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DE ACORDO COM EDITAL DE Nº 01/2020

PM-PR
POLÍCIA MILITAR E CORPO DE BOMBEIROS DO ESTADO DO PARANÁ

SOLDADO E
BOMBEIRO MILITAR
DE 2ª CLASSE

GRÁTIS
CONTEÚDO ONLINE
CONTEÚDO
- Língua Portuguesa Português
- Raciocínio Matemático - Figuras de Linguagem

- Informática Matemática
- Sistemas de Equações
- História do 1º Grau
- Geografia Informática
- Legislação - MS-Office Word 2010
Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Paraná

PM/CBM-PR
Soldado de 2ª Classe Policial Militar e Soldado de 2ª Classe
Bombeiro Militar

NV-059MR-20

Cód.: 9088121442757
Todos os direitos autorais desta obra são protegidos pela Lei nº 9.610, de 19/12/1998.
Proibida a reprodução, total ou parcialmente, sem autorização prévia expressa por escrito da editora e do autor. Se você
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OBRA

Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Paraná

Soldado de 2ª Classe Policial Militar e Soldado de 2ª Classe Bombeiro Militar

EDITAL Nº 01/2020

AUTORES
Língua Portuguesa - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Raciocínio Matemático - Prof° Bruno Chieregatti e Joao de Sá Brasil
Informática - Prof° Ovidio Lopes da Cruz Netto e Carlos Quiqueto
História - Prof°Heitor Ferreira, Silvana Guimarães e Rebecca Soares
Geografia - Profª Elines Francisca, Rebecca Soares, Roberta Amorim e Letícia Veloso
Legislação - Profª Bruna Pinotti

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Josiane Sarto
Aline Mesquita
Roberth Kairo

DIAGRAMAÇÃO
Dayverson Ramon
Higor Moreira
Rodrigo Bernardes de Moura
Paulo Martins

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

EDIÇÃO ABR/2020

www.novaconcursos.com.br

sac@novaconcursos.com.br
APRESENTAÇÃO

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SUMÁRIO

LÍNGUA PORTUGUESA
As questões de Língua Portuguesa visam a averiguar a capacidade da candidata e do candidato, quanto: à
apreensão do significado global dos textos; ao estabelecimento de relações intratextuais e intertextuais........... 01
Ao reconhecimento da função desempenhada por diferentes recursos gramaticais no texto, nos níveis fono-
lógico, morfológico, sintático, semântico e textual/discursivo.................................................................................................. 09
À apreensão dos efeitos de sentido decorrentes do uso de recursos verbais e não verbais em textos de diferentes gêneros:
tiras, quadrinhos, charges, gráficos, infográficos etc....................................................................................................................................................................... 49
À identificação das ideias expressas no texto, bem como de sua hierarquia (principal ou secundária) e das
relações entre elas (oposição, restrição, causa/consequência, exemplificação etc.)......................................................... 53
À análise da organização argumentativa do texto: identificação do ponto de vista (tese) do autor, reconheci-
mento e avaliação dos argumentos usados para fundamentá-lo............................................................................................ 54
À dedução de ideias e pontos de vista implícitos no texto; ao reconhecimento das diferentes “vozes” dentro
de um texto, bem como dos recursos linguísticos empregados para demarcá-las.......................................................... 66
Ao reconhecimento da posição do autor frente às informações apresentadas no texto (fato ou opinião; sério
ou ridículo; concordância ou discordância etc.), bem como dos recursos linguísticos indicadores dessas ava-
liações; à identificação do significado de palavras, expressões ou estruturas frasais em determinados contex-
tos...................................................................................................................................................................................................................... 70
À identificação dos recursos coesivos do texto (expressões, formas pronominais, relatores) e das relações de
sentido que estabelecem.......................................................................................................................................................................... 74
Ao domínio da variedade padrão escrita: normas de concordância, regência................................................................... 79
Ortografia, pontuação etc........................................................................................................................................................................ 93
Ao reconhecimento de relações estruturais e semânticas entre frases ou expressões................................................... 102
À identificação, em textos de diferentes gêneros, das marcas linguísticas que singularizam as variedades lin-
guísticas sociais, regionais ou de registro.......................................................................................................................................... 112

RACIOCÍNIO MATEMÁTICO

Resolução de problemas numéricos, porcentagem, conjuntos e contagem...................................................................... 1


Equações e Sistemas do 1º e 2º............................................................................................................................................................ 28
Regra de três simples................................................................................................................................................................................ 37
Área, volume e capacidade..................................................................................................................................................................... 39
Cálculo da média, leitura e interpretação de dados representados em tabelas e gráficos........................................... 44
Relações métricas no triângulo retângulo........................................................................................................................................ 48

INFORMÁTICA

Noções de Informática: conceitos básicos de operação com arquivos nos sistemas operacionais Windows 10
e Linux (Ubuntu versão 14 ou superior)............................................................................................................................................. 01
Noções consistentes de uso de Internet para a informação (Mozila Firefox e Google Chrome) e correio
eletrônico nos sistemas operacionais Windows 10 e Linux (Ubuntu versão 14 ou superior)....................................... 20
SUMÁRIO

Noções de trabalho com computadores em rede interna, nos sistemas operacionais Windows 10 e Linux
(Ubuntu versão 14 ou superior)............................................................................................................................................................ 32
Noções de escrita e editoração de texto utilizando LibreOffice-Writer (versão 5.0.6 ou superior)........................... 43
Noções de cálculo e organização de dados em planilhas eletrônicas utilizando o LibreOffice-Calc (versão 5.0.6
ou superior)................................................................................................................................................................................................... 64
Noções, como usuário, do funcionamento de computadores e de periféricos (impressoras e digitalizadoras).. 94
Noções, como usuário, dos sistemas operacionais Windows 10 e Linux (Ubuntu versão 14 ou superior)............. 96

HISTÓRIA

Brasil Colônia; Sistema Colonial: Sociedade do Açúcar e da Mineração............................................................................. 1


Paraná: Movimentos de Ocupação do Território........................................................................................................................... 11
A Família Real no Brasil (1808-1822).................................................................................................................................................. 14
Brasil Império............................................................................................................................................................................................... 16
Paraná: A Dinâmica do Tropeirismo.................................................................................................................................................... 18
Café: Escravidão e Trabalho Livre; A Emancipação Política do Paraná; O Ciclo da Erva-mate..................................... 19
A Queda da Monarquia; Brasil República; Implantação do Regime Republicano e Conflitos Sociais...................... 21
A Guerra do Contestado; Política Oligárquica e Coronelismo; A Era Vargas: Estado, Trabalho e Cultura; O
Golpe Civil-Militar de 1964; Movimentos de Resistência à Ditadura.................................................................................... 22
A Abertura Política; A Nova República e as Características do Estado Democrático de Direito Estabelecidas
Pela Constituição de 1988...................................................................................................................................................................... 29
Cidadania e Movimentos Sociais; A Questão da Desigualdade e da Inclusão Social..................................................... 37
A Democracia e o Papel das Instituições de Segurança Pública............................................................................................. 45

GEOGRAFIA

População e estruturação socioespacial em múltiplas escalas (Paraná, Brasil, Mundo)................................................. 1


Teorias e conceitos básicos em demografia e políticas demográficas. Estrutura demográfica, distribuição da
população e novos arranjos familiares. Movimentos, redes de migração e impactos econômicos, culturais e
sociais dos deslocamentos populacionais........................................................................................................................................ 5
População, meio ambiente e riscos ambientais.............................................................................................................................. 7
Transformação das relações de trabalho e economia informal................................................................................................ 10
Diversidade étnica e cultural da população..................................................................................................................................... 10
Geografias das diferenças: questões de gênero, sexualidade e étnico-raciais. Espacialidades e identidades
territoriais....................................................................................................................................................................................................... 11
Estrutura produtiva, economia e regionalização do espaço em múltiplas escalas (Paraná, Brasil, Mundo)........... 11
O espaço geográfico na formação econômica capitalista. Exploração e uso de recursos naturais........................... 15
Estrutura e dinâmica agrárias................................................................................................................................................................. 16
Industrialização, complexos industriais, concentração e desconcentração das atividades industriais..................... 22
SUMÁRIO

Espacialidade do setor terciário: comércio, sistema financeiro. Redes de transporte, energia e


telecomunicações....................................................................................................................................................................................... 23
Processos de urbanização, produção, planejamento e estruturação do espaço urbano e metropolitano............. 27
As relações rurais-urbanas, novas ruralidades e problemáticas socioambientais no campo e na cidade.............. 28
Evolução da estrutura fundiária, estrangeirização de terras...................................................................................................... 30
reforma agrária e movimentos sociais no campo.......................................................................................................................... 30
Agronegócio: dinâmica produtiva, econômica e regional.......................................................................................................... 31
Povos e comunidades tradicionais e conflitos por terra e território no Brasil.................................................................... 32
Produção e comercialização de alimentos, segurança, soberania alimentar e agroecologia...................................... 33
Formação, estrutura e organização política do Brasil e do mundo contemporâneo...................................................... 35
Produção histórica e contemporânea do território no Brasil.................................................................................................... 37
Federalismo, federação e divisão territorial no Brasil................................................................................................................... 39
Formação e problemática contemporânea das fronteiras......................................................................................................... 47
Conflitos geopolíticos emergentes: ambientais, sociais, religiosos e econômicos. Ordem mundial e territórios
supranacionais: blocos e fluxos econômicos e políticos, alianças militares e movimentos sociais internacionais.
Regionalização e a organização do novo sistema mundial....................................................................................................... 49
Globalização: características, impactos negativos e positivos.................................................................................................. 51
A representação do espaço terrestre. A evolução das representações cartográficas e a introdução das novas
tecnologias para o mapeamento, através do sensoriamento remoto (fotografias aéreas e imagens de satélite)
e dos Sistemas de Posicionamento Terrestre (GPS). As formas básicas de representação do espaço terrestre e
das distribuições dos fenômenos geográficos (mapas, cartas, plantas e cartogramas)................................................. 52
Escalas, reconhecimento e cálculo. Sistema de coordenadas geográficas e a orientação no espaço terrestre.
Projeções cartográficas. Identificação dos principais elementos de uma representação cartográfica, leitura e
interpretação de tabelas, gráficos, perfis, plantas, cartas, mapas e cartogramas.............................................................. 53

LEGISLAÇÃO

Lei nº 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) e suas alterações. Parte geral: Título I – Das Disposições
Preliminares. Título II – Dos Direitos Fundamentais: Capítulos I (Do Direito à Vida e à Saúde), II (Do Direito à
Liberdade, ao Respeito e à Dignidade), III (Do Direito à Convivência Familiar e Comunitária), IV (Do Direito à
Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer) e V (Do Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho. Título
III – Da Prevenção: Capítulo II, Seção I (Da informação, Cultura, Lazer, Esportes, Diversões e Espetáculos), Seção
II (Dos Produtos e Serviços) e Seção III (Da Autorização para Viajar).................................................................................... 01
Parte Especial: Título III – Da Prática de Ato Infracional: Capítulos I (Disposições Gerais), II (Dos Direitos Indivi-
duais) e III (Das garantias processuais) e IV (Das Medidas Socioeducativas). Título IV – Das Medidas Pertinentes
aos Pais ou Responsável. Título V – Do Conselho Tutelar: Capítulos I (Disposições Gerais) e II (Das Atribuições
do Conselho)................................................................................................................................................................................................ 28
ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA

As questões de Língua Portuguesa visam a averiguar a capacidade da candidata e do candidato, quanto: à


apreensão do significado global dos textos; ao estabelecimento de relações intratextuais e intertextuais................ 01
Ao reconhecimento da função desempenhada por diferentes recursos gramaticais no texto, nos níveis fonológi-
co, morfológico, sintático, semântico e textual/discursivo.............................................................................................................. 09
À apreensão dos efeitos de sentido decorrentes do uso de recursos verbais e não verbais em textos de diferentes gêneros: tiras,
quadrinhos, charges, gráficos, infográficos etc.......................................................................................................................................................................................... 49
À identificação das ideias expressas no texto, bem como de sua hierarquia (principal ou secundária) e das relações
entre elas (oposição, restrição, causa/consequência, exemplificação etc.)................................................................................ 53
À análise da organização argumentativa do texto: identificação do ponto de vista (tese) do autor, reconhecimento
e avaliação dos argumentos usados para fundamentá-lo............................................................................................................... 54
À dedução de ideias e pontos de vista implícitos no texto; ao reconhecimento das diferentes “vozes” dentro de
um texto, bem como dos recursos linguísticos empregados para demarcá-las..................................................................... 66
Ao reconhecimento da posição do autor frente às informações apresentadas no texto (fato ou opinião; sério ou
ridículo; concordância ou discordância etc.), bem como dos recursos linguísticos indicadores dessas avaliações;
à identificação do significado de palavras, expressões ou estruturas frasais em determinados contextos................. 70
À identificação dos recursos coesivos do texto (expressões, formas pronominais, relatores) e das relações de
sentido que estabelecem............................................................................................................................................................................... 74
Ao domínio da variedade padrão escrita: normas de concordância, regência........................................................................ 79
Ortografia, pontuação etc............................................................................................................................................................................. 93
Ao reconhecimento de relações estruturais e semânticas entre frases ou expressões........................................................ 102
À identificação, em textos de diferentes gêneros, das marcas linguísticas que singularizam as variedades
linguísticas sociais, regionais ou de registro.......................................................................................................................................... 112
Interpretar/Compreender
AS QUESTÕES DE LÍNGUA PORTUGUESA
VISAM A AVERIGUAR A CAPACIDADE DA Interpretar significa:
CANDIDATA E DO CANDIDATO, QUANTO: À Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.
APREENSÃO DO SIGNIFICADO GLOBAL DOS Através do texto, infere-se que...
TEXTOS; AO ESTABELECIMENTO DE RELAÇÕES É possível deduzir que...
INTRATEXTUAIS E INTERTEXTUAIS O autor permite concluir que...
Qual é a intenção do autor ao afirmar que...

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL Compreender significa


Entendimento, atenção ao que realmente está escrito.
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e rela- O texto diz que...
cionadas entre si, formando um todo significativo capaz É sugerido pelo autor que...
de produzir interação comunicativa (capacidade de codi- De acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
ficar e decodificar). O narrador afirma...

Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Erros de interpretação


Em cada uma delas, há uma informação que se liga com
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para
• Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se sai do
a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa in-
contexto, acrescentando ideias que não estão no
terligação dá-se o nome de contexto. O relacionamento
entre as frases é tão grande que, se uma frase for retirada texto, quer por conhecimento prévio do tema quer
de seu contexto original e analisada separadamente, po- pela imaginação.
derá ter um significado diferente daquele inicial. • Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se aten-
ção apenas a um aspecto (esquecendo que um tex-
Intertexto - comumente, os textos apresentam refe- to é um conjunto de ideias), o que pode ser insufi-
rências diretas ou indiretas a outros autores através de ciente para o entendimento do tema desenvolvido.
citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. • Contradição = às vezes o texto apresenta ideias
contrárias às do candidato, fazendo-o tirar con-
Interpretação de texto - o objetivo da interpretação clusões equivocadas e, consequentemente, errar a
de um texto é a identificação de sua ideia principal. A questão.
partir daí, localizam-se as ideias secundárias (ou fun-
damentações), as argumentações (ou explicações), que
Observação: Muitos pensam que existem a ótica do
levam ao esclarecimento das questões apresentadas na
escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas em
prova.
uma prova de concurso, o que deve ser levado em consi-
Normalmente, em uma prova, o candidato deve: deração é o que o autor diz e nada mais.
• Identificar os elementos fundamentais de uma ar-
gumentação, de um processo, de uma época (nes- Os pronomes relativos são muito importantes na in-
te caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
quais definem o tempo). coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que
• Comparar as relações de semelhança ou de dife- existe um pronome relativo adequado a cada circunstân-
renças entre as situações do texto. cia, a saber:
• Comentar/relacionar o conteúdo apresentado com que (neutro) - relaciona-se com qualquer anteceden-
uma realidade. te, mas depende das condições da frase.
• Resumir as ideias centrais e/ou secundárias. qual (neutro) idem ao anterior.
• Parafrasear = reescrever o texto com outras
quem (pessoa)
palavras.
cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
Condições básicas para interpretar o objeto possuído.
como (modo)
Fazem-se necessários: conhecimento histórico-literá- onde (lugar)
LÍNGUA PORTUGUESA

rio (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), lei- quando (tempo)


tura e prática; conhecimento gramatical, estilístico (qua- quanto (montante)
lidades do texto) e semântico; capacidade de observação Exemplo:
e de síntese; capacidade de raciocínio. Falou tudo QUANTO queria (correto)
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
aparecer o demonstrativo O).

1
Dicas para melhorar a interpretação de textos

• Leia todo o texto, procurando ter uma visão geral EXERCÍCIOS COMENTADOS
do assunto. Se ele for longo, não desista! Há muitos
candidatos na disputa, portanto, quanto mais infor- 1. (EBSERH – Analista Administrativo – Estatística
mação você absorver com a leitura, mais chances – AOCP-2015)
terá de resolver as questões.
• Se encontrar palavras desconhecidas, não interrom- O verão em que aprendi a boiar
pa a leitura. Quando achamos que tudo já aconteceu, novas ca-
• Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas pacidades fazem de nós pessoas diferentes do que
forem necessárias. éramos
• Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma IVAN MARTINS
conclusão).
• Volte ao texto quantas vezes precisar. Sei que a palavra da moda é precocidade, mas eu acre-
• Não permita que prevaleçam suas ideias sobre dito em conquistas tardias. Elas têm na minha vida um
as do autor. gosto especial.
• Fragmente o texto (parágrafos, partes) para melhor Quando aprendi a guiar, aos 34 anos, tudo se transfor-
compreensão. mou. De repente, ganhei mobilidade e autonomia. A ci-
• Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado de dade, minha cidade, mudou de tamanho e de fisionomia.
cada questão. Descer a Avenida Rebouças num táxi, de madrugada, era
• O autor defende ideias e você deve percebê-las. diferente – e pior – do que descer a mesma avenida com
• Observe as relações interparágrafos. Um parágra- as mãos ao volante, ouvindo rock and roll no rádio. Pegar
fo geralmente mantém com outro uma relação de a estrada com os filhos pequenos revelou-se uma delícia
continuação, conclusão ou falsa oposição. Identifi- insuspeitada.
que muito bem essas relações. Talvez porque eu tenha começado tarde, guiar me pare-
• Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou seja, ce, ainda hoje, uma experiência incomum. É um ato que,
a ideia mais importante. mesmo repetido de forma diária, nunca se banalizou
• Nos enunciados, grife palavras como “correto” ou inteiramente.
“incorreto”, evitando, assim, uma confusão na Na véspera do Ano Novo, em Ubatuba, eu fiz outra des-
hora da resposta – o que vale não somente para coberta temporã.
Interpretação de Texto, mas para todas as demais Depois de décadas de tentativas inúteis e frustrantes,
questões! num final de tarde ensolarado eu conquistei o dom da
• Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia flutuação. Nas águas cálidas e translúcidas da praia Bra-
principal, leia com atenção a introdução e/ou a va, sob o olhar risonho da minha mulher, finalmente con-
conclusão. segui boiar.
• Olhe com especial atenção os pronomes relativos, Não riam, por favor. Vocês que fazem isso desde os oito
pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, anos, vocês que já enjoaram da ausência de peso e esfor-
etc., chamados vocábulos relatores, porque reme- ço, vocês que não mais se surpreendem com a sensação
tem a outros vocábulos do texto. de balançar ao ritmo da água – sinto dizer, mas vocês se
esqueceram de como tudo isso é bom.
SITES Nadar é uma forma de sobrepujar a água e impor-se a
Disponível em: <http://www.tudosobreconcursos. ela. Boiar é fazer parte dela – assim como do sol e das
com/materiais/portugues/como-interpretar-textos> montanhas ao redor, dos sons que chegam filtrados ao
Disponível em: <http://portuguesemfoco.com/pf/ ouvido submerso, do vento que ergue a onda e lança
09-dicas-para-melhorar-a-interpretacao-de-textos-em- água em nosso rosto. Boiar é ser feliz sem fazer força, e
-provas> isso, curiosamente, não é fácil.
Disponível em: <http://www.portuguesnarede. Essa experiência me sugeriu algumas considerações so-
com/2014/03/dicas-para-voce-interpretar-melhor-um. bre a vida em geral.
html> Uma delas, óbvia, é que a gente nunca para de aprender
Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/cursi- ou de avançar. Intelectualmente e emocionalmente, de
nho/questoes/questao-117-portugues.htm> um jeito prático ou subjetivo, estamos sempre incorpo-
rando novidades que nos transformam. Somos geneti-
camente elaborados para lidar com o novo, mas não só.
LÍNGUA PORTUGUESA

Também somos profundamente modificados por ele. A


cada momento da vida, quando achamos que tudo já
aconteceu, novas capacidades irrompem e fazem de nós
uma pessoa diferente do que éramos. Uma pessoa capaz
de boiar é diferente daquelas que afundam como pedras.
Suspeito que isso tenha importância também para os
relacionamentos.

2
Se a gente não congela ou enferruja – e tem gente que já e) ser necessário aprender nos relacionamentos, porém
está assim aos 30 anos – nosso repertório íntimo tende a sempre estando alerta para aquilo de ruim que pode
se ampliar, a cada ano que passa e a cada nova relação. acontecer.
Penso em aprender a escutar e a falar, em olhar o outro,
em tocar o corpo do outro com propriedade e deixar-se Resposta: Letra A
tocar sem susto. Penso em conter a nossa própria frustra- Ao texto: (...) tudo se aprende, mesmo as coisas simples
ção e a nossa fúria, em permitir que o parceiro floresça, que pareciam impossíveis. / Enquanto se está vivo e
em dar atenção aos detalhes dele. Penso, sobretudo, em relação existe, há chance de melhorar = sempre há
conquistar, aos poucos, a ansiedade e insegurança que tempo para boiar (aprender).
nos bloqueiam o caminho do prazer, não apenas no sen- Em “a”: haver sempre tempo para aprender, para ten-
tido sexual. Penso em estar mais tranquilo na companhia tar relaxar e ser feliz nas águas do amor, agindo com
do outro e de si mesmo, no mundo. Assim como boiar, mais calma, com mais prazer, com mais intensidade e
essas coisas são simples, mas precisam ser aprendidas. menos medo = correta.
Estar no interior de uma relação verdadeira é como estar Em “b”: ser necessário agir com mais cautela nos rela-
na água do mar. Às vezes você nada, outras vezes você cionamentos amorosos para que eles não se desfaçam
boia, de vez em quando, morto de medo, sente que pode = incorreta – o autor propõe viver intensamente.
afundar. É uma experiência que exige, ao mesmo tem- Em “c”: haver sempre tempo para aprender a ser mais
po, relaxamento e atenção, e nem sempre essas coisas criterioso com seus relacionamentos, a fim de que eles
se combinam. Se a gente se põe muito tenso e cerebral, sejam vividos intensamente = incorreta – ser menos
a relação perde a espontaneidade. Afunda. Mas, largada objetivo nos relacionamentos.
apenas ao sabor das ondas, sem atenção ao equilíbrio, a Em “d”: haver sempre tempo para aprender coisas no-
relação também naufraga. Há uma ciência sem cálculos vas, inclusive agir com o raciocínio nas relações amo-
que tem de ser assimilada a cada novo amor, por cada rosas = incorreta – ser mais emoção.
um de nós. Ela fornece a combinação exata de atenção e Em “e”: ser necessário aprender nos relacionamentos,
relaxamento que permite boiar. Quer dizer, viver de for- porém sempre estando alerta para aquilo de ruim que
ma relaxada e consciente um grande amor. pode acontecer = incorreta – estar sempre cuidando,
Na minha experiência, esse aprendizado não se fez ra- não pensando em algo ruim.
pidamente. Demorou anos e ainda se faz. Talvez porque
eu seja homem, talvez porque seja obtuso para as coi- 2. (TJ-SC – ANALISTA ADMINISTRATIVO – FGV-2018)
sas do afeto. Provavelmente, porque sofro das limitações Observe a charge a seguir:
emocionais que muitos sofrem e que tornam as relações
afetivas mais tensas e trabalhosas do que deveriam ser.
Sabemos nadar, mas nos custa relaxar e ser felizes nas
águas do amor e do sexo. Nos custa boiar.
A boa notícia, que eu redescobri na praia, é que tudo
se aprende, mesmo as coisas simples que pareciam
impossíveis.
Enquanto se está vivo e relação existe, há chance de me-
lhorar. Mesmo se ela acabou, é certo que haverá outra
no futuro, no qual faremos melhor: com mais calma, com
mais prazer, com mais intensidade e menos medo.
O verão, afinal, está apenas começando. Todos os dias se
pode tentar boiar.
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-martins/
noticia/2014/01/overao-em-que-aprendi-boiar.html
A charge acima é uma homenagem a Stephen Hawking,
destacando o fato de o cientista:
De acordo com o texto, quando o autor afirma que “To-
dos os dias se pode tentar boiar.”, ele refere-se ao fato de
a) ter alcançado o céu após sua morte;
b) mostrar determinação no combate à doença;
a) haver sempre tempo para aprender, para tentar relaxar
c) ser comparado a cientistas famosos;
e ser feliz nas águas do amor, agindo com mais cal-
d) ser reconhecido como uma mente brilhante;
ma, com mais prazer, com mais intensidade e menos
e) localizar seus interesses nos estudos de Física.
LÍNGUA PORTUGUESA

medo.
b) ser necessário agir com mais cautela nos relaciona-
Resposta: Letra D
mentos amorosos para que eles não se desfaçam.
Em “a”: ter alcançado o céu após sua morte; = incorreto
c) haver sempre tempo para aprender a ser mais criterio-
Em “b”: mostrar determinação no combate à doença;
so com seus relacionamentos, a fim de que eles sejam
= incorreto
vividos intensamente.
Em “c”: ser comparado a cientistas famosos; = incorreto
d) haver sempre tempo para aprender coisas novas, in-
Em “d”: ser reconhecido como uma mente brilhante;
clusive agir com o raciocínio nas relações amorosas.

3
Em “e”: localizar seus interesses nos estudos de Física. De acordo com o autor do texto Lastro e o sistema bancá-
= incorreto Usemos a fala de Einstein: “a mente bri- rio, a reserva fracional foi criada com o objetivo de
lhante que estávamos esperando”.
a) tornar ilimitada a produção de dinheiro.
3. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018) b) proteger os bens dos clientes de bancos.
c) impedir que os bancos fossem à falência.
Lastro e o Sistema Bancário d) permitir o empréstimo de mais dinheiro
[...] e) preservar as economias das pessoas.
Até os anos 60, o papel-moeda e o dinheiro deposita-
do nos bancos deviam estar ligados a uma quantidade Resposta: Letra D
de ouro num sistema chamado lastro-ouro. Como esse Ao texto: (...) Com o tempo, os banqueiros se deram
metal é limitado, isso garantia que a produção de dinhei- conta de que ninguém estava interessado em trocar
ro fosse também limitada. Com o tempo, os banqueiros dinheiro por ouro e criaram manobras, como a reserva
se deram conta de que ninguém estava interessado em fracional, para emprestar muito mais dinheiro do que
trocar dinheiro por ouro e criaram manobras, como a re- realmente tinham em ouro nos cofres.
serva fracional, para emprestar muito mais dinheiro do Em “a”, tornar ilimitada a produção de dinheiro =
que realmente tinham em ouro nos cofres. Nas crises, incorreta
como em 1929, todos queriam sacar dinheiro para pagar Em “b”, proteger os bens dos clientes de bancos =
suas contas e os bancos quebravam por falta de fundos, incorreta
deixando sem nada as pessoas que acreditavam ter suas Em “c”, impedir que os bancos fossem à falência =
economias seguramente guardadas. incorreta
Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o padrão- Em “d”, permitir o empréstimo de mais dinheiro =
-ouro. Desde então, o dinheiro, na forma de cédulas e correta
principalmente de valores em contas bancárias, já não Em “e”, preservar as economias das pessoas = incorreta
tendo nenhuma riqueza material para representar, é cria-
do a partir de empréstimos. Quando alguém vai até o 4. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)
banco e recebe um empréstimo, o valor colocado em sua A leitura do texto permite a compreensão de que
conta é gerado naquele instante, criado a partir de uma
decisão administrativa, e assim entra na economia. Essa a) as dívidas dos clientes são o que sustenta os bancos.
explicação permaneceu controversa e escondida por b) todo o dinheiro que os bancos emprestam é imaginário.
muito tempo, mas hoje está clara em um relatório do c) quem pede um empréstimo deve a outros clientes.
Bank of England de 2014. d) o pagamento de dívidas depende do “livre-mercado”.
Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo é e) os bancos confiscam os bens dos clientes endividados.
criado assim, inventado em canetaços a partir da conces-
são de empréstimos. O que torna tudo mais estranho e Resposta: Letra A
perverso é que, sobre esse empréstimo, é cobrada uma Em “a”, as dívidas dos clientes são o que sustenta os
dívida. Então, se eu peço dinheiro ao banco, ele inventa bancos = correta
números em uma tabela com meu nome e pede que eu Em “b”, todo o dinheiro que os bancos emprestam é
devolva uma quantidade maior do que essa. Para pagar imaginário = nem todo
a dívida, preciso ir até o dito “livre-mercado” e trabalhar, Em “c”, quem pede um empréstimo deve a outros
lutar, talvez trapacear, para conseguir o dinheiro que o clientes = deve ao banco, este paga/empresta a ou-
banco inventou na conta de outras pessoas. Esse é o di- tros clientes
nheiro que vai ser usado para pagar a dívida, já que a Em “d”, o pagamento de dívidas depende do “livre-
única fonte de moeda é o empréstimo bancário. No fim, -mercado” = não só: (...) preciso ir até o dito “livre-
os bancos acabam com todo o dinheiro que foi inventa- -mercado” e trabalhar, lutar, talvez trapacear.
do e ainda confiscam os bens da pessoa endividada cujo Em “e”, os bancos confiscam os bens dos clientes endi-
dinheiro tomei. vidados = desde que não paguem a dívida
Assim, o sistema monetário atual funciona com uma
moeda que é ao mesmo tempo escassa e abundante. Es- 5. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEI-
cassa porque só banqueiros podem criá-la, e abundante RO GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) Observe a charge
porque é gerada pela simples manipulação de bancos de abaixo, publicada no momento da intervenção nas ati-
dados. O resultado é uma acumulação de riqueza e po- vidades de segurança do Rio de Janeiro, em março de
der sem precedentes: um mundo onde o patrimônio de 2018.
LÍNGUA PORTUGUESA

80 pessoas é maior do que o de 3,6 bilhões, e onde o 1%


mais rico tem mais do que os outros 99% juntos.
[...]
Disponível em https://fagulha.org/artigos/
inventando-dinheiro/
Acessado em 20/03/2018

4
6. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) Observe
a charge abaixo.

Há uma série de informações implícitas na charge; NÃO


pode, no entanto, ser inferida da imagem e das frases a
seguinte informação:

a) a classe social mais alta está envolvida nos crimes co- No caso da charge, a crítica feita à internet é:
metidos no Rio;
b) a tarefa da investigação criminal não está sendo a) a criação de uma dependência tecnológica excessiva;
bem-feita; b) a falta de exercícios físicos nas crianças;
c) a linguagem do personagem mostra intimidade com c) o risco de contatos perigosos;
o interlocutor; d) o abandono dos estudos regulares;
d) a presença do orelhão indica o atraso do local da e) a falta de contato entre membros da família.
charge;
e) as imagens dos tanques de guerra denunciam a pre- Resposta: Letra A
sença do Exército. Em “a”: a criação de uma dependência tecnológica
excessiva;
Resposta: Letra D Em “b”: a falta de exercícios físicos nas crianças; =
incorreto
Em “c”: o risco de contatos perigosos; = incorreto
Em “d”: o abandono dos estudos regulares; = incorreto
Em “e”: a falta de contato entre membros da família. =
incorreto
Através da fala do garoto chegamos à resposta: de-
pendência tecnológica - expressa em sua fala.
NÃO pode ser inferida da imagem e das frases a se-
guinte informação: 7. (Câmara de Salvador-BA – Assistente Legislativo
Em “a”, a classe social mais alta está envolvida nos cri- Municipal – FGV-2018-adaptada) “Hoje, esse termo
mes cometidos no Rio = inferência correta denota, além da agressão física, diversos tipos de impo-
Em “b”, a tarefa da investigação criminal não está sen- sição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar
do bem-feita = inferência correta ou de gênero, ou a censura da fala e do pensamento de
Em “c”, a linguagem do personagem mostra intimida- determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado
de com o interlocutor = inferência correta pelas condições de trabalho e condições econômicas”. A
Em “d”, a presença do orelhão indica o atraso do local manchete jornalística abaixo que NÃO se enquadra em
da charge = incorreta nenhum tipo de violência citado nesse segmento é:
Em “e”, as imagens dos tanques de guerra denunciam
a presença do Exército = inferência correta a) Presa por mensagem racista na internet;
b) Vinte pessoas são vítimas da ditadura venezuelana;
c) Apanhou de policiais por destruir caixa eletrônico;
LÍNGUA PORTUGUESA

d) Homossexuais são perseguidos e presos na Rússia;


e) Quatro funcionários ficaram livres do trabalho escravo.

Resposta: Letra C
Em “a”: Presa por mensagem racista na internet =
como a repressão política, familiar ou de gênero

5
Em “b”: Vinte pessoas são vítimas da ditadura vene- Em “b”: garantir-se o direito de reunião e de greve. =
zuelana = como a repressão política, familiar ou de incorreto
gênero Em “c”: lastrear leis e regras na Constituição. = incorreto
Em “c”: Apanhou de policiais por destruir caixa eletrô- Em “d”: punirem-se os responsáveis por excessos.
nico = não consta na Manchete acima Em “e”: concluírem-se as investigações sobre a greve.
Em “d”: Homossexuais são perseguidos e presos na = incorreto
Rússia = como a repressão política, familiar ou de Ao texto: (...) há sempre o risco de excessos, a se-
gênero rem devidamente contidos e seus responsáveis, pu-
Em “e”: Quatro funcionários ficaram livres do traba- nidos, conforme estabelecido na legislação. / É o que
lho escravo = o desgaste causado pelas condições de precisa acontecer... = precisa acontecer a punição dos
trabalho excessos.

8. (MPE-AL – ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO – 9. (PC-MA – DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL


ÁREA JURÍDICA – FGV-2018) – CESPE-2018)

Oportunismo à Direita e à Esquerda Texto CG1A1AAA


Numa democracia, é livre a expressão, estão garantidos A paz não pode ser garantida apenas pelos acordos
o direito de reunião e de greve, entre outros, obedecidas políticos, econômicos ou militares. Cada um de nós, in-
leis e regras, lastreadas na Constituição. Em um regime dependentemente de idade, sexo, estrato social, crença
de liberdades, há sempre o risco de excessos, a serem religiosa etc. é chamado à criação de um mundo pacifica-
devidamente contidos e seus responsáveis, punidos, do, um mundo sob a égide de uma cultura da paz.
conforme estabelecido na legislação. Mas, o que significa “cultura da paz”?
É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos cami- Construir uma cultura da paz envolve dotar as crianças
nhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo, da e os adultos da compreensão de princípios como liber-
ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados em dade, justiça, democracia, direitos humanos, tolerância,
se beneficiar do barateamento do combustível. igualdade e solidariedade. Implica uma rejeição, indivi-
Sempre há, também, o oportunismo político-ideológico dual e coletiva, da violência que tem sido percebida na
para se aproveitar da crise. Inclusive, neste ano de elei- sociedade, em seus mais variados contextos. A cultura da
ção, com o objetivo de obter apoio a candidatos. Não paz tem de procurar soluções que advenham de dentro
faltam, também, os arautos do quanto pior, melhor, para da(s) sociedade(s), que não sejam impostas do exterior.
desgastar governantes e reforçar seus projetos de po- Cabe ressaltar que o conceito de paz pode ser abordado
der, por mais delirantes que sejam. Também aqui vale o em sentido negativo, quando se traduz em um estado
que está delimitado pelo estado democrático de direito, de não guerra, em ausência de conflito, em passividade
defendido pelos diversos instrumentos institucionais de e permissividade, sem dinamismo próprio; em síntese,
que conta o Estado – Polícia, Justiça, Ministério Público, condenada a um vazio, a uma não existência palpável,
Forças Armadas etc. difícil de se concretizar e de se precisar. Em sua concep-
A greve atravessou vários sinais ao estrangular as vias de ção positiva, a paz não é o contrário da guerra, mas a
suprimento que mantêm o sistema produtivo funcionan- prática da não violência para resolver conflitos, a prática
do, do qual depende a sobrevivência física da população. do diálogo na relação entre pessoas, a postura democrá-
Isso não pode ser esquecido e serve de alerta para que as tica frente à vida, que pressupõe a dinâmica da coope-
autoridades desenvolvam planos de contingência. ração planejada e o movimento constante da instalação
O Globo, 31/05/2018. de justiça.
Uma cultura de paz exige esforço para modificar o pen-
“É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos ca- samento e a ação das pessoas para que se promova a
minhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo, paz. Falar de violência e de como ela nos assola deixa
da ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados de ser, então, a temática principal. Não que ela vá ser
em se beneficiar do barateamento do combustível.” Se- esquecida ou abafada; ela pertence ao nosso dia a dia e
gundo esse parágrafo do texto, o que “precisa acontecer” temos consciência disso. Porém, o sentido do discurso, a
é ideologia que o alimenta, precisa impregná-lo de pala-
vras e conceitos que anunciem os valores humanos que
a) manter-se o direito de livre expressão do pensamento. decantam a paz, que lhe proclamam e promovem. A vio-
b) garantir-se o direito de reunião e de greve. lência já é bastante denunciada, e quanto mais falamos
c) lastrear leis e regras na Constituição. dela, mais lembramos de sua existência em nosso meio
LÍNGUA PORTUGUESA

d) punirem-se os responsáveis por excessos. social. É hora de começarmos a convocar a presença da


e) concluírem-se as investigações sobre a greve. paz em nós, entre nós, entre nações, entre povos.
Um dos primeiros passos nesse sentido refere-se à ges-
Resposta: Letra D tão de conflitos. Ou seja, prevenir os conflitos potencial-
Em “a”: manter-se o direito de livre expressão do pensa- mente violentos e reconstruir a paz e a confiança en-
mento. = incorreto tre pessoas originárias de situação de guerra é um dos
exemplos mais comuns a serem considerados. Tal missão

6
estende-se às escolas, instituições públicas e outros lo- O humor da tira é conseguido através de uma quebra de
cais de trabalho por todo o mundo, bem como aos par- expectativa, que é:
lamentos e centros de comunicação e associações.
Outro passo é tentar erradicar a pobreza e reduzir as de-
a) o fato de um adulto colecionar figurinhas;
sigualdades, lutando para atingir um desenvolvimento
sustentado e o respeito pelos direitos humanos, refor- b) as figurinhas serem de temas sociais e não esportivos;
çando as instituições democráticas, promovendo a liber- c) a falta de muitas figurinhas no álbum;
dade de expressão, preservando a diversidade cultural e d) a reclamação ser apresentada pelo pai e não pelo filho;
o ambiente. e) uma criança ajudar a um adulto e não o contrário.
É, então, no entrelaçamento “paz — desenvolvimento —
direitos humanos — democracia” que podemos vislum-
brar a educação para a paz. Resposta: Letra B
Leila Dupret. Cultura de paz e ações sócio-educati- Em “a”: o fato de um adulto colecionar figurinhas; =
vas: desafios para a escola contemporânea. In: Psicol. incorreto
Esc. Educ. (Impr.) v. 6, n.º 1. Campinas, jun./2002 (com Em “b”: as figurinhas serem de temas sociais e não
adaptações). esportivos;
De acordo com o texto CG1A1AAA, os elementos “gestão Em “c”: a falta de muitas figurinhas no álbum; =
de conflitos” e “erradicar a pobreza” devem ser concebi- incorreto
dos como Em “d”: a reclamação ser apresentada pelo pai e não
a) obstáculos para a construção da cultura da paz. pelo filho; = incorreto
b) dispensáveis para a construção da cultura da paz. Em “e”: uma criança ajudar a um adulto e não o con-
c) irrelevantes na construção da cultura da paz.
trário. = incorreto
d) etapas para a construção da cultura da paz.
e) consequências da construção da cultura da paz. O humor está no fato de o álbum ser sobre um tema
incomum: assuntos sociais.
Resposta: Letra D
Em “a”: obstáculos para a construção da cultura da paz. 11. (PM-SP - SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR – VU-
= incorreto
NESP-2015) Leia a tira.
Em “b”: dispensáveis para a construção da cultura da
paz. = incorreto
Em “c”: irrelevantes na construção da cultura da paz.
= incorreto
Em “d”: etapas para a construção da cultura da paz.
Em “e”: consequências da construção da cultura da paz.
= incorreto
Ao texto: Um dos primeiros passos nesse sentido refe-
re-se à gestão de conflitos. (...) Outro passo é tentar er-
radicar a pobreza e reduzir as desigualdades = etapas
para construção da paz. (Folha de S.Paulo, 02.10.2015. Adaptado)

10. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUS-


Com sua fala, a personagem revela que
TIÇA AVALIADOR – FGV-2018)
a) a violência era comum no passado.
b) as pessoas lutam contra a violência.
c) a violência está banalizada.
d) o preço que pagou pela violência foi alto.

Resposta: Letra C
Em “a”: a violência era comum no passado. = incorreto
Em “b”: as pessoas lutam contra a violência. = incorreto
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “c”: a violência está banalizada.


Em “d”: o preço que pagou pela violência foi alto. =
incorreto
Infelizmente, a personagem revela que a violên-
cia está banalizada, nem há mais “punições” para os
agressivos.

7
12. (PM-SP - ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR [INTE- A febre do troca-troca de figurinhas pode estar atingindo
RIOR] – VUNESP-2017) Leia a charge. uma temperatura muito alta. Preocupados que os mais
afoitos pelos cromos possam até roubá-los, muitos jor-
naleiros estão levando seus estoques para casa quando
termina o expediente. Pode parecer piada, mas há até
boatos sobre quadrilhas de roubo de figurinha espalha-
dos por mensagens de celular.

Sobre a estrutura do título dado ao texto 1, a afirmativa


adequada é:

a) as figurinhas da Copa passaram a ocupar o lugar do


celular e da carteira nos roubos urbanos;
b) as figurinhas da Copa se somaram ao celular e à cartei-
É correto associar o humor da charge ao fato de que ra como alvo de desejo dos assaltantes;
c) o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros que
a) os personagens têm uma autoestima elevada e são vendem as figurinhas da Copa;
otimistas, mesmo vivendo em uma situação de com- d) os ladrões passaram a roubar as figurinhas da Copa
pleto confinamento. nas bancas de jornais;
b) os dois personagens estão muito bem informados so- e) as figurinhas da Copa se transformaram no alvo prin-
bre a economia, o que não condiz com a imagem de cipal dos ladrões.
criminosos.
c) o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida dos Resposta: Letra B
personagens, pois eles demonstram preocupação Em “a”: as figurinhas da Copa passaram a ocupar o
com a aparência. lugar do celular e da carteira nos roubos urbanos; =
d) o aumento dos preços de cosméticos não surpreende incorreto
Em “b”: as figurinhas da Copa se somaram ao celular e
os personagens, que estão acostumados a pagar caro
à carteira como alvo de desejo dos assaltantes;
por eles nos presídios.
Em “c”: o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros
e) os preços de cosméticos não deveriam ser relevan-
que vendem as figurinhas da Copa; = incorreto
tes para os personagens, dada a condição em que se Em “d”: os ladrões passaram a roubar as figurinhas da
encontram. Copa nas bancas de jornais; = incorreto
Em “e”: as figurinhas da Copa se transformaram no
Resposta: Letra E alvo principal dos ladrões. = incorreto
Em “a”: os personagens têm uma autoestima elevada O título do texto já nos dá a resposta: além do celular
e são otimistas, mesmo vivendo em uma situação de e da carteira, ou seja, as figurinhas da Copa também
completo confinamento. = incorreto passaram a ser alvo dos assaltantes.
Em “b”: os dois personagens estão muito bem infor-
mados sobre a economia, o que não condiz com a INTERTEXTUALIDADE
imagem de criminosos. = incorreto
Em “c”: o valor dos cosméticos afetará diretamente a A intertextualidade refere-se a um conjunto de rela-
vida dos personagens, pois eles demonstram preocu- ções, de forma ou conteúdo, que um texto mantém com
pação com a aparência. = incorreto outro.
A intertextualidade de forma é identificada quando o
Em “d”: o aumento dos preços de cosméticos não sur-
produtor do texto se vale da mesma estrutura gramati-
preende os personagens, que estão acostumados a
cal, repete expressões, enunciados ou trechos de outros
pagar caro por eles nos presídios. = incorreto
textos. O sentido se estabelece a partir do conhecimento
Em “e”: os preços de cosméticos não deveriam ser do outro texto, previamente existente, com o qual dialo-
relevantes para os personagens, dada a condição em ga. Essa intertextualidade de caráter formal vincula-se à
que se encontram. tipologia textual, pois o produtor do texto imita a forma
Pela condição em que as personagens se encontram, o de um outro texto para estabelecer novos sentidos. Já
aumento no preço dos cosméticos não os afeta. a intertextualidade de conteúdo ocorre quando há se-
melhanças no tema abordado nos textos: textos de uma
LÍNGUA PORTUGUESA

13. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUS- mesma época, de uma mesma área de conhecimento.
TIÇA AVALIADOR – FGV-2018) A intertextualidade é definida como um diálogo en-
tre dois ou mais textos, sendo um fenômeno que pode
Texto 1 – Além do celular e da carteira, cuidado com manifestar-se de diferentes maneiras e que pode ocorrer
as figurinhas da Copa de maneira proposital ou não.
Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018

8
Este fenômeno pode ser compreendido como a pro- Bricolagem: É um tipo de intertextualidade muito
dução de um discurso com base em outro texto previa- utilizado na pintura e na música, mas que também apa-
mente estruturado e que pode ser construído de maneira rece na literatura. Ocorre quando a criação de um texto
implícita ou explícita, o que exigirá maior ou menor aná- é formado a partir de fragmentos de outros, em um pro-
lise do leitor. cesso de citação extrema.
Tradução: Caracteriza-se em uma espécie de recria-
Intertextualidade implícita e explícita ção, na qual um texto passa por uma adequação em ou-
tra língua. Por exemplo, quando um livro em português é
A intertextualidade pode ser construída de maneira traduzido para o espanhol.
explícita ou implícita. Na intertextualidade explícita, as
fontes nas quais o texto baseou-se ficam claras e aconte-
ce de maneira intencional. Este tipo de intertextualidade AO RECONHECIMENTO DA FUNÇÃO DE-
pode ser encontrada principalmente nas citações, nos re- SEMPENHADA POR DIFERENTES RECUR-
sumos, resenhas, traduções e em diversos anúncios pu- SOS GRAMATICAIS NO TEXTO, NOS NÍVEIS
blicitários. A intertextualidade é localizada na superfície FONOLÓGICO, MORFOLÓGICO, SINTÁTICO,
do texto, pois alguns elementos são fornecidos para a SEMÂNTICO E TEXTUAL/DISCURSIVO
identificação do texto fonte. Assim sendo, este tipo de
intertextualidade exige mais do leitor a capacidade de
compreensão do que dedução. CLASSES DE PALAVRAS
A intertextualidade implícita não apresenta citação
expressa da fonte, exigindo mais atenção e análise por 1. ADJETIVO
parte do leitor. O intertexto não está na superfície textual,
pois não fornece elementos que o leitor possa relacionar É a palavra que expressa uma qualidade ou caracte-
imediatamente com algum outro tipo de texto fonte. rística do ser e se relaciona com o substantivo, concor-
Desta maneira, este tipo de intertextualidade pede dando com este em gênero e número.
do leitor uma maior capacidade de realizar analogias e As praias brasileiras estão poluídas.
inferências, buscando na memória alguns conhecimen- Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos
tos preservados para que possa compreender o texto (plural e feminino, pois concordam com “praias”).
lido de maneira adequada. A intertextualidade implícita
é comumente encontrada nos textos do tipo paródia, do Locução adjetiva
tipo paráfrase e na publicidade.
Locução = reunião de palavras. Sempre que são ne-
Tipos de intertextualidade cessárias duas ou mais palavras para falar sobre a mes-
ma coisa, tem-se locução. Às vezes, uma preposição +
Confira a seguir os principais tipos de intertextualidade: substantivo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a Lo-
cução Adjetiva (expressão que equivale a um adjetivo).
Epígrafe: Um texto inicial que tem como objetivo a Por exemplo: aves da noite (aves noturnas), paixão sem
abertura de uma narrativa. Trata-se de um registro escri- freio (paixão desenfreada).
to introdutório que possui a capacidade de sintetizar a
filosofia do escritor. Observe outros exemplos:
Citação: Referência a uma passagem do discurso de
outrem no meio de um texto. Apresenta-se entre aspas e de águia aquilino
acompanhada da identidade do criador. de aluno discente
Referência e alusão: O escritor não indica aberta-
mente o evento, ele insinua por meio de alegorias ou de anjo angelical
qualidades menos importantes. de ano anual
Paráfrase: Ocorre quando o escritor reinventa um de aranha aracnídeo
texto pré-existente, resgatando a filosofia originária. Ter-
mo proveniente do grego “para-phrasis”, que possui o de boi bovino
sentido de reprodução de uma frase. Este tipo de inter- de cabelo capilar
texto repete um conteúdo ou um fragmento dele cla- de cabra caprino
ramente em outros termos, mas com a preservação da
de campo campestre ou rural
ideia inicial.
LÍNGUA PORTUGUESA

Paródia: O autor se apropria de um discurso e opõe- de chuva pluvial


-se a ele. Muitas vezes ocorre a desvirtuação do discurso de criança pueril
originário, seja pelo desejo de criticá-lo ou para marcar
de dedo digital
uma ironia.
Pastiche: Derivado do latim pasticium, o pastiche é de estômago estomacal ou gástrico
compreendido como uma espécie de colagem ou mon- de falcão falconídeo
tagem, resultando em uma colcha de retalhos.

9
de farinha farináceo Estados e cidades brasileiras:

de fera ferino
Alagoas alagoano
de ferro férreo
Amapá amapaense
de fogo ígneo
Aracaju aracajuano ou aracajuense
de garganta gutural
Amazonas amazonense ou baré
de gelo glacial
Belo Horizonte belo-horizontino
de guerra bélico
Brasília brasiliense
de homem viril ou humano
Cabo Frio cabo-friense
de ilha insular
Campinas campineiro ou campinense
de inverno hibernal ou invernal
de lago lacustre Adjetivo Pátrio Composto
de leão leonino
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primei-
de lebre leporino
ro elemento aparece na forma reduzida e, normalmente,
de lua lunar ou selênico erudita. Observe alguns exemplos:
de madeira lígneo
de mestre magistral África afro- / Cultura afro-americana
de ouro áureo germano- ou teuto-/Competições
Alemanha
teuto-inglesas
de paixão passional
américo- / Companhia américo-
de pâncreas pancreático América
africana
de porco suíno ou porcino
belgo- / Acampamentos belgo-
dos quadris ciático Bélgica
franceses
de rio fluvial China sino- / Acordos sino-japoneses
de sonho onírico Espanha hispano- / Mercado hispano-português
de velho senil Europa euro- / Negociações euro-americanas
de vento eólico franco- ou galo- / Reuniões franco-
França
de vidro vítreo ou hialino italianas
de virilha inguinal Grécia greco- / Filmes greco-romanos
de visão óptico ou ótico Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
Observação: Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo corres- Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros
pondente, com o mesmo significado: Vi as alunas da 5ª
Flexão dos adjetivos
série. / O muro de tijolos caiu.
O adjetivo varia em gênero, número e grau.
Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática):
Gênero dos Adjetivos

O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função Os adjetivos concordam com o substantivo a que se
dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuan- referem (masculino e feminino). De forma semelhante
aos substantivos, classificam-se em:
do como adjunto adnominal ou como predicativo (do
sujeito ou do objeto). A) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o
LÍNGUA PORTUGUESA

masculino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau


e má.
Adjetivo Pátrio (ou gentílico) Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no
feminino somente o último elemento: o moço norte-a-
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. mericano, a moça norte-americana.
Observe alguns deles:
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.

10
B) Uniformes - têm uma só forma tanto para o mas- A) Comparativo
culino como para o feminino: homem feliz e mulher Nesse grau, comparam-se a mesma característica
feliz. atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais caracte-
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica inva- rísticas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser
riável no feminino: conflito político-social e desavença de igualdade, de superioridade ou de inferioridade.
político-social.
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade
Número dos Adjetivos No comparativo de igualdade, o segundo termo da
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto
A) Plural dos adjetivos simples ou quão.
Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo
com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de
substantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e Superioridade
ruins, boa e boas.
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de
função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a pa- Inferioridade
lavra que estiver qualificando um elemento for, original-
mente, um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de
superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São
Exemplo: a palavra cinza é, originalmente, um substanti-
eles: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/supe-
vo; porém, se estiver qualificando um elemento, funcio-
rior, grande/maior, baixo/inferior.
nará como adjetivo. Ficará, então, invariável. Logo: cami-
sas cinza, ternos cinza.
Observe que:
Motos vinho (mas: motos verdes)
• As formas menor e pior são comparativos de supe-
Paredes musgo (mas: paredes brancas).
rioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
mau, respectivamente.
• Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas
B) Adjetivo Composto (melhor, pior, maior e menor), porém, em compa-
É aquele formado por dois ou mais elementos. Nor- rações feitas entre duas qualidades de um mesmo
malmente, esses elementos são ligados por hífen. Ape- elemento, deve-se usar as formas analíticas mais
nas o último elemento concorda com o substantivo a que bom, mais mau,mais grande e mais pequeno. Por
se refere; os demais ficam na forma masculina, singular. exemplo:
Caso um dos elementos que formam o adjetivo com- Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois
posto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo elementos.
composto ficará invariável. Por exemplo: a palavra “rosa” Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
é, originalmente, um substantivo, porém, se estiver qua- duas qualidades de um mesmo elemento.
lificando um elemento, funcionará como adjetivo. Caso Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de
se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo Inferioridade
composto; como é um substantivo adjetivado, o adjetivo Sou menos passivo (do) que tolerante.
composto inteiro ficará invariável. Veja:
Camisas rosa-claro. B) Superlativo
Ternos rosa-claro. O superlativo expressa qualidades num grau muito
Olhos verde-claros. elevado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou rela-
Calças azul-escuras e camisas verde-mar. tivo e apresenta as seguintes modalidades:
Telhados marrom-café e paredes verde-claras.
B.1 Superlativo Absoluto: ocorre quando a quali-
Observação: dade de um ser é intensificada, sem relação com outros
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer seres. Apresenta-se nas formas:
adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre • Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de
invariáveis: roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, palavras que dão ideia de intensidade (advérbios).
vestidos cor-de-rosa. Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado.
O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois ele- • Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por
exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo.
LÍNGUA PORTUGUESA

mentos flexionados: crianças surdas-mudas.

Grau do Adjetivo

Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a in-


tensidade da qualidade do ser. São dois os graus do ad-
jetivo: o comparativo e o superlativo.

11
Observe alguns superlativos sintéticos: Estudei bastante. = modificando o verbo estudei
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio
benéfico beneficentíssimo (bem)
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um ad-
bom boníssimo ou ótimo
jetivo (claros)
comum comuníssimo
cruel crudelíssimo Quando modifica um verbo, o advérbio pode acres-
difícil dificílimo
centar ideia de:
Tempo: Ela chegou tarde.
doce dulcíssimo Lugar: Ele mora aqui.
fácil facílimo Modo: Eles agiram mal.
fiel fidelíssimo Negação: Ela não saiu de casa.
Dúvida: Talvez ele volte.
B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade
de um ser é intensificada em relação a um conjunto de Flexão do Advérbio
seres. Essa relação pode ser:
• De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não apre-
todas. sentam variação em gênero e número. Alguns advérbios,
• De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de porém, admitem a variação em grau. Observe:
todas.
A) Grau Comparativo
O superlativo absoluto analítico é expresso por meio Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo
dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente, modo que o comparativo do adjetivo:
antepostos ao adjetivo. • de igualdade: tão + advérbio + quanto (como): Re-
O superlativo absoluto sintético se apresenta sob nato fala tão alto quanto João.
duas formas: uma erudita - de origem latina – e outra • de inferioridade: menos + advérbio + que (do
popular - de origem vernácula. A forma erudita é cons- que): Renato fala menos alto do que João.
tituída pelo radical do adjetivo latino + um dos sufixos • de superioridade:
-íssimo, -imo ou érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo;
a popular é constituída do radical do adjetivo português A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato
+ o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo. fala mais alto do que João.
Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato
com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os termi- fala melhor que João.
nados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo, cheio
– cheíssimo. B) Grau Superlativo
O superlativo pode ser analítico ou sintético:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio: Re-
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- nato fala muito alto.
char - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio
– São Paulo: Saraiva, 2010. de modo
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. altíssimo.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. Observação:
As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são
SITE comuns na língua popular.
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se- Maria mora pertinho daqui. (muito perto)
coes/morf/morf32.php> A criança levantou cedinho. (muito cedo)

2. ADVÉRBIO Classificação dos Advérbios

Compare estes exemplos: De acordo com a circunstância que exprime, o advér-


bio pode ser de:
LÍNGUA PORTUGUESA

O ônibus chegou.
O ônibus chegou ontem. A) Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, aco-
lá, atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde,
Advérbio é uma palavra invariável que modifica o perto, aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, de-
sentido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de fronte, nenhures, adentro, afora, alhures, nenhures,
tempo, de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e aquém, embaixo, externamente, a distância, à dis-
do próprio advérbio. tância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à
esquerda, ao lado, em volta.

12
B) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora,
amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, #FicaDica
antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora,
sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constan- Como saber se a palavra bastante é
temente, entrementes, imediatamente, primeira- advérbio (não varia, não se flexiona) ou
mente, provisoriamente, sucessivamente, às vezes, pronome indefinido (varia, sofre flexão)? Se
à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em der, na frase, para substituir o “bastante” por
quando, de quando em quando, a qualquer mo- “muito”, estamos diante de um advérbio; se
mento, de tempos em tempos, em breve, hoje em der para substituir por “muitos” (ou muitas),
dia. é um pronome. Veja:
C) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, de- 1. Estudei bastante para o concurso. (estudei
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio
pressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às cla-
2. Estudei bastantes capítulos para o concurso.
ras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos
(estudei muitos capítulos) = pronome
poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em
indefinido
geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em
vão e a maior parte dos que terminam em “-men-
te”: calmamente, tristemente, propositadamente,
Advérbios Interrogativos
pacientemente, amorosamente, docemente, escan-
dalosamente, bondosamente, generosamente.
São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como?
D) Afirmação: sim, certamente, realmente, decer-
por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referen-
to, efetivamente, certo, decididamente, deveras,
tes às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja:
indubitavelmente.
E) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum. Interrogação Direta Interrogação Indireta
F) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, pro- Como aprendeu? Perguntei como aprendeu
vavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por certo,
Onde mora? Indaguei onde morava
quem sabe.
G) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em ex- Por que choras? Não sei por que choras
cesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto, Aonde vai? Perguntei aonde ia
quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo, Donde vens? Pergunto donde vens
nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo,
extremamente, intensamente, grandemente, bem Quando voltas? Pergunto quando voltas
(quando aplicado a propriedades graduáveis).
H) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, so- Locução Adverbial
mente, simplesmente, só, unicamente. Por exemplo:
Brando, o vento apenas move a copa das árvores. Quando há duas ou mais palavras que exercem fun-
I) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam- ção de advérbio, temos a locução adverbial, que pode
bém. Por exemplo: O indivíduo também amadurece expressar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam ordi-
durante a adolescência. nariamente por uma preposição. Veja:
J) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por A) lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto,
exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer para dentro, por aqui, etc.
aos meus amigos por comparecerem à festa. B) afirmação: por certo, sem dúvida, etc.
C) modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão,
Saiba que: em geral, frente a frente, etc.
Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se D) tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde,
ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei hoje em dia, nunca mais, etc.
o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos
tarde possível. A locução adverbial e o advérbio modificam o verbo,
Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente, o adjetivo e outro advérbio:
em geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu Chegou muito cedo. (advérbio)
calma e respeitosamente. Joana é muito bela. (adjetivo)
De repente correram para a rua. (verbo)
Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido
LÍNGUA PORTUGUESA

Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais


Há palavras como muito, bastante, que podem apare- mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio:
cer como advérbio e como pronome indefinido. Essa matéria é mais bem interessante que aquela.
Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso!
advérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito. O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é advér-
Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo bio: Cheguei primeiro.
e sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros.

13
Quanto a sua função sintática: o advérbio e a locução Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a)
adverbial desempenham na oração a função de adjunto para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do
adverbial, classificando-se de acordo com as circunstân- artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”.
cias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou ao advér- Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
bio. Exemplo: Toda classe possui alunos interessados e desinteressa-
Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto ad- dos. (qualquer classe)
verbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de intensi- Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa-
dade e de tempo, respectivamente. cultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso.
A utilização do artigo indefinido pode indicar uma
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- ter é uns vinte anos.
char - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. O artigo também é usado para substantivar palavras
– São Paulo: Saraiva, 2010. pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o por-
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: quê de tudo isso. / O bem vence o mal.
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Há casos em que o artigo definido não pode ser
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. usado:

SITE Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas


Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se- conhecidas: O professor visitará Roma.
coes/morf/morf75.php> Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a pre-
sença do artigo será obrigatória: O professor visitará a
3. ARTIGO bela Roma.

Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria


O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo-
sairá agora?
-se como o termo variável que serve para individualizar
Exceção: O senhor vai à festa?
ou generalizar o substantivo, indicando, também, o gê-
nero (masculino/feminino) e o número (singular/plural).
Após o pronome relativo “cujo” e suas variações: Esse
Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as va-
é o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o can-
riações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações
didato cuja nota foi a mais alta.
“uma”[s] e “uns]).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A) Artigos definidos – São usados para indicar seres
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
determinados, expressos de forma individual: O char - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
concurseiro estuda muito. Os concurseiros estudam – São Paulo: Saraiva, 2010.
muito. AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
B) Artigos indefinidos – usados para indicar seres de literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
modo vago, impreciso: Uma candidata foi aprova- SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
da! Umas candidatas foram aprovadas! Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
Circunstâncias em que os artigos se manifestam: char - Português linguagens: volume 1– 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010.
Considera-se obrigatório o uso do artigo depois
do numeral “ambos”: Ambos os concursos cobrarão tal SITE
conteúdo. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/grama-
Nomes próprios indicativos de lugar (ou topônimos) tica/artigo.htm>
admitem o uso do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de
Janeiro, Veneza, A Bahia... 4. CONJUNÇÃO
Quando indicado no singular, o artigo definido pode
indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem. Além da preposição, há outra palavra também inva-
LÍNGUA PORTUGUESA

No caso de nomes próprios personativos, denotando riável que, na frase, é usada como elemento de ligação:
a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso a conjunção. Ela serve para ligar duas orações ou duas
do artigo: Marcela é a mais extrovertida das irmãs. / O palavras de mesma função em uma oração:
Pedro é o xodó da família. O concurso será realizado nas cidades de Campinas e
No caso de os nomes próprios personativos estarem São Paulo.
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias, A prova não será fácil, por isso estou estudando muito.
os Incas, Os Astecas...

14
Morfossintaxe da Conjunção D) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração
que expressa ideia de conclusão ou consequência.
As conjunções, a exemplo das preposições, não exer- São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por
cem propriamente uma função sintática: são conectivos. conseguinte, por isso, assim.
Marta estava bem preparada para o teste, portanto
Classificação da Conjunção não ficou nervosa.
Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão.
De acordo com o tipo de relação que estabelecem,
as conjunções podem ser classificadas em coordenati- E) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração
vas e subordinativas. No primeiro caso, os elementos que a explica, que justifica a ideia nela contida. São
ligados pela conjunção podem ser isolados um do outro. elas: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto.
Esse isolamento, no entanto, não acarreta perda da uni- Não demore, que o filme já vai começar.
dade de sentido que cada um dos elementos possui. Já Falei muito, pois não gosto do silêncio!
no segundo caso, cada um dos elementos ligados pela
conjunção depende da existência do outro. Veja: Conjunções Subordinativas
Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.
Podemos separá-las por ponto: São aquelas que ligam duas orações, sendo uma de-
Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo. las dependente da outra. A oração dependente, intro-
duzida pelas conjunções subordinativas, recebe o nome
Temos acima um exemplo de conjunção (e, conse- de oração subordinada. Veja o exemplo: O baile já tinha
quentemente, orações coordenadas) coordenativa – começado quando ela chegou.
“mas”. Já em: O baile já tinha começado: oração principal
Espero que eu seja aprovada no concurso! quando: conjunção subordinativa (adverbial temporal)
ela chegou: oração subordinada
Não conseguimos separar uma oração da outra, pois
a segunda “completa” o sentido da primeira (da oração As conjunções subordinativas subdividem-se em in-
principal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período te- tegrantes e adverbiais:
mos uma oração subordinada substantiva objetiva direta
(ela exerce a função de objeto direto do verbo da oração Integrantes - Indicam que a oração subordinada por
principal). elas introduzida completa ou integra o sentido da prin-
cipal. Introduzem orações que equivalem a substantivos,
Conjunções Coordenativas ou seja, as orações subordinadas substantivas. São elas:
que, se.
São aquelas que ligam orações de sentido completo Quero que você volte. (Quero sua volta)
e independente ou termos da oração que têm a mesma
função gramatical. Subdividem-se em: Adverbiais - Indicam que a oração subordinada exer-
ce a função de adjunto adverbial da principal. De acordo
A) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando com a circunstância que expressam, classificam-se em:
ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e
não), não só... mas também, não só... como também, A) Causais: introduzem uma oração que é causa da
bem como, não só... mas ainda. ocorrência da oração principal. São elas: porque,
A sua pesquisa é clara e objetiva. que, como (= porque, no início da frase), pois que,
Não só dança, mas também canta. visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde
que, etc.
B) Adversativas: ligam duas orações ou palavras, Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios.
expressando ideia de contraste ou compensação.
São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, B) Concessivas: introduzem uma oração que expres-
no entanto, não obstante. sa ideia contrária à da principal, sem, no entanto,
Tentei chegar mais cedo, porém não consegui. impedir sua realização. São elas: embora, ainda
que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por
C) Alternativas: ligam orações ou palavras, expres- mais que, posto que, conquanto, etc.
sando ideia de alternância ou escolha, indicando Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.
fatos que se realizam separadamente. São elas: ou,
LÍNGUA PORTUGUESA

ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer, seja... seja, tal- C) Condicionais: introduzem uma oração que indica
vez... talvez. a hipótese ou a condição para ocorrência da prin-
Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário. cipal. São elas: se, caso, contanto que, salvo se, a
não ser que, desde que, a menos que, sem que, etc.
Se precisar de minha ajuda, telefone-me.

15
I) Consecutivas: introduzem uma oração que expres-
#FicaDica sa a consequência da principal. São elas: de sorte
que, de modo que, sem que (= que não), de forma
Você deve ter percebido que a conjunção que, de jeito que, que (tendo como antecedente na
condicional “se” também é conjunção oração principal uma palavra como tal, tão, cada,
integrante. A diferença é clara ao ler as tanto, tamanho), etc.
orações que são introduzidas por ela. Acima, Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do
ela nos dá a ideia da condição para que exame.
recebamos um telefonema (se for preciso
ajuda). Já na oração: Não sei se farei o
concurso. = Não há ideia de condição FIQUE ATENTO!
alguma, há? Outra coisa: o verbo da oração
Muitas conjunções não têm classificação
principal (sei) pede complemento (objeto
única, imutável, devendo, portanto, ser
direto, já que “quem não sabe, não sabe
classificadas de acordo com o sentido que
algo”). Portanto, a oração em destaque
apresentam no contexto (destaque da Zê!).
exerce a função de objeto direto da oração
principal, sendo classificada como oração
subordinada substantiva objetiva direta.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
D) Conformativas: introduzem uma oração que ex- Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
prime a conformidade de um fato com outro. São CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
elas: conforme, como (= conforme), segundo, con- char - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
soante, etc. – São Paulo: Saraiva, 2010.
O passeio ocorreu como havíamos planejado. AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
E) Finais: introduzem uma oração que expressa a fi-
nalidade ou o objetivo com que se realiza a oração SITE
principal. São elas: para que, a fim de que, que, por- Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
que (= para que), que, etc. coes/morf/morf84.php>
Toque o sinal para que todos entrem no salão.
5. INTERJEIÇÃO
F) Proporcionais: introduzem uma oração que ex-
pressa um fato relacionado proporcionalmente à Interjeição é a palavra invariável que exprime emo-
ocorrência do expresso na principal. São elas: à ções, sensações, estados de espírito. É um recurso da lin-
medida que, à proporção que, ao passo que e as guagem afetiva, em que não há uma ideia organizada de
combinações quanto mais... (mais), quanto menos... maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas
(menos), quanto menos... (mais), quanto menos... sim a manifestação de um suspiro, um estado da alma
(menos), etc. decorrente de uma situação particular, um momento ou
O preço fica mais caro à medida que os produtos um contexto específico. Exemplos:
escasseiam. Ah, como eu queria voltar a ser criança!
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição
Observação: Hum! Esse pudim estava maravilhoso!
São incorretas as locuções proporcionais à medida hum: expressão de um pensamento súbito =
em que, na medida que e na medida em que. interjeição

G) Temporais: introduzem uma oração que acrescen- O significado das interjeições está vinculado à ma-
ta uma circunstância de tempo ao fato expresso na neira como elas são proferidas. O tom da fala é que dita
oração principal. São elas: quando, enquanto, antes o sentido que a expressão vai adquirir em cada contexto
que, depois que, logo que, todas as vezes que, desde em que for utilizada. Exemplos:
que, sempre que, assim que, agora que, mal (= as-
sim que), etc. Psiu!
A briga começou assim que saímos da festa. contexto: alguém pronunciando esta expressão na
LÍNGUA PORTUGUESA

rua ; significado da interjeição (sugestão): “Estou te cha-


H) Comparativas: introduzem uma oração que ex- mando! Ei, espere!”
pressa ideia de comparação com referência à ora-
ção principal. São elas: como, assim como, tal como, Psiu!
como se, (tão)... como, tanto como, tanto quanto, do contexto: alguém pronunciando em um hospital;
que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem, que (com- significado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça
binado com menos ou mais), etc. silêncio!”
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem.

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Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! Locução Interjetiva
puxa: interjeição; tom da fala: euforia
Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte! Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma
puxa: interjeição; tom da fala: decepção expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem
Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus!
As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
A) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimin- Toda frase mais ou menos breve dita em tom excla-
do alegria, tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito mativo torna-se uma locução interjetiva, dispensando
interessante! análise dos termos que a compõem: Macacos me mor-
B) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da dam!, Valha-me Deus!, Quem me dera!
minha frente. 1. As interjeições são como frases resumidas, sinté-
ticas. Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava por
As interjeições podem ser formadas por: essa!) / Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe)
• simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô 2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é
• palavras: Oba! Olá! Claro! o seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras
• grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu classes gramaticais podem aparecer como inter-
Deus! Ora bolas! jeições. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) / Fora!
Francamente! (Advérbios)
Classificação das Interjeições 3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra-
-frase” porque sozinha pode constituir uma men-
Comumente, as interjeições expressam sentido de: sagem. Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! Silêncio!
A) Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido! Fique quieto!
Atenção! Olha! Alerta! 4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imi-
B) Afugentamento: Fora! Passa! Rua! tativas, que exprimem ruídos e vozes. Por exemplo:
C) Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva! Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-ta-
D) Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah! que! Quá-quá-quá!, etc.
E) Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem! 5. Não se deve confundir a interjeição de apelo «ó»
Ânimo! Adiante! com a sua homônima «oh!», que exprime admira-
F) Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva! ção, alegria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois
G) Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá! do «oh!» exclamativo e não a fazemos depois do
H) Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih! Francamen- «ó» vocativo. Por exemplo: “Ó natureza! ó mãe pie-
te! Essa não! Chega! Basta! dosa e pura!” (Olavo Bilac)
I) Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá! Quei-
ra Deus! REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
J) Desculpa: Perdão! SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
K) Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena! Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
L) Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê! CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa
M) Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus! - Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática
Quê! Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz! – volume único – 3.ª Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
N) Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios!
Puxa! Pô! Ora! SITE
O) Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade! Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
P) Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve! coes/morf/morf89.php>
Viva! Olá! Alô! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me,
Deus! 6. NUMERAL
Q) Silêncio: Psiu! Silêncio!
R) Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa! Numeral é a palavra variável que indica quantidade
numérica ou ordem; expressa a quantidade exata de pes-
Saiba que: soas ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa deter-
As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não so- minada sequência.
frem variação em gênero, número e grau como os no- Os numerais traduzem, em palavras, o que os núme-
mes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e ros indicam em relação aos seres. Assim, quando a ex-
voz como os verbos. No entanto, em uso específico, al- pressão é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se
LÍNGUA PORTUGUESA

gumas interjeições sofrem variação em grau. Não se trata trata de numerais, mas sim de algarismos.
de um processo natural desta classe de palavra, mas tão Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem
só uma variação que a linguagem afetiva permite. Exem- a ideia expressa pelos números, existem mais algumas
plos: oizinho, bravíssimo, até loguinho. palavras consideradas numerais porque denotam quan-
tidade, proporção ou ordenação. São alguns exemplos:
década, dúzia, par, ambos(as), novena.

17
Classificação dos Numerais

A) Cardinais: indicam quantidade exata ou determinada de seres: um, dois, cem mil, etc. Alguns cardinais têm sen-
tido coletivo, como por exemplo: século, par, dúzia, década, bimestre.
B) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém ou alguma coisa ocupa numa determinada sequência: primei-
ro, segundo, centésimo, etc.
As palavras anterior, posterior, último, antepenúltimo, final e penúltimo também indicam posição dos seres, mas são
classificadas como adjetivos, não ordinais.

C) Fracionários: indicam parte de uma quantidade, ou seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois quintos, etc.
D) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos seres, indicando quantas vezes a quantidade foi aumen-
tada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.

Flexão dos numerais

Os numerais cardinais que variam em gênero são um/uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/du-
zentas em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão, variam em
número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais cardinais são invariáveis.

Os numerais ordinais variam em gênero e número:

primeiro segundo milésimo


primeira segunda milésima
primeiros segundos milésimos
primeiras segundas milésimas

Os numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço e
conseguiram o triplo de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses triplas
do medicamento.
Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/duas
terças partes.
Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
É comum na linguagem coloquial a indicação de grau nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de
sentido. É o que ocorre em frases como:
“Me empresta duzentinho...”
É artigo de primeiríssima qualidade!
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda divisão de futebol)

Emprego e Leitura dos Numerais

Os numerais são escritos em conjunto de três algarismos, contados da direita para a esquerda, em forma de cente-
nas, dezenas e unidades, tendo cada conjunto uma separação através de ponto ou espaço correspondente a um ponto:
8.234.456 ou 8 234 456.
Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar exagero intencional, constituindo a figura de linguagem conhe-
cida como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.
No português contemporâneo, não se usa a conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em mil novecentos
e noventa e dois.
Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.
LÍNGUA PORTUGUESA

Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos
reais. (R$1.500,00)
Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até
décimo e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;

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Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)

#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por associação. Ficará mais fácil!

Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma
e outra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua uti-
lização exige a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é
dispensado caso haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.

Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


Um Primeiro -
Dois Segundo Dobro, Duplo Meio
Três Terceiro Triplo, Tríplice Terço
Quatro Quarto Quádruplo Quarto
Cinco Quinto Quíntuplo Quinto
Seis Sexto Sêxtuplo Sexto
Sete Sétimo Sétuplo Sétimo
Oito Oitavo Óctuplo Oitavo
Nove Nono Nônuplo Nono
Dez Décimo Décuplo Décimo
Onze Décimo Primeiro - Onze Avos
Doze Décimo Segundo - Doze Avos
Treze Décimo Terceiro - Treze Avos
Catorze Décimo Quarto - Catorze Avos
Quinze Décimo Quinto - Quinze Avos
Dezesseis Décimo Sexto - Dezesseis Avos
Dezessete Décimo Sétimo - Dezessete Avos
Dezoito Décimo Oitavo - Dezoito Avos
LÍNGUA PORTUGUESA

Dezenove Décimo Nono - Dezenove Avos


Vinte Vigésimo - Vinte Avos
Trinta Trigésimo - Trinta Avos
Quarenta Quadragésimo - Quarenta Avos
Cinqüenta Quinquagésimo - Cinquenta Avos

19
Sessenta Sexagésimo - Sessenta Avos
Setenta Septuagésimo - Setenta Avos
Oitenta Octogésimo - Oitenta Avos
Noventa Nonagésimo - Noventa Avos
Cem Centésimo Cêntuplo Centésimo
Duzentos Ducentésimo - Ducentésimo
Trezentos Trecentésimo - Trecentésimo
Quatrocentos Quadringentésimo - Quadringentésimo
Quinhentos Quingentésimo - Quingentésimo
Seiscentos Sexcentésimo - Sexcentésimo
Setecentos Septingentésimo Septingentésimo
Oitocentos Octingentésimo Octingentésimo
Nongentésimo ou
Novecentos Nongentésimo
Noningentésimo
Mil Milésimo Milésimo
Milhão Milionésimo Milionésimo
Milhão Bilionésimo Bilionésimo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.php>

7. PREPOSIÇÃO

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, nor-
malmente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na
estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreen-
são do texto.

Tipos de Preposição

A) Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com,
contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
B) Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições, ou seja,
formadas por uma derivação imprópria: como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.
C) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma
(preposição): abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em
frente a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de.

A preposição é invariável, no entanto pode unir-se a outras palavras e, assim, estabelecer concordância em gênero
ou em número. Exemplo: por + o = pelo / por + a = pela.
Essa concordância não é característica da preposição, mas das palavras às quais ela se une.
LÍNGUA PORTUGUESA

Esse processo de junção de uma preposição com outra palavra pode se dar a partir dos processos de:

• Combinação: união da preposição “a” com o artigo “o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde, aos. Os vocábulos
não sofrem alteração.
• Contração: união de uma preposição com outra palavra, ocorrendo perda ou transformação de fonema: de + o =
do, em + a = na, per + os = pelos, de + aquele = daquele, em + isso = nisso.
• Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” preposição + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª vogal do pronome
“aquilo”).

20
O “a” pode funcionar como preposição, pronome O homem julga que é superior à natureza, por isso o
pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a” homem destrói a natureza...
seja um artigo, virá precedendo um substantivo, servindo Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é
para determiná-lo como um substantivo singular e femi- superior à natureza, por isso ele a destrói...
nino: A matéria que estudei é fácil! Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de ter-
mos (homem e natureza).
Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois
termos e estabelece relação de subordinação entre eles. Grande parte dos pronomes não possuem significa-
Irei à festa sozinha. dos fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação
Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é arti- dentro de um contexto, o qual nos permite recuperar a
go; o segundo, preposição. referência exata daquilo que está sendo colocado por
meio dos pronomes no ato da comunicação. Com ex-
Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o
ceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os de-
lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a
mais pronomes têm por função principal apontar para as
apostila. = Nós a trouxemos.
pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando-
Relações semânticas (= de sentido) estabelecidas -lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em virtude
por meio das preposições: dessa característica, os pronomes apresentam uma for-
ma específica para cada pessoa do discurso.
Destino = Irei a Salvador. Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada.
Modo = Saiu aos prantos. [minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala]
Lugar = Sempre a seu lado. Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada?
Assunto = Falemos sobre futebol. [tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se
Tempo = Chegarei em instantes. fala]
Causa = Chorei de saudade. A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
Fim ou finalidade = Vim para ficar. [dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem
Instrumento = Escreveu a lápis. se fala]
Posse = Vi as roupas da mamãe.
Autoria = livro de Machado de Assis Em termos morfológicos, os pronomes são palavras
Companhia = Estarei com ele amanhã. variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em nú-
Matéria = copo de cristal. mero (singular ou plural). Assim, espera-se que a refe-
Meio = passeio de barco. rência através do pronome seja coerente em termos de
Origem = Nós somos do Nordeste. gênero e número (fenômeno da concordância) com o
Conteúdo = frascos de perfume. seu objeto, mesmo quando este se apresenta ausente no
Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso. enunciado.
Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais. Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da
nossa escola neste ano.
Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordân-
locuções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução
cia adequada]
prepositiva por trás de.
[neste: pronome que determina “ano” = concordân-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS cia adequada]
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa [ele: pronome que faz referência à “Roberta” = con-
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. cordância inadequada]
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
char - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos,
– São Paulo: Saraiva, 2010. demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. Pronomes Pessoais

SITE São aqueles que substituem os substantivos, indican-


Disponível em: <http://www.infoescola.com/ do diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou
portugues/preposicao/> escreve assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se os
LÍNGUA PORTUGUESA

pronomes “tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar a


8. PRONOME quem se dirige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer
referência à pessoa ou às pessoas de quem se fala.
Pronome é a palavra variável que substitui ou acom- Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun-
panha um substantivo (nome), qualificando-o de alguma ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto
forma. ou do caso oblíquo.

21
A) Pronome Reto
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen- FIQUE ATENTO!
tença, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos Os pronomes o, os, a, as assumem formas
flores. especiais depois de certas terminações
Os pronomes retos apresentam flexão de número, verbais:
gênero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa úl-
tima a principal flexão, uma vez que marca a pessoa do 1. Quando o verbo termina em -z, -s ou
discurso. Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é -r, o pronome assume a forma lo, los, la
assim configurado: ou las, ao mesmo tempo que a terminação
1.ª pessoa do singular: eu verbal é suprimida. Por exemplo:
2.ª pessoa do singular: tu fiz + o = fi-lo
3.ª pessoa do singular: ele, ela fazeis + o = fazei-lo
1.ª pessoa do plural: nós dizer + a = dizê-la
2.ª pessoa do plural: vós
3.ª pessoa do plural: eles, elas 2. Quando o verbo termina em som nasal,
o pronome assume as formas no, nos, na,
nas. Por exemplo:
Esses pronomes não costumam ser usados como
viram + o: viram-no
complementos verbais na língua-padrão. Frases como
repõe + os = repõe-nos
“Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu retém + a: retém-na
até aqui”- comuns na língua oral cotidiana - devem ser tem + as = tem-nas
evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram- B.2 Pronome Oblíquo Tônico
-me até aqui”. Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedi-
dos por preposições, em geral as preposições a, para, de
Frequentemente observamos a omissão do pronome e com. Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a
reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias função de objeto indireto da oração. Possuem acentua-
formas verbais marcam, através de suas desinências, as
ção tônica forte.
pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
Lista dos pronomes oblíquos tônicos:
boa viagem. (Nós)
1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo
2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo
B) Pronome Oblíquo
3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela
Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco
sentença, exerce a função de complemento verbal
2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco
(objeto direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. (ob-
3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas
jeto indireto)

Observação: Observe que as únicas formas próprias do pronome


O pronome oblíquo é uma forma variante do prono- tônico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa
me pessoal do caso reto. Essa variação indica a função (ti). As demais repetem a forma do pronome pessoal do
diversa que eles desempenham na oração: pronome reto caso reto.
marca o sujeito da oração; pronome oblíquo marca o As preposições essenciais introduzem sempre prono-
complemento da oração. Os pronomes oblíquos sofrem mes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso
variação de acordo com a acentuação tônica que pos- reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da
suem, podendo ser átonos ou tônicos. língua formal, os pronomes costumam ser usados desta
forma:
B.1 Pronome Oblíquo Átono Não há mais nada entre mim e ti.
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
são precedidos de preposição. Possuem acentuação tô- Não há nenhuma acusação contra mim.
nica fraca: Ele me deu um presente. Não vá sem mim.
Lista dos pronomes oblíquos átonos
Há construções em que a preposição, apesar de sur-
LÍNGUA PORTUGUESA

1.ª pessoa do singular (eu): me


2.ª pessoa do singular (tu): te gir anteposta a um pronome, serve para introduzir uma
3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o ver-
1.ª pessoa do plural (nós): nos bo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um pro-
2.ª pessoa do plural (vós): vos nome, deverá ser do caso reto.
3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
Não vá sem eu mandar.

22
A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!” C) Pronomes de Tratamento
está correta, já que “para mim” é complemento de “fá- São pronomes utilizados no tratamento formal, ceri-
cil”. A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil monioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor (por-
para mim! tanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira
A combinação da preposição “com” e alguns prono- pessoa. Alguns exemplos:
mes originou as formas especiais comigo, contigo, consi- Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques
go, conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais
frequentemente exercem a função de adjunto adverbial Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e reli-
de companhia: Ele carregava o documento consigo. giosos em geral
Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente supe-
A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas: rior à de coronel, senadores, deputados, embaixadores,
Ela veio até mim, mas nada falou. professores de curso superior, ministros de Estado e de
Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de Tribunais, governadores, secretários de Estado, presiden-
inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na te da República (sempre por extenso)
prova, até eu! (= inclusive eu) Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de
universidades
As formas “conosco” e “convosco” são substituídas Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores
por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pes- Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, ofi-
soais são reforçados por palavras como outros, mesmos, ciais até a patente de coronel, chefes de seção e funcio-
próprios, todos, ambos ou algum numeral. nários de igual categoria
Você terá de viajar com nós todos. Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes
Estávamos com vós outros quando chegaram as más de direito
notícias. Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento
Ele disse que iria com nós três. cerimonioso
Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus
B.3 Pronome Reflexivo Também são pronomes de tratamento o senhor, a se-
São pronomes pessoais oblíquos que, embora fun- nhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são em-
cionem como objetos direto ou indireto, referem-se ao pregados no tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”,
sujeito da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe no tratamento familiar. Você e vocês são largamente em-
a ação expressa pelo verbo. pregados no português do Brasil; em algumas regiões, a
forma tu é de uso frequente; em outras, pouco emprega-
Lista dos pronomes reflexivos: da. Já a forma vós tem uso restrito à linguagem litúrgica,
1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me ultraformal ou literária.
lembro disso.
2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo. Observações:
3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo = Gui-
lherme já se preparou. 1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de
Ela deu a si um presente. tratamento que possuem “Vossa(s)” são emprega-
Antônio conversou consigo mesmo. dos em relação à pessoa com quem falamos: Es-
pero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este
1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio. encontro.
2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes 2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito
com esta conquista. da pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram
3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se que Sua Excelência, o Senhor Presidente da Repúbli-
conheceram. / Elas deram a si um dia de folga. ca, agiu com propriedade.
3. Os pronomes de tratamento representam uma for-
ma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlo-
#FicaDica cutores. Ao tratarmos um deputado por Vossa Ex-
O pronome é reflexivo quando se refere celência, por exemplo, estamos nos endereçando à
à mesma pessoa do pronome subjetivo excelência que esse deputado supostamente tem
(sujeito): Eu me arrumei e saí. para poder ocupar o cargo que ocupa.
É pronome recíproco quando indica 4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à
LÍNGUA PORTUGUESA

reciprocidade de ação: Nós nos amamos. / 2.ª pessoa, toda a concordância deve ser feita
Olhamo-nos calados. com a 3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes
O “se” pode ser usado como palavra possessivos e os pronomes oblíquos empregados
expletiva ou partícula de realce, sem ser em relação a eles devem ficar na 3.ª pessoa.
rigorosamente necessária e sem função
sintática: Os exploradores riam-se de suas Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas pro-
tentativas. / Será que eles se foram? messas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.

23
5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos 4. Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi-
ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus
ao longo do texto, a pessoa do tratamento esco- livros e anotações.
lhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começa-
mos a chamar alguém de “você”, não poderemos 5. Em algumas construções, os pronomes pessoais
usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, ver- oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou
bo na terceira pessoa. seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos)

Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos 6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró-
teus cabelos. (errado) prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo,
para que não ocorra redundância: Coloque tudo
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos nos respectivos lugares.
seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular
Pronomes Demonstrativos
ou
São utilizados para explicitar a posição de certa pa-
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos lavra em relação a outras ou ao contexto. Essa relação
teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular pode ser de espaço, de tempo ou em relação ao discurso.

Pronomes Possessivos A) Em relação ao espaço:


Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da
São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical pessoa que fala:
(possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo Este material é meu.
(coisa possuída). Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do pessoa com quem se fala:
singular) Esse material em sua carteira é seu?

Número Pessoa Pronome Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está


distante tanto da pessoa que fala como da pessoa com
Singular Primeira Meu(s), minha(s)
quem se fala:
Singular Segunda Teu(s), tua(s) Aquele material não é nosso.
Singular Terceira Seu(s), sua(s) Vejam aquele prédio!
Plural Primeira Nosso(s), nossa(s)
B) Em relação ao tempo:
Plural Segunda Vosso(s), vossa(s) Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em
Plural Terceira Seu(s), sua(s) relação à pessoa que fala:
Esta manhã farei a prova do concurso!
Note que:
A forma do possessivo depende da pessoa gramatical Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado, po-
a que se refere; o gênero e o número concordam com o rém relativamente próximo à época em que se situa a
objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição pessoa que fala:
naquele momento difícil. Essa noite dormi mal; só pensava no concurso!

Observações: Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um afastamen-


to no tempo, referido de modo vago ou como tempo
1. A forma “seu” não é um possessivo quando resul- remoto:
tar da alteração fonética da palavra senhor: Muito Naquele tempo, os professores eram valorizados.
obrigado, seu José.
C) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se falará
2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam ou escreverá):
posse. Podem ter outros empregos, como: Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer
A) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha. fazer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se
LÍNGUA PORTUGUESA

B) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 falará:


anos. Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática,
C) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem ortografia, concordância.
lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende
3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento, fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou:
o pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Ex- Sua aprovação no concurso, isso é o que mais dese-
celência trouxe sua mensagem? jamos!

24
Este e aquele são empregados quando se quer fazer Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pes-
referência a termos já mencionados; aquele se refere ao soa de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de
termo referido em primeiro lugar e este para o referido forma imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar
por último: um ser humano que seguramente existe, mas cuja iden-
tidade é desconhecida ou não se quer revelar. Classifi-
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- cam-se em:
lo; este está mais bem colocado que aquele. (= este [São
Paulo], aquele [Palmeiras])
A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o
ou
lugar do ser ou da quantidade aproximada de se-
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- res na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano,
lo; aquele está mais bem colocado que este. (= este [São beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo.
Paulo], aquele [Palmeiras]) Algo o incomoda?
Quem avisa amigo é.
Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
invariáveis, observe: B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um
Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de
aquela(s). quantidade aproximada. São eles: cada, certo(s),
Invariáveis: isto, isso, aquilo. certa(s).
Cada povo tem seus costumes.
Também aparecem como pronomes demonstrativos:
Certas pessoas exercem várias profissões.
• o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e
puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), Note que:
aquilo. Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pro-
Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.) nomes indefinidos adjetivos:
Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, mui-
indiquei.) tos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, ne-
nhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s),
• mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): va- qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal,
riam em gênero quando têm caráter reforçativo: tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s),
Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem. vários, várias.
Eu mesma refiz os exercícios. Menos palavras e mais ações.
Elas mesmas fizeram isso.
Alguns se contentam pouco.
Eles próprios cozinharam.
Os próprios alunos resolveram o problema.
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va-
• semelhante(s): Não tenha semelhante atitude. riáveis e invariáveis. Observe:
• Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vá-
• tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria. rio, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda,
muita, pouca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer,
1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, poucos,
eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este. vários, tantos, outros, quantos, algumas, nenhu-
(ou então: este solteiro, aquele casado) - este se re- mas, todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras,
fere à pessoa mencionada em último lugar; aquele, quantas.
à mencionada em primeiro lugar. • Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada,
2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação algo, cada.
irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de,
*Qualquer é composto de qual + quer (do verbo que-
em com pronome demonstrativo: àquele, àquela,
deste, desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no rer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra cujo
que estava vendo. (no = naquilo) plural é feito em seu interior).
LÍNGUA PORTUGUESA

Pronomes Indefinidos Todo e toda no singular e junto de artigo significa in-


teiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as:
São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discur- Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira)
so, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades)
quantidade indeterminada. Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro)
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas Trabalho todo dia. (= todos os dias)
recém-plantadas.

25
São locuções pronominais indefinidas: cada qual, Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas
cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas utili-
(que), seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal za-se o qual / a qual)
qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que,
ou outra, etc. e se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas
Cada um escolheu o vinho desejado. deixou de ser poeta, que era a sua vocação natural.
O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda com
Pronomes Relativos o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o conse-
São aqueles que representam nomes já mencionados quente (o ser possuído, com o qual concorda em gêne-
anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem ro e número); não se usa artigo depois deste pronome;
as orações subordinadas adjetivas. “cujo” equivale a do qual, da qual, dos quais, das quais.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de
Existem pessoas cujas ações são nobres.
um grupo racial sobre outros.
(antecedente) (consequente)
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre ou-
tros = oração subordinada adjetiva).
Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do pro-
nome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui! (re-
O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sis- feriu-se a)
tema” e introduz uma oração subordinada. Diz-se que
a palavra “sistema” é antecedente do pronome relativo “Quanto” é pronome relativo quando tem por ante-
que. cedente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e
O antecedente do pronome relativo pode ser o pro- tudo:
nome demonstrativo o, a, os, as.
Não sei o que você está querendo dizer. Emprestei tantos quantos foram necessários.
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem (antecedente)
expresso.
Quem casa, quer casa. Ele fez tudo quanto havia falado.
(antecedente)
Observe:
Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre
quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas, precedido de preposição.
quantas. É um professor a quem muito devemos.
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde. (preposição)
“Onde”, como pronome relativo, sempre possui ante-
Note que: cedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A
O pronome “que” é o relativo de mais largo empre- casa onde morava foi assaltada.
Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou
go, sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser
em que: Sinto saudades da época em que (quando) morá-
substituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando
vamos no exterior.
seu antecedente for um substantivo.
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
Podem ser utilizadas como pronomes relativos as
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= palavras:
a qual)
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os • como (= pelo qual) – desde que precedida das pa-
quais) lavras modo, maneira ou forma:
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= Não me parece correto o modo como você agiu sema-
as quais) na passada.

O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente • quando (= em que) – desde que tenha como ante-
pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamen- cedente um nome que dê ideia de tempo:
te para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” Bons eram os tempos quando podíamos jogar
(que podem ter várias classificações) são pronomes rela- videogame.
tivos. Todos eles são usados com referência à pessoa ou
LÍNGUA PORTUGUESA

coisa por motivo de clareza ou depois de determinadas Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
preposições: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de numa só frase.
minha tia, o qual me deixou encantado. O uso de “que”, O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste
neste caso, geraria ambiguidade. Veja: Regressando de esporte.
São Paulo, visitei o sítio de minha tia, que me deixou en- = O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
cantado (quem me deixou encantado: o sítio ou minha
tia?).

26
Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode
ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de #FicaDica
gente que conversava, (que) ria, observava.
Pronome Oblíquo é aquele que exerce a
Pronomes Interrogativos função de complemento verbal (objeto). Por
São usados na formulação de perguntas, sejam elas isso, memorize:
diretas ou indiretas. Assim como os pronomes indefini- OBlíquo = OBjeto!
dos, referem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo im-
preciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e
variações), quanto (e variações). Embora na linguagem falada a colocação dos prono-
Com quem andas? mes não seja rigorosamente seguida, algumas normas
Qual seu nome? devem ser observadas na linguagem escrita.
Diz-me com quem andas, que te direi quem és.
O pronome pessoal é do caso reto quando tem fun- Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo.
ção de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso A próclise é usada:
oblíquo quando desempenha função de complemento. • Quando o verbo estiver precedido de palavras que
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar. atraem o pronome para antes do verbo. São elas:
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia A) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém,
lhe ajudar. jamais, etc.: Não se desespere!
B) Advérbios: Agora se negam a depor.
Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” C) Conjunções subordinativas: Espero que me expli-
exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao quem tudo!
caso reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se
função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo. esforçou.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discur- E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a
so. O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta oportunidade.
para a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito.
sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe).
• Orações iniciadas por palavras interrogativas: Quem
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou lhe disse isso?
tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição, • Orações iniciadas por palavras exclamativas: Quanto
diferentemente dos segundos, que são sempre precedi- se ofendem!
dos de preposição. • Orações que exprimem desejo (orações optativas):
A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o Que Deus o ajude.
que eu estava fazendo. • A próclise é obrigatória quando se utiliza o prono-
B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para me reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o
mim o que eu estava fazendo. material amanhã. / Tu sabes cantar?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do


SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa verbo. A mesóclise é usada:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Quando o verbo estiver no futuro do presente ou fu-
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- turo do pretérito, contanto que esses verbos não estejam
char - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. precedidos de palavras que exijam a próclise. Exemplos:
– São Paulo: Saraiva, 2010. Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: prol da paz no mundo.
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. Repare que o pronome está “no meio” do verbo “rea-
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, lizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração alguma
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira palavra que justificasse o uso da próclise, esta prevalece-
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – ria. Veja: Não se realizará...
São Paulo: Saraiva, 2002. Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
nessa viagem.
SITE (com presença de palavra que justifique o uso de pró-
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
LÍNGUA PORTUGUESA

clise: Não fossem os meus compromissos, EU te acompa-


coes/morf/morf42.php> nharia nessa viagem).

Colocação Pronominal Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo.


A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
Colocação Pronominal trata da correta colocação dos forem possíveis:
pronomes oblíquos átonos na frase. • Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
Quando eu avisar, silenciem-se todos.

27
• Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal: Não REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
era minha intenção machucá-la. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
• Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não se Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
inicia período com pronome oblíquo). CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
Vou-me embora agora mesmo. char - Português linguagens: volume 3 – 7.ª ed. Reform.
Levanto-me às 6h. – São Paulo: Saraiva, 2010.

• Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo SITE


no concurso, mudo-me hoje mesmo! Disponível em: <http://www.portugues.com.br/gra-
• Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a pro- matica/colocacao-pronominal-.html>
posta fazendo-se de desentendida.
9. SUBSTANTIVO
Colocação pronominal nas locuções verbais
Substantivo é a classe gramatical de palavras variá-
veis, as quais denominam todos os seres que existem,
• Após verbo no particípio = pronome depois do ver-
sejam reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e
bo auxiliar (e não depois do particípio):
fenômenos, os substantivos também nomeiam:
Tenho me deliciado com a leitura! • lugares: Alemanha, Portugal
Eu tenho me deliciado com a leitura! • sentimentos: amor, saudade
Eu me tenho deliciado com a leitura! • estados: alegria, tristeza
• qualidades: honestidade, sinceridade
• Não convém usar hífen nos tempos compostos e • ações: corrida, pescaria
nas locuções verbais:
Vamos nos unir! Morfossintaxe do substantivo
Iremos nos manifestar.
Nas orações, geralmente o substantivo exerce fun-
• Quando há um fator para próclise nos tempos com- ções diretamente relacionadas com o verbo: atua como
postos ou locuções verbais: opção pelo uso do pro- núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto di-
nome oblíquo “solto” entre os verbos = Não vamos reto ou indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda,
nos preocupar (e não: “não nos vamos preocupar”). funcionar como núcleo do complemento nominal ou do
aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do obje-
Emprego de o, a, os, as to ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de
• Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral, os adjuntos adverbiais - quando essas funções são desem-
pronomes: o, a, os, as não se alteram. penhadas por grupos de palavras.
Chame-o agora.
Deixei-a mais tranquila. Classificação dos Substantivos

• Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes A) Substantivos Comuns e Próprios


finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:
Observe a definição:
(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.
Cidade: s.f. 1. Povoação maior que vila, com muitas
• Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em,
casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil,
ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se para
toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma
no, na, nos, nas. cidade (em oposição aos bairros).
Chamem-no agora. Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
Põe-na sobre a mesa. e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada
cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substan-
tivo comum.
#FicaDica
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que Substantivo Comum é aquele que designa os seres
LÍNGUA PORTUGUESA

significa “antes”! Pronome antes do verbo! de uma mesma espécie de forma genérica: cidade, meni-
Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/ no, homem, mulher, país, cachorro.
(end, em Inglês – que significa “fim, final!). Estamos voando para Barcelona.
Pronome depois do verbo!
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do O substantivo Barcelona designa apenas um ser da
verbo espécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio –
aquele que designa os seres de uma mesma espécie de
forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.

28
B) Substantivos Concretos e Abstratos cardume peixes
B.1 Substantivo Concreto: é aquele que designa
o ser que existe, independentemente de outros caravana viajantes peregrinos
seres. cacho frutas
cancioneiro canções, poesias líricas
Observação:
Os substantivos concretos designam seres do mundo colmeia abelhas
real e do mundo imaginário. concílio bispos
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, congresso parlamentares, cientistas
Brasília.
atores de uma peça ou
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, elenco
filme
fantasma.
esquadra navios de guerra
B.2 Substantivo Abstrato: é aquele que designa se- enxoval roupas
res que dependem de outros para se manifestarem
falange soldados, anjos
ou existirem. Por exemplo: a beleza não existe por
si só, não pode ser observada. Só podemos obser- fauna animais de uma região
var a beleza numa pessoa ou coisa que seja bela. feixe lenha, capim
A beleza depende de outro ser para se manifes- flora vegetais de uma região
tar. Portanto, a palavra beleza é um substantivo
abstrato. frota navios mercantes, ônibus
Os substantivos abstratos designam estados, quali- girândola fogos de artifício
dades, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem horda bandidos, invasores
ser abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida
médicos, bois, credores,
(estado), rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade junta
examinadores
(sentimento).
júri jurados
• Substantivos Coletivos legião soldados, anjos, demônios
Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha,
leva presos, recrutas
outra abelha, mais outra abelha.
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas. malfeitores ou
malta
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame. desordeiros
manada búfalos, bois, elefantes,
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne- matilha cães de raça
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha,
mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram-se duas molho chaves, verduras
palavras no plural. No terceiro, empregou-se um subs- multidão pessoas em geral
tantivo no singular (enxame) para designar um conjunto insetos (gafanhotos,
de seres da mesma espécie (abelhas). nuvem
mosquitos, etc.)
O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
penca bananas, chaves
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que,
mesmo estando no singular, designa um conjunto de se- pinacoteca pinturas, quadros
res da mesma espécie. quadrilha ladrões, bandidos
ramalhete flores
Substantivo coletivo Conjunto de:
rebanho ovelhas
assembleia pessoas reunidas
peças teatrais, obras
alcateia lobos repertório
musicais
acervo livros réstia alhos ou cebolas
trechos literários romanceiro poesias narrativas
antologia
selecionados
revoada pássaros
arquipélago ilhas
LÍNGUA PORTUGUESA

sínodo párocos
banda músicos
talha lenha
desordeiros ou
bando tropa muares, soldados
malfeitores
turma estudantes, trabalhadores
banca examinadores
vara porcos
batalhão soldados

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Formação dos Substantivos Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes

A) Substantivos Simples e Compostos 1. Substantivos Biformes (= duas formas): apresen-


Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a tam uma forma para cada gênero: gato – gata, ho-
terra. mem – mulher, poeta – poetisa, prefeito - prefeita
O substantivo chuva é formado por um único ele- 2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única
forma, que serve tanto para o masculino quanto
mento ou radical. É um substantivo simples.
para o feminino. Classificam-se em:
A.1 Substantivo Simples: é aquele formado por um A) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo
único elemento. se faz mediante a utilização das palavras “macho”
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. e “fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré
Veja agora: O substantivo guarda-chuva é formado por macho e o jacaré fêmea.
dois elementos (guarda + chuva). Esse substantivo é B) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes
composto. a pessoas de ambos os sexos: a criança, a testemu-
nha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o indivíduo.
A.2 Substantivo Composto: é aquele formado por C) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros:
dois ou mais elementos. Outros exemplos: beija- indicam o sexo das pessoas por meio do artigo: o
-flor, passatempo. colega e a colega, o doente e a doente, o artista e
a artista.

Substantivos de origem grega terminados em ema


B) Substantivos Primitivos e Derivados
ou oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o
B.1 Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva sintoma, o teorema.
de nenhuma outra palavra da própria língua por- • Existem certos substantivos que, variando de gêne-
tuguesa. O substantivo limoeiro, por exemplo, é ro, variam em seu significado:
derivado, pois se originou a partir da palavra limão. o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz); o cabeça
B.2 Substantivo Derivado: é aquele que se origina (líder) e a cabeça (parte do corpo); o capital (dinheiro) e
de outra palavra. a capital (cidade); o coma (sono mórbido) e a coma (ca-
beleira, juba); o lente (professor) e a lente (vidro de au-
Flexão dos substantivos mento); o moral (estado de espírito) e a moral (ética; con-
clusão); o praça (soldado raso) e a praça (área pública);
O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá- o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora).
vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por
Formação do Feminino dos Substantivos Biformes
exemplo, pode sofrer variações para indicar:
Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo: Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
meninão / Diminutivo: menininho - aluna.
• Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a
A) Flexão de Gênero ao masculino: freguês - freguesa
Gênero é um princípio puramente linguístico, não de- • Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino
vendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz respeito de três formas:
a todos os substantivos de nossa língua, quer se refiram 1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
a seres animais providos de sexo, quer designem apenas 2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
“coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa. 3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão
feminino. Pertencem ao gênero masculino os substanti- - sultana
vos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns.
• Substantivos terminados em -or:
Veja estes títulos de filmes:
acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
O velho e o mar troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz
Um Natal inesquecível • Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: côn-
Os reis da praia sul - consulesa / abade - abadessa / poeta - poeti-
LÍNGUA PORTUGUESA

sa / duque - duquesa / conde - condessa / profeta


Pertencem ao gênero feminino os substantivos que - profetisa
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas: • Substantivos que formam o feminino trocando o -e
A história sem fim final por -a: elefante - elefanta
Uma cidade sem passado • Substantivos que têm radicais diferentes no mascu-
As tartarugas ninjas lino e no feminino: bode – cabra / boi - vaca

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• Substantivos que formam o feminino de maneira Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó
especial, isto é, não seguem nenhuma das regras (pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o
anteriores: czar – czarina, réu - ré maracajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o
proclama, o pernoite, o púbis.
Formação do Feminino dos Substantivos Unifor-
mes
Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata,
Epicenos: a cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros. libido, a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).

Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. São geralmente masculinos os substantivos de ori-
Isso ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma
gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
forma para indicar o masculino e o feminino.
grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
Alguns nomes de animais apresentam uma só for-
ma para designar os dois sexos. Esses substantivos são telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema,
chamados de epicenos. No caso dos epicenos, quando o eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o tra-
houver a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se coma, o hematoma.
palavras macho e fêmea. Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
A cobra macho picou o marinheiro.
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira. Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exce-
ções, nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro
Sobrecomuns:
Entregue as crianças à natureza. Preto. / A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Ale-
gre. / Uma Londres imensa e triste.
A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
masculino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso,
nem o artigo nem um possível adjetivo permitem identi- Gênero e Significação
ficar o sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja:
A criança chorona chamava-se João.
Muitos substantivos têm uma significação no mascu-
A criança chorona chamava-se Maria.
lino e outra no feminino. Observe:
Outros substantivos sobrecomuns: o baliza (soldado que, que à frente da tropa, indica os
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma movimentos que se deve realizar em conjunto; o que vai
boa criatura. à frente de um bloco carnavalesco, manejando um bas-
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de tão), a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite ou
Marcela faleceu proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (parte do
corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a cisma
Comuns de Dois Gêneros:
(ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzenta), a
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois.
cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro), a ca-
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? pital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma (ca-
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma beleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado
A distinção de gênero pode ser feita através da análi- na administração da crisma e de outros sacramentos), a
se do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o subs- crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco), a
tantivo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; cura (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe
um jovem - uma jovem; artista famoso - artista famosa;
(vasta planície de vegetação), o guia (pessoa que guia ou-
repórter francês - repórter francesa
tras), a guia (documento, pena grande das asas das aves),
A palavra personagem é usada indistintamente nos o grama (unidade de peso), a grama (relva), o caixa (fun-
dois gêneros. Entre os escritores modernos nota-se cionário da caixa), a caixa (recipiente, setor de pagamen-
acentuada preferência pelo masculino: O menino desco- tos), o lente (professor), a lente (vidro de aumento), o mo-
LÍNGUA PORTUGUESA

briu nas nuvens os personagens dos contos de carochinha. ral (ânimo), a moral (honestidade, bons costumes, ética),
Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino: o nascente (lado onde nasce o Sol), a nascente (a fonte),
O problema está nas mulheres de mais idade, que não
o maria-fumaça (trem como locomotiva a vapor), maria-
aceitam a personagem.
-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala (poncho), a
Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo pala (parte anterior do boné ou quepe, anteparo), o rádio
fotográfico Ana Belmonte. (aparelho receptor), a rádio (emissora), o voga (remador),
a voga (moda).

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B) Flexão de Número do Substantivo Plural dos Substantivos Compostos
Em português, há dois números gramaticais: o singu-
lar, que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural, A formação do plural dos substantivos compostos
que indica mais de um ser ou grupo de seres. A caracte- depende da forma como são grafados, do tipo de pa-
rística do plural é o “s” final. lavras que formam o composto e da relação que esta-
belecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen
Plural dos Substantivos Simples comportam-se como os substantivos simples: aguar-
dente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/pontapés,
Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e malmequer/malmequeres.
“n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã – O plural dos substantivos compostos cujos elementos
ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural). são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas
Exceção: cânon - cânones. e discussões. Algumas orientações são dadas a seguir:

Os substantivos terminados em “m” fazem o plural A) Flexionam-se os dois elementos, quando forma-
em “ns”: homem - homens. dos de:
Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes. substantivo + adjetivo = amor-perfeito e
amores-perfeitos
Atenção: adjetivo + substantivo = gentil-homem e
O plural de caráter é caracteres. gentis-homens
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras
Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-
-se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; B) Flexiona-se somente o segundo elemento,
caracol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, quando formados de:
cônsul e cônsules. verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de palavra invariável + palavra variável = alto-falante e
duas maneiras: alto-falantes
1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e
2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis. reco-recos

Observação: C) Flexiona-se somente o primeiro elemento,


A palavra réptil pode formar seu plural de duas ma- quando formados de:
neiras: répteis ou reptis (pouco usada). substantivo + preposição clara + substantivo = água-
-de-colônia e águas-de-colônia
Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de substantivo + preposição oculta + substantivo = ca-
duas maneiras: valo-vapor e cavalos-vapor
1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o substantivo + substantivo que funciona como deter-
acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses minante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o
2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam in- tipo do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave,
variáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. bomba-relógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-rã,
peixe-espada - peixes-espada.
Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural D) Permanecem invariáveis, quando formados de:
de três maneiras. verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os
2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães saca-rolhas
3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos
Casos Especiais
Observação:
Muitos substantivos terminados em “ão” apresentam o louva-a-deus e os louva-a-deus
dois – e até três – plurais: o bem-te-vi e os bem-te-vis
aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos ancião
– anciões/anciães/anciãos o bem-me-quer e os bem-me-queres
LÍNGUA PORTUGUESA

charlatão – charlatões/charlatães corrimão o joão-ninguém e os joões-ninguém.


– corrimãos/corrimões
guardião – guardiões/guardiães vilão – vilãos/ Plural das Palavras Substantivadas
vilões/vilães
As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: classes gramaticais usadas como substantivo, apresen-
o látex - os látex. tam, no plural, as flexões próprias dos substantivos.
Pese bem os prós e os contras.

32
O aluno errou na prova dos noves. Plural com Mudança de Timbre
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
Certos substantivos formam o plural com mudança
Observação: de timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um
Numerais substantivados terminados em “s” ou “z” fato fonético chamado metafonia (plural metafônico).
não variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos
seis e alguns dez. Singular Plural

Plural dos Diminutivos Corpo (ô) Corpos (ó)


Esforço Esforços
Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” fi- Fogo Fogos
nal e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
Forno Fornos
Fosso Fossos
pãe(s) + zinhos = pãezinhos
Imposto Impostos
animai(s) + zinhos = animaizinhos
Olho Olhos
botõe(s) + zinhos = botõezinhos
Osso (ô) Ossos (ó)
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
Ovo Ovos
farói(s) + zinhos = faroizinhos
Poço Poços
tren(s) + zinhos = trenzinhos
Porto Portos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas
Posto Postos
flore(s) + zinhas = florezinhas
Tijolo Tijolos
mão(s) + zinhas = mãozinhas
papéi(s) + zinhos = papeizinhos Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bol-
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas sos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros,
funi(s) + zinhos = funizinhos etc.

túnei(s) + zinhos = tuneizinhos Observação:


pai(s) + zinhos = paizinhos Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de
pé(s) + zinhos = pezinhos molho (ó) = feixe (molho de lenha).
pé(s) + zitos = pezitos Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o
norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
Plural dos Nomes Próprios Personativos Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames,
as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do
sempre que a terminação preste-se à flexão. singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probida-
Os Napoleões também são derrotados. de, bom nome) e honras (homenagem, títulos).
As Raquéis e Esteres. Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas
com sentido de plural: Aqui morreu muito negro.
Plural dos Substantivos Estrangeiros Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas
improvisadas.
Substantivos ainda não aportuguesados devem ser
escritos como na língua original, acrescentando-se “s” C) Flexão de Grau do Substantivo
(exceto quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir
shorts, os jazz. as variações de tamanho dos seres.
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de
acordo com as regras de nossa língua: os clubes, os cho- Classifica-se em:
pes, os jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, 1. Grau Normal - Indica um ser de tamanho conside-
os réquiens. rado normal. Por exemplo: casa
Observe o exemplo: Este jogador faz gols toda vez que
LÍNGUA PORTUGUESA

2. Grau Aumentativo - Indica o aumento do tama-


joga. nho do ser. Classifica-se em:
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa. Analítico = o substantivo é acompanhado de um ad-
jetivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
dicador de aumento. Por exemplo: casarão.

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3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tama-
nho do ser. Pode ser: FIQUE ATENTO!
Analítico = substantivo acompanhado de um adjeti- O verbo pôr, assim como seus derivados
vo que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena. (compor, repor, depor), pertencem à 2.ª
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in- conjugação, pois a forma arcaica do verbo
dicador de diminuição. Por exemplo: casinha. pôr era poer. A vogal “e”, apesar de haver
desaparecido do infinitivo, revela-se em
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS algumas formas do verbo: põe, pões,
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa põem, etc.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
– São Paulo: Saraiva, 2010.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce-
São Paulo: Saraiva, 2002. bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acen-
to tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, amo,
SITE por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
não cai no radical, mas sim na terminação verbal (fora do
coes/morf/morf12.php>
radical): opinei, aprenderão, amaríamos.
10. VERBO
Classificação dos Verbos
Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, número,
tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o Classificam-se em:
nome de conjugação (por isso também se diz que verbo
é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre
A) Regulares: são aqueles que apresentam o radi-
outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenôme-
cal inalterado durante a conjugação e desinências
no (choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer).
idênticas às de todos os verbos regulares da mes-
Estrutura das Formas Verbais ma conjugação. Por exemplo: comparemos os ver-
bos “cantar” e “falar”, conjugados no presente do
Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar Modo Indicativo:
os seguintes elementos:

A) Radical: é a parte invariável, que expressa o signi- Canto


Cant o Falo
Falo
ficado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal- Cantas
Cant as Falas
Falas
-ava; fal-am. (radical fal-) Canta
Cant a Falas
Falas
B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que Cantamos
Cant amos Falamos
Falamos
indica a conjugação a que pertence o verbo. Por Cantais
Cant ais Falais
Falais
exemplo: fala-r. São três as conjugações:
1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática
- E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir). #FicaDica
C) Desinência modo-temporal: é o elemento que Observe que, retirando os radicais, as
designa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo: desinências modo-temporal e número-
falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicati- pessoal mantiveram-se idênticas. Tente fazer
vo) / falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo) com outro verbo e perceberá que se repetirá
o fato (desde que o verbo seja da primeira
D) Desinência número-pessoal: é o elemento que conjugação e regular!). Faça com o verbo
“andar”, por exemplo. Substitua o radical
designa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o
LÍNGUA PORTUGUESA

“cant” e coloque o “and” (radical do verbo


número (singular ou plural):
andar). Viu? Fácil!
falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam
(indica a 3.ª pessoa do plural.)
B) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alte-
rações no radical ou nas desinências: faço, fiz, farei,
fizesse.

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Observação: E) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, con-
Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas jugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singu-
para que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/ lar e do plural. São unipessoais os verbos constar,
corrijo, fingir/finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais altera- convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que
ções não caracterizam irregularidade, porque o fonema indicam vozes de animais (cacarejar, cricrilar, miar,
permanece inalterado. latir, piar).

C) Defectivos: são aqueles que não apresentam con- Os verbos unipessoais podem ser usados como ver-
jugação completa. Os principais são adequar, pre- bos pessoais na linguagem figurada:
caver, computar, reaver, abolir, falir. Teu irmão amadureceu bastante.
D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito O que é que aquela garota está cacarejando?
e, normalmente, são usados na terceira pessoa do
singular. Os principais verbos impessoais são: Principais verbos unipessoais:

1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, reali- • Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer,
zar-se ou fazer (em orações temporais). ser (preciso, necessário):
Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia = Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos
Existiam) bastante)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram) Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão) É preciso que chova. (Sujeito: que chova)
Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)
• Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, se-
2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo) guidos da conjunção que.
Faz invernos rigorosos na Europa. Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei
Era primavera quando o conheci. à Europa)
Estava frio naquele dia. Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a
vejo. (Sujeito: que não a vejo)
3. Todos os verbos que indicam fenômenos da natu-
reza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, tro- F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou
vejar, amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém, mais formas equivalentes, geralmente no particí-
se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo pio, em que, além das formas regulares terminadas
“amanhecer” em sentido figurado. Qualquer verbo em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas cur-
impessoal, empregado em sentido figurado, dei- tas (particípio irregular).
xa de ser impessoal para ser pessoal, ou seja, terá
conjugação completa.
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)

4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando


tempo: Já passa das seis.

5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição


“de”, indicando suficiência:
Basta de tolices.
Chega de promessas.

6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem,


Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem
referência a sujeito expresso anteriormente (por
exemplo: “ele está mal”). Podemos, nesse caso,
classificar o sujeito como hipotético, tornando-se,
tais verbos, pessoais.
LÍNGUA PORTUGUESA

7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente


de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uma apostila?

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O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é
empregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:

Particípio Particípio
Infinitivo
Regular Irregular
Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
Romper Rompido Roto
Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago

Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/dito, escre-
ver/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois,
fui) e ir (fui, ia, vades).

H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo prin-
cipal (aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é
expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

Vou espantar todos!


(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.
LÍNGUA PORTUGUESA

36
Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo

Pret. mais-que- Fut. do


Presente Pret. Perfeito Pret. Imp. Fut.do Pres.
perf. Pretérito
Sou Fui Era Fora Serei Seria
És Foste Eras Foras Serás Serias
É Foi Era Fora Será Seria
Somos Fomos Éramos Fôramos Seremos Seríamos
Sois Fostes Éreis Fôreis Sereis Seríeis
São Foram Eram Foram Serão Seriam

SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

SER - Modo Imperativo


Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - Modo Indicativo



Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres Fut.do Preté
LÍNGUA PORTUGUESA

estou estive estava estivera estarei estaria


estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

37
ESTAR Modo Subjuntivo – Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
LÍNGUA PORTUGUESA

haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

38
TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já
implícita no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:

• Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a refle-
xibilidade já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela
mesma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula
integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço
da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respec-
tivos pronomes):
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem

• Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto repre-
sentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele
mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os
pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota penteou-me.

Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função
sintática.

Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente prono-
minais - são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à
do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me (objeto direto) – 1.ª pessoa do singular
LÍNGUA PORTUGUESA

Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro.
Existem três modos:
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu estudo para o concurso.
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu estude amanhã.
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estude, colega!

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Formas Nominais Quando o particípio exprime somente estado, sem
nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda for- função de adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida
mas que podem exercer funções de nomes (substantivo, pela turma.
adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas
nominais. Observe:

A) Infinitivo
A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de
modo vago e indefinido, podendo ter valor e fun-
ção de substantivo. Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à) (Ziraldo)

O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presen- Tempos Verbais


te (forma simples) ou no passado (forma composta). Por
exemplo: Tomando-se como referência o momento em que se
É preciso ler este livro. fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diver-
Era preciso ter lido este livro. sos tempos.

A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às A) Tempos do Modo Indicativo


três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste
singular, não apresenta desinências, assumindo a colégio.
mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona- Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido
-se da seguinte maneira: num momento anterior ao atual, mas que não foi com-
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu) pletamente terminado: Ele estudava as lições quando foi
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós) interrompido.
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós) Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles) momento anterior ao atual e que foi totalmente termina-
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação. do: Ele estudou as lições ontem à noite.
Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato
B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adje- ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara
tivo ou advérbio. Por exemplo: as lições quando os amigos chegaram. (forma simples).
Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de
ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento
advérbio)
atual: Ele estudará as lições amanhã.
Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)
Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode
ocorrer posteriormente a um determinado fato passado:
Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação
Se ele pudesse, estudaria um pouco mais.
em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
B) Tempos do Modo Subjuntivo
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro. Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no mo-
Quando o gerúndio é vício de linguagem (gerundis- mento atual: É conveniente que estudes para o exame.
mo), ou seja, uso exagerado e inadequado do gerúndio: Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado,
1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele
futebol. vencesse o jogo.
2. – Sim, senhora! Vou estar verificando! Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode
ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quan-
Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequa- do ele vier à loja, levará as encomendas.
da, pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no
momento da outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que
a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um
LÍNGUA PORTUGUESA

futuro em andamento, exigindo, no caso, a construção


“verificarei” ou “vou verificar”.

C) Particípio: quando não é empregado na formação


dos tempos compostos, o particípio indica, geral-
mente, o resultado de uma ação terminada, flexio-
nando-se em gênero, número e grau. Por exemplo:
Terminados os exames, os candidatos saíram.

40
FIQUE ATENTO!

Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)
No próximo final de semana, faço a prova!
faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)

Tabelas das Conjugações Verbais


t
Modo Indicativo

Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

Pretérito mais-que-perfeito

3.ª conjugação
1.ª conjugação 2.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
LÍNGUA PORTUGUESA

cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S


cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

41
Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

Futuro do Pretérito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

Desinên. Pessoal Des. tem


1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.poral
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
LÍNGUA PORTUGUESA

cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS


cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

42
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

Des.temporal
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

Des.temporal
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM partiREM R EM

C) Modo Imperativo

Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Imperativo Presente do


Indicativo Afirmativo Subjuntivo
Eu canto - Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
LÍNGUA PORTUGUESA

Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

43
Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo
Que eu cante -
Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

• No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem,
pedido ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
• O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

Infinitivo Pessoal

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

• O verbo parecer admite duas construções:


Elas parecem gostar de você. (forma uma locução verbal)
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito oracional, correspondendo à construção: parece gostarem de você).

• O verbo pegar possui dois particípios (regular e irregular):


Elvis tinha pegado minhas apostilas.
Minhas apostilas foram pegas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar - Português linguagens: volume 2. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.] - Português: novas palavras: literatura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
Disponível em: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.php

Vozes do Verbo

Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando
se este é paciente ou agente da ação. Importante lembrar que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três as
vozes verbais:

A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação expressa pelo verbo:
Ele fez o trabalho.
LÍNGUA PORTUGUESA

sujeito agente ação objeto (paciente)

B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo a ação expressa pelo verbo:


O trabalho foi feito por ele.
sujeito paciente ação agente da passiva

44
C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo, Abriram-se as inscrições para o concurso.
agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação: Destruiu-se o velho prédio da escola.
O menino feriu-se.
Observação:
O agente não costuma vir expresso na voz passiva
#FicaDica sintética.
Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva
Não confundir o emprego reflexivo do verbo
com a noção de reciprocidade:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro) Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar
Nós nos amamos. (um ama o outro) substancialmente o sentido da frase.

Formação da Voz Passiva O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa)


Sujeito da Ativa objeto Direto
A voz passiva pode ser formada por dois processos: A apostila foi comprada pelo concurseiro.
analítico e sintético. (Voz Passiva)
Sujeito da Passiva Agente da Passiva
A) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte
maneira: Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva;
Verbo SER + particípio do verbo principal. Por o sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo
exemplo: ativo assumirá a forma passiva, conservando o mesmo
A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos: tempo.
os alunos pintarão a escola) Os mestres têm constantemente aconselhado os
O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho) alunos.
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pe-
Observações: los mestres.
Eu o acompanharei.
• O agente da passiva geralmente é acompanhado Ele será acompanhado por mim.
da preposição por, mas pode ocorrer a construção
com a preposição de. Por exemplo: A casa ficou cer- Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não
cada de soldados. haverá complemento agente na passiva. Por exemplo:
Prejudicaram-me. / Fui prejudicado.
• Pode acontecer de o agente da passiva não estar Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir,
explícito na frase: A exposição será aberta amanhã. acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou refle-
xiva, porque o sujeito não pode ser visto como agente,
• A variação temporal é indicada pelo verbo auxi- paciente ou agente paciente.
liar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a
transformação das frases seguintes: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo) Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito per- CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
feito do Indicativo, assim como o verbo principal da voz char - Português linguagens: volume 2. – 7.ª ed. Reform.
ativa) – São Paulo: Saraiva, 2010.
Ele faz o trabalho. (presente do indicativo) AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
O trabalho é feito por ele. (ser no presente do literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
indicativo)
SITE
Ele fará o trabalho. (futuro do presente) Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente) coes/morf/morf54.php>

• Nas frases com locuções verbais, o verbo SER as-


sume o mesmo tempo e modo do verbo princi-
pal da voz ativa. Observe a transformação da frase
LÍNGUA PORTUGUESA

seguinte:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)

B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética -


ou pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª
pessoa, seguido do pronome apassivador “se”. Por
exemplo:

45
c) O dinheiro e o amigo tinham perdido-se.
d) Se perdeu o dinheiro, mas não o amigo.
EXERCÍCIOS COMENTADOS e) Se o amigo que perdeu-se voltasse, ficaria feliz.

1. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO Resposta: Letra A


– CESGRANRIO-2018) Em “a”: Não se perde = correta (advérbio atrai o pro-
nome = próclise)
O ano da esperança Em “b”: Perderia-se = verbo no futuro do pretérito:
perder-se-ia (mesóclise)
O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos Em “c”: O dinheiro e o amigo tinham perdido-se = ti-
desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás nham se perdido
do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações de Em “d”: Se perdeu = não se inicia período com prono-
amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o dinhei- me oblíquo/partícula apassivadora (Perdeu-se)
ro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava, com a Em “e”: Se o amigo que perdeu-se = o “que” atrai o
consciência de que era uma doação. A situação foi pio- pronome (próclise): que se perdeu
rando. Os argumentos também. No início era para pagar
a escola do filho. Depois vieram as mães e avós doentes. 2. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES-
Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso. Ajudava GRANRIO-2018) Segundo as exigências da norma-pa-
um rapaz, que não conheço pessoalmente. Mas que so- drão da língua portuguesa, o pronome destacado foi
freu um acidente e não tinha como pagar a fisioterapia. utilizado na posição correta em:
Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas internações,
remédios. A situação piorando, eu já estava encomen- a) Os jornais noticiaram que alguns países mobilizam-se
dando missa de sétimo dia. Falei com um amigo médico, para combater a disseminação de notícias falsas nas
no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso gratuitamen- redes sociais.
te. Surpresa! O doente não aparecia para a consulta. Até b) Para criar leis eficientes no combate aos boatos, sem-
que o coloquei contra a parede. Ou se consultava ou eu pre deve-se ter em mente que o problema de divulga-
não ajudava mais. ção de notícias falsas é grave e muito atual.
Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita c) Entre os numerosos usuários da internet, constata-se
de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca um sentimento generalizado de reprovação à prática
conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter de divulgação de inverdades.
caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o em- d) Uma nova lei contra as fake news promulgada na Ale-
prego após o suposto acidente. Foi por isso que me dei- manha não aplica-se aos sites e redes sociais com me-
xei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde nos de 2 milhões de membros.
também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As e) Uma vultosa multa é, muitas vezes, o estímulo mais
pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a eficaz para que adote-se a conduta correta em relação
indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar. à reputação das celebridades.
Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos
aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão sur- Resposta: Letra C
gir. Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça Em “a”: Os jornais noticiaram que alguns países mobi-
de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova lizam-se = se mobilizam
consciência para votar. Como? Num mundo em que as Em “b”: Para criar leis eficientes no combate aos boa-
notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites tos, sempre deve-se = sempre se deve
servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram Em “c”: Entre os numerosos usuários da internet, cons-
cada história a meu respeito que nem sei o que dizer. Já tata-se um sentimento = correta
inventaram casos de amor, tramas nas novelas que escre- Em “d”: Uma nova lei contra as fake news promulgada
vo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por que isso na Alemanha não aplica-se = não se aplica
ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei a trama. Em “e”: Uma vultosa multa é, muitas vezes, o estímulo
Respondo: — Nunca foi para acontecer. Era mentira da mais eficaz para que adote-se = que se adote
internet.
Duvidam. Acham que estou mentindo. 3. (ALERJ-RJ – ESPECIALISTA LEGISLATIVO – ARQUI-
CARRASCO, W. O ano da esperança. Época, 25 dez. TETURA – FGV-2017-ADAPTADA) Se substituíssemos
2017, p.97. Adaptado. os complementos dos verbos abaixo por pronomes pes-
LÍNGUA PORTUGUESA

soais oblíquos enclíticos, a única forma INADEQUADA


No trecho “perde-se o dinheiro e o amigo”, a colocação seria:
do pronome átono em destaque está de acordo com a
norma-padrão da língua portuguesa. O mesmo ocorre a) impregna a vida cotidiana / impregna-a;
em: b) entender os debates / entendê-los;
c) ganha destaque / ganha-o;
a) Não se perde nem o dinheiro nem o amigo. d) supõe um conhecimento / supõe-lo;
b) Perderia-se o dinheiro e o amigo. e) marcaram sua história / marcaram-na.

46
Resposta: Letra D 6. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL –
Em “a”: impregna a vida cotidiana / impregna-a = VUNESP-2013) Considerando a substituição da expres-
correta são em destaque por um pronome e as normas da co-
Em “b”: entender os debates / entendê-los = correta locação pronominal, a oração – … que abrem a cabeça
Em “c”: ganha destaque / ganha-o = correta … – equivale, na norma-padrão da língua, a:
Em “d”: supõe um conhecimento / supõe-lo = a) que abrem-a.
supõe-no b) que abrem-na.
Em “e”: marcaram sua história / marcaram-na = correta c) que a abrem.
d) que lhe abrem.
4. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL – e) que abrem-lhe.
VUNESP-2014) Considerando-se o uso do pronome e
a colocação pronominal, a expressão em destaque no Resposta: Letra C
trecho – ... que cercam o sentido da existência huma- Primeiramente: o “que” atrai o pronome oblíquo, en-
na... – está corretamente substituída pelo pronome, de tão teremos que + pronome. Resta-nos identificar se
acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, na o pronome é objeto direto (a) ou indireto (lhe). Vol-
alternativa: temos ao verbo: abrir. Quem abre, abre algo... abre o
quê? Sem preposição! Portanto: objeto direto = que
a) ... que cercam-lo... a abrem.
b) ... que cercam-no...
c)... que o cercam... 7. (TST - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA APOIO ESPE-
d) ... que lhe cercam... CIALIZADO - ESPECIALIDADE MEDICINA DO TRABA-
e) ... que cercam-lhe... LHO – FCC/2012) Aos poucos, contudo, fui chegando à
constatação de que todo perfil de rede social é um retrato
Resposta: Letra C ideal de nós mesmos.
Correções à frente: Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra al-
Em “a”: que cercam-lo = o “que” atrai o pronome (que teração seja feita na frase, o elemento grifado pode ser
o cercam) substituído por:
Em “b”: que cercam-no = que o cercam (“no” está cor-
reta – caso não tivéssemos o “que”, pois, devido a sua a) ademais.
presença, teremos próclise, não ênclise) b) conquanto.
Em “c”: que o cercam = correta c) porquanto.
Em “d”: que lhe cercam = a posição está correta, mas d) entretanto.
o pronome está errado (“lhe” é para objeto indireto = e) apesar.
a ele/ela)
Em “e”: que cercam-lhe = que o cercam Resposta: Letra D
Contudo é uma conjunção adversativa (expressa opo-
5. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2014) sição). A substituição deve utilizar outra de mesma
Considerando apenas as regras de regência e de coloca- classificação, para que se mantenha a ideia do perío-
ção pronominal da norma-padrão da língua portuguesa, do. A correta é entretanto.
a expressão destacada em – Ainda assim, 60% afirmam
que raramente ou nunca têm informações sobre o im- 8. (TRT 23.ª REGIÃO-MT - ANALISTA JUDICIÁRIO -
pacto ambiental do produto ou do comportamento da ÁREA ADMINISTRATIVA- FCC-2016)
empresa. – pode ser corretamente substituída por ... para quem Manoel de Barros era comparável a São
Francisco de Assis...
a) ... nunca informam-se sob o impacto...
b)... nunca se informam o impacto... O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
c) ... nunca informam-se ao impacto... frase acima está em:
d) ... nunca se informam do impacto...
e)... nunca informam-se no impacto... a) Dizia-se um “vedor de cinema”...
b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no
Resposta: Letra D espaço...
Por eliminação: o advérbio “nunca” atrai o pronome, c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e
teremos próclise (nunca se). Ficamos com B e D. Agora Charles Baudelaire.
LÍNGUA PORTUGUESA

vamos ao verbo: quem se informa, informa-se sobre d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de Bar-
algo = precisa de preposição. A alternativa que tem ros na literatura...
preposição presente é a D (do = de+o). Teremos: nun- e) ... para depois casá-las...
ca se informam do impacto.
Resposta: Letra A
“Era” = verbo “ser” no pretérito imperfeito do Indicati-
vo. Procuremos nos itens:

47
Em “a”, Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo Em “d”, Quem se propor (propuser) a alterar um docu-
Em “b”, Porque não seria = futuro do pretérito do mento criptografado deve saber que comprometerá
Indicativo sua integridade.
Em “c”, Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfei- Em “e”, Não é possível fazer as alterações que convie-
to do Indicativo rem sem comprometer a integridade dos documentos
Em “d”, Quase meio século separa = presente do = correta
Indicativo
Em “e”, para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar 11. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO -
elas) SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP/2017) Considere
as seguintes frases:
9. (TRT 20.ª REGIÃO-SE - TÉCNICO JUDICIÁRIO Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos.
– FCC-2016) Segundo, não memorize apenas por repetição.
Precisamos de um treinador que nos ajude a comer... Terceiro, rabisque!
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o
sublinhado acima está também sublinhado em: Um verbo flexionado no mesmo modo que o dos verbos
empregados nessas frases está em destaque em:
a) ... assim que conseguissem se virar sem as mães ou as
amas... a) ... o acesso rápido e a quantidade de textos fazem
b) Não é por acaso que proliferaram os coaches. com que o cérebro humano não considere útil gravar
c) ... país que transformou a infância numa bilionária in- esses dados...
dústria de consumo... b) Na internet, basta um clique para vasculhar um sem-
d) E, mesmo que se esforcem muito... -número de informações.
e) Hoje há algo novo nesse cenário. c) ... após discar e fazer a ligação, não precisamos mais
dele...
Resposta: Letra D d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em
que nos ajude = presente do Subjuntivo que morou quando era criança?
Em “a”, que conseguissem = pretérito do Subjuntivo e) É o que mostra também uma pesquisa recente con-
Em “b”, que proliferaram = pretérito perfeito (e tam- duzida pela empresa de segurança digital Kaspersky...
bém mais-que-perfeito) do Indicativo
Em “c”, que transformou = pretérito perfeito do Resposta: Letra D
Indicativo Os verbos das frases citadas estão no Modo Imperati-
Em “d”, que se esforcem = presente do Subjuntivo vo (expressam ordem). Vamos aos itens:
Em “e”, há algo novo nesse cenário = presente do Em “a”, ... o acesso rápido e a quantidade de textos
Indicativo fazem = presente do Indicativo
Em “b”, Na internet, basta um clique = presente do
10. (TRT 23.ª REGIÃO-MT - Técnico Judiciário – FCC- Indicativo
2016) Empregam-se todas as formas verbais de acordo Em “c”, ... após discar e fazer a ligação, não precisamos
com a norma culta na seguinte frase: = presente do Indicativo
Em “d”, Pense rápido: = Imperativo
a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento Em “e”, É o que mostra também uma pesquisa = pre-
não poderia receber qualquer tipo de retificação. sente do Indicativo
b) Os documentos com assinatura digital disporam de
algoritmos de criptografia que os protegeram. 12. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL
c) Arquivados eletronicamente, os documentos poderam – VUNESP-2014) Assinale a alternativa em que a pala-
contar com a proteção de uma assinatura digital. vra em destaque na frase pertence à classe dos adjetivos
d) Quem se propor a alterar um documento criptografa- (palavra que qualifica um substantivo).
do deve saber que comprometerá sua integridade.
e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem a) Existe grande confusão entre os diversos tipos de
comprometer a integridade dos documentos. eutanásia...
b)... o médico ou alguém causa ativamente a morte...
Resposta: Letra E c) prolonga o processo de morrer procurando distanciar
Em “a”, Para que se mantesse (mantivesse) sua auten- a morte.
ticidade, o documento não poderia receber qualquer d) Ela é proibida por lei no Brasil,...
LÍNGUA PORTUGUESA

tipo de retificação. e) E como seria a verdadeira boa morte?


Em “b”, Os documentos com assinatura digital dispo-
ram (dispuseram) de algoritmos de criptografia que os Resposta: Letra E
protegeram. Em “a”, Existe grande confusão = substantivo
Em “c”, Arquivados eletronicamente, os documentos Em “b”, o médico ou alguém causa ativamente a mor-
poderam (puderam) contar com a proteção de uma te = pronome
assinatura digital.

48
Em “c”, prolonga o processo de morrer procurando distanciar a morte = substantivo
Em “d”, Ela é proibida por lei no Brasil = substantivo
Em “e”, E como seria a verdadeira boa morte? = adjetivo

13. (PROCESSO SELETIVO INTERNO DA SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO-PE –


SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR - FM-2010)

Disponível em: http://www.acharge.com.br/index.htm (acesso: 03/03/2010)

A palavra “oposição”, da charge, é classificada morfologicamente como:

a) Substantivo concreto.
b) Substantivo abstrato.
c) Substantivo coletivo.
d) Substantivo próprio.
e) Adjetivo.

Resposta: Letra B
O termo “oposição” é classificado – morfologicamente – como substantivo abstrato, pois não existe por si só – de-
pende de outro ser para “se concretizar”.

Prezado candidato, complete seus estudos sobre este tema no decorrer do seu material.

À APREENSÃO DOS EFEITOS DE SENTIDO DECORRENTES DO USO DE RECURSOS VERBAIS E NÃO


VERBAIS EM TEXTOS DE DIFERENTES GÊNEROS: TIRAS, QUADRINHOS, CHARGES, GRÁFICOS,
INFOGRÁFICOS ETC

Um dos fatores que comprovam a vivacidade e atualidade da Língua Portuguesa é a existência de variações linguís-
ticas que possibilitam formas legítimas de comunicação entre pessoas de um determinado grupo. As variações linguís-
ticas podem ser caracterizadas como uma série de variantes em palavras, expressões, sotaques, entre outros aspectos
linguísticos característicos de diferentes grupos sociais, que se desenvolvem naturalmente durante a oralidade com
base em aspectos sociais, históricos, geográficos, culturais e regionais de todo o país. Estas variações podem ser mar-
cantes à ponto de criarem um dialeto ou registro próprios como forma exclusiva de comunicação de uma população.
Para identificar as diferentes marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas é necessário ter co-
nhecimento dos hábitos e costumes linguísticos de diferentes grupos sociais. Observe a seguir os diferentes tipos de
LÍNGUA PORTUGUESA

variações e seus exemplos:


a) Variação social: a língua sofre modificações de acordo com o grupo ou a classe social que a compõe, em níveis
morfossintáticos ou fonológicos. Pessoas com diferentes graus de instrução e formação possuem formas diferentes de
se comunicar, modificando seu uso da língua; pense na diferença entre a maneira de se comunicar de um advogado cri-
minalista e uma dona de casa, com classes sociais diferentes, níveis de instrução diferentes e realidade socioeconômi-
cas diferentes, ambos indivíduos usarão o mesmo idioma de maneiras diferentes; um pode falar que costuma andar de
bicicleta aos fins de semana e o outro de bicicreta (variação fonológica), um pode falar que possui dez reais no bolso e

49
o outro dez real (variação morfossintática). Este tipo de variação pode ser comumente encontrado em textos em redes
sociais em que as pessoas podem escrever livremente da maneira como costumam falar. É possível que um autor utilize
este recurso de maneira estilística para melhor representar a personalidade e origem de determinado personagem.

b) Variação geográfica: mais conhecido como regionalismo, a variação geográfica diz respeito às variantes do idio-
ma presentes em diferentes cidades e estados de um mesmo país, como Minas Gerais e São Paulo, ou de diferentes
países que falam a mesma língua, como é o caso de Portugal e Brasil; o regionalismo pode ser observado não apenas
na fala cotidiana de diferentes grupos, mas também em diferentes gêneros textuais, como o texto narrativo, a crônica,
o conto, entre outros. É possível observar a linguagem regionalista e seus dialetos nas obras de José de Alencar, Graci-
liano Ramos, Érico Veríssimo, Guimarães Rosa, entre outros autores. Para identificar a presença de variações linguísticas
em virtude de aspectos geográficos é preciso ter conhecimento dos costumes de diferentes populações.
Observe o quadrinho e a charge abaixo:

No quadrinho da Turma da Mônica de Maurício de Souza pode-se observar maneirismos e variações de registro
típicas dos habitantes do estado de Minas Gerais ou do interior de São Paulo. Já a charge mostra a diferença entre as
variações linguísticas do gaúcho do Rio Grande do Sul e do nordestino baiano. Um claro exemplo da variação geográ-
fica é a utilização de diferentes palavras para referir-se a uma mesma palavra, como por exemplo mandioca, conhecida
como macaxeira, aipim ou mucamba, dependendo da região do país.
c) Variação histórica: a variação linguística histórica refere-se ao processo de mutação de uma língua decorrente
das transformações históricas e culturais de um determinado país. A língua Portuguesa no Brasil sofreu inúmeras mo-
dificações no decorrer das décadas, a norma culta da época colonial em muito se difere da norma culta da língua que
hoje conhecemos. Clara exemplificação deste fato está nas transformações históricas da língua que geraram a palavra
“você”, comumente utilizada no cotidiano de muitos e frequentemente usada em vez do pronome “tu”. A expressão
“vossa mercê” tornou-se “vossemecê” que se transformou em “vosmecê” até chegar em “você”. Hoje, com a comunica-
LÍNGUA PORTUGUESA

ção virtual, a língua também sofre modificações constantes e até mesmo a pequena palavra “você” tem se tornado “vc”
ou até mesmo “cê” na linguagem cibernética. Estas variações são transformações históricas da língua que observadas
no decorrer do tempo e estudadas afundo por linguistas.
d) Variação estilística: refere-se às mudanças linguísticas de acordo com o grau de formalidade pretendido na co-
municação, seja ela textual ou oral. Ela pode ser formal ou informal, apresentar gírias, jargões e maneirismos. Cantores
de hip-hop e rappers possuem uma linguagem específica e utilizam suas gírias em suas composições, em que falam dos
“manos” (amigos) que os apoiam, da “peita” (camisa) ou da “bombeta” (boné) que vestem, entre muitas outras gírias

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específicas destes grupos. Médicos e advogados, por sua alguém que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente
vez, estão habituados a permearem sua comunicação de nessas situações corriqueiras que classificamos os nossos
jargões, ou seja, palavras e terminologias específicas de textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descri-
suas profissões que não são costumeiras no cotidiano do ção e Dissertação.
restante da população leiga, como por exemplo quando
um médico se refere à um ataque do coração como um As tipologias textuais se caracterizam pelos aspec-
“enfarte agudo do miocárdio”. tos de ordem linguística

Os tipos textuais designam uma sequência definida


EXERCÍCIO COMENTADO
pela natureza linguística de sua composição. São obser-
vados aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, rela-
1. (PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS-SC – AUXILIAR ções logicas. Os tipos textuais são o narrativo, descritivo,
DE SALA – FEPESE – 2016) Identifique abaixo as afirma- argumentativo/dissertativo, injuntivo e expositivo.
tivas verdadeiras (V) e as falsas (F) em relação à língua e
A) Textos narrativos – constituem-se de verbos de
suas variações.
ação demarcados no tempo do universo narrado,
( ) As variações linguísticas são próprias da língua e estão como também de advérbios, como é o caso de an-
alicerçadas nas várias intenções comunicativas. tes, agora, depois, entre outros: Ela entrava em seu
( ) A variedade linguística é um importante elemento de carro quando ele apareceu. Depois de muita conver-
inclusão. sa, resolveram...
( ) A língua oficial deve ser preservada e utilizada como B) Textos descritivos – como o próprio nome indica,
um instrumento de opressão. descrevem características tanto físicas quanto psi-
( ) Nenhuma variante é superior à outra. Todas possuem cológicas acerca de um determinado indivíduo ou
sua função dentro de um determinado grupo social. objeto. Os tempos verbais aparecem demarcados
no presente ou no pretérito imperfeito: “Tinha os
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cabelos mais negros como a asa da graúna...”
cima para baixo. C) Textos expositivos – Têm por finalidade explicar
um assunto ou uma determinada situação que se
a) V • V • V • F almeje desenvolvê-la, enfatizando acerca das ra-
b) V • V • F • V zões de ela acontecer, como em: O cadastramento
c) V • F • F • V irá se prorrogar até o dia 02 de dezembro, portan-
d) F • V • V • F
to, não se esqueça de fazê-lo, sob pena de perder o
e) F • F • V • F
benefício.
Resposta: Letra B. A variação linguística é um fenô- D) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de
meno que ocorre com a língua e é tão legítima quan- uma modalidade na qual as ações são prescritas de
to a própria língua padrão da norma culta, a língua forma sequencial, utilizando-se de verbos expres-
portuguesa não é um sistema imutável e fechado, ela sos no imperativo, infinitivo ou futuro do presente:
possui as mais variadas nuances em diferentes regiões Misture todos os ingrediente e bata no liquidificador
e no meio de diferentes grupos sociais. Toda e qual- até criar uma massa homogênea.
quer variação linguística deve ser respeitada e consi- E) Textos argumentativos (dissertativo) – Demar-
derada válida diante da realidade de diferentes popu- cam-se pelo predomínio de operadores argumen-
lações de um país. tativos, revelados por uma carga ideológica cons-
tituída de argumentos e contra-argumentos que
TIPOLOGIA E GÊNERO TEXTUAL justificam a posição assumida acerca de um deter-
minado assunto: A mulher do mundo contemporâ-
A todo o momento nos deparamos com vários tex- neo luta cada vez mais para conquistar seu espaço
tos, sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a no mercado de trabalho, o que significa que os gê-
presença do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência neros estão em complementação, não em disputa.
daquilo que está sendo transmitido entre os interlocuto-
res. Estes interlocutores são as peças principais em um
Gêneros Textuais
diálogo ou em um texto escrito.
LÍNGUA PORTUGUESA

É de fundamental importância sabermos classificar os


textos com os quais travamos convivência no nosso dia São os textos materializados que encontramos em
a dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos tex- nosso cotidiano; tais textos apresentam características
tuais e gêneros textuais. sócio-comunicativas definidas por seu estilo, função,
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um composição, conteúdo e canal. Como exemplos, temos:
fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa receita culinária, e-mail, reportagem, monografia, poema,
opinião sobre determinado assunto, descrevemos algum editorial, piada, debate, agenda, inquérito policial, fórum,
lugar que visitamos, fazemos um retrato verbal sobre blog, etc.

51
A escolha de um determinado gênero discursivo de- TEORIA DA COMUNICAÇÃO: EMISSOR, MENSA-
pende, em grande parte, da situação de produção, ou GEM E RECEPTOR
seja, a finalidade do texto a ser produzido, quem são os
locutores e os interlocutores, o meio disponível para vei- Nas situações de comunicação, alguns elementos são
cular o texto, etc. sempre identificados, isto é, sem eles, pode-se dizer que
Os gêneros discursivos geralmente estão ligados a não há comunicação. É o que diz a teoria da comunica-
esferas de circulação. Assim, na esfera jornalística, por ção. Os elementos da comunicação são:
exemplo, são comuns gêneros como notícias, reporta- A) Emissor ou destinador: alguém que emite a men-
gens, editoriais, entrevistas e outros; na esfera de divul- sagem. Pode ser uma pessoa, um grupo, uma em-
gação científica são comuns gêneros como verbete de presa, uma instituição.
dicionário ou de enciclopédia, artigo ou ensaio científico, B) Receptor ou destinatário: a quem se destina a
seminário, conferência.
mensagem. Pode ser uma pessoa, um grupo ou
mesmo um animal, como um cão, por exemplo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
C) Código: a maneira pela qual a mensagem se or-
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
ganiza. O código é formado por um conjunto de
char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010. sinais, organizados de acordo com determinadas
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa. regras, em que cada um dos elementos tem signifi-
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática – cado em relação com os demais. Pode ser a língua,
volume único – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. oral ou escrita, gestos, código Morse, sons etc. O
código deve ser de conhecimento de ambos os en-
SITE volvidos: emissor e destinatário.
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/reda- D) Canal de comunicação: meio físico ou virtual, que
cao/tipologia-textual.htm> assegura a circulação da mensagem, por exemplo:
ondas sonoras, no caso da voz. O canal deve ga-
rantir o contato entre emissor e receptor.
EXERCÍCIO COMENTADO E) Mensagem: é o objeto da comunicação, é consti-
tuída pelo conteúdo das informações transmitidas.
1. (TJ-DFT – CONHECIMENTOS BÁSICOS – TÉCNI- F) Referente: o contexto, a situação à qual a men-
CO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA – CESPE sagem se refere. O contexto pode se constituir na
– 2015) situação, nas circunstâncias de espaço e tempo em
que se encontra o remetente da mensagem. Pode
Ouro em Fios também dizer respeito aos aspectos do mundo
textual da mensagem.
A natureza é capaz de produzir materiais preciosos,
como o ouro e o cobre - condutor de ENERGIA ELÉTRICA. Todo sistema de comunicação é constituído por esse
O ouro já é escasso. A energia elétrica caminha para isso. conjunto de elementos, que entra em jogo em cada ato
Enquanto cientistas e governos buscam novas fontes de de comunicação para assegurar a troca de informações.
energia sustentáveis, faça sua parte aqui no TJDFT: Nem sempre a troca de informações é bem sucedida.
- Desligue as luzes nos ambientes onde é possível usar a Denomina-se ruído os elementos que perturbam, dificul-
iluminação natural. tam a compreensão pelo destinador, como por exemplo,
- Feche as janelas ao ligar o ar-condicionado. o barulho ou mesmo uma voz muito baixa. O ruído pode
- Sempre desligue os aparelhos elétricos ao sair do ser também de ordem visual, como borrões, rabiscos etc.
ambiente.
- Utilize o computador no modo espera. SITE
Fique ligado! Evite desperdícios. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/discipli-
Energia elétrica. nas/portugues/teoria-da-comunicacao-emissor-mensa-
A natureza cobra o preço do desperdício. gem-e-receptor.htm>
Internet: <www.tjdft.jus.br> (com adaptações)
Linguagem Verbal e Não Verbal
Há no texto elementos característicos das tipologias ex-
positiva e injuntiva.
O que é linguagem? É o uso da língua como forma de
LÍNGUA PORTUGUESA

( ) CERTO ( ) ERRADO expressão e comunicação entre as pessoas. A linguagem


não é somente um conjunto de palavras faladas ou es-
Resposta: Certo. Texto injuntivo – ou instrucional – é critas, mas também de gestos e imagens. Afinal, não nos
aquele que passa instruções ao leitor. O texto acima comunicamos apenas pela fala ou escrita, não é verdade?
apresenta tal característica. Então, a linguagem pode ser verbalizada, e daí vem
a analogia ao verbo. Você já tentou se pronunciar sem
utilizar o verbo? Se não, tente, e verá que é impossível se

52
ter algo fundamentado e coerente! Assim, a linguagem sobre a violência sexual no âmbito familiar” como ideia
verbal é a que utiliza palavras quando se fala ou quando primária a ser explorada no texto, e “o papel do governo
se escreve. em casos de abuso” como ideia secundária a expor.
A linguagem pode ser não verbal, ao contrário da ver- É a partir de uma boa construção textual, hierarqui-
bal, não utiliza vocábulo, palavras para se comunicar. O zando e elencando os fatos a serem descritos de ma-
objetivo, neste caso, não é de expor verbalmente o que neira lógica, que o leitor será capaz não apenas de rea-
se quer dizer ou o que se está pensando, mas se utilizar lizar uma leitura rápida, mas identificar a ideia primária
de outros meios comunicativos, como: placas, figuras, e secundária do texto e entender de que maneira elas
gestos, objetos, cores, ou seja, dos signos visuais. se relacionam entre si. Todos os parágrafos de um texto
Vejamos: um texto narrativo, uma carta, o diálogo, devem conversar entre si. Os assuntos devem dialogar e
uma entrevista, uma reportagem no jornal escrito ou tele- construir uma relação coesa e coerente com o assunto.
visionado, um bilhete? = Linguagem verbal! Diante deste fato, existem diferentes tipos de relações
Agora: o semáforo, o apito do juiz numa partida de que a ideia de um trecho ou parágrafo pode se relacionar
futebol, o cartão vermelho, o cartão amarelo, uma dança, com a outra. Observe abaixo alguns dos principais tipos
o aviso de “não fume” ou de “silêncio”, o bocejo, a identi- de relações e como identificá-las a partir de conectivos
ficação de “feminino” e “masculino” através de figuras na como conjunções, advérbios e pronomes.
porta do banheiro, as placas de trânsito? = Linguagem
a) adição ou continuação: ocorre quando o texto ape-
não verbal!
nas acrescenta mais informação às ideias já pre-
sentes; usa-se os conectivos: e, não apenas, não
A linguagem pode ser ainda verbal e não verbal ao
só, também, além disso, ademais, entre outros. Ex:
mesmo tempo, como nos casos das charges, cartoons e
“Não apenas no Brasil, mas em todo o mundo a
anúncios publicitários.
violência contra a mulher é um grande problema.”
Alguns exemplos:
b) oposição: ocorre quando uma ideia se opõe à outra
Cartão vermelho – denúncia de falta grave no futebol.
Placas de trânsito. apresentada inicialmente, trazendo um contrapon-
Imagem indicativa de “silêncio”. to para o que já foi estabelecido durante a leitura;
Semáforo com sinal amarelo advertindo “atenção”. usa-se os conectivos: mas, porém, entretanto, no
SITE entanto, todavia, embora, entre outros. “Não há,
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/reda- porém, medidas preventivas contra o abuso.”
cao/linguagem.htm> c) causa: explicita o motivo de um acontecimento, a
razão para que se chegue à determinada ideia ou
fato, está intrinsecamente ligado à consequência;
usa-se os conectivos: em razão de, em virtude de,
À IDENTIFICAÇÃO DAS IDEIAS EXPRESSAS devido a, já que, entre outros. “Devido ao medo de
NO TEXTO, BEM COMO DE SUA HIERARQUIA sofrer ainda mais nas mãos de seus maridos, mui-
(PRINCIPAL OU SECUNDÁRIA) E DAS RELAÇÕES tas mulheres deixam de denunciar os frequentes
ENTRE ELAS (OPOSIÇÃO, RESTRIÇÃO, CAUSA/ abusos sofridos.”
CONSEQUÊNCIA, EXEMPLIFICAÇÃO ETC.) d) consequência: refere-se ao resultado ou à conse-
quência de uma ação, fato ou ideia, está intrinse-
camente ligado à relação de causa; usa-se os co-
nectivos: tanto... que, de modo que, por isso, de tal
O norte da construção textual está fundamentado
na organização das informações. Todo texto deve con- forma que, entre outros. Ex: “Há tanto sofrimento
ter uma introdução ao assunto, um desenvolvimento das psicológico envolvido no meio familiar que os pró-
ideias em questão e uma conclusão do tema tratado. Em prios filhos desenvolvem traumas.”
meio à esta construção, o autor pode desenvolver uma e) restrição: ocorre quando um conectivo indica que
ou mais ideias, podendo elas serem primárias ou secun- há uma limitação presente na ideia exposta, algo
dárias dependendo da intenção de quem escreve. Du- que restringe o fato a um só grupo de ideias; usa-
rante a leitura, o leitor deve ser capaz de identificar estes -se conectivos: somente, apenas, só, exclusivamen-
pontos e a relação entre eles. te, unicamente. Ex: “Apenas no estado de São Pau-
Suponha que o tema do texto em questão seja “a re- lo, mais de mil casos foram registrados...”
LÍNGUA PORTUGUESA

corrência de abusos sexuais no âmbito familiar no país”, f) exemplificação: quando se pretende esclarecer um
diante desta temática tão ampla é possível que o autor assunto por meio de exemplos; usa-se os conec-
explore diversos vieses durante a construção de seu tex- tivos: por exemplo, como, ou seja, a saber, entre
to, no entanto, para que ele seja objetivo e ainda assim outros. Ex: “A existência de órgãos de proteção à
completo, faz-se necessário escolher quais são as princi- mulher, como a Delegacia de Defesa da Mulher,
pais ideias que se pretende explorar. Considere que para é um grande avanço para a proteção das vítimas.”
desenvolver o texto, o autor escolha “índices e dados

53
pedir, aclama sem interesse, e pode rir, francamente, de-
#FicaDica pois de ter conhecido todos os males da cidade, poeira
d’oiro que se faz lama e torna a ser poeira – a rua criou
Existem diversos outros tipos de conectivos
o garoto!
que podem indicar a relação entre um pará-
RIO, João do. A alma encantadora das ruas. São Pau-
grafo e outro no texto, faz-se necessário ape-
lo: Companhia das Letras, 1997, pp. 28–31.
nas identificar os conectivos como dicas das
relações que o autor pretende estabelecer e
conhecer os diversos tipos de elementos da Vocabulário
coesão textual que podem estar presentes Agremia: do verbo agremiar; juntar num mesmo grupo.
no momento da leitura. Canteiros: pedreiros responsáveis pelas construções com
pedra.
Frontarias: fachada principal; frente.
Melopeia: melodia; canção melodiosa.
EXERCÍCIO COMENTADO Silfos: seres mágicos do ar presente em mitologias
europeias.
1. (POLÍCIA MILITAR-SE – SOLDADO DA POLÍCIA MI- Proteiforme: que muda de forma frequentemente.
LITAR – IBFC – 2018) Potentados: majestades; maiorais; pessoas de grande
poder.
A Rua
(Fragmento) Considere o trecho abaixo para responder à questão:

EU AMO A RUA. Esse sentimento de natureza toda íntima “tão modesta, tão lavada, tão risonha, que parece papa-
não vos seria revelado por mim se não julgasse, e razões guear com o céu e com os anjos...” (3º§)
não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e A conjunção destacada na passagem relaciona ideias e
assim exagerado é partilhado por todos vós. Nós somos possui valor semântico de:
irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades,
nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a a) causa.
dor e os desprazeres[...], mas porque nos une, nivela e b) consequência.
agremia o amor da rua. c) conformidade.
(...) a rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma! d) finalidade.
(...) a rua é a agasalhadora da miséria. Os desgraçados
não se sentem de todo sem o auxílio dos deuses enquan- Resposta: Letra B. Em orações subordinadas adver-
to diante dos seus olhos uma rua abre para outra rua (...). biais consecutivas  podemos observar a presença de
A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. um fato como consequência, como efeito do que está
Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada expressado na oração principal. Isto pode ser observa-
casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de mui- do a partir das conjunções e locuções: que, de forma
tos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao que, tanto que, etc., e pelas estruturas tão... que, tan-
erguer as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos to... que, entre outras.
de suor, uma melopeia tão triste que pelo ar parece um
arquejante soluço. A rua sente nos nervos essa miséria da
criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a À ANÁLISE DA ORGANIZAÇÃO ARGUMENTATIVA
mais niveladora das obras humanas. (...) A rua é a eterna DO TEXTO: IDENTIFICAÇÃO DO PONTO DE
imagem da ingenuidade. Comete crimes, desvaria à noi- VISTA (TESE) DO AUTOR, RECONHECIMENTO E
te, treme com a febre dos delírios, para ela como para AVALIAÇÃO DOS ARGUMENTOS USADOS PARA
as crianças a aurora é sempre formosa, para ela não há FUNDAMENTÁ-LO
o despertar triste, e quando o sol desponta e ela abre os
olhos esquecida das próprias ações, é (...) tão modesta,
tão lavada, tão risonha, que parece papaguear com o céu
e com os anjos... ARGUMENTAÇÃO
A rua faz as celebridades e as revoltas, a rua criou um
tipo universal, tipo que vive em cada aspecto urbano, em O ato de comunicação não visa apenas transmitir
cada detalhe, em cada praça, tipo diabólico que tem, dos uma informação a alguém. Quem se comunica pretende
LÍNGUA PORTUGUESA

gnomos e dos silfos das florestas, tipo proteiforme, feito criar uma imagem positiva de si mesmo por exemplo, a
de risos e de lágrimas, de patifarias e de crimes irrespon- de um sujeito educado, ou inteligente, ou culto; quer ser
sáveis, de abandono e de inédita filosofia, tipo esquisito aceito, deseja que o que diz seja admitido como verda-
e ambíguo com saltos de felino e risos de navalha, o pro- deiro. Em síntese, tem a intenção de convencer, ou seja,
dígio de uma criança mais sabida e cética que os velhos tem o desejo de que o ouvinte creia no que o texto diz e
de setenta invernos, mas cuja ingenuidade é perpétua, faça o que ele propõe.
voz que dá o apelido fatal aos potentados e nunca teve
preocupações, criatura que pede como se fosse natural

54
Se essa é a finalidade última de todo ato de comuni- No domínio da argumentação, as coisas são diferen-
cação, todo texto contém um componente argumentati- tes. Nele, a conclusão não é necessária, não é obrigatória.
vo. A argumentação é o conjunto de recursos de nature- Por isso, devese mostrar que ela é a mais desejável, a
za linguística destinados a persuadir a pessoa a quem a mais provável, a mais plausível. Se o Banco do Brasil fi-
comunicação se destina. Está presente em todo tipo de zer uma propaganda dizendose mais confiável do que os
texto e visa a promover adesão às teses e aos pontos de concorrentes porque existe desde a chegada da família
vista defendidos. real portuguesa ao Brasil, ele estará dizendonos que um
As pessoas costumam pensar que o argumento seja banco com quase dois séculos de existência é sólido e,
apenas uma prova de verdade ou uma razão indiscutível por isso, confiável. Embora não haja relação necessária
para comprovar a veracidade de um fato. O argumento é entre a solidez de uma instituição bancária e sua anti-
mais que isso: como se disse acima, é um recurso de lin- guidade, esta tem peso argumentativo na afirmação da
guagem utilizado para levar o interlocutor a crer naquilo confiabilidade de um banco. Portanto é provável que se
que está sendo dito, a aceitar como verdadeiro o que creia que um banco mais antigo seja mais confiável do
está sendo transmitido. A argumentação pertence ao do- que outro fundado há dois ou três anos.
mínio da retórica, arte de persuadir as pessoas mediante Enumerar todos os tipos de argumentos é uma ta-
o uso de recursos de linguagem. refa quase impossível, tantas são as formas de que nos
Para compreender claramente o que é um argumen- valemos para fazer as pessoas preferirem uma coisa a
to, é bom voltar ao que diz Aristóteles, filósofo grego outra. Por isso, é importante entender bem como eles
do século lV a.C., numa obra intitulada “Tópicos: os argu- funcionam.
mentos são úteis quando se tem de escolher entre duas ou Já vimos diversas características dos argumentos. É
mais coisas”. preciso acrescentar mais uma: o convencimento do in-
Se tivermos de escolher entre uma coisa vantajosa e terlocutor, o auditório, que pode ser individual ou co-
uma desvantajosa, como a saúde e a doença, não preci- letivo, será tanto mais fácil quanto mais os argumentos
samos argumentar. Suponhamos, no entanto, que tenha- estiverem de acordo com suas crenças, suas expectativas,
seus valores. Não se pode convencer um auditório per-
mos de escolher entre duas coisas igualmente vantajosas,
tencente a uma dada cultura enfatizando coisas que ele
a riqueza e a saúde. Nesse caso, precisamos argumentar
abomina. Será mais fácil convencêlo valorizando coisas
sobre qual das duas é mais desejável. O argumento pode
que ele considera positivas. No Brasil, a publicidade da
então ser definido como qualquer recurso que torna uma
cerveja vem com frequência associada ao futebol, ao gol,
coisa mais desejável que outra. Isso significa que ele atua
à paixão nacional. Nos Estados Unidos, essa associação
no domínio do preferível. Ele é utilizado para fazer o in-
certamente não surtiria efeito, porque lá o futebol não é
terlocutor crer que, entre duas teses, uma é mais prová-
valorizado da mesma forma que no Brasil. O poder per-
vel que a outra, mais possível que a outra, mais desejável
suasivo de um argumento está vinculado ao que é valo-
que a outra, é preferível à outra.
rizado ou desvalorizado numa dada cultura.
O objetivo da argumentação não é demonstrar a ver-
dade de um fato, mas levar o ouvinte a admitir como Tipos de Argumento
verdadeiro o que o enunciador está propondo. Já verificamos que qualquer recurso linguístico des-
Há uma diferença entre o raciocínio lógico e a argu- tinado a fazer o interlocutor dar preferência à tese do
mentação. O primeiro opera no domínio do necessário, enunciador é um argumento. Exemplo:
ou seja, pretende demonstrar que uma conclusão deriva
necessariamente das premissas propostas, que se deduz Argumento de Autoridade
obrigatoriamente dos postulados admitidos. No raciocí- É a citação, no texto, de afirmações de pessoas reco-
nio lógico, as conclusões não dependem de crenças, de nhecidas pelo auditório como autoridades em certo do-
uma maneira de ver o mundo, mas apenas do encadea- mínio do saber, para servir de apoio aquilo que o enun-
mento de premissas e conclusões. ciador está propondo. Esse recurso produz dois efeitos
Por exemplo, um raciocínio lógico é o seguinte distintos: revela o conhecimento do produtor do texto a
encadeamento: respeito do assunto de que está tratando; dá ao texto a
A é igual a B. garantia do autor citado. É preciso, no entanto, não fazer
A é igual a C. do texto um amontoado de citações. A citação precisa
Então: C é igual a A. ser pertinente e verdadeira. Exemplo:
Admitidos os dois postulados, a conclusão é, obriga- “A imaginação é mais importante do que o
toriamente, que C é igual a A.
LÍNGUA PORTUGUESA

conhecimento.”
Outro exemplo:
Todo ruminante é um mamífero. Quem disse a frase não fui eu, foi Einstein. Para ele,
A vaca é um ruminante. uma coisa vem antes da outra: sem imaginação, não há
Logo, a vaca é um mamífero. conhecimento. Nunca o inverso.
Alex José Periscinoto.
Admitidas como verdadeiras as duas premissas, a In: Folha de S. Paulo. 30 ago.1993, p. 5-2.
conclusão também será verdadeira.

55
A tese defendida nesse texto é que a imaginação é Um texto coerente do ponto de vista lógico é mais fa-
mais importante do que o conhecimento. Para levar o cilmente aceito do que um texto incoerente. Vários são os
auditório a aderir a ela, o enunciador cita um dos mais defeitos que concorrem para desqualificar o texto do ponto
célebres cientistas do mundo. Se um físico de renome de vista lógico: fugir do tema proposto, cair em contradição,
mundial disse isso, então as pessoas devem acreditar que tirar conclusões que não se fundamentam nos dados apre-
é verdade. sentados, ilustrar afirmações gerais com fatos inadequados,
narrar um fato e dele extrair generalizações indevidas.
Argumento de Quantidade
É aquele que valoriza mais o que é apreciado pelo
Argumento do Atributo
maior número de pessoas, o que existe em maior núme-
É aquele que considera melhor o que tem proprie-
ro, o que tem maior duração, o que tem maior número
dades típicas daquilo que é mais valorizado socialmente,
de adeptos etc. O fundamento desse tipo de argumento
é que mais melhor. A publicidade faz largo uso do argu- por exemplo, o mais raro é melhor que o comum, o que
mento de quantidade. é mais refinado é melhor que o que é mais grosseiro etc.
Por esse motivo, a publicidade usa, com muita fre-
Argumento do Consenso quência, celebridades recomendando prédios residen-
É uma variante do argumento de quantidade. Fun- ciais, produtos de beleza, alimentos estéticos etc., com
damentase em afirmações que, numa determinada épo- base no fato de que o consumidor tende a associar o
ca, são aceitas como verdadeiras e, portanto, dispensam produto anunciado com atributos da celebridade.
comprovações, a menos que o objetivo do texto seja Uma variante do argumento de atributo é o argu-
comprovar alguma delas. Parte da ideia de que o consen- mento da competência linguística. A utilização da varian-
so, mesmo que equivocado, corresponde ao indiscutível, te culta e formal da língua que o produtor do texto co-
ao verdadeiro e, portanto, é melhor do que aquilo que nhece a norma linguística socialmente mais valorizada e,
não desfruta dele. Em nossa época, são consensuais, por por conseguinte, deve produzir um texto em que se pode
exemplo, as afirmações de que o meio ambiente precisa confiar. Nesse sentido é que se diz que o modo de dizer
ser protegido e de que as condições de vida são piores dá confiabilidade ao que se diz.
nos países subdesenvolvidos. Ao confiar no consenso, Imagine-se que um médico deva falar sobre o estado
porém, correse o risco de passar dos argumentos válidos de saúde de uma personalidade pública. Ele poderia fa-
para os lugarescomuns, os preconceitos e as frases ca-
zê-lo das duas maneiras indicadas abaixo, mas a primeira
rentes de qualquer base científica.
seria infinitamente mais adequada para a persuasão do
que a segunda, pois esta produziria certa estranheza e
Argumento de Existência
É aquele que se fundamenta no fato de que é mais não criaria uma imagem de competência do médico:
fácil aceitar aquilo que comprovadamente existe do que ▪ Para aumentar a confiabilidade do diagnóstico e
aquilo que é apenas provável, que é apenas possível. A levando em conta o caráter invasivo de alguns exa-
sabedoria popular enuncia o argumento de existência no mes, a equipe médica houve por bem determinar o
provérbio “Mais vale um pássaro na mão do que dois internamento do governador pelo período de três
voando”. dias, a partir de hoje, 4 de fevereiro de 2001.
Nesse tipo de argumento, incluemse as provas docu- ▪ Para conseguir fazer exames com mais cuidado e
mentais (fotos, estatísticas, depoimentos, gravações etc.) porque alguns deles são barras-pesadas, a gente
ou provas concretas, que tornam mais aceitável uma afir- botou o governador no hospital por três dias.
mação genérica. Durante a invasão do Iraque, por exem-
plo, os jornais diziam que o exército americano era muito Como dissemos antes, todo texto tem uma função
mais poderoso do que o iraquiano. Essa afirmação, sem argumentativa, porque ninguém fala para não ser levado
ser acompanhada de provas concretas, poderia ser vista a sério, para ser ridicularizado, para ser desmentido: em
como propagandística. No entanto, quando documenta- todo ato de comunicação deseja-se influenciar alguém.
da pela comparação do número de canhões, de carros de Por mais neutro que pretenda ser, um texto tem sempre
combate, de navios etc., ganhava credibilidade. uma orientação argumentativa.
Argumento quase lógico
A orientação argumentativa é certa direção que o
É aquele que opera com base nas relações lógicas,
falante traça para seu texto. Por exemplo, um jornalista,
como causa e efeito, analogia, implicação, identidade etc.
ao falar de um homem público, pode ter a intenção de
Esses raciocínios são chamados quase lógicos porque, di-
criticá-lo, de ridicularizá-lo ou, ao contrário, de mostrar
LÍNGUA PORTUGUESA

versamente dos raciocínios lógicos, eles não pretendem


estabelecer relações necessárias entre os elementos, mas sua grandeza.
sim instituir relações prováveis, possíveis, plausíveis. Por O enunciador cria a orientação argumentativa de seu
exemplo, quando se diz “A é igual a B”, “B é igual a C”, texto dando destaque a uns fatos e não a outros, omi-
“então A é igual a C”, estabelecese uma relação de iden- tindo certos episódios e revelando outros, escolhendo
tidade lógica. Entretanto, quando se afirma “Amigo de determinadas palavras e não outras. Veja:
amigo meu é meu amigo” não se institui uma identidade “O clima da festa era tão pacífico que até sogras e
lógica, mas uma identidade provável. noras trocavam abraços afetuosos.”

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O enunciador aí pretende ressaltar a ideia geral de A persuasão pode ser válida e não válida. Na persua-
que noras e sogras não se toleram. Não fosse assim, não são válida, expõem-se com clareza os fundamentos de
teria escolhido esse fato para ilustrar o clima da festa uma ideia ou proposição, e o interlocutor pode questio-
nem teria utilizado o termo até que serve para incluir no nar cada passo do raciocínio empregado na argumen-
argumento alguma coisa inesperada. tação. A persuasão não válida apoia-se em argumentos
Além dos defeitos de argumentação mencionados subjetivos, apelos subliminares, chantagens sentimen-
quando tratamos de alguns tipos de argumentação, va- tais, com o emprego de “apelações”, como a inflexão de
mos citar outros: voz, a mímica e até o choro.
▪ Uso sem delimitação adequada de palavra de sen- Alguns autores classificam a dissertação em duas mo-
tido tão amplo, que serve de argumento para um dalidades, expositiva e argumentativa. Esta exige argu-
ponto de vista e seu contrário. São noções confu- mentação, razões a favor e contra uma ideia, ao passo
sas, como paz, que, paradoxalmente, pode ser usa- que a outra é informativa, apresenta dados sem a inten-
da pelo agressor e pelo agredido. Essas palavras ção de convencer. Na verdade, a escolha dos dados le-
podem ter valor positivo (paz, justiça, honestidade, vantados, a maneira de expôlos no texto já revelam uma
democracia) ou vir carregadas de valor negativo “tomada de posição”, a adoção de um ponto de vista na
(autoritarismo, degradação do meio ambiente, in- dissertação, ainda que sem a apresentação explícita de
justiça, corrupção). argumentos. Desse ponto de vista, a dissertação pode
▪ Uso de afirmações tão amplas, que podem ser ser definida como discussão, debate, questionamento, o
derrubadas por um único contraexemplo. Quando que implica a liberdade de pensamento, a possibilida-
se diz “Todos os políticos são ladrões”, basta um de de discordar ou concordar parcialmente. A liberdade
único exemplo de político honesto para destruir o de questionar é fundamental, mas não é suficiente para
argumento. organizar um texto dissertativo. É necessária também a
▪ Emprego de noções científicas sem nenhum ri- exposição dos fundamentos, os motivos, os porquês da
gor, fora do contexto adequado, sem o significado defesa de um ponto de vista.
apropriado, vulgarizandoas e atribuindolhes uma Podese dizer que o homem vive em permanente ati-
tude argumentativa. A argumentação está presente em
significação subjetiva e grosseira. É o caso, por
qualquer tipo de discurso, porém, é no texto dissertativo
exemplo, da frase “O imperialismo de certas indús-
que ela melhor se evidencia.
trias não permite que outras cresçam”, em que o
termo imperialismo é descabido, uma vez que, a ri-
Para discutir um tema, para confrontar argumentos
gor, significa “ação de um Estado visando a reduzir
e posições, é necessária a capacidade de conhecer ou-
outros à sua dependência política e econômica”.
tros pontos de vista e seus respectivos argumentos. Uma
discussão impõe, muitas vezes, a análise de argumentos
A boa argumentação é aquela que está de acordo
opostos, antagônicos. Como sempre, essa capacidade
com a situação concreta do texto, que leva em conta os
aprende-se com a prática. Um bom exercício para apren-
componentes envolvidos na discussão (o tipo de pessoa der a argumentar e contra argumentar consiste em de-
a quem se dirige a comunicação, o assunto, por exemplo). senvolver as seguintes habilidades:
Convém ainda alertar que não se convence ninguém I – argumentação: anotar todos os argumentos a favor
com manifestações de sinceridade do autor (como eu, de uma ideia ou fato; imaginar um interlocutor que
que não costumo mentir...) ou com declarações de certe- adote a posição totalmente contrária;
za expressas em fórmulas feitas (como estou certo, creio II – contraargumentação: imaginar um diálogo deba-
firmemente, é claro, é óbvio, é evidente, afirmo com toda te e quais os argumentos que essa pessoa imaginária
a certeza etc). Em vez de prometer, em seu texto, since- possivelmente apresentaria contra a argumentação
ridade e certeza, autenticidade e verdade, o enunciador proposta;
deve construir um texto que revele isso. Em outros ter- III – refutação: argumentos e razões contra a argu-
mos, essas qualidades não se prometem, manifestam-se mentação oposta.
na ação.
A argumentação é a exploração de recursos para fa- A argumentação tem a finalidade de persuadir, por-
zer parecer verdadeiro aquilo que se diz num texto e, tanto, argumentar consiste em estabelecer relações para
com isso, levar a pessoa a que texto é endereçado a crer tirar conclusões válidas, como se procede no método
naquilo que ele diz. dialético. O método dialético não envolve apenas ques-
Um texto dissertativo tem um assunto ou tema e ex- tões ideológicas, geradoras de polêmicas. Trata-se de um
LÍNGUA PORTUGUESA

pressa um ponto de vista, acompanhado de certa funda- método de investigação da realidade pelo estudo de sua
mentação, que inclui a argumentação, questionamento, ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno em
com o objetivo de persuadir. Argumentar é o processo questão e da mudança dialética que ocorre na natureza
pelo qual se estabelecem relações para chegar à conclu- e na sociedade.
são, com base em premissas. Persuadir é um processo de Descartes (15961650), filósofo e pensador francês,
convencimento, por meio da argumentação, no qual se criou o método de raciocínio silogístico, baseado na de-
procura convencer os outros, de modo a influenciar seu dução, que parte do simples para o complexo. Para ele,
pensamento e seu comportamento. verdade e evidência são a mesma coisa, e pelo raciocínio

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torna-se possível chegar a conclusões verdadeiras, desde na apreciação dos fatos, pode-se partir de premissas ver-
que o assunto seja pesquisado em partes, começando-se dadeiras para chegar a uma conclusão falsa. Tem-se, des-
pelas proposições mais simples até alcançar, por meio se modo, o sofisma. Uma definição inexata, uma divisão
de deduções, a conclusão final. Para a linha de raciocínio incompleta, a ignorância da causa, a falsa analogia são
cartesiana, é fundamental determinar o problema, divi- algumas causas do sofisma. O sofisma pressupõe má fé,
dilo em partes, ordenar os conceitos, simplificando-os, intenção deliberada de enganar ou levar ao erro; quando
enumerar todos os seus elementos e determinar o lugar o sofisma não tem essas intenções propositais, costuma-
de cada um no conjunto da dedução. -se chamar esse processo de argumentação de paralo-
A lógica cartesiana, até os nossos dias, é fundamental gismo. Encontra-se um exemplo simples de sofisma no
para a argumentação dos trabalhos acadêmicos. Des- seguinte diálogo:
cartes propôs quatro regras básicas que constituem um Você concorda que possui uma coisa que não
conjunto de reflexos vitais, uma série de movimentos su- perdeu?
cessivos e contínuos do espírito em busca da verdade: Lógico, concordo.
I – evidência; Você perdeu um brilhante de 40 quilates?
II – divisão ou análise; Claro que não!
III – ordem ou dedução; Então você possui um brilhante de 40 quilates...
IV – enumeração. Exemplos de sofismas:

A enumeração pode apresentar dois tipos de falhas: I – Dedução:


a omissão e a incompreensão. Qualquer erro na enume- Todo professor tem um diploma (geral, universal);
ração pode quebrar o encadeamento das ideias, indis- Fulano tem um diploma (particular);
pensável para o processo dedutivo. Logo, fulano é professor (geral – conclusão falsa);
A forma de argumentação mais empregada na re- II – Indução:
dação acadêmica é o silogismo, raciocínio baseado nas O Rio de Janeiro tem uma estátua do Cristo Reden-
regras cartesianas, que contém três proposições: duas tor. (particular);
premissas, maior e menor, e a conclusão. As três propo- Taubaté (SP) tem uma estátua do Cristo Redentor.
sições são encadeadas de tal forma, que a conclusão é (particular);
deduzida da maior por intermédio da menor. A premissa Rio de Janeiro e Taubaté são cidades.
maior deve ser universal, emprega todo, nenhum, pois al- Logo, toda cidade tem uma estátua do Cristo Reden-
guns não caracteriza a universalidade. tor. (geral – conclusão falsa).

Há dois métodos fundamentais de raciocínio: a dedu- Nota-se que as premissas são verdadeiras, mas a
ção (silogística), que parte do geral para o particular, e a conclusão pode ser falsa. Nem todas as pessoas que têm
indução, que vai do particular para o geral. A expressão diploma são professores; nem todas as cidades têm uma
formal do método dedutivo é o silogismo. A dedução é estátua do Cristo Redentor. Comete-se erro quando se
o caminho das consequências, baseia-se em uma cone- faz generalizações apressadas ou infundadas. A “simples
xão descendente (do geral para o particular) que leva à inspeção” é a ausência de análise ou análise superficial
conclusão. Segundo esse método, partindo-se de teorias dos fatos, que leva a pronunciamentos subjetivos, basea-
gerais, de verdades universais, pode-se chegar à previsão dos nos sentimentos não ditados pela razão.
ou determinação de fenômenos particulares. O percurso Existem, ainda, outros métodos, subsidiários ou não
do raciocínio vai da causa para o efeito. Exemplo: fundamentais, que contribuem para a descoberta ou
Todo homem é mortal (premissa maior = geral, comprovação da verdade: análise, síntese, classificação
universal) e definição. Além desses, existem outros métodos parti-
Fulano é homem (premissa menor = particular) culares de algumas ciências, que adaptam os processos
Logo, Fulano é mortal (conclusão) de dedução e indução à natureza de uma realidade par-
A indução percorre o caminho inverso ao da dedu- ticular. Pode-se afirmar que cada ciência tem seu método
ção, baseia-se em uma conexão ascendente, do particu- próprio demonstrativo, comparativo, histórico etc. A aná-
lar para o geral. Nesse caso, as constatações particulares lise, a síntese, a classificação e a definição são chamadas
levam às leis gerais, ou seja, parte de fatos particulares métodos sistemáticos, porque pela organização e orde-
conhecidos para os fatos gerais, desconhecidos. O per- nação das ideias visam sistematizar a pesquisa.
curso do raciocínio se faz do efeito para a causa. Exemplo: Análise e síntese são dois processos opostos, mas
O calor dilata o ferro (particular); interligados; a análise parte do todo para as partes, a sín-
tese, das partes para o todo. A análise precede a síntese,
LÍNGUA PORTUGUESA

O calor dilata o bronze (particular);


O calor dilata o cobre (particular); porém, de certo modo, uma depende da outra. A análi-
O ferro, o bronze, o cobre são metais; se decompõe o todo em partes, enquanto a síntese re-
Logo, o calor dilata metais (geral, universal). compõe o todo pela reunião das partes. Sabe-se, porém,
que o todo não é uma simples justaposição das partes.
Quanto a seus aspectos formais, o silogismo pode Se alguém reunisse todas as peças de um relógio, não
ser válido e verdadeiro; a conclusão será verdadeira se as significa que reconstruiu o relógio, pois fez apenas um
duas premissas também o forem. Se há erro ou equívoco amontoado de partes. Só reconstruiria todo se as partes

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estivessem organizadas, devidamente combinadas, se- primeiro o menos importante e, no final, o impacto do
guida uma ordem de relações necessárias, funcionais, mais importante; é indispensável que haja uma lógica na
então, o relógio estaria reconstruído. classificação. A elaboração do plano compreende a clas-
Síntese, portanto, é o processo de reconstrução do sificação das partes e subdivisões, ou seja, os elementos
todo por meio da integração das partes, reunidas e re- do plano devem obedecer a uma hierarquização. (Garcia,
lacionadas num conjunto. Toda síntese, por ser uma re- 1973, p. 302304.)
construção, pressupõe a análise, que é a decomposição. Para a clareza da dissertação, é indispensável que,
A análise, no entanto, exige uma decomposição organi- logo na introdução, os termos e conceitos sejam defini-
zada, é preciso saber como dividir o todo em partes. As dos, pois, para expressar um questionamento, deve-se,
operações que se realizam na análise e na síntese podem de antemão, expor clara e racionalmente as posições as-
ser assim relacionadas: sumidas e os argumentos que as justificam. É muito im-
Análise: penetrar, decompor, separar, dividir. portante deixar claro o campo da discussão e a posição
Síntese: integrar, recompor, juntar, reunir. adotada, isto é, esclarecer não só o assunto, mas também
os pontos de vista sobre ele.
A análise tem importância vital no processo de coleta A definição tem por objetivo a exatidão no emprego
de ideias a respeito do tema proposto, de seu desdobra- da linguagem e consiste na enumeração das qualidades
mento e da criação de abordagens possíveis. A síntese próprias de uma ideia, palavra ou objeto. Definir é clas-
também é importante na escolha dos elementos que fa- sificar o elemento conforme a espécie a que pertence,
rão parte do texto. demonstra: a característica que o diferencia dos outros
Segundo Garcia (1973, p.300), a análise pode ser for- elementos dessa mesma espécie.
mal ou informal. A análise formal pode ser científica ou Entre os vários processos de exposição de ideias, a
experimental; é característica das ciências matemáticas, definição é um dos mais importantes, sobretudo no âm-
físico-naturais e experimentais. A análise informal é ra- bito das ciências. A definição científica ou didática é de-
cional ou total, consiste em “discernir” por vários atos dis- notativa, ou seja, atribui às palavras seu sentido usual ou
tintos da atenção os elementos constitutivos de um todo, consensual, enquanto a conotativa ou metafórica empre-
os diferentes caracteres de um objeto ou fenômeno. ga palavras de sentido figurado. Segundo a lógica tradi-
A análise decompõe o todo em partes, a classificação cional aristotélica, a definição consta de três elementos:
estabelece as necessárias relações de dependência e hie- I – o termo a ser definido;
rarquia entre as partes. Análise e classificação ligam-se II – o gênero ou espécie;
intimamente, a ponto de se confundir uma com a outra, III – a diferença específica.
contudo são procedimentos diversos: análise é decom-
posição e classificação é hierarquisação. O que distingue o termo definido de outros elemen-
Nas ciências naturais, classificam-se os seres, fatos tos da mesma espécie. Veja a classificação dos termos da
e fenômenos por suas diferenças e semelhanças; fora frase a seguir:
das ciências naturais, a classificação pode-se efetuar por
meio de um processo mais ou menos arbitrário, em que
os caracteres comuns e diferenciadores são empregados
de modo mais ou menos convencional. A classificação,
no reino animal, em ramos, classes, ordens, subordens,
gêneros e espécies, é um exemplo de classificação na-
tural, pelas características comuns e diferenciadoras. A
classificação dos variados itens integrantes de uma lista
mais ou menos caótica é artificial.
Exemplo: aquecedor, automóvel, barbeador, batata,
caminhão, canário, jipe, leite, ônibus, pão, pardal, pintas-
silgo, queijo, relógio, sabiá, torradeira.
É muito comum formular definições de maneira de-
I – Aves, Canário, Pardal, Pintassilgo, Sabiá; feituosa, por exemplo: Análise é quando a gente decom-
II – Alimentos, Batata, Leite, Pão, Queijo; põe o todo em partes. Esse tipo de definição é gramati-
III – Mecanismos, Aquecedor, Barbeador, Relógio, calmente incorreto; quando é advérbio de tempo, não
Torradeira; representa o gênero, a espécie, a gente é forma coloquial
I – Veículos, Automóvel, Caminhão, Jipe, Ônibus. não adequada à redação acadêmica. Tão importante é
saber formular uma definição, que se recorre a Garcia
LÍNGUA PORTUGUESA

Os elementos desta lista foram classificados por (1973, p.306), para determinar os “requisitos da definição
ordem alfabética e pelas afinidades comuns entre eles. denotativa”. Para ser exata, a definição deve apresentar
Estabelecer critérios de classificação das ideias e argu- os seguintes requisitos:
mentos, pela ordem de importância, é uma habilidade in- I – o termo deve realmente pertencer ao gênero ou
dispensável para elaborar o desenvolvimento de uma re- classe em que está incluído: “mesa é um móvel” (classe
dação. Tanto faz que a ordem seja crescente, do fato mais em que ‘mesa’ está realmente incluída) e não “mesa é
importante para o menos importante, ou decrescente, um instrumento ou ferramenta ou instalação”;

59
II – o gênero deve ser suficientemente amplo para in- Faz-se a exemplificação, ainda, pela apresentação de
cluir todos os exemplos específicos da coisa definida, causas e consequências, usando-se comumente as ex-
e suficientemente restritos para que a diferença possa pressões: porque, porquanto, pois que, uma vez que, visto
ser percebida sem dificuldade; que, por causa de, em virtude de, em vista de, por motivo
III – deve ser obrigatoriamente afirmativa: não há, em de.
verdade, definição, quando se diz que o “triângulo não c) Explicitação
é um prisma”; O objetivo desse recurso argumentativo é explicar
IV – deve ser recíproca: “O homem é um ser vivo” não ou esclarecer os pontos de vista apresentados. Pode-se
constitui definição exata, porque a recíproca, “Todo ser alcançar esse objetivo pela definição, pelo testemunho
vivo é um homem” não é verdadeira (o gato é ser vivo e pela interpretação. Na explicitação por definição, em-
e não é homem); pregam-se expressões como: quer dizer, denomina-se,
V – deve ser breve (contida num só período). Quando chama-se, na verdade, isto é, haja vista, ou melhor; nos
a definição, ou o que se pretenda como tal, é muito testemunhos são comuns as expressões: conforme, se-
longa (séries de períodos ou de parágrafos), chama-se gundo, na opinião de, no parecer de, consoante as ideias
explicação, e também definição expandida; de, no entender de, no pensamento de. A explicitação se
VI – deve ter uma estrutura gramatical rígida: sujeito faz também pela interpretação, em que são comuns as
(o termo) + cópula (verbo de ligação ser) + predicativo seguintes expressões: parece, assim, desse ponto de vista.
(o gênero) + adjuntos (as diferenças).
d) Enumeração
As definições dos dicionários de língua são feitas por Faz-se pela apresentação de uma sequência de ele-
meio de paráfrases definitórias, ou seja, uma operação mentos que comprovam uma opinião, tais como a enu-
metalinguística que consiste em estabelecer uma relação meração de pormenores, de fatos, em uma sequência de
de equivalência entre a palavra e seus significados. tempo, em que são frequentes as expressões: primeiro,
A força do texto dissertativo está em sua fundamen- segundo, por último, antes, depois, ainda, em seguida,
tação. Sempre é fundamental procurar um porquê, uma então, presentemente, antigamente, depois de, antes de,
razão verdadeira e necessária. A verdade de um ponto de atualmente, hoje, no passado, sucessivamente, respectiva-
vista deve ser demonstrada com argumentos válidos. O mente. Na enumeração de fatos em uma sequência de
ponto de vista mais lógico e racional do mundo não tem espaço, empregam-se as seguintes expressões: cá, lá,
valor, se não estiver acompanhado de uma fundamenta- acolá, ali, aí, além, adiante, perto de, ao redor de, no Esta-
ção coerente e adequada. do tal, na capital, no interior, nas grandes cidades, no sul,
Os métodos fundamentais de raciocínio segundo a no leste.
lógica clássica, que foram abordados anteriormente, au- e) Comparação
xiliam o julgamento da validade dos fatos. Às vezes, a ar- Analogia e contraste são as duas maneiras de se es-
gumentação é clara e pode reconhecerse facilmente seus tabelecer a comparação, com a finalidade de compro-
elementos e suas relações; outras vezes, as premissas e var uma ideia ou opinião. Na analogia, são comuns as
as conclusões organizamse de modo livre, misturando-se expressões: da mesma forma, tal como, tanto quanto,
na estrutura do argumento. Por isso, é preciso aprender a assim como, igualmente. Para estabelecer contraste, em-
reconhecer os elementos que constituem um argumen- pregamse as expressões: mais que, menos que, melhor
to: premissas/conclusões. Depois de reconhecer, verificar que, pior que.
se tais elementos são verdadeiros ou falsos; em seguida,
avaliar se o argumento está expresso corretamente; se há Entre outros tipos de argumentos empregados para
coerência e adequação entre seus elementos, ou se há aumentar o poder de persuasão de um texto dissertativo
contradição. Para isso é que se aprendem os processos encontram-se:
de raciocínio por dedução e por indução. Admitindo-se Argumento de autoridade: O saber notório de uma
que raciocinar é relacionar, conclui-se que o argumento autoridade reconhecida em certa área do conhecimen-
é um tipo específico de relação entre as premissas e a to dá apoio a uma afirmação. Dessa maneira, procura-se
conclusão. trazer para o enunciado a credibilidade da autoridade ci-
tada. Lembre-se que as citações literais no corpo de um
a) Procedimentos Argumentativos texto constituem argumentos de autoridade. Ao fazer
Constituem os procedimentos argumentativos mais uma citação, o enunciador situa os enunciados nela con-
empregados para comprovar uma afirmação: exemplifi- tidos na linha de raciocínio que ele considera mais ade-
cação, explicitação, enumeração, comparação. quada para explicar ou justificar um fato ou fenômeno.
LÍNGUA PORTUGUESA

Esse tipo de argumento tem mais caráter confirmatório


b) Exemplificação que comprobatório.
Procura justificar os pontos de vista por meio de Apoio na consensualidade: Certas afirmações dispen-
exemplos, hierarquizar afirmações. São expressões co- sam explicação ou comprovação, pois seu conteúdo é
muns nesse tipo de procedimento: mais importante que, aceito como válido por consenso, pelo menos em de-
superior a, de maior relevância que. Empregam-se tam- terminado espaço sociocultural. Nesse caso, incluem-se:
bém dados estatísticos, acompanhados de expressões: • A declaração que expressa uma verdade universal
considerando os dados; conforme os dados apresentados. (o homem, mortal, aspira à imortalidade);

60
• A declaração que é evidente por si mesma (caso O homem e a máquina: necessidade e riscos da
dos postulados e axiomas); evolução tecnológica
• Quando escapam ao domínio intelectual, ou seja, é
de natureza subjetiva ou sentimental (o amor tem Questionar o tema, transformá-lo em interrogação,
razões que a própria razão desconhece); implica responder a interrogação (assumir um ponto de vista);
apreciação de ordem estética (gosto não se discu- dar o porquê da resposta, justificar, criando um argu-
te); diz respeito à fé religiosa, aos dogmas (creio, mento básico;
ainda que parece absurdo). Imaginar um ponto de vista oposto ao argumento
básico e construir uma contra argumentação; pensar
Comprovação pela experiência ou observação: A ver- a forma de refutação que poderia ser feita ao argu-
dade de um fato ou afirmação pode ser comprovada por mento básico e tentar desqualificá-la (rever tipos de
meio de dados concretos, estatísticos ou documentais. argumentação);
Comprovação pela fundamentação lógica: A com- Refletir sobre o contexto, ou seja, fazer uma coleta
provação se realiza por meio de argumentos racionais, de ideias que estejam direta ou indiretamente ligadas ao
baseados na lógica: causa/efeito; consequência/causa; tema (as ideias podem ser listadas livremente ou organi-
condição/ocorrência. zadas como causa e consequência);
Fatos não se discutem; discutem-se opiniões. As de- Analisar as ideias anotadas, sua relação com o tema
clarações, julgamento, pronunciamentos, apreciações e com o argumento básico;
que expressam opiniões pessoais (não subjetivas) devem Fazer uma seleção das ideias pertinentes, escolhendo
ter sua validade comprovada, e só os fatos provam. Em as que poderão ser aproveitadas no texto; essas ideias
resumo toda afirmação ou juízo que expresse uma opi- transformam-se em argumentos auxiliares, que explicam
nião pessoal só terá validade se fundamentada na evi- e corroboram a ideia do argumento básico;
dência dos fatos, ou seja, se acompanhada de provas, va- Fazer um esboço do Plano de Redação, organizando
lidade dos argumentos, porém, pode ser contestada por uma sequência na apresentação das ideias selecionadas,
meio da contraargumentação ou refutação. São vários os obedecendo às partes principais da estrutura do texto,
processos de contraargumentação: que poderia ser mais ou menos a seguinte:
Refutação pelo absurdo: refuta-se uma afirmação de-
monstrando o absurdo da consequência. Exemplo clás- Introdução:
sico é a contraargumentação do cordeiro, na conhecida I – função social da ciência e da tecnologia;
fábula “O lobo e o cordeiro”; II – definições de ciência e tecnologia;
Refutação por exclusão: consiste em propor várias hi- III – indivíduo e sociedade perante o avanço
póteses para eliminá-las, apresentando-se, então, aquela tecnológico.
que se julga verdadeira;
Desqualificação do argumento: atribui-se o argumen-
to à opinião pessoal subjetiva do enunciador, restringin- Desenvolvimento:
do-se a universalidade da afirmação; I – apresentação de aspectos positivos e negativos do
Ataque ao argumento pelo testemunho de autorida- desenvolvimento tecnológico;
de: consiste em refutar um argumento empregando os II – como o desenvolvimento científico-tecnológico
testemunhos de autoridade que contrariam a afirmação modificou as condições de vida no mundo atual;
apresentada; III – a tecnocracia: oposição entre uma sociedade tec-
Desqualificar dados concretos apresentados: consiste nologicamente desenvolvida e a dependência tecnoló-
em desautorizar dados reais, demonstrando que o enun- gica dos países subdesenvolvidos;
ciador baseou-se em dados corretos, mas tirou conclusões IV – enumerar e discutir os fatores de desenvolvimento
falsas ou inconsequentes. Por exemplo, se na argumen- social;
tação afirmou-se, por meio de dados estatísticos, que “o V – comparar a vida de hoje com os diversos tipos de
controle demográfico produz o desenvolvimento”, afirma- vida do passado; apontar semelhanças e diferenças;
-se que a conclusão é inconsequente, pois se baseia em VI – analisar as condições atuais de vida nos grandes
uma relação de causaefeito difícil de ser comprovada. Para centros urbanos;
contraargumentar, propõe-se uma relação inversa: “o de- VII – como se poderia usar a ciência e a tecnologia
senvolvimento é que gera o controle demográfico”. para humanizar mais a sociedade.
Apresentam-se aqui sugestões possíveis para desen- Conclusão:
volver um tema, que podem ser analisadas e adaptadas VIII – a tecnologia pode libertar ou escravizar: benefí-
ao desenvolvimento de outros temas. Elege-se um tema, cios/consequências maléficas;
LÍNGUA PORTUGUESA

e, em seguida, sugerem-se os procedimentos que devem IX – síntese interpretativa dos argumentos e contra-
ser adotados para a elaboração de um Plano de Redação. -argumentos apresentados.

Naturalmente esse não é o único, nem o melhor pla-


no de redação: é um dos possíveis.

61
O TEXTO ARGUMENTATIVO Um dos recursos linguísticos da impessoalidade é o
uso do sujeito na terceira pessoa do plural (nós, nossos,
O gênero textual argumentativo tem como principal estamos, somos, pensamos etc.) e evitar o discurso na
objetivo convencer o leitor da ideia exposta pelo autor. primeira pessoa do singular (eu, meu, minha, estou, sou,
A apresentação de sua tese, ou seja, seu ponto de vista penso, etc.).
sobre o assunto, deve ser feita de maneira clara, concisa
e objetiva. A estrutura deste tipo de texto consiste em Omitir o agente das orações também é uma técnica
introdução, desenvolvimento e conclusão, assim como em de auxílio na construção do texto argumentativo. Frases
outros gêneros textuais. Mas antes de passar por todas como “é necessário” ou “torna-se indispensável”, são
as etapas, é necessário que o tema esteja bem definido. exemplos de sujeitos ocultos ou indeterminados que tor-
nam o discurso mais neutro, bem como o uso da voz
O TEMA passiva, como no trecho “descobertas estão revolucio-
nando a biotecnologia”, em que não se pode identificar
Antes de identificar o tema de um texto argumenta- um sujeito responsável pela descoberta mencionada.
tivo, é necessário atentar-se a um equivocado conceito A impessoalidade no texto argumentativo é impres-
que confunde os leitores: a diferença entre tema e título. cindível e faz com que o leitor se sinta informado e for-
O título pode ser um indicador do tema em questão, mas me sua própria opinião a partir dos fatos e argumentos
não é o tema em si. Em sua maioria, títulos servem para expostos, ainda que eles tenham sido desenvolvidos a
indicar apenas o destaque que o autor dará ao assunto. partir de uma convicção pessoal do autor.
Já o tema se trata do contexto geral, é a partir dele que
o autor faz o recorte que servirá como base para seus A CARTA-ARGUMENTATIVA
argumentos.
A carta argumentativa é um braço do texto argumen-
Ao realizar a leitura de um texto argumentativo, deve
tativo em que, assim como o nome indica, busca defen-
ficar claro para o leitor o assunto geral do texto, ou seja,
der o ponto de vista ou a tese do remetente (autor) para
o tema e o recorte que o autor faz dele, podendo ex-
o destinatário (o leitor) a quem a carta é enviada. Por
pressar o ponto central, “a identidade do texto”, através
meio da carta argumentativa, é possível enviar uma in-
do recurso do título. Um título como “Influências da tec-
satisfação, preocupação ou tese à órgãos públicos, re-
nologia na juventude” pode ter como tema a tecnologia
presentantes da sociedade, instituições privadas, veícu-
móvel, o avanço da tecnologia na medicina, segurança
los jornalísticos, entre outros tipos de destinatários. Esta
na web, maternidade e paternidade, entre muitas outras
tipologia textual segue um padrão estrutural específico
opções. A partir da leitura completa do texto, o leitor é
em sua construção.
capaz de, não apenas, identificar o tema, mas também
● Data e local: na primeira linha, vem a indicação do
discernir o recorte que o autor fez dele.
momento e do local em que se encontra o reme-
tente enquanto escreve a carta.
A IMPESSOALIDADE Ex.: “São Paulo, 23 de fevereiro de 2020”
● Destinatário: em seguida, o remetente indica o
Diferentemente do gênero narrativo, em que o narra- vocativo a quem se refere a carta, ou seja, usa o
dor tem a liberdade de expressar seus sentimentos, suas pronome de tratamento adequado a quem preten-
impressões pessoais e vontades particulares diante dos de se dirigir. Caso se dirija à um juiz, usa-se “Exce-
acontecimentos e personagens, no texto argumentativo lentíssimo, Senhor” ou “Vossa Excelência; caso se
a impessoalidade é uma obrigatoriedade. O gênero ar- dirija a alguém conhecido “Prezada senhora Joana”
gumentativo pede certo distanciamento entre o texto e ou “Caro senhor José”.
quem o escreve, justamente por se tratar de um estilo ● Corpo da carta: onde é desenvolvido o aponta-
mais formal de escrita. Impessoalidade significa omitir os mento dos argumentos do remetente, com in-
agentes do discurso, de modo a não expressar a opinião trodução do assunto, desenvolvimento da ideia e
pessoal – o que é diferente do ponto de vista sobre o conclusão da tese.
tema tratado. ● Saudação ou despedida: refere-se ao fechamento
Uma opinião pessoal no texto argumentativo faria da carta, a finalização que saúda o destinatário. É
com o que o leitor não se atentasse apenas aos fatos, comum ver palavras como “atenciosamente”, “cor-
LÍNGUA PORTUGUESA

mas também voltasse seu foco para as emoções e ques- dialmente” ou até mesmo um simples “saudações”
tões pessoais do autor enquanto expositor de sua tese, ou “grato” em cartas argumentativas.
o que poderia comprometer a objetividade do texto. No ● Assinatura do remetente: ao fim de tudo, é ne-
texto argumentativo, não se deve usar a narração de uma cessário que o destinatário saiba quem o escreveu,
experiência pessoal como argumento, mas justificar o de- portanto o autor da carta deve assinar seu nome.
senvolvimento do raciocínio que leva à tese de maneira Em alguns casos o remetente pode indicar tam-
lógica e sem a interferência do lado particular do autor. bém sua profissão ou formação.

62
A CRÔNICA ARGUMENTATIVA apresentar uma situação e tomar uma posição, favorável
ou não, a fim de provar ao leitor que algo é benéfico ou
Este subgênero do texto argumentativo, apresenta maléfico para ele.
sua tese através da estrutura de uma crônica, um gênero No entanto, dentro do texto argumentativo, usa-se
que transita entre tipos textuais. A palavra crônica vem técnicas da persuasão para dar força às ideias expostas.
do grego khrónos que significa tempo. A crônica utili- Persuasão não é apenas apresentar pontos e recortes do
za o recurso similar ao do gênero narrativo, para expor tema de maneira convincente, muito menos impor uma
um acontecimento ocorrido dentro de um determinado ideia ao leitor por força do argumento. A persuasão no
tempo e espaço, geralmente concernentes à temas da texto argumentativo diz respeito a um viés ideológico,
atualidade, ligadas ao cotidiano. temporal, particular e subjetivo do locutor, dando aber-
No caso da crônica argumentativa, a narração ou ex- tura ao questionamento, ao diálogo e à reflexão por par-
posição desses acontecimentos não possuem um pro- te do leitor. Não se trata de ludibria-lo a acreditar em
pósito de apenas narrar situações com personagens e qualquer coisa, sem o uso da razão.
cenários da perspectiva de um narrador, mas também de Para escrever um texto persuasivo, é preciso entender
argumentar e convencer o leitor do ponto de vista de bem o contexto e a realidade do assunto escolhido. Um
quem escreve. texto argumentativo sobre política, por exemplo, precisa
A linguagem da crônica costuma ser ácida, um pouco estar muito bem fundamentado em fatos, mas não ape-
de sarcasmo e ironia, através do humor busca convencer nas isso, o locutor deve saber pontuar suas opiniões de
o leitor. Ele pode ser escrito na primeira pessoa do sin- maneira lógica, crítica e estudada.
gular, retratando vivências até mesmo pessoais do autor, Podemos ver algo semelhante em reportagens jorna-
justamente por ser um gênero hibrido, diferentemente lísticas. Se há uma crise econômica que se alastra pelo
das características originais de um texto dissertativo-ar- país, por exemplo, é provável que números, estatísticas e
gumentativo. O discurso na crônica argumentativa cos- gráficos sejam apresentados no decorrer da reportagem.
tuma retratar assuntos ligados à realidade cultural, social, Um público leigo no assunto, entretanto, não entenderá
econômica ou política de um país, estado, cidade, bairro muito bem como sua realidade é afetada por esta situa-
ou até mesmo de uma rua, denunciando os problemas e ção se os jornalistas se limitarem a termos de economia
mazelas enxergues pelo autor. apenas. Uma maneira de fazê-lo entender a realidade é
citar o exemplo de um personagem que foi afetado pe-
ARGUMENTAÇÃO E PERSUASÃO los problemas econômicos. Exemplo: “seu João teve que
cortar gastos em seu comércio, os preços subiram e as
1. Argumentação vendas caíram, tudo por causa da crise.”
Algo de extrema importância na construção de todo Apesar de textos jornalísticos serem outro tipo de gê-
e qualquer texto argumentativo é o uso não apenas da nero textual, recursos linguísticos como a comparação, a
argumentação, mas também da persuasão. Argumentar hipérbole, a metáfora, a metonímia, no texto argumen-
consiste em convencer o leitor dos pontos apresentados tativo, tornam uma argumentação subjetiva em algo
no texto pelo locutor. Existem diversos métodos de argu- palpável presente na realidade, aproximando o leitor do
mentação a fim de dar embasamento à tese: tema. A aproximação dos exemplos no texto com a rea-
lidade de seu público-alvo serve também para prender a
● Citação: citar a obra ou a fala de especialistas, au- atenção do leitor.
tores “consagrados”, entre outros nomes impor-
tantes na área que o tema do texto aborda. O TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO
● Dados e estatísticas: a comprovação a partir de
dados, gráficos de comparação, percentuais, esta- O gênero dissertativo-argumentativo é um tipo tex-
tísticas e cálculos. tual que discute assuntos de relevância social. Assim
● Raciocínio lógico: estabelecer relações de causa e como outros textos argumentativos, ele busca convencer
consequência dos fatos apontados, para que o lei- o leitor de seu ponto de vista por meio de argumentos
tor entenda que os conhecimentos abordados não e explicações. Ele deve ser escrito na norma culta da lín-
são fruto apenas da imaginação ou opinião própria gua portuguesa, sem gírias ou regionalismos, e sem dar
do autor. voltas desnecessárias em volta do tema, ou seja, o autor
deve ser capaz de sintetizar os fatos e suas ideias. O es-
2. Persuasão tudo e a produção deste gênero textual é comumente
O texto persuasivo é diferente do texto argumenta- solicitado em vestibulares e concursos, tendo em vista a
tivo. O texto persuasivo destina-se apenas a convencer necessidade de o candidato estar por dentro dos assun-
LÍNGUA PORTUGUESA

o leitor de uma ideologia, um posicionamento ou per- tos da atualidade.


suadir o leitor a tomar ou não uma decisão. O marke-
ting e a publicidade são conhecidos por utilizar recursos
persuasivos para atrair o público consumidor e vender
seus produtos. O profissional dessas áreas sabe que deve

63
FORMAS DE DESENVOLVIMENTO DO TEXTO Argumentar sem conhecimento do assunto, sem
DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO aprofundar-se no tema escolhido, é como um tiro no pé.
O texto será permeado de “achismos” e opiniões basea-
A escrita de um texto dissertativo-argumentativo das no senso comum, o que enfraquece a argumentação
deve ser concisa e clara para a leitura flua de maneira e impede o leitor de uma reflexão informada. Existem di-
prática. Sua estrutura pouco flexível, é dividida em três ferentes tipos de argumentos consistentes para usar no
partes fundamentais: introdução ao tema, argumentação texto argumentativo. Confira abaixo alguns deles:
e conclusão. Veja a seguir um exemplo de um texto divi- ● Argumento de autoridade: quando há uma cita-
dido entre estas partes. ção de alguém considerado autoridade na área;
● Introdução ao tema: trata-se da apresentação do ● Argumento por comparação: quando analogias
tema, explicação da tese que se pretende provar. são feitas entre fatores semelhantes evidenciados
Exemplo: “o uso de aspectos da cultura africana em por dados;
modelos brancas incita a apropriação cultural na ● Argumento por exemplificação: quando fatos
indústria da moda”. são apresentados para exemplificar um ponto;
● Argumentação: é a comprovação da tese men- ● Argumento por causa e consequência: quando
cionada anteriormente através de um argumen- se estabelecem relações de causa e consequência
to embasado em provas que fundamentam sua entre fatos de maneira lógica.
perspectiva. Expor conceitos teóricos e científicos,
dados e estatísticas, citações de especialistas, no- #FicaDica
tícias e referências históricas são tipos de evidên-
cias para embasar a argumentação. Em seguida, Uma ótima maneira de exercitar os seus co-
deve ser feita a análise dos dados apresentados nhecimentos é lendo e praticando por meio
e estabelecer a relação entre a prova levantada e de exercícios simples. Leia textos argumen-
a tese apresentada na introdução ao tema. Exem- tativos e tente identificar os diferentes tipos
plo: “de acordo com o sociólogo e especialista em de argumentos escolhidos pelo autor.
culturas de matriz africana, José Borges (...)”, “sen-
do assim, a normalização da apropriação cultural A CONTRA-ARGUMENTAÇÃO
diminui a representatividade da população negra
diante da sociedade (...)”. Parte importante do texto dissertativo-argumentativo
● Conclusão: diz respeito à síntese do que já foi é o contra-argumento. Ao invés de apenas argumentar
abordado anteriormente, podendo também apre- baseando-se em convicções próprias, o contra-argu-
sentar uma proposta de resolução do problema mento serve como a oposição de uma determinada ar-
levantado no decorrer do desenvolvimento do gumentação, em termos linguísticos chamamos este re-
texto. É imprescindível que a sua proposta de so- curso de antítese, ou seja, a oposição à tese apresentada
lução seja prática e simples. Não se deve deixar em algum argumento inicial.
nada implícito. É necessário evidenciar agentes Na contra argumentação, o locutor se preocupa em
solucionadores, como a população, organizações não apenas defender seus pontos de vista, mas de ex-
privadas ou governamentais, as ações que devem plicitar os erros da argumentação inicial em que se ba-
ser tomadas, os meios que serão usados para rea- seia, segundo seu ponto de vista. O autor do contra-ar-
liza-las e as consequências desse processo inteiro. gumento propõe, então, um debate em torno do tema
Exemplo: “para que esta realidade mude, devemos tratado e convida o leitor a refletir quando expõe duas
exigir da Secretaria da cultura do Estado de São diferentes perspectivas sobre o assunto.
Paulo, a criação de políticas públicas de incentivo
à propagação da cultura africana em nosso estado O PARÁGRAFO
(...)”
Tendo passado por todas estas etapas, identificamos O termo “parágrafo” pode ser definido como uma
o que é um texto dissertativo-argumentativo. unidade autossuficiente de um discurso. Sabe-se que
cada parágrafo de um texto possui sua devida importân-
A CONSISTÊNCIA DOS ARGUMENTOS cia e todos eles em conjunto constroem a ideia do autor
de maneira progressiva até a sua conclusão. Uma regra
importante para o desenvolvimento de um texto argu-
A fim de serem considerados válidos e verídicos, os
mentativo é limitar cada parágrafo a apenas uma ideia-
LÍNGUA PORTUGUESA

argumentos apresentados em todo e qualquer texto de-


-núcleo. Os parágrafos existem para estabelecer interva-
vem ter consistência. A consistência argumentativa se
los entre um assunto e outro, assim que a ideia principal
apresenta na propriedade do argumento, ou seja, devem
daquele trecho se finda e um outro assunto é iniciado,
passar ao leitor lógica, solidez e coerência, evitando re-
deve-se iniciar também um novo parágrafo.
dundâncias, ambiguidades e fontes duvidosas. É através
É fato que cada parágrafo irá dialogar com o ante-
dos argumentos que o locutor comprova a sua tese e o
rior e o próximo, no entanto, é necessário que cada pa-
leitor só poderá ser convencido através de uma boa es-
rágrafo inicie, desenvolva e conclua a ideia central dos
truturação e fundamentação dos fatos descritos.

64
acontecimentos, fatos ou argumentos exprimidos pelo fontes utilizadas para apresentar o assunto e não
autor, ainda que de maneira geral a tese do texto argu- omitir suas diferentes vertentes para não condicio-
mentativo esteja permeada por ele todo e a conclusão nar o leitor a acreditar em opiniões disfarçadas de
geral do assunto só se apresente no último parágrafo. verdades absolutas.
Não há um número especifico de palavras ou linhas ● Definição: conceituar determinadas palavras, ter-
para cada parágrafo em textos argumentativos. Contanto mos ou fenômenos ligados ao tema, pode ser feito
que o autor seja capaz de expressar a ideia de maneira através de enciclopédias e dicionários, documenta-
clara e completa, mesmo três linhas podem ser conside- ção histórica, teses comprovadas por autoridades
radas um parágrafo. É por isso que o autor precisa ter em uma determinada área; tudo isso pode apre-
bem claro quais tópicos pretende abordar sobre o assun- sentar ao leitor a ideia geral que vai se estender até
to, assim ele será capaz de desenvolver em cada um dos o final do texto.
parágrafos, um tópico que fará parte do contexto geral ● Alusão histórica: o autor introduz o assunto atra-
do tema. vés do recorte de um acontecimento de algum pe-
ríodo histórico que possa ser relevante para com-
A INFORMATIVIDADE E O SENSO COMUM parar e problematizar o tema tratado.
● Narração: recurso que utiliza elementos da narra-
Chamamos de informatividade a qualidade de um ção para ilustrar o tema em questão, por meio de
texto capaz de trazer novos conhecimentos para o leitor. uma pequena parábola o autor faz uma alusão a
A informatividade de um texto pode ser alta, média ou não apenas o assunto, mas explicita seu posiciona-
baixa e esse fator pode determinar se o texto prenderá mento desde a introdução.
ou não a atenção do leitor, se ele será ou não persuadido ● Citação: fazer referência a autores consagrados
pelos argumentos e se o discurso o afetará de alguma e renomados em suas respectivas áreas dá credi-
maneira, seja de modo a desenvolver pensamento crítico bilidade à informação e pode deixar mais claro o
ou tomar ciência de um fato. assunto que o locutor pretende tratar. Se alguém
Para exemplificar, podemos pensar num texto argu- especializado no assunto já publicou algo a respei-
mentativo sobre física quântica. Este assunto pode ser
to do tema escolhido, utilizar o que está em suas
considerado de alta informatividade, pois refere-se à
obras para explicar o tema e o ponto de vista do
uma área de interesse de uma minoria da população,
locutor, pode ser um bom recurso introdutório.
um público restrito que domina o assunto. O restante
do público-leitor, porém, adquirirá novos conhecimentos
A CONCLUSÃO
justamente por ser leigo. É por isso que um bom texto
argumentativo expõe seus pontos principais de maneira
A conclusão de qualquer texto argumentativo deve
fundamentada e informada, para poder informar e insti-
ser sucinta. É o último parágrafo do texto inteiro e ne-
gar a reflexão, afastando o leitor do senso comum.
nhuma informação nova deve ser deixada para o final.
Senso comum é outro termo concernente à criação
de textos dissertativos e argumentativos. Diz respeito a Tudo que o locutor intendeu expor limita-se até o pará-
argumentos aceitos universalmente, sem necessidade de grafo anterior ao parágrafo da conclusão. O leitor deve
comprovação, informações que já são de conhecimento sentir que foi informado sobre tudo e que soube de to-
público ou já foram comprovadas historicamente. Tenta- das as opiniões do autor no decorrer da leitura, para que
tivas de argumentos ou explanações como “o governo chegue ao final e saiba o que concluir de tudo isso.
precisa melhorar a educação” ou “a mulher tem ocupado Antes mesmo da apresentação de uma proposta de
cargos de liderança no mundo todo”, apesar de verda- intervenção para a problemática, a técnica da retomada
deiros, são muito fracos em sua informatividade, pois da tese deve relembrar o leitor dos pontos principais an-
trazem de fatos do conhecimento popular, o que pode teriormente abordados desde a introdução. Este recurso
desinteressar o leitor ao invés de convencê-lo da tese em retoma a ideia central de todo o texto, resumindo-o com
questão. o propósito de, mais uma vez, argumentar a necessidade
da discussão levantada pelo texto e convencer o público
A INTRODUÇÃO da tese desenvolvida em seu desenvolvimento.
Só depois de retomar a tese, o autor do texto poderá
Já estudamos sobre a construção da introdução de propor uma ou mais soluções para a problemática, esta
diferentes gêneros textuais, mas existem tipos diferentes proposta de intervenção deve dar ao leitor a sensação
de introdução que devem ser mencionados. A introdu- de que o autor não apenas levantou a poeira do pro-
LÍNGUA PORTUGUESA

ção serve para mostrar ao leitor do que se trata o texto, blema, suas causas e consequências, mas também teve
qual tema pretende-se retratar e o motivo da escolha da o interesse em desenvolver uma solução para a situação
temática e seus recortes. A introdução pode ser feita por exposta. Estas propostas devem ser aplicáveis e fiéis à
meio de: realidade do que foi retratado no texto.
● Exemplificação: através de dados estatísticos e Não faz sentido algum propor investimentos do go-
relatos de acontecimentos de conhecimento geral, verno em melhores cadeiras e mesas nas salas de aula se
noticiados no mundo, pode-se introduzir a temá- o texto retrata o vandalismo dentro das escolas. O au-
tica do texto. É necessário tomar cuidado com as tor precisa estar consciente da realidade no momento

65
da conclusão do texto. Tendo seguido estas etapas, a
conclusão estará adequada ao texto e compreensível ao À DEDUÇÃO DE IDEIAS E PONTOS DE VISTA
público-leitor. IMPLÍCITOS NO TEXTO; AO RECONHECIMENTO
DAS DIFERENTES “VOZES” DENTRO DE UM TEXTO,
BEM COMO DOS RECURSOS LINGUÍSTICOS
EXERCÍCIOS COMENTADOS EMPREGADOS PARA DEMARCÁ-LAS

1. (CETRO CONCURSOS – ANALISTA EM C&T PLENO


1-L – AGÊNCIA ESPACIAL BRASILEIRA – 2014) Análise e Tipo de Discurso
Assinale a alternativa correta quanto às características de
um texto dissertativo. A Análise do Discurso é uma prática da linguística no
campo da Comunicação, e consiste em analisar a estru-
a) É um texto em que se faz um retrato por escrito de um tura de um texto e, a partir disto, compreender as cons-
lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. truções ideológicas presentes no mesmo.
b) Indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem obje- O discurso em si é uma construção linguística atre-
tiva e simples. Os verbos são, em sua maioria, empre- lada ao contexto social no qual o texto é desenvolvido.
gados no modo imperativo, porém nota-se também Ou seja, as ideologias presentes em um discurso são
o uso do infinitivo e o uso do futuro do presente do diretamente determinadas pelo contexto político-social
modo indicativo. em que vive o seu autor. Mais que uma análise textual, a
c) Caracterizado por predizer algo ou levar o interlocutor análise do Discurso é uma análise contextual da estrutura
a crer em alguma coisa, a qual ainda está por ocorrer. discursiva em questão.
d) É o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, Michel Foucault descreveu a Ordem do Discurso
discorrer sobre ele. Dependendo do objetivo do autor, como uma construção de características sociais. A so-
pode ter caráter expositivo ou argumentativo. ciedade que promove o contexto do discurso analisado
e) Há uma relação de anterioridade e posterioridade. O é a base de toda a estrutura do texto, atrelando, deste
tempo verbal predominante é o passado. modo, todo e qualquer elemento que possa fazer parte
do sentido do discurso. O texto só pode assim ser cha-
Resposta: Letra D. O texto dissertativo tem como ob- mado se o seu receptor for capaz de compreender o seu
jetivo principal discorrer sobre um assunto a fim de sentido, e isto cabe ao autor do texto e à atenção que o
expor ou argumentar sobre ele. mesmo der ao contexto da construção de seu discurso. É
a relação básica para a existência da comunicação verbal:
emissão – recepção – compreensão.
Referências Complementares: As práticas discursivas geram também outros âmbitos
de análise do discurso, como o Universo de Concorrên-
Portal Globo. Disponível em: <http://educacao.glo- cias, que consiste na competição entre vários emissores
bo.com/portugues/assunto/texto-argumentativo/argu- para atingir um mesmo público-alvo. A partir disto, os
mentacao.html>. emissores precisam inteirar-se do contexto da vida do
Blog do ENEM. Disponível em: <https://blogdoe- seu receptor, para que deste modo possam interpelá-lo
nem.com.br/redacao-tema-titulo/>. segundo sua própria ideologia, fazendo com que sua
Portal Escrevendo o Futuro. Disponível em: <ht- mensagem seja recebida e assimilada pelo receptor sem
tps://www.escrevendoofuturo.org.br/caderno_virtual/ que o mesmo perceba que está sendo alvo de uma ten-
etapa/tipos-de-argumento/> tativa de convencimento, por assim dizer.
Portal Descomplica. Disponível em: <https://des- Dentro da análise do Discurso há também o discurso
complica.com.br/artigo/como-produzir-a-conclusao-de- estético, feito por meio de imagens, e que interpelam o
-uma-dissertacao-argumentativa/45c/> indivíduo através de sua sensibilidade, que está ligada ao
seu contexto também. A sensibilidade de um indivíduo
se define a partir do que, ao longo de sua vida, torna-se
importante e desperta-lhe sentimentos. Com isto, pode-
mos analisar as artes produzidas em diferentes épocas
da história em todo o mundo e perceber as diferentes
formas de interpelação e contextualidade presentes nas
mesmas. O discurso estético tem a mesma capacidade
LÍNGUA PORTUGUESA

ideológica que o discurso verbal, com a vantagem de


atingir o indivíduo esteticamente, o que pode render
muito mais rapidamente o sucesso do discurso aplicado.
A partir na análise de todos os aspectos do discurso
chega-se ao mais importante: o sentido. O sentido do
discurso não é fixo, por vários motivos: pelo contexto,
pela estética, pela ordem do discurso, pela sua forma de
construção. O sentido do discurso encontra-se sempre

66
em aberto para a possibilidade de interpretação do seu influente de uma sociedade. Constitui, em suma,
receptor. O efeito do discurso é, claramente, transmitir a língua utilizada pelos veículos de comunicação
uma mensagem e alcançar um objetivo premeditado de massa (emissoras de rádio e televisão, jornais,
através da interpretação e interpelação do indivíduo alvo. revistas, painéis, anúncios, etc.), cuja função é a de
serem aliados da escola, prestando serviço à socie-
1. Tipos de Discurso: direto, indireto e indireto livre dade, colaborando na educação;

1.1. Vozes do Discurso B) a língua funcional de modalidade popular; lín-


gua popular ou língua cotidiana, que apresenta
Ao lermos um texto, observamos que há um narrador gradações as mais diversas, tem o seu limite na gí-
- que é quem conta o fato. Esse locutor ou narrador pode ria e no calão.
introduzir outras vozes no texto para auxiliar a narrativa.
Para fazer a introdução dessas outras vozes no texto, a
1.3. Norma culta
voz principal ou privilegiada - o narrador - usa o que cha-
mamos de discurso. O que vem a ser discurso dentro do
A norma culta, forma linguística que todo povo civili-
texto? É a forma como as falas são inseridas na narrativa.
Ele pode ser classificado em: direto, indireto e indireto zado possui, é a que assegura a unidade da língua nacio-
livre. nal. E justamente em nome dessa unidade, tão importan-
te do ponto de vista político--cultural, que é ensinada nas
A) Discurso direto: reproduz fiel e literalmente algo escolas e difundida nas gramáticas. Sendo mais espontâ-
dito por alguém. Um bom exemplo de discurso direto nea e criativa, a língua popular afigura-se mais expressiva
são as citações ou transcrições exatas da declaração de e dinâmica. Temos, assim, à guisa de exemplificação:
alguém. Estou preocupado. (norma culta)
 Primeira pessoa (eu, nós) – é o narrador quem fala, Tô preocupado. (língua popular)
usando aspas ou travessões para demarcar que Tô grilado. (gíria, limite da língua popular)
está reproduzindo a fala de outra pessoa: “Não
gosto disso” – disse a menina em tom zangado. Não basta conhecer apenas uma modalidade de
língua; urge conhecer a língua popular, captando-lhe a
B) Discurso indireto: o narrador, usando suas pró- espontaneidade, expressividade e enorme criatividade,
prias palavras, conta o que foi dito por outra pessoa. Te- para viver; urge conhecer a língua culta para conviver.
mos então uma mistura de vozes, pois as falas dos per- Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das
sonagens passam pela elaboração da fala do narrador. normas da língua culta.
 Terceira pessoa - ele(s), ela(s) – O narrador só usa
sua própria voz, o que foi dito pela personagem 1.4. O conceito de erro em língua
passa pela elaboração do narrador. Não há uma
pontuação específica que marque o discurso in- Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos
direto: A menina disse em tom zangado, que não
casos de ortografia. O que normalmente se comete são
gostava daquilo.
transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num
momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou ele
C) Discurso indireto livre: É um discurso no qual há
falar”, não comete propriamente erro; na verdade, trans-
uma maior liberdade, o narrador insere a fala do
personagem de forma sutil, sem fazer uso das mar- gride a norma culta.
cas do discurso direto. É necessário que se tenha Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua
atenção para não confundir a fala do narrador com fala, transgride tanto quanto um indivíduo que compare-
a fala do personagem, pois esta surge de repente ce a um banquete trajando xortes ou quanto um banhis-
em meio à fala do narrador: A menina perambulava ta, numa praia, vestido de fraque e cartola.
pela sala irritada e zangada. Eu não gosto disso! E Releva considerar, assim, o momento do discurso, que
parecia que ninguém a ouvia. pode ser íntimo, neutro ou solene. O momento íntimo é
o das liberdades da fala. No recesso do lar, na fala entre
1.2. Níveis de Linguagem amigos, parentes, namorados, etc., portanto, são consi-
deradas perfeitamente normais construções do tipo:
A língua é um código de que se serve o homem para Eu não vi ela hoje.
elaborar mensagens, para se comunicar. Existem basica- Ninguém deixou ele falar.
LÍNGUA PORTUGUESA

mente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas Deixe eu ver isso!
funcionais: Eu te amo, sim, mas não abuse!
Não assisti o filme nem vou assisti-lo.
A) a língua funcional de modalidade culta, língua Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo.
culta ou língua-padrão, que compreende a lín-
gua literária, tem por base a norma culta, forma Nesse momento, a informalidade prevalece sobre a
linguística utilizada pelo segmento mais culto e norma culta, deixando mais livres os interlocutores.

67
O momento neutro é o do uso da língua-padrão, que 1.5. Língua escrita e língua falada - Nível de lin-
é a língua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se guagem
por base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou
A língua escrita, estática, mais elaborada e menos
seja, a norma culta. Assim, aquelas mesmas construções
econômica, não dispõe dos recursos próprios da língua
se alteram: falada.
Eu não a vi hoje. A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a entoação
Ninguém o deixou falar. (melodia da frase), as pausas (intervalos significativos no
Deixe-me ver isso! decorrer do discurso), além da possibilidade de gestos,
Eu te amo, sim, mas não abuses! olhares, piscadas, etc., fazem da língua falada a moda-
lidade mais expressiva, mais criativa, mais espontânea e
Não assisti ao filme nem vou assistir a ele.
natural, estando, por isso mesmo, mais sujeita a transfor-
Sou seu pai, por isso vou perdoar-lhe. mações e a evoluções.
Nenhuma, porém, sobrepõe-se a outra em impor-
Considera-se momento neutro o utilizado nos veí- tância. Nas escolas, principalmente, costuma se ensinar
culos de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal, a língua falada com base na língua escrita, considerada
revista, etc.). Daí o fato de não se admitirem deslizes ou superior. Decorrem daí as correções, as retificações, as
transgressões da norma culta na pena ou na boca de emendas, a que os professores sempre estão atentos.
Ao professor cabe ensinar as duas modalidades, mos-
jornalistas, quando no exercício do trabalho, que deve
trando as características e as vantagens de uma e outra,
refletir serviço à causa do ensino. sem deixar transparecer nenhum caráter de superiorida-
O momento solene, acessível a poucos, é o da arte de ou inferioridade, que em verdade inexiste.
poética, caracterizado por construções de rara beleza. Isso não implica dizer que se deve admitir tudo na
Vale lembrar, finalmente, que a língua é um costume. língua falada. A nenhum povo interessa a multiplicação
Como tal, qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa de línguas. A nenhuma nação convém o surgimento de
dialetos, consequência natural do enorme distanciamen-
de sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta
to entre uma modalidade e outra.
o comete, passando, assim, a constituir fato linguístico A língua escrita é, foi e sempre será mais bem-ela-
registro de linguagem definitivamente consagrado pelo borada que a língua falada, porque é a modalidade que
uso, ainda que não tenha amparo gramatical. Exemplos: mantém a unidade linguística de um povo, além de ser
Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!) a que faz o pensamento atravessar o espaço e o tem-
Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo-nos reunir) po. Nenhuma reflexão, nenhuma análise mais detida será
Não vamos nos dispersar. (Substituiu: Não nos vamos possível sem a língua escrita, cujas transformações, por
isso mesmo, processam-se lentamente e em número
dispersar e Não vamos dispersar-nos)
consideravelmente menor, quando cotejada com a mo-
Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Tenho dalidade falada.
de sair daqui bem depressa) Importante é fazer o educando perceber que o nível
O soldado está a postos. (Substituiu: O soldado está no da linguagem, a norma linguística, deve variar de acordo
seu posto) com a situação em que se desenvolve o discurso.
As formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos O ambiente sociocultural determina o nível da lingua-
gem a ser empregado. O vocabulário, a sintaxe, a pro-
impedir, despedir e desimpedir, respectivamente, são
núncia e até a entoação variam segundo esse nível. Um
exemplos também de transgressões ou “erros” que se padre não fala com uma criança como se estivesse em
tornaram fatos linguísticos, já que só correm hoje por- uma missa, assim como uma criança não fala como um
que a maioria viu tais verbos como derivados de pedir, adulto. Um engenheiro não usará um mesmo discurso,
que tem início, na sua conjugação, com peço. Tanto bas- ou um mesmo nível de fala, para colegas e para pedrei-
tou para se arcaizarem as formas então legítimas impido, ros, assim como nenhum professor utiliza o mesmo nível
de fala no recesso do lar e na sala de aula.
despido e desimpido, que hoje nenhuma pessoa bem-es-
Existem, portanto, vários níveis de linguagem e, entre
colarizada tem coragem de usar. esses níveis, destacam-se em importância o culto e o co-
Em vista do exposto, será útil eliminar do vocabulário tidiano, a que já fizemos referência.
escolar palavras como corrigir e correto, quando nos refe-
LÍNGUA PORTUGUESA

rimos a frases. “Corrija estas frases” é uma expressão que PRESSUPOSTOS E SUBENTENDIDOS.
deve dar lugar a esta, por exemplo: “Converta estas frases
da língua popular para a língua culta”. Texto:
“Neto ainda está longe de se igualar a qualquer um
Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a
desses craques (Rivelino, Ademir da Guia, Pedro Rocha e
uma frase “errada”; é, na verdade, uma frase elaborada Pelé), mas ainda tem um longo caminho a trilhar (...).”
conforme as normas gramaticais; em suma, conforme a Veja São Paulo, 26/12/1990, p. 15.
norma culta.

68
Esse texto diz explicitamente que: não falta nunca a aula nenhuma, não tem o menor sen-
I – Rivelino, Ademir da Guia, Pedro Rocha e Pelé são tido dizer “Até Maria compareceu à aula de hoje”. Até
craques; estabelece o pressuposto da inclusão de um elemento
II – Neto não tem o mesmo nível desses craques; inesperado.
III – Neto tem muito tempo de carreira pela frente. Na leitura, é muito importante detectar os pressupos-
tos, pois eles são um recurso argumentativo que visa a
O texto deixa implícito que: levar o receptor a aceitar a orientação argumentativa do
I – Existe a possibilidade de Neto um dia aproximar-se emissor. Ao introduzir uma ideia sob a forma de pressu-
dos craques citados; posto, o enunciador pretende transformar seu interlocu-
II – Esses craques são referência de alto nível em sua tor em cúmplice, pois a ideia implícita não é posta em dis-
especialidade esportiva; cussão, e todos os argumentos explícitos só contribuem
III – Há uma oposição entre Neto e esses craques no para confirmá-la. O pressuposto aprisiona o receptor no
que diz respeito ao tempo disponível para evoluir. sistema de pensamento montado pelo enunciador.
A demonstração disso pode ser feita com as “verda-
Todos os textos transmitem explicitamente certas des incontestáveis” que estão na base de muitos discur-
informações, enquanto deixam outras implícitas. Por sos políticos, como o que segue:
exemplo, o texto acima não explicita que existe a pos-
sibilidade de Neto se equiparar aos quatro futebolistas, “Quando o curso do rio São Francisco for mudado, será
mas a inclusão do advérbio ainda estabelece esse implí- resolvido o problema da seca no Nordeste.”
cito. Não diz também com explicitude que há oposição O enunciador estabelece o pressuposto de que é cer-
entre Neto e os outros jogadores, sob o ponto de vista ta a mudança do curso do São Francisco e, por conse-
de contar com tempo para evoluir. A escolha do conector quência, a solução do problema da seca no Nordeste. O
“mas” entre a segunda e a primeira oração só é possível diálogo não teria continuidade se um interlocutor não
levando em conta esse dado implícito. Como se vê, há admitisse ou colocasse sob suspeita essa certeza. Em ou-
mais significados num texto do que aqueles que apa- tros termos, haveria quebra da continuidade do diálogo
recem explícitos na sua superfície. Leitura proficiente é se alguém interviesse com uma pergunta deste tipo:
aquela capaz de depreender tanto um tipo de significado “Mas quem disse que é certa a mudança do curso do
quanto o outro, o que, em outras palavras, significa ler rio?”
nas entrelinhas. Sem essa habilidade, o leitor passará por A aceitação do pressuposto estabelecido pelo emis-
cima de significados importantes ou, o que é bem pior, sor permite levar adiante o debate; sua negação compro-
concordará com ideias e pontos de vista que rejeitaria se mete o diálogo, uma vez que destrói a base sobre a qual
os percebesse. se constrói a argumentação, e daí nenhum argumento
Os significados implícitos costumam ser classificados tem mais importância ou razão de ser. Com pressupostos
em duas categorias: os pressupostos e os subentendidos. distintos, o diálogo não é possível ou não tem sentido.
Pressupostos: são ideias implícitas que estão implica- A mesma pergunta, feita para pessoas diferentes,
das logicamente no sentido de certas palavras ou expres- pode ser embaraçosa ou não, dependendo do que está
sões explicitadas na superfície da frase. Exemplo: pressuposto em cada situação. Para alguém que não faz
segredo sobre a mudança de emprego, não causa o me-
“André tornou-se um antitabagista convicto.” nor embaraço uma pergunta como esta:
A informação explícita é que hoje André é um anti-
tabagista convicto. Do sentido do verbo tornar-se, que “Como vai você no seu novo emprego?”
significa “vir a ser”, decorre logicamente que antes An- O efeito da mesma pergunta seria catastrófico se ela
dré não era antitabagista convicto. Essa informação está se dirigisse a uma pessoa que conseguiu um segundo
pressuposta. Ninguém se torna algo que já era antes. Se- emprego e quer manter sigilo até decidir se abandona
ria muito estranho dizer que a palmeira tornou-se um o anterior. O adjetivo novo estabelece o pressuposto
vegetal. de que o interrogado tem um emprego diferente do
anterior.
“Eu ainda não conheço a Europa.”
A informação explícita é que o enunciador não tem MARCADORES DE PRESSUPOSTOS
conhecimento do continente europeu. O advérbio ain-
da deixa pressuposta a possibilidade de ele um dia 1. Adjetivos ou palavras similares modificadoras
conhecê-la. do substantivo
As informações explícitas podem ser questionadas
LÍNGUA PORTUGUESA

pelo receptor, que pode ou não concordar com elas. Os Exemplo:


pressupostos, porém, devem ser verdadeiros ou, pelo I – Julinha foi minha primeira filha;
menos, admitidos como tais, porque esta é uma condi- “Primeira” pressupõe que tenho outras filhas e que as
ção para garantir a continuidade do diálogo e também outras nasceram depois de Julinha.
para fornecer fundamento às afirmações explícitas. Isso II – Destruíram a outra igreja do povoado.
significa que, se o pressuposto é falso, a informação ex- “Outra” pressupõe a existência de pelo menos uma
plícita não tem cabimento. Assim, por exemplo, se Maria igreja além da usada como referência.

69
2. Certos verbos
I – Renato continua doente;
O verbo “continua” indica que Renato já estava doente no momento anterior ao presente.
II – Nossos dicionários já aportuguesaram a palavra copydesk;
O verbo “aportuguesar” estabelece o pressuposto de que copidesque não existia em português.

3. Certos advérbios
I – A produção automobilística brasileira está totalmente nas mãos das multinacionais;
O advérbio totalmente pressupõe que não há no Brasil indústria automobilística nacional.
II – Você conferiu o resultado da loteria?
Hoje não.
A negação precedida de um advérbio de tempo de âmbito limitado estabelece o pressuposto de que apenas nesse
intervalo (hoje) é que o interrogado não praticou o ato de conferir o resultado da loteria.

4. Orações adjetivas
I – Os brasileiros, que não se importam com a coletividade, só se preocupam com seu bem-estar e, por isso, jogam lixo
na rua, fecham os cruzamentos, etc.
O pressuposto é que “todos” os brasileiros não se importam com a coletividade.
II – Os brasileiros que não se importam com a coletividade só se preocupam com seu bem-estar e, por isso, jogam lixo
na rua, fecham os cruzamentos, etc.
Nesse caso, o pressuposto é outro: “alguns” brasileiros não se importam com a coletividade.
No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, é restritiva. As explicativas pressupõem que o que elas ex-
pressam se refere à totalidade dos elementos de um conjunto; as restritivas, que o que elas dizem concerne apenas
a parte dos elementos de um conjunto. O produtor do texto escreverá uma restritiva ou uma explicativa segundo o
pressuposto que quiser comunicar.
Subentendidos: são insinuações contidas em uma frase ou um grupo de frases. Suponhamos que uma pessoa esti-
vesse em visita à casa de outra num dia de frio glacial e que uma janela, por onde entravam rajadas de vento, estivesse
aberta. Se o visitante dissesse “Que frio terrível”, poderia estar insinuando que a janela deveria ser fechada.
Há uma diferença capital entre o pressuposto e o subentendido. O primeiro é uma informação estabelecida como
indiscutível tanto para o emissor quanto para o receptor, uma vez que decorre necessariamente do sentido de algum
elemento linguístico colocado na frase. Ele pode ser negado, mas o emissor coloca o implicitamente para que não o
seja. Já o subentendido é de responsabilidade do receptor. O emissor pode esconder-se atrás do sentido literal das
palavras e negar que tenha dito o que o receptor depreendeu de suas palavras. Assim, no exemplo dado acima, se o
dono da casa disser que é muito pouco higiênico fechar todas as janelas, o visitante pode dizer que também acha e
que apenas constatou a intensidade do frio.
O subentendido serve, muitas vezes, para o emissor se proteger, para transmitir a informação que deseja dar a co-
nhecer sem se comprometer. Imaginemos, por exemplo, que um funcionário recém promovido numa empresa ouvisse
de um colega o seguinte:
“Competência e mérito continuam não valendo nada como critério de promoção nesta empresa...”
Esse comentário talvez suscitasse esta suspeita:
“Você está querendo dizer que eu não merecia a promoção?”

Ora, o funcionário preterido, tendo recorrido a um subentendido, poderia responder:


“Absolutamente! Estou falando em termos gerais.

AO RECONHECIMENTO DA POSIÇÃO DO AUTOR FRENTE ÀS INFORMAÇÕES APRESENTADAS


NO TEXTO (FATO OU OPINIÃO; SÉRIO OU RIDÍCULO; CONCORDÂNCIA OU DISCORDÂNCIA
ETC.), BEM COMO DOS RECURSOS LINGUÍSTICOS INDICADORES DESSAS AVALIAÇÕES; À
IDENTIFICAÇÃO DO SIGNIFICADO DE PALAVRAS, EXPRESSÕES OU ESTRUTURAS FRASAIS
EM DETERMINADOS CONTEXTOS
LÍNGUA PORTUGUESA

SIGNIFICADO DAS PALAVRAS

Semântica é o estudo da significação das palavras e das suas mudanças de significação através do tempo ou em
determinada época. A maior importância está em distinguir sinônimos e antônimos (sinonímia / antonímia) e homôni-
mos e parônimos (homonímia / paronímia).

Sinônimos
São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto - abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar - abolir.

70
Duas palavras são totalmente sinônimas quando são infringir (violar), deferir (atender a) e diferir (diver-
substituíveis, uma pela outra, em qualquer contexto (cara gir), suar (transpirar) e soar (emitir som), aprender
e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas quan- (conhecer) e apreender (assimilar; apropriar-se de),
do, ocasionalmente, podem ser substituídas, uma pela tráfico (comércio ilegal) e tráfego (relativo a movi-
outra, em deteminado enunciado (aguadar e esperar). mento, trânsito), mandato (procuração) e mandado
(ordem), emergir (subir à superfície) e imergir (mer-
Observação: gulhar, afundar).
A contribuição greco-latina é responsável pela exis-
tência de numerosos pares de sinônimos: adversário e Hiperonímia e Hiponímia
antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemici- Hipônimos e hiperônimos são palavras que perten-
clo; contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e diá- cem a um mesmo campo semântico (de sentido), sendo
logo; transformação e metamorfose; oposição e antítese. o hipônimo uma palavra de sentido mais específico; o
hiperônimo, mais abrangente.
Antônimos O hiperônimo impõe as suas propriedades ao hipô-
São palavras que se opõem através de seu significa- nimo, criando, assim, uma relação de dependência se-
do: ordem - anarquia; soberba - humildade; louvar - cen- mântica. Por exemplo: Veículos está numa relação de hi-
surar; mal - bem. peronímia com carros, já que veículos é uma palavra de
significado genérico, incluindo motos, ônibus, caminhões.
Observação: Veículos é um hiperônimo de carros.
A antonímia pode se originar de um prefixo de sen- Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em
tido oposto ou negativo: bendizer e maldizer; simpático quaisquer contextos, mas o oposto não é possível. A utili-
e antipático; progredir e regredir; concórdia e discórdia; zação correta dos hiperônimos, ao redigir um texto, evita
ativo e inativo; esperar e desesperar; comunista e antico- a repetição desnecessária de termos.
munista; simétrico e assimétrico.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Homônimos e Parônimos SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
• Homônimos = palavras que possuem a mesma CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
grafia ou a mesma pronúncia, mas significados di- char - Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
ferentes. Podem ser – São Paulo: Saraiva, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
A) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e dife- literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
rentes na pronúncia: XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro da Lìngua
rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher Portuguesa – 2.ª ed. reform. – São Paulo: Ediouro, 2000.
(subst.); jogo (subst.) e jogo (verbo); denúncia (subst.) e de-
nuncia (verbo); providência (subst.) e providencia (verbo). SITE
Disponível em: <http://www.coladaweb.com/portu-
B) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e gues/sinonimos,-antonimos,-homonimos-e-paronimos>
diferentes na escrita:
acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmoni- Polissemia
zar) e consertar (reparar); cela (compartimento) e sela (ar- Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir
reio); censo (recenseamento) e senso ( juízo); paço (palácio) multiplicidade de sentidos, que só se explicam dentro de
e passo (andar). um contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra,
mas que abarca um grande número de significados den-
C) Homógrafas e homófonas simultaneamente tro de seu próprio campo semântico.
(ou perfeitas): São palavras iguais na escrita e na Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo per-
pronúncia: cebemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de
caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e algo. Possibilidades de várias interpretações levando-
cedo (adv.); livre (adj.) e livre (verbo). -se em consideração as situações de aplicabilidade. Há
uma infinidade de exemplos em que podemos verificar a
• Parônimos = palavras com sentidos diferentes, ocorrência da polissemia:
porém de formas relativamente próximas. São pa- O rapaz é um tremendo gato.
lavras parecidas na escrita e na pronúncia: cesta O gato do vizinho é peralta.
LÍNGUA PORTUGUESA

(receptáculo de vime; cesta de basquete/esporte) Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
e sesta (descanso após o almoço), eminente (ilus- Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua
tre) e iminente (que está para ocorrer), osso (subs- sobrevivência
tantivo) e ouço (verbo), sede (substantivo e/ou O passarinho foi atingido no bico.
verbo “ser” no imperativo) e cede (verbo), compri-
mento (medida) e cumprimento (saudação), autuar
(processar) e atuar (agir), infligir (aplicar pena) e

71
Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de (http://www.humorbabaca.com/fotos/diversas/corto-
computadores e rede elétrica, por exemplo, temos em co- -cabelo-e-pinto. Acesso em 15/9/2014).
mum a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido de
“entrelaçamento”. Outro exemplo é a palavra “xadrez”, Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras,
que pode ser utilizada representando “tecido”, “prisão” mas duas seriam:
ou “jogo” – o sentido comum entre todas as expressões
é o formato quadriculado que têm. Corte e coloração capilar
ou
Polissemia e homonímia Faço corte e pintura capilar
A confusão entre polissemia e homonímia é bastante
comum. Quando a mesma palavra apresenta vários sig- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
nificados, estamos na presença da polissemia. Por outro CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
lado, quando duas ou mais palavras com origens e sig- char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
nificados distintos têm a mesma grafia e fonologia, temos – São Paulo: Saraiva, 2010.
uma homonímia. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não
é polissemia porque os diferentes significados para a SITE
palavra “manga” têm origens diferentes. “Letra” é uma Disponível em: <http://www.brasilescola.com/grama-
palavra polissêmica: pode significar o elemento básico tica/polissemia.htm>
do alfabeto, o texto de uma canção ou a caligrafia de um
determinado indivíduo. Neste caso, os diferentes signifi- Denotação e Conotação
cados estão interligados porque remetem para o mesmo
conceito, o da escrita. Exemplos de variação no significado das palavras:
Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido
Polissemia e ambiguidade literal)
Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido
na interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado figurado)
pode ser ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma in- Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado)
terpretação. Esta ambiguidade pode ocorrer devido à As variações nos significados das palavras ocasionam
colocação específica de uma palavra (por exemplo, um o sentido denotativo (denotação) e o sentido conotativo
advérbio) em uma frase. Vejamos a seguinte frase: (conotação) das palavras.
Pessoas que têm uma alimentação equilibrada fre-
quentemente são felizes. A) Denotação
Neste caso podem existir duas interpretações Uma palavra é usada no sentido denotativo quando
diferentes: apresenta seu significado original, independentemente
As pessoas têm alimentação equilibrada porque do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significa-
são felizes ou são felizes porque têm uma alimentação do mais objetivo e comum, aquele imediatamente reco-
equilibrada. nhecido e muitas vezes associado ao primeiro significado
que aparece nos dicionários, sendo o significado mais li-
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, teral da palavra.
ela pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma A denotação tem como finalidade informar o recep-
interpretação. Para fazer a interpretação correta é mui- tor da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo
to importante saber qual o contexto em que a frase é um caráter prático. É utilizada em textos informativos,
proferida. como jornais, regulamentos, manuais de instrução, bu-
Muitas vezes, a disposição das palavras na construção las de medicamentos, textos científicos, entre outros. A
do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até mesmo, palavra “pau”, por exemplo, em seu sentido denotativo é
comicidade. Repare na figura abaixo: apenas um pedaço de madeira. Outros exemplos:
O elefante é um mamífero.
As estrelas deixam o céu mais bonito!

B) Conotação
Uma palavra é usada no sentido conotativo quando
LÍNGUA PORTUGUESA

apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes


interpretações, dependendo do contexto em que esteja
inserida, referindo-se a sentidos, associações e ideias que
vão além do sentido original da palavra, ampliando sua
significação mediante a circunstância em que a mesma
é utilizada, assumindo um sentido figurado e simbólico.

72
Como no exemplo da palavra “pau”: em seu sentido co- Em “c”: Meteorologia: Estudo dos fenômenos atmosfé-
notativo ela pode significar castigo (dar-lhe um pau), re- ricos e das suas leis, principalmente com a intenção de
provação (tomei pau no concurso). prever as variações do tempo.
A conotação tem como finalidade provocar sentimen- Em “d”: Ginecologia: estudo das doenças privativas das
tos no receptor da mensagem, através da expressividade mulheres = correta
e afetividade que transmite. É utilizada principalmente Em “e”: Fisiologia: Ciência que trata das funções orgâ-
numa linguagem poética e na literatura, mas também nicas pelas quais a vida se manifesta
ocorre em conversas cotidianas, em letras de música, em
anúncios publicitários, entre outros. Exemplos: 2. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE LEGIS-
Você é o meu sol! LATIVO MUNICIPAL – FGV-2018) “Na verdade, todos os
Minha vida é um mar de tristezas. anos a imprensa nacional destaca os inaceitáveis números
Você tem um coração de pedra! da violência no país”. O vocábulo “inaceitáveis” equivale
ao “que não se aceita”. A equivalência correta abaixo in-
#FicaDica dicada é:
a) tinta indelével / que não se apaga;
Procure associar Denotação com Dicionário: b) ação impossível / que não se possui;
trata-se de definição literal, quando o termo c) trabalho inexequível / que não se exemplifica;
é utilizado com o sentido que consta no
d) carro invisível / que não tem vistoria;
dicionário.
e) voz inaudível / que não possui audiência.

Resposta: Letra A
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Em “a”: tinta indelével / que não se apaga = correta
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Em “b”: ação impossível = que não é possível
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- Em “c”: trabalho inexequível = que não se executa
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Em “d”: carro invisível = que não se vê
Paulo: Saraiva, 2010. Em “e”: voz inaudível = que não se ouve

SITE 3. (MPU – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE-2010)


http://www.normaculta.com.br/conotacao-e-denotacao/ A pobreza é um dos fatores mais comumente respon-
sáveis pelo baixo nível de desenvolvimento humano
e pela origem de uma série de mazelas, algumas das
EXERCÍCIOS COMENTADOS quais proibidas por lei ou consideradas crimes. É o caso
do trabalho infantil. A chaga encontra terreno fértil nas
sociedades subdesenvolvidas, mas também viceja onde
1. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) Um
o capitalismo, em seu ambiente mais selvagem, obriga
ex-governador do estado do Amazonas disse o seguinte:
crianças e adolescentes a participarem do processo de
“Defenda a ecologia, mas não encha o saco”. (Gilberto
produção. Foi assim na Revolução Industrial de ontem
Mestrinho) O vocábulo sublinhado, composto do radi-
e nas economias ditas avançadas. E ainda é, nos dias de
cal-logia (“estudo”), se refere aos estudos de defesa do
hoje, nas manufaturas da Ásia ou em diversas regiões do
meio ambiente; o vocábulo abaixo, com esse mesmo ra-
dical, que tem seu significado corretamente indicado é: Brasil. Enquanto, entre as nações ricas, o trabalho infan-
til foi minimizado, já que nunca se pode dizer erradica-
a) Antropologia: estudo do homem como representante do, ele continua sendo grave problema nos países mais
do sexo masculino; pobres.
b) Etimologia: estudo das raças humanas; Jornal do Brasil, Editorial, 1.º/7/2010 (com
c) Meteorologia: estudo dos impactos de meteoros sobre adaptações).
a Terra;
d) Ginecologia: estudo das doenças privativas das A palavra “chaga”, empregada com o sentido de ferida
mulheres; social, refere-se, na estrutura sintática do parágrafo, a
e) Fisiologia: estudo das forças atuantes na natureza. “pobreza”.
LÍNGUA PORTUGUESA

Resposta: Letra D ( ) CERTO ( ) ERRADO


Em “a”: Antropologia: Ciência que se dedica ao estudo
do homem (espécie humana) em sua totalidade Resposta: Errado
Em “b”: Etimologia: Ciência que investiga a origem das (...) É o caso do trabalho infantil. A chaga encontra
palavras procurando determinar as causas e circuns- terreno = refere-se a “trabalho infantil”.
tâncias de seu processo evolutivo

73
4. (MPU – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA O CAR- A substituição que manteria o sentido do período é
GO 33 – TÉCNICO ADMINISTRATIVO - Nível Médio “ainda há relutância”.
– CESPE-2013)
Há um dispositivo no Código Civil que condiciona a edi-
ção de biografias à autorização do biografado ou des- À IDENTIFICAÇÃO DOS RECURSOS COESIVOS DO
cendentes. As consequências da norma são negativas. TEXTO (EXPRESSÕES, FORMAS PRONOMINAIS,
Uma delas é a impossibilidade de se registrar e deixar RELATORES) E DAS RELAÇÕES DE SENTIDO QUE
ESTABELECEM
para a posteridade a vida de personagens importantes
na formação do país, em qualquer ramo de atividade.
Permite-se a interdição de registros de época, em prejuí-
zo dos historiadores e pesquisadores do futuro. COESÃO E COERÊNCIA
Dessa forma, tem sido sonegado, por exemplo, o relato
da vida do poeta Manoel Bandeira e dos escritores Má- Na construção de um texto, assim como na fala, usa-
rio de Andrade e Guimarães Rosa. Tanto no jornalismo mos mecanismos para garantir ao interlocutor a com-
quanto na literatura não pode haver censura prévia. Pu- preensão do que é dito, ou lido. Estes mecanismos lin-
blicada a reportagem (ou biografia), os que se sentirem guísticos que estabelecem a coesão e retomada do que
atingidos que recorram à justiça. É preciso seguir o pa- foi escrito - ou falado - são os referentes textuais, que
drão existente em muitos países, em que há biografias buscam garantir a coesão textual para que haja coerên-
“autorizadas” e “não autorizadas”. cia, não só entre os elementos que compõem a oração,
Reclamações posteriores, quando existem, são encami- como também entre a sequência de orações dentro do
nhadas ao foro devido, os tribunais. texto. Essa coesão também pode muitas vezes se dar de
O alegado “direito à privacidade” é argumento frágil para modo implícito, baseado em conhecimentos anteriores
justificar o veto a que a historiografia do país seja enri- que os participantes do processo têm com o tema.
quecida, como se não bastasse o fato de o poder de cen- Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha ima-
sura concedido a biografados e herdeiros ser um atenta- ginária - composta de termos e expressões - que une
do à Constituição. os diversos elementos do texto e busca estabelecer rela-
O Globo, 23/9/2013 (com adaptações). ções de sentido entre eles. Dessa forma, com o emprego
de diferentes procedimentos, sejam lexicais (repetição,
A palavra “sonegado” está sendo empregada com o sen- substituição, associação), sejam gramaticais (emprego de
tido de reduzido, diminuído. pronomes, conjunções, numerais, elipses), constroem-se
frases, orações, períodos, que irão apresentar o contexto
( ) CERTO ( ) ERRADO – decorre daí a coerência textual.
Um texto incoerente é o que carece de sentido ou
Resposta: Errado o apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa
(...) Permite-se a interdição de registros de época, em incoerência é resultado do mau uso dos elementos de
prejuízo dos historiadores e pesquisadores do futuro. coesão textual. Na organização de períodos e de pará-
Dessa forma, tem sido sonegado, por exemplo, o rela- grafos, um erro no emprego dos mecanismos gramati-
to da vida do poeta Manoel Bandeira e dos escritores cais e lexicais prejudica o entendimento do texto. Cons-
Mário de Andrade e Guimarães Rosa = o sentido é o truído com os elementos corretos, confere-se a ele uma
de “impedido”. unidade formal.
Nas palavras do mestre Evanildo Bechara, “o enun-
5. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2014) O ciado não se constrói com um amontoado de palavras e
termo destacado na passagem do primeiro parágrafo – orações. Elas se organizam segundo princípios gerais de
Mesmo com tantas opções, ainda há resistência na hora dependência e independência sintática e semântica, reco-
da compra. – tem sentido equivalente a bertos por unidades melódicas e rítmicas que sedimentam
estes princípios”.
a) impetuosidade. Não se deve escrever frases ou textos desconexos –
b) empatia. é imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que as
c) relutância. frases estejam coesas e coerentes formando o texto. Re-
d) consentimento. lembre-se de que, por coesão, entende-se ligação, rela-
e) segurança. ção, nexo entre os elementos que compõem a estrutura
textual.
Resposta: Letra C
LÍNGUA PORTUGUESA

Mesmo com tantas opções, ainda há resistência na Formas de se garantir a coesão entre os elementos
hora da compra. de uma frase ou de um texto:
Em “a”: impetuosidade (força) = incorreto
Em “b”: empatia = incorreto • Substituição de palavras com o emprego de sinô-
Em “c”: relutância (resistência). nimos - palavras ou expressões do mesmo campo
Em “d”: consentimento (aceitação) = incorreto associativo.
Em “e”: segurança = incorreto

74
• Nominalização – emprego alternativo entre um ver- A coerência de um texto está ligada:
bo, o substantivo ou o adjetivo correspondente 1. à sua organização como um todo, em que devem
(desgastar / desgaste / desgastante). estar assegurados o início, o meio e o fim;
• Emprego adequado de tempos e modos verbais: 2. à adequação da linguagem ao tipo de texto. Um
Embora não gostassem de estudar, participaram da texto técnico, por exemplo, tem a sua coerência
aula. fundamentada em comprovações, apresentação
• Emprego adequado de pronomes, conjunções, pre- de estatísticas, relato de experiências; um texto
posições, artigos: informativo apresenta coerência se trabalhar com
linguagem objetiva, denotativa; textos poéticos,
O papa Francisco visitou o Brasil. Na capital brasileira, por outro lado, trabalham com a linguagem figura-
da, livre associação de ideias, palavras conotativas.
Sua Santidade participou de uma reunião com a Presiden-
te Dilma. Ao passar pelas ruas, o papa cumprimentava as
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
pessoas. Estas tiveram a certeza de que ele guarda respeito
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa.
por elas.
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática –
• Uso de hipônimos – relação que se estabelece com volume único – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
base na maior especificidade do significado de um
deles. Por exemplo, mesa (mais específico) e móvel SITE
(mais genérico). Disponível em: http://www.mundovestibular.com.br/
• Emprego de hiperônimos - relações de um termo articles/2586/1/COESAO-E-COERENCIA-TEXTUAL/Paa-
de sentido mais amplo com outros de sentido mais cutegina1.html
específico. Por exemplo, felino está numa relação
de hiperonímia com gato.
• Substitutos universais, como os verbos vicários. EXERCÍCIOS COMENTADOS
Verbo vicário é aquele que substitui outro já utilizado 1. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO
no período, evitando repetições. Geralmente é o verbo GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018)
fazer e ser. Exemplo: Não gosto de estudar. Faço porque
preciso. O “faço” foi empregado no lugar de “estudo”, Texto 2
evitando repetição desnecessária.
A coesão apoiada na gramática se dá no uso de co- “A prefeitura da capital italiana anunciou que vai banir a
nectivos, como pronomes, advérbios e expressões ad- circulação de carros a diesel no centro a partir de 2024. O
verbiais, conjunções, elipses, entre outros. A elipse jus- objetivo é reduzir a poluição, que contribui para a erosão
tifica-se quando, ao remeter a um enunciado anterior, dos monumentos”. (Veja, 7/3/2018)
a palavra elidida é facilmente identificável (Exemplo.: O
jovem recolheu-se cedo. Sabia que ia necessitar de todas A ordem cronológica dos fatos citados no texto 2 é:
as suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido e,
assim, estabelece a relação entre as duas orações). a) redução da poluição / banimento da circulação de car-
ros / erosão dos monumentos;
Dêiticos são elementos linguísticos que têm a pro- b) banimento da circulação de carros / erosão dos monu-
priedade de fazer referência ao contexto situacional ou mentos / redução da poluição;
ao próprio discurso. Exercem, por excelência, essa fun- c) erosão dos monumentos / redução da poluição / bani-
ção de progressão textual, dada sua característica: são mento da circulação de carros;
d) redução da poluição / erosão dos monumentos / ba-
elementos que não significam, apenas indicam, remetem
nimento da circulação de carros;
aos componentes da situação comunicativa.
e) erosão dos monumentos / banimento da circulação de
Já os componentes concentram em si a significação.
carros / redução da poluição.
Elisa Guimarães ensina-nos a esse respeito:
“Os pronomes pessoais e as desinências verbais in- Resposta: Letra E
dicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes “A prefeitura da capital italiana anunciou que vai banir
demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, a circulação de carros a diesel no centro a partir de
LÍNGUA PORTUGUESA

bem como os advérbios de tempo, referenciam o momento 2024. O objetivo é reduzir a poluição, que contribui
da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anterio- para a erosão dos monumentos”.
ridade ou posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste Primeiro ocorreu a erosão dos monumentos (=1) de-
momento (presente); ultimamente, recentemente, ontem, vido à poluição; optou-se pelo banimento da circula-
há alguns dias, antes de (pretérito); de agora em diante, ção dos carros (=2) para que a poluição diminua (=3),
no próximo ano, depois de (futuro).” o que preservará os monumentos.

75
2. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO – Por que nos dispomos a pagar cifras astronômicas para
CESGRANRIO-2018) A ideia a que o pronome destaca- comprar aparelhos que não temos sequer certeza de que
do se refere está adequadamente explicitada entre col- serão realmente úteis em nossas rotinas?
chetes em: A teoria de um neurocientista da Universidade de Oxford
(Inglaterra) ajuda a explicar essa “corrida desenfreada”
a) “Ela é produzida de forma descentralizada por mi- por novos gadgets. De modo geral, em nosso processo
lhares de computadores, mantidos por pessoas que evolutivo como seres humanos, nosso cérebro aprendeu
‘emprestam’ a capacidade de suas máquinas para criar a suprir necessidades básicas para a sobrevivência e a
bitcoins” [computadores] perpetuação da espécie, tais como sexo, segurança e sta-
b) “No processo de nascimento de uma bitcoin, que é tus social.
chamado de ´mineração´, os computadores conecta- Nesse sentido, a compra de uma novidade tecnológica
dos à rede competem entre si” [bitcoin] atende a essa última necessidade citada: nós nos senti-
mos melhores e superiores, ainda que momentaneamen-
c) “O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela
te, quando surgimos em nossos círculos sociais com um
rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa
produto que quase ninguém ainda possui.
limitada, que é de até 21 milhões de unidades” [rede]
Foi realizado um estudo de mapeamento cerebral que
d) “Elas são guardadas em uma espécie de carteira, que
mostrou que imagens de produtos tecnológicos ativa-
é criada quando o usuário se cadastra no software.”
vam partes do nosso cérebro idênticas às que são ativa-
[espécie ] das quando uma pessoa muito religiosa se depara com
e) “Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha que em um objeto sagrado. Ou seja, não seria exagero dizer que
algum momento deve estourar.” [bolha] o vício em novidades tecnológicas é quase uma religião
para os mais entusiastas.
Resposta: Letra E O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o mais
Em “a”: “Ela é produzida de forma descentralizada por novo lançamento tecnológico dispara em nosso cére-
milhares de computadores, mantidos por pessoas que bro a liberação de um hormônio chamado dopamina,
(= as quais – retoma o termo “pessoas”) responsável por nos causar sensações de prazer. Ele é
Em “b”: “No processo de nascimento de uma bitcoin, liberado quando nosso cérebro identifica algo que repre-
que é chamado de ‘mineração’ (= o qual - retoma o sente uma recompensa.
termo “processo de nascimento”) O grande problema é que a busca excessiva por recom-
Em “c”: “O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pensas pode resultar em comportamentos impulsivos,
pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma que incluem vícios em jogos, apego excessivo a redes
faixa limitada, que é de até 21 milhões de unidades” = sociais e até mesmo alcoolismo. No caso do consumo,
retoma o termo “faixa limitada” podemos observar a situação problematizada aqui: gasto
Em “d”: “Elas são guardadas em uma espécie de cartei- excessivo de dinheiro em aparelhos eletrônicos que nem
ra, que é criada (= a qual – retoma “carteira”) sempre trazem novidade –– as atualizações de modelos
Em “e”: “Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha de smartphones, por exemplo, na maior parte das vezes
que (= a qual) em algum momento deve estourar.” apresentam poucas mudanças em relação ao modelo
[bolha] = correta anterior, considerando-se seu preço elevado. Em outros
casos, gasta-se uma quantia absurda em algum aparelho
3. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR novo que não se sabe se terá tanta utilidade prática ou
– CESGRANRIO-2018-ADAPTADA) inovadora no cotidiano.
No fim das contas, vale um lembrete que pode ajudar a
conter os impulsos na hora de comprar um novo smart-
O vício da tecnologia
phone ou alguma novidade de mercado: compare o efei-
to momentâneo da dopamina com o impacto de imagi-
Entusiastas de tecnologia passaram a semana com os
nar como ficarão as faturas do seu cartão de crédito com
olhos voltados para uma exposição de novidades eletrô-
a nova compra.
nicas realizada recentemente nos Estados Unidos. Entre
O choque ao constatar o rombo em seu orçamento pode
as inovações, estavam produtos relacionados a experiên- ser suficiente para que você decida pensar duas vezes a
cias de realidade virtual e à utilização de inteligência ar- respeito da aquisição.
tificial — que hoje é um dos temas que mais desperta DANA, S. O Globo. Economia. Rio de Janeiro, 16 jan.
interesse em profissionais da área, tendo em vista a am- 2018. Adaptado.
pliação do uso desse tipo de tecnologia nos mais diver-
LÍNGUA PORTUGUESA

sos segmentos. A ideia a que a expressão destacada se refere está expli-


Mais do que prestar atenção às novidades lançadas no citada adequadamente entre colchetes em:
evento, vale refletir sobre o motivo que nos leva a uma
ansiedade tão grande para consumir produtos que pro- a) “relacionados a experiências de realidade virtual e à
metem inovação tecnológica. Por que tanta gente se dis- utilização de inteligência artificial — que hoje é um
põe a dormir em filas gigantescas só para ser um dos dos temas que mais desperta interesse em profissio-
primeiros a comprar um novo modelo de smartphone? nais da área” [experiências de realidade virtual]

76
b) “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo de tec- 4. (PETROBRAS – ENGENHEIRO(A) DE MEIO AMBIEN-
nologia nos mais diversos segmentos” [inteligência TE JÚNIOR – CESGRANRIO-2018)
artificial]
Texto I
c) “a compra de uma novidade tecnológica atende a essa
última necessidade citada” [segurança]
Portugueses no Rio de Janeiro
d) “O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o
mais novo lançamento tecnológico dispara em nosso O Rio de Janeiro é o grande centro da imigração portu-
cérebro a liberação de um hormônio chamado dopa- guesa até meados dos anos cinquenta do século passa-
mina” [mapeamento cerebral] do, quando chega a ser a “terceira cidade portuguesa do
e) “Ele é liberado quando nosso cérebro identifica algo mundo”, possuindo 196 mil portugueses — um décimo
que represente uma recompensa.” [impulso cerebral] de sua população urbana. Ali, os portugueses dedicam-
-se ao comércio, sobretudo na área dos comestíveis,
como os cafés, as panificações, as leitarias, os talhos,
Resposta: Letra B além de outros ramos, como os das papelarias e lojas
Ao texto: de vestuários. Fora do comércio, podem exercer as mais
Em “a”: “relacionados a experiências de realidade vir- variadas profissões, como atividades domésticas ou as de
tual e à utilização de inteligência artificial — que hoje barbeiros e alfaiates. Há, de igual forma, entre os mais
é um dos temas que mais desperta interesse em pro- afortunados, aqueles ligados à indústria, voltados para
fissionais da área” [experiências de realidade virtual] construção civil, o mobiliário, a ourivesaria e o fabrico de
bebidas.
Nesse caso, a resposta se encontra na alternativa: in-
A sua distribuição pela cidade, apesar da não formação
teligência artificial de guetos, denota uma tendência para a sua concentra-
Em “b”: “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo ção em determinados bairros, escolhidos, muitas das ve-
de tecnologia nos mais diversos segmentos” [inteli- zes, pela proximidade da zona de trabalho. No Centro da
gência artificial] cidade, próximo ao grande comércio, temos um grupo
Texto: Entre as inovações, estavam produtos relaciona- significativo de patrícios e algumas associações de por-
dos a experiências de realidade virtual e à utilização de te, como o Real Gabinete Português de Leitura e o Liceu
Literário Português. Nos bairros da Cidade Nova, Estácio
inteligência artificial — que hoje é um dos temas que
de Sá, Catumbi e Tijuca, outro ponto de concentração
mais desperta interesse em profissionais da área, tendo da colônia, se localizam outras associações portuguesas,
em vista a ampliação do uso desse tipo de tecnologia como a Casa de Portugal e um grande número de casas
nos mais diversos segmentos.= correta regionais. Há, ainda, pequenas concentrações nos bairros
periféricos da cidade, como Jacarepaguá, originalmente
Em “c”: “a compra de uma novidade tecnológica aten- formado por quintas de pequenos lavradores; nos subúr-
de a essa última necessidade citada” [segurança] bios, como Méier e Engenho Novo; e nas zonas mais pri-
vilegiadas, como Botafogo e restante da zona sul carioca,
Texto: (...) suprir necessidades básicas para a sobrevi-
área nobre da cidade a partir da década de cinquenta,
vência e a perpetuação da espécie, tais como sexo, se- preferida pelos mais abastados.
gurança e status social. / Nesse sentido, a compra de PAULO, Heloísa. Portugueses no Rio de Janeiro: sala-
uma novidade tecnológica atende a essa última neces- zaristas e opositores em manifestação na cidade. In:
sidade citada... = status social ALVES, Ida et alii. 450 Anos de Portugueses no Rio de
Janeiro. Rio de Janeiro: Ofi cina Raquel, 2017, pp. 260-1.
Em “d”: “O ato de seguir esse impulso cerebral e com- Adaptado.
prar o mais novo lançamento tecnológico dispara em
“No Centro da cidade, próximo ao grande comércio, temos
nosso cérebro a liberação de um hormônio chamado um grupo significativo de patrícios e algumas associações
dopamina” [mapeamento cerebral] de porte”. No trecho acima, a autora usou em itálico a
(...) vício em novidades tecnológicas é quase uma re- palavra destacada para fazer referência aos
ligião para os mais entusiastas. / O ato de seguir esse
impulso cerebral e comprar a) luso-brasileiros
b) patriotas da cidade
c) habitantes da cidade
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “e”: “Ele é liberado quando nosso cérebro identi-


d) imigrantes portugueses
fica algo que represente uma recompensa.” [impulso e) compatriotas brasileiros
cerebral]
(...) a liberação de um hormônio chamado dopamina, Resposta: Letra D
responsável por nos causar sensações de prazer. Ele é Ainda hoje é o utilizado o termo “patrício” para se re-
liberado = dopamina ferir aos portugueses. “Patrício” significa “da mesma
pátria”.

77
5. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) To- “A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos.
das as frases abaixo apresentam elementos sublinhados Mostrou também danos morais”. A palavra ou expressão
que estabelecem coesão com elementos anteriores (aná- do primeiro período que leva à produção do segundo
fora); a frase em que o elemento sublinhado se refere a período é
um elemento futuro do texto (catáfora) é:
a) a crise.
a) “A civilização converteu a solidão num dos bens mais b) não trouxe.
preciosos que a alma humana pode desejar”; c) apenas.
b) “Todo o problema da vida é este: como romper a pró- d) danos sociais.
pria solidão”; e) (danos) econômicos.
c) “É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de
viver com alguém que saiba pensar”; Resposta: Letra C
d) “O homem ama a companhia, mesmo que seja apenas 1.º período: A crise não trouxe apenas danos sociais e
a de uma vela que queima”; econômicos.
e) “As pessoas que nunca têm tempo são aquelas que 2.º período: Mostrou também danos morais.
produzem menos”. A expressão que nos dá a ideia de que haverá mais
informações que complementarão a primeira “tese”
Resposta: Letra B apresentada é “apenas”.
Em “a”: “A civilização converteu a solidão num dos
bens mais preciosos que a alma humana pode dese- 7. (IBGE – RECENSEADOR – FGV-2017)
jar” = retoma “bens preciosos”
Em “b”: “Todo o problema da vida é este: como romper Texto 3 – “Silva, Oliveira, Faria, Ferreira... Todo mundo
a própria solidão” = o pronome se refere ao período tem um sobrenome e temos de agradecer aos romanos
que virá (= catáfora) por isso. Foi esse povo, que há mais de dois mil anos
Em “c”: “É sobretudo na solidão que se sente a vanta- ergueu um império com a conquista de boa parte das
gem de viver com alguém que saiba pensar” = retoma terras banhadas pelo Mediterrâneo, o inventor da moda.
“solidão” Eles tiveram a ideia de juntar ao nome comum, ou pre-
Em “d”: “O homem ama a companhia, mesmo que nome, um nome.
seja apenas a de uma vela que queima” = retoma Por quê? Porque o império romano crescia e eles preci-
“companhia” savam indicar o clã a que a pessoa pertencia ou o lugar
Em “e”: “As pessoas que nunca têm tempo são aque- onde tinha nascido”.
las que produzem menos” = retoma “pessoas” (Ciência Hoje, março de 2014)
6. (MPE-AL - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
– FGV-2018) “Todo mundo tem um sobrenome e temos de agradecer
aos romanos por isso”. (texto 3) O pronome “isso”, nesse
NÃO FALTOU SÓ ESPINAFRE segmento do texto, se refere a(à):

A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos. a) todo mundo ter um sobrenome;
Mostrou também danos morais. b) sobrenomes citados no início do texto;
Aconteceu num mercadinho de bairro em São Paulo. A c) todos os sobrenomes hoje conhecidos;
dona, diligente, havia conseguido algumas verduras e d) forma latina dos sobrenomes atuais;
avisou à clientela. Formaram-se uma pequena fila e uma e) existência de sobrenomes nos documentos.
grande discussão. Uma senhora havia arrematado todos
os dez maços de espinafre. No caixa, outras freguesas Resposta: Letra A
perguntaram se ela tinha restaurante. Não tinha. Obser- Todo mundo tem um sobrenome e temos de agrade-
varam que a verdura acabaria estragada. Ela explicou que cer aos romanos por isso = ter um sobrenome.
ia cozinhar e congelar. Então, foram ao ponto: caramba,
havia outras pessoas na fila, ela não poderia levar só o 8. (MPU – ANALISTA – ANTROPOLOGIA – CESPE-2010)
que consumiria de imediato? Inovar é recriar de modo a agregar valor e incrementar a
“Não, estou pagando e cheguei primeiro”, foi a resposta. eficiência, a produtividade e a competitividade nos pro-
Compras exageradas nos supermercados, estoques do- cessos gerenciais e nos produtos e serviços das organi-
mésticos, filas nervosas nos postos de combustível – teve zações. Ou seja, é o fermento do crescimento econômi-
muito comportamento na base de cada um por si.
LÍNGUA PORTUGUESA

co e social de um país. Para isso, é preciso criatividade,


Cabem nessa categoria as greves e manifestações opor- capacidade de inventar e coragem para sair dos esque-
tunistas. Governo, cedendo, também vou buscar o meu mas tradicionais. Inovador é o indivíduo que procura
– tal foi o comportamento de muita gente. respostas originais e pertinentes em situações com as
Carlos A. Sardenberg, in O Globo, 31/05/2018. quais ele se defronta. É preciso uma atitude de abertura
para as coisas novas, pois a novidade é catastrófica para
os mais céticos. Pode-se dizer que o caminho da ino-
vação é um percurso de difícil travessia para a maioria

78
das instituições. Inovar significa transformar os pontos refugindo às especulações metafísicas que, no plano da
frágeis de um empreendimento em uma realidade du- idealidade, serviram aos filósofos do pacto social para a
radoura e lucrativa. A inovação estimula a comercializa- explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade
ção de produtos ou serviços e também permite avanços civil, ele procurou ingressar no terreno dos fatos.
importantes para toda a sociedade. Porém, a inovação é Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional do
verdadeira somente quando está fundamentada no co- Ministério Público em função da proteção dos direitos
nhecimento. A capacidade de inovação depende da pes- humanos.
quisa, da geração de conhecimento. É necessário investir Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2010, p. 18-9.
em pesquisa para devolver resultados satisfatórios à so- Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações).
ciedade. No entanto, os resultados desse tipo de investi-
mento não são necessariamente recursos financeiros ou No trecho “controle recíproco entre”, o pronome “eles” faz
valores econômicos, podem ser também a qualidade de referência a “ramos diversos”.
vida com justiça social.
Luís Afonso Bermúdez. O fermento tecnológico. In: Dar- ( ) CERTO ( ) ERRADO
cy. Revista de jornalismo científico e cultural da Univer-
sidade de Brasília, novembro e dezembro de 2009, p. 37 Resposta: Certo
(com adaptações). Ao período: (...) reclama a distribuição do poder em
Subentende-se da argumentação do texto que o pro- ramos diversos, com a disposição de meios que asse-
nome demonstrativo, no trecho “desse tipo de investi- gurem o controle recíproco entre eles para o advento
mento”, refere-se à ideia de “fermento do crescimento de um cenário de equilíbrio e harmonia.
econômico e social de um país”.
10. (PC-PI – AGENTE DE POLÍCIA CIVIL – 3.ª CLAS-
( ) CERTO ( ) ERRADO SE – NUCEPE-2018 - ADAPTADA) Alguém apaixonado
sempre atrai novas oportunidades, se destaca do grupo, é
Resposta: Errado promovido primeiro, é celebrado quando volta de férias,
Ao trecho: (...) É necessário investir em pesquisa para é convidado para ser padrinho ou madrinha e para ser
devolver resultados satisfatórios à sociedade. No entan- companhia em momentos prazerosos. Quanto melhor vi-
to, os resultados desse tipo de investimento = inves- vemos, mais motivos surgem para vivermos bem. A pros-
tir em pesquisa / desse tipo de investimento. peridade é um ciclo que se retroalimenta. O importante é
decidir fazer parte dele.
9. (MPU – ANALISTA DO MPU – CESPE-2015) Em: O importante é decidir fazer parte dele, a palavra
Dele retoma, textualmente,
Texto I
a) ciclo.
Na organização do poder político no Estado moderno, b) Alguém.
à luz da tradição iluminista, o direito tem por função a c) padrinho.
preservação da liberdade humana, de maneira a coibir d) grupo.
a desordem do estado de natureza, que, em virtude do e) apaixonado.
risco da dominação dos mais fracos pelos mais fortes,
exige a existência de um poder institucional. Mas a con- Resposta: Letra A
quista da liberdade humana também reclama a distri- Voltemos ao período:
buição do poder em ramos diversos, com a disposição A prosperidade é um ciclo que se retroalimenta. O im-
de meios que assegurem o controle recíproco entre eles portante é decidir fazer parte dele.
para o advento de um cenário de equilíbrio e harmonia
nas sociedades estatais. A concentração do poder em um AO DOMÍNIO DA VARIEDADE PADRÃO
só órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exer- ESCRITA: NORMAS DE CONCORDÂNCIA,
cício da liberdade. É que, como observou Montesquieu, REGÊNCIA
“todo homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai
até onde encontra limites. Para que não se possa abusar CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL
do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o
poder limite o poder”. Os concurseiros estão apreensivos.
Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza Concurseiros apreensivos.
LÍNGUA PORTUGUESA

as esferas de abrangência dos poderes políticos: “só se


concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na
separação; ninguém se arriscava a apresentar, sob a for- terceira pessoa do plural, concordando com o seu su-
ma de sistema coerente, as consequências de conceitos jeito, os concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo
diversos”. Pensador francês do século XVIII, Montesquieu “apreensivos” está concordando em gênero (masculino)
situa-se entre o racionalismo cartesiano e o empirismo e número (plural) com o substantivo a que se refere: con-
de origem baconiana, não abandonando o rigor das curseiros. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa,
certezas matemáticas em suas certezas morais. Porém,

79
número e gênero se correspondem. A correspondência C) Quando se trata de nomes que só existem no
de flexão entre dois termos é a concordância, que pode plural, a concordância deve ser feita levando-se
ser verbal ou nominal. em conta a ausência ou presença de artigo. Sem
Concordância Verbal artigo, o verbo deve ficar no singular; com artigo
no plural, o verbo deve ficar o plural.
É a flexão que se faz para que o verbo concorde com Os Estados Unidos possuem grandes universidades.
Estados Unidos possui grandes universidades.
seu sujeito.
Alagoas impressiona pela beleza das praias.
As Minas Gerais são inesquecíveis.
Sujeito Simples - Regra Geral
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira.

O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo D) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou
em número e pessoa. Veja os exemplos: indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos,
muitos, quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou
A prova para ambos os cargos será aplicada às 13h. “de vós”, o verbo pode concordar com o primeiro
3.ª p. Singular 3.ª p. Singular pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o
pronome pessoal.
Os candidatos à vaga chegarão às 12h. Quais de nós são / somos capazes?
3.ª p. Plural 3.ª p. Plural Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso?
Vários de nós propuseram / propusemos sugestões
Casos Particulares inovadoras.

Observação:
A) Quando o sujeito é formado por uma expressão
Veja que a opção por uma ou outra forma indica a
partitiva (parte de, uma porção de, o grosso de, inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz
metade de, a maioria de, a maior parte de, grande ou escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fize-
parte de...) seguida de um substantivo ou pronome mos”, ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso
no plural, o verbo pode ficar no singular ou no não ocorre ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de
plural. tudo e nada fizeram”, frase que soa como uma denúncia.
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia. Nos casos em que o interrogativo ou indefinido esti-
Metade dos candidatos não apresentou / apresenta- ver no singular, o verbo ficará no singular.
ram proposta. Qual de nós é capaz?
Algum de vós fez isso.
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos
dos coletivos, quando especificados: Um bando de vân- E) Quando o sujeito é formado por uma expressão
dalos destruiu / destruíram o monumento. que indica porcentagem seguida de substantivo, o
verbo deve concordar com o substantivo.
25% do orçamento do país será destinado à Educação.
Observação:
85% dos entrevistados não aprovam a administração
Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a do prefeito.
unidade do conjunto; já a forma plural confere destaque 1% do eleitorado aceita a mudança.
aos elementos que formam esse conjunto. 1% dos alunos faltaram à prova.

B) Quando o sujeito é formado por expressão que • Quando a expressão que indica porcentagem não
indica quantidade aproximada (cerca de, mais de, é seguida de substantivo, o verbo deve concordar
menos de, perto de...) seguida de numeral e subs- com o número.
tantivo, o verbo concorda com o substantivo. 25% querem a mudança.
Cerca de mil pessoas participaram do concurso. 1% conhece o assunto.
Perto de quinhentos alunos compareceram à
solenidade. • Se o número percentual estiver determinado por
artigo ou pronome adjetivo, a concordância far-se-
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últi-
-á com eles:
mas Olimpíadas.
LÍNGUA PORTUGUESA

Os 30% da produção de soja serão exportados.


Esses 2% da prova serão questionados.
Observação:
Quando a expressão “mais de um” se associar a ver- F) O pronome “que” não interfere na concordância;
bos que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório: já o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa
Mais de um colega se ofenderam na discussão. (ofende- do singular.
ram um ao outro) Fui eu que paguei a conta.
Fomos nós que pintamos o muro.

80
És tu que me fazes ver o sentido da vida. Pais e filhos devem conversar com frequência.
Sou eu quem faz a prova. Sujeito
Não serão eles quem será aprovado.
B) Nos sujeitos compostos formados por pessoas
G) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve as- gramaticais diferentes, a concordância ocorre da
sumir a forma plural. seguinte maneira: a primeira pessoa do plural (nós)
Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encan- prevalece sobre a segunda pessoa (vós) que, por
taram os poetas. sua vez, prevalece sobre a terceira (eles). Veja:
Este candidato é um dos que mais estudaram! Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão.
Primeira Pessoa do Plural (Nós)
• Se a expressão for de sentido contrário – nenhum
dos que, nem um dos que -, não aceita o verbo no Tu e teus irmãos tomareis a decisão.
singular: Segunda Pessoa do Plural (Vós)
Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga.
Nem uma das que me escreveram mora aqui. Pais e filhos precisam respeitar-se.
Terceira Pessoa do Plural (Eles)
• Quando “um dos que” vem entremeada de subs-
tantivo, o verbo pode: Observação:
1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atraves- Quando o sujeito é composto, formado por um ele-
mento da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele), é
sa o Estado de São Paulo. (já que não há outro rio
possível empregar o verbo na terceira pessoa do plural
que faça o mesmo).
(eles): “Tu e teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar
2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão po-
de “tomaríeis”.
luídos (noção de que existem outros rios na mesma
condição).
C) No caso do sujeito composto posposto ao verbo,
passa a existir uma nova possibilidade de concor-
H) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o
dância: em vez de concordar no plural com a tota-
verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural. lidade do sujeito, o verbo pode estabelecer con-
Vossa Excelência está cansado? cordância com o núcleo do sujeito mais próximo.
Vossas Excelências renunciarão? Faltaram coragem e competência.
I) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se Faltou coragem e competência.
de acordo com o numeral. Compareceram todos os candidatos e o banca.
Deu uma hora no relógio da sala. Compareceu o banca e todos os candidatos.
Deram cinco horas no relógio da sala. D) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concor-
Soam dezenove horas no relógio da praça. dância é feita no plural. Observe:
Baterão doze horas daqui a pouco. Abraçaram-se vencedor e vencido.
Ofenderam-se o jogador e o árbitro.
Observação:
Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino, Casos Particulares
torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito.
O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas. • Quando o sujeito composto é formado por nú-
Soa quinze horas o relógio da matriz. cleos sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica
no singular.
J) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum Descaso e desprezo marca seu comportamento.
sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do sin- A coragem e o destemor fez dele um herói.
gular. São verbos impessoais: Haver no sentido de
existir; Fazer indicando tempo; Aqueles que indi- • Quando o sujeito composto é formado por nú-
cam fenômenos da natureza. Exemplos: cleos dispostos em gradação, verbo no singular:
Havia muitas garotas na festa. Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um se-
Faz dois meses que não vejo meu pai. gundo me satisfaz.
Chovia ontem à tarde.
• Quando os núcleos do sujeito composto são
unidos por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar
LÍNGUA PORTUGUESA

Sujeito Composto
no plural, de acordo com o valor semântico das
A) Quando o sujeito é composto e anteposto ao ver- conjunções:
bo, a concordância se faz no plural: Drummond ou Bandeira representam a essência da
poesia brasileira.
Pai e filho conversavam longamente. Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.
Sujeito

81
Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de Quando os elementos de um sujeito composto são
“adição”. Já em: resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância
Juca ou Pedro será contratado. é feita com esse termo resumidor.
Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da
Olimpíada. apatia.
Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante
Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam na vida das pessoas.
no singular.
Outros Casos
• Com as expressões “um ou outro” e “nem um
nem outro”, a concordância costuma ser feita no O Verbo e a Palavra “SE”
singular.
Um ou outro compareceu à festa. Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há
Nem um nem outro saiu do colégio. duas de particular interesse para a concordância verbal:
A) quando é índice de indeterminação do sujeito;
• Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural ou B) quando é partícula apassivadora.
no singular: Um e outro farão/fará a prova.
Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se”
• Quando os núcleos do sujeito são unidos por acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos
“com”, o verbo fica no plural. Nesse caso, os nú- e de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na
cleos recebem um mesmo grau de importância e terceira pessoa do singular:
a palavra “com” tem sentido muito próximo ao de Precisa-se de funcionários.
“e”. Confia-se em teses absurdas.
O pai com o filho montaram o brinquedo.
O governador com o secretariado traçaram os planos Quando pronome apassivador, o “se” acompanha
para o próximo semestre. verbos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e in-
O professor com o aluno questionaram as regras. diretos (VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nes-
se caso, o verbo deve concordar com o sujeito da oração.
Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se Exemplos:
a ideia é enfatizar o primeiro elemento. Construiu-se um posto de saúde.
O pai com o filho montou o brinquedo. Construíram-se novos postos de saúde.
O governador com o secretariado traçou os planos Aqui não se cometem equívocos
para o próximo semestre. Alugam-se casas.
O professor com o aluno questionou as regras.
Com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito
composto. O sujeito é simples, uma vez que as expres-
#FicaDica
sões “com o filho” e “com o secretariado” são adjuntos Para saber se o “se” é partícula apassivadora
adverbiais de companhia. Na verdade, é como se hou- ou índice de indeterminação do sujeito, ten-
vesse uma inversão da ordem. Veja: te transformar a frase para a voz passiva. Se
“O pai montou o brinquedo com o filho.” a frase construída for “compreensível”, esta-
“O governador traçou os planos para o próximo semes- remos diante de uma partícula apassivadora;
tre com o secretariado.” se não, o “se” será índice de indeterminação.
“O professor questionou as regras com o aluno.” Veja:
Precisa-se de funcionários qualificados.
Casos em que se usa o verbo no singular: Tentemos a voz passiva:
Funcionários qualificados são precisados (ou
Café com leite é uma delícia! precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se”
O frango com quiabo foi receita da vovó. destacado é índice de indeterminação do
sujeito.
Quando os núcleos do sujeito são unidos por ex- Agora:
pressões correlativas como: “não só... mas ainda”, “não Vendem-se casas.
somente”..., “não apenas... mas também”, “tanto...quanto”, Voz passiva: Casas são vendidas. Constru-
o verbo ficará no plural. ção correta! Então, aqui, o “se” é partícula
LÍNGUA PORTUGUESA

Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o apassivadora. (Dá para eu passar para a voz
Nordeste. passiva. Repare em meu destaque. Percebeu
semelhança? Agora é só memorizar!).
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a
notícia.

82
O Verbo “Ser” O resto foram atitudes imaturas.

A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo e o O Verbo “Parecer”


sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa concordân- O verbo parecer, quando é auxiliar em uma lo-
cia pode ocorrer também entre o verbo e o predicativo cução verbal (é seguido de infinitivo), admite duas
do sujeito. concordâncias:

Quando o sujeito ou o predicativo for: • Ocorre variação do verbo PARECER e não se fle-
xiona o infinitivo: As crianças parecem gostar do
A) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo desenho.
SER concorda com a pessoa gramatical:
Ele é forte, mas não é dois. • A variação do verbo parecer não ocorre e o infini-
Fernando Pessoa era vários poetas. tivo sofre flexão:
A esperança dos pais são eles, os filhos. As crianças parece gostarem do desenho.
(essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho
B) nome de coisa e um estiver no singular e o outro aas crianças)
no plural, o verbo SER concordará, preferencial-
mente, com o que estiver no plural: Com orações desenvolvidas, o verbo PARECER fica no
Os livros são minha paixão! singular. Por exemplo: As paredes parece que têm ouvidos.
Minha paixão são os livros! (Parece que as paredes têm ouvidos = oração subordina-
da substantiva subjetiva).
Quando o verbo SER indicar
Concordância Nominal
• horas e distâncias, concordará com a expressão
numérica: A concordância nominal se baseia na relação entre
É uma hora. nomes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles
São quatro horas. se ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, prono-
Daqui até a escola é um quilômetro / são dois mes adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lem-
quilômetros. bre-se: normalmente, o substantivo funciona como nú-
cleo de um termo da oração, e o adjetivo, como adjunto
• datas, concordará com a palavra dia(s), que pode adnominal.
estar expressa ou subentendida: A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as
Hoje é dia 26 de agosto. seguintes regras gerais:
Hoje são 26 de agosto. A) O adjetivo concorda em gênero e número quando
se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas
• Quando o sujeito indicar peso, medida, quantida- denunciavam o que sentia.
de e for seguido de palavras ou expressões como B) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos,
pouco, muito, menos de, mais de, etc., o verbo SER a concordância pode variar. Podemos sistematizar
fica no singular: essa flexão nos seguintes casos:
Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso.
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido. • Adjetivo anteposto aos substantivos:
Duas semanas de férias é muito para mim. O adjetivo concorda em gênero e número com o
substantivo mais próximo.
• Quando um dos elementos (sujeito ou predicativo) Encontramos caídas as roupas e os prendedores.
for pronome pessoal do caso reto, com este con- Encontramos caída a roupa e os prendedores.
cordará o verbo. Encontramos caído o prendedor e a roupa.
No meu setor, eu sou a única mulher.
Aqui os adultos somos nós. Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de
parentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural.
Observação: As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) repre- Encontrei os divertidos primos e primas na festa.
sentados por pronomes pessoais, o verbo concorda com
o pronome sujeito. • Adjetivo posposto aos substantivos:
LÍNGUA PORTUGUESA

Eu não sou ela. O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo


Ela não é eu. ou com todos eles (assumindo a forma masculina plural
se houver substantivo feminino e masculino).
• Quando o sujeito for uma expressão de sentido A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no plu- A indústria oferece atendimento e localização perfeita.
ral, o verbo SER concordará com o predicativo. A indústria oferece localização e atendimento perfeitos.
A grande maioria no protesto eram jovens. A indústria oferece atendimento e localização perfeitos.

83
Observação: • O substantivo permanece no singular e coloca-se
Os dois últimos exemplos apresentam maior clareza, o artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura
pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere aos espanhola e a portuguesa.
dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado • O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo
no plural masculino, que é o gênero predominante quan- antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola e
do há substantivos de gêneros diferentes. portuguesa.
Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o ad-
jetivo fica no singular ou plural. Casos Particulares
A beleza e a inteligência feminina(s). É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É
O carro e o iate novo(s). permitido

C) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo: • Estas expressões, formadas por um verbo mais um
O adjetivo fica no masculino singular, se o substanti- adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a que se
vo não for acompanhado de nenhum modificador: Água referem possuir sentido genérico (não vier prece-
é bom para saúde. dido de artigo).
O adjetivo concorda com o substantivo, se este for É proibido entrada de crianças.
modificado por um artigo ou qualquer outro determina- Em certos momentos, é necessário atenção.
tivo: Esta água é boa para saúde. No verão, melancia é bom.
É preciso cidadania.
D) O adjetivo concorda em gênero e número com os Não é permitido saída pelas portas laterais.
pronomes pessoais a que se refere: Juliana encon-
trou-as muito felizes. • Quando o sujeito destas expressões estiver deter-
minado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto
E) Nas expressões formadas por pronome indefinido o verbo como o adjetivo concordam com ele.
neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposi- É proibida a entrada de crianças.
ção DE + adjetivo, este último geralmente é usado Esta salada é ótima.
no masculino singular: Os jovens tinham algo de A educação é necessária.
misterioso. São precisas várias medidas na educação.

F) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso -
função adjetiva e concorda normalmente com o Quite
nome a que se refere: Estas palavras adjetivas concordam em gênero e nú-
Cristina saiu só. mero com o substantivo ou pronome a que se referem.
Cristina e Débora saíram sós. Seguem anexas as documentações requeridas.
A menina agradeceu: - Muito obrigada.
Observação: Muito obrigadas, disseram as senhoras.
Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou “ape- Seguem inclusos os papéis solicitados.
nas”, tem função adverbial, ficando, portanto, invariável: Estamos quites com nossos credores.
Eles só desejam ganhar presentes.
Bastante - Caro - Barato - Longe
Estas palavras são invariáveis quando funcionam
#FicaDica como advérbios. Concordam com o nome a que se refe-
Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”. rem quando funcionam como adjetivos, pronomes adje-
Se a frase ficar coerente com o primeiro, tivos, ou numerais.
trata-se de advérbio, portanto, invariável; se As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio)
houver coerência com o segundo, função de Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho.
adjetivo, então varia: (pronome adjetivo)
Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio)
Ele está só descansando. (apenas As casas estão caras. (adjetivo)
descansando) - advérbio Achei barato este casaco. (advérbio)
Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)

Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula depois de Meio - Meia


LÍNGUA PORTUGUESA

“só”, haverá, novamente, um adjetivo: A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo,
Ele está só, descansando. (ele está sozinho e concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi
descansando) meia porção de polentas.
Quando empregada como advérbio permanece inva-
G) Quando um único substantivo é modificado por riável: A candidata está meio nervosa.
dois ou mais adjetivos no singular, podem ser usa-
das as construções:

84
Em “d”: De acordo com as regras do mercado finan-
#FicaDica ceiro, criaram-se apenas 21 milhões de bitcoins nos
últimos anos.
Dá para eu substituir por “um pouco”, assim Em “e”: O valor dos produtos comercializados seria
saberei que se trata de um advérbio, não
determinado por uma moeda virtual se a real fosse
de adjetivo: “A candidata está um pouco
abolida.
nervosa”.
2. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL
I – CESGRANRIO-2018) A concordância da palavra des-
Alerta - Menos tacada atende às exigências da norma-padrão da língua
Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem portuguesa em:
sempre invariáveis.
Os concurseiros estão sempre alerta. a) Alimentos saudáveis e prática constante de exercí-
Não queira menos matéria! cios são necessárias para uma vida longa e mais
equilibrada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS b) Inexistência de esgoto em muitas regiões e falta de
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- tratamento adequado da água são causadores de
char. Português linguagens: volume 3 – 7.ª ed. Reform. doenças.
– São Paulo: Saraiva, 2010. c) Notícias falsas e boatos perigosos não deveriam ser
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa reproduzidas nas redes sociais da forma como acon-
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. tece hoje.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: d) Plantas da caatinga e frutos pouco conhecidos da Re-
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. gião Nordeste foram elogiados por suas proprieda-
des alimentares.
SITE e) Profissionais dedicados e pesquisas constantes preci-
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se- sam ser estimuladas para que se avance na cura de
coes/sint/sint49.php> algumas doenças.

Resposta: Letra D
EXERCÍCIOS COMENTADOS Em “a”: Alimentos saudáveis e prática constante de
exercícios são necessárias (necessários) para uma vida
longa e mais equilibrada.
1. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO – Em “b”: Inexistência de esgoto em muitas regiões e fal-
CESGRANRIO-2018) A forma verbal em destaque está ta de tratamento adequado da água são causadores
empregada de acordo com a norma-padrão em: (causadoras) de doenças.
Em “c”: Notícias falsas e boatos perigosos não deve-
a) Atualmente, comercializa-se diferentes criptomoedas riam ser reproduzidas (reproduzidos) nas redes sociais
mas a bitcoin é a mais conhecida de todas as moedas da forma como acontece hoje.
virtuais. Em “d”: Plantas da caatinga e frutos pouco conhecidos
b) A especulação e o comércio ilegal, de acordo com al- da Região Nordeste foram elogiados por suas pro-
guns analistas, pode tornar as bitcoins inviáveis. priedades alimentares = correta
c) As notícias informam que até hoje, em nenhuma par- Em “e”: Profissionais dedicados e pesquisas constantes
te do mundo, se substituíram totalmente as moedas precisam ser estimuladas (estimulados) para que se
reais pelas virtuais. avance na cura de algumas doenças.
d) De acordo com as regras do mercado financeiro,
criou-se apenas 21 milhões de bitcoins nos últimos 3. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES-
anos. GRANRIO-2018) A concordância do verbo destacado foi
e) O valor dos produtos comercializados seriam determi- realizada de acordo com as exigências da norma-padrão
nados por uma moeda virtual se a real fosse abolida. da língua portuguesa em:

Resposta: Letra C a) Com a corrida desenfreada pelas versões mais atuais


Em “a”: Atualmente, comercializam-se diferentes dos smartphones, evidenciou-se atitudes agressivas e
violentas por parte dos usuários.
LÍNGUA PORTUGUESA

criptomoedas mas a bitcoin é a mais conhecida de


todas as moedas virtuais. b) Devido à utilização de estratégias de marketing, de-
Em “b”: A especulação e o comércio ilegal, de acor- senvolveu-se, entre os jovens, a ideia de que a posse
do com alguns analistas, podem tornar as bitcoins de novos aparelhos eletrônicos é garantia de sucesso.
inviáveis. c) É necessário que se envie a todas as escolas do país ví-
Em “c”: As notícias informam que até hoje, em nenhu- deos educacionais que permitam esclarecer os jovens
ma parte do mundo, se substituíram totalmente as sobre o vício da tecnologia.
moedas reais pelas virtuais. = correta

85
d) É preciso educar as novas gerações para que se redu- Em “b”: os adjetivos da frase (1) deveriam estar no plu-
za os comportamentos compulsivos relacionados ao ral por referirem-se a dois substantivos;
uso das novas tecnologias. A democracia reclama um jornalismo vigoroso e inde-
e) Nos países mais industrializados, comprovou-se os pendente = a um substantivo (jornalismo)
danos psicológicos e o consumismo exagerado causa- Em “c”: na frase (2), a forma de particípio ‘determina-
dos pelo vício da tecnologia. da’ se refere a ‘imprensa’;
A agenda pública é determinada pela imprensa tra-
Resposta: Letra B dicional = refere-se ao termo “agenda pública”
Em “a”: Com a corrida desenfreada pelas versões mais Em “d”: na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ está
atuais dos smartphones, evidenciou-se (evidencia- corretamente no plural por referir-se a ‘empresas’;
ram-se) atitudes agressivas e violentas por parte dos Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de con-
usuários. teúdo independentes = correta
Em “b”: Devido à utilização de estratégias de marke- Em “e”: na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ deveria
ting, desenvolveu-se, entre os jovens, a ideia de que estar no singular por referir-se ao substantivo ‘conteú-
a posse de novos aparelhos eletrônicos é garantia de do’ = incorreta (refere-se a “empresas”)
sucesso = correta
Em “c”: É necessário que se envie (enviem) a todas as 5. (MPU – ANALISTA DO MPU – CESPE-2015)
escolas do país vídeos educacionais que permitam es-
clarecer os jovens sobre o vício da tecnologia. Texto I
Em “d”: É preciso educar as novas gerações para que
se reduza (reduzam) os comportamentos compulsivos Na organização do poder político no Estado moderno,
relacionados ao uso das novas tecnologias. à luz da tradição iluminista, o direito tem por função a
Em “e”: Nos países mais industrializados, comprovou- preservação da liberdade humana, de maneira a coibir
-se (comprovaram-se) os danos psicológicos e o con- a desordem do estado de natureza, que, em virtude do
sumismo exagerado causados pelo vício da tecnologia. risco da dominação dos mais fracos pelos mais fortes,
exige a existência de um poder institucional. Mas a con-
4. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO – quista da liberdade humana também reclama a distri-
FGV-2017) Observe os seguintes casos de concordância buição do poder em ramos diversos, com a disposição
nominal retirados do texto 1: de meios que assegurem o controle recíproco entre eles
1. A democracia reclama um jornalismo vigoroso e para o advento de um cenário de equilíbrio e harmonia
independente. nas sociedades estatais. A concentração do poder em um
2. A agenda pública é determinada pela imprensa só órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exer-
tradicional. cício da liberdade. É que, como observou Montesquieu,
3. Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de conteú- “todo homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai
do independentes. até onde encontra limites. Para que não se possa abusar
do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o
A afirmação correta sobre essas concordâncias é: poder limite o poder”.
Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza
a) os dois adjetivos da frase (1) referem-se, respectiva- as esferas de abrangência dos poderes políticos: “só se
mente a ‘democracia’ e ‘jornalismo’; concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua
b) os adjetivos da frase (1) deveriam estar no plural por separação; ninguém se arriscava a apresentar, sob a for-
referirem-se a dois substantivos; ma de sistema coerente, as consequências de conceitos
c) na frase (2), a forma de particípio ‘determinada’ se re- diversos”. Pensador francês do século XVIII, Montesquieu
fere a ‘imprensa’; situa-se entre o racionalismo cartesiano e o empirismo
d) na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ está correta- de origem baconiana, não abandonando o rigor das
mente no plural por referir-se a ‘empresas’; certezas matemáticas em suas certezas morais. Porém,
e) na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ deveria estar refugindo às especulações metafísicas que, no plano da
no singular por referir-se ao substantivo ‘conteúdo’. idealidade, serviram aos filósofos do pacto social para a
explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade
Resposta: Letra D civil, ele procurou ingressar no terreno dos fatos.
1. A democracia reclama um jornalismo vigoroso e Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional do
independente. Ministério Público em função da proteção dos direitos
2. A agenda pública é determinada pela imprensa
LÍNGUA PORTUGUESA

humanos. Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2010, p.


tradicional. 18-9. Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações).
3. Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de con-
teúdo independentes. A flexão plural em “eram identificadas” decorre da con-
Em “a”: os dois adjetivos da frase (1) referem-se, res- cordância com o sujeito dessa forma verbal: “as esferas
pectivamente a ‘democracia’ e ‘jornalismo’; de abrangência dos poderes políticos”.
A democracia reclama um jornalismo vigoroso e in-
dependente = apenas a “jornalismo” ( ) CERTO ( ) ERRADO

86
Resposta: Certo A regência verbal estuda a relação que se estabele-
(...) Até Montesquieu, não eram identificadas com cla- ce entre os verbos e os termos que os complementam
reza as esferas de abrangência dos poderes políticos (objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (ad-
= passando o período para a ordem direta (sujeito + juntos adverbiais). Há verbos que admitem mais de uma
verbo), temos: Até Montesquieu, as esferas de abran- regência, o que corresponde à diversidade de significa-
gência dos poderes políticos não eram identificadas dos que estes verbos podem adquirir dependendo do
com clareza. contexto em que forem empregados.
6. (PC-RS – ESCRIVÃO e Inspetor de Polícia – Funda-
tec-2018 - adaptada) Sobre a frase “Esses alunos que A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar,
são usuários constantes de redes sociais têm um risco 27% contentar.
maior de desenvolver depressão”, avalie as assertivas que A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar
seguem, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas. agrado ou prazer”, satisfazer.

( ) Caso os termos ‘Esses alunos’ fosse passado para o Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de
singular, outras quatro palavras deveriam sofrer ajustes “agradar a alguém”.
para fins de concordância.
( ) Mais da metade dos alunos que usam redes sociais O conhecimento do uso adequado das preposições
podem ficar deprimidos. é um dos aspectos fundamentais do estudo da regência
( ) O risco de alunos usuários de redes sociais desenvol- verbal (e também nominal). As preposições são capazes
verem depressão constante extrapola o índice dos 27%. de modificar completamente o sentido daquilo que está
sendo dito.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de
cima para baixo, é: Cheguei ao metrô.
Cheguei no metrô.
a) V – V – V.
b) F – V – F. No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no
c) V – F – F. segundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado.
d) F – F – V.
e) F – F – F. A voluntária distribuía leite às crianças.
A voluntária distribuía leite com as crianças.
Resposta: Letra C
Esses alunos que são usuários constantes de redes so- Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi emprega-
ciais têm um risco 27% maior de desenvolver depressão do como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto
Em: ( ) Caso os termos ‘Esses alunos’ fosse passado (objeto indireto: às crianças); na segunda, como transiti-
para o singular, outras quatro palavras deveriam sofrer vo direto (objeto direto: crianças; com as crianças: adjun-
ajustes para fins de concordância. to adverbial).
Esse aluno que é usuário constante de redes sociais Para estudar a regência verbal, agruparemos os ver-
tem um risco 27% maior de desenvolver depressão bos de acordo com sua transitividade. Esta, porém, não é
= (verdadeira = haveria quatro alterações) um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de dife-
Em: ( ) Mais da metade dos alunos que usam redes rentes formas em frases distintas.
sociais podem ficar deprimidos.
= falsa (o período em análise não nos transmite tal in- A) Verbos Intransitivos
formação, apenas afirma que usuários constantes têm Os verbos intransitivos não possuem complemento. É
um risco 27% maior que os demais) importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos
Em: ( ) O risco de alunos usuários de redes sociais de- aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los.
senvolverem depressão constante extrapola o índice
dos 27%. Chegar, Ir
= Falsa (“depressão constante” altera o sentido do Normalmente vêm acompanhados de adjuntos ad-
período) verbiais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas
para indicar destino ou direção são: a, para.
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL
Fui ao teatro.
Dá-se o nome de regência à relação de subordina-
LÍNGUA PORTUGUESA

Adjunto Adverbial de Lugar


ção que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou um
nome (regência nominal) e seus complementos. Ricardo foi para a Espanha.
Adjunto Adverbial de Lugar
Regência Verbal = Termo Regente: VERBO
Comparecer
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido
por em ou a.

87
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o
último jogo. Responder - Tem complemento introduzido pela
preposição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para in-
B) Verbos Transitivos Diretos dicar “a quem” ou “ao que” se responde.
Os verbos transitivos diretos são complementados Respondi ao meu patrão.
por objetos diretos. Isso significa que não exigem prepo- Respondemos às perguntas.
sição para o estabelecimento da relação de regência. Ao Respondeu-lhe à altura.
empregar esses verbos, lembre-se de que os pronomes
oblíquos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses Observação:
pronomes podem assumir as formas lo, los, la, las (após O verbo responder, apesar de transitivo indireto quan-
formas verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, do exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva
nas (após formas verbais terminadas em sons nasais), analítica:
enquanto lhe e lhes são, quando complementos verbais, O questionário foi respondido corretamente.
objetos indiretos. Todas as perguntas foram respondidas
São verbos transitivos diretos, dentre outros: aban- satisfatoriamente.
donar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar,
admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, au- Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus comple-
xiliar, castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar, mentos introduzidos pela preposição “com”.
defender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, pre- Antipatizo com aquela apresentadora.
judicar, prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, Simpatizo com os que condenam os políticos que go-
visitar. vernam para uma minoria privilegiada.
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente
como o verbo amar: D) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
Amo aquele rapaz. / Amo-o.
Amo aquela moça. / Amo-a. Os verbos transitivos diretos e indiretos são acom-
Amam aquele rapaz. / Amam-no. panhados de um objeto direto e um indireto. Merecem
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la. destaque, nesse grupo: agradecer, perdoar e pagar. São
verbos que apresentam objeto direto relacionado a coi-
Observação: sas e objeto indireto relacionado a pessoas.
Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos Agradeço aos ouvintes a audiência.
adnominais): Objeto Indireto Objeto Direto
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua Paguei o débito ao cobrador.
carreira) Objeto Direto Objeto Indireto
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau
humor) O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito
com particular cuidado:
C) Verbos Transitivos Indiretos Agradeci o presente. / Agradeci-o.
Os verbos transitivos indiretos são complementados Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi- Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
gem uma preposição para o estabelecimento da relação Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
de regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de Paguei minhas contas. / Paguei-as.
terceira pessoa que podem atuar como objetos indire- Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
tos são o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se
utilizam os pronomes o, os, a, as como complementos Informar
de verbos transitivos indiretos. Com os objetos indiretos Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
que não representam pessoas, usam-se pronomes oblí- indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
quos tônicos de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos Informe os novos preços aos clientes.
pronomes átonos lhe, lhes. Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os no-
vos preços)
Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:
Na utilização de pronomes como complementos, veja
LÍNGUA PORTUGUESA

Consistir - Tem complemento introduzido pela pre-


posição “em”: A modernidade verdadeira consiste em di- as construções:
reitos iguais para todos. Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos
preços.
Obedecer e Desobedecer - Possuem seus comple- Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou
mentos introduzidos pela preposição “a”: sobre eles)
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Eles desobedeceram às leis do trânsito. Observação:

88
A mesma regência do verbo informar é usada para os Agradar é transitivo indireto no sentido de causar
seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir. agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento
introduzido pela preposição “a”.
Comparar O cantor não agradou aos presentes.
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite O cantor não lhes agradou.
as preposições “a” ou “com” para introduzir o comple-
mento indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indire-
o) de uma criança. to: O cantor desagradou à plateia.

Pedir Aspirar
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, ins-
na forma de oração subordinada substantiva) e indireto pirar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
de pessoa.
Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
Pedi-lhe favores. como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor. (As-
Objeto Indireto Objeto Direto pirávamos a ele)
Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pes-
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio. soa, as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são
Objeto Indireto Oração Subordinada Substan- utilizadas, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”.
tiva Objetiva Direta Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (=
Aspiravam a ela)
A construção “pedir para”, muito comum na lingua-
gem cotidiana, deve ter emprego muito limitado na lín- Assistir
gua culta. No entanto, é considerada correta quando a Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, pres-
palavra licença estiver subentendida. tar assistência a, auxiliar.
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
casa. As empresas de saúde negam-se a assisti-los.

Observe que, nesse caso, a preposição “para” intro- Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presen-
duz uma oração subordinada adverbial final reduzida de ciar, estar presente, caber, pertencer.
infinitivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa). Assistimos ao documentário.
Não assisti às últimas sessões.
Preferir Essa lei assiste ao inquilino.
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto
indireto introduzido pela preposição “a”: No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é in-
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais. transitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de
Prefiro trem a ônibus. lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa
conturbada cidade.
Observação:
Na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem Chamar
termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil ve- Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, so-
zes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo licitar a atenção ou a presença de.
prefixo existente no próprio verbo (pre). Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá
chamá-la.
Mudança de Transitividade - Mudança de Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
Significado
Há verbos que, de acordo com a mudança de transi- Chamar no sentido de denominar, apelidar pode
tividade, apresentam mudança de significado. O conhe- apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere pre-
cimento das diferentes regências desses verbos é um re- dicativo preposicionado ou não.
curso linguístico muito importante, pois além de permitir A torcida chamou o jogador mercenário.
a correta interpretação de passagens escritas, oferece A torcida chamou ao jogador mercenário.
possibilidades expressivas a quem fala ou escreve. Den- A torcida chamou o jogador de mercenário.
tre os principais, estão: A torcida chamou ao jogador de mercenário.
LÍNGUA PORTUGUESA

Agradar Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal:


Agradar é transitivo direto no sentido de fazer cari- Como você se chama? Eu me chamo Zenaide.
nhos, acariciar, fazer as vontades de.
Sempre agrada o filho quando.
Aquele comerciante agrada os clientes.

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Custar Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a prepo-
Custar é intransitivo no sentido de ter determinado sição “de”) e fazer, executar (rege complemento introdu-
valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adver- zido pela preposição “a”) é transitivo indireto.
bial: Frutas e verduras não deveriam custar muito. O avião procede de Maceió.
Procedeu-se aos exames.
No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransiti- O delegado procederá ao inquérito.
vo ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma oração
reduzida de infinitivo. Querer
Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter
Muito custa viver tão longe da família. vontade de, cobiçar.
Verbo Intransitivo Oração Subordinada Querem melhor atendimento.
Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo Queremos um país melhor.

Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição,


Custou-me (a mim) crer nisso.
estimar, amar: Quero muito aos meus amigos.
Objeto Indireto Oração Subordinada Subs-
tantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo
Visar
Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mi-
A Gramática Normativa condena as construções que rar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por O homem visou o alvo.
pessoa: Custei para entender o problema. O gerente não quis visar o cheque.
= Forma correta: Custou-me entender o problema.
Implicar No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como
Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos: objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
O ensino deve sempre visar ao progresso social.
A) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-es-
implicavam um firme propósito. tar público.
B) ter como consequência, trazer como consequência,
acarretar, provocar: Uma ação implica reação. Esquecer – Lembrar
Lembrar algo – esquecer algo
Como transitivo direto e indireto, significa compro- Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo
meter, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões (pronominal)
econômicas.
No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja,
No sentido de antipatizar, ter implicância, é transiti- exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o
vo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com livro.
quem não trabalhasse arduamente. No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc)
e exigem complemento com a preposição “de”. São, por-
Namorar tanto, transitivos indiretos:
Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois Ele se esqueceu do caderno.
anos. Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
Obedecer - Desobedecer
Sempre transitivo indireto:
Há uma construção em que a coisa esquecida ou lem-
Todos obedeceram às regras.
brada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve
Ninguém desobedece às leis.
alteração de sentido. É uma construção muito rara na lín-
gua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos
Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado
“lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas. de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias
vezes.
Proceder Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter
LÍNGUA PORTUGUESA

Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)


cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa Não lhe lembram os bons momentos da infância? (=
segunda acepção, vem sempre acompanhado de adjunto momentos é sujeito)
adverbial de modo.
As afirmações da testemunha procediam, não havia Simpatizar - Antipatizar
como refutá-las. São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:
Você procede muito mal. Não simpatizei com os jurados.
Simpatizei com os alunos.

90
Importante:
A norma culta exige que os verbos e expressões que dão ideia de movimento sejam usados com a preposição “a”:
Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
Cláudia desceu ao segundo andar.
Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.

Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse
nome. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em
conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de
um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os
nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será com-
pletiva nominal (subordinada substantiva).
Regência de Alguns Nomes

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
LÍNGUA PORTUGUESA

Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de

Observação:
Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a; pa-
ralelamente a; relativa a; relativamente a.

91
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei a trama.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- Respondo: — Nunca foi para acontecer. Era mentira da
char - Português linguagens: volume 3. – 7.ª ed. Reform. internet.
– São Paulo: Saraiva, 2010. Duvidam. Acham que estou mentindo.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa CARRASCO, W. O ano da esperança. Época, 25 dez.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. 2017, p.97. Adaptado.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. Considere o trecho “Podemos esperar por um futuro me-
lhor”. Respeitando-se as regras da norma-padrão e con-
SITE servando-se o conteúdo informacional, o trecho acima
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se- está corretamente reescrito em:
coes/sint/sint61.php>
a) Podemos esperar para um futuro melhor
b) Podemos esperar com um futuro melhor
EXERCÍCIOS COMENTADOS c) Podemos esperar um futuro melhor
d) Podemos esperar porquanto um futuro melhor
e) Podemos esperar todavia um futuro melhor
1. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO
– CESGRANRIO-2018)
Resposta: Letra C
Em “a”: Podemos esperar para um futuro melhor = po-
O ano da esperança
demos esperar o quê?
Em “b”: Podemos esperar com um futuro melhor = po-
O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos
demos esperar o quê?
desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás
Em “c”: Podemos esperar um futuro melhor = correta
do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações de
Em “d”: Podemos esperar porquanto um futuro me-
amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o dinhei-
lhor = sentido de “porque”
ro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava, com a
Em “e”: Podemos esperar todavia um futuro melhor =
consciência de que era uma doação. A situação foi pio-
conjunção adversativa (ideia contrária à apresentada
rando. Os argumentos também. No início era para pagar
anteriormente)
a escola do filho. Depois vieram as mães e avós doentes.
A única frase correta – e coerente - é podemos esperar
Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso. Ajudava
um futuro melhor.
um rapaz, que não conheço pessoalmente. Mas que so-
freu um acidente e não tinha como pagar a fisioterapia.
2. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES-
Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas internações,
GRANRIO-2018) Considere a seguinte frase: “Os lança-
remédios. A situação piorando, eu já estava encomen-
mentos tecnológicos a que o autor se refere podem re-
dando missa de sétimo dia. Falei com um amigo médico, sultar em comportamentos impulsivos nos consumidores
no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso gratuitamen- desses produtos”. A utilização da preposição destacada
te. Surpresa! O doente não aparecia para a consulta. Até a é obrigatória para atender às exigências da regência
que o coloquei contra a parede. Ou se consultava ou eu do verbo “referir-se”, de acordo com a norma-padrão da
não ajudava mais. língua portuguesa. É também obrigatório o uso de uma
Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita preposição antecedendo o pronome que destacado em:
de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca
conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter a) Os consumidores, ao adquirirem um produto que qua-
caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o em- se ninguém possui, recém-lançado no mercado, pas-
prego após o suposto acidente. Foi por isso que me dei- sam a ter uma sensação de superioridade.
xei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde b) Muitos aparelhos difundidos no mercado nem sempre
também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As trazem novidades que justifiquem seu preço elevado
pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a em relação ao modelo anterior.
indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar. c) O estudo de mapeamento cerebral que o pesquisador
Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos realizou foi importante para mostrar que o vício em
aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão sur- novidades tecnológicas cresce cada vez mais.
gir. Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça d) O hormônio chamado dopamina é responsável por
de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova causar sensações de prazer que levam as pessoas a se
LÍNGUA PORTUGUESA

consciência para votar. Como? Num mundo em que as sentirem recompensadas.


notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites e) As pessoas, na maioria das vezes, gastam muito mais
servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram do que o seu orçamento permite em aparelhos que
cada história a meu respeito que nem sei o que dizer. Já elas não necessitam.
inventaram casos de amor, tramas nas novelas que escre-
vo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por que isso

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Resposta: Letra E c) Álvaro convenceu-se de que o melhor a fazer seria sair
Em “a”: Os consumidores, ao adquirirem um produ- para jantar.
to que (= o qual) quase ninguém possui, recém-lan- d) As estantes que o autor aludiu foram projetadas para
çado no mercado, passam a ter uma sensação de armazenar livros e CDs.
superioridade. e) O único detalhe do apartamento que o amigo se ateve
Em “b”: Muitos aparelhos difundidos no mercado nem foi o número de estantes.
sempre trazem novidades que (= as quais) justifiquem
seu preço elevado em relação ao modelo anterior. Resposta: Letra C
Em “c”: O estudo de mapeamento cerebral que (= o Em “a”: Ao ver a quantidade excessiva de prateleiras, o
qual) o pesquisador realizou foi importante para mos- amigo comentou de (X) que = comentou que
trar que o vício em novidades tecnológicas cresce Em “b”: Enquanto seu amigo continua encomendando
cada vez mais. livros de papel, o autor aderiu o = aderiu ao
Em “d”: O hormônio chamado dopamina é responsá- Em “c”: Álvaro convenceu-se de que o melhor a fazer
vel por causar sensações de prazer que (= as quais) seria sair para jantar = correta
levam as pessoas a se sentirem recompensadas. Em “d”: As estantes que o autor aludiu = às quais/a
Em “e”: As pessoas, na maioria das vezes, gastam mui- que
to mais do que o seu orçamento permite em apare- Em “e”: O único detalhe do apartamento que o amigo
lhos de que (= das quais) elas não necessitam. se ateve = ao qual/ a que
GABARITO OFICIAL: E
5. (TJ-SP – ADVOGADO - VUNESP/2013 - ADAPTADA)
3. (MPU – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE-2010) Na passagem – ... e ausência de candidatos para preen-
A pobreza é um dos fatores mais comumente respon- chê-las. –, substituindo-se o verbo preencher por concor-
sáveis pelo baixo nível de desenvolvimento humano rer e atendendo-se à norma-padrão, obtém-se:
e pela origem de uma série de mazelas, algumas das
quais proibidas por lei ou consideradas crimes. É o caso a) … e ausência de candidatos para concorrer a elas.
do trabalho infantil. A chaga encontra terreno fértil nas b) … e ausência de candidatos para concorrer à elas.
sociedades subdesenvolvidas, mas também viceja onde c) … e ausência de candidatos para concorrer-lhes.
o capitalismo, em seu ambiente mais selvagem, obriga d) … e ausência de candidatos para concorrê-las.
crianças e adolescentes a participarem do processo de e) … e ausência de candidatos para lhes concorrer.
produção. Foi assim na Revolução Industrial de ontem
e nas economias ditas avançadas. E ainda é, nos dias de Resposta: Letra A
hoje, nas manufaturas da Ásia ou em diversas regiões do Vamos por exclusão: “à elas” está errada, já que não
Brasil. Enquanto, entre as nações ricas, o trabalho infan- temos acento indicativo de crase antes de pronome
til foi minimizado, já que nunca se pode dizer erradica- pessoal; quando temos um verbo no infinitivo, po-
do, ele continua sendo grave problema nos países mais demos usar a construção: verbo + preposição + pro-
pobres. nome pessoal. Por exemplo: Dar a eles (ao invés de
Jornal do Brasil, Editorial, 1.º/7/2010 (com adaptações). “dar-lhes”).

O emprego de preposição em “a participarem” é exigido


pela regência da forma verbal “obriga”. ORTOGRAFIA, PONTUAÇÃO ETC

( ) CERTO ( ) ERRADO
ORTOGRAFIA
Resposta: Certo
A ortografia é a parte da Fonologia que trata da cor-
(...) o capitalismo, em seu ambiente mais selvagem,
reta grafia das palavras. É ela quem ordena qual som
obriga crianças e adolescentes a participarem =
devem ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma
quem obriga, obriga alguém (crianças e adolescentes –
língua são grafados segundo acordos ortográficos.
objeto direto) a algo (a participarem – objeto indireto:
A maneira mais simples, prática e objetiva de apren-
com preposição – no caso, uma oração com a função
der ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras,
de objeto indireto).
familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras
é necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções
4. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2013)
e, em alguns casos, há necessidade de conhecimento de
Considerando as regras de regência verbal, assinale a al-
LÍNGUA PORTUGUESA

etimologia (origem da palavra).


ternativa correta.

a) Ao ver a quantidade excessiva de prateleiras, o amigo


comentou de que o livro estava acabando.
b) Enquanto seu amigo continua encomendando livros
de papel, o autor aderiu o livro digital.

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Regras ortográficas • Verbos derivados de nomes cujo radical termina
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar
A) O fonema S – pesquisar.

São escritas com S e não C/Ç São escritos com Z e não S


• Palavras substantivadas derivadas de verbos com • Sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adje-
radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender tivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo – beleza.
- pretensão / expandir - expansão / ascender - as- • Sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de
censão / inverter - inversão / aspergir - aspersão / origem não termine com s): final - finalizar / con-
submergir - submersão / divertir - diversão / im- creto – concretizar.
pelir - impulsivo / compelir - compulsório / repelir • Consoante de ligação se o radical não terminar com
- repulsa / recorrer - recurso / discorrer - discurso / “s”: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal
sentir - sensível / consentir – consensual. Exceção: lápis + inho – lapisinho.

São escritos com SS e não C e Ç C) O fonema j


• Nomes derivados dos verbos cujos radicais termi-
nem em gred, ced, prim ou com verbos termina- São escritas com G e não J
dos por tir ou -meter: agredir - agressivo / imprimir • Palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa,
- impressão / admitir - admissão / ceder - cessão / gesso.
exceder - excesso / percutir - percussão / regredir • Estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento,
- regressão / oprimir - opressão / comprometer - gim.
compromisso / submeter – submissão. • Terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com
• Quando o prefixo termina com vogal que se junta poucas exceções): imagem, vertigem, penugem,
com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simé- bege, foge.
trico - assimétrico / re + surgir – ressurgir.
• No pretérito imperfeito simples do subjuntivo. Exceção: pajem.
Exemplos: ficasse, falasse.
• Terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio,
São escritos com C ou Ç e não S e SS litígio, relógio, refúgio.
• Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açúcar. • Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fugir,
• Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó, mugir.
Juçara, caçula, cachaça, cacique. • Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir,
• Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu, surgir.
uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, • Depois da letra “a”, desde que não seja radical ter-
caniço, esperança, carapuça, dentuço. minado com j: ágil, agente.
• Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção /
deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção. São escritas com J e não G
• Após ditongos: foice, coice, traição. • Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
• Palavras derivadas de outras terminadas em -te, • Palavras de origem árabe, africana ou exótica: jiboia,
to(r): marte - marciano / infrator - infração / ab- manjerona.
sorto – absorção. • Palavras terminadas com aje: ultraje.

B) O fonema z D) O fonema ch

São escritos com S e não Z São escritas com X e não CH


• Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é • Palavras de origem tupi, africana ou exótica: abacaxi,
substantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárqui- xucro.
cos: freguês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, • Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu,
princesa. lagartixa.
• Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, • Depois de ditongo: frouxo, feixe.
metamorfose. • Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.
• Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis, Exceção: quando a palavra de origem não derive de
quiseste. outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
LÍNGUA PORTUGUESA

• Nomes derivados de verbos com radicais termina-


dos em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / em- São escritas com CH e não X
preender - empresa / difundir – difusão.
• Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís - Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo, chas-
Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho. si, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.
• Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa.

94
E) As letras “e” e “i” POR QUÊ (separado e com acento)

• Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem. Usos:


Com “i”, só o ditongo interno cãibra. 1. como pronome interrogativo, quando colocado no
• Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são fim da frase (perto do ponto de interrogação) =
escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue. Escreve- Você faltou. Por quê?
mos com “i”, os verbos com infinitivo em -air, -oer 2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por
e -uir: trai, dói, possui, contribui. quê?

Há palavras que mudam de sentido quando substituí- PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico)
mos a grafia “e” pela grafia “i”: área (superfície), ária (me-
lodia) / delatar (denunciar), dilatar (expandir) / emergir Usos:
(vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de estância, que 1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale
anda a pé), pião (brinquedo). a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na escri-
Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto à orto- ta (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até ponto
grafia de uma palavra, há a possibilidade de consultar final) = Compre agora, porque há poucas peças.
o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), 2. como conjunção subordinativa causal, substituível
elaborado pela Academia Brasileira de Letras. É uma obra por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu por-
de referência até mesmo para a criação de dicionários, que se antecipou.
pois traz a grafia atualizada das palavras (sem o signifi-
cado). Na Internet, o endereço é www.academia.org.br. PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico)

Informações importantes Usos:


1. como substantivo, com o sentido de “causa”, “ra-
Formas variantes são as que admitem grafias ou pro- zão” ou “motivo”, admitindo pluralização (por-
núncias diferentes para palavras com a mesma signifi- quês). Geralmente é precedido por artigo = Não
cação: aluguel/aluguer, assobiar/assoviar, catorze/quator- sei o porquê da discussão. É uma pessoa cheia de
ze, dependurar/pendurar, flecha/frecha, germe/gérmen, porquês.
infarto/enfarte, louro/loiro, percentagem/porcentagem,
relampejar/relampear/relampar/relampadar. ONDE / AONDE
Os símbolos das unidades de medida são escritos
sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar Onde = empregado com verbos que não expressam
plural, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg, a ideia de movimento = Onde você está?
20km, 120km/h.
Exceção para litro (L): 2 L, 150 L. Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos
que expressam movimento = Aonde você vai?
Na indicação de horas, minutos e segundos, não
deve haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h, MAU / MAL
22h30min, 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três mi-
nutos e trinta e quatro segundos). Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se
O símbolo do real antecede o número sem espaço: como qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um
R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma bar- mau elemento.
ra vertical ($).
Mal = pode ser usado como
Alguns Usos Ortográficos Especiais 1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”,
“logo que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu.
POR QUE / POR QUÊ / PORQUÊ / PORQUE 2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi
mal na prova?
POR QUE (separado e sem acento) 3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou
pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal
É usado em: não compensa.
1. interrogações diretas (longe do ponto de interro-
gação) = Por que você não veio ontem?
LÍNGUA PORTUGUESA

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
que faltara à aula ontem. CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” = char - Português linguagens: volume 1. – 7.ª ed. Reform.
Ignoro o motivo por que ele se demitiu. – São Paulo: Saraiva, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.] Português: novas palavras: li-
teratura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000.

95
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, 11. Nas formações em que o prefixo ou pseudopre-
Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira fixo termina com a mesma vogal do segundo ele-
Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo: mento: micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, au-
Saraiva, 2002. to-observação, etc.

SITE O hífen é suprimido quando para formar outros ter-


Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/ mos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.
aulas/portugues/ortografia>

Hífen
#FicaDica
Ao separar palavras na translineação
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado (mudança de linha), caso a última palavra a
para ligar os elementos de palavras compostas (como ser escrita seja formada por hífen, repita-o
ex-presidente, por exemplo) e para unir pronomes áto- na próxima linha. Exemplo: escreverei anti-
nos a verbos (ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente inflamatório e, ao final, coube apenas “anti-”.
para fazer a translineação de palavras, isto é, no fim de Na próxima linha escreverei: “-inflamatório”
uma linha, separar uma palavra em duas partes (ca-/sa; (hífen em ambas as linhas). Devido à
compa-/nheiro). diagramação, pode ser que a repetição do
hífen na translineação não ocorra em meus
A) Uso do hífen que continua depois da Reforma conteúdos, mas saiba que a regra é esta!
Ortográfica:
1. Em palavras compostas por justaposição que for-
mam uma unidade semântica, ou seja, nos termos B) Não se emprega o hífen:
que se unem para formam um novo significado: 1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefi-
tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente- xo termina em vogal e o segundo termo inicia-se
-coronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva, em “r” ou “s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas
arco-íris, primeiro-ministro, azul-escuro. consoantes: antirreligioso, contrarregra, infrassom,
2. Em palavras compostas por espécies botânicas e microssistema, minissaia, microrradiografia, etc.
zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, 2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudopre-
abóbora-menina, erva-doce, feijão-verde. fixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se
3. Nos compostos com elementos além, aquém, re- com vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coedu-
cém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-núme- cação, autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétri-
ro, recém-casado. co, plurianual, autoescola, infraestrutura, etc.
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas al- 3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos
gumas exceções continuam por já estarem con- “dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h”
sagradas pelo uso: cor-de-rosa, arco-da-velha, inicial: desumano, inábil, desabilitar, etc.
mais-que-perfeito, pé-de-meia, água-de-colônia, 4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando
queima-roupa, deus-dará. o segundo elemento começar com “o”: coopera-
5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte ção, coobrigação, coordenar, coocupante, coautor,
Rio-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas coedição, coexistir, etc.
combinações históricas ou ocasionais: Áustria- 5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram no-
-Hungria, Angola-Brasil, etc. ção de composição: pontapé, girassol, paraquedas,
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su- paraquedista, etc.
per- quando associados com outro termo que é 6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: ben-
iniciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super- feito, benquerer, benquerido, etc.
-racional, etc.
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-di- Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas correspon-
retor, ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito. dentes átonas, aglutinam-se com o elemento seguinte,
8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: não havendo hífen: pospor, predeterminar, predetermina-
pré-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, do, pressuposto, propor.
etc. Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccio-
9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, so, auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre-
abraça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc. -humano, super-realista, alto-mar.
LÍNGUA PORTUGUESA

10. Nas formações em que o prefixo tem como se- Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma,
gundo termo uma palavra iniciada por “h”: sub-he- antisséptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante,
pático, geo-história, neo-helênico, extra-humano, ultrassom, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus,
semi-hospitalar, super-homem. autoajuda, autoelogio, autoestima, radiotáxi.

96
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Em “a”: O estagiário foi mal (bem) treinado = correta
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Em “b”: O time não jogou mau (bem)no último cam-
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. peonato = mal
Em “c”: O menino não era mal (bom) aluno = mau
SITE Em “d”: Os funcionários perceberam que o chefe esta-
Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/ va de mal (bom) humor = mau
aulas/portugues/ortografia> Em “e”: Os participantes compreendiam mau (bem) o
que estava sendo discutido = mal

EXERCÍCIOS COMENTADOS 3. (TRANSPETRO – TÉCNICO AMBIENTAL JÚNIOR –


CESGRANRIO-2018) Obedecem às regras ortográficas
da língua portuguesa as palavras
1. (EBSERH – TÉCNICO EM FARMÁCIA- AOCP-2015)
Assinale a alternativa em que as palavras estão grafadas
a) admissão, paralisação, impasse
corretamente.
b) bambusal, autorização, inspiração
c) consessão, extresse, enxaqueca
a) Extrovertido – extroverção.
d) banalisação, reexame, desenlace
b) Disponível – disponibilisar.
e) desorganisação, abstração, cassação
c) Determinado – determinassão.
d) Existir – existência.
Resposta: Letra A
e) Característica – caracterizasão.
Em “a”: admissão / paralisação / impasse = corretas
Em “b”: bambusal = bambuzal / autorização /
Resposta: Letra D
inspiração
Em “a”: Extrovertido / extroverção = extroversão
Em “c”: consessão = concessão / extresse = estresse /
Em “b”: Disponível / disponibilisar = disponibilizar
enxaqueca
Em “c”: Determinado / determinassão = determinação
Em “d”: banalisação = banalização / reexame /
Em “d”: Existir / existência = corretas
desenlace
Em “e”: Característica / caracterizasão = caracterização
Em “e”: desorganisação = desorganização / abstração
/ cassação
2. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL
I – CESGRANRIO-2018) O termo destacado está grafado
4. (MPU – ANALISTA – ÁREA ADMINISTRATIVA – ESA-
de acordo com as exigências da norma-padrão da língua
F-2004-ADAPTADA) Na questão abaixo, baseada em
portuguesa em:
Manuel Bandeira, escolha o segmento do texto que não
está isento de erros gramaticais e de ortografia, conside-
a) O estagiário foi mal treinado, por isso não desempe-
rando-se a ortodoxia gramatical.
nhava satisfatoriamente as tarefas solicitadas pelos
seus superiores.
a) Descoberta a conspiração, enquanto os outros não
b) O time não jogou mau no último campeonato, ape-
procuravam outra coisa se não salvar-se, ele revelou
sar de enfrentar alguns problemas com jogadores
a mais heróica força de ânimo, chamando a si toda a
descontrolados.
culpa.
c) O menino não era mal aluno, somente tinha dificul-
b) Antes de alistar-se na tropa paga, vivera da profissão
dade em assimilar conceitos mais complexos sobre os
que lhe valera o apelido.
temas expostos.
c) Não obstante, foi ele talvez o único a demonstrar fé,
d) Os funcionários perceberam que o chefe estava de
entusiasmo e coragem na aventura de 89.
mal humor porque tinha sofrido um acidente de carro
d) A verdade é que Gonzaga, Cláudio Manuel da Cos-
na véspera.
ta, Alvarenga eram homens requintados, letrados, a
e) Os participantes compreendiam mau o que estava
quem a vida corria fácil, ao passo que o alferes sempre
sendo discutido, por isso não conseguiam formular
lutara pela subsistência.
perguntas.
e) Com coragem, serenidade e lucidez, até o fim, enfren-
tou a pena última.
Resposta: Letra A
Mal = advérbio (antônimo de “bem”) / mau = adjetivo
Resposta: Letra A
(antônimo de “bom”). Para saber quando utilizar um
Em “a”: Descoberta a conspiração, enquanto os outros
LÍNGUA PORTUGUESA

ou outro, a dica é substituir por seu antônimo. Se a


não procuravam outra coisa se não salvar-se (senão se
frase ficar coerente, saberemos qual dos dois deve ser
salvar) , ele revelou a mais heróica (heroica) força de
utilizado. Por exemplo: Cigarro faz mal/mau à saúde
ânimo, chamando a si toda a culpa.
= Cigarro faz bem à saúde. A frase ficou coerente –
Em “b”: Antes de alistar-se na tropa paga, vivera da
embora errada em termos de saúde! Então, a maneira
profissão que lhe valera o apelido = correta
correta é “Cigarro faz mal à saúde”.
Vamos aos itens:

97
Em “c”: Não obstante, foi ele talvez o único a demons- Em “c”: usar-se “lhe perguntaram” em lugar de “o per-
trar fé, entusiasmo e coragem na aventura de 89 = guntaram”; = está correto (o “lhe” é objeto indireto
correta – perguntaram o que a quem)
Em “d”: A verdade é que Gonzaga, Cláudio Manuel da Em “d”: grafar-se “porque” em vez de “por que”;
Costa, Alvarenga eram homens requintados, letrados, Em “e”: escrever-se “só usava” em lugar de “usava só”.
a quem a vida corria fácil, ao passo que o alferes sem- = correto, pois se invertermos haverá mudança de
pre lutara pela subsistência = correta sentido (ele usava só meias, nenhuma outra peça de
Em “e”: Com coragem, serenidade e lucidez, até o fim, roupa).
enfrentou a pena última = correta A incorreção está no uso de “porque” no lugar de “por
que”, já que se trata de uma pergunta indireta.
5. (TJ-MG – OFICIAL JUDICIÁRIO – COMISSÁRIO DA
INFÂNCIA E DA JUVENTUDE – CONSULPLAN-2017) PONTUAÇÃO
Estabeleça a associação correta entre a 1.ª coluna e a 2.ª
considerando o emprego do por que / porque. Os sinais de pontuação são marcações gráficas que
(1) “Muitas pessoas se perguntam por que há tão poucas servem para compor a coesão e a coerência textual, além
mulheres [...].” de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas.
(2) “Misoginia é o ódio contra as mulheres apenas porque Um texto escrito adquire diferentes significados quando
são mulheres.” pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação
( ) Faltei _____________ você estava doente. depende, em certos momentos, da intenção do autor do
( ) Todos sabem _____________ não poderei estar presente. discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamen-
( ) Não se sabe ____________realizou tal procedimento. te relacionados ao contexto e ao interlocutor.
( ) Este ponto de vista é _________não há manifestação de
outro pensamento. Principais funções dos sinais de pontuação

A sequência está correta em: A) Ponto (.)


a) 1, 1, 1, 2
b) 1, 2, 1, 2 • Indica o término do discurso ou de parte dele, en-
c) 2, 1, 1, 2 cerrando o período.
d) 2, 2, 2, 1
• Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Com-
Resposta: Letra C panhia). Se a palavra abreviada aparecer em final
Faltei porque você estava doente. = conjunção causal de período, este não receberá outro ponto; neste
Todos sabem por que não poderei estar presente. = dá caso, o ponto de abreviatura marca, também, o fim
para substituir por “a causa pela qual” de período. Exemplo: Estudei português, matemári-
Não se sabe por que realizou tal procedimento. = ca, constitucional, etc. (e não “etc..”)
substituir por “a causa”
Este ponto de vista é porque não há manifestação de • Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do
outro pensamento. = conjunção causal ponto, assim como após o nome do autor de uma
Teremos: 2, 1, 1, 2 citação:
Haverá eleições em outubro
6. (TJ-SC – TÉCNICO JUDICIÁRIO AUXILIAR – FGV- O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napo-
2018) “Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele leão Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
só usava meias vermelhas”. Nesse segmento do texto 1
há um erro gramatical, que é: • Os números que identificam o ano não utilizam
ponto nem devem ter espaço a separá-los, bem
a) empregar-se “o cercaram” em lugar de “lhe cercaram”; como os números de CEP: 1975, 2014, 2006,
b) haver vírgula após a expressão “Um dia”; 17600-250.
c) usar-se “lhe perguntaram” em lugar de “o perguntaram”;
d) grafar-se “porque” em vez de “por que”; B) Ponto e Vírgula (;)
e) escrever-se “só usava” em lugar de “usava só”.
• Separa várias partes do discurso, que têm a mesma
Resposta: Letra D importância: “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os
“Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele só
LÍNGUA PORTUGUESA

ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos genero-


usava meias vermelhas” sos dão pelo pão a vida; os de nenhum espírito dão
Em “a”: empregar-se “o cercaram” em lugar de “lhe pelo pão a alma...” (VIEIRA)
cercaram”; = está correto, pois o “o” funciona como
objeto direto (sem preposição) • Separa partes de frases que já estão separadas por
Em “b”: haver vírgula após a expressão “Um dia”; = está vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; ou-
correto, pois separa o advérbio no início do período tros, montanhas, frio e cobertor.

98
• Separa itens de uma enumeração, exposição de Usa-se a vírgula:
motivos, decreto de lei, etc.
Ir ao supermercado; 1. Para marcar intercalação:
Pegar as crianças na escola; A) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua
Caminhada na praia; abundância, vem caindo de preço.
Reunião com amigos. B) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Es-
tão produzindo, todavia, altas quantidades de
C) Dois pontos (:) alimentos.
C) das expressões explicativas ou corretivas: As indús-
• Antes de uma citação = Vejamos como Afrânio trias não querem abrir mão de suas vantagens, isto
Coutinho trata este assunto: é, não querem abrir mão dos lucros altos.
• Antes de um aposto = Três coisas não me agradam:
chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite. 2. Para marcar inversão:
• Antes de uma explicação ou esclarecimento: Lá es- A) do adjunto adverbial (colocado no início da ora-
tava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo ção): Depois das sete horas, todo o comércio está de
a rotina de sempre. portas fechadas.
• Em frases de estilo direto B) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos
Maria perguntou: pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
- Por que você não toma uma decisão? C) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de
maio de 1982.
D) Ponto de Exclamação (!)
3. Para separar entre si elementos coordenados
• Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, (dispostos em enumeração):
susto, súplica, etc.: Sim! Claro que eu quero me ca- Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
sar com você! A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e
animais.
• Depois de interjeições ou vocativos
Ai! Que susto! 4. Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós que-
João! Há quanto tempo! remos comer pizza; e vocês, churrasco.

E) Ponto de Interrogação (?) 5. Para isolar:


A) o aposto: São Paulo, considerada a metrópole bra-
• Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres. sileira, possui um trânsito caótico.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur B) o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.
Azevedo)
Observações:
F) Reticências (...) Considerando-se que “etc.” é abreviatura da expres-
são latina et coetera, que significa “e outras coisas”, seria
• Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lá- dispensável o emprego da vírgula antes dele. Porém, o
pis, canetas, cadernos... acordo ortográfico em vigor no Brasil exige que empre-
• Indica interrupção violenta da frase: “- Não... quero guemos etc. predecido de vírgula: Falamos de política,
dizer... é verdad... Ah!” futebol, lazer, etc.
• Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este As perguntas que denotam surpresa podem ter com-
mal... pega doutor? binados o ponto de interrogação e o de exclamação:
• Indica que o sentido vai além do que foi dito: Dei- Você falou isso para ela?!
xa, depois, o coração falar...
Temos, ainda, sinais distintivos:
G) Vírgula (,) • a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), sepa-
ração de siglas (IOF/UPC);
Não se usa vírgula • os colchetes ([ ]) = usados em transcrições fei-
Separando termos que, do ponto de vista sintático, tas pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como pri-
ligam-se diretamente entre si: meira opção aos parênteses, principalmente na
matemática;
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Entre sujeito e predicado: • o asterisco (*) = usado para remeter o leitor a uma
Todos os alunos da sala foram advertidos. nota de rodapé ou no fim do livro, para substituir
Sujeito predicado um nome que não se quer mencionar.

2. Entre o verbo e seus objetos:


O trabalho custou sacrifício aos realizadores.
V.T.D.I. O.D. O.I.

99
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 2. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018)
char - Português linguagens: volume 3. – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010. Texto 1
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Em artigo publicado no jornal carioca O Globo, 19/3/2018,
com o nome Erros do passado, o articulista Paulo Gue-
SITE des escreve o seguinte: “Os regimes trabalhista e pre-
Disponível em: <http://www.infoescola.com/ videnciário brasileiros são politicamente anacrônicos,
portugues/pontuacao/> economicamente desastrosos e socialmente perversos.
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/grama- Arquitetados de início em sistemas políticos fechados
tica/uso-da-virgula.htm> (na Alemanha imperial de Bismarck e na Itália fascista de
Mussolini), e desde então cultivados por obsoletos pro-
gramas socialdemocratas, são hoje armas de destruição
EXERCÍCIOS COMENTADOS em massa de empregos locais em meio à competição
global. Reduzem a competitividade das empresas, fabri-
cam desigualdades sociais, dissipam em consumo cor-
1. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)
rente a poupança compulsória dos encargos recolhidos,
O enunciado em que a vírgula foi empregada em desa-
derrubam o crescimento da economia e solapam o valor
cordo com as regras de pontuação é
futuro das aposentadorias”. (adaptado)
a) Como esse metal é limitado, isso garantia que a pro-
No texto 1, os termos inseridos nos parênteses – na Ale-
dução de dinheiro fosse também limitada.
manha imperial de Bismarck e na Itália fascista de Musso-
b) Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o
lini – têm a finalidade textual de:
padrão-ouro.
c) Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo é
a) enumerar os sistemas políticos fechados do passado;
criado assim, inventado em canetaços a partir da con-
b) destacar os sistemas onde se originaram os regimes
cessão de empréstimos.
trabalhista e previdenciário;
d) Assim, o sistema monetário atual funciona com uma
c) criticar o atraso político de alguns sistemas da História;
moeda que é ao mesmo tempo escassa e abundante.
d) condenar nossos regimes trabalhista e previdenciário
e) Escassa porque só banqueiros podem criá-la, e abun-
por serem muito antigos;
dante porque é gerada pela simples manipulação de
e) exemplificar alguns dos nossos erros do passado.
bancos de dados.
Resposta: Letra B
Resposta: Letra E
Arquitetados de início em sistemas políticos fecha-
O enunciado pede a alternativa em desacordo:
dos (na Alemanha imperial de Bismarck e na Itália
Em “a”, Como esse metal é limitado, isso garantia
fascista de Mussolini) = os termos entre parênteses
que a produção de dinheiro fosse também limitada
servem para se referir aos sistemas políticos fechados,
= correta
exemplificando-os.
Em “b”, Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o
Em “a”, enumerar os sistemas políticos fechados do
padrão-ouro = correta
passado = incorreta
Em “c”, Praticamente todo o dinheiro que existe no
Em “b”, destacar os sistemas onde se originaram os
mundo é criado assim, inventado em canetaços a par-
regimes trabalhista e previdenciário = correta
tir da concessão de empréstimos = correta
Em “c”, criticar o atraso político de alguns sistemas da
Em “d”, Assim, o sistema monetário atual funciona
História = incorreta
com uma moeda que é ao mesmo tempo escassa e
Em “d”, condenar nossos regimes trabalhista e previ-
abundante = correta
denciário por serem muito antigos = incorreta
Em “e”, Escassa porque só banqueiros podem criá-la,
Em “e”, exemplificar alguns dos nossos erros do pas-
(X) e abundante porque é gerada pela simples mani-
sado = incorreta
pulação de bancos de dados = incorreta - a vírgula
pode ser utilizada antes da conjunção “e”, desde que
3. (BADESC – ANALISTA DE SISTEMA – BANCO DE DA-
haja mudança de sujeito, por exemplo (o que não
DOS – FGV-2010) Assinale a alternativa em que a vírgula
acontece na questão)
está corretamente empregada.
LÍNGUA PORTUGUESA

a) O jeitinho, essa instituição tipicamente brasileira pode


ser considerado, sem dúvida, um desvio de caráter.
b) Apareciam novos problemas, e o funcionário embora
competente, nem sempre conseguia resolvê-los.
c) Ainda que os níveis de educação estivessem avançan-
do, o sentimento geral, às vezes, era de frustração.

100
d) É claro, que se fôssemos levar a lei ao pé da letra, mui- Em “c”: A noção de responsabilidade social foi mui-
tos sofreriam sanções diariamente. to utilizada em campanhas publicitárias: (X) ; por isso,
e) O tempo não para as transformações sociais são ur- as empresas precisam relacionar-se melhor, (X) com a
gentes mas há quem não perceba esse fato, que é sociedade.
evidente. Em “d”: A responsabilidade social explora um leque
abrangente de beneficiários, envolvendo , assim: (X) ,
Resposta: Letra C a qualidade de vida , o bem-estar dos trabalhadores,
Indiquei com (X) os lugares inadequados e acrescentei (X) e a redução de impactos negativos, (X) no meio
a pontuação que faltou: ambiente.
Em “a”, O jeitinho, essa instituição tipicamente brasi- Em “e”: Alguns críticos da responsabilidade social de-
leira , pode ser considerado, sem dúvida, um desvio fendem a ideia de que: (X) o objetivo das empresas é
de caráter. o lucro e a geração de empregos , não a preocupação
Em “b”, Apareciam novos problemas , (X) e o funcio- com a sociedade como um todo.
nário , embora competente, nem sempre conseguia
resolvê-los. 5. (PC-SP - Investigador de Polícia – Vunesp-2014)
Em “c”, Ainda que os níveis de educação estivessem
avançando, o sentimento geral, às vezes, era de frus-
tração.= correta
Em “d”, É claro , (X) que se fôssemos levar a lei ao pé da
letra, muitos sofreriam sanções diariamente.
Em “e”, O tempo não para , as transformações sociais
são urgentes , mas há quem não perceba esse fato,
que é evidente.
(Folha de S.Paulo, 03.01.2014. Adaptado)
4. (BANCO DO BRASIL – ESCRITURÁRIO – CESGRAN-
RIO-2018) De acordo com a norma-padrão da língua De acordo com a norma-padrão, no primeiro quadri-
portuguesa, a pontuação está corretamente empregada nho, na fala de Hagar, deve ser utilizada uma vírgula,
em: obrigatoriamente,

a) O conjunto de preocupações e ações efetivas, quan- a) antes da palavra “olho”.


do atendem, de forma voluntária, aos funcionários e b) antes da palavra “e”.
à comunidade em geral, pode ser definido como res- c) depois da palavra “evitar”.
ponsabilidade social. d) antes da palavra “evitar”.
b) As empresas que optam por encampar a prática da e) depois da palavra “e”.
responsabilidade social, beneficiam-se de conseguir
uma melhor imagem no mercado. Resposta: Letra C
c) A noção de responsabilidade social foi muito utiliza- “Não posso evitar doutor” = no diálogo, Hagar fala
da em campanhas publicitárias: por isso, as empresas com o doutor (vocativo); portanto, presença obriga-
precisam relacionar-se melhor, com a sociedade. tória de vírgula após o verbo “evitar”.
d) A responsabilidade social explora um leque abrangen-
te de beneficiários, envolvendo assim: a qualidade de 6. (TJ-RS – JUIZ DE DIREITO – SUBSTITUTO – VU-
vida o bem-estar dos trabalhadores, a redução de im- NESP-2018) No trecho do primeiro parágrafo do texto
pactos negativos, no meio ambiente. – Nas escolas da Catalunha, a separação da Espanha tem
e) Alguns críticos da responsabilidade social defendem apoio maciço. É uma situação que contrasta com outros
a ideia de que: o objetivo das empresas é o lucro e a lugares de Barcelona, uma cidade que vive hoje em
geração de empregos não a preocupação com a so- duas dimensões. De um lado, há a Barcelona dos turistas,
ciedade como um todo. que se cotovelam nos pontos turísticos da cidade, …
–, empregam-se as vírgulas para separar as expressões
Resposta: Letra A destacadas porque elas
Assinalei com (X) as inadequações e destaquei as
inclusões: a) acrescem às informações precedentes comentários
Em “a”: O conjunto de preocupações e ações efetivas, que lhes ampliam o sentido.
quando atendem, de forma voluntária, aos funcioná-
LÍNGUA PORTUGUESA

b) sintetizam as ideias centrais das informações


rios e à comunidade em geral, pode ser definido como precedentes.
responsabilidade social = correta c) apresentam informações que se opõem às informa-
Em “b”: As empresas que optam por encampar a prá- ções precedentes.
tica da responsabilidade social, (X) beneficiam-se de d) retificam as informações precedentes, dando-lhes o
conseguir uma melhor imagem no mercado. correto matiz semântico.
e) estabelecem certas restrições de sentido às informa-
ções precedentes.

101
Resposta: Letra A Quanto ao período, ele denomina a frase constituída
É uma situação que contrasta com outros lugares de por uma ou mais orações, formando um todo, com sen-
Barcelona, uma cidade que vive hoje em duas di- tido completo. O período pode ser simples ou composto.
mensões. De um lado, há a Barcelona dos turistas, que
se cotovelam nos pontos turísticos da cidade Período simples é aquele constituído por apenas
Os períodos destacados acrescentam informações aos uma oração, que recebe o nome de oração absoluta.
termos citados anteriormente. Chove.
A existência é frágil.
AO RECONHECIMENTO DE RELAÇÕES Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso.
ESTRUTURAIS E SEMÂNTICAS ENTRE
FRASES OU EXPRESSÕES Período composto é aquele constituído por duas ou
mais orações:
Cantei, dancei e depois dormi.
FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO Quero que você estude mais.
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO
TERMOS DA ORAÇÃO Termos da Oração
COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO
Termos essenciais
Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para
estabelecer comunicação. Normalmente é composta por O sujeito e o predicado são considerados termos
dois termos – o sujeito e o predicado – mas não obriga- essenciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis
toriamente, pois há orações ou frases sem sujeito: Trove- para a formação das orações. No entanto, existem ora-
jou muito ontem à noite. ções formadas exclusivamente pelo predicado. O que
define a oração é a presença do verbo. O sujeito é o ter-
Quanto aos tipos de frases, além da classificação em mo que estabelece concordância com o verbo.
verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e nomi- O candidato está preparado.
nais (sem a presença de verbos), feita a partir de seus Os candidatos estão preparados.
elementos constituintes, elas podem ser classificadas a
partir de seu sentido global: Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”. “Candida-
A) frases interrogativas = o emissor da mensagem to” é a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, deno-
formula uma pergunta: Que dia é hoje? minada núcleo do sujeito. Este se relaciona com o verbo,
B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou estabelecendo a concordância (núcleo no singular, verbo
faz um pedido: Dê-me uma luz! no singular: candidato = está).
C) frases exclamativas = o emissor exterioriza um es- A função do sujeito é basicamente desempenhada
tado afetivo: Que dia abençoado! por substantivos, o que a torna uma função substantiva
D) frases declarativas = o emissor constata um fato: A da oração. Pronomes, substantivos, numerais e quais-
prova será amanhã. quer outras palavras substantivadas (derivação impró-
pria) também podem exercer a função de sujeito.
Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo,
(oração) são estruturadas por dois elementos essenciais: substantivo)
sujeito e predicado. Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no exem-
O sujeito é o termo da frase que concorda com o ver- plo: substantivo)
bo em número e pessoa. É o “ser de quem se declara Os sujeitos são classificados a partir de dois elemen-
algo”, “o tema do que se vai comunicar”; o predicado é a tos: o de determinação ou indeterminação e o de núcleo
parte da frase que contém “a informação nova para o ou- do sujeito.
vinte”, é o que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema,
constituindo a declaração do que se atribui ao sujeito. Um sujeito é determinado quando é facilmente
Quando o núcleo da declaração está no verbo (que identificado pela concordância verbal. O sujeito determi-
indique ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo nado pode ser simples ou composto.
significativo), temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo A indeterminação do sujeito ocorre quando não é
estiver em um nome (geralmente um adjetivo), teremos possível identificar claramente a que se refere a concor-
um predicado nominal (os verbos deste tipo de predica- dância verbal. Isso ocorre quando não se pode ou não
do são os que indicam estado, conhecidos como verbos interessa indicar precisamente o sujeito de uma oração.
LÍNGUA PORTUGUESA

de ligação): Estão gritando seu nome lá fora.


O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação Trabalha-se demais neste lugar.
(predicado verbal)
A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o nú- O sujeito simples é o sujeito determinado que apre-
cleo é “fácil” (predicado nominal) senta um único núcleo, que pode estar no singular ou no
plural; pode também ser um pronome indefinido. Abai-
xo, sublinhei os núcleos dos sujeitos:

102
Nós estudaremso juntos. O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice
A humanidade é frágil. de indeterminação do sujeito.
Ninguém se move.
O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve uma As orações sem sujeito, formadas apenas pelo pre-
derivação imprópria, tranformando-o em substantivo) dicado, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A
As crianças precisam de alimentos saudáveis. mensagem está centrada no processo verbal. Os princi-
pais casos de orações sem sujeito com:
O sujeito composto é o sujeito determinado que
apresenta mais de um núcleo. • os verbos que indicam fenômenos da natureza:
Alimentos e roupas custam caro. Amanheceu.
Ela e eu sabemos o conteúdo. Está trovejando.
O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda.
• os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam
Além desses dois sujeitos determinados, é comum a fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao
referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o tempo em geral:
“antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo Está tarde.
do sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido Já são dez horas.
pela desinência verbal ou pelo contexto. Faz frio nesta época do ano.
Abolimos todas as regras. = (nós) Há muitos concursos com inscrições abertas.
Falaste o recado à sala? = (tu)
Predicado é o conjunto de enunciados que contém a
Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na pri- informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas
meira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na se- orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia
gunda do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado
pronomes não estejam explícitos. é aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com ex-
Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implíci- ceção do vocativo - que é um termo à parte - tudo o que
to na desinência verbal “-mos” difere do sujeito numa oração é o seu predicado.
Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na de- Chove muito nesta época do ano.
sinência verbal “-ais” Houve problemas na reunião.

Mas: Em ambas as orações não há sujeito, apenas predi-


Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós cado. Na segunda oração, “problemas” funciona como
Vós cantais bem! = sujeito simples: vós objeto direto.

O sujeito indeterminado surge quando não se quer - As questões estavam fáceis!


ou não se pode - identificar a que o predicado da oração Sujeito simples = as questões
refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso Predicado = estavam fáceis
contrário, teríamos uma oração sem sujeito.
Na língua portuguesa, o sujeito pode ser indetermi- Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento.
nado de duas maneiras: Sujeito = uma ideia estranha
Predicado = passou-me pelo pensamento
A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que
o sujeito não tenha sido identificado anteriormente: Para o estudo do predicado, é necessário verificar
Bateram à porta; se seu núcleo é um nome (então teremos um predicado
Andam espalhando boatos a respeito da queda do nominal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se con-
ministro. siderar também se as palavras que formam o predicado
referem-se apenas ao verbo ou também ao sujeito da
Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples oração.
ou composto:
Os meninos bateram à porta. (simples) Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres
Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto) de opinião.
Predicado
B) com o verbo na terceira pessoa do singular, acres-
LÍNGUA PORTUGUESA

cido do pronome “se”. Esta é uma construção típi- O predicado acima apresenta apenas uma palavra
ca dos verbos que não apresentam complemento que se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se
direto: ligam direta ou indiretamente ao verbo.
Precisa-se de mentes criativas. A cidade está deserta.
Vivia-se bem naqueles tempos.
Trata-se de casos delicados.
Sempre se está sujeito a erros.

103
O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere- Os complementos verbais integram o sentido dos
-se ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como verbos transitivos, com eles formando unidades signifi-
elemento de ligação (por isso verbo de ligação) entre o cativas. Estes verbos podem se relacionar com seus com-
sujeito e a palavra a ele relacionada (no caso: deserta = plementos diretamente, sem a presença de preposição,
predicativo do sujeito). ou indiretamente, por intermédio de preposição.

O predicado verbal é aquele que tem como núcleo O objeto direto é o complemento que se liga direta-
significativo um verbo: mente ao verbo.
Chove muito nesta época do ano. Houve muita confusão na partida final.
Estudei muito hoje! Queremos sua ajuda.
Compraste a apostila?
O objeto direto preposicionado ocorre principal-
Os verbos acima são significativos, isto é, não servem mente:
apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam
processos. A) com nomes próprios de pessoas ou nomes co-
muns referentes a pessoas:
O predicado nominal é aquele que tem como nú- Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais.
cleo significativo um nome; este atribui uma qualidade (o objeto é direto, mas como há preposição, denomi-
ou estado ao sujeito, por isso é chamado de predicativo na-se: objeto direto preposicionado)
do sujeito. O predicativo é um nome que se liga a ou-
tro nome da oração por meio de um verbo (o verbo de B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes
ligação). de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero
Nos predicados nominais, o verbo não é significativo, cansar a Vossa Senhoria.
isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao pre-
dicativo, indicando circunstâncias referentes ao estado C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a cri-
do sujeito: Os dados parecem corretos. se. (sem preposição, o sentido seria outro: O povo
O verbo parecer poderia ser substituído por estar, prejudica a crise)
andar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como
elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele O objeto indireto é o complemento que se liga indi-
relacionadas. retamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição.
Gosto de música popular brasileira.
A função de predicativo é exercida, normalmente, por Necessito de ajuda.
um adjetivo ou substantivo.
Objeto Pleonástico
O predicado verbo-nominal é aquele que apresen-
ta dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos.
predicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir Normalmente, as frases em que ocorrem objetos
ao sujeito ou ao complemento verbal (objeto). pleonásticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o
O verbo do predicado verbo-nominal é sempre sig- objeto, antecipado para o início da oração; em seguida,
nificativo, indicando processos. É também sempre por ele é repetido através de um pronome oblíquo. É à repe-
intermédio do verbo que o predicativo se relaciona com tição que se dá o nome de objeto pleonástico.
o termo a que se refere.
O dia amanheceu ensolarado; “Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçal-
As mulheres julgam os homens inconstantes. ves Dias)

No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta objeto pleonástico
duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de
ligação. Este predicado poderia ser desdobrado em dois:
um verbal e outro nominal. Ao traidor, nada lhe devemos.
O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado.
No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona o O termo que integra o sentido de um nome chama-se
complemento homens com o predicativo “inconstantes”. complemento nominal, que se liga ao nome que com-
LÍNGUA PORTUGUESA

pleta por intermédio de preposição:


Termos integrantes da oração

Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o


complemento nominal são chamados termos integrantes
da oração.

104
A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a pala- B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas
vra “necessária” coisas: amor, arte, ação.
Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo” C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e so-
nho, tudo forma o carnaval.
Termos acessórios da oração e vocativo D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fi-
xaram-se por muito tempo na baía anoitecida.
Os termos acessórios recebem este nome por serem O vocativo é um termo que serve para chamar, in-
explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o ad- vocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, não
junto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o voca- mantendo relação sintática com outro termo da oração.
tivo – este, sem relação sintática com outros temos da A função de vocativo é substantiva, cabendo a substan-
oração. tivos, pronomes substantivos, numerais e palavras subs-
tantivadas esse papel na linguagem.
O adjunto adverbial é o termo da oração que indi- João, venha comigo!
ca uma circunstância do processo verbal ou intensifica o Traga-me doces, minha menina!
sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função
adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais Períodos Compostos
exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei
a pé àquela velha praça. Período Composto por Coordenação

O adjunto adnominal é o termo acessório que de- O período composto se caracteriza por possuir mais
termina, especifica ou explica um substantivo. É uma fun- de uma oração em sua composição. Sendo assim:
ção adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma
que exercem o papel de adjunto adnominal na oração. oração)
Também atuam como adjuntos adnominais os artigos, os Estou comprando um protetor solar, depois irei à
numerais e os pronomes adjetivos. praia. (Período Composto =locução verbal + verbo, duas
orações)
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu
Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar
amigo de infância.
um protetor solar. (Período Composto = três verbos, três
orações).
O adjunto adnominal se liga diretamente ao subs-
tantivo a que se refere, sem participação do verbo. Já o
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer
predicativo do objeto se liga ao objeto por meio de um
entre as orações de um período composto: uma relação
verbo.
de coordenação ou uma relação de subordinação.
O poeta português deixou uma obra originalíssima.
Duas orações são coordenadas quando estão juntas
O poeta deixou-a.
em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: de informações, marcado pela pontuação final), mas têm,
adjunto adnominal) ambas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
O poeta português deixou uma obra inacabada. (Período Composto)
O poeta deixou-a inacabada. Podemos dizer:
(inacabada precisou ser repetida, então: predicativo 1. Estou comprando um protetor solar.
do objeto) 2. Irei à praia.

Enquanto o complemento nominal se relaciona a um Separando as duas, vemos que elas são independen-
substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se tes. Tal período é classificado como Período Composto
relaciona apenas ao substantivo. por Coordenação.
Quanto à classificação das orações coordenadas, te-
O aposto é um termo acessório que permite ampliar, mos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um Sindéticas.
termo que exerça qualquer função sintática: Ontem, se-
gunda-feira, passei o dia mal-humorado. A) Coordenadas Assindéticas
Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tem- São orações coordenadas entre si e que não são li-
LÍNGUA PORTUGUESA

po “ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ao gadas através de nenhum conectivo. Estão apenas
termo que se relaciona porque poderia substituí-lo: Se- justapostas.
gunda-feira passei o dia mal-humorado. Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci.
O aposto pode ser classificado, de acordo com seu
valor na oração, em: B) Coordenadas Sindéticas
A) explicativo: A linguística, ciência das línguas huma- Ao contrário da anterior, são orações coordenadas
nas, permite-nos interpretar melhor nossa relação entre si, mas que são ligadas através de uma conjunção
com o mundo. coordenativa, que dará à oração uma classificação. As

105
orações coordenadas sindéticas são classificadas em cin- subordinada apresenta agora verbo no infinitivo (ser).
co tipos: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e Além disso, a conjunção “que”, conectivo que unia as
explicativas. duas orações, desapareceu. As orações subordinadas
cujo verbo surge numa das formas nominais (infinitivo,
Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção! gerúndio ou particípio) são chamadas de orações redu-
zidas ou implícitas (como no exemplo acima).
• Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas
principais conjunções são: e, nem, não só... mas Observação:
também, não só... como, assim... como. As orações reduzidas não são introduzidas por con-
Nem comprei o protetor solar nem fui à praia. junções nem pronomes relativos. Podem ser, eventual-
Comprei o protetor solar e fui à praia. mente, introduzidas por preposição.
A) Orações Subordinadas Substantivas
• Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas: A oração subordinada substantiva tem valor de subs-
suas principais conjunções são: mas, contudo, to- tantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção in-
davia, entretanto, porém, no entanto, ainda, assim, tegrante (que, se).
senão.
Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante. Não sei se sairemos hoje.
Li tudo, porém não entendi! Oração Subordinada Substantiva

• Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas: Temos medo de que não sejamos aprovados.
suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; Oração Subordinada Substantiva
quer...quer; seja...seja.
Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador. Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) tam-
bém introduzem as orações subordinadas substantivas,
• Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas: bem como os advérbios interrogativos (por que, quando,
suas principais conjunções são: logo, portanto, por onde, como).
fim, por conseguinte, consequentemente, pois (pos-
posto ao verbo). O garoto perguntou qual seu nome.
Passei no concurso, portanto comemorarei! Oração Subordinada Substantiva
A situação é delicada; devemos, pois, agir.
Não sabemos quando ele virá.
• Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas: Oração Subordinada Substantiva
suas principais conjunções são: isto é, ou seja, a sa-
ber, na verdade, pois (anteposto ao verbo). Classificação das Orações Subordinadas Substan-
Não fui à praia, pois queria descansar durante o tivas
Domingo.
Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos. Conforme a função que exerce no período, a oração
subordinada substantiva pode ser:
Período Composto Por Subordinação
1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do
Quero que você seja aprovado! verbo da oração principal:
Oração principal oração subordinada
É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Observe que na oração subordinada temos o verbo Sujeito
“seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singu-
lar do presente do subjuntivo, além de ser introduzida É fundamental que você compareça à reunião.
por conjunção. As orações subordinadas que apresentam Oração Principal Oração Subordinada Substan-
verbo em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo tiva Subjetiva
do indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas
por conjunção, chamam-se orações desenvolvidas ou
explícitas.

Podemos modificar o período acima. Veja:


LÍNGUA PORTUGUESA

Quero ser aprovado.


Oração Principal Oração Subordinada

A análise das orações continua sendo a mesma:


“Quero” é a oração principal, cujo objeto direto é a ora-
ção subordinada “ser aprovado”. Observe que a oração

106
3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto
FIQUE ATENTO! do verbo da oração principal. Vem precedida de
Observe que a oração subordinada preposição.
substantiva pode ser substituída pelo
pronome “isso”. Assim, temos um período Meu pai insiste em meu estudo.
simples: Objeto Indireto
É fundamental isso ou Isso é
fundamental. Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste nisso)
Oração Subordinada Substantiva Ob-
Desta forma, a oração correspondente a jetiva Indireta
“isso” exercerá a função de sujeito.
Observação:
Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na
Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na ora- oração.
ção principal: Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Oração Subordinada Substan-
• Verbos de ligação + predicativo, em construções tiva Objetiva Indireta
do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece
certo - É claro - Está evidente - Está comprovado 4. Completiva Nominal = completa um nome que
É bom que você compareça à minha festa. pertence à oração principal e também vem marca-
da por preposição.
• Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Sou-
be-se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi Sentimos orgulho de seu comportamento.
anunciado, Ficou provado. Complemento Nominal
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.
Sentimos orgulho de que você se comportou. (=
• Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - Sentimos orgulho disso.)
importar - ocorrer - acontecer Oração Subordinada Substan-
Convém que não se atrase na entrevista. tiva Completiva Nominal
As orações subordinadas substantivas objetivas in-
Observação: diretas integram o sentido de um verbo, enquanto que
Quando a oração subordinada substantiva é subjeti- orações subordinadas substantivas completivas nominais
va, o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da
do singular. outra, é necessário levar em conta o termo complemen-
tado. Esta é a diferença entre o objeto indireto e o com-
2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto plemento nominal: o primeiro complementa um verbo; o
do verbo da oração principal: segundo, um nome.

Todos querem sua aprovação no concurso.
Objeto Direto 5. Predicativa = exerce papel de predicativo do su-
jeito do verbo da oração principal e vem sempre
Todos querem que você seja aprovado. (Todos depois do verbo ser.
querem isso) Nosso desejo era sua desistência.
Oração Principal Oração Subordinada Substan- Predicativo do Sujeito
tiva Objetiva Direta
Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso de-
As orações subordinadas substantivas objetivas dire- sejo era isso)
tas (desenvolvidas) são iniciadas por: Oração Subordinada Substan-
• Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e tiva Predicativa
“se”: A professora verificou se os alunos estavam
presentes. 6. Apositiva = exerce função de aposto de algum ter-
• Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às mo da oração principal.
vezes regidos de preposição), nas interrogações Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
LÍNGUA PORTUGUESA

indiretas: O pessoal queria saber quem era o dono Aposto


do carro importado.
• Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!
vezes regidos de preposição), nas interrogações Oração subordinada
indiretas: Eu não sei por que ela fez isso. substantiva apositiva reduzida de infinitivo

(Fernanda tinha um grande sonho: isso)

107
Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : ) Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas

B) Orações Subordinadas Adjetivas Na relação que estabelecem com o termo que carac-
Uma oração subordinada adjetiva é aquela que pos- terizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar
sui valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equiva- de duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem
le. As orações vêm introduzidas por pronome relativo e ou especificam o sentido do termo a que se referem, in-
exercem a função de adjunto adnominal do antecedente. dividualizando-o. Nestas orações não há marcação de
pausa, sendo chamadas subordinadas adjetivas restriti-
Esta foi uma redação bem-sucedida. vas. Existem também orações que realçam um detalhe ou
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal) amplificam dados sobre o antecedente, que já se encon-
tra suficientemente definido. Estas orações denominam-
O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adje- -se subordinadas adjetivas explicativas.
tivo “bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos
outra construção, a qual exerce exatamente o mesmo Exemplo 1:
papel:
Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que
passava naquele momento.
Esta foi uma redação que fez sucesso.
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva
No período acima, observe que a oração em desta-
Perceba que a conexão entre a oração subordinada
que restringe e particulariza o sentido da palavra “ho-
adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é mem”: trata-se de um homem específico, único. A oração
feita pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou limita o universo de homens, isto é, não se refere a todos
relacionar) duas orações, o pronome relativo desempe- os homens, mas sim àquele que estava passando naque-
nha uma função sintática na oração subordinada: ocupa le momento.
o papel que seria exercido pelo termo que o antecede Exemplo 2:
(no caso, “redação” é sujeito, então o “que” também fun-
ciona como sujeito). O homem, que se considera racional, muitas vezes
age animalescamente.
FIQUE ATENTO!
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa
Vale lembrar um recurso didático para
reconhecer o pronome relativo “que”: ele
Agora, a oração em destaque não tem sentido restri-
sempre pode ser substituído por: o qual -
tivo em relação à palavra “homem”; na verdade, apenas
a qual - os quais - as quais
explicita uma ideia que já sabemos estar contida no con-
Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta
oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno ceito de “homem”.
o qual estuda.
Saiba que:
A oração subordinada adjetiva explicativa é separa-
da da oração principal por uma pausa que, na escrita,
Forma das Orações Subordinadas Adjetivas
é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a
pontuação seja indicada como forma de diferenciar as
Quando são introduzidas por um pronome relativo e
orações explicativas das restritivas; de fato, as explicati-
apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as
vas vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não.
orações subordinadas adjetivas são chamadas desenvol-
vidas. Além delas, existem as orações subordinadas ad-
C) Orações Subordinadas Adverbiais
jetivas reduzidas, que não são introduzidas por pronome Uma oração subordinada adverbial é aquela que
relativo (podem ser introduzidas por preposição) e apre- exerce a função de adjunto adverbial do verbo da ora-
sentam o verbo numa das formas nominais (infinitivo, ção principal. Assim, pode exprimir circunstância de tem-
gerúndio ou particípio). po, modo, fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou. desenvolvida, vem introduzida por uma das conjunções
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar. subordinativas (com exclusão das integrantes, que intro-
LÍNGUA PORTUGUESA

duzem orações subordinadas substantivas). Classifica-se


No primeiro período, há uma oração subordinada ad- de acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que
jetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome a introduz (assim como acontece com as coordenadas
relativo “que” e apresenta verbo conjugado no pretérito sindéticas).
perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração su-
bordinada adjetiva reduzida de infinitivo: não há prono- Durante a madrugada, eu olhei você dormindo.
me relativo e seu verbo está no infinitivo. Oração Subordinada Adverbial

108
A oração em destaque agrega uma circunstância de oração sublinhada relata um fato que aconteceu depois,
tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada já que primeiro ela chorou, depois seus olhos ficaram
adverbial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos vermelhos.
acessórios que indicam uma circunstância referente, via
de regra, a um verbo. A classificação do adjunto adver- B) Consecutiva = exprime um fato que é consequên-
bial depende da exata compreensão da circunstância que cia, é efeito do que se declara na oração principal.
exprime. São introduzidas pelas conjunções e locuções: que,
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas
minha vida. estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que.
Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de Principal conjunção subordinativa consecutiva: que
minha vida. (precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou
concretizando-os.
No primeiro período, “naquele momento” é um ad-
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Redu-
junto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal
zida de Infinitivo)
“senti”. No segundo período, este papel é exercido pela
oração “Quando vi o mar”, que é, portanto, uma oração C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe
subordinada adverbial temporal. Esta oração é desenvol- como necessário para a realização ou não de um
vida, pois é introduzida por uma conjunção subordina- fato. As orações subordinadas adverbiais condicio-
tiva (quando) e apresenta uma forma verbal do modo nais exprimem o que deve ou não ocorrer para que
indicativo (“vi”, do pretérito perfeito do indicativo). Seria se realize - ou deixe de se realizar - o fato expresso
possível reduzi-la, obtendo-se: na oração principal.
Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de mi- Principal conjunção subordinativa condicional: se.
nha vida. Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, des-
de que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que,
A oração em destaque é reduzida, apresentando uma sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo).
das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não Se o regulamento do campeonato for bem elaborado,
é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por certamente o melhor time será campeão.
uma preposição (“a”, combinada com o artigo “o”). Caso você saia, convide-me.
Observação:
A classificação das orações subordinadas adverbiais D) Concessiva = indica concessão às ações do verbo
é feita do mesmo modo que a classificação dos adjun- da oração principal, isto é, admitem uma contra-
tos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela dição ou um fato inesperado. A ideia de conces-
oração. são está diretamente ligada ao contraste, à quebra
de expectativa. Principal conjunção subordinativa
Classificação das Orações Subordinadas Adverbiais concessiva: embora. Utiliza-se também a con-
junção: conquanto e as locuções ainda que, ainda
quando, mesmo que, se bem que, posto que, apesar
A) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada
de que.
àquilo que provoca um determinado fato, ao moti-
Só irei se ele for.
vo do que se declara na oração principal. Principal
A oração acima expressa uma condição: o fato de
conjunção subordinativa causal: porque. Outras “eu” ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita.
conjunções e locuções causais: como (sempre in- Compare agora com:
troduzido na oração anteposta à oração principal), Irei mesmo que ele não vá.
pois, pois que, já que, uma vez que, visto que.
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito A distinção fica nítida; temos agora uma concessão:
forte. irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida.
Já que você não vai, eu também não vou. A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial
concessiva.
A diferença entre a subordinada adverbial causal e a Observe outros exemplos:
sindética explicativa é que esta “explica” o fato que acon- Embora fizesse calor, levei agasalho.
teceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela apre- Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em-
senta a “causa” do acontecimento expresso na oração à bora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
LÍNGUA PORTUGUESA

qual ela se subordina. Repare:


1. Faltei à aula porque estava doente. E) Comparativa= As orações subordinadas adver-
2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos. biais comparativas estabelecem uma comparação
com a ação indicada pelo verbo da oração princi-
Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa) pal. Principal conjunção subordinativa comparati-
que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o fato de va: como.
estar doente impediu-me de ir à aula. No exemplo 2, a Ele dorme como um urso. (como um urso dorme)

109
Você age como criança. (age como uma criança age) Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam
“desenvolvidas” – como no exemplo acima.
• geralmente há omissão do verbo. É preciso estudar = oração subordinada substantiva
subjetiva reduzida de infinitivo
F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou É preciso que se estude = oração subordinada subs-
seja, apresenta uma regra, um modelo adotado tantiva subjetiva
para a execução do que se declara na oração prin-
cipal. Principal conjunção subordinativa conforma- Orações Intercaladas
tiva: conforme. Outras conjunções conformativas:
como, consoante e segundo (todas com o mesmo São orações independentes encaixadas na sequên-
valor de conforme). cia do período, utilizadas para um esclarecimento, um
Fiz o bolo conforme ensina a receita. aparte, uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm travessões.
direitos iguais. Nós – continuava o relator – já abordamos este
assunto.
G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que
se declara na oração principal. Principal conjunção REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
subordinativa final: a fim de. Outras conjunções SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
finais: que, porque (= para que) e a locução con- Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
juntiva para que. CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas. Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Estudarei muito para que eu me saia bem na prova. Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
São Paulo: Saraiva, 2002.
H) Proporcional = exprime ideia de proporção, ou
seja, um fato simultâneo ao expresso na oração SITE
principal. Principal locução conjuntiva subordinati- Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/
va proporcional: à proporção que. Outras locuções aulas/portugues/frase-periodo-e-oracao>
conjuntivas proporcionais: à medida que, ao passo
que. Há ainda as estruturas: quanto maior...(maior),
quanto maior...(menor), quanto menor...(maior), EXERCÍCIOS COMENTADOS
quanto menor...(menor), quanto mais...(mais), quan-
to mais...(menos), quanto menos...(mais), quanto
1. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018)
menos...(menos).
“Talvez um dia seja bom relembrar este dia”. (Virgílio) A
forma de oração desenvolvida adequada corresponden-
À proporção que estudávamos mais questões acer-
te à oração sublinhada acima é:
távamos.
À medida que lia mais culto ficava.
a) relembrarmos este dia;
b) a relembrança deste dia;
I) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao fato
c) que relembremos este dia;
expresso na oração principal, podendo exprimir
d) que relembrássemos este dia;
noções de simultaneidade, anterioridade ou poste-
e) uma nova lembrança deste dia.
rioridade. Principal conjunção subordinativa tem-
poral: quando. Outras conjunções subordinativas
Resposta: Letra C
temporais: enquanto, mal e locuções conjuntivas:
Em “c”: que relembremos este dia;
assim que, logo que, todas as vezes que, antes que,
Em “d”: que relembrássemos este dia;
depois que, sempre que, desde que, etc.
Em uma oração desenvolvida há a presença de con-
Assim que Paulo chegou, a reunião acabou.
junção. Ambos os itens têm, mas temos que fazer a
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando ter-
correlação verbal com o período da oração reduzida
minou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
(o verbo nos dá uma hipótese – talvez seja bom relem-
brar). Portanto, a forma correta é: Talvez um dia seja
Orações Reduzidas
bom que relembremos este dia.
As orações subordinadas podem vir expressas como
LÍNGUA PORTUGUESA

2. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE LEGIS-


reduzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas
LATIVO MUNICIPAL – FGV-2018) “Ou seja, foi usada
nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem conec-
para criar uma desigualdade social...”; se modificarmos a
tivo subordinativo que as introduza.
oração reduzida de infinitivo por uma oração desenvolvi-
É preciso estudar! = reduzida de infinitivo
da, a forma adequada seria:
É preciso que se estude = oração desenvolvida (pre-
sença do conectivo)
a) para a criação de uma desigualdade social;

110
b) para que se criasse uma desigualdade social; c) “Não faltam, também, os arautos do quanto pior, me-
c) para que se crie uma desigualdade social; lhor, ...”.
d) para a criatividade de uma desigualdade social; d) “A greve atravessou vários sinais ao estrangular as
e) para criarem uma desigualdade social. vias de suprimento que mantêm o sistema produtivo
funcionando”.
Resposta: Letra B e) “Numa democracia, é livre a expressão”.
Em “b”: para que se criasse uma desigualdade social;
Em “c”: para que se crie uma desigualdade social; Resposta: Letra C
Desenvolvida = tem conjunção. Ambas têm. A dife- Em “a”: há sempre o risco de excessos = objeto direto
rença é o tempo verbal. A ação aconteceu (foi usada Em “b”: “Sempre há, também, o oportunismo político-
para criar): Ou seja, foi usada para que se criasse uma -ideológico = objeto direto
desigualdade social.
Em “c”: “Não faltam, também, os arautos do quanto
pior, melhor = sujeito
3. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO
Em “d”: que mantêm o sistema produtivo funcionando
– FGV-2017) Uma manchete do Estado de São Paulo,
= objeto direto
10/04/2017, dizia o seguinte: “Atentados contra cristãos
matam 44 no Egito e país decreta emergência”. As duas Em “e”: é livre a expressão = predicativo do sujeito
orações desse período mantêm entre si a seguinte rela-
ção lógica: 6. (TJ-PE – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FUNÇÃO JUDI-
CIÁRIA – IBFC-2017 - ADAPTADA) “A resposta que lhe
a) causa e consequência; daria seria: ‘Essa estória não aconteceu nunca para que
b) informação e comprovação; aconteça sempre... ’” O pronome destacado cumpre papel
c) fato e exemplificação; coesivo, mas também sintático na oração. Assim, sintati-
d) afirmação e explicação; camente, ele deve ser classificado como:
e) tese e argumentação.
a) adjunto adnominal.
Resposta: Letra A b) objeto direto.
Atentados contra cristãos matam 44 no Egito e país de- c) complemento nominal.
creta emergência = devido aos atentados (causa), o d) objeto indireto.
país decretou emergência (consequência). e) predicativo.

4. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATI- Resposta: Letra D


VO – FGV-2017) “Com as novas medidas para evitar a O verbo “dar” é bitransitivo (transitivo direto e indire-
abstenção, o governo espera uma economia vultosa no to): Quem dá, dá algo (direto) a alguém (indireto). No
Enem”. A oração reduzida “para evitar a abstenção” pode caso: resposta (objeto direto) / lhe (objeto indireto =
ser adequadamente substituída pela seguinte oração a ele[a])
desenvolvida:
7. (TRE-AC – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS-
a) para que se evitasse a abstenção;
TRATIVA – AOCP-2015) Em “Ele diz que vota desde os
b) a fim de que a abstenção fosse evitada;
18, quando ainda era jovem e morava em Minas Gerais,
c) para que se evite a abstenção;
d) a fim de evitar-se a abstenção; sua terra natal...”, a expressão em destaque
e) evitando-se a abstenção.
a) exerce função de vocativo e não pode ser excluída da
Resposta: Letra C oração por tratar-se de um termo essencial.
Em “a”: para que se evitasse a abstenção; b) exerce função de aposto e pode ser excluída da oração
Em “b”: a fim de que a abstenção fosse evitada; por tratar-se de um termo acessório.
Em “c”: para que se evite a abstenção; c) exerce função de aposto e não pode ser excluída da
Desenvolvida tem conjunção. O período traz “para evi- oração por tratar-se de um termo essencial.
tar a abstenção” = hipótese. A forma correta é: “com as d) exerce função de adjunto adnominal, portanto é um
novas medidas para que se evite a abstenção”. termo acessório.
e) exerce função de adjunto adverbial, portanto é um ter-
5. (MPE-AL – ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO – mo acessório.
LÍNGUA PORTUGUESA

ÁREA JURÍDICA – FGV-2018) Assinale a opção em que


o termo sublinhado funciona como sujeito. Resposta: Letra B
A expressão destacada exerce a função de aposto –
a) “Em um regime de liberdades, há sempre o risco de uma informação a mais sobre o termo citado anterior-
excessos”. mente (no caso, Minas Gerais). É um termo acessório,
b) “Sempre há, também, o oportunismo político-ideoló- podendo ser retirado do período sem prejudicar a
gico para se aproveitar da crise”. coerência.

111
8. (TRF-1.ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO – INFOR- III. “Não pense que para por aí [...]”, a oração sublinhada
MÁTICA – FCC-2014) é uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
Em 1980, um gigabyte de dados armazenados ocupava IV. Em “[...] se te chamarem de ‘queridinho’, querem é
uma sala... que você exploda.”, a oração destacada é uma oração
O verbo que exige complemento tal como o sublinhado subordinada adverbial causal.
acima está em:
Estão corretas apenas as afirmativas
a) A capacidade de computação duplicou a cada 18 me-
ses nos últimos 20 anos ... a) I e II.
b) ... que deriva da informação. b) II e III.
c) ... que reduz as barreiras ao acesso. c) III e IV.
d) ... do que era nos anos 70. d) I, II e IV.
e) ... atualmente, 200 gigabytes cabem no bolso de uma
camisa. Resposta: Letra B
Em “I” - “Existe alguma hora que não seja de reló-
Resposta: Letra C gio?”, a oração sublinhada é uma oração subordinada
“Ocupava uma sala” = transitivo direto adjetiva explicativa = substituindo “que” por “a qual”,
Em “a”: A capacidade de computação duplicou = ver- continua com sentido, então é pronome relativo – pre-
bo intransitivo sente nas adjetivas, mas no período em questão te-
Em “b”: que deriva da informação = transitivo indireto mos uma restritiva = incorreta
Em “c”: que reduz as barreiras = transitivo direto Em “II” - tem surgido, cada vez mais frequente, o di-
Em “d”: do que era nos anos 70 = verbo de ligação minutivo do gerúndio.”, a expressão destacada atua
Em “e”: atualmente, 200 gigabytes cabem = verbo como sujeito da locução verbal “ter surgido” = correta
intransitivo Em “III” - “Não pense que para por aí [...]”, a oração
sublinhada é uma oração subordinada substantiva ob-
9. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) “Tenho jetiva direta = correta
comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da Em “IV” - se te chamarem de ‘queridinho’, a oração
internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação destacada é uma oração subordinada adverbial causal
específica que coíba não somente os usos mas os abusos = adverbial condicional (“se”) = incorreta
deste importante e eficaz veículo de comunicação”. Sobre
as ocorrências do vocábulo que, nesse segmento do tex-
to, é correto afirmar que:
À IDENTIFICAÇÃO, EM TEXTOS DE
DIFERENTES GÊNEROS, DAS MARCAS
a) são pronomes relativos com o mesmo antecedente; LINGUÍSTICAS QUE SINGULARIZAM AS
b) exemplificam classes gramaticais diferentes; VARIEDADES LINGUÍSTICAS SOCIAIS,
c) mostram diferentes funções sintáticas; REGIONAIS OU DE REGISTRO
d) são da mesma classe gramatical e da mesma função
sintática;
e) iniciam o mesmo tipo de oração subordinada. VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS

Resposta: Letra D A linguagem é a característica que nos difere dos de-


“Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, mais seres, permitindo-nos a oportunidade de expressar
os usos da internet, que (= a qual) se ressente ainda da sentimentos, revelar conhecimentos, expor nossa opi-
falta de uma legislação específica que (= a qual) coíba nião frente aos assuntos relacionados ao nosso cotidiano
não somente os usos mas os abusos deste importante e, sobretudo, promovendo nossa inserção ao convívio
e eficaz veículo de comunicação” = ambos podem ser social. Dentre os fatores que a ela se relacionam desta-
substituídos por “a qual”, portanto são pronomes re- cam-se os níveis da fala, que são basicamente dois: o ní-
lativos (pertencem à mesma classe gramatical); o 1.º vel de formalidade e o de informalidade.
inicia uma oração subordinada adjetiva explicativa; o O padrão formal está diretamente ligado à lingua-
2.º, adjetiva restritiva. gem escrita, restringindo-se às normas gramaticais de
um modo geral. Razão pela qual nunca escrevemos da
10. (TRE-RJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS- mesma maneira que falamos. Este fator foi determinante
LÍNGUA PORTUGUESA

TRATIVA – CONSULPLAN-2017) Analise as afirmações para a que a mesma pudesse exercer total soberania so-
apresentadas a seguir. bre as demais.
I. Em “Existe alguma hora que não seja de relógio?”, a Quanto ao nível informal, por sua vez, representa o
oração sublinhada é uma oração subordinada adjetiva estilo considerado “de menor prestígio”, e isto tem ge-
explicativa. rado controvérsias entre os estudos da língua, uma vez
II. Em “[...] tem surgido, cada vez mais frequente, o dimi- que, para a sociedade, aquela pessoa que fala ou escreve
nutivo do gerúndio.”, a expressão destacada atua como de maneira errônea é considerada “inculta”, tornando-se
sujeito da locução verbal “ter surgido”. desta forma um estigma.

112
Compondo o quadro do padrão informal da lingua- SITE
gem, estão as chamadas variedades linguísticas, as Disponível em: <http://www.brasilescola.com/grama-
quais representam as variações de acordo com as con- tica/variacoes-linguisticas.htm>
dições sociais, culturais, regionais e históricas em que é
utilizada. Dentre elas destacam-se:
EFEITOS DE SENTIDO DECORRENTES DO USO DE
A) Variações históricas: Dado o dinamismo que a RECURSOS VERBAIS E NÃO-VERBAIS EM DIFE-
língua apresenta, a mesma sofre transformações RENTES GÊNEROS
ao longo do tempo. Um exemplo bastante repre-
sentativo é a questão da ortografia, se levarmos A Língua Portuguesa é permeada de possibilidades
em consideração a palavra farmácia, uma vez que comunicativas que expressam a intenção do que o lo-
a mesma era grafada com “ph”, contrapondo-se à cutor em questão pretende expressar. Em determinados
linguagem dos internautas, a qual se fundamenta gêneros textuais, há o emprego de efeitos de sentido
pela supressão dos vocábulos. Analisemos, pois, o que modificam o significado da mensagem de maneira
fragmento exposto: intencional. Observe abaixo alguns exemplos de efeitos
de sentido e os gêneros textuais em que podem ser co-
Antigamente mumente encontrados.
“Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles
e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam
anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os ja-
notas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes,
arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do
balaio.”
Carlos Drummond de Andrade

Comparando-o à modernidade, percebemos um vo-


cabulário antiquado.

B) Variações regionais: São os chamados dialetos,


que são as marcas determinantes referentes a di-
ferentes regiões. Como exemplo, citamos a palavra
mandioca que, em certos lugares, recebe outras
nomenclaturas, tais como: macaxeira e aipim. Fi-
gurando também esta modalidade estão os sota-
ques, ligados às características orais da linguagem.

C) Variações sociais ou culturais: Estão diretamente


ligadas aos grupos sociais de uma maneira geral e
também ao grau de instrução de uma determinada
pessoa. Como exemplo, citamos as gírias, os jar-
gões e o linguajar caipira. Duplo sentido: comumente utilizado em charges,
quadrinhos e tiras, o duplo sentido trata-se de um recur-
As gírias pertencem ao vocabulário específico de so linguístico em que uma mesma palavra ou frase pode
certos grupos, como os surfistas, cantores de rap, ta- ter diferentes significados, modificando o sentido do que
tuadores, entre outros. Os jargões estão relacionados inicialmente se espera quando lido; este tipo de recurso
ao profissionalismo, caracterizando um linguajar técni- costuma ser intencionalmente estabelecido pelo autor
co. Representando a classe, podemos citar os médicos, para o leitor possa se deparar com diferentes leituras do
advogados, profissionais da área de informática, dentre que é proposto por ele. Pode tratar dos sentidos cono-
outros. tativos e denotativos de uma mesma expressão, de ver-
Vejamos um poema sobre o assunto: bos ou substantivos semelhantes, entre outros recursos
linguísticos que podem ter mais de uma interpretação.
Vício na fala Ironia: a ironia também é comumente utilizada como
um recurso verbal para modificar o sentido usual da
LÍNGUA PORTUGUESA

Para dizerem milho dizem mio mensagem com a finalidade de gerar uma quebra de
Para melhor dizem mió expectativa gerando humor ou crítica social. Pode apre-
Para pior pió sentar um sentido completamente oposto ao original ou
Para telha dizem teia estabelecer um resultado situacional diferente do espe-
Para telhado dizem teiado rado. Este recurso pode ser encontrado frequentemente
E vão fazendo telhados. em quadrinhos, charges, tiras e cartuns.
Oswald de Andrade

113
Ambiguidade: assemelha-se ao duplo sentido, pois diz respeito à vocábulos, palavras e frases que podem ter dife-
rentes sentidos e serem interpretados de diferentes maneiras; diferentemente do duplo sentido, no entanto, a ambigui-
dade pode ou não ser utilizada intencionalmente, quando utilizada de maneira intencional serve como um recurso ex-
pressivo de humor, mas geralmente é um defeito na construção da mensagem, que prejudica a compreensão do texto.

Humor: em meio a todos estes gêneros textuais está presente o humor, uma técnica linguística que confere às situa-
ções um aspecto cômico e gera surpresa ao leitor ao ocorrer ao fora do esperado no decorrer da leitura.
Além do aspecto verbal presentes nos efeitos de sentidos, existem aspectos não-verbais que corroboram para a
compreensão do todo. Assim como a construção textual de cada um dos exemplos citados acima, seria possível com-
preender o contexto humorístico, irônico, o duplo sentido ou a ambiguidade presente nas charges e tiras? Isso só é
possível graças aos elementos não-verbais que também são estabelecidos em prol do efeito de sentido, como a ilus-
tração. Em gráficos, infográficos e artes visuais em geral também é possível encontrar diversos exemplos de recursos
não-verbais que auxiliam na construção de efeitos de sentido construídos de acordo com o interesse do leitor.

FIQUE ATENTO!
Recursos ortográficos (escrita em caixa alta, interjeições, metalinguagem) e a pontuação (pontos de interro-
gação, reticências, vírgulas) também podem ser usados para estabelecer diferentes sentidos na mensagem
que o autor pretende passar de maneira intencional. Para compreender como estes elementos são capazes
de modificar todo o significado de uma mensagem é necessário interpretar o contexto textual e entender
o papel de diferentes elementos linguísticos e suas variações.
LÍNGUA PORTUGUESA

114
EXERCÍCIO COMENTADO HORA DE PRATICAR!
1. (COMPANHIA DOCAS DA PARAÍBA – CONTADOR
1. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR
– INSTITUTO BRASILEIRO DE FORMAÇÃO E CAPACI-
- 2018) Anatol Rosenfeld, um importante estudioso da
TAÇÃO – 2015) Leia a charge a seguir:
cena teatral brasileira, faz no trecho abaixo uma síntese
que explica as motivações para o emprego de recursos
narrativos na dramaturgia que, segundo ele, começa a
ser realizada no Brasil ao fim da década de 50 do século
XX.

O uso de recursos épicos por parte de dramaturgos e


diretores teatrais não é arbitrário, correspondendo, ao
contrário, a transformações históricas que suscitam o
surgir de novas temáticas, novos problemas, novas valo-
rações e novas concepções de mundo.

(ROSENFELD, Anatol: O teatro épico. São Paulo: Pers-


pectiva, 1985, p. 12.)

Considerando o trecho citado e a leitura integral deMor-


te e Vida Severina, Auto de Natal Pernambucano, de
João Cabral de Melo Neto, eEles não usam Black-tie, de
As charges, normalmente, são marcadas pela ironia de- Gianfrancesco Guarnieri, assinale a alternativa correta.
vido ao efeito de sentido. Assim pode-se concluir que
nesta charge: a) O auto de João Cabral de Melo Neto utiliza o verso e
recursos da tradição oral popular do Nordeste para
a) O humor produz uma mensagem otimista diante dos reforçar o caráter religioso da peça, excluindo indícios
vocábulos “Iphone e Iphome”. de crítica social aos problemas regionais.
b) A ironia não faz parte dessa charge, pois prevalece b) O conflito entre pai e filho emEles não usamBlack-tie-
uma linguagem objetiva. transpõe para o ambiente cotidiano de uma família
c) A ironia expressa o contraste social entre os termos os conflitos e impasses da classe operária diante dos
desmandos dos patrões.
“Iphone e Iphome”.
c) A peça de Guarnieri faz referências à cultura e ao am-
d) O efeito de sentido produz uma imagem conflituosa
biente da favela, incluindo até letras de sambas anti-
da tecnologia.
gos, o que reforça a imagem idealizada do morro e da
e) O humor dos termos “Iphone e Iphome” mostra que a
figura do malandro.
tecnologia é necessária.
d) Morte e vida Severina utiliza versos de metrificação
idêntica em todo o texto, o que prejudica o ritmo mu-
Resposta: Letra B. A ironia está presente no jogo lin- sical e melódico, ao contrário do que se observa na
guístico entre iPhone e “iPhome” que pode ser lido peça de Guarnieri.
como “ai, fome” indicando uma crítica quanto ao con- e) Os personagens da peça de Guarnieri são considera-
traste social entre a classe média e alta, capazes de dos alegóricos, porque não apresentam conflitos psi-
obter bens de consumo caros, e a população mise- cológicos, enquanto os de João Cabral são persona-
rável no país, que não possui nem ao menos o que gens individualizados e diversos entre si.
comer. É possível observar o efeito de sentido irônico
na charge ainda sem os elementos verbais, a partir da 2. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR -
ilustração, em que um som vem de um objeto na bolsa 2018) Considere o seguinte trecho do romanceClara dos
da moça e outro som vem do próprio corpo do indi- Anjos, de Lima Barreto:
víduo esquelético.
Por esse intrincado labirinto de ruas e bibocas é que vive
uma grande parte da população da cidade, a cuja exis-
LÍNGUA PORTUGUESA

tência o governo fecha os olhos, embora lhe cobre atro-


zes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias
noutros pontos do Rio de Janeiro.
(Clara dos Anjos, p. 38.)
Com base no trecho selecionado e na leitura integral do
romanceClara dos Anjos, de Lima Barreto, assinale a al-
ternativa correta.

115
a) O narrador é imparcial ao descrever os cenários do su- 4. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR
búrbio e de outros pontos da cidade, demonstrando - 2018) Escritores de uma nova geração, Milton Hatoum
neutralidade na constatação das diferenças entre as (nascido em 1952) e Bernardo Carvalho (nascido em
regiões. 1960) já garantiram seu lugar no panorama multifacetado
b) O subúrbio é descrito ora de modo realista, ora de da literatura brasileira contemporânea.Relato de um certo
modo idealizado, contribuindo para a construção de oriente, publicado em 1989, marcou a estreia de Milton
uma visão, por vezes, romantizada da pobreza. Hatoum na literatura.Nove noites, publicado em 2002, é o
c) O narrador disseca com rigor quase sociológico os sétimo livro lançado por Bernardo Carvalho, que estreou
problemas políticos da época, citando fatos e perso-
na literatura em 1993 com o livro de contosAberração.
nagens históricos reais que se misturam à narrativa.
A respeito das comparações entreRelato de um certo
d) O romance apresenta o ambiente do subúrbio aliando
orienteeNove noites, considere as seguintes afirmativas:
a descrição pormenorizada do espaço físico à caracte-
rização dos personagens que o habitam.
e) Os vários bairros e personagens que estão nos arredo- 1. Milton Hatoum consegue trazer para a sua ficção o
res da linha férrea do trem urbano são descritos como espaço amazonense sem cair no exagero do exotismo;
um conjunto indiferenciado, como se cada bairro não Bernardo Carvalho, por sua vez, tensiona o realismo pela
tivesse sua característica própria. inclusão, na ficção, de fatos e personagens históricos, au-
tobiografia e experiências pessoais.2. Através de estraté-
3. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR gias diferentes, os dois romances buscam compreender
- 2018) Leitor e admirador de Basílio da Gama, e escritor o passado, conscientes da obrigação histórica de recupe-
já consagrado pela publicação deMemórias póstumas de rá-lo tal como aconteceu:Relato de um certo orienteres-
Brás CubaseQuincas Borba, Machado de Assis lançaVá- gata a memória trágica de uma família que viveu em Ma-
rias histórias(1895). O livro reúne 16 contos, publica- naus;Nove noitesinvestiga a morte de um antropólogo
dos anteriormente no jornal Gazeta de Notícias entre no sul do Maranhão, para entregar ao leitor a solução
1884 e 1891. Sobre Machado de Assis, leia o seguinte de um mistério até então não resolvido.3. A epígrafe
texto: de W.H. Auden – “Que a memória refaça/A praia e
os passos/O rosto e o ponto do encontro” (em tradu-
Um século depois de sua morte, Milton Hatoum afirma ção de Sandra Stroparo e Caetano Galindo) – anuncia o
que os leitores atuais “nas narrativas breves do Bruxo vão elemento central da narrativa de Milton Hatoum. O títu-
encontrar os temas dos grandes romances: a loucura, o lo do romance de Bernardo Carvalho se refere às nove
adultério, o jogo de sedução e poder, os carreiristas e al- noites que o antropólogo Buell Quain passou na com-
pinistas sociais, e a combinação de falta de escrúpulos e panhia de Manoel Perna, durante a sua estada entre os
crueldade nas atitudes de determinada elite brasileira do índios Krahô.4. O tratamento dado aos nativos emRelato
século XIX. Um século depois da morte de Machado, al- de um certo orientepode ser verificado na humilhação
guns desses temas perduram, porque fazem parte cons- e nos abusos sofridos pelas caboclas e índias que tra-
titutiva da natureza humana. Quanto à crueldade de uma balhavam na casa de Emilie, principalmente por parte
elite que cultiva privilégios... até nisso Machado acertou dos dois “inomináveis”. EmNove noites, a narração do
em cheio, e com um pessimismo e uma ironia que nos jornalista volta a momentos centrais da história do Brasil
deixam sem fôlego”. no século XX – Estado Novo, Ditadura Militar e Período
Democrático –, marcando a situação de vulnerabilidade
(Terra magazine. Publicado em 22/09/2008. Disponí- permanente dos índios num mundo de brancos.5. Na
vel em:<http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,OI- Manaus multicultural da primeira metade do século XX,
3198423-EI6619,00-Machado+ de+Assis+um+seculo+-
Emilie e seus filhos, com a curiosidade natural do imi-
depois.html>.)
grante, atravessam constantemente o rio que separa a ci-
dade da floresta. Da mesma forma, o narrador-jornalista
Com base na leitura integral dos contos deVárias his-
deNove noitesvisita inúmeras vezes os índios Krahô, em
tóriase no trecho citado de Milton Hatoum, assinale
a alternativa que propõe a associação correta entre busca de informações sobre o suicídio de Buell Quain.
tema central e conto.
Assinale a alternativa correta.
a) O conto “Trio em lá menor” tem como tema central
“a combinação de falta de escrúpulos e crueldade nas a) Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras
atitudes de determinada elite brasileira do século XIX”. b) Somente as afirmativas 2 e 5 são verdadeiras
LÍNGUA PORTUGUESA

b) O conto “A causa secreta” tem como tema central a c) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras
descrição de personagens “carreiristas e alpinistas d) Somente as afirmativas 2, 3 e 5 são verdadeiras
sociais”. e) As afirmativas 1, 2, 3, 4 e 5 são verdadeiras.
c) O conto “Mariana” tem como tema central “a loucura”.
d) O conto “Adão e Eva” tem como tema central a supo- 5. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR
sição ou concretização do “adultério”. - 2018) O Uraguai foi publicado pela primeira vez antes
e) O conto “O diplomático” tem como tema central “o da independência do Brasil, em 1769, e narra as disputas
jogo de sedução”. entre espanhóis e portugueses pelos territórios do sul do

116
continente, envolvendo os índios e os jesuítas. No frag- 6. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR
mento abaixo, podemos conferir um trecho da fala do - 2018) Segundo Antonio Candido:
comandante português:
Gonçalves Dias é um grande poeta, em parte por en-
O nosso último rei e o rei de Espanha Determinaram contrar na poesia o veículo natural para a sensação de
por cortar de um golpe, Como sabeis, neste ângulo da deslumbramento ante o Novo Mundo [...]. O seu verso,
terra, As desordens de povos confinantes, Que mais cer- incorporando o detalhe pitoresco da vida americana ao
ângulo romântico e europeu de visão, criou (verdadei-
tos sinais nos dividissem.
ramente criou) uma convenção poética nova. Essecock-
tailde medievismo, idealismo e etnografia fantasiada nos
(GAMA, Basílio da. “Canto Primeiro”.O Uraguai.Porto
aparece como construção lírica e heroica, de que resulta
Alegre: L&PM, 2009, p. 47.) uma composição nova para sentirmos os velhos temas
O talento de Basílio da Gama, que transforma o árido da poesia ocidental.
assunto em matéria literária, recebe, cem anos depois,
o elogio de Machado de Assis. Ao compará-lo com seu (Formação da literatura brasileira. Rio de Janeiro:
contemporâneo, Tomás Antônio Gonzaga, o escritor afir- Itatiaia (8. ed.) vol. 2, 1975, p. 73.)
ma: “Não lhe falta, também a ele, nem sensibilidade, nem Considerando o trecho citado e a leitura integral do li-
estilo, que em alto grau possui; a imaginação é grande- vroÚltimos Cantos, de Gonçalves Dias, assinale a alter-
mente superior à de Gonzaga, e quanto à versificação nativa correta.
nenhum outro, em nossa língua, a possui mais harmo-
a) A representação dos povos indígenas descreve as tra-
niosa e pura” (MACHADO DE ASSIS. A nova geração. In. dições coletivas dessas comunidades, mas pode, por
Obras completas. Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, vezes, apresentar os sentimentos individuais e parti-
1973. p.815). culares de alguns de seus membros.
Sobre o poema de Basílio da Gama, considere as seguin- b) Gonçalves Dias demonstra em sua poesia americana o
tes afirmativas: interesse de se distanciar da tradição indianista, apre-
sentando temas universais, nos quais o gosto pelo
1. O contexto histórico trabalhado no poema de Basílio exótico e pela tematização do nacional não deveria
predominar.
da Gama é fundamental para o seu entendimento: a des-
c) A tematização da miscigenação entre índios e bran-
centralização do poder colonial, protagonizada pelo Mar- cos é considerada prejudicial, uma vez que apagaria
quês de Pombal, e a disputa de territórios coloniais entre os traços próprios da cultura indígena que deveriam
Espanha e Portugal, mediada e pacificada pelos jesuítas, ser preservados.
na segunda metade do século XVIII.2. Ao longo dos cin- d) O emprego exclusivo de poemas narrativos longos
co cantos deO Uraguai, compostos em decassílabos sem demonstra que o livro pretende ser uma epopeia que
rima, podemos perceber a marca da epopeia, na narra- cultua os valores heroicos e descarta a expressão lírica
ção da guerra e dos feitos dos heroicos portugueses, e amorosa.
e) A diversidade de temas e de modelos formais se con-
a presença da sátira, na caricatura dos jesuítas, particu-
trapõe ao emprego da mesma medida métrica em to-
larmente na figura do Padre Balda.3. O grande destaque dos os poemas.
dado aos índios e à defesa da sua terra, a exaltação lírica
da natureza e a centralidade do par amor/morte, presen- 7. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR -
te na relação de Lindoia e Cacambo, deram ao poema de 2018) O texto a seguir é referência para a questão.
Basílio da Gama o lugar de inaugurador do romantismo
em todos os manuais de história da literatura brasileira.4. ‘Ferrugem’: um ótimo nacional encara o cyberbullying
Para narrar acontecimentos reais da ação de portugueses
e espanhóis na disputa dos territórios delimitados pelo Um celular perdido, um vídeo viralizado, e Tati, de 16
rio Uruguai, que hoje correspondem ao noroeste do Rio anos, se vê no meio de um furacão que abalaria qual-
quer um – e muito mais uma menina a quem ainda falta
Grande do Sul e ao norte da Argentina, Basílio da Gama
o equipamento emocional para lidar com uma situação
toma o cuidado de inserir apenas personagens ficcionais
tão drástica de exposição da intimidade e de ostracismo
no seu poema, para não se comprometer. social. Os amigos e amigas vão caindo fora; com os pais,
ela não consegue falar. Renet, o garoto com quem ela
Assinale a alternativa correta.
LÍNGUA PORTUGUESA

começava a engatar um flerte quando tudo começou,


dá as costas a ela. E Tati, interpretada pela ótima novata
a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira. Tiffanny Dopke, de fisionomia suave e jeitinho cativante,
b) Somente a afirmativa 2 é verdadeira. sucumbe à pressão.
c) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. ‘Ferrugem’, do diretor Aly Muritiba, é um dos pontos
d) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras. altos de uma safra surpreendentemente boa do cine-
e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras. ma nacional nos últimos meses (completada ainda por
‘Aos Teus Olhos’, ‘As Boas Maneiras’, ‘O Animal Cordial’

117
e ‘Benzinho’). Da agitação e cacofonia dessa primeira Maduro, lúcido, muito bem escrito e filmado, ‘Ferrugem’
parte do filme, Muritiba vai, na segunda metade, para está na comissão de frente dos possíveis indicados do
um estilo oposto: com atenção e reflexão, acompanha o Brasil ao Oscar do ano que vem.
sofrimento de Renet (o também muito bom Giovanni de
Lorenzi) com as consequências do episódio que afetou (Disponível em: <https://veja.abril.com.br/tveja/em-
Tati. Aqui, duas visões morais muito distintas se opõem: a -cartaz/ferrugem-um-otimo-nacional-encara-o-cyber-
do pai (Enrique Diaz), que quer poupar Renet, e a da mãe bullying/>. Acesso em 31/08/2018.)
(a calorosa Clarissa Kiste), que quer obrigá-lo a enfrentar
os fatos. Com base no texto, identifique como verdadeiras (V) ou
Maduro, lúcido, muito bem escrito e filmado, ‘Ferrugem’ falsas (F) as seguintes afirmativas:
está na comissão de frente dos possíveis indicados do ( ) O filme “Ferrugem”, segundo a reportagem apura,
Brasil ao Oscar do ano que vem. concorrerá ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano
que vem.( ) O filme “Ferrugem” narra a história de uma
(Disponível em: <https://veja.abril.com.br/tveja/em- menina, Tati, que tem sua intimidade exposta publica-
-cartaz/ferrugem-um-otimo-nacional-encara-o-cyber- mente depois de perder o celular.( ) O filme apresenta
bullying/>. Acesso em 31/08/2018.) duas linhas narrativas: uma agitada e dissonante, e outra,
psicológica e reflexiva.( ) O filme “Ferrugem” critica a ex-
As expressões ‘equipamento emocional’ e ‘ostracismo posição descuidada dos adolescentes em redes sociais.
social’, no segundo parágrafo, podem ser interpretadas,
segundo o contexto de ocorrência, respectivamente, Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta,
como: de cima para baixo.

a) objeto que regula emoções – exílio. a) F – F – V – V.


b) capacidade de sentir emoções – exclusão. b) F – V – V – F.
c) experiência – falta de exposição. c) V – F – F – V.
d) maturidade – isolamento. d) V – V – F – F.
e) malícia – incapacidade de se expressar. e) V – F – V – V.
8. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR - 9. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR -
2018) O texto a seguir é referência para a questão. 2018) Assinale a alternativa corretamente pontuada.
‘Ferrugem’: um ótimo nacional encara o cyberbullying a) A técnica de Mourou e Strickland criada em 1985, e
conhecida como: amplificação de pulso com varredura
Um celular perdido, um vídeo viralizado, e Tati, de 16 em frequência – CPA, por sua sigla em inglês, tornou-
anos, se vê no meio de um furacão que abalaria qual- -se muito rapidamente a ferramenta-padrão para ob-
quer um – e muito mais uma menina a quem ainda falta ter lasers de alta intensidade, utilizados, desde então,
o equipamento emocional para lidar com uma situação em milhões de cirurgias do olho.
tão drástica de exposição da intimidade e de ostracismo b) A técnica de Mourou e Strickland, criada em 1985, e
social. Os amigos e amigas vão caindo fora; com os pais, conhecida como amplificação de pulso com varredura
ela não consegue falar. Renet, o garoto com quem ela em frequência (CPA, por sua sigla em inglês); tornou-
começava a engatar um flerte quando tudo começou, -se muito rapidamente, a ferramenta-padrão para ob-
dá as costas a ela. E Tati, interpretada pela ótima novata ter lasers de alta intensidade utilizados desde então
Tiffanny Dopke, de fisionomia suave e jeitinho cativante, em milhões de cirurgias do olho.
sucumbe à pressão. c) A técnica de Mourou e Strickland criada em 1985 e
‘Ferrugem’, do diretor Aly Muritiba, é um dos pontos conhecida como amplificação de pulso com varredura
altos de uma safra surpreendentemente boa do cine- em frequência, (CPA, por sua sigla em inglês), tornou-
ma nacional nos últimos meses (completada ainda por -se muito rapidamente a ferramenta-padrão, para ob-
‘Aos Teus Olhos’, ‘As Boas Maneiras’, ‘O Animal Cordial’ ter lasers de alta intensidade utilizados desde então,
e ‘Benzinho’). Da agitação e cacofonia dessa primeira em milhões de cirurgias do olho.
parte do filme, Muritiba vai, na segunda metade, para d) A técnica de Mourou e Strickland, criada em 1985 e
um estilo oposto: com atenção e reflexão, acompanha o conhecida como amplificação de pulso com varredura
sofrimento de Renet (o também muito bom Giovanni de em frequência – CPA, por sua sigla em inglês – tor-
Lorenzi) com as consequências do episódio que afetou nou-se muito rapidamente, a ferramenta-padrão para:
LÍNGUA PORTUGUESA

Tati. Aqui, duas visões morais muito distintas se opõem: a obter lasers de alta intensidade utilizados desde então
do pai (Enrique Diaz), que quer poupar Renet, e a da mãe em milhões de cirurgias do olho.
(a calorosa Clarissa Kiste), que quer obrigá-lo a enfrentar e) A técnica de Mourou e Strickland, criada em 1985 e
os fatos. conhecida como amplificação de pulso com varredura
em frequência (CPA, por sua sigla em inglês), tornou-
-se muito rapidamente a ferramenta-padrão para ob-
ter lasers de alta intensidade, utilizados desde então
em milhões de cirurgias do olho.

118
10. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR conduta, e estimular seu raciocínio moral. Se eliminar-
- 2018) O texto a seguir é referência para a questão. mos as partes escuras e incômodas, os contos de fadas
Era uma vez um lobo vegano que não engolia a vovozi- deixarão de ser essas surpreendentes árvores sonoras
nha, três porquinhos que se dedicavam _____ especulação que crescem na memória humana, como definiu o poeta
imobiliária e uma estilista chamada Gretel que trabalhava Robert Bly.
de garçonete em Berlim. Não deveria nos surpreender
que os contos tradicionais se adaptem aos tempos. Eles (Marta Rebón. Disponível em: <https://brasil.elpais.
foram submetidos _____ alterações no processo de trans- com/brasil/2018/09/18/eps/1537265048_460929.html>.)
missão, oral ou escrita, ao longo dos séculos para adap-
tá-los aos gostos de cada momento. Vejamos, por exem- Com base no texto, considere as seguintes afirmativas:
plo, Chapeuzinho Vermelho. Em 1697 – quando a história
foi colocada no papel –, Charles Perrault acrescentou 1. Na frase “Os animais falantes e as fadas madrinhas
_____ ela uma moral, com o objetivo de alertar as meni- não procuram confortar as crianças, e sim dotá-las de
nas quanto _____ intenções perversas dos desconhecidos. ferramentas para viver, em vez de incutir rígidos patrões
Pouco mais de um século depois, os irmãos Grimm de conduta, e estimular seu raciocínio moral”, a vírgula
abrandaram o enredo do conto e o coroaram com um depois de “conduta” pode ser suprimida sem alteração
do sentido.2. Na frase “A ganhadora do prêmio Nobel,
final feliz. Se a Chapeuzinho Vermelho do século XVII
admiradora de Andersen – cuja coragem se destacava
era devorada pelo lobo, não seria de surpreender que a
por ter criado finais tristes –, ressalta a importância de se
atual repreendesse a fera por sua atitude sexista quan-
assustar...”, a vírgula depois do segundo travessão pode
doaabordasse no bosque. A força do conto, no entanto,
ser corretamente suprimida.3. No trecho “...não só encap-
está no fato de que ele fala por meio de uma linguagem sulam os mitos duradouros de uma cultura, como tam-
simbólica e nos convida a explorar a escuridão do mun- bém contêm uma explicação geral do mundo...”, a vírgula
do, a cartografia dos medos, tanto ancestrais como ínti- depois de “cultura” pode ser corretamente suprimida.
mos. Por isso ele desafia todos nós, incluindo os adultos.
[...] Assinale a alternativa correta.
A poetisa Wislawa Szymborska falou sobre um amigo es-
critor que propôs a algumas editoras uma peça infantil a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira.
protagonizada por uma bruxa. As editoras rejeitaram a b) Somente a afirmativa 2 é verdadeira.
ideia. Motivo? É proibido assustar as crianças. A ganha- c) Somente a afirmativa 3 é verdadeira.
dora do prêmio Nobel, admiradora de Andersen –cuja d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
coragem se destacava por ter criado finais tristes –, res- e) As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.
salta a importância de se assustar, porque as crianças
sentem uma necessidade natural de viver grandes emo- 11. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR
ções: “A figura que aparece [em seus contos] com mais - 2018) O texto a seguir é referência para a questão.
frequência é a morte, um personagem implacável que Era uma vez um lobo vegano que não engolia a vovozi-
penetra no âmago da felicidade e arranca o melhor, o nha, três porquinhos que se dedicavam _____ especulação
mais amado. Andersen tratava as crianças com seriedade. imobiliária e uma estilista chamada Gretel que trabalhava
Não lhes falava apenas da alegre aventura que é a vida, de garçonete em Berlim. Não deveria nos surpreender
mas também dos infortúnios, das tristezas e de suas nem que os contos tradicionais se adaptem aos tempos. Eles
sempre merecidas calamidades”. C. S. Lewis dizia que fa- foram submetidos _____ alterações no processo de trans-
zer as crianças acreditar que vivem em um mundo sem missão, oral ou escrita, ao longo dos séculos para adap-
violência, morte ou covardia só daria asas ao escapismo, tá-los aos gostos de cada momento. Vejamos, por exem-
no sentido negativo da palavra. plo, Chapeuzinho Vermelho. Em 1697 – quando a história
Depois de passar dois anos mergulhado em relatos com- foi colocada no papel –, Charles Perrault acrescentou
pilados durante dois séculos, Italo Calvino selecionou e _____ ela uma moral, com o objetivo de alertar as meni-
editou os 200 melhores contos da tradição popular italia- nas quanto _____ intenções perversas dos desconhecidos.
na. Após essa investigação literária, sentenciou: “Le fiabe Pouco mais de um século depois, os irmãos Grimm
sono vere [os contos de fadas são verdadeiros]”. O autor abrandaram o enredo do conto e o coroaram com um
deO Barão nas Árvorestinha confirmado sua intuição de final feliz. Se a Chapeuzinho Vermelho do século XVII
que os contos, em sua “infinita variedade e infinita repe- era devorada pelo lobo, não seria de surpreender que a
tição”, não só encapsulam os mitos duradouros de uma atual repreendesse a fera por sua atitude sexista quan-
cultura, como também “contêm uma explicação geral do doaabordasse no bosque. A força do conto, no entanto,
LÍNGUA PORTUGUESA

mundo, onde cabe todo o mal e todo o bem, e onde está no fato de que ele fala por meio de uma linguagem
sempre se encontra o caminho para romper os mais ter- simbólica e nos convida a explorar a escuridão do mun-
ríveis feitiços”. Com sua extrema concisão, os contos de do, a cartografia dos medos, tanto ancestrais como ínti-
fadas nos falam do medo, da pobreza, da desigualdade, mos. Por isso ele desafia todos nós, incluindo os adultos.
da inveja, da crueldade, da avareza... Por isso são ver- [...]
dadeiros. Os animais falantes e as fadas madrinhas não A poetisa Wislawa Szymborska falou sobre um amigo es-
procuram confortar as crianças, e sim dotá-las de ferra- critor que propôs a algumas editoras uma peça infantil
mentas para viver, em vez de incutir rígidos patrões de protagonizada por uma bruxa. As editoras rejeitaram a

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ideia. Motivo? É proibido assustar as crianças. A ganha- foi colocada no papel –, Charles Perrault acrescentou
dora do prêmio Nobel, admiradora de Andersen –cuja _____ ela uma moral, com o objetivo de alertar as meni-
coragem se destacava por ter criado finais tristes –, res- nas quanto _____ intenções perversas dos desconhecidos.
salta a importância de se assustar, porque as crianças Pouco mais de um século depois, os irmãos Grimm
sentem uma necessidade natural de viver grandes emo- abrandaram o enredo do conto e o coroaram com um
ções: “A figura que aparece [em seus contos] com mais final feliz. Se a Chapeuzinho Vermelho do século XVII
frequência é a morte, um personagem implacável que era devorada pelo lobo, não seria de surpreender que a
penetra no âmago da felicidade e arranca o melhor, o atual repreendesse a fera por sua atitude sexista quan-
mais amado. Andersen tratava as crianças com seriedade. doaabordasse no bosque. A força do conto, no entanto,
Não lhes falava apenas da alegre aventura que é a vida, está no fato de que ele fala por meio de uma linguagem
mas também dos infortúnios, das tristezas e de suas nem
simbólica e nos convida a explorar a escuridão do mun-
sempre merecidas calamidades”. C. S. Lewis dizia que fa-
do, a cartografia dos medos, tanto ancestrais como ínti-
zer as crianças acreditar que vivem em um mundo sem
mos. Por isso ele desafia todos nós, incluindo os adultos.
violência, morte ou covardia só daria asas ao escapismo,
[...]
no sentido negativo da palavra.
Depois de passar dois anos mergulhado em relatos com- A poetisa Wislawa Szymborska falou sobre um amigo es-
pilados durante dois séculos, Italo Calvino selecionou e critor que propôs a algumas editoras uma peça infantil
editou os 200 melhores contos da tradição popular italia- protagonizada por uma bruxa. As editoras rejeitaram a
na. Após essa investigação literária, sentenciou: “Le fiabe ideia. Motivo? É proibido assustar as crianças. A ganha-
sono vere [os contos de fadas são verdadeiros]”. O autor dora do prêmio Nobel, admiradora de Andersen –cuja
deO Barão nas Árvorestinha confirmado sua intuição de coragem se destacava por ter criado finais tristes –, res-
que os contos, em sua “infinita variedade e infinita repe- salta a importância de se assustar, porque as crianças
tição”, não só encapsulam os mitos duradouros de uma sentem uma necessidade natural de viver grandes emo-
cultura, como também “contêm uma explicação geral do ções: “A figura que aparece [em seus contos] com mais
mundo, onde cabe todo o mal e todo o bem, e onde frequência é a morte, um personagem implacável que
sempre se encontra o caminho para romper os mais ter- penetra no âmago da felicidade e arranca o melhor, o
ríveis feitiços”. Com sua extrema concisão, os contos de mais amado. Andersen tratava as crianças com seriedade.
fadas nos falam do medo, da pobreza, da desigualdade, Não lhes falava apenas da alegre aventura que é a vida,
da inveja, da crueldade, da avareza... Por isso são ver- mas também dos infortúnios, das tristezas e de suas nem
dadeiros. Os animais falantes e as fadas madrinhas não sempre merecidas calamidades”. C. S. Lewis dizia que fa-
procuram confortar as crianças, e sim dotá-las de ferra- zer as crianças acreditar que vivem em um mundo sem
mentas para viver, em vez de incutir rígidos patrões de violência, morte ou covardia só daria asas ao escapismo,
conduta, e estimular seu raciocínio moral. Se eliminar- no sentido negativo da palavra.
mos as partes escuras e incômodas, os contos de fadas Depois de passar dois anos mergulhado em relatos com-
deixarão de ser essas surpreendentes árvores sonoras
pilados durante dois séculos, Italo Calvino selecionou e
que crescem na memória humana, como definiu o poeta
editou os 200 melhores contos da tradição popular italia-
Robert Bly.
na. Após essa investigação literária, sentenciou: “Le fiabe
(Marta Rebón. Disponível em: <https://brasil.elpais. sono vere [os contos de fadas são verdadeiros]”. O autor
com/brasil/2018/09/18/eps/1537265048_460929.html>.) de O Barão nas Árvorestinha confirmado sua intuição de
que os contos, em sua “infinita variedade e infinita repe-
De acordo com o texto, o autor deO Barão nas Árvoresé: tição”, não só encapsulam os mitos duradouros de uma
cultura, como também “contêm uma explicação geral do
a) Andersen. mundo, onde cabe todo o mal e todo o bem, e onde
b) Italo Calvino. sempre se encontra o caminho para romper os mais ter-
c) Wislawa Szymborska. ríveis feitiços”. Com sua extrema concisão, os contos de
d) C. S. Lewis. fadas nos falam do medo, da pobreza, da desigualdade,
e) Robert Bly. da inveja, da crueldade, da avareza... Por isso são ver-
dadeiros. Os animais falantes e as fadas madrinhas não
12. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR procuram confortar as crianças, e sim dotá-las de ferra-
- 2018) O texto a seguir é referência para a questão.
mentas para viver, em vez de incutir rígidos patrões de
Era uma vez um lobo vegano que não engolia a vovozi-
conduta, e estimular seu raciocínio moral. Se eliminar-
nha, três porquinhos que se dedicavam _____ especulação
LÍNGUA PORTUGUESA

mos as partes escuras e incômodas, os contos de fadas


imobiliária e uma estilista chamada Gretel que trabalhava
de garçonete em Berlim. Não deveria nos surpreender deixarão de ser essas surpreendentes árvores sonoras
que os contos tradicionais se adaptem aos tempos. Eles que crescem na memória humana, como definiu o poeta
foram submetidos _____ alterações no processo de trans- Robert Bly.
missão, oral ou escrita, ao longo dos séculos para adap-
tá-los aos gostos de cada momento. Vejamos, por exem- (Marta Rebón. Disponível em: <https://brasil.elpais.
plo, Chapeuzinho Vermelho. Em 1697 – quando a história com/brasil/2018/09/18/eps/1537265048_460929.html>.)

120
Com relação aos contos tradicionais, a autora: Depois de passar dois anos mergulhado em relatos com-
pilados durante dois séculos, Italo Calvino selecionou e
a) defende a ideia de que eles precisam ser reelaborados, editou os 200 melhores contos da tradição popular italia-
para se adequarem aos valores de cada época. na. Após essa investigação literária, sentenciou: “Le fiabe
b) concorda que deve ser proibido assustar as crianças sono vere [os contos de fadas são verdadeiros]”. O autor
por meio dos contos, para que isso não as afaste da deO Barão nas Árvorestinha confirmado sua intuição de
leitura. que os contos, em sua “infinita variedade e infinita repe-
c) vê com bons olhos as versões dos irmãos Grimm, que tição”, não só encapsulam os mitos duradouros de uma
abrandaram o enredo e passaram a apresentar finais cultura, como também “contêm uma explicação geral do
felizes. mundo, onde cabe todo o mal e todo o bem, e onde
d) considera a infinita repetição como um aspecto nega- sempre se encontra o caminho para romper os mais ter-
tivo dos contos, mas que é compensado pela infinita ríveis feitiços”. Com sua extrema concisão, os contos de
variedade.
fadas nos falam do medo, da pobreza, da desigualdade,
e) é favorável a que tenham finais tristes e abordem si-
da inveja, da crueldade, da avareza... Por isso são ver-
tuações de desigualdade, crueldade e infortúnios.
dadeiros. Os animais falantes e as fadas madrinhas não
procuram confortar as crianças, e sim dotá-las de ferra-
13. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR
mentas para viver, em vez de incutir rígidos patrões de
- 2018) O texto a seguir é referência para a questão.
conduta, e estimular seu raciocínio moral. Se eliminar-
Era uma vez um lobo vegano que não engolia a vovozi-
mos as partes escuras e incômodas, os contos de fadas
nha, três porquinhos que se dedicavam _____ especulação
deixarão de ser essas surpreendentes árvores sonoras
imobiliária e uma estilista chamada Gretel que trabalhava
que crescem na memória humana, como definiu o poeta
de garçonete em Berlim. Não deveria nos surpreender
Robert Bly.
que os contos tradicionais se adaptem aos tempos. Eles
foram submetidos _____ alterações no processo de trans-
(Marta Rebón. Disponível em: <https://brasil.elpais.
missão, oral ou escrita, ao longo dos séculos para adap-
com/brasil/2018/09/18/eps/1537265048_460929.html>.)
tá-los aos gostos de cada momento. Vejamos, por exem-
Considere as seguintes afirmativas sobre os termos em
plo, Chapeuzinho Vermelho. Em 1697 – quando a história
negrito e sublinhados no texto:
foi colocada no papel –, Charles Perrault acrescentou
_____ ela uma moral, com o objetivo de alertar as meni- 1. Na 3ª linha do segundo parágrafo, “a” refere-se a
nas quanto _____ intenções perversas dos desconhecidos. “fera”.2. Na 3ª linha do terceiro parágrafo, “cuja” refe-
Pouco mais de um século depois, os irmãos Grimm re-se a “Wislawa Szymborska”.3. Na 4ª linha do terceiro
abrandaram o enredo do conto e o coroaram com um parágrafo, “seus” refere-se a “Andersen”.4. Na 7ª linha do
final feliz. Se a Chapeuzinho Vermelho do século XVII quarto parágrafo, “las” refere-se a “crianças”.
era devorada pelo lobo, não seria de surpreender que a
atual repreendesse a fera por sua atitude sexista quan- Assinale a alternativa correta.
doaabordasse no bosque. A força do conto, no entanto,
está no fato de que ele fala por meio de uma linguagem a) Somente a afirmativa 4 é verdadeira.
simbólica e nos convida a explorar a escuridão do mun- b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.
do, a cartografia dos medos, tanto ancestrais como ínti- c) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.
mos. Por isso ele desafia todos nós, incluindo os adultos. d) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.
[...] e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
A poetisa Wislawa Szymborska falou sobre um amigo es-
critor que propôs a algumas editoras uma peça infantil 14. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR
protagonizada por uma bruxa. As editoras rejeitaram a - 2018) O texto a seguir é referência para a questão.
ideia. Motivo? É proibido assustar as crianças. A ganha- Era uma vez um lobo vegano que não engolia a vovozi-
dora do prêmio Nobel, admiradora de Andersen –cuja nha, três porquinhos que se dedicavam _____ especulação
coragem se destacava por ter criado finais tristes –, res- imobiliária e uma estilista chamada Gretel que trabalhava
salta a importância de se assustar, porque as crianças de garçonete em Berlim. Não deveria nos surpreender
sentem uma necessidade natural de viver grandes emo- que os contos tradicionais se adaptem aos tempos. Eles
ções: “A figura que aparece [em seus contos] com mais foram submetidos _____ alterações no processo de trans-
frequência é a morte, um personagem implacável que missão, oral ou escrita, ao longo dos séculos para adap-
penetra no âmago da felicidade e arranca o melhor, o tá-los aos gostos de cada momento. Vejamos, por exem-
mais amado. Andersen tratava as crianças com seriedade. plo, Chapeuzinho Vermelho. Em 1697 – quando a história
LÍNGUA PORTUGUESA

Não lhes falava apenas da alegre aventura que é a vida, foi colocada no papel –, Charles Perrault acrescentou
mas também dos infortúnios, das tristezas e de suas nem _____ ela uma moral, com o objetivo de alertar as meni-
sempre merecidas calamidades”. C. S. Lewis dizia que fa- nas quanto _____ intenções perversas dos desconhecidos.
zer as crianças acreditar que vivem em um mundo sem Pouco mais de um século depois, os irmãos Grimm
violência, morte ou covardia só daria asas ao escapismo, abrandaram o enredo do conto e o coroaram com um
no sentido negativo da palavra. final feliz. Se a Chapeuzinho Vermelho do século XVII
era devorada pelo lobo, não seria de surpreender que a

121
atual repreendesse a fera por sua atitude sexista quan- 15. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR
doaabordasse no bosque. A força do conto, no entanto, - 2018) É verdade que na Alemanha (da mesma forma
está no fato de que ele fala por meio de uma linguagem que em outros países europeus) sempre existiram res-
simbólica e nos convida a explorar a escuridão do mun- sentimentos xenófobos e antissemitas, como também
do, a cartografia dos medos, tanto ancestrais como ínti- grupos e partidos de extrema direita. Não são fenôme-
mos. Por isso ele desafia todos nós, incluindo os adultos. nos novos. A novidade desses últimos anos é o exibi-
[...] cionismo desavergonhado ____________ são manifesta-
A poetisa Wislawa Szymborska falou sobre um amigo es- das em público essas posturas desumanas, o desenfreio
critor que propôs a algumas editoras uma peça infantil ____________ se assedia e se fustiga nas ruas os que têm
protagonizada por uma bruxa. As editoras rejeitaram a aspecto, crenças e uma forma de amar diferentes dos da
ideia. Motivo? É proibido assustar as crianças. A ganha- maioria. A novidade é o consenso social ____________ é
dora do prêmio Nobel, admiradora de Andersen –cuja tolerável dizer e o que deve continuar sendo intolerável.
coragem se destacava por ter criado finais tristes –, res-
salta a importância de se assustar, porque as crianças (<https://brasil.elpais.com/bra-
sentem uma necessidade natural de viver grandes emo- sil/2018/09/21/opinion/1537548764_065506.
ções: “A figura que aparece [em seus contos] com mais html?id_externo_rsoc=FB_BR_CM>.)
frequência é a morte, um personagem implacável que
penetra no âmago da felicidade e arranca o melhor, o Assinale a alternativa que preenche corretamente as la-
mais amado. Andersen tratava as crianças com seriedade. cunas acima, na ordem em que aparecem no texto.
Não lhes falava apenas da alegre aventura que é a vida,
mas também dos infortúnios, das tristezas e de suas nem a) com que – que – sob aquilo.
sempre merecidas calamidades”. C. S. Lewis dizia que fa- b) onde – quanto ao que – sob o que.
zer as crianças acreditar que vivem em um mundo sem c) em que – que – sobre que.
violência, morte ou covardia só daria asas ao escapismo, d) com o qual – com o qual – sobre o que.
no sentido negativo da palavra. e) que – onde – sobre o qual.
Depois de passar dois anos mergulhado em relatos com-
16. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR
pilados durante dois séculos, Italo Calvino selecionou e
- 2018) Leia o excerto abaixo:
editou os 200 melhores contos da tradição popular italia-
na. Após essa investigação literária, sentenciou: “Le fiabe
As bombas que os aliados lançaram sobre a Alemanha
sono vere [os contos de fadas são verdadeiros]”. O autor
durante a Segunda Guerra Mundial conseguiram atingir
deO Barão nas Árvorestinha confirmado sua intuição de
a borda inferior do espaço: a ionosfera se enfraqueceu
que os contos, em sua “infinita variedade e infinita repe-
sob a influência da onda expansiva de tantos explosivos.
tição”, não só encapsulam os mitos duradouros de uma
__________ o efeito tenha sido temporário, chegou a ser
cultura, como também “contêm uma explicação geral do
sentido nos céus da Inglaterra. __________, os bombar-
mundo, onde cabe todo o mal e todo o bem, e onde
deios alemães, primeiro os da Luftwaffe (a aviação na-
sempre se encontra o caminho para romper os mais ter-
zista) e, depois, com os foguetes V1 e V2, mal deixaram
ríveis feitiços”. Com sua extrema concisão, os contos de
vestígios na atmosfera.
fadas nos falam do medo, da pobreza, da desigualdade,
da inveja, da crueldade, da avareza... Por isso são ver-
Assinale a alternativa que preenche corretamente as la-
dadeiros. Os animais falantes e as fadas madrinhas não
cunas acima, na ordem em que aparecem no texto.
procuram confortar as crianças, e sim dotá-las de ferra-
mentas para viver, em vez de incutir rígidos patrões de
a) Embora – No entanto.
conduta, e estimular seu raciocínio moral. Se eliminar-
b) Ainda que – Por isso.
mos as partes escuras e incômodas, os contos de fadas
c) Consoante – Não obstante.
deixarão de ser essas surpreendentes árvores sonoras d) Posto que – Logo.
que crescem na memória humana, como definiu o poeta e) Porquanto – Contudo.
Robert Bly.
17. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR
(Marta Rebón. Disponível em: <https://brasil.elpais. - 2018) O texto a seguir é referência para a questão.
com/brasil/2018/09/18/eps/1537265048_460929.html>.)
A explosão das medusas em todo o mundo se deve a
uma série de fatores inter-relacionados. Uma das prin-
Assinale a alternativa que preenche corretamente as la-
cipais causas é o excesso de pesca de seus predadores
cunas do primeiro parágrafo, na ordem em que apare-
LÍNGUA PORTUGUESA

naturais, como o atum, o que ao mesmo tempo elimi-


cem no texto:
na a concorrência pelo alimento e o espaço de repro-
dução. Em paralelo, diversas atividades humanas em re-
a) a – a – à – às.
giões costeiras também ajudam a explicar o fenômeno:
b) à – à – a – as.
c) à – a – a – às. ali onde enormes quantidades de nutrientes são jogadas
d) a – à – à – as. no mar (em forma de resíduos agrícolas, por exemplo),
e) à – à – à – as. produzindo grandes explosões de populações de algas

122
e plânctons, que consomem o oxigênio da água e ge- As medusas são, além disso, um dos poucos vencedores
ram as denominadas zonas mortas. Não muitos peixes e naturais da mudança climática, já que seu ciclo repro-
mamíferos aquáticos conseguem sobreviver nelas, mas dutivo é favorecido pelo aumento da temperatura nos
as medusas sim, além de encontrarem no plâncton uma ciclos oceânicos. Mas há mais fatores. Existem evidên-
fonte de alimentação abundante e ideal. Quando as po- cias de que certas espécies de medusa se reproduzem
pulações de medusas conseguem se estabelecer, as lar- com mais facilidade junto a estruturas costeiras artificiais,
vas de outras espécies acabam sendo parte do cardápio como molhes e píeres. Por isso, é difícil saber se os es-
também, desequilibrando a cadeia trófica. forços para deter, ou até reverter a mudança climática,
As medusas são, além disso, um dos poucos vencedores representam uma solução à crescente presença de me-
naturais da mudança climática, já que seu ciclo repro- dusas nos mares, pelo menos enquanto continuem ge-
dutivo é favorecido pelo aumento da temperatura nos rando problemas em ecossistemas costeiros e cadeias
ciclos oceânicos. Mas há mais fatores. Existem evidên- alimentares marinhas. [...]
cias de que certas espécies de medusa se reproduzem No entanto – e não muito longe de Monte Hermoso –
com mais facilidade junto a estruturas costeiras artificiais, um cientista elucubra uma ideia mais interessante: se
como molhes e píeres. Por isso, é difícil saber se os es- queremos resolver o problema das medusas, temos de
forços para deter, ou até reverter a mudança climática, parar de vê-las como um mal, e começar a vê-las como
representam uma solução à crescente presença de me- comida.
dusas nos mares, pelo menos enquanto continuem ge-
rando problemas em ecossistemas costeiros e cadeias (Disponível em: <https://brasil.elpais.com/bra-
alimentares marinhas. [...] sil/2018/09/18/ciencia/1537282711_864007.html>.)
No entanto – e não muito longe de Monte Hermoso –
um cientista elucubra uma ideia mais interessante: se Entre principais e secundários, o texto menciona como
queremos resolver o problema das medusas, temos de causas de origem antrópica da proliferação de medusas:
parar de vê-las como um mal, e começar a vê-las como
comida. a) 2 fatores.
b) 3 fatores.
(Disponível em: <https://brasil.elpais.com/bra- c) 4 fatores.
sil/2018/09/18/ciencia/1537282711_864007.html>.) d) 6 fatores.
e) 7 fatores.
Entre o segmento “Quando as populações de medusas
conseguem se estabelecer” e o segmento “as larvas de 19. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – NC-
outras espécies acabam sendo parte do cardápio tam- -UFPR - 2015)
bém”, exprime-se uma relação de:
Famílias em transformação
a) causalidade.
b) condicionalidade. O projeto de lei que cria o Estatuto da Família colocou
c) proporcionalidade. na pauta do dia a discussão a respeito do conceito de
d) temporalidade. família. Afinal, o que é família hoje? Alguém aí tem uma
e) complementaridade. definição, para a atualidade, que consiga acolher todos
os grupos existentes que vivem em contextos familiares?
18. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – UFPR
- 2018) O texto a seguir é referência para a questão. A Câmara dos Deputados tem a resposta que considera a
A explosão das medusas em todo o mundo se deve a certa: “Família é a união entre homem e mulher, por meio
uma série de fatores inter-relacionados. Uma das prin- de casamento ou de união estável, ou a comunidade for-
cipais causas é o excesso de pesca de seus predadores mada por qualquer um dos pais junto com os filhos”.
naturais, como o atum, o que ao mesmo tempo elimi- Essa é a definição aprovada pela Câmara para o projeto
na a concorrência pelo alimento e o espaço de repro- cuja finalidade é orientar as políticas públicas quanto aos
dução. Em paralelo, diversas atividades humanas em re- direitos das famílias – essas que se encaixam na defini-
giões costeiras também ajudam a explicar o fenômeno: ção proposta –, principalmente nas áreas de segurança,
ali onde enormes quantidades de nutrientes são jogadas saúde e educação. Vou deixar de lado a discussão a res-
no mar (em forma de resíduos agrícolas, por exemplo), peito das injustiças, preconceitos e exclusões que tal de-
produzindo grandes explosões de populações de algas finição comporta, para conversar a respeito das famílias
e plânctons, que consomem o oxigênio da água e ge- da atualidade.
LÍNGUA PORTUGUESA

ram as denominadas zonas mortas. Não muitos peixes e Desde o início da segunda metade do século passado,
mamíferos aquáticos conseguem sobreviver nelas, mas o conceito de família entrou em crise, e uso a palavra
as medusas sim, além de encontrarem no plâncton uma crise no sentido mais positivo do termo: o que aponta
fonte de alimentação abundante e ideal. Quando as po- para renovação e transição; mudança, enfim. Até então,
pulações de medusas conseguem se estabelecer, as lar- tínhamos, na modernidade, uma configuração social he-
vas de outras espécies acabam sendo parte do cardápio gemônica de família, que era pautada por um tipo de
também, desequilibrando a cadeia trófica. aliança – entre um homem e uma mulher – e por relações

123
de consanguinidade. As mudanças ocorridas no mun- ( ) As expressões “desde o início da segunda metade do
do determinaram inúmeras alterações nas famílias, não século passado” e “até então” (3º parágrafo) introdu-
apenas em seu desenho, mas, principalmente, em suas zem informações situadas em um mesmo período.
dinâmicas.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta,
E é importante aceitar essa questão: não foram as famílias de cima para baixo.
que provocaram mudanças na sociedade; esta é que de-
terminou muitas mudanças nas famílias. Só assim iremos a) V – F – V – F.
conseguir enxergar que a família não é um agente de b) V – V – F – F.
perturbação da sociedade. É a sociedade que tem pertur- c) F – F – V – V.
bado, e muito, o funcionamento familiar. Um exemplo? d) F – V – V – V.
Algumas mulheres renunciam ao direito de ficar com o e) V – V – F – V.
filho recém-nascido durante todo o período da licen-
ça-maternidade determinado por lei, porque isso pode 20. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – NC-
atrapalhar sua carreira profissional. Em outras palavras: -UFPR - 2015)
elas entenderam que a sociedade prioriza o trabalho em
detrimento da dedicação à família. É assim ou não é? Famílias em transformação

Se pudéssemos levantar um único quesito que seria fun- O projeto de lei que cria o Estatuto da Família colocou
damental para caracterizar a transformação de um agru- na pauta do dia a discussão a respeito do conceito de
família. Afinal, o que é família hoje? Alguém aí tem uma
pamento de pessoas em família, eu diria que é o vínculo,
definição, para a atualidade, que consiga acolher todos
tanto horizontal quanto vertical. E, hoje, todo mundo co-
os grupos existentes que vivem em contextos familiares?
nhece grupos de pessoas que vivem sob o mesmo teto
A Câmara dos Deputados tem a resposta que consi-
ou que têm relação de parentesco que não se constituem
dera a certa: “Família é a união entre homem e mulher,
verdadeiramente em família, por absoluta falta de víncu- por meio de casamento ou de união estável, ou a co-
lo entre seus integrantes. munidade formada por qualquer um dos pais junto com
os filhos”. Essa é a definição aprovada pela Câmara para
Os novos valores sociais têm norteado as pessoas para o projeto cuja finalidade é orientar as políticas públicas
esse caminho. Vamos lembrar valores decisivos para nos- quanto aos direitos das famílias – essas que se encaixam
sa sociedade: o consumo, que valoriza o trabalho exa- na definição proposta –, principalmente nas áreas de
gerado, a ambição desmedida e o sucesso a qualquer segurança, saúde e educação. Vou deixar de lado a dis-
custo; a juventude, que leva adultos, independentemente cussão a respeito das injustiças, preconceitos e exclusões
da idade, a adotar um estilo de vida juvenil, que dá pou- que tal definição comporta, para conversar a respeito das
co espaço para o compromisso que os vínculos exigem; a famílias da atualidade.
busca da felicidade, identificada com satisfação imediata, Desde o início da segunda metade do século passa-
que leva a trocas sucessivas nos relacionamentos amo- do, o conceito de família entrou em crise, e uso a palavra
rosos, como amizades e par afetivo, só para citar alguns crise no sentido mais positivo do termo: o que aponta
exemplos. O vínculo afetivo tem relação com a vida pes- para renovação e transição; mudança, enfim. Até então,
soal. O vínculo social, com a cidadania. Ambos estão bem tínhamos, na modernidade, uma configuração social he-
frágeis, não é? gemônica de família, que era pautada por um tipo de
aliança – entre um homem e uma mulher – e por relações
SAYÃO, Rosely. <www.folhaonline.com.br>. Em 29 de consanguinidade. As mudanças ocorridas no mundo
set. 2015. determinaram inúmeras alterações nas famílias, não ape-
nas em seu desenho, mas, principalmente, em suas di-
Identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguin- nâmicas.
tes afirmativas sobre o uso de expressões e/ou sinais de E é importante aceitar essa questão: não foram as
pontuação no texto. famílias que provocaram mudanças na sociedade; esta
é que determinou muitas mudanças nas famílias. Só as-
( ) O diálogo com o leitor é marcado no texto pelo uso sim iremos conseguir enxergar que a família não é um
da expressão “alguém aí”, na segunda linha, e pelo uso agente de perturbação da sociedade. É a sociedade que
recorrente da interrogação. tem perturbado, e muito, o funcionamento familiar. Um
( ) A expressão sublinhada em “a Câmara dos Deputados exemplo? Algumas mulheres renunciam ao direito de fi-
tem a respostaque consideraa certa» antecipa para car com o filho recém-nascido durante todo o período
LÍNGUA PORTUGUESA

o leitor a adesão da autora à definição de família da licença-maternidade determinado por lei, porque isso
aprovada para o projeto de lei do Estatuto da Fa- pode atrapalhar sua carreira profissional. Em outras pa-
mília. lavras: elas entenderam que a sociedade prioriza o tra-
( ) No trecho “direitos das famílias – essas que se encai- balho em detrimento da dedicação à família. É assim ou
xam na definição proposta –”, a expressão entre tra- não é?
vessões alerta o leitor para a restrição do conceito de Se pudéssemos levantar um único quesito que seria
família mencionado. fundamental para caracterizar a transformação de um
agrupamento de pessoas em família, eu diria que é o vín-

124
culo, tanto horizontal quanto vertical. E, hoje, todo mun- internacionais ao longo de oito meses de 2014:The New
do conhece grupos de pessoas que vivem sob o mesmo York Times, BBC, Reuters e Daily Mail. E as notícias foram
teto ou que têm relação de parentesco que não se cons- agrupadas em cinco grandes categorias: negócios e di-
tituem verdadeiramente em família, por absoluta falta de nheiro, saúde, ciência e tecnologia, esportes e mundo. As
vínculo entre seus integrantes. conclusões da pesquisa são preciosas.
Os novos valores sociais têm norteado as pessoas
para esse caminho. Vamos lembrar valores decisivos para Cerca de 70% das notícias diárias estão relacionadas
nossa sociedade: o consumo, que valoriza o trabalho a fatos que geram “sentimentos negativos” – tais como
exagerado, a ambição desmedida e o sucesso a qualquer catástrofes, acidentes, doenças, crimes e crises. Os textos
custo; a juventude, que leva adultos, independentemente das manchetes foram relacionados aos sentimentos que
da idade, a adotar um estilo de vida juvenil, que dá pou- elas despertam, numa escala de menos 5 (muito negati-
co espaço para o compromisso que os vínculos exigem; a vo) a mais 5 (muito positivo). Descobriu-se que o sucesso
busca da felicidade, identificada com satisfação imediata, de uma notícia, vale dizer, o número de vezes em que é
que leva a trocas sucessivas nos relacionamentos amo- “clicada” pelo eventual leitor está fortemente vinculado a
rosos, como amizades e par afetivo, só para citar alguns esses “sentimentos” e que os dois extremos – negativo e
exemplos. O vínculo afetivo tem relação com a vida pes- positivo – são os mais “clicados”. As manchetes negati-
soal. O vínculo social, com a cidadania. Ambos estão bem vas, todavia, são aquelas que atraem maior interesse dos
frágeis, não é? leitores.
Embora realizado com base em manchetes publica-
SAYÃO, Rosely. <www.folhaonline.com.br>. Em 29 das em sites internacionais – não brasileiros –, os resul-
set. 2015. tados do trabalho dos pesquisadores do DCC-UFMG nos
ajudam a compreender a predominância do “jornalismo
Com base no texto, considere as seguintes afirmativas: do vale de lágrimas” na grande mídia brasileira.
Para além da partidarização seletiva das notícias, pa-
1. O conceito de família adotado no projeto de lei que rece haver também uma importante estratégia de so-
cria o Estatuto da Família corresponde à composição brevivência empresarial influindo na escolha da pauta
familiar predominante na primeira metade do século negativa. Os principais telejornais exibidos na televisão
XX. brasileira, por exemplo, estão se transformando em in-
2. Uma família se constitui pelo vínculo entre pessoas, se- cansáveis noticiários diários de crises, crimes, catástrofes,
jam da mesma geração, sejam de gerações diferentes. acidentes e doenças de todos os tipos. Carrega-se, sem
3. A ausência de vínculo afetivo entre pessoas que têm dó nem piedade, nas notícias que geram sentimentos
relação de parentesco é um fator de desestabilização negativos. Mais do que isso: os âncoras dos telejornais,
da sociedade. além das notícias negativas, se encarregam de editoria-
4. O conceito de família aprovado pela Câmara dos De- lizar, fazer comentários, invariavelmente críticos e pes-
putados exclui do escopo das políticas públicas parte simistas, reforçando, para além da notícia, exatamente
dos agrupamentos familiares existentes. seus aspectos e consequências funestos.
Existe, sim, o risco do esgotamento. Cansado de tan-
Assinale a alternativa correta. ta notícia ruim e sentindo-se impotente para influir no
curso dos eventos, pode ser que o leitor/telespectador
a) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. afinal desista de se expor a esse tipo de jornalismo que o
b) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras. empurra cotidianamente rumo a um inexorável “vale de
c) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras. lágrimas” mediavalesco.
d) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.
e) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras. Adaptado de <http://observatoriodaimprensa.com.
br/jornal-de-ebates/outras-razoes-para-a-pauta-negati-
21. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – NC- va/>. Acesso em 19 mai. 2015.
-UFPR - 2015)
Considere as seguintes sentenças retiradas do texto e
Outras razões para a pauta negativa assinale a alternativa em que a expressão verbal grifada
concorda com um sujeito posposto.
Venício A. Lima
O sempre interessanteBoletim UFMG, que traz, a cada se- a) Utilizando programas de computador desenvolvidos
mana, notícias do dia a dia da Universidade Federal de pelo DCC-UFMG,foram identificadas, coletadas e ana-
Minas Gerais, informa, na edição de 4 de maio, o trabalho lisadas 69.907 manchetes veiculadas em quatro sites
LÍNGUA PORTUGUESA

desenvolvido por grupo de pesquisa do Departamento noticiosos internacionais ao longo de oito meses de
de Ciência da Computação (DCC) em torno da “análise 2014.
b) As manchetes negativas, todavia, são aquelas quea-
de sentimento”, que relaciona o sucesso das notícias com
traemmaior interesse dos leitores.
sua polaridade, negativa ou positiva.
c) Os principais telejornais exibidos na televisão brasilei-
Utilizando programas de computador desenvolvidos pelo
ra, por exemplo,estãose transformando em incansá-
DCC-UFMG, foram identificadas, coletadas e analisadas
veis noticiários diários de crises.
69.907 manchetes veiculadas em quatro sites noticiosos

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d) Mais do que isso: os âncoras dos telejornais, além das Existe, sim, o risco do esgotamento. Cansado de tanta
notícias negativas, seencarregamde editorializar, fazer notícia ruim e sentindo-se impotente para influir no cur-
comentários, invariavelmente críticos e pessimistas. so dos eventos, pode ser que o leitor/telespectador afi-
e) Embora realizado com base em manchetes publicadas nal desista de se expor a esse tipo de jornalismo que o
em sites internacionais – não brasileiros –, os resul- empurra cotidianamente rumo a um inexorável “vale de
tados do trabalho dos pesquisadores do DCC-UFMG lágrimas” mediavalesco.
nosajudama compreender a predominância do “jorna-
lismo do vale de lágrimas» na grande mídia brasileira. Adaptado de <http://observatoriodaimprensa.com.
br/jornal-de-ebates/outras-razoes-para-a-pauta-negati-
22. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – NC- va/>. Acesso em 19 mai. 2015.
-UFPR - 2015)
Ao criar o termomediavalescoque finaliza o texto, o au-
Outras razões para a pauta negativa tor associa a media/mídia ao termomedievalesco, ou
seja, relativo à Idade Média. Sua intenção, com isso, é
Venício A. Lima ressaltar um aspecto dos meios de comunicação que po-
deria ser resumido pelo termo:
O sempre interessanteBoletim UFMG, que traz, a cada
semana, notícias do dia a dia da Universidade Federal de a) avançado.
Minas Gerais, informa, na edição de 4 de maio, o trabalho b) sombrio.
desenvolvido por grupo de pesquisa do Departamento c) truculento.
de Ciência da Computação (DCC) em torno da “análise d) inexorável.
de sentimento”, que relaciona o sucesso das notícias com e) filosófico.
sua polaridade, negativa ou positiva.
Utilizando programas de computador desenvolvidos 23. (PM-PR– ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR – NC-
pelo DCC-UFMG, foram identificadas, coletadas e anali- -UFPR - 2015)
sadas 69.907 manchetes veiculadas em quatro sites noti-
ciosos internacionais ao longo de oito meses de 2014:The Outras razões para a pauta negativa
New York Times, BBC, Reuters e Daily Mail. E as notícias
foram agrupadas em cinco grandes categorias: negócios Venício A. Lima
e dinheiro, saúde, ciência e tecnologia, esportes e mun-
do. As conclusões da pesquisa são preciosas.
O sempr