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NOÇÕES BÁSICAS SOBRE ANÁLISE

NÃO LINEAR
Documento técnico

VISÃO GERAL
Neste documento, você verá as diferenças entre a análise linear e não linear e perceberá que há momentos ideais
para usar um tipo de análise em comparação com outro. Descobriremos que negligenciar os efeitos não lineares
pode resultar em erros de projeto sérios. Após analisar os exemplos obtidos com a prática diária em projetos,
você verá como a análise não linear pode ajudar a evitar mudanças no projeto e criar produtos superiores.
SUMÁRIO
P. 1
INTRODUÇÃO

P. 3
GEOMETRIA NÃO LINEAR

P. 4
MATERIAL NÃO LINEAR

P. 8
PERDA DE ESTABILIDADE
ELÁSTICA (FLAMBAGEM)

P. 9
TENSÕES DE CONTATO E
SUPORTE NÃO LINEAR

P. 10
ANÁLISE DINÂMICA NÃO LINEAR

P. 11
ANÁLISE NÃO LINEAR
NA PRÁTICA DIÁRIA

P. 14
CONCLUSÃO
INTRODUÇÃO
Na última década, a análise de elementos finitos (FEA, na sigla em inglês) parou de ser
considerada apenas uma ferramenta do analista e entrou no mundo prático da engenharia
de projetos. O software CAD agora vem com recursos de FEA incorporados, e os engenheiros
de projeto usam a FEA como uma ferramenta de projeto diária para auxiliar no processo de
projeto de produtos.
Contudo, até recentemente, a maioria dos aplicativos de FEA utilizados pelos engenheiros de O termo "rigidez" define a diferença
projeto estava limitada à análise linear. Essa análise linear faz uma aproximação aceitável de fundamental entre análise linear e
características reais para a maioria dos problemas detectados pelos engenheiros de projeto. não linear. A rigidez é uma
Entretanto, problemas mais desafiadores, que exigem uma abordagem não linear, podem propriedade de uma peça ou
surgir ocasionalmente. montagem que caracteriza sua
Historicamente, engenheiros relutavam em usar a análise não linear, devido à sua complexa resposta para a carga aplicada. Três
formulação de problema e à demora em encontrar uma solução. Isso está mudando já que fatores principais afetam a rigidez:
o software de FEA não linear pode interagir com CAD, facilitando seu uso. Além disso, forma, material e suporte a peças.
algoritmos de solução aprimorados e desktops potentes diminuíram os tempos de solução.
Uma década atrás, os engenheiros reconheceram a FEA como uma ferramenta de projeto
valiosa. Agora, eles estão começando a perceber os benefícios e a entender melhor as
contribuições do conceito de FEA não linear ao processo de projeto.

Diferenças entre análise linear e não linear


O termo "rigidez" define a diferença fundamental entre análise linear e não linear. A rigidez
é uma propriedade de uma peça ou montagem que caracteriza sua resposta para a carga
aplicada. Vários fatores afetam a rigidez:

1. Forma: uma viga I tem rigidez diferente de uma viga de canal.

2. Material: uma viga de ferro é menos rígida do que uma viga de aço do mesmo tamanho.

3. Suporte a peças: uma viga com um suporte simples é menos rígida e apresentará mais
deflexão do que a mesma viga com suporte incorporado, como mostrado na Figura 1.

Figura 1: A viga cantiléver (superior) tem menos rigidez do que a mesma viga suportada em ambas as
extremidades (inferior).

Documento técnico: Noções básicas sobre análise não linear 1


Quando uma estrutura é deformada sob uma carga, sua rigidez muda devido a um ou mais
dos fatores listados acima. Se ela sofrer muita deformação, sua forma poderá mudar. Se o
material alcançar o limite de falha, suas propriedades mudarão.
Por outro lado, se a alteração na rigidez for pequena o suficiente, fará sentido considerar que
nem as propriedades da forma nem as propriedades do material mudarão durante o processo
de deformação. Essa pressuposição é o princípio fundamental de análises lineares.
Isso significa que, em todo o processo de deformação, o modelo analisado reteve qualquer
rigidez que tinha em sua forma não deformada antes da carga. Independentemente de
quanto o modelo deforma, se a carga é aplicada em uma etapa ou gradualmente e até onde
as tensões desenvolvidas como resposta a essa carga podem chegar, o modelo retém sua
rigidez inicial.
Essa pressuposição simplifica bastante a formulação e a solução de problemas. Lembre-se da
equação de FEA fundamental:

[F] = [K] * [d]


onde: [F] é o vetor conhecido de cargas de nós
[K] é a matriz de rigidez conhecida
[d] é o vetor desconhecido de deslocamentos de nós

Essa equação de matriz descreve o comportamento de modelos de FEA. Ela contém um Se a alteração da rigidez for
número muito grande de equações algébricas lineares, que variam de milhares para milhões, pequena o suficiente, fará
dependendo do tamanho do modelo. A matriz de rigidez [K] depende de geometria, sentido considerar que nem as
propriedades do material e restrições. Sob a pressuposição da análise linear de que a rigidez propriedades da forma nem as
do modelo nunca muda, essas equações são montadas e resolvidas apenas uma vez, sem propriedades do material
necessidade de atualizar nada enquanto o modelo está deformando. Assim, a análise linear
mudarão durante o processo de
segue um caminho direto, desde a formulação do problema até a conclusão. Ela produz
deformação. Essa pressuposição
resultados em questão de segundos ou minutos, mesmo para modelos muito grandes.
é o princípio fundamental de
Tudo muda quando se entra no mundo da análise não linear, porque ela requer que os análises lineares.
engenheiros abandonem a pressuposição de rigidez constante. Em vez disso, a rigidez muda
durante o processo de deformação, e a matriz de rigidez [K] deve ser atualizada à medida
que o solver avança através de um processo de solução iterativo. Essas iterações aumentam o
tempo necessário para a obtenção de resultados precisos.

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NOÇÕES BÁSICAS SOBRE OS DIFERENTES TIPOS DE COMPORTAMENTO
NÃO LINEAR
Embora o processo de alteração da rigidez seja comum para todos os tipos de análises
não lineares, a origem do comportamento não linear poderá ser diferente, sendo lógico
classificar as análises não lineares com base na origem principal de não linearidade. Como
não é possível indicar uma única causa de comportamento não linear em vários problemas,
algumas análises talvez precisem considerar mais de um tipo de não linearidade.

Geometria não linear


Conforme já discutido, a análise não linear se torna necessária quando a rigidez da peça
muda sob suas condições operacionais. Se as alterações na rigidez forem provenientes apenas
de mudanças na forma, o comportamento não linear será definido como não linearidade
geométrica.
Essas alterações na rigidez causadas por forma podem ocorrer quando uma peça tem
deformações grandes visíveis a olho nu. Uma boa prática geralmente aceita sugere a
realização de uma análise de geometria não linear caso as deformações sejam maiores que
1/20 avos da dimensão maior da peça. Outro fator importante é reconhecer que, em casos de
deformações grandes, a direção da carga poderá mudar conforme o modelo é deformado. A
maioria dos programas de FEA oferece duas opções para considerar essa mudança de direção:
cargas seguidoras e não seguidoras.
Uma carga seguidora mantém sua direção em relação ao modelo deformado, como mostrado
na Figura 2. Uma carga não seguidora mantém sua direção inicial. Uma boa prática geralmente
aceita sugere a realização de
uma análise de geometria não
linear caso as deformações
sejam maiores que 1/20 avos da
dimensão maior da peça. Outro
fator importante é reconhecer
que, em casos de deformações
grandes, a direção da carga
poderá mudar conforme o
Figura 2: A carga seguidora, ou não conservadora, altera sua direção durante o processo de deformação e
modelo é deformado.
continua normal em relação à viga deformada (esquerda). A carga não seguidora, ou conservadora,
mantém sua direção original (direita).

Um vaso de pressão submetido a pressão muito alta que sofre uma mudança drástica de
forma é outro bom exemplo da última situação. A carga de pressão sempre parece normal
em relação às paredes do vaso de pressão. Embora a análise linear desse cenário considere
que a forma do vaso não muda, a análise realista do vaso de pressão requer a análise de não
linearidade geométrica com carga não conservadora (ou seguidora).

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Podem ocorrer alterações na rigidez devido à forma, quando as deformações são pequenas.
Um exemplo típico é uma membrana inicialmente plana que apresenta deflexão sob pressão
(veja a Figura 3).

