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TEORIA GERAL DO PODER

PÚBLICO

Democracia participativa: Lobbying:


A democracia participativa consiste na Este pode ser definido como a atividade de
participação dos cidadãos ou de representação e de defesa de interesses de
organizações sociais nos procedimentos e entidades ou grupos organizados junto dos
na tomada de decisões dos órgãos do decisores políticos com o objetivo de
poder público, através de petições, influenciar decisões do poder publico, em
representações, baixos assinados, da especial do poder legislativo, em favor de
participação em consultas populares sobre causas ou objetivos definidos pelo grupo.
propostas legislativas ou outras decisões Pode ser exercido pelos próprios
politicas, da intervenção em comissões de interessados ou por lobyistas profissionais
moradores e nos órgãos consultivos contratos.
existentes ou em fóruns constituídos, na Em vários países e também nos estados
preparação e recolha de assinaturas para unidos, a atividades de lobbying esta
propostas de legislação ou de referendos. legalmente reconhecia e regulada (registo
A democracia participativa é uma do lobista), transparência das relações com
democracia de “pressão” ou “de influência, os decisores políticos.
sem poderes.
Clausula barreira:
Estado unitário “regional”
Consiste na fixação legal de uma
percentagem mínima de votos a obter
O estado unitário é o contrário do estado pelos partidos para conseguirem
Federal, que é um estado compósito. representação parlamentar.
Em Portugal existe um estado unitário, As clausula-barreira soa típicas de sistemas
(6º/1), permanecendo no estado o poder proporcionais e visam impedir ou reduzir a
constituinte, o poder de revisão fragmentação parlamentar ou impedir ou
constitucional e o poder jurisdicional. dificultar ao parlamento de pequenos
Existe apenas uma cidadania portuguesa. partidos extremistas ou radicais. Em
Estado unitário regional é aquele em que Portugal está proibida pela constituição.
existem formas de decentralização política Todavia a eleição de deputados em círculos
territorial, dotadas de poderes legislativos eleitorais que elegem um número reduzido
e governativos próprios, como os estados corresponde a uma clausula barreira
federados, mas, ao contrário destes, sem implícita, variável de círculo para círculo,
disporem da autonomia constitucional e
sem participarem nos processos de decisão
do estado. Portugal é um exemplo de
estado unitário regional parcial, visto que
pela CRP de 1976 reconheceu a autonomia
política da região autónoma dos açores e
da madeira.
Mandato representativo/livre:
Revogação do mandato.
No mandato representativo, caracteriza as
modernas democracias representativas, os A revogação do mandato consiste na
deputados representam o conjunto de faculdade conhecida aos cidadãos eleitores
cidadãos e exercem livremente o seu argo, de, por iniciativa oficial, serem chamados a
sem estarem vinculados a adotar decidir mediante consulta popular a cessão
determinadas orientações previamente do mandato de um certo título eletivo
definidas pelos representados. Então o antes do termino desse mandato. Trata-se,
mandato representativo não pode por sua portanto, de uma destituição popular de
vez ser revogado. titulares de mandatos eletivos, tratando se
numa forma de responsabilidade politica
direta perante os cidadãos.
Limitações ao poder maioria:
Democracia representativa
Uma vez que na democracia o poder (indireta):
legitimo é o poder da maioria, o único
modo de limitar e controlar o poder é Esta é caracterizada pelo facto do poder
estabelecer limites ao poder da maioria, de político não ser exercido diretamente pelo
modo a evitar o risco da “ditadura de povo, mas sim por órgãos representativos
maiorias”. eleitos, nomeadamente uma assembleia
A principal limitação ao poder das maiorias representativa.
num estado constitucional é a própria Numa democracia representativa, a
constituição, na medida que ela impede principal forma de expressão e intervenção
que as maiorias parlamentares violem a política são as eleições para os órgãos
constituição. representativos, a começar pelos
Ouros mecanismos de limitação ao poder parlamentos
das maiorias são as maiorias qualificadas, o A democracia representativa é antes de
poder de veto do presidente da república, mais uma democracia eleitoral, através de
o direito da oposição e a democracia eleições livres e periódicas por sufrágio
participativa. universal, secreto, igual e direto.

