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Bibliologia
Noções de Bibliologia – 120

13 de agosto de
2008
h/a

Aluno:
Janildo da Silva Arante –

A formação do Antigo Testamento abrange um


período de mil anos. Foi veiculada por homens de
diversas categorias sob orientação direta e
exclusiva de Deus. É difícil determinar todo o
processo editorial desses livros embora haja casos
em que houve ordem Divina imediata como se vê
em Jeremias 36.

Ágape Estudos Bíblicos


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Descoberta
084 88494682 e 084 99140473
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Bibliologia

Sumário
Introdução
1. Os Testamentos..........................................................................................................................................5
1.1. O Velho Testamento............................................................................................................................5
1.2. O Velho Testamento............................................................................................................................5
2. A Bíblia......................................................................................................................................................6
3. Os Manuscritos..........................................................................................................................................8
O Papiro .............................................................................................................................................................8
O Pergaminho.....................................................................................................................................................8
Outros materiais empregados: A Argila.............................................................................................................8
Ostracom............................................................................................................................................................8
Bronze................................................................................................................................................................8
Cera....................................................................................................................................................................8
Chumbo..............................................................................................................................................................8
Linho..................................................................................................................................................................8
Madeira...............................................................................................................................................................8
Ouro....................................................................................................................................................................8
Pedra...................................................................................................................................................................8
3. A Bíblia e suas divisões..........................................................................................................................47
4. Jesus na Bíblia..........................................................................................................................................33
5. Os Escritores e assuntos da Bíblia...........................................................................................................34
6. Traduções da Bíblia................................................................................................................................34
7. Curiosidades............................................................................................................................................47
8. Os livros Apócrifos.................................................................................................................................62
10. A Bíblia por ela mesma............................................................................................................................64
Conclusão.......................................................................................................................................................69
Questionário ..................................................................................................................................................59

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NOÇÕES DE BIBLIOLOGIA

CURIOSIDADES ACERCA DA BÍBLIA SAGRADA

TEXTO ÁUREO:

“Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração: O mandamento do Senhor é puro, e alumia os olhos” Sl.
19.8.

1. INTRODUÇÃO
A ORIGEM DA BÍBLIA Divisão em Versículos. Até o ano de
1551 d.C. não existia a divisão denominada
O termo Bíblia tem origem no grego versículo. Neste ano o Sr. Robert Stephanus
"Biblos" e somente foi usado a partir do ano chegou a conclusão da necessidade de uma
200 d.C. pelos cristãos. É um livro singular, subdivisão e agrupou os texto em versículos.
inspirado por Deus, diversos Escribas,
Sacerdotes, Reis, Profetas e Poetas (2Tm 3.16;
2Pe 1.20,21) a escreveram, num período Até a invenção da gráfica por Gutenberg,
aproximado de 1.500 anos, foram mais de 40 a Bíblia era um livro extremamente raro e caro,
pessoas e notadamente vê-se a mão de Deus na pois eram todos feitos artesanalmente
sua unidade. Estes textos foram copiados e (manuscritos) e poucos tinham acesso às
recopiados de geração para geração em diversos Escrituras. Os povos de língua portuguesa só
idiomas, tais como Hebraico, Aramaico e começaram a ter acesso à Bíblia de uma forma
Grego, até chegar a nós. mais econômica a partir do ano de 1748 d.C.,
quando foi impressa a primeira Bíblia em
português, uma tradução feita a partir da
Verificou-se através do Método Textual, "Vulgata Latina".
que 99% dos textos mantêm-se fiel aos
originais. É certamente uma obra divina,
levando em consideração os milhares de anos A Bíblia é composta de 66 livros, 1.189
entre a escrita e nossos dias. As partes mais capítulos, 31.173 versículos, mais de 773.000
antigas das Escrituras encontradas são um palavras e aproximadamente 3.600.000 letras.
pergaminho de Isaías em Hebraico do segundo Gasta-se em média 50 horas (38 VT e 12 NT)
século a.C., descoberto em 1947 nas cavernas para lê-la ininterruptamente ou pode-se lê-la em
do Mar Morto e um pequeno papiro contendo um ano seguindo estas orientações: 3,5
parte do Livro de João 18.31-33,37,38 datados capítulos diariamente ou 23 por semana ou
do segundo século d.C. ainda, 100 por mês em média.

Divisão em Capítulos. A Bíblia em sua Encontra-se traduzida em mais de 2.400


forma original é desprovida das divisões de línguas e dialetos. Há uma estimativa que já foi
capítulos e versículos. Para facilitar sua leitura comercializado no planeta milhões de
e localização de "citações" o Prof. Stephen exemplares entre a versão integral e o NT. Mais
Langton, no ano de 1227 d.C. a dividiu em de 500 milhões de livros isolados já foram
capítulos. comercializados. Afirmam ainda que a cada
minuto 50 Bíblias são vendidas, perfazendo um
total diário de aproximadamente 72 mil
exemplares!

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acontece quando nos colocamos em santidade e


abertos para o santo mover.
EncontraM-se nas livrarias com
facilidade as seguintes versões em português.
(1) Revista e Corrigida, (2) Revista e A palavra grega Bíblia, em plural, deriva
Atualizada, (3) Contemporânea, (4) Nova do grego bíblos ou bíblion (βίβλιον) que
Tradução na Linguagem de Hoje, (5) Viva, (6) significa "rolo" ou "livro". Bíblion, no caso
Jerusalém, (7) NVI - Nova Versão nominativo plural, assume a forma bíblia,
Internacional, (8) Revisada e Corrigida - FIEL. significando "livros". No latim medieval, biblìa
é usado como uma palavra singular — uma
colecção de livros ou "a Bíblia". Foi São
No segundo domingo de Dezembro, Jerónimo, tradutor da Vulgata Latina, que
comemora-se o Dia Nacional da Bíblia, chamou pela primeira vez ao conjunto dos
aprovado pelo Congresso Nacional. livros do Antigo Testamento e Novo
Testamento de "Biblioteca Divina". A Bíblia é
uma coleção de livros catalogados,
Materiais em que foram escritos os textos considerados como divinamente inspirados
bíblicos. A Palavra de Deus foi escrita em pelas três grandes religiões dos filhos de
diversos materiais, vejamos os principais. Abraão, que são o Cristianismo, o Judaismo e o
Pedra. Inscrições encontradas no Egito e Islamismo. São, por isso, conhecidas como as
Babilônia datados de 850 a.C. Argila e "religiões do Livro". É sinónimo de "Escrituras
Cerâmica. Milhares de tabletes encontrados na Sagradas" e "Palavra de Deus".
Ásia e Babilônia. Madeira. Usada por muitos
séculos pelos gregos. Couro. O AT
possivelmente foi escrito em couro. Os rolos Os livros bíblicos considerados canônicos
tinham entre 26 a 70 cm de altura. Papiro. O pelas igrejas cristãs são ao todo 66 livros, sendo
NT provavelmente foi escrito sobre este 39 livros no Antigo Testamento e 27 livros no
material, feito de fibras vegetais prensadas. Novo Testamento. A Bíblia Católica contém 7
Velino ou Pergaminho. Velino era preparado livros a mais no Antigo Testamento do que
originalmente com a pele de bezerro ou outras traduções bíblicas usadas pelas religiões
antílope, enquanto o pergaminho era de pele de cristãs não-católicas e pelo Judaísmo. Esses
ovelhas e cabras. Quase todos os manuscritos livros são chamados pela Igreja Católica de
conhecidos são em velino, largamente usado há deuterocanónicos ou livros do "segundo
centenas de anos antes de Cristo. Papel. Forma Cânon". A lista dos livros deuterocanónicos é a
amplamente utilizada hoje. seguinte. Tobias, Judite, I Macabeus, II
Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico (Ben Sira ou
Sirácida) e Baruque. Além disso, ela possui
Inegavelmente o Senhor Deus queria que alguns trechos a mais em alguns livros
sua Palavra se perpetuasse pelos séculos e protocanônicos (ou livros do "primeiro Cânon")
providenciou meio para isto acontecesse. É um de Ester e Daniel. Outras denominações
fato que evidencia a sua credibilidade como religiosas consideraram estes livros
Livro inspirado pelo Espírito Santo. Mas deuterocanônicos como apócrifos, ou seja,
conhecer dados históricos não o aproxima do livros ou escritos que carecem de inspiração
Senhor e tão pouco abre seus ouvidos para a divina, reconhecendo, porém, o valor histórico
voz do Espírito que revela a Palavra. Isto dos livros dos Macabeus.
apenas enriquece-nos intelectualmente e é
dispensável. O que realmente precisamos é
estarmos aptos para ouvir o Espírito que flui A Bíblia é um livro muito antigo. Ela é o
através das páginas do Livro Sagrado e isto só resultado de longa experiência religiosa do

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povo de Israel. É o registro de várias pessoas, contemporâneos, uma vez que, a história
em diversos lugares, em contextos diversos. religiosa do povo de Israel singra em função da
Acredita-se que tenha sido escrita ao longo de soberania de seu povo que se diz o "escolhido"
um período de 1600 anos por cerca de 40 de Deus e, inclusive, manifesta essa atitude nos
homens das mais diversas profissões, origens seus registros.
culturais e classes sociais.

Independente da perspectiva que um


Os cristãos acreditam que estes homens determinado grupo tem da Bíblia, o que mais
escreveram a Bíblia inspirados por Deus e por chama a atenção neste livro é a sua influência
isso consideram a Bíblia como a Escritura em toda história da sociedade ocidental e
Sagrada. No entanto, nem todos os seguidores mesmo mundial, face ao entendimento dela
da Bíblia a interpretam de forma literal, e nações nasceram (Estados Unidos da América
muitos consideram que muitos dos textos da etc.), povos foram destruídos (Incas, Maias,
Bíblia são metafóricos ou que são textos etc), o calendário foi alterado (Calendário
datados que faziam sentido no tempo em que Gregoriano), entre outros fatos que ainda nos
foram escritos, mas foram perdendo seu sentido dias de hoje alteram e formatam nosso tempo.
dentro do contexto da atualidade. Sendo também o livro mais lido, mais
pesquisado e mais publicado em toda história
da humanidade, boa parte das línguas e dialetos
Para o cristianismo tradicional, a Bíblia é existentes já foram alcançados por suas
a Palavra de Deus, portanto ela é mais do que traduções. Por sua inegável influência no
apenas um bom livro, é a vontade de Deus mundo ocidental, cada grupo religioso oferece a
escrita para a humanidade. Para esses cristãos, sua interpretação, muitas vezes, sem a
nela se encontram, acima de tudo, as respostas utilização da Hermenêutica.
para os problemas da humanidade e a base para
princípios e normas de moral.
Os idiomas originais. Foram utilizados
três idiomas diferentes na escrita dos diversos
Os agnósticos vêem a Bíblia como um livros da Bíblia. o hebraico, o grego e o
livro comum, com importância histórica e que aramaico. Em hebraico consonantal foi escrito
reflete a cultura do povo que os escreveu. Os todo o Antigo Testamento, com excepção dos
não crentes recusam qualquer origem Divina livros chamados deuterocanónicos, e de alguns
para a Bíblia e a consideram como de pouca ou capítulos do livro de Daniel, que foram
de nenhuma importância na vida moderna, redigidos em aramaico. Em grego comum, além
ainda que na generalidade se reconheça a sua dos já referidos livros deuterocanónicos do
importância na formação da civilização Antigo Testamento, foram escritos
ocidental (apesar de a Bíblia ter origem no praticamente todos os livros do Novo
Médio Oriente). Testamento. Segundo a tradição cristã, o
Evangelho de Mateus teria sido primeiramente
escrito em hebraico, visto que a forma de
A comunidade científica tem defendido a escrever visava alcançar os judeus.
Bíblia como um importante documento
histórico, narrado na perspectiva de um povo e
na sua fé religiosa. Muito da sua narrativa foi O hebraico utilizado na Bíblia não é todo
de máxima importância para a investigação e igual. Encontramos em alguns livros o hebraico
descobertas arqueológicas dos últimos séculos. clássico (por ex. livros de Samuel e Reis), em
Mas os dados existentes são permanentemente outros um hebraico mais rudimentar e em
cruzados com outros documentos outros ainda, nomeadamente os últimos a serem

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escritos, um hebraico elaborado, com termos Para os cristãos, o Espírito Santo de Deus atuou
novos e influência de outras línguas de uma forma única e sobrenatural sobre os
circunvizinhas. O grego do Novo Testamento, escritores. Seguindo este raciocínio, Deus é o
apesar das diferenças de estilo entre os livros, verdadeiro autor da bíblia, e não os seus
corresponde ao chamado grego koiné (isto é, o escritores, por si mesmos. Segundo este
grego "comum" ou "vulgar", por oposição ao pensamento Deus usou as suas personalidades e
grego clássico), o segundo idioma mais falado talentos individuais, para registrar por escrito os
no Império Romano. seus pensamentos e a revelação progressiva dos
seus propósitos em suas palavras. Para os
crentes, a sua postura diante da Bíblia
Inspirada por Deus. O apóstolo Paulo determinará o seu destino eterno.
afirma que "toda a Escritura é inspirada por
Deus" [literalmente, "soprada por Deus", que é
a tradução da palavra grega θεοπνευστος, A interpretação bíblica. Diferente das
theopneustos] (2 Timóteo 3.16). Na ocasião, os várias mitologias, os assuntos narrados na
livros que hoje compõem a Bíblia não estavam Bíblia são geralmente ligados a datas, a
todos escritos e a Bíblia não havia sido personagens ou a acontecimentos históricos (de
compilada, entretanto muitos cristãos crêem fato, vários cientistas têm reconhecido a
que Paulo se referia à Bíblia que seria existência de personagens e locais narrados na
posteriormente canonizada. O apóstolo Pedro Bíblia, que até há poucos anos eram
diz que "nenhuma profecia foi proferida pela desconhecidos ou considerados fictícios),
vontade dos homens. Inspirados pelo Espírito apesar de não confirmarem os fatos nela
Santo é que homens falaram em nome de narrados, por outro lado, comprovando que
Deus." (2 Pedro 1.21) Veja também os artigos aconteceram de alguma forma.
Cânon Bíblico e Apócrifos.

Os judeus acreditam que todo o Velho


Os cristãos crêem que a Bíblia foi escrita Testamento foi inspirado por Deus e, por isso,
por homens sob Inspiração Divina, mas essa constitui não apenas parte da Palavra Divina,
afirmação é considerada subjetiva na mas a própria palavra. Os cristãos, por sua vez,
perspectiva de uma pessoa não-cristã ou não- incorporam também a tal entendimento os
religiosa. A interpretação dos textos bíblicos, livros do Novo Testamento. Os ateus e
ainda que usando o mesmo Texto-Padrão, varia agnósticos possuem concepção inteiramente
de religião para religião. Verifica-se que a diferente, descrendo por completo dos
compreensão e entendimento a respeito de ensinamentos religiosos. Tal descrença ocorre
alguns assuntos pode variar de teólogo para face ao entendimento de que existem
teólogo, e mesmo de um crente para outro personagens cuja real existência e/ou atos
dependendo do idealismo e da filosofia praticados são por eles considerados fantásticos
religiosa defendida, entretanto, quanto aos fatos ou exagerados, tais como os relatos de Adão e
e às narrações históricas, existe uma unidade. Eva, da narrativa da sociedade humana ante-
diluviana, da Arca de Noé, o Dilúvio, Jonas
engolido por um "grande peixe", etc. Os ateus
A fé dos leitores religiosos da Bíblia não crêem na existência de Deus algum,
baseia-se na premissa de que "Deus está na portanto para eles qualquer ensinamento
Bíblia e Ele não fica em silêncio", como declara religioso, venha da Bíblia ou do Alcorão é
repetidamente o renomeado teólogo falso, desnecessário e até mesmo prejudicial.
presbiteriano e filósofo, o Pastor Francis
Schaeffer, dando a entender que a Bíblia
constitui uma carta de Deus para os homens.

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A hermenêutica, uma ciência que trata da correspondência entre as palavras, já que berith
interpretação dos textos, tem sido utilizada designa "aliança" (compromisso bilateral) e
pelos teólogos para se conseguir entender os diatheke tem o sentido de "última disposição
textos bíblicos. Entre as regras principais desta dos próprios bens", "testamento" (compromisso
ciência encontramos. 1.A Bíblia - coleção de unilateral). As respectivas expressões "antiga
livros religiosos - se interpreta por si mesma, aliança" e "nova aliança" passaram a designar a
revelando toda ela uma doutrina interna; 2.O coleção dos escritos que contém os documentos
texto deve ser interpretado no seu contexto e respectivamente da primeira e da segunda
nunca isoladamente; 3.Deve-se buscar a aliança. O termo testamento veio até nós
intenção do escritor, e não interpretar a intenção através do latim quando a primeira versão latina
do autor; 4.A análise do idioma original do Velho Testamento grego traduziu diatheke
(hebraico, aramaico, grego comum) é por testamentum. São Jerônimo, revisando esta
importante para se captar o melhor sentido do versão latina, manteve a palavra testamentum,
termo ou as suas possíveis variantes; 5.O equivalendo ao hebraico berith — aliança,
intérprete jamais pode esquecer os fatos concerto, quando a palavra não tinha essa
históricos relacionados com o texto ou significação no grego. Afirmam alguns
contexto, bem como as contribuições dadas pesquisadores que a palavra grega para
pela geografia, geologia, arqueologia, "contrato", "aliança" deveria ser suntheke, por
antropologia, cronologia, biologia... traduzir melhor o hebraico berith. As
denominações "Antigo Testamento" e "Novo
Testamento", para as duas coleções dos livros
Sua estrutura interna. A Bíblia é um sagrados, começaram a ser usadas no final do
conjunto de pequenos livros ou uma biblioteca. século II, quando os evangelhos e outros
Foi escrita ao longo de um período de cerca de escritos apostólicos foram considerados como
1600 anos por 40 homens das mais diversas parte do cânon sagrado.
profissões, origens culturais e classes sociais,
segundo a tradição judaico cristã. No entanto,
exegetas cristãos divergem sobre a autoria e a Livros do Antigo Testamento. O Antigo
datação das obras. Testamento é composto de 46 livros. 39
conhecidos como protocanônicos e 7
conhecidos como deuterocanônicos. Os livros
Origem do termo "Testamento". Este deuterocanônicos fazem parte apenas da Bíblia
vocábulo não se encontra na Bíblia como Católica, não sendo incluídos na Bíblia
designação de uma de suas partes. A palavra Protestante ou na Tanakh judaica.
portuguesa "testamento" corresponde à palavra
hebraica berith (que significa aliança, pacto,
contrato), e designa a aliança que Deus fez com Livros Protocanônicos. Pentateuco.
o povo de Israel no Monte Sinai, tal como Gênesis - Êxodo - Levítico - Números –
descrito no livro de Êxodo (Êxodo 24.1-8 e Deuteronômio. Históricos. Josué - Juízes - Rute
Êxodo 34.10-28). Tendo sido esta aliança - I Samuel - II Samuel - I Reis - II Reis - I
quebrada pela infidelidade do povo, Deus Crônicas - II Crônicas - Esdras - Neemias –
prometeu uma nova aliança (Jeremias 31.31-34) Ester. Poéticos e Sapienciais. Jó - Salmos -
que deveria ser ratificada com o sangue de Provérbios - Eclesiastes (ou Coélet) - Cântico
Cristo (Mateus 26.28). Os escritores dos Cânticos de Salomão. Proféticos. Profetas
neotestamentários denominam a primeira Maiores. A designação “Maiores” não se trata
aliança de antiga (Hebreus 8.13), em porém da relevância histórica destes
contraposição à nova (2 Coríntios 3.6-14). Os personagens na história de Israel, mas tão
tradutores da Septuaginta traduziram berith somente ao tamanho de seus livros, maiores se
para diatheke, embora não haja perfeita comparados aos livros dos Profetas “Menores”.

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Isaías - Jeremias - Lamentações de Jeremias - canonicidade dos deuterocanônicos pelo fato de


Ezequiel – Daniel. Profetas Menores. Como não fazerem parte da Bíblia hebraica primitiva.
referido acima, a designação “Menores” não se No Concílio de Trento, em 8 de abril de 1546,
trata da relevância histórica destes personagens no Decretum de libris sacris et de traditionibus
na história de Israel, mas tão somente ao recipiendis (DH 1501), a Igreja Católica
tamanho de seus livros. Oséias - Joel - Amós - novamente os confirmou como partes
Obadias - Jonas - Miquéias - Naum - integrantes da Bíblia Católica, mas desde então
Habacuque - Sofonias - Ageu - Zacarias – foram considerados apócrifos no Protestantismo
Malaquias. e no século XVII deixaram de fazer parte das
Bíblias protestantes.

Livros Deuterocanônicos. Tobias - Judite


- I Macabeus - II Macabeus - Baruque - Livros do Novo Testamento. O Novo
Sabedoria - Eclesiástico (ou Ben Sira) - e Testamento é composto de 27 livros.
alguns acréscimos ao texto dos livros Evangelhos. Mateus, Marcos, Lucas e João.
Protocanônicos. Adições em Ester (Ester 10.4 a Livro Histórico. Atos dos Apóstolos (abrev.
11.1 ou a 16.24) e Adições em Daniel (Daniel Atos). Cartas Paulinas. Romanos - I Coríntios -
3.24-90; Cap. 13 e 14). Os livros II Coríntios - Gálatas - Efésios - Filipenses -
deuterocanônicos (ou apócrifos) foram, Colossenses - I Tessalonicenses - II
supostamente, escritos entre Malaquias e Tessalonicenses - I Timóteo - II Timóteo - Tito
Mateus, numa época em que segundo o – Filemom. Cartas Gerais. Hebreus - Tiago - I
historiador judeu Flávio Josefo, a Revelação Pedro - II Pedro - I João - II João - III João –
Divina havia cessado porque a sucessão dos Judas. Livro profético. Apocalipse.
profetas era inexistente ou imprecisa. O parecer
de Josefo não é aceito pelos cristãos católicos e
ortodoxos, porque Jesus afirma que durou até Versões e traduções bíblicas. Livro do
João Batista (cf. Lucas 16.16; Mateus 11.13). Gênesis, Bíblia em Tamil de 1723. Apesar da
No período entre o século III e o século I a.C. antiguidade dos livros bíblicos, os manuscritos
ocorre a Diáspora judaica helenística, numa mais antigos que possuímos datam a maior
época em que os judeus já estavam, em partes, parte do III e IV Século d.C.. Tais manuscritos
dispersos pelo mundo. Uma colônia judaica são o resultado do trabalho de copistas
destaca-se esta se localiza em Alexandria no (escribas) que, durante séculos, foram fazendo
Egito, onde se falava muito a língua grega. A cópias dos textos, de modo a serem
Bíblia foi então traduzida do hebraico para o transmitidos às gerações seguintes. Transmitido
grego. Alguns escritos recentes foram-lhe por um trabalho desta natureza o texto bíblico,
acrescentados sem que os judeus de Jerusalém como é óbvio, está sujeito a erros e
os reconhecessem como inspirados. Somente no modificações, involuntários ou voluntários, dos
final do século I d.C. foi fixado o cânon copistas, o que se traduz na coexistência, para
(=medida) hebraico, portanto numa época em um mesmo trecho bíblico, de várias versões
que a diferenciação entre judaísmo e que, embora não afectem grandemente o
cristianismo já era bem acentuada. E os escritos conteúdo, suscitam diversas leituras e
acrescentados não foram aceitos no cânon interpretações dum mesmo texto. O trabalho
hebraico. Quando Jerônimo traduziu a Bíblia desenvolvido por especialistas que se dedicam a
para o latim (a famosa Vulgata), no início do comparar as diversas versões e a selecioná-las,
Século V, incluiu os deuterocanônicos, e a denomina-se Crítica Textual. E o resultado de
Igreja Católica admitiu-os como inspirados da seu trabalho são os Textos-Padrão. A grande
mesma forma que os outros livros. No século fonte hebraica para o Antigo Testamento é o
XVI, com o surgimento da Reforma chamado Texto Massorético. Trata-se do texto
Protestante, é novamente colocada em dúvida a hebraico fixado ao longo dos séculos por

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escolas de copistas, chamados Massoretas, que


tinham como particularidade um escrúpulo
rigoroso na fidelidade da cópia ao original. O Encontram-se 4 mil manuscritos em
trabalho dos massoretas, de cópia e também de grego do Novo Testamento, que apresentam
vocalização do texto hebraico (que não tem variantes. Diferentemente do Antigo
vogais, e que, por esse motivo, ao tornar-se Testamento, não há para o Novo Testamento
língua morta, necessitou de as indicar por meio uma versão a que se possa chamar, por assim
de sinais), prolongou-se até ao Século VIII dizer, normativa. Há contudo alguns
d.C.. Pela grande seriedade deste trabalho, e por manuscritos mais importantes, pelas sua
ter sido feito ao longo de séculos, o Texto antiguidade ou credibilidade, e que são o
Massorético (sigla TM) é considerado a fonte alicerce da Crítica Textual.
mais autorizada para o texto hebraico bíblico
original.
Uma outra versão com importância é a
chamada Vulgata Latina, ou seja, a tradução
No entanto, outras versões do Antigo latim por São Jerónimo, em 404 d.C., e que foi
Testamento têm importância, e permitem suprir utilizada durante muitos séculos pelas Igrejas
as deficiências do Texto Massorético. É o caso Cristãs do Ocidente como a versão bíblica
do Pentateuco Samaritano (os samaritanos eram autorizada.
uma comunidade étnica e religiosa separada dos
judeus, que tinham culto e templo próprios, e
que só aceitavam como livros sagrados os do De acordo com o Scripture Language
Pentateuco), e principalmente a Septuaginta Report, a Bíblia já foi traduzida para 2.403
Grega (sigla LXX). línguas diferentes, sendo o livro mais traduzido
do mundo.

A Versão dos Setenta ou Septuaginta


Grega, designa a tradução grega do Antigo Uma cópia da Bíblia de Gutenberg é
Testamento, elaborada entre os séculos IV e II propriedade do Congresso norte-americano.
a.C., feita em Alexandria, no Egipto. O seu
nome deve-se à lenda que referia ter sido essa
tradução um resultado milagroso do trabalho de A Bíblia em Português. Os primeiros
70 eruditos judeus, e que pretende exprimir que registros da tradução de trechos da Bíblia para o
não só o texto, mas também a tradução, fora português remontam ao final do século XIII,
inspirada por Deus. A Septuaginta Grega é a por Dom Dinis. Mas a primeira Bíblia completa
mais antiga versão do Antigo Testamento que em língua portuguesa foi publicada somente em
conhecemos. A sua grande importância provém 1753, na tradução de João Ferreira de Almeida
também do facto de ter sido essa a versão da (1628-1691), que apesar de muitos não o
Bíblia utilizada entre os cristãos, desde o início, saberem, não era pastor ou padre.
e a que é citada na grande parte do Novo
Testamento.
O missionário e tradutor João Ferreira de
Almeida foi o principal tradutor da Bíblia para
Da Septuaginta Grega fazem parte, além a língua portuguesa. Ele já conhecia a Vulgata,
da Bíblia Hebraica, os Livros Deuterocanônicos já que seu tio era padre. Após converter-se ao
(aceitos como canônicos apenas pela Igreja protestantismo aos 14 anos, Almeida partiu
Católica), e alguns escritos apócrifos (não para a Batávia. Aos 16 anos traduziu um
aceitos como inspirados por Deus por nenhuma resumo dos evangelhos do espanhol para o
das religiões cristãs ocidentais). português, que nunca chegou a ser publicado.

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Em Malaca traduziu partes do Novo Testamento de Almeida. Foi revisada por José
Testamento também do espanhol. Manoel Garcia, pelo pastor M. P. B. de
Carvalhosa e pelo pastor Alexandre Latimer
Blackford.
Aos 17, traduziu o Novo Testamento do
Latim, da versão de Theodore Beza, além de ter
se apoiado nas versões italiana, francesa e O imperador D. Pedro II era um profundo
espanhola. admirador da cultura judaica. Após aprender o
Hebraico, que era a sua língua favorita, traduziu
partes da Bíblia, como o livro de Neemias, além
Aos 35 anos, iniciou a tradução de partes do Velho Testamento para o Latim.
diretamente dos originais, embora seja um
mistério como ele aprendeu os idiomas
originais. É certo que ele usou como base o F. R. dos Santos Saraiva, autor de um
Texto Massorético para o Antigo Testamento, o dicionário latino-português, traduziu os Salmos,
Textus Receptus, editado em 1633 pelos irmãos com o título de Harpa de Israel, em 1898.
Elzevir, e alguma tradução da época, como a
Reina-Valera. A tradução do Novo Testamento
ficou pronta em 1676. Duarte Leopoldo e Silva traduziu e
publicou os Evangelhos em forma de harmonia.
O Colégio da Imaculada Conceição, Botafogo,
O texto foi enviado para a Holanda para Rio de Janeiro, publicou uma tradução dos
revisão. O processo de revisão durou 5 anos, Evangelhos e Atos, do Francês, preparada por
sendo publicado em 1681, e teve mais de mil um padre, em 1904. Padres franciscanos
erros. A razão é que os revisores holandeses iniciaram um trabalho de tradução a partir da
queriam harmonizar a tradução com a versão Vulgata, sendo concluído em 1909. No mesmo
holandesa publicada em 1637. A Companhia ano, o padre Santana traduziu o Evangelho de
das Índias Orientais ordenou que se recolhesse Mateus diretamente do Grego. É a primeira
e destruísse os exemplares defeituosos. Os que tradução parcial da Bíblia, em Português, dos
foram salvos foram corrigidos e utilizados em idiomas originais feita por um padre católico,
igrejas protestantes no Oriente, sendo que um embora tenha sido apoiado pelo Latim.
deles está exposto no Museu Britânico. Após
sua morte foram detectados 1.119 erros de
tradução. J. L. Assunção traduziu o Novo
Testamento a partir da Vulgata em 1917. Surge,
no mesmo ano, o livro de Amós, traduzido por
Traduções no Brasil. A primeira tradução Esteves Pereira. Foi traduzido do etíope. Em
realizada no Brasil foi feita pelo bispo Joaquim 1923, J. Basílio Pereira traduz o Novo
de Nossa Senhora de Nazaré. Era um Novo Testamento e os Salmos a partir da Vulgata.
Testamento traduzido a partir da Vulgata. No
prefácio, havia acusações contra os
protestantes, chamando suas versões da Bíblia O então padre Huberto Rohden foi o autor
de "falsificadas". Foi publicada em São Luís, de uma tradução do Novo Testamento.
no Maranhão, em 1847, sendo impressa em Começou a traduzir enquanto estudava na
Portugal em 1875. Leopold-Franzens-Universität Innsbruck,
Áustria, completando em 1930. Foi publicado
pela Cruzada da Boa Imprensa (atualmente é
Em 1879, a Sociedade de Literatura pela editora Martin Claret). Utilizou como base
Religiosa e Moral publica uma revisão do Novo o Textus Receptus.

