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Organização Industrial

Prof. Sergio Aquino de Souza.


Seção I (Introdução)
Concorrência, Concentração e Oligopólio

 OI estuda a relação entre :

 Estrutura de Mercado (concorrência e


concentração)
 Poder de Mercado
 Bem-estar
Concentração

 Ck- Soma das shares (fatias de mercado das


k Maiores Firmas.

 HHI – Índice de Herfindahl Hirshmann


(somado quadrados das shares)
Exemplo

Mercado de Cerveja – fatias de mercado em 2011 (%)

Ambev 68.5

Kirin 11.2

Petrópolis 10.6

Heineken 8.2

Outros 1.5
Poder de Mercado

 Poder de Mercado: Capacidade que a firma


possui de estabelecer preço acima do custo
marginal. Pode ser medido através da
diferença entre preço e custos marginais.
Medida de Poder de Mercado

 O índice de Lerner é uma mediada bastante


conhecida e possui a vantagem de assumir valores
entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1 maior o
poder de mercado. O Índice de Lerner é dado por

P  Cmg
L
P
Medidas de Bem-estar: Excedentes do
Consumidor e do Produtor
 Definições
 Excedente do Consumidor (EC) é o benefício total ou valor
que os consumidores recebem além daquilo que pagam
pela mercadoria.
 Excedente do Produtor (EP) é o benefício total que os
produtores obtêm além do custo marginal de produção de
uma mercadoria.
 Excedente total (ET): Soma dos Excedentes. ET=EC+EP
 Eficiência Econômica: Um mercado é dito eficiente se seu
resultado (preço e quantidade) em equilíbrio maximiza o
excedente total.
 Aplicações:
- Eficiência do Mercado Competitivo
- Impactos econômicos de preços mínimos e
máximos
- Artigo Uber
 Exemplo: Artigo Uber (ver no Sigaa)
“Estimating consumer surplus is challenging because it requires
identification of the entire demand curve. We rely on Uber’s “surge”
pricing algorithm and the richness of its individual level data to first
estimate demand elasticities at several points along the demand curve.
We then use these elasticity estimates to estimate consumer surplus.
Using almost 50 million individual-level observations and a regression
discontinuity design, we estimate that in 2015 the UberX service
generated about $2.9 billion in consumer surplus in the four U.S. cities
included in our analysis. For each dollar spent by consumers, about
$1.60 of consumer surplus is generated. Back-of-the-envelope
calculations suggest that the overall consumer surplus generated by
the UberX service in the United States in 2015 was $6.8 billion.” Cohen
et al. (2016)
Gráfico

Preço
10
Excedente
00
do Consumidor S

7 Entre 0 e Q0 os
consumidores A e B
auferem um ganho líquido
no consumo do bem --
5 Excedente do consumidor

Excedente Entre 0 e Q0 os
do Produtor produtores
auferem um ganho líquido
na venda do bem--
D
Excedente do produtor.

0
Q0 Quantidade
Consumidor A Consumidor B Consumidor C
Demanda
Tópicos para Discussão

 Introdução
 Deslocamentos da Demanda
 Elasticidades da Demanda

Capítulo 2: O básico sobre a


oferta e a demanda Slide 12
Introdução

 Aplicações da Análise de Oferta e Demanda


 Compreensão e previsão dos efeitos das
condições econômicas mundiais sobre os preços
de mercado e a produção.
 Análise dos efeitos do controle de preços pelo
governo, do salário mínimo, da política de preços
mínimos e dos incentivos à produção

Capítulo 2: O básico sobre a


oferta e a demanda Slide 13
Introdução

 Aplicações da Análise de Oferta e Demanda


 Análise do modo pelo qual os impostos, os
subsídios e as restrições às importações afetam
consumidores e produtores