Competência Referendo constitucional:


legislativa autorizada do governo:
É uma votação popular o que versa sobre a
aprovação ou ratificação de uma
Na formulação ordinária da separação de constituição ou de uma revisão
poder, o poder legislativo era exclusivo da constitucional.
assembleia representativa, o parlamento. Referendo ordinário é o que versa sobre as
O poder executivo tinha de executar as leis, leis ou decisões políticas
não a de fazer as leis. Com o tempo veio a infraconstitucionais.
admitir se a Acão legislativa do governo No ornamento constitucional português
mediante a autorização do Parlamento, está proibido o referendo constitucional às
que é hoje uma característica generalizada alterações à constituição artigo115/4/a.
dos sistemas de governo parlamentar.
A competência legislativa autorizada pelo
parlamento é bastante ampla e existe de
acordo com o artigo 165º da CRP.
Presidencialismo: estado e a sociedade e no abstencionismo
a esfera económica, social e cultural.
É um modelo classicamente representado
pelo governo nos estados unidos da
américa. Democracia semidirecta:
As principais características são: - a função
governamental cabe só ao presidente da A democracia semidirecta consiste num
república. complemento da democracia
- O presidente é independente do representativa, permitido aos titulares da
congresso. soberania uma intervenção direta em
- O presidente goza de legitimidade determinadas decisões políticas.
eleitoral própria independente do Na democracia semidirecta usamos como
congresso e acumula as funções do chefe complemente o referendo, a iniciativa
de estado e de chefe executivo, sendo legislativa popular do referendo, assim
nesta última coadjuvado por secretários de como também a revogação de mandatos
estado, cabendo, na mesma, ao presidente representativos mediante votação popular.
a condução da Acão governativa.
-Há duas eleições e dois órgãos eleitos, as Mandato imperativo:
eleições decisivas para o executivo e as
políticas governamentais são as eleições
presidenciais e não as eleições legislativas, Este é típico da representação política pré-
que se limitam a eleger os deputados. liberal e também das conceções
-Existe uma separação entre o poder rousseaanianas e leninistas de democracia,
legislativo(congresso) e o poder ou seja, os representantes são obrigados
executivo(presidente). por um programa e vinculado às posições
- Nunca há eleições antecipadas, no caso assumidas perante os representados, aos
de o presidente morrer ele é substituído quais terão de prestar contas.
pelo vice-presidente até ao fim do
mandato.
- a subsistência e o funcionamento dos dois Impeachment:
órgãos são independentes, sem prejuízo da
possibilidade da demissão do presidente Em geral, nos sistemas de eleição popular,
por motivo de impeachment aprovado pelo direta ou indireta, o presidente não pode
congresso, em caso de infração do ser destituído.
presidente no desempenho do caso. No entanto, este poderá ser destituído por
- Existem alguns poderes de controlo efeito do impeachment pelo parlamento,
recíproco como o de veto do presidente em caso de infração constitucional grave.
sobre as leis aprovadas pelo congresso e o
poder do congresso de examinar e ratificar
a escolha do presidente quanto a diversos
titulares de altos cargos políticos.
Bicameralismo:
Estado guarda-noturno:
Sistema em que o parlamento eta divido
em duas camaras.
O estado constitucional liberal que emerge Normalmente, o federalismo implica um
das revoluções liberais é identificado como sistema bicamaral a nível federal, sendo
um estado guarda-noturno, na medida em uma das camaras representativa da
que limita as atribuições e a atividade do população federal em geral e a outra
estado, baseando na separação entre o representativa das unidades federadas.
Estado federal:
Democracia liberal:
O estado federal prossupõe dois níveis de
A democracia liberal é a conjunção da organização do poder político: a federação
democracia política com o liberalismo e unidades federadas.
político e económico. As unidades federadas possuem
A democracia liberal é uma democracia autonomia constitucional, com respeito da
limitada pelo liberalismo e um liberalismo constituição federal. Existe uma repartição
limitado pela democracia. material dos poderes políticos entre a
O poder da maioria é limitado pelas federação e as unidades federadas.
