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Um Diálogo entre um Cristão


Ortodoxo e um Behaviorista
Radical
A dialogue between an orthodox
christian and a radical behaviorist

Tyffanne Serra Paraná


Rodrigues & Alexandre
Dittrich

Universidade
Federal do Paraná
Artigo

PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO, 2007, 27 (3), 522-537


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PSICOLOGIA CIÊNCIA E
PROFISSÃO, 2007, 27 (3), 522 - 537

Resumo:Este artigo discute a religião através de um diálogo entre dois


sujeitos fictícios: Tommaso, um behaviorista radical e defensor da idéia
skinneriana de que a religião não se diferencia de outras formas de
controle, e Gottlieb, um cristão ortodoxo e entusiasta da religiosidade.
As posições de Tommaso baseiam-se em uma ampla revisão sobre a
“Este há de ser o
religião na literatura behaviorista radical, que incluem todos os livros de fruto de todas as
B. F. Skinner; por sua vez, textos favoráveis à religiosidade, ainda que ciências:
nem todos mencionem teorias psicológicas, têm Gottlieb como seu porta- que por meio
delas se edifique a
voz. Além de se constituir em uma análise conceitual abrangente no fé.”
interior da literatura behaviorista/skinneriana, este trabalho, favorecendo-
se do método dialógico de exposição e, assim, recriando discussões São Boaventura
(1218 - 1274)
dialéticas nas quais Gottlieb representa o interlocutor oculto nos textos
behavioristas, que poderia apresentar argumentos semelhantes aos por “A fé religiosa
ele suscitados, promove novas e distintas reflexões sobre a religiosidade torna-se
irrelevante quando
e contribui, portanto, para maior elucidação do tema em questão. os temores de que
Palavras-chave: religião, behaviorismo radical, Skinner, cristianismo se
ortodoxo. alimenta são
mitigados, e as
esperanças
Abstract: This article discusses religion by means of a dialogue between realizadas - cá na
two fictitious characters: Tommaso, a radical behaviorist and defender of Terra.”
the skinnerian idea that religion is such a control agency as any other, and Burrhus Frederic
Gottlieb, an orthodox christian and a religiosity enthusiast. Tommaso’s Skinner
positions are based on an extensive revision about religion in the radical (1904 - 1990)
behaviorist literature, including all B. F. Skinner’s books; in turn, texts
favorable to religiosity, even if not all of them mention psychological
theories, have Gottlieb as their spokesman. Besides being made of a
comprehensive conceptual analysis of the behaviorist/skinnerian literature,
this work - taking advantage of the dialogical method of exposition and,
therefore, recreating dialectical discussions where Gottlieb is the occult
interlocutor in the behaviorist texts which could show arguments similar
to the ones raised by him - promotes new and distinct reflections about
religion, contributing, this way, to a better elucidation of the present
subject.
Key words: religion, radical behaviorism, Skinner, orthodox christianity.
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Um Diálogo entre um Cristão Ortodoxo e um Behaviorista Radical

Em toda a história da humanidade, não há de que a religião não se diferencia de outras


um momento sequer, na linha do tempo, em formas de controle presentes na sociedade, e
que se afirme que o homem tenha Gottlieb, um cristão ortodoxo, ferrenho
experimentado uma fase plena de descrença defensor da religiosidade humana e da
em Deus ou em quaisquer forças consideradas existência de Deus.
de ordem superior, absoluta e criadora de todo
o universo. Pelo contrário, se há dúvida acerca A escolha do diálogo como método de
dessa assertiva, diversos períodos da História, exposição do assunto fez-se pelo fato de se
sejam eles de guerra ou de paz, confirmam a recriar a discussão dialética originalmente
presença da religiosidade dos povos: um presente nos textos de Skinner, nos quais
exemplo diacrônico é a relevância de textos Gottlieb representa o interlocutor oculto – o
sagrados na origem de conflitos diversos - leitor que, ao se confrontar pela primeira vez
Em toda a história com as idéias de Skinner a respeito da religião,
da humanidade, obviamente, muito mais pelos abusos
poderia levantar questões bastante parecidas
não há um cometidos na interpretação semântica textual,
momento sequer, com as levantadas por Gottlieb.
que convenientemente é agregada aos
na linha do tempo,
em que se afirme discursos dos interessados, do que pelo ardor
A preferência pela forma dialógica implica
que o homem religioso.
tenha diretamente a opção pela não apresentação
experimentado Entretanto, é possível inferir que a ação e o de uma seção dedicada às conclusões. Tal
uma fase plena de escolha faz-se acompanhar de dois motivos
descrença em pensamento humanos foram profundamente
Deus ou em modificados desde os tempos primordiais, ao que expõem a redundância da presença de
quaisquer forças agregar as qualidades de articulação e conclusões ao final do trabalho: o primeiro
consideradas de deles refere-se ao fato de que, diferentemente
ordem superior, racionalidade. Poder-se-ia imaginar, portanto,
de um texto não dialogado, em que se faz
absoluta e que tais modificações predisporiam a
criadora de todo o pertinente a reunião dos principais tópicos
humanidade ao investimento cada vez maior
universo. desenvolvidos para uma reflexão final sobre
no raciocínio lógico e na ciência e à revisão
eles, o presente trabalho traz as conclusões
de sua ligação com as práticas místicas, o que
implícitas no diálogo que o compõe, ao passo
as relegaria ao passado em definitivo. Mas, se
que cada fala traz as inferências dos
ainda, nos dias de hoje, a religiosidade não
participantes fundadas em suas diversas
sucumbiu à primazia da razão, é de se pensar,
premissas; o segundo motivo, e de maior
portanto, que deve haver motivos para uma
preeminência, é a inevitável redução que as
ligação de tão longa data.
visões dos dois personagens teriam de sofrer
A religiosidade, ainda que subsistindo ao longo para se conformarem aos parágrafos
da História, não deixou de ser contestada por conclusivos, o que invalidaria o uso das
alguns céticos, que não se conformaram com conversações que, entre outros intentos,
as respostas dogmáticas para os mistérios da objetivou conferir liberdade aos dois
vida natural e resolveram discutir o que parecia personagens para que manifestassem seus
indiscutível para o senso comum. Este argumentos em defesa de suas posições.
trabalho dá atenção a um desses homens que
resolveram refletir sobre a religiosidade e Este trabalho tem, portanto, como objetivos:
contestá-la: Burrhus Frederic Skinner. entender a visão do behaviorismo radical sobre
a religião, expondo-a a partir das intervenções
Assim, a partir de um diálogo, este trabalho de Tommaso, salientando seus aspectos
discute a religião através das visões distintas primordiais e contrapondo-as às intervenções
apresentadas por dois sujeitos fictícios: de Gottlieb, e discutir os motivos pelos quais
Tommaso, defensor do behaviorismo radical o homem se apega à religião - ainda que não
e que, portanto, compartilha a visão de Skinner seja um dos objetivos deste trabalho dar ênfase
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à visão de mundo religiosa - tanto a partir da motivo pelo qual o homem se submete à
ótica de um cristão ortodoxo como a partir da religião e acerca da beatitude e das vicissitudes
ótica de um behaviorista radical. inerentes a essa submissão:

Tais objetivos justificam-se pelo fato de que GOTTLIEB: Quando entro em templos e vejo os
entender o porquê da existência da fiéis rezando incessantemente, ou quando vejo
religiosidade auxilia a entender o próprio uma catástrofe e os sobreviventes agradecerem
homem. Religião e homem não podem ser aos céus por estarem vivos, mesmo após terem
entendidos separadamente, pois a presenciado seus parentes morrerem de forma
religiosidade acompanha a evolução cultural brutal e suas casas destroçadas, eu me
humana, inclusive todas as suas idiossincrasias. pergunto: ‘Quais as misteriosas contingências
Homem e religião, portanto, estabelecem presentes nesses momentos? O que reforça
entre si uma relação de reciprocidade: a religião o ato de rezar e de crer em Deus em
incita o homem a se comportar de uma momentos em que nada mais importa, nem
determinada maneira e o homem, por sua vez, mesmo o reforço final de ir para o Paraíso?’
molda a religião conforme suas características Somente o entendimento de que a religião é
na forma de ser e agir. absoluta e de que o amor a Deus preexiste ao
homem traz luz para esses casos excepcionais
Estudar a forma como uma religião se constitui, de fé que sua restrita visão não consegue mais
os laços que ela estabelece com outras áreas explicar.
da vida humana - sociopolíticas, por exemplo
- é tarefa muito mais da Antropologia do que T OMMASO: Se compreendermos a religião
da Psicologia. A Psicologia quer entender imprecisamente, sem darmos a devida atenção
porque o homem se comporta de certa forma, ao que acontece em cada um desses atos de
e não de outra qualquer. Para esse fim, ‘rezar’ e de ‘agradecer’, tendemos a explicá-
portanto, minuciosas descrições das religiões la, seja por limitação intelectual ou comodidade,
do mundo, além de constituírem um trabalho seja pela presença do amor divino absoluto e
extremamente árduo em razão das inúmeras preexistente a todas as coisas. Mas partamos
versões que as crenças religiosas podem para o que você mencionou primeiramente:
assumir, tornam-se redundantes, apesar de ‘fiéis rezando incessantemente’. Rezar é um
bastante ilustrativas. comportamento e, como tal, não posso
concebê-lo sem tentar explicar as razões de
Se o objetivo é entender a essência da religião,
suas origens. Se pudéssemos observar a história
o porquê no lugar do como, somente um
de vida de cada um desses fiéis, entenderíamos
estudo aprofundado sobre o homem, enquanto
que, ao longo de suas vidas, o comportamento
ser atuante e criador dos sistemas religiosos,
de rezar foi aprendido. De alguma forma, o
é que poderá trazer alguma clareza para esse
comportamento de rezar foi seguido por
entendimento.
reforçadores consistentes o bastante para
mantê-lo por muitos anos. Esse reforçamento
O diálogo já explica, em parte, as ‘misteriosas
contingências’ a que você se refere, mesmo
Tommaso, um behaviorista radical que não que tais contingências pareçam inexistentes nas
aceita o argumento de que o homem é um situações observadas nos templos. Você diz que
ser religioso em sua essência sem tê-lo minha visão é restrita, mas perceba quão mais
aprendido, e Gottlieb, um cristão ortodoxo fácil seria se apelássemos para a fé e quantos
que baseia sua visão de mundo a partir das esforços pouparia se nos resignássemos com
premissas cristãs, conversam a respeito do a justificativa de que a crença em Deus, por si
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Um Diálogo entre um Cristão Ortodoxo e um Behaviorista Radical

só, reforça comportamentos! Posso, no costume idiossincrático de vocês, céticos, a


