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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Relatório de estágio em contexto


profissional no Laboratório de Análises
Clínicas – Unilabs

Mestrado em Biologia Clínica Laboratorial

Sara dos Santos Macedo

Orientadores

Dr. Nuno Guilherme Rolão Aguiar

Professora Doutora Ana Cristina Silvestre Ferreira

Vila Real, 2020


Índice

Introdução...................................................................................................................................4

Objetivos.....................................................................................................................................5

Caracterização do Laboratório....................................................................................................5

Fases do trabalho Laboratorial....................................................................................................5

Materiais e Métodos....................................................................................................................7

Materiais de Colheita/Análise.................................................................................................7

Métodos...................................................................................................................................8

Bioquimica...........................................................................................................................8

Imunologia.........................................................................................................................10

Hematologia e Coagulação................................................................................................14

Análise de Urina................................................................................................................18

Microbiologia....................................................................................................................18

Conclusão..................................................................................................................................20

Bibliografia...............................................................................................................................21

Bibliografia de Imagens............................................................................................................22

2
Índice de Figuras

Figura 1- Percurso pré-analítico das amostras............................................................................6

Figura 2 - Materiais de colheita..................................................................................................7

Figura 3 - Equipamento ADVIA 1800 Chemistry System - Siemens (1- bandeja de diluição,

2- bandeja de reação, 3- bandeja de reagentes 2 (R2), 4- bandeja de reagentes 1 (R1))............8

Figura 4 - Resultados de uma eletroforese de proteínas.............................................................9

Figura 5 - Equipamento ADVIA Centaur XP – Siemens.........................................................10

Figura 6 - Interpretação dos resultados THPA.........................................................................12

Figura 7 - Etapas das diluições do teste semi-quantitativo TPHA............................................12

Figura 8 - Sysmex XN-1000 (A) e Esquema citometria de Fluxo (B).....................................15

Figura 9 - Resultados apresentados pela Hb9210 Premier.......................................................16

Figura 10 - Aparelho VES-MATIC CUBE 200.......................................................................17

Figura 11 - Exemplos de partículas de urina observáveis na análise da urina..........................18

Figura 12 - Tiras de teste presentes no iChemVELOCITY......................................................18

Figura 13 - Agar CLED (A) e agar CLED com crescimento bacteriano (B)...........................19

Figura 14 - Agar Columbia (A) e agar Columbia com crescimento bacteriano (B).................19

3
Introdução

Cada vez mais as análises clínicas têm um grande impacto nas decisões tomadas pelos
clínicos, pois permitem um correto diagnóstico e o ajuste da terapêutica adequada ao paciente.
A área das análises clínicas encontra-se em constante desenvolvimento pois constitui uma das
áreas fundamentais dentro das ciências da saúde pelo que, as técnicas utilizadas têm cada vez
mais tendência para a eficácia, garantindo assim uma maior qualidade dos resultados.

Além do desenvolvimento de novas tecnologias com fim a melhorar os equipamentos


é essencial realizar o controlo de qualidade, seja ele interno ou externo, pois só assim
podemos validar os resultados e ter a certeza que vamos permitir ao clínico um diagnóstico
correto das patologias.

Este projeto de estágio será realizado no laboratório de análises clínicas do grupo


Unilabs localizado em Vila Real e visa a aprendizagem de toda a dinâmica do laboratório
desde a colheita das amostras à sua análise tendo como principal objetivo o acompanhamento
de toda a atividade laboratorial incorporada na rotina do laboratório nas áreas de
Hematologia, Imunologia, Bioquímica e Microbiologia, desenvolvendo também um sentido
crítico na aceitação dos resultados.

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Objetivos

 Aprendizagem de toda a dinâmica do laboratório desde a colheita das amostras à sua


análise;
 Acompanhamento de toda a atividade laboratorial incorporada na rotina do laboratório
nas áreas de Hematologia, Imunologia, Bioquímica e Microbiologia;
 Desenvolvimento de um sentido crítico na aceitação dos resultados.

Caracterização do Laboratório

O laboratório do grupo Unilabs - Vila Real, desenvolve a sua atividade nas áreas de
Hematologia/Coagulação, Bioquímica, Imunologia e Microbiologia.

