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NÃO FAÇA A PROVA SEM SABER | DELTA FEDERAL

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SUMÁRIO
Direito Administrativo .................................................................................................. 3
Direito Civil .................................................................................................................. 37
Constitucional ............................................................................................................. 57
Criminologia ............................................................................................................... 97
Direito Empresarial ................................................................................................... 112
Direito Internacional Público .................................................................................... 141
Legislação Penal Especial ........................................................................................... 160
Direito Penal ............................................................................................................. 200
Direito Previdenciário ............................................................................................... 234
Direito Processual Civil .............................................................................................. 273
Direito Processual Penal ........................................................................................... 295
Tributário Financeiro Federal .................................................................................... 313

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DIREITO ADMINISTRATIVO

INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO, REGIME JURÍDICO-ADMINISTRATIVO, PRINCÍPIOS DA


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Colacionamos os princípios mais relevantes para uma rememoração rápida #SELIGANATABELA:
PRINCIPAIS PRINCIPIOS DA ADMINISTRAÇÃO
 A atuação da Administração Pública deve ser autorizada por lei.
#ATENÇÃO: Hoje em dia, a doutrina mais moderna entende que o princípio da legalidade
LEGALIDADE foi substituído pelo PRINCÍPIO DA JURIDICIDADE, segundo o qual a Administração se
vincula não apenas à lei, mas também a todo o ordenamento jurídico, especialmente à
Constituição Federal (#NEOCONSTITCIONALISMO #FORÇA NORMATIVA DA
CONSTITUIÇÃO #HESSE).
Pode ser analisado sob duas perspectivas:
 Isonomia: a Administração deve tratar todos os administrados da mesma forma.
IMPESSOALIDADE
 Proibição de promoção pessoal: o administrador não pode se valer das realizações
públicas para se promover.
 O administrador deve se pautar de acordo com padrões éticos no exercício de suas
funções.
Súmula vinculante 13-STF: A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha
reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante
ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de
função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste
MORALIDADE mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.
#ATENÇÃO. A vedação ao nepotismo não pode alcançar os servidores admitidos
mediante prévia aprovação em concurso público, ocupantes de cargo de provimento
efetivo, haja vista que isso poderia inibir o próprio provimento desses cargos, violando,
dessa forma, o art. 37, I e II, da CF/88, que garante o livre acesso aos cargos, funções e
empregos públicos aos aprovados em concurso público. (Info 786).
Não haverá nepotismo se a pessoa nomeada possui um parente no órgão, mas sem
influência hierárquica sobre a nomeação (Info 815).
 Os atos da Administração devem ser públicos, o que permite maior controle pelos
administrados.
PUBLICIDADE #ATENÇÃO. É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela
Administração Pública, dos nomes de seus servidores e do valor dos correspondentes
vencimentos e vantagens pecuniárias (Info 782).

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Introduzido pela EC 19/00, impõe a busca por melhores resultados, com o menor custo
EFICIÊNCIA
possível (substitui a Administração burocrática pela Administração gerencial).
 A atuação administrativa deve respeitar os subprincípios da
 Adequação;

PROPORCIONALIDADE  Necessidade
 Proporcionalidade em sentido estrito.
#Previsão legal: artigo 2º da Lei 9.784/99
 A Administração possui o poder-dever de anular seus atos ilegais e revogar os
inconvenientes.
#Previsão legal: artigo 54 da Lei 9.784/99, Súmulas 346 e 473 do STF.
#ATENÇÃO. É possível aplicar, por analogia, o art. 54 da Lei nº 9.784/99 para o processo
administrativo nos Estados e Municípios (STJ. 1ª Seção. MS 18.338/DF, Rel. Min.
Benedito Gonçalves, julgado em 14/06/2017).
AUTOTUTELA A Administração Pública pode anular seus próprios atos quando estes forem ilegais. No
entanto, se a invalidação do ato administrativo repercute no campo de interesses
individuais, faz-se necessária a instauração de procedimento administrativo que
assegure o devido processo legal e a ampla defesa. Assim, a prerrogativa de a
Administração Pública controlar seus próprios atos não dispensa a observância do
contraditório e ampla defesa prévios em âmbito administrativo. STF. 2ª Turma. RMS
31661/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/12/2013 (Info 732). STF. Plenário.
MS 25399/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/10/2014 (Info 763).
 Verificamos o aumento de instrumentos que permitem a participação direta do
CONSENSUALIDADE cidadão na formação da vontade do Estado (ex.: audiências e consultas públicas). É o
fortalecimento da democracia DELIBERATIVA.

REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO


#PEDRA DE TOQUE DO DIREITO ADMINISTRATIVO

Indisponibilidade do interesse público Supremacia do interesse público sobre o privado


À medida que o administrador exerce função pública Quando em confronto, o interesse público se sobrepõe
(múnus público – atividade em nome do interesse do ao interesse particular. É esse o princípio que justifica,
povo), ele não pode abrir mão desse interesse (direito), por exemplo, a intervenção do Estado na propriedade
justamente porque tal direito não o pertence. privada.

ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA

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DESCENTRALIZAÇÃO DESCONCENTRAÇÃO
Distribuição interna de atividade dentro de uma mesma
Transferência da atividade administrativa para outra
pessoa jurídica, resultando na criação de centros de
pessoa, física ou jurídica, integrante ou não do
competências, denominados órgãos públicos, dentro de
aparelho estatal.
uma mesma estrutura hierárquica.
Nova pessoa jurídica. Mesma pessoa jurídica.
Não há hierarquia, apenas controle e fiscalização
Há hierarquia.
(#TUTELA).
Relação de vinculação Relação de subordinação

Outorga Apenas para Administração


Por meio de LEI
(Por serviço) Indireta
DESCENTRALIZAÇÃO
Delegação Por meio de ato ou Delegação (Concessão
Desconcentração
(Por colaboração) contrato ou Permissão)
e
Descentralização

DESCONCENTRAÇÃO Criação de órgãos

Descentralização por outorga/serviço Descentralização por delegação/colaboração


Transfere-se a execução e a titularidade. Transfere-se apenas a execução.

#ATENÇÃO.
Info 889 do STF (2018). É constitucional o art. 7º, III e XV, da Lei nº 9.782/99, que preveem que compete à
ANVISA: III - estabelecer normas, propor, acompanhar e executar as políticas, as diretrizes e as ações de vigilância
sanitária; XV - proibir a fabricação, a importação, o armazenamento, a distribuição e a comercialização de
produtos e insumos, em caso de violação da legislação pertinente ou de risco iminente à saúde; Entendeu-se que
tais normas consagram o poder normativo desta agência reguladora, sendo importante instrumento para a
implementação das diretrizes, finalidades, objetivos e princípios expressos na Constituição e na legislação setorial.
Além disso, o STF, após empate na votação, manteve a validade da Resolução RDC 14/2012-ANVISA, que proíbe a
comercialização no Brasil de cigarros com sabor e aroma. Esta parte do dispositivo não possui eficácia erga omnes
e efeito vinculante. Significa dizer que, provavelmente, as empresas continuarão ingressando com ações judiciais,
em 1ª instância, alegando que a Resolução é inconstitucional e pedindo a liberação da comercialização dos
cigarros com aroma. Os juízes e Tribunais estarão livres para, se assim entenderem, declararem inconstitucional a
Resolução e autorizar a venda. Existem, inclusive, algumas decisões nesse sentido e que continuam valendo. STF.
Plenário. ADI 4874/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 1º/2/2018 (Info 889).

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Info 619 do STJ (2017). Os conselhos de fiscalização profissional não possuem autorização para registrar
os veículos de sua propriedade como oficiais. STJ. 1ª Turma. AREsp 1029385-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado
em 05/12/2017 (Info 619).
Info 610 do STF (2017). Associação de Municípios e Prefeitos não possui legitimidade ativa para tutelar
em juízo direitos e interesses das pessoas jurídicas de direito público. STJ. 1ª Seção. REsp 1503007-CE, Rel. Min.
Herman Benjamin, julgado em 14/6/2017 (Info 610).
Info 603 do STJ (2017). Segundo o art. 8º da Lei nº 12.514/2011, para que os Conselhos Profissionais
ajuízem execução fiscal cobrando anuidades em atraso, é necessário que o total da quantia executada seja de, no
mínimo, quatro vezes o valor da anuidade. Mesmo sem poder executar a dívida, o Conselho Profissional poderá
adotar uma outra sanção contra o inadimplente: poderá suspender ou cancelar seu registro profissional. Assim, o
fato de os conselhos não poderem executar dívidas inferiores a quatro vezes o valor cobrado anualmente da
pessoa física ou jurídica inadimplente, não impede que seja feita a suspensão ou o cancelamento do registro do
profissional que deixar de efetuar o pagamento das anuidades. Isso está previsto no art. 8º, parágrafo único, da
Lei nº 12.514/2011. No caso específico dos Engenheiros e Arquitetos, o cancelamento do registro somente pode
acontecer desde que o atraso seja de, no mínimo, duas anuidades consecutivas (art. 64 da Lei nº 5.194/66). STJ.
2ª Turma. REsp 1659989-MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 25/4/2017 (Info 603).
Info 861 do STF (2017). Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos
de Fiscalização (exs: CREA, CRM, COREN, CRO) não se submetem ao regime de precatórios. STF. Plenário. RE
938837/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 19/4/2017 (repercussão
geral) (Info 861).
Info 755 do STF (2014). É constitucional lei estadual que condiciona a nomeação dos dirigentes de
AUTARQUIAS e FUNDAÇÕES à prévia aprovação da Assembleia Legislativa. Por outro lado, é inconstitucional exigir
essa prévia aprovação da ALE se os dirigentes forem de EMPRESAS PÚBLICAS e SOCIEDADES DE ECONOMIA
MISTA. É inconstitucional a exigência de que os dirigentes de entidades da administração indireta forneçam à ALE
a declaração atualizada de seus bens e de suas ocupações para serem fiscalizados pelo Parlamento. Tal situação
viola a separação de poderes. (Info 755).
Info 858 do STF (2017). É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras
de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial. (Info 858).

LEI DAS ESTATAIS (Lei 13.303/2016)


 Empresa pública: entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com
criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital social é integralmente
detido pela União, Estados, Distrito Federal ou Municípios.
Conceito Sociedade de economia mista: entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado,
com criação autorizada por lei, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a
voto pertençam em sua maioria à União, Estados, Distrito Federal ou Municípios ou a entidade
da administração indireta.
 A Lei tem caráter NACIONAL.
Abrangência
Toda e qualquer Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista que explore atividade
(art. 1º.) econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, ainda que a
atividade econômica esteja sujeita ao regime de monopólio da União ou seja de prestação de

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serviços públicos.
Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista que participe de consórcio (§5º).
Sociedade, inclusive Sociedade de Propósito Específico, que seja controlada por Empresa
Pública e Sociedade de Economia Mista (§6º)
Poder Executivo pode criar regras de governança para suas estatais no prazo de 180 dias a
partir da publicação da lei (§3º)
Regras de licitações e contratos aplicam-se inclusive à empresa pública dependente que
explore atividade econômica, ainda que a atividade econômica esteja sujeita ao regime de
monopólio da União ou seja de prestação de serviços públicos (§2º).
Lei das S/A e normas CVM sobre demonstrações financeiras se aplicam a todas Empresas
Públicas e Sociedades de Economia Mista de capital fechado (art. 7º).
Regime Empresa Pública não poderá lançar debêntures ou outros títulos conversíveis em ações ou
Societário emitir partes beneficiárias (art. 11).
Sociedade de Economia Mista poderá solucionar divergências envolvendo acionistas por meio
de arbitragem (art. 12).
Cidadãos de reputação ilibada e notório conhecimento.
Tempo mínimo de experiência profissional.
Administradores
Formação acadêmica compatível.
Não ser inelegível.
É vedada a indicação de:
- De representante do órgão regulador ao qual a estatal está sujeita, de Ministro de Estado, de
Secretário de Estado, de Secretário Municipal, de titular de cargo, sem vínculo permanente
com o serviço público, de natureza especial ou de DAS na Administração, ainda que licenciados
do cargo;
- De dirigente estatutário de partido político e de titular de mandato no Poder Legislativo de
qualquer ente da federação, ainda que licenciados;
- De pessoa que atuou, nos últimos 36 meses, como participante de estrutura decisória de
Vedada a
partido político ou em trabalho vinculado a organização, estruturação e realização de
indicação de:
campanha eleitoral;
- De pessoa que exerça cargo em organização sindical;
- De pessoa que tenha firmado contrato ou parceria, como fornecedor ou comprador,
demandante ou ofertante, de bens ou serviços de qualquer natureza, com a pessoa político-
administrativa controladora da estatal ou com a própria empresa ou sociedade em período
inferior a 3 anos antes da data de nomeação;
- De pessoa que tenha ou possa ter qualquer forma de conflito de interesse com a pessoa
político-administrativa controladora da estatal ou com a própria empresa ou sociedade.

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- Conselho de Administração

Órgãos - Diretoria
estatutários - Comitê de Auditoria
- Conselho Fiscal
- Competência fiscalizatória inclusive sobre estatais domiciliadas no exterior e empresas
transnacionais.
Órgãos de
- Acesso irrestrito a documentos e informações, inclusive sigilosos.
controle interno
e externo - As ações e deliberações do órgão de controle não podem implicar interferência na gestão das
estatais nem ingerência no exercício de suas competências ou na definição de políticas
públicas.
 Banco de dados de licitações e contratos com acesso em tempo real aos órgãos de
controle.
 Informações mensais sobre execução dos contratos e orçamento disponíveis ao público,
Divulgação de sendo admitidos até 2 meses de retardo.
informações  Demonstrações contábeis auditadas devem estar disponíveis na internet, inclusive em
formato eletrônico auditável.
 Atas de reuniões, inclusive gravações e filmagens, devem ser disponibilizadas aos órgãos
de controle sempre que solicitadas.
Qualquer cidadão pode impugnar edital de licitação, no prazo de até 5 dias úteis antes da data
fixada para a ocorrência do certame, devendo a entidade julgar e responder à impugnação em
até 3 dias úteis.
Controle das Qualquer licitante, contratado ou pessoa física ou jurídica poderá representar ao tribunal de
despesas contas ou aos órgãos de controle interno contra irregularidades relativas a licitações e
contratuais contratos.
Tribunal de Contas e órgãos de controle interno podem solicitar para exame, a qualquer
tempo, documentos de natureza contábil, financeira, orçamentária, patrimonial e operacional,
assim como determinar medidas corretivas.
 A Lei das Estatais passou a disciplinar a realização de licitações e contratos no âmbito das
empresas públicas e sociedades de economia mista, independentemente da natureza da
atividade desempenhada (prestadora de serviço ou exploradora de atividade econômica).
 Consequentemente, a Lei 8.666/93 deixou de ser aplicada a essas entidades, salvo nos
Licitações e
casos expressamente descritos na própria Lei 13303 (normas penais e parte dos critérios
contratos
de desempate).
 Por outro lado, o pregão, conforme disciplinado na Lei 10.520/2002, será adotado
preferencialmente, nas empresas públicas e sociedades de economia mista, para aquisição
de bens e serviços comuns.
Duração dos REGRA: máximo cinco anos.
contratos
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EXCEÇÕES:
- Projetos contemplados no plano de negócios e investimentos;
- Prática rotineira de mercado e a imposição desse prazo inviabilize ou onere excessivamente o
negócio.
 Normas de direito penal da Lei 8.666/93 (art. 41);
Sanções
 Cadastro de empresas inidôneas (art. 37);

Lei ordinária específica


(art. 37, XIX, CF).

Autoriza a criação (além da lei


Cria (basta a lei e a pessoa
autorizadora, é preciso o registro
jurídica já está pronta para dos atos constitutivos no órgão
o mundo jurídico. competente, conforme a natureza
da pessoa)

Autarquias Fundações
Empresas públicas Sociedades de
Economia mista

Segundo maioria, devem Lei complementar irá


ser incluídas nessa definir suas possíveis
hipótese as fundações finalidades;
públicas de direito público
(autarquias fundacionais).
Segundo maioria, essa é
uma fundação pública de
direito privado,
denominada fundação
governamental

Organização social OSCIP

Pessoa jurídica de direito privado, sem Pessoa jurídica de direito privado, sem
Natureza jurídica finalidade lucrativa, não integrante da finalidade lucrativa, não integrante da
administração pública. administração pública.

É mais ampla do que a das organizações


Ensino, pesquisa científica,
sociais, porque abrange, além de todo o
desenvolvimento tecnológico, proteção e
Área de atuação campo de atuação destas últimas,
preservação do meio ambiente, cultura e
diversas outras áreas previstas no art. 3.º
saúde.
da Lei 9.790/1999.
Vínculo jurídico Contrato de gestão Termo de parceria

Natureza do ato de Ato discricionário Ato vinculado

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qualificação
A qualificação depende de aprovação do
Ministro ou titular de órgão supervisor
ou regulador da área de atividade Concedida pelo Ministério da Justiça.
Ato de qualificação
correspondente ao seu objeto social e do
Ministro do Planejamento, Orçamento e
Gestão.
Impossibilidade de dupla Não admite ser qualificada ao mesmo Não admite ser qualificada ao mesmo
qualificação – OS e OSCIP tempo como OSCIP tempo como OS.
Exigência legal:
– Conselho de administração com Exigência legal:
participação obrigatória de
representantes do Poder Público e – Conselho Fiscal.
Estrutura interna membros da comunidade, de notória Obs.: não se exige Conselho de
capacidade profissional e idoneidade administração ou participação de
moral; representantes do Poder Público em
– Diretoria. qualquer órgão da entidade.

Obs.: não se exige Conselho Fiscal.

Não há previsão expressa na legislação de


Dispensável para a contratação de dispensa de licitação para contratação de
prestação de serviços no âmbito do OSCIP. Inclusive, o Decreto 3.100/1999
Licitação
contrato de gestão (Lei 8.666/1993, art. prevê que a escolha da OSCIP para firmar
24, XXIV). termo de parceria deverá ser feita por
meio de concursos de projetos.

Perde-se a qualificação de OSCIP, a


Perde-se a qualificação de OS a pedido
pedido ou mediante decisão proferida em
ou se descumprido o contrato de gestão,
processo administrativo ou judicial, de
Desqualificação mediante processo administrativo, em
iniciativa popular ou do Ministério
que seja assegurado o direito ao
Público, em que sejam assegurados o
contraditório e à ampla defesa.
contraditório e a ampla defesa.

ATOS ADMINISTRATIVOS

Elementos Ato Vinculado Ato Discricionário


Competência Vinculado Vinculado
Finalidade Vinculado Vinculado

Forma Vinculado Vinculado

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Motivo Vinculado Discricionário


Objeto Vinculado Discricionário

O MÉRITO ADMINISTRATIVO consiste, conforme Hely Lopes “na valoração dos motivos e na escolha do
objeto do ato, feitas pela Administração incumbida de sua prática, quando autorizada a decidir sobre a
conveniência, oportunidade e justiça do ato a realizar”.

AGENTES PÚBLICOS
#SELIGANASSÚMULAS
Súmula 377 do STJ: O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às
vagas reservadas aos deficientes.
Súmula 552 do STJ: O portador de surdez unilateral não se qualifica como pessoa com deficiência para o
fim de disputar as vagas reservadas em concursos públicos.
Súmula vinculante 44: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo
público.
Súmula vinculante 43: É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor
investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a
carreira na qual anteriormente investido.
Súmula vinculante 04: Salvo os casos previstos na Constituição, o salário mínimo não pode ser usado
como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído por
decisão judicial.
Súmula vinculante 42: É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais
ou municipais a índices federais de correção monetária.
Súmula vinculante 37: Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar
vencimentos de servidores públicos sob fundamento de isonomia (#AUTOCONTENÇÃO).
Súmula vinculante 33: Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do regime geral da
previdência social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, § 4º, inciso III da Constituição Federal,
até a edição de lei complementar específica.
Súmula vinculante 3-STF: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo
que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria,
reforma e pensão.
#DESPENCA #INFORMATIVOS #COLANARETINA
- Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação de cargos, empregos e funções, a incidência
do art. 37, XI, da Constituição Federal pressupõe consideração de cada um dos vínculos formalizados, afastada a
observância do teto remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente público. Ex: se determinado
Ministro do STF for também professor da UnB, ele irá receber seu subsídio integral como Ministro e mais a
remuneração decorrente do magistério. Nesse caso, o teto seria considerado especificamente para cada cargo,
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sendo permitido que ele receba acima do limite previsto no art. 37, XI da CF se considerarmos seus ganhos
globais. (Info 862).
- O Auditor Fiscal do Trabalho, com especialidade em medicina do trabalho, não pode cumular o exercício
do seu cargo com outro da área de saúde. STJ. 1ª Turma. REsp 1.460.331-CE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia
Filho, Rel. Acd. Min. Gurgel de Faria, julgado em 10/04/2018 (Info 625).
- Não é possível a acumulação de dois cargos públicos quando a soma da carga horária referente aos dois
cargos ultrapassar o limite máximo de 60 horas semanais. Assim, é vedada a acumulação de um cargo de
professor com outro técnico ou científico quando a jornada de trabalho semanal ultrapassar o limite máximo de
60 horas semanais. (Info 576).
- São inconstitucionais, por violarem o art. 37, IX, da CF/88, a autorização legislativa genérica para
contratação temporária e a permissão de prorrogação indefinida do prazo de contratações temporárias. STF.
Plenário. ADI 3662/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 23/3/2017 (Info 858).
- O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos
os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. É obrigatória a participação do
Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do
art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria. (Info 860).
- A nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público, por meio de ato judicial, à qual
atribuída eficácia retroativa, não gera direito às promoções ou progressões funcionais que alcançariam se
houvesse ocorrido, a tempo e modo, a nomeação. STF. Plenário. RE 629392 RG/MT, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 8/6/2017 (repercussão geral) (Info 868).
- Os servidores ocupantes de cargo exclusivamente em comissão não se submetem à regra da
aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF, a qual atinge apenas os ocupantes de cargo de
provimento efetivo, inexistindo, também, qualquer idade limite para fins de nomeação a cargo em comissão.
Ressalvados impedimentos de ordem infraconstitucional, não há óbice constitucional a que o servidor efetivo,
aposentado compulsoriamente, permaneça no cargo comissionado que já desempenhava ou a que seja nomeado
para cargo de livre nomeação e exoneração, uma vez que não se trata de continuidade ou criação de vínculo
efetivo com a Administração. (Info 851).
O servidor público federal somente tem direito à remoção prevista no art. 36, parágrafo único, III, "a", da Lei
nº 8.112/90, na hipótese em que o cônjuge/companheiro, também servidor, tenha sido deslocado de ofício, para
atender ao interesse da Administração (nos moldes do inciso I do mesmo dispositivo legal). STJ. 1ª Seção. EREsp
1.247.360-RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 22/11/2017 (Info 617).

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PODERES DA ADMINISTRAÇÃO

Poder normativo /
Poder de polícia Poder hierárquico Poder disciplinar
regulamentar

É a prerrogativa Compreende a Prerrogativa


reconhecida à Adm. P. prerrogativa Existência de reconhecida à Adm. P.
para editar atos reconhecida à Adm. P. subordinação dentro para investigar e punir,
administrativos gerais para restringir e de uma mesma PJ - após o contraditório e
para fiel execução das condicionar, com resultado da ampla defesa, os
leis. fundamento na lei, o desconcentração agentes públicos e
exercício de direitos, particulares.
com o objetivo de
Decreto
atender ao interesse Prerrogativas:
Regulamentar (não
público. ordens;
confundir com o
Decreto Autônomo) controle ou Exercido por
fiscalização; alteração meio do PAD
de competências
4 fases (CICLO DE POLÍCIA"): (delegação ou
1. ordem (legislar); avocação); revisional;
2. consentimento (delegável); resolução de
a. licença conflitos; disciplinar.
b. autorização
3. fiscalização (delegável);
4. sanção

Atributos:
Discricionariedade;
Coercibilidade;
Autoexecutoriedade;

- O Banco Central tem o dever de exercer o controle do crédito e fiscalizar a atividade das instituições
financeiras. O Serasa não é uma instituição financeira, considerando que não exerce coleta, intermediação nem
aplicação de recursos financeiros, nem a custódia de valor de propriedade de terceiros, seja como atividade
principal ou acessória. Logo, não é da atribuição do Banco Central a fiscalização das atividades do Serasa. (Info
595).
- O art. 2º, § 6º, inc. VIII, do Decreto n. 3.179/1999 (redação original), quando permite a liberação de
veículos e embarcações mediante pagamento de multa, não é compatível com o que dispõe o art. 25, § 4º, da Lei
n. 9.605/1998; entretanto, não há ilegalidade quando o referido dispositivo regulamentar admite a instituição do
depositário fiel na figura do proprietário do bem apreendido por ocasião de infração nos casos em que é
apresentada defesa administrativa - anote-se que não se está defendendo a simplória liberação do veículo, mas a
devolução com a instituição de depósito (e os consectários legais que daí advêm), observado, entretanto, que a
liberação só poderá ocorrer caso o veículo ou a embarcação estejam regulares na forma das legislações de
regência (Código de Trânsito Brasileiro, p. ex.). STJ. 1ª Seção. REsp 1.133.965-BA, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 25/04/2018 (Info 625).
- A sanção do art. 277, § 3º, do CTB dispensa demonstração da embriaguez por outros meios de prova,
uma vez que a infração reprimida não é a de embriaguez ao volante, prevista no art. 165, mas a de recusa em se
submeter aos procedimentos do caput do art. 277, de natureza instrumental e formal, consumada com o

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comportamento contrário ao comando legal.


STJ. 2ª Turma. REsp 1677380-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 10/10/2017 (Info 612).

SERVIÇOS PÚBLICOS
Há várias concepções sobre serviço público:
Amplíssima Ampla Restrita Restritíssima
Toda e qualquer Toda atividade prestacional Atividade prestada pelo Atividade de titularidade
atividade exercida pelo voltada ao cidadão, não Estado, de forma do Estado remunerada por
Estado. importando se é de individualizada e com taxa ou tarifa
titularidade exclusiva do fruição qualificada.
Estado e qual a forma de
remuneração.

Prevalece a concepção ampla, de modo que é o conceito de serviço público: “atividade prestacional,
titularizada, com ou sem exclusividade, pelo Estado, criada por lei, com o objetivo de atender as necessidades
coletivas, submetida ao regime predominantemente público”.
(a) Elemento subjetivo: prestado pelo Estado ou por delegatários.
(b) Elemento material: atividade que satisfaz os interesses da coletividade.
(c) Elemento formal: submetida ao regime de direito público.
Tanto a Lei nº 8987/95 como o Código Consumerista afirmam que o CDC é aplicado no âmbito do serviço
público. No entanto, o próprio CDC diz que só há relação de consumo quando a prestação do serviço é
remunerada. Porém, há serviços públicos que não são remunerados. E agora, como resolver?
Corrente 1 (Juruena): aplica-se o CDC a todos os serviços, pois todos são remunerados, nem que seja
indiretamente por meio de impostos.
Corrente 2 (Cláudia Lima Marques): aplica-se o CDC apenas aos serviços UTI SINGULI, que são
especificamente remunerados por taxa ou tarifa.
Corrente 3 (Rafael Oliveira): CDC incide apenas sobre os serviços remunerados por TARIFA, e não
naqueles remunerados por taxa.
Princípios dos serviços públicos
 Impõe a prestação ininterrupta do serviço público, tendo em vista o dever do
Continuidade
Estado de satisfazer e promover direitos fundamentais.
Igualdade / uniformidade  Dever de prestar o serviço de maneira igualitária a todos os particulares.
Mutabilidade /atualidade  Os serviços públicos devem se adaptar a evolução social e tecnológica.
Generalidade /  Exige que a prestação do serviço público beneficie o maior número possível
universalidade de beneficiários.
Modicidade  O valor cobrado do usuário deve ser proporcional ao custo do respectivo
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serviço.

Administração direta -
DESCONCENTRAÇÃO
Diretamente
Administração indireta -
DESCENTRALIZAÇÃO

Prestação de
Concessão comum
serviços públicos
Concessões Administrativa
Concessão especial -
PPP
Indiretamente - Patrocinada
DELEGAÇÃO Permissões

Autorização

CONCESSÃO PERMISSÃO AUTORIZAÇÃO


Delegação (transferência apenas da Delegação (transferência apenas da
Delegação.
execução). execução).
Apenas PJ ou consórcio de
PF ou PJ. PF ou PJ.
empresas.
Formalizada por contrato Formalizada por contrato Ato unilateral, discricionário, precário
administrativo. administrativo. (sem necessidade de indenização).
Mediante licitação na modalidade
Qualquer modalidade licitatória. Não precisa licitar
CONCORRÊNCIA.

Art. 35. Extingue-se a concessão por:


I - advento do termo contratual;
II - encampação;
III - caducidade;
EXTINÇÃO DA
CONCESSÃO IV - rescisão;
V - anulação; e
VI - falência ou extinção da empresa concessionária e falecimento ou incapacidade do titular,
no caso de empresa individual.

#NÃOCONFUNDA:

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Encampação Caducidade
Fundamento Interesse público Inadimplemento da concessionária
Formalização Lei autorizativa e decreto Processo administrativo e decreto
Indenização Indenização prévia do concessionário Indenização eventual e posterior

Concessão comum (Lei 8.987/95) Concessão especial – PPP (Lei 11.079/04)


Contraprestação do
Facultativa Obrigatória
parceiro público
Risco ordinário do
Risco do concessionário Repartição objetiva dos riscos
negócio
Valor mínimo Inexistente R$ 10.000.000,00

Determinado, contudo, não há prazo Mínimo: 5 anos


Prazo
mínimo ou máximo. Máximo: 35 anos
Objeto Serviços públicos Serviços públicos e/ou administrativos
PPP patrocinada = Tarifa + orçamento
Remuneração Tarifas (possíveis receitas alternativas) PPP administrativa = orçamento ou outras
modalidades de contraprestação estatal
Licitação Concorrência Concorrência
PPPs que envolvem serviços públicos =
OBJETIVA
Objetiva
Responsabilidade civil PPPs de serviços administrativos =
Estado responde subsidiariamente SUBJETIVA
Estado responde SOLIDARIAMENTE

PPP patrocinada PPP administrativa


Remunerada integralmente pelo Estado
Remuneração Tarifa + orçamento
(orçamento)
Serviços públicos ou administrativos
Objeto Apenas serviços públicos
(prestados ao Estado)

INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE

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LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA
 DI PIETRO: medidas de caráter geral, previstas em lei, com fundamento no PODER DE
POLÍCIA do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas e negativas,
Conceito
com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social.
 Pode ser exigência de obrigação positiva, negativa ou permissiva.
Objeto  Atinge bens móveis, imóveis e serviços.
 Por ser unilateral, DEVE DECORRER DE LEI (Ex.: plano diretor urbano). José dos Santos
Instituição
Carvalho Filho fala também em atos administrativos normativos.
Indenização  Será devida se houver comprovação do dano pelo particular.

OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA
 Caracteriza-se pela utilização TRANSITÓRIA, gratuita ou remunerada, de IMÓVEL de
propriedade particular, para fins de interesse público. Ex.: uso de escola para eleição;
Conceito uso de imóveis para o Poder Público colocar máquinas e operários. O pressuposto é a
necessidade de realização de OBRAS ou SERVIÇOS públicos normais (ao contrário da
requisição, em que há situação de perigo).
 Recai sobre o bem imóvel, embora haja discussão sobre a possibilidade de atingir
Objeto
bens móveis e serviços.

SERVIDÃO ADMINISTRATIVA REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA


Direito real público que permite a É a intervenção autoexecutória na qual o
utilização da propriedade alheia pelo Estado utiliza-se de bens imóveis, móveis e
Conceito
Estado ou por seus delegatários com o de serviços particulares no caso de
objetivo de atender o interesse público. iminente perigo público.
Incidem apenas sobre bens imóveis, os
quais devem ser vizinhos, mas não
Incidem sobre bens imóveis, móveis e
Objeto precisam ser contíguos (prédio dominante
serviços particulares.
e prédio serviente). NÃO há servidão sobre
bens móveis ou direitos.
Podem ser instituídas por meio das
seguintes formas:
 Acordo;
A emergência da situação justifica a
Instituição  -Sentença judicial;
autoexecutoriedade da medida.
 Usucapião.
Obs.: há discussão sobre a possibilidade de
instituição por lei.

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Em regra, é perpétua.
Porém, é possível apontar algumas
hipóteses de extinção:
Enquanto perdurar o perigo iminente, a
 Desaparecimento do bem gravado;
requisição permanecerá válida. Considera-
Extinção
 Incorporação do bem serviente ao se, portanto, extinta a requisição quando
patrimônio público; desaparecer a situação de perigo.
 Desafetação do bem dominante (ex.:
desafetação do imóvel que era utilizado
como hospital público).
É assegurada ao proprietário do bem
Será devida se houver comprovação do
Indenização requisitado indenização ulterior, se houver
dano pelo particular.
dano.

TOMBAMENTO
 É um procedimento ou ato administrativo pelo qual o Poder Público sujeita à
restrições parciais os bens de qualquer natureza cuja conservação seja de interesse
CONCEITO público, por sua vinculação a fatos memoráveis da história ou por seu excepcional
valor arqueológico ou etnológico, bibliográfico ou artístico. É SEMPRE UMA
RESTRIÇÃO PARCIAL.
 Recai sobre bem público. Processa-se mediante simples
DE OFÍCIO notificação à entidade a quem pertencer ou sob cuja guarda
estiver a coisa tombada.
 Não há resistência por parte do proprietário. Há anuência ou
Quanto à constituição VOLUNTÁRIO
pedido do proprietário.
ou procedimento
 Há resistência por parte do proprietário, que se opõe à pretensão
de tombar do poder público. A oposição ocorrerá no prazo de 15
COMPULSÓRIO
dias da notificação de interesse de tombamento do bem. A
notificação gera efeitos de um tombamento provisório.
 É gerado pela simples notificação. Quando ainda está em curso o
processo administrativo instaurado pela notificação. Produz os
PROVISÓRIO
Quanto à eficácia mesmos efeitos do definitivo, apenas dispensando a transcrição
no registro de imóveis.
DEFINITIVO  Ocorre com o efetivo registro no livro do tombo.
 Que atinge todos os bens situados em um bairro ou em uma
Quanto aos GERAL
cidade.
destinatários
INDIVIDUAL  Que atinge um bem determinado.

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Anuiu ou não impugnou =


TOMBAMENTO VOLUNTÁRIO
(registro no livro de tombo)
Notificação do
Manifestação do
proprietário para
orgão técnico
anuir em 15 dias
Impugnação inicia o Órgão que iniciou o
IPHAN decide em 60
procedimento procedimento tem 15
dias
COMPULSÓRIO dias para se manifestar

OBRIGAÇÕES DECORRENTES DO TOMBAMENTO


Conservação do patrimônio, que deve ser acompanhada pelo poder público. Assim,
qualquer conserto deve ser comunicado ao poder público, para obtenção de uma
autorização (artigo 17, DL 25/37). Infelizmente, o particular comunica ao poder público por
várias vezes e as providências não são adotadas pelo ente político. EXEMPLO: padre da
Bahia que comunicou que o teto da igreja estava caindo e mandou consertar sem
autorização, porque o teto poderia despencar sobre alguém. Poderia ser imputada ao
pároco, no caso do exemplo, multa de 50% do valor do dano que viesse a causar.
Danificar o patrimônio sem autorização é crime previsto no artigo 165, CP.
Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico:
Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em
virtude de valor artístico, arqueológico ou histórico:
OBRIGAÇÕES Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
POSITIVAS
 Bem público tombado é inalienável, ressalvada a possibilidade de transferência entre
os entes federados.
 Bem particular tombado pode ser alienado. O Novo CPC revogou expressamente o art.
22 do DL 25/37 que dava preferência geral com relação às alienações, mas ressalvou,
em seus arts. 889 e 892, o direito de preferência em caso de alienação judicial dos bens
tombados.
Assim, podemos fazer a seguinte distinção:
a) Existe o direito de preferência geral para alienação dos bens tombados, da forma como
prevista no DL 25/37? Não.
b) Existe algum direito de preferência na alienação de bens tombados? SIM. Na forma dos
arts. 889 e 892 do CPC, em situações de alienação judicial do bem.
 Decorre do dever positivo de conservar, é a obrigação de não danificar e não mutilar
ou destruir a coisa (artigo 17, DL 25).
OBRIGAÇÕES
NEGATIVAS  Não retirar a coisa do país, EXCETO por curto espaço de tempo, sem transferência de
domínio ou propriedade (artigo 14). Em caso de roubo ou furto, o proprietário deve
comunicar ao poder público em 05 dias, sob pena de multa.

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OBRIGAÇÃO DE
 O proprietário tem que suportar a fiscalização do poder público (artigo 20, DL 25/37).
SUPORTAR

DESAPROPRIAÇÃO
 É a intervenção através da qual Estado se apropria da propriedade alheia, após o
devido processo legal, transferindo-a compulsoriamente e de maneira originária para
CONCEITO
o seu patrimônio, com fundamento no interesse público e, normalmente, mediante
indenização.
 Procedimento
 Aquisição originária (livre, portanto, de todos os ônus).
CARACTERÍSTICAS
 Todo e qualquer bem ou direito que possua valor econômico pode ser desapropriado.
 Competência LEGISLATIVA é PRIVATIVA da União.

 A competência DECLARATÓRIA (1ª fase do procedimento) é apenas dos entes políticos


(atribui-se competência, igualmente, ao DNIT e à ANEEL). Para fins de reforma agrária,
a competência é EXCLUSIVA DA UNIÃO.
COMPETÊNCIA
Por outro lado, a competência EXECUTIVA (para ajuizar a ação de desapropriação, pagar o
preço...) pode ser repassada, por meio de lei ou contrato, à administração indireta e aos
concessionários/permissionários.
(a) Comum/ordinária/regular: justificada por utilidade/necessidade pública ou por
interesse social.
(b) Florística: proteção ambiental.
(c) Sancionatória: divide-se em: (i) Urbana (prevista no estatuto da cidade); (ii) Rural para
fins de reforma agrária (previsão no art. 184/CF, LC 76 e lei nº 8.629/93); (iii) Confiscatória
ESPÉCIES (art. 243, CF):
Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem
localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na
forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação
popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções
previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º.
1ª FASE (DECLARATÓRIA) = Publicação de ato de declaração da expropriação (decreto ou
lei de efeito concreto), declarando o bem de utilidade pública ou de interesse social.
Manifesta a vontade de possuir o bem.
EFEITOS IMEDIATOS DO ATO DECLARATÓRIO: (a) Fixa o estado do bem: só serão
PROCEDIMENTO DA indenizadas benfeitorias posteriores se necessárias ou úteis, caso autorizadas essas
DESAPROPRIAÇÃO últimas; (b) Submete o bem ao poder expropriatório estatal: o Estado ainda não é
COMUM proprietário, mas pode exercer alguns poderes sobre o bem. Ex.: entrar para realizar
medições... (c) Confere ao Poder Público o poder de penetrar no bem, desde que não haja
excesso e (d) Inicia o prazo de CADUCIDADE (deve a Administração tentar efetivar
administrativamente a desapropriação ou, ao menos, ajuizar a ação de desapropriação).
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Veja os prazos: UTILIDADE ou NECESSIDADE PÚBLICA a prazo de 05 anos (renova +5);


INTERESSE SOCIAL o prazo é de 02 anos.
2ª FASE (EXECUTIVA): Adoção dos atos materiais (concretos) pelo Poder Público ou seus
delegatários, devidamente autorizados por lei ou contrato, com o intuito de consumar a
retirada da propriedade do proprietário originário. Pode ser: (a) ADMINISTRATIVA: depois
da declaração, a Administração propõe valor, que é ACEITO (nesse caso, há verdadeiro
contrato de compra e venda) ou (b) JUDICIAL: o valor NÃO É ACEITO (ou não se conhece o
PROPRIETÁRIO DO BEM). Nesse caso, deve ser ajuizada AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO.
(i) POLO ATIVO: Poder Público (Adm. direta ou indireta) ou delegatários.
Obs.: a) Desapropriação Sancionatória Urbanística: legitimidade ativa EXCLUSIVA DO
MUNICÍPIO; b) Desapropriação para fins de reforma agrária: legitimidade ativa EXCLUSIVA
DA UNIÃO.
(ii) POLO PASSIVO: proprietário do imóvel.
(iii) Requisitos da PETIÇÃO INICIAL: (a) Oferta do preço; (b) Cópia do contrato ou do diário
oficial em que houver sido publicado o decreto expropriatório; (c) Planta ou descrição do
bem a ser desapropriado e suas confrontações.
(iv) CONTESTAÇÃO: Só pode versar sobre: vício no processo (preliminares) ou preço.
(v) IMISSÃO PROVISÓRIA NA POSSE:

AÇÃO DE Art. 15. Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia arbitrada de conformidade
DESAPROPRIAÇÃO com o art. 685 do Código de Processo Civil, o juiz mandará imiti-lo provisoriamente na
posse dos bens;
§1º A imissão provisória poderá ser feita, independente da citação do réu, mediante o
depósito:
a) do preço oferecido, se este for superior a 20 (vinte) vezes o valor locativo, caso o imóvel
esteja sujeito ao imposto predial;
b) da quantia correspondente a 20 (vinte) vezes o valor locativo, estando o imóvel sujeito
ao imposto predial e sendo menor o preço oferecido.
c) do valor cadastral do imóvel, para fins de lançamento do imposto territorial, urbano ou
rural, caso o referido valor tenha sido atualizado no ano fiscal imediatamente anterior;
d) não tendo havido a atualização a que se refere o inciso c, o juiz fixará independente de
avaliação, a importância do depósito, tendo em vista a época em que houver sido fixado
originalmente o valor cadastral e a valorização ou desvalorização posterior do imóvel.
§2º A alegação de urgência, que não poderá ser renovada, obrigará o expropriante a
requerer a imissão provisória dentro do prazo improrrogável de 120 (cento e vinte) dias.
§3º Excedido o prazo fixado no parágrafo anterior não será concedida a imissão provisória.
§ 4o A imissão provisória na posse será registrada no registro de imóveis competente.
(vi) PROVA PERICIAL: É plenamente cabível na ação de desapropriação. É importante para
a fixação do valor. Apresentação do laudo em até 05 dias antes da audiência.

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(vii) SENTENÇA E TRANSFERÊNCIA DO BEM: (a) Fixa o valor da indenização (após o


pagamento, consuma-se a desapropriação); (b) Autoriza a imissão definitiva na posse; (c)
Constitui título hábil para registro. (d) É o pagamento do valor, ou sua consignação judicial,
que promove a transferência do bem.
 É fato administrativo pelo qual o Estado se apropria de bem particular, sem
observância dos requisitos da declaração e da indenização prévia. De acordo com o
artigo 35 do Decreto 3365/41, uma vez incorporado ao patrimônio público, não será
DESAPROPRIAÇÃO
possível a sua reivindicação pelo particular. Diante disso, o particular deve ajuizar uma
INDIRETA
ação de desapropriação indireta, que, a rigor, é uma ação de indenização. Hoje,
prevalece o entendimento de que o prazo prescricional para que o particular
prejudicado ajuíze a ação de desapropriação indireta é de 10 anos.
 É aquele pelo qual o expropriado requer que a desapropriação e a respectiva
DIREITO DE indenização incidam sobre a totalidade do bem, pois a parte então não abarcada ficou
EXTENSÃO inservível ou esvaziada de interesse patrimonial. São para os casos de desapropriação
parcial.
 É a mudança da destinação do bem expropriado – Poder Público diz que faria uma
coisa no decreto, mas depois faz outra. Será ilícita quando houver DESVIO DE
FINALIDADE (o bem não foi usado para atender o interesse público), caso em que o
TREDESTINAÇÃO
particular deve ser reintegrado (retrocessão). Será lícita quando, embora divergente do
planejamento inicial, permanece atendendo o INTERESSE PÚBLICO. Ex.: iria construir
escola, mas constrói hospital. Nesse caso, o particular não poderá reaver o bem.
 O direito de o expropriado exigir a devolução do bem desapropriado que não foi
RETROCESSÃO utilizado pelo Poder Público para atender o interesse público. Há controvérsia sobre
qual seria o prazo para o particular ajuizar a ação.

Desapropriação por
utilidade, Indenização PRÉVIA, JUSTA e Todos os entes federados
Desapropriação ordinária.
necessidade pública em dinheiro. (regra do melhor interesse).
ou interesse social
Refere-se ao imóvel
localizado na área urbana Indenização em títulos da
Desapropriação que não atende a dívida pública, resgatáveis
Municípios e DF.
urbanística respectiva função social. em até 10 anos – autorização
do Senado.
Possui caráter subsidiário.
Indenização em títulos da União (objetivo único de
Desapropriação Imóvel rural que não
dívida agrária, resgatáveis implementar a reforma
rural atende a função social.
em até 20 anos. agrária).
As propriedades rurais e
urbanas de qualquer região NÃO há indenização. União
do País onde forem
Expropriação localizadas culturas ilegais
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confiscatória de plantas psicotrópicas ou


a exploração de trabalho
escravo na forma da lei
serão expropriadas e
destinadas à reforma
agrária e a programas de
habitação popular, sem
qualquer indenização ao
proprietário e sem prejuízo
de outras sanções previstas
em lei, observado, no que
couber, o disposto no art.
5º da CF.

#ATENÇÃO! JULGADO IMPORTANTE!


O DL 3.365/41 dispõe sobre desapropriações por utilidade pública. Veja o que diz o art. 15-A, que foi
incluído pela MP 2.183-56/2001:

Art. 15-A No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por necessidade ou utilidade pública e
interesse social, inclusive para fins de reforma agrária, havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o
valor do bem, fixado na sentença, expressos em termos reais, incidirão juros compensatórios de até seis por cento
ao ano sobre o valor da diferença eventualmente apurada, a contar da imissão na posse, vedado o cálculo de juros
compostos.

§1º Os juros compensatórios destinam-se, apenas, a compensar a perda de renda comprovadamente


sofrida pelo proprietário.

§ 2º Não serão devidos juros compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da terra e de
eficiência na exploração iguais a zero.

§ 3º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às ações ordinárias de indenização por
apossamento administrativo ou desapropriação indireta, bem assim às ações que visem a indenização por
restrições decorrentes de atos do Poder Público, em especial aqueles destinados à proteção ambiental, incidindo
os juros sobre o valor fixado na sentença.

§ 4º Nas ações referidas no § 3º, não será o Poder Público onerado por juros compensatórios relativos a
período anterior à aquisição da propriedade ou posse titulada pelo autor da ação.

O STF analisou a constitucionalidade do art. 15-A do DL 3.365/41 e chegou às seguintes conclusões:

1) em relação ao “caput” do art. 15-A do DL 3.365/41:

1.a) reconheceu a constitucionalidade do percentual de juros compensatórios no patamar fixo de 6% ao


ano para remuneração do proprietário pela imissão provisória do ente público na posse de seu bem;

1.b) declarou a inconstitucionalidade do vocábulo “até”;

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1.c) deu interpretação conforme a Constituição ao “caput” do art. 15-A, de maneira a incidir juros
compensatórios sobre a diferença entre 80% do preço ofertado em juízo pelo ente público e o valor do bem
fixado na sentença;

2) declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 15-A, que condiciona o pagamento dos juros


compensatórios à comprovação da “perda da renda comprovadamente sofrida pelo proprietário”;

3) declarou a constitucionalidade do § 2º do art. 15-A, afastando o pagamento de juros compensatórios


quando o imóvel possuir graus de utilização da terra e de eficiência iguais a zero;

4) declarou a constitucionalidade do § 3º do art. 15-A, estendendo as regras e restrições de pagamento


dos juros compensatórios à desapropriação indireta.

5) declarou a inconstitucionalidade do § 4º do art. 15-A;

6) declarou a constitucionalidade da estipulação de parâmetros mínimo (0,5%) e máximo (5%) para a


concessão de honorários advocatícios e a inconstitucionalidade da expressão “não podendo os honorários
ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinquenta e um mil reais)” prevista no § 1º do art. 27.

STF. Plenário. ADI 2332/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/5/2018 (Info 902).

#MAISJULGADOS:
É possível que o expropriante desista da ação de desapropriação? SIM, é possível a desistência da
desapropriação a qualquer tempo, mesmo após o trânsito em julgado, desde que: a) ainda não tenha havido o
pagamento integral do preço (pois nessa hipótese já terá se consolidado a transferência da propriedade do
expropriado para o expropriante); e b) o imóvel possa ser devolvido sem que ele tenha sido alterado de forma
substancial (que impeça sua utilização como antes era possível). É ônus do expropriado provar a existência de
fato impeditivo do direito de desistência da desapropriação (Info 596).
A expropriação prevista no art. 243 da Constituição Federal pode ser afastada, desde que o proprietário
comprove que não incorreu em culpa, ainda que in vigilando ou in eligendo. (Info 851).
O prazo prescricional no caso de ação de desapropriação indireta é de 10 anos. (STJ. 2ª Turma. AgRg no
REsp 1536890/SC, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10/11/2015).
O que ocorre com a edição de leis ambientais que restringem o uso da propriedade é a limitação
administrativa, cujos prejuízos causados devem ser indenizados por meio de ação de direito pessoal, e não de
direito real, como é o caso da ação em face de desapropriação indireta. Assim, ainda que tenha havido danos ao
agravante, diante de eventual esvaziamento econômico de propriedade, deve ser indenizado pelo Estado, por
meio de ação de direito pessoal, cujo prazo prescricional é de 5 anos, nos termos do art. 10, parágrafo único, do
Decreto-Lei n. 3.365/41. STJ. 2ª Turma. EDcl no REsp 1454919/MG, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em
07/04/2015.

LICITAÇÕES E CONTRATOS ADMINISTRATIVOS


De acordo com Justen Filho, “a licitação é um procedimento administrativo disciplinado por lei e por um
ato administrativo prévio, que determina critérios objetivos de seleção de proposta da contratação mais
vantajosa, com observância do princípio da Isonomia, conduzido por um órgão dotado de competência
específica”.

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Obs.: Não confundir tipos de licitação com modalidades de licitação.


Tipos de Licitação
Menor Preço  Proposta mais barata ou com melhores condições de pagamento;
 Apresentação de índice técnico comparativamente mais elevado do que os
Melhor Técnica
demais;
 Proposta que resulta da média ponderada das notas atribuídas aos fatores
Técnica e Preço
técnica e preço, valorados na conformidade dos critérios editalícios;
 Proposta ofertada em alienação de bens ou concessão de direito real de uso,
Maior lance ou oferta
sendo vencedora a mais volumosa.
Modalidades de Licitação
Concorrência
Tomada de Preços
Convite
Concurso
Leilão
Pregão

Convite Tomada de Preços Concorrência


Antes: até 1 milhão e 500 Antes: acima de 1 milhão e
Antes: até 150 mil
Obras e serviços mil. 500 mil.
de engenharia Agora: até 330 mil (Decreto
Agora: até 3 milhões e 300 Agora: acima de 3 milhões e
9.412/18).
mil (Decreto 9.412/18). 300 mil (Decreto 9.412/18).
Antes: até 80 mil. Antes: até 650 mil Antes: acima de 650 mil.
Outros bens e
serviços Agora: até 176 mil (Decreto Agora: até 1 milhão e 430 Agora: acima de 1 milhão e
9.412/18). mil (Decreto 9.412/18) 430 mil (Decreto 9.412/18).
Dispensa da Licitação
10% do convite (antes: 15 mil reais e 08 mil reais / agora: R$ 33 mil e R$ 17.600,00, segundo
Decreto 9.412/18) (art. 24, I e II).
Dispensável (art.
24, I e II) Limite dobrado se o consórcio público tiver três entes.
Limite triplicado se o consórcio público tiver mais de três entes.

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Dispensável (art.
24, §1º - empresas
públicas,
20% do convite (antes: 30 mil reais e 16 mil reais / agora: 66 mil e R$35.200,00, segundo
sociedades de
Decreto 9.412/18).
economia mista,
agências
executivas e
consórcios
públicos)

Apontamentos importantes:
Ocorre quando a competição é viável, mas o legislador entendeu por dispensá-la em
algumas hipóteses. O rol é taxativo, diante da liberalidade da lei. A lei prevê a possibilidade
de licitação dispensada e dispensável.

DISPENSA Dispensada: o administrador não tem liberdade para licitar, caso queira. Rol específico do
art. 17 da Lei nº 8.666.
Dispensável: o administrador pode licitar, caso queira. Rol do art. 24 da Lei nº 8.666.
A inexigibilidade trata da inviabilidade da competição, trazendo a lei um rol exemplificativo
em seu art. 25.
Para que a competição seja viável, necessita-se de três requisitos: Pressuposto lógico:
pluralidade de bens e de fornecedores do bem ou do serviço.
Pressuposto jurídico: a licitação deve proteger o interesse público; não é um fim em si
INEXIGIBILIDADE mesmo.
Pressuposto fático: deve existir interesse de mercado, isto é, da desnecessidade de
contratação específica.
A ausência de um desses pressupostos tornaria a competição inviável e, por conseguinte,
ensejando a inexigibilidade da licitação.
Obs.: é vedada a inexigibilidade para serviços de divulgação e publicidade.

CONTRATO ADMINISTRATIVO
A Lei n.º 8.666/93 os definiu como sendo todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades
da Administração Pública e particulares, em que haja um acordo de vontades para a
CONCEITO
formação de vínculo e a estipulação de obrigações recíprocas, seja qual for a denominação
utilizada.
Além da presença da Administração Pública como uma das partes, os contratos
CARACTERÍSTICAS administrativos apresentam como característica marcante a presença das chamadas
cláusulas exorbitantes, que conferem prerrogativas ao Poder Público, colocando-o em

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posição de supremacia perante o contratado.


#ATENÇÃO: Não confundir contrato administrativo com contrato da Administração. Esse
último representa também os ajustes firmados pelo Poder Público em que ele se coloca em
pé de igualdade com o particular.
São consensuais, formais (excepcionalmente, admite-se contrato verbal na forma do art. 60,
CLASSIFICAÇÃO parágrafo único da Lei nº. 8.666), onerosos, comutativos, de adesão, personalíssimos e com
a presença de cláusulas exorbitantes.

BENS PÚBLICOS

BENS PÚBLICOS
Uso comum Bens destinados ao uso da
Não podem ser alienados.
do povo coletividade em geral (rios, praças...)
Bens especialmente afetados aos
De uso serviços administrativos e aos
Não podem ser alienados.
especial serviços públicos (aeroportos,
CRITÉRIO DA escolas e hospitais públicos...)
AFETAÇÃO
PÚBLICA Bens públicos desafetados, ou seja,
Podem ser alienados na forma da lei (=
que NÃO são utilizados pela
Dominicais bens públicos disponíveis/domínio
coletividade ou para prestação de
privado do Estado).
serviços administrativos e públicos.
- Alienabilidade relativa.

REGIME - Impenhorabilidade.
JURÍDICO - Imprescritibilidade.
- Não onerabilidade.
Afetação é o fato administrativo pelo qual se atribui ao bem público uma destinação pública
AFETAÇÃO E especial de interesse direto ou indireto da Administração. A afetação pode decorrer de: (i) lei;
DESAFETAÇÃO (ii) ato administrativo; (iii) fato administrativo.
Desafetação é o inverso.

AUTORIZAÇÃO PERMISSÃO CONCESSÃO


USO PRIVATIVO É ato administrativo, É ato administrativo, É contrato administrativo
DE BEM discricionário, precário, discricionário, precário, através do qual a
PÚBLICO editado pelo Poder Público editado pelo Poder Público Administração Pública
para consentir que para consentir que confere a pessoa
determinada pessoa utilize determinada pessoa utilize determinada o uso privativo

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privativamente um bem privativamente um bem de determinado bem


público. Há preponderância do público. Há preponderância do público. Por ser contrato,
interesse particular e, por se interesse PÚBLICO e, por se PRECISA DE LICITAÇÃO.
tratar de ATO, NÃO precisa de tratar de ATO, NÃO precisa de
licitação. licitação.

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO


CF. Art. 37. § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de
FUNDAMENTO serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
(i) TEORIA DA IRRESPONSABILIDADE: Estado não responde civilmente, pois é representante
de DEUS, que não erra.
(ii) TEORIAS CIVILISTAS: são três:
a. Atos de império X atos de gestão: o Estado não responde por atos de império, mas
responde por atos de gestão, caso em que sua responsabilidade será SUBJETIVA.
b. Culpa do servidor: o Estado responde SUBJETIVAMENTE, desde que comprovada a culpa do
agente público.
c. Culpa do serviço (FAUT DU SERVICE ou culpa anônima): não precisa provar a culpa do
HISTÓRICO agente, mas apenas que (i) o serviço não foi prestado; (ii) foi prestado com falha ou (iii) foi
prestado com atraso.
(iii) TEORIAS PUBLICISTAS: A responsabilidade do Estado passa a ser objetiva. São duas:
a. Teoria do risco administrativo: embora a responsabilidade seja objetiva, admite-se a
exclusão do nexo causal em alguns casos (é a teoria adotada no Brasil, em regra). No entanto,
o STJ e a doutrina tradicional entendem que, em caso de omissão, a responsabilidade será
SUBJETIVA. O STF, no entanto, em alguns julgados, já disse que a responsabilidade será
sempre objetiva, pois a CF (art. 37, §6º) não distingue ação de omissão.
b. Teoria do risco integral: não admite a exclusão do nexo causal (ex. dano ambiental)
Aplicam-se normalmente todas as excludentes do nexo de causalidade (caso fortuito, força
EXCLUDENTES maior e culpa exclusiva da vítima). Na hipótese de culpa concorrente, deve ser diminuído o
valor da indenização.
Hoje, de acordo com o STJ, há o entendimento de que a vítima pode escolher se vai processar
o Estado, o servidor ou os dois, solidariamente. No entanto, há precedente do STF aplicando a
QUEM teoria da DUPLA GARANTIA, que diz que a vítima só pode ajuizar a ação contra o Poder
RESPONDE Público, uma vez que o servidor tem, a seu favor, a garantia de só ser processado via ação de
regresso proposta pelo Estado. ATENÇÃO: se a vítima decidir processar o servidor, ela deverá
provar a sua culpa/dolo, pois a responsabilidade do agente público é SUBJETIVA.

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DIREITO DE O STJ entende que, processado apenas o Poder Público, NÃO É OBRIGATÓRIA a denunciação
REGRESSO da lide em face do servidor.
PRAZO STJ pacificou o entendimento de que o prazo é de 05 anos (analogia ao D. 20.910/32).

- Considerando que é dever do Estado, imposto pelo sistema normativo, manter em seus presídios os
padrões mínimos de humanidade previstos no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade, nos termos do
art. 37, § 6º, da Constituição, a obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente causados aos
detentos em decorrência da falta ou insuficiência das condições legais de encarceramento (Info 854).
- O prazo prescricional aplicável às ações de indenização contra a Fazenda Pública é de 5 (CINCO) anos,
conforme previsto no Decreto 20.910/32, e não de três anos (regra do Código Civil), por se tratar de norma
especial, que prevalece sobre a geral (Info 512).
- A Administração Pública está obrigada ao pagamento de pensão e indenização por danos morais no caso
de morte por suicídio de detento ocorrido dentro de estabelecimento prisional mantido pelo Estado. Nessas
hipóteses, não é necessário perquirir eventual culpa da Administração Pública. Na verdade, a responsabilidade
civil estatal pela integridade dos presidiários é OBJETIVA. (Info 520).

PROCESSO ADMINISTRATIVO
De acordo com a doutrina, processo administrativo se configura como uma série concatenada de atos
administrativos, de acordo com a ordem posta por lei e com uma finalidade específica, gerando a prática de um
ato final.
#NÃOCONFUNDIR – Processo x Procedimento: o procedimento administrativo se traduz na forma pela
qual os atos do processo se desenvolvem. O procedimento é o rito respeitado pela Administração para se
alcançar a finalidade do processo.
COISA JULGADA ADMINISTRATIVA: tem sentido restrito, definindo somente uma situação que não pode
mais ser arguida e analisada em sede administrativa. Isto é, não se confere a esta decisão o caráter de
definitividade plena, haja vista a possibilidade de a situação ser levantada na esfera judicial. Isso ocorre porque o
Brasil adotou o sistema inglês, de jurisdição única (também designado de sistema da unicidade de jurisdição),
que é aquele no qual todos os litígios, sejam eles administrativos ou privados, podem ser levados à justiça
comum, ou seja, ao Poder Judiciário, que formalizará direito aplicável aos casos litigiosos, de forma definitiva,
com força de coisa julgada material.
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS
Impulso oficial  A Administração Pública pode atuar, de ofício, na condução de todas as fases do
(oficialidade) processo, inclusive com iniciativa de investigação dos fatos e da produção de provas.
Devido processo  Garantia de transparência na condução do processo, com a finalidade de se evitar o
legal cometimento de abusos e arbitrariedades.
 Direito conferido ao administrado de influenciar na decisão administrativa de seu
Contraditório e
interesse, manifestando-se na relação processual, requerendo a produção de provas e
Ampla Defesa
provocando sua tramitação. Aqui, temos algumas súmulas vinculantes de destaque:

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Súmula Vinculante 5: A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo


disciplinar não ofende a Constituição.
Súmula Vinculante 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios
de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.
Súmula Vinculante 3: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se
o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou
revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da
legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
A ressalva quanto à apreciação do ato de concessão da aposentadoria se dá porque não se
trata de anulação ou revogação, mas sim formação de um ato complexo, em que a defesa
se deu nos momentos iniciais. Ademais, não haveria anulação ou revogação por que o ato
ainda não se aperfeiçoou.
Instrumentalidade  O vício de forma é sanável quando não ensejar em prejuízo, desde que mantido o
das formas interesse público diante da aplicação do princípio.
 São obrigatórias as formalidades indispensáveis à segurança jurídica do cidadão que
devem ser observadas pela Administração Pública na condução do feito, mas, em
Informalismo ou contrapartida, não se exigem tantas formalidades ao particular interessado no
formalismo procedimento.
necessário ou
formalismo #JACAIU #CESPE: Em 2017, a banca considerou correta a seguinte assertiva: No processo
moderado administrativo, vige o princípio do formalismo moderado, rechaçando-se o excessivo rigor
na tramitação dos procedimentos, para que se evite que a forma seja tomada como um fim
em si mesma, ou seja, desligada da verdadeira finalidade do processo.
 Em virtude desse princípio, é admissível, em sede de recursos administrativos, a
chamada reformatio in pejus.
#CUIDADO, não se admite reformatio in pejus em processo de revisão, posto que se trataria
de processo distinto, mas no âmbito do mesmo processo, admite-se a reformatio in pejus.
#OLHAOJULGADO: A decisão administrativa que põe fim ao processo administrativo, à
semelhança do que ocorre no âmbito jurisdicional, possui a característica de ser definitiva.
Logo, o servidor público já punido administrativamente não pode ser julgado novamente
Verdade real
para que sua pena seja agravada mesmo que fique constatado que houve vícios no
processo e que ele deveria receber uma punição mais severa. Assim, a anulação parcial do
processo administrativo disciplinar para adequar a penalidade aplicada ao servidor,
consoante pareceres do órgão correspondente, ensejando aplicação de sanção mais grave
ofende o devido processo legal e a proibição da reformatio in pejus.
STJ. 3ª Seção. MS 10.950-DF, Rei. Min. Og Fernandes, julgado em 23/5/2012.
STJ. 1ª Seção. MS 11.749/DF, Rei. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 11/06/2014.
 Os processos administrativos são gratuitos, de modo que não há cobrança de custas,
Gratuidade
emolumentos ou ônus sucumbenciais aos particulares envolvidos.
Legalidade  A Administração deve atuar de acordo com as balizas da lei, tanto para se resguardar

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quanto para resguardar o administrado.


 Dever do administrador indicar os pressupostos de fato e de direito que determinaram
Motivação
a prática dos atos administrativos.

#JURISPRUDÊNCIA #SÚMULAS
Súmula 592-STJ: O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar só causa
nulidade se houver demonstração de prejuízo à defesa. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 13/09/2017, DJe 18/09/2017.
Súmula 591-STJ: É permitida a “prova emprestada” no processo administrativo disciplinar, desde que
devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa. STJ. 1ª Seção.
Aprovada em 13/09/2017, DJe 18/09/2017.
Servidor já punido não pode ser novamente julgado para agravar sua pena - Depois do servidor já ter
sido punido, é possível que a Administração, com base na autotutela, anule a sanção anteriormente cominada e
aplique uma nova penalidade mais gravosa? NÃO. A decisão administrativa que põe fim ao processo
administrativo, à semelhança do que ocorre no âmbito jurisdicional, possui a característica de ser definitiva.
Logo, o servidor público já punido administrativamente não pode ser julgado novamente para que sua pena seja
agravada mesmo que fique constatado que houve vícios no processo e que ele deveria receber uma punição mais
severa. Assim, a anulação parcial do processo administrativo disciplinar para adequar a penalidade aplicada ao
servidor, consoante pareceres do órgão correspondente, ensejando aplicação de sanção mais grave ofende o
devido processo legal e a proibição da reformatio in pejus. Obs: o posicionamento acima tem por base a Súmula
19 do STF, que dispõe: “É inadmissível segunda punição de servidor público, baseada no mesmo processo em que
se fundou a primeira.” STJ. 3ª Seção. MS 10950-DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 23/5/2012. STJ. 1ª Seção.
MS 11749/DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 11/06/2014.
DENÚNCIA ANÔNIMA - É possível a instauração de processo administrativo com base em “denúncia
anônima”? SIM. Segundo o STJ, não há ilegalidade na instauração de processo administrativo com fundamento
em denúncia anônima, por conta do poder-dever de autotutela imposto à Administração e, por via de
consequência, ao administrador público. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1307503/RR, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 06/08/2013.
#JACAIU #CESPE – Na última prova da DPU, em 2017, a banca considerou correta a seguinte assertiva: É
possível a instauração de procedimento administrativo disciplinar com base em denúncia anônima.
INDEPENDÊNCIA DAS INSTÂNCIAS - Não deve ser paralisado o curso de processo administrativo
disciplinar apenas em função de ajuizamento de ação penal destinada a apurar criminalmente os mesmos fatos
investigados administrativamente. As esferas administrativa e penal são independentes, não havendo falar em
suspensão do processo administrativo durante o trâmite do processo penal. STJ. 1ª Seção. MS 18090-DF, Rel. Min.
Humberto Martins, julgado em 8/5/2013 (Info 523).

INDEPENDÊNCIA / COMUNICAÇÃO ENTRE AS INSTÂNCIAS (EXEMPLOS)


Independência Comunicação
Absolvição penal por falta de provas – não repercute na Negativa da existência do fato – comunica-se com a
esfera administrativa, pois pode ser que na esfera esfera administrativa, posto que se evidencia que o fato
administrativa existam provas suficientes para
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condenação naquela esfera. em questão sequer existiu.


Prescrição penal – não repercute na esfera Negativa de autoria – comunica-se com a esfera
administrativa, pois apenas reconhece a perda do administrativa. O fato existe, mas ficou comprovado
direito de punir do Estado. que a parte não o realizou.

INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NO CASO DE INFRAÇÃO DISCIPLINAR QUE GERE


DEMISSÃO - Deve ser aplicada a penalidade de demissão ao servidor público federal que obtiver proveito
econômico indevido em razão do cargo, independentemente do valor auferido (no caso, eram apenas R$ 40,00).
Isso porque não incide, na esfera administrativa, o princípio da insignificância quando constatada falta disciplinar
prevista no art. 132 da Lei 8.112/1990. STJ. 1ª Seção. MS 18090-DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em
8/5/2013 (Info 523).
PAD É INDEPENDENTE EM RELAÇÃO À AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA - As punições
aplicáveis no PAD são independentes em relação às sanções determinadas na ação judicial de improbidade
administrativa, não havendo bis in idem caso o servidor seja punido nas duas esferas. STJ. 1ª Seção. MS
15848/DF, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 24/04/2013.

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

Espécies de Atos de improbidade e demais detalhes


Atos que ensejam Atos que causam dano ao Atos que atentam contra os
enriquecimento ilícito (artigo erário público (artigo 10º) princípios da administração
Espécies 9º) pública (artigo 11º) .

Utilizar em obra ou serviço  Permitir ou concorrer para  Retardar ou deixar de


particular veículos, máquinas que pessoa física ou jurídica praticar atos de oficio (inciso
ou equipamentos de privada utilize bens, rendas, II).
propriedade dos entes etc (inciso II).
Negar publicidade aos autos
estabelecidos no art. 1º
Doar bens, rendas, verbas ou oficiais (inciso IV).
(inciso IV).
valores dos entes do artigo
Frustrar a licitude de
Receber vantagem para 1º (inciso III).
Principais concurso público (inciso V).
tolerar jogos de azar (inciso
exemplos Realizar operação financeira
V). Torturar preso (Info 577 do
sem observância das normas
STJ).
Fazer declaração falsa sobre legais (inciso VI).
medição (inciso VI). Professor que assedia
Frustrar a licitude de
sexualmente aluno (REsp
Omitir atos de ofício. processo licitatório (inciso
1255120/SC, Rel. Ministro
VIII).
HUMBERTO MARTINS,
SEGUNDA TURMA, julgado
em 21/05/2013, DJe

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28/05/2013).
Elemento Dolo. Dolo /culpa. Dolo.
subjetivo
Perda de bens e valores  Perda de bens e valores  Perda de bens e valores
acrescidos ilicitamente. acrescidos ilicitamente. acrescidos ilicitamente.
 Ressarcimento integral do
Ressarcimento integral do  Ressarcimento integral do
dano, quando houver. dano dano, quando houver.
Perda da função pública; Perda da função pública; Perda da função pública;
Suspensão dos  Suspensão
direitos dos  Suspensão
direitos dos direitos
políticos de 08 a 10 anos. políticos de 05 a 08 anos políticos de 03 a 05 anos.