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Bibliologia

Publicada em 1959, a Almeida Revista e


Atualizada utiliza o Texto Crítico, ao invés do
O rabino Meir Matzliah Melamed traduz Textus Receptus. Ganhou aprovação da CNBB.
a Torá, numa edição sem data, com o nome de
A Lei de Moisés e as Haftarot. Foi publicada
em 1962. A tradução foi revisada e lançada, em Em 1959 é publicada a tradução dos
2001, com o nome de A Lei de Moisés. Está monges Maredsous em Português. O trabalho
disponível pela Editora Sêfer. de tradução foi coordenado pelo franciscano
João José Pedreira de Castro, do Centro Bíblico
de São Paulo. Foi traduzida a partir da versão
Em 1993 é publicado o Novo Testamento francesa publicada na Bélgica.
da Nova Versão Internacional. Em 2005, o
pastor batista Fridolin Janzen traduziu o Novo
Testamento em Português, baseado no Textus A Tradução do Novo Mundo das
Receptus. Escrituras Sagradas é uma tradução da Bíblia
feita com direcionamento específico para as
Testemunhas de Jeová. Foi publicada em 1963,
Traduções completas. A primeira sendo traduzida da versão inglesa.
tradução completa foi a Tradução Brasileira.
Foi uma tradução da Bíblia que não contava
apenas somente com teólogos, como H. C. A Versão Revisada foi publicada em
Tucker, William Campbell Brown, Eduardo 1967, pela Imprensa Bíblica Brasileira e pela
Carlos Pereira, mas também com eruditos como Juerp. É de orientação batista.
Ruy Barbosa, José Veríssimo e Virgílio Várzea.

Em 1976 é publicada a Bíblia de


A tradução se principiou em 1902. Os Jerusalém, pelas Edições Paulinas. É baseada
dois primeiros evangelhos foram editados em na versão francesa, sendo que as notas e
1904, e depois de alguma crítica e revisão, o comentários são traduzidos. Em 2002 é
Evangelho de Mateus saiu novamente em 1905. publicada a revisão, chamada de Nova Bíblia de
Os Evangelhos e o livro dos Atos dos Jerusalém.
Apóstolos foram publicados em 1906, e o Novo
Testamento completo em 1910. Publicada em
sua inteireza em 1917, apresenta características Em 1981 é publicada a Bíblia Viva, uma
eruditas, sendo bastante literal em relação aos paráfrase da Bíblia. A versão original foi
textos originais. elaborada por Kenneth Taylor e foi traduzida na
base da equivalência dinâmica (idéia por idéia).
Já está na 2ª edição.
Não obteve o agrado dos leitores, por
traduzir nomes hebraicos de uma maneira
próxima à daquela língua, falta de literalidade e Em 1982 é publicada a Bíblia Vozes, pela
falta de revisões. editora Vozes, traduzida por uma comissão,
presidida pelo franciscano Ludovico Garmus.
No mesmo ano é publicada uma versão pela
A Almeida Revista e Corrigida foi a Editora Santuário. No ano seguinte é publicada
primeira Bíblia a ser impressa no Brasil, em a Bíblia Mensagem de Deus pelas edições
1948. Está em circulação a revisão de 1995. Loyola.

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Bibliologia

Em 1988 é publicada A Bíblia na melhores textos") por uma parceria entre a


Linguagem de Hoje, caracterizada por ter uma Imprensa Bíblica Brasileira/Juerp, a Editora
linguagem popular e tradução flexível. Um Hagnos e a Editora Atos.
exemplo é a tradução de Juízes 3:24: “Aí os Traduções feitas em outros países. A
empregados chegaram e viram que as portas Sociedade Bíblica Trinitariana, fundada no
estavam trancadas. Então pensaram que o rei Reino Unido em 1831, também produziu uma
tinha ido ao banheiro”. Muitos eruditos vêem versão para o Português do Novo Testamento,
uma excessiva utilização de linguagem popular, em 1883. É baseada, no Textus Receptus, assim
que pode comprometer a fidelidade com o texto como todas as Bíblias da Sociedade Bíblica
original. Devido a esses problemas, essa Trinitariana.
tradução passou por um grande processo de (Fontes de consulta: Enciclopédias em
revisão, que resultou na Nova Tradução na Português, Inglês, Francês, Italiano, Espanhol,
Linguagem de Hoje, em 2000. Latim e Hebraico).
Em 1990 é publicada a Edição Pastoral. BIBLIOLOGIA - Doutrina das
Coordenada pelo teólogo Ivo Storniolo, é uma Escrituras
tradução afinada com a teologia da libertação,
sendo voltada para uso dos leigos. I. INTRODUÇÃO
Ainda em 1990, a Editora Vida publicou
a sua Edição Contemporânea da Bíblia de A) Terminologia:
Almeida (EAC). Essa edição eliminou
arcaísmos e ambigüidades do texto original de Bíblia - Derivado de biblion, “rolo” ou “livro”
Almeida, mas com a promessa de preservar as (Lc 4.17)
excelências do texto que lhe serviu de base. Escrituras - Termo usado no Novo Testamento
Em 1997 é publicada a Tradução (N.T.) para, os livros sagrados do A.T., que
Ecumênica da Bíblia (sendo baseada na versão eram considerados inspirados por Deus (2Tm
francesa), sendo parte de sua comissão 3.16; Rm 3.2). Também é usado no N.T. com
católicos, protestantes e judeus. O Antigo referência a outras porções do N.T. (2Pe 3.16)
Testamento foi mantido do modo como se Palavra de Deus - Usada em relação a ambos
utiliza nas Bíblias judaicas. os testamentos em sua forma escrita (Mt 15.6;
Em 2001, a CNBB produziu uma Jo 10.35; Hb 4.12)
tradução comemorativa dos 50 anos da CNBB,
e já está na 3ª edição e envolveu cooperação B) Atitudes em Relação à Bíblia:
entre sete editoras católicas. No mesmo ano é
publicada a Torah Viva, traduzida por Adolfo Racionalismo -
Wasserman, baseada na versão inglesa. É a. Em sua forma extrema nega a possibilidade
publicada também a versão completa da Nova de qualquer revelação sobrenatural.
Versão Internacional. b. Em sua forma moderada admite a
Em 2002 é publicada a Bíblia do possibilidade de revelação divina, mas essa
Peregrino, traduzida por Luís Alonso Schökel. revelação fica sujeita ao juízo final da razão
É uma tradução da versão espanhola. humana.
Em 2006 é publicada a Bíblia Hebraica. É Romanismo -
o primeiro Tanakh completo publicado em A Bíblia é um produto da igreja; por isso a
Português, desde 1553. Os tradutores foram Bíblia não é a autoridade única ou final.
David Gorodovits e Jairo Fridlin e foi revisada Misticismo -
por rabinos e professores. A experiência pessoal tem a mesma autoridade
Em 2007 é publicada a Bíblia Almeida da Bíblia.
Século 21, uma atualização da "Versão Neo-ortodoxia -
Revisada" do texto de Almeida (também A Bíblia é uma testemunha falível da revelação
conhecida como "Versão revisada segundo os de Deus na Palavra, Cristo.

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Bibliologia

Seitas - 2) Mística ou Iluminativa - Os autores


A Bíblia e os escritos do líder ou fundador de bíblicos foram cheios do Espírito como
cada uma possuem igual valor. qualquer crente pode ser hoje.
Ortodoxia - 3) Mecânica (ou teoria da ditação) - Os autores
A Bíblia é a nossa única base de autoridade. bíblicos foram apenas instrumentos passivos
nas mãos de Deus como máquinas de escrever
C) As Maravilhas da Bíblia: com as quais Ele teria escrito. Deve-se admitir
que algumas partes da Bíblia foram ditadas
1) Sua formação: levou cerca de 1500 anos. (e.g., os Dez mandamentos).
2) Sua Unidade: Tem cerca de 40 autores, mas 4) Parcial - Somente o não conhecível foi
é um só livro. inspirado (e.g., criação, conceitos espirituais)
3) Sua Preservação. 5) Conceitual - Os conceitos, não as palavras,
4) Seu Assunto. foram inspirados.
5) Sua Influência. 6) Gradual - Os autores bíblicos foram mais
inspirados que outros autores humanos.
II. REVELAÇÃO 7) Neo-ortodoxa - Autores humanos só
poderiam produzir uma registro falível.
A) Definição: 8) Verbal e Plenária - Esta é a verdadeira
doutrina e significa que cada palavra (verbal) e
“Um desvendamentos; especialmente a todas as palavras (plenária) foram inspiradas no
comunicação da mensagem divina ao homem” sentido da definição acima.
9) Inspiração Falível - Uma teoria, que vem
B) Meios de Revelação: ganhando popularidade, de que a Bíblia é
inspirada mas não isenta de erros.
1) Pela Natureza (Rm 1.18-21; Sl 19)
2) Pela Providência (Rm 8.28; At 14.15-17) C) Características da Inspiração Verbal e
3) Pela Preservação do Universo (Cl 1.17) Plenária:
4) Através de Milagres (Jo 2.11)
5) Por Comunicação Direta (At 22.17-21) 1) A verdadeira doutrina é válida apenas para
6) Através de Cristo (Jo 1.14) os manuscritos originais.
7) Através da Bíblia (1Jo 5.9-12) 2) Ela se estende às próprias palavras.
3) Vê Deus como o superintendente do
III. INSPIRAÇÃO processo, não ditando aos escritores, mas
guiando-os.
A) Definição: 4) Inclui a inerrância.

Inspiração é a ação supervisionadora de Deus D) Provas da Inspiração Verbal e Plenária:


sobre os autores humanos da Bíblia de modo a,
usando suas próprias personalidades e estilos, 1) 2Tm 3.16. Theopneustos, soprado por Deus.
comporem e registrarem sem erro as palavras Afirma que Deus é o autor das Escrituras e que
de Sua revelação ao homem. A Inspiração se estas são o produto de Seu sopro criador.
aplica apenas aos manuscritos originais 2) 2Pe 1.20,21. O “como” da inspiração -
(chamados de autógrafos). homens “movidos” (lit., “carregados”) pelo
Espírito Santo.
B) Teorias sobre a Inspiração: 3) Ordens especificas para escrever a Palavra
do Senhor (Ex 17.14; Jr 30.2).
1) Natural - não há qualquer elemento 4) O uso de citações (Mt 15.4; At 28.25).
sobrenatural envolvido. A Bíblia foi escrita por 5) O uso que Jesus fez do Antigo Testamento
homens de grande talento. (A.T.) (Mt 5.17; Jo 10.35).

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Bibliologia

6) O N.T. afirma que outras partes do N.T. são


Escrituras (1Tm 5.18; 2Pe 3.16). D) A Formação do Cânon do Novo
7) Os escritores estavam conscientes de estarem Testamento (N.T.):
escrevendo a Palavra de Deus (1Co 2.13; 1Pe
1.11,12) 1) O período dos apóstolos. Eles reivindicaram
autoridade para seus escritos (1Ts 5.27; Cl
E) Provas de Inerrância: 4.16).
2) O período pós-apostólico. Todos os livros
1) A fidedignidade do caráter de Deus (Jo 17.3; forma reconhecidos exceto Hebreus, 2 Pedro e
Rm 3.4). 3 João.
2) O ensino de Cristo (Mt 5.17; Jo 10.35). 3) O Concílio de Cartago, 397, reconheceu
3) Os argumentos baseados em uma palavra ou como canônicos os 27 livros do N.T.
na forma de uma palavra (Gl 3.16,
“descendente”; Mt 22.31,32, “sou”).
A) Em Relação aos Não-Salvos:
IV. CANONICIDADE.
1) Sua necessidade (1Co 2.14; 2Co 4.4)
A) Considerações fundamentais: 2) O ministério do convencimento do Espírito
( Jo 16.7-11)
1) A Bíblia é auto-autenticável e os concílios
eclesiásticos só reconheceram (não atribuíram) B) Em Relação ao Crente:
a autoridade inerente nos próprios livros.
2) Deus guiou os concílios de modo que o 1) Sua necessidade (1C0 2.10-12; 3.2).
cânon fosse reconhecido. 2) O ministério do ensino do Espírito (Jo 16.13-
15)
B) Cânon do Antigo Testamento (A.T.):
V. ILUMINAÇÃO
1) Alguns afirmam que todos os livros do cânon
do A.T. foram reunidos e reconhecidos sob a A) Em Relação aos Não-Salvos:
liderança de Esdras (quinto século a.C.).
1) Sua necessidade (1Co 2.14; 2Co 4.4)
2) O N.T. se refere a A.T. como escritura (Mt 2) O ministério do convencimento do Espírito
23.35; a expressão de Jesus equivaleria dizer ( Jo 16.7-11)
hoje “de Gênesis a Malaquias”; cf. Mt 21.42;
22.29). B) Em Relação ao Crente:
3) O Sínodo de Jamnia (90 A.D.) Uma reunião
de rabinos judeus que reconheceu os livros do 1) Sua necessidade (1C0 2.10-12; 3.2).
2) O ministério do ensino do Espírito (Jo
A.T.
16.13-15)

C) Os princípios de Canonicidade dos Livros


VI. INTERPRETAÇÃO
do Novo Testamento (N.T.):
A) Princípios de Interpretação:
1) Apostolicidade. O livro foi escrito ou
influenciado por algum apóstolos?
1) Interpretar histórica e gramaticalmente.
2) Conteúdo. O seu caráter espiritual é
2) Interpretar de acordo com os contextos
suficiente?
imediatos e mais amplo.
3) Universalidade. Foi amplamente aceito pela
3) Interpretar em harmonia com toda a Bíblia,
igreja?
comparando Escritura com Escritura.
4) Inspiração. O livro oferecia prova interna de
inspiração?
B) Divisões Gerais da Bíblia:
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Bibliologia

1) Antigo Testamento (A.T.): C) Alianças Bíblicas:

A- Livros históricos: de Gênesis a Ester. Noética (Gn 8.20-22)


B- Livros poéticos: de Jó a Cantares. Abraâmica (Gn 12.1-3)
C- Livros proféticos: de Isaías a Malaquias. Mosaica (Ex 19.3 - 40.38)
Palestiniana (Dt 30)
2) Novo Testamento (N.T.): Davídica (2Sm 7.5-17)
Nova Aliança (Jr 31.31-34; Mt 26.28)
A- Evangelhos: Mateus a João.
B- História da Igreja: Atos. Transcrito da “A Bíblia Anotada” Pg
C- Epístolas: de Romanos a Judas. 1624,1625.
D- Profecia: Apocalipse.

Apêndice ao Primeiro tópico


História da Bíblia
A Bíblia, um livro que tem continuado vivo através dos séculos e indispensável aos Servos do Rei, é o
tema deste comentário.
O termo Bíblia tem origem no grego "Biblos" e somente foi usado a partir do ano 200 dC pelos cristãos é
um livro singular, inspirado por Deus, diversos Escribas, Sacerdotes, Reis, Profetas e Poetas (2Tm 3.16; 2Pe
1.20,21) a escreveram, num período aproximado de 1.500 anos, foram mais de 40 pessoas e notadamente vê-se a
mão de Deus na sua unidade. Estes textos foram copiados e recopiados de geração para geração em diversos
idiomas, tais como: Hebraico, Aramaico e grego; até chegar a nós.
Verificou-se através do Método Textual, que 99% dos textos mantêm-se fiel aos originais, é certamente
uma obra divina, levando em consideração os milhares de anos entre a escrita e nossos dias. As partes mais
antigas das Escrituras encontradas são um pergaminho de Isaías em hebraico do segundo século aC, descoberto
em 1947 nas cavernas do Mar Morto e um pequeno papiro contendo parte do Livro de João 18.31-33,37,38
datados do segundo século dC.

DIVISÃO EM CAPÍTULOS:
A Bíblia em sua forma original é desprovida das divisões de capítulos e versículos. Para facilitar sua
leitura e localização de "citações" o Prof. Stephen Langton, no ano de 1227 dC a dividiu em capítulos.

DIVISÃO EM VERSÍCULOS:
Até o ano de 1551 dC não existia a divisão denominada versículo. Neste ano o Sr. Robert Stephanus
chegou a conclusão da necessidade de uma subdivisão e agrupou os texto em versículos.
Até a invenção da gráfica por Gutenberg, a Bíblia era um livro extremamente raro e caro, pois eram todos
feitos artesanalmente (manuscritos) e poucos tinham acesso às Escrituras.
O povo de língua portuguesa só começaram a ter acesso à Bíblia de uma forma mais econômica a partir do
ano de 1748 dC, quando foi impressa a primeira Bíblia em português, uma tradução feita a partir da "Vulgata
Latina".
É composta de 66 livros, 1.189 capítulos, 31.173 versículos, mais de 773.000 palavras e aproximadamente
3.600.000 letras. Gasta-se em média 50 horas (38 VT e 12 NT) para lê-la ininterruptamente ou pode-se lê-la em
um ano seguindo estas orientações: 3,5 capítulos diariamente ou 23 por semana ou ainda, 100 por mês em
média.
Encontra-se traduzida em mais de 1000 línguas e dialetos, o equivalente a 50% das línguas faladas no
mundo. Há uma estimativa que já foi comercializado no planeta milhões de exemplares entre a versão integral e
o NT. Mais de 500 milhões de livros isolados já foram comercializados. Afirmam ainda que a cada minuto 50
Bíblias são vendidas, perfazendo um total diário de aproximadamente 72 mil exemplares!

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Encontra-se nas livrarias Usada por muitos séculos


com facilidade as seguintes pelos gregos. On – line
versões em português: Couro Via internet.
Revista Corrigida; O Antigo Testamento Inegavelmente o Senhor
Revista Atualizada; possivelmente foi escrito em Deus queria que sua Palavra se
Contemporânea; couro. Os rolos tinham entre 26 perpetuasse pelos séculos e
Nova Tradução na a 70 cm de altura. providenciou meio para isto
Linguagem de Hoje; Papiro acontecesse. É um fato que
Viva; O Novo Testamento evidencia a sua credibilidade
Jerusalém; provavelmente foi escrito sobre como Livro inspirado pelo
NVI - Nova Versão este material, feito de fibras Espírito Santo.
Internacional; vegetais prensadas. Mas conhecer dados
O segundo domingo de Velino ou Pergaminho históricos não o aproxima do
Dezembro, comemora-se o Dia Velino era preparado Senhor e tão pouco abre seus
Nacional da Bíblia, aprovado originalmente com a pele de ouvidos para a voz do Espírito
pelo Congresso. bezerro ou antílope, enquanto o que revela a Palavra. Isto
Nestes séculos a Palavra pergaminho era de pele de apenas enriquece-nos
de Deus foi escrita em diversos ovelhas e cabras. Quase todos intelectualmente e é
materiais, vejamos os os manuscritos conhecidos são dispensável. O que realmente
principais: em velino, largamente usado a precisamos é estarmos aptos
Pedra centenas de anos antes de para ouvir o Espírito que flui
Inscrições encontradas no Cristo. através das páginas do Livro
Egito e Babilônia datados de Papel Sagrado e isto só acontece
850 aC Forma amplamente quando nos colocamos em
Argila e Cerâmica utilizada hoje. santidade e abertos para o santo
Milhares de tabletes CD mover.
encontrados na Ásia e Áudio Experimente !
Babilônia. CD – Rom Fonte:Revista Comunhão
Madeira Para computadores, é a Ano 4 nº 44 e Bíblia em Bytes
forma mais recente. (CD - Rom)

Questionário

1. Quais os nomes dados à Bíblia?

2. Cite as maravilhas da Bíblia.

3. Discorra acerca da História da Bíblia.

4. Fale acerca das versões da Bíblia.

5. Fale acerca dos materiais utilizados para “Impressão/Armazenagem” da Bíblia.

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Bibliologia

2. OS TESTAMENTOS

Testamento significa ato autêntico pelo qual alguém dispõe de todos os seus bens ou parte deles, em
benefício de outrem, para depois de sua morte; disposição autentica da ultima vontade de um “morto”. A palavra
Testamento, na Bíblia, deriva do grego Diatheke, que significa “concerto”, testamento, pacto, aliança (aparece
trinta e três vezes no Novo Testamento e duzentas e oitenta e cinco vezes no Velho Testamento) o
correspondente hebraico para a mesma palavra é b´rith. Uma particularidade do testamento é que El não pode ser
mudado, pelo mais simples que seja. A Bíblia divide-se em dois testamentos, a saber:

1.1.O Velho Testamento (VT). O Velho Testamento desenvolveu-se durante o período aproximado de mil
anos (mil ou ml e cem anos) pelo aumento de um livro sagrado após outro. Começando com o Gênesis e
acabando em Malaquias.
As Escrituras hebraicas estão divididas em: A lei (Torah), Os profetas (Hebhim), os escritos
(Kethubhim). Pelos tradutores “gregos” (os LXX, ou septuaginta – latim setenta), foi a última parte chamada de
Hagiógrafos, ou os Santos Escritos. As escrituras judaicas possuem “apenas” vinte e dois ou vinte e quatro
livros, isto se deve ao fato de ser considerados como um só livro, os profetas menores (Oséias a Malaquias),
juízes e Ruth, Jeremias e lamentações, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, além de Esdras e Neemias e etc.
Ele foi escrito em pergaminho, couro e papiro e etc..

Introdução ao Antigo Testamento

Antigo testamento (AT) é o nome que os cristãos dão ao conjunto das Escrituras Sagradas do povo de
Israel. Esses livros, originalmente escrito em hebraico, fazem parte também da Bíblia Sagrada dos cristãos.
O Antigo Testamento fala sobre a antiga aliança de Deus, por meio dos patriarcas e de Moisés, fez com o
seu povo. Já o Novo Testamento trata da nova aliança que Deus, por meio de Jesus Cristo, fez com o seu povo.

Os israelitas agrupam os livros do antigo Testamento em três divisões:


1- Lei: A Lei agrupa os primeiros cinco livros do AT.
2- Profetas: Os profetas têm duas divisões: Os Profetas Anteriores (de Josué a 2Reis), e os Posteriores
(Isaias a Malaquias). Os profetas de Oséias a Malaquias recebem dos israelitas o nome de “O Livro dos Doze”.
3- Escritos: fazem parte desta divisão os seguintes livros: Salmos, Jó, Provérbios, Rute, Cântico dos
Cânticos, Eclesiastes, Lamentações, Ester, Daniel, Esdras, Neemias e Crônicas.
As três divisões correspondem à ordem histórica em que os seus livros foram aceitos como autorizados a
fazerem parte do cânon dos israelitas. “Cânon” é a coleção de livros aceitos como Escrituras Sagradas.
As Igrejas Cristãs seguem, em geral, um arranjo diferente do dos israelitas, mas os livros são os mesmos,
em número de trinta e nove. Essa ordem se encontra nas antigas versões gregas e latinas usadas pela igreja
primitiva.
Os primeiros cinco livros do AT são chamados de “Pentateuco” ou “Os Livros da Lei”. A palavra
“Pentateuco” quer dizer “cinco volumes”. Eles falam sobre a criação do mundo e da humanidade e contam a
história dos hebreus, começando com a chamada de Abraão e continuando até a morte de Moisés, que aconteceu
quando o povo de Israel estava para entrar em Canaã, a Terra Prometida.
Os doze livros seguintes, de Josué até Ester, são livros históricos, que narram os principais
acontecimentos da história de Israel desde a sua entrada na Terra Prometida até o tempo em que as muralhas de
Jerusalém foram reconstruídas, depois da volta dos israelitas do cativeiro. Isso aconteceu uns quatrocentos e
quarenta e cinco anos antes do nascimento de Cristo.
Os livros de Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos e Lamentações de Jeremias são
chamados de Livros Poéticos.
Os últimos dezessete livros do AT contêm mensagens de Deus anunciadas ao povo de Israel pelos
profetas. Esses mensageiros de Deus condenavam os pecados do povo, exigiam o arrependimento e prometiam

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Noções de
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Bibliologia

as bênçãos divinas para as pessoas que confiassem em Deus e vivessem de acordo com a vontade dele. Es livros
estão divididos em dois grupos: Profetas Maiores (Isaias a Daniel) e Profetas Menores (Oséias a Malaquias).
Algumas versões antigas, tais como a Septuaginta, em grego, e a Vulgata, em latim, incluem no AT
alguns livros que não se encontram na Bíblia Hebraica de Israel. Esses livros foram escritos no período
intertestamentário. A Igreja Romana os aceita e os chama de “Deuterocanônicos”, isto é, pertencem a um
“segundo cânon”. São eles: Tobias, Judite, Ester Grego, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, Carta
de Jeremias e os acréscimos a Daniel, que são a Oração de Azarias e as histórias de Suzana, de Bel e do Dragão.

A formação do Antigo Testamento

Os trinta e nove livros que compõem o AT foram escritos durante um período de mais de mil anos. As
histórias, os hinos, as mensagens dos profetas e as palavras de sabedoria foram agrupadas em coleções, que, com
o tempo foram juntadas e aceitas como escritura sagrada.
Alguns livros de história que são mencionados no AT se perderam. São eles: Livro do Justo (Js 10.13), a
História de Salomão (1Rs 11.41), a História dos Reis de Israel (1Rs 14.19) e a História dos Reis de Judá (1Rs
14.29).
Os livros de Salmos e de Provérbios são obra de vários autores.

Para o povo de Israel conhecer o autor de determinado livro das Escrituras não era tão importante como
reconhecer que se tratava de livro que tinha sido escrito por inspiração divina e que continha mensagem ou
mensagens de valor permanente a respeito de Deus e de seus relacionamentos com o povo de Israel em particular
e com os povos do mundo em geral. São variadas e divididas as opiniões dos estudiosos das Escrituras quanto à
autoria de cada livro em particular.

Prosa e Poesia no Antigo Testamento

Boa parte do AT está escrita em prosa. Estão escritos em prosa os relatos da vida de pessoas, como se
pode ver em Gênesis e Rute. Outros livros narram a história de Israel, por exemplo, Êxodo 1-19, partes de
Números, Josué, Juizes, Samuel, Reis, Crônicas, Esdras, Neemias e Ester. Estão em prosa os registros das leis
dadas por Deus a Israel, bem como os assuntos relacionados ao culto.
O Livro de Deuteronômio consta principalmente de discurso pronunciados por Moisés.
Há livros de profetas escritos em prosa, como, por exemplo, Jeremias (boa parte), Ezequiel, Daniel e os
profetas menores, menos Naum e Habacuque.
Nos livros de Provérbios e Eclesiastes, aparece uma forma especial de prosa apropriada à literatura de
sabedoria.

Há vários livros e partes de livros que foram escritos em forma de poesia. A poesia hebraica se expressa
de uma forma especial chamada de paralelismo. As características desse tipo de poesia são tratadas em Salmos,
ela se chama litúrgica, porque os Salmos forma escritos para serem usados no culto.
O livro de Jó também é poético. Há livros proféticos que empregam a linguagem poética, como Isaías,
partes de Jeremias, Lamentações, Naum e Habacuque.

Geografia de Israel

Incluindo-se os territórios dos dois lados do rio Jordão, o Israel antigo ocupava uma área de mais ou
menos 16.000 km quadrados. De norte a sul, isto é, de Dã até Berseba, a distância era de 240 km. De leste a
oeste, isto é, de Gaza até o mar Morto, a distância é de 86 km. Mas é impressionante o fato de que um país tão
pequeno tenha exercido uma influência religiosa tão poderosa que se estende pelo mundo inteiro até hoje.
Os vizinhos mais próximos de Israel eram, no litoral, os filisteus e os fenícios; ao norte, estavam os heteus
e os arameus (sírios); a leste do Jordão, habitavam os amonitas e os moabitas; e, ao sul, os edomitas. Os vizinhos
mais distantes eram o Egito e a Assíria.

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Bibliologia

Durante o período da conquista dos Juízes, o país foi dividido pelas tribos de Israel. No período do Reino
unido, a capital era Jerusalém. Após a divisão a capital de Judá (Reino do Sul), era Jerusalém e capital de Israel
(Reino do Norte), era Samaria.

Na terra de Israel, observam-se quatro zonas paralelas, na direção norte-sul. A primeira zona é a planície
costeira. A segunda, no centro, é a região montanhosa. A terceira é o vale do Jordão, rio que desemboca no mar
Morto. E a quarta é o planalto onde hoje está a Jordânia.
Os Israelitas dividiam o ano em duas estações. No verão, fazia calor e se colhiam frutas; no inverno,
terminavam as colheitas, chovia e fazia frio.

Períodos da História de Israel

A história do povo de Deus no AT divide-se em oito períodos.


