1), que se
fazia de fraco para ganhar os fracos (1Co 9.22). E
me parece oportuno protuberar aqui, que muitos
desses a que chamo de fracos, o são apenas no que
diz respeito à tese objeto deste livro. Noutros
pontos, porém (amor a Deus, amor ao próximo,
amor pela Obra de Deus, resignação, abnegação,
cabedal teológico, etc.), com certeza me põem no
chinelo. Sim, não me envergonho de dizer que
reconheço que alguns dos teólogos que não
convergem comigo quanto à tese que aqui defendo,
são muito mais biblicistas do que eu. Contudo,
parece-me uma lamentável fraqueza não conseguir
enxergar que nós, os cristãos, não temos o dever de
dizimar, visto não termos este mandamento.
Entretanto, preciso levar em conta que todos os
teólogos e Pastores evangélicos que de mim
divergem sobre o ponto de vista que aqui advogo,
também me veem como fraco, senão em tudo, pelo
menos nesta questão. E de que lada está a razão?
Saio deste impasse dizendo que só Deus é forte.
Bem, eu confessei no parágrafo imediatamente
acima, que entre os que de mim destoam quanto à
tese que defendo neste tratado, há pessoas muito
mais doutas em Bíblia do que eu. Ora, o fato de
serem mais hábeis do que eu, não é uma evidência
de que a razão é deles, e não minha? Respostas: a)
pesquise, ore, e tome partido; b) entre os eruditos
que me põem no chinelo, há os que convergem
comigo sobre o que aqui defendo; c) os teólogos
que me põem no chinelo não podem estar
igualmente certos, já que unschamam de pedra, o
que outros identificam como pau; d) precisamos
saber com quem está a razão, e a maneira de fazê-lo
não é jogando Cara ou Coroa, e sim, raciocinando à
base da Bíblia, como o fizeram os bereanos (At
17.11); e) o fato de a Bíblia elogiar os bereanos,
qualificando-os de “mais nobres” do que a maioria
dos judeus de Tessalônica, prova que podemos pôr
os eruditos à prova, e reprová-los inteligentemente.
Sim, os bereanos nos legaram dois exemplos dignos
de serem imitados: 1) pararam para ouvir o que o
apóstolo Paulo tinha para dizer. Ouçamos, pois, a
todos; 2) longe de seguirem a Paulo cegamente, se
certificaram da autenticidade ou não do que ele lhes
dizia, escrutinando o seu discurso à luz da Escritura.
(O elogio do hagiógrafo aos bereanos, registrado em
At 17.11, é mais que suficiente para provar que a
verdade bíblica está ao alcance de todos, e que
temos não só o direito de divergir até das mentes
mais brilhantes.); f) pressupõe-se que todo ser
humano normal tem não só o direito de divergir,
mas também a capacidade para fazê-lo com
conhecimento de causa; g) evidência não é prova; e,
portanto, carece de confirmação a posteriori; h)
embora o ficar sobre o muro seja, até certo ponto,
uma atitude louvável (pois prova que os que o fazem
são suficientemente sábios para reconhecer a própria
ignorância; humildes o bastante para confessar que
não sabem; e tão prudentes que não tomam partido
sem conhecimento de causa), não convém
permanecer até à morte nesse obscurantismo, visto
que a verdade sobre o assunto deste livro não é
privilégio de um grupinho de eruditos que sequer
conseguem chegar a um consenso a esse respeito.
Sim, pois a verdade, embora subjetiva, é existente,
identificável, ensinável, aprendível, e praticável.
Tanto é assim, que Cristo, a Verdade personalizada,
disse que é possível conhecer verdade e usufruir da
liberdade que ela outorga (Jo 8.32).
Iniciei este capítulo dizendo que não são poucos os
não dizimistas que condenam os dizimistas. Mas,
como o leitor notou, ato contínuo a essa declaração,
fiz constar que também há muitos dizimistas nada
menos intolerantes para com os não dizimistas. E
observei que aceito dizimistas e não dizimistas como
meus irmãos em Cristo, contanto que os mesmos
não se condenem reciprocamente por questões
banais, como dízimos e outras irrelevâncias. O
cristão só não pode transigir, diante de questões de
vida ou morte, ou seja, de salvação ou perdição (Ap
2.20). Noutros casos, temos que transigir, porque
não fazê-lo é julgar “servo alheio” (Rm 14.4). É
bom trazermos à memória que não há uma só igreja
perfeita (salvo em termos forenses); e que portanto,
se formos extremamente exigentes, cada indivíduo
vai ter que criar a sua própria igreja, a qual terá um
só membro, que é ele mesmo. Tal pessoa nunca vai
ser um dos “dois ou três reunidos em meu nome”
(Mt 18.20), pois terá que congregar consigo mesma,
o que é impossível.
Embora os malaquianos não sejam legalistas no
sentido estrito mais termo do termo na esfera
teológica, que é o de atribuir valor salvífico à guarda
da Lei mosaica, não é exorbitante afirmar que o
malaquianismo é sempre uma atitude indigna de um
cristão, visto ser a mais estapafúrdia das
subserviências cegas, pois equivale a cidadãos de
uma pátria se submetendo à constituição de um país
que, além de alheio, já deixou de existir há quase
dois milênios. (A “pátria” em questão é a Igreja, e o
“pais” em lide é o sistema mosaico que expirou
quando Cristo ressurgiu dentre os mortos.) E essa
excentricidade se torna infinitamente mais nociva
quando recebe a agravante da intolerância, que é um
pecado encontrado até na elite evangélica, não
raramente pregado nos púlpitos e até levado ao ar
em programas televisivos.
***

Tudo que eu disse acima, sob o terceiro cabeçalho,


tem os seguintes objetivos: a) provar que o tema
deste livro não é uma questão soteriológica, e que
assim permanece até que alguém a transforme num
pilar da fé cristã, e se ponha a vilipendiar os que não
se afinam pelo seu diapasão. A partir desse ponto,
convém que se repreenda o encrenqueiro; b) dois
irmãos em Cristo, portadores de opiniões diferentes
quanto a se temos ou não o mandamento de pagar
dízimos, se quiserem dialogar sobre este assunto,
devem fazê-lo sabendo que nenhum dos dois está
levando ao seu interlocutor, uma palavra de
salvação, e sim, trocando ideias para o mútuo
crescimento espiritual. É uma confabulação entre
dois salvos, entre dois irmãos em Cristo, e não,
altercações entre um evangelista e um pecador
perdido.
1.4. Ironia
Entre os muitos que, por ignorarem que o
dizimismo é contrário ao espírito do Novo
Testamento, se estribam em Ml 3.8-10 para
impressionar os “ofertantes”, se destacam os
triunfalistas, que, como se fossem Deus, não
estendem a mão da oração à caridade celestial;
antes, decretam que as coisas aconteçam, num
tremendo e impressionante haja isso e haja quilo
outro, chegando mesmo a exigir que Deus lhes
dispense a atenção que Ele lhes deve. E Deus não
tem como se esquivar deles, visto que, doutro modo,
eles, com justiça, O tacharão de tratante, e Ele terá
que dar a mão à palmatória, pois lhes prometeu um
Reino que já começou. Afinal de contas, eles já são
filhos do Rei dos reis, e, portanto, Príncipes dos
príncipes. Ora, alguém de tão nobre estirpe tem que
viver regalada e esplendidamente. Como bem o diz
Sl 23, nada lhes pode faltar (vv 1), isto é, aos tais se
prometeu “águas tranquilas”, “ verdes pastos” (vv
2), alma refrigerada (vv 3), farta mesa posta, muito
óleo na cabeça e cálice transbordante (vv 5). Riamos
para não chorar ante essa tragicômica crença e
inglório afã.
CAPÍTULO 2

OS FARISEUS AINDA
VIVEM
Pagar dízimo para se salvar é pecado que conduz
ao Inferno. Tachar os não dizimistas de ladrões e
condená-los ao Inferno, como muitos pastores
evangélicos o fazem, é igualmente perigoso. E não
menos nocivo é condenar os que, metodicamente,
contribuem com dízimos e outras ofertas para
sustento da Obra do Senhor. (Desde que os tais,
como já alertei, não atribuam valor salvífico à sua
contribuição.) Aclarando: Crer que temos este
mandamento é um erro; e crer que quem não
observa essa falsa doutrina irá para o Inferno, é, não
só um erro, mas um pecado também.
Os fariseus eram rigorosos nos dízimos, mas
negligenciavam pontos mais relevantes do que o ato
de dizimar, como, por exemplo, “o juízo, a
misericórdia e a fé” (Mt 23.23 [Veja também Mt
18.12]). Até parece que aqueles homens,
aparentemente tão escrupulosos no zelo para com a
Lei, criam que o preço do ingresso no Reino dos
Céus é o dízimo dos rendimentos.
Já que no Novo Testamento Deus não nos manda
dizimar, por que negar o batismo a um novo
convertido que, por questão de consciência ou outro
motivo, não quiser se dar ao metodismo dessa
prática? Ademais, por que fazermos de um
mandamento que expirou na cruz, um critério
aquilatador de candidatos ao quadro de oficiais da
igreja? O apóstolo Paulo, ao listar os predicados
desejáveis de um aspirante ao episcopado, não fez
figurar entre tais adjetivos, que o mesmo “seja
dizimista” (queira ver 1Tm 3.1-7). Precisamos
distinguir entre o que temos que fazer do que
podemos fazer. Vê-se, pois, que a maioria das
igrejas evangélicas está precisando de libertação
espiritual. Ironizando, digo que elas estão precisando
de uma Campanha de Libertação da Maldição
Hereditária do Malaquianismo.
O ser dizimista, ou o não sê-lo, não é (atualmente)
mandamento, não é uma questão soteriológica (isto
é, não salva e nem condena), nem tampouco é um
fator santificador. Quem dizima não é mais salvo do
que quem não dizima, porque a única justiça que
nos reabilita diante de Deus é a justificação
imputada, a qual é totalmente forense, e se baseia
unicamente nos méritos de Cristo, e não nos nossos
feitos, por melhores que estes sejam (Ef 2.8-9).
Ademais, quem dizima não é, necessariamente, mais
santo do que quem não dizima. Até porque, entre os
que não dizimam por terem sido libertos desse
engano, e não por avareza, há pessoas indo muito
além dos dízimos.
Embora o dizimismo não seja em si mesmo uma
questão soteriológica, pode vir a sê-lo, e já vi isso
acontecer diversas vezes, a saber, todas as vezes que
ouvi evangélicos (entre os quais até pastores)
dizerem que quem não paga dízimo será condenado.
E é muito provável que esse mal vá perdurar até a
volta de Cristo. Creio nessa triste possibilidade
porque a linha que separa o malaquianismo do
legalismo farisaico é muito tênue. Destarte, quem
não consegue enxergar que o cristão não tem essa
doutrina, facilmente não enxergará também que essa
questão não é soteriológica. É, pois, mui grande, a
possibilidade de um malaquiano se converter ao
farisaísmo moderno, que chegou até nós via
ebionismo, o qual, além de ser um mesclado de
doutrinas cristãs com preceitos do sistema mosaico,
ainda faz dessa salada de parra brava sem tempero,
motivo de vida ou morte.
CAPÍTULO 3

DESFAZENDO UM
MAL-ENTENDIDO
Certamente, já está claro que não estou dizendo
que o Novo Testamento não manda contribuir para
manutenção e promoção da Obra de Deus.
Obviamente, o leitor já entendeu, que tão-somente
sustento que só o Antigo Testamento estipulava a
quantidade dessa contribuição: os dízimos e as
ofertas. O Novo Testamento, além de mandar
contribuir, nos estimula a fazê-lo de mancheia, como
já vimos. Quanto mais pudermos e quisermos doar,
melhor. O que o Novo Testamento não faz, repito, é
estipular a quantidade. Logo, embora o dízimo não
seja atualmente um mandamento de Deus, dizimar
hoje em dia pode não ser uma atitude antibíblica, e
sim, o usufruto da liberdade neotestamentária.
O Deus que abençoou Abraão e Jacó, que
dizimaram antes da Lei, certamente abençoará aos
que dizimam após a Lei. Certo? E a resposta a esta
pergunta só poderia ser um “errado” ou um “não”,
se o Novo Testamento nos vedasse isso, como o faz
quanto à poligamia, ao levirato, ao concubinato, etc.
Se o povo de Deus sempre pôde dizimar, e se
Deus o tem abençoado a título de retribuição por
esta atitude, por que agora seria diferente?
Novamente, a resposta só poderia ser adversa, se
Deus tivesse nos proibido de fazer isso.
O autor destas linhas é dizimista convicto há quase
45 anos; e, portanto, testemunha ocular de que
Deus, longe de ser contra isso, se agrada dessa
proatividade. O ato de dizimar não é fonte de
maldição, como erroneamente pregam algumas
seitas. Já aconteceu de eu contribuir, pela fé, sem
estar em condição de fazê-lo, e ser socorrido de
forma tão estupenda, que só a palavra milagre
explica os sobrenaturais fenômenos. Isto, somado ao
que a Bíblia diz sobre as contribuições
neotestamentárias (quem dita a quantidade é o
coração [2Co 9.7a], a prosperidade, a generosidade
[7b], e a alegria [7c]), me convence que Deus
honrava e honra a fé dos que ousam contribuir por
amor a Ele e à Sua Causa. Pequena não é, pois,
necessariamente, a renda dos mãos-de-vaca, e sim, a
fé e o amor dos tais.
A necessidade de continuarmos contribuindo é
óbvia. Não temos mais uma lei regulamentando isso,
quanto à estipulação de valores, mas ainda temos
bom senso, não é mesmo? Ademais, ninguém
segura quem é propulsado pelo amor. As asas do
amor nos levam a voar acima dos nossos limites.
Repito que a liberdade que o Novo Testamento
nos dá, para contribuirmos com o valor que
quisermos, prova cabalmente que ainda podemos
dizimar, considerando que, doutro modo, não
haveria liberdade. Se realmente posso doar o quanto
eu quiser, então posso contribuir com valor igual, ou
superior, ou inferior, a dez por cento de minha
renda. E ninguém está autorizado por Deus a se
meter nisso, tentando tolher-me da minha liberdade
em Cristo, visto que, à luz do Novo Testamento,
esta é uma questão de foro íntimo. O que eu não
posso é ensinar errado às ovelhas do Senhor,
dizendo-lhes que o Sumo Pastor lhes deu esse
mandamento. Embora eu esteja convicto de que os
que o fazem por má interpretação e não por
vigarice, também são salvos, pois eu recebi o selo do
Espírito Santo e o gozo da salvação, deste selo
decorrente, antes de entender a verdade sobre a
presente dissertação sobre dízimos e ofertas.
Contudo, tenho dúvida da salvação dos que dizem
que os não dizimistas estão indo para o Inferno,
como já ouvi alguns Pastores dizerem. Tenho
certeza de que proclamar isso é pecado, e não estou
seguro de uma remota possibilidade de o sangue de
Jesus inocentar os estultos que pregam essa
absurdidade. Até mesmo a afirmação de que os não
dizimistas, por estarem roubando a Deus, embora
possam ter a salvação garantida pelo sangue de
Jesus, perderão galardões, denota uma distorção da
verdade bíblica. Penso assim, porque entendo que
quem pode doar 90% de seus rendimentos para a
Obra de Deus, mas só doa 60%, pode perder
galardões também. Mas, como à luz da Bíblia, o
valor com o qual a pessoa deve contribuir é questão
de foro íntimo, não é justo que ousemos identificar
os que estão doando aquém do que podem ou
aquém do que deviam. Só Deus, o único que
conhece os corações, pode avaliar isso. “Quem és tu
que julgas o servo alheio?” (Rm 14.4a).
CAPÍTULO 4
COMPREENDAMO-LOS
A grande maioria dos Pastores evangélicos crê
piamente que as passagens do Antigo Testamento
que falam dos dízimos (Ml 3.10 e textos correlatos),
ainda estão de pé na Nova Aliança. Mas essa má
interpretação é um erro banal, se não nos
rejeitarmos mutuamente por causa dessa divergência
irrelevante. Sim, sendo isso um erro banal,
tolerância recíproca é o que nos recomenda a Bíblia.
Senão, vejamos o que disse o apóstolo Paulo aos
cristãos de Roma:
“Ora, ao que é fraco na fé, acolhei-o,
mas não para condenar-lhe os
escrúpulos. Um crê que de tudo se
pode comer, e outro, que é fraco,
come só legumes. Quem come não
despreze a quem não come; e quem
não come não julgue a quem come;
pois Deus o acolheu. Quem és tu, que
julgas o servo alheio? Para seu próprio
senhor ele está em pé ou cai; mas
estará firme, porque poderoso é o
Senhor para o firmar.
“Um faz diferença entre dia e dia,
mas outro julga iguais todos os dias.
Cada um esteja inteiramente convicto
em sua própria mente. Aquele que faz
caso do dia, para o Senhor o faz. E
quem come, para o Senhor come,
porque dá graças a Deus; e quem não
come, para o Senhor não come, e dá
graças a Deus. Porque nenhum de nós
vive para si, e nenhum morre para si.
Pois, se vivemos, para o Senhor
vivemos; se morremos, para o Senhor
morremos. De sorte que, quer vivamos
quer morramos, somos do Senhor.
Porque foi para isto mesmo que Cristo
morreu e tornou a viver, para ser
Senhor tanto de mortos com de vivos.
Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou
tu, também, por que desprezas teu
irmão? Pois todos havemos de
comparecer ante o tribunal de Deus.
Porque está escrito: Por minha vida,
diz o Senhor, diante de mim se dobrará
todo joelho, e toda língua louvará a
Deus. Assim, cada um de nós dará
conta de si mesmo a Deus.
“Portanto não nos julguemos mais
uns aos outros; antes seja o vosso
propósito não pôr tropeço ou
escândalo ao vosso irmão. Eu sei; e
estou certo no Senhor Jesus, que nada
é de si mesmo imundo a não ser para
aquele que assim o considera; para esse
é imundo. Pois, se pela tua comida se
entristece teu irmão, já não andas
segundo o amor. Não faças perecer por
causa da tua comida aquele por quem
Cristo morreu. Não seja, pois,
censurado o vosso bem; porque o reino
de Deus não consiste no comer e no
beber, mas na justiça, na paz, e na
alegria no Espírito Santo. Pois quem
nisso serve a Cristo agradável é a Deus
e aceito aos homens. Assim, pois,
sigamos as coisas que servem para a
paz e as que contribuem para a
edificação mútua. Não destruas por
causa de comida a obra de Deus. Na
verdade tudo é limpo, mas é um mal
para o homem dar motivo de tropeço
pelo comer. Bom é não comer carne,
nem beber vinho, nem fazer outra
coisa em que teu irmão tropece. A fé
que tens, guarda-a contigo mesmo
diante de Deus. Bem-aventurado
aquele que não se condena a si mesmo
naquilo que aprova. Mas aquele que
tem duvidas, se come está condenado,
porque o que faz não provém da fé; e
tudo o que não provém da fé é
pecado” (Rm 14, Versão Revisada).
Em que pese que o texto acima transcrito não
verbalize sobre dízimos e ofertas, mas sim, sobre
comida e dia santo, ele serve de suporte da verdade
de que uma das maneiras de se resolver divergências
sobre questões não cruciais, é a tolerância mútua.
Os que se opõem ao ato de dizimar, vendo nisso
um pecado mortal, precisam se retratar. Até mesmo
os que, equivocadamente dizimam por acreditar que
o cristão também tem este mandamento, devem ser
tolerados, ou seja, devem ser vistos como
domésticos da fé. Salvo, se eles condenam ao
Inferno os que não convergem com eles neste ponto.
Nesse caso, convém mesmo que não comunguemos
até que cheguemos a um consenso sobre o ponto em
lide. De fato, à luz do capítulo 14 da Epístola de
Paulo aos Romanos, uma questão banal só o é para
os que assim a consideram. A “casa” de quem faz
“tempestade em copo d’água”, ”ruirá” sob esse
“temporal”. E tal se dá porque não jaz construída
sobre a Rocha da Palavra (a qual nos aconselha à
tolerância recíproca, face a impasses sobre
banalidades), e sim sobre a areia movediça de seus
preconceitos, intolerâncias e truculências.
CAPÍTULO 5

CORRENTE TEOLÓGICA OU AVAREZA?


5.1. Classificando os dizimistas
Tenho para a pergunta que deu título a este
capítulo as seguintes respostas:
A) muitos dos que ficam o pé na teimosia de que
este mandamento consta do Novo Testamento,
fazem isso em obediência cega às suas
denominações, sem, sequer, averiguar se isso é
verdade.
B) Há os que averiguam isso à luz da Bíblia, mas a
falta de conhecimento da Palavra de Deus os leva a
uma falsa interpretação das passagens bíblicas
alusivas a esse assunto. Há um falso bereanismo
entre nós; e isso decorre do fato de que ninguém se
torna bereano por decreto. Os bereanos não são
fabricados, e sim, criados. “Criados” aqui, naquele
sentido em os pais criam seus filhos durante
décadas, após gerá-los e pô-los no mundo. Deus me
gerou e me deu à luz (em termos espirituais, é claro)
em 1973, quando eu tinha 19 anos de idade, mas me
cria até hoje.
C) Há Pastores que, mesmo sabendo que não é
nada disso, mentem descaradamente para as suas
ovelhas, pois são dominados pela avareza e por
demônios.
D) Há os que são sérios, sinceros, santos,
inteligentes, e profundo conhecedores da Palavra de
Deus que, não obstante, não conseguem ver o óbvio
de que essa doutrina não consta do Novo
Testamento. Os tais, procurando chifres em cabeça
de cavalo e pelo em ovo, fazem várias alegações,
quais sejam: a) “Segundo Mt 23.23 Jesus mandou
dizimar”; b) “a doutrina dos dízimos não está
explicita no Novo Testamento, mas sim, implícita”.
E a partir daí, dando asas à imaginação,
“encontram” diversos textos bíblicos que, segundo
eles, os respaldam. Veja estes exemplos:

Num dos institutos teológicos pelos quais passei


rumo às minhas Graduações em Teologia, tive a
desdita de ler num livro-texto (que infelizmente
perdi), algo mais ou menos assim:

É verdade que Paulo disse que a nossa


contribuição deve ser segundo o que
propusermos em nosso coração,
conforme a nossa prosperidade, etc.,
mas isso não pode ser menos de 10%.

A declaração acima seria cômica, se não fosse


trágica. Aliás, podemos chamar isso de tragicômico.
Veja, essa declaração só seria verdadeira, se Paulo
tivesse dito que cada um deve contribuir segundo
propôs em seu coração, conquanto esse propósito
seja igual ou superior a 10%. O que há com esses
hermeneutas?
Ouvi um pastor falar mais ou menos assim:

Eis duas inferências de que a doutrina


dos dízimos está de pé no Novo
Testamento: Primeira: O apóstolo
Paulo disse que o cristão deve
contribuir conforme a sua prosperidade
(1Co 16.2). Ora, o dízimo é
exatamente assim, ou seja,
proporcional; segunda: Cristo mandou
dizimar em Mt 23.23. E não há dúvida
de que este texto está no contexto do
Novo Testamento.

Refutação:

A) Da primeira “inferência” não se deve inferir o


que o colega inferiu, porque embora em toda
contribuição dizimal, haja uma proporcionalidade,
nem toda proporcionalidade é dizimal. Exemplo:
Com quantos reais pode contribuir mensalmente um
irmão que ganha mil reais por mês? Resposta:
Algum valor entre zero e mil. Zero é o seu piso, e
mil é o seu teto. O mesmo, porém, não se pode
dizer de quem ganha trinta mil reais por mês, cujo
teto de sua contribuição não se limita,
necessariamente, a mil reais. Agora, imagina se o
irmão que ganha mil, decidir contribuir com 15% de
sua renda mensal. Ele irá, então, doar, mensalmente,
R$ 150,00. Agora, imaginemos o irmão que ganha
R$ 30.000,00, fazendo um propósito de doar 5% de
sua renda mensal. Isso dá um total de R$ 1.500,00.
Temos aqui, então, duas pessoas contribuindo
conforme a sua prosperidade, sendo que uma doou
R$ 150,00 e a outra, um valor dez vezes maior que
isso. Aqui houve contribuições conforme a
prosperidade dos contribuintes, mas nenhum dos
dois ofertantes, é dizimista, visto que um foi além do
dízimo, e o outro ficou aquém do dízimo. Isso prova
que 1Co 16.2 não diz o que muitos o ouvem dizer.
Tais ouvintes estão mesmo é ouvindo demais, bem
como pondo palavras na boca do apóstolo Paulo.
Estão forçando o texto a dizer o que ele não diz. E
isso me trás à memória o seguinte fato: Um
fervoroso batista, ótimo apologista da fé evangélica,
no calor de um acirrado debate teológico, exclamou:
“Ó Paulo, quantos crimes cometem em teu nome!”
E quando vejo essas coisas, não raramente suspeito
de que o diabo está instigando os falantes. E se o
Bicho Ruim está ou não por trás disso, é discutível;
mas a minha suspeita é muito bem fundada. Senão,
veja Mt 16.22-23.
B) Quanto à alegação de as palavras de Cristo,
constantes de Mt 23.23, terem sido proferidas num
suposto “contexto do Novo Testamento”, não
entendo assim, pelo seguinte: Não ignoro que Cristo
mandou pagar dízimo em Mt 23.23. Mas naquela
época, Ele ainda não havia morrido. Logo, o Novo
Testamento ainda não havia sido estabelecido.
Sendo assim, salta aos olhos que o Senhor deu esta
ordem em plena vigência do Antigo Testamento. E,
como sabemos, não temos que praticar muito do
que Cristo fez e mandou fazer, antes se Sua
ressurreição: Ele participou da Páscoa (Lc 22.15);
guardou o sábado (Lc 4.16); e ratificou os
sacrifícios de animais a Deus, ao ordenar que um
homem, a quem Ele curara de lepra, os praticasse
(Mt 8.4), conforme prescrito em Lv 14.1-32. E,
como se tudo isso não bastasse, Jesus ordenou a
todos, bem como aos seus discípulos, total
obediência a tudo quanto os escribas e fariseus
ensinavam (Mt 23.1-3). Ora, estes eram rigorosos
(pelo menos em seus discursos) quanto à guarda da
Lei mosaica: circuncisão, sábado semanal, Páscoa,
Pentecostes, sacrifícios de animais, etc. Fica,
portanto, claro, que Jesus, antes de morrer,
ressuscitar dentre os mortos e inaugurar o Novo
Testamento, longe de ser contrário à guarda dos
preceitos do Antigo Testamento, os praticava e os
recomendava a todos. Cristo se opunha ao legalismo
dos fariseus; não à obediência à Lei de Deus. Deste
modo, se fosse certo se inspirar em Mt 23.23, para
perpetuar a doutrina dos dízimos, teríamos que
guardar o sábado, observar a circuncisão, sacrificar
animais a Deus, etc. Lembremo-nos que Jesus
nasceu sob a Lei (Gl 4.4). E é por isso que quando
Ele nasceu, José e Maria não pensaram assim: Jesus
nasceu! Estamos no contexto do Novo Testamento,
por cujo motivo não vamos circuncidar o menino
ao oitavo dia, conforme manda LV 12.3; nem
tampouco vamos oferecer os sacrifícios cruentos
prescritos em Lv 12.6-8. Antes, obedeceram a esses
mandamentos (Lc 2.21-24). E é oportuno trazer à
memória que Lc 23.56 nos fala de zelosas, piedosas
e fervorosas discípulas de Cristo que repousaram no
sábado, “conforme o mandamento”. Isso prova que
Cristo não as ensinara a negligenciar a guarda do
sábado. E por que não? Resposta: 1) porque a Igreja
não nasceu na manjedoura, juntamente com o
nascimento de Cristo; 2) porque a Igreja não nasceu
no Rio Jordão, quando do batismo de Jesus; 3)
porque a Igreja não nasceu na cruz, ou seja, no
momento da morte de Jesus; 4) porque a Igreja não
nasceu enquanto a tumba estava cheia, ou seja,
enquanto Cristo estava morto; 5) porque a Igreja só
nasceu depois que Cristo auto esvaziou a Sua
tumba, ressurgindo dentre os mortos; 6) porque o
povo de Deus do Novo Testamento não veio à
existência antes da inauguração da Nova Aliança; o
que, por sua vez, não se deu antes da ressurreição
de Cristo.
Visto que a Nova Aliança só entrou em vigor após
a ressurreição de Jesus, nenhum episódio ocorrido
antes do triunfo de Cristo sobre a morte, pode ser
visto como tendo acontecido no contexto do Novo
Testamento. Como dizer que as palavras constantes
de Mt 23.23 foram proferidas “no contexto do Novo
Testamento”, se este nem nascido era ainda? Ora, de
uma coisa que aconteceu antes da inauguração do
Novo Testamento não se pode dizer que a mesma
ocorreu no contexto do Novo Testamento. É
supostamente fundados na má interpretação que ora
pondero, que os sabatistas amiúde citam Lc 23.56
para provar que o quarto mandamento do Decálogo
está de pé no Novo Testamento. Essas más
interpretações da Bíblia têm dado azo a muitas das
doutrinas erradas pregadas pelas seitas. E tais erros
vão longe, porque não raramente os falsos profetas
transformam esses equívocos em premissas de seus
diabólicos silogismos. Vigiemos e oremos, para que
o Inimigo não se sirva de nossas bocas e canetas
para semear engano.

C) De certo modo, de todos os episódios


registrados na Bíblia se pode dizer que ocorreram no
contexto do Novo Testamento, visto que toda a
Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, orbita a Pessoa de
Cristo e Sua Obra redentora. Contudo, todos os
mandamentos de Deus, dados diretamente (como é
o caso do Decálogo), ou dados na instrumentalidade
dos profetas, ou ainda dados pelo próprio Cristo, só
podem ser vistos como ordens dadas à Igreja, os que
estão repetidos em Atos dos Apóstolos, nas epístolas
e no Apocalipse. (NOTA: Atos dos Apóstolos é
História Eclesiástica; e, portanto, nem todas as
ocorrências mele consignadas devem ser vistas como
mandamentos. Por exemplo, não podemos ver no
fato de os novos convertidos terem vendido suas
propriedades e doado todo o dinheiro à Igreja (At
2.44-45), um mandamento de Deus. Não. Isso é
História, e não um exemplo a ser seguido
impreterivelmente. O que se deve haurir deste texto
é que não se deve ser egoísta, avarento,
egocentristas, etc.; e sim, altruísta, benemerente,
generoso, e assim por diante.
5.2. A avareza de alguns dos não contribuintes
A grande maioria dos que se opõem ao ato de
dizimar, não o faz por razões teológicas, e sim, por
avareza. É fácil concluir, que embora não tenhamos
a letra deste mandamento, contribuir é preciso e que
fazê-lo com 10% dos nossos rendimentos fica muito
aquém do necessário. Também está claro que não é
algo impossível, visto que se era possível fazer isso
antigamente, certamente ainda o é hoje em dia. Não
descarto, contudo, algumas exceções, como é o caso
de eventualmente deixarmos de dizimar por uma
emergência, diante de uma questão de vida ou
morte, por exemplo. Um gesto assim, pode até
servir de “isca” para se conquistar a simpatia de um
incrédulo e, deste modo, ganharmos a sua alma para
Jesus. Aliás, o irmão que assim fizesse não estaria
deixando de contribuir para a Obra de Deus; antes,
estaria fazendo uma auto-administração de sua
contribuição. Mas esse proceder há que ser uma
exceção, não uma regra, visto que, doutro modo,
além de não mais construirmos e mantermos nossos
templos, faltará o sustento aos Obreiros do Senhor
que, segundo a Bíblia, Deus ordenou que vivam do
Evangelho (1Co 9.14). É questão de bom-senso o
entendimento de que devemos primar pela
centralização das nossas contribuições. Isso não tem
nada a ver com a nossa salvação, mas não me
parece uma medida inteligente, cada membro de
uma igreja local dar à sua contribuição o destino que
lhe parecer melhor. Salvo as exceções decorridas de
melhor juízo, isso só deve ocorrer esporadicamente.
Lembre-se que não pode faltar mantimento na “Casa
do Tesouro” (Ml 3.10), isto é, as necessidades
inerentes à Obra de Deus delineada pela
comunidade a que você faz parte, têm que ser
supridas. Ademais, a Bíblia fala de contribuições
depositadas aos pés dos apóstolos (At 4.34). Logo,
devemos depositar nossas contribuições aos “pés dos
pastores”, isto é, disponibilizá-las nas respectivas
comunidades por eles pastoreadas, onde também
congregamos.
Teóloga de peso e apologista de mancheia, minha
amiga Marly Bullón (nome fictício) sabe que ao
cristão, Deus não mandou pagar dízimo. Contudo,
ela assentou no seu coração o firme propósito de
ofertar dízimos e outros valores, à sua irmã, que é
pobre. E ela mantém isso há décadas. Ela é batista, e
contribui com algumas ofertas na sua igreja. Mas faz
a maior parte de suas doações, à sua irmã. Ora, o
que ela faz pela sua irmã, é como se estivesse sendo
feito pela sua igreja, porque gol de um jogador é gol
do time e não apenas do que o fez. E será que se ela
passasse a “bola” para o seu “time”, este faria o gol?
Relembro que a questão tratada neste livro é
administrativa, e não, soteriológica. E isso deve lhe
deixar bem à vontade para até discordar de mim.
Sim, você pode discordar de mim e continuar salvo,
pois o tema aqui abordado não visa salvar os
perdidos, e sim, edificar os salvos. Assim como você
se salvou sem me ler, você não precisa ler meus
escritos, para continuar salvo.
Visto que nós, os evangélicos, não chegamos a um
consenso quanto ao assunto deste livro, então há,
com certeza, alguém errado. Mas não é menos
certo, de que não há ninguém perdido por causa
disso, se nos respeitamos mutuamente Essa questão
é periférica, e não central.
5.3. A avareza de alguns “pastores” malaquianos
Percebo que não são poucos os “pastores” que
embora já tenham entendido que de fato o Novo
Testamento não perpetua a prática
veterotestamentária dos dízimos, persistem no erro
de enganar suas ovelhas, dizendo-lhes que esse
mandamento é neotestamentário e que os que o
negligenciam estão sob maldição divina. Tal se dá
porque temem perder essa vaca leiteira. Tais
mercenários creem mais no poder do terror dessa
camisa-de-força, do que na força do amor a Deus e
à Sua Obra.
Os Pastores devem nomear tesoureiro (s) para
administrar as doações. Os “Pastores” que não
constituem tesoureiros, alegando não possuírem no
rol de membros de suas igrejas, alguém confiável
para este trabalho (já vi isso acontecer), são mais
suspeitos do que aqueles em quem eles dizem não
confiar.
5.4. Os itinerantes e os televangelistas
Ninguém ignora que nas igrejas evangélicas
também há muitos charlatões. E muitos desses
desavergonhados se valem da mídia para disseminar
o engano.
Certo televangelista disse mais ou menos assim,
num programa de TV: “Estamos no ano de 2009.
Nove, portanto, é o mistério. Credite, pois, R$
900,00 na conta bancária que aparece na tela de sua
TV, e você verá o que Deus vai fazer”. Outro
televangelista da mesma laia desse dos novecentos
reais, disse aos seus telespectadores que se eles
doassem mil reais para a conta bancária que aparecia
na tela de seus televisores, Deus iria salvar seus
parentes.
É digno de nota que tais televangelistas sempre
dizem que o depósito deve ser feito na conta
bancária que aparece na tela dos televisores da
audiência, e não nas igrejas dos telespectadores.
Mas, por que eles não sugerem que sua audiência
faça tais contribuições às suas respectivas igrejas?
Que “mistério” é esse? Por que a oferta tem que ser
endereçada à conta por eles indicada? Não precisam
me responder.
Ouvi certo pregador itinerante dizer que se os
irmãos contribuíssem naquele culto “com uma
vultosa oferta, grande [seria] a vitória”. E, referindo-
se aos que não atenderam ao seu apelo, depositando
na salva a tal de vultosa oferta, ele garantiu que os
tais haviam “perdido a bênção”. Ora, por que a dita
contribuição tinha que ser efetuada naquele
momento? Porventura, Deus não abençoará aos que

decidiram em seus corações a contribuir com mais


liberalidade nos cultos por vir? Claro, ficou evidente
para todos os que ainda não aposentaram suas
cabeças, que a razão pela qual a oferta tinha que ser
dada naquele momento, é que o “pregador” já ia
embora. Logo, das ofertas doadas noutros cultos,
não seria tirada uma parte para o vigarista.
Certo “missionário” que está “abalando” o Brasil e
o exterior com suas campanhas de “prosperidade” (e
realmente ele tem prosperado muito), está sempre
dizendo que é durante a tal campanha que se deve
fazer a doação “que vai mudar a sua vida”. Por isso,
ao término de cada “culto”, ele dizia aos que não
haviam doado uma vultosa oferta, que os mesmos
haviam perdido a oportunidade de saírem da
miséria. Ele insinuava que os que não tinham
dinheiro deviam fazer um empréstimo e doar o
montante todo. Ele dizia que Deus ia multiplicar por
cem, o valor que lhe fosse doado; e, que portanto,
era o ofertante quem determinava o tamanho da
bênção com a qual ele queria ser abençoado. Quer
ganhar cem mil reais? Doe mil reais. Quer ganhar
dez milhões? Doe cem mil. Quer ganhar um milhão?
Doe dez mil. E no último dia da campanha, ele dizia
alto e bom som: “Esta é a sua última chance!” Mas,
na verdade, aquela era a última chance dele, porque
das contribuições de outras datas por vir, não iria
uma parte para ele. E por que esses homens
conseguem entrar nas igrejas e fazer essas
vergonhosas campanhas? Porque a maior parte das
igrejas estão sem Pastores. Destes, alguns são
mercenários mesmo; e outros, pessoas
despreparadas para o exercício do Sacro Ofício
Pastoral. Não têm chamada para esta Obra, mas
foram ordenados por paternalismo, e, às vezes, até
mesmo por paternidade. Tais pastores não veem que
a igreja ficou intoxicada de triunfalismo, positivismo,
fé na fé, etc. E, por isso mesmo, elogiam o evento,
dizendo que “a campanha foi uma bênção, pois
houve conversões, cura divina, expulsão de
demônios”, e outras mais. Mas, e o campanheiro?
Ele também se converteu? Ele também foi liberto
dos demônios que o escravizam?
Conheço um “Pastor” que enquanto itinerante,
afirmou repetidas vezes, a diversas pessoas, que o
dizimar é uma doutrina veterotestamentária, e que,
por isso mesmo, prescreveu, quando da inauguração
da Nova Aliança. Mais tarde, porém, ele foi
designado para pastorear uma igreja. E, a partir
daquele momento, ele mudou o discurso. Passou a
ensinar que “quem não paga os dízimos é ladrão de
Deus”. Então, um Presbítero o arguiu, inquirindo
sobre o porquê dessa leviandade. E ele respondeu:
“Naquela época eu não dirigia igreja. Agora, porém,
preciso garantir minha prebenda”. Que pilantra
cândido! Esse mentiroso prima pela verdade.
Alguns bandidos perceberam que assaltar de
metralhadora, pistola, fuzil... é perigoso, visto que
projéteis vão sim, mas projéteis vêm também. Por
isso, eles tiveram a “genial” ideia de não usar armas
de fogo, nem tampouco arma branca, mas sim, a
Bíblia. Agora eles “assaltam” livremente, pois se
defendem das investidas daqueles que, empunhando
Bíblias, os encurralam, usando a mesma arma com a
qual os atacamos: Bíblia. Eles puxaram o pai, pois
também adoram dizer: “...está escrito...” (Mt 4.6). E
assim têm por defensores suas próprias vítimas, que
rotulam os que tentam lhes abrir os olhos, de
“perseguidores dos ungidos do Senhor”. A estratégia
de assaltar com Bíblia, funciona, pois não podemos
sequer chamar a polícia. E, por isso, pergunto
novamente: Por que esses falsos profetas têm livre
curso nas igrejas? Resposta: “E Jesus, saindo, viu
uma grande multidão, e teve compaixão deles,
porque eram como ovelhas que não têm pastor; e
começou a ensinar-lhes muitas coisas” (Mc 6.34).
Os simonistas protestantes de hoje em dia, que
põem o Papa Leão X no chinelo, se criam nas
igrejas evangélicas, porque faltam Luteros, faltam
Joãos Batistas, faltam Elias, faltam Paulos... para
protestá-los. São poucos os que, a exemplo de
Cristo, têm compaixão dessas ovelhas sem Pastor;
são poucos os que, à luz da Bíblia, ousam
pronunciar contra essa gente sem juízo. Aliás, só
falar contra eles, não basta. É preciso orar por eles e
lhes dizer que Jesus os ama, e que se arrependerem
e se converterem, Deus os perdoará em Cristo, e
lhes dará Seu Reino! Mas que, se persistirem no
engano, no fogo do Inferno serão torrados.
Ouvi o Pastor Antonio Gilberto (um dos poucos
que não se venderam para o Diabo) dizer que só
cego não vê que algumas das igrejas Assembleia de
Deus estão desviadas. Ele não identificou tais
ministérios, mas não me parece muito difícil saber
quais são eles, se usarmos o critério de Cristo: “Por
seus frutos os conhecereis...” (Mt 7.16). Conheço
igrejas cuja cúpula acoita todo tipo de pecado,
como, por exemplo: Roubo: Dinheiro desaparece e
fica por isso mesmo, visto que a falta de
transparência, que já é de praxe nessas igrejas, existe
exatamente para essas e outras; adultério: Há
pastores que pensam que trocar de mulher é como
trocar de roupas. Há casos de pastores adúlteros que
apenas foram transferidos de um município para
outro. E há casos em que os adúlteros apenas foram
remanejados de uma igreja para a outra, dentro de
um mesmo município. Numa certa igreja, da qual
todos os membros sabiam que o Pastor tinha uma
amante, nenhuma medida disciplinar se tomou, até
que o dito cujo trouxe a conta do motel para a igreja
lhe ressarcir. É que já não sentem dor na consciência
e no coração, mas apenas no bolso. Por isso, tudo é
tolerável, menos dizer que a doutrina dos dízimos
não está de pé no Novo Testamento. Nesse caso,
prepare o lombo para retaliações: negação do
batismo, se você é novo convertido (batizam
amasiados, mas não batizam quem não promete dar
dízimos); suspensão da ordenação ao oficialato
eclesiástico, se estiver sendo cotejado para esse fim;
ser excluído do rol de membros da denominação;
etc. Portanto, só verbalize contra o dizimismo se
você está emocional e espiritualmente preparado
para o que der e vier. Se você é hipertenso, tenha
cautela redobrada.
Mas, o que isso tem a ver com o tema deste livro?
Resposta:
Não há porque estranharmos esse silencia sobre a
verdade de que o dizimismo não é uma doutrina
cristã. Quanto maior o número de charlatões, mais
se ouvirá da boca dos “Pastores” que os não
dizimistas vão se ver com Deus.
5.5. Contribuamos de mancheia
Bom seria se todos pudessem doar valores bem
mais elevados que o dízimo! Contudo, poderoso é o
nosso Deus para multiplicar nossas humildes
contribuições, e, com estas, sustentar os pregadores
do Evangelho, que, por sua vez, alimentarão os
famintos espirituais com o Pão do Céu, a Palavra de
Deus. E, sempre que possível, doemos, além dos
dízimos, outros valores, conforme o Senhor tocar
em nossos corações, e de acordo com a nossa
prosperidade. Como bem o disse o Pastor J. Scott
Horrell, “A verdadeira adoração nos custa... não o
que resta, mas o que é primeiro, o nosso melhor” (J.
Scott Horrell [Th.D] Adoração com os Nossos Bens
[apostila em meu poder]). Nessa obra, Horrell que
cometem o erro de perpetuar o dizimismo como
doutrina, alertando para o fato de que estamos na
Graça, e não sob a Lei de Moisés. E que isso sirva
de alerta aos que querem perpetuar esse falso
ensino, bem como aos que, além de pregarem essa
inverdade, ainda humilham, ridicularizam e expõem
os não dizimistas, rotulando-os de ladrões. Sim, já
vi alguns Pastores condenar os não dizimistas ao
fogo do Inferno. E isso não é menos errado do que
pregar que a guarda do sábado está de pé no Novo
Testamento, e que isso importa em salvação, como o
ensinam muitos sabatistas.
CAPÍTULO 6