No setor de Hematologia são realizados hemogramas, provas de coagulação,


determinação de velocidade de sedimentação, doseamento de hemoglobina glicosilada e
coloração/observação ao microscópio do esfregaço de sangue periférico. No setor da
Bioquimica e Imunologia são realizados testes imunológicos e testes bioquímicos e por fim
no setor da Microbiologia são realizadas culturas de urina.

O laboratório assegura a realização dos exames laboratoriais, necessários para o


diagnóstico de patologias, prescritos pelos médicos ou por pedidos autónomos (ex: avaliação
ao colesterol) e procura garantir sempre um nível elevado de qualidade nas suas atividades a
fim de servir da melhor forma todos os seus clientes e profissionais que dependem do seu
serviço.

Fases do trabalho Laboratorial

A principal preocupação do laboratório está relacionada com a qualidade dos


resultados obtidos sendo que esta qualidade depende dos procedimentos que se fazem desde a
colheita até ao resultado. Estes procedimentos dividem-se em 3 importantes fases: a Fase Pré-
Analítica, Analítica e Pós-Analítica1.

5
Fase Pré-Analítica

A designação “fase pré-analítica”, surgiu na literatura no século XX e pode ser


definida como o conjunto de todos os “passos por ordem cronológica, desde o pedido do
clínico, incluindo a requisição analítica, preparação do doente, colheita da amostra primária e
transporte para e dentro do laboratório, terminando quando o processo analítico começa” 2
(Fig.1). Esta fase é muito importante pois um erro é suficiente para condicionar todas as
outras fases e assim influenciar o resultado final pelo que devemos ter a máxima atenção. Para
evitar ao máximo os erros, deve ser desenvolvido um percurso pré-analítico bem definido e
todos os trabalhadores devem ter conhecimento deste.

Requisição Médica

Registo
Informático

Instruções de
colheita

Colheita

Acondicionamento e
transporte

Não

Verificação da conformidade
da requisição/amostra?

Sim

Distribuição da amostra à
respetiva área

Preparação para análise

Figura 1- Percurso pré-analítico das amostras

6
Fase Analítica

A fase analítica corresponde à fase da realização da análise propriamente dita, sendo


que nesta fase estão também incluídos: a manutenção dos equipamentos, a calibração, o
controlo de qualidade e a preparação das amostras1. A calibração e o controlo interno são
realizados diariamente e permitem avaliar a precisão dos resultados obtidos, sendo estes
diariamente compilados e comparados com os valores de referência do controlo usado.

Fase Pós-Analítica

A fase pós-analítica, corresponde à validação dos resultados terminando com a


emissão do boletim analítico e entrega deste1.

Materiais e Métodos
 Materiais de Colheita/Análise

Tubo com EDTA K3 para obtenção de amostras de sangue total


utilizadas na hematologia para a determinação do hemograma,
velocidade de sedimentação e hemoglobina glicosilada.

Tubo com um ativador de coagulação. Para a obtenção de soro é


necessária a centrifugação do tubo, 3500 rpm durante 10 minutos, após
a retração do coágulo e é usado nas análises da área da bioquímica e da
imunologia.

Tubo de citrato de sódio para a obtenção de plasma utilizado nas provas


de coagulação. É centrifugado a 3600 rpm, durante 15 minutos.

7
Coletor de urina estéril. Daqui a urina é colada num tubo para análises
bioquímicas, ou utilizada nas provas de microbiologia.

Figura 2 - Materiais de colheita.

 Métodos

Bioquimica

No sector da Bioquímica estudam-se os parâmetros bioquímicos que esclarecem o


estado funcional de vários órgãos e vias metabólicas. Para tal é usado o aparelho ADVIA
1800 Chemistry System da Siemens e o Capillarys 2 para a realização de eletroforeses.

 ADVIA 1800 Chemistry System (Siemens)

O ADVIA 1800 Chemistry System (figura 3) pode executar testes em soro, plasma ou
urina. Este tem como base uma análise fotométrica e pode realizar 1200 testes fotométricos
por hora e cerca de 600 testes eletrolíticos por hora3.

