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Anais VI Simpósio Regional de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto - Geonordeste, Aracaju, SE, Brasil, 26 a 30 de novembro de 2012, UFS.

AVALIAÇÃO DA QUALIDADE CARTOGRÁFICA DE ORTOIMAGEM GEOEYE DA


REGIÃO DE NOVA LIMA, MG

André Ferreira Borges¹, Antônio Luís Andrade de Carvalho², Giovanni Chagas Egg³
Marcos Antônio Timbó Elmiro4
1
Engº Agrimensor, Engenheiro da Prefeitura de Nova Lima -MG, andreborges2005@yahoo.com.br
²Engº Agrimensor, Engenheiro da Prefeitura de Nova Lima - MG, antonioandrade.carvalho@gmail.com
³Engº Agrimensor, Mestrando em Engenharia Civil, UFV, - MG, giovanni@vicosa.ufv.br
4
Engº Cartógrafo, Professor Adjunto do Depto. Cartografia, UFMG, Belo Horizonte, mtimbo@ufmg.br

RESUMO: Imagens e dados de sensoriamento remoto têm uso cada vez mais intenso nas aplicações
de cartografia e mapeamento. O uso de Ortoimagens derivadas de sensores remotos surge como um
potencial recurso que permite a realização de estudos cartográficos, os quais podem servir como
subsídios nas obras de engenharia, previsão de desastres naturais, análise da forma das mais variadas
feições disponíveis, estudo de tráfego, agricultura de precisão, dentre outros. O presente trabalho tem
como objetivo a avaliação de uma imagem derivada do sensor GEOEYE – I, com resolução espacial
de 0,5 metros, ortorretificada por meio de um Modelo Digital de Superfície derivado da Missão SRTM
(Shuttle Radar Topography Mission). A avaliação foi realizada com base no Padrão de Exatidão
Cartográfica – PEC, instituído pelo decreto-lei 89.817/1984. A região de estudo abrange parte do
município de Nova Lima. Os resultados permitiram verificar que o produto avaliado é compatível com
a escala de 1:10.000, classe B. Esta ortoimagem apresenta tendência indicando a presença de erros
sistemáticos para a planimetria.

PALAVRAS-CHAVE: GEOEYE-I, Ortoimagem, PEC.

INTRODUÇÃO: Imagens e dados de sensoriamento remoto têm uso cada vez mais intenso nas
aplicações de cartografia e mapeamento. O uso de Ortoimagens derivadas de sensores remotos surge
como um potencial recurso que permite a realização de estudos cartográficos os quais podem servir
como subsídios nas obras de engenharia, previsão de desastres naturais, análise da forma das mais
variadas feições disponíveis, estudo de tráfego, agricultura de precisão, dentre outros. Neste sentido,
os sensores ópticos de alta resolução, carregados a bordo de satélites, trouxeram a possibilidade de
obtenção de imagens das mais variadas regiões do globo terrestre, possibilitando então a aquisição de
dados espaciais a custos acessíveis. Consequentemente, devido a esta maior facilidade de obtenção de
dados, associada à disponibilidade de ferramentas computacionais, uma grande quantidade de usuários
não especializados emergiu no mercado. Isso abriu a possibilidade de geração de produtos
cartográficos por vários profissionais que sem o adequado conhecimento ao gerar os produtos, muitas
vezes, não se preocupam com a qualidade e aplicabilidade deste dado espacial (SANTOS, 2010).
Neste sentido, torna-se necessário não somente gerar produtos cartográficos, mas também avaliar a
qualidade do produto gerado e definir para qual finalidade este produto pode ser utilizado de acordo
com os resultados da avaliação em função dos padrões existentes. O objetivo desse trabalho consiste
na avaliação de uma Ortoimagem derivada do Satélite GEOEYE-I, ortorretificada com base em um
MDS derivado da Missão SRTM. Os parâmetros de avaliação fundamentam-se nos padrões
estabelecidos no Decreto-Lei 89.817/1984.

