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Universidade do Estado do Pará

Campus IX – Altamira
Centro de Ciências Naturais e Tecnologia
Bacharelado em Engenharia Ambiental

Alex Varela de Fraga


Andria Jaizza dos Santos Pimentel
Felipe Gomes Rodrigues
Marlon Iago de Oliveira
Mateus Pereira Fernandes

Relatório Descritivo - Visita ao


Centro de Estudos Ambientais (CEA)
da Usina Hidrelétrica (UHE) Belo
Monte e Recuperação do Bota Fora
do Reassentamento Urbano Coletivo
(RUC) Laranjeiras Através de Plantio
de Mudas.

Altamira
2016
Alex Varela de Fraga
Andria Jaizza dos Santos Pimentel
Felipe Gomes Rodrigues
Marlon Iago de Oliveira
Mateus Pereira Fernandes

Relatório Descritivo - Visita ao Centro de Estudos Ambientais (CEA) da


Usina Hidrelétrica (UHE) Belo Monte e Recuperação do Bota Fora do
Reassentamento Urbano Coletivo (RUC) Laranjeiras Através de Plantio
de Mudas.

Relatório Descritivo solicitado como pré-requisito


para obtenção de notas das 1ª e 2ª Avaliações
referentes à disciplina Recuperação de Áreas
Degradadas da Universidade do Estado do Pará.
Docente MSc. Gleidson Marques Pereira

Altamira
2016
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1. OBJETIVOS

 Identificar as atividades desenvolvidas pelo CEA da UHE Belo Monte que


possuam interface com as metodologias de recuperação de áreas degradadas
aprendidas em sala de aula; e,
 Entender como funciona na prática as metodologias de recuperação de áreas
degradadas, no caso específico, realizando o plantio de mudas de espécies
nativas em um local degradado pela utilização como bota fora de solo retirado na
construção de um Reassentamento Urbano Coletivo (RUC).

2. INTRODUÇÃO

O Brasil vem buscando desenvolver o potencial econômico da Amazônia, visto


que a mesma passa detém uma diversidade ímpar de recursos naturais. Nas últimas
décadas, os processos de uso e ocupação dos territórios, com ênfase naqueles
pertencentes à Amazônia, vêm acarretando uma série de problemas, que por sua vez
tem como consequência a degradação desses locais. Neste contexto, a expansão
urbana e o desmatamento de grandes áreas florestais configuram-se como fatores de
alta representatividade para tal problema que assola as localidades.
Segundo Martine e Turchi (1988), a região amazônica, como um todo, foi palco
de um significativo aumento migratório a partir de 1970, sendo tal fluxo resultante do
ciclo de extração da borracha, que foi amparado por um conjunto de ações
governamentais, cujo objetivo era incentivar a intensa ocupação do território
amazônico, tanto por projetos de cunho agropecuário como pelo fortalecimento da
industrialização e comercialização da Zona Franca de Manaus.
Face ao mal planejamento, ou até mesmo a ausência deste, o crescimento
desordenado, provocado pelo intenso fluxo migratório do meio rural para os centros
urbanos – em sua maioria, em função da busca de melhor qualidade de vida –,
desencadeia em problemáticas para os âmbitos social, econômico e ambiental, que
tendem a se conservarem ao longo do tempo, considerando a falta de iniciativas, por
parte dos órgãos competentes, a fim de saná-las.
As cidades da amazônia, geralmente formadas por aglomerados de pessoas,
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localizadas distantes uma das outras, sempre foram importantes para o


