Você está na página 1de 13

Vamos agir! Receba os textos e observe atentamente as questões que os seguem.

É
essencial estudar cada texto e cada questão com toda honestidade, sem buscar
compulsivamente a resposta certa (ou, a que imagina ser a que espero).
Por favor, identifique-se nesse arquivo - com nome, curso e período – e indique a
opção na tabela que se encontra no final.
Obrigado!!! Cuide-se!!!

Violência contra a mulher, Estado “mete a colher”

“A violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer.” Palavra de


ordem tradicional das passeatas e manifestações do movimento feminista em todo o
Brasil, essa frase mostra que o anseio por construir uma sociedade sem violência
doméstica ainda é tema principal para as mulheres.
Segundo pesquisa Ibope e Instituto Patrícia Galvão, de 2006, 33% dos
entrevistados apontam a violência contra a mulher, dentro e fora de casa, como o
problema que mais preocupa a brasileira na atualidade.
Em 2001, quando a Fundação Perseu Abramo realizou a primeira investigação
com abrangência nacional sobre a vida das mulheres brasileiras, os números já
indicavam uma situação alarmante: a cada 15 segundos, uma mulher era espancada
no Brasil. Depois da pesquisa “A Mulher Brasileira nos Espaços Públicos e Privados”,
outras foram feitas e os números mostram que a realidade da violência doméstica não
mudou. Pesquisa realizada este ano pelo ‘DataSenado’ constata que, em cada cem
mulheres brasileiras, quinze vivem ou já viveram algum tipo de violência doméstica.
Não adianta justificar, como fazem alguns legisladores e chefes do Executivo,
que toda a sociedade está mais violenta no geral ou que as mulheres estão “entrando”
cada dia mais no mundo do crime. As mulheres continuam apanhando, são xingadas,
espancadas e mortas, em sua grande maioria, dentro de casa, e os criminosos são
homens da sua confiança: companheiro, marido, pai ou namorado.
Teoria e Debate, n. 74, nov./dez. 2007. (adaptado)

QUESTÃO 01 - Com base na leitura desse texto, é CORRETO afirmar que:


a) a maioria dos entrevistados pelo Ibope e Instituto Patrícia Galvão, em 2006,
apontou a violência doméstica como o principal problema brasileiro da atualidade.
b) a pesquisa do ‘DataSenado’ constatou que quinze, em cada grupo de cem mulheres,
já sofreram algum tipo de violência dentro e fora do lar.
c) a violência contra a mulher, independentemente das explicações de certas
autoridades, é uma realidade no Brasil e que ultrapassa o espaço doméstico.
d) os agressores, segundo as pesquisas feitas, são, num percentual de 33%, homens
com os quais as mulheres agredidas mantêm laços conjugais.
e) após a pesquisa A Mulher Brasileira nos Espaços Públicos e Privados, outros projetos
mostraram alterações na realidade da violência doméstica.

Para responder às questões 02, 03 e 04, leia a crítica do Sentido comum ligado aos
meios de comunicação, segundo o escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta
português José Saramago.

Sentido comum
(por José Saramago)

