TRANSFORMANDO O MEDO EM VONTADE DE VIVER

Depoimento sobre a Síndrome de Guillain Barré – SGB em novembro/dezembro de 2008, fato relatado por Radamés Diogo Debastiani, portador da síndrome na época. Tudo começou com sintomas conhecidos, como dor de barriga, mal-estar, dor de cabeça, mas não parou por aí...

25 de novembro – terça – feira;
O dia que marcou o início desta terrível história em minha vida, o início de um longo e pesado caminho por onde eu, minha família, meus amigos e conhecidos passamos. Na noite do dia 25/11, após o jantar eu comecei a sentir arrepios pelo corpo, e dor de barriga, mas nada que assustasse, tomei um banho e fui jogar futebol com meu irmão me sentindo melhor, joguei bem aquela noite, normalmente. Voltando para casa após o jogo, já era tarde da noite, meus pais estavam dormindo, fui tomar banho e novamente comecei a sentir arrepios por todo o corpo e a dor na barriga, só que desta vez muito mais intensa, me assustei, e minha reação foi de ir para cama descansar sem avisar ninguém do que estava acontecendo. Deitei na cama, mas não consegui dormir, estava muito agitado, sentindo frio, muita dor na barriga e um mal-estar tão terrível que cheguei a ter alucinação. Levantei para ir até o banheiro lavar o rosto, minhas pernas, braços e cabeça estavam muito pesados, após isso, estes sintomas começaram a acalmar, assim voltei para a cama.

26 de novembro - quarta – feira;
Acordei e fui para a escola, eu estava aparentemente bem, mas durante a manhã senti mais duas tonturas muito fortes ao ponto de se perder um pouco do ambiente em que eu estava, mas ninguém percebeu nada, sentia muitas dores na parte de trás da cabeça.

aparentemente estava tudo em ordem. tomei meu café normalmente. sexta – feira. não sentia mais dores de barriga nem mal-estares. onde me tratei em casa com chás.quinta-feira. Comecei a achar muito estranho. Acordei normalmente como todos os dias. no caminho para chegar até a casa do meu amigo. Nas escadarias da escola também era muito difícil eu conseguir subir ou descer sem a ajuda de alguém. acordei cedo.segunda e terça – feira. 03 de Dezembro – quarta – feira. foi neste local que senti as primeiras fraquezas nos membros inferiores (panturrilha direita). achei que o que estava acontecendo. almocei. e o mesmo leve desconforto na panturrilha esquerda. . tinha muito morro e escadas para subir. Voltei para minha casa. 29. sábado e domingo. 28. Era uma quarta-feira de manhã. os primeiros sintomas pós infecção. tem um morro para subir. mas continuava sentindo fraqueza nos membros inferiores e muita câimbra. Estes dias foram marcados apenas pelos sintomas mais tradicionais e não tão alarmantes. 01 e 02 dezembro . após isso fui até a casa de um amigo meu para ajudá-lo a fazer um trabalho da escola. que seriam os sintomas da Síndrome. seria por fazer muitos exercícios. pois eles tiverem que me carregar. durante a tarde sentia câimbras freqüentes na região da panturrilha direita.quinta. mas não levei a sério. 05 de Dezembro – sexta – feira. onde só consegui passar. quando pisava com esta perna parecia que ela não respondia muito bem. Estes dois dias foram marcados pela minha melhora da infecção intestinal. não tinha aula. 04 de Dezembro . era um leve desconforto. Aqui começa o pior. gelatina e controlando um pouco a comida.27. foi quando percebi que no caminho para chegar até a escola eu não conseguia acompanhá-los com o ritmo de caminhada. Fui para a escola com meus dois amigos. porém como eu jogava futebol na época. 30 de novembro .