desenvolvimento da economia local. A grande maioria dessas municipalidades são
desprovidas de infraestrutura e serviços básicos, conformem atestam Guedes et al.,
(2009), o que pode ser justificado pela falta de planejamento e implementação de
políticas públicas.
Paralelo a isso, outra situação, tida como gargalo da sociedade, e que parece
não ter controle, é o desmatamento de imensas áreas florestais. No caso da região
Amazônica, isto se dá, principalmente, em função da formação de áreas destinadas à
pecuária e agricultura, além da extração, na sua maioria ilegal, de madeira.
Conforme Walker et al., (2008), o desenvolvimento agropecuário nessa região
frequentemente provoca controvérsia, dado o tremendo valor ecológico do meio
ambiente. Toda essa problemática gera graves consequências de conservação dos
solos e também dos recursos hídricos, provocando alterações nas propriedades
físicas, químicas e biológicas, que compromete diretamente na dinâmica do local
impactado, tornando-o degradado. A degradação dos solos constitui um
prejuízo socioeconômico para as gerações atuais e representa enorme risco para as
gerações futuras (ALVES, 2012).
Outra vertente a ser considerada neste cenário é a implantação de
empreendimentos na região mencionada, tendo enfoque as obras do setor
hidrelétrico, dentro do qual a UHE Belo Monte, praticamente finalizada, está inserida.
A UHE Belo Monte está localizada no Rio Xingu, sob domínio do Bioma Amazônico e
este caracteriza-se pela sua biodiversidade e complexidade das interações dos
organismos entre si e destes com seu meio abiótico.
A implantação da UHE Belo Monte, no Estado do Pará, é condicionada, à
obrigatoriedade de realização de limpeza dos reservatórios para cumprimento legal à
Lei Federal 3.824, de 23 de novembro de 1960, que estabelece a limpeza de bacias
hidráulicas, dos açudes, represas ou lagos artificiais, construídas pela união, pelos
Estados, pelos Municípios ou por empresas particulares (NORTE ENERGIA, 2011).
Considerando que foi efetuada a supressão vegetal de uma área extensa, algo
em torno de 13.000 hectares, somente nas áreas que ficam compreendidos os
Reservatórios Principal e Xingu, segundo dados da Norte Energia (2016), entende-se
que o impacto ocasionado pela retirada da vegetação é muito grande, e o resgate da
flora, neste contexto, torna-se imprescindível para compensar os efeitos negativos
dessa atividade.
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Entende-se por área degradada como uma região que sofreu uma forte
intervenção, não tendo capacidade de resiliência. Áreas com baixa capacidade de
resiliência são consideradas áreas perturbadas. Nas áreas degradadas, a perturbação
é tamanha que os mecanismos de equilíbrio homeostáticos são prejudicados
(ZANDONADI et al., 2007).
O salvamento ou resgate da flora em empreendimentos hidrelétricos é
atualmente uma atividade bem consolidada e considerada essencial para a
conservação de recursos. A minimização de impactos e a recuperação de áreas
degradadas neste bioma demandam a utilização integrada de conhecimentos
multidisciplinares que incluem, ações de manejo e conservação baseados no
conhecimento sobre a vegetação nativa e suas interações com o meio físico e com a
fauna (PBA, 2011).
A recuperação dessas áreas degradadas é possível tendo em vista a
destinação para os diversos usos possíveis. A recuperação de áreas degradadas está
diretamente ligada à ciência da restauração ecológica, sendo esta o processo de
auxílio ao restabelecimento de um ecossistema que foi degradado, danificado ou
destruído.
Acima de tudo, a recuperação de áreas degradadas encontra respaldo na
Constituição Federal de 1988, em seu art. 225:
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-
se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para
as presentes e futuras gerações.
§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
I - Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o
manejo ecológico das espécies e ecossistemas [...] BRASIL, 2016.

De acordo com Zandonadi et al., (2007), no Brasil, as técnicas empregadas


para a recuperação ainda são relativamente novas e recentes, restringindo-se a
realizar plantios. De um modo geral, a aplicação de métodos para recuperação de
áreas degradadas objetiva fornecer as condições requeridas ao surgimento de
propriedades emergentes, que garantirão a auto sustentabilidade dos processos de
recuperação. Também, pode ser entendida como a restituição da paisagem local,
tanto sobre o ponto de vista cênico como funcional, para fauna e flora.
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1ª Visita – Data: 15/04/2016

