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CENTRO UNIVERSITÁRIO JORGE AMADO

LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

Maria Lindinalva Brandão Sousa


Vanessa Pinto Veloso

AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Maracás – Ba / Porto Seguro - Ba


2020
MARIA LINDINALVA BRANDÃO SOUSA

VANESSA PINTO VELOSO

AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Artigo apresentado à Coordenação do Curso de Pedagogia,


do Centro Universitário Jorge Amado - Unijorge, como
requisito parcial para conclusão do Curso de Licenciatura
em Pedagogia.

Orientadora: Prof.ª Dr. ª Joseilda Sampaio de Souza

Maracás – Ba / Porto Seguro - Ba

2020
Maria Lindinalva Brandão Sousa
Vanessa Pinto Veloso

Afetividade na Educação Infantil

Artigo apresentado à Coordenação do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Jorge


Amado, como requisito parcial para a conclusão do Curso de Pedagogia, apresentado e
aprovado pela banca examinadora constituída pelos professores.

Prof.ª Dr. ª Joseilda Sampaio de Souza – Orientadora


Doutora em Educação pela Universidade Federal da Bahia, Brasil
Professora Centro Universitário Jorge Amado

Prof. xxxxxxxxx
Título professor
Centro Universitário Jorge Amado
SOUSA, Maria Lindinalva Brandão. Veloso, Vanessa Pinto. AFETIVIDADE NA
EDUCAÇÃO INFANTIL. Trabalho de conclusão de Curso. 2020. 20 laudas. (Licenciatura
em Pedagogia), Centro Universitário Jorge Amado, 2020.

RESUMO

O presente artigo teve a temática AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL, com o


objetivo de compreender a importância do afeto no ensino aprendizagem, a relação do
professor X aluno desde a primeira infância, que é quando o sujeito se desenvolve, descobre e
vive experiências que devem ser valorizadas. O desenvolvimento é a construção de
conhecimento e a realidade que vive. O professor tem papel fundamental nessa construção de
conhecimentos, principalmente com relação ao afeto e através do afeto se constrói a
aprendizagem. A metodologia abordada foi a pesquisa qualitativa observando e analisando a
visão de cada docente, absorvendo assim a percepção das mesmas com o tema abordado.
Nesse artigo abordamos as concepções de afetividade, nos fundamentamos e amparamos na
visão dos teóricos que deram ênfase no papel da afetividade no processo educativo, como
Jean Piaget, Lev Vygotski, Henri Wallon, dentre outros. Concluímos que a afetividade no
âmbito escolar interfere o processo de ensino aprendizagem, gerando consequências positivas
e negativas. É muito importante criar vínculos afetuosos tanto de pais para filhos, quanto de
professor para aluno, ressaltando a importância de um olhar, a preocupação com estado
emocional da criança ressaltando o interesse no que é dito por ela e entendê-lo.

Palavras chave: Afeto. Relação Professor-Aluno. Afetividade. Aprendizagem.


ABSTRACT

This article had the theme AFFECTIVITY IN CHILDHOOD EDUCATION, with the
objective of understanding the importance of affection in teaching and learning, the
relationship of teacher X student since early childhood, which is when the subject develops,
discovers and lives experiences that should be valued. Development is the construction of
knowledge and the reality it lives in. The teacher has a fundamental role in this construction
of knowledge, especially in relation to affection and through affection, learning is built. The
approached methodology was qualitative research, observing and analyzing the vision of each
teacher, thus absorbing their perception of the topic addressed. In this article we approach the
conceptions of affectivity, we base ourselves on and support the view of theorists who
emphasized the role of affectivity in the educational process, such as Jean Piaget, Lev
Vygotski, Henri Wallon, among others. We conclude that affectivity in the school
environment interferes with the teaching-learning process, generating positive and negative
consequences. It is very important to create affectionate bonds both from parents to children
and from teacher to student, emphasizing the importance of a look, the concern with the
child's emotional state, emphasizing the interest in what is said by him and understanding
him.

Keywords: Affection. Teacher-Student Relationship. Affectivity. Learning.


