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Amor, será que você não percebe que essa tua verdade, dura e que muda a cada hora só
me faz mal? Será que tuas vontades são um eterno carnaval de fantasia, e que a toda
hora encontra sua quarta feira de cinzas, aonde por fim só me sobra à desconfiança, a
descrença. Logo eu, já quase convertido à doutrina do acalanto teu, segredado na noite
fria. Logo eu que entrego meu espirito diante da paz da tua voz, estou sendo levado a
um ateísmo profundo nas coisas que são sinceras e do coração.

          As lagrimas desejam, por fim, recair sobre o meu rosto, mas nem mesmo a força
necessária para tal coisa me resta. Esse desengano com o qual me presenteias, pedaço
por pedaço, somente aumenta a chama da agonia em meu peito, de forma que as
possibilidades que nos rodeiam parecem querer me ver um tanto quanto desvairado. No
entanto, louco ou não, eu sei o quanto tua presença, em corpo, alma ou sentimento, me
transforma, me faz ser quem eu realmente deveria ser.

         Eu vivo o teu mundo, de corpo, alma e humildade,


mas parece que tu não o fazes, de forma que te aborreces com algumas coisas perdidas
em minha vida que te atingem de raspão, e às vezes a queima roupa. Parece até que
nossas palavras se perderam em qualquer lugar, menos em tuas memorias. Infelizmente
sofro, por que eu ainda as guardo, no fundo do peito, longe de qualquer desconfiança.

         Nós prometemos nunca deixar a chama do nosso amor se perder em qualquer


brisa, usando o carinho de nossas mãos para nos manter felizes, e o calor de nossos
corpos para sermos em fim um só. Talvez o nosso erro esteja sendo o de enfrentar a vida
com muita maturidade, quando o amor é coisa simples, é a magia da inocência em viver
um sonho a dois.