entanto, dizer-lhe que, da mesma forma que manutenção de uma visão unilateral da Igreja!
o ‘rezar’ foi aprendido, a fé em Deus, que Como se, diante de uma belíssima iconostase
você utiliza para explicá-lo, também foi de Hagia Sophia, vocês fixassem seus olhares
aprendida, o que somente acrescenta, em em um pequeno ícone cuja pintura remetesse
nosso rol de comportamentos, mais um que às chamas infernais, como se filtrassem, ante
foi aprendido (Sidman, 1989) e que também às incontáveis experiências de beleza e
merece as devidas explicações acerca de suas regozijo que um fiel experimenta em seu
origens. Mas limitemo-nos, primeiramente, ao caminho de devoção, apenas o sofrimento
comportamento de rezar. Eu havia dito que, provocado pela punição ao pecado e pela
de alguma maneira, tal comportamento foi rigidez das regras e do autocontrole.
seguido por reforçadores que conseguiram a
façanha de manter tal hábito presente por TOMMASO: Não posso deixar de notar o tipo de
muitos anos na vida desses fiéis fervorosos. controle exercido pelas Igrejas. É um controle
Provavelmente, se o comportamento de rezar, que envolve punição e reforçamento negativo
quando emitido pela primeira vez, fosse com muito mais freqüência que o
apenas seguido de um reforço verbal como reforçamento positivo; portanto, são agências
um elogio ou qualquer outro sinal de nas quais a coerção predomina. Era de se
aprovação, o ‘rezar’ não se sustentaria por esperar, contudo, que as religiões organizadas
muitos anos, mesmo que a conseqüência não se fizessem valer de coerção, pois todas
desse reforçamento tivesse sido a repetição se designam fomentadoras da bondade e do
do ‘rezar’. O que está implicado aqui não é a amor, mas o que vemos, na prática, é a
legitimidade do reforçamento, mas sua utilização das mais variadas regras restritivas e
consistência, então deve haver algo além dos de ameaças de perpetuação do sofrimento
reforçadores sociais que garanta a repetição após a morte, entre outras formas de coerção
do ‘rezar’ por muitos anos, mesmo que tais (Sidman, 1989).
reforçamentos estejam ausentes. E nossa
resposta pode estar nas instituições religiosas. GOTTLIEB : Percebo, em seu discurso, uma
Estas não se limitam à modelagem por generalização, de forma que todo aquele
contingências, mas utilizam regras para garantir possuidor da fé e que reza está
que certos comportamentos sejam repetidos necessariamente vinculado a uma instituição
ao longo dos anos pelos fiéis que as religiosa. Existem, entretanto, aqueles que se
freqüentam e para evitar que comportamentos dizem ‘espiritualizados’. De fato, apesar de
inadequados sejam adquiridos. Portanto, nem não aprová-los, percebo que mantêm alguma
só de promessas vivem as Igrejas, mas relação com Deus e que se habituam a orar;
também de ameaças e, em conseqüência, do de vez em quando, mesmo os infiéis e
medo dos fiéis, que os impele ao hipócritas rendem-se ao agradecimento aos
cumprimento das regras. O medo dos fiéis Céus pelo ganho de qualquer sorte de coisas
poderia assim ser traduzido: ‘se eu fizer algo mundanas. Como explicar tais ações, que não
que a Igreja me impede de fazer, um terrível são subjugadas por leis religiosas?
infortúnio me sucederá; então, é mais
vantajoso que eu antes não o faça, - prefiro TOMMASO: Perceba que, se listássemos todos
obedecê-la’. os comportamentos relacionados
especificamente com a religiosidade,
GOTTLIEB: Mas será a Igreja realmente dessa obteríamos um sem-número de ações
forma como você descreve, sempre coercitiva chamadas ‘simbólicas’ e comportamentos
em sua essência? Ora, parece-me um verbais, e todos eles - repetir textos sagrados,
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juntar as palmas das mãos, erguendo-as extraordinário, fosse ele considerado produto
próximas ao rosto e ornamentar-se de cruzes e de ‘uma criação subjetiva ou de uma realidade
outros artefatos - não são necessariamente independente do sujeito’ (Dittrich, 2005, p.
aprendidos em uma instituição religiosa. Como 22), não me preocuparia em descobrir se tal
todos esses simples comportamentos, a crença fato é ou não verdadeiro, apenas teria a certeza
em Deus também não é necessariamente de que eu teria de compreender esse milagre
governada por leis e aprendida em instituições, a partir de leis científicas. Assim,
mas é obrigatoriamente modelada por provavelmente, eu não me dedicaria em
contingências. A diferença reside na eficácia confirmar a verossimilhança do fato, nem me
das leis, que, aliás, foi rapidamente percebida contentaria com as primeiras afirmações de
pelas Igrejas: para que o número de fiéis não crentes extasiados a respeito das possíveis
diminuísse à medida que os sacrifícios exigidos causas desse milagre. Antes faria uma
aumentavam em número e em dificuldade, as descrição das contingências de reforço
Igrejas adotaram leis que traziam conseqüências envolvidas e tentaria entender o que está por
penosas aos desobedientes. O prazer imediato trás dessas superficiais relações causais.
proporcionado pela quebra de um dos Atenhamo-nos, portanto, ao que você se
mandamentos não compensava conseqüências referiu como sendo as qualidades das práticas
tão terríveis. Entretanto, há pessoas que se religiosas. Primeiramente, você fala que as
dizem crentes em Deus, mas que não estão práticas religiosas têm uma legitimidade. Devo
vinculadas a alguma instituição religiosa e não concordar que, de fato, elas possuem sua
vivem sob a ameaça direta das leis religiosas, autenticidade, isto é, as pessoas genuinamente
embora estejam constantemente observando as praticam. Agora, se você usa a palavra
outras pessoas emitirem comportamentos ‘legitimidade’ com o sentido de conformidade
supersticiosos, ou ainda que aprenderam, no às leis, você não poderia ter se servido de
ambiente familiar, apenas alguns resquícios das palavra melhor! As religiões organizadas
leis religiosas mais rigorosas e limitam-se ao regulamentaram o que outrora se tratava de
cumprimento desses resquícios, tendo sido contingências, criando seus próprios códigos
reforçados em seguida por seus familiares, e penais: condicionaram estímulos aversivos
punidos quando os desobedeceram. Então, é comuns, como as conseqüências de beber e
possível perceber que há o controle das Igrejas, comer em demasia, e qualificaram os
ainda que de forma sutil e indireta, nesses comportamentos que os produzem de pecados
sujeitos que você chama de ‘espiritualizados’. (Skinner, 1971/1974), equivalentes a crimes
hediondos, que não podem ser cometidos sem
GOTTLIEB: Você é um verdadeiro realista, que haja uma conseqüência em seguida, uma
Tommaso; como um incrédulo, prefere antes punição severa. Também condicionaram
duvidar de seus sentidos a admitir um milagre estímulos neutros, o que gerou uma profusão
1
dos Céus . Não esperaria de você atitude de regras religiosas que não têm sua origem
diferente em relação a outros fenômenos em contingências naturais, como é o caso do
menos espetaculares, como simples atos de quarto mandamento divino, que exige a
fé de religiosos. Mas sua tentativa de conceber reserva de um dia da semana para ser
a religião a partir de uma análise santificado e que não era uma regra essencial
1 Alusão à descrição feita
comportamental não retira a legitimidade e para a preservação dos membros dos grupos por Dostoiévski, em Os
irmãos Karamazov, do
muito menos os significados que existem que viviam ainda sem o rigor das leis religiosas. personagem Aliócha, cuja
contíguos às práticas religiosas. Posteriormente, você fala em ‘significados’, característica atribuída
pelo autor é a de ser um
ou seja, você me diz que uma análise realista e que, como tal,
admite o milagre
TOMMASO: Não sei se me consideraria um comportamental não retira aquilo que a prática somente após ter
realista. Se eu presenciasse um fato religiosa quer dizer. Mas o que ela quer dizer? adquirido a fé.
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Quer dizer um sentimento religioso que age fiéis e freqüentam as igrejas com regularidade,
ali? Se minha tradução estiver correta, posso, mas preferem as orações repetitivas ao
então, concordar com você que o sentimento verdadeiro espírito de oração incessante, que
religioso pode existir dos mais complicados é o desejo de estar a serviço de Deus em
aos mais simples atos de fé, mas nem por todos os afazeres do dia a dia, e prestam-se a
isso esse sentimento explica, isoladamente, solenidades sem, no entanto, terem a mínima
a gênese de tais atos. Assim como as pessoas noção de seu sentido (Kant, 1793/1992). Isso
não nasceram com uma aptidão para atender porque esses homens, nos quais imperam
a conselhos ou com a virtude da obediência, quaisquer sentimentos que não a fé, repetem
não é inata a subserviência ao mandamento o seu erro de confundir os mandamentos
de amor a Deus (Skinner, 1974). Aliás, se divinos com a legislação do Estado, se proíbem
assim fosse, qual seria a precisão desse o que a lei diz ser proibido e fazem-no, muitas
mandamento? A denominação ‘atos de fé’ já vezes, para serem reconhecidos pelas
pressupõe que são atos causados pela fé e, comunidades religiosas às quais pertencem
portanto, tal designação não deixa de ser como devotos irrepreensíveis. Posso dizer,
equivocada, pois são, na realidade, atos com certo grau de certeza, que essas atitudes
controlados por regras religiosas inflexíveis. tão pouco religiosas não são raras em minha
Acho que posso retornar à explicação, igreja. E, em relação a elas, devo admitir que
portanto, do sentimento de fé, sobre o qual seu raciocínio sobre a fé merece algum crédito.
eu havia deixado para falar posteriormente. A
fé é um termo utilizado para relatar um TOMMASO: Agradeço o crédito concedido ao
sentimento e, como tal, pode ser explicado meu raciocínio, muito embora eu acredite que
pelas leis do comportamento, sendo não a minha análise poderia ser estendida a todos
causa, mas um produto da relação de controle aqueles que se dizem religiosos. Para os
estabelecida entre homem e ambiente, a analistas do comportamento, não é tão difícil
saber, na nossa discussão, entre o homem e entender o porquê da confusão desses homens
as agências de controle religiosas. Portanto, em relação às leis do Estado e da Igreja. O
não precisamos considerar a fé um evento controle religioso é exercido por regras, e, de
mental ou inato (Carvalho, 1999). As Igrejas forma semelhante, o Estado controla seus
se utilizam, por exemplo, de espetáculos cidadãos, ou seja, ambas as agências de
religiosos que suscitam respostas emocionais controle requerem o cumprimento de leis que
e que mais tarde serão usados por elas como freqüentemente traduzem contingências não-