Os meios de comunicação de todo o mundo publicaram a notícia: ‘Obama proclama o


fim das barreiras ideológicas para avançar na investigação de doenças que são
autênticos martírios para seres humanos’. Uns destacam a decisão do Presidente
Obama de basear as decisões científicas na ciência, em relatórios de cientistas com
credenciais e experiência, e não pela sua filiação política ou ideologia. Palavra mais ou
palavra menos, Obama considera que suprimir ou alterar descobertas ou conclusões
científicas ou tecnológicas baseando-se em ideias ou crenças é pecar contra a
honestidade. Para outros, no entanto, o pecado é investigar com células-mãe, por isso
o diário do vaticano, ‘L’Osservatore Romano’, recordava logo a seguir que o
reconhecimento da dignidade pessoal deve ser estendido a todas as fases da existência
do ser humano, signifique isso o que signifique, enquanto os bispos dos Estados
Unidos diziam que era uma triste vitória da política sobre a ciência e a ética, e isto,
definitivamente, já não sabemos o que significa, porque haveria que jogar com
variáveis como dogmas, fé, mistérios, muito para esta hora.
Mas, já que estamos em ambiente religioso, tenho de confessar que o que havia de ter
gostado de ler hoje seriam as manifestações de alegria da legião de pessoas afectadas
por doenças como a ‘alzheimer’, a ‘parkinson’ ou a ‘diabetes’. Que grande dia para
eles, que grande dia para o sentido comum.
Fonte: http://caderno.josesaramago.org/2009/03/11/sentido-comum/ - 18/3/2009 -
adaptado.
QUESTÃO 02 – Conforme argumento e crítica do escritor José Saramago, a
proclamação do presidente dos Estados Unidos – Barack Obama – divulgada em todo
mundo, conforme contexto, pode estar associada:
a) à preocupação com pessoas afetadas (ou afectadas, em Portugal) por doenças.
b) à preocupação com ideias ou crenças que podem pecar contra a honestidade social.
c) ao discurso da filiação política e ideológica, publicado nos meios de comunicação.
d) ao fim das barreiras ideológicas para avançar na investigação de doenças, martírios
dos seres humanos.
e) aos dogmas, à fé e aos mistérios religiosos de seu país.
QUESTÃO 03 - As células-mãe, também conhecidas como células-tronco, são tipos de
células que possuem a melhor capacidade de se dividir, dando origem a células
semelhantes às progenitoras. Transplantes com sangue cordão para aplicações
terapêuticas de doenças, clonagens etc., são exemplos para célula-mãe.
Fontes: http://www.santiagosalud.com/br/noticias/?stat=detnot&noticiaID=205/http://www.santiagosalud.com/br/noticias/?
stat=detnot&noticiaID=205 – adaptados – 11/11/2009.

Aparentemente, de acordo com o contexto, cada fator social questiona e contradiz o


propósito ético-científico da utilização das células-mãe em todo público, EXCETO:
a) alguns dogmas religiosos.
b) o diário do vaticano, ‘L’Osservatore Romano’.
c) Bispos dos Estados Unidos.
d) fator ligado à fé, de acordo com questões religiosas.
e) fator ligado aos mistérios, conforme religiosidades e fatores socioculturais.

QUESTÃO 04 - O título Sentido comum, comparado às últimas frases da crônica – Que


grande dia para eles, que grande dia para o sentido comum – e o contexto, PODE ser
inferido como:
a) experiência quotidiana relacionada aos martírios das doenças, conforme exemplos
citados: alzheimer, parkinson e diabetes.
b) experiência quotidiana relacionada aos discursos políticos relacionados às
proclamações dos falantes (líderes) e ouvintes/leitores (cidadãos, público-alvo).
c) experiência quotidiana ligada aos mistérios religiosos, que englobam os mistérios, a
fé, os dogmas e os valores da vida de cada cidadão no foco sociocultural.
d) experiência quotidiana do presidente dos Estados Unidos – Barack Obama –,
conforme discursos divulgados e proclamados em todos os jornais do mundo.
e) experiência quotidiana relacionada às várias realidades dos meios de comunicação
(discursos) em vários grupos sociais, como a política, a religião e a saúde.

Observou que para alcançar a expectativa de quem elaborou as questões anteriores


você precisa distinguir os pontos de vista de enunciação, os posicionamentos
enunciativos, no texto apresentado?

Analise a charge para responder às questões 05, 06 e 07.

Fonte: http://www.humortadela.com.br/humor/0/index2.php - 12/11/2009 - adaptado.