EVITANDO
CONDENAÇÃO
MÚTUA
Raciocinando à base do fato de que, segundo o
Antigo Testamento, os que não dizimavam durante a
vigência da Lei, roubavam a Deus (Ml 3.8-9), há os
que dizem que os que não dizimam hoje, estão
perdidos, visto que, segundo a Bíblia, os ladrões não
herdarão o Reino de Deus (1Co 6.10). Por outro
lado, considerando que a doutrina dos dízimos
consta só do Antigo Testamento, somado ao fato de
que o apóstolo Paulo disse que os gálatas, que se
justificavam pela Lei, tinham caído da graça e se
separado de Cristo (Gl 5.4), vários grupos religiosos
dizem que os dizimistas estão perdidos. Pelo menos
foi o que eu os ouvi dizer. Estes extremos são
igualmente perigosos e devem ser evitados. Se nos
condenarmos mutuamente por essa questão tão
banal, iremos juntos para o Inferno.
A Bíblia recomenda a tolerância recíproca diante
de questões irrelevantes (relembro que Rm 14 trata
disso). Contudo, há, como já vimos, os que pensam
que quem dizima é falso profeta. Outros tacham de
hereges os que creem que o dízimo, como
Mandamento, é obsoleto. Ora, se uma questão
simples como essa, que é a de ser ou não dizimista,
desqualificasse o pregador, todos seríamos falsos
profetas. Afinal de contas, quem não erra? Logo,
errados não são os que pagam o dízimo, nem
tampouco os que não o pagam, e sim, os que fazem
dessas banalidades, motivo de vida ou morte,
salvação ou perdição. Malaquianos e não
malaquianos podem, sim, ser igualmente salvos; mas
há bons motivos para se suspeitar da salvação dos
que condenam os malaquianos, bem como da dos
que condenam os não malaquianos (Queira ver Rm
14-15).
Os que afirmam que os dizimistas não são salvos,
bem como os que dizem que os não dizimistas estão
perdidos, cometem, de per si, dois erros. É que
estes, além de errarem por legalizar uma prática que
caducou no Calvário, erram por fazer da mesma,
motivo de vida ou morte, ou seja, de salvação ou
perdição. Já aqueles, embora tenham uma
compreensão mais teológica nesse particular,
equivocam-se, contudo, por intolerância para com
os fracos, bem como por fazerem de uma fraqueza
tolerável, motivo de perdição. Assim como o ato de
dizimar não é tábua de salvação, o ato de não
dizimar não é motivo de perdição. Isto tem que ficar
bem claro. De outra maneira seremos tão hereges
quanto as seitas que tacham as igrejas evangélicas de
prostitutas, Babilônias, hipócritas, etc.
Tolerância recíproca diante de questões banais não
resolve o problema, mas o remedia. Pelo menos isso
serve para que não nos qualifiquemos como falsos
profetas.
Bem, embora eu tenha dito que tanto o dizimista
quanto o não dizimista que se condenam
mutuamente estão equivocados, sirvo-me do
presente parágrafo para me “retratar”. É que,
pensando bem, eles não estão enganados quanto ao
que cada um pensa do outro, considerando que, à
luz da Bíblia, realmente ambos estão perdidos. A
condenação mútua por questões banais traz
recíproca condenação, como já vimos ao lermos o
capítulo 14 da Epístola de Paulo aos Romanos.
É errado trocar acusações mútuas por causa de
pontos de vista divergentes quanto ao dízimo ou
similares, mas não é errado censurar os que o
fazem, pois ambos são repreensíveis.
Há controvérsias entre os evangélicos sobre
diversos temas: a) sobre o Batismo (por aspersão ou
por imersão? Só em água corrente, ou pode ser
numa piscina ou no mar? Só para os que já
atingiram a discrição, ou para as criancinhas
também?; b) o uso de véu, por parte da mulheres,
durante o culto; c) o rito intitulado lava-pés; d)
saudação com ósculo; e) quanto ao uso de joias; f)
sobre corte de cabelos para mulheres; g)
maquiagem; h) há Bíblias de Estudo, como a
Scofilde e a Plenitude, que ensinam que foi o
espírito de Samuel quem se comunicou com Saul
(1Sm 28), o que é absurdo e perigoso; i)
arminianismo e calvinismo são duas alas evangélicas
que têm, de per si, milhões de simpatizantes; j)
quanto a se a salvação é ou não perdível, não somos
unânimes há séculos; k) se a glossolalia é ou não a
evidência do batismo no Espírito Santo, é uma
questão que separa não só os pentecostais dos
tradicionais, mas até mesmo nós, os pentecostais,
nos fracionamos acerca disso; l) em termos
escatológicos, estamos divididos em vários grupos:
pré-milenistas, pós–milenistas, amilenistas, pré-
tribulacionistas, meso-tribulacionistas, pós–
tribulacionistas, etc. Mas, graças a Deus, essas
questões não nos têm impedido de mantermos a
unidade na diversidade. Porém, será que “o amor do
dinheiro” (1Tm 6.10) vai nos separar? Não duvido,
pois admito que este meu pronunciamento acerca da
dizimação pode levar alguns a temer que seus
impérios venham a ruir e, deste modo, pôr fim à
boa-vida que levam à custa da “lã” das ovelhas (não
me refiro, é claro, aos Pastores sérios que são
mantidos pelas igrejas).
Dizimar ou não dizimar é mesmo uma questão de
vida ou morte, ou seja, de salvação ou perdição? Se
sim, debatamos acirradamente sobre este assunto
para sabermos a verdade sobre esta questão, e
tomemos partido, rejeitando como irmãos em Cristo,
os que de nós destoarem. Mas se não, toleremo-nos
mutuamente acerca desta questão também. Por que
tolerarmos reciprocamente controvérsias tão sérias,
como é o caso da mediunidade admitida como algo
possível, conforme consta das aludidas Bíblias de
estudo, e outros assuntos polêmicos (como, por
exemplo, o Arminianismo versus Calvinismo,
cessacionismo versus pentecostalismo,
irreversibilidade da salvação versus reversibilidade
da salvação, etc.), e sermos tão radicais sobre os
dízimos? Não ponho em xeque a sinceridade dos
que de mim divergem a respeito dos dízimos, mas
suspeito dos que me condenam, tachando-me de
herege e falso profeta, só porque estou quebrando
paradigma quanto aos dízimos. Tais malaquianos
estão mesmo, neste ponto, interpretando a Bíblia
diferente de mim, ou temem perder a vaca leiteira?
Parece que a alegada “unidade na diversidade” que
dizem haver entre os evangélicos, se desfaz, quando
a diversidade é sobre dízimos e ofertas. Toleram
erros mil, mas fazem carranca para os que, como
este autor, não creem na atualidade dessa doutrina.
Os evangélicos portadores das mais diversas ideias
são vistos como raças dentro da nossa espécie. Mas
os que destoam sobre dízimos e ofertas são vistos
como tendo sofrido uma macroevolução que os
transmutou noutra espécie, perdendo assim o elo
com a espécie da qual procedem. Muitos pregadores
itinerantes sérios, que já perceberam a verdade sobre
este assunto, não traem as suas consciências, falando
o que os pastores querem ouvir sobre dízimos e
ofertas, nem tampouco falam a verdade sobre isso,
pois sabem que as portas das igrejas lhes serão
fechadas. Sim, quem faz o que ora faço, ao elaborar
este livro, corre sério risco de não ser visto como um
espécime da “raça” evangélica.
O ser e o não ser malaquiano (conquanto que as
partes destoantes não impetrem recíprocas
maldições uns aos outros), deve ser visto como
heterodoxias, e não como impasses e heresias. Uma
das evidências disso, é que os grandes teólogos
evangélicos (dos quais, alguns são,
comprovadamente, piedosos servos de Deus) ainda
não chegaram a um consenso sobre isso. Eles têm
emitido opiniões diametralmente opostas entre eles.
Augustus Nicodemus, pós doutor em Novo
Testamento, e renomado Pastor presbiteriano, crê
que o cristão não tem este mandamento (há
mensagens dele postadas no YouTub). Mas o Pastor
Hernandes Dias Lopes, nada menos douto do que
Nicodemus, entende que essa doutrina está de pé na
Nova Aliança. O erudito, famoso, zeloso e piedoso
Pastor Antonio Gilberto, homem muitíssimo
ortodoxo, que já provou que não brinca de ser
crente, crê piamente que a doutrina dos dízimos está
de pé. Entretanto, o destemido Pastor presbiteriano,
J. Scott. Horrell, Th.D, E por que os eruditos não
são concordes sobre isso? Respostas: a) porque para
entender as coisas de Deus, a erudição, além de não
ser decisiva, acrescenta pouco (Mt 11.25; 1Co
2.14); b) porque a erudição, a piedade e a santidade
não nos transformam em Deus; c) todos os homens,
excetuando unicamente “o papa e os bispos em
comunhão com ele”, são falíveis; d) o ensino
religioso que se recebe enquanto novo convertido,
tende a ser encasquetado de tal maneira na cabeça
do catecúmeno, que ele passa a ter dificuldade de
ver as coisas com seus próprios olhos. Poucos são os
evangélicos que conseguem romper essa barreira e
ver as coisas sem os óculos de suas igrejas. Não são
só as falsas religiões que produzem pessoas bitoladas
por elas; as igrejas evangélicas também fazem isso.
Do acima exposto se pode ver que não nos
convém impressionar com erudição alguma. Os
eruditos são gente como a gente e, portanto, podem
até aprender com a gente. Seja, pois, você também,
um pensante. Não tenha medo de raciocinar com a
sua cabeça e tirar suas próprias conclusões.
Quanto à questão dos dízimos, concordo com os
Reverendos Nicodemus e Horrell, não porque eles
são cultos, inteligentes e piedosos, mas sim, porque,
qual bereano (At 17.11), chequei as suas palavras
com as Escrituras Sagradas, e vi que “estas coisas
[são] assim” (At 17.11).
Se você quer crescer no conhecimento de Deus,
ore a Ele, suplicando Sua luz, em nome de Jesus;
leia a Bíblia sob o influxo do Espírito Santo; e esteja
aberto para a verdade. Essas medidas, embora não
lhe confiram infalibilidade, são relevantes.
Sinto-me livre para discordar de qualquer Pastor,
porque Pastor não é papa, e eu não sou católico
romano. Não existe infalibilidade papal, nem
tampouco inerrância pastoral.
Acho óbvio que as divergências entre os peritos
bíblicos a respeito do tema aqui tratado me poupam
do trabalho de argumentar, intuindo provar que você
não deve seguir cegamente a ninguém. Mesmo
assim, a título de reforço, lhe digo: Não siga a mim,
nem vá após erudito algum; antes, pense com a sua
cabeça, e não com cabeça alheia. Quem segue
cegamente a um pastor, corre o risco de morar com
ele no Inferno. Nunca permita, pois, que o brilho da
luz da sabedoria dos doutores e pós doutores em
teologia lhe ofusquem a visão, ao ponto de lhe
impedir de ver a verdade e se nortear só pela Bíblia.
Não permita que o fulgor da sabedoria dos
entendidos lhe tire a autoestima ao ponto de se sentir
incapaz de discordar com conhecimento de causa.
Atente para a minha máxima, de que os grandes
homens cometem grandes erros. Embora haja até
pós-doutores em Teologia Sistemática perdidos, as
questões soteriológicas são tão singelas que há até
analfabetos salvos. Estude, pois, a Bíblia, com
humildade, e regue esse estudo com orações. E se
depois de tudo isso, você ainda chegar a uma
conclusão errada sobre o tema deste livro, saiba que
você não será condenado por isso, contando que
não veja no ato de dizimar uma tábua de salvação,
nem tampouco veja no ato de não dizimar, um
conduto para o Inferno. Portanto, quer você tome
este ou aquele outro partido, ou opte por ficar em
cima do muro, quanto ao tema deste livro, isso não
interferirá na sua salvação. O tema aqui abordado
não é, necessariamente, soteriológico, e, portanto,
não possui valor salvífico. Não estamos, a priori,
diante de uma questão de vida ou morte. O ato de
contribuir para a Obra de Deus, não pode levar um
perdido à salvação, tampouco pode manter um salvo
no Caminho do Céu. Estou muito convicto de que
não estou equivocado quanto à tese que aqui
defendo, mas mais seguro ainda, estou da minha
salvação. Minhas convicções sobre dízimos aqui
expostas, apoiam-se no meu intelecto, mas minha
convicção de salvação apoia-se no fato de que eu
sinto Deus no âmago da minha alma. Eu sinto
comunhão com Deus. Eu amo a Deus, Ele sabe
disso, e já Lhe dei provas disso diversas vezes. Aliás,
a elaboração deste trabalho é uma prova de que amo
a Deus. Acho que o leitor há de convir que seria
muito mais fácil elaborar uma obra em defesa da
falsa doutrina de que Ml 3.10 está de pé, do que
pronunciar contra esse equívoco. Sim, pois como
você sabe, ficar do lado da maioria é bem mais fácil
do que ficar do lado da minoria. Você já parou para
pensar na possibilidade de os pastores dizerem em
uníssono: Na minha igreja ele não prega. Aqui ele
não entra. Aqui ele não vai ensinar nada. Aqui ele
não vai ministrar seus estudos “bíblicos”, pois não
franquio meu púlpito aos ignorantes. Etc., etc., etc.
... Não sonego as informações aqui contidas, pelos
seguintes motivos: a) meus princípios cristãos não
me permitem violentar a minha consciência, negar a
Deus, e trair os meus irmãos, deixando de pô-los a
par do que precisam saber; b) estou convicto de que
o ensino de que a doutrina dos dízimos está de pé na
Nova Aliança é judaização do Cristianismo, e,
portanto, desagradável a Deus (At 15.1-2; Gl 3.10;
4.9-11; 5.1-9); c) Julgo preferível sofrer o repúdio
da maioria dos evangélicos, a me lançar ao engodo;
d) ser rejeitado por pessoas amadas, por ter
ensinado a verdade, só poderia ser agradável a um
masoquista. Contudo, é preferível ser punido
injustamente, a ser castigado merecidamente (Mt
5.11-12; 1Co 6.7; 1Pe 4.14-16). Sim, sofrer rejeição
por fazer o bem é infinitamente menos deplorável
do que sofrer repúdio por praticar o mal.
Às vezes, visando a comunhão dos santos, me
silencio diante de questões banais; mas falar
inverdades, para agradar aos homens, nem pensar.
Isso é imoral e anticristão. Sim, silenciar, às vezes
(Rm 14.1); mentir às ovelhas, nunca (Ef 4.25).
CAPÍTULO 7
O DÍZIMO HOJE EM DIA– QUESTÃO DE
FORO ÍNTIMO
Não espere o dinheiro sobrar, para então contribuir
para a Obra de Deus. Contribua, crendo que Deus
cuidará de você (Mt 6.33). E por se falar em
contribuição, que tal contribuir nos moldes de Ml
3.10? Por que não? É verdade que o Novo
Testamento não manda dizimar, e sim, ofertar. Mas
o amor a Deus, à Sua Obra, às almas perdidas, aos
pobres, etc., pode nos impulsionar para muito além
da letra. Mas, o que é contribuir nos moldes de Ml
3.10? Significa assentar no coração o firme
propósito de doar mais de 10% de todos os
rendimentos. Saco este entendimento do fato de este
texto falar de dízimos e ofertas, ou seja, um décimo
mais alguma coisa.
Se por má administração de sua parte ou por
eventuais emergências você se descontrolou e está
endividado na praça, priorize o pagamento de suas
dívidas contraídas junto aos homens. Deixe as
ofertas para a Obra de Deus, para depois. Nossa boa
reputação perante a Sociedade honra mais ao
Senhor do que qualquer tipo de contribuição
financeira para a Obra de Deus. Estou falando à
base de um padrão normal, sem me esquecer que
Deus pode sustar isso a bel-prazer, já que, de outro
modo, Ele não seria Deus. Logo, se Deus lhe der
uma ordem contrária, obedeça. É que, nesse caso,
Ele quer fazer um milagre. (Eu sei o que estou
falando. Ao passar por uma experiência parecida,
priorizei o contribuir para a Obra de Deus, e o que
aconteceu foi tão surpreendente, que talvez o leitor
duvide da minha sinceridade, quando ler o que
escrevi mais à frente. Aliás, a coisa foi tão estupenda
que até eu, que presenciei e me beneficiei do
ocorrido, já me flagrei me perguntando: Foi um
prodígio divino, ou mera coincidência?). Mas na
falta de uma ordem específica e incisiva, use o bom-
senso. Não deixe de pagar suas dívidas, sob pretexto
de “contribuir para a Obra do Senhor” (Mc 7.11).
Não se esqueça, porém, que se não autopoliciarmos,
teremos sempre uma “boa” desculpa para fecharmos
a mão para a Obra de Deus, o que é outro extremo
não menos lamentável. Não deixe, pois, um falso
“bom senso” lhe enganar. Tampouco se endivide
para depois alegar que se descontrolou, e que,
portanto, agora terá que limpar o nome, para mais
tarde, sabe-se lá quando, voltar a contribuir. Lembre
que enganar o homem é fácil, mas a Deus é
impossível; e que é a Ele que você terá que
apresentar suas explicações. Cuidado! Não brinque
com Deus!
Como já vimos e continuaremos a ver, o cristão
não tem o dever de dizimar, pois lhe é facultado sê-
lo ou não. Ademais, neste capítulo estamos vendo
que o bom senso, útil em todos os casos, não pode,
pois, ser dispensado na hora de contribuirmos para a
Obra de Deus. Com efeito, se sua empresa está de
vento em popa, rendendo-lhe, por exemplo, um pró-
labore de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) por
mês, dificilmente seria prudente entregar R$
100.000,00 (cem mil reais) à igreja onde você
congrega. Se você fizer isso, dificilmente não terá a
desdita de ver sua contribuição sendo mal
administrada. Provavelmente você verá os Pastores
em exorbitante luxo, comprando carros caríssimos,
mansões nos bairros nobres do seu município, casas
de veraneio, etc. Além disso, suntuosos e faraônicos
templos serão construídos. Mas muito pouco desse
dinheiro será empregado em Missões; em orfanatos;
asilos; centros de recuperação de mendigos,
toxicômanos e alcoólatras; hospitais; etc. Pelo
menos, isso é o que temos visto acontecer.
Porventura, os pouquíssimos orfanatos, os escassos
asilos, os raros centros de recuperação (e toda essa
“filantropia” [ou pilantropia?] mantidos
precariamente, muito mais com a chamada
Campanha do Quilo, do que com os dízimos) é
compatível com o rio de dinheiro que entra nas
igrejas? Bem, eu não neguei que pelo menos um
pouco desse dinheiro será empregado em Missões e
obras sociais. E o porquê disso reside no fato de que
os charlatões sabem que se roubarem tudo, a
“mamata” acabará. Você ainda não notou isso? Sim,
leitor, mais de 90% dos Pastores estão voltados
apenas para as suas prebendas, sem qualquer
preocupação com as almas perdidas, os famintos, os
sem-teto... A simonia que caracterizou a Igreja
Católica Romana, ao ponto de irromper o brado
Luterano (brado este que tem por lema, o retorno ao
patrimônio original do Cristianismo), não mudou de
endereço, mas arranjou mais uma residência: As
comunidades “protestantes”.
Certamente, a pastorada vai me tachar de herege,
alegando que, segundo a Bíblia, os dízimos e as
ofertas devem ser levados “à casa do tesouro” (Ml
3.10), e não, onde o contribuinte bem o queira.
Mas, salvo raras exceções, os que assim falam
querem mesmo é “administrar” a grana. Uma prova
disso é que embora este versículo diga que a
finalidade dos dízimos e ofertas é “para que haja
mantimento na minha casa”, atualmente há de tudo
na “Casa do Tesouro”, menos alimento para
socorrer os famintos. Para “socorrer” a estes, há
outra forma de arrecadação, só para este fim, a
saber, a chamada Campanha do Quilo e outros
expedientes avulsos.
CAPÍTULO 8
TIPOS DE DÍZIMOS E SUAS RESPECTIVAS
FINALIDADES
Interpretando o sentimento de boa parte dos
evangélicos, questiono, entre outras práticas
estapafúrdias acerca dos dízimos, o fato de pelo
menos uma parte dos mesmos não estar sendo usada
em filantropia. Salvo raríssimas exceções, as igrejas
fazem uma campanha de doação de alimentos para
os pobres. Estas arrecadações, dificilmente atendem
a todos os irmãos necessitados. Chegam a anunciar
de púlpito que as doações não foram suficientes e
pedem mais; porém, são incapazes de lançar mão
dos dízimos para esse fim. Até parece que, por
ordem de Deus, os dízimos só podem ser usados
para construção e manutenção dos suntuosos
templos, bem como para sustento dos Pastores, e
nada mais. Os dízimos são intocáveis, quanto ao
sustento dos domésticos da fé, menos favorecidos.
Lançar mão dos dízimos e outras doações, para
manter o ideal dos Obreiros, assim como também
para construir templos, não é errado, obviamente;
mas pensar que os dízimos não podem ser utilizados
para matar a fome dos pobres, é má-fé, ou má
interpretação.
Parece-me que se 10% dos dízimos e doutras
doações, fossem separados para matar a fome dos
paupérrimos de nossas igrejas, não haveria
necessitado algum entre nós. E, deste modo,
seríamos como nos dias da Igreja Primitiva (At
4.34). Mas, como estamos na “graça”, atualmente os
dízimos já não têm mais os mesmos objetivos que
tinham no Antigo Testamento: “Então virão o levita
... o estrangeiro, o órfão e a viúva ... e comerão e
se fartarão ...” (Dt 14.29 [ARA]. Ênfase
acrescentada). Repito que hoje em dia, na maioria
das igrejas, os dízimos são exclusivamente para
construção e manutenção de templos colossais, bem
como para sustentar os Pastores e outros Obreiros
de tempo integral: missionários, zeladores,
tesoureiros, secretários, etc. Quanto aos pobres, que
se contentem com a Campanha do Quilo (quer seja
suficiente, quer não), pois não estamos dispostos a
pecar contra Deus, socorrendo-os com os
sagrados dízimos e as santas ofertas, ironizo.
Examinando a Bíblia detidamente, você verá que
havia no Antigo Testamento quatro tipos de dízimos:
Primeiro: O dízimo levítico, pago aos levitas. “Aos
filhos de Levi dei todos os dízimos...” (Nm 18.21.
Grifo meu). Os judeus doavam todos os anos 10%
de seus rendimentos agropecuários à Obra de Deus.
O objetivo disso era, entre outros, o sustento dos
Obreiros do Senhor, mais especificamente, aos
membros da tribo de Levi (Dt 14.22); Segundo: O
dízimo dos dízimos. Do dízimo que recebiam de
seus patrícios, os levitas doavam a décima parte à
Casa do Tesouro (Ne 10.38; Nm 18.26-28; Ml
3.10), intuindo o sustento dos sacerdotes (Nm
18.28).
Terceiro: O dízimo das refeições sagradas. Alguns
estudiosos deste assunto preferem chamar esse
dízimo de O Dízimo das Festas. E, de fato, o
contexto apoia este título. Dt 14.22-29 trata desse
tipo de dízimo. O versículo 23 de Dt 14 diz: “E,
perante o SENHOR ... Comerás os dízimos ...” (Dt
14.23. Grifo meu). Este dízimo não era doado a
terceiros, mas consumido pelo próprio ofertante. O
texto diz “comerás” (Dt 14.23) e não “comerá”,
nem tampouco “comerão”. Os sacerdotes e demais
levitas participavam dessas santas refeições, como
convidados legais do ofertante-adorador, com quem
banqueteavam; do que se infere com precisão, que
embora parte desses dízimos fosse destinado aos
levitas, estes o comiam na companhia do adorador-
ofertante. Ainda legalmente, o ofertante convidava
para aquele festim de adoração, os pobres, as viúvas
e os órfãos.
Quarto: O dízimo dos pobres. Mostrei acima que
os judeus dizimavam todos os anos (Dt 14.22).
Contudo, a Bíblia nos fala de um dízimo trienal:
“Ao fim de cada três anos, tirarás todos os dízimos
do fruto do terceiro ano e os recolherás na tua
cidade. Então virão o levita ... o estrangeiro, o
órfão e a viúva ... e comerão e se fartarão ...” (Dt
14.28,29. Grifo meu). Afinal de contas, o dízimo
era anual ou trienal? Há contradição na Bíblia? A
resposta é: Este texto não é contraditório; antes, está
dizendo que os judeus, que dizimavam todos os
anos, de três em três anos não doavam seus dízimos
aos levitas, mas cada um, de per si, retinha consigo
10% de toda a sua produção, e os administrava,
comendo ele próprio dessa décima parte, bem como
os levitas, os pobres, as viúvas e os órfãos. Nesse
ano, os dízimos não eram levados aos levitas, mas
sim, ficavam à disposição dos levitas, bem como à
disposição dos órfãos, dos pobres, e das viúvas, nas
casas de seus de seus respectivos doadores. Isto
significa que aproximadamente um terço dos
dízimos era doado aos pobres (Como as coisas estão
mudadas atualmente!). Ora, se querem mesmo
perpetuar os dízimos, por que não se inspiram na
Lei para cumpri-lo à risca? Por que aboliram o
dízimo dos pobres?
De certo modo, podemos dizer que praticamente
já restauramos três espécies de dízimos: 1) o dízimo
das onze (ou doze, caso prefira subdividir a tribo de
José em duas _ Efraim e Manassés) tribos de Israel,
pois os leigos dizimam; 2) o dízimo dos levitas, visto
que os Pastores mantidos pelas igrejas, doam 10%
de suas prebendas às tesourarias das igrejas; 3) o
dízimo das festas, considerando que não pouco
dinheiro se gasta durante as festas (aniversários dos
templos, confraternizações de jovens, congressos de
adolescentes, encontros de senhoras, etc.), com
cantores, pregadores de renome, propagandas... Só
nos falta ressuscitar o dízimo dos pobres (é por
acaso isso? Isso não é sintomático?). E, como vimos,
este equivale a 1/3 de todos os dízimos. Contudo,
dar-me-ei por satisfeito se os Pastores separarem
apenas o dízimo dos dízimos (ou seja, apenas 10%
das contribuições) e o destinar a obras filantrópicas.
“...O dízimo de Israel era entregue para
o sustento dos levitas (Nm 18.21) e dos
sacerdotes (Nm 18.28), para ajudar nas
refeições sagradas (Dt 14.22-27), e para
socorrer os pobres, os órfãos e as
viúvas (Dt 14,28-29...” (Bíblia de
Estudo Pentecostal, CPAD, 1 ed., 1995,
comentando Números 27.30, p. 228.
Grifo nosso).
Se você matutar sobre as partes grifadas,
constantes do fragmento acima, fragmento este,
pinçado de uma obra oficial da Assembleia de
Deus, verá que ao erro da perpetuação da
doutrina dos dízimos, os evangélicos
acrescentaram o de lhes darem um novo
destino. Agora a festa é só dos “sacerdotes”.
Como está diferente hoje em dia, hein?! Os
pobres, as viúvas e os órfãos não veem a cor do
dinheiro, não sentem o cheiro do churrasco, e
menos ainda, o sabor do mosto e do azeite.
Risos. Sim, risos. Ria para não chorar.
O Pastor Samuel Câmara (um dos poucos que não
se venderam para o Diabo), presidente da
Assembleia de Deus de Belém, capital do Pará, está
construindo casas para os pobres, com o dinheiro
das ofertas e dízimos. Oxalá que em todos os
Pastores haja este nobre sentimento! Tomara que
todos os Pastores amem a Deus e ao próximo mais
do que às suas rechonchudas contas bancárias e
ações nas Bolsas de Valores! Quem dera que o
cumular tesouro no Céu seja visto como mais
promissor do que fazer pé-de-meia na Terra. E, no
caso em lide, com a agravante de fazê-lo à custa dos
que, como cavalos de São Jorge, lhes dão os
lombos, sobre os quais tais mercenários cavalgam
rumo ao Inferno!
CAPÍTULO 9

DIZIMISTA/ACIONISTA
Todo aquele que, de alguma maneira, se envolve
na Obra de Deus, pode se considerar sócio ou
parceiro de Deus. Portanto, quem contribui para
sustento da Obra de Deus, o é. Sim, um cristão
contribuinte esclarecido, pode se considerar um
acionista do Banco Celestial.
Para associarmos a Deus na batalha contra o mal,
basta que, arregaçando as mangas, lancemos mão à
Obra, fazendo o que Deus nos manda na Sua
Palavra: a Bíblia. E, em se tratando de doação
monetária ou patrimonial, que a mesma nos custe
algo. Devemos contribuir sob lamentos, por não
podermos doar mais e de melhor qualidade,
cônscios de que o nosso bondoso Deus sempre
merece mais de nós. Logo, quanto mais abundantes
formos na Obra do Senhor, melhor (1Co 15.58).
Portanto, se você pode doar 90% dos seus
rendimentos mensais para a Obra de Deus, mas só
doa 30%, lhe convido a refletir sobre isso. Por outro
lado, se só pode doar 5%, não doe 6%. Prime por
ser um bom mordomo, doando sempre o máximo
que puder. E só vá além desse máximo, diante de
uma ordem divina. De fato, ficar aquém do devido,
ou ir além disso por emoções, é má mordomia. O
cristão precisa administrar bem, os talentos e os
dons (naturais e temporais) que Deus lhe confiou. E
quem se guia por emoções, não o faz.
Uma amostra do que é ficar aquém do devido para
com Deus, é não se ajustar ao conselho constante de
Mt 6.19-20, isto é, cumular tesouros na Terra, sem
acumular coisa alguma no Céu.
Como sabemos, o estabelecimento de metas
sustentáveis pode ajudar principalmente aquelas
pessoas que têm dificuldades para se organizar.
Segundo a História da Assembleia de Deus no
Brasil, certa feita a igreja da qual Gunnar Vingren
era membro nos Estados Unidos, aprazou uma data
para a doação de uma grande oferta para a Obra
Missionária. Vingren se pôs, então, com muito
amor, a ajuntar dinheiro para o dia agendado. E,
depois de muitos meses ajuntando o máximo que
podia, chegou o grande dia aprazado, quando então,
ele entregou a sua generosa oferta, sentindo-se
privilegiado por poder fazê-lo. E saiu daquele culto
muito alegre e muito grato a Deus, pois se sentia
agraciado por Deus, que lhe concedera tão grande
oportunidade! E nessa mesma época ele ouviu uma
voz, que lhe dizia: “Tu também irás”. E ele se
certificou de que o falante era Deus, pondo-o a par
da Obra Missionária que tinha a fazer através dele.
E, como sabemos, foi para o nosso Brasil que ele
veio, ombreado por Daniel Berg, varão igualmente
valoroso, que o ajudou a fundar a Assembleia de
Deus na nossa terra, a qual desbancou Satanás. É
com este tipo de amor que devemos depositar nossas
ofertas nos gazofilácios (ou nas salvas)! Se não for
para ofertar com este amor, é melhor não dar nada.
Uma oferta sem amor, não acrescenta nada. Até
porque Deus não é mendigo; e, portanto, não
precisa de nossas esmolas. Como bem o disse Pedro
a Simão, “O teu dinheiro seja contigo para perdição”
(At 8.20). Na Versão Revisada este versículo está
vertido assim: “Vá tua prata contigo à perdição”; na
NVI reza: “Pereça com você o seu dinheiro”; e a
NTLH diz: “Que Deus mande você e o seu dinheiro
para o inferno!”
Se mirarmos João Wesley, veremos até aonde o
amor a Deus e à Sua Causa pode nos levar. Esse
abnegado e resignado servo de Deus ganhou uma
fortuna com os royalties oriundos dos direitos
autorais de seus livros (religiosos e seculares [ele era
gramático]) e com as doações que inúmeros irmãos
generosos fizeram ao seu ministério. Mas quando,
aos oitenta e oito anos de idade ele se foi desta vida,
deixou apenas os seguintes bens: uma capa velha,
uma colher e uma chaleira. É que Wesley gastara
tudo na Obra de Deus. É essa entrega sem reservas
que Deus espera de nós.
Se a sua consciência lhe diz que você tem sido
miserável em suas contribuições, corrija-se, pois é
agora ou nunca. Jesus breve virá. A morte pode lhe
surpreender. Contudo, saliento que a correção desse
possível erro não vai torná-lo mais salvo, visto que
contribuir para a Obra de Deus é obrar, e que isto
não vale salvação, e sim (se Deus o aprovar),
galardão (1Co 3.10-15). (Doutro modo, não vale
nem galardão [1Co 3.15]). Este é pelas obras (Ap
22.12), mas aquela é somente pela graça, por meio
da fé (Ef 2.8-9). Logo, é você quem decide com
quanto você quer e pode contribuir. Isso é entre
você e Deus. Não deixe homem algum se meter na
sua vida, lhe manipulando a bel-prazer! Tenha
personalidade! Seja você mesmo! E se nenhuma das
denominações cristãs lhe aceitar (o que acho
impossível), funde mais uma. Se precisar de ajuda, e
quiser tornar-se meu consulente sobre isso, saiba
que aceito ser seu consultor teológico. Leia a Bíblia!
Não seja ingênuo! Honre ao Senhor com toda a sua
vida e com todos os seus bens, sem, contudo,
aposentar a cabeça! Preste a Deus um culto racional
(Rm 12.1). Que Deus lhe abençoe!
O Novo Testamento não manda dizimar, mas sim,
ofertar. Logo, quem contribui para a Obra de Deus,
dentro dos moldes neotestamentários, nunca dizima
e oferta, mas apenas oferta. Se ganhei 1000 reais e
doei 140 reais para a Obra do Senhor, na verdade
não dei 100 reais de dízimo e 40 reis de oferta, mas
sim, doei 140 reais de oferta. No Novo Testamento,
dizimar não é, necessariamente, coisa de perdido;
mas é, invariavelmente, coisa de quem ainda não
entendeu o espírito da Nova Aliança. Os que
divergem de mim nesse ponto, podem ser mais
santos do que eu, mais sábios do que eu, mais
inteligentes do que eu, mais teólogos do que eu,
mais cultos do que eu, mais amorosos do que eu,
etc. Mas, por alguma razão que não sei precisar,
ainda não entenderam o que eu, a despeito de todas
as minhas ignorâncias, pequenez e insignificância, já
entendi. E que Deus os ajude a também entenderem
isso.
CAÍTULO 10
PODE UM CRISTÃO
GUARDAR A LEI DE
MOISÉS?
Não! O cristão não pode guardar a Lei de Moisés.
Quem, nesta dispensação, guardar a Lei de Moisés,
será condenado. Contudo, disponho de três provas
bíblicas de que é possível o cristão praticar alguns
(eu disse alguns) mandamentos da Lei mosaica, sem
ser condenado por isso. Aliás, Deus pode até nos
galardoar por assim fazermos, se o fizermos a título
de estratégia na guerra contra o Maligno. Eis as
provas:

A) Embora o apóstolo Paulo tenha dito que a


circuncisão e a incircuncisão são ineficazes (1Co
7.18-19; Gl 5.6), e que se os gálatas se
circuncidassem seriam condenados (Gl 5.2-4), não
hesitou em circuncidar Timóteo (At 16.1-5).
Aparentemente, Paulo foi incoerente, visto que, se a
circuncisão não tem valor algum, por que ele
circuncidou Timóteo? Além disso, por que disse que
se os gálatas se deixassem circuncidar, seriam
condenados? Então Timóteo se perdeu? À primeira
vista, o fato de Paulo asseverar aos gálatas que quem
se circuncida se perde, somado ao fato de que ele
circuncidou Timóteo, leva à conclusão óbvia de que
Timóteo foi para o inferno, e quem o pôs no
caminho da perdição foi o próprio Paulo. Mas como
o contexto deixa claro que não é este o caso,
pergunta-se: Como se explicam estas aparentes
contradições? A resposta é a seguinte: Paulo
circuncidou Timóteo tão-somente para não
escandalizar os judeus ignorantes e assim ganhá-los
para Cristo (ICo 9.19-23), mas os gálatas se
circuncidavam para se salvar. Eles haviam sido
enganados pelos que diziam: “[...] se vos não
circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não
podeis salvar-vos” (At 15.1b. ARC).
B) Segundo At 18.18, o apóstolo Paulo fez o voto
de nazireu (prescrito em Nm 6.1-21) e o cumpriu,
isto é, passou um determinado tempo sem cortar os
seus cabelos e, findo o tempo acordado entre ele e
Deus, rapou a cabeça.

***

Os argumentos expostos nos parágrafos acima (“a”


e “b”) provam a veracidade de três teses:
1) que o cristão, quando julga conveniente fazê-lo,
pode guardar quaisquer Mandamentos da Lei (desde
que sejam mandamentos que não colidem com o
Novo Testamento, como é o caso de matar
adúlteros, a obrigatoriedade do levirato, etc.) sem
receio algum, visto que o apóstolo Paulo circuncidou
Timóteo e rapou a cabeça (cumprindo assim dois
Mandamentos cerimoniais que expiraram no
Calvário), sem, contudo, ser condenado. Logo,
podemos dizimar, caso isso nos pareça importante.
E, como sabemos, é sim, importante dizimar, pois
como bem entendeu John Wesley, é bom ser
metódico. Aos cristãos que dizimam por princípio e
não por crerem que esse mandamento não caducou
no Calvário, só me resta incentivá-los e orar por eles
para que o nosso Deus os ajude a manter este nobre
ideal. Aliás, orarei também para que não parem por
aí, visto que melhor do que ser dizimista, é doar
99% dos seus rendimentos (proventos, pró-labore,
etc.) para a Obra do nosso Deus.
2) que se fizermos da guarda de um Mandamento
da Lei, nossa tábua de salvação, seremos
condenados, considerando que os gálatas se
apartaram de Cristo e caíram da graça, pelo fato de
terem se deixado circuncidar. Certamente que essa
deplorável condição espiritual na qual caíram ao
caírem da graça, não foi consequência do fato de
terem se submetido à circuncisão (considerando que,
de outro modo, Paulo teria posto Timóteo no
caminho da perdição), e sim, porque fizeram disso
um meio de salvação, ou, na melhor das hipóteses,
viram isso como coadjuvante salvífico. Isto prova
que os que anunciam de púlpito que os dizimistas
estão sob maldição, precisam rever suas “teologias”.
Semelhantemente, os dizimistas que pronunciam
juízo temerário sobre os não dizimistas estão à beira
do Abismo.
3) que segundo At 15.1-2, o distinguir entre um
mandamento expirado na cruz e um preceito da
Nova Aliança é algo suficientemente relevante para
merecer um acirrado debate, daqueles debates que
Lucas chamou de “...não pequena discussão e
contenda...” At 15.2). Até porque a tese defendida
pelos que sofreram a oposição de Paulo e Barnabé,
no caso em pauta, não era apenas se a doutrina da
circuncisão ainda estava ou não de pé, mas mais do
que isso, a saber, os inovadores viam o ponto em
lide como uma questão de vida ou morte, ou seja,
como uma questão de salvação ou perdição. E isso
prova que o malaquianismo pode não ser um
simples equívoco como muitos pensam. A
periculosidade do dizimismo não é inferior à
nocividade do sabatismo, porque Satanás está por
trás de ambos, intuindo converter esses dois erros de
baixa periculosidade, em dois pecados graves. Isso
pode nos pôr a perder, assim: Primeiro passo: O
catecúmeno aprende erradamente que essa doutrina
está de pé no Novo Testamento; segundo passo: o
novo convertido mal doutrinado entende que, sendo
assim, então os que não dizimam estão
desobedecendo a Deus; terceiro passo: a vítima
dessa falsa doutrina cai no mesmo abismo no qual
caíram os gálatas, isto é, se separa de Cristo e cai da
graça (Gl 5.2-4), por estarem considerando uma
prática que expirou na cruz como necessária para a
salvação. E esse raciocínio não é uma ideia mal
articulada não, visto que embora a circuncisão e os
dízimos sejam coisas diferentes, são, contudo,
igualmente obsoletas. Portanto, se o ver a
circuncisão como necessária para a salvação, é erro
suficientemente grave para separar de Cristo e fazer
cair da graça, então quem vê o dízimo como
necessário para a salvação se separa de Cristo e cai
da graça. É, pois, a perpetuação da doutrina dos
dízimos, uma arapuca do diabo e precisamos ficar
precavidos. O diabo é suficientemente astuto para,
com essas arapucas, fazer vítimas fatais. E já vi isso
acontecer, pois já ouvi pastores dizer que “quem não
é dizimista é ladrão de Deus, por cujo motivo não
pode entrar no Céu”. Que, pois, Deus suscite Paulos
e Barnabés para ter com eles “não pequena
discussão e contenda”, visto não serem menos
repreensíveis do que os legalistas que sofreram a
contestação de Paulo, de Barnabé, de Pedro, de
Tiago, dos presbíteros, e dos demais irmãos:
“...apóstolos... anciãos, com toda a igreja...” (At
15.22); “...Os apóstolos, os anciãos, e os irmãos...”
(At 15.23).
Os mundéus do diabo são sempre letais; mas as
suas vítimas nem sempre são fatais. Por exemplo, o
sabatismo é uma catapulta do diabo, mas há,
segundo creio, sabatistas salvos. Quando, porém,
um sabatista apregoa que a guarda do sábado é uma
questão de vida ou morte, então se pode afirmar à
luz de At 15.1-35; Gl 3.10; 4.9-11; 5.1-8; Cl 2.16-
17) que a armadilha do diabo acabou de fazer mais
uma vítima fatal. Nesse caso, a vítima de um erro
não fatal (que é a errônea crença de que o sabatismo
está de pé no Novo Testamento), tornou-se vítima
fatal. Destarte, para que, pois, convivermos com
essas armadilhas? Por que não atirarmos na lixeira o
sabatismo, o dizimismo, o camaronismo, etc. ?
Só Deus pode quebrar o laço do “passarinheiro”
(Sl 124.7) e nos pôr a salvo dos ardis desse caçador
de almas (2Co 2.11), dos quais, a perpetuação da
doutrina dos dízimos, é, objetivamente, um dos tais.

***

Nada do que eu disse acima pode nos distanciar


das recomendações paulinas constantes de Rm 14,
segundo as quais, controvérsias por questões banais
(como as que giram em torno de comida, bebida, e
dia santo) não podem fracionar o Corpo de Cristo.
De sorte que se um irmão encasquetar em sua
cabeça que o cristão tem que guardar o sábado, não
pode comer isso ou aquilo outro, tem que pagar o
dízimo, etc., toleremo-lo enquanto ele nos tolerar.
Permitamos, inclusive, que ele veja os não dizimistas
como faltos do conhecimento da verdade quanto a
esta questão. Mas se ele, como que parafraseando os
hereges mencionados em At 15.1-2, disser que “se
não dizimardes conforme o uso de Moisés, não
podeis salvar-vos”, tentemos demovê-lo desse mau
caminho (At 15.2), admoestando-o “uma e outra
vez” (Tt 3.10a), passando em seguida a evitá-lo
(caso ele rejeite a correção [Tt 3.10b]) ao ponto de
não recebê-lo em casa [isto é, não recebê-lo como
membro da comunidade cristã], nem saudá-lo [isto
é, negar-lhe as boas vindas na qualidade de
evangelista itinerante] (2Jo 1.10-11), pois “o tal está
pervertido e peca, estando já em si mesmo
condenado” (Tt 3.11), visto que, como os hereges
dos dias apostólicos, os quais viam em “rudimentos
fracos e pobres” (Gl 4.9), como a circuncisão (At
15.1; Gl 5.2-4) e a guarda de dias, meses, tempos e
anos (Gl 4.10), coisas imprescindíveis para a
salvação (At 15.1-2), esse malaquiano também se
separou de Cristo e caiu da graça (Gl 5.2-4). Sim, os
Pastores que pregam que os não dizimistas são
perdidos a caminho do Inferno, se resistirem a
repreensão devem ser não só exonerados do Sacro
Ofício Pastoral, mas também excluídos do rol de
membros da igreja. Não podemos tolerar os hereges
(Ap 2.20). A intolerância é indigna de tolerância! Os
intolerantes têm o direito de sê-lo, mas nós também
temos o direito de não os ver como nossos irmãos
em Cristo. Os direitos deles terminam onde os
nossos começam.
Depois de tudo que você já leu, acho que está
claro que embora eu veja o dizimismo como tão
nocivo quanto o sabatismo, sou suficientemente
tolerante para receber malaquianos e sabatistas como
meus irmãos em Cristo, conquanto não transformem
esses ismos em algo imprescindível para a salvação.
Combato o erro porque nenhum erro agrada a Deus;
e tolero os errados porque sei que ninguém é
perfeito (Tg 3.2a). Quem não tolera os imperfeitos,
se for coerente, não tolerará a si próprio. Mas o fato
de sermos igualmente trôpegos, não nos exime do
dever de ajudarmos uns aos outros, tampouco nos
desqualifica como demonstrantes do amor de Deus
que jaz em nós (Rm 5.5), amor este mesclado com a
verdade nua e crua, doa a quem doer, como nos
recomendou Paulo (Ef 4.15). Se eu, mesmo não me
enquadrando nos moldes de Mt 7.3-5 (o que é um
erro inadmissível), e, portanto, portando uma trave
no meu olho, lhe alertar da existência de um
argueiro no seu olho, tire o cisco. E, ato contínuo,
me retribua, alertando-me de que há uma trave na
minha vista. E se eu arengar, ore por mim (Rm
15.14; Cl 3.16).
O seu Pastor é malaquiano? Se sim, que tipo de
malaquiano ele é? Ele é malaquiano tolerante ou ele
intolerante? Se ele é malaquiano intolerante, você
pode, ou conviver com ele (pois a salvação é
individual) ou demiti-lo de sua vida, trocando de
Pastor. Ah! Você pode, também, fundar o seu
próprio ministério. Se você quiser, organize um
grupo e entre em contato comigo, que lhe darei as
orientações espirituais e jurídicas necessárias para a
fundação da nova comunidade cristã que está
nascendo. Sim, você pode sair de debaixo desse
jugo desigual (2Co 6.14-18). Você pode excluir o
seu Pastor de sua vida, entes que ele lhe exclua da
igreja. Corra antes que o lobo lhe coma.
Deus, que conhece os corações, sabe que redijo
estas linhas, motorizado pelo amor e pela
consciência do dever.
O dizimismo enraizado nas igrejas evangélicas é
um elefante na sala. Mas esse transtorno só
incomoda àqueles cujas mentes já foram abertas por
Deus para entender que o bicho está onde não
deveria estar, pois foi ilegalmente exportado do
Judaísmo e importado pela Igreja.
CAPÍTULO 11
JESUS E O DÍZIMO
11.1. Jesus guardava a Lei de Moisés
Ouvi um pastor falar mais ou menos assim: Eis
duas inferências de que a doutrina dos dízimos está
de pé no Novo Testamento: 1) O apóstolo Paulo
disse que o cristão deve contribuir conforme a sua
prosperidade (1Co 16.2). Ora, o dízimo é
exatamente assim, ou seja, proporcional; 2) Cristo
mandou dizimar em Mt 23.23. E não há dúvida de
que Mt está no contexto do Novo Testamento.
Refutação: Da primeira inferência não se deve
inferir o que colega inferiu, porque embora em toda
a contribuição dizimal haja uma proporcionalidade,
nem toda proporcionalidade é, necessariamente,
dizimal. Exemplo: Com quantos reais pode
contribuir mensalmente um irmão que ganha mil
reais por mês? Resposta: Algum valor entre zero e
mil. Zero é o seu piso, e mil é o seu teto. O mesmo,
porém, não se pode dizer de quem ganha trinta mil
reais por mês, cujo teto de sua contribuição não se
limita, necessariamente, a mil reais. Agora, imagina
se o irmão que ganha mil, decidir contribuir com
15% de sua renda mensal. Ele irá, então, contribuir
com R$ 150,00. Agora, imaginemos o irmão que
ganha R$ 30.000,00, fazendo um propósito de doar
5% de sua renda mensal. Isso dá um total de R$
1.500,00. Temos aqui doiss contribuintes conforme
a sua prosperidade, sendo que um doou R$ 150,00
e o outro um valor dez vezes maior. Aqui houve
contribuições conforme a prosperidade dos
contribuintes, mas nenhum dos dois é dizimista,
visto que um foi além disso, e o outro ficou aquém.
Isso prova que 1Co 16.2 não diz o que muitos
pensam. Quanto à alegação de as palavras de Cristo,
constantes de Mt 23.23, terem sido proferidas no
contexto do Novo Testamento, observo que não é
bem assim.
Não ignoro que Cristo mandou pagar dízimo em
Mt 23.23. Mas naquela época, Ele ainda não havia
morrido. Logo, o Novo Testamento ainda não havia
sido estabelecido, visto que segundo Hb 9.17, um
testamento só tem valor após a morte do testador.
Sendo assim, salta aos olhos que o Senhor deu esta
ordem em plena vigência do Antigo Testamento. E,
como sabemos, muito do que Cristo fez e mandou
fazer, antes se Sua morte e ressurreição, não
necessitamos praticar hoje: Ele participou da Páscoa
(Lc 22.15); guardou o sábado (Lc 4.16); e ratificou
os sacrifícios de animais a Deus, ao ordenar que um
homem a quem Ele curara de lepra, os praticasse
(Mt 8.4), conforme prescrito em Lv 14.1-32. E,
como se tudo isso não bastasse, Jesus ordenou a
todos, bem como aos seus discípulos, total
obediência a tudo quanto os escribas e fariseus
ensinavam (Mt 23.1-3). Ora, estes eram rigorosos
(pelo menos em seus discursos) quanto à guarda da
Lei mosaica: circuncisão, sábado semanal, Páscoa,
Pentecostes, sacrifícios de animais, etc. Fica,
portanto, claro, que Jesus, antes de morrer,
ressuscitar dentre os mortos e inaugurar o Novo
Testamento, longe de ser contrário à guarda dos
preceitos do Antigo Testamento, os praticava e os
recomendava a todos. Deste modo, se fosse certo se
inspirar em Mt 23.23, para perpetuar a doutrina do
dízimo, teríamos que guardar o sábado, observar a
circuncisão, sacrificar animais a Deus, etc.
Lembremo-nos que Jesus nasceu sob a Lei (Gl 4.4).
E é por isso que quando Ele nasceu, José e Maria
não pensaram assim: Jesus nasceu! Estamos no
contexto do Novo Testamento! Não vamos
circuncidar o menino ao oitavo dia, conforme
manda LV 12.3; nem tampouco vamos oferecer os
sacrifícios cruentos prescritos em Lv 12.6-8. Antes,
obedeceram a esses mandamentos (Lc 2.21-24). E é
oportuno trazer à memória que Lc 23.56 nos fala de
zelosas e fervorosas discípulas do Senhor que, no
dia subsequente à morte de Cristo, bem como na
véspera de Sua ressurreição (isto é, no sábado),
repousaram “conforme o mandamento”. Isso prova
que Cristo não as ensinara a não guardar o sábado.
E por que não? Porque a Igreja não nasceu na
manjedoura; a Igreja não nasceu no Rio Jordão,
quando do batismo de Jesus; a Igreja não nasceu na
cruz; A Igreja não nasceu na tumba cheia, ou seja,
enquanto Cristo estava morto. O povo de Deus da
Nova Aliança não veio à existência antes da
ressurreição de Cristo.
Jesus era dizimista? Não abrigo dúvida alguma de
que Jesus contribuía financeiramente para a Obra de
Deus, e que o fazia com dízimos e ofertas. Até
porque, como já vimos, Ele nasceu sob a Lei
mosaica, a qual só se prescreveu quando Ele, após a
Sua ressurreição, inaugurou a Nova Aliança.
(Geralmente se crê entre os acadêmicos da
especificidade teológica que a Nova Aliança foi
inaugurada no episódio registrado em At 2, mas a
conjuntura dos fatos escriturados no Novo
Testamento admite outras conjecturas, entre as quais
a de que o esvaziar da tumba de Cristo deu início ao
Novo Pacto.) Creio, ainda, que Jesus observava a
dieta alimentar que o Pai prescreveu em Lv 11: Não
consumia carne suína, abstinha de bagre, não comia
camarão, etc. Mas nenhum evangélico típico
entende que nós, os cristãos, estamos sob essas
restrições alimentares. Cristo tinha que fazer essas
coisas, porque estava sob a Quinta Dispensação;
mas nós, os cristãos, estamos na Sexta Dispensação.
Logo, o que Cristo fez e mandou fazer nos
Evangelhos, só pode ser visto como mandamento
para a Igreja, se estiver ratificado em Atos dos
Apóstolos, nas epístolas, e no Apocalipse. E basta
ler estes livros para pasmarmo-nos diante do fato de
que nenhum de seus autores negou que nesta atual
dispensação, o que estipula os valores a serem
ofertados é exclusivamente o amor do contribuinte.
Devemos, pois, ir ao gazofilácio motorizados
exclusivamente pela generosidade oriunda do amor
de Deus derramado em nosso coração pelo Espírito
Santo. Ausência de avareza, amor a Deus e à Sua
Obra, amor ao próximo, e a consciência de que é no
Reino de Deus que devemos amealhar nosso
tesouro, é que devem nos impelir a ofertar. E nem
preciso dizer que quem é propulsado por estes
sentimentos, longe de ser pão-duro, contribuirá de
mancheia, indo muito além de suas expectativas.
Doemo-nos a nós mesmos a Deus, e não nos
limitemos aos dízimos e ofertas! Doemo-nos sem
reservas!
Doemos a Deus tudo o que temos e somos. Não
somos legítimos donos de nosso ser, nem tampouco
o verdadeiro proprietário de nossas posses, mas sim,
meros concessionários. Tudo o que temos e somos
devem ser vistos por nós como pertencentes ao
Criador de todas as coisas (Sl 24.1-2).
11.2. Quais, das palavras de Jesus, são para nós
hoje em dia?
Deixei claro acima, que nem tudo que Jesus
mandou fazer antes de Sua morte se aplica à Igreja,
ou seja, ao povo de Deus do Novo Testamento. Mas
julgo desnecessário dizer que disso não se deve
inferir que nada do que Cristo disse não tenha sido
incorporado ao Novo Testamento, como um dever
para os cristãos. Podemos até mesmo afirmar que
muito do que Jesus falou antes de morrer na cruz
são cláusulas neotestamentárias. Só para citar um
exemplo, a Lei permitia o divórcio por qualquer
motivo (Dt 24.1), mas Jesus só o permite em caso
de relação sexual ilícita (Mt 19. 9). Este
mandamento foi ratificado pelo apóstolo Paulo, em
1Co 7.10-11.
Eu disse que a Lei de Moisés permitia o divórcio
por qualquer motivo, e que isso está registrado em
Dt 24.1. Esta conclusão deriva do fato de que a
“coisa feia” (ARC) ou “coisa indecente” (ARA)
mencionada em Dt 24.1, não é a ausência do hímen
e nem a descoberta de uma infidelidade conjugal,
pois as fornicadoras (mulheres solteiras que praticam
relações sexuais) e as adúlteras (mulheres casadas
que mantêm relações sexuais extraconjugais) eram
punidas com a morte (Lv 20.10; Dt 22.20,21), o
que tornava o divórcio não só desnecessário (para
quê divorciar-se de defunto?), mas também
impossível (como se divorciar de cadáver?). A Lei
tolerava até a poligamia e o concubinato, mas punia
com a pena máxima os adúlteros. Ora, se em Dt
24.1 o divórcio era permitido, e em Levítico 20.10
as adúlteras eram punidas com a pena máxima, fica
claro que a “coisa feia” mencionada em Dt 24.1,
não é o adultério. Também não era uma referência à
possibilidade de o noivo (ou melhor, o recém-
casado) aperceber que se casou com uma
fornicadora, já que a fornicação também era punida
com a pena capital (Dt 22.20,21), excetuando
apenas os casos em que a desvirginada estivesse livre
(por não ser comprometida) para se casar com o seu
deflorador. Nesses casos, o pecador, além de ter que
se casar com a mulher por ele deflorada, tinha que
pagar ao sogro (isto é, ao pai da mulher por ele
desvirginada) a quantia de cinquenta siclos de prata
(Dt 22.28,29).
11.3. A respeito do critério selecionador
Vimos que podemos e devemos obedecer alguns
dos mandamentos de Jesus, do que se subentende
que algumas de Suas ordens não devem ser vistas
como mandamentos para a Igreja. E deste fato nasce
a seguinte pergunta: Qual é o critério selecionador?
Como distinguir o que é para nós (membros da
Igreja) do que foi ordenado apenas aos judaístas?
Resposta: Deve-se adotar nestes casos o mesmo
critério do qual se deve servir para sabermos se
determinado mandamento veterotestamentário é ou
não para nós. E, como o leitor talvez já saiba, nestes
casos verifica-se se o mandamento em questão está
repetido no Novo Testamento, entre Atos dos
Apóstolos (inclusive) e Apocalipse (inclusive). Se
um determinado mandamento consta do Novo
Testamento (isto é, em Atos, nas epístolas e no
Apocalipse), este é para nós, ainda que não conste
do Velho Testamento; e se um determinado
mandamento não consta do Novo Testamento (isto
é, em Atos, nas epístolas e no Apocalipse), o mesmo
não é para nós, ainda que conste do Velho
Testamento. E este critério vale também para
selecionarmos dos quatro Evangelhos, os
mandamentos dados à igreja. Assim: Se consta ou
não dos Evangelhos, isso não vem ao caso, visto que
o fator determinante é se consta em algum dos
outros 23 livros do Novo Testamento. Se sim, então
temos este mandamento, e se não, então Deus não
deu esta ordem aos cristãos. Logo, assim como o
cristão não tem que fazer uma pesquisa para saber
quais são os mandamentos da Velha Aliança que
estão de pé na Nova Aliança, também não tem que
saber quais são os preceitos dos Evangelhos que
vigoram na Igreja, visto que os mandamentos
vigentes na Igreja são os que constam da seção
bíblica atualmente intitulada de Novo Testamento, a
partir do livro chamado de Atos dos Apóstolos.
Nenhum dos mandamentos do Antigo Testamento
foi transportado para o Novo Testamento. Muitos
foram repetidos, mas nenhum foi transportado de lá
para cá. O Novo é novo, e não o Velho melhorado.
De igual modo, nenhum dos mandamentos
constantes dos Evangelhos foi transportado para a
Igreja. Muitos foram repetidos, mas nenhum foi
trazido de lá para cá. Aclarando: a) o Novo
Testamento tem na maior parte dos Evangelhos, a
sua fase de transição do Antigo para o Novo
Testamentos; b) o Novo Testamento tem na morte
de Cristo a sua construção e fase de transição; c) o
Novo Testamento tem na ressurreição de Cristo a
sua inauguração. (Relembro que há quem creia que
a inauguração da Igreja se deu em At 2, com a
descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes.)
Em nenhuma das cinco dispensações que
antecederam a esta na qual estamos há quase dois
mil anos, Deus deixou seus pactuantes à deriva;
antes, lhes dava Nortes bem definidos. E na atual
dispensação não é diferente; antes, o Senhor deixou
tudo muito bem amarrado; e o fez por escrito. E
embota talvez possa parecer à primeira vista que a
confusão deriva do fato de os cristãos não saberem
que nem tudo que consta da Bíblia é para nós, esse
pressuposto não se confirma, pois não me consta
que haja um só cristão fazendo tudo quanto o
Antigo Testamento manda. De fato, a dificuldade
dos cristãos tem sido o fato de eles tentarem
identificar quais dos preceitos da Antiga Aliança nos
dizem respeito, e quais de tais preceitos não são
ditados a nós. E por que tentam joeirar isso? Porque
ignoram que isso é desnecessário, porque os
mandamentos do Novo Pacto estão todos
concentrados nos Atos dos Apóstolos, nas epístolas,
e no Apocalipse. Mas para enxergar isso, é preciso
entender que Deus só deu mandamentos à Igreja,
depois que ela nasceu. E considerando que o
nascimento da Igreja é subsequente à ressurreição de
Cristo, então, nem tudo que Jesus falou antes de
Sua morte se destina à Igreja. E embora, talvez, sem
o perceber, os evangélicos aquiescem a esta
conclusão, visto que nenhum evangélico crê que do
fato de Cristo mandar um homem sacrificar animais
a Deus, se deva inferir que os sacrifícios cruentos
estão de pé no Novo Testamento.
O Novo Testamento existiu embrionariamente no
Antigo Testamento, e foi infraestruturado na cruz,
mas nasceu ao esvaziar da tumba. Sim, a Nova
Aliança nasceu quando Cristo esvaziou Sua própria
sepultura, ao terceiro dia de Sua morte, ao Se auto
ressuscitar e sair da tumba triunfalmente. (Embora
de passagem, consigno aqui que Jesus ressuscitou-
Se a Si próprio, ou seja, Ele ombreou o Pai [Gl 1.1]
e o Espírito Santo [1Pe 3.18] na realização do
milagre da Sua ressurreição [Jo 2.19-21; 10.17-18]);
tem em Atos dos Apóstolos sua proclamação; é
explicado e normatizado nas epístolas; é vivido e
vivenciado na Igreja; e é, em expectativa,
consumado na antevisão do Apocalipse, no feliz
estado eterno que, na prática, epiloga este último e
enigmático livro bíblico.

