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DIREITO EMPRESARIAL

NOME EMPRESARIAL E ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL

Livro Eletrônico
DIREITO EMPRESARIAL
Nome Empresarial e Estabelecimento Empresarial
Eugênio Brugger Nickerson

Apresentação..................................................................................................................3
Nome Empresarial e Estabelecimento Empresarial. . .......................................................4
1. Nome Empresarial.......................................................................................................4
1.1. Conceito.....................................................................................................................4
1.2. Espécies de Nome Empresarial.................................................................................5
1.3. Princípios do Nome Empresarial...............................................................................9
1.4. Sócio que Falecer, For Excluído ou se Retirar da Sociedade.................................... 21
1.5. Título do Estabelecimento.......................................................................................23
1.6. Nome de Domínio. ...................................................................................................24
1.7. Da Inalienabilidade do Nome Empresarial.. ..............................................................24
1.8. Artigos do Código Civil............................................................................................24
2. Estabelecimento Empresarial. ...................................................................................26
2.1. Conceito..................................................................................................................26
2.2. Negócios Jurídicos. .................................................................................................26
2.3. Artigos do Código Civil...........................................................................................36
Resumo.........................................................................................................................38
Mapas Mentais.............................................................................................................. 41
Questões Comentadas em Aula.....................................................................................43
Gabarito........................................................................................................................49

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Nome Empresarial e Estabelecimento Empresarial
Eugênio Brugger Nickerson

Apresentação

Inicialmente, quero te pedir para avaliar essa aula ao final.


Essa aula é dedicada à minha mulher, Bruna Crispim Brügger, pessoa que tenho a maior
admiração e confiança. Com um simples olhar, faz meu coração vibrar de tanta alegria, satis-
fação e amor. A sua presença move a força propulsora motriz subjacente que é a fé em mim
mesmo, nela, nos nossos filhos, na nossa família e na certeza de um presente tranquilo e de
um futuro lindo como um pôr do sol no cerrado e com o cheiro de uma florada de jabuticabeira.
Nessa aula, você estudará o nome empresarial e o estabelecimento empresarial, institutos
extremamente relevantes para o Direito Empresarial. Tais institutos têm reflexos no âmbito da
responsabilidade dos sócios, falência, Direito Tributário etc.

“Luta pelo simples fato de lutar, sem pensar em perda ou ganho, em alegria ou tristeza, em vitória
ou em derrota, pois, adotando este procedimento, nunca incorrerás em pecado.”
BHAGAVAD GITA 38:2

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Nome Empresarial e Estabelecimento Empresarial
Eugênio Brugger Nickerson

NOME EMPRESARIAL E ESTABELECIMENTO


EMPRESARIAL
1. Nome Empresarial

1.1. Conceito

Nome empresarial é a expressão pela qual o empresário, seja ele PN ou PJ, se apresenta
no mercado, a fim de contrair obrigações e de exercer direitos.
Se você souber ler o nome empresarial, você conseguirá extrair diversas informações
que só as pessoas com conhecimento técnico conseguem, por isso a importância do estu-
do do instituto.

CC/2002
Art. 1.155. Considera-se nome empresarial a firma ou a denominação adotada, de conformidade
com este Capítulo, para o exercício de empresa.
Parágrafo único. Equipara-se ao nome empresarial, para os efeitos da proteção da lei, a denomina-
ção das sociedades simples, associações e fundações.

Temos duas espécies de empresários, um PN o outro PJ:


EMPRESÁRIO 1 – EMPRESÁRIO 2
PN PJ
O empresário será uma PJ quando estivermos trabalhando, como regra, com sociedade
ou EIRELI.

Seja PN ou PJ, o empresário sempre terá um nome, nome empresarial.


O nome empresarial é um direito do empresário, direito este protegido pela Constituição
da República Federativa do Brasil, a qual lhe atribui o status de direito e de garantia funda-
mental (art. 5º, XXIX, da CRFB):

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Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos bra-
sileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igual-
dade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(…)
XXIX – a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utiliza-
ção, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empre-
sas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico
e econômico do País;

1.2. Espécies de Nome Empresarial

Há duas espécies de nome empresarial, a firma (também conhecida como razão) e a de-
nominação.

1.2.1. Firma ou Razão

Firma ou razão é a espécie de nome empresarial constituído a partir do nome do próprio


empresário (PN) ou do nome do sócio (em se tratando de PJ). Ou seja, a firma pode ser indi-
vidual ou social.
Com efeito, a firma pode ser utilizada tanto pelo empresário PN (firma individual) como
pelo empresário PJ (firma social).
A firma pode ou não conter o objeto (atividade) do empresário (PN ou PJ).

EXEMPLO
FIRMA 1: Eugênio Brügger Pneus
FIRMA 2: Tício e Mévio Ltda.
Veja que a FIRMA 1 refere-se a um empresário PN – empresário individual, firma individual
(Eugênio Brügger) –, e ela é composta pelo objeto do empresário individual (pneus).
Já a FIRMA 2 refere-se a um empresário PJ (uma sociedade limitada), a qual tem 2 sócios,
Tício e Mévio. Esta firma não faz alusão ao objeto social, contudo você, ao se deparar com
ela, verifica de pronto tratar-se de uma sociedade da espécie Ltda. a qual tem dois sócios,
Tício e Mévio.

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CC/2002
Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída por seu nome, completo ou abreviado, aditan-
do-lhe, se quiser, designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade.
Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará sob firma, na
qual somente os nomes daqueles poderão figurar, bastando para formá-la aditar ao nome de um
deles a expressão “e companhia” ou sua abreviatura.
Parágrafo único. Ficam solidária e ilimitadamente responsáveis pelas obrigações contraídas sob a
firma social aqueles que, por seus nomes, figurarem na firma da sociedade de que trata este artigo.

Questão 1 (FGV/XXVI/EXAME UNIFICADO) Cruz Machado pretende iniciar o exercício indi-


vidual de empresa e adotar como firma, exclusivamente, o nome pelo qual é conhecido pela
população de sua cidade – “Monsenhor”.
De acordo com as informações acima e as regras legais de formação de nome empresarial
para o empresário individual, assinale a afirmativa correta.
a) A pretensão de Cruz Machado é possível, pois o empresário individual pode escolher livre-
mente a formação de sua firma.
b) A pretensão de Cruz Machado não é possível, pois o empresário individual deve adotar de-
nominação indicativa do objeto social como espécie de nome empresarial.
c) A pretensão de Cruz Machado não é possível, pois o empresário individual opera sob firma
constituída por seu nome, completo ou abreviado.
d) A pretensão de Cruz Machado é possível, pois o empresário individual pode substituir seu
nome civil por uma designação mais precisa de sua pessoa.

Letra c.
Nos termos do artigo 1.156 do CC, o empresário opera sob firma constituída por seu nome,
completo ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, designação mais precisa da sua pessoa ou
do gênero de atividade. Assim, é vedado Cruz Machado utilizar o nome pelo qual é conhecido
pela população de sua cidade – “Monsenhor”.

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1.2.2. Denominação

Diferentemente do que ocorre com a firma, a denominação é a espécie de nome empresa-


rial abstrato, haja vista não ser composto pelo nome de sócio.
A denominação é sempre social; ou seja, somente pode ser utilizada por empresário PJ
(sociedade ou Eireli). Jamais um empresário PN utilizará, como nome empresarial denomina-
ção, pois esta é sempre social.
A denominação deve conter, diferentemente do que ocorre na firma, o objeto social.

EXEMPLO
Companhia Rio de Janeiro de Cosméticos.
Veja que esse nome empresarial se refere a uma PJ, uma sociedade anônima. Tal percepção
vem da expressão “Companhia”, uma das expressões identificadoras da sociedade anônima.
Além disso, não há qualquer alusão a nome de sócio e identifica, expressamente, o objeto
social (cosméticos).

DICA
Como regra, para diferenciar firma de denominação:
PROCURE NOME DO EMPRESÁRIO OU DE SÓCIO
Se tiver: FIRMA
Se não tiver: DENOMINAÇÃO

DICA
A sociedade em conta de participação não pode ter nem firma
nem denominação, pois é tipo societário que não detém per-
sonalidade jurídica, vide artigo 1.162 do CC:
Art. 1.162. A sociedade em conta de participação não pode ter
firma ou denominação.

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Quadro-resumo:

FIRMA DENOMINAÇÃO
SOCIEDADE ANÔNIMA NÃO SIM
COOPERATIVA NÃO SIM
LTDA SIM SIM
EIRELI SIM SIM
COMANDITA POR AÇÕES SIM SIM
EMPRESÁRIO (PN) SIM (INDIVIDUAL) NÃO
SOCIEDADE EM NOME COLETIVO SIM NÃO
COMANDITA SIMPLES SIM NÃO
SOCIEDADE DE ADVOGADOS SIM NÃO
CONTA DE PARTICIPAÇÃO NÃO NÃO

Questão 2 (FGV/VI/EXAME UNIFICADO/REAPLICAÇÃO DUQUE DE CAXIAS/RJ) A respeito


do nome empresarial, é correto afirmar que
a) o nome empresarial pode ser objeto de contrato de compra e venda.
b) a sociedade em conta de participação, por possuir personalidade jurídica, pode adotar fir-
ma ou denominação.
c) a sociedade anônima será designada somente por meio de denominação.
d) a sociedade limitada será designada somente por meio de firma.