sentia muita fraqueza nas pernas e principalmente os pés (estavam quase totalmente paralisados). alongamentos mas nada disso adiantava. fui visitar alguns parentes. e escada. só que o “grande” médico me disse que eu estava fingindo ter algo. e sentia cada vez mais fraqueza. a região da panturrilha de ambas as pernas. os morros eu sofri muito mas consegui subir.terça-feira. No caminho até a escola. mas muito. porque você não tem nada!” Eu voltei para casa muito triste por um médico falar aquilo pra mim. 06 e 07 de dezembro – sábado e domingo. e ainda disse pra mim e minha mãe com todas as letras: -“se eu te der um chute na bunda. só conseguia ficar em pé. . como sempre fazíamos.Novamente acordei. Neste final de semana. fui para a escola com meus amigos. foi a primeira queda das três que eu tive. ela me examinou e me disse que por causa das fortes câimbras que eu tive. Foi um início de semana marcado com o primeiro encontro com médicos. Ao meio dia contei o acontecido para meus pais. já as escadas não foi bem assim. por algum motivo. ao invés de esperar meus amigos para ir pra escola. eu fui sozinho. sendo que os pés eu estava quase 100 % paralisado. Naquela tarde eu e minha mãe fomos até o posto médico para consultar. que eu estava bem. resolvi ir sozinho. pois é. nada melhorava. essa senhora “arruma” ossos quebrados do corpo. talvez vergonha de não conseguir acompanhar meus amigos no ritmo de caminha. fui até uma mulher que mora no bairro São Ciro. fazia massagens. que na hora não tiveram outra reação a não ser marcar uma consulta no posto de saúde aqui perto de casa. após isso levei muitas “mijadas” deles. 09 de Dezembro . mas ele não soube diagnosticar. assim ela me passou algumas massagens para fazer em casa. Neste dia de tarde. Então foi mo que fiz. o músculo da panturrilha acabou se “rasgando”. e só consegui passar por ela porque praticamente me arrastei pelos degraus. só que agora começava a doer muito. caí na primeira tentativa de subir. tinha muitos morros pra subir. e caminhar bem lentamente. foram tardes de alegrias com a família e de guerra com minha saúde. mas a minha situação não estava nada boa. sendo que uma doença existia. Na manhã daquela segunda-feira ensolarada. você vai daqui até a sua casa voando. eu mesmo já fui lá quando eu tinha quebrado o pé e o dedo a algum tempo atrás. já que eu não tinha plano de saúde. 08 de Dezembro – segunda-feira.

tentando parecer tudo normal. que não tinha nome e nem endereço. 10 de Dezembro – quarta – feira. então me solicitou que eu fizesse um exame chamado Eletroneuromiografia. Continuei na rotina da minha vida. mas conseguimos marcá-lo em uma clínica para o dia 12 de dezembro. Dia 11 de Dezembro . Ughini ainda me receitou um medicamento para aliviar a dor nos membros inferiores.quinta-feira. e a única opção. tive minha segunda queda. também foi o dia que marcou o início da fraqueza nas mãos.a luta para descobrir o que estava acontecendo era muito grande. sem forças quase até para ficar de pé. e como sempre. eu não podia faltar se não eu perdia o ano. ele avaliou o meu caso. era a última semana de provas e aula. na minha saúde. eu precisava de nota na escola. não aconteceu nada de mais. elas tremiam muito e eu não tinha força para apertar. corri o risco de ter que sair da cidade para fazer este exame. Como de rotina. fez alguns exames simples na hora para ver se o que estava acontecendo comigo era da coluna. mas o exame negou qualquer chance de ser problema na coluna. Naquela quarta-feira de tarde.. era final de ano. por isso não tive escolha a não ser agüentar levar nas costas os estudos e “algo” terrível. A diferença dos dois médicos foi da noite para o dia. foi de pagar uma consulta particular em um Centro Ortopédico. foi no quintal. fomos muito bem recebidos pelo Dr. mas graças a Deus. e quase nem para levantar um copo. mas eu podia ter quebrado os dois braços pois cai com o corpo por cima deles. exame raro de ser feito em Caxias do Sul. estava realmente muito tenso. sendo que isso seria normal em meninos da minha idade devido ao crescimento muito rápido. Durante a tarde conseguimos outra consulta. mas não estava nada bem a situação. a cada segundo mais veloz em direção a . no mesmo posto de saúde. na parte da manhã. minha e de minha família. a Doutora me consultou super bem. mas não chegou a conclusão nenhuma. na parte da noite em casa. só que desta vez com uma clínica geral. a preocupação. eu me sentia sentado e amarrado dentro de alguma coisa e essa coisa se movia cada vez mais rápido. A saga continuava.Na manhã do dia 9 fui para a escola com meus amigos desta vez. e eles normalmente me carregaram o caminho todo quase. Dr.. fui para a escola pela manhã. o medo e a falta de paciência já estavam tomando conta de todos neste dia. Chegando no Centro Ortopédico. Adriano Ughini. No mesmo dia. eu e meus familiares estávamos sem saber o que fazer. mas me deram muita força. foi apenas um “esfolão” no joelho direito.