liberdades políticas e económicas dos Perante um estado federal o cidadão tem
cidadãos e pelos direitos da oposição, uma dupla cidadania, participando em dois
ambos constitucionalmente garantidos. tipos diferentes de comunidade política.
Sendo um regime liberal, a democracia Como membros de uma unidade federada,
pode, porém, exigir limites às liberdades participam na vida política da respetiva
políticas e económicas, a fim de defender a comunidade. Como membros da
própria democracia ou outros valores comunidade nacional, participam na
fundamentais. respetiva vida política.
Normalmente, o federalismo implica um
sistema bicamaral a nível federal, sendo
Método do quociente natural ou uma das camaras representativa da
de Hare: população federal em geral e a outra
representativa das unidades federadas, na
base do princípio da tendência da
PRIMEIRO, o número total de votos igualdade de representação.
efetivos é dividido pelo número de
deputados a eleger no círculo, obtendo se
assim o quociente eleitoral. Cidadania:
Em segundo lugar, divide se o número de
votos de cada lista por esse quociente,
cabendo a cada lista um número de A noção de cidadania pode ter dois
deputados igual ao resultado dessa divisão. significados deferentes: um que equivale à
Se depois de feitas as referidas divisões nacionalidade, sentido amplo, e um que
ainda houver deputados por atribuir equivale em sentido estrito a um membro
recorre se a um mecanismo subsidiário, de uma comunidade política e titular dos
que pode variar de sistema para sistema. respetivos direitos políticos ou da
cidadania.
Democracia Direta: No primeiro, a cidadania é um vínculo
jurídico-político que liga de uma forma
É aquela em que as decisões politicas são estável um individuo a uma determinada
tomadas diretamente em assembleias dos entidade politica soberana, normalmente
cidadãos, sucedia isto antigamente nas um estado unitário, a cidadania subdivide
cidades-estado grega e ainda hoje nas se em cidadania originária, pelo
freguesias de dimensão reduzida nascimento, atribuída segundo critérios de
( 245º/nº2 CRP). sangue ou de origem, ou ambos. A
Em Portugal, nas freguesias com 150 cidadania não ordinária é atribuída
eleitores ou menos, a assembleia de posteriormente devido a casamento,
freguesia é substituída pelo plenário dos filiação, da adoção ou de residência
cidadãos eleitores) prolongada. A segunda cidadania surge
como um instrumento privilegiado de
integração dos imigrantes no estado de
residência. Legitimação tradicional do poder
(Max Weber):
Sistema eleitoral maioritário: Baseada na cença cotidiana na santidade
das tradições vigentes desde sempre e na
O sistema eleitoral maioritário na eleição legitimidade daqueles que, em virtude
das assembleias representativas esta dessas tradições, representam a
normalmente vinculado a círculos autoridade …..
eleitorais uni nominados, havendo tantos
círculos eleitorais quanto o número de
deputados a eleger de que forma a que o
Legitimação legal- racional do
candidato mais votado é o que fica eleito poder ( Max Weber):
para o mandato do respetivo círculo
eleitoral. As formulas maioritárias É a única forma típica de legitimidade do
subdividem se em maioria simples ou poder nas sociedades políticas modernas,
relativa, segundo a qual cada mandato é sendo baseada em instrumentos jurídicos
ganho pelo candidato que obtém maior gerais e abstratos (constituição e leis), na
numero de votos em cada circulo, por definição precisa de atribuições e
menos que seja a percentagem de votos competências, na igualdade formal dos
obtida, maioria absoluta, que exige que o membros da coletividade perante o poder,
candidato para ser eleito alcance uma na legitimação dos titulares do poder pelos
maioria de mais de 50% dos votos, ou seja, governados segundo esquemas eleitorais e
pelo menos, mais votos do que todo os representativos.
outros candidatos somados, se nenhum
dos candidatos obtém a maioria absoluta
na primeira votação, recorre se a uma
segunda votação em que concorrem
apenas os dois candidatos mais votados ou
apenas aqueles dois que tenham passado o
limite mínimo de votação na primeira
volta. Em qualquer um dos casos, para que
um partido consiga obter representação
parlamentar é necessário que os seus
candidatos ganhem pelo menos uma vez
em circulo eleitoral.

