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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL REI

Laboratório de Engenharia Química II:

Leito Fixo e Leito Fluidizado

Relatório realizado sob a orientação do


Professor Henrique Tadeu Castro
Cardias. Apresentado à disciplina
Laboratório de Engenharia Química II
do curso de Engenharia Química da
Universidade Federal de São João Del-
Rei.

Adriana de Castro Lopes 104500055


Ana Cristina Garcia S. A. Costa 104500020
Izabella Rezende Cury 104500015
Juliana Leal Henriques 104500025
Maria Alexandra Pires Cruz 104500051

Ouro Branco

2015

SUMÁRIO
1. RESULTADOS E DISCUSSÃO.............................................................................3
2. CONCLUSÕES........................................................................................................8
3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................9
4. ANEXO DE CÁLCULO..........................................................................................9

1. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O processo de fluidização consiste na passagem de um fluido com baixa
velocidade através de uma coluna/leito de partículas sólidas. A queda de pressão neste

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leito segue a equação Ergun, e a velocidade do fluido determina se o leito será fixo ou
fluidizado (MCCABE).
Durante o experimento, a vazão do sistema foi alterada 10 vezes para que a
perda de carga no leito e a altura do leito fossem medidas para cada um dos valores das
vazões mássicas utilizadas. Os dados experimentais necessários para os cálculos são
mostrados na Tabela 1, e os resultados, utilizando a Equação 1, encontram-se no Anexo
1.
∆ P=( ρCC l −ρ H O ) g ∆ H CC l + ρ H O g H sonda
4 2 4 2
(1)
Tabela 1: Dados experimentais dos valores de altura do leito, vazão mássica e diferença de
pressão no manômetro contendo CCl4 para 10 medições.
Altura do leito, L (m) Vazão mássica (Kg/s) ΔHCCl4 (m)
0,103 0,013 0,017
0,100 0,028 0,055
0,100 0,030 0,065
0.098 0,039 0,106
0.098 0,045 0,148
0.110 0,065 0,177
0.120 0,076 0,178
0.134 0,094 0,184
0.150 0,115 0,189
0.200 0,171 0,199

A partir dos dados da Tabela 1, foram construídas as seguintes curvas: Perda de


carga versus Velocidade superficial, Altura do Leito versus Velocidade superficial e
log(Perda de carga) versus log(Velocidade superficial), mostrados na Figura 1.

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Figura 1: Curvas que relacionam a velocidade superficial a perda de carga e a altura do leito.

Pela Figura 1, observa-se inicialmente um aumento da perda de carga com o


aumento da velocidade superficial. Nessa faixa de velocidade (até aproximadamente
0,0558 m/s), o leito é fixo uma vez que as partículas não se movem na coluna, sendo a
altura fixa. A partir de uma certa velocidade superficial (aproximadamente 0,0558 m/s),
a queda de pressão através do leito contrabalanceia a força de gravidade nas partículas.
Consequentemente, o aumento gradual da velocidade provoca a movimentação das
partículas. Uma vez fluidizadas, observou-se que o aumento da velocidade acarretou no
aumento da altura do leito. No entanto, a queda de pressão permaneceu constante. Tais
observações estão condizentes com a literatura (MCCABE).
Visualmente, foi possível determinar que a mínima fluidização do leito ocorreu a
uma velocidade superficial de aproximadamente 0,0558 m/s. A partir desta velocidade,
verificou-se que a perda de carga se manteve constante em aproximadamente 3961,8 Pa.
Neste ponto do experimento, as esferas já não estavam mais em contato. Pelo ponto

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anterior, verificou-se que a altura mínima de fluidização foi de aproximadamente 0,11
m.
Os valores encontrados graficamente apresentados acima foram comparados
com valores teóricos. As correlações utilizadas foram balanço de pressão; Ergun;
Pavlov, Romankov e Noscov; e Wen e Yu. Através dessas correlações foram valores
teóricos de queda de pressão(x) e (x), velocidade mínima de fluidização (x) e (x),
porosidade mínima de fluidização (x) e altura mínima de fluidização (x). A partir dos
valores de velocidade mínima de fluidização, foi possível determinar o tipo de
fluidização e classificá-la como particulada ou agregativa.
Os valores podem ser vistos na Tabela 2. As equações utilizadas, assim como
os cálculos realizados podem ser vistos na memória de cálculo, no anexo 1.

