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Se forem celebrados por tempo indeterminado, os contratos de execução duradoura

podem, assim, ser denunciados pelas partes. Se não o forem, a aplicação da resolução
dos contratos não está excluída, exigindo-se, no entanto, fundamentos específicos,
correspondentes à inexigibilidade de manutenção por mais tempo do vínculo
contratual. Ainda assim, o regime da resolução dos contratos de execução duradoura
sofre um desvio à regra geral, sendo que enquanto que a resolução do contrato tem
geralmente eficácia retroactiva (art.º 434.º, n.º 1, CC), nos contratos de execução
duradoura esta não abrange as prestações já executadas, salvo se entre elas e a causa
de resolução existir um vínculo que legitime a resolução de todas elas (art.º 434.º, n.º
2, CC).
Os contratos de execução duradoura caracterizam-se também pelo facto de nestes
vigorarem com maior intensidade os deveres acessórios, pelo facto de se tratarem de
relações que, atendendo à sua duração, pressupõem uma intensa relação de confiança
e colaboração entre as partes, pressupondo uma aplicação mais intensa do princípio da
boa-fé e dos deveres acessórios de protecção, informação e lealdade em ordem a
manter uma permanente confiança recíproca e entendimento mútuo no âmbito daquele
contrato. Disto decorre que, se alguma das partes vier a lesar a confiança da outra,
mesmo que não incumprindo uma prestação recíproca, a parte lesada tem o direito de
resolução do contrato, com fundamento em justa causa.

Distingue-se também tradicionalmente entre prestações de resultado e prestações de


meios. Segundo esta classificação, nas prestações de resultado, o devedor vincular-se-
ia efectivamente a obter um resultado determinado, respondendo por incumprimento
se este resultado não fosse obtido. Nas prestações de meios, o devedor não estaria
obrigado à obtenção do resultado, mas apenas a actuar com a diligência necessária
para que este resultado seja obtido.
Em termos de regime jurídico, a distinção resulta na forma de estabelecimento do
ónus da prova, sendo que bastaria ao credor, nas prestações de resultado, demonstrar a
não verificação do resultado para responsabilizar o devedor, sendo este que, para se
exonerar de responsabilidade, teria que demonstrar que a inexecução é devida a uma
causa que não lhe é imputável. Pelo contrário, nas prestações de meios é insuficiente a
não verificação do resultado para responsabilizar o devedor, havendo que proceder à
demonstração de que a sua conduta não correspondeu à diligência a que se tinha
vinculado.
No entanto, Menezes Leitão entende que a distinção entre obrigações de meios e
obrigações de resultado não procede em virtude do facto de que em ambos os casos
aquilo a que o