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“Brasil 2030: Aberto e Soberano!


Desempenho nas Transações Correntes com o Exterior
Texto para Discussão
por
Cesar Rômulo Silveira Neto
Rio de Janeiro, 26 de março de 2020
cromulo@wisetel.com.br

Dando continuidade ao projeto “Brasil 2030: Aberto e Soberano!” 1 apresento, neste


texto, a “Avaliação do Desempenho do Brasil nas Transações Correntes com o
Exterior” em moeda forte de 1947 até 2019 (Vide Anexo 1).
Começarei utilizando o indicador de desempenho Resultado das Transações
Correntes RTC pois ele é o que melhor descreve e qualifica o desempenho do Brasil
na produção ou na absorção de RIQUEZA em MOEDA FORTE (Vide Anexo 2).
O RTC, se positivo, indica que a RIQUEZA foi PRODUZIDA e APROPRIADA pelos
“Residentes”; se negativo, indica que a RIQUEZA foi PRODUZIDA e APROPRIADA
por “Não Residentes” no “Resto do Mundo” e ABSORVIDA pelos “Residentes”, que
passaram a DEVER para os “Não Residentes” o valor da riqueza absorvida.

Resultado das Transações Correntes RTC


O Resultado das Transações Correntes RTC produzido pelo Brasil em 2019 foi de
BUS$2 50,8 negativo e o valor acumulado chegou aos BUS$ 916,5 negativo.
Isso significa que o Brasil ABSORVEU do RESTO DO MUNDO BUS$ 916,5 bilhões.
Para descrever o desempenho do Brasil que produziu esses valores, usarei
demonstrações de desempenho (esquemas, tabelas, séries temporais e histogramas)
definidas no MADE(BalPag)3.
O esquema abaixo é o das Formações do Resultado das Transações Correntes
RTC e da Variação do Patrimônio Nacional Líquido ^PNL nas transações com o
exterior em moeda forte cujas contas finais estão indicadas com setas turquesa.
Os blocos em verde representam as transações comerciais (exportações e
importações) de bens e serviços com o exterior; as em rosa, as transferências de
renda (enviadas e recebidas) com o exterior; e os em amarelo são resultados
intermediários que são usados para a avaliação do desempenho de cada uma das
partes desta formação, sendo que o do “Resultado da Transferência de Renda RTR”
é apresentado em separado para dar destaque à relação entre RCB e REE, a mais
crítica de todas.
Os valores apresentados no interior dos blocos, expressos em US$ milhões correntes,
são os que foram apurados em quatro situações: no último ano e os acumulados nos

1 O primeiro resultado deste projeto foi “Brasil 2030: Aberto e Soberano!” – Texto para Discussão, de
10mar2020, foi distribuído pelas redes sociais (com mais de 1.000 acessos) e publicado no site da
“Convergência Digital” www.convergenciadigital.com.br em 11mar2020 na sessão “Opinião”; Publiquei
nas redes sociais 7 notas extraídas do texto com mais de 2.500 acessos até hoje.
2 Relembro que BUS$ representa “bilhões de dólares correntes”.
3 MADE(BalPag) é o modelo que utilizo para avaliar o desempenho de economias nacionais

contemporâneas nas transações com o exterior em moeda forte (vide nota no “Texto para Discussão”).
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últimos 4 anos (quadriênio, mesmo período dos Planos Plurianuais PPAs), nos últimos
10 anos e o acumulado desde 1947 até o último ano.
Como suporte para a avaliação da formação histórica e estrutural deste expressivo
valor acumulado de BUS$ 916,5 negativo do RTC usarei o seguinte roteiro:
a) Formação Histórica do RTC
1. Séries Temporais do RTC, no ano e acumulado
2. Séries Temporais do RTC como % do PIB:
com RTC e PIB no ano e acumulados e RTB acumulado e PIB no ano
3. Séries Temporais do RTC como % da REX
com RTC e REX no ano e acumulados e RTC acumulado e REX no ano
b) Formação Estrutural do RTC
c) Seleção dos “componentes” com participação significativa no RTC
d) Identificação e pré-qualificação de “Pontos Notáveis”
e) Identificação e pré-qualificação de “Questões Críticas”
f) Proposta para o enfrentamento das “Questões Críticas”.

Desempenho de Economias Nacionais nas Transações com o Exterior


Descrição do Desempenho Realizado nas Transações Correntes
Formação do Resultado das Transações Correntes (RTC)
Formação da Variação do Patrimônio Nacional Líquido (^PNL)
Formação da Riqueza da Economia Nacional em Moeda Forte
Brasil 1947-2019
Receita com Despesa Valores correntes acumulados em US$ Milhões
Exportação com
Indicador de Desempenho
de Bens e Importação Anos Realizado Objetivado Anos
Serviços de Bens e 73 1947-2019 1947-2030 84
REX Serviços DIM 10 2010-2019 2021-2030 10
4 2016-2019 2021-2024 4
Realizado 1 2019 2021 1
1947-2019 4.727.778,6 -4.682.057,2
2010-2019 2.576.652,4 -2.678.791,8
Renda Recebida
2016-2019 1.003.533,6 -941.737,3 do Exterior RRE Resultado
2019 258.395,1 -254.132,1
Corrente
371.862,8
Bruto RCB
198.340,2
95.639,7
31.188,0 417.584,2 Renda
Resultado da 96.200,9 Enviada ao
Balança 157.436,0 Exterior REE
Comercial de 35.451,0
Bens e Serviços
%REX RBC %REX RCB / |REE| > 100%
0,97% 45.721,4 8,83% 31,3%
-3,96% -102.139,4 3,73% 13,7%
6,16% 61.796,3 15,69% 54,5%
Zero 1,65% 4.263,0 13,72% 41,1% Zero
Fonte: Banco Central do Brasil - Séries Temporais - Acesso em 28 jan 2020
Elaboração © 2001-2020 por Cesar Rômulo Silveira Neto %REX Resultado das Variação do
-28,22% -1.334.058,0 Transações Patrimônio
©1989-2020 MADE(BalPag) -27,27% -702.544,5 Correntes Nacional
-28,80% -288.982,1 RTC Líquido ^PNL
-33,36% -86.212,8 %REX Realizado
Resultado da
-916.473,8 -19,38% -911.444,4 1947-2019
Transferência
-606.343,7 -23,53% -585.983,2 2010-2019
de Renda RTR
-131.546,0 -13,11% -121.117,0 2016-2019
-50.761,8 -19,65% -53.055,6 2019
%REX
-20,35% -962.195,2
-19,57% -504.204,3
Variação da
-19,27% -193.342,3
Conta Capital
-21,29% -55.024,7
5.000,0
3.182,7
1.462,0
369,2
Erros e Omissões =
(Des)Valorização
do BPN
%RRE
-258,8% 29,4
-254,2% 17.177,7
-202,2% 8.967,0
-176,4% -2.663,0

Para melhor descrever a formação do RTC, estrutural e historicamente, produzi com o


auxílio do MADE(BalPag), 7 (sete) tabelas com o título Formação do Resultado das
Transações Correntes.

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Essas tabelas contêm, nas linhas, todas as variáveis que descrevem a formação
estrutural do RTC (apresentadas no esquema acima), acrescidas de outras que são
utilizadas para definir indicadores de desempenho críticos, com valores no ano de 1947
até 2019 e com agregados de valores nos “períodos de referência para avaliação do
desempenho”; quais sejam: último ano, ano anterior, últimos 4 anos, últimos 10 anos,
períodos de governos e valor acumulado desde 1947.
Neste item, usarei extratos dessas tabelas com as linhas das variáveis relevantes para
cada contexto sob avaliação e com as colunas referentes aos “períodos de referência”;
quais sejam (vide Anexo):
1. Tabela com valores de cada ano e agregados;
2. Tabela com média anual dos agregados;
3. Tabela com valores acumulados desde 1947;
4. Tabela com valores de cada ano como % do PIB de cada ano e dos agregados;
5. Tabela com valores acumulados desde 1947 como % do PIB acumulado;
6. Tabela com valores de cada ano como % do REX de cada ano e dos agregados;
7. Tabela com valores acumulados desde 1947 como % do REX acumulado.
Apresentarei os valores das demais colunas em gráficos com séries temporais
completas, de 1947 até 2019. Apresentarei também histogramas com valores
agregados para os “períodos de referência”.
Com os elementos e dados nelas apresentados, ficam claramente definidas e
demonstradas as formações estrutural e histórica do Resultado das Transações
Correntes RTC com os elementos que as compõem, em vários níveis de agregação, e
que determinam o RTC.
Na primeira delas, reproduzida abaixo, os valores do RTC realizado em 2019 e o
acumulado desde 1947 até 2019 aparecem nas células destacadas em vermelho:
BUS$ 50, 8 e BUS$ 916,5 negativos, respectivamente.