Os parâmetros utilizados para o cálculo das correlações foram ρ f =997,05 kg /m 3 que é a

densidade do fluido (água),ρ s=2400 kg /m3 que é a densidade da esfera de vidro de


acordo com a literatura (PERRY), u0 é a velocidade de entrada do fluido no leito, L é a
altura do leito, Dp = 0,00451 m é o diâmetro médio das partículas, Ф é a esfericidade
das partículas (nesse caso, as partículas serão consideradas perfeitamente esféricas,
Ф=1), ε é a porosidade do leito e μf =8,903.10−4 (Pa . s) é a viscosidade dinâmica do
fluido.

Tabela 2. Valores experimentais e valores calculados com as correlações de


velocidade, pressão, porosidade e altura mínimos de fluidização e o fator de Froud
respectivamente.
Valor
Grandeza Correlação Valor teórico Desvio (%)
Experimental
Pavlov, Romankiv e
umf (m/s) 0,0393 41,98
0,0558 Noscov
Wen e Yu 0,044 26,81
3961,793 Balanço de forças 975,48 306,14

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∆ Pmf (Pa) Equação de Ergun 2282,08 73,60
Pavlov, Romankiv e
ε mf 0,355 0,389 8,74
Noscov
Pavlov, Romankiv e
Lmf (m) 0,110 0,113 2,65
Noscov
Pavlov, Romankiv e
Fr mf 0,035 100,00
0,070 Noscov
Wen e Yu 0,044 59,00

2. CONCLUSÕES

3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FOUST, A. S.; WENZEL, L. A.; CLUMP, C. W.; MAUS, L.; ANDERSEN, L. B.
Princípios das Operações Unitárias. 2. ed. LTC, Rio de Janeiro, 1982.

MCCABE, W.; SMITH, J.; HARRIOT, P. Unit Operations of Chemical Engineering.


McGraw-Hill, 2000.

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4. ANEXO DE CÁLCULO
Tabele de dados experimentais

Cálculo da altura manométrica (hCCl ) 4

hCCl =H 2−H 1 (7)


4

hCCl =0,195 m−0,113 cm=0,062m


4

Cálculo da perda de carga do leito (ΔP)


∆ P=(h CCl ∙ ( γ CCl −γ H O ) +γ H O ∙ L)∙ g (6)
4 4 2 2

∆ P=( 0,062 m∙ ( 1549 kgf ∙ m−3 −996,25 kgf ∙ m−3) + 996,25 kgf ∙m−3 ∙ 0,275 m ) ∙ 9,81 m∙ s−2=3024 Pa

Cálculo da velocidade superficial (u) pela equação do fluxo mássico

ṁ=ρAu


u=

m
∆t
u= (4)
π D2
ρ
4

0,238 kg
10 s m
u= =0,016
π ∙(0,044 m)2
kg s
∙ 997,048 3
4 m

Cálculo da porosidade mínima experimental

Lo
ε mf =1− (5)
Lmf

Sendo a altura do leito sem vazio (L0)

m
Lo = (5.1)
A ∙ ρs

7
0,150 kg
Lo = =0,041m
0,001521 m 2 ∙ 2430 kg ∙ m−3

Substituindo Lo em (5), 0btem-se a porosidade mínima experimental

0,041 m
ε mf =1− =0,428
0,071 m

Cálculo da velocidade mínima fluidização pela correlação de Pavlov, Romankov e


Noscov

ℜmf ∙ μH 2 O
umf = (1)
∅ ∙ D p ∙ ρ H 2O

Para o cálculo da velocidade, Calcula-se do Reynolds, mas este depende do número


de Arquimedes.

