Você está na página 1de 8

Impresso por Ramodrigo, CPF 990.839.144-53 para uso pessoal e privado.

Este material pode ser protegido por direitos autorais e não


pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 15/06/2020 16:27:16

PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR (PCC)

ASPECTOS ANTROPOLÓGICOS E SOCIOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO

OBSERVAÇÃO E ANÁSILE SOCIOLÓGICA REFLEXIVA DAS


RELAÇÕES ENTRE A SOCIEDADE E O MEIO
AMBIENTE

BRUNA REIS DE ÁVILA MATRÍCULA: 202003383198


CÓDIGO DA DISCIPLINA: CEL0466 PROFESSOR: DAMIÃO SILVA

BRASÍLIA-DF
2020
Impresso por Ramodrigo, CPF 990.839.144-53 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não
pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 15/06/2020 16:27:16

OBJETIVOS
O presente trabalho tem por objetivo apresentar, através de um relatório indicador, a
associação entre cultura e educação ambiental e sua influência mútua, na região do
Distrito Federal.

INTRODUÇÃO
De acordo com a sociologia, a cultura se refere à soma de exteriorizações humanas,
e condutas de uma sociedade.

Considerando que toda sociedade carrega um composto único de valores morais e


éticos, a consideração e compreensão destas culturas se tornam indispensáveis. Sendo
assim entender as distinções culturais é também entender a ‘‘teia de significado’’ que
cada sociedade contém sobre certos aspectos da realidade, ou seja, a partir da cultura
podemos revelar como cada sociedade concebe o conceito de natureza, idealizando o
que ela significa e configurando o modo como cada o indivíduo irá se relacionar.

Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960, e embora a jovem cidade tenha tido
plano urbanístico, chamado plano piloto, sendo este completamente idealizado,
sofreu com os aspectos sociais, culturais e ambientais, devido a uma migração
demasiada de habitantes, causando assim um dos maiores índices de desigualdade
social do Brasil.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para a realização desse relatório foi realizada uma observação em 2 das 25 regiões
administrativas do Distrito Federal, sendo uma de alta renda e outra de baixa renda;
foram feitas anotações sobre vários aspectos de ambas as comunidades com o ambiente
inserido.
Foram utilizados como base teórica conteúdos via internet; dados da Companhia de
Planejamento do Distrito Federal (CODEPLAN); juntamente com obras literárias e as
anotações abordadas em todas as aulas sobre o tema.

DESENVOLVIMENTO
Durante a elaboração do projeto para a construção de Brasília, ocorreu uma enorme
preocupação e cuidado com a relação ao trinômio cidade-natureza-homem, para que nesta
cidade houvesse equilíbrio ambiental entre tais aspectos; com isso trouxe uma alta
qualidade de vida para seus habitantes, isto é evidente quando observamos que a relação
área verde por habitante é a maior do país.

Desde a sua construção até os dias atuais, há uma série de medidas adotadas para que
sejam mantidos os recursos naturais, resultando em unidades de conservação ambiental,
áreas protegidas e reservas ecológicas, além do parque nacional de Brasília.
Impresso por Ramodrigo, CPF 990.839.144-53 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não
pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 15/06/2020 16:27:16

Tendo o estereótipo de um lugar de grandes oportunidades e engajamento, Brasília, teve


migração excessiva, principalmente de habitantes de baixa renda, gerando grandes
‘‘subúrbios’’, com culturas mescladas e importadas de diferentes lugares do país, gerando
também uma enorme gama de diferenças sociais: escolhas religiosas, etnias, gerações, etc.

O plano urbanístico de Brasília se remetia ao plano piloto, e previa a criação de algumas


cidades-satélites para a acomodação da ‘‘população excedente’’, considerando que Brasília
propriamente dita foi planejada para receber somente 500 mil pessoas até o ano de 2000,
porém vários acampamentos irregulares no entorno foram se tornando cidades
permanentes, sem planejamento, infraestrutura adequada, e projetos educacionais. Essa
falta de planejamento juntamente com o desinteresse governamental traz como
consequência o inchaço dessas cidades próximas ao centro de Brasília, o que diminui o
nível sociocultural dessas regiões.