Na coluna ^2019 estão as variações dos valores produzidos em 2019 em relação


aos de 2018, destacando em vermelho aqueles que contribuíram para piorar o
desempenho e os em azul aqueles que contribuíram para melhorar o desempenho que,
agregados, determinaram a piora de BUS$ 9,2 no RTC; quais sejam:
• Contribuíram para o pior desempenho:
o Receita de Exportação de Bens REXb: queda de BUS$ 15,1

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o Renda Enviada para o Exterior REE: aumento de BUS$ 9,4
o Receita de Exportação de Serviços REXs: queda de BUS$ 1,5
• Contribuíram para o melhor desempenho:
o Renda Recebida do Exterior RRE: aumento de BUS$ 13,2
o Despesa com Importação de Serviços DIMs: queda de BUS$ 2,1
o Despesa com Importação de Bens DIMb: queda de BUS$ 1,5
Delas todas, as mais significativas são as quedas nos valores das Receitas de
Exportação de Bens e de Serviços – REXb e REXs, responsáveis pela queda de
BUS$ 16,6. Esta queda não foi compensada pela redução de apenas BUS$ 3,6 nas
Despesa com Importação de Bens e Serviços DIM, mesmo sendo uma queda
positiva para o Resultado das Transações Correntes RTC.
Essas variações determinaram uma queda de BUS$ 13,1 no Resultado da Balança
Comercial de Bens e Serviços RBC que diminuiu dos BUS$ 17,3 de 2018 para os
BUS$ 4,2 de 2019, uma queda muito gravosa para o Brasil.
Há que se destacar também o aumento de BUS$ 9,4 da Renda Enviada ao Exterior
REE fazendo com que ela chegasse a BUS$ 86,2; esse aumento foi mais do que
compensado pelo aumento de BUS$ 13,2 na Renda Recebida do Exterior RRE;
variações essas que determinaram uma melhoria de BUS$ 3,8 no Resultado da
Transferência de Renda RTR que diminuiu dos BUS$ 58,9 negativo de 2018 para os
BUS$ 55,0 negativo de 2019.
Para consolidar essa avaliação preliminar destaco que o Resultado das Transações
Correntes RTC de 2019 deveria ter sido BUS$ 86,2 e não os BUS$ 35,5 realizados.
Para tal, o Resultado da Balança Comercial de Bens e Serviços RBC deveria ter
sido de BUS$ 55,1 e não os BUS$ 4,3 realizados; ou seja: deveria ter sido 12,8
vezes maior do que foi realizado.
Ou ainda: a Receita com Exportação de Bens e Serviços REX produzida em 2019
(BUS$ 258,4), ao invés de diminuir 6% em relação à de 2018 (BUS$ 275,0); deveria
ter aumentado 12,4% para produzir BUS$ 309,2, valor esse que faria com que o RTC
deixasse de ser negativo.
Esse era o esforço exportador que deveríamos ter realizado.
Há muito o que melhorar em 2020 e 2021 para realizarmos o objetivo RTC > 0!

1 Formação Histórica do RTC


Da Formação do Resultado das Transações Correntes RTC, apresentada na forma
de um esquema, extraio os valores do Resultado das Transações Correntes RTC
que sintetizam o desempenho realizado pelo Brasil nas Transações Correntes com o
exterior em moeda forte nos períodos referidos, em US$ milhões correntes.
Resultado das
Transações
Período
Correntes
RTC
1947-2019 (916.473,8)
2010-2019 (606.343,7)
2016-2019 (131.546,0)
2.019 (50.761,8)

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Em 2019, BUS$ 50,8. Nos últimos 4 anos, BUS$ 131,5. Nos últimos 10 anos, BUS$
606,3; e, acumulado desde 1947, BUS$ 916,5. Todos NEGATIVOS.
As séries temporais apresentadas nos 3 gráficos a seguir descrevem a formação
histórica desses valores, acumulados e ano a ano, segundo os registros publicados
pelas Autoridades Monetárias sobre o Balanço de Pagamentos.

O primeiro deles apresenta a trajetória dos valores acumulados do Resultado das


Transações Correntes RTC de 1947 até 2019 em US$ milhões correntes que
alcançaram o expressivo valor de BUS$ 916,5.
Nele estão destacados os valores “entregues” aos Presidentes da República pelos
seus antecessores, onde os períodos estão “ajustados” para coincidir com o ano fiscal
para fins de referência às políticas públicas por eles praticadas.
Os governos militares receberam dos governos que os antecederam (do governo Dutra
ao governo Goulart) um RTC acumulado de BUS$ 4,2 negativo até o final de 1963 e
entregaram ao governo Sarney um RTC acumulado de BUS$ 102,2 negativo,
apurado no final de 1984, com uma variação negativa de BUS$ 98,2 em 21 anos de
governo; BUS$ 90,9 deles foram produzidos nos governos Geisel e Figueiredo.
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O período 1968-1973 ficou conhecido como o período do Milagre Econômico
Brasileiro pelo acelerado crescimento econômico, fruto do Programa de Ação
Econômica do Governo (Paeg) do governo Castelo Branco que previa incentivo às
exportações, abertura ao capital exterior, bem como reforma nas áreas fiscal, tributária
e financeira, mas que apresentou o pior resultado da história da relação RTC / PIB
que chegou aos incríveis (-6,80%) do PIB em 1974, como descrito mais adiante.
Os governos Sarney, Collor e Itamar entregaram ao governo FHC, no final de 1994, um
RTC acumulado de BUS$ 105,5 negativo com uma variação negativa de apenas
BUS$ 3,3 em 11 anos de governos, na chamada “Década Perdida”.
O governo FHC produziu um prejuízo de BUS$ 189,8, nos seus 8 anos de mandato,
entregando ao governo Lula um RTC acumulado de BUS$ 295,3 negativo no final de
2002, mas com a inflação domada com a implantação bem sucedida do Plano Real.
O governo Lula teve dois momentos: o do 1º mandato, que produziu um resultado
positivo de BUS$ 41,7 em 4 anos, recuperando o RTC acumulado para BUS$ 253,6
negativo no final de 2006; e o do 2º mandato, que, partindo desse valor, produziu um
prejuízo de BUS$ 135,5, levou o RTC acumulado para BUS$ 389,1 no final de seu
governo, produzindo, no total, um prejuízo de BUS$ 93,8 durante os 8 anos.
O governo Dilma produziu um prejuízo de BUS$ 395,8, nos seus 5 anos4 de mandato,
com a aplicação da Nova Matriz Econômica entregando ao governo Temer um RTC
acumulado de BUS$ 784,9 negativo apurado no final de 2015.
O governo Temer produziu um prejuízo de BUS$ 80,8 nos seus 3 anos de mandato,
entregando ao governo Bolsonaro um RTC acumulado de BUS$ 865,7 negativo
apurado no final de 2018, com o sucesso relativo da Ponte para o Futuro que
desacelerou o valor dos prejuízos acumulados no RTC.
O governo Bolsonaro produziu, com o Mais Brasil e Menos Brasília ainda em
implementação, um prejuízo de BUS$ 50,8 no seu primeiro ano de mandato, fazendo
com que o RTC acumulado chegasse a BUS$ 916,5 negativo no final de 2019.
Na tabela abaixo, apresento uma consolidação dos valores acima mencionados.
Desempenho de Economias Nacionais nas Transações com o Exterior
Resultado das Transações Correntes
Brasil 1947-2019
Fonte: Banco Central do Brasil - Séries Temporais - Acesso em 28 jan 2020 US$ Bilhões corrrentes
Período Início Fim Duração Acumulado No Período Média Anual
Anteriores 1.947 1.963 17 (4,2) (4,2) (0,2)
Militares 1.964 1.984 21 (102,2) (98,0) (4,7)
Sarney, Collor e Itamar 1.985 1.994 10 (105,5) (3,4) (0,3)
FHC 1.995 2.002 8 (295,3) (189,8) (23,7)
Lula 1 2.003 2.006 4 (253,6) 41,7 10,4
Lula 2 2.007 2.010 4 (389,1) (135,5) (33,9)
Dilma 2.011 2.015 5 (784,9) (395,8) (79,2)
Temer 2.016 2.018 3 (865,7) (80,8) (26,9)
Bolsonaro 2.019 2.019 1 (916,5) (50,8) (50,8)
Total 73 73 (916,5) (12,6)
Elaboração © 2001-2020 por Cesar Rômulo Silveira Neto ©1989-2020 MADE(BalPag)

