VICTOR PEDRO SANT¶ANNA DE MORAES

A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FUNDAMENTAL DAS ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS DE BELÉM

Trabalho de Conclusão de Curso ± TCC apresentado a Faculdade de Geografia e Cartografia da UFPA como requisito parcial para a obtenção da graduação de bacharelado e licenciatura em geografia.

Orientador: Prof. Dr. Carlos Bordalo Junior

Belém/PA 2009
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VICTOR PEDRO SANT¶ANNA DE MORAES

A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A GEOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL DAS ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS DE BELÉM

Trabalho de Conclusão de Curso ± TCC apresentado a Faculdade de Geografia e Cartografia da UFPA como requisito parcial para a obtenção da graduação de bacharelado e licenciatura em geografia.

Aprovação em ____ de setembro de 2009

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________ Orientador

_________________________________________ Examinador

__________________________________________ Orientador
2

.

Dedico este trabalho primeiro a meus pais, e em seguida a todos os outros de minha família, que se empenharam durante toda minha vida para que este momento acontecesse.

3

AGRADECIMENTOS

Ao Professor Bordalo, pela dedicação e pela orientação dos trabalhos;

Ao Professor Clay, pela ajuda e paciência cruciais à concretização de minha formatura;

Ao Professor Naum, pela extrema disciplina e por me fazer olhar com mais seriedade à questão pedagôgica;

À Professora Márcia, por tudo;

À meus amigos de curso que acabaram por coorientar este trabalho;

Aos Professores e alunos das escolas que me receberam com carinho;

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Palavras-chave: EDUCAÇÃO AMBIENTAL ± ENSINO FUNDAMENTAL ± GEOGRAFIA ± PRODUÇÃO DO ESPAÇO ± PRÁTICAS DE ENSINO. A partir daí lança-se os olhares para a questão ambiental dentro da esfera de ensino formal no Brasil. onde analisaremos a práticas. e a conseqüente criação de uma legislação ambiental e seu seqüente desdobramento para a educação ambiental. analisando a relação entre produção/apropriação do espaço e degradação ambiental. Estas questões abordadas culminarão nas observações sobre a pesquisa de campo desenvolvida nas escolas selecionadas. ate a institucionalização da questão ambiental no Brasil.RESUMO O objetivo deste trabalho é proporcionar uma aproximação teórica e temática entre geografia e educação ambiental e Conhecer as abordagens sobre EA realizadas por professores de Geografia das escolas públicas ensino fundamental. e a mudança no modelo de produção. faz-se necessário então relacionar os conceitos de educação ambiental produzidos ao longo da historia. Para o qual começamos levantando um breve histórico do surgimento da questão ambiental que vai desde a revolução industrial. 5 . dos educadores a respeito de educação ambiental. norteada pelos conceitos de interdisciplinaridade e transversalidade. estas existentes ou não. A partir de onde começa uma aproximação com a ciência geográfica e seus focos de abordagem.

analyzing the relationship between production / appropriation of space and environmental degradation. Keywords: ENVIRONMENTAL EDUCATION ± ELEMENTARY SCHOOL ± GEOGRAPHY ± PRODUCTION OF SPACE ± PRACTICE TEACHING. they exist or not. The questions addressed will culminate in the comments on the survey carried out in selected schools.ABSTRACT The objective of this work is to provide a theoretical approach and focus between geography and environmental education and be familiar with the approaches to the task for geography teachers in public school education. To which we started raising a brief history of the emergence of environmental issues ranging from the industrial revolution and the change in the production model. it is then necessary to relate the concepts of environmental education produced throughout history. From where one gets closer to science and geographical focus of its approach. Since then cast into the eyes of the environmental issue within the sphere of formal education in Brazil. and the subsequent creation of environmental legislation and its sequential development for education environment. 6 . where we analyze the practices. educators about environmental education. until the institutionalization of environmental concerns in Brazil. guided by the concepts of interdisciplinary and crossdisciplinary.

........................ 4....... .... .......... ....... ........................................... 7 .................. 2.......2 ... 39................. .. 4..... .................................................................... ........ 33......................... 2 ± UMA BREVE LEITURA SOBRE A QUESTÃO AMBIENTAL.................... .... ........................ .... 3......................... 42....1 2.................................................... 3......CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................A questão da transversalidade................................................. ......................... 6 .......... ............... ....................2 ± Uma evolução de conceitos da educação ambiental ................... .................. 3............ ................. 4 ............................................ ............... 3...................23.......... ...... ..... 27.................................................................... 2....Educação ambiental e ensino formal no Brasil . 5 ........Apresentação das escolas......Analise dos textos produzidos pelos alunos .......... ... 44....................................... ...........Legislação brasileira sobre educação ambiental......................Os PCN¶s e a Geografia..... ................ ...3 ....... ........ ............. 33.. 3...................... 2..... ... ...... 4...................................................A aproximação com a geografia ..... 3...........A institucionalisação da questão ambiental no Brasil.......... ...........................1 ± Construindo as bases da questão ambiental............................A didática em sala de aula............. educação e a problemática ambiental .............INTRODUÇÃO ........................3 .....ÍNDICE 1 ...........................Racionalidade.....12................ ............................................................. .................................4 ..................................... 4...4 .... 35........BIBLIOGRAFIAS ................ 40............ ....... ........ 4.......................22......Formas de avaliação .................................... ......17................................................................... .... ..... ...................... ....A PESAQUISA EM CAMPO: UMA ANALISE SOBRE AS ESCOLAS: ............. 24......... 21...2 ..................Uma abordagem de educação .............................................Os professores e as considerações sobre a pesquisa de campo .................. ..1 4...................................... ......2 .......... 3 ± A QUESTÃO AMBIENTAL E EDUCAÇÃO ....................... 20................................... ........ .................. 33. . ...... 29....................3 ..........................2 ................ . 8......1 ............................................................................. .. 41................. ................................. ...... modernidade................................ 4..............6 ........5 ......1 .........

sustentabilidade. a questão da interdisciplinaridade. guiaram seu interesse pela educação e pela escola como meios privilegiados para o surgimento de uma nova consciência. que disse certa vez que ³o estudo das relações entre sociedade-natureza. necessária para a sustentabilidade da vida´. No período em que estamos nenhum outro tema parece mais presente no seio da sociedade do que a questão ambiental. As atenções estão voltadas para estes problemas. geógrafo. conservaçãopreservação. pedagogo e amigo. e que ser professor e ter a possibilidade de mediar diálogos sobre questões tão complexas. são minhas motivações para investigar como as escolas participam desse momento de transformação. atrelado a um reducionismo natural. distribuição de riquezas. e não imaginamos tema melhor para desenvolver essa função senão este ambiental. processos produtivos. e sim chamar atenção para o caráter transversal da educação ambiental ± assim abordada dos Parâmetros Curriculares Nacionais ± a qual norteia e soma esforços de diferentes ciências. podemos citar a exemplo degradação ambiental. O conceito de meio ambiente. com maior ênfase. Assim. lhe motivaram. e como podem atuar de forma responsável e construtiva.INTRODUÇÃO O conceito de Educação Ambiental sempre esteve interligado ao conceito de meio ambiente e ao modo como este é apropriado. assim como suas experiências em sala de aula. Um conceito muito usado na pedagogia e aplicado ao ensino de forma geral é o conceito de interdisciplinaridade. 8 . A sociedade hoje vive em torno desta preocupação. Uma delas é a conscientização para as questões ambientais através da educação escolar.1 . Não é intenção abordar neste trabalho. não permite apreciar as interdependências nem a contribuição das ciências sociais e outras à compreensão e melhoria do ambiente humano. se pode entender que a escola tem um papel fundamental diante da necessidade de reflexão e da busca por soluções para os problemas ambientais. e diversos setores da sociedade têm se organizado e buscado alternativas para solucioná-los. Seria relevante citar as palavras de Clésio Silva. dialogando questões relacionadas ao ambiente e à própria manutenção da vida.

Assim. começou a ser elaborada ainda na década de 1960. Finalmente. apresentamos o processo de pesquisa com as entrevistas e a analise do material produzido pelos alunos e seus resultados. apresentaremos o entendimento que fiz sobre educação ambiental e geografia. e. utilizando o ensino de Geografia como referência para a análise do discurso ambiental nas escolas e Como os . estado do Pará. buscou-se tratar das questões ambientais. porem igualmente importantes. As transformações das sociedades e do conceito de educação ambiental ± movidas pela própria dinâmica das sociedades e da forma de apropriação do espaço ± fazem 9 . em linhas gerais. estuário guajarino e distrito administrativo do município de Belém. ambas as escolas localizadas na ilha de Caratateua. adotando como foco da analise a 5ª serie em duas escolas: a Fundação Centro de Referencia em Educação Ambiental Professor Eidorfe Moreira e a E. no que se refere às questões ambientais. apresentamos no capítulo primeiro. da sua origem até o momento atual. como o papel da transversalidade nesse processo de inter-relação dos saberes. Onde se procurou saber dos professores. o desenvolvimento das questões ambientais em sala de aula. mas sem deixar de reconhecer e valorizar as importantes conquistas nesse campo. Apesar do volume de trabalhos sobre a temática ambiental para a escola.Iniciaremos esta pesquisa procurando investigar como a educação ambiental ocorre nas escolas públicas da rede municipal de Belém. Iniciando o projeto. a relação entre meio ambiente e educação. procuramos abordara. ilha de Caratateua. ainda não podemos considerar um campo estável. A presença da educação ambiental como prática pedagógica no ensino formal ainda se da de forma incipiente. até os dias de hoje. em que trabalham e como concebem. de forma geral. a delimitação teórica afunilando o entendimento sobre EA. nas séries iniciais da rede pública municipal de Belém. professores podem contribuir para a disseminação de novas idéias. e como esses saberes são articulados na prática cotidiana? Ajudaram a compor os problemas a serem explorados. os possíveis conceitos de EA.M. diante do desafio da (re) construção de uma leitura de mundo mais interessada na questão ambiental? Algumas questões secundárias. uma revisão bibliográfica a cerca da questão que nos propomos a discutir: a educação ambiental. No capitulo três. uma aproximação teórica e temática da educação ambiental com a geografia. de uma forma geral. No segundo capitulo. Monsenhor José Maria Azevedo. e comentários às práticas dos professores do ensino fundamental no município de Belém.