NOTA: Antes de prosseguir, preciso,


como que entre parênteses, aclarar que
o que Jesus diz em Jo 2.19-21,
principalmente se comparado com Jo
10.17-18, deixa claro que Ele predisse
que iria ressuscitar-Se a Si mesmo.
Há quem entenda que o que Cristo
disse em Jo 2.19-21, é que quando
Deus O ressuscitasse, Ele se levantaria
e sairia da sepultura. Mas isso não se
sustenta diante de Jo 10.17-18, que,
por ser relativamente correlato a todos
os textos alusivos à ressurreição de
Jesus, deve ser visto como integrante
do contexto (contexto remoto) de Jo
2.19-21.
Até a passividade da palavra original
(egérte) traduzida por “ressuscitou” em
Jo 2.22 na ARC, melhor traduzida por
“levantado” no Novo Testamento
Interlinear Grego Português, é
evocada como prova de que Jesus não
falou de Sua auto ressurreição em Jo
2.19. Mas a passiva egérte deve-se ao
fato de que a Trindade sempre atuou
em conjunto. Logo, são corretas estas
declarações: Jesus ressuscitou-Se a Si
próprio (Jo 2.19-21; Jesus foi
ressuscitado por Deus Pai (Gl 1.1), e
Jesus foi ressuscitado pelo Espírito
Santo (1Pe 3.18).
Por que os que negam a divindade de
Cristo e/ou a consciência no pós-
morte, valorizam tanto a passiva
egérte, constante de Jo 2.22, mas passa
por alto sobre a voz ativa de
“levantarei” (egerô, no original),
constante de Jo 2.19? Hein?!

*
O título de Novo Testamento dado ao atual Corpo
de Doutrinas do hodierno Povo de Deus, deve-se ao
fato de que nele, Deus, de novo, chama o homem a
um compromisso, sob mais uma dispensação, tão
nova quanto o fora cada uma das quatro
dispensações que, por sua ordem, sucederam a
primeira dispensação e precederam à atual
dispensação, que é a Sexta. Nesta nova dispensação,
Deus, outra vez, dirige Sua fala aos que Lhe dão
ouvidos, propondo-lhes um “vamos tentar de novo”
e lhes prescrevendo as diretrizes do novo modus
vivendi, que é o modus operandi eclesiológico, qual
seja o nortear-se pelas doutrinas neotestamentárias.
Logo, o Novo Testamento deveria ser assim
chamado, ainda que ele contivesse todos os
mandamentos do Velho Testamento. E se isso
tivesse acontecido, a Lei de Cristo seria igualzinha à
Lei de Moisés, mas ela (a Lei de Cristo) e a Lei de
Moisés não seriam uma só lei, e sim, duas leis
distintas, embora iguais. E ainda desenvolvendo esse
raciocínio, faço constar que se isso tivesse
acontecido, nós, os cristãos, obedeceríamos a uma
lei igual à Lei de Moisés, mas não obedeceríamos à
Lei de Moisés, e sim, à Lei de Cristo. Aclarando
mais: Se um cidadão brasileiro matar, roubar,
plagiar, caluniar, etc., aqui no Brasil, será julgado e
condenado com base no Código Penal Brasileiro, e
não à luz da Constituição Argentina. O “não
matarás” da Carta Magna da Argentina não diz
respeito a um criminoso brasileiro, se ele não estiver
lá. Isto posto, a proibição ao consumo de carne
suína, constante da Lei de Moisés, não teria nada a
ver comigo, ainda que Cristo também tivesse me
dado a mesma ordem. Nesse caso, eu, como cristão
que sou, absteria de carne suína em obediência à Lei
de Cristo, e não em atenção à Lei de Moisés. Mas,
apesar de o cristão não dever obediência alguma à
Lei de Moisés, nem mesmo naqueles pontos em que
a Lei de Cristo e a Lei de Moisés não destoam, os
malaquianos se submetem até mesmo a uma ordem
que não consta cá (na Nova Aliança), mas somente
lá (no Velho Concerto). E isso é um erro que precisa
ser removido da cristandade, não para sermos
salvos, mas para expurgarmo-nos de mais um
pecado decorrente da sincretização que redundou
nesse Cristianismo judaizante que há séculos nos
macula.
Anelo que Deus nos abra o entendimento para
entendermos a mensagem que a Bíblia quer nos
passar quando diz que “havendo Deus, antigamente,
falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais,
pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias,
pelo Filho...” (Hb 1.1-2. Grifo nosso). Precisamos
entender que a expressão “a nós falou-nos”, alude à
fala neotestamentária, ou seja, ao discurso que
constitui o Novo Testamento, o qual é uma nova
alocução até mesmo quando repete o que foi falado
“aos pais, pelos profetas”, visto que além de essa
repetição ocorrer noutro contexto, objetiva atender à
imprescindível necessidade de se estabelecer outra
lei, visto que o emposse do novo Sumo Sacerdote
chamado Jesus, cuja investidura não é segunda a
ordem arônica, e sim, segundo a ordem de
Melquisedeque, trouxe à existência um novo
sacerdócio, que, por sua vez, impõe a necessidade
de uma nova lei que harmonize com esse novo
ofício sacerdotal (Hb 7.12).

NOTA: Referi às dispensações de


passagem, para não digressar mais uma
vez do tema deste livro, antes de
concluir este capítulo. Digo “mais uma
vez”, porque já o fiz na nota acima,
quando, para dar chão aos meus
leitores, fui “tentado” a aclarar sobre a
auto ressurreição de Jesus.
Não há consenso entre os teólogos
sobre a quantidade de dispensações:
Sete? Nove? Três? Trinta e três? Mas
este autor ombreia os que creem que
são sete, a saber: Dispensação da
Inocência, Dispensação da
Consciência, Dispensação do Governo
Humano, Dispensação da Promessa,
Dispensação da Lei, Dispensação da
Graça (que é a presente dispensação) e
Dispensação do Reino Milenar de
Cristo, a qual, segundo nós, os
dispensacionalistas, terá início após os
sete anos que sucederão ao
arrebatamento da Igreja, quando então
Jesus voltará, trazendo consigo a Igreja
previamente arrebatada (Ap 19.14).
CAPÍTULO 12
QUEM RESSUSCITOU
O DÍZIMO?
O Velho Testamento deu conteúdo e forma à
contribuição dizimal, mas os apóstolos não a
perpetuaram, tampouco a reinstituíram sob novas
formulações. Além disso, já li diversos compêndios
de História Eclesiástica, e, pasme o leitor, não
encontrei essa prática entre os cristãos dos séculos I
e II. E se houvesse (ou se há) na História
Eclesiástica extrabíblica, alguma coisa que provasse
que os cristãos dos dois primeiros séculos pagavam
dízimo, isso seria de somenos importância, visto que
o norteador do cristão é a Bíblia, não essa ou aquela
outra história secular.
Voluntariamente, o dizimar nasceu antes da Lei de
Moisés (Abraão e Jacó suscitaram esta prática), e
ainda vive; mas como Lei divina, este mandamento
data da fundação do sistema mosaico, e sua morte
coincide com a outorga da Lei de Cristo, o que,
como já visto, ocorreu há quase dois mil anos,
quando Cristo auto esvaziou Sua tumba.
Lendo o que muitos historiógrafos registraram
sobre a doutrina dos dízimos, obtive muitas
informações, que compartilho com meus leitores,
informando, concomitantemente, que o nosso cavalo
de batalha é a Bíblia, e não essa ou aquela outra
história secular. Logo, dou as informações históricas
abaixo, de passagem.

O dízimo na História Muito antes da Lei de Moisés


já havia povos politeístas (egípcios, gregos,
mesopotâmios...) dizimando. Geralmente, eles o
faziam aos deuses e deusas de suas respectivas
mitologias. Alguns reis impuseram essa prática aos
seus súditos, a título de tributos.
Como já massificado, os nomes de Abraão e seu
neto Jacó aparecem na Bíblia, relacionados à
questão dos dízimos, antes da outorga da Lei
mosaica.
Nos séculos III a V, alguns Pais da Igreja
(Cipriano, mártir em 258; Crisóstomo, falecido em
407; Jerônimo, falecido em 420; e Agostinho,
falecido em 430) tentaram ressuscitar essa prática.
Mas antes disso, vários outros Pais da Igreja já
haviam se oposto a isso, como, por exemplo, Irineu
(apologista cristão que morreu martirizado em 208),
segundo o qual, os judeus “tinham os dízimos dos
seus bens consagrados a [Deus], mas os que
receberam a liberdade [em Cristo] largaram suas
posses para os propósitos do Senhor, dando
livremente e com alegria” (Haer. 4.18. Citado pelo
Dr. Horrell, op. cit., p. 3).
No século VI, nos Concílios regionais de Tours
(567) e Macon (585), afirmou-se que o cristão tem
o dever de dizimar. O Concílio de Trento (1545-63)
também o ratificou. Mais tarde o dízimo tornou-se
obrigatório, como lei civil, em muitos países da
Europa. Isso começou com a obrigatoriedade do
pagamento dos dízimos à religião (católica ou
protestante) predominante numa determinada região.
Nos lugares onde o Protestantismo sobressaía, até os
católicos pagavam dízimo às igrejas protestantes; e
onde o Catolicismo imperava, até os protestantes
pagavam dízimo à Igreja Católica. Essas
contribuições eram dadas em forma de impostos ao
Estado, que as repassava para a religião
predominante, vista como oficial. Porém, no século
XVIII, a partir da Revolução Francesa, o dízimo foi,
paulatinamente, deixando de ser obrigatório, ou seja,
regido por leis civis. Essa abolição deu-se
primeiramente na França, em 20/04/1790; depois
em Portugal, em 30/07/1832; em 1841, foi abolido
na Espanha; na Inglaterra, a abolição se deu em duas
etapas, a saber, parcialmente em 1936, e
definitivamente, em 1996. Na Alemanha, ainda há
um resquício do dízimo na lei civil, visto que a
Receita desse país desconta em folha, isto é, do
contracheque dos empregados, o equivalente a 3%
da renda bruta. Esta contribuição legal destina-se,
atualmente, à religião do contribuinte, com fins
filantrópicos. (NOTA: Coletei estes dados há uns 30
anos e não sei se estou desatualizado.)
Liberta-nos, Senhor!
A adoção do dízimo como doutrina, por parte dos
evangélicos, talvez se deva a dois fatores: a) nunca
conseguimos nos libertar de todas as heresias da
Igreja Católica Romana. Já fomos piores, mas ainda
carecemos de alguns expurgos. Muitas coisas
erradas foram rejeitadas pelos protestantes, mas
algumas questões menos relevantes, ainda
encontram guarida entre nós até hoje. E,
provavelmente, esses carrapichos e carrapatos
estarão grudados nas ovelhinhas de Cristo até ao dia
em que o nosso Dono nos transporte do Redil de
baixo para o Redil de cima. E uma das razões para
isso, reside no fato de que, principalmente nos
primórdios da Reforma Protestante, bebia-se muito
em Agostinho, em Tomás de Aquino, em Francisco
de Assis, etc. Sendo assim, podemos dizer, quanto à
questão dos dízimos, que as igrejas evangélicas
mantêm uma falsa doutrina abandonada pela Igreja
Católica Romana, ou seja, a Igreja Católica
Romana, que suscitou isso no seio do Cristianismo,
abandonou esse troço; mas as igrejas protestantes
ressuscitaram esse erro. Destarte, a doutrina dos
dízimos morreu na Igreja primitiva, reviveu na Igreja
Católica, onde veio a falecer de novo, mas ressurgiu
vigorosa dentre os mortos, graças a cochilos dos
evangélicos, e está viva como nunca entre nós; b) os
cristãos confundem boa ideia com mandamento de
Deus. Quanto à questão dos dízimos, Abraão e Jacó
tiveram uma boa ideia; os israelitas tiveram um
mandamento; e nós, os cristãos, tais quais Abraão e
Jacó, também tivemos uma boa ideia. Mas,
infelizmente, a boa ideia se tornou péssima, quando
foi transformada “em mandamento da Lei de
Cristo”. Puseram essa falsa doutrina na boca de
Cristo e dos apóstolos, forçando passagens bíblicas a
dizerem o que nunca disseram. Que Deus nos
perdoe esse sacrilégio! Que Ele leve em
consideração o fato de que muitos evangélicos o
fazem, não por maldade, mas por questão de má
interpretação das Sagradas Escrituras!

Além do dízimo Na Igreja Primitiva, os cristãos


simplesmente não dizimavam. Mas, devido ao
equívoco doutrinário que fez do dízimo uma
doutrina entre os evangélicos, muitos de nós
(mesmo após nos libertar desse jugo da Lei
mosaica), por uma questão de costume,
continuamos a dizimar. Somos, de certo modo,
como Jesus, que tinha o costume de ir à Sinagoga
aos sábados (Lc 4.16). Este autor crê que o ato de
dizimar é um bom costume; que, por isso mesmo, só
deve ser rejeitado como doutrina. Pretendo dizimar
até à morte, ou até à volta do Senhor. Já doo
mensalmente bem mais de 15% de meus
rendimentos para a Obra de Deus, mas ainda não
atingi meu alvo; pretendo chegar a pelo menos 20%.
Ore por mim, pedindo ao Senhor que me acrescente
a fé, para que este meu alvo seja alcançado, se é que
Ele assim o queira.

Bênção ou maldição _ você decide Como doutrina,


o ato de dizimar é um pecado; mas se o fazemos por
livre e espontânea vontade, é uma fonte de bênçãos.
Logo, não precisamos “parar de dizimar já, para
sairmos de sob a maldição da Lei”, como alguns o
sugerem, e sim, orarmos por mais fé e melhores
condições financeiras, para passarmos a doar 40%,
20%, 90%, etc. Como eu gostaria de doar 99,999%
dos meus rendimentos para a Obra Missionária!
Mas, do fato de eu estar há quarenta e cinco anos
sem poder materializar este anelo, infiro que a morte
(ou o arrebatamento da Igreja) vai me flagrar neste
sonho (ou pesadelo?! Risos.), do qual, ao que tudo
indica, nunca vou me despertar.
CAPÍTULO 13
ABRAÃO E JACÓ _ DIZIMISTAS ANTES DA
LEI?
13.1. Jacó era dizimista?
Eu disse acima que Jacó dizimou antes da Lei.
Sim, antes da Lei, pois esta não veio senão 430
anos após (Gl 3.17). Contudo, convém observarmos
que Jacó não legou aos judaístas um bom exemplo
quanto ao ato de dizimar, considerando que ele não
se enquadrou bem, no padrão da Lei que Deus deu
aos Seus servos em Horebe (Ml 4.4). Por exemplo,
Jacó prometeu dizimar se Deus o abençoasse (Gn
28.20-22). Mas o correto é: a) dizimar para que
Deus nos abençoe, e não, dizimar se Ele nos
abençoar. Não foi isto que Deus falou na
instrumentalidade do seu servo Malaquias? (Ml
3.10); b) dizimar porque Deus já nos abençoou,
visto que o dízimo não é 10% de zero, e sim, 10%
de alguma coisa maior que zero. Logo, a bênção não
só sucede o dízimo, mas a precede também. Por que
não exteriorizarmos nossa gratidão para com o
Senhor, doando-Lhe parte do que Ele já nos deu,
para manutenção da Sua Obra?; c) dizimar sem
visar qualquer outra bênção, além da bênção de
podermos fazer pelo menos isto para o nosso Deus.
Sim, o dizimar é, em si mesmo, uma grande bênção;
d) dizimar (ou efetuar qualquer outra contribuição
com amor), porque fazê-lo é ter a bênção de ser
“sócio” de Deus, etc.
Não sejamos, pois, como Jacó; antes, dizimemos
desde já, sabendo que a bênção já veio, vem, e virá.
A bênção é algo sempre presente na vida dos
cristãos, especialmente sobre os que contribuem
para a Obra de Deus, considerando que, além de
isto ser, por si só, uma grande bênção, o Deus que
não mente prometeu cumular de bênçãos os que O
obedecem nesse mister. Mas não dizimemos apenas
porque Deus prometeu nos retribuir por isto. Isto é
coisa de interesseiro, mas Deus quer é que sejamos
interessados. Até porque nunca seremos credores de
Deus. Deus não tem a obrigação de nos retribuir
pelo que fazemos; quando o faz, inspira-se no Seu
amor e na Sua soberania; nunca, porém, no Seu
dever. Deus nada nos deve, senão o lago de fogo.
Contudo, à base da graça Ele nos presenteia com a
salvação (Ef 2.8-9), bem como nos galardoa (isto é,
nos recompensa, nos retribui) segundo nossas obras
(Ap 22.12). Logo, não podemos conceber nenhum
tipo de transação comercial com Deus. Tentar trocar
dízimo por bens materiais é ser muito medíocre. E,
pior ainda, é tentar comprar com isso a salvação.
O dizimista não apenas será abençoado, pois já o
é, visto que o fato de ombrearmos a Deus na Sua
Obra, é mais honroso e promissor do que ser sócio
de um grande empresário, majoritário de uma
multinacional.
Jacó cumpriu o seu voto? A Bíblia não o diz
textualmente, mas me parece muito óbvio. Voto tem
peso de juramento; e, portanto, o não cumprimento
de uma promessa feita a Deus é perjurar. Esta claro
na Bíblia que votar e não cumprir o voto é pecado
(Ec 5.4).
Há nada menos que dois bons motivos para
crermos que Jacó tinha consciência de que Deus não
havia dado este mandamento aos Seus servos; e que,
portanto, ele não tinha essa obrigação. Vejamos
estes dois bons motivos: Primeiro motivo: Ele
(Jacó) determinou as condições para ele se tornar
dizimista, as quais eram as seguintes: a) se Deus
fosse com ele, guardando-o naquela viagem; b) se
Deus lhe provesse de pão e vestes; e c) se Deus lhe
viabilizasse feliz regresso ao lar paternal. Quer dizer
que se Deus não atendesse tintim por tintim aos seus
pedidos, ele estaria desobrigado do cumprimento do
voto. Ora, não há nada que nos desobrigue da
obediência legal. Ninguém pode impor a Deus
qualquer condição para Lhe ser obediente. Nossa
fidelidade à Lei do Senhor deve ser incondicional.
Segundo motivo: Considerando que temer “a
Deus” e guardar “os seus mandamentos é o dever de
todo homem” (Ec 12.13), nada acrescenta a Deus
quem Lhe promete não matar, não roubar, não
estuprar, não caluniar, etc., se Ele lhe conceder tais e
tais bênçãos. Um voto a Deus deve, de alguma
maneira, abarcar alguma coisa além dos deveres
ordinários já estipulados por Ele na Sua Lei.
Exemplo: O cristão tem o dever de, a título de
ofertas, doar parte de seus rendimentos para a Obra
de Deus. Logo, posso prometer a Deus que se Ele
me abençoar com um ganha-pão, doarei o primeiro
pagamento para o Missionário tal, ou para a igreja
onde congrego, ou para o asilo tal, e assim por
diante. Deste modo, terei ido além do determinado,
visto que o estipulado é apenas uma parte do salário,
e não todo o pagamento.
***

Concluo que pelos menos em parte, os


compromissos que nós, os cristãos, assumirmos com
Deus em um voto voluntário, devem abarcar o
extraordinário, ou seja, não devem se circunscrever
exclusivamente ao ordinário. O ordinário já faz parte
de nosso dia-a-dia e, portanto (salvo, talvez, algumas
exceções), votar isso é prometer cumprir com o
dever. Contudo, o mais importante disso tudo, não é
sabermos se Jacó tinha ou não o mandamento de
dizimar, e sim, se nós, os cristãos, temos ou não este
mandamento. E já sabemos de cor e salteado que
não.
13.2. Abraão era dizimista?
Um dizimista é aquele que dizima regularmente.
Quem o faz esporadicamente, ou uma só vez em
toda a sua vida, não merece ser reconhecido como
tal. Era esse o caso do Patriarca Abraão? Não o
sabemos, pois a Bíblia não o diz. O que sabemos
textualmente é que pelo menos uma vez na vida ele
dizimou (Gn 14.20); e que não o fez de seus
rendimentos, e sim, dos despojos de guerra.
Abraão dizimou mesmo? O contexto de Gn 14.20
nos informa que Abraão liderou uma batalha contra
os inimigos que haviam vencido e despojado os reis
de Sodoma e Gomorra, bem como levado cativo o
seu sobrinho Ló e sua família. Abraão e seu exército
ganharam a guerra, e, por conseguinte, resgataram o
que os inimigos haviam tomado. Ora, foi daí que ele
selecionou 10% para Melquisedeque? Ele já pagava
dízimo antes dessa guerra? Ele continuou fazendo
isso até morrer? Ele pagou dízimo ao sacerdote
Melquisedeque, ou ao rei Melquisedeque? (Se ao
sacerdote, foi um tributo a Deus; e se ao rei, então
foi um tipo de contribuição equivalente a um
imposto ao regente de Salém.) Como o leitor pode
ver, o fato em pauta dá azo a muitas perguntas para
as quais nenhum teólogo do mundo tem resposta, já
que a Bíblia silencia sobre isso. Contudo, não nos
atazanemos com isso. Só nos interessa saber o
seguinte: O Novo Testamento manda os cristãos
dizimar? Já vimos que não. O cristão pode dizimar?
Claro que sim. Deus nos abençoará se dizimarmos?
A resposta a esta pergunta são as seguintes
interrogações: Se Ele já nos abençoou
gratuitamente, não é de se esperar que Ele nos
abençoe se doarmos 10% ou qualquer outro valor?
E se Ele nos abençoa por muito menos do que o
dízimo e até gratuitamente, não nos retribuirá se
assentarmos em nossos corações o firme propósito
de dizimar metodicamente? E se quem dá 10% de
seus rendimentos para a Obra de Deus, é
especialmente abençoado por isso, aquele que (se
lhe for possível) doar 30%, 20%, 40%, 15%, etc.,
de seus rendimentos, ou até muito mais do que isso,
não será também abençoado? Por que não? Além
disso, mais importante do que sabermos que
bênçãos receberemos pelas nossas contribuições
para Obra de Deus, é sabermos quantas vidas serão
abençoadas com nossos dízimos e ofertas diversos.
Quantas almas se converterão? Quantos famintos
serão saciados? Quantos nus serão vestidos?
Quantos enfermos serão medicados e sarados?
Quantos asilos, orfanatos, centros de recuperação de
toxicômanos, centros educacionais seculares e
teológicos, etc., serão construídos e mantidos? E
quanto a uma possível pergunta sobre a quantidade
de carrões de luxo que serão comprados pelos
sacerdotes de Mamom (Mt 6.24 [ARC]), caso
depositemos nossas ofertas aos pés dos “apóstolos”,
oremos para que Deus nos dê um Norte.
CAPÍTULO 14
A BÊNÇÃO É DO
TAMANHO DA
OFERTA?
Os mercantilistas do Evangelho não cessam de
alardear, citando textos sem contextos, no intuito de
impressionar os incautos, para, desse modo,
extorquir seus bens. E um dos versículos prediletos
de tais exploradores da fé pública, é 2Co 9.6.
Ratifico que o apóstolo Paulo realmente registrou
que quanto maior a oferta do cristão para a Obra de
Deus, maior é a bênção que o mesmo receberá do
Senhor. Mas já vimos também que uma grande
oferta não é a que mais impressiona a visão dos
homens, nem a que mais alegra aos vigaristas, e sim,
a que mais agrada a Deus (Mc 12.42-45). Dá muito,
aquele que dá com amor, e, portanto, com alegria, a
despeito das dificuldades. Quem, por não poder dar
mais, dá apenas R$ 0,01 (um centavo de um real),
está dando tanto quanto aquele que, por não poder
dar mais, só doou R$ 1.000.000.000 (um bilhão de
reais). Deus está muito mais interessado nas grandes
ofertas do que nas ofertas grandes.
Dentre as possíveis razões pelas quais a Bíblia diz
que a bênção é proporcional ao tamanho da oferta,
podemos destacar as seguintes: 1) quem
(hipoteticamente) mantém, por exemplo, mil
missionários no Campo, possivelmente ganhará mais
almas para Jesus do que aquele que só sustenta um.
Ora, se na ótica de quem ama as almas perdidas,
ganhar uma alma é uma bênção, certamente ganhar
milhões de almas é ganhar milhões de bênçãos. Esta
é, obviamente, uma das muitas razões pelas quais a
colheita é proporcional ao tamanho de nossas
ofertas; 2) Deus não é de ferro; e, portanto, se
sensibiliza quando damos a Ele e à Sua Obra, um
amor superior ao que dispensamos a nós mesmos e
aos nossos bens; 3) Segundo minhas experiências
pessoais, Deus ainda repreende o “devorador” (Ml
3.11), afastando-o da vida dos que contribuem de
mancheia por amor a Ele à Sua Obra. Esta promessa
Deus a fez a Israel, através de Seu servo Malaquias;
e, segundo registrou Paulo em 2Co 9.6-7, Deus
ainda ama quem dá com alegria, e o conduz a
colheitas abundantes. Logo, Deus ainda repreende o
“devorador” sim, e o faz em graciosa retribuição aos
mantenedores da Sua Causa. Contribuamos, pois,
para manutenção da Obra do Senhor, e esforcemos
para que estas contribuições não sejam inferiores (e
sim, superiores) a 10% de nossos rendimentos. Mas
sinta-se bem à vontade para doar o quanto você
quiser. Você pode fazer um propósito de doar 5%,
10%, 80%, ou até mesmo não fazer propósito
algum, mas doar conforme o andar da carruagem.
Lembre-se que dizimar é obrar, e que das obras
decorrem somente galardões, não, a salvação. O
tema deste livro é tão periférico (digo periférico
quando comparado com os pilares da fé cristã, ou
seja, questões de implicações soteriológicas), que se
Deus tivesse mandado o cristão dizimar, e eu
estivesse ensinando erradamente sobre isso, nem por
isso eu e os que concordassem com esse meu
hipotético erro, seríamos condenados, pois teríamos
nos equivocado numa questão banal, vazia de valor
salvífico. Assim como das divergências sobre o
batismo (deve ser ministrado por aspersão ou por
imersão? Criancinhas também podem ser batizadas?
Ou só se deve batizar os que já estão de posse da
discrição?), não se deve inferir, nem mesmo
remotamente, a possibilidade de haver alguém indo
para o Inferno por ter sido batizado erradamente,
também, das divergências sobre dízimo não
deveriam advir mútuas excomunhões. Contudo, os
debates sobre dízimos são quase sempre acirrados,
porque me parece grande o número de pastores que
temem perder essa vaca leiteira. A Igreja Católica
tem várias vacas leiteiras, das quais, as principais são
o purgatório e o limbo; e a principal vaca leiteira das
igrejas evangélicas é “o devorador”. Esse “bicho”,
que “destrói seus patrimônios, caso você se recuse a
entregar os 10% do ‘Senhor’, acrescidos das gordas
ofertas”, é uma camisa-de-força bastante funcional,
visto que os “baixinhos de Cristo” se enchem de
pavor quando ouvem falar desse tal de “Devorador”.
Eles temem-no mais do que temiam o “Bicho
Papão” e o “Sô Lobo”, quando eram “baixinhos da
Xuxa”.
Pelas razões acima expostas, não nos
sobrecarreguemos de minudências sobre dízimos e
ofertas, tampouco fechemos nossas mãos para a
Obra do Senhor.
Não permitamos que os espertalhões nos privem
da liberdade que Deus nos deu em Cristo. E, menos
ainda, não valhamos dessa liberdade para dar
ocasião à carne. Uma carnalidade em função de
dízimos e ofertas seria um pomposo e solene culto a
Mamom. E é claro que uma celebração dessas,
tributadas ao deus Avareza, não agradaria ao
verdadeiro Deus.

***

Certo dia (muito antes de eu ser ordenado ao


ministério pastoral), enquanto eu e mais dois
companheiros de trabalho executávamos uma obra,
disse um ao outro, no intuito de me ridicularizar:
“Quem dá dízimo pra Pastor é otário. É graças a
esses bobos que os Pastores estão cada vez mais
ricos ... ”. Ouvi tudo silenciosamente, pois senti
como se Deus me dissesse: “Cale-se e aguarde o
momento de retrucar”. Um bom tempo após a
parola do dito cujo, ele disse: “Não tenho dinheiro
pra pagar a passagem de ônibus de volta pra casa
hoje, após o expediente. Vou ter que sair à procura
de alguém que me empreste um dinheiro, pois
doutro modo terei que dormir aqui no trabalho,
hoje”. E após conseguir o empréstimo, voltou ao
trabalho e se pôs a comentar sobre os dízimos
novamente, mas desta vez falando diretamente a
mim, mais ou menos nestes termos: “E aí, irmão,
você já deu os dez por cento do Pastor este mês?”.
E eu lhe respondi: Claro que sim, meu amigo! Se eu
não tivesse feito isso, eu não teria nem o
dinheirinho da passagem para retornar ao meu lar,
após o expediente. Claro, esta resposta está muito
mais carregada de ironia do que de teologia. É óbvio
que não é bem assim. O que escrevi nas linhas
anteriores faz saltar aos olhos que não creio como
aparentei crer, ao retrucar o zombeteiro. Mas essa
ironia tem um fundo de verdade, visto ser inegável
que, à luz da Bíblia, as bênçãos materiais são uma
das maneiras de Deus retribuir os que contribuem
para sustento da Sua Obra. Sou testemunha ocular
de que ainda é assim.
CAPÍTULO 15
QUE DIZER DE HEBREUS 7.8?
15.1. Os “tesoureiros” e a “tesouraria”
Em Hb 7.8 lemos: “E aqui certamente tomam
dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de
quem se testifica que vive”. Há os que pensam que
este versículo prova que os cristãos primitivos
pagavam dízimos aos apóstolos, os quais, na
condição de “homens que morrem” recebiam tais
contribuições. Mas essa descabida e absurda
interpretação, decorre do fato de não analisarem o
texto à luz do seu contexto. Sugiro, pois, aos que
assim creem, que leiam Hb 6.20-8.6 e cientifiquem-
se de que os “homens que morrem”, dos quais se diz
nesta passagem que “recebem dízimos”, eram os
sacerdotes do Antigo Testamento.
Hb 7.8 e seu contexto nos passam as seguintes
mensagens: a) a novidade chamada de Novo
Testamento foi, de antemão, anunciada pelo próprio
Deus, o qual deixou subentendido que o Testamento
anterior ao Novo, seria inferior ao seu sucessor; b)
pode-se ver isso nas entrelinhas, a saber, no que se
diz do triângulo Abraão, Melquisedeque e os
sacerdotes do Antigo Testamento. Aclarando: como
que na pessoa de Abraão, os sacerdotes do Antigo
Testamento pagaram dízimos a Melquisedeque, do
que se subentende que este era superior àqueles. E,
considerando que na tipologia bíblica,
Melquisedeque era tipo de Cristo, então temos em
Cristo um Sacerdócio superior ao do Velho
Testamento. E, sendo assim, das novidades
vivenciadas pela Igreja desde sua fundação, pode-se
que são superiores a tudo do sistema mosaico, e que
são o cumprimento do que o próprio Deus
prometera nas páginas das Sagradas Escrituras
veterotestamentárias; c) pode-se dizer que do fato de
os sacerdotes, que recebiam dízimos, serem meros
mortais, se deve inferir a inferioridade deles em
relação àquele de quem Jesus é antítipo, a saber, o
“imortal” Melquisedeque, de cuja ordem sacerdotal,
Cristo se habilitou Sumo Sacerdote; d) a
inferioridade dos que exerciam o sacerdócio levítico,
em relação a Melquisedeque, era uma figura da
inferioridade da Lei e do sacerdócio arônico, em
relação à Nova Aliança e ao sacerdócio de Jesus; e)
o trecho bíblico em questão salienta que
Melquisedeque exercera, em termos tipológicos, um
sacerdócio superior ao sacerdócio arônico, já que de
certo modo se pode dizer que Arão e sua prole
pagaram dízimos a Melquisedeque, que (vale
ressaltar mais uma vez) era tipo de Cristo; f) em
Abraão, Arão e seus descendentes pagaram dízimos
a Melquisedeque; o que, em figura, demonstra que
Cristo, Seu sacerdócio e Sua Lei suplantam a
totalidade da Velha Aliança, já que o sacerdócio de
Melquisedeque era tipo do Sacerdócio de Cristo; g)
Jesus e o Seu Novo Testamento estão acima do
sistema mosaico, já que este é inferior a
Melquisedeque que, por sua vez, é apenas uma
pálida figura de Cristo e Seu ofício sacerdotal.
Aclarando: Se o Sacerdócio de Cristo está acima do
de Melquisedeque, e o sacerdócio de Melquisedeque
está acima do de Arão e sua prole, então o
sacerdócio arônico era inferior ao de Cristo.

***

Vê-se, pois, que o texto em análise (Hb 7.8) não


pretende informar se os cristãos primitivos eram ou
não dizimistas, e sim, que o Velho Pacto com seus
sacerdotes mortais, pouco eram, em comparação
com o sacerdócio de Jesus (antítipo do sacerdócio
de Melquisedeque) e o Seu eterno Novo
Testamento. Sim, Hb 7.8, à luz do contexto, tem
por meta única, mostrar que consta do Antigo
Testamento a previsão de que Jesus iria ab-rogar o
Velho Testamento e estabelecer um ofício sacerdotal
superior ao sacerdócio arônico, do qual, o
sacerdócio de Melquisedeque era figura. Isso, e nada
mais que isso. Ver em Hb 7.8 uma pista de que o
dizimismo está em vigor nos dias de hoje, é ver
demais. Isso é procurar chifre em cabeça de cavalo e
pelo em ovo. E, pelo visto, procuraram e acharam.
Como já informei, o fato de estarmos sob o
Sacerdócio de Cristo (Sacerdócio este, antítipo do
de Melquisedeque, bem como sucessor do arônico),
talvez possa servir de base para deduzirmos que
podemos dizimar, caso queiramos fazê-lo por livre e
espontânea vontade (como também o fez Abraão
antes da Lei). Mas lembremo-nos que
Melquisedeque, tipo de Cristo, não exigiu dízimos
de Abraão; e que Cristo, antítipo de Melquisedeque,
também o não exige de nós. Contudo, se, neste
particular, quisermos imitar a Abraão, e, portanto,
também por livre e espontânea vontade, optarmos
pela contribuição metódica do dízimo, longe de com
isso estaremos fazendo algo abominável aos olhos
do Senhor, muito O agradaremos. Entretanto, faço
constar, que dizimar em obediência à Lei, é revalidar
o que tinha validade aprazada para o dia em que
Cristo ressurgisse dentre os mortos. É reconstruir o
que Cristo demoliu. É mesclar a Lei com a graça. É,
quais gálatas, voltar aos rudimentos fracos e pobres
e se deixar escravizar por eles. É trocar Cristo por
Moisés. É amar mais a foto do que a pessoa
fotografada.
Os versículos 8 e 9 do capítulo 7 da Epístola aos
Hebreus, têm por contexto imediato, o trecho acima
recomendado (a saber, Hb 6.20 a 8.6), e podem ser
parafraseados assim: Na Lei, recebem dízimos
homens mortais, a saber, os sacerdotes. Mas de
Abraão (diretamente) e dos sacerdotes
(indiretamente), os recebe um sacerdote “imortal”,
que, por isso mesmo, era, alegoricamente, maior do
que Abraão, e, por conseguinte, maior do que os
sacerdotes da Velha Aliança. E considerando que à
luz de Sl 110.4, Jesus é sacerdote segundo a ordem
do mencionado sacerdote “imortal”, salta aos olhos a
supremacia do sacerdócio de Cristo, a consequente
superioridade do Novo Testamento em relação ao
Antigo Concerto, bem como fica provado que nós,
os cristãos, não somos hereges por não seguirmos ao
Velho Testamento, visto que é ele mesmo que
vaticinou que um Novo Concerto estava por vir,
quando então teríamos um novo sacerdócio,
exercido por um Sumo Sacerdote eterno (a saber,
Jesus), do qual Melquisedeque fora apenas uma
pálida figura. E, então, observa o autor de Hebreus,
que é sob esta nova Lei, que estava por vir, a qual
sucederia a Lei mosaica, que nós, os cristãos,
estamos. Até porque, do fato de se dizer que uma
nova Lei estava por vir, se subentende que a Lei
então vigente tinha prazo de validade definido; e que
quem o definira, aprazando o dia do seu fim, era o
Seu próprio Legislador e Promulgador _ Deus _,que
o fez na instrumentalidade do Seu servo Moisés.
Num livro integrante da grade curricular de um
seminário teológico evangélico (cujos nomes [do
livro e do seminário] omito por razões que por ora
não revelo), se reconhece que “homens que
morrem”, mencionados em Hb7.8, dos quais se diz
que “recebem dízimos”, não são os apóstolos, nem
tampouco alguém por eles designado para esse fim,
mas sim, “os sacerdotes do sistema mosaico”. E
explana Hb 7.8 assim: “O pensamento do versículo
8 pode ser parafraseado assim: ‘...no sistema
mosaico... recebem dízimos homens que morrem,
isto é, os sacerdotes...’”. Portanto, os que têm
anunciado mediante livros, brochuras, televisão,
rádio, periódicos, etc., que os “homens que
morrem” de Hb7.8, que recebem dízimos, são os
apóstolos, têm, no malaquiano que escreveu o tal
livro, uma espécie de gol contra. É que o parceiro
deixou escapulir. Mas faço constar que o gol está
valendo, e que vejo quem o fez, como parceiro,
embora eu e ele não vejamos Hb 7.8 da mesma
maneira em todos os ângulos.
Exteriorizando o meu parecer pessoal sobre Hb
7.8, digo o seguinte:
A) os ”homens que morrem”, aqui mencionados,
dos quais se diz que “recebem dízimos”, sãos os
sacerdotes do Velho Testamento.