1º Período: De mais ou menos 1900 a 1700 aC, e nele viveram os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó.
2º Período: Escravidão no Egito e êxodo, mais ou menos de 1250 a 1030 aC. O líder nesse período é
Moisés.
3º Período: Conquista e posse de Canaã, mais ou menos de 1250 a 1030 aC. O povo é comandado por
Josué e pelos Juízes. O último juiz foi Samuel.
4º Período: O Reino unido, mais ou menos de 1030 a 932 aC. O povo é governado por três reis: Saul, Davi
e Salomão.
5º Período: O Reino dividido, de 931 a 586 aC. O Reino de Israel, ao norte, durou 200 anos. Samaria, sua
capital, caiu em 722 aC. Conquistada pelos assírios. O Reino de Judá, ao sul, durou 345 anos, tendo chegado ao
fim com a conquista de Jerusalém pelos babilônios em 587 ou 586 aC.
6º Período: O período do cativeiro, também chamado de exílio, começou em 722, com a conquista de
Samaria. Os moradores do Reino do norte foram levados como prisioneiros para a Assíria. 136 anos depois, em
587 ou 586, Jerusalém foi conquistada, e os moradores do Reino do sul foram levados para a Babilônia.
7º Período: A volta do povo de Deus à Terra Prometida começou em 538 aC, por ordem de Ciro, rei da
Pérsia, que havia dominado a Babilônia. Vários grupos de judeus voltaram para a terra de Israel, ficaram
morando nela e reconstruíram o templo (520 aC) e as muralhas de Jerusalém (445-443 aC).
8º Período: É o intertestamentário, isto é, o que fica entre o fim do Antigo Testamento e o começo do
Novo Testamento. Ele vai de Malaquias, o último profeta, que profetizou entre 500 e 450 aC, até o nascimento
de Cristo.
Este período é chamado de helenístico por causa do domínio e da cultura grega. O rei grego Alexandre, o
Grande, começou a governar Israel em 333 aC.
De 323 a 198, o governo foi exercido pelos ptolomeus, descendentes de um general de Alexandre. De 198
a 166, o domínio foi dos selêucidas, descendentes de um general de Alexandre que havia governado a Síria. De
166 a 63, Israel viveu 123 anos de independência, sendo o país governado pelos asmoneus, que eram
descendentes de Judas Macabeu, o líder da libertação de Israel. Em 63 aC, Jerusalém caiu em poder dos romanos
e passou a fazer parte do Império Romano. O governo em Israel era exercido por reis nomeados pelo Imperador
de Roma. Um desses reis foi Herodes, o Grande, que governou de 37 a 4 aC.

Valores Religiosos

O Antigo Testamento registra a experiência que os seus autores e o povo de Israel tiveram com Javé, o
verdadeiro Deus. As nações vizinhas tinham vários deuses e deusas, que eram adorados na forma de imagens
(ídolos). A crença de Israel era diferente. Javé era o único Deus de Israel, e dele não se faziam imagens. Javé era
o Deus único, Criador e Senhor do Universo. Ele era um Deus vivo e salvador, sempre vivendo com o seu povo.
Esse Deus impunha aos seus adoradores leis e normas morais que tinha em vista um procedimento correto
nos relacionamentos da vida. E havia leis sociais que protegiam interesses das outras pessoas, inclusive as
marginalizadas, e do povo como um todo. Javé perdoava as pessoas que quebravam suas leis. Mas o perdão era
somente concedido na condição de as pessoas se arrependerem, confessarem os seus erro e se disporem a
corrigir-se. As pessoas que permaneciam em pecado, eram julgadas por Deus e castigadas.
Javé fez com o povo de Israel uma aliança, pela qual ele prometeu ser o Deus de Israel; e o povo, por sua
vez, prometeu ser fiel a Deus, disposto a seguir e obedecer às suas leis. Essa doutrina fundamental da crença do

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povo de Israel é complementada por estas palavras que Jesus pronunciou na ocasião da instituição da Ceia: “Este
cálice é a nova aliança feita por Deus com o seu povo, aliança que é garantida pelo meu sangue, derramado em
favor de vocês” (Lc 22.20).
Por meio de símbolos e de profecias, o AT preparou o povo de Deus para a vinda do Messias, aquele que
Deus iria enviar a fim de trazer a salvação completa para as pessoas.
Para se entender bem o Novo Testamento, é necessário recorrer ao AT, porque este forma a base para os
ensinamentos encontrados no Novo Testamento. Mas nem todo os ensinamentos encontrados no AT têm
validade para os cristãos. O cristão lê o AT com a luz que vem da maneira de Jesus interpretá-lo e completá-lo.
Jesus disse: “Não pensem que eu vim acabar com a Lei de Moisés ou com os ensinamentos dos profetas. Não
vim para acabar com eles, mas para dar o seu sentido completo” (Mt 5.17). E, logo adiante Jesus afirmou algo
que é totalmente novo: “Vocês sabem o que foi dito: ‘Ame os seus amigos e odeie os seus inimigos.’ Mas eu
lhes digo: ‘Ame os seus inimigos e amem os que perseguem vocês’” (Mt 5.43,44). Essas palavras de Jesus sobre
inimigos vão muito além dos ensinamentos do AT sobre o assunto.
Os ensinamentos do AT sobre a lei, o culto, a conduta das pessoas, a sua vida, a sua morte e a sua vida
após a morte são entendidos e vividos pelos cristãos à luz da revelação completa e final que se encontra no Novo
Testamento.

Fonte:
Bíblia de Estudo NTLH
Bíblia - Antigo Testamento
TEXTO E FORMA

Antigo Testamento é o nome dado, desde os primórdios do Cristianismo, às escrituras sagradas do povo de
Israel, formadas por um conjunto de livros muito diferentes uns dos outros em caráter e gênero literário e
pertencentes a diversas épocas e autores.

O Antigo Testamento ocupa, sem dúvida, um lugar preeminente no quadro geral da importante literatura surgida
no Antigo Oriente Médio. No decorrer da sua longa história, egípcios, sumérios, assírios, babilônicos, fenícios,
hititas, persas e outros povos da região produziram um importante tesouro de obras literárias porém nenhuma
delas se compara ao Antigo Testamento quanto à riqueza dos temas e beleza de expressão e, muito menos,
quanto ao valor religioso.

Os gêneros literários do Antigo Testamento

Em termos gerais, todos os escritos do Antigo Testamento podem ser incluídos em um ou outro dos dois
grandes gêneros literários que são a prosa e a poesia em tudo, uma segunda aproximação permite apreciar a
grande diversidade de classes e estilos que, muitas vezes misturados entre si, configuram ambos os gêneros.

Quanto à prosa, é o gênero no qual estão escritos textos como os seguintes:

a) relatos históricos, presentes sobretudo nos livros de caráter narrativo e que, a partir de Abraão (Gn 11.27-
25.11), referem-se ou diretamente ao povo de Israel e aos seus personagens mais significativos ou indiretamente
aos povos e nações cuja história está relacionada muito de perto com Israel;
b) o relato de Gn 1-3 sobre as origens do mundo e da humanidade, o qual, do ponto de vista literário, merece
referência à parte;
c) passagens especiais (p. ex., a história dos patriarcas), narrações épicas (p. ex., o êxodo do Egito e a conquista
de Canaã), quadros familiares (p. ex., o livro de Rute), profecias (em parte), visões, crônicas oficiais, diálogos,
discursos, instruções, exortações e genealogias;
d) textos legais e normas de conduta e regulamentação da prática religiosa coletiva e pessoal.

Quanto à poesia, o Antigo Testamento oferece vários modelos literários, que podem ser resumidos em:

a) cúlticos (p. ex., Salmos e Lamentações);

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b) proféticos (uma parte muito importante dos textos dos profetas de Israel);
c) sapienciais, os quais recolhem reflexões e ensinamentos relativos à vida diária (Provérbios e Eclesiastes) ou
que giram em torno de algum problema de caráter teológico (Jó).

Autores e tradição

De acordo com a sua origem, os livros do Antigo Testamento podem ser classificados em dois grandes grupos. O
primeiro é formado pelos escritos que deixam transparecer a atividade criadora do autor e parecem ser marcados
pelo selo da sua personalidade. Tal é o caso de boa parte dos textos proféticos, cuja mensagem inicial foi, às
vezes, ampliada, chegando, posteriormente, ao seu pleno desenvolvimento em âmbitos onde a inspiração do
profeta original se deixava sentir com intensidade.

No segundo grupo são incluídos os livros nos quais, não tendo permanecido marcas próprias do autor, foram as
tradições que se encarregaram de transmitir a mensagem preservada pelo povo, proclamando-a e aplicando-a às
circunstâncias próprias de cada tempo novo. A esse grupo pertence uma boa parte da narrativa histórica e da
literatura cúltica e sapiencial.

Transmissão do texto

A passagem da tradição oral para a escrita chega ao Antigo Testamento num tempo em que o papiro e o
pergaminho já estavam em uso como materiais de escrita. Deles se faziam longas tiras que, convenientemente
unidas, formavam os chamados "rolos", uma espécie de cilindros de peso e volume às vezes consideráveis.
Assim, chegaram até nós os textos do Antigo Testamento (cf. Jr 36), ainda que não nos seus manuscritos
hebraicos originais, porque com o tempo todos desapareceram, mas graças à grande quantidade de cópias feitas
ao longo de muitos séculos. Dentre elas, as mais antigas que temos pertencem ao séc. I a.C. Foram descobertas
em lugares como Qumran, a oeste do mar Morto, algumas em muito bom estado de conservação e outras, muito
deterioradas e reduzidas a fragmentos.

Das cópias que contêm o texto integral da Bíblia Hebraica, a mais antiga é o Códice de Alepo, que data do séc.
X d.C. e é o reflexo da tradição tiberiense.

O sistema alfabético utilizado nos primitivos manuscritos hebraicos carecia de vogais: na sua época e de acordo
com um uso comum de diversas línguas semíticas, somente as consoantes tinham representação gráfica. Essa
peculiaridade era, obviamente, uma fonte de sérios problemas de leitura e interpretação dos escritos bíblicos,
cuja unificação realizaram os especialistas judeus do final do séc. I d.C.

O trabalho daqueles sábios foi favorecido na última parte do séc. V a.C. pelo desenvolvimento, sobretudo em
Tiberíades e Babilônia, de um sistema de leitura que culminou entre os séculos VIII e XI d.C. com a composição
do texto chamado "massorético". Nele, fruto do intenso trabalho realizado pelos "massoretas" (ou "transmissores
da tradição"), ficou definitivamente fixada a leitura da Bíblia Hebraica através de um complicado conjunto de
sinais vocálicos e entonação.

Apesar do excelente cuidado que os copistas tiveram para fazer e conservar as cópias do texto bíblico, nem
sempre puderam evitar que aqui e ali fossem introduzidas pequenas variantes na escrita. Por isso, a fim de
descobrir e avaliar tais variantes, o estudo dos antigos manuscritos implica uma minuciosa tarefa de comparação
de textos, não somente entre umas ou outras cópias hebraicas, mas também em antigas traduções para outras
línguas:
o texto samaritano do Pentateuco (escrita samaritana)
as versões gregas, especialmente a LXX (feita em Alexandria entre os séculos III e II a.C. e utilizada
freqüentemente pelos escritores do Novo Testamento)
as aramaicas (os targumim, versões parafrásticas)
as latinas, em especial a Vulgata
as siríacas, as coptas ou a armênia. Os resultados desse trabalho de fixação do texto se encontram sintetizados
nas edições críticas da Bíblia Hebraica.

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GEOGRAFIA E RELIGIÃO

A Palestina do Antigo Testamento

A região onde se desenrolaram os acontecimentos mais importantes registrados no Antigo Testamento está
situada na zona imediatamente a leste da bacia do Mediterrâneo. O nome mais antigo dela registrado na Bíblia é
"terra de Canaã" (Gn 11.31), substituído posteriormente, entre os israelitas, por "terra de Israel" (1Sm 13.19 Ez
11.17 Mt 2.20). Os gregos e romanos preferiram chamá-la de "Palestina", termo derivado do apelativo "filisteu",
pelo qual era conhecido o povo que habitava a costa do Mediterrâneo. No tempo em que o Império Romano
dominou o país, pelo menos uma região deste recebeu o nome de "Judéia". Durante a maior parte do período
monárquico (931-586 a.C.), a terra de Israel esteve dividida em duas: ao sul, o reino de Judá, sendo Jerusalém
sua capital e ao norte, o reino de Israel, tendo a cidade de Samaria como capital. As grandes diferenças políticas
que separavam ambos os reinos aumentaram ainda mais quando, em 721 a.C., o reino do Norte foi conquistado
pelo exército assírio.

O território palestino é formado por três grandes faixas paralelas que se estendem do Norte ao Sul. A ocidental,
uma planície banhada pelo Mediterrâneo, estreita-se em direção ao Norte, na Galiléia, e depois fica cercada pelo
monte Carmelo. Nessa planície se encontravam as antigas cidades de Gaza, Asquelom, Asdode e Jope
(atualmente um subúrbio de Tel Aviv) e a Cesaréia romana, de construção mais recente.

A faixa central é formada por uma série de montanhas que, desde o Norte, como que se desprendendo da
cordilheira do Líbano, descem paralelas pela costa até penetrar no Sul, no deserto de Neguebe. O vale de Jezreel
(ou de Esdrelom), entre a Galiléia e Samaria, cortava a cadeia montanhosa, cujas duas alturas máximas estão
uma (1.208 m) na Galiléia e a outra (1.020 m), na Judéia. Nessa faixa central do país, encontra-se a cidade de
Jerusalém (cerca de 800 m acima do nível do mar) e outras importantes da Judéia, Samaria e Galiléia.

A oriente da região montanhosa serpenteia o rio Jordão, o maior rio da Palestina, o qual nasce ao norte da Galiléi
a, no monte Hermom, e caminha em direção ao sul ao longo de 300 km, (pouco mais de 100 km, em linha
reta). No seu curso, atravessa o lago Merom e depois o mar ou lago da Galiléia (ou ainda "mar de Tiberíades") e
corre por uma depressão que se torna cada vez mais profunda, até desembocar no mar Morto, a 392 m abaixo do
nível do Mediterrâneo.

Mais além da depressão do Jordão, no seu lado oriental, o terreno torna a elevar-se. Sobretudo na região norte há
cumes importantes, como, já fora da Palestina, o monte Hermom, com até 2.758 m de altura.

A Palestina é predominantemente seca, desértica em extensas regiões do Leste e Sul do país, com montanhas
muito pedregosas e poucos espaços com condições favoráveis para o cultivo. Os terrenos férteis, próprios para a
agricultura, encontram-se, sobretudo, na planície de Jezreel, ao norte, no vale do Jordão e nas terras baixas que,
ao ocidente, acompanham a costa. As altas temperaturas predominantes se atenuam nas partes elevadas, onde as
noites podem chegar a ser frias. As duas estações mais importantes são o inverno e o verão (cf. Gn 8.22 Mt
24.20,32), mas, quanto ao clima, o essencial para os trabalhos agrícolas é a regularidade na chegada das chuvas:
as temporãs (entre outubro e novembro) e as serôdias (entre dezembro e janeiro). Armazena-se, então, a água em
algibes (ou cisternas), para poder tê-la durante os outros meses do ano.

Valorização religiosa do Antigo Testamento

No Antigo Testamento, como em toda a Bíblia, é reconhecida, em sua origem, uma autêntica experiência
religiosa. Deus se revelou ao povo de Israel na realidade da sua história e fez isso como o único Deus, Criador e
Senhor do universo e da história, não se assemelhando a nenhuma outra experiência humana, nem identificando-
se com alguma imagem feita pelos homens. Deus é o Autor da vida, o Criador da existência de todos os seres e é
um Deus salvador, que está sempre ao lado do seu povo, mas que não se deixa manipular por ele que impõe
obrigações morais e sociais, que não se deixa subornar, que protege os fracos e ama a justiça. É um Deus que se
achega ao povo, especialmente no culto um Deus perdoador, que quer que o pecador viva, porém julga com

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justiça e castiga a maldade. As idéias e a linguagem do Antigo Testamento transparecem nos escritos do Novo
Testamento, em cujo pano de fundo está sempre presente o Deus do Antigo Testamento, o Pai de Jesus Cristo,
em quem é revelado, definitivamente, o seu amor e a sua vontade salvadora para todo aquele que o recebe pela
fé.

O Antigo Testamento dá especial atenção ao relacionamento de Deus com Israel, o seu povo escolhido. Um dos
mais importantes aspectos desse relacionamento é a Aliança com Israel, mediante a qual Javé se compromete a
ser o Deus daquele povo que tomou como a sua possessão particular e dele exige o cumprimento religioso dos
mandamentos e das leis divinas. Assim, a fé comum, as celebrações cúlticas e a observância da Lei são os
elementos que configuram a unidade de Israel, uma unidade que se rompe quando se torna infiel ao Deus ao qual
pertence. A história de Israel como povo escolhido revela que o mais importante é manter a sua identidade
religiosa em meio ao mundo ao seu redor, passo necessário que será dado em direção à mensagem universal que
depois, em Jesus Cristo, será proclamada pelo Novo Testamento.

Nem todos os aspectos do Antigo Testamento mantêm igual vigência para o cristão. O Antigo Testamento deve
ser interpretado à luz da sua máxima instância, que é Jesus Cristo. A projeção histórica e profética do povo de
Israel no Antigo Testamento é uma etapa precursora no caminho que conduz à plena revelação divina em Cristo
(Hb 1.1-2). Por outro lado, o Novo Testamento é o testemunho de fé de que as promessas feitas por Deus a Israel
são cumpridas com a vinda do Messias (cf., p. ex., Mt 1.23 Lc 3.4-6 At 2.16-21 Rm 15.9-12). Por isso, certas
instruções absolutamente válidas para o povo judeu deixam de ser igualmente vigentes para o novo povo de
Deus, que é a Igreja (cf. At 15 Gl 3.23-29 Cl 2.16-17 Hb 7.11-10.18) e alguns aspectos da lei de Moisés, do
culto do Antigo Testamento e da doutrina sobre o destino do ser humano, pessoal e comunitariamente
considerado, devem ser interpretados à luz do evangelho de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

HISTÓRIA E CULTURA

A existência de Israel como povo remonta, provavelmente, ao último período do séc. XI a.C. Era o tempo do
nascimento da monarquia e da unificação das diversas tribos, que viviam separadas entre si até que, sob o
governo do rei Davi, constituiu-se o Estado nacional, com Jerusalém por capital.

Até chegar a esse momento, a formação do povo havia sido lenta e difícil, mesclada freqüentemente com a
história das mais antigas civilizações que floresceram no Egito, às margens do Nilo e na Mesopotâmia, nas terras
regadas pelo Tigre e o Eufrates. As fontes extrabíblicas da história de Israel naquela época são muito limitadas,
carentes da base documental necessária para se estabelecerem com precisão as origens do povo hebreu. Nesse
aspecto, o livro de Gênesis proporciona alguns dados de valor inestimável, pois o estudo dos relatos patriarcais
permite descobrir alguns aspectos fundamentais da origem do povo israelita.

A época dos patriarcas Os personagens do Antigo Testamento, habitualmente denominadas "patriarcas", eram
chefes de grupos familiares seminômades que iam de um lugar a outro em busca de comida e água para os seus
rebanhos. Não havendo chegado ainda à fase cultural do sedentarismo e dos trabalhos agrícolas, os seus
assentamentos eram, em geral, eventuais: duravam o tempo em que os seus gados demoravam para consumir os
pastos.

Gênesis oferece uma visão particular do começo da história de Israel, que é mais propriamente a história de uma
família. Procedentes da cidade mesopotâmica de Ur dos caldeus, situada junto ao Eufrates, Abraão e a sua
esposa chegaram ao país de Canaã. Deus havia prometido a Abraão que faria dele uma grande nação (Gn 12.1-3
cf. 15.1-21 17.1-4) e, conforme essa promessa, nasceu o seu filho Isaque, que, por sua vez, foi o pai de Jacó.
Durante a sua longa viagem, primeiro na direção norte e depois na direção sul, Abraão deteve-se em diversos
lugares mencionados na Bíblia: Harã, Siquém, Ai e Betel (Gn 11.31-12.9) atravessou a região desértica do
Neguebe e chegou até o Egito, de onde, mais tarde, regressou para, finalmente, estabelecer-se em um lugar
conhecido como "os carvalhais de Manre", junto a Hebrom (Gn 13.1-3,18). Ao morrer Abraão (Gn 25.7-11 cf.
23.2,17-20), Isaque converte-se no protagonista do relato bíblico, que o apresenta como habitante de Gerar e
Berseba (Gn 26.6,23), lugares do Neguebe (Gn 24.62), na região meridional da Palestina. Isaque, herdeiro das
promessas de Deus a Abraão, aparece no meio de um quadro descritivo da vida seminômade do segundo milênio

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a.C.: busca de campos de pastoreio, assentamentos provisórios, ocasionais trabalhos agrícolas nos limites de
povoados fronteiriços e discussões por causa dos poços de água onde se dava de beber ao gado (Gn 26).

Depois de Isaque, a atenção do relato concentra-se nos conflitos pessoais surgidos entre Jacó e o seu irmão Esaú,
que são como que uma visão antecipada dos graves problemas que, posteriormente, haveriam de acontecer entre
os israelitas, descendentes de Jacó, e os edomitas, descendentes de Esaú. A história de Jacó é mais longa e
complicada que as anteriores. Consta de uma série de relatos entrelaçados: a fuga do patriarca para a região
mesopotâmica de Padã-Arã a inteligência e a riqueza de Jacó o regresso a Canaã o episódio de Peniel, onde Deus
mudou o nome de Jacó para Israel (Gn 32.28) a revelação de Deus e a renovação das suas promessas (Gn 35.1-
15) a história de José e a morte de Jacó no Egito (Gn 37.1-50.14).

A saída do Egito

A situação política e social das tribos israelitas, do Egito e dos países do Oriente Médio, no período que vai da
morte de José à época de Moisés, sofreu mudanças consideráveis.

O Egito viveu um tempo de prosperidade depois de expulsar do país os invasores hicsos. Este povo oriundo da
Mesopotâmia, depois de passar por Canaã, havia se apropriado, no início do séc. XVIII a.C., da fértil região
egípcia do delta do Nilo. Os hicsos dominaram no Egito cerca de um século e meio, e, provavelmente, foi nesse
tempo que Jacó se instalou ali com toda a sua família. Esta poderia ser a explicação da acolhida favorável que
foi dispensada ao patriarca, e de que alguns dos seus descendentes, como aconteceu com José (Gn 41.37-43),
chegaram a ocupar postos importantes no governo do país.

A situação mudou quando os hicsos foram finalmente expulsos do Egito. Os estrangeiros residentes, entre os
quais encontravam-se os israelitas, foram submetidos a uma dura opressão. Essa mudança na situação política
está registrada em Êx 1.8, que diz que subiu ao trono do Egito um novo rei "que não conhecera a José." Durante
o mandato daquele faraó, os israelitas foram obrigados a trabalhar em condições subumanas na edificação das
cidades egípcias de Pitom e Ramessés (Êx 1.11). Porém, em tais circunstâncias, teve lugar um acontecimento
que haveria de permanecer gravado, para sempre, nos anais de Israel: Deus levantou um homem, Moisés, para
constituí-lo libertador do seu povo.

Moisés, apesar de hebreu por nascimento, recebeu uma educação esmerada na própria corte do faraó. Certo dia,
Moisés viu-se obrigado a fugir para o deserto, e ali Javé (nome explicado em Êx 3.14 como "EU SOU O QUE
SOU") revelou-se a ele e lhe deu a missão de libertar os israelitas da escravidão a que estavam submetidos no
Egito (Êx 3.1-4.17). Regressou Moisés ao Egito e, depois de vencer com palavras e ações maravilhosas a
resistência do faraó, conseguiu que a multidão dos israelitas se colocasse em marcha em direção ao deserto do
Sinai.

Esse capítulo da história de Israel, a libertação do jugo egípcio, marcou indelevelmente a vida e a religião do
povo. A data precisa desse acontecimento não pode ser determinada. Têm-se sugerido duas possibilidades: até
meados do séc. XV e até meados do séc. XIII. (Neste último caso seria durante o reinado de Ramsés II ou do seu
filho Meneptá.).

Durante os anos de permanência no deserto do Sinai, enquanto os israelitas dirigiam-se para Canaã, produziu-se
um acontecimento de importância capital: Deus instituiu a sua Aliança com o seu povo escolhido (Êx 19). Essa
Aliança significou o estabelecimento de um relacionamento singular entre Javé e Israel, com estipulações
fundamentais que ficaram fixadas na lei mosaica, cuja síntese é o Decálogo (Êx 20.1-17). A conquista de Canaã
e o período dos juízes.

Depois da morte de Moisés (Dt 34), a direção do povo foi colocada nas mãos de Josué, a quem coube guiá-lo ao
país de Canaã, a Terra Prometida. A entrada naqueles territórios iniciou-se com a passagem do Jordão, fato de
grande significação histórica, porque com ela inaugurava-se um período decisivo para a constituição da futura
nação israelita (Js 1-3).

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Conquistar e assentar-se em Canaã não se tornou empresa fácil. Foi um longo e duro processo (cf. Jz 1), às
vezes, de avanço pacífico, mas, às vezes, de inflamados choques com os hostis povos cananeus (cf. Jz 4-5),
formados por populações diferentes entre si, ainda que todas pertencentes ao comum tronco semítico muitas
delas terminaram absorvidas por Israel (cf. Js 9).

Naquele tempo da chegada e conquista de Canaã, os grandes impérios do Egito e da Mesopotâmia já haviam
iniciado a sua decadência. Destes eram vassalos os pequenos Estados cananeus, de economia agrícola e cuja
administração política limitava-se, geralmente, a uma cidade de relativa importância nos limites das suas terras.
Em relação à religião, caracterizava-se sobretudo pelos ritos em honra a Baal, Aserá e Astarote, e a deuses
secundários, geralmente divindades da fecundidade.

A etapa conhecida como "período dos juízes de Israel" sucedeu à morte de Josué (Js 24.29-32). Desenvolveu-se
entre os anos 1200 e 1050 a.C., e a sua característica mais evidente foi, talvez, a distribuição dos israelitas em
grupos tribais, mais ou menos independentes e sem um governo central que lhes desse um mínimo sentido de
organização política. Naquelas circunstâncias surgiram alguns personagens que assumiram a direção de Israel e
que, ocasionalmente, atuaram como estrategistas e o guiaram nas suas ações de guerra (ver, p. ex., em Jz 5, o
Cântico de Débora, que celebra o triunfo de grupos israelitas aliados contra as forças cananéias). Entre todos os
povos vizinhos, foram, provavelmente, os filisteus que representaram para Israel a mais grave ameaça.
Procedentes de Creta e de outras ilhas do Mediterrâneo oriental, os filisteus, conhecidos também como "os
povos do mar", que primeiramente haviam intentado sem êxito penetrar no Egito, apoderaram-se depois (por
volta de 1175 a.C.) das planícies costeiras da Palestina meridional. Ali estabeleceram-se e constituíram a
"Pentápolis", o grupo das cinco cidades filistéias: Asdode, Gaza, Asquelom, Gate e Ecrom (1Sm 6.17), cujo
poder reforçou-se com a sua aliança e também com o monopólio da manufatura do ferro, utilizado tanto nos seus
trabalhos agrícolas quanto nas suas ações militares (1Sm 13.19-22).

O início da monarquia de Israel

A figura política dos "juízes", apta para resolver assuntos de caráter tribal, mostrou-se ineficaz ante os problemas
que, mais tarde, haveriam de ameaçar a sobrevivência do conjunto de Israel no mundo palestino. Assim, pouco a
pouco, veio a implantação da monarquia e, com ela, uma forma de governo unificado, dotado da autoridade
necessária para manter uma administração nacional estável. Ainda que a monarquia tenha enfrentado, no início,
fortes resistências internas (1Sm 8), paulatinamente chegou a impor-se e consolidar-se. Samuel, o último dos
juízes de Israel, foi sucedido por Saul, que em 1040 a.C. iniciou o período da monarquia, que se prolongou até
586 a.C., quando, durante o reinado de Zedequias, os babilônios sitiaram e destruíram Jerusalém, tendo
Nabucodonosor à frente. Saul, que começou a reinar depois de ter obtido uma vitória militar (1Sm 11) e de ter
triunfado em outras ocasiões, todavia, nunca conseguiu acabar com os filisteus, e foi lutando contra eles no
monte Gilboa que morreram os seus três filhos e ele próprio (1Sm 31.1-6).

Saul foi sucedido por Davi, proclamado rei pelos homens de Judá na cidade de Hebrom (2Sm 2.4-5). O seu
reinado iniciou-se, pois, na região meridional da Palestina, mas depois estendeu-se em direção ao norte.
Reconhecido como rei por todas as tribos israelitas, conseguiu unificá-las sob o seu governo. Durante o tempo
em que Davi viveu, produziram-se acontecimentos de grande importância: a anexação à nova entidade nacional
de algumas cidades cananéias antes independentes, a submissão de povos vizinhos e a conquista de Jerusalém,
convertida desde então na capital do reino e centro religioso por excelência. Próximo já da sua morte, Davi
designou por sucessor o seu filho Salomão, sob cujo governo alcançou o reino as mais altas cotas de esplendor.
Salomão soube estabelecer importantes relacionamentos políticos e comerciais, geradores de grandes benefícios
para Israel. As riquezas acumuladas sob o seu governo permitiram realizar em Jerusalém construções de enorme
envergadura, como o Templo e o palácio real. O prestígio de Salomão fez-se proverbial, e a fama da sua
prudência e sabedoria nunca tiveram paralelo na história dos reis de Israel (1Rs 5-10).

A ruptura da unidade nacional

A despeito de todas as circunstâncias favoráveis que rodearam o reinado de Salomão, foi precisamente aí que a
unidade do reino começou a fender-se. Por um e outro lado do país, surgiam vozes de protesto pelos abusos de

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autoridade, pelos maus tratos infligidos à classe trabalhadora e pelo agravamento dos tributos destinados a cobrir
os gastos que originavam as grandes construções. Tudo isso, fomentando atitudes de descontentamento e
rebeldia, foi causa do ressurgimento de antigas rivalidades entre as tribos do Norte e do Sul.

