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LICENCIATURA EM LETRAS- PORTUGUÊS

ROSÃNGELA DOS SANTOS COSTA

PRODUÇÃO TEXTUAL

SINOP
2020
ROSÃNGELA DOS SANTOS COSTA

PRODUÇÃO TEXTUAL

Trabalho apresentado à UNOPAR, como requisito


parcial à aprovação no sétimo semestre do curso de
Letras - Habilitação: Licenciatura em Língua Portuguesa
e Respectivas Literaturas.

SINOP
2020
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.............................................................................................................3
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.......................................................................................4
CONTEXTUALIZAÇÃO LITERÁRIA..........................................................................6
CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................8
REFERÊNCIAS..........................................................................................................10
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O intuito deste trabalho é apresentar uma leitura comparativa do seguintes


poemas: "Poema das Sete Faces" (1930) de Carlos Drummond de Andrade e "Com
Licença Poética" (2003) e Adélia Prado.
O desígnio é verificar a estrutura poética de cada texto, que esses aspectos
tendem a relacionar o diálogo entre ambos; e divergências e diferenças no uso da
linguagem, intertextualidade existente, as condições de produção de cada poema,
as características formais e características dos mesmos e como eles se adaptaram
ao período literário.
Para tal fim, buscaremos subsídios teóricos em embasamento e
conhecimento científicos em livros de plataformas digitais, e artigos científicos.
Sob o ponto de vista teórico para este estudo, foi pesquisado apontamentos
de Henge (2015); (FIORIN 1999); (ZANI 2003) e dentre outros autores se referem a
intertextualidade, uma base viabilizável de notar-se nos poemas mencionados, uma
proporção de interlocuções das obras literárias a serem discutidas.
Visando que um quanto o outro texto manifestam-se pontos de conteúdos de
insatisfação, e pontos comum como abandono, solidão e indiferença. Basta
distinguir pontos que levaram as tais circunstancias e produção de sentidos.
As obras literárias recortam, sintetizam e explicam as coisas reais através da
perspectiva do narrador ou poeta, e as refletem em conhecimento de ficção e
fantasia sobre o mundo, para fornecer aos leitores a maneira de explicar isso.
O fato é que, com o apoio do discurso teórico, há uma conexão entre leitura e
literatura, que é um estudo da relação entre leitura, texto e conceitos literários
existentes em sala de aula. Mas essas discussões, no que diz respeito à conexão
entre a prática de leitura, a literatura e a escola, os teóricos costumam se perder na
prática da sala de aula.
Este trabalho tem como intuito utilizar a análise comparativa da leitura como
forma de aprendizagem para vestibulares e provas do ENEM.
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REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A análise do discurso é um assunto intermediário, sugerindo pensar sobre
diferentes processos discursivos substantivos, considerando a relação entre
linguagem e história na produção de sentido. Por sua vez, a literatura se estende por
séculos, integrando a relação entre o homem e a linguagem por meio do romance.
A língua se realiza em texto na Literatura, então, partimos da concepção de
texto literário quando assim remontamos à Literatura. É preciso, portanto, pensar
neste diálogo o texto e como se dão suas relações internas e externas segundo a
perspectiva discursiva. Portanto, do ponto de vista da análise do discurso no
departamento francês (doravante denominado AD), em termos de linguagem,
também são considerados conceitos como sujeito, sentido, texto, etc. (como em
outros campos). No entanto, na perspectiva de sua forma tríade (linguagem, história
e psicanálise) como disciplina, esses conceitos assumem novas formas. (HENGE
2015).
A análise do discurso é uma prática linguística no campo da comunicação,