2 4
1

Figura 3 - Equipamento ADVIA 1800 Chemistry System - Siemens (1- bandeja de diluição, 2- bandeja
de reação, 3- bandeja de reagentes 2 (R2), 4- bandeja de reagentes 1 (R1)).

O funcionamento deste equipamento é considerado simples e de forma resumida passa


pelas seguintes etapas3:

1) O sistema realiza as medições do branco da célula antes dos reagentes serem


adicionados.

8
2) Aspiração do reagente da bandeja R1 para a realização do teste e dispensa deste
por uma sonda de reagente na cuvette da bandeja de reação.
3) As amostras são aspiradas, diluídas pela sonda de diluição e distribuídas pelas
cuvettes na bandeja de diluição. As amostras diluídas são misturadas e é
transportada a quantidade necessária de amostra, agora diluída, nas cuvettes da
bandeja de reação (onde já se encontra o reagente).
4) A restante quantidade de amostra diluída é colocada nas cuvettes da bandeja de
diluição para eventuais testes adicionais, novas execuções ou diluições.
5) A amostra e o reagente do R1 são misturados sendo de seguida aspirado o reagente
correspondente da bandeja R2 e misturado juntamente com os anteriores.
6) Por fim, depois de decorrido o tempo de reação, o espectrofotómetro obtém os
dados das concentrações a cada 6 segundos.

 Capillarys 2 (Sebia)

Neste equipamento é feita a eletroforese onde as moléculas carregadas são separadas


pela sua mobilidade eletroforética num pH específico e num tampão alcalino. A separação
ocorre de acordo com o pH do eletrólito e o fluxo eletroosmótico.

Para a análise são colocados os tubos no aparelho, cada amostra é diluída num tampão
de diluição e os capilares são preenchidos com o tampão de separação. As amostras são
injetadas por aspiração na extremidade do ânodo do capilar e é feita a separação de proteínas4.

A deteção direta e quantificação das diferentes frações de proteína (Albumina, Alfa 1,


Alfa 2, Beta e Gama), figura 4, são realizadas num comprimento de onda específico – 200nm.

9
Figura 4 - Resultados de uma eletroforese de proteínas.

Imunologia

Neste sector são efetuados os doseamentos de marcadores tumorais, hormonas e


algumas proteínas usando os equipamentos necessários e algumas técnicas manuais.

 ADVIA Centaur XP (Siemens)

O sistema ADVIA Centaur XP é um analisador de Imunoensaio automatizado que


oferece grande produtividade e eficiência. Neste equipamento pode ser avaliada: a função
tiroideia, função adrenal, função metabólica, marcadores oncológicos, fertilidade, doenças
infecciosas, entre outros, tudo isto através da tecnologia de quimioluminescência direta5.

A quimioluminescência é um tipo de reação química, que ao se processar gera energia


luminosa. Durante a reação química, os reagentes transformam-se em estados intermédios
eletronicamente excitados, e ao passarem para um estado de menos excitado, libertam a
energia absorvida na forma de luz.

Figura 5 - Equipamento
ADVIA Centaur XP – Siemens.

A sequência de testes começa com a sonda de amostra a aspirar a amostra do tubo para
uma cuvette no canal de incubação (pista circular isolada que avança a cuvette em intervalos
de 15 segundos numa incubação a 37ºC).

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O anel de incubação move a cuvette da sonda de amostra para a sonda auxiliar e para
as sondas de reagente. A sonda auxiliar aspira os reagentes auxiliares e distribui pela cuvette,
sendo que a cada aspiração de reagente auxiliar a sonda é lavada com água pela estação de
enxaguamento, e de seguida a cuvette é movida para as sondas de reagente onde são aspirados
os reagentes primários e colocados na cuvette5.

Como passo seguinte dá-se o movimento da cuvette para a estação de lavagem a fim
das partículas magnéticas serem puxadas para as paredes da cuvette por ímanes posicionados
ao longo do anel de incubação para que assim as sondas de aspiração retirem o fluido da
cuvette.

O anel de incubação move a cuvette para a sonda de ácido, que vai dispensar o
reagente ácido na cuvette que vai ser movida para o luminómetro que apresenta 3 partes: tubo
fotomultiplicador com contagem de fotões, uma sonda de base e uma sonda de resíduos5.