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INTRODUÇÃO
A afetividade e a educação infantil andam lado a lado no processo de sucesso da
aprendizagem dos alunos na primeira infância. A afetividade é muito importante na educação
para uma escola construída com pilares a partir do respeito, compreensão e autonomia de
ideias. O afeto se constitui como um laço entre o professor e o aluno, formando assim um
conjunto onde estão relacionadas à autoestima, o amor, os sentimentos e os valores. Essa
relação entre educador e educando pode proporcionar uma aprendizagem significativa e
agradável. Diante disso, tivemos o seguinte questionamento: Qual a importância da
afetividade no processo de aprendizagem na educação infantil?
Considerando a psicologia, a afetividade é a capacidade individual de experimentar o
conjunto de fenômenos afetivos. Tais como, tendências, emoções, paixões, sentimentos. Mas
a relação de afeto na educação não é apenas carinho, beijo e abraços, na verdade vai muito
além disso, dar escuta ao aluno, é permitir dar voz a criança, o que faz toda a diferença em
todo esse processo. Todo esse contexto proporciona ao aluno uma construção de elo professor
X aluno. Os estudos de Jean Piaget, por exemplo, nos trouxeram uma importante contribuição
para a compreensão sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças, a pesquisa de modo
geral, proporcionou a reflexão sobre a afetividade como aspecto fundamental para a
consolidação dos processos de ensinar e aprender. O nosso despertar por esse tema, foi por ser
tão rico e fazer parte de nossas realidades, já que trabalhamos com crianças do ensino infantil,
fazendo com que esse estudo agregasse ainda mais em nosso trabalho diário. O que se
pretende nesse artigo é discutir a importância da afetividade no processo de aprendizagem na
educação infantil, mostrar os benefícios que a o afeto traz para a vida educacional do aluno e
o quanto é imprescindível para ponto de partida no trabalho do educador. Utilizamos a
pesquisa qualitativa como método de análise para desenvolver o presente artigo, coletando
dados com um grupo de três professoras da rede pública e uma Neuropsicopedagoga atuante
na educação infantil.
Para aprofundarmos na temática, o artigo foi organizado em duas partes: Na primeira parte,
abordamos o conceito de afetividade e a importância do afeto no processo de ensino
aprendizagem, com perspectiva nos estudos dos teóricos que deram ênfase no papel da
afetividade no processo educativo. Na segunda parte, discorremos sobre a concepção da
primeira infância e a educação infantil. No terceiro tópico, trouxemos o enfoque para a
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pesquisa qualitativa, observando, analisando e coletando dados sobre a influência da


afetividade em sala de aula no ensino infantil.
1. CONCEITO DE AFETIVIDADE E A IMPORTÂNCIA DO AFETO NO
PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM

O estudo sobre afetividade sugere muita reflexão, a presente pesquisa traz à tona a
conscientização dos educadores sobre a utilização da afetividade em suas práticas
pedagógicas, quando se fala em afetividade na educação, nota-se que o professor passa a ser
responsável por ajudar o aluno a aprender e não apenas passar o conteúdo, mudando assim
todo o processo de ensino. Conforme o Mini dicionário Luft (2010, p. 37), afetividade é a
“qualidade de afetivo, sentimento, afeição profunda, zelo, cuidado”. O afeto é um
componente, um sentimento; a afetividade é a realização constituída através desse sentimento.
A relação do afeto na educação não é apenas carinho, beijos, abraços, vai muito além, ações
focadas no ensino aprendizagem, a escuta ao aluno, dar voz a criança, faz toda diferença na
vida desse ser.
O tema é muito vasto e discutido por vários autores que trazem para nosso cotidiano uma
leitura mais ampla do conceito afetividade. Segundo Wallon (1954, p. 288), educador e
médico francês: A afetividade é um domínio funcional, cujo desenvolvimento dependente da
ação de dois fatores: o orgânico e o social. Entre esses dois fatores existe uma relação
recíproca que impede qualquer tipo de determinação no desenvolvimento humano, tanto que a
constituição biológica da criança ao nascer não será a lei única do seu futuro destino. As
ideias de Wallon representa uma flexibilidade de pensamento. A realidade é entendida em
uma perspectiva dinâmica, heterogênea e extremamente original.
Segundo a teoria de Lev Semenovitch Vygotsky (2002), o homem e os objetos da cultura não
se relacionam de forma direta: sua relação é mediada, sendo os sistemas simbólicos os
elementos intermediários. O autor assume que, o sujeito não é passivo, pois ocorre um
processo de transformação e de síntese no qual o sujeito desempenha continuamente um papel
ativo e interativo. Ao defender o lugar da afetividade no processo de internalização e no
desenvolvimento humano, Vygotsky revolucionou o pensamento existente que, até então,
priorizava os aspectos cognitivos, denunciando os princípios complementares mente/corpo e
cognição/afeto. Para o professor e psicólogo Vygotsky, a emoção é a reflexão de estímulos
que são atendidos no meio sociocultural em que o indivíduo está inserido.
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A teoria do autor Wallon e Vygotsky tem semelhanças e algumas diferenças, a maior delas é
que para Vygotsky, tem como seu principal mediador entre o sujeito e o meio a linguagem, já
para Wallon esse mediador é gerado pela afetividade. A teoria da Afetividade de Wallon
levantou questão sobre o ensino tradicional com seu autoritarismo e falta de criatividade.
Wallon observou que esse método de ensino exigia que o aluno fosse passivo e sem
personalidade, observou também que o tradicionalismo não abordava o caráter afetivo, social
e político da educação, assim, a escola, como um acontecimento social, deve “considerar a
realidade concreta na qual esse sujeito vive, atua e, muitas vezes, procura modificar”.
(LAKOMY, 2003 p. 60).

Sem dúvidas, as contribuições para o desenvolvimento infantil são entendidas em seus


aspectos afetivo, cognitivo e motor, buscando compreender o sistema de relações
estabelecidas entre crianças e seu ambiente. Destacamos a teoria Walloniana os aspectos
emocionais, como apontam Valsiner e Vasconcelos (1995, p.41):

Por meio da emoção a criança adquire sequencias de ações diferenciadas e


instrumentos intelectuais capazes de ir construindo sua diferenciação e compreensão
de si mesma e dos outros sociais. Dialeticamente, a distinção gradual entre o eu e o
outro é adquirida, mais claramente, em momentos de emoção.

Concluindo-se assim que a escola é o ambiente mais propício para aprofundar-se no estudo
sobre a personalidade da criança, que é entendida por ser total e ativo. A âmbito escolar
interfere no processo de ensino aprendizagem, gerando consequências positivas e negativas. O
educador tem papel fundamental nesse processo, principalmente com relação ao vinculo é
através do afeto que constroem a aprendizagem, é com a relação mútua de respeito que
conseguimos obter resultados na aprendizagem. Quando a criança se sente num ambiente
acolhedor, nós temos a possibilidade de acelerar esquemas cognitivos, ou seja, a
aprendizagem, por tanto não se pode desassociar o cognitivo do afeto. É importante ressaltar
que por mais que o laço afetivo entre professores e alunos seja essencial, ele deve estar focado
na aprendizagem. Maria Cristina Mantovanini, doutora em psicologia da Educação pela
Universidade de São Paulo relata que a criança precisa compreender que esse vínculo afetivo
com o professor não é o mesmo vínculo familiar, há uma diferença entre estar com o
professor e estar com sua família. O professor não pode impor disciplina pelo medo e precisa
estar atento para levar desafios adequados as faixas de idades das crianças.
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Jean Piaget, biólogo e psicólogo, explica perfeitamente em sua teoria que o indivíduo (a
criança) aprende construindo e reconstruindo o seu pensamento, através da assimilação e
acomodação das suas estruturas. Esta construção do pensamento e desenvolvimento, Piaget
chamou de estágios: Estágio sensório – motor, Estágio Simbólico e Estágio Conceptual. A
faixa etária que se caracteriza a primeira infância é de 0 a 6 anos, o estágio sensório-motor a
pré-operatório. Em meados do século XX, o interesse pelo desenvolvimento infantil começou
a crescer. Pesquisas para demonstrar quais impactos os fatos ocorridos na infância tinham na
vida adulta surgiram em grande número. Diversas teorias foram publicadas. Entre os
pesquisadores que exploraram essa temática, estava o suíço Jean Piaget, que tratou sobre os
estágios da vida e o desenvolvimento cognitivo e de adaptação das crianças com o ambiente.
Mas se antes os efeitos das experiências nos primeiros anos de vida eram discutidos do ponto
de vista comportamental e de formação da personalidade, hoje a tecnologia e a ciência já
conseguiram comprovar que os estímulos do ambiente e das interações têm impactos
determinantes na formação do cérebro.  As conexões entre os neurônios se estabelecem em
menor ou maior velocidade a partir dessas interações. Sabe-se ainda que além de uma maior
capacidade cognitiva, crianças bem estimuladas nos primeiros anos de vida tendem a ter um
desempenho escolar melhor, além de chances menores de envolvimento com o crime e o uso
de drogas.

