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Santidade

Santidade
CÉSAR BIANCO -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

A Bíblia destaca muitas expressões no decorrer de seus livros, que normalmente refletem um propósito
para nossas vidas. Para entendermos e vivermos completamente a vontade de Deus, nossa identidade nunca
poderá se perder de vista. A santidade, como diversas outras características do Senhor, é um traço da Sua
semelhança que foi colocada em nós desde a Criação. Por meio das orações feitas por Jesus, encontramos
afirmações sobre quem somos:

Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.


Eles não são do mundo, como também eu não sou. Santifica-
os na verdade; a tua palavra é a verdade. (João 17.15-17)

Compreendemos que o plano de Deus nunca foi nos tirar do mundo, mas, ainda nesta vida, nos fazer um povo
exclusivo para edificar Seu Reino. Esse é o entendimento que temos sobre santidade, que é a palavra de origem
hebraica kadosh, com o sentido de pureza, perfeição e virtude, mas é traduzida principalmente como “separação”.
Portanto, quando lemos sobre as intenções do Senhor em colocar uma identidade celestial em nosso interior,
estamos falando do processo em que Ele nos torna separados para Si, mas ainda assim enviados ao mundo.

Talvez pareça complicado imaginar que somos propriedade exclusiva de Deus, destinados para Suas obras
santas, se ainda temos uma natureza falha. Entretanto, a santidade não está relacionada com nunca errarmos,
mas significa nos posicionarmos em um lugar de intimidade e relacionamento com Deus, a fim de que Ele nos
ajude no processo de reconhecimento e aperfeiçoamento dos erros. Atualmente, ouvimos um discurso distorcido
sendo ensinado, que acaba por gerar um sentimento de culpa e condenação. Porém, a verdade é que somos
santos justificados em Jesus, e não apenas pecadores perdoados.

No momento que passamos pelo Novo Nascimento, recebendo a Cristo como o único Senhor e Salvador, fomos
iniciados em um processo que primeiramente nos justifica. Isso significa que o sangue de Jesus lavou nosso
espírito, tirando todo pecado para sermos puros diante de Deus. Em seguida, entramos na fase de santificação,
que está ligada com nossa alma, a coordenadora de todos os pensamentos, emoções e vontades que precisam
ser alinhados gradualmente com os princípios da Palavra.

Para que isso aconteça, precisamos deixar que nosso interior seja renovado, como diz em Romanos 12:

E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela


renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a
boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12.2)

Esse versículo revela como sermos efetivos contra o pecado desde sua origem, que se encontra em nossos
pensamentos. Além da Palavra ser poderosa para transformar nossa mente pela renovação, ela também deve ser
usada como oração. Assim que nos aproximarmos de Deus pedindo por uma mentalidade como a d’Ele, o processo
de santificação acontecerá naturalmente. Existem diversas referências bíblicas que nos direcionam a uma vida
de santidade, como a de Efésios, que conta como fomos separados para Ele antes mesmo da fundação do mundo:

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Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para
sermos santos e irrepreensíveis perante ele. (Efésios 1.4)

Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste. (Mateus 5.48)

Ambas as passagens citam o Senhor, o que nos lembra de 2 Coríntios 3.18, que também trata da transformação
pela contemplação da Sua glória. Logo, para sermos santos como nosso Pai é, precisamos estar em proximidade
com Sua presença, a fim de discernirmos quais são suas características. Assim teremos um ótimo ponto de
referência para construir um espírito reto.

Agora, para fixar o conteúdo visto até aqui, responda:

1. Por que a santidade não requer nosso afastamento do mundo?

2. Qual o impacto de termos uma vida santa na sociedade em que vivemos?

3. Por que sermos santos não significa que somos perfeitos?

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4. Como podemos lidar com os sentimentos de culpa e acusação?

5. O que é gerado em nossas vidas quando cultivamos uma vida de intimidade com Deus?

CINCO PONTOS PARA UMA VIDA DE SANTIDADE


Para que o exercício da santidade se sustente dia após dia, é importante observarmos alguns passos práticos:

1. Viva conforme sua nova natureza

Essa é uma verdade que deve ser memorizada, para que o sacrifício de Jesus se manifeste em tudo o que
fizermos. Foi Ele quem vivificou nosso espírito, dando poder para sermos filhos:

Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência


da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito,
contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais
o que, porventura, seja do vosso querer. (Gálatas 5.16-17)

Ainda que tenhamos sido justificados, nossa natureza carnal continua em constante conflito com o espírito.
Diante disso, é importante entendermos qual é nossa nova natureza, visto que sem isso tentaremos alcançar a
santidade com a própria força humana e, sem dúvidas, falharemos. Pode ser até que cheguemos a lutar dessa
maneira contra o pecado, mas uma hora desanimaremos e, consequentemente, perdermos o alvo.

Com isso, compreendemos que toda capacidade para nos tornarmos santos como nosso Pai é vem do
relacionamento com Ele. À medida que os primeiros passos forem dados, a caminhada será mais leve, por
sabermos que estamos caminhando na direção de Quem pode nos aperfeiçoar.