Figura 3: A análise de uma membrana plana sob carga de pressão requer uma análise de geometria não
linear, embora a magnitude da deformação possa ser muito pequena. Podem ocorrer alterações na
rigidez devido à forma, quando
Inicialmente, a membrana resiste à carga de pressão somente com rigidez de dobra. Após a as deformações são pequenas.
carga de pressão causar alguma curvatura, a membrana deformada apresenta rigidez além Um exemplo típico é uma
da rigidez de dobra original (Figura 4). A deformação muda a rigidez da membrana, de forma membrana inicialmente plana
que a membrana deformada seja muito mais rígida do que a membrana plana. que apresenta deflexão sob
Alguns programas de FEA usam uma terminologia confusa e chamam qualquer análise de pressão. Inicialmente, a
não linearidades geométricas de "análise de deformação grande". Isso ignora a necessidade membrana resiste à carga de
de executar análises não lineares para deformações menores. pressão somente com rigidez de
dobra. Após a carga de pressão
ter causado alguma curvatura, a
membrana deformada
apresenta rigidez além da
rigidez de dobra original.

Figura 4: Uma membrana plana responde à carga somente com rigidez de dobra. Devido à deformação, ela
também adquire rigidez de membrana. Por isso, é muito mais rígida do que o previsto pela análise linear.

Material não linear


Se ocorrerem alterações de rigidez devido apenas às alterações nas propriedades do material
sob condições operacionais, o problema estará na não linearidade do material. Um modelo
de material linear considera que a tensão é proporcional ao esforço (Figura 5, abaixo). Isso
significa que ele considera que quanto mais alta a carga aplicada, mais altas serão as tensões
e a deformação, proporcionais às mudanças na carga. Ele também considera que nenhuma
deformação permanente surgirá e que quando a carga tiver sido removida, o modelo sempre
retornará à sua forma original.

Figura 5

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Embora essa simplificação seja aceitável, se as cargas forem altas o suficiente para causar
algumas deformações permanentes, como é o caso com a maioria dos plásticos, ou se os
esforços forem muito altos (às vezes > 50%), como ocorre com borrachas e elastômeros,
então um modelo de material não linear deverá ser usado.

Devido às grandes diferenças no modo como vários tipos de materiais se comportam sob
suas condições operacionais, os programas de FEA desenvolveram técnicas especializadas
e modelos de materiais para simular esses comportamentos. A tabela abaixo mostra uma
avaliação resumida de quais modelos de materiais funcionam melhor para um determinado
problema.

MATERIAL
CLASSIFICAÇÃO MODELO COMENTÁRIOS
Elastoplástico Von Mises ou Tresca Esses modelos funcionam bem em
materiais para os quais uma curva de
esforço-tensão mostra um "platô" antes
de atingir a tensão máxima. A maioria dos
metais de engenharia e alguns plásticos
é bem caracterizada por esse modelo
de material.
Drucker-Prager Esse modelo funciona para solos e
materiais granulares.
Hiperelasticidade Mooney-Rivlin Funciona bem para elastômeros
e Ogden incompressíveis, como borracha.
Blatz-Ko Esse modelo funciona para borrachas
esponjosas de poliuretano compressível.
Viscoelástico Vários (opcionais Esse modelo funciona para borracha rígida
com outros modelos) ou vidro.
Fluência Vários (opcionais Fluência é um esforço dependente de
com outros tempo produzido sob um estado de
modelos) tensão constante. A fluência é observada
na maioria dos materiais de engenharia,
especialmente metais em temperaturas
elevadas, plásticos de alto polímero,
concreto e combustíveis sólidos em
motores de foguetes.
Superelástico Nitinol Ligas de memória de forma (SMA),
(ligas de memória como Nitinol, apresentam efeito
de forma) superelástico. Esse material sofre grandes
deformações nos ciclos de carregamento-
descarregamento sem mostrar
deformações permanentes.

Figura 6: A curva tensão-esforço de um modelo de material de plástico perfeitamente elástico. Com esse
modelo de material, a magnitude de tensão máxima não pode exceder o limite de tensão do plástico
(tensão de escoamento).