forma de controle (Skinner, 1953/1981). codificadas, e a desobediência a elas acarreta
Então, quando um fiel diz que ‘vai à igreja punição. Mas você me chama a atenção para
porque tem fé’, ele estaria mais correto se uma situação especial, pois o comportamento
dissesse que ‘tem fé porque vai à igreja’. Da governado por leis tende a ser muito pouco
mesma forma, quando alguém diz: ‘ele reconhecido, visto que a evitação da punição
perdeu a fé’, estamos diante de uma situação é o verdadeiro imperativo categórico por trás
em que o recém-incrédulo não recebeu mais do semblante de obediência virtuosa. Talvez
reforços e, portanto, o comportamento a resposta esteja no fato de que, como uma
religioso se extinguiu. É o que acontece lei é, com freqüência, a codificação de certas
quando alguém troca de religião ou desiste contingências ocorridas em um tempo
definitivamente de praticar uma. preexistente ao código, uma pessoa pode
submeter-se ao controle direto dessas
GOTTLIEB: É equivocada a consideração de que contingências que originaram a lei, quando é
todos compreendem suas práticas religiosas reconhecido socialmente (Skinner, 1974).
da mesma maneira. Há aqueles que se dizem Assim, membros da Igreja cumprem os
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mandamentos divinos que outrora foram 1981), sendo que tanto maior é o autocontrole
contingências para o bom convívio em quanto maior for a ênfase dada pela religião à
coletividade e para a sobrevivência do grupo punição e ao auto-reforço, quando o sujeito
e, com o cumprimento, são reforçados se sente muito bem e se vangloria por não
socialmente. Perceba, entretanto, que sou estar ferindo os códigos, mesmo que não seja
muito pouco otimista em relação aos outros reconhecido diretamente por sua comunidade.
membros que você acredita serem A maioria das regras religiosas também estão
verdadeiramente religiosos, pois, nesses, eu mais propensas a serem reforçadas
também veria motivações ligadas à evitação positivamente quando são cumpridas: é muito
da punição e aos reforçamentos positivo e mais difícil alguém ser reforçado positivamente
negativo. por não assediar sexualmente alguém ou por
não roubar do que por se abster de relações
GOTTLIEB: Mas como alguém pode se portar sexuais ou por jejuar, sendo, com muito mais
diante dos mandamentos divinos do mesmo freqüência, elogiados e reconhecidos os fiéis
jeito que se portaria diante das leis de um que se submetem a essas últimas regras.
código penal qualquer? As leis governamentais
são fruto de mentes humanas, e não possuem GOTTLIEB: Mas e as noções de bem e de mal
Mas como
outros intentos a não ser a garantia da presentes em todos nós quando ainda éramos alguém pode se
manutenção de certa ordem coletiva. Já os crianças? É muito claro, para mim, que tais portar diante dos
mandamentos
Santos Mandamentos, através da intervenção noções são universais e inerentes ao ser
divinos do mesmo
de Deus, foram entregues aos homens quando humano! Portanto, a única explicação plausível jeito que se
os mandamentos de sua consciência não eram para esses valores é que há verdadeiramente portaria diante das
leis de um código
fortes o suficiente para fazê-los resistir ao uma ordem moral no mundo cuja natureza
penal qualquer?
pecado e fazer valer sua salvação. As Leis não pode ser outra que não a divina, e que
divinas requerem muito mais que a ordem não é apenas fruto de obediência por medo Gottlieb
coletiva, exigem do indivíduo maior renúncia de punição ou para a obtenção de reforços.
e a asseveração do amor a Deus e do amor ao
próximo (Karenin, 1957). T OMMASO : Nossos valores não nasceram
conosco, mas foram aprendidos quando ainda
TOMMASO: Em parte, você está certo, pois devo éramos crianças. Alguns comportamentos
reconhecer algumas diferenças entre o nossos eram punidos, então, somente quando
controle pelas regras religiosas e pelas regras nos foi apresentado um estímulo aversivo é
estatais. A obediência às leis religiosas, como que pudemos distinguir o ‘certo’ do ‘errado’,
você disse, é sobremaneira difícil; os através daqueles que eram punidos ou
mandamentos divinos são, em sua maioria, reforçados. Foi assim que surgiu nossa
descumpridos por um grande contingente de consciência moral e a distinção entre o que é
pessoas todos os dias, pois incluem uma série bom e o que é mau. Se não tivéssemos
de regulamentos que vão além da proibição experimentado sensações desprazerosas, esses
dos atos; assim, ‘não cobiçarás a mulher do valores nunca viriam se tornar tão claramente
teu próximo’ encontra um equivalente muito distintos para nós (Sidman, 1989). As crianças
mais fácil de ser cumprido no código penal, sequer conhecem o sentido do altruísmo, e
visto que este não proíbe os pensamentos com muito menos os adultos conseguem praticá-
a mulher do teu próximo. Os mandamentos lo. A regra de ouro das religiões de fazer aos
divinos provêem, inclusive, maior abertura outros o que quer que façam a você pôde ser
para o reforçamento automático, quando a reformulada através da análise
‘consciência autopunitiva’ substitui um comportamental, e assumiu um sentido que
controle externo permanente (Skinner, 1953/ retira seu estatuto de virtude e lhe atribui um
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outro mais condizente com a realidade. Assim, discussão! A explicação pela fé, entretanto,
fazer aos outros o que quer que façam a você soa como as tentativas de se explicar um
‘significa que você reforça o comportamento comportamento por fatores mentais como
dos outros e eles reforçam o seu’ (Baum, ansiedade ou vontade, razões quase tão débeis
1999, p. 227). Se você age egoisticamente quanto a fé. Mas a explicação pela fé ainda
com o outro, o outro muito provavelmente tem o agravante de se situar em um mundo
responderá agindo também egoisticamente não só extra-sensorial, mas também para além
com você, então, por isso, o respeito universal do racional. Felizmente, o método científico
à regra, o que é muito diferente de termos da análise do comportamento, que se dedica
um padrão axiológico de origem mental ou estritamente ao conhecimento das leis que
divina. regem os comportamentos, impediu que as
equívocas relações causais baseadas em fatores
GOTTLIEB: Acho que preciso aqui ressaltar uma internos obscuros retardassem ainda mais os
entre tantas outras diferenças entre a sua estudos sobre o homem e, inclusive, sobre a
ciência e a fé religiosa: ‘A ciência estuda tudo sua ligação com a religião.
que podemos ver e compreender. A fé
ocupa-se com aquilo que não podemos ver e G OTTLIEB : É lamentável que o método
raramente conseguimos compreender’ experimental venha a ser tão restritivo! O
Mas o homem
religioso não (Karenin, 1957, p.3). Eu acredito que Skinner observador fica preso a um único objeto de
estabelece com esquece um detalhe primordial no que se estudo, e todas as inferências científicas com
Deus uma relação refere à religiosidade, que é o fato de que, base nesse método se restringem ao que foi
apoiada em um
dos seus cinco diferentemente de um animal que vê o dono, visto ou provado pelo experimentalismo (Bono,
sentidos. o homem não vê Deus (Vergote, 1999). Um 1971). Mas Deus é um Ser que não pode ser
cachorro pode aprender a ter medo de seu isolado para ser observado e quantificado,
dono a partir de condicionamento, mas, para porquanto Ele não é um ser finito e limitado
que o experimento dê certo, o homem precisa (Malebranche, 1708/1990). Compreendo, no
ser visto pelo cachorro, da mesma forma que, entanto, que haja uma tendência dos homens
para que qualquer aprendizagem tenha de se inclinarem para o empirismo e de
sucesso, pelo menos uma experiência sensorial confiarem no testemunho de seus sentidos
do aprendiz é necessária. Mas o homem (Malebranche, 1688/1997), pois nós, homens,
religioso não estabelece com Deus uma somos todos finitos, e a infinitude de Deus
relação apoiada em um dos seus cinco nos é incompreensível. A religião tem sido
sentidos. Deus não é sensorial, ele é mais sábia: tem-se utilizado da fé nas suas
unicamente percebido e aceito pelo homem inferências, que não é um elemento de pouco
através de sua fé. Veja, Tommaso, que sua alcance. Quando o filho de Deus surgiu, os
visão empírica explica somente uma ínfima homens de sua época utilizaram seus sentidos
parte das motivações que fazem com que o e puderam vê-Lo e ouvi-Lo, mas eles só se
homem se torne religioso. Perceba que minha tornaram crentes verdadeiramente quando se
visão é tão radical quanto a sua, entretanto utilizaram da fé (Albuquerque, 1981). Os
meu pensamento é exatamente o seu virado religiosos continuam anuindo à verdade da
do avesso: para mim, o homem nasce religioso existência de Cristo porque percebem que
e pode aprender, ao longo de sua vida, a se seus sentidos são insuficientes, obscurecem
tornar um descrente em Deus. suas idéias (Malebranche, 1688/1997) e
distraem suas mentes das verdades religiosas.
TOMMASO: Quão interessante é essa teoria de
desaprendizagem religiosa; admite-se que a TOMMASO: Acho válido você apresentar suas
religião é inata e teremos dado fim a nossa críticas ao método experimental, embora não
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sejam elas novidades para mim. Mesmo irrefutavelmente presente nesses momentos
pessoas não-religiosas e/ou leigas em análise de elo afetivo entre o homem e o divino com
do comportamento estão propensas a seu fim nela mesma, e não em interesses
considerar que os experimentos de laboratório imediatos de proteção ou amparo?
se restringem ao conhecimento de certas
interações entre organismo e ambiente muito TOMMASO: Quando você diz ‘com seu fim nela
pouco complexas se comparadas às intricadas mesma’, você me diz: o homem se alegra
interações entre organismo e ambiente além porque está nas celebrações religiosas e está
dos limites do laboratório, e não podem revelar nessas celebrações porque ele se alegra -
mais do que o senso comum já reconhece tampouco nos ajuda a compreender os
como sendo as causas de seus comportamentos aspectos ligados às celebrações religiosas
(Benvenuti, 2001). Contudo, a análise do apelarmos para a fé quanto apelarmos para a
comportamento transcende o conhecimento alegria festiva. A alegria está relacionada a
do senso comum, e não se limita à eventos externos passados ou atuais na história
confirmação ou refutação de tudo aquilo que do sujeito e a uma reação fisiológica que
foi testemunhado pelos sentidos. Quanto à acompanha tais eventos; portanto, a alegria
infinitude de Deus, fico devendo uma resposta não é, em si, o fator causal, mas faz parte de
mais elaborada, mas, no momento, posso lhe uma cadeia causal, constituída pelo
dizer que não é de meu interesse, sendo eu comportamento, pela emoção e pelo evento
um analista do comportamento, comprovar a externo, que não podem ser entendidos
Sua existência ou a Sua topografia; antes, e separadamente. Junto com uma celebração
talvez devido à minha pobre e limitada que foi reforçada e que trouxe conseqüências
condição humana, contento-me em consideradas agradáveis, o sujeito pode dizer
compreender o porquê de os organismos que está alegre por agir de forma benéfica,
animais e humanos agirem da forma que celebrando a Deus. O interesse imediato de
agem. Mas insisto que certos esclarecimentos proteção ou amparo não é a forma correta de
que a análise do comportamento tem se explicar o porquê do elo afetivo; precisamos
proporcionado podem nos ajudar a entender entender não só o que está por trás desse
assuntos, mesmo os mais controversos como aparente elo afetivo, como também o que está
a religião, ao investigar a história de vida do por trás do interesse por esse elo. Quando o
sujeito religioso e ao compreender quais sujeito diz se interessar, tal comportamento
fatores controlam seus comportamentos e pode ser traduzido pela linguagem
como ele interage com o ambiente; assim, comportamental: o sujeito procura se
inferimos que a religião é apenas mais um comportar de forma que se apresentem a ele
agente controlador desse sujeito e que este, estímulos chamados ‘agradáveis’ - que são a
por sua vez, tem, na religião, mais um campo conseqüência de determinada resposta -, ou
de ação. ainda de forma que um estímulo aversivo seja
removido. Os reforçamentos positivos e
GOTTLIEB: Vejo que, para você, a religião é negativos não precisam acontecer
apenas uma utilidade, um instrumento a mais imediatamente, como vimos. A Igreja também
do qual alguns homens se servem para guarda um poderoso reforçador a longo prazo,
controlar e punir os demais. Mas como que é a alegria ou o alívio eternos no Paraíso,
entender as celebrações em que são inegáveis um lugar além desse mundo que reforçará o
a entrega e o gozo, sem que haja sujeito por toda a eternidade, mas obviamente
necessariamente promessas receosas de a eficácia desse reforçador depende da
castigos ou pedidos interesseiros? Você não eficiência do condicionamento verbal da
consegue perceber a alegria festiva promessa do Paraíso (Skinner, 1953/1981). Já
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vimos que, no entanto, tal promessa isolada podemos hoje considerar que suas práticas
é insuficiente para manter tantos fiéis ligados punitivas não mais se sustentam; além de
à Igreja, pois estes requerem também serem antiquadas e terem sido consideradas
reforçadores imediatos. Os reforços positivos ineficazes pelos estudos promovidos pela
imediatos são, por exemplo, elogios e análise do comportamento, deixaram de ter
reconhecimento por parte de parentes, fundamentos, à medida que não têm, como
conhecidos e líderes religiosos pelo fato de seu desígnio principal, a garantia de um futuro
esses fiéis terem se engajado em promissor para a espécie humana.
comportamentos considerados louváveis. O
fato de o sujeito dizer que mantém um elo GOTTLIEB: Você está certo quando aponta o fato
afetivo com Deus é traduzido como uma de que muitas instituições religiosas
relação mediada por um comportamento preocuparam-se, ao longo dos anos, muito mais
verbal controlado. O sujeito percebe que o em defender sua existência do que em ajudar
amor que diz sentir por Deus é reforçado a humanidade. Mas ainda é muito claro para
positivamente pela comunidade verbal, e isso mim que o homem precisa crer no que vai
explica a afirmação do sujeito de que possui além, que supera o cotidiano simples, que o
um elo afetivo e aparentemente conforte e dê a ele uma expectativa. Não é
desinteressado. por acaso que o homem ainda deseja ter uma
religião nos dias de hoje, mesmo após muitas
GOTTLIEB: Quando se reduz tudo a uma relação instituições interesseiras terem sido
de interesses, corre-se o risco de se esquecer desmascaradas.
o que a religião pode fazer pelo homem. Se
você não considera críveis a salvação e a TOMMASO: Por mais que eu reconheça que o
possibilidade da existência da vida eterna, homem contemporâneo continua sendo
então que, pelo menos, reconheça que a controlado por leis fundamentadas em
religião se justifica por proporcionar ao homem explicações sobrenaturais, não posso me
a expiação de seus pecados e a aquisição do conformar com a idéia de que, para ele, a
gosto pela virtude. religião é imprescindível. É curioso vislumbrar
uma sociedade que dispensou a religião,
TOMMASO: Não sei porque você separou suas quando agências de controle se tornaram
justificativas como se as últimas que você irrelevantes. Refiro-me à obra de Skinner em
apresenta fossem mais críveis para mim. A que ele descreve uma sociedade experimental
2
expiação dos pecados não é menos irracional idealizada pelo controverso Frazier , que
que a existência de uma vida eterna. Não me conseguiu suprir, senão todas, a maioria das
contento com justificativas como essas, pois necessidades de seus habitantes. Ora,
acho que as religiões devem possuir sabemos que nossa sociedade real muito
justificativas suficientemente fortes para o pouco atenua nossos temores ou realiza nossas
tamanho do empreendimento a que elas se esperanças, e, quando o faz, raramente deixa
2 - Personagem em
Skinner B. F. Walden Dos. propõem, ou seja, para o poderoso controle de exigir de nós uma prévia disposição para
Madrid: Fontanella,
1948, 1976. Frazier é o
exercido sobre um contingente infindável de nos engajarmos nas mais variadas atividades
fundador de uma pessoas. Talvez todas elas tenham se desprazerosas: se, por exemplo, desejamos
sociedade experimental
que conseguiu, a partir fundamentado na preservação da vida que, em nossa velhice, possamos desfrutar de
de avançadas técnicas de
e n g e n h a r i a
humana, entretanto, distorceram o intento certa estabilidade financeira, desde cedo
comportamental humana, original e voltaram-se muito mais para a mera devemos pagar uma quantia considerável de
suprir as necessidades
dos seus habitantes e, ao preservação de suas instituições (Skinner, dinheiro ao governo e, de tempos em tempos,
mesmo tempo, propiciar-
lhes uma vida de bem-
1987). Assim, se antes a religião trazia uma enfrentar suas imposições burocráticas; por sua
estar e prazer. justificativa fundada para sua existência, vez, para obtermos o dinheiro que pagamos
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ao governo de forma que este nos assegure o pessoas que resolveram aderir ao cristianismo.
futuro, somos obrigados a trabalhar por muitas Muitas delas me relataram as mudanças que
horas em ofícios monótonos durante um longo haviam acontecido em suas vidas, e uma
número de anos de nossas vidas. Entretanto, dentre elas era o fato de que, em suas famílias,
mesmo que cumpramos nossas obrigações as discórdias tinham quase que totalmente
para com a sociedade, nem sempre podemos cessado desde que passaram a se portar
ter garantias de que nossos anseios serão segundo os ensinamentos de Cristo. Também
devidamente satisfeitos. Nas sociedades me parece um fenômeno muito comum entre
Walden, os habitantes não precisam de novos e antigos adeptos uma profunda
promessas divinas para alimentar esperanças, mudança de caráter proporcionada pela
uma vez que estão livres das atribulações com religião. Aquele que busca uma religião,
as quais nossa sociedade real nos acomete. portanto, para nós, não será mais que um
Diante de uma sociedade livre de sofrimentos, simples aprendiz de lições religiosas ou um
de temores e de insegurança, as práticas azarado às voltas com seu desespero, mas um
religiosas perdem seu sentido. Mas eu não espírito inquieto que sente agora o genuíno
precisaria ter me servido de uma sociedade desejo de voltar sua alma para o Divino?
fictícia ou mesmo das teorias de Skinner para
perceber o quão evidente é o fato de que, TOMMASO: A respeito dos convertidos, Gottlieb,
para um homem que nunca aprendeu a ser acredito que haja, principalmente, o
religioso e que nunca temeu qualquer reforçamento negativo envolvido na
desventura em sua vida, a religião é totalmente conversão. A adesão à religião pode acontecer
descartável. Eu o desafio a, da próxima vez por diferentes situações, mas penso que há a
que você for assistir à Divina Liturgia, implicação da possibilidade de retirada de um
interromper, por alguns segundos, sua bela estímulo aversivo operando na vida da maioria
cantoria bizantina, olhar ao seu redor e dos novos adeptos. Trata-se de um
reconhecer um devoto em sua igreja que tenha comportamento supersticioso, pois essas
adotado práticas religiosas sem que as tivesse pessoas acreditam que haja uma relação causal
entre a conversão religiosa e a retirada de um
aprendido ainda no seio familiar ou reconhecer
estímulo aversivo. Quanto às mudanças
outros adeptos que não tenham procurado a
operadas em suas vidas, há a possibilidade de
igreja quando passavam por momentos de
incidência de comportamentos supersticiosos,
grandes dificuldades.
pois é plausível que haja uma coincidência
entre um comportamento emitido (a
GOTTLIEB: De fato, eu conheço poucas pessoas
conversão) e o reforço (a diminuição de
de minha igreja que não nasceram em um
discórdias). O mesmo processo atua quando
ambiente religioso, mas não acredito que a se acusa o outro de ter feito algo errado, que
aprendizagem seja suficiente para que o supostamente ocasionou determinada
sujeito se torne verdadeiramente devoto. Há desventura, devendo esta ser encarada como
os ensinamentos, sem dúvida, mas estes não um aviso para que novas atitudes erradas não
são suficientes para garantir uma vida fundada sejam repetidas. Essa forma de contingência,
na fé. Quanto ao fato de que haja adeptos através do reforçamento acidental, é, aliás, a
que procuraram a igreja apenas no dia em que forma de controle, senão a mais utilizada, a
se viram acometidos por dificuldades, digo- mais característica das instituições religiosas
lhe que todo aquele que vive sem Deus pode (Skinner, 1957/1981): os fiéis acreditam, por
se considerar infeliz e temeroso, esteja ele exemplo, que, se não cumprirem as leis das
em evidentes dificuldades ou em uma Igrejas, serão punidos de alguma forma em
aparente maré de sorte. Tive a oportunidade, seu dia a dia e/ou com o fogo do inferno
ao longo de minha vida, de conversar com (Banaco, 1996). As pessoas, no entanto,
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Um Diálogo entre um Cristão Ortodoxo e um Behaviorista Radical