4Considerei o governo Dilma como tendo sido de 5 anos (2011-2015); incluí os 4 meses e 12 dias de
2016 no período do governo Temer (2016-2018) que, em 2016, governou 7 meses e 19 dias;
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Nela fica muito claro que, a partir da implantação do Plano Real (quando o governo
parou de financiar os seus déficits com a inflação - perda do poder de compra da
moeda em poder do público - e passou a financiá-los com a emissão de títulos da
dívida pública), os resultados negativos produzidos nas transações com o exterior
independeram dos modelos de desenvolvimento e das Políticas Públicas (monetária &
fiscal & cambial) aplicadas pelos diversos governos.
Essa última afirmativa pode ser considerada, no mínimo, como hipótese altamente
provável a ser testada pelos estudiosos da matéria.
Com exceção da Ponte para o Futuro do governo Temer que desacelerou a trajetória
negativa e considerando que o resultado positivo produzido no 1º governo Lula foi
devido ao “boom das commodities” e não ao modelo de desenvolvimento adotado
pelo seu governo, posso afirmar que todos eles só agravaram – ou não o
enfrentaram com competência - o desempenho do Brasil nas suas transações
correntes com o exterior em moeda forte, como indica a trajetória das médias anuais
decrescentes.
Os efeitos gravosos desses resultados, crescentemente negativos, para a economia
nacional denotam que as Políticas de Preservação da Soberania Nacional,
Desenvolvimento Econômico, Monetária, Fiscal e Cambial não estão articuladas entre
si e/ou que os modelos conceituais pressupostos e/ou implícitos na identificação,
qualificação e avaliação de “Questões Críticas” para o desenvolvimento e soberania
nacional e/ou na formulação/execução de Políticas Públicas e de Planos de Ação para
o enfrentamento dessas questões estão equivocados e/ou incompletos e/ou contém
contradições internas.
Nos 73 anos do RTC o seu valor só foi positivo em 12 anos, com destaque para os 5
anos de 2003-2007 no governo Lula, com os efeitos positivos do “boom das
commodities”, e para os anos 1988-1989 no governo Sarney, com os expressivos
aumentos do Resultado da Balança Comercial de Bens decorrentes da forte
expansão do mercado internacional.
Nelas destacam-se 6 (seis) “Pontos Notáveis” que delimitam inflexões na trajetória do
RTC no ano; quais sejam:
• 1992 BMU$ 6,1 positivo no ano – fim do governo Collor (29dez1992)
• 1998 BUS$ 33,9 negativo no ano – fim da “âncora cambial”, a
“maxidesvalorização do Real” (US$ passou de R$ 1,20 em 13jan99 para R$
1,9824 em 28jan99, chegando a R$ 2,1647 em 03mar99) e o “boom das
commodities” de 2002-2008.
• 2006 BUS$ 13,0 positivo no ano – fim do 1º governo Lula – houve a
substituição do Ministro Palocci pelo Mantega em 27 mar 2006;
• 2014 BUS$ 101,4 negativo no ano – fim do 1º governo Dilma – no dia
seguinte houve a substituição do Ministro Mantega pelo Joaquim Levy
• 2017 BUS$ 15,0 negativo no ano – queda na Taxa SELIC após a substituição
do Ministro Henrique Meirelles por Eduardo Guardia em 10abr2018
• 2019 BUS$ 50,4 negativo no ano – maior redução da Taxa SELIC após a
posse do Ministro Paulo Guedes

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1.1 RTC como % do PIB
A seguir apresento as trajetórias das séries temporais do Resultado das Transações
Correntes RTC em relação ao Produto Interno Bruto PIB, ano a ano e acumulados; o
RTC como % do PIB.

Nas trajetórias das séries temporais nos gráficos acima estão assinalados os pontos
notáveis e de inflexão do sentido da variação de cada uma delas; de onde destacamos:
RTC acumulado como % PIB acumulado
a) 2019: (-2,19%) no governo Bolsonaro (1º ano);
b) Melhor desempenho: (-0,71%) no governo Dutra (1950 4º ano);
c) Melhor desempenho recente: (-1,50%) no governo Lula (2007 5º ano);
d) Pior desempenho recente: (-1,29%) no governo Dilma (2015 5º ano);
e) Pior desempenho: (-3,88%) no governo Figueiredo (1983 5º ano).
RTC ano como % PIB ano
a) 2019: (-2,77%) no 1º ano do governo Bolsonaro;
b) Melhor desempenho: 1,70% no governo Lula (2004 2º ano);
c) Melhor desempenho recente: (-0,73%) no governo Temer (2017 2º ano);
d) Pior desempenho recente: (-4,13%) no governo Dilma (2014 4º ano);
e) Pior desempenho: (-6,80%) no governo Geisel (1974 1º ano).
RTC ano como % PIB ano: melhora do desempenho
a) Primeira: aumento de 7,58pp, melhorando de (-6,00%) para 1,58% em 10 anos,
de 1983 até 1992, do governo Figueiredo (5º ano) até o governo Collor (3º ano),
durante a chamada “Década Perdida”;
b) Segunda: aumento de 6,02pp, melhorando de (-4,32%) para 1,70% em 5 anos,
de 2000 até 2004, do governo FHC (6º ano) até o governo Lula (2º ano);
c) Terceira: aumento de 4,08pp, melhorando de (-6,80%) para (-2,72%) em 3
anos, de 1975 até 1977, do governo Geisel (2º ano) até o (4º ano;
d) Quarto: aumento de 3,40pp, melhorando de (-4,13%) para (-0,73%) em 3 anos,
de 2015 até 2017, do governo Dilma (5º ano) até o governo Temer (2º ano);
RTC ano como % PIB ano: piora de desempenho
a) Primeira: queda de 8,05pp, piorando de 1,25% para (-6,80%) em 9 anos, de
1966 até 1974, do governo Castelo Branco (3º ano) até o governo Geisel (1º
ano), durando o “Milagre Econômico Brasileiro”;

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b) Segunda: queda de 5,90pp, piorando de 1,58% para (-4,32%) em 7 anos, de
1993 até 1999, do governo Itamar (1º ano) até o governo FHC (5º ano), após a
implantação do Plano Real;
c) Terceiro: queda de 5,83pp, piorando de 1,70% para (-4,13%) em 10 anos, de
2005 até 2014, do governo Lula (3º ano) até o governo Dilma (4º ano);
d) Quarto: queda de 3,28pp, piorando de (-2,72%) para (-6,00%) em 5 anos, de
1978 até 1982, do governo Geisel (5º ano) até o governo Figueiredo (4º ano);
e) Quinto: queda de 2,04pp, piorando de (-0,73%) para (-2,77%) em 2 anos, de
2018 até 2019, nos governos Temer (3º ano) e Bolsonaro (1º ano).
É notável que as amplitudes das variações e respectivas durações diminuíram ao longo
dos anos, fenômeno refletido na trajetória dos valores acumulados cada vez mais
convergentes, denotando que aprendemos alguma coisa no processo do “ensaio e
erro” ao longo das crises recorrentes.
Na trajetória da série temporal (linha preta) do RTC acumulado como % do PIB do
ano apresentada no gráfico à direita, vale destacar 3 quedas e 2 subidas acentuadas
do valor dessa relação; quais sejam:
RTC acumulado como % PIB ano
a) 2019: (-50,0%) no 1º ano do governo Bolsonaro;
b) Melhor desempenho: (-2,1%) no governo Dutra (1957 1º ano);
c) Melhor desempenho recente: (-16,8%) no governo Lula (2008 6º ano);
d) Pior desempenho recente: (-58,1%) no governo FHC (2002 8º ano);
e) Pior desempenho: (-58,1%) no governo FHC (2002 8º ano).
RTC acumulado como % PIB ano: piora do desempenho
a) Primeira: queda de 42,0pp, piorando de (-16,1%) para (-58,1%) em 7 anos, de
1996 até 2002, do governo FHC (2º ano) até o governo FHC (8º ano), quando
atingiu o pior valor de toda a série histórica;
b) Segunda: queda de 40,5pp, piorando de (-13,5%) para (-54,0%) em 10 anos, de
1974 até 1983, do governo Geisel (1º ano) até o governo Figueiredo (5º ano);
c) Terceiro: queda de 33,2pp, ainda em curso com menor intensidade, piorando
de (-16,8%) para (-50,0%) em 11 anos, de 2009 até 2019, do governo Lula (7º
ano) até o governo Bolsonaro (1º ano), destacando que houve uma melhora de
4,19pp em 2016 e 2017, no governo Temer (1º e 2º anos).
RTC acumulado como % PIB ano: melhora do desempenho
a) Primeira: aumento de 41,3pp, melhorando de (-54,0%) para (-16,1%) em 6
anos, de 2003 até 2008, do governo Lula (do 1º ao 6º ano);
b) Segunda: aumento de 37,9pp, melhorando de (-54,0%) para (-16,1%) em 12
anos, de 1984 até 1995, do governo Figueiredo (6º ano) até o governo FHC (1º
ano), excetuando a queda de 3,15pp em 1990/1991 no governo Collor (1º e 2º
anos).
Da evolução do RTC como % do PIB, usando a linha de tendência polinomial de 2ª
ordem como representativa do desempenho inercial (nem melhor nem pior do que o
histórico), há que se destacar que em 2030, teremos os seguintes índices:
• RTC (2030) acumulada como % do PIB acumulado: (-1,1%)