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Ao lidar com a análise de um modelo de material de plástico perfeitamente elástico, ou
seja, um material que perdeu toda a capacidade de retornar à sua forma original após a
deformação, a tensão permanece constante acima de um determinado valor de esforço. Ela
descreve o material de ferro fundido de um anteparo muito bem preso por oito parafusos.

A análise linear revela uma tensão máxima de von Mises de 614 MPa (89.600 psi) em
comparação com um escoamento de material de 206 MPa (30.000 psi). Os resultados dessa
análise linear são mostrados na Figura 7.

Ao lidar com a análise de um


modelo de material de plástico
perfeitamente elástico, ou seja,
um material que perdeu toda a
capacidade de retornar à sua
forma original após a
deformação, a tensão permanece
constante acima de um
determinado valor de esforço.

Figura 7: A solução de tensão linear de um anteparo mostra concentrações de tensão muito altas
e localizadas.

Se as tensões excederem o escoamento, o anteparo começará a se desintegrar? Para descobrir,


é necessário usar um modelo de material elastoplástico para examinar quanto do material
será de plástico. A Figura 8 mostra a solução não linear, em que a tensão máxima é igual à
tensão de escoamento. As zonas de plástico ainda são locais, indicando que o anteparo não
se desintegrará. Evidentemente, uma avaliação cuidadosa da engenharia é necessária para
decidir se esse projeto é aceitável.

Figura 8: Solução de tensão não linear obtida com um modelo de material de plástico perfeitamente
elástico. As zonas vermelhas indicam o material se tornando plástico. A extensão das zonas de
plástico é local.

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A Figura 9 mostra a solução de tensão linear de um suporte de alumínio. A tensão máxima é
44 MPa (6.400 psi) e ignora o fato de que o material escoa a 28 MPa (4.100 psi).

Se as tensões excederem o
escoamento, o anteparo
começará a se desintegrar? Para
descobrir, é necessário usar um
modelo de material
elastoplástico para examinar
quanto do material será de
plástico. As zonas de plástico
ainda são locais, indicando que
o anteparo não se desintegrará.

Figura 9: A solução de tensão linear de um suporte oco informa tensão acima do limite de tensão de
escoamento do material.

A análise de material não linear responde por esses resultados, em que o material escoa
quando a tensão máxima é mantida em 28 MPa (4.100 psi) (Figura 10). Os resultados de
tensão não linear indicam que o suporte está muito próximo do colapso. As zonas de plástico
ocupam quase toda a seção transversal do cantiléver, e um leve aumento da magnitude
da carga fará com que a seção transversal fique completamente plástica e desenvolva uma
articulação plástica que fará o suporte ruir.

Figura 10: A solução de tensão não linear mostra uma tensão máxima inferior à tensão de escoamento.
A extensão das zonas plásticas indica que o suporte está muito perto de formar uma articulação plástica.
Ele está no limite da capacidade de suporte de carga.

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A modelagem do simples ato de pegar um clipe de papel de aço comum, "desdobrá-lo" e "dobrá-
lo" novamente requer a consideração de material e geometria não lineares. A Figure 11 mostra
a forma deformada do clipe de papel usando um modelo de material de plástico perfeitamente
elástico. A Figura 12 mostra tensões residuais após o clipe ter sido dobrado de volta na
forma original.

Figura 11: A análise de dobra de clipe de papel requer material não linear e análise de geometria não linear.
O clipe de papel na posição "desdobrado" mostra tensões plásticas

Figura 12: O clipe de papel dobrado de volta na sua posição original mostra tensões residuais.

Perda de estabilidade elástica (flambagem)


A rigidez em uma peça também muda devido às cargas aplicadas. Às vezes, as cargas,
dependendo de como são aplicadas, podem aumentar a rigidez (cargas de tensão) ou
diminuí-la (cargas compressivas). Por exemplo, uma corda apertada pode suportar o peso de
um acrobata. Por outro lado, uma corda frouxa o fará cair. Nos casos de carga compressiva, se
as alterações na rigidez forem suficientes para fazer com que a rigidez da estrutura caia para
zero, a flambagem ocorrerá, e a estrutura sofrerá uma rápida deformação. Ela se separará ou
adquirirá uma nova rigidez em seu estado pós-flambagem.
A análise de flambagem linear poderá ser usada para calcular a carga sob a qual uma estrutura
flambará (carga de Euler). Entretanto, os resultados da análise de flambagem linear não são
conservadores. Além disso, as idealizações no modelo de FEA podem resultar em uma carga
de flambagem prevista muito mais alta para o modelo de FEA do que para a peça real. Dessa
forma, os resultados da análise de flambagem linear devem ser usados cuidadosamente.
A flambagem não necessariamente é igual à falha irrecuperável, e a estrutura poderá ainda
conseguir suportar a carga após a ocorrência da flambagem. A análise não linear explicará o
comportamento pós-flambagem.

