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Aluno(a): Letícia da Fonseca Silva Matrícula: D440BG-1

Turma: PS8P44 Supervisora: Erica Comacchione

Bibliografia: Barbieri, V. Psicodiagnóstico Tradicional e Interventivo: Confronto de


Paradigmas. In: Psicologia Teoria e Pesquisa. Ribeirão Preto, Jul-Set, 2010, vol 26,
n.3, p.505-513

Fichamento n°4

O artigo lido se refere a um estudo que buscou identificar as diferenças e as


semelhanças entre o Psicodiagnóstico Tradicional e o Psicodiagnóstico Interventivo,
além de terem realizado uma exposição dos paradigmas quantitativos e qualitativos,
que compõe os dois processos, procurando analisar sua epistemologia e metodologia.
A autora buscou então, analisar se o Psicodiagnóstico Interventivo se compromete com
os fundamentos científicos que a Psicologia como ciência se propõe a ter.

Para a autora os paradigmas são intervenções que incluem lei, teoria, aplicação
e instrumentos de pesquisa. No que diz respeito ao paradigma quantitativo podemos
dizer que este coletava e assimilava dados imutáveis, tendo por objetivo realizar uma
generalização. Conceitos como a fidedignidade, validade e significância estatística são
utilizados para se verificar o grau de certeza. Já o paradigma qualitativo diz respeito a
compreensão dos fenômenos através da observação, descrição e comparação,
levando em conta um aspecto subjetivo. A metodologia da pesquisa quantitativa deve
seguir passos estabelecidos desde as hipóteses até as conclusões.

A diferença da pesquisa qualitativa se dá por essa não ter procedimentos


padronizados, onde o início da investigação não é considerado decisivo; outra
diferença é que essa pesquisa busca compreender um fenômeno ao invés de controlá-
lo. É possível observar que a Psicologia Acadêmica possui maior interesse em
abordagens de cunho quantitativas, pois consideram que os números são mais
concretos que palavras e que os testes são mais verdadeiros que entrevistas.

Barbieri define o Psicodiagnóstico Tradicional como um processo que possui


tempo limitado, que emprega técnicas psicológicas que buscam a compreensão de
problemas, avaliação, classificação e previsão do trajeto do caso. Normalmente possui
as seguintes etapas: entrevista inicial, aplicação de testes, entrevista devolutiva e, se
houver necessidade, há um encaminhamento para continuação de atendimento. É um
processo que tem como objetivo realizar um diagnóstico, por conta disso a autora acha
que intervenções terapêuticas nesse modelo são perigosas, podendo ter prejuízos no
vínculo com o psicólogo e até mesmo podendo ocasionar o abandono do atendimento.

O Psicodiagnóstico Interventivo se caracteriza por ser um processo que busca


compreender além do problema relatado, através de instrumentos e técnicas
psicológicas, como a entrevista clínica. Barbieri define que o objetivo desse processo é
esclarecer os significados e origens dos problemas relatados pelo cliente, através da
validação da dinâmica emocional do cliente e sua família. Diferentemente do
Psicodiagnóstico Tradicional, esse processo não se organiza a partir de passos a
serem seguidos, mas sim de eixos estruturantes que são compartilhados com o
Psicodiagnóstico Compreensivo.

São os eixos estruturantes as seguintes coisas: objetivo de elucidar o significado


latente e as origens das perturbações; ênfase na dinâmica emocional inconsciente do
paciente e de sua família; consideração de conjunto para o material clínico; busca de
compreensão globalizada do paciente; seleção de aspectos centrais e nodais para a
compreensão dos focos de angústia, das fantasias e mecanismos de defesa;
predomínio do julgamento clínico, implicando no uso dos recursos mentais do psicólogo
para avaliar a importância e o significado dos dados; subordinação do processo
diagnóstico ao pensamento clínico: ao invés de existir um procedimento uniforme, a
estruturação do psicodiagnóstico depende do tipo de pensamento clínico utilizado pelo
profissional; prevalência de métodos e técnicas de exames fundamentados na
associação livre, como entrevista clínica, observação, testes psicológicos utilizados
como formas de entrevistas, cujos resultados são avaliados por meio da livre
inspeção.Na adoção desses eixos é possível compreender o sujeito em sua
singularidade, situação perfeita para a implementações de intervenções.

As devolutivas que ocorrem no processo do Psicodiagnóstico Interventivo são


capazes de transformar o vínculo psicólogo-paciente, cominando no desenvolvimento
do sujeito.Nas considerações finais do artigo, a autora ressalta que apesar do
Psicodiagnóstico Interventivo ser um método mais recente que o Tradicional, ainda há
uma necessidade de maiores estudos e aprofundamentos acerca das bases
epistemológicas e metodológicas dos processos. Já que para a Barbieri (2010), essa
ideia remete ao questionamento primário citado no início do artigo, até que ponto a
prática do Psicodiagnóstico Interventivo comprometeria a consideração da Psicologia
como ciência.

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