2. CONCEPÇÃO DA PRIMEIRA INFÂNCIA E A EDUCAÇÃO INFANTIL

Na primeira infância é quando o sujeito vai se desenvolver, descobrir. Podemos caracterizar a


primeira infância como o período entre o nascimento a 6 anos, onde o sujeito terá as primeiras
percepções da vida, começa a se movimentar, engatinhar, andar, falar, esse momento é de
grandes descobertas e precisa ser valorizado. A definição de infância está relacionada ao
tempo e ao espaço em que cada um vive e a um contexto social. É nesse período que o
indivíduo constrói suas bases cognitiva, emocional, motora, social e ética. Quando ainda não
sabem utilizar a linguagem oral, as crianças fazem uso principalmente da emoção para se
comunicar com o mundo, através do choro e sorriso, por exemplo.
Quando as crianças adquirem a fala, ganha assim mais um meio de expressão, então elas
começam a se relacionar com o mundo de outra forma. Segundo Jean Piaget, o
desenvolvimento intelectual em dois componentes: O cognitivo e o afetivo, que caminham
juntos. Para ele, toda ação e pensamento são ações cognitivas, representadas pelas estruturas
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mentais. Cognitivo refere-se uma expressão que está associada com o processo de aquisição
do conhecimento (cognição). A cognição envolve fatores diversos como o pensamento, a
linguagem, a percepção, a memória, o raciocínio etc. Esses fatores fazem parte do
desenvolvimento intelectual. A psicologia cognitiva está ligada ao estudo dos processos
mentais que influenciam o comportamento de cada indivíduo e o desenvolvimento cognitivo
(intelectual). Segundo Jean Piaget, a atividade intelectual está ligada ao funcionamento do
próprio organismo, ao desenvolvimento biológico de cada pessoa.

 Concepção da Educação Infantil

A importância de compreender o que é a educação infantil, traz a pesquisa uma grande


reflexão sobre a concepção da infância, como é necessária ser desenvolvida para que a criança
seja um ser ativo em seu meio. Para aprofundarmos os questionamentos, conceitua-se a
educação infantil como a primeira fase e a mais complexa do desenvolvimento humano em
vários aspectos, tais como intelectual, emocional, social e motor. A educação infantil segundo
a lei (13.306/2016) é formada pela creche até a pré-escola. Segundo o parecer do MEC
(Ministério da Educação), a faixa etária para ingresso na educação infantil é: Creche: 0 a 3
anos e 11 meses; Pré-escola: 4 a 5 anos e 11 meses.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) estabelece em seu art. 11, inciso V,
que os municípios incumbir-se-ão de:

Oferecer a Educação Infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade, o Ensino


Fundamental, sendo permitida a atuação em outros níveis de ensino apenas quando
estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com
recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à
manutenção e ao desenvolvimento do ensino.

Sendo assim, a educação é dever do Estado e direito de todos, sem nenhuma distinção. Por
muitos anos a educação infantil era vista apenas como um espaço onde os pais deixavam seus
filhos, enquanto trabalhavam, como cita Oliveira (2002, p. 58).