MATERIAL E MÉTODOS: A área de estudo abrangeu parte da região do condomínio Alphaville,


situado sobre o Município de Nova Lima - MG. Para a realização deste trabalho, utilizaram-se a
Ortoimagem GEOEYE-I modo PSM (combinação da cena pancromática e multiespectral), com
resolução espacial de 0,5 metro, comercializada pela empresa Engesat, um Receptor GPS Pro Mark III
da marca Ashtech para efetivação do levantamento dos pontos de checagem em campo, o Software
Ashtech Solutions 2.7 para processamento dos dados levantados, o Software GeoPEC versão 2.1 para
realização da análise, empregando o Decreto-Lei 89.817/1984, e por fim o Software ArcGIS 9.3 para
realização de análise visual da ortoimagem avaliada. O processo de avaliação da qualidade
cartográfica obedeceu às etapas de levantamento dos pontos de checagem, processamento, avaliação
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da acurácia, coleta das coordenadas dos pontos de checagem sobre a imagem, cálculo das
discrepâncias e análise do produto empregando o PEC. A etapa de coleta de dados foi realizada nos
meses de Abril e Maio de 2012, onde foram levantados em campo 20 pontos de checagem. Este
número foi escolhido devido ao fato de que, segundo Merchant (1982), este seria o número mínimo de
pontos de checagem a ser utilizado ao se avaliar um produto cartográfico. O tempo de rastreio de 30
minutos foi escolhido devido ao fato de objetivar a obtenção de uma qualidade geométrica com
relação à planimetria e de até 1/3 do erro padrão esperado para a escala em que se deseja avaliar,
seguindo o proposto por Merchant (1982).Logo, visando obter um produto cartográfico compatível
com a escala de 1:5.000, a qualidade dos pontos a serem levantados deveria ser da ordem de 50 cm. O
processamento dos pontos foi realizado em relação à base da rede de Monitoramento Contínuo –
RBMC, da região de Belo Horizonte: Estação MGBH. Procurou-se definir uma distribuição uniforme
dos pontos, visando a identificação dos mesmos sobre estradas e vias de acesso (bifurcações),
conforme distribuição apresentada na Figura 1.

Figura 1 – Distribuição dos pontos de checagem sobre a Ortoimagem GEOEYE-I.

Uma vez coletados os pontos de checagem em campo, realizado o processamento e análise estatística
dos dados, o passo seguinte consistiu na coleta das coordenadas dos pontos levantados sobre a
Ortoimagem. Conforme dito anteriormente, isso foi feito utilizando o Software ArcGIS 9.3, onde
coletou sobre cada ponto, as coordenadas Norte e Leste, criando-se assim o arquivo de pontos para
avaliação. De posse destes pontos, realizou-se a avaliação empregando o PEC, onde foi utilizado o
Software GeoPEC para automatização do processo de análise do produto cartográfico. Vale ressaltar
que o GeoPEC consiste em um programa desenvolvido por Santos (2010), como produto de sua
dissertação, intitulada: “Avaliação da acurácia posicional em dados espaciais com uso da estatística
espacial”, onde o autor trabalhou no sentido de desenvolver uma ferramenta computacional com a
finalidade de fornecer aos profissionais, que trabalham com informações espaciais, possam realizar a
avaliação da acurácia posicional, levando em consideração o Decreto-Lei 89.817/1984, e permitindo
também análises através da NBR 13.133. Este Software é de uso gratuito, o que motivou também o seu
uso neste trabalho. Foram realizados o cálculo das discrepâncias (diferença entre os valores levantados
em campo e os valores coletados sobre a imagem), o emprego do Teste t de Student para verificação
de tendência na imagem e a análise empregando Decreto-Lei 89.817/1984, através do emprego do
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teste de precisão com o teste do Qui-Quadrado e a análise utilizando os padrões do PEC para a
planimetria. Caso a ortoimagem fosse enquadrada na Classe A, utilizando os padrões do PEC, e, após
avaliação, usando o teste do Qui-Quadrado, o produto era avaliado na classe A, caso contrário, o
mesmo se enquadrava em uma classe imediatamente inferior. Por exemplo, se o produto fosse
avaliado como classe A utilizando o PEC e classe B no teste do Qui-Quadrado, o mesmo se
enquadrava na classe B.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: A Figura 2 apresenta um gráfico contendo as discrepâncias para os


pontos analisados.

Figura 2 – Discrepância para os pontos analisados.

A partir da Figura 2, verifica-se que o ponto que apresentou maior discrepância foi o NL05, cujos
valores encontram-se em torno de 7, 6 metros. Pode-se verificar também a tendência dos dados ao se
analisar as discrepâncias para as coordenadas E e N. O emprego do Teste t de Student permitiu
constatar a presença de erros sistemáticos, conforme apresentado na Tabela 1.