das mais diversas áreas do conhecimento e níveis educacionais. E assim podermos conhecer as abordagens sobre EA realizada por professores de Geografia das escolas públicas ensino fundamental. a importância de pensarmos sempre a educação ambiental e sua estreita relação com a escola. procuramos explanar analisando a 5ª serie do ensino fundamental. A abordagem nos PCN¶s sobre as questões ambientais e seu caráter transversal norteia professores a refletir sobre o assunto. permitindo uma perspectiva ambiental sobre o espaço geográfico? 10 . localizadas no município e observar que princípios e temas da EA são privilegiados no processo ensino-aprendisagem. os quais reforço. O estabelecimento destes objetivos conduz a um conjunto de questionamentos. que o que se pretende aqui é verificar como a EA é compreendida pelos professores e de que forma as práticas vem se desenvolvendo na área de estudo em questão juntamente com a importância da educação ambiental para o ensino de geografia. constituído fora da escolarização formal. podemos considerar a Geografia a ciência que por excelência trabalha com as questões ambientais na escola dentro de um contexto de interdisciplinaridade/transversalidade e sem perder de vista a relação sociedadenatureza? De que maneira o ensino de geografia pode contribuir para o conhecimento dos problemas ambientais locais e para a ampliação de uma leitura do mundo. ainda não tenha ganho forma definida. justificando assim. A partir do tema e dos objetivos deste trabalho. A questão ambiental vem sendo gradativamente inserida na prática pedagógica de inúmeros professores. alem de fazer uma aproximação teórica e temática com a geografia e formar opinião sobre a importância da educação ambiental para o ensino de geografia. Este é o contexto do qual partem os objetivos gerais e específicos propostos para o trabalho. que tem por pretensão dialogar sobre os conceitos básicos e norteadores acerca da Educação Ambiental e identificar práticas desenvolvidas pelos professores das séries iniciais da rede municipal de ensino de Belém relacionado às questões ambientais. da Educação básica à Universitária (e recentemente incorporado a grade curricular do curso de licenciatura e bacharelado em geografia da UFPA como disciplina regular). Resumindo assim. que estabeleça a relação entre o local e o global.com que este campo de conhecimento.

2006).Diante dessas questões acreditamos encontrar um cenário de desigualdade. Segundo (FUENTES. A partir daí entramos num segundo momento que se refere a pesquisa de campo. tem importância fundamental para a construção de uma sociedade mais igualitária e para o uso racional dos recursos naturais. hábitos. Conforme nos diz Milton Santos (2002. ³o espaço é a casa do homem e também a sua prisão´. valores. O grupo focal permite ao pesquisador conseguir boa quantidade de informação em um período de tempo mais curto. No que se refere a geografia. e o trabalho dos professores sob estes eixos podem contribuir e muito para o combate aos problemas ambientais locais. Assim. p. Referente ainda ao processo de entrevista trabalhamos também com o conceito de grupo focal. foram reunidos grupos de alunos para debates sobre questões referentes à educação e meio ambiente e a qualidade do ensino na escola. a empiria nos diz que há interlocução entre EA e a ciência geográfica visto que eixos temáticos comuns a geografia como sociedade e natureza ou meio ambiente e desenvolvimento sustentável são por excelência eixos que trabalham a questão ambiental. restrições. visto que em primeira analise. que foi realizada em livros. 264). produções acadêmicas. uma vez que este pode servir aos interesses de alguns. que se trata da realização entrevistas coletivas. preconceitos. documentos oficiais e materiais diversos. a fundação escola bosque tem uma lógica voltada para formação em educação ambiental. enquanto conteúdo do ensino básico tratado pela Geografia. foram adotadas algumas estratégias fundamentais para o desenvolvimento do projeto de pesquisa. e consultas a internet os quais se resumiram a uma base confiável durante o processo de construção do trabalho. a Educação Ambiental. Esta foi realizada através de leitura completa. uma vez que os mais pobres são os mais afetados pela degradação do Planeta. linguagens e simbologias no trato de uma dada questão por um grupo. 11 . como a pesquisa bibliográfica. com as quais pretendo obter o perfil dos entrevistados. de fichamentos. Para a realização deste trabalho. A pesquisa de campo foi realizada a partir de entrevistas por questionário semiestruturado em questões fechadas e abertas . permite o conhecimento das representações. crenças. percepções. e a categorização dos discursos sobre os conceitos de educação ambiental e das práticas cotidianas.

1996. no Relatório Brutndtland. consolida-se em 1982. A partir de então. a cidade japonesa de Minamata enfrentou o problema da poluição industrial por mercúrio e milhares de pessoas foram intoxicadas.1 . (ar. na qual as discussões começam a dar ênfase ao caráter multidisciplinar do meio ambiente. o ³smog´. o que foi apontado como a principal causa da degradação ambiental atual.OMS. Esta concepção. desta vez na cidade de Niigata. Em 1971. água e solo) como depósito de dejetos. poluição atmosférica de origem industrial. ³Em 1952. 12 . na super exploração dos recursos naturais e no uso do ambiente natural. Os problemas ambientais não passaram a existir somente após a Revolução Industrial. de caráter político.Construindo as bases da questão ambiental Segundo Espinosa (1993). a poluição por mercúrio aparece novamente. Os primeiros grandes impactos da Revolução Industrial. MAB (onde Participaram cerca de 30 países e diversos organismos internacionais ± FAO. de ações antrópicas sobre a biosfera.UMA BREVE LEITURA SOBRE A QUESTÃO AMBIENTAL 2. Czapski. o conceito de desenvolvimento sustentável fazendo oposição ao crescimento econômico mundial sem limites. sobretudo. Alguns anos depois. provocou muitas mortes em Londres. também no Japão´ (Porto. O relatório sugere um desenvolvimento que ³atenda as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem suas próprias necessidades´. mas. Em 1953. ou os primeiros sintomas da crise ambiental. social e econômico.2 . A cidade de Nova York viveu o mesmo problema no período de 1952 a 1960. no uso intensivo de energia fóssil. a partir da Revolução Industrial. surgiram na década de 50. Certamente que os impactos da ação dos seres humanos se ampliaram violentamente com o desenvolvimento tecnológico e com o aumento da população mundial provocados por essa Revolução. principalmente. determinante para a questão ambiental. considerando a conservação da natureza não só como questão científica. IUCN). quando a Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento publica. ou seja. ocorre a primeira reunião do Conselho Interministerial da Coordenação do Programa sobre o Homem e a Biosfera. adota-se um novo modelo de produção baseado. 1998).

Loureiro (2004) também observa avanços nas propostas de Tbilisi. o ³Clube de Roma´ publicou um relatório chamado ³Os Limites do Crescimento´. 45). Tais como o enfoque humanístico. na cidade de Belgrado. descentralizado. Ocorrida em 1977. uma ação sistemática na educação primária e secundária´ (SORRENTINO. o qual resultou na famosa Carta de Belgrado. A base fundamental da Conferência foi a recomendação aos Estados-Membros que integrassem a EA às políticas nacionais e a definição de se ³confiar à escola um papel determinante no conjunto da Educação Ambiental e organizar. como também 13 . então. quando a EA é compreendida como tema a ser contemplado em cada área de conhecimento. singular. Ao analisarmos as recomendações da Unesco se pode observar ³a transição de uma concepção de educação ambiental centrada na modificação de valores e comportamentos individuais. sociais e políticos a serem adotados às questões internacionais e nacionais sobre meio ambiente. Uma das idéias centrais era a de que os seres humanos não só estavam deliberadamente destruindo o meio ambiente. objetivos e estratégias de implementação internacionalmente reconhecidas. articulando as dimensões ambientais e sociais. constrói seus princípios. a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. cit.esse conceito é usado como base às discussões dos modelos econômicos. (SORRENTINO. Em 1972. O discurso de EA em Tbilisi aparece mais articulado. caso as bases do modelo de exploração não fossem modificadas. a existir formalmente. primeira conferência dedicada especialmente à EA. E também ressalta ³o cuidado que se tem em não creditar somente à EA a responsabilidade de reverter o quadro da crise ambiental´. holístico. democrático e participativo.) Assim diante desse contexto instalado no cenário mundial: ³Inicia-se um profundo questionamento dos conceitos ³progresso´ e ³crescimento econômico´. com este objetivo. ocorreu o Seminário Internacional de Educação Ambiental. exterminando espécies vegetais e animais. para uma preocupação com a transformação como projeto coletivo´ (p. que une a EA ao meio educativo. sistêmico. 1998). que passa. No mesmo ano. a Conferência Intergovernamental de Tbilise. Suécia. Em 1975. a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou em Estocolmo. Neste encontro. onde foi criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). e não como disciplina específica. Algumas correntes de pensamento afirmavam que o ³crescimento econômico e os padrões de consumo (nos níveis da época) não são compatíveis com os recursos naturais existentes´. onde se fazia uma previsão bastante pessimista do futuro da humanidade. 65 países se reuniram para formular os princípios orientadores do Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA). Op.

onde os países desenvolvidos assumem o compromisso de redução da quantidade de gases que provocam o efeito estufa ou aquecimento terrestre. a SEMA exerceu na época um papel importante na estruturação de políticas públicas voltadas para o meio ambiente. A EA.colocando sua própria espécie em risco de extinção (Ehlers. Nesse encontro foi assinado o Protocolo de Kyoto. África do Sul. 2. 2002) Em 1997. em termos perenes. o Encontro da Terra. após esse período. dentro da perspectiva desse evento. no Japão. pois teve a finalidade de avaliar as decisões tomadas na Conferência do Rio em 1992. une-se com outros organismos oficiais e forma o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA). Previam a necessidade de serem desenvolvidas novas bases para o crescimento econômico. O período previsto para entrar em vigor as ações de redução dos gases é entre 2008 e 2012 Em agosto de 2002 realizou-se em Johannesburgo. Entre 1977 e 1981. Para que o Protocolo possa ser aprovado e entrar em vigor.2 . Foi responsável pelo primeiro esforço de incorporar a temática ambiental no ensino formal ao organizar em Brasília. Dentro desse processo dinâmico e efervescente de discussão. desenvolveu o 14 . a questão do crescimento econômico e do desenvolvimento´. verificados em 1990. Parte dessas correntes buscava formas de sensibilizar a opinião pública sobre a urgência da discussão acerca dos custos ambientais e sociais do desenvolvimento. Nesse encontro foi realizado um balanço dos dez anos da Agenda 21 e reafirmou-se a insustentabilidade do modelo econômico vigente. precisa ser ratificado por países responsáveis por 55% das emissões de gases do efeito estufa. (Marcatto. é criado o primeiro organismo oficial brasileiro para gestão integrada de meio ambiente. bases compatíveis com a preservação dos recursos naturais existentes. como resultado da grande pressão internacional que o governo brasileiro sofreu após a Conferência de Estocolmo. A Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA) funcionou entre os anos de 1974 e 1989 e. como a base teórica para repensar. cursos de extensão para professores de ensino fundamental. esboçaram-se os conceitos Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável.A institucionalização da questão ambiental no Brasil Ao final de 1973. Apesar dos seus limites institucionais. também conhecida como Rio+10. 1995). é afirmada como uma estratégia para alcançar o desenvolvimento sustentável. realizou-se a Convenção das partes sobre Mudanças Climáticas que discutiu sobre a grande emissão de gases poluentes na atmosfera. juntamente com a Fundação Educacional do Distrito Federal e a Fundação da Universidade de Brasília.