O Distrito Federal é uma das regiões brasileiras com maior desigualdade social, que está
expressa em classes sociais. As desigualdades sociais e econômicas são preocupantes em
vários aspectos como renda, vagas em escolas próximas à residência, saneamento básico, e
até na arborização das cidades.

As regiões administrativas do Lago Sul e Cidade Estrutural foram observadas por


representarem claramente esse contraste vivo:

LAGO SUL

A denominação Lago Sul originou-se da própria posição geográfica da área – margem


Sul do Lago Paranoá. Tendo sua área planejada juntamente com o projeto inicial da Capital
Federal, o Lago Sul é uma área nobre de Brasília.

Esta Região Administrativa ocupa uma área de 190,237 km², sendo que 57,07 km²
correspondem à malha urbana. Possui densidade demográfica de 147,76 hab./Km², e revela
potencial natural para obter e manter o mais alto Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH) do planeta, sendo de 0,945 (maior que o IDH da Noruega e da Suécia);
Impresso por Ramodrigo, CPF 990.839.144-53 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não
pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 15/06/2020 16:27:16

O Lago Sul também é zona de influência da área tombada do Distrito Federal, e a


UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura)
recomenda cuidar do entorno do Sítio Histórico como fazendo parte da área a ser
preservada, sem abrir mão da paisagem que envolve o Bem Patrimonial Tombado. Está
inserido em duas Áreas de Proteção Ambiental (APA): a APA Gama Cabeça de Veado e a
APA do Lago Paranoá, abrangendo parques ecológicos e unidades de conservação, sendo
eles:
· Parque Ecológico do Anfiteatro Natural do Lago Sul (QL 12/14);
· Parque Garça Branca (QL 16/18);
· Santuário Ecológico Canjerana (QI 23/25);
· Parque das Copaíbas (QL 26/28);
· Parque Bernardo Sayão (QI 27/29);
· Parque da Ermida Dom Bosco (QL 30);
· Parque Península Sul (QL 12);
· ARIE do Riacho Fundo (QL 02/04);
· ARIE do Bosque (QL 10);
· ARIE do Cerradão (SMDB 12);
· ARIE do Paranoá Sul;
· Estações Ecológicas do Jardim Botânico*
. Reserva Ecológica do IBGE*
. Fazenda Água Limpa da UnB*

* Compõem a Área Núcleo da Reserva da Biosfera do Cerrado (UNESCO).


* ARIE: Área de Relevante Interesse Ecológico.

A Região Administrativa do Lago Sul conta com 100% da população abastecida com
água potável; 55,76% atendida com esgoto sanitário; 100% têm acesso à energia
elétrica; 20% servida com a rede de águas pluviais; 84,64% possui rede de iluminação
pública; 90% das vias são asfaltadas, 67,40% dos domicílios estão perto de ruas
arborizadas, sendo 80% delas com meios-fios.

Disponibiliza coleta de lixo diária, exceto aos domingos, e coleta seletiva duas vezes
por semana. Possui lixeiras seletivas nas áreas comerciais, contando com frequentes
serviços de limpeza das vias públicas.
Impresso por Ramodrigo, CPF 990.839.144-53 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não
pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 15/06/2020 16:27:16

Segundo levantamentos da CODEPLAN (2019), referente população total do Lago


Sul, destaca-se o percentual do nível de escolaridade da população, 68,59%,
concentram-se na categoria dos que têm nível superior completo, incluindo
especialização, mestrado e doutorado, seguido pelo fundamental incompleto, 8,47%. Os
que possuem médio completo são 8,34%, sendo que 4,85% frequentaram a escola
pública. Dos alunos moradores do Lago Sul, 70,13% estudam na Região Administrativa
do Plano Piloto e 24,90%, na própria Região. As demais localidades de estudo são
pouco relevantes individualmente. Possui apenas uma instituição de ensino da rede
pública, e mais de 10 instituições de ensino do setor privado. O acesso digital é
ilimitado para 87,9% da população desta região.