2.1. DESCRIÇÃO DO LOCAL DA VISITA

A primeira visita técnica foi realizada no CEA da UHE Belo Monte e teve como
finalidade conhecer os trabalhos executados por este, dentre os quais, o recebimento,
triagem e identificação dos materiais botânicos resgatados; beneficiamento das
sementes coletadas; e manutenção do banco de sementes do Germoplasma,
destinação dos materiais botânicos resgatados e cultivados para instituições
científicas e para o Programa de Recuperação de Área Degradadas (PRAD).
Localizado no município de Vitória do Xingu/PA (Figura 1), o CEA tem como
objetivo reafirmar o compromisso da Norte Energia, empresa empreendedora da UHE
Belo Monte, com o meio ambiente na região do Xingu, onde está sendo construída a
Usina Hidrelétrica.
O CEA é a base para que seja possível a realização do é o coração do
Programa de Resgate da Fauna e Flora do Projeto Básico Ambiental (PBA) da Usina.
No caso da visita, cujo foco foi direcionado para a Flora, ressalta-se a questão dos
Projetos de Formação de Banco de Germoplasma (PFBG) e Projeto de Salvamento e
Aproveitamento Cientifico da Flora (PSACF), os quais objetivam mitigar e compensar
o impacto causado pela supressão da vegetação para a formação do reservatório e
construção das obras civis, de modo a garantir a conservação da diversidade florística
local efetuando o manejo das espécies prioritárias para conservação.
No que diz respeito às atividades desenvolvidas pelo PFBG, as mesmas se dão
por meio da manutenção das áreas de matrizes, pelo monitoramento das matrizes e
coletas de sementes e coletas de sementes e propágulos, coleto de testemunho das
matrizes para o envio dos mesmos às Instituições de Pesquisa. Todas essas
atividades são analisadas com vistas ao incremento do conhecimento adquirido sobre
as espécies alvo.
As atividades de laboratório estão associadas à manutenção do banco de
sementes do Germoplasma no Centro Estudos Ambientais da Norte Energia, ao
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recebimento, triagem, e beneficiamento das sementes coletadas, e a produção de


mudas. As mudas produzidas são destinadas com a anuência da Norte Energia, para
os destinos que foram previstos no Projeto Básico Ambiental (PBA).
Em outra vertente, as atividades do PSACF, envolvem:
 Acompanhamento das equipes de supressão vegetal em campo; resgate
triagem e identificação dos materiais botânicos resgatados;
 Realocação de espécies e epífitas e hemiepífitas resgatadas para áreas pré-
estabelecidas;
 Montagem de exsicatas dos testemunhos férteis dos indivíduos encontrados;
resgate, triagem e beneficiamento de sementes e produção de mudas;
 Contratação e treinamento de equipes;
 Destinação dos materiais botânicos resgatados e cultivados, entre outras.

Os objetivos deste projeto visam, sobretudo, preservar a amplitude gênica do


maior número possível de espécies, seja em forma de mudas, sementes, estacas
vegetativas e exemplares vivos em seu habitat natural (in situ) ou em projetos de
preservação ex situ, neste caso, enfatizando as espécies ameaçadas de extinção,
raras, protegidas por lei e de importância comercial e/ou socioeconômica, nas áreas
de intervenção das infraestruturas e dos reservatórios da UHE Belo Monte (NORTE
ENERGIA, 2011).
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Figura 1 – Mapa de Localização do Centro de Estudos Ambientais.

Fonte: Norte Energia, 2016.


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2.1.1. Setores visitados

 INTEGRAÇÃO
Em primeiro momento, em uma sala de reuniões, foi realizada a integração dos
acadêmicos de Engenharia Ambiental com os Engenheiros Florestais (Figura 2),
responsáveis pelo CEA, por meio da qual foram apresentados os projetos executados
no CEA (PFBG e PSACF), além da exposição do roteiro da visita. Vale ressaltar que,
ao decorrer da reunião, houve esclarecimentos com base nas dúvidas dos visitantes.
Figura 2 – Apresentação dos Projetos.

Fonte: Autores, 2016.

 LABORATÓRIO
No laboratório do CEA, onde acontece o beneficiamento de sementes (Figura
3) e acondicionamento para espera de destinação final, foram apresentadas uma
variedade de sementes, exemplares de exsicatas que estavam sendo conservadas e
a estufa usada para conservação das propriedades naturais das mesmas.
Figura 3 – Amostras de sementes.

Fonte: Autores, 2016.


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Ainda no laboratório, foram mostradas as localidades de onde foram


resgatadas as sementes, sendo tais áreas presentes no perímetro da supressão
vegetal, conforme a Figura 4.
Figura 4 – Áreas que foram coletadas as sementes.

Fonte: Autores, 2016.

Também foi mostrada uma estufa (Figura 5) onde as de exsicatas (Figura 6)


ficam armazenadas para posterior direcionamento ao Jardim Botânico do Rio de
Janeiro.

Figura 5 – Estufa para armazenar exsicatas. Figura 6 – Amostra de espécie encaminhadas para o
museu.

