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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO

INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E BIOLÓGICAS


DEPARTAMENTO DE FÍSICA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS - FIMAT

LAUREANA MOREIRA MOTA

DEPOSIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE
REVESTIMENTOS DE HIDROXIAPATITA COM
INCORPORAÇÃO DE TALCO DE PEDRA-SABÃO

OURO PRETO
2017
Laureana Moreira Mota

DEPOSIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE
REVESTIMENTOS DE HIDROXIAPATITA COM
INCORPORAÇÃO DE TALCO DE PEDRA-SABÃO

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-


Graduação em Ciências – Física de Materiais da
Universidade Federal de Ouro Preto como parte
dos requisitos para obtenção do título de mestre
em Ciências.

Orientadora: Profa. Dra. Taíse Matte Manha-


bosco
Coorientadora: Profa. Dra. Ana Paula Moreira
Barboza

Ouro Preto
2017
M917d Mota, Laureana Moreira.
Deposição e caracterização de revestimentos de hidroxiapatita com incorporação
de talco de pedra-sabão [manuscrito] / Laureana Moreira Mota. - 2017.
84f.: il.: color; grafs; tabs.

Orientador: Prof. Dr. Taíse Matte Manhabosco.


Coorientador: Prof. Dr. Ana Paula Moreira Barboza.

Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Ouro Preto. Instituto de


Ciências Exatas e Biológicas. Departamento de Física. Programa de Pós-
Graduação em Ciências.
Área de Concentração: Física de Materiais.

1. Biomateriais. 2. Titânio. 3. Hidroxiapatita. 4. Talco. I. Manhabosco, Taíse


Matte. II. Barboza, Ana Paula Moreira. III. Universidade Federal de Ouro
Preto. IV. Titulo.

CDU: 501:620

Catalogação: www.sisbin.ufop.br
Para Mahirê, Daniel e Pedro.
AGRADECIMENTOS

O meu mais sincero agradecimento a todos que contribuíram direta ou indiretamente


para a realização deste trabalho.
Agradeço imensamente à minha orientadora Profa. Dra. Taíse Matte Manhabosco e à
minha coorientadora Profa. Dra. Ana Paula Moreira Barboza pela orientação e por tudo que me
ensinaram ao longo destes dois anos.
Ao meu pai, Júlio, à minha mãe, Marlene, e às minhas irmãs, Raquel e Fabiana pelo apoio
incondicional, pelo amor sem medida, por entenderem as minhas ausências e por embarcarem
nessa junto comigo.
Ao meu amigo-irmão, Bruno, por estar ao meu lado nessa louca experiência, tão impor-
tante para nós dois. Por ser família, por ser cuidado, enfim, por ser a minha pessoa. Aos meus
grandes amigos: Thiago, Mírian, Heudes, Elizabeth e Marilda por saberem se fazer presentes,
por me darem a calma e a confiança necessárias para seguir em frente.
À Olga por tão bem me receber e, com seu jeito tão acolhedor, fazer de Ouro Preto a
minha casa. Obrigada pelas cores, sabores, temperos, conversas... O "me tornar adulta"só foi
uma experiência tão engrandecedora porque você e o Bruno estavam comigo.
Aos meus colegas do FIMAT por nossas longas conversas e momentos de descontra-
ção em nossos inúmeros almoços e cafés na cantina. Agradeço especialmente à Débora e à
Karina pelo companheirismo e amizade quase que imediatos e por tornarem esses dias tão mais
agradáveis; levarei sua amizade com carinho.
Aos colegas do Laboratório de Eletroquímica e Difusão: Daiandra, Daniel, José, Mário,
Naiane e Viviane. Foi um prazer imenso trabalhar com vocês. Agradeço especialmente à Daiandra
e ao Mário, que acabaram por se tornar grandes amigos e foram as melhores companhias que
alguém poderia ter.
Ao NANOLAB do Departamento de Engenharia Metalúrgica da UFOP, associado à
REDEMAT, ao Laboratório de Microscopia e Microanálise do DEGEO/EM - Laboratório
integrante da RMIc, Rede de Microscopia e Microanálise de Minas Gerais - FAPEMIG, e
ao Centro de Microscopia do IFMG - Ouro Preto pela geração das imagens de microscopia
eletrônica de varredura. Ao Laboratório de Espectroscopia Raman da UFMG pela realização das
medidas Raman. Ao CETENE - Centro de Tecnologia Estratégica do Nordeste pela realização
das medidas de difração de raios X. Ao Laboratório de Engenharia de Superfície do SENAI-BH
pelas medidas de desgaste. Ao Laboratório de Nanobiotecnologia e Sinalização Celular da
UFMG pela realização dos testes de biocompatibilidade.
A todos do FIMAT: professores, coordenação e secretaria. Agradeço especialmente à
Profa. Dra. Jaqueline dos Santos Soares pela disponibilidade, várias contribuições e apoio tão
indispensáveis à concretização deste trabalho.
À UFOP e às agências de fomento CAPES, FAPEMIG e CNPq pela oportunidade e
apoio financeiro.
“E se lembrou de quando era uma criança
e de tudo que vivera até ali
e decidiu entrar de vez naquela dança
se a via-crucis virou circo, estou aqui."
(Renato Russo)
RESUMO

Implantes metálicos, tais como o titânio e suas ligas, têm sido cada vez mais utilizados como
próteses ortopédicas e dentárias devido às suas propriedades, tais como biocompatibilidade,
resistência à corrosão, leveza e alta ductilidade. No entanto, são materiais que não possuem
uma alta resistência ao desgaste e nem formam ligações químicas fortes com os tecidos duros
humanos, o que torna o seu uso limitado. Uma forma de melhorar a bioatividade destes materiais
é por meio do desenvolvimento de revestimentos, tais como a hidroxiapatita – um material
biocerâmico que apresenta composição química e semelhança biológica com os tecidos duros
humanos e que promove a ligação entre implante e os tecidos circundantes. Como toda cerâmica,
a hidroxiapatita é um material frágil e de baixa resistência ao impacto. Neste trabalho é proposta
a eletrodeposição de hidroxiapatita com incorporação de talco de pedra-sabão para melhora das
propriedades mecânicas. O talco de pedra-sabão é um material bidimensional com propriedades
similares às do grafeno (grande resistência à ruptura, rigidez moderada, baixa energia de ligação
entre camadas e capacidade de suportar deformações sem romper). Os revestimentos compósitos
de hidroxiapatita com incorporação de talco foram avaliados através de microscopia eletrônica
de varredura, espectroscopia de energia dispersiva, polarização potenciodinâmica, difração de
raios X (DRX), espectroscopia Raman, ensaios de desgaste e testes de biocompatibilidade.
Diversos parâmetros foram utilizados para a deposição dos filmes de hidroxiapatita sendo que,
na melhor condição de deposição, imagens ao microscópio eletrônico de varredura indicaram
a formação de filmes compactos e uniformes para revestimentos de hidroxipatita pura e com
incorporação de menores quantidades de talco. Espectros de energia dispersiva mostraram a
formação de hidroxiapatita com razão Ca/P = 2,7. Da espectroscopia Raman foi possível obter
a banda característica da presença de cristais de hidroxiapatita, em torno de 959 cm−1 . Por
DRX foram identificadas as fases hidroxiapatita, talco e óxido de cálcio (CaO) nos filmes; a
presença de CaO pode estar relacionada à alta concentração de cálcio nas amostras depositadas.
Curvas de polarização potenciodinâmica indicaram que os filmes de hidroxiapatita depositados
durante 1 hora aumentaram a resistência à corrosão do substrato de titânio em solução salina
tamponada com fosfato (PBS), enquanto que os filmes com incorporação de talco apresentaram
um comportamento idêntico ao do titânio sem o revestimento. Os ensaios de desgaste indicaram
que os revestimentos de hidroxiapatita com incorporação de 10 g/L de talco melhoraram de forma
significativa a resistência ao desgaste do substrato de titânio. Testes de biocompatibilidade in vitro
indicaram que, apesar de uma baixa viabilidade celular, todas as amostras apresentaram atividade
ALP (fosfatase alcalina) e produção de colágeno, importantes indicadores da diferenciação
celular de osteoblastos.

Palavras-chaves: Biomateriais. Titânio. Hidroxiapatita. Talco.


ABSTRACT

Metallic implants, as titanium and its alloys, have often been used as orthopedic and dental
prosthesis due to properties such as biocompatibility, corrosion resistance, lightness and high
ductility. However, they are materials that do not present high wear resistance neither make strong
chemical bond with hard human tissues, which impose limits to their use in biomedical applica-
tions. A possible way to improve the bioactivity of those materials is through the development of
protecting coatings such as hydroxyapatite – a bioceramic material whose chemical composition
and biological characteristics are alike to those of hard human tissues which fosters the bond
between implants and surrounding tissues. Like any other ceramic, hydroxyapatite is a fragile
material with low resistance to impact. In order to improve its mechanical properties, we propose,
in this dissertation, the incorporation of soapstone talc in hydroxyapatite films obtained by means
of electrochemical deposition. Soapstone talc is a biodimensional material with properties similar
to those of graphene (great tensile resistance weak interaction between layers and moderate
hardness, being able to bear deformations without breaking). The hydroxyapatite coating with in-
corporation of soapstone talc has been investigated through scanning electron microscopy, energy
dispersive spectroscopy, potentiodynamic polarization, x-ray diffraction, Raman spectroscopy,
wear and biocompatibility tests. Several parameters were evaluated in hydroxyapatite films
electrodeposition process. At right deposition conditions, scanning electron microscopy images
microscope showed compact and uniform films of hydroxyapatite with incorporation of little
amount of talc. Energy dispersive spectra showed hydroxyapatite formation in the ratio Ca/P=2.7.
From Raman spectroscopy it was possible to obtain the characteristic band of hydroxyapatite
crystal around 959 cm−1 . By means of DRX, hydroxyapatite phases, talc and calcium oxide
(CaO), were identified. The presence of CaO may be related to high calcium concentration in
the deposited samples. Potentiodynamics polarization curves indicate that hydroxyapatite films
(electrodeposited during 1 hour) increase the titanium corrosion resistance, in saline solution
with phosphate (PBS), meanwhile talc incorporated films showed an identical behavior to that of
bare titanium. The wear tests showed that hydroxyapatite with 10 g/L of talc coating increased
significantly the wear resistance of the titanium substrate. Biocompatibility tests in vitro indicated
that, in spite of the little cell viability, all the samples showed ALP (alkaline phosphatase) activity
and the production of collagen, an important indicator of osteoblasts cells differentiation.

Key-words: Biomaterials. Titanium. Hydroxyapatite. Talc.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Tipos de implantes ortopédicos temporários utilizados para fixação de fratura