Documento técnico: Noções básicas sobre análise não linear 8


As Figuras 13 e 14 mostram um efeito snap-through. A peça retém seus recursos de suporte
de carga, mesmo após a ocorrência da flambagem.

Figura 13

Figura 14: A análise do efeito snap-through requer análise não linear.

Tensões de contato e suporte não linear


Se as condições de suporte, incluindo os contatos, mudarem durante a aplicação das cargas Se as condições de suporte,
operacionais, a análise não linear será necessária. incluindo os contatos, mudarem
As tensões de contato se desenvolvem entre duas superfícies de contato. Por isso, a área durante a aplicação das cargas
de contato e a rigidez da zona de contato são desconhecidas antes da solução. A Figura 15 operacionais, a análise não
mostra uma solução de tensão de um problema de contato típico. Embora a área de tensão de linear será necessária.
contato seja muito pequena em comparação com o tamanho do modelo geral, a rigidez em
mudança da zona de contato utiliza análise não linear.

Figura 15: A análise de tensão de contato que modela as tensões que se desenvolvem entre duas esferas
(somente uma das duas peças de contato é mostrada) pertence à categoria de análise com suportes
não lineares.

Documento técnico: Noções básicas sobre análise não linear 9


A Figura 16 mostra um exemplo de suportes não lineares. O comprimento útil da viga e sua
consequente rigidez dependem da quantidade de deformação da viga. Quando a viga entra
em contato com o suporte, sua rigidez aumenta devido à queda de seu comprimento ativo.

Figura 16: Esse suporte (quando ativado) altera o comprimento útil da viga. Consequentemente, a rigidez
da viga muda, e o problema requer análise não linear.

Análise dinâmica não linear Entretanto, em muitos casos, as


A análise dinâmica responde por efeitos de inércia, amortecimento e cargas dependentes do pressuposições lineares diferem
tempo. Teste de queda, vibrações na estrutura do motor, implantação de air bag ou simulação muito da realidade e fornecem
de impacto: todos exigem análise dinâmica. Mas a análise dinâmica é linear ou não linear? As informações cruas ou erradas.
regras de qualificação são exatamente as mesmas da análise estática. Usar os resultados da análise
Se a rigidez do modelo não mudar significativamente sob a carga aplicada, a análise dinâmica linear para decidir se uma peça
linear será suficiente. Uma estrutura do motor com vibração ou um diapasão sofre pequenas falhará sob suas cargas
deformações aproximadamente no ponto de equilíbrio e pode ser analisado com análise operacionais poderá ocasionar
dinâmica linear. em um projeto com excessos.
Problemas como simulação de impacto, análise de implantação de air bag ou modelagem
de um processo de estampagem em chapa requerem análise dinâmica não linear devido às
grandes deformações (geometria não linear) e aos grandes esforços (material não linear)
que ocorrem.

Como a análise não linear ajuda a criar produtos superiores?


A natureza é não linear. Isso significa que a análise linear pode apenas aproximar o
comportamento não linear real de peças e montagens. Na maior parte do tempo, essa
aproximação é aceitável, e a análise linear pode fornecer uma percepção valiosa das
características do produto. Entretanto, em muitos casos, as pressuposições lineares diferem
muito da realidade e fornecem informações cruas ou erradas.
Usar os resultados da análise linear para decidir se uma peça falhará sob suas cargas
operacionais poderá ocasionar em mudanças no projeto. Por exemplo, um projeto de suporte
analisado apenas com a análise linear requer que o projetista se atenha a um requisito de que
a tensão não deve exceder o escoamento. Mas a análise não linear pode mostrar que algum
escoamento é aceitável. Nesse caso, torna-se possível economizar na quantidade de material
usado ou escolher um material mais barato sem comprometer a integridade estrutural.
Um engenheiro pode ficar preocupado com uma deflexão muito grande de uma tela plana,
segundo teste realizado com uma análise linear (para outro exemplo), e realizar mudanças
no projeto dessa tela para compensar essa deflexão sem nunca saber que a análise linear
acentuou as deformações e estava tudo certo conforme o projetado originalmente.