QUESTÃO 05 - Pelo fato de uma charge constituir um estilo de ilustração que tem por
intencionalidade satirizar – por meio de uma caricatura – algum acontecimento atual
com um ou mais personagens envolvidos, para inferir o modelo exposto na charge,
DEVEMOS observar, principalmente:
a) a linguagem verbal e a linguagem não-verbal nas expressões comunicativas dos
personagens.
b) o discurso direto nas reproduções de maneira direta nas falas dos protagonistas.
c) as linguagens cultas (formais) e as coloquiais (informais/populares) utilizadas entre
os personagens.
d) as figuras fonéticas, como assonância e aliteração, conforme os sons destacados.
e) a ambiguidade, pela possibilidade de uma mensagem apresentar dois sentidos.

QUESTÃO 06 - O discurso exposto na charge, mostrando que o personagem palhaço


odeia filme de comédia, conforme as falas (balõezinhos) e características imagéticas,
PERMITE-NOS inferir que
a) devemos gostar de outros filmes, como o romântico, relacionado à conquista de
nosso (a) acompanhante ao cinema.
b) cada pessoa gosta de um tipo de filme, conforme questões socioculturais, éticas e
de costume.
c) queremos, às vezes, conquistar determinado (a) acompanhante para um passeio ou
até mesmo para uma balada, valorizando o nosso gosto intelectual.
d) queremos, às vezes, ficar distantes das cenas associadas às atividades cansativas,
como realizadas em nosso próprio trabalho.
e) as pessoas, geralmente, não gostam de filmes de comédia, pelo fato de ser, muitas
vezes, enfadonhos e maçantes.
QUESTÃO 07 – Conjunção: palavras invariáveis que servem para conectar orações ou
dois termos de mesma função sintática, estabelecendo entre eles uma relação de
dependência ou de simples coordenação.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Conjunção - 12/11/2009 - adaptado.
A conjunção mas, contida na fala do personagem palhaço na charge acima, mostrando
certo contraste entre as unidades ligadas (e não uma explicação), poderia ser
substituída por outra conjunção e manter o mesmo sentido do enunciado, pela palavra
a) portanto.
b) como.
c) entretanto.
d) conforme.
e) pois.

Já nestas três questões você precisou confrontar pontos de vista na enunciação em


uma manifestação da linguagem verbal e da linguagem não-verbal. Percebeu, nesta
forma discursiva, as relações sintáticas e semânticas estabelecidas pelas palavras
relacionais (conjunções) nos sintagmas compondo o todo enunciado. Percebeu sua
atitude gramaticalizada? Vamos progredir, então!