A renda domiciliar média apurada foi da ordem de R$ 23.591,00, o que corresponde a


26,81 Salários Mínimos.

CIDADE ESTRUTURAL

A Cidade Estrutural compõe o Setor Complementar de Indústria e Abastecimento


(SCIA), está situado a 16 km do Plano piloto. A formação da Cidade Estrutural tem sua
origem em uma invasão de catadores de lixo, próximo ao antigo aterro sanitário do
Distrito Federal existente há décadas naquela localidade denominado ‘‘lixão da
Estrutural’’ que já foi considerado como o maior da América Latina. No começo
pessoas eram atraídas em busca de meios de sobrevivência e, nessa busca, foram ali
alinhando seus barracos para moradia.

Havia consenso técnico de que deveriam ser removidos, não somente pelos riscos de
contaminação advindos do aterro, como pela proximidade com o gasoduto da Petrobrás
que abastece o Setor de Inflamáveis e, também, pelos riscos ambientais ao Parque
Nacional de Brasília, limítrofe à área. Mesmo assim, até o final dos anos 1990,
sucessivas ações do Poder Legislativo estimulavam a permanência dos ocupantes
irregulares, o que criou um impasse no planejamento urbano do setor e acabou
fomentando sua ocupação irregular.
Impresso por Ramodrigo, CPF 990.839.144-53 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não
pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 15/06/2020 16:27:16

No início pouco menos de 100 domicílios encontravam-se fincados naquela região, e


em 2004 a conhecida invasão ampliou-se para mais tarde se transformar em Região
Administrativa XXV e a Vila Estrutural como sua sede urbana, hoje com população
estimada em 35.801 habitantes.

O lixo de Brasília foi acumulado durante quase 60 anos no lixão da estrutural. Após o
fechamento do aterro, em 2018, o desafio agora é impedir que os resíduos contaminem a
água que abastece a capital. Para dar início a este processo, o Governo do Distrito
Federal contratou uma consultoria para realizar o diagnóstico da contaminação
provocada pelo antigo lixão da Estrutural. Com a realização dos estudos, o Instituto
Brasília Ambiental, o IBRAM, irá iniciar a contratação de um projeto de recuperação do
antigo lixão, evitando, assim, a contaminação da bacia hidrográfica do Paranoá.

Atualmente a Cidade Estrutural é uma região administrativa urbana que ainda não está
consolidada, em razão da forma como surgiu, e por isso as dificuldades fundiárias a
serem equacionadas. Os serviços de infraestrutura urbana atualmente melhoraram, o
tipo de residência predominante na região é a casa em alvenaria, sendo que apenas
menos de 1/5 encontra-se em terreno regularizado.

Dados da CODEPLAN (2019) indicam sobre o abastecimento de água: 86,2% dos


domicílios tinham acesso à rede geral da Companhia de Saneamento Ambiental do
Distrito Federal (CAESB); 5,5% tinham poço/cisterna; 8,1% tinham poço artesiano; e
20,3% declararam fazer captação de água da chuva. No que diz respeito ao esgotamento
sanitário, verificou-se que: 62,9% dos domicílios estavam ligados à rede geral da
CAESB; 24,9% declararam ter fossa séptica; 19% tinham fossa rudimentar; e o
esgotamento a céu aberto estava presente em 4,9% dos domicílios. Os moradores
disponibilizam de 3 coletas de lixo semanais, exceto domingos, e não possui coleta
seletiva de lixo. Possui poucas lixeiras públicas, e pavimentação limitada.
Impresso por Ramodrigo, CPF 990.839.144-53 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não
pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 15/06/2020 16:27:16

Quanto à escolaridade da população total da Cidade Estrutural, a maior participação


concentra-se na categoria dos que não concluírem o ensino fundamental senda 38,9%. A
região administrativa possui apenas 3 instituições de ensino de nível básico. O acesso
digital alcança apenas 32% da população.

Uma questão relevante sobre o mercado de trabalho diz respeito à parcela da


população que não estuda, nem trabalha, os chamados “nem-nem”. Para a população
entre 18 e 29 anos, 36,1% se encontravam nesta situação, e empregados com carteira de
trabalho assinada não chegam a cinquenta por cento dos ocupados e os por conta própria
(autônomos).

