Você está na página 1de 37

Profa. MSc.

Patricia Trinta

CONFORTO ACÚSTICO E LUMÍNICO

AULA 4 – NOÇÕES GERAIS DE CONFORTO ACÚSTICO +


NORMAS E LEGISLAÇÕES
1
Arquitetura e Urbanismo 2016

2ª UE - TRATAMENTO ACÚSTICO

2
Conhecer as formas de
Tratamento Acústico (Isolamento
e Condicionamento); Absorção
Sonora; Reverberação Sonora –
Tempo de Reverberação.
TRATAMENTO E PROJETO ACÚSTICO

MEDIÇÃO
TRATAMENTO
BARREIRAS

PROJETO DE
CONFORTO

2ª UNIDADE DE ENSINO

4
MEDIÇÃO DE RUÍDOS – IA E TR

2ª UNIDADE DE ENSINO: TRATAMENTO E PROJETO ACÚSTICO

5
ISOLAMENTO ACÚSTICO

• Avaliar o nível de isolamento acústico de


um recinto implica em conhecer sua
transmissividade média (τ) para
posteriormente calcular a redução do ruído
(RR)
τ= ∑ (S¹ x τ¹) / ∑S¹
Onde: S¹ : área de aplicação do material 1
τ¹ : transmissividade do material 1
ISOLAMENTO ACÚSTICO
Exemplo prático:
ABSORÇÃO ACÚSTICA

• Consiste em atenuarmos os EFEITOS DOS SONS em ambientes,


posto que, quando um som atinge uma superfície lisa e dura,
uma parcela significativa dele é REFLETIDA e, caso contrário,
quando atinge superfície macia e porosa, parcela significativa
dele é ABSORVIDA.
• A absorção acústica total consiste no somatório dos produtos
de cada área componente dessa parede (S¹) pelo seu
coeficiente de absorção acústica (α¹).
ABSORÇÃO ACÚSTICA

• Exemplo prático:
Uma parede de 8m² em alvenaria de tijolos cerâmicos
com reboco liso e uma janela comum de vidro liso
¾mm com 2m², totalizando 10m², tudo à uma
frequência de 500 Hz:
ABSORÇÃO ACÚSTICA

• Exemplo prático:
No mesmo exemplo, admitamos agora o uso de
cortina grossa e drapeada frontalmente à janela
(mesma área) e a utilização de lambris de madeira
em 30% da área efetiva de alvenaria rebocada.
CONDICIONAMENTO ACÚSTICO

Condicionar acusticamente um recinto consiste em


darmos a ele as melhores condições possíveis de
AUDIBILIDADE INTERNA e isso se faz segundo duas
providências fundamentais:
• Corrigir o TEMPO DE REVERBERAÇÃO do recinto
com base nas absorções acústicas internas;
• Promover a melhor distribuição possível dos sons
gerados internamente via superfícies REFLETORAS
e ou ABSORVENTES de sons, conforme uma
geometria interna apropriada para o recinto.
CONTROLE DOS SONS NO INTERIOR DO AMBIENTE
1. Distribuição homogênea do som
O som deve chegar a todos os pontos do ambiente com o
mesmo (ou quase) nível sonoro.
• Por exemplo: uma igreja ou um teatro, as pessoas
posicionadas próximas a fonte sonora, bem como as
pessoas no fundo do recinto, devem escutar com níveis
próximos. Quando o ambiente é muito grande, ou a
acústica é deficiente, deve-se recorrer à
AMPLIFICAÇÃO DO SOM. Neste caso o projeto acústico
se altera, incorporando outros aspectos. Deve-se
lembrar que o som sem amplificação torna o ambiente
mais natural, devendo sempre ter prioridade.
CONTROLE DOS SONS NO INTERIOR DO AMBIENTE

1. Distribuição homogênea do som


Amplificador é um equipamento que utiliza uma pequena
quantidade de energia para controlar uma quantidade
maior. Em sua utilização mais coloquial, o termo se refere
a amplificadores eletrônicos, principalmente aqueles
usados para aplicações de áudio e para transmissão de
rádio.
CONTROLE DOS SONS NO INTERIOR DO AMBIENTE

2. Boa relação sinal/ruído:


O som gerado no interior do recinto deve permanecer
com níveis acima do ruído. Daí a importância do
isolamento do ambiente ao ruído externo. Embora
existam muitos fatores envolvidos, pode-se afirmar que a
permanência dos níveis de som em 10dB ACIMA DO
NÍVEL DE RUÍDO, assegura uma boa inteligibilidade
sonora aos ouvintes. Novamente pode-se recorrer a
amplificação sonora para solucionar os casos
problemáticos.
CONTROLE DOS SONS NO INTERIOR DO AMBIENTE