Legitimação carismática do poder


( Max Weber):
Justificação do poder baseada na
capacidade e no “apelo” pessoal(carisma)
dos governantes para atraírem a adesão
dos subordinados, assente em dotes
pessoais de liderança e de comunicação
dos governantes ( os profetas, os heróis, os
demagogos, os lideres natos).
AUTORES:
A soberania deve residir nas leis
ARISTOTELES: fundadas na razão, estreito
relacionamento entre as leis e a
A política aristotélica é constituição. A igualdade é, de
essencialmente unida à moral. modo geral, o fim que o legislador
Aristóteles dedica-se a estudar as deve ser proposto a fim de conciliar
condições, características e aquelas.
natureza do melhor Governo,
havendo nele a preocupação de
distinguir as formas menos boas de O ostracismo é um sistema de
Governo das formas boas e más. eliminar a quem revelando-se
Aristóteles seleciona um conjunto demasiado poderosos, chegam a
de critérios para aferir da bondade constituir um perigo para a
dos governos. Esses critérios sociedade ou simplesmente para os
incluem: o grau de liberdade dos governantes. Em princípio foi usado
cidadãos; o nível e a dimensão da pelos atira-nos. Todo o poder
participação dos cidadãos na vida destes estava em função de outras
política, enquanto eleitores e famílias. Quando alguém destacava,
enquanto elegíveis para os cargos; por sua fortuna ou por seu sucesso
o mérito, a inteligência e a popular, já era perigoso. O
excelência dos governantes; a sua ostracismo também foi usado em
capacidade para promover o bem estados democráticos, a fim de
comum e a felicidade dos cidadãos. manter a igualdade.
Aristóteles opta por formas mistas Existem diversos tipos de
de governo, na tentativa de incluir reinado:
os aspetos melhores e a evitar os * O dos tempos heroicos
menos bons. * O tipo de reinado dos bárbaros
Os governos desviantes são os * A tirania
que se encontram nos extremos. A * O reinado Espartano
tirania é o pior dos regimes. * No que o rei se ocupa de tudo,
Aristóteles critica a oligarquia por da administração do estado
afastar da governação e das
magistraturas a classe média e os Das cinco formas de reinado
pobres, não havendo qualquer Aristóteles decide-se que tem de
garantia de que os mais ricos sejam examinar só a última. Como
os melhores e os mais excelentes. primeiro ponto: é preferível que o
A democracia fica, portanto, refém poder resida nas leis ou em um
dos demagogos e sujeita ao poder indivíduo justo e virtuoso?
da inveja e da cobiça do alheio.
Quando os pobres estão em maioria Aristóteles salienta que há outras
e ocupam o governo corre-se o leis, precisamente aquelas que
risco de se praticarem injustiças tão emanam dos costumes do povo, as
flagrantes quanto as cometidas quais são mais sábias que as que
pelos oligarcas, havendo o perigo possam dar qualquer soberano. São
de usurpação dos bens dos mais bem mais poderosas e importantes
ricos por parte da multidão. É por que todas as leis escritas e não
isso que, por vezes, a democracia é correm o perigo de ficar antiquadas
o caminho mais curto para a tirania. ou fora de local, pois recolhem a
vontade do povo. São, pois, as leis,
tanto as escritas como as que
impõem os costumes, as que Aparentemente para Aristóteles deu
possuem a soberania. Só há uma mais importância ao segundo
exceção: "Quando uma raça, ou critério do que ao primeiro. Por isso,
inclusive um indivíduo sobressai condena a democracia, pois na sua
tanto em virtude, deve exercer o classificação, era um governo em
poder e ser eleito rei absoluto". Em prol dos interesses dos governantes
tal caso o ostracismo é iniquidade e e não de toda a gente.
submeter ao nível comum um crime. Para Aristóteles a classificação das
Segundo as leis da natureza os formas de governo teve uma grande
bens exteriores só são apetecíveis influência no pensamento político
em interesse da alma e não ao pelos seculos fora.
inverso. Por outra parte, a posse de A sua critica à democracia
bens exteriores não garante a encontrou eco na construção da
obtenção dos bens da alma, sendo democracia liberal
estes os que fazem possível a contemporânea, enquanto governo
obtenção de riqueza e bem-estar. da maioria, limitando, porém, pelos
direitos dos indivíduos e das
", o qual está quase sempre unido minorias.
ao poder executivo embora ambos
sejam diferentes.
O poder legislativo não tem por
que estar sempre em funções, mas
sim o poder executivo. Se o poder
executivo abusa de sua força
impedindo ao legislativo cumprir
com suas funções, o povo tem
direito a empregar também a força
para restabelecer sua soberania e
seu correspondente poder
legislativo.

