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Reflexão

Eu já não podia fazer o que minha razão pedia, pois já custará muito a meu coração.
Muitas foram as perdas que em retardo eu vi passarem diante do meu rosto, e eu tolo,
esperava os sentimentos como algo racional.

Embora eu pensasse em algo concreto, nada aconteceu assim. Na verdade, eu sofria


como sempre sofro. Talvez não fosse o único tolo envolvido nessa história que mais parecia
um conto-de-fadas, talvez existissem personagens, não diria secundários, já que eles faziam
tanta diferença. Eu seria como um narrador observador, tentando ao máximo ser o onisciente.
Mas como um narrador observador sofrer? Seria um narrador personagem? O melhor é
esquecermos um pouco os narradores, e partimos para o que realmente aconteceu.

Ás vezes eu não quero admitir, mas sempre consigo ser o ponto final de todas as
histórias que aos poucos se entrelaçam ao meu destino. Essas vaidades que tolas me
perseguem junto ao orgulho. Mas não posso desistir! Tenho um buraco no peito assim como
muitos, e assim também compartilhamos a mesma vontade de seguir a procura do que
poderia nos preencher. Eu não posso esperar que tudo seja mais do que uma perda de tempo,
e que esta ausência prossiga neste processo de corrosão em minha própria alma.

Coisas que não importam aparentemente às vezes nos fazem sofrer, às vezes
conquistam pessoas: Seria eu o culpado de tudo isso? Como, se apenas existo? Culpo-me
muito por muitas coisas que não fiz: deve ser o hábito de ser culpado pelos outros. Quero
fazer a diferença na vida de alguém, e não ser normal ou perfeito. Coisas normais e perfeitas
são monótonas e ignóbeis. A vida se faz de emoções, fortes e de preferência impactantes.

Eu quero algo pelo qual lutar e correr atrás, pois me sinto sozinho no deserto dessa
estrada estranha que todos os dias seguimos sem saber o que encontrar, apenas por extinto.

O que seria o amor, senão o extinto da alma? O que seria o prazer, senão o extinto do
corpo? E os dois juntos compõe quase sempre uma história cheia de altos e baixos, perdas e
vitorias. E talvez por isso eu não me entregue. Por medo de ficar preso na parte mais baixa da
vida: A ilusão.