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1- Firmação de V.S.

Maioral

Dentro do contexto esotérico da Corrente L.T.J 49 acreditamos em uma Força Maior ao


qual denominamos como Maioral. No livro “Quimbanda – O Culto da Chama Vermelha e
Preta” descrevemos os mais relevantes aspectos dessa força, entretanto, não inserimos
conhecimento algum acerca da Firmação ou Criação do Ponto de Força e
Manifestação.

Antes de prosseguirmos com o ritual, deixamos explicito que existe uma grande
diferença entre ‘assentar’ e ‘firmar’ uma força espiritual. O Assentamento é a recriação
de um ‘corpo material’ ativo, ou seja, trata-se de um conjunto de energias que juntas
agem para que o espírito de um morto receba descargas e vitalidade para que possa
agir com plenitude no campo material. É a recriação de um microcosmo. A Firmação é
o empoderamento de um objeto que, após consagrado, torna-se um ponto de força para
canalizar energias.

Como entendemos que Maioral seja uma energia amorfa (sem forma definida) e um
espírito que jamais teve vida material, não existe possibilidade energética de ser
assentado. A preparação da imagem de Maioral é o primeiro grande ritual que um
adepto da Quimbanda Brasileira deverá fazer, pois essa estátua agirá como Ponto
Central e Focal de todo trabalho magístico.

Dentro da Corrente L.T.J 49 a imagem escolhida para representar V.S. Maioral é


similar à imagem da Deusa Baphomet. No Brasil, as lojas de artigos religiosos
costumam vende-la como imagem do Exu “Belzebu”.

Crédito: Imagens Bahia

Como dito anteriormente, por se tratar de uma força amorfa e o adepto poderá optar
em outras formas representativas, assim como confeccionar sua própria imagem
usando ossos, gesso, madeira, terras recolhidas em pontos de poder, tabatinga negra
(argila), ferro, dentre outras formas. Não são aceitas imagens de resina ou plástico por
serem materiais impermeáveis.
A primeira modificação a ser feita na imagem é pinta-la de preto. Uma imagem escura
representa a essência amorfa, sombria, oculta e mutável. Para pintar uma imagem de
gesso, recomendamos tinta solúvel em água. Essa tinta pode ser carregada de poder
antes de ser aplicada na imagem. Antes de realizar o ritual, devemos nos atentar a
todos os detalhes. Os óleos, as tinturas, pós, tintas, enfim, os veículos de poder devem
ser preparados anteriormente para que possam ser funcionais e energeticamente
poderosos.

Preparando uma Tinta de Poder

Materiais necessários:
 ½ litro de tinta látex preta de boa qualidade;
 1 pote de vidro (limpo com tintura de arruda);
 07 moedas correntes;
 10 ml de bebida destilada (aguardente ou gim);
 10ml de vinho tinto;
 Folhas de pimenta maceradas;
 Óleo de Ossos;
 01 pincel de cerdas macias (preferencialmente novo).

Modo de preparo

1- Lave as sete moedas em água corrente, seque-as bem e enxague-as com tintura
de arruda. Deixe-as secar naturalmente.
2- Besunte as moedas com óleo de ossos.
3- Prepare um pote de vidro (com tampa). Lave-o com uma mistura de água e sal
(07 pitadas para cada litro de água) e seque-o em pano limpo. Acenda um
incenso de mirra (preferencialmente natural) e defume o mesmo. Após, lave o
pote e a tampa com tintura de arruda e deixe secar naturalmente.
4- Coloque as moedas no fundo do pote.
5- Encha o pote com tinta, acrescente o vinho e a bebida destilada. Mecha bem a
tinta.
6- Prepare um banho de folhas de pimenta (21 folhas para ½ litro de água).
Macere bem até extrair o sumo. Retire 10ml dessa mistura e acrescente na tinta.
Misture o restante com aguardente ou gim e feche hermeticamente para uso
posterior. A ritualística para esse banho segue nosso padrão.
7- O óleo de ossos é feito com óleo de mamona e raspas de ossos (animais ou
humanos). Deve descansar por no mínimo 30 dias antes de ser usado.
Recomendamos que esse óleo seja adquirido junto a um sacerdote/sacerdotisa
mais experiente dentro da Corrente 49.