No ano seguinte.projeto de Educação Ambiental de Ceilândia (DF) que foi pioneiro ao pensar um currículo interdisciplinar e unir a educação escolar com as demandas da sua comunidade e também fomentou a discussão ambiental nas Universidades ao promover uma série de debates e seminários. juntamente com a Universidade de Brasília (UnB). vários dispositivos instituídos pela PNMA foram explicitamente recepcionados. determinando que a educação escolar deveria contemplar a EA. 2006. com o amparo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq). o IBAMA instituiu os Núcleos de Educação Ambiental em todas as suas superintendências estaduais. Em 1991. voltada para formação de profissionais de nível superior (DIAS. E a Divisão de Educação Ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Em 1986. sistemático e instrumentalizado para a proteção do meio ambiente em todo o território nacional. BRASIL. as metas e estratégias para a implantação da EA no país e elaborar proposta de atuação do MEC na área da educação formal e não-formal para a Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. enfatizando a necessidade de investir na capacitação de professores. No Brasil esse pensamento globalizante em relação às questões ambientais se efetivou com a promulgação da Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) em 1981. que segundo FREIRE (2006). Foi a primeira lei que assegurou um tratamento abrangente. MEYER. foram criadas duas instâncias no Poder Executivo. (FREIRE et al. que em 1993 se transformou na Coordenação Geral de Educação Ambiental (COEA/MEC). 1994). Na Constituição Federal Brasileira de 1988. Assim. seriam: o Grupo de Trabalho de Educação Ambiental do MEC. destinadas a lidar exclusivamente com a Educação Ambiental. com o objetivo de definir com as Secretarias Estaduais de Educação. o qual vale citar o artigo 225. com a finalidade de discutir diretrizes para definição da Política da Educação Ambiental e foi assinada a Portaria 678/91 do MEC. 2005) 15 . promovido pelo MEC e SEMA. cujas funções serviram para institucionalização da Política de Educação Ambiental no âmbito do SISNAMA. permeando todo o currículo nos diferentes níveis e modalidades de ensino. com apoio da UNESCO/Embaixada do Canadá em Brasília. 1991. organiza o I Curso de Especialização em Educação Ambiental. inciso VI ³promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente´. ocorreu o Encontro Nacional de Políticas e Metodologias para a Educação Ambiental. da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Pnuma. visando operacionalizar as ações educativas no processo de gestão ambiental na esfera estadual. no §1º.

Embora tenhamos feito aqui meramente uma apresentação cronológica dos fatos a cerca do processo de construção da questão ambiental no Brasil. Meio Ambiente. para ser colocado em prática a partir de sua aprovação. acompanhar. tem-se uma serie de acontecimentos que incentivam e legitimam a ação de EA. os Ministérios da Educação. é realizado no Rio de Janeiro A . 2006. organizações não governamentais e sociedade civil de um modo geral. A partir de então. (c) desenvolvimento de instrumentos e metodologias (FREIRE et al. não podemos perder de vista que esse processo é marcado por tendências e ideologias políticas e acadêmicas as quais . órgãos das Nações Unidas. com o objetivo de coordenar.Quatro anos após a promulgação da Constituição. Um dos principais documentos resultantes do evento foi a Agenda 21. que vai da década de 1930 a 1970. Para Bordalo (1999). 2006). metas e estratégias para a implementação da EA nos sistemas de ensino em todos os níveis e modalidades ± concretizando as recomendações aprovadas na ECO 92 (FREIRE et al. (b) desenvolvimento de ações educativas e. 2006). foi um dos maiores encontros de discussões sobre o meio ambiente. e implementado ao longo do século 21. em 14 de junho de 1992. agências de desenvolvimento. O ProNEA busca atingir três diretrizes: (a) capacitação de gestores e educadores. Tendo em vista esse caráter de divisão ideológica e política que se instala no processo de construção e desenvolvimento da gestão ambiental no Brasil. em 1994. Cultura. supletivo e profissionalizante. o MEC instituiu um Grupo de Trabalho para EA. adotamos aqui uma propostasíntese de periodização do processo de desenvolvimento da gestão ambiental. que se constitui em um programa recomendado aos governos. na qual denomina a primeira como período conservacionista. reunindo cerca de 130 países. apoiar. Dessa Conferência resultaram alguns documentos que permearão as políticas dos governos para o futuro do meio ambiente. o desenvolvimento da política ambiental no país seque uma periodização organizada em três fases. norteiam o processo de construção do conhecimento acerca da educação ambiental influenciam na forma como este é apropriado. Já em 1993. em seus diversos níveis e modalidades. BRASIL. avaliar e orientar as ações. no período criam-se as primeiras 16 e . o Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA) com o objetivo de capacitar os profissionais dos sistemas de educação formal e não-formal. Ciências e Tecnologia criaram. Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio-92). Nessa perspectiva.

A segunda. onde ocorre a transmissão de conceitos específicos importantes. que assume um caráter descentralizado e participativo. de dezembro de 1996.3 .A legislação brasileira sobre educação ambiental Marcatto (2002). que institui a ³Política Nacional do Meio Ambiente´. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação. citando Reigota (1995). impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as atuais e futuras gerações´. de 1981. que: ³Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.hegemonia para orientar os fundamentos da educação ambiental. 2. com a constituição federal de 1988. sociais. a distribuição da competência para todas as esferas do estado e com os estudos de impacto ambiental coordenados pelo SISNAMA e a terceira. A lei aponta a necessidade de que a Educação Ambiental seja oferecida em todos os níveis de ensino. necessária para a construção de um conhecimento crítico e consciente sobre o meio ambiente´. São elas: a vertente Ecológico-preservacionista e a vertente Sócio-ambiental. numa visão integrada. De acordo com Medina. reafirma os princípios definidos na Constituição com relação à Educação Ambiental: ³A Educação Ambiental será considerada na concepção dos conteúdos curriculares de todos os níveis de ensino. nos diz que: ³existem. duas vertentes que disputam a . Uma das primeiras leis que cita a educação ambiental é a Lei Federal Nº 6938. a primeira tendência é conceituada como de treinamento. e é na década de 1970 que se inicia a institucionalização da gestão ambiental no pais com a criação da SEMA. cabendo ao Poder Público ³promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente´. com a participação da sociedade civil e a difusão do conceito de sustentabilidade.normatizações para apropriação e exploração dos recursos naturais. Lago (2002). capítulos e leis brasileiras com importância para a educação ambiental. e a segunda é uma abordagem que considera os aspectos políticos. ambientais e históricos. promulgada no ano de 1988. implicando desenvolvimento de hábitos e atitudes 17 . e marca o ápice da intervenção estatal. mas que não são suficientes. Carvalho (1998) e Medina (1994). ao analisar a legislação brasileira sobre EA afirma que existem vários artigos. culturais. na década de 1990. estabelece. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. ocorre durante a década de 1980. econômicos. A Constituição Federal do Brasil. sem constituir disciplina específica. que chama de político-institucional. em seu artigo 225. no Brasil e no mundo. Lei Nº 9394.

orientação sexual e pluralidade cultural. Dentro dessas linhas de ação e estratégias é responsável por realizar. da escola e da sociedade. outras entidades públicas e privadas do país (BRASIL. responsáveis pelas ações voltadas respectivamente ao sistema de ensino e à gestão ambiental. 2003). Em dezembro de 1994 foi criado pela presidência da república o (PRONEA). em função da Constituição Federal de 1988 e dos compromissos internacionais assumidos com a Conferência do Rio. (c) desenvolvimento de instrumentos e metodologias. Os PCN´s foram desenvolvidos pelo MEC com o objetivo de fornecer orientação para os professores. a partir do cotidiano da vida. determina a inclusão da EA de modo organizado e oficial no sistema escolar brasileiro. a cada dois anos. saúde. no planejamento de aulas e na reflexão sobre a prática educativa e na análise do material didático´. não constituindo-se em disciplinas específicas. embora também tenha envolvido em sua execução. compartilhado pelo então Ministério do Meio Ambiente. 2003). na elaboração de projetos educativos. dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal e pelo Ministério da Educação e do Desporto. que dispõe sobre a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). O ProNEA busca atingir três diretrizes: (a) capacitação de gestores e educadores. o Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA) merece destaque. a Conferência Nacional de Educação Ambiental. O PRONEA foi executado pela Coordenação de Educação Ambiental do MEC e pelos setores correspondentes do MMA/IBAMA. No entanto.PCN. com a parceria do Ministério da Cultura e do Ministério da Ciência e Tecnologia. de 28 de abril de 1999. Dentre as políticas publicas.795. 18 . Temas transversais definidos pelos PCN: ética. uma lei merece destaque por ser o marco que propiciou a legitimação da Educação Ambiental como política pública nos sistemas de ensino: a Lei nº 9. Os PCN estabelecem que alguns temas especiais devem ser discutidos pelo conjunto das disciplinas da escola. foram divulgados os novos Parâmetros Curriculares Nacionais . Os PCN enfatizam a interdisciplinaridade e o desenvolvimento da cidadania entre os educandos. A proposta é que eles sejam utilizados como ³instrumento de apoio às discussões pedagógicas na escola. meio ambiente. precedida de conferências estaduais e o apoio à Rede Brasileira de Educação Ambiental na realização dos Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental antecedidos por fóruns estaduais (BRASIL. (b) desenvolvimento de ações educativas e. São os chamados temas transversais.sadias de conservação ambiental e respeito à natureza.´ No ano de 1997.