B) o “aquele de quem se testifica que vive”, do


qual se diz que recebeu (diretamente) dízimos de
Abraão, e, em figura (ou seja, indiretamente), dos
sacerdotes, não é Jesus, e sim, aquele de quem Jesus
é antítipo, a saber, Melquisedeque. E, à luz do
contexto imediato se pode inferir que o que o
hagiógrafo do texto em questão tinha em mente, era
demonstrar a superioridade do sacerdócio de Jesus,
e a sobrepujante glória de Sua Lei, em relação ao
sacerdócio e Lei do sistema mosaico. Logo, o
versículo em análise não discute se o cristão deve ou
não dizimar. Este texto não entra no mérito desta
questão. Ele não trata deste assunto. Ele discute
outra coisa, a saber, que nós, os da Nova Aliança
(então inaugurada há poucas décadas), estamos num
sistema melhor do que aquele que sucumbira no
Calvário. E o sistema melhor, a que me refiro, é a
Nova Aliança; e o sistema que sucumbira no
Calvário, é o Velho Concerto, ou seja, o sistema
mosaico;
C) o mencionado livro-texto do referido Instituto
Bíblico, tentando explanar Hb 7.8, praticamente lhe
interpola com a conclusão equivocada de que deste
versículo se deve inferir que “Jesus, pois, recebe
dízimos até hoje dos crentes fiéis, através da igreja
que ele instituiu e incumbiu da propagação do
Evangelho”. E com isso concordo em parte, pois só
de mim Ele recebe entre 15% a 20% mensalmente.
É que eu, além de dizimar, dou também ofertas
diversas. E inclusive, deposito nas contas bancárias
de alguns Missionários sérios, além de doar roupas,
calçados, gênero alimentício, etc. E como eu
gostaria de estar contribuindo com no mínimo 90%
dos meus proventos! Sim, Cristo ainda “recebe
dízimos... dos crentes fiéis” até hoje, já que alguns
desses crentes fiéis o fazem por pensarem que isso é
lei, e outros (como é o meu caso) o fazem de modo
proativo.
15.2. Deram azos
Os malaquianos que, por terem visão de águia,
veem em Hb 7.8 uma inferência pró-dízimo,
precisam considerar que isso pode dar azo a que aos
não malaquianos usem este mesmo texto para
demolir os castelos de areia dos adeptos do
dizimismo. Veja estes exemplos: A) Atentem
também para o fato de que Melquisedeque não
cobrou contribuição alguma de Abraão; logo,
Abraão o fez por iniciativa própria. Ora, o silêncio
de Melquisedeque pode trazer no seu bojo um
gérmen da voluntariedade, prodigalidade e
generosidade do Novo Testamento, segundo o qual
não se deve dogmatizar a estipulação de importância
alguma. E, sendo assim, perguntamos com que
autoridade os malaquianos inseriram isso no
arcabouço dogmático de suas teologias. B)
considerando que Abraão não deu ofertas, mas
somente o dízimo, por que os malaquianos não
dogmatizam que oferta é coisa da Lei, e, que
portanto, o cristão, de ombro a ombro com
Abraão, só dá 10% e nada mais do que isso?
Alguém já disse acertadamente que “o mal do sabido
é pensar que todo mundo é bobo”.
15.3. Ratificando a liberdade cristã
Assim como Melquisedeque não pediu dízimo a
Abraão, Cristo não o preceituou à Igreja. Mas esta
tem entendido que a Cristo não se deve dar apenas o
que Abraão deu a Melquisedeque (o dízimo), mas
gordas ofertas, limitadas apenas pelo tamanho da
posse e pela grandeza do amor devotado a Cristo e à
Sua Causa. Esta atitude (refiro-me à prática de
dizimar) não é legal; mas, como também não é
anticonstitucional (o Novo Testamento não legisla
sobre isso, quer conta, quer a favor) temos dado
livre curso aos impulsos do amor a Deus e ao
próximo. Mas nunca esquecendo que somos
automovidos pelo amor, e não puxados pela Lei de
Cristo (sob a qual estamos, mas que não contém
uma cláusula sobre isso), e menos ainda, pela Lei de
Moisés (que expirou na cruz). Portanto, quando
dizimarmos, façamo-lo por princípio, e não por
mandamento. Ademais, façamo-lo à luz das palavras
do nosso Mestre, segundo o qual, o ajuntar tesouro
no Céu é mais importante do que cumulá-lo na
Terra (Mt 6.19-21). NOTA: Destas palavras do
Senhor não se deve deduzir um libelo contra a
previdência e a providência; antes, entendamo-las
como uma exortação à generosidade consciente e
sustentável, que se deve adotar como basilar da
prodigalidade em doar para a Obra de Deus.
15.4. Reconsiderando as leituras de Hb 7.8
A leitura que faço de Hb 7.8, é, mesmo, em parte
diferente da do autor do misterioso livro constante
da grade curricular do enigmático seminário
teológico supracitado, sem identificação? Resposta:
É e não é. Como assim? Resposta: É, neste capítulo,
mas não é, no capítulo 18. Como assim? Da
seguinte maneira: No capítulo 18 veremos que o
mencionado livro também ensina que o
mandamento de pagar dízimo não consta do Novo
Testamento. Mas talvez você se flagre formulando a
si mesmo esta interrogação: Isso não contradiz o
parecer do dito livro, parecer este supracitado no
presente capítulo? Esse livro não é
autocontraditório? Resposta: Das suas perguntas
infiro sua conclusão, que a mim me parece muito
óbvia também.
Hb 7.8 está vertido assim na NVI: “No primeiro
caso, quem recebe o dízimo são homens mortais; no
outro caso é aquele de quem se declara que vive”.
Esta tradução, tão fiel quanta as outras que conheço,
é mais fácil de ser entendida. Fica claro à luz do
contexto, que este texto não alude a supostos
recebedores de dízimo no Novo Testamento, mas
nos reporta aos sacerdotes, que eram, legalmente
instituídos, Obreiros de Deus de tempo integral,
durante a vigência da Antiga Aliança. Citar este
texto a fim de provar que os “homens que morrem”
nele mencionados são os apóstolos e os presbíteros,
é um erro grotesco que deve ser removido antes que
a idoneidade da instituição teológica que o adotou,
caia em descrédito.
15.5. Abolição parcial da Lei?
Alega-se que do Antigo Testamento estão abolidas
apenas as questões cerimoniais, permanecendo, pois,
as morais; e que, portanto, os dízimos foram
transportados de lá para cá. Mas isso não é verdade.
A poligamia, o concubinato, o divorciar “por
qualquer motivo” (Mt 19. 3-8), o levirato, etc., eram
questões morais que, não obstante, sofreram
guinadas de cento e oitenta graus no Novo Pacto, a
saber, de toleradas passaram-se a proibidas (Mt
19.9; 1Co 7.10,11).
Todos os cristãos devem examinar a Bíblia sob o
influxo do Espírito Santo para se cientificarem de
que o Novo Testamento é novo, e não o Velho
melhorado ou expurgado de alguns inconvenientes.
E, ao fazê-lo, agir como livre intérprete, sem medo
de pensar com a sua própria cabeça. Até porque, se
você não fizer isso, ficará zureta, sem saber a qual
erudito seguir, já que eles não chegaram a um
consenso sobre isso, e tampouco chegarão. Tenha,
pois, personalidade. Pense com a sua cabeça. Não
tenha medo de dizer: Discordo. Concordo. Ainda
não tenho opinião formada sobre este assunto. Vou
pesquisar para me inteirar sobre isso. Etc., etc., etc.
CAPÍTULO 16
ADMOESTAÇÕES
16.1. Ore, estude a Bíblia e liberte-se
Aceitei a Jesus em 1 de julho de 1973. Poucos
meses depois disso, eu já havia lido toda a Bíblia.
Então me perguntei: Onde está escrito no Novo
Testamento que o cristão tem o mandamento de
dizimar? Será que esta doutrina não pertence ao
pacote daquelas que caducaram na cruz de Cristo,
como o sábado, o Pentecostes, a Páscoa, os
sacrifícios de animais, a circuncisão, restrições
alimentares, etc.? Expus isto a um irmão em Cristo,
meu companheiro de trabalho (que, diga-se de
passagem, me inspirava confiança devido ao seu
notável conhecimento bíblico e boa conduta como
cristão), que me disse sem rodeios: “É isso mesmo,
meu irmão! Verdadeiramente essa doutrina não é
para nós. Isso é coisa para judaísta, não para
cristão”. Depois, porém, pensei assim: Será que eu e
o irmão fulano não estamos interpretando a Bíblia
erradamente? Quem garante que a razão é nossa?
Quase todos os evangélicos pensam diferente de
nós, e há Pastores de renome que afirmam com
todas as letras que a doutrina sobre os dízimos
está de pé e até se apoiam em textos bíblicos do
Novo Testamento. Estaria a maioria errada e a
minoria certa? Este problema me parecia
dificilmente solucionável. Contudo, optei por dar
tempo ao tempo até que meus conhecimentos
bíblicos fossem ampliados, de modo a dar-me
suporte a um posicionamento embasado na Bíblia.
Deu-me toda esta calma, o fato de eu saber que a
minha alma já estava salva. Deu-me esta certeza o
fato de minhas dúvidas se mesclarem com o gozo da
salvação que inundava todo o meu ser. A “paz com
Deus” (Rm 5.1) e a subsequente “paz de Deus” (Fp
4.7) dão uma tranquilidade que só vendo. Eu sabia,
pois, que muitas eram as minhas dúvidas, mas de
uma coisa eu tinha certeza: Jesus me salvou! Muitas
eram as minhas inseguranças, mas de uma coisa eu
estava seguro: achei Jesus e Jesus me achou! Logo,
aquele problema não era uma sangria desatada, visto
que não estava em jogo o feliz futuro eterno da
minha alma. E essa calmaria me levou à
meticulosidade que redundou num crescimento
espiritual que deu à luz o presente livro. Por tudo
isso, não se apavore diante das controvérsias sobre o
dizimismo. Você não precisa, sequer, de saber a
verdade sobre isso para ser salvo. Na transação da
salvação não entram o Real, o Dolar, o Euro..., mas
somente a “moeda de prata” chamada sangue de
Jesus (1Pe 1.18-19). Destarte, se você já recebeu a
Cristo, saiba que então você já está de posse da
chave da vitória; e que, portanto, o seu futuro de
glória já está garantido. Regue seus estudos da
Bíblia com oração, que Deus lhe dará crescimento
espiritual e subsequente maturidade para se
posicionar com segurança sobre os temas da
especificidade teológica.
16.2. Uma vez liberto, liberte outrem
Mais de duas décadas se foram, desde que me
converti, e me convenci que deveras eu não estava
equivocado em minhas conclusões sobre a questão
do dízimo. Mas continuei dizimando, pois
compreendi que além de não ser pecado fazê-lo,
certamente Deus tem bênçãos especiais para os que
ousam contribuir com valores nada inferiores a 10%
de seus rendimentos, para sustento de Sua Obra.
Ademais, me perguntava: Que será mais prudente,
silenciar-me, ou expor meu parecer? Vou edificar
vidas, ou trazer confusão, caso partilhe minhas
conclusões com meus irmãos? Que queres que eu
faça, Senhor? Por estas razões, e também por
respeito aos evangélicos, decidi silenciar-me sobre
esta questão. Eu não pregava contra (pois temia ser
repudiado pelos meus irmãos em Cristo, bem como
temia também escandalizá-los [Rm 14]), nem
tampouco a favor (pois não sou hipócrita, e,
portanto, não queria trair a minha consciência). E,
paralelamente, dizimava e incentivava toda a igreja a
fazer o mesmo, falando-lhe de minhas estupendas
experiências como dizimista que sou. Não havia,
pois (pensava eu), como alguém descobrir o que se
passava dentro do meu coração. Um dia, porém,
uma irmã em Cristo se dirigiu a mim mais ou menos
nestes termos: “Pastor, por favor, fale-me sobre o
dízimo. Mas não me fale como Pastor, e sim, como
teólogo, isto é, não diga qual é a doutrina da nossa
igreja, pois já a conheço, mas diga-me a sua opinião
pessoal. Não me importa se a sua opinião pessoal é
ou não igual à de todos os evangélicos, mas me
interessa saber o que o senhor pensa
particularmente. Ou seja, me interessa saber qual a
sua opinião, ainda que esta seja igual, ou diferente
da da maioria”. Naquela hora fiquei sem saber o que
dizer à minha consulente. A minha cabeça ficou a
mil. Mas, após hesitar durante alguns segundos,
abri-lhe o meu coração. Dei-lhe o meu parecer
pessoal, pensando assim: Seja o que Deus quiser,
pois não posso sonegar informação a esta ovelha.
Ela merece o meu respeito; e, por conseguinte, uma
resposta sincera e direta.
A referida consulente sentiu um forte impacto ao
se certificar da autenticidade de suas conclusões.
Sim, ela já estava desconfiada de que havia alguma
coisa errada na perpetuação da doutrina acerca dos
dízimos; todavia, ela ainda não estava totalmente
segura disso, e queria tirar suas dúvidas. E, ato
contínuo, como que decepcionada com os Pastores,
ela perguntou-me sobre o motivo pelo qual a
verdade não estava sendo ensinada. “Por que manter
as ovelhas no engano? Em quem ainda podemos
confiar?”. Eu disse-lhe, então, que os meus colegas
não ensinavam a verdade sobre o dízimo, porque
interpretam diferente de mim. E que eu incorria no
mesmo erro, por respeito a eles (Rm 14). E lhe pedi
oração por mim e pelo meu Ministério, bem como
lhe confidenciei que, mais tarde, iria abrir o verbo, a
despeito das retaliações que, provavelmente, eu iria
sofrer por parte daqueles que pensam que dizimar é
necessário para a salvação, assim como por parte
dos que, mesmo sabendo a verdade, preferem
manter os ingênuos no obscurantismo, por
apostarem mais no terror dessa camisa-de-força, do
que no poder do amor consciente. Esses bradam de
seus púlpitos: “Se você não dizimar, irá para o
Inferno, já que ladrão não entra no Céu! O
devorador vai lhe comer!” Eu disse à referida
consulente que ia abrir o verbo, porque eu já estava
pensando em elaborar o livro que o caro leitor ora
me confere a indulgente honra de apreciar.
A sobredita consulente tomou uma tal ojeriza do
vocábulo “dízimo”, que não queria nem mesmo
pronunciar esta palavra. Ela só falava em ofertar,
nunca em dizimar. Ela argumentava: “Se nós, do
Novo Testamento, não temos esta doutrina, por que
manter este princípio? Por que não abolirmos esta
palavra de nosso vocabulário? Então lhe fiz ver que
Jacó também não tinha esta doutrina e que nem por
isto aboliu este verbete de seu dicionário; antes,
prometeu a Deus que (satisfeitas as condições por
ele solicitadas, a saber, de o Senhor o fazer
prosperar em seus projetos) seria fiel dizimista até à
morte. Eu disse-lhe ainda, que nós, do Novo
Testamento, realmente não somos obrigados a fazer
como Jacó, quanto ao ato de dizimar, mas também
não somos obrigados a proceder de maneira
diferente. Podemos ou não fazer como Jacó, e é
aconselhável que o façamos. Aliás, dependendo de
nossas posses, podemos até contribuir com valores
superiores ao que Jacó prometeu. E, se o fizermos,
certamente jamais arrependeremos dessa decisão.
Jacó prometeu doar 10%, mas você pode dar 30%.
Isso é lá entre você e Deus. Isso é com você, com
sua posse, e com o seu coração.
16.3. Ministros transparentes
Outro fator relevante, para o qual os pastores
deviam atentar, é quanto a uma periódica prestação
de contas, acerca das receitas e despesas de suas
igrejas. Considere estas perguntas: O seu Pastor diz
que não há necessidade de prestar contas, visto que
se ele for infiel, Deus cobrará dele, e não dos
contribuintes? E você aquiesceu? A prebenda do seu
pastor é algo justo, que lhe permite viver bem, ou é
algo astronômico de invejar os grandes empresários?
Ah! Você nem sabe quanto é que ele ganha?! Caro
irmão, se o seu “Pastor”, por “ingenuidade”, ainda
não ligou importância à transparência, receba meus
pêsames, bem como o seguinte conselho: Não
renegue a fé. Você pode até mudar de denominação,
ou fundar o seu Ministério (igreja), mas não deixe
Jesus. Se preferir, “finja” que é um bobão assumido,
e que não está vendo nada errado, e continue firme
com Cristo. Cuidado para não esfriar na fé, desviar
dos caminhos do Senhor, e ir para o Inferno com os
“Pastores”. Que Deus lhe socorra.
16.4. Aceitemo-nos mutuamente
Em tudo precisamos evitar os extremos. O
equilíbrio sempre é recomendável. É verdade que ao
descobrirmos que estamos sendo vítimas de um
engano religioso, ficamos profundamente abalados.
Mas não se sinta sem chão; antes, firme-se em
Cristo.
Os decepcionados com suas igrejas reagem de
diversas maneiras. Alguns sentem tristeza, vergonha,
desconfiança de tudo e de todos... Mas aí
precisamos lembrar que Deus nos abriu os olhos
ainda em tempo e que devemos agradecer a Ele por
isto. Em se tratando do tema discutido nesta obra, é
importante lembrarmos que o mesmo não é uma
questão de vida ou morte, se não fizermos do
dízimo ou da ausência dele, motivo de salvação ou
perdição. Logo, podemos até convivermos com uma
igreja que de nós seja divergente, como também
tenho feito por considerável tempo. Sim, se uma
determinada igreja nos aceita como somos, embora
conosco não convirja quanto aos dízimos, podemos
ser igualmente tolerantes para com ela. Lembremo-
nos que nenhuma igreja é perfeita e que se não nos
enquadrarmos na tolerância recíproca, recomendada
em Romanos 14, cairemos no exclusivismo e
partidarismo abordados em 1Co 1.12-13. Não nos
esqueçamos que pela teologia jamais seremos
unidos. O que nos une é: A fé na eficácia e
eficiência do sangue de Jesus; a fé na inerrância da
Bíblia; a fé na Triunidade de Deus, e outros pilares
da fé cristã. E não em questões secundárias e
periféricas, ainda que também relevantes.
Mas, aos que, parafraseando “cristãos” judaizantes
de dois mil anos atrás, afirmam que “se não
dizimardes, conforme o uso de Moisés, não podeis
salvar-vos” (At 15.1-2), respondamos com a
seguinte paráfrase: “Já que não estais firmes na
liberdade com Cristo nos chamou, antes tornais a
meter-vos debaixo do jugo da servidão, vos notifico
que Cristo de nada vos aproveita; separados estais
de Cristo; da graça tendes caídos” (Gl 5.1-4). E
refresquemos a memória dos que nos condenam por
dizimarmos, dizendo-lhes que Paulo circuncidou a
Timóteo (At 16.1-5), bem como fez e cumpriu o
voto de nazireu (At 18.18). Ajudemo-los a entender
que tanto a circuncisão quanto o nazireado são
práticas veterotestamentárias que, por isso mesmo,
prescreveram-se na cruz. Logo, está provado que o
cristão pode acatar uma prática da Lei, não repetida
na Nova Aliança, desde que: a) não colida com o
Novo Testamento; b) não se creia que o cristão está
sujeito a tal preceito; c) não se pense que a
observância de tal mandamento obsoleto seja
questão de vida ou morte; d) tal medida contribua
para a glória de Deus, salvação de almas, e
edificação da Igreja.
Pagar dízimo pode ser um ato louvável e
recomendável, ou uma infantilidade relativamente
inofensiva, ou ainda um grave pecado. É um ato
louvável e recomendável, quando o fazemos nos
moldes acima sugeridos; é uma infantilidade
relativamente inofensiva, quando, por má
interpretação da Bíblia, o fazemos pensando tratar-
se de um preceito vigente na Nova Aliança, mas sem
julgar os heterodoxos; e é um grave pecado, quando
anatematizamos os que não leem a nossa cartilha.
A tolerância aqui recomendada não vale em todos
os casos. Há questões de vida ou morte, ou seja, de
salvação ou perdição. Nesses casos, não podemos
transigir. A verdade é inegociável. Quanto aos
Pilares da fé cristã, o Cristianismo é radical,
exclusivista, e discriminador. É radical, ou seja, é
tudo ou nada (Mt 12.30); é exclusivista, isto é, só
ele é a verdade (Jo 6.68); e é discriminador, pois
tudo que destoa dele, é falso (Jo 14.6; At 4.12).
16.5. Não cuspamos no prato que comemos
É oportuno lembrarmos que não podemos cuspir
no prato que comemos. Devemos eterna gratidão às
igrejas que nos pregaram o Evangelho. Estávamos
nas trevas do pecado, e Deus usou-as para nos
iluminar. Sem que tais igrejas acendessem o fósforo,
jamais teríamos a luz que temos. Devo o fogaréu
deste livro ao fósforo riscado pelos que me
evangelizaram, os quais tinham uma fé deveras
singela. Deste modo, ainda que por elas não sejamos
bem interpretados, e até maltratados, recebamos
suas “chineladas” pacientemente, como se
estivéssemos apanhando de nossas queridas
mamães. Sim, nossas respectivas igrejas, embora
tenham errado ao nos inculcar uma doutrina arcaica,
são como que mães, para nós. Elas nos geraram em
Cristo. Sejamos gratos e pacientes, levando tudo a
Deus em oração. Mas sempre sem negociar a
verdade. Nossas mamães-igrejas merecem nossa
veneração, e não nossa adoração. Deus deve ser o
único objeto de nosso culto.
CAPÍTULO 17
SÓ SOBRE O LUCRO OU...?
Há uns quinze anos, enquanto eu e a minha esposa
aguardávamos pelo atendimento médico numa sala
de espera, me pus a compulsar as páginas de uma
das revistas que, a título de cortesia, estavam
disponíveis aos pacientes. Tratava-se de um
periódico evangélico, publicado por uma dessas
igrejas que muito nos envergonham, as quais
enchem o Brasil e o mundo. E sem delonga deparei
com um texto sobre dízimos (cujo articulista é um
“bispo” evangélico), no qual se afirma mais ou
menos o seguinte: Se eu tiver um gasto de R$
100,00 para fabricar determinada coisa, e a vender
por R$ 300,00, devo pagar R$ 30,00 de dízimo, e
não R$ 20,00. Disse ainda o salafrário, que se os
mencionados R$ 100,00 me forem dados como sinal
(entrada), então, antes mesmo de concluir a obra e
receber os R$ 200,00 restantes, devo entregar os R$
10,00 do “Senhor”, para que Ele me abençoe,
ajudando-me a executar a o trabalho empreendido, a
contento. E, após receber os R$ 200,00 restantes, o
que naturalmente ocorrerá após a conclusão da
empreitada, então pagarei os R$ 20,00 restantes.
Veja, a obra me rendeu R$ 200,00, mas na
matemática do “bispo” devo pagar R$ 30,00 como
dízimo, e não R$ 20,00. Há, aqui, dois erros: 1) a
perpetuação de um mandamento que caducou no
Gólgota; 2) uma forma de dizimar que nem os
judeus do Antigo Testamento conheceram, já que
eles, embora fossem escrupulosos dizimistas, o
faziam à base de seus rendimentos reais, e não à
base do capital de giro mais a fatura. E, como até
quem não é formado em ciências contábeis sabe,
rendimento real é o lucro, e não o preço da venda.
Sem dúvida, quando um judeu comprava dez vacas,
e cada uma paria um bezerro, ele doava um bezerro
ao SENHOR, e não um bezerro e uma vaca, ou dois
bezerros, ou ainda duas vacas.
Quando vendo um bem de minha propriedade,
devo dar um décimo para Obra de Deus? Você
nunca tem a obrigação de dizimar. Já mostrei que
este mandamento não foi dado à Noiva de Cristo.
Porém, o bem é seu e você faz dele o que melhor
lhe parecer. Você pode: doar todo o dinheiro obtido
com a venda do referido bem, para a igreja onde
você congrega; fazer uma doação total ou parcial do
valor, para os pobres; ou não fazer doação alguma
(At 5.4a). Você decide. Lembre-se: Você está na
Dispensação da Graça, e não sob o sistema mosaico.
Ademais, ainda que você estivesse debaixo da Lei,
você não teria a obrigação de doar 10% do valor da
venda de um patrimônio, visto que a Lei mandava
dizimar sobre os rendimentos. Ora, vender é trocar
por dinheiro e outros valores; e isso é (pelo menos
em primeira instância) uma permuta. E, portanto, é
possível que tal venda não tenha lhe rendido
dividendo algum. Duma venda pode não decorrer
qualquer lucro e às vezes tem-se até prejuízos. É
bom lembrar ainda, que se você pertence ao rol dos
que optaram por ser contribuintes nos moldes
veterotestamentários, que, possivelmente, a
aquisição do bem em questão tenha sido exatamente
com os 90% (ou menos, visto que você, além de
dizimar, oferta também) que lhe restaram, durante
os anos que você vem contribuindo para a Obra de
Deus. Mas, e se você compra para revender? Bem,
aí já é comércio. E, sendo assim, mesmo sabendo
que, como cristão, você não tem este dever, então
dizime, se quiser, sobre o lucro: Comprou por R$
50.000,00, e vendeu por R$ 100.000,00, doe R$
5000,00. E isso, se dentro do tempo decorrente
entre a compra e a venda, não houver ocorrido
alguma desvalorização da moeda. Nesse caso, ter-se-
á que contabilizar as perdas para se certificar do
lucro real, sobre o qual você quer dizimar. E se você
sentir no seu coração um forte desejo de doar algum
valor acima dos 10%? Após verificar se isso vem de
Deus ou se é mera emoção, ceda ao impulso do seu
coração. E que Deus lhe abençoe, conforme Suas
promessas na Sua Palavra.
Suponhamos que você tenha que viajar até para
fora de seu país para fechar um determinado
negócio; que nessas idas e vindas a negócio, seus
gastos com transporte e hospedagem, tenham
chegado a 20.000 reais; que no dia seguinte à
efetuação da compra dos produtos que você
adquiriu para revenda, você os revenda por 200.000
reais; que tais produtos revendidos tenham sido
comprados por 100.000 reais. Problema: Quanto
você deve pagar de dízimo? Primeira resposta: Você
não deve nada. Você só dará o dízimo, se quiser.
Segunda resposta: O preço da revenda (200.000),
menos o valor da compra (100.000), menos os
gastos com transporte e hospedagem (20.000), nos
leva à conclusão de que você lucrou, nesse
hipotético negócio, 80.000 reais. Logo, se você
pertence ao rol dos que, por alguma razão, querem
dizimar, o valor a ser doado é 8000 reais.
CAPÍTULO 18
IMAGINAÇÕES ALADAS
18.1. Uma dispensação superior
Já estamos mais que cientes de que os malaquianos
não dispõem de nenhum texto neotestamentário que
os norteie ao inglório afã de provar o improvável. As
tentativas de provar que o Novo Testamento manda
dizimar são sempre frustradas. Eles estão tentando
defender o indefensável, e, por isso mesmo, quanto
mais dão asas às suas imaginações, mais se
emaranham em seus disparatados devaneios que os
deixam à deriva, sem qualquer norte. E um
“raciocínio” que decorre desses devaneios é: “Deus
ainda exige o dízimo e muito mais do que isto, visto
que os servos de Deus da atualidade participam de
uma Aliança superior à do Povo de Deus do Antigo
Concerto”. Mas se assim fosse, então os
malaquianos deveriam impor algum valor superior a
10%, mais as ofertas; e não apenas 10% , mais as
ofertas. Além disso, poderíamos tachar os apóstolos
de relapsos, visto que, nessa hipótese, eles teriam
nos sonegado essa informação. E nem precisaria
tanto, visto que até o simples dizer que o dizimismo
está de pé, põe em xeque a idoneidade, lisura e
transparência dos apóstolos, e, por conseguinte, da
completude do Novo Testamento, pois equivale a
dizer que esta porção da Escritura Sagrada não
contém todo o conselho de Deus para a presente
dispensação, já que não comporta em si esse
mandamento.
Relembro que eu já registrei em capítulos
anteriores, que nenhum cristão está proibido de
dizimar na presente Dispensação. Aquele que,
inspirando-se no fato de que a Nova Aliança é
superior à Velha, decidir contribuir com 90% de
seus rendimentos, talvez mereça louvor. Mas quem
se atrever a dizer que isso é mandamento, deve, com
certeza, ser passível de advertência, visto que, pelo
menos quanto a isso, é falto do real conhecimento.
E o mesmo se pode afirmar dos que teimam em
dizer que o Novo Testamento manda dizimar. O
cristão ainda pode e deve contribuir para a Obra de
Deus; e para isso não há limite escriturístico, já que
os valores a serem tributados ao Senhor são
estipulados não por uma lei exterior, grafada em
papel, com tinta, mas sim, por dona Posse e senhor
Amor. E, como sabemos, dona Posse e senhor
Amor não se confinam às mesquinharias dos
sovinos.
18.2. “O que vocês fizeram de Malaquias 3.10?”
Se formulada por um evangélico, a resposta à
pergunta que constitui a epígrafe deste tópico deve
ser assim: O mesmo que você fez de Lv 11 (que,
entre outras restrições, nos proíbe o consumo de
carne suína), bem como também o que você fez de
outros textos veterotestamentários que
regulamentam sobre circuncisão, Páscoa,
Pentecostes, Dia da Expiação, poligamia,
concubinato, sacrifícios de animais, levirato, etc.
Você guarda o sábado? Você é circuncidado? Você
observa o ano sabático? Você retira todo o fermento
de sua residência por ocasião da Páscoa? A sua
Páscoa é constituída de erva amargosa, pão ázimo, e
cordeiro assado? Você está disposto a praticar o
levirato, mesmo já sendo casado?
18.3. Abraão, Jacó e os dízimos
Há quem se apoie no fato de Abraão e Jacó terem
dizimado antes da Lei, para apregoar que a doutrina
sobre os dízimos está de pé no Novo Testamento.
Argumenta-se que, considerando que este
mandamento precedeu a Lei, então pode sucedê-la,
já que existe independente do sistema mosaico. Sim,
teólogos de peso, que gozam de minha admiração e
respeito, com quem tenho aprendido muito, têm se
exposto ao ridículo dessa argumentação. (E eu os
compreendo, pois sei por experiência própria de que
nós, prole de Adão, somos assim mesmo. Só
seremos perfeitos quando nos formos desta vida.).
Mas essa interpretação esbarra em muitas
dificuldades, das quais, por ora, pinço só duas:
Primeira: Deus não mandou Abraão e Jacó
dizimar; logo, eles o fizeram por livre e espontânea
vontade, a saber, e não por exigência legal.
Consequentemente, embora seja verdade que ainda
podemos imitá-los quanto a isto, julgo importante
sabermos que tais quais Abraão e Jacó, os cristãos
têm apenas a liberdade e a honra de também
usufruir desta bênção, e não a letra deste
mandamento. Aliás, esta minha conclusão só é
verdadeira porque o Novo Testamento não legisla
contra o ato de dizimar; doutro modo, não teríamos
a mesma liberdade que Abraão e Jacó tiveram sobre
dizimação, e seria pecado imitá-los neste particular,
assim como seria pecado imitá-los na poligamia e no
concubinato. Porventura, a tolerância à poligamia e
ao concubinato também não foi antes da Lei?
Segunda: Será que tudo quanto Abraão e Jacó
fizeram, deve ser encarado como um mandamento
de Deus para a Igreja? Em caso positivo, pergunto:
Então podemos ser bígamos como o foi Jacó (Gn
29.16-31)? Podemos ter concubinas, já que Abraão
e Jacó as possuíam? (Gn 16. 1-4; 30.3, 9-10).
Lembre-se ainda, que: a) a circuncisão foi instituída
por volta de 500 anos antes da promulgação da Lei;
b) os sacrifícios de animais foram estabelecidos por
volta do ano 2500 anos antes da Dispensação da Lei
Mosaica (Gn 4.4; 8.20; 17.10,14). Portanto, se o
fato de Abraão e Jacó terem dizimado antes da Lei,
transformasse este princípio num mandamento
neotestamentário, o cristão teria não só o direito,
mas o dever de: 1) ser bígamo, ou até mesmo
polígamo; 2) relacionar sexualmente com suas
criadas (empregadas?); 3) praticar a circuncisão; 4)
sacrificar animais ao Senhor, etc. Mas, como
sabemos, o Novo Testamento proíbe a poligamia,
condena o concubinato, abole a circuncisão, ab-roga
os sacrifícios de animais (1Co 7.2; 1Tm 3.2; Gl 5.2;
Hb 8-10), e assim por diante.
Do exposto acima, certamente está claro que quem
deseja saber quais são os deveres do cristão, deve
examinar o Novo Testamento para, assim, se
certificar do que consta do Pacto firmado entre
Cristo e a Igreja. Sugiro, pois, que os malaquianos
repensem.
18.4. “O dízimo precede a Lei”
Do fato de não estar escrito que Deus mandou
Abraão e Jacó dizimar, conclui-se que Eles o
fizeram por iniciativa própria. E isso realmente é
possível. Contudo, há, sim, a possibilidade de eles
terem sido instruídos por Deus sobre isso, e o fato
não ter sido registrado, assim como também,
embora não se tenha registrado, é evidente que Deus
mandou Abel sacrificar animais em adoração a Ele,
por volta de 2500 anos antes da Lei, visto que,
doutro modo, ele não saberia que esta era a vontade
de Deus naqueles idos. Mas, de um jeito ou de
outro, o nosso dever como integrantes que somos do
Povo de Deus da atualidade, se limita às ordens
dadas à Igreja, ordens estas exaradas nas páginas do
Novo Testamento, principalmente nas epístolas
apostólicas, podendo incluir aí muitas coisas do Atos
dos Apóstolos, e até mesmo uma boa porção (não
tudo) do que consta dos Evangelhos, como, por
exemplo, aquelas questões que foram ratificadas nas
epístolas apostólicas.
O cristão deve entender que: a) ele não precisa
sacrificar animais a Deus (apesar de Cristo ter
mandado o ex-leproso fazê-lo [Mt 8.4.], em
obediência a Lv 14.1-32); b) ele não precisa pagar o
dízimo (apesar do fato de que Cristo mandou os
seus patrícios pagá-lo [Mt 23.]); c) ele não precisa
guardar o sábado (a pesar do fato de que fervorosas
cristãs o terem observado [Lc 23.56], em obediência
ao mandamento da lei mosaica, conforme registrado
em Êx 20.10 e Dt 5.14). Estes fatos ocorreram na
vigência do Antigo Testamento, pois o Novo
Testamento não nasceu na manjedoura, nem
tampouco no Calvário, mas no Domingo da
Ressurreição. Aliás, há quem creia que o Novo
Testamento foi inaugurado no dia de Pentecostes
aludido em At 2. Os dessa escola entendem que no
intervalo de tempo decorrido entre a ressurreição e
aquele Pentecostes aludido em At 2, teria se
concretizado o período de transição entre a Velha
Dispensação e o Novo Pacto firmado entre Cristo e
a Igreja. Ademais, levou-se um considerável tempo
entre o mencionado Pentecostes e a entrega do
Corpo de Doutrinas (em sua totalidade e por escrito)
que nortearia a Igreja durante sua militância na
Terra. E o Novo Testamento deixa transparecer
nitidamente, que foi a Paulo (que no dia de
Pentecostes nem cristão era ainda, e que viria a ser
matador de cristãos) que Deus mais tarde confiou a
maior parte dos mistérios que constituem o que
Judas chamou de fé que uma vez por todas foi
entregue aos santos, isto é, o pacote (digamos
assim) das doutrinas dadas à Igreja. Portanto, é
lendo Atos dos Apóstolos, e sobretudo as epístolas
apostólicas e o Apocalipse, que vamos saber se o
crente tem ou não que pagar dízimo. E quem faz
isso com os óculos de sua igreja de estimação
dificilmente vê que podemos dar adeus à obrigação
de dizimar, do mesmo modo que podemos dar
adeus ao dever de guardar o sábado, e solenemente
despedir das restrições alimentares de Lv 11, etc.
Quem prega que o dizimismo está de pé no Novo
Testamento, mas consome carne suína e não guarda
o sábado, é mais incoerente do que os sabatistas, já
que, via de regra, estes harmonizam a incoerência da
manutenção da doutrina dos dízimos, com as
discrepâncias da guarda do sábado e da observância
do cardápio judaico (que, entre outras proibições,
vedava aos israelitas o consumo de carne suína).
18.5. “De fato, não há...”
“De fato não há”, são palavras constantes de um
livro integrante da grade curricular de um seminário
teológico evangélico (cuja identidade omito para não
lhe denegrir a imagem), enquanto discorre em
defesa da crença de que “O dízimo... permanece na
dispensação da graça”. Tal livro, em refutação aos
que afirmam que “Não há nenhum mandamento de
dar o dízimo no Novo Testamento”, argumenta na
página 77 dizendo que “De fato, não há, nem
haveria necessidade disto. Tratava-se de uma prática
generalizada”. Você entendeu? O livro concorda que
de fato este mandamento não consta do Novo
Testamento, mas observa que o porquê dessa
omissão reside no fato de que Deus não teve que dar
esta ordem aos cristãos do século I, visto que eles,
por iniciativa própria, adotaram e generalizaram essa
prática. Isto significa que o autor do dito livro
concorda comigo parcialmente. Senão, veja estes
três pontos, nos quais convergimos em dois (no
primeiro e no segundo) e divergimos num (isto é, no
último):
1) eu creio que esse mandamento não consta
do Novo Testamento, e o autor do tal livro
também ensina isso, pois disse textualmente
que “De fato não há”;

2) eu creio que Mt 23.23 (usado por alguns


como prova cabal de que o Novo
Testamento manda dizimar, e por outros
como uma inferência da atualidade desse
preceito), na verdade não prova que o
dízimo consta do Novo Testamento, já que
Cristo proferiu as palavras registradas neste
versículo, antes da caducidade do sistema
mosaico. E o autor do tal livro também
ensina isso, visto que, doutro modo, ele
não diria que “De fato não há” esse
mandamento no Novo Testamento;

3) eu creio que a ausência desse mandamento


no Novo Testamento, decorre do fato de
que Deus não quis dar esse mandamento
ao Seu Povo da Nova Aliança, mas o autor
do tal livro crê diferente de mim. Ele
destoa de mim quando ensina que os
cristãos primitivos tomaram a iniciativa de
dizimar por livre e espontânea vontade,
poupando assim o Espirito Santo de ter que
mandá-los fazer isso. Logo, neste último
ponto, eu e o autor do tal livro não temos a
mesma opinião, pois não creio que a
ausência de mandamento sobre dízimo no
Novo Testamento decorra da proatividade
da Igreja primitiva, mas sim, do fato de que
Deus não quis nos dar este mandamento
escrito com tinta em papel (Na verdade,
papiro ou pele).

Embora o tal livro tenha afirmado categoricamente


que “De fato não há” nenhum mandamento de dar o
dízimo no Novo Testamento, fez, nos pontos
seguintes, outras interessantes declarações sobre o
dízimo, mas desta vez intuindo provar que essa
doutrina está implícita no Novo Testamento. Tais
declarações são as seguintes: a) “O dízimo...
permanece na dispensação da graça”; b) baseando-
se em Mt 23.23 se diz que Cristo deu “seu apoio à
doutrina do dízimo”; c) comentando Hb 7.1-10 se
afirma que considerando que Melquisedeque, que
tipificava Cristo, recebeu dízimo de Abraão, então
“Jesus... recebe dízimos até hoje dos crentes
fiéis...”; e d) respaldando-se em 1Co 9.14 (à luz do
contexto), que diz que “Assim ordenou também o
Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam
do evangelho” (Grifo nosso), se conclui que a
palavra Assim, “Quer dizer que do mesmo modo
como eram sustentados os sacerdotes, assim devem
ser sustentados os ministros do evangelho, isto é,
com os dízimos entregues pelo povo de Deus”.
(NOTA: Reitero que não creio assim. Estou apenas
informando o que o tal livro diz)
Entendo que à luz do contexto, 1Co 9.14 deve ser
interpretado da seguinte maneira: Os cristãos que
atuam de tempo integral na evangelização, são tão
dignos de serem sustentados pela Igreja, quanto o
eram os sacerdotes, os demais levitas, os reis...
(Obreiros de tempo integral), do Antigo Testamento;
por cujo motivo o Senhor ordenou que os Obreiros
da presente dispensação, separados para a exposição
Evangelho, também vivam do Evangelho, ou seja, a
Igreja tem o dever de lhes prover o sustento; e, para
tanto, o Senhor mandou a Igreja contribuir, para,
entre outras coisas, mantê-los de tempo integral, na
Obra. Isso, e mais nada. Ver neste versículo uma
prova ou até mesmo uma pista de que consta do
Novo Testamento o mandamento de dizimar, é uma
opinião da qual não comungo. E, nesse caso, com a
agravante duma contradição, pois diz
concomitantemente que “De fato não há” esse
mandamento no Novo Testamento. Afinal das
contas, há ou não há?!
Bem, se o motor que me mobiliza é o amor a
Deus, às almas perdidas, e à igreja, preciso ser um
crítico simpático e altruísta. E, com isso em mente,
quero pedir licença para sugerir melhorias no livro
que ora pondero, para que ele, que já está muito
bom, seja promovido à excelência. As melhorias
que, se me são permitidas, me atrevo a sugerir, são
as seguintes: ao invés de contestar os que afirmam
que “Não há nenhum mandamento de dar o dízimo
no Novo Testamento”, com a firmação de que “De
fato, não há, nem haveria necessidade disto.
Tratava-se de uma prática generalizada”, que se diga
o seguinte: “Não há explicitamente, mas
implicitamente há sim”. E, ato contínuo, faça as
afirmações que se seguiram: a) “O dízimo...
permanece na dispensação da graça”; b) em Mt
23.23 Cristo deu “seu apoio à doutrina do dízimo”;
c) visto que em Hb 7.1-10 se afirma que
Melquisedeque, que tipificava Cristo, recebeu
dízimo de Abraão, então “Jesus... recebe dízimos
até hoje dos crentes fiéis...”; e d) que do fato de
1Co 9.14 afirmar que “Assim ordenou também o
Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam
do evangelho”, “Quer dizer que do mesmo modo
como eram sustentados os sacerdotes, assim devem
ser sustentados os ministros do evangelho, isto é,
com os dízimos entregues pelo povo de Deus”. Essa
mudança na arrumação do tal livro-texto, não altera
o seu conteúdo infelizmente malaquiano, mas lhe
confere coerência, tornando-o mais acadêmico. Não
posso obrigar ninguém a crer como eu creio, mas
todos os pensantes vinculados aos institutos
educacionais devem se auto obrigar a, entre outros
fatores, primar pela coesão, pois declarações
disparatadas podem dar azos a detrações por parte
de pessoas maldosas, que, por isso mesmo, podem
induzir os incautos a pôr em xeque a seriedade e o
academismo do estabelecimento de ensino em lide.
E, no caso em pauta, com a agravante do fato de a
instituição que adotou tal compêndio como livro-
texto, não ser secular (mas religiosa), não visando,
pois, a formação de profissionais para esta vida, e
sim, o preparo espiritual e intelectual de viticultores
de Deus que laborarão “na seara e na vinha do
Senhor”.
É oportuno ressaltar que reconheço que a
perfeição não é da nossa alçada, e sim, da
competência exclusiva de nosso Onisciente e
Onipotente Deus. Mas este fato não pode nos
induzir ao comodismo, mas sim, à busca pela
excelência. E para isso contribuem grande e
decisivamente a autocrítica e a humildade para se
aceitar ponderações inteligentes e despidas de
megalomania, ainda que procedam de nossos
subalternos.
18.6. Oba!
Os avarentos adoram ouvir que nós, os cristãos,
não temos a obrigação de dizimar. Mas eles
precisam saber que o fato de Cristo nos ter dito que
não devemos ajuntar tesouro na Terra, mas sim, no
Céu, nos leva a doar muito mais de dez por cento de
nossa renda. Será que um empresário, cujo pró-
labore seja de R$ 200.000, e que doa R$ 20.000
para Deus, e retém R$ 180,000 para si, não está
ajuntando tesouro na Terra? Será que não seria
melhor doar R$ 170.000 para a Obra de Deus, e
reter para si R$ 30.000? Bem, não podemos julgar o
tal empresário, por, pelo menos, quatro razões: 1)
Não somos juízes; 2) não sabemos do que se passa
no seu coração; 3) ignoramos os seus projetos; 4)
essa questão é de foro íntimo. E, por tudo isso,
sugiro que se debruce em reflexões teológicas sobre
o que ora exponho. Averigue o tamanho de seu
amor pelo dinheiro, mensure a grandeza de seu
amor pela Obra de Deus, meça as suas posses, e
decida à base dessa autoanálise.
Para os que deveras conhecem a Bíblia e não a
torcem, a Lei de Cristo (constante do Novo
testamento) é mais rigorosa do que o Antigo
Testamento. Senão, vejamos: este permitia a
poligamia e o concubinato, mas aquela, os proíbe;
este determinava que uma boa parte das ofertas
fosse consumida pelo próprio ofertante, mas aquela
determina um tipo de oferta, da qual, nem sempre
temos algum retorno material. E, como se tudo isso
não bastasse, este estipulava e normatizava os
dízimos, bem como determinava outras
contribuições (conforme a disposição do coração do
ofertante), mas aquela “proíbe” ajuntar tesouro na
Terra; este proibia o homicídio, mas aquela
considera como assassinos, os que não amam o seu
irmão. E assim por diante. (NOTA: Às vezes, parte
de nossas contribuições nos é devolvida em forma
de igrejas [prédios dentro dos quais nos reunimos
para o culto congregacional], bancos, ar
condicionado, iluminação, água, etc. E é por isso
que eu disse que nem sempre temos algum retorno
material. Aclarando: Se nem sempre temos retorno,
então às vezes o temos. E o temos, quando, por
exemplo, nos sentamos nos bancos de nossas
igrejas).
CAPÍTULO 19
HÁ LEIGOS E MINISTROS VENDO
Já no começo de minha caminhada cristã, percebi
que alguns cristãos se perguntam quanto à
caducidade ou não do ato de dizimar. Porém, eu não
podia ajudá-los a dirimir suas dúvidas, visto que eu
também abrigava inseguranças sobre esta questão.
E, por isso, eu preferia calar-me. Aliás, eu estava
muito propenso a crer na perpetuação da doutrina
sobre os dízimos. Pensava assim: Talvez, por este
preceito não ser cerimonial, e sim, moral, deva ser
mantido. Mas, após posicionar-me em firmes bases
teológicas e confidenciar minhas conclusões a
renomados colegas de Ministério, fiquei surpreso
com o que ouvi. Alguns pastores me disseram que já
tinham suspeitado dessa doutrina que lhes parecia
arcaica, mas que, tal qual eu vivera durante muitos
anos, também temiam estar interpretando a Bíblia
erradamente; e, por isso, preferiram se calar,
enquanto aguardavam maior esclarecimento da parte
do Senhor. E ainda outros (Diáconos, Presbíteros e
Pastores) me disseram que há anos haviam
enxergado que os malaquianos estão equivocados.
Contudo, a maioria desses estudiosos das Escrituras
com os quais confabulei confidencialmente sobre o
assunto deste livro, ainda não sabe se se deve ou não
expor a verdade às ovelhinhas. E entre as razões
pelas quais se calam, está o receio de escandalizar os
fracos, os quais passarão a ver os Pastores
malaquianos como trapaceiros. O que seria uma
estúpida generalização, visto que muitos Pastores
malaquianos são verdadeiros servos de Deus, cheios
do Espírito Santo. Eles não enganam o povo com
segundas intenções, e sim, por também serem
vítimas desse logro.
Um dos meus confidentes sobreditos, um pastor
portador de profundo conhecimento teológico, que
considero erudito da Bíblia, antes de ser Pastor,
expôs essa verdade aos seus alunos na Escola
Dominical de sua igreja. Mas como o ocorrido
chegou aos ouvidos do seu Pastor, este o proibiu de
voltar a tocar nesse assunto, dizendo-lhe: “O Novo
Testamento não manda pagar dízimo, mas também
não diz que não é para pagar”. Então, o dito perito
bíblico contra-argumentou tão forte que o seu Pastor
só pôde dizer o seguinte: “Mas eu não quero que
você ensine isso aqui”.
Parece-me que a avareza é o principal entrave para
a correta exposição sobre os dízimos, na presente
Dispensação. Há, entre outros, dois posicionamentos
avaros sobre os dízimos: o dos que pagam dízimo e
o dos que recebem dízimo. Estes têm um medo que
se pela da verdade que aqui exponho, pois veem na
perpetuação da doutrina sobre os dízimos uma
excelente vaca leiteira. Já aqueles, ofertam sem
nenhum prazer, fazendo-o apenas para não serem
excluídos do rol de membros de suas igrejas, e/ou
porque almejam ser promovidos a recebedores de
dízimos, ou seja, o alvo deles é virar Pastor para
também viverem à custa dos ingênuos. Os
portadores dessa última aspiração perceberam que o
negócio dá; e, por isso, sonham acordados com as
prebendas que lhes permitirão o retorno do
“investimento” que ora fazem na “empresa” onde
servem a Mamom. Os servos desse deus subsistem
em diversos grupos, sendo que o grupo dos
“cristãos” que lhe rendem culto se subdividem em
dois grupos principais, a saber, os leigos e os
sacerdotes e sacerdotisas. Aqueles pagam dízimos e
ofertas com aspirações de retorno puramente
materiais, e estes recebem essas contribuições como
se eles fossem o objeto das mesmas.
Outro fator que contribui consideravelmente para a
manutenção do engano em pauta, é o fato de que
não são poucos os que gostam de ser enganados.
Muitas ovelhinhas de Jesus, por mais que sejam
alertadas, preferem ombrear a maioria, a ficar do
lado certo. Certa irmã me disse: “Agora, que estou
esclarecida sobre este assunto, sinto saudade do meu
tempo de ignorância.” E acrescentou: “Ó meu Deus,
por que fui saber a verdade?! Era tão bom ser
enganada!” Mas com a ajuda de nosso Deus,
certamente vamos levar luz a muitas pessoas
iludidas; as quais serão gratas ao Senhor por isso.
Mas não ignoro, concomitantemente, que os
“Pastores” espertinhos vão continuar mamando na
teta da vaca, à custa dos ingênuos, visto que, como
bem o diz um velho provérbio “enquanto existir
cavalo São Jorge não anda a pé”.
CAPÍTULO 20
CERIMONIAIS, SIM; MORAIS, NÃO?
2.1. Sobre a plena caducidade da Lei
Por muito tempo pensei que por ser o dizimismo
uma questão moral, e não cerimonial, talvez ainda
estivesse de pé. Oh! Como eu estava errado! Quem
disse que só não foram transportados do Velho
Testamento para o Novo, os mandamentos
cerimoniais? Ser ou não ser polígamo, ter ou não ter
concubinas, etc., não são questões cerimoniais, e
sim, morais; entretanto, a tolerância a essas práticas
não foi mantida no Novo Testamento. E o mesmo se
pode dizer do levirato, incompatível com a
monogamia neotestamentária, já que nem os
homens casados eram eximidos desse dever legal.
Uma das coisas que precisamos entender é a
verdade sobre a caducidade plena da Lei. Isso é
imprescindível para não nos pormos sob o seu jugo,
nem mesmo parcialmente. E talvez a passagem
bíblica mais pertinente, incisiva e clara sobre isso,
seja 2Co.3.6-16. Leiamo-la, pois:

“O qual nos fez também capazes de ser


ministros dum Novo Testamento, não
da letra, mas do Espírito; porque a
letra mata, e o Espírito vivifica. E, se o
ministério da morte, gravado com
letras em pedras, veio em glória, de
maneira que os filhos de Israel não
podiam fitar os olhos na face de
Moisés, por causa da glória do seu
rosto, a qual era transitória, como não
será de maior glória o ministério do
Espírito? Porque, se o ministério da
condenação foi glorioso, muito mais
excederá em glória o ministério da
justiça. Porque também o que foi
glorificado, nesta parte, não foi
glorificado, por causa desta excelente
glória. Porque, se o que era transitório
foi para glória, muito mais é em glória
o que permanece.
”Tendo, pois, tal esperança, usamos
de muito ousadia no falar. E não somos
como Moisés, que punha um véu sobre
a sua face, para que os filhos de Israel
não olhassem firmemente para o fim
daquilo que era transitório. Mas os
seus sentidos foram endurecidos;
porque até hoje o mesmo véu está por
levantar na lição do Velho Testamento,
o qual foi por Cristo abolido. E até
hoje, quando é lido Moisés, o véu está
posto sobre o coração deles. Mas,
quando se converterem ao Senhor,
então, o véu se tirará” (2Co 3.6-16,
[ARC _ Almeida Revista e Corrigida]).

No texto acima transcrito, o Decálogo é


contrastado com o Novo Concerto, assim: a) o
Decálogo (isto é, os Dez Mandamentos) é chamado
de “ministério da morte” (v 7a) e de “ministério da
condenação” (v 9a), ao passo que o Novo
Testamento é chamado de “ministério do Espírito”
(v 8) e de “ministério da justiça” (v 9b); b) do
Decálogo se diz que “veio em glória” (v 7),
enquanto que do Novo Testamento se afirma que “é
de maior glória” (v 8) e que excede “em glória” (v
9b); c) do Decálogo se diz que “era transitório” (isto
é, não veio para ficar, estava de passagem, era
provisório) (vv 11a; 13b; 7b), mas do Novo
Testamento se diz “que permanece” (v 11b). E por
que digo que estas declarações Paulinas se referem
ao Decálogo? Por muitas razões, das quais, uma é o
fato de Paulo afirmar que tal ministério da morte foi
“gravado com letras em pedras”. Ora, que parte da
Lei foi escrito em pedras, senão os Dez
Mandamentos? Temos, pois, aqui a prova de que
nenhum dos mandamentos do Antigo Testamento
está de pé no Novo Testamento. O Novo é novo, e
não o Velho melhorado, enxugado, ampliado,
expurgado, adaptado à realidade atual, etc. O cristão
tem um novo não matarás, um novo não furtarás,
um novo não cobiçarás, etc.
20.2. O Decálogo não era completo
Embora os Dez Mandamentos tenham se ajustado
como uma luva à conjuntura da Quinta
Dispensação, o estabelecimento do Sacerdócio de
Cristo e o subsequente inaugurar da Sexta
Dispensação os tornaram antiquados (Hb 7.12); por
cujo motivo foram ab-rogados (Hb 7.18) e
substituídos pela Lei de Cristo (1Co 9.21), a qual
não é sombra, e sim, realidade, pois se funda no
amor somente. De fato, os Dez Mandamentos
deixavam a desejar (quando comparados com a
realidade neotestamentária), pois nunca abarcaram a
vontade absoluta de Deus em sua totalidade; antes,
se adequavam à vontade permissiva de Deus,
tolerando o que a Lei de Cristo (vigente há quase
dois mil anos) não tolera. Verdadeiramente, os Dez
Mandamentos nunca representaram a absoluta e
completa vontade de Deus, nem mesmo em síntese.
Senão, veja estas omissões: Primeira omissão: Não
proíbem a embriaguez; Segunda omissão: Não
proíbem a mediunidade (contato com os supostos
espíritos de mortos [Dt 18.11]); Terceira omissão:
Não proíbem a consulta a espíritos adivinhantes
(espíritos que se diziam deuses e deusas [Dt 18.11].
Embora não sem controvérsia, a palavra traduzida
em At 16.16 por “espírito de adivinhação”, na ARC
[Almeida Revista e Corrigida], é pítona, derivada de
Piton, a deusa cobra, guardiã do oráculo de Delfos).
É, pois, muito evidente que Paulo tenha expulsado
um demônio visto pelo povo como uma divindade
de alto prestígio, chamada por eles de Deusa
Serpente. Atente para o fato de que Dt 18.11 não
proíbe apenas a consulta aos mortos, mas também a
consulta a espíritos adivinhantes, o que prova que
uma coisa não é a outra. O texto faz distinção entre
mortos e espíritos adivinhantes. Então Deus proíbe
aqui duas coisas, a saber, proíbe consultar ao que os
pagãos criam ser espíritos dos mortos, e proíbe
consultar ao que os pagãos acreditavam ser espíritos
adivinhantes. Amostras dessas distinções existem até
hoje. Se você for a um Terreiro de Candomblé
(cujas crenças são uma mistura de paganismo
africano com o Catolicismo Romano), verá que os
candomblecistas creem que acorrem às suas
reuniões, não só os espíritos que se identificam
como sendo de pessoas comuns, que já morreram,
mas também as divindades. Veja, pois, as
considerações abaixo: Quem são os orixás? Os
adeptos dos cultos afro-brasileiros (principalmente
os candomblecistas e os quimbandistas) creem em
muitos deuses, aos quais chamam de orixás. Talvez
essa afirmação lhe surpreenda, mas os orixás são
divindades (deuses) na ótica dos verdadeiros
macumbeiros, ou na ótica de quem, por ser
estudioso das religiões, conhece as crenças do culto
afro-brasileiro. Daí, o dicionarista Aurélio definir
orixá assim: “... Divindade africana ...” E, como
sabemos, quando, em termos religiosos, se afirma
que um determinado ser é uma divindade, o que se
quer dizer com isso é que o mesmo é um deus. A
palavra divindade, que pode significar uma deidade,
ou seja, deus ou deusa, significa, também, a essência
da natureza divina, sem entrar no mérito da
autenticidade da mesma.
Xangô: Este é, segundo se crê, um dos orixás mais
poderosos; Orixalá ou simplesmente Oxalá: Esse
espírito é visto pelos umbandistas como o grande
Orixá que, geralmente, devido ao sincretismo do
paganismo africano (que os escravos importados da
África trouxeram para o Brasil) com as doutrinas da
Igreja Católica Romana, é confundido com o
Senhor Jesus Cristo.
Exu: Esse orixá, segundo o Novo Dicionário
Aurélio “representa as potências contrárias ao
homem”, isto é, os adeptos dos cultos afro-
brasileiros sabem que ele é mau. Ademais, já ouvi
alguns ex-candomblecistas dizerem que, antes de se
converterem ao Evangelho, elogiavam a esse Orixá
mais por temê-lo do que por acreditarem na sua
bondade. E realmente, o dicionarista Aurélio afirma
que Exu é “... assimilado ao Demônio ... porém
cultuado ... porque o temem” (Grifo nosso). Ou
seja, o doutro Aurélio está nos informando que os
adoradores desse orixá sabem que ele não presta, e,
por isso mesmo, lhe rendem culto para que ele não
os prejudique.
Iemanjá: Crê-se que essa deusa, cognominada
Rainha do Mar, é mãe de quinze Orixás, entre os
quais um tal de Ajé-Xalugá (ou Ajé-Xalucá). Esse
“é o deus nagô da saúde, da medicina, juntamente
com Ajá e Oxambim” (KOOGAN/HOUAISS.
Enciclopédia e Dicionário. Rio de Janeiro: Editora
Guanabara Koogan, 1993, p. 920). Pouquíssimos
são os que ainda cultuam a Ajé-xalugá e a seus
irmãos, mas a deusa que lhes deu à luz tem milhões
de adoradores no Brasil e no exterior.
***

Creio que a exposição acima tenha lhe ajudado a


entender o porquê de Dt 18.11 distinguir entre
consulta aos mortos e consulta a espíritos
adivinhantes.
Há quem creia que a distinção entre mortos e
espíritos adivinhantes constante do texto em apreço
(Dt 18.11), deva-se ao fato de que alguns pagãos
consultavam não só espíritos, mas também
cadáveres. Eu, porém, não prego isso, porque ainda
não me convenci disso. Acho que a explicação
acima, sobre espíritos comuns e espíritos que,
segundo a crença dos pagãos, eram deuses, é mais
consistente.
Quarta omissão. Não proíbem a astrologia;
Quinta omissão: Não proíbem o falar palavras
torpes; Sexta omissão: Não proíbem a poligamia;
Sétima omissão: não proíbem o concubinato; Oitava
omissão: Não proíbem a uma mulher (conquanto
ela seja solteira ou viúva ou divorciada) de desejar o
marido da próxima, podendo até mesmo se casar
com ele e passar a ser mais uma esposa dele, ou
ainda se tornar sua concubina. E é por estes e outros
motivos que Deus, longe de pretender mantê-los
durante todo o peregrinar terráqueo do Seu povo,
aprazou a validade deles, validade esta a expirar no
Calvário. E este mistério foi revelado a Paulo, o
qual, por sua vez, no-lo notificou no texto acima
copiado de sua Segunda Epístola aos Coríntios, no
qual ele, além de chamar o Decálogo de
“transitório”, diz que “o ministério do Espírito” (ou
seja, o Novo Testamento no qual estamos) supera
em glória ao tal ministério “transitório” que o
precedeu; com o qual, o Decálogo, como parte
integrante que era, feneceu juntamente. E
acrescentou que o presente ministério, mais glorioso
do que aquele que passou, “permanece”, isto é, veio
para ficar até à volta do Senhor.
20.3. Não estou só
20.3.1. Ombreia-me a cúpula assembleiana

Via Almeida
E não estou só, quanto ao que expus acima sobre a
transitoriedade dos Dez Mandamentos; antes, sou
ombreado por muitos teólogos, entre os quais
(pasme o leitor), a cúpula da Assembleia de Deus.
Sim, foi com essa cúpula composta de homens
santos e sábios que aprendi o que acima registrei.
Esses consultores teológicos de grande envergadura
aprovaram a edição de um livro, da lavra do
profícuo escritor, teólogo de grande monta,
professor de peso, Pastor exemplar, Missionário
desbravador... Abraão de Almeida, que fez as
seguintes afirmações: a) “...as tábuas de
pedra...foram um símbolo da Lei...referida por
Paulo como o ‘ministério da morte’ gravado com
letras em pedra... Vê-se que o apóstolo não fazia
qualquer distinção entre lei ‘moral’ e lei
‘cerimonial’, pois quando afirma que Cristo aboliu o
velho concerto dá como referência as TÁBUAS DE
PEDRA” (Abraão de Almeida. O Sábado, a Lei e a
Graça. Rio de Janeiro: CPAD, 1980, p. 104. Ênfase
no original); b) “Jesus ...cumpriu ...o Decálogo...,
razão pela qual a obrigatoriedade da sua observância
já passou...” (Ibid., p. 106); c) em refutação ao
argumento de que falta coesão na alegação dos que
observam todos os mandamentos do Decálogo,
menos o quarto mandamento, por julgá-lo abolido
por Cristo, Almeida diz o seguinte: “O motivo
porque nos abstemos daqueles pecados não é
porque estejam proibidos na lei de Moisés, mas
porque eles são proibidos no novo concerto... Não
estamos sem lei, mas sob a lei de Cristo, 1Co.9.21”
(Ibid., p. 63); d) E Almeida diz mais: “A Lei (não
somente os dez mandamentos) findou na Cruz, com
mudança de sacerdócio” (Ibid., p. 118. [Os
parênteses e seu conteúdo não são meus]).
Com meridiana clareza podemos ver, pois, que o
piedoso e sábio Pastor Abraão de Almeida, não
presta obediência alguma ao Decálogo, pois o vê
como obsoleto.
Veja, se o Decálogo, que é o cavalo de batalha dos
legalistas, está abolido, Ml 3.10 é que não está?
Eu disse que a cúpula da Assembleia de Deus
aprovou a publicação do referido livro do Pastor
Almeida, porque a Casa Publicadora das
Assembleias de Deus não publica livro algum, sem
antes submetê-lo ao escrutínio do Conselho de
Doutrina da Convenção Geral das Assembleias de
Deus, que examina se “nada contraria as doutrinas
esposadas pelas Assembleias de Deus” (Nemuel
Kessler e Samuel Câmara. Administração
Eclesiástica. Rio de Janeiro: CPAD, 2 ed., 1992, p.
100). (NOTA: Nemuel Kessler e Samuel Câmara
são Pastores assembleianos.) Logo, a cúpula
assembleiana aprovou o livro do Pastor Abraão de
Almeida. Que, pois, ponham a mão na boca, os que
veem a presente pronunciação como um ato isolado,
de autoria de um inovador, pois quando digo que Ml
3.10 já deixou de ser vigente há quase dois mil anos,
falo com base no que aprendi consultando os livros,
brochuras, artigos... aprovados pela cúpula do maior
Movimento Pentecostal do mundo (a saber, as
Assembleias de Deus), movimento este do qual
tenho a graça e a honra de fazer parte, tendo sido
ordenado pela CGADB - Convenção Geral das
Assembleias de Deus no Brasil. (Desliguei-me desta
Convenção, mas permaneço na Assembleia de
Deus, pois emigrei apenas para outra convenção,
não da denominação.)
Minhas mais de quatro décadas como
assembleiano, me permitem antever que os
expoentes lideres desta denominação, retro
mencionados, citem Mt 23.23 e muitos outros
textos, intuindo provar que o texto de Ml 3.8-10
está, noutras palavras, repetido no Novo
Testamento. Mas, como já visto, falta-lhes
coerência, já que não veem em Mt 8.4 a prova de
que noutras palavras, a ordem para se sacrificar
animais consta do Novo Testamento. E essa
aleatoriedade é um erro do qual Deus quer expurgar
a minha querida Assembleia de Deus.