Observação: Para os adeptos mais experientes, recomendamos que sete gotas do


próprio Kiday sejam inseridos na composição da tinta.

Consagrando a Tinta
A tinta deve ser consagrada sete dias antes de ser usada para a pintura da imagem.
Não é um ritual difícil, entretanto, a energia despertará alguns elementos
empoderando a mistura.
O dia do início da consagração é segunda-feira (independente da fase lunar). A
ritualística findará na quarta-feira onde receberá a consagração plena. Recomendamos
que o ritual se inicie após as 21:00h. Para fazer o ritual de consagração da tinta o adepto
necessitará de:

03 velas ‘palito’ pretas;


03 velas ‘palito’ vermelhas;
03 velas ‘palito’ brancas’
01 prato de barro ou cerâmica (vermelho ou preto);
01 folha com o Ponto de V.S. Maioral desenhado.

Modo de fazer

1- Ungir todas as velas com óleo de consagração (descrito no tópico anterior).


2- O prato deve ser lavado convencionalmente e umedecido com tintura de
arruda. Secar naturalmente.
3- Colocar o ponto de Maioral no centro do prato de barro/louça. Recomendamos
que a folha seja cortada circularmente para que fique bem centralizada.
4- Coloque o prato no chão e firme as velas de forma triangular conforme
demonstra a figura. A vela branca na parte superior, a vela vermelha na base do
lado direito e a vela preta na base do lado esquerdo.

5- Inicie acendendo a vela branca. Essa vela representa a Luz não-material, a


Sabedoria ilimitada e a infiltração no mundo das formas. A cor branca
simboliza o combate à estagnação cósmica, o despertar dos desejosos e a morte
dos deuses oponentes. É a natureza expansiva da Quimbanda.
6- A segunda vela a ser acesa é a vermelha. Essa vela representa energia positiva,
fogo, transmutação, guerra, natureza masculina e dinâmica. Vermelho
representa Exu.
7- A última vela acesa é a preta. Essa vela representa o lado obscuro, negativo,
lunar, feminino, receptivo e hipnótico. Preto é a cor uterina, a escuridão
confortante, o caminho da evolução solitária. Essa vela representa Pombagira.
8- As três velas acesas simbolizam os aspectos dinâmicos e receptivos que V.S
Maioral infiltrou a partir da Primeira Encruzilhada de Fogo.
9- O adepto deve acender um charuto e visualizar o ‘Ponto Riscado’ dentro do
prato. Soprará a fumaça sete vezes em cima do ponto e exclamará:
“Eu glorifico o Imperador da Quimbanda! Que meu hálito quente possa ser o vínculo que cava a
terra morta até a Primeira Encruzilhada de Fogo! Laroyê Maioral de Todos os Infernos! Salve a
horda dos Perversos!”
10- A tinta deve ser colocada no centro do Ponto com a tampa aberta. O adepto
soprará a fumaça dentro da tinta sete vezes e exclamará:
“Que essa tinta torne-se poderosa com uma sombra e destrua as limitações impostas pelas
formas. Que o fogo da Primeira Encruzilhada contamine esse frasco carregando-o com os
poderes de V.S Maioral! Glória Eterna ao Povo do Inferno! Cobá Exu!”
11- Antes de finalizar o ritual, o adepto se sentará e fará uma respiração polarizada.
Acreditamos que se o adepto conseguir visualizar a tinta em estado de fervura
torne-se ainda mais poderosa.
12- Findando a vela, o recipiente deve ser lacrado, porém, não deve ser retirado do
Ponto, pois a ritualística deverá ser repetida por mais dois dias no horário
noturno.
13- A tinta está pronta para o uso. Essa mesma tinta poderá ser usada para pintar
outros artefatos e Pontos Riscados.
14- O charuto desse ritual será picado e acrescentado no banho de folhas de
pimenta.

Pintura da Imagem

Com a tinta pronta, o adepto deverá iniciar a pintura da imagem. Usando um pincel de
cerdas moles, aplicará finas camadas sobre a peça. A cada camada imagem deverá
secar a sombra. Pinte inclusive a base da imagem. Nossa Corrente e Tradição entende
que o uso do verniz protegerá a imagem e fixará os elementos, portanto, após a
imagem estar completamente seca poderá ser envernizada.