Em 1995 foi criada a Câmara Técnica temporária de Educação Ambiental no Conselho Nacional de Meio Ambiente . que foi determinante para o fortalecimento da EA no Brasil.CONAMA. 19 .

. pela redução do ser humano a um sujeito racional. 2005). como já foi periodizado. Através de atividades como leitura. e a questão da educação. Segundo Munhoz (2004). uma das formas de levar educação ambiental à comunidade é pela ação direta do professor na sala de aula e em atividades extracurriculares. Parece-nos obvio a primeira vista. políticas de educação ambiental fazem parte das ações do estado que as implanta nos sistemas educacionais Acumulando leituras sobre a questão ao longo do curso de graduação em geografia pudemos perceber que a Educação Ambiental está ligada a dois eixos que me parecem essenciais: a questão dos desequilíbrios ecológicos... educação ambiental. retrata um momento da educação ambiental que aponta para a necessidade de se re-significar os sentidos identitários e fundamentais dos diferentes posicionamentos político pedagógicos. (.)..3 . Dentro desta realidade a educação tem em sua herança a divisão do conhecimento em disciplinas que fragmentam a realidade. ecologismo ambiental. dos desgastes da natureza. porem. o que nos interessa questionar é a que abordagens e a que lógicas estão ligadas seus estudos e práticas? Os desequilíbrios ambientais e a educação ³são heranças de um modelo de desenvolvimento socioeconômico que se caracteriza pela redução da realidade a seu nível material econômico´ (Tristão. 20 . pesquisas e debates. convencionalmente intitulado de ³Educação Ambiental´. trabalhos escolares. tornaram a criação de programas de educação ambiental imperativo para transformação da sociedade. Como já visto anteriormente.A QUESTÃO AMBIENTAL E EDUCAÇÃO A EA surge a partir dos anos de 1960 sobre a ótica conservacionista. Porem. é preciso atentar para as formas como esses conceitos são apropriados pelos educadores ambientais e que posicionamentos político pedagógicos seriam mais relevantes? ³A diversidade de nomenclaturas hoje enunciadas (referente aos diversos adjetivos atribuídos ao substantivo ambiental. pela divisão das culturas. a partir de 70. grandes conferências internacionais. educação ambiental critica.) O fato é que designar diferentemente esse fazer educativo voltado à questão ambiental. Assim. reflexo da realidade histórica e da lógica social e política do período. os alunos poderão entender os problemas que afetam a comunidade onde vivem.

o uso intensivo do solo. o que a fez constituir-se como temática transversal. com sua forma de produção e organização do trabalho. não pertencer a nenhum dos lugares já estabelecidos na atual estrutura curricular de ensino.SEF definiu as grandes diretrizes básicas que deveriam então orientar os processos de ensino-aprendizagem no ensino fundamental. porem sua essência inovadora pode ser uma ³faca de dois gumes´. Ressaltando a importância da educação para formação de seres sociais reflexivos e críticos. a igualdade de direitos. 2004). A EA tem como ideal a interdisciplinaridade e uma nova visão de organização do conhecimento. lançou os Parâmetros Curriculares Nacionais ± PCN¶s do Ensino Fundamental. enunciadas no próprio nome.1 . a mecanização da agricultura. a utilização de agrotóxicos e a concentração populacional nas cidades. carregadas de significados´ (LAYRARGUES. entre os quais poderíamos destacar o de como se inserir de forma central nas práticas escolares a partir de sua condição de transversalidade. sem construir mediações adequadas e experiências significativas de aprendizado pessoal e institucional. Em 1996 a Secretaria de Educação Fundamental . 3. ao mesmo tempo. pois isso pode significar tanto ganhar o significado de estar em todo lugar quanto. O MEC. aumenta sua capacidade de intervir na natureza para satisfação de necessidades e desejos produzidos pela lógica materialista-desenvolvimentista. com os modelos de otimização de exploração dos recursos naturais. A EA encontra-se numa encruzilhada. ou muda ao menos minimamente essa estrutura ou permanece a margem. que tem como temas norteadores a dignidade da pessoa humana. Observar o espaço geográfico sob uma perspectiva ambiental significa tornar claras as inter-relações e interdependências dos diversos elementos que compõe a mesma. via Secretaria de Educação Fundamental ± SEF. alicerçado na industrialização. com a intenção de ampliar e 21 . À medida que a humanidade evolui suas técnicas. Um modelo de civilização tem se imposto com o passar dos séculos.Educação ambiental e ensino formal no Brasil A educação ambiental no ensino formal tem enfrentado inúmeros desafios. surgem tensões e conflitos quanto ao uso do espaço e dos recursos. participação e co-responsabilidade pela vida social.também estabelece outras identidades.

os procedimentos e as atitudes a serem ensinados. A partir de determinadas leituras podemos compreender como diferentes sociedades interagem com a natureza na construção de seu espaço. as singularidades e as similaridades dos lugares em que vivemos. em especial. Nos PCN¶s. Finalizando. de interpretar. tem um tratamento específico enquanto campo de conhecimento. assim. nas séries iniciais. (BRASIL.aprofundar um debate educacional envolvendo escolas. governos e sociedade. o documento traz uma série de indicações sobre a organização do trabalho escolar do ponto de vista didático. do ensino fundamental. que pudessem contribuir para a formação e reciclagem dos professores. 1998). assim como as cristalizações do passado no presente do passado no presente´ (Santos. à análise e seleção de materiais didáticos e de recursos tecnológicos e. Nas orientações didáticas. 2001) 3. pais. a parte de Geografia propõe um trabalho pedagógico que se propõe a ampliar a capacidade dos alunos. ao planejamento das aulas. enquanto ciência e disciplina escolar. 1980). à reflexão sobre a prática pedagógica. mostrando suas tendências atuais e sua importância na formação do ser social.2 . os princípios e os procedimentos de Geografia são apresentados como recursos a serem utilizados pelo professor no planejamento de suas aulas e na definição das atividades a serem propostas para os alunos. 22 . para que os alunos se aproximem e compreendam a dinâmica deste campo de conhecimento. A primeira parte descreve uma epistemologia da Geografia. adquirirmos uma consciência maior dos vínculos identitarios que estabelecemos com os mesmos. Também ³podemos conhecer as múltiplas relações entre os lugares. na proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL. para que servissem de apoio às discussões e ao desenvolvimento do projeto educativo das escolas.Os PCN¶s e a Geografia A Geografia. Nesta são expostos também os conceitos. distantes no tempo e no espaço. e. comparar e representar o lugar em que vivem a partir de diferentes paisagens e espaços geográficos. Na segunda parte. encontramos sugestões de como pode ser trabalhado a disciplina. uma vez que oferece instrumentos essenciais para compreensão e intervenção na sociedade.

A Interdisciplinaridade rompe com os limites das disciplinas. 23 . é um conceito desgastado por conta de sua utilização avulsa. para compreender como eles são praticados..41). métodos. visando garantir a construção de um conhecimento globalizante Nesse sentido. Já um conceito mais abrangente é o de interdisciplinaridade. Portanto para se alcançar uma prática interdisciplinar devemos realizar trocas entre os conhecimentos. pois não há como abordar-la partindo de uma visão tradicional. Alguns autores classificam interdisciplinaridade como uma postura que surge a partir da necessidade de tentar compreender a realidade de forma mais abrangente. (FAZENDA. Segundo Oliveira (2007). sob uma perspectiva rígida. p. sem que os profissionais envolvidos estabeleçam entre si efetivas relações no campo técnico ou científico. no cotidiano escolar e na construção do conhecimento.3 . objetivando sempre o enriquecimento mútuo. Trabalhar a interdisciplinaridade é uma possibilidade de relacionar conteúdos das diferentes áreas. Interdisciplinaridade e transversalidade são questões essenciais para se abordar a temática ambiental. experiências e visões de mundo. visando um enriquecimento mútuo´. fragmentadora. O intuito maior ao abordarmos estes dois conceitos é tratar da aproximação dos campos do conhecimento. apesar dos estudos acerca da interdisciplinaridade terem muito a contribuir. É importante apresentar alguns conceitos sobre Interdisciplinaridade e transversalidade.A questão da transversalidade Como foi sugerido anteriormente.. as disciplinas não se integram para resolver problemas a cerca da temática. Multidisciplinaridade é o conjunto de disciplinas que simultaneamente tratam de uma dada questão.) caracteriza-se por uma intensa reciprocidade nas trocas.3. respeitando as peculiaridades de cada uma destas áreas. 1996. porem este é um conceito ainda muito fechado. Fazenda afirma que a interdisciplinaridade é um termo utilizado para caracterizar a colaboração existente entre disciplinas diversas ou entre setores heterogêneos de uma mesma ciência ³(. o qual começa com a noção de multidisciplinaridade.