o medo.um precipício. Movimentos que eu fazia com as pernas ou com as mãos. só posso dizer que é uma doença neurológica. e o medo batia. e disse para nós. foi naquele momento que eu percebi que a coisa era muito. o médico nos informou que iria entrar em contato urgente com um amigo seu neurologista. pois se tratava de uma inflamação.. e não ortopédica. a angústia aumentava. Acordei. Dia 12 de Dezembro . se é que ainda tinha coisa pior pra vir. Na noite do dia 11. por isso não sei dizer do que se trata. Este. cada vez mais forte. ou seja podia ser tratada em casa com anti-inflamatórios. Pediu para nós aguardar na sala de espera.sexta-feira. fomos pegar o exame que já estava pronto. sem a necessidade de ser internado num hospital. numa pastelaria.. Às 13 horas do dia 12. se tratava de uma grande inflamação dos nervos. Adriano Ughini avaliar. para ver se ele conseguia algum outro neurologista. tive minha terceira queda. e eu precisava ir bem. e retornamos para o Centro Ortopédico para o Dr.” Aquilo só aumentou o medo. mas muito séria! Assim. o médico leu o exame na nossa frente. ele me respondeu que olhando por cima. não percebi. pedi para o médico se ele teria alguma idéia do que se tratava. “correndo” atrás da minha gata para fechá-la na casinha dela. que era o que eu mais temia. por azar ele estava fora da cidade e não podia atender o telefone. O exame era muito dolorido. o pior dia da minha vida. após realizar a prova me despedi dos meus amigos e colegas e voltei para casa na metade da manhã. Ficamos um pouco mais aliviados. força. de matemática. não pensei duas vezes e tentei correr para pegá-la. esperamos. algumas horas depois eu já não conseguia fazê-los novamente. falou o nome da síndrome. resistência. o avanço da doença estava cada vez mais crítico. tomei um café. eu confesso que estava um pouco animado. sem analisar bem o exame. mas fui direto para o chão. e quando ela passou por perto de mim. mas o pior estava por vir.. e eu e minha mãe fomos para a Clínica realizar o exame. fui para a escola com minha mãe e fiz a última prova do ano. portanto eu e minha família almoçamos no centro mesmo. Foi aí que o pesadelo ficou tenso. a . mas que ele iria analisar com mais calma. esperamos . após a realização do exame. onde pequenas agulhas eram colocadas (fincadas) nos nervos e músculos para medir a capacidade. “eu não sei o que é. mais do que já estava. O exame ficava pronto após o meio dia. esperamos..