Quando o reagente básico é dispensado na cuvette, ocorre uma reação


quimioluminescente e o luminómetro mede a luz emitida como unidades de luz relativa
(RLU’s). A unidade de processamento central processa os dados do fotomultiplicador e
converte os RLU’s em resultados5.

Por fim, a sonda de resíduos aspira o fluido residual da cuvette e esta cai no recipiente
de resíduos.

 TPHA

O kit TPHA é um teste de pesquisa de


anticorpos que utiliza eritrócitos conservados e
revestidos com antigénios de T. pallidum (estirpe
de Nichols), que se vão ligar ao anticorpo
específico presente no soro ou no plasma do
paciente. As células encontram-se suspensas num
meio que contém componentes para eliminar
reações não específicas6. Tabela 1- Reagentes usados no Kit
TPHA.

11
As reações positivas são apresentadas através da aglutinação das células e as reações
negativas através da sedimentação das células num anel pequeno.

Os reagentes usados estão apresentados na seguinte tabela 1 e o procedimento, de


acordo com as instruções do fabricante, pode ser resumido nos seguintes passos6:

1) Adicionar 190 µl do diluente numa cavidade da placa e adicionar 10 µl da amostra.


Repetir o mesmo passo noutro poço, mas em substituição da amostra colocar o
controlo positivo ou negativo.
2) Transferir 25 µl do controlo diluído e amostra diluída do passo de diluição para os
dois poços imediatamente ao lado (poços de teste).
3) Adicionar 75 µl de Células de teste a um poço de teste da amostra/controlo e 75 µl de
Células de controlo a outra poço de teste também da amostra/controlo, ficando assim
cada uma com um tipo de células para se dar a reação.
4) Aguardar cerca de uma hora com a placa tapada e ler os resultados (figura 6).

Figura 6 - Interpretação dos resultados THPA.

Caso o teste se apresente positivo, é necessário proceder a diluições para assim


obtermos o título6. As diluições encontram-se resumidas na figura 7.

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Figura 7 - Etapas das diluições do teste semi-quantitativo TPHA.

 WIDAL ou teste de Gruber-Widal


O diagnóstico serológico Widal é uma técnica para deteção de anticorpos de
Salmonella no soro do paciente. Para a realização deste teste serão necessários antigénios
(S.paratyphi AH, S.paratyphi BH, S.typhi H, S.paratyphi AO, S.paratyphi BO e S.typhi O),
uma placa com poços e uma pequena vareta para misturar.

Assim, esta técnica começa com a colocação de uma gota do soro do paciente nos
poços e em cada poço colocar um antigénio diferente. Após a adição dos antigénios ao soro
cada poço deve ser misturado com a ajuda da vareta e assim colocar a placa num agitador
cerca de 2 minutos para observar a presença de aglutinação.

Se algum antigénio for positivo é necessário avançar para o método semi-quantitativo


seguindo os seguintes passos:

1) Adicionar 80 µl, 40 µl, 20 µl, 10 µl, 5 µl nos respetivos poços ficando assim com
as diluições 1:20, 1:40, 1:80, 1:160, 1:320 respetivamente.
2) Colocar em cada poço o antigénio que mostrou resultado positivo e misturar o
conteúdo colocando num agitador cerca de 1 minuto.
3) O título do anticorpo é a maior diluição do soro até à qual existe uma aglutinação
nítida.

 Brucella Wright
Esta é uma prova serológica bastante simples e rápida dando uma avaliação qualitativa
na deteção da Brucella Abortus. Para a sua realização deve ser usado um antigénio – Brucella
Wright (suspensão de Brucella inativadas pelo calor e por formol a 4‰) - e soro do paciente,
numa placa branca afim de verificar aglutinação que é o indicativo de um teste positivo para a
brucelose.

No caso do resultado ser positivo, deve efetuar-se as diluições de modo a determinar o


título. Para isso devem ser seguidos os seguintes passos:

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- Dispor num tabuleiro de suporte uma série de 8 tubos de hemólise.

- Introduzir no 1º tubo: 1,9 ml de suspensão antigénica + 0,1 ml do soro a testar.


Homogeneizar.