definiu a Educação Ambiental como sendo um processo que visa: ³(.)´ (Capítulo 36 da Agenda 21).) formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os problemas que lhe dizem respeito. 3. promovido pela UNESCO em 1975. a meu ver de forma direta..Uma evolução de conceitos da educação ambiental Diversas classificações e denominações explicitaram as concepções que preencheram de sentido as práticas e reflexões pedagógicas relacionadas à questão ambiental. No Capítulo 36 da Agenda 21. dentro de nossa analise. Uma população que tenha conhecimentos.) desenvolver uma população que seja consciente e preocupada com o meio ambiente e com os problemas que lhes são associados..Abro um parêntese aqui para entrar finalmente. porém sem constituir novos campos disciplinares.)´ (citado por SEARA FILHO. relaciona-se a temas que perpassam. O Congresso de Belgrado.. o estado de espírito. 1987). podemos compreender interdisciplinaridade convertese em um veiculo à transversalidade. A transversalidade então pressupõe pontos de encontro das distintas áreas do saber. a abordagem de temas transversais sugere. motivações e compromissos para trabalhar. a ³globalização do currículo´.4 . na questão da transversalidade que por definição.. G. uma população que tenha os conhecimentos. e esta já se configura como necessidade e como reação diante das insuficiências do paradigma mecanicista. habilidades. na busca de soluções para os problemas existentes e para a prevenção dos novos (. as motivações e o sentido de participação e engajamento que lhe permita trabalhar individualmente e coletivamente para resolver os problemas atuais e impedir que se repitam (. individual e coletivamente. as competências. atitudes. 24 . atravessam diferentes campos do conhecimento.. transpassa a noção fragmentaria de conteúdo e abre a noção de parte da realidade... a Educação Ambiental é definida como o processo que busca: ³(.. Assim. as concepções e perspectivas mais relevantes ao desenvolvimento deste trabalho serão abordadas posteriormente. A transversalidade é um desafio maior do que em princípio se pretende propor. Neste primeiro momento o intuito é abordar de forma geral e apontar suas extensas vocações.

sentir. considerando principalmente. portanto é o nome que historicamente se convencionou dar às práticas educativas relacionadas à questão ambiental..cit. ³Educação Ambiental´ designa uma qualidade especial que define uma classe de características que juntas. op. uma tomada de posição nesta disputa político-conceitual´ (Carvalho. mas a interface dos campos ambientais e educativos é uma conquista da sociedade que vai além de um acessório às diversas formas de ³educações´. diante de uma Educação que antes não era ambiental. pois dentro de suas inúmeras vocações e vertentes cabem diferentes filosofias de vida. 25 . podemos afirmar que. a EA se define como elemento estratégico na formação da ampla consciência crítica das relações sociais que situam a inserção humana na natureza´ (LOUREIRO. de certa forma.Para Loureiro: ³A constatação dos fatos históricos. 2004 ). Não uma nova ideologia ou uma nova pedagogia atrelada aos novos paradigmas. Layargues. ao abordar a esfera educacional. Assim podemos resumir que a EA é outro ponto de partida. viver e socializar´. (2004). Educação Ambiental.. Não é um dado conteúdo pedagógico extra destinado a aumentar a carga de conteúdos de nossos currículos escolares. de sentido e de ação que deveria vir a ser um caminho de encontros por meio do qual toda a educação que praticamos possa não apenas ser reformulada. ³um outro aprender a saber.´ Para Brandão (2002): ³devemos aprender que a EA não é outra matéria a mais nas nossas escolas. 2003 In: Layrargues. nos diz que: ³. o atual cenário de descuido com os nossos recursos naturais e com a Vida. permitem o reconhecimento de sua identidade. posicionando-a na esteira dos movimentos sociais e ecológicos mais que ao campo institucional educativo estrito senso é. diversas ideologias e diferentes pedagogias´.). mas sim transformada. ³Reconhecer o pertencimento da EA ao campo ambiental. Sauvé (1996) e Carvalho (2003) nos lembram que a EA adentra no campo educacional. para verdadeiramente transformarmos o quadro de crise em que vivemos. constituindo-se como um ³substantivo´ político forte que redimensiona o campo educacional e ambiental. Assim. olhar. É um cenário cultural e pedagógico de convergência de diversos campos de saber.

. 17). etnia. Partimos do pressuposto de que a educação ambiental está imbuída de um conteúdo político e de que a ação educativa situa-se numa ampla e complexa relação de conflitos. Uma vês que este estudo é voltado. 173). currículo oculto e resistência. emancipação e libertação. diferença. classe social. (. organização. planejamento. as grandes categorias de teoria do currículo e os conceitos a elas associados: às teorias tradicionais referem-se os conceitos ensino. que gere o menor impacto possível e respeite as condições de máxima renovabilidade dos recursos (. gênero.. às teorias pós-críticas. eficiência e objetivos. identidade.. reprodução cultural e social. cultura. subjetividade. e mais maciçamente nesse primeiro momento. social e culturalmente condicionados. os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN¶s) propõem que a escola deverá. E no que diz respeito às perspectivas na esfera do currículo.) uma teoria defini-se pelos conceitos que utiliza para conceber a µrealidade¶. ao longo do trabalho.De posse disto. alteridade. p. à exploração e à distribuição dos recursos de modo a garantir a qualidade de vida daqueles que deles dependam e dos que vivem no espaço do entorno em que são extraídos ou processados. sexualidade e multiculturalismo. capitalismo. oferecer meios efetivos para cada aluno compreender os fatos naturais e humanos referentes a essa temática. da seguinte maneira.. conforme assiná-la Silva (2003. poder. 60): ³(. p. In apud velloso (2006. ao longo das oito séries do ensino fundamental. principalmente à analise dos conceitos e praticas adotadas na escola publica. colaborando para que a sociedade seja ambientalmente sustentável e socialmente justa. algumas passagens dos PCN de Meio Ambiente que consideramos relevantes para a apreensão da concepção de Educação Ambiental.) (BRASIL.) é fundamental a sociedade impor regras ao crescimento. conscientização. abundância e diversidade. acerca da questão ambiental e da educação ambiental propriamente dita. De modo geral.. relações sociais de produção. ideologia.se uma reflexão. metodologia. às teorias críticas. saberpoder. Portanto. avaliação. representação. histórica. Aqui o discurso dos PCN apresenta. isto é.. sejam estas tradicionais ou não. raça. destacando. desenvolver suas potencialidades e adotar comportamentos pessoais e sociais que lhe permitam viver numa relação construtiva consigo mesmo e com seu meio. uma tendência conservadora na temática: (. deve-se cuidar. protegendo e preservando todas as manifestações de vida no planeta e garantindo as condições para que ela prospere em toda a sua força.. 1998. para que o uso econômico dos bens da Terra pelos seres humanos tenha um caráter de conservação. desenvolve . didática. O autor define. aprendizagem. significação e discurso. p. 26 . no que será apresentado a seguir..)´.

In: BORDOLOZZI (1997). o quadro de crises. 3.. a racionalidade passou a ser uma ³faca de dois gumes´ quando esta inseri a natureza no processo produtivo incorporando-a em sua ³cultura´ de dominação. nos diz que dentro da construção de um pensamento racional seria coerente esperar que o acúmulo de conhecimentos permitisse ao homem dominar de forma plena a natureza racionalizando indefinidamente suas condições de vida.) a questão ambiental impõe às sociedades a busca de novas formas de pensar e agir. mais civilizatórias que ambientais. 1994) quando mostra que ³o modo de produção atual esta voltado mais para uma revolução cientifica e técnica e não social e política´. baseado na crença de que razão ciência e tecnologia impulsionariam a historia continuamente em direção a verdade e a melhoria das condições de vida. associada a exploração cruel do modo de produção que resulta no modelo de degradação ambiental em que vivemos . 1998. e relações sociais que não perpetuem tantas desigualdades e exclusão social. ignorando sua própria existência enquanto integrante da natureza.Já em outros trechos. individual e coletivamente. 180). XVIII). A esses termos. de novos caminhos e modelos de produção de bens. instituiu uma feição mecanicista à natureza. que garantam a sustentabilidade ecológica´. educação e a problemática ambiental SALINAS (1989). se constituem no próprio cenário da modernidade ± reforçando que nada é considerado mais atual em qualquer época que a obsessão pela tecnologia e seus efeitos sobre a humanidade ± pois é a forma de exploração dos recursos naturais estabelecida pelo homem. Com a revolução industrial.Racionalidade. e. Isso implica um novo universo de valores no qual a educação tem um importante papel a desempenhar (BRASIL.. sociais. A revolução cientifica (sec. ao mesmo tempo. porem. 27 . uma orientação crítica na qual o processo educativo está comprometido com a contextualização e o aprofundamento da problemática ambiental nas relações sociais: ³(. políticas e culturais instaurando uma reformulação nas ³necessidades´ de consumo. p. modernidade. de modo geral.5 . provocado pelo modo de produção capitalista como aponta (LEFEBVRE In: SANTOS. para suprir necessidades humanas. ocorrem também mudanças nas condições econômicas.

compreensão da organização do espaço e das relações sociais. 19998) propõem trabalhar a questão ambiental de forma transversal. E pode-se entender também que as transformações que se verificam no mundo atual trazem consigo preocupações que historicamente envolvem a pesquisa e o ensino de geografia. tornando-se irracional. daí a importância do ensino de geografia. Temas transversais são temas norteadores dos saberes dentro do currículo da escolaridade obrigatória. o que ocasionara uma ³conscientização da importância da produção de novos conhecimentos. rompendo segundo LEFEBVRE (op.. Dentro de um caminho mais bem delineado na esfera do papel da educação esta a .. com os fatores de homogeneização hierarquização e fragmentação do cotidiano (. e que esta se encontra. A luz dos pensamentos de Bordolozzi. seu objeto de estudo: o espaço geográfico. torna-se mais clara a percepção dessa necessidade de trazer a temática ambiental para a sala de aula.De acordo com BORDOLOZZI (1997) em meados do século XX. Desse modo.)´. tecnológica e cientifica transforma natureza em recurso e organiza-se de forma cada vez mais eficaz à exploração. e as orientações didáticas de todas as disciplinas. instigada a responder a questionamentos como: Como relacionar o local e o global? Como sensibilizar os alunos para a importância do 28 . mais que nunca. com a expansão econômica e o processo de globalização instalados no mundo. A sociedade da produção industrial. intensificam-se as formas de apropriação da natureza. Cit. e a formação de multinacionais. modernidade e educação ambiental. a educação pode abrir caminhos para o desenvolvimento de novos valores necessários ao encaminhamento de uma mudança paradigmática do saber. traçam eixos que guiam os conteúdos. A partir destes entendimentos a cerca de razão. o qual tem essas questões em sua base construtiva.). Com isso pretende que esses -se temas ajam como saberes integradores das áreas convencionais relacionando-as aos temas atuais. as praticas. Os novos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL. e nestas a resposta para formação de um cidadão comprometido com a questão ambiental. podemos entender que é papel da educação ± e ao nosso entendimento por conseqüência do educador ±³contribuir para a mudança paradigmática do saber´ através de ações que possam gerar agentes críticos e modificadores da realidade.

