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Ministério da Educação

Instituto Federal do Norte de Minas Gerais - IFNMG

Campus Montes Claros - MG

Laboratório de Engenharia Química IV

Professor:​ Ramon Geraldo Campos Silva

DESTILAÇÃO EM COLUNA DE RECHEIOS

Discentes:​ Amanda Pereira Sousa;

Débora Marco de Castro;

Gessilaine A. Gomes Ramos;

Marcella Barbosa Lopes;

Vanessa Rosa de Souza.

Montes Claros / MG – 25 de Fevereiro de 2021


1. INTRODUÇÃO

A destilação é uma das principais operações unitárias da indústria química, pode ser
denominada também como destilação fracionada ou fracionamento, das quais envolve o
processo de separação de misturas seja entre sólido-sólido, líquido-líquido ou sólido-líquido.
A destilação pode ser em regime batelada ou contínua, o equipamento onde ocorre a
destilação é chamado de torre de destilação ou coluna de destilação, a qual seu interior é
provido de pratos ou bandejas. As duas formas mais comuns da utilização de destilação são: a
destilação fracionada ou destilação multiestágios e a destilação flash. A destilação fracionada
é o processo de separação que utiliza uma coluna de fracionamento com dois ou mais
estágios na qual é possível realizar a separação de diferentes componentes que apresentam
diferentes pontos de ebulição, presentes em uma mistura (ECO EDUCACIONAL, 2016). A
destilação flash também conhecida como destilação integral ou destilação de equilíbrio é uma
técnica de separação normalmente usada como uma operação auxiliar, pois só permite uma
separação razoável da mistura se a diferença de volatilidade dos compostos for elevada (ECO
EDUCACIONAL, 2016). A utilização de uma dessas formas irá depender das características,
composições e propriedades termodinâmicas das substâncias.
2. OBJETIVOS

2.1. Gerais

2.1.1. Descrever e analisar o processo de separação binária em um módulo de


torre de destilação com recheio em regime transiente, estudando suas
principais características e relacionando os resultados obtidos
experimentalmente com aqueles esperados de acordo com a literatura.

2.2. Específicos

2.2.1. Avaliar o perfil de temperatura nas seções que compõem a coluna de


destilação;
2.2.2. Determinar o teor alcóolico no refervedor, destilado, produto de topo e
em um ponto intermediário coluna, nas razões de refluxo total, zero e
4:1;
2.2.3. Analisar os fenômenos transferência de massa envolvidos nos
fracionamentos nos estágios (real) de equilíbrio;

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2.2.4. Relacionar o número de pratos reais com os ideais na coluna de
destilação, utilizando-se equações de equilíbrio e correlações da
literatura;
2.2.5. Determinar a carga térmica do refervedor.

3. METODOLOGIA

Foi realizada a simulação de uma coluna de destilação, com uma mistura binária. O
experimento não foi realizado na prática, será realizado a análise dos resultados através de
dados passados pelo professor, dados estes que foram obtidos por outros acadêmicos durante
experimento no laboratório fazendo uso do mesmo equipamento mencionado neste trabalho.
Será realizada a análise nas seguintes razões de taxa de refluxo: Refluxo total,
Refluxo zero e Refluxo 4:1.
3.1. Preparação da coluna para ensaios

3.1.1. Deve ser realizado o preparo de uma solução aquosa de concentração


entre 15% a 20% com um álcool concentrado. Deve-se colocar tal
solução para dentro do balão.
3.1.2. Realizar a abertura da torneira de rede para refrigeração do módulo
condensador de topo.
3.1.3. Liga-se o painel elétrico, como também a bomba de vácuo.

3.2. Operação em taxa de refluxo total

3.2.1. Ao deixar o temporizador desligado o refluxo ficará normalmente total


(1:0), uma vez que a do módulo refluxador não será acionado.
3.2.2. Certificar-se que as válvulas do Módulo graduado de coleta estejam
nas seguintes posições: VB1 e VB2 fechadas e VA levemente aberta.
3.2.3. Deve-se ligar o controle de potência do Refervedor, inicialmente,para
um valor médio, (aproximadamente 500 watts, ou seja, 2,3A corrente
elétrica) e monitorar a temperatura da solução no Refervedor; quando
estiver em,aproximadamente, 45 a 50 °C, ajustar a potência para o
valor de 700 a 750 watts, ou seja, 3,2 a 3,4A de corrente elétrica.
3.2.4. Através do painel elétrico, as temperaturas são monitoradas ao longo
da coluna enquanto o Refervedor vai aquecendo e quando a solução no
refervedor entrar em ebulição observe o fenômeno que ocorrerá ao