incluindo analisar a estrutura do texto e compreender a estrutura ideológica do texto.
A intertextualidade é um dos recursos utilizados para a criação de textos nos mais
diversos campos, sejam eles acadêmicos, literários, empresariais, escolares, etc.
Distingue-se entre intertextualidade interna (entre discurso e discursivo no
mesmo campo) e intertextualidade externa (com discursos de diferentes domínios
discursivos, por exemplo, entre teológico e científico).
Intertextualidade ou dialogismo é uma referência ou uma incorporação de um
elemento discursivo a outro, podendo-se reconhecê-lo quando um autor constrói a
sua obra com referências a textos, imagens ou a sons de outras obras e autores e
até por si mesmo, como uma forma de reverência, de complemento e de elaboração
do nexo e sentido deste texto/imagem. A intertextualidade tem sido estudada no
campo da literatura - por meio da citação no texto como a incorporação de um texto
em outro para fins de reprodução ou transformação.(FIORIN 1999.)
No entanto, o termo também pode ser usado para outras produções de texto,
imagens e mídias que trabalham e desenvolvem sua narrativa discursiva por
meio dessa artificialidade. A ocorrência intertextual ocorre por meio de três
processos: citar, alusar e estilizar. A citação confirma ou altera o sentido do discurso
mencionado e faz-se presente também em outros meios, como no teatro que cita as
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artes plásticas, no cinema que recorre ao teatro e nas artes plásticas que citam a
própria História da Arte. A citação firma-se por mostrar a relação discursiva
explicitamente e todo o discurso citado é, basicamente, um elemento dentro de outro
já existente. Por sua vez, a alusão não se faz como uma citação explícita, mas sim,
como uma construção que reproduz a ideia central de algo já discursado e que,
como o próprio termo deixa transparecer, alude a um discurso já conhecido do
público em geral. Por fim, a estilização é uma forma de reproduzir os elementos de
um discurso já existente, como uma reprodução estilística do conteúdo formal ou
textual, com o intuito de reestilizá-lo (ZANI 2003).
A literatura, concretizada a partir da leitura, também permite uma abordagem
interdisciplinar, capaz de revelar ao aluno o diálogo entre as características estéticas
do texto e as motivações históricas, sociais, políticas, filosóficas e psicológicas que
contribuíram para a constituição da polissemia revelada no âmbito textual. No
entanto, a literatura ainda parece ser tratada em sala de aula como objeto
descodificável, tendo como base os limites estreitos da superfície textual e as
noções do certo e do errado. A partir dessas noções, a escola contesta a
relatividade do erro na leitura literária, não levando em consideração a natureza
polissêmica do texto literário e o papel dinâmico do aluno-leitor na recepção textual (
ROUXEL, 1996).
Teoria da literatura fornece a base do currículo de literatura para a linguística
e o conhecimento da língua materna e para isso a literatura requer uma visão
artística, uma análise e um senso crítico.
A teoria literária tem importância tanto direta como indireta para a
compreensão da escrita histórica. Direta, na medida em que elaborou, com base na
moderna teoria da linguagem, algumas teorias gerais do discurso que podem ser
utilizadas para analisar a escrita histórica e para identificar seus aspectos
especificamente "literários" (ou seja, poéticos e retóricos). Na substituição da noção
mais antiga, própria do século XIX, de "estilo", considerado como o segredo do
"escrever bem", pela noção de estrutura discursiva, a moderna teoria literária
fornece novas concepções da própria literalidade (WHITE 1991).
A importância da teoria literária moderna para a escrita histórica é indireta,
pois os conceitos de linguagem, fala, escrita, discurso e textualidade fornecem
informações para isso permite uma visão sobre algumas das questões
tradicionalmente colocadas pela filosofia, história, como a classificação dos gêneros
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do discurso histórico, a histórica e o estatuto epistemológico da interpretação.