6 . Entende-se que. Inversamente. em especial. apontando os principais objetos e justificativas do estudo. tendo como objeto o espaço vivido. ³para que o ensino forme o aluno do ponto de vista reflexivo. mais além a sociedade regional ou o «vasto mundo» da sociedade global constituem outras tantas pessoas ou grupos que animam os círculos da vida. crítico e criativo. p. é fundamental que este se torne um agente da pesquisa da realidade. implica na transformação da natureza. através do trabalho humano. os irmãos. as estruturas do espaço humanizado não podem ser captadas sem referência ao conjunto das relações de sociedade. 28). e a partir daí. As relações sociais manifestam-se através de certas repartições espaciais. os grupos profissionais e as relações de vizinhança. sociedade e educação Este tópico tem por pretensão aproximar a problemática ambiental ao ensino de geografia. e procurando apresentar quais são os paradigmas que constroem a visão do educador de geografia.conhecimento da geografia para a sua vida em suas múltiplas dimensões e. flexível. da criança até o homem. podemos demonstrar a importância das mesmas à sociedade. 1980 In: REFFATTI. os parentes e as amizades. uma vez que a produção do espaço. 29 . 2001 ). para a compreensão dos problemas ambientais? Trata-se de questões que indicam que emerge a necessidade de se repensar a contribuição do ensino da Geografia à temática ambiental na Educação Básica.Uma aproximação com a geografia: Geografia. espaço geográfico passa a ser entendido como ³o resultado de uma construção do conhecimento e não um dado preexistente em si´ (OLIVEIRA. os camaradas e os professores. encontramos as bases para adequação das lentes entre geografia e educação ambiental. e não somente um receptor do conhecimento produzido por outros. levando a compreensão geográfica dos lugares um pouco alem da objetividade do mundo físico. Se partirmos do pressuposto da produção do espaço como um produto da ação humana. (FRÉMONT. 1990. 3. Isso esta demonstrado de forma clara em FRÉMONT: O espaço vivido toma dimensões sociais à medida que se forma. A mãe e o pai. Podemos observar a estreita relação do olhar geográfico com a formação do tecido social Quando a geografia interpreta a formação da sociedade a partir das relações de proximidade. Nesse sentido.

2000 In: REFFATTI. causando certos impactos ao meio.Esta interpretação pode também ser aplicada à escola. como vemos em Rego: A escola ± espaço privilegiado para educar a intersubjetividade ± pode ser também o espaço onde a geografia supere a disciplinaridade coisificante para se converter na produção de saberes que façam da transformação do espaço vivido o objeto catalisador de pensamentos e ações dos educandos. monoculturas. tem como primeira preocupação a transformação da ordem social: ³Os geógrafos críticos. p. ao como transformar a realidade cotidianamente vivida. 2001 ). a rapidez com que acontecem as coisas acaba influenciando na transformação do espaço trazendo conseqüências que nem sempre são pensadas junto aos movimentos de produção e apropriação em suas diferentes escalas. que seja organizado em função dos interesses dos homens´ (MORAES. podemos dizer que o que marca a entrada do século XXI é a velocidade das transformações da sociedade e o fluxo de informações. em suas diferenciadas orientações. (Rego. reserva hídrica entre outros. enchentes. intersubjetividades que podem chegar a acordos referentes não somente ao como compreender. assumem a perspectiva popular. desmatamento. 1997. é por muitos autores caracterizado como ³pós-modernidade´. Alguns dos temas mais discutidos na atualidade são referentes a questão ambiental. A luz das idéias de Milton Santos (1996). A Geografia. Buscam uma geografia mais generosa e um espaço mais justo. tanto no âmbito epistemológico como no social: do paradigma da modernidade para um outro que. 127). O conhecimento geográfico produzido na escola pode ser o explicitamente do diálogo entre a interioridade dos indivíduos e a exterioridade das condições do espaço geográfico que os condiciona sendo esse diálogo mediado pelas dinâmicas intersubjetivas estabelecidas na relação educacional. Um dos sinais de desgaste da modernidade é demonstrado pelas degradações ambientais. da transformação da ordem social. concebida de uma maneira crítica. não é raro vermos movimentos sociais nas manchetes ou trabalhos acadêmicos que utilizam paradigmas da temática ambiental. em alguma medida. defende que estamos numa fase de transição paradigmática. A emergência destes problemas ambientais nas últimas décadas trouxeram novos desafios tanto à sociedade quanto às ciências. Souza Santos (1996) In: Goettems (2006). por não ter ainda um nome. secas. mas também. resultantes do processo de desenvolvimento que 30 .

baseada na apropriação de recursos. Portanto. como mera condição de produção. Isto justifica a pertinência e a importância da Educação Ambiental. uma vez que os mais pobres são os mais afetados pela degradação do Planeta. e que acaba gerando uma visão de natureza enquanto recurso. 83). Essa relação sociedade/natureza. O estabelecimento de controle e relações de poder dentro de um determinado espaço configura um território. que tem na relação homem/natureza um de seus mais clássicos temas de reflexão´. porem. é discutida na ciência geográfica. É o caso da Geografia. Dessa forma. ao abordar a questão ambiental. Isso se deve ao tamanho do problema que a sociedade conseguiu gerar no que tange à maneira de interferir no ambiente Partimos assim do entendimento de que o ensino de geografia deve incorporar a problemática ambiental e esclarecer que um mesmo espaço pode constituir-se de diferentes problemas ambientais ou problemas ambientais semelhantes podem ocorrer em espaços distintos. (BORTOLOZZI. suas causas são oriundas de um mesmo processo histórico de produção do espaço geográfico e de sua organização e gestãoterritorial. entendemos que a Geografia é uma das ciências. A geografia.se dá como sinônimo de acumulação capitalista. a própria observação dos cenários de degradação ambiental mostra a necessidade de uma autêntica educação ambiental. Assim. embora os problemas ambientais possam ter essas configurações. p. tem importância fundamental para a construção de uma sociedade mais igualitária e para o uso racional dos recursos naturais. 1997). como afirma Moraes (1994. o que não se diferenciam são as causas que os originam. Assim. que pode e deve trabalhar a Educação Ambiental como parte de sua área de atuação. deve procurar não interpretar sociedade e natureza como pólos antagônicos e excludentes. quando diz que: ³Algumas disciplinas têm aspectos da temática ambiental dentro de seu horizonte tradicional de pesquisa. organizando novos recortes geográficos. A partir desta visão de natureza enquanto recurso forma-se as bases para a apropriação e o controle dos espaços que dispõe destes recursos. por exemplo. a Educação Ambiental presente no conteúdo do ensino básico tratado pela Geografia. e sim possibilitar uma abordagem crítica das práticas concretas dos atores que atuam na organização do espaço 31 .

onde a escola é entendida como parte de espaço geográfico que foi socialmente construído e também como um lugar de contradições que. Segundo ele. pois isso será possível se contarmos com a participação de cidadãos conscientes. questões como esta são pertinentes ao intuito deste trabalho de tentar aproximar problemática ambiental. A questão da integração no ensino de geografia deve ter dentro de si o conhecimento da realidade próxima ao aluno. ao que posso compreender o desenvolvimento da educação ambiental. 32 . a questão da interdisciplinaridade. a práxis no ensino de geografia. pode apresentar elementos geradores de mudanças Introduzimos aqui. em alguns casos. pois suas praticas de ensino são guiadas pelas mesmas. se por um lado (re)produz formas estáticas de explicar a realidade. o ensino de geografia pode explicar como o espaço geográfico é produzido socialmente. Sem esquecer que é importante considerar também as visões que o professor de geografia tem sobre a questão da educação ambiental. a busca de uma visão mais completa da realidade. No processo de analise das escolas. rapidamente. a qual entendemos ser uma ferramenta indispensável para uma mudança paradigmática na forma como se apresenta o saber. ou seja. por outro. Assim.BORTOLOZZI (1997) ressalta também que os conhecimentos produzidos nas práticas escolares podem contribuir para uma gestão adequada dos problemas ambientais e para caminhar para um desenvolvimento sustentável. como forma de educá-lo para cidadania. parece estar perpetuando as mentalidades e praticas conservadoras já existentes em vez de construir novos pontos de vista. ensino e geografia. enfatiza a necessidade da integração entre escola e comunidade através de praticas docentes voltadas para uma EA integradora. pois.

Apresentação das escolas Foram selecionadas duas escolas municipais como objetos de pesquisa Para desenvolvimento do processo empírico ± cujos resultados serão apresentados e analisados posteriormente ± a Fundação Centro de Referencia em Educação Ambiental Professor Eidorfe 33 . Então em resumo. e sim adequada aos interesses da maioria. Ainda segundo Saviani.93). gozando de uma autonomia plena em relação social" (p. a qual faz parte também da tradição emancipatória. mas também admitir que ela possa transformar as condições sociais. aos interesses daquele grande contingente da sociedade brasileira. fato que a torna histórica. Uma teoria pedagógica é crítica se "levar em conta os determinantes sociais da educação".1 . Como a abordagem históricosocial crítica. desta camos aqui as de concepção dialética.94). podendo contribuir para a sua própria transformação" (p. embora "consciente da determinação exercida pela sociedade sobre a educação". Ele nos diz que a pedagogia histórico-crítica.) ter a educação o poder de determinar as relações sociais. para ser histórico-crítica precisa reconhecer que a educação é determinada socialmente. uma teoria pedagógica. necessariamente.Uma abordagem de educação No campo de abrangência da educação e suas abordagens. à estrutura 4.. para Saviani. com as tradições marxistas e humanistas. fato que a torna crítica. A educação.2 .4 . é viável.94). acredita que "a educação também interfere sobre a sociedade. "uma educação que não seja. é transmissão do saber. mesmo numa sociedade capitalista. é não-crítica se "acreditar (. explorado pela classe dominante" (p. reprodutora da situação vigente.. e precisa ser transmitido aos que estão sendo educados. elaborada por Saviani (2003).A PERQUISA EM CAMPO: UMA ANALISE DAS ESCOLAS 4. Para Saviani (2003).