TABELA 1 – Classificação da ortoimagem após emprego da análise de Tendência.


t t
Coordenada tabelado calculado Resultado

E (m) -4, 1208 Existe erro


1, 7291
N(m) -2, 8699 sistemático

Com relação à avaliação da ortoimagem no quesito “Teste de Precisão” utilizando o PEC, verificou-se
que o produto em questão foi enquadrado na Classe B para a escala 1:10.000. O resultado foi Classe A
obtido ao se analisar o produto empregando o Teste do Qui-Quadrado, onde se constatou que o dado
era preciso para a escala 1:10.000. A Tabela 2 apresenta os resultados obtidos após emprego do teste
do Qui-Quadrado.
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TABELA 2 – Classificação da ortoimagem após emprego da análise de precisão.


X² X²
Coordenada tabelado calculado Resultado

E (m) 3, 692
27, 2 Classe B
N(m) 7, 3456

Considerando outros resultados relacionados à avaliação de ortoimagens GEOEYE-I, esperava-se o


enquadramento do mesmo à escala de 1:5.000, conforme apresentado pelo fabricante. Contudo, devido
a imagem ter sido ortorretificada utilizando MDS derivado da Missão SRTM, ao invés de um MDE
com qualidade superior, uma maior qualidade planimétrica não foi possível de ser conseguida e
consequentemente resultados similares aos obtidos por Antunes et. al (2011) não foram possíveis de
serem alcançados. Uma análise visual também foi realizada sobre a cena avaliada no intuito de
verificar possíveis imperfeições sobre a ortoimagem. Permitiu-se constatar que áreas arborizadas não
tiveram valores de pixels associados, conforme pode ser visto na Figura 3.

Fig. 3 – Análise visual da ortoimagem GEOEYE.

Na Figura 3, as áreas em branco consistem em regiões sem informações sobre os valores numéricos
dos pixels. Devido a presença de sombras e por se utilizar o MDS SRTM, estas áreas não
apresentaram informações.

CONCLUSÕES: Com base nos resultados obtidos, verifica-se que a ortoimagem avaliada foi
classificada compatível com a Classe B, definida no Decreto-Lei 89.817/1984, tendo seu uso
recomendado para a Escala 1:10.000. Foi detectada a presença de erros sistemáticos para as
componentes isoladas e também para a resultante posicional. O Software GeoPEC permitiu a
realização das análises de maneira mais rápida. Áreas apresentando sombras tiveram os valores
numéricos dos pixels afetados. Recomenda-se para trabalhos futuros o levantamento de feições
lineares e de área para análise da ortoimagem empregando também a norma NBR 13.133.
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REFERÊNCIAS:
ANTUNES, R. M.; MACHADO, D. C. S.; ABREU, M. B.; BARROS, R. S. Avaliação da exatidão
planialtimétrica da ortoimagem em Modelo Digital de Elevação (MDE) da Ilha Grande obtido
através do GEOEYE-1. In. 1ª Jornada de Geotecnologias do Estado do Rio de Janeiro, UFRJ, 2011.
BRASIL. Decreto Lei 89.817, de 20 de Junho de 1984. Estabelece instruções reguladoras das normas
técnicas da cartografia nacional. Brasília, 1984. Disponível em:
<http://www.concar.ibge.gov.br/indexf7a0.html?q=node/41>. Acessado em 04 de Junho de 2012.
ENGESAT. GEOEYE-1: Distribuição Comercial iniciada. Imagens orbitais de 0.50 m coloridas
agora disponíveis. Disponível em:
<http://www.engesat.com.br/index.php?system=news&news_id=737&action=read>. Acesso em: 29
jun. 2012.
SANTOS, A. P. Avaliação do Padrão de Exatidão Cartográfica em Imagens Ikonos e CBERS 2b
da Bacia do Ribeirão São Bartolomeu, em Viçosa-MG. Monografia. Universidade Federal de
Viçosa. 2008.
SANTOS, A. P. Avaliação da acurácia posicional em dados espaciais com uso da estatística
espacial. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil. Departamento
de Engenharia Civil, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2010.
MERCHANT, D. C. Spatial Accuracy Standards for Large Scale Line Maps. In Proceedings of the
Technical Congress on Surveying and Mapping (1), 222-231, 1982.

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