A renda domiciliar estimada foi de R$ 1.728,2, que resulta em um valor médio por
pessoa de R$ 570,3.

RESULTADOS
Perante o empossamento desigual do solo urbano, os grupos sociais mais carentes
passam a habitar em zonas de pouco valor comercial, o que resulta na já presente
desigualdade social, e dessa forma, os grupos de maior vulnerabilidade social, são
forçados a invadir, involuntariamente e leigamente, áreas de preservação que, muitas
vezes, já são ou tornam-se áreas de risco ambiental.

Nessa lógica, a capital do Brasil vive um dos maiores cenários de injustiça econômica,
social e cultural do país, inclusive, salientando uma sobreposição das classes
dominantes sobre as classes dominadas, enquadrando a visão de Karl Marx sobre
hegemonia cultural. As desigualdades educacionais estão diretamente relacionadas a
outros tipos de desigualdades, visto que o ensino transmitido aos mais desfavorecidos
tem por objetivo prepará-los para o trabalho industrial, enquanto o ensino oferecido à
classe dominante tem o intuito qualificá-los para o Ensino Superior e para a ocupação
de cargos burocráticos e administrativos, os preparando com modos ecologicamente
corretos de se relacionar com o meio ambiente, e os instruindo com aspectos morais
para o bom convívio em sociedade.

Anísio Teixeira, intelectual e pesquisador da educação nacional, afirmava que


educação não é privilégio e que a escola pública, teria que ser concebida não como
"instrumento de benevolência de uma classe dominante, por generosidade ou temor,
mas como um direito do povo". Uma mudança significativa para transformar esse
quadro de desigualdade cultural, deveria ser iniciada através do investimento público
em um amplo programa de educação básica, e mais igualitária.
Impresso por Ramodrigo, CPF 990.839.144-53 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não
pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 15/06/2020 16:27:16

CONCLUSÃO
Os contrastes sociais na região do Distrito Federal revelam que, a cidade projetada não
é exatamente a “ilha da fantasia”.

De um lado a vida confortável nas casas e apartamentos luxuosos dos bairros nobres da
cidade. De outro, a pobreza, a vida difícil de quem precisa sobreviver na miséria, muitas
vezes, sem condições básicas de higiene, sem acesso à educação, à cultura, ao lazer. É a
desigualdade cada vez mais presente na sociedade brasiliense.

Não há dúvidas de que as condições sociais e educacionais, à que um indivíduo está


inserido, influenciam mutuamente em suas relações culturais, refletindo assim no modo
e na qualidade com que concebe o meio ambiente que vive.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
BALIEIRO, Fernando F. Aspectos antropológicos e sociológicos da educação. 1.
Ed. Rio de Janeiro: SESES, 2014.

CODEPLAN, PDAD 2015/2016: Lago Sul. Brasília, 2016.

CODEPLAN, PDAD 2018: SCIA- Estrutural. Brasília, 2019.

DISTRITO FEDERAL (BRASIL): Ecologia e fauna. Disponível


em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Distrito_Federal_(Brasil)#Ecologia_e_fauna >.Aces
so em: 21 maio 2020.

MADEIROS, Heleriany; GRIGIO, Alfredo; PESSOA, Zoraide. Desigualdades e


justiça ambiental: um desafio na construção de uma cidade resiliente. Disponível
em: <http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2182-
12672018000100012>. Acesso em: 22 maio 2020.

MATTOS, R.; DA-SILVA-ROSA, T. Reestruturação econômica e segregação


sócioespacial: uma análise da Região da Grande Terra Vermelha. 1 Ed. Espirito
Santos 2011.. Disponível em:< file:///C:/Users/Usuario/Downloads/1629-Texto%20do
%20artigo-2589-1-10-20110914%20(5).pdf>. Acesso em: 22 maio 2020.

SLU-DF, Dias e Horários das Coletas, Disponível em:


<http://www.slu.df.gov.br/dias-e-horarios-das-coletas/>. Acesso em 21 maio 2020.