- Introduzir 1 ml de suspensão antigénica em cada um dos tubos numerados de 2 a 8.

- No 1º tubo, recolher 1 ml da mistura (que representa a diluição a 1/20 do soro estudado) e


introduzi-la no tubo nº 2. Homogeneizar.

- Recolher 1 ml neste 2º tubo e transferi-lo para o tubo nº 3. Homogeneizar.

- Proceder da mesma maneira até ao tubo n°8, rejeitando a quantidade de 1 ml recolhida neste
último tubo.

Hematologia e Coagulação

Em Hematologia e Coagulação, são utilizados materiais e metodologias para o estudo


dos elementos sanguíneos e dos fatores de coagulação recorrendo a equipamentos e técnicas
especializadas na avaliação das células sanguíneas e do mecanismo de coagulação.

 Sysmex XN-1000

O Sysmex XN-1000 (Figura 8) é um analisador celular automático que funciona por


Citometria de fluxo fluorescente capaz de processar 100 amostras por hora, de forma
automática.
A citometria de fluxo é uma poderosa ferramenta que possibilita realizar a separação, a
contagem individual de células, sendo neste caso é usada para a realização de hemogramas
(estudo dos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas) permitindo também fazer a
contagem de eritroblastos e reticulócitos7.
Neste aparelho as células e partículas são examinadas enquanto fluem através de uma
célula de fluxo muito estreita. A amostra de sangue é aspirada, seguidamente é diluída de
acordo com um fator pré-determinado e é marcada com um marcador fluorescente que se liga
especificamente aos ácidos nucleicos7.

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Como passo seguinte dá-se o transporte para a célula de fluxo onde a amostra é
iluminada por um laser semicondutor, que consegue separar as células utilizando três sinais
diretos7:
• Dispersão frontal de luz que indica o volume celular;
• Dispersão lateral de luz que fornece informação sobre o conteúdo celular, como por
exemplo, núcleos e grânulos;
• Fluorescência lateral que indica a quantidade de ADN e ARN presente na célula.

15
B A luz é espalhada de acordo
com o tamanho, complexidade
e diâmetro da célula
A

Foto detetor

Feixe de
laser Os detetores
examina capturam a
cada dispersão e criam
célula uma impressão
digital de cada tipo
de célula

16
Figura 8 - Sysmex XN-1000 (A) e Esquema citometria de Fluxo (B).

Este aparelho dispõe de 4 canais de medição7:


o XN - CBC – NRBC
Neste canal o analisador mede a fluorescência lateral e a dispersão frontal de luz. A
fluorescência lateral avalia o conteúdo de material nucleico para identificação e
quantificação de eritroblastos e leucócitos.
Parâmetros reportáveis: Leucócitos, Basófilos, Eritrócitos nucleados.

o XN – DIFF
O canal DIFF permite, através de citometria de fluxo por fluorescência, detetar as
diferentes populações leucocitárias, realizando assim uma fórmula leucocitária
completa.
Parâmetros reportáveis: Neutrófilos, Linfócitos, Monócitos, Eosinófilos e
Granulócitos imaturos.

o PLT-F
Neste canal são avaliadas as plaquetas - PLT-F, que são identificadas e quantificadas
pelo uso de um corante específico, Oxazina, que cora as superfícies dos retículos
endoplasmáticos rugosos e das mitocôndrias.
Parâmetros reportáveis: Plaqueta Fluorescente.

o RET
Os parâmetros reportados no canal de reticulócitos fornecem uma avaliação celular
completa da eritropoiese. As células vermelhas circulantes no sangue periférico são
classificadas e diferenciadas pelo seu tamanho e estado de maturação celular.
Parâmetros reportáveis: Reticulócitos, Fração Imatura dos Reticulócitos (IRF) e
Conteúdo de Hemoglobina nos Reticulócitos, Glóbulos Vermelhos.

 Hb9210 Premier

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Este aparelho determina a percentagem de hemoglobina glicada presente no
sangue dos pacientes através do método HPLC - Cromatografia líquida de alta
eficiência por afinidade ao boronato.

Nesta técnica analítica, um boronato, como o ácido aminofenilborónico, é


ligado à superfície do suporte da coluna. Quando uma solução de proteínas
(hemolisado ou plasma diluído) passa pela coluna, o componente glicado liga-se ao
boronato, enquanto o componente não glicado passa pela coluna até o detetor
espectrofotométrico onde é detetado a 413nm. Depois do componente não glicado elui
da coluna, o componente glicado é por fim eluído da coluna com um reagente que o
desloca do boronato.

O boronato ajuda a que seja eliminada qualquer interferência por presença das


principais variantes de Hemoglobina, sendo que no final os resultados são
apresentados no monitor através de duas curvas como mostra a figura 98.

Antes da injeção

Hb glicada liga-se e a Hb
não glicada elui primeiro

Hb glicada elui em segundo


lugar

Figura 9 - Resultados apresentados pela Hb9210 Premier.

A percentagem final de Hemoglobina glicada é dada através do cálculo8:


Área pico 2
Área pico 1+ Área pico 2

 VES-MATIC CUBE 200


A avaliação da velocidade de sedimentação é executada em completa automatização,
recorrendo a uma homogeneização da amostra e leitura ótica da sedimentação. O aparelho
(figura 10) utiliza o método de Westergren no qual se utiliza sangue diluído (4 volumes de
sangue e 1 volume de citrato ou salina)9.

18
Figura 10 - Aparelho VES-MATIC CUBE 200.

 CA-600 Series (Sysmex)

O CA-600 Series (Sysmex) é um analisador de hemostasia compacto e totalmente


automatizado que realiza as principais análises de coagulação: tempo de protrombina (PT),
tempo de tromboplastina parcialmente ativada (aPTT), fibrinogénio, antitrombina, deficiência
dos fatores VII, VIII, entre outros.

Análise de Urina

iRICELL2000 (iQ200 SERIES + iChemVELOCITY)

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Através do iQ200 podemos proceder à análise do sedimento urinário através da
identificação das partículas da urina (figura 11) de forma isolada, identificando-as e
caracterizando-as de forma a eliminar a necessidade de uma microscopia manual10

Figura 11 - Exemplos de partículas de urina observáveis na análise da urina.

A este equipamento podemos conectar um analisador químico da urina –


iChemVELOCITY - que contém tiras de teste impregnadas com reagente (figura 12) para
realizar a análise química de bilirrubina, cetonas, ácido ascórbico, glucose, proteínas, sangue,
nitritos, leucócitos e pH11.

Figura 12 - Tiras de teste presentes no iChemVELOCITY.

Microbiologia

Os agentes etiológicos mais frequentes nas crianças e adultos (sem outras doenças
associadas) associados aos processos infecciosos urinários são da família das
Enterobactereácea (grande destaque para a Escherichia coli), e por esse motivo são
frequentemente isoladas no laboratório, procedendo à cultura de urina numa placa de agar
nomeadamente CLED e Columbia, onde o primeiro é um meio mais seletivo em relação ao
agar de Columbia.

20
Este gel terá de ser incubado a 35ºC sendo no dia seguinte observado
macroscopicamente e de acordo com as evidências presentes, como o aspeto, cheiro e
distribuição das colónias, identifica-se se a amostra se encontra estéril, se é uma flora de
contaminação, se é uma flora normal da região ou se existe a predominância de uma bactéria
ou fungo.

A B

Figura 13 - Agar CLED (A) e agar CLED com crescimento bacteriano (B).

B
A

Figura 14 - Agar Columbia (A) e agar Columbia com crescimento bacteriano (B).

Caso se verifique a predominância de uma bactéria ou fungo esta é transportada para o


laboratório central no Porto de modo a proceder à identificação desta/e.

Conclusão

21
A realização do estágio no laboratório da Unilabs está a proporcionar um
aprofundamento dos conhecimentos teóricos transmitidos ao longo do 1º Ano do mestrado,
aplicando-os assim numa rotina prática laboratorial diária.
O estágio contribui para a transição mais importante da vida, ou seja, a passagem de
estudante para trabalhador e está neste caso a permitir também para que consiga uma visão
global das análises clínicas e o valor que os métodos de diagnóstico apresentam.
Assim posso concluir que os objetivos propostos no início se encontram a ser
alcançados, dado que o estágio está a servir para compreender todo o funcionamento das áreas
da Microbiologia, Hematologia/Coagulação, Bioquimíca e Imunologia.