Ao longo de muitos séculos, o cuidado e a educação das crianças pequenas foram


entendidos como tarefas de responsabilidade familiar, particularmente da mãe e de
outras mulheres. O recorte em favor da família como a matriz educativa preferencial
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aparece também nas denominações das instituições de guarda e educação da


primeira infância. O termo francês creche equivale à manjedoura, presépio. O termo
italiano asilo indica um ninho que abriga. Escola materna foi outra designação usada
para referir-se ao atendimento de guarda e educação fora da família a crianças
pequenas. Até a criação de rodas – cilindros ocos de madeira, giratórios, construídos
em muros de igrejas ou hospitais de caridade que permitiam que bebês fossem neles
deixados sem que a identidade de quem os trazia precisasse ser identificada para
recolhimento dos expostos ou a deposição de crianças abandonadas em lares
substitutos, já na Idade Média e Moderna.

Com passar dos anos a educação infantil se tornou um ambiente de aprendizagem, um local
onde as crianças constroem conhecimentos, afetividade e desenvolvem sua autonomia, esse
primeiro contato da criança com a sociedade faz com que a mesma se torne um ser total e
ativo. Tanto no período da creche quanto na pré-escola, é preciso salientar a importância que
se faz em ter um profissional capacitado para educar, para isso é preciso ter em mente uma
base sólida de práticas pedagógicas e formação continuada, que devem superar a concepção
de que a função da educação infantil é simplesmente ato de cuidar.

3. PERCURSO METODOLÓGICO

 METODOLOGIA

A presente pesquisa é de cunho qualitativa com o objetivo de analisar de forma clara e


objetiva a visão dos docentes de uma instituição de ensino infantil na cidade de Maracás-Ba e
apresentados os problemas que a direcionaram, sua justificativa, relevância e objetivos,
apresentando assim, conhecimento e experiência com crianças na primeira infância. A
pesquisa é extrema relevância para o processo de aprendizagem e construção do
conhecimento, a entrevista representa uma técnica de coleta de dados na qual o pesquisador
tem um contato mais direto com a pessoa, no sentido de se inteirar de suas opiniões acerca do
assunto em pauta.

 ETAPAS DA CONSTRUÇÃO DA PESQUISA


Diante dos objetivos que foram expostos na introdução, a nossa pesquisa procura responder
de forma clara e objetiva os questionamentos que surgiram em volta do tema do artigo,
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trazendo para o enfoque, como a afetividade tem papel fundamental no processo de ensino
aprendizagem do aluno da educação infantil.
A pesquisa foi dívida em 2 partes, a primeira realizada na Creche Elvira de Sá, da rede
pública com um grupo de 3 professoras todas com formação superior em pedagogia, a
segunda foi realizada com uma Neuropsicopedagoga especializada em educação infantil. As
perguntas foram formuladas diretamente para analisar de forma geral e clara o ponto de vista
de nossas entrevistadas sobre o assunto abordado, o questionário aberto permite que cada uma
delas exponha sua opinião e propriedade do assunto. Utilizou –se como instrumento de
pesquisa dois questionários, o primeiro contendo 4 perguntas para o grupo de professoras, no
qual iremos identificá-las com P1, P2, P3. Já o segundo questionário contendo 3 perguntas,
foi elaborado com questões mais especificas para a Neuropsicopedagoga identificada com as
iniciais P. S. N.

 ANÁLISE DE DADOS

A partir de dados coletados através da pesquisa, observamos o ponto de vista das professoras
da Creche Elvira e Sá em relação a afetividade na educação infantil.

Questionário 1

I. O que representa a afetividade na fase da educação infantil?


P1: A educação infantil por si só, já é um momento encantador para qualquer professor, a
afetividade vem naturalmente com o convívio entre os alunos e professores. Por serem
crianças pequenas, temos que estar atentos a cada sinal que a crianças emana, pois é nessa
fase que se forma o sentimento afeto.
P2: Nesse período a afetividade tem o caráter de se preocupar com o aluno como ser
socioafetivo que ele é, reconhecendo sua autonomia e seu direito em ter desejos e preferências
individuais.
P3: Representa a principal ferramenta para estimular o aluno na construção do seu
conhecimento. A falta do afeto dificultaria a comunicação entre professor e aluno.

