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O Decolonial na pesquisa em artes no Brasil

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Celina Nunes de Alcântara October 23, 2018 10:00

Celina Nunes de Alcântara, Professora, editora associada, Porto Alegre, RS,


Brasil

Abordagens decoloniais tornaram-se


temática incontornável para a pesquisa nas
artes (PALERMO, 2009), na educação, nas
letras e em todas as áreas no campo das
ciências humanas (MIGNOLO, 2015). Ao
partir de um novo olhar epistemológico, o
decolonial não apenas reivindica posições pós-coloniais para os problemas que afligem o
mundo contemporâneo, mas também, ao fazer isso, evidencia inseparavelmente sua
implicação direta com a edificação violenta de um padrão de poder instaurado com o
colonialismo moderno. Em vista disso, observa-se a crescente expansão de estudos que
procuram dar visibilidade e protagonismo a vozes excluídas, marginalizadas e, sobretudo,
colocadas (não de forma ingênua) histórica e politicamente em bordas hierarquicamente
arranjadas para que determinados grupos possam falar em detrimento de outros.

Como propõem os estudos que se dedicam à temática, trata-se de entender – muito mais
do que o colonialismo em si (como a soberania de um povo ou de uma nação sobre a
outra) – os efeitos e as problemáticas da colonialidade, da construção da subalterização,
da invisibilidade, da desvalorização, da negação e, no limite, do rechaço ao outro, ao não-
eurocêntrico.

As vozes decoloniais emergem, com efeito, não dos centros hegemônicos, mas dos limites,
das periferias, “atacando” os saberes/poderes historicamente instituídos pelo longo curso
de imposição colonial de que todos nós fomos e somos atores. Trata-se, de um lado, da
luta pelo reconhecimento e reconfiguração geopolítica de outros saberes, outros
conhecimentos e outras práticas, distanciando-se daquelas tomadas há muito tempo
como verdadeiras; e, de outro, das lutas concretas direcionadas à construção de um ethos
que possa ser sustentado por outras bases: pela legitimação cultural, pelo fortalecimento
de uma racionalidade contra hegemônica, pela produção teórica (e, por isso, política), de
narrativas crivadas pelo jugo da responsabilização.

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A cena contemporânea, a Educação, a teoria, a estética, as poéticas artísticas não têm sido
indiferentes a essas questões. Ao contrário, têm produzido no interior da criação da
pedagogia e do pensamento, muitas rupturas atribuídas às posições decoloniais.

Em função disso, não se pensa apenas uma troca do colonial pelo decolonial, mas,
sobretudo, no movimento contínuo e dinâmico de reposicionar-se, garantindo assim a
multiplicidade (e heterogeneidade) das práticas que proliferam na cena contemporânea,
nos mais vastos campos de estudos e pesquisas, como já dito, que emergem nas áreas das
artes, da educação, das letras e outras.

No vídeo, a professora Celina Alcântara, nossa editora associada, comenta sobre os artigos
que compõem este número especial.

Watch Video At:


https://youtu.be/6ubt_R
5WSzI

Referências
MIGNOLO, W. Habitar la frontera: sentir y pensar la descolonialidad (Antología, 1999-
2014). Barcelona: CIDOB/Universidad Autónoma de Ciudad Juárez, 2015.

PALERMO, Z. Arte y estética en la encrucijada decolonial. Buenos Aires: Del Signo,


2009.

Para ler os artigos, acesse


Rev. Bras. Estud. Presença vol.8 no.4 Porto Alegre out./dez. 2018

Link externo

Revista Brasileira de Estudos da Presença – RBEP: www.scielo.br/rbep

Sobre Celina Nunes de Alcântara

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Celina Nunes de Alcântara é doutora em Educação pela
Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professora do
Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da mesma
universidade. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em
formação do ator e do professor de Teatro, atuando
principalmente nos seguintes temas: apresentação de espetáculo,
atuação, performance e relações étnico-raciais, teatro, voz. E-
mail: celinanalcantara@gmail.com
Celina Nunes

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