Letra c.
a) Errada. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação (caput do artigo 1.164 do CC).
b) Errada. Artigo 1.162 do CC.
c) Certa. Artigo 1.160 do CC.
d) Errada. Artigo 1.158 do CC.

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1.3. Princípios do Nome Empresarial

Nos termos do artigo 34 da Lei 8.934/94, o nome empresarial tem que obedecer aos prin-
cípios da veracidade e da novidade:

Art. 34. O nome empresarial obedecerá aos princípios da veracidade e da novidade.

1.3.1. Princípio da Veracidade

O princípio da veracidade também é conhecido por autenticidade e te revela duas infor-


mações de extrema importância para o estudo do instituto do nome empresarial:

a) A partir do nome empresarial descobre-se a modalidade de responsabi-


lidade dos sócios.

Como você sabe, o sócio pode responder ilimitadamente ou limitadamente de acordo com
a espécie societária.

Quando o examinador falar em “responsabilidade dos sócios”, você tem que se lembrar do IML:
• Ilimitadas
• Mistas
• Limitadas
Feito isso, você tem que se lembrar do:
EM – COCO – ELISA
• Ilimitadas:
– EM comum;
– EM nome coletivo.
• Mistas:
– COmanditas (simples e por ações);
– COnta de participação.
• Limitadas:

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– Eireli;
– LImitada (Ltda.);
– S/A (sociedade anônima).

Assim, o nome empresarial deve demonstrar claramente qual é a modalidade de respon-


sabilidade dos sócios.
Nessa esteira, temos algumas expressões que identificam as sociedades limitadas (EI-
RELI, Ltda. e S/A), além de termos a expressão que identifica uma sociedade comandita
por ações.
SOCIEDADE LTDA:

CC/2002
Art. 1.158. Pode a sociedade limitada adotar firma ou denominação, integradas pela palavra final
“limitada” ou a sua abreviatura.
§ 1º A firma será composta com o nome de um ou mais sócios, desde que pessoas físicas, de modo
indicativo da relação social.
§ 2º A denominação deve designar o objeto da sociedade, sendo permitido nela figurar o nome de
um ou mais sócios.
§ 3º A omissão da palavra “limitada” determina a responsabilidade solidária e ilimitada dos admi-
nistradores que assim empregarem a firma ou a denominação da sociedade.

Em se tratando de sociedade Limitada (Ltda.) o nome empresarial deve conter a expres-


são “limitada”, por extenso ou abreviada, ao final do nome (Ex. Refrigerantes Minas Gerais
Ltda.), nos termos do caput do artigo 1.158 do CC:

Art. 1.158. Pode a sociedade limitada adotar firma ou denominação, integradas pela palavra final
“limitada” ou a sua abreviatura.

Na sociedade limitada, a expressão que a identifica sempre deve estar ao final do nome e
pode estar por extenso (“limitada”) ou abreviadamente (“Ltda.”).
No exemplo dado (Refrigerantes Minas Gerais Ltda.), ao analisar tal nome empresarial,
você denota tratar-se de denominação social (não há nome de sócio) e, ainda, que os sócios
respondem limitadamente.

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Um fato muito relevante que merece a sua atenção é a hipótese de omissão da expressão
limitada (“Ltda.”) no momento do emprego do nome empresarial da sociedade por adminis-
trador (es).
“A omissão da palavra ‘limitada’ determina a responsabilidade solidária e ilimitada dos
administradores que assim empregarem a firma ou a denominação da sociedade”, nos ter-
mos do § 3º do artigo 1.158 do CC.
Ou seja, se, no momento de entabular um contrato, o administrador da sociedade omitir
a expressão limitada (“Ltda.”) no fim do nome, ele responderá solidária e ilimitadamente pela
obrigação contraída, isso ocorre; pois, a omissão da expressão limitada (“Ltda.”) no fim do
nome empresarial gera a presunção, pela outra parte contratante, de que na PJ há sócio com
responsabilidade ilimitada, o que violaria o princípio da veracidade/autenticidade.

EXEMPLO
Imagine uma sociedade limitada que atue na área de informática, denominada BRASIL INFOR-
MÁTICA LTDA. Imagine ainda que essa sociedade decidiu contratar a aquisição de produtos
de informática da DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA. No momento da assinatura do
contrato, o administrador da BRASIL INFORMÁTICA, senhor Tício, omitiu a expressão “LTDA”
no fim do nome empresarial.
Nessa esteira, tendo a DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA conhecimento do princípio da
veracidade/autenticidade do nome empresarial, o qual informa que “a partir do nome empre-
sarial descobre-se a modalidade de responsabilidade dos sócios”, ao analisar o nome empre-
sarial BRASIL INFORMÁTICA (sem a expressão “LTDA”), a DELL é levada a crer que na pessoa
jurídica há sócio com responsabilidade ilimitada, quando, na verdade, isso não é verídico, não
é autentico, pois os sócios respondem com limitação por tratar-se de sociedade Ltda..
Com efeito, diante do nome empresarial BRASIL INFORMÁTICA não cumprir ao princípio da
veracidade/autenticidade, o administrador, senhor Tício, que omitiu a palavra “limitada” ao
empregar a denominação da sociedade, responderá solidária e ilimitadamente pela obrigação
assumida em nome da sociedade que representa.
O § 3º do artigo 1.158 do CC é uma sanção pelo descumprimento do princípio da veracidade
da autenticidade.

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DICA
Você nunca deve presumir a responsabilidade LIMITADA dos
sócios; pois, para detectar tal responsabilidade dos sócios
(LIMITADA), O NOME EMPRESARIAL DEVE CONTER A EX-
PRESSÃO LTDA, EIRELI OU S/A, pois somente nessas PJs os
sócios respondem com limitação.
Logo, se no nome empresarial não tiver alguma das expres-
sões que te leva à uma sociedade em que os sócios respon-
dam limitadamente (LTDA., EIRELI ou S/A), VOCÊ DEVE PRE-
SUMIR QUE HÁ SÓCIO COM RESPONSABILIDADE ILIMITADA.

EIRELI:
Da mesa maneira que a Ltda., em se tratando de EIRELI, esta pode adotar firma ou deno-
minação, e o nome empresarial deve, obrigatoriamente, conter, ao final, a expressão “EIRELI”
(Ex.: Eugênio Brügger Pneus EIRELI), nos termos do § 1º do artigo 980-A do CC:

Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pes-
soa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100
(cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no País.
§ 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão “ EIRELI “ após a firma ou
a denominação social da empresa individual de responsabilidade limitada.

Cuidado, pois, na EIRELI, expressão será sempre abreviada, diferentemente da Ltda., que
pode ser abreviada ou por extenso.
No exemplo apresentado (Eugênio Brügger Pneus EIRELI), numa análise a golpe de vista,
diante da existência da expressão “EIRELI” ao final da firma social (como dito acima, a espécie
de nome empresarial deste exemplo é firma social por ser composto pelo nome do detentor
de 100% do capital social da EIRELI, Eugênio Brügger) você já conclui que a responsabilidade
do titular da PJ é limitada.

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A FGV pode fazer alusão à omissão da expressão “EIRELI” pelo administrador.


Em se tratando de EIRELI, nos termos do § 6º do artigo 980-A do CC, aplicam-se à empresa
individual de responsabilidade limitada, no que couber, as regras previstas para as socieda-
des limitadas.
Assim, o § 3º do artigo 1.158 do CC, também é aplicado à EIRELI, logo: A omissão da palavra
“EIRELI” determina a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores que assim
empregarem a firma ou a denominação da empresa individual de responsabilidade limitada.

Sociedade anônima

CC
Art. 1.160. A sociedade anônima opera sob denominação designativa do objeto social, integrada
pelas expressões “sociedade anônima” ou “companhia”, por extenso ou abreviadamente.
Parágrafo único. Pode constar da denominação o nome do fundador, acionista, ou pessoa que haja
concorrido para o bom êxito da formação da empresa.

Em se tratando de sociedade anônima, o caput do artigo 1.160 do CC, é claro em definir


que o nome empresarial será integrado pelas expressões “sociedade anônima” ou “compa-
nhia”, por extenso ou abreviadamente. Com efeito, a sociedade anônima pode ser identificada
pelas seguintes expressões:
• Sociedade anônima
• S/A
• Companhia
• Cia.

Ao se deparar com os seguintes nomes empresariais: Cosmética Sociedade Anônima,


Vale S.A, Companhia Vale do Rio Doce e Cia. Müller de Bebidas, você identifica, diante do
princípio da veracidade/autenticidade, que, em tais sociedades, os sócios respondem ilimita-
damente por tratar-se de sociedades anônimas.