Penalidades Multa civil de até 03 vezes o Multa civil de até 02 vezes o Multa civil de até 100 vezes
valor do acréscimo valor do acréscimo o valor da remuneração
patrimonial. patrimonial percebida pelo agente;
Proibição de contratar com o Proibição de contratar com o Proibição de contratar com o
Poder Publico ou receber Poder Público ou receber Poder Público ou receber
incentivos fiscais pelo prazo incentivos fiscais pelo prazo incentivos fiscais pelo prazo
de 10 anos (artigo 12, I). de 05 anos (artigo 12, II). de 03 anos (artigo 12, III).
Informação Na fixação das penas previstas nesta lei o juiz levará em conta a extensão do dano causado,
importante assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente. (artigo 12, § único)

ATENÇÃO EXTRA AQUI PESSOAL !!!!!


NOVA MODALIDADE DE ATO DE IMPROBIDADE
Art. 10-A. Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação ou omissão para conceder, aplicar ou
manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei
Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. (Incluído pela Lei Complementar nº 157, de 2016) (Produção de
efeito)
Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o
responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou
cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato:
IV - na hipótese prevista no art. 10-A, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de 5 (cinco) a 8
(oito) anos e multa civil de até 3 (três) vezes o valor do benefício financeiro ou tributário concedido. (Incluído
pela Lei Complementar nº 157, de 2016)

Sequestro de bens (artigo 16)


Pode ser decretada em qualquer  Redação dos arts. 7º e 16 da LIA: NÃO.
hipótese de ato de improbidade?
STJ e doutrina: SIM.

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Pode ser decretada antes do Sim (AgRg no REsp 1317653/SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques,
recebimento da petição inicial da ação Segunda Turma, julgado em 07/03/2013, DJe 13/03/2013).
de improbidade?
Pode ser decretada sem ouvir o réu? Sim, visando assegurar o resultado útil da tutela jurisdicional, qual
seja, o ressarcimento ao Erário. (art. 17, § 7º da LIA)
Exige-se a demonstração do fumus boni Basta que se prove o fumus boni iuris, sendo o periculum in mora
iuris e periculum in mora para seu presumido (implícito).
deferimento?
Precisa demonstrar que o réu está Não.
dilapidando o patrimônio?
O requisito do periculum in mora está implícito no referido art. 7º,
parágrafo único, da Lei nº 8.429/1992, que visa assegurar “o integral
ressarcimento” de eventual prejuízo ao erário, o que, inclusive,
atende à determinação contida no art. 37, § 4º, da CF/88. STJ. 1ª
Seção. REsp 1.366.721-BA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel.
para acórdão Min. Og Fernandes, julgado em 26/2/2014 (recurso
repetitivo) (Info 547).
Pode ser decretada a indisponibilidade A indisponibilidade pode recair sobre bens adquiridos tanto antes
sobre bens que o acusado possuía antes quanto depois da prática do ato de improbidade. #STJ
da suposta prática do ato de
improbidade?
A indisponibilidade pode recair sobre Segundo o STJ, as verbas absolutamente impenhoráveis não podem
verbas absolutamente impenhoráveis? ser objeto de indisponibilidade.
A indisponibilidade é decretada para Para custear os dois.
assegurar apenas o ressarcimento dos
valores ao Erário ou também para
custear o pagamento da multa civil?

É possível que se determine a indispo- Sim, isso porque a indisponibilidade acautelatória prevista na Lei de
nibilidade de bens em valor superior ao Improbidade Administrativa tem como finalidade a reparação integral
indicado na inicial? dos danos que porventura tenham sido causados ao erário.

CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

QUANTO À NATUREZA DO ÓRGÃO CONTROLADOR

Controle Legislativo Controle judicial Controle administrativo

É aquele executado pelo Poder Realizado pelo Poder Judiciário, Decorre do poder de autotutela,
Legislativo diretamente (controle mediante provocação de qualquer mediante provocação ou de ofício,

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parlamentar direto) ou mediante o interessado que esteja sofrendo com a finalidade de verificar
auxílio do Tribunal de Contas. lesão ou ameaça de lesão em virtude aspectos de ilegalidade (#anulação)
de conduta ou omissão e também ausência de interesse
Poder que manifesta a vontade
administrativa, que o atinja direta ou púbico (#revogação).
popular
indiretamente,
Abrange apenas aspectos de
legalidade dos atos administrativos,
visto a impossibilidade de
substituição do mérito
administrativo pelo julgador.

#OLHONAJURISPRUDÊNCIA
Não compete ao TCU adotar procedimento de fiscalização que alcance a Fundação Banco do Brasil quanto
aos recursos próprios, de natureza eminentemente privada, repassados por aquela entidade a terceiros, eis que a
FBB não integra o rol de entidades obrigadas a prestar contas àquela Corte de Contas, nos termos do art. 71, II, da
CF. A FBB é uma pessoa jurídica de direito privado não integrante da Administração Pública. Assim, a FBB não
necessita se submeter aos ditames da gestão pública quando repassar recursos próprios a terceiros por meio de
convênios. Por outro lado, quando a FBB recebe recursos provenientes do Banco do Brasil — sociedade de
economia mista que sofre a incidência dos princípios da Administração Pública previstos no art. 37, caput, da
Constituição Federal, — ficará sujeita à fiscalização do TCU. Isso porque, neste caso, tais recursos, como são
provenientes do BB, têm caráter público. STF. 2ª Turma. MS 32703/DF, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em
10/4/2018 (Info 897).
A Constituição Federal não proíbe a extinção de Tribunais de Contas dos Municípios. STF. Plenário. ADI
5763/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/10/2017 (Info 883).
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas não possui legitimidade ativa para propor reclamação no
STF alegando descumprimento da decisão do Supremo. A atuação dos membros do MPTC limita-se, unicamente,
ao âmbito dos próprios Tribunais de Contas perante os quais oficiam. STF. 2ª Turma.Rcl 24156 AgR/DF e Rcl 24158
AgR/DF, Rel. Min. Celso de Mello, julgados em 24/10/2017 (Info 883).
O membro do Ministério Público que atua perante o Tribunal de Contas possui legitimidade e capacidade
postulatória para impetrar mandado de segurança, em defesa de suas prerrogativas institucionais, contra acórdão
prolatado pela respectiva Corte de Contas. Ex: Procurador de Contas pode impetrar mandado de segurança
contra acórdão do Tribunal de Contas que extinguiu representação contra licitação sem incluí-la em paute e sem
intimar o MP. STJ. 2ª Turma. RMS 52741-GO, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 8/8/2017 (Info 611).
Auditoria do TCU e desnecessidade de participação dos terceiros reflexamente prejudicados Em auditoria
realizada pelo TCU para apurar a gestão administrativa do órgão, os terceiros indiretamente afetados pelas
determinações do Tribunal (ex: pensionistas) não possuem direito de serem ouvidos no processo fiscalizatório.
Não existe, no caso, desrespeito ao devido processo legal. Nessa espécie de atuação administrativa, a relação
processual envolve apenas o órgão fiscalizador e o fiscalizado, sendo dispensável a participação dos interessados.
O contraditório pressupõe a existência de litigantes ou acusados, o que não ocorre quando o Tribunal de Contas
atua no campo da fiscalização de órgãos e entes administrativos. O contraditório deve ser garantido pelo órgão
de origem, a quem cabe o cumprimento da determinação do Tribunal de Contas. Não aplicação do art. 54 da Lei
nº 9.784/99 para as fiscalizações realizadas pelo TC na forma do art. 71, IV, da CF/88 Em casos de “fiscalização
linear exercida pelo Tribunal de Contas”, nos termos do art. 71, IV, da CF/88, não se aplica o prazo de decadência
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previsto no art. 54 da Lei nº 9.784/99. Isso porque em processos de “controle abstrato”, o Tribunal de Contas não
faz o exame de ato específico do qual decorre efeito favorável ao administrado. A Corte está examinando a
regularidade das contas do órgão e a repercussão sobre eventual direito individual é apenas indireta. STF. 1ª
Turma. MS 34224/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/8/2017 (Info 873).
O prazo prescricional para que o TCU aplique multas é de 5 anos, aplicando-se a previsão do art. 1º da Lei
nº 9.873/99. Caso esteja sendo imputada ao agente público a conduta omissiva de ter deixado de tomar
providências que eram de sua responsabilidade, tem-se que, enquanto ele permaneceu no cargo, perdurou a
omissão. No momento em que o agente deixou o cargo, iniciou-se o fluxo do prazo prescricional. STF. 1ª Turma.
MS 32201/DF, rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 21/3/2017 (Info 858).
É constitucional a criação de órgãos jurídicos na estrutura de Tribunais de Contas estaduais, vedada a
atribuição de cobrança judicial de multas aplicadas pelo próprio tribunal. É inconstitucional norma estadual que
preveja que compete à Procuradoria do Tribunal de Contas cobrar judicialmente as multas aplicadas pela Corte de
Contas. A Constituição Federal não outorgou aos Tribunais de Contas competência para executar suas próprias
decisões. As decisões dos Tribunais de Contas que acarretem débito ou multa têm eficácia de título executivo,
mas não podem ser executadas por iniciativa do próprio Tribunal. STF. Plenário. ADI 4070/RO, Rel. Min. Cármen
Lúcia, julgado em 19/12/2016 (Info 851).
Determinada Constituição Estadual prevê que, se o TCE não elaborar, no prazo de 180 dias, o parecer
prévio na prestação de contas do Prefeito, o processo deverá ser encaminhado à Câmara Municipal e esta julgará
as contas mesmo sem o parecer. Esta previsão é inconstitucional por violar o art. 31, § 2º, da CF/88. Pela leitura
desse dispositivo, a elaboração do parecer prévio é sempre necessária e a Câmara Municipal somente poderá
dele discordar se houver manifestação de, no mínimo, 2/3 dos Vereadores. Assim, a CE/SE criou uma exceção na
qual a Câmara Municipal poderia julgar as contas dos Prefeitos mesmo sem parecer do TCE. Ocorre que esta nova
situação não encontra abrigo na Constituição Federal, sendo, portanto, inconstitucional. STF. Plenário. ADI
3077/SE, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 16/11/2016 (Info 847).
É inconstitucional norma da Constituição Estadual que preveja que compete privativamente à Assembleia
Legislativa julgar as contas do Poder Legislativo estadual. Seguindo o modelo federal, as contas do Poder
Legislativo estadual deverão ser julgadas pelo TCE, nos termos do art. 71, II c/c art. 75, da CF/88. STF. Plenário.
ADI 3077/SE, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 16/11/2016 (Info 847).
É de cinco anos o prazo para o TCU, por meio de tomada de contas especial (Lei nº 8.443/92), exigir do ex-
gestor público municipal a comprovação da regular aplicação de verbas federais repassadas ao respectivo
Município. STJ. 1ª Turma. REsp 1480350-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 5/4/2016 (Info 581).
As atribuições do Tribunal de Contas da União são independentes em relação ao julgamento do processo
administrativo disciplinar instaurado para apurar falta funcional do servidor público. Em outras palavras, o
processo no TCU não depende nem está vinculado ao PAD. STF. 2ª Turma. MS 27427 AgR/DF, Rel. Min. Teori
Zavascki, julgado em 8/9/2015 (Info 798).
A sentença que reconhece ao trabalhador ou a servidor o direito a determinado percentual de acréscimo
remuneratório deixa de ter eficácia a partir da superveniente incorporação definitiva do referido percentual nos
seus ganhos. Sendo uma relação de caráter continuativo (todos os meses a servidora recebe aquela
remuneração) e tendo havido superveniente modificação na situação de fato (o referido reajuste foi incorporado,
por lei, aos vencimentos da servidora), essa alteração no status quo produz, de forma imediata e automática, a
cessação da eficácia da decisão acobertada pela coisa julgada. E para essa cessação não é necessária ação
rescisória ou ação revisional. Assim, se o TCU, ao analisar uma aposentadoria, percebe que determinada
gratificação recebida por servidor público por força de sentença transitada em julgado já foi incorporada/extinta

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por leis posteriores, este Tribunal poderá determinar a sua supressão sem que isso viole a coisa julgada. Neste
caso, a mudança no estado das coisas faz com que esta coisa julgada não mais subsista. STF. 2ª Turma. MS 32435
AgR/DF, rel. orig. Min. Celso de Mello, red. p/ o acórdão, Min. Teori Zavascki, 4/8/2015 (Info 793).
O TCU ostenta a condição de órgão independente na estrutura do Estado brasileiro, cujas funções estão
elencadas nos incisos do art. 71 da CF/88. Seus membros possuem as mesmas prerrogativas que as asseguradas
aos magistrados (art. 73, § 3º da CF/88), tendo suas decisões a natureza jurídica de atos administrativos passíveis
de controle jurisdicional. Trata-se de um tribunal de índole técnica e política, criado para fiscalizar o correto
emprego dos recursos públicos. Os Tribunais de Contas realizam controle de legitimidade, economicidade e de
eficiência, verificando se os atos praticados pelos entes controlados estão de acordo com a moralidade, eficiência,
proporcionalidade. No atual contexto juspolítico brasileiro, o Tribunal de Contas possui competência para aferir
se o administrador atuou de forma prudente, moralmente aceitável e de acordo com o que a sociedade dele
espera. O TCU representa um dos principais instrumentos republicanos destinados à concretização da democracia
e dos direitos fundamentais, na medida em que o controle do emprego de recursos públicos propicia, em larga
escala, justiça e igualdade. STF. 1ª Turma. MS 33340/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 26/5/2015 (Info 787).
Tribunal de Contas tem competência para declarar a inidoneidade de empresa para licitarSTF. Plenário.
MS 30788/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 21/5/2015 (Info
786).
Tribunal de Contas tem competência para anular acordo extrajudicial que não tenha sido homologado
judicialmente. STF. 1ª Turma. MS 24379/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 7/4/2015 (Info 780)
Tribunal de Contas tem competência para decretar medida cautelar de indisponibilidade de bens. STF. 2ª
Turma. MS 33092/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 24/3/2015 (Info 779).
É inconstitucional lei de iniciativa parlamentar que trate sobre os cargos, a organização e o
funcionamento do Tribunal de Contas. É a própria Corte de Contas que tem competência reservada para deflagrar
o processo legislativo que trate sobre essa matéria (arts. 73, 75 e 96 da CF/88). STF. Plenário. ADI 3223/SC, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 6/11/2014 (Info 766).

DIREITO CIVIL 1

LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO


Principais alterações trazidas pela Lei 13.655/18:
Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos
abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. (Incluído pela Lei nº 13.655, de
2018).
Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da
invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis
alternativas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).

1
Por Ana Luiza Novelli Silveira.

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Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a invalidação de ato,
contrato, ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências jurídicas
e administrativas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as
condições para que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses
gerais, não se podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso,
sejam anormais ou excessivos. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018);
Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados os obstáculos e as
dificuldades reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos
administrados.
§1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma
administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado a
ação do agente. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos
que dela provierem para a administração pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes
do agente. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§3º As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria das demais sanções de mesma
natureza e relativas ao mesmo fato. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação
nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá
prever regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou condicionamento de direito seja
cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais.
Parágrafo único. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato,
contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as
orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se
declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).
Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos
públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por
prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
Art. 25. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).
Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação do direito
público, inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade administrativa poderá, após oitiva do órgão
jurídico e, quando for o caso, após realização de consulta pública, e presentes razões de relevante interesse geral,
celebrar compromisso com os interessados, observada a legislação aplicável, o qual só produzirá efeitos a partir
de sua publicação oficial. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§1º O compromisso referido no caput deste artigo: (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
I - buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os interesses
gerais; (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).
II – (VETADO); (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).

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III - não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de direito reconhecidos
por orientação geral; (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).
IV - deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu cumprimento e as sanções
aplicáveis em caso de descumprimento. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).
§2º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).
Art. 27. A decisão do processo, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, poderá impor
compensação por benefícios indevidos ou prejuízos anormais ou injustos resultantes do processo ou da conduta
dos envolvidos. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).
§1º A decisão sobre a compensação será motivada, ouvidas previamente as partes sobre seu cabimento,
sua forma e, se for o caso, seu valor. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§2º Para prevenir ou regular a compensação, poderá ser celebrado compromisso processual entre os
envolvidos. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
Art. 28. O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em caso de
dolo ou erro grosseiro. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).
§1º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).
§2º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).
§3º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).
Art. 29. Vide Lei nº 13.655, de 2018.
Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das
normas, inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas. (Incluído pela Lei
nº 13.655, de 2018).
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão caráter vinculante em relação ao
órgão ou entidade a que se destinam, até ulterior revisão. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018).

PESSOA NATURAL
Em que momento a pessoa física (pessoa natural ou ente de existência visível) adquire personalidade
jurídica? #SELIGANATABELA!
Teoria da personalidade
Teoria natalista. Teoria concepcionista.
condicional.
A personalidade jurídica só se A personalidade civil começa com A personalidade jurídica se inicia
inicia com o nascimento. O o nascimento com vida, mas o com a concepção, muito embora
nascituro não pode ser nascituro titulariza direitos alguns direitos só possam ser
considerado pessoa. Só será submetidos à condição suspensiva plenamente exercitáveis com o
pessoa quando nascer com vida. (ou direitos eventuais). nascimento. O nascituro é pessoa
desde o momento em que ele é
concebido (o nascituro é um
sujeito de direitos).

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O nascituro tem apenas O nascituro possui direitos sob O nascituro possui direitos.
expectativas de direitos. condição suspensiva
Sílvio Rodrigues, Caio Mário, Washington de Barros Monteiro, Silmara Chinellato e a grande
Sílvio Venosa. Arnaldo Rizzardo maioria da doutrina

 Artigos importantes do Código Civil:


Art. 1º Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.
Art. 2º A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a
concepção, os direitos do nascituro.
 Enunciados de Jornadas sobre o tema:
Enunciado n. 1 da I Jornada de Direito Civil
Art. 2º. A proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos da
personalidade, tais como nome, imagem e sepultura.
 Decisões importantes sobre o tema:
Se uma gestante envolve-se em acidente de carro e, em virtude disso, sofre um aborto, ela terá direito de
receber a indenização por morte do DPVAT, nos termos do art. 3º, I, da Lei 6.194/74. REsp 1415727-SC.

DIREITOS DA PERSONALIDADE
 Os direitos da personalidade são direitos subjetivos, de índole existencial, estabelecendo uma proteção
fundamental para toda e qualquer pessoa, em face de sua essência de ser pessoa. O rol é apenas exemplificativo
(não é taxativo).
 Artigos importantes do CC:
Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e
irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.
Art. 16. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome.
Art. 17. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a
exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória.
Art. 21. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará as
providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma.
 Decisões importantes sobre o tema:
- São constitucionais o art. 28, §1º e o art. 30 da Lei nº 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência),
que determinam que as escolas privadas ofereçam atendimento educacional adequado e inclusivo às pessoas
com deficiência sem que possam cobrar valores adicionais de qualquer natureza. ADI 5357.

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- É possível alterar o registro de nascimento para nele fazer constar o nome de solteira da genitora,
excluindo o patronímico do ex-padrasto. REsp 1072402-MG.
- Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de transgenitalização, ou da
realização de tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito à alteração do prenome e do gênero
(sexo) diretamente no registro civil. STF. Plenário. ADI 4275/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão
Min. Edson Fachin, julgado em 28/2 e 1º/3/2018 (Info 892) / STJ. 4ª Turma. REsp 1626739-RS, Rel. Min. Luis
Felipe Salomão, julgado em 9/5/2017 (Info 608).
- Para que seja publicada uma biografia NÃO é necessária a autorização prévia do indivíduo biografado,
das demais pessoas retratadas, nem de seus familiares. Essa autorização prévia seria uma forma de censura. ADI
4815.
- A Súmula 403/STJ é inaplicável às hipóteses de representação da imagem de pessoa como coadjuvante
em obra biográfica audiovisual que tem por objeto a história profissional de terceiro. STJ. 3ª Turma. REsp
1454016-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/12/2017 (Info
621).
- Súmula 403 do STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da
imagem de pessoa com fins econômicos ou empresariais.
- O STJ admite, a depender do caso concreto, o chamado direito ao esquecimento. REsp 1335153-RJ.
- É desnecessária realização de cirurgia de transgenitalização para que se retifique registro de nascimento
de transexual. REsp 1.626.739/RS.

CAPACIDADE E INCAPACIDADE
 A capacidade2 jurídica se desdobra em:
Capacidade de direito (capacidade de gozo): Capacidade de fato (capacidade de exercício):
A capacidade de direito confunde-se com o próprio Significa a capacidade de, pessoalmente, exercer os atos
conceito de personalidade, é a capacidade jurídica da vida civil. Nem todas as pessoas a possui.
genericamente reconhecida a qualquer pessoa;
Capacidade civil plena: é a soma dessas duas capacidades

 Com o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei n. 13.146/2015), passaram a ser considerados
absolutamente incapazes apenas os menores de dezesseis anos.
Antes da Lei 13.146/2015 Depois da Lei 13.146/2015
Art. 3º: São absolutamente incapazes de exercer Art. 3º. São absolutamente incapazes de exercer
pessoalmente os atos da vida civil: pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16

2
Não confundir capacidade com legitimidade. A falta de legitimidade significa que, mesmo sendo capaz, a pessoa está
impedida por lei de praticar determinado ato (ou seja, trata-se de um impedimento específico para a prática de determinado
ato). Já a falta da capacidade de fato gera a incapacidade civil, que pode ser absoluta ou relativa.

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I - os menores de dezesseis anos; (dezesseis) anos.


II - os que, por enfermidade ou deficiência mental,
não tiverem o necessário discernimento para a
prática desses atos;
III - os que, mesmo por causa transitória, não
puderem exprimir sua vontade.

Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos, Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à
ou à maneira de os exercer: maneira de os exercer: (Redação dada pela Lei nº 13.146,
de 2015) (Vigência).
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito
anos; I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e II - os ébrios habituais e os viciados em
os que, por deficiência mental, tenham o tóxico; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015)
discernimento reduzido; (Vigência)
III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental III - aqueles que, por causa transitória ou permanente,
completo; não puderem exprimir sua vontade; (Redação dada pela
Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
IV - os pródigos.
IV - os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos índios será
regulada por legislação especial.

PESSOA JURÍDICA
Desconsideração da personalidade jurídica: A figura da desconsideração da personalidade jurídica teve
sua primeira aparição no ordenamento jurídico pátrio na seara do Direito Comercial, tendo como um de seus
maiores defensores Rubens Requião. Foi ganhando espaço nas decisões dos Tribunais, até ser devidamente
tratada como forma de intervenção de terceiros pelo Novo Código de Processo Civil. Em que pese não ser um
tema muito cobrado em certames Delta, tem sido exigido em muitas provas, razão pela qual trouxemos uma
tabelinha esperta.
#SELIGANATABELA!
TEORIA
DISPOSITIVO HIPÓTESE DE CABIMENTO
ADOTADA

ART. 50, CC: TEORIA MAIOR  Abuso da personalidade.

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 Abuso de direito;
 Excesso de poder;
 Infração da lei;
 Fato ou ato ilícito;
ART.28, CAPUT,
TEORIA MAIOR  Violação dos estatutos ou contrato social;
CDC:
 Falência;
 Estado de insolvência;
 Encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má
administração.

 Sempre que a personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao


ART.28, §5º, CDC: TEORIA MENOR
ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.

ART. 4°, LEI


 Quando a personalidade for obstáculo ao ressarcimento de
9.605/98 (LEI TEORIA MENOR
prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.
AMBIENTAL):
 Abuso de direito;
 Excesso de poder;
 Infração da lei;
ART. 34, LEI  Fato ou ato ilícito;
10.2.529/2011 (LEI TEORIA MAIOR  Violação dos estatutos ou contrato social;
ANTI-TRUST)  Falência;
 Estado de insolvência;
 Encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má
administração.

 Excesso de poderes;
ART. 135, CTN TEORIA MAIOR
 Infração de lei, contrato social ou estatutos.

 Decisões importantes sobre o tema:


Info 606 do STJ (2017). A sócia da empresa, cuja personalidade jurídica se pretende desconsiderar, que
teria sido beneficiada por suposta transferência fraudulenta de cotas sociais por um dos cônjuges, tem
legitimidade passiva para integrar a ação de divórcio cumulada com partilha de bens, no bojo da qual se requereu
a declaração de ineficácia do negócio jurídico que teve por propósito transferir a participação do sócio/ex-marido
à sócia remanescente, dias antes da consecução da separação de fato. STJ. 3ª Turma. REsp 1522142-PR, Rel. Min.
Marco Aurélio Bellizze, julgado em 13/6/2017 (Info 606).
Info 554 do STJ (2014). De acordo com o Código Civil, o encerramento das atividades ou dissolução da
sociedade, ainda que irregulares, não é causa, por si só, para a desconsideração da personalidade jurídica prevista
no Código Civil. STJ. 2ª Seção. EREsp 1306553-SC, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 10/12/2014 (Info
554).

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FATO JURÍDICO

1ª corrente: Todo evento natural ou humano que produz efeitos jurídicos, seja pela
criação, modificação, extinção ou conservação de direitos e deveres (Maria Helena Diniz,
Orlando Gomes, Caio Mário, Washington de Barros Monteiro, Silvio Rodrigues e Silvio
Venosa). Ex.: choveu – não é fato jurídico, em princípio. Chuva que alagou o
estacionamento e causou vários danos. Nesse caso, é sim fato jurídico.
2ª corrente: todo aquele que estabelece uma relação jurídica. Não é necessário que
produza efeitos em concreto; basta que seja ato/capaz a produção de efeitos. Não exige a
CONCEITO:
eficácia em si, apenas a potencialidade (Pablo Stolze, Rodolfo Pamplona, Flávio Tartuce,
Gustavo Tepedino, Francisco Amaral). Ex.: lavratura de um testamento e o autor ainda não
morreu. Ele revoga depois e o ato nunca produzirá efeitos, mesmo assim é fato jurídico.
Essa segunda corrente tem por base a divisão dos fatos/negócios jurídicos em planos de
existência, validade e eficácia. Não é necessário preencher os três planos para que o ato
seja considerado jurídico. Ela está em consonância com o que determina o CC.
Fato jurídico natural: também denominado como fato jurídico stricto sensu, é todo evento
da natureza que tem importância para o direito. Divide-se em duas espécies:

Ordinários Extraordinários
Fatos comuns da vida. O simples São os fatos do acaso. Caso fortuito e
decurso do tempo irá provocá-los: força maior. A importância deles é o
concepção, nascimento, maioridade, fato de serem causas excludentes de
morte. Para a doutrina majoritária, responsabilidade civil, excluindo o nexo
prescrição e decadência são exemplos de causalidade. O nexo é elemento
de fato jurídicos naturais ordinários. tanto da responsabilidade objetiva
quando da subjetiva.

CLASSIFICAÇÃO:
Fato jurídico humano ou jurígeno: todo evento caracterizado pela manifestação e vontade
que tem importância para o direito.
Ato ilícito: Todo comportamento humano que viola o ordenamento jurídico. Compreende
lei, moral, ordem pública e bons costumes. O mais fácil de analisar é quando viola a lei. O
ato ilícito pode ser civil, administrativo, penal, etc.. O ato ilícito civil é caracterizado pela
presença do dano.
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar
direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Aplica-se o art. 186 toda vez que não houver dispositivo especial. Demonstra que a regra do
CC é a responsabilidade subjetiva. O dano caracteriza o ato ilícito.
Não há dúvida de que o ato ilícito é um fato jurídico (tem importância para o direito). O
problema é determinar se também é um ato jurídico. Nesse sentido, existem 2 correntes:

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1ª corrente (minoritária): o ato ilícito é espécie de ato jurídico lato sensu (Pontes de
Miranda, Venosa, Moreira Alves).
2ª corrente: o ato ilícito não é espécie de ato jurídico (Stolze, Tartuce, Zeno Veloso).
O tema é polêmico, mas consideramos mais segura a 2ª corrente.

ATO JURÍDICO LATO SENSU:


É toda manifestação de vontade que está de acordo com o ordenamento jurídico.
É composto pelo elemento volitivo (manifestação de vontade) e pela licitude.
CONCEITO: É um fato jurídico (tem importância para o direito) humano (manifestação de vontade) e
lícito.
Por isso o ato ilícito é espécie de fato e não de ato jurídico (pela segunda corrente citada).
Ato jurídico stricto sensu: é toda manifestação de vontade que produz efeitos impostos
pelo ordenamento jurídico. O conteúdo e as consequências do ato estão predeterminados
em lei. A autonomia se restringe a praticar ou não o ato. Ex.: reconhecimento voluntário
do filho (perfilhação).
Negócio jurídico: é toda manifestação de vontade que produz efeitos desejados pelas
partes e permitidos por lei. A lei atua como simples limite. As partes podem exercer a
ESPÉCIES:
autonomia privada/autonomia da vontade na determinação do conteúdo e das
consequências do negócio jurídico.
Ato-fato jurídico: é um fato jurídico qualificado por uma atuação humana. Introduz
consequências independentemente da análise da capacidade das partes. É uma criação
doutrinária com o objetivo de reconhecer a validade e a eficácia de alguns atos que não
passariam por uma análise dos requisitos do negócio jurídico

NEGÓCIOS JURÍDICOS
 Planos de análise do negócio jurídico (Existência + Validade + Eficácia = Escada Ponteana).
Trata-se do plano substantivo do negócio jurídico.
São analisados os elementos que compõem a sua existência e sem os quais o negócio é um
nada jurídico (inexistente).
Plano de Existência Apesar de não haver sido regulado na parte geral do CC, é amplamente aceito pela
(pressupostos de doutrina e pela jurisprudência;
existência):
(a) Manifestação de Vontade: É a soma da vontade interna + externa. Em geral pode ser
expressa ou tácita. O silêncio pode traduzir aceitação para evitar comportamento
contraditório3.

3
A proibição do comportamento contraditório encontra base na teoria do Nemo potest venire contra factum proprium.

45
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(b) Agente Emissor da Vontade: Todo negócio deve ter um declarante, sob pena de não
existir.
(c) Objeto do Negócio: É o bem jurídico visado.
(d) Forma: A forma é o “veículo/meio” pelo qual a vontade se manifesta (Ex.: escrita, oral).
Por isso, não se confunde com a própria vontade, apesar de estar intimamente ligada a
ela.
Verifica se o negócio possui aptidão para produzir efeitos.
(a) Manifestação de Vontade LIVRE e DE BOA-FÉ: Percebam que os vícios de vontade
(Erro, Dolo, Coação, Lesão ou Estado de Perigo) são “qualificadoras” que atacam
diretamente a vontade do agente, incidindo exatamente sobre o plano de validade do
negócio jurídico.
(b) Agente Emissor da Vontade CAPAZ e LEGITIMADO.
(c) Objeto LÍCITO, POSSÍVEL E DETERMINADO/DETERMINÁVEL: No Brasil, a doutrina
Plano de Validade tradicional enxerga a licitude do objeto não apenas com base na legalidade estrita, mas
(pressupostos de também como aquele que não atentar contra o padrão médio de moralidade e dos bons
validade)4 costumes.
(d) Forma LIVRE (NÃO DEFESA) OU PRESCRITA EM LEI: O CC consagra o princípio da
liberdade da forma para os negócios jurídicos. Vale dizer: os negócios jurídicos no Brasil,
em geral, têm forma livre (art. 107 do CC – “A validade da declaração de vontade não
dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir”).
- O CC, porém, excepcionalmente, exige a forma do negócio para efeito de prova (negócio
ad probationem – art. 2275) ou como pressuposto de validade do negócio jurídico
(negócio ad solemnitatem – art. 1086).
No plano da eficácia estudam-se os elementos que interferem na eficácia jurídica do
negócio jurídico. Esses elementos também são chamados de elementos acidentais do
Plano de Eficácia negócio jurídico (acidentais porque podem ou não ocorrer). São eles: Condição, Termo e
Meio (ou Encargo).

 Defeitos do negócio jurídico.


Vício de consentimento Vício social
O defeito está na formação da vontade (vontade O defeito está na manifestação da vontade (vontade

4
Os pressupostos de validade nada mais são que os pressupostos de existência qualificados.
5
Qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da
prova por escrito.
6
Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição,
transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a 30 Vezes o maior salário mínimo
vigente no País.

46
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interna) e o prejudicado é um dos contratantes. externa) e o prejudicado é sempre um terceiro.

Ex: Erro, Dolo, Coação, Lesão ou Estado de Perigo. Ex: fraude contra credores.
São anuláveis os negócios jurídicos,
quando as declarações de vontade
emanarem de erro substancial que
ERRO
poderia ser percebido por pessoa de
diligência normal – escusável –, em face
das circunstâncias do negócio.
Causa de anulação do negócio jurídico é
carregado de má-fé, é o artifício
enganoso utilizado por uma das partes
DOLO ou terceiro para induzir a outra parte
do negócio a praticar um ato que lhe
seja prejudicial. O dolo é um erro
provocado de má-fé
A coação, causa de anulação do
negócio jurídico, consiste na violência
psicológica que conduz a vítima a
realizar negócio contra a sua própria
vontade (art. 151). Pode atingir pessoa
da família, bens ou pessoa próxima
COAÇÃO (ex.: namorada).
A ameaça, diferentemente do erro,
não leva em consideração o homem
médio. O art. 152 deixa claro que não
se pode fazer essa relação, analisando
em concreto a coação realizada.
Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob
premente necessidade, ou por
LESÃO inexperiência, se obriga a prestação
manifestamente desproporcional ao
valor da prestação oposta.
O estado de perigo, causa de anulação
do negócio jurídico, configura-se
quando o agente, diante de uma
ESTADO DE situação de perigo de dano, conhecida
PERIGO pela outra parte, assume uma
obrigação excessivamente onerosa. De
todos os defeitos, na perspectiva do
princípio da função social, certamente é
o mais grave e emergencial diante do
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grave perigo de dano à vida, à


integridade física ou a outros direitos
da personalidade.

 Nulidade absoluta x nulidade relativa:


NULIDADE ABSOLUTA (NULIDADE) NULIDADE RELATIVA (ANULABILIDADE)
Atinge interesse público Atinge interesse particular
Pode ser suscitada por qualquer interessado, e deve ser
Só pode ser suscitada pelos interessados (art. 177).
reconhecia de ofício pelo juiz (art. 168)7.
É irratificável (art. 169, 1ª parte)8, ou seja, é É ratificável (art. 172). Pode ser suprida, sanada,
insuscetível de confirmação. inclusive pelas partes.
Sentença produz efeitos EX TUNC, pois, regra geral, o
O tema se tornou controvertido.
ato nulo não produz efeitos.
Não convalesce pelo decurso do tempo (art. 169, parte Ação anulatória possui prazos decadenciais (4 ou 2 anos
final). Isso significa que a nulidade é imprescritível9. – art. 178 e 179, CC);
Art. 166. É NULO o negócio jurídico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu
objeto; Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na
lei, é ANULÁVEL o negócio jurídico:
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes,
for ilícito; I - por incapacidade relativa do agente;
IV - não revestir a forma prescrita em lei; II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de
perigo, lesão ou fraude contra credores.
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere
essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe
a prática, sem cominar sanção.

 Decisões importantes sobre o tema:

7Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo Ministério
Público, quando lhe couber intervir.
Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus
efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido supri-las, ainda que a requerimento das partes.
8 Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo.

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Em uma ação pauliana, se ficar comprovado que o bem foi sucessivamente alienado fraudulentamente
para diversas pessoas, mas que, ao final, o atual adquirente estava de boa-fé, neste caso deverá o juiz reconhecer
que é eficaz o negócio jurídico por meio do qual o último proprietário adquiriu o bem, devendo-se condenar os
réus que agiram de má-fé a indenizar o autor da pauliana, pagando o valor do bem que foi adquirido
fraudulentamente. STJ. 4ª Turma. REsp 1100525-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 16/4/2013 (Info
521).
Não é suficiente para afastar a anterioridade do crédito que se busca garantir (requisito exigido para a
caracterização de fraude contra credores) a assinatura de contrato particular de promessa de compra e venda de
imóvel não registrado e desacompanhado de qualquer outro elemento que possa evidenciar, perante terceiros, a
realização prévia desse negócio jurídico. Em outras palavras, para que haja a fraude contra credores, a dívida
deve ser anterior à alienação realizada pelo devedor. Caso esta alienação tenha sido feita por meio de
instrumento particular, a data que será considerada como sendo a da alienação não é aquela constante do
contrato (porque seria muito fácil de falsificar), mas sim a data na qual este negócio jurídico foi registrado no
Cartório. Isso porque é com o registro da promessa de compra e venda no Cartório de Registro de Imóveis que o
direito do promissário comprador alcança terceiros estranhos à relação contratual originária. STJ. 3ª Turma. REsp
1217593-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/3/2013 (Info 518).
Não são convalidáveis os negócios jurídicos celebrados por meio da falsificação de assinatura de sócio,
ainda que o próprio sócio prejudicado tenha, por escritura pública, concedido ampla, geral e irrevogável quitação,
a fim de ratificar os negócios jurídicos. REsp 1368960-RJ.
É nulo o compromisso de compra e venda que, em realidade, traduz-se como instrumento para o credor
ficar com o bem dado em garantia em relação a obrigações decorrentes de contrato de mútuo usurário. Trata-se
de simulação, que poderá ser alegada pelo contratante/réu como matéria de defesa, em contestação, por se
tratar de nulidade absoluta. REsp 1076571-SP.

PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA
 Prazos prescricionais:
PRAZO HIPÓTESES
01 ANO  Segurado contra o segurador, ou deste contra aquele.
02 ANOS  Prestações alimentares.
03 ANOS  Alugueis de prédios; (ii) enriquecimento sem causa; (iii) reparação civil.
04 ANOS  Pretensão relativa à tutela.
 Cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular; (ii)
05 ANOS
pretensão de profissionais liberais.

 Prescrição vs. decadência:


PRESCRIÇÃO DECADÊNCIA
Põe fim à pretensão. Põe fim ao direito.

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Relacionada aos direitos subjetivos (cunho


Relacionada aos direitos potestativos (aqueles que se
prestacional. Aqueles que se opõem a um dever
opõem a um estado de sujeição).
jurídico).
Pode ser prevista em lei (decadência legal) ou através de
Somente pode ser prevista em lei.
contrato (decadência convencional).
Prazo de decadência não pode ser impedido, suspenso
ou interrompido (em regra – art. 207 do CC: “Salvo
Prazo da prescrição pode ser impedido, suspenso ou disposição legal em contrário, não se aplicam à
interrompido. decadência as normas que impedem, suspendem ou
interrompem a prescrição”). Exceção (disposição legal
em contrário): art. 26, § 2º, do CDC.

 Decisões importantes sobre o tema:


Qual é o prazo prescricional da ação de repetição de indébito envolvendo contrato de cédula de crédito
rural? • Se o fato ocorreu sob a vigência do CC/1916: 20 anos. • Se o fato ocorreu sob a vigência do CC/2002: 3
anos. O termo inicial do prazo prescricional é a data do pagamento (efetiva lesão). STJ. 2ª Seção. REsp 1361730-
RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 10/8/2016 (recurso repetitivo) (Info 592).
É de 3 anos o prazo prescricional de ação proposta por entidade de previdência privada complementar
contra terceiro que se apropriou indevidamente de verbas relativas a benefício previdenciário. Não há previsão
específica para este caso na LC 109/2001, razão pela qual se aplica o art. 206, § 3º, IV, do Código Civil (pretensão
de ressarcimento de enriquecimento sem causa). STJ. 4ª Turma. REsp 1334442-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
Rel. para acórdão Min. Raul Araújo, julgado em 7/6/2016 (Info 588).
Prescreve em 10 anos (art. 205 do CC) a pretensão de cobrar dívida decorrente de conserto de automóvel
por mecânico que não tenha conhecimento técnico e formação intelectual suficiente para ser qualificado como
profissional liberal. Considera-se profissional liberal aquela pessoa que exerce atividade especializada de
prestação de serviços de natureza predominantemente intelectual e técnica, normalmente com formação
universitária, em caráter permanente e autônomo, sem qualquer vínculo de subordinação. Na categoria dos
profissionais liberais, incluem-se médicos, dentistas, advogados, engenheiros, arquitetos, psicólogos, veterinários,
agrônomo, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, economistas, contabilistas, administradores,
enfermeiros, professores etc. O mecânico não apresenta a necessária formação técnica especializada para que
incida o prazo prescricional quinquenal. STJ. 3ª Turma. REsp 1546114-ES, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
julgado em 17/11/2015 (Info 574).
#ATENÇÃO: prazo prescricional para cobrança de alugueres: 03 anos / prazo prescricional para cobrança
de condomínio: 05 anos

RESPONSABILIDADE CIVIL
A responsabilidade civil deriva da transgressão de uma norma jurídica preexistente, contratual ou
extracontratual, impondo-se consequentemente ao causador do dano o dever de indenizar. A depender da
natureza da norma jurídica preexistente violada, a responsabilidade jurídica poderá ser:

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Contratual (art. 389 e 395): Extracontratual ou Aquiliana (art. 186, 187 e 927):
É aquela que surge quando descumprida uma É aquela que surge quando descumprida uma obrigação
obrigação prevista em contrato. prevista na LEI.
Não há necessidade de prova da culpa do devedor A responsabilidade civil extracontratual pressupõe que
pelo descumprimento, bastando a prova do tenha ocorrido o descumprimento direto da lei. Por meio
inadimplemento. do comportamento danoso viola-se a lei diretamente.
Há inversão do ônus da prova com relação à culpa, A partir do momento em que o art. 186 do CC prevê a
haja vista que caberá ao devedor provar que não foi regra geral da responsabilidade civil, passa a consagrar
culpado. uma ilicitude subjetiva, ao fazer nítida referência aos
elementos dolo e culpa.
Diferentemente, logo em seguida, o art. 187 do CC, ao
definir o abuso de direito, consagrou uma ilicitude
objetiva, dispensando o dolo e a culpa.

 Elementos da responsabilidade civil:


Toda forma de responsabilidade pressupõe um comportamento humano, positivo ou
negativo, marcado pela voluntariedade e consciência (elementos volitivo e intelectivo). Não
Conduta
se pode responsabilizar animais ou atuações humanas involuntárias.
Humana:
#CUIDADO! Excepcionalmente, poderá haver responsabilidade civil decorrente de ato lícito.
Ex: direito de passagem forçada e desapropriação.
Trata-se do vínculo jurídico que une o comportamento do agente ao dano ou prejuízo
causado. O direito brasileiro adota, majoritariamente, a teoria da causalidade adequada.
Nexo de
Não obstante, há forte embate doutrinário. Pablo Stolze se filia aos professores Gustavo
Causalidade
Tepedino e Carlos Roberto Gonçalves, defendendo que o Código Civil teria adotado a teoria
da causalidade direta ou imediata, em razão da redação do art. 403 do CC.
É a lesão a um interesse jurídico tutelado, seja ele material ou moral. Não é todo dano que é
indenizável, pois para ser indenizável pressupõe 3 requisitos:
 Violação a Interesse Jurídico Tutelado;
Dano ou Prejuízo
 Subsistência do Dano (se o dano foi reparado não subsiste);
 Certeza do Dano (para que o dano possa ser indenizável ele não pode ser hipotético,
tem que ser um dano certo).

#ATENÇÃO: Responsabilidade civil pela perda de uma chance. De origem francesa e muito comum nos
EUA e na Itália, a teoria da perda de uma chance (Perte D´Une Chance), também adotada no Brasil, flexibiliza o
requisito da certeza do dano ao admitir a indenização à vítima quando esta sofre a perda de uma probabilidade
plausível que lhe seja favorável para a melhoria da sua situação atual.

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#ATENÇÃO: Dano “in re ipsa”. Frequentemente consagrado em julgados do STJ, caracteriza uma situação
de dano que, por sua natureza, dispensa prova em juízo. Ou seja, é aquele que importa em prejuízo presumido, a
exemplo da situação de inscrição indevida no SPC ou no SERASA.

 Decisões importantes sobre o tema:


Não se admite que o dano moral de pessoa jurídica seja considerado como in re ipsa, sendo necessária a
comprovação nos autos do prejuízo sofrido. Apesar disso, é possível a utilização de presunções e regras de
experiência para a configuração do dano, mesmo sem prova expressa do prejuízo, o que sempre comportará a
possibilidade de contraprova pela parte ou de reavaliação pelo julgador. Ex: caso a pessoa jurídica tenha sido
vítima de um protesto indevido de cambial, há uma presunção de que ela sofreu danos morais. STJ. 3ª Turma.
REsp 1564955-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 06/02/2018 (Info 619). Cuidado: existem julgados em
sentido contrário, ou seja, dizendo que pessoa jurídica pode sofrer dano moral in re ipsa. Nesse sentido: STJ. 4ª
Turma. REsp 1327773/MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 28/11/2017 (Info 619).
A Súmula 403 do STJ é inaplicável às hipóteses de divulgação de imagem vinculada a fato histórico de
repercussão social. Súmula 403-STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não
autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais. Caso concreto: a TV Record exibiu
reportagem sobre o assassinato da atriz Daniela Perez, tendo realizado, inclusive, uma entrevista com Guilherme
de Pádua, condenado pelo homicídio. Foram exibidas, sem prévia autorização da família, fotos da vítima Daniela.
O STJ entendeu que, como havia relevância nacional na reportagem, não se aplica a Súmula 403 do STJ, não
havendo direito à indenização. STJ. 3ª Turma. REsp 1631329-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 24/10/2017 (Info 614).
A privação da liberdade por policial fora do exercício de suas funções e com reconhecido excesso na
conduta caracteriza dano moral in re ipsa. Durante uma discussão no condomínio, um morador, que é policial,
algemou e prendeu seu vizinho, após ser por ele ofendido verbalmente. STJ. 3ª Turma.REsp 1675015-DF, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 12/9/2017 (Info 612).
A demora da pessoa em buscar a indenização por dano moral é um fator que, em conjunto com as demais
circunstâncias, pode influenciar na fixação do quantum indenizatório. Esse entendimento, contudo, não se aplica
quando os autores eram menores de idade no momento do ato ilícito e somente ajuizaram a ação quando
completaram a maioridade. Assim, a demora na busca da compensação por dano moral, quando justificada pela
interrupção prescricional da pretensão dos autores – menores à época do evento danoso – não configura desídia
apta a influenciar a fixação do valor indenizatório. Ex: João foi atropelado por um ônibus e faleceu, deixando dois
filhos: Beatriz (4meses) e Pedro (1 ano).17 anos após o acidente, Pedro e Beatriz ajuizaram ação de indenização
por danos morais contra a empresa de ônibus pela perda de seu pai. O fato de terem esperado completar a
maioridade para proporem a ação não é motivo para que a indenização seja reduzida. STJ. 3ª Turma. REsp
1529971-SP, Rel. Min. Ricardo Villas BôasCueva, julgado em 12/9/2017 (Info 611).
As ofensas generalizadas proferidas por cantora contra policias militares que realizavam a segurança do
show atingem, de forma individualizada, cada um dos integrantes da corporação que estavam de serviço no
evento e caracterizam dano moral in re ipsa, devendo a artista indenizar cada um dos policiais que trabalhavam
no local. STJ. 3ª Turma. REsp 1677524-SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 3/8/2017 (Info 609).
A conduta de um adulto que pratica agressão verbal ou física contra criança ou adolescente configura
elemento caracterizador da espécie do dano moral in re ipsa. REsp 1642318-MS.

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Não há como afastar a responsabilização do pai do filho menor simplesmente pelo fato de que ele não
estava fisicamente ao lado de seu filho no momento da conduta REsp 1436401-MG.
Pai, ou responsável, que não exerce autoridade de fato sobre o filho, embora ainda detenha o poder
familiar, não responde por ele. Mãe que, à época de acidente provocado por seu filho, residia permanentemente
em local distinto e apenas o pai exercia autoridade de fato, não pode ser responsabilizada pela reparação civil
advinda do ato ilícito. REsp 1232011-SC.
A vítima de um ato ilícito praticado por adolescente pode propor a ação somente contra seu genitor, não
sendo necessário incluir o adolescente no pólo passivo. REsp 1436401-MG.
Não há dano moral quando site de busca exibe, como resultado de uma busca, a indicação do link de um
site que não mais contém aquela palavra ou frase porque já foi removida. REsp 1582981-RJ.
O dano social é uma nova espécie de dano reparável, que não se confunde com os danos materiais,
morais e estéticos, e que decorre de comportamentos socialmente reprováveis, que diminuem o nível social de
tranquilidade. A condenação por danos sociais somente pode ocorrer em demandas coletivas e, portanto, apenas
os legitimados para a propositura de ações coletivas poderiam pleitear danos sociais. Em suma, não é possível
discutir danos sociais em ação individual. Rcl 12062-GO.
Tem direito a ser indenizada, com base na teoria da perda de uma chance, a criança que, em razão da
ausência do preposto da empresa contratada por seus pais para coletar o material no momento do parto, não
teve recolhidas as células-tronco embrionárias. REsp 1291247-RJ.

POSSE
 Teorias justificadoras da posse:
Teoria Subjetivista ou Subjetiva Teoria Objetivista ou Objetiva Teoria da Função Social da Posse
(Savigny). (Ihering). (Saleilles, Perozzi e Gil).
Posse = Corpus + Animus Domini. Posse = Corpus. Teoria adotada na Posse é função social (posse-
Não foi a adotada. visão clássica. trabalho). Tendência
contemporânea.

 Exemplos de função social da posse:


A) redução dos prazos de usucapião extraordinário e ordinário: art. 1.238, parágrafo Único, do CC; e art.
1.242, parágrafo único, do CC.
O CC diz que se o Usucapiente estiver morando ou tiver tornado a terra produtiva, o Juiz pode reduzir em
5 anos o prazo de usucapião (o extraordinário cai de 15 para 10; o ordinário cai de 10 para 5). Isso significa que o
Juiz pode reduzir em 5 anos o prazo de usucapião, quando o usucapiente estiver cumprindo a função social da
posse.
B) Impossibilidade de discutir propriedade em sede de ação possessória: Art. 1.210, § 2º, do CC que
assim dispõe:
Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho,
e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.

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(...)
§2º Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito
sobre a coisa.
Na ação possessória não se deve discutir propriedade. Com efeito, a ação possessória vai ser julgada em
favor do melhor possuidor, pouco importando quem seja o proprietário.
A antiga Súmula 48710 do STF perdeu o objeto, porque autorizava o Juiz a julgar a ação possessória em
favor do melhor proprietário quando ambas as posses se fundassem na propriedade. Atualmente, prevalece o
entendimento (no próprio STF) de que não poderá o Juiz, nem neste caso, julgar a ação possessória em favor do
melhor proprietário, tendo em vista que a ação possessória SEMPRE será julgada em favor do melhor possuidor.
C) Desapropriação Judicial Indireta: Sempre ter o cuidado e a técnica de chamar de Desapropriação
Judicial Indireta, porque a simples nomenclatura “Desapropriação Indireta” tem outro significado no Direito
Administrativo.
A desapropriação judicial indireta está nos §§ 4º e 5º do Art. 1.228 do CC. O proprietário pode perder a
sua propriedade na seguinte hipótese:
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do
poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.
(…)
§4º O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área,
na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número de pessoas, e estas nela
houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e
econômico relevante.
§5º No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário; pago o
preço, valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores.
 Ações possessórias:
Reintegração de posse Manutenção de posse Interdito proibitório
No caso de esbulho; No caso de turbação No caso de ameaça.

 Decisões importantes sobre o tema:


- Pode o particular manejar interdito proibitório em face de outro particular, para assegurar a pose de
bem público dominical. Contudo, não o poderia contra o Estado. REsp 1.296.964-DF.
- Particulares podem ajuizar ação possessória para resguardar o livre exercício do uso de via municipal
(bem público de uso comum do povo) instituída como servidão de passagem. REsp 1582176-MG.
- Ao propor uma ação de usucapião, o autor deverá requerer a citação dos confinantes, ou seja, dos
vizinhos que fazem fronteira com o imóvel que ele almeja. E o que acontece caso não haja a citação dos
confinantes? Haverá nulidade absoluta do processo? Não. Apesar de amplamente recomendável, a falta de

10
Súmula 487/STF: Será deferida a posse a quem, evidentemente, tiver o domínio, se com base neste for ela disputada -
SUPERADA.

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citação dos confinantes não acarretará, por si, ou seja, obrigatoriamente, a nulidade da sentença que declara a
usucapião. Não há que se falar em nulidade absoluta, no caso. A ausência de citação dos confinantes e
respectivos cônjuges na ação de usucapião é considerada hipótese de nulidade relativa, somente gerando a
nulidade do processo caso se constate o efetivo prejuízo. STJ. 4ª Turma.REsp 1432579-MG, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 24/10/2017 (Info 616).
- O curso da prescrição aquisitiva da propriedade de bem que compõe a massa falida é interrompido com
a decretação da falência. Ex: João é possuidor, há 4 anos e 6 meses, de uma área urbana de 200m2, que utiliza
para a sua própria moradia. Ele não tem o título de propriedade dessa área, mas lá mora há todos esses anos sem
oposição de ninguém. Imagine que foi decretada a falência da empresa que é proprietária desse imóvel. Isso
significa que, neste instante, o prazo para João adquirir o bem por usucapião vai ser interrompido, ou seja, vai
recomeçar do zero. STJ. 3ª Turma.REsp 1680357-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/10/2017 (Info 613).
- Há perda de objeto da ação de usucapião proposta em juízo cível na hipótese em que juízo criminal
decreta a perda do imóvel usucapiendo em razão de ter sido adquirido com proventos de crime. João praticou um
crime.Com o dinheiro obtido com o delito, ele comprou uma casa. No processo criminal, o juiz decretou, em
março/2012, o sequestro da casa comprada. João fugiu e abandonou o imóvel.Em abril/2012, Pedro invadiu a
casa e passou a morar lá. Em maio/2017, após mais de 5 anos morando no imóvel, Pedro ajuizou ação de
usucapião (art. 1.240 do CC). A ação de usucapião estava tramitando até que, em outubro/2017, transitou em
julgado a sentença do juiz condenando João pela prática do crime. Como efeito da condenação, o magistrado
determinou o confisco da casa (art. 91, II, “b”, do CP).A ação de usucapião perde o objeto, considerando que este
tema foi definido no juízo criminal. STJ. 3ª Turma.REsp 1471563-AL, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado
em 26/09/2017 (Info 613).
- O indivíduo que tem a propriedade de um veículo que, no entanto, está registrado em nome de um
terceiro no DETRAN, possui interesse de agir para propor ação de usucapião extraordinária (art. 1.261 do CC) já
que, com a sentença favorável, poderá regularizar o bem no órgão de trânsito. STJ. 3ª Turma. REsp 1582177-RJ,
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25/10/2016 (Info 593)

DIREITOS REAIS DE USO E FRUIÇÃO

INSTITUTO CONCEITO
 É a relação jurídica real por meio da qual o proprietário vincula o seu imóvel, dito serviente, a
prestar certa utilidade a outro prédio, dito dominante, pertencente a dono distinto.
Servidão:  Obriga-se, em consequência, a não praticar determinados atos dominiais no prédio serviente
ou a não impedir que neste o proprietário do imóvel dominante pratique atos de extração da
utilidade que lhe foi concedida.
 Trata-se de direito real temporário concedido a uma pessoa para desfrutar um objeto alheio
como se fosse próprio, retirando as suas utilidades e frutos, contudo sem lhe alterar a
substância. Assim, o conteúdo do domínio é fracionado, pois, enquanto o usufrutuário
Usufruto: percebe os frutos naturais, industriais e civis e retira proveito econômico da coisa, remanesce
em poder do nu-proprietário a substância do direito, vale dizer, a faculdade de disposição da
coisa e o seu próprio valor, podendo alienar, instituir ônus real ou dar qualquer outra forma
de disposição ao objeto, apesar de despido de importantes atributos.
Uso  O direito real de uso é próximo ao de usufruto, mas com ele não se confunde. Ambos são

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temporários por essência, mas o direito de uso possui abrangência reduzida, pois o seu
titular não tem autorização para gozar da coisa. Ou seja, o usuário pode usar o bem móvel
ou imóvel, desde que não sejam consumíveis ou fungíveis, sendo-lhe, todavia, impedida a sua
fruição.
 Circunscreve-se este direito real à faculdade de seu titular residir gratuita e temporariamente
Habitação em um prédio, com sua família. O imóvel só se destina à ocupação direta do beneficiário,
sendo insuscetível de locação ou comodato, sob pena de resolução contratual.

 Decisões importantes sobre o tema:


- A proibição prevista no art. 1.301, caput, do Código Civil – de não construir janelas a menos de 1,5m do
terreno vizinho – possui caráter objetivo e traduz verdadeira presunção de devassamento ("invasão"). REsp
1531094-SP.
- Como o usufruto é um direito real e como o usufrutuário detém poder de sequela, a doutrina e a
jurisprudência também admitem que ele ajuíze ação reivindicatória — de caráter petitório —, seja contra o nu-
proprietário, seja contra terceiros. REsp 1202843-PR.
- A nua propriedade é suscetível de constrição judicial, salvo se o imóvel do executado for considerado
bem de família. REsp 950663-SC.

DIREITO REAL DE SOBRELEVAÇÃO


O direito real de laje/direito de sobrelevação11 consiste na possibilidade de que mais de uma unidade
habitacional seja construída numa mesma área e que, caso o proprietário ceda o terreno, cada morador de
unidade terá uma escritura individual.
Principais artigos do CC sobre o tema:
Art. 1.510-A. O proprietário de uma construção-base poderá ceder a superfície superior ou inferior de sua
construção a fim de que o titular da laje mantenha unidade distinta daquela originalmente construída sobre o
solo.
§1º O direito real de laje contempla o espaço aéreo ou o subsolo de terrenos públicos ou privados,
tomados em projeção vertical, como unidade imobiliária autônoma, não contemplando as demais áreas
edificadas ou não pertencentes ao proprietário da construção-base.
§4º A instituição do direito real de laje não implica a atribuição de fração ideal de terreno ao titular da
laje ou a participação proporcional em áreas já edificadas (#DIFERENTEDOCONDOMÍNIO)
§6º O titular da laje poderá ceder a superfície de sua construção para a instituição de um sucessivo
direito real de laje, desde que haja autorização expressa dos titulares da construção-base e das demais lajes,
respeitadas as posturas edilícias e urbanísticas vigentes.
Art. 1.510-E. A ruína da construção-base implica extinção do direito real de laje, salvo:
I - se este tiver sido instituído sobre o subsolo;

11
Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017, oriunda da MP 759/2016.

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II - se a construção-base não for reconstruída no prazo de cinco anos.


Parágrafo único. O disposto neste artigo não afasta o direito a eventual reparação civil contra o culpado
pela ruína.

CONSTITUCIONAL12
Olá Delegados e Delegadas da Polícia Federal!!!
Vamos ao NFPSS – Não Faça a Prova Sem Saber de Constitucional.
Abordaremos os principais pontos do nosso edital, procurando, de forma didática, sanar eventuais
dúvidas e fixar os pontos que merecem atenção, para que na hora da prova possamos marcar todas as questões
com confiança e certeza de que vamos fechar a matéria, garantindo pontos rumo à aprovação.
Vem comigo!

CONCEITO – PERSPECTIVAS – FONTES – CONCEPÇÃO POSITIVA

CONCEITO – OBJETO – NATUREZA


O Direito Constitucional, para ser conceituado, precisa que sejam interligados três sentidos, o científico,
o objetivo e o subjetivo.
O sentido CIENTÍFICO, segundo José Afonso da Silva, conceitua como sendo o ramo do direito público
que expõe, interpreta e sistematiza os princípios e normas fundamentais do Estado. No sentido OBJETIVO,
segundo Uadi Bulos, é o conjunto de normas supremas, encarregadas de organizar a estrutura do Estado e
delimitar as relações de poder. Por fim, no sentido SUBJETIVO, é a posição jurídica de vantagem que deve
reconhecer a alguém, em virtude da incidência concreta de normas integrantes do direito constitucional objetivo.
Essa é a acepção do termo quando se afirma que alguém tem o direito constitucional de ir e vir.
O OBJETO de estudo do Direito Constitucional é tudo o que foi constitucionalizado por quem elaborou a
constituição, assim, são todas as normas material e formalmente constitucionais. Assim, em sentido científico,
estuda de forma sistematizada os ordenamentos constitucionais, em especial as que tratam da forma e da
organização do Estado, da divisão dos poderes, dos direitos e garantias fundamentais e das finalidades básicas
que devem direcionar a atuação estatal, enquanto em sentido objetivo, o objeto de estudo do Direito
Constitucional é a produção e a organização das normas que estabelecem, integram ou modificam o
ordenamento constitucional, independentemente de seu conteúdo (constituição formal), bem como das normas
que disciplinam qualquer matéria que interesse ao Direito Constitucional, independentemente de sua fonte
normativa (constituição material).
Por fim, a NATUREZA do Direito Constitucional, pode ser conceituada em sentido científico e sentido
normativo. No sentido científico, é ramo do direito público, já que cuida de relações jurídicas que envolvem a
figura do Estado. Nos casos de adoção de constituições prolixas, como ocorre no Brasil, ocorre a

12 Por Tiago Pozza – Instagram @tiagopozza.

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constitucionalização do direito privado, que se materializa através da disciplina constitucional de institutos do


direito privado, da interpretação conforme a constituição de disposições normativas referentes ao direito privado
e de teorias e decisões que defendem a eficácia horizontal (tema abordado mais à frente) dos direitos
fundamentais no âmbito das relações privadas. Já no sentido normativo, a natureza dos preceitos constitucionais,
apresentam características como a supremacia constitucional, que pode ser material ou formal, maior abertura
semântica, politicidade e transversalidade.
TEORIA DA CONSTITUIÇÃO
A Constituição é o objeto de estudo do Direito Constitucional. Trata-se da lei fundamental e suprema de
um Estado, criada pela vontade soberana do povo. Determina a organização político-jurídica do Estado, limita o
poder estatal e estabelece direitos fundamentais.
São componentes da Constituição:
a) Preâmbulo: quanto à natureza jurídica do preâmbulo, são três teses existentes:
 TESE DA IRRELEVÂNCIA JURÍDICA: o preâmbulo está no ÂMBITO DA POLÍTICA, portanto, não possui
relevância jurídica;
 TESE DA PLENA EFICÁCIA: o preâmbulo tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais;
 TESE DA RELEVÂNCIA JURÍDICA INDIRETA: o preâmbulo faz parte das características jurídicas
da Constituição Federal, entretanto, não deve ser confundido com as demais normas jurídicas desta.
#ATENÇÃO: O STF, no julgamento da ADI 2.076, julgada em 2002, adotou a tese da irrelevância jurídica e
decidiu que o preâmbulo não tem força normativa, sendo, portanto, mero vetor interpretativo. Por tal motivo, o
preâmbulo não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade.
b) Corpo: é composto pelos artigos 1º a 250.
c) ADCT: são os Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, composto por normas de eficácia
exaurível. Destina-se a realizar a transição do regime constitucional anterior para o atual. Trata-se de norma que
se enquadra como elemento formal de aplicabilidade.
#ATENÇÃO!
José Afonso da Silva traz ainda a classificação dos elementos da Constituição:
a. Elementos Orgânicos: normas que regulam a estrutura do Estado e do Poder. Exemplo: Título III – Da
Organização do Estado.
b. Elementos Limitativos: normas que estabelecem direitos e garantias fundamentais, limitando a atuação do
Poder Estatal. Exemplo: Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais.
c. Elementos Sócio-Ideológicos: normas relativas a direitos sociais; compromisso estatal com o bem estar
social. Exemplo: Capítulo II do Título II – Dos Direitos Sociais.
d. Elementos de Estabilização Constitucional: normas que se destinam a prover solução de conflitos
constitucionais. Buscam a defesa da Constituição, do Estado e das instituições democráticas. Exemplo: Intervenção
(arts. 34 a 36).
e. Elementos Formais de Aplicabilidade: são normas que contêm regras de aplicação da Constituição, como as
constantes no ADCT e a norma que estabelece a aplicabilidade imediata dos direitos e garantias fundamentais.

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PERSPECTIVAS OU SENTIDOS
 SOCIOLÓGICO: Ferdinand Lassale: A Constituição é a soma dos fatores reais de poder. Constituição
escrita é mera folha de papel.
 POLÍTICO: Carl Schimitt: Constituição é a decisão política fundamental. Diferencia a Constituição das
Leis Constitucionais.
 JURÍDICO: Hans Kelsen: Existe uma supremacia constitucional independentemente do conteúdo.
Plano lógico-jurídico: norma fundamental hipotética, plano do suposto, fundamento lógico-
transcendental da validade da Constituição jurídico-positiva.
Plano jurídico-positivo: norma posta (positivada), norma posta suprema.
 TOTAL/IDEAL/CULTURAL: Konrad Hesse – A força normativa da Constituição.
#OLHAOGANCHO – Teoria da sociedade aberta dos intérpretes: Para Peter Häberle, jurista alemão cujo
pensamento doutrinário tem influenciado o direito constitucional brasileiro, a constituição deve corresponder ao
resultado, temporário e historicamente condicionado, de um processo de interpretação levado adiante na esfera
pública por parte dos cidadãos e cidadãs.
 CONSTITUIÇÃO ABERTA: está apta a captar as mudanças da realidade social, o que permite que ela
permaneça no tempo sem perder a sua força normativa.

FONTES FORMAIS
Fontes de direito, em sentido amplo, são quaisquer atos ou fatos que produzam normas jurídicas
(conceito material). Em sentido estrito, somente os atos ou fatos que estejam autorizados a produzir normas
jurídicas (conceito formal). Assim, no Direito Constitucional, fontes formais são os atos ou fatos que são
autorizados a produzir normas constitucionais, de acordo com o sistema constitucional vigente.
Há ainda, as fontes diretas, que são as previstas e reguladas no âmbito do próprio ordenamento, e as
fontes indiretas, aquelas disciplinadas por outras ordens jurídicas, mas recepcionadas, incorporadas ou aplicadas
pelo ordenamento constitucional, como as normas de direito internacional que podem ser incorporadas com
status de emenda constitucional e o caput do artigo 34 do ADCT, que recepcionou, ainda que transitoriamente,
parte do sistema tributário da ordem constitucional anterior.
Assim, são fontes diretas e formais a própria Constituição Federal, as emendas constitucionais e as
emendas constitucionais de revisão. Existem as fontes diretas e informais, que são as convenções constitucionais,
os costumes constitucionais e as mutações constitucionais. E, por fim, as fontes indiretas e formais,
representadas pelos tratados internacionais sobre direitos humanos, desde que incorporados de acordo com o
procedimento do §3°, do artigo 5°, da Constituição Federal.

CONCEPÇÃO POSITIVA
A Concepção Positiva, incorporada pela doutrina mais avançada do constitucionalismo contemporâneo,
apresenta a Constituição como um sistema aberto de normas jurídicas, constituídas por regras e princípios, com
eficácia plena e com a capacidade de contribuir para transformação da realidade, buscando condições de vida
digna para todas as pessoas, respeitando não só o regramento formal por ela própria instituído, em relação à sua
própria mudança e à produção normativa do Direito, mas também resguardando um conteúdo proveniente dos
principais valores sociais aceitos em determinado momento histórico, delineando, no mínimo, a forma de Estado,
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o sistema de governo, a organização do poder e os direitos fundamentais.

CLASSIFICAÇÕES DAS CONSTITUIÇÕES E NORMAS CONSTITUCIONAIS

CLASSIFICAÇÕES DAS CONSTITUIÇÕES


 Material: Conjunto de normas, escritas ou costumeiras, relacionadas com temas
considerados essenciais às funções que a Constituição deve desempenhar. O
importante é o conteúdo delas, e não a fonte normativa em que veiculadas.
Quanto ao Conteúdo
 Formal: Conjunto de normas que, independentemente do conteúdo, consideram-
se inseridas em ato escrito no qual se encontram os padrões normativos dotados de
hierarquia jurídica superior.
 Escrita/dogmática: formalizada em um texto escrito.
Quanto à Forma
 Não escrita/histórica: não há texto único centralizado.
 Flexível: é alterada da mesma forma que as leis inferiores.
 Semirrígida: uma parte é flexível e outra é rígida.
 Rígida: a alteração é mais difícil do que as leis inferiores.
Quanto à Estabilidade
 Super-rígidas: uma parte é rígida e outra é imutável (DE ACORDO COM
ALEXANDRE DE MORAES, A BRASILEIRA É SUPER-RÍGIDA).
 Imutáveis: todo o texto é imutável.
 Outorgada: imposta pelo detentor do poder.
 Promulgada: elaborada com ampla participação popular.

Quanto à Origem  Cesarista (Bonapartista): o soberano edita o texto e, posteriormente, o submete a


um referendo popular.
 Pactuada (dualista): elaborada através de um pacto realizado entre os detentores
do poder político.

Quanto à  Heterônoma é aquela que é imposta por outro país.


Voluntariedade  Autônoma: elaborada pelo próprio país.

 Sintética/concisa: apenas definem os princípios gerais da organização do Estado.


Quanto à Extensão
 Analítica/prolixa: trata de muitos temas.