Resumindo/ pergunta exame


anterior:

Aristóteles foi o primeiro autor a


proceder a uma classificação
tipológica das formas do governo,
recorrendo para isso a dois critérios
O primeiro, o numero de
governantes, como se fossem um
só.
O segundo, o facto de os
governantes governarem em prol do
interesse de todos os apenas do
interesse deles próprios.
em conta, ademais, que ao Estado
lhe corresponde também, em
relacionamento com outros Estados
vizinhos ou com o resto da
humanidade,
LOCKE:

Locke assinala e explica as


o poder de fazer a guerra e a paz,
seguintes formas de governo:
de estabelecer une e alianças e de
* Democracia perfeita: quando o
realizar tratos com todas as
poder da comunidade reside
pessoas e comunidades fosse do
naturalmente na maioria.
Estado. Este poder é chamado por
* Oligarquia: quando o poder reside
Locke "poder federativo", o qual
em mãos de uns poucos homens
está quase sempre unido ao poder
seletos, e em seus herdeiros.
executivo embora ambos sejam
* Monarquia: quando o poder está
diferentes.
depositado em mãos de um só
homem, sendo hereditária se o
O poder legislativo não tem por que
poder passa do rei a seus
estar sempre em funções, mas sim
sucessores e eletiva em caso
o poder executivo. Se o poder
contrário.
executivo abusa de sua força
A primeira e fundamental lei positiva
impedindo ao legislativo cumprir
de todos os Estados é o
com suas funções, o povo tem
estabelecimento do poder
direito a empregar também a força
legislativo, o qual não só é o poder
para restabelecer sua soberania e
supremo do Estado, senão que
seu correspondente poder
também é sagrado e inalterável.
legislativo.
O poder legislativo é responsável Para Locke uma sociedade
pela formulação de leis, prescrição política organizada só pode existir
de quais procedimentos a força da um poder supremo, que é o
comunidade civil deve ser legislativo, ao qual todos os outros
empregue para preservar a estão e devem estar subordinados.
comunidade e seus membros.
O poder executivo possui Sendo o poder legislativo é um
como finalidade executar as leis. poder fiduciário, isto é, um poder
Para as leis fazerem sentido na delegado para cumprir o fim de
prática, é fundamental a execução conseguir o bem do povo, pelo qual
dessas na medida em que são a sociedade conserva sempre o
feitas e durante o tempo que verdadeiro poder supremo, pois se
permanecerem em vigor. o poder legislativo não cumpre com
seus fins, o povo pode e deve ser
Devido à fragilidade dos desfeito do mesmo.
homens, os quais tendem a
acumular poder, é recomendável, a comunidade permanece
desde todos os pontos de vista, que perpetuamente investida do poder
os poderes legislativos e executivo supremo de se salvaguardar contra
costumem estar separados, tendo as tentativas e as intenções de
quem quer que seja, mesmo uma concessão e um mandato
aquelas de seus próprios expressos e todas devem prestar
legisladores, sempre que eles forem contas a algum outro poder na
tão tolos ou tão perversos para comunidade civil.
preparar e desenvolver projetos
contra as liberdades e as
propriedades dos súditos.
Pode-se dizer que a comunidade
tem sempre o poder supremo, mas
contanto que não seja considerada
submissa a qualquer forma de
governo, porque o povo jamais pode
exercer este poder antes do Resumindo/ pergunta exame