Os problemas chegaram ao extremo quando, morto Salomão, ocupou o trono o seu filho Roboão (1Rs 12.1-24).
Sem a sensatez do seu pai, Roboão provocou, com imprudentes atitudes pessoais, a ruptura do reino: de um lado,
a tribo de Judá, que seguiu fiel a Roboão e manteve a capital em Jerusalém de outro, as tribos do Norte, que
proclamaram rei a Jeroboão, antigo funcionário da corte de Salomão. Desde esse momento, a divisão da nação
em reino do Norte e reino do Sul se fez inevitável.

Judá, sempre governada por um membro da dinastia davídica, subsistiu por mais de trezentos anos, ainda que a
sua independência nacional tivesse sofrido importantes oscilações desde que, no final do séc. VIII a.C., a Assíria
a submeteu a uma dura vassalagem. Aquele antigo império dominou a Palestina até que medos e caldeus, já
próximo do séc. VI a.C., apagaram-na do panorama da história (Na 1-3). Então, em Judá, onde reinava Josias,
renasceram as esperanças de recuperar a perdida independência mas, depois da batalha de Megido (609 a.C.),
com a derrota de Judá e a morte de Josias (2Cr 35.20-24), o reino entrou em uma rápida decadência, que
terminou com a destruição de Jerusalém em 586 a.C. O Templo e toda a capital foram arrasados, um número
grande dos seus habitantes foi levado ao exílio, e a dinastia davídica chegou ao seu fim (2Rs 25.1-21). Ao que
parece, a perda da independência de Judá supôs a sua incorporação à província babilônica de Samaria mas, além
disso, o país havia ficado arruinado, primeiro pela devastação que causaram os invasores e em seguida pelos
saques a que o submeteram os seus povos vizinhos, Edom (Ob 11), Amom e outros (Ez 25.1-4).

O reino do Norte, Israel, nunca chegou a gozar uma situação politicamente estável. A sua capital mudou de lugar
em diversas ocasiões, antes de ficar finalmente instalada na cidade de Samaria (1Rs 16.24), e várias tentativas
para constituir dinastias duradouras terminaram em fracasso, freqüentemente de modo violento (Os 8.4). A
aniquilação do reino do Norte sob a dominação assíria ocorreu gradualmente: primeiro foi a imposição de um
grande tributo (2Rs 15.19-20) em seguida, a conquista de algumas povoações e a conseqüente redução das
fronteiras do reino e, por último, a destruição de Samaria, o exílio de uma parte da população e a instalação de
um governo estrangeiro no país conquistado.

O exílio

Os babilônios permitiram que os exilados do reino de Judá formassem famílias, construíssem casas, cultivassem
pomares (Jr 29.5-7) e chegassem a consultar os seus próprios chefes e anciãos (Ez 20.1-44) e, igualmente,
permitiram-lhes viver em comunidade, em um lugar chamado Tel-Abibe, às margens do rio Quebar (Ez 3.15).
Assim, pouco a pouco, foram-se habituando à sua situação de exilados na Babilônia. Em semelhantes
circunstâncias, a participação comum nas práticas da religião foi, provavelmente, o vínculo mais forte de união
entre os membros da comunidade exilada e a instituição da sinagoga teve um papel relevante como ponto de
encontro para a oração, a leitura e o ensinamento da Lei, o canto dos Salmos e o comentário dos escritos dos
profetas.

Desta maneira, com o exílio, a Babilônia converteu-se num centro de atividade religiosa, onde um grupo de
sacerdotes entregou-se com empenho à tarefa de reunir e preservar os textos sagrados que constituíam o
patrimônio espiritual de Israel. Entre os componentes desse grupo se contava Ezequiel, que, na sua dupla
condição de sacerdote e profeta (Ez 1.1-3 2.1-5), exerceu uma influência singular.

Dadas as condições de tolerância e até de bem-estar em que viviam os exilados na Babilônia, não é de estranhar
que muitos deles renunciassem, no seu tempo, regressar ao seu país. Outros, pelo contrário, mantendo vivo o
ressentimento contra a nação que os havia arrancado da sua pátria e que era causa dos males que lhes haviam
sobrevindo, suspiravam pelo momento do regresso ao seu longínquo país (Sl 137 Is 47.1-3).

Retorno e restauração

A esperança de uma rápida libertação cresceu entre os exilados quando Ciro, rei de Anshan, empreendeu a sua

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carreira de conquistador e fundador de um novo império. Elevado já ao trono da Pérsia (559-530 a.C.), as suas
qualidades de estrategista e de político permitiram-lhe superar rapidamente três etapas decisivas: primeiro, a
fundação do reino medo-persa, com a sua capital Ecbatana (553 a.C.) segundo, a conquista de quase toda a Ásia
Menor, culminada com a vitória sobre o rei de Lídia (546 a.C.) terceiro, a entrada triunfal na Babilônia (539
a.C.). Desse modo, ficou configurado o império persa, que, durante mais de dois séculos, dominou o panorama
político do Oriente Médio.

Ciro praticou uma política de bom relacionamento com os povos submetidos. Permitiu que cada um conservasse
os seus usos, costumes e tradições e que praticasse a sua própria religião, atitude que redundou em benefício aos
judeus residentes na Babilônia, os quais, por decreto real, ficaram com a liberdade de regressar à Palestina.

O livro de Esdras contém duas versões do referido decreto (Ed 1.2-4 e 6.3-12), no qual se ampararam os exilados
que quiseram voltar à pátria. E é importante assinalar que o imperador persa não somente permitiu aquele
regresso, mas também devolveu aos judeus os ricos utensílios do culto que Nabucodonosor lhes havia arrebatado
e levado à Babilônia. Para maior abundância, Ciro ordenou também uma contribuição de caráter oficial para
apoiar economicamente a reconstrução do templo de Jerusalém.

O retorno dos exilados realizou-se de forma paulatina, por grupos, o primeiro dos quais chegou a Jerusalém sob
a liderança de Sesbazar (Ed 1.11). Tempos depois iniciaram-se as obras de reconstrução do Templo, que se
prolongaram até 515 a.C. Para dirigir o trabalho e animar os operários contribuíram o governador Zorobabel e o
sumo sacerdote Josué, apoiados pelos profetas Ageu e Zacarias (Ed 5.1). O passar do tempo deu lugar a muitos
problemas de índole muito diversa. As duras dificuldades econômicas às quais tiveram que fazer frente, as
divisões no seio da comunidade e, muito particularmente, as atitudes hostis dos samaritanos foram causa da
degradação da convivência entre os repatriados em Jerusalém e em todo Judá.

Ao conhecer os problemas que afligiam o seu povo, um judeu chamado Neemias, residente na cidade de Susã,
copeiro do rei persa Artaxerxes (Ne 2.1), solicitou que, com o título de governador de Judá, tivesse a permissão
de ajudar o seu povo (445 a.C.). Neemias revelou-se um grande reformador, que atuou com capacidade e
eficácia. A sua presença na Palestina foi decisiva, não somente para que se reconstruíssem os muros de
Jerusalém, mas também para que a vida da comunidade judaica experimentasse uma mudança profunda e
positiva (cf. Ne 8-10).

Artaxerxes investiu, também de poderes extraordinários, ao sacerdote e escriba Esdras, a fim de que este, dotado
de plena autoridade, se ocupasse de todas as necessidades do Templo e do culto em Jerusalém e cuidasse de
colocar sob a lei de Deus tanto os judeus recém-repatriados como os que nunca haviam saído da Palestina (Ed
7.12-26). Entre eles, promoveu Esdras uma mudança religiosa e moral tão profunda, que, a partir de então, Israel
converteu-se no "povo do Livro". A sua figura ocupa nas tradições judaicas um lugar comparável ao de Moisés.
Com relação às referências a Artaxerxes no livro de Esdras (7.7) e no de Neemias (2.1), se correspondem a um
só personagem ou a dois, os historiadores não têm chegado a uma conclusão definitiva.

O período helenístico

O domínio persa no Oriente Médio chegou ao seu fim quando o exército de Dario III sucumbiu em Isso (333
a.C.) ante as forças de Alexandre Magno (356-323 a.C.). Ali começou a hegemonia do helenismo, que se
manteve até 63 a.C. e que entre os seus sucessos contou com o estabelecimento de importantes vínculos entre
Oriente e Ocidente. Mas as rivalidades surgidas entre os sucessores de Alexandre (os Diádocos) impediram o
estabelecimento de uma unidade política eficaz nos territórios que ele havia conquistado. De tais divisões
originou-se, com referência à Palestina, a que fora dominada primeiro pelos ptolomeus (ou lágidas) do Egito e
depois pelos selêucidas da Síria, duas das dinastias fundadas pelos generais sucessores de Alexandre. Durante a
época helenística estendeu-se consideravelmente o uso do grego, e muitos judeus residentes na "diáspora" (ou
"dispersão") habituaram-se a utilizá-lo como língua própria. Chegou um momento em que se fez necessário
traduzir a Bíblia Hebraica para atender às necessidades religiosas das colônias judaicas de fala grega. Essa
tradução, chamada de Septuaginta ou Versão dos Setenta, foi feita aproximadamente entre os anos 250 e 150
a.C.

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Durante o reinado do selêucida Antíoco IV Epífanes (175-163 a.C.), produziu-se na Palestina um intento de
helenização do povo judeu, que causou entre os seus membros uma grave dissensão. Muitos adotaram
abertamente costumes próprios da cultura grega, divergentes das práticas judaicas tradicionais, enquanto que
outros se agarraram com tenaz fanatismo à lei mosaica. A tensão entre eles foi crescendo até desembocar na
rebelião dos macabeus. Essa rebelião desencadeou-se quando um ancião sacerdote chamado Matatias e os seus
cinco filhos organizaram a luta contra o exército sírio. Depois da morte de Matatias, Judas, o seu terceiro filho,
ficou à frente da resistência e, chefiando os seus, reconquistou o templo de Jerusalém, que havia sido profanado
pelos sírios, e o purificou e o dedicou. A Hannuká ou Festa da Dedicação (Jo 10.22) comemora esse fato.
Convertido em herói nacional, Judas foi o primeiro a receber o sobrenome de "macabeu" (provavelmente
"martelo"), que depois foi dado também aos seus irmãos.

Depois da morte de Simão, o último dos macabeus, a sucessão recaiu sobre o seu filho João Hircano I (134-104
a.C.), com quem teve início a dinastia hasmonéia. Ainda viveu a Judéia alguns dias de esplendor, mas, em geral,
durante o governo dos hasmoneus, a estabilidade política deteriorou-se progressivamente. Mais tarde, entrou em
jogo o Império Romano, e, no ano 63 a.C., o general Pompeu conquistou Jerusalém e a anexou, com toda a
Palestina, à que já era oficialmente província da Síria. A partir desse momento, a própria vida religiosa judaica
ficou hipotecada, dirigida aparentemente pelo sumo sacerdote em exercício, mas submetida, em última instância,
à autoridade imperial.

Fonte:
iLúmina - A Bíblia do século XXI

1.2. O Novo Testamento (NT). Após cerca de quatrocentos anos de silêncio, começou-se, com o
advento de Cristo, a ser escrito, em grego. No inicio da pregação do evangelho não existia, ainda, o Novo
Testamento, como podemos ver, Pedro faz alusão ao velho testamento em sua primeira pregação (Joel 2.28,32)
além de característica dos acontecimentos “recentes” concernentes e algumas citações do livro de Salmos (Sl
16.8-11; 110.1). Estevão basicamente fez uma sínese dos Livros de Gênesis e Êxodo. Algum tempo depois
começaram a ser escritos os evangelhos para que as boas mensagens (Ev angelion) fossem transmitidas através
de cartas, Epístolas e revelação (Apocalipse).

Bíblia - Novo Testamento


O Cristianismo, nas suas etapas iniciais, considerou o Antigo Testamento como a sua única Bíblia. Jesus,
como os seus discípulos e apóstolos e o resto do povo judeu, citou-o como "as Escrituras", "a Lei" ou "a Lei e os
Profetas" (cf. Mc 12.24 Mt 12.5 Lc 16.16).

Com o passar do tempo, a Igreja, tendo entendido que em Cristo "as coisas antigas já passaram eis que se
fizeram novas" (2Co 5.17), produziu muitos escritos acerca da vida e da obra do Senhor, estabeleceu e transmitiu
a sua doutrina e estendeu a mensagem evangélica a regiões cada vez mais distantes da Palestina. Dentre esses
escritos foi-se destacando aos poucos um grupo de vinte e sete, que pelos fins do séc. II começou a ser
conhecido como Novo Testamento. Eram textos redigidos na língua grega, desiguais tanto em extensão como
em natureza e gênero literário. Todos, porém, foram considerados com especial reverência como procedentes
dos apóstolos de Jesus ou de pessoas muito próximas a eles.

O uso cada vez mais freqüente que os crentes faziam daqueles vinte e sete escritos (convencionalmente
chamados "livros") conduziu a uma geral aceitação da sua autoridade. A fé descobriu, sem demora, nas suas
páginas a inspiração do Espírito Santo e o testemunho fidedigno de que em Jesus Cristo, o Filho de Deus,
cumpriam-se as antigas profecias e se convertiam em realidade as esperanças messiânicas do povo de Israel.
Conseqüentemente, a Igreja entendeu que os escritos hebraicos, que chamou de Antigo Testamento, requeriam
uma segunda parte que viesse a documentar o cumprimento das promessas de Deus. E, enfim, após um longo
processo e já bem avançado no séc. V, ficou oficialmente reconhecido o cânon geral da Bíblia como a soma de
ambos os Testamentos. Divisão do Novo Testamento.

Desde o séc. V, o índice do Novo Testamento agrupa os livros da seguinte maneira:

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1. Evangelhos (4):
a). Sinóticos (3): Mateus, Marcos e Lucas.
b). João

2. Atos dos Apóstolos (1)

3. Epístolas (21):
a) Paulinas (13): Romanos, 1Coríntios, 2Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1Tessalonicenses,
2Tessalonicenses, 1Timóteo, 2Timóteo, Tito e Filemom.
b) Epístola aos Hebreus (1)
c) Universais (7): Tiago, 1Pedro,2Pedro, 1João, 2João, 3João e Judas

4. Apocalipse (1)

Essa catalogação dos livros do Novo Testamento não corresponde à ordem cronológica da sua redação ou
publicação é, antes, um agrupamento temático e por autores. Talvez, deve-se ver nesse agrupamento o propósito
de apresentar a revelação de Deus e o anúncio do seu reino eterno a partir da boa nova da encarnação
(Evangelhos) até a boa nova do retorno glorioso de Cristo no fim dos tempos (Apocalipse), passando pela
história intermediária da vida e da incumbência apostólica da Igreja (Epístolas).

A transmissão do texto

É realmente extraordinário o número de manuscritos do Novo Testamento que chegou a nós depois de tantos
séculos desde que foram escritos. Ao todo, são mais de 5.000. Alguns são apenas pequenos fragmentos, tão
deteriorados pelo tempo e pelas más condições ambientais, que a sua utilidade é praticamente nula. Mas são
muito mais numerosos os manuscritos que, no todo ou em parte, se conservaram num estado suficientemente
satisfatório para transmitir até o presente a sua mensagem e testificar assim a fidelidade dos cristãos que os
escreveram.

Assim sendo, os manuscritos que conhecemos não são autógrafos, isto é, nenhum provém da mão do próprio
autor. Todos, sem exceção, são cópias de cópias dos textos originais gregos ou de traduções para outros idiomas.
Copistas especializados pacientemente consagrados a esse labor de muitos anos de duração, os produziram nos
lugares mais diversos e no decorrer de séculos.

As cópias mais antigas até agora conhecidas são papiros que datam do séc. III, procedentes do Egito.

O papiro é uma planta abundantemente encontrada às margens do Nilo. Da sua haste, cortada e prensada,
preparavam-se tiras retangulares, que se uniam formando folhas de uns 30 centímetros de largura e vários metros
de comprimento. Uma vez escritas, enrolavam-se as folhas com o texto para dentro, atando-as com fios.

Os rolos de papiro eram de fácil fabricação, mas o seu manejo era incômodo. Ademais, tanto a umidade como o
calor seco danificavam o material e impediam a sua prolongada duração. Por isso, em substituição ao papiro,
entre os séculos II e V, se difundiu o uso de pergaminho, que era uma folha de pele de ovelha ou cordeiro
especialmente curtida para poder-se escrever nela. Esse novo material, bastante mais custoso que o anterior,
porém muito resistente e duradouro, permitiu, primeiro, a preparação de cadernos e, depois, o de códices, isto é,
livros na forma em que os conhecemos atualmente. Entre os diversos códices da Bíblia descobertos até o dia de
hoje, os mais antigos e, simultaneamente, mais completos são os chamados Sinaítico e Vaticano, ambos datados
do séc. IV.

Palestina romana

Jesus nasceu em fins do reinado de Herodes, o Grande (47 a 4 a.C.) Homem cruel (cf. Mt 2.1-16) e, sem dúvida,
inteligente, distinguiu-se pela grande quantidade de terras e cidades que conquistou e pelas numerosas e

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colossais construções com que as dotou. Entre estas, o templo de Jerusalém, do qual apenas se conservaram uns
poucos restos pertencentes à muralha ocidental (o Muro das Lamentações).

Após a morte de Herodes (Mt 2.15-19), o seu reino foi dividido entre os seus filhos Arquelau, Herodes Antipas e
Filipe. Arquelau (Mt 2.22), etnarca da Judéia e Samaria, foi deposto pelo imperador Augusto no ano 6 d.C. A
partir de então, o governo esteve em mãos de procuradores romanos, entre eles Pôncio Pilatos, que manteve o
cargo desde o ano 26 até 36. Herodes Antipas (Lc 3.1) foi tetrarca da Galiléia e Peréia até o ano 39 e Filipe (Lc
3.1), até 34 o foi da Ituréia, Traconites e outras regiões orientais do Norte (Ver a Cronologia Bíblica).

No ano 37, o imperador Calígula nomeou rei a Herodes Agripa e o colocou sobre a tetrarquia de Filipe, à qual
logo acrescentou a de Herodes Antipas. Com a morte de Calígula (assassinado no ano 41), o seu sucessor,
Cláudio, ampliou ainda mais os territórios de Agripa com a anexação da Judéia e Samaria. Desse modo, Agripa
reinou até a sua morte (44 d.C.), praticamente sobre toda a Palestina.

Antipas foi aquele que mandou prender e matar a João Batista (Mc 6.16-29) e Herodes Agripa foi quem
perseguiu a igreja de Jerusalém e mandou matar a Tiago e prender a Pedro (At 12.1-19). O Novo Testamento
fala também de outro Herodes Agripa, filho do anterior: o rei que, acompanhado da sua irmã e mulher Berenice,
escutou o discurso pronunciado por Paulo em sua própria defesa, em Cesaréia (At 25.13-26.32).

Por detrás de todos esses personagens se manteve, sempre vigilante, o poder romano. Roma era quem
empossava ou demitia governantes nos países submetidos ao seu domínio, conforme lhe convinha. Durante a
vida de Jesus e até à destruição de Jerusalém no ano 70, sucederam-se em Roma sete imperadores (ou césares).
Três deles são mencionados no Novo Testamento: Augusto (Lc 2.1), Tibério (Lc 3.1) e Cláudio (At 11.28 18.2).
E há um quarto, Nero, cujo nome não é mencionado, a quem Paulo faz tácita referência ao apelar ao tribunal de
César (At 25.10-12 28.19).

A Palestina fazia parte do Império Romano desde o ano 63 a.C. Essa circunstância significara a perda definitiva
da sua independência nacional. Dois longos séculos de agitação política a tinham levado a um estado de
irreparável prostração moral, de que Roma, pela mão do general Pompeu, aproveitou-se apoderando-se do país e
integrando-o na província da Síria.

A fim de manter a paz e a tranqüilidade nos seus territórios, Roma atuava geralmente com muita cautela, sem
pressionar excessivamente a população submetida e sem forçá-la a mudar os seus próprios modelos da
sociedade, nem os seus costumes, cultos e crenças religiosas. Inclusive, às vezes, a fim de pôr uma nota de
tolerância e boa vontade, consentia a existência de certos governos nacionais, como os de Herodes, o Grande, e
dos seus sucessores dinásticos. O que Roma nunca permitiu foi a agitação política e muito menos a rebelião
aberta dentro das suas fronteiras. Quando isso ocorria, o exército se encarregava de restabelecer a ordem,
atuando com presteza e com o máximo rigor. Foi isso que aconteceu no ano 70 d.C., quando Tito, filho do
imperador Vespasiano, arrasou Jerusalém e provocou a "diáspora" (ou dispersão) de grande parte da população,
a fim de acabar de uma vez por todas com as revoltas judaicas iniciadas uns quatro anos antes.

Configuração física da Palestina

O Jordão é o rio da Palestina. Nasce no monte Hermom e percorre o país de norte a sul, dividindo-o em dois: a
Cisjordânia, ou lado ocidental, e a Transjordânia, ou lado oriental. Depois de atravessar o mar da Galiléia, corre
serpenteante ao longo de uma depressão geológica cada vez mais profunda, até desembocar no mar Morto, a uns
110 km do lugar do seu nascimento e a quase 400 m abaixo do nível do Mediterrâneo.

O mar Morto, de quase 1000 km² de superfície, deve o seu nome ao fato de que a alta proporção de sal e outros
elementos dissolvidos nas suas águas fazem nelas impossível a vida de peixes e de plantas. Ao contrário, o mar
(ou o lago) da Galiléia, também chamado de lago de Genesaré ou de Tiberíades (cf., p. ex., Mt 4.18 14.34 e Jo
6.1), de 145 km² de superfície e situado igualmente em uma profunda depressão (212 m abaixo do nível do
Mediterrâneo), é uma grande represa natural de água doce em que abundam os peixes (cf. Lc 5.4-7 Jo 21.6-11).

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A Palestina é uma terra de montanhas. Na época do Novo Testamento, quase todas as suas cidades estavam
situadas em algum ponto da cordilheira que desce, desde os maciços do Líbano (3.083 m) e do Hermom (2.760
m) até os limites meridionais do país na região desértica do Neguebe. Essa cadeia só se vê cortada pela planície
de Jezreel (Js 17.16), que penetra nela, deixando ao norte os montes da Galiléia e ao sul os desvios das
montanhas de Samaria.

Alguns nomes do sistema orográfico da Palestina se conhecem pela menção que deles fazem os relatos bíblicos.
No lado oriental do Jordão, p. ex., encontra-se o monte Nebo, de 1.146 m de altura e, no lado ocidental, o
Carmelo (552 m), o Gerizim (868 m), o monte das Oliveiras (uns 800 m) e o Tabor (562 m).

A Palestina achava-se limitada pelos desertos da Arábia e da Síria ao leste e, a oeste, pelo mar Mediterrâneo,
separado das montanhas pelas terras baixas que começam na fértil planície de Sarom (cf. Ct 2.1 Is 35.2), junto
ao monte Carmelo.

Populações da Palestina

Os Evangelhos e Atos dos Apóstolos mencionam um bom número de cidades, vilas e aldeias espalhadas pelo
país, especialmente a oeste do Jordão e do mar Morto. Na região da Galiléia se encontravam, às margens do lago
de Genesaré, Cafarnaum, Corazim e Magdala e, mais ao interior, Caná, Nazaré e Naim.

Na região da Judéia, a quase 1.150 m acima do nível do mar Morto, eleva-se Jerusalém. Perto dela, ao sul,
Belém a leste, sobre o monte das Oliveiras, Betânia e Betfagé e, a oeste, Emaús, mais longe, Lida e, por último,
o porto de Jope. A partir daqui, descendo pelo litoral, Azoto e Gaza. O Novo Testamento menciona também
algumas cidades e vilas palestinas que não pertenciam à Judéia ou Galiléia: Cesaréia de Filipe, na Ituréia
Sarepta, Tiro e Sidom, no litoral da Fenícia Siquém, em Samaria.

Sociedade e cultura no mundo judaico

Os relatos dos evangelistas oferecem uma espécie de retrato da forma de vida dos judeus de então. As parábolas
de Jesus e as ocorrências nos percursos que fez pela Palestina destacam a importância que, naquela sociedade,
representavam os trabalhos do campo. A semeadura e a colheita de cereais, o plantio de vinhas e a colheita de
uvas, a produção hortícola e as referências à oliveira, à figueira e a outras árvores são dados reveladores de uma
cultura basicamente agrária, completada com a criação de rebanhos de ovelhas e cordeiros, de animais de carga
e, inclusive, de manadas de porcos. Por outro lado, a pesca ocupava um lugar importante na atividade dos
moradores que viviam nas aldeias costeiras do mar da Galiléia. Junto a essas profissões exerciam-se também
outras de índole artesanal. Ali se encontravam perfumistas, tecelões, curtidores, carpinteiros (cf. Mc 6.3), oleiros
e fabricantes de tendas de campanha (cf. At 18.3) e, certamente, também servidores domésticos, comerciantes,
banqueiros e cobradores de impostos (ver Publicanos na Concordância Temática). Nos degraus mais baixos da
escala sócio-econômica estavam os peões contratados ao salário do dia, os escravos (cf. Êx 21.1-11), as
prostitutas e um número considerável de pessoas que sobreviviam com a prática da mendicância.

Religião e política

A religião e a política caminham juntas no mundo judaico. Eram dois componentes de uma só realidade,
expressa no sentimento nacionalista que brotava da mesma fonte, a fé no Deus de Abraão, Isaque e Jacó. A
história do povo de Israel é a história da sua fé em Deus e a sua fé é a fé em que Deus governa toda a sua
história.
Por isso, o sumo sacerdote em exercício era precisamente aquele que presidia o Sinédrio, máximo órgão jurídico
e administrativo da nação. Este consistia num conselho de 71 membros, no qual estavam representados os três
grupos político-religiosos mais significativos da época:
os sacerdotes, arrolados na sua maioria no partido saduceu
os anciãos, geralmente fariseus e
os mestres da Lei.

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O Sinédrio gozava de todas as competências de um governo autônomo, salvo aquelas em que Roma se reservava
os direitos de última instância. O Sinédrio, p. ex., era competente para condenar à morte um réu, mas a ordem da
execução exigia o visto da autoridade romana, como sucedeu no caso de Jesus (cf. Jo 19.10).

Em relação aos partidos, convém assinalar que os fariseus eram os representantes mais rigorosos da
espiritualidade judaica. Com a sua insistência na observância estrita da Lei mosaica e no respeito às tradições
dos "pais" (isto é, os antepassados), exerciam uma forte influência no povo. Jesus reprovava o seu exagerado
zelo ritual e o afã de satisfazer os mais insignificantes aspectos da letra da Lei, que os fazia esquecer
freqüentemente os valores do espírito que a anima (cf. Mc 7.3-4,8-13. Ver 2Co 3.6).

Os saduceus representavam, de certo modo, a aristocracia de Israel. Esse partido, mais reduzido numericamente
que o fariseu, era formado, em grande parte, pelas poderosas famílias dos sumos sacerdotes. Na sua doutrina, em
contraste com o que ensinavam os fariseus, os saduceus mantinham "não haver ressurreição, nem anjo, nem
espírito" (At 23.8).

Tradicionalmente, se tem considerado que os zelotes constituíam um grupo judaico nacionalista que se rebelou
contra Roma. Eram conhecidos também como cananitas. Com ambos os epítetos se identifica no Novo
Testamento Simão, um dos doze discípulos de Jesus (ver Lc 6.15, nota n e cf. Mt 10.4 e Mc 3.18 com Lc 6.15 e
At 1.13). Os zelotes desempenharam um papel muito ativo na rebelião dos anos 66 a 70.

À parte desses três grupos, havia outros, como os herodianos, cuja identidade não se conseguiu esclarecer
totalmente. É provável que se tratasse de pessoas a serviço de Herodes, embora alguns achem que o nome se
adapte melhor aos partidários de Herodes e de sua dinastia.

Os escribas, mestres da Lei ou rabinos formavam um grupo profissional e não um partido. Eram os encarregados
de instruir o povo em matéria de religião. Não pertenciam, em geral, à classe sacerdotal, mas eram influentes e
chegaram a gozar de uma elevada consideração como intérpretes das Escrituras e dirigentes do povo.

Pouco tempo e pouco espaço necessitou Jesus de Nazaré para realizar uma obra cujas bênçãos haveriam de
alcançar a todos os seres humanos de todos os tempos e de todos os lugares. O Novo Testamento dá testemunho
disso: ele é o registro que, com a mesma singeleza com que o Filho de Deus se manifestou em carne, também
fala do amor de Deus e da sua vontade salvadora.

Fonte:
iLúmina - A Bíblia do século XXI

Bíblia - Novo Testamento


O Cristianismo, nas suas etapas iniciais, considerou o Antigo Testamento como a sua única Bíblia. Jesus,
como os seus discípulos e apóstolos e o resto do povo judeu, citou-o como "as Escrituras", "a Lei" ou "a Lei e os
Profetas" (cf. Mc 12.24 Mt 12.5 Lc 16.16).

Com o passar do tempo, a Igreja, tendo entendido que em Cristo "as coisas antigas já passaram eis que se
fizeram novas" (2Co 5.17), produziu muitos escritos acerca da vida e da obra do Senhor, estabeleceu e transmitiu
a sua doutrina e estendeu a mensagem evangélica a regiões cada vez mais distantes da Palestina. Dentre esses
escritos foi-se destacando aos poucos um grupo de vinte e sete, que pelos fins do séc. II começou a ser
conhecido como Novo Testamento. Eram textos redigidos na língua grega, desiguais tanto em extensão como
em natureza e gênero literário. Todos, porém, foram considerados com especial reverência como procedentes
dos apóstolos de Jesus ou de pessoas muito próximas a eles.