Via Boyer
Pastor assembleiano, que quando se foi desta vida,
nos deixou saudades que só findarão quando o
reencontrarmos na Casa do Pai, o escritor,
conferencista, missionário e articulista Orlando S.
Boyer, herói da fé falecido em 1978, fez a seguinte
afirmação: “Atualmente, não há mais mandamento
de guardar o sábado, porque ele é um dos dez
[mandamentos] que foram removidos” (Colchetes
nossos). Boyer fez esta afirmação num artigo de sua
autoria, publicado no jornal Mensageiro da Paz,
órgão oficial da Assembleia de Deus no Brasil. (No
recorte em meu poder, do qual fiz esta cópia, é
possível identificar que se trata do periódico
Mensageiro da Paz; mas a parte que continha a data,
não foi (lamentavelmente) preservada. Mas se não
me falha a memória, trata-se de uma publicação
datada do início da década de 1980, ou final da
década de 1970.) Como se pode ver, enquanto
discorria sobre a guarda do sábado (e não sobre
dízimos e ofertas), Boyer disse que os Dez
Mandamentos “foram removidos”. E se somarmos
esta afirmação às quatro declarações feitas pelo
Pastor Abraão de Almeida, acima transcritas de seu
maravilhosíssimo livro, que leva o título de O
Sábado, a Lei e a Graça, e sem desconsiderarmos o
fato de que de acordo com o livro Administração
Eclesiástica, todas estas assertivas passaram pelo
crivo do Conselho de Doutrina da Convenção Geral
das Assembleias de Deus, temos cinco provas cabais
de que deveras não estou só, quando afirmo que o
cristão não deve nenhuma obediência aos
mandamentos do sistema mosaico, estando
desobrigado não só de Ml 3.10, mas até mesmo dos
Dez Mandamentos. De sorte que, se queremos saber
se o cristão tem ou não que pagar dízimo, temos que
buscar informação na Lei de Cristo, e não na Lei de
Moisés, nem tampouco nos profetas que falaram aos
que estavam sob o sistema mosaico. E, como já
afirmei reiteradas vezes, a Lei de Cristo não nasceu
na manjedoura, não nasceu com o ministério de
João Batista, não nasceu quando Jesus foi batizado,
etc. A Lei de Cristo, que não entrou em vigor ates
da Sua ressurreição dentre os mortos, só consta do
Antigo Testamento, embrionariamente. Até mesmo
dos quatro Evangelhos, a Lei de Cristo precisa ser
joeirada, porque, como já demonstrado, nem tudo
que Cristo falou antes de Sua morte, deve ser
acatado pela Igreja, visto que Cristo, consideradas as
devidas proporções, também era um profeta
veterotestamentário, pois também nasceu “sob a lei”
(Gl 4.4), isto é, Ele nasceu quando a Lei ainda era
vigente, e, portanto, Lhe dizia respeito, visto que Ele
é judeu. É por isso que Cristo, referindo-se à
fundação da Igreja, usou o verbo edificar no futuro
(“...edificarei a minha Igreja...” [Mt 16.18]). Ele
não disse edifiquei, mas sim, “edificarei”, porque
Ele ainda não a havia edificado. Ele já tinha
discípulos, mas não tinha a Igreja.
Acima estão, pois, cinco provas de que a
Assembleia de Deus prega oficialmente que os Dez
Mandamentos não são vigentes hoje em dia, sendo
que quatro constam do livro O Sábado, a Lei e a
Graça, e uma jaz no jornal Mensageiro da Paz. E se
até o Decálogo morreu quando Jesus reviveu, então
toda a Lei feneceu ao esvaziar da tumba, ao terceiro
dia da morte de nosso novo e atual sacerdote (Hb
6.20; 7.12,18). E se toda a Lei feneceu, então, só
poderíamos pregar que o dizimar é uma doutrina
ainda vigente, se esse mandamento constasse do
Novo Testamento. E, como já massifiquei, “De fato
não há”, como bem o prega um dos institutos
teológicos assembleianos. E não me venham com
Mt 23.23, Lc 11.42, Hb 7.8, etc.; antes, poupem-me
dessas incongruências.
20.3.2. É-me solidário um batistão
Piedoso, santo, erudito e escritor de grande monta,
Antônio Neves de Mesquita (Pastor Batista que foi
para mais perto do seu Senhor e Salvador em 1979,
aos 91 anos de idade) também não via o Decálogo
como uma Lei dada à Igreja. Segundo ele, “Nós não
estamos obrigados a esta Lei das duas tábuas de
pedra, porque a nossa Lei é Cristo...” (Citado em O
Sábado, a Lei e a Graça, op. cit., p. 113). Mesquita
entendia que: a) “A Lei moral, cerimonial e civil,
não são três leis, mas uma só Lei que foi encravada
na cruz e lá morreu para toda a história da
humanidade” (Ibid., pp. 113-114); b) “[Cristo] não
cumpriu [apenas] a parte da lei cerimonial e deixou
o resto para nós cumprirmos (Ibid., p. 113); c) o
fato de Cristo ter cumprido a Lei em sua totalidade,
não deixando de fora “nem um só jota, nem um só
til”, deve nos levar à conclusão de que “Deus [não
deixou] um pedaço [da Lei] para nós, miseráveis e
incapazes pecadores, cumprirmos. Não. Isto não é
razoável nem possível. Aberra de todo o bom senso,
e mistura o legalismo com a graça...” (Ibid.)
20.3.3. O ICP está comigo
O ICP (Instituto Cristão de Pesquisas),
reconhecido por todos os teólogos evangélicos como
ortodoxo, vem reiterando que o Decálogo não está
em vigor: a) “Os Dez Mandamentos faziam parte do
Antigo Conserto que...foi abolido por Cristo” (Série
Apologética. São Paulo: ICP _ Editora, 1 ed., 2002,
volume III, p. 32); b) “Jesus, pois, veio cumprir toda
a lei, inclusive o decálogo; logo, já passou e deixa de
ser obrigatória a sua observância” (Ibid., p. 53).

***

Que, pois, se evite a gafe de se afirmar que minha


postura teológica frente os Dez Mandamentos seja
um ato isolado entre os evangélicos. Da
solidariedade do Protestantismo clássico, não estou
seguro, mas posso assegurar com exibição de provas
de que a minha postura teológica sobre o Decálogo
não é uma solitária na comunidade evangélica.
Não estou à procura de solidariedade junto ao
Protestantismo clássico, nem tampouco busco apoio
nas igrejas evangélicas que destoam dos
Reformadores em diversos pontos. A mim, me basta
a aquiescência de Deus. Sou livre intérprete. Vou
direto à Bíblia. Se eu não estivesse disposto a colidir
com esses sistemas ecléticos, que sincretizando
moisesismo com Cristianismo produzem dizimismo,
sabatismo, e outros ismos, não teria elaborado este
livro. Ou você pensa que eu ignoro que este livro vai
cutucar casas de marimbondos e me render
ferroadas mil? Contudo, pareceu-me relevante
mostrar que, a contragosto ou não, me ensinaram
verdades que me ajudaram a entender melhor a
Bíblia, e, por conseguinte, a ver, não
necessariamente a dolosidade das suas discrepantes
declarações, mas a inegável culpabilidade dos que,
enquanto combatem ex cathedra o sabatismo e
outras práticas dos modernos ebionitas, são
flagrados numa prática nem um pouco menos
legalística do que o sabatismo, a saber, a incoerente
perpetuação do dizimismo. (NOTA: A primeira
definição que o dicionarista Aurélio dá ao vocábulo
“culpa”, é: “Conduta negligente ou imprudente, sem
propósito de lesar". Era esse o caso dos adeptos do
dizimismo que me discipularam na classe de
catecúmenos. Eles eram, sim, culposos, mas não
eram dolosos. Eram amáveis, inocentes e santos
irmãos, que fizeram por mim o que de melhor
sabiam fazer. Muitos deles já estão no Paraíso, com
a salvação e o galardão garantidos! Vê-los-ei na
Glória Celestial, se, tal qual eles, eu também
perseverar sob o sangue de Jesus até ao fim dos
meus dias neste mundo!)
Certamente, que entre os que me são solidários, há
os que me ombrearam a contragosto. É que,
enquanto combatiam o sabatismo e outros legalismo
(os quais não são menos anacrônicos do que o
dizimismo), o tiro lhes saiu pela culatra, visto que o
dizimismo, além de ser uma doença tão nociva
quanto o sabatismo, tem, no espírito do Novo
Testamento, uma medicação em comum. Ou seja, se
os eruditos evangélicos também usarem o
medicamento com o qual eles têm curado a muitos
pacientes que sofriam de sabatite, ver-se-ão sarados
da dizimite que os acomete.
20.4. Agora passo às sugestões

Primeira sugestão
Sugiro aos malaquianos que creem que Mt 23.23 e
Lc 11.42 provam que a doutrina dos dízimos consta
do Novo Testamento, que tomem as seguintes
medidas: a) parem de dizer que “De fato não há”,
visto ser óbvio que estas duas ideias, por serem
antagônicas entre si, não podem coexistir. Adotem
coesão e coerência, para, deste modo, se habilitarem
a me contraditar; b) sacrifiquem animais a Deus,
pois Jesus o ordenou em Mt 8.4; c) Repito: Não me
venham com Mt 23.23 e Lc 11.42; antes, poupem-
me desses disparates. Quero que me mostrem isso
entre Atos dos Apóstolos (inclusive) e Apocalipse
(inclusive).
Os falsos argumentos, supostamente baseados em
Mt 23.23 e Lc 11.42, visando provar que os cristãos
também têm o dever de pagar dízimo, pode
convencer até a um inteligentíssimo pensante; mas
tal se dá porque até os pensadores erram. E se
desprezam meu parecer, tachando-de “apenas mais
uma opinião”, considerem que os argumentos
adversos aos meus são, a priori, apenas mais uma
opinião também. Ou a voz de meus interlocutores é
a voz de Deus? Não há autoridade além da Bíblia e,
portanto, os que intentam me desbancar devem
empunhar apenas esta “Bazuca”.

Segunda sugestão
Sugiro aos fariseus hodiernos que imitem aos seus
correligionários da Idade Antiga, dos quais, o
hagiógrafo Lucas nos diz que
“...maravilhados...calaram-se” diante dos sólidos
argumentos de Jesus (Lc 20.26). Não percam, pois,
a maravilhosíssima oportunidade que Deus lhes está
dando de também fecharem suas bocas. (NOTA:
Isso não vale para os malaquianos sérios e sinceros,
pois são indignos da alcunha de fariseus, e estou
pronto a confabular com eles, na medida do
possível.)
Aos que, embora reconhecendo que o Decálogo
expirou, recorrem a Ml 3.8-10 para provar que os
que contribuem com menos de um décimo de seus
rendimentos para a Obra do Senhor, são ladrões de
Deus, contraponho com os seguintes argumentos:
Primeiro argumento. Se até o Decálogo feneceu
juntamente com o sistema do qual ele era parte
integrante, Malaquias 3.10 é que não findou? Com
esta pergunta não quero insinuar que Ml 3.10 tem
menos peso do que o Decálogo, mas sim, levar em
conta o fato de que, sendo Malaquias um
mensageiro enviado aos que estavam sob um sistema
que, acertadamente, confessamos que expirou, não
podemos tomar para nós, aqueles pontos de sua
mensagem que eram ecos do tal sistema que nós
reconhecemos unanimemente que caducou com a
fundação da Igreja, fundação esta tão simultânea
quanto subsequente à vitória de Cristo sobre a
morte.
Se até o Decálogo expirou há quase dois mil anos,
então Ml 3.10 também expirou naqueles mesmos
idos; e se nem Ml 3.10 expirou, quando da
inauguração da Nova Aliança, então o Decálogo
também não expirou. E custa-me entender porque
teólogos de peso não conseguem ver isso. Mas não
entendo nada, entendendo tudo, pois sei que o
homem é assim mesmo. Aliás, isso se dá não só
porque o homem é assim mesmo, mas também
porque o Diabo é assim mesmo.
Segundo argumento. Os profetas Isaías e
Jeremias foram usados por Deus para reprender
seus patrícios por estarem (entre outras coisas)
comendo carne suína e negligenciando a guarda do
sábado (Is 65.4; 66.17; Jr 17.21-22). Vamos, por
isso, evitar o consumo de carne de porco e guardar
o sábado? Pessoas faltas do conhecimento da
verdade respondem positivamente a estas perguntas;
mas nós, os assembleianos, assim como a grande
maioria dos evangélicos, entendemos, com louvor,
que as restrições ao consumo de carne suína, e a
ordem para se guardar o sábado não nos dizem
respeito. Ora, essa obediência a Malaquias, ao lado
da desobediência a Isaías e a Jeremias, é uma
aleatoriedade que, à luz de 1Tm 3.2, põe em xeque
a qualificação ministerial dos que são flagrados essas
incongruências, posto que este texto diz que o Bispo
deve ser “... honesto [e] apto para ensinar”. Não é
preciso ser doutor em Filosofia e em Teologia para
saber que a verdade é coesa e coerente. É possível
haver mentira na coerência, mas é impossível haver
verdade na incoerência.
Uma pergunta que não quer calar é a seguinte: Por
que os evangélicos malaquianos não se escoram em
Jeremias (17.21-22) para ombrear os sabatistas no
seu inglório afã de provar que a santificação do
sábado é um dever cristão?
Ora, é como nós, os evangélicos, reagimos diante
das mensagens de Isaías (quanto ao consumo de
carne suína) e de Jeremias (quanto à guarda do
sábado), que devemos reagir diante da mensagem de
Malaquias sobre dízimos. Qualquer desalinhamento
nesse sentido é desproposital.
Temos que abrir o Novo Testamento não só para
sabermos se temos ou não que abstermos de carne
de porco, nem tampouco para apenas sabermos se
temos ou não que guardar o sábado, mas também
para sabermos se temos ou não que pagar dízimos.
Não podemos selecionar a bel-prazer o que nos
interessa, conforme a nossa conveniência. Temos
que ter um critério único para todos os casos. Bem-
me-quer mau-me-quer não é coisa de cristão.
20.5. Não corra esses riscos
Uma mensagem endereçada a um povo que está
debaixo de uma Lei, não diz respeito a quem está
debaixo de outra Lei. E, como sabemos, nós, os
cristãos, estamos debaixo de uma Lei distinta e
diferente das cinco Leis que a precederam, a saber,
nós estamos debaixo da Lei de Cristo (1Co 9.21),
onde não há dízimo, não há sábado, não há
circuncisão, não há lei do levirato, etc. Cada Pacto é
um pacto. Quem ignora isso, corre o risco de
cometer os seguintes erros:
1) o erro de tachar Abraão de transgressor da Lei
de Deus, já que ele, por ter se casado com sua meia-
irmã (Gn 20.12), teria desobedecido Lv 18.11,
tornando-se assim, um incestuoso. Mas, como
sabemos, ao casar-se com sua irmã, Abraão não
transgrediu Lv 18.11, porque nos seus dias ainda
não havia o livro chamado Levítico.
2) o erro de dizer que Abel e Noé morreram em
pecado, pois eram incircuncisos. (Todos os que já
leram a Bíblia sabem que Abraão foi a primeira
pessoa a receber de Deus a ordem para se
circuncidar.)
3) o erro de rotular Deus de volúvel e/ou
incoerente, pelas seguintes razões: a) Ele proibiu
justiçar Caim (Gn 4.15), mas mandou Noé executar
os assassinos (Gn 9.6). (“Afinal” [dirá o cético], “a
lei de talião deve ou não deve ser aplicada?”); b)
autorizou Noé a se alimentar de “Tudo quanto se
move, que é vivente..” (Gn 9.3), mas proibiu o
consumo de diversas carnes aos israelitas (Lv 11).
“Afinal” (dirão os partidários do Liberalismo
Teológico, promotores da chamada Alta Crítica),
“podemos ou não podemos consumir carne suína,
bagre, camarão, etc.?”
20.6. A liberdade dos precedentes e dos
sucedentes
Vimos que os servos de Deus que viveram antes da
outorga da Lei, podiam fazer o que mais tarde veio a
ser proibido pela Lei, bem como não tinham que
fazer coisas que mais se tornaram obrigatórias, a
partir da promulgação da Lei. E espero que estas
informações ajudem meus irmãos a entender que
assim como os que serviram a Deus durante as
quatro dispensações que antecederam a Lei, estavam
desobrigados do sistema mosaico, nós, os que
servimos a Deus nesta sexta dispensação que
sucedeu a dispensação da Lei mosaica, não devemos
obediência alguma àquela Lei. A Lei mosaica era
para os que viveram durante Sua vigência, e não
para os viveram antes dela entrar em vigor, nem
tampouco é para os que vivemos depois que ela
parou de viger. E assim como os que estavam sob
Código mosaico, não tinha que se batizar e
participar da Santa Ceia, nós, os que estamos
debaixo da Lei de Cristo não temos que guardar
sábado, pagar dízimo, e outras mais. Logo, os
mandamentos da Lei, ratificados pelos profetas que
profetizaram durante a vigência dela, não nos dizem
respeito. Quanto a isso, não há apenas o antes e o
depois, mas também o antes, o durante, e o depois.
Os servos de Deus que viveram antes da outorga da
Lei tinham direitos e deveres diferentes dos direitos
e deveres dos servos de Deus que viveram sob a Lei.
Ademais, os servos de Deus da atualidade têm
direitos e deveres que nem Moisés tinha. Como bem
o disse Paulo, “...não somos como Moisés” (2Co
3.13). Moisés não orava em línguas; Moisés morreu
sem ser batizado em água no nome do Pai, e do
Filho, e do Espírito Santo (ele o foi apenas em
figura, não ao pé da letra); Moisés nunca participou
da Santa Ceia do Senhor; Moisés praticava a
circuncisão; Moisés guardava o sábado; Moisés não
consumia carne suína; Moisés podia fazer coisas que
nós não podemos (ser polígamo, por exemplo);
Moisés não podia fazer coisas que nós podemos
(não sacrificar animais a Deus, por exemplo); etc.
Sei que essas informações podem soar aos ouvidos
dos evangélicos, como chover no molhado, visto
que eles sabem tão bem disso, que não observam
diversos preceitos da Lei, como, por exemplo,
sacrifícios de animais, lei do levirato, nazireado, etc.
Contudo, trazer estes fatos à tona pode ajudá-los a
enxergar que quando dizimam em obediência a Ml
3.10, estão incorrendo em anacronismo e
incoerência. Anacronismo porque estamos noutra
Era, e incoerência porque aferrar a Ml 3.10 e largar
de mão Jr 17.21-22 não é nem um pouco coeso.
Afinal, devemos ou não devemos obediência à Lei?
Se sim, obedeçamos a Jr 17.21-22 e assim por
diante, e não apenas a Ml 3.10; e se não, sacudamos
toda ela de nossa cerviz, e não apenas os
mandamentos que não nos agradam. Desçamos do
Sinai e escalemos o Calvário! Troquemos o
moisesismo pelo Cristianismo! Troquemos as tábuas
de pedra pelo jugo suave e o fardo leve que Cristo
nos oferece (Mt 11.30)! Paremos de pôr “remendo
de pano novo em vestido velho”, bem como
deixemos de “deitar vinho novo em odres velhos”
(Mt 9.16-17). Isso é contrassenso.
O esforçar para guardar toda a Lei não é para nós,
amados irmãos, e sim, para os judaístas; e a guarda
parcial da Lei também não é para nós, amados
irmãos, e sim, para as religiões pseudocristãs.
Não queiramos imitar as seitas oriundas das trevas.
Cristo mandou acautelar “do fermento dos
fariseus...” (Mt 16.6), e não apenas de uma parte do
tal fermento.
Eu disse acima que dizimar em obediência a Ml
3.10 é anacronismo. Mas agora acresço àquela
afirmação, que dizimar em obediência a Mt 23.23, é
uma atitude igualmente anacrônica, já que Cristo só
deixou de ser um profeta veterotestamentário,
quando ressurgiu dentre os mortos e inaugurou a
Nova Aliança (Gl 4.4). Até àquele momento até os
Seus discípulos estavam debaixo de Lei. As
discípulas de Cristo “no sábado, repousaram,
conforme o mandamento” (Lc 23.56) porque não
haviam aprendido com Cristo a transgredir o quarto
mandamento do Decálogo. E por que não
aprenderam isso com Cristo? Resposta: Por que
Cristo não ensinava ninguém a pecar contra Deus. E
por que nós, os cristãos, temos aprendido isso com
Cristo? Porque o fato de Cristo ter recebido a
Ordem Sacerdotal segundo uma Ordem diferente da
Ordem arônica, Lhe conferiu poder para mudar a
Lei, e Ele o fez (Hb 6.20; 7.12,18; 10.9). E quando
Cristo foi investido dessa nova Ordem Sacerdotal?
Depois que Ele cumpriu a Lei (Mt 5.17), morrendo
e ressurgindo dentre os mortos (1Co.15.3-4). A
partir daquele momento Ele foi ordenado segundo a
Ordem de Melquisedeque (Hb 6.20) e mudou a Lei
(Hb 7.12), ab-rogando-a (Hb 7.18) completamente,
sem excetuar sequer o Decálogo (2Co 6-16).
20.7. Reconsiderando as “solidariedades”
Em que pese que as declarações do Pastor
Almeida, do Pastor Boyer, do Pastor Mesquita, e do
ICP tenham sido a título de protestos ao sabatismo,
se estas declarações são certas (e creio que sim),
então o cristão não deve obediência à Lei de Moisés,
e, por conseguinte, está desobrigado da guarda dos
Dez Mandamentos. Logo, conto com nada inferior a
oito sólidos apoios, a saber, cinco da Assembleia de
Deus (sendo quatro via Almeida e um via Boyer),
um de um erudito batista chamado Antônio Neves
de Mesquita, e duas do ICP. E isto posto, só me
resta agradecer por tão grande cumplicidade. Que
Deus os recompense.
Ora, a Assembleia de Deus, o ICP e o Pastor
Mesquita ensinaram acertadamente que a Lei
completa, sem excetuar os Dez Mandamentos, foi
abolida, por cujo motivo não lhe devemos
obediência alguma. E é sobre esta verdade bíblica
que fundamento a tese que defendo neste livro,
segundo a qual, o cristão não tem o mandamento de
pagar dízimo. O raciocínio é: Se não temos que
guardar nem o quarto mandamento do Decálogo,
por que teríamos que observar Ml 3.10? Pensem
nisso os que, por ainda não terem aposentado suas
cabeças, ainda pensam.
20.8. Não tiremos os seus méritos
Eu não sigo a Assembleia de Deus cegamente. E
este livro prova isso, pois ensino aqui o contrário do
que ela prega. Ela é malaquiana, e eu não o sou.
Mas realmente, apesar dos seus muitos erros, a
Assembleia de Deus prega muitas verdades, das
quais, a abolição da Lei é uma. E como um filho
grato pelo que ela fez por mim nos últimos quarenta
e cinco anos, informo que graças à boa tutela
espiritual que ela me dispensou, este seu filho
cresceu no conhecimento do Senhor e, que
portanto, já pode lhe estender a mão amiga e lhe
ajudar a sair desse malaquianismo nem um pouco
coerente com o que ela prega e ensina.
20.9. O Novo é novo
Na verdade, nenhum dos mandamentos do Velho
Testamento está em vigor no Novo Testamento. O
Novo é novo. Muitos dos mandamentos do Antigo
Testamento foram repetidos no Novo Testamento,
mas nenhum foi transportado de lá para cá.
As semelhanças entre os dois Testamentos (o
Antigo e o Novo) não ocorrem por mera
coincidência, mas derivam do fato de que em ambos
os Testamentos, temos o mesmo Deus pactuando
com o mesmo homem. E as diferenças também não
procedem de uma aleatoriedade; antes, decorrem do
fato de que se trata de um Novo Testamento, dado
numa nova conjuntura teológica, sob a ministração
de um novo Sacerdote (Jesus), segundo outra ordem
(a de Melquisedeque [Hb 7.17]), tornando assim
necessária a mudança da Lei (Hb 7.12), mediante
ab-rogação (Hb 7.18) e substituição (Hb 10.9). Este
último versículo diz textualmente: “...Tira o
primeiro, para estabelecer o segundo”. Tira “o”, e
não, tira “parte do”. Logo, “o primeiro” foi
totalmente tirado, e não parcialmente removido.
Sim, Deus tirou o Primeiro e estabeleceu o
Segundo.
CAPÍTULO 21

A VERDADE SOBRE OS DEZ


MANDAMENTOS
21.1. Deixavam a desejar
Têm-se muitas ideias erradas sobre os Dez
Mandamentos. Geralmente eles são vistos como a
perpétua, completa, e imutável Lei de Deus dada à
Humanidade desde os primórdios da raça humana.
E não os conceituam assim somente os leigos, mas
até mesmo muitos pós-doutores em teologia. Mas
essas imaginações não sobrevivem a um exame sério
e de fato acadêmico da Escritura Sagrada.
Fiz constar acima, que os Dez Mandamentos
deixam a desejar, pois nunca abarcaram todo o
conselho de Deus, nem mesmo resumidamente. E a
título de reforço dessa assertiva, dei os seguintes
exemplos: 1) não proíbem a embriaguez; 2) não
proíbem a mediunidade (contato com espíritos
supostamente dos mortos [Dt 18.11]); 3) não
proíbem a consulta a espíritos adivinhantes (espíritos
que se diziam deuses e deusas [Dt 18.11]); 4) não
proíbem a astrologia; 5) não proíbem o falar
palavras torpes; 6) não proíbem a poligamia; 7) não
proíbem o concubinato; 8) não proíbem a lei do
levirato; 9) não proíbem a uma mulher (conquanto
que ela fosse ou solteira ou viúva ou divorciada) de
desejar o marido da próxima (ou das próximas, visto
que o objeto do desejo podia ser um polígamo),
podendo tornar-se sua concubina [ou, como já dito,
mais uma de suas concubinas], ou até mesmo se
casar com ele e, assim, passar a ser mais uma das
esposas dele, etc. E é por estes e outros motivos que
Deus, longe de pretender mantê-los nas
dispensações por vir, aprazou a validade deles,
validade esta a expirar com a implantação da Nova
Aliança. E este mistério foi revelado a Paulo, o qual,
por sua vez, no-lo notificou em 2Co 3.6-16, onde
ele, além de chamar o Decálogo de “transitório”, diz
que “o ministério do Espírito” (ou seja, o Novo
Testamento no qual estamos) supera em glória ao
Velho Testamento, do qual o Decálogo era parte
integrante. E acrescentou que o presente ministério,
mais glorioso do que aquele que era transitório e
passou, “permanece”, isto é, veio para ficar até à
volta do Senhor. E isso prova, de saída, duas coisas:
a) que os Dez Mandamentos nunca foram a Lei de
Deus, e sim, uma parte da Lei de Deus; b) que os
Dez Mandamentos caducaram, pois o todo, do qual
eles faziam parte, caducou em sua inteireza. Logo,
além de o Decálogo não ser a Lei de Deus, mas
apenas uma parte da tal Lei, a Lei, da qual ele era
uma parte, já deixou de ser vigente, em sua
totalidade, há quase dois mil anos, quando da
inauguração do Novo Testamento. Logo, os Dez
Mandamentos não são vigentes.
Vimos acima nove coisas erradas que nenhum dos
Dez Mandamentos proíbe. Ora, Deus jamais veria
como completa, uma Lei que, além de não proibir
todas as coisas erradas, não mandasse fazer todas as
coisas certas. Por isso, os Dez Mandamentos são, na
melhor das hipóteses, parte da Lei. E, diga-se de
passagem, a Lei da qual eles faziam parte, passou
completamente, levando-os embora com ela.
21.2. Os mais importantes não estão entre eles
Temos ainda que pontuar que o maior de todos os
mandamentos, que é o amor supremo devido a Deus
(Dt 6.5; Mt 22.37), bem como o segundo
mandamento em importância, que é o devotar ao
próximo o mesmo amor que temos por nós mesmos
(Lv 19.18; Mt 22.39), ficaram de fora dos Dez
Mandamentos. E isso nos impele à seguinte
pergunta: Que são, então, os Dez Mandamentos?
Respostas: 1) Eles não foram dados, uma vez por
todas, à Humanidade; 2) não eram a Lei que Deus
deu aos filhos de Israel, e sim, uma parte da tal Lei;
3) não eram uma síntese da Lei que Deus deu aos
israelitas, e sim, um desdobramento parcial da
síntese da tal Lei. Abaixo, troco isso em miúdos.
a) Os Dez Mandamentos não foram dados, uma vez
por todas, à Humanidade, e sim, aos israelitas. (Os
sabatistas, embora erradamente, podem dizer que
discordam da minha opinião, mas os evangélicos
[malaquianos e não malaquianos] têm que aquiescer
a esta afirmação, visto que, doutro modo, terão que
passar a guardar o sábado.)
b) Os Dez Mandamentos não eram a Lei que Deus
deu aos filhos de Israel, e sim, uma parte da tal Lei.
Visto que o Pentateuco contém centenas de
mandamentos, então o Decálogo só pode ser uma
pequena porção dos mesmos.
c) os Dez Mandamentos não eram uma síntese da
Lei que Deus deu aos israelitas, e sim, um
desdobramento da síntese (eles não eram uma
síntese da Lei, nem tampouco um desdobramento da
Lei, mas sim, um desdobramento da síntese da Lei.
A Lei que Deus deu aos judeus, não está sintetizada
não nos Dez Mandamentos, mas sim, em Dt 6.5
[que em resumo nos manda amar a Deus sobre
todas as coisas] e em Lv 19.18 [que nos manda
amar o nosso próximo como a nós mesmos]). Jesus
disse que estes dois mandamentos são os maiores
(Mt 22.37-39), e não, dois dos maiores. E, como já
vimos, estes dois mandamentos não figuram entre as
dez proposições que constituem o Decálogo. Ora, se
o que Deus tinha em mente ao dar os Dez
Mandamentos, fosse dar a Sua Lei (quer aos judeus,
quer à Humanidade), não deixaria nenhum
mandamento de fora. Mas Ele o fez na outorga dos
Dez Mandamentos, e com a agravante de não
incorporar a eles os dois mandamentos mais
importantes de toda a Lei.
E se você quer saber mesmo, a Lei não está tão
bem sintetizada nestes dois versículos ora em
análise, que são Dt 6.5 e Lv 19.18, mas sim, numa
palavra formada por quatro letras, a saber, a palavra
amor (Rm 13.8-10). Neste trecho, Paulo diz que
“quem ama aos outros cumpriu a lei” (Rm 13.8),
visto que “o cumprimento da lei é o amor” (Rm
13.10).
21.3. Eram um testemunho
O fato de a Bíblia chamar o Decálogo de “tábuas
do Testemunho” e de “Testemunho” (Êx 34.29;
40.20), rendeu à arca, seu receptáculo (Êx 25.16;
40.20), o título de “arca do Testemunho” (Nm
7.89). E o conjunto destes dados faz saltar aos olhos
de quem quer ver, que o Decálogo nada mais era do
que um testemunho, ou seja, um monumento
erguido a título de testemunho para as gerações
vindouras (e, até mesmo, relativamente perene),
entre Deus e o Seu povo de então.
Repito que o fato de as duas tábuas de pedra
serem chamadas de “tábuas do Testemunho” e de
“Testemunho” (Êx 34.29; 40.20) é prova cabal de
que a intenção divina, ao exarar nelas dez dos Seus
muitos mandamentos dados ao Seu povo de então,
era se prover de um testemunho, ou seja, de um
memorial para aquela geração e as que estavam por
vir. Realmente, tudo nos impele à conclusão óbvia
de que a função das tábuas de pedra contendo os
Dez Mandamentos era servir de testemunho,
conforme o costume de então (Queira ver: Gn
28.18-19; 31.44-52; Js 4.1-9; 1Sm 7.12-13). Assim
como as doze pedras que os filhos de Israel, por
ordem divina, tomaram do Rio Jordão (Js 4.1-9),
não eram melhores do que as que continuaram no
leito daquele rio, igualmente, nenhum dos
mandamentos escritos por Deus nas tábuas de
Pedra, era superior a qualquer dos mandamentos
não pinçados para constituir o Decálogo.
Se Deus mandou os israelitas tomar, do leito do
Rio Jordão, doze pedras quaisquer, por que não
selecionaria dez mandamentos a Seu critério e a Seu
bel-prazer, para formar um conjunto de dez
mandamentos? E quem pode nos garantir que Deus,
por prever inverdades como, por exemplo, a
sabatismo, não só deixou de fora, de propósito, os
mais importantes dos mandamentos, como também
inseriu entre os Dez Mandamentos, um
mandamento sobre repouso semanal, objetivamente
inferior à proibição ao gravíssimo pecado de ceder o
corpo para os demônios entrar e falar aos
circunstantes, fazendo-se passar por espíritos dos
mortos? A Bíblia é mais perfeita do que se pensa.
Até mesmo nós, que pela fé cremos na sua perfeição
plena e absoluta, ignoramos quão perfeita ela é.
Deus pensa em tudo.
21.4. O “não à mediunidade” também ficou de
fora
Parece-me que alguns legalistas também creem (ou
fingem crer?) que a proibição à mediunidade é, de
fato, mais relevante do que o quarto mandamento
do Decálogo, que é a ordem para se guardar o
sábado, visto que embora não seja raro ouvi-los
dizer que veem os evangélicos dominguistas como
irmão em Cristo, não me consta que eles (ou alguém
entre eles) tenham dito que veem os espíritas como
irmãos em Cristo. Ora, se qualquer um dos dez
mandamentos é superior a qualquer um dos
mandamentos que não os integram, então violar a
santidade do sábado é um pecado mais grave do que
ceder o corpo para os demônios entrarem. E se até
quem comete um pecado mais grave do que ceder o
corpo para os demônios entrarem, eles recebem
como irmão em Cristo, então devem reconhecer os
médiuns como verdadeiros irmãos em Cristo. Mas,
como sabemos, eles não o fazem. Logo,
demonstram, ainda que a contragosto e sem o
perceberem, que também entendem que pelo menos
um dos mandamentos que não figuram entre os que
constituem o Decálogo, tem mais peso do que o
quarto mandamento do Decálogo.
21.5. Conjecturas decalogarcas
Muitos veem no fato de as tábuas de pedra,
contendo os Dez Mandamentos, terem sido
guardadas dentro da arca do testemunho (Dt 25.16;
40.20; Nm 7.89), ao passo que o que se escreveu
em papiro, foi guardado fora da arca, ao seu lado
(Dt 31.26), a prova cabal da superioridade do
Decálogo sobre os demais escritos que constituem a
Lei. Mas quando lembramos que o maior dos
mandamentos, além de não ter sido escrito por Deus
nas tábuas de pedra, mas sim, por Moisés em
papiros, não foi depositado dentro da arca, mas sim,
guardado do lado de fora da arca, percebemos quão
indefensável é essa ideia. Essas conjecturas sobre a
relação Decálogo/Arca, tomei a liberdade de chamar
de decalogarcas, não passam de imaginações
aladas, vagantes na erraticidade dos devaneios,
evasivas e digressões, sem qualquer base na Palavra
de Deus. Guardemos isso em nossas mentes: Os
dois mandamentos mais relevantes, que em ordem
decrescente são o supremo amor a Deus e o amor
ao próximo, ficavam fora da arca, e que isso joga
por terra a teoria de que o ter sido as tábuas de
pedra guardadas dentro da arca, prova a
superioridade dos Dez Mandamentos sobre os
demais, já que mandamentos mais relevantes do que
eles (como, por exemplo, amor supremo a Deus,
amor ao próximo, proibição à mediunidade, etc.),
não ficavam junto deles, dentro da arca, mas sim,
separados deles, do lado de fora da arca. Portanto,
não deve nos causar estranheza, o fato de o apóstolo
Paulo ter dito que o Decálogo foi abolido, como já
vimos. A Lei, com tudo que lhe diz respeito, foi
totalmente mudada (Hb 7.12) e cabalmente ab-
rogada (Hb 7.18) quando Jesus recebeu a Unção de
Sumo Sacerdote (Hb 7.12) segundo a ordem de
Melquisedeque (Hb 6.20). Hb 7.12 fala de mudança
da, e não se refere a mudança de parte da; segundo
Hb 7.18, ab-rogou-se o, e não parte do.
Moral da história: 1) Deus deu muitos
mandamentos aos judeus, dos quais selecionou dez e
os escreveu em duas tábuas de pedra, talvez a título
de celebração do pomposo evento que se
desenrolava naquele momento, e com certeza para
servir de testemunho às gerações por vir, conforme
o costume daquela época (Gn 28.18,19; 31.44-52;
Js 4.1-9; 1Sm 7.12,13); 2) Deus deu muitos
mandamentos aos judeus, dos quais selecionou dez e
os escreveu em duas tábuas de pedra, deixando de
fora muitos mandamentos nada menos relevantes,
como, por exemplo, o amar ao próximo como a nós
mesmos, o amor supremo devido a Deus, a
proibição à prática da mediunidade, o não falar
palavra torpe, etc.; 3) Deus deu uma Lei aos judeus,
cuja síntese está em Dt 6.5; e Lv 19.18, e cujo
desdobramento parcial da síntese, a título de
exemplo, está no Decálogo; 4) Os primeiros quatro
mandamentos do Decálogo desdobram parcialmente
Dt 6.5; e os demais desdobram também
parcialmente, Lv 19.18. A Lei é o Pentateuco; a
síntese da Lei jaz em Dt 6.5 e em Lv 19.18; e o
desdobramento da síntese da Lei (e não o
desdobramento da Lei), jaz em forma de dez
proposições concentradas em Êx 20.3-17 e Dt 5.7-
21. Recapitulando: O Pentateuco contém a Lei
mosaica em Sua plenitude; Dt 6.5 e Lv 19.18, são a
síntese da Lei mosaica; e o Decálogo é o
desdobramento parcial da síntese da Lei mosaica, ou
seja, no Decálogo, a síntese da Lei está trocada em
miúdos. E para aclarar mais ainda, digo que o
Decálogo é uma amostra parcial dos deveres morais
do povo de Deus daqueles idos, o qual vivia debaixo
da Lei então vigente, Lei esta totalmente obsoleta
desde o dia em que o nosso Sumo Sacerdote
chamado Jesus foi empossado (Hb 7.12).
APÍTULO 22