Ao analisar todas as respostas das questões I, observamos que os três professores mantem a
mesma linha de pensamento sobre o que representa a afetividade na educação infantil,
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chamando atenção para a resposta da P1, onde diz que temos que observar o que a criança
externa, vai de encontro com os estudos de Wallon (1954, P. 42), “a afetividade é a primeira
etapa de integração com o meio ambiente e a motivação primeira do movimento”. Podemos
observar que a afetividade gera sentimentos e pensamentos pelo outro.

II. O que é ser um professor afetuoso?


P1: É ser carinhoso, respeitar o espaço de fala do aluno, dar atenção ao que é dito e
demonstrado em gestos e atitudes.
P2: Ser um professor afetivo é estimular o aluno a aprender, bem como criar meios para
facilitar seu aprendizado; é entender que caso o aluno não aprenda, o professor não tem
resultado positivo em seu trabalho.
P3: Um professor afetivo é aquele que não se conforma em apenas aplicar o conteúdo, mas
que se preocupa em conferir se seus alunos absorveram o que foi aplicado.

Dentro deste questionamento, podemos observar que para os professores entrevistados, ser
profissional afetuoso vai muito além do carinho, é dar atenção para o que os alunos falam e
demonstram, isso simboliza o quanto o professor é afetuoso. A importância desse vínculo na
educação infantil principalmente, é grande pois é por meio da construção de uma relação
afetiva acolhedora que a criança se sente segura e disponível para as atividades entre pares e o
consequente desenvolvimento de suas possibilidades.

III. O que entende sobre a relação entre afetividade X prática pedagógica?


P1: Acredito que a afetividade já é uma prática pedagógica muito importante, como disse
anteriormente temos que sentir e passar o sentimento, desenvolver e trabalhar essa habilidade,
já que a escola é um ambiente em que as crianças passam a maioria do tempo. As aulas devem
ser mais dinâmicas, devemos planejar muito bem as aulas, seguindo o que cada turma “pede”,
no âmbito afetivo, social e cultural.
P2: Andam lado a lado, a prática pedagógica é desenvolvida dia a dia em sala de aula, através
de atividades e brincadeiras educativas para que seja desenvolvida o sentimento afeto que será
bagagem para toda a vida dessa criança. As aulas bem planejadas e desenvolvidas para o
contexto social de cada turma.
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P3: A afetividade deve ser usada como ferramenta facilitadora para praticar a pedagogia. Já a
prática pedagógica exige planejamento e deve ser vista como prioridade no período em que o
aluno permanece na escola.

No contexto, as três professoras têm opiniões que levam para o mesmo caminho, o
planejamento de aulas. É preciso pensar na qualidade da educação oferecida uma aula bem
planejada pensada e adaptada para o cenário de cada turma é imprescindível. Wallon, acentua
o papel da emoção, do movimento, da linguagem e do pensamento como relevante para o
desenvolvimento do ser humano e deve ser atendido pela ação pedagógica.

IV. Como o professor pode demonstrar e trabalhar a afetividade no processo


de ensino aprendizagem?
P1: Demonstrando atenção, carinho, respeito. Porque nós professores passando isso para eles
estamos formando vínculos afetivos. Brincadeiras e jogos educativos tem a intenção de
trabalhar o afeto e interagir com todos do seu meio, proporcionando também a autonomia da
criança.
P2: Acredito que praticando a afetividade com êxito, estimulando o aluno a ir mais longe, a
vencer os desafios que a primeira infância impõe, como a vergonha, medo.... Observo o
resultado desses estímulos no rendimento da aprendizagem dos meus alunos e na minha
relação com os pais dos mesmos. Posso notar a confiança que emana dos pais dos alunos em
relação ao meu trabalho na educação dos seus filhos.
P3: Trabalhando dia a dia com atividades e brincadeiras educativas. Sinto a reciprocidade do
afeto que passo para meus alunos. Vejo o desenvolvimento de cada um individual e
coletivamente. Acredito que a melhor forma de despertar o desenvolvimento na aprendizagem
é estimulando os alunos, ainda mais alunos pequenos, eles precisam ser estimulados dia a dia.