9 de 30
• RTC (2030) do ano como % do PIB do ano: (-1,2%):
• RTC (2030) acumulado como % do PIB do ano: (-31,0%)
Neste ponto cumpre assinalar que o (-2,19%) de 2019 do RCT como % do PIB, ambos
acumulados, significa que a economia nacional já absorveu uma riqueza de “Não
Residentes” equivalente a 2,19% do PIB acumulado de 1947 até 2019.
Esse valor foi utilizado pelos “Residentes” para compor a Renda Disponível Aplicada
RDA na absorção do Produto Disponível Absorvido PDA (bens e serviços
consumidos e investidos); ou, em outras termos, esse valor é equivalente à Poupança
de “Não Residentes” que complementou a formação da Poupança Interna PPI
correlata (que financia) ao(o) Investimento feito pelos “Residentes” de 1947 até 2019.
Essa Poupança de “Não Residentes” é registrada no Balanço Patrimonial Nacional
BPN como Investimento de “Não Residentes”, dele participando com 47,8% do total.
Ressalto que, mantido o desemprenho inercial, o RCT acumulado como % do PIB
acumulado convergirá para (-1,1%) do PIB em 2030, o que é péssimo para a
economia nacional. Isso porque o Patrimônio Nacional Líquido PNL continuará a
acumular prejuízos de tal modo que, em 2030, o prejuízo acumulado será equivalente
a 1,1% do PIB acumulado de 1947 até 2030. Todo esse valor financiado com recursos
de “Não Residentes”, cuja remuneração comporá a REE que, mantido o desempenho
inercial, aumentará o valor negativo do RTC.
Situação essa que dinamiza, ainda mais, a “espiral hiperbólica diabólica”.

1.2 RTC como % da REX


A seguir apresento as trajetórias das séries temporais do Resultado das Transações
Correntes RTC em relação à Receita com Exportação de Bens e Serviços REX,
ano a ano e acumulados: o RTC como % do REX.

Nas trajetórias das séries temporais apresentadas abaixo estão assinalados os pontos
notáveis e de inflexão do sentido da variação de cada uma delas; de onde destacamos:
RTC acumulado como % REX acumulado
a) 2019: (-19,4%) no governo Bolsonaro (1º ano);
b) Melhor desempenho: (-7,2%) no governo Dutra (1959 4º ano);
c) Melhor desempenho recente: (-14,4%) no governo Lula (2008 6º ano);
d) Pior desempenho recente: (-21,1%) no governo Dilma (2015 5º ano);
e) Pior desempenho: (-48,6%) em 1982 no governo Figueiredo (1982 4º ano).

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RTC ano como % REX ano
a) 2019: (-18,6%) no governo Bolsonaro (1º ano);
b) Melhor desempenho: 16,3% no governo Castelo Branco (1965 2º ano);
c) Melhor desempenho recente: (10,5%) no governo Lula (2004 2º ano);
d) Pior desempenho recente: (-38,4%) no governo Dilma (2014 4º ano);
e) Pior desempenho: (-85,7%) em 1974 no governo Geisel (1974 1º ano).
RTC acumulado como % REX ano
a) 2019: (-354,7%) no 1º ano do governo Bolsonaro;
b) Melhor desempenho: (-16,8%) no governo Dutra (1947 1º ano);
c) Melhor desempenho recente: (-124,9%) no governo Lula (2008 6º ano);
d) Pior desempenho recente: (-436,2%) no governo FHC (1999 5º ano);
e) Pior desempenho: (-446,2%) em 1986 no governo Sarney (1986 2º ano).
Da evolução do RTC como % da REX, usando a linha de tendência polinomial de 2ª
ordem como representação do desempenho inercial (nem melhor nem pior do que o
histórico), há que se destacar que em 2030, teremos os seguintes índices:
• RTC (2030) acumulado como % da REX acumulada: (-1,0%)
• RTC (2030) do ano como % da REX do ano: 3,5%
• RTC (2030) acumulado como % da REX do ano: (-120,0%)
Neste ponto cumpre assinalar que esses índices descrevem uma situação em 2030
melhor do que a indicada a partir da relação com o PIB.
No entanto, mantendo o desempenho inercial, nenhuma das situações projetadas para
2030 realiza os 3 (três) objetivos propostos na “Questão Crítica 7”.
Só o primeiro deles – RTC > 0 em 2020/2021 – seria realizado com muito atraso. Os
demais estarão longe de serem realizados em 2030.
Insisto que, para realizá-los, há necessidade de os agentes responsáveis pela
realização, direta e indireta, das transações correntes com o exterior em moeda forte
assumam, em conjunto, a fixação de “Objetivos e Metas de Desempenho” e da
elaboração de “Políticas Públicas” e “Planos de Ação” para realiza-los, para a
libertação do cativo na “espiral hiperbólica diabólica”.

1.3 O RTC nos “períodos de referência”


Os valores do Resultado das Transações Correntes RTC realizados desde 1947 são
consolidados em histogramas onde são apresentadas as participações de cada
período de referência para a formação do prejuízo acumulado de BUS$ 916,5.
O Brasil (1947-2019) teve o seguinte desempenho:
a) Produziu um RTC de BUS$ 916,5 negativo;
b) O RTC médio negativo foi de BUS$ 12,6;
c) O RTC negativo do período equivale a (-2,19%) do PIB do período; e
d) O RTC negativo do período equivale a (-19,38%) da REX do período.
O Brasil, nos últimos 4 anos (2016-2019) teve o seguinte desempenho:
a) Contribuíram com BUS$ 131,6, o que representa apenas 14,35% do total;
b) O RTC médio negativo foi de BUS$ 32,9;
c) O RTC negativo do período equivale a (-1,74%) do PIB do período; e
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d) O RTC negativo do período equivale a (-13,11%) da REX do período.

O Brasil, nos últimos 10 anos (2010-2019) teve o seguinte desempenho:


a) Contribuíram com BUS$ 606,3, o que representa apenas 66,16% do total;
b) O RTC médio negativo foi de BUS$ 60,6;
c) O RTC negativo do período equivale a (-2,81%) do PIB do período; e
d) O RTC negativo do período equivale a (-23,53%) da REX do período
Os governos anteriores (1947-1994) tiveram os seguintes desempenhos:
a) Contribuíram com BUS$ 105,5, o que representa apenas 11,52% do total;
b) O RTC médio negativo foi de BUS$ 2,2;
c) O RTC negativo do período equivale a (-1,62%) do PIB do mesmo período; e
d) O RTC negativo do período equivale a (-17,50%) da REX do mesmo período.
O governo FHC (1995-2002) teve os seguintes desempenhos:
a) Contribuiu com BUS$ 189,8, o que representa 20,71% do total;
b) O RTC médio negativo foi de BUS$ 23,7;
c) O RTC negativo do período equivale a (-3,33%) do PIB do mesmo período; e
d) O RTC negativo do período equivale a (-39,83%) da REX do mesmo período.
O governo Lula (2003-2010) teve os seguintes desempenhos:
a) Contribuiu com BUS$ 93,8, o que representa 10,24% do total;
b) O RTC médio negativo foi de BUS$ 11,7;
c) O RTC negativo do período equivale a (-0,92%) do PIB do mesmo período; e
d) O RTC negativo do período equivale a (-7,20%) da REX do mesmo período.
O governo Dilma (2011-2015) teve os seguintes desempenhos:
a) Contribuiu com BUS$ 395,8, o que representa 43,19% do total;
b) O RTC médio negativo foi de BUS$ 79,2;
c) O RTC negativo do período equivale a (-3,35%) do PIB do mesmo período; e