3. Campo acústico uniforme:


O som em um ambiente deve ter apenas UM SENTIDO DE
PROPAGAÇÃO. Assim, os ouvintes devem sentir a
sensação do som vindo da fonte sonora. Paredes laterais
com muita reflexão, ou caixas acústicas nessas paredes,
causam estranheza às pessoas que observam a fonte
sonora à frente e ouvem o som das laterais. O campo
sonoro se torna caótico na existência de ondas sonoras
contrárias à propagação normal do som (do fundo para a
frente), normalmente causadas por caixas acústicas
colocadas no fundo do ambiente ou por uma superfície
com muita reflexão : a inteligibilidade se torna nula.
CONTROLE DOS SONS NO INTERIOR DO AMBIENTE

4. Reverberação adequada
Quando uma onda sonora se propaga no ar, ao encontrar
uma barreira (uma parede dura, por exemplo), ela se
reflete, como a luz em um espelho, gerando uma onda
sonora refletida. Num ambiente fechado ocorrem muitas
reflexões do som, fazendo com que os ouvintes escutem
o som direto da fonte e os vários sons refletidos. Isso
causa um prolongamento no tempo de duração do som,
dificultando a inteligibilidade da linguagem. A esse
fenômeno, chama-se REVERBERAÇÃO.
CONTROLE DOS SONS NO INTERIOR DO AMBIENTE

• Algumas soluções para diminuir a reverberação


 O projeto arquitetônico deve evitar as reflexões do
som; Revestir as superfícies do recinto com material
ABSORVENTE ACÚSTICO (importante escolher bem o
material pois o mesmo não absorve igualmente todas
as frequências);
 Dirigir a ABSORÇÃO SONORA apenas para algumas
direções da propagação;
 USAR O PÚBLICO - o corpo humano é um ótimo
absorvente acústico - como elemento acústico.
REVERBERAÇÃO

• Consiste no PROLONGAMENTO NECESSÁRIO DE UM SOM


PRODUZIDO, a título de sua inteligibilidade em locais mais
afastados da fonte produtora.

• “É a persistência do som em um recinto limitado, depois de


cessada sua emissão por uma fonte”.
REVERBERAÇÃO
REVERBERAÇÃO

• Em ambientes fechados, existem dois campos sonoros: da


fonte e o refletido.
• Chegando juntos, reforçam o som, chegando separados, em
pequeno intervalo, atrapalham o entendimento,
caracterizando a REVERBERAÇÃO.
TEMPO DE REVERBERAÇÃO
TEMPO DE REVERBERAÇÃO

• É o intervalo de tempo necessário para que o nível de


intensidade de um determinado som desça 60dB após o
término da emissão da sua fonte.
TEMPO ÓTIMO DE REVERBERAÇÃO

• Para cada ambiente há um TEMPO DE REVERBERAÇÃO IDEAL,


isso vai depender do volume e da finalidade a que o recinto se
destina.
• Tempos de reverberação de 3 a 2 segundos são ACEITÁVEIS; de
2 a 1,5, BONS e de 1,5 a 0,5s MUITO BONS, segundo Watson
(apud Carvalho, 1967).
TEMPO ÓTIMO DE REVERBERAÇÃO
TEMPO ÓTIMO DE REVERBERAÇÃO

• Do ponto de vista da arquitetura, controlar essa


característica é extremamente importante sob os
seguintes aspectos:
• Se o tempo de reverberação for muito longo
haverá SOBREPOSIÇÃO DE SONS, o que acabará
dificultando sua inteligibilidade.
• Se ocorrer o contrário, ou seja, o som
desaparecer imediatamente após sua emissão,
sua PERCEPÇÃO SE TORNARÁ DIFÍCIL em pontos
mais afastados da fonte.
TEMPO ÓTIMO DE REVERBERAÇÃO
FÓRMULA DE SABINE - NBR 12179/90

0,161𝑥𝑥𝑥𝑥
𝑇𝑇𝑇𝑇 =
∑𝑠𝑠1 xα¹

Onde:
• Tr = tempo de reverberação do recinto (em segundos)
• V = volume do recinto (em metros cúbicos)
• S = área de determinada superfície interna do recinto (em
metros quadrados)
• α = coeficiente de absorção sonora de determinada superfície
TEMPO DE REVERBERAÇÃO

EXERCÍCIO
EXERCÍCIO

Calcular o tempo de reverberação ideal para uma sala de


aula dadas as seguintes informações:

• Dimensões da sala 8 X 5 M e PD de 3M
• PISO – carpete 10mm sobre concreto = α 0,21
• TETO – forro de gesso = α 0,03
• TODAS AS PAREDES – alvenaria com reboco liso = α
0,02
• Considerar: 1 porta (0,80x2,10) de madeira = α 0,06
• 2 janelões (1,20 x 1,0) de vidro fechada = α 0,03
EXERCÍCIO
Calcular o tempo de reverberação ideal para uma sala de aula dadas as
seguintes informações: 8M

• VOLUME: 8x5x3= 120m³


5M PD= 3,0M
• PISO: S x α = (8x5) x 0,21= 8,4m²
• TETO: S x α= (8x5) x 0,03= 1,2m²
• TODAS AS PAREDES:
Área das Paredes = 2(8x3) + 2(5x3)= 48 + 30= 78m²
Porta = 1(0,80x2,10) = 1,68m²
Janelas = 2 (1,20x1,00) = 2,40m²
PORTANTO: 78 - (1,68+2,40) = 78 - 4,08 = 73,92m²

S x α= 73,92 x 0,02= 1,47m²

• PORTA: S x α= 1 (0,80x2,10) x 0,06= 0,1008m²


• JANELAS: S x α= 2 (2,10x1,00) x 0,03= 0,072m²
8M
EXERCÍCIO

5M PD= 3,0M
VOLUME: 8x5x3= 120m³
• PISO: S x α = (8x5) x 0,21= 8,4m²
• TETO: S x α= (8x5) x 0,03= 1,2m²
• TODAS AS PAREDES: S x α= 73,02 x 0,02= 1,47m²
• PORTA: S x α= 1 (0,80x2,10) x 0,06= 0,1008m²
• JANELAS: S x α= 2 (2,10x1,00) x 0,03= 0,072m²
11,24m²

Tr BOM
0,161𝑥𝑥𝑥𝑥 0,161 x 120
𝑇𝑇𝑇𝑇 = 1,71s
∑𝑠𝑠1 xα¹ 11,24
EXERCÍCIO

Calcular o tempo de reverberação ideal para uma sala de


aula dadas as seguintes informações:

• Dimensões da sala 5 X 7 M e PD de 2,5M


• PISO – carpete 10mm sobre concreto = α 0,21
• TETO – forro de gesso = α 0,03
• PAREDE 01 e 02 – alvenaria com reboco liso = α 0,02
• PAREDE 03 e 04 – Pastilha cerâmica até 1,25 de altura =
α 0,015
• Considerar: 1 porta (0,80x2,10) de madeira = α 0,06
• 2 janelões (3,00 x 1,0) de vidro fechada = α 0,03
EXERCÍCIO
Calcular o tempo de reverberação ideal para uma sala de aula dadas as seguintes
informações: 7M
VOLUME: 7x5x2,5= 87,5m³
• PISO: S x α = (7x5) x 0,21= 7,35m²
• TETO: S x α= (7x5) x 0,03= 1,05m²
5M PD= 2,5M
• TODAS AS PAREDES:
Área das Paredes:
Paredes 01 e 02 = 2(5x2,5)= 25m²
S x α= 25 x 0,02= 0,5m²
Paredes 03 e 04 = 2(7x2,5)= 35m² - (1,68+6,0)= 27,32/2 = 13,66m²
S¹ x α¹= 13,66 x 0,02= 0,27m²
S² x α²= 13,66 x 0,015= 0,20m²

Porta = 1(0,80x2,10) = 1,68m²


Janelas = 2 (3,00x1,00) = 6,00m²

• PORTA: S x α= 1 (0,80x2,10) x 0,06= 0,1008m²


• JANELAS: S x α= 2 (3,00x1,00) x 0,03= 0,18m²
EXERCÍCIO
VOLUME: 7x5x2,5= 87,5m³ 7M
• PISO: S x α = (7x5) x 0,21= 7,35m²
• TETO: S x α= (7x5) x 0,03= 1,05m²
• PAREDES: Paredes 01 e 02 = S x α= 25 x 0,02= 0,5m² 5M PD= 2,5M
Paredes 03 e 04 = S¹ x α¹= 13,66 x 0,02= 0,27m²
S² x α²= 13,66 x 0,015= 0,20m²
• PORTA: S x α= 1 (0,80x2,10) x 0,06= 0,1008m²
• JANELAS: S x α= 2 (3,00x1,00) x 0,03= 0,18m²

9,65m²
Tr MUITO BOM
0,161𝑥𝑥𝑥𝑥 0,161 x 87,5
𝑇𝑇𝑇𝑇 = 1,45
∑𝑠𝑠1 xα¹ 9,65
PARA CASA...

Calcular o tempo de reverberação ideal para um laboratório dadas as


seguintes informações:

• Dimensões da sala 6 X 10 M e PD de 3M
• PISO – mármore = α 0,01
• TETO – forro de gesso acartonado 12,5mm = α 0,05
• PAREDE 01 e 02 (PAREDES DE 6M) – alvenaria com reboco liso = α
0,02
• PAREDE 03 e 04 (PAREDES DE 10M) – Lambri de madeira até 1,50 de
altura = α 0,06
• Considerar: 2 portas (0,90x2,10) de madeira compensada
envernizada = α 0,03
• 3 janelas (1,50 x 1,0) de vidro de 4mm = α 0,10
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

• CARVALHO, Régio Panagio – ACÚSTICA ARQUITETÔNICA. Arch-


Tec, São Paulo, 2a edição, 2010.

• SOUZA, Léa Cristina L. de et al – Bê-á-bá da acústica


arquitetônica, ouvindo a Arquitetura. EdUFSCar, São Carlos,
2011.
37

Você também pode gostar