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DICA
Diferentemente da Ltda. e da EIRELI, nas quais as expressões
devem ficar ao final do nome; em se tratando de sociedade
anônima, o legislador (artigo 1.160 do CC) não fez qualquer
alusão ao local certo para a inserção da expressão que iden-
tifica a sociedade anônima; assim, a expressão que identifica
esse tipo societário (S/A) pode estar em qualquer trecho do
seu nome empresarial.
Destaco, ainda que a sociedade anônima somente utiliza
como nome empresarial DENOMINAÇÃO, sendo possível esta
fazer homenagens sendo composta pelo nome do fundador,
acionista, ou pessoa que haja concorrido para o bom êxito da
formação da empresa, como é o caso da sociedade Mendes
Júnior Engenharia S.A. que fez uma homenagem ao fundador,
finado Murillo Mendes.

Sociedade comandita por ações


Como estudado, a sociedade comandita por ações é espécie de sociedade mista, em que
há o sócio comanditado (coitado – responde sem limitação) e o sócio comanditário (não é
otário – responde com limitação).
Tal sociedade pode, em lugar de firma, adotar denominação designativa do objeto social,
aditada da expressão “comandita por ações” (artigo 1.161 do CC). Nessa passada, o nome
empresarial da sociedade comandita por ações deve conter, ao final, a expressão “comandita
por ações”.
Se você se deparar com o nome empresarial Romero & Cia Comandita Por Ações, a golpe
de vista, sabe que, nessa sociedade, há sócio ou grupo de sócios que responde sem limitação
e há, ainda, sócio ou grupo de sócios que responde com limitação.
Cooperativa
A sociedade cooperativa funciona sob denominação integrada pelo vocábulo “cooperati-
va”, nos termos do artigo 1.159 do CC.

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b) Se a sociedade tiver sócio ou grupo de sócios que responda sem limita-


ção (ilimitadamente), o nome empresarial deve ser composto pelo nome de
um, alguns ou todos que assim responda.

Essa é a segunda informação extraída do princípio da veracidade/autenticidade.


Assim, a título de exemplo, no nome empresarial:
“RENATO ARAGÃO PRODUÇÕES”
Veja que, no exemplo, não há qualquer alusão à alguma expressão que faça identificar
a responsabilidade limitada dos sócios (Ltda., EIRELI, S/A); logo, na sociedade apresentada
(RENATO ARAGÃO PRODUÇÕES), há sócio ou grupo de sócios com responsabilidade ilimitada
e, diante do princípio da veracidade/autenticidade, tal sócio é o “RENATO ARAGÃO”.
Posso te fornecer outro exemplo:
“DIDI, DEDÉ, MUSSUM E ZACARIAS PRODUÇÕES”
Em tal exemplo, diante da ausência de alguma expressão que faça identificar a respon-
sabilidade limitada dos sócios (Ltda., EIRELI, S/A), você identifica que os sócios DIDI, DEDÉ,
MUSSUM E ZACARIAS respondem sem limitação (ilimitadamente).
Agora, quero ver se você, meu(inha) aluno(a), está fera no princípio da veracidade/auten-
ticidade no último exemplo:
“DIDI, DEDÉ e CIA. PRODUÇÕES”
Qual é a modalidade de responsabilidade dos sócios nessa sociedade?
Se você respondeu LIMITADA, por se tratar de uma sociedade anônima, haja vista a ex-
pressão CIA. no nome empresária, você errou.
É certo que a expressão CIA. (companhia) identifica uma sociedade anônima; mas, quan-
do ela é precedida do “e” (e Cia.), não.
Imagine que alguém vá lhe contar que foi a um jogo de futebol e fale: “fomos eu, o Tício, o
Mévio e companhia.” A pessoa está te falando que além dela, do Tício e do Mévio havia outros
integrantes no grupo que foi ao tal jogo de futebol.
Da mesma maneira aqui no estudo do nome empresarial, quando um nome empresarial
tem a expressão “E CIA.”, ela não identifica a sociedade anônima, mas que há outros sócios.
Nessa esteira, ao analisar o nome empresarial “DIDI, DEDÉ e CIA. PRODUÇÕES”, diante da au-
sência da ausência de alguma expressão que faça identificar a responsabilidade limitada dos

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sócios (Ltda., EIRELI, S/A), você verifica que há grupo de sócios que responde ilimitadamente
e, ainda, que além do DIDI e do DEDÉ, há mais sócio (s) que responde (m) ilimitadamente. Para
saber quais são os outros sócios que respondem ilimitadamente, somente pela análise do
instrumento de constituição, isso em conformidade com o artigo 1.157 do Código Civil:

Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará sob firma, na
qual somente os nomes daqueles poderão figurar, bastando para formá-la aditar ao nome de um
deles a expressão “e companhia” ou sua abreviatura.

Assim, se a sociedade tiver sócio com responsabilidade ilimitada, como regra, deverá
adotar firma por ser a espécie de nome empresarial composto pelo nome de sócios.
A única exceção é a sociedade comandita por ações que, apesar de ter sócio com respon-
sabilidade ilimitada, poderá adotar firma ou denominação (artigo 1.161 do CC).

1.3.2. Princípio da Novidade


CC/2002
Art. 1.163. O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo re-
gistro.
Parágrafo único. Se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos, deverá acrescentar
designação que o distinga.

De acordo com o princípio da novidade, o nome empresarial deve ser novo. Isso ocorre
para que não haja confusão pelo consumidor que, querendo comprar um produto ou contratar
um serviço de determinado empresário, celebre contrato com outro. Portanto é vedado coli-
dência, choque de nomes ou de marcas (marca é um sinal distintivo visual que tem a finalida-
de de distinguir produtos e serviços).
A colidência (NOME X NOME / NOME X MARCA / MARCA X MARCA) é resolvida da seguin-
te forma:

a) Princípio da Territorialidade

Tal princípio faz alusão ao espaço geográfico de proteção do nome empresarial e da marca.
Em se tratando de nome empresarial, este terá proteção no limite do respetivo ente da
federação (Estado ou Distrito Federal), tal proteção se estenderá ao território nacional se o
registro se der nos moldes da lei especial, nos termos do artigo 1.166 e seu parágrafo:

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Art. 1.166. A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas, ou as res-
pectivas averbações, no registro próprio, asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do res-
pectivo Estado.
Parágrafo único. O uso previsto neste artigo estender-se-á a todo o território nacional, se registra-
do na forma da lei especial.

Ou seja,

(…) a tutela ao nome comercial se circunscreve à unidade federativa de competência


da junta comercial em que registrados os atos constitutivos da empresa, podendo ser
estendida a todo o território nacional desde que seja feito pedido complementar de
arquivamento nas demais juntas comerciais (STJ REsp 1.184.867/SC).

De outro canto,

A proteção à marca obedece ao sistema atributivo, sendo adquirida pelo registro valida-
mente expedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI, que assegura
ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional, nos termos do art. 129, caput,
e § 1º da Lei n. 9.279/1996”(STJ REsp 1.184.867/SC).

Art. 129. A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido, conforme as dis-
posições desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional,
observado quanto às marcas coletivas e de certificação o disposto nos arts. 147 e 148.
§ 1º Toda pessoa que, de boa-fé, na data da prioridade ou depósito, usava no País, há pelo menos
6 (seis) meses, marca idêntica ou semelhante, para distinguir ou certificar produto ou serviço idên-
tico, semelhante ou afim, terá direito de precedência ao registro.

b) Princípio da Especificidade

O nome empresarial deve ter inovação no segmento de atuação; assim, não há falar em
colidência nos seguintes casos: Farmácia Líder, Autoescola Líder, Funerária Líder, Escola Lí-
der…, não há colidência por não haver choque no segmento.

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DICA
Só há um caso de proteção em todos os segmentos, é o caso
da marca de alto renome prevista no artigo 125 da Le 9.279/96:
Art. 125. À marca registrada no Brasil considerada de alto re-
nome será assegurada proteção especial, em todos os ramos
de atividade.

Assim, a Resolução INPI/PR n. 107/2013 regulamenta tal dispositivo e o seu artigo 1º es-
clarece a definição de tal tipo de marca:

Art. 1º Para efeitos desta Resolução, considera-se de alto renome a marca registrada cujo desem-
penho em distinguir os produtos ou serviços por ela designados e cuja eficácia simbólica levam-na
a extrapolar seu escopo primitivo, exorbitando, assim, o chamado princípio da especialidade, em
função de sua distintividade, de seu reconhecimento por ampla parcela do público, da qualidade,
reputação e prestígio a ela associados e de sua flagrante capacidade de atrair os consumidores em
razão de sua simples presença.
§ 1º O disposto no art. 125 da LPI destina-se a possibilitar a proteção da marca considerada de
alto renome contra a tentativa de terceiros de registrar sinal que a imite ou reproduza, ainda que
ausente a afinidade entre os produtos ou serviços aos quais as marcas se destinam, a fim de coibir
as hipóteses de diluição de sua capacidade distintiva ou de seu aproveitamento parasitário.
§ 2º O reconhecimento do alto renome de uma determinada marca passa a constituir etapa au-
tônoma e prévia à aplicação da proteção especial acima mencionada, não estando vinculado a
qualquer requerimento em sede de defesa.