Chegando lá. minha mãe atendeu e saiu de perto de mim. eu pedi se tinha novidades sobre a doença. criando anti-corpo e atacando meus próprios nervos. Em detalhes. ele logo percebeu do que se tratava e me disse: . mas não dava nada. Meu irmão estava na escola onde dava aula conversando com uma colega de profissão. e logo após pediu o que eu sentia. e contou o meu caso para ela. onde o meu sistema imunológico estava descontrolado. expliquei tudo. Mattana estava realizando uma cirurgia. era muita coisa ruim num dia só. ou seja o tratamento seria no . mas fingi estar bem..após ele fez um exame com um “martelo” de médico batendo bem de leve o martelo no joelho para ver se dava reflexo. ele me explicou que ela é uma doença neurológica e auto-imune. foi o que fizemos. eu nem tentei pois sabia que eu ia cair. onde o Dr. estava tudo parado. se esta capa for “rasgada”. assim a pessoa não tem força. o Dr. eu fiquei de boca aberta. saímos imediatamente para o Saúde. após pediu para que eu ficasse de pé sem os tênis. Chegamos no consultório onde ele pediu sobre minha vida. senti o clima pesando. Meu irmão nos ligou. que ele iria pesquisar a respeito para se ter pelo menos uma idéia do que era. o Dr. esperamos um bom tempo para o Dr. Após muita tensão e expectativa. com um belo sorriso no rosto me cumprimentou e me levou lá pra dentro do hospital para me consultar. aquilo foi como se alguém tivesse me dado um soco na cara. familiares chegavam.insegurança também.”E sem ter visto o exame que eu tinha feito ele conseguiu diagnosticar a mesma doença.00 cada frasco. Marcelo Mattana. ela era irmã de um neurologista.“Meu jovem. você tem Síndrome de Guillain Barré. Assim começou a me explicar tudo sobre ela. o comando que vem do cérebro não é passado para o músculo “ativar”. e nada de notícias de médicos. mas fui agüentando. neste meio tempo. foi aí que a sorte apareceu. até que uma hora meu irmão ligou para o meu celular e pediu para falar com a mãe. após um tempo ele retornou. expressão usada pelo médico. ele pediu o nome da Síndrome. sendo que eu ia fazer 6 frascos por dia durante 5 dias (tratamento inicial). e ainda disse que estávamos precisando de um neurologista urgente e não estávamos encontrando. Marcelo Mattana apareceu. e quando ela terminou o telefonema e voltou para perto. e pediu para nós irmos imediatamente para o Hospital Saúde. ainda explicou que eu iria fazer uma medicação chamada Imunoglobulina Humana EV (endovenosa). o meu sistema imune criava anti-corpos e atacava os meus nervos. e após o término da mesma iria me atender. estava com cara de choro. tudo.000. e que este medicamento custava R$ 1.. a cada segundo que passava o nervosismo aumentava. mas deixou escapar que era quase 100% de chances de internação no hospital. e que eu ficasse apenas com as pontas dos pés apoiadas ao chão. “amigo matando o próprio amigo”. ela enrolou muito. nos nervos existe uma espécie de “capa” que reveste eles pelo lado exterior chamada de Bainha de Mielina. foi ao meio de diversos telefonemas entre minha mãe e meu irmão que uma luz apareceu. Aparecer.

meus familiares tentavam ajudá-la e me ajudar também. quando cheguei me tranquei no banheiro para tomar um banho. foi dolorido. a vontade de chorar era muito grande. meus pais estavam quietos. Mattana entrou em contato imediato com seu amigo. Então o Dr. o Dr. e só passava coisa ruim. que segundo ele estava progredindo muito rápido. após alguns médicos introduziram o acesso ao meu braço para receber a medicação. mas era um momento muito delicado. Após a consulta voltamos para a recepção do Hospital para aguardar o pagamento da consulta. Ao deitar na minha maca. dei um abraço na minha avó. e ainda eu estava correndo risco de vida e nem sabia. . com aparelhos. o Dr. Saí do banho sem fazer uma palavra.00. pois fome eu não tinha. mas nada comparável pelo exame que eu passei logo depois. então tomei um café bem rápido. e fomos para o hospital sem idéia de quando eu retornava. um aperto muito forte dentro do peito. que não acreditava que o neto dela estava tão mau assim. era muito difícil conseguir o tratamento pelo SUS. mas eu tinha que enfrentar. minha cabeça dava voltas. foi terrível. ainda me disse que eu poderia ficar hospitalizado por meses e que tudo ia depender da resposta do meu organismo ao medicamento. pela enfermaria do hospital. o clima lá dentro era muito pesado. brinquei um pouco com minha gata. a visão lá dentro era realmente assustadora. desabafei tudo. pessoas jogada em macas. o clima estava muito tenso. André. e seria aquele final de tarde. pagamos a consulta e voltamos para casa. e trabalhava no Hospital Geral. e ainda me informou que era para eu estar tranqüilo. No momento o doutor me disse que se eu tivesse algum plano de saúde eu seria internado imediatamente no Hospital Saúde. que era neurologista também. sem ir para casa. aconteceu. pois eu estaria nas mãos de uma das melhores equipes médicas da cidade. talvez por vergonha de chorar na frente da família. minha mãe desesperada chorava muito. Por volta das 19 horas do dia 12 de dezembro de 2008 eu dei entrada ao Hospital Geral de Caxias do Sul. eu estava sem visão do meu futuro. esse tempo foi muito horrível.000. foi quando eu chorei. que era ser internado. e se retornava. a mais dolorida de todas as anteriores. pois eu teria que começar a fazer a medicação urgente para evitar ao máximo o avanço da doença. já que era muito difícil alguém ser internado com a doença que eu tinha. pois eu não tinha plano de saúde. logo muitos médicos foram chegando para me conhecer.valor de R$ 30. parecia que o fim tinha chagado. chorei muito.000. Fabrício Fortuna. pois o que eu mais temia. e a questão financeira na época não chegava perto dos R$ 20. foi um susto muito grande para nós.00. pois antes não tinha conseguido. sendo que poderia paralisar os pulmões de uma hora para a outra e me levar a morte e que eu teria que ser internado com urgência e sem prazo de alta. entrando com o médico. Foi uma pancada muito forte.