em ossos: (a) placas e parafusos e (b) fixador da tíbia (1). . . . . . . . . . . 20
Figura 2 – Célula unitária da hiroxiapatita: (a) vista lateral e (b) vista superior. Esferas
verdes, vermelhas, rosas e brancas representam átomos de Ca, O, P e H,
respectivamente (2). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
Figura 3 – Representação esquemática da estrutura do tipo "t-o-t"do talco. Esferas ama-
relas, vermelhas, verdes e azuis representam átomos de Si, O, Mg e H,
respectivamente (3). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
Figura 4 – Arranjo esquemático para obtenção de curvas de polarização, onde são re-
presentados o eletrodo de trabalho (ET), contra-eletrodo (CE) e eletrodo de
referência (ER) (4). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
Figura 5 – Esquema de curva de polarização típica de aços inoxidáveis em meio ácido.
E*: potencial de corrosão. E pp : potencial de início da passivação. Etrans :
potencial de início da região anódica transpassiva (5). . . . . . . . . . . . . 29
Figura 6 – Esquema simplificado de um MEV (6). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
Figura 7 – Processos de espalhamento da luz em um material. Espalhamentos Rayleigh
em “A”, Stokes em “B” e anti-Stokes em “C”. Efeito Raman ressonante em
“D” (7). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
Figura 8 – Esquema geral do arranjo ótico de um microscópio Raman (8). . . . . . . . 32
Figura 9 – Difração de raios X em um cristal (9). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
Figura 10 – Representação esquemática dos quatro tipos de desgaste. (a) Adesivo, (b)
abrasivo, (c) por fadiga e (d) corrosivo (10). . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
Figura 11 – Representação do ensaio de disco de borracha com areia (11). . . . . . . . . 35
Figura 12 – Representação do ensaio de erosão de partículas sólidas (11). . . . . . . . . 36
Figura 13 – Representação do ensaio de erosão por cavitação (11). . . . . . . . . . . . . 36
Figura 14 – Representação do ensaio de desgaste de quatro esferas (12). . . . . . . . . . 37
Figura 15 – Representação do ensaio de bloco-disco (11). . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Figura 16 – Representação do ensaio de pino-disco (11). . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
Figura 17 – Representação do ensaio de pino-chapa (13). . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
Figura 18 – Revestimentos de hidroxiapatita depositados em (a) titânio sem pré-tratamento
em HF; (b) titânio com pré-tratamento em HF. . . . . . . . . . . . . . . . . 41
Figura 19 – Célula eletroquímica típica de três eletrodos utilizada para a deposição. . . . 42
Figura 20 – Micrografia de amostra depositada a potencial catódico de 5V com adição de
2% de H2 O2 e pH 4,19. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
Figura 21 – Micrografia de amostra depositada a potencial catódico de 5V com adição de
2% de H2 O2 e pH 5,0. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
Figura 22 – Micrografia de amostra depositada a potencial catódico de 4V com adição de
2% de H2 O2 e pH 5,0. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
Figura 23 – Micrografia de amostra depositada a potencial catódico de 5V com adição de
6% de H2 O2 e pH 5,0. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
Figura 24 – Espectro EDS mostrando os elementos identificados nas amostras com reco-
brimento de hidroxiapatita. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
Figura 25 – Micrografia de corte transversal de filme de hidroxiapatita depositado por 1
hora. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
Figura 26 – Micrografia das partículas de talco que foram incorporadas à hidroxiapatita. 53
Figura 27 – Filme de hidroxiapatita com incorporação de 10 g/L de talco depositado por
1 hora a potencial catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19. . . 54
Figura 28 – Filme de hidroxiapatita com incorporação de 40 g/L de talco depositado por
1 hora a potencial catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19. . . 55
Figura 29 – Filme de hidroxiapatita com incorporação de 80 g/L de talco depositado por
1 hora a potencial catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19. . . 56
Figura 30 – Micrografia mostrando em destaque cristais presentes nas amostras. . . . . . 57
Figura 31 – Espectro EDS mostrando os elementos identificados nos cristais em destaque
da Figura 28. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
Figura 32 – Micrografia mostrando em destaque estrutura em camadas típica do talco
presente nas amostras. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
Figura 33 – Espectro EDS mostrando os elementos identificados na estrutura em destaque
da Figura 23. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
Figura 34 – Curvas de polarização para as amostras depositadas a (a) 1 hora, -5V, 2% de
H2 O2 e pH 4,19; (b) 1 hora, -5V, 2% de H2 O2 e pH 5,0. . . . . . . . . . . . 60
Figura 35 – Curvas de polarização para as amostras depositadas a (a) 2 horas, -5V, 2% de
H2 O2 e pH 4,19; (b) 2 horas, -5V, 2% de H2 O2 e pH 5,0. . . . . . . . . . . 61
Figura 36 – Curva de polarização para a amostra depositada por 1 hora a um potencial
catódico de 5V, com adição de 2% de H2 O2 , pH 4,19 e incorporação de 10
g/L de talco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
Figura 37 – Curva de polarização para a amostra depositada por 1 hora a um potencial
catódico de 5V, com adição de 2% de H2 O2 , pH 4,19 e incorporação de 40
g/L de talco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
Figura 38 – Espectros de DRX das amostras depositadas com parâmetros: (a) -5V, 2% de
H2 O2 e pH 4,19; (b) -5V, 2% de H2 O2 e pH 5,0 e (c) -4V, 2% de H2 O2 e pH
5,0. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
Figura 39 – Espectros de DRX da amostra depositada a -5V, 2% de H2 O2 e pH 4,19. . . 65
Figura 40 – Espectros de DRX da amostra depositada a -5V, 2% de H2 O2 e pH 4,19. . . 66
Figura 41 – Espectro Raman de amostra depositada por 4 horas a potencial catódico de
5V, com adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
Figura 42 – Espectro Raman de amostra depositada por 4 horas a potencial catódico de
5V, com adição de 2% de H2 O2 e pH 5,0. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
Figura 43 – Coeficiente de atrito do substrato de titânio em função do tempo. . . . . . . 69
Figura 44 – Imagem de microscopia ótica da trilha obtida no substrato de titânio. . . . . 69
Figura 45 – Coeficiente de atrito do filme de hidroxiapatita em função do tempo. . . . . 70
Figura 46 – Imagem de microscopia ótica da trilha obtida para o revestimento de hidroxi-
apatita. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
Figura 47 – Coeficiente de atrito dos filmes de hidroxiapatita pura e com incorporação de
10 e 40 g/L de talco em função do tempo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
Figura 48 – Imagem de microscopia ótica das trilhas obtidas para os revestimentos de
hidroxiapatita com incorporação de (a) 10 g/L de talco e (b) 40 g/L de talco. 72
Figura 49 – Viabilidade celular de osteoblastos nas amostras em diferentes períodos de
incubação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
Figura 50 – Atividade ALP de osteoblastos nas amostras em diferentes períodos de incu-
bação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
Figura 51 – Produção de colágeno pelos osteoblastos nas amostras em diferentes períodos
de incubação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Composição química de Ti e suas ligas (% p/p) (14). . . . . . . . . . . . . . 21


Tabela 2 – Valores médios das propriedades mecânicas típicas de metais usados em
implantes (15). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Tabela 3 – Propriedades mecânicas da hidroxiapatita (16). . . . . . . . . . . . . . . . . 24
Tabela 4 – Composição do Ti (grau 2) utilizado conforme fornecedor (TiBrasil Titânio
Ltda.). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
Tabela 5 – Parâmetros utilizados para a deposição dos filmes de hidroxiapatita. . . . . 42
Tabela 6 – Parâmetros utilizados para a deposição dos filmes compósitos de HA+talco. 43
Tabela 7 – Parâmetros utilizados para os ensaios de desgaste. . . . . . . . . . . . . . . 45
Tabela 8 – Potenciais de corrosão obtidos das curvas de polarização segundo Huang et
al., Li et al. e Zhong et al. (17, 18, 19). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
Tabela 9 – Deslocamento Raman e respectivas identificações. . . . . . . . . . . . . . . 68
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ALP Fosfatase alcalina

CCC Estrutura cúbica de corpo centrado

CFC Estrutura cúbica de face centrada

DRX Difração de raios X

EDS Espectros de energia dispersiva

HA Hidroxipatita

MEV Microscópio eletrônico de varredura

PBS Solução salina tamponada com fosfato

pH Potencial de hidrogênio

T10 Revestimento de hidroxiapatita com incorporação de 10 g/L de talco

T40 Revestimento de hidroxiapatita com incorporação de 40 g/L de talco

T80 Revestimento de hidroxiapatita com incorporação de 80 g/L de talco


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
1.1 Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.1.1 Objetivo geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.1.2 Objetivos específicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
2.1 Biomateriais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
2.2 Implantes metálicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.2.1 Titânio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
2.3 Biocerâmicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
2.3.1 Hidroxiapatita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
2.4 Pedra-sabão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
2.4.1 Talco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
2.5 Eletrodeposição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26

3 TÉCNICAS DE CARACTERIZAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
3.1 Polarização Potenciodinâmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
3.2 Microscopia eletrônica de varredura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
3.3 Espectroscopia Raman . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
3.4 Difração de raios X . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
3.5 Teste de desgaste . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3.6 Ensaios de biocompatibilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39

4 MATERIAIS E MÉTODOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
4.1 Preparação dos substratos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
4.2 Preparação do eletrólito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
4.3 Procedimento de eletrodeposição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
4.4 Corte transversal de amostras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
4.5 Incorporação das partículas de talco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
4.6 Microscopia eletrônica de varredura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
4.7 Polarização potenciodinâmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
4.8 Difração de raios X . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
4.9 Espectroscopia Raman . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
4.10 Testes de desgaste . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
4.11 Testes de biocompatibilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
4.11.1 Extração de osteoblastos primários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
4.11.2 Atividade da Fosfatase Alcalina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
4.11.3 Cultura de Osteoblastos primários sobre os revestimentos . . . . . . . . . . 46
4.11.4 Viabilidade celular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
4.11.5 Quantificação de colágeno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
4.11.6 Preparação das amostras para realização de análise em Microscopia Eletrônica
de Varredura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
4.11.7 Tratamento estatístico dos dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47

5 RESULTADOS E DISCUSSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
5.1 Microscopia eletrônica de varredura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
5.2 Polarização potenciodinâmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
5.3 Difração de raios X . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
5.4 Espectroscopia Raman . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
5.5 Testes de desgaste . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
5.6 Testes de biocompatibilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
5.6.1 Viabilidade celular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
5.6.2 Atividade de fosfatase alcalina (ALP) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
5.6.3 Produção de colágeno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75

6 CONCLUSÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
17

1 INTRODUÇÃO

A necessidade de utilização de implantes para substituição e/ou construção de tecido


ósseo devido ao desgaste natural ou trauma tem atingido milhões de pessoas em todo mundo.
Por este motivo, desenvolver materiais avançados para aplicações biomédicas torna-se um dos
grandes desafios da pesquisa básica e aplicada (20).
Implantes metálicos, tais como o titânio e suas ligas, têm sido largamente utilizados
como próteses ortopédicas e dentárias devido à sua alta resistência à corrosão e excelente
biocompatibilidade, além de suas características mecânicas tais como sua leveza, alta ductilidade,
alta resistência à tração e sua baixa condutividade térmica (17, 21). Mas pelo fato desses materiais
não formarem ligações químicas fortes com ossos naturais e possuírem baixa resistência ao
desgaste (22), muitas pesquisas têm sido realizadas a fim de se desenvolver revestimentos para
próteses metálicas com o objetivo de melhorar sua biocompatibilidade e bioatividade (20). Dentre
esses revestimentos, a hidroxiapatita é um dos fosfatos de cálcio mais utilizados por apresentar
semelhanças químicas e biológicas com tecidos duros humanos (23).
A hidroxiapatita, Ca10 (PO4 )6 (OH)2 , é o componente mineral majoritário encontrado
nos ossos e dentes (24). É comumente usada na forma de partículas densas ou porosas para
reposição óssea, ou como material para revestimentos de implantes metálicos (25). Entre as
razões para o seu emprego está a capacidade de ligação com os tecidos circundantes, devido à
sua composição química e semelhança biológica com os tecidos duros humanos (26). Embora
apresente vantagens importantes que justifiquem seu uso como revestimento para implantes
metálicos, a hidroxiapatita, por se tratar de uma cerâmica, é um material frágil e de baixa
resistência ao impacto (27).
No intuito de melhorar as propriedades mecânicas da hidroxiapatita, sem que se afete suas
propriedades biológicas, diferentes tipos de reforço podem ser utilizados, tais como silicato de
cálcio (17), perovskita (CaTiO3 ) (28), metilcelulose (29), nanotubos de TiO2 e de carbono (30) e
dopagem com flúor (31). Tais reforços têm a capacidade de alterar propriedades da hidroxiapatita,
tais como o parâmetro de rede, a cristalinidade, a estrutura e a carga da superfície, fatores que
interferem na solubilidade e estabilidade da hidroxiapatita e também em seu desempenho
biológico in vitro e in vivo (32). Neste trabalho propõe-se a incorporação de talco de pedra-sabão
à hidroxiapatita.
O talco é amplamente utilizado como um pó fino na indústria de papéis, tintas, cosméticos,
produtos farmacêuticos, pesticidas, borrachas, polímeros e cerâmicas devido à sua cor, baixas
condutividades térmica e elétrica e resistência química (33). O talco também é utilizado como
material de reforço em compósitos, a fim de melhorar as características mecânicas do composto
e a estabilidade dimensional do produto final (34). Recentemente o talco foi descoberto como
Capítulo 1. Introdução 18

sendo um material bidimensional esfoliável que apresenta propriedades similares às do grafeno,


tais como grande resistência à ruptura e rigidez moderada (3).
Neste trabalho, propõe-se a deposição de hidroxiapatita com incorporação de talco de
pedra-sabão sobre substrato de titânio através da técnica de eletrodeposição pulsada. Os filmes
depositados serão avaliados quanto à sua morfologia, resistência à corrosão, resistência ao
desgaste e biocompatibilidade.

1.1 Objetivos

1.1.1 Objetivo geral

Desenvolver e aprimorar revestimentos de hidroxiapatita com incorporação de partículas


de talco de pedra-sabão destinados a implantes metálicos.

1.1.2 Objetivos específicos

• Produzir revestimentos de hidroxiapatita sobre substrato de titânio com propriedades


mecânicas adequadas a implantes sujeitos à fadiga;

• Determinar os melhores parâmetros para a deposição de hidroxiapatita em titânio;

• Incorporar talco de pedra-sabão como reforço à hidroxiapatita;

• Caracterizar os filmes depositados quanto à sua morfologia, resistência à corrosão, resis-


tência ao desgaste e biocompatibilidade in vitro.
19

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Biomateriais

A definição do que é um biomaterial foi sendo aprimorada ao longo dos anos. A palavra
“biomaterial”, como a aplicamos atualmente, foi definida após a 2a Conferência Consenso sobre
Definições em Biomateriais em 1991, e refere-se a toda e qualquer combinação de substâncias
(exceto fármacos) de origens naturais ou sintéticas que, durante certo período de tempo, é
destinada a interagir com sistemas biológicos para avaliar, tratar, ampliar ou substituir quaisquer
tecidos, órgãos ou funções do organismo humano (35).
Um outro fator importante a se considerar é a biocompatibilidade, que está relacionada
à aceitação e à interação do biomaterial com o tecido circundante no corpo humano (15). É
também importante que o biomaterial permita uma boa adesão celular à sua superfície, tenha uma
resistência mecânica adequada, seja quimicamente estável, seja resistente à fadiga, entre outras
características. Além disso, deseja-se que o material seja relativamente barato, reprodutível, fácil
de fabricar e produzir em larga escala (36, 37).
Os biomateriais podem ser divididos em: sintéticos, que englobam os metais e ligas
metálicas, cerâmicas, polímeros e compósitos; ou naturais, de origem animal, vegetal ou humana
(38). Pode-se ainda classificar os biomateriais sob o ponto de vista de seu comportamento
biológico baseado na resposta do tecido receptor (39):

• Biotoleráveis, que são tolerados pelo organismo, sendo isolados dos tecidos circundantes
por meio da formação de uma cápsula fibrosa. Quanto maior a espessura dessa cápsula,
menor é a tolerância dos tecidos circundantes ao material. Quase todos os polímeros
sintéticos, assim como a grande maioria dos metais, se enquadram nesta categoria;

• Bioinertes, que encontram-se em ligação direta com o tecido receptor e apresentam uma
resposta interfacial mínima (formação de cápsula fibrosa de pequena espessura). Alumina,
zircônia, dióxido de titânio e titânio e suas ligas são considerados bioinertes;

• Bioativos, que promovem ligações de natureza química entre o material e o tecido circun-
dante induzindo uma atividade biológica específica. Por apresentarem semelhança química
com a parte mineral óssea, os tecidos circundantes se ligam a eles, permitindo a osteocon-
dução (migração de células ósseas). Os biovidros, as vitrocerâmicas e a hidroxiapatita são
materiais bioativos;

• Reabsorvíveis, que, após certo período de tempo, são lentamente degradados, solubilizados
ou fagocitados pelo organismo. Como exemplos têm-se o fosfato tricálcico – TCP e o
poli(ácido lático).
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 20

2.2 Implantes metálicos

Os metais, tais como titânio, ligas de titânio e aço inoxidável 316L, têm sido utilizados
como biomateriais em função de sua excelente resistência à corrosão, biocompatibilidade e
suas propriedades mecânicas (17) . O arranjo cristalino compacto e ordenado destes materiais
garante-lhes uma alta densidade específica e ponto de fusão relativamente alto (40).
Alguns metais são usados como substitutos ósseos de tecidos duros tais como próteses de
quadril ou de articulação de joelho, placas ósseas ou parafusos que auxiliam na cura de fraturas,
dispositivos de fixação espinhal e implantes dentários (41). Espera-se que os metais apresentem
propriedades que estejam de acordo com a aplicação a que serão destinados. Por exemplo,
stents são implantados para abrir vasos sanguíneos, então espera-se que tenham plasticidade
para a expansão mas também rigidez para manter a dilatação; para implantes ortopédicos, os
metais precisam ter excelentes dureza, elasticidade, rigidez, força e resistência à fratura; para
substituição total ou de articulação de joelho ou quadril, os metais precisam ser resistentes ao
desgaste; a restauração dentária requer metais fortes e rígidos (42).
A Figura 1 mostra exemplos de implantes temporários como placas, pinos, parafusos e
fixadores de ossos quebrados.