Diante das respostas dos professores, percebe-se que para P2 e P3 a palavra-chave é estimulo,
indo por essa linha de pensamento, podemos perceber que para elas o desenvolvimento
cognitivo e afeto depende do quanto essa criança é estimulada a vencer desafios. Sendo base
do desenvolvimento o raciocínio, inteligência emocional, autoestima, essa base tem que ser
bem solida, já que a primeira infância determina o cidadão que essa criança será no futuro.
Dessa forma, como afirma Galvão (2000, p.40): “A determinação recíproca que se estabelece
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entre as condutas da criança e os recursos de seu meio imprime um caráter de extrema


relatividade ao processo de desenvolvimento.”

Questionário 2

o Quais os benefícios observados ao utilizar a afetividade no processo de ensino e


aprendizagem?
P. S. N.: Acredito que a afetividade é de extrema importância no processo de ensino
aprendizagem, pois ela impulsiona e motiva o aluno ao ato de aprender, desta forma entendo a
importância do afeto em sala de aula como um sucesso escolar.

o Qual o seu papel como professora em relação a afetividade escolar?


P. S. N.: Como afirmou Dr. Gabriel Chalita, a solução da educação está no afeto. Professor
precisa conhecer seu aluno, dialogar, ouvir. Eu, professora entendo que é de suma importância
para o desenvolvimento e construção do conhecimento que se trabalhe a afetividade.

o Como orientar um pedagogo a trabalhar o afeto na educação infantil?


P. S. N.: Acredito que para um pedagogo fazer um ótimo trabalho na educação infantil, ele
precisa ser parceiro da família e conquistar seu aluno de forma afetiva demostrando carinho e
atenção a todo instante de maneira lúdica sendo que criança só aprendem com repetições.
Sendo assim o lúdico e afetividade precisam andar juntas.

Em todas as respostas a neuropsicopedagoga P. S. N. salienta a importância do afeto na vida


escolar do aluno e na prática pedagógica dos docentes, em destaque, a resposta dela reforça o
pensamento das professoras entrevistadas acima, afirma que o professor precisa conhecer seus
alunos, o que diz a teoria walloniana, segundo Almeida (2004, p.126),

Como tudo que ocorre com a pessoa tem um lastro afetivo, e a afetividade tem em
sua base a emoção que é corpórea, concreta, visível, contagiosa, o professor pode ler
o seu aluno: o olhar, a tonicidade, o cansaço, a atenção, o interesse, são indicadores

do andamento do processo de ensino que está oferecendo.


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Essa teoria prioriza o papel do professor em todas as etapas da vida escolar do aluno, o olhar
do professor para o aluno integralmente na realidade na qual a criança pertence, fortalece o
vínculo afetuoso, o que gera muito mais confiança e facilita as práticas pedagógicas a serem
desenvolvidas, lembrando sempre que cada criança tem seu tempo, desenvolvendo-se em
etapas que podem ser diferentes aos demais, nenhum ser é igual. Ela cita também a forma
com que a educação infantil deve ser trabalhada, não trazendo só o romantismo que essa etapa
trás naturalmente, mas visando as práticas adequadas para o desenvolvimento dos alunos.

CONCLUSÃO

Sendo a afetividade a energia que dá direção e motivação ao aluno no ato de aprender,