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2. Não despreze a bondade de Deus

Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando


que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? (Romanos 2.4)

Em nossa caminhada pela santidade, jamais podemos nos esquecer da bondade de Deus. Ela é quem nos
conduz à metanoia, à mudança de pensamento. As convicções que temos sobre algo errado são intervenções
que vêm pelo Espírito Santo para gerar alinhamento. A expressão dessa bondade nos mostra que não precisamos
agir como fez o ser humano no Jardim do Éden:

Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram


folhas de figueira e fizeram cintas para si. Quando ouviram a voz do Senhor Deus,
que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor
Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim. (Gênesis 3.7-8)

Logo que Adão e Eva desobedeceram à ordem de Deus, fizeram roupas para se cobrirem e, dessa forma, se
esconderam d’Ele. Isso é o que frequentemente fazemos. Quando cometemos algum erro, nossa primeira atitude
é a de nos afastarmos da intimidade com o Pai, talvez na intenção de não sermos corrigidos. Porém, essa é uma
perspectiva que não reconhece a Sua bondade. Ao invés disso, a melhor reação que podemos ter é corrermos
até o Senhor, certos de que Seus planos de paz, e não de mal (Jeremias 28.11), nos santificarão de toda culpa.
É por meio dessa maturidade que alcançamos um arrependimento genuíno.

3. Confesse seus pecados

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar


os pecados e nos purificar de toda injustiça. (1 João 1.9)

Sempre que pecamos, temos a oportunidade tanto de nos escondermos quanto de nos aproximarmos da
bondade de Deus. Se decidimos confessar ao Senhor, somos perdoados. Porém, ao confessarmos aos nossos
irmãos, somos curados. Diante disso, é ideal encontrarmos alguém que além de confiável, também seja
mais maduro que nós espiritualmente. As lideranças que estão sobre nós são exemplos de pessoas que irão
nos aconselhar e confrontar, mediante a Palavra, nas áreas que precisamos mudar. Não é uma iniciativa
aconchegante para nossa natureza humana, mas somente dessa maneira podemos prosseguir para os próximos
níveis de maturidade.

4. Receba o perdão de Deus

Não é difícil conhecermos alguém aprisionado em acusação, por não receber o perdão de Deus. Diferentemente
desse cenário, a Palavra nos lembra que temos um Deus misericordioso:

Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de


nós as nossas transgressões. (Salmos 103.12)

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Já no momento que reconhecemos os erros e os confessamos, somos perdoados. A culpa não existe mais, uma
vez que Ele nos afastou da acusação. O que resta, então, é assimilarmos que o Seu perdão já foi consumado.
De outro modo, viveremos em um martírio que além de nos desanimar, impede que vivamos um arrependimento
genuíno. Não podemos ser dominados por um orgulho autossuficiente, que não sabe receber o favor de Deus.
Portanto, erros acontecerão, mas Ele sempre estará pronto para nos perdoar diante de um coração sincero.

5. Abrace a graça

Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens,


educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas,
vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente. (Tito 2.11-12)

Quando falamos de santidade, também falamos de uma vida cheia de bons frutos. Nesse caso, concluímos
que já não existe espaço para o pecado. Entretanto, a decisão de renunciar a impiedade e as paixões mundanas
precisa ser renovada diariamente por meio da graça. Ela nos lembra que a santidade não vem pelo medo (I João
4.18), força ou violência (Zacarias 4.6), mas nos fortalece no momento de fraqueza (2 Coríntios 12.9). Significa
então que nossas áreas de maior dificuldade, quando lançadas diante de Deus, são aperfeiçoadas. Nossas
maiores vitórias servirão de experiência para auxiliarmos aqueles que passam pela mesma situação, visto que
pessoas libertas são agentes de libertação.

Ainda que algumas batalhas rumo à santidade levem bastante tempo para serem vencidas, no fim se tornarão
ferramentas coletivas úteis para a edificação do Reino. Assim, necessitamos olhar para as situações com uma
visão celestial, porque nenhuma delas passa despercebida de Deus. Se formos vulneráveis em rasgar nosso
coração a Ele, deixaremos que Sua graça aperfeiçoe tanto a nós mesmos quanto nossos próximos, enquanto
vivermos neste mundo.

Por fim, veja as questões abaixo e as responda:

1. Por que a santidade não é conquistada com nossa própria força?

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2. O que significa termos uma nova natureza?

3. Como sua vida pode incentivar pessoas a se santificarem também?

4. Qual a diferença entre cura e perdão de um pecado?

5. Por que precisamos confessar para pessoas mais maduras espiritualmente que nós?

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6. Como suas dificuldades podem ser úteis na vida de outras pessoas?

DESAFIO PESSOAL: Converse com seu líder, ou alguém que reconheça como mais maduro espiritualmente, sobre as
áreas em que você precisa melhorar para crescer em uma vida de santidade.

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