Capítulo 2: O básico sobre a


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Demanda

 A Curva de Demanda
 A curva de demanda mostra a quantidade de uma
mercadoria que os consumidores estão dispostos a
comprar para cada preço unitário, considerando
constantes outros fatores que não sejam o preço
 Essa relação entre preço e quantidade pode ser
representada pela equação:

QD  QD(P)
Capítulo 2: O básico sobre a
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Demanda
Preço
($ por unidade)

O eixo vertical mede o preço (P) pago


por unidade em dólares

O eixo horizontal mede a quantidade (Q)


demandada em número de
unidades por período de tempo

Quantidade
Capítulo 2: O básico sobre a
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Oferta e Demanda
Preço
($ por unidade) A curva de demanda tem
inclinação negativa, demonstrando que
os consumidores estão dispostos a
comprar mais a um preço mais baixo,
à medida que o produto se torna
relativamente mais barato e
a renda real do consumidor aumenta.

Quantidade
Capítulo 2: O básico sobre a
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Demanda

 Outros Determinantes da Demanda além do


Preço
 Renda
 Gostos do consumidor
 Preço de Bens Substitutos

Capítulo 2: O básico sobre a


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demanda
Deslocamento da Demanda
P D D’
 Aumento da Renda
 Ao preço P1, compra-se Q2P2
 Ao preço P2, compra-se Q1
 A curva de demanda P
desloca-se para a direita 1
 Para qualquer preço, a
quantidade comprada em
D’ é maior do que em D

Q0 Q1 Q2 Q
Capítulo 2: O básico sobre a oferta e a
demanda Slide 19
Mudanças e Demanda

 Demanda - Revisão
 A demanda é afetada por outras variáveis além do
preço, tais como, renda, preço de bens relacionados e
gostos.
 Mudanças na demanda associadas a modificações
nos determinantes extra-preço são representadas por
deslocamentos de toda a curva de demanda.
 Mudanças na quantidade demandada associadas a
mudanças no preço do produto são representadas por
movimentos ao longo da curva de demanda.

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Elasticidades Demanda

 A elasticidade é uma medida da


sensibilidade de uma variável em relação a
outra.

 Ela nos informa a variação percentual em


uma variável em decorrência da variação de
1% em outra variável.

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Elasticidades da Oferta e Demanda

Elasticidade-preço da Demanda

 Mede a sensibilidade da quantidade


demandada em relação a mudanças no
preço.
 Mede a variação percentual na quantidade
demandada de um bem ou serviço que decorre
da variação de 1% no preço.

Capítulo 2: O básico sobre a


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Elasticidades da Oferta e Demanda

 A elasticidade-preço da demanda é dada


por:

EP  (%Q)/(%P)

Capítulo 2: O básico sobre a


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Elasticidades da Oferta e Demanda

Elasticidade-preço da Demanda

 A variação percentual de uma variável


corresponde à sua variação absoluta
dividida por seu valor original.

Capítulo 2: O básico sobre a


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Elasticidades da Oferta e Demanda

Elasticidade-preço da Demanda

 Logo, a elasticidade-preço da demanda


também é dada por:

Q/Q P Q
EP  
P/P Q P

Capítulo 2: O básico sobre a


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Elasticidades da Oferta e Demanda

 Interpretando Valores das Elasticidades-


preço da Demanda

1) Dada a relação inversa entre P e Q, EP é


negativa.

2) Se |EP| > 1, a variação percentual na


quantidade é maior do que a variação
percentual no preço. Nesse caso, dizemos que a
demanda é elástica em relação ao preço.

Capítulo 2: O básico sobre a


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Elasticidades da Oferta e Demanda

 Interpretando Valores das


Elasticidades-preço da Demanda
3) Se |EP| < 1, a variação percentual na
quantidade é menor do que a variação
percentual no preço. Nesse caso, dizemos
que a demanda é inelástica em relação ao
preço.