AINDA SOBRE A AB-ROGAÇÃO DA LEI


Inábil dedo em riste
Os evangélicos que acreditam que Ml 3.10 ainda
está de pé, não apercebem que incorrem no mesmo
erro dos sabatistas, de duas maneiras: a) há, entre os
evangélicos, os que, em defesa da guarda de Ml
3.10, recorrem aos mesmos argumentos dos quais se
valem os sabatistas, em suas apologias à guarda do
sábado. Como amostra dessa triste constatação, eis o
que diz Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e
Vitória Financeira, publicada pela Editora Central
Gospel: “Muitos cristãos, hoje, acham que não é
necessário dar o dízimo, porque vivemos sob a
Nova Aliança. No entanto, Jesus não veio anular a
Lei, e sim cumpri-la (Mt 5.17)”. (Edição de 2007. P.
1209 [comentando Mt 23.23]). Ora, qualquer que
tenha examinado os escritos dos sabatistas, ainda
que superficialmente, sabe que os mesmos retrucam
exatamente assim, aos que lhes dizem que “a guarda
do sábado é coisa da Lei mosaica, e, portanto, algo
obsoleto”. Os sabadiadores e os malaquianos têm,
pois, entre outros, dois erros em comum: a guarda
parcial da Lei (o que, segundo a Bíblia, é causa de
maldição [Gl 3,10; 5.3]) e Mt 5.17-18 como
fundamento desse anacronismo. E isso prova que
essa Bíblia de “Estudo” é como AIDS, pois baixa a
imunidade cristã quanto às falsas doutrinas, agrava o
estado patológico dos portadores de dizimite, e os
trona mais vulneráveis à sabatite e muitas outras itis.
Aclarando: Quem acha que Mt 5.17-18 de fato
prova que o dizimismo está de pé no Novo
Testamento, facilmente inferirá que o sabatismo
também é um mandamento vigente, porque as
premissas são as mesmas. De premissas iguais,
silogismos iguais. Das mesmas premissas, os
mesmos silogismos. Essa Bíblia de “Estudo”,
abarrotada dos entulhos da diabólica Teologia da
Prosperidade, é pudim com cicuta, e veio dar o tiro
de misericórdia nos que já estavam cambaleando sob
os efeitos dos ópios traficados nas bocas de igrejas.
Estas são infinitamente mais nocivas do que as bocas
de fumo.
Quão forte soará aos ouvidos de um novo
convertido que ler esse “argumento”, quando um
sabadiador lhe disser: “Muitos cristãos, hoje, acham
que não é necessário guardar o sábado, porque
vivemos sob a Nova Aliança. No entanto, Jesus não
veio anular a Lei, e sim cumpri-la (Mt 5.17)”. Viu o
azo que este erro dá? Essa Bíblia de “Estudo” armou
o Diabo.
Os sabatistas e os malaquianos guardam a Lei em
parte?! Sim, pois os sabatistas não praticam o
levirato, não se circuncidam, não sacrificam animais
a Deus, etc. E os evangélicos típicos não observam o
sábado e muitas outras instruções
veterotestamentárias. E deste modo, ambos se
prendem parcialmente a práticas caducas, que
deixaram de ser vigentes há quase dois mil anos.
Ambos têm por base uma falsa interpretação da
Bíblia. Ambos estão tentando ressuscitar coisas que
agonizaram no Gólgota, morreram ao esvaziar da
tumba, e foram sepultadas no Pentecostes. Ambos
veem o arcaico como vigente. Ambos perpetram
erros dos ebionitas. E, por tudo isso, nenhum dos
dois se enquadra no espírito do Novo Testamento.
A citação de Mt 5.17 para “provar dentro da
Bíblia” que a doutrina dos dízimos está de pé, não
resiste a um confronto com a solene verdade de que
Cristo nos deu uma Nova Lei (1Co 9.21), da qual,
dois preceitos são cerimoniais (isto é, as ordenanças
do Batismo e da Santa Ceia do Senhor), e os demais
morais, ou seja, derivam da natureza de Deus e se
baseiam na prática do amor devido a Deus e ao
próximo (Rm 13.8-9). Tanto é assim, que Paulo
disse que o resumo da Lei é “Amarás ao teu
próximo como a ti mesmo” (Rm 13.9b). Portanto, o
cristão, longe de se sobrecarregar de escrupulosas
regrinhas, se deixa reger pelo amor. Os que se
pautam por regras, se predem a sábados e outros
mandamentos obsoletos; mas os que se guiam pelo
amor, percebem que não importa o nome do dia que
dedicamos ao Senhor, nem em que ordem ele se
encontra dentro dos dias do que chamamos de
semana, podendo ser o primeiro dia, o quinto dia, o
sétimo dia, etc. E o mesmo se dá quanto à questão
dos dízimos: Queremos contribuir de mancheia, sem
o rigor das continhas para sabermos se o valor
doado corresponde exata e rigorosamente a um
décimo do montante donde foi subtraído. Deixemos
esses escrúpulos a cargo dos fariseus. Até porque a
liberalidade das contribuições motivadas no amor é
tão “pródiga” que não surpreende quando passa vai
muito além de um décimo da renda do contribuinte.
Ademais, se eventualmente, por uma razão
qualquer, a contribuição ficar aquém desse
percentual, descansaremos no fato de que: a) não
temos este mandamento; b) se o amor pela Obra do
Senhor não diminuiu, então o valor espiritual da
oferta não decresceu; c) geralmente vamos além
disso; e, que portanto, o que excedeu aos 10% das
doações anteriores cobre o que faltou dessa vez. É
liberdade mesmo. E nenhum gaiato pode,
chacoteando, tachar isso de liberdade para pecar,
porque onde não há lei não há transgressão (Rm
4.15).
A Lei passou ou não passou?
A ênfase da afirmação de Cristo de que “até
que o Céu e a Terra passem, nem um j ou um til, se
omitirá da lei sem que tudo seja cumprido” (Mt
5.18), recai sobre a veracidade da Lei, e não sobre
sua atemporalidade. Ou seja, Jesus não estava
dizendo que a Lei não passaria, e sim, que só
passaria depois de cumprida. O sábado, a
circuncisão, a Páscoa, o Pentecostes, o Jubileu, a lua
nova, a tolerância à poligamia e ao concubinato, os
sacrifícios cruentos, os dízimos, o levirato, etc.,
passaram depois que Cristo os cumpriu: “Porque o
precedente mandamento é ab-rogado por causa da
sua fraqueza e inutilidade” (Hb 7.18. Grifo meu). A
Bíblia diz que o sacerdócio segundo a ordem de
Arão jaz substituído pelo sacerdócio segundo a
ordem de Melquisedeque, a saber, o Sacerdócio de
Cristo; e que disso decorreu a mudança da Lei:
“Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente
se faz também mudança da lei” (Hb 7.12). O texto
diz “mudança da lei”, e não, “mudança de parte da
lei”. Que tais preceitos legais passaram, está claro,
pois até os sabatistas e os malaquianos sabem disso,
visto que eles também não guardam os preceitos
acima listados, dos se excetua apenas o sábado dos
sabatistas e os dízimos dos malaquianos.
A Lei é una
Embora existam na Lei mandamentos morais
e cerimoniais, a Lei é una; e, portanto, sempre que a
Bíblia diz que Cristo ab-rogou a Lei, ela está falando
da Lei, e não de uma parte da Lei. Logo, Cristo não
aboliu só os mandamentos cerimoniais, nem
tampouco só os mandamentos morais, mas sim, a
totalidade da Lei. O Decálogo foi todo abolido. E
não só o Decálogo, mas também os mandamentos
morais deixados de fora dele, como, por exemplo, o
amor supremo a Deus (Dt 6.5; Mt 22.37), e o amor
ao próximo, inspirado no amor que temos por nós
mesmos (Lv 19.18; Mt 22.39). Nenhum
mandamento da Lei é para nós. O cristão tem
Testamento Novo, e, por conseguinte, mandamentos
novos. Temos um novo “amarás o Senhor, teu
Deus, sobre todas as coisas”. (NOTA: Sabemos que
a ordem para se amar a Deus acima de tudo não
aparece na Bíblia, textualmente, nestes termos.)
Alguns dos mandamentos da Lei são totalmente
cerimoniais (circuncisão, sacrifícios cruentos,
Pentecostes...); outros são totalmente morais (não
matar, não furtar, não caluniar...); e pelo menos um
é parcialmente moral e parcialmente cerimonial, a
saber, a ordem para se guardar o sábado. Este
preceito atende a uma necessidade moral do
descanso físico, bem como a necessidade nada
menos moral de se intensificar e incrementar (isto é,
impulsionar, incentivar, estimular) o culto devido a
Deus. Mas os escrúpulos rituais que o circundavam
e o constituíam (não se podia, sequer, acender fogo
naquele dia), fazem saltar aos olhos o seu aspecto
cerimonial. Sim, esse rigor protuberava o seu lado
cerimonial. Isto posto, claro fica que a Lei é
constituída de mandamentos morais, cerimoniais, e
morais-cerimoniais, mas não é dicotômica, e nem
tricotômica, e sim, UNA, nos impelindo a vê-la
holisticamente. Logo, ou ela ainda está totalmente
viva entre nós, ou foi toda cravada na Cruz, e
sepultada, no máximo a tardar, no Pentecostes. E o
apóstolo Paulo deu provas cabais de que cria nesta
segunda alternativa; e uma dessas provas está em
2Co 3.6-16, onde asseverou que o Decálogo, que
durante a vigência da Lei, era transitório, finalmente
encerrou o trânsito, pois passou, se foi, e chegou ao
destino. A Lei, na sua totalidade (sem, pois, excluir
o Decálogo), nunca se instalou (em caráter
definitivo) entre nós, mas apenas, passou por nós.
Ela, desde de sua vinda, sempre esteve passando,
durante toda a sua vigência, e acabou de passar
quando o novo Sacerdote, segundo a ordem de
Melquisedeque, se pôs a oficiar no Santo dos Santos
celestial (Hb 9.12).
Tudo, quanto à vida e obra de Cristo, foi
cumprimento da Escritura. Senão, vejamos: Ele
nasceu de uma mulher, e isso é cumprimento da
Escritura (Gn 3.15); a mulher que O deu à luz era
virgem, e isso é cumprimento da Escritura (Is 7.14);
Ele nasceu em Belém da Judeia (Mt 2.1; Lc 2.4-7
[também chamada de Efrata, para distingui-la da
outra Belém, da tribo de Zebulom]), e isso é
cumprimento da Escritura (Mq 5.2); Ele propôs
muitas parábolas, e isso é cumprimento da Escritura
(Mt 13.35); Ele fez muitos milagres, e isso é
cumprimento da Escritura (Mt 8.16,17); Ele morreu
crucificado e ressuscitou ao terceiro dia (1Co 15.3-
4), e isso é cumprimento da Escritura (Sl 22.16;
1Co 15.3-4); Ele inaugurou uma Nova Dispensação,
dando aos que consigo pactuam, uma Nova Lei
(1Co 9.21; 2Co 3.6-16; Hb 7.12,18; 8.8-13), da
qual não constam, por exemplo, a ordem para se
guardar o sábado (Cl 2.16-17) e isso é cumprimento
da Escritura (Dt 18.15,19; At 3.22-24; 7.37; Hb
8.8-13). E muito mais eu poderia dizer, caso isso se
fizesse imprescindível.
Cristo aboliu sem abolir
Afinal, Cristo ab-rogou a lei, ou não ab-
rogou? Respostas: Sim e não. Como assim?
Aclarando: a) Cristo não ab-rogou a Lei, pois
jamais, referindo-se ao que hoje chamamos de
Antigo Testamento, disse algo mais ou menos assim:
“Na verdade, na verdade vos digo, que esse
conjunto de livros nefandos, que vós pensais ser a
Palavra de Deus, é apenas uma pilha de lixo; lixo
este produzido por vários impostores, como o
embusteiro Moisés, o sacrílego Isaías, o gaiato
Daniel, etc. Mas agora eu vos dou a verdadeira Lei
de Deus”; b) Cristo ab-rogou a Lei, visto que,
conforme previsto na Lei, seguiu-se à Sua morte
vicária e ressurreição dentre os mortos, o inaugurar
de um novo ofício sacerdotal (Hb 7.12), que implica
na suscitação de um Novo Concerto (Hb 8.8), o
qual, em resposta a essa necessidade (Hb 7.12),
nasceu e pôs fim ao Velho Concerto (Hb7.18), ao
trazer à tona a Nova Aliança (Hb 12.24), com uma
mudança de Lei (Hb 7.12), na qual, ao invés de
termos um sábado-sombra (Cl 2.16-17), temos uma
era sabática (Hb 4.10), a saber, o descanso espiritual
em Cristo (Mt 11.28-30), descanso este, antítipo do
sábado semanal do Velho Concerto (Cl 2.16-17),
bem como de todos os outros sábados (mensais
(Festa da Lua Nova), anuais (Páscoa, Dia da
Expiação, Pentecostes), seteniais (Ano Sabático)
etc.), já que toda a Lei apontava para Cristo (Rm
10.4); c) abolição em Cristo. Cristo cumpriu a Lei,
mas esse “cumpriu”, longe de ter sido
inconsequente, teve, tem e terá relevantes e notórias
consequências. Sim, é desse cumprimento, o mérito
da ab-rogação do “precedente mandamento” (Hb
7.18). E, sendo assim, o que aboliu a Lei não foi
Cristo, e sim, o cumprimento da Lei em Cristo.
Contudo, pode-se atribuir a Cristo, a ab-rogação da
Lei, visto que essa ab-rogação é efeito dominó do
cumprimento da Lei, que, por sua vez, é uma ação
praticada por Cristo. Ratifico: O que aboliu a Lei foi
o cumprimento da Lei. Entre a abolição da Lei e
Cristo, está o cumprimento da Lei. Foi o
cumprimento da Lei, efetuado por Cristo, que pôs
fim à Lei. A ab-rogação da Lei se deu mais em
Cristo (2Co 3.14 [VR]), do que por Cristo (2Co
3.14 [ARC]). A Lei se auto aboliu ao ser cumprida,
pois deixou de ser funcional, conforme ela mesma
vaticinara, ao prenunciar a substituição do
sacerdócio segundo a ordem arônica, pelo
Sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque (Sl
110.4 comparado com Hb 6.20; e 7.12). Quando
Cristo exclamou: “Está consumado” (Jo 19.30), a
Lei “gritou”: “Cumpri minha missão!” (Rm 10.4; Gl.
3.24). A abolição da Lei pode ser atribuída a Cristo,
pois deriva da totalidade de Sua obra tipificada na
Lei (união hipotástica, morte, ressurreição, e
ordenação sacerdotal segundo uma ordem não
arônica [Hb 7.12). Mas é do fato de finalmente ter
convergido nEle toda a Lei (pois tudo na Lei
apontava para Ele), que delimitou a ação da Lei, a
qual tinha nEle o seu fim (Rm 10.4). Fim, aqui, é
objetivo, alvo, finalidade. Equivale a dizer que a Lei,
em sua inteireza, apontava para Cristo. Ou seja, o
fato de Deus servir o couvert da Lei, trazia natural e
veladamente no seu bojo, que o jantar estava por vir,
e que então nos seria servido o Pão da Vida (Jo
6.51).
Urge que entendamos bem o que a Bíblia quer
nos dizer quando afirma que Cristo cumpriu a Lei.
Nesse caso, cumprir a Lei é mais do que obedecer
aos preceitos da Lei, como, por exemplo, não matar,
não roubar, não caluniar, etc. É isso também, mas
não é isso exclusivamente. A Lei tinha, entre outros
objetivos, a finalidade de nos pôr a par de que
transgredimos a santa Lei de um Deus justo; que
isso é crime hediondo; que Deus não deixa isso de
graça, nem tampouco barato; que, portanto, estamos
perdidos; e que, por conseguinte, carecemos de
socorro. E é a rendição a essa dura realidade que
nos impele a Cristo, o qual, ao nos receber, nos
quita para com a justiça divina, com o Seu sacrifício
substitutivo.
Considerando que Cristo não cumpriu parte
da Lei, e sim, a Lei, então não há nada da lei em
vigor.
Como já vimos, a abolição (ou remoção, ou
ab-rogação) da Lei, derivou do fato de que, em
cumprimento da Lei, uma nova ordem sacerdotal foi
empossada, implicando na mudança da Lei (Hb
7.12). Logo, essa abolição tem que ser proporcional
ao percentual cumprido. E, como sabemos, o
cumprimento foi total. Logo, a abolição foi integral.
E uma das provas de que a abolição foi integral, é o
fato de Paulo ter dito em 2Co 3.6-16 que o
Decálogo (que é, embora apenas em parte, uma
espécie de nata da lei), estava de passagem, e que
finalmente passou mesmo.
Não é a nova ordem sacerdotal que procede
da Nova Lei, mas sim, é a Nova Lei que deriva do
surgimento do novo sacerdócio (Hb 7.12). Hb 7.12
não diz que mudando-se a lei, necessariamente se
faz também mudança de sacerdócio. Não! É a
mudança de sacerdócio que implicou na mudança da
lei. E essa “mudança da lei” não é uma
transformação da Lei, mas sim, a substituição da
Lei. E como isso tinha sido previsto na Lei (Dt
18.15,19; Sl 110.4; Hb 6.20), então isso é
cumprimento da Lei; e já que quem fez isso foi
Jesus, então, nisso também Jesus cumpriu a Lei, ou
seja, Ele fez o que a Lei vaticinara que Ele iria fazer.
Logo, quem se aferra à velha Lei, ainda que
parcialmente (como é o caso dos malaquianos), é
duas vezes réprobo, pois peca contra a Lei que foi
removida há quase dois mil anos, bem como peca,
também, contra a Lei vigente, que é “a lei de Cristo”
(1Co 9.21), cuja data de promulgação coincide com
a remoção de sua antecessora. Que desdita! Eles não
sabem que tentar guardar as duas Leis é transgredir
a ambas. Sim, eles transgridem a ambas as Leis,
porque a Lei, quando ainda estava viva entre nós,
nos disse que é ao Profeta que estava por vir, que se
deveria ouvir, quando Ele viesse (Dt 18.15,19). E o
Profeta veio (Jo 1.45; At 7.37), foi ordenado Sumo
Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hb
6.20), e legislou uma Nova Lei, e a pôs como
substituta da Velha Lei. E esta Nova Lei não é
malaquiana. E se esta Nova Lei não é malaquiana,
então os malaquianos transgridem a Nova Lei. Sim,
ser malaquiano na Dispensação da Graça é pecar
contra duas leis, quais sejam, a Lei de Moisés e a
Lei de Cristo.
A nova e peremptória fala divina
A Bíblia diz que “Deus, antigamente” falou
“muitas vezes e de muitas maneiras”, mas que agora
“falou-nos... pelo Filho” (Hb 1.1-2). Deste texto
pinço três partes, a fim de comentá-las, e o faço
assim: a) “muitas vezes”: Não preciso explicar o que
significa falar “muitas vezes”; b) “de muitas
maneiras”: Convém que se observe que Deus, ao
falar “de muitas maneiras”, não se limitou a falar
mediante parábolas, símiles, sinédoques, tipos,
alegorias, metáforas, etc., mas também, às vezes,
depois de se silenciar sobre uma questão por um
longo tempo, irrompeu o referido silêncio com um
mandamento, e às vezes ainda deu ordens e
contraordens; c) “falou-nos nestes últimos dias pelo
Filho”: Aqui, “falou” é mais do que pronunciar
palavras. Nesta nova fala, Deus faz o que Ele
sempre fizera: dá ordens que jamais dera, repete
algumas ordens, e dá algumas contraordens. É uma
nova fala, ou seja, é o entrar numa nova
dispensação. E é o que consta desta nova fala, que
nos diz respeito. Se nesta nova fala, Deus repete o
que falara sobre os dízimos, anunciemos que isso é
doutrina; mas se Ele não toca no assunto, não
inventemos moda.
Veja, agora, a comprovação de que realmente
“Deus antigamente” falou “muitas vezes” e de
“diversas maneiras”: 1) sejam vegetarianos (Gn
1.29. [do que se subtende que não se deve comer
carne]) e comam carne (Gn 9.3); 2) não mate os
assassinos (Gn. 4.15;) e mate os assassinos (Gn
9.6); 3) nada de circuncisão até Abraão (cerca de
dois mil anos, a cantar de Adão) e circuncidem-se, a
partir de Abraão (Gn 17.10); 4) silêncio sobre
casamento com parentes próximos (entre irmãos
[Gn 20.12] e entre sobrinhos e tios [Êx 6.20]) e a
proibição a essa prática (Lv 18.12), etc. Ora, se
Deus já deu até ordens e contraordens nas falas
anteriores, não nos deve causar estranheza, se Ele o
fizer de novo, na atual fala. Logo, não tentemos
tolhê-Lo de ou manter os dízimos ou revogar os
dízimos ou deixar isso a nosso critério. E com isso
em mente, abramos nossas Bíblias para sabermos o
que Ele “falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho”,
acerca da forma de contribuição por Ele
estabelecida. Ele deu alguma nova ordem? Ele deu
alguma contraordem? Ele repetiu alguma velha
ordem? O que foi mesmo que Ele “falou-nos, nestes
últimos dias, pelo Filho”, sobre contribuição? E se
fizermos isso, veremos que Ele nos deixou bem à
vontade, quanto a isso, deixando que o amor seja o
regulador-mor dessa questão. E é por isso que Ele
deixa claro, na Sua Palavra, que devemos contribuir
com amor, alegria, e de mancheia.
Vaticinou-se sobre esta nova fala em Dt
18.15,18-19, onde Deus, além de nos prometer um
futuro profeta semelhante a Moisés, em cuja boca
Ele poria as Suas palavras, faz sérias ameaças a
qualquer que recusar ouvir o tal profeta. E o Novo
Testamento assevera que tal promessa se cumpriu
em Cristo (At 3.22-24; 7.37). Ora, em que sentido
Cristo é como Moisés? A resposta é que poucos
atentam para a principal semelhança, que é o fato de
que assim como Moisés foi o legislador de uma
Nova Dispensação (a Dispensação Mosaica é velha
para nós, mas era nova para os israelitas, quando ela
lhes foi dada), Cristo seria o Legislador da
Dispensação que sucederia o sistema mosaico. As
provas de que o tal profeta inauguraria um Novo
Testamento, são as seguintes: a) o tal profeta iria
falar, visto que Deus manda ouvi-lo (Dt 18.15). Que
falaria Ele? Obviamente que não seria uma repetição
do que já havia sido dito por Moisés, visto que,
neste caso, quem o ouvisse estaria ouvindo não a
ele, e sim, a Moisés; b) Deus disse “porei” (no
futuro), quando se referiu às Suas palavras que
seriam postas na boca do referido profeta (Dt
18.18). c) Deus disse que o tal profeta “falará tudo o
que eu lhe ordenar” (Grifo nosso), e não, o que eu
estou ordenando. Isto posto, o tal profeta traria
novidades. Ele não seria, pois, um mero repetidor do
que Moisés falara. Ele falaria em nome de Deus (Dt
18.19), e não em nome da Lei, o que faz dele um
novo Mensageiro de uma nova Mensagem; d)
Como já vimos, Deus, referindo-se ao Ministério do
aludido profeta semelhante a Moisés que estava por
vir, disse pela boca de Moisés: “...a ele ouvireis”.
Por tudo isso, é hora de ouvirmos o que Cristo tem
a dizer sobre as realidades presentes (as quais foram
prefiguradas na Lei). E não é tempo de tornarmos
“outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos
quais de novo” querem que sirvamos, os quais são
apenas figuras que precederam as realidades
presentes. Ouçamos só a Cristo. Ele é o único
falante (legislador) atualmente credenciado. A fala
de “Moisés” (isto é, o sistema mosaico), de certo
modo, já cessou. O Profeta que estava por vir já
veio, já falou, e continua falando através da
Escritura Sagrada que constitui o Novo Testamento.
Como vimos, o autor da Epístola aos Hebreus
usa o verbo falar no pretérito perfeito, quando,
numa clara alusão à fala neotestamentária, nos diz
que “...a nós falou-nos...”. Desse “falou”, devemos
haurir a lição de que a revelação cristã está fechada,
como também o diz Jd 3 e Ap 2.25. E que,
portanto, não há espaço para as interpolações
malaquianas. Não temamos, pois, o trovejar dos que
ameaçam as ovelhas com o fogo do Inferno, caso
elas não lhes rendam a lã dos dízimos. Sim, pois há
quase dois mil anos o Espírito Santo disse que Deus
“falou-nos... pelo Filho”. Do fato de o texto dizer
“falou”, se subentende que a Palavra está dada. E
não ouçamos nenhuma outra Palavra além desta.
Deixemos que só aquele que falou, continue
repetindo o que já falou. E, nesse sentido normativo
e autoritativo, Ele o faz unicamente através da
leitura e estudo da Sua Palavra, sob o influxo do
Espírito Santo, e nunca, nunca, nunca através de
visões, revelações, profecias hodiernas... E menos
ainda, através desses sermões não inspirados na
pronunciação definitiva proferida por Aquele que
“falou-nos... pelo Filho”. (NOTA: Não sou
cessacionista [ou seja, não entendo que o
sobrenatural de Deus, característico da Igreja
Primitiva, tenha sofrido solução de continuidade],
mas também não creio que essas operações do
Espírito Santo tenham a finalidade de coadjuvar a
Bíblia na doutrinação da Igreja. Vejo este agir de
Deus como incrementador e habilitador (At 1.8), e
não como norteador da Igreja em termos
doutrinários. Este operar e Deus não são uma luz
menor a guiar-nos à luz maior, como se crê da
literatura produzida pela senhora Ellen G. White.
Talvez alguém objete alegando que “falou”, é,
no original, um aoristo, do que se subtende que
Deus continua falando. Mas nesse caso, o aoristo
indica apenas que a fala está de pé, ou seja, continua
valendo, pois o que falou não se tornou obsoleto.
Deus nos fala a toda hora, mediante a Sua Palavra
dada uma vez por todas, que está fechada e
completa.
Sobre quem recai o ônus da prova?
Uma pergunta frequentemente formulada aos
que, como eu, defendem que a doutrina dos dízimos
não está de pé no Novo Testamento, é a seguinte:
“Você pode me provar dentro do Novo Testamento,
que Malaquias 3.10 não é um dever cristão?” Tenho
nada menos que oito respostas curtidas no azeite
para os que assim nos arguem. Primeira resposta:
O ônus da prova não recai sobre nós, os libertos do
jugo Lei, e sim, sobre os que querem nos escravizar.
Nós simplesmente anunciamos que não temos esse
mandamento. Que, pois, os que de nós discordam,
nos façam o favor de provar que estamos errados.
Abram eles o Novo Testamento e nos mostrem
donde sacaram a conclusão de que a doutrina dos
dízimos consta da Nova Aliança. Segunda resposta:
Conforme previsto na Lei, seguiu-se à morte vicária
de Cristo e à Sua ressurreição dentre os mortos, o
inaugurar de um novo ofício sacerdotal (Hb 7.12),
que implica na suscitação de um Novo Concerto
(Hb 8.8), o qual, em resposta a essa necessidade
nasceu e pôs fim ao Velho Concerto (Hb7.18),
trazendo à tona a Nova Aliança (Hb 12.24), na qual,
ao invés de termos um sábado-sombra (Cl 2.16-1),
temos uma era sabática (Hb 4.10) ou seja, um
contínuo descanso espiritual (Mt 11.28-30), num
ininterrupto estado de graça e amizade com Deus. E
este repouso, esta graça e esta amizade presentes são
antítipos do sábado semanal constante do Velho
Concerto. Ora, se até o sábado semanal, alojado no
Decálogo, jaz substituído por uma Era Sabática, o
dizimismo é que não está? Terceira resposta: Visto
que o cristão não tem que guardar nem o sábado,
que é um mandamento integrante dos Dez
Mandamentos (Gl 4.8-11; Cl 2.16-17), por que teria
que guardar Ml 3.10? Quarta resposta: O cristão
tem o dever de guardar todos os mandamentos
constantes do Novo Testamento, independentemente
de os mesmos constarem ou não do Antigo
Testamento, mas a recíproca não é verdadeira.
Quinta resposta: O quê?! Você quer saber onde
está escrito que Malaquias 3.10 não está de pé?!
Não vai me dizer que nunca leu Hb 7.12,18; e
12.24?! Sexta resposta: O silêncio de Deus sempre
foi estridente resposta às especulações dos homens,
tanto na Velha Dispensação (Dt 29.29; Pv 30.6),
como na Nova (Ap 22.18-19; Rm 12.3). Veja
também Rm 4.15, que nos diz que “onde não há lei
também não há transgressão”. Ora, no Novo
Testamento não há estipulação de valores a serem
doados para a Obra de Deus, e, por isso, não
dizimar não é pecar por omissão, e dizimar não é
pecar por comissão. Mas dizer que Malaquias 3.10
está de pé no Novo Testamento é pecar por
comissão, pois afirmar isso é, de certo modo,
desobedecer Ap 22.18-19, que nos proíbe de inserir
corpo estranho na Palavra de Deus. (Mas é claro
que os cristãos verdadeiros que fazem isso sem
maldade estão debaixo do sangue de Jesus, e, por
conseguinte, na graça e amizade do Senhor.).
Sétima resposta: À pergunta “onde está escrito no
Novo Testamento que a doutrina sobre os dízimos
foi abolida para o cristão”, respondamos: Leia todo
o Novo Testamento e ouça o trovejar do silêncio de
Deus. O silêncio de Deus nos diz em alto e bom
som que Ele mão nos deu este mandamento. Oitava
resposta: Leia Hb 7.12, 18.
Por que só a Malaquias?
Malaquias foi um profeta do Velho
Testamento; logo, sua mensagem tinha por objetivo
básico exortar o Povo de Deus daqueles idos, a
obedecer os mandamentos então vigentes. Ora, se o
fato de Malaquias mandar o seu povo pagar
dízimos, provasse que devemos fazer o mesmo hoje,
então, do fato de Isaías e Jeremias terem exortado os
seus patrícios a guardarem o sábado e a absterem de
carne suína (Is 58.13-14; 66.17; Jr 17.21-22),
deveríamos inferir que o sabatismo e a abstinência
de carne de porco são posições corretas. Mas, como
já vimos, vários trechos bíblicos, como 2Co 3.6-16;
Cl 2.16-17; Hb 7.12,18, etc., provam que não é
bem assim. Ora, se as mensagens de Isaías e
Jeremias sobre dia santo e cardápio não são para
nós, por que Ml 3.10 tem que ser?
Aprendi isso na Assembleia de Deus
Tanto oralmente, como por escrito, a minha
bendita Assembleia de Deus sempre se posicionou
mui sabiamente contra o sabatismo. Fá-lo mediante
eloquentes pronunciações deveras embasadas na
Escritura Sagrada. Fundamentando-se em 2Co 3.6-
16 e outros textos correlatos, a minha querida
denominação argumenta forte, mostrando com
meridiana clareza que o Velho Concerto, do qual o
Decálogo era parte integrante, expirou por inteiro na
cruz; e que, portanto, nenhum dos Dez
Mandamentos está de pé; o que, por sua vez, tornou
arcaica não só a guarda do sábado (Êx 20.8-11) e as
restrições alimentares (Lv 11), mas também todas as
deliberações sobre restrições e liberações
constantes da Lei mosaica. Quanto às deliberações
do Novo Testamento iguais às do Velho, nós as
praticamos, não por constarem do Velho
Testamentos, mas apenas por constarem do Novo
Testamento. O sabatismo e outros legalismos são
vistos pela minha amada igreja, como inadmissíveis
judaização da Igreja, por estar esta sob a Lei de
Cristo, e não debaixo do jugo mosaico. Mas bem
cedo observei que, infelizmente, o tiro lhe sai pela
culatra. É que, em que pese que a Assembleia de
Deus é infinitamente menos anacrônica do que os
galacionistas (adeptos das seitas que, tais quais os
gálatas, sincretizam o Cristianismo com o
Judaísmo), ela sempre se enquadrou, quanto a isso,
em Mt 7.3-5, que nos diz que sem tirarmos a trave
de nossos olhos, não nos habilitaremos a tirar o
argueiro do olho de nosso irmão. (Trave é um
grande tronco de árvore empregado para sustentar
uma construção [Pequena Enciclopédia Bíblica,
Editora Vida, in loco], e argueiro é o mesmo que
cisco [Ibid.). E além desta advertência bíblica,
devemos atentar para a máxima de que “Quem tem
telhado de vidro não atire pedra ao do vizinho”.
Realmente, sempre que um malaquiano cita 2Co
3.6-16; Cl 2.16-17; Gl 4.9-11, etc., a título de
repreensão aos sabatistas e outros “gálatas”
hodiernos, pode estar seguro do fato de que o feitiço
já virou contra o feiticeiro. De fato, em que pese
que estes textos verdadeiramente provam que os
sabatistas de fato estão equivocados por perpetrar
alguns dos erros dos ebionitas, parece-me inegável
que os sólidos argumentos assembleianos contra o
legalismo dos sabatistas, servem, também, para
provar de maneira mui clara, solene, peremptória,
inequívoca, e perene, que o malaquianismo tem,
igualmente, inegável ranço de ebionismo; não sendo,
pois, menos arcaico e anacrônico do que o
sabatismo. Certamente alguém entre os meus
confrades vão me rebater dizendo que os casos não
são iguais, visto que a ordem para guardar o sábado
e abster de certas carnes não costa no Novo
Testamento, ao passo que o Novo Testamento
manda pagar os dízimos. E para provar que assim é,
exibirão Mt 23.23 e todos aqueles textos que já são
velhos conhecidos nossos. Entretanto, já vimos que
essas parolas não são menos inconsistentes do que
as infundadas apologias ao sabatismo e outros
moisesismos disfarçados de Cristianismo.
Quanto amo a Tua Lei!
Há uns quinze anos fui a Campina
Grande/PB, para ministrar sobre diversas seitas. E,
tomando a Bíblia toda como tira-teima,
fundamentei-me nela para demonstrar quão falso é o
sabatismo e outros legalismos. Mas alguém inventou
que eu afirmei que podemos rasgar o Velho
Testamento e/ou atirá-lo na lixeira. E é bem provável
que este livro me renda calúnias similares. Mas estou
tranquilo, pois sei que o Justo Juiz, que vê tudo,
mantém tudo sob o Seu controle.
O Antigo Testamento ainda tem alguma
serventia? Resposta: Creio que a Bíblia, em sua
totalidade, do Gênesis ao Apocalipse, sem excetuar
uma só letra, é a pura, santa, perfeita, infalível e
inerrante Palavra de Deus. Creio na inspiração
verbal e plena de toda a Bíblia. Adoto como modus
vivendi e modus operandi o circunscrever-me aos
ditames da Bíblia. Quanto a isso, sou adepto da
ortodoxia do protestantismo clássico, que se moldou
e se molda ao parecer agostiniano, segundo o qual,
quando alguma coisa na Bíblia nos soa errado, uma
dessas três coisa está acontecendo: Ou o copista
errou ou o tradutor errou ou nós não estamos
entendendo. Repudio, pois, o Liberalismo Teológico
(que vê a Bíblia como produção meramente
humana), bem como a chamada “posição
equilibrada”, segundo a qual a Bíblia é inerrante em
questões soteriológicas, bem como errante noutras
questões, como, por exemplo, em narrações de
fatos históricos. Os adeptos dessa tal de “posição
equilibrada”, dizem que as reais contradições e
outras imperfeições existentes na Bíblia, procedem
de lapsos de memória dos hagiógrafos, bem como
de informações inexatas que lhes foram passadas
pelos que lhes narraram fatos dos quais eles (os
hagiógrafos) não foram testemunhas oculares.
Mas aonde quero chegar com essas informações
aparentemente impertinentes com o tema deste
livro? Resposta: Elucidar que quem está rasgando o
Antigo Testamento, bem como atirando toda a
Bíblia na lixeira, não sou eu. Eu creio no que prego
e prego o que creio. Eu sou coeso e coerente no
meu discurso. Comigo é “sim, sim; não, não”. O
motivo pelo qual não sou adepto dos dizimismo é o
mesmo pelo qual os evangélicos malaqianos não são
sabatistas.
O bolbo
A síntese de minhas declarações sobre o Antigo
Testamento, é que Ele era o bolbo do qual procedeu
a flor da Nova Aliança, na qual estamos; e, que
portanto, é contra-senso preferir o bolbo à flor,
como o fazem os que querem tomar para si o que
Deus, na instrumentalidade de Seu servo Malaquias,
falou ao Povo de Deus do tempo do bolbo. Hoje
doamos o quanto queremos, o quanto podemos, e
até o que está além de nossas possibilidades, num
heroico ato de fé, como veremos nos capítulos 23 e
24. E quem nos dá esta liberdade é o objeto das
nossas contribuições: Deus. Quem é, pois, o homem
para nos escravizar aos seus caprichos? “Se Deus é
por nós, quem será contra nós?” (Rm 8.31b). Não
permitamos, pois, que malaquiano algum nos
“domine a seu bel-prazer” (Cl 2.18). Ademais,
mostremos aos malaquianos, que malaquianismo
sem sabatismo e outros ismos próprios dos legalistas,
além de ser antibíblico, é desvario.
Acusar um cristão, liberto do malaquianismo, do
sabatismo, do porquismo, do bagrismo, do
camaronismo, do lagostismo, e outros ismos, de
estar jogando o Antigo Testamento na lixeira, é
como dizer que da admiração de alguém por uma
rosa, se deve inferir que o admirador está
desdenhando a roseira, ou menosprezando o botão
do qual a rosa desabrochou-se.
A macieira
O Antigo Testamento só é útil aos que O veem
como uma macieira que produziu a maçã da Nova
Aliança. Os que, ao invés de comer a maçã, comem
a macieira, não estão bem. E igualmente
problemáticos são os que tentam comer a maçã e a
macieira. Principalmente se os tais retaliam os que,
como eles, não comem o caule, os galhos, as folhas,
e a raiz da macieira.
“Fui-me embora!”, diz o Velho Testamento
É desnecessário dizer que todos os evangélicos
típicos têm grande apreço pelo Antigo Testamento.
Não O estimamos menos que ao Novo Testamento,
e a recíproca é verdadeira. Mas quem, na atual
dispensação, não se deixa gabaritar pelo espírito do
Novo Testamento, tem contra si o próprio Antigo
Testamento, já que foi ele mesmo que disse que não
veio para ficar (Jr 31.31-34 comparado com Hb
8.8-13). E além de terem o Velho Testamento por
adversário, os que malaquianos sofrem, também, a
oposição do Novo Testamento, visto que este diz
que Jr 31.31-34 já se cumpriu (Hb 8.8-13), e que
portanto, o Velho que por nós passava passou
totalmente (2Co 3.6-16), sendo substituído pelo
Novo Testamento (Hb 7.12,18; 10.9b).
Atestado de bons antecedentes
O Antigo Testamento é como um atestado de bons
antecedentes de Deus. Lendo-O tomamos ciência
das obras de Deus, entre as quais, a Sua fidelidade
para com o homem, com o qual Ele pactuou
diversas vezes. Isso é uma injeção de ânimo, pois é
deveras encorajador saber que temos um Deus
Onipotente, fiel, responsável, e repleto de amor.
Mas para sabermos de nossas obrigações para com
Ele, temos que ler a Bíblia toda com o devido
cuidado, para não tomarmos para nós, obrigações
constantes dos pactos que já caducaram desde há
milênios. O leitor da Bíblia precisa entender que
Isaías tinha direitos e deveres que Abraão não tinha;
que Abraão tinha direitos e deveres que Noé não
tinha; que Noé tinha direitos e deveres que Abel não
tinha; que Moisés tinha direitos e deveres que Abel,
Noé, Melquisedeque, Abraão, Enoque, etc., não
tinham; e que nós, os cristãos, temos direitos e
deveres que nenhum dos servos de Deus
mencionados no Antigo Testamento, tinham. O
cristão precisa sim saber de tudo quanto Deus
“antigamente” falou “muitas vezes e de muitas
maneiras aos pais, pelos profetas” (Hb 1.1-2), mas
sem deixar de atentar para o que Ele “a nós falou
nos, neste últimos dias, pelo Filho...” (Ibid.). Sem
isso, vamos meter os pés pelas mãos, num
tresloucado anacronismo, plenamente desnorteados,
e totalmente à deriva no mar da vida. Certo dia
ganhei um panfleto, escrito por um “pastor”, que,
por não entender a Nova Fala, não sabia que para
termos o mesmo Pastor que Davi tinha (Sl 23.1-4),
não podemos fazer o que aquele rei de Israel fazia;
e, por causa dessa falta de conhecimento, o tal
“pastor”, defendeu a poligamia e disse que ele tinha
seis mulheres. É por essas e outras que o Pastor
Paulo Romeiro disse que a Bíblia é como uma
navalha: com ela se faz a barba, e com ela se corta o
pescoço. Pedro disse isso mesmo com outras
palavras (2Pe 3.16). E é o que vem acontecendo
desde os primórdios do Cristianismo. E consideradas
as devidas proporções, essa é a não louvável
situação dos sabatistas, dos malaquianistas, dos
camaronistas, etc. Mas Deus quer tirá-los desse
emaranhado. E este livro pode ser usado por Ele
para materializar este Seu ideal. Tenho certeza que
muitos farão bom uso desta obra; e aspiro que o
respeitável leitor esteja entre tais abençoados.
A Nova só é nova para os que estavam na Velha
Como é do conhecimento não só dos teólogos,
mas de todos os leitores da Bíblia, esta chama de
Nova Aliança (Hb 12.24) à aliança firmada entre
Cristo e a Igreja. E isso faz com que nós, os gentios
convertidos a Cristo, pensemos que também estamos
sob uma nova aliança com Cristo. Mas isso não é
verdade. A Aliança sob a qual estão os não judeus
convertidos a Cristo é a mesma sob a qual estão os
judeus messiânicos, mas ela não é nova para ambos.
O Pacto do Sinai foi feito com os filhos de Israel, e
não com os gentios. E, sendo assim, então nós
entramos em Aliança com o Senhor, mas não
entramos numa nova Aliança Ele. A Aliança na qual
nós, os membros da Igreja, de origem gentia,
estamos, só nos seria nova, se em algum momento,
no passado, Deus tivesse se aliançado conosco. Mas,
como isso nunca aconteceu, então nós temos uma
Aliança com Deus, mas nós não temos uma Nova
Aliança com Ele. Nós, os gentios cristãos,
aliançamos com Deus; e os nossos irmãos judeus
messiânicos, realiançaram com Ele. E se você se
assusta, porque nunca tinha ouvido um teólogo falar
isso, saiba que os teólogos precisam avançar, e não
ficar eternamente repetindo o que alguém já disse.
Temos que fazer teologia, e não repetir teologia.
De certo modo, podemos ver as quatro
dispensações que precederam a da Lei (mosaica)
como alianças, mas é claro que eram muito mais a
regulamentação de um modus operandi do que um
Pacto propriamente dito. Concerto mesmo, Deus só
firmou dois: um eterno Concerto com Abraão, a
saber, o Concerto da fé (Rm 4 [Leia o capítulo
inteiro]), e um Concerto passageiro, ou seja, com
prazo de validade, firmado só com a prole de Jacó
(2Co. 3.6-16), e não com algum outro povo.
Uma pessoa que entendeu isso muito bem, e que
sobre isso pronunciou de maneira magistral, foi o
atrás citado Pastor batista, Antônio Neves de
Mesquita. Esse catedrático, de saudosa memória,
disse sobre isso o seguinte:
Tomemos em consideração que antes de
serem dadas as dez proposições que
comumente se chama a Lei, já todos os
ensinos nelas codificados estavam em
vigor. Podemos mesmo dizer que desde
que apareceu o homem sobre a terra, os
princípios do Decálogo tinham força de
lei, e se quisermos recuar mais ao passado,
podemos afirmar que nunca houve tempo,
na eternidade, em que tais princípios não
existissem, pois que eles exprimem a
consubstanciação da natureza do próprio
Deus, no que toca à sua Santidade e
Justiça. Quando o homem foi criado, não
lhe foi dada esta lei em forma catalogada,
mas foi-lhe posta no coração, dentro de
sua consciência, dentro de sua íntima
natureza, para que por ela se governasse, o
que foi muito mais excelente que se fora
dada em forma externa de doutrina. Assim
não pode haver e nunca houve tampouco
um homem em qualquer canto da terra
que não tivesse em sua estrutura moral
todos os princípios que se encontram
resumidos nas dez proposições legais.
Em segundo lugar, convenhamos que,
não obstante a existência desta Lei no
mundo para todos os povos e para todas as
gerações, nenhum deles está diretamente
obrigado a ela em virtude de um concerto.
Eram princípios éticos a que todos
estavam sujeitos, em virtude da própria
natureza, mas não eram princípios legais
que deliberadamente tivessem assumido o
compromisso de cumprir. Antes do Sinai
nenhum povo tinha esta lei como lei, como
código, como estatuto. Neste sentido,
somente os judeus ficaram obrigados ao
Decálogo. Nem antes nem depois, jamais
povo algum esteve obrigado a viver
debaixo da Lei dos dez mandamentos.
Negar isso é contrariar o ensino claro do
Novo Testamento. Se eu pudesse pôr estes
pensamentos noutra linguagem, diria que
Deus codificou, em dez proposições, todos
os princípios morais coexistentes com a
raça, e deles fez os dez mandamentos para
servirem de Lei ao povo com quem agora
entrava em concerto. Como jamais povo
algum senão os israelitas entrou em
concerto com Deus, jamais algum povo
esteve diretamente obrigado a viver dentro
desta Lei da forma que os israelitas se
obrigaram.
Nós não estamos obrigados a esta Lei
das duas tábuas de pedra, porque a nossa
Lei é Cristo, o qual por sua vez cumpriu
todas as exigências da mesma Lei. Ele não
cumpriu a parte da lei cerimonial e deixou
o resto para nós cumprirmos. Encravando-
se na cruz, encravou ali também a Lei,
tendo-lhe dado plena e final satisfação,
porque nem um só jota, nem um só til,
passaria da Lei até que tudo fosse
cumprido. Isto exatamente Ele fez. É fútil
pensar que Deus, sabendo que ninguém
jamais tinha cumprido a Lei, e que nem
mesmo a nação a quem ela foi dada a
poderia cumprir, levasse o seu Filho a
morrer no Calvário para satisfazer essa
Lei, que era a síntese de sua santidade, e
depois de toda aquela tragédia do
Calvário, a mais terrível de toda a história,
ainda deixasse um pedaço para nós,
miseráveis e incapazes pecadores,
cumprirmos. Não. Isto não é razoável nem
possível. Aberra de todo o bem senso, e
mistura o legalismo com a graça, deixando
Deus responsável pela continuação de um
estado de coisas que determinou a morte
de Jesus mesmo. Não, mil vezes não. A
Lei moral, cerimonial e civil, não são três
leis, mas uma só Lei que foi encravada na
cruz e lá morreu para toda a história da
humanidade. O que sempre esteve e
continua a estar de pé é o Concerto da Fé
feito entre Deus e Abraão, mediante o
qual aquele antigo varão foi feito amigo de
Deus, e nós o seremos também crendo
como ele. Qual será a coisa mais agradável
a Deus? Olharmos para os dez
mandamentos, procurando obedecer-lhes
ou olhar para Cristo e amá-lo e segui-lo?
Qual terá mais valor para Deus e para nós:
a Lei fria e inflexível, ou Cristo, todo amor
e misericórdia?
Mais uma pergunta e basta: Qual foi o
selo do concerto feito com Abraão? A
circuncisão. Qual foi o selo dado por Deus
para o concerto do Sinai? A circuncisão.
Por que Deus não deu outro selo, mas
usou o antigo retendo o mesmo que já
existia? Porque Ele não está mudando os
termos, nem a base de vida entre a sua
pessoa e o povo, mas apenas adicionando,
por tempo determinado, outros elementos
que serviriam para ajudar ou completar, se
quisermos dizer, o concerto antigo, único e
eterno no santo propósito divino. Deus
não chamou Abraão para lhe dar concerto
de obras e ser pai dos que fizessem e
vivessem, mas o Concerto da Fé, para ser
pai de todos os que cressem e vivessem.
(Citado por Abraão de Almeida em O
Sábado a Lei e a Graça. Rio de Janeiro:
CPAD, op. cit., 1980, pp. 111-114).