Prazer da Vitória

Todos nós sabemos bem o que é sentir vontade de vencer. É um instinto que
ao longo de milhões de anos tem ajudado a manter viva a espécie humana.
Mas você já parou para se perguntar por que é tão bom sair ganhando? E por
que perder é tão ruim? Por que o gosto da derrota é tão amargo?
(...)
No mundo inteiro, desde o início dos tempos, estamos sempre lutando para
evoluir. A vontade de vencer, evitando a derrota a qualquer custo, é um dos aspectos
mais extraordinários da cultura humana.
Essa característica é algo que surgiu cerca de 3 milhões de anos atrás, nas
savanas da África. Foi lá que os nossos ancestrais deram seus primeiros passos.
O australopitecus foi o verdadeiro homem das cavernas. Foi o primeiro dos nossos
ancestrais a enfrentar um dilema existencial, do tipo “ser ou não ser, eis a questão”.
Foi ele quem teve a ideia brilhante de andar com apenas duas patas. Isso fez toda a
diferença.
O australopitecus tinha pouco menos de um metro e meio de altura e tinha o
hábito de sair das cavernas de vez em quando e dar umas voltinhas pela savana. Mas
sempre em grupo, porque o mundo, naquela época, já era bem perigoso. Sabe a
expressão "Lei da selva"? Pois é, vem daquele tempo.
A gente tem muita coisa em comum com ele. Principalmente os instintos
básicos de sobrevivência, sexo e competição.
Três milhões de anos depois, o australopitecus não existe mais. Mas o instinto
de competição dele sobrevive dentro de nós, por uma razão simples: nossos corpos
foram feitos para sentir enorme satisfação quando temos sucesso. Seja quando
conseguimos um emprego, ganhamos uma medalha de ouro, ou somos os primeiros
alunos da turma, a reação é sempre a mesma: quando estamos próximos de uma
conquista, corpo e cérebro conspiram para que o sabor da vitória seja doce.
A partir do momento em que sentimos que a vitória é quase certa, nossos
reflexos ficam mais rápidos, a capacidade de concentração aumenta, e nos sentimos
invencíveis. Quando a vitória já está garantida, é que vem a recompensa.
Uma substância chamada dopamina toma conta de nossos cérebros, nos
dando uma profunda sensação de bem-estar. Em seguida, as endorfinas entram em
cena. Elas são substâncias naturais capazes de anestesiar a dor do combate e aliviar a
exaustão.
Com a combinação das duas, nos sentimos eufóricos, é um barato natural.
As endorfinas têm um efeito tão poderoso que, mesmo se o boxeador tiver
quebrado uma costela, ele nem vai sentir nada ali, no calor da luta. As endorfinas
impedem que os sinais de dor cheguem ao cérebro.
A adrenalina produzida pelas glândulas adrenais, junto aos rins, e a
testosterona, o hormônio masculino, também fazem parte desse coquetel de drogas
naturais: são elas que nos dão força para lutar com plena capacidade cardiovascular.
A liberação de todas essas substâncias químicas nos nossos cérebros em
momentos de vitória não deixa dúvidas: nossos corpos foram feitos para sentir o
profundo prazer da conquista.
Mas nossos instintos se desenvolveram de forma inteligente. Você já reparou
que, em geral, a gente sabe a hora de comprar uma briga? Não dá pra competir o
tempo todo, não é?
Quem não gosta de vencer? Mas competir, competir e competir, sem parar, é
cansativo. É preciso muito esforço, tempo e uma boa dose de risco.
Para os nossos ancestrais que viviam nas savanas, perder uma batalha era
fatal. Por isso, nos dias de hoje, temos esse luxo que é escolher os nossos adversários.
Competir, apenas quando a chance de vencer é grande, e evitar o conflito quando
necessário.
Mas na vida, se um rival parece maior, mais forte, ou mais rápido, a gente às
vezes é obrigado admitir que perdeu.
Mas também tem aqueles momentos em que a gente sabe que não tem para
ninguém, que a vitória é nossa e ninguém tasca.
Geralmente acontece quando sabemos quem é o nosso adversário. Que pode
ser um colega de trabalho, um vizinho, ou amigo. É um comportamento que evoluiu ao
longo dos tempos. Nossos ancestrais das savanas aprenderam rapidinho a não entrar
em briga que não dá para ganhar.

06/ 03/ 2005 http://fantastico.globo.com/Fantastico/0,19125,TFA0-2142-5907-205891,00.html

QUESTÃO 08 - Segundo o texto é INCORRETO afirmar que:


a) A sobrevivência da espécie nem sempre esteve diretamente relacionada com a
vontade de viver do homem.
b) O organismo desencadeia um complexo ritual responsável pela sensação agradável
da vitória.
c) O protótipo humano que sobreviveu nas savanas africanas enfrentava em conjunto
as adversidades do meio.
d) A possibilidade de poder escolher hoje entre competir e evitar o conflito tem
explicações na origem da espécie.
e) A condição humana de hoje andar sobre dois pés foi uma brilhante idéia do
australopitecus.

QUESTÃO 09 - Das alternativas abaixo, assinale a que NÃO indica uma avaliação do
locutor do texto:
a) “A vontade de viver... é um dos aspectos mais extraordinários da cultura humana.”
(linhas 6 e 7 )
b) “Foi ele quem teve a idéia brilhante de andar com apenas duas patas”.(linhas 12 e
13)
c) “Isso fez toda a diferença”.(linha 13)
d) “Elas são substâncias naturais capazes de anestesiar a dor do combate e aliviar a
exaustão”.(linhas 30 e 31)
e) “Nossos ancestrais das savanas aprenderam rapidinho a não entrar em briga...”
(linhas 53 e 54)