Capítulo 2: O básico sobre a


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Elasticidades da Oferta e Demanda

Elasticidade-preço da Demanda

 O determinante básico da elasticidade-preço


da demanda é a disponibilidade de bens
substitutos.
 Se há muitos substitutos: a demanda é elástica
em relação ao preço
 Se há poucos substitutos: a demanda é
inelástica em relação ao preço

Capítulo 2: O básico sobre a


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Elasticidades-preço da Demanda

Preço
Demanda Infinitamente Elástica

P* D

EP  - 
Quantidade
Capítulo 2: O básico sobre a
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Elasticidades-preço da Demanda

Demanda infinatamente Inelástica


Preço

EP  0

Q* Quantidade
Capítulo 2: O básico sobre a
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Elasticidades da Oferta e Demanda

Outras Elasticidades da Demanda

 A elasticidade-renda da demanda mede a


variação percentual na quantidade
demandada que decorre da variação de 1%
na renda.

Capítulo 2: O básico sobre a


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Elasticidades da Oferta e Demanda

Outras Elasticidades da Demanda

 A elasticidade cruzada da demanda mede a


variação percentual na quantidade
demandada de uma mercadoria que decorre
da variação de 1% no preço de outra
mercadoria.

 Como exemplo, considere o caso de dois


bens substitutos - manteiga e margarina.

Capítulo 2: O básico sobre a


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Elasticidades da Demanda

 A elasticidade cruzada da demanda é dada


por:

Qb/Qb Pm Qb
EQbPm  
Pm/Pm Qb Pm
 A elasticidade cruzada é positiva no caso de
bens substitutos, e negativa no caso de bens
complementares.
Capítulo 2: O básico sobre a
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Exemplo: automóveis

Fonte: DeSouza (2009)

Capítulo 2: O básico sobre a


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Demanda
 Estruturas de mercado:
- Competição Perfeita
- Monopólio
- Firma Dominante
- Oligopólio
I. Competição Perfeita e análise de bem-
estar
 Características dos Mercados
Perfeitamente Competitivos

 Agentes tomadores de preço


 Produtos homogêneos
 Livre entrada e saída no mercado
 Agentes tomadores de preço
 O consumidor, individualmente, compra uma
porção muito pequena da produção industrial, não
tendo qualquer impacto sobre o preço de
mercado
 Cada empresa, individualmente, vende uma
pequena parte da produção total do mercado e,
portanto, não tem influência no preço de
mercado.
 Produtos homogêneos
 Os produtos de todas as empresas são
substitutos perfeitos.Ex:Produtos agrícolas,
petróleo, cobre, ferro. O consumidor não faz
diferença entre os produtos ofertados no
mercado.
 Livre entrada e saída no mercado
 Firmas podem, facilmente, entrar e sair do
mercado. Não existem barreiras à entrada.
 Exemplos de Mercados em Comp. Perfeita:
-Mercados de produtos (commodities)
agrícolas como
Café, Arroz, feijão, etc.

 Nem todo mercado de commodities


encontra-se em Comp.Perfeita
Determinação do nível de produção que
maximiza os lucros
 Lucro = Receita Total - Custo Total

 Receita Total: R = p.q

 Custo Total = C = C(q) Obs: Custo total C


é um função da quantidade produzida Q
 Receita Marginal (RMg) é a receita adicional
proveniente da produção de uma unidade a
mais de produto.
Rmg=ΔR/ Δq

 Custo Marginal (Cmg) é o custo adicional


associado à produção de uma unidade a
mais de produto.
Cmg=ΔC/ Δq
 O nível de produção Q que maximiza lucro
(π) ocorre no ponto onde

