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A Minha Liberdade

A cada hora a suas decisões tomavam um rumo divergente. Vez por outra se revestia
de uma verdade radiante, e percebia na veracidade dos fatos o seu destino, porém logo o
medo lhe amordaçava os sonhos e o fazia refém de uma realidade estática. Na deficiência de
suas próprias expectativas, deixou-se imerso em seu próprio desterro.

No começo, tentou viver os próprios sonhos, mas com o tempo percebeu que a vida
só lhe permitia viver o sonho alheio, e depois de provar o gosto acre do julgamento dos
indiferentes ao seu redor, já nem sabia mais sonhar. Os desejos deram lugar às
responsabilidades que se amontoaram ao correr dos anos. Era dura aquela sua vida, contudo,
não poderia fazer o mesmo que alguns de seus amigos, e tirar a vida "num" ato covarde, pois
se recusava a ceder.

Não poderia deixar o tempo passar, e aquela noite parecia lhe ser perfeita. Depois que
pesou suas escolhas, decidiu que era preciso se libertar daquela prisão de tijolos, concreto e
desilusão. Colocou as suas poesias e letras de musica em uma bolsa, que já guardava algumas
roupas, livros e até comida. Colocou sua jaqueta velha que, por tanto tempo, ficara guardada
no fundo do guarda- roupas. Tinha no bolso um pouco de dinheiro e seus documentos: era
realmente tudo do que precisava.

Jogou-se na noite: ele, sua bolsa e um violão. Chorou sem parar por entre as tantas
ruas que rondou na madrugada, e foi parar na praia, onde ficou a observar o dia que já
amanhecia. Nem se dera conta de quanto tempo tinha passado sem ver o nascer do sol, e
agora de joelhos sobre a areia da praia, abria seus braços para o céu, e reconhecendo a
presença de Deus em tudo aquilo disse:- Eu finalmente começarei a "viver". Ele havia fugido de
casa, mas percebia no mundo uma casa melhor.