Alguns adeptos possuem dons artísticos relevantes e fazem a inclusão de fundamentos


na imagem. Também aceitamos essas modificações desde que o adepto saiba
exatamente qual fundamento está inserindo.

Consagrando a Firmação de V.S Maioral

O ato de consagração inicial é apenas o início da jornada do adepto. Essa estátua


passará por outra grande ritualística um ano após a primeira consagração. Dessa
forma, se o adepto evoluir dentro do culto e buscar força dentro da Corrente 49 poderá
receber as bênçãos necessárias para finalizar a ritualística.

O adepto deverá preparar um altar para V.S. Maioral. Como essa força é denominada
“Trono”, não deve permanecer em contato com o chão. Uma mesa deve ser usada
como altar (quadrada ou redonda). No tampo dessa mesa, o ‘Ponto de Maioral’ deverá
ser pintado com a Tinta preparada. Após secar a tinta, o adepto providenciará uma
toalha preta que cubra toda superfície e vá até o chão. Essa toalha é necessária para
posteriormente ocultar outros elementos de poder. A toalha deve ser previamente
defumada com mirra e sândalo antes de ser usada.

Ritual de Firmação
Para a Firmação da Imagem de V.S. Maioral são necessários os seguintes materiais:

1- 01 vela de “Sete dias” vermelha e preta;


2- 01 copo de vela;
3- 02 taças escuras;
4- 01 pedra de cristal negro ou pedra vulcânica;
5- 07 moedas correntes;
6- 07 moedas antigas;
7- 07 búzios africanos abertos;
8- 07 pequenos tridentes de ferro dinâmicos (quadrado);
9- 07 pequenos tridentes de ferro receptivos (redondo)
10- 07 chaves novas;
11- 01 vaso de cerâmica;
12- 01k de argila preta;
13- 01 imã grande;
14- Turíbulo;
15- 01 pedra de mármore escuro ou ardósia;
16- Prato de barro ou cerâmica (usado no ritual de preparação da tinta);
17- 07 pedaços de carvão vegetal (pequenos)
18- 100 ml de óleo/azeite-de-dendê (pode ser substituído por óleo de pimenta);
19- 100 ml de aguardente ou gim (previamente preparado);
20- ½ l de vinho tinto seco (previamente preparado);
21- 5g de Mistura de Força;
22- 01 pedaço de carne bovina de boa qualidade;
23- 01 chifre de boi;
24- 10g de damasco ou figo seco;
25- 20g de Pimentas picadas frescas;
26- Sete ferraduras usadas.

Observação sobre os materiais

a- A vela de sete dias vermelha deverá ser ungida com óleo de consagração. O
adepto pode ainda riscar o ‘Ponto de Maioral’ usando um prego. Lembramos
que se retirarmos o plástico que envolve a vela, a mesma não irá durar sete
dias.
b- O copo de vela poderá ser pintado de preto usando tinta vitral (verniz vitral).
Isso fica a critério do adepto.
c- As taças podem ser compradas nas cores escuras ou pintadas pelos adeptos.
Assim como o copo de vela, a tinta também é a vitral.
d- A pedra de mármore escuro ou ardósia deverá ter uma medida de 13 cm X 13
cm. Serve como base para o turíbulo (ferro, latão ou barro).
e- Se o adepto não encontrar argila preta, pode usar argila branca misturada com
uma boa quantidade de pó de carvão.
f- Se a pedra escolhida for um cristal negro, antes de usar o adepto deverá deixa-
la em água corrente por aproximadamente 30 minutos. Depois disso, fará uma
mistura de azeite/óleo-de-dendê e melaço de cana (ou de milho) e passará uma
fina camada sobre a pedra. Se for uma pedra vulcânica, o adepto fará uma
mistura de azeite/óleo -de-dendê e enxofre e passará uma fina camada sobre a
pedra. Em ambos os casos, após ser besuntada a pedra deverá ser aquecida na
chama de uma vela.
g- O vaso (barro ou cerâmica) também deve ser pintado de preto. O adepto pode
optar em usar um pequeno caldeirão se assim desejar.
h- ‘Mistura de Força’ é um composto feito para defumações que envolve casca de
cebola roxa seca e picada em pequenos pedaços, fumo desfiado (seco e picado),
folhas de mamona (secas e picadas), raspa de osso de bode (pó), mínima
quantidade de enxofre, pó de carvão vegetal, mirra em pó, sândalo em pó,
ossum em pó e pimenta da costa em pó.
i- Cerca de cinco ou seis horas antes do ritual, o adepto deverá misturar o vinho
com pedaços de pimentas. A aguardente ou gim igualmente. No momento de
servir as taças as bebidas deverão estar coadas.
j- As ferraduras serão besuntadas com uma mistura de azeite/óleo de dendê, mel
e enxofre. O adepto pode acrescentar pó de ouro e pó de prata.
k- Todos os itens receptivos (vaso, prato, chifre, copo de vela) deverão ser limpos
astralmente com tintura de arruda.