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longo da coluna e mantenha a destilação em refluxo total até que todas
as temperaturas estejam estabilizadas e assim deve-se registrar as
respectivas leituras.
3.2.5. Retira-se lentamente uma amostra de aproximadamente, do produto de
topo através do septo de amostragem com auxílio da seringa.
Transfere-se o conteúdo da seringa para a proveta, tampar e resfriar a
amostra entre 20 e 25°C. Passa-se cuidadosamente para o Picnômetro
previamente seco e tarado em balança analítica. Realiza-se a pesagem
da amostra para calcular sua densidade. A partir da densidade pode-se,
por tabela, determinar a fração mássica e, a partir desta, calcular a
fração molar da amostra. Após fazer a densidade, devolve-se toda a
amostra para o sistema, lentamente através do funil do frasco
graduado.
3.2.6. Após uma espera de aproximadamente, 5 minutos até que o sistema
entre novamente em regime e coletar amostras líquidas, ao longo da
Coluna através dos septos de amostragens, dos respectivos Módulos
intermediários de coleta, com auxílio da seringa e proceder a
determinação da densidade e frações mássicas/molares e proceder
devolução das amostras na Coluna.
3.2.7. Novamente espera-se 5 minutos até que o sistema entre novamente em
regime e coletar uma amostra do refervedor , com auxílio do “trap” de
vidro e pêra de sucção. Em seguida, transfere-se o conteúdo da seringa
para a proveta, tampa-se e resfria-se a amostra entre 20 e 25°C. Com
cuidado a amostra é transferida para o picnômetro previamente seco e
tarado em balança analítica, pesar a amostra para calcular sua
densidade; fração mássica e molar.

3.3. Operação em taxa de refluxo 4:1

3.3.1. Primeiramente ajusta-se o temporizador do módulo refluxador.


3.3.2. Realiza a conferência das válvulas do módulo graduado de coleta
estejam nas seguintes posições: VB1 aberta, VB2 fechada e Va
levemente aberta.

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3.3.3. A Coluna deve operar por 15 a 20 minutos, para as temperaturas
estabilizarem no novo regime de operação. Registrar as respectivas
leituras de temperaturas;
3.3.4. Retira-se de amostra do Topo (Destilado): A amostra será coletada
diretamente no Módulo graduado onde, também, será medida a vazão
mássica da fração de destilado que sairia da Coluna.
3.3.5. Procede-se com a retirada de amostras dos módulos intermediários de
coleta.
3.3.6. Realiza a retirada de amostras do Refervedor.

3.4. Operação em taxa de refluxo zero.

3.4.1. Ajusta-se o temporizador do módulo refluxador ,para que o tempo


cíclico ligado fique em 100 segundos e o tempo cíclico desligado fique
em 1 segundo.
3.4.2. Aciona-se o temporizador.
3.4.3. Certifica-se que as válvulas do módulo graduado de coleta estejam nas
seguintes posições: VB1 aberta, VB2 fechada e Va levemente aberta.
3.4.4. A Coluna opera por 15 a 20 minutos, tempo suficiente para as
temperaturas estabilizarem no novo regime de operação. Registrar as
respectivas leituras de temperaturas.
3.4.5. Realiza-se a retirada de amostra de topo e também realiza a medida de
vazão.
3.4.6. Procede-se com a retirada de amostra dos módulos intermediários de
coleta.
3.4.7. Realiza-se a retirada de amostras do refervedor.
3.4.8. Devolução de toda a amostra para o sistema, lentamente, através do
funil do frasco graduado e desligar o Temporizador do Módulo
refluxador para retornar a razão de refluxo total.
3.4.9. Deve-se desligar o Controlador do Refervedor e deixar água do
condensador escoar por mais 5 a 10 minutos para refrigeração de
segurança, antes de fechá-la completamente.

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4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

As leituras dos experimentos foram efetuadas sempre a 25ºC, ou seja, a temperatura


ambiente.

4.1. Perfil de temperatura

Acompanhando o módulo para o experimento de destilação da mistura etanol-água


pode-se observar os perfis de temperatura a seguir na Figura 1.

Figura 1: ​Perfis de temperatura.

Fonte: SILVA, 2021.

No gráfico apresentado acima, a temperatura do refervedor aumenta gradativamente


até se estabilizar em aproximadamente 90ºC, temperatura de ebulição da mistura etanol-água,
a partir deste alcance, os sensores de temperatura na coluna 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e o vapor de
topo, apresentam uma elevação rápida, pode-se dizer que o processo de destilação, separação
da mistura, se iniciou.
O perfil de temperatura de uma coluna de destilação segundo ARAUJO et. al, 2016,
apresenta alguns estágios até a temperatura do refervedor se estabilizar, tendo em vista um
suave comportamento senoidal típico. Ademais, a aplicação de calor na torre somente
influencia os estágios quando se atinge um certo tempo na qual a temperatura se torna
inalterada ou sofre pouca variação. As temperaturas dos demais pratos são afetadas conforme
ocorre a transferência de energia. Com o aumento da temperatura desejada do refervedor,
observa-se uma influência significativa na temperatura dos estágios conseguintes. Após
determinado período, as temperaturas de todos os estágios sofrem influência devido a
temperatura do refervedor.

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Tendo em vista que a temperatura do refervedor se estabilizou ao longo do tempo,
pode-se observar também que a mistura passou pelo estágio 1 e pelos estágios consecutivos
até o estágio de topo respectivamente, sendo separada pela diferença ​de temperatura de
ebulição entre as substâncias que compõem a ​mistura água-etanol. É possível fazer toda essa
análise de acordo com o gráfico apresentado na Figura 1 e de acordo com a Tabela 1 na qual
se tem informação dos dados numéricos e representativos.
A Tabela 1 representa a temperatura das seções da coluna após estabilização das
leituras.

Tabela 1: ​Dados de temperatura das seções da coluna após estabilização das leituras.

Refluxo Topo Destilado M6 M4 Refervedor

Total 77,3 50 77,6 77,7 89,1


4:1 80,1 51,2 85,5 86,3 88,6
0 80,1 52,3 85,6 86,3 88,7
Fonte: SILVA, 2021.
4.2. Teor alcoólico nas seções da coluna de destilação

Na Tabela 2 estão presentes os dados para determinação do volume dos picnômetros.

Tabela 2: ​Determinação do volume dos picnômetros.

Picnômetro m Picnômetro vazio (g) mPicnômetro + mÁgua (g)


A 11,408 26,026
B 10,612 26,216
Fonte: SILVA, 2021.

A partir das informações coletadas, determinou-se que V​picA​= 14,618 cm​3 e o V​picB​=
15,604 cm​3​.
Nas tabelas de 3 a 5, tem-se os dados coletados para cada razão de refluxo utilizada na
prática para a determinação do teor alcóolico nos referidos estágios e os resultados obtidos
através de interpolação linear da Tabela de Dados do Sistema Água-Etanol (Anexo I).

É esperado que uma coluna de destilação operando com razão de refluxo total
promova uma maior recuperação do composto mais volátil pois neste tipo de operação o
tempo de residência do fluido no interior da coluna é maior, e como observou-se através da

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Tabela 3, isso acontece quando comparado o teor alcóolico no destilado nas demais
condições de operação utilizadas.

Tabela 3: ​Razão de refluxo total.


Teor
mPicnômetro
Seção da Densidade alcoólico na
Picnômetro + mAmostra (g)
Coluna relativa amostra
Amostra (g)
(% v/v)
Refervedor A 25,773 14,365 0,98269 8,5
M4 B 23,879 13,267 0,85023 75,4
M6 A 23,295 11,887 0,81318 90,2
Destilado B 23,23 12,618 0,80864 91,8
Fonte: ​Próprio Autor.
Um processo de destilação operando com razão de refluxo total significa dizer que o
valor de saída de D é zero e V​n+1 = L​n fazendo com que o R​d tenda ao infinito. No método de
McCabe-Thiele isso significa que a coluna de destilação terá um número mínimo de pratos.
Em questão de recuperação, trabalhar com uma torre de destilação com razão de
refluxo total pode parecer vantajoso, entretanto, esse tipo de condição limite pode elevar os
custos energéticos e de construção, por isso, faz-se necessário calcular a razão de refluxo
ótima para o processo.

Tabela 4: ​Razão de refluxo 4:1.


Teor
mPicnômetro
Seção da Densidade alcoólico na
Picnômetro + mAmostra (g)
Coluna relativa amostra
Amostra (g)
(% v/v)
Refervedor A 25,76 14,352 0,98180 9,1
M4 B 24,823 14,211 0,91073 49,3
M6 A 24,284 12,876 0,88083 62,6
Destilado B 23,715 13,103 0,83972 79,8
Fonte: ​Próprio Autor
O sistema operando com a razão de refluxo de 4:1 apresentou teor alcóolico de
79,8%, um valor intermediário quando comparado com as outras situações, o quanto esse
valor é satisfatório dependerá do objetivo final do processo.

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Enquanto um sistema operando com razão de refluxo total terá um número mínimo de
pratos, a coluna com condição limite de refluxo zero (Tabela 5) tenderá a ter um número
infinito de pratos que será demonstrado através do método de McCabe-Thiele e uma menor
taxa de recuperação do etanol devido ao baixo tempo de residência da mistura nos estágios.
Na Tabela 6 estão descritos os parâmetros para estimar o número de pratos através do
método de McCabe-Thiele e plotar os gráficos de cada situação. O parâmetro q é definido
como sendo a quantidade de mols de líquido que fluem na seção de esgotamento como
consequência da introdução de cada mol de alimentação (MCCABE E SMITH, 2007) e foi
determinado arbitrariamente para a simulação, Xf, Xd e Xb são as frações molares de
alimentação, destilado e refervedor, respectivamente e a volatilidade relativa foi calculada
considerando o equilíbrio líquido-vapor da composição binária como sendo ideal.

Tabela 5: ​Razão de refluxo zero.


Teor
mPicnômetro
Seção da Densidade alcoólico na
Picnômetro + mAmostra (g)
Coluna relativa amostra
Amostra (g)
(% v/v)
Refervedor A 25,75 14,342 0,98112 9,5
M4 B - - -
M6 A - - -
Destilado B 23,865 13,253 0,84933 75,8
Fonte: ​Próprio Autor

Tabela 6: ​Parâmetros de McCabe-Thiele

Condição de Volatilidade
q R Xf Xd Xb
operação relativa (α)

Refluxo Total 0,5 1 2,27 0,072 0,771 0,028


4:1 0,5 4 2,27 0,072 0,539 0,030
Refluxo Zero 0,5 0 2,27 0,072 0,482 0,031
Fonte: Próprio Autor
Os gráficos de McCabe-Thiele foram gerados através do software computacional
ChemSemp ​©. Assim, algumas afirmações podem ser feitas, como que pelo gráfico gerado
na Figura 2 é possível contar um total de 8 pratos na condição de operação de razão de
refluxo total, sendo a alimentação no terceiro prato. Esse então é o número mínimo de pratos
necessários para realizar a separação do etanol neste processo.

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O total de pratos teóricos obtidos através da simulação para a condição limite de razão
de refluxo 4:1 foi igual a 11, porém não é possível determinar com clareza em qual prato se
dá a alimentação, devido ao formato apresentado da curva gerada. O número de pratos maior
que na condição anterior já era esperado, bem como a menor recuperação do composto mais
volátil.
As Figuras 2 e 3 apresentam semelhanças com o gráfico da Figura 5a, e a Figura 2 há
a indicação de um número menor de pratos já que por funcionar em razão de refluxo total ele
fornece o menor número de pratos possível, comportamento que era esperado.

Figura 2:​ Gráfico de McCabe-Thiele para razão de refluxo total.

Fonte: Próprio Autor

Figura 3:​ Gráfico de McCabe-Thiele para razão de refluxo 4:1.

Fonte: Próprio Autor


Já a Figura 4 apresenta um o ponto de estrangulamento mostrado como “pitch” na
Figura 5b que indica que há muitos pratos realizando pouca separação e gerando desperdício
(PINTO, 2017), e nesta região não é possível a contagem exata dos pratos, ou seja, podemos

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considerar que há um número infinito de estágios como prevê a condição de operação de
razão de refluxo zero.

Figura 4:​ Gráfico de McCabe-Thiele para razão de refluxo zero.

Fonte: Próprio Autor

Figura 5:​ Gráfico de McCabe-Thiele para razão de refluxo total (a) e refluxo mínimo (b).