Figura 1 – Tipos de implantes ortopédicos temporários utilizados para fixação de fratura em


ossos: (a) placas e parafusos e (b) fixador da tíbia (1).

A primeira liga metálica especialmente desenvolvida para o uso em seres humanos foi
o “aço vanádio” que foi utilizado para produzir placas para fratura óssea (placas Sherman) e
parafusos (40). Outros metais como ferro (Fe), cromo (Cr), titânio (Ti), níquel (Ni), cobalto
(Co), tântalo (Ta), nióbio (Nb), molibdênio (Mo) e tungstênio (W) também são utilizados na
fabricação de ligas que são utilizadas como material de implante (40). Mesmo que alguns metais
como o ferro, presente nas células vermelhas do sangue, e o cobalto, que participa da síntese
da vitamina B12, sejam essenciais ao funcionamento do organismo, não são tolerados pelo
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 21

corpo humano quando usados em grandes quantidades (35). Portanto, a biocompatibilidade dos
implantes metálicos requer muitos cuidados visto que estes materiais podem corroer quando
em contato com fluidos corporais. As consequências da corrosão vão desde a desintegração
do material do implante, até os efeitos nocivos dos produtos da corrosão nos tecidos e órgãos
próximos (43).

2.2.1 Titânio

O uso do titânio em diferentes aplicações é um fato relativamente novo mas que vem
crescendo consideravelmente devido às suas excelentes propriedades, tais como sua leveza, alta
ductilidade, alta resistência à tração, baixa condutividade térmica, e abundância (17, 21).
O titânio conhecido como puro (Ti CP) apresenta teores de pureza entre 98 e 99,5%. O
titânio puro CP e a liga Ti6Al4V (cerca de 6% de alumínio, 4% de vanádio, e de 0,1% a 0,4% de
outros elementos) são os biomateriais baseados em titânio mais comumente usados (15). Suas
propriedades físicas são influenciadas pela quantidade de impurezas, ou de elementos residuais
ao processo de purificação, tais como: oxigênio (O), ferro (Fe), nitrogênio (N), carbono (C) e
hidrogênio (H) e são estas impurezas que determinarão as quatro categorias, ou graus de pureza,
de titânio suposto como comercialmente puro (40) (Tabela 1).
Tabela 1 – Composição química de Ti e suas ligas (% p/p) (14).

Elemento Tipo 1 Tipo 2 Tipo 3 Tipo 4 Ti6Al4V


Nitrogênio 0,03 0,03 0,05 0,05 0,05
Carbono 0,10 0,10 0,10 0,10 0,08
Hidrogênio 0,015 0,015 0,015 0,015 0,0125
Ferro 0,20 0,30 0,30 0,50 0,25
Oxigênio 0,18 0,25 0,35 0,40 0,13
Titânio Balanço

O titânio é um material alotrópico que apresenta arranjos cristalinos nas formas hexagonal
compacta, também denominada fase α, até a temperatura de 882o C, e cúbica de corpo centrado,
fase β , acima desta temperatura (44).
As tentativas de se usar o titânio para a fabricação de implantes datam do final dos
anos 1930. Sua leveza (densidade de 4,5 g/cm3 ) e suas excelentes propriedades químicas,
mecânicas e biocompatibilidade são características marcantes para a aplicação em implantes
(40). A estabilidade química do titânio no organismo, responsável por sua biocompatibilidade,
deve-se à presença de um filme fino e impermeável de óxido de titânio sobre a superfície do
mesmo, o que também lhe confere boa resistência à corrosão (45).
Estas características fazem com que o titânio apresente as propriedades mais adequadas
para o uso em implantes quando comparado ao aço inoxidável e liga de cobalto-cromo (Co-Cr),
materiais também muito utilizados como biometais (Tabela 2) (15), o que tem contribuído para
seu uso como biomaterial.
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 22

Tabela 2 – Valores médios das propriedades mecânicas típicas de metais usados em implantes
(15).

Módulo de Resistência à Resistência à Limite de resistência


elasticidade tração (MPa) compressão à fadiga (MPa)
(GPa) (MPa)
Aço inoxidável 190 221 483 221-280
Co-Cr 210 448-517 655-889 207-310
Titânio 110 485 760 300

2.3 Biocerâmicas

Objetos à base de cerâmica têm sido utilizados por seres humanos há milhares de anos.
Até recentemente, o seu uso foi um pouco limitado por causa de sua fragilidade inerente,
susceptibilidade a entalhes ou microtrincas, baixa resistência à tração e baixa resistência ao
impacto (40). No entanto, nos últimos 100 anos, técnicas inovadoras para a fabricação de
cerâmicas levaram à sua utilização como materiais “high tech” e com finalidade médica (46).
Devido ao fato de não interagir com fluidos corporais e por apresentar elevada resistência
à compressão e biocompatibilidade, cerâmicas têm sido aplicadas em odontologia e como
componentes de reforço de materiais de implante (36).
Para que seja classificada como biocerâmica, uma cerâmica deve ser: não carcinogênica,
não alergênica, não inflamatória, biocompatível e biofuncional (40).
Quanto ao seu comportamento biológico, as biocerâmicas podem ser bioativas ou bioi-
nertes. As cerâmicas bioinertes são aquelas que apresentam uma resposta interfacial mínima, que
não resulta na ligação ou na rejeição do tecido hospedeiro; enquanto que as cerâmicas bioativas
são aquelas que induzem uma atividade biológica específica, como a osteocondução (15). Hench
(47) ainda inclui mais uma classe de biocerâmicas: as reabsorvíveis, sendo a degradação um
fator importante e desejável, já que, à medida que a reabsorção ocorre, novos espaços são
disponibilizados ao crescimento do tecido ósseo em formação.
Baseado em propriedades físicas, as biocerâmicas podem ser classificadas em densas
ou porosas, referindo-se a micro ou macro-porosidade (48). Para Bertran et al. (49) e Sakano
et al. (50), apesar do aumento da porosidade diminuir a resistência mecânica da cerâmica, a
presença dos poros com as dimensões adequadas favorece o crescimento tecidual através deles,
permitindo um entrelaçamento entre tecido e implante.
Em ortopedia, utilizam-se basicamente dois tipos de biocerâmicas: os óxidos metálicos e
os fosfatos de cálcio. Os primeiros são as chamadas cerâmicas inertes como a alumina (Al2 O3 ) e
a zircônia (ZrO2 ). Os fosfatos de cálcio são as chamadas cerâmicas bioativas, e que se fixam
quimicamente ao osso; basicamente usam-se dois tipos: o fosfato tricálcico e a hidroxiapatita
sintética (16).
Entre os biomateriais, o grupo que mais se assemelha à composição do osso é o das
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 23

biocerâmicas de fosfato de cálcio (51). Os primeiros estudos com os fosfatos de cálcio datam de
1930, com Albee, utilizados para regenerar um defeito ósseo. Entretanto, somente 50 anos depois
começaram a aparecer diferentes cerâmicas de fosfato de cálcio como materiais implantáveis
para aplicação em medicina e odontologia (52).

2.3.1 Hidroxiapatita

Basicamente, três elementos constituem o osso humano: uma parte inorgânica (que
representa cerca de 69% do tecido), água (em torno de 9% do tecido) e o restante é uma matriz
orgânica (composta por colágeno, em sua maior parte, e proteínas) (20). Embora a composição
da fase inorgânica possa variar em função do tempo de maturação e envelhecimento dos tecidos
duros (49), a hidroxiapatita é o principal componente desta fase (53). A rigidez e a dureza da
hidroxiapatita, aliadas à elasticidade do colágeno, são responsáveis pelas propriedades mecânicas
do osso (16).
A hidroxiapatita, Ca10 (PO4 )6 (OH)2 , é um material biocerâmico encontrado no sistema
cristalino hexagonal no grupo P63 /m com razão Ca/P normalmente em torno de 1,67 e tem como
parâmetros de rede a=b=0,9422 nm e c=0,688 nm (2, 51). Quando a razão molar Ca/P é inferior
a 1,67 a hidroxiapatita é considerada deficiente em cálcio (54). É também relatada a presença de
razão molar Ca/P superior a 2,00 que está relacionada ao aparecimento da fase CaO (óxido de
cálcio) embora a hidroxiapatita ainda seja a fase dominante (55).
A célula unitária da hidroxiapatita, representada na Figura 2, contém quatro íons cálcio
localizados em sítios tetraédricos (sítio I) e seis íons cálcio localizados em sítios octaédricos
(sítio II). Os íons cálcio no sítio I estão alinhados em colunas e são coordenados a 9 átomos de
oxigênio. Os íons cálcio do sítio II estão em triângulos equiláteros perpendiculares à direção c
da estrutura e são coordenados a 6 átomos de oxigênio. Os grupos OH− estão ordenados no eixo
c. Íons fosfato ligam colunas constituídas pelo empilhamento de triângulos equiláteros de íons
O2− e de íons Ca2+ . Dos átomos de oxigênio que constituem o grupo fosfato, dois situam-se em
planos perpendiculares à direção c e dois estão em planos paralelos a essa direção (2).
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 24

Figura 2 – Célula unitária da hiroxiapatita: (a) vista lateral e (b) vista superior. Esferas verdes,
vermelhas, rosas e brancas representam átomos de Ca, O, P e H, respectivamente (2).

A produção de hidroxiapatita sintética data do início dos anos 1970 e sua utilização
como biomaterial ocorre desde o início dos anos 1980 (56). Na ortopedia, existe um particular
interesse em utilizá-la na forma de revestimentos para próteses metálicas, o que promoveria a
ligação interfacial estável entre o material implantado e os tecidos circundantes (18).
A utilização da hidroxiapatita é vantajosa devido ao fato de ser um material com compo-
sição uniforme, altamente compatível, não ser tóxica, nem alergênica ou carcinogênica e pelo
fato de sua microestrutura poder ser completamente controlável (27).
Assim como a maioria dos materiais cerâmicos, a hidroxiapatita apresenta baixa resistên-
cia à tração, ao impacto e à fadiga, no entanto, podem ser obtidas altas resistências controlando-se
o grau de porosidade (como pode ser visto na Tabela 3) e a espessura do material (57).

Tabela 3 – Propriedades mecânicas da hidroxiapatita (16).

Hidroxiapatita Resistência à Resistência à Módulo de


compressão (MPa) tração (MPa) elasticidade (MPa)
Porosa 7-69 2,5 -
Densa 207-897 69-193 34,5-103

A hidroxiapatita sintética é bem semelhante à presente no osso natural tanto em sua


composição química quanto no seu comportamento in vivo (58), o que se reflete em suas
propriedades de biocompatibilidade e osteointegração tornando-a substituta do osso humano em
próteses e implantes (51).

2.4 Pedra-sabão

A pedra-sabão, nome pelo qual o esteatito é mais conhecido, é uma rocha metamórfica
proveniente de rochas calcárias magnesianas ou de rochas ígneas básicas/ultrabásicas (59, 60).
É composta principalmente pelo mineral talco, um filossilicato de magnésio hidratado, mas
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 25

também contém outros minerais como dolomita, magnesita, clorita e tremolita, por exemplo
(61).
O termo “pedra-sabão” é devido ao fato de que a pedra apresenta uma superfície suave e
untuosa ao tato, e é também relacionado ao fato de que a pedra é fácil de esculpir (62). Muitas
vezes, os termos “esteatito”, “pedra-sabão” ou simplesmente “talco” são usados como sinônimos.

2.4.1 Talco

O talco [Mg3 Si4 O10 (OH)2 ], quando puro, tem formação placóide ou lamelar, podendo
também ser fibroso ou granular (63). O talco puro apresenta composição química teórica de
31,7% de MgO, 63,5% de SiO2 e 4,8% de H2 O (64). Sua estrutura monoclínica assume um
arranjo espacial do tipo “t-o-t”, ou do tipo “sanduíche”. Este arranjo exibe duas folhas tetraédricas
(t), formadas por átomos de silício e oxigênio, que envolvem uma folha octaédrica (o), formada
por magnésio e hidroxila (33). Estes conjuntos 2:1, exibidos na Figura 3, são mantidos por forças
de Van der Waals.

Figura 3 – Representação esquemática da estrutura do tipo "t-o-t"do talco. Esferas amarelas,


vermelhas, verdes e azuis representam átomos de Si, O, Mg e H, respectivamente (3).