OUTRAS CLASSIFCAÇÕES: Dirigente: traça metas; Normativa: sai do papel; Nominal: não consegue sair
do papel; Semântica: legitima o status quo injusto; Ortodoxa: comprometida com uma ideologia específica;
Compromissária (pluralista): contempla várias ideologias; Dúctil: não impõe um modelo de vida, mas apenas

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assegura as condições para o exercício do projeto de vida de cada pessoa; Balanço: visa reger o ordenamento por
um determinado tempo.
#OLHAOGANCHO – Há que se considerar, ainda, a classificação da Constituição como Constituição
Garantia e Constituição Dirigente.
A primeira, também chamada de Constituição-quadro, estatutária ou orgânica, funciona como um
estatuto organizatório ou instrumento de governo, definindo competências e regulando processos. Elas
estabelecem princípios democráticos, republicanos, pluralistas e de Estado, buscando a garantia de liberdades e
de direitos individuais e coletivos através da limitação do poder do Estado.
Já a segunda, define finalidades e programas com o intuito de ordenar as ações futuras da política estatal.

NORMAS CONSTITUCIONAIS
São de aplicação direta e imediata, independem de uma lei para produzirem seus efeitos.
EFICÁCIA PLENA Desde a sua promulgação estão aptas para produzir todos os seus efeitos, independentemente
de qualquer norma integrativa infraconstitucional.

Assim como as plenas são de eficácia direta e imediata. No entanto, podem ter sua
EFICÁCIA abrangência reduzida por uma norma infraconstitucional, por uma norma da própria CF, ou
CONTIDA por preceitos ético-jurídicos, como a moral e o bom costume (#SELIGANOTERMO: “normas de
contenção”).
São de aplicação mediata ou indireta, pois há necessidade de uma lei para mediar sua
aplicação. Se não houver a lei, não produz efeitos. Mesmo com a sua promulgação, não está
apta para produzir todos os seus efeitos, necessitando de regulamentação infraconstitucional
EFICÁCIA para ter eficácia. Há duas espécies de normas limitadas:
LIMITADA
1. Limitada de princípio institutivo ou organizativo.
2. Limitada programática: se reveste em forma de promessas ou programas que visam
atingir fins sociais. Característica principal da Constituição Dirigente.

#DICADOCOACH – Maria Helena Diniz, quanto às cláusulas pétreas, as denomina de absolutas ou


supereficazes.
 Pela eficácia DIRETA, se tem a possibilidade de se extrair uma regra do núcleo essencial do princípio,
permitindo a subsunção.
 Pela eficácia INTERPRETATIVA, entende-se que as normas jurídicas devem ter seu sentido e alcance
determinados de maneira que melhor realize a dignidade humana, que servirá como critério de ponderação na
hipótese de colisão de normas.
 A eficácia NEGATIVA, de caráter geral ou particular, paralisa ou neutraliza a incidência de regra
jurídica que seja incompatível com a dignidade humana.
 Não há um método de interpretação pré-determinado para cada caso concreto.

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PODER CONSTITUINTE
Poder Constituinte ORIGINÁRIO é o poder responsável pela elaboração da Constituição, norma jurídica
superior que inicia a ordem jurídica e lhe confere fundamento de validade.
Para os jusnaturalista este poder é de direito, pois eles admitem a existência de um direito natural prévio
ao direito positivo.
Para os juspositivistas, os quais preconizam não haver direito antes de se aferir a existência de um Estado,
o poder constituinte é anterior ao próprio direito, logo é um poder de fato, metajurídico, não integrando o
mundo jurídico nem possuindo natureza jurídica.
A titularidade do Poder Constituinte Originário pertence ao povo.
O poder constituinte originário pode ser dividido em:
(i) fundacional – é aquele que produz a primeira Constituição de um Estado;
(ii) pós-fundacional – parte de uma ruptura institucional de ordem vigente para elaborar a nova
Constituição que sucederá a anterior, revogando integralmente a precedente.
Características do PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO:
#SELIGANATABELA:

 A Constituição é a base do ordenamento jurídico.


INICIAL #DEOLHONOGANCHO: não é possível a alegação da existência de “direito adquirido”
perante a nova Constituição.

 Não se submete ao regramento posto pelo direito precedente, sendo possuidor de


ampla liberdade de conformação da nova ordem jurídica.
#DEOLHONOGANCHO: a ausência de limites deve ser tratada com certas reservas, pois é
ILIMITADO indiscutível a existência de alguns limites, tais como os geográficos e territoriais. Também é
possível considerar como limite as circunstâncias sociais e políticas que lhe dão causa, pois
o poder constituinte é a expressão da vontade política soberana do povo, não podendo ser
entendido sem observância dos valores éticos, religiosos e culturais pelo povo partilhados
e motivadores de suas ações.

 Não se submete a qualquer regra ou procedimento formal pré-fixado pelo


INCONDICIONADO
ordenamento jurídico que o precede.

 É capaz de definir o conteúdo que será implantado na nova Constituição, bem como
AUTÔNOMO
sua estrutura e os termos de seu estabelecimento.

 Não se esgota quando da conclusão da constituição; ele permanece em situação de


latência, sendo ativado o “momento constituinte” de necessária ruptura com a ondem
PERMANENTE estabelecida se apresentar novamente.

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PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE: é a capacidade conferida pelo poder originário aos
Estados-membros para elaborarem suas próprias Constituições.
O poder constituinte derivado decorrente é perceptível no Distrito Federal, mas não nos Municípios, pois
a lei orgânica do DF, assim como ocorre com as Constituições estaduais, é um documento que só está submetido
à Constituição da República. Os municípios são formatados por documentos condicionados simultaneamente à
constituição estadual e à Constituição Federal, isto é, se sujeitam a uma dupla subordinação, o que tornaria
eventual poder decorrente do município em um poder de terceiro grau.
PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR: tem a função de alterar formalmente a Constituição
Federal, exercendo a importante tarefa de ajustar o texto constitucional aos novos ambientes formatados pela
dinâmica social. Tanto o poder constituinte derivado decorrente como o reformador possuem as seguintes
características:
 Poder de direito (possui natureza jurídica):
 Limitado (suas ações são pautadas pelos limites inseridos na Constituição);
 Condicionado (suas atribuições estão diretamente vinculadas ao que determina previamente a
Constituição);
 Secundário.

CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
A constatação da inequívoca hierarquia normativa entre as normas constitucionais e as demais é o que
justifica a realização do controle de constitucionalidade.
Inconstitucionalidade Formal ou Nomodinâmica – vício que afeta o ato inconstitucional decorre da
inobservância de algum rito do processo legislativo constitucionalmente fixado ou da incompetência do órgão
que o editou.
Inconstitucionalidade Material ou Nomoestática – o conteúdo da norma é contrário ao conteúdo
constitucional. Deriva daquelas situações em que há incongruência entre o previsto na lei e aquilo que dispõe o
texto constitucional.
Parâmetro – o preâmbulo não é considerado parâmetro, porque não é norma jurídica. Quanto à parte
permanente, todas as normas que a integram, independentemente de seu conteúdo, serão consideradas
parâmetro, não importa se são originárias, derivadas ou mesmo decorrentes de tratados e convenções
internacionais de direitos humanos pelo rito especial do art. 5 º, § 3º, CF.
No que tange à parte transitória, expressa no ADCT, pode-se dizer que suas normas também são
consideradas parâmetro para o controle enquanto ainda tiveram eficácia. Se a eficácia já se exauriu, não servem
mais como normas de referência.
No controle difuso de constitucionalidade permite-se também a fiscalização dos atos emanados do poder
Público perante norma constitucional que já tenha sido revogada, sendo unicamente necessário verificar se essa
norma constitucional estava em vigor no momento da criação do ato.

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Momento do Controle – poderá ser preventivo (atinge a norma ainda em fase de elaboração, no curso do
trâmite legislativo, recaindo sobre projetos de lei e propostas de emenda constitucional) ou repressivo (o
processo legislativo já está finalizado. Alcança as espécies normativas já prontas e acabadas, que estejam
produzindo seus efeitos).
Quanto ao número de órgãos competentes para a realização do controle – poderá ser difuso ou
concentrado.
#SELIGANATABELA:

CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE

Também conhecido como controle incidental ou concreto. É exercido diante de


ocorrências fáticas a serem solucionadas pelo Poder Judiciário no desempenho comum de
sua típica função jurisdicional, na qual se controla a constitucionalidade de modo
incidental.
CONCEITO
O juízo de verificação da compatibilidade da norma com o texto constitucional não é a
questão principal, mas tão somente uma questão prejudicial.
A finalidade é proteger o direito subjetivo afetado pela norma que se pretende impugnar.

COMPETÊNCIA Qualquer juiz ou tribunal do poder judiciário possui competência para verificar a
legitimidade constitucional dos atos estatais, não havendo nenhuma restrição quanto ao
tipo de processo.

É ampla e abrange as partes, em qualquer demanda; eventuais terceiros intervenientes; o


Ministério Público; órgão jurisdicional, de ofício.
LEGITIMIDADE
Nos Tribunais, o processo de controle de constitucionalidade difuso deverá observar a
“cláusula de reserva de jurisdição”, que determina que somente pelo voto da maioria
absoluta de seus membros ou dos membros do órgão especial é que a
inconstitucionalidade da lei ou ato normativo poderá ser declarada.
OBJETO – é válido manejar essa via de controle para verificar a compatibilidade com a
Constituição de qualquer ato emanado dos Poderes Públicos, não importando a esfera
federativa que produziu, tampouco se sua natureza é de ato normativo ou não, primário
ou secundário. Igualmente não é relevante se o ato anterior ou posterior à norma
OBJETO E constitucional parâmetro, isto é, pré ou pós-constitucional. Também não é obstáculo à
PARÂMETRO realização do controle difuso ter sido o ato revogado ou estar com seus efeitos exauridos.
PARÂMETRO – o controle difuso permite a fiscalização dos atos emanados do Poder
Público perante qualquer norma constitucional, ainda que ela já tenha sido revogada,
sendo unicamente necessário verificar se essa norma constitucional estava em vigor no
momento da criação do ato.
A sentença que profere a inconstitucionalidade tem efeito declaratório e retroage à data
EFEITOS DA
da edição da norma, ou seja, é EX TUNC.
DECISÃO
No entanto, é possível que haja a modulação dos efeitos temporais, excepcionalmente, se
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o STF concluir que deva prevalecer a segurança jurídica ou algum interesse social
marcante. No caso, poderá a Corte manipular os efeitos temporais da decisão de modo
que a declaração de inconstitucionalidade não retroaja, mas sim valha do trânsito em
julgado da decisão em diante ou a partir de outro momento que a Corte venha a fixar.
A decisão prolatada no controle difuso opera efeitos inter partes, não atingindo terceiros
que não participaram daquela específica relação processual.
Até o presente ano, o papel do Senado era suspender a norma declarada inconstitucional
no controle difuso, produzindo, portanto, efeito erga omnes.
ATENÇÃO: ALTERAÇÃO JURISPRUDENCIAL – houve uma mutação constitucional do art.
52, X, CF. Agora, quando o STF declara uma norma inconstitucional no controle difuso, a
decisão já tem efeito vinculante e erga omnes.
ATUAÇÃO DO O STF comunica o Senado com o objetivo que referida casa legislativa dê publicidade
SENADO daquilo que foi decidido.
É possível afirmar a adoção da teoria da Abstrativização do Controle Difuso.
#OLHAOGANCHO – Houve mudança de posicionamento do STF (Novembro de 2017) sobre
a adoção da teoria da transcendência dos motivos determinantes e abstrativização do
controle difuso (Foi nessa decisão que houve mutação constitucional do art. 52, X, da
CF/88). Assim, a leitura do Informativo 866 STF é obrigatória.

#SELIGANATBAELA:

CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE

É realizada em abstrato, pela via principal, ou seja, a questão de constitucionalidade


configura o pedido principal da ação, sendo que a Corte analisa, em tese, se há ou não
CONCEITO contrariedade à Constituição.
Poderá ocorrer mediante uma das seguintes ações: ADI, ADC, ADO ou ADPF.

COMPETÊNCIA STF.

Será legitimado ativo: Mesa da Câmara, mesa do Senado, Mesa da Assembleia Legislativa
LEGITIMIDADE ou Câmara Legislativa do DF; Governador do Estado ou do DF; Procurador Geral da
República; Presidente da República; Conselho Federal da OAB; partido político com
representação no Congresso Nacional; confederação sindical; entidade de classe de âmbito
nacional.

OBJETO
OBJETO:
E
 EM ADI – leis e atos normativos federais ou estaduais, editadas após a constituição.
PARÂMETRO As leis do DF editadas no exercício da competência legislativa estadual podem ser

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objeto de ADI.
 EM ADC – leis e demais atos normativos federais.
 EM ADO – normas constitucionais de eficácia limitada não regulamentada.
 EM ADPF – direito pré-constitucional, direito municipal, controvérsia sobre direito
pós-constitucional já revogado ou cujos efeitos já se exauriram e de decisões judiciais
construídas a partir de interpretações violadoras de preceitos fundamentais.
PARÂMETRO:
 EM ADI, ADC, ADO– normas constitucionais de referência para a realização da análise
de compatibilidade são todas aquelas que constam do documento constitucional.
Tratando-se de norma do ADCT, desde que não exaurida sua eficácia.
 EM ADPF - o parâmetro é mais restrito, pois tutela os preceitos fundamentais, ou
seja, para a defesa de somente alguns dispositivos constitucionais.
DEFINITIVA:
 EM ADI e ADC - Produzirá eficácia contra todos e efeito ex tunc (retroativo). O STF
poderá optar pela modulação temporal dos efeitos, em virtude de razão de segurança
jurídica ou excepcional interesse social.
 EM ADO – notificar o legislador ou órgão administrativo que incorre em mora, para
que o responsável adote as medidas necessárias à concretização do texto
constitucional.
EFEITO DA DECISÃO
MEDIDA CAUTELAR:
 EM ADI e ADPF - Produzirá eficácia contra todos e efeito ex nunc (não retroativo).
 EM ADC - Produzirá eficácia contra todos e efeito ex nunc (não retroativo). Também
produzirá a suspensão do julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei
ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo, que deverá ocorrer
em 180 dias, sob pena de perda de sua eficácia.
 EM ADO – poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou do ato normativo
questionado, no caso de omissão parcial, bem como na suspensão de processos
judicias ou de procedimento administrativos ou ainda em outra providência a ser
fixada pelo Tribunal.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA:
O que acontece se a lei impugnada por meio de ADI é alterada antes do julgamento da ação? Neste caso,
o autor da ADI deverá aditar a petição inicial demonstrando que a nova redação do dispositivo impugnado
apresenta o mesmo vício de inconstitucionalidade que existia na redação original. A revogação, ou substancial
alteração, do complexo normativo impõe ao autor o ônus de apresentar eventual pedido de aditamento, caso
considere subsistir a inconstitucionalidade na norma que promoveu a alteração ou revogação. Se o autor não fizer
isso, o STF não irá conhecer da ADI, julgando prejudicado o pedido em razão da perda superveniente do objeto.
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA:
É possível que seja celebrado um acordo no bojo de uma arguição de descumprimento de preceito
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fundamental (ADPF)? SIM. É possível a celebração de acordo num processo de índole objetiva, como a ADPF,
desde que fique demonstrado que há no feito um conflito intersubjetivo subjacente (implícito), que comporta
solução por meio de autocomposição. Vale ressaltar que, na homologação deste acordo, o STF não irá chancelar
ou legitimar nenhuma das teses jurídicas defendidas pelas partes no processo. O STF irá apenas homologar as
disposições patrimoniais que forem combinadas e que estiverem dentro do âmbito da disponibilidade das partes.
A homologação estará apenas resolvendo um incidente processual, com vistas a conferir maior efetividade à
prestação jurisdicional.

CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (FULL BENCH)


A Cláusula do Full-Bench ou Cláusula de Reserva de Plenário diz respeito ao controle de
constitucionalidade difuso realizado pelos Tribunais de Justiça/ Tribunal Regional Federal e pelo Superior Tribunal
de Justiça. Prevê a Constituição Federal de 1988:
Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão
especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.
#SELIGANASÚMULA:
A Súmula Vinculante 10 trata sobre o tema:
Súmula Vinculante 10. Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão
fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo
do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.

#ATENÇÃO! #NÃOVAIMAISERRAR. Exceções:


 Declaração de constitucionalidade: A reserva do plenário é necessária somente para a declaração de
inconstitucionalidade das normas. Considerando a presunção de constitucionalidade, a decisão do órgão
fracionário que mantém a lei em questão constitucional dispensa o quórum qualificado.
 Declaração de não recepção (normas anteriores à constituição): Trata-se da não recepção, que não
se confunde com a inconstitucionalidade. Por isso, nesses casos, o órgão fracionário menor declarará que a lei ou
ato normativo foram revogados ou não recepcionados pela nova ordem constitucional.
 Interpretação conforme a constituição: Nesses casos não se trata de forma de interpretação, mas
técnica de controle de constitucionalidade. Além disso, há o reconhecimento de que a lei é constitucional,
direcionando sua interpretação para que se torne compatível com a carta magna. Portanto, dispensa-se a cláusula
de reserva de plenário.
 Existência de pronunciamento do plenário ou da corte especial do tribunal, bem como do plenário
do Supremo Tribunal Federal sobre a questão (art. 949, parágrafo único do novo CPC). Ocorre através do
Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade.
 Juizados Especiais: o entendimento no sentido da ausência de Repercussão Geral no Recurso
Extraordinário nº 868.457/SC, ocasião em que o STF decidiu pela não aplicação da reserva de plenário aos
Juizados Especiais por entender que não se trata de órgãos que funcionem no regime de Plenário ou de Órgão
Especial (STF, RE 868457, Rel. Min. Teori Zavascki – RIP- , DJ 27/04/2015, pp. 7-8).
 Atos normativos de efeitos concretos: Não viola o art. 97 da CF/88 nem a SV 10 a decisão de órgão
fracionário do Tribunal que declara inconstitucional decreto legislativo que se refira a uma situação individual e
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concreta. Isso porque o que se sujeita ao princípio da reserva de plenário é a lei ou o ato normativo. Se o decreto
legislativo tinha um destinatário específico e referia-se a uma dada situação individual e concreta, exaurindo-se
no momento de sua promulgação, ele não pode ser considerado como ato normativo, mas sim como ato de
efeitos concretos. STF. 2ª Turma. Rcl 18165 AgR/RR, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 18/10/2016 (Info 844).
 Não viola a Súmula Vinculante 10, nem a regra do art. 97 da CF/88, a decisão do órgão fracionário do
Tribunal que deixa de aplicar a norma infraconstitucional por entender não haver subsunção aos fatos ou, ainda,
que a incidência normativa seja resolvida mediante a sua mesma interpretação, sem potencial ofensa direta à
Constituição. Além disso, a reclamação constitucional fundada em afronta à SV 10 não pode ser usada como
sucedâneo (substituto) de recurso ou de ação própria que analise a constitucionalidade de normas que foram
objeto de interpretação idônea e legítima pelas autoridades jurídicas competentes. STF. 1ª Turma. Rcl 24284/SP,
rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/11/2016 (Info 848).
 Nulidade de ato administrativo: não é ato normativo, ainda que, entre outros fundamentos,
sustente (mencione) a inconstitucionalidade de lei estadual. (Info 546, STJ).

DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS


DIREITOS FUNDAMENTAIS
Na Constituição Federal, os direitos e garantias fundamentais estão insertas no Título II, e são divididos
em direitos e garantias individuais e coletivos (capítulo I), direitos sociais (capítulo II), direitos nacionais (capítulo
III), direitos políticos (capítulo IV) e partidos políticos (capítulo V). Ressalve-se que a maior parte dos direitos
coletivos está inserida no capítulo dos direitos sociais.
DIREITO X GARANTIA: Diz-se que direito é uma faculdade de agir, exercer, fazer ou deixar de fazer algo,
uma liberdade positiva. As garantias não se referem às ações, mas sim às proteções que as pessoas possuem
frente ao Estado ou mesmo frente às demais pessoas. Diz-se que as garantias são proteções para que se possa
exercer um direito.

CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS


HISTORICIDADE E
 São históricos porque que foram conquistados ao longo dos tempos.
MUTABILIDADE
INALIENABILIDADE  São intransferíveis e inegociáveis

 Podem ser invocados independentemente de lapso temporal, eles não


IMPRESCRITIBILIDADE
prescrevem com o tempo.

IRRENUNCIABILIDADE  Podem até não estar sendo exercidos, mas não poderão ser renunciados.

UNIVERSALIDADE  São aplicáveis a todos, sem distinção.

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 Os direitos fundamentais não são absolutos, são relativos, pois existem


RELATIVIDADE OU limites ao seu exercício. Este limite pode ser de ordem constitucional
LIMITABILIDADE (decretação de Estado de Sítio ou de Defesa) ou encontrar-se no dever de
respeitar o direito da outra pessoa.

INDIVISIBILIDADE,  Os direitos fundamentais formam um conjunto que deve ser garantido como
CONCORRÊNCIA E um todo, e não de forma parcial. Um direito não excluiu o outro, eles são
COMPLEMENTARIDADE complementares, se somam.

TEORIA ABSOLUTA X TEORIA RELATIVA


De acordo com a teoria ABSOLUTA, o conteúdo essencial é uma parte do conteúdo total do direito
fundamental. Seria um núcleo duro do conteúdo total que seria intransponível pelo legislador. Esse conteúdo
essencial é absoluto! Não pode ser relativizado.
#RESUMINDO: O conteúdo essencial de um direito fundamental é uma parte do seu conteúdo total.
Consiste no chamado “núcleo duro”, o qual é considerado absoluto e intransponível. Apenas a outra parte
(periférica do Direito: tudo aquilo que sobra após a retirada do núcleo duro) estaria disponível para a
regulamentação legislativa.
A segunda teoria é a RELATIVA (é incompatível com a classificação de JAS de eficácia limitada, contida e
plena). Essa teoria defende a necessidade de justificar as restrições aos direitos fundamentais mediante o recurso
ao princípio da proporcionalidade. Não existiria um limite intransponível, a priori. É preciso antes analisar a
medida à luz do princípio da proporcionalidade. Se a medida estatal for proporcional, não atingiu o conteúdo
essencial. Por outro lado, se se concluiu que foi desproporcional, é porque atingiu o conteúdo essencial naquele
caso.
#ATENÇÃO: Pela teoria relativa, o conteúdo essencial não pode ser definido abstratamente, devendo ser
analisado no caso concreto por meio do princípio da proporcionalidade.
Em algum momento pode haver suspensão de direitos fundamentais? SIM, nos casos de estado de sítio e
estado de defesa.
#CUIDADO: A dignidade não é um direito absoluto. Isso porque, além de partir da premissa de que nenhum
direito possui essa característica (e, de fato, não existe direito absoluto!), a dignidade não é sequer um direito, mas
sim uma qualidade de todo e qualquer ser humano.

JELLINEK – TEORIA DOS STATUS – MULTIFUNCIONALIDADE DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

 É aquele em que se encontra o indivíduo detentor de deveres perante o Estado. É um


STATUS PASSIVO estado de subordinação em relação ao Estado. Aqui o indivíduo é meramente
detentor de deveres.

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 O indivíduo possui competências para influenciar a formação da vontade estatal. Ex


STATUS ATIVO
Direitos políticos por meio do voto.

 É aquele em que há um espaço de liberdade diante das possíveis ingerências. Ocorre a


STATUS NEGATIVO
abstenção estatal.

 É aquele em que o indivíduo tem o direito de exigir do Estado determinadas prestações


STATUS POSITIVO positivas. Neste status, sente-se a necessidade de o Estado suprir desigualdades fáticas
mediante a sua intervenção nas relações jurídicas.

EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS


 Quando os direitos fundamentais surgiram eles tinham apenas a eficácia vertical, pois
o indivíduo está subordinado ao Estado. Justamente por esses direitos protegerem os
EFICÁCIA VERTICAL indivíduos contra os arbítrios do Estado, fala-se dessa eficácia vertical. Consiste na
aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares e o Estado. É a
eficácia clássica.
HORIZONTAL/EFICÁ
CIA
 Com o desenvolvimento dos direitos fundamentais, percebeu-se que a opressão e a
EXTERNA/EFICÁCIA
violência contra o indivíduo vêm também de entidades privadas. Consiste na aplicação
PRIVADA/EFICÁCIA
dos direitos fundamentais às relações entre particulares.
EM RELAÇÃO A
TERCEIROS

 Trata-se de classificação bastante recente. Consiste na aplicação dos direitos


EFICÁCIA DIAGONAL fundamentais à relação entre particulares, nas quais existe um desequilíbrio fático, a
exemplo da relação trabalhista e consumerista.

#CAIEMPROVA: Art. 5º §1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação
imediata. Isso não quer dizer que as normas ali sejam todas de eficácia plena. Na verdade, trata-se apenas um
apelo para que se busque efetivamente aplicá-las e assim não sejam frustrados os anseios da sociedade.
TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS: A EC 45/04 abriu a
possibilidade de ampliar a relação dos direitos fundamentais de status constitucional através da aprovação de
tratados internacionais pelo mesmo rito de emendas constitucionais.
 Regra é que os tratados internacionais são equivalentes às leis ordinárias.
 Exceção: Quando tratarem de direitos humanos:
a) Vão estar equiparados às Emendas Constitucionais caso versem sobre direitos humanos e o decreto
legislativo relativo a ele seja aprovado pelo mesmo rito exigido para as emendas à Constituição.
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b) Ainda que não aprovados pelo rito das Emendas, se versarem sobre direitos humanos, o STF entende
que possuem “SUPRALEGALIDADE” podendo revogar leis anteriores e devendo ser observados pelas leis
futuras. É assim, por exemplo, que vigora em nosso ordenamento o "Pacto de San Jose da Costa Rica" -
status acima das leis e abaixo da Constituição.

DIREITOS INDIVIDUAIS
DESTINATÁRIOS: brasileiros (pessoas físicas e jurídicas de direito público e privado); estrangeiros
residentes no Brasil.
Obs. 1: numa interpretação literal, os estrangeiros não residentes não poderiam invocar os direitos
individuais, MAS sendo a dignidade uma qualidade intrínseca a todo ser humano, independentemente de sua
nacionalidade, não se pode negar o exercício de um direito fundamental a um indivíduo pelo simples fato dele
não residir no país.
Obs. 2: são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição
aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões
em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;
Obs. 3: contraditório, ampla defesa e devido processo legal podem ser invocados por pessoas jurídicas
de direito público.
Obs. 4: São gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei:
a) o registro civil de nascimento;
b) a certidão de óbito,
c) habilitação, registro e primeira certidão de casamento civil.
Obs. 5: São gratuitas para qualquer pessoa as ações de "habeas corpus" e "habeas data", e, na forma da
lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. Também é gratuita para qualquer pessoa a celebração do
casamento civil
Obs. 6: Assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 05 (cinco) anos de idade em
creches e pré-escolas.

DIREITO À VIDA.
 Bem jurídico protegido: vida humana em seu sentido biológico. Dupla acepção:
 Negativa: Consiste no direito a permanecer vivo.
 Positiva: Consiste no direito de exigir do Estado prestações para proteção do direito à vida, assim
como para uma existência digna.
 Inviolabilidade: protege o direito contra a violação por parte de terceiros.
 Irrenunciabilidade: protege o direito contra o seu próprio titular.
 RESTRIÇÕES À INVIOLABILIDADE DO DIREITO À VIDA: Pena de morte no caso de guerra declarada
(art. 5º, XLVII, CF), aborto necessário/terapêutico, aborto sentimental (art. 128, CP), aborto de anencéfalos (ADPF
54).

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DIREITO A IGUALDADE

IGUALDADE
 É a igualdade na aplicação da lei.
PERANTE A LEI

IGUALDADE NA LEI  Elaboração das leis.

 É a igualdade real, vai além da igualdade formal. A busca da igualdade material


IGUALDADE
acontece quando são tratadas desigualmente as pessoas que estejam em situações
MATERIAL
desiguais.

#ATENÇÃO: ações afirmativas consistem em políticas públicas ou programas privados, em geral de caráter
temporário, desenvolvidos para reduzir desigualdades decorrentes de discriminações ou de hipossuficiência, por
meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória dessas condições.

#SELIGANASÚMULA:
Súmula nº 683 – STF: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art.
7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido.

DIREITOS DE LIBERDADE
 Liberdade de consciência, de crença e de culto (art. 5ª, VI).
 Assegura a plena liberdade de culto e as suas liturgias, bem como o direito de não acreditar ou
professar nenhuma fé, devendo o Estado respeito ao ateísmo.
 A liberdade de consciência é a mais ampla. Consiste na adesão de certos valores espirituais
independentemente de qualquer conotação religiosa.
 Serviço militar obrigatório: uma pessoa pode alegar motivos religiosos para se eximir desta obrigação
legal, mas deverá cumprir uma prestação alternativa. A objeção de consciência deve ser baseada em convicções
seriamente arraigadas e que causem um grave tormento moral.
 Dever de neutralidade do Estado (art. 19, CF).
Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter
com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração
de interesse público;
II - recusar fé aos documentos públicos;
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.
 Com o advento da República, o Estado brasileiro passou a ser laico.
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DIREITOS A PRIVACIDADE (GÊNERO)


 Vida privada, intimidade, honra e imagem (espécies).
 SITUAÇÕES ESPECIAIS:
a) Interceptação ambiental: em regra, só haverá ilicitude quando:
- Houver violação de expectativa de privacidade;
- Houver violação de confiança decorrente de relações interpessoais ou profissionais.
b) Gravação clandestina: em regra, não é ilícita. Haverá ilicitude, quando:
- Não houver justa causa. Ex.: divulga cena sexual com o parceiro.
- Houver violação de causa legal específica de sigilo ou de reserva de conversação.
c) Quebra de sigilo: bancário, fiscal, telefônico e de dados informáticos. Dentre as autoridades com
legitimidade para determinar a quebra destes sigilos estão:
- Juiz;
- CPI.
d) Interceptação das comunicações (art. 5º, XII): é inviolável o sigilo da correspondência e das
comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial,
nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.

QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO


Os órgãos poderão requerer informações bancárias diretamente das instituições financeiras?
POLÍCIA NÃO (depende de autorização judicial).

NÃO (depende de autorização judicial) (STJ HC 160.646/SP, Dje 19/09/2011).


MP Excepcionalmente, poderá determinar a quebra para fins de proteção do patrimônio
público (MS 21.729).

RECEITA SIM. Nova posição do STF.


FEDERAL

TCU NÃO (depende de autorização judicial) (STF. MS 22934/DF, DJe de 9/5/2012)

CPI SIM (seja ela federal ou estadual/distrital). Prevalece que CPI municipal não pode.

 Requisitos para interceptação das comunicações telefônicas:

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i) ordem judicial;
ii) na forma que a lei estabelecer (Lei nº 9296/96);
iii) para fins de INVESTIGAÇÃO CRIMINAL OU INSTRUÇÃO PROCESSUAL.
 Nem CPI pode determinar quebra de interceptação das comunicações telefônicas.
Além da interceptação telefônica, a violação de domicílio (art. 5º, XI) a prisão por mandado e o sigilo
imposto a processo judicial (MS 27.483) envolvem matérias de reserva de jurisdição.
É possível utilização da interceptação telefônica para PAD.
A 3ª Turma do STJ, no HC 203.405, admitiu, excepcionalmente, a possibilidade de se determinar
interceptação telefônica para fins civis, quando não haja outra medida que resguarde os direitos ameaçados e
quando o caso envolver indícios de conduta criminosa.

INVIOLABILIDADE DE DOMICÍLIO
 Flagrante delito, desastre ou para prestar socorro: dia ou noite, sem necessidade de autorização
judicial.
 O conceito de casa deve ser interpretado de uma forma bastante ampla, de modo a compreender
espaços privados, não abertos ao público, onde alguém exerce atividade profissional.
STF: admitiu invasão durante a noite de escritório de advocacia para que fosse feito interceptação
ambiental (INQ 2424), em conformidade com o princípio da proporcionalidade.

DIREITO DE PROPRIEDADE
Desapropriação-sanção. Urbana: títulos da dívida pública (art. 182, §4º, III, CF). Rural: títulos da dívida
agrária (art. 184, CF).
Desapropriação Confiscatória
Art. 243, CF/88. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas
culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e
destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e
sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º.
#ATENÇÃO! Em RE, o STF entendeu que o confisco é das glebas como um todo e não apenas da parte em
que é feita a plantação dos psicotrópicos.
Além disso, #COLANARETINA os seguintes dispositivos constitucionais:
Art. 184. (...) §5º. São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as ações de transferência de
imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.
Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:
I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua
outra;
II - a propriedade produtiva.

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Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o
cumprimento dos requisitos relativos a sua função social.

DIREITO DE REUNIÃO
 Requisitos: seja pacífica; sem armas; não frustre outra reunião anteriormente convocada para o
local; avise a autoridade competente. Dispensa autorização, basta simples aviso.
 A ofensa a este direito deverá ser tutelada por meio de Mandado de Segurança e não habeas corpus.

DIREITO DE ASSOCIAÇÃO
 Para fins LÍCITOS, sendo vedada a paramilitar;
 É vedada a interferência estatal em seu funcionamento e nem mesmo precisa-se de autorização
para criá-las;
 Ninguém pode ser compelido a associar-se ou permanecer associado;
 Paralisação compulsória (independente da vontade dos sócios) das atividades:
 Para que tenham suas atividades SUSPENSAS: só por decisão judicial ("simples")
 Para serem DISSOLVIDAS: só por decisão judicial TRANSITADA EM JULGADO
 Podem, desde que EXPRESSAMENTE autorizadas, representar seus associados: Judicialmente ou
Extrajudicialmente.
Alguns trechos que geram pegadinhas de prova:
 É livre a manifestação do pensamento, sendo VEDADO O ANONIMATO;
#DEOLHONAJURIS: Segundo o STF, não é possível a utilização da denúncia anônima como ato formal de
instauração do procedimento investigatório, quando isoladamente consideradas, já que as peças futuras não
poderiam, em regra, ser incorporadas formalmente ao processo. Nada impede, porém, que o Poder Público seja
provocado pela delação anônima e, com isso, adote medidas informais para que se apure a possível ocorrência da
ilicitude pena.
 É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, ALÉM DA INDENIZAÇÃO por dano
material, moral ou à imagem (Logo, um não afasta o outro);
#DEOLHONAJURIS: No entendimento do STF, se alguém fizer uso indevido da imagem de alguém, a
simples exposição desta imagem já gera o direito de indenizar, ainda que isso não tenha gerado nenhuma ofensa
à sua reputação.
 É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,
INDEPENDENTEMENTE DE CENSURA OU LICENÇA;
 É assegurado a todos o acesso à informação e RESGUARDADO O SIGILO DA FONTE, quando
necessário ao exercício profissional (este princípio não vai de encontro à vedação do anonimato visto
anteriormente, apenas se resguarda a origem e a forma que tal pessoa, não anônima, conseguiu a informação).

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#DEOLHONAJURIS #AJUDAMARCINHO
 INVIOLABILIDADE DE DOMICÍLIO: A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita,
mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas “a posteriori”, que
indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e
penal do agente ou da autoridade, e de nulidade dos atos praticados. STF. Plenário. RE 603616/RO, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 4 e 5/11/2015 (repercussão geral) (Info 806).
 QUEBRA DE SIGILO: As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios podem requisitar diretamente das instituições financeiras informações sobre as
movimentações bancárias dos contribuintes. Esta possibilidade encontra-se prevista no art. 6º da LC 105/2001,
que foi considerada constitucional pelo STF. Isso porque esta previsão não se caracteriza como "quebra" de sigilo
bancário, ocorrendo apenas a “transferência de sigilo” dos bancos ao Fisco.

NACIONALIDADE
Nacionalidade é o vínculo jurídico-político que liga o indivíduo a um determinado Estado, tornando-o um
componente do povo.
#SELIGANATABELA #COLANARETINA:

 Agrupamento humano homogêneo cujos membros são possuidores das mesmas


NAÇÃO: tradições, costumes e ideias coletivos, partilhando, também, laços invisíveis, como a
consciência coletiva e o sentimento de comunidade.

NACIONALIDADE:  Conjunto de nacionais que compõem o elemento humano de um determinado Estado.

 Representa a totalidade de indivíduos que habitam determinado território, ainda que


POPULAÇÃO:
ali se achem temporariamente, independentemente da nacionalidade.

 Deriva de um conflito negativo de nacionalidade, no qual não há nenhum Estado


APÁTRIDA:
interessado em proclamar o indivíduo como seu nacional.

 São aqueles que, quando do nascimento, se enquadram nos critérios concessivos de


POLIPÁTRIDA:
nacionalidade originária de mais de um Estado.

 Indivíduo que possui vínculo jurídico-político com Estado Nacional diverso da República
ESTRANGEIRO:
Federativa do Brasil.

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 É o nacional (nato ou naturalizado) no gozo dos direitos políticos e participante da vida


CIDADÃO:
do Estado.

A nacionalidade pode ser primária ou secundária.


Nacionalidade primária, também conhecida como originária é aquela resultante de um fato natural, qual
seja, o nascimento, podendo ser estabelecida por meio de critérios sanguíneos, territoriais ou misto.
Nacionalidade secundária é aquela resultante de um ato voluntário, manifestado após o nascimento.
Será considerado brasileiro nato o indivíduo nascido em território nacional,
independentemente da nacionalidade de seus antecedentes.
Foi adotado o critério territorial.
#OLHONOGANCHO: não será considerado brasileiro nato, embora tenha nascido em
território nacional, filho de pais estrangeiros (ambos) quando qualquer um deles estava
NACIONALIDADE no Brasil a serviço do país de origem.
PRIMÁRIA Será considerada brasileira a criança nascida no estrangeiro, filho de pai ou mãe
brasileiro, sendo que qualquer deles (ou ambos), estava no exterior a serviço da
República Federativa do Brasil.
Foi adotado o critério sanguíneo + territorial.
Será considerada brasileira, a criança, filha de pai ou mãe brasileiro, que é registrado
em repartição brasileira competente.
Foi adotado o critério sanguíneo + o registro em repartição competente.
Será considerada brasileira a criança, filha de pai ou mãe brasileira, que nascer no
estrangeiro, mas depois vem a residir na República Federativa do Brasil e opta, após a
tingir a maioridade, pela nacionalidade brasileira.
Foi adotado o critério sanguíneo + o residencial + opção confirmativa.
#OLHONOGANCHO: a opção confirmativa configura ato personalíssimo e somente
pode ser praticada após a maioridade, devendo ser feita em juízo, em processo de
jurisdição voluntária, perante a justiça federal.

NACIONALIDADE ATENÇÃO: a Lei de Migração revogou, por completo, o Estatuto do Estrangeiro.


SECUNDÁRIA Naturalização Ordinária depende do preenchimento dos seguintes requisitos:
I - ter capacidade civil, segundo a lei brasileira;
II - ter residência em território nacional, pelo prazo mínimo de 4 (quatro) anos;
III - comunicar-se em língua portuguesa, consideradas as condições do naturalizando; e
IV - não possuir condenação penal ou estiver reabilitado, nos termos da lei.
#OLHONOGANCHO: para ocorrer a naturalização ordinária, é necessário que o
estrangeiro tenha residência no Brasil pelo prazo mínimo de 4 anos. A Lei prevê,
contudo, que esse prazo mínimo poderá ser reduzido para 1 ano, se o naturalizando: II

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- tiver filho brasileiro; III - tiver cônjuge ou companheiro brasileiro e não estiver dele
separado legalmente ou de fato no momento de concessão da naturalização; IV - tiver
prestado ou puder prestar serviço relevante ao Brasil; ou V - tiver destacada
capacidade profissional, científica ou artística que recomende a redução.
Naturalização Extraordinária - A naturalização extraordinária será concedida a pessoa
de qualquer nacionalidade fixada no Brasil há mais de 15 (quinze) anos ininterruptos e
sem condenação penal, desde que requeira a nacionalidade brasileira.
Os requisitos para a naturalização extraordinária não sofreram alterações com a Lei de
Migração, e nem poderiam, tendo em vista que decorrem de mandamento
constitucional, conforme o art. 12, inciso II, b, da CF/88.
Art. 12. São brasileiros: II - naturalizados: (...)
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do
Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que
requeiram a nacionalidade brasileira. (Redação dada pela Emenda Constitucional de
Revisão nº 3, de 1994)
#ATENÇÃO. Vale lembrar a doutrina majoritária entende que a concessão da
naturalização extraordinária é ato vinculado. Nesse mesmo sentido, o STF entende que
quando a CF diz “desde que requeiram”, significa que se a pessoa cumprir os 2
requisitos, basta requerer para ter o direito.
Naturalização Especial - A naturalização especial poderá ser concedida ao estrangeiro
que se encontre em pelo menos uma das situações elencadas no art. 68 da Lei de
Migração. Observem:
a) Seja cônjuge ou companheiro, há mais de 5 (cinco) anos, de integrante do
Serviço Exterior Brasileiro em atividade ou de pessoa a serviço do Estado brasileiro no
exterior; ou
b) Seja ou tenha sido empregado em missão diplomática ou em repartição
consular do Brasil por mais de 10 (dez) anos ininterruptos.
Além disso, segundo o art. 69, da referida lei:
Art. 69. São requisitos para a concessão da naturalização especial:
I - ter capacidade civil, segundo a lei brasileira;
II - comunicar-se em língua portuguesa, consideradas as condições do naturalizando; e
III - não possuir condenação penal ou estiver reabilitado, nos termos da lei.

QUASE NACIONALIDADE – Se houver reciprocidade em favor de brasileiros residentes em Portugal, os


portugueses que aqui residam terão tratamento jurídico similar ao dispensado ao brasileiro naturalizado, sem
precisar, para isso, de se submeterem a qualquer procedimento de naturalização.
A perda da nacionalidade somente poderá ocorrer em duas hipóteses previstas na Constituição Federal:
(1) perda-punição, sendo declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que tiver cancelada sua naturalização,
por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional; (2) perda-mudança, ocorre quando o
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indivíduo, voluntariamente, adquirir outra nacionalidade. Não haverá perda caso haja o recebimento de
nacionalidade primeira por Estado estrangeiro, ou seja, fruto de imposição do Estado estrangeiro no qual o
brasileiro reside, como condição para que ele possa permanecer no território ou para exercer os direitos civis.
#OLHAOJULGADO:
Info 859 do STF (2017). Se um brasileiro nato que mora nos EUA e possui o greencard decidir adquirir a
nacionalidade norte-americana, ele irá perder a nacionalidade brasileira. Não se pode afirmar que a presente
situação se enquadre na exceção prevista na alínea “b” do § 4º do art. 12 da CF/88. Isso porque, como ele já tinha
o greencard, não havia necessidade de ter adquirido a nacionalidade norte-americana como condição para
permanência ou para o exercício de direitos civis. O estrangeiro titular de greencard já pode morar e trabalhar
livremente nos EUA. Dessa forma, conclui-se que a aquisição da cidadania americana ocorreu por livre e
espontânea vontade. Vale ressaltar que, perdendo a nacionalidade, ele perde os direitos e garantias inerentes ao
brasileiro nato. Assim, se cometer um crime nos EUA e fugir para o Brasil, poderá ser extraditado sem que isso
configure ofensa ao art. 5º, LI, da CF/88. Art. 12 (...) § 4º — Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro
que: II — adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei
estrangeira; b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado
estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis; STF. 1ª
Turma. MS 33864/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 19/4/2016 (Info 822). STF. 1ª Turma. Ext 1462/DF,
Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 28/3/2017 (Info 859).

DIREITOS POLÍTICOS
Quanto aos direitos políticos, vale relembrar que a CF VEDA a cassação de direitos políticos e prevê
apenas duas formas de privação dos direitos políticos (PERDA e SUSPENSÃO):
A perda e a suspensão dos direitos políticos somente ocorrem nos casos de:
II. Cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; (PERDA).
Em virtude de atividade nociva ao interesse nacional.
OBS.: Também há previsão, na CF, de perda da nacionalidade do brasileiro nato, o que, por óbvio,
também acarreta a perda dos direitos políticos.
III. Recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa; (PERDA).
Serão privados dos direitos políticos até que cumpram a obrigação (Ex.: função de jurados, serviço
militar). Obs. Há quem defenda se tratar de uma hipótese de suspensão.
IV. Incapacidade civil absoluta; (SUSPENSÃO).
Lembre-se das mudanças recentes realizadas no CC pela Convenção e Estatuto da Pessoa com
Deficiência. Agora, somente são absolutamente incapazes aqueles menores de 16 anos.
V. Condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; (SUSPENSÃO).
Efeito automático da sentença, ou seja, NÃO precisa vir expresso no dispositivo.
Não importa a natureza ou montante da pena e abarca também condenações relativas a
CONTRAVENÇÕES.
NÃO são atingidos em caso de transação penal ou sursis processual (fala em “condenação”!).

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Cessa com o cumprimento ou a extinção da pena, INDEPENDENDO de reabilitação ou prova de reparação


de danos (Súmula 9 do TSE).
Súmula 9 do TSE. A suspensão de direitos políticos decorrente de condenação criminal transitada em
julgado cessa com o cumprimento ou a extinção da pena, independendo de reabilitação ou de prova de reparação
dos danos.
VI. Improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º. (SUSPENSÃO).
Diferentemente do que ocorre na condenação criminal, deve vir EXPRESSO na sentença. Necessário o
trânsito em julgado.
A perda ou a suspensão de direitos políticos acarreta várias consequências jurídicas, como:
 O cancelamento do alistamento e a exclusão do corpo de eleitores;
 O cancelamento da filiação partidária (LOPP, art. 22, II);
 A perda de mandato eletivo;
 A perda de cargo ou função pública;
 A impossibilidade de se ajuizar ação popular;
 O impedimento para votar ou ser votado;
 O impedimento para exercer a iniciativa popular.
Ademais, vale a pena reler o seguinte julgado sobre direitos políticos:
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA:
Info 802 do STF (2015). As hipóteses de inelegibilidade previstas no art. 14, §7º, da CF, inclusive quanto
ao prazo de seis meses, são aplicáveis às eleições suplementares. STF. Plenário. RE 843455/DF, Rel.
Min. Teori Zavascki, julgado em 7/10/2015 (repercussão geral).

Art. 14, §7º, CF. São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes
consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado
ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao
pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.

REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS
HABEAS CORPUS

MOTIVO  Violência ou coação da liberdade de locomoção.

 Qualquer pessoa (habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu
QUEM PODE USAR
favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público).

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QUEM PODE SOFRER


 Qualquer um que use de ilegalidade ou abuso de poder.
A AÇÃO

 Preventivo (caso haja ameaça de sofrer a coação);


MODOS DE HC
 Repressivo (caso esteja sofrendo a coação).

CUSTAS  (LXXVII) são gratuitas as ações de “habeas-corpus”.

#SELIGANASSÚMULAS:
Súmula nº 693 do STF. Não cabe HC contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo
em que a pena pecuniária seja a única cominada. (Isso porque Habeas Corpus é para discutir a liberdade de
alguém. Não serve para discutir multa e penas em dinheiro).
Súmula nº 695 do STF. Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade. (Se a
pena que privava a pessoa da liberdade já foi extinta. Para que se quer um habeas corpus?).
Súmula nº 606 do STF. Não cabe impetração de "habeas corpus" para o plenário contra decisão colegiada
de qualquer das Turmas (ou do próprio Pleno) do STF, ainda que resultante do julgamento de outros processos de
"habeas corpus" ou proferida em sede de recursos em geral, inclusive aqueles de natureza penal.
CF, Art. 142 § 2º: Não caberá habeas corpus em relação a punições disciplinares militares. Embora a CF
expresse que não cabe HC contra punições disciplinares, o STF tem flexibilizado a situação quando a punição
privativa de liberdade foi imposta de forma ilegal.
É cabível habeas corpus inclusive quando a liberdade de locomoção puder ser afetada indiretamente, por
exemplo, contra a quebra de sigilo bancário, caso dela possa resultar processo penal que leve à sentença de
prisão.
Diferentemente do Mandado de Segurança que só pode ser impetrado quando alguém estiver se valendo
de sua prerrogativa de "direito público", o habeas corpus pode ser impetrado contra qualquer pessoa que estiver
coagindo alguém de sua liberdade de locomoção.

MANDADO DE SEGURANÇA

MOTIVO: Proteger direito líquido e certo, não amparado por HC ou HD.

Qualquer pessoa (PF, PJ ou até mesmo órgão público – independente ou autônomo) seja
QUEM PODE USAR:
na forma preventiva ou repressiva.

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Autoridade pública ou agente de PJ no exercício de atribuições do poder público que use


de ilegalidade ou abuso de poder. Segundo a lei 12016/09, equiparam-se às autoridades:
QUEM PODE SOFRER
os representantes ou órgãos de partidos políticos; os administradores de entidades
A AÇÃO:
autárquicas; os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de
atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições.

Individual: Impetrado em nome de uma única pessoa;


Coletivo: Impetrado por:
a) Partido político com representação no CN;
MODOS DE MS: b) Organização sindical;
c) Entidade de classe; ou
d) Associação, desde que esta esteja legalmente constituída e em funcionamento há
pelo menos um ano.

Segundo a lei 12.016/09, não cabe mandado de segurança contra:


 Os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de
economia mista e de concessionárias de serviço público.
 Ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução;
 Decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo;
 Decisão judicial transitada em julgado.
#SELIGANASSÚMULAS
Súmula nº 625 do STF: Controvérsia sobre matéria de direito não impede a concessão de mandado de
segurança.
Obs. Veja que a matéria de fato alegada deve ser incontroversa, líquida e certa. Porém, nada impede que
o direito em que este fato esteja se baseando seja controverso, complexo, por exemplo, uma lei que esteja sendo
objeto de impugnação.
Súmula nº 429 do STF: A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso do
mandado de segurança contra omissão da autoridade.
Obs. A palavra principal desta súmula é a "omissão", ou seja, de que adiantaria um recurso suspensivo se
a autoridade não está agindo e sim se omitindo em agir?
Súmula nº 266 do STF: Não cabe mandado de segurança contra lei em tese.
Obs. Não se pode usar o MS para impugnar diretamente uma lei, pois isto é privativo da ação direta de
inconstitucionalidade.
Súmula nº 267 do STF: Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recursos ou
correição.
Súmula nº 268 do STF: Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado.

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Súmula nº 629 do STF: A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor
dos associados independe da autorização destes.
Obs. Veja que, diferentemente do que ocorre na representação processual, em se tratando de MS coletivo
- substituição processual -, basta autorização genérica, o que se dá com o simples ato de filiação, prescindindo-se
que a entidade esteja expressamente autorizada para tal.
Súmula nº 630 do STF: A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando
a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria.
Prazo: O direito de requerer mandado de segurança extingue-se decorridos 120 dias (prazo decadencial)
contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado.
Obs.: Este prazo de 120 dias não se aplica, obviamente, ao MS preventivo, pois se a lesão ainda nem
ocorreu, como poderíamos começar a contagem do prazo?
SELIGANASSÚMULAS #MAISSÚMULASPRAVOCÊS
Súmula nº 430 do STF. Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o
mandado de segurança.
Súmula nº 623 do STF: É constitucional a lei que fixa o prazo de decadência para a impetração de
mandado de segurança (120 dias).
Súmula nº 624 do STF: Não compete ao STF conhecer originariamente o mandado se segurança contra
atos de outros tribunais. Obs. A competência para apreciar o mandado de segurança contra atos e omissões de
tribunais é do próprio tribunal.

HABEAS DATA

HD será concedido para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa


do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades
DEFINIÇÃO
governamentais ou de caráter público, e para a retificação de dados, quando não se
prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo.
A competência para o julgamento de HD.
COMPETÊNCIA
É definida com base na hierarquia funcional do agente público, isto é, tendo por
parâmetro a autoridade ou entidade impetrada.
ATIVA - Poderá ser impetrado por qualquer pessoa, tanto natural quanto jurídica, seja
nacional ou estrangeira, para ter acesso às informações a seu respeito.
O caráter personalíssimo da ação, que culmina na conclusão de que o HD será sempre
LEGITIMIDADE
impetrado para o acesso, retificação ou anotação de informação relativa à pessoa do
próprio impetrante e não de terceiros.
PASSIVA – entidades governamentais ou particulares que tenham caráter público.

AÇÃO POPULAR

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Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que busque anular ato
lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor,
salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.
DEFINIÇÃO
É uma ação que viabiliza ao cidadão o controle da legalidade dos atos administrativos e
impede a lesividade. Consiste, portanto, na possibilidade de qualquer membro da
coletividade, com maior ou menor amplitude, invocar a tutela jurisdicional no intuito
de preservar os interesses coletivos.

Juiz de primeiro grau (Justiça Estadual ou Federal) de acordo com as regras ordinárias
COMPETÊNCIA
de definição de competência.

ATIVA – pertence ao cidadão, indivíduo dotado de capacidade eleitoral ativa e que


esteja em dia com suas obrigações eleitorais.
PASSIVA – será proposta em face das pessoas jurídicas de direito público, cujo
LEGITIMIDADE:
patrimônio se procura proteger, bem como suas entidades autárquicas e qualquer
outras pessoas jurídicas que sejam subvencionadas pelos cofres; dos responsáveis pelo
ato lesivo, vale dizer, autoridades diretamente responsáveis pelo ato que está sendo
impugnado, administradores e demais funcionários; beneficiários diretos do ato ou
contrato lesivo.
A natureza da decisão, quando for declarada a procedência do pedido, é dúplice: será
desconstitutiva ou constitutiva negativa.
Os efeitos da sentença são:
- Invalidação do ato lesivo ao patrimônio público;
DECISÃO:
- Condenação das autoridades, dos administradores, dos funcionários e dos
beneficiários, que arcarão com o ressarcimento dos danos e das perdas;
- Condenação das autoridades, dos administradores, dos funcionários e dos
beneficiários em custas e ônus de sucumbência;
- Efeito erga omnes.

PODER LEGISLATIVO
CPI FEDERAL (ART. 58, §3°, CF) – A CPI pode investigar o Chefe do Executivo, pessoas físicas ou jurídicas,
órgão ou instituições ligadas à gestão da coisa pública ou que, de alguma forma, tenham que prestar conta sobre
dinheiro, bens ou valores públicos. É uma comissão TEMPORÁRIA do Congresso Nacional. Logo, não pode
investigar o que extrapola as competências do Congresso.
Art. 58. (...) §3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das
autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara
dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de

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seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso,
encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.

REQUISITOS PARA CRIAÇÃO DE CPI


 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados ou Senado Federal
 Investigar fato determinado.
 Prazo certo de duração.

#CUIDADO: pode ser que um fato guarde relação com interesse nacional e estadual. Não há problema
nesse caso de instauração de CPI federal e CPI estadual. O que não pode acontecer é CPI federal ser criada para
investigar fatos de exclusivo interesse do Estado.
“Fatos conexos inicialmente desconhecidos e revelados durante a investigação também podem ser
investigados, desde que haja um aditamento do requerimento de criação da CPI”.

PODERES DA CPI
Poderes de investigação próprios de autoridade judicial, além dos previstos nos regimentos internos.
1. Quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e de dados (STF, MS 25668).
2. Busca e apreensão de documentos e equipamentos, respeitados a inviolabilidade do domicílio.
3. Determinar a condução coercitiva de testemunhas ou indiciados.
4. Determinar a realização de exames periciais.

LIMITES AOS PODERES DA CPI


1. Cláusula da reserva de jurisdição. Ex.: interceptação telefônica.
2. Direito de Não-Incriminação (art. 5°, LXIII, da CF).
3. Sigilo Profissional (art. 5°, LIV, da CF).
4. Não pode formular acusações, punir delitos e nem adotar medidas acautelatórias, tais como
indisponibilidade de bens (MS 23480), proibição de ausentar-se do país, arresto, sequestro e hipoteca judiciária.

#OLHAOGANCHO! Autonomia Federativa: A CPI federal PODE investigar autoridade estadual caso haja
investigação de interesse nacional e não exclusivamente estadual.

CPI ESTADUAL
 A CPI estadual tem poderes simétricos à CPI federal.

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 O STJ decidiu no AgR na Pet 1611: “CPIs estaduais não tem competência para investigar autoridades
com prerrogativa de foro em órgãos do judiciário federal”.

CPI MUNICIPAL
Deve haver previsão expressa na Constituição Estadual, Lei Orgânica do Município, etc. Além disso,
exige-se: fato determinado, prazo certo e quórum. Prevalece no âmbito doutrinário que “por não haver órgão
judicial no município, a CPI municipal não pode ter poderes de investigação próprios de autoridade judicial”.

GARANTIAS DO PODER LEGISLATIVO


Visam assegurar aos parlamentares a liberdade necessária para que desempenhem suas funções.
Atualmente o STF tem o entendimento de que o afastamento do parlamentar suspende as imunidades material e
formal, mas não afasta a prerrogativa de foro.
Art. 53, § 8º. As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só
podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva, nos casos de atos
praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a execução da medida.
Suplentes: não possuem as garantias (imunidades e prerrogativa de foro) conferidas aos parlamentares.
SENADORES E DEPUTADOS FEDERAIS:
 Foro por Prerrogativa de Função (art. 53, §1° e art. 102, I, “b”, da CF).
Art. 53, § 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento
perante o Supremo Tribunal Federal.
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - Processar e julgar, originariamente:
b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso
Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República.

#ATENÇÃO: Em improbidade administrativa não há foro por prerrogativa de função.


#IMPORTANTE: o art. 102, I, “b”, da CF prevalece sobre a regra do tribunal do júri insculpida no art. 5°,
XXXVIII.

A competência do STF tem início com a diplomação e se encerra com o fim do mandato. Se o processo
ainda não foi submetido a julgamento na ocasião do término do mandato, deve o STF remeter os autos ao juiz de
origem. Contudo, os atos praticados são válidos. Existem dois casos em que o STF permanece competente para
julgamento do processo mesmo com o término do mandato: (i) quando o julgamento já tiver sido iniciado, (ii)
renúncia com abuso de direito (Ação Penal 396) – INFORMATIVO 741 DO STF.
 Imunidades materiais (freedom of speech)
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões,
palavras e votos.
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Quando proferidas fora do Congresso, o STF exige que a manifestação tenha conexão com o exercício
do mandato.
A imunidade material tem natureza jurídica de excludente de tipicidade (STF, INQ 2273 e PET 4934).
 Imunidade Formal/Incoercibilidade pessoal relative.
Art. 53, §2º, CF. Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser
presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro
horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.
A imunidade formal não abrange só a imunidade processual, mas também a questão prisional.
OBS¹. Súmula 245 a aplicação apenas à imunidade formal
Súmula 245 STF. A imunidade parlamentar não se estende ao corréu sem essa prerrogativa.
A súmula 245 do STF, apesar de tratar “imunidade parlamentar”, atinge apenas a imunidade formal. Isso
porque a palavra “réu” só tem sentido no âmbito da imunidade formal, já que a imunidade material não leva
parlamentar, em regra, a ser réu em processo judicial;
A imunidade formal obsta a prisão cautelar do parlamentar, salvo em flagrante de crime inafiançável. A
proibição de prisão não alcança a prisão no caso de condenação definitiva transitada em julgado.
OBS². Não é mais necessária a autorização da Câmara ou Senado para que o parlamentar seja processado
e julgado. Atualmente, o PGR oferece denúncia perante o STF, que dará ciência à Casa do respectivo parlamentar,
que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria absoluta de seus membros poderá
até a decisão final sustar o andamento da ação.
#CUIDADO: os crimes praticados ANTES da diplomação NÃO são abrangidos pela IMUNIDADE
PROCESSUAL, embora APLIQUE-SE A PRERROGATIVA DO FORO.

PROCESSO LEGISLATIVO
O art. 62 da CF/88 prevê que o Presidente da República somente poderá editar medidas provisórias em
caso de relevância e urgência. A definição do que seja relevante e urgente para fins de edição de medidas
provisórias consiste, em regra, em um juízo político (escolha política/discricionária) de competência do Presidente
da República, controlado pelo Congresso Nacional.
Desse modo, salvo em caso de notório abuso, o Poder Judiciário não deve se imiscuir na análise dos
requisitos da MP. No caso de MP que trate sobre situação tipicamente financeira e tributária, deve prevalecer,
em regra, o juízo do administrador público, não devendo o STF declarar a norma inconstitucional por afronta ao
art. 62 da CF/88. STF. Plenário. ADI 1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2016 (Info 851).

PODER EXECUTIVO

FORMAS DE GOVERNO

MONARQUIA REPÚBLICA

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1. Irresponsabilidade política do governante. 1. Há responsabilização política do governante.


2. Hereditariedade. 2. Eletividade: voto.
3. Vitaliciedade. 3. Temporariedade.

SISTEMAS DE GOVERNO

PRESIDENCIALISMO PARLAMENTARISMO SEMIPRESIDENCIALISMO

1. Reunião do Chefe de Estado e 1. Há divisão do Poder Executivo. 1. Há dualidade do Poder Executivo. O


Chefe de Governo em uma mesma O Chefe de Estado é o Monarca ou Chefe de Estado é sempre o
pessoa. Presidente da República. Por outro Presidente da República. Exerce
lado, o Chefe de Governo é o importantes funções políticas, bem
Primeiro Ministro. como escolhe o Primeiro Ministro,
2. Prazo fixo de mandato. sendo este apenas aprovado pelo
Parlamento.
2. Não existe prazo fixo para
3. Independência em relação ao exercício do poder pelo Primeiro
Parlamento. Ministro, escolhido pelo
* “Recall”. Parlamento.

3. Responsabilização do Primeiro
Ministro perante o Parlamento.
“Moção de desconfiança”.

Sobre as Atribuições do Presidente da República, a leitura do Artigo 84, da Constituição Federal é


obrigatória:
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
I - nomear e exonerar os Ministros de Estado;
II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal;
III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição;
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel
execução;
V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente;
VI – dispor, mediante decreto, sobre:
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem
criação ou extinção de órgãos públicos;
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos;
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional;
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IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio;


X - decretar e executar a intervenção federal;
XI - remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da abertura da sessão
legislativa, expondo a situação do País e solicitando as providências que julgar necessárias;
XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;
XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do Exército
e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhes são privativos;
XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos
Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidente e os
diretores do banco central e outros servidores, quando determinado em lei;
XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os Ministros do Tribunal de Contas da União;
XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta Constituição, e o Advogado-Geral da União;
XVII - nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII;
XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional;
XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou
referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condições, decretar,
total ou parcialmente, a mobilização nacional;
XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional;
XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas;
XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território
nacional ou nele permaneçam temporariamente;
XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as
propostas de orçamento previstos nesta Constituição;
XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão
legislativa, as contas referentes ao exercício anterior;
XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;
XXVI - editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62;
XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta Constituição.
Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII
e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da
União, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações.

PODER JUDICIÁRIO
É importante que percebamos algo muito importante para concursos: não cabe ao STF conhecer o
mandado de segurança, nem o habeas data, nem o habeas corpus, quando o coator for Ministro de Estado (ou
Comandantes de Força), embora conheça do habeas corpus quando forem pacientes. Acontece que o habeas
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corpus coator, bem como o mandado de segurança e habeas data contra atos de Ministros está no âmbito da
Competência do STJ (CF, art. 105, I, b e c). Desta forma, em se tratando de Ministros de Estado (e Comandantes
de Força):
 Falou em "paciente" = Competência do STF.
 Falou em coator (contra atos) = Competência do STJ.
Caso a questão fale de “recurso ordinário” = sempre deverá envolver coisas ou pessoas (físicas ou
jurídicas) – tais como remédios constitucionais, crimes ou demais conflitos. Caso a questão trate de “recurso
extraordinário” (sempre ao STF) ou “recurso especial” (STJ), ela deverá falar em leis ou atos normativos.
Quando falar em conflito de "competência" = estamos diante de um conflito entre órgãos do Judiciário:
 Se envolver tribunais superiores - Competente é o STF.
 Se envolver tribunais de segundo grau - Competente é o STJ.
Quando falar em conflitos de "atribuições" = conflito entre autoridades administrativas X autoridade
judiciárias de entes diversos. Neste caso, o competente é o STJ.
Quando falarmos de recursos envolvendo conflitos com a lei federal, temos:
 Conflito "ato" local X Lei Federal = Recurso Especial no STJ.
 Conflito "lei" local x Lei Federal = Conflito federativo = Recurso Extraordinário no Supremo.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL


Vale ressaltar a leitura do artigo 102, da Constituição Federal:
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória
de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal;
b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do
Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República;
c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os
Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos
Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter
permanente;
d) o habeas corpus, sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas alíneas anteriores; o mandado de
segurança e o habeas data contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo
Tribunal Federal;
e) o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, o Estado, o Distrito Federal
ou o Território;
f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros,
inclusive as respectivas entidades da administração indireta;
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g) a extradição solicitada por Estado estrangeiro;


h) Revogado.
i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente for
autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal, ou
se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância;
j) a revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados;
l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões;
m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de
atribuições para a prática de atos processuais;
n) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados, e
aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou
indiretamente interessados;
o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre Tribunais
Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal;
p) o pedido de medida cautelar das ações diretas de inconstitucionalidade;
q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente
da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas
Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo
Tribunal Federal;
r) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional do Ministério Público;
II - julgar, em recurso ordinário:
a) o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e o mandado de injunção decididos em única
instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão;
b) o crime político;
III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a
decisão recorrida:
a) contrariar dispositivo desta Constituição;
b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;
c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição.
d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal.
§1.º A arguição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será
apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei.
§2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de
inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito
vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas
esferas federal, estadual e municipal.

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§3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões
constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso,
somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros.

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA


Da mesma forma, vale a leitura do artigo 105, da Constituição Federal, que traz a competência do
Superior Tribunal de Justiça:
Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
I - processar e julgar, originariamente:
a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de
responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos
Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais
Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério
Público da União que oficiem perante tribunais;
b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da
Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal;
c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea "a",
ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do
Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral;
d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, "o", bem
como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos;
e) as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados;
f) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões;
g) os conflitos de atribuições entre autoridades administrativas e judiciárias da União, ou entre
autoridades judiciárias de um Estado e administrativas de outro ou do Distrito Federal, ou entre as deste e da
União;
h) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão,
entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos de competência do
Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça
Federal;
i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias;
II - julgar, em recurso ordinário:
a) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos
tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória;
b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos
tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão;
c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional, de um lado, e, do
outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País;

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III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais
Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida:
a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;
b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;
c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.
Parágrafo único. Funcionarão junto ao Superior Tribunal de Justiça:
I - a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados, cabendo-lhe, dentre outras
funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na carreira;
II - o Conselho da Justiça Federal, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a supervisão administrativa e
orçamentária da Justiça Federal de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema e com poderes
correicionais, cujas decisões terão caráter vinculante.

DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS – ATRIBUIÇÕES CONSTITUCIONAIS DA


POLÍCIA FEDERAL
Neste ponto, basta a leitura do artigo 144, da Constituição Federal, que trata da segurança pública e de
sua organização, bem como traz as atribuições constitucionais da Polícia Federal:
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a
preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
§1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e
estruturado em carreira, destina-se a:
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e
interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja
prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em
lei;
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho,
sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras;
IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.
§2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em
carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.

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§3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em
carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.
§4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência
da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
§5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de
bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil.
§6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército,
subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos
Territórios.
§7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de
maneira a garantir a eficiência de suas atividades.
§8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e
instalações, conforme dispuser a lei.
§9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos relacionados neste artigo será fixada
na forma do § 4º do art. 39.
§10. A segurança viária, exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e
do seu patrimônio nas vias públicas:
I - compreende a educação, engenharia e fiscalização de trânsito, além de outras atividades previstas em
lei, que assegurem ao cidadão o direito à mobilidade urbana eficiente; e
II - compete, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, aos respectivos órgãos ou
entidades executivos e seus agentes de trânsito, estruturados em Carreira, na forma da lei.
Importante fazer a leitura do artigo acima em conjunto com o artigo 109, da Constituição Federal, pois
este último traz o rol de competência da Justiça Federa, a qual, via de regra, atrai a atuação da Polícia Federal,
tendo em vista que a esta cumpre apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de
bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras
infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se
dispuser em lei:
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na
condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as
sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho;
II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou
residente no País;
III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo
internacional;
IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da
União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a
competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;

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V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o


resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente;
V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo;
VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema
financeiro e a ordem econômico-financeira;
VII - os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier de
autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição;
VIII - os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade federal, excetuados os casos
de competência dos tribunais federais;
IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar;
X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta rogatória, após o
"exequatur", e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a
respectiva opção, e à naturalização;
XI - a disputa sobre direitos indígenas.
§1º As causas em que a União for autora serão aforadas na seção judiciária onde tiver domicílio a outra
parte.
§2º As causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na seção judiciária em que for domiciliado
o autor, naquela onde houver ocorrido o ato ou fato que deu origem à demanda ou onde esteja situada a coisa,
ou, ainda, no Distrito Federal.
§3º Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados ou beneficiários,
as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado, sempre que a comarca não seja sede
de vara do juízo federal, e, se verificada essa condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam também
processadas e julgadas pela justiça estadual.
§4º Na hipótese do parágrafo anterior, o recurso cabível será sempre para o Tribunal Regional Federal na
área de jurisdição do juiz de primeiro grau.
§5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a
finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos
humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer
fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal.
Outrossim, não podemos deixar de ler a Lei 10.446/2002, que traz as hipóteses de atuação da Polícia
Federal nos casos em que há necessidade de repressão uniforme a crimes com repercussão interestadual ou
internacional. O seu artigo 1° traz:
Art. 1o Na forma do inciso I do § 1o do art. 144 da Constituição, quando houver repercussão interestadual
ou internacional que exija repressão uniforme, poderá o Departamento de Polícia Federal do Ministério da
Justiça, sem prejuízo da responsabilidade dos órgãos de segurança pública arrolados no art. 144 da Constituição
Federal, em especial das Polícias Militares e Civis dos Estados, proceder à investigação, dentre outras, das
seguintes infrações penais:
I – sequestro, cárcere privado e extorsão mediante sequestro (arts. 148 e 159 do Código Penal), se o
agente foi impelido por motivação política ou quando praticado em razão da função pública exercida pela vítima;

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II – formação de cartel (incisos I, a, II, III e VII do art. 4º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990); e
III – relativas à violação a direitos humanos, que a República Federativa do Brasil se comprometeu a
reprimir em decorrência de tratados internacionais de que seja parte; e
IV – furto, roubo ou receptação de cargas, inclusive bens e valores, transportadas em operação
interestadual ou internacional, quando houver indícios da atuação de quadrilha ou bando em mais de um Estado
da Federação.
V - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou
medicinais e venda, inclusive pela internet, depósito ou distribuição do produto falsificado, corrompido,
adulterado ou alterado (art. 273 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal).
VI - furto, roubo ou dano contra instituições financeiras, incluindo agências bancárias ou caixas
eletrônicos, quando houver indícios da atuação de associação criminosa em mais de um Estado da Federação.
VII – quaisquer crimes praticados por meio da rede mundial de computadores que difundam conteúdo
misógino, definidos como aqueles que propagam o ódio ou a aversão às mulheres.
Parágrafo único. Atendidos os pressupostos do caput, o Departamento de Polícia Federal procederá à
apuração de outros casos, desde que tal providência seja autorizada ou determinada pelo Ministro de Estado da
Justiça.

#OLHAOGANCHO. Quando houver atuação da Polícia Federal por força da lei acima, não haverá
transferência automática da competência para a Justiça Federal.

ORDEM SOCIAL
No tocante à Ordem Social, não há grandes posicionamentos doutrinários ou jurisprudências que
merecem destaque, sendo que a leitura da Lei Seca da Constituição Federal é suficiente para garantir pontos
importantes na prova.
Assim, remetemos à leitura, em especial, dos artigos que tratam sobre o Meio Ambiente e sobre os
Índios, temas intimamente ligados à atuação da Polícia Federal, que possuem chance maior de cobrança em
nossa prova.
Chegamos ao fim de nossa revisão de Constitucional!!!
Como pudemos observar, a matéria não possui grandes complexidades, trazendo conceitos simples e de
fácil memorização, o que sem dúvida vai nos garantir diversos pontos em nossa prova.
Boa prova a todos...
Abraços do coach e amigo,
Tiago Pozza

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CRIMINOLOGIA13
Olá, Delegados e Delegadas da Polícia Federal!!!
Vamos ao Não Faça a Prova Sem Saber (NFPSS) de Criminologia. Abordaremos os principais pontos do
nosso edital, procurando, de forma didática, sanar eventuais dúvidas e fixar os pontos que merecem atenção,
para que na hora da prova possamos marcar todas as questões com confiança e certeza de que vamos fechar a
matéria, garantindo pontos rumo à aprovação.
Vem comigo!

CONCEITO – MÉTODOS: EMPIRISMO E INTERDISCIPLINARIDADE


A palavra Criminologia tem sua origem etimológica no latim “crimino”, que significa crime, e do grego
“logos”, que consiste em estudo, significando, portanto, o estudo do crime. O termo Criminologia foi utilizado
pela primeira vez em 1883 por Paul Topinard, sendo que foi Raffaele Garófalo, em seu livro Criminologia, lançado
em 1885, quem deu notoriedade ao termo.
Para Antonio García-Pablos de Molina, a Criminologia é a ciência empírica e interdisciplinar que tem por
objeto o crime, o delinquente, a vítima e o controle social do comportamento delitivo; e que aporta uma
informação válida, contrastada e confiável, sobre a gênese, dinâmica e variáveis do crime – tratando este como
fenômeno individual e como problema social, comunitário - assim como sua prevenção eficaz, as formas de
estratégias de reação ao mesmo e as técnicas de intervenção positiva no infrator.
CONCEITO TRADICIONAL CONCEITO MODERNO
Incorpora o estudo da vítima e do controle
OBJETO: Estudo do crime e do delinquente.
social.
ORIENTAÇÃO: Orientação repressiva. Orientação “prevencionista”.
- Intervenção no cenário do crime.
INTERVENÇÃO: Tratamento do criminoso. - Delito nasce na comunidade e deve ser
enfrentado no âmbito da comunidade.
Análise dos modelos de reação ao delito
Análise etiológica: estuda as causas/raízes
PARADIGMA: (processos de criminalização), sem renunciar
da criminalidade.
à análise etiológica do crime.

A Criminologia é uma ciência do ser, empírica, na medida em que seu objeto (crime, criminoso, vítima e
controle social) é visível no mundo real e não no mundo dos valores, como ocorre com o direito, que é uma
ciência do dever-ser, portanto, normativa e valorativa.
CIÊNCIA DO “SER”
CRIMINOLOGIA:
(empírica)

13 Por Tiago Pozza – Instagram @tiagopozza.

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CIÊNCIA DO “DEVER SER”


DIREITO:
(caráter normativo e valorativo)

Com o advento da fase científica da Criminologia, esta passou a utilizar o método empírico ou
experimental e indutivo, cunhado pela Escola Positiva, para estudar seu objeto (crime, criminoso, vítima e
controle social), partindo da análise de fatos, do mundo do ser, para a regra, com base no método biológico e
sociológico.

Escola Escola
Clássica Positivista
Método formal, Método empírico e
abstrato e dedutivo indutivo

A interdisciplinaridade da Criminologia decorre de sua própria consolidação histórica como ciência


dotada de autonomia, à vista da influência profunda de diversas outras ciências, tais como a sociologia, a
psicologia, o direito, a medicina legal etc.

OBJETOS DA CRIMINOLOGIA
Durante sua evolução histórica, a Criminologia passou por importantes mudanças em seu objeto de
estudo. A Escola Clássica, através dos pensamentos de Beccaria, se preocupava apenas com o estudo crime,
enquanto a Escola Positiva, capitaneada por Lombroso, se valia do estudo do delinquente. Em meados do século
XX, a vítima passou a ter maior destaque, assim como os mecanismos de controle social, assumindo um caráter
interacionista e pluridimensional.
Hodiernamente, o objeto da Criminologia se divide no estudo do delito, do delinquente, da vítima e do
controle social, sendo que tais pontos merecem atenção, pois são rotineiramente cobrados em questões de
concursos públicos.
 Delito.
Em relação ao delito, a Criminologia tem toda uma atividade de análise, que verifica a conduta antissocial,
suas causas, o tratamento dado ao delinquente, visando sua reinserção na sociedade e coibindo sua reincidência,
bem como as falhas dos processos preventivos.
A Criminologia moderna deixou de aceitar o dogma de que nossa sociedade é consensual, afirmando ser
uma sociedade conflitiva. Não se limita ao conceito jurídico-penal de delito, sob pena de perder sua autonomia e
funcionar como instrumento de auxílio do direito penal. Da mesma forma, rompe com o conceito sociológico de

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que o crime seria uma mera conduta desviada que foge aos padrões. Portanto, o delito é um fenômeno social e
comunitário, que exige o estudo de suas múltiplas formas e enfoques para a análise do fenômeno criminal.
#OLHAOGANCHO: Justiça Restaurativa – É uma nova perspectiva, oposta à ideia de Justiça Retributiva
(retribuir o mal com outro mal), fundada basicamente na restauração do mal provocado pela infração penal.
Busca o restabelecimento do status quo ante dos protagonistas do conflito criminal, com a composição de
interesses entre as partes envolvidas e reparação do dano sofrido pela vítima, por meio de acordo, consenso,
transação, conciliação, mediação ou negociação, propiciando a restauração do controle social abalado pela
prática do delito, a assistência ao ofendido e a recuperação do delinquente.
 Delinquente.
Passou a ter destaque com o surgimento da Escola Positiva e o desenvolvimento das ciências sociais,
como a Antropologia e a Sociologia, que entendiam que o criminoso era um ser atávico, preso a sua deformação
patológica.
Para os clássicos, o autor do fato, dotado de livre arbítrio, era visto como um pecador que teria optado
pelo mal quando poderia ter direcionado sua conduta para o bem.
Segundo os correcionalistas, o criminoso era um ser inferior e incapaz de governar a si próprio,
merecendo atitude pedagógica e de piedade por parte do Estado. De acordo com os marxistas, o criminoso é
uma vítima inocente das estruturas econômicas impostas pelo capitalismo.
A Criminologia moderna trata o delinquente como um ser histórico, real, complexo e enigmático, um ser
normal que pode estar sujeito às influências do meio e não aos determinismos.
 Vítima.
Inicialmente deixada de lado no estuda da Criminologia, que a considerava como algo insignificante na
existência do delito, passou por 03 (três) grandes momentos nos estudos penais. A idade de ouro, que
compreende os primórdios da civilização até o fim da Alta Idade Média, onde a vítima possuía papel de destaque,
traduzido pela Lei de Talião. O período de neutralização, que surgiu com a Santa Inquisição, passando a vítima a
perder importância frente ao Poder Público e ao monopólio da jurisdição. Por fim, a revaloração da vítima, que
ganhou destaque no Processo Penal com os pensamentos da Escola Clássica, sendo objeto de leis como no caso
dos Juizados Especiais Criminais, que conferiu grande destaque processual à vítima.

Vitimização Primária: Prejuízo oriundo diretamente do delito.

Vitimização Secundária, Sofrimentos adicionais advindos do sistema de justiça criminal (processo e


Revitimização ou investigação), decorrentes do tratamento dado pelas instâncias formais de
Sobrevitimização: controle social.

Humilhação e abandono pelo Estado e pelo próprio grupo social.

Vitimização Terciária: Vitimização indireta – Sofrimento suportado por pessoas relacionadas


intimamente à vítima do delito, que, embora não diretamente lesionadas pela
conduta criminosa, partilham de seu sofrimento.

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 Controle Social.
Formado por um conjunto de mecanismos e sanções sociais que submetem os indivíduos às normas de
convivência social. Há dois sistemas de controles que coexistem, o primeiro deles, dito informal, está
relacionado com a família, religião, escola, profissão, clubes e outros, enquanto o segundo, chamado de formal, é
representado pela Polícia, Ministério Público, Forças Armadas e demais órgãos públicos, com caráter nitidamente
mais rigoroso e com conotação político-criminal.
CONTROLE SOCIAL INFORMAL CONTROLE SOCIAL FORMAL
Família, escola, religião, clubes recreativos, Polícia, Ministério Público, Poder Judiciário,
AGENTES
opinião pública etc. administração penitenciária.

Disciplina o indivíduo por meio de um largo e


sutil processo de socialização, interiorizando Entra em funcionamento quando as instâncias
MOMENTO
ininterruptamente no indivíduo as pautas e informais de controle falham.
conduta.

Distintas estratégias (prevenção, repressão, Atua de modo coercitivo (violento) e impõe


ressocialização etc.) e diferentes sanções mais estigmatizantes, que atribuem ao
ESTRATÉGIAS
modalidades de sanções (positivas, como infrator da norma um singular status (de
recompensas, e negativas, como punições). desviado, perigoso ou delinquente).

Costuma ser mais efetivo, porque é A eficaz prevenção do crime não depende tanto
ininterrupto e onipresente, o que ajuda a da maior efetividade do controle social formal,
explicar os níveis mais baixos de senão da melhor integração do controle social
criminalidade nas pequenas cidades do formal e informal.
EFETIVIDADE interior, onde é mais forte.
O controle razoável e eficaz da criminalidade
O atual enfraquecimento dos laços familiares não pode depender exclusivamente da
e comunitários explica, em boa medida, a efetividade das instâncias do controle social,
escassa confiança depositada na sua pois a intervenção do sistema legal não incide
efetividade nas raízes do delito.

FUNÇÕES DA CRIMINOLOGIA – RELAÇÃO COM A POLÍTICA CRIMINAL E O DIREITO PENAL

A função da Criminologia, como ciência interdisciplinar e empírica, é submeter o crime a uma análise
rígida, eliminando contradições e complementando lacunas. Assim, suas principais funções são: explicar e
prevenir o crime, intervir na pessoa do infrator e avaliar os diferentes modelos de resposta ao crime.

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Ademais, também se considera função da Criminologia desenhar um diagnóstico qualificado e


conjuntural sobre o delito, de modo a permitir a compreensão científica do problema criminal, visando a sua
prevenção e interferência no homem delinquente.

DIREITO PENAL CRIMINOLOGIA POLÍTICA CRIMINAL

Analisa os fatos humanos


indesejados, define quais devem Ciência empírica que estuda o
Trabalha estratégias e meios de
ser rotulados como crime ou crime, a vítima e o comportamento
controle social da criminalidade.
contravenção, anunciando as da sociedade.
penas.
Ocupa-se do crime enquanto
Ocupa-se do crime enquanto fato. Ocupa-se do crime enquanto valor.
norma.
Política Criminal é a disciplina que oferece aos poderes públicos as opções científicas concretas mais
adequadas para o eficaz controle do crime.
Assim, a CRIMINOLOGIA tem a função de reunir um núcleo de conhecimentos verificados
empiricamente sobre o problema criminal (momento explicativo) e a POLÍTICA CRIMINAL transforma essa base
empírica em opções, alternativas e programas científicos, a partir de uma ótica valorativa (momento decisivo). O
DIREITO PENAL, por sua vez, analisa os fatos humanos indesejados, rotulando crimes e cominando penas.

MODELOS TEÓRICOS DA CRIMINOLOGIA


Os Modelos Teóricos da Criminologia podem ser classificados como Criminologia Clássica e Neoclássica,
Positivista e Moderna. Vamos analisar os pontos principais de cada um deles, buscando uma melhor
compreensão da matéria.
A Criminologia Clássica parte das ideias consagradas pelo Iluminismo, adotando as teorias do
Jusnaturalismo de Grócio e do Contratualismo de Rousseau, tendo como principais fundamentos que o crime é
um ente jurídico, não o considerando uma ação, mas sim uma infração; a punibilidade deve ser baseada no livre-
arbítrio; a pena deve ter nítido caráter de retribuição pela culpa moral do criminoso, de modo a prevenir o crime
com celeridade e severidade, restaurando a ordem social; utiliza o método lógico-dedutivo.
A Criminologia Neoclássica parte das ideias da Criminologia Clássica, destacando-se a teoria da Escolha
Racional de Clark e Cornish e a Teoria das Atividades Rotineiras de L. E. Cohen e Felson. A primeira, partindo do
pressuposto de que o homem é um ser racional, entende essa racionalidade como relativa, pois algumas variáveis
fazem com que seja feita uma análise subjetiva do autor do delito, em certo momento e contexto. Já a segunda,
também chamada de Teoria da Oportunidade, analisa o delito sob um aspecto situacional, analisando o contexto
atual da situação para entender os motivos que levam à delinquência.
A Criminologia Positivista rompe com os dogmas dos Clássicos, abandonando seus estudos, centralizando
suas pesquisas no delinquente. O positivismo nega com veemência o livre arbítrio como fundamento da
responsabilidade, por ser o homem determinado em suas ações por causas endógenas e por causas exógenas
derivadas de fatores físicos, econômicos e sociais, servindo-se do método indutivo ou experimental no estudo do
crime. Para os positivistas, o criminoso era um ser atávico, fruto da regressão a estados primitivos da
humanidade, sendo este o núcleo da construção da ideia do criminoso nato, que seria uma variedade humana
que se distinguia entre si por uma rica gama de anomalias ou estigmas de origem atávica ou degenerativa.
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Por fim, na Criminologia Moderna, o estudo do homem delinquente migrou para um segundo plano,
como consequência de mudanças sociais e da necessária superação dos enfoques individualistas em atenção aos
objetivos político-criminais, deslocando-se prioritariamente à conduta delitiva, à vítima e ao controle social. O
delinquente é examinado, em suas interdependências sociais, como unidade biopsicossocial (e não de uma
perspectiva biopsicopatológica, como em obras orientadas pelo espírito individualista e correcionalista da
criminologia tradicional).

TEORIAS SOCIOLÓGICAS
As teorias criminológicas são concebidas dentro de uma perspectiva macrocriminológica, ou seja, não
examina a interação entre indivíduos e pequenos grupos. Faz uma abordagem da sociedade como um todo,
mediante o estudo do fenômeno delituoso, obtendo diferentes respostas explicativas da criminalidade.
As duas principais divisões da macrossociologia que influenciam o pensamento criminológico são as
teorias do consenso ou da integração, de caráter funcionalista, e as teorias do conflito, com caráter mais
argumentativo, dividindo visões conflitivas da sociedade.
Nos dizeres de Shecaira, qualquer que seja a visão adotada para a análise criminológica, a sociedade é
como a cabeça de Janus, e suas duas faces são aspectos equivalentes da mesma realidade (SHECAIRA, Sérgio S.
Criminologia. P. 131).
Segundo a Teoria do Consenso, a finalidade da sociedade é atingida quando há um perfeito
funcionamento das suas instituições de forma que os indivíduos compartilham os objetivos comuns a todos os
cidadãos, aceitando as regras vigentes e compartilhando regras sociais dominantes. A ordem é baseada em um
consenso geral em torno de valores, derivando destes o estabelecimento da força. As principais Teorias do
Consenso são a Escola de Chicago, a Teoria da Associação Diferencial, Teoria da Anomia e a Teoria da Subcultura
Delinquente.
Já as Teorias do Conflito pregam que a coesão e a ordem da sociedade são fundadas na força e na
coerção, na dominação de alguns e sujeição de outros, ignorando a existência de acordos de valores que dão
origem e estabelecem a força. A coerção imposta que traz coesão às organizações sociais. A Teoria do Lebelling
Approach ou Etiquetamento e a Teoria Crítica são as teorias com maior repercussão dentro do conflito.

ESCOLA DE CHICAGO
A Escola de Chicago possui base sociológica inserida no que se chama de Teorias do Consenso. Isso
significa que, para a teoria, a finalidade da sociedade é atingida quando há um perfeito funcionamento das suas
instituições de forma que os indivíduos compartilham os objetivos comuns a todos os cidadãos, aceitando as
regras vigentes e compartilhando regras sociais dominantes. A ordem é baseada em um consenso geral em torno
de valores, derivando destes o estabelecimento da força.
A escola de Chicago também é chamada de escola ecológica, por tratar a criminalidade com base na
análise das relações dos indivíduos com o meio em que vivem. Os estudos foram feitos na cidade de Chicago,
onde se buscou observar a disposição geográfica do aparato urbano, a fim de se verificar padrões de maior ou
menor criminalidade.

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A cidade foi dividida em vários círculos concêntricos, em que seu centro era chamado de Loop. Foi
observado que quanto mais próximos deste loop maiores os índices de criminalidade da região. Paralelamente,
verificou-se que quando mais longe do loop, melhores as condições financeiras da população.
A desorganização urbana de áreas próximas ao centro faz com que nesses locais sejam desenvolvidas
atividades ilícitas. Ademais, há maior abandono do Estado com relação à iluminação, à segurança pública e outros
fatores que contribuem para a deterioração do ambiente, já que poucas pessoas vivem nesses locais.
Somado a isso, muitas das pessoas que vivem nessas regiões de alta criminalidade são imigrantes, que
não estão integrados à sociedade. Por essa razão, tem-se uma ausência de controle social informal, já que foram
separados de seus familiares e amigos ao se mudarem para o novo local (no estudo em questão, a cidade de
Chicago). Essa ausência de controle social informal contribui também para o aumento do número de delitos.
#SELIGANATABELA:

ESCOLA DE CHICAGO OU ESCOLA ECOLÓGICA

 Relação entre criminalidade e crescimento desordenado das cidades.


 Divisão da cidade de Chicago em zonas, verificando-se maior criminalidade em zonas
mais próximas do centro, habitadas por imigrantes e indivíduos marginalizados pela
sociedade. Em regiões mais distantes do centro, pessoas com melhores condições financeiras
Aspectos e menor criminalidade.
Principais  Ausência de controle informal (realizado pela sociedade, por meio de suas instituições,
como vizinhança, família, igreja etc.).
 Propõe o aumento do controle informal, por meio de mecanismos que promovessem
maior integração da sociedade, em atividades comunitárias e recreativas. Ainda, quanto aos
imigrantes, projetos para o resgate de suas raízes culturais.
Abriu um novo campo para a criminologia, que, até então, se preocupava com a pessoa do
criminoso. Rompeu, portanto, com o positivismo criminológico. Até a Escola de Chicago, a
Pontos
solução proposta para o combate da criminalidade era centrada na pena. Aqui, por outro lado,
Positivos
já se verificam ideias de planejamento urbano, com políticas públicas de integração dos
indivíduos marginalizados à sociedade.
 Não leva em consideração a criminalidade das classes abastadas da sociedade (crimes de
colarinho branco).
Críticas
 Se por um lado rompe com o positivismo, por outro traz um forte determinismo na
análise da criminalidade com base em cada uma das zonas da cidade.

TEORIA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL


Também denominada como uma Teoria do Consenso, tem como expoente Edwin Sutherland. O autor
tratou da criminalidade de colarinho branco, isto é, de crimes cometidos por pessoas das classes mais ricas,
buscando compreender o que levava esses indivíduos a praticaram delitos.
Sutherland percebeu que o delito surge com a inclusão da pessoa em uma associação diferencial, que
seria um grupo de pessoas que predispõe seus membros à violação da lei. O autor parte da premissa de que toda

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conduta humana, inclusive a de praticar crimes, é aprendida. E o crime, assim como qualquer outra conduta, é
aprendido nas relações sociais em que a pessoa está inserida.
Normalmente, a pessoa aprende suas condutas em suas associações comuns com os demais membros da
sociedade e também nas associações diferenciais, em que a carga de aprendizado se dirige à violação de normas.
E quanto mais próximas e íntimas essas associações diferenciais, maior o grau de aprendizado do comportamento
criminoso.
#SELIGANATABELA:

TEORIA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL

 O crime, assim como os demais comportamentos sociais, pode ser aprendido.


 O aprendizado do crime se dá por meio das associações diferenciais que o indivíduo forma
com os demais membros da sociedade.
Aspectos  Quanto mais íntima a associação, maior a intensidade do aprendizado.
Principais
 O delinquente surge quando as definições favoráveis à violação da norma superam as
desfavoráveis.
 A teoria tenta explicar a criminalidade do colarinho branco, já que nesses casos ela não podia
ser justificada por meio da miséria.
 Assim como a Escola de Chicago, a Teoria da Associação Diferencial rompe com o positivismo
criminológico, desconsiderando os aspectos biológicos do indivíduo como determinantes
Pontos para a prática de delitos.
Positivos
 Chamou a atenção para a existência de criminalidade fora dos setores marginalizados da
sociedade.
 Não questiona a seletividade do sistema penal.
Críticas  Desconsidera a autonomia dos indivíduos, que se tornariam criminosos simplesmente em
razão da convivência com determinadas pessoas. Deixa de lado muitos outros fatores que
contribuem para a criminalidade em uma postura determinista.

TEORIA DA ANOMIA
Inserida no tronco das Teorias Estruturais Funcionalistas (#CESPEUSAOTERMO), que se caracterizam por
interpretar e analisar o crime como fenômeno social, normal e funcional, a Teoria da Anomia tem origem no
pensamento de Émile Durkheim e é desenvolvida por Robert Merton, que adaptou a teoria em questão ao
modelo de vida americano da primeira metade do século XX. Durkheim desenvolve a ideia de que em uma
sociedade é necessário identificar quem cumpre cada função e como as funções de cada um se relacionam. Para
que isso funcione, deve haver uma consciência coletiva, que nada mais é do que um conjunto de valores, regras,
modos de agir, partilhados por toda a sociedade.
O crime, dentro de certos limites, era visto como algo natural, que possui sua própria função na
sociedade. Anomia não seria o crime, e sim o desmantelamento da consciência coletiva. Isto é, a população passa
a não mais agir de acordo com aqueles valores e regras dominantes, quebrando os vínculos de solidariedade ora
existentes.
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A teoria tem caráter funcionalista e vê no crime até mesmo uma utilidade. A função na pena, porém, não
seria a prevenção, e sim a satisfação da consciência coletiva, reforçando aqueles valores sociais. Merton vai além
e institui a noção de “metas culturais” e de “meios institucionalizados” para obtê-las. A sociedade de consumo
impõe metas que os indivíduos, diante da ausência de oportunidades, não conseguem atingir utilizando meios
institucionalizados.
Diante desse cenário, alguns indivíduos cometem crimes, como os patrimoniais, para que consigam
alcançar as metas culturais. Merton se refere a esse tipo como não conformista inovador, por não se conformar
com a impossibilidade de atingimento dos objetivos sociais e inovar nos meios para atingi-los, por meio do crime.
A situação de anomia, portanto, instala-se diante do esfacelamento da consciência coletiva a respeito dos
valores predominantes no campo social. E isso se dá quando os indivíduos não se conformam com a ausência de
meios institucionais para que se atinjam os objetivos impostos pela sociedade.
#SELIGANATABELA:

TEORIA ESTRUTURAL FUNCIONALISTA DA ANOMIA

 Considera o crime algo normal.


 A teoria falha ao explicar as razões para o cometimento de crimes não patrimoniais ou
mesmo aqueles que, apesar de não serem patrimoniais, geram lucro com a sua prática.
 A teoria não explica a criminalidade de colarinho branco, praticada por aqueles que
possuem os meios institucionais para atingir as metas culturais.
Críticas
 Não há uma visão crítica da imposição de metas culturais por grupos opressores das classes
mais altas da sociedade.
 Na formulação, todos os indivíduos pertencentes aos estratos sociais inferiores fatalmente
praticariam crimes, eis que sujeitos à mesma pressão derivada da estrutura social
defeituosa.

TEORIA DA SUBCULTURA DELINQUENTE


Tem como representante Albert Cohen. A teoria, também inserida nas teorias do consenso, tem um
objeto mais restrito: as gangues urbanas. Ela não se propõe a estudar o fenômeno criminal de forma ampla,
restringindo a análise a gangues de jovens dos Estados Unidos.
A sociedade americana dos anos 50 vivia o chamado American Dream, em que determinados valores
eram impostos à sociedade como corretos e como aquilo que deveria ser alcançado. No entanto, grande parte
dos jovens americanos não podia usufruir desses valores da cultura dominante, de modo que acabavam
formando as chamadas subculturas.
Esses jovens, desde cedo, internalizam a ideia de que vão fracassar na busca desses valores que se
mostram tão distantes. Com isso, acabam preferindo ser o oposto daquilo que a sociedade espera que eles sejam.
Dessa forma, acabam por não buscar os valores dominantes, que só serviriam para lembra-los de seu próprio
fracasso. Criam, então, sua própria cultura dentro da cultura dominante. Exemplo disso pode ser encontrado nas
pichações em grandes cidades, que não deixam de ser uma forma de inserção dessa subcultura em meio à cultura
imposta.

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Esses indivíduos buscam seus semelhantes no meio social e formam subculturas delinquentes, que terão
por referência valores com os quais todos os seus membros concordam.
#SELIGANATABELA:

TEORIA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL

As minorias possuem subculturas que diferem e se chocam com as maiorias. Baseiam-se principalmente no jovem
delinquente, sob o ponto de vista da rebeldia contra os valores estabelecidos pela classe média dominante, razão
pela qual passam a professar outros valores e metas ou, ainda, a legitimar práticas ilegais para alcançar as metas
gerais.
Cohen se propôs a tentar explicar o motivo pelo qual os jovens das classes mais baixas e de determinados bairros
tendem à delinquência, afirmando que, em razão da estruturação das classes sociais, é muito difícil para os
membros das classes baixas terem acesso aos valores professados pelas classes dominantes. Disso, deriva um
estado de frustração que culmina com a delinquência.
 Não-utilitária: Não possui objetivos de ganhos.
 Maldosa: Tendo em vista derivar do desprezo da sociedade da qual estão despojados.
Características das
 Negativista: Por possuir regras que, apesar de irem de encontro aos valores da classe
Subculturas
dominante, são legítimas conforme seus próprios padrões.
Delinquentes
 Flexível: Não se especializa em determinado desvio.
 Short-run Hedonism: Prazer imediato, sem objetivos ou metas em longo prazo.
 The College Boy: O jovem aceita as metas estabelecidas.
Modos de  Stable Corner-boy Response: Aceita seu caminho de vida, mas não rompe com a
Adaptação sociedade.
 Delinquent Response: Rejeita todos os padrões estabelecidos e segue sua subcultura.

#DICADOCOACH: Subcultura não se confunde com contracultura. Esta tem seus valores em contradição
aos pregados pela sociedade tradicional, ao passo que a subcultura está inserida no contexto dos valores
dominantes, embora crie valores próprios diante da impossibilidade de atingimento dos que lhes foram impostos.

LABELLING APPROACH
Aqui não temos uma teoria do consenso, mas sim uma teoria do conflito, que prega que a coesão e a
ordem da sociedade são fundadas na força e na coerção, na dominação de alguns e sujeição de outros, ignorando
a existência de acordos de valores que dão origem e estabelecem a força. A coerção imposta que traz coesão às
organizações sociais.
É também chamada de interacionismo simbólico, reação ou rotulação social ou teoria do etiquetamento.
Contrapondo o fato de que o desviante sempre foi visto como alguém que trazia em si o próprio desvio, busca
mudar essa ideia defendendo que, em verdade, o desvio decorre de um rótulo que é atribuído a esses indivíduos.

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Deixa-se de tentar entender as razões da prática de crimes, passando-se a refletir a respeito de como são
selecionadas as condutas a serem criminalizadas. Trata-se do grande mérito da teoria: demonstrar que o sistema
penal seleciona uma parcela da população sobre a qual incidirá com mais veemência.
O rótulo funciona de duas maneiras: quando uma pessoa é rotulada, ela sofre um impacto em sua própria
identidade, passando a se comportar conforme as expectativas que os demais têm delas. O fenômeno está
intrinsecamente relacionado à institucionalização e à prisionização. As pessoas presas ou institucionalizadas
mudam muito, conforme sua personalidade vai sendo deteriorada pelo regime do local em que estão. Ao final,
esses indivíduos perdem grande parcela de sua identidade individual, passando a adotar o rótulo que lhes foi
atribuído. Deve-se ter visão crítica e perceber que o sistema, da forma como é construído, serve apenas ao
estímulo da reincidência, criando verdadeira carreira criminal.

DESVIO PRIMÁRIO DESVIO SECUNDÁRIO

 O sistema punitivo acionado em razão do desvio


secundário redefine a personalidade do indivíduo,
acabando por direcioná-lo a uma “carreira
 Contrariedade da conduta do indivíduo às normas, criminosa”, gerando sua reincidência (ideia de
o que gera a aplicação de uma pena. “profecia autorrealizável”: a pena servirá para
consolidar o desviado em seu papel de
delinquente).

#DICADOCOACH: A criminalização terciária significa que existem agentes estigmatizantes que vão desde
o mercado de trabalho até o próprio sistema penitenciário e rotulam o indivíduo. Nada mais é que o
etiquetamento tratado pelo Labelling Approach. Importante lembrar que a criminalização primária está atrelada
ao poder de criar a lei. É o ato legislativo que estabelece o programa punitivo. Isto é, a escolha do que seria ou
não crime. Na criminalização primária, a seletividade do sistema penal já atua, atendendo aos interesses das
classes dominantes. A criminalização secundária, por sua vez, refere-se ao poder de aplicá-la. É a concretização
do programa punitivo criado pelo Legislativo.

CRIMINOLOGIA CRÍTICA
Aqui temos outra teoria do conflito, que também é conhecida como criminologia radical, nova
criminologia ou criminologia moderna. Surgiu nos anos setenta do século passado e tem como premissa o
redimensionamento do objeto da Criminologia a partir de uma nova visão do fenômeno criminal. Neste novo
cenário, o papel desempenhado pelas estruturas de poder é reconhecido como relevante, ingressando na
atmosfera de análise científica como vetor produtor da criminalidade.
Alessandro Baratta, criminólogo italiano que inspirou a Criminologia Crítica no Brasil, tenta articular uma
ideia de mínima intervenção penal, um modelo de substituição de formas de controle, sem, contudo, abdicar das
garantias. Como ele sintetizou: superação do sistema penal tradicional em direção a um sistema de defesa e
garantia dos direitos humanos.
#DICADOCOACH – As principais críticas direcionadas à Criminologia Crítica dizem respeito à
desconstrução do sistema penal sem nenhuma alternativa programática. Apesar disto, não há como negar o
mérito de advertir o criminólogo sobre a importância

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Dentro desta análise da Criminologia Crítica - em especial, da ideia de mínima intervenção penal
proposta por Baratta - devemos destacar alguns pontos sobre o Direito Penal Mínimo. Nas lições de Paulo
Queiroz, dizer que a intervenção do Direito Penal é mínima significa dizer que o Direito Penal deve ser a ultima
ratio, limitando e orientando o poder incriminador do Estado, preconizando que a criminalização de uma conduta
somente se justifica se constituir um meio necessário para a proteção de determinado bem jurídico. O Direito
Penal somente deve atuar quando os demais ramos do Direito forem insuficientes para proteger os bens jurídicos
em conflito (QUEIROZ, Paulo. Sobre a Função do Juiz Criminal na Vigência de um Direito Penal Simbólico.
IBCcrim, nº 74, 1999).
Para defender este entendimento, os doutrinadores se apoiam em diversas garantias constitucionais e
princípios básicos do direito, tais como: insignificância, adequação social da conduta, intervenção mínima,
subsidiariedade, proporcionalidade e dignidade humana, princípios corolários de um estado democrático de
direito, sendo, portanto, inegável que o Direito Penal deve se adequar a estas garantias e princípios
constitucionais, exsurgindo-se daí, a necessidade de uma política criminal que busque restringir a aplicação do
Direito Penal para quando o bem jurídico penalmente protegido sofra efetivamente uma lesão que autorize a
aplicação da medida devassadora à liberdade do cidadão.
Destarte, sob o prisma do direito penal mínimo, deve-se observar o grau de lesividade da conduta tida
como ilícita, isto é, deve-se aferir se a conduta praticada pelo agente lesou o bem jurídico penalmente protegido
de tal sorte a merecer a aplicação da medida de ultima ratio. Somente vislumbrando-se uma significante lesão ao
bem jurídico tutelado é que as sanções penais poderão ser aplicadas em detrimento do infrator.
Importa destacar que a teoria do direito penal mínimo não se resume a defender a exclusão da
tipicidade nos casos em que o grau de lesividade da conduta assim recomendar, pois, essa premissa é típica do
princípio da insignificância. Mais do que isso, o direito penal mínimo representa, antes e acima de tudo, uma
política criminal em crescente evolução que proclama a necessidade de ponderações que torne a persecução
penal mais justa, mais razoável. A título de exemplo, podemos citar a Lei 12.403/11 (denominada Lei das Medidas
Cautelares) que retrata nitidamente a busca por um direito penal minimalista, inovando de forma significativa a
seara processual penal, corroborando com a excepcionalidade da prisão provisória, antes tão banalizada.
A teoria do direito penal mínimo ganha ainda mais força quando observamos a real condição do sistema
prisional brasileiro, um meio cruel de punir o apenado, em total dissonância com a garantia contida no art.
5º, XLVII, e, da Constituição Federal (proibição de penas cruéis). Assim, antes de submeter um cidadão a uma
medida tão degradante, há que se avaliar - com extrema prudência - a real necessidade de tal censura.
Ao ensejo, cumpre trazer a lição de Callegari:
Haja vista que o Direito Penal lida com o bem jurídico liberdade, um dos mais importantes dentre todos,
nada mais lógico do que esse ramo do Direito se obrigar a dispor das máximas garantias individuais. E mais,
conhecendo o nosso sistema carcerário, fica claro que só formalmente a atuação do Direito Penal restringe-se à
privação da liberdade. Na prática, a sua ação vai mais além, afetando, muitíssimas vezes, outros bens jurídicos de
extrema importância, como a vida, a integridade física e a liberdade sexual, verbi gratia; uma vez que no atual
sistema prisional são frequentes as ocorrências de homicídios, atentados violentos ao pudor, agressões e diversos
outros crimes entre os que ali convivem (CALLEGARI, André Luiz. O Princípio da Intervenção Mínima no Direito
Penal. IBCcrim, n°. 70, 1998, p. 47).
#DICADOCOACH – Importante frisar que o Direito Penal Mínimo não busca a abolição do Direito Penal,
mas sim a indevida inflação deste, defendendo a criação de crimes que efetivamente coloquem em risco o bem
jurídico que merece proteção. Assim, vale ressaltar que seus extremos opostos são as teorias do Direito Penal
Máximo e do Abolicionismo Penal.

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PREVENÇÃO DA INFRAÇÃO PENAL NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO


Prevenção do delito no Estado Democrático de Direito é o conjunto de ações que visam coibir a
ocorrência de delitos. São divididas em medidas diretas e indiretas.
As medidas diretas estão relacionadas com o iter criminis, sendo implementadas através da repressão aos
crimes mais graves; implementação de programas de tolerância zero; atuação da polícia ostensiva na
comunidade, que, nos pequenos crimes, adotam medidas administrativas em substituição ao direito penal;
aparelhamento e treinamento das polícias judiciárias, buscando a prevenção e a repressão de todos os
seguimentos da criminalidade; além da elevação de valores morais, através do culto à família, religião e costumes.
Já as medidas indiretas visam atuar sobre a causa dos delitos, sem atingi-los de imediato, focando em
dois caminhos, quais sejam: o indivíduo e o meio em que este está inserido. Quanto ao indivíduo, as ações devem
considerar seu aspecto pessoal, levando em conta seu caráter e temperamento, moldando e motivando sua
conduta. Por fim, em relação ao meio social, este deve ser analisado sob uma ampla perspectiva, visando a
redução da criminalidade, conjugando ações sociais, políticas e econômicas, que trazem uma melhora na
qualidade de vida da comunidade.
Ainda sobre a prevenção da Infração Penal no Estado Democrático de Direito, há que se ressaltar a
existência da Prevenção Primária, Secundária e Terciária, sendo que adotaremos os conceitos fornecidos por
Antonio García-Pablos de Molina, referência no saber criminológico.
A Prevenção Primária (ou programas de prevenção primária) se orientam para as mesmas causas, para a
origem do conflito criminal, neutralizando-o antes que se manifeste. Tratam de criar pressupostos necessários ou
de resolver as situações criminógenas de maior carência, procurando uma socialização de acordo com os
objetivos sociais. Nesse sentido, educação, trabalho, socialização, qualidade de vida, bem-estar social, são
pilares para que os cidadãos possam melhorar seu comportamento, resolvendo conflitos sem o uso da violência.
Já a Prevenção Secundária, atua nos locais onde os índices de criminalidade são mais avançados. É uma
atuação mais concentrada e objetiva, com foco em áreas de maior violência, como comunidades carentes
dominadas pelo tráfico. Outra vez adotamos os ensinamentos de Antonio García-Pablos de Molina, segundo
quem os programas de prevenção secundária atuam mais tarde em termos etiológicos e não quando ou onde o
conflito criminal se produz ou é gerado, mas quando e onde o mesmo se manifesta, quando e onde se exterioriza.
Opera a curto e médio prazo, se orientando de forma seletiva a setores específicos da sociedade.
Esta prevenção se manifesta através da política legislativa penal e da ação policial, visando uma
prevenção geral. Programas de prevenção policial, de controle dos meios arquitetônicos como instrumento de
autoproteção, desenvolvidos em bairros localizados em terrenos mais baixos, são exemplos dessa modalidade de
prevenção.
Por fim, a Prevenção Terciária tem um único destinatário: a população carcerária, buscando evitar a
reincidência. É caracterizada por programas que atuam tardiamente no problema criminal, sendo na maioria das
vezes ineficazes, pois enfrentam um conjunto de regras informais existentes dentro das penitenciárias, tanto por
parte da população carcerária, quanto pela administração, que geram um estado permanente de angústia, que
ataca e imputa sofrimento ao condenado. Através de punições formais e informais, ataques, violações morais e
físicas, esse conjunto de regras busca despersonalizar o indivíduo no cárcere, transformando-o em um objeto.
Essas regras comprovam que o sistema prisional é um mal necessário, porém, cruel.
PROGRAMAS DE PREVENÇÃO

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PRIMÁRIA SECUNDÁRIA TERCIÁRIA


Estratégias de prevenção de
natureza mais situacional que
Buscar combater as causas,
CARACTERÍSTICA etiológica (não combate a raiz Prevenção especial do delito
a raiz do crime – prevenção
PRINCIPAL: do crime, mas o impede de se (ressocialização do criminoso).
etiológica.
manifestar em determinadas
situações).

Não atua quando nem onde a A mais distante das raízes do


vontade de praticar um crime crime.
Atua antes de o crime ser
MOMENTO se produz, senão quando e
gerado. Opera no âmbito
onde se manifesta ou
exterioriza. penitenciário.

Se orienta seletivamente aos


grupos que ostentam maior O recluso (população
DESTINATÁRIO Todos os cidadãos.
risco de sofrer ou protagonizar encarcerada).
um crime.

Política legislativa penal, ação


Política cultural, econômica
policial.
e social (educação e
Instrumentos não penais que
socialização, casa, trabalho,
INSTRUMENTOS bem-estar social, qualidadealteram o cenário criminal Programas reabilitadores,
UTILIZADOS de vida). modificando alguns dos ressocializações e de inclusão.
elementos do mesmo (espaço
Intervenção comunitária, e
físico, desenho arquitetônico,
não mera dissuasão penal
urbanístico, atitudes de
(intimidação).
vítimas, efetividade policial).

Efeito dissuasório indireto.


Pretende-se colocar obstáculos
de todo tipo ao criminoso no
processo de execução do plano
FIM Neutralizar as causas da criminal, mediante uma Evitar a reincidência.
PERSEGUIDO criminalidade. intervenção seletiva no cenário
do crime que encarece os
custos deste para o criminoso
(incremento do risco,
diminuição dos benefícios).

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MODELOS DE REAÇÃO AO CRIME


Os Modelos de Reação ao Delito podem ser divididos em modelo clássico ou dissuasório, ressocializador
e restaurador ou da justiça restaurativa.
O Modelo Clássico se polariza em torno da pena e do rigor e severidade da aplicação desta, com o fim
preventivo e de mecanismo intimidatório. Para esse modelo, a pena apresenta finalidade exclusivamente
retributiva, devendo ser proporcional ao dano causado e ostentar caráter intimidatório, para a reprovação com
a retribuição do mal causado e a prevenção de futuros delitos. Não há, portanto, preocupação com a
ressocialização do condenado ou a reparação dos danos causados pela infração penal. Tem como protagonistas o
Estado e o delinquente, assumindo a vítima e a sociedade posição secundária.
#OLHAOGANCHO – Existe ainda um viés Neoclássico que trabalha a efetividade do impacto dissuasório
ou contramotivador, analisando o sistema legal pela ótica do infrator, deixando a severidade abstrata das penas,
característica do Modelo Clássico, para segundo plano.
Com relação ao Modelo Ressocializador, atribui-se à pena a finalidade (utilitária ou relativa) de
ressocialização do infrator, também chamada de prevenção especial positiva. Segundo esse modelo, acredita-se
que o Direito penal poderia de forma eficaz, intervir na pessoa do delinquente, sobretudo quando ele estivesse
preso, para melhorá-lo e reintegrá-lo à sociedade.
Assim, considerado humanista, o modelo ressocializador defende que a pena, com caráter utilitário,
apresenta finalidade de prevenção especial positiva, destinando-se à reinserção social mediante uma
intervenção positiva na pessoa do condenado, não se restringindo à noção de castigo, ou seja, de retribuição ao
mal causado.
Ataca a raiz do conflito (educação, emprego, moradia, segurança), despontando a inelutável necessidade
de o Estado, de forma célere, implantar os direitos sociais progressiva e universalmente, atribuindo a fatores
exógenos a etiologia delitiva; a prevenção primária liga-se à garantia de educação, saúde, trabalho, segurança e
qualidade de vida do povo, instrumentos preventivos de médio e longo prazo.
Por fim, a Justiça Restaurativa pode ser conceituada como uma resposta ao crime diferente da resposta
da justiça criminal. Atua de forma objetiva quando busca solucionar o problema do crime considerando suas
causas e consequências, e de forma subjetiva quando incluiu pessoas direta e indiretamente afetadas pelo crime
na solução dos problemas. As vítimas, em especial, têm um papel de maior relevância e proteção, sendo que ao
infrator é oportunizada a reparação dos danos por ele causados.
Busca o restabelecimento do status quo ante dos protagonistas do conflito criminal, com a composição
de interesses entre as partes envolvidas e reparação do dano sofrido pela vítima, por meio de acordo, consenso,
transação, conciliação, mediação ou negociação, propiciando a restauração do controle social abalado pela
prática do delito, a assistência ao ofendido e a recuperação do delinquente. No Brasil, um exemplo clássico da
Justiça restaurativa são os Juizados Especiais.
Segundo Natacha Alves, por conceber o crime como um conflito interpessoal, a solução do conflito deve
advir das próprias partes nele envolvidas, de forma flexível e informal, por meios alternativos ao castigo,
majorando a possibilidade de pacificação social do problema e reduzindo os efeitos deletérios e estigmas
oriundos da tradicional persecução penal.
Assim, a atuação das partes no processo restaurativo deve compreender a exposição dos fatos e
sentimentos da vítima e a assunção da culpa pelo ofensor, de forma voluntária e confidencial, pelo processo de
compreensão do mal praticado, garantindo-se a assistência jurídica necessária.

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Chegamos ao fim de nossa revisão de Criminologia!!!


Como pudemos observar, a matéria e mais simples do que parece. Os conceitos não são complexos e
podem ser facilmente compreendidos e memorizados.
Tenho certeza que vamos acertar todas as questões que nos aguardam, somando pontos que nos
colocarão à frente de nossos concorrentes!
Boa prova a todos...
Abraços do coach e amigo,
Tiago Pozza

DIREITO EMPRESARIAL
DIREITO DE EMPRESA. EMPRESÁRIO. CAPACIDADE.
O CC/02 adotou a TEORIA DA EMPRESA, de modo que todo aquele que exerce empresa (atividade) será
considerado empresário. Veja a síntese do art. 966, e de seu parágrafo único14:

Regra: Adoção de Art. 966 do CC


critério material • Profissionalmente
par
• Atividade econômica
enquadramento
dos agentes • Organizada
econômicos • Produção ou circulação de bens ou serviços

Regra
Profissionais
TEORIA DA intelectuais
EMPRESA Exceção: Adoção Exceção: quando o exercício da profissão constitui
de outros elemento de empresa
critérios para Exercente de Regra
determinados atividade rural
agentes Exceção: quando optar por registro na Junta
econômicos Comercial (natureza constitutiva)
específicos Cooperativas
Sociedade por ações
Sociedades de advogados

14
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou
artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de
empresa.

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Sujeição ao regime jurídico empresarial


Não sujeição ao regime jurídico empresarial

#ATENÇÃONODETALHE
Empresário é gênero. Empresário é todo aquele que exerce a atividade empresa
Se o exercente for uma pessoa física. Se o exercente for uma pessoa jurídica.
Chamamos essa pessoa de EMPRESÁRIO INDIVIDUAL. Chamamos de SOCIEDADE EMPRESÁRIA ou de EIRELI.

#CUIDADO! Como funciona a responsabilidade do empresário individual? Sua responsabilidade é


ilimitada, justamente em virtude do fato de que não há a constituição de outra pessoa (outro centro de
imputação). Sendo assim, os bens individuais do empresário individual respondem pelas dívidas contraídas no
exercício da empresa.

VEDAÇÕES AO EXERCÍCIO DE EMPRESA

Os legalmente impedidos15
• Art. 1011, §1º do CC: condenados a certos crimes
relacionados na norma;
Os que não estão no pleno gozo da capacidade civil • Art. 117, X da Lei 8112/90: servidores públicos
(exceção: exercício de atividade empresarial por federais;
incapaz, mediante autorização judicial – art. 974 do
CPC). • Art. 36, I da LC 35/79 – LOMAN: magistrados;
• Art. 44, III da Lei 8625/93: membros do Ministério
Público; #ATENÇÃO.
• Art. 29 da Lei 6880/80: militares.

EMPRESÁRIO INCAPAZ
Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes
exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança.
Os bens que o incapaz possuía antes da declaração de O incapaz pode ser sócio, mediante autorização judicial.
incapacidade ou sucessão não podem ser penhorados
Nesse caso, basta que:
para pagar dívidas da sociedade.

15
#CUIDADO! A proibição é para o exercício de empresa, podendo ser sócios ou cotistas de responsabilidade limitada, desde
que não exerçam funções de gerência ou administração.

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#PROTEÇÃODOINCAPAZ.  Não seja o administrador


 Que o capital esteja integralizado e
 Que ele esteja assistido/representado.

INSCRIÇÃO E REGISTRO

Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da


respectiva sede, antes do início de sua atividade.
 Empresário individual ou Sociedade empresária precisam se registrar na Junta
INSCRIÇÃO DO Comercial antes de iniciar suas atividades, sob pena de exercer sua empresa
EMPRESÁRIO irregularmente.
CONSEQUÊNCIA PELO NÃO REGISTRO: será considerado empresário e se submeterá às regras
do regime jurídico empresarial, embora esteja irregular, do que sofrerá algumas consequências
jurídicas (ex. impossibilidade de requerer recuperação judicial – art. 48, Lei 11. 101/100516).
Art. 970. A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao empresário
INSCRIÇÃO DO rural e ao pequeno empresário, quanto à inscrição e aos efeitos daí decorrentes.
EMPRESÁRIO O empresário rural não precisa promover sua inscrição na Junta Comercial, sendo, portanto,
RURAL facultativa. Caso deseje, poderá requerer sua inscrição na Junta Comercial, do que ficará
equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro (art. 971, CC).

EMPRESÁRIO REGISTRO: para dar


INDIVIDUAL regularidade à atividade
empresarial.
EFEITO
DECLARATÓRIO

EMPRESÁRIO
RURAL REGISTRO: para
EFEITO
equiparação à condição de

CONSTITUTIVO

TIPO EMPRESARIAL ÓRGÃO REGISTRAL

16
Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do pedido, exerça regularmente suas
atividades há mais de 2 (dois) anos e que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente (...). #GRIFO NOSSO.

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EIRELI Junta Comercial


Sociedade Comum e em Conta de Participação Não tem
Sociedade Simples Cartório de registro das pessoas jurídicas
Sociedade Cooperativa Junta Estadual
Sociedade em nome coletivo Junta Estadual
Sociedade em comandita simples Junta Estadual
Sociedade Limitada Junta Estadual

ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL

ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL
CONCEITO: Trata-se de todo o conjunto de bens, materiais ou imateriais, que o empresário utiliza no exercício da
sua atividade.
Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por
empresário, ou por sociedade empresária17.
Mercadorias
Instalações
BENS CORPÓREOS
Equipamentos

ESTABELECIMENTO Veículos e etc.


EMPRESARIAL Marcas

BENS Patentes
INCORPÓREOS Direitos
Ponto
NATUREZA JURÍDICA: a doutrina considerada o estabelecimento empresarial uma universalidade de fato, uma
vez que os elementos que o compõem formam uma coisa unitária exclusivamente em razão da destinação que o
empresário lhes dá, e não em virtude de disposição legal.
CONTRATO DE TRESPASSE: é um contrato oneroso de transferência do estabelecimento empresarial.
#ATENÇÃO: Há de ser devidamente registrado para preservar os interesses dos credores (art. 1.144, CC).
#OLHAOGANCHO – ATENÇÃO PARA A SUCESSÃO EMPRESARIAL
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência,
desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de

17
#SELIGA: O estabelecimento não compreende apenas o local onde a atividade é exercida. Não se esqueça do patrimônio
imaterial também. Ex. marca.

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UM ANO, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento.
#GANCHO2 #VAICAIR – CLÁUSULA DE NÃO CONCORRÊNCIA
Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao
adquirente, nos CINCO ANOS subsequentes à transferência.
Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista neste artigo
persistirá durante o prazo do contrato.

#OLHAASÚMULA:
Súmula 451, STJ: É legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial.
#DEOLHONAJURIS:
- É válida a cláusula contratual de não concorrência, desde que limitada espacial e temporalmente. Isso
porque esse tipo de cláusula protege a concorrência e os efeitos danosos decorrentes de potencial desvio de
clientela, sendo esses valores jurídicos reconhecidos constitucionalmente. Assim, quando a relação estabelecida
entre as partes for eminentemente comercial, a cláusula que estabeleça dever de abstenção de contratação com
sociedade empresária concorrente pode sim irradiar efeitos após a extinção do contrato, desde que por um prazo
certo e em determinado lugar específico (limitada temporária e espacialmente). Ex: João resolveu montar um
quiosque no shopping para vender celulares, cartões pré-pagos etc. Para isso, ele fez um contrato com a
operadora de celular “XXX” por meio da qual ele somente iria vender os produtos e serviços dessa operadora e,
em troca, ela ofereceria a ele preços diferenciados, consultoria e treinamento para abrir a loja. No contrato
assinado com a operadora, havia uma cláusula dizendo que João estava proibido, por 6 meses após a extinção do
contrato de contratar com qualquer empresa concorrente naquela cidade. Essa cláusula de não concorrência é
válida. STJ. 3ª Turma. REsp 1.203.109-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 6/5/2015 (Info 561).
- De acordo com o STJ, o fundo de comércio (hoje denominado de “estabelecimento empresarial”) deve
ser levado em conta na aferição dos valores eventualmente devidos a sócio excluído da sociedade (REsp
907014/MS).

AVIAMENTO
O estabelecimento empresarial não deve ser visto apenas sob o ponto de visto estático, mas também dinâmico.
Isso quer dizer que devemos levar em consideração também o ponto comercial, as estratégias de marketing, etc.
Em outras palavras, aviamento é a aptidão da empresa para produzir lucros, decorrente da qualidade e da melhor
perfeição e sua organização.
#PRECISO DE UM EXEMPLO. Veja bem. Se imaginarmos 2 (duas) lanchonetes que sirvam produtos parecidos,
usando dos mesmos materiais (freezers, balcões, mesas), localizadas numa mesma região. Sob o ponto de vista
estático, essas duas lanchonetes têm semelhança. Contudo, sob o ponto de vista dinâmico, a lucratividade de uma
e de outra será diferente. Isso porque cada empresário usará uma estratégia de captação de cliente distinta. Isso é
aviamento18.

18
#DEOLHONOJULGADO: o STJ tem usado o aviamento como parâmetro para aferição na apuração de haveres dos sócios
(REsp 908173/PE).

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AVIAMENTO SUBJETIVO AVIAMENTO OBJETIVO

Quando ligado aos bens componentes do


Quando ligado às qualidades pessoais do empresário;
estabelecimento na sua organização.

NOME EMPRESARIAL

Deve conter o nome


civil do empresário
ou dos sócios da Serve de
Contrata assinando o nome
FIRMA sociedade assinatura do
empresarial.
empresária e pode empresário
NOME conter ramos de
EMPRESARIAL atividade.
Deve designar o
objeto da empresa e Não serve de
Contrata assinando com o
DENOMINAÇÃO pode adotar nome assinatura do
nome civil do representante.
civil ou qualquer empresário
outra expressão.

Empresário individual
FIRMA Sociedade em nome coletivo

NOME Sociedade em comandita simples


EMPRESARIAL DENOMINAÇÃO Sociedade anônima

FIRMA OU Sociedade limitada


DENOMINAÇÃO Sociedade em comandita por ações

SOCIEDADE EMPRESÁRIA
O rol de sociedades é trazido pelo art. 44, CC, abrangendo pessoas jurídicas de direito privado
dotadas de personalidade jurídica e não dotadas de personalidade jurídica.

SOCIEDADES NÃO Temos uma sociedade sem haver a


PERSONIFICADAS formação de uma pessoa jurídica.

SOCIEDADES São aquelas que podem formar


PERSONIFICADAS pessoa jurídica, tornando-se
detentora de direitos e obrigações.
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#COLANARETINA:
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:
I - as associações;
II - as sociedades;
III - as fundações.
IV - as organizações religiosas;
V - os partidos políticos.
VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada.

#REMEMBER: o conceito de sociedade em nosso país leva em consideração a união de duas ou mais
pessoas, ou seja, não inclui a EIRELI, que é formada por uma única pessoa. Existem exceções a essa pluralidade
de sócios: situações transitórias em que a sociedade funciona com um único sócio, empresas públicas, sociedade
subsidiária integral e sociedade unipessoal de advocacia.
Ter personalidade jurídica significa poder adquirir direitos e obrigações em nome da própria sociedade e
criar uma responsabilidade subsidiária dos sócios.
#OLHAATABELA:
SOCIEDADE NÃO SOCIEDADE PERSONIFICADA
PERSONIFICADA
SOCIEDADE SIMPLES
SOCIEDADE COMUM
SOCIEDADE EM NOME COLETIVO
SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES
SOCIEDADE LIMITADA
SOCIEDADE ANÔNIMA
SOCIEDADE EM COMANDITA POR AÇÕES
SOCIEDADE EM CONTA DE
SOCIEDADE COOPERATIVA
PARTICIPAÇÃO
SOCIEDADE COLIGADAS
SOCIEDADE DEPENDENTE DE AUTORIZAÇÃO
SOCIEDADE ESTRANGEIRA

#NÃO CONFUNDA:
- Sociedade comum: sem registro
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- Sociedade de fato: não tem ato constitutivo


- Sociedade irregular: tem ato constitutivo, mas não registrou.
- Sociedade simples: sem finalidade empresária
- Sociedade civil: não existe mais. Se não for empresarial = sociedade simples

SOCIEDADE PERSONFICADA

TEM POR OBJETO UMA ATIVIDADE EMPRESARIAL PRÓPRIA DE


SOCIEDADE EMPRESÁRIA
EMPRESÁRIO SUJEITO A REGISTRO.

TEM POR OBJETO UMA ATIVIDADE NÃO CONSIDERADA COMO


SOCIEDADE SIMPLES
EMPRESARIAL (por exclusão).

Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de
atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais:

Visto isso, precisamos entender como funciona a responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais da
sociedade que compõem.
#COLANARETINA
RELAÇÃO TIPO DE RESPONSABILIDADE

Subsidiária e ilimitada (será solidária,


RESPONSABILIDADE DO Sócio x sociedade se contratou pela sociedade19) – art.
SÓCIO NA SOCIEDADE 990, CC.
COMUM
Sócio x sócio Solidária20

19
Caso o sócio seja demandado por uma dívida que pertence à sociedade, terá direito ao benefício de ordem, ou seja, que
primeiro se penhore os bens do patrimônio especial para somente depois penhorar os bens particulares. Exceção: não se
aplica para aquele que emprestou seu nome para a sociedade (art. 989 e 990, CC).
20
Se o credor provar que a dívida era da sociedade, poderá demandar todos os sócios e não apenas em cujo nome a
obrigação estiver formalizada.

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A responsabilidade é ilimitada (art. 994, CC).


Somente o sócio ostensivo é quem responde perante terceiro (art. 993, parágrafo
RESPONSABILIDADE DO único, CC).
SÓCIO NA SOCIEDADE EM
O sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com
CONTA DE PARTICIPAÇÃO
terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em
que intervier. O participante só tem responsabilidade perante o ostensivo e nos
limites do contrato.

Subsidiária: os bens particulares dos


Sócio x sociedade sócios não podem ser executados por
dívidas da sociedade, senão depois de
SOCIEDADE SIMPLES executados os bens sociais (art. 1024,
CC) – benefício de ordem.

Sócio x sócio Solidária.

Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome
SOCIEDADE EM NOME
coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, pelas
COLETIVO
obrigações sociais.

Responsabilidade ilimitada.
Comanditado
OBS: só ele pode ser administrador e
SOCIEDADE EM COMANDITA (Somente pessoa física).
só em seu nome pode constar a firma.
SIMPLES (ART. 1.045, CC)
Comanditário
Responsabilidade limitada
(Pessoa física ou jurídica)
Limitada: na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao
SOCIEDADE LIMITADA valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do
capital social (art. 1052, CC).

Art. 1.091. Somente o acionista tem qualidade para administrar a sociedade e,


SOCIEDADE EM COMANDITA
como diretor, responde subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações da
POR AÇÕES
sociedade.

Art. 1.095. Na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos sócios pode ser


SOCIEDADE COOPERATIVA
limitada ou ilimitada (responsabilidade mista).

#COLANARETINA:
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do
benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade.

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Art. 993. (...)


Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio participante
não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com
este pelas obrigações em que intervier.
Art. 1.023. Se os bens da sociedade não lhe cobrirem as dívidas, respondem os sócios pelo saldo, na
proporção em que participem das perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária.
#ATENÇÃO! A resposta da banca, considerada correta, foi a de que a responsabilidade dos sócios pelas
obrigações sociais, em razão da personalização das sociedades empresárias, seria a responsabilidade
SUBSIDIÁRIA (art. 1024, CC).
Entre os sócios e a sociedade a responsabilidade é SUBSIDIÁRIA e não solidária
(1º a Pessoa Jurídica e depois os sócios).

Sociedade

RESPONSABILIDADE
SUBSIDIÁRIA

Sócios

Entre os sócios a responsabilidade é SOLIDÁRIA.

RESPONSABILIDADE
SOLIDÁRIA

#ATENÇÃO
Sociedade entre cônjuges Sociedade unipessoal? Sociedade nacional

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Art. 977. Faculta-se aos cônjuges O Brasil admite a constituição de Art. 1.126. É nacional a sociedade
contratar sociedade, entre si ou sociedade unipessoal? A resposta é organizada de conformidade com a
com terceiros, desde que não NEGATIVA. Em nosso ordenamento lei brasileira e que tenha no País a
tenham casado no regime da jurídico, a pluralidade de sócios é sede de sua administração
comunhão universal de bens, ou pressuposto de existência de uma
no da separação obrigatória. sociedade (art. 981 do Código Civil).
Há apenas um caso excepcional de
sociedade unipessoal admitido em
nosso ordenamento jurídico. Trata-se
da chamada sociedade subsidiária
integral, espécie de sociedade
anônima que tem como único sócio
uma sociedade brasileira (art. 251, §
2.º, da LSA).

#ANOTEAÍ #CONCEITOSIMPORTANTES #DESPENCAEMOBJETIVAS


Subscrição Integralização
Ato pelo qual o sócio se compromete a transferir É o efetivo ato de transferência patrimonial do sócio para
determinado montante para compor o capital social a sociedade
da sociedade.

#OLHAOGANCHO – SÓCIO REMISSO


Sócio remisso é aquele que está em mora com a sociedade. Ou seja, é o sócio que ainda não integralizou
sua parte no capital social. MUITA ATENÇÃO para o art. 1004, que cai demais:
Art. 1.004. Os sócios são obrigados, na forma e prazo previstos, às contribuições estabelecidas no
contrato social, e aquele que deixar de fazê-lo, nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade,
responderá perante esta pelo dano emergente da mora.
Parágrafo único. Verificada a mora, poderá a maioria dos demais sócios preferir, à indenização, a exclusão
do sócio remisso, ou reduzir-lhe a quota ao montante já realizado, aplicando-se, em ambos os casos, o disposto
no §1º do art. 1.031.
#SEGUEOGANCHO - É possível a integralização por meio da prestação de serviços? Em regra, não.
Apenas a sociedade simples pura é que admite esse tipo de operação.
Vamos revisar as operações societárias:
 Ocorre quando há mudança de tipo societário, ou seja, de uma S/A para LTDA ou
TRANSFORMAÇÃO
vice-versa, independentemente de dissolução e liquidação de um tipo para outro;
 Uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhe sucede em todos os
INCORPORAÇÃO
direitos e obrigações. As sociedades absorvidas extinguem-se;

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 Ocorre quando duas ou mais sociedades se unem, as quais se extinguem, para


FUSÃO:
formar uma NOVA sociedade, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações.
 É a operação pela qual a companhia transfere parcela do seu patrimônio para uma
ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-se a
CISÃO:
companhia cindida, se houver a transferência de todo o seu patrimônio (total), ou
dividindo-se o seu capital (parcial).

#DEOLHONASÚMULA.
Súmula 554-STJ: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não
apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos
geradores ocorridos até a data da sucessão.
#DEOLHONOSJULGADOS:
- Na hipótese em que o sócio de sociedade limitada, de prazo limitado, exerce o direito de retirada por
meio de inequívoca e incontroversa notificação aos demais sócios, a data-base para a apuração de haveres é o
termo final do prazo de 60 dias, previsto no art. 1.029 do CC/02 - STJ (595).
- Excepcionalmente, admite-se a dissolução de S.A (sociedade de capital) na hipótese em que houver
quebra da confiança entre os sócios. Ex. Sociedade composta por membros da mesma família - STJ (595).
- Admite-se a dissolução parcial de S.A. STJ (595).

SOCIEDADE LIMITADA
Trata-se do tipo societário mais utilizado no Brasil. Isso se deve, basicamente, a dois fenômenos:
 A responsabilidade dos sócios é LIMITADA;
 A sociedade é CONTRATUAL, o que permite maior flexibilidade aos sócios.
CAPITAL SOCIAL: Corresponde ao montante de contribuições dos sócios para a sociedade, a fim de que
ela possa cumprir seu objeto social. O capital social deve ser sempre expresso em moeda corrente nacional.
SÓCIO REMISSO – OPÇÕES:

Purgar a mora e indenizar a sociedade pelos danos emergentes da mora.


Sujeitar-se à cobrança judicial.
OPÇÕES PARA O Com diminuição do capital social
SÓCIO REMISSO
OU
Exclusão da sociedade
Com a aquisição das ações pelos sócios, terceiros
ou pela própria sociedade.

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#EXCLUSÃO EXTRAJUDICIAL DE SÓCIO MINORITÁRIO:


Simples alteração contratual desde que o
EXCLUSÃO contrato social permita e que haja deliberação
MINORITÁRIO
EXTRAJUDICIAL DE em assembleia OU Decisão judicial caso o
SÓCIO MINORITÁRIO contrato social não permita a exclusão do sócio.
MAJORITÁRIO Apenas judicialmente.

#AJUDAMARCINHO.
A exclusão judicial do sócio majoritário nas sociedades limitadas é disciplinada pelo art. 1.030 do Código
Civil: Art. 1.030. Ressalvado o disposto no art. 1.004 e seu parágrafo único, pode o sócio ser excluído
judicialmente, mediante iniciativa da maioria dos demais sócios, por falta grave no cumprimento de suas
obrigações, ou, ainda, por incapacidade superveniente. O que significa essa expressão “mediante iniciativa da
maioria dos demais sócios” prevista no art. 1.030 do CC? No cálculo dessa maioria deve-se incluir as quotas do
sócio “acusado”? Não. A lei é explícita ao falar em maioria dos demais sócios. Consideram-se apenas as quotas
dos demais sócios, excluídas aquelas pertencentes ao sócio que se pretende excluir. Isso porque o art. 1.030 é a
oportunidade que a legislação confere aos sócios minoritários de excluírem o sócio majoritário. Assim, o quorum
deliberativo para exclusão judicial do sócio majoritário por falta grave no cumprimento de suas obrigações deve
levar em conta a maioria do capital social de sociedade limitada, excluindo-se do cálculo o sócio que se pretende
jubilar. STJ. 3ª Turma. REsp 1653421-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 10/10/2017 (Info 616).

TÍTULOS DE CRÉDITO – CARACTERÍSTICAS GERAIS


CONCEITO LEGAL: O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele
contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei (art. 887, CC).
CARACTERÍSTICAS GERAIS
 Por precisarem observar os requisitos essenciais previstos na legislação
DOCUMENTOS FORMAIS
cambiária;
 Nesse sentido, aliás, dispõem os arts. 82 a 84 do Código Civil. Sujeitando-se
BENS MÓVEIS aos princípios que norteiam a circulação desses bens, como o que prescreve
que a posse de boa-fé vale como propriedade;
TÍTULOS DE  Por serem documentos necessários ao exercício dos direitos neles contidos;
APRESENTAÇÃO

TÍTULOS DE CRÉDITO
PRINCÍPIOS INFORMADORES PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
 Cartularidade.  Natureza essencialmente comercial;
 Documentos formais;
 Literalidade.
 Natureza de bens móveis;

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 Autonomia:  São títulos de apresentação;


 Constituem títulos executivos extrajudiciais;
- Abstração.
 Representam obrigações quesíveis;
- Inoponibilidade das exceções pessoais aos  É título de resgate;
terceiros de boa-fé.
 É título de circulação

PRINCÍPIOS INFORMARDORES
O exercício de qualquer direito representado no título pressupõe a sua posse legítima.
#ATENÇÃO: O princípio da cartularidade ou incorporação, atualmente, vem sendo posto em
xeque, em virtude do crescente desenvolvimento tecnológico e da consequente criação de
CARTULARIDADE
títulos de crédito magnéticos, ou seja, que não se materializam numa cártula. É o que se
chama de DESMATERIALIZAÇÃO (OU LIQUEFAÇÃO) DOS TÍTULOS DE CRÉDITO.
O título de crédito vale pelo que nele está escrito. Nem mais, nem menos. Em outros termos,
nas relações cambiais somente os atos que são devidamente lançados no próprio título
produzem efeitos jurídicos perante o seu legítimo portador.
LITERALIDADE
Súmula 387-STF: A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser
completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.
O título de crédito configura documento constitutivo de direito novo, autônomo, originário e
completamente desvinculado da relação que lhe deu origem. Melhor dizendo: o legítimo
portador do título pode exercer seu direito de crédito sem depender das demais relações que
o antecederam, estando completamente imune aos vícios ou defeitos que eventualmente as
acometeram.
#FIQUEDEOLHO: Há dois subprincípios que decorrem do princípio da autonomia. São eles:
AUTONOMIA
a) Abstração: Segundo o subprincípio da abstração, entende-se que quando o título circula,
ele se desvincula da relação que lhe deu origem;
b) Inoponibilidade das exceções pessoas aos terceiros de boa-fé: os vícios relativos à relação
que originou o título não são oponíveis contra terceiro de boa-fé, que recebeu o título
legitimamente.

CLASSIFICAÇÃO
(a) Título ao portador: é aquele que circula pela mera tradição (art. 904 do Código
Civil), uma vez que neles a identificação do credor não é feita de forma expressa;
(b) Título nominal: é aquele que identifica expressamente o seu titular, ou seja, o
credor. A transferência da titularidade do crédito, pois, não depende apenas da mera
entrega do documento (cártula) a outra pessoa: é preciso, além disso, praticar um ato
formal que opere a transferência da titularidade do crédito;
QUANTO À FORMA DE
TRANSFERÊNCIA (c) Títulos nominativos: segundo o art. 921 do Código Civil, são aqueles emitidos em
favor de pessoa determinada, cujo nome consta de registro específico mantido pelo

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emitente do título.
(a) Título de modelo livre: é aquele para o qual a lei não estabelece uma
padronização obrigatória, ou seja, a sua emissão não se sujeita a uma forma
específica preestabelecida;
QUANTO AO MODELO (b) Título de modelo vinculado: ao contrário, se submete a uma rígida padronização
fixada pela legislação cambiária específica, só produzindo feitos legais quando
preenchidas as formalidades legais exigidas.
(a) Ordem de pagamento (ex. letra de câmbio, cheque e duplicata) = se caracterizam
por estabelecerem três situações jurídicas distintas, a partir da sua emissão: em
primeiro lugar, tem-se a figura do sacador, que emite o título, ou seja, ordena o
pagamento; em segundo lugar, tem-se a situação do sacado, contra quem o título é
emitido, ou seja, trata-se da pessoa que recebe a ordem de pagamento; por fim, tem-
se a figura do tomador (ou beneficiário), em favor de quem o título é emitido, isto é,
QUANTO À ESTRUTURA pessoa a quem o sacado deve pagar, em obediência à ordem que lhe foi endereçada
pelo sacador;
(b) Promessa de pagamento (ex. Nota promissória) = existem apenas duas situações
jurídicas distintas de um lado tem-se a figura do sacador ou promitente, que promete
pagar determinada quantia; de outro, tem-se a situação do tomador, beneficiário da
promessa que receberá o valor prometido.
(a) Título causal: é aquele que somente pode ser emitido nas restritas hipóteses em
que a lei autoriza a sua emissão. É o caso, por exemplo, da duplicata.
QUANTO ÀS HIPÓTESES (b) Título abstrato: é aquele cuja emissão não está condicionada a nenhuma causa
DE EMISSÃO preestabelecida em lei. Em síntese: podem ser emitidos em qualquer hipótese. É o
caso, por exemplo, do cheque, que pode ser emitido para documentar qualquer
relação negocial.

#DEOLHONOSJULGADOS:
- #IMPORTANTE O art. 1.647, III, do CC que previu que uma pessoa casada só pode prestar aval se tiver
autorização do cônjuge (exceto no regime de separação absoluta) somente é aplicado aos títulos de créditos
inominados, considerando que eles não são regidos pelo Código Civil. Ou seja, o aval dado aos títulos de crédito
nominados prescinde de outorga uxória ou marital.
- #IMPORTANTE O protesto irregular de cheque prescrito não caracteriza abalo de crédito apto a ensejar
danos morais ao devedor, se ainda remanescer ao credor vias alternativas para a cobrança da dívida
consubstanciada no título. STJ. 3ª Turma. REsp 1677772-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/11/2017
(Info 616).
- O prazo para a ação de locupletamento para a cobrança de nota promissória prescrita é de 03 ANOS. STJ
(580).
- O aceite lançado em separado da duplicata não possui eficácia cambiária, por força do princípio da
literalidade. STJ (580).

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- A pós-datação regular (efetivada no campo referente à data de emissão) amplia o prazo de


apresentação do cheque, mas a irregular não. STJ (584).
- Será sempre possível, no prazo para a execução cambial, o protesto cambiário de cheque com a
indicação do emitente como devedor. STJ (584).
- Em ação de cobrança de cheque, a correção monetária incide a partir da data da emissão da cártula, ao passo
que os juros de mora são contados da primeira apresentação do título à instituição financeira sacada. STJ (587).

TÍTULOS DE CRÉDITO EM ESPÉCIE

LETRA DE CÂMBIO
É um título de crédito que se estrutura como ORDEM DE PAGAMENTO, razão pela qual,
ao ser emitida, dá origem a três situações jurídicas distintas:
ESTRUTURA DO a) a do sacador, que emite a ordem;
TÍTULO
b) a do sacado, a quem a ordem é destinada;
c) a do tomador, que é o beneficiário da ordem.
Aceite é o ato pelo qual o sacado assume obrigação cambial e se torna o devedor
ACEITE principal da letra (aceitante). O aceite, na letra de câmbio, é FACULTATIVO, porém
irretratável.
(a) Dia certo: é a que vence em data preestabelecida pelo sacador, logicamente
posterior à data do saque.
(b) À vista: é aquela que tem seu vencimento no dia da apresentação do título ao
sacado. Não há a prefixação de uma data específica, portanto.
VENCIMENTO (c) A certo termo da vista: é a que vence após um determinado prazo, estipulado pelo
sacador quando de sua emissão, que começa a correr a partir da vista (aceite) do título.
(d) A certo termo da data: também vence após um determinado prazo estipulado pelo
sacador, mas que começa a correr não a partir do aceite, mas a partir da própria
emissão (saque) do título.

Deve ser apresentada


no dia do vencimento
Pagável no exterior
ou nos dois dias úteis
seguintes
DATA PARA O PAGAMENTO DE UMA
PAGAMENTO LETRA DE CÂMBIO Deve ser apresentada
no dia do vencimento
Pagável no Brasil ou, recaindo em dia
não útil, no primeiro
dia útil seguinte.

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NOTA PROMISSÓRIA
Trata-se de uma promessa de pagamento, razão pela qual sua emissão dá origem a
duas situações jurídicas distintas:
a) a do sacador ou promitente (chamado na Lei Uniforme de subscritor), que emite a
ESTRUTURA DO TÍTULO
nota e promete pagar determinada quantia a alguém;
b) e a do tomador, em favor de quem a nota é emitida e que receberá a importância
prometida.
ACEITE A nota promissória NÃO ADMITE ACEITE!
Aplicam-se às notas promissórias as normas previstas para a letra de câmbio em
LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
relação ao endosso, aval e vencimento.

CHEQUE
O cheque é ordem de pagamento à vista emitida contra um banco em razão de
fundos que a pessoa (emitente) tem naquela instituição financeira. É, como visto, um
ESTRUTURA DO TÍTULO
título de modelo vinculado, uma vez que só é cheque aquele documento emitido pelo
banco, em talonário específico, com uma numeração própria.
(a) Lei do Cheque prevê, em seu art. 39, que o banco tem a obrigação legal de
verificar a regularidade da cadeia de endossos;
(b) Quando possuírem valor não superior a R$ 100,00 (cem reais), podem ser emitidos
ao portador. Cheques acima desse valor, todavia, deverão ser emitidos
nominalmente;
CURIOSIDADES
(c) Embora seja uma ordem de pagamento à vista, popularizou-se bastante no Brasil a
emissão de cheque para ser pago em data futura (cheque pré ou pós-datado). Por ser
o cheque uma ordem de pagamento à vista, se apresentado o título, o banco é
obrigado a pagar. No entanto, aquele que apresentou o cheque, nessas condições,
será civilmente responsabilizado (veremos algumas súmulas logo abaixo).
(a) Cheque cruzado: ao ser feito o cruzamento o cheque só pode ser pago a um banco
ou a um cliente do banco, mediante crédito em conta, o que evita,
consequentemente, o seu desconto na boca do caixa;
(b) Cheque visado: aquele em que o banco confirma, mediante assinatura no verso do
MODALIDADES DE título, a existência de fundos suficientes para pagamento do valor mencionado. Ao
CHEQUES visar o cheque, o banco garante que ele tem fundos e assegura o seu pagamento
durante o prazo de apresentação. Com o visto, o banco se obriga a reservar a quantia
constante do cheque durante o período de apresentação;
(c) Cheque administrativo: é aquele emitido por um banco contra ele mesmo, para
ser liquidado em uma de suas agências. O banco, portanto, é ao mesmo tempo

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emitente e sacado.
Art. 35 O emitente do cheque pagável no Brasil pode revogá-lo, mercê de
contraordem dada por aviso epistolar, ou por via judicial ou extrajudicial, com as
razões motivadoras do ato. Parágrafo único - A revogação ou contraordem só produz
efeito depois de expirado o prazo de apresentação e, não sendo promovida, pode o
sacado pagar o cheque até que decorra o prazo de prescrição, nos termos do art. 59
desta Lei.
SUSTAÇÃO DO CHEQUE Art. 36 Mesmo durante o prazo de apresentação, o emitente e o portador legitimado
podem fazer sustar o pagamento, manifestando ao sacado, por escrito, oposição
fundada em relevante razão de direito.
§1º A oposição do emitente e a revogação ou contraordem se excluem
reciprocamente.
§2º Não cabe ao sacado julgar da relevância da razão invocada pelo oponente.
Trata-se do prazo dentro do qual o emitente deverá levar o cheque para pagamento
junto à instituição financeira sacada.
PRAZO DE “da mesma praça” O prazo de apresentação é de 30
APRESENTAÇÃO dias.
“de praças diferentes” O prazo de apresentação será de
60 dias.

Art. 59 Prescrevem em 6 (SEIS) MESES, contados da expiração do prazo de


apresentação, a ação que o art. 47 desta Lei assegura ao portador.
PRESCRIÇÃO Parágrafo único - A ação de regresso de um obrigado ao pagamento do cheque contra
outro prescreve em 6 (seis) meses, contados do dia em que o obrigado pagou o
cheque ou do dia em que foi demandado.
É uma forma de cobrança do cheque prescrito.

AÇÃO DE Art. 61 A ação de enriquecimento contra o emitente ou outros obrigados, que se


LOCUPLETAMENTO locupletaram injustamente com o não-pagamento do cheque, PRESCREVE EM 2
(DOIS) ANOS, contados do dia em que se consumar a prescrição prevista no art. 59 e
seu parágrafo desta Lei.

DUPLICATA
A duplicata é título causal, ou seja, só pode ser emitida para documentar
determinadas relações jurídicas preestabelecidas pela sua lei de regência, quais
sejam:
ESTRUTURA DO TÍTULO
(i) uma compra e venda mercantil, ou;
(ii) um contrato de prestação de serviço.

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(a) A duplicata só pode ser emitida com dia certo ou à vista;


(b) É título estruturado como ordem de pagamento;
CARACTERÍSTICAS
(c) O ACEITE É OBRIGATÓRIO;
(d) a duplicata é título de crédito emitido pelo próprio credor (vendedor).
Emitida a duplicata, ela deverá então ser enviada para o devedor (comprador), para
que este efetue o aceite e a devolva. Caso ele recuse o aceite, terá que justificar tal
ato. O devedor (comprador) se obriga ao pagamento desse título independentemente
de aceitá-lo expressamente. Daí porque se diz que o aceite, na duplicata, pode ser
expresso (ordinário) ou presumido (por presunção). A grande diferença entre o aceite
expresso e o aceite presumido se manifesta na execução da duplicata. Com efeito, a
PROCEDIMENTO duplicata aceita expressamente, como é título de crédito perfeito e acabado, pode
ser executada sem a exigência de maiores formalidades. Basta a apresentação do
título. No entanto, a execução da duplicata aceita por presunção segue regra
diferente. Além da apresentação do título, são necessários o protesto (mesmo que a
execução se dirija contra o devedor principal) e o comprovante de entrega das
mercadorias. Há algumas súmulas interessantes sobre o caso, que serão apresentadas
logo ali abaixo.

#DEOLHONASSÚMULAS:
- Súmula 503-STJ: O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente cheque sem força
executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte à data da emissão estampada na cártula.
- Súmula 504-STJ: O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de nota promissória
sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte ao vencimento do título.
- Súmula 531-STJ: Em ação monitória fundada em cheque prescrito ajuizada contra o emitente, é
dispensável a menção ao negócio jurídico subjacente à emissão da cártula.
- Súmula 189-STF: Avais em branco e superpostos consideram-se simultâneos e não sucessivos.
- Súmula 387-STF: A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo
credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.
- Súmula 60-STJ: É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao
mutuante, no exclusivo interesse deste.
- Súmula 600-STF: Cabe ação executiva contra o emitente e seus avalistas, ainda que não apresentado o
cheque ao sacado no prazo Iegal, desde que não prescrita a ação cambiária.
- Súmula 475-STJ: Responde pelos danos decorrentes de protesto indevido o endossatário que recebe
por endosso translativo título de crédito contendo vício formal extrínseco ou intrínseco, ficando ressalvado seu
direito de regresso contra os endossantes e avalistas.
- Súmula 476-STJ: O endossatário de título de crédito por endosso-mandato só responde por danos
decorrentes de protesto indevido se extrapolar os poderes de mandatário.
- Súmula 26-STJ: O avalista do título de crédito vinculado a contrato de mútuo também responde pelas
obrigações pactuadas, quando no contrato figurar como devedor solidário.
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- Súmula 370-STJ: Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado.


- Súmula 299-STJ: É admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito.

ATOS CAMBIÁRIOS

ENDOSSO
O endosso é o ato cambiário mediante o qual o credor do título de crédito
(endossante) transmite seus direitos a outrem (endossatário). É ato cambiário, pois,
que põe o título em circulação.

CONCEITO #SAIBAADIFERENÇA:
(a) Títulos à ordem  são aqueles transferidos por endosso (a cláusula “à ordem” é
implícita);
(b) Títulos não à ordem  só podem ser transferidos por cessão civil.
(a) transfere a titularidade do crédito;
EFEITOS (b) responsabiliza o endossante, passando este a ser codevedor do título (se o
devedor principal não pagar, o endossatário poderá cobrar do endossante).
(i) Endosso branco: O endosso em branco é aquele que não identifica o seu
beneficiário, chamado de endossatário. Nesse caso, simplesmente o endossante
assina no verso do título, sem identificar a quem está endossando, o que acaba, na
prática, permitindo que o título circule ao portador, ou seja, pela mera tradição da
ENDOSSO BRANCO cártula.
x (ii) Endosso preto: é aquele que identifica expressamente a quem está sendo
ENDOSSO PRETO transferida a titularidade do crédito, ou seja, o endossatário. Assim, só poderá circular
novamente por meio de um novo endosso, que poderá ser em branco ou em preto.
Nesse caso, pois, o endossatário, ao recolocar o título em circulação, assumirá a
responsabilidade pelo adimplemento da dívida, uma vez que deverá praticar novo
endosso.
O endosso impróprio compreende duas modalidades distintas:
(a) endosso-caução (endosso-pignoratício)  caracteriza-se quando o endossante
transmite o título como forma de garantia de uma dívida contraída perante o
ENDOSSO endossatário.
IMPRÓPRIO (b) endosso-mandato (endosso-procuração)  Por meio dele, o endossante confere
poderes ao endossatário – por exemplo, uma instituição financeira – para agir como
seu legítimo representante, exercendo em nome daquele os direitos constantes do
título, podendo cobrá-lo, protestá-lo, executá-lo etc.

ENDOSSO Esse endosso feito após o protesto ou após o prazo para a realização do protesto é
chamado pela doutrina de endosso póstumo ou endosso tardio, expressões que

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PÓSTUMO denotam, claramente, que tal endosso foi levado a efeito tarde demais. Nesse caso,
portanto, como a norma acima transcrita deixa claro, o endosso não produz os efeitos
normais de um endosso, valendo tão somente como uma mera cessão civil de crédito.

ENDOSSO CESSÃO CIVIL


O endossante responde pela O cedente responde somente
existência do crédito e pela pela existência do crédito..
solvência do devedor.
Para se defender, o devedor não Para se defender, o devedor
poderá arguir matérias atinentes poderá arguir matérias atinentes
à sua relação jurídica com o à sua relação jurídica com o
ENDOSSO endossatário (subprincípios da cessionário.
X autonomia e inoponibilidade das
exceções pessoais aos terceiros
CESSÃO CIVIL
de boa-fé).
#MUITAATENÇÃO #CÓDIGOCIVIL.
Art. 914. Ressalvada cláusula expressa em contrário, constante do endosso, NÃO
RESPONDE O ENDOSSANTE PELO CUMPRIMENTO DA PRESTAÇÃO constante do
título. #GRIFO NOSSO.
O CC inverte a regra da LUG (lei uniforme de Genebra), de modo que o endossante
não responde pelo pagamento!

AVAL
Ato cambiário pelo qual um terceiro (o avalista) se responsabiliza pelo pagamento da
obrigação constante do título.

CONCEITO #OLHAAPEGADINHA:
- A LUG admite o AVAL PARCIAL.
- O CC (art. 897) NÃO ADMITE O AVAL PARCIAL.
O local apropriado para a realização do aval é o anverso do título, caso em que basta
a simples assinatura do avalista. Nada impede, todavia, que o aval seja feito no verso
LOCAL
da cártula, bastando para tanto, além da assinatura, a expressa menção de que se
trata de aval.
O aval também pode ser feito em branco, hipótese em que não identifica o avalizado,
PRETO
ou em preto, caso em que o avalizado é expressamente indicado. Quando o aval é em
x branco, presume-se que foi dado em favor de alguém: no caso da letra de câmbio,
presume-se em favor do sacador; nos demais títulos, em favor do emitente ou
BRANCO
subscritor.
Há três diferenças básicas:
AVAL
(a) A primeira delas é decorrente da submissão do aval ao PRINCÍPIO DA
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x AUTONOMIA, inerente aos títulos de crédito. O aval, por ser um instituto do regime
jurídico cambial, constitui uma obrigação autônoma em relação à dívida assumida
FIANÇA
pelo avalizado. Assim, se a obrigação do avalizado, eventualmente, for atingida por
algum vício, este não se transmite para a obrigação do avalista. Na fiança o mesmo
não ocorre: ela, como obrigação acessória, leva a mesma sorte da obrigação principal
a que está relacionada.
(b) Outra distinção relevante entre o aval e a fiança diz respeito ao BENEFÍCIO DE
ORDEM, presente nesta e ausente naquele. De fato, o aval não admite o chamado
benefício de ordem, razão pela qual o avalista pode ser acionado juntamente com o
avalizado. Na fiança, todavia, o benefício de ordem assegura ao fiador a prerrogativa
de somente ser acionado após o afiançado. A responsabilidade do fiador é, portanto,
subsidiária.
(c) O aval deve ser prestado no próprio título, em obediência ao PRINCÍPIO DA
LITERALIDADE; já a fiança pode ser prestada em instrumento separado.

PROTESTO
Ato formal pelo qual se atesta um fato relevante para a relação cambial. Esse fato
CONCEITO relevante pode ser (i) a falta de aceite do título, (ii) a falta de devolução do título ou
(iii) a falta de pagamento do título.
NECESSÁRIO
x a) PROTESTO NECESSÁRIO: Contra os coobrigados e endossantes.
FACULTATIVO b) PROTESTO FACULTATIVO: Contra o devedor principal e seu avalista.

Medida processual muito comum é a cautelar de sustação de protesto. É preciso


destacar, porém, que ela só é cabível enquanto o protesto ainda não foi lavrado.
SUSTAÇÃO Após a sua lavratura, o máximo que se pode determinar é a sustação dos seus efeitos,
mas, nesse caso, o protesto permanece incólume e continuará registrado nos
assentamentos do cartório em que foi lavrado, até que seja feito o seu cancelamento.

#DEOLHONASSÚMULAS:
- Súmula 531-STJ: Em ação monitória fundada em cheque prescrito ajuizada contra o emitente, é
dispensável a menção ao negócio jurídico subjacente à emissão da cártula.
- Súmula 189-STF: Avais em branco e superpostos consideram-se simultâneos e não sucessivos.
- Súmula 387-STF: A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo
credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.
- Súmula 60-STJ: É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao
mutuante, no exclusivo interesse deste.
- Súmula 600-STF: Cabe ação executiva contra o emitente e seus avalistas, ainda que não apresentado o
cheque ao sacado no prazo Iegal, desde que não prescrita a ação cambiária.

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- Súmula 475-STJ: Responde pelos danos decorrentes de protesto indevido o endossatário que recebe
por endosso translativo título de crédito contendo vício formal extrínseco ou intrínseco, ficando ressalvado seu
direito de regresso contra os endossantes e avalistas.
- Súmula 476-STJ: O endossatário de título de crédito por endosso-mandato só responde por danos
decorrentes de protesto indevido se extrapolar os poderes de mandatário.
- Súmula 26-STJ: O avalista do título de crédito vinculado a contrato de mútuo também responde pelas
obrigações pactuadas, quando no contrato figurar como devedor solidário.
- Súmula 370-STJ: Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado.
- Súmula 299-STJ: É admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito.

LEI 11.101/05 – LEI DE RECUPERAÇÃO E FALÊNCIA

Art. 1o Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a falência do


empresário e da sociedade empresária, doravante referidos simplesmente como devedor.
Art. 2o Esta Lei não se aplica a:
I – empresa pública e sociedade de economia mista;
II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de
DETALHES
previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade
IMPORTANTES
seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às
anteriores.
Art. 3o É competente para homologar o plano de recuperação extrajudicial, deferir a
recuperação judicial ou decretar a falência o juízo do local do principal estabelecimento do
devedor ou da filial de empresa que tenha sede fora do Brasil.

FALÊNCIA
Trata-se de execução especial, na qual todos os credores deverão ser reunidos em um
único processo, para a execução conjunta do devedor. Em vez de se submeter a uma
CONCEITO execução individual, pois, o devedor insolvente deverá se submeter a uma execução
concursal, em obediência ao princípio da par conditio creditorum, segundo o qual deve
ser dado aos credores tratamento isonômico.
(i) Princípio da preservação da empresa  Essa atividade (empresa) pode continuar
sob a responsabilidade de outro empresário (empresário individual ou sociedade
empresária).
PRINCÍPIOS (ii) Princípio da maximização dos ativos  evitando-se a desvalorização e a
deterioração, consegue-se fazer com que no momento da venda esta seja feita por um
preço justo, o que em última análise interessa aos credores da massa, visto que o
dinheiro arrecadado será usado para o pagamento de seus créditos.

PRESSUPOSTOS DA Pressuposto material subjetivo: Devedor empresário.

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FALÊNCIA Pressuposto material objetivo: Insolvência (jurídica ou presumida) do devedor


Pressuposto formal: Sentença declaratória de falência (natureza constitutiva)
Art. 2º Esta Lei não se aplica a:
I – empresa pública e sociedade de economia mista;  A lei não distingue prestadora
de serviço público ou exploradora de atividade econômica.
II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio,
SUJEITO PASSIVO entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à
saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente
equiparadas às anteriores.  Tais agentes possuem, na verdade, leis específicas que
disciplinam o tratamento jurídico de sua insolvência, submetendo-os a um processo
especial de liquidação extrajudicial. Citem-se, por exemplo, a Lei 6.024/1974,
aplicável às instituições financeiras, e o Decreto-lei 73/1966, aplicável às seguradoras.
Art. 97. Podem requerer a falência do devedor:
I – o próprio devedor, na forma do disposto nos arts. 105 a 107 desta Lei;
II – o cônjuge sobrevivente, qualquer herdeiro do devedor ou o inventariante;
III – o cotista ou o acionista do devedor na forma da lei ou do ato constitutivo da
sociedade;
SUJEITO ATIVO
IV – qualquer credor.
§1º O credor empresário apresentará certidão do Registro Público de Empresas que
comprove a regularidade de suas atividades.
§2º O credor que não tiver domicílio no Brasil deverá prestar caução relativa às custas e
ao pagamento da indenização de que trata o art. 101 desta Lei.

Estado patrimonial Insuficiência do ativo do empresário para saldar o seu


deficitário passivo.
Cessação de Presunção de insolvabilidade.
pagamentos
SISTEMAS
DETERMINANTES DA Impontualidade Não pagamento injustificado de Adotados pelo
INSOLVÊNCIA determinada obrigação líquida Decreto-lei
no seu vencimento. 7661/45 e
mantidos pela Lei
Enumeração legal Prática de atos de falência.
11.10/05
Prática

Art. 98. Citado, o devedor poderá apresentar contestação no PRAZO DE 10 (DEZ) DIAS.
Parágrafo único. Nos pedidos baseados nos incisos I e II do caput do art. 94 desta Lei, o
RESPOSTA DO devedor poderá, no prazo da contestação, depositar o valor correspondente ao total do
DEVEDOR crédito, acrescido de correção monetária, juros e honorários advocatícios, hipótese em
que a falência não será decretada e, caso julgado procedente o pedido de falência, o
juiz ordenará o levantamento do valor pelo autor.  DEPÓSITO ELISIVO.

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Art. 100. Da decisão que decreta a falência cabe agravo, e da sentença que julga a
RECURSO
improcedência do pedido cabe apelação.

Em relação à PESSOA DO DEVEDOR:


• Falência dos sócios de responsabilidade limitada.
• Apuração de eventual responsabilidade pessoal dos sócios de responsabilidade
limitada (ação prescreve em 2 anos);
• Inabilitação empresarial;
• Perda do direito de administração dos seus bens e disponibilidade sobre eles
(formação da massa falida objetiva).
• Não pode ausentar-se do lugar da falência sem autorização do juiz;
• Comparecimento a todos os atos da falência;
• Suspensão do direito ao sigilo à correspondência e ao livre exercício da profissão;
• Dever de colaboração com a administração da falência.

Em relação aos BENS DO DEVEDOR:


• Formação da massa falida objetiva (arrecadação de todos os bens do devedor,
EFEITOS DA FALÊNCIA exceto os absolutamente impenhoráveis)
• Suspensão do exercício do direito de retenção (sobre os bens sujeitos à
arrecadação), de retirada ou recebimento do valor de quotas ou ações por parte dos
sócios da sociedade falida;
• Vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios ilimitada e
solidariamente responsáveis (com abatimento proporcional dos juros e conversão de
todos os créditos em moeda estrangeira para a moeda do País);
• Limitação à compensação de dívidas do devedor até o dia da decretação da
falência;
• Inexigibilidade de juros vencidos, previsto em lei ou em contrato, se o ativo
apurado não bastar para o pagamento dos credores subordinados;
• Continuidade dos contratos que puderem ser cumpridos e que possam reduzir
ou evitar o aumento do passivo.

Em relação às OBRIGAÇÕES DO DEVEDOR:


• Formação da massa falida subjetiva (procedimento de verificação e habilitação
dos créditos).

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Em relação aos CREDORES DO FALIDO:


• Fixação do termo legal da falência (ineficácia dos atos).
Em relação aos ATOS DO FALIDO:
• Fixação do termo legal da falência (ineficácia dos atos).
A lei de falência contempla uma série de regras específicas que estabelecem a
ineficácia de certos atos praticados pelo devedor falido antes da decretação da
PERÍODO “SUSPEITO”
falência, e o reconhecimento da ineficácia desses atos perante a massa,
consequentemente, permitirá que mais bens sejam incorporados a ela.
O art. 129 traz os atos objetivamente ineficazes, uma vez que o reconhecimento de sua
ATOS OBJETIVAMENTE
ineficácia independe da demonstração de fraude do devedor ou de conluio com o
INEFICAZES21
terceiro que com ele contratou.
ATOS Os atos com ineficácia subjetiva só terão reconhecida a sua ineficácia se forem
SUBJETIVAMENTE provados (i) a intenção de prejudicar os credores, (ii) o conluio fraudulento entre o
INEFICAZES devedor e o terceiro que contratou com ele e (iii) o real prejuízo da massa.
Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa ou de suas
filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata este artigo:
I – todos os credores, observada a ordem de preferência definida no art. 83 desta Lei,
sub-rogam-se no produto da realização do ativo;
II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e NÃO HAVERÁ SUCESSÃO do
arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, as
derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho.  O
SUCESSÃO
CTN já foi modificado para se adaptar a essa nova realidade.
EMPRESARIAL
§1º O disposto no inciso II do caput deste artigo não se aplica quando o arrematante
for:
I – sócio da sociedade falida, ou sociedade controlada pelo falido;
II – parente, em linha reta ou colateral até o 4º (quarto) grau, consangüíneo ou afim, do
falido ou de sócio da sociedade falida; ou
III – identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão.

21
#COLANARETINA:
Rol taxativo;
ATOS OBJETIVAMENTE INEFICAZES ART. 129 Período de 90 dias;
Pode ser declarado de ofício.

Qualquer ato;
ATOS SUBJETIVAMENTE INEFICAZES ART. 130 Qualquer período;
Não pode ser declarado de ofício: Ação Revocatória.

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Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência
sobre os mencionados no art. 83 desta Lei, na ordem a seguir, os relativos a:
I – remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares, e créditos
derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a
serviços prestados após a decretação da falência;
II – quantias fornecidas à massa pelos credores;
CRÉDITOS III – despesas com arrecadação, administração, realização do ativo e distribuição do seu
EXTRACONCURSAIS produto, bem como custas do processo de falência;
IV – custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido
vencida;
V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação
judicial, nos termos do art. 67 desta Lei, ou após a decretação da falência, e tributos
relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência, respeitada a ordem
estabelecida no art. 83 desta Lei.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de
crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte
CONCEITO produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores,
promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à
atividade econômica.
Somente EMPRESÁRIOS podem pedir a recuperação judicial, com exceção daqueles
AUTOR DO PEDIDO
listados no art. 2º.
Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do pedido,
exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que atenda aos
seguintes requisitos, cumulativamente:  Fica claro que o empresário individual
irregular e a sociedade empresária irregular não têm direito à recuperação judicial.
I – não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença transitada em
julgado, as responsabilidades daí decorrentes;  Quando o dispositivo em enfoque
utiliza a expressão “falido”, está se referindo ao empresário individual: se ele já teve
REQUISITOS MATERIAIS sua falência decretada, não pode requerer recuperação judicial, salvo se suas
PARA O PEDIDO obrigações já foram declaradas extintas por sentença transitada em julgado.
Tratando-se de sociedade empresária, será óbice ao deferimento de seu pedido a
existência de sócios de responsabilidade ilimitada que já tenham tido a sua falência
decretada anteriormente ou que tenham participado de outra sociedade que teve
sua falência decretada.
II – não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação judicial;
III - não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação judicial
com base no plano especial de que trata a Seção V deste Capítulo;

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IV – não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio controlador,
pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta Lei. Perceba-se que, se
um sócio minoritário, sem poder de controle ou de administração, já tenha
eventualmente sido condenado por crimes  Perceba-se que, se um sócio
minoritário, sem poder de controle ou de administração, já tenha eventualmente sido
condenado por crimes tipificados na LRE, isso por si só não impede o juiz de deferir o
processamento do pedido de recuperação da sociedade devedora.
A recuperação judicial possui 3 fases:
(a) Postulação: inicia-se com o pedido de recuperação e vai até o despacho de
FASES processamento;
(b) Processamento: vai do despacho de processamento até a decisão concessiva;
(c) Execução: da decisão concessiva até o encerramento da recuperação judicial.
DEFERIMENTO DO Art. 52. Estando em termos a documentação exigida no art. 51 desta Lei, o juiz
PROCESSAMENTO deferirá o processamento da recuperação judicial e, no mesmo ato (...)
Publicada a decisão que defere o processamento do pedido de recuperação, o
devedor terá prazo de 60 dias para apresentar ao juízo o seu plano de recuperação.
APRESENTAÇÃO DO
PLANO Art. 55. Qualquer credor poderá manifestar ao juiz sua objeção ao plano de
recuperação judicial no prazo de 30 (trinta) dias contado da publicação da relação de
credores de que trata o § 2º do art. 7º desta Lei.
CONCESSÃO DA Se os credores consentirem com o plano do devedor, sem a apresentação de qualquer
RECUPERAÇÃO COM O objeção, ou se eles aprovarem o plano, com ou sem alterações, na assembleia geral,
CONSENTIMENTO DO caberá apenas ao devedor providenciar a apresentação de certidões negativas de
CREDORES débitos tributários, nos termos previstos pela legislação tributária.
Art. 58. § 1º O juiz poderá conceder a recuperação judicial com base em plano que
não obteve aprovação na forma do art. 45 desta Lei, desde que, na mesma
assembleia, tenha obtido, de forma cumulativa:
I – o voto favorável de credores que representem mais da metade do valor de todos
os créditos presentes à assembleia, independentemente de classes;
CONCESSÃO DA
II – a aprovação de 2 (duas) das classes de credores nos termos do art. 45 desta Lei
RECUPERAÇÃO SEM O
ou, caso haja somente 2 (duas) classes com credores votantes, a aprovação de pelo
CONSENTIMENTO DO
menos 1 (uma) delas;
CREDORES.
III – na classe que o houver rejeitado, o voto favorável de mais de 1/3 (um terço) dos
credores, computados na forma dos §§ 1º e 2º do art. 45 desta Lei.
§2º A recuperação judicial somente poderá ser concedida com base no § 1º deste
artigo se o plano não implicar tratamento diferenciado entre os credores da classe
que o houver rejeitado.

NOVAÇÃO Uma vez aprovado o plano de recuperação judicial, haverá a novação dos créditos
anteriores ao pedido, conforme previsão do art. 59, da Lei:
Art. 59. O plano de recuperação judicial implica novação dos créditos anteriores ao
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pedido, e obriga o devedor e todos os credores a ele sujeitos, sem prejuízo das
garantias, observado o disposto no § 1o do art. 50 desta Lei. #GRIFO NOSSO.
Contudo, existe uma nuance entre a novação prevista no CC e a novação prevista na
LF. #ATENÇÃOAQUI! É que a novação prevista no Código Civil extingue-se com os
acessórios e as garantias da dívida, sempre que não houver estipulação em contrário
(art. 364), ao passo que a novação prevista no art. 59 da LF ocorre justamente o
contrário, ou seja, as garantias são mantidas, sobretudo as garantias reais, as quais só
serão suprimidas ou substituídas “mediante aprovação expressa do credor titular da
respectiva garantia”, por ocasião da alienação do bem gravado (art. 50, § 1º).
#NOVAÇÃO: CC x LEI DE FALÊNCIA:
NOVAÇÃO PREVISTA NO CC Em regra, extingue as garantias
prestadas
NOVAÇÃO PREVISTA NA LEI DE Em regra, não extingue as garantias
FALÊNCIA prestadas.

No sentido de não extinguir as garantias prestadas é o art. 49, §1º, da Lei:


§ 1o Os credores do devedor em recuperação judicial conservam seus direitos e
privilégios contra os coobrigados, fiadores e obrigados de regresso.
DA CONDIÇÃO RESOLUTIVA DA NOVAÇÃO NA LEI DE FALÊNCIA: Vale esclarecer que
os efeitos da novação na LF poderão ser extintos se houver o descumprimento de
qualquer obrigação prevista no plano, ou seja, a cessação da eficácia da novação fica
condicionada a um acontecimento futuro e incerto capaz de desfazer os efeitos do
negócio jurídico. Esse acontecimento futuro e incerto (condição resolutiva) é o
descumprimento do plano.
Isso porque o art. 61 §1º c/c art. 73, IV preconizam que o descumprimento do plano
de recuperação judicial acarretará a CONVOLAÇÃO EM FALÊNCIA:
Art. 61. Proferida a decisão prevista no art. 58 desta Lei, o devedor permanecerá em
recuperação judicial até que se cumpram todas as obrigações previstas no plano que
se vencerem ATÉ 2 (DOIS) ANOS depois da concessão da recuperação judicial.
Art. 61, § 1o Durante o período estabelecido no caput deste artigo, o
descumprimento de qualquer obrigação prevista no plano acarretará a convolação da
recuperação em falência, nos termos do art. 73 desta Lei. #GRIFO NOSSO
Art. 73. O juiz decretará a falência durante o processo de recuperação judicial:
IV – por descumprimento de qualquer obrigação assumida no plano de recuperação,
na forma do § 1o do art. 61 desta Lei.

140
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Diante disso é a doutrina e jurisprudência têm considerado a novação da Lei de


Falência como uma novação “sui generis”22, dadas as especificidades dela em
detrimento da novação prevista no CC.
O objetivo do processo de recuperação judicial é propiciar ao devedor as condições
necessárias à superação de sua crise econômico-financeira. As medidas propostas no
ENCERRAMENTO
plano, pois, devem ser levadas a cabo para que surtam os efeitos esperados e
permitam que a empresa continue em atividade.

#AJUDAMARCINHO
-O crédito derivado de fato ocorrido em momento anterior àquele em que requerida a recuperação
judicial deve sujeitar-se ao plano de soerguimento da sociedade devedora. STJ. 3ª Turma. REsp 1.727.771-RS, Rel.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 626).
- A competência para processar e julgar demandas cíveis com pedidos ilíquidos contra massa falida,
quando em litisconsórcio passivo com pessoa jurídica de direito público, é do juízo cível no qual for proposta a
ação de conhecimento, competente para julgar ações contra a Fazenda Pública, de acordo as respectivas normas
de organização judiciária. STJ. 1ª Seção. REsp 1643856-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 13/12/2017
(recurso repetitivo) (Info 617).
- É desnecessária a apresentação de Certidão de Dívida Ativa (CDA) para habilitação, em processo de
falência, de crédito previdenciário resultante de decisão judicial trabalhista. STJ. 3ª Turma. REsp 1591141-SP, Rel.
Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 05/12/2017 (Info 618). STJ. 4ª Turma. REsp 1170750-SP, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 27/08/2013 (Info 530)

DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO23

ATOS INTERNACIONAIS
Ato internacional é um acordo firmado entre países, regido pelo direito internacional. São como
“contratos” firmados entre pessoas jurídicas de direito internacional (Estados, organismos internacionais, etc.)
com a finalidade de regulamentar determinadas situações e convergir interesses comuns ou antagônicos.

22
#APROFUNDACOACH: A homologação do plano de recuperação judicial autoriza a retirada do nome da empresa
recuperanda e dos seus respectivos sócios dos cadastros de inadimplentes, bem como a baixa de eventuais protestos
existentes em nome destes? Sim. A novação extingue a dívida anterior; estando o autor adimplente quanto ao novo débito,
é ilícita a inscrição em órgãos de proteção ao crédito fundamentada em inadimplemento de parcela vencida anteriormente à
novação. (AgRg no Ag 948.785/RS, 3ª Turma, Rel. Min. Ari Pargendler, DJe de 05.08.2008).
23 Por Paulo Lima (@profdpfpaulolima).
BIBLIOGRAFIA UTILIZADA PARA ESSE TRABALHO: Cooperação Jurídica Internacional – Milton Fornazari, Revisão de véspera
– Delegado Federal, Direito Internacional Público e Privado – Paulo Henrique Gonçalves Portela, Vade Mecum Carreiras
Policiais; jurisprudência do STJ, súmulas do STJ e comentários de jurisprudência do dizer o direito (#MARCINHO).

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Dependendo do tipo de conteúdo, adotam-se diferentes nomes, detalhados a seguir:


Tratado: termo usado para designar os acordos internacionais entre dois ou entre vários países – ou seja,
bilaterais ou multilaterais. Recebem o nome de tratado os acordos aos quais se pretende atribuir importância
política. Um exemplo são os tratados de extradição que o Brasil mantém com vários países (França, Ucrânia,
República Dominicana entre outros), possibilitando a transferência de criminosos.
Convenção: refere-se a atos multilaterais assinados em conferências internacionais e que versam sobre
assuntos de interesse geral. É uma espécie de convênio entre dois ou mais países sobre os mais variados temas –
questões comerciais, industriais, relativas a direitos humanos. Dentre as convenções vigentes no Brasil, destaca-
se a Convenção de Haia de 1980, que versa sobre o sequestro internacional de crianças e adolescentes. Seu
objetivo é evitar os efeitos prejudiciais provocados pelo deslocamento ilegal de menores de seu país de residência
habitual.
Acordo: expressão de uso livre e de alta incidência na prática internacional. Eles estabelecem a base
institucional que orienta a cooperação entre dois ou mais países. Os acordos costumam ter número reduzido de
participantes. Um exemplo é o acordo entre o governo do Brasil e da Dinamarca, em vigor desde março de 2011,
para o enfrentamento da pobreza na área de transporte marítimo e intercâmbio cultural bilateral.
Ajuste: estabelece os termos de execução de outro ato internacional. Também pode detalhar áreas
específicas de um ato. Em 2011, o Brasil e Alemanha assinaram, por exemplo, um ajuste complementar a um
acordo de cooperação técnica nas áreas de florestas tropicais e eficiência energética, em vigor desde 1996.
Protocolo: designa acordos bilaterais ou multilaterais menos formais do que os tratados ou acordos
complementares. Podem ainda ser documentos que interpretam tratados ou convenções anteriores ou ser
utilizado para designar a ata final de uma conferência internacional. Na prática diplomática brasileira, o termo
também é usado sob a forma “protocolo de intenções”. O Protocolo de Quioto, do qual o Brasil é signatário,
estabelece compromissos por parte dos países para a redução da emissão de gases de efeito estufa.

TRATADOS
O que se entende por Tratado? Significa um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e
regido pelo Direito Internacional, quer conste de um instrumento único, quer de dois ou mais
instrumentos conexos, qualquer que seja a sua denominação específica. As fases ou etapas de elaboração dos
tratados internacionais podem ser apresentadas em negociação, assinatura, ratificação, promulgação, publicação
e registro.
Ratificação: É considerada a fase mais importante do processo de conclusão dos tratados, pois confirma a
assinatura e dá validade a ele. Ou seja, é o ato pelo qual a autoridade nacional competente informa às
autoridades correspondentes dos Estados cujos plenipotenciários concluíram, com os seus, um projeto de
tratado, a aprovação que dá a este projeto e que o faz doravante um tratado obrigatório para o Estado que esta
autoridade encarna nas relações internacionais.
Promulgação: É o ato jurídico, de natureza interna, pelo qual o governo de m Estado afirma ou atesta a
existência de um tratado por ele celebrado e o preenchimento das formalidades exigidas para sua conclusão, e,
além disto, ordena sua execução dentro dos limites aos quais se estende a competência estatal.
Publicação: A publicação é condição essencial para o tratado ser aplicado no âmbito interno. É condição
necessária para que o tratado seja aplicado na ordem interna do Estado. Publica-se no Diário Oficial da União o
texto do tratado e o Decreto Presidencial.

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Registro: O registro é um requisito estabelecido pela Carta da ONU e tem como escopo fazer com que o
Estado que celebrou o tratado internacional possa invocar para si, junto à organização, os benefícios do acordo
celebrado. O registro deve ser requerido ao secretário-geral da ONU, que fornece, a cada Estado, um certificado
redigido em inglês e francês.
No Brasil, o processo de formação e validade dos tratados no ordenamento interno tem três fases.
A PRIMEIRA é relativa à assinatura, que é um aceite precário e não definitivo, conforme estabelece o
artigo 84, inciso VIII da Constituição Federal:
Art. 84 – Compete privativamente ao Presidente da República: (...) VII – celebrar tratados, convenções e
atos internacionais sujeitos a referendo do Congresso Nacional.
Em seguida, a SEGUNDA FASE é a aprovação pelo Congresso Nacional, conforme estabelece o artigo 49, I
da Constituição Federal:
Art. 49 – É da competência do Congresso Nacional: I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos
ou ato internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.
A TERCEIRA FASE é a da ratificação do tratado pelo Poder Executivo, por meio do Presidente da
República. A ratificação cria obrigações jurídicas no âmbito internacional.
A QUARTA FASE é a publicação do texto por Decreto Presidencial no Diário Oficial, o Tratado é
incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro como lei ordinária, ou seja, a partir desse momento, torna-se lei
interna brasileira e seu cumprimento é obrigatório para todos.
#COLANARETINA
PODER EXECUTIVO PODER LEGISLATIVO PODER EXECUTIVO PODER EXECUTIVO
Celebra a negociação Referendado pelo Ratificação pelo Publicação no Diário
e assina o tratado Congresso Nacional Chefe do Executivo Oficial
+ + +
(aprova)

#OLHAOGANCHO. O Presidente da República pode delegar poderes aos Ministros para assinatura de
tratados.
VALIDADE: Para que um tratado internacional seja válido é necessária a reunião de três elementos:
VALIDADE
1. Capacidade das partes que ratificaram o tratado, onde à ideia de capacidade para celebração de um tratado
está relacionada à de sujeito de direito internacional público. A Convenção de Viena determina que em seu art.
6º que “Todo Estado tem capacidade para concluir tratados”. Quanto aos Estados federados, as unidades da
federação somente serão capazes caso a Constituição do Estado permita. Já as organizações internacionais
possuem capacidade parcial e derivada, pois a possibilidade decorre do ato de sua constituição e da vontade de
seus membros.
2. Consentimento manifestado regularmente: os vícios de consentimento podem manifestar em face de uma
ratificação imperfeita (contrarias as normas internas dos Estados) seja por erro essencial, dolo corrupção, coação
sobre o representante ou sobre o Estado.

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3. Objeto lícito: a ilicitude será analisada com base nas normas cogentes de direito internacional geral e não em
normas internas de determinado Estado. O art. 53, da convenção de Viena estabelece que “É nulo um tratado que,
no momento de sua conclusão, conflite com uma norma imperativa de Direito Internacional geral. Para os fins da
presente Convenção, uma norma imperativa de Direito Internacional geral é uma norma aceita e reconhecida pela
comunidade internacional dos Estados como um todo, como norma da qual nenhuma derrogação é permitida e
que só pode ser modificada por norma ulterior de Direito Internacional geral da mesma natureza.”

VIGÊNCIA
CONTEMPORÂNEA DIFERIDA
Muitos são os Tratados em que terminada a negociação Neste caso, certo prazo de acomodação flui antes da
e assinado o texto, passa o Tratado a atuar como entrada em vigor. EX: PRAZO PARA ENTRAR EM VIGOR.
norma jurídica exatamente no momento em que ele se
Esta vacatio pode ensejar duas conseqüências: na
perfaz como ato jurídico, não havendo previsão de
primeira, permitindo que o Tratado seja conhecido no
vacatio. ASSINATURA.
interior das nações pactuantes, podendo viger
internamente no mesmo momento em que começa sua
vigência internacional.
Ou, pode ocorrer deue o Tratado já obrigue no plano
internacional, mas que ainda não seja de conhecimento
pela ordem jurídica interna (administradores, juízes).
Este último contexto, traz um risco, mormente naqueles
Tratados disciplinadores de relações jurídicas entre
particulares, ou entre o Estado e particulares.

#OLHAOGANCHO
Aos tratados aplicam-se o princípio da irretroatividade a não ser que as partes estabeleçam de forma
diversa. Sendo assim, em regra, as disposições de um tratado não obrigam uma pare em relação a um ato ou fato
anterior à vigência do tratado. Além disso, o tratado é vigente em relação a todo o território de cada uma das
partes, salvo disposição em contrário. A tradição constitucional brasileira não concede o direito de concluir
tratado aos Estados-membros da Federação. Nessa linha a Constituição diz competir a União, manter relações
com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais (art. 21, I, da CF).
Por tal razão qualquer tratado que um estado federado ou município brasileiro deseje concluir com
Estado estrangeiro, ou unidade dos mesmos que possua poder de concluir tratados deverá ser feito com a
intermediação do Ministério das Relações Exteriores, decorrente de sua própria competência legal.
EXTINÇÃO
POR CLÁUSULA DO TRATADO OU POR CONSENTIMENTO
Ocorre quando existe cláusula específica quanto ao seu término.
POR VIOLAÇÕES SUBSTANCIAIS
Quando um Estado infringe determinadas cláusula relevantes do acordo internacional de modo que o outro se

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coloca em postura de contramedida ou represália para pôr termo ao tratado.


POR IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIMENTO POR FATORES SUPERVENIENTES
O art. 61 da Convenção de Viena prevê situações de caso fortuito e força maior, os quais se caracterizam pelo
desaparecimento permanente ou destruição de um objeto indispensável ao cumprimento do tratado.
POR ALTERAÇÃO FUNDAMENTAL DAS CIRCUNSTÂNCIAS (cláusula rebus sic stantibus)
É uma norma consuetudinária a qual leva ao termo o acordo internacional em razão da mudança profunda dos
termos avençados. Como a ordem internacional não é dotada de jurisdição compulsória, a interpretação dada a
esta hipótese é feita de modo restrito a fim de não retirar a força vinculante dos tratados.

CONFLITO ENTRE TRATADO E NORMA DE DIREITO INTERNO:


Os tratados internacionais podem ser considerados em três níveis na hierarquia concernente ao sistema
jurídico pátrio, a depender do assunto e do processo legislativo envolvido na aprovação no plano interno.
Os tratados internacionais que disponham sobre assuntos que não Direitos Humanos possuem status
de Lei Federal. Sendo assim, no caso de conflito com norma interna de mesma categoria, ensina Francisco Rezek:
O tratado tem, sem dúvida, qualidade para derrogar a lei anterior desde o instante em que passa a
integrar nossa ordem jurídica. Mas a lei interna carece de virtude para derrogar uma norma que envolve outras
soberanias além da nossa. Diz-se então que o judiciário enfrenta, no caso do conflito real entre tratado e lei mais
recente, a contingência de “afastar a aplicação” do primeiro, sem dá-lo por derrogado. Por isso é que se, em
termos práticos, resulta preferível não que o governo denuncie o tratado, mas que o Congresso revogue a norma
interna com ele conflitante, o tratado, jamais derrogado pela lei, volta a aplicar-se entre nós em plenitude.
Em relação aos tratados internacionais de Direitos Humanos, após a Emenda Constitucional nº 45/04, que
acrescentou o §3º ao art. 5º da Constituição Federal, há a possibilidade desses acordos possuírem status
supralegal ou constitucional, a depender do processo legislativo envolvido.
Nos termos do §3º, art. 5º, os tratados que assegurem direitos humanos e forem aprovados pelo
Congresso com o rito equivalente ao exigido para emendas constitucionais possuem status constitucional. Nesse
sentido, afirma o Min. Gilmar Mendes:
Independentemente de qualquer discussão sobre o tema, afigura-se inequívoco que o tratado de direitos
humanos que vier a ser submetido a esse procedimento especial de aprovação configurará, para todos os efeitos,
parâmetro de controle das normas infraconstitucionais.
Já os que foram aprovados anteriormente à EC 45/04, com o rito comum de lei ordinária, possuem status
supralegal. Assim dispõem sobre o tema o Min. Gilmar Mendes:
“Por fim, cabe registrar o encerramento do julgamento do Recurso Extraordinário n. 466.343/SP, Rel. Min.
Cezar Peluzo, em 3-12-2008. Nesse julgado, o STF definiu a tese da supralegalidade dos tratados internacionais
sobre os direitos humanos que sejam internacionalizados pelo direito pátrio. Ou seja, foi superado o
entendimento anterior – no sentido de que os tratados, ainda que versassem sobre os direitos humanos, teriam a
mesma estatura normativa das leis ordinárias – e prevaleceu, por maioria de votos, a tese de que os tratados
internacionais de direitos humanos subscritos pelo Brasil possuem status supralegal, o que torna inaplicável a
legislação infraconstitucional com eles conflitantes, seja ele anterior ou posterior ao ato de ratificação e, que

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desde a ratificação, pelo Brasil, sem qualquer reserva do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (art. 11)
e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos – Pacto de San José da Costa Rica (art. 7º, 7)

#IMPORTANTE#APOSTACICLOS
O DECRETO N 3.468, DE 17 DE MAIO DE 2000. Promulga o Protocolo de Assistência Jurídica Mútua em
Assuntos Penais, assinado em San Luis, República Argentina, em 25 de junho de 1996, entre os Governos da
República Federativa do Brasil, da República Argentina, da República do Paraguai e da República Oriental do
Uruguai.
A finalidade do Protocolo é promover a assistência jurídica mútua em questões penais entre as
autoridades competentes dos Estados Partes, o que inclui a investigação de delitos ou a cooperação penal com
procedimentos relacionados com assuntos penais. Logo no início do texto, mais especificamente no art. 1, § 4º,
afirma-se que a assistência será prestada ainda quando as condutas não sejam consideradas delitos no Estado
requerido, abandonando assim a exigência da dupla incriminação.
Caso o País requerente pretenda colher prova no País Requerido, serão as regras do segundo que
regularão a produção de prova. No que tange ao testemunho no Estado requerido, a pessoa deve comparecer ao
local e data a serem informados com antecedência, podendo inclusive ser fixados de comum acordo entre o
requerente e o requerido. Além disso, pode ser autorizada a presença de autoridades indicadas que poderão, em
conformidade com a lei local, formular perguntas. O consentimento da pessoa que vai prestar depoimento no
Estado requerente deve ser registrado por escrito e ser encaminhado à sua autoridade central. As despesas de
seu traslado e estada serão de responsabilidade do Estado requerido.

CONVENÇÃO DE PALERMO
Por emanar da Organização das Nações Unidas e ter ampla envergadura internacional, é de se
mencionar como signo primeiro da prevenção à criminalidade transnacional a Convenção de Palermo - a
Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional -, adotada pela Resolução n.º
A/RES/55/25 de 15 de novembro de 2000 quando da 55.ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
Primeiro ato internacional que de forma deliberada ousou tratar da criminalidade organizada na sua
vertente globalizada, a Convenção nos dá em seu artigo 2.º os conceitos de grupos estruturados e grupos
criminosos organizados.
Nos termos da alínea c, os grupos estruturados correspondem à "reunião não fortuita para a prática
imediata de uma infração, ainda que os seus membros não tenham funções formalmente definidas, que não
haja continuidade na sua composição e que não disponha de uma estrutura elaborada". Com isto, pode-se
concluir que a Convenção buscou estender sua aplicação a grupos menos sofisticados no tocante à divisão de
tarefas e organização interna, ficando ressalvada, contudo, a hipótese de reunião fortuita.
Por sua vez, o grupo criminoso organizado, é aquele composto por "ao menos três indivíduos, existente
há algum tempo e atuando concertadamente com o propósito de cometer uma ou mais infrações graves ou
enunciadas na Convenção, com a intenção de obter, direta ou indiretamente, um benefício econômico ou outro
benefício material" (alínea a).

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Com esta redação, podemos concluir que em havendo estabilidade temporal e uma maior concertação,
leia-se, divisão de tarefas numa estrutura comum, o grupo será categorizado como organizado, atraindo para si
o grosso calibre da lei.
A Convenção especifica os crimes que estão na sua órbita de aplicação.
Segundo o artigo 3.º, a Convenção se aplica aos "crimes graves", assim entendidos como aqueles
puníveis "com pena máxima não inferior a quatro anos, ou pena superior", e ainda, destacadamente, os
previstos nos artigos 5.º, 6.º, 8.º, e 23.º, quais sejam, a participação em grupo criminoso organizado,
a lavagem do produto do crime (branqueamento de capitais), a corrupção e a obstrução à justiça.
A vertente internacional, também necessária para a sua aplicação, vem enfim balizada pelo artigo 3.º,
n.º 2, que certifica a transnacionalidade do fenômeno quando o crime é cometido em mais de um Estado ou,
sendo cometido num só Estado, tenha parte substancial da sua preparação, planejamento, direção e controle
em outro Estado, ou envolva a participação de grupo organizado que pratique atividades criminosas em mais
de um Estado.
A alínea d do n.º 2 permite ainda uma amplificação das bases normativas quando o crime é cometido
num país apenas, mas os efeitos substanciais podem se refletir em terceiros Estados.
A vigência da Convenção teve início a 29 de Setembro de 2003, após o decurso do prazo sequente ao
depósito do 40.º instrumento de ratificação.
A circunstância de o desenvolvimento da Convenção ter transpassado o episódio dos atentatos
terroristas de 11 de setembro demonstra que, mesmo tardiamente, este instrumento veio a ocupar uma
importante lacuna então observada no tecido normativo do direito internacional da segurança, posto que até
então o fenômeno da criminalidade transnacional não havia sido objeto de uma regulação tão específica ao
nível da cooperação e da mútua assistência transgovernamental.
À Convenção de Palermo se somaram três protocolos adicionais relativos ao:
 Tráfico de pessoas (Protocolo para Prevenir, Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas, Especialmente
Mulheres e Crianças).
 Contrabando de migrantes na conhecida vertente do auxílio à imigração ilegal (Protocolo contra o
Contrabando de Migrantes por Terra, Mar e Ar, na tradução portuguesa).
 Tráfico de armas (Protocolo contra a Fabricação e o Tráfico Ilícito de Armas de Fogo, suas Peças e
Componentes e Munições).
Nas bases da Convenção está a corcondância intergovernamental quanto à necessidade de se
promover, no âmbito do fenômeno em causa, uma padronização de medidas penas e processuais penais no
direito interno, com especial destaque para a adoção de novas formas de cooperação e assistência jurídica,
mesmo no que tange ao treinamento de pessoal e ao seu aperfeiçoamento técnico.
FINANCIAMENTO DO CRIME
No que respeita ao financiamento do crime organizado, a Convenção dedica o seu artigo 31.º, n.ºs 1 e
2, a uma série de medidas preventivas que obrigam os Estados Partes à elaboração de ações de cunho
legislativo ou administrativo que buscam reduzir as possibilidades atuais ou futuras de participação de grupos
criminosos organizados em negócios lícitos utilizando o produto do crime.
As peculiaridades dos métodos encontrados pela comunidade internacional para o combate a este tipo
de criminalidade faz então surgir a velha discussão acerca da colisão de direitos, uma vez que, em muitas
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vezes, impõem restrições ou limitações aos direitos e garantias individuais, como se vê das alíneas a e b do n.º
2 do artigo 31.º que estabelecem uma aproximação entre empresas e autoridades públicas, com a criação de
uma relação de maior transparência e previsibilidade, tocando em tópicos como o segredo profissional, e a
necessidade de se adotarem novos "códigos de conduta" entre profissionais como advogados, contabilistas e
consultores tributários.
A Convenção funda as premissas basilares de um sistema internacional de cooperação que vai da
produção de informações no quadro da fase investigativa à fase punitiva, com menções precisas à extradição, à
assistência judiciária recíproca e à transferência de condenados por crimes compreendidos no conceito
de grupos criminosos organizados transnacionais.
ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA RECÍPROCA
Em termos gerais, prevê o texto convencional palermitano em seu artigo 18.º, n.º 1, uma cooperação
verticalizada que determina aos Estados Partes a recíproca assistência judiciária nas investigações, nos
processos e em outros atos judiciais relativos às infrações previstas na Convenção.
A assistência se aplica também quando vítimas, testemunhas, o produto ou os instrumentos do crime
ou elementos de prova das infrações se encontrem numa jurisdição diversa daquela em que tramita o processo
penal.
As medidas cuja execução intergovernamental se pretendem ver aplicadas no instrumento de
cooperação judiciária vêm melhor elencadas no artigo 18.º, n.º 3, alíneas a até i da Convenção, ali constando
uma série de diligências: a recolha de testemunhos ou depoimentos, a notificação de atos judiciais,
as buscas, apreensões e embargos, o exame de objetos e locais, o fornecimento de informações, elementos
de prova e pareceres de peritos, o fornecimento de originais ou cópias certificadas de documentos e
processos pertinentes, mesmo os documentos administrativos, bancários, financeiros ou comerciais e
documentos de empresas, a identificação ou localização do produtos do crime, bens, instrumentos ou outros
elementos para fins probatórios, a facilitação do comparecimento voluntário de pessoas no Estado
requerente, e prestação de "qualquer outro tipo de assistência compatível com o direito interno do Estado
Parte a que se solicita a cooperação".
Nota importante da evolução na matéria é a possibilidade de os Estados Partes - por suas forças de
segurança e organismos de inteligência - se associarem com a finalidade de levarem a cabo investigações
conjuntas, tendentes a prevenir e combater os efeitos danosos da atividade criminosa organizada
transnacional.
A inovação vem cravada no artigo 19.º da Convenção, pelo qual os Estados Partes são incentivados à
criação de organismos de investigação de dimensão multigovernamental, numa espécie de ação policial
investigativa que envolve a inteligência de duas ou mais forças públicas de segurança, podendo para tanto, nos
termos do dispositivo, serem celebrados acordos ou protocolos bilaterais ou multilaterais em virtude dos quais,
com respeito a matérias que sejam objeto de investigação, processos ou ações judiciais em um ou mais
Estados, as autoridades competentes possam criar órgãos mistos de investigação.
Dadas as naturais dificuldades diplomáticas enfrentadas para a pactuação de atos formais, caso dos
acordos e protocolos, o mesmo artigo 19.º prevê em seu n.º 2 que, ausentes estes, poderá ser decidida
casuísticamente a realização de investigações conjuntas, "respeitada em todos os casos a soberania do Estado
em cujo território a investigação esteja a acontecer".
Pese embora o cenário de cooperação intergovernamental em matéria penal no âmbito econômico-
financeiro já despontasse no período anterior à Convenção com a criação de mecanismos bilaterais pontuais

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entre Estados, é com a sua entrada em vigor que a comunidade internacional passa a ter uma base sólida
e ponto de partida universal em matéria de assistência mútua entre Estados na prevenção e no combate ao
fenômeno da criminalidade transnacional organizada.
Com a Convenção de Palermo que o legislativo brasileiro se vê na necessidade de promover
adaptações e atualizações, com vistas a atender aos anseios do ato internacional.
No Brasil surge a Lei n.º 12.850/2013, que revoga o anterior regime da Lei n.º 9.034/95.
O conceito de criminalidade organizada estabelecido pela Convenção é inserido no artigo 1.º da Lei,
que mais à frente, elenca oito meios de obtenção de prova a serem adotados em quaisquer fases do processo:
a colaboração premiada, a captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos, a ação
controlada, o acesso a registros de ligações telefônicas e telemáticas, a dados cadastrais constantes de bancos
de dados públicos ou privados e a informações eleitorais ou comerciais, a interceptação de
comunicações telefônicas e telemáticas, o afastamento dos sigilos financeiro, bancário e fiscal, e a infiltração,
por policiais, em atividade de investigação, para além da cooperação entre instituições e órgãos federais,
distritais, estaduais e municipais na busca de provas e informações de interesse da investigação ou da instrução
criminal. (art. 3.º, incisos I a VIII).

IMUNIDADES
Imunidade à jurisdição é o anteparo limitador do exercício do Poder de Estdo em relação àquele que se
encontre sobre seu domínio em decorrência do respeito aos costume internacional, aos tratados internacionais
pactuados e aos princípios gerais do direito internacional, concistuindo, por exceção, no ordenamento jurídico
interno uma prerrogativa em razão das funções e tarefas desempenhadas.

IMUNIDADE DIPLOMÁTICA
Tem por natureza proibir quaisquer atos de execução de caráter punitivo penal ou constrictivo processual
como medidas cautelares pessoais (prisões) ou reais (sequestro, arresto ou penhora) proposta pelo Estado
nacional em face do Estado representado, seja de natureza civil, ou de natureza penal.
A jurisprudência do STF quanto à imunidade diplomática em relação à jurisdição brasileira de natureza
civil foi firmada no seguinte sentido:
“Imunidade de jurisdição. Organização das Nações Unidas. Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento. Segundo estabelece a “Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas”,
promulgada pelo Brasil pelo Decreto nº 27.784, de 16 de fevereiro de 1950, “A Organização das Nações Unidas,
seus bens e haveres, qualquer que seja seu detentor, gozarão de imunidade de jurisdição, salvo na medida em que
a Organização a ela tiver renunciado em determinado caso. Fica, todavia, entendido que a renúncia não pode
compreender medidas executivas. Esse preceito normativo, que no direito interno tem natureza equivalente a das
leis ordinárias, aplica-se também às demandas de natureza trabalhista”.
Em relação à imunidade diplomática de natureza penal, não há o que se falar na aplicação da lei penal do
Estado contratante aos chefes de outros Estados que se encontrem no seu território, bem como gozam de igual
isenção os represnetantes diplomáticos, assim como os seus empregados estrangeiros, e as pessoas da família dos
agentes diplomáticos que vivam em sua companhia. Há que se falar tamém da inviolabilidade aos locais onde são
desempenhadas as funções diplomáticas.

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#IMPORTANTE#APOSTACICLOS
A embaixada, local de missão permanente, ou outro local provisório, da mesma forma, é considerada
INVIOLÁVEL pela Convenção das Relações Diplomáticas.
Os diplomatas e integrantes do pessoal administrativo e técnico gozam de imunidade penal, o qual se
projeta aos membros da família, sendo certo que os cônsules somente alcançam os atos do ofício considerados
como crimes comuns, excepcionados os crimes cobertos por esta proteção como outorga fraudulenta.

ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS
ESTADOS ESTRANGEIROS
(EM ESPECIAL A ONU)
Imunidade de jurisdição para atos de império. Não tem Imunidade de jurisdição para todos os seus atos (desde
imunidade para atos de gestão. que haja previsão em tratado internacional).
Imunidade de execução Imunidade de execução.
Fundamento: Fundamento:
Em geral, não há tratado internacional regulando o A existência de tratados internacionais assinados pelo
tema. Logo, esta imunidade é garantida por força de Brasil prevendo esta imunidade.
direito consuetudinário internacional (Direito das
No caso específico da ONU, este documento é a
Gentes - jus cogens). Exceção: a imunidade de
Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações
jurisdição das autoridades diplomáticas ou consulares
Unidas, de 1946 (Decreto 27.784/50).
encontra-se prevista nas Convenções de Viena de 1961
e 1963 (Decretos 56.435/65 e 61.078/67).
Causas trabalhistas Causas trabalhistas
Trata-se de imunidade relativa. Assim, os Estados Gozam de imunidade absoluta. Os organismos
estrangeiros não gozam de imunidade de jurisdição internacionais (com base neste precedente da ONU)
(são atos de gestão), mas possuem imunidade de gozam tanto de imunidade de jurisdição como de
execução. execução.

#ATENÇÃO: A imunidade de execução é autônoma em relação à imunidade de jurisdição. Nesse sentido, a


renúncia à imunidade de jurisdição diante de conflitos relativos a atos de império não implica abrir mão da
imunidade de execução, relativamente à qual nova renúncia é necessária. Além disso, cabe afirmar que a
inexistência de imunidade nos atos de gestão não afeta a manutenção da imunidade de execução. (STF – ACO –
AGR 633/SP, de 22/06/2007).

#APOSTACICLOS! A Organização das Nações Unidas — ONU e sua agência Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento — PNUD possuem imunidade de jurisdição e de execução, abrangendo, inclusive, as
causas trabalhistas. STF. (Info 706).

ESTATUTO DA IGUALDADE
É fruto do tratado entre Brasil e Portugal firmado em 07.09.1971, tendo como objetivo:
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 A igualdade de direito e obrigações civis;


 Ampliar a obtenção de direitos políticos;
#OLHAOGANCHO. O novo regime de imigração introduziu o instituto da REAQUISIÇÃO DA
NACIONALIDADE ao definir no art. 76 que o brasileiros que, em razão do previsto no inciso II do §4º do art. 12 da
CF/88, houver perdido a nacionalidade, uma vez cessada a causa, poderá readquirí-la ou ter o ato que declarou a
perda revogado, na forma definida pelo Ministério da Justiça.

ASILO POLÍTICO E DIREITO DOS REFUGIADOS

ASILO POLÍTICO
É o acolhimento de estrangeiro pelo Estado em razão de perseguição, geralmente, porém não
necessariamente, em seu próprio país de origem por motivos de dissidência política, de delitos de opinião, ou por
crimes relacionados com a segurança do Estado, os quais, em regra, não configuram violação dos bens jurídicos
tutelados pelo direito penal comum.
#OLHAOGANCHO.
O ASILO POLÍTICO constitui, por natureza, ATO DISCRICIONÁRIO DO ESTADO. Não se concederá asilo a
quem tenha cometido crime de GENOCÍDIO.

#IMPORTANTE #APOSTACICLOS.
A lei considera expressamente como ato de renúncia a saída do asilado do território do país sem prévia
comunicação as autoridades imigratórias. Nessa hipótese, é possível que esta comunicação seja feita a POLÍCIA
FEDERAL, na delegacia especializada (Delegacia de Imigração – DELEMIG), quando na Secretaria do Estrangeiro
subordinada ao Ministério da Justiça.

REFUGIADO
É considerado refugiado aquela pessoa que devido a fundados temores de perseguição por motivos de
RAÇA, RELIGIÃO, NACIONALIDADE, GRUPO SOCIAL ou OPINIÕES POLÍTICAS encontre-se fora de seu país de
nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país. O ato de refugiar indica pressuposto
indispensável violação de direito humanos a pessoa.

#IMPORTANTE#APOSTACICLOS
O estrangeiro que chegar em território nacional poderá expressar sua vontade de solicitar
reconhecimento como refugiado a qualquer autoridade migratória que se encontre na fronteira, a qual lhe
proporcionará as informações necessárias quanto ao procedimento cabível.
Portanto, a atribuição é da Polícia Federal, cuja atribuição constitucional é imposta pelo Art. 144, §1º, inc
III da CF/88, sendo certo que a autoridade quem for apresnetada a solicitação deverá ouvir o interessado e
preparar termo de declaração, que deverá conter circunstâncias relativas à entrada no Brasil e às razões que o
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fizeram deixar o país de origem.

#OLHAOGANCHO
Nos termos do art. 8º do estatuto do refugiado, o ingresso irregular no território nacional não constitui
impedimento para o estrangeiro solicitar refúgio as autoridades competentes, sendo asseverado que em hipótese
alguma será efetuada sua deportação para a fronteira de territórioem que sua liberdade esteja ameaçada. A
solicitação de refúgio suspenderá qualquer procedimento administrativo ou criminal instaurado contra o
peticionário e pessoas de seu grupo familiar que o acompanhem.
Definição de refugiado: pessoa que sofre ou teme sofrer, em seu Estado de origem, perseguição por
motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas e que, por esses motivos, deixa esse
Estado e procura proteção em outro, não podendo ou não devendo voltar ao Estado de onde veio, onde sua
integridade se encontra em risco.
#IMPORTANTE: Princípio do non-refoulement (proibição de expulsão ou de rechaço): não se admite que
o refugiado seja enviado de volta ao Estado de onde proveio e em que corre risco de perseguição ou de vida.
- A decisão que concede o refúgio, apesar de competir a órgão vinculado ao Poder Executivo
(CONARE), está sujeita a controle jurisdicional (Info. 558 do STF).
- No mesmo sentido, o STJ reafirmou a possibilidade de controle judicial dos atos do CONARE que
concederam refúgio no Brasil. Entretanto, o STJ destaca que o Poder Judiciário deve limitar-se a analisar as
questões de legalidade do procedimento de concessão do refúgio, sem apreciar o acerto ou desacerto da decisão
do CONARE, incumbido legalmente de tal mister, sob pena de invadir o mérito da decisão administrativa.
- Súmula do CONARE: a perda da condição de refugiado em razão de saída do território nacional sem
prévia autorização do CONARE, conforme o art. 39, IV, não é automática e dependerá da análise do caso concreto.
- ACNUR: Trata-se do principal órgão competente para o tratamento da questão dos refugiados no
âmbito da ONU: Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
- O controle da aplicação das normas sobre refúgio encontra-se a cargo de órgãos internacionais, como
o ACNUR.

ASILO X REFÚGIO

ASILO REFÚGIO
A concessão é ato discricionário e soberano do A concessão é dever do Estado (é OBRIGATÓRIO
conceder).
Estado.
Não existe foro internacional dedicado O controle da aplicação das normas sobre refúgio
especificamente a acompanhar o tratamento do asilo. encontra-se a cargo de órgãos internacionais, como o
ACNUR.
Os motivos para a concessão são políticos. Pode se fundamentar em perseguições por motivos de
raça, grupo social, religião e penúria.

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Relevância dos motivos políticos. Aplica-se de maneira apolítica.


Perseguição individualizada. Perseguição a grupos maiores.
Pode ser solicitado no próprio país de origem do Só é admitido quando o indivíduo está fora de seu
indivíduo perseguido. país.

DEPORTAÇÃO, EXTRADIÇÃO, EXPULSÃO e TPI:

DEPORTAÇÃO EXPULSÃO EXTRADIÇÃO ENTREGA


Estado manda embora um O Estado manda embora O Estado entrega a outro O Estado entrega um
estrangeiro que entrou ou um estrangeiro que tem país um indivíduo que estrangeiro ou mesmo
permaneceu no Brasil de comportamento nocivo cometeu um crime que é brasileiro para que seja
forma irregular. ou Inconveniente aos punido segundo as leis julgado pelo TPI, sediado
interesses nacionais. daquele país (e também do em Haia (Holanda).
Brasil – dupla tipicidade) a Previsto no Estatuto de
fim de que lá ele seja Roma. É a entrega é a
processado ou cumpra a remessa para um órgão
pena por esse ilícito. supranacional (o TPI).
Exs: passaporte vencido. Ex: o estrangeiro praticou Ex: um cidadão dos EUA lá Ex: indivíduo praticou
um crime aqui no Brasil. comete um crime e foge genocídio, crime de
para o Brasil. guerra, de agressão ou
crime contra a
humanidade.

É ato de ofício do Brasil. É ato de ofício do Brasil. Depende de pedido Depende de pedido do
formulado pelo outro TPI.
ESTADO.
É ato de competência do É ato de competência do O pedido de extradição É possível a entrega de
Departamento de Polícia Presidente da República, feito por Estado um brasileiro nato para
Federal. podendo ser delegado ao estrangeiro é examinado ser julgado pelo TPI?
Ministro da Justiça. pelo STF. Autorizado o
1º) SIM. A entrega de um
pleito extradicional pelo
nacional brasileiro não
STF, cabe ao Presidente da
fere a CF/88 (art. 5º, LI)
República decidir, de forma
porque a entrega se dá
discricionária, sobre a
ao TPI e não a um
entrega, ou não, do
Estado estrangeiro. Desse
extraditando ao governo
modo, a entrega é
requerente.
diferentede extradição. O
que a CF veda é a
extradição de brasileiros

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O deportado e o expulso O deportado e o expulso A pessoa extraditada é natos (Valério Mazzuoli).


são mandados para o país são mandados para o mandada para o país que É a corrente que
de sua nacionalidade ou país de sua nacionalidade requereu a extradição. prevalece.
procedência, ou para outro ou procedência, ou para Segundo o entendimento
#POLÊMICA: Entrega
que aceite recebê-lo. outro que aceite recebê- do Ministério da Justiça,
para cumprimento de
lo. nada impede o retorno ao
pena de prisão
Brasil de estrangeiro já
perpétua. Há uma
extraditado, após o
tendência de que não
O deportado poderá No Estatuto do cumprimento da pendência
seria possível.
reingressar no Brasil se Estrangeiro, o estrangeiro com a Justiça do país
obtiver todos os somente poderá retornar requerente, desde que não 2ª) NÃO. Apesar da
documentos necessários e ao Brasil se o decreto que haja também sido expulso “diferença técnica”,
ressarcir o Tesouro pelas o expulsou for revogado do território nacional. formal, portanto, entre
despesas com a sua por outro decreto os institutos, parece
deportação, além de pagar (princípio do paralelismo evidente que,
a multa devida. das formas). materialmente, ambos
implicam o mesmo tipo
Nova lei de migração: o
e grau de
procedimento de
constrangimento à
revogação ainda será
liberdade individual
regulamentado (art. 56).
(Paulo Queiroz).
**

#OLHAOGANCHO. Vamos aproveitar para verificar algumas das mudanças ocasionadas pela Lei de
Migração nos principais pontos sobre extradição, expulsão e deportação:
 Modernização do processo de deportação, em respeito às garantias constitucionais:
DEPORTAÇÃO
Deve ser precedida de notificação pessoal.
A notificação concederá prazo não inferior a 60 (sessenta) dias para regularização da situação.
O prazo poderá ser prorrogado, por igual período, mediante despacho fundamentado e compromisso de manter
atualizadas as informações domiciliares.
O prazo de 60 (sessenta) dias poderá ser reduzido nos casos em que o deportando tenha praticado ato contrário
aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal.
A notificação não impede a livre circulação em território nacional, devendo o deportando informar seu domicílio
e atividades.

 A regra existente no art. 61 da Lei 6.815/80, que permitia que o estrangeiro fosse recolhido à prisão
por requisição do Ministro da Justiça não mais subsiste na Lei de Migração. Por outro lado, ainda é vedada
deportação que implique extradição não admitida na Lei brasileira.
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 Mudança drástica nas hipóteses de expulsão:


Lei 13.445/2017 Lei 6.815/1980
É necessário sentença com trânsito em julgado É passível de expulsão o estrangeiro que atentar
relativa à prática de: contra:
Crime de competência do Tribunal Penal Internacional
(agressão, genocídio, crime de guerra ou contra a Segurança nacional
humanidade).

Crime comum doloso passível de pena privativa de


liberdade, consideradas a gravidade e as possibilidades Ordem política ou social
de ressocialização em território nacional.

– Tranquilidade ou moralidade pública


– Economia popular
Fraude a fim de obter a entrada ou permanência no

Brasil
Havendo entrado no território nacional com infração à
lei, dele não se retirar no prazo que lhe for

determinado para fazê-lo, não sendo aconselhável a
deportação (residual).
– Vadiagem ou mendicância
Desrespeito à proibição especialmente prevista em lei

para estrangeiro.

Lei 13.445/2017 Lei 6.815/1980


(Art. 55) (Art. 75)
Não se procederá à expulsão quando: Não se procederá à expulsão:
A medida configurar extradição inadmitida pela Lei Se implicar extradição inadmitida pela lei brasileira.
brasileira.
O expulsando tiver filho brasileiro que esteja sob sua Quando o estrangeiro tiver cônjuge brasileiro do qual
guarda ou dependência econômica ou socioafetiva ou não esteja divorciado ou separado, de fato ou de
tiver pessoa brasileira sob sua tutela. direito, e desde que o casamento tenha sido celebrado
há mais de 5 (cinco) anos
O expulsando tiver cônjuge ou companheiro residente Quando o estrangeiro tiver filho brasileiro que,
no Brasil, sem discriminação lguma, reconhecido comprovadamente, esteja sob sua guarda e dele
judicial ou legalmente. dependa economicamente.

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O expulsando tiver ingressado no Brasil até os 12 (doze) Súmula 1 – STF: É vedada a expulsão de estrangeiro
anos de idade, residindo desde então no País. casado com brasileira, ou que tenha filho brasileiro,
dependente da economia paterna.

O expulsando for pessoa com mais de 70 (setenta) anos


que resida no País há mais de 10 (dez) anos,

considerados a gravidade e o fundamento da expulsão.

#IMPORTANTE. #APOSTACICLOS.
Como sabemos, no Estatuto do Estrangeiro, a pessoa expulsa só poderia retornar ao Brasil caso o decreto
de expulsão fosse revogado6 pelo Presidente da República, em homenagem ao princípio do paralelismo de formas.
Contudo, a referida regra não mais subsiste na Lei de Migrações, pois o impedimento vinculado aos efeitos da
expulsão passa a ter prazo determinado, sendo proporcional ao prazo total da pena aplicada e nunca será superior
ao dobro de seu tempo.
#APOSTACICLOS. Uma das grandes inovações da Lei 13.445/2017 (Lei de Migração) é o fato de que a
prisão na extradição deixa de ser condição obrigatória de procedibilidade, podendo atualmente o extraditando
responder em liberdade, ou prisão albergue ou prisão domiciliar, conforme o caso.
 Por fim, importante relembrar os principais julgados sobre o tema:
O Poder Judiciário poderá avaliar a decisão de expulsão. No entanto, como o ato de expulsão é
considerado discricionário, somente cabe ao Poder Judiciário analisar se ele foi praticado em conformidade ou
não com a legislação em vigor (controle de legalidade), NÃO podendo examinar a sua conveniência e
oportunidade, ou seja, não poderá realizar o controle sobre o mérito da decisão. Assim, o ato administrativo de
expulsão, manifestação da soberania do país, é de competência privativa do Poder Executivo, competindo ao
Judiciário apenas a verificação da higidez do procedimento por meio da observância das formalidades legais.
STJ. 1ª Seção. HC 239.329/DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 28/05/2014. STJ. 1ª Seção. HC 333.902-
DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 14/10/2015 (Info 571).
Súmula 1 – STF: É vedada a EXPULSÃO de estrangeiro casado com brasileira, ou que tenha filho brasileiro,
dependente da economia paterna.
#ATENÇÃO Não confundir com a Súmula 421-STF: Não impede a EXTRADIÇÃO a circunstância de ser o
extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro.
O STF reafirmou tal entendimento em julgado recente: STF. 2ª Turma. Ext 1497/DF, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 15/8/2017 (Info 873).
#NÃOCONFUNDA com os julgados abaixo, que tratam de EXTRADIÇÃO!
A Interpol tem legitimidade para requerer, no Brasil, prisão cautelar para fins de extradição. STF. Decisão
monocrática. PPE 769, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 18/02/2016 (Info 816).
A pessoa pode ser extraditada mesmo que o tratado de extradição firmado entre o Estado estrangeiro e o
Brasil seja posterior ao crime cometido naquele país, mas desde que o tratado preveja expressamente que as
suas disposições também serão aplicadas aos delitos praticados antes de sua vigência. STF. Decisão monocrática.
PPE 769, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 18/02/2016 (Info 816).
O Brasil não deverá deferir pedido de extradição se o delito praticado pelo extraditando estiver
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prescrito segundo as leis brasileiras, considerando que deverá ser respeitado o requisito da dupla punibilidade
(art. 77, VI, do Estatuto do Estrangeiro). O fato de o Estado requerente ter qualificado os delitos imputados ao
extraditando como de lesa-humanidade não torna tais crimes imprescritíveis no Brasil. Isso porque: 1) o Brasil não
subscreveu a Convenção sobre a Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e dos Crimes contra a Humanidade,
nem aderiu a ela; 2) apenas a lei interna pode dispor sobre prescritibilidade ou imprescritibilidade de crimes no
Brasil. STF. Plenário. Ext 1362/DF, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Teori Zavascki, julgado em 9/11/2016
(Info 846).
Em regra, o simples fato de o extraditando estar de acordo com o pedido extradicional e de declarar que
deseja retornar ao Estado requerente a fim de se submeter ao processo criminal naquele País não exonera (não
exime) o STF do dever de efetuar o controle da legalidade sobre a postulação formulada pelo Estado requerente.
No entanto, é possível que ocorra uma peculiaridade. É possível que o tratado que rege a extradição entre o
Brasil e o Estado estrangeiro preveja um procedimento simplificado no caso de o extraditando concordar com o
pedido. É o caso, por exemplo, da “Convenção de Extradição entre os Estados Membros da Comunidade dos
Países de Língua Portuguesa”. STF. 2ª Turma. Ext 1476/DF, rel. Min. Celso de Mello, julgado em 9/5/2017 (Info
864).
A data do protocolo do pedido de extradição e a data do cumprimento da prisão preventiva para fins de
extradição não são considerados marcos interruptivos da prescrição. STF. 2ª Turma. Ext 1346 ED/DF, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 6/9/2016 (Info 838).
Se o estrangeiro está respondendo a ação penal por crime tributário no exterior, ele poderá ser
extraditado mesmo que ainda não tenha havido a constituição do crédito tributário no país requerente. O que se
exige, para o reconhecimento do pedido, é que o fato seja típico em ambos os países, não sendo necessário que o
Estado requerente siga as mesmas regras fazendárias existentes no Brasil. STF. 2ª Turma. Ext 1222/República
Federal da Alemanha, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 20/8/2013 (Info 716).
A existência de processo ou mesmo decreto de expulsão em curso em desfavor de estrangeiro não impede
a concessão dos benefícios da progressão de regime ou do livramento condicional. (STJ. 5ª Turma. HC 324.231/SP,
Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 03/09/2015).
O apenado poderá progredir para o regime semiaberto, mesmo havendo uma ordem de extradição não
cumprida. (STF. Plenário. Ext 947 QO/República do Paraguai, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
28/5/2014). (Info 748). #VAICAIR.

TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL


O TPI é competente para julgar:
COMPETÊNCIA
a) Crimes de Guerra; b) Crimes contra a humanidade; c) Crimes de Agressão e d) Genocídio.

COMPOSIÇÃO 18 (dezoito) juízes, em um mandato de 9 (nove) anos sem direito a recondução. Não pode
haver mais de um juiz da mesma nacionalidade.
DO TPI
 Prisão por até 30 anos.
 Prisão perpétua. Somente se o elevado grau de ilicitude do fato e as condições pessoais do
PENAS DO TPI
condenado a justificarem.
 Perda de bens provenientes do crime.

157
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 Reparações (indenização, reabilitação e restituição).

O Estatuto de Roma do TPI não permite reservas. Contudo, o Estado pode retirar-se, sendo
OUTRAS que essa retirada produzirá efeitos 1 ano após a recepção da notificação.
INFORMAÇÕES Pode haver REEXAME DA PENA quando o condenado já tiver cumprido 2/3 da pena, ou 25
anos de prisão em caso de prisão perpétua
CRIMES DE São atos ilícitos contra as normas do Direito de Guerra e o Direito Humanitário, estabelecidas
o próprio Estatuto de Roma (art. 8º).
GUERRA
#VAICAIR São atos cometidos no quadro de um ataque, generalizado ou sistemático, contra
CRIMES CONTRA qualquer população civil, havendo conhecimento desse ataque.
A HUMANIDADE #NEVERFORGET A cláusula martens visa proteger a população civil de crimes contra a
humanidade.
Muita atenção: o crime de agressão não era inicialmente definido pelo Estatuto de Roma ou
qualquer disposição proferida pelo TPI. Todavia, por força da Resolução RC 5, de 11/06/2010,
foi finalmente definido o crime de agressão, por meio da inclusão do art. 8, bis, ao Estatuto de
Roma.
CRIMES DE O crime de agressão consiste no planejamento, preparação ou execução, por parte de uma
AGRESSÃO pessoa competente para efetivamente dirigir a ação política de um Estado, de um ato de
agressão que, por suas características, gravidade ou escala, constituam uma manifesta
violação da Carta das Nações Unidas.
Pergunta-se: a definição do crime de agressão deve ser compatível com as disposições
pertinentes da Carta da ONU? NÃO!!! Essa disposição foi eliminada do Estatuto de Roma.
É a prática de atos contra membros de um grupo étnico, nacional, racional ou religioso com a
GENOCÍDIO
intenção de destruí-lo, no todo ou em parte.

#OLHAOGANCHO
A CF/88 veda no art. 5º, inc XLVII, alínea d o BANIMENTO.

DIREITOS HUMANOS
Principais características dos Direitos Humanos:
 São fundados sobre o respeito pela dignididade e o valor de cada pessoa;
 Universais: o que quer dizer que são aplicados de forma igual e sem discriminação a todas as
pessoas;
 Inalienáveis, ninguém pode ser privado de seus direitos humanos;
 Indivisíveis, inter-relacionados e interdenpendentes: é insuficiente respeitar alguns direitos
humanos e outros não na medida em que a violação de um direito afeta o respeito a outros.
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#ATENÇÃO. A Declaração Universal dos Direitos Humanos não tem natureza jurídica de tratado
internacional, pois não foi fruto de acordo multilateral entre os países, tanto quanto a sua constituição como
quanto ao conteúdo, alcance.

DOMINIO PÚBLICO
São os espaços cuja utilização suscita o interesse de mais de um Estado soberano, por vezes, toda a
comunidade internacional, como, por exemplo, o continente antártico, os rios internacionais e o espaço extra-
atmosférico.
O mar territorial tem largura de 12 (dozes) milhas da costa, aproximadamente 22 (vinte e
dois) quilômetros da costa e a zona econômica exclusiva tem 188 (cento e oitenta e oito)
MAR milhas adjacentes.
Cuida-se de uma segunda faixa, adjacente ao mar territorial, e, em princípio, de igual largura,
onde o Estado costeiro pode tomar medidas de fiscalização em defesa de seu território e de
ZONA CONTÍGUA suas águas, relacionados à alfândega, à imigração, à saúde, e ainda à disciplina regulamentar
dos portos e do trâsito pelas águas terrotirais. Não poderá exceder 24 milhas marítimas
contadas da mesma linha base do mar territorial.
Trata-se de uma faixa adjacente ao mar territorial, cuja largura máxima é 180 milhas
marítimas contados do limite máximo daquele, com o que perfazem 200 milhas marítimas
ZONA ECONÔMICA
da linha base. O direito do estado costeiro é nesta zona econômica limitado e
EXCLUSIVA
especificamente soberano. Tem o direito ao exercício da soberania para fins de exploração,
aproveitamento econômico, conservação e gestão dos recursos naturais.
Trata-se da parte do leito do mar adjacente à costa, cuja profundidade em geral não excede
a 200 (duzentos) milhas, e que a uma boa distância do litoral cede lugar às inclinações
PLATAFORMA
abruptas. Os direitos econômicos do Estado costeiro sobre a sua plataforma continental são
CONTINENTAL
exclusivos. Direitos soberanos de exploração dos recursos naturais independente de aviso,
de qualquer pronunciamento ou de ocupação efetiva.
FUNDOS Área que constitui patrimônio comum da humanidade. A exploração pode ser feita pelos
MARINHOS Estados como empresa, um ente operacional diretamente subordinado àquela.
Considera a liberdade do alto-mar e estabelece que essa liberdade consiste na navegação,
ALTO-MAR sobrevoo de aviões, construção de ilhas artificiais e instalações congêneres, pesca e à
investigação científica.
Trata-se de todo curso dágua que tenha mais de um Estado soberano. Eles podem ser
limítrofes ou sucessivos. O rio amazonas tem ambas as características, pois suas águas
RIOS banham os dois flancos, ou seja, o território peruano e sucessivamente o território
INTERNACIONAIS brasileiro, além de servir de rio limítrofe entre Peru e Colômbia.
O estado exerce soberania plena sobre os ares situados acima de seu território e de seu mar
ESPAÇO AÉREO territorial. Projeta-se no mesmo espaço aéreo o mesmo regime jurídico da superfície
subjacente. É livre a navegação aérea, civil ou militar, sobre os espaços onde não indique
qualquer soberania estatal.

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#OLHAOGANCHO
As embarcações brasileiras de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro, onde quer que se
encontrem, são consideradas como extensão do território nacional no que tange à aplicação da lei penal
brasileira. Da mesma forma, não é aplicável a legislação brasileira às embarcações públicas estrangeiras que se
encontrem no Brasil.

#IMPORTANTE #APOSTACICLOS!
É aplicável às embarcações mercantes ou de propriedade privada que estiverem em alto-mar, ou seja,
não se encontrando sob a jurisdição de nenhum Estado, a legislação penal do seu país de origem, considerando-
se a nacionalidade da bandeira (ou pavilhão) ostentada pela embarcação para fins de definição da incidência da
legislação.
A jurisdição do Estado costeiro não será exercida a bordo de navio estrangeiro de passagem pelo mar
territorial com a finalidade de deter pessoa ou fazer investigações, salvo as exceções previstas no artigo 27 da
Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
É ainda aplicável a legislação penal brasileira quando algum crime for praticado a bordo de embarcações
estrangeiras de propriedade privada, estando em porto ou mar territorial do Brasil.
Tratando-se da extraterritorialidade, ou seja, onde ocorre aplicação da lei brasileira a crimes que não
foram praticados no Brasil, o artigo 7º, inciso II, alínea “c” do Código Penal, dispõe que ficam sujeitos à lei
brasileira os crimes cometidos em embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em
território estrangeiro e aí não sejam julgados, dependendo para aplicabilidade da lei do concurso de condições
como: entrar o agente no território nacional, ser o fato punível também no país em que foi praticado, dentre
outras.

LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL24 25


ESTATUTO DO DESARMAMENTO
 Posse: arma de fogo, acessório ou munição for encontrada na residência ou no local de trabalho,
nesse último caso, desde que seja proprietário ou responsável pelo estabelecimento ou empresa.
#PRESTAATENÇÃO! A posse ilegal de arma de fogo de uso permitido com registro vencido é conduta
atípica.
 Porte: arma de fogo encontrada em local diverso da residência ou do local de trabalho (nesse último
caso apenas para os proprietários e responsáveis da empresa).
OBS¹. Em caminhão ou táxi é considerado porte e não posse. Não é considerado local de trabalho.

24 Por Paulo Lima (@profdpfpaulolima).


25
BIBLIOGRAFIA UTILIZADA PARA ESSE TRABALHO: Revisão de véspera – Delegado Federal, Vade Mecum Carreiras Policiais, Coleção
Sinopses para Concursos, Leis Especiais para concursos – V.12 – Leis penais especiais Gabriel Habib; jurisprudência do STJ, súmulas do
STJ e comentários de jurisprudência do dizer o direito (#MARCINHO).
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OBS². O posse/porte ilegal de arma de fogo ineficaz é conduta atípica, desde que a ineficácia seja
absoluta.
OBS³. É crime... Porte de arma de fogo desmuniciada, pois se trata de delito de perigo abstrato; Porte de
munição, sem arma.
#SELIGA #VAICAIR: o porte de mais de uma arma é considerado crime único.

ABOLITIO CRIMINIS TEMPORÁRIA: SÚMULA 513 – STJ

 Abolitio criminis do crime de posse de arma de fogo de uso permitido e


23/12/2003 A 23/10/2005
restrito.
 Abolitio criminis apenas em relação ao crime de posse de arma de fogo de uso
23/10/2005 A 31/12/2009
permitido.
a) Não se aplica ao porte de arma de fogo;
b) STJ diz que a reabertura do prazo retroage e STF diz que não, por ter caráter
OBSERVAÇÕES temporário
c) A permuta de armas de fogo configura uma forma de aquisição de arma. Logo, é
crime, não sendo alcançada pela abolitio criminis.

OMISSÃO DE CAUTELA: consiste em deixar que menor de 18 ANOS (#SELIGA: não é 14) ou deficiente se
apodere de arma. Vamos a algumas observações importantes:
 NÃO É CRIME DO ECA.
 ESSE CRIME É SOMENTE PARA ARMA (NÃO DIZ MUNIÇÃO NEM ACESSÓRIO).
 Único crime culposo da lei: crime culposo fechado.
 Se não houver menor nem deficiente no local: fato atípico.
 Se tem a posse ilegal e deixa de observar a cautela: concurso formal entre este e a posse.
 Se esconde e desmunicia a arma: fato atípico, pois observou a cautela.

DISPARO DE ARMA DE FOGO: vamos destrinchar esse tipo penal?


 Disparar arma OU ACIONAR MUNIÇÃO
 EM LUGAR HABITADO OU SUAS ADJACÊNCIAS, EM VIA PUB OU DIREÇÃO A ELA (#EI #SELIGA: em
local não habitado é atípico)
 PÕE EM PERIGO PESSOAS INDETERMINADAS. DIFERENTE DO CRIME DE PERIGO DE VIDA, QUE
PÕE EM PERIGO NÚMERO DETERMINADO DE PESSOAS
 Absorve o porte se no mesmo contexto fático e é absorvido pelo homicídio
 Consumado com o disparo OU ACIONAMENTO DA MUNIÇÃO

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COMÉRCIO ILEGAL DE ARMA DE FOGO Necessário haver habitualidade, embora independa de lucro.
TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE
Independe de habitualidade e de lucro.
FOGO

#DEOLHONAJURIS
 É típica e antijurídica a conduta de policial civil que, mesmo autorizado a portar ou possuir arma
de fogo, não observa as imposições legais previstas no Estatuto do Desarmamento, que impõem registro das
armas no órgão competente (Info 597 - STJ).
 É desnecessária a realização de perícia para a configuração do crime de posse/porte de arma de
fogo. Basta o simples porte de arma de fogo, ainda que desmuniciada, em desacordo com determinação legal ou
regulamentar, para a incidência do tipo penal. Cabe à defesa o ônus da prova de demonstrar que a arma
empregada para intimidar a vítima é desprovida de potencial lesivo.

LEI DOS CRIMES AMBIENTAIS


PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO: prestação de serviços à comunidade; interdição temporária de direitos;
suspensão parcial ou total de atividades; prestação pecuniária; recolhimento domiciliar.
PENAS APLICADAS AS PESSOAS JURÍDICAS: multa; restritivas de direitos (suspensão parcial ou total de
atividades; interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade; proibição de contratar com o Poder
Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou doações); prestação de serviços à comunidade (custeio
de programas e de projetos ambientais; execução de obras de recuperação de áreas degradadas; manutenção de
espaços públicos; contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas).
SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE PELA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS: nos crimes
dolosos a pena do crime deve ser inferior a 4 anos
#NÃOCONFUNDA: no CP a pena deve ser de até 4 anos.
TRANSAÇÃO PENAL: exige a prévia composição do dano ambiental atestada pelo laudo competente.
SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO: admite-se em sede de crimes ambientais, desde que a pena
mínima cominada seja igual ou inferior a 1 ano. Ademais, a lei ambiental exige o laudo de constatação da
reparação do dano para fins de extinção da punibilidade após o período de prova.
#BORARESUMIR: Condições para o Suspensão do Processo: 1. Reparação do dano ambiental; 2. Caso não
tenha havido a reparação integral é possível prorrogação [4 anos + 1 ano]; 3. Após os 5 anos, se não houver
reparação, poderá ser prorrogado por mais 5 anos; 4. Esgotado o prazo máximo à declaração de extinção, faz‐se
um novo laudo de avaliação.
LIQUIDAÇÃO FORÇADA: a pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim de
permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime definido nesta Lei terá decretada sua liquidação forçada, seu
patrimônio será considerado instrumento do crime e, como tal, perdido em favor do Fundo Penitenciário
Nacional.
SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA: condenação a pena privativa de liberdade não superior a três anos.
#NÃOCONFUNDA: no CP a pena deve ser não superior a 2 anos.
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 Ao aplicar a pena, além de obedecer aos critérios da parte geral, no crime ambiental, deve atentar-se
aos seguintes elementos: Gravidade do Crime; Antecedentes Ambientais do réu; Situação econômica do réu.
 Não é imprescindível a realização de perícia oficial para comprovar a prática do crime previsto no
art. 54 da Lei 9.605/98 (Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam
resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da
flora).
 É possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por delitos ambientais independentemente da
responsabilização concomitante da pessoa física que agia em seu nome. A jurisprudência não mais adota a
chamada teoria da "dupla imputação".
 A pessoa jurídica, mesmo podendo ser sujeito passivo de crimes ambientais, não pode ser paciente
de habeas corpus. Pode até ser impetrante, mas nunca paciente, o que não afasta a possibilidade de ser
beneficiada indiretamente por um HC trancativo.
 É possível aplicação do princípio da insignificância nos crimes ambientais.

LEI DE LICITAÇÕES
 TODOS DOLOSOS E COM PENA DE DETENÇÃO
 Os crimes definidos nesta Lei, ainda que simplesmente tentados, sujeitam os seus autores, quando
servidores públicos, além das sanções penais, à perda do cargo, emprego, função ou mandato eletivo. São
autônomas e podem ser aplicadas cumulativamente. NÃO É AUTOMÁTICA E PERDE APENAS O CARGO
OCUPADO NA OCASIÃO DO CRIME. NÃO PERDE OUTROS OCUPADOS NO MOMENTO DA CONDENAÇÃO (STJ).
OBS¹. Art. 89 da Lei 8.666/93 exige dano ao erário e elemento subjetivo especial: #OLHAAJURIS Para
que haja a condenação pelo crime do art. 89 da Lei nº 8.666/93, exige-se a demonstração de que houve prejuízo
ao erário e de que o agente tinha a finalidade específica de favorecimento indevido. Assim, mesmo que a decisão
de dispensa ou inexigibilidade da licitação tenha sido incorreta, isso não significa necessariamente que tenha
havido crime, sendo necessário analisar o prejuízo e o dolo do agente (Info 813 - STF).
#NÃOACABOU: Deverão ser analisados três critérios para se verificar se o ilícito administrativo configurou
também o crime do art. 89 : 1º) existência ou não de parecer jurídico autorizando a dispensa ou a inexigibilidade.
A existência de parecer jurídico é um indicativo da ausência de dolo do agente, salvo se houver circunstâncias que
demonstrem o contrário; 2º) a denúncia deverá indicar a existência de especial finalidade do agente de lesar o
erário ou de promover enriquecimento ilícito; 3º) a denúncia deverá descrever o vínculo subjetivo entre os
agentes (Info 856).

MULTA: pagamento de quantia fixada na sentença e calculada em índices percentuais, cuja base
corresponderá ao valor da vantagem efetivamente obtida ou potencialmente auferível pelo agente (#DICA: SE
NÃO TEM VANTAGEM, NÃO TEM MULTA. AQUI NÃO É DIAS MULTA, COMO NO CP!!!)
 Não poderão ser inferiores a 2% nem superiores a 5% do valor do contrato licitado ou celebrado
com dispensa ou inexigibilidade de licitação.
 O produto da arrecadação da multa reverterá, conforme o caso, à Fazenda Federal, Distrital,
Estadual ou Municipal.

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LEI DE DROGAS
 O art. 33, caput, é um crime de ação múltipla, de modo que, se praticar diferentes condutas previstas
nesse dispositivo, apenas resta configurado um único crime.
 Não há causa de aumento pelo concurso de pessoas.
 Inquérito policial: 30 + 30 (preso); 90 + 90 (solto)
#JURIS. É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação da
convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício legal previsto no art. 33,
§ 4º, da Lei nº 11.343/2006 (Info 596 - STJ).
 A condenação pelo art. 28 da Lei de Drogas gera reincidência, pois não houve a descriminalização das
condutas, mas apenas a despenalização. As penas para o usuário prescrevem em 2 anos.
 A incidência no tipo penal do art. 28 não importará prisão em flagrante, devendo o autor ser
imediatamente encaminhado ao juízo competente, ou, na falta, assumir o compromisso de comparecer,
lavrando-se termo circunstanciado. Aqui a impossibilidade é absoluta. Jamais haverá prisão.
 O chamado "tráfico privilegiado", previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 não deve ser
considerado crime equiparado a hediondo (Info 831). #Atenção: cancelamento da súmula 512-STJ.
 Se o agente financia ou custeia o tráfico, mas não pratica nenhum verbo do art. 33, responderá
apenas pelo art. 36 da Lei de Drogas.
 Se o agente, além de financiar ou custear o tráfico, também pratica algum verbo do art. 33,
responderá apenas pelo art. 33 c/c o art. 40, VII da Lei de Drogas (não será condenado pelo art. 36) (Info 534 -
STJ).
 Segundo o STJ e o STF, para configuração do tipo de associação para o tráfico (art. 35), é necessário
que haja estabilidade e permanência na associação criminosa. É atípica a conduta se não houver ânimo
associativo permanente (duradouro), mas apenas esporádico (eventual).
#PARANUNCAMAISERRAR Tráfico de drogas x envolvimento de menor de 18 anos:
a) se o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos não está previsto nos arts. 33 a 37 da Lei de
Drogas, o réu poderá ser condenado pelo crime de corrupção de menores, além do tráfico de drogas;
b) se a conduta estiver tipificada em um desses artigos (33 a 37), não será possível a condenação por
aquele delito, mas apenas a majoração da sua pena com base no art. 40, VI, da Lei nº 11.343/2006(Info 595 - STJ).
 Se o tráfico de drogas ocorrer nas imediações de um estabelecimento prisional (art. 40, III), incidirá a
causa de aumento, não importando quem seja o comprador do entorpecente. É irrelevante se o agente infrator
visa ou não aos frequentadores daquele local (Info 858).
 O crime de associação para o tráfico não é equiparado a hediondo.
 É inadmissível a aplicação simultânea das causas de aumento da transnacionalidade (art. 40, I) e da
interestadualidade (art. 40, V) quando não ficar comprovada a intenção do importador da droga de difundi-la em
mais de um Estado-membro (Info 586 - STJ).
 Para incidir a majorante do art. 40, III, é necessário que haja a efetiva comercialização da droga pelo
agente dentro do meio de transporte público.

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 A natureza e a quantidade da droga NÃO podem ser utilizadas para aumentar a pena-base do réu e
também para afastar o tráfico privilegiado ou para, reconhecendo-se o direito ao benefício, conceder ao réu uma
menor redução de pena, sob pena de bis in idem.
 A valoração negativa da quantidade e da natureza da droga representa fator suficiente para a fixação
de regime inicial mais gravoso (Info 819).

CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA


NATUREZA DAS INFRAÇÕES: no art. 1º da Lei 8.137/90 estão previstos os crimes materiais contra a ordem
tributária (exceto o inciso V, que é formal), pois nestes há uma conduta instrumental, que é a fraude, e uma
conduta final, que é a supressão ou alteração do tributo. Não basta que o agente cometa as condutas previstas,
pois elas também exigem o resultado de supressão ou redução de tributo. No art. 2º, por sua vez, estão previstos
os crimes formais (exceto o inciso II, que é material).
#DEOLHONAJURIS O pagamento da penalidade pecuniária imposta ao contribuinte que deixa de atender
às exigências da autoridade tributária estadual quanto à exibição de livros e documentos fiscais não extingue a
punibilidade do delito. Isso porque não se adequa a nenhuma das hipóteses de extinção de punibilidade previstas
no § 2º do art. 9º da Lei nº 10.864/2003 (Info 598 - STJ).

#OLHAOGANCHO: Princípio da insignificância no caso de crimes tributários: STJ: 20 mil reais; STF: 20 mil
reais. Esse parâmetro vale, a princípio, apenas para os crimes que se relacionam a tributos federais. Não se aplica
no caso de criminoso habitual.

#IMPORTANTE SV 24: não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I
a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.

LAVAGEM DE DINHEIRO
 É crime formal e doloso. Prevalece que o bem jurídico protegido é a ordem econômico-financeira.
 Admite dolo direto e eventual. Não é necessário que o agente tenha conhecimento específico da
infração antecedente praticada, bastando para a reprovação que tenha conhecimento da origem e natureza
delituosa dos valores, bens ou direitos envolvidos. Todos podem ser praticados com dolo eventual, exceto no
crime de: participar de grupo “tendo conhecimento”, que exige dolo direto.
#OLHAOGANCHO: GERAÇÕES DA LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS:
1ª Geração: Somente o tráfico poderia configurar como infração Penal antecedente;
2ª Geração: Amplia-se o rol de crimes antecedentes, porém este continua sendo taxativo;
3ª Geração: Qualquer infração penal pode ser antecedente do crime de lavagem. A Doutrina majoritária
entende que até mesmo Contravenções Penais podem configurar infração antecedente.
COMPETÊNCIA: deve ser analisada à luz da infração penal antecedente. Se a infração antecedente for de
competência da justiça federal ou atentar contra o Sistema Financeiro Nacional, ordem econômico-financeira e

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bens, interesses ou serviços da União, ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, a competência será
da justiça federal.
FASES DO CRIME DE LAVAGEM DE CAPITAIS:
1ª fase  Colocação (Placement)
2ª fase  Dissimulação (Layering)
3ª fase  Integração (Integration)

#DICA #MACETE: C.D.I.


NATUREZA ACESSÓRIA (DELITO DE FUSÃO, PARASITÁRIO): depende da prática de uma infração anterior.
Única condição para ser delito antecedente do crime de lavagem é gerar bens, direitos ou valores passíveis de
mascaramento. Prevaricação, por exemplo, não pode. Mesmo que o anterior seja tentado, se gerou bens, é
possível a ocorrência da lavagem (salvo se o anterior for contravenção, pois não é punida sua tentativa). COMO
ADMITE QUALQUER INFRAÇÃO COMO ANTECEDENTE, É POSSÍVEL A LAVAGEM EM CADEIA OU LAVAGEM DA
LAVAGEM.
#ATENÇÃO! Não basta mera utilização, mero aproveitamento do produto do crime anterior. Tem que ter
o dolo de ocultar, de dissimular.
SUJEITO ATIVO: pode ser qualquer pessoa, inclusive o autor da infração anterior. É diferente da
receptação, em que o sujeito ativo não pode ter participado da infração anterior. Como pode ter como autor
inclusive o da infração antecedente e não é absorvido pelo crime antecedente, é possível a autolavagem
(autobranqueamento).

RELAÇÃO COM A INFRAÇÃO ANTERIOR


 Não é necessário que o autor do delito de lavagem tenha concorrido para a infração antecedente,
bastando que TENHA CONHECIMENTO DA ORIGEM CRIMINOSA DOS BENS.
 Teoria da cegueira deliberada (evitação de consciência): como o crime só é punido a título de dolo e
não culpa (exige consciência da origem ilícita dos bens), o sujeito coloca barreiras para não saber da ilicitude do
bem, para depois alegar falta de elemento cognitivo. Isso porque, na hipótese de o agente desconhecer a origem
ilícita do bem, ainda que por erro evitável, ele não responde (seria culpa). No entanto, entende-se que colocar
essas barreiras, quando se tinha a possibilidade de saber, tem grau tão elevado quanto o dolo eventual (assumiu
o risco), devendo responder pela lavagem.
 Não há relação de prejudicialidade entre a lavagem e a infração anterior. INDEPENDE DO PROCESSO
E JULGAMENTO DAS INFRAÇÕES ANTERIORES, AINDA QUE PRATICADAS EM OUTRO PAÍS, CABENDO AO JUIZ
DECIDIR SOBRE A UNIDADE DE PROCESSOS.
 Basta que haja indícios suficientes da existência da infração antecedente (JUSTA CAUSA
DUPLICADA), AINDA QUE DESCONHECIDO OU ISENTO DE PENA O AUTOR, OU EXTINTA A PUNIBILIDADE DA
INFRAÇÃO ANTECEDENTE (#ALERTA: exceto se extinta por anistia ou abolitio criminis!). Adota-se a teoria da
acessoriedade limitada: se exclui tipicidade e ilicitude, não há lavagem. Se exclui culpabilidade ou punibilidade,
há mesmo assim (salvo abolitio criminis e anistia).
ABSOLVIÇÃO PELA INFRAÇÃO ANTECEDENTE: não exclui da lavagem, SALVO
166
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 Por inexistência do fato ou


 Atipicidade
NÃO HAVERÁ LAVAGEM HAVERÁ
 Anistia e abolitio criminis da infração anterior  Extinção da punibilidade infração anterior
 Isento (culpabilidade) ou desconhecido o autor da
 Exclusão da tipicidade e culpabilidade
infração anterior

 Absolvição por inexistência do fato ou atipicidade  Absolvição em geral

CRIMES CONTRA A CRIANÇA E ADOLESCENTE


 Todos os crimes são de ação penal pública incondicionada.
 Todos são dolosos, com exceção de dois:
Art. 228. Deixar o encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de
gestante de manter registro das atividades desenvolvidas, (...)
Parágrafo único. Se o crime é culposo:
Art. 229. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de
identificar corretamente o neonato e a parturiente, por ocasião do parto, (...)
Parágrafo único. Se o crime é culposo:
 Atenção para os crimes que são especiais em relação ao abuso de autoridade.
 Venda de bebida alcoólica (art. 243, ECA): deixou de ser contravenção penal, passou a ser
considerado crime e infração administrativa (art. 258-C).
#LEISECA: Art. 237. Subtrair criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de
lei ou ordem judicial, COM O FIM DE COLOCAÇÃO EM LAR SUBSTITUTO:

OBS¹. Se não houver o elemento subjetivo específico (com o fim de colocar em lar substituto), será o
delito de subtração de incapazes do CP.
OBS². DIFERENTEMENTE DA SUBTRAÇÃO DE INCAPAZES, NÃO ADMITE PERDÃO JUDICIAL
CORRUPÇÃO DE MENORES (art. 244-B, ECA): crime formal. Atenção para a causa de aumento de 1/3, se a
infração cometida for considerada como crime hediondo.
MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS: advertência, prestação de serviços à comunidade (prazo máximo de 6
meses), liberdade assistida (prazo mínimo de 6 meses), semiliberdade, internação (prazo máximo de 3 anos, com
reavaliação, no mínimo, a cada 6 meses).
Súmula 500-STJ: A configuração do crime previsto no artigo 244-B do Estatuto da Criança e do
Adolescente independe da prova da efetiva corrupção do menor, por se tratar de delito formal.

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PEDOFILIA: A depender da situação, os crimes dos arts. 240 (dispensa a divulgação das imagens/vídeos) e
241-B do ECA podem se configurar mesmo que as vítimas estejam vestidas.
#ATENÇÃO!
Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo
explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente (NÃO PRECISA PARTICIPAR DA CENA).
 Aquele que contracena com menor de 14 anos pratica estupro de vulnerável. PODE HAVER
CONCURSO DO ESTUPRO DE VULNERÁVEL COM ESSE CRIME.
 Majorantes (+1/3): no exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de exercê-la; prevalecendo-
se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade; prevalecendo-se de relações de parentesco
consanguíneo ou afim até o 3º grau, ou por adoção, de tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou de
quem, a qualquer outro título, tenha autoridade sobre ela, ou com seu consentimento
 ESSE CRIME SE REFERE À PRODUÇÃO – AS CAUSAS DE AUMENTO SÓ VALEM PARA ELE E NÃO PARA O
DE DISTRIBUIÇÃO
#NOVIDADE #LEINOVA – Previu infiltração de agentes, acrescentando arts. 190-A a 190-E ao ECA.
Principais características:
 Prazo de 90 dias, sendo permitidas renovações, mas o prazo total da infiltração não poderá exceder
720 dias.
 Só poderá ser adotada se a prova não puder ser produzida por outros meios disponíveis.
 A infiltração de agentes ocorre apenas na internet.

JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS


PRINCÍPIOS: oralidade, informalidade, economia processual, simplicidade e celeridade.
COMPETÊNCIA: infrações penais de menor potencial ofensivo (contravenção penal e crimes com pena
máxima não superior a 2 anos, cumulada ou não com multa). Adotou a teoria da atividade e não do resultado.
#IMPORTANTE! No caso de concurso de crimes, deve ser analisada a pena máxima com a causa de
aumento máxima ou, se diante de causa de diminuição, parte-se da causa mínima para fins de adequação ao rito
processual. Agravantes e atenuantes não são consideradas para fins de fixação de competência no que tange ao
juizado criminal.
CITAÇÃO ADMITIDA NOS JUIZADOS: por hora cera e por carta precatória.
FLAGRANTE DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO: se o capturado assumir o compromisso de comparecer ao
juizado ou a ele comparecer imediatamente, não será lavrado o APF, mas tão somente o TCO, com sua imediata
liberação.
MEDIDAS DESPENALIZADORAS: composição civil dos danos, transação penal, representação nos crimes
de lesões corporais leves e culposas, suspensão condicional do processo.
COMPOSIÇÃO CIVIL DOS DANOS: na ação penal privada, o acordo homologado acarreta a renúncia ao
direito de queixa, com a extinção da punibilidade. Em se tratando de ação penal pública condicionada à
representação, acarreta a renúncia ao direito de representação, extinguindo-se a punibilidade.

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#VAICAIR #BORAFIXAR #TABELAAMIGA Transação penal x Sursis processual:

SUSPENSÃO CONDICIONAL DO
TRANSAÇÃO PENAL
PROCESSO

PENA  Pena máxima </= 2 anos  Pena mínima </= 1 ano


 Não processado ou condenado por
 Não reincidente em crime com PPL;
crime;
REQUISITOS  Não se beneficiou do instituto nos
 Requisitos do sursis da pena; Art.
últimos 5 anos; Art. 59,CP: favorável.
59,CP: favorável.
 Reparação do dano;
 Proibição de frequentar lugares e
de se ausentar da comarca, sem
autorização;

CONSEQUÊNCIAS  Aplicação de uma PRD ou multa.  Comparecer mensalmente em


juízo;
 Outras condições judiciais.

 Período de prova: 2 a 4 anos.


 Caso seja descumprida, a ação penal
poderá ser proposta.
REVOGAÇÃO  Não reparar o dano ou for
 (SV 35);
OBRIGATÓRIA processado por crime.
 Homologação da transação não faz
coisa julgada material.

 For processado por contravenção


REVOGAÇÃO
penal ou não cumprir as demais
FACULTATIVA
condições.

 Momento: antes do recebimento da


denúncia.  Juiz pode determinar outras
condições, como prestação de
 Não se trata de processo penal, mas serviços à comunidade ou prestação
apenas um procedimento. pecuniária (STJ);
CUIDADOS ESPECIAIS
 Não gera reincidência ou maus  Pode ser revogada mesmo após o
antecedentes; período de prova;
 Cabe apelação contra a decisão que  Suspende o prazo prescricional.
homologa.

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#DEOLHONASÚMULA #SELIGA
Súmula 696 – STF: Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo,
mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la, o Juiz, dissentindo, remeterá a questão ao Procurador-Geral,
aplicando-se por analogia o art. 28 do Código de Processo Penal.

CRIME ORGANIZADO
 Antes da Lei 12.850/13, não existia a previsão de tipo penal incriminador para Organizações
Criminosas. A Convenção de Palermo era inaplicável para tipificar crime ou cominar pena.
 A diferença entre o crime de Organização Criminosa (4 ou mais pessoas) e Associação Criminosa (3
ou mais pessoas) está, dentre outras características, na quantidade de agentes necessários e na necessidade de
divisão de tarefas e organização estruturalmente ordenada.
CONCEITO (LEI 12.850/13): considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais
pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com
objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações
penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional. Trata-se
de crime de perigo abstrato.
#COLANARETINA #TATUANAMEMÓRIA: Crime organizado por natureza (É o crime de organização
criminosa propriamente dito, previsto na Lei 12.850/13) x crime organizado por extensão (São as infrações
penais praticadas pela organização).
 O acordo sobre a colaboração premiada jamais poderá ser feito na presença do Juiz, sob pena de
violação à imparcialidade.
 O réu que colaborar poderá ter direito aos seguintes benefícios: redução da pena em até dois terços;
substituição por PRD; não oferecimento da denúncia; e redução da pena até a metade ou progressão de regime,
no caso de colaboração posterior à sentença.
 O réu que colaborar também renuncia o direito ao silêncio, assumindo o compromisso de dizer a
verdade.
 Não se pode condenar com base, exclusivamente, no depoimento/confissão do colaborador. É
necessária a colheita de outras provas com base em sua confissão. É o que se chama de regra de corroboração.
Ainda que existam duas ou mais colaborações no mesmo sentindo, o STF entende que deve haver
necessariamente uma fonte diversa de uma colaboração.
 A infiltração de agentes é medida excepcional e subsidiária. Somente poderá ser decretada após
autorização judicial, que definirá os seus limites. O agente precisa consentir com a infiltração. Prazo de até 6 (seis)
meses, sem prejuízo de eventuais renovações.
 A lei prevê a possibilidade de interceptação ambiental, que se diferencia da interceptação telefônica.
 A ação controlada não requer autorização judicial. Por outro lado, necessita de prévia comunicação
ao juízo competente.
#ATENÇÃOCICLEIRO #NÃOCONFUNDA: na lei de drogas e na de lavagem exige-se AUTORIZAÇÃO prévia.

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#SELIGANAJURISPRUDÊNCIA
Acordo de colaboração premiada e delegado de polícia
O Plenário, por maioria, julgou improcedente pedido formulado em ação direta para assentar a
constitucionalidade dos §§ 2º e 6º do art. 4º (1) da Lei 12.850/2013, a qual define organização criminosa e dispõe
sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o procedimento
criminal.
A ação impugnava as expressões “e o delegado de polícia, nos autos do inquérito policial, com a
manifestação do Ministério Público” e “entre o delegado de polícia, o investigado e o defensor, com a
manifestação do Ministério Público, ou, conforme o caso”, contidas nos referidos dispositivos, que conferem
legitimidade ao delegado de polícia para conduzir e firmar acordos de colaboração premiada (Informativo 888).
Prevaleceu o voto do ministro Marco Aurélio (relator), no sentido de que o delegado de polícia pode
formalizar acordos de colaboração premiada, na fase de inquérito policial, respeitadas as prerrogativas do
Ministério Público, o qual deverá se manifestar, sem caráter vinculante, previamente à decisão judicial.
No que se refere ao § 2º do art. 4º da Lei 12.850/2013, o relator esclareceu que o texto confere ao
delegado de polícia, no decorrer das investigações, exclusivamente no curso do inquérito policial, a faculdade de
representar ao juiz, ouvido o Ministério Público, pela concessão de perdão judicial ao colaborador, ainda que esse
benefício não haja sido previsto na proposta inicial, aplicando-se, no que couber, o art. 28 (2) do Código de
Processo Penal (CPP). O perdão judicial é instituto que possibilita ao juiz deixar de impor sanção diante da
existência de determinadas circunstâncias expressamente previstas em lei.
Considerou que o dispositivo, portanto, traz nova causa de perdão judicial, admitido a depender da
efetividade da colaboração. Não se trata de questão afeta ao modelo acusatório, deixando de caracterizar ofensa
ao art. 129, I (3), da Constituição Federal (CF), relacionada, apenas, ao direito de punir do Estado, que se
manifesta por intermédio do Poder Judiciário.
A representação pelo perdão judicial, proposta pelo delegado de polícia, ante colaboração premiada,
ouvido o Ministério Público, não é causa impeditiva do oferecimento da denúncia pelo órgão acusador. Uma vez
comprovada a eficácia do acordo, será extinta pelo juiz, a punibilidade do delator.
Quanto ao § 6º do art. 4º da mesma lei, asseverou que o ato normativo em nenhum ponto afasta a
participação do Ministério Público em acordo de colaboração premiada, ainda que ocorrido entre o delegado de
polícia, o investigado e o defensor. Não há, portanto, afronta à titularidade da ação penal. Ao contrário, a
legitimidade da autoridade policial para realizar as tratativas de colaboração premiada desburocratiza o instituto,
sem importar ofensa a regras atinentes ao Estado Democrático de Direito, uma vez submetido o acordo à
apreciação do Ministério Público e à homologação pelo Judiciário.
Embora o Ministério Público seja o titular da ação penal de iniciativa pública, não o é do direito de punir.
A delação premiada não retira do órgão a exclusividade da ação penal.
A norma fixa as balizas a serem observadas na realização do acordo. Estas, porque decorrem de lei,
vinculam tanto a polícia quanto o Ministério Público, tendo em vista que a nenhum outro órgão senão ao
Judiciário é conferido o direito de punir.
O acordo originado da delação não fixa pena ou regime de cumprimento da sanção. Ao Poder Judiciário,
com exclusividade, compete, nos termos do § 1º do art. 4º (4) da Lei 12.850/2013, para fins de concessão de
vantagens, levar em conta a personalidade do delator, a natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão
social do fato criminoso e a eficácia da colaboração.

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Os benefícios que tenham sido ajustados não obrigam o órgão julgador, devendo ser reconhecida, na
cláusula que os retrata, inspiração, presente a eficácia da delação no esclarecimento da prática delituosa, para o
juiz atuar, mantendo a higidez desse instituto que, na quadra atual, tem-se mostrado importantíssimo. Longe fica
o julgador de estar atrelado à dicção do Ministério Público, como se concentrasse a arte de proceder na
persecução criminal, na titularidade da ação penal e, também, o julgamento, embora parte nessa mesma ação
penal.
A norma legal prevê que, na prolação da sentença, serão estipulados os benefícios. Não se confunde essa
definição, que só cabe a órgão julgador, com a propositura ou não da ação penal. No campo, é soberano o
Ministério Público. Mas, quanto ao julgamento e à observância do que se contém na legislação em termos de
vantagens, surge o primado do Judiciário. Para redução da pena, adoção de regime de cumprimento menos
gravoso ou concessão do perdão judicial, há de ter-se instaurado o processo, garantindo-se a ampla defesa e o
contraditório. Na sentença o juiz, ao verificar a eficácia da colaboração, fixa, em gradação adequada, os benefícios
a que tem direito o delator.
Concluiu que os textos impugnados versam regras claras sobre a legitimidade do delegado de polícia na
realização de acordos de colaboração premiada, estabelecendo a fase de investigações, no curso do inquérito
policial, como sendo o momento em que é possível a utilização do instrumento pela autoridade policial.
Há previsão específica da manifestação do Ministério Público em todos os acordos entabulados no âmbito
da polícia judiciária, garantindo-se, com isso, o devido controle externo da atividade policial já ocorrida e, se for o
caso, adoção de providências e objeções.
As normas legais encontram-se em conformidade com as disposições constitucionais alusivas às polícias
judiciárias e, especialmente, às atribuições conferidas aos delegados de polícia. Interpretação que vise concentrar
poder no órgão acusador desvirtua a própria razão de ser da Lei 12.850/2013.
A supremacia do interesse público conduz a que o debate constitucional não seja pautado por interesses
corporativos, mas por argumentos normativos acerca do desempenho das instituições no combate à
criminalidade. A atuação conjunta, a cooperação entre órgãos de investigação e de persecução penal, é de
relevância maior.

CRIMES HEDIONDOS/TORTURA

CRIMES HEDIONDOS: quais são os crimes considerados hediondos? #SIMBORA


a) Homicídio, quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um
só agente, e homicídio qualificado;
b) Lesão corporal dolosa de natureza gravíssima e lesão corporal seguida de morte, quando praticadas
contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional
e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge,
companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição;
c) Latrocínio;
d) Extorsão qualificada pela morte;
e) Extorsão mediante sequestro e na forma qualificada;
f) Estupro;

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g) Estupro de vulnerável;
h) Epidemia com resultado morte;
i) Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou
medicinais;
j) Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de
vulnerável;
k) Genocídio;
l) Equiparados: tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo.

LIVRAMENTO CONDICIONAL: Cumprir 2/3 da pena, desde que não seja reincidente específico em crimes
hediondos.
PROGRESSÃO DE REGIME:
a) Cumprir 1/6 da pena (crimes cometidos antes da Lei 11.464/07 - Súmula 471 STJ);
b) Cumprir 2/5 da pena, se réu primário, ou 3/5, se reincidente – aqui não exige reincidente específico
(crimes cometidos após a Lei 11.464/07).
VEDAÇÕES:
a) Anistia, graça e indulto; e
b) Fiança.
INCONSTITUCIONALIDADE: A vedação da concessão de liberdade provisória sem fiança e de penas
restritivas de direitos, além do cumprimento de pena em regime integralmente fechado (SÃO
INCONSTITUCIONAIS).

PRISÃO TEMPORÁRIA: Em regra, o prazo é de 5 dias + 5 dias. No caso dos crimes hediondos, o prazo da
temporária é de 30 dias + 30 dias.
TORTURA
 Não admite fiança, mas admite liberdade provisória. É prescritível
 Extraterritorialidade da lei de tortura: É aplicada ao crime de tortura ocorrido fora do Brasil, se a
vítima for brasileira e o torturador se encontrar em território nacional.
 Competência: Em regra é da Justiça Estadual. O fato de o crime de tortura ter sido praticado contra
brasileiros no exterior não torna, por si só, a Justiça Federal competente para processar e julgar os agentes
estrangeiros.
 Causas de aumento: Tortura praticada por agente público; tortura contra criança ou adolescente,
gestante, portador de deficiência, maior de 60 anos; tortura mediante sequestro (tem que ser meio para a
tortura).
 Efeito da condenação: Perda do cargo e interdição pelo dobro do prazo da pena para seu exercício.
Tais efeitos são automáticos.
#EICICLEIRO #FIQUELIGADO: Espécies de tortura:

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a) Tortura propriamente dita: causa sofrimento físico ou mental através do emprego de violência ou
grave ameaça (art. 1º, I, alíneas “a”, “b” e “c”, da Lei 9.455/97). Subdivide-se em: tortura probatória (alíneas “a”),
tortura crime (alíneas “b”) e tortura discriminatória (alíneas “c”);
b) Tortura castigo: causa INTENSO sofrimento físico ou mental por meio de violência ou grave ameaça
(art. 1º, II, da Lei 9.455/97);
c) Tortura sem motivação: art. 1º, II, parágrafo 1º, Lei 9.455/97 (Submeter pessoa presa ou sujeita a
medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não
resultante de medida legal);
d) Tortura imprópria: art. 1º, II, parágrafo 2º, da Lei 9.455/97 (aquele que tinha o dever de evitar ou
apurar, se omite diante da conduta daquele que submete pessoa presa ou que cumpre medida de segurança à
sofrimento físico ou mental).
▪Alteração na Lei de Crimes Hediondos pela lei 13.497/17.
Esta lei alterou a redação do parágrafo único do art. 1º da Lei nº 8.072/90 dispondo que também é
considerado como crime hediondo o delito de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, previsto no
art. 16 do Estatuto do Desarmamento.

INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA
 A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz, DE OFÍCIO ou a
requerimento:
I - da autoridade policial, na investigação criminal;
II - do representante do Ministério Público, na investigação criminal e na instrução processual penal.
#ATENÇÃO #LETRADALEI: Delegado não é parte, por isso ele representa pela medida. Todavia, a
literalidade da lei traz o verbo “requerer”.
 Requisitos: Fazer prova em investigação criminal ou em instrução processual penal; autorização do
juiz competente; segredo de justiça.
 Prazo: 15 DIAS, renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de
prova. PRAZO SE INICIA DO DIA QUE COMEÇOU A ESCUTA E NÃO DA DECISÃO JUDICIAL.
 Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado VERBALMENTE, caso em que a
concessão será condicionada à sua redução a termo.
 Não é válida a interceptação telefônica realizada sem prévia autorização judicial, ainda que haja
posterior consentimento de um dos interlocutores para ser tratada como escuta telefônica e utilizada como prova
em processo penal.
 Não é necessária a transcrição integral dos diálogos. Basta que sejam transcritos os trechos
necessários ao embasamento da denúncia oferecida e que seja entregue à defesa todo o conteúdo das gravações
em mídia eletrônica.
 A quebra do sigilo de dados telefônicos (registros documentados) não se confunde com a
interceptação telefônica (conhecimento do conteúdo da conversa) e não é abrangida pela Lei 9.296/96. A quebra
do sigilo não está submetida à cláusula de reserva de jurisdição e pode ser determinada por CPI e MP.

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#IMPORTANTE #PARANUNCAMAISERRAR #NÃO CONFUNDA


 ESCUTA: é a captação de conversa feita por um terceiro, com o conhecimento de apenas um dos
interlocutores. Por exemplo: João e Maria conversam e Pedro grava o conteúdo do diálogo, com o consentimento
de Maria, mas sem que João saiba. Precisa de autorização judicial.
 GRAVAÇÃO: A gravação telefônica é feita por um dos interlocutores do diálogo, sem o
consentimento ou a ciência do outro. Por exemplo: Maria e João conversam e ela grava o conteúdo desse diálogo,
sem que João saiba. Não necessita de autorização judicial.
 INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA: É realizada por um terceiro estranho à comunicação. Portanto,
necessita de autorização judicial. Caso ocorra sem prévia manifestação do magistrado, será considerado como
prova ilícita.
 Não se admite a interceptação de comunicações telefônicas quando o fato investigado constitui
infração penal punida com pena de detenção.
 Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das
seguintes hipóteses:
I - não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal (não são necessários
indícios de materialidade);
II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis;
III - o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção.
 A título de prova emprestada, a interceptação telefônica pode ser usada em processo civil e
administrativo.
 O fato de a interceptação telefônica ter visado elucidar outra prática delituosa não impede a sua
utilização em persecução criminal diversa por meio do compartilhamento da prova (Info 811 - STF).
 Teoria do juízo aparente: não é ilícita a interceptação autorizada por um magistrado aparentemente
competente ao tempo da decisão e que, posteriormente venha a ser declarado incompetente (Info 701 - STF).
#ATENÇÃO A respeito dos indícios de autoria e dos novos crimes descobertos fortuitamente
(SERENDIPIDADE) durante a interceptação telefônica, a doutrina faz a seguinte distinção:
1) SERENDIPIDADE SUBJETIVA (descoberta fortuita de novos infratores): neste caso, segundo o
entendimento prevalente, a interceptação valerá contra todos; desde que haja conexão.
2) SERENDIPIDADE OBJETIVA (descoberta fortuita de novas infrações): inclusive se o crime for apenado
com detenção. Essa última subdivide-se em:
a) Serendipidade objetiva de primeiro grau – Se as infrações são conexas, a interceptação vale como
prova para todos os delitos, mesmo quando o delito conexo seja apenado com detenção;
b) Serendipidade objetiva de segundo grau – Se as infrações não são conexas, a interceptação funcionará
como mera notícia crime, permitindo a instauração de inquérito policial.

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ABUSO DE AUTORIDADE
 O ato de abuso de autoridade enseja tríplice responsabilização: administrativa, civil e penal. Todas
estão reguladas na lei 4.898/65. Logo, não é uma lei exclusivamente penal (#VAICAIR).
 É crime próprio. O particular que não exerça função pública pode ser responsabilizado somente
quando atuar em concurso de agentes com o agente público.
 Considera-se autoridade, para efeitos desta lei, quem exerce cargo, emprego ou função pública, de
natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem remuneração. #SELIGA: quem exerce múnus público
não pratica crime de abuso de autoridade.
 Elemento subjetivo: DOLO agregado à intenção de agir abusivamente, de exorbitar do poder que lhe
for conferido legalmente.
 Crimes de dupla objetividade jurídica: defendem os direitos e garantias fundamentais
constitucionalmente consagrados (objetividade jurídica imediata); e também o normal funcionamento da
administração, a partir do exercício regular de seus poderes delegados pelo povo (objetividade jurídica mediata).
 Os crimes previstos no art. 3º da Lei 4.898/65 são crimes de empreendimento ou atentado, não
admitindo tentativa. Por outro lado, o art. 4º traz delitos que admitem a tentativa.
 O STF entende que a Lei de Abuso de Autoridade não revogou tacitamente o crime de violência
arbitrária, previsto no Código Penal, art. 322 - [STF RHC 95617 – 17/04/09].
 Ampliação da competência da Justiça Militar (Lei 13.491/17)
Antes da modificação legislativa, os crimes não previstos no CPM não seriam julgados pela JM, mas sim
pela Justiça Comum, como era o caso de tortura, associação para o tráfico e abuso de autoridade, ainda que no
exercício das funções militares! Havia, inclusive, a Súmula 172 do STJ, que previa “ compete à justiça comum
processar e julgar militar por crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço ”. Com a alteração,
encontra-se *superada* a súmula.
#CAIEMPROVA: A ação penal nos crimes de abuso de autoridade é pública incondicionada, sendo a
representação mencionada pela lei mera delatio criminis (direito de petição) ao membro do Ministério Público, e
não condição de procedibilidade.

RACISMO
Imprescritível e sujeito à pena de reclusão.
#BORADETABELA?
CRIME DE PRECONCEITO INJÚRIA PRECONCEITUOSA
 Bem jurídico: dignidade humana  Bem jurídico: honra subjetiva
 Crime de ação penal pública condicionada a
 Crime de ação pena pública incondicionada
representação
 Crime inafiançável e imprescritível  Crime afiançável e prescritível
 Raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.  Raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de
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pessoa idosa ou portadora de deficiência.


 O dolo do agente é fazer a distinção da pessoa
 O dolo do agente é ofender pessoa determinada,
justamente em razão de sua raça, cor, etnia,
emitindo conceitos depreciativos, qualidades
religião ou procedência da vítima nacional, sem
negativas.
emitir qualquer conceito depreciativo. É segregar.
 Intenção de ofender a coletividade de determinada
 Intenção de ofender sujeito passivo determinado.
raça, cor, etnia...

ESTATUTO DO IDOSO

APLICAÇÃO DO PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO

 Aplica-se o procedimento sumaríssimo, assim como as medidas


Pena igual ou inferior a 2 anos
despenalizadoras.
Pena superior a 2 anos e que não  Aplica-se apenas o procedimento sumaríssimo, não se aplicando as
ultrapasse 4 anos medidas despenalizadoras.
Pena superior a 4 anos  Não se aplica sequer o sumaríssimo

#ATENÇÃO No entanto, chamo sua atenção, aluno Ciclos, para um detalhe importante. Ainda há a
suspensão condicional do processo, que não exige que o crime seja de menor potencial ofensivo, mas sim que sua
pena mínima seja menor do que 1 ano. Então, pode ocorrer de o agente que praticou um crime com pena mínima
de 6 meses e pena máxima de 3 anos, por exemplo, contra um idoso, ser beneficiado pela suspensão condicional
do processo.
 Não se aplicam as imunidades absolutas e relativas previstas nos arts. 181 e 182 do CP.
 Princípio da especialidade: O Estatuto do Idoso prevê crimes especiais em relação a: Racismo;
Omissão de socorro; Abandono material; Perigo de vida; Maus tratos; Prevaricação; Desobediência; Exercício
arbitrário (Reter cartão magnético para assegurar recebimento de dívida); Apropriação indébita; ECA; Abuso de
incapazes (induzir a outorgar procuração para adm. de bens); Constrangimento ilegal (Coagir idoso a doar,
contratar...).

CONTRAVENÇÕES PENAIS
DISTINÇÕES PARA COM OS CRIMES:
 Penas – Prisão simples e multa;
 São sempre de menor potencial ofensivo, independentemente da pena;

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 Não é possível extradição de estrangeiro por Contravenção Penal praticada no Brasil, pois o
Estatuto do Estrangeiro só permite a extradição em razão de prática de crime;
 Tentativa – mesmo possível factualmente, não se pune;
 Reincidência - Verifica-se a reincidência quando o agente pratica uma contravenção depois de passar
em julgado a sentença que o tenha condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou, no Brasil, por
motivo de contravenção;
 Ação penal: sempre incondicionada;
 Princípio da territorialidade. Não se aplica lei brasileira à contravenção no exterior;
 Pena máxima 5 anos (para crimes é 30 anos);
 Período de prova do sursis 1 a 3 anos (não 2 a 4);
 Desconhecimento da lei admite perdão (para crime é inescusável);
 Sempre na JE (salvo prerrogativa de foro na JF). Se conexo SEPARA;
 Prisão simples não pode ser cumprida em regime fechado nem por regressão (diferentemente da
detenção que pode regredir);
 Trabalho – se a pena não é superior (ATÉ) a 15 dias, o trabalho é facultativo;
 Prazo mínimo da Medida de Segurança são 6 meses (não de 1 a 3 anos);

#ATENÇÃO! A condenação por contravenção também causa suspensão dos direitos políticos.

LEI ANTITERRORISMO (Lei nº 13.260/2016)


#INOVAÇÃO LEGISLATIVA: por se tratar de lei recente, não temos um parâmetro de questões passadas.
De toda forma, #ALUNO CICLOS SAI NA FRENTE, pois a coach aqui (rsrs) vai trazer as principais considerações que
vocês precisam saber. #OBJETO DA LEI: a Lei nº 13.260/16 regulamenta a norma constitucional prevista no art.
5º, XLIII, para disciplinar o terrorismo, especificando o que configura atos de terrorismo (art. 2º, §1º, I), elencando
tipos penais (arts. 2º, 3º, 5º, 6º e 7º), bem como o que não constitui ato de terrorismo (art. 2º, §2º), criando o
delito de Organização Terrorista (art. 1º c/c art. 3º), punindo, também, os atos preparatórios de terrorismo (art.
5º). #CONCEITO DE TERRORISMO: vamos ler o art. 2º, “caput”, da lei:
Art. 2º, “caput”: O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste
artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos
com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública
ou a incolumidade pública. #GRIFO NOSSO.
#DUPLO ESPECIAL FIM DE AGIR: há dois especiais fins de agir: 1º) consiste na prática do terrorismo por
razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião; 2º) reside na finalidade de
provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade
pública. #CUMULATIVOS: vamos defender que tais fins precisam ser cumulativos, em razão de ser mais benéfico
ao réu.
#ELEMENTOS DO TERRORISMO:

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O terrorismo possui como um dos seus pilares o emprego de violência extrema contra
ELEMENTO VIOLÊNCIA pessoas, por meio de ataques à integridade física e (sobretudo) à vida de seres
humanos. Ex. explosão de bombas, desabamento de prédios, afogamento de pessoas.
Trata-se da finalidade específica que contamina os ataques terroristas. Essa finalidade
pode ter caráter religioso (ex. impor uma religião específica ou reagir a uma religião
diversa); pode ter caráter político (cujo objetivo será a subversão da ordem
constitucional, como por exemplo, constranger o poder público a fazer ou deixar de
ELEMENTO fazer algo); pode ter a finalidade de gerar terror ou intimidação da população (por
TELEOLÓGICO meio da imposição de um medo difuso, com a geração de terror generalizado).

 Muitas vezes o autor do ataque terrorista não anuncia ou deixa clara a finalidade
pela qual pratica o ato.
Relaciona-se com a necessidade de atrair a atenção do povo para a realização do ato
ELEMENTO TEATRAL de terrorismo. Trata-se do elemento mais demonstrado pelos terroristas, sendo
elemento essencial. ex. ataque terrorista de 11 de setembro.
ELEMENTO DE O terrorista age sem qualquer arrependimento ou culpa em relação aos ataques
AUSÊNCIA DE terroristas. Ao contrário, age com orgulho por ter praticado o ato para satisfazer sua
ARREPENDIMENTO OU finalidade específica e de poder espalhar o medo pelo mundo.
CULPA

#ORGANIZAÇÃO TERRORISTA: como já dito acima está no art. 1º e 3º, da lei. #CUIDADO: Frise-se que o
dispositivo legal não estabeleceu número mínimo de pessoas, diferentemente do que o fez no delito de
associação criminosa (CP) e organização criminosa (Lei nº 12.850/13). A doutrina tem defendido a configuração a
partir de 2 (duas) pessoas. Contudo, defende, tal como o STJ, que para fins de configuração da organização não
basta o número mínimo de agentes, mas também os requisitos da estabilidade e permanência. #DESISTÊNCIA
VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ: a lei prevê, expressamente, a possibilidade de aplicação do art. 15,
CP, mesmo antes de iniciada a execução do crime de terrorismo (art. 10, da lei). #COMPETÊNCIA: considera-se
que os crimes previstos nesta Lei são praticados contra o interesse da União, cabendo à Polícia Federal a
investigação criminal, em sede de inquérito policial, e à Justiça Federal o seu processamento e julgamento, na
forma do art. 109, IV, CF (art. 11, da Lei Antiterrorismo). #E EM CASO DE CRIME CONEXO, COACH? Em havendo
um crime de competência da Justiça Estadual, conexo ao delito de terrorismo, a Justiça Federal será a
competente para processar e julgar ambos os delitos. Isso porque vamos aplicar um entendimento sumulado.
#DEOLHONASÚMULA – Súmula 122, STJ: Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos
crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, “a”, do Código de
Processo Penal. #CRIME INAFIANÇÁVEL E INSUSCETÍVEL DE GRAÇA E ANISTIA: na forma do art. 5º, XLIII, CF.
#CRIME EQUIPARADO A HEDIONDO: art. 17, da Lei Antiterrorismo c/c art. 2º, “caput”, da Lei nº 8.072/90).
#LIVRAMENTO CONDICIONAL: o réu precisa cumprir mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por
crime de terrorismo, desde que não seja reincidente específico em crimes dessa natureza (art. 83, V,
CP). #OLHAOGANCHO: o legislador determinou a aplicação dos dispositivos da Lei nº 12.850/13, a fim de
possibilitar uma maior amplitude e eficácia na investigação e no curso do processo criminal. Aplicam-se todos os
dispositivos legais, portanto.

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CRIMES CONTRA O CONSUMIDOR


Pessoal, a maioria das questões sobre crimes contra as relações de consumo perguntam se o crime está
no CDC ou na lei 8731. Sugiro a leitura dos crimes do art. 7º da lei 8731, que são poucos, para não cair nessa
pegadinha (há quadro comparativo na FUC). A maioria trata de venda de produtos adulterados, ou mistura de
produtos. Vamos ver algumas observações sobre os dois diplomas legais?

CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR


Só há dois crimes que permitem a forma culposa: o que começa com “fazer afirmação falsa” e o de
“omitir dizeres”. Isso cai em prova. Todos os outros só admitem a forma culposa.
#PEGADINHA: Deixar de entregar ao consumidor o termo de garantia adequadamente preenchido e com
especificação clara de seu conteúdo: as provas dizem que é mera infração administrativa, mas é crime!
#NÃOCAIANESSA
ASSISTENTES DA ACUSAÇÃO: esse tema é bastante cobrado, tendo em vista o regramento ser diferente
do CPP. Aqui permite-se um assistente da acusação além do ofendido. O PROCON, por exemplo, pode entrar
como assistente. Ademais, o legislador permitiu às pessoas a que faz menção nos artigos a seguir a propositura da
ação penal privada subsidiária da pública:
Art. 80. No processo penal atinente aos crimes previstos neste código, bem como a outros crimes e
contravenções que envolvam relações de consumo, poderão intervir, como assistentes do Ministério Público, os
legitimados indicados no art. 82, inciso III e IV, aos quais também é facultado propor ação penal subsidiária, se a
denúncia não for oferecida no prazo legal.

LEI 8.731/1990
#ATENÇÃO! 3 crimes admitem a forma culposa: “vender ou expor a venda... desacordo com as prescrições
legais”, “misturar gêneros”, “vender, ter em depósito para vender... impróprio para o consumo”.
#JURIS Para caracterizar o delito previsto no art. 7º, IX, da Lei 8.137/1990 (crime contra relação de
consumo), é imprescindível a realização de perícia a fim de atestar se as mercadorias apreendidas estão em
condições impróprias para o consumo, não sendo suficiente, para a comprovação da materialidade delitiva, auto
de infração informando a inexistência de registro do Serviço de Inspeção Estadual (SIE) - (Info 560 - STJ).
 Quando o produto vendido for medicamento vencido, será possível aplicar a causa de aumento
prevista no art. 12, III, da Lei nº 8.137/90 na dosimetria da pena do crime previsto no art. 7º, IX, da mesma Lei.
 Art. 7º Constitui crime contra as relações de consumo: IX - vender, ter em depósito para vender ou
expor à venda ou, de qualquer forma, entregar matéria-prima ou mercadoria, em condições impróprias ao
consumo;
 Art. 12. São circunstâncias que podem agravar de 1/3 (um terço) até a metade as penas previstas
nos arts. 1º, 2º e 4º a 7º: III - ser o crime praticado em relação à prestação de serviços ou ao comércio de bens
essenciais à vida ou à saúde.

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CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (LEI Nº 7.492/1986)


Sistema Financeiro Nacional
Sistema Financeiro Nacional é o conjunto de órgãos, entidades e empresas que atuam na regulamentação,
controle e fiscalização das atividades relacionadas com a circulação de moeda e de crédito em nosso país. Divide-
se em dois subsistemas:
a) Normativo: formado pelos órgãos e entidades responsáveis pela regulamentação e fiscalização da
circulação de moeda e de crédito. Exs: CMN, BACEN, CVM etc.
b) Operativo: constituído pelas pessoas jurídicas que operacionalizam (executam) a circulação de
moeda e de crédito. É o caso dos bancos, bolsas de valores, seguradoras, sociedades de capitalização, entidades
de previdência complementar etc.
Relevância e previsão constitucional
Ter um Sistema Financeiro sólido, confiável e eficiente é muito importante para o progresso de um país
porque assim estará disponível maior volume de crédito circulando no mercado, com um custo menor.
Havendo facilidade de acesso às linhas de crédito, os empresários poderão investir em novos
empreendimentos, gerando empregos e riquezas. De igual modo, o mercado consumidor terá facilidades para
aquisição dos bens e serviços, satisfazendo suas necessidades pessoais e mantendo aquecida a economia.
Ciente dessa relevância, a CF/88 previu, em seu art. 192, que o Sistema Financeiro Nacional deverá ser
“estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da
coletividade”.
Lei n.º 7.492/86
Diante da relevância já exposta, o legislador entendeu ser necessária a edição de uma lei específica para
punir condutas que atentem contra o bom funcionamento do Sistema Financeiro Nacional.
Atualmente, os crimes contra o Sistema Fi
ressaltar que essa Lei continua em vigor, tendo sido recepcionada pela CF/88 (RHC 84182, Rel. Min. Marco
Aurélio, Primeira Turma, julgado em 24/08/2004).

A Lei n. antes de tratar sobre os crimes, logo em seu art. 1º, define em que consiste uma
instituição financeira para os efeitos penais.
A Lei conceitua, no caput do art. 1º, o que é instituição financeira e também apresenta entidades que
devem ser a ela equiparadas (parágrafo único).

Art. 1º Considera-se instituição financeira, para efeito desta lei, a pessoa jurídica de direito público ou
privado, que tenha como atividade principal ou acessória, cumulativamente ou não, a captação, intermediação ou
aplicação de recursos financeiros de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, ou a custódia, emissão,
distribuição, negociação, intermediação ou administração de valores mobiliários.
Parágrafo único. Equipara-se à instituição financeira:
I - a pessoa jurídica que capte ou administre seguros, câmbio, consórcio, capitalização ou qualquer
tipo de poupança, ou recursos de terceiros;
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- a pessoa natural que exerça quaisquer das atividades referidas neste artigo, ainda I que

INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM SENTIDO PRÓPRIO (ART. 1º, CAPUT)


Instituição financeira é a pessoa jurídica que realize
I – a captação, intermediação ou aplicação de II – a custódia, emissão, distribuição, negociação,
recursos financeiros de terceiros. intermediação o administração de valores mobiliários.

Comentários: Comentários:
Essa é a atividade típica dos bancos comerciais. Valores mobiliários são títulos emitidos por sociedades
Atenção: os recursos financeiros devem ser de empresariais e negociadas no mercado de capitais
terceiros. Para fins penais, se uma determinada pessoa (bolsa de valores ou mercado de balcão). Para a
jurídica realiza aplicação de recursos sociedade que emite (vende), é uma forma de obter
financeiros próprios, ela não realiza ato típico de novos recursos. Para a pessoa que adquire, trata-se de
instituição financeira. um investimento. O exemplo mais conhecido de valor
mobiliário são as ações. Podemos citar também as
debêntures e os bônus de subscrição.

Exemplos: bancos, cooperativas de crédito, Exemplos: bolsas de valores, sociedades corretoras de


sociedades de crédito. títulos e valores mobiliários.

INSTITUIÇÃO FINANCEIRA POR EQUIPARAÇÃO (ART. 1º, PARÁGRAFO ÚNICO)


Equipara-se à instituição financeira
I - a pessoa jurídica que capte ou administre seguros, II - a pessoa natural que exerça quaisquer das
câmbio, consórcio, capitalização ou qualquer tipo de atividades próprias de instituição financeira, ainda que
poupança, ou recursos de terceiros; e de forma eventual.

Comentários: Comentários:
Importante gravar as atividades equiparadas, quais Repare que, para fins de crimes contra o SFN, a pessoa
sejam, seguro, câmbio, consórcio e capitalização. natural pode ser equiparada a um
instituição financeira.
Exemplos: agência de turismo que faz operações de Exemplo: pessoa física que exercia atividade de
câmbio, fundos de pensão, empresas de consórcio. consórcio sem autorização do BACEN.

Factoring
As empresas de factoring são consideradas instituições financeiras?
NÃO. A factoring não faz a captação de dinheiro de terceiros, como acontece com os bancos. A empresa
de factoring utiliza recursos próprios em suas atividades.
Logo, a factoring não integra o Sistema Financeiro Nacional nem necessita de autorização do Banco

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Central para funcionar. Nesse sentido: CC 98.062/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, Terceira Seção, julgado em
25/08/2010.
Resumo:
Instituição
financeira em I – a captação, intermediação ou aplicação de recursos financeiros de terceiros;
SENTIDO
PRÓPRIO
é a pessoa jurídica (de II – a custódia, emissão, distribuição, negociação,
direito privado ou público)
que realiza, como atividade intermediação ou administração de valores mobiliários.
principal ou acessória

I - a pessoa jurídica que capte ou administre seguros, câmbio, consórcio,


capitalização ou qualquer tipo de poupança, ou recursos de terceiros; e
Instituição financeira POR
EQUIPARAÇÃO é
II - a pessoa natural que exerça quaisquer das atividades próprias de instituição
financeira, ainda que de forma eventual.

FAZER OPERAÇÃO INSTITUIÇÃO FINANCEIRA SEM AUTORIZAÇÃO LEGAL (ART. 16)


Vamos estudar agora o art. 16 da Lei n. 7.492/86, que traz o delito de fazer operar instituição financeira
sem a devida autorização ou obtida com declaração falsa.
Art. 16. Fazer operar, sem a devida autorização, ou com autorização obtida mediante declaração (Vetado)
falsa, instituição financeira, inclusive de distribuição de valores mobiliários ou de câmbio:
Pena - Reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Em que consiste o delito
O indivíduo comete esse crime quando faz funcionar uma instituição financeira:
 Sem possuir autorização legal; ou
 Com uma autorização que ele obteve utilizando-se de documento falso.
Para que uma instituição financeira seja criada e funcione é necessária autorização?
SIM. Uma instituição financeira é uma atividade econômica que, se conduzida de forma inadequada, pode
gerar gravíssimos prejuízos a terceiros e à economia do país. Como exemplo, basta recordar os inúmeros
problemas que ocorreram em razão da liquidação dos Bancos Econômico, Nacional e Bamerindus, na década de
90. Além disso, se não houver uma intensa fiscalização, a atividade bancária pode servir como instrumento para a
prática de delitos, como a lavagem de dinheiro e a evasão de divisas.
Por essas razões, a Lei n. afirma que as instituições financeiras somente poderão funcionar no
País com a prévia autorização do Banco Central. Se forem estrangeiras, será necessário ainda um decreto do Poder
Executivo (art. 18).
Sujeito ativo: pode ser praticado por qualquer pessoa (crime comum).
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Sujeito passivo: Estado (em sentido amplo).


Distribuição de valores mobiliários ou de câmbio:
O art. 16 afirma que também está incluída no conceito de instituição financeira a atividade de
“distribuição de valores mobiliários ou de câmbio”. Essa menção era desnecessária, uma vez que o inciso I do
parágrafo único do art. 1º da Lei já havia feito essa equiparação.
Consórcios: como vimos nos comentários ao parágrafo único do art. 1º da Lei, quem desempenha a
atividade de “consórcio” é equiparado à instituição financeira. Justamente por isso, o STF entende que a pessoa
que faz funcionar consórcio sem autorização legal pratica o delito do art. 16:
De acordo com os artigos 1º, parágrafo único e inciso I, e 16 da Lei nº 7.492, de 16 de junho de 1986,
consubstanciam crimes contra o Sistema Financeiro Nacional a formação e o funcionamento de consórcio à
margem de balizamento legal, de instrução do Banco Central do Brasil. (...) (RHC 84182, Rel. Min. Marco Aurélio,
Primeira Turma, julgado em 24/08/2004)
Elemento subjetivo: é o dolo, não se exigindo nenhum elemento subjetivo específico.
Consumação: ocorre com a prática de ao menos uma operação própria de instituição financeira. Para que
se consuma, não é necessária a ocorrência de prejuízo para terceiros.
Trata-se de crime formal e de mera conduta.
Tentativa: é possível.
Habitualidade: prevalece que não se trata de crime habitual.
Instalações físicas de banco:
O crime pode se consumar mesmo que a instituição financeira não tenha instalações físicas condizentes
com a de um banco, com caixas, funcionários etc. O que interessa é verificar se foram realizadas atividades
próprias de uma instituição financeira. Nesse sentido: MAIA, Rodolfo Tigre. Dos Crimes contra o Sistema
Financeiro Nacional. Anotações à Lei Federal n. 7.492/86. São Paulo: Malheiros, 1996, p. 444.
Instituições financeiras por equiparação:
Em provas de concurso, tenha muito cuidado com os exemplos que narram situações envolvendo
atividades próprias de instituições financeiras por equiparação (art. 1º, parágrafo único). Assim, configura o crime
do art. 16 quando a pessoa pratica atividades de seguro, de câmbio, de consórcio ou de capitalização, sem
autorização legal.
Factoring
Se o dono/administrador da factoring utiliza a empresa para emprestar dinheiro, pratica esse crime?
Como vimos acima, a factoring não é uma instituição financeira, considerando que não pode fazer a
captação de dinheiro de terceiros, como acontece com os bancos. Além disso, a factoring não pode emprestar
dinheiro. O que a factoring pode fazer é “comprar” títulos de crédito que ainda irão vencer, fazendo com que a
empresa aumente seu capital de giro.
Desse modo, repito: a factoring não pode fazer empréstimos.
E se o dono da factoring realizar empréstimos, ele cometerá qual delito?

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que somente pode ser considerada instituição financeira quem capta, intermedia ou aplica recursos financeiros
de terceiros. Logo, a factoring, quando empresta recursos próprios para terceiros não atua como instituição
financeira segundo a definição do art. 1º.
(...) As empresas popularmente conhecidas como factoring desempenham atividades de fomento
mercantil, de cunho meramente comercial, em que se ajusta a compra de créditos vencíveis, mediante preço
certo e ajustado, e com recursos próprios, não podendo ser caracterizadas como instituições financeiras.

3. In casu, comprovando-se a abusividade dos juros cobrados nas operações de empréstimo, configura-se
o crime de usura, previsto no art. 4°, da Lei n° 1.521/51, cuja competência para julgamento é da Justiça Estadual.
(...)(CC 98062/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, Terceira Seção, julgado em 25/08/2010)

Excepcionalmente, pode-se imaginar uma situação em que a factoring, de forma ilegal, capta dinheiro de
terceiros e empresta esses recursos, com cobrança de juros, a outras pessoas. Ex: João cede 100 mil reais para a
factoring e esta empresta esse dinheiro para Antônio, que irá pagar 10% de juros ao mês. A factoring remunera
João com 3% e lucra 7%. Nesse caso, como a factoring captou e aplicou recursos de terceiros, operou como
verdadeira instituição financeira, o que configura, em tese, o crime do art. 16 da Lei n. 7.492/86, de competência
da Justiça Federal (CC 115.338/PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Seção, julgado em 26/06/2013).
Agiota
O chamado “agiota” pratica o delito do art. 16?
Em regra não. O agiota é aquela pessoa que empresta dinheiro seu a outras pessoas, cobrando juros e
multa superiores aos que são legalmente permitidos. Segundo o entendimento majoritário, o agiota não pode ser
equiparado a instituição financeira em razão de emprestar recursos financeiros próprios (e não de terceiros).
Logo, o agiota responde pelo delito do art. 4º da Lei n.º 1.521/51 (Lei de Economia Popular), delito de
competência da Justiça Estadual, e não pelo art. 16 da Lei n.º 7.492/86.
(...) Na hipótese em que se cuida de empréstimos a juros, com valores próprios e não captados de
terceiros, há, em tese, delito de usura e, não, contra o Sistema Financeiro.
(CC 99305/PR, Min. Maria Thereza De Assis Moura, Terceira Seção, julgado em 11/02/2009)
No entanto, se ficar comprovado que o agiota faz a captação de recursos de terceiros e, com essas verbas,
empresta para outros, poderá ser equiparado à instituição financeira e, portanto, praticar o art. 16. Essa, contudo,
não é a situação mais comum na prática.
Delito do art. 4º da Lei n.º 1.521/51:
Como vimos pelos julgados acima, o ponto de toque para diferenciar os delitos é saber se os recursos
emprestados são próprios ou de terceiros:
Art. 4º da Lei n.º 1.521/51 Art. 16 da Lei n.º 7.492/86
Recursos próprios Recursos de terceiros
Delito do art. 27-E da Lei n.º 6.385/76:
O art. 27-E da Lei n.º 6.385/76 prevê o seguinte crime:
Art. 27-E. Atuar, ainda que a título gratuito, no mercado de valores mobiliários, como instituição
integrante do sistema de distribuição, administrador de carteira coletiva ou individual, agente autônomo de
investimento, auditor independente, analista de valores mobiliários, agente fiduciário ou exercer qualquer cargo,
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profissão, atividade ou função, sem estar, para esse fim, autorizado ou registrado junto à autoridade
administrativa competente, quando exigido por lei ou regulamento:
Pena – detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. (Incluído pela Lei 10.303/2001)

Diante disso, indaga-se: o crime do art. 16 da Lei n.º 7.492/86 foi revogado pelo delito do art. 27-E da Lei
n.º 6.404/76 (Incluído pela Lei 10.303/2001)?
Não. Segundo decidiu o STF, não houve revogação, uma vez que a objetividade jurídica dos tipos penais é
distinta e há elementos da estrutura dos dois tipos que também não se confundem. O bem jurídico tutelado pela
Lei n. é a higidez do Sistema Financeiro Nacional, considerando-se instituição financeira aquela que
tenha por atividade principal a captação, intermediação ou aplicação de recursos financeiros de terceiros. A seu
turno, a Lei 10.303/2001 protege a integridade do mercado de valores mobiliários (HC 94955/SP, rel. Min. Ellen
Gracie, 21.10.2008).
Desse modo, o crime do art. 27-E da Lei n.º 6.404/76 é específico em relação ao do art. 16.

COMPETÊNCIA
De quem é a competência para julgar os crimes contra o sistema financeiro nacional?
Compete à Justiça Federal julgar os crimes contra o sistema financeiro nacional, previstos na Lei n.º
7.492/86.

A CF/88 prevê, em seu art. 109, VI:


Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema
financeiro e a ordem econômico-financeira;
O inciso VI afirma que os crimes contra o sistema financeiro e contra a ordem econômico-financeira
somente serão de competência da Justiça Federal nos casos determinados por lei. Em outras palavras, nem todos
os crimes contra o sistema financeiro e contra a ordem econômico-financeira serão de competência da Justiça
Federal, mas apenas nas hipóteses em que lei assim determinar.
Os crimes contra o sistema financeiro estão previstos na Lei n.º 7.492/86 e são julgados pela Justiça
Federal por expressa previsão legal. Isso porque o art. 26 da lei n.º 7.492/86 estabelece:
Art. 26. A ação penal, nos crimes previstos nesta lei, será promovida pelo Ministério Público Federal,
perante a Justiça Federal.
O crime de concessão de empréstimos vedados, previsto no art. 34 da Lei n.º 4.595/64, de certa forma
também atenta contra o Sistema Financeiro Nacional, no entanto, no caso desse delito, a competência será, em
regra, da Justiça Estadual, considerando que não existe lei atribuindo sua apuração à Justiça Federal.

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CRIMES RESULTANTES DE PRECONCEITOS DE RAÇA OU DE COR (LEI Nº 7.716/1991)


A incitação de ódio público feita por líder religioso contra outras religiões pode configurar o crime de
racismo
A situação concreta, com adaptações, foi a seguinte:
Tiago, pastor de uma determinada igreja evangélica, publicou, em seu blog, vídeos e posts de conteúdo
religioso nos quais ofendeu líderes e seguidores de outras crenças religiosas diversas da sua (católica, judaica,
espírita, islâmica, umbandista etc.), pregando inclusive o fim de algumas delas e imputando fatos ofensivos aos
seus devotos e sacerdotes.
O pastor afirmou, por exemplo, que os seguidores dessas outras crenças “sofrem” e “padecem”, sendo
“estuprados”, “violentados” e “destruídos” por seguirem “caminhos de podridão”.
Utilizou expressões como “religião assassina”, “líderes assassinos”, “prostituta católica”, “prostituta
espiritual” e “pilantragem”.
Tiago vinculou, ainda, de forma pejorativa, tais religiões à adoração ao diabo.
Diante disso, ele foi denunciado e condenado pela prática do crime previsto no art. 20, §2º, da Lei nº
7.716/81:
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional.
Pena: reclusão de um a três anos e multa.
(...)
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação
social ou publicação de qualquer natureza:
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.
A defesa de Tiago interpôs uma série de recursos até que o caso chegou ao STF. No Supremo, alegou a
atipicidade da conduta. Segundo a defesa, a condenação ideológica de outras crenças é inerente à prática
religiosa, e se trataria de exercício de uma garantia constitucionalmente assegurada.
A tese da defesa foi acolhida pelo STF?
NÃO. O STF manteve a condenação e afirmou que:
A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores não está
protegida pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão.
STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/3/2018
(Info 893).
Conforme explicou o Min. Dias Toffoli, o Brasil, social e historicamente, orgulha-se de ser um país de
tolerância religiosa, valor que faz parte da construção de nosso estado democrático de direito.
De acordo com o Ministro, existem diversos trechos no discurso do condenado que alimentam o ódio e a
intolerância. Assim, se o Estado não exercer seu papel de pacificar a sociedade, vai se chegar a uma guerra de
religiões. “Ao invés de sermos instrumento de pacificação, vamos aprofundar o que acontece no mundo”, afirmou
o Ministro.

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O preâmbulo da Constituição Federal fala na construção de uma sociedade fraterna, pluralista e sem
preconceitos, fundada na harmonia social. A ação do condenado atua, portanto, contra um importante valor
escolhido como fundamento da República Federativa do Brasil, que é a solidariedade.
A despeito da importância conferida à liberdade de expressão, o próprio texto constitucional determina
que sejam respeitados determinados limites. O art. 220, § 1º, da Constituição diz que nenhuma lei conterá
dispositivo que possa constituir embaraço à liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de
comunicação social, observados determinados incisos do art. 5º, onde estão contidas as limitações.
O direto de pensar, falar e escrever sem censuras ou restrições é o mais precioso privilégio dos cidadãos,
mas esse direito não é absoluto e sofre limitações de natureza ética e jurídica.
Os abusos, quando praticados, legitimam a atuação estatual. “Se assim não fosse, caluniar, injuriar,
difamar ou fazer apologia de fatos criminosos não seriam suscetíveis de punições”, explicou o Min. Celso de
Mello.
O abuso no exercício da liberdade de expressão não pode ser tolerado. Assim, a incitação ao ódio público
não está protegida nem amparada pela cláusula constitucional que assegura liberdade de expressão.
Caso Ellwanger
Os Ministros relembraram ainda o célebre julgamento do “caso Ellwanger” (HC 82424), em setembro de
2003, quando o STF manteve a condenação imposta ao escritor gaúcho Siegfried Ellwanger por crime de racismo
contra os judeus. Veja trechos da ementa:
(...) 1. Escrever, editar, divulgar e comerciar livros "fazendo apologia de idéias preconceituosas e
discriminatórias" contra a comunidade judaica (Lei 7716/89, artigo 20, na redação dada pela Lei 8081/90)
constitui crime de racismo sujeito às cláusulas de inafiançabilidade e imprescritibilidade (CF, artigo 5º, XLII).
(...)
6. Adesão do Brasil a tratados e acordos multilaterais, que energicamente repudiam quaisquer
discriminações raciais, aí compreendidas as distinções entre os homens por restrições ou preferências oriundas
de raça, cor, credo, descendência ou origem nacional ou étnica, inspiradas na pretensa superioridade de um povo
sobre outro, de que são exemplos a xenofobia, "negrofobia", "islamafobia" e o anti-semitismo.
(...) 13. Liberdade de expressão. Garantia constitucional que não se tem como absoluta. Limites morais e
jurídicos. O direito à livre expressão não pode abrigar, em sua abrangência, manifestações de conteúdo imoral
que implicam ilicitude penal.
14. As liberdades públicas não são incondicionais, por isso devem ser exercidas de maneira harmônica,
observados os limites definidos na própria Constituição Federal (CF, artigo 5º, § 2º, primeira parte). O preceito
fundamental de liberdade de expressão não consagra o "direito à incitação ao racismo", dado que um direito
individual não pode constituir-se em salvaguarda de condutas ilícitas, como sucede com os delitos contra a honra.
Prevalência dos princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade jurídica. (...)
STF. Plenário. HC 82424, Relator p/ Acórdão Min. Maurício Corrêa, julgado em 17/09/2003.
Hate speech (discurso de ódio)
O tema acima exposto está ligado ao que a doutrina chama de hate speech(discurso de ódio).
Discurso de ódio (hate speech) são “manifestações de pensamento que ofendam, ameacem ou insultem
determinado grupo de pessoas com base na raça, cor, religião, nacionalidade, orientação sexual, ancestralidade,
deficiência ou outras características próprias.
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(...)
No direito norte-americano, prevalece o entendimento de que até o discurso de ódio (hate speech) inclui-
se no âmbito de proteção da liberdade de expressão.” (BERNARDES, Juliano Taveira; FERREIRA, Olavo Augusto
Vianna Alves. Direito Constitucional. Tomo II. 7ª ed. Salvador: Juspodivm, 2017, p. 128).
No Brasil, ao contrário dos EUA, prevalece que o hate speech não é protegido pela ordem constitucional.
Isso porque o direito à liberdade de expressão não é absoluto, podendo a pessoa que proferiu o discurso de ódio
ser punida, inclusive criminalmente, em caso de abuso.
Esse tem sido, por exemplo, o entendimento das bancas examinadoras:
(PGE-RS FUNDATEC 2015) Ao tratar do alcance da liberdade de expressão em relação ao chamado
"discurso do ódio" (“hate speech”), o STF sustentou que o direito à liberdade de expressão é um direito relativo,
objeto de ponderação, à luz dos princípios da dignidade humana, proporcionalidade e razoabilidade, não
podendo acolher a incitação ao ódio racial ou religioso. (certo)
Situação deve ser analisada com base no caso concreto
Assim, podemos concluir que é possível a condenação de um líder religioso pelo crime de racismo (art. 20,
§2º, da Lei nº 7.716/81) em caso de discursos de ódio público contra outras denominações religiosas e seus
seguidores.
Vale ressaltar, no entanto, que essa condenação dependerá do caso concreto, ou seja, das palavras que
foram proferidas e da intenção do líder religioso de suprimir ou reduzir a dignidade daquele que é diferente de si.
Desse modo, não é qualquer crítica de um líder religioso a outras religiões que configurará o crime de racismo.
Nesse sentido, recentemente o STF absolveu um líder religioso dessa imputação por falta de dolo.
Relembre:
Determinado padre escreveu um livro, voltado ao público da Igreja Católica, no qual ele faz críticas ao
espiritismo e a religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé.
O Ministério Público da Bahia ofereceu denúncia contra ele pela prática do art. 20, § 2º da Lei nº 7.716/89
(Lei do racismo).
No caso concreto, o STF entendeu que não houve o crime.
A CF/88 garante o direito à liberdade religiosa. Um dos aspectos da liberdade religiosa é o direito que o
indivíduo possui de não apenas escolher qual religião irá seguir, mas também o de fazer proselitismo religioso.
Proselitismo religioso significa empreender esforços para convencer outras pessoas a também se
converterem à sua religião.
Desse modo, a prática do proselitismo, ainda que feita por meio de comparações entre as religiões
(dizendo que uma é melhor que a outra) não configura, por si só, crime de racismo.
Só haverá racismo se o discurso dessa religião supostamente superior for de dominação, opressão,
restrição de direitos ou violação da dignidade humana das pessoas integrantes dos demais grupos. Por outro lado,
se essa religião supostamente superior pregar que tem o dever de ajudar os "inferiores" para que estes alcancem
um nível mais alto de bem-estar e de salvação espiritual e, neste caso não haverá conduta criminosa.
Na situação concreta, o STF entendeu que o réu apenas fez comparações entre as religiões, procurando
demonstrar que a sua deveria prevalecer e que não houve tentativa de subjugar os adeptos do espiritismo.

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Pregar um discurso de que as religiões são desiguais e de que uma é inferior à outra não configura, por si,
o elemento típico do art. 20 da Lei nº 7.716/89. Para haver o crime, seria indispensável que tivesse ficado
demonstrado o especial fim de supressão ou redução da dignidade do diferente, elemento que confere sentido à
discriminação que atua como verbo núcleo do tipo.
STF. 1ª Turma. RHC 134682/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/11/2016 (Info 849).
#SELIGANAJURISPRUDÊNCIA
Críticas de um líder religioso a outras religiões não configura, por si só, racismo
Determinado padre escreveu um livro, voltado ao público da Igreja Católica, no qual ele faz críticas ao
espiritismo e a religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé.
O Ministério Público da Bahia ofereceu denúncia contra ele pela prática do art. 20, § 2º da Lei nº 7.716/89 (Lei
do racismo).
No caso concreto, o STF entendeu que não houve o crime.
A CF/88 garante o direito à liberdade religiosa. Um dos aspectos da liberdade religiosa é o direito que o
indivíduo possui de não apenas escolher qual religião irá seguir, mas também o de fazer proselitismo religioso.
Proselitismo religioso significa empreender esforços para convencer outras pessoas a também se converterem
à sua religião.
Desse modo, a prática do proselitismo, ainda que feita por meio de comparações entre as religiões (dizendo
que uma é melhor que a outra) não configura, por si só, crime de racismo.
Só haverá racismo se o discurso dessa religião supostamente superior for de dominação, opressão, restrição
de direitos ou violação da dignidade humana das pessoas integrantes dos demais grupos. Por outro lado, se essa
religião supostamente superior pregar que tem o dever de ajudar os "inferiores" para que estes alcancem um nível
mais alto de bem-estar e de salvação espiritual e, neste caso não haverá conduta criminosa.
Na situação concreta, o STF entendeu que o réu apenas fez comparações entre as religiões, procurando
demonstrar que a sua deveria prevalecer e que não houve tentativa de subjugar os adeptos do espiritismo.
Pregar um discurso de que as religiões são desiguais e de que uma é inferior à outra não configura, por si, o
elemento típico do art. 20 da Lei nº 7.716/89. Para haver o crime, seria indispensável que tivesse ficado demonstrado o
especial fim de supressão ou redução da dignidade do diferente, elemento que confere sentido à discriminação que
atua como verbo núcleo do tipo.
STJ. 6ª Turma. RHC 62.851-PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 16/2/2016 (Info 577).
Proferir manifestação de natureza discriminatória em relação aos homossexuais NÃO configura o crime
do art. 20 da Lei n.° 7.716/86, sendo conduta atípica. STF. 1ª Turma. Inq 3590/DF, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 12/8/2014 (Info 754).

CRIMES DE RESPONSABILIDADE (DECRETO-LEI nº 201/1967 e suas alterações, LEI Nº 1.079/1950 E


SUAS ALTERAÇÕES E LEI Nº 8.176/1991)
CRIMES EM ESPÉCIE
Art. 1º São crimes de responsabilidade dos Prefeitos Municipais, sujeitos ao julgamento do Poder
Judiciário, independentemente do pronunciamento da Câmara dos Vereadores:
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I - Apropriar-se de bens ou rendas públicas, ou desviá-los em proveito próprio ou alheio.


 Classificação – É crime próprio, material e instantâneo
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal
 Objeto material – pode ser o bem ou a renda pública
 Elemento subjetivo – é o dolo, existindo elemento subjetivo específico (em proveito próprio ou
alheio)
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal
 Sujeito Passivo – é a municipalidade
 Consumação – com o apossamento do bem, por parte do prefeito municipal
 Tentativa – admite-se
II - Utilizar-se, indevidamente, em proveito próprio ou alheio, de bens, rendas ou serviços públicos.
 Classificação – É crime próprio, material e instantâneo ou permanente (conforme o modus operandi
adotado)
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal
 Objeto material – pode ser o bem, renda ou o serviço público
 Elemento subjetivo – é o dolo, existindo elemento subjetivo específico (em proveito próprio ou
alheio)
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal
 Sujeito Passivo – é a municipalidade
 Consumação – com a utilização indevida do bem, renda ou serviço público, por parte do prefeito
 Tentativa – admite-se
III - Desviar, ou aplicar indevidamente, rendas ou verbas públicas.
 Classificação – É crime próprio, material e instantâneo
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal
 Objeto material – pode ser a verba ou a renda pública
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal
 Sujeito Passivo – é a municipalidade
 Consumação – com o desvio ou aplicação indevida das rendas ou verbas públicas, por parte do
prefeito
 Tentativa – admite-se
IV - Empregar subvenções, auxílios, empréstimos ou recursos de qualquer natureza, em desacordo com
os planos ou programas a que se destinam.
 Classificação – É crime próprio, material e instantâneo
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 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal


 Objeto material – pode ser subvenção, o auxílio, o empréstimo ou o recurso, em desacordo com os
planos ou programas a que se destinam
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal
 Sujeito Passivo – é a municipalidade
 Consumação – com a prática do núcleo do tipo, sendo imprescindível a ocorrência do resultado
naturalístico
 Tentativa – admite-se.
V - Ordenar ou efetuar despesas não autorizadas por lei, ou realizá las em desacordo com as normas
financeiras pertinentes.
 Classificação – É crime próprio, material e instantâneo
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal
 Objeto material – é a despesa não autorizada por lei
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal
 Sujeito Passivo – é a municipalidade
 Consumação – com a prática de qualquer dos núcleos do tipo, sendo imprescindível a ocorrência do
resultado naturalístico
 Tentativa – admite-se
VI - Deixar de prestar contas anuais da administração financeira do Município à Câmara de Vereadores,
ou ao órgão que a Constituição do Estado indicar, nos prazos e condições estabelecidos.
 Classificação – É crime próprio, formal, omissivo e instantâneo
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal
 Objeto material – é a conta anual da administração financeira do Município
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal
 Sujeito Passivo – é a municipalidade
 Consumação – com a não prestação de contas anuais, não se exigindo resultado naturalístico.
 Tentativa – não se admite
VII - Deixar de prestar contas, no devido tempo, ao órgão competente, da aplicação de recursos,
empréstimos, subvenções ou auxílios internos ou externos, recebidos a qualquer título.
 Classificação – É crime próprio, formal, omissivo e instantâneo
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal

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 Objeto material – pode ser a conta ao órgão competente, a aplicação de recurso, empréstimo,
subvenção, ou auxílio interno ou externo, recebidos a qualquer título
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal
 Sujeito Passivo – é a municipalidade
 Consumação – com a não prestação de contas, não se exigindo resultado naturalístico
 Tentativa – não se admite
VIII - Contrair empréstimo, emitir apólices, ou obrigar o Município por títulos de crédito, sem
autorização da Câmara ou em desacordo com a lei.
 Classificação – É crime próprio, formal e instantâneo
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal
 Objeto material – pode ser empréstimo, apólice ou título de crédito
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal
 Sujeito Passivo – é a municipalidade
 Consumação – com a prática do núcleo do tipo, não se exigindo resultado naturalístico
 Tentativa – admite-se
IX - Conceder empréstimos, auxílios ou subvenções sem autorização da Câmara, ou em desacordo com
a lei.
 Classificação – É crime próprio, formal e instantâneo
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal
 Objeto material – pode ser empréstimo, auxílio ou subversão
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal
 Sujeito Passivo – é a municipalidade
 Consumação – com a prática do núcleo do tipo, não se exigindo resultado naturalístico
 Tentativa – admite-se
X - Alienar ou onerar bens imóveis, ou rendas municipais, sem autorização da Câmara, ou em desacordo
com a lei.
 Classificação – É crime próprio, formal e instantâneo.
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.
 Objeto material – pode ser o bem imóvel ou a renda pública.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.

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 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.


 Sujeito Passivo – é a municipalidade.
 Consumação – com a prática de qualquer dos núcleos do tipo, não se exigindo resultado
naturalístico.
 Tentativa – admite-se.
XI - Adquirir bens, ou realizar serviços e obras, sem concorrência ou coleta de preços, nos casos exigidos
em lei.
 Classificação – É crime próprio, formal e instantâneo.
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.
 Objeto material – pode ser o bem, serviço ou obra.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.
 Sujeito Passivo – é a municipalidade.
 Consumação – com a prática de qualquer dos núcleos do tipo, não se exigindo resultado
naturalístico.
 Tentativa – admite-se.
XII - Antecipar ou inverter a ordem de pagamento a credores do Município, sem vantagem para o
erário.
 Classificação – É crime próprio, formal e instantâneo.
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.
 Objeto material – é a ordem de pagamento a credores do Município.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.
 Sujeito Passivo – é a municipalidade, bem como os credores prejudicados (sujeito passivo
secundário) .
 Consumação – com a prática de qualquer dos núcleos do tipo, não se exigindo resultado
naturalístico.
 Tentativa – admite-se.
XIII - Nomear, admitir ou designar servidor, contra expressa disposição de lei.
 Classificação – É crime próprio, formal e instantâneo.
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.
 Objeto material – é o servidor.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.

194
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 Sujeito Passivo – é a municipalidade, bem como terceiros prejudicados pela nomeação, admissão ou
designação indevida (sujeito passivo secundário).
 Consumação – com a prática de qualquer dos núcleos do tipo, não se exigindo resultado
naturalístico.
 Tentativa – admite-se.
XIV - Negar execução a lei federal, estadual ou municipal, ou deixar de cumprir ordem judicial, sem dar
o motivo da recusa ou da impossibilidade, por escrito, à autoridade competente.
 Classificação – É crime próprio, formal, omissivo e instantâneo.
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.
 Objeto material – pode ser a lei federal, estadual ou municipal, bem como a ordem judicial.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.
 Sujeito Passivo – é a municipalidade.
 Consumação – com a abstenção da conduta, não se exigindo resultado naturalístico.
 Tentativa – não se admite.

#SELIGANAJURISPRUDÊNCIA
Para a configuração do delito do art. 1º, XIV, é indispensável a inequívoca ciência do Prefeito
O art. 1º, XIV, do DL 201/67 prevê que o Prefeito pratica crime quando nega execução a lei federal,
estadual ou municipal, ou deixa de cumprir ordem judicial, sem dar o motivo da recusa ou da impossibilidade, por
escrito, à autoridade competente.
Vale ressaltar, no entanto, que, segundo entende o STF, para a configuração do delito em tela é indispensável
que o MP comprove a inequívoca ciência do Prefeito a respeito da ordem judicial.
Ex: em Joinville (SC), o juiz expediu ordem judicial determinando que o Município se abstivesse de praticar
determinado ato administrativo. A ordem judicial foi endereçada à Procuradoria do Município. Mesmo após a
intimação ser efetivada, o ato administrativo questionado foi praticado. Diante disso, o Ministério Público
ofereceu denúncia contra o Prefeito, imputando-lhe a prática do crime previsto no art. 1º, XIV, do DL 201/67. O
STF absolveu o réu. Segundo entenderam os Ministros, não foram produzidas provas de que o réu tenha tido
conhecimento da ordem judicial ou que tenha concorrido para seu descumprimento. Para configuração do delito
em tela, é indispensável que o MP comprove a inequívoca ciência do Prefeito a respeito da ordem judicial, não
sendo suficiente que a determinação judicial tenha sido comunicada a terceiros. Para que o Prefeito pudesse ser
responsabilizado criminalmente, seria indispensável a sua intimação pessoal.
STF. 1ª Turma. AP 555/SC, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 6/10/2015 (Info 802).

XV - Deixar de fornecer certidões de atos ou contratos municipais dentro do prazo estabelecido em lei.
 Classificação – É crime próprio, formal, omissivo e instantâneo.

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 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.


 Objeto material – pode ser a certidão de ato ou contrato municipal.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.
 Sujeito Passivo – é a municipalidade, bem como os terceiros prejudicados (sujeito passivo
secundário).
 Consumação – com a prática de qualquer dos núcleos do tipo, não se exigindo resultado
naturalístico.
 Tentativa – não se admite.
XVI - deixar de ordenar a redução do montante da dívida consolidada, nos prazos estabelecidos em lei,
quando o montante ultrapassar o valor resultante da aplicação do limite máximo fixado pelo Senado Federal;
 Classificação – É crime próprio, formal, omissivo e instantâneo.
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.
 Objeto material – é o montante da dívida consolidada.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.
 Sujeito Passivo – é a municipalidade.
 Consumação – com a abstenção da conduta, não se exigindo resultado naturalístico.
 Tentativa – não se admite.
XVII - ordenar ou autorizar a abertura de crédito em desacordo com os limites estabelecidos pelo
Senado Federal, sem fundamento na lei orçamentária ou na de crédito adicional ou com inobservância de
prescrição legal;
 Classificação – É crime próprio, formal e instantâneo.
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.
 Objeto material – é a abertura de crédito.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.
 Sujeito Passivo – é a municipalidade.
 Consumação – com a realização de qualquer dos núcleos do tipo, não se exigindo resultado
naturalístico.
 Tentativa – admite-se.
XVIII - deixar de promover ou de ordenar, na forma da lei, o cancelamento, a amortização ou a
constituição de reserva para anular os efeitos de operação de crédito realizada com inobservância de limite,
condição ou montante estabelecido em lei;
 Classificação – É crime próprio, formal, omissivo e instantâneo.
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 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.


 Objeto material – pode ser a reserva para anular os efeitos de operação de crédito realizada com
inobservância de limite, condição ou montante estabelecido em lei.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.
 Sujeito Passivo – é a municipalidade.
 Consumação – com a abstenção da conduta, não se exigindo resultado naturalístico.
 Tentativa – não se admite.
XIX - deixar de promover ou de ordenar a liquidação integral de operação de crédito por antecipação de
receita orçamentária, inclusive os respectivos juros e demais encargos, até o encerramento do exercício
financeiro;
 Classificação – É crime próprio, formal, omissivo e instantâneo.
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.
 Objeto material – pode ser a liquidação integral de operações de crédito por antecipação de receita
orçamentária, os respectivos juros ou demais encargos, até o encerramento do exercício financeiro.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.
 Sujeito Passivo – é a municipalidade.
 Consumação – com a abstenção das condutas, não se exigindo resultado naturalístico.
 Tentativa – não se admite.
XX - ordenar ou autorizar, em desacordo com a lei, a realização de operação de crédito com qualquer
um dos demais entes da Federação, inclusive suas entidades da administração indireta, ainda que na forma de
novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente;
 Classificação – É crime próprio, formal e instantâneo.
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.
 Objeto material – pode ser a realização de operação de crédito com qualquer um dos demais entes
da Federação, suas entidades da administração indireta, ainda que na forma de novação, refinanciamento ou
postergação de dívida contraída anteriormente.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.
 Sujeito Passivo – é a municipalidade.
 Consumação – com a prática de qualquer dos núcleos do tipo, não se exigindo resultado
naturalístico.
 Tentativa – admite-se.

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XXI - captar recursos a título de antecipação de receita de tributo ou contribuição cujo fato gerador
ainda não tenha ocorrido;
 Classificação – É crime próprio, formal e instantâneo.
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.
 Objeto material – pode ser recurso a título de antecipação de receita de tributo ou contribuição cujo
fato gerador ainda não ocorreu.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.
 Sujeito Passivo – é a municipalidade.
 Consumação – com a prática do núcleo do tipo, não se exigindo resultado naturalístico.
 Tentativa – admite-se.
XXII - ordenar ou autorizar a destinação de recursos provenientes da emissão de títulos para finalidade
diversa da prevista na lei que a autorizou;
 Classificação – É crime próprio, formal e instantâneo.
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.
 Objeto material – é a destinação de recursos provenientes da emissão de títulos para finalidade
diversa da prevista na lei que a autorizou.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.
 Sujeito Passivo – é a municipalidade.
 Consumação – com a prática de qualquer dos núcleos do tipo, não se exigindo resultado
naturalístico.
 Tentativa – admite-se.
XXIII - realizar ou receber transferência voluntária em desacordo com limite ou condição estabelecida
em lei.
 Classificação – É crime próprio, formal e instantâneo.
 Objeto jurídico – higidez da moralidade e do patrimônio público municipal.
 Objeto material – é a transferência voluntária em desacordo com limite ou condição estabelecida em
lei.
 Elemento subjetivo – é o dolo, inexistindo elemento subjetivo específico.
 Sujeito Ativo – é o Prefeito Municipal.
 Sujeito Passivo – é a municipalidade.
 Consumação – com a prática de qualquer dos núcleos do tipo, não se exigindo resultado
naturalístico.
 Tentativa – admite-se.
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CRIMES FALIMENTARES (LEI Nº 11.101/2005)


Condição objetiva de punibilidade
É um requisito imposto pela norma para a punição ser efetivada.
Art. 180. A sentença que decreta a falência, concede a recuperação judicial ou concede a recuperação
extrajudicial de que trata o art. 163 desta Lei é condição objetiva de punibilidade das infrações penais descritas
nesta Lei.
Efeitos da condenação
A Lei traz efeitos penais secundários específicos para os crimes nela previstos, estando presente no art.
181:
Art. 181. São efeitos da condenação por crime previsto nesta Lei:
I – a inabilitação para o exercício de atividade empresarial;
II – o impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de administração, diretoria ou
gerência das sociedades sujeitas a esta Lei;
III – a impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de negócio.

#OLHAOGANCHO. Conquanto tais efeitos mencionados acima não sejam automáticos, eles podem ser
cumulativos, devendo constar na sentença condenatória. Tais efeitos perdurarão por até 05 (cinco) anos após a
extinção da punibilidade, devendo ser também observado o prazo de reabilitação.
Prescrição: as regras de prescrição são aquelas estabelecidas no próprio CPB, porém o início do prazo se
dará no dia da decretação da falência, da concessão da recuperação judicial ou da homologação do plano de
recuperação extrajudicial.
Juízo competente: O juiz criminal do local que tenha sido decretada a falência, concedida a recuperação
judicial ou homologado o plano de recuperação extrajudicial.
Natureza jurídica da ação penal: Pública incondicionada, admitindo-se a ação penal privada subsidiária
da pública.
Não há previsão da modalidade culposa.

CRIMES ELEITORAIS (LEI nº 4.737/1965)


Realizar uma leitura da lei seca quanto aos crimes em espécie previstos nos arts. 289 a 354-A.

LEI DE IMPRENSA (LEI nº 5.250/1967)


Realizar uma leitura da lei seca quanto aos crimes em espécie previstos nos arts. 14 ao 28.

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EXECUÇÃO PENAL (LEI nº 7.210/1984)


 Trabalho do preso: Segundo a LEP é um dever do preso condenado em definitivo, entretanto, de
acordo com a CF/88 não é possível impor ao preso o trabalho sob pena de castigos corporais ou outras formas de
punição, nem o trabalho de forma gratuita.
 Detração: É o computo no tempo da pena privativa de liberdade e da medida de segurança do
período em que o condenado ficou detido em prisão provisória, no Brasil ou no exterior, bem como o tempo de
prisão administrativa e o de internação em hospital de custódia e tratamento.
 Suspensão condicional da pena: É o benefício concedido pelo juiz da condenação que tem por
finalidade evitar a aplicação da pena privativa de liberdade, previsto nos artigos 156 a 163 da LEP.
 Livramento condicional: é a medida de política criminal, cuja finalidade é antecipar a libertação do
condenado, mediante o preenchimento de determinados requisitos objetivos e subjetivos, bem como o
cumprimento das condições impostas.
 Saída temporária: art. 122 ao 125 da LEP
 Permissão de saída: art. 120 e 121 da LEP
 Progressão de regime: art. 112 e seguintes
 Regressão de regime: art. 118 e seguintes da LEP
#SELIGANAJURISPRUDÊNCIA
Súmula 533-STJ: Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução penal, é
imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional,
assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado. STJ. 3ª
Seção. Aprovada em 10/06/2015, Dje 15/06/2015.
Súmula 562-STJ: É possível a remição de parte do tempo de execução da pena quando o condenado, em
regime fechado ou semiaberto, desempenha atividade laborativa, ainda que extramuros. STJ. 3ª Seção. Aprovada
em 24/02/2016. DJe 29/02/2016.

DIREITO PENAL
PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL

PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL OU ESTRITA LEGALIDADE


Somente a lei pode criar delitos e cominar penas. Como consequência lógica, não se admite a utilização
de medida provisória em matéria penal.
#CUIDADO! O STF já admitiu MP na seara penal, desde que para favorecer o réu. Ex.: MP 417 que
prorrogou a “atipicidade temporária” nos crimes de posse de armas.
O princípio da legalidade possui algumas funções fundamentais:
 Lei estrita: é proibida a analogia contra o réu.
 Lei escrita: é proibido o costume incriminador.
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#OLHAOGANCHO: da mesma forma que o costume não tem o condão de incriminar, também não tem de
descriminalizar (os costumes contrários às leis são chamados de DESUETUDO: contrariam uma lei penal, mas não
a revogam. Ex.: crime de casa de prostituição/jogo do bicho).
 Lei certa: é proibida a criação de tipos penais vagos e indeterminados.
 Lei prévia: é proibida a aplicação da lei penal incriminadora a fatos - não considerados crimes -
praticados antes de sua vigência. Engloba aqui o da anterioridade, cláusula pétrea.

PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA


Afirma ser legítima a intervenção penal apenas quando a criminalização de um fato se constitui meio
indispensável para a proteção de determinado bem ou interesse, não podendo ser tutelado por outros ramos do
ordenamento jurídico. A intervenção mínima é gênero do qual são espécies: a fragmentariedade e a
subsidiariedade. Vamos conferir?!
 Princípio da Fragmentariedade: no universo da ilicitude, somente alguns poucos fragmentos
constituem-se em ilícitos penais. O Direito Penal é a última etapa de proteção. #ATENÇÃO! O princípio da
fragmentariedade atua no PLANO ABSTRATO (na criação de tipos penais).
#SELIGA: FRAGMENTARIEDADE ÀS AVESSAS: É o contrário da fragmentariedade; o crime deixa de existir,
pois a incriminação se torna desnecessária. Por exemplo, o adultério.
 Princípio da Subsidiariedade: incide no PLANO CONCRETO, ou seja, no momento de aplicação da lei
penal. É analisado se, naquele caso concreto, seria possível solucionar através de outros ramos do direito, ou se
será preciso utilizar a ultima ratio, o executor de reserva, isto é, o direito penal.

PRINCÍPIO DA OFENSIVIDADE
Possui quatro funções principais:
1) Proibição da incriminação de uma atitude interna, como as ideias, convicções, e desejos dos homens.
2) Proibição da incriminação de uma conduta que não exceda o âmbito do próprio autor (princípio da
alteridade).
3) Proibição da incriminação de simples estados ou condições existenciais (aplica-se o direito penal do
fato e não do autor)
4) Proibição da incriminação de condutas desviadas que não afetem qualquer bem jurídico.

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
Pode ser visto como instrumento de interpretação restritiva do tipo penal. Possui natureza jurídica de
causa supralegal de exclusão da tipicidade material, devendo ser analisado em conexão com os postulados da
fragmentariedade e da intervenção mínima.
Vamos dar uma conferida nos requisitos desse princípio?!
Objetivos: mínima ofensividade da conduta do agente; nenhuma periculosidade social da ação; reduzido
grau de reprovabilidade do comportamento; Inexpressividade da lesão jurídica provocada.
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Subjetivos: importância do bem para a vítima (STF) e condições do agente (#SELIGA: a reincidência, a
reiteração criminosa, a habitualidade delitiva NÃO são suficientes, por si sós, para afastar a aplicação do princípio
da insignificância – STF Info 793).
#ATENÇÃO: Os tribunais superiores, em algumas situações concretas, têm afastado o princípio da
insignificância nos casos de reincidência e de furto qualificado.

#OLHAOGANCHO. #BAGATELAIMPRÓPRIA. No caso do princípio da insignificância impróprio ou bagatela


imprópria ocorre o injusto penal. Entretanto, verifica-se que no caso concreto a pena é desnecessária (incidência
dos princípios da desnecessidade da pena com o princípio da irrelevância penal do fato).
Vamos entender melhor?
O princípio da insignificância impróprio pressupõe a análise do que ocorreu após a prática do crime até o
momento do julgamento. Ex.: O réu casou, teve filhos, tem uma empresa com 50 funcionários?! Nesses casos, o
juiz reconhece a existência do crime, mas conclui que a pena não é necessária. Aqui não há causa supralegal de
exclusão da tipicidade, há causa supralegal de extinção da punibilidade. O Estado reconhece o crime, mas
conclui pela desnecessidade de punição. A punição não é mais vantajosa para a sociedade.
A análise da pertinência da bagatela imprópria há de ser realizada, obrigatoriamente, na situação fática,
jamais no plano abstrato. Atente-se também para a necessidade de se observar que a bagatela imprópria tem
como pressuposto inafastável a não incidência do princípio da insignificância (própria). Afinal, se o fato não era
merecedor da tutela penal em decorrência da sua atipicidade, descabe enveredar pela discussão acerca da
necessidade ou não de pena.
A bagatela imprópria se ASSEMELHA ao perdão judicial (art. 107, IX, do CP). O fundamento da bagatela
imprópria e do perdão judicial é o mesmo, só que o perdão judicial está duplamente previsto em lei, enquanto
instituto bem como em relação às hipóteses legais em que ele incide. Em contrapartida, no Brasil, não há previsão
legal do princípio da insignificância impróprio.
#SUPERREVISÃO! Pessoal, por fim, COLEM NA RETINA essa revisão sobre a aplicação do princípio da
insignificância. Trata-se de um compilado das principais informações extraídas da jurisprudência, tomando por
base os comentários do Dizer o Direito. #DEOLHONAJURIS. #AJUDAMARCINHO.
NÃO SE APLICA A INSIGNIFICÂNCIA:
Delitos praticados em violência doméstica: não se aplica o princípio da insignificância.
Posse ou porte de arma ou munição.
Estelionato contra o INSS (estelionato previdenciário).
Tráfico de drogas.

Crime de moeda falsa.

Contrabando.

Roubo.

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Lesão corporal.

Falsificação de documento público.

Estelionato envolvendo o seguro-desemprego.

Estelionato envolvendo FGTS.

Violação de direito autoral (§ 2º do art. 184 do CP).

Tráfico internacional de arma de fogo ou munição.

Furto qualificado.
Obs. Como regra, a aplicação do princípio da insignificância tem sido rechaçada nas hipóteses de furto qualificado,
tendo em vista que tal circunstância denota, em tese, maior ofensividade e reprovabilidade da conduta. Deve-se,
todavia, considerar as circunstâncias peculiares de cada caso concreto, de maneira a verificar se, diante do quadro
completo do delito, a conduta do agente representa maior reprovabilidade a desautorizar a aplicação do princípio
da insignificância. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 785755/MT, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
22/11/2016. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 746011/MT, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 05/11/2015.
Crimes militares. Trata-se de tema extremamente polêmico, mas a posição majoritária é no sentido de que não
se aplica o princípio da insignificância aos crimes militares, sob pena de afronta à autoridade, hierarquia e
disciplina, bens jurídicos cuja preservação é importante para o regular funcionamento das instituições militares. O
caso mais comum e que é provável que seja cobrado em sua prova é o crime de posse de substância entorpecente
em lugar sujeito à administração militar (art. 290 do CPM). O Plenário do STF já assentou a inaplicabilidade do
princípio da insignificância à posse de quantidade reduzida de substância entorpecente em lugar sujeito à
administração militar (art. 290 do CPM). STF. 2ª Turma. HC 118255, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
19/11/2013. STF. 2ª Turma. ARE 856183 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 30/06/2015.

POSSÍVEL APLICAR A INSIGNIFICÂNCIA:


Crimes ambientais.
#AJUDAMARCINHO: É possível a aplicação do princípio da insignificância aos crimes ambientais, devendo ser
analisadas as circunstâncias específicas do caso concreto para se verificar a atipicidade da conduta em exame. STJ.
5° Turma. AgRg no AREsp 654.321/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 09/06/2015. É possível
aplicar o princípio da insignificância para crimes ambientais. STF. 2ª Turma. Inq 3788/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 1°/3/2016 (Info 816).
PORÉM, CUIDADO:
#AJUDAMARCINHO: O princípio da bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único,
II, da Lei 9.605/98: Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão
competente: Pena - detenção de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Parágrafo
único. Incorre nas mesmas penas quem: II - pesca quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização
de aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos; Caso concreto: realização de pesca de 7kg de
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camarão em período de defeso com o uso de método não permitido. STF. 1ª Turma. HC 122560/SC, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018 (Info 891). #JULGADORECENTE.
Descaminho.

Furto Simples. PORÉM, CUIDADO:


Se o valor do bem é acima de 10% do salário mínimo vigente na época, o STJ tem negado a aplicação do princípio
da insignificância. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1558547/MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
19/11/2015.
“Flanelinha” e exercício da profissão sem registro no órgão competente (não configura a contravenção penal
prevista no art. 47 do Decreto-Lei 3.688/1941: exercício ilegal de profissão ou atividade).

#DIVERGÊNCIA entre o STJ e o STF.


MANTER RÁDIO CLANDESTINA:
STJ: NÃO. STF: SIM.
STJ: NÃO. É inaplicável o princípio da insignificância ao STF: SIM, é possível, em situações excepcionais, o
delito previsto no art. 183 da Lei nº 9.472/97, nas reconhecimento do princípio da insignificância desde
hipóteses de exploração irregular ou clandestina de que a rádio clandestina opere em baixa frequência, em
rádio comunitária, mesmo que ela seja de baixa localidades afastadas dos grandes centros e em
potência, uma vez que se trata de delito formal de situações nas quais ficou demonstrada a inexistência
perigo abstrato, que dispensa a comprovação de de lesividade. STF. 2ª Turma. HC 138134/BA, Rel. Min.
qualquer dano (resultado) ou do perigo, presumindo- Ricardo Lewandowski, julgado em 7/2/2017 (Info 853).
se este absolutamente pela lei. Nesse sentido: STJ. 6ª
Turma. AgRg no AREsp 740.434/BA, Rel. Min. Antonio
Saldanha Palheiro, julgado em 14/02/2017.

APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA.


STJ: SIM. STF: NÃO.
O STJ já firmou o entendimento de que é possível a O bem jurídico tutelado pelo delito de apropriação
aplicação do princípio da insignificância ao delito de indébita previdenciária é a subsistência financeira da
apropriação indébita previdenciária, desde que o total Previdência Social. Logo, não há como afirmar-se que a
dos valores retidos não ultrapasse o valor utilizado reprovabilidade da conduta atribuída ao paciente é de
pela Fazenda Público como limite mínimo para que grau reduzido, considerando que esta conduta causa
sejam ajuizadas as execuções fiscais. STJ. 5ª Turma. prejuízo à arrecadação já deficitária da Previdência
AgRg no REsp 1241697/PR, Rel. Min. Laurita Vaz, Social, configurando nítida lesão a bem jurídico
julgado em 06/08/2013. STJ. 6ª Turma. RHC 59839/SP, supraindividual. O reconhecimento da atipicidade
Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 07/04/2016. material nesses casos implicaria ignorar esse
preocupante quadro. STF. 1ª Turma. HC 102550, Rel.
Min. Luiz Fux, julgado em 20/09/2011. STF. 2ª Turma.
RHC 132706 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em

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21/06/2016.

CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA:


STJ: NÃO. STF: SIM.

Súmula 599-STJ. Há julgados da 2ª Turma admitindo a aplicação do


princípio mesmo em outras hipóteses além do
descaminho,

PORTE DE DROGAS PARA CONSUMO PESSOAL


STJ: NÃO. STF: SIM.
A jurisprudência de ambas as turmas do STJ firmou STF: possui um precedente isolado, da 1ª Turma,
entendimento de que o crime de posse de drogas para aplicando o princípio:
consumo pessoal (art. 28 da Lei nº 11.343/06) é de
perigo presumido ou abstrato e a pequena quantidade
de droga faz parte da própria essência do delito em
questão, não lhe sendo aplicável o princípio da
insignificância

CRIMES PRATICADOS POR PREFEITOS


STJ: NÃO. STF: SIM.

Possui precedentes afirmando que não é possível a Possui julgados entendendo ser possível.
aplicação do princípio da insignificância a prefeito, em
razão mesmo da própria condição que ostenta,
devendo pautar sua conduta, à frente da
municipalidade, pela ética e pela moral, não havendo
espaço para quaisquer desvios de conduta.

PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE
Possui três consequências materiais:
a) Não há responsabilidade penal objetiva;
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b) A responsabilidade penal é pelo fato praticado e não pelo autor;


c) A culpabilidade é a medida da pena.

PRINCÍPIO DA EXCLUSIVA PROTEÇÃO DE BENS JURÍDICOS


O Direito Penal possui como função a proteção de bens jurídicos mais relevantes para a sociedade. Assim,
o Estado não pode utilizar o Direito Penal para tutelar a moral, a religião, os valores ideológicos etc., sob pena de
prevalecer a intolerância.

PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE
O princípio da proporcionalidade adveio do direito alemão. É chamado de razoabilidade (direito italiano)
ou de convivência das liberdades públicas (direito norte-americano). É desdobramento lógico do Princípio da
Individualização da Pena. Em síntese, o que a proporcionalidade impõe é que a pena seja proporcional à
gravidade da infração penal.
Não é possível analisar esse princípio sob uma única ótica. Há dois aspectos fundamentais. Vamos
conferir?!
 Garantismo negativo: proibição contra os excessos do Estado. Não se pode punir mais do que o
necessário para a proteção de um bem jurídico.
 Garantismo positivo: proibição da proteção insuficiente do bem jurídico.

PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE OU INSTRANSCENDÊNCIA DA PENA


A pena deve ser aplicada somente ao autor do fato e não a terceiros.
#SELIGANALETRADALEI:
CF, art. 5, XLV - Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dono
e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas,
até o limite do valor do patrimônio transferido.

CONFLITO APARENTE DE NORMAS


Como solucionar? Por meio da aplicação dos seguintes princípios: (mnemônico: S.E.C.A).
1) Subsidiariedade: o crime tipificado pela lei subsidiária, além de menos grave do que o narrado pela lei
primária, dele também difere quanto à forma de execução, já que corresponde a uma parte deste. Em outras
palavras, a figura subsidiária está inserida na principal. No princípio da subsidiariedade a comparação sempre
deve ser efetuada no caso concreto, buscando-se a aplicação da lei mais grave. A subsidiariedade pode ser tanto
expressa (por exemplo, disparo de arma de fogo), como tácita.
2) Especialidade: sua aferição se estabelece em abstrato, ou seja, para saber qual lei é geral e qual é
especial, prescinde-se da análise do fato praticado. Pouco importa também a quantidade de sanção penal

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reservada para as infrações penais. A comparação entre as leis não se faz da mais grave para a menos grave, pois
a lei específica pode narrar um ilícito penal mais rigoroso ou mais brando.
3) Consunção: Também é analisado no plano concreto. Difere-se da subsidiariedade em dois aspectos. Na
regra da subsidiariedade, em função do fato concreto praticado, comparam-se as leis para saber qual é a
aplicável. Por seu turno, na consunção, sem buscar auxílio nas leis, comparam-se os fatos, apurando-se que o
mais amplo, completo e grave consome os demais. O fato principal absorve o acessório, sobrando apenas a lei
que o disciplina. Por exemplo, na subsidiariedade, o constrangimento ilegal só pode ser praticado se houver a
ameaça. Um crime está obrigatoriamente dentro do outro, a ameaça é elemento do constrangimento ilegal. Por
outro lado, na consunção, tomemos como exemplo a lesão corporal e o homicídio. A lesão corporal não é um
elemento do homicídio. O homicídio pode ser praticado por outro modo que não a lesão corporal. Um crime não
está obrigatoriamente dentro do outro, comparam-se os fatos. Lei consuntiva é aquela que define o todo, o fato
mais amplo. Lei consumida define a parte, o fato menos amplo. A consunção é aplicada nos casos de crimes
progressivos, na progressão criminosa ou nos atos impuníveis.
#NÃOCONFUNDA:
a) Crime Progressivo: A intenção do agente é, desde o início, cometer o crime mais grave. Ex.: objetiva
cometer um homicídio. Contudo, para se chegar até o homicídio, ocorre primeiro a lesão corporal. Pela
consunção, a lesão corporal é absorvida pelo homicídio.
b) Progressão criminosa: Há uma mudança no ânimo do agente. Ex.: ele deseja inicialmente causar lesão
corporal. Contudo, durante a execução muda de intenção e acaba cometendo o homicídio. Pela consunção, a
lesão corporal é absorvida pelo homicídio.
4) Alternatividade: Segundo Masson, a alternatividade nada mais é do que a consunção que se
instrumentaliza no interior de um mesmo tipo penal entre condutas integrantes de leis de conteúdo variado. Em
síntese, nada mais é do que a consunção que resolve o conflito entre condutas previstas na mesma lei penal. Por
tal razão, o princípio da alternatividade não é tolerado pela doutrina dominante como válido para solução do
conflito aparente de leis penais (#NÃOCONFUNDIR com o princípio da alteridade, segundo o qual não se deve
punir condutas que prejudicam apenas o próprio agente. Ex.: autolesão.)