Ar
ℜmf = (2)
1400+522 √ Ar

Cálculo do número de Arquimedes

Ar=Ga∙ M v (3)

Sendo,

ρs −ρ 2430 kg ∙m −3 −997,048 kg ∙ m−3


M v= = =1,437
ρ 997,048 kg ∙ m−3

D 3p ∙ ρ2 ∙ g
Ga= =¿ ¿
μ2

Substituindo os valores em (3)

Ar=3,324 ∙ 105 ∙ 1,437=4,777 ∙10 5

Substituindo o número de Arquimedes em (2), obtém-se,

4,777 ∙10 5
ℜmj= =95,397
1400+522 √ 4,777 ∙ 105

Substituindo os valores em (1)

95,397∙ 0,00089 Pa∙ s


umj = −3
=0,028 m ∙ s−1
1 ∙0,003 m ∙ 997,048 kg ∙m

8
Cálculo da porosidade de mínima fluidização(εmf) pela correlação de Pavlov,
Romankov e Noskov
0,21
18 ℜm f +0,36 ℜ2mf
ε mf = ( Ar ) (12)

Substituindo os valores
0,21
18 ∙ 95,397+0,36 ∙ 95,3972
ε mf = ( 4,777 ∙ 105 ) =0,384

Cálculo da altura da mínima fluidização (Lmf)

1−ε
Lmf =L ( 1−ε ) (9)
mf

Considerando, L=Lo =altura em que o volume de sólidos ocuparia se ε=0, logo o


cálculo do leito sem vazios é

ms 0,150 kg
Lo = = =0,041m (9.1)
A ∙ ρs 0,001521 m2 ∙ 2430 kg ∙ m−3

Substituindo valores em (9)

1−0
Lmf =0,041 ( 1−0,384 )=0,066 m
Cálculo da perda de carga da mínima fluidização por balanço de forças(ΔPmf)

∆ Pmf =Lmf ( 1−ε mf ) ∙(ρ s−ρ)∙ g (10)

∆ Pmf =0,066 m (1−0,384 ) ∙ ( 2430 kg ∙ m−3−997,048 kg ∙ m−3 ) ∙ 9,81m ∙ s−2

∆ Pmf =571,512 Pa

Cálculo da perda de carga mínima por Ergun

150 ( 1−ε mf )2 μ ∙u mf 1,75 ∙(1−ε mf )∙ ρ ∙u2mf


∆ Pmf =Lmf ∙
[ ε 3mf
∙ 2 2+
∅ ∙ Dp ε 3mf ∙ ∅ ∙ D p
(8)
]
150 ( 1−0,384 )2 0,00089 Pa∙ s−1 ∙ 0,028 m∙ s−1 1,75∙ ( 1−0,384 ) ∙997,048 kg ∙ m−3 ∙(0,02
∆ Pmf =0,066 m
[ 0,3843

12 ∙0,003❑2
+
0,384 3 ∙ 1 ∙0,003 m

∆ Pmf =511,101 Pa

9
Cálculo do tipo de fluidização

u2mf
Fr = (11)
D p∙ g
mf

(0,028 m∙ s−1)2
Fr = =0,027
mf
0,003 m∙ 9,81m ∙ s−2

Cálculo do desvio

|X corr .− X exp .|
desvio %= ∙ 100 % (13)
X exp.

Substituindo os valores de velocidade de mínima fluidização em (13)

|0,028−0,024|
desvio %= ∙100 %=16,67 %
0,024

Pode-se obter um valor mais preciso para a perda de carga na mínima


fluidização. Para tal, calcula-se primeiramente a porosidade mínima. A porosidade
mínima de fluidização do leito é dada pela Equação 2.
V Total −V Esferas (2)
ε mín=
V total

Onde ε mín é a porosidade mínima de fluidização, V esferas =8,3.10−5 m3 é o volume das

esferas no leito e V Total =1,205.10−4 m3 é o volume total da leito. Dessa forma, tem-se que
ε mín=0,311.

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