O talco é uma matéria-prima mineral de largo uso na indústria moderna. Sua composição
química, estrutura cristalina e textura lhe conferem um amplo espectro de propriedades: baixa
dureza, baixas condutividades elétrica e térmica, inércia química, resistência ao choque térmico,
hidrofobicidade natural, leveza e alto ponto de fusão (65).
Da mesma forma que o grafite, h-BN (nitreto de boro) e MoS2 (dissulfeto de molibdênio),
o talco é um lubrificante sólido, e possui uma energia de ligação muito pequena entre as camadas,
entre 0,1 e 0,3 Jm−2 , e resistência à ruptura teórica, para deformações uniaxiais, entre 29 e 33
Nm−1 (3). Estes valores estão próximos daqueles notados para o grafeno (66).
Devido a estas propriedades, é um material utilizado em muitas aplicações industriais
tais como produção de cosméticos, produtos farmacêuticos, tintas, papéis, pesticidas, lubrifi-
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 26

cantes, refratários, cerâmicas e polímeros (3, 34). Uma outra aplicação refere-se ao seu uso
como material de carga em compósitos, a fim de melhorar as características mecânicas e a
estabilidade dimensional do produto final (34). Estudos recentes demonstraram que a inclusão de
nanopartículas de talco em polímeros resultou em melhorias notáveis na resistência do material
(67). Para a maior parte destas aplicações, o talco é utilizado como um pó fino (65).
Alencar et al. (3) demostraram que nanoestruturas de talco tem úteis propriedades
mecânicas: grande resistência à ruptura, rigidez moderada, baixa energia de ligação entre camadas
e, assim como o grafeno, são suficientemente fortes para suportar deformações com pequenos
raios de curvatura sem romper, características que podem lhe conferir uma série de aplicações
em nanoescala.

2.5 Eletrodeposição

A eletrodeposição, ou deposição eletroquímica, é o processo de formação de depósito


associado a uma reação eletroquímica (68). É um processo que requer equipamentos de baixo
custo e, atualmente, conta com um conhecimento científico e tecnológico muito desenvolvido
(69).
No processo de eletrodeposição, o substrato onde o revestimento será depositado é
posicionado no catodo (eletrodo de trabalho), e o material a ser corroído ou que servirá para
fechar o circuito elétrico sem sofrer corrosão é posicionado no anodo (contra-eletrodo) (70).
Eventualmente usa-se um terceiro eletrodo, como por exemplo o eletrodo de calomelano saturado,
como eletrodo de referência. A célula eletroquímica é constituída dos eletrodos e do eletrólito. O
eletrólito é uma solução que fornece os elementos do material a ser depositado, assegurando a
condução de íons através da célula (71).
A técnica de eletrodeposição é bastante atrativa, pois pode ser utilizada para revesti-
mento de superfícies irregulares com rapidez e em baixas temperaturas, além de possibilitar um
alto controle da espessura e cristalinidade do depósito (72). Também pode ser utilizada como
ferramenta para a formação de filmes, nanoestruturas e monocamadas (73).
Para a deposição de metais, as principais técnicas de eletrodeposição são:

• Deposição galvanostática – onde a corrente que flui através da célula eletroquímica é


mantida fixa;

• Deposição potenciostática – onde é aplicado um potencial à célula eletroquímica, e este é


mantido fixo;

• Deposição espontânea – onde não há a necessidade de que se apliquem tensões ou corren-


tes;

• Deposição pulsada – onde são aplicados pulsos de corrente ou tensão (68).


Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 27

Apesar das vantagens da técnica de eletrodeposição, podem surgir alguns problemas


quando se trabalha com fosfatos de cálcio. Em primeiro lugar, não se sabe a que fase dos
fosfatos de cálcio pertence o revestimento depositado, isto porque a concentração de íons OH−
produzidos pode afetar a composição do revestimento. Em segundo lugar, a formação de bolhas
de hidrogênio, que podem aderir-se à superfície do substrato, impede a deposição do revestimento
e conduz a uma fraca aderência do mesmo (25).
Uma abordagem possível para melhorar a qualidade dos revestimentos é usar a deposição
pulsada, que fará com que o transporte de massa até o eletrodo de trabalho ocorra em etapas,
o que fornecerá o tempo necessário para que a adesão seja mais efetiva (25). Além disso, a
deposição pulsada também permite que as bolhas de hidrogênio produzidas tenham tempo para
se soltar levando a depósitos mais aderentes e uniformes (25).
A técnica de eletrodeposição também permite que sejam produzidos revestimentos
compostos por mais de uma fase. Quando duas fases distintas são depositadas simultaneamente
em um substrato, a técnica é denominada codeposição. A técnica de codeposição consiste em
adicionar ao eletrólito partículas condutoras, semi-condutoras ou não-condutoras durante o
processo de eletrodeposição, levando à obtenção de revestimentos compósitos (74, 75, 76).
É relatado na literatura que revestimentos de hidroxiapatita com incorporação de silicato
de cálcio (17), nanotubos de titânio e de carbono (30), quitosana (77) e nanotubos de carbono
(78) obtidos por codeposição apresentam propriedades mecânicas superiores àquelas obtidas
para revestimentos de hidroxiapatita pura.
28

3 TÉCNICAS DE CARACTERIZAÇÃO

Os filmes depositados foram avaliados quanto à sua morfologia, composição química,


estrutura cristalina, resistência à corrosão, resistência ao desgaste e biocompatibilidade. Neste
capítulo serão apresentadas as descrições das técnicas utilizadas.

3.1 Polarização Potenciodinâmica

As reações eletroquímicas que podem vir a ocorrer na interface de um material dependem


do potencial de eletrodo (medido em relação a um eletrodo de referência) a que a superfície está
submetida. Um estudo destas reações pode ser realizado baseando-se na relação entre o potencial
aplicado e a corrente gerada nas reações eletroquímicas (catódicas e anódicas) que ocorrem (79).
A polarização potenciodinâmica é a técnica utilizada para a obtenção de curvas de
polarização e compreende a varredura contínua do potencial, iniciando-se no potencial de
corrosão (potencial a ser assumido pelo material a partir de sua imersão em solução) ou em
potenciais menores, elevando-se o potencial a uma taxa de varredura constante (5).
Um controle adequado do potencial de eletrodo é conseguido por meio de um potenci-
ostato, que permite, além de impor ao eletrodo o potencial desejado com relação ao eletrodo
de referência, também medir a corrente de polarização e registrá-la (79). Pode-se, dessa forma,
obter as curvas de polarização que representam a relação entre o potencial de eletrodo aplicado e
a correspondente corrente medida no potenciostato (4).
A Figura 4 ilustra esquematicamente o arranjo para o levantamento dessas curvas de
polarização. Neste arranjo, o eletrodo de referência encontra-se dentro de um capilar de Luggin,
cuja extremidade capilar é mantida o mais próximo possível da superfície do eletrodo de trabalho,
enquanto um fluxo de corrente é estabelecido entre o eletrodo de trabalho e um contra-eletrodo.

Figura 4 – Arranjo esquemático para obtenção de curvas de polarização, onde são representados
o eletrodo de trabalho (ET), contra-eletrodo (CE) e eletrodo de referência (ER) (4).
Capítulo 3. Técnicas de caracterização 29

Na Figura 5 tem-se uma curva de polarização típica de aços inoxidáveis em meio ácido,
onde é possível observar as regiões catódica e anódica.

Figura 5 – Esquema de curva de polarização típica de aços inoxidáveis em meio ácido. E*:
potencial de corrosão. E pp : potencial de início da passivação. Etrans : potencial de
início da região anódica transpassiva (5).

Na porção catódica (potenciais abaixo do potencial de corrosão) a taxa de dissolução do


metal é baixa, devido à predominância de reações catódicas, como a evolução de hidrogênio.
Com o aumento do potencial ocorre a reversão de corrente no potencial de corrosão e, a partir daí,
tem início o trecho anódico da curva de polarização. Todo o trecho anódico representa a faixa
de potencial na qual pode ocorrer a corrosão do metal ou reações de interface metal/solução,
podendo haver redução ou oxidação de compostos da solução utilizada (5). Na região anódica
ativa, a densidade de corrente aumenta com o aumento do potencial, caracterizando a corrosão do
material. Em alguns materiais, existe um máximo de corrente atingido devido à estabilização de
um determinado equilíbrio (metal/íon, metal/óxido, metal/hidróxido) ou formação de películas
aderentes, tendo início a região anódica passiva. Esta região é caracterizada por uma baixa
densidade de corrente e, portanto, baixa taxa de corrosão. Na região anódica transpassiva,
ocorre um aumento da densidade de corrente causado pela desestabilização das películas ou dos
equilíbrios estabelecidos na região passiva (4, 5).

3.2 Microscopia eletrônica de varredura

A microscopia eletrônica de varredura baseia-se na emissão de um fino feixe de elétrons


que incide sobre uma área da amostra a ser analisada. O espalhamento do feixe de elétrons
na superfície da amostra dá origem à emissão de diversos sinais que são captados por detec-
Capítulo 3. Técnicas de caracterização 30

tores específicos e fornecem informações características das amostras, tais como composição,
cristalografia e topografia da superfície (15).
Em um microscópio eletrônico de varredura (MEV) convencional existe uma coluna
óptico-eletrônica adaptada a uma câmara com porta amostra aterrado, sistema eletrônico, detec-
tores e sistemas de vácuo (80). No interior da coluna os elétrons gerados por emissão termiônica
a partir de um filamento de tungstênio (W) ou de hexaboreto de lantânio (LaB6 ) são acelerados
por uma tensão de aceleração de 1 a 50kV (81). Este feixe de elétrons é concentrado, controlado
e reduzido por um sistema de lentes eletromagnéticas, diagramas e bobinas, e incide sobre a
amostra, gerando sinais que são detectados e medidos (80). O esquema simplificado de um MEV
é exibido na Figura 6 a seguir.

Figura 6 – Esquema simplificado de um MEV (6).

No MEV os sinais de maior interesse são, usualmente, os elétrons secundários (Secondary


Electrons – SE) e os elétrons retroespalhados (Backscattering Electrons – BSE) (81). À medida
que o feixe de elétrons primários varre a amostra, os sinais dos SE e BSE sofrem variações de
amplitude em decorrência das variações de topografia e de material da superfície; estes sinais
são transformados ponto a ponto em imagens com variações de tons de cinza (6). Ocorre ainda a
utilização de microssondas eletrônicas, conhecidas como espectrômetros de energia dispersiva
de raios X (Energy Dispersive X-ray Spectroscopy – EDS) que complementam a caracterização
microscópica das amostras. Os detectores de EDS podem ser acoplados na câmara de vácuo
para analisar o sinal correspondente dos raios X característicos, resultantes da interação do feixe
de elétrons com a amostra, permitindo uma análise semi-quantitativa e pontual dos elementos
(EDS-spot) bem como a distribuição espacial dos elementos químicos (EDS-mapping) (82).
A microscopia eletrônica de varredura é um importante instrumento na análise microes-
trutural de materiais sólidos.
Capítulo 3. Técnicas de caracterização 31

3.3 Espectroscopia Raman

A espectroscopia Raman é uma técnica que se baseia no espalhamento inelástico de luz


para obtenção de informações eletrônicas e estruturais de materiais, fornecendo um espectro
caraterístico do material em estudo (7).
A técnica constitui-se de uma fonte de luz monocromática que, ao atingir o material,
é espalhada gerando radiação de mesma energia ou de energia diferente daquela da radiação
incidente. No primeiro caso, o espalhamento é considerado elástico e conhecido por espalhamento
Rayleigh. No segundo caso, tem-se o espalhamento inelástico, conhecido como espalhamento
Raman (83).
O espalhamento Raman é distinguido quando a luz espalhada tiver energia menor ou
maior que a da radiação incidente. Quando a energia da luz espalhada for menor que a da radiação
incidente, tem-se o espalhamento Stokes. Já quando a luz espalhada tem energia maior que a
radiação incidente, tem-se o espalhamento anti-Stokes (84). Essa diferença de energia entre a
radiação incidente e a espalhada corresponde à energia com que os átomos da amostra estão
vibrando, o que permite descobrir como eles estão ligados. Além disso pode-se ter informações
sobre a geometria molecular e sobre a interação entre as espécies químicas presentes e delas com
o ambiente, entre outras informações (85).

Figura 7 – Processos de espalhamento da luz em um material. Espalhamentos Rayleigh em “A”,


Stokes em “B” e anti-Stokes em “C”. Efeito Raman ressonante em “D” (7).

Na Figura 7 estão esquematizados os processos de espalhamento de um material,


podendo-se observar as transições de estados eletrônicos e vibracionais. No processo A, as
Capítulo 3. Técnicas de caracterização 32

moléculas do material, em seu estado fundamental, absorvem energia dos fótons incidentes
e passam a um estado intermediário virtual para, na sequência, decair de volta para o estado
fundamental, emitindo fótons de mesma energia que os incidentes. Este é o espalhamento Ray-
leigh. Nos processos B e C, a luz absorvida leva o sistema de seu estado inicial para um estado
intermediário virtual e, quando o sistema decai, ele não volta para o mesmo estado vibracional
inicial e a energia emitida é diferente daquela que foi absorvida. Estes processos caracterizam o
efeito Raman; em B tem-se o espalhamento Stokes, e em C tem-se o espalhamento anti-Stokes
(7).
Frequentemente, a energia da radiação incidente ou espalhada coincide com um gap
eletrônico do sistema em estudo. Nesta situação, os estados intermediários virtuais da Figura 7
correspondem a estados eletrônicos e o espalhamento Raman é amplificado, gerando um aumento
do número de fótons que participam do processo de espalhamento inelástico (84). Este processo
é conhecido por efeito Raman ressonante, e está representado pelo processo D da Figura 7.
Um espectro Raman é obtido através da incidência de um laser, que passa através de
um filtro do tipo notch e é depois focalizado na amostra pela objetiva do microscópio (Figura
8). A objetiva do microscópio é utilizada tanto para focalizar o feixe incidente quanto na coleta
da radiação que é espalhada pela amostra. Desta forma, a radiação retorna ao filtro de notch e
é dirigida para um espectrômetro ou monocromador, e suas componentes são recolhidas por
um detector, que converte sua intensidade em sinais elétricos, que são interpretados em um
computador na forma de um espectro Raman (8).

Figura 8 – Esquema geral do arranjo ótico de um microscópio Raman (8).

Um espectro Raman mostra, em seu eixo das abscissas, a diferença entre o número de
onda da radiação incidente e espalhada – chamada de deslocamento Raman – cuja unidade é dada
usualmente em cm−1 . No eixo das ordenadas aparece a intensidade espectral, dada usualmente
em unidades arbitrárias (u.a.) dependentes de parâmetros experimentais (84).
Cada espécie química fornece um espectro que lhe é característico; isto possibilita
Capítulo 3. Técnicas de caracterização 33

a identificação do material analisado ou, ainda, a detecção de alterações químicas derivadas


da interação com outras substâncias ou com a luz, o que a torna uma importante técnica na
investigação da estrutura microscópica dos materiais (83).

