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RESUMO

Nome: Gabriel de Moura Data:28/10/2020

Raleio químico em frutíferas de Clima Temperado


Atualmente, o comércio de frutas, principalmente direcionado para o consumo “in natura”,
exige produtos de boa qualidade. Por consequência, a qualidade dos frutos é determinada
por uma série de características, principalmente pelo tamanho, cor, estado fitossanitário e
sabor. Algumas destas características são determinadas pelo potencial genético dá cultivar,
porém parte delas são afetadas diretamente pelo manejo, destacando-se assim o raleio.
O raleio é uma das atividades fundamentais relacionada ao manejo. Segundo Fachinello,
Nachtigal e Kersten (2008), por raleio, compreende-se a operação que elimina parte das
frutas ou até mesmo das flores, visando melhorar a qualidade das frutas remanescentes e
evitar a alternância de produção.
O principal e mais importante dos objetivos do raleio é aumentar o tamanho das frutas, uma
vez que o tamanho dos frutos está intimamente relacionado com a relação folha/fruto. A
consequência de uma produção excessiva de frutas, em um ano, causará um esgotamento
de alguns nutrientes e minerais, promovendo uma redução na produção do ano seguinte,
sendo assim o raleio garante uma uniformidade, evitando a alternância de produção.
Realizar o raleio colabora para a melhoria da coloração dos frutos, evita o rompimento de
ramos devido ao excesso de peso, reduz o número de frutas com defeitos graves, melhorar
a resistência das plantas, devido ao equilíbrio nutricional, e reduz o custo da colheita.
Ao observar os efeitos benéficos do raleio é necessário ressaltar que esta prática demanda
de uma mão de obra que, se realizada de maneira tradicional, ou seja o método mecânico,
encarece o sistema de produção.
Devido a esse alto custo, surge como opção o raleio químico que consiste na aplicação de
substâncias que causam a queda de flores e/ou frutos. Esta forma de raleio tem como
vantagens a agilidade de execução, a redução de lesões causadas pelo destacamento das
frutas, assim como menor risco de infecção por patógenos. Já as desvantagens estão
relacionadas a possíveis danos nas folhas, bem como a eficácia das aplicações, tendo em
vista que a aplicação de produtos químicos demanda de conhecimento técnico sobre as
condições ideais de uso para garantir a maior eficiência do produto.
Os principais raleantes químicos são o carbaryl, o ácido giberélico, a cianamida
hidrogenada, o ethephon e algumas auxinas sintéticas como o ácido naftalenoacético (ANA)
e o ácido naftalenoacetamida (ANAm). Desta forma, estas substâncias agem induzindo a
queda de frutos, ou a não formação dos mesmos.
O ácido giberélico atua de forma indireta, inibindo o desenvolvimento das gemas após o
inchamento da extremidade apical. Já o ethephon provoca a síntese de etileno, acarretando
na inibição da síntese ou transporte de auxinas e posterior abscisão pelo aumento da
síntese e secreção da enzima celulase. A cianamida hidrogenada é utilizada, em espécies
frutíferas de clima temperado, e doses baixas, para superar a deficiência de frio. Em doses
mais elevadas está pode acarretar em efeito fitotóxico às gemas florais.
O carbaryl, diferente dos demais, é um inseticida do grupo dos carbamatos que pode
aumentar a taxa fotossintética das folhas e eliminar parte dos frutos. Esta substância é
muito utilizada, pois mesmo em concentrações muito elevadas não provoca um raleio
excessivo.
As auxinas sintéticas possuem modos de ação complexos, podendo atuar na redução de
auxinas endógenas ou causando um aumento no potencial de agua das folhas.
Consequentemente estes efeitos promovem uma série de reações no metabolismo, tendo
por finalidade o efeito raleante.
Diante das substâncias mencionadas é válido ressaltar as principais culturas as quais são
beneficiadas com o raleio químico, sendo que o efeito raleante é variável de acordo com
fatores como espécie e cultivar.
Em grande parte das cultivares de macieira o ácido naftalenoacético é utilizado entre 5 e 14
dias após a plena foração. Já o ácido naftalenoacetamida é aplicado entre 3 a 8 dias após a
plena floração. Além das auxinas sintéticas é possível utilizar o ethephon, aplicado desde a
flor em estádio de balão, até 21 dias após a plena floração. É necessário observar que estes
produtos possuem suas particularidades, sendo que em algumas cultivares o seu uso não é
recomendado.
Para os citros, as auxinas sintéticas, o ethephon e o ácido giberélico podem ser utilizados
como estimuladores quando aplicados na época de plena queda natura das frutas.
Nas culturas do pessegueiro e da ameixeira, a aplicação da ANA pode ser feita 42 dias
após a plena floração, sendo que o ethephon pode ser aplicado durante o estádio I e início
do estádio II.
Assim sendo, é possível destacar os pontos principais a serem decididos e monitorados
durante o raleio, sendo eles a época de realização e a intensidade do raleio que está
diretamente associada a dose do produto.
Portanto, o raleio químico de frutíferas de clima temperado é uma prática de extrema
importância para equilibrar a produção de frutos, tanto em produtividade, quanto nas
questões de agilidade de manejo e eficiência econômica da produção.

Referência:
FACHINELLO, José Carlos; NACHTIGAL, Jair Costa; KERSTEN, Elio. FRUTICULTURA:
fundamentos e práticas. Pelotas: UFPel, 2008. 196 p. Disponível em:
https://wp.ufpel.edu.br/fruticultura/files/2017/05/Livro-de-Fruticultura-Geral.pdf. Acesso em:
27 out. 2020.

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