Rmg=Cmg
 Caso a firma produza em ponto onde a
igualdade não é válida a firma poderia
aumentar seus lucros.
 Caso1 : RMg>CMg a firma pode
aumentar seus lucros ao expandir a
produção
 Caso2 : RMg<CMg a firma pode
aumentar seus lucros ao reduzir a produção
 Formalmente o problema que firma resolve
consiste em maximizar lucro, valor que é
calculado pela diferença entre receita total
R(q) e custo total C(q).
 Max R(q) – C(q)
 C.P.O
 Ou seja RMg- CMg=0. Logo, Rmg=CMg.
 Receita Marginal da Firma Competitiva

RMg = P

 Como Rmg=CMg, temos que e ecolha ótima


da produção q ocorre no ponto onde
 P=CMg
Conceito importante

Elasticidade-preço da demanda
Mede a sensibilidade da demanda do
consumidor em relação a aumento no preço
Def: Variação (negativa) percentual da
demanda decorrente de um aumento em 1%
nos preços.
Obs: Ver gráfico. Quanto mais inclinada
(horizontal) mais elástica é a curva de
demanda, representando consumidor mais
sensível a preços
Maximização de lucros da Empresa
em competição Perfeita
 Produção de mercado (Q) e produção da empresa (q)
 Demanda de mercado (D) e demanda da empresa (d)
Demanda de Mercado e da Empresa

P P
Empresa Indústria
(MERCADO)

$4 d $4

100 200 q 100 Q


 Os lucros na indústria atraem novos produtores.
 O aumento no número de produtores resulta na
elevação da oferta da indústria e, portanto, na
redução do preço de mercado.
 Este processo (entrada de novas empresas)
continua até o ponto onde as firmas auferem
lucros econômicos nulos.
Equilíbrio no Mercado Competitivo

Preço

DEMANDA
S

P0

OFERTA

0
Q0 Quantidade
Eficiência do Mercado
Competitivo
 O mercado competitivo é Eficiente?
 Resposta: Sim.
 De fato, na ausência de falhas de mercado, o
mercado competitivo maximiza o excedente
total. Diz-se então que o mercado
competitivo é eficiente.
Avaliação de Ganhos e Perdas Resultantes de Políticas Governamentais: Excedentes do
Consumidor e do Produtor

 Para determinar o efeito de bem-estar de


uma política governamental, podemos medir
o ganho ou a perda nos excedentes do
produtor e do consumidor.
 Efeitos de bem-estar
 Ganhos e perdas causadas pela intervenção do
governo no mercado.
Perda de bem-estar quando um preço é fixado abaixo do preço de
equilíbrio (Políticas de preço máximo)

Preço

A fixação de um preço
B máximo igual a P1 resulta
no peso morto dado pelos
P0 triângulos B e C.
A C

P1

Q1 Q0
Quantidade
Perda de bem-estar quando um preço é fixado acima do preço de equilíbrio
(Políticas de preço mínimo)

A fixação de um preço
Preço mínimo igual a P2
resulta na quantidade
demandada Q3. O peso
morto é dado pelos
triângulos B e C S

P2
A B

P0
C

Q3 Q0 Q2

Quantidade
 Resultado principal de competição Perfeita:
 CP maximiza bem-estar social (Eficiência)
 Outros: Lucro econômico zero no longo
prazo
 P=cmg (ausência de Poder de mercado)
Impacto de um Imposto

 A carga fiscal de um imposto (ou o benefício


de um subsídio) recai parcialmente sobre o
consumidor e parcialmente sobre o produtor.

 Consideraremos um imposto específico, ou


seja, uma determinada quantia em dinheiro
cobrada por unidade vendida.
O Impacto de um Imposto depende das Elasticidades
de Oferta e de Demanda
Carga fiscal sobre Carga fiscal sobre
Preço
o comprador
D Preço
o vendedor S

Pb

S
t Pb
P0 P0
PS
t
D
PS

Q1 Q 0 Quantidade Q1 Q0 Quantidade
 Quanto mais elástica a demanda maior a
carga fiscal sobre o PRODUTOR e menor
sobre o CONSUMIDOR
Trabalho sobre automóveis

 Ver artigo no Sigaa