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d) O RTC negativo do período equivale a (-29,51%) da REX do mesmo período.
O governo Temer (2016-2018) teve os seguintes desempenhos:
a) Contribuiu com BUS$ 80,8, o que representa 8,81% do total;
b) O RTC médio negativo foi de BUS$ 26,9;
c) O RTC negativo do período equivale a (-1,41%) do PIB do mesmo período; e
d) O RTC negativo do período equivale a (-10,84%) da REX do mesmo período.
O governo Bolsonaro (2019) teve os seguintes desempenhos:
a) Contribuiu com BUS$ 50,8, o que representa 5,54% do total;
b) O RTC médio negativo foi de BUS$ 26,9;
c) O RTC negativo do período equivale a (-1,41%) do PIB do mesmo período; e
d) O RTC negativo do período equivale a (-10,84%) da REX do mesmo período.
Consolidando esses índices numa única tabela para facilitar a comparação dos
desempenhos entre os diversos períodos de referência, sempre considerando o que o
Brasil está em uma situação de extrema gravidade com um prejuízo acumulado de
BUS$ 916,5; quais sejam:
Desempenho de Economias Nacionais nas Transações com o Exterior
Resultado das Transações Correntes RTC por Período de Referência
Brasil 1947-2019
Fonte: Banco Central do Brasil - Séries Temporais - Acesso em 28 jan 2020 US$ Milhões correntes

Governo 4 anos 10 anos Anteriores FHC Lula Dilma Temer Bolsonaro Acumulado
Período 2016-2019 2010-2019 1947-1994 1995-2002 2003-2010 2011-2015 2016-2018 2019 1947-2019
Duração 4 10 48 8 8 5 3 1 73
Contribuição (131.546,0) (606.343,7) (105.539,6) (189.780,8) (93.823,9) (395.783,4) (80.784,3) (50.761,8) (916.473,8)
Participação 14,35% 66,16% 11,52% 20,71% 10,24% 43,19% 8,81% 5,54% 100,00%
Média Anual (32.886,5) (60.634,4) (2.198,7) (23.722,6) (11.728,0) (79.156,7) (26.928,1) (50.761,8) (12.554,4)
% PIB -1,74% -2,81% -1,62% -3,33% -0,92% -3,35% -1,41% -2,77% -2,19%
% REX -13,11% -23,53% -17,50% -39,83% -7,20% -29,51% -10,84% -19,65% -19,38%
Desempenho Melhor Atenção Pior <<< numa situação muito ruim! Valor >>> Maior Menor
Elaboração © 2001-2020 por Cesar Rômulo Silveira Neto

a) O governo Lula teve o “menos pior” desempenho;


b) O governo Dilma teve o pior desempenho em 4 dos 5 índices;
c) O governo FHC teve o pior desempenho quando avaliado pelo RTC como %
REX e se equipara ao governo Dilma no RTC como % PIB;
d) O governo Temer desacelerou a trajetória de empobrecimento do Brasil em
moeda forte acelerada pelo governo Dilma quando:
1. reduziu 66,0% o valor médio do RTC: de BUS$ (79,2) para BUS$ (26,9);
2. reduziu 1,94pp o índice RTC / PIB de (-3,35%) para (-1,41%); e
3. reduziu 18,67pp o índice RTC / REX de (-29,51%) para (-10,84%);
e) O governo Bolsonaro teve um desempenho que merece atenção pois, se
replicado nos demais anos do seu mandato, será o 2º que mais contribuirá
para o prejuízo acumulado, onerando significativamente o RTC negativo que
chegará aos incríveis BUS$ 1.068,9.

2 Formação Estrutural do RTC


Começo relembrando o FATO de que o Brasil produziu como Resultado das
Transações Correntes RTC com o exterior em moeda forte o valor de BUS$ 916,5
negativo acumulado. Ou seja: ACUMULOU UM PREJUÍZO DE BUS$ 916,5.
No esquema da Formação do Resultado das Transações Correntes apresentado no
início deste item fica muito claro que o fator determinante mais crítico do RTC é a

13 de 30
relação entre o valor do Resultado Corrente Bruto RCB e o valor da Renda Enviada
ao Exterior REE; relação essa definida por:
RTC = RCB – REE.
O RCB é um indicador do MADE(BalPag) que foi definido para indicar se a Riqueza
produzida pelos “Residentes” é SUFICIENTE para cobrir/financiar a REE.
Neste item examinarei a relação RTC = RCB – REE e, nos próximos, cada uma de
suas parcelas: RCB e REE, fatores determinantes que são do RTC.
Resultado das
Resultado
Renda Enviada Transações
Período Corrente Bruto
ao Exterior REE Correntes
RCB
RTC
1947-2019 417.584,2 (1.334.058,0) (916.473,8)
2010-2019 96.200,9 (702.544,5) (606.343,7)
2016-2019 157.436,0 (288.982,1) (131.546,0)
2.019 35.451,0 (86.212,8) (50.761,8)

Considerando que RTC = RCB – REE e os valores da tabela acima, fica claro que o
valor de BUS$ 916,5 negativo foi determinado pelo FATO de que os “Residentes” do
Brasil produziram um Resultado Corrente Bruto RCB no valor de BUS$ 417,6
positivo porém INSUFICIENTE para financiar (ou honrar) a Renda Enviada ao
Exterior REE no valor de BUS$ 1.334,1 que remunera o trabalho e o capital de “Não
Residentes” 5 aplicados no Brasil.
Dessa relação, com os valores acima e a evolução das séries temporais abaixo
apresentadas, fica bastante claro que, pela INSUFICIÊNCIA do RCB para financiar a
REE, o Brasil é “cativo” na “espiral hiperbólica diabólica”.
Espiral que tem a seguinte dinâmica: ...RCB insuficiente para financiar a REE; que
determina o RTC negativo; que determina Riqueza Absorvida/Devida para financiá-
lo; que determina o aumento do Estoque de Investimentos de “Não Residentes”;
que determina o aumento da Renda Enviada ao Exterior REE; que determina o
aumento do RTC negativo; que determina ... e assim por diante.
Mas... há sempre um “mas”: essa “espiral hiperbólica diabólica”, na sua dinâmica,
produz “crises endêmicas recorrentes”, cada vez mais agudas, que repercutem
gravosamente tanto na qualidade de vida da população quanto na soberania nacional.
Crises endêmicas, sempre com novo nome – financeira, econômica, política, militar,
social, cultural, regional, global... - mas com uma única origem: o Brasil que, nas
Transações Correntes com o Exterior em moeda forte, produz resultados
negativos (prejuízos), sistematicamente.
Notem que, no meio da crise do COVID-19, a sub-crise com a China só teve a
dimensão que tomou pelo fato de que o Brasil soberano é “cativo” na “espiral
hiperbólica diabólica”. Esta é a realidade nua e crua!

5Por oportuno: “credores” são os titulares de créditos de qualquer natureza registrados, com saldo
positivo, nas “contas credoras” que compõem o Passivo do Balanço Patrimonial Nacional BPN, onde
estão classificados por espécie do “Capital de Não Residentes” (vide figura do BPN mais adiante).
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Dinâmica que só será revertida em favor da nação Brasileira se aumentarmos o
valor da “Receita com Exportações de Bens e Serviços REX” com a produção e
apropriação de RIQUEZA em moeda forte SUFICIENTE para: a) financiar a REE; b)
acabar com o RTC negativo acumulado; e c) financiar, com recursos próprios do
Patrimônio Nacional Líquido PNL, a totalidade de nossas Reservas Internacionais
tornando-as, de fato, em um “Fundo Soberano!” e não mais um “seguro garantia” da
liquidez das obrigações em moeda forte.
Voltarei a tratar mais adiante da libertação do “cativo” com descrições, avaliações,
enunciados de “Questões Críticas” e propostas de “Objetivos e Metas de
Desempenho”, tudo como subsídios para o enfrentamento da “Questão Crítica 7”.
Mas, vamos adiante: considerando que RTC = RCB - REE:
a) se o valor do RCB for maior do que o da REE (RCB > REE) o RTC será
positivo, logo o Brasil teve lucro nessas transações; e
b) se o valor do RCB for menor do que o da REE (RCB < REE) o RTC será
negativo, logo o Brasil teve prejuízo nessas transações.

