Você está na página 1de 4

Resumo do texto República da constituição de 1946, separação de

poderes e Política alocativa

A constituição da República federativa do Brasil de 1946 trouxe


consagrações e inovações. Entre as consagrações temos a República
federativa, ou seja, o país manteve a autonomia política dos entes federativos
e seu sistema de governo continuou a ser o presidencialista. Continuamos a
ter um Senado representando os Estados e uma Câmara de deputados, esta
representando o povo, sendo, então um sistema bicameral, pois possui no
Congresso Nacional o Senado e a Câmara de Deputados. Consagrou, ainda,
o sistema majoritário de escolha de chefes do executivo mais o representando
do Congresso no Senado. Até aqui não houve grandes mudanças, mas
apenas a continuação de institutos da legislação constitucional anterior, mas
que foram reforçados com a nova ordem Constitucional

De outro lado, a Constituição de 1946 inovou ao trazer um sistema


proporcional de eleição de representantes do povo, sistema este em que o voto
no candidato decide o número de cadeiras no legislativo com base na legenda
e não com base no maior número de votos de cada candidato, O sistema
proporcional é aplicado para os deputados na União, nos Estados e DF e ainda
nos Municípios, para os vereadores

Outro ponto que merece destaque é a consagração na Constituição do


Multipartidarismo, ou seja, várias ideologias de pensamento teriam sua
representação política, demonstrando claramente a idéia de democracia,
contudo, cumpre observar que o registro de um partido não era tão simples,
pois se exigia, com base em lei do período, que o partido tivesse representação
em pelo menos cinco Estados, por conseqüência os partidos tiveram que se
organizar em nível nacional.

Mesmo com o multipartidarismo, a política brasileira era dominada por


três partidos, quais sejam: partido Social Democrático, com ideal
desenvolvimentista, mas com forte ligação com os grandes proprietários de
Terra, tinha posição de direita. A união Democrática nacional era a principal
oposição do PSD e se opunha a idéia desenvolvimentista. Já o Partido
Trabalhista Brasileiro, de centro-esquerda, era ligado aos sindicatos, com a
idéia de crescimento econômico com base no Estado, ou seja, os meios de
produção seriam do governo. Outros partidos também tinham seus
representantes no Congresso, mas pouca força na política do período.

Grande destaque se dá, no período, é para o princípio da separação dos


poderes, pois o legislativo tinha grande autonomia na elaboração de leis e
decisões orçamentárias, mas com destaque para o fato de as decisões do
Congresso e suas Comissões, em grande parte, representavam as decisões de
seus partidos políticos com maior representação, ou seja, os três acima
mencionados.

Cumpre observar que havia maior simetria na divisão da repartição de


poderes, inclusive pelo executivo não ter tantas prerrogativas, como as
conferidas pela Constituição de 88, tais como iniciativas de determinadas
matérias, capacidade de criar decretos, ou seja, a divisão era mais simétrica.
Percebe-se isso, inclusive na aprovação de projetos de lei por iniciativa do
presidente, sendo atualmente bem maior do que era no período de 46-64,
demonstrando a maior relação, interferência e poder de influência do executivo
nas decisões do legislativo.

Em relação às preferências políticas e escolha institucional na Nova


República podemos dizer que os partidos eram divididos e pouco coesos e os
líderes partidários não tinha instrumentos para controlar o comportamento de
sua bancada, logo o apoio ao executivo de um partido não era previsível, pois
não havia coesão de opiniões,

Cumpre destacar o movimento Queremista, no qual camadas da


população menos abastadas, o proletariado, com apoio dos partidos de
esquerda, nacionalista e os sindicatos, queriam a volta de Getúlio Vargas ao
poder, o que de fato ocorreu, ofendendo o interesse dos partidos mais
conservadores, contudo a constituição de 46 foi forjada com o intuito de não
permitir programas de reforma e política de alocação de valores sem um apoio
do legislativo, ou seja, a Constituição já foi pensada para evitar um executivo
reformador forte, com amplos poderes.

Um traço fundamental deste período é que a relevância política dos


partidos era medida com base em seu predomínio nas comissões, com
destaque para a Comissão de orçamento e Finanças, depois nomeada como
Comissão de Finanças e tributação, estas que tinham como função avaliar a
proposta orçamentária da União e em suas composições estavam os três
partidos principais: PSD, PTB e UDN, com o PSD na presidência da Comissão
e a vice-presidência ficava para os outros dois que tinham menor
representação do que o PSD.

Outro ponto que foi percebido no período 46-64 foi o de que o partido
controlador das comissões do legislativo, no caso, o PSD, tinha mais cuidado
na escolha de seus representantes para a comissão, baseando suas escolhas
na experiência e conhecimento na matéria a ser avaliada na comissão,
normalmente a escolha de representantes experientes ficava acima de 50%
enquanto os outros principais partidos, PTB e UDN giravam por volta de 10%
ou menos.

No período o sistema de governo presidencialista era de coalizão e faccionado,


pois existiam grupos facções majoritários entre as principais agremiações de
apoio ou oposição contra o chefe do executivo, sendo os de apoio o PSD e o
PTB e a oposição efetuada pelo UDN, isto gerava uma baixa disciplina por
conta da baixa coesão, simetria entre os membros de cada partido.

É possível perceber que o partido do PSD sempre teve mais cuidado na


escolha de seus membros com base na expertise, senioridade, capacidade
eleitoral e lealdade partidária o que influenciava diretamente na capacidade
destes terem uma bancada maior nas comissões e serem representantes da
presidência destas, o que influenciava diretamente nas decisões políticas. Os
outros partidos parecem ter faltado a sabedoria para escolher representantes
com atributos certos para as comissões.

Não podemos olvidar que havia certa irresponsabilidade fiscal por parte
do legislativo que criava gastos orçamentários sem a respectiva fonte de
custeio o que pode ter contribuído para questões inflacionárias e para o
desgaste do governo, embora não se possa afirmar que tal irresponsabilidade
tenha sido a causa da mudança de regime democrático para um regime militar.
Ademais um fator que influiu diretamente na queda da democracia foi a
cassação do registro do partido comunista, pois deixava sem representação
ideológica parte do eleitorado nacional, além disso, a proibição do direito de
voto do analfabeto que impedia muitos de exercerem sua cidadania.

Enfim, a democracia efetuada no período de 46-64 tem diferenças


relevantes, pois apresentava uma separação de poderes mais simétrica, com
maior força do legislativo, por outro lado essa maior força também ocasionou
um desequilíbrio orçamentário fiscal. Além disso, trouxe importantes inovações
que garantiram a nacionalização dos partidos políticos e a importante garantia
do multipartidarismo, com representação de diferentes ideologias.

Você também pode gostar