Logo a marca considerada de alto renome está registrada no Brasil e terá proteção em
todos os segmentos (Ex.: Fusca, Barbie, Honda, Coca-Cola…).
Não pode confundir marca de alto renome com marca notoriamente conhecida, esta está
tem previsão no artigo 126 da Le 9.279/96:

Art. 126. A marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade nos termos do art. 6º bis (I),
da Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial, goza de proteção espe-
cial, independentemente de estar previamente depositada ou registrada no Brasil.
§ 1º A proteção de que trata este artigo aplica-se também às marcas de serviço.
§ 2º O INPI poderá indeferir de ofício pedido de registro de marca que reproduza ou imite, no todo
ou em parte, marca notoriamente conhecida.

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Marca notoriamente conhecida independe de registro no Brasil, mas, por ser notoriamente
conhecida, tem proteção em seu segmento.
Para ilustrar a diferença entre marca de alto renome e marca notoriamente conhecida,
vale o julgamento do RECURSO ESPECIAL N. 1.114.745 – RJ:

RECURSO ESPECIAL – PROPRIEDADE INDUSTRIAL – DIREITO MARCÁRIO – ART. 131, DO


CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL – INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO – FUNDAMENTAÇÃO SUFI-
CIENTE – ART. 460, DO CPC – PRINCÍPIO DA ADSTRIÇÃO DO JULGADOR – OBSERVÂN-
CIA, NA ESPÉCIE – MARCA NOTORIAMENTE CONHECIDA – EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA
TERRITORIALIDADE – PROTEÇÃO ESPECIAL INDEPENDENTE DE REGISTRO NO BRASIL
NO SEU RAMO DE ATIVIDADE – MARCA DE ALTO RENOME – EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA
ESPECIFICIDADE – PROTEÇÃO ESPECIAL EM TODOS OS RAMOS DE ATIVIDADE DESDE
QUE TENHA REGISTRO NO BRASIL E SEJA DECLARADA PELO INPI – NOTORIEDADE
DA MARCA “SKECHERS” – ENTENDIMENTO OBTIDO PELO EXAME DE PROVAS – INCI-
DÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ – MARCAS “SKETCH” E “SKECHERS” – POSSIBILIDADE DE
CONVIVÊNCIA – ATUAÇÃO EM RAMOS COMERCIAIS DISTINTOS, AINDA QUE DA MESMA
CLASSE – RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, IMPROVIDO.
I – O v. acórdão regional explicitou de forma clara e fundamentada suas razões de deci-
dir. Assim, a prestação jurisdicional, ainda que contrária à expectativa da parte, foi com-
pleta, restando inatacada, portanto, a liberalidade do artigo 93, inciso IX, da Constituição
Federal, bem como do art. 131 do Código de Processo Civil.
II – Na hipótese, a decisão do Tribunal Regional observa estritamente os limites do
pedido, ou seja, a legalidade da concessão do registro da marca “SKECHERS” em favor
da ora recorrida, afastando-se, por conseguinte, eventual alegação de violação ao art.
460 do Código de Processo Civil.
III – O conceito de marca notoriamente conhecida não se confunde com marca de alto
renome. A primeira – notoriamente conhecida – é exceção ao princípio da territoriali-
dade e goza de proteção especial independente de registro no Brasil em seu respectivo
ramo de atividade. A segunda – marca de alto renome – cuida de exceção ao princípio
da especificidade e tem proteção especial em todos os ramos de atividade, desde que
previamente registrada no Brasil e declarada pelo INPI – Instituto Nacional de Proprie-
dade Industrial.

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IV – A discussão acerca da notoriedade ou não da marca “SKECHERS” deve ser obser-


vada tendo em conta a fixação dada pelo Tribunal de origem, com base no exame acu-
rado dos elementos fáticos probatórios. Assim, qualquer conclusão que contrarie tal
entendimento, posta como está a questão, demandaria o reexame de provas, atraindo,
por consequência, a incidência do enunciado n. 7/STJ.
V – Nos termos do artigo 124, inciso XIX, da Lei 9.279/96, observa-se que seu objetivo
é o de exclusivamente impedir a prática de atos de concorrência desleal, mediante cap-
tação indevida de clientela, ou que provoquem confusão perante os próprios consumi-
dores por meio da reprodução ou imitação, no todo ou em parte, de marca alheia, para
distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim.
VI – No caso dos autos, não se observa, de plano, a possibilidade de confusão dos con-
sumidores pelo que viável a convivência das duas marcas registradas “SKETCH”, de
propriedade da ora recorrente e, “SKECHERS”, da titularidade da ora recorrida, empresa
norte-americana.
VII – Enquanto a ora recorrente, LIMA ROUPAS E ACESSÓRIOS LTDA., titular da marca
“SKETCH”, comercializa produtos de vestuário e acessórios, inclusive calçados, a ora
recorrida, SKECHERS USA INC II”, atua, especificamente, na comercialização de roupas
e acessórios de uso comum, para a prática de esportes, de uso profissional. De maneira
que, é possível observar que, embora os consumidores possam encontrar em um ou em
outro, pontos de interesse comum, não há porque não se reconhecer a possibilidade de
convivência pacífica entre ambos.
VIII – Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, improvido.

c) Anterioridade

Na hipótese de colidência no espaço geográfico e no segmento (especificidade), é confe-


rida prioridade de registro àquele que primeiro depositar o pedido correlato.
O STJ, tem entendimento “no sentido de que eventual colidência entre nome empresarial
e marca não é resolvido tão somente sob a ótica do princípio da anterioridade do registro, de-
vendo ser levado em conta ainda os princípios da territorialidade, no que concerne ao âmbito
geográfico de proteção, bem como o da especificidade, quanto ao tipo de produto e serviço”.
(REsp 1359666/RJ)

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1.4. Sócio que Falecer, For Excluído ou se Retirar da Sociedade

O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não pode ser conservado na
firma social (artigo 1.165 do CC).
Cuidado com a sociedade de advogados nos termos do § 1º do artigo 16 do Estatuto da OAB:

Art. 16. Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies de sociedades de
advogados que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem deno-
minação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou
titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente
proibida de advogar.
§ 1º A razão social deve ter, obrigatoriamente, o nome de, pelo menos, um advogado responsável
pela sociedade, podendo permanecer o de sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no
ato constitutivo.

Questão 3 (FGV/XII/EXAME UNIFICADO) O escritório Hércules Advogados Associados foi


fundado no início do século XX, tendo destacada atuação em várias áreas do Direito. O sócio
fundador faleceu no limiar do século XXI e os sócios remanescentes manifestaram o desejo
de manter o nome do advogado falecido na razão social da sociedade.
A partir da hipótese sugerida, nos termos do Regulamento Geral da Ordem dos Advogados do
Brasil, assinale a afirmativa correta.
a) Falecendo o advogado sócio, determina-se a sua exclusão dos registros da sociedade in-
cluindo a razão social do escritório.
b) Permite-se a manutenção do sócio fundador nos registros do escritório, mediante autori-
zação especial do plenário da Seccional.
c) Havendo previsão no ato constitutivo da sociedade de advogados, pode permanecer o
nome do sócio falecido na razão social.
d) Existindo acordo entre o escritório de advocacia, os clientes e a Seccional da Ordem dos
Advogados do Brasil, é permitida a manutenção do nome do sócio falecido.1

1
Letra c.

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Questão 4 (FGV/XV/EXAME UNIFICADO) Os advogados X de Souza, Y dos Santos e re-


quereram o registro de sociedade de advogados denominada Souza, Santos e Andrade So-
ciedade de Advogados. Tempos depois, X de Souza vem a falecer, mas os demais sócios
decidem manter na sociedade o nome do advogado falecido. Sobre a hipótese, assinale a
afirmativa correta.
a) É possível manter o nome do sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no ato
constitutivo da sociedade.
b) É possível manter o nome do sócio falecido, independentemente de previsão no ato cons-
titutivo da sociedade.
c) É absolutamente vedada a manutenção do nome do sócio falecido na razão social da so-
ciedade.
d) É possível manter, pelo prazo máximo de seis meses, o nome do sócio falecido.2

Questão 5 (FGV/XXVII/EXAME UNIFICADO) Ricardo Silva, Carlos Santos e Raul Azevedo


são advogados e constituem a sociedade Silva, Santos e Azevedo Sociedade de Advogados,
para exercício conjunto da profissão. A sociedade consolida-se como referência de atuação
em determinado ramo do Direito. Anos depois, Carlos Santos falece e seus ex-sócios preten-
dem manter seu sobrenome na sociedade.
Sobre a manutenção do sobrenome de Carlos Santos na sociedade, de acordo com o Estatuto
e com o Regulamento Geral da OAB, assinale a afirmativa correta.
a) É permitida, desde que expressamente autorizada por seus herdeiros.
b) É vedada, pois da razão social não pode constar o nome de advogado falecido.
c) É permitida, desde que prevista tal possibilidade no ato constitutivo da sociedade ou na
alteração contratual em vigor.
d) É permitida, independentemente da previsão no ato constitutivo ou na alteração contratual
em vigor, ou de autorização dos herdeiros, desde que autorizada pelo Conselho da respectiva
seccional.3

2
Letra a.
3
Letra c.

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Agora, você viu 3 questões cobradas pela FGV, já estudadas na aula anterior em que a
banca exige o § 1º do artigo 16 do Estatuto da OAB:

Art. 16. Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies de sociedades de
advogados que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem deno-
minação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou
titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente
proibida de advogar.
§ 1º A razão social deve ter, obrigatoriamente, o nome de, pelo menos, um advogado responsável
pela sociedade, podendo permanecer o de sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no
ato constitutivo.