Modo de Preparo

1- Erguendo o altar

Com todos os materiais prontos, o adepto iniciará a ‘construção do Altar Mor’. Quando
possível, esse altar deverá estar localizado na parte sul do ambiente escolhido, todavia,
não é uma regra. A condição exigida é que a luz solar jamais incida sobre o altar
diretamente.
Após colocar a toalha na mesa, o adepto deverá montar seu altar. Esse é um momento
muito importante, afinal, agirá como ponto inicial e focal de toda trajetória do iniciante.
Um descuido com esse altar pode simbolizar o fracasso em diversas operações
mágicas.
A imagem deve ser colocada cuidadosamente no centro da mesa. Muitos adeptos
experientes gostam de escrever uma carta com intensões e deixa-la abaixo da imagem
para que seus desejos sejam catalisados e se o adepto iniciante desejar também poderá
realizar esse ato. Em imagens comunais (Templos ou Núcleos) essa prática não ocorre.
A direita da imagem são depositados o copo de vela e o turíbulo por cima da base de
pedra. Do lado esquerdo são colocadas as duas taças e o ‘Catalizador de Terra’.
O ‘Catalizador de Terra’ é um fetiche usado no altar de V.S. Maioral que representa a
energia das profundezas da Terra e age em contínuo estado de emanação-ora
absorvendo, ora emanando. Esse fetiche possui três fases de montagem, porém, a
primeira determinará a força e energia do mesmo. Descreveremos a montagem desse
catalisador:
1- O adepto separará a argila preta, o vaso, as sete moedas correntes, sete moedas
antigas, sete tridentes dinâmicos, sete tridentes receptivos, sete búzios africanos
abertos, o imã, sete chaves, sete pedaços pequenos de carvão, a pedra de
quartzo ou vulcânica e o chifre de boi.
2- Primeiramente, o imã será colocado no fundo do vaso/caldeirão (centralizado).
A argila negra deverá cobrir o imã e ser espalhada formando uma nova
camada. Para trabalhar com argila recomendamos o uso de água. Ela não deve
estar muito mole, mas sim maleável e ligeiramente firme. O segredo para a
argila não rachar é amassá-la bem antes de usar.
3- O adepto separará as quatorze moedas e montará “sete jogos” (antiga por baixo
e a nova por cima). Circularmente, as colocará em forma de ‘septagrama
invertido’ dentro da firmação.
4- Fará um segundo círculo com as sete chaves que representam a abertura ou
fechamento de todas as ‘Portas’ materiais e astrais.

5- Colocará os sete pequenos pedaços de carvão dentro do chifre e em seguida o


espetará no vaso.
6- Colocará a o cristal negro ou pedra vulcânica a frente do chifre. Exercerá uma
pressão moderada para que seja fixada na argila.

7- Por fim, circulará o vaso espetando (encostado a borda) os tridentes dinâmicos


e receptivos intercalados.

Observações sobre o fetiche

Esse fetiche torna-se cada vez mais poderoso ao longo da jornada do adepto. Os
elementos colocados inicialmente podem ser acrescidos de outros elementos. A argila
pode ser acrescida de terras retiradas de pontos energéticos (Reinos), bem como de
outras formas energéticas. Se um adepto tem aceso à terra vulcânica torna-se mais
poderoso ainda.
As moedas (antigas e novas) fazem alusão às conquistas materiais passadas e
presentes. Lembremos que a riqueza (ouro, prata, pedras preciosas, etc.) também estão
abaixo da superfície e como esse fetiche emana e absorve energias, as moedas servem
como direcionadoras. O dinheiro é um grande poder manipulador e devemos ter
sabedoria e controle para lidar com a falta ou abundancia.