3.4 Difração de raios X

O princípio da técnica de difração de raios X consiste num processo de espalhamento,


no qual feixes de raios X que incidem sobre a amostra são espalhados por elétrons dos átomos
que constituem o material (81). A difração resultante de um sólido cristalino é uma propriedade
característica da substância e fornece informações sobre a composição e a estrutura cristalina do
material (63).
Quando um material é submetido à radiação X com comprimento de onda na mesma
ordem de grandeza das distâncias interplanares do material, os raios X são espalhados em todas
as direções. Grande parte da radiação espalhada pelos átomos sofre interferência destrutiva. No
entanto, quando os átomos têm uma estrutura ordenada, como a cristalina, os raios X que atingem
os planos cristalográficos em ângulos específicos sofrem interferência construtiva, diz-se que a
radiação foi difratada (86).
Matematicamente, a difração de raios X ocorre quando as condições satisfazem a Lei
de Bragg (Equação 1), que estabelece a relação entre o ângulo de incidência dos raios X e a
distância entre os planos cristalográficos que a originaram:

nλ = 2dhkl sin θ (1)

onde n é um número inteiro (ordem de difração), λ é o comprimento de onda dos raios X


incidentes, d é a distância interplanar para o conjunto de planos hkl da estrutura cristalina e θ é
o ângulo de incidência dos raios X (87), o que pode ser ilustrado através da Figura 9.

Figura 9 – Difração de raios X em um cristal (9).


Capítulo 3. Técnicas de caracterização 34

Cabe salientar que a Lei de Bragg é uma condição necessária para que ocorra a difração,
mas não é suficiente. Ela especifica quando ocorre a difração para células unitárias primitivas,
ou seja, aquelas células unitárias que possuem átomos apenas nos vértices da célula. As células
unitárias não primitivas possuem átomos em outras posições (como ao longo de uma aresta, nas
faces ou no interior das células), que acabam atuando como centros adicionais de dispersão,
que podem produzir difração fora de fase em certos ângulos. Como resultado, parte da difração
prevista pela lei de Bragg não ocorre. Por exemplo, para o sistema cristalino cúbico, na estrutura
CCC (cúbica de corpo centrado), a difração só ocorre para planos pares, enquanto que na
estrutura CFC (cúbica de face centrada), a difração só ocorre para planos não mistos, ou seja,
com h k l todos pares ou ímpares (9).
Um difratômetro convencional registra a intensidade da radiação difratada em função do
ângulo de difração e do comprimento de onda, de modo que um valor d pode ser calculado para
cada reflexão, ou família de planos cristalográficos h k l, através da Lei de Bragg (63).
Como o perfil de difração obtido é característico para cada fase cristalina, a técnica de
difração de raios X é uma das mais indicadas na determinação das fases cristalinas presentes em
materiais cerâmicos (87).

3.5 Teste de desgaste

De acordo com Zum-Gahr (88), a norma DIN 50320 define o desgaste como a perda
progressiva do material da superfície de um corpo sólido em decorrência de uma ação mecânica,
ou seja, do contato e do movimento relativo contra um contracorpo sólido, líquido ou gasoso.
Existem, tradicionalmente, quatro tipos de desgaste (89):

• Desgaste adesivo – ocorre quando a adesão entre as superfícies é suficientemente forte


para resistir ao deslizamento, o que causa uma deformação plástica na região de contato
entre os corpos ocasionando o surgimento de trincas;

• Desgaste abrasivo – ocorre quando há remoção de material da superfície em função do


formato e da dureza dos dois materiais que são postos em contato;

• Desgaste por fadiga – ocorre em função de um número elevado de movimentos repetitivos;

• Desgaste corrosivo – ocorre em meios corrosivos, líquidos ou gasosos levando à formação


de produtos de reação devido às interações químicas e eletroquímicas.

Os quatro tipos de desgaste são esquematizados na Figura 10.


Capítulo 3. Técnicas de caracterização 35

Figura 10 – Representação esquemática dos quatro tipos de desgaste. (a) Adesivo, (b) abrasivo,
(c) por fadiga e (d) corrosivo (10).

Testes de deslizamento são projetados para analisar o desgaste decorrente do movimento


que ocorre numa parte significativa das aplicações mecânicas. Parâmetros como a carga aplicada,
a área de contato, a velocidade de deslizamento, o tempo de teste, a temperatura, as condições de
lubrificação e a composição atmosférica devem ser considerados e controlados (89).
Diferentes arranjos experimentais são utilizados para a realização dos ensaios (10):

• Ensaio de disco de borracha com areia (Figura 11) – consiste em fazer girar um disco de
borracha sobre a superfície em análise com baixa força de atuação enquanto a superfície
de contato é exposta a material arenoso.

Figura 11 – Representação do ensaio de disco de borracha com areia (11).

• Ensaio de erosão de partículas sólidas (Figura 12) – consiste no ataque da superfície em


análise com partículas sólidas usando jatos de ar comprimido.
Capítulo 3. Técnicas de caracterização 36

Figura 12 – Representação do ensaio de erosão de partículas sólidas (11).

• Ensaio de erosão por cavitação (Figura 13) – neste ensaio, a amostra é imersa em um
líquido, e o desgaste ocorre em decorrência da alta vibração provocada por um transdutor.

Figura 13 – Representação do ensaio de erosão por cavitação (11).

• Ensaio de desgaste de quatro esferas (Figura 14) – neste ensaio, uma esfera é colocada
no topo de outras três esferas que foram previamente engastadas e cobertas com óleo
Capítulo 3. Técnicas de caracterização 37

lubrificante. Após o aquecimento do lubrificante, a esfera do topo é girada provocando


cisalhamento entre as quatro esferas. A resposta do teste consiste na análise das depressões
provocadas nas esferas.

Figura 14 – Representação do ensaio de desgaste de quatro esferas (12).

• Ensaio de desgaste bloco-disco (Figura 15) – consiste em pressionar o bloco de teste contra
o disco que já se encontra em rotação. O resultado do teste é obtido pelo cálculo da perda
de volume do bloco e do disco.

Figura 15 – Representação do ensaio de bloco-disco (11).

• Ensaio de desgaste pino-disco (Figura 16) – consiste no movimento relativo entre pino
e disco, resultando em um risco circular no disco. O desgaste é determinado através da
perda de massa ou das variações das medidas do disco e do pino.
Capítulo 3. Técnicas de caracterização 38

Figura 16 – Representação do ensaio de pino-disco (11).

• Ensaio de desgaste pino-chapa (Figura 17) – consiste no movimento linear e recíproco


(vai e vem) relativo entre pino e chapa, resultando em uma trilha de desgaste na chapa. O
desgaste é determinado através da perda de massa ou da análise da trilha gerada.

Figura 17 – Representação do ensaio de pino-chapa (13).

Geralmente, as taxas de desgaste são obtidas por meio da medição da perda de massa das
amostras testadas (89). Pode-se também medir o coeficiente de atrito entre indentador e amostra
ao longo do tempo (90), o que pode indicar mudanças no mecanismo de desgaste, bem como a
ruptura do material da amostra (89).
Em superfícies revestidas, as taxas de desgaste estão intimamente ligadas à integridade
do revestimento, que está relacionada à adesão deste ao substrato em função das lígações físicas
e químicas que ocorrem impedindo que a falha do revestimento ocorra (91, 92).
Capítulo 3. Técnicas de caracterização 39

3.6 Ensaios de biocompatibilidade

No desenvolvimento de biomateriais faz-se necessária a realização de testes in vitro e in


vivo para avaliar se os mesmos podem causar reações adversas ou mesmo lesar os tecidos com
os quais estarão em ligação direta (93).
Um método comum para se testar a biocompatibilidade de um material é através da
realização de testes de citotoxicidade in vitro (94). A citotoxicidade pode ser definida como a
ação adversa que determinado composto pode vir a exercer sobre as células, podendo levar à
morte celular (93).
A citotoxicidade, bem como a viabilidade celular, de um biomaterial pode ser avaliada
usando-se estudos de cultura de células pela técnica de Alamar Bluer, a qual baseia-se na
análise da atividade metabólica de células vivas (95).
Neste ensaio, a resazurina (conhecida comercialmente como Alamar Bluer) de colora-
ção azul e não fluorescente é absorvida pelas células por endocitose e reduzida a resofurin de
coloração rosa e fluorescente, permitindo uma análise rápida da atividade celular metábolica
visto que existe uma relação direta entre a redução de resazurina a resofurin e o número de
células viáveis (96, 97). Assim, o método de Alamar Bluer é uma maneira rápida, sensível e não
citotóxica para se analisar a viabilidade celular, permitindo uma quantificação dos mecanismos
de proliferação e citotoxicidade em biomateriais (95).
40

4 MATERIAIS E MÉTODOS

Neste capítulo serão descritas as etapas de preparação e caracterização das amostras


obtidas. Cada ensaio foi realizado, no mínimo, em triplicata sempre apresentando repetibilidade
e reprodutividade.

4.1 Preparação dos substratos

Discos de titânio de grau 2, com 1 mm de espessura e 10 mm de diâmetro, foram


utilizados como eletrodo de trabalho (substratos para a deposição). A composição do titânio
utilizado está especificada na Tabela 5.

Tabela 4 – Composição do Ti (grau 2) utilizado conforme fornecedor (TiBrasil Titânio Ltda.).

Elemento Composição (%) p/p


Nitrogênio 0,01
Carbono 0,01
Hidrogênio Final 0,0023
Ferro 0,07
Oxigênio 0,14
Titânio Balanço

Após serem cortados com máquina de corte Isomet 1000 – Precision Saw (Buehler), os
discos tiveram suas superfícies lixadas com carbeto de silício grana 220, 320, 420, 600 e 1200.
Esta etapa foi realizada manualmente com pouca pressão, com o auxílio de água e detergente
para reduzir o atrito entre os discos e as lixas.
Para garantir uma melhor adesão dos revestimento de hidroxiapatita, antes da deposição,
os substratos foram imersos em solução de HF (ácido fluorídrico) a 4% por 2 minutos e, então,
limpos por ultrassom (UltraCleaner 1400 - Unique) em acetona, álcool etílico e água destilada
por 15 minutos. Como relatado por PEI et al. (78), revestimentos produzidos nestas condições
mostram-se mais aderentes ao substrato, o que pode ser percebido na Figura 18.
Capítulo 4. Materiais e métodos 41

Figura 18 – Revestimentos de hidroxiapatita depositados em (a) titânio sem pré-tratamento em


HF; (b) titânio com pré-tratamento em HF.

4.2 Preparação do eletrólito

Os eletrólitos utilizados foram preparados por dissolução de 0,042 M de Ca(NO3 )2 .4H2 O;


0,025 M de NH4 H2 PO4 e 0,15 M de NaNO3 (78). Para reduzir a formação de bolhas de
hidrogênio na superfície do substrato durante as deposições catódicas, adicionou-se peróxido de
hidrogênio (H2 O2 ) aos eletrólitos, nas concentrações de 2% e 6% (em volume). O uso de H2 O2
fornece uma fonte alternativa de íons OH− , o que diminui a taxa de evolução de hidrogênio e,
consequentemente, a formação de bolhas na superfície do substrato, evitando o aparecimento
de defeitos no filme (24). Foram utilizados eletrólitos com dois valores de pH: 4,19 (obtido
naturalmente) e 5,0 (ajustado por solução de 0,01M de NaOH).

4.3 Procedimento de eletrodeposição

Para a deposição dos filmes de hidroxipatita (HA) utilizou-se a eletrodeposição catódica


pulsada que, segundo Blackwood e Seah (25) e Kim e Weil (98), faz com que o transporte de
massa até o eletrodo de trabalho ocorra em etapas, o que fornece o tempo necessário para que as
bolhas de hidrogênio produzidas se soltem levando a depósitos mais aderentes e uniformes.
A eletrodeposição foi realizada em uma célula típica de três eletrodos (Figura 19), onde
foram utilizados o substrato de titânio como eletrodo de trabalho, um eletrodo de grafite como
contra-eletrodo, e um eletrodo de calomelano saturado como eletrodo de referência. Um agitador
magnético (78HW-1 Biomixer) operando à velocidade constante foi utilizado de modo a manter
uniforme a concentração do eletrólito. Um banho ultratermostático (Quimis) foi utilizado para
manter a temperatura do eletrólito constante em 65o C.
Capítulo 4. Materiais e métodos 42

Figura 19 – Célula eletroquímica típica de três eletrodos utilizada para a deposição.

Diferentes condições de eletrodeposição foram realizadas alterando-se os seguintes


parâmetros: potencial e duração da eletrodeposição, pH do eletrólito e teor de H2 O2 . Para cada
condição de deposição foram produzidas, no mínimo, três amostras.
Os parâmetros para a eletrodeposição são discriminados na Tabela 6 abaixo.

Tabela 5 – Parâmetros utilizados para a deposição dos filmes de hidroxiapatita.

Condição Potencial Potencial Duração pH do Teor de


superior (V) inferior (V) (horas) eletrólito H2 O2 (%)
1 -5 0 1 4,19 2
2 -5 0 1 5,00 2
3 -4 0 1 5,00 2
4 -5 0 1 5,00 6

Os potenciais para a deposição, bem como a frequência dos pulsos (0,2 Hz para todas
as deposições) e o tempo decorrido do processo, foram controlados através do Potenciostato
MQPG-1 Microquímica Automação Ltda.

4.4 Corte transversal de amostras

Amostras foram embutidas em resina de forma a se obter seções transversais das mesmas.
Para isto, seguiram-se os seguintes passos:

• Dois filmes depositados com os mesmos parâmetros foram colados com cola cianoacrilato
(SuperBonderr) com as faces revestidas viradas para dentro e, então, postos a secar por
24 horas;
Capítulo 4. Materiais e métodos 43

• Depois foram cortados transversalmente com máquina de corte Isomet 1000 - Precision
Saw (Buehler);

• As seções da peça foram colocadas no fundo de um molde plástico;

• A resina foi preparada pela mistura de 2,5 partes do copolímero metil etil metacrilato
+ 1 parte do monômero metil metacrilato usando o dosador que acompanha o produto,
segundo indicações do fabricante (Jetr);

• A resina foi, então, despejada no molde;

• Após 24 horas, as amostras embutidas foram retiradas do molde e lixadas manualmente


com carbeto de silício grana 1200 com pouca pressão e com auxílio de água e detergente
para reduzir o atrito entre as peças e a lixa e, então, polidas com alumina.