15 de 30
Este fator é o mais crítico de todo o processo de produção do Resultado das
Transações Correntes RTC e, em consequência, é também o fator mais crítico da
Variação do Patrimônio Nacional Líquido ^PNL, pois ele representa o seguinte
FATO:
a) se o valor do RCB for maior do que o da REE o Brasil produziu riqueza
suficiente para “honrar” a remessa de rendas de “Não Residentes” para o
exterior; e
b) se o valor do RCB for menor do que o da REE o Brasil não produziu riqueza
suficiente para “honrar” a remessa de rendas de “Não Residentes” para o
exterior.
Nos gráficos da primeira figura fica evidente a trajetória decrescente (negativa), quase
uma exponencial, do valor acumulado da REE, enquanto o valor acumulado positivo do
RCB, já tendo um valor absoluto menor do que o da REE, reverteu a trajetória
ascendente após o lançamento do “Plano Real” no 1º ano do governo FHC (1995), só
voltando a crescer no último ano do governo FHC (2002).
A outra reversão da trajetória de alta foi no 2º ano do governo Dilma (2012), voltando
a crescer somente no último ano do governo Dilma.
Desde então a trajetória de alta tem se mantido, com menor ritmo de crescimento mas
com valores insuficientes para “financiar” a REE nos anos de 2016 a 2019.
Para complementar a descrição do desempenho do Brasil nas Transações
Correntes, reapresento a seguir as séries temporais do Resultado das Transações
Correntes RTC em relação ao Produto Interno Bruto PIB e à Receita de
Exportação de Bens e Serviços REX, ano a ano e acumulados.

3 Identificação e pré-qualificação de “Pontos Notáveis”


Dessa descrição do desempenho do Brasil nas Transações Correntes com o
Exterior em moeda forte destaco os seguintes “Pontos Notáveis” que deverão ser
resolvidos ao longo da avaliação do desempenho do Brasil; quais sejam:
Ponto Notável 1: identificar, descrever e avaliar as causas do aumento constante e
significativo da Renda Enviada ao Exterior REE reiniciado em 2016 que reverteu
uma tendência de baixa iniciada em 2011.
Ponto Notável 2: identificar, descrever e avaliar as causas da redução significativa
do valor da Receita de Exportação de Bens e Serviços REX em 2018 e 2019 que
reverteram a trajetória de alta dos anos de 2016 e 2017.
Ponto Notável 3: identificar, descrever e avaliar as causas das acentuadas quedas (3)
e melhorias (2) do valor do RTC acumulado como % do PIB do ano.
Ponto Notável 4: identificar, descrever e avaliar as causas da série de aumentos
significativos, em pleno “boom das commodities”, do valor da REE a partir de 2003
(1º ano do governo Lula), que começou nos BUS$ 22,2, e chegou aos BUS$ 94,5 em
2011 (1º ano do governo Dilma), sendo este o maior valor da REE de toda a história.
Ponto Notável 5: identificar, descrever e avaliar as causas da ocorrência simultânea
de altos valores da REE e dos piores valores do RCB nos anos de 2013 e 2014.

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Ponto Notável 6: identificar, descrever e avaliar as causas da série de aumentos do
valor da REE de BUS$ 11,5 em 1994 (início do Real, no governo Itamar) para BUS$
23,1 em 1998, 4º ano do governo FHC.
Ponto Notável 7: identificar, descrever e avaliar a evolução da estrutura e qualidade
do Estoque de Investimento de “Não Residentes” aplicados no Brasil.
Ponto Notável 8: calcular e avaliar a evolução da taxa de remuneração dos
investimentos que compõem o Estoque de Investimento de “Não Residentes”
aplicados no Brasil.
Ponto Notável 9: identificar, descrever e avaliar a contribuição dos capitais que
compõem o Estoque de Investimento de “Não Residentes” para o aumento da
Receita de Exportação de Bens e Serviços REX e da sua suficiência para
“financiar” a Renda Enviada ao Exterior REE decorrente de sua remuneração.
Ponto Notável 10: identificar, descrever e avaliar a qualidade dos Ativos de
“Residentes” que são financiados pelo Estoque de Investimento de “Não
Residentes”, bem como a contribuição desses ativos para a produção de valores
positivos para o Resultado Corrente Bruto RCB com a produção de lucros,
dividendos e juros que compõem a Renda Recebida do Exterior RRE.

4 Identificação e pré-qualificação de “Questões Críticas”


Desta avaliação, além dos “Pontos Notáveis”, podemos extrair “Questões Críticas”
cuja criticidade será reforçada ao longo desta avaliação de desempenho.
Espero que estas “Questões Críticas” sirvam de subsídio para os agentes públicos e
privados, formuladores e executores de Políticas Públicas de Preservação da
Soberania Nacional, Desenvolvimento Econômico (produção e apropriação de riqueza),
Monetária, Fiscal e Cambial que, integradas estruturalmente, deveriam estar visando
libertar o Brasil “cativo” na “espiral hiperbólica diabólica; no entanto os RTC
negativos, historicamente produzidos, denotam que tal objetivo está fora do “radar”
desses agentes (Vide “Questão Crítica 4”).
Levarei em consideração na extração e identificação das “Questões Críticas”:
a) as notícias, reportagens, entrevistas, artigos, estudos e livros publicados, de
autoridades e especialistas, sobre o tema;
b) o retorno que recebi sobre os textos anteriores “Brasil 2010: Aberto e
Soberano?” e “Brasil 2022: Aberto e Soberano?”; e
c) as descrições e avaliações do desempenho do Brasil feitas até agora a partir
do Resultado das Transações Correntes RTC, acima apresentadas;
Começo arriscando afirmar que o principal fator determinante desses resultados,
sistematicamente negativos, é a falta de “consciência” dos responsáveis pela
“Governança do Balanço de Pagamentos” de que os efeitos de tais resultados
negativos não se esgotam ao final de cada ano.
Os dados, avaliações e pronunciamentos publicados denotam que não é levado em
consideração que tais resultados se acumulam, ano após ano, como os “Prejuízos
Acumulados” registrados nos balanços das empresas, agravando a situação, ano
após ano, do Brasil que é “cativo” na “espiral hiperbólica diabólica”.

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Da avaliação feita até agora posso extrair as seguintes “Questões Críticas” cuja
criticidade será reforçada ao longo de toda a avaliação de desempenho; quais sejam:
Questão Crítica 1: O Brasil, nas suas transações com o exterior em moeda forte, é
“cativo” na “espiral hiperbólica diabólica” com efeitos cada vez mais gravosos
para a qualidade de vida da população e para a soberania nacional, cada vez mais
ameaçada.
Espiral com a seguinte dinâmica: “RTC negativo”; que determina “Riqueza
Absorvida/Devida” para financiá-lo; que determina o aumento do Estoque de
Investimentos de “Não Residentes”; que determina o aumento da Renda Enviada
ao Exterior REE; que determina o aumento do “RTC negativo”; que determina ... e
assim por diante, até o fim dos tempos...
Mas produzindo “crises endêmicas recorrentes”, cada vez mais agudas, que
repercutem gravosamente tanto na qualidade de vida da população quanto na
soberania nacional.
Crises endêmicas, sempre com novo nome – financeira, econômica, política, militar,
social, cultural, regional, global... – hoje viral - mas com uma única origem: o Brasil
que, nas Transações Correntes como Exterior em moeda forte, produz,
sistematicamente, resultados negativos (prejuízos).
Questão Crítica 2: Os agentes públicos e privados responsáveis pelas transações
comerciais, econômicas e financeiras com o exterior em moeda forte não tem
consciência da grave situação em que se encontra o Brasil ou, se a têm, não a
explicitam e, em consequência, não a descrevem, não a equacionam e muito menos a
enfrentam ou se a enfrentam não estão sendo bem sucedidos;
Questão Crítica 3: O Brasil precisa de um “Conselho de Governança do Balanço de
Pagamentos”, para completar, junto com o Conselho Monetário Nacional e o
Conselho de Gestão Fiscal (em criação nos termos da LC 110), a tríade da
Governança das Políticas Monetária, Fiscal e Cambial que, queiramos ou não, são
correlatas de fato (ou seja: determinam-se mutuamente) e condicionam as de
desenvolvimento econômico e soberania nacional.
Questão Crítica 4: Os estudiosos da macroeconomia precisam identificar os fatores
determinantes que levaram, a partir do Plano Real, o Resultado das Transações
Correntes RTC a uma espiral de prejuízos; essa espiral denota que as Políticas de
Preservação da Soberania Nacional, Desenvolvimento Econômico, Monetária, Fiscal e
Cambial não estão articuladas entre si e/ou que os modelos conceituais
(pressupostos e/ou implícitos) na identificação, descrição e avaliação de “Questões
Críticas” para o desenvolvimento e soberania nacional e/ou na formulação de
Políticas Públicas e de Planos de Ação para o enfrentamento dessas questões estão
equivocados e/ou incompletos e/ou contém graves contradições internas.
Questão Crítica 5: Considerando a situação de prejuízos crescentes e sistemáticos,
não há como não trazer à consideração o seguinte: como foram financiados esses
prejuízos crescentes e sistemáticos produzidos como Resultado das Transações
Correntes RTC, governo após governo? Crise após crise? Plano após plano?