CONTEXTUALIZAÇÃO LITERÁRIA
O poeta Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira- MG, no ano
de1902 e faleceu em 1987. Seus poemas retratam o dia a dia e destacam a ironia e
o pessimismo do cotidiano mediante a vida. “O poema sete faces” no qual é o
conteúdo de aprendizagem desse estudo, foi publicado em 1930 no livro “Alguma
poesia”.
Nesse período aconteceu momentos históricos e conflitos, como a revolução
de 1930 e revolução constitucionalista, crise cafeeira da década de 30 e a queda da
bolsa de Nova Iorque. Nesses momentos marcantes, literários e culturais, exigiram
um crescimento dos artistas e escritores brasileiros.
No ramo poético a presença forma do verso livre caracterizou-se a
necessidade de expressar a sentimentalidade do atual momento da época.
A poeta Adélia Prado, nasceu em Divinópolis- MG, em 1935. E é mencionada
por outros autores como uma escritora contemporânea. Possui como característica
uma linguagem simples e coloquial e seu estilo poético possui características por
lirismo de traços leves e marcantes. Ficou reconhecida por retratar vida cotidiana
porem retrata uma fé cristã em um aspecto lúdico. Outrossim marca-se um feminino
em suas obras poéticas cujas perspectivas de mulher surge constantemente em
suas produções.
A poetista Adélia Prado imita o poema de Drummond, como se depreende do
próprio título. Ela pediu permissão para entrar no universo de Drummond e reverter
o significado do poema de sete lados. O “anjo torto” é transformado num “anjo
esbelto”, e ele não vive mais na sombra, agora toca trombeta. Não declara que
alguém será o tule da vida, mas em vez disso, levanta a bandeira, tendo posição de
destaque entre os demais.
O poema de Drummond está estruturado em sete estrofes, o que passa a
ideia de sete fragmentações do “eu”, sendo assim cada uma das estrofe são posta
de forma isolada, criando imagens que se referem a um tipo de eu fragmentado, já o
poema de Adélia está composto em uma única estrofe, destacando uma certa
totalidade.
No princípio dos poemas, é visível as formas verbais em primeira pessoa, e a
presença do anjo, o que dá o poder de anunciar a vida do eu-lírico:
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos!
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ser gauche na vida (ANDRADE 2003).


Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai
carregar bandeira.(PRADO 1993).
No “Poema de sete faces”, o eu-lírico é exposto como injustiçado diante do
mundo e de Deus, no qual o anjo se expressa da forma “vai ser gauche na vida”. Ao
contrario no poema “Com licença poética” o eu-lírico é manifestado como sujeito
com missão de realizar, conforme o “anjo esbelto”.
É perceptível que os dois textos apresentam o mesmo tema, retrata por um
sentimento de insatisfação da realidade na qual fazem parte, atrás de um sentimento
de abandono, indiferença e solidão, causado por decepções vividas por eles.
Os poemas apresentam pontos semelhantes, tais como a noção de
insatisfação presenciada, a forma autobibliográfica e salientando o abandono e a
solidão. Contudo existe a diferença de autoria de um texto ser eu-lírico masculino e
o outro trás uma autoria do eu-lírico feminino, o que consequentemente eleva uma
visão diferente do mundo.
É notável que o eu-lírico, expressa fatos e críticas sociais da época, no
entanto a insatisfação é justificada sendo um ponte marcante do poema. O eu-lírico
tanto feminino quanto masculino manifesta ao seu modo um repudio as atitudes do
próximo daquela época, e assim refletem uma posição questionadora posicionada
das atitudes que deveram providenciadas para mudar a realidade da época.
Foi usado uma língua subjetiva, uma fragmentação da forma, uso de figura de
linguagem, são métodos utilizados em cada qual no seu poema.
Ao discorrer do poema de Drummond, é retratado um ser humano que possui
um questionamento de sua realidade como um autorretrato, o que significa que ao
seu ver, uma relação com a sociedade como sendo apenas mais um na multidão
que não é permitido seguir em certas vontades, ou seja, não possui liberdade. Já na
poesia de Adélia em forma irônica e dramática, retrata uma fragilidade da mulher,
em circunstâncias de “subterfúgios” que foram cabíveis, podemos citar exemplos
como casar-se, ter filhos, ser dona de casa, e ao mesmo tempo comtempla a
capacidade de aceitar a sua condição perante a sociedade no qual estava inserida
na época. A poeta também faz criticas ao decorrer do poema do posicionamento das
mulheres perante sociedade. Cabe ressaltar que na literatura brasileira a Adélia
representou a valorização do feminismo e da mulher como pontos importantes.
Contudo podemos notar que apesar dos poemas terem o mesmo conteúdo,
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ainda sim possui divergências, como no poema Adélia é contraditório ao poema do