Documento técnico: Noções básicas sobre análise não linear 10


Análise não linear na prática diária em projetos
Quando um engenheiro ganha experiência suficiente para reconhecer os problemas não
lineares, fica óbvio que a aplicação dessa tecnologia não fica confinada às situações exóticas.
Projetos que requerem ou podem se beneficiar com a análise não linear surgem em cada
setor e em cada prática diária em projetos.
Aqui há vários exemplos de produtos em que a decisão de projeto correta requer análise não
linear. Muitos desses problemas envolvem mais de um tipo de comportamento não linear.
Polia (Figura 17)
Essa polia em aço estampado pode flambar sob a carga da correia antes de produzir tensões
excessivas. Embora uma análise de flambagem linear possa ser suficiente para determinar
a carga de flambagem, a análise não linear é necessária para estudar seu comportamento
pós-flambagem.

Figura 17

Mola do diafragma (Figura 18)


A característica da mola não linear requer uma análise de geometria não linear para
considerar os efeitos da membrana.

Figura 18

Estrutura de proteção contra capotagem (Figura 19)


No caso de uma capotagem, a estrutura deforma após o seu escoamento e absorve a energia
da capotagem. Durante esse processo, ela sofre uma grande deformação. Entender os efeitos
da capotagem requer a combinação de material não linear e análise de geometria não linear.

Figura 19

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Fórceps obstétrico leve (Figura 20)
O fórceps obstétrico leve foi projetado para se "moldar" ao redor da cabeça de um bebê
durante o parto com assistência de um fórceps. Se uma tração e/ou compressão muito altas
forem aplicadas, o fórceps foi projetado para sair da cabeça do bebê para impedir a ocorrência
de ferimentos. A análise desse fórceps deve combinar material não linear e geometria não
linear para considerar grandes deformações e material elástico não linear.

Figura 20

Grade do ventilador (Figura 21)


Essa peça requer uma análise de geometria não linear devido às tensões da membrana
que são produzidas durante o processo de deformação. Uma análise de material não linear
também pode ser necessária.

Figura 21

Anel de encaixe (Figura 22)


Uma análise de geometria não linear é necessária devido às grandes deformações. Esse anel
pode ser também candidato a análise de material não linear.

Figura 22

Documento técnico: Noções básicas sobre análise não linear 12


Compartimento para bagagens de companhias aéreas (Figura 23)
O compartimento para bagagens de companhias aéreas requer uma análise de geometria
não linear devido aos efeitos da membrana nos painéis Lexan® azuis. Além disso, a estrutura
requer uma análise de flambagem ou pós-flambagem.

Figura 23

Cadeira de escritório (Figura 24)


Nesse exemplo, grandes deformações da estrutura podem exigir uma análise de geometria
não linear. O assento e o seu encosto requerem geometria não linear e análise de material
não linear.

Figura 24

Chave Allen (Figura 25)


O contato entre a chave e o parafuso Allen precisa de uma análise de tensão de contato.

Figura 25

Documento técnico: Noções básicas sobre análise não linear 13


CONCLUSÃO
A natureza dos problemas de análise encontrados deve ser o padrão de medida pelo qual
se justifica uma decisão de adicionar recursos de análise não linear ao software de FEA do
engenheiro. Se os problemas de análise de projeto envolverem grandes deformações, efeitos
na membrana, material não linear, tensões de contato, flambagem, suportes não lineares ou
outras não linearidades, os recursos de análise não linear deverão ser adicionados ao software
de FEA interno destinado ao uso por engenheiros de projeto.
As últimas décadas condicionaram os engenheiros a usar a FEA como uma ferramenta de
projeto. Agora, o software de FEA, o hardware de computadores e a computação em nuvem
sofreram avanços suficientes para que a análise não linear possa ser facilmente adicionada às
suas caixas de ferramentas.

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