governo ser dissolvido.
anterior:
Quando o poder executivo é :
depositado nas mãos de uma única
pessoa que também tem uma
participação no legislativo, está Foi um filosofo inglês, em que a sua
concessão política tem uma origem
visivelmente subordinado a este e
contratualista, mas com fundamentos e
dele depende, podendo ser à objetivos diferentes.
vontade substituído ou alterado; não contratualista, mas com fundamentos e
é então o poder executivo supremo objetivos diferentes. Consiste num
que está isento de subordinação, consentimento que se mantém e se
mas o poder executivo supremo renova na representatividade
investido em uma só pessoa, que, parlamentar. Este surge na defesa do
tendo uma participação no liberalismo e das liberdades individuais,
legislativo, não está subordinado a contra o poder absoluto do rei. Defende
nenhum legislativo distinto e a natureza pacifica e racional do
superior nem tem de lhe prestar homem, o qual tem inalienáveis
direitos. Nomeadamente a liberdade e
contas, salvo na medida em que ele
a propriedade, face aos outros e face
mesmo o aceite e consinta; neste ao estado. A lei surge exatamente
caso, pode-se então concluir que como expressão da obrigação ao
ele só está subordinado ao que estado, não somente de respeitar as
julga bom, o que será muito pouco. liberdades individuais, nomeadamente
Quanto aos outros poderes a liberdade e a propriedade, mas
ministeriais e subordinados de uma também as de garantir contra terceiros.
comunidade civil, nem precisamos
falar a respeito, pois eles se
multiplicam com uma variedade tão
infinita nos diferentes costumes e
constituições de comunidades civis
distintas, que é impossível a
referência individual a todos eles.
No que lhes diz respeito, basta
destacar uma única característica,
essencial para o nosso propósito,
ou seja, que nenhuma dentre elas
se estenda além da competência
que lhe foi delegada em virtude de
ministros, onde os mesmos são
responsáveis e o Rei reina, mas não
governa.

CONSTANT:

Contrapunha a liberdade dos Resumindo/ pergunta exame


indivíduos em relação ao estado de anterior:
liberdade na sociedade comercial,
criou uma distinção de liberdade :
dos antigos e dos modernos.
Os antigos tinham uma
liberdade participativa/republicana, Constante foi um liberal assumido,
onde os cidadãos tinham o direito partidário da limitação do poder, da
de influenciar diretamente as separação de poderes e da
políticas por debates e votos em “liberdade negativa dos modernos”
assembleia pública, limitada pelas foi um dos primeiros a vislumbrar os
sociedades relativamente pequenas ricos da democracia radial para as
e homogéneas, onde se poderiam liberdades individuais.
reunir para tratar de questões A omnipotência da “vontade real” de
públicas. Rousseau, bem como a teoria da
unidade do poder e a rejeição da
A liberdade nos Modernos, separação de poderes podiam levar
contrariamente, baseava-se na ao despotismo da maioria, à custa
posse de liberdades civil, contra o da liberdade individuais.
excesso de interferência do Estado.
A participação direta seria Este privilegia o liberalismo
limitada, resultado de ter sido criada limitando a democracia.
uma sociedade comercial, onde não
há escravos, mas há renumeração
por trabalho; quem votava elegia
representantes, que deliberavam no
Parlamento ela vontade popular.