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Por ser extremamente relevante, adianto a minha resposta a essa “Questão Crítica 5”
com o auxílio de uma das demonstrações de desempenho do MADE(BalPag): o
Balanço Patrimonial Nacional BPN do Brasil, abaixo apresentado.

Desempenho de Economias Nacionais nas Transações com o Exterior


Balanço Patrimonial Nacional em Moeda Forte
Brasil 1947-2019
US$ Milhões correntes acumulados
Fonte: Banco Central do Brasil - Séries Temporais - Acesso em 28 jan 2020 Elaboração © 2001-2020 por Cesar Rômulo Silveira Neto

Balanço Patrimonial Nacional


BPN Ativo 1.808.164,6 1.808.164,6 BPN Passivo

(Estoque do Estoque de Investimento Direto de


(Saldo das Transações Correntes "Não Residentes"
Patrimônio Nacional Estoque de
acu)
Líquido PNL) Investimento de "Não
Residentes"
916.473,8 911.444,4 1.199.140,2

Estoque de Derivativos de "Residentes"


(líquido) 1.918.941,0
(5.000,0)
(Estoque de Erros e Omissões)

(29,4)

Estoque de Investimento de "Residentes" Estoque de Haveres


das Autoridades Estoque de Investimento em Carteira
240.462,8 Monetárias de "Não Residentes"
Estoque de Investimento Direto de "Residentes"

33.992,2
Estoque de Participação no capital – total de
650.731,9 447.216,5
"Residentes"
Estoque de Outros Investimentos de
376.276,9
"Não Residentes"
Estoque de Haveres das
Autoridades Monetárias 272.584,4
344.286,3
Modelo MADE(EcoNac) - Módulo MADE(BalPag) Estoque de Derivativos de
O Desempenho de Economias Nacionais Contemporâneas nas (Estoque de Erros e
Transações Comerciais, Econômicas e Financeiras com o Exterior "Não Residentes" (líquido)
Situação do Balanço Patrimonial Nacional em Moeda Forte
Omissões)
Formação do Patrimônio Nacional em Moeda Forte
Resultado das Transações com o Exterior realizadas de 1947 a 2019 (98.298,0) (110.776,4)
©1989-2020 Cesar Romulo Silveira Neto

O Balanço Patrimonial Nacional BPN, que sintetiza todo o desempenho do Brasil


desde 1947 nas suas transações com o exterior em moeda forte, nos permite
explicitar uma nova “Questão Crítica”, que é crítica não tanto pelos fatos nele
retratados, mas sim pela falta de “consciência” dos responsáveis pela “Governança
do Balanço de Pagamentos” desses fatos; qual seja:
Questão Crítica 6: o Investimento de “Não Residentes” no valor de BUS$ 1.918,9
– quase DOIS TRILHÕES DE DOLARES – está financiando:
• O Estoque do Saldo Negativo das Transações Correntes”: BUS$ 916,5;
• O Estoque de Investimentos de “Residentes” no exterior: BUS$ 650,7;
• O Estoque de Haveres das Autoridades Monetárias (Reservas Internacionais):
BUS$ 344,3;
• O saldo dos Estoques de Derivativos (ativo e passivo): BUS$ 12,5.
Questão Crítica 6B: O Investimento de “Não Residentes” é legitima e legalmente
remunerado, ano após ano, mas que, simultaneamente, contribui para a trajetória de
prejuízos crescentes do Resultado das Transações Correntes RTC se não
produzirem riquezas que contribuam para a melhoria significativa do Resultado da

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Balança Comercial e, em decorrência, do desempenho do Brasil nas transações
correntes com o exterior em moeda forte.
Questão Crítica 6C: Essa realidade vai contra o “senso comum” que afirma que já
pagamos toda a “dívida externa”, que temos “reservas internacionais” suficientes
(que na realidade funcionam como um “seguro contratado” para garantir a liquidez em
moeda forte), que usamos “nosso dinheiro” para financiar obras nos países
“companheiros”... Puro engano
Questão Crítica 6D: O passivo do Brasil está presente num valor de quase DOIS
TRILHÕES DE DÓLARES: US$ 1.918.941,0 milhões, mais exatamente! Valor este
4,7% maior do que o PIB de 2019.
• Passivo que não é do Governo.
• É dos “Residentes” que “devem” aos “Não Residentes”, seus “credores”.
• Mas é um “dever avalizado” pelo Estado Brasileiro por ser em “moeda forte”.
• Aval que, em última instância, é suportado, econômica e financeiramente,
pelos contribuintes, diretos e indiretos, sendo estes a população como um
todo, que tem sofrido ao longo da história, os efeitos gravosos do câmbio
supervalorizado artificialmente, das altas taxas de inflação, das altas taxas de
juros, dos aumentos indiscriminados de tributos e da ineficácia dos serviços
públicos.
Questão Crítica 6E: Essa realidade dos fatos se impõe pelas crises recorrentes.
Fatos que precisam ser enfrentados, mas cujo enfrentamento depende da concertação
de referenciais, valores e vontades de uma plêiade de agentes dispostos a
equacionar e solucionar a “Questão Crítica 7” que sintetiza essa situação.
Questão Crítica 7: é absolutamente necessário que os agentes públicos e privados
com responsabilidade na produção de resultados nas transações com o exterior em
moeda forte e/ou no enfrentamento dos efeitos negativos por eles provocados,
fixem, e assumam como seus, objetivos de produzir:
1. Resultados das Transações Correntes RTC positivos (RTC > 0) em 2020/2021;
2. Resultados das Transações Correntes RTC que tornem o Patrimônio Nacional
Líquido PNL positivo (PNL > 0) até 2030; e
3. Um Patrimônio Nacional Líquido PNL suficiente para financiar o Estoque dos
Haveres das Autoridades Monetárias HAM (Reserva Internacional) (PNL > HAM)
até 2034; e daí para sempre.
Ao correr de toda a avaliação do desempenho do Brasil nas suas transações com o
exterior que se seguirá às “Questões Críticas” que serão explicitadas e propostas
terão sempre por objetivo contribuir para a realização dos objetivos acima propostos
visando ao “Brasil 2030: Aberto e Soberano!”.
• Um “Brasil Aberto” para o mercado mundial de bens, serviços, moedas,
créditos e capitais de modo a maximizar a alocação da produção interna com o
atendimento pleno da demanda agregada; maximização obtida com o máximo
de exportações e de importações que atendam à condição de produzir um
Resultado na Balança Comercial de Bens e Serviços RBC positivo que,
agregado à Renda Recebida do Exterior RRE, seja suficiente para financiar a
Renda Enviada ao Exterior REE e ainda produzir um Resultado das Transações
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Correntes RTC suficiente para a realização dos objetivos fixados; com o suporte
de maciços investimentos de “Não Residentes” com a qualidade de integrar a
produção, em território nacional (aumento do PIB), nas cadeias globais de
produção e distribuição de produtos de alto valor agregado com inovações e
tecnologias adequadas para a produção de riqueza com competitividade,
produtividade e aproveitamento dos recursos humanos e naturais existentes em
TODO o território nacional;
• Um “Brasil Soberano” na tomada de decisões, nos termos da Constituição da
República, com o mínimo de restrições impostas por interesses e/ou Estados
estrangeiros; e
• Um “Brasil com Moeda Forte”, como consequência da produção interna de
riqueza suficiente para realizar os objetivos fixados.

5 Proposta para o enfrentamento das “Questões Críticas”


Como proposta para o enfrentamento das “Questões Críticas” sugiro:
1) Que os agentes públicos e privados referidos na “Questão Crítica 2”
critiquem e aperfeiçoem a descrição e avaliação apresentadas neste documento;
2) Que redefinam, em conjunto e por consenso, a “Questão Crítica 7”, inclusive a
qualificação que dei para o “Brasil 2030: Aberto e Soberano”;
3) Que definam, em conjunto e por consenso, “Políticas Públicas” e “Planos de
Ação” que enfrentem a “Questão Crítica 7” já redefinida com os “Objetivos e
Metas de Desempenho” para o Brasil de 2020 até 2030;
4) Que usem as demais “Questões Críticas” como subsídio para a definição
dessas “Políticas Públicas” e “Planos de Ação; e
5) Que façam isso URGENTEMENTE!
Pois o “cativo”, com muita esperança, nos espera!
Esperança reforçada com a oportunidade aberta pela crise do COVID-19.
O Brasil pode ser a alternativa para o capital ocidental que sairá da China.