QUESTÃO 10 - Analise a linguagem das alternativas abaixo e assinale aquela que


representa a norma-padrão:
a) “Sabe a expressão” Lei da Selva”? Pois é, vem daquele tempo.” (linhas 16 e 17)
b) “A gente tem muita coisa em comum com ele”.(linha 18)
c) “Não dá pra competir o tempo todo, não é?” (linha 42)
d) “Para os nossos ancestrais, que viviam nas savanas, perder uma batalha era fatal”.
(linha 42)
e) “Mas também tem aqueles momentos em que a gente sabe que...” (linha 50)

QUESTÃO 11 - A situação comunicativa deve orientar a produção e a interpretação de


texto. Observando os fatores de contextualização, pode-se afirmar que esse texto foi
produzido com a intenção de ser apresentado oralmente ao público-alvo. Marque a
alternativa que melhor ilustra a assertiva anterior:
a) “O dono desse crânio aqui era o cara mais inteligente da savana”.(linha 10)
b) “... a enfrentar um dilema existencial, do tipo “ser ou não ser, eis a questão.”(linhas
11 e 12)”.
c) “Quando a vitória já está garantida, é que vem a recompensa”.(linhas 26 e 27).
d) “Você já reparou que, em geral, a gente sabe a hora de comprar uma briga?”
(linhas 41 e 42)
e) “Mas competir, competir e competir, sem parar, é cansativo”.(linha 43)

QUESTÃO 12 - “Competir apenas quando a chance de vencer é grande e evitar o


conflito quando necessário”.
O termo apenas, neste fragmento, estabelece relação lógico-semântica de:
a) exclusão
b) adição
c) contraste
d) consecução
e) inclusão

QUESTÃO 13 - A alternativa em que se destaca INCORRETAMENTE a expressão a que


se refere o termo sublinhado é:
a) “Foi lá que os nossos ancestrais deram seus primeiros passos.” (linha 9 ) lá =
savanas da África
b) “Isso fez toda a diferença.” (linha 13 ) isso = a brilhante idéia de andar sobre duas
patas
c) “... são elas que nos dão força para lutar...” (linhas 37 e 38) elas = drogas naturais
d) “... temos esse luxo que é escolher nossos adversários.” (linha 46) que = esse luxo
e) “ Nossos ancestrais da savana aprenderam ...” (linhas 53 e 54) nossos = do locutor
do texto

QUESTÃO 14 - Complete as lacunas das frases com o relativo adequado, precedido de


preposição, se necessário. Em seguida, assinale a alternativa correta, segundo a norma
padrão:
1. É um instinto.........................o homem sobrevive há séculos.
2. Há instantes.........................sabemos que a vitória é nossa.
3. Este é o australopitecus......................... crânio saiu a brilhante idéia de andar sobre
duas patas.
4. A vida na savana.........................viveram os nossos ancestrais era dura.
5. Os ancestrais......................... nos referimos viveram há milhões de anos.

a) segundo o qual, em que, de cujo, onde, a quem


b) pelo qual, em que, cujo, onde, a que
c) com o qual, que, do qual, aonde, a quem
d) segundo que, em que, de cujo, aonde, de quem
e) através do qual, onde, de cujo, onde, a quem.

QUESTÃO 15 - Em todas as alternativas, aparece uma oração adjetiva introduzida pelo


relativo que, EXCETO:
a) “Essa característica é algo que surgiu cerca de 3 milhões de anos atrás...” (linha 8)
b) “Quando a vitória está garantida, é que vem a recompensa”.(linhas 26 e 27)
c) “... são elas que nos dão força para lutar com plena capacidade cardiovascular”.
(linhas 37 e 38)
d) “Para os nossos ancestrais que viviam nas savanas, perder...” (linha 45)
e) “É um comportamento que evoluiu ao longo dos tempos”.(linha 53)

