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Comunhão com a natureza

Sentado agora vejo o sol surgir por entre as brumas do céu enquanto o
tempo escorre por dentre as minhas mãos. Cada penar se dissipa quando
tocado pela luz fulgurante do sol, tão cálido por sob o céu. Banho-me no
mais doce e virgem orvalho que a lua fez repousar sobre as folhas, fazendo
dele o meu néctar para a juventude. Deixo o vento tocar a minha face como
que em um acalanto, sentindo em suas entranhas o cheiro da inocência que
exala de cada ser que tem o dom de viver muito além do pensar: o instinto
exala um perfume mais atraente que a razão. A sombra se faz difícil, mas
de pouco em pouco se estende sobre o meu corpo apoiado no tronco de
uma arvore, fatigado por minha própria existência, e percebendo esta
minha dor ela parece compadecer-se. As águas, tão flexíveis por dentre as
rochas do rio parecem saber o seu objetivo final, e para isso usa de todas as
armas que a terra lhe deu. Esta água cheia de objetivos é a mesma na qual
me banho, o corpo despido das roupas, das preocupações, dando liberdade
para que a tranqüilidade possa ressurgir no meu peito sem nenhum pudor.