então aquilo era praticamente um leito de hospital para mim. durante o dia recebi muitas visitas de parentes. Após muito tentar. fui removido da sala de observação e fui posto no corredor da enfermaria. mas para a minha surpresa. meu organismo respondeu bem à medicação desde o início do tratamento. O segundo dia do fim de semana eu estava mais conformado. o que exatamente eu estava sentindo naquele momento e antes de ter sido hospitalizado. estava bem espontâneo. outros familiares me visitaram e me deram muito apoio. pois ninguém sabia como o meu corpo iria receber a medicação. os médicos alertaram a causa disto uma reação normal do organismo. que é a retirada do líquido da coluna. meu irmão e minha cunhada que me levavam chocolate escondido dos médicos também me ajudaram muito. eu já conseguia subir um degrau sem o uso de um apoio. expressão usada por um médico. Após um tempo. ou que a medicação foi feita muito rápida. acordei na manhã de um sábado ensolarado em uma maca de um hospital com uma doença terrível. após o término tentei subir algumas escadas que tinha no interior do hospital. fiquei descansando na maca. que foi o que me alegrou muito. muitos médicos e médicas vinham a mim para fazer perguntas. mas por ali não fiquei muito. conversava. sobre os sintomas. 14 de Dezembro – Domingo. Após um bom tempo chegou a minha primeira dose da Imunoglobulina (remédio milagroso). O primeiro final de semana de férias após um ano muito cansativo na escola não foi dos melhores. A primeira vez que recebi o remédio via veias. Após o término da primeira dose. foi muito dolorido e demorado. mesmo estando muito cansado por tudo o que passei aquele dia 12. através de uma agulha muito grande. foi onde aconteceu um desmaio. a primeira dose. Às 22 horas recebi minha segunda dose da medicação. aquela que marcava o meu contra ataque contra a ação da síndrome. para me manter vivo.o exame de líquor. 13 de Dezembro – Sábado. Um pouco antes do meio dia. mas após isso eu já perdia as forças e caia. na noite do dia 13 fui levado para um consultório dentro da enfermaria que não estava sendo ocupado para a realização de consultas. . mas eu não conseguia dormir. mas não era bem assim. foram 6 frascos que “desceram” pela veia em questão de trinta minutos. vizinhos e conhecidos. os médicos me alertaram que com as primeiras doses da medicação eu poderia regredir muito. eu ainda estava muito fraco. ria. me levantei para ir até o banheiro da sala de observação. mas graças ao meu bom Deus. consegui dormir até o dia seguinte. e correr o risco de ser internado na UTI do hospital e ficar cheio de aparelhos ligados em mim. foi um pouco complicado.

Foi um dia muito bom. após isso eu não consegui mais dormir pela ansiedade de voltar logo para a minha casa. Este dia marcou também o início de pequenas caminhadas no corredor do hospital. durante a noite. eu dividia o quarto com dois outros homens.segunda-feira. e tiveram que descobrir me perguntando os sintomas. na verdade alguns fisioterapeutas me explicaram alguns exercício para mim fazer em casa depois. 16 de Dezembro . eu estava agitado e muito feliz também. infelizmente. naquela noite tão esperada por todos. foi também o início da fisioterapia. também foi o dia do casamento no civil do meu mano com a minha cunhada.Durante a manhã recebi uma visita muito estranha. meu tio foi quem me representou na cerimônia quando eu estava “comendo sopinha no hospital”. expressão que uso sempre quando lembro com bom humor deste ocorrido. que invadiram o quarto onde eu estava “consultório”. o Dr. para que eu não caísse. eu não pude comparecer. mas uma grande melhora tinha ocorrido e eu e minha família estávamos muito felizes por isso. e foi pra lá que eu fui de cadeira de rodas pelos corredores do hospital. tudo bem mais calmo. fiz muitas amizades com médicos e médicas nos últimos dias de internação. O dia 17 representou o final de uma longa batalha que durou 24 dias. 17 de Dezembro – quarta – feira. era o leito 555 B. não com muita perfeição ainda. 15 de Dezembro . Foi um dia tranqüilo onde recebi algumas visitas mais íntimas da família. aí começou uma nova fase. às 10 horas finalmente o meu irmão chegou para me levar para casa. para fazer os últimos exames. onde eu era padrinho junto com a minha prima.terça-feira. no relógio marcava seis horas da manhã. Às 8 horas da manhã minha mãe chegou ao hospital conversou bastante comigo. eu já conseguia fazer alguns exercícios recomendados pelos fisioterapeutas. quando uma enfermeira me acordou para retirar sangue. eles não sabiam o que eu tinha. médicos novos. sempre com a minha mãe segurando meu braço. eles demoraram muito tempo para acertar o que eu tinha. este foi o melhor dia da minha vida.Fortuna e mais uns dez médicos residentes. já era tarde da noite e eu estava quase acabando a quinta dose da medicação. o doutor me cumprimentou e apresentou seu alunos do curso de medicina da UCS. aquela que fechava com chave de ouro o tratamento. após a terceira dose da medicação. conseguia dormir bem tranqüilo. um passou por Trombose e outro estava com problemas nos Pulmões por causa do cigarro. recebi minha tão esperada . Foi um dia perfeito. eu consegui um leito no hospital. Sem dúvidas. Após a cerimônia meu pai veio me ver no hospital.

foi na base de muita fisioterapia em casa.foi um momento único. Ao pisar do lado de fora do hospital. a medicação que eu recebi serviu apenas para estancar o avanço da minha doença. fiz coisas que gostava de fazer. . nem um pouco. mas foi um momento único. sendo que algumas pequenas seqüelas ficaram. Parece uma coisa tão ridícula. Aprendi muito. era eu quem tinha que buscá-la novamente. quando eu coloquei o primeiro pé sem me apoiar em nada. as forças nas pernas foi muito difícil de ter de volta. Hoje. mas a primeira coisa que eu queria fazer mesmo. aprendi a dar valor a tudo que está ao meu redor. almocei em casa com ela. de sensibilidade. voltei até na enfermaria para agradecer aos médicos que me receberam naquela noite do dia 12. a fase de fisioterapia. para voltar a ser como antes. Aquela quarta-feira foi muito boa.. parecia uma novidade na minha vida. onde ficou quase 100% paralisado na época. a enxergar e dar valor as coisinhas pequenas da vida. ou seja passei por 3 fases para ficar 100%. eu realmente “suava” minha camisa para voltar a ter o que eu tinha perdido. foi o meu maior aliado para vencer essa terrível fase da minha vida. de muita felicidade. Foram 2 longos meses assim. eram muitos exercícios. resumir. aprendi a ver a vida com outros olhos.foi sem palavras. suando.. era tentar subir a escada que tem aqui em casa. e que me ajudaram muito. e a fase de readaptação natural do corpo que foi a mais demorada. cresci em termos de pensamento. os pés também. não foi fácil. ficou muito debilitado.. equilíbrio. mas muito mesmo com tudo o que passe nestes tempos. mas nada que me faça sofrer como eu sofri quando passei pela temida Síndrome de Guillain Barré. estou 100% recuperado. mas minha recuperação não estava completa. vi minha família. ouvir o canto dos pássaros. força. mas a recuperação total mesmo não terminou aí.. o que eu senti não tem como demonstrar. explicar.. após 2 anos da alta hospitalar. Eu fazia 3 sessões de fisioterapia por dia.. foi muito bom. pois ele sem dúvidas. me despedi da maioria dos médicos. ganhei presentes. principalmente nos pés. a fase de internação e medicação. sentir o vento batendo no rosto. e conseguir subir vários degraus em seqüência sem parar. dei um abraço em minha avó. eu ainda sentia alguma fraqueza nos membros inferiores. pois quase 1 ano depois da minha alta do hospital. foi uma sensação maravilhosa. resistência.chegamos em casa e logo alguns vizinhos vieram me receber e me dar um abraço. minha fé em Deus aumentou muito também. mas a força que eu perdi.alta do hospital.