A posse do conhecimento exposto neste capítulo


nos faz ver quão equivocados estão os que, no
inglório afã de nos rebater, dizem que “se os Dez
Mandamentos tivessem sido removidos, então
poderíamos matar, roubar, caluniar, etc.” Eles ainda
não entenderam que, como bem nos disse o teólogo
Mesquita, muito antes de Deus dar os Dez
mandamentos, Ele já havia posto a Sua lei “dentro
[da] consciência [do homem], dentro de sua
natureza, para que por ela se governasse...”. E que,
portanto, “nunca houve... um...homem... que não
tivesse em sua estrutura moral todos os princípios
que se encontram resumidos nas dez proposições
legais... Quando o homem foi criado, não lhe foi
dada esta lei em forma catalogada, mas foi-lhe posta
no coração”.
Como vimos, Mesquita entendia que Deus não
“chamou Abraão para lhe dar concerto de obras”,
mas sim, para “o Concerto da Fé”, ao qual
adicionou, “por tempo determinado, outros
elementos que serviriam para ajudar ou completar...
o concerto antigo... único e eterno”. E isso está
respaldado em Rm 4 (Queira ver), bem como em Gl
3.19 que nos diz que a Lei “Foi ordenada por causa
das transgressões, até que viesse a posteridade...”
(Grifo meu). A palavra original traduzida por
“ordenada” em Gl 3.19 está vertida por “adicionada”
na ARA, e por “acrescentada” na VR. E a ideia que,
à luz do contexto, sacamos deste versículo é que a
Lei é um acréscimo ao Pacto da Fé; e que esse
acréscimo tinha prazo de validade demarcado, a
saber, tal adição permaneceria apenas “até que
viesse a posteridade”, ou seja, até que Cristo viesse
(Gl 3.16). Esta preposição “atè”, seguida da palavra
“que”, delimita o prazo de validade do acréscimo em
questão, que Lei em forma de código, dada a título
de escrituração do Pacto firmado entre Deus e a
prole de Abraão na linhagem de e de Jacó. Logo,
Deus aprazou a validade da Lei. De fato, a
afirmação de que tal adição permaneceria “até que
viesse a posteridade” indica que quando a
posteridade chegasse, a tal adição perderia sua
funcionalidade, por cujo motivo, seria removida.
Já que acréscimo não se faz ao nada, e sim, a
alguma coisa, pergunta-se: A que a Lei foi
acrescentada? A resposta está nua e patente no
contexto de Gl 3.19, a saber, ela foi acrescentada ao
Pacto de Deus com Abraão. E outra pergunta que
não pode se calar sem resposta é: Por que a Lei foi
acrescentada? Neste caso não precisamos procurar
resposta no contexto, porque o próprio texto em
análise, que é Gl 3.19, diz que “Foi... por causa das
transgressões”. E é aqui que cai, sucumbe e
desaparece, o argumento de que “se a Lei tivesse
sido abolida já não mais existiria pecado, estando
todo mundo livre para matar, roubar, adultera, etc.”
Este texto deixa claro que antes da Lei já havia
pecado, posto que ela foi acrescentada exatamente
“por causa das transgressões”. Ora, se havia
transgressões antes de a Lei ser acrescentada, então
é possível que as transgressões continuem existindo
após a remoção da Lei. Logo, com Decálogo, ou
sem ele, o pecado é real e presente. Antes da
outorga da Lei todos os homens já eram pecadores
em Adão (Rm 5.12-14), e a isso já acrescentavam
suas culpas pessoais.
Uso dizer que o pecado mata o homem (Rm
6.23a), a Lei o apodrece (Rm 5.20ª; 1Co 15.56) e a
Graça o ressuscita (Rm 5.20b; 6.23b; 1Co 15.57).
O homem pecava antes da outorga da Lei, não
parou de pecar durante a vigência da Lei, e continua
pecando após a abolição da Lei, pois uma coisa não
tem nada a ver com a outra. A Lei nunca teve a
missão de trazer ou viabilizar o pecado ao mundo,
porque isso a tornaria supérflua, visto que já esta no
mundo (Rm 5.13a). O que Lei fez, foi agravar o
estado do pecador (Rm 5.20b), ou seja, ela não
esconde de nós o real diagnóstico, o que, por sua
vez, nos leva gritar por socorro; o que nos é
concedido em Cristo (Rm 10.13). E, como se não
bastasse, relembro que: 1) o cristão não está sem lei,
mas sim, sob a Lei de Cristo; 2) como todo ser
humano, o cristão também tem “em sua estrutura
moral todos os princípios que se encontram
resumidos nas dez proposições legais”, como ex
cathedra observou o Pastor Mesquita.
Acho que está nua e patente a verdade de que a
Nova Aliança não é (para nós, gentios cristãos) um
Novo Testamento naquele mesmo sentido em que é
para um judeu messiânico. Para nós, a Nova Aliança
é apenas o apogeu do Pacto de Fé firmado entre
Abraão e Deus, ao passo que para o ex-judaísta
convertido a Cristo ela é, além disso, o ápice do dito
Pacto de Fé, sem o acréscimo do sistema mosaico.
De nós, o acréscimo não foi removido, pois nunca o
tivemos, visto que ele foi dado aos filhos de Israel, e
não às demais nações. Portanto, a abolição da Lei,
tão mencionada nas Escrituras, embora também nos
atinja pela tangente (o dito “acréscimo” ao referido
“Pacto de Fé” está cheio de alegorias que se
materializam no todo da Igreja, e não apenas no
conjunto dos judeus messiânicos), não nos é tão
pertinente quanto aos israelitas que também recebem
a Cristo.
O sistema mosaico está repleto de tipos que têm na
Igreja os seus antítipos. E, sendo assim, o Novo
Pacto é a flor que desabrochou do bolbo da Lei de
Moisés para todos os cristãos, mas os cristãos
gentios têm a flor sem ter tido um dia o bolbo; não é
este, porém, o caso do cristão emigrado do
Judaísmo.
CAPÍTULO 23
BÊNÇÃO AO
PORTÃO
Certa feita eu me enrolei tanto nas minhas
finanças, que percebi que se eu dizimasse naquele
mês, me faltaria dinheiro até para pagar as passagens
de ida e volta em relação à empresa, na qual eu,
então, trabalhava. E enquanto eu matutava sobre
como administrar aquela situação (darei apenas parte
do dízimo este mês e o restante no mês que vem?
Não pago o dízimo dos rendimentos deste mês, e no
mês que vem pagarei o dos rendimentos deste mês,
acrescido do dízimo referente ao mês que vem? Ou
definitivamente susto o dízimo deste mês? E
enquanto assim refletia, me imbuí de uma fé que só
vendo. Cri que se eu priorizasse o dízimo, Deus iria
fazer um milagre. E nessa fé, dizimei. E de repente
minhas previsões começaram a se cumprir. Sobre o
“tablado” das complicadas adversidades, nas quais
eu me via confinado, e das quais não via por onde
me escapar, o Espírito Santo preparou o “cenário”
para a manifestação da glória de Deus, glória esta
traduzida na solução do problema que me afligia. E
o fulgor da dita glória se manifestou assim: Quando
ainda faltavam mais de 20 dias (23 dias?) para
chegar a dia de pagamento, contei o dinheiro que
me restava, e vi que o mesmo dava somente para eu
ir ao trabalho e regressar à minha residência por
mais três dias. Então, com a fé que Deus me dera
para aquela situação, pensei assim: Sempre que
minha mulher detecta a falta de alguma coisa na
nossa casa, ela apenas me diz: “Amor, acabou o
arroz”; “amor, acabou o feijão”; “amor, preciso de
mais uma bolsa”, “amor, preciso de mais um par de
sapatos”, etc. E, com isso em mente, ajoelhei e orei
assim: Senhor, acabou o dinheiro. E, dito isso, me
levantei, dando minha prece por encerrada. Aquela
oração não teve preâmbulo, tampouco epílogo, mas
tão-somente um desenvolvimento constituído de
quatro palavras. Mais tarde, um pouco antes de me
deitar para dormir, orei, como das vezes anteriores,
mas sobre outras questões. Eu cria com uma fé que
nem sempre tenho, que a questão do dinheiro que só
dava para mais três dias, já estava resolvida; e que,
portanto, mais nada eu precisava fazer. Aliás, não só
não precisava fazer, mas também, não podia fazer.
Eu sentia que aquela atitude contribuía para
aumentar a minha fé, fé esta que me dava acesso ao
Trono da Graça, donde emanaria a minha vitória.
(Sabemos, pela Bíblia, que é certo orarmos várias
vezes, pedindo uma mesma bênção. E eu orava
assim, oro assim, e orarei assim. Mas o caso que ora
narro, foi especial. Não sei explicar porque fui
impulsionado a agir daquela maneira naquela
especificidade.) E a minha vitória realmente chegou
dentro de um curto espaço de tempo, a saber, cerca
de 10 horas após a inusitada oração. É que, no dia
seguinte, quando por volta das 5 horas da manhã,
saí da minha residência com destino ao estaleiro no
qual eu trabalhava, logo após abrir o portão que me
dava acesso à rua, vi, do lado de fora do mesmo,
uma considerável quantia de dinheiro, esparramado
no chão. Então, agachando-me, apanhei aquela
dinheirada. E ao contar todas aquelas notas, vi que
era quase três vezes o valor que eu, aparentemente
sem condição de fazê-lo, doara à minha igreja, a
título de dízimo para a Obra do Senhor.
No momento em que Deus me deu a bênção em
pauta, pensei estar diante de uma coincidência, e
não, ante um milagre. Eu cria piamente que algum
vizinho iria se manifestar, falando de sua perda; e
que então, eu lhe daria o achado. Por isso guardei o
dinheiro intacto, por três dias. Nesse Interim, todos
os dias, ao chegar do trabalho, eu perguntava à
minha esposa se ela tinha ouvido algum comentário
sobre o aludido dinheiro. E como respostas a estas
interrogação formulada três vezes, ouvi dela três
nãos. Por isso, a partir do quarto dia após o achado,
comecei a gastar aquele dinheiro.
Visto que a importância achada correspondia a
quase três vezes o valor que eu doara à igreja, não
preciso dizer que tive, naquele mês, a fartura que eu
não teria, se eu tivesse feito uso do direito que me
assistia, de não dízimar naquele mês. E só não seria
assim, se aquele achado não passasse de
causalidade. Nessa hipótese, o valor referente ao
dito dízimo, se somaria à importância achada,
elevando-a a um valor quase quatro vezes maior.
Qual a procedência do dinheiro em questão? Foi
Deus quem o pôs lá? Será que Deus o fabricou e
incumbiu um anjo de pô-lo ao portão da casa onde
eu morava? Deus fez alguém perder dinheiro para
me socorrer? Foi tudo mera coincidência? Como
todo milagre, este também é inexplicável, e,
portanto, não sei responder a essas perguntas que,
com justiça, não querem calar. Mas pouco posso
fazer pelos que, talvez, assim me queiram arguir. E
tal se dá porque na elaboração destas linhas, me
porto como mero narrador desta história, e não
como decifrador desse mistério. Porém, esta história
não é nem um pouco incompatível com a Bíblia.
Além disso, atente para o seguinte: a) não estou
nada menos embasbacado do que os meus leitores;
b) não perca de vista o fato de que, do que ora trago
a lume, sou mais do que testemunha ocular, pois não
só o presenciei, mas o vivenciei, ou seja, aconteceu
comigo; c) Jesus nos prometeu prodígios superiores
aos que Ele fez diante de Seus discípulos, Jo 14.12.
E qual é o limite dessa superioridade?; d) Jesus fez
aparecer um peixe com dinheiro na boca, a fim de
pagar o imposto por Si e por Pedro (Mt 17.27); e)
um dinheiro destruído num incêndio, em algum
lugar deste mundão, pode ser restaurado pelo poder
de Deus e doado a quem Ele quiser. E, como o leitor
acaba de ver, há mil e uma hipóteses admissíveis,
capazes de explicar a origem do dinheiro em lide,
quer junto à Receita Federal, quer junto à Casa da
Moeda. O Deus que pode fazer dinheiro aparecer na
boca de um peixe, não pode fazer dinheiro aparecer
ao meu portão? “...tudo é possível ao que crê” (Mt
9.23).
Ninguém se põe sob maldição divina se, por uma
premente necessidade, eventualmente deixar de
dizimar por um aprazado tempo. (Até porque [e já
estamos carecas de tanto saber isso] não temos este
mandamento. E se não temos este mandamento,
estamos livres não só para não dizimarmos
esporadicamente, mas até mesmo para nunca
adotarmos esta prática.) Mas essa lei universal, não
é, necessariamente, um princípio geral. O princípio
geral é: Se Deus está dando uma ordem específica e
particular, ceda-se ao Seu Senhorio. E faça-o sem
sonhar com uma suposta meritória retribuição, visto
que além de o ato de servi-Lo ser em si mesmo, uma
demonstração de Sua benignidade para conosco, e
não a prestação de serviço digno de sua devida
remuneração, não há recompensa maior do que a
graça de podermos servi-Lo, em total submissão à
Sua Soberania. E por tudo isso, não nos sintamos
seus credores. Deus não nos deve nada. Pelo
contrário, Deus é o nosso eterno Credor; e nós,
Seus eternos devedores, perpetuamente
inadimplentes.
Embora Deus não tenha a obrigação de nos dar
coisa alguma, Ele, por não ser um Pai relapso, se
auto obriga a cuidar bem de todas as suas criaturas,
priorizando os Seus filhos. E basta ler a Bíblia para
saber disso. Logo, estejamos certos de que Ele
cumprirá Suas promessas, ombreando os que lhE
ombreiam. Seus filhos vêm experimentando isso
desde os primórdios da Humanidade.
Moral da história: Contribuir com amor, quer
circunscrevendo-se ao dízimo, quer extrapolando
esse limite, quer ficando aquém dessa importância,
agrada a Deus; os filhos de Deus, que de fato O
amam, sempre darão para a Obra muito mais do que
podem.
CAPÍTULO 24
BÊNÇÃO VIA RBN
Quando, no início da década de noventa, o Pastor
Samuel Câmara foi à igreja na qual eu congregava
(no Rio de Janeiro/RJ), a fim de coletar ofertas para
a aquisição da RBN Rede Boas Novas (uma
concessão de rádio e televisão), eu não estava em
condição de ofertar coisa alguma, pois nada eu
tinha, senão uma dívida, já que entrara no meu
cheque especial. Porém, pensei assim: Não posso
ficar de fora desse empreendimento. Se eu fizer
isso, não terei parte na conquista das inúmeras
almas que esse projeto, uma vez materializado,
ganhará para Jesus. E, ato contínuo, preenchi um
cheque e o depositei na salva. E no dia seguinte, um
bem sucedido empresário pôs um envelope
rechonchudo no bolso de minha camisa, dizendo:
“Senti desejo de te dar isso”. Agradeci, dizendo-lhe,
ao mesmo tempo, que eu desejava que Deus o
retribuísse. E, ao abrir o envelope, vi que no seu
interior havia dinheiro. E ao contá-lo, maravilhei-
me, pois vi que, coincidentemente, a importância ali
contida era quase o triplo da oferta que eu doara,
visando a compra da RBN. (Bem que este capítulo
poderia intitular-se RBN DA BÊNÇÃO).
Nuca seja mão-de-vaca ao contribuir para a Obra
do Senhor. Antes, ame a Ele e à Sua Causa. E, a
partir deste amor, vista a Camisa do Cristianismo
bíblico, e se doe ao Dono da Seara. Não dê só do
que lhe sobejar (Lc 21.4a), mas oferte algo que,
aparentemente, vai lhe fazer falta (Lc 21. 4b) e lhe
seja custoso (2Sm 24.24). Escalemos o Monte da Fé
na Provisão de Deus e sacrifiquemos os nossos
“Isaques”, contanto que o Senhor nos mande imolá-
los. E não nos limitemos a “matá-los”, mas
“queimemo-los em holocaustos” de cheiro suave às
narinas do nosso Deus, convertendo-os em cinzas,
isto é, ofertemos como interessados, e não como
interesseiros. E, feito isso, vejamos as “cinzas” com
prazer, pois apenas retratam o nosso dever de amar
a Deus sobre todas as coisas. E não pensemos que o
fato de sermos interessados e não interesseiros possa
induzir Deus à indiferença para conosco. Não é
assim; antes, a nobre atitude de não querermos
barganhar com Deus, O agrada e O move em
direção às nossas necessidades, transformando as
“cinzas” e até mesmo as “fumaças” dos nossos
“holocaustos” em “bênção dos céus de cima” e em
“bênçãos do abismo que está embaixo” (Gn 49.25).
Lembre-se: O presente testemunho constitui mais
uma evidência de que Deus ainda repreende “o
devorador” (Ml3.11), isto é, remove maldições,
fazendo prosperar os que, por amor, doam a Deus
não só o que possuem, mas também a si próprios.
Eu sou uma das provas vivas de que o ato de
dizimar não põe os que o fazem sob maldição
divina, pois sou dizimista e tenho sido
abençoadíssimo pelo meu Deus. Sim, as muitas
bênçãos com que Deus me tem abençoado provam
que quem não perpetra o erro que entrou na Igreja
desde a Patrística, segundo o qual, a contribuição
dizimal é doutrina neotestamentária, não é,
necessariamente, filho do Bicho Ruim.
Moral da história: Deus realmente ama aos que
dão com alegria, e os recompensa de diversas
maneiras, inclusive com bênçãos temporais: saúde,
sucesso nos negócios, prosperidade financeira,
sucesso nos estudos, livramentos diversos, etc. Aliás,
nada é material para os espirituais. O saudoso bispo
Roberto McAlister disse acertadamente que o
“dinheiro é um assunto altamente espiritual”. E as
muitas páginas da Bíblia dedicadas a este assunto
nos bussolam a esse norte, pois nos diz muitas coisas
sobre isso, como: a) que as contribuições devem ser
com alegria, de forma sacrificial, com propósito do
coração, e que não se deve amar o dinheiro; b) que
não se deve ser avarento; c) que o fechar a mão para
o Obra de Deus é crasso erro, etc. O dinheiro é um
assunto tão espiritual, que o diabo não para de meter
a sua colher enferrujada nessa questão. E essa colher
não está presente apenas na não contribuição dos
avarentos, mas também no legalismo da
ressuscitação da doutrina dos dízimos, e na má
administração das doações, erro muito comum hoje
em dia.
Dinheiro: um assunto altamente espiritual! Tão
espiritual, que se não tomarmos os devidos
cuidados, ele nos vitimará. O Diabo, quando não
consegue segurar na avareza, empurra para o
legalismo, para o fanatismo, para propósitos
insustentáveis, etc.
CAPÍTULO 25
OUTRAS CONSIDERAÇÕES
De olho vivo na nossa liberdade em Cristo
Depois de tudo quanto já vimos sobre o dom
inefável da contribuição voluntária (2Co 9.15),
certamente está nu e patente que contribuir com
valores iguais, superiores, ou inferiores a 10% dos
rendimentos, não é o mesmo que candidatar-se ao
Inferno, como muitos supõem. Doutro modo, a
Bíblia não diria que o cristão deve contribuir
“segundo propôs no seu coração” (2Co 9.7). Não
permitamos, pois, que o homem nos prive da
liberdade que Deus nos deu em Cristo (Gl 2.4;
5.1,13).
O tiro saiu pala culatra
Embora noutro contexto, o saudoso teólogo
Donald C. Stamp, comentando Gl 5.7, diz: “O falso
ensino, ou nega as verdades fundamentais da fé
cristã..., ou declara que é necessário algo mais além
do Novo Testamento para o crente ser um cristão
completo...” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD,
1995, p. 1800. In loco). Ora, aqui o tiro sai pela
culatra, visto que ser malaquiano (e Stamp o era [ver
comentário a Ml 3.10 na Bíblia de Estudo
Pentecostal,op. cit., p. 1374) é o mesmo que
declarar “que é necessário algo mais além do Novo
Testamento para o crente ser um cristão completo”.
E o porquê disso é que esse ensino é tão estranho ao
Novo Testamento, quanto as práticas judaizantes
que haviam sido adotadas pelos gálatas (circuncisão,
a guarda de dias [sábado semanal]), meses, tempos e
anos (Gl 5.1-14; 4.9-11).
Judaizantes intolerantes
Vimos na introdução a estas linhas, que um
dizimista esclarecido não merece ser tachado de
judaizante. Mas, à luz do que já foi exposto, será
que não são mesmo judaizantes os Pastores que não
aceitam no rol de membros de suas igrejas os que,
como este autor, creem que o cristão está livre para
adotar ou não a prática do dízimo? Têm eles o
direito de nos expulsar da igreja por essa
banalidade? Podem eles nos negar o Batismo e a
Santa Ceia? Podem nos tachar de hereges? Têm eles
o direito de violentar a consciência alheia? Têm eles
o direito de inventar mandamentos? Pensem nisso os
sinceros! Pensem nisso os que ainda pensam!
Trízimo _ doutrina “apostólica” hodierna?
Ouvi dizer que certo apóstolo pediu aos seus fiéis
uma doação de 30% de seus rendimentos. E, pelo
que tenho exposto, parece que a Bíblia não é contra
isso. Mas devemos lembrar que nem mesmo Deus
estipulou valor tão alto. Logo, seria bom que esse
apóstolo aprendesse com Deus. Isso seria bom,
porque muitos irmãos amados são imaturos,
inexperientes e emotivos, podendo se emocionar e
fazer o que não podiam, não tanto por uma questão
de fé, mas por emoção, e, talvez, por querer subir
na vida mediante uma barganha com Deus. Por que
esse “apóstolo” não imita os apóstolos Paulo, Pedro,
João, etc., que nunca pediram 30% a ninguém? Para
que quer ele essa dinheirada toda? Para fazer a Obra
do Senhor? Sendo assim, ao invés de ficar exigindo
fé das ovelhinhas, por que não exercita ele a sua fé,
orando e pedindo os recursos a Deus? Se a Obra é
de Deus, então ela tem Dono. E, sendo assim,
ninguém mais interessado do que Ele em dar cabo
dela. Logo, os “apóstolos” hodiernos deveriam se
limitar a orar e a ensinar o povo a contribuir
conforme o Novo Testamento manda. E isso basta,
porque se não bastasse, Deus teria mandado
escrever o que os “apóstolos” estão ensinando às
suas vítimas.
Como identificar uma heresia
Fundadores de religiões pseudocristãs,
conseguiram ver o que muitos servos de Deus,
cheios do Espírito Santo, não veem: que o Novo
testamento não manda pagar dízimo. Por isso,
quando um evangélico fala esta verdade também,
seus confrades logo pensam que o irmão expositor
desse ponto de vista “está se intoxicando com as
heresias das seitas”. Mas essa questão não pode
servir de parâmetro aquilatador de ortodoxia cristã.
Até porque algumas das falsas religiões também
cometem o erro de pregar a doutrina dos dízimos.
Ademais, não tem sido raro, encontrar nas igrejas
genuinamente cristãs, erros inexistentes em muitas
seitas falsas. Quando, há quarenta e cinco anos,
aceitei a Jesus como meu Salvador, a minha igreja
pregava que o cristão não pode assistir a programa
algum de televisão, chegando ao absurdo de excluir
do rol de membros os que adquiriam televisores, e
exigir dos novos convertidos que tinham televisão, a
se desvencilhar desse aparelho, como condição sine
qua non para serem batizados e recebidos no rol de
membros da igreja. Jogar futebol ou torcer para um
time, nem pensar. Isso também dava exclusão da
igreja. Cansei de ver mulheres sendo excluídas da
igreja por terem cortado seus cabelos (até aparar as
pontas dos cabelos era visto como pecado), usado
maquiagem, pintado as unhas, usado joias, etc.
Certo dia ouvi um Pastor argumentar “forte”, em
defesa da doutrina de que às mulheres Deus teria
proibido cortar os cabelos. Ele filosofou assim: “A
tesoura que apara as pontas dos cabelos é a mesma
que corta curto”. Ora, os mórmons, os kardecistas,
os católicos, os testemunhas-de-jeová, etc., vistos
por todos os evangélicos típicos como
pseudocristãos, nunca cometeram esses erros. Logo,
para sabermos se uma doutrina é ou não errada,
temos que escrutiná-la à luz da Bíblia somente, e
não às trevas dos erros das falsas religiões. Até
porque nem tudo que nós, os salvos, pregamos, é
certo; como também, nem tudo que os falsos
profetas pregam é errado. O cristão não tem,
necessariamente, que dizer não, onde as falsas
religiões dizem sim; tampouco tem que dizer sim,
onde os falsos profetas dizem não. Os falsos
profetas não são, em si mesmos, referência alguma,
pois não podemos nem mesmo discordar deles em
tudo. De fato, se formos sensatos e sinceros,
veremos que às vezes eles acertam onde nós, salvos
pela graça de Deus em Cristo, erramos.
Apesar de nós, os assembleianos, discordarmos da
Igreja Católica Romana, ela nunca pregou que é
pecado assistir a programas de televisão; apesar de
nós, os assembleianos, discordamos dos
testemunhas-de-jeová, eles nunca ensinaram que é
pecado jogar futebol; apesar de nós, os
assembleianos, discordarmos dos kardecistas, eles
nunca cometeram o erro de dizer que a mulher não
pode, sequer, aparar as pontas de seus cabelos. Etc.,
etc., etc. E em todos esses casos, as nossas
retratações provam que nós reconhecemos que a
razão era deles, e não nossa. Demos a mão à
palmatória, e isso prova que nós reconhecemos que
eles estavam certos e que nós estávamos errados.
O que caracteriza uma seita falsa, não é a
existência de erros (pois em todas as igrejas há
erros), e sim, a remoção de pilares da fé cristã,
como, por exemplo, a negação da doutrina da
Triunidade de Deus; a negação da divindade de
Cristo; a negação da personalidade e divindade do
Espírito Santo; a negação da exclusividade da Bíblia;
a negação da inerrância da Bíblia; a negação da
imputação da justiça de Cristo aos que nEle creem,
ou seja, que a justiça que nos salva não nos é
comunicada, e sim, creditada à base da fé somente;
a crença na eficácia das boas obras na economia da
salvação; teontologia anti-bíblica; asseidade oposta
aos claros ensinamentos da Palavra de Deus; etc. E
não, ser ou não ser pentecostal; ser ou não ser
cessacionista; praticar ou não praticar o batismo por
imersão; batizar ou não batizar crianças; batizar ou
não batizar por aspersão; ser ou não ser pré-
tribulacionista; ser ou não ser aniquilacionista; ser ou
não ser tricotômico; ser ou não ser dicotômico; ter
ou não ter uma cosmovisão holística do ser humano,
dentro dos moldes do monismo antropológico, etc.
E ser ou não ser dizimista é uma dessas
irrelevâncias. Quem acha que o não ser dizimista é
pecado, é, com certeza, um equivocado; mas deve
ser visto como nosso irmão, se ele assim nos
considera.
Graças a Deus, a minha igreja já se retratou de
todos os erros que acima atribuí a ela. E isso indica
que ela não é perfeita, e sabe disso, pois se retratar é
reconhecer o erro. Mas, visto que ela erra, tem ela,
ainda, de que se retratar? Comparei tudo que ela
prega com a Bíblia, e vi que ainda há erros por
remover, dos quais, o fato de ela ser malaquiana, é
um dos tais. E será que ela vai se retratar desse erro
também? É difícil; mas para Deus, tudo é, não só
possível, mas facílimo também. Se a cúpula da
Assembleia de Deus, ao ouvir a voz do Espírito
Santo, não endurecer os seus corações, amando
mais o vil metal do que a verdade, se libertará desse
erro também. Oremos, jejuemos, e ensinemos a
verdade, pois grande é o poder do nosso Deus; e,
portanto, há esperança para eles. As libertações já
ocorridas no seio da minha denominação nos
inspiram a crer que bênçãos maiores estão por vir à
nossa querida e abençoada Assembleia de Deus, que
foi levantada pelo Espírito Santo para destronar
Satanás!
Agradeço a Deus por Ele ter me ajudado a
ombrear os que de Leste a Oeste e de Norte a Sul
clamavam contra as meninices que maculavam a boa
reputação da minha amada igreja. As batalhas foram
renhidas, pois fui tachado de instrumento do diabo
pelo então meu Pastor. Mas nós não paramos.
Continuamos ensinando a verdade. E isso
conscientizou muita gente. E essa gente
conscientizada, foi fazendo carga contra tais
infantilidades, de modo que pelo menos uma
considerável parte das puerilidades, das quais se
valiam os nossos detratores, para nos apoucar, já se
foi. Agora, una-se a nós, na batalha contra o mal,
para que a carga do malaquianismo também seja
tirada da cerviz das ovelhinhas indefesas. Tirar tal
carga não é torná-las não dizimistas, mas sim,
conscientizá-las de que isso não é doutrina cristã.
Isso é relevante porque a verdade importa.
Dois Novos Testamentos
Há dois Novos Testamentos, a saber, o Novo
Testamento (ou Novo Pacto), firmado entre Cristo e
a Sua Igreja, e o Novo Testamento livro, no qual se
consignou o novo corpo de doutrinas que sucedeu
ao corpo de doutrinas do Antigo Testamento. Este
Novo Testamento livro é aquela parte que vai desde
o Evangelho Segundo Mateus, até ao Apocalipse.
Nem tudo que se consigna na seção bíblica
chamada de Novo Testamento, é uma doutrina
neotestamentária. No Novo Testamento livro se
compendiou episódios que não nos dizem respeito: a
circuncisão do menino Jesus no oitavo dia do Seu
nascimento, e o sacrifício cruento que Maria
ofereceu a Deus, são duas das muitas amostras que
se pode dar. Ninguém pode dizer que estes fatos
estão registrados no Novo Testamento, e, portanto,
são para nós. Pratiquemos, pois, a circuncisão e os
sacrifícios de animais a Deus.
A Igreja começou a pregar e a obedecer às
doutrinas do Novo Testamento (Novo Pacto, Novo
Acordo, Nova Aliança, Novo Concerto), quando
ainda não havia nenhuma página do Novo
Testamento (livro). Estêvão foi um servo de Deus
do Novo Testamento (Pacto), mas morreu sem ler as
epístolas de Paulo, pois quando o mataram, Paulo
era matador de cristãos, e, portanto, ainda não era
crente em Jesus; do que se infere que então ele
ainda não ensinava os crentes a serem crentes. Tal se
dá porque primeiro foram dadas as doutrinas da
Nova Aliança, e depois, a escrituração das mesmas.
Ou seja, o Novo Testamento-Pacto, precede o Novo
Testamento-livro. Logo, mostrar versículos dentro
do Novo Testamento-livro, para “provar” que a
doutrina dos dízimos está de pé na Igreja cristã, é
facílimo, pois consta do Evangelho Segundo Mateus
e do Evangelho Segundo Lucas. Difícil (ou melhor,
impossível) é provar, dentro do Novo Testamento
Pacto, a existência deste mandamento no corpo de
doutrinas da Igreja.
O preço da salvação
Dízimo não salva. Ademais, a salvação não está à
venda; e, se estivesse, certamente custaria bem mais
caro do que o ato de dizimar. Aliás, a salvação já
esteve à venda, mas Jesus comprou-a desde há
muito e não deseja repassá-la por preço, e sim, doá-
la aos que ousarem crer somente no Seu sangue
(Rm 3.25; At 4.12).
Gordas prebendas pastorais
Pastores recebendo das igrejas salários exorbitantes
e vivendo em um luxo incompatível com a pobreza
das ovelhinhas que os enriquecem. Há um vídeo do
Pastor Claudionor de Andrade, um dos poucos que
não se venderam para Satanás, criticando os
Pastores que recebem “prebendas” de até duzentos
mil reais mensais, têm carros de luxo de um milhão
de reais, enquanto seus auxiliares passam por
necessidades básicas, tendo que ir aos locais de culto
de bicicletas. Se você quer ouvir esse homem de
Deus, procure no Google por Pastor Claudionor de
Andrade: uma palavra aos pastores da...
Dinheiro fácil passo-a-passo?
Segundo denúncias, certo Pastor engendrou a
seguinte maneira de ganhar dinheiro fácil: Primeiro
passo: Com o dinheiro dos dízimos e ofertas doados
à igreja, compram-se para a igreja, em nome da
igreja, enormes fazendas; segundo passo: ele
arrenda tais fazendas por preços irrisórios, visto que
quem estipula o preço da locação é ele mesmo;
terceiro passo: ele subloca tais fazendas por ele
alugadas, a preço de mercado; quarto passo: do
dinheiro que ele recebe dos sublocadores, ele subtrai
o da arrendação, repassa-o para a igreja, e fica com
o “lucro”. É verdade isso? Se sim, então nunca foi
tão fácil se enriquecer. Mas eu ouvi o dito cujo se
defender dessa acusação, dizendo mais ou menos o
seguinte: “Vou provar que as fazendas não estão no
meu nome. Todas elas estão no nome da igreja!”
“Não entendi” o motivo pelo qual ele foi acusado de
uma coisa e se defendeu de outra. Ele foi acusado
de estar sublocando tais fazendas por um valor
superior ao qual ele as locou, mas ele disse que vai
provar que as fazendas não estão em seu nome, e
sim, em nome da igreja. Está faltando coesão, ou eu
não estou entendendo? Outra pergunta que não quer
calar é: Para quê comprar fazendas para a igreja?
Claro que não é para dar pastos verdejantes e águas
tranquilas às ovelhas do Senhor. Até porque as
ovelhas do Senhor não pastam nos prados deste
mundo.
Dinastias e nepotismos
As dinastias pastorais (isto é, as igrejas estão
passando de pais para filhos) são uma das vergonhas
muito comuns nas igrejas evangélicas de hoje. O
nepotismo dinástico impera no Reinado Pastoral.
Claro que não é errado o filho de um Pastor suceder
o pai no pastoreio de uma igreja, desde que Deus
esteja de fato nesse negócio. Porém, a frequência
com que isso vem ocorrendo, é, deveras,
sintomático. Por que Deus vem preferindo os filhos
de Pastores, hein? O leitor não desconfia de nada? A
resposta a estas perguntas é que tais “Pastores”
amam seus filhos, por cujo motivo lhes transferem a
“teta da vaca”? E podemos esperar que esses
homens ensinem a Bíblia às suas ovelhas? Claro que
não, porque isso é uma questão de vocação divina.
Filho de Pastor, não é, necessariamente, um
pastorinho. Logo, não transformemos nossos filhos
em Pastores; antes, deixemos que Deus os chame à
salvação e à Obra (Hb 5.4). Doutro modo, ao invés
de o Obreiro sofrer por causa da Obra, a Obra é que
sofrerá por causa do Obreiro.
Não é de nossa conta?
Há “Pastores” recusando informar à igreja, e até
mesmo aos seus colegas de ministério, a receita e as
despesas de suas igrejas. Conheço um “Pastor” que,
ao ser inquirido pelo seu vice sobre esta questão,
disse: “Você não sabe quanto entra, quanto sai,
quanto eu ganho..., e nem vai saber, pois não lhe
devo nenhuma explicação”. E se você não quer
morrer, saia da frente desse tipo de Pastor, pois são
bandidos de alta periculosidade.
Optei pelo prejuízo
Por quatro vezes fiquei no prejuízo com Pastores
que me convidaram para eu ir às suas igrejas pregar
e ensinar a Palavra. Eles me pediram grande
quantidade de livros, dizendo que iam vendê-los e
depositar o dinheiro na minha conta bancária. E eles
realmente venderam tais livros, pois instaram com os
membros de suas respectivas igrejas, a que os
comprassem “para ajudar o osso amado Pastor Joel
Santana”. Mas nunca vi a cor do dinheiro.
Dois Pastores vieram à minha residência,
propondo que eu lhes confiasse livros por
consignação, que eles revenderiam e me dariam o
que fosse acordado. Fechei negócio com eles, e
estou esperando a minha parte até hoje. Eles correm
de mim mais do que o Diabo da cruz. O primeiro
roubo aconteceu há uns quinze anos, e ocorreu no
Rio de Janeiro (Mas o bandido não me disse
“perdeu, perdeu, perdeu”); e o segundo, data de uns
cinco anos, e aconteceu em Angra dos Reis/RJ,
onde moro atualmente. O tal “Pastor” se mudou de
Angra dos Reis, e escafedeu mundo afora.
Um Diácono da zona metropolitana do Rio de
Janeiro também me surrupiou uns cem livros. É por
causa de “diáconos” desse tipo, que certo Diácono,
meu amicíssimo, sério homem de Deus, mas com
um ótimo senso de humor, parafraseando Tg 4.7
disse: “Resisti o diácono e ele fugirá de vós”.
A certo Pastor, dono de uma editora, confiei um de
meus livros, para, caso lhe interessasse, fecharmos
negócio. Pouco tempo após isso, ele lançou um
livro, que é a cara do meu livro, tendo apenas ido
pouco além de mudar o estilo e as estruturas frasais,
dando aos vocabulários novas adequações. Fiquei
sabendo disso através de um jovem, que me disse o
seguinte: “Meu pai me disse que o livro do Pastor
fulano é tão parecido com o do senhor, que ele quer
saber quem plagiou quem”. Então, bastou-me ler
parte da introdução do dito livro, que um jovem
baixou em seu celular, para eu me convencer de que
fui vítima de uma apropriação indébita. Mas tudo foi
tão “bem” feito, que não sei sequer se eu ganharia
na justiça, caso eu movesse uma ação judicial contra
o dito cujo.
Para me plagiar, o Pastor em lide fez mais ou
menos o seguinte: Uma pessoa que não conhece
hebraico, aramaico e grego, pode, não obstante,
forjar uma “tradução” da Bíblia para o português.
Nesse caso, vejamos como ficaria Jo 3.16: “Pois
Deus teve para com a humanidade um amor tão
grande, que lhe deu o Seu único Filho, a fim de que
todo aquele que nele deposite a sua confiança, não
pereça, mas viva para sempre”. Foi valendo-se dessa
astúcia, que um livro que me custou quase trinta
anos de pesquisas, ficou de graça para o colega de
Sacro Ofício Pastoral. Ele reescreveu o meu livro,
ou seja, “elaborou” um livro a partir das
informações constantes do meu compêndio, usando,
inclusive, termos sinônimos dos que eu usara na
obra que “o gato comeu”.
Não sei se fiz bem por não ter movido uma ação
judicial contra o gatuno, mas decidi que, doravante,
o “gato vai miar”, caso tentem obter royalties à custa
de meu trabalho. Sei que segundo a Bíblia não
podemos levar nossos irmãos à justiça secular
(1Co6.1-8), mas crente ladrão não é nosso irmão,
pois é filho de outro pai.

***

Mas aonde quero chegar com essas informações?


O que isso tem a ver com o tema deste livro?
Resposta: Embora saibamos que uma das razões
pelas quais há tantos evangélicos achando que o
Novo Testamento manda pagar dízimo, seja a falta
de conhecimento da Palavra de Deus, há Pastores
que sabem que não temos essa doutrina, mas
enganam suas vítimas de propósito. Quero que se
saiba que as igrejas evangélicas estão abarrotadas de
Pastores mercenários. E o faço a título de alerta. As
ovelhas de Cristo precisam ser “símplices como as
pombas”, bem como “prudentes como as serpentes”
(Mt 10.16). Não se impressione, pois, com a
oratória e “lisura” dos meus detratores. Alguns
desses meus oponentes são pessoas sinceramente
enganadas. Mas alguns são gatunos que só temem
uma coisa: perder a “lã” das ovelhas e o “leite” das
“vacas leiteiras”. Mas você pode se livrar, não só dos
equívocos culposos, próprios dos indoutos; mas
também dos crimes dolosos, efetuados por bandidos
que se fazem passar por Ministros do Evangelho.
Cheguei a pensar que só há dois tipos de
malaquaianos: os ignorantes e os espertinhos. Mas já
não penso mais assim. Há malaquianos
comportando invejável cultura bíblica, filosófica e
teológica. Não sei como pode isso acontecer, mas
não posso negar a existência desse óbvio.
Entretanto, retenho o entendimento que de fato, a
grande maioria dos que pregam a atualidade da
doutrina dos dízimos, é constituída de meros
repetidores do que ouvem nas suas igrejas. São
crentes papagaios. O número dos malaquianos
espertinhos não é pequeno em si mesmo, pois se
eleva a muitos milhares; mas é ínfimo, em termos
percentuais, se comparado com o alto índice de
pessoas incultas quanto à teologia, que por eles se
deixam manipular. Ora, da união dos ignorantes que
são muitos, dos vigaristas que não são poucos, e dos
poucos sábios que também se deixaram enredar
nessa marafunda, advém essa avalanche do engano
que só Deus pode frear. E Deus vai fazer alguma
coisa para desmanchar esse ninho de gato? Ele
sempre fez, faz, e fará. Ele vem iluminando as
mentes desde há muito. Você se lembra do
assembleiano que me disse há quase quarenta e
cinco anos, que “essa doutrina não é para nós”, e
que “isso é coisa para judaísta, não para cristão?”
Isso prova que Deus está agindo desde há muito. É
mui grande o número de irmãos que já foram
esclarecidos por Deus sobre isso. Muitos irmãos,
entre os quais diversos Pastores, Presbíteros,
Evangelistas, Diáconos, Missionários, etc., me
confidenciaram que já detectaram a fraude que aqui
denuncio. E pode estar certo que este livro não veio
a lume à toa. Deus está neste negócio.
Este livro não visa libertar a carteira dos
malaquianos, e sim, suas mentes do engano. Os
malaquianos que de fato entenderem a mensagem
deste livro, continuarão contribuindo de mancheia e
com alegria, mas sem o farisaísmo próprio dos que,
por não terem entendido o espírito do Velho e nem
do Novo Testamentos, se sobrecarregam de
legalismo, fabricando, mediante sincretismo de
moisesismo com Cristianismo, esse anacrônico
malaquianismo.
Usa-nos, ó Deus!
Pretendo levar esta luz a todos os rincões do Brasil
e do exterior. Há, pois, muito por fazer. Precisamos
libertar os perdidos, do jugo de Satanás; bem como
soltar a muitos salvos, das camisas-de-força que lhes
foram impostas por suas igrejas. Você quer me
ombrear? Então ore por mim, e faça propaganda
deste livro. Para tanto, use o seu facebook, seu site,
seu blog, etc. Use a sua criatividade.
A verdade importa
Ratificamos que podemos contribuir para a Obra
de Deus com quanto quisermos, inclusive com 10%
de nossos rendimentos. O que não é desejável é
ignorarmos que Deus não disse à Igreja que esta
deve dizimar, isto é, Ele não estipulou valores. Saber
isso é importante sim, visto que Deus não ergue
monumento à ignorância.
A verdade reduz a receita?
Um Pastor me confidenciou temer que a revelação
desta verdade à igreja, diminua a receita. Ora, quem
não crê que Deus cuida da Sua Obra e de Seus
obreiros, não deveria se meter a Pastor, pelo menos
até se convencer que o Dono da Obra (isto é, Deus)
é responsável e capaz.
Ministério quebra-jugos
Deus, através do nosso Ministério, vai, certamente,
não só libertar os perdidos da escravidão de Satanás,
mas também aliviar muitos de nossos queridos
irmãos, do jugo do homem, jugo este, feito em
pedaços neste livro. Quem quer que tome ciência de
nossa visão, nunca mais associará a dádiva da
salvação aos dízimos. Quem não dizima pode,
dependendo do motivo pelo qual não o faz, perder
galardão (1Co 3.14); nunca, porém, a salvação (1Co
3.15). A salvação de uma alma não é pertinente às
finanças de uma igreja. O preço da salvação é o
sangue de Cristo, e não 10% dos rendimentos de
quem quer que seja.
Tapei a boca deles
Ainda que o ato de dizimar fosse condição
imprescindível para a salvação, eu não seria
condenado, já que também dizimo. Logo, nem os
que creem que os não dizimistas estão a caminho do
Inferno, têm moral para me condenar.
Bolsos também se convertem
O seu coração já é convertido? E seu bolso?
Também?! Sirva ao Senhor com seus bens! Seja
mão aberta! Não se prenda a valor algum; antes,
ame a Deus e à Sua Obra e por estes dê a sua vida!
Não dê apenas parte dos seus rendimentos para
Deus; antes, dê-se a si mesmo ao Senhor! Devote-
Lhe sua vida sem reservas! Não permita, porém, que
o homem lhe manipule. Não se impressione com a
carga que os espertalhões fazem, prometendo
bênçãos mil aos que enchem seus bolsos de
dinheiro, bem como ameaçando os que não o
fazem, com maldições diversas, das quais, “o
devorador vai te comer” é a principal. Eles usam
esse tridente do capeta para amedrontar suas
vítimas. Mande-os plantar batatas, sem proferir estas
palavras. Como assim? Dando de ombro às suas
ameaças. Não os tema.
Nenhum erro é bom
Nenhum erro teológico é totalmente inofensivo.
Uns prejudicam mais, e outros menos, mas todos
nos trazem prejuízos. E, sendo assim, saber a
verdade sobre os dízimos é relevante. Por exemplo,
igrejas sérias, genuinamente cristãs, fundadas por
pessoas bem intencionadas, mas que erraram na
questão dos dízimos, acabaram por dar azos aos
espertalhões que cobram os dízimos de seus
capachos para se enriquecerem à custa de tais
ingênuos. Ora, se essas igrejas sérias tivessem
entendido bem este assunto, fariam carga contra tais
exploradores, denunciando não apenas o mal uso
que fazem dos dízimos, mas até mesmo o fato de
pregarem essa falsa doutrina. Mas, tais igrejas sérias
se silenciam diante do erro da perpetuação da
doutrina dos dízimos _ erro este cometido também
por tais desavergonhados. E por que se silenciam?
Porque também, embora com boas intenções,
cometem o erro de pregar que esse ensino
veterotestamentário não caducou no Gólgota.
Não nos fracionemos
Alguns erros teológicos são fatais; outros, nem
tanto. Por exemplo, errar ou acertar quanto a se a
doutrina dos dízimos está ou não de pé na Nova
Aliança, é, a priori, um equívoco que não deve
fracionar o Corpo de Cristo (isto é, os membros da
Igreja). Mas dizimistas e não dizimistas mutuamente
se excomungando por causa dessa questão, é pecado
fatal, e não um equívoco tolerável.
Respeitemo-nos uns aos outros
Lembre-se que muitos dos que pregam o dízimo
como sendo doutrina neotestamentária, não o fazem
por maldade, e sim, por terem um ponto de vista
diferente do nosso. Urge, pois, que os respeitemos.
(Abro parêntese para registrar que não creio que os
que fincam o pé em dizer que “a doutrina dos
dízimos está de pé na atual dispensação”, são, sem
exceção, um bando de ignorantes, faltos de
conhecimento da Palavra de Deus, e outras mais,
pois conheço pessoas que pensam diferente de mim
quanto a isso, mas que, não obstante, comportam
um cabedal de cultura bíblica e teológica muito
acima dos meus ínfimos repertórios.) Ninguém é
perfeito. Quem não respeita, não merece respeito.
Logo, se queremos que eles nos respeitem, temos
que respeitá-los; e a recíproca é verdadeira. Sim, se
tais quais Paulo e Barnabé, não chegarmos a um
consenso sobre a verdade acerca dos dízimos,
lembremo-nos que tanto Paulo, quanto Barnabé, são
Obreiros de valor, embora não convirjam em tudo
(At 15.37-39). Portanto, se você for fazer a Obra
em “Chipre”, eu irei fazê-la em “Jerusalém”; e se
você for trabalhar em “Jerusalém”, eu irei obrar em
“Chipre”. Você não é obrigado a concordar comigo
em nada, mas me deve o mesmo respeito que lhe
devo. Portanto, se você me tachar de herege por
causa da tese que aqui defendo, terei bom motivo
para qualificá-lo como falso profeta. Sim, terei bom
motivo para identificá-lo como falso mestre, mas
não o farei sem antes orar por você, para que Deus
lhe abra os olhos do entendimento, libertando-o do
exclusivismo, da intolerância, dessa ignorância, e de
toda cega subserviência aos malaquianos.
Só quero um texto
Certo teólogo evangélico, ardoroso defensor dessa
doutrina caduca, disse: “Não encontramos no Novo
Testamento tantos textos que mencionam a prática
de dizimar como no Antigo Testamento... Talvez,
por esta causa, muitos consideram que não é uma
prática legítima para a Igreja”. Mas o motivo pelo
qual rejeito o ato de fazer da prática de dizimar uma
doutrina, não é porque não há “tantos textos” dando
conteúdo e forma a esse falso ensino, e sim, porque
não há um só texto ensinando isso. Não exijo que
me mostrem muitos textos tratando dessa doutrina.
Não! Exijo apenas um texto. Mostre-me um texto, e
cederei com muito prazer, pois amo a Deus e não
quero disseminar o erro. Até porque a descoberta de
que temos essa doutrina não vai alterar muito, pois
já dizimo mesmo sem uma lei regulamentando isso.
Sim, mostrem-me um único texto neotestamentário
incorporando a doutrina dos dízimos, mas não me
venham com Mt 23.23; Hb 7.8; Mt 5.17-18, e
textos correlatos. Poupem-me dessa pobre e
vergonhosa teologia, indigna de um Ministro do
Evangelho.
Não tenho consciência cauterizada
O motivo pelo qual não tenho coragem de dizer à
Igreja que a doutrina dos dízimos está de pé no
Novo Testamento, é porque temo a Deus. Não
quero meter a minha colher enferrujada na Palavra
do Senhor, inserindo nela minhas ideias. Sim, é por
uma questão de consciência que não ensino que o
cristão tem a doutrina dos dízimos, pois entendo que
fazê-lo me tornaria cúmplice dos que cometem o
hediondo crime de acrescentar algo à Palavra de
Deus (Pv 30.6a); e que isso me poria debaixo das
maldições mencionadas em Pv 30.6b e Ap 22.18-
19. Creio que dessas maldições são poupados os
malaquianos que abraçam o dizimismo porque não o
veem como obsoleto (Rm 14.22b). Eu, porém, não
seria contemplado com a mesma graça (Rm
14.23b), porque já fui iluminado por Deus sobre
isso; e, portanto, tenho responsabilidade maior.
Creio que não serei inocentado por Deus, se eu não
agir em conformidade com esta luz que me veio do
Céu. Conseguintemente, não posso me calar,
tampouco falar o que os Pastores malaquianos
querem ouvir. Não posso trair a minha consciência.
Não posso ser hipócrita. Não posso me vender. Não
posso negociar o meu ministério. Não posso
negociar a verdade. Esta é inegociável.
Ofertas engordam
Sobre dízimos e ofertas, uma das muitas coisas
que precisam acontecer já, é a boa administração
dessas doações. Dói o coração ver o dinheiro doado
para a Obra de Deus, sendo dado a cantores e
pregadores que cobram uma fortuna para fazerem
seus espetáculos. Tais profissionais da “fé”, quando
termina a festa, para cuja animação foram
convidados, deixam a igreja intoxicada com suas
papagaiadas, e se vão com suas contas bancárias
engordadas. Aliás, algumas contas bancárias desses
animadores de cultos, já não são apenas gordinhas,
ou fofinhas, mas sim, obesas. Ouvi um desses
fazedores de campanhas dizer de púlpito, que já está
tão bem financeiramente, que duzentos anos seria
pouco para ele gastar sua fortuna, mesmo vivendo
regaladamente, passeando pelo mundo afora,
frequentando os melhores hotéis e restaurantes, etc.
E, segundo ele, se seus ouvintes lhe dessem uma
grande oferta, iriam ficar tão ricos quanto ele.
Causa tristeza ver os pobres recebendo miseráveis
cestas “básicas”, enquanto esses animadores de
programas ficam cada vez mais ricos, à custa das
ovelhinhas. E se eu, mísero pecador, vejo isso com
pesar, indignação e ira, imagina o justo e santo
Deus!
E por que esses artistas careiros têm tanto êxito nas
igrejas evangélicas? Resposta: Os mercenários que
os convidam entendem que vale a pena, visto que os
fãs desses simonistas saem de tudo quanto é buraco
e canto com destino aos “picadeiros”, também
chamados de púlpitos, donde tais malabaristas fazem
suas espetaculares apresentações. Aí é só passar a
sacolinha, pois uma boa fatia da pizza fica para as
lideranças das igrejas anfitriãs que os convidam.
Conheço casos e mais casos em que previamente se
combina até o percentual da parte contratante (a
igreja anfitriã) e o do “grande homem de Deus”. E,
terminada a “Campanha de Milagres e Cura
Divina”, conclui-se o seguinte: Que mal faz fulano
ter levado 40.000 reais, se, graças ao seu carisma,
nos sobraram mais de 90.000 reais?
Um novo João 3.16
O Pastor Paulo Romeiro disse que Ml 3.10 é o Jo
3.16 de muitos Pastores. Com isso ele quis dizer que
o texto preferido dos Pastores evangélicos de
outrora, está se tornando desprezível, visto que as
atenções estão voltadas para as passagens bíblicas
que falam de dinheiro.
Os que fundaram igrejas para extorquir o povo,
matutam dia e noite sobre como levar os ingênuos a
contribuir de montão. O objetivo deles não é levar o
povo a contribuir por amor a Deus e à Sua Obra, e
sim, levar o povo a contribuir. O que interessa é
apenas a contribuição em si, não o que a motivou. E
desse muito matutar nasceram diversas ideias, das
quais registro essas duas: a) em todos os cultos, um
pouquinho antes do momento do ofertório, alguém
traz uma palavra-relâmpago não tanto de instrução,
mas de motivação. Já há pessoas se tornando
especialistas em abalar os corações dos ouvintes com
palavras hipnotizadoras! É possível que entre os que
copiaram essa prática, haja pessoas que o fazem sem
maldade. Mas dos autores dessas ideias tenho
suspeita fundada; b) fui pregar numa igreja, onde o
seu Pastor me disse mais ou menos o seguinte: “O
nosso líder mundial nos falou que devido ao fato de
que para inserir o dinheiro no gazofilácio, o doador
não consegue ocultar o valor da nota, a receita da
igreja aumenta, quando não se usa salvas, e sim,
gazofilácios. Ele disse que depois que trocou as
salvas por gazofilácios, a receita de sua igreja, sede
do nosso Ministério, teve um aumento de uns vinte
por cento, e que isso se deve ao fato de que o
doador se sente envergonhado de dar uma cédula de
pouco valor. E por isso, adotei o gazofilácio aqui
também”. Viu? Eles são astuciosos. Eles não estão
debruçados em profundas reflexões teológicas,
visando haurir mais luz sobre a Bíblia, para terem
um melhor alimento espiritual para o povo de Deus,
e sim, em como levar o povo a dar ofertas mais
gordas. Ora, para quê queremos o dinheiro de
quem, se pudesse, daria menos ou nada? Já que ele
não quer dar, não seria melhor não dar nada
mesmo? Os que entendem que as contribuições são
para Deus, respondem positivamente a esta
pergunta; mas os que entendem que as contribuições
são para eles mesmos, me veem como um bobão
perigoso.
Quando amamos as almas perdidas, matutamos
sobre textos que falam do amor salvador de Deus; e
sermões inflamados advêm dessas reflexões. Mas
quando se ama o dinheiro, debruça-se
exclusivamente (ou principalmente) sobre textos que
falam das bênçãos reservadas para aqueles que com
amor e liberalidade contribuem para a Obra do
Senhor, e gastamos muito mais tempo falando de
dinheiro, do que falando do amor de Deus. E com
isso se cumpre Mt 12.34, onde Jesus diz que “a
boca fala do que está cheio o coração”.
Se os Pastores pregassem sobre Jo 3.16, como
pregam sobre Ml 3.10, experimentaríamos um
grande avivamento.
Revolução já!
O nosso Ministério tem uma visão revolucionária
não só sobre os dízimos hoje em dia, mas também
acerca de muitos outros pontos relevantes que, não
obstante, estão sendo negligenciados por toda a
cristandade, não excetuando as igrejas evangélicas.
A única religião da qual não se pode dizer tratar-se
de um ópio é o Cristianismo puro; mas não existe,
senão unicamente nas paginas da Bíblia. Cuidado,
pois, com todas as ramificações do Cristianismo.
Nestas, você não encontra a certa, mas apenas as
mais erradas e as menos erradas. Logo, se você quer
ser adepto da única religião verdadeira, by-passe
todas as igrejas e vá direto ao Regato (a Bíblia) que
procede da Fonte (o Deus Trino).
Ainda é cedo demais para sermos coroados
Se até os profetas, Cristo e os apóstolos tiveram
opositores, por que eu não teria meus detratores? Eu
seria muito ingênuo se não contasse com os
cometimentos dos inimigos da verdade e dos
ingênuos que se deixam levar por tais amigos da
mentira. Por outro lado, posso contar com bênçãos
mil, visto que aos “que a muitos ensinam a justiça”,
Deus prometeu que “refulgirão como as estrelas
sempre, e eternamente” (Dn 12.3). Segundo o
apóstolo Pedro, “quando aparecer o Sumo Pastor”,
alcançaremos “a incorruptível coroa de glória” (1Pe
5.4). Logo, as glórias que estão por vir, são tão
garantidas quanto as aflições do presente. Mas cada
uma por sua vez, primeiro, as aflições, depois, as
glórias. Por ora é hora de trabalhar “na Seara e na
Vinha do Senhor”, sem se preocupar com as intrigas
da oposição. Não nos esqueçamos que “o acusador
de nossos irmãos” (AP 12.10) está debaixo dos pés
de nosso Soberano Senhor, e que nós o vencemos
“pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu
testemunho” (Ap 12.11). A vitória é nossa pelo
sangue de Jesus! Aleluia!
Demos o que temos e o que somos
Sirvamos ao Senhor com nossos bens, pois tudo
pertence a Ele (Sl 24.1-2). Não somos donos nem
de nós mesmos (1Co 6.20; 7.23). Logo, dizer que
dez por cento dos nossos rendimentos pertencem ao
Senhor, e que o resto é nosso, é um grave erro. A
verdade é que cem por cento de tudo que possuímos
e somos são do nosso Dono. Isto posto, urge que
administremos bem todo o nosso patrimônio, toda a
nossa renda, todo o nosso tempo, todos os nossos
talentos, e assim por diante. O que pertence ao
Senhor, não é apenas “10% de nossa renda, mais
alguma coisa” (ou seja, dízimos e ofertas), como
alguns supõem, e sim, o nosso tudo.
Até quando?
O engano progride, e o meu coração dói! Quantas
ovelhinhas enganadas, e ninguém para socorrê-las!
Até quando teremos que presenciar isso! Resposta:
Até irmos embora deste mundo!
Grassa por todos os rincões do mundo, doutrinas
sem graça, alheias à Graça que provém da cruz. Que
o nosso Deus nos use para levar a luz do puro
Evangelho ao mundo, e a luz da sã doutrina à Igreja!
Haurindo lições da agropecuária dos Israelitas?
Basta-nos uma simples passada de olhos no
Pentateuco, para percebermos que os dízimos eram
(a partir de sua incorporação como mandamento na
Lei mosaica) subtraído da produção agropecuária. E
muitos dos que já perceberam que a doutrina dos
dízimos é um anacronismo, veem nisso uma prova
de que além de esse ensino ser arcaico, sofre a
agravante do fato de que estão dizimando em
espécie. Isso, porém, não me parece razoavelmente
sustentável e defensável. O cristão realmente pode
doar o quanto quiser, e essa doação pode ser em
dinheiro. Até porque o dinheiro é tudo aquilo que se
pode comprar com ele: cereais, verdura, frutas,
carne, ovos, roupas, sapatos, etc.
Como vimos, antes da Lei só dizimava quem
queria fazer isso. E depois da Lei, só dizima quem
quer fazer isso. Ademais, Abraão dizimou dos
despojos de guerra; e Jacó prometeu dar o dízimo
de tudo; e não ignoramos que “tudo” é tudo.
O fato de a Lei mandar dizimar dos produtos
agropecuários, talvez possa indicar que o objetivo
era o pão de cada dia dos Obreiros do Senhor, e não
um meio de enriquecimento. Mas com certeza para
por aí. Logo, o entendimento de que o dizimar em
espécie é contrário não só ao Novo Testamento, mas
também ao espírito veterotestamentário, não me soa
consistente. Creio que não somos obrigados a
dizimar, mas podemos dizimar; e que, ao fazê-lo por
livre e espontânea vontade, não há nada nas
Escrituras Sagradas que nos impeça de doarmos do
que nos vier às mãos. Podemos, inclusive, vender o
produto e doar o dinheiro obtido com a venda.
Imagine se isso não fosse permitido? Já parou para
pensar nas dificuldades do dono de uma fábrica de
arame, prego e parafusos doando estes produtos à
igreja? Imagine um latifundiário doando vacas,
cavalos, bodes, galinhas, etc., a uma igreja
localizada no centro de São Paulo?
O fato de a viúva pobre, aludida em Mc 12.41-44,
ter feito sua doação em espécie (Mc 12.42), não lhe
impediu de ser elogiada por Cristo (Mc 12.43-44). E
isso prova que podemos dizimar em espécie, visto
que hoje em dia, dizimar é ofertar, pois já não há
mandamento algum sobre dízimo no Novo
Testamento.
Protesto ao protestantismo
Os protestantes ainda estão encharcados de
doutrinas falsas, sendo que alguns desses erros
procedem do Catolicismo Romano, e outros foram
criados pelos próprios protestantes. O que vemos
nas igrejas evangélicas é que além de elas não terem
se libertado de todas as teias do papado, ainda
inventaram outras coisas erradas, entre as quais
estão o dizimismo e o simonismo. E não há porque
sonhar com a cessação ou redução dessas
invencionices, porque o viés é de crescimento, visto
que os espertalhões e os ingênuos, longe de estarem
em extinção, aumentam em progressão geométrica.
Desçamos do avião e dispensemos os aios
A Lei, embora impotente para salvar, tinha uma
missão a cumprir, e a cumpre a contento: Conduz-
nos ao Salvador, que é o Senhor Jesus Cristo.
Consequentemente, guardar preceitos da Lei, após
aceitar a Cristo como Salvador, é como permanecer
dentro de um avião, após chegar ao destino, bem
como continuar sob aios após galgar a maioridade
(Gl 3.24-25). Salvo casos especiais, como vimos
quando consideramos At 16.1-5; 18.18; e 1Co 9.21-
22.
Dois em um
Conheço pessoas, que ao erro de acreditarem que
a doutrina dos dízimos está de pé no Novo
Testamento, acrescentam a agravante de não
dizimar. Isso é mau por pelo menos duas razões: 1)
quem assim age não vive em paz consigo mesmo,
pois se sente pecante; 2) a Bíblia diz que “...tudo o
que não é de fé é pecado” (Rm 14.23. ARC. Grifo
no original). Contudo, nem esses duas vezes
errados devem ser vistos como perdidos, se é que
jazem sob o sangue de Jesus. Entretanto, esses
duplamente equivocados devem se esforçar para
viver em conformidade com o engodo do
malaquianismo, no qual dizem crer, ou se libertar de
vez desse moisesismo que lhes foi inculcado por
suas igrejas malaquianas. Como bem o disse o
apóstolo João, “...se o nosso coração nos condena,
maior é Deus do que o nosso coração...” (1Jo 3.20.
ARC. O grifo não é nosso.).
Respeito aos pioneiros
Quanto ao justo respeito pelos nossos pioneiros,
estou seguro de três coisas: 1) que há muitas
assembleianos abrigando grande apreço por Daniel
Berg e Gunnar Vingren; 2) certamente há
assembleianos prezando-os tanto quanto eu os
prezo; 3) ninguém os estima mais do que eu.
Quando, compulsando as folhas da nossa história,
tomei ciência da maldade que alguns Pastores
assembleianos lhes fizeram, não consegui reter as
lágrimas. Lamento por não terem sido amados e
venerados como mereciam! Mas convenhamos que
eles não eram Deus; e, que portanto, eram falíveis.
Tão falíveis que sequer tinham as mesmas opiniões
em tudo. Por exemplo, Vingren cria que as mulheres
podem pertencer ao quadro de oficiais da igreja;
mas Berg tinha uma opinião antagônica à de
Vingren. Esta questão foi debatida na Convenção da
Assembleia de Deus em 1930. Então Daniel Berg e
Samuel Nystrom argumentaram forte perante os
convencionais e os convenceram de que a ideia de
Gunnar Vingren não era boa. Assim, Vingren foi
voto vencido, e a Assembleia de Deus se posicionou
oficialmente, contra a ordenação de mulheres. E isso
prova que a Assembleia de Deus nunca seguiu
cegamente aos pioneiros. Até porque, se um
pioneiro achava que sim, e o outro achava que não,
era impossível seguir aos dois. Ora, se se pode
discordar de um dos pioneiros, então pode-se
discordar dos dois. Para tanto, basta-nos que ambos
cheguem a uma conclusão que nos pareça errada.
Por tudo isso, este meu livro não representa,
necessariamente, um desrespeito aos homens de
Deus do passado e do presente, que de mim
divergem. Se os convencionais podem discordar de
Vingren e concordar com Berg, por que eu não
posso discordar de Berg e concordar com Vingren?
Aliás, eu posso discordar de ambos, visto que
discordar de Berg é imitar a Vingren, e discordar de
Vingren é imitar Berg. Isso não é falta de apreço e
estima pelos nossos pais na fé, que chegaram aqui
no dia 19 de novembro de 1910. Na
instrumentalidade deles Deus melhorou e
incrementou o que já estava bom, a saber, a
evangelização do Brasil, que já vinha sendo feito
pelas igrejas evangélicas que aqui já estavam. Creio,
pois, que este livro pode fazer pela Assembleia de
Deus, o que Berg e Vingren fizeram pelas igrejas
evangélicas que aqui já haviam chegado. Muitas
dessas igrejas se pentecostalizaram e avançaram no
mesmo passo assembleiano. (NOTA: Não incluo
aqui as igrejas neopentecostais, as quais não
crescem, mas apenas incham.) Logo, a Assembleia
de Deus, bem como quase todas as igrejas
evangélicas do Brasil e do exterior, podem se libertar
desse moisesismo que rotulo de dizimismo e avançar
rumo ao alvo do Protestantismo clássico, que é o
resgate do patrimônio original do Cristianismo.
Uma peça da armadura do soldado de Cristo
Pelo que me consta, a grande maioria dos
evangélicos não crê que quem não dá os dízimos
está a caminho do Inferno. Eles creem que embora
os não dizimistas estejam em falta para com Deus,
são, contudo, salvos pela graça, podendo perder
apenas galardão. Mas há uma minoria, normalmente
formada por Pastores, que creem (ou fingem crer?)
na perdição dos que não pagam os dízimos. E estes
altercam com um argumento fraquíssimo, mas que
aparenta fortíssimo. Eles somam 1Co 6.10 (que diz
que os ladrões não herdarão o Reino de Deus) a
Malaquias 3.8 (que tacha os não dizimistas de
ladrões de Deus), e perguntam enfaticamente:
Ladrão entra no Céu? E isso deixa os que creem na
salvação dos não dizimistas, sem saber o que dizer.
Mas agora, de posse do conhecimento da verdade
de que Ml 3.8-11 não é para nós, e sim, para os
judaístas, aquilo que parecia ter peso de álibi, passou
a ser facilmente refutável. Agora, para não darmos
muitas voltas, mas irmos direto ao assunto, lhes
dizemos que uma das premissas sobre a qual se
fundam não é verdadeira, visto que Ml 3.8 já não
nos diz respeito, posto que não estamos sob a Velha
Aliança. O texto sem contexto (Ml 3.8) que eles
põem ao lado de 1Co 6.10, intuindo extrair o
pretexto em apreço, não se destina aos cristãos, mas
sim, aos judaístas. Que, pois, meus leitores usem
esta peça da armadura cristã, que é o conhecimento
da verdade sobre ofertas e dízimos hoje em dia,
contra esse anacronismo intolerante e diabólico.
Os Pastores que pregam que quem não é dizimista
vai para o Inferno, devem ser repreendidos. E se
persistirem nesse erro, devem ser exonerados do
cargo de Pastor. E se ainda assim, não se
arrependerem desse pecado, devem ser excluídos do
rol de membros da Igreja. E se a Convenção os
acoitar, sugiro que os seus fieis saiam de sob os seus
malditos “cajados”, e fundem outros Ministérios, ou
se unam a uma igreja onde esses desiquilibrados não
tenham influência.
Frases de cientistas políticos, como, por exemplo,
“Cada povo tem o governo que merece”, da lavra do
filósofo Joseph-Marie Maistre; e: “Se há um idiota
no poder, é porque os que o elegeram estão bem
representados”, de autoria do jornalista, escritor e
humorista político, Aparício Fernando de
Brinkerhoff Torelly, deveriam levar “a nação santa”
(1Pe 2.9), na qualidade de “povo adquirido” (Ibid.)
que é, à reflexão. Será que também estamos sendo
bem representados pelos Pastores que merecemos?
E se os merecemos, não seria justo gozarmos da
eterna companhia deles no Inferno?
Se paráfrase vem, paráfrase vai
Aos que, como que parafraseando “cristãos”
judaizantes de dois milênios atrás, afirmam que “se
não dizimardes, conforme o uso de Moisés, não
podeis salvar-vos” (At 15.1), respondamos com a
seguinte paráfrase: “Já que não estais firmes na
liberdade com que Cristo nos libertou, antes,
tornais a meter-vos debaixo do jugo da servidão,
vos notifico que Cristo de nada vos aproveita;
separados estais de Cristo; da graça tendes caído,
vós que além de vos justificardes por um
mandamento da lei, repetido em Ml 3.10, ainda
condenais os que não retornaram à mesma
servidão que vós, rotulando-os de ladrões, e
ameaçando-os com o Inferno, para onde caminhais
a passos largos e galopantes” (Gl 5.1-4). E digo
isso porque infiro de At 15.1-2; Gl 4.10-11; Gl 5.1-
4; e Cl 2.16-17 que Paulo assim os reprenderia, se
ainda vivesse entre nós. E aos que, por pensarem
que dizimar é pecado, condenam até os que
dizimam sem legalismo, sugerimos que meditem em
At 16.1-5; 18.18; Rm 14 e se retratem, antes que
Deus os chame à prestação de contas (Mt 5.25-26).
EPÍLOGO
O cristão não tem a obrigação de dizimar, mas sim,
de apenas ofertar, caso possa fazê-lo. Contudo,
pode dizimar, caso queira fazê-lo. Tal se dá porque
o fato de o Novo Testamento não estipular um valor
para a oferta, o deixa livre para ofertar o quanto
quiser; inclusive, os dízimos.
O certo mesmo é nem chamar as nossas ofertas de
dízimos, mas apenas de ofertas, porque hoje em dia,
até a doação dos dízimos de nossas rendas é uma
oferta, pois já não há mais porque distinguir dízimo
de oferta. Agora, tudo é apenas oferta, até os 10%.
Contudo, nenhum cristão será condenado, caso, por
essa ou por aquela outra razão, optar por dizimar e
ofertar. Deus perdoa, se o fizer por ignorância; e
muito se alegrará, se o fizer por ter optado por este
metodismo para fins de autodisciplina, visando evitar
relaxamento, e não por não querer desembarcar do
Avião que nos trouxe à Terra Cristã, que fica aqui,
bem no centro de Nova Aliança.
Abraão e Jacó dizimaram por princípio moral; os
filhos de Israel dizimaram por princípio legal; e o
cristão, se o quiser, também pode fazê-lo, conquanto
entenda que no pós-lei mosaica voltou-se à liberdade
que, quanto a isso, havia nos dias da quarta
dispensação, chamada de Dispensação da Promessa,
cuja essência era o Pacto de Fé firmado entre Deus
e Abraão. Ao dito Pacto de Fé se acrescentou a Lei
(Gl 3.19), cuja outorga dá início à quinta
dispensação, conhecida pelo nome de Dispensação
da Lei. Esta quinta dispensação (que se foi) e a sexta
dispensação, intitulada de Dispensação da Graça (na
qual está a Igreja), são limítrofes. E se são
limítrofes, então uma não é a outra. E, sendo assim,
os malaquianos misturam as bolas tanto quanto os
sabatistas, sendo ambos os grupos, perpetradores do
ebionismo.
Já não há mais porque distinguir dízimo de
oferta?! Como assim?! Resposta: No Antigo
Testamento, Deus estipulou dois tipos de ofertas, a
saber, um décimo dos rendimentos, mais alguma
coisa mais ou menos à disposição da gratidão dos
corações dos ofertantes, acrescidas de certas
regulamentações. Mas como no Novo Testamento,
Deus, longe de estipular um percentual, deixa tudo a
cargo dos corações, salta aos olhos que os termos
“dízimos e ofertas”, necessários para dar nome aos
bois no Antigo Pacto, perderam sua razão de ser.
Agora, qualquer valor (seja igual a 10%, ou inferior
a este valor, ou ainda superior a esta importância)
pode normalmente ser chamado apenas de oferta.
As linhas epilogares, que constituem os três
parágrafos imediatamente acima, nada mais são do
que uma sintética recapitulação da ideia que
desenvolvi nos capítulos deste livro.