também seguem regras quando estas podem último questionamento chamou-me a atenção
trazer conseqüências que lhe são agradáveis por já ter incluído não só a resposta a ele
(Skinner, 1974). Assim, a discórdia pode ter mesmo, mas também a todos os seus
diminuído pelas regras religiosas que questionamentos anteriores. Você não
aconselham a tolerância ao próximo, e o somente chamou a atenção para um fato
afastamento das brigas é um reforçador histórico como anunciou uma pré-condição
negativo para o cumprimento das regras, para que tal fenômeno fosse possível: não só
então, talvez aqui possamos inferir que não é o grau de adesão se manteve relativamente
de todo supersticiosa a relação adesão-alívio. elevado bem como o grau de coerção foi
Há também, nas igrejas, aquilo que nós modificado, como o número de adeptos só
chamamos de aprendizagem vicária: as igrejas pôde manter-se elevado com a modificação
possuem uma infinidade dos chamados do grau de coerção infligida pela Igreja! Quando
‘exemplos de vida’, pessoas santificadas que as instituições religiosas exercem um controle
emitiram comportamentos considerados muito coercitivo quase ilimitado, os indivíduos por
bons, como proclamar o amor a Deus e ela controlados podem ser reforçados
distribuir todos os seus pertences para os negativamente, de tal forma que passam a
pobres, assim, os fiéis tentam imitar tais exercer um contracontrole. Isso significa que,
comportamentos exemplares. É verdade que a longo prazo, o controle surtiu um efeito
dificilmente alguém consegue adquirir todos negativo e não previsto, pois o contracontrole
esses comportamentos quase sobre-humanos; age, sobretudo, sob a forma do desligamento
as hagiografias estão comumente repletas de definitivo da instituição (Skinner, 1974). A Igreja
todos os tipos de privações e superações de Católica Romana, por exemplo, percebeu esse
punições positivas, assim a Igreja pode contracontrole, e o que se vê, hoje em dia,
justificar a santificação desses homens e a são as tentativas desesperadas para angariar
contemplação dirigida a eles. Esses exemplos novos fiéis e recuperar os que a abandonaram.
de homens extraordinários, como o próprio A coerção infligida por tantos anos, ao longo
Cristo, são elevados a um patamar de de sua história, teve de ser revista, e a Igreja
adoração e admiração. Dessa forma, espera- percebeu que perderia cada vez mais fiéis se
se que o fiel queira, para si, a glorificação e o continuasse adotando uma postura punitiva ao
prestígio que esses homens conseguiram tão invés de se dedicar mais ao reforçamento do
somente após a morte, já que a vida deles ‘comportamento religioso’ para evitar a saída
nos é, de fato, muito pouco atrativa. de fiéis e a mudança de parte destes para
Obviamente, a Igreja precisa contar com outras outras religiões concorrentes (Skinner, 1989).
formas de modificação de comportamentos, Percebeu que um fiel tanto mais permanece
pois o prestígio post mortem dificilmente dá ‘espontaneamente’ ligado a uma Igreja quanto
razão suficiente a uma vida tão árdua. mais reforçadora esta for; a ameaça de punição
pelo abandono das práticas religiosas é muito
GOTTLIEB: Então como entender o persistente menos eficaz, e os comportamentos ditos
número elevado de adeptos das Igrejas? Se religiosos, quando não suficientemente
você não considera que é pelo fato de que a reforçados, tendem a se extinguir, como já a
religião seja fundamental ao homem, não é análise experimental do comportamento pôde
curioso que o grau de adesão se mantenha prever a partir de seus resultados em
elevado, enquanto o grau de coerção da Igreja laboratórios sem que precisasse fazer
se tenha modificado, ao longo da História? observações em templos, daí a importância
do método experimental. Veja que a previsão
TOMMASO: Permita-me dispor minhas respostas de comportamentos é possível a partir da
em ordem inversa às suas perguntas, pois seu observação de comportamentos operantes e
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do controle de variáveis ainda em espaços uma idéia enganosa, e sustentada pela