Constant, acreditava que se a


liberdade estava marcada nos finais
da Revolução, então a LA devia ser
abandonada em favor da prática da
LM. Desenvolveu uma teoria da
Monarquia constitucional, na qual o
poder real devia ser um poder
neutro restringindo excessos dos
poderes ativos. O poder executivo
seria feito num conselho de
HOBBES/ pergunta exame Terceiro, os homens são em
grande número os que se julgam
anterior: mais sábios, e mais capacitados
que os outros para o exercício do
poder público.
Thomas Hobbes o homem – no Quarto, homens são capazes de
estado de natureza - gozava de apresentar aos outros o que é bom
uma liberdade total, porém, viviam sob a aparência do mal, e o que é
no que ele chama de “guerra de mau sob a aparência do bem; ou
todos contra todos”, não existindo então aumentando ou diminuindo a
sequer qualquer chance de importância visível do bem ou do
segurança plena. Os homens, seres mal, semeando o descontentamento
de desejos, e sem nenhum poder entre os homens e perturbando a
superior capaz de provocar algum seu bel-prazer a paz em que os
temor, buscavam a efetivação outros vivem.
destes desejos a qualquer custa, já Quinto, o homem com a sua
que este era o único objetivo de capacidade de distinguir entre
viver, mas ficavam a mercê desta injúria e dano, é tanto mais
situação, correndo o risco de morte implicativo quanto mais satisfeito se
a todo o instante. Assim, através do sente, pois é neste caso que tende
“desejo de sair daquela mísera mais para exibir sua sabedoria e
condição de guerra que é a para controlar as ações dos que
consequência necessária das governam o Estado.
paixões naturais dos homens” e Por último, o acordo vigente
alcançar o desejo primordial (o entre homens surge apenas através
desejo de sobrevivência) que surgiu de um pacto, isto é, artificialmente.
a primeira forma de estado. Portanto é necessária alguma coisa
mais para tornar o pacto constante
e duradouro, ou seja, um poder
Para Hobbes a lei de natureza comum que os mantenha em
não tem validade, já que estas respeito, e que dirija suas ações no
entram em conflito com as paixões sentido do benefício comum.
naturais, como o orgulho, a Hobbes vê que para existir a
vingança etc. e por isso, não devida segurança, é necessário a
adiantam de nada se não houver o criação de um meio que é capaz de
auxílio da força, e só serão assegurar a segurança dos
respeitadas por alguns e quando indivíduos de forma eficiente e
houver segurança para isso. permanente. Assim, surge o estado.
os homens estão
constantemente envolvidos numa
competição pela honra e pela Àquele que é portador dessa
dignidade, surgem entre os homens pessoa se chama soberano, e dele
a inveja e o ódio, e finalmente a se diz que possui poder soberano.
guerra. Todos os restantes são súditos.
Segundo, o homem só Hobbes diz que um Estado por
encontra felicidade na comparação instituição é quando uma multidão
com os outros homens, e só pode de homens concorda e/ou pactua
tirar prazer do que é iminente, há consigo mesmos, quando qualquer
uma diferença ente bem comum e homem ou assembleia destes que
bem individual. no qual a maioria o escolha dando-
lhe o direito de representar a
pessoa daqueles, sendo que todos democracia – são apenas maneiras
terão que autorizar as decisões ruins de Anarquia e Monarquia,
destes homens ou deste homem onde os oligarcas são aqueles que
como a deles para assim serem não governam de forma correta
protegidos. É desta instituição do como o tirânico não governa de
Estado que derivam todos os forma correta.
direitos e faculdades daquele ou Hobbes vê a monarquia como a
daqueles a quem o poder soberano melhor forma de governo possível,