Os búzios trarão intuição, poder mental e controle emocional. Simboliza um elemento


conectado aos antepassados, ao comércio, troca e domínio, entretanto, além de ter esse
rico simbolismo, dentro do fetiche trabalha como homogeneizador.

O chifre simboliza coragem, destreza, vigor, percepção, autoconhecimento, riqueza


(espiritual e material), poder perseguidor, autoridade espiritual, o poder fálico
inundado a terra. Muito poderíamos explanar sobre o chifre, porém, dentro do fetiche,
além de emanar todas essas qualidades, por estar fincado na terra e repleto de carvão
vegetal emana a energia de auto consumição que desperta as qualidades corníferas.
Ferindo a terra o homem encontra os mistérios e só após o desencarne poderá
comunga-los em plenitude. Destruindo sua carne seu fogo interno emanará.

A pedra negra representa os Olhos de Maioral. O poder que nos acompanha e nos
observa através de milhares de outros olhos.

Dentro de um Templo/Núcleo 49, esse fetiche deve receber o sangue do sacrifício de


sete animais. Se o dirigente for homem, são quatro machos e três fêmeas e se for
mulher serão quatro fêmeas e três machos. Todos da mesma espécie. A única parte do
animal servida a V.S. Maioral são as cabeças decepadas que representam a morte dos
nossos inimigos materiais e espirituais. O prato deverá ser forrado com folhas de
mamona ou bananeira. Os corpos deverão ser enterrados em uma vala profunda após
serem encharcados com azeite/óleo-de-dendê e cachaça. As cabeças, após três dias,
serão despachadas na mata.
-X-
Com os elementos devidamente posicionados, o adepto iniciará a grande ritualística.
Anteriormente deve purificar-se com o banho de folhas de pimenta previamente
preparado.

O ritual deve ser iniciado exatamente as 24:00h do domingo para a segunda-feira. A


fase lunar mais apropriada é a cheia, porém, esse ritual pode ser feito na fase ‘nova’ e
‘crescente’. Evitamos fazer essa ritualística nos dias de fase minguante.

O adepto acenderá a vela e recitará a primeira oração:


“Fogo, ó fogo provindo das profundezas, simbolizarás o archote divino que iluminará meus
caminhos e revelará meu verdadeiro ‘Eu’. Desejo que a Luz do Fogo me ilumine nessa noite
abençoada para que a Suprema Majestade da Quimbanda, o Imperador de todos os Reis e
Rainhas, Pai e Mãe de Todos os Reinos, adentre em minha vida e transforme-me! Assim como
essa vela é consumida, meus vícios, falhas, doenças e limitações carnais, materiais e espirituais
sejam consumidos! Eu professo Maioral como o Grande Dragão Negro da Quimbanda e através
de Vossa chama, clamo pelo poder de Exu e Pombagira! Laroyê Exu!”
Com o carvão em brasa dentro do turíbulo, o adepto salpicará uma pequena
quantidade da ‘Mistura de Força’ e quando a fumaça começar se dissipar recita a
segunda oração:
“Ar, ó ar que conduz o dinamismo e permite que a chama se alastre, que simboliza o movimento
das grandiosas asas negras e cuja essência purificará meus sete portais internos. Desejo que
meus pensamentos, bem como as minhas palavras, sejam densas, porém, imperceptíveis podendo
causar impactos agressivos nos meus entraves. Nessa noite abençoada clamo para que a essência
de V.S Maioral possa se alastrar em minha mente e criar as encruzilhadas de poder! Que Exu e
Pombagira emanem através dos meus sentidos! Laroyê Exu!”
O adepto fara a ‘Saudação Real’ e proferirá:
“Glórias ao Grande Dragão, cuja essência é gerada na pureza da Sombra Negra, eu saúdo
Vossos poderes dinâmicos!”
O adepto pega a primeira taça e coloca o vinho (previamente preparado). Ergue-a a
altura dos olhos e profere as seguintes palavras:
“Vinho, sangue das uvas sacrificadas para embriagar os sentidos, sacrificada para acalentar a
alma fria, nessa noite abençoada representará meu sangue, meus antepassados e minhas
escolhas. Receba Glorioso Senhor, o fruto da minha vida!” (Nesse momento o adepto poderá
servir gotas de seu próprio Kiday se assim desejar).
Colocará a primeira taça no altar e servirá a segunda taça com a bebida destilada
(previamente preparada). Erguerá a altura do coração e proferirá as seguintes palavras:
“Água de Fogo, apreciada pelos Perversos Infernais, sirvo um grande Império no Altar do Deus
Obscuro. Que essas chamas percorram meu sangue e purifiquem-me do medo!”
A segunda taça é depositada no altar e o adepto segura o fetiche com ambas as mãos.
Nesse momento do ritual, o iniciante incitará todas as lembranças ‘doloridas’ e deixará
as mágoas aflorarem. Quando sentir que os sentimentos estão bem aflorados, coloca o
fetiche no chão, coloca um pouco do vinho na boca e o sopra dentro do chifre. Profre as
seguintes palavras:
“Medo, remorso, dor e culpa não fazem mais parte de mim! O carvão os absorverá e
encaminhará para servirem de açoite às almas escravizadas! Terra Negra, Terra Infernal,
Poderes que manipulam o Mundo, ergo minha bandeira negra através dessa alquimia maldita!
Exu e Pombagira são bem-vindos em minha morada, que venham através das encruzilhadas de
Fogo, Ar, Água e Terra e abram meus caminhos, concedam-me proteção, evolução,
discernimento e poder! Eu glorifico os Sete Reinos da Quimbanda, o Inferno de Fogo e todos os
guerreiros que compõem essa Sagrada Armada! Que o Falso-Deus verta lágrimas de desespero,
pois mais um portal é aberto através da exteriorização da minha vontade! Salve o Reino Negro!
Salve a Legião 49! Vida longa à Quimbanda Brasileira! ”
Antes de servir a oferenda de carne o adepto se senta à frente do Altar-Mor e inicia
uma meditação. Todas as técnicas que possui podem fazer parte desse momento. Com
o corpo e a mente alinhados, forra o prato (usado no ritual anterior) com uma folha de
bananeira ou mamona, coloca o pedaço de carne e enfeita com damascos/figos e com
as pimentas picadas.
Ajoelha-se à frente da firmação, ergue a oferenda à altura da cabeça e profere as
seguintes palavras:
“Meu corpo a ti ofereço! Receba a oferenda que faço e conceda-me a entrada em Vosso Império.
Vosso altar será meu foco e a partir dessa força crescerei em amplos sentidos. Com Vossas presas
pontiagudas dilacere essa carne e carregue ao Vosso Fogo minhas limitações. Desejo força e
poder, domínio e elevação! Louvo através de Vossos olhos de Diamante Negro todas as hordas de
Exu e Pombagira e finalizo meu ato dizendo que nenhum homem receberá a graça de ver meus
joelhos postados novamente! Que meus Mestres sejam agraciados com esse ato e quando for o
momento que seja concedido o caminho para novas conquistas! Salve Maioral de Todos os
Infernos! Salve Meus Mestres Obscuros! Salve a Quimbanda Brasileira! Salve a Legião 49 que
abre seus domínios para mim! ”
Essa oferenda deverá permanecer aos pés da Firmação por três dias seguidos. No
terceiro dia, o adepto se ajoelha diante ao altar, recita a ‘Oração de Maioral’ (livro),
coloca a carne e as frutas em um recipiente e leva-as para um jardim. Procure escondê-
las em arbustos ou flores. Deixe três moedas como pagamento pelo ‘Ponto de Força’,
louve os espíritos e glorifique Exu e Pombagira. Dê sete passos para trás, vire-se e volte
para seu destino. O prato usado pode ser lavado e colocado abaixo do Altar para servir
novas oferendas.
Sete dias seguidos o adepto deverá dedicar uma oração no Altar. Dessa forma o altar
está erguido.
-X-

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