4.5 Incorporação das partículas de talco

O pó de talco grosseiro foi obtido de peças de artesanato feitas com pedra-sabão ad-
quiridas na cidade de Ouro Preto, Brasil, a partir de métodos convencionais de esfoliação
mecânica.
Este pó foi macerado e peneirado em peneira com malha de 300 µm de modo a garantir
que esta fosse a dimensão máxima das partículas de talco utilizadas. Após esse processo, as
partículas foram adicionadas ao eletrólito para a deposição às concentrações de 10 g/L, 40 g/L
e 80 g/L. Para a deposição dos filmes compósitos de HA+talco, a condição de deposição que
proporcionou filmes mais compactos e com melhor resistência à corrosão foi utilizada. Esta
condição de deposição corresponde aos parâmetros seguintes:

Tabela 6 – Parâmetros utilizados para a deposição dos filmes compósitos de HA+talco.

Potencial Potencial Duração pH do Teor de


superior (V) inferior (V) (horas) eletrólito H2 O2 (%)
-5 0 1 4,19 2

4.6 Microscopia eletrônica de varredura

A análise de microscopia eletrônica de varredura foi realizada para a obtenção de


informações a respeito da morfologia dos filmes depositados.
As imagens foram obtidas em microscópio eletrônico de varredura modelo, Vega3
Tescan, instalado no NANOLAB, Departamento de Engenharia Metalúrgica da UFOP associado
à REDEMAT; microscópio eletrônico de varredura, modelo Vega3 Tescan, instalado no Centro
de Microscopia do IFMG - campus Ouro Preto; e microscópio eletrônico de varredura JEOL,
Capítulo 4. Materiais e métodos 44

modelo JSM6510 , instalado no Laboratório de Microanálises do DEGEO-EM-UFOP, integrante


da RMIc, Rede de Microscopia e Microanálises de Minas Gerais - FAPEMIG.
Antes da análise, as amostras foram revestidas com camada de ouro ou carbono com
cerca de 100 Å de espessura para se obter uma superfície condutora. As imagens foram geradas
a partir de feixes de elétrons acelerados por tensões de 5 kV, 15kV e 20 kV.

4.7 Polarização potenciodinâmica

Ensaios de polarização potenciodinâmica foram realizados com um potenciostato modelo


MQPG-01 (Microquímica Automação Ltda.) a fim de verificar o comportamento das amostras
em meio corrosivo.
Curvas de polarização foram obtidas paras as amostras em solução PBS (solução salina
tamponada com fosfato), a fim de simular os fluidos corporais. A solução PBS foi preparada
por dissolução de 8g/L de NaCl; 0,2 g/L de KCl; 0,594 g/L de Na2 HPO4 e 0,2 g/L de KH2 PO4
(99). O sistema era mantido 1 hora em solução a fim de estabilizar o potencial de corrosão e
só então eram realizados os testes. Os ensaios foram realizados a uma taxa de varredura de
0,167 mV/s partindo de um potencial 300 mV abaixo do potencial de corrosão e terminando
em 1000 mV; faixa de varredura semelhante foi utilizada por Huang et al. (17) em filmes de
hidroxiapatita sobre titânio. Todos os ensaios de polarização foram realizados à temperatura
ambiente (aproximadamente 25o C).

4.8 Difração de raios X

A técnica de difração de raios X foi utilizada com a finalidade de determinar as fases


presentes nos filmes depositados.
Os difratogramas foram obtidos no CETENE – Centro de Tecnologia Estratégica do
Nordeste, usando um difratômetro modelo D8 ADVANCE da marca Bruker, com radiação
Cu-Kα (α = 1,5406 Å), em uma faixa de varredura de 20o a 80o , com passo angular de 0,02o /s.
Os difratogramas obtidos foram analisados com o software X’Pert HighScore Plus
(Philips Analytical) que utiliza um banco de dados de padrões de DRX conhecido como Powder
Diffraction File – PDF.

4.9 Espectroscopia Raman

A espectroscopia Raman foi utilizada na investigação da estrutura dos filmes depositados.


As medidas Raman foram realizadas em espectrômetro Witec Alpha 300 do Laboratório
de Espectroscopia Raman da UFMG. A fonte pontual utilizada foi um laser de comprimento de
Capítulo 4. Materiais e métodos 45

onda de 532 nm. A potência incidente na amostra foi de 5 mW com lente objetiva ajustada para
100x.

4.10 Testes de desgaste

O teste de desgaste foi realizado a fim de se avaliar a resistência ao desgaste dos filmes
depositados.
Os ensaios foram realizados com um tribômetro UMT TRIBOLAB TL-48279-3, locali-
zado no Laboratório de Engenharia de Superfície do SENAI-BH campus CETEC-MG. Os testes
foram realizados a seco, utilizando esfera de alumina. Os parâmetros utilizados são apresentados
na Tabela 8.

Tabela 7 – Parâmetros utilizados para os ensaios de desgaste.

Carga 2N
Tempo do ensaio 10 min
Velocidade de deslizamento 2 mm/s
Comprimento da trilha 2 mm

As imagens das trilhas de desgaste obtidas foram relizadas por microscópio ótico Zeiss
Modelo Imager.Z2m.
Os ensaios foram realizados em triplicata.

4.11 Testes de biocompatibilidade

Os testes de biocompatibilidade foram realizados no Laboratório de Nanobiotecnologia


e Sinalização Celular da UFMG a fim de analisar a viabilidade celular dos filmes.

4.11.1 Extração de osteoblastos primários

Foram utilizados neonatos de ratos wistar que foram sacrificados com aplicação de
anestésico em dose letal intraperitoneal (Cloridrato de Lidocaína a 2% sem vaso constritor).
Após limpeza dos animais com iodopovidona estes foram levados para o fluxo laminar, sendo
que todos os procedimentos procederam-se dentro do fluxo laminar. Foi realizado o escalpo do
espécime com um corte partindo da rima ocular até o ouvido e unindo-se na parte frontal. O
retalho foi deslizado para região posterior expondo a calvária. Foi introduzida a tesoura na sutura
mediana e na parieto-occipital destacando-se a parte óssea. Os fragmentos foram recolhidos
num tubo falcon contendo PBS estéril. O PBS contendo os fragmentos foi colocado numa placa
de petri e os mesmos foram limpos e reduzidos a pequenas partículas, que foram submetidas à
digestão enzimática sequencial.
Capítulo 4. Materiais e métodos 46

Os fragmentos receberam um primeiro banho por 15 min de tripsina 1% (em estufa


de CO2 a 37o C). Após remoção da tripsina, as amostras foram submetidas a quatro banhos
sequenciais de 20 min em colagenase/PBS 0,02% (em estufa de CO2 a 37o C). O sobrenadante do
banho de tripsina e do primeiro banho de colagenase foram descartados por conter alta proporção
de fibroblasto. O sobrenadante dos outros 3 banhos foram recolhidos, centrifugados a 250g
por 5 minutos. Cada pellet formado após centrifugação foi ressuspendido em 5 mL de meio
de cultura DMEM acrescido de 10% de SFB e plaqueado em caixa de cultura T25. As caixas
de cultura foram incubadas em estufa de CO2 a 37o C umidificada até atingir a confluência. Os
experimentos foram realizados quando as células estavam na segunda para terceira passagem.

4.11.2 Atividade da Fosfatase Alcalina

A fosfatase alcalina (ALP) catalisa a hidrólise de ésteres de fosfato dentro de um ambiente


alcalino, tendo por resultado a formação de um radical orgânico e fosfato inorgânico. A ALP é
uma enzima chave no processo de mineralização óssea e em osteoblastos maduros ela é produzida
intensamente (78). O método utiliza o fosfato de p-nitrofenil, que ao hidrolisar a ALP em um
produto de cor azul, a taxa da reação é diretamente proporcional à atividade de enzima.
Foi utilizado para dosagem da produção de fosfatase alcalina pelos osteoblastos estimu-
lados com ATP e análogos, para verificarmos se tais afetam a metabolização/diferenciação dos
osteoblastos. A determinação da produção de fosfatase alcalina foi através de espectrofotometria
e a leitura procedeu em 540 nm no leitor de ELISA. (Thermo Scientific Varioskanr Flash).

4.11.3 Cultura de Osteoblastos primários sobre os revestimentos

Após ser colocada uma amostra por poço em placa de 24 poços, as células foram
plaqueadas (1x105 células por poço/amostra) e mantidas em estufa de CO2 a 37o C. Foi aguardado
24 horas após o plaqueamento para verificação da adesão celular por microscópio. Foi realizado
troca de meio de cultura nos 3o , 7o , 10o e 14o dias de cultura. O sobrenadante foi recolhido em
eppendorf contendo inibidor de protease e armazenado em freezer -80o C.

4.11.4 Viabilidade celular

Para testar a viabilidade osteoblástica frente aos materiais foi utilizado o reagente Alamar
Bluer (Thermo Fisher Scientific) de acordo com as informações do fabricante. O ensaio foi
realizado nos 1o , 7o e 14o dias após plaqueamento celular nas amostras. Foi adicionado 40 µL
do reagente Alamar Bluer em 360 µL de meio de cultura, as placas foram mantidas em estufa
de CO2 a 37o C por 3 horas. Após o tempo de reação, o sobrenadante foi transferido para placa
de 96 poços para leitura da absorbância a 570nm em leitor de microplaca Thermo Scientific
Varioskanr Flash.
Capítulo 4. Materiais e métodos 47

4.11.5 Quantificação de colágeno

Utilizou-se os sobrenadantes recolhidos nos 3o , 7o , 10o e 14o dias de cultura dos osteo-
blastos. Em tubo eppendorf de 1,5 mL foi adicionado 25 µL de amostra (meio de cultura das
células), sendo o grupo controle (branco) utilizado meio de cultura puro. Foi adicionado em cada
tubo 250 µL de Dye Reagent, mantido sob agitação por 30 minutos. Em seguida os tubos foram
centrifugados a 12000 rpm por 10 minutos em temperatura ambiente (24-25o C). O sobrenadante
foi aspirado cuidadosamente para que não houvesse perda do pellet formado. Em seguida, o
pellet foi lavado com 300 µL de Acid-salt Wash gelado, sendo aspirado em seguida. O pellet foi
ressuspendido em 125 µL de Alkali Reagent. Foi adicionado 100 µL da solução em poços de
placa de 96 poços para leitura da absorbância no comprimento de onda de 555 nm. Para fazer a
curva padrão foram utilizados 5, 10, 15, 20, 30, 40 e 50 µg de colágeno (Collagen Reference
Standart).

4.11.6 Preparação das amostras para realização de análise em Microscopia Eletrônica de


Varredura

No 14o dia de cultura, o meio foi substituído por solução de fixação gelada contendo 4%
de paraformaldeído e 0,5% de glutaraldeído em PBS pH 7,4. As amostras ficaram imersas nesta
solução por 10 minutos a 4o C. Em seguida, as amostras foram lavadas com PBS pH 7,4. Após
fixação o PBS foi substituído por solução de PBS pH 7,4 contendo 1% de OsO4 para melhor
visualização das estruturas de membrana celular sobre a amostra.

4.11.7 Tratamento estatístico dos dados

Os dados numéricos obtidos passaram por análise de variância (ANOVA) utilizando o


software GraphPad Prismr.
48

5 RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1 Microscopia eletrônica de varredura

As micrografias dos filmes depositados por 1 hora são apresentadas nas Figuras 20, 21,
22 e 23.
Amostras depositadas a um potencial catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2 e pH
4,19 [Figuras 20(a) e (b)] apresentam a formação de núcleos e uma superfície homogênea e
compacta.

Figura 20 – Micrografia de amostra depositada a potencial catódico de 5V com adição de 2%


de H2 O2 e pH 4,19.
Capítulo 5. Resultados e discussões 49

Amostras depositadas a um potencial catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2 e


pH 5,0 [Figuras 21(a) e (b)] apresentam superfície homogênea e a formação de estruturas do
tipo coral. Foi detectada a presença de trincas, as quais prejudicam a resistência à corrosão do
revestimento [Figura 21(c)].

Figura 21 – Micrografia de amostra depositada a potencial catódico de 5V com adição de 2%


de H2 O2 e pH 5,0.
Capítulo 5. Resultados e discussões 50

Amostras depositadas a um potencial catódico de 4V com adição de 2% de H2 O2 e


pH 5,0 [Figuras 22(a) e (b)] apresentam a formação de núcleos menores, uma superfície não
compacta e a formação de estruturas do tipo coral.

Figura 22 – Micrografia de amostra depositada a potencial catódico de 4V com adição de 2%


de H2 O2 e pH 5,0.

Amostras depositadas a um potencial catódico de 5V com adição de 6% de H2 O2 e pH


5,0 [Figuras 23(a) e (b)] apresentam a formação de estruturas do tipo coral. Segundo as imagens
apresentadas na Figura 23, verifica-se que o depósito é mais compacto que o depósito obtido
com adição de 2% de H2 O2 , porém menos compacto que depósitos obtidos a pH 4,19.

Figura 23 – Micrografia de amostra depositada a potencial catódico de 5V com adição de 6%


de H2 O2 e pH 5,0.

Dos resultados de microscopia eletrônica de varredura pode-se afirmar que os parâmetros


Capítulo 5. Resultados e discussões 51

de deposição são muito importantes na morfologia e compacidade dos filmes, como também
verificado por Blackwood e Seah (25), Chen et al. (24) e Huang et al. (32).
A análise EDS das amostras com recobrimento de hidroxiapatita, eletrodepositado a
potencial catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19 apresentada na Figura 24,
permitiu identificar os elementos constituintes do filme.