O uso cada vez mais freqüente que os crentes faziam daqueles vinte e sete escritos (convencionalmente
chamados "livros") conduziu a uma geral aceitação da sua autoridade. A fé descobriu, sem demora, nas suas
páginas a inspiração do Espírito Santo e o testemunho fidedigno de que em Jesus Cristo, o Filho de Deus,
cumpriam-se as antigas profecias e se convertiam em realidade as esperanças messiânicas do povo de Israel.
Conseqüentemente, a Igreja entendeu que os escritos hebraicos, que chamou de Antigo Testamento, requeriam

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uma segunda parte que viesse a documentar o cumprimento das promessas de Deus. E, enfim, após um longo
processo e já bem avançado no séc. V, ficou oficialmente reconhecido o cânon geral da Bíblia como a soma de
ambos os Testamentos. Divisão do Novo Testamento.

Desde o séc. V, o índice do Novo Testamento agrupa os livros da seguinte maneira:

1. Evangelhos (4):
a). Sinóticos (3): Mateus, Marcos e Lucas.
b). João

2. Atos dos Apóstolos (1)

3. Epístolas (21):
a) Paulinas (13): Romanos, 1Coríntios, 2Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1Tessalonicenses,
2Tessalonicenses, 1Timóteo, 2Timóteo, Tito e Filemom.
b) Epístola aos Hebreus (1)
c) Universais (7): Tiago, 1Pedro,2Pedro, 1João, 2João, 3João e Judas

4. Apocalipse (1)

Essa catalogação dos livros do Novo Testamento não corresponde à ordem cronológica da sua redação ou
publicação é, antes, um agrupamento temático e por autores. Talvez, deve-se ver nesse agrupamento o propósito
de apresentar a revelação de Deus e o anúncio do seu reino eterno a partir da boa nova da encarnação
(Evangelhos) até a boa nova do retorno glorioso de Cristo no fim dos tempos (Apocalipse), passando pela
história intermediária da vida e da incumbência apostólica da Igreja (Epístolas).

A transmissão do texto

É realmente extraordinário o número de manuscritos do Novo Testamento que chegou a nós depois de tantos
séculos desde que foram escritos. Ao todo, são mais de 5.000. Alguns são apenas pequenos fragmentos, tão
deteriorados pelo tempo e pelas más condições ambientais, que a sua utilidade é praticamente nula. Mas são
muito mais numerosos os manuscritos que, no todo ou em parte, se conservaram num estado suficientemente
satisfatório para transmitir até o presente a sua mensagem e testificar assim a fidelidade dos cristãos que os
escreveram.

Assim sendo, os manuscritos que conhecemos não são autógrafos, isto é, nenhum provém da mão do próprio
autor. Todos, sem exceção, são cópias de cópias dos textos originais gregos ou de traduções para outros idiomas.
Copistas especializados pacientemente consagrados a esse labor de muitos anos de duração, os produziram nos
lugares mais diversos e no decorrer de séculos.

As cópias mais antigas até agora conhecidas são papiros que datam do séc. III, procedentes do Egito.

O papiro é uma planta abundantemente encontrada às margens do Nilo. Da sua haste, cortada e prensada,
preparavam-se tiras retangulares, que se uniam formando folhas de uns 30 centímetros de largura e vários metros
de comprimento. Uma vez escritas, enrolavam-se as folhas com o texto para dentro, atando-as com fios.

Os rolos de papiro eram de fácil fabricação, mas o seu manejo era incômodo. Ademais, tanto a umidade como o
calor seco danificavam o material e impediam a sua prolongada duração. Por isso, em substituição ao papiro,
entre os séculos II e V, se difundiu o uso de pergaminho, que era uma folha de pele de ovelha ou cordeiro
especialmente curtida para poder-se escrever nela. Esse novo material, bastante mais custoso que o anterior,
porém muito resistente e duradouro, permitiu, primeiro, a preparação de cadernos e, depois, o de códices, isto é,
livros na forma em que os conhecemos atualmente. Entre os diversos códices da Bíblia descobertos até o dia de
hoje, os mais antigos e, simultaneamente, mais completos são os chamados Sinaítico e Vaticano, ambos datados
do séc. IV.

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Palestina romana

Jesus nasceu em fins do reinado de Herodes, o Grande (47 a 4 a.C.) Homem cruel (cf. Mt 2.1-16) e, sem dúvida,
inteligente, distinguiu-se pela grande quantidade de terras e cidades que conquistou e pelas numerosas e
colossais construções com que as dotou. Entre estas, o templo de Jerusalém, do qual apenas se conservaram uns
poucos restos pertencentes à muralha ocidental (o Muro das Lamentações).

Após a morte de Herodes (Mt 2.15-19), o seu reino foi dividido entre os seus filhos Arquelau, Herodes Antipas e
Filipe. Arquelau (Mt 2.22), etnarca da Judéia e Samaria, foi deposto pelo imperador Augusto no ano 6 d.C. A
partir de então, o governo esteve em mãos de procuradores romanos, entre eles Pôncio Pilatos, que manteve o
cargo desde o ano 26 até 36. Herodes Antipas (Lc 3.1) foi tetrarca da Galiléia e Peréia até o ano 39 e Filipe (Lc
3.1), até 34 o foi da Ituréia, Traconites e outras regiões orientais do Norte (Ver a Cronologia Bíblica).

No ano 37, o imperador Calígula nomeou rei a Herodes Agripa e o colocou sobre a tetrarquia de Filipe, à qual
logo acrescentou a de Herodes Antipas. Com a morte de Calígula (assassinado no ano 41), o seu sucessor,
Cláudio, ampliou ainda mais os territórios de Agripa com a anexação da Judéia e Samaria. Desse modo, Agripa
reinou até a sua morte (44 d.C.), praticamente sobre toda a Palestina.

Antipas foi aquele que mandou prender e matar a João Batista (Mc 6.16-29) e Herodes Agripa foi quem
perseguiu a igreja de Jerusalém e mandou matar a Tiago e prender a Pedro (At 12.1-19). O Novo Testamento
fala também de outro Herodes Agripa, filho do anterior: o rei que, acompanhado da sua irmã e mulher Berenice,
escutou o discurso pronunciado por Paulo em sua própria defesa, em Cesaréia (At 25.13-26.32).

Por detrás de todos esses personagens se manteve, sempre vigilante, o poder romano. Roma era quem
empossava ou demitia governantes nos países submetidos ao seu domínio, conforme lhe convinha. Durante a
vida de Jesus e até à destruição de Jerusalém no ano 70, sucederam-se em Roma sete imperadores (ou césares).
Três deles são mencionados no Novo Testamento: Augusto (Lc 2.1), Tibério (Lc 3.1) e Cláudio (At 11.28 18.2).
E há um quarto, Nero, cujo nome não é mencionado, a quem Paulo faz tácita referência ao apelar ao tribunal de
César (At 25.10-12 28.19).

A Palestina fazia parte do Império Romano desde o ano 63 a.C. Essa circunstância significara a perda definitiva
da sua independência nacional. Dois longos séculos de agitação política a tinham levado a um estado de
irreparável prostração moral, de que Roma, pela mão do general Pompeu, aproveitou-se apoderando-se do país e
integrando-o na província da Síria.

A fim de manter a paz e a tranqüilidade nos seus territórios, Roma atuava geralmente com muita cautela, sem
pressionar excessivamente a população submetida e sem forçá-la a mudar os seus próprios modelos da
sociedade, nem os seus costumes, cultos e crenças religiosas. Inclusive, às vezes, a fim de pôr uma nota de
tolerância e boa vontade, consentia a existência de certos governos nacionais, como os de Herodes, o Grande, e
dos seus sucessores dinásticos. O que Roma nunca permitiu foi a agitação política e muito menos a rebelião
aberta dentro das suas fronteiras. Quando isso ocorria, o exército se encarregava de restabelecer a ordem,
atuando com presteza e com o máximo rigor. Foi isso que aconteceu no ano 70 d.C., quando Tito, filho do
imperador Vespasiano, arrasou Jerusalém e provocou a "diáspora" (ou dispersão) de grande parte da população,
a fim de acabar de uma vez por todas com as revoltas judaicas iniciadas uns quatro anos antes.

Configuração física da Palestina

O Jordão é o rio da Palestina. Nasce no monte Hermom e percorre o país de norte a sul, dividindo-o em dois: a
Cisjordânia, ou lado ocidental, e a Transjordânia, ou lado oriental. Depois de atravessar o mar da Galiléia, corre
serpenteante ao longo de uma depressão geológica cada vez mais profunda, até desembocar no mar Morto, a uns
110 km do lugar do seu nascimento e a quase 400 m abaixo do nível do Mediterrâneo.

O mar Morto, de quase 1000 km² de superfície, deve o seu nome ao fato de que a alta proporção de sal e outros

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elementos dissolvidos nas suas águas fazem nelas impossível a vida de peixes e de plantas. Ao contrário, o mar
(ou o lago) da Galiléia, também chamado de lago de Genesaré ou de Tiberíades (cf., p. ex., Mt 4.18 14.34 e Jo
6.1), de 145 km² de superfície e situado igualmente em uma profunda depressão (212 m abaixo do nível do
Mediterrâneo), é uma grande represa natural de água doce em que abundam os peixes (cf. Lc 5.4-7 Jo 21.6-11).

A Palestina é uma terra de montanhas. Na época do Novo Testamento, quase todas as suas cidades estavam
situadas em algum ponto da cordilheira que desce, desde os maciços do Líbano (3.083 m) e do Hermom (2.760
m) até os limites meridionais do país na região desértica do Neguebe. Essa cadeia só se vê cortada pela planície
de Jezreel (Js 17.16), que penetra nela, deixando ao norte os montes da Galiléia e ao sul os desvios das
montanhas de Samaria.

Alguns nomes do sistema orográfico da Palestina se conhecem pela menção que deles fazem os relatos bíblicos.
No lado oriental do Jordão, p. ex., encontra-se o monte Nebo, de 1.146 m de altura e, no lado ocidental, o
Carmelo (552 m), o Gerizim (868 m), o monte das Oliveiras (uns 800 m) e o Tabor (562 m).

A Palestina achava-se limitada pelos desertos da Arábia e da Síria ao leste e, a oeste, pelo mar Mediterrâneo,
separado das montanhas pelas terras baixas que começam na fértil planície de Sarom (cf. Ct 2.1 Is 35.2), junto
ao monte Carmelo.

Populações da Palestina

Os Evangelhos e Atos dos Apóstolos mencionam um bom número de cidades, vilas e aldeias espalhadas pelo
país, especialmente a oeste do Jordão e do mar Morto. Na região da Galiléia se encontravam, às margens do lago
de Genesaré, Cafarnaum, Corazim e Magdala e, mais ao interior, Caná, Nazaré e Naim.

Na região da Judéia, a quase 1.150 m acima do nível do mar Morto, eleva-se Jerusalém. Perto dela, ao sul,
Belém a leste, sobre o monte das Oliveiras, Betânia e Betfagé e, a oeste, Emaús, mais longe, Lida e, por último,
o porto de Jope. A partir daqui, descendo pelo litoral, Azoto e Gaza. O Novo Testamento menciona também
algumas cidades e vilas palestinas que não pertenciam à Judéia ou Galiléia: Cesaréia de Filipe, na Ituréia
Sarepta, Tiro e Sidom, no litoral da Fenícia Siquém, em Samaria.

Sociedade e cultura no mundo judaico

Os relatos dos evangelistas oferecem uma espécie de retrato da forma de vida dos judeus de então. As parábolas
de Jesus e as ocorrências nos percursos que fez pela Palestina destacam a importância que, naquela sociedade,
representavam os trabalhos do campo. A semeadura e a colheita de cereais, o plantio de vinhas e a colheita de
uvas, a produção hortícola e as referências à oliveira, à figueira e a outras árvores são dados reveladores de uma
cultura basicamente agrária, completada com a criação de rebanhos de ovelhas e cordeiros, de animais de carga
e, inclusive, de manadas de porcos. Por outro lado, a pesca ocupava um lugar importante na atividade dos
moradores que viviam nas aldeias costeiras do mar da Galiléia. Junto a essas profissões exerciam-se também
outras de índole artesanal. Ali se encontravam perfumistas, tecelões, curtidores, carpinteiros (cf. Mc 6.3), oleiros
e fabricantes de tendas de campanha (cf. At 18.3) e, certamente, também servidores domésticos, comerciantes,
banqueiros e cobradores de impostos (ver Publicanos na Concordância Temática). Nos degraus mais baixos da
escala sócio-econômica estavam os peões contratados ao salário do dia, os escravos (cf. Êx 21.1-11), as
prostitutas e um número considerável de pessoas que sobreviviam com a prática da mendicância.

Religião e política

A religião e a política caminham juntas no mundo judaico. Eram dois componentes de uma só realidade,
expressa no sentimento nacionalista que brotava da mesma fonte, a fé no Deus de Abraão, Isaque e Jacó. A
história do povo de Israel é a história da sua fé em Deus e a sua fé é a fé em que Deus governa toda a sua
história.
Por isso, o sumo sacerdote em exercício era precisamente aquele que presidia o Sinédrio, máximo órgão jurídico
e administrativo da nação. Este consistia num conselho de 71 membros, no qual estavam representados os três

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grupos político-religiosos mais significativos da época:


os sacerdotes, arrolados na sua maioria no partido saduceu
os anciãos, geralmente fariseus e
os mestres da Lei.

O Sinédrio gozava de todas as competências de um governo autônomo, salvo aquelas em que Roma se reservava
os direitos de última instância. O Sinédrio, p. ex., era competente para condenar à morte um réu, mas a ordem da
execução exigia o visto da autoridade romana, como sucedeu no caso de Jesus (cf. Jo 19.10).

Em relação aos partidos, convém assinalar que os fariseus eram os representantes mais rigorosos da
espiritualidade judaica. Com a sua insistência na observância estrita da Lei mosaica e no respeito às tradições
dos "pais" (isto é, os antepassados), exerciam uma forte influência no povo. Jesus reprovava o seu exagerado
zelo ritual e o afã de satisfazer os mais insignificantes aspectos da letra da Lei, que os fazia esquecer
freqüentemente os valores do espírito que a anima (cf. Mc 7.3-4,8-13. Ver 2Co 3.6).

Os saduceus representavam, de certo modo, a aristocracia de Israel. Esse partido, mais reduzido numericamente
que o fariseu, era formado, em grande parte, pelas poderosas famílias dos sumos sacerdotes. Na sua doutrina, em
contraste com o que ensinavam os fariseus, os saduceus mantinham "não haver ressurreição, nem anjo, nem
espírito" (At 23.8).

Tradicionalmente, se tem considerado que os zelotes constituíam um grupo judaico nacionalista que se rebelou
contra Roma. Eram conhecidos também como cananitas. Com ambos os epítetos se identifica no Novo
Testamento Simão, um dos doze discípulos de Jesus (ver Lc 6.15, nota n e cf. Mt 10.4 e Mc 3.18 com Lc 6.15 e
At 1.13). Os zelotes desempenharam um papel muito ativo na rebelião dos anos 66 a 70.

À parte desses três grupos, havia outros, como os herodianos, cuja identidade não se conseguiu esclarecer
totalmente. É provável que se tratasse de pessoas a serviço de Herodes, embora alguns achem que o nome se
adapte melhor aos partidários de Herodes e de sua dinastia.

Os escribas, mestres da Lei ou rabinos formavam um grupo profissional e não um partido. Eram os encarregados
de instruir o povo em matéria de religião. Não pertenciam, em geral, à classe sacerdotal, mas eram influentes e
chegaram a gozar de uma elevada consideração como intérpretes das Escrituras e dirigentes do povo.

Pouco tempo e pouco espaço necessitou Jesus de Nazaré para realizar uma obra cujas bênçãos haveriam de
alcançar a todos os seres humanos de todos os tempos e de todos os lugares. O Novo Testamento dá testemunho
disso: ele é o registro que, com a mesma singeleza com que o Filho de Deus se manifestou em carne, também
fala do amor de Deus e da sua vontade salvadora.

Fonte:
iLúmina - A Bíblia do século XXI

3.A Bíblia

A Palavra Bíblia, plural de “biblion”, escrita era o pergaminho, que vem dos tempos
diminutivo de “biblos” neutro, que significa livros cristãos.
ou libreto, que a seu termo vem de “biblos” que é Bíblia, então, quer dizer “os livros”. O Antigo
propriamente a entrecasca da planta do papiro (uma testamento, no tempo de Jesus, já era chamado “as
cana ou junco que cresce às margens do rio Nilo, escrituras” (Ai graphai). Cada livro era escrito
áfrica, e outros rios do oriente), vide ex. 2.3, Jô separadamente em seu rolo especial e, os das
8.11, Is. 18.2, e que cobre o material em que se sinagogas, eram presos a duas hastes de madeira,
escrevia. Do papiro se extraíam tiras, as quais eram em cada banda, desenrolando-se de uma e
coladas umas às outras Formando um rolo de enrolando-se de outra á proporção que era lido. A
qualquer extensão. Outro material usado para a bíblia significa, hoje, “o livro por excelência”, “o
livro sagrado”.

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Lê-lo sempre que pode é o dever de todo


cristão. “Examinai as escrituras...”, como nos disse
o Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

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2. Os Manuscritos

Manuscrito é uma palavra de origem latina, ou seja, manus – mão e scriptus – escritos. Um documento
manuscrito quer dizer: o que foi escrito à mão. No passado, todos s documentos eram escritos ou copiados a
mão; e os textos bíblicos nos foram transmitidos através dos manuscritos. Materiais empregados:
• O Papiro – O papiro deu nome ao papel. Da casca dessa planta (que atingia de dois a quatro
metros de altura) se faziam as folhas para os manuscritos, e estas eram de quin-
ze a vinte e sete centímetros de comprimento.
• Pergaminho. Do Latim pergamina, de Pérgamo. “segundo Plínio, nome pergaminho teve origem com o
que aconteceu a rei de Pérgamo, Eumenis II, em 160 a.C.. este rei planejou formar uma biblioteca maior que a
de Alexandria, no Egito”. O rei desse país, inveja, proibiu a exportação de papiro para Pérgamo, obrigando
Eumenis a recorrer ao processo de preparar peles para a escrita. Isto promoveu o surgimento de um novo método
de preparação, tão aperfeiçoado que a cidade-estado de Pérgamo deu o nome ao pergaminho (II Tm. 4.13).
Temos, ainda, Outros materiais empregados.
A Argila. Em forma de tijolos cozidos ou não (ex. 4.1)
Ostracom. Fragmentos de cerâmica que já não serviam para outros fins.
Bronze. Liga de cobre e estanho;
Cera. Escritas em tábuas revestidas de cera (Is. 8.1; 30.8; Lc. 1.63);
Chumbo. (Jo. 19.23,24)
Linho. Usado pelos Egípcios e Romanos;
Madeira;
Ouro. Há muitas descobertas de moedas e jóias com inscrições (Êx. 28, 36);
Pedra. Há três notáveis pedras:
Rocha de behistum (Irã). Foi chave para decifrar a escrita cuneiforme (em forma de cunha);
Pedra de roseta. Foi chave para decifrar os hieróglifos egípcios.
Pedra moabita. Escrita por Mesa, o Rei de Moabe (850 a.C. a. C.) II Re.

4.A Bíblia e as sua Divisões

O ANTIGO TESTAMENTO

PENTATEUCO

Gênesis
O

Nome do Livro é Encontrado na septuaginta (versão dos setenta) e significa princípio, origem ou
nascimento. O Propósito do Livro é organizar a introdução para toda a leitura da Bíblia. O estudo do Gênesis
proporciona um entendimento mais acurado sobre o povo eleito por Deus e o seu relacionamento com o novo
testamento.
A Principal doutrina do Gênesis é a criação de todas as coisas, e nesta criação, a principal figura, é
indiscutivelmente o Criador.
Diferenças que se harmonizam, entre o relato Bíblico e as últimas descobertas cientificas: Surge a
pergunta clássica: Quantos anos tem a Terra? A ciência tem descoberto através de reações atômicas (Fissão
Nuclear _ Período de Meia Vida) aplicadas na estratificação de massas geológicas, que a terra é antiqüíssima e
que existem diferentes idades para as sedimentações. Cria-se aparentemente um conflito entre o lado bíblico e as
descobertas científicas. Como solucionar este conflito? Segundo alguns estudiosos, o problema não reside na
contradição do relato bíblico co aquilo que a ciência descobriu, porém entre a ciência e o relato mal interpretado.
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Hoje é de bom alvitre se admitir a teoria do vazio ou do arruinamento e recriação: Sucedeu uma catástrofe
universal entre Gn. 1.1 e 1.2, relacionada com a queda de satanás e o juízo de Deus. Como o resultado da grande
catástrofe, a Terra ficou sem forma e vazia.
As Traduções fiéis à vulgata Latina, dizem: “A Terra estava informe e vazio”. Podendo, deste modo,
terem transcorrido milhões de anos entre a criação original e a recriação. É bom notar que nem sempre o termo
“dia”, corresponde a um dia de vinte e quatro horas. Gn. 2.4 “no dia em que o Senhor Deus fez a Terra”. Deste
modo não há nada de conflito entre o relato bíblico e as descobertas cientificas. Convém ainda salientar, que o
homem transforma matéria em energia; enquanto Deus transforma energia em matéria.
Outra grande doutrina é a que diz respeito à queda do homem, às suas conseqüências e a promessa de
redenção.
O dilúvio também ocupa um lugar de destaque, tendo sido o juízo de Deus sobre toda uma geração infiel.
Outro grande acontecimento relatado pelo Gênesis, é a historia de Abraão. O Gênesis usa onze capítulos
para tudo o que aconteceu antes de Abraão, e mais treze capítulos para quase exclusivamente sobre a vida do
patriarca.

Êxodo

O Título deste livro significa “saída”, isso porque narra o grande acontecimento que foi a saída dos
israelitas do Egito. Este livro é considerado o elo que une todo o Pentateuco e ao próprio Novo testamento, em
virtude de suas múltiplas figuras.
Assunto principal – Deus redime o seu povo e o transforma em nação.
Desenvolvimento dos assuntos – Israel é liberto – Deus suscita um Líder. O conflito com faraó –
Provações no deserto.
Antecedentes históricos – os Hicsos (reis pastores) invadiram o Egito no Século XVIII a. C.. É
aproximadamente nessa época que se dá a entrada de Jacó (Israel) e sua família no Egito. Cerca de quatrocentos
anos depois, se daria a saída do povo, guiado por Moisés.
Propósito e Mensagem do Livro – Registrar como s família escolhida no Gênesis veio a ser uma nação,
o livramento da escravidão do Egito e a entrega da lei no monte Sinai.
Travessia do Mar Vermelho – Equivale ao batismo em águas (I co. 10.1,2).
Provações – Mara (águas amargosas) – A fome e o Maná do
Céu (Cristo é o Pão que desceu do Céu) – Sede do povo e dos animais: A Principal doutrina do
A rocha de Horebe (Paulo diz que a rocha era cristo (I Co. 10.4) – Gênesis é a criação de
(olhar a semelhança: Quem tem sede vem a mim e beba – Jo. 7.37). todas as coisas, e nesta
Inúmeras guerras e batalhas: todas elas representavam a luta do cristão criação, a principal figura,
contra as hostes espirituais da maldade (Ef. 6).
Israel no Sinai, o pacto da Lei: O início da Teocracia. é indiscutivelmente o
As desobediências e os castigos: Bezerra de ouro – Criador.
Prostituições e etc..
O Tabernáculo: Testemunho visível que no meio do povo
havia um lugar santo. Construído com as ofertas do povo e o segundo
o modelo que Deus revelou a Moisés. (adoração segundo o modelo bíblico, livre de invenções humanas).
O Pacto da Lei: O decálogo. Israel chega ao monte Sinai seis semanas após a sua partida do Egito e
travessia do Mar Vermelho. Ali permaneceu quase um ano (Nm. 10.11).
Nota: O Egito na época do Êxodo era a maior Potência Militar, econômica e cultural do mundo.

Levítico

Caráter do Livro – Trata das leis relacionadas com os ritos, sacrifícios e serviço do sacerdócio levitico.
Livro totalmente legislativo; trata apenas de três acontecimentos históricos: A investidura dos sacerdotes (8.9); e
o pecado e castigo de Nadabe e Abiú (10); o castigo de um blasfemo (24.10-14,23);
Propósito – Ensinar o povo a santificar-se, a fim de manter a comunhão co Deus. A palavra "Santo"
aparece setenta e três vezes neste livro. O tabernáculo e seus moveis eram santos, os sacerdotes eram santos, as

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vestimentas sacerdotais eram santas, as ofertas eram santas, as festas eram santas e tudo era santo para que Israel
cultuasse um Deus que é santo. Do mesmo modo como o livro fala da santidade, fala da graça que possibilita o
perdão através dos sacrifícios.
Esboço do Livro – Sacrifícios (1-7); Matéria dos sacrifícios (1-5); Função e direitos sacerdotais com
relação ao sacrifício (6,7); O sacerdócio (8-10); consagração de Aarão e seus filhos (8,9); o pecado de Abiú e
Nadabe (10); Purificação da vida em Israel (11-15); leis referentes ao puro e impuro (11); leis referentes ao parto
(12); diagnostico e modo de enfrentar a lepra (13,14); Leis de santidade (16-27); Grande dia da Expiação (16);
Sacrifício e importância do sangue (17); Pecados contra a lei Moral (18-20); Regras para o sacerdote (21,22);
Festas Sagradas (23-25); Provisão para o tabernáculo e o blasfemo (24); Promessas e ameaças (26); Votos e
dízimos (27).
Sacrifícios – Deus aproxima-se do povo pela relação e o povo aproxima-se de Deus através dos
sacrifícios.
Animais Utilizados – Gado vacum, ovinos, caprinos, pombas e a rola. O animal imundo não podia servir
de símbolo para o sacrifício de Cristo. Rm usados nos sacrifícios sangrentos, sal, azeite (apontando para o Novo
Testamento). Quem oferecia sacrifício convidava os pobres para o banquete.
Consagração dos sacerdotes – Havia aspersão do sangue do sacrifício sobre a ponta da orelha direita
sobre o dedo polegar da mão direita e sobre o dedo polegar do pé direito.
Festas principais – Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos. A Páscoa comemora a saída do Egito e equivale
à santa ceia no Novo Testamento, Pentecostes comemora o Fim da colheita do trigo e a festa dos Tabernáculos
como a lembrança da época em que moravam em tendas, no deserto.
Sacrifício dos dois bodes – Azazel – Um deles era sacrificado ao Senhor e sobre o outro o sacerdote
colocava a mão e confessava os pecados de Israel, enviando este bode ao deserto para não mais voltar.
Simbolizava cristo sendo sacrificado e Cristo levando sobre si as nossas faltas.

Números (bedmidhbar - Aritmoi)

Título e Conteúdo – O Título (Números) tem origem na versão dos setenta (Septuaginta) que preferiu
chamar Aritmoi em lugar do nome Bedmidhbar e que significa no deserto a versão grega fez esta modificação
tendo em vista os dois recenseamentos que o livro apresenta. Quando São Jerônimo, por volta do ano
quatrocentos da nossa era, traduziu do grego para o latim – a célebre vulgata latina.
Caráter do Livro – Acontecimentos Históricos e Peregrinação de Israel no deserto. O livro abrange de
cerca de trinta e nove anos de vida no deserto, e forma um elo de êxodo a Josué. Números é um dos livros mais
humanos e mais tristes da Bíblia. Revela o fracasso dos Israelitas em obedecer às leis divinas, os castigos, a
intercessão de Moisés e a infinita misericórdia de Deus. Neste livro, parece que Moisés está sempre ajoelhado
perante o Senhor. É uma época difícil, onde existe falta de fé, queixas, murmurações, deslealdades e rebelião.
Comparação com a vida evangélica – A Igreja caminhando para o deserto deste mundo árido. As lutas
internas, rebeliões e etc. a invasão da igreja no livro dos Cânticos “quem é esta que sobe do deserto, e que vem
encostada ao braço do seu amado?”
Finalidade do Livro – Preparar o povo para entra em Canaã. Na vida evangélica, assemelha-se à
preparação para a entrada na Canaã Celestial.
Acontecimento mais importante – A serpente de bronze (Símbolo de Cristo). Assim como Moisés
levantou a serpente no deserto (...).
Outro acontecimento – Balaão e todos os seus estratagemas. Profeta que vende o dom de Deus em troca
de seus próprios interesses. Pela experiência do novo Testamento esse pecado é chamado de Simonia.
Complemento – Intercessão perigosa de Moisés (Êx. 32.32,33).

Deuteronômio

Propósito do Livro – últimos preparativos para a entrada do povo Israelita na terra de Canaã.
Conteúdo – O livro fala principalmente de três atitudes: Recordar, Obedecer e Ter Cuidado. O recordar se
deve às maravilhas que Deus havia operado no passado, uma vez que a geração que havia saído do Egito havia
morrido no deserto. A geração que iria entrar em Canaã não havia presenciado aquelas maravilhas, porém
deviam conhecer a história que continua sendo o nosso dever. Além deste conhecimento, o povo devia obedecer,

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para que as maravilhas novamente acontecessem – travessia do Jordão a pé enxuto, queda de Jericó, vitórias
sucessivas sobre os cananeus, etc.. A desobediência do povo israelita frente aos seus inimigos. O cuidado se
referia principalmente ao zelo pela lei do Senhor em todos os mandamentos da Lei. A repetição do Decálogo é
uma prova deste cuidado. O grande cuidado seria após a entrada em Canaã, erradicar completamente a idolatria
– os idólatras, feiticeiros, etc., seriam mortos publicamente.
Deveres Religiosos – Entre os deveres religiosos se dava ênfase à peregrinação à Jerusalém, três vezes ao
ano, para as três festas mais importantes: Páscoa, dos Tabernáculos e Pentecostes.
Forma de Governo – Foi estabelecida a Teocracia.
Idades de Refúgio para os assassinos acidentais – Seis cidades foram estabelecidas para socorrer
alguém que houvesse praticado um crime acidental.
Últimos dias de Moisés – Bênçãos das Tribos – a benção de Naftali tinha referencia ao Novo testamento.
A terra doada à tribo de Naftali era a mesma galiléia dos gentios do tempo de Cristo. A expressão “galileus” era
como se fosse homem de Naftali. Lembrar do crescimento do cristianismo sempre a ocidente de Israel.
Morte de Moisés e seu sepultamento – Esta última parte deve ter sido escrita por Josué.
Deus escondeu o lugar do sepultamento para evitar a idolatria.