A E. pela proposta pedagógica.M. movelarias. na região metropolitana de Belém. mediante a formação de profissionais ligados à área de estudos sobre o meio ambiente e a implementação de projetos e ações educacionais voltados para a sua preservação. qualifica técnicos em Manejo de Flora. ambas as escolas localizadas na ilha de Caratateua. ilha do estuário Guajarino e distrito administrativo do município de Belém. Atuando em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. Segundo seu próprio estatuto. As escolas estão situadas na região insular de Belém. a Escola tem também como prioridade o atendimento à demanda educacional das ilhas. para fins de subsistência (a exemplo a pesca artesanal). etc. Manejo de Fauna e Ecoturismo. 34 . no que se refere à formação profissional. nos domínios da bacia hidrográfica do rio Maguari (ilha de Caratateua).Moreira e a E. que representam 69% da superfície do Município de Belém. A população predominante do lugar é de famílias de baixa renda. apesar de não ter a mesma condução do trabalho pedagógico ± este foco direcionado essencialmente a educação ambiental. A proposta de formação educacional oferecida pela Escola Bosque baseia-se nos princípios da democratização. os alunos de ambas as escolas.. por pertencerem a mesma localidade e terem como base as mesmas características ambientais . está localizada em um bairro um pouco mais afastado das áreas de aglomeração populacional. é finalidade da Escola Bosque fomentar a educação ambiental em caráter formal e não formal. Monsenhor José Maria Azevedo. comumente informais. principalmente com a economia informal com o turismo de lazer ou de férias para fins recreativos (balneário). Nesta comunidade configuram-se relações de proximidade e vizinhança. difundindo-a prioritariamente junto à Rede Municipal de Ensino de Belém. primeiramente. e por serem da mesma esfera administrativa (município de Belém). alicerçadas pela sobre-ocupação de descendentes que também caracteriza o lugar. que veremos melhor a seguir. característica esta referente à fundação Escola Bosque. De acordo com os diálogos do grupo focal. onde reside uma camada mais tradicional da comunidade. local de grande extensão de áreas verdes e recursos naturais que são utilizados pela população local. representada por companhias de transporte marítimo. voltados para o atendimento das demandas da região amazônica.M. Estas foram selecionadas. por sua localização geográfica. Monsenhor José Maria Azevedo. ou pela economia formal. em geral vem de famílias humildes que tem como base de seu sustento prestação serviços.

pode-se dizer que os professores que atuam nas escolas em questão apresentam significativa experiência no trabalho como educadores. a disposição dos professores em colaborar e dividir suas experiências e concepções no ensino de geografia. apenas três professores se dispuseram a responder os questionários. levamos em conta então. Pensou-se ainda na possibilidade de trabalhar com professores de outras disciplinas que estavam dispostos a colaborar com o estudo. 35 . 4. Assim. por motivos de proibição do uso pleno dos dados obtidos na entrevista ± com o propósito de analisar a percepção que eles têm do conceito de educação ambiental e suas aplicações. atuam como professor entre cinco e dez anos. que a E. nem o mais antigo exercendo a docência na ilha. dois possuem apenas graduação e especialização e um possui mestrado ± é importante salientar que nenhum dos professores. porem. Quanto ao tempo de atuação dos educadores.Os professores e as considerações sobre a pesquisa de campo Foram selecionados para realização deste trabalho oito professores como objetos de pesquisa Para desenvolvimento do processo empírico. ainda com a restrição de não utilizar seus nomes no trabalho. ³B´ e ³C´. Portanto. Monsenhor José Maria Azevedo seria a escola mais adequada para se comparar com os resultados da Fundação Centro de Referencia em Educação Ambiental Professor Eidorfe Moreira. residem no local. porem essa alternativa descaracterizaria o trabalho que se refere mais a abordagem dos professores de geografia em relação à aplicação da EA.Concluí assim. entretanto não houve interesse por parte dos professores em participar do projeto.3 . Foram buscadas ainda outras escolas. Buscou-se investigar os métodos adotados por esses professores para trabalharem esse tema na 5ª série do ensino fundamental nas escolas municipais. Para a realização deste trabalho. foram entrevistados 03 professores de geografia ± que vamos denominar professores ³A´.M.

Geralmente. os dados qualitativos e quantitativos que posteriormente serão trabalhados em sala de aula. referindo-se a atividades realizadas fora da escola. Todos os professores entrevistados trabalham Educação Ambiental utilizando principalmente estratégias como textos informativos. possibilita a realização de uma ³pesquisa básica e aplicada´. a maioria ocorre oportunamente seguindo o calendário escolar. apresentar os resultados do questionário respondido pelos professores. dentro da dinâmica do grupo focal. tanto para o desenvolvimento das práticas de ensino como para a formação do professor. o que requer a utilização de certos procedimentos metodológicos para observação. Pudemos extrair alguns dados muito importantes ao trabalho.A experiência de trabalho como educador é um requisito importante para o processo de ensino e aprendizagem. A partir da pergunta elaborada para o questionário: ³Você costuma desenvolver alguma atividade extraclasse com seus alunos durante o ano letivo ? Comente´. Entende-se como ³Trabalho de Campo´ um momento. Alguns dados quantitativos foram levantados para caracterizar o trabalho desenvolvido pelos professores do Ensino Fundamental das escolas municipais de Belém. Os professores denominaram essas atividades como ³Trabalho de Campo´. indicaram respostas que confirmam o grande interesse dos alunos por esse tipo de atividade. e confirmam a potencialidade quanto ao desenvolvimento da aprendizagem de conteúdos de Geografia. O objetivo aqui é. No dialogo com os alunos. O método de estudo. Optou pela -se aplicação de um questionário semi estruturado em questões abertas e fechadas para a obtenção de um panorama geral a respeito do trabalho dos professores de geografia. portanto. por meio da observação e do registro. que permite obter. exemplos e conteúdos inseridos em aula e conscientização e preocupação com problemas ambientais em escala global. ou de qualquer outra disciplina. 36 . documentação e a interpretação de dados teóricos e empíricos. sobre as questões ambientais. O professor (B) e o professor (C) declararam desenvolver alguma atividade extraclasse com os alunos. atividades em Educação Ambiental não são aplicadas regularmente no cotidiano do ensino formal.

A responsabilidade do professor de Geografia assume particular importância nesse sentido. visto que estes afirmaram tomar iniciativa para a realização de pesquisa de campo em suas escolas. levando principalmente em consideração a geomorfologia da área. Relacionando ao que a priori nos soou como falta de preocupação com a situação ambiental local. A atividade nos revelou. Um dado relevante indicado pelo questionário refere-se à localização das áreas escolhidas. pelos professores. que se constitui em parte por falésias. e o processo de ocupação e uso do solo com as invasões em áreas vitais ou de risco que é diretamente relacionado ao tema e poderia ser abordado durante um estudo de qualidade de vida. Trata-se de um dado que denota certa falta de preocupação com a observação do entorno da escola . alem da falta de preocupação com a realidade local. geralmente desenvolvem esse tipo de atividade fora do bairro em que se localiza a escola (geralmente áreas fechadas como parques bosques ou museus) o professor da escola bosque relatou que realiza tais atividades em caminhadas por trilhas dentro do próprio espaço escolar. algo mais grave que é a falta de conhecimento em geografia física. para a realização de ³Trabalho de Campo´. Pedimos aos professores que pontuassem e/ou marcassem os elementos que compõem a paisagem da orla. alem de terem sido respondidas erradamente (ou ao menos de maneira incompleta) nos três questionários as formas de relevo que compõem a paisagem da orla dentre as quais não foram assinaladas promontórios e enseadas. Todos os professores entrevistados durante as conversas declararam que a prática pode auxiliá-los na abordagem de uma multiplicidade de temas e conteúdos. divididas em categorias como: unidades de paisagem. formas de relevo resultante destes processos e formas de ocupação e uso da orla. tanto do entorno da escola como de aspectos com os quais a comunidade escolar não convive diretamente e que podem vir a ser objeto de estudo. processos eólicos e hidrodinâmicos. Foi ignorada nos questionários dos professores ³A´ e ³B´ a unidade de paisagem terra firme. é relevante analisar o item seis do questionário que se refere a formação das unidades de paisagem nas margens fluviais ilha de Caratateua. Porem. 37 . conhecimento este necessário à abordagem dos temas da EA.

Em rápida dinâmica. no qual se procurou contextualizar. tanto para conseguir o envolvimento e o compromisso de todos como para possibilitar a aprendizagem nas diversas etapas. a relevância da geografia para a educação ambiental ± um detalhe a ser acrescentado é que nenhum dos professores respondeu que há participação dos alunos na fase de planejamento das atividades. Reciclagem e Visitas Ecológicas. Trabalhos de Ecologia. devido sua complexidade e suas múltiplas possibilidades de leitura. bem como apontamento de prováveis soluções para os problemas. foram que: ³embora tenha vontade de desenvolver atividade em conjunto com outras disciplinas torna-se difícil na pratica por causa do tempo. do ponto de vista do conhecimento. Visto isso.. utilizando como ilustração as palavras do professor ³B´. realizou ou incentivou algum projeto em Educação Ambiental em sua escola fora do contexto de Feira de Ciências ou Amostras Culturais.) Acredita-se que a participação dos alunos em todas as etapas da realização do Estudo do Meio é fundamental. o que sem duvida é um ponto positivo no processo de (re)construção do saber.. que são parte do cronograma da escola. Por outro lado é levantado dentro de sala de aula discussões como o problema da poluição e tratamento da água ou a produção e destinação do lixo doméstico na ilha. ³(. não foram observados em quantidade relevante. a utilização da interdisciplinaridade no caminho à transversalidade é fundamental para o estudo integrado do meio. da permanência do professor em uma só escola. desde a escolha do tema até a socialização dos resultados´. (OLIVEIRA. também fora dos contextos citados anteriormente. como sugere um modelo participativo. foi pedido no questionário que marcassem e/ou sugerissem tópicos em que pudessem abordar as praticas de educação ambiental.A dificuldade no trabalho da EA e com a adoção dos ³trabalhos de campo´ como prática freqüente nos planos de curso podem ter outra explicação alem das apresentadas pelos professores. e as respostas obtidas. 1990) Conforme discutido no capítulo dois. Os tópicos 38 . Estes são dados que remetem à discussão teórica desenvolvida no segundo capítulo. Fica difícil realizar projetos a longo prazo tendo que estar em três ou quatro escolas diariamente´ Somente o professor da escola bosque. procurou-se mensurar a preocupação dos professores com a questão.