Drummond, diante disso a situação intertextual pode ser entendida num sentido
amplo, pois é notável uma visão sociológica e estética produzida em sentido
adverso, e assim dando um novo sentido aos poemas, e então o eu-lírico é dado um
sentido ás avessas. Em contrapartida o poema de Carlos Drummond possui uma
característica pessimista, enquanto o poema de Adélia Prado mostra um eu-lírico
otimista que propõe mudar a sua realidade. Podemos perceber também que a
linguagem dos poemas é completamente subjetiva pois é produzida por falantes que
sentem a necessidade, o desejo e o prazer de dizer alguma coisa. Eles relatam suas
próprias vivências, utilizando uma linguagem simples para expressar suas
subjetividades esses poetas empregaram a intertextualidade. Vale ressaltar que os
poemas são contemporâneo, ou seja, fazem parte do modernismo. A leitura
comparativa , dos poemas citados nesse trabalho convém da teoria de
intertextualidade explicita, denominada parodia, leva-nos a ver que os dois poemas
obtêm uma semelhança tanto no titulo quando no eu-lírico tendo como base para a
estrutura do poema.
Nesse modo a intertextualidade possui uma presença marcante logo nos
primeiros versos e ambos possui uma forte simbologia em que o anjo de Adélia é
esbelto, o anjo de Drummond é torto, o poema de Prado evidencia superioridade
feminina em relação a fraqueza masculina, o poema de Drummond expõe desejos
sexuais sem freios dos homens, já o de Adélia representa o poder feminino para
resolver os problemas da vida enquanto Drummond cobra o seu abandono por Deus
e Prado afirma que a dor não é a amargura.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Concluímos que em “poemas sete faces” são representados de
forma masculina e pessimista, insatisfeito com a realidade, quanto em “Com licença
poética” há uma representatividade feminina disposta a mudar sua situação atual
que condiz com a realidade e é otimista.
Apesar da semelhança, propõem assuntos e objetivos divergentes.
E foi destacado a importância estrutural, bem como a intertextualidade, possui uma
característica relevante da poesia moderna e contemporânea de uma forma que une
a história com a estrutura estética. Outro aspectos importante a ser ressaltado é os
opostos dos eu-lírico que apesar de um ser masculino e outro ser feminino, possui
uma visão e perspectivas diferentes do mundo, pois o autor Drummond traz um eu-
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lírico masculino, e a poeta Adélia traz uma eu-lírico feminino o que nos traz um
aspecto relevante.
Aparentemente a poesista Adélia demonstrou uma imagem de uma
mulher poeta, forte e pronta para obter a posição de destaque da literatura brasileira.
O poema de Drummond e de Adélia possuem estruturas bem
marcantes, definido porem distintos. O poema “sete faces” é composto estrofes, já o
poema “ Com licença” não contem estrofes, apenas versos.
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REFERÊNCIAS

HENGE, Gláucia da Silva; Texto e interpretação: aproximações entre análise do


discurso e literatura; interletras, issn nº 1807-1597. v. 3, edição 20,outubro,
2014/março, 2015.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Poema das sete faces;Alguma poesia. São
Paulo: Companhia das Letras, p. 11 – 12, 2013.

PRADO, Adélia. Com Licença Poética; Poesia reunida. São Paulo: Siciliano,p. 11,
1996.

VALENTE, André; INTERTEXTUALIDADE E INTERDISCURSIVIDADE NAS


LINGUAGENS MIDIÁTICA E LITERÁRIA: um encontro luso-brasileiro; Rio de
janeiro; 2005.

ZANI, Ricardo. Intertextualidades em “Um Cão Andaluz”: pinturas em


fotogramas. Campinas: UNICAMP, 2003.

FIORIN, Jose Luís; Dialogismo e intertextualidade; SP- USP; 2003.

ROUXEL, A. Ensigner la lecture littéraire. 1996.

WHITE, Hayden; TEORIA LITERARIA E ESCRITA DA HISTÓRIA; Rio de janeiro,


vol. 7, n. 13, 1991.