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17/02/2021

UNIVERSIDADE FEDERAL DE CATALÃO

Disciplina: Psicanálise I
Discente: Marcelo Honório
Docente: Tiago Nunes
Atividade: Fichamento

OBSERVAÇÕES SOBRE A TEORIA DA INTERPRETAÇÃO DOS


SONHOS" (FREUD, 1924)

“Ao interpretar um sonho na análise, pode-se [...]”.

“[...] proceder cronologicamente e fazer com que o sonhador apresente suas associações
aos elementos do sonho na sequência em que eles ocorrem no relato do sonho”.

“[...] iniciar o trabalho de interpretação por um determinado elemento do sonho,


escolhido de qualquer ponto dele; por exemplo, pelo trecho mais notável ou pelo que
possui a maior nitidez ou intensidade sensorial [...]”.

“[...] não considerar inicialmente o conteúdo manifesto do sonho e perguntar ao


sonhador que eventos do dia anterior ele associa ao sonho relatado”.

“[...] abandonar todo preceito e deixar que ele decida com quais associações relativas ao
sonho começará”.

II

“Sendo elevada a pressão, podemos chegar a saber de que coisas o sonho trata, mas não
descobrimos o que diz acerca dessas coisas”.

“A maioria dos sonhos numa análise difícil é desse gênero, de modo que não podemos
aprender muito sobre a natureza e o mecanismo da formação dos sonhos com eles, e
menos ainda obter resposta à corriqueira pergunta de onde está a realização de desejos
no sonho”.

“Só quando a resistência se mantém em limites moderados surge o conhecido quadro do


trabalho de interpretação, em que as associações do sonhador inicialmente divergem dos
elementos manifestos, de modo que inúmeros temas e grupos de ideias são tocados, até
que uma segunda série de associações rapidamente converge, a partir deles, para os
pensamentos oníricos buscados”.

“Um certo número de sonhos que acontecem durante a análise são intraduzíveis, apesar
de neles a resistência não se mostrar de forma clara”.
“Estes sonhos servem, no tratamento, como introdução aos pensamentos e lembranças
do sonhador, não sendo considerado seu conteúdo mesmo”.

III

“Podemos diferenciar entre sonhos de cima e sonhos de baixo, se não tomarmos essa
distinção com demasiada rigidez”.

“Essa distinção não requer mudança na teoria dos sonhos”.

IV

“Em algumas análises, ou durante certos períodos de uma análise, manifesta-se uma
separação entre a vida onírica e a vida desperta, similar à separação entre a atividade da
fantasia que mantém uma continued story (um romance em devaneios) e o pensamento
desperto”.

“A interpretação de um sonho se divide em duas fases: a tradução e seu julgamento ou


apreciação. Durante a primeira não devemos nos deixar influenciar por nenhuma
consideração relativa à segunda”.

“Com facilidade nos esquecemos de que, em geral, um sonho é apenas um pensamento


como qualquer outro, possibilitado pelo relaxamento da censura e pelo reforço
inconsciente, e deformado pela interferência da censura e a elaboração inconsciente”.

“[...] os sonhos de convalescença ocorrem muito frequentemente, por exemplo, quando


o paciente vai entrar numa nova, para ele dolorosa, fase da transferência. Então ele se
comporta exatamente como alguns neuróticos que após umas poucas sessões se dizem
curados, pois desejam escapar a tudo de desagradável que ainda será expresso na
análise”.

VI

“É realmente difícil chegar a conclusões gerais acerca do valor de sonhos corretamente


traduzidos. Quando no paciente há um conflito de ambivalência, um pensamento hostil
que nele surge não significa certamente uma duradoura superação do impulso afetuoso,
ou seja, uma resolução do conflito, e tampouco tem esse significado um sonho com o
mesmo conteúdo hostil”.

“Durante tal conflito de ambivalência, é frequente que em cada noite haja dois sonhos,
cada um com a atitude oposta. [...] Às vezes um dos dois sonhos ambivalentes é
esquecido, então não devemos nos deixar enganar e supor que foi tomada a decisão em
favor de um lado. O esquecimento de um dos sonhos mostra, é verdade, que no
momento aquela orientação predomina, mas isso vale apenas para aquele dia, podendo
mudar”.

VII
“A questão do valor a se atribuir aos sonhos liga-se estreitamente à de que possam ser
influenciados pela “sugestão” do médico”.

“O fato de o conteúdo manifesto do sonho ser influenciado pelo tratamento analítico


não necessita ser demonstrado. É consequência da percepção de que os sonhos se ligam
à vida desperta e elaboram incitações que vêm dela”.

“Não admira, portanto, que o paciente sonhe com coisas que o médico abordou com ele
e acerca das quais despertou expectativas nele”.

“[...] nosso interesse contempla a questão de saber se também os pensamentos oníricos


latentes a serem dilucidados pela interpretação podem ser influenciados, sugeridos pelo
analista”.

“[...] uma parte desses pensamentos oníricos latentes corresponde a formações de


pensamento pré-conscientes, totalmente capazes de se tornar conscientes, com que o
sonhador poderia reagir às observações do médico também estando acordado — as
réplicas do paciente indo ao encontro ou contrariamente a essas observações”.