1.5. Título do Estabelecimento

Você sabe quem é Arthur Antunes Coimbra?


Você já ouviu falar de Zico?
Zico é o apelido do ex-jogador do Flamengo chamado de Arthur Antunes Coimbra. Ou
seja, as pessoas podem ter apelidos. Em Rondônia, tenho um amigo que se chama Idevaldo
em homenagem ao seu genitor, meu amigo é conhecido por “Vardim”, de Idevaldinho.
Em se tratando de nome empresarial, o empresário também pode ter um “apelido”, cha-
mado de título do estabelecimento.
Título do estabelecimento é o elemento que identifica o estabelecimento empresarial.
Já ouviu falar em GLOBEX UTILIDADES S/A?
Já ouviu falar em PONTO FRIO?
GLOBEX UTILIDADES S/A é o nome empresarial, PONTO FRIO é o título do estabelecimento.

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Ou seja, aquele letreiro, muitas vezes luminoso, fixado na entrada de qualquer estabeleci-
mento apresenta o título do estabelecimento.
Em matéria de proteção, o STJ (REsp 1232658 / SP) atribui ao título do estabelecimento a
mesma proteção dada ao nome empresarial, confira:

Para a aferição de eventual colidência entre marca e signos distintivos sujeitos a outras moda-
lidades de proteção – como o nome empresarial e o título de estabelecimento – não é possível
restringir-se à análise do critério da anterioridade, mas deve também se levar em consideração os
princípios da territorialidade e da especialidade, como corolário da necessidade de se evitar erro,
dúvida ou confusão entre os usuários.

1.6. Nome de Domínio

“Domínio é um endereço que identifica o endereço ou um serviço na internet” (fonte: Re-


gistro.br), a título de exemplo: www.grancursosonline.com.br
Para o STJ (REsp 1238041 / SC), “(…) no Brasil, o registro de nomes de domínio na inter-
net é regido pelo princípio First Come, First Served, segundo o qual é concedido o domínio ao
primeiro requerente que satisfizer as exigências para o registro” e, ainda, a legitimidade do
registro do nome do domínio pode ser contestada ante a utilização indevida de elementos
característicos de nome empresarial ou marca devidamente registrados.

1.7. Da Inalienabilidade do Nome Empresarial


Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação.
Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se o contrato o permi-
tir, usar o nome do alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor.

1.8. Artigos do Código Civil


Art. 1.155. Considera-se nome empresarial a firma ou a denominação adotada, de conformidade
com este Capítulo, para o exercício de empresa.
Parágrafo único. Equipara-se ao nome empresarial, para os efeitos da proteção da lei, a denomina-
ção das sociedades simples, associações e fundações.
Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída por seu nome, completo ou abreviado, aditan-
do-lhe, se quiser, designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade.

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Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará sob firma, na
qual somente os nomes daqueles poderão figurar, bastando para formá-la aditar ao nome de um
deles a expressão “e companhia” ou sua abreviatura.
Parágrafo único. Ficam solidária e ilimitadamente responsáveis pelas obrigações contraídas sob a
firma social aqueles que, por seus nomes, figurarem na firma da sociedade de que trata este artigo.
Art. 1.158. Pode a sociedade limitada adotar firma ou denominação, integradas pela palavra final
“limitada” ou a sua abreviatura.
§ 1º A firma será composta com o nome de um ou mais sócios, desde que pessoas físicas, de modo
indicativo da relação social.
§ 2º A denominação deve designar o objeto da sociedade, sendo permitido nela figurar o nome de
um ou mais sócios.
§ 3º A omissão da palavra “limitada” determina a responsabilidade solidária e ilimitada dos admi-
nistradores que assim empregarem a firma ou a denominação da sociedade.
Art. 1.159. A sociedade cooperativa funciona sob denominação integrada pelo vocábulo “coo-
perativa”.
Art. 1.160. A sociedade anônima opera sob denominação designativa do objeto social, integrada
pelas expressões “sociedade anônima” ou “companhia”, por extenso ou abreviadamente.
Parágrafo único. Pode constar da denominação o nome do fundador, acionista, ou pessoa que haja
concorrido para o bom êxito da formação da empresa.
Art. 1.161. A sociedade em comandita por ações pode, em lugar de firma, adotar denominação
designativa do objeto social, aditada da expressão “comandita por ações”.
Art. 1.162. A sociedade em conta de participação não pode ter firma ou denominação.
Art. 1.163. O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo re-
gistro.
Parágrafo único. Se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos, deverá acrescentar
designação que o distinga.
Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação.
Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se o contrato o permi-
tir, usar o nome do alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor.
Art. 1.165. O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não pode ser conservado
na firma social.
Art. 1.166. A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas, ou as res-
pectivas averbações, no registro próprio, asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do res-
pectivo Estado.
Parágrafo único. O uso previsto neste artigo estender-se-á a todo o território nacional, se registra-
do na forma da lei especial.
Art. 1.167. Cabe ao prejudicado, a qualquer tempo, ação para anular a inscrição do nome empresa-
rial feita com violação da lei ou do contrato.
Art. 1.168. A inscrição do nome empresarial será cancelada, a requerimento de qualquer interessa-
do, quando cessar o exercício da atividade para que foi adotado, ou quando ultimar-se a liquidação
da sociedade que o inscreveu.

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2. Estabelecimento Empresarial

2.1. Conceito

Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da em-


presa, por empresário, ou por sociedade empresária, de acordo com o artigo 1.142 do CC. É
conhecido como fundo de empresa, fundo de comércio.
O estabelecimento empresarial é uma universalidade de fato composta por bens corpóre-
os (móveis e imóveis) e incorpóreos (patente, modelo de utilidade e marca).

2.2. Negócios Jurídicos


Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, transla-
tivos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza.

O artigo 1.143 do Código Civil reconhece o caráter unitário do estabelecimento empresa-


rial, motivo pelo qual pode ser alienado (trespasse) ou ser objeto de arrendamento, sendo que
o contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento,
só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empre-
sário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publica-
do na imprensa oficial (artigo 1.144 do Código Civil).

DICA
O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou ar-
rendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto
a terceiros quando:
REGISTRADO NA JUNTA (REGISTO PÚBLICO DE EMPRESAS
MERCANTIS;
PUBLICADO NA IMPRENSA OFICIAL.

Cuidado, pois em se tratando de microempresa ou empresa de pequeno porte o artigo 71


da LC 123/2006, torna desnecessário publicação de qualquer ato societário:

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Art. 71. Os empresários e as sociedades de que trata esta Lei Complementar, nos termos da legis-
lação civil, ficam dispensados da publicação de qualquer ato societário.

Ou seja, há necessidade de registro na Junta Comercial, mas não há necessidade de pu-

blicação na imprensa em trespasse realizado por microempresa e empresa de pequeno porte.

Questão 6 (FGV/XIII/EXAME UNIFICADO) Ananias Targino consulta sua advogada para

saber as providências que deve tomar para publicizar o trespasse do estabelecimento da

Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) por ele constituída e enquadrada

como microempresa, cuja firma é Ananias Targino EIRELI ME.

A advogada corretamente respondeu que

a) é dispensável qualquer publicização ou arquivamento do contrato de trespasse do estabe-

lecimento por ser a EIRELI enquadrada como microempresa.

b) é dispensável o arquivamento do contrato de trespasse no Registro Público de Empresas

Mercantis, mas ele deverá ser publicado na imprensa oficial.

c) é dispensável o arquivamento do contrato de trespasse no Registro Público de Empresas

Mercantis, mas ele deverá ser publicado na imprensa oficial e em jornal de grande circulação.

d) é dispensável a publicação do contrato de trespasse na imprensa oficial, mas ele deverá ser

arquivado no Registro Público de Empresas Mercantis.

Letra d.

Diante do fato de a EIRELI ser enquadrada como microempresa, o trespasse deve ser registra-

do na Junta Comercial, sendo dispensável a publicação do ato na imprensa oficial.

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2.2.1. Trespasse

O contrato de trespasse é aquele que tem como objeto a alienação do estabelecimento


empresarial, com as seguintes características:

a) Pagamento dos credores

Nos termos do artigo 1.145 do CC, se ao alienante não restarem bens suficientes para
solver o seu passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de
todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em trinta dias a
partir de sua notificação.

DICA
O descumprimento do artigo 1.145 do CC é considerado ato
ruinoso (ato de falência) que autoriza o pedido de falência do
alienante do estabelecimento, de acordo com o artigo 94, III,
alínea “c”, da Lei 11.101/2005:
Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:
(…)
III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte
de plano de recuperação judicial:
(…)
c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o
consentimento de todos os credores e sem ficar com bens
suficientes para solver seu passivo;

Ainda, no tocante à Lei de Falências e de Recuperação de Empresas (Lei 11.101/2005),


vale destacar que:
• Após a distribuição do pedido de recuperação judicial, o devedor não poderá alienar ou
onerar bens ou direitos de seu ativo permanente, salvo evidente utilidade reconhecida
pelo juiz, depois de ouvido o Comitê, com exceção daqueles previamente relacionados
no plano de recuperação judicial” (artigo 66); e

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• É ineficaz em relação à massa falida, tenha ou não o contratante conhecimento do


estado de crise econômico-financeira do devedor, seja ou não intenção deste fraudar
credores a venda ou transferência de estabelecimento feita sem o consentimento ex-
presso ou o pagamento de todos os credores, a esse tempo existentes, não tendo res-
tado ao devedor bens suficientes para solver o seu passivo, salvo se, no prazo de 30
(trinta) dias, não houver oposição dos credores, após serem devidamente notificados,
judicialmente ou pelo oficial do registro de títulos e documentos (artigo 129, VI).

Questão 7 (FGV/XXV/EXAME UNIFICADO) O empresário individual José de Freitas alienou


seu estabelecimento a outro empresário mediante os termos de um contrato escrito, aver-
bado à margem de sua inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis, publicado na
imprensa oficial, mas não lhe restaram bens suficientes para solver o seu passivo.
Em relação à alienação do estabelecimento empresarial nessas condições, sua eficácia
depende
a) da quitação prévia dos créditos trabalhistas e fiscais vencidos no ano anterior ao da alie-
nação do estabelecimento.
b) do pagamento a todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou
tácito, em trinta dias a partir de sua notificação.
c) da quitação ou anuência prévia dos credores com garantia real e, quanto aos demais cre-
dores, da notificação da transferência com antecedência de, no mínimo, sessenta dias.
d) do consentimento expresso de todos os credores quirografários ou da consignação prévia
das importâncias que lhes são devidas.

Letra b.
Cópia fiel do artigo 1.145 do CC.

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b) Débitos anteriores à transferência

O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à


transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo soli-
dariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publica-
ção, e, quanto aos outros, da data do vencimento (artigo 1.146 do Código Civil).
No trespasse há a transferência do estabelecimento empresarial in totum, abrangendo
seus bens, ativo e passivo contabilizado, sendo que o alienante (devedor primitivo) continua
solidário pelo prazo de um ano.
O prazo de um ano é contato da data da publicação do trespasse (artigo 1.144 do CC) para
os débitos que estavam vencidos em tal data. Já para os débitos que estavam a vencer na
data publicação do trespasse, o prazo se iniciará na data do respectivo vencimento.

Questão 8 (FGV/XXV/EXAME UNIFICADO) As sociedades empresárias Y e J celebraram


contrato tendo por objeto a alienação do estabelecimento da primeira, situado em Antônio
Dias/MG. Na data da assinatura do contrato, dentre outros débitos regularmente contabiliza-
dos, constava uma nota promissória vencida havia três meses no valor de R$ 25.000,00 (vinte
e cinco mil reais). O contrato não tem nenhuma cláusula quanto à existência de solidariedade
entre as partes, tanto pelos débitos vencidos quanto pelos vincendos.
Sabendo-se que, em 15/10/2018, após averbação na Junta Comercial competente, houve pu-
blicação do contrato na imprensa oficial e, tomando por base comparativa o dia 15/01/2020,
o alienante
a) responderá pelo débito vencido com o adquirente por não terem decorrido cinco anos da
publicação do contrato na imprensa oficial.
b) não responderá pelo débito vencido com o adquirente em razão de não ter sido estipulada
tal solidariedade no contrato.
c) responderá pelo débito vencido com o adquirente até a ocorrência da prescrição relativa à
cobrança da nota promissória.

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d) não responderá pelo débito vencido com o adquirente diante do decurso de mais de 1 (um)
ano da publicação do contrato na imprensa oficial.

Letra d.
Diante do prazo entre registro e publicação (15/10/2018) do trespasse, considerando ainda o
fato de a nota promissória já estar vencida na data do trespasse, a solidariedade perduraria
por 01 (um) ano, findando-se em 15/10/2019. Em face da data comparativa apresentada pelo
examinador (15/01/2020), não há falar em solidariedade da sociedade alienante.

c) Débitos fiscais

Claro que a venda do estabelecimento empresarial (trespasse) pode ter reflexos no âmbito
fiscal; pois, no momento do trespasse, pode haver débitos tributários pendentes de pagamento.
Assim, para facilitar a sua memorização você deve ter em mente o seguinte macete:
6 – SUBS
PA – TUDO
Ou seja:

ALIENANTE ADQUIRENTE
Se o alienante continuar qualquer atividade O adquirente que continua a atividade respon-
empresária em 6 meses derá SUBSidiariamente
Se o alienante PARAR de exercer atividade O adquirente que continua a atividade respon-
empresária derá por TUDO, integralmente

Isso nos termos dos incisos I e II do artigo 133 do CTN:

Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título,
fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respecti-
va exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos
tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato:
I – integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade;
II – subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis
meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio,
indústria ou profissão.

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§ 1º O disposto no caput deste artigo não se aplica na hipótese de alienação judicial:


I – em processo de falência;
II – de filial ou unidade produtiva isolada, em processo de recuperação judicial.
§ 2º Não se aplica o disposto no § 1º deste artigo quando o adquirente for:
I – sócio da sociedade falida ou em recuperação judicial, ou sociedade controlada pelo devedor
falido ou em recuperação judicial;
II – parente, em linha reta ou colateral até o 4º (quarto) grau, consanguíneo ou afim, do devedor
falido ou em recuperação judicial ou de qualquer de seus sócios; ou
III – identificado como agente do falido ou do devedor em recuperação judicial com o objetivo de
fraudar a sucessão tributária.
§ 3º Em processo da falência, o produto da alienação judicial de empresa, filial ou unidade produ-
tiva isolada permanecerá em conta de depósito à disposição do juízo de falência pelo prazo de 1
(um) ano, contado da data de alienação, somente podendo ser utilizado para o pagamento de cré-
ditos extraconcursais ou de créditos que preferem ao tributário.

Questão 9 (FGV/VII/EXAME UNIFICADO) Determinada pessoa física adquire de outra um


estabelecimento comercial e segue na exploração de suas atividades, cessando ao vendedor
toda a atividade empresarial. Nesse caso, em relação aos tributos devidos pelo estabeleci-
mento comercial até a data da aquisição do referido negócio jurídico, o novo adquirente res-
ponde
a) pela metade dos tributos.
b) subsidiariamente pela integralidade dos tributos.
c) integralmente por todos os tributos.
d) solidariamente, com o antigo proprietário, por todos os tributos.

Letra c.
Diante do fato de o vendedor do estabelecimento empresarial ter cessado atividade empresa-
rial, o adquirente responde integralmente por todos os tributos.

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Questão 10 (FGV/XX/EXAME UNIFICADO/REAPLICAÇÃO SALVADOR/BA) XYZ é um esta-


belecimento empresarial que foi alienado e cujo adquirente continuou a explorar a mesma
atividade.
Considerando que também o alienante de XYZ continuou a exercer atividade empresarial no
mesmo ramo de negócio, assinale a afirmativa correta.
a) O adquirente é integralmente responsável pelos tributos devidos até a data da alienação do
estabelecimento, sem responsabilidade do alienante.
b) O adquirente e o alienante são responsáveis, cada qual, por 50% dos tributos devidos até a
data da alienação do estabelecimento.
c) A responsabilidade pelos tributos devidos até a data da alienação é integralmente do alie-
nante, sem responsabilidade do adquirente.
d) Como o alienante continuou a explorar atividade empresarial, a responsabilidade do adqui-
rente pelos tributos devidos até a data da alienação é subsidiária com o alienante.

Letra d.
Diante do fato de o vendedor do estabelecimento empresarial ter continuado atividade em-
presarial, o adquirente responde subsidiariamente por todos os tributos.

d) Da proibição de concorrência

De acordo com o caput do artigo Art. 1.147 do CC, não havendo autorização expressa,
o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos
subsequentes à transferência.
Ou seja, salvo cláusula autorizativa expressa no contrato de trespasse, o alienante do
estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subsequentes à
transferência.

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Questão 11 (FGV/X/EXAME UNIFICADO) Lavanderias Roupa Limpa Ltda. (“Roupa Limpa”)


alienou um de seus estabelecimentos comerciais, uma lavanderia no bairro do Jacintinho,
na cidade de Maceió, para Caio da Silva, empresário individual. O contrato de trespasse foi
omisso quanto à possibilidade de restabelecimento da “Roupa Limpa”, bem como nada dis-
pôs a respeito da responsabilidade de Caio da Silva por débitos anteriores à transferência do
estabelecimento.
Nesse cenário, assinale a afirmativa correta.
a) O contrato de trespasse será oponível a terceiros, independentemente de qualquer registro
na Junta Comercial ou publicação.
b) Caio da Silva não responderá por qualquer débito anterior à transferência, exceto os que
não estiverem devidamente escriturados.
c) Na omissão do contrato de trespasse, Roupa Limpa poderá se restabelecer no bairro do
Jacintinho e fazer concorrência a Caio da Silva.
d) Não havendo autorização expressa, “Roupa Limpa” não poderá fazer concorrência a Caio
da Silva, nos cinco anos subsequentes à transferência.

Letra d.
Artigo 1.147 do CC.

e) Da sub-rogação do adquirente nos contratos

O artigo 1.148 do Código Civil dispõe que, salvo disposição em contrário, a transferência
importa a sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do estabe-
lecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir o contrato em no-

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venta dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste
caso, a responsabilidade do alienante.
Isso quer dizer que, nos contratos de trato sucessivo atrelados à atividade do estabeleci-
mento (como é o caso do fornecimento de bebidas a um bar) são transferidos ao adquirente,
podendo ser afastada a sub-rogação por meio de cláusula contratual expressa. Contudo, se
tais contratos tiverem caráter pessoal, não haverá transferência (como é o caso do trespasse
de uma alfaiataria em que o famoso alfaiate alienante fornece a determinado consumidor,
mensalmente, conjuntos de ternos – neste caso há pessoalidade no contrato, tal contrato
está vinculado ao aviamento subjetivo, ou seja, o cliente quer seus ternos fabricados por
aquele famoso alfaiate, não servirá qualquer outro).
Sendo que a cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produzirá
efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da publicação da transferên-
cia, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé pagar ao cedente (artigo 1.149 do CC).

Questão 12 (FGV/XII/EXAME UNIFICADO) No contrato de alienação do estabelecimento da


sociedade empresária Chaves & Cia Ltda., com sede em Theobroma, ficou pactuado que não
haveria sub-rogação do adquirente nos contratos celebrados pelo alienante, em vigor na data
da transferência, relativos ao fornecimento de matéria-prima para o exercício da empresa. Um
dos sócios da sociedade empresária consulta sua advogada para saber se a estipulação é vá-
lida. Consoante as disposições legais sobre o estabelecimento, assinale a afirmativa correta.
a) A estipulação é nula, pois o contrato de alienação do estabelecimento não pode afastar a
sub-rogação do adquirente nos contratos celebrados anteriormente para sua exploração.
b) A estipulação é válida, pois o contrato de alienação do estabelecimento pode afastar a sub-
-rogação do adquirente nos contratos celebrados anteriormente para sua exploração.
c) A estipulação é anulável, podendo os terceiros rescindir seus contratos com a sociedade
empresária em até 90 (noventa) dias a contar da publicação da transferência.

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d) A estipulação é considerada não escrita, por desrespeitar norma de ordem pública que
impõe a solidariedade entre alienante e adquirente pelas obrigações referentes ao estabe-
lecimento.

Letra b.
O artigo 1.148 do CC, por ser norma dispositiva, dá a possibilidade de as partes afastarem a
sub-rogação por meio de cláusula expressa no contrato de trespasse.

2.2.2. Arrendamento e Usufruto

O estabelecimento empresarial também pode ser arrendado, como numa locação, mas do
complexo de bens, bem como ter transmitido seu usufruto. Em tais hipóteses (arrendamento
ou usufruto de estabelecimento empresarial), a proibição de concorrência persistirá durante
o prazo do contrato (parágrafo único do artigo 1.147 do CC).

2.3. Artigos do Código Civil


Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da
empresa, por empresário, ou por sociedade empresária.
Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, transla-
tivos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza.
Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabeleci-
mento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do em-
presário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado
na imprensa oficial.
Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a eficácia da
alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os credores, ou do consentimento
destes, de modo expresso ou tácito, em trinta dias a partir de sua notificação.
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à
transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidaria-
mente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e,
quanto aos outros, da data do vencimento.
Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer
concorrência ao adquirente, nos cinco anos subsequentes à transferência.

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Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista


neste artigo persistirá durante o prazo do contrato.
Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-rogação do adquirente
nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal,
podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência,
se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante.
Art. 1.149. A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produzirá efeito em re-
lação aos respectivos devedores, desde o momento da publicação da transferência, mas o devedor
ficará exonerado se de boa-fé pagar ao cedente.

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RESUMO
Nome Empresarial

Conceito: é a expressão por meio da qual o empresário é conhecido.


Título do estabelecimento: “Placa pendurada em cima do boteco, é igual ao nome fanta-
sia, apelido do empresário (seja ele pessoa natural ou jurídica).
Princípio da veracidade/autenticidade:
a) A partir do nome empresarial descobre-se a modalidade de responsabilidade dos sócios.
b) Se a sociedade tiver sócio ou grupo de sócios que responda sem limitação (ilimitada-
mente), o nome empresarial deve ser composto pelo nome de um, alguns ou todos que assim
responda.
Princípio da novidade: o nome empresarial deve ser novo, original.
Espécies de Nome Empresarial
• Firma ou razão – É a espécie de nome empresarial constituído a partir do nome do em-
presário (pessoa natural) ou do nome de sócio.

a) Individual: Empresário individual, pessoa natural, firma individual.


b) Social: Sociedade empresária.
• Denominação: Sempre social. É a espécie de nome empresarial abstrata, haja vista não
ser constituída por nome de sócio. S/A e cooperativa só podem utilizar denominação.

A LTDA pode ter denominação ou firma.

 Obs.: O nome empresarial é inalienável.

EAOAB
Art. 16. Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies de sociedades de
advogados que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem deno-
minação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou
titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente
proibida de advogar.
§ 1º A razão social deve ter, obrigatoriamente, o nome de, pelo menos, um advogado responsável
pela sociedade, podendo permanecer o de sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no
ato constitutivo.

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O nome empresarial do advogado falecido pode continuar existindo, desde que esteja pre-

visto no contrato.

Estabelecimento Empresarial

Conceito (art. 1142, CC):

Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da
empresa, por empresário, ou por sociedade empresária.

Trespasse é o contrato de alienação do estabelecimento empresarial.

• Eficácia para terceiros: é necessário registro na junta comercial, publicação na impren-

sa oficial, salvo microempresa e empresa de pequeno porte, que basta o registro na

junta comercial).

• Inexistência de bens para quitar credores: A eficácia do trespasse depende da existên-

cia outros de bens, do pagamento de todos os credores ou de autorização/consenti-

mento dos credores. O consentimento pode ser expresso ou tácito. Os credores serão

notificados para se manifestarem em 30 dias.

• Débitos anteriores à alienação: O adquirente do estabelecimento responde pelo pa-

gamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabiliza-

dos, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano,

a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do

vencimento.

• Débitos fiscais:

6 – SUBS

PA – TUDO

Ou seja:

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ALIENANTE ADQUIRENTE
Se o alienante continuar qualquer O adquirente que conti-
atividade empresária em 6 meses nua a atividade responderá
SUBSidiariamente
Se o alienante PARAR de exercer O adquirente que continua
atividade empresária a atividade responderá por
TUDO, integralmente

• Concorrência: Salvo disposição contratual, o alienante não poderá fazer concorrência


com o adquirente, pelo prazo de 5 anos.

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MAPAS MENTAIS

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QUESTÕES COMENTADAS EM AULA


Questão 1 (FGV/XXVI/EXAME UNIFICADO) Cruz Machado pretende iniciar o exercício indi-
vidual de empresa e adotar como firma, exclusivamente, o nome pelo qual é conhecido pela
população de sua cidade – “Monsenhor”.
De acordo com as informações acima e as regras legais de formação de nome empresarial
para o empresário individual, assinale a afirmativa correta.
a) A pretensão de Cruz Machado é possível, pois o empresário individual pode escolher livre-
mente a formação de sua firma.
b) A pretensão de Cruz Machado não é possível, pois o empresário individual deve adotar de-
nominação indicativa do objeto social como espécie de nome empresarial.
c) A pretensão de Cruz Machado não é possível, pois o empresário individual opera sob firma
constituída por seu nome, completo ou abreviado.
d) A pretensão de Cruz Machado é possível, pois o empresário individual pode substituir seu
nome civil por uma designação mais precisa de sua pessoa.

Questão 2 (FGV/VI/EXAME UNIFICADO/REAPLICAÇÃO DUQUE DE CAXIAS/RJ) A respeito


do nome empresarial, é correto afirmar que
a) o nome empresarial pode ser objeto de contrato de compra e venda.
b) a sociedade em conta de participação, por possuir personalidade jurídica, pode adotar fir-
ma ou denominação.
c) a sociedade anônima será designada somente por meio de denominação.
d) a sociedade limitada será designada somente por meio de firma.

Questão 3 (FGV/XII/EXAME UNIFICADO) O escritório Hércules Advogados Associados foi


fundado no início do século XX, tendo destacada atuação em várias áreas do Direito. O sócio
fundador faleceu no limiar do século XXI e os sócios remanescentes manifestaram o desejo
de manter o nome do advogado falecido na razão social da sociedade.
A partir da hipótese sugerida, nos termos do Regulamento Geral da Ordem dos Advogados do
Brasil, assinale a afirmativa correta.

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a) Falecendo o advogado sócio, determina-se a sua exclusão dos registros da sociedade in-
cluindo a razão social do escritório.
b) Permite-se a manutenção do sócio fundador nos registros do escritório, mediante autori-
zação especial do plenário da Seccional.
c) Havendo previsão no ato constitutivo da sociedade de advogados, pode permanecer o
nome do sócio falecido na razão social.
d) Existindo acordo entre o escritório de advocacia, os clientes e a Seccional da Ordem dos
Advogados do Brasil, é permitida a manutenção do nome do sócio falecido.

Questão 4 (FGV/XV/EXAME UNIFICADO) Os advogados X de Souza, Y dos Santos e requere-


ram o registro de sociedade de advogados denominada Souza, Santos e Andrade Sociedade de
Advogados. Tempos depois, X de Souza vem a falecer, mas os demais sócios decidem manter
na sociedade o nome do advogado falecido. Sobre a hipótese, assinale a afirmativa correta.
a) É possível manter o nome do sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no ato
constitutivo da sociedade.
b) É possível manter o nome do sócio falecido, independentemente de previsão no ato cons-
titutivo da sociedade.
c) É absolutamente vedada a manutenção do nome do sócio falecido na razão social da so-
ciedade.
d) É possível manter, pelo prazo máximo de seis meses, o nome do sócio falecido.

Questão 5 (FGV/XXVII/EXAME UNIFICADO) Ricardo Silva, Carlos Santos e Raul Azevedo


são advogados e constituem a sociedade Silva, Santos e Azevedo Sociedade de Advogados,
para exercício conjunto da profissão. A sociedade consolida-se como referência de atuação
em determinado ramo do Direito. Anos depois, Carlos Santos falece e seus ex-sócios preten-
dem manter seu sobrenome na sociedade.
Sobre a manutenção do sobrenome de Carlos Santos na sociedade, de acordo com o Estatuto
e com o Regulamento Geral da OAB, assinale a afirmativa correta.
a) É permitida, desde que expressamente autorizada por seus herdeiros.
b) É vedada, pois da razão social não pode constar o nome de advogado falecido.

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c) É permitida, desde que prevista tal possibilidade no ato constitutivo da sociedade ou na


alteração contratual em vigor.
d) É permitida, independentemente da previsão no ato constitutivo ou na alteração contratual
em vigor, ou de autorização dos herdeiros, desde que autorizada pelo Conselho da respectiva
seccional.

Questão 6 (FGV/XIII/EXAME UNIFICADO) Ananias Targino consulta sua advogada para


saber as providências que deve tomar para publicizar o trespasse do estabelecimento da
Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) por ele constituída e enquadrada
como microempresa, cuja firma é Ananias Targino EIRELI ME.
A advogada corretamente respondeu que
a) é dispensável qualquer publicização ou arquivamento do contrato de trespasse do estabe-
lecimento por ser a EIRELI enquadrada como microempresa.
b) é dispensável o arquivamento do contrato de trespasse no Registro Público de Empresas
Mercantis, mas ele deverá ser publicado na imprensa oficial.
c) é dispensável o arquivamento do contrato de trespasse no Registro Público de Empresas
Mercantis, mas ele deverá ser publicado na imprensa oficial e em jornal de grande circulação.
d) é dispensável a publicação do contrato de trespasse na imprensa oficial, mas ele deverá ser
arquivado no Registro Público de Empresas Mercantis.

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b) do pagamento a todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou
tácito, em trinta dias a partir de sua notificação.

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c) da quitação ou anuência prévia dos credores com garantia real e, quanto aos demais cre-
dores, da notificação da transferência com antecedência de, no mínimo, sessenta dias.
d) do consentimento expresso de todos os credores quirografários ou da consignação prévia
das importâncias que lhes são devidas.

Questão 8 (FGV/XXV/EXAME UNIFICADO) As sociedades empresárias Y e J celebraram


contrato tendo por objeto a alienação do estabelecimento da primeira, situado em Antônio
Dias/MG. Na data da assinatura do contrato, dentre outros débitos regularmente contabiliza-
dos, constava uma nota promissória vencida havia três meses no valor de R$ 25.000,00 (vinte
e cinco mil reais). O contrato não tem nenhuma cláusula quanto à existência de solidariedade
entre as partes, tanto pelos débitos vencidos quanto pelos vincendos.
Sabendo-se que, em 15/10/2018, após averbação na Junta Comercial competente, houve pu-
blicação do contrato na imprensa oficial e, tomando por base comparativa o dia 15/01/2020,
o alienante
a) responderá pelo débito vencido com o adquirente por não terem decorrido cinco anos da
publicação do contrato na imprensa oficial.
b) não responderá pelo débito vencido com o adquirente em razão de não ter sido estipulada
tal solidariedade no contrato.
c) responderá pelo débito vencido com o adquirente até a ocorrência da prescrição relativa à
cobrança da nota promissória.
d) não responderá pelo débito vencido com o adquirente diante do decurso de mais de 1 (um)
ano da publicação do contrato na imprensa oficial.

Questão 9 (FGV/VII/EXAME UNIFICADO) Determinada pessoa física adquire de outra um


estabelecimento comercial e segue na exploração de suas atividades, cessando ao vendedor
toda a atividade empresarial. Nesse caso, em relação aos tributos devidos pelo estabelecimen-
to comercial até a data da aquisição do referido negócio jurídico, o novo adquirente responde
a) pela metade dos tributos.
b) subsidiariamente pela integralidade dos tributos.
c) integralmente por todos os tributos.
d) solidariamente, com o antigo proprietário, por todos os tributos.

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Questão 10 (FGV/XX/EXAME UNIFICADO/REAPLICAÇÃO SALVADOR/BA) XYZ é um esta-


belecimento empresarial que foi alienado e cujo adquirente continuou a explorar a mesma
atividade.
Considerando que também o alienante de XYZ continuou a exercer atividade empresarial no
mesmo ramo de negócio, assinale a afirmativa correta.
a) O adquirente é integralmente responsável pelos tributos devidos até a data da alienação do
estabelecimento, sem responsabilidade do alienante.
b) O adquirente e o alienante são responsáveis, cada qual, por 50% dos tributos devidos até a
data da alienação do estabelecimento.
c) A responsabilidade pelos tributos devidos até a data da alienação é integralmente do alie-
nante, sem responsabilidade do adquirente.
d) Como o alienante continuou a explorar atividade empresarial, a responsabilidade do adqui-
rente pelos tributos devidos até a data da alienação é subsidiária com o alienante.

Questão 11 (FGV/X/EXAME UNIFICADO) Lavanderias Roupa Limpa Ltda. (“Roupa Limpa”)


alienou um de seus estabelecimentos comerciais, uma lavanderia no bairro do Jacintinho,
na cidade de Maceió, para Caio da Silva, empresário individual. O contrato de trespasse foi
omisso quanto à possibilidade de restabelecimento da “Roupa Limpa”, bem como nada dis-
pôs a respeito da responsabilidade de Caio da Silva por débitos anteriores à transferência do
estabelecimento.
Nesse cenário, assinale a afirmativa correta.
a) O contrato de trespasse será oponível a terceiros, independentemente de qualquer registro
na Junta Comercial ou publicação.
b) Caio da Silva não responderá por qualquer débito anterior à transferência, exceto os que
não estiverem devidamente escriturados.
c) Na omissão do contrato de trespasse, Roupa Limpa poderá se restabelecer no bairro do
Jacintinho e fazer concorrência a Caio da Silva.
d) Não havendo autorização expressa, “Roupa Limpa” não poderá fazer concorrência a Caio
da Silva, nos cinco anos subsequentes à transferência.

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Questão 12 (FGV/XII/EXAME UNIFICADO) No contrato de alienação do estabelecimento da


sociedade empresária Chaves & Cia Ltda., com sede em Theobroma, ficou pactuado que não
haveria sub-rogação do adquirente nos contratos celebrados pelo alienante, em vigor na data
da transferência, relativos ao fornecimento de matéria-prima para o exercício da empresa. Um
dos sócios da sociedade empresária consulta sua advogada para saber se a estipulação é vá-
lida. Consoante as disposições legais sobre o estabelecimento, assinale a afirmativa correta.
a) A estipulação é nula, pois o contrato de alienação do estabelecimento não pode afastar a
sub-rogação do adquirente nos contratos celebrados anteriormente para sua exploração.
b) A estipulação é válida, pois o contrato de alienação do estabelecimento pode afastar a sub-
-rogação do adquirente nos contratos celebrados anteriormente para sua exploração.
c) A estipulação é anulável, podendo os terceiros rescindir seus contratos com a sociedade
empresária em até 90 (noventa) dias a contar da publicação da transferência.
d) A estipulação é considerada não escrita, por desrespeitar norma de ordem pública que
impõe a solidariedade entre alienante e adquirente pelas obrigações referentes ao estabele-
cimento.

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GABARITO
1. c 5. c 9. c
2. c 6. d 10. d
3. c 7. b 11. d
4. a 8. d 12. b

Gostaria de, mais uma vez, pedir para você avaliar essa aula. É muito importante para mim
e para o Gran OAB. Obrigado!

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