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ANEXO 1 Modelo de Referência para Descrição e Entendimento das Transformações Socioeconômicas

Modelo de Referência para Descrição e Entendimento das Transformações Socioeconômicas


Cesar Rômulo Silveira Neto
(cromulo@wisetel.com.br)
Rio de Janeiro, 17 de março de 2020

Estoque no Início do Período Processo de Transformação Estoque no Fim do Período


t = ti (fluxo no tempo: t = tif) t = tf

Transformação Espiritual
(misericórdia, graça, paz e salvação)

Transformação Cultural
(referenciais, valores e vontades)

Transformação Política / Militar


(autoridade, representação, unidade, soberania e exercício do poder)
(dimensões: cultural, político/militar e econômica) x (aspectos: lógico, concreto e simbólico)

(dimensões: cultural, político/militar e econômica) x (aspectos: lógico, concreto e simbólico)

(dimensões: cultural, político/militar e econômica) x (aspectos: lógico, concreto e simbólico)

(dimensões: cultural, político/militar e econômica) x (aspectos: lógico, concreto e simbólico)


Transformação Socioeconômica
(produção, apropriação e proteção de riqueza)

t = ti
Mercado FP & P Mercado P & D Mercado D & A (D&A&V) t = tf
(terra, mar e ar, com todos os seus componentes)

(terra, mar e ar, com todos os seus componentes)


Ofertado Demandado Ofertado Demandado Ofertado Demandado
EFPo EFPd PBo PBd Pdo PDd INVESTIMENTO
Estoque de PRODUÇÃO de DISTRIBUIÇÃO de ABSORÇÃO de IN
Fatores de FPU FPU Riqueza (Produtos PB PB Produtos (Bens + PD PD Produtos (Bens + Estoque de
Produção EFP = Bens + Serviços) Serviços) Serviços) Fatores de
EFPc EFPu PBc PBu PDc PDa
Produção EFP
(como indivíduos)

(como indivíduos)
Contratado Utilizado VAD Contratado Utilizado ContratadO Absorvido CN
População

População
Território

Território
CONSUMO de
Instrumentos

Instrumentos
Produtos
Instituições

Instituições
Mercado FP & P Mercado P & D Mercado Capitais
Agentes Sócioeconômicos

Agentes Sócioeconômicos
(famílias, empresas e governo)
(famílias, empresas e governo)

Títulos de Demandada Ofertada Ofertado Demandado Ofertado Demandado


RFPd RFPo PBo PBd RDo RDd POUPANÇA Títulos de
Propriedade APROPRIAÇÃO da PP
DISTRIBUIÇÃO da APLICAÇÃO da Propriedade
dos Fatores FPA FPA Participação no RB RB RD RD
Renda Disponível Renda Disponível dos Fatores
de Produção Valor do Produto
RFPc RFPu PBc PBu RDc RDu
PFP Contratada Apropriada Contratado Utilizado Contratado Aplicado DC
de Produção
RFP
PFP
DESPESA
Mercado Financeiro Mercado de Cobrança Mercado de Cobrança com consumo

Lançado Ofertado Cobrado Ofertado Cobrado Ofertado


DCl DCo DCc DCo DCc DCo LIQUIDAÇÃO
Estoque de COBRANÇA de LIQUIDAÇÃO de DCL
QUITAÇÃO de Estoque de
DVAD & DCQ DCQ DCP DCP Débitos & Créditos DCL DCL Débitos & Créditos
DVAD & CRFP P DVAD &
CRFP EDC Pendentes Pendentes
DCQ DCL DCQ DCL DCQ DCL
Quitado Liquidado Quitado Liquidado Quitado Liquidado DCAL
CRFP EDC

A LIQUIDAR
t = ti
t = tf
Transformação Socioeconômica
(produção, apropriação e proteção de riqueza)

Transformação da Natureza
(física, química, biológica e ecológica)

Estoque no Início do Período Processo de Transformação Estoque no Fim do Período


t = ti (fluxo no tempo: t = tif) t = tf

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ANEXO 2 Transações Socioeconômicas de Economias Nacionais Contemporâneas (Abertas e Monetizadas)

Transações Sócio-Econômicas de Economias Nacionais Contemporâneas (Abertas e Monetizadas)


Versão de 09 mar 2020 ©1989/2020 por Cesar Rômulo Silveira Neto

Investimento Interno INI = Variação do Valor dos Estoques de Fatores de Produção

FPU ↔ RFP PIB ↔ RIB INI ↔ PPI PDA ↔ RDA


Estoque de o = oferta d = demanda o = oferta d = demanda
c = contratado U =utilizado c = contratado A = absorvido
Fatores de
Produção FPo FPd DAG = PIB + IMP Consumo
(Natureza, PIB = FPU ( 1 + pgfp ) PNB = PIB - EXP + IMP PDA = PNB ( 1 + psi ) ( 1 + inf ) PDo PDd Governo
Agentes Fatores de Fatores de
Agentes
Sócio- População, Absorção Sócio-
Produção Produção PIB PNB
Econômicos
Trabalho, Distribuição, Exportação e Importação
Ofertados/ Demandados/ Produção de Bens e Serviços Estoque de Bens e Serviços (Demanda Econômicos Consumo
Trabalho de Bens e Serviços
(Governo, Contratados Contratados Nacional (Governo, Empresas
Qualificado,
Empresas e Recursos Bruta) Empresas e
Famílias) Naturais, Kapital, FPc FPU PDc PDA Famílias)
Taxas de EXP IMP Consumo
Governo,
Produtividade Preços Relativos e Inflação Mercado Interno de Famílias
Instituições, Mercado Interno Interna
Bens e Serviços
Cultura) de Fatores de
País
Produção Autoridade Aduaneira País
Exterior Exterior
EXP IMP
Identidades Macroeconômicas

Sentido do Fluxo da Produção Mercado Externo Termos de Troca e


Inflação Externa
de
Espaço da Economia Real Bens e Serviços Espaço da Economia Real
Espaço da Economia Simbólica Mercado Externo Espaço da Economia Simbólica
Créd Déb Tx de
Câmbio de
Sentido do Fluxo da Apropriação
Sentido do Fluxo das Moedas, Créditos e Capitais
Liquidaçãos de Débitos e DIM REE SCR F$ = Moeda Forte (com conversibilidade global)
Créditos (Financeiro) N$ = Moeda Nacional (sem conversibilidade global)
Créd Déb ^Déb ^Créd ^Reserva
Exterior Externo Externo REX RRE ECN Internac Exterior
País País
F$ x N$ Autoridade Monetária F$ x N$
Mercado Interno de Apropriação do Mercado Interno de Meios de
Remunerações ^Déb ^Créd DIM REE SCR ^Meios de
Valor da Produção Relativas e Pagemento Pagamento, Crédito e Capital
Interno Interno Despesa
Tributos
RFPo RDPd Famílias
Agentes REX RRE ECN AJE RDo RNd Agentes
Estoque de
Sócio- Remuneração Remuneração Dispêndio Sócio-
Títulos de
Econômicos de Fatores de Fatores Apropriação do Valor da Produção de Transações Correntes com o Exterior Movimento de Capitais Financeiros com o (Demanda Econômicos Despesa
Propriedade e RIB RNDB Empresas
(Governo, de Produção de Produção Bens e Serviços (Direito de Saque na (Liquidação de Débitos e Créditos com Exterior e Oferta de Meios de Pagamentos, por Renda (Governo,
de Valores Demandada/ Créditos e Capitais no Mercado Interno (ORD)
Empresas e Ofertada/ Economia Real) o Exterior) Disponível) Empresas e
Mobiliários Contratada Contratada
Famílias) Famílias)
RIB = RFPr = VAD RNB = RIB - DIM RDc RDA Despesa
RFPc RFP RNDB = RNB + RRE - REE Tx Remuner da Tx de Juros Governo
o = oferta d = demanda Poupança Crédito Interno o = oferta d = demanda
c = contratada R = realizado RDA = RNDB + ECliq + AJliq c = contratado A = aplicado
FPU ↔ RFP PIB ↔ RIB INI ↔ PPI PDA ↔ RDA

Poupança Interna PPI = Poupança Nacional PPN + Poupança Externa PPE = Variação dos Estoque de Títulos de Propriedade e de Valores Mobiliários

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Anexo 3.1 Formação do Resultado das Transações Correntes RTC Ano

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Anexo 3.2 Formação do Resultado das Transações Correntes RTC Média Anual

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Anexo 3.3 Formação do Resultado das Transações Correntes RTC Acumulado

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Anexo 3.4 Formação do Resultado das Transações Correntes RTC %PIBano

27 de 30
Anexo 3.5 Formação do Resultado das Transações Correntes RTC %PIBacu

28 de 30
Anexo 3.6 Formação do Resultado das Transações Correntes RTC %REXano

29 de 30
Anexo 3.7 Formação do Resultado das Transações Correntes RTC %REXacu

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