QUESTÃO 16 - Assinale a alternativa em que o articulador sintático destacado NÃO


estabelece a relação semântica indicada entre parênteses:
a) “Mas sempre em grupo, porque o mundo, naquela época, já era bem perigoso.”
(linhas 15 e 16) causa
b) “Mas o instinto de competição dele sobrevive dentro de nós...” (linhas 20 e 21)
contraste
c) ...”...corpo e cérebro conspiram para que o sabor da vitória seja doce.” (linha 24 )
finalidade
d) “Quando a vitória já está garantida, é que vem a recompensa.” (linha 26 e 27 )
tempo
e) “As endorfinas têm um efeito tão poderoso que, mesmo se o boxeador...” (linha
33) concessão

QUESTÃO 17 - “Por isso, nos dias de hoje, temos esse luxo que é escolher os nossos
adversários”
Assinale a ÚNICA afirmativa possível acerca do conector em destaque no fragmento
abaixo:
a) Estabelece uma relação de caráter explicativo para a afirmação anterior.
b) Pode ser substituída por porque sem causar alteração semântica.
c) Estabelece uma relação de caráter consecutivo em relação à afirmação anterior.
d) Foi mal-empregado, pois não estabelece a relação semântica pretendida.
e) Caracteriza uma relação de temporalidade entre as passagens ligadas por ele.
Notas sobre Cinema
Lya Luft

Antes que alguém tresleia, explico que não entendo de cinema, não sou
cinéfila, não sei citar diretores nem produtores, apenas freqüento cinemas como
qualquer mortal. Há filmes que a crítica malha e me agradam, há filmes que a crítica
dita sofisticada endeusa e me entediam. Como passo os dias neste computador
lidando com reflexão, destino, personagens, tramas, não curto demais, fora desta casa,
nada tão hermético que nem o próprio diretor ou roteirista entendem. Dito isso, vou
escrever aqui sobre o que mexeu comigo em dois filmes recentes.
O primeiro foi Closer, que de “Mais perto” resolveram traduzir como Perto
Demais. Tinham-me falado do filme de várias maneiras: muitas mulheres dizendo que
ele mostrava mais uma vez que “homens não prestam, são todos infantis e boçais”;
outros, que revelava a diferença abissal entre masculino e feminino – isso me
interessou, pois um de meus projetos atuais de trabalho é um pequeno ensaio sobre o
assunto fascinante.
Seja como for, assisti sem esperar nem grande decepção nem maior entusiasmo. Ao
sair me perguntei: de que, resumidamente, trata esse filme? Perto Demais trata de
desencontro e solidão. De incomunicabilidade. De futilidade, de não-entrega. O que
menos se aborda ali é amor
Nada vi de diferenças marcantes entre masculino e feminino: ao contrário,
todo mundo está com alguém, mas de olho no outro, e tanto faz qual o sexo de quem;
saboreando um, espreita o vizinho. Perto Demais retrata, entre muitos, um aspecto
marcante do nosso tempo: a superficialidade e o hedonismo burro com que tantas
vezes nos desperdiçamos.
Menina de Ouro me desagradaria de saída, pois detesto violência, sobretudo
física, e nunca entendi como se pode ferir e deixar-se ferir enquanto outros seres
humanos em torno torcem como se fossem todos, no ringue e fora dele, animais
Por outro lado, o tema da eutanásia é difícil, duro, e a algumas pessoas toca muito
de perto: por exemplo, a quem eventualmente assistiu, ano após ano, à
deterioração mental e física de uma pessoa amada, indizível sofrimento. Bom para
provocar os falsos moralistas no mundo inteiro.
Mas o diretor Clint Eastwood disse numa entrevista que não quis fazer um
filme sobre boxe nem sobre eutanásia. Fez um filme sobre a precariedade da vida, e
sobre os sentimentos humanos. Para quem escreve sobre eles e sobre família em
especial, o filme provocou um mar de reflexões.
O treinador, culpado, batendo anos a fio à porta de uma filha rancorosa que
lhe devolvia pontualmente as cartas, encontrou na jovem boxeadora alguém que
soube valorizá-lo, que precisava dele, e que lhe deu tudo o que a sua filha de sangue
negava. Para a moça, solitária e desamada, o velho treinador, fingidamente frio e
crítico, foi a família que ela não teve. Ou melhor: tinha, mas antes não existisse, pois
era fria, aproveitadora, ridicularizando seus esforços e ignorando seus sentimentos.
Mocinha e treinador jogavam pérolas a porcos. A vida lhes deu uma chance
de escolher algo mais, na arguta e comovida visão de Clint Eastwood, a quem a
passagem do tempo foi extremamente favorável. Os obcecados pela beleza física e
pela eterna juventude dirão que ele está enrugado, feioso, torto até - mas que ator. E
que diretor. Que abrangência de talentos, pois até da trilha musical ele cuida. Grande
filme sobre dois grandes personagens, aparentemente fracassados, mas poderosos na
sua generosidade em dar e aceitar amor. Boa sugestão: transformou-se o desperdício
em generosa troca.
Veja. São Paulo. Abril, Ed.1895, 09/03/2005 Ponto de Vista, p. 22