“Quanto ao mecanismo da formação dos sonhos em si, ao trabalho do sonho


propriamente, nele jamais chegamos a influir; disso podemos ter certeza. Além da
porção que discutimos, os pensamentos oníricos préconscientes, cada autêntico sonho
contém indícios dos desejos reprimidos a que deve a possibilidade de sua formação”.

“Quando o sonho traz situações que podem ser interpretadas como se referindo a cenas
do passado do sonhador, parece particularmente relevante a questão de se teria havido
influência médica nesses conteúdos oníricos”.

“Em alguns pacientes são os únicos que obtemos. Tais pacientes reproduzem as
vivências esquecidas de sua infância apenas depois que as “construímos” a partir de
sintomas, pensamentos espontâneos e alusões, e as comunicamos a eles”.

“[...] quando não interpretamos, “construímos” e comunicamos, no caso desses


pacientes, jamais obtemos acesso ao que neles é reprimido. As coisas ficam mais
favoráveis quando a análise de um desses sonhos confirmadores, que “seguem atrás”, é
imediatamente acompanhada por uma sensação de recordar o que até então foi
esquecido”.

“Os pacientes que trazem apenas sonhos confirmadores são os mesmos nos quais a
dúvida tem o papel de resistência principal. Não tentamos calar essa dúvida com a nossa
autoridade ou fulminá-la com argumentos. Ela deve permanecer, até que se resolva no
prosseguimento da análise”.

“Se conseguimos ordenar o amontoado de fragmentos, cada um dos quais mostrando


um pedaço incompreensível do desenho, de modo que a imagem adquira um sentido,
não haja nenhum espaço vazio e o conjunto preencha a moldura, então sabemos que a
solução do quebra-cabeças foi encontrada e que não existe outra”.

VIII
“Bem pode ser que os sonhos ocorridos durante uma análise consigam revelar mais
amplamente o reprimido do que os sonhos tidos fora da situação analítica. Mas isso não
pode ser provado, já que as duas situações não são comparáveis; o emprego de sonhos
na análise é algo distante do propósito original deles”.
“Deve haver um motor por trás dessa maior produção, uma força inconsciente que seja
mais capaz de favorecer as intenções da análise durante o sono do que em outras
ocasiões”.

“[...] se alguém quiser afirmar que a maioria dos sonhos aproveitáveis na análise é de
sonhos “obsequiadores” e que devem sua origem à sugestão, do ponto de vista da teoria
psicanalítica não há o que objetar a isso”.

“Em Além do princípio do prazer abordei o problema econômico de como vivências


desagradáveis do primeiro período sexual infantil podem ter êxito em chegar a algum
tipo de reprodução”.

“Tive que atribuir-lhes, na forma de uma “compulsão à repetição”, um impulso para


cima extraordinariamente forte, capaz de superar a repressão que — a serviço do
princípio do prazer — pesa sobre elas; mas não antes que ‘o trabalho terapêutico, vindo-
lhe ao encontro, afrouxe a repressão’”.

“Nisso chega-se a uma aliança entre a terapia e a compulsão à repetição, que


inicialmente se dirige contra o princípio do prazer, mas em última instância visa
estabelecer o domínio do princípio da realidade”.

IX

“Até onde vejo atualmente, os sonhos das neuroses traumáticas são a única exceção real
da tendência à satisfação de desejos presente nos sonhos, e os sonhos de castigo, a única
exceção aparente”.

“Uma tal interferência no sonho pode vir apenas da instância crítica do Eu, e temos de
supor que essa, provocada pela inconsciente realização do desejo, também se
restabelece temporariamente durante o sono”.

“Não faria sentido, naturalmente, buscar um desejo reprimido como força motriz desse
sonho manifesto; é preciso contentar-se com a realização de desejo da autocrítica”.

“A estranheza ante uma construção onírica desse tipo é atenuada se lembramos como é
frequente a deformação onírica a serviço da censura substituir um elemento particular
por algo que lhe seja oposto ou contrário em algum sentido”.

“Daí é breve o caminho até a substituição de uma porção característica do conteúdo


onírico por algo que a contradiz de forma defensiva, e com mais um passo temos a
substituição de todo o conteúdo onírico escandaloso pelo sonho de castigo”.

X
“Durante a formação do sonho, a elaboração secundária buscou evidentemente eliminar
essa multiplicidade do Eu, que não se adéqua a nenhuma situação cênica; mas ela é
restabelecida pelo trabalho de interpretação”.

“Em si, ela não é mais notável que a múltipla aparição do Eu num pensamento diurno,
desperto, sobretudo quando o Eu se divide em sujeito e objeto, contrapõe-se a outra
parte sua, como instância observadora e crítica, ou compara seu ser atual a um passado,
lembrado, que um dia também foi Eu”.

“Basta nos atermos ao fato de que a separação entre o Eu e uma instância observadora,
crítica, punitiva (ideal do Eu) deve ser considerada também na interpretação de sonhos”.

REFERÊNCIA

FREUD, S. (1924). Observações sobre a teoria da interpretação dos sonhos (Freud,


1924). Disponível em: <https://joaocamillopenna.files.wordpress.com/2013/10/freud-
obras-completas-vol-16-1923-1925.pdf/> Acesso em: 17/02/2021

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