Fonte: Autores, 2016. Fonte: Autores, 2016.


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 BANCO DE GERMOPLASMA
Local destinado ao para o armazenamento das sementes coletadas em campo
e beneficiadas em laboratório, devidamente separadas e identificadas. O Banco de
Germoplasma garante a conservação do património genético das plantas, sob a forma
de sementes (Figura 7) e é equipado com central de ar e desumificador, de modo que
sejam garantidas condições favoráveis para que as propriedades das sementes não
sejam perdidas.
Figura 7 – Banco de Germoplasma do CEA.

Fonte: Autores, 2016.

 GALPÃO DE SUBSTRATO
Local utilizado para produção de substrato (Figura 8) necessário ao
desenvolvimento saudável das mudas, e neste caso, o preparo de tal se deu a partir
da mistura de areia com e terra preta. O substrato serve como suporte onde as plantas
fixarão suas raízes; o mesmo retém o líquido que disponibilizará os nutrientes às
plantas.
Um substrato, para ser considerado ideal deve apresentar características tais
como elevada capacidade de retenção de água, tornando-a facilmente disponível;
distribuição das partículas de tal modo que, ao mesmo tempo que retenham água,
mantenham a aeração para que as raízes não sejam submetidas a baixos níveis de
oxigênio, o que compromete o desenvolvimento da cultura; decomposição lenta; que
seja disponível para a compra; de baixo custo.
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Figura 8 – Amostra de Substrato.

Fonte: Autores, 2016.

 VIVEIRO
Corresponde ao espaço dedicado ao tratamento, desenvolvimento e cultivação
das mais diversas espécies de vegetais devidamente separadas e identificadas. O
viveiro é um local que deve proporcionar um ambiente adequado para a germinação
das sementes, ao crescimento das mudas e à formação de mudas sadias e bem
desenvolvidas.
O viveiro é fundamental para a multiplicação das espécies a serem produzidas,
concentrando-as em uma área definida que apresenta as condições ideais para seu
desenvolvimento na forma de mudas.

Figura 9 – Viveiro de mudas.

Fonte: Autores, 2016.


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 EPIFITÁRIO
No Epifitário são desenvolvidos os trabalhos de preservação de Epífitas e
Hemiepífitas coletadas no programa de Resgate de Flora. Consiste em uma estrutura
simples, mas extremamente importante, cuja finalidade é a disposição,
desenvolvimento e cultivação das variadas espécies de epífitas coletadas no resgate
durante as atividades de supressão de ilhas contidas no reservatório formado pelo
UHE Belo Monte (Figura 10).
Figura 10 – Espécies vegetais arranjadas no Epifitário.

Fonte: Autores, 2016.

Após conhecer o Epifitário, os acadêmicos foram direcionados ao refeitório


para almoçar. Em seguida, foi realizada uma reunião para formalizar o encerramento
da visita, na qual foi ressaltada, por parte do Engenheiro Representante da Norte
Energia, Paulo; da coordenadora adjunto do curso de Engenharia Ambiental, Ana
Karyna e do Prof., Gleidson, a importância da visita para o currículo dos acadêmicos,
abordando os principais aspectos pertinentes à disciplina em andamento,
Recuperação de Áreas Degradadas.
Foi frisado também, a importância do CEA para a ciência, pois a partir dos
resgates que foram efetuados, foram encontradas 2 (duas) novas espécies, de
vegetais, como por exemplo, um maracujá ilustrado na Figura 11.
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Figura 11 –Espécie de Maracujá encontrada na Área de


Supressão Vegetal..

Fonte: Autores, 2016.

A partir da cerimônia de encerramento, mudas de espécies vegetais foram


distribuídas para os acadêmicos (Figura 12), cuja finalidade era o plantio em torno da
área da Universidade do Estado do Pará.
Figura 12 – Finalização da Cerimônia com entrega de mudas para os
Acadêmicos de Engenharia Ambiental.

Fonte: Autores, 2016.