Livros Históricos

Introdução
Não obstante toda a bíblia possa ser considerada uma grande história, alguns livros são especialmente
históricos, em face da natureza dos acontecimentos relatados. Dentre estes, figuram os livros de Josué, juízes,
Rute, Crônicas, Esdras, Neemias e Ester. Os livros de Josué, juízes, Rute, Samuel e Reis relatam a historia do
povo de Israel desde a conquista da terra prometida, até o Exílio babilônico (586 a C.).
Para apreciar devidamente o propósito dos livros históricos no AT., é imprescindível levar em conta a
finalidade dos autores sagrados, bem como o espírito que os levaram a escrever os livros. O que eles desejam é
evidenciar, é a mão de Deus, especialmente levando-se em conta a salvação do homem. Deus é o grande
historiador, procurando através da historia se revelar aos homens, e reunir todas as coisas em Cristo.

Josué

Época aproximada: 1451 a C.


O livro toma o nome do protagonista, nos fatos por ele narrados. Para continuar a missão de Moises,
sucede-lhe Josué. Tinha à sua frente duas grandes missões: Ocupar a Terra Prometida (Canaã) e dividira a Terra
entre tribos de Israel. Este trabalho Fo realizado durante cerca de trinta anos.
O Livro é uma espécie de elo entre os históricos e o Pentateuco, tendo em vista a intimidade de Josué com
os assuntos relativos à saída do Egito. Dos relatos de Josué, os mais importantes são a passagem do Jordão e a
tomada de Jericó.

Juízes

O Livro dos juízes nos é apresentado como sendo uma coletânea de memórias de diversos heróis. Neste
livro surge a realidade de que Israel foi Feliz, enquanto se manteve fiel ao Senhor e muito infeliz quando se
apartou de Jeová.
O Período dos Juízes é de cerca de trezentos anos, época esta em que, em vários momentos, os israelitas
de dominadores passaram à condição de dominados pelos povos que dantes eles haviam vencido.
A grande verdade contida no livro dos Juízes é que deus havia de cumprir a sua promessa, sem, contudo,
deixar de punir os israelitas, na desobediência pagã e idolatra. Um dos textos que ilustra essa época é o versículo
dezessete do capitulo seis no qual se lê: “Em Israel não havia rei e qualquer um fazia o que lhe agradava”.

Rute

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Este livro é mais uma história de amor que finalmente triunfa sobre todas as adversidades. Deste livro,
apenas um terço pertence ao gênero narrativo; os demais capítulos organizam-se em diálogo. O livro fala mais
de Noemi, a sogra de Rute, do que da própria Rute.
O assunto envolve a saída de Noemi com os seus dois filhos e o seu marido, a fim de peregrinarem pelas
terras moabitas. Esta saída é a figura do afastamento do servo de deus do convívio da sua congregação.
Nesta peregrinação descrita no livre de Rute, acontece o casamento dos dois filhos de Noemi, com moças
moabitas. A partir deste ponto, a mão de Deus começa a intervir, mudando o quadro familiar. A morte do
marido de Noemi, a morte de seus dois filhos e o regresso de Noemi para o seio de Israel.
A partir desse ponto, Rute assume o papel principal até o seu casamento com Boaz, o Remidor. Deste
casamento de Boaz com uma moça gentia (moabita) procede a descendência davídica e a conseqüente
genealogia de Cristo segundo a carne. Essa genealogia originada através de mistura de raças é uma figura da
união de Cristo com a sua Igreja gentílica. No livro dos Cânticos se Lê: “Vem do Líbano, esposa minha, vem do
Líbano”. Em outras palavras, vem da gentilidade.

I e II Samuel

1. Um só livro no Principio. No Cânon judaico esses dois livros são chamados de “Samuel”,
nome do grande líder, sacerdote, juiz e profeta de Israel. Seu nome em hebraico é Sh emu’el, que significa
“ouvido por Deus”. Os livros de Samuel e dos reis eram no principio um só livro. Os dois de Samuel são
chamados de 1 e 2 Reis e os dos Reis são chamado de 3 e 4 Reis na septuaginta. A divisão desses livros veio da
septuaginta por causa do seu grande volume quando foram traduzidos para a língua grega.
2. Autoria. Samuel, Natã e Gade escreveram a historia do rei Davi (1 Cr. 29.29) com base nessa
passagem bíblica podemos afirmar que Samuel escreveu os primeiros capítulos de ! Samuel e o restante do livro
são da lavra de Natã e Gade, mas a redação final e do período de Judá (1 Sm. 27.6).
3. Conteúdo. 1 Samuel narra os últimos diz dos Juízes. A historia de Eli vai ate o Capitulo 5 e a
judicatura de Samuel ate o capitulo 12, que termina logo após a coroação de Saul. O rei Saul repetidamente
quanto às ordens divinas e deus mandou Samuel ungir Davi rei em Israel em seu lugar. A partir do capitulo 16
Davi passa a ocupar as paginas desse livro. Os grandes eventos do livro são: a instituição da monarquia (10.24),
a escolha de Davi para reinar sobre Israel (16.1,12,13)e a vitória de Davi sobre o Gigante Golias (17.49-54). O
segundo livro começa com a coroação de Davi e registra os seus quarenta anos de reinado. Nesse livro esta o
relato da heróica conquista de Jerusalém por Davi. Essa cidade estratégica estava nucleada por uma
inexpugnável fortaleza inimiga chamada Jebus (II Sm. 5.6-9).
4. Profecias Messiânicas. Os livros de Samuel são citados no Novo testamento. II Samuel revela
pela primeira vez que o Messias viria da progênie de Davi (7.16) a partir dessa profecia, o conceito do Messias
ser descendente de Davi se expandiu nos Salmos e profetas (Sl. 132.11; Is. 11.1; Jr. 23.5,6) e cumpriu-se no
Novo Testamento (Rm. 1.3).

I e II Reis

A história dos reis de Israel tem, na realidade, o seu início no livro de Samuel, uma vez que é ali que se dá
a fundação da monarquia hebraica, com a consagração de Saul. Segue-se a história dos demais reis de Israel,
desde o reinado davídico, até a queda de Jerusalém sob os assaltos dos exércitos assírio e babilônicos no ano de
quinhentos e oitenta e sete antes de Cristo.
Durante a narração dos reis, inserem-se minuciosos relatos da religião judaica e da atividade dos profetas,
onde figuram com relevância as personalidades de Natã, Elias e Eliseu. No reinado de Davi, o profeta Natã o
repreende no caso do adultério com a mulher de Urias, chamada de Batseba e no que diz respeito ao assassinato
de Urias.
Elias tem a grande atividade no reino de Acabe, o qual era casado com uma princesa fenícia e havia
introduzido o culto idólatra em Israel, tornando a religião idólatra fenícia a religião oficial de Israel.
Eliseu foi o sucessor de Elias, com porção dobrada do Espírito que operou em Elias e teve parte na unção
de Jeú, e no extermínio da descendência de Acabe e na restauração do culto judaico.

I e II Crônicas

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As Crônicas são relatos que foram omitidos nos livros dos Reis, incluindo-se os acontecimentos havidos
no cativeiro babilônico, a restauração do Templo de Jerusalém, dos muros de Jerusalém e da própria cidade. Na
versão dos setenta (a septuaginta), estes livros são chamados de “Paralipômenos”, e que significa exatamente
coisas omitidas.

Esdras e Neemias

No original hebraico a na versão dos setenta, Esdras e Neemias constituem quase que um único livr. A
divisão se deve, a que cada um desses profetas teve papel proeminente em diferentes épocas dos cativeiros
assírio e babilônico. Os dois profetas, entretanto, atuaram com a mesma finalidade.
O livro de Esdras descreve o regresso dos judeus desta servidão, assim como a restauração do culto
judaico. É desta época o primeiro decreto d Ciro, permitindo a reconstrução do templo de Jerusalém.
A primeira leva dos regressos se dá no ano de quinhentos e trinta e sete antes de Cristo sob o comando de
Zorobabel. Esta data é muito importante, porque é, a partir dessa época, que se inserem as setenta semanas do
profeta Daniel, quando ocorre o surgimento do Messias, o Cristo.

Ester

Relata a história de uma moça israelita que se tornou rainha dos assírios, no reinado de Artaxerxes.
Neste livro existe a historia de quatro principais figuras: Mardoqueu ou Mordecai, Hamã, a rainha Ester
e o rei Assuero (Artaxerxes).
O ponto central da história no livro de Ester é a tentativa de destruição do povo judeu e a conseqüente
vitória deste povo sobre os seus inimigos.
Esta tentativa de extermínio repete a tentativa do Faraó do Egito no tempo do nascimento de Moisés e
prefiguram a matança dos inocentes de Belém nos tempos de Cristo e através dos séculos todas as tentativas de
extermínio dos Israelitas.

Livros Poéticos

Introdução
Vamos estudar agora os Livros “poéticos”. Antes de examiná-los separadamente, porém, é preciso notar
certas características comuns a todos eles.
Os dezessete livros já estudados “a anteriori” são históricos. Esses cinco livros poéticos são experiências.
Os dezessete livros históricos referem-se a uma nação como tal. Esses cinco livros poéticos ocupam-se de
indivíduos como tais. Os dezessete tratam da nação hebraica. Estes cinco, do coração humano.
1. Definição da área Poética

a. Poema é uma composição literária, geralmente em forma de verso, que expressa uma idéia ou
um sentimento.
b. Devemos compreender claramente que o termo “poético” refere-se apenas à sua forma. Não se
deve entender o termo como uma insinuação de que tais livros sejam fantasiosos e irreais, mero fruto da
imaginação humana.

2. Para compreender e apreciar os livros poéticos é importante reconhecer em primeiro lugar as


características, os objetivos e as singularidades da própria poesia.
a. Grande parte da poesia moderna se apóia na rima ou paralelismo sonoro. Ritmo ou paralelismo
de tempo (regularidade de repetições de sons) e expressões figurativas que se utilizam de comparações e
analogias – O poeta “pinta” um retrato com palavras.

Exemplo: Ide-vos! Na verdade


Não quero ser assim
A minha liberdade
Vive dentro de mim.
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b. A poesia hebraica se caracteriza pelo paralelismo de idéias. Este pode ser de três tipos:
i. Completivos – Sl. 92.12; 46.1;
ii. Contrastantes – Sl. 30.5; Pv.. 14.11;
iii. Construtivos – Sl. 21.1,2; 20.7,8;

3. Objetivo da poesia hebraica


Expor a verdadeira religião, a saber: a religião do Deus de Israel. Seus ensinos são universais e abrangem
assuntos de máxima importância e interesse para todos. Suas palavras são pensamentos do homem refletindo e
proclamando a verdade inalterável do Altíssimo.

4. Idéias principais
Jó – A Bênção por meio do sofrimento.
Salmos – o louvor por meio da oração.
Provérbios – a prudência por meio do preceito.
Eclesiastes – a verdade por meio da vaidade (Vacuidade).
Cantares – a bem-aventurança por meio da união.

Livro de Jó

- Introdução
1 – Jó – O primeiro Livro Poético.
2 - Título – O livro de Jó foi assim chamado em homenagem ao seu personagem principal, seu herói.
3 – O Livro de Jó resume-se num drama poético. Tendo um prólogo e um epílogo prosaico.
4 – Tema – “Por que sofre o justo?” Essa frase interrogativa é o tema principal do livro, pois trata de
um assunto perenemente contemporâneo. Jó 9.2,3.

2. Cenário Histórico-Geográfico
2.1. Não se sabe com certeza quando e por quem foi escrito. Vários nomes foram cogitados: Jó, Eliú,
Moisés, Salomão, Jeremias. Também não se tem precisão da época; as evidencias internas como: o fato de não
mencionar a lei mosaica, ou as intervenções divinas no Êxodo, apontam à época patriarcal (contemporâneo de
Abraão – Gn. 11.29, 22.20,21);
2.2. Jó é identificado como habitante de Uz (terá de Uz) e não de um lugar fictício (Jó 32.2);
2.3. Provas da historicidade de Jô – Através de Ezequiel Deus refere-se quatro vezes a Jó, bem como
Noé e Daniel (Ez. 14.14,16,18,20) e em Tiago 5.10,11 invoca a historicidade do sofrimento e paciência.
2.4. As cenas celestes do prólogo e epílogo são obviamente históricas apenas em virtude da sua
revelação divina.

3. Objetivos
3.1. Mostrar que Deus geralmente usa da adversidade, bem como a prosperidade, para amadurecer
seu povo;
3.2. Mostrar a grande soberania de Deus sobre satanás, e como Deus pode usar os pores ataques do
diabo para o cumprimento dos seus objetivos e o bem do seu povo;
3.3. Mostrar a dinâmica da pessoa de Deus quando Ele se ocupa com o seu povo, não com regras
mecânicas e legalistas, mas com a infinita misericórdia e amor;
3.4. Demonstrar a todo universo a grande capacidade que Deus tem de reproduzir o seu amor nas
pessoas a ponto de as suas reações serem a adoração, mesmo quando não entendem;

4. Verdades surpreendentes relativas à Satanás

4.1. O questionamento não é que satanás tenha o atrevimento não o privilégio de acesso a Deus, mas
sim que é obrigado a apresentar-se ao Trono de Deus mesmo a contragosto;
4.2. As perguntas feitas por deus a satanás não foram feitas por falta de conhecimento dos seus atos,
provocação ou incitamento, e sim para estimular a confissão;

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4.3. Na pergunta “Observaste a meu servo Jó?” (...) literalmente a tradução é “puseste a teu coração
contra o meu servo Jó. Porque ninguém há na terra semelhante a ele?” A resposta de satanás revela que sim e
que acredita não ter obtido êxito por Deus proteger Jó Excessivamente;
4.4. No versículo 7 a resposta de Satanás revela sua atividade inquieta e ininterrupta. As escrituras
tornam claro que ele tem grande influencia sobre os males que afligem a humanidade e o planeta Terra.
5. Os amigos de Jó, consoladores molestos e infelizes

5.1. Elifaz – “Deus é ouro Refinado”, “Deus concede”. È o mais entendido, culto, sincero, polido e
nobre. Segundo ele “o sofrimento é o resultado do pecado” (5.8-16). Em lugar de Jó ele buscaria a Deus;
5.2. Bildade – “Filho da contenda”. È bem mais severo que Elifaz, sua fala baseia-se em máximas e
provérbios, acusa a Jó de impiedade. Um de seus argumentos é que deus jamais perverte o direito (8.3). Jó é
hipócrita;
5.3. Zofar – “rude/cabeludo”. Dogmático, severo e moralista, mais santo que o próximo. Acusa Jó de
jactância. Um de seus argumentos é que Deus jamais ignora a iniqüidade de ninguém;
5.4. Eliú – “Ele é meu deus”. Seu principal argumento é que Deus é sempre bom e misericordioso e
que o sofrimento é punitivo e corretivo (“serve para castigar e restaurar” – mesma função das punições
disciplinares no Militarismo).
6. O Personagem
Jó não pode ser analisado individualmente. Porém podemos ter um esboço do homem em si.
6.1. Jó um homem íntegro, porém, progressivamente despojado de todos os seus bens e convicções.
6.1.1. Perde toda a sua riqueza;
6.1.2. Perde todos os seus filhos;
6.1.3. Perde a saúde;
6.1.4. Perde os parentes;
6.1.5. Perde a amizade da esposa (o elo da fé comum entre marido e mulher);
6.1.6. Perde a compaixão dos três amigos.
6.2. Um terrível processo de despojamento opera no intimo da alma e do espírito de Jó.
6.2.1. Despojamento do sentimento de dignidade (ANTES ... nu saí do ventre de minha mãe ...
DEPOIS almeja surpreendentemente a morte);
6.2.2. Perde o senso de relacionamento, “bondade e fidelidade” de Deus para com ele. (ANTES... “o
senhor deu o Senhor tomou”... DEPOIS “por que te fizeste de mim um alvo?”);
6.2.3. Duas realidades inquestionáveis restauram a Jó: Deus e o ego. Deus Jó não consegue
compreende-lo e o Ego – Jó não consegue escapar de si mesmo;
6.2.4. As palavras de Jó, em seus pronunciamentos, não são apenas respostas aos amigos, mas também
um lamento de uma alma desolada a um Deus que não podia ser encontrado, vindo de um Ego do qual não podia
fugir e de uma angustia que não podia ser explicada (42.5).
7. Cenário Histórico-Geográfico
7.1. Não se sabe com certeza quando e por quem foi escrito. Vários nomes foram cogitados: Jó, Eliú,
Moisés, Salomão, Jeremias. Também não se tem precisão da época; as evidencias internas como: o fato de não
mencionar a lei mosaica, ou as intervenções divinas no Êxodo, apontam à época patriarcal (contemporâneo de
Abraão – Gn. 11.29, 22.20,21);
7.2. Jó é identificado como habitante de Uz (terá de Uz) e não de um lugar fictício (Jó 32.2);
7.3. Provas da historicidade de Jô – Através de Ezequiel Deus refere-se quatro vezes a Jó, bem como
Noé e Daniel (Ez. 14.14, 16, 18, 20) e em Tiago 5.10, 11 invoca a historicidade do sofrimento e paciência.
7.4. As cenas celestes do prólogo e epílogo são obviamente históricas apenas em virtude da sua
revelação divina.

8. Objetivos
8.1. Mostrar que Deus geralmente usa da adversidade, bem como a prosperidade, para amadurecer
seu povo;
8.2. Mostrar a grande soberania de Deus sobre Satanás, e como Deus pode usar os piores ataques do
diabo para o cumprimento de seus objetivos e o bem de seu povo;
8.3. Mostrar a dinâmica da pessoa de Deus quando ele se ocupa com o seu povo, não com regras
mecânicas e legalistas e sim com a infinita misericórdia e amor.
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Livro dos Salmos

I - Títulos
1 – Origem e significado do Título dos “salmos” – Salmos vem do grego “psalmos” – plural Psalmoi –
que significa – “poema” para ser cantado com instrumento de corda;
2 – Epígrafes ou Títulos dos Capítulos – Uma característica singular dos salmos. Somente 34 não têm
titulo, 52 tem títulos reduzidos tais como salmo de Davi, salmo de Asafe, oração de Davi, salmo de Salomão,
salmo dos filhos de Corá. Há 14 Salmos com epigrafes que explicam sua ligação histórica com outras
passagens das Sagradas Escrituras tal como o Salmo de Davi quando fugia de Absalão seu filho. 39 possuem
o que chamamos de epigrafes especiais. Exemplo: em voz de soprano. Cântico (alamote). Ao mestre do
canto, com instrumentos de corda (Neginote). Em tom de oitava (shminit).
II - Classificação do livro de Salmos
Estes 150 cânticos de adoração podem ser classificados de várias maneiras. Estudaremos apenas duas: a
tradicional judaica e moderna.
a. A tradicional judaica tem divisão em cinco livros cada um com uma doxologia (Forma de louvar
a glória de Deus);
i. Livro I – 1-41 – Gênesis;
ii. Livro II – 42 – 72 - Êxodo;
iii. Livro I – 73-89 – Levitico;
iv. Livro I – 90-106 – Números;
v. Livro V – 107-150 – Deuteronômio.
b. Provavelmente a mais recente classificação baseia-se pelo uso dos salmos no culto
público e nas devoções pessoais, em conformidade com seu conteúdo.
i. Hinos de Louvor (31 Salmos);
ii. Lamentos, expressões de confiança em Deus, ou ação de Graças individuais (58 Salmos);
iii. Lamentos, confiança ou ações de graças da comunidade (27 Salmos);
iv. Salmos Reais (11 Salmos);
v. Salmos de instruções ou didáticos (23 Salmos).

III - Alguns Grupos dos Salmos


1 – Cânticos dos degraus – é um grupo de 15 salmos consecutivos...
2 – Epígrafes ou Títulos dos Capítulos – Uma característica singular dos salmos 120 ao 134. Cada
um deles tem como título a frase “cântico dos degraus”. Dez deles são anônimos, quatro são atribuídos a
Davi e um a Salomão.

Por que cântico dos degraus


a) Idéia judaica – tinha esse nome para ser cantado em sua ordem...
b) Lutero – o significado do título fosse (cântico no coro mais alto).
c) Calvino – julgava que fossem cantados num tom mais alto.
d) O bispo JEBB – cantado por ocasião da subida da arca ao Monte Sião.
e) Outros – a subida do povo para as três festas anuais em Jerusalém; cânticos dos exilados
ao voltarem de babilônia, etc.
f) Porém a explicação mais convincente está na bíblia – a palavra degraus no hebraico vem
antecedida de artigo definido. Os únicos degraus mencionados na bíblia são os do “grande relógio de sol “
do rei Acaz em Jerusalém – retroceder “dez graus” ou “passos” – degraus ( Reis 20.5-11);
g) O cântico dos degraus relacionados com Ezequias: escreveu Salmos Is. 38.9; organizou salmos
Pv. 25.1; Gratidão ao Senhor pela cura Is. 38.20.
3 – os salmos messiânicos – os principais são (2, 8, 16, 22, 23, 24, 40, 41, 45, 68, 69, 72, 87, 89, 102, 110
e 118)
Por que messiânicos
a) Porque encontramos um notável numero de elementos proféticos nestes salmos;
b) Três temas são abordados pelos Salmos proféticos:
1. A humilhação e a exaltação do Messias;
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2. Os sofrimentos e a libertação final de Israel;


3. A benção futura de todas as nações mediante o reinado do Messias de Israel.
c) Confirmação de que tais Salmos se referiam a se referem a Jesus (Lc. 24.25,44)

4– Acrósticos alfabéticos (9, 10, 22, 25, 34, 37, 111, 112, 119 e 145)
5– E “Selá” e “Aleluia”
IV- Conclusão
1) Palavra chave adoração
2) Verso chave 29.2
3) Mensagem: “daí ao Senhor a glória devida ao seu Nome”.

Provérbios de Salomão

1 – Título – Provérbio na língua portuguesa pode significar máximas que expressam uma verdade de
forma sucinta.
2 – Autores:
A maior parte do livro foi escrita por Salomão, Filho de Davi, conforme I RS. 4.32.
Agur é outro responsável pelo Cap. 30 e o rei Lemuel no Cap. 31 compartilha as instruções da sua mãe. A
identidade e a historia destes dois últimos personagens são desconhecidas.

3– Propósito:

a) O propósito de provérbios não e explicar um assunto, mas sim expressá-lo de uma forma
enfática;
b) São palavras para orientar a vida.

4Tema – Exaltação da sabedoria (a verdadeira sabedoria começa pelo respeito/temor a Deus).

5– Verso Chave – 9.10

6– Valor do livro de provérbios

a) Enfatizam a vida religiosa externa;


b) Ensinam a praticar a religião e a vencer as tentações do dia-a-dia;
c) Expressam crença em Deus e em seu governo sobre o universo e, portanto, buscam, os livros
proféticos, fazer da sua religião o motivo controlador na vida e na conduta;
d) Expressam um profundo conceito religioso, mas colocam maior força na pratica da religião, em
todas as relações da vida.
7 – o ensino de provérbios
Era uma das mais antigas formas de instrução. Desde os tempos históricos mais remotos, cada nação
possuía seus provérbios. Tal método de ensino se adaptava, perfeitamente, a época, quando os livros rareavam e
eram caríssimos. As sentenças claras, vivas eram facilmente decoradas. Ainda hoje – idade da erudição e ciência
– os provérbios são tão familiares que exercem poderosa influência.

Eclesiastes

1 – Título – O Título hebraico significa Pregador e refere-se àquele que reúne ou discorre às assembléias.
2– Autor e caráter de Eclesiastes
2.1- Não há duvida de que Salomão é o autor do livro( 1.1) e que é, certamente, a sua autobiografia
de sua vida dramática cheia de experiências difíceis desde que se desviou de Deus e apelou para recursos
pessoais para alcançar a felicidade;
2.2 - Aqui Salomão focaliza a existência no seu “todo” e não nas suas particularidades. Seu interesse
é mais pelo significado da vida que pelos seus problemas. Como um filósofo ele Pôe de lado (atentei, disse
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comigo, eu vi, etc.) porem sua indagações ficam sem uma reposta satisfatória (Eclesiastes é o primeiro livro da
bíblia a fazer uma pausa para refletir filosoficamente no significado da própria vida);
2.3 - Este livro originou-se provavelmente numa fase mais madura da vida de Salomão, num triste
afastamento de Deus; porém os últimos versículos do livro parecem declarar a sua restauração;

3O Livro de Eclesiastes é um sermão. Ele abrange de um tema. uma breve introdução, o


desenvolvimento do tema e uma aplicação pratica como conclusão. O tema é “qual é o bem maior?” O ponto de
vista é o da razão natural. Devemos observar onde a procura do bem nos leva quando buscamos simplesmente
com base na experiência, observação e indução naturais.

4Análise – Eclesiastes a busca do bem maior.

5 Objetivo do livro
O objetivo do escritor do livro foi demonstrar, cientifica e filosoficamente a futilidade da vida sem deus, e
mostrar a satisfação e a alegria de viver na percepção da sabedoria divina (12.13,14).

Cântico dos Cânticos ou Cantares de Salomão

1 – Título – Os hebreus deram-lhe o nome de “Cântico dos Cânticos” devido às primeiras palavras do
livro. Esse nome enfatiza a importância de serem eles os melhores Cânticos de Salomão.
Cânticos de Salomão por serem escritos por ele;
2 – Tema – As delicias do puro amor conjugal retratando o amor de Deus pelo seu povo.
3– Métodos de Interpretação
3.1. Literal ou Naturalista - historia ou descrição de um amor matrimonial;
3.2. Tipológica – as metáforas baseadas no relacionamento conjugal são usadas como referencia à
relação entre Deus e Israel;
3.3. Alegórica – simbolicamente salienta a união espiritual entre Deus e Israel. Ou Cristo e a Igreja.

4– Forma Poética – Idílio Pastoral (Rústicos – è um breve poema que, sobretudo, dá um tom de romance
às cenas familiares e rotineiras.

Livros Proféticos

Os profetas eram homens que investidos do espírito de Deus, exerciam determinada missão no seio da
nação israelita. Dividem-se em função dos seus escritos em profetas maiores e menores. Os maiores são; Isaías,
Jeremias, Ezequiel e Daniel. Os menores são em número de doze: Oseías, Joel, Amós, Obadias, Jonas,
Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Existe ainda os profetas que não
escreveram livros, porém foram homens que prestaram grandes serviços em Israel, por exemplo: Natã, Elias e
Eliseu.
De uma forma ou de outra, todos os profetas se empenharam numa mensagem de restauração, e a
promessa de uma paz eterna. Essa mensagem tem como objetivo anunciar o messias, às vezes chamado de
Emanuel, Servo do Senhor, Raiz de Jessé, ou seja, Filho de Davi. O principal objetivo da pregação nos tempos
Apostólicos foi por excelência, identificar o Cristo de Nazaré com esses títulos.

PROFETAS MAIORES

ISAÍAS (O Senhor Salva)


Chamado o profeta por excelência Messiânico, pregou contra os desmandos do rei manasses e apontou
todos os castigos que haviam de ocorrer em Israel. Exortava a Israel se manter neutro quanto à disputa entre o
Egito e a Assíria, e a confiar tão somente na em Deus, que era o próprio fundador da nação judaica. Não foi
obedecido na sua mensagem, e Israel ficou mais propenso a uma aliança com o Egito, que levou os assírios e
babilônios a destruírem Jerusalém, e ter inicio assim, o cativeiro babilônico, por cerca de setenta anos.

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A maior promessa messiânica, esta em (Is. 9.6,7 – “por que um menino...) – a sua mensagem profeta
envolve o nascimento de Cristo, a sua morte (Cap. 53) e o segundo advento do messias, com o estabelecimento
do Reino Eterno de Cristo. Descreve a esperança da paz eterna com a modificação da própria natureza (Cap.
65.25) e Cap. 11.6-9 – “O leão e o boi pastarão junto...”.

JEREMIAS e LAMENTAÇÕES

Este é o profeta que sucede a Isaias e a sua mensagem de ordem política e igual a mensagem de Isaias.
Entre a disputa do Egito Vs. Assíria aconselha o rei de Israel a tomar o partido da assíria, no que não é
obedecido. Trata-se de um dos profetas que mais sofreu perseguições. Profetizou o cativeiro babilônico e foi
lançado num poço que lhe serviu de cárcere. Este homem é considerado o profeta que mais chorou. Quanto ao
drama do Calvário de cristo. Profetizou em lamentações (1.12 – “Ó vós que passais pelo caminho, olhai e vede
se há dor como a minha dor”)
A mensagem de Jeremias obedece à simbologia do oleiro e da transformação dos vasos, muito enfatizam
pelos pregadores evangélicos pela hinologia Cristã (faz-me um vaso de bênção...).

Ezequiel

Este profeta foi um dos exilados para a babilônia, e sua mensagem traduz uma profunda angustia. Exorta a
Israel a uma vida de santidade mesmo no cativeiro babilônico. É um profeta de linguagem dura, muito diferente
de Jeremias. O início do livro pertence ao estilo apocalíptico, e dá a entender o fim de todas as coisas através de
visões sobrenaturais. O versículo 10 do capitulo um, mostra a visão de um animal com quatro rostos, a saber:
rosto de homem, rosto de boi, rosto de Leão e rosto de águia. Esta simbologia aplica-se muito à personalidade de
Jesus Cristo. ele foi homem, foi animal de sacrifício, é leão da tribo de Judá e muito em breve será a Águia que
arrebatará a sua Igreja.
Um dos mais belos trechos de sua mensagem é a visão do vale cheio de ossos secos (37.2-10).