A maioria dos pacientes tem recuperação completa. As células do sangue são recolocadas então no corpo. É o tratamento mais indicado pelo fácil manuseamento. e a destruição do axônio da célula nervosa (denervação). ou vice-versa. A Síndrome de Guillain-Barré afeta aproximadamente 01 em 100 mil pessoas e pode ocorrer em qualquer idade. A Bainha de Mielina é uma substância gordurosa que cobre os nervos. o prognóstico em longo prazo é geralmente bom. Georges Guilliain. vem do nome de dois dos três médicos norte-americanos que descobriram a síndrome. Os sinais de infecção geralmente desaparecem antes que se iniciem os sinais da Síndrome de Guillain-Barré. o paciente pode morrer por falta de oxigênio. A lesão geralmente inclui a perda da Bainha de Mielina do nervo (desmielinização). para exames e experimentos. e ataca até destruí-los totalmente (desordem auto-imune). Infusões de Imunoglobulina: As imunoglobulinas são umas misturas de anticorpos produzidos naturalmente pelo sistema imune do corpo. ou até mesmo anos. depois separado em seus componentes: plasma (a porção líquida de sangue) e células (hemáceas. pois o Sistema Imunológico confunde os nervos com um invasor. levando o paciente a ataques cardíacos e morte.) Ninguém sabe como este tratamento funciona. para ter certeza que a respiração e outras funções vitais são mantidas. já que pela Plasmaferese pode causar pressão alta. embora seja mais comum entre os 30 e os 50 anos. • O que é a Síndrome de Guillain-Barré? A Síndrome de Guillain-Barré é um tipo agudo de inflamação do nervo. o último foi uma espécie de “cobaia”. Prognóstico: Embora a Síndrome de Guillain-Barré seja uma desordem terrível. leucócitos e plaquetas). Jean Alexander Barre e André Strohl. para começar o mesmo pela Imunoglobulina. o que bloqueia a condução através do nervo. Isso ocorre. em ambos os sexos. como é estruturalmente desenhada para promover a liberação rápida e eficiente de um impulso nervoso que vem do cérebro para um músculo. embora possa levar meses. O que torna a Síndrome de Guillain-Barré uma emergência médica é que a fraqueza pode afetar os músculos do tórax responsáveis pela respiração. para recuperar a força e o . Os nervos por fim não tem defesa alguma. A causa exata do distúrbio não é conhecida. muitas vezes o tratamento pela Plasmaferese é bloqueado. (O corpo fabrica mais plasma para compensar o que foi retirado. o que retarda a condução do impulso nervoso através do nervo. O paciente deve ser monitorado cuidadosamente. Doses altas de imunoglobulina podem trabalhar bloqueando os anticorpos que contribuem para a doença. normalmente em um hospital. De modo geral. manifesta-se após uma infecção respiratória (pulmão) ou gastrointestinal (intestino) leves. Não apenas atua como um bom isolante. Tratamentos: A Plasmaferese na qual sangue é retirado do paciente. A inflamação lesa a célula nervosa e causa fraqueza muscular ou paralisia.Curiosidades: • O nome Guillain Barré. Se eles são paralisados. em alguns casos pode acontecer câimbras muito forte. mas a maioria dos cientistas acredita que a plasmaferese remove as substâncias do plasma (como anticorpos e complementos) que participam do ataque do sistema imune aos nervos periféricos.

e outro atacado pela síndrome. quase sempre porque eles desenvolvem uma paralisia da respiração antes que eles cheguem ao hospital. morre. Uma porcentagem muito pequena de pacientes. Radamés Diogo Debastiani. aproximadamente 3 a 5 por cento.movimento anteriores à doença. Aproximadamente 30 por cento dos pacientes ainda permanecem com um pouco de fraqueza até três anos após a melhora da doença. Imagem que mostra a diferença de um nervo normal. Obrigado pela atenção! .

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