APLICAÇÃO DA LEI PENAL

TEMPO DO CRIME: Com relação ao tempo do crime, adota-se a teoria da atividade (considera-se
praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado). Em regra, os
fatos praticados na vigência de uma lei devem ser por ela regidos (tempus regit actum).
#EXCEÇÃO! #SELIGA! Como exceção à regra, é prevista a extratividade da lei penal mais benéfica (CF, art.
5º, XL, e CP, art. 2°), possibilitando a sua retroatividade (aplicação da lei penal a fato ocorrido antes de sua
vigência) ou a ultratividade (aplicação da lei após a sua revogação, mas a fato ocorrido durante a sua vigência). Ou
seja, extratividade é gênero.

#IMPORTANTE:
 Fixação da imputabilidade (tempo da conduta). Se um menor de 18 anos desfere facadas na vítima
que vem a falecer dias depois, ocasião em que já atingiu a maioridade, aplica-se o Estatuto da Criança e do

207
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Adolescente e não o Código Penal, tendo em vista que o ato infracional foi praticado na época em que era
inimputável (momento da conduta).
 Crime permanente e imputabilidade. Se uma pessoa menor de 18 anos inicia a prática de um crime
permanente (ex.: sequestro) e atinge a maioridade enquanto não cessada a permanência, aplica-se a legislação
penal, tendo em vista que passou a ser imputável durante a prática da conduta.
 Crime continuado e imputabilidade. Se alguém praticar dois atos infracionais da mesma espécie (ex.:
furto) e outros dois furtos já quando maior de 18 anos, as duas primeiras condutas não serão consideradas para
fim de reconhecimento de crime continuado.
 Prescrição. Cuidado! Em matéria de prescrição, o art. 111, I, do Código Penal preferiu a teoria do
resultado e não da atividade, uma vez que a causa extintiva da punibilidade tem por termo inicial a data da
consumação da infração penal.

#SELIGANOTERMO: LEX TERTIA: é a combinação de leis, criando uma terceira lei. É vedada (súmula 501
do STJ).
#ATENÇÃO: Na abolitio criminis ocorre a extinção da punibilidade. Se depois do trânsito em julgado da
condenação, cessam a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. Observe-se que não cessam os
efeitos extrapenais (ex.: arts. 91 e 92 do CP).

#OLHAOGANCHO.
 Princípio da continuidade normativo-típica ou da transmudação geográfica: Pode ocorrer a
revogação formal da lei sem que ocorra a abolitio criminis, em razão de inexistir a descontinuidade normativo-
típica. Como exemplo, pode ser citado o crime de atentado violento ao pudor (CP, art. 214), que passou a ser
considerado como estupro (CP, art. 213).
 Leis penais intermitentes: são as leis temporárias e excepcionais. Nos termos do art. 3° do CP, "a lei
excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a
determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência". Assim, o dispositivo permite que em relação a
essas leis seja aplicada a ultratividade gravosa, devido à sua finalidade.
 Lei penal intermediária: se caracteriza pela sua extratividade, pois são retroativas e ultra ativas.
LUGAR DO CRIME: Teoria da ubiquidade (considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação
ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado).
LEI PENAL NO ESPAÇO: a regra geral é a territorialidade, que consiste na aplicação da lei brasileira aos
crimes praticados no Brasil (art. 5º, CP). Excepcionalmente, adota-se a extraterritorialidade, na qual se aplica a lei
brasileira a crimes (não inclui contravenção penal) praticados no exterior. Saiba diferenciar a extraterritorialidade
incondicionada (art. 7º, I, CP), condicionada (art. 7º, II, CP) e hipercondicionada (art. 7º, §3º, CP).
INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL: é importante, antes de tudo, lembrar que a analogia não é forma de
interpretação, mas modo de integração da norma.

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Existe norma para o caso concreto. O significado que se busca é extraído do


próprio dispositivo levando-se em conta as expressões genéricas e abertas
INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA
utilizadas pelo legislador. Exemplo: Amplia-se o alcance na palavra “arma” – art.
157, §2° do CP.

INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA Existe norma para o caso concreto. O legislador previu uma fórmula genérica,
ou INTRA LEGEM permitindo ao juiz encontrar outras. Pode ser prejudicial ao réu.

Não existe norma para o caso concreto. Juiz aplica a lei prevista para outro caso
ANALOGIA (INTEGRAÇÃO)
quando há lacuna a ser preenchida. Não pode ser prejudicial ao réu.

#OLHAOGANCHO: A exposição de motivos do CP configura interpretação doutrinária e não autêntica!


LEI PENAL EM BRANCO (corpos errantes em busca da alma/norma cega/normas abertas): O preceito
primário, que descreve o tipo penal, está incompleto; já o preceito secundário, referente à pena cominada, está
completo. Vejamos cada tipo:
Homogênea: O complemento tem a mesma natureza jurídica e provém do mesmo órgão que elaborou a
lei penal incriminadora. Divide-se em:
 Homovitelina: quando a lei incriminadora e seu complemento (outra lei) encontram-se no mesmo
diploma legislativo, ou
 Heterovitelina: se estiverem alocadas em diplomas diversos.
Heterogênea: O complemento tem natureza jurídica diversa e emana de órgão distinto daquele que
elaborou a lei penal incriminadora. Lei de drogas, por exemplo.
#ATENÇÃO! Vejamos alguns desdobramentos da lei penal em branco:
 LEI PENAL EM BRANCO AO REVÉS, INVERSA OU AO AVESSO: O preceito primário é completo, mas o
secundário reclama complementação. Nesse caso, O COMPLEMENTO DEVE SER OBRIGATORIAMENTE UMA LEI,
SOB PENA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. Genocídio, por exemplo.
 LEI PENAL EM BRANCO DE FUNDO CONSTITUCIONAL: O complemento do preceito primário constitui-
se em norma constitucional. É o que se verifica no crime de abandono intelectual, definido no art. 246 do Código
Penal, pois o conceito de “instrução primária” encontra-se no art. 208, inc. I, da Constituição Federal.
 LEI PENAL EM BRANCO AO QUADRADO: é aquela cujo complemento também depende de
complementação. É o caso do art. 38 da Lei 9.605/98, que pune as condutas de destruir ou danificar floresta
considerada de preservação permanente. O conceito de floresta de preservação permanente é obtido no Código
Florestal.
 LEI PENAL EM BRANCO TEMPORÁRIA OU EXCEPCIONAL: o complemento da lei penal em branco pode
assumir duas faces distintas: normalidade e anormalidade.
 Normalidade: Por exemplo, se ao tempo em que a conduta foi praticada, a droga apreendida com o
agente era definida como ilícita e se após o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público, ou mesmo depois
de proferida a condenação, inclusive com trânsito em julgado, a Portaria é modificada, e de seu rol deixa de

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constar a substância com que estava o agente, deve operar-se a retroatividade, uma vez que não havia situação
de anormalidade.
 Anormalidade: Por outro lado, se no momento em que estava em vigor o complemento havia algo de
anormal, ou seja, tratava-se de situação que naquele momento – e não necessariamente no futuro – deveria ser
reprimida, a modificação do complemento não pode produzir efeitos aos casos anteriormente praticados, ou seja,
cometidos em período de anormalidade. Como exemplo, podemos recordar a famosa passagem de tabelamento
de preços de produtos e mercadorias em geral. O art. 2.º, VI, da Lei 1.521/1951 preceitua ser crime contra a
economia popular transgredir tabelas oficiais de gêneros e mercadorias.

DO CRIME

CONCEITO CLÁSSICO DE DELITO (POSITIVISMO JURÍDICO)


SISTEMA CLÁSSICO
FATO TÍPICO ILICITUDE CULPABILIDADE
 Conduta: movimento  Relação de contrariedade  Imputabilidade;
corporal voluntário; entre o fato e o direito;
 Dolo normativo ou culpa -
 Resultado naturalístico; inclui a consciência atual da
ilicitude;
 Relação de causalidade;
 Tipicidade;

#SELIGA: quem é clássico obrigatoriamente é tripartido, já que o dolo e a culpa compõem a culpabilidade
(evitar a responsabilidade penal objetiva). A culpabilidade segue a teoria psicológica, pois nada mais é do que o
vínculo psicológico estabelecido pelo dolo ou pela culpa entre o agente imputável e o fato típico e ilícito por ele
praticado.

CONCEITO NEOCLÁSSICO (NEOKANTISTA)


SISTEMA NEOCLÁSSICO/NEOKANTISMO:
FATO TÍPICO ILICITUDE CULPABILIDADE

 Conduta: teoria causalista;  Relação de contrariedade  Imputabilidade.


entre o fato e o direito.
 Resultado naturalístico;  Dolo/culpa – inclui a consciência
atual da ilicitude;
 Relação de causalidade;
 Exigibilidade de conduta diversa.
 Tipicidade.

#SELIGA: O conceito analítico de crime de delito não se alterou (fato típico, antijurídico e culpável), mas
cada uma dessas categorias passou a estampar conteúdo diferente (é típico o fato valorado negativamente pelo
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legislador, a antijuridicidade não é só formal, visto que é também material. E a culpabilidade não é só psicológica,
uma vez que é também normativa).

CONCEITO FINALISTA DE DELITO (WELZEL)


SISTEMA FINALISTA:
FATO TÍPICO ILICITUDE CULPABILIDADE
 Conduta: dolo e culpa (o dolo  Relação de contrariedade  Imputabilidade
é natural, pois não contém a entre o fato e o direito.
 Potencial consciência da ilicitude;
consciência da ilicitude);
 Exigibilidade de conduta diversa.
 Resultado naturalístico;
 Relação de causalidade;
 Tipicidade.

#SELIGA: Quem adota a teoria finalista pode ser bipartido ou tripartido. Para o finalismo, conduta é a
ação ou omissão humana, consciente e voluntária, dirigida a um fim. Agora, o dolo compõe conduta, sendo este
considerado natural. Na culpabilidade teremos a teoria normativa pura, sendo considerada “vazia”.
OBS: Teoria finalista dissidente = finalista bipartida.

TEORIAS FUNCIONALISTAS
FUNCIONALISMO: busca explicar as funções do direito penal e não apenas conceituar o crime em si.
 Funcionalismo MODERADO/TELEOLÓGICO/DUALISTA: de CLAUS ROXIN. A função do direito penal é
tutelar os bens jurídicos mais importantes. Verifica a necessidade de pena (delitos de bagatela). Intervenção
mínima e ofensividade. Prevenção especial e geral positiva. Importância da política criminal. Noção de
responsabilidade penal.
 Funcionalismo RADICAL/SISTÊMICO/MONISTA: de GUNTHER JAKOBS. Função do direito penal é
tutelar as normas em vigor. A conduta é um comportamento violador do sistema (baseado nas teorias do sistema
de Niklas Luhmman). Baseado nas premissas do “contrato social” de Rousseau/Hobbes/Locke. A quebra do pacto
social gera adoção de medidas extremas.
Obra “Direito penal do inimigo” (2003): redução das garantias e celeridade do processo, tipos penais
abertos, penas altas e desproporcionais, punição pelo que é e não pelo que fez, relacionado à 3ª velocidade do
direito penal, periculosidade do indivíduo (direito penal prospectivo). É destinado àquele que frustra de modo
continuo as mínimas expectativas normativas.
 Funcionalismo REDUTOR OU CONTECIONISTA (Zaffaroni): menos estado de polícia x mais estado de
direito. Reduzir a atuação do legislador punitivo;
 Funcionalismo do CONTROLE SOCIAL (Winfried Hassamer): defende um direito penal mínimo.
Condutas violadoras de bem difusos não devem ser objeto do direito penal, mas do que ele chama de um direito
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de intervenção (novo ramos do direito) que se encontra entre o direito penal e o direito administrativo. Defende
a adoção de garantias processuais e criação de política criminal.

TEORIAS DA CONDUTA

TEORIA CAUSALISTA, Conduta é mera enervação muscular, sem finalidade, constituindo um


NATURALISTA CLÁSSICA (LISZT E movimento corporal (ação) voluntário que produz uma modificação no
BELING) mundo exterior perceptível pelos sentidos.
Mezger identificou, em 1915, alguns tipos penais que exigiam
expressamente a finalidade do agente, quebrando o dogma de que a
TEORIA NEOCLÁSSICA,
vontade e a finalidade situam-se na culpabilidade. Conduta é um movimento
NEOKANTISTA, CAUSAL-
corporal (ação ou omissão) voluntário que produz uma modificação no
VALORATIVA (MEZGER, FRANK
mundo exterior perceptível pelos sentidos. O dolo e a culpa permanecem na
ETC.)
culpabilidade, mas o fato típico passa a ter elementos valorativos. É típico o
fato negativamente valorado pelo legislador.

Conduta é um comportamento humano voluntário psiquicamente dirigido a


TEORIA FINALISTA um determinado fim. Por essa teoria, o dolo e a causa compõem o elemento
“conduta”.

TEORIA CIBERNÉTICA DA AÇÃO Foi criada para explicar o elemento vontade nos crimes culposos. Afirmava
(WELZEL) Welzel que a vontade estava no resultado e não na conduta.
TEORIA SIGNIFICATIVA DA AÇÃO Valoriza o significado da ação em um contexto social em detrimento da
(VIVÉS ANTON) vontade do agente.
A ação ou omissão voluntaria e consciente capaz de evidenciar uma
TEORIA DA MANIFESTAÇÃO DA
autêntica manifestação da personalidade, ou seja, explicitar a esfera
PERSONALIDADE OU
anímico-espiritual do ser humano (cf. Roxin, Derecho penal – Parte general,
PERSONALISTA DA AÇÃO (ROXIN)
1. 1, p. 265).
TEORIA DA EVITABILIDADE É a ação voluntaria e consciente capaz de evitar um resultado, desde que lhe
INDIVIDUAL (JAKOBS) seja juridicamente exigível.
TEORIA SOCIAL DA AÇÃO Conduta é um comportamento humano voluntário dirigido a um fim
(WESSELS) socialmente reprovável.

#OLHAOGANCHO: Causas de Exclusão da Conduta:


1. Caso fortuito (homem) ou força maior (natureza).
2. Atos ou movimentos reflexos. Não se confundem com as ações em curto circuito as quais, por sua
vez, são explosões emocionais repentinas (há conduta e crime, em regra).
3. Coação Física Irresistível (por outro lado, se for resistível, é atenuante).
4. Sonambulismo e Hipnose.

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Não há crime sem conduta, pois o Direito Penal do fato não aceita os crimes de mera suspeita, isto é,
aqueles em que o agente não é punido por sua conduta, mas sim pela suspeita despertada pelo seu modo de agir.

TEORIAS DO NEXO DE CAUSALIDADE


EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES (“conditio sine qua non” ou processo hipotético de eliminação):
causa é todo e qualquer acontecimento provocado pelo agente, sem o qual o resultado não teria ocorrido como e
quando ocorreu. É a regra geral do art. 13, caput, CP.
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa.
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984).

CAUSALIDADE ADEQUADA: causa é todo e qualquer comportamento humano eficaz para produzir o
resultado. Vale-se de um juízo estatístico. Identificada pelas regras da experiência. Acolhida pelo CP no caso de
concausa relativamente independente que, por si só, poderia causar o resultado. Aplica-se o art. 13, §1º, do CP.
Superveniência de causa independente (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só,
produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou. (Incluído pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984).
TEORIA DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA: insere elementos normativos na causalidade, limitando a imputação
de uma conduta criminosa. Pela teoria da equivalência dos antecedentes, analisando-se apenas a causalidade
objetiva, pode ocorrer o regresso ao infinito. Portanto, faz-se necessário também analisar a causalidade psíquica
(dolo e culpa). Com a imputação objetiva, além da causalidade objetiva, analisa-se a causalidade normativa para
atribuir a prática criminosa a alguém. Deve-se imputar o delito àquele que cria (ou aumenta) um risco
juridicamente proibido, desde que o resultado produzido esteja dentro do alcance do tipo penal. Sendo assim,
não havendo causalidade normativa, prescinde-se da análise de dolo e culpa.
#ATENÇÃO! Causas de exclusão do nexo causal na imputação objetiva:
a) Da existência do Risco:
 Risco juridicamente irrelevante (ação não gera uma possibilidade real de dano de acordo com a
prognose póstuma)
 Diminuição do risco (quem convence ladrão a furtar 100 em vez de 1000).
b) Do risco proibido:
 Risco permitido (princípio da confiança).
 Comportamento exclusivo da vítima.
 Contribuições socialmente neutras (padeiro vende pão ao autor sabendo que este o usará para
envenenar alguém).
 Comportamentos socialmente adequados.
 Proibição do Regresso (esquece a arma que, por sua vez, é encontrada por alguém e utilizada
posteriormente em um crime de homicídio).

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c) Do risco Realizado no Resultado:


 Lesão ou curso causal sem relação com o risco proibido.
 Danos tardios.
 Ações perigosas de salvamento.
 Comportamento indevido posterior de um terceiro (vítima de lesões que, necessitando de uma
cirurgia, vem a falecer em razão de erro médico grosseiro).

ESTUDO DAS CONCAUSAS RELATIVAMENTE INDEPENDENTES

Ex: Vítima portadora de hemofilia/diabetes. Não há rompimento do nexo de causalidade e


o agente responde pelo resultado causado. Aplica-se o art. 13, caput, do CP:
PREEXISTENTE Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem
lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria
ocorrido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984).

Ex: Vítima, apesar de não ter sido atingida, fica assustada e tem um colapso cardíaco. Ou,
então, a vítima se atira na rua e é atropelada. Não há rompimento do nexo de causalidade
CONCOMITANTE e o agente responde pelo resultado causado. Aplica-se o art. 13, caput, do CP.

 Que NÃO por si só produz o resultado:


Ex: Morte por infecção hospitalar, erro médico ou omissão de socorro. Não há
rompimento do nexo de causalidade e o agente responde pelo resultado causado. Aplica-
se o art. 13, caput, do CP.
SUPERVENIENTE
 Que por si só produz o resultado:
Ex: Morte por conta de um incêndio no hospital ou por acidente de ambulância no trajeto
ao hospital. HÁ ROMPIMENTO DO NEXO DE CAUSALIDADE e o agente responde pelo seu
dolo (apenas os atos praticados) e não pelo resultado. Aplica-se o art. 13, §1º, do CP
(CAUSALIDADE ADEQUADA).

#ATENÇÃOCICLEIRO! Não confundir a relativamente independente superveniente que por si só produz o


resultado com a absolutamente independente. A absolutamente independente causa sozinha o resultado. A
relativamente independente se soma à conduta do autor, mas tinha força para produzir sozinha, não sendo
desdobramento causal da conduta praticada pelo autor. Nos exemplos acima mencionados, conclui-se que
qualquer pessoa que estivesse na área da enfermaria do hospital ou no interior da ambulância, poderia morrer
em razão do acontecimento inesperado e imprevisível, não somente a pessoa ferida pela conduta praticada pelo
agente.

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TEORIAS DO RESULTADO

Resultado naturalístico é a modificação provocada no mundo exterior pela


NATURALÍSTICA
conduta.

Resultado jurídico é toda lesão ou ameaça de lesão a um interesse


JURÍDICA OU NORMATIVA penalmente relevante. Todo crime tem resultado jurídico porque sempre
agride um bem jurídico tutelado.

TEORIAS DA TIPICIDADE

Não há ligação do fato típico com a ilicitude e com a culpabilidade. O tipo


descreve apenas o acontecimento objetivo, sem qualquer valoração. TIPO
INDEPENDÊNCIA (BELING)
AVALORADO, ACROMÁTICO – tipo sem juízo de valor, independente da
ilicitude.

Ocorrendo o fato típico, há um indício de ilicitude, que poderá ser afastada se


ocorrer alguma de suas excludentes (legítima defesa, estado de necessidade
CARÁTER INDICIÁRIO/"RATIO
etc.). É a concepção adotada pelo nosso Código Penal. Introdução de
COGNOSCENDI" (MAYER)
elementos valorativos no tipo. Causa inversão do ônus da prova quanto às
causas de excludente da ilicitude.

ESSÊNCIA/"RATIO
Todas as condutas típicas são ilícitas. Tipicidade e ilicitude não são institutos
ESSENDI"/IDENTIDADE
distintos. Tipo penal é transformado em tipo injusto.
(MEZGER)

Tipo total do injusto - partindo da mesma premissa da teoria da "ratio


essendi"', todas as condutas típicas são ilícitas. No entanto, para essa teoria,
TEORIA DOS ELEMENTOS
as causas de exclusão da ilicitude integram a tipicidade. Assim, para um fato
NEGATIVOS DO TIPO (ILICITUDE
ser típico, não deve estar presente nenhuma causa de exclusão da ilicitude.
SEM AUTONOMIA)
Ex.: se o agente mata alguém em legítima defesa não haveria sequer a
tipicidade. Crime é tipo total do injusto + culpabilidade.

TEORIA DA TIPICIDADE
Tipicidade legal + antinormatividade.
CONGLOBANTE (ZAFFARONI)

#SELIGANOSTERMOS:

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 Tipo normal x Tipo anormal. O tipo normal é constituído apenas por elementos de ordem objetiva. O
tipo anormal, por sua vez, é constituído por elementos subjetivos e/ou normativos.
 Tipo penal incompleto: o instituto da tentativa também é conhecido como crime imperfeito,
conatus, tipo manco, truncado, carente ou imperfeito.
 Tipo incongruente: os tipos penais que descrevem crimes formais são chamados de incongruentes,
uma vez que neles há um descompasso entre a finalidade pretendida pelo agente (quer receber o resgate) e a
exigência típica (o tipo se contenta com a mera realização do sequestro com essa finalidade).

TEORIAS ACERCA DO CONCEITO DE DOLO

Dolo é a vontade de realizar a conduta e produzir o resultado. Adotada pelo CP


DA VONTADE:
em relação ao dolo direto.

Dolo é a vontade de realizar a conduta, prevendo a possibilidade de o resultado


ocorrer, sem, contudo, desejá-lo. Denomina-se teoria da representação, porque
DA REPRESENTAÇÃO:
basta ao agente representar (prever) a possibilidade de o resultado para a
conduta ser qualificada como dolosa (NÃO FOI ADOTADA PELO CP).

Dolo é o assentimento do resultado, isto é, a previsão do resultado com a


DO ASSENTIMENTO OU aceitação dos riscos de produzi-lo. Não basta, portanto, representar; é preciso
CONSENTIMENTO: aceitar como indiferente a produção do resultado. Foi adotada pelo CP em
relação ao dolo eventual.

TEORIAS SOBRE O DOLO NORMATIVO

EXTREMADA Tinha como elemento a REAL consciência da ilicitude.

Tinha com elemento a POTENCIAL consciência da ilicitude. (#ATENÇÃO! Não


LIMITADA
confundir com teoria extremada e limitada da culpabilidade).

TEORIAS SOBRE A TENTATIVA

Não diferencia o crime tentado do consumado, já que leva em conta a intenção


SUBJETIVA, VOLUNTARISTA
do agente. Adotada como exceção nos crimes de atentado ou de
OU MONISTA
empreendimento.
SINTOMÁTICA Concentra-se na análise da periculosidade. Não se aplica (direito penal do autor).

OBJETIVA, REALÍSTICA OU Diferencia a tentativa do crime consumado. Em regra, é a adotada no Brasil. Na


DUALISTA. teoria objetiva, a tentativa possui pena reduzida!

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SUBJETIVO-OBJETIVA O fundamento da punição é representado pela junção da avaliação da vontade


(TEORIA DA IMPRESSÃO) criminosa com um princípio de risco ao bem jurídico protegido.

#SELIGANOSTERMOS:
 Crime falho: é a tentativa perfeita (expressão costuma cair em prova!).
 Tentativa inidônea: é o crime impossível.
 Tentativa fracassada: quando o agente desiste de prosseguir na execução, não porque
voluntariamente quer que a consumação não ocorra, mas por supor que não conseguirá a consumação com os
meios que têm a sua disposição.
 Tentativa abandonada ou qualificada: consiste na desistência voluntaria e arrependimento eficaz.

#VAICAIR: NÃO CABE TENTATIVA NOS CRIMES (CHOUP REI): Culposos, Habituais, Omissivos próprios
(lembrando que nos impróprios cabe), Unissubsistentes, Preterdolosos, de Resultado condicionado,
Empreendimento (aqui o legislador pune com a mesma pena o crime consumado e tentado), Impossível. Nas
contravenções, apesar de faticamente ser possível tentativa, ela não é punida.
OBS: NA CULPA IMPRÓPRIA ADMITE-SE TENTATIVA (CAI MUITO).

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ


Chamados também de ponte de ouro, tentativa abandonada, tentativa qualificada. O arrependimento
eficaz é chamado ainda de resipiscência. Prevalece que são causas de exclusão da tipicidade (apesar de haver
corrente alegando ser causa de extinção da punibilidade).
Não se admite desistência voluntária nos crimes unissubsistentes.
Não se admite arrependimento eficaz nos crimes de mera conduta nem nos formais.
REQUISITOS:
a) início de execução;
b) não-consumação;
c) voluntariedade (agir ou deixar de agir sem coação física ou moral).
 Não precisa ser espontânea, pode ser por conselho de terceiro p.ex.
 Sanches diz que os elementos externos que podem influenciar o agente são os subjetivos. Se
objetivos, como a sirene da polícia ou um alarme, configurará tentativa.

ARREPENDIMENTO POSTERIOR
Também chamado PONTE DE PRATA. Prevalece tratar-se de uma circunstância objetiva comunicável.
Quanto mais rápida for a reparação do dano (sempre antes do recebimento da denúncia), maior será a redução
da pena.
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OBS: Se depois do recebimento e antes do julgamento, configura atenuante.

TEORIAS SOBRE A PASSAGEM DOS ATOS PREPARATÓRIOS PARA OS ATOS EXECUTÓRIOS

Não existe tal passagem, pois o importante é a vontade criminosa, que está presente,
SUBJETIVA de maneira nítida, tanto na preparação quanto na execução do crime. Ambas trazem
punição ao agente.
O início da execução é, invariavelmente, constituído de atos que principiem a
OBJETIVO-FORMAL
concretização do tipo penal. Inicia-se a execução do verbo núcleo. É a que prevalece.
TEORIA DA Sustenta ser ato executório aquele que ataca o bem jurídico, retirando-o do “estado de
HOSTILIDADE AO BEM paz”. É a teoria adotada por Mayer e seguida por Hungria. É a teoria que sustenta
JURÍDICO serem atos executórios apenas os idôneos e unívocos para atingir o resultado típico.
Afirma que atos executórios não são apenas os que realizam o núcleo do tipo ou
TEORIA OBJETIVO- atacam o bem jurídico, mas também aqueles imediatamente anteriores ao início da
MATERIAL ação típica, valendo-se o juiz do critério do terceiro observador, para ter certeza da
punição.
TEORIA OBJETIVO- Defende que os atos executórios não são apenas os que dão início à ação típica,
INDIVIDUAL (OU DO atacando o bem jurídico; mas também os praticados imediatamente antes, desde que
PLANO DO AUTOR) se tenha prova do plano concreto do autor. Adotada em alguns julgados.

TEORIAS SOBRE O CRIME IMPOSSÍVEL

Analisa a intenção para restar configurada a tentativa. Equipara o crime impossível ao


SUBJETIVA:
crime tentado.
A tentativa é aferida com base na periculosidade do agente. Seria direito penal do
SINTOMÁTICA:
autor.
É necessário que o bem jurídico tenha sido posto em risco. A teoria objetiva subdivide-
se em:
a) Teoria objetiva pura: a ausência, absoluta ou relativa, de risco ao bem jurídico
OBJETIVA: impede a punição;
b) Teoria objetiva temperada ou intermediária: a inidoneidade relativa configura crime
tentado, enquanto que a absoluta configura o crime impossível. É a teoria adotada no
Brasil.

TEORIA DO ERRO
#DICADOCOACH: Para saber se um erro é essencial ou acidental, recomendo o seguinte raciocínio: se o
agente fosse avisado sobre aquele erro, ele agiria ilicitamente mesmo assim? Se sim, o erro é acidental. Por
exemplo, se você avisar ao agente que ele irá atirar, por erro, no irmão gêmeo do seu desafeto, ele corrigirá o
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erro e atirará no alvo correto (agiria ilicitamente da mesma forma). Por outro lado, se não, o erro é essencial. Por
exemplo, se você avisar ao agente que ele, com a chave do seu próprio carro, está, por erro, subtraindo o carro
de outrem, ele corrigirá e irá para o seu carro, não cometendo ilícito.
ABERRATIO ICTUS: erro acidental na execução. Art. 73, CP. Exemplo: Concorrente do sicrano decide
matar seu pai, para isso compra uma arma e espera este passar. Quando o vê, mira seu genitor, porém, por falta
de habilidade no manuseio do referido instrumento, acaba atirando em outra direção, atingindo outra pessoa que
passava na rua. O agente, apesar do erro, atinge o mesmo bem jurídico pretendido.
Erro na execução
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a
pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela,
atendendo-se ao disposto no §3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente
pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984).
ERRO NA EXECUÇÃO COM UNIDADE COMPLEXA, COM RESULTADO DUPLO: é a situação descrita pelo
art. 73, in fine, do Código Penal, na qual o sujeito, além de atingir a pessoa inicialmente desejada, ofende também
pessoa ou pessoas diversas.
ABERRATIO CRIMINIS: resultado diverso do pretendido. Art. 74, CP.
Resultado diverso do pretendido
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime, sobrevém
resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como crime culposo; se ocorre
também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984).
Exemplo: sicrano joga uma pedra na vidraça de seu rival, mas acaba atingindo pedestre que passava
naquele momento. O agente, em razão do erro, acaba por atingir bem jurídico diverso. O agente responde por
culpa, se o fato é previsto como crime culposo. Assim, será imputado apenas o crime de lesão corporal culposa.
#ATENÇÃO: se o resultado previsto como crime culposo for menos grave ou se o crime não tiver
modalidade culposa, deve-se desprezar a regra delineada no art. 74 do Código Penal. Exemplificativamente, se
“A” efetua disparos de arma de fogo contra “B” para matá-lo, mas não o acerta e quebra uma vidraça, a
sistemática do resultado diverso do pretendido implicaria a absorção da tentativa branca ou incruenta de
homicídio pelo dano culposo. Como o dano não admite a modalidade culposa, a conduta seria atípica. E, ainda
que o legislador tivesse incriminado o dano culposo, tal delito não seria capaz de absorver o homicídio tentado.
Deve ser imputado ao agente, pois, o crime de tentativa de homicídio doloso.
ABERRATIO CAUSAE: erro sobre o nexo causal.
a) Erro sobre nexo causal em sentido estrito: mediante um só ato o agente provoca o resultado
pretendido, porém com nexo diferente. Exemplo: Concorrente do Sicrano atira Fulano de um penhasco, para que
este morra afogado, porém, durante a queda, Fulano tem a cabeça explodida por uma rocha e morre
instantaneamente.
b) Dolo geral, aberratio causae ou erro sucessivo: através da pluralidade de atos, o agente provoca o
resultado pretendido, também com nexo diferente. Exemplo: Concorrente do sicrano atira em Fulano, e supondo
que este já estava morto, resolve jogá-lo em um rio, causando a sua morte por afogamento.
ERRO DE TIPO ESSENCIAL ERRO DE PROIBIÇÃO

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O agente não sabe o que faz. O agente sabe o que faz, mas pensa que sua conduta é
lícita, quando, na verdade, é proibida.
Falta consciência sobre algum elemento objetivo do Falta consciência sobre a ilicitude.
tipo.
Exclui o DOLO e, consequentemente, o fato típico, se Exclui a potencial consciência da ilicitude e,
inevitável, escusável (desculpável). consequentemente, a CULPABILIDADE, se INEVITÁVEL
ou ESCUSÁVEL.
Se poderia ser evitado: responde por culpa, caso haja
previsão da forma culposa do delito. Diminui a pena, se EVITÁVEL ou INESCUSÁVEL.

ANTIJURIDICADE (ILICITUDE)

CAUSAS LEGAIS DE Estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal e
EXCLUSÃO DA ILICITUDE: exercício regular do direito.

Consentimento do ofendido, quando envolver bem jurídico disponível e este tiver


CAUSAS SUPRALEGAIS DE
capacidade para consentir. Exemplo: tatuador que pratica lesões corporais em
EXCLUSÃO DA ILICITUDE:
razão do seu trabalho não pratica crime.

#CUIDADO: o consentimento do ofendido também pode atuar como excludente de tipicidade, quando
envolve bem jurídico indisponível e houver necessidade de dissenso da vítima para configurar o tipo penal.
Exemplo: estupro.

#OBSERVAÇÕES:
 O ato de se defender de agressão de animal configura estado de necessidade e não legítima defesa,
salvo quando o animal é utilizado como instrumento de agressão humana.
 Ao contrário do estado de necessidade, não se exige na legítima defesa que a conduta lesiva
(repulsa) seja inevitável, bastando que exista uma agressão humana Injusta, atual ou iminente, para que legitime
a repulsa. Ou seja, o agredido não é obrigado, em regra, a se acovardar. Não exige commodus discessus.
 Se o agente, na legítima defesa, por erro na execução, atinge também pessoa diversa da agressora,
não se descaracteriza a legítima defesa. Entretanto, poderá o agente responder pela indenização do dano no juízo
cível.
 Legítima defesa SUCESSIVA: é a reação do agressor contra a repulsa excessiva da vítima. Ou seja, o
inicial agressor passa a ser o agredido em razão do excesso de legítima defesa. Justificando a sua reação, uma vez
que o excesso constitui uma agressão.
 Legítima defesa SUBJETIVA: é o excesso na repulsa de uma agressão decorrente de erro de
apreciação da situação fática (art. 20, §1°, 1ª parte). Logo depois de cessada a agressão que justificou a reação
(houve a legítima defesa real até um dado momento), o agente, por erro plenamente justificável, supõe persistir a
agressão inicial, e, por isso, acaba excedendo-se em sua reação.
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 Não pode haver legítima defesa real contra legítima defesa real.
 É possível legítima defesa real contra legítima defesa putativa.
 Poderá haver legítimas defesas putativas recíprocas.
 Não é possível legítima defesa contra estado de necessidade, pois quem age em estado de
necessidade não pratica agressão injusta (ilícita).
 Admite-se legítima defesa contra quem age amparado por excludente da culpabilidade. Isto porque,
nestas hipóteses, mesmo não havendo a culpabilidade, ocorre um fato típico e ilícito (injusto penal).

EXCESSO
 Derivado da perturbação de ânimo, medo ou susto. O agente não responde pelo
EXCULPANTE: excesso, apesar de o fato ser típico e ilícito, em virtude da inexigibilidade de conduta
diversa (causa supralegal).

EXTENSIVO:  Ocorre depois de cessada a agressão.

 Ocorre enquanto persiste a agressão. Diante de uma agressão humana, injusta,


atual ou iminente (pressupostos da causa de justificação), o agredido reage na defesa de
INTENSIVO:
um direito, mas deixa de utilizar, desde o início, o meio necessário, ou, utilizando o meio
adequado, não age desde o início de forma moderada.

TEORIAS SOBRE A CULPABILIDADE


TEORIA PSICOLÓGICA DA CULPABILIDADE: Base positivista e concebida a partir do sistema causal-
naturalista de Liszt e Beling. A ação é um movimento corporal voluntário que causa alteração no mundo exterior.
A culpabilidade é o vínculo psicológico entre autor do fato e um resultado típico e ilícito, ou seja, uma mera
imputação (cunho subjetivo: análise do dolo e culpa). É formada pela imputabilidade e dolo normativo/culpa. A
tipicidade e a antijuridicidade (injusto penal) denotam a dimensão objetiva do conceito de crime.
#SELIGANOSINÔNIMO: Dolo normativo é também chamado de dolo colorido, aquele que engloba a
consciência da ilicitude.
TEORIA PSICOLÓGICO-NORMATIVA DA CULPABILIDADE: Base neokantista e fundamentada na doutrina
causal-valorativa de Frank e Mezger. A ação é concebida de forma social, valorativa e genérica, como um
comportamento humano provocador de um resultado socialmente relevante. A culpabilidade é vista como um
juízo de valor que necessita de uma avaliação simultânea do vínculo psicológico do autor (dolo ou culpa) e da
reprovação social, o que a torna psicológico-normativa. O novo elemento da culpabilidade é de natureza
normativa (exigibilidade de conduta diversa). É formada pela imputabilidade, dolo normativo/culpa E
INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA.
TEORIA NORMATIVA PURA DA CULPABILIDADE: Doutrina finalista de Welzel. A ação como um
movimento humano dirigido a uma determinada finalidade. Elementos volitivos são analisados na tipicidade (dolo

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e culpa), o que impede uma conduta típica sem sua configuração. O dolo deixa de ser normativo e passa a ser
natural. A culpabilidade deixa de analisar elementos subjetivos, tornando-se exclusivamente normativa, formada
pela inimputabilidade, inexigibilidade de conduta diversa e potencial consciência de ilicitude. É o exercício
inadequado do livre-arbítrio. Foi a teoria adotada pelo CP. A teoria normativa pura da culpabilidade divide-se em:
 Teoria normativa extremada: para essa vertente, todas as discriminantes putativas configuram erro
de proibição indireto. Chamada também de TEORIA UNITÁRIA DO ERRO.
 Teoria normativa limitada: O erro sobre as hipóteses e os limites das discriminantes putativas
configuram erro de proibição indireto, ao passo que o erro relacionado aos pressupostos fáticos que autorizam a
discriminante putativa, caracteriza-se como erro de tipo indireto ou permissivo.
#OLHAOGANCHO. EXCLUDENTES DA POTENCIAL CONSCIÊNCIA DE ILICITUDE: o erro de proibição
inevitável, escusável ou invencível (art. 21, caput, CP). Isenta o agente de pena.
Analisa-se pela valoração paralela na esfera do profano. O que deve ser avaliado é se o agente possuía o
conhecimento do profano, diga-se, do homem leigo na sociedade (sua compreensão).

#DICADOCOACH: Existe uma regra que irá ajudar no estudo de toda a teoria do crime. O estudo do crime
se divide em três grandes grupos: fato típico, ilicitude e culpabilidade. O fato é típico e ilícito. O agente é culpável.
Em outras palavras, a tipicidade e a ilicitude pertencem ao fato, e a culpabilidade, ao agente. Logo, sempre que
estudarmos o fato típico e a ilicitude, levaremos em conta a figura do homem médio, um paradigma utilizado
para análise do caso concreto (PREVISIBILIDADE OBJETIVA). Por outro lado, quando se estuda a culpabilidade,
leva-se em conta o perfil subjetivo do agente, a sua compreensão (PREVISIBILIDADE SUBJETIVA).

#MAISGANCHOS.
HIPÓTESES DE INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA: coação moral irresistível (lembrem-se que a
coação física exclui a conduta em si, não havendo crime) e obediência hierárquica (ordem não manifestamente
ilegal). Em ambos, a consequência é a isenção de pena, por ausência de culpabilidade.
#ATENÇÃO! Causas supralegais de inexigibilidade de conduta diversa: cláusula de consciência (caso das
testemunhas de Jeová - não pode ser garante, senão praticará crime: será chamado autor por convicção),
desobediência civil, conflito de deveres, excesso intensivo exculpante, legítima defesa preordenada diante de
uma ameaça factível (também chamada de legítima defesa potencial, mas na verdade não é legítima defesa, pois
a agressão é futura), estado de necessidade exculpante (não é adotado no ordenamento pátrio).

INIMPUTABILIDADE
É um dos elementos da culpabilidade, juntamente com a inexigibilidade de conduta diversa e a potencial
consciência de ilicitude.
CRITÉRIOS:
a) biológico (menoridade);
b) psicológico;
c) biopsicológico (adotado no art. 26, CP).

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INIMPUTÁVEIS: recebem uma sentença absolutória imprópria para cumprir medida de segurança.
ESPÉCIES DE MEDIDA DE SEGURANÇA:
a) Internação (penas de reclusão);
b) Tratamento ambulatorial (penas de detenção).
DURAÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA: Prazo mínimo de 1 a 3 anos. Em relação ao prazo máximo, há
divergência entre os tribunais:
Súmula 527 do STJ - O tempo de duração da medida de segurança não deve ultrapassar o limite máximo
da pena abstratamente cominada ao delito praticado.
STF: prazo máximo de 30 anos.
SEMI-IMPUTÁVEIS: Adota-se o sistema vicariante ou unitário (ou aplica uma pena reduzida ou uma
medida de segurança, nunca os dois). Contrapõe-se ao sistema do duplo binário.
EXCLUDENTES DA CULPABILIDADE: Doença mental ou desenvolvimento mental incompleto/retardado,
menoridade, embriaguez completa e acidental.
TEORIA DA ACTIO LIBERA IN CAUSA: Para evitar a responsabilidade objetiva, o agente só responderá pelo
crime praticado durante o estado de embriaguez completa se, no momento da ingestão da substância (estado
anterior de capacidade de culpabilidade), era esse crime:
a) previsto e perseguido pelo agente (dolo direto);
b) previsto e o agente tenha assumido o risco de produzi-lo (dolo eventual);
c) previsto, mas o agente esperava levianamente que não iria ocorrer ou que poderia evitá-lo (culpa
consciente);
d) previsível (culpa inconsciente).
EMBRIAGUEZ CULPOSA: Não exclui a imputabilidade penal, diferentemente da embriaguez total fortuita
ou acidental.

DO CONCURSO DE AGENTES

Pluralidade de agentes culpáveis, pluralidade de condutas, relevância causal das


REQUISITOS:
condutas e vínculo subjetivo (não se confunde com o prévio ajuste).

Em regra, adota-se a teoria monista ou unitária (todos aqueles que agem em


TEORIA ADOTADA PELO concurso de agentes respondem pelo mesmo crime).
ORDENAMENTO:
Excepcionalmente, a teoria pluralista.

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Coautoria (dois ou mais autores), autoria imediata (é aquele que pratica o fato com
ESPÉCIES DE AUTORIA: as próprias mãos), autoria mediata (casos de provocação de erro em terceiro, coação
moral, utilização de outrem como instrumento impunível).

Observações:
 Crime próprio e autoria mediata: é possível autoria mediata em crimes próprios, desde que o autor
mediato possua as qualidades específicas exigidas no tipo.
 Crime de mão própria e autoria mediata: A doutrina inclina-se pela impossibilidade de autoria
mediata, sob o fundamento de que o autor mediato não reúne as qualidades ou condições exigidas pelo tipo
penal. Ex.: no crime de autoaborto (art. 124, 1ª parte) somente a gestante pode ser a executora, não podendo se
utilizar de terceiro (agente instrumento). Zaffaroni, para evitar a impunidade, criou nesse caso a figura do autor
por determinação.

#SELIGA #ATENÇÃO
 Autoria de escritório ou aparatos organizados de poder: o domínio do fato se dá por meio de
aparatos organizados de poder (organização verticalmente estruturada que rompeu com a ordem jurídica). O
agente se serve deste aparato para realizar o fato. Em razão da fungibilidade dos membros, o executor pode ser
substituído a qualquer momento por outro integrante da organização criminosa. Trata-se de uma hipótese
específica de autoria mediata.
 Autoria colateral: A autoria colateral ou paralela ocorre na hipótese em que duas (ou mais) pessoas,
desconhecendo a intenção uma da outra, praticam determinada conduta visando ao mesmo resultado, que
ocorre em razão do comportamento de apenas uma delas. Não há concurso de pessoas pela ausência do vínculo
subjetivo. Cada uma responde pela sua conduta (crimes autônomos).
 Autoria incerta ou autoria colateral incerta: Ocorre autoria incerta quando, na autoria colateral, não
se sabe qual dos autores causou o resultado. Exemplo: se no caso acima não se descobrisse quem efetivamente
foi o autor do disparo fatal, cada um dos atiradores responderia por homicídio tentado. Aplica-se, aqui, o
princípio in dubio pro reo.
 Autoria de reserva: Durante a execução do crime, o agente aguarda para ver se será preciso a sua
atuação. Poderá ser coautor (se atuar) ou partícipe, dependendo do caso.
 Autoria por convicção: O agente pratica o delito tendo consciência da ilicitude do fato, mas deixa de
observar a norma por convicção referente a questões de consciência, como no caso de crença religiosa.

TEORIAS DA AUTORIA
a) Teoria unitária: não diferencia autor de partícipe.
b) Teoria extensiva: não diferencia autor de partícipe, mas permite penas diferentes pelo grau de
atuação.

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c) Teoria subjetiva: deriva da extensiva, analisa o animus.


d) Teoria restritiva: diferencia autor de partícipe. A restritiva divide-se em:
- Objetiva-formal (autor é aquele que pratica o núcleo do tipo penal);
- Objetiva-material (autor é aquele que contribui de forma mais relevante para o crime);
- Teoria do domínio do fato (autor é quem executa o núcleo do tipo ou tem o controle final do fato. Só
se aplica aos crimes dolosos e não elimina a figura do partícipe).

#ATENÇÃO!
Teoria do domínio do fato: como vimos, diferencia autor de partícipe.
Na concepção de Roxin, o domínio do fato pode se dá de três formas:
a) Domínio da ação (AUTOR IMEDIATO): considera-se autor imediato aquele que possui domínio sobre a
própria ação. O autor realiza pessoalmente os elementos do tipo.
b) Domínio da vontade (AUTOR MEDIATO): também é autor aquele que domina a vontade de um terceiro
que é utilizado como instrumento. O domínio da vontade se dá mediante erro, coação ou por aparatos
organizados de poder. Trata-se de autoria mediata.
c) Domínio funcional do fato (AUTOR FUNCIONAL): em uma atuação conjunta (divisão de tarefas) para a
realização de um fato, é autor aquele que pratica um ato relevante na execução (não na fase preparatória) do
plano delitivo global.

#OLHAOJULGADO!
Info 880 do STF (2017). A teoria do domínio do fato não permite que a mera posição de um agente na
escala hierárquica sirva para demonstrar ou reforçar o dolo da conduta. Do mesmo modo, também não permite a
condenação de um agente com base em conjecturas. Assim, não é porque houve irregularidade em uma licitação
estadual que o Governador tenha que ser condenado criminalmente por isso. STF. 2ª Turma. AP 975/AL, Rel. Min.
Edson Fachin, julgado em 3/10/2017 (Info 880).

ESPÉCIES DE PARTICIPAÇÃO: participação moral (induzimento e instigação) e participação material


(auxílio/cumplicidade).
TEORIAS DA PARTICIPAÇÃO: teoria da acessoriedade mínima (basta que o autor pratique um fato típico
para que o partícipe seja punido); teoria da acessoriedade limitada ou média (exige que o autor pratique um fato
típico e antijurídico); teoria da acessoriedade extremada (é necessário que o autor pratique um fato típico,
antijurídico e culpável) e teoria da hiperacessoriedade (é necessário que o autor pratique um fato típico,
antijurídico, culpável e punível).
#SELIGA.
 Participação criminal mediante ações neutras. São as hipóteses de condutas que, em tese, se
amoldam ao tipo penal (teoria da equivalência dos antecedentes causais), mas que não são punidas por serem
consideradas normais da vida cotidiana. Entretanto, alguns casos passam a ser questionados pela doutrina,

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merecendo reflexão se necessitam ou não da intervenção penal. Exemplos: padeiro que vende pão a uma pessoa
que comenta que irá utilizá-lo para esconder veneno a ser fornecido para alguém.
 Participação de participação (participação em cadeia ou participação mediata). Ocorre quando o
agente induz ou instiga outrem a induzir ou instigar terceira pessoa.
 Participação sucessiva e "alias facturus". Ocorre a participação sucessiva quando o autor do crime é
induzido ou instigado por outras pessoas, sem que estas possuam vínculo subjetivo.
Exemplo (participação sucessiva): 'A' induz 'B' a matar 'C'. Após o induzimento, mas sem ainda ter
decidido, 'B' conversa com 'D' sobre a ideia, sendo que este o instiga a praticar o delito. 'B' será autor, 'A' e 'D'
partícipes. Houve uma participação sucessiva. Os dois partícipes responderão pelo crime praticado por 'B'.
Exemplo ('alias facturus'): 'A' induz 'B' a matar 'C'. Após o induzimento, e devidamente decidido, 'B'
encontra-se com 'D', oportunidade em que, sem saber da conduta anterior de 'K, tenta induzi-lo a matar 'C'.
Como 'B' já estava decidido, a conduta de 'D' foi absolutamente inócua, de sorte que não responderá pelo crime
(faltou o requisito relevância da conduta no resultado).
 Participação negativa (conivência). A pessoa não tem dever jurídico de agir para evitar o resultado,
e, assim, mesmo que possa, não está obrigada a agir.
 Participação em ação alheia. O agente concorre para o crime de outrem sem ter convergência de
vontade. Não há concurso de pessoas ante a ausência de um dos seus requisitos, qual seja, o liame subjetivo. Ex.:
o funcionário público que concorre culposamente para a prática de um peculato-furto praticado por outro
funcionário responderá por peculato culposo (art. 312, §2°), ao passo que o outro responderá por peculato-furto
(art. 312, §1°).

CRIME OMISSIVO CRIME CULPOSO CRIME DE MÃO PRÓPRIA

 Admite participação, mas


prevalece que não admite  Admite coautoria, mas  Admite participação, mas
coautoria. Cada omitente é não participação. não coautoria.
autor de seu crime omissivo.

DAS PENAS
TEORIAS DA PENA
I. ABSOLUTA OU RETRIBUTIVA, SEM UTILIDADE (Hegel e Kant): A imposição da pena é decorrência lógica
da delinquência, visando apenas o castigo do condenado: retribui‐se o mal causado com um mal proporcional.
Não há preocupação com a readaptação social do criminoso.
II. RELATIVA, PREVENTIVA, OU UTILITÁRIAS: A finalidade da pena consiste em prevenir, isto é, evitar a
prática de novas infrações penais. É irrelevante a imposição de castigo ao condenado. Divide-se em:
 Geral: Direcionadas à sociedade:
- Negativa (Feuerbach): Contraestímulo para induzir a não praticar crime. Busca intimidar os
membros da sociedade acerca da gravidade e da imperatividade da pena, retirando-lhes eventual
incentivo quanto à prática de infrações penais.
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- Positiva: Promover uma afirmação positiva do direito (finalidade integradora ou estabilizadora).


 Versão Sistêmica de Gunther Jakobs: A finalidade da pena consiste em demonstrar e reafirmar a
existência, a validade e a eficiência do Direito Penal.
 Versão Eticizante (Hans Welzel): Sustenta que a lei penal enfatiza certos valores ético-sociais e a
atitude de respeito à vigência da norma (conscientização jurídica da população), promovendo,
assim, uma integração social.
 Especial: direcionada ao condenado.
- Negativa: (Von Liszt), existe uma neutralização daquele que praticou a infração penal. Neutralização
essa que ocorre com sua segregação no cárcere. Busca evitar a reincidência.
- Positiva: (Von Liszt) preocupa-se com a ressocialização do condenado, para que no futuro possa ele,
com o integral cumprimento da pena, ou, se presentes os requisitos legais, com a obtenção do
livramento condicional, retornar ao convívio social preparado para respeitar as regras a todos
impostas pelo Direito.

III. MISTA, UNIFICADORA, DUPLA FINALIDADE: A pena deve, simultaneamente, castigar o condenado
pelo mal praticado e evitar a prática de novos crimes, tanto em relação ao criminoso como no tocante à
sociedade. Em síntese, fundem-se as teorias e finalidades anteriores. A pena assume um tríplice aspecto:
retribuição, prevenção geral e prevenção especial. Foi a teoria acolhida pelo art. 59, caput, do Código Penal!

DOSIMETRIA
 Sistema trifásico: 1ª fase (fixação da pena-base pelo art. 59, CP – circunstâncias judiciais); 2ª fase
(agravantes e atenuantes – não podem ultrapassar a pena base); 3ª fase (causas de aumento e causas de
diminuição – podem ultrapassar a pena-base).
 O condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos e não exceda a 8 anos, tem o direito
de cumprir a pena corporal em regime semiaberto (art. 33, §2°, b, do CP), caso as circunstâncias judiciais do art.
59 lhe forem favoráveis. A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para justificar a
fixação do regime mais gravoso (Info 859 - STF).
 Pena fixada no mínimo legal e regime mais gravoso (INFO 562, STJ): se a pena foi fixada no mínimo
legal, o acusado é primário e sem antecedentes criminais, o juiz não pode fixar regime mais gravoso do que o
decorrente da quantidade da pena. #VAICAIR!
 Não é correto que o magistrado se utilize das condenações anteriores transitadas em julgado como
"conduta social desfavorável". A conduta social e os antecedentes criminais são circunstâncias distintas (Info 825-
STF).
 As vulnerabilidades emocional e psicológica da vítima podem ser utilizadas como circunstância
negativa na dosimetria da pena (Info 579 - STJ).

MAUS ANTECEDENTES
 Elemento configurador de maus antecedentes (INFO 535, STJ): condenação por fato posterior ao
crime em julgamento não pode servir como “maus antecedentes” para valorar negativamente a culpabilidade,
personalidade ou conduta. Ainda que o novo fato transite em julgado antes do fato em análise (1º fato).
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#OLHAOGANCHO: em relação aos maus antecedentes, o STJ adota o sistema da perpetuidade, enquanto
que o STF adota o princípio da temporariedade.

CONFISSÃO
 Confissão qualificada: Confissão + tese defensiva. Incide atenuante da confissão (INFO 551, STJ).
 Confissão parcial: Se o agente confirma o fato, mas nega alguma circunstância, faz jus à atenuante.
Se ele apenas admite fato diverso, não faz jus. Ex.: Denunciado por roubo, confessa apenas a subtração (furto),
mas nega a violência ou grave ameaça (INFO 569, STJ).
 Compensação entre confissão e reincidência. Em regra, a confissão e a reincidência se compensam,
tratando-se de “multirreincidência” (INFO 555, STJ). Para o STF, a reincidência deve prevalecer.
 É possível a compensação entre a atenuante da confissão espontânea e a agravante da violência
contra mulher (INFO 568, STJ).

REINCIDÊNCIA
 Conceito de tecnicamente primário:
a) possui uma condenação definitiva, mas não praticou nenhum crime depois;
b) tem condenação definitiva e praticou novo crime depois dela, porém entre o novo delito e a extinção
da punibilidade se passaram mais de 05 anos.
#ATENÇÃO: não configura reincidência quando a infração anterior é uma contravenção penal e a
posterior um crime. Também não configura reincidência quando a contravenção penal é praticada no exterior.

CONTINUIDADE DELITIVA
Pluralidade de condutas e crimes da mesma espécie (mesmo tipo penal),
REQUISITOS: similitude das circunstâncias de tempo (até 30 dias), lugar (cidades próximas ou
limítrofes), maneira de execução.

a) Teoria objetiva pura (dispensa a unidade de desígnios. Foi adotada na exposição


de motivos do CP no item 59);
UNIDADE DE DESÍGNIOS:
b) Teoria objetivo-subjetiva (exige a unidade de desígnios. É adotada pelos
Tribunais Superiores).

Simples: as penas dos crimes parcelares são iguais - art. 71, caput, CP: aumenta-se
a pena de 1/6 a 2/3, a depender da quantidade de crimes;
ESPÉCIES DE CRIME Qualificado: as penas dos crimes parcelares são diferentes: furto consumado e
CONTINUADO: furto tentado, por exemplo.
Específico: art. 71, § único, CP: crimes dolosos contra vítimas diversas e com
violência ou grave ameaça. Aumenta-se a pena até o triplo.

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CONTINUIDADE DELITIVA
ENTRE DELITOS Não se admite continuidade delitiva entre roubo e extorsão (Info 549 - STJ).
DIFERENTES:

REGIMES DE PENA
 Aberto (igual ou inferior a 4 anos), semiaberto (superior a 4 anos e não excedente a 8 anos) e
fechado (superior a 8 anos).
 Fixação do regime inicial (INFO 548, STJ): fixada a pena mínima, deve ser o regime inicial fixado com
base na pena. Não pode impor regime mais severo se as circunstâncias, na dosimetria, forem favoráveis.
 RDD: Presos que pratiquem crime doloso e que ocasionem a subversão da ordem, presos que
apresentam alto risco para a ordem e segurança do presídio, presos com fundadas suspeitas de envolvimento em
organizações criminosas. Até 360 dias (podendo se repetir em caso de nova falta grave da mesma espécie por até
1/6 da pena aplicada), cela individual, 2h diárias de banho de sol, visitas semanais de 2 pessoas.

PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS


Prestação pecuniária (1 a 360 salários-mínimos), perda de bens ou valores (para o
Fundo Penitenciário), prestação de serviço à comunidade (condenações
ESPÉCIES: superiores a 6 meses), interdição temporária de direitos e limitação de final de
semana (5h em casa de albergado no final de semana).
#CUIDADO: a PRD não obsta a suspensão dos direitos políticos.

PPL não superior a 4 anos ou qualquer pena, em se tratando de crime culposo;


crime sem violência ou grave ameaça; não reincidente em crime doloso (salvo se a
REQUISITOS:
medida for recomendável e não ocorra reincidência específica); circunstâncias
judiciais favoráveis.

EFEITOS DA CONDENAÇÃO
PRINCIPAIS:  Pena ou medida de segurança.
 Penais: reincidência e seus efeitos na concessão de benefícios.
 Extrapenais automáticos: perda de bens/instrumentos e obrigação de
SECUNDÁRIOS: indenizar.
 Extrapenais não automáticos: perda do cargo, do poder familiar,
inabilitação para dirigir.

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 Privativa de liberdade igual ou superior a 1 ano, desde que o crime tenha


sido cometido com abuso do poder ou violação de dever para com a
PERDA DO CARGO: Administração Pública.
 Pena privativa de liberdade superior a 4 anos: demais casos.

 Não pode ser interpretado extensivamente com o intuito de vedar a


PERDA DE CARGO, FUNÇÃO
cassação da aposentadoria, ainda que a aposentadoria ocorra no curso da
OU MANDATO:
ação penal, ou seja, antes da condenação (INFO 552, STJ).

#OLHAOJULGADO.
Em regra, a pena de perdimento deve ser restrita ao cargo público ocupado ou função pública exercida no
momento da prática do delito. Exceção: se o juiz, motivadamente, considerar que o novo cargo guarda correlação
com as atribuições do anterior, ou seja, daquele que o réu ocupava no momento do crime, neste caso mostra-se
devida a perda da nova função como uma forma de anular (evitar) a possibilidade de que o agente pratique
novamente delitos da mesma natureza (Info 599 - STJ).

LIVRAMENTO CONDICIONAL
Requisitos:
a) Objetivos: PPL igual ou superior a 2 anos, cumprir 1/3 (não reincidente em crime doloso e com bons
antecedentes), 1/2 (reincidente em crime doloso) ou 2/3 (hediondos e equiparados, tráfico de pessoas); reparar o
dano.
#OLHAOJULGADO: o quantum qualificado de 1/2 em razão da reincidência incide sobre a somatória de
todas as penas, e não apenas sobre aquela decorrente do processo em que foi reconhecida a reincidência (INFO
561, STJ).
b) Subjetivos: Ter bom comportamento carcerário, bom desempenho no trabalho e aptidão para manter
sua subsistência mediante trabalho honesto; constatação de que não voltará mais a delinquir (apenas para os
condenados por crime doloso com violência ou grave ameaça).
ATENÇÃO! Condenação por novo crime:
a) Cometido durante o livramento: revoga, não desconta na pena o tempo que esteve solto, nem pode
ser concedido novamente;
b) Cometido antes do livramento: cabe novo livramento, pode somar as penas para efeito de concessão e
computa o tempo solto como cumprimento da pena.

REABILITAÇÃO

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Procedimento administrativo que assegura o sigilo em relação ao processo e condenação. Poderá ser
requerida, decorridos 2 (dois) anos do dia em que for extinta, de qualquer modo, a pena ou terminar sua
execução, desde que possua domicílio no país, bom comportamento e tenha ressarcimento do dano. Não apaga a
reincidência.

EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
FORMAS DE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE: morte do agente, anistia, graça e indulto, abolitio criminis,
prescrição, decadência, perempção (somente se aplica na ação privada), renúncia (decorre do princípio da
oportunidade da ação penal privada), perdão do ofendido (ato bilateral decorrente do princípio da
disponibilidade da ação penal privada), retratação (exemplo: calúnia, difamação e falso testemunho/falsa perícia)
e perdão judicial (independe de aceitação).
GRAÇA INDULTO
ANISTIA
(Indulto individual) (Indulto coletivo)
É um benefício concedido pelo Concedidos por Decreto do Presidente da República. Apagam o efeito
Congresso Nacional, com a sanção do executório da condenação.
Presidente da República (art. 48, VIII,
A atribuição para conceder pode ser delegada ao(s):
CF/88) por meio do qual se “perdoa” a
prática de um fato criminoso.  Procurador Geral da República
Normalmente incide sobre crimes  Advogado Geral da União
políticos, mas também pode abranger  Ministros de Estado
outras espécies de delito.
É concedida por meio de uma lei federal Concedidos por meio de um Decreto.
ordinária.
Pode ser concedida: Tradicionalmente, a doutrina afirma que tais benefícios só podem ser
concedidos após o trânsito em julgado da condenação. Esse
 Antes do trânsito em julgado
entendimento, no entanto, está cada dia mais superado, considerando
(anistia própria).
que o indulto natalino, por exemplo, permite que seja concedido o
 Depois do trânsito em julgado benefício desde que tenha havido o trânsito em julgado para a
(anistia imprópria). acusação ou quando o MP recorreu, mas não para agravar a pena
imposta (art. 5º, I e II, do Decreto 7.873/2012).
Extingue os efeitos penais (principais e  Só extinguem o efeito principal do crime (a pena).
secundários) do crime.
 Os efeitos penais secundários e os efeitos de natureza civil
Os efeitos de natureza civil permanecem íntegros.
permanecem íntegros.
O réu condenado que foi anistiado, se O réu condenado que foi beneficiado por graça ou indulto se cometer
cometer novo crime não será novo crime será reincidente.
reincidente.

PERDÃO JUDICIAL X PERDÃO DO OFENDIDO


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PERDÃO DO OFENDIDO PERDÃO JUDICIAL


Concedido pela vítima (ou seu representante legal) Concedido pelo juiz.
Para extinguir a punibilidade, precisa ser aceito (ato Dispensa ser aceito para extinguir a punibilidade (ato
bilateral). unilateral).
Cabível somente em crimes perseguidos mediante ação Cabível nas hipóteses expressamente previstas em lei,
penal de iniciativa privada. não importando a espécie de ação penal do crime.

RENÚNCIA X PERDÃO DO OFENDIDO


RENÚNCIA PERDÃO
Decorrente do princípio da oportunidade. Decorrente do princípio da disponibilidade.
Ato unilateral. Ato bilateral (exige aceitação).
Cabível, em regra, em ação penal privada (exceção - Cabível apenas na ação penal privada.
art. 74 da lei nº 9.099/95, abrangendo a ação penal
pública condicionada).
Obsta a formação do processo penal, Pressupõe processo penal em curso.

RETRATAÇÃO DO AGRESSOR: retratar-se não significa, simplesmente, negar ou confessar o fato. É mais: é
retirar totalmente o que disse. Dispensa a concordância do ofendido. O que não impede a vítima de reivindicar a
competente indenização nos termos da legislação civil (e demais dispositivos aplicáveis à espécie). A retratação
do agressor como causa de extinção do direito de punir do Estado só é admitida nos casos expressamente
previstos em lei, a saber:
 Calúnia e difamação (art. 143 do CP - "O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da
calúnia ou da difamação, fica isento de pena").
 Falso testemunho e falsa perícia (art. 342, § 2°, do CP "O fato deixa de ser punível se, antes da
sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade").

PRESCRIÇÃO

Ocorre antes de haver sentença condenatória transitada em julgado para a


PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO
acusação e, por isso, usa como parâmetro para a aferição do lapso prescricional o
PUNITIVA PROPRIAMENTE
máximo da pena privativa de liberdade abstratamente cominada ao crime,
DITA OU DA AÇÃO:
segundo a tabela do art. 109 do CP. Leva em consideração a pena em abstrato!

A prescrição da pretensão punitiva retroativa tem o mesmo fundamento, as


PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO
mesmas características e idênticas consequências da prescrição superveniente,
232
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PUNITIVA RETROATIVA: mas tem por termo inicial data anterior a sentença condenatória recorrível.
Assim, a prescrição retroativa, atualmente, nos obriga a percorrer novamente
apenas o percurso entre a data do recebimento da denúncia ou queixa até a
sentença penal condenatória recorrível.
Leva em consideração a pena cominada em concreto!

PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO Conta-se a prescrição da publicação da sentença condenatória, até a data do


PUNITIVA SUPERVENIENTE trânsito julgado final (para ambas as partes). Leva em consideração a pena
OU INTERCORRENTE: cominada em concreto!

PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA (PPP):


Elimina todos os efeitos penais do crime.
 Redução pela metade da PPP:
a) Menos de 21 anos, ao tempo do crime;
b) Maior de 70 anos, ao tempo da sentença.

 Dois dispositivos do Código Penal que caem bastante em prova:


Art. 117 do CP, § 1º - Excetuados os casos dos incisos V (início ou continuação do cumprimento de pena)
e VI (reincidência) deste artigo, a interrupção da prescrição produz efeitos relativamente a todos os autores do
crime. Nos crimes conexos, que sejam objeto do mesmo processo, estende-se aos demais a interrupção relativa a
qualquer deles.
§2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inciso V (continuação do cumprimento de pena)
deste artigo, todo o prazo começa a correr, novamente, do dia da interrupção.

PRESCRIÇÃO DE ATOS INFRACIONAIS:


A prescrição também atinge atos infracionais, prescrevendo estes no mesmo prazo do crime
correspondente. É o que dispõe a súmula n° 338 do STJ:
Súmula 338 STJ: A prescrição penal é aplicável nas medidas sócio-educativas.

PRESCRIÇÃO DA PENA DE MULTA:


Segundo disposição do artigo 114 do Código Penal, a prescrição da pena de multa ocorrerá:
- Em 2 (dois) anos - quando a multa for a única cominada ou aplicada
- No mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena privativa de liberdade - quando a multa for
alternativa ou cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada.
#COLANARETINA:

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Art. 114 - A prescrição da pena de multa ocorrerá: (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996).
I - em 2 (dois) anos, quando a multa for a única cominada ou aplicada; (Incluído pela Lei nº 9.268, de
1º.4.1996).
II - no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena privativa de liberdade, quando a multa for
alternativa ou cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada. (Incluído pela Lei nº 9.268, de
1º.4.1996).

#SELIGANASSÚMULAS
Súmula 438 do STJ: É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com
fundamento em pena hipotética, independentemente da existência ou sorte do processo penal.
Súmula 146 do STF: A prescrição da ação penal regula-se pela pena concretizada na sentença, quando
não há recurso da acusação.
Súmula 497 do STF: Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena imposta na
sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação.
Súmula 220 do STJ: A reincidência não influi no prazo da prescrição da pretensão punitiva.
OBS.: SÓ AUMENTA EM 1/3 O PRAZO DA PPE.
Súmula 191 do STJ: A pronúncia é causa interruptiva da prescrição, ainda que o Tribunal do Júri venha a
desclassificar o crime.
Súmula 592 do STF: Nos crimes falimentares, aplicam- se as causas interruptivas da prescrição, previstas
no Código Penal.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO26 27

SEGURIDADE SOCIAL
 Conceito Seguridade Social: Art. 194, CF.
Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes
Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.

 Princípios Constitucionais e Objetivos da Seguridade Social (Art. 194, Parágrafo único):


Art. 194. (...)

26
Por Paulo Lima (@profdpfpaulolima).
27
BIBLIOGRAFIA UTILIZADA PARA ESSE TRABALHO: Ivan Kertzman, Curso Prático de Direito Previdenciário; Frederico
Amado, Direito Previdenciário, Coleção Sinopses para Concursos; jurisprudência do STJ, súmulas do STJ.

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Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base
nos seguintes objetivos:
I - universalidade da cobertura e do atendimento;
II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais;
III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;
IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;
V - eqüidade na forma de participação no custeio;
VI - diversidade da base de financiamento;
VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com
participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
 Princípio da Solidariedade (art. 3, I, CF/88): A contribuição de cada um não é exclusiva deste, mas sim
para a manutenção de toda a rede protetiva. Aqueles que pagam tributos que auxiliam no custeio da seguridade
social, mas hoje ainda não gozam dos benefícios e serviços, poderão ser agraciados no amanhã.
 Princípio da universalidade da cobertura e do atendimento (art.194, §único, I, CF/88): aspecto
objetivo (cobertura). Busca-se cobrir todos os riscos sociais que possam gerar o estado de necessidade; aspecto
subjetivo (atendimento): diz respeito a todas as pessoas que integram a população, inclusive os estrangeiros.
 Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços entre as populações urbanas e rurais (art.194,
§único, II, CF/88) A CF/88 igualou os direitos das populações urbanas e rurais. Sendo assim, qualquer
diferenciação entre benefícios e serviços desses trabalhadores deve estar prevista no texto constitucional, sob
pena de poder ser declarada inconstitucional, por afronta ao princípio estudado.
 Seletividade e Distributividade na Prestação dos Benefícios (Art.194, §único, III, CF/88):
Seletividade na prestação dos benefícios e serviços implica dizer que tais prestações sejam fornecidas
apenas a quem realmente necessitar, desde que se enquadre nas situações que a lei definir. Serve de contrapeso
ao princípio da universalidade da cobertura.
O princípio da distributividade diz respeito à forma de distribuição da renda entre a população. Assim,
uma vez nos cofres previdenciários, os recursos captados serão distribuídos para quem precise de proteção.
 Irredutibilidade do valor dos benefícios (Art. 194, §único, IV, CF/88 e Art. 201, §4º, CF/88): Garante
ao segurado a irredutibilidade do valor nominal de seu benefício, ou seja, s