Daniel

Também este profeta é um dos deportados para a Babilônia, tendo sido agregado à coorte do rei
Nabucodonosor, e recebido o nome de Beltessazar. Um verdadeiro modelo de fidelidade, Daniel foi agraciado
por deus com o dom de interpretação de sonhos e visões. Em virtude desta capacidade, se tornou primeiro
ministro da corte da babilônia. Dentro das suas visões, estão as celebres setenta semanas de Daniel, e que
correspondem a setenta semanas de anos, perfazendo quatrocentos e noventa anos. Dentro desta quantidade de
anos, ocorre à reconstrução de Jerusalém, do templo, e no final dessa época, o primeiro advento de cristo,
abrindo-se um período parentético e chamado “Período da igreja”. Esta igreja é vista no apocalipse cap. 12,
vivendo este período um tanto quanto enigmático e chamado: “um tempo, dois tempos e metade de um tempo”,
e que corresponde em sentido figurado à primeira metade da ultima semana de sete anos, ou a segunda metade
desta semana (compare a linguagem enigmática de tempos, com os 1260 dias do mesmo capitulo e versículo
nove).

Profetas Menores

Oséias

O método de Oséias apresenta pela primeira vez na bíblia, a figura do amor conjugal entre deus e a igreja.
Nesta figura os erros de Israel são apontados como uma traição ao próprio Deus. A mensagem figurada é de
difícil interpretação, uma vez que deus manda o profeta tomar como esposa, uma prostituta, para representar a
prostituição de Israel, seguindo os costumes idólatras.

Joel

A mensagem de Joel não Censura diretamente os erros do povo, porem convida a todos voltarem para o
senhor e também sofre o derramamento do Espírito Santo.

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No dia de Pentecostes, foi lembrado por Pedro, quando disse: “é para que se cumpram as palavras de
Joel...”.

Amós

Este profeta exerceu as suas atividades, numa época em que a prosperidade deslumbrou Israel, porem a
espiritualidade estava arruinada. Nesta época o poderio assírio crescia assustadoramente e Amós concitou o
povo ao arrependimento e voltar à simplicidade. Faz questão da santidade dos costumes, condena o luxo e as
vaidades, e dá a entender que havendo o luxo e demais coisas vãs, o sacrifício das vitimas é inútil.

Obadias

Foi companheiro de Jeremias e de Ezequiel, e a sua mensagem advertia sobre o cativeiro babilônico, e
exortava a Israel ao arrependimento. Este livro é o menor entre os profetas menores, e conta, apenas, com um
capítulo e vinte e um versículos.

Jonas

Escrito no estilo narrativo, dá ênfase nesta narração ao egoísmo humano e a imensa misericórdia de Deus.
Na historia de Jonas, se pode ver a universalidade do Cristianismo, em virtude de um profeta de Israel ser
enviado a uma nação idolatra. Jesus no Novo Testamento se refere a este episódio “os ninivitas se levantarão no
juízo e condenarão esta geração, pois se arrependeram com a pregação do profeta Jonas” (Mt. 12.41)
A narração de Jonas é em muitas ocasiões, contestada pelos críticos em virtude da inviabilidade de uma
pessoa passar três dias no ventre de um peixe, e não morrer. A pobreza da mente dos homens contesta porque
desconhece o poder de Deus.

Miquéias

Contemporâneo de Isaías, a mensagem também é messiânica. No Novo Testamento , as palavras do


profeta são citadas (Mq. 5.6) quando os magos interrogaram a Herodes: “onde é nascido o rei dos judeus?”

Naum

Este profeta profetiza a destruição de Nínive. Isto acontece no ano 612 a C., sendo esta cidade destruída
pelos exércitos babilônios e persas.

Habucuque

A mensagem deste profeta procura a, despeito de toda adversidade, levar Israel a confiar em Jeová. Tem
muito de messianismo quando diz: “por que a terra se encherá do conhecimento e da gloria do senhor, como as
águas cobrem o mar” (2.14). É também um libelo contra a idolatria em estilo sátiro (2.18,19).

Sofonias

Profetizou no tempo do rei Josias e combateu a idolatria que se insinuava em Israel através das praticas
gentílicas (religiosidade popular), antes da reforma realizada pelo rei Josias, no ano 621 a. C.. No Cap. 9 ele
prega a teocracia, quando toda a humanidade aceitará o senhor e abandonará a idolatria. Refere-se
provavelmente ao Milênio de Cristo.

Ageu

Não obstante ser um dos profetas menores, quanto a sua mensagem é profundamente messiânico. Trata da
Segunda Vinda de Cristo como “O desejado de todas as nações” antes anuncia os grandes terremotos e

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maremotos que antecederão a Segunda Vinda de cristo. Esta enunciação é muito interessante para o estudo para
o estudo da escatologia.

Zacarias

Um dos profetas menores que mais se notabilizou pela mensagem messiânica. Exorta a Jerusalém para
que escolha o seu Rei que vem montado em um Jumento (Zc. 9.9). Esta profecia se realizou literalmente e é
descrita em Mt. 21.5 e Jô. 12.16.
É muito positiva a visão “daquele que traspassaram” Zc. 12.10. Outra visão importante é a visão do
messias voltando exatamente sobre o Monte das Oliveiras (Zc. 14.4)
Tudo isto nos leva a ascensão de cristo, descrita nos altos, pois os anjos disseram; “da mesma maneira ele
virá”.

Malaquias

É o profeta que fala do dizimo com muita propriedade e do Sol da Justiça, que é Cristo. Diz na sua
mensagem profética que antes que chegue o fim, Elias virá. Jesus reconheceu João batista como vindo do
mesmo espírito de Elias (mesma doutrina) e disse: Elias já veio.

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NOVO TESTAMENTO (Fonte: Zanluca)

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

Testamento = “Aliança” entre Deus e seu povo


Antigo Testamento (AT): Velha Aliança ( Abraão e Moisés )
Novo Testamento (NT): Nova Aliança (Cristo)
A Bíblia toda trata da história da salvação - o NT cumpre e completa o VT. Tem 27 livros, escritos por
nove autores diferentes. Tem uma idade superior a mil e novecentos anos.

CLASSIFICAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO:


1. Escritos Narrativos (Evangelhos e Atos);
2. As treze cartas de Paulo (Epístolas Paulinas);
3. Epístola aos Hebreus;
4. As sete cartas gerais (Epístolas Gerais ou Universais) e
5. Revelação ou Apocalipse.

Objetivo do NT: Proclamar o Evangelho (Boas Novas): Jo 3.16, 20.30-31


A Primeira Divisão (Escritos Narrativos) conta uma história. Logo no inicio da sua história, a igreja
começou a chamar os quatro primeiros escritos do Novo Testamento pelo nome “Evangelhos”
Os evangelistas, escritores dos Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João):
1) Preocupam-se com um período curto (três anos no máximo) da vida de Jesus;
2) Nem sempre relatam os fatos na ordem que se realizaram, e, sim, dispõe a matéria segundo o
assunto tratado;
3) Preocupam-se especialmente com a morte e a ressurreição de Jesus.
Marcos consagra um terço do seu evangelho a esta última semana da vida de Jesus.
Os três primeiros evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas) são bem semelhantes entre si, enquanto o quarto
(João) é bastante diferente deles. Por isso, os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas são chamados de
“Sinóticos” (= “sinopse” ou uma visão de conjunto).

Evangelhos

Mateus

MATEUS – O evangelho do “Messias Real”


Mateus (Ou Levi), apóstolo de Jesus (Mt 10.3, Mc 3.18), coletor de impostos (Mt 9.9-13)

−O objetivo do Evangelho é proclamar Cristo como o “Messias Real “


Cristo (grego) = Messias ( Hebraico) = Ungido (consagrado a Deus para um obra toda especial).
− Mateus sempre está citando o Velho Testamento. Inicia o seu livro com a genealogia ( relação da
família) de Jesus, o “filho de Abraão” (1.1).
Seu objetivo é provar que Jesus é o cumprimento das profecias ( 1.22-23, 2.4-6, 15 18, etc.)
− Cristo é Rei. Ao nascer, recebeu presentes reais (2.11), sendo ele filho do grande rei Davi (1.1). Ele fala
constantemente do seu Reino. “ Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra “(28.18).
− Um segundo tema é : o povo do messias é a Igreja Universal (16.18,18.17). Todo o mundo é chamado
(28.19), os “ gentios” ( não judeus) inclusive. Os gentios esperam no seu nome (12.21), ouvem o evangelho
(24.14), tornam-se discípulos (28.19)

− Mais que outros evangelhos, Mateus dá ênfase (destaque) ais ensinos de Jesus. Jesus é o profeta
prometido (Dt 18.15-18) que nos ensina o que é a justiça exigida pelo reino (6.33). E a Igreja deve continuar esta
obra, fazendo discípulos (28.18-20)
− Mateus preocupa-se tanto com os atos quanto com os ensinos de Jesus. A seguinte divisão do livro pode

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ser feita:

Atos (Capítulos) Ensinos (Capítulos)


3-4 5-6 (Sermão de Monte)
8-9 10 (Missão da Igreja)
11-12 13 (sete Parábolas)
14-17 18 (Conduta de Igreja)
19-22 23-25 (Censura as Fariseus, as
(as últimas coisas)

Marcos

MARCOS – O EVANGELHO DO “FILHO DE DEUS”


− Marcos foi discípulo do apóstolo Pedro. Escreveu seu evangelho interessado em atingir os romanos
(gentios). Ele não se preocupa tanto quanto Mateus com as profecias do Velho Testamento, mas sim com a
identidade de Jesus – sua ações, seus milagres, seu poder.
− Jesus é o Filho de Deus (1.1), segundo a voz dos céus (1.11, 9.7) e o testemunho de Jesus mesmo ( 12.1-
12, 35-37)
− Marcos dá mais espaço ( em proporção) aos milagres do que os outros evangelhos. Como Marcos era
discípulo de Pedro, seu evangelho reflete a pregação e a personalidade de Pedro – que era um homem de ação;
− Outro título importante dado por Marcos a Jesus é “ Filho do Homem” (13.26, 2.10, 8.38 – Veja Daniel
7.13-14).
− Como Filho do Homem, Jesus pode perdoar pecados (2.10), é o senhor do sábado (2.28), ressuscitará
após sua morte (8.31, 9.9,10.29-34), virá nas nuvens com poder e glória (8.38, 13.26, 14.62).
− Apesar de toda sua autoridade, Jesus veio para servir e dar a sua vida (10.45). O Servo Sofredor de Isaías
53. Sim, Marcos nos apresenta o Jesus que é , ao mesmo tempo, o poderoso filho do Homem e o humilde filho
de Deus. Marcos destaca, assim, tanto a natureza divina quanto a natureza humana de Jesus.
− Divisão do Livro :
1) Período de êxito ( sucesso) : Jesus é seguido pela “ multidão” (1.1-8.26)
2) Narrativa da Paixão : Últimas semanas de Jesus (8.27-16.8)
− Marcos registra 18 milagres e somente 4 parábolas de Jesus.

Lucas

LUCAS – O EVANGELHO DO “SALVADOR DIVINO”

− Lucas, médico (C1 4.14) e companheiro de viagem de Paulo (Fm 24,2 Tm 4.11). Ao contrário dos
evangelistas Mateus, Marcos e João, que eram Judeus, Lucas era gentio. Ele escreveu seu livro baseado em suas
investigações sobre a vida de Jesus (Lc 1.1-4).
− Endereçou seu livro a Teófilo, uma alta autoridade romana (1.3).
− Lucas destaca Jesus como “ salvador “ (Jesus = “ O Senhor Salva “ Lc 1.31). Salvador não só do corpo
( Lucas, médico, registra muitas curas), mas da alma. Jesus, que ao mesmo tempo é humano e divino, preocupa-
se com as pessoas, e come com pecadores (5.29-32, 15.1-2), salva os ricos, (19.1-10), redime os pobres (4.18-
19). Sim, “Toda a carne verá a salvação de Deus” (3.6).
− Além de Salvador, Jesus é “Senhor “ (2.11, 24.34), um título extremamente elevado, utilizado no Antigo
Testamento somente para designar o próprio Deus.
− Lucas tem sido chamado o “livro mais lindo do mundo”, por suas passagens específicas sobre salvação,
alegria e louvor ( Lc 1-2, 7.36-50, 9.25-37,15.11-32,18.9-14,19.1-10, etc). O objetivo do autor, além de mostrar
Jesus como Salvador e Senhor, é caracterizar a reação das pessoas salvas ou curadas e do povo em geral através
da alegria (2.10, 13.177, 15.6-9) e louvor (7.16, 18.43, 24,53).
− Também a oração é característica do redimido ( Lc 11.1 a 13) e do próprio Jesus (4.42).
− O livro de Lucas registra 6 milagres e 11 parábolas que não se encontram em outros evangelhos.
− Lucas é o livro poético. Abre com um hino “ Glória a Deus “ e encerra com um hino “ E estavam sempre
no templo, louvando a Deus”. Ele preserva hinos preciosos para os cristãos:

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O “Magnificat” - Hino de alegria de Maria (1.46-55)


O Hino de Zacarias (1.68-79)
O Hino dos anjos (2.8-14)

Deste evangelho, aprendemos que, como menino, Jesus se desenvolveu naturalmente (2.40-52). Como
criança, era sujeito a José e Maria (2.51). Só Lucas conta a visita de Jesus ao Templo, aos 12 anos. Como
homem, trabalhou com as mãos, chorou sobre a cidade, ajoelhou-se em oração, e conheceu a agonia do
sofrimento.

João

JOÃO – O EVANGELHO DO CRISTO, O FILHO DE DEUS


− João foi apóstolo de Jesus, pescador, o “ discípulo a quem Jesus amava” (Jo 21.7), irmão de Tiago,
chamado também “ filho do trovão” (Mc 3.17), por causa do seu temperamento forte (Lc 9.54-55)
− As palavras favoritas neste evangelho são: “ vida, amor, crer, verdade, luz e caminho”.
− O objetivo de João : provar que Jesus é o Cristo, O Filho de Deus ( veja João 20.30-31), para que nós
tivéssemos vida nele. A palavra crer, em suas diversas formas, encontra-se quase cem vezes no livro.
− O evangelho destaca a origem divina de Cristo (Jo 1.1 a 14). Na época de João, haviam heresias ( =
Falsos ensinos) que afirmavam que Jesus não era nascido por Deus. Por Isso, João teve de escrever este
evangelho, para combater o “gnosticismo” ( = negação da encarnação de Deus em Jesus)
− João destaca as seguintes provas que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus:

1) Os sinais que ele faz : A multiplicação dos pães (6.1-14), a mudança da água em vinho
(2.1-11), curas (4.46-5.9), andar sobre a o mar (6.16-21), a ressurreição de Lázaro (11.1-45), entre
outros.
2) Os seus discursos: é somente João que nos dá o longo discurso do cenáculo (capítulos
14-16), onde Jesus conforta os discípulos com a promessa do Espírito Santo . Outros discursos são
os “ Eu Sou”, onde Jesus nos diz que ele é “o pão da vida “, “ a luz do mundo “, etc.
3) Os testemunhos: João Batista (1.7-8,15,29,36;5.33), André (1.41), Filipe (1.45),
Natanael (1.49), a mulher samaritana (4.39), o próprio Pai (8.18), o Espírito (15.26), o evangelista
mesmo (19.35, 21.24).
4) As Escrituras : elas apontam para Ele (1.23,5.39,45-46,7.38,etc.)
Diante de tantas evidências que Jesus é o Cristo, como é que o homem deve reagir ? CRENDO (20.31) e
“recebendo” Jesus como ele se apresenta (1.12). O resultado de crer em Jesus como Ele se apresenta (1.12). O
resultado de crer em Jesus é ter a vida (11.25-26), e isto imediatamente! (3.18, 5.24).

JOÃO EM RESUMO:
REVELAÇÃO DE JESUS : SINAIS
RESPOSTAS : CRER
RESULTADO : VIDA

Histórico

Atos dos Apóstolos

ATOS – A AÇÃO DO ESPÍRITO NA IGREJA

− O Livro de Atos foi escrito por Lucas, sendo a 2ª parte de seu livro endereçado à Teófilo (At 1.1).
Juntos, o evangelho de Lucas e o livro de Atos traçam os princípios da Igreja, desde João Batista até o
encarceramento (prisão) de Paulo em Roma.
− O nome do livro tem a ver com as ações dos 12 apóstolos, logo após a ascensão (subida) de Jesus aos
céus. Mas, convenientemente, poderíamos chamar este livro de “ Atos do Espírito Santo”
− Podemos dizer que o 2º Capítulo é o fundamento do livro todo. E o assunto deste livro, digo, capítulo, é

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a descida do Espírito Santo sobre a Igreja (Pentecostes). A descida do Espírito Santo cumpre tanto a promessa de
Jesus (At. 1.5,8) como as Escrituras (At. 2.16-21).
− A conversão de Paulo (Capítulo 9) é outra passagem importante de Atos, pois o livro é a ponte entre os
evangelhos e as cartas de Paulo.
− A pregação das Boas Novas (Evangelho) começa em Jerusalém (At.2.14-41) e continua progredindo até
chegar à capital do Império Romano – Roma (At. 2816-31). Veja a ordem de Jesus em At 1.8. Roma a capital
dos gentios ( o povo sem Deus).

− Esboço de Atos:

CAPÍTULO: Assunto: ANOS:

1.1-11.18 Em redor de Jerusalém 29-44

11.19-15,35 Na região de Antioquia 45-48

15.36-28.31 Atividades de Paulo 48-62

− Lucas, o escritor, foi companheiro de viagens de Paulo, presenciando muitos das cenas descritas em seu
livro.
− O livro de Atos registra a súbita (rápida) mudança de atitudes por parte dos apóstolos. Antes do batismo
do Espírito Santo (capítulo 2) eles se trancavam em 4 paredes, negavam a Jesus, se escondiam. Após o batismo,
encheram-se de poder e coragem e, apesar das perseguições, levaram o evangelho ao mundo conhecido da
época! Isto sem radio, TV, microfone, papel, veículos motorizados! Você não estaria lendo estas linhas hoje, se
não fosse os “Atos de Apóstolos” em ação !

INTRODUÇÃO ÀS EPÍSTOLAS
Considerações gerais
I – Introdução
As epístolas constituem a maior parte dos escritos do Novo Testamento. Das vinte e uma epistolas,
quatorze tem sua autoria atribuída a Paulo. Excetuando-se a carta aos hebreus, dentre as 14, a maioria é
comprovadamente da autoria de Paulo.
As epístolas dividem-se em: Epístolas Paulinas e Epístolas gerais ou Universais (Católicas). Nelas
encontram-se de maneira muito completa a ordem, a posição, os privilégios e os deveres da Igreja. Elas são a
explicação do Evangelho de Nosso Senhor e salvador Jesus cristo e a revelação do ministério que esteve oculto
em Deus (Ef. 3.9).
A estrutura de uma carta consistia em seis partes (Fee e Stuart, P. 30)
O
rd.
0 Nome do escritor Ex.: Paulo
1.
0 O nome do endereçado Ex.: A Igreja em Corinto
2.
0 A saudação Ex.: Graça a vós outros e paz da parte de Deus nosso Pai.
3.
0 Oração, um desejo ou ações Ex.: Sempre dou graças a Deus a deus a vosso respeito.
4. de Graças
0 O corpo Os assuntos da Epístola.
5.
0 A saudação final e Ex.: a graça do senhor Jesus Cristo seja convosco.
6. despedida

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Pela quase total invariabilidade da estrutura, as epístolas são consideradas cartas verídicas e não apenas
obras literárias como sugere o nome “Epístolas”. Verifica-se nelas quase que integralmente a estrutura de uma
carta antiga.
Apesar de inspiradas pelo Espírito Santo, as Epístolas documentos ocasionais pertencentes ao Século I.
isto significa dizer que geralmente foram ocasionadas ou conclamadas por alguma circunstancia especial, ou do
lado do leitor ou do lado do autor. Usualmente a ocasião era algum tipo de comportamento que precisava de
correção ou até mesmo um erro de doutrina que necessitava ser entendido, ou mal-entendido que se exigia ser
melhor esclarecido.
A disposição das epístolas na bíblia não obedece a ordem cronológica em que foram escritas. A provável
ordem temporal em que foram escritas é a seguinte:

Tiago 45 -50 aD.


Gálatas 49 – 52 aD.
I e II Tessalonicenses 51 aD.
I Co. 56 aD.
II Co. 57 aD.
Romanos 58 aD.
Filemom 60 – 63 aD.
Filipenses, Colossenses e Efésios 61 – 64 aD.
I Timóteo 63 aD.
I Pedro 63 aD.
Tito 65 aD.
II Timóteo 66 aD.
II Pedro 66 aD.
Hebreus 64 – 68 aD.
Judas 70 – 80 aD.
I, II e III João 90 aD.

Epístolas Paulinas

I – Introdução
As epístolas Paulinas constituem os primeiros escritos do Novo Testamento, concluídos num período
entre 49 e 67 depois de Cristo, pouco antes do martírio de Paulo em Roma. Foram também os primeiros livros
aceitos como canônicos. Pedro as chama de Escrituras (II Pe. 3.15,16).
As epistolas de Paulo Têm características próprias. Através de Paulo temos a revelação detalhada do corpo
de cristo em sua vocação, promessa e destino celestiais. Em suas epistolas encontramos de maneira mais
completa a ordem, a posição, os privilégios e os deveres da Igreja. Podemos aprender dos escritos de Paulo a
organização e a administração das Igrejas locais.
Cristo ensinou que vivia para a sua Igreja (Jo. 14.3) e Paulo detalhou este ensinamento em e 1 Co. 15.15-
58 e em 1 Ts. 4.13-18 e na seguinte seqüência:
• “Nem [nós] todos dormiremos”
• Os mortos em cristo ressuscitarão primeiro
• Os crentes vivos serão “transformados” quando ele vier e serão “arrebatados (...) para o encontro do
Senhor nos Ares”.
Mais do que em qualquer outro escrito do Nov Testamento, Paulo explicitou a doutrina da graça nos
ensinamentos de cristo expondo sobre: a natureza e o propósito da Lei; a base e o meio d Justificação,
santificação e glorificação (aspectos da Salvação) do crente; interpretação da morte e da ressurreição de Cristo;
a posição, conduta, expectativa e testemunho do cristo glorificado, a cabeça da Igreja, que é o seu corpo. São
estas coisas que constituem o escopo das epistolas de Paulo. Elas desenvolvem a doutrina da Igreja. Em suas
cartas às sete igrejas (em Roma, em Corinto, na Galácia, em Eféso, em Filipos, em Colossos e em
Tessalônica) encontra-se revelada a Igreja como o corpo de Cristo (cabeça da Igreja), “o mistério, desde os

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séculos ocultos em Deus” (Ef. 3.9). Alem disso, nestas epistolas a igreja e instruída sobre o seu lugar especial
nos conselhos e propósitos de Deus (Scofield, P. 1141).
Como já foi dito na introdução, a ordem cronológica das epistolas não corresponde à ordem em que elas
aparecem na Bíblia. A das Epistolas Paulinas e geralmente considerada, a ordem, assim: Gálatas, I e II
Tessalonicenses, I e II Co. , Romanos, Efésios, Colossenses, Filemom, Filipenses, I Timóteo, Tito e II Timóteo.
Quanto à autoria da carta dos hebreus, Orígenes (185-254) afirmou: “quem a escreveu só deus sabe com
certeza” Agostinho (354-430 d C), bispo de Hipona na áfrica do norte, afirmou que Paulo era o seu autor. As
igrejas orientais atribuíram sua autoria a Paulo, mas as ocidentais até o século IV recusaram a admitir. (Silva, A.
G., 1986).
As epistolas aos efésios, Colosensses e Filipenses são chamadas de epistolas de prisão, por terem sido
escritas, evidentemente, quando Paulo se encontrava preso. As epistolas a Timóteo e a Tito são chamadas de
epistolas Pastorais.
Os temas das epistolas são os seguintes:
Romanos Justificação pela Fé.
I Co. A conduta Cristã com relação à Igreja, o lar, o mundo.
I Co. O ministério de Paulo, seus motivos, sacrifícios, responsabilidade e eficiência.
Gálatas A liberdade em Cristo em oposição ao Jugo da Lei;
Efésios A grandeza e a glória da vocação cristã exigem uma conduta digna e santa;
Filipenses A alegria da vida e do serviço cristão manifestada em todas ao circunstancias;
Colossenses A preeminência de cristo: ele é o primeiro na natureza, na igreja, na ressurreição, na
ascensão e na glorificação; Ele é o único mediador, salvador e fonte de vida;
I A vinda do Senhor;
Tessalonicenses e II
Tessalonicenses
I Timóteo O combate cristão e a conduta na casa de Deus;
II Timóteo Um bom Soldado de Cristo;
Tito Necessidades, qualificações e obra Pastoral de um verdadeiro ministro de Cristo;
Filemom O amor exemplificado;
Hebreus A superioridade do Amor de Cristo.

Romanos

ROMANOS – A CARTA DA JUSTIÇA DE DEUS : CRISTO


− Paulo escreveu 13 cartas. De perseguidor da Igreja, passou a pregador do evangelho, convertendo-se na
estrada de Damasco (At 9). Seu nome judaico era Saulo. Nasceu e cresceu em Tarso. Era cidadão romano.
Homem culto, desde os 14 anos estudou em Jerusalém com um dos rabinos (mestres) mais famosos: Gamaliel
(At 22.3)
− Na carta aos Romanos, dirigida à Igreja de Roma, Paulo considera a nossa salvação em termos da justiça
de Deus (Rm 1.17, 5.18). Naquela época ( e até hoje!) os judeus pretendiam salvar-se pelas obras da lei, mas na
carta aos Romanos entendemos que só pela fé em Jesus cristo é que somos justificados perante Deus (3.22-23)
− Que segurança há na salvação? (veja Rm. 5.1-2). Isto é um dom, um presente de Deus, que nos garante a
paz!
− Por causa da justificação, somos unidos com Cristo – em Sua morte e ressurreição (6.5-6). Por isso, nós
morremos com ele para o pecado (6.10-11).
− Você tem o Espírito Santo em sua vida ? É ele quem te liberta da escravidão do pecado! (8.8-11).
− E como nós, os cristãos, devemos viver a nossa vida de liberdade ?
Veja Rm 12.1-2. Por causa da gratidão que temos a Cristo, pela nossa salvação, manifestaremos uma
vida de amor ao próximo e zelo espiritual (12.9-21).
− Outras recomendações de Romanos:

a) Obediência às autoridades (13.1-7);


b) O amor contínuo e fraternal (13.8-10);
c) Vigilância espiritual (13.11-14);

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d) Tolerância dos fracos na fé (14.1-23);


e) Imitação de Cristo (15.1-12).
“ E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que
experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (12.2)

I e II Coríntios

CORÍNTIOS. (1ª CARTA): A LIBERDADE CRISTÃ

− Corinto, importante cidade da Grécia. Centro do culto imoral à deusa Afrodite, onde Paulo ficou durante
ano e meio, e fundou uma de suas maiores igrejas (At. 18.1-18).
− O propósito de sua 1ª carta foi corrigir erros e responder perguntas. Os cristãos em Corinto estavam
divididos entre si ( 1 Co 1.11-4.21; 11.17-18), certo homem vivia com sua madrasta (cap.5); uns irmãos estavam
processando outros (6.1-11); havia abusos na ceia do Senhor (11.17-34) e até havia aqueles que negavam a
ressurreição dos mortos (15.12).
− Nesta carta, Paulo esclarece duvidas a respeito do casamento (cap.7), dos alimentos oferecidos aos
ídolos (8.1-11.1), do papel da mulher no culto (11.2-16) e do uso dos dons espirituais (12.1-14.40)
− Muito importante, nesta carta, é o critério descrito para o uso da liberdade cristã: o amor (1 Co 13). O
amor é o dom supremo (mais alto) do Espírito Santo. O cristão é livre em seus atos, porém escolhe aquilo que
convém a uma vida santa e cheia de amor para com seu próximo ! (6.12-20, 8.9-13, 10.23-33).
− Outro capítulo importante é o 15: sobre a ressurreição. Alguns falos mestres da igreja de Corinto
estavam afirmando que a ressurreição é só espiritual e já se realizou! (15.12, 2 Tm 2.18). Mas claramente, neste
capítulo, sabemos que haverá ressurreição do corpo porque Cristo ressuscitou! (15.20-23).

“ Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis, e sempre abundantes na obra do Senhor,
sabendo que, no senhor, o vosso trabalho não é vão “ (1 Co 15.58).
2 ª CARTA AOS CORÍNTIOS - “A SUFICIÊNCIA DA GRAÇA DE DEUS”

− Os cristãos em Corinto ficaram muito tristes após receberem a 1ª carta de Paulo. Lemos em 2 Co 7.7-10
que esta tristeza produziu verdadeiro arrependimento! Aleluia! A palavra de Deus é eficaz para nossos corações,
sendo purificadora (Jo 15.3)
− Porém ainda havia discípulos que negavam que Paulo fosse um apóstolo de Cristo. Por isso, ele teve que
escrever sua segunda carta à igreja de Corinto, defendendo-se das acusações. Esta carta foi escrita 14 anos após a
conversão de Paulo (2 Co 12.2).
− É uma carta que nos mostra a pessoa de Paulo: suas aflições, preocupações e ansiedades. Veja 2 Co 4.5,
7.2, 10.8, 14-16, 11.4-32, 12.11-13.
− Do início até o fim, a carta testemunha a suficiência (o completo alcance) da graça de Deus em toda
provação e aflição. “A MINHA GRAÇA TE BASTA”, disse Deus à Paulo (2 Co 12.9). Qualquer que seja a
tribulação (aflição), ela será, no máximo, passageira, limitada a esta vida terrena! (4.17-18).
− Para consolo dos atribulados (aqueles que sofrem tribulação), Paulo insiste: quando morrermos,
estaremos com o Senhor (5.6-8); e que na hora da ressurreição herdaremos um corpo celestial (5.1-4) e a glória
eterna! (4.17). É justamente na fraqueza do homem que está evidente (visível) o poder de Cristo! (12-9.10) Leia
2 Co 4.8-9.
− Qual o sentindo da tribulação do crente ? (veja Dt. 8.5, Hb 12.11, 2 Co 4.17,12.9-10)
− O que faremos com as promessas de Deus ? (2 Co 7.1)
− Veja os sofrimentos do apóstolo Paulo em 2 Co 11.23-28, 12.7-9.
“ E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos nas para aquele que por
eles morreu e ressuscitou” - 2 Co 5.15

Gálatas

GÁLATAS – A SALVAÇÃO PELA FÉ

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− Romanos e Gálatas exerceram papéis importantíssimos na reforma da Igreja, no século 16. Por quê?
Todas as duas cartas destacam a justificação pela fé!
− O trabalho de Paulo na Galácia fora muito bem sucedido. Muitos gentios aceitaram o evangelho. Mas,
após Paulo sair dali, certos “mestres “ judeus se puseram a insistir que os gentios não podiam ser cristão sem
guardar a lei cerimonial de Moisés.
− Qual foi a recomendação de Paulo? (G. 3.1-5). A base de nossa salvação é a fé, e não obras da lei! (2.16,
3.26).
− Os “judaizantes” queriam que o cristão fossem um “ judeu melhorado”
JUDEU : A lei
JUDAIZANTES: Lei e Cristo
CRISTÃO : Só cristo
− A obediência à lei cerimonial já fora descartada (eliminada) pelo primeiro Concílio (reunião) da igreja
em Jerusalém (veja At 15). Apenas a lei moral, como os dez mandamentos deve ser obedecida. A lei cerimonial
foi abolida em Cristo (Ef. 2.15, Cl 2.14, Hb 7.18, 12.27)
Se estamos livres da lei, como vamos usar esta liberdade preciosa?
(GL 5.13,14)
− Quem dirigem nossa liberdade ? (5.16-18)
− Escreva baixo o fruto do Espírito (G1 5.22-23)
− ____________________________________________________________________________________
__________________________________________________________
Agora assinale aqueles itens que você não conseguiu se desenvolver, como cristão. Passe a orar
diariamente por isto. Veja ainda G1 6.8
− Ainda hoje existem os judaizantes na Igreja ? ( por exemplo, a exigência de guardar o sábado).

GLOSSÁRIO
Circuncisão: Cerimônia religiosa dos judeus que consiste em cortar a pele do prepúcio (órgão sexual
masculino). Veja Gn 17.9-14
Gentios: Povo não-judeu.
Judeu: Povo de Deus, antes do início da Igreja.
Justificação: Ato de Deus, pelo qual o pecador é declarado justo.
Lei Cerimonial: as cerimônias e festas dos judeus ( leis do sábado, circuncisão, carnes imundas, etc.).
Lei Moral: Os dez mandamentos e as leis humanitárias (dízimos, casamento – Lv 18, alei máxima – Lv
19.18).

Efésios

EFÉSIOS: A IGREJA – O CORPO DE CRISTO

− Éfeso: cidade onde Paulo passara 3 anos ministrando. A igreja era formada por muitos gentios
convertidos.
− Paulo escreveu esta carta quando estava preso (Ef 3.1,4.1).
− Nesta carta, ele destaca a grandeza do evangelho. Apesar de simples, a mensagem de Deus é a coisa
mais maravilhosa que já existiu na face da terra! (1.17-2.10). Você compreende que o Evangelho é algo bonito e
inigualável ? (3.17-21)
− A depositária do Evangelho é a Igreja – o Corpo de Cristo (3.10).
A existência da Igreja não pode ser explicada por simples esforços humanos, mas só pela graça de
Deus.
− Para que a Igreja existe ?
1) Para louvor da glória da graça de Deus (1.6,12,14,2.7)
2) Para a maturidade dos cristãos (4.11-15)
3) Para espalhar o Evangelho (3.10)
− A Igreja, sendo o Corpo de Cristo, recebe o Espírito do poderoso Senhor exaltado (1.13,2.18,3.5,5.18).

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Como deve ser a vida da Igreja ? Os capítulos 4 a 6 de Efésios tratam da questão :


1) Preservar a unidade : 4.1-6
2) Servir e edificar os outros pelo amor : 4.7-5.20
3) Sujeitar-se às autoridades ordenadas por Deus : 5.21-6.9
− Descreva a armadura de Deus (6.10-20):
− ____________________________________________________________________________________
__________________________________________________________

Qual destas vestimentas você ainda não fez uso?

GLOSSÁRIO:

Depositária: recebedora de um deposito (bem ou dinheiro)


Exaltado: que recebe a glória.
Excede, exceder : que supera a medida.
Igreja: a comunhão dos cristãos.
Inigualável : que não tem igual.
Maturidade: contrário de infantilidade. Estágio em que a pessoa está adulta. Na Bíblia refere-se à
progresso espiritual.
Ministrando, ministrar : exercer a ministério (serviço cristão).
Plenitude: Extensão, grandeza.

“ A fim de poderdes compreender, como todos os santos, qual é a largura, e comprimento, e a altura, e a
profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a
plenitude de Deus “ - Efésios 3.18-19.

Filipenses

FILIPENSES – BOAS NOVAS DA ALEGRIA


− A primeira igreja na Europa foi fundada em Filipos (At 16.11-40).
Nesta cidade, Paulo estabeleceu uma igreja muito dinâmica. Chegou a receber ajuda financeira
(dinheiro) dos filipenses (2 Co 11.9, Fp 1.5, 4.15-16). Além de agradecer pela ajuda, Paulo escreveu esta
carta, estando na prisão (Fp 1.7, 13, 20), exortando aos filipenses à uma vida cheia de alegria cristã, vivendo
corretamente na presença de Deus (Fp 3.1, 4.4, 2;12-18, 1.10, 1.27),
− Leia Fp 2.5-11. Esta é uma das passagens mais lindas do Novo Testamento. Leia-a e descreva abaixo
duas linhas sobre ela :

− Mas, na igreja de Filipos, havia adversários (3.2, 18-19, 1 .28)


Estes eram pessoas mundanas, e Paulo ensina que “ nossa pátria está nos céus” (3.20), e o nosso
pensamento deve se ocupar com coisas virtuosas (4.9).
− Veja quantas vezes a palavra “alegria“, em seus diversos modos e sinônimos, é apresentada:

1. 4 Fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas,
2. 17 Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho. 18 Mas que importa?
Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e
me regozijarei ainda.

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4. 1 Portanto, meus amados e mui queridos irmãos, minha alegria e coroa, estai assim firmes no Senhor,
amados.
1. 18 E vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo.
2. 28 Por isso vo-lo enviei mais depressa, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e eu tenha menos
tristeza.

4. 4 Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos.


2. 2 Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo
uma mesma coisa.

3. 1 RESTA, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor. Não me aborreço de escrever-vos as mesmas
coisas, e é segurança para vós.
4. 10 Ora, muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos
tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade.
Escreva um resumo dos motivos de nossa alegria, baseado nos versículos acima.
− Veja quantos conselhos práticos!
“ Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo” - 1.27
“ Considerando cada um os outros superiores a si mesmo” - 2.3
“ Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” 2.5
Leia também 2.14,3.7.3.16,4.1,4.4 e 4.13 !

GLOSSÁRIO:

Contendas – brigas, conflitos


Dinâmica – viva, cheia de entusiasmo, ativa.
Exortando – Aconselhando, orientando,
Mundanas – do mundo, da carne, contrário de espiritual.
Murmurações – resmungos, queixas.
Regozijo – alegria, satisfação.
Virtuosas – que têm virtude, bons hábitos.

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável,tudo o que é justo, tudo o que é
puro, tudo o que é amável , tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o
que ocupe o vosso pensamento” - Fp 4.8

Colossenses

COLOSSENSES – BOAS NOVAS DO CRISTO COMPLETO

−A cidade de Colossos era caminho entre Roma e Oriente, sendo bastante movimentada. A igreja era
composta de gentios, e havia muita mistura de religiões naquela cidade.
− Paulo estava na prisão (C1 4.3,10,18) e não conhecia pessoalmente os colossenses (2.1), sabendo da
situação daquela igreja através de Epafras (1.7-8 e 4.12).
− Esta carta foi escrita para combater heresias : os cristãos estavam aceitando filosofias (2.4,8) que
incluíam um “ culto aos anjos “ (2.18), uma vida ascética (2.16,20-23 ) e cheia de ritos judaicos (2.11-14)
− Os cristãos de Colossos necessitavam aprender que Cristo é o suficiente para TUDO. Preencha a palavra
que está faltando : “Em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da ................................ “ (2.9)
− Tendo Cristo, nós não precisamos de nenhum “Complemento” : filosofias, rituais, religiões, ou outra
coisa qualquer ! É a união com Cristo que salva o homem (2.10-15,3.1-4). A vida da Igreja nasce da fé em cristo,
não em especulações vãs (1.23, 2.7,8)
− Nós, o povo de Deus, somos convocados a “Pensar nas coisas lá do alto” (3.1-2). Mas, além de simples
pensamento, a vida em Cristo nos conduz à ação ! Vejamos :
1) Despir-se do velho homem (3.5-9)
2) Revestir-nos do novo homem (3.10-17)

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3) Sujeitarmos-nos aos outros (3.18-4.1)


4) Vigiar e orar (4.2-6)

REFLEXÕES :
1. Leia Cl 1.15-16. Qual o objetivo da criação ?
2. As seitas e falsas religiões utilizam muito os métodos descritos em Cl 2.4, 16, 21-22,8
3. Você se encontra em Cristo ? Observe a palavra “se” em Cl 1.22-23

GLOSSÁRIO:

Especulações vãs : comentários inúteis, palavreado.


Filosofias : pensamentos do homem, idéias para explicar algo pela razão.
Heresias : falsa doutrinas, ensinos errados.
Novo Homem : pessoa nascida de novo, em Cristo, arrependida de seis écados e vivendo uma vida
espiritual sadia – veja Cl 3.12-17 e 2.6-7
Velho Homem : pessoa carnal, mundana. Atitudes que tínhamos antes de nossa conversão. Veja Cl 3.5,8-
9
Ritos : rituais, cerimônias.
Vida ascética : pobreza material. Negação de qualquer prazer (alimento variado, vestimentas, casamento).

I e II Tessolonicenses

1ª e 2ª CARTAS AOS TESSALONICENSES : A VINDA DO SENHOR

− As duas cartas à igreja de Tessalônica foram uma das primeiras a serem escritas por Paulo. Ele estava na
cidade de Corinto. A igreja de Tessalônica era um igreja jovem, formada por convertidos do paganismo
(adoradores de ídolos) – 1 Ts 1.9. Mas, por ocasião da fundação da igreja, Paulo teve que fugir da cidade, por
causa da perseguição dos judeus (At 17.1-9).
− O problema dos cristãos em Tessalônica era que eles não tinham a fé amadurecida (1 Ts 3.2-3 e 10).
Além disso, eles estavam sofrendo por causa do evangelho, necessitando por isso palavras de consolação (1 Ts
1.6, 2.14, 3.3,5, 2 Ts 1.4-10).
− Na parte doutrinária, a igreja estava necessitando esclarecimentos quanto à 2ª Vinda de Cristo. Este é o
assunto principal das duas cartas. Quais os fatos que Paulo ensinou ?

1 Ts 1.10: Jesus nos _______________ da ira vindoura


1 Ts 4.13-16: Haverá a _______________ dos que dormem (mortos)
1 Ts 4.17: Os vivos serão ____________________ e estaremos para sempre com ___________
1 Ts 5.2: O dia do Senhor vem como ___________________
2 Ts 2.2-3 : Antes do dia do Senhor, será revelado _________________
2 Ts 2.8 : O Senhor Jesus _________________________________ iníquo.

Você conseguiu completar ? Quem quer saber mais a respeito da Vinda de Cristo deve ler as cartas ao
tessalonicenses !
− Leia 1 Ts 4.1-8. é possível a santificação ? Como ? Veja 1 Ts 5.23-24, 2 Ts 3.3

Decore 1 Ts 5.18 e pratique.


− Você se alegra quando vê alguém crescer espiritualmente ? Veja 2 Ts 2.13 e 1 Ts 3.9.

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__________________________________________________________________________________
_____________
− Sua vida pode ser imitada ? Veja o que Paulo afirmou em 1 Ts 1.6 !
__________________________________________________________________________________
_____________
“ Exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para
o seu reino e glória “ 1 Ts 2.12

GLOSSÁRIO:

Amadurecida: adulta, crescida


Doutrinária : de doutrina, verdades cristãs.
“ O iníquo ” : o Anticristo, mandado por satanás.

I e II Timóteo

AS CARTAS PASTORAIS - 1º e 2º TIMÓTEO E TITO

− As últimas cartas que Paulo escreveu foram as “pastorais”. Escreveu-as para seus amigos e
cooperadores, Timóteo, que mandara pastorear a igreja em Éfeso (1 Tm 1.3) e Tito, em Creta (Tt 1.5). Contêm
conselhos, a serem seguidos por nós hoje também (1 Tm 3.14-15 ). Paulo estava novamente encarcerado em
Roma, quando escreveu 2º Timóteo (2 Tm 1.8, 16-17, 2.9)
− O problema comum entre as igrejas de Éfeso e Creta era as falsas doutrinas. Surgiram falsos mestres
ensinando uma mistura de doutrinas e práticas judaicas e pagãs: proibição do casamento, abstinência de
alimentos (1 Tm 4.3), alguns afirmavam que a ressurreição já se realizou (2 Tm 2.18) e ensinos de deus pagãos
(1 Tm 4.1). Havia, ainda, muitas contendas e discussões nas igrejas (Tt 2.9 – 11 )
− Para combater as falhas doutrinas, Paulo recomenda a nomeação de oficiais qualificados, em cada igreja
(Tt 1.5). é importante que o oficial nomeado seja irrepreensível (1 Tm 3.1-13, Tt 1.5-9)
− No combate contra as heresias (falsas doutrinas), Paul escreve as verdades centrais do cristianismo :
salvação pela graça, através de Cristo; vida santificada, livre do pecado; o juízo de Deus, etc. É a chamada “ sã
doutrina” (1 Tm 1.15, 2.5, 2 Tm 2.11,12, Tt 2.11-14, 3.3-8). E esta sã doutrina deve ser ensinada para o povo (2
Tm 2.2, Tt 2.1, 2 Tm 3.25)
− Você já foi repreendido ? Como reagiu ? Veja o objetivo de repreensão cristã em 1 Tm 1.5-9.
− Você poderia ser um oficial da igreja ? Veja as qualificações descritas em Tt 1.5-9
− Estude Tt 2.6. Se você é empregado, leia Tt 2.9 – 10
− 2 Tm 1.6-14 é uma excelente passagem para os desanimados na fé.
− Leia e decore 2 Tm 3.22.
− Se você não tem lido a bíblia, reanime-se lendo 2 Tm 3.16-17

GLOSSÁRIO:
− Abstinência : ato de abster-se, evitar algo ou alguma coisa (fumo, alimento, álcool, etc.)
− Irrepreensível : que não tem repreensão, boa conduta.
− Pagãs: atitudes de quem não conhece Deus, idolatria, prostituição
− Criteriosos : em Tt 2.6 significa “ sabedoria “ , buscar a vontade de Deus.

Filemon

FILEMOM – A CARTA DA LIBERDADE CRISTÃ

− A última carta de Paulo foi escrita na prisão (Fm 1). É a menos de todas : tem 1 capítulo e 25 versículos.
Foi dirigida a um cristão da cidade de Colossos, chamado Filemom.
− Versos 4 a 7 : mostra o apreço de Paulo por Filemom. Como seria a vida da Igreja se nós nos
considerássemos aos outros, amando-os !Paulo chegou a ser “reanimado” (v.7) pelo amor de Filemom !

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− Versos 8-20: é o tema central da carta. Onésimo, que quer dizer “ Útil”, era um escravo de Filemom, que
havia fugido e roubado. Mas, veio encontrar-se com Paulo e se converteu. Paulo, usando a liberdade cristã,
manda pessoalmente a Onésimo de volta (v.12), pedindo que Filemom o perdoe e liberte da escravidão (v .16).
Que bela dissertação de Paulo ! A escravidão era um costume comum naquela época. Muitos escravos, e
senhores, se converteram ao cristianismo. Podemos imaginar a surpresa de Filemom receber Onésimo,
acompanhado de uma carta de Paulo : E o apóstolo chegou até a declarar que pagaria as contas ou prejuízos que
Onésimo fizera! (v.18-19).
− Versos 21-25 : saudações finais. O apóstolo não tinha dúvida que Filemom atenderia o seu pedido
(v.21), que ele mesmo seria liberto da prisão e voltariam se encontrar. (v.22)
− Você já recusou a perdoar alguém ? Veja Fm 17-19 e Mt 6.15.
− Leia Fm 10-11. Você é um servo útil ?
− Quem você acha mais indicado para resolver os problemas que surgem entre as pessoas? Leia o tato de
Paulo ao lidar com seu amigo Filemom em 8-17.
− Qual o seu amor pelo seu irmão na fé? É parecido com o de Fm 5-7 ?
O que você poderia fazer para melhorar este amor ? Veja Fm4,2 Tm 1.7, 2 Co 9.6

GLOSSÁRIO :
Apreço : afeto, consideração.
Dissertação : redação, argumentação escrita.

Epístolas aos Hebreus

Hebreus

HEBREUS – A CARTA DE CRISTO, NOSSO SACERDOTE

−O autor do livro aos Hebreus não menciona seu nome. É uma carta com muitas referências ao Velho
Testamento. Foi dirigida aos cristãos que haviam se convertido do judaísmo (religião dos judeus).
− A exortação da carta é aproximar-nos de Deus (7.25, 10.22). Faz comparação com os ritos, sacrifícios e
ofertas do Velho Testamento, ineficazes para resolver o problema do pecado (9.9, 10.1-9). Como nos
aproximarmos de Deus, então? Através do único Sacerdote real, Cristo ! (4.14-16, 5.1-10, 9.14-17, etc.).
− A linguagem de Hebreus é cheia de símbolos e explicações sobre a Velha Aliança (veja 9.1-7, 11-13,
etc.). Cristo é chamado “ sacerdote “, “ mediador “. Ele é superior a anjos (capítulos 1-2), e à Moisés (cap.3).
Seu sacerdócio é superior aos sacerdotes levíticos (caps. 5-7). O santuário onde Ele age é celeste, assim superior
ao de Moisés (caps. 8-9). É seu sacrifício que nos livra dos pecados, em contraste com os sacrifícios imperfeitos
e limitados dos animais oferecidos pelos levitas (cap.10). Assim, Ele (Jesus) abriu um “ novo e vivo caminho “
para Deus (10.20)
− Outro ensino importante é sobre a fé (11-12). Veja quantos exemplos! Abel, Enoque, Noé, Abraão,
Isaque, Jacó, José , Moisés, etc. “ Sem fé é impossível agradar a Deus” (11.6, veja também 3.12 e 10.22).
− Para o povo de Deus, a Igreja, o futuro significa “ o descanso de Deus” (4.1-11), a “ salvação” que
acompanhará a Vinda de Cristo (9.28), uma “ pátria celestial “ (11.16), a “ cidade que Deus preparou “ (11.16,
14.14), “ver” o Senhor (12.14). Todas estas promessas nos fortalecem a fé e fazem possível suportarmos as
tribulações e disciplinas presentes (10.32-35)

− Procure Hb 9.27. Que heresias este versículo contesta ?


(traga seus comentários para a aula da próxima semana )
− Sobre a santificação, veja Hb 12.14, 13.12m 10.10 e 1 Ts 4.3

GLOSSÁRIO :

Ineficazes : que não têm eficiência.


Velha Aliança : Antiga Aliança entre Deus e Israel, que vigorou até a vinda de Jesus.

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Bibliologia

Levíticos: de levitas, a tribo de Israel que era separada para servir de sacerdotes entre Deus e o povo.

“ JESUS CRISTO ONTEM E HOJE É O MESMO, E O SERÁ PARA SEMPRE “


Hebreus 13.8

Epístolas Universais

Desde o IV século que as sete Epístolas: Tiago, I e II Pedro, I, II e III João e Judas (Epístolas) têm sidos
considerados como Epístolas Católicas o universais (Gerais).
Diferentemente da epistolas paulinas, estas não tem sido designadas a Igrejas ou indivíduos em particular,
mas antes, a um circulo mais amplo e até mesmo a igreja com um todo. A designação “Católica” para cada uma
destas Epístolas no sentido de Universal é mais primitiva, enquanto que o termo geral é mais recente.
Tiago é o livro mais antigo, tendo sido escrito antes da obra missionária de Paulo ter sido completada e
num período em que a Igreja ainda estava sendo formada principalmente de cristãos hebreus.
As epistolas gerais suplementam os Ensinos de Paulo, sem entrar em conflitos com eles. Poe Ex.: O
ensino da justificação pelas obras (Tg. 2.14-26) complementa o ensino de Paulo sobre a justificação pela fé; e os
ensinamentos de Pedro sobre os Últimos Dias e a Volta do Senhor, suplementam os de Paulo sobre o mesmo
assunto.
Resumindo: podemos afirmar que as epistolas gerais complementam a doutrina do Novo testamento
acrescentando algo à grande exposição paulina do cristianismo. Paulo o apresenta principalmente aos gentios a
Tiago aos judeus; e João, em suas epistolas, dá o aspecto universal do cristianismo.
Pelo que escreveram os Apóstolos, Paulo pode ser considerado como um Apóstolo de fé, Tiago como o
Apóstolo de obras; Pedro como o Apóstolo da esperança; João como o Apóstolo do amor; e Judas como o
Apóstolo da defesa da fé. Contudo há muita coisa em comum entre as epistolas.

Tiago

TIAGO - A CARTA DE VERDADEIRA RELIGIÃO

− O autor é Tiago, irmão de Jesus, e um dos principais líderes da igreja em Jerusalém. (1.1) Escreveu-a
para os cristãos da “ dispersão “ , isto é , para aqueles que estavam fora da cidade de Jerusalém.
− A carta é muito prática em seus ensinos. Mostra ao leitor a verdadeira religião, baseada na fé (1.2, 6,
5.15 ), nas boas obras (2.14-26), ou melhor, “ na fé que opera boas obras “, na dependência da sabedoria em
Deus (1.5, 3.13-18), numa vida santificada (1.19-27), na esperança (5.7-11) e no amor (2.8).
− Tiago questiona muito a religião nominal, aquela que não esta comprometida com o serviço cristão. Se
os líderes do povo de Deus lessem e ensinassem esta carta com mais veemência ! Há muitas pessoas e igrejas
que estão “ enganando a si mesmas “ (Veja 1.22). A religião nominal diz “ eu tenho fé” (2.19 ), mas a religião
verdadeira, “ a fé para servir “ (2.24,26). Leia também (2,17-18)
− Na carta, vemos os ensino sobre a igualdade entre as pessoas (2.1-9) os pecados da língua (3.1-12 e
4.11-12), a cobiça (4.1-10), as riquezas injustas (5.1-6), a paciência (5.7-11) e o juramento (5.12)
− Como você reage às dificuldades ? Veja 1.2 e 1.12
− Como jovem, é muito importante você aplicar o versículo 1.5 em sua vida.
− Você já culpou Deus por seus erros e fracassos ? Leia 1.13 e corrija seus pensamentos
− O cristianismo nominal será condenado, conforme 2.14, 19, 26.
− Pratique Tg. 5.9

GLOSSÁRIO

Dependência: depender de, necessidade.


Vida Santificada: a vida separada do mundanismo, ou seja, do pecado e das ambições do mundo.
Religião Nominal? Aquela em que a pessoa se declara “cristã” mas não pratica obediência à Deus, nem
se exercita em oração, freqüência à Igreja, Leitura bíblica e serviço cristão.

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Veemência: ênfase, rigor, autoridade.


Cobiça: vontade de possuir coisas ou fama ou prazer.

I e II Pedro

1ª CARTA DE PEDRO – PACIÊNCIA E SANTIDADE

− Pedro , apóstolo de Jesus, escreveu sua primeira carta aos cristãos (“eleitores”) de várias regiões da Ásia
Menor (1 Pe 1.1)
− Os cristãos estavam sendo perseguidos, por causa de sua vida de fé (4.12,16,19). A maioria havia
deixado o paganismo (1.18,2.9-10). Mas Pedro lembra-lhes que eles não são deste mundo, pois sua pátria está
nos céus. Somos “ peregrinos e forasteiros“ (2.1). Nosso comportamento, pois é diferente daquele dos demais
homens (2.12,4.16).
− Diz-lhes Pedro que o sofrimento caracteriza os cristãos em geral (5.9), mas dura por pouco tempo (1.6),
porque o fim está perto (4.7). Deus tem um propósito no sofrimento: aperfeiçoar nossa fé (1.6-9). A mensagem
de 1º Pedro representa um grande consolo para a Igreja em toda época e em todo lugar.
− Várias vezes esta carta fala da esperança – a necessidade de perseverar e esperar a Vinda do Senhor
(1.13,21, 1.3-9, 5.7) acompanhando de uma vida de santidade (1.15-16, 2.1-10, 4.2, etc.)
− Ao povo esperançoso e santo, o apóstolo exorta à submissão (2.11), mesmo quando isto leva o cristão a
sofrer (2.18-24, 3.13-4.2,, 4.2-19)
− Devemos respeito à :
1) Às autoridades (2.13-17)
2) Aos superiores e mestres (2.18-25)
3) Nosso cônjuge (3.1-7)
− Sobre a liberdade cristã, veja 2.17;
− Observe as palavras “ ardentemente” e “ intenso “ em 1.22 e 4.8.
− Você deseja quela vontade mencionada em 2.2 ?
− Já fez a troca de 4.2 ?

GLOSSÁRIO:

Paganismo : Religião que adora animais, astros, ídolos, deuses diversos, e contém imoralidade nos cultos.
Peregrinos/Forasteiros : estrangeiros, viajantes.
Submissão : Obediência, respeito.

2ª CARTA DE PEDRO: O VERDADEIRO EVANGELHO

− Pedro escreveu sua 2ª carta aos cristãos de todo lugar (2 Pe 1.1). Seu objetivo é destacar o verdadeiro
evangelho (1.16). Naquela época, como hoje, as falsas doutrinas campeavam, e somente o apego as verdades
espirituais nos trará luz eterna (1.21).
− Não apenas o ímpio será punido, mas também os falsos profetas (2.1,20-22). Há muita severidade nas
palavras de Pedro (2.2-19). Não há brincadeira com o evangelho! Não são apenas heresias que blasfemam da
Boa Palavra, mas também as más condutas e exemplos (2.9-12).
− Uma heresia séria é a negação da futura vinda de Cristo (3.3-4)
Esta vinda é certa e repentina (3.5-7 e 10). Observe os motivos da aparente demora desta vinda em
3.8-9. E o resultado da certeza da vinda do Senhor deve ser uma vida santa (3.11) e cheia de esperança
(3.12-13).
− Leia 2 Pe 1.5-8 e 10. o que falta reunir, em sua vida ?
Você é “inativo” ? (v.8)
Há algum tropeço ? (v.10)
− Os motivos de Pedro ao escrever a carta estão em 1.15, 3.1-2.
− A Bíblia é o único livro que não provém de pensamentos humanos (2 Pe 1.20-21)
− A pessoa que deixa o evangelho compara-se com 2.22
− A carta é toda cheia de exortações amáveis (1.10, 3.1, 8, 11-14 e 3.17)

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− As seitas normalmente incorrem no erro destacado por Pedro em 3.15-16.

GLOSSÁRIO :
Apego: consideração, fidelidade
Campeavam: Multiplicavam, existir em grande quantidade.
Ímpio: o que comete pecado.
Severidade : rigor.

Analise: o cristão pode ser um cego espiritual? Leia 1.9. Este versículo refere-se aos anteriores, de 1.5-7.

I, II e III João

1a, 2a E 3a CARTA DE JOÃO: A PRÁTICA DO AMOR E DA SANTIDADE


O apóstolo João escreveu 3 cartas, que são profundamente doutrinárias e abordam aspectos práticos do
exercício da fé cristã, através do amor e da obediência.
Na sua primeira carta, 21 vezes Jesus é chamado Filho de Deus, 12 vezes Deus é chamado o Pai,
enfatizando assim a divindade de Cristo.
Logo no início da primeira carta, a ênfase na obediência e na pureza doutrinária é expresso em 1 Jo 1.5-
10. Hoje, muitos cristãos querem viver isolados, longe das “imperfeições” de uma igreja (congregação), mas se
esquecem que a comunhão é uma forma de obediência ao mandamento do amor (1 Jo 1.7).

A definição de pecado está em 1 Jo 5.4.


A ênfase na vida santificada do crente é presente em 1 Jo 2.1-6, 15-17, 3.1-10.
A primeira carta de João, além de doutrinária, enfatiza a prática do amor (1 Jo 2.7-11, 3.11-24, 4.7-21). Se
os cristãos de hoje observassem mais a prática do amor, e dessem menos ênfase aos aspectos ritualísticos (forma
do culto, batismo, ceia, etc.), que diferença faríamos neste mundo!
Como carta combativa, no capítulo 4 de 1 Jo o apóstolo exorta a “provar os espíritos”. Portanto, o
sincretismo religioso (mistura de crenças, idéias, doutrinas e rituais) não encontra qualquer respaldo bíblico. A
verdