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UERJ – INSTITUTO DE LETRAS – DEPARTAMENTO LECO

Professora – Elisa Costa Brandão de Carvalho


Professora – Fernanda Lemos de Lima
Aluna- Fernanda Camanho do Carmo

Avaliação de Literatura Clássica I

1 - A ideia da bela morte é, por excelência, a morte gloriosa responsável por


elevar o guerreiro ao estado de glória por toda a eternidade e esta glória se realiza no
feito que põe fim a vida do herói. É o tal sentido do destino de Aquiles, personagem
exemplar e ambíguo.

Aquiles possui dois destinos desde o nascimento, destinos que se excluem,


rigorosamente, pois um é o da glória imorredoura do guerreiro, mas vida breve e o outro
é uma vida longa, mas com ausência da glória póstuma e não houve uma escolha, já que
o herói estava designado para a glória.

Na forma como Aquiles aplica o código de honra, não é passível de aceitar


acordos covardes e a culpa, independente da hierarquia social, só se paga com sangue
derramado. É um herói convencido de sua superioridade, não existe um único grego –
nem mesmo troiano- que conteste sua virtude (αρετέ) guerreira; nas características
usadas por Vernant como "dureza intratável", "ressentimento selvagem", "coração
bravio e desumano", "surdo à piedade", "insensível aos pedidos e súplicas"... é possível
delinear um Aquiles que só voltaria para a guerra mediante a morte de Pátroclo ou
qualquer outra ofensa.

Na lógica da honra heroica é tudo ou nada, porque perder significa perder a


própria vida e dito isso, de que vale riquezas e privilégios se a vida de um homem não
se recupera? Ouro jamais será razão para um herói voltar para a guerra. Ele volta
quando o coração o impele e quando isso acontece, nada pode pará-lo, nada o faz
recuar... ele mata ou morre e, nesse ponto, ele é admirável.
É incontestável a eternidade de Aquiles, milênios se passaram e continuamos
pronunciando seu nome, no entanto, no espaço entre Ilíada e Odisseia, a posição do
herói frente ao mundo dos mortos muda porque estar no Hades significa perder a
identidade individual, ou seja, na imaterialidade ele perde a “personalidade heroica” e
não há consolo em sua posição no submundo.

A condição de morto para Aquiles, assim como o espaço do Hades, direciona o


herói para seu outro destino de nascimento, deixar de ser um herói para ser um homem
comum, porque “antes servo na Terra do que rei no mundo dos mortos”.

3- Há um entrelaçamento nas ações dos deuses e nas dos homens na epopeia, em


Ilíada, este laço está no âmbito da guerra de Troia. No Inicio da Ilíada, orquestrado a
partir da cólera de Aquiles, é dito que todo acontecimento estaria de acordo com a
vontade de Zeus.

No poema homérico, nada acontece sem a presença das divindades, os deuses


estariam presentes em todas as formas e estados de vida, pois o divino se manifesta
como essência natural. O ser humano necessita experiências que transcendem a
realidade e que seja capaz de satisfazer a sede pelo infinito.

Contudo, o homem não é um mero instrumento nas mãos dos deuses e nem é a
sua existência um palco para atuação divina, apesar da presença deles ser essencial para
desenrolar dos fatos e que, muitas vezes, os deuses interferem e tomam partido por seus
preferidos prejudicando, assim, o não preferido.

A relação entre homens e deuses é sobre influenciar o homem a razão e/ou ação,
mas também existindo a possibilidade de que o homem não cumpra o determinado ou
sofra cumprindo o que lhe foi determinado, pois há um limite do “poder total” de um
deus.

Independente das ações dos deuses, inclusive em relação aos protegidos, nem o
próprio Zeus poderia lutar com a força do destino. A μοίρα está acima de toda a vida e
de todos, distribuindo o saber, a sorte, a ruína e a morte de cada um, ou seja, ainda que o
herói realiza suas ações com intervenção de um deus ou não, ele não escapa do destino
quando esse mostra que vida chegou ao fim.