22
Bibliografia

1) Ordem dos Farmacêuticos Associação Portuguesa de Analistas Clínicos (2016),


Normas para o Laboratório Clínico, Sistema de Gestão da Qualidade para os
Laboratórios Clínicos, 3ª Edição.
2) GUDER, W. - History of the preanalytical phase: a personal view, Biochemia
Medica 2014;24(1):25-30.
3) Operator’s Guide ADVIA ® 1800 Chemistry System, Ver.A, 2015-12 [Online],
Disponível em:
https://www.academia.edu/37119732/Operators_Guide_ADVIA_1800_Chemistry
_System_ADVIA_1800_C_h_e_m_i_s_t_r_y_S_y_s_t_e_m
4) https://www.sebia.com/en-EN/groupeproduits/capillary-electrophoresis
5) Operator’s Guide ADVIA Centaur®XP Immunoassay System, Rev.A, 2007-10
[Online], Disponivel em:
https://vdocuments.site/advia-centaur-xp-referencemanual.html?fbclid=IwAR0Ia1-
XPvKuR6cL2RlZ7k-evKfWw6V1zFJUhWrvxF0eXQx1OTzsTVR69k4
6) https://www.bio-rad.com/webroot/web/pdf/inserts/CDG/pt/883683_PT.pdf
7) https://www.sysmex.com/la/PT/Products/Hematology/XNSeries/Pages/XN-1000-
Hematology-Analyzer.aspx
8) https://www.menarinidiag.pt/pt-pt/home/produtos-para-laborat
%C3%B3rio/hemoglobina-glicada/hb9210-premier/caracter%C3%ADsticas
9) https://www.sysmex.com/us/en/Brochures/Brochure_VesMaticCube%20Data
%20Sheet_MKT-10-1087.pdf
10) Operator’s Manual iQ200 Series® Rev.E, 2012 [Online] Disponivel em:
https://www.bioclinicalservices.com.au/beckman-coulter-inc/iris-iq-diagnostic-
systems/iq-200-series-operators-manual-rev-e-june-2012
11) Operator’s Manual iChem Velocity® Ver.E 2012 [Online] Disponivel em:
https://www.manualslib.com/manual/1561440/Iris-Ichemvelocity.html#manual

23
Bibliografia de Imagens

Figura 2 - https://sa.sol-m.com/noticias/diferencas-de-tubos-para-coleta-de-sangue/

Figura 3 - https://wytec.com.pt/chemistry/46-siemens-advia-1800-chemistry-analyzer.html

Figura 4 - https://www.tuasaude.com/eletroforese-de-proteinas/

Figura 5 - https://www.siemens-healthineers.com/pt/immunoassay/systems/advia-centaur-xp

Figura 6 - https://www.bio-rad.com/webroot/web/pdf/inserts/CDG/pt/883683_PT.pdf

Figura 7 - https://www.bio-rad.com/webroot/web/pdf/inserts/CDG/pt/883683_PT.pdf

Figura 8 - https://www.dotmed.com/listing/hematology-analyzer/sysmex/xn-1000/2690074 e
IDEXX LaserCyte Dx/IDEXX LaserCyte Hematology Analyzer Operator’s Guide, IDEXX
Laboratories, , 2014

Figura 9 - https://www.menarinidiag.pt/pt-pt/home/produtos-para-laborat
%C3%B3rio/hemoglobina-glicada/hb9210-premier/caracter%C3%ADsticas

Figura 10 - https://www.diesse.it/en/products/ves-matic-cube-200/

Figura 11 - http://eurolambda.sk/shared/files/Brochure%20iRICELL.pdf

Figura 12 - https://www.manualslib.com/manual/1561440/Iris-Ichemvelocity.html?
page=143#manual

Figura 13 - https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81gar_CLED e
https://www.indiamart.com/proddetail/cled-agar-plate-13067903997.html

Figura 14 - https://www.analytics-shop.com/gb/db315122-5000-gb.html e
https://microbenotes.com/staphylococcus-aureus-on-columbia-cna-agar-with-5-sheep-blood/

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