muito menos complexos que instituições religião, pois assim pode imbuir seus fiéis de
religiosas. sentimento de culpa e abster-se de
responsabilidades e do reconhecimento das
GOTTLIEB: É preciso reconhecer, Tommaso, que verdadeiras origens das atitudes pecaminosas.
a visão religiosa do homem, ao contrário da Se a religião se presta ao serviço de buscar
visão behaviorista radical, é a de um ser que essas origens, ela deverá não apenas buscar,
possui um livre-arbítrio. Deus não impede que na história desses ‘pecadores’, as verdadeiras
as pessoas se utilizem de seu discernimento circunstâncias que fizeram essas atitudes
e de sua criatividade, mesmo que poucos serem qualificadas como pecados (Skinner,
sejam os homens que reconheçam toda a sua 1971/1974) mas também rever todas as suas
potência. Um deus que freqüentemente medidas e práticas punitivas, porém creio
interviesse nas ações humanas e as controlasse que, para uma revolução desse porte, a
faria com que a vida perdesse seu sentido, e religião se mostrará muito pouco disposta.
ela se tornaria redundante (Albuquerque,
1981), pois que os homens agiriam unicamente GOTTLIEB: Você fala em uma revolução na
segundo a vontade divina rumo a um caminho religião, mas veja os resultados de todas as
certo de perfeição, seriam máquinas, e, como revoluções no campo da ciência! A falta de
tal, desprovidas de espírito. Entretanto, Deus firmeza das convicções científicas é inegável,
não age através das mãos humanas, porém dá e vocês, cientistas, dão-se o direito de opinar
a elas o movimento para agir, e, à cabeça do sobre o campo religioso, o mais perene e
homem que as possui, o tino necessário para fecundo entre todos os outros. Todos os anos,
a decisão de suas ações. Se, então, ao homem cientistas lançam uma nova ‘moda’; alguns
é permitida a fé e a dúvida, cabe a ele julgar o criam teorias mirabolantes em um intervalo
melhor caminho a seguir, seja ele o tortuoso de tempo tão rápido quanto outros o levam
da danação ou o reto da virtude. para derrubá-las (Karenin, 1957). Ademais,
nenhuma descoberta sobre os fatos mais
TOMMASO: É inegável o fato de que a religião inexplicáveis e importantes da vida humana
atribui aos seres humanos um poder irreal, foi oferecida pela ciência, e ninguém deveria
torna-os senhores de si. Mas os homens pagam dar tanto crédito às suas descobertas
um preço elevado por tal atribuição quando vacilantes e interinas. E quanto de consolo e
se culpam terrivelmente por todas as decisões felicidade ela pode nos proporcionar (Freud,
que julgam posteriormente terem sido tomadas 1932/1969)? Quem, por sua vez, tem estado
inadequadamente. É uma postura cômoda da ao lado do homem durante todos os anos
religião, pois a ela cabe o julgamento, e, aos em que os artefatos científicos sequer haviam
homens, toda a responsabilidade por suas saído da imaginação dos primeiros homens
decisões. Skinner chegou a comentar que o que os inventaram? Continuo defendendo a
Deus cristão não quer, de fato, controlar os religião como a mais importante das ciências
seres humanos: a eles permite, senão o livre- humanas. Antes de nos debruçarmos em
arbítrio, a capacidade de se autocontrolarem explicações científicas acerca do que vem a
e a de controlarem o ambiente, mantendo ser a religião e esperarmos, da ciência, um
com este uma relação recíproca de modelagem futuro mais aprazível, deveríamos persistir nos
(Skinner, 1980). Já pude, aliás, trazer alguns estudos religiosos, pois, conforme minha
esclarecimentos sobre a origem de certos doutrina ensina, além de minha sabedoria,
comportamentos; podemos inferir que necessito, antes de tudo, da minha fé. ‘As
nenhum destes surge ao acaso, e o livre- verdades sobre Deus, que é invisível e
arbítrio, portanto, não deixa também de ser impossível de descrever, e sua sabedoria estão
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Um Diálogo entre um Cristão Ortodoxo e um Behaviorista Radical