QUESTÃO 18 - Em todas as alternativas, o significado das palavras destacadas foi


indicado corretamente, EXCETO:
a) “...não curto demais, fora desta casa, nada tão hermético...” (linhas 8 a 10) de
difícil compreensão
b) “...outros, que revelava a diferença abissal entre masculino e feminino...” (linhas 18
e 19) enorme
c) “...saboreando um , espreita o vizinho.” (linhas 32 e 33) vigia
d) “..um aspecto marcante do nosso tempo: a superficialidade e o hedonismo
burro...” (linhas 34 e 35) a busca do prazer
e) “A vida lhes deu uma chance de escolher algo mais, na arguta e comovida visão...”
(linhas 68 e 69) entediante.

QUESTÃO 19 - A partir da leitura do texto é INCORRETO afirmar que:


a) O locutor se revela uma pessoa humilde quando confessa que entende de cinema
tanto quanto qualquer pessoa do povo.
b) A tradução não-literal de Closer para Perto Demais, ao invés de Mais Perto, já
prenuncia a promiscuidade que permeia o enredo.
c) Os dois temas abordados em Menina de Ouro, violência e eutanásia, tocam o
locutor do texto profundamente, mas de forma diferente.
d) O filme Menina de Ouro, na visão do diretor, mais que sobre boxe e eutanásia, fala
sobre os sentimentos humanos, vivenciados na família.
e) O locutor do texto avalia positivamente os filmes, ambos tratando de
relacionamento humano, embora fazendo abordagens por enfoques diferentes.

QUESTÃO 20 - As passagens abaixo contêm termos não literais, EXCETO:


a) “... todo mundo está com alguém, mas de olho no outro, (...) saboreando um,
espreita o vizinho” (linhas 30 a 33)
b) “Menina de Ouro me desagradaria de saída, pois detesto a violência...” (linhas 37 e
38)
c) “Bom para provocar os falsos moralistas no mundo inteiro”.(linhas 46 a 48)
d) “Para quem escreve sobre eles e sobre família em especial, o filme provocou um
mar de reflexões”.(linhas 53 a 55)
e) “Mocinha e treinador jogavam pérolas a porcos”.(linhas 67 e 68)

QUESTÃO 21 - Assinale o comentário CORRETO em relação ao texto:


a) O texto foi escrito, em grande parte, baseando a autora em sua experiência como
cinéfila.
b) A autora, com o objetivo de tornar a sua linguagem mais clara e popular, abusou
do coloquialismo.
c) A autora associou a eutanásia à vivência de quem assistiu à deterioração de um
ente querido.
d) A metalinguagem foi utilizada no texto com o objetivo de facilitar o entendimento
do leitor.
e) A ausência de polifonia faz com que o leitor conviva com a visão de um único
enunciador.