Figura 24 – Espectro EDS mostrando os elementos identificados nas amostras com recobrimento
de hidroxiapatita.

É possível observar, na Figura 24, a presença dos picos de Ca, P e O que são os principais
elementos que compõem a hidroxiapatita. O pico de Ti mais intenso corresponde ao material do
substrato. Os picos menos intensos de C e Al correspondem à cola cianoacrilato (SuperBonder ), R

que foi utilizada para embutir a amostra.


A razão Ca/P foi calculada como sendo igual a 2,7 (acima do valor de 1,67 considerado
para a hidroxiapatita estequiométrica (51)), o que pode indicar a presença de CaO como sugerem
Ergun et al. (55) e Catauro et al. (100).
Capítulo 5. Resultados e discussões 52

Filmes depositados por 1 hora, nas melhores condições de eletrodeposição (potencial


catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19) apresentaram espessura média de 34,73
µm (Figura 25).

Figura 25 – Micrografia de corte transversal de filme de hidroxiapatita depositado por 1 hora.


Capítulo 5. Resultados e discussões 53

Com o intuito de melhorar as propriedades mecânicas da hidroxiapatita, partículas de


talco de pedra-sabão foram incorporadas ao depósito. Imagem das partículas de pedra-sabão
são apresentadoas na Figura 26. Verifica-se que as partículas de talco de pedra-sabão possuem
tamanhos irregulares, variando de 29,39 µm a 141,62 µm.

Figura 26 – Micrografia das partículas de talco que foram incorporadas à hidroxiapatita.


Capítulo 5. Resultados e discussões 54

Filmes depositados por 1 hora a um potencial catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2


e pH 4,19 com incorporação de 10 g/L de talco sobre titânio com pré-tratamento em HF (Figura
27) apresentam uma estrutura compacta e uniforme composta por núcleos.

Figura 27 – Filme de hidroxiapatita com incorporação de 10 g/L de talco depositado por 1 hora
a potencial catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19.
Capítulo 5. Resultados e discussões 55

Filmes depositados por 1 hora a um potencial catódico de 5V com adição de 2% de


H2 O2 e pH 4,19 com incorporação de 40 g/L de talco sobre titânio com pré-tratamento em HF
(Figura 28) apresentam uma estrutura compacta composta por núcleos. É possível verificar uma
pequena trinca (em destaque) no revestimento bem como cristais com morfologia romboédrica
que podem ser o composto CaO.

Figura 28 – Filme de hidroxiapatita com incorporação de 40 g/L de talco depositado por 1 hora
a potencial catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19.
Capítulo 5. Resultados e discussões 56

Filmes depositados por 1 hora a um potencial catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2


e pH 4,19 com incorporação de 80g/L de talco de pedra-sabão sobre titânio com pré-tratamento
em HF (Figura 29) apresentam uma estrutura um pouco menos compacta que os filmes com
menores concentrações de talco, o que é evidenciado pela presença de pequenas fissuras ao longo
do filme.

Figura 29 – Filme de hidroxiapatita com incorporação de 80 g/L de talco depositado por 1 hora
a potencial catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19.

Das imagens de microscopia eletrônica de varredura é possível perceber que a utilização


de menores quantidades de talco faz com que as partículas se integrem melhor à matriz da
hidroxiapatita levando a revestimentos mais compactos e uniformes, como também evidenciado
por Guerra-López et al. (101) ao incorporarem zinco à hidroxiapatita e por Li et al. (18) ao
realizarem a incorporação de óxido de grafeno.
Capítulo 5. Resultados e discussões 57

Nos filmes com incorporação de 40 g/L e 80g/L de talco observa-se a presença de cristais
como os que estão em destaque na Figura 30.

Figura 30 – Micrografia mostrando em destaque cristais presentes nas amostras.

Estes cristais foram identificados como cristais de cálcio através de análise EDS (Figura
31) que podem ser devido à fase CaO. Para todos os espectros realizados nos cristais presentes
nos filmes a proporção de Ca ficou em torno de 70%.

Figura 31 – Espectro EDS mostrando os elementos identificados nos cristais em destaque da


Figura 28.
Capítulo 5. Resultados e discussões 58

Cristais semelhantes aos apresentados na Figura 30 não foram encontrados nos reves-
timentos de hidroxiapatita pura e com incorporação de 10 g/L de talco, o que indica que sua
presença é aleatória e é devida à grande razão Ca/P (em torno de 2,7) encontrada em todas as
amostras.
Na Figura 32(a) e (b) aparece em destaque uma estrutura em camadas característica do
talco nos filmes obtidos com incorporação de talco, confirmando a incorporação do mesmo à
estrutura dos filmes de hidroxiapatita.

Figura 32 – Micrografia mostrando em destaque estrutura em camadas típica do talco presente


nas amostras.
Capítulo 5. Resultados e discussões 59

O espectro EDS da região em destaque da Figura 32 mostra a presença de picos intensos


de Ca, P e O referentes à hidroxiapatita, e os picos intensos de Mg e Si, característicos do talco
de pedra-sabão (Figura 33).

Figura 33 – Espectro EDS mostrando os elementos identificados na estrutura em destaque da


Figura 23.

Mais uma vez a razão Ca/P (=2,65) apresenta um valor acima daquele considerado para
a hidroxiapatita estequiométrica.

5.2 Polarização potenciodinâmica

As Figuras 34 e 35 ilustram as curvas de polarização dos revestimentos que apresentaram


as melhores compacidade e uniformidade, em comparação com a curva obtida para o titânio
sem revestimento em solução PBS. As curvas de polarização mostram o potencial de eletrodo
aplicado em função do logaritmo da corrente (densidade de corrente), em µA/cm2 .
Capítulo 5. Resultados e discussões 60

A Figura 34 (a) e (b) apresenta curvas de polarização representativas de amostras depo-


sitadas por 1 hora a um potencial catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19 [em
(a)] e pH 5,00 [em (b)]. Os potenciais de corrosão das amostras [0,35 V em (a) e 0,22 V em
(b)] mostraram-se mais nobres que o do titânio puro (-0,07 V) e estas amostras apresentaram
menores valores de densidade de corrente para potenciais superiores ao potencial de corrosão,
o que caracteriza a obtenção de um filme com potenciais mais nobres e uma menor taxa de
corrosão devido à presença do filme de hidroxiapatita.

Figura 34 – Curvas de polarização para as amostras depositadas a (a) 1 hora, -5V, 2% de H2 O2


e pH 4,19; (b) 1 hora, -5V, 2% de H2 O2 e pH 5,0.
Capítulo 5. Resultados e discussões 61

Já as amostras das Figuras 35 (a) e (b) foram depositadas por 2 horas com os mesmos
parâmetros utilizados para o caso anterior, respectivamente. Embora apresentem densidades de
corrente ligeiramente menores na região anódica das curvas, não é possível afirmar que houve
uma melhora na resistência à corrosão pela aplicação do revestimento. Além disto, podemos
dizer que o potencial de corrosão representa o potencial do titânio apenas. Possivelmente, devido
à fragilidade dos filmes, surgiram trincas relacionadas à tensão interna dos filmes, as quais
cresceram à medida que os filmes aumentaram de espessura.

Figura 35 – Curvas de polarização para as amostras depositadas a (a) 2 horas, -5V, 2% de H2 O2


e pH 4,19; (b) 2 horas, -5V, 2% de H2 O2 e pH 5,0.

As curvas de polarização obtidas indicam que os revestimentos de hidroxiapatita depo-


sitados por 1 hora promoveram uma melhora na resistência à corrosão do substrato de titânio,
assim como verificado por Huang et al. (17), Li et al. (18) e Zhong et al. (19). Estes autores
Capítulo 5. Resultados e discussões 62

obtiveram, para os potenciais de corrosão do titânio puro e do titânio com revestimento de


hidroxiapatita, os valores apresentados na Tabela 9 a seguir.

Tabela 8 – Potenciais de corrosão obtidos das curvas de polarização segundo Huang et al., Li et
al. e Zhong et al. (17, 18, 19).

Autores Ecorr Ti puro Ecorr Ti/HA


Huang et al. -0,6 V -0,3 V
Li et al. -0,471 V -0,0197 V
Zhong et al. -0,302 V -0,133 V

Estes resultados indicam que os filmes obtidos neste trabalho apresentaram um compor-
tamento mais nobre do que o obtido nos trabalhos destes autores, o que caracteriza filmes mais
resistentes à corrosão.
Para a deposição dos filmes com incorporação das partículas de talco, cujas curvas
são apresentadas nas Figuras 36 e 37, foi utilizada a condição de deposição que resultou no
depósito que apresentou o potencial de corrosão mais nobre, ou seja, o que apresentou uma
maior resistência à corrosão.
Na Figura 36 estão apresentadas curvas de polarização de hidroxiapatita pura, hidro-
xipatita com incorporação de 10 g/L de talco e titânio puro. As curvas da hidroxiapatita pura
bem como as curvas do filme compósito HA+talco foram depositados por 1 hora a um potencial
catódico de 5V com adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19.

Figura 36 – Curva de polarização para a amostra depositada por 1 hora a um potencial catódico
de 5V, com adição de 2% de H2 O2 , pH 4,19 e incorporação de 10 g/L de talco.
Capítulo 5. Resultados e discussões 63

Na Figura 37 é apresentada uma curva representativa de amostras depositadas com os


mesmos parâmetros do caso anterior com incorporação de 40 g/L de talco à hidroxiapatita, em
comparação com as curvas obtidas para o titânio puro e para o titânio com revestimento de
hidroxiapatita pura.

Figura 37 – Curva de polarização para a amostra depositada por 1 hora a um potencial catódico
de 5V, com adição de 2% de H2 O2 , pH 4,19 e incorporação de 40 g/L de talco.

A partir das curvas das Figuras 36 e 37 percebe-se que, com a incorporação das partículas
de talco, o comportamento apresentado pelas amostras é praticamente o mesmo do titânio
sem revestimento, o que indica que a incorporação de talco não resultou em uma melhora na
resistência à corrosão dos revestimentos. Uma das possíveis explicações para este comportamento
é o surgimento de nanotrincas (não identificadas ao MEV no caso de 10 g/L de talco) e trincas
(observadas para 40 g/L de talco), as quais são prejudiciais à resistência à corrosão. Uma
outra explicação, para o caso da incorporação de 10 g/L de talco, diz respeito ao tamanho das
partículas de talco incorporadas; estas, por apresentarem tamanhos maiores que a espessura do
filme, permitem a formação de uma interface entre o revestimento e a partícula de talco. Tal
inferface pode representar um caminho fácil para o eletrólito e, desta forma, a corrosão ocorre via
esta interface, levando à uma diminuiçào da resistência à corrosão dos filmes de hidroxiapatita.
Malfatti et al. (102). observaram situaçào similar para filmes compósitos de NiP-SiC.

5.3 Difração de raios X

Difratogramas correspondentes a amostras depositadas sobre titânio sem tratamento em


HF, com parâmetros: (1) potencial catódico de 5V, adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19; (2) potencial
Capítulo 5. Resultados e discussões 64

catódico de 5V, adição de 2% de H2 O2 e pH 5,0 e (3) potencial catódico de 4V, adição de 2%


de H2 O2 e pH 5,0 são apresentados nas Figuras 38(a), (b) e (c), respectivamente. Com base na
Figura 38 foi identificada no material uma estrutura cristalina bem definida (picos estreitos e
definidos) (103). Há correspondência entre a maioria dos picos dos espectros obtidos com os
picos da hidroxiapatita, de estrutura hexagonal, baseada no padrão PDF 09-0432. Picos referentes
ao titânio e ao CaO estão também presentes e os mesmos foram baseados nos padrões PDF
44-1294 e PDF 17-0912, respectivamente. Assim, como indicado pelas análises EDS, podemos
concluir que os cristais com morfologia bem definida presentes nas Figuras 28, 29, 30 e 32
corroboram a presença de óxido de cálcio.
Verifica-se ainda que os filmes de hidroxiapatita apresentam uma orientação preferencial
para o plano cristalográfico (310), visto que, segundo o padrão PDF 09-0432, o pico mais intenso
do difratograma da hidroxiapatita (em torno de 2θ = 32,0o ) corresponde ao plano cristalográfico
(211).
Os três diferentes parâmetros utilizados para a deposição dos filmes produziram depósitos
compostos de hidroxiapatita e óxido de cálcio. Verifica-se apenas uma variação na intensidade
relativa dos picos de óxido de cálcio com relação aos picos de hidroxiapatita, o que infere que
diferentes quantidades dos dois compostos foram produzidas em cada deposição.

Figura 38 – Espectros de DRX das amostras depositadas com parâmetros: (a) -5V, 2% de H2 O2
e pH 4,19; (b) -5V, 2% de H2 O2 e pH 5,0 e (c) -4V, 2% de H2 O2 e pH 5,0.
Capítulo 5. Resultados e discussões 65

Difratograma correspondente a uma amostra depositada a um potencial catódico de 5V


com adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19 em titânio com pré-tratamento em HF é apresentado na
Figura 39.

Figura 39 – Espectros de DRX da amostra depositada a -5V, 2% de H2 O2 e pH 4,19.

Verifica-se que o filme depositado é também composto por hidroxiapatita e óxido de


cálcio e que o pré-tratamento não influenciou na estrutura cristalina do depósito obtido. O
tratamento com ácido fluorídrico influenciou apenas na adesão do filme como apresentado na
Figura 18.
Capítulo 5. Resultados e discussões 66

Com a incorporação de 10 g/L de talco à amostra depositada a um potencial catódico


de 5V com adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19 em titânio com pré-tratamento em HF obteve-se
o difratograma apresentado na Figura 40. Observa-se a presença de picos referentes ao talco,
baseados no padrão PDF 02-0569, comprovando a incorporação do mesmo ao revestimento de
hidroxiapatita.

Figura 40 – Espectros de DRX da amostra depositada a -5V, 2% de H2 O2 e pH 4,19.

