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UNIVERSIDADE FEEVALE

INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS


CURSO DE DESIGN

GRAZIELE BORGUETTO SOUZA

BATOM VERMELHO: UMA NOVA EXPERIÊNCIA SOBRE AS NECESSIDADES


SEXUAIS DAS MULHERES

Novo Hamburgo
2016
2

GRAZIELE BORGUETTO

BATOM VERMELHO: UMA NOVA EXPERIÊNCIA SOBRE AS NECESSIDADES


SEXUAIS DAS MULHERES:

Projeto de Conclusão de Curso


apresentado como requisito final à
obtenção do grau de Bacharel em
Design pela Universidade Feevale

Orientador: Prof. Me. Igor Escalante Casenote

Novo Hamburgo
2016
3

GRAZIELE BORGUETTO SOUZA

Trabalho de Conclusão de Curso de Design, com o título “Batom vermelho: uma


nova experiência sobre as necessidades sexuais das mulheres”, submetido ao corpo
docente da Universidade Feevale, como requisito necessário para obtenção do Grau
de Bacharel em Design.

Aprovado por:

_________________________
Professor Me. Igor Escalante Casenote
Professor(a) Orientador(a)

_________________________
Professora Dr.ª Elisa Marangon Beretta
Banca examinadora

_________________________
Professora Dr.ª Bruna Ruschel Moreira
Banca examinadora

Novo Hamburgo, 14 de junho de 2016.


4

RESUMO

A repressão da sociedade fez com que, historicamente, as mulheres fossem inibidas


de se posicionarem quanto aos seus desejos sexuais. Muitas acabam crescendo
sabendo pouco sobre sexo, sem nunca terem tocado em seu corpo e, até mesmo,
sem saberem sobre orgasmo. Alguns dos "meios" existentes para facilitar esse
aprendizado são os conteúdos pornográficos. Porém, estes não condizem com as
necessidades das mulheres, sendo então produzidos e pensados, em sua maioria,
para o sexo masculino. Este trabalho se propõe a investigar de que forma é possível
diminuir a produção de conteúdos machistas pela indústria pornográfica e como as
mulheres podem se sentir empoderadas quanto às suas necessidades sexuais. O
objetivo geral do trabalho foi desenvolver um projeto de design focado na
experiência do usuário que colabore com a discussão sobre a sexualidade da
mulher, a fim de serem produzidos conteúdos que instruam a sociedade sobre as
reais necessidades delas. O trabalho possuiu metodologia teórico-aplicada,
contendo métodos projetuais de Prodanov e Freitas (2013); Löbach (2001) Martins e
Hanington (2012); Plattner (2010); Stickdorn e Schneider (2014) e Strunk (2012). Um
dos resultados preliminares, a partir da coleta e análise de dados, foi a
desconstrução do problema, quando se percebeu que o mercado pornográfico não
atende o público feminino porque desconhece os interesses das mulheres. Como
resultado final, foi desenvolvido um espaço virtual que reúne informações sobre a
sexualidade das mulheres, por meio de um portal criado de maneira colaborativa e
construído exclusivamente por elas, podendo depois este conteúdo ser
disponibilizado e consumido pela sociedade como um todo, o que pode auxiliar em
uma maior compreensão sobre a mulher e seus desejos e necessidades.

Palavras-chave: Pornografia. Design. Sexualidade. Mulher.


5

ABSTRACT

The repression of society, historically, made women inhibited about their sexual
desires. Many of them end up growing with little information about sex, without
having touched their own bodies nor even knowing about orgasm. Some of the
“methods” used to teach about sex is pornographic content. However, such ways do
not approach female needs and are, in majority, thought on males’ desires and fetish.
This essay plans to investigate a manner to lessen male-directioned movie
productions and empower women about their sexual needs. The general objective of
this paper was to develop a design project focused on user experience which can
promote discussions over women’s sexuality, so that it is possible to create content
able to teach society about their real needs. This study is based on theory-applied
method, containing project structures from Prodanov e Freitas (2013); Löbach (2001)
Martins e Hanington (2012); Plattner (2010); Stickdorn e Schneider (2014) and
Strunk (2012). One of preliminar results, from data collection and analysis, deals with
the deconstruction of the problem, as the pornographic market does not attract or
reflect women’s needs and does not even recongnize it. As a final result, a virtual
space was developed where information about female sexuality can be accessed.
Such portal works on collaborative purpose, built exclusively for women, but
accessible to whoever feels interested about the real perspectives from women, so
that it works as a strong tool on making society aware of what a woman wants, needs
and expects when it comes to sex.

Keywords: Pornography. Design. Sexuality. Woman.


6

LISTA DAS FIGURAS

Figura 1 - Lamparina em terracota, do deus Príapo encontrada em Pompéia,


pertence ao século I d.C. Acervo do Museu Nacional de Nápoles ............................ 15
Figura 2 - Pôster americano do filme Garganta Profunda (Deep Throat) .................. 21
Figura 3 - Pôster do filme pornochanchada “A viúva virgem”, de 1972 ..................... 22
Figura 4 - Linha cronológica das etapas ................................................................... 29
Figura 5 - Grupos em atividade no workshop ............................................................ 35
Figura 6 - Insights finais apresentados no workshop ................................................ 36
Figura 7 - Brainstorm de geração de alternativas...................................................... 40
Figura 8 - Pilares da problemática............................................................................. 41
Figura 9 - Geração de alternativas para a marca ...................................................... 44
Figura 10 - Solução final da marca............................................................................ 45
Figura 11 - Definição de cores da marca .................................................................. 45
Figura 12 - Mapa da oferta do portal ......................................................................... 46
Figura 13 – Aviso de acesso ao portal ...................................................................... 47
Figura 14 - Interface do portal com pudor ................................................................. 48
Figura 15 - Interface do portal sem pudor ................................................................. 48
Figura 16 - Tela disponível para o publico em geral das tendências ......................... 50
Figura 17 - Tela de inscrição ..................................................................................... 51
Figura 18 - Tela da rede com os conteúdos disponíveis para as usuárias ................ 52
Figura 19 - Tela do conteúdo de vídeos disponíveis para as usuárias ...................... 53
Figura 20 - Tela do perfil da usuária .......................................................................... 54
Figura 21 - Tela para a inscrição de projetos e parcerias ......................................... 55
Figura 22 – Tela de inscrição para ser um parceiro ativo do portal ........................... 56
Figura 23 - Portal em diferentes plataformas ............................................................ 57
Figura 24 - Diagrama do funcionamento do portal .................................................... 58
7

LISTA DOS GRÁFICOS

Gráfico 1 - Porcentagem de mulheres que visitaram o site PornHub ........................ 26


Gráfico 2 – Porcentagem das respostas referente aos meios pelos quais as
mulheres se mantém informadas que se mantem informadas .................................. 31
Gráfico 3 - Porcentagem das respostas sobre o que mais facilita às mulheres chegar
ao orgasmo ............................................................................................................... 33
Gráfico 4 – Porcentagem das respostas referente ao consumo de pornografia ....... 33
8

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Insights das personas apresentados pelos grupos .............................36


9

SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................10
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .........................................................................14
2.1 SEXUALIDADE ...............................................................................................14
2.1.1 Sexualidade Feminina ................................................................................17
2.2 PORNOGRAFIA ..............................................................................................19
2.2.1 Pornografia é só para homens? ................................................................23
2.3 BUSCANDO NOVAS EXPERIÊNCIAS ...........................................................26
3 METODOLOGIA ................................................................................................29
3.2 LEVANTAMENTO DE DADOS .......................................................................30
3.2.1 Questionário ...............................................................................................30
3.2.1 Workshop ....................................................................................................34
3.3 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS ............................................................37
3.4 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA do projeto .........................................................38
3.5 GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS .....................................................................39
4 RESULTADO .....................................................................................................42
4.1 Naming ...........................................................................................................42
4.2 Marca ..............................................................................................................44
5 PORTAL BATOM VERMELHO .........................................................................46
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...............................................................................60
REFERÊNCIAS .....................................................................................................62
APÊNDICE A – Questionário parte 1 .................................................................68
APENDICE B – questionário parte 2 – respostas Sim ......................................72
APÊNDICE C – Questionário parte 3 – respostas NÃO ....................................73
APÊNDICE D – questionário parte 4 – workshop .............................................74
APÊNDICE E – PERSONAS ................................................................................75
APÊNDIC F - INSIGHTS NOVA REFLEXÃO .......................................................76
10

1 INTRODUÇÃO

Vive-se em uma sociedade na qual o sexo está cada vez mais explícito.
Acessar um conteúdo com representações sexuais, principalmente com a expansão
da internet e o avanço das tecnologias, gradativamente vem se tornando parte do
cotidiano das pessoas (ATTWOOD, 2009). Um dos fatores que contribuíram para a
popularidade e o consumo de materiais pornográficos1 é a quantidade de lucros
trazidos por essa indústria. De acordo com uma publicação na revista IstoÉ
Dinheiro2 (2013), o mercado mundial do sexo fatura 46 bilhões de reais por ano,
sendo 15 bilhões para acessórios sexuais e 10 bilhões para a indústria pornográfica.
De acordo com as informações do ranking Alexa3, três sites de conteúdo adulto
compõem a lista entre os cem mais acessados do mundo em 2015 4: Xvideos (49°
posição), Pornhub (61°) e Xhamster (82°).
A busca por conteúdos com representações sexuais pode ter diversas
finalidades: compra ou venda de produtos relacionados (livros, revistas, DVDs,
vídeos, bens para fins masturbatórios, brinquedos sexuais, etc.); procura de material
para entretenimento (websites, salas de chat, biblioteca de imagens, etc.); procura
de parceiros/as (relações sexuais, compartilhamento de informações, etc.); entre
outros (GRIFFITHS, 2000). Para uma delimitação mercadológica “socialmente
estabelecida”, os conteúdos comercializados caracterizados por exposições
explícitas foram nomeados de hardcore (pornográfico), e, aqueles marcados por
conteúdos mais implícitos, que estimulam a imaginação, são denominados softcore
(erótico) (ABREU, 2012).
A palavra Pornografia vem do grego pornographos, que significa “escritos
sobre prostitutas”. O Dicionário Aurélio (2009, p. 1603) traz como definições:
“Figura(s), fotografia(s), filme(s), espetáculo(s), obra literária ou de arte, etc., [...] que
tratam de coisas ou assuntos obscenos ou licenciosos capazes de motivar ou
explorar o lado sexual do indivíduo”. Não se sabe ao certo quando começou a
pornografia, mas acredita-se que a mesma já existia desde a antiguidade. Segundo
Moraes e Lapeiz (1985), existem indícios de pornografia em passagens da Bíblia.

1 A pornografia aqui abordada será somente a considerada legal perante as leis do Estado.
2 Notícia publicada no dia 26 de julho de 2013. Disponível em: <http://www.istoedinheiro.com.br/-
noticias/negocios/20130726/novos-lucros-sexo/4933.shtml>. Acesso em: 04 set. 2015.
3 Alexa é um serviço de internet pertencente à Amazon, que verifica a quantidade e localização de

visitantes em websites. Disponível em: <http://www.alexa.com/topsites>. Acesso em: 07 jun. 2016.


4 Atenta-se que a verificação da posição foi realizada no mês de junho de 2016.
11

Encontram-se também na Grécia Antiga representações de cenas eróticas na


literatura, em pinturas e esculturas. No Oriente Médio, da mesma forma, encontrou-
se conteúdo semelhante com a publicação do Kama Sutra5. Porém, definir
pornografia é incluir a representação da sexualidade (LEITE Jr, 2006).
Nos últimos anos, o sexo, a sexualidade e o gênero fizeram parte das vastas
transformações culturais da sociedade moderna, inclusas no que se descreve como
revolução sexual: o papel social das mulheres e a maior consciência da sexualidade
feminina (GIDDENS, 1993). A desigualdade de gêneros pode ser percebida em
muitas representações dos conteúdos pornográficos. A figura feminina é mostrada
como objeto para satisfazer os desejos masculinos. Agressões físicas, agressões
verbais, além de representações de personagens em contexto de submissão como:
chefe e secretária, pai e filha, contribuem para o afastamento de identificação do
público feminino pela pornografia (D’ABREU, 2013). Linda Williams (1999) aponta
que nas produções pornográficas o prazer masculino é facilmente identificado pela
ejaculação. Já a confirmação do prazer feminino dificilmente é percebida
visivelmente. Com isso, a representação do prazer feminino, na maioria dos
conteúdos pornográficos, se dá pela ejaculação masculina, criando uma ilusão de
satisfação nas interpretações sonoras e faciais das atrizes.
Mesmo que os conteúdos pornográficos façam parte do cotidiano das
pessoas, ainda existe um pudor ao abordar o assunto e, principalmente, uma
enorme distinção de gêneros entre o que está sendo produzido e quem está
consumindo. No livro “O que realmente as mulheres querem” de Daniel Berger
(2013, s/p), são relatados trabalhos realizados por algumas pesquisadoras sobre o
prazer feminino: na pesquisa de Kim Walley, por exemplo, ao mostrarem fotos
eróticas para um grupo de mulheres e de homens, constatou-se que a sexualidade
feminina está além do emocional, pois “as mulheres não fitavam as imagens menos
tempo do que os homens. Elas pareciam tão interessadas quanto eles”. Tanto na
pesquisa de Meredith Chivers, quanto a de Terri Fisher mostrou-se que,
dependendo de como são abordadas, as mulheres omitem informações sobre sua
vida sexual, pois ser sexual “é uma liberdade dada pela sociedade com muito mais
facilidade para os homens do que para as mulheres” (apud BERGER, 2013, s/p).

5É um manual sobre a arte do amor, escrita pelo Vatsayana. É um estudo de Kama (amor e prazer
sexual) que o autor reconhece “como um dos três grandes objetivos da vida” (MORAES; LAPEIZ,
1985, p. 20).
12

Diante dessa situação, o Design pode ser fundamental para proporcionar às


mulheres uma nova experiência em relação ao consumo de pornografia. Segundo
Freire (2008, p. 1745) “o objetivo do design é aprimorar as sensações dos
consumidores, sejam elas físicas ou emocionais e compreender como proporcionar
ao usuário uma experiência ideal de consumo”.
A repressão da sociedade fez com que, historicamente, as mulheres fossem
inibidas de se posicionarem quanto aos seus desejos sexuais, construindo assim
uma indústria pornográfica, em sua maioria, para o sexo masculino. Partindo dessa
problemática, como o Design, então, pode contribuir com uma nova experiência no
mercado pornográfico, focando nas necessidades do público feminino? A hipótese
inicial do projeto foi pensada no avanço dos direitos das mulheres e o crescente
posicionamento pela independência sexual, onde o mercado pornográfico precisa
olhá-las não como uma matéria prima, mas como público-alvo.
Trabalhando com a ideia de que a indústria pornográfica, em sua maioria, é
pensada para o sexo masculino, este trabalho teve como objetivo geral desenvolver
um projeto de design focado na experiência do usuário, a fim de satisfazer as
necessidades femininas ao consumir pornografia.
Após a aplicação do questionário, desenvolvimento do workshop e das
análises das informações apresentadas, verificou-se uma mudança na percepção
final do projeto. Partindo de um pensamento da mulher como consumidora de
pornografia e o mercado produzindo para elas, notou-se uma lacuna enorme de
informação e entendimento sobre o real problema do projeto. Identificou-se um novo
objetivo de que a pornografia não atende o público feminino porque os produtores
desconhecem os interesses das mulheres. A questão em si não é a mulher, ou a
pornografia para a mulher, e sim um projeto que eduque a sociedade sobre as reais
necessidades delas, contribuindo com informações adequadas para a produção de
conteúdos pornográficos.
A análise histórica da figura feminina mostra a constante dominação dela
pela figura masculina, principalmente em questões ligadas à relação sexual.
Crescemos em uma sociedade em que o homem é estimulado e incentivado a
aflorar a sua sexualidade muito cedo. Ainda adolescentes ganham suas primeiras
revistas com conteúdos adultos, se masturbam e falam sobre isso com os pais e
amigos, além de serem mais inclinados a conversar sobre sexo abertamente. Esse
cenário é totalmente diferente para a maioria das mulheres. Falar sobre sexo ainda é
13

um assunto tabu para a maioria das meninas. Muitas acabam crescendo sabendo
pouco sobre sexo, sem nunca terem tocado em seu corpo e, principalmente, sem
saberem sobre orgasmo. Elas crescem tendo seus desejos reprimidos e sendo
estimuladas a negarem suas vontades em prol daquilo que querem que elas sejam:
o sexo frágil, emotivo e sensível.
No direcionamento final do projeto verificou-se que falta espaço para as
mulheres falarem sobre seus desejos abertamente; um lugar onde elas questionem,
falem e opinem sobre seus desejos e sobre o que é produzido para elas. Assim, é
claro, não basta que as produções sejam feitas e pensadas para elas, mas também
que construam conteúdos reais sobre a mulher, para que a sociedade em geral
possa usufruir e assim se educar, quebrando aos poucos os tabus implantados
historicamente diante da mulher e seu corpo.
14

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A fundamentação teórica se divide em dois subcapítulos principais: um


abordando a sexualidade - de forma geral e feminina – e a pornografia, facilitando a
compreensão do contexto que o trabalho se insere, os conceitos principais e a
realidade atual dessas áreas, e outro capítulo conceituando sobre design de
experiência.

2.1 SEXUALIDADE

Ao falar sobre sexualidade, estamos traçando um paralelo entre o erótico e o


pornográfico, pois ambos “se referem às intervenções sociais e se expressam pela
transgressão” (ABREU, 2012, p. 22). Essa relação também é feita por Moraes e
Lapeiz (1985) como forma de proporcionar a excitação e estimular a capacidade
afrodisíaca das pessoas. Falar de sexualidade é “discutir uma política muito
específica de gestão de corpos, pessoas e relações, central na fundação e na
expansão da modernidade ocidental” (OLIVAR, 2011, p. 92).
O ser humano, biologicamente, é dotado de um corpo sexuado. O
comportamento sexual se difere de uma sociedade para outra, devido a sua cultura,
suas crenças e o lugar onde habita. Guyton e Hall (1998) afirmam que o
comportamento sexual de cada indivíduo é influenciado pelo meio social, étnico e
cultural. O que é considerado moral ou imoral, apropriado ou não, normal ou
anormal é determinado pela sociedade e sua cultura, pois “a história da nossa
concepção de corpo e sexualidade é a história dos sistemas de valores
fundamentais em cada sociedade” (ARAÚJO, 2002, p. 70-77).
Ao falar sobre sexualidade, muitas pessoas associam ao sexo. Externamente
é visível a identificação pelos órgãos genitais, mas isso não significa que é o que
define a sexualidade de cada indivíduo. Sexo é o ato sexual em si, a satisfação da
necessidade biológica dos seres humanos de obter prazer sexual. Já a sexualidade
é um conjunto de fatores que se constrói, assim como: sentimentos, gestos, sexo,
valores morais, ambiente social e tudo relacionado ao comportamento sexual de
cada cultura (FIGUEIRÓ, 2006). Para Tozo et al (2007, p. 95) a sexualidade é um
dos indicadores de qualidade de vida pois “influencia pensamentos, sentimentos,
15

ações e integrações”. Chaui (1991) a define como polimorfa, polivalente, a


simbolização do desejo da pessoa, ultrapassando a necessidade fisiológica.
Se hoje a sexualidade se entende como direito social, nos séculos passados
esses estudos sofreram transformações cruciais de acordo com os padrões de cada
época. As dimensões socioculturais, tais como políticas, sociais e religiosas, ao
longo da história, interferiram diretamente na percepção dos seres humanos sobre a
sexualidade, com o objetivo de controlar as relações sociais (DABHOIWALA, 2013).
A vida não era um direito pessoal do indivíduo, o controle dela era público.
A sexualidade humana é marcada por constantes mudanças e condutas
distintas no decorrer das épocas. Na Grécia clássica a sexualidade era uma atitude
de liberdade. Para os Gregos a sexualidade em excesso era sinônimo de saúde,
principalmente em relação ao tamanho do órgão sexual (COSTA, 2012, p.15). Era
comum ter representações sexuais em objetos do cotidiano. Um exemplo são as
estátuas do deus Príapo (Figura 1) em forma de símbolos fálicos, e as
representações artísticas de cenas eróticas em forma de jogos sexuais (MORAES;
LAPEIZ, 1985).

Figura 1 - Lamparina em terracota, do deus Príapo encontrada em Pompéia, pertence ao século


I d.C. Acervo do Museu Nacional de Nápoles

Fonte: Júnior (2009)

Vivia-se tempos de liberdade sexual na Grécia antiga, não havia pudor e era
permitido ter relacionamentos sexuais com pessoas do mesmo sexo. Era o contrário
dos tempos que estavam por vir, em que o cristianismo começa a condenar a
sexualidade como pecado para todos (RAGO, 2003). Ao passar a controlar a
privacidade das pessoas, a Igreja, o Estado e as pessoas comuns começaram a ser
16

os juízes das condutas e organização da sociedade. Segundo Dabhoiwala (2013)


desde o início da Idade Média, o sexo ilícito, assim como a fornicação, o adultério, a
prostituição e a sodomia, eram considerados ilegais. A Igreja, o Estado e as pessoas
da comunidade se empenhavam em guiar doutrinas de punições severas contra
quem praticava essas condutas.
O século XVII foi uma grande ruptura na história da sexualidade. Segundo
Foucault (1999, p. 109), foi quando nasceram as “grandes proibições, valorização
exclusiva da sexualidade adulta e matrimonial, imperativos de decência, esquiva
obrigatória do corpo, contenção e pudores imperativos da linguagem”.
Freud foi um dos precursores das discussões sobre a sexualidade. Até aquela
época, o sexo era visto apenas para procriação e pouco se falava sobre as fantasias
que acompanhavam o ato sexual (BOADELLA, 1985; WEREBE, 1998). Freud, em
1905, compreendendo a sexualidade no contexto de uma teoria do desenvolvimento
psíquico, mostra, com os “três ensaios sobre a sexualidade”, que o indivíduo tem um
corpo erotizado e estabelece uma ligação dos instintos corporais ao nascer até a
fase adulta (LOURO, 2000; ALBERTI, 2005).
Posteriormente, outros autores foram importantes para o estudo da
sexualidade humana:

Alfred Kinsey, pelo seu pioneirismo no uso estatístico com grande


amostragem em comportamento sexual e pelo inequívoco mérito de colocar
o sexo na pauta de discussões. A produção do casal Masters & Johnson,
especificamente no campo da prática clínica médica ou psicológica, é
comumente utilizada em terapias sexuais para as chamadas disfunções
sexuais, tais como tratamento de ejaculação precoce, impotência,
disfunções orgásticas. O trabalho de Shere Hite obteve reconhecimento
pela sua postura feminista em defesa do prazer sexual e orgástico da
mulher. (SENA, 2007, p. 4-5).

O direito à sexualidade foi uma das reivindicações marcantes dos anos 60 e


70, pois todos estavam saturados do rigor moral excessivo. No século XX, com o
avanço tecnológico - da fotografia, cinema, da televisão a partir da década de 50, e
Internet e meios digitais de comunicação na década de 90 -, ocorre uma explosão do
erotismo, principalmente a partir dos anos 60, com a revolução sexual (MARZOCHI,
2003). No início dos anos 60 começaram a ocorrer, em diversas frentes, mudanças
que consolidaram a revolução sexual. Uma das mais importantes foi que rapazes e
moças passaram a praticar seus primeiros atos sexuais em idade cada vez mais
precoce (GAGNON, 2006).
17

No século XX o estudo sobre a sexualidade e o corpo humano já não era


mais um campo desconhecido. A sexualidade agora era discutida principalmente
para defender os desejos e direitos sexuais femininos, que até então eram tratados
como coadjuvantes (DABHOIWALA, 2013). O direito de expressar seus instintos
sexuais passou a ser de grande importância. A expansão da discussão sobre o
assunto se torna cada vez mais pública, e a sexualidade das mulheres, junto com a
luta feminista, começa a ganhar força contra a repressão de seus direitos.

2.1.1 Sexualidade Feminina

Desde os primórdios da civilização ocidental a mulher é considerada como o


gênero mais sexualizado. Segundo Boff e Muraro (2002) as mulheres eram vistas
como divindade na Pré-História, pois eram as únicas capazes de reprodução da
espécie. Embora a gravidez fosse uma benção, ela expôs as fragilidades das
mulheres. Elas eram vistas como mental, moral e corporalmente mais fracas que os
homens e que não conseguiam controlar suas emoções. Segundo Dobhawana
(2013, p. 222), “todo pecado humano, assim se ensinava aos cristãos, provinha em
última instância da fraqueza original de Eva, a primeira mulher: a impureza do sexo
era, em si, apenas mais uma manifestação disto”.

Entre essas construções, encontram-se as ideias de impureza e fragilidade


do corpo feminino, a construção do corpo ideal pelo controle das emoções e
do desejo sexual – sobretudo o feminino pelo domínio do homem sobre a
mulher – além de uma dada moral em torno da sexualidade com
implicações para o sexo, a procriação e anticoncepção. No pensamento
idealista de Platão, as sensações ligadas ao corpo (tidas como impurezas)
constituíam-se em um dos impedimentos mais importantes para o alcance
do conhecimento tido como verdadeiro. O corpo é visto como uma fonte de
poluição e as mulheres são associadas a essa esfera poluidora. (SILVA;
MANDÚ, 2007,p. 461).

Com fortes influências do Cristianismo, a sociedade agora se via em sérios


padrões rígidos de moral, ética e comportamental. O corpo e o sexo não pertenciam
mais ao indivíduo, eram proibidos e vistos como pecado moral. Essa conduta era
seguida pelas doutrinas do Estado e da Igreja. Para Dobhawana (2013), nessa
época, a mulher vivia sob a tutela do marido e sua condição era desigual, pois ela
não tinha controle sobre sua sexualidade e seu corpo.
18

Uma política comum regia a sociedade daquela época. O Estado e a Igreja,


junto com o apoio da comunidade, se impuseram no combate das ações ilícitas. O
modelo imposto contribuiu para reforçar a inferiorização da mulher e seu papel
social. Fixava-se assim um padrão: esposas submissas eram mulheres corretas; as
erradas eram imorais, meretrizes, não casadas, as que praticavam alguma ação
ilícita (DEL PRIORE, 2014).
No final do século XVIII, as mulheres já começaram, aos poucos, a se
questionar e começar a se posicionar contra as explorações. Nos países ocidentais,
principalmente, a luta por direitos das mulheres teve grandes repercussões para que
hoje a liberdade sexual e o controle sobre o seu corpo pudesse ser um direito.
Conforme Araújo (2002) a revolução sexual, e com ela a emancipação feminina,
influenciaram diretamente a intimidade e a vida das pessoas, tanto no amor quanto
no casamento e na sexualidade.
A necessidade da mulher em ter prazer sexual e orgásmico, para muitos, não
era importante. Até o século XVIII se acreditava que o orgasmo só era essencial
para a mulher na concepção da gravidez (OLIVEIRA, 2013). O orgasmo pode ser
dissociado do prazer sexual. A experiência de um orgasmo para a mulher, tanto
física (vaginal, clitoriana ou outras partes do erógenas do corpo) quanto emocionais
pode proporcioná-la sensações de prazer. De acordo com o Seixas (2000, p. 1927)
“a excitação pode-se iniciar por estímulos psicológicos, como cheiro, frase, filme
erótico, ou por toques físicos nas zonas exógenas”.

A nosso ver, não importa que tipo de orgasmo a mulher prefira, mesmo
porque eles podem ser sentidos isoladamente ou em cadeia, cada um deles
produzindo as condições para que aconteça o outro, não sendo, às vezes,
discrimináveis no prazer da mulher por ela própria. O que precisa ser
preservado é o direito da mulher gozar como quiser e quando quiser, sem
ser ameaçada ou taxada de anormal, porque não reage como todo mundo.
(SEIXAS, 2000, p. 1928).

Uma nova abertura nas questões sexuais estava se formando. O que antes
era obscuro agora é discutido de forma mais pública, como é o caso das práticas
sexuais dentro e fora do casamento. Louro (2000) revela que a revolução sexual
também trouxe a tona o outro comportamento repressor. As atitudes conservadoras
em relação ao sexo foram minimizadas, mas o que ficou em evidência e quem mais
conseguiu usufruir dessa liberdade foram os homens heterossexuais. Tem-se, de
um lado mulheres tentando retomar a autonomia sobre sua própria sexualidade,
19

seus corpos, e do outro, homens tentando manter o controle sobre essa


sexualidade.
Com o surgimento da pornografia no século XX foi criada essa disseminação
de uma sexualidade que até então era obscura. Uma nova visão da sociedade se
cria e os tabus que, até então, eram evitados, começam a ser expostos. O sexo
nunca foi tão acessível, e tanto homens quanto mulheres estão em contato com
essa cultura, mas nem de longe isso conseguiu libertar o corpo feminino do poder
masculino.

2.2 PORNOGRAFIA

A pornografia é um crescente do comportamento sexual humano. Assim como


o erotismo, ela sempre transitou em terrenos obscuros, algo a não ser visto nem
comentado, marcado por contradições (ABREU, 2012). De acordo com Campos
(2006), o erotismo é a experiência do sensual e o sexual, que possibilita sentimentos
amorosos. Já a pornografia tem a capacidade de excitar o desejo sexual de seus
consumidores, despertando a libido.
Derivado de Eros, deus do amor e do desejo, foi no Século XX que o termo
erotismo surgiu. O imaginário, a fantasia e a ficção são partes que envolvem a
representação do erótico-pornográfico (ABREU, 2012). Os estudos de Freud
mostraram que o “impulso erótico expressaria o desejo do homem em relação a
outros objetos” (ABREU, 2012, p. 21).
Abreu (2012, p. 26) classifica a pornografia como “um discurso veiculador do
obsceno: exibe o que deveria estar oculto. Espaço do proibido, do interdito, daquilo
que não deveria ser exposto. A sexualidade fora do lugar”. É colocar em cena algo
que deveria estar fora dela. A pornografia talvez exista “para ordenar esta desordem,
para restaurar a ordem cultural como uma reforma de transgressões organizadas”
(MORAES; LAPEIZ, 1985, p. 55).

Entender a pornografia é a confecção de imagens, cujo objeto é o sexo e o


intuito deliberado é o de induzir o observador à excitação sexual, à
masturbação ou mesmo ao sexo (em caso de uso por casais ou em
estabelecimentos especificamente voltados ao comércio ou socialização
sexual). (MARTINEZ, 2009, s/p).
20

Ficou estabelecido, socialmente, duas nomenclaturas que contribuíram para a


delimitação e compreensão técnica e mercadológica da pornografia: Hard core e soft
core. De acordo com Abreu (2012, p. 12) as produções que eram marcadas por
“excesso de exposições sexuais explícitas” foram nomeadas hard core, tendo
conteúdos pornográficos como sinônimo. E o que era sexo implícito, encoberto, que
sugeria conotações sexuais, como soft core, o mesmo que eróticos. De qualquer
modo, a característica principal dos dois é a sexualidade, pois visam evocar o
prazer.
Apesar de encontrar-se vestígios desde a Antiguidade, a pornografia, como é
conhecida hoje em dia, ganhou destaque no final dos anos setenta e início dos anos
oitenta. Com a evolução do cinema e a popularização do mercado domiciliar de
vídeos, a pornografia foi se instaurando na sociedade (MARTINEZ, 2009).
No início do século XX, quando o cinema já se estruturava tecnicamente, as
produções de narrativa e o discurso artístico começavam a ser explorados de forma
mais ousada. Assuntos como drogas, doenças venéreas e educação sexual,
começaram a ganhar espaço (ABREU, 2012). Os princípios da pornografia foram
“camuflados” como meios pedagógicos, como, por exemplo, em uma produção
francesa, onde um doutor sexólogo comentava sobre a evolução de um casal e, com
ajuda de gravuras, a câmera mostrava os corpos nus, simulando ações. As genitais
não eram mostradas (ABREU, 2012).
Não demorou muito para essas produções ganharem gosto e espaço no
mercado. De acordo com Linda WIlliams (1989) uma nova modalidade de
entretenimento surgiu: os stag movies, que significam literalmente, filmes para
homens. Essas produções não tinham muitos recursos, nem preocupações técnicas
e estéticas, mas eram os primeiros filmes de sexo explícitos produzidos na época.
Eram exibidos ilegalmente, em ambientes fechados, fora do circuito comercial, para
um grupo selecionado de espectadores homens (ABREU, 2012)
De acordo com Linda Williams (1989, p. 80) o prazer visual do stag movie
caracteriza-se por uma oscilação entre dois polos de prazer:

O primeiro é o prazer masculino de expressar (em grupo) seu desejo


heterossexual pelos corpos das mulheres em exibição. Neste prazer, o
corpo feminino faz a mediação da realização da identidade masculina. O
segundo polo de prazer consiste em aproximar-se, mas nunca plenamente,
de uma identificação com o protagonista masculino que realiza atos sexuais
como o corpo feminino que se mostra ao espectador.
21

Nos anos 1940, os Estados Unidos já produziam filmes com conotações


eróticas, exibidos em cinemas pouco conhecidos. Nos anos 50, a nudez começou a
se popularizar com filmes ambientados em campos de nudismo, filmando legalmente
homens, mulheres e até crianças. O público logo cansou dessas produções
naturalistas, então viram que precisavam elevar essas sensações para algo mais
ousado (ABREU, 2012).
As produções obscenas continuaram, ao longo do século, entre filmes
pedagógicos, documentários, clandestinos, até conquistar a exibição legal à luz do
dia. Conforme Abreu (2012) esse rápido alastramento dos conteúdos pornográficos
no mercado deve-se pela adaptação dos mecanismos de exibição audiovisuais com
os home-videos. A resposta positiva do consumo foi pela relação entre necessidade
e disponibilidade acessível no mercado desses produtos.
Um dos marcos da popularização da pornografia foi com o filme Garganta
Profunda (Deep Throat), de 1972:

Pela primeira vez, uma narrativa ficcional estruturada de forma linear e


convincente apresenta cenas coloridas e sonoras de sexo explícito com
closes das genitálias de ambos os sexos, levando aos cinemas
pornograficos uma enorme parcela de público. (...) Seis meses depois da
estréia, mais de 500 mil pessoas já haviam assistido. (LEITE Jr., 2006, p.
93)

Figura 2 - Pôster americano do filme Garganta Profunda (Deep Throat)

Fonte: Amazon (2015)

O Brasil, nessa época, já consumia e produzia filmes erótico-pornográficos,


tanto internacionais como nacionais. Devido a fatores econômicos e culturais no
22

início da década de 70, as produções nacionais ganharam mais notoriedade,


principalmente com as pornochanchadas (ABREU, 2012). Eram produções com
poucos recursos, com temáticas variadas, piadas maliciosas e títulos apelativos com
duplo sentidos.

Figura 3 - Pôster do filme pornochanchada “A viúva virgem”, de 1972

Fonte: Wikipedia (2015)

Para algumas pessoas poderia ser um cinema mal feito e de mau gosto, mas
sem dúvidas a pornochanchada conseguiu conquistar um espaço muito importante
na indústria pornográfica. Conforme Abreu (2012, p. 94) “o sexo estava na cabeça
de todo mundo nos anos 1970 e esses filmes refletiam e comercializavam esse
clima excitante, atuando na vida brasileira pela via do deboche”. O cinema nacional,
então, vivia uma “época de ouro” em termos de mercado.
Enquanto o Brasil estava se encontrando na indústria pornográfica com as
pornochanchadas, internacionalmente as produções de sexo explícito já estavam
afirmadas. Os americanos, na época, dominavam a produção e a distribuição no
mercado, sendo eles a conduzirem a pornografia mainstream. Na Europa,
principalmente na França, Alemanha e Itália, a onda hard core também contabilizou
uma expressiva produção (ABREU, 2012).
A pornografia em forma de películas é categorizada de várias maneiras.
Dentre essas, estão os filmes que seriam mais “comuns”, chamados de
“mainstream”, e as películas menos convencionais, tidas muitas vezes como
23

“bizarras”, como proibidas ou ilegais. No circuito mainstream, as categorias mais


comuns são a heterossexual, anal, extremo ou hardcore, ménage feminino e
masculino, gang bang, amador, softporn ou romântico (BATISTA; HENNING, 2015).
O site TopTenReviews6, apresentou uma estatística do tráfego de pornográfia
na internet. Os dados foram:

 Encontram-se 4,2 milhões de sites pornográficos.


 Existem 420 milhões de páginas contendo pornografia
 São realizados 1,5 bilhões de downloads de conteúdos pornográficos
por mês
 42,7 dos usuários veem pornografia.

Com o crescimento da internet, renovaram-se e oportunizaram-se inúmeras


possibilidades, contribuindo para a disseminação da pornografia. Além, é claro, de
outros produtos e conteúdos pornográficos que são vendidos e consumidos fora
dessa rede, como: livros, revistas, DVDs, vídeos, bens para fins masturbatórios,
brinquedos sexuais, etc.

2.2.1 Pornografia é só para homens?

Hoje a pornografia não é mais um segredo. Ela já esta tão integrada à nossa
cultura que é difícil assimilar a não existência dela. Milhões de pessoas têm acesso
e a consomem diariamente por livros, revistas, vídeos, produtos, serviços de
internet, TV a cabo e, agora, nos Smartphones.
De acordo com Pamela Paul (2006, p. 49) a grande parte da pornografia
apresenta a mulher como objeto de desejo masculino. São figuras que existem para
agradar aos homens, fazendo o que pedem e fingindo gostar de tudo isso. Os
consumidores de tais produtos são, na maioria, homens, heterossexuais, e o
material pornográfico disponível, a maior parte, é destinado a esse público
(PETZANOVA, 2010; STOLLER, 2015).
Conforme Abreu (2012) a experiência que a mulher tem com o consumo de
pornografia é diferente da dos homens, elas precisam se identificar com o que estão

6 TopTenReviews é um serviço de internet desenvolvido por Jerry Ropelato, conta com um dos maiores
banco de dados online de matérias sobre mídias. Disponível em: < http://internet-filter-
review.toptenreviews.com/internet-pornography-statistics.html>. Acesso em: 03 nov. 2015.
24

vendo. Ele acredita que, à medida que a pornografia se torne mais acessível para
elas, mais mulheres passariam a descobrir o gosto por esse tipo de produto.

A mulher se vê impelida a um duplo movimento contraditório: por um lado,


aderir a um imaginário da pornografia para o masculino, como espelho do
desejo da alteridade; por outro, rejeitar a representação do “eu-mulher”
nesse tipo de imaginário, como um rótulo que não se encaixa no que ela
constrói enquanto referência de sexualidade. Nesse conflito, é comum a
rejeição ao sexo explícito nas imagens como algo que não pode conviver
com o imaginário da sensibilidade, paixões e dos afetos atribuídos à mulher.
(LEITE, 2012, p. 170).

Na década 80, Candida Royale, uma atriz pornô conceituada da época, se


juntou com mais outras estrelas da indústria para produzirem pornografia para
mulheres. O objetivo era discutir sobre o mercado mainstream e criar novas
possibilidades para as mulheres nessa área. Então, em 1984, criaram a Femme
Productions, a idealizadora dos primeiros filmes pornográficos voltados para as
mulheres heterossexuais (WILLIAMS, 1999).
A pornografia pensada para o público feminino, assim caracterizada,
conseguiu ocupar uma lacuna no mercado, que só visava o público masculino como
os únicos a consumirem temas sexuais explícitos (DUARTE, 2014). Foi
compreendendo que existe uma parcela da população que não estava sendo
atingida, como mulheres e outras minorias, que conseguiram notoriedade.
Aos poucos, novas produções pensadas para o sexo feminino foram sendo
desenvolvidas, mas ainda não tinham tanta divulgação e recursos comparados as
produções pensadas para o masculino. Então, em 2006 no Canadá, foi criado o
Feminist Porn Awards, uma premiação que estimula e promove produções
direcionadas para o gênero feminino (LEITE, 2012). Citando uma frase de Annie
Sprinkle7: “a resposta para pornografia ruim não é a extinção da pornografia, mas
tentarmos fazer uma pornografia melhor”. De acordo com o página oficial do site 8,
eles tentam celebrar a pornografia:

Acreditamos que a fantasia erótica é poderoso, e que aqueles que não se


identificam com as ofertas tradicionais merecem a colocar os seus sonhos e
desejos em filme, também. Como feministas e pessoas do sexo positivo,
queremos mostrar e honrar aqueles que estão criando mídia erótica com
uma sensibilidade feminista que difere do que pornografia normalmente
oferece. (FEMINIST PORN AWARDS, 2015).

7 Conhecida por ser a primeira atriz pornô a obter um grau de PhD.


8 Site Oficial. Disponível em: <http://www.feministpornawards.com/>. Acesso em: 2 nov. 2015.
25

Percebendo a necessidade de proporcionar mais espaço para esse tipo de


produção, em 2009 foi criada a premiação PorYes9, que premia diretores, atores,
produtores que consigam, com seus trabalhos, representar e alcançar o prazer
feminino. O evento acontece de dois em dois anos em Berlim.
Erika Lust, com sua própria produtora “Erika Lust Films” fundada em 2005 em
Barcelona, vem transformando a indústria pornográfica ao trazer uma pornografia
feminista ao público, com várias produções renomadas e premiadas. Na sua página
oficial10 ela descreve: “Eu sempre me considerei livre e de mente aberta em relação
a pornografia, e eu sempre tive essa ideia maluca que as mulheres devem gostar de
sexo tanto quanto os homens”.
Erika Lust (2010) acredita que a pornografia pode ser um instrumento de
educação e libertação para as mulheres. Segundo a produtora, a culpa, a vergonha
e a repressão sexual condicionam fortemente a mulher, e, com a ajuda da
pornografia, pode-se ajudar a incrementar as fantasias e o descobrir gostos que
nunca antes tinham sido pensados. De acordo com Ribeiro (2015, p. 90):

A pornografia feminista é uma forma de expressão política, cultural, estética e


social de retratação do sexo que tem como objetivo quebrar com os padrões mais
conhecidos e comercializados de pornografia, mostrando outras formas de corpos,
sexualidades, desejos e/ou sexos.

Em 2015, o site PornHub11, um dos maiores sites de compartilhamento de


vídeos de conteúdo adulto, divulgou o resultado de uma pesquisa sobre o que as
mulheres procuram na pornografia. Essa pesquisa mostrou que, sim, existem
mulheres que acessam conteúdos de sexo explícito. O gráfico 1 apresenta a
porcentagem divulgada pelo site.

9 Site Oficial. Disponível em: < http://www.poryes.de/background//>. Acesso em: 2 nov. 2015.
10 Site Oficial. Disponível em: <http://www.erikalust.com/>. Acesso em: 10 mai. 2016.
11 Link da pesquisa. Disponível em: < http://www.pornhub.com/insights/women-gender-demographics-

searches>. Acesso em: 2 nov. 2015.


26

Gráfico 1 - Porcentagem de mulheres que visitaram o site PornHub

Fonte: Adaptado do PornHub (2015)

A porcentagem mostrada pode não ser uma afirmação total de que todas
essas mulheres gostam e consomem os conteúdos do site. A divulgação de que a
pornografia tem um público feminino ativo para consumo é um fator positivo para
proporcionar uma inovação no mercado. Assim mostra Leite (2012, p. 172):

Mesmo enquanto ato discursivo, o que notamos nas produções desse


“novo” pornô auto-intitulado feminista é o corporificar do desejo e prazer
femininos, no qual o masculino não é descartado, mas convocado a
comungar, em todos os estágios que envolvem o ato sexual, com o tempo
requerido e o espaço ocupado pelo corpo da mulher. Trabalha, portanto, a
partir da imagem, com a inversão das hierarquias dos sujeitos, tanto dos
que são olhados quanto dos que olham. O corpo-desejo da mulher requer,
assim, um espaço para expressão de poder, o poder através do prazer, que
ao longo da história foi velado às mulheres.

Portanto, almeja-se que a indústria pornográfica perceba a mulher como


consumidora de pornografia, proporcionando a ela novas experiências ao produzir
conteúdos adequados para suas necessidades.

2.3 BUSCANDO NOVAS EXPERIÊNCIAS

A pornografia é um veículo para expor publicamente a sexualidade. Através


dela, o mercado acaba oferecendo para a sociedade de consumo o suprimento de
necessidade que até então eram ocultas. A produção e a comercialização de
material erótico-pornográfico abriu espaço para a desmistificação das transgressões.
De acordo com Abreu (2012, p. 49):
27

O produto pornográfico deve ser consumido como algo interdito, pois


através da transgressão se estabelece uma relação simbólica com o
consumidor. Oferecendo sexualidade como mercadoria embalada sob forma
discursiva, ele possibilita a liberação catártica (em sentido amplo) das
fantasias (reprimidas ou não) de seus consumidores – mentes e corpos
libertinos, liberais, libertários ou moralistas -, transformando seus fetiches
em desejos ou seus desejos em fetiches.

Vianna et al. (2012, p. 14) coloca que o designer precisa abordar de


diferentes maneiras os problemas que o mercado impõe, focando no
“desenvolvimento ou integração de novas tecnologias e na abertura e/ou
atendimento a novos mercados”. O designer pode contribuir no mercado
pornográfico, desenvolvendo projetos e pensando na mulher como consumidora
ativa desse conteúdo, e levando a elas uma nova experiência que até então alguns
setores da pornografia ainda não desenvolveram.
Segundo Nojimoto (2009, p. 18), o design para experiência é uma
abordagem do design que “explora a relação dos objetos com as pessoas. No
entanto, seu foco está no fomento de experiências através dessa relação das
pessoas com os objetos”. Tomasi (2011, p. 15) contribui afirmando que “o que
caracteriza o design de experiência é o foco na satisfação do usuário”. Design de
experiência, para Pulmann (2004) é uma abordagem para criar conexão emocional
com os clientes através de um planejamento cuidadoso de elementos de serviço
tangíveis e intangíveis.

a estrutura dos quatro prazeres – fisiológico, social, psicológico e ideológico


- pode ser usada como base para identificar os benefícios que um produto
pode trazer ao usuário. Para ele, promover e garantir uma sensação de
prazer no usuário é preciso entender seu perfil e o próprio objeto no sentido
de suas possibilidades de uso e seu real papel na vida das pessoas.
Também é importante ligar as propriedades dos produtos às reações
emocionais que se deseja evocar, além do desenvolvimento de métodos e
métricas para a investigação e a quantificação do prazer (Jordan 2000,
apud FREITAS; CARVALHO; MENESCAL, 2010, p. 3. grifo da autora).

O design de serviço “ajuda a desvendar oportunidades, produzir ideias,


resolver problemas e criar soluções implementáveis” (MORITZ, 2005, p. 40). Para
Garret (2011) a experiência que o usuário tem com o projeto não é apenas em
relação ao produto em si ou ao serviço, e sim como essa pessoa entra em contato
com ele. É pensar na experiência que gerará para as pessoas que o utilizarão no
“mundo real”. Assim, o designer pode proporcionar novas experiências no mercado
pornográfico visando as mulheres como usuárias e consumidoras de pornografia.
28

As experiências dos usuários só podem ser entendidas no contexto que eles


se encontram. Para Battarbee e Koskinen (2004, p.16) a co-experiência “se
concentra em como as pessoas fazem distinções e significados, mantêm conversas,
partilham histórias e fazem coisas juntos”, para então serem projetadas essas
interações em produtos e serviços. Pode-se concluir que para cada pessoa as
experiências são únicas e cabe ao designer conseguir produzi-las.
Na pornografia, as mulheres que, por algum motivo, não conseguem se
identificar ou consumir esse conteúdo, podem ser apresentadas a uma nova
experiências que até então é pouco explorada nos conteúdos disponíveis
atualmente. Cabe ao designer, assim, a tarefa de interpretar e gerar soluções
criativas e relevantes para esse público.
O design para experiência foi uma linha inicial a ser seguida nesse projeto,
pois possibilita uma abrangência de possibilidades, de interações com os usuários e
possíveis caminhos de soluções. Para não se deter em uma premissa específica do
design para experiência, optou-se por abranger de forma macro as possibilidades,
para que a pesquisa de campo e a análise de dados fossem amplas e sem
restrições.
29

3 METODOLOGIA

Esta é uma pesquisa de carácter teórico-aplicado, constituído de


embasamento teórico de diversos autores, pesquisa de campo para posterior
aplicação de uma possível solução ao problema. Assim, esta pesquisa também é
descritiva, pois gera um relatório através de uma abordagem qualitativa devido a
coleta de material bibliográfico e por realizar coleta de dados com os usuários. A
primeira parte consiste na fundamentação teórica, com coleta de material científico
em livros e artigos, e matérias relacionadas na mídia impressa e digital. A segunda
parte compõe a etapa projetual, na qual foi realizada uma coleta e análise de dados
através de um questionário e um workshop para as mulheres com o objetivo de
analisar o interesse e o entendimento no consumo de pornografia.
Durante o desenvolvimento do projeto foram utilizados diferentes
delineamentos metodológicos. A primeira etapa do projeto consistiu na
fundamentação teórica, onde se buscou informações em bibliografias
especializadas, livros, artigos científicos e matérias gerais sobre o assunto, relatados
nos capítulos anteriores. Após, adotou-se uma linha cronológica das etapas
aplicadas, conforme mostra a figura 4, que serão explicados e detalhados a seguir.

Figura 4 - Linha cronológica das etapas

Fonte: Elaborado pela autora (2016)


30

3.2 LEVANTAMENTO DE DADOS

A etapa de Levantamento de Dados foi a pesquisa de campo, na qual buscou-


se contato com o público alvo, mulheres, a fim de identificar os principais problemas
para o direcionamento do projeto. Primeiramente, foi aplicado um questionário com
diretrizes baseadas em Prodanov e Freitas (2013). Após, foi realizado um workshop
com algumas das mulheres que responderam o questionário. De acordo com Martin
e Hanington (2012) o workshop contribui para a compreensão mais direta do
contexto em que se encontra o público-alvo, além de feedbacks dos problemas e
soluções levantadas e da participação na geração de ideias para o desenvolvimento
do projeto. Foram então utilizadas a ferramenta Brainstorm (PLATTNER, 2010) e a
utilização de personas (Stickdorn; Schneider 2014), a fim de gerar discussões e
alternativas para a solução dos problemas identificados no consumo de pornografia.
O projeto, inicialmente, foi estruturado conforme o objetivo de que o mercado
pornográfico precisaria enxergar a mulher como público-alvo, para então produzir
conteúdos voltados para elas, propondo assim uma solução que o público feminino
consumisse conteúdos pornográficos sem segregação de gênero e conseguindo se
identificar com o que estava sendo proposto. As etapas seguintes foram
desenvolvidas com o objetivo de afirmar que o público feminino consumia
pornografia e quais eram as questões negativas que elas encontravam ao consumi-
la, para então propor uma sugestão de solução ao final do projeto.

 Questionário

A primeira etapa da coleta de dados foi a aplicação de um questionário, criado


e tabulado na plataforma do Google Docs. A disponibilização foi feita de forma online
e divulgado em sites de redes sociais, com o compartilhamento entre usuários e
amigos. O direcionamento do questionário era para todas as mulheres, sem
restrição de idade ou localização, com o objetivo de abranger diferentes contextos.
Ficou disponível online para receber respostas durante quadro dias, entre os dias 28
até 31 de março de 2016, conseguindo no total 621 respostas.
De acordo com Prodanov e Freitas (2013) é importante seguir uma ordem
lógica nas perguntas e estruturá-las em blocos temáticos Então, para conseguir
gerar perguntas que contemplassem todos os aspectos da pesquisa, elas foram
31

elaboradas em quatro temáticas: demográficas, cultural, comportamento e meio de


acesso. A fim de conseguir informações e entendimento do público-alvo em relação
a sua sexualidade e qual era seu envolvimento com a pornografia: se consumiam,
de que forma e o que consumiam. Para uma melhor estruturação, o questionário foi
dividido em quatro partes, onde conforme respondiam que “sim” sobre o consumo de
pornografia, eram direcionadas para outra seção de perguntas, diferentemente das
que respondiam “não”. Essas partes podem ser visualizadas nos apêndices A, B, C
e D.
Na primeira parte foi iniciada com perguntas demográficas como: gênero,
idade, escolaridade, cidade onde nasceu e reside, família e religião. O questionário
foi respondido por mulheres, sendo a maioria com idade entre 18 a 35 anos e 6,8%
menores de idade. Residentes, em sua maioria, em cidades metropolitanas de
vários estados do Brasil como: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais,
Alagoas, Santa Catarina, Pernambuco, Distrito Federal e Rio Grande do Sul.
Em continuidade, na temática cultural, 67,2% das mulheres responderam que
não praticam nenhuma religião. A orientação sexual predominante foi a
heterossexual com 60,7%; 24,8% se afirmam bissexuais e 9,6% lésbicas. Para se
manterem informadas os meios mais utilizados foram Facebook e Sites, conforme a
maioria das respostas, consoante o gráfico 2.

Gráfico 2 – Porcentagem das respostas referente aos meios pelos quais as mulheres se
mantém informadas que se mantem informadas

Fonte: Elaborado pela autora (2016)


32

Nas perguntas com características comportamentais, foram sendo


direcionadas para assuntos sobre a sexualidade, como orientação sexual, se já se
envolveu com alguém do mesmo sexo, educação sexual na escola, primeira
menstruação, perda da virgindade, se fala sobre sexo com alguém, masturbação e
orgasmo. O final dessa primeira parte aborda perguntas sobre pornografia, com o
objetivo de entender se a pessoa está familiarizada com o conteúdo pornográfico.
Nessa primeira parte, algumas respostas foram cruciais para o
direcionamento e entendimento do projeto. Quando se perguntou se teve alguma
palestra ou discussão sobre sexo na época do ensino fundamental ou médio, a
maioria das respostas foram negativas. Algumas responderam que não tiveram
nenhum contato com esse assunto na época da escola ou não se lembravam.
Outras responderam que tiveram apenas em um momento, no qual foi
extremamente desconfortável, pouco esclarecedor e que os conteúdos tratados
eram apenas sobre relacionamentos heteronormativos, doenças sexualmente
transmissíveis, gravidez e “como colocar uma camisinha em uma banana”. Uma
minoria respondeu que teve uma educação sexual na época do ensino fundamental
ou médio. Pode-se perceber, então, que pouco se fala, se discute relações sexuais
e, principalmente, sobre sexualidade como um todo.
Outra pergunta teve respostas que ajudaram na afirmação da importância do
tema a ser discutido. Quando se perguntou com quantos anos perderam a
virgindade, mais da metade responderam que tiveram sua primeira experiência
ainda menores de idade, sendo entre 14 a 17 anos. Quando questionado se
conversavam sobre sexo com algum membro da sua família ou amigos, a grande
maioria respondeu que não. Uma parcela significativa respondeu que conversa
apenas com amigas mais próximas. Algumas responderam maridos/namorados, e
pouquíssimas responderam que tinham diálogo com a família, sendo o desconforto
um dos motivos principais. Seguindo nas respostas, 38,7% responderam que não se
masturbam ou que raramente o fazem. Em contra ponto, 85,6% responderam que o
estímulo clitoriano é o meio que elas têm mais facilidade em se chegar ao orgasmo,
como mostra o gráfico 3.
33

Gráfico 3 - Porcentagem das respostas sobre o que mais facilita às mulheres chegar ao
orgasmo

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

A segunda parte do questionário é direcionada conforme a última resposta


da primeira parte: “Você já consumiu algum conteúdo pornográfico?”, visto no
Gráfico 4. Para quem respondia que “sim”, já consumiu conteúdos pornográficos, foi
perguntado quais conteúdos já pesquisou ou consumiu. As respostas mais
recorrentes foram: vídeos, filmes, sexo oral, sexo heterossexual, posições sexuais,
sexo lésbico. Outro ponto levantado foi se já tinham aplicado na vida pessoal alguma
coisa vista em algum conteúdo pornográfico. As respostas variavam de nunca terem
aplicado, a outras que buscavam por novas posições e sexo oral. A maior parte das
mulheres costumam consumir algum conteúdo pornográfico na semana, variando de
1 a 2 vezes. O meio digital foi onde costumam ter mais acesso a esses conteúdos,
sendo 70,7 % para sites em geral e 15,2% na plataforma Tumblr12.

Gráfico 4 – Porcentagem das respostas referente ao consumo de pornografia

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

12 Tumblr é uma rede social que permite compartilhamento de: mensagem de texto, fotos , citações ,
links , música e vídeos. Disponível em: <https://www.tumblr.com>. Acesso em: 12 jun. 2016.
34

As respostas se dividem quando pergunto se sentem vergonha de dizer que


consomem conteúdos pornográficos. Muitas afirmam ser normal, uma necessidade
fisiológica do ser humano e não veem problema nenhum em querer assistir
pornografia e sentir prazer com ela. A outra metade, mesmo consumindo,
assumiram que sentem um pouco de vergonha, pois conhecem a objetificação da
mulher representada na pornografia e não gostariam de apoiar esse tipo de cultura.
Partindo para a outra metade que respondeu que não consomem conteúdos
pornográficos, justificaram respondendo que não se identificam e não se sentem
confortável com os conteúdos oferecidos. Finalizando a parte das perguntas, elas
descreveram que, para os conteúdos pornográficos atenderem aos seus anseios,
eles deveriam ser produzidos mais perto da realidade, ser menos violentos e,
principalmente, não explorar e objetificar a mulher.
Por fim, o fechamento do questionário convidava todas que tivessem
interesse a participar de um workshop presencial. Grande número de voluntárias
responderam que sim e disponibilizou o contato. Infelizmente muitas eram de outra
cidade ou estado, dificultado a presença, mas pelo fato de mostrarem interesse e
vontade de discutir e entender mais sobre o projeto já foi um ponto positivo.

 Workshop

A realização do workshop buscou discussões, reflexões e compartilhamento de


experiências. A partir disso, o objetivo era gerar soluções diversas junto com as
participantes e assim conseguir direcionar o projeto para uma solução mais abrangente.
Participaram do encontro sete mulheres, todas maiores de idade (Figura 5).
35

Figura 5 - Grupos em atividade no workshop

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

Primeiramente foi explicado o conceito do projeto e o que estava se


propondo. Após, dividiu-se em dois grupos, momento em que foi distribuído para
cada uma persona com conceitos diferentes. A primeira persona era uma
adolescente ainda virgem (PESONA 1) e a outra adulta ativa sexualmente
(PERSONA 2). De acordo com Stickdorn e Schneider (2014) as personas são perfis
fictícios que contemplam informações suficientes para a contextualização do projeto.
Elas foram elaboradas conforme as características das respostas do questionário,
buscando duas situações extremas com o objetivo de visualizar o macro dos
problemas (para visualizar a descrição completa das personas vide o apêndice E). A
ideia foi que refletissem sobre a perspectiva delas, a fim de discutir e trocar ideias
conforme os questionamentos propostos para cada uma.
Para auxiliar na geração de um maior número de ideias foi aplicado a
ferramenta brainstorm para que anotassem em post-its todos os insights surgidos
em tempo estipulado de quinze minutos. A intenção do brainstorm, de acordo com
Plattner (2010) é alavancar o pensamento coletivo do grupo com envolvimento,
construção e discussão de ideias. Os insights apresentados pelos grupos podem ser
conferidos no quadro 1.
36

Quadro 1 - Insights das personas apresentados pelos grupos


PERSONA 1 PERSONA 2
Dúvidas de como fazer sexo Conhece os seu corpo
Insegurança se o parceiro irá gostar Buscar informações em várias fontes
Vergonha de não saber fazer sexo direito Diversas experiências
Não querer que os pais descubram Insatisfeita com os conteúdos disponíveis
Preocupada em satisfazer a sua própria
Buscar informações em fontes não confiáveis
necessidade
Preocupação em agradar o parceiro e não a si
Análise crítica sobre os conteúdos disponíveis
mesma
Quer sentir prazer nas relações e não só
Preocupada com a opinião dos outros: amigas,
proporcionar prazer.
colegas
Fonte: Elaborado pela autora (2016)

Ao final juntou-se todas as participantes e se abriu para o grande grupo as


reflexões surgidas em cada persona. No decorrer das discussões, as participantes
começaram a falar sobre experiências pessoais. Os assuntos variavam sobre
relacionamentos, prazer sexual, como se excitavam, se já consumiam pornografia e
o que gostavam e não gostavam na prática sexual. Chegando ao final, todas se
identificaram umas com as outras, partindo das mesmas experiências das personas
apresentadas. O resultado dos insights pode ser conferido na figura abaixo.

Figura 6 - Insights finais apresentados no workshop

Fonte: Elaborado pela autora (2016)


37

A realização do workshop foi muito importante para o entendimento das


mulheres em relação a pornografia e sobre a sexualidade. As respostas obtidas no
questionário e as percepções e discussões geradas no workshop tiveram muitos
pontos em comum, percebeu-se que as mulheres pouco falam sobre seus desejos
sexuais. Mesmo apresentando as personas e direcionando as questões para o
universo delas, os assuntos pessoais e a identificação com as discussões tornaram-
se evidentes. Foi possível, então, identificar e registrar uma série de percepções que
impactaram diretamente no desenvolvimento das próximas etapas.

3.3 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS

Se faz necessário comentar sobre as percepções de quando ficou disponível


o questionário para ser respondido. Ao disponibilizá-lo nas redes sociais, a recepção
surpreendeu positivamente. Deparou-se com uma união de mulheres que apostaram
na ideia e se sentiram no direito de responder e compartilhar também com suas
amigas o questionário. No primeiro dia, já tinha coletado 256 respostas que foram
aumentando gradativamente. Muitas mulheres comentaram sobre a importância do
assunto, pedindo para compartilharem o questionário em suas redes. Mostrou-se
uma mobilização e acolhimento do projeto. Muitas mulheres engajadas, querendo
discutir sobre e se mostrando interessadas em saber o desenvolvimento do projeto.
Essa comoção demonstrou interesse do público no assunto e sua importância de ser
discutido.
Com base nos dados levantados na etapa de pesquisa de campo, tanto no
questionário quanto no workshop, as informações adquiridas se complementaram e
foram fundamentais para definir a problemática e conseguir informações necessárias
ao desenvolvimento do projeto. No questionário e no workshop, percebeu-se uma
vontade retraída das mulheres em falar sobre sexo, sobre seus desejos. Isso torna
evidente que essa discussão não se faz tão corriqueira na vida das mulheres, tanto
na escola, no ambiente familiar, como em toda sociedade. Elas crescem numa
perspectiva de que a mulher não pode falar sobre sexo, que isso é vulgar, que é
errado.
Algumas mulheres quando se deparam com desejos e necessidades muitas
vezes são retraídas, pois não sabem o que está acontecendo com seu corpo. Ficam
com medo de perguntar para os pais ou comentar com outras pessoas, desde
38

pequenas foram ensinadas que não podem falar sobre isso, em muitos casos “só
depois de casar”. Ficou evidente isso na discussão das personas, na qual muitas
afirmaram que quando adolescentes eram a persona 1 e depois, quando foram
amadurecendo e tendo contato com outras experiências, se tornaram a persona 2.
Percebeu-se, também, que essa falta de informação ou abertura ao diálogo interfere
ou interferiu nos relacionamentos amorosos. Muitas afirmaram que já estiveram em
relações em que a pessoa com quem estavam envolvidas não conseguia lhes dar
prazer ou que faziam certos movimentos que não lhes agradavam. Ainda, que
estavam se sujeitando a certas coisas que não se sentiam confortáveis em fazer.
Nos conteúdos pornográficos, assunto chave das análises, nota-se quase
uma unanimidade em relação a forma que retratam a mulher. Mesmo aquelas que
consomem diariamente pornografi, afirmaram que as mulheres retratadas nos
vídeos muitas vezes são submetidas a situações degradantes, são objetificadas e
não mostram a realidade do sexo. Assim, elas precisam burlar alguns tabus para
conseguir ter acesso a algum conteúdo que lhes agrade, partindo então para
conteúdos mais eróticos do que pornográficos.
Os dados obtidos, tanto no questionário quanto no workshop, foram
suficientes para conseguir entender o problema a ser desenvolvido no trabalhado.

3.4 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA DO PROJETO

Ao analisar as respostas obtidas do questionário e nas percepções do


workshop, buscou-se identificar pontos que pudessem ser explorados no
desenvolvimento do projeto. Questões como: idade que perdeu a virgindade, com
quem elas falavam sobre seus desejos e sobre sexo, se tiveram alguma educação
sexual na escola, quantas vezes se masturbavam, o que buscavam quando
consumiam de pornografia ou o por que não consumiam. Assim, tentou-se traçar um
paralelo entre elas e buscar possíveis impactos que pudessem ser explorados.
A definição do problema foi estruturada em pontos chaves, que priorizavam o
atendimento. Conforme Löbach (2001, p. 149) “através do preestabelecimento dos
fatores de influência definem-se as metas, que deverão ser alcançadas com
aplicação de processos criativos”. Foi então que se estipulou três linhas chaves
sobre o tema geral e a problemática. A primeira delas é a falta de educação sexual.
As mulheres, principalmente, quando crianças e jovens, passam por uma repressão
39

ao abordarem assuntos sobre sexo ou têm pouca discussão sobre o assunto. Na


escola é abordado de forma superficial, além de propiciar um ambiente para
gozações e chacotas. No ambiente familiar acontece a mesma coisa, em que as
meninas acabam não tendo acesso ao diálogo, sentindo vergonha de fazer
perguntas sobre seu corpo, sobre desejos e sobre o sexo em geral.
Outro ponto encontrado foi sobre os conteúdos pornográficos disponíveis. As
constatações foram que: o homem é o centro do poder; pouca ênfase no prazer
feminino, ou se tem não condiz com a realidade; muita violência, principalmente em
como a mulher é tratada; o consumo dos conteúdos ainda é tabu, como se a mulher
estivesse entrando em um terreno que ela não deveria entrar.
Os meios de acesso a esses conteúdos foram a última linha estipulada. Ficou
evidente que muitas mulheres consomem pornografia, e mesmo que outras ainda
tenham algum receio sobre isso, saber identificar quais são esses pontos de
contatos ajudariam a direcionar qual caminho eu deveria atingir. Alguns pontos mais
específicos de como elas têm ou tiveram contato com a pornografia foram: sites
específicos de conteúdos pornográficos, como xvideos, porhub, xhamster; a rede
social Tumblr, por concentrar conteúdos como gifs e imagens, mais filtrados, estilo
“softporn” e não terem a poluição visual dos sites específicos; pessoas de referência
(amigos/as, familiares, namorados/das) compartilham esses conteúdos.
A constatação foi que deveriam ser atendidos esses três pilares na proposta
final do projeto: a educação, conteúdos e meios. A educação deveria ser mais
acessível e esclarecedora. Os conteúdos deveriam ser mais próximos da realidade,
para que as mulheres possam consumir sem sentir vergonha e sendo respeitadas.
Em relação aos meios, concentrar esses diferentes pontos de contato entre os
usuários e conteúdos diversos em um só espaço.

3.5 GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS

O próximo passo foi a geração de alternativas. Para isso se usou a


ferramenta brainstorm (PLATTNER, 2000). Foram escritos em post-its diversas
ideias, buscando atender os problemas estabelecidos anteriormente. Algumas ideias
surgiram no workshop, outras foram através de insights conforme iam surgindo. Na
figura 7 pode-se conferir algumas alternativas.
40

Figura 7 - Brainstorm de geração de alternativas

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

As alternativas geradas mostraram uma insatisfação no direcionamento do


projeto, na qual precisou ser retornado para o entendimento do problema. Foram
revisadas as anotações gerais, as respostas do questionário, os insights do
workshop, buscando encontrar uma lacuna existente no desenvolvimento do projeto.
O projeto, inicialmente, foi estruturado conforme a hipótese de que o mercado
pornográfico precisaria enxergar a mulher como público-alvo, para então produzir
conteúdos voltados para elas, propondo assim uma solução que atenderia o publico
feminino em consumir pornografia sem segregação de gênero e conseguindo com
que ele se identificasse com o que estava sendo proposto. As etapas seguintes
foram desenvolvidas com o objetivo de afirmar que o publico feminino consumia
pornografia e quais eram as questões negativas que elas encontravam ao consumi-
las.
Foi traçado, então, outros três pilares da problemática para tentar entender o
contexto em que se encontrava. Para contextualizar foram colocadas três situações
e como elas se conversavam, podendo ser visualizadas na figura 8. A mulher seria o
público-alvo, pornografia o problema e a sociedade seria o meio. A definição do
problema estava em torno de que a mulher quer consumir a pornografia, mas não
41

encontra disponível conteúdos que atendam seus anseios. Com isso, encontra-se
uma produção em massa de pornografia, gerando conteúdos machistas e
objetificando a mulher, e por outro lado uma sociedade que estimula essa ideia e
reforça esse padrão.

Figura 8 - Pilares da problemática

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

Foi então, que ao refletir calmamente sobre a hierarquia do problema,


juntamente com os dados assim coletados, percebeu-se que o foco do projeto
estava se direcionando para um caminho não satisfatório. O objetivo não era que o
mercado pornográfico precisaria enxergar a mulher como público-alvo, e sim a
sociedade ser educada para perceber as reais necessidades das mulheres e
posteriormente ter produções direcionadas para as mesmas. Os novos insights
podem ser visualizados no apêndice F.
A sociedade precisa ser reeducada quanto ao entendimento sobre a mulher,
quanto a elas precisarem ter autonomia para expressarem sobre suas necessidades
e desejos. Com esse novo direcionamento, conseguiu-se um esclarecimento do
cenário geral estruturado conforme as informações coletadas, chegando-se a um
resultado final apresentado a seguir.
42

4 RESULTADO

Muitos conteúdos pornográficos não condizem com as necessidades das


mulheres, sendo então produzida uma falsa visão das mesmas. O que se percebeu
foi que a indústria não produz conteúdos adequados devido à falta de espaço que a
mulher tem em discutir sua sexualidade diante da sociedade. Ao nascer até a fase
adulta a sexualidade da mulher é preenchida por padrões morais impostos pela
sociedade, que histórica e culturalmente é patriarcal e machista. A sociedade
precisa escutar a mulher, entender seus desejos, suas necessidades, refleti-las e
discuti-las, para então conseguir produzir conteúdos que condizem com sua real
necessidade.
Sendo assim, a solução final é um espaço virtual que reúne informações
sobre a sexualidade das mulheres, através de um portal em que elas terão espaço
para discutir, compartilhar histórias, opinar, produzir conteúdos sobre seus desejos,
suas necessidades, seu corpo. O portal é criado de maneira colaborativa e
construído exclusivamente por mulheres. A sociedade terá livre acesso ao conteúdo
produzido e selecionado por elas e sobre elas.
Serão produzidos conteúdos educativos, conteúdos conscientizadores,
conteúdos esclarecedores de dúvidas. É um portal que não é apenas focado na
pornografia, ele vai também para uma educação comportamental. Muitas mulheres
estarão se descobrindo de uma maneira diferente, percebendo situações, dúvidas,
comportamentos e experiências semelhantes às outras.
Serão disponibilizados artigos, fotos, vídeos, matérias sobre os desejos
sexuais, as necessidades, o corpo, para então a sociedade poder mudar
culturalmente e se conscientizar desses valores novos sobre a mulher. É uma
mudança comportamental e cultural, e na medida em que esses conteúdos serão
produzidos, a sociedade perceberá o que esta que sendo publicado e apresentado
pelo portal.

4.1 Naming

O momento atual é de crescente discussão sobre a mulher, e principalmente


sobre o empoderamento feminino. Quando se iniciaram as pesquisas para definir um
nome para o projeto, buscou-se trazer esse poder feminino, as referências que hoje
43

temos de lutas feministas e discursos de quebras de tabus de que a mulher precisa


ser “bela, recatada e do lar”13.
A youtuber Julia Tolezano, de 24 anos, criadora do canal “Jout Jout Prazer”,
fez um vídeo sobre relacionamentos abusivos no qual um dos relatos citados foi de
uma amiga em que o namorado insinuou que ela parecia “puta” por estar usando
batom vermelho. O vídeo, de título “Não tira o batom vermelho 14”, consta com mais
de 2 milhões de visualizações. Logo, lançaram a hashtag15 “Não tire o batom
vermelho”, a qual teve uma grande repercussão nas redes sociais, e contou com
vários relatos de mulheres que passaram ou estão passando por um relacionamento
abusivo. A cantora Clarice Falcão, lançou em janeiro um clipe16 cantando a música
“Survivor”, do grupo Destiny’s Child. O clipe mostra várias mulheres, de diferentes
estereótipos de beleza, usando batom vermelho e mostrando a mulher empoderada.
Acompanhada de uma letra dizendo que a mulher não precisa de um homem para
viver, pois ela é forte o suficiente para viver a vida que ela quer.
De acordo com Strunck (2012) o naming (nome) deve ser original, de fácil
compreensão e deve ter uma relação próxima com o conceito pelo qual ele vai ser
designado. Por toda a representatividade citada anteriormente, o nome escolhido
para o projeto foi “Batom vermelho”, tornando-se assim um espaço onde a mulher
tem voz, tem seus direitos, onde não sofre abusos e pode se expressar da forma
que sentir vontade.
Para complementar a marca, criou-se uma frase chave dando mais dinâmica
e voz ao projeto. O slogan escolhido foi “Nossos desejos, nossos corpos, nossas
regras”. “Nossos desejos” faz referência a sexualidade da mulher, o que lhe dá
prazer, suas vontades, suas necessidades sexuais. O “nossos corpos” retrata o
controle da mulher diante seu corpo, tanto fisicamente como psicologicamente. O
“nossas regras” afirma o empoderamento feminino, onde a mulher sabe o que quer e
sabe o que precisa.

13 Matéria publicada pela Revista Veja com o título “Marcela Temer: bela, recatada e “do lar”.
Disponível em < http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/bela-recatada-e-do-lar>. Acesso em: 6 jun. 2016.
14 Vídeo da Jout Jout “Não tira o batom vermelho”. Disponível em: <https://www.youtube.com/wa-

tch?v=I-3ocjJTPHg>. Acesso em: 06 jun. 2016.


15 Hashtag é utilizadas para categorizar os conteúdos publicados nas redes sociais.
16 Clipe da Clarice Falcão “Survivor”. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=NlxFf4-

0Lqx4>. Acesso em: 06 jun. 2016.


44

4.2 Marca

Assim que foi definido o naming, foi desenvolvido a marca para “Batom
vermelho”. Buscou-se um conceito inspirado em sexualidade, que tivesse
movimento, estilo tipográfico cursivo, que tivesse a representatividade feminina e
alguma relação com batom. Inicia-se a etapa de geração de alternativas. Foram
realizados alguns sketches, buscando variações de formas, símbolos, tipografia que
remetessem os conceitos estabelecidos (Figura 9).

Figura 9 - Geração de alternativas para a marca

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

Optou-se então, que a marca fosse representada apenas tipograficamente.


Primeiramente foram feitos testes à mão livre, sem se preocupar com alinhamento,
forma das letras ou padrões. A caligrafia, conforme Gordon (1994) é uma forma mais
flexível, não se preocupa com estruturas e formalidades, contribuindo para algo mais
autoral e único. Depois, mostrou-se necessário uma busca de referências
tipográficas. A fonte escolhida foi “Freeland”17, desenvolvida à mão livre, foi escrita
com um batom, a fim de contribuir com o conceito do naming. A solução final é
mostrada na figura 10.

17Fonte desenvolvida pela tipógrafa Laura Condouris. Disponível em:<http://www.myfonts.com/-


fonts/trial-by-cupcakes/freeland/>. Acesso em: 05 jun. 2016.
45

Figura 10 - Solução final da marca

Fonte - elaborado pela autora (2016)

A cor escolhida foi uma tonalidade de vermelho, apresentada na figura 11. De


acordo com Farina et al. (2011, p. 99) o vermelho é “a cor atração e da sedução, se
materializa nos lábios vermelhos. É a cor dos chamados “pecados da carne”, dos
tabus e das transgressões”.

Figura 11 - Definição de cores da marca

Fonte - elaborado pela autora (2016)


46

5 PORTAL BATOM VERMELHO

Para visualizar melhor como o portal atuará diante da sociedade e o que


oferecerá, foi desenvolvido um mapa da oferta em que se descreve as intenções e o
que vai ser oferecido para atingi-las. O valor central a ser transmitido será “construir
informações sobre a sexualidade da mulher”, representado no quadrante central da
figura 12. Os quadrados ao entorno referem-se aos objetivos intencionais a serem
atingidos por meio do projeto. Nas extremidades são apresentadas as formas que
serão oferecidas ao público, para que o objetivo seja atingido.

Figura 12 - Mapa da oferta do portal

Fonte: Elaborado pela autora (2016)


47

O primeiro objetivo é educar a sociedade sobre a sexualidade da mulher. Ao


acessar o portal, as pessoas poderão consumir conteúdos diversificados sobre esse
universo feminino. A comunicação é despojada, com brincadeiras de palavras,
transformando os clichês do universo pornográfico mais acessível ao descontrair o
usuário e tornando a navegação mais dinâmica. Isso já pode ser visto na tela inicial
em que a pessoa se depara com uma caixa de diálogo, mostrada na figura abaixo.

Figura 13 – Aviso de acesso ao portal

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

O público em geral ao acessar o portal “Batom vermelho” terá a opção de


duas interfaces: com pudor ou sem pudor. É uma maneira de não restringir o acesso
aos conteúdos, caso as imagens não sejam propícias para a situação que a pessoa
se encontra. Ao escolher acessar o portal com a interface “com pudor”, navegará
pelos mesmos conteúdos disponíveis de quem escolher “sem pudor”, a diferença
está na forma que eles serão apresentados. Na figura 14, mostra um layout
minimalista, sem imagens, permitindo que portal seja acessado em diferentes locais
sem constrangimentos. Além de permitir que alguém mais conservador, que não
tenha tanto contato com esse tipo de conteúdo, consiga se sentir à vontade em
acessá-lo.
48

Figura 14 - Interface do portal com pudor

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

Ao escolher a opção “sem pudor” a pessoa acessará o portal normalmente


com uma interface ilustrativa, conforme a imagem abaixo. As informações estão
distribuídas pelos quadrados conforme suas temáticas, contendo um preview com
imagens18 do conteúdo proposto.

Figura 15 - Interface do portal sem pudor

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

18As imagens utilizadas para ilustrar a proposta de Interface da plataforma Batom Vermelho foram
retiradas do site da Erika Lust. Disponível em: <https://www.lustcinema.com>. Acesso em: 08 jun.
2016.
49

Nessa tela é onde ficam disponíveis as informações do “Batom vermelho”.


Esse acesso é para a sociedade em geral. Os conteúdos ali disponíveis são apenas
os selecionados pelas curadoras do portal. Os conteúdos são disponibilizados
semanalmente por meio de tendências. Cada semana é pensado num tema e todas
as informações e conteúdos sobre esse tema são compilados e colocados no site.
Por meio de temáticas, o público geral poderá consumir conteúdos exclusivos com
enfoque na mulher. Exemplo: a tendência da semana é “desejos ocultos”. Serão
disponibilizados então vídeos, artigos, matérias, contos, histórias em quadrinhos,
entre outros sobre esse assunto com a visão das mulheres, produzidos e
selecionados por elas (Figura 16).
50

Figura 16 - Tela disponível para o publico em geral das tendências

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

O portal é dividido em dois ambientes. Um deles é o acesso geral do portal,


em que qualquer pessoa pode acessar os conteúdos disponibilizados, relatados
anteriormente. O outro é onde os conteúdos são gerados, selecionados e o acesso é
exclusivo apenas para mulheres, constituindo assim a parte do empoderamento
feminino. Elas terão acesso à rede a partir de um convite enviado para elas, e
apenas quem o recebe consegue fazer a inscrição. Ele é enviado por membros já
ativas do portal, criando assim uma confiabilidade nas usuárias que ali acessam. A
51

inscrição é feita de forma online, com o login vinculado com a conta do facebook,
conseguindo assim uma restrição caso alguém queira acessar com um perfil fake ou
que não seja mulher, como mostra a figura 17.

Figura 17 - Tela de inscrição

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

Ao fazer o cadastro, ela então poderá interagir com as informações


disponíveis. As interações na rede podem ser feitas de várias maneiras: por meio de
um espaço onde as usuárias poderão escrever suas histórias, seus desejos, seus
fetiches; um espaço para perguntas e respostas; um espaço para artigos científicos;
um espaço de publicações de matérias, reportagens, notícias, atualidades; espaço
para a discussão sobre a saúde da mulher; espaço focado no compartilhamento de
vídeos, filmes, imagens, gifs, produtos. Todos esses conteúdos produzidos dentro
dessa rede serão analisados pelas curadoras para serem compartilhados e
disponíveis no site. Na figura 18 é possível visualizar como os conteúdos são
apresentados para as usuárias na rede.
52

Figura 18 - Tela da rede com os conteúdos disponíveis para as usuárias

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

Conforme as interações que as usuárias realizam, as informações aparentam


com mais destaque, facilitando o acesso. Todos os conteúdos disponíveis na rede
podem ser acessados pelas usuárias cadastradas. Na figura 19, mostra-se a tela
onde ficam disponibilizados os vídeos. Elas podem fazer comentários sobre ele,
votar se gostaram ou não. Na aba da direita podem ser conferidos outros vídeos
disponíveis. Toda a interação com os conteúdos são computadas, quantas pessoas
visualizaram, quantas pessoas gostaram ou não gostaram, quais foram os
comentários mais recorrentes, o que agradou mais, o que não agradou. Isso
colabora para conhecer as mulheres, saber os assuntos que lhes agradam e assim
conseguir produzir conteúdos certos a serem disponibilizados para acesso ao
público em geral.
53

Figura 19 - Tela do conteúdo de vídeos disponíveis para as usuárias

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

Na rede, as mulheres terão um perfil com informações pessoais e também um


controle de ação que mostrará estatisticamente sua interação com a rede. Fica
também um registro de quanto tempo ela já é membro, a fim de ganhar confiança
entre as usuárias. Com isso elas poderão ser convidadas a fazer parte da curadoria
do portal. Esse incentivo ajuda as usuárias participarem e contribuírem na rede, pois
quanto mais interação mais dados são computados.
54

Figura 20 - Tela do perfil da usuária

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

No perfil da usuária, conforme a figura 20, contém informação gerais, como


nome, idade, região onde mora, além de um espaço livre para escreverem o que
quiserem. Também é feito um catálogo dos conteúdos mais acessados por elas na
rede, conseguindo filtrar seus interesses. Em “meus prazeres” mostra os assuntos
mais acessados, como por exemplo, se ela costuma pesquisar sobre masturbação
encontrará ali algumas publicações que ela já pesquisou ou interagiu. Onde mostra
“meus desejos”, terão sugestões de assuntos ou temas que a rede, a partir dos
interesses em comum, oferece para elas.
Além do espaço que as mulheres cadastradas produzem os conteúdos,
existirá um espaço onde empresas parceiras ou pessoas independentes poderão
contribuir com projetos ou buscar apoio do portal. Ao mostrar interesse em fazer
parceria com o projeto, poderá fazer contato por meio do portal. Conforme a figura
21, são divididas em três opções: “parceiro ativo” apoiará em eventos, projetos
existentes; “parceiro passivo” apoiará um projeto específico proposto pelo próprio
interessado; “parceiro criativo” contribuirá com novos projetos. Por exemplo: Uma
produtora independente tem uma proposta de filme e busca a parceria do portal,
tanto na divulgação, como na produção. Outro exemplo, uma empresa tem um
produto direcionado ao público feminino e busca, então uma análise de público-alvo
e saber a opinião das mulheres sobre ele. Para que estas empresas e projetos
consigam entrar em contato com a rede deverão realizar um cadastro, obedecendo
55

as normas específicas do portal. Elas poderão também apoiar projetos que já


existem ou que estejam em desenvolvimento, além de eventos diversos que levam o
nome da “Batom vermelho”.

Figura 21 - Tela para a inscrição de projetos e parcerias

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

Todas essas informações são organizadas pelas curadoras e disponibilizadas


na rede, onde as usuárias poderão fazer comentários sobre. Então, se uma empresa
quer testar um produto, validar um projeto específico, fazer uma pesquisa de público
e até solicitar uma pesquisa de tendências, ela pode entrar em contato com o portal.
Na figura 22 mostra um exemplo de inscrição de interesse em ser um parceiro ativo.
56

Figura 22 – Tela de inscrição para ser um parceiro ativo do portal

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

Além da rede e do site, terá uma comunicação fora do portal em mídias


sociais onde serão divulgados todos os conteúdos produzidos, ações, eventos onde
a marca “Batom vermelho” estará presente, além de ter um contato mais direto com
o publico em geral.
57

Figura 23 - Portal em diferentes plataformas

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

A proposta visual do portal precisa ter o mesmo rigor quanto aos conteúdos
gerados. As imagens selecionadas nos previews são o primeiro impacto que o
usuário terá com o conteúdo. As informações apresentadas como por exemplo,
posições, órgãos genitais e nudez variam de acordo com os conteúdos em questão.
O portal contará com um layout responsivo, comportando diferentes plataformas
digitais e facilitando assim o acesso às informações.
Um dos méritos dessa proposta é o seu desenvolvimento sistêmico, ou seja,
em diversas plataformas, para diversos tipos de usuário. Sendo assim, o diagrama a
seguir, exposto na Figura 24, sintetiza o funcionamento da proposta, o que pode
facilitar a discussão sobre sua implementação, por exemplo.
58

Figura 24 - Diagrama do funcionamento do portal

Fonte: Elaborado pela autora (2016)

O objetivo principal do portal é contribuir para a educação da sociedade sobre


as mulheres e o empoderamento feminino, proporcionando um espaço para a
comunicação entre elas e discussões sobre um assunto que ainda é tabu na
sociedade em geral; a geração de conteúdos adequados que ajudam na educação e
59

empoderamento; e por fim, uma comunicação clara e produtiva que consiga atingir o
maior número de pessoas disseminando essas informações. A proposta é que seja
um ambiente agradável, seguro, confiável, no qual elas se sintam confortáveis de
expor suas opiniões, suas ideias e seus questionamentos. Ao fazerem parte do
portal conseguirão não apenas opinar sobre os assuntos expostos como também
conhecer novas perspectivas sobre eles. No momento que um novo assunto é
disponibilizado, novas discussões, novas visões, novas opiniões e novas
experiências são expostas, com as quais as mulheres poderão se identificar e
conhecer a si mesmas, conhecer seu corpo. A troca de informação enriquece esse
conhecimento, além de sermos mais tolerantes quanto as diferenças com as quais
não estamos habituados.
A proposta é que todos os conteúdos ali gerados sejam produzidos e
aprovados pelas mulheres que fazem parte da rede, para então serem selecionados
e disponibilizados no site para a sociedade. Esse conteúdo selecionado prioriza a
qualidade e rigor das informações apresentadas. A proposta não é apenas gerar
conteúdos pornográficos para a sociedade, e sim um novo entendimento sobre a
mulher. Conforme os estudos apontados anteriormente, existe um problema de
como a sociedade entende os desejos delas e de como as mulheres são oprimidas
quando os expõem. Isso só reforça o machismo e a discriminação, que é presente
em nossa cultura.
Com isto, os assuntos ali abordados contribuirão para uma nova perspectiva
sobre a mulher quanto seu corpo, suas necessidades e seus desejos sexuais,
conseguindo, mesmo que não visível primeiramente, diminuir a ignorância da
sociedade perante elas.
60

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As informações pesquisadas por meio do referencial teórico da presente


pesquisa forneceram embasamento sobre sexualidade, o mercado pornográfico e o
posicionamento da mulher na sociedade. Com base nessas informações, o objetivo
inicial definiu que as mulheres teriam interesse em consumir pornografia, mas a
indústria pornográfica não as vê como público-alvo, produzindo então a maioria de
seus conteúdos voltados ao publico masculino. Após a coleta de dados, com a
aplicação do questionário e a realização do workshop, constatou-se que essa
afirmação não condizia com os problemas levantados. Foi apresentado então, um
novo objetivo para o direcionamento da pesquisa: oportunizar a discussão sobre a
sexualidade da mulher, a fim serem produzidos conteúdos que instruam a sociedade
sobre as reais necessidades delas.
A coleta de dados forneceu informações valiosas para o desenvolvimento do
projeto e o entendimento do problema, muito em função da expressiva participação
das respondentes, conforme já destacado por esse trabalho. Mostrou que a mulher,
história e culturalmente, sofre com uma sociedade patriarcal e machista, a qual inibe
seu posicionamento quanto aos seus desejos, as suas necessidades e as suas
vontades. A indústria pornográfica é consequência dessa sociedade, produzindo
conteúdos que não condizem com a realidade das mulheres, além de reforçar o
estereótipo de que ela precisa ser submissa ao homem. As respostas coletadas no
questionário mostraram mulheres interessadas em consumir pornografia, mas
preocupadas e críticas quanto ao teor dos conteúdos disponibilizados e a forma em
que a mulher é tratada neles. Mostrou também uma falha na educação sexual, sobre
a qual pouco se discute. Esse fator se afirmou na realização do workshop, no qual
as mulheres revelaram que seus anseios muitas vezes não são atingidos por medo
ou vergonha da sociedade ao se expressarem.
Acredita-se, portanto, que a solução apresentada conseguiu atingir os novos
objetivos apresentados ao criar um espaço que reúne informações sobre a
sexualidade das mulheres, por meio de um portal criado de maneira colaborativa e
construído exclusivamente por elas, no qual esse conteúdo é selecionado e
disponibilizado para a sociedade. Porém, a avaliação só será efetivada quando for
aplicado de fato ao mundo real.
61

Devido à limitação de tempo disponível para a realização desse projeto, não


pôde ser validada com os usuários. Para isso, sugere-se pesquisar sobre o
investimento financeiro para criar e manter o portal, também um estudo aprofundado
acerca do desenvolvimento do portal, o qual poderá sofrer algumas modificações de
layouts propostos nesse trabalho. Necessitaria também uma pesquisa mais incisiva
quanto as consequências da pornografia na sociedade e quais seus impactos na
educação sexual.
Com essa pesquisa, acredita-se que se possa contribuir no âmbito acadêmico
pois pouco se encontra sobre projetos que apresentam essa temática. A abertura
para uma discussão sobre esses assuntos, que até então são tabus na sociedade,
pode enriquecer o pensamento crítico do designer, possibilitando explorar novos
conhecimentos e experiências.
Por fim, a luta das mulheres para um reconhecimento de igualdade e respeito
na sociedade ainda é um caminho longo a ser percorrido. Os estudos apontados
nesta pesquisa e os direcionamentos tomados provam que existem muitos aspectos
que precisam ser discutidos para que o fim da cultura machista e da objetificação da
mulher na pornografia seja efetiva. Porém, estima-se que esse projeto estimule o
interesse por essa temática, contribuindo com novas pesquisas sobre as
necessidades das mulheres e a indústria pornográfica. Acredita-se que todo esse
portal terá como resultado a disseminação de conteúdos sobre a mulher, no qual a
sociedade absorva e compreenda de outra forma e não da maneira que foram
apontadas nas pesquisas do trabalho.

.
62

REFERÊNCIAS

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APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO PARTE 1


69
70
71
72

APENDICE B – QUESTIONÁRIO PARTE 2 – RESPOSTAS SIM


73

APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO PARTE 3 – RESPOSTAS NÃO


74

APÊNDICE D – QUESTIONÁRIO PARTE 4 – WORKSHOP


75

APÊNDICE E – PERSONAS
76

APÊNDIC F - INSIGHTS NOVA REFLEXÃO

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