QUESTÃO 22 - Lya Luft, ao construir esse texto, explorou bastante a oposição de idéias.
Todas as alternativas abaixo confirmam a afirmativa anterior, EXCETO:
a) “Há filmes que a crítica malha e me agradam, há filmes que a crítica dita sofisticada
endeusa e me entediam. (linhas 4 a 6)
b) “Seja como for, assisti sem esperar nem grande decepção nem maior entusiasmo”.
(linhas 23 e 24)
c) “... batendo anos a fio à porta de uma filha rancorosa... encontrou na jovem
boxeadora alguém que soube valorizá-lo...” (linhas 56 e 59)
d) “Para a moça, solitária e desamada, o velho treinador, fingidamente frio e crítico,
foi a família que ela não teve.” (linhas 61 a 63)
e) “... dois grandes personagens, aparentemente fracassados, mas poderosos na sua
generosidade em dar e aceitar amor”.(linhas 76 a 78)

QUESTÃO 23 - Em todas as alternativas, a relação lógico-semântica das orações foi


corretamente indicada, EXCETO:
a) “..apenas freqüento cinema como qualquer mortal.” (linhas 3 e 4) comparação
b) “Como passo os dias nesse computador...não curto demais...” (linhas 7 e 8)
conformidade
c) “...não curto demais, fora desta casa, nada tão hermético que nem o próprio diretor
ou roteirista entendem.” (linhas 8 e 10) consequência
d) “..isso me interessou, pois um de meus projetos atuais de trabalho é um pequeno
ensaio sobre assunto fascinante.” (linhas 19 e 23) causa
e) “... e deixar-se ferir enquanto outros seres humanos em torno torcem...” a tempo.

QUESTÃO 24 - Marque a opção em que a oração destacada NÃO serviu para ampliar o
sentido de um nome:
a) “Antes que alguém tresleia, explico que não entendo de cinema...” (linhas 1 e 2)
b) “Há filmes que a crítica malha e me agradam...” (linhas 4 e 5)
c) “... e o hedonismo burro com que tantas vezes nos desperdiçamos”.(linhas 35 e 36)
d) “... encontrou na jovem boxeadora alguém que soube valoriza-lo...” (linhas 58 e 59)
e) “... na arguta e comovida visão de Clint Eastwood, a quem a passagem do tempo foi
extremamente favorável”.(linhas 69 a 71)

QUESTÃO 25- Recentemente tentou-se criar uma agência nacional para regular as
produções artístico-culturais no país (ANCINAVE). Imaginemos que a ANCINAVE tenha
se tornado realidade e que a autora tenha remetido a ela um requerimento solicitando
a tomada de algumas providências em relação aos filmes Menina de Ouro e Perto
Demais.
Assinale a alternativa que NÃO estaria adequada para compor tal requerimento,
observando a correção:
a) Eu, Lya Luft, cidadã brasileira, não entendo de crítica de cinema, não conheço os
responsáveis pela produção cinematográfica, apenas assisto aos filmes como
qualquer pessoa.
b) Constatei, satisfeita, que as cenas intrigantes que houve em Perto Demais
despertaram reflexões acerca da superficialidade e da intensa busca de prazer que
marcam a nossa sociedade.
c) A mídia divulgou que, com o filme Menina de Ouro, bateu-se vários récordes de
bilheteria, em razão da força de seus personagens, aparentemente fracassados,
mas poderosos na sua generosidade.
d) Tendo em vista que o filme Menina de Ouro revelou o talento de Clint Eastwood
que, além de dirigir e atuar, também foi responsável pela trilha sonora, solicito que
lhe seja concedida uma premiação pela versatilidade de seus talentos.
e) Em vista do exposto, venho requerer que se use o filme Perto Demais para fins
educativos, criticando a futilidade e o hedonismo burro com que tantas vezes nos
desperdiçamos.

0 06 11 1 21
1 6
0 07 12 1 22
2 7
0 08 13 1 23
3 8
0 09 14 1 24
4 9
0 10 15 2 25
5 0