Pastor Joel Santana


APÊNDICE

Se eu não informasse, meus leitores nunca iriam


desconfiar que este apêndice já foi prólogo. Mas foi.
E quando decidi converter o dito prólogo no
presente apêndice, pensei: Bem que eu poderia
intitular este adendo de De Prólogo para Apêndice.
Mas logo abortei a ideia.
Por que este apêndice deriva de uma
transmutação? Resposta: O fato de o prólogo ter
crescido demais, tornando-se numa enorme
preliminar, me fez pensar em elaborar outro
preâmbulo, mais objetivo. E, ato contínuo, dada a
riqueza daquele enorme prefácio, decidi não
surrupiá-lo dos meus leitores. E enquanto matutava
sobre isso, tive a ideia de submetê-lo a suaves
modificações, intuindo adaptá-lo ao seu novo status
quo, que é o de apêndice, sem alterar a sua essência.

Quatro visões sobre os dízimos


Os que, como eu, creem na caducidade da
doutrina dos dízimos, se dividem em três grupos: 1)
os que, mesmo sabendo que o cristão não tem este
mandamento, dizimam e não condenam os que não
dizimam; 2) os que, por saberem que o cristão não
tem este mandamento, não dizimam, mas apenas
ofertam, sem, também, condenar os que dizimam; e
3) os que além de não dizimarem, ainda condenam a
todos os dizimistas, alegando que essa prática
minimiza a cruz de Cristo em todas e quaisquer
circunstâncias. Vejo o parecer deste último grupo
como tão nocivo às nossas almas, quanto a opinião
do grupo formado pelos que creem que todos os não
dizimistas estão indo para o Inferno.
Este livro não foi elaborado com espírito
contencioso, faccioso e tempestivo, mas sim,
intuindo espargir luz sobre o tema nele abordado.
Com os que condenam os não dizimistas, neste
livro tenho “não pequena discussão e contenda
contra eles” (At 15.1-2). E nisso imito aos apóstolos
Paulo e Barnabé (Ibid.). E o motivo pelo qual
polemizo com esses judaizantes hodiernos, é o
mesmo que motorizou aqueles apóstolos a altercar
com os judaizantes de então: querem pôr sobre os
ombros da Noiva de Cristo a carga que a ex-Esposa
de Yahveh não pôde suportar (At 15.10).
Com os que Paulo e Barnabé debateram, no
episódio registrado em At 15.1-2, a carga era a
circuncisão; e os que rebato neste livro, a carga é o
dizimismo.

Não sou guerrilheiro


O autor deste livro não pretende retaliar os que
com ele não convergem sobre o tema desta obra.
Antes, como professor de teologia, que é, faz deste
tratado uma sala de aula. Estou como que
lecionando aos meus alunos (leitores) ou palestrando
ao meu auditório (leitores). “Assista”, pois, às
minhas “aulas” ou “ouça as minhas preleções”,
lendo-me. Mas faça-o, desarmado, pois não sou
guerrilheiro, e sim, educador.

Judaísmo no Cristianismo
Nesta obra consigno o que Deus me deu, no
intuito de ajudar os evangélicos, meus irmãos em
Cristo, a se livrarem do jugo da Lei mosaica, para
que, mais alinhados com o espirito neotestamentário,
usufruam da liberdade própria da Nova Aliança.
Em que pese que o Judaísmo foi fundado por
Deus, já faz quase dois mil anos que ele exclamou:
“Missão cumprida!” Então foi substituído pela Nova
Aliança, da qual Jesus (e não Moisés) é “o
Mediador” (Hb 12.24). Logo, quem dizima em
obediência à Lei de Moisés, circunscrevendo-se nos
moldes dos versículos 8-10 do terceiro capítulo do
Livro de Malaquias, precisa ser desintoxicado desse
anacronismo. E, para tanto, faz-se necessário
conscientizá-los de que qualquer sincretização do
Cristianismo o descaracteriza e o converte num
sistema eclético, às vezes digno de outro nome.
Como vimos sob o primeiro subitem deste apêndice,
At 15.1-2 prova que os apóstolos Paulo e Barnabé
entendiam que amalgamar o Cristianismo com a Lei
de Moisés é erro gravíssimo e, portanto, intolerável.
E igualmente carentes de depuração, são os que,
escorando-se em Mt 23.23 e Lc 11.42, bem em
outros textos que julgam correlatos, fazem ecoar em
todos os rincões do mundo, o falso ensino de que o
Novo Testamento também manda pagar dízimo. E
embora os que assim argumentam já tenham
entendido que de fato não se mistura a Graça com a
Lei, acabaram caindo no mesmo moisesismo dos
ebionitas clássicos e dos ebionitas hodiernos.
Unidade agostiniana
Os adeptos do dizimismo se dividem em dois
grupos: os que veem os que deles destoam quanto a
isso, como perdidos, e os que veem os que deles
divergem sobre isso, como irmão em Cristo, mas
faltos do real conhecimento da Palavra de Deus.
Respeito a ambos os grupos, discordo de ambos os
grupos, e tenho comunhão espiritual com os
membros do último grupo. E aos integrantes do
primeiro grupo, cujo radicalismo lamento,
recomendo a seguinte sugestão agostiniana: “Nas
coisas essenciais, a unidade; nas coisas não
essenciais, a liberdade; em todas as coisas, o amor”
(“Santo” Agostinho). Não podemos imitar
Agostinho em tudo, como, por exemplo, na
intolerância religiosa, visto ser mais que evidente que
o cristão não pode dispensar ao próximo a
truculência ele dispensou aos donatistas, chegando a
defender o uso da força imperial para obrigá-los a
voltar para a Igreja Católica. Mas a tolerância que
ele nos recomendou, tolerância esta nem um pouco
compatível com o seu caráter, é salutar à alma.
Façamos o que ele mandou, sem fazer o que ele
fazia. Destarte, debatamos sobre o tema deste livro,
sempre primando pelo respeito às diversidades de
opiniões sobre este
assunto. Embora com restrições, unidade na
diversidade é possível.

Roseira do Jardim de Deus


Ouvi certo floricultor dizer que “as roseiras devem
ser podadas sem pena”. Mas quem ama seu jardim,
obedece a essa instrução com enorme dor no
coração. Contudo, tem que ser assim, porque se
alguém for suficientemente frouxo para não acatar
as instruções do referido especialista, nunca ouvirá o
“muito obrigada” das roseiras de seu jardim. Algo
similar se me ocorre, enquanto uso a tesoura da
Palavra de Deus para podar a minha denominação,
bem como a todas as demais igrejas evangélicas,
igualmente judaizantes.
A minha igreja é, sem dúvida, uma linda roseira do
Jardim de Deus! E como me dói o coração, podá-la
“sem pena”! Mas tenho que obedecer ao Floricultor,
porque Ele é o Dono desta roseira; e, portanto, não
pede, manda.
Da roseira em questão, sou parte integrante, visto
que ela é constituída de pessoas salvas por Jesus, das
quais sou uma.
(Por se falar em podar roseira, confesso que temo
ser espetado por espinhos mil, que prefiro não
identificar. Mas, com medo ou sem ele, vou podar a
roseira. Como dizia Lutero, “que Deus me ajude.
Amém”.)

Você é pensador ou repetidor?


Infelizmente, a grande maioria dos religiosos é
formada por repetidores reacionários, e não por
pensadores revolucionários. Mas, do fato de eu
fazer esta afirmação se vê que eu creio que há uma
minoria se dando ao trabalho de pensar. Destes,
alguns se sentem tão escandalizados com suas
agremiações religiosas, que entram pelo caminho do
ceticismo, do indiferentismo, e até mesmo pela
vereda do ateísmo. Outros, porém, optam por
submeter as doutrinas de suas respectivas religiões
ao crivo da Escritura Sagrada. Essa medida leva
alguns a perceber que estão em religiões tão falsas,
que o melhor a fazer é abandoná-las e se afiliarem a
outros grupos. Mas outros percebem que estão em
igrejas que, apesar dos pesares, não chegaram a
remover pilares da fé cristã, tendo falhado apenas
em questões periféricas. Destes, muitos decidiram
continuar em suas comunidades evangélicas, onde se
tornaram canais de bênçãos para os seus
correligionários. E é entre estes que me encontro,
pois estou seguro de que a Assembleia de Deus,
embora imperfeita como todas as demais igrejas, é
uma igreja de Deus, onde Deus vem operando
maravilhas, quais sejam, salvando, curando,
batizando no Espírito Santo, libertando dos
demônios, dando dons espirituais, libertando dos
vícios, etc. Geralmente, os que chegam a esse
patamar da compreensão da verdade, prestam
importante serviço à sua igreja, pois fazem defesas
ardorosas e consistentes das verdades que ainda
restam; rebatem de cadeira os erros dos quais sua
igreja precisa se depurar; e pregam o verdadeiro
Evangelho, visando levar vidas a Cristo, e não a
angariar adeptos para a sua denominação.

Te amo mamãe
A minha igreja é para mim uma mãe, pois ela me
gerou (Fm 10), sentiu por mim as dores de parto (Gl
4.19) e me deu à luz. Em parte, devo o que sou a
ela, pois foi ela que se deixou usar por Deus para,
há quarenta e cinco anos, me arrancar das garras do
nosso Arqui-inimigo. Sou, pois, seu eterno devedor!
Jamais lhe pagarei por tão grande benefício! Se eu,
parafraseando o versículo 12 de Sl 116, indagar
retoricamente sobre que darei à minha igreja por
todos os benefícios que ela me tem feito, não obterei
resposta a contento. Mas se não tenho como lhe
retribuir à altura de seus méritos, posso, contudo,
lhe demonstrar gratidão; e o faço de diversas
maneiras, entre as quais, ponderando-a, para que o
que já está bom, fique melhor. E tomara que este
livro, escrito para refutar o dizimismo, lhe seja útil,
expurgando-a desse falso ensino que a macula desde
os seus primórdios.
Consigno neste livro, uma crítica construtiva, e não
uma retaliação.
Nós, os protestantes, temos restaurado muitas das
verdades que foram deturpadas pelo papado. Mas
temos que mesclar as alegrias das conquistas com a
consciência de que ainda há muito que resgatar. E
uma das pérolas perdidas a ser recuperada é a
verdade de que o dizimismo é moisesismo de
malaquiano, e não Cristianismo puro.
Este livro pode ser útil a todas as pessoas, bem
como a todas as ramificações da cristandade, mas
principalmente, às igrejas que sofrem de dizimite
aguda. E, como sabemos, este é o quadro patológico
da grande maioria das igrejas evangélicas, entre as
quais está a minha denominação.

Quem diria!
Quando, há quarenta e cinco anos, recebi a Jesus
como o meu Salvador, eu não podia sequer imaginar
que um dia Deus iria me usar para ajudar aquela
igreja que acabava de me conquistar para Cristo, a
se libertar do jugo da Lei de Moisés. Eu pensava
que ela era perfeita. Mas, como ela pôs na minha
mão o Livro dos livros, este logo me mostrou que
ela é como as outras igrejas evangélicas: é perfeita
apenas em termos forenses, pois a justiça de Cristo,
da qual ela tem pleno usufruto, não lhe é
comunicada, mas apenas imputada pela graça,
mediante a fé no sangue de Jesus.

Prossigamos no crescimento
Que o Deus que fez a minha igreja experimentar
tão estupendo crescimento qualitativo, se sirva deste
livro para tornar esta bela giganta muito maior e
mais formosa do que ela já é. Ela já é grande na
qualidade e na quantidade, mas há infinito espaço
para prosseguir crescendo na graça e no
conhecimento do Senhor (Os 4.6; 6.3; Mt 11.27;
2Pe 3.18). E isso, sem prejuízo do seu tradicional
crescimento quantitativo, que, entre seus muitos e
admiráveis predicados, constitui um de seus
louváveis adjetivos e notórios distintivos.
Não louvo a minha igreja por tudo que ela já fez,
tampouco elogio todas as mudanças nela efetuadas
ao longo de sua trajetória. Lamentavelmente temos
aberto mão de valores aos quais deveríamos aferrar.
Mas aplaudo de pé a muitas de nossas correções, e
alvitro (entre outras que não trago à baila nesta obra)
mais esta, objeto deste livro.
Ora, já que nenhuma igreja é perfeita, então todas
precisam lutar contra as suas imperfeições. E este
livro é uma demonstração desta renhida luta. De
Bíblia em punho, entremos todos nesta guerra!
A Assembleia de Deus foi levantada pelo Espírito
Santo para alavancar a Obra de Deus em toda a
Terra. Antes da Assembleia de Deus chegar ao
Brasil, o Protestantismo caminhava no passo da
folivora. Mas como a minha igreja, por estar de
posse da pólvora do poder pentecostal, entrou “no
forte do Inimigo”, detonou os redutos do Adversário
e tirou “os cativos de lá”, arrebanhando multidões
para Cristo, até as igrejas vagarosas apertaram o
passo. Mas, por que uma igreja tão poderosa,
levantada por Deus para desbancar Satanás, comete
tantos erros? Respostas: 1) as imperfeições de
nossas igrejas advêm da verdade in natura de que
cada um de nós, seus membros, é imperfeito. Nós
não só passamos nossas imperfeições para as nossas
igrejas; antes, nossas imperfeições lhes são
intrínsecas, visto que a imperfeição é inerente a nós,
seus constituintes; 2) assim como a salvação não nos
confere infalibilidade, o batismo no Espírito Santo e
os dons espirituais não eliminam a nossa falibilidade.
O instrumento de Deus para o aperfeiçoamento dos
santos é a Bíblia, não a salvação, nem tampouco, o
revestimento de poder do Alto. Aclarando: a) a
salvação cria os santos, pois ela é, em si mesma, a
transformação dos pecadores perdidos, em santos
filhos de Deus; b) o batismo no Espírito Santo
equipa e arma os santos, concedendo-lhes maior
belicosidade na guerra contra o mal; e c) a Sagrada
Escritura aperfeiçoa, educa e santifica os santos. E
como eu já fiz constar acima, esse aperfeiçoamento
já está acontecendo. Aliás, este livro é resultado
disso, e vem para isso. Ou seja, é porque Deus me
tem iluminado pela Sua Palavra, que me habilito à
redação deste livro; e é porque este livro veio a
lume, que muitos outros serão aperfeiçoados na
Palavra. Sim, se não todos, pelo menos muitos dos
que, quais os bereanos, berearem este livro, verão
que “estas coisas [são] assim” (At 17.11). (NOTA:
“Berearem”, vem de berear, que é um pidgin
evangélico. Esse neologismo é um verbo que ainda
não foi catalogado pelos dicionaristas. Refere-se ao
ato de examinar um discurso à luz da Bíblia, e se
inspira na cautela com que os judeus de Bereia
ouviram o apóstolo Paulo, conforme registrado em
At 17.11.)
Todas as igrejas evangélicas podem fazer críticas
construtivas à minha igreja, mas nenhuma delas tem
moral para desdenhar a minha denominação.
Porventura, o cessacionismo, o calvinsimo, o aceitar
maçons até no quadro de Ministros do Evangelho, a
crença na tal de segurança incondicional da
salvação, batismo de criancinhas, batismo por
aspersão, consubstanciação, etc., não são coisas tão
absurdas quanto dizer que jogar futebol é pecado?
E, como se não bastassem esses erros que a
Assembleia de Deus nunca cometeu, o erro que aqui
combato, longe de ser exclusivo da minha igreja, é
comum a mais de 99,9% das igrejas evangélicas.
Sei que minha mãe-igreja não é perfeita; mas o
devido amor que por ela tenho, me impele a
defendê-la. Não transijo com seus erros, nem os
camuflo, mas me ponho a seu serviço, visando
melhorá-la. E entendo que defendê-la de seus erros,
mediante amorosas admoestações bíblicas, lhe é
mais salutar do que defendê-la das difamações de
seus detratores. Estes precisam considerar que suas
respectivas igrejas também têm telhado de vidro; e
que, portanto, as coberturas das mesmas também
são facilmente quebráveis.

Pré-Reforma, Reforma, e Pós-Reforma


Uma boa historiografia nos leva à conclusão óbvia
de que o lema da Reforma Protestante não data do
século XVI, pois começou muitos séculos antes do
nascimento de Lutero, continua até hoje, e
prosseguirá até ao advento de Cristo. Certifique-se
disso, pesquisando sobre a Pré-Reforma.
Não sou liberal, nem tampouco conservador, e
sim, um filho da Reforma Protestante, que crê que
ainda há muito que reformar.

Protesto!
Nesta obra, protesto os que temerariamente
condenam a todos os que, como eu, não creem na
atualidade da doutrina analisada neste livro: a
doutrina dos dízimos.
Em torno da questão dos dízimos já não há meras
controvérsias, mas sim, condenações mútuas.
Conheço não dizimistas que veem todos os
dizimistas como estando sob a maldição da Lei
aludida em Gl 3.10. E conheço dizimistas que veem
todos os não dizimistas como ladrões de Deus (Ml
3.8) e, portanto, a caminho do Inferno. Mas neste
livro defendo a liberdade cristã em torno deste
assunto, e repreendo os que mutuamente se
excomungam por causa disso, mostrando O alvo dos
reformadores protestantes, que era o resgate da
originalidade que se perdera, ainda não foi atingido
em cheio. Não conheço uma só igreja evangélica da
qual se possa dizer que possui toda a verdade.
Possuir toda a verdade é algo da alçada exclusiva de
Deus. Nenhum de nós, meros mortais, é capaz de
galgar tão elevado patamar, ainda nesta vida. E isso
é verdade, também, sobre as comunidades cristãs,
que chamamos de igrejas. Mas este fato não justifica
o comodismo; antes, deve nos impelir a constantes
“revoltas” contra as fraquezas comuns a nós e, por
conseguinte, às nossas igrejas.
Assim como Lutero não foi o primeiro
revolucionário dentro do Cristianismo, eu não sou o
primeiro revolucionário dentro do Protestantismo.
Há cinco séculos Casiodoro de Reina teve peito para
pronunciar contra as truculências de João Calvino e
seus discípulos, chegando a tachar Genebra quartel
general de Calvino de nova Roma; grande impacto
causou Jacó Armínio, quando ele rebateu de cadeira
o fatalismo do Calvinismo, no que foi imitado por
João Wesley; Gunnar Vingren foi expulso da igreja
onde servia como Pastor nos Estados Unidos,
porque pregou a verdade sobre o batismo no
Espírito Santo, que ele acabara de receber; (E consta
da nossa História, que Vingren foi expulso da igreja
duas vezes, sendo uma lá nos Estados Unidos e
outra cá no Brasil); os batistas foram vistos pelos
outros protestantes como hereges, quando
proclamaram a verdade de que o batismo, além de
ter que ser por imersão, não deve ser administrado a
criancinhas, ou seja, aos que ainda não estão de
posse da discrição; João Wesley já era Pastor,
quando foi excomungado da sua igreja, por, entre
entras coisas igualmente relevantes, ter enfatizado
que nossas obras, por melhores que sejam, não
entram na economia da salvação; João Bunyan
puxou doze anos de cadeia porque recusou a falar o
que os membros de sua igreja “protestante” queriam
ouvir; foram crentes revolucionários, tachados de
falsos profetas e excluídos do rol de membros de
sua denominação, que fundaram a Assembleia de
Deus no Brasil e destronaram o Diabo. E faltar-me-
ia tempo e espaço para arrolar os nomes de todos os
heróis da fé, que andaram na contramão não só do
mundo, mas de suas próprias igrejas. E assim como
nenhum desses protestantes que inovaram o
Protestantismo, jogou na lixeira o que de bom fora
feito pelos que os precederam nessa caminhada de
regresso ao patrimônio original do Cristianismo,
também quero aferrar a tudo que há de bom na
minha igreja, rejeitando apenas o que não coaduna
com a Bíblia.
Ora, a grande nuvem de testemunhas, parcialmente
arrolada acima, é um estímulo aos evangélicos que,
com indômito valor, se dispõem a prosseguir na
busca do patrimônio original do Cristianismo.
Avancemos, ainda que tenhamos que sofrer não só
nas garras dos inimigos assumidos do
Protestantismo, mas também nas unhas dos próprios
protestantes. Que nos tratem como trataram Wesley,
Bunyan, Vingren, os batistas, os puritanos, os
separatistas, os pioneiros do pentecostalismo, etc.
Assim como os pré-reformadores e os
reformadores não conseguiram recuperar tudo que
se perdera no Catolicismo Romano, os diversos
grupos que surgiram no Protestantismo, visando
torná-lo mais próximo da verdade à qual ele
pretende chegar, também não conseguiram chegar
lá. Os arminianos, os separatistas, os batistas, os
metodistas, os pentecostais, etc., acresceram-lhe
importantes adendos; mas a verdade solene é que
ainda há muito chão a percorrer. Na verdade,
enquanto tentam volver às nossas origens, alguns
protestantes, ultrapassando o Calvário e o Cenáculo,
chegaram ao Deserto, escalaram o Sinai, e desceram
de Horebe sobrecarregados de sabatismo,
dizimismo, camaronismo, e tantos outros
moisesismos que, uma vez sincretizado com o
Cristianismo, ressuscitam o ebionismo.
A Igreja Católica deturpou quase tudo; mas Valdo,
Wycliffe, Huss, Savonarola, Lutero, os puritanos,
etc., empreenderam restaurar a verdade que o
papado surrupiara do povo. Armínio, Wesley e seus
discípulos, os separatistas e os batistas os auxiliaram,
mostrando onde estavam deixando a desejar; e os
pentecostais redescobriram a pólvora que a Igreja
Primitiva usara nas suas beligerâncias contra o poder
das trevas. Mas as depurações do corpo doutrinário
da Igreja não atingiu seu ápice no avivamento da
Rua Azusa (nos Estados Unidos), não chegou ao
clímax com a fundação da Assembleia de Deus
norte-americana, e nem tampouco teve o seu apogeu
com o surgimento da Assembleia de Deus brasileira.
E todos os assembleianos brasileiros sabem disso,
visto ser indisfarçável que a Assembleia de Deus de
hoje é muito menos exagerada do que aquela
Assembleia de Deus de setenta anos atrás. Quando,
há quarenta e cinco anos, recebi a Jesus como meu
Salvador, me ensinaram que “o chapéu faz parte da
farda do soldado de Cristo”. Mas esse falso ensino
já se foi de nós há décadas. Logo, ou estávamos
errados, mas agora estamos certos, ou estávamos
certos, mas agora estamos errados. E o silogismo
que se extrai disso é a óbvia conclusão de que não
temos um irretocável pacote de doutrinas.
Se em algum momento eu lhe parecer agitador,
lembre-se que à luz do acima exposto se pode ver
que não sou o primeiro revolucionário no seio do
Protestantismo, a ser passivo de maus juízos. E
mostrarei mais adiante que muitos teólogos
protestantes já pronunciaram com meridiana clareza
que o Novo Testamento não faz carga alguma contra
a tese que aqui defendo. Logo, este meu livro só faz
botar mais lenha na fogueira que não foi acendida
por mim. Este meu livro é apenas um adendo aos
argumentos dos que me precederam neste labor.
Sugiro que a cúpula da Assembleia de Deus, que
já fez várias mudanças no corpo de doutrinas desta
igreja, acate o teor deste meu livro, e faça mais uma
mudança; a saber, a que aqui sugiro. Por que
enxergar vários erros e não ver este?
Às vezes se diz que o que mudou na minha igreja
foram apenas os costumes, e não as doutrinas. Mas
a verdade solene é que enquanto tais “costumes”
estavam de pé, se diziam abertamente que os
mesmos eram mandamentos de Deus. Logo, eram
doutrinas sim, e falsas.
Algumas de nossas doutrinas falsas tinham suas
raízes em costumes. Aclarando: a) Por razão
cultural, antigamente as maquiagens, pintura de
unhas, o uso de batom... não eram vistos com bons
olhos pela sociedade brasileira. Dizia-se que isso era
coisa de prostituta, e não de mulher decente. Mas,
como às vezes os costumes vêm e passam, este
costume se foi do nosso povo. E nessa hora, a falta
de maturidade dos Pastores os impediu de entender
que a rejeição a tais reproduções, que radicara entre
o povo, mas que estava se esvaindo paulatinamente,
era apenas um costume neutro, e não um fato real
em si mesmo, quer à luz da Bíblia, quer à luz da
filosófica “Razão Pura”; b) Sabemos que
antigamente, o chapéu fazia parte da indumentária
masculina de todos os brasileiros. Mas esse costume
também passou; e, novamente, os Pastores
assembleianos tiveram dificuldade para entender que
chapéu não é uma peça da armadura espiritual do
cristão, por cujo motivo ameaçaram com
excomunhão, o irmão que aderisse à nova moda.
Quando, há quarenta e cinco anos aceitei a Jesus, a
grande maioria dos assembleianos já haviam
entendido que chapéu não torna seu usuário mais
agradável a Deu; e, por isso, a maioria dos Pastores
já não fazia carga alguma contra os que se
adequavam à nova moda. Mas havia uma ala
conservadora, cujos partidários ficavam o pé em
dizer que crente que é crente usa chapéu. O
Presbítero incumbido de instruir os novos
convertidos da Congregação onde me converti, disse
a mim e aos demais catecúmenos, que para sermos
batizados devíamos usar chapéu, porque o mesmo,
dia ele, “faz parte da farda dos soldados de Cristo”.
Ele via os irmãos que não usavam chapéus, como
rebeldes, mundanos e profanadores. Outro
Presbítero se escorou no fato de Sadraque, Mesaque
e Abede-Nego terem sido lançados “...com...seus
chapéus... dentro do forno de fogo ardente” (Dn
3.21) para anunciar de púlpito que “quem não usa
chapéu não está andando segundo a Palavra de
Deus”. E para não tediar o leitor, por ora não vou
exarar sobre cavanhaque, costeleta, depilação, etc.
Aliás, está disponível aos internautas um vídeo no
qual um grande vulto assembleiano pronuncia contra
o uso de cavanhaque, de joias e de cabelos curtos
por parte das mulheres (Se você quer ouvi-lo,
procure no google por “Assembleia de Deus não é
mais a mesma, desabafa presidente nacional”. E isso
é apenas uma pequena amostra do que restou das
puerilidades que atafulhavam a Assembleia de Deus
brasileira. E tudo isso contribui para a lamentável
perpetração do dizimismo assim: 1) uma parte dos
Pastores prega o dizimismo por maldade e não por
convicção; 2) outro grupo de Pastores ensina isso
por ignorância; 3) outros, embora cultos, sérios e
sinceros, por serem vítimas da falibilidade humana
que nos é comum, não conseguem enxergar que não
é bem assim, e montam discursos com um florido
frasal tal, que impressionam a muitos incautos; 4) a
maior parte da minoria que sabe que não é nada
disso, se silencia por temer peitar o sistema e ser
mal-entendidos pelos fracos, que os tachariam de
hereges, e também por não quererem sacrificar suas
carreiras na hierarquia da igreja; 5) E por estas e
outras razões, poucos são os que falam a verdade
sobre o tema deste livro. Ora, os gritos dos
malaquianos e o silêncio dos não malaquianos criam
uma espécie de ninho muito propício ao vírus do
dizimismo, no qual o vírus do malaquianismo se
reproduz em grande escala, causando dizimite por
tudo quanto é canto.
O cristão não tem que ser revolucionário, nem
tampouco reacionário, mas sim, praticante e
expositor da Palavra de Deus. Mas, à exposição da
Bíblia sempre sucede revoluções. Estas são
consequências naturais do poder da Palavra do
Senhor. Tal se dá porque a Palavra do Senhor
dissipa as trevas, permitindo assim que as vítimas do
engano vejam que estão sendo trapaceadas. Foi
assim nos dias de Pedro Valdo; foi assim nos dias de
João Huss; foi assim nos dias Jerônimo Savonarola;
foi assim nos dias dos puritanos; foi assim nos dias
dos separatistas; foi assim nos dias dos irmãos
morávios; foi assim nos dias de Martinho Lutero; foi
assim nos dias de D. L. Mood; foi assim nos dias de
Daniel Berg e Gunnar Vingren; foi assim nos dias de
João Knox; e posso lhe garantir que vai continuar
sendo assim, porque Deus não ergue monumento à
ignorância. Ele ilumina alguém, e usa esse alguém
iluminado para iluminar outrem (Mt 5.14). A
verdade virá à tona, por mais que tentem escondê-la.
Alguém já disse acertadamente que “a mentira tem
pernas curtas”. Deus já está usando muitas pessoas
para esta grande obra. E alegro-me por ter sido
eleito por Deus para ombreá-las com este livro, sem
dúvida, formador de opinião.
Não me consta que haja algum evangélico crendo
que sua denominação é perfeita. Logo, todos devem
ouvir atenciosamente as críticas construtivas,
comparar tudo com a Bíblia, e efetuar as mudanças
necessárias. Sendo assim, equivocam-se os
assembleianos que se fecham para novas luzes,
rotulando tudo de inovações. Os tais confundem
inovação com renovação. Cada um dos tais diz: “Eu
sou da antiga. Se isso é ser quadrado, então eu o
sou. Eu não mudo”. Nada disso. Eles não são da
antiga, pois possuem televisão, bebem refrigerante,
torcem para times de futebol, etc.
Demo-nos por avisados pela História
Atribui-se ao filósofo Friedrich Hegel a autoria da
muito bem articulada frase de que “A única coisa
que o homem aprende da História é que o homem
não aprende nada da História”. Em que pese a carga
hiperbólica desta frase, ela tem um fundo de
verdade. De fato, os mesmos erros se repetem em
círculo vicioso. Os que hoje rompem com a
mesmice própria dos que aposentaram a cabeça, não
recebem um tratamento diferenciado do que se
dispensou aos revolucionários do passado. Mas isso
nunca impediu que os que não aceitavam ser mero
produto do meio, se manifestassem. Isto posto, que
as antíteses desta minha tese não sejam vistas com
estranheza pelos meus leitores. Já que sempre foi
assim, não vejamos a monotonia dos reacionários,
como algo inusitado, e sim, como coisa corriqueira.
Logo, não tome partido algum cegamente, guiando-
se pela fama de meus opositores. Sempre que o
falante não for Deus, bereie o discurso dele, antes
de acatar suas ideias. Segundo uma máxima de
minha lavra, os grandes homens cometem grandes
erros. E a prova filosófica de que assim é, é o fato
de que eles sequer conseguem chegar a um
consenso entre eles. Portanto, não se subestime;
antes, sinta-se à altura de discordar deles. Quem são
eles para você lhes confiar o futuro eterno de sua
alma? E o tratamento que sugiro que você lhes
dispense, você pode e deve dispensar a mim
também, pois também não sou Deus. Sinta-se livre
para rejeitar meus argumentos, caso os mesmos lhe
pareçam desarrazoados. Contudo, se o que aqui
exponho, lhe soa verdadeiramente bíblico, não traia
a sua consciência; antes, abrace, difunda e defenda a
dissertação que constitui a tese do presente tratado, a
qual, longe de ser despótica e manipuladora, aposta
na inteligência dos que a lerem. Não ficarei pasmo,
se a ideia que aqui exponho lhe parecer
razoavelmente defensável, pois a exteriorizo
exatamente porque não a veja como desvario.

Boas vindas às críticas construtivas!


Há quase trinta anos, ouvi dois evangélicos, que eu
não conhecia, fazerem uma crítica à Assembleia de
Deus, que é a minha igreja. E poucos minutos após
aquele diálogo, ao me virem orando para tomar uma
refeição, me perguntaram: “Você é evangélico? Qual
é a sua igreja?”. E, ao me identificar como
assembleiano, vi que eles se entreolharam um tanto
desconsertados, pois sabiam que eu tinha ouvido
tudo quanto eles haviam falado acerca da minha
igreja. E, para remediar o constrangimento,
pediram-me que eu não considerasse suas palavras
como uma retaliação à minha igreja, mas sim, como
uma simples observação. Ao que eu lhes disse: O
que vocês falaram é verdade; e esta deve ser dita
doa a quem doer. E a partir daquele momento,
nosso relacionamento foi se estreitando até
tornarmos amigos. Mas, por circunstâncias,
mantenho contato apenas com um dos dois, cujo
nome omito por razões éticas. Ora, se eu achasse
que o ponto do qual eles discordavam, estava certo,
eu tentaria lhes abrir os olhos. Mas não era este o
caso. Mais tarde pude lhes mostrar vários erros da
igreja deles, e eles, por sua vez, concordaram
comigo em alguns pontos. Noutros pontos, porém,
não houve consenso. Mas somos amigos e irmãos
em Cristo. E um deles é um dos mantenedores do
meu Ministério.
Mas aonde quero chegar com essa história?
Resposta: Desejo legar um exemplo digno de ser
imitado. Não podemos amar nossas igrejas mais do
que à verdade. O cristão deve ser suficientemente
indomável para rejeitar as palras dos paroleiros, bem
como para dar as mãos à palmatória ante
ponderações inteligentes. Nos debates, só o bom-
senso deve ser invicto.

Efeitos colaterais
Este livro pode não só iluminar os que jazem nas
trevas, mas também levar mais luz aos que na luz já
estão. Mas isso só ocorrerá aos que amarem mais a
Deus e à Bíblia do que às suas agremiações
religiosas. Os cegamente apaixonados por suas
denominações não divisarão a luz.
O público alvo imediato deste livro é constituído
de salvos. Dirijo-me, a priori, aos meus irmãos em
Cristo. Este livro não comporta, em primeira
instância, uma palavra de salvação, e sim, de
educação. Sou Evangelista também, mas aqui me
porto como educador, e não como proclamador da
boa nova de salvação aos perdidos. De
evangelização eu trato é no meu livro intitulado
Deus Não Perdoa Pecado. Mas, embora este livro
tenha sido escrito para abençoar os que,
equivocadamente, creem que o cristão também tem
o dever de pagar dízimo, seus efeitos podem se
estender aos portadores de anacronismos
semelhantes ao malaquianismo, quais sejam, o
sabatismo e as restrições alimentares
“fundamentadas” em Lv 11 e textos correlatos. Tal
se dá porque os argumentos dos quais me sirvo para
provar que o dizimismo não é uma doutrina
neotestamentária, servem também para provar que,
pela mesma razão, as ordens divinas sobre a
santificação do sábado e sobre as abstinências
alimentares listadas em Lv 11, não nos dizem
respeito. Ou seja, quem entende que o dizimismo é
para judaísta, e não para cristão, naturalmente
entende também que a santificação do sábado e a
dieta alimentar veterotestamentárias não se estendem
a ele. Tal se dá porque a base sobre a qual se
constrói a falsa doutrina de que o cristão tem que
pagar dízimo, é a mesma sobre a qual se ergue o
sabatismo e cardápio prescritos no sistema mosaico.
Mas, em que pese os efeitos colaterais benéficos,
este “remédio” pode causar graves danos a alguns de
seus usuários. Por exemplo, salvo melhor juízo, ele
é contraindicado a pessoas que, por amor ao
dinheiro, preferem perseguir os que tentam abrir os
olhos às suas vítimas, a se converterem de seus
maus caminhos. A estes, este “medicamento” pode
causar rancor, perseguição aos que cruzam seus
caminhos, e outras “doenças” igualmente fatais,
tornando-os mais mortos do que já são.

Cordialidade nos simpósios


Na década de oitenta, aprendi com um dos meus
professores, a seguinte postura a ser adotada num
debate: “Sê cordial com teu interlocutor, ainda que
não concordes com suas ideias; combate suas ideias,
não a sua pessoa; retrata-te, se seus argumentos
forem mais convincentes dos que os teus”. Oxalá
que dizimistas e não dizimistas acatem esta norma,
sempre que entabularem diálogos sobre este assunto!
Sim, conferenciemos a respeito desta questão;
ouçamos os argumentos prós e contras à mesma; e
optemos pelo parecer de fato corroborado pela
Bíblia.
Tema inesgotável
Não tenho uma vaidosa pretensão de dar, neste
livro, a última palavra sobre o assunto nele
consignado. Esgotar um tema bíblico não é da
alçada dos mortais. Mas tudo bem, pois não iniciei
esta redação alimentando uma utópica possibilidade
de a mesma compendiar, de maneira exaustiva,
todos os argumentos adversos ao malaquianismo.
Não creio sequer que este livro seja irretocável. E,
por isso, estou aberto às sugestões de adições,
subtrações e correções. Que, pois, cada um de meus
leitores se torne meu cúmplice. Necessito da empatia
dos amigos da verdade.

Polemize também
Certo dia, alguém que se identificou como ateu,
me contestou nestes termos: “Quando vejo essa
brigalhada entre os religiosos, mais me convenço de
que é preferível ser ateu a ser religioso”. Mas eu lhe
disse que se das controvérsias entre os religiosos,
pudéssemos extrair a conclusão a que ele se referia,
então, as divergências entre s filósofos provariam
que é preferível ser irracional, a ser pensador.
Espero, pois, que os acalorados debates sobre o
tema deste livro, longe de induzi-lo a desinteressar-
se por este assunto, lhe aguce o desejo de também
contribuir com suas ideias.
Pressupõe-se que todo ser humano, racional que é,
está á altura de examinar qualquer questão e tomar
partido com conhecimento de causa. Espero que
você concorde com esse raciocínio; e, que portanto,
não se subestime, ao ponto de se julgar inapto para
posicionar-se sabiamente, acerca do objeto deste
livro.
Seja qual for a sua opinião pessoal sobre dízimos e
ofertas, se você ama a verdade, você deve ler este
livro pelas seguintes razões: 1) talvez este livro o
ajude a entender que você abriga uma opinião
errada; 2) certos ou errados, os argumentos aqui
expostos são fortes; e, portanto, formadores de
opinião. Logo, é importante que você o examine
para, caso discorde dos arrazoados aqui
consignados, elabore, de antemão, uma refutação
inteligente, visando socorrer as vítimas das minhas
heresias; 3) se você também entende que deveras
Deus não mandou o cristão pagar dízimos, talvez
este livro o ajude a altercar mais forte com os que
divergem de você sobre este assunto. Ora, se os que
discordam de nós sobre o dizimismo estão errados,
urge que os socorramos já. E ler e estudar livros
sobre este assunto, é um grande passo a ser dado
pelos que querem se armar para prestar socorros aos
que, por terem sido desencaminhados pelos
malaquianos, suspeitam da nossa ortodoxia e
ortopraxia.

Ai das “coroas” e dos buchos


Conta-se que certo dia, o filósofo Erasmo de
Roterdã, falando a Frederico III (ou Frederico, o
Sábio) acerca de Lutero, disse: “Lutero cometeu
dois grandes crimes: atacou a coroa do papa e o
bucho dos monges”. E dessa declaração inferimos
que Erasmo percebeu que a razão pela qual a cúria
romana arremeteu-se contra Lutero, era muito mais
sociopolítica e socioeconômica do que teológica. E,
infelizmente, cinco séculos após, podemos ver que
nada mudou. Ainda hoje, falar a verdade sobre
dízimos e ofertas traz grandes preocupações aos
simonistas, que reagem com ímpeto contra aqueles
que Deus tem levantado para socorrer os
desavisados, livrando-os desse comércio maldito e
nojento. (NOTA: Chamo de comércio maldito e
nojento, não à coleta de dízimos e ofertas, mas sim,
à má administração dessas doações, por parte dos
Acionistas Eclesiásticos & Companhia S/A.)
Lutero atacou a tiara do papa e o estômago dos
frades, mas hoje, falar a verdade sobre dízimos e
ofertas ataca as “coroas” e os buchos dos “Pastores”
que querem viver como reis, em esplendente glória e
total conforto à custa dos ingênuos.

Critico mas não retalio


O conteúdo deste compêndio é, sim, uma crítica
ao dizimismo. Mas neste caso, não se deve
interpretar por “crítica” mera retaliação à opinião
alheia. Aliás, “A palavra ‘crítica’ vem do grego e
possui três sentidos principais: 1) capacidade para
julgar, discernir e decidir corretamente; 2) exame
racional de todas as coisas sem preconceito e sem
pré-julgamento; 3) atividade de examinar e avaliar
detalhadamente uma ideia, um valor, um costume,
um comportamento, uma obra artística ou
científica...” (Marilena Chaui. Convite à filosofia.
São Paulo: Editora Ática. 13 ed. 1ª impressão, 2003,
p. 18). Logo, “retaliação” não é uma das definições
do vocábulo “crítica”.

Estou aberto às críticas construtivas


Considerando que neste livro discorro sobre uma
doutrina bíblica, nem preciso dizer que este tratado
não exaure o tema nele abordado, pois nenhum
teólogo protestante típico ignora que a exaustão de
um tema bíblico não é da alçada dos mortais. Não
abrigo, pois, a presunção de que produzi uma obra
irretocável. Certamente que novas edições advirão,
contendo acréscimos, decréscimos, e outras
alterações a título de correções e subsequentes
melhorias.

A razão de ser deste livro


Disponho de bons motivos para escriturar esta
refutação à falsa doutrina dos dízimos hoje em dia.
Vejamo-los: 1) o que aqui combato é um erro, e,
portanto, precisa ser denunciado e desmascarado; 2)
o que aqui defendo é uma verdade, e, portanto, é
um instrumento de libertação que deve ocultar; 3)
enquanto eu me calava, eu tinha dificuldade para
convencer-me a mim mesmo de que não sou um
Pastor covarde, indigno da investidura da Ordem; 4)
um autêntico Pastor tem o dever moral e legal de
alertar do perigo, peitar os lobos, e socorrer as
ovelhas. E, por se falar em socorrer as ovelhas,
observo que estas carecem de ser livradas não só dos
Obreiros maus, mas também dos maus Obreiros, a
saber, dos que por questão de má interpretação de
textos bíblicos, e não por malignidade, difundem o
erro pensando que estão pregando e ensinando a
verdade.
ABREVIATURAS
Abaixo, as abreviaturas das principais versões da
Bíblia usadas neste tratado.
ARC (Almeida Revista e Corrigida). Trata-se de
uma edição revisada da Bíblia traduzida para a nossa
língua, pelo Pastor João Ferreira Annes d’Almeida;
ARA (Almeida Revista e Atualizada). Trata-se,
também, de uma edição corregida da Bíblia de
Almeida; NVI (Nova Versão Internacional). Uma
versão protestante da Bíblia, numa linguagem
coloquial, embora dentro da norma culta; NTLH
(Nova Tradução na Linguagem de Hoje). Como o
próprio nome indica, esta é, também, uma versão
popular da Bíblia; VR (Versão Revisada). Uma
Bíblia de Almeida, cuja tradução foi cotejada pelos
que lhe aplicaram correções e atualizações
linguísticas e gramaticais.

Obrigado por você ter me conferido a honra de me


ler.
Se você gostou deste livro, recomende-o a quantos
puder. Presenteie pessoas do seu convívio com
exemplares deste compêndio. Ajude-me a livrar
vidas do engano e dos enganadores.