A Educação Ambiental deve se apresentar de forma constante no cotidiano. das condições salariais e do trabalho realizado por eles com seus alunos.4 . Adotamos também. Junto com as observações houve também conversas com os professores. e haja verdade que a realidade do professor hoje é que para alcançar um padrão de vida razoável professores tende se submeter a cargas horárias cada vez maiores. apesar da consciência de que nossa presença por si só já alterava a rotina de seu cotidiano."Conservação e Preservação do Meio Ambiente". seguido da falta de tempo e depois de incentivo/apoio por parte da instituição a qual faz parte. ainda por meio do questionário mencionado. em primeiro. a apresentação de "folders". foi sugerida a idéia de que além das observações das aulas seria interessante ter um registro dos alunos. a respeito das condições de trabalho na escola pública. Procuramos identificar. a conversa em grupo com os alunos. uma vez que eles cumprem em média 40 horas/aulas na semana ± o que na maioria das vezes é superior. para que pudéssemos ter um perfil semelhante entre os alunos. Tal situação reflete a insuficiência de verbas para as escolas públicas em geral. cartazes. 4. no caso matutino. "a sociedade e o Meio Ambiente" e "Práticas de Conscientização" foram considerados o mais adequados para atividades em Educação Ambiental. O que nos chamou a atenção para a facilidade no trato com elementos da problemática 39 . não configuram uma mudança na interpretação do espaço e não é suficiente para formar ou mudar valores. ou eventos isolados. como já foi citada. Com relação à falta de tempo. Procurou-se também analisar turmas de mesmo período. Os principais obstáculos apontados foram. que são mais abundantes nas datas comemorativas. Sob a iniciativa de um dos professores foi sugerida uma redação a eles com o tema ³problemas e soluções ambientais na ilha de Caratateua´.Análise dos textos produzidos pelos alunos Desse modo. esta é uma realidade para a maioria dos professores da rede pública. a falta de recursos e/ou material. as principais dificuldades para a realização do Estudo do Meio.

Já na Escola Bosque o professor preocupou-se em organizar dinâmicas que explicassem o conteúdo e à resolução de exercícios. de conhecimentos geográficos para o desenvolvimento de seus textos. uso da natureza pela sociedade. As aulas têm duração de 45 minutos.ambiental numa escala global.5 . Em cada redação buscamos identificar idéias aplicadas de acordo com o tema proposto. As observações apreciadas só foram levadas em consideração quando verificamos a incidência nas duas turmas. esclarecendo que alguns alunos vieram de outras escolas. Dentre as razões para isso jamais poderemos nos esquecer que analisamos indivíduos com subjetividade. salvo o professor da Fundação Escola Bosque. Já nas analises entre alunos de uma mesma turma podemos observar uma distancia significativa entre o volume de informações e o trato com os problemas comuns ao cotidiano. respeitando a idade e a capacidade de sistematização de informações de alunos egressos na 5ª serie. quando a maioria dos alunos relaciona natureza ao que pode ser percebido com a visão.A didática em sala de aula As escolas utilizam como material de ensino os livros didáticos de geografia da 5ª serie distribuídos pelo MEC. que também utiliza material de elaboração própria. Outras razões possíveis são a influência familiar e o histórico escolar. Neste processo podemos observar também uma equivalência no volume de informações de ambas as turmas. Podemos observar certa confusão na aplicação dos conceitos de paisagem e natureza. como mencionar Aspectos naturais. ainda que de forma desorganizada. referente a questão ambiental. em que o professor apresenta e explica o assunto. dos quais na escola Monsenhor foi preenchido apenas com parte expositiva. 40 . via SEMEC (secretaria municipal de educação). degradação da paisagem e citação de órgãos como o IBAMA dentro de suas opiniões. grosso modo. o que já nos basta para não devermos esperar uniformidade. o que nos reforça a idéia de que a questão ambiental esta estreitamente ligada a totalidade das realidades sociais. Tantos detalhes fizeram com que a análise das redações fosse adotada como um dos componentes centrais do processo de pesquisa. pude notar que os alunos se valiam. sociais e culturais. 4.

e a formação do aluno não é direcionada a nada. baseadas em provas. Já da fundação escola bosque se pode dizer que desenvolve uma pedagogia significativa. sendo tratada apenas como quesito obrigatório à obtenção de diploma de ensino fundamental. Enquanto na escola bosque. 41 . flexível e fluida. ou seja.Formas de avaliação Na escola Monsenhor as formas de avaliação são tradicionais. com tantas características diferentes. a maioria das avaliações é dada em produção de textos ou seminários. o professor hoje não atende as necessidades ao que se refere a desenvolver um trabalho que incorpore a temática ambiental de forma consciente. Dois dos três professores entrevistados não se sentem preparados para trabalhar a Educação Ambiental. testes de múltipla escolha com algumas questões dissertativas. sobre tudo com relação a forma como o ensino é transmitido. Os resultados reforçam o que afirma Dias (2001). a questão da difusão do debate sobre os temas ambientais pelos diversos veículos e níveis sociais globalizando os temas e incorporando-os ao cotidiano da vida humana. e são organizados com um objetivo muito bem definido que é a preparação dos alunos para o nível técnico ofertado pela escola. tempo e estímulo como principais obstáculos. critica.4. sendo estas. Conclui-se então. e mencionaram a falta de recurso ou material. Contudo um a questão nos surpreende que é a questão das redações. por que os alunos apresentaram tanta proximidade no volume de informações a cerca do tema? Uma primeira explicação possível e retomada aqui. As praticas de ensino e os conteúdos são trabalhados sob a perspectiva histórico-crítica. que a escola Monsenhor desenvolve uma educação essencialmente tradicional.6 . as práticas de ensino e os conteúdos não são trabalhados de forma significativa.

dentre outros Entretanto. A respeito do ensino observado nas escolas selecionadas para o projeto. são inúmeros: rios e igarapés transformados em canais de escoamento de detritos. e pelas reformas necessárias ao seu desenvolvimento. contaminação das águas subterrâneas. O futuro deve ser marcado com comprometimento e com a interlocução dos saberes e das instituições sociais.5 . o saber 42 . nas áreas de barra-praial popularmente denominadas praias. 1997) sustentam que o educador precisa estar atualizado possibilitando atitudes de participação. que agravam o problema das enchentes. O ensino de Geografia que tenha como um de seus objetivos a educação ambiental deve ser realizado com a preocupação de não tornar os alunos pessoas que carreguem para si as responsabilidades de problemas dos quais eles pouco participaram como atores. não será possível formar um cidadão nos valores propostos pelos PCN¶s. e em nosso caso enquanto campo de ensino. direcionando a aprendizagem para a discussão.CONSIDERAÇÕES FINAIS Os exemplos de degradação ambiental no município de Belém. ou mesmo de outras disciplinas. vemos que é hora de repensarmos práticas e conceitos. sobretudo em relação a transversalidade ambiental. como as corporações industriais dos países ricos que se espalham por diversas partes do mundo. A possibilidade de vermos alunos que guardam para si tais responsabilidades acaba por omitir os principais responsáveis. retirada da vegetação. nem sempre esses desequilíbrios ambientais são devidamente explorados e questionados no âmbito do ensino da geografia. constatou-se que não estão sendo aplicadas praticas que objetivem a educação ambiental. em especial na região das ilhas. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC. não é capaz de fazer frente a discursos tendenciosos e tradicionalistas. Defendemos a idéia de uma prática de ensino-aprendizagem que leve ao aluno condições de exercer sua autonomia e buscar entre outros valores a liberdade e a justiça. questionamento e busca de informações junto com os alunos. inclusive a familiar. Esta é a razão de nos preocupamos com um ensino de geografia contextualizado numa área de temas ambientais. a ponto de ³formar alunos que reproduzem com impressionante facilidade alguns interesses que não são necessariamente os seus´. caso contrario. baseado nas considerações apresentadas aqui. Quando constatamos que a geografia como todo. que inibem o exercício da crítica.

mal conceituada e mal trabalhada no ensino formal pode ser resultante da preparação inadequada da graduação. a exemplo a formação d professor de o geografia e a capacidade de abordagem do tema de EA. Porem nos vemos as voltas com uma questão central neste trabalho que inquieta constantemente os educadores: como. Tal deficiência da geografia acaba por aproxima nos da pedagogia. O que se percebe é que. Porem.reflexivo e a prática da pesquisa. Teria diferenciação com relação a prática pedagógica? O fato da Educação Ambiental ser fragmentada. ao longo de nossa pesquisa foram encontradas dezenas de estudos sobre gestão ambiental ou educação ambiental ligada a outra ciência. a partir das práticas cotidianas. podemos exercitar nossos conhecimentos em educação ambiental. Muitas outras questões foram apresentando a necessidade de serem respondidas. enfrentamos uma realidade onde não há estrutura de trabalho na maioria dos colégios públicos. nos submetemos a cargas horárias estendidas por conta da garantia de sobrevivência. Outra questão é a falta de literatura de caráter geográfico com relação ao tema de EA. que possui material abundante sobre o assunto. a graduação pode não estar cumprindo seu papel de preparar futuros professores para terem a consciência e vontade de buscar o novo. bem como as a diferenciação entre as diversas instituições que oferecem atualmente o curso no estado. 43 . não nos garante condições necessárias a essa qualificação. Seria pertinente também expor aqui nossas inquietações. em se tratando de Educação Ambiental. o que fazer para que o conhecimento produzido transcenda a dimensão do papel e influencie de maneira positiva nas sociedades? Cada educador deve responder essa questão de acordo com o contexto em que está inserido.

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