Fonte: PINTO, 2017.

4.3. CONDIÇÕES DO REFERVEDOR

Sabendo-se que a corrente utilizada no refervedor foi de 3,3 A e que o equipamento


foi ligado em uma tomada 220 V, determinou-se a carga térmica do refervedor através da
equação: de potência, em que P é igual ​726 W.
Os valores de corrente (I) e tensão (V) foram obtidos através dos dados de operação
do aparato. Nesse tipo de situação, a ​quantidade de calor dissipado quando uma corrente
elétrica de intensidade I atravessa um fio com resistência elétrica ​R​, durante um intervalo de
tempo ​t, faz com que ocorra a transformação da energia elétrica em energia térmica (calor).

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Por esse processo físico deu-se a determinação da carga térmica do refervedor, que foi de 726
W. Cabe ressaltar que nesse tipo de coluna utilizada (recheio), há baixa perda de carga e
pouco tempo de residência no processo (NADLER, 2015).
Através do resultado obtido, é possível inferir que quanto maior a corrente aplicada no
refervedor, maior será sua carga térmica. Análogo a isso, as variáveis de resistência,
temperatura e tempo também interferem no processo, uma vez que são diretamente
proporcionais.
Outro ponto a se avaliar é que a potência é diretamente proporcional em transformar
o conteúdo do mesmo (mistura alimentada) em produto de fundo. Nas unidades contínuas de
laboratório, em geral não necessitam de um volume tão grande no refervedor, facilitando, por
exemplo, à chegada ao regime permanente, em um período de tempo menor (Junior,2007).
Outras variáveis possíveis de se avaliar, analisando a carga térmica é a vazão interna
de vapor e sua relação com os pratos. Segundo os dados da literatura, o aumento da carga
térmica do refervedor diminui o nível após decorrido um tempo relativamente longo, contudo
o efeito imediato é o aumento da vazão interna de vapor, o que provoca o incremento do
nível. Como um maior nível dos pratos implica em maior vazão de líquido descendo pela
coluna, como consequência o nível aparente da base da coluna aumenta (MOUSSA, 2001).

5. CONCLUSÕES

De acordo com o perfil de temperatura analisado conclui-se que a recuperação do


composto mais volátil se inicia no momento em que a temperatura do refervedor se estabiliza,
e dessa forma há o início da passagem do vapor pelos estágios da coluna e por conseguinte o
aumento de temperatura ao longo da coluna.
Ao longo dessa coluna de recheio, a concentração de álcool aumenta no vapor e
diminui na fase líquida, por isso, quanto mais próximo do topo da coluna maior será o teor
alcoólico da mistura e após passar pelo refluxo o destilado apresentará a taxa de recuperação
desejada que varia nos diferentes processos. Assim, pode-se dizer que a razão de refluxo é a
variável que mais influência em uma coluna de destilação, pois, a depender de seu valor
teremos um número maior ou menor de estágios.
O número de pratos teóricos pode ser calculado através do método de McCabe-Thiele
usando ferramentas computacionais ou equacionamento. Porém, para se utilizar deste método
é necessário ter os parâmetros muito bem definidos, pois apesar de ter sido possível plotar os
gráficos através do software ChemSemp, pequenas inconsistências gráficas não nos dão

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informações claras sobre o número de pratos do processo, tornando a utilização deste método
ineficaz para as condições de operação utilizadas na prática.
Por fim, determina-se a carga térmica do procedimento pela equação de potência que
relaciona os dados coletados de corrente e tensão durante a realização da prática.

6. REFERÊNCIAS
ARAUJO, W. R., et. al. ​Operação de Destilação Etanol-água Conduzida em uma Coluna
de Destilação Piloto​. I Congresso Nacional de Engenharia de Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis. Universidade Federal de Campina Grande, 2016.
ECO EDUCACIONAL. ​Roteiro Didático de Destilação​. Instituto Federal do Norte de
Minas Gerais: Montes Claros, 2016.
JÚNIOR, A. E. O. ​Análise de Desempenho de coluna de Destilação contendo Recheio
Estruturado​. Disponível em:
<http://epqb.eq.ufrj.br/download/analise-de-desempenho-de-colunas-de-destilacao.pdf>.
Acesso em: 22.fev.2021.
MOUSSA, L. S. ​Análise Termodinâmica de Colunas de Destilação Visando à
Otimização Energética​. Disponível em:
<http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/267546/1/Moussa_LucianaSaliba_M.pdf>
. Acesso em: 22.fev.2021.
NADLER, L.H. ​Análise da eficiência de recheio de uma coluna de separação de
Etilbenzeno e Estireno​. Disponível em:
<https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/127753/000970451.pdf?sequence=1>.
Acesso em: 22.fev.2021.