é conferido mediante o pois não existe divergência nas
consentimento do povo reunido. escolhas da monarquia, pois só ele
Se a decisão pelo soberano escolhe e somente ele governa,
ocorreu por maioria, os que diferente nos demais casos onde
opinaram contra a escolha deste existem várias pessoas opinando
terão mesmo assim que acatar a por um fato.
decisão da maioria, senão Se tratando de sucessão, na
contrariaram o pacto, pois pelo monarquia ocorre uma complicação,
pacto vence a escolha da maioria, já que quando é necessário a
tanto pela escolha do soberano pela sucessão ou substituição de um
parte do povo, quanto pela membro na aristocracia, os demais
assembleia de homens. Por aristocratas discutem e decidem
instituição, a escolha do súdito ao qual será o sucessor ou substituto,
eleger dada pessoa ao título de e no caso da democracia, o povo
soberano refletirá nas escolhas vota e elege um novo
deste, sendo assim, o soberano não representante, diferente do caso da
pode cometer injurias e injustiças, monarquia onde só há um para
somente poderá atribuir-lhe culpa a escolher quem o suceder. No caso
respeito de iniquidades. das duas primeiras, quando houver
O soberano deve ser juiz das morte instantânea, por exemplo,
opiniões contrárias à paz e à não há com que se preocupar, já
verdade, pois aquilo que é contra a que ainda existem outros
paz não é verdade. Cabe ao representantes para governar. Mas
soberano impedir as opiniões no caso da monarquia, se isso
daqueles que são contra a paz, pois acontecer e não houver
estes ainda permanecem no estado representante pré-estabelecido pelo
de guerra. monarca, todos por natureza têm o
Hobbes diz que existem três direito em assumir o posto, e com
tipos de governo: monarquia, isto acarretará o retorno ao estado
Aristocracia e Democracia. de natureza.
Monarquia é o governo de uma Segundo Hobbes, o soberano
pessoa como soberano; Aristocracia tende a escolher como sucessor no
é quando existe um grupo pequeno governo o seu herdeiro, de
– em relação a democracia – de preferência o do século masculino,
pessoas como soberania; e já que para Hobbes o homem por
Democracia é quando o povo elege natureza tem mais dons para
seus representantes e estes governar que a mulher, porém
assumem a função de soberano. quando não há herdeiros este tende
Oligarquia e tirania não são tipos a escolher o irmão, a Irmã ou então
de governo no ponto de vista de o parente que lhe é mais próximo,
Hobbes, já que para ele, estas – não havendo, um amigo de
assim como a anarquia no caso da confiança.
Resumindo/ pergunta exame
anterior:

Hobbes foi um filosofo inglês. Nela


desenvolve uma teoria
contratualista do poder político-
legitimando este num acordo tácito
entre os membros da comunidade,
tendo em vista a segurança
individual e a ordem social. Para
Hobbes a natureza humana é
naturalmente egoísta e conflituosa,
pelo que no “estado de natureza” os
homens levam uma vida “bruta e
curta”. É nesse sentido que o
homem se torna o lobo do próprio
homem, já que procurando atingir
os seus objetivos individuais (a
riqueza, a segurança e a reputação
ou gloria), entram em conflito com
os demais, o que gera um clima de
insegurança e de guerra. Esta
situação (o “estado de natureza”)
impõe um poder político forte, capaz
de garantir e impor a todos
harmonização dos interesses
individuais e a sua submissão ao
bem comum.
Pelo pacto social, os membros da
coletividade delegam no soberano
os poderes necessários, de forma
incondicional e irrevogável. Esse
poder político forte- que torna
Hobbes num defensor do
absolutismo- será, portanto, uma
necessidade da própria vida em
sociedade (um pacto de
submissão).