focamos nossa pesquisa na importância dessa ferramenta, na maneira de utilização da mesma
e nos resultados positivo da sua aplicação. Ressaltando que o afeto deve ser aplicado de
maneira correta, pois deve ficar claro que a função do professor é de mediador entre a criança
e o conhecimento, o afeto é para que a criança se sinta acolhida.
A fundamentação teórica argumentada nesse artigo possibilitou compreender o conceito e a
importância da afetividade no processo de ensino aprendizagem na educação infantil.
Trouxemos a concepção de autores como Wallon, Piaget, Lev Vygotsky dentre outros, que
são referência e que deram enfoque a prática da afetividade na vida escolar partindo da
primeira infância, efetivando assim, o conhecimento em práticas pedagógicas que estimulam
o desenvolvimento da criança. Conforme a teoria de Wallon, em todos os estágios do
desenvolvimento humano o afeto está presente, na interação social e cultural do indivíduo.
Vygotsky (1993), propõe uma visão de homem como sujeito social e em interação constante
com o meio. Segundo Vygotsky, a afetividade é um domínio funcional, cujo desenvolvimento
depende da ação de dois fatores: O orgânico e o social. Para Piaget, as noções de equilíbrio e
desequilíbrio tem uma importância essencial no ponto afetivo e cognitivo, levando o mesmo a
refletir sobre os processos de assimilação e acomodação afetivas.
Concluímos que tanto Wallon, Piaget, Vygotsky, entre outros, argumentaram a necessidade da
afetividade, os resultados mostram que além de mediar o aprendizado, torna-se possível
facilitar as relações interpessoais, fortalecendo os vínculos de generosidade, confiança,
respeito, amizade e solidariedade. É imprescindível lembrar que é de total importância no
processo do ensino aprendizagem.
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O questionário aplicado a docentes foi uma excelente ferramenta para analisar a forma de
pensamento de cada uma, sobre afetividade na vida escolar dos alunos, tornando assim nossa
pesquisa mais objetiva. Compreendendo que atualmente o conceito de educar, não funciona
mais tendo o professor como único detentor do conhecimento, mas como mediador que ajuda
o aluno a aprender e que também aprende com ele. Trouxemos também para embasar a
importância da afetividade na educação infantil a fala da neuropsicopedagoga P. S. N.,
reproduzida em três perguntas sobre a prática do afeto na vida do professor e aluno. Em suas
respostas, a neuropsicopegadoga entrevistada trouxe o enfoque para a importância da
afetividade, deixando claro que seu trabalho é sustentado por essa ferramenta. E defendeu sua
crença de que para um pedagogo efetuar um trabalho de excelência ele precisa ser parceiro do
aluno e da família.
A pesquisa realizada foi essencial para obter dados, visando o ponto de vista de cada docente
entrevistada, os objetivos principais e específicos foram atingidos e as descobertas feitas
através dessa pesquisa ampliou a certeza de que o afeto demonstrado de maneira correta é
uma ferramenta indispensável na educação infantil. Pois a família e a escola são os principais
responsáveis pelo papel de socialização da criança, por isso é necessário haver harmonia entre
a família e a escola no processo de socialização da criança.
Por fim, o presente artigo tem como papel principal enriquecer a formação de professores,
ampliando os métodos utilizados para ajudar os educandos a absorver conhecimento. O
primeiro passo para melhorar a aprendizagem é encorajar os alunos a mudarem a visão em
relação ao professor, isso pode ser feito através do afeto. O professor parceiro cria no aluno
uma ligação de confiança, tornando mais fácil o diálogo entre ambos. Vale lembrar que,
incluir, estimular e elaborar atividades extracurriculares, além de ser demonstrado de afeto é
também uma forma de melhor o aprendizado do aluno.
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REFERÊNCIAS

BRASIL ESCOLA. A IMPORTÂNCIA DA AFETIVIDADE NA RELAÇÃO


PROFESSOR-ALUNO. Disponível em:
https://monografias.brasilescola.uol.com.br/pedagogia/a-importancia-afetividade-na-relacao-
professor-aluno.htm. Acesso em: 25 abr. 2020.

INSTAGRAM. Clinica sintonia _ afetividade. Disponível em:


https://ingram.ws/profile/clinica_sintonia/4471971709. Acesso em: 1 abr. 2020.

PASSEI DIRETO. TCC afetividade na educação infantil. Disponível em:


https://www.passeidireto.com/arquivo/72104211/2016-amanda-de-oliveira-mariano-tcc/2.
Acesso em: 2 abr. 2020.

SANTOS, K. C. D. C. S. EDUCAÇÃO INCLUSIVA AFETIVA E SUAS ESTRATÉGIAS


PEDAGÓGICAS: educação inclusiva. EDUCAÇÃO INCLUSIVA AFETIVA E SUAS
ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 1-41, dez. /2018. Disponível
em: <https://www.avm.edu.br/docpdf/monografias publicadas/K237474.pdf>. Acesso em: 22
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