PINTO, G. A. ​Ferramenta computacional para Dimensionamento de Colunas de


Destilação de Pratos para Misturas Binárias.​ Engenharia Agroindustrial. Escola De
Química E Alimentos. Universidade Federal Do Rio Grande, 2017. Disponível
em:<https://sistemas.furg.br/sistemas/sab/arquivos/conteudo_digital/e6b2a204b39da8d57248
3845ca76f1bf.pdf>. Acesso em: 22.fev.2021.

SILVA, R. G. C. ​Dados Coletados Prática de Destilação em coluna de Recheio​. Instituto


Federal do Norte de Minas Gerais: Montes Claros, 2021.

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7. MEMORIAL DE CÁLCULO
7.1. Determinação do volume do picnômetro A:

Massa de água (g) = (Massa do picnômetro + Massa de água) - (Massa do picnômetro vazio)
= 26,026 g + 11,408 g
= 14,618 g
ρ = m/V
V =m/​ρ

A densidade da água a 25 ºC é igual a 1 g/cm​3​. Desta forma o volume do picnômetro foi


calculado a seguir:

V= (14,618 g) / (1 g/cm​3​)
V​picA​= 14,618 cm​3

Para o cálculo do volume do picnômetro B, foi utilizado a mesma metodologia.

V​picB​= 15,604 cm​3

7.2. Cálculo de teor alcoólico nas seções indicadas:

A densidade relativa da amostra no refervedor para a condição de operação razão de refluxo


total foi calculada da seguinte forma:

Inicialmente, determinou-se massa da amostra no picnômetro e sendo conhecido o volume do


picnômetro A, que foi o utilizado para esta etapa, temos que:

ρ=m​amostra​/V​picA ​= 14,365/14,618
ρ=0,98269 g/cm​3

Conhecendo a densidade, buscou-se na tabela do Anexo I, o valor de teor alcóolico


correspondente, fazendo a interpolação linear, sempre que necessário. Para a situação em
questão, obtivemos que o teor alcóolico na temperatura de 25ºC para a densidade relativa
igual a 0,98269 estaria compreendido entre 8 e 9, então foi feita uma interpolação linear,
através da equação:

y=y​1​+(x-x​1​)*(y​2​-y​1​/x​2​-x​1​),

sendo que x são os valores de densidade e y, teor alcoólico.


% v/v Densidade relativa tabelado
8 0,98346
9 0,98193

Substituindo os dados na equação,

y=9+(0,98269-0,98346)*(9-8/0,98193-0,98346)

13
y=8,5

Esta mesma sequência de cálculos foi utilizada para obter todos os resultados desta seção.
Lembrando que a temperatura foi fixada em 25 ºC para amostragem.

7.3. Cálculo do parâmetros de McCabe-Thiele

Para calcular as frações molares Xd, Xf, e Xb foram feitas conversões a partir do teor
alcóolico calculado na etapa anterior. Seguindo a seguinte sequência: 1) cálculo da fração
mássica, 2) cálculo do número de mols de cada componente e totais, e em seguida, 3)cálculo
das frações molares.

A volatilidade foi calculada através dos dados de ELV obtidos no CheCalc considerando um
sistema ideal e por sua vez, utilizando a Lei de Raoult para relacionar as pressões de
saturação com os valores de x e y encontrados pelo equilíbrio.

Os resultados obtidos foram implementados no software CheSemp e os gráficos de


McCabe-Thiele obtidos.

7.4. Condições do refervedor:

Para determinação da carga térmica do refervedor, utiliza-se a Equação de Potência, em


função da corrente (3, 3 A) e da diferença de potencial aplicada no equipamento (220 V).

P = V*i
P = 220 V*3,3 A
P = 726 W

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8. ANEXOS

ANEXO I - Tabela de Dados do Sistema Etanol-Água (Perry, Tabela 2-110)

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