Verifica-se que há uma diminuição da intensidade relativa do pico mais intenso de CaO
(em torno de 2θ = 29,3o ) com relação ao pico de hidroxiapatita, o que pode indicar que uma
menor quantidade do composto foi produzida em relação à hidroxiapatita. Assim, pode-se dizer
que a incorporação de talco diminuiu a produção de CaO. Análise quantitativa das porcentagens
de CaO e HA serão realizadas posteriormente.

5.4 Espectroscopia Raman

Espectro Raman representativo de uma amostra depositada a um potencial catódico de


5V, com adição de 2% de H2 O2 no eletrólito e pH 4,19 é apresentado na Figura 41. Vale ressaltar
que foram obtidos espectros em diferentes pontos da amostra e todos apresentaram a mesma
configuração indicando homogeneidade dos filmes depositados nestas condições.
Capítulo 5. Resultados e discussões 67

Figura 41 – Espectro Raman de amostra depositada por 4 horas a potencial catódico de 5V, com
adição de 2% de H2 O2 e pH 4,19.

Na Figura 42 é apresentado o espectro Raman representativo de uma amostra depositada


a um potencial catódico de 5V, com adição de 2% de H2 O2 no eletrólito e pH 5,0. Os outros
espectros obtidos não apresentaram a mesma configuração, o que indica uma não homogeneidade
da amostra.

Figura 42 – Espectro Raman de amostra depositada por 4 horas a potencial catódico de 5V, com
adição de 2% de H2 O2 e pH 5,0.

Observa-se, para as duas amostras, a presença de uma banda mais intensa em torno
Capítulo 5. Resultados e discussões 68

de 959 cm−1 , a qual está relacionada ao modo de estiramento do grupo fosfato, característica
quando se obtém cristais de hidroxiapatita (104). Na Tabela 10 apresentam-se outras bandas que
puderam ser identificadas segundo Monteiro (104) e Guerra-López et al. (101) que confirmam a
presença da hidroxiapatita.

Tabela 9 – Deslocamento Raman e respectivas identificações.

Deslocamento Raman (cm−1 ) Designação


424 Flexão simétrica da ligação O-P-O do grupo PO4
583 Flexão assimétrica da ligação O-P-O do grupo PO4
959 Alongamento simétrico da ligação P-O do grupo PO4
1047-1066 Alongamento assimétrico da ligação P-O do grupo PO4

5.5 Testes de desgaste

Variações no coeficiente de atrito constituem um importante parâmetro para se analisar a


resistência ao desgaste de um material, visto que um menor coeficiente de atrito indica que uma
menor força se opõe ao deslizamento relativo entre amostras e contrapartes, o que corresponde a
uma menor taxa de desgaste do material. Outro parâmetro importante é a largura e profundidade
das trilhas de desgaste obtidas; uma maior injeção de particulados provenientes da amostra e
da contraparte de alumina contribuem para o alargamento das trilhas, indicando um desgaste
maior do material (99, 102). Sendo assim, a resistência ao desgaste das amostras foi analisada
em função do coeficiente de atrito e largura das trilhas.
Na Figura 43 é possível observar a variação do coeficiente de atrito em função do tempo
de ensaio para o substrato de titânio. O gráfico apresenta um coeficiente de atrito médio em torno
de 0,58 resultante do desgaste de asperezas e injeção de particulados na região entre a amostra e
a esfera de alumina. Verifica-se uma oscilação do coeficiente de atrito durante o ensaio devido
à constante formação e remoção de particulados na região entre a amostra e a contraparte de
alumina. Valores encontrados na literatura para o coeficiente de atrito do titânio variam entre
0,30 e 0,60, estando nossos resultados em acordo com a literatura (22, 105, 106, 107).
Capítulo 5. Resultados e discussões 69

Figura 43 – Coeficiente de atrito do substrato de titânio em função do tempo.

A trilha obtida do ensaio, com largura de 1001,91 µm, é apresentada na Figura 44.

Figura 44 – Imagem de microscopia ótica da trilha obtida no substrato de titânio.

O coeficiente de atrito elevado apresentado pelo titânio, bem como a grande largura da
trilha apresentada, indicam uma baixa resistência ao desgaste deste material assim como relatado
por Lisiecki e Piwnick (22).
Na Figura 45 é possível observar a variação do coeficiente de atrito em função do tempo
de ensaio para o filme de hidroxiapatita. O coeficiente de atrito apresenta um valor em torno de
Capítulo 5. Resultados e discussões 70

0,74 nos instantes iniciais do ensaio, o que pode ser devido à topografia bastane irregular da
hidroxiapatita, e a partir dos 150 segundos iniciais, ocorre uma redução do coeficiente de atrito
para um valor médio em torno de 0,68.

Figura 45 – Coeficiente de atrito do filme de hidroxiapatita em função do tempo.

A trilha obtida do ensaio, com largura de 438,98 µm, é apresentada na Figura 46.

Figura 46 – Imagem de microscopia ótica da trilha obtida para o revestimento de hidroxiapatita.


Capítulo 5. Resultados e discussões 71

O revestimento de hidroxiapatita, quando em comparação com o substrato de titânio


sem revestimento, ainda que tenha apresentado um coeficiente de atrito ligeiramente maior que
aquele apresentado pelo titânio, originou uma trilha de desgaste de largura significativamente
menor, o que corresponde a uma maior resistência ao desgaste do material. Buciumeanu et al.
(108) observaram situação semelhante para biocompósitos de Ti6Al4V+HA em comparação
com a liga pura, assim como Danaila e Benea (109) observaram uma melhora na resistência ao
desgate desta mesma liga ao revesti-la com hidroxiapatita.
Na Figura 47 é possível observar a variação do coeficiente de atrito em função do tempo
de ensaio para o filme de hidroxiapatita com incorporação de 10 e 40 g/L de talco em comparação
com o filme de hidroxiapatita pura. Os coeficientes de atrito apresentam valores maiores nos
instantes iniciais de ensaio, possivelmente devido à rugosidade dos filmes, e depois decaem
para valores médios em torno de 0,52 e 0,59 para os filmes com incorporação de 10 e 40 g/L,
respectivamente.

Figura 47 – Coeficiente de atrito dos filmes de hidroxiapatita pura e com incorporação de 10 e


40 g/L de talco em função do tempo.

As trilhas obtidas dos ensaios, com larguras de 303,64 µm e 436,86 µm, são apresentadas
na Figura 48.
Capítulo 5. Resultados e discussões 72

Figura 48 – Imagem de microscopia ótica das trilhas obtidas para os revestimentos de hidroxia-
patita com incorporação de (a) 10 g/L de talco e (b) 40 g/L de talco.

Através das Figuras 47 e 48 é possível perceber que a incorporação de talco resultou em


uma melhora na resistência ao desgaste dos revestimentos, o que fica evidenciado por menores
valores para os coeficientes de atrito e por trilhas de desgaste de menor largura em relação aos
resultados obtidos para o revestimento de hidroxipatita pura. A incorporação de 10 g/L de talco
à hidroxiapatita reduziu significativamente, em torno de 30%, a largura da trilha de desgaste,
ou seja, devido à incorporaçào de talco obteve-se uma maior resistência ao desgaste como era
esperado, considerando a ação lubrificante do talco (3), o qual possibilita um maior deslizamento
entre a esfera de alumina e as amostras; isto resulta também em um menor coeficiente de atrito e,
consequentemente, em uma menor taxa de desgaste.
Capítulo 5. Resultados e discussões 73

Comparando os coeficentes de atrito para os depósitos com incorporação de talco,


verificou-se que o aumento na concentração do talco promoveu um aumento do coeficiente de
atrito além de uma trilha de desgaste de maior largura. Esta ocorrência pode ser devido ao fato
de que a adição de uma grande quantidade de partículas de talco pode diminuir a integridade da
matriz hidroxiapatita e promover a liberação de mais partículas de terceiro corpo, contribuindo
para um aumento do coeficiente de atrito e aumento da largura da trilha, como evidenciado por
Malfatti et al. (102) em revestimentos compósitos de NiP-SiC eletrodepositados em substratos
de aço com incorporação de diferentes quantidades de partículas de carbeto de silício (SiC).
Devido à piora no coeficiente de atrito e aumento da largura da trilha de desgaste quando
da adição de uma elevada concentração de talco, ensaios de filmes compósitos com adição de 80
g/L de talco não foram realizados.

5.6 Testes de biocompatibilidade

O comportamento in vitro dos revestimentos de hidroxiapatita pura e dos revestimentos


compósitos HA+talco, bem como do substrato de titânio sem revestimento, foi avaliado em
termos da viabilidade celular, que tem relação direta com a citotoxicidade do material, e da
atividade de fosfatase alcalina (ALP) e produção de colágeno, indicadores da diferenciação
celular (110).
Nas Figuras 49, 50 e 51 a seguir as amostras de titânio sem revestimento, revestimento
de hidroxiapatita pura e revestimento de hidroxiapatita com incorporação de 10, 40 e 80 g/L
foram identificados por Ti, HA, T10, T40 e T80, respectivamente.

5.6.1 Viabilidade celular

A viabilidade celular de osteoblastos nos revestimentos e no titânio puro após 7 e 14 dias


de incubação é representada na Figura 49.

Figura 49 – Viabilidade celular de osteoblastos nas amostras em diferentes períodos de incuba-


ção.
Capítulo 5. Resultados e discussões 74

Os resultados mostram que o substrato de titânio apresentou-se mais viável que os


revestimentos. Ao contrário da hidroxiapatita pura, que apresentou um aumento da viabilidade
celular após o 14o dia, os revestimentos com incorporação de talco não mostraram sinais
consideráveis de viabilidade celular mesmo após um período maior de incubação, um indicativo
de baixo metabolismo celular, condição necessária à fixação, proliferação e sobrevivência celular
(96).

5.6.2 Atividade de fosfatase alcalina (ALP)

A atividade de fosfatase alcalina dos osteoblastos nos revestimentos e no titânio puro


com 3, 7, 10 e 14 dias de incubação é representada na Figura 50.

Figura 50 – Atividade ALP de osteoblastos nas amostras em diferentes períodos de incubação.

Os resultados demonstram considerável atividade ALP para todas as amostras. Após os


14 dias de ensaio a maior atividade ALP ocorre para o substrato de titânio sem revestimento,
sendo apenas ligeiramente maior que os níveis apresentados para as amostras de hidroxiapatita
pura (HA) e com incorporação de 10 g/L (T10) e 40 g/L (T40) de talco. À exceção da amostra
com incorporação de 80 g/L de talco (T80), que apresentou uma diminuição da atividade
ALP após o 14o dia de incubação, todas as outras amostras demonstraram níveis de atividade
ALP superiores ao controle, indicando um aumento dos níveis de diferenciação celular; estes
Capítulo 5. Resultados e discussões 75

resultados podem indicar que, ainda que a viabilidade celular tenha sido baixa (Figura 49), houve
a produção de uma matriz mineralizada pelos osteoblastos viáveis (78).

5.6.3 Produção de colágeno

A produção de colágeno pelos osteoblastos nos revestimentos e no titânio puro com 3, 7,


10 e 14 dias de incubação é representada na Figura 51.

Figura 51 – Produção de colágeno pelos osteoblastos nas amostras em diferentes períodos de


incubação.

Os resultados demonstraram que, após 14 dias de incubação, o substrato de titânio e o


revestimento de hidroxipatita pura (HA) apresentaram os maiores níveis de produção de colágeno,
nesta ordem. A amostra com incorporação de 40 g/L de talco (T40) apresentou nível de produção
de colágeno similar ao controle, enquanto que as amostras com incorporação de 10 e 80 g/L
(T10 e T80, respectivamente) apresentou níveis ligeiramente inferiores. Assim como a atividade
de fosfatase alcalina, a produção de colágeno pelas culturas de osteoblastos sobre as amostras é
um indicador da diferenciação celular de osteoblastos em uma matriz mineralizadora (110).
76

6 CONCLUSÃO

Neste trabalho, filmes de hidroxiapatita pura e de hidroxiapatita com incorporação de


diferentes concentrações de talco foram depositados sobre substrato de titânio através da técnica
de eletrodeposição pulsada utilizando diferentes condições de deposição. Os filmes obtidos foram
avaliados por diferentes técnicas quanto à sua morfologia, resistência à corrosão, resistência ao
desgaste e biocompatibilidade.
Micrografias obtidas indicaram, para a melhor condição de deposição utilizada, a forma-
ção de filmes compactos de hidroxiapatita pura e hidroxiapatita com adição de 10g/L de talco.
Filmes com maior concentração de talco apresentaram trincas, indicando que um aumento da
concentração de talco não promove a formação de revesimentos com melhores caracterísitcas
morfológicas. Através da análise de espectros de energia dispersiva foi detectada a formação de
hidroxiapatita com razão molar Ca/P = 2,7.
A espectroscopia Raman permitiu identificar a banda característica da presença de cristais
de hidroxiapatita, em torno de 959 cm−1 , bem como outras bandas que confirmaram a formação
do filme de hidroxiapatita.
Por difração de raios X foram identificadas a presença das fases correspondentes à
hidroxiapatita, ao talco e ao óxido de cálcio (CaO) nos filmes; a presença de CaO pode estar
relacionada à alta concentração de cálcio nas amostras depositadas, tal como evidenciada pelos
espectros de energia dispersiva.
Curvas de polarização potenciodinâmica indicaram que os filmes de hidroxiapatita pura
depositados durante 1 hora aumentaram a resistência à corrosão do substrato de titânio em
solução salina tamponada com fosfato (PBS), enquanto que os filmes com incorporação de talco
apresentaram um comportamento idêntico ao do titânio sem o revestimento.
Ensaios de desgaste demonstraram que os revestimentos de hidroxiapatita com incorpo-
ração de 10 g/L de talco promoveram um aumento significativo da resistência ao desgaste do
substrato de titânio devido à ação lubrificante das partículas de talco. A incorporação de 40 g/l
de talco não foi benéfica, possivelmente devido à perda de integridade da matriz e liberação de
partículas de hidroxiapatita e talco durante o desgaste.
Testes de biocompatibilidade in vitro indicaram que, apesar de uma baixa viabilidade
celular, todas as amostras apresentaram atividade ALP e produção de colágeno, importantes
indicadores da diferenciação celular de osteoblastos.
77

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