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2ª Visita – Data: 16/04/2016

2.2. DESCRIÇÃO DO LOCAL DA VISITA

A atividade de recuperação de área degradada ocorreu no antigo bota-fora do


bairro Laranjeiras, sendo que o primeiro passo foi o isolamento da área e a retirada
dos fatores de degradação (entulhos oriundos da construção do RUC Laranjeiras). A
metodologia empregada para a recuperação da área foi o plantio de mudas, que visa
o recobrimento rápido do solo, recomposição da estrutura de vegetação e diminuição
dos processos erosivos.
Destaca-se que o plantio foi realizado no período chuvoso da região
amazônica, dispensando mecanismos de irrigação. Todas as mudas plantadas foram
transportadas do Centro de Estudos Ambientais da Norte Energia, e são espécies
nativas da região, retiradas das áreas de vegetação suprimidas para a construção da
UHE Belo Monte.
Figura 13 – Área degradada destinada ao plantio das mudas de grande e médio
porte – Platô.

Fonte: Autores, 2016.


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A atividade foi realizada por um grupo de 23 alunos, divididos em 5 equipes,


que usufruíram dos seguintes equipamentos: carro de mão, pá, draga (cavadeira),
enxada, além de EPI tais como luvas, perneira e protetor solar. A disposição de mudas
se deu em função das características do ciclo de vida das espécies, que devem ter
crescimento rápido para evitar o surgimento de plantas invasoras, propiciar atração
da fauna e interações interespecíficas no meio.
As espécies utilizadas no plantio foram: Ipê Roxo (25 unidades), Cedro (67
unidades), Frutão (10 unidades), Ucuuba da Várzea (18 unidades), Acapú (50
unidades), Paricá (5 unidades), Macharimbe (15 unidades), Coração Negro (10
unidades), Mamuí (10 unidades), Bacuri (10 unidades), Ingá (30 unidades no talude),
Açaí (10 unidades no talude), Camu-camu (100 unidades no talude), totalizando 360
mudas, entre árvores de grande porte, médio porte e arbustivas.
A área em questão foi dividida em duas partes: platô e talude. A disposição no
platô ocorreu conforme o mapa de plantio disponibilizado pela empresa, que ilustrava
por cor cada espécie de mudas, o qual foi seguido pelos grupos. As covas mediam
20 cm de diâmetro por 30 cm de profundidade e estavam demarcadas por piquetes
fixados no solo.
A abertura das covas foi feita com o auxílio da enxada, pá e cavadeira, sempre
separando o solo: colocando de um lado da cova o solo superficial (lixiviado, menos
fértil) e do outro, o solo mais profundo. Desta forma, cada equipe realizava a plantação
das mudas recebidas, com auxílio dos equipamentos descritos e fazendo uso das
orientações repassadas pela equipe técnica.
Em cada cova, o plantio seguia a seguinte ordem: abertura da cova, retirada
das mudas dos sacos com substrato composto por areia e terra preta, disposição das
mudas no centro das covas deixando a base destas no nível de superfície do solo,
recobrimento das mesmas com terra retirada das covas, compactação rápida com as
mãos ou pés ao redor da muda para eliminar espaços vazios, conforme figura 14.
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Figura 14 – Inserção da muda dentro da cova escavada.

Fonte: Autores, 2016.

Posterior ao plantio de todas as mudas no platô foi realizado o plantio na parte


inferior, o talude, seguindo a mesma ordem metodológica descrita acima. Nessa parte
da área, a disposição das mudas era diferente: as linhas eram afastadas 3 metros
uma da outra e uma muda era plantada a cada 2 metros. Apesar do planejamento, as
mudas não foram dispostas conforme o mapa (Figura 15), pois haviam mais covas do
que mudas disponíveis.
As mudas usadas na parte do talude foram exclusivamente as de camu-camu,
ingá e açaí, esta última foi plantada apenas na parte mais baixa e húmida do talude.
A escolha dessas espécies é justificada pela estrutura do local, que apresenta alta
declividade e escoamento superficial intenso, não sendo uma área propícia para o
desenvolvimento de árvores de grande e médio porte. Em algumas linhas de
plantação do talude, a disposição das mudas ocorreu de forma alternada tanto no
espaçamento como na sequência de espécies.
A finalização das atividades se deu com a reunião de todos os participantes:
equipe técnica da empresa, alunos e corpo docente da universidade, com discurso de
agradecimento e observações das partes envolvidas na atividade realizada com
sucesso.
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Figura 15 – Mapa de Localização do Centro de Estudos Ambientais.

Fonte: Norte Energia, 2016.


