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Hoje, eu parei e pensei na vida.

Fiquei pensando em tudo que um dia eu


quero fazer ou ser, mas não como aquele garoto de alguns anos atrás. A
realidade bateu em minha porta muito cedo, e eu aprendi a sonhar com os olhos
abertos. Meus objetivos, hoje, são bem diferentes daqueles que por muito
tempo de minha infância eu alimentei no meu coração. Mesmo sabendo da
realidade eu os alimentava, por que para mim, ela não pesava tanto quanto
agora; meus objetivos hoje são diferentes dos de outras pessoas da minha
idade, diferente dos objetivos de todo mundo que convive comigo.

Eu não desejo muito, não tenho ganância e nem ao menos desejo as


coisas que todo mundo deseja: ser rico, conhecer os lugares mais bonitos do
mundo ou ter as roupas da moda; O meu sonho é chegar um dia em um
momento da minha vida em que ninguém mais espere nada de mim; espero um
dia que a pressão que recai sobre os meus ombros torne-se mais leve ou suma
de uma vez; eu quero o básico para um homem ser feliz: ter uma mulher que
me ame, um trabalho que nos assegure paz, amigos para rir comigo, quem
sabe até filhos para trazer a alegria da ingenuidade ao meu coração;

Talvez eu não quisesse nem ter nascido, por que o fato de eu ter nascido
inspirou todos a minha volta a transcenderem os muros das próprias vidas para
tentar construir a minha. Transformaram-me em um espelho, que deveria refletir
a silhueta lapidada dos sonhos de cada um que apostara tudo em mim. A pena
é que, se nós mesmos não formos capazes de realizar nossos sonhos, por que
o outro deverá o fazer? Por que o outro nos parece ter o poder de realizar o que
deixamos de lado, ou no passado, por motivos que às vezes preferimos
esquecer?

Talvez eu só queira um tempo para mim. A realidade é que passo 24


horas do meu dia pensando nas pessoas. Eu me preocupo com o amigo mais
próximo, com o colega que faz tempo que não vejo. Todas as preocupações
alheias interferem em minha vida, pois fui acostumado a ser assim. Eu só quero
que Deus possa me conceder muito tempo de vida, para que eu possa, ao final
de minha vida, ter um tempo para pensar em mim, ou pelo ou menos, no que eu
queria fazer quando fui um jovem calado, solitário e peça-chave na felicidade
dos outros, e não da minha.