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Aluno(a): Letícia da Fonseca Silva Matrícula: D440BG-1

Turma: PS8P44 Supervisora: Erica Comacchione

Bibliografia: Yehia, G.Y. Psicodiagnóstico Fenomenológico Existencial: Focalizando os


aspectos saudáveis. In: Ancona-Lopez, S. Psicodiagnóstico Interventivo: Evolução
de uma Prática. São Paulo: Cortez, 2013.

Fichamento n°1

Os conceitos de saúde e doença foram modificados de acordo com as


mudanças na sociedade e em conjunto com a evolução da ciência. Hoje em dia, não se
pode mais explicar saúde como ausência de doença, e nem vice e versa, assim como
as doenças mentais, já podem ser avaliadas e interpretadas de maneiras diferentes, de
acordo com os fatos e existir do indivíduo, e não apenas mais como “falta de lucidez”.

Na idade moderna, a atividade psicológica ainda utilizava das técnicas


desenvolvidas pelos métodos da época, assim, passou-se a adotar um viés de triagem,
em que o sujeito é atendido rapidamente, avaliado nos critérios técnicos do
profissional, e encaminhado para os especialistas julgados necessários, deixando de
lado o acolhimento do sujeito e de seu sofrimento, desamparando o sujeito nessa
operação.

Hoje em dia, esse modelo já não se encaixa mais na sociedade em que


vivemos, e não cabe mais às demandas que os sujeitos exigem dos profissionais de
psicologia. As respostas exatas e as técnicas “frias”, não atendem à angústia que
chega ao consultório, e o profissional deve resgatar o acolher, a escuta empática,
agindo como um mediador entre o paciente e o resgate do seu bem estar.

O homem no mundo, como ser em sociedade, só é capaz de chegar ao próximo


e se comunicar de maneira eficiente a partir da palavra, incluindo sua cultura,
costumes, preceitos e leis, assim, a prática fenomenológica desenvolve a comunicação
ampliando essa relação entre o profissional e o paciente, acolhendo sua palavra,
compreendo sua cultura, costume, preceitos e leis morais, adotando uma postura
relacional entre ambos.
O psicodiagnóstico é uma prática muito presente nas clínicas-escolas e nos
atendimentos gratuitos oferecidos à sociedade, muito procurado por pais com filhos
encaminhados pela escola ou outras instituições, com demandas de diversas áreas,
emocionais, psicométricas, intelectuais e entre várias outras, e é de extrema
importância a investigação de qual área é a prioridade.

Essa investigação, quando feita no modelo tradicional do psicodiagnóstico,


abrange cerca de duas entrevistas com os pais, é realizada a testagem com a criança,
onde são aplicados os testes psicométricos e integrados às informações trazidas pelos
pais e pela queixa. No fim, na devolutiva com os pais é apresentada a conclusão e se
oferece quais os passos que devem ser seguidos a seguir, com os devidos
encaminhamentos. Muitas vezes, esse modelo traz pouca motivação para a criança, e
para os pais, impressão de que suas expectativas não foram atendidas.

No psicodiagnóstico fenomenológico-existencial, o trabalho do profissional vai


além da testagem e da triagem da criança, busca entender o significado da queixa que
a trouxe ao atendimento, compreendendo a situação infantil e a relação com os pais,
as expectativas do responsável, e a construção do projeto terapêutico.

Nas sessões, são realizadas entrevistas com os pais, com o acolhimento da


queixa e a compreensão do contexto familiar, papéis e responsabilidades familiares; se
constrói o roteiro de anamnese, para o conhecimento do desenvolvimento
biopsicossocial da criança; encontros lúdicos com o paciente, observando a criança e
pesquisando os aspectos do comportamento da criança relacionando-os com a queixa
inicial, assim como outros sinais importantes que ainda não eram conhecidos; pode ser
utilizado testes e avaliações que se mostrarem necessárias; são realizadas visitas
escolares e domiciliares para ampla compreensão do comportamento da criança em
seus ambientes; novas entrevistas com os pais, com atualizações dos progressos
feitos e obtenção de novas informações sobre a criança e sobre modificações no seu
comportamento e queixa e finalmente é produzido um relatório sobre as conclusões do
profissional, que é entregue aos pais e instituições que o reclamarem.

Uma das maiores mudanças observadas nesse modelo de psicodiagnóstico é a


mudança de atitude do profissional, além da mudança de papéis durante o processo, o
paciente e envolvidos (como os pais e responsáveis) deixam de ter um papel passivo
ao profissional, e passam a fazer parte ativa da construção do processo, entendendo
suas responsabilidades e contribuindo para a análise do profissional e autoanálise.
Nesse modelo, é possível a promoção de novas possibilidades para a dinâmica familiar
e qualidade de vida da criança, ampliando o conhecimento para fora da clínica, aonde
os envolvidos possam colocar em prática na sua vida cotidiana comportamentos e
novos meios de trazer sentido aos fenômenos vividos.

“Insisto, nesse trabalho, busca-se sempre focalizar os aspectos saudáveis da


criança e dos pais, fazendo apelo à abertura de novas possibilidades de estar-com em
vez da busca de uma adequação a algo considerado “normal” pela ciência, respeitando
a cultura e o contexto familiar.”