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3. CONCLUSÃO

A pressão que os elementos antrópicos causam sobre os recursos ambientais,


através de níveis elevados e crescentes de produção e de consumo, pode
comprometer a capacidade de utilizar, recuperar e conservar esses recursos. Deste
modo, o plantio de mudas de espécies distintas, de médio e grande porte na região
bota fora promoverá a recuperação dessa área degradada pela supressão vegetal em
aproximadamente 15 anos a 20 anos. Ao longo do processo ocorrerá novamente a
atração da micro e macrofauna através da restituição das características físicas
imprescindíveis existentes anteriormente.
Os planos de recuperação de áreas degradadas e alteradas, se mostram como
importantes instrumentos nos processos de mitigação dos impactos causados ao meio
ambiente, sobretudo pela construção civil, já que este setor é um dos mais ativos na
economia do país e pode gerar impactos tanto no local de edificação quanto no local
onde é disposto seus resíduos, como foi na área em questão.
Nesse contexto, a cidade de Altamira se tornou um polo de construção civil a
partir do início das obras da UHE Belo Monte, em 2011, fazendo com que muitas áreas
fossem utilizadas como bota-fora de materiais inutilizados, e agora, com a diminuição
no ritmo das obras, se faz necessário a recuperação dessas áreas por meio da
implantação dos PRADA’s.
A atividade pratica realizada pela turma consistiu no plantio de 370 mudas de
espécies nativas da bacia do rio Xingu (Camu-camu, cedro, ingá, açaí, etc.) na área
denominada como bota-fora do lessa, que recebeu material vegetal suprimido e o solo
não utilizado na construção do RUC laranjeiras, que fica próximo ao local. Todas as
mudas plantadas foram produzidas no CEA da UHE Belo Monte e descendem das
sementes coletadas durante o processo de supressão vegetal do entorno do
reservatório da usina.
A utilização de mudas nativas da região no processo de recuperação facilita o
desenvolvimento das espécies, pois já estão adaptadas ao clima da região e contribui
para a perpetuação das espécies, que não serão perdidas mesmo com o alagamento
de áreas antes cobertas por mata nativa. Além disso, incrementa o conhecimento dos
alunos acerca da flora local que é extremamente diversificada e fortalece a identidade
cultural da região.
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4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 ALVES, Marlene C. et al. 2012. Recuperação em área de empréstimo usada


para construção de usina hidrelétrica. Disponível em
<http://www.scielo.br/pdf/rbeaa/v16n8/a11v16n8.pdf>. Acesso em 18 abr. 16.

 BRASIL. 2016. Recuperação de Áreas Degradadas. In: Ministério do Meio


Ambiente. Disponível em <http://www.mma.gov.br/destaques/item/8705-
recuperação-de-áreas-degradadas>. Acesso em 18 abr. 2016.

 GUEDES, Gilvan; COSTA, Sandra M. F. da; BRONDIZIO, Eduardo. 2009.


Revisiting the hierarchy of urban areas in the Brazilian Amazon: a multilevel
approach. In: Population and Environment, v. 30. p.159–192.

 MARTINE, George; TURCHI, Lenita. 1988. A urbanização da amazônia:


realidade e significado. In: VI Encontro Nacional de Estudos Populacionais,
1988, Olinda. Anais do VI Encontro Nacional de Estudos Populacionais.

 NORTE ENERGIA, 2011. Projeto Básico Ambiental. PBA: Plano de


Conservação dos Ecossistemas Terrestres. v. 5. p.41.

 NORTE ENERGIA, 2011. Projeto Básico Ambiental. Programa de


Conservação e Manejo da Flora: Projeto de Salvamento e Aproveitamento
Científico da Flora. v. 5. p.114.

 NORTE ENERGIA, 2015. Programa de Conclusão da Supressão Vegetal.

 WALKER, R. et al. 2008. A Expansão da Agricultura Intensiva e Pecuária na


Amazônia Brasileira. Disponível em
<https://daac.ornl.gov/LBA/lbaconferencia/amazonia_global_change/5_A%20Exp
ansao_Agricultura_Walker.pdf>. Acesso em 18 abr. 2016.

 ZANDONADI, José Emídio. 2007. Recuperação de Áreas Degradadas na


Construção da UHE Tucuruí-PA. p.2. Disponível em
<http://www.cbdb.org.br/seminario/belem/t99/a08.pdf>. Acesso em 18 abr. 16.