escondidas em grandes mistérios; disso se perda de tempo bendizê-lo ou amaldiçoá-lo


compreende que uma parte do estudo da por todas as suas ações e pensamentos. Não
religião não pode ser compreendida por meios há dúvida de que uma ciência do
comuns, mas pode ser sentida unicamente comportamento venha talvez a desagradar-lhe
com o auxílio da fé, e assim agimos de forma com certas verdades que ele não está disposto
que as verdades se gravem profundamente a aceitar, mas elas são fundamentais para que
nos nossos corações e para que possamos o homem reconheça que o ambiente ao seu
atingir a salvação de nossas almas!’ (Karenin, redor é também um produto de sua ação. E,
1957). apesar de a ciência ter tido sempre a árdua
tarefa de desiludir a humanidade (Skinner,
TOMMASO: Não posso garantir que uma ciência 1953/1981), não deixa de ser tal
do comportamento salve as nossas almas, mas empreendimento infinitamente mais
posso asseverar que ela permite ao homem o dignificante e libertador que qualquer princípio
conhecimento de seu potencial, sem que falso que destitua o homem de seu verdadeiro
precise apelar para idéias ilusórias de iniciativa potencial e que o impeça de construir um
e liberdade (Skinner, 1971/1974). O homem futuro pautado em uma tecnologia científica
é controlado pelo ambiente e, como vimos, capaz de atenuar seus sofrimentos e de torná-
também pelos ditames religiosos, que lo, assim, mais verdadeiramente digno e
integram seu ambiente social. Portanto, é uma senhor de si.

PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO, 2007, 27 (3), 522-537


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Tyffanne Serra Paraná Rodrigues & Alexandre Dittrich PSICOLOGIA CIÊNCIA E
PROFISSÃO, 2007, 27 (3), 522 - 537

Tyffanne Serra Paraná Rodrigues


Psicóloga pela Universidade Federal do Paraná, Mestranda em Estudos Lingüísticos
pela Universidade Federal do Paraná.

Alexandre Dittrich
Psicólogo, Doutor em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos, professor do Departamento de
Psicologia da Universidade Federal do Paraná

Praça Santos Andrade, 50 - Prédio Central - 2º andar - Sala 215 – Centro. Curitiba - Paraná - CEP:
80.060-240 - Telefone: (041) 3310-2625 - Fax (041) 3310-2641. E-mail: aledittrich@ufpr.br

Recebido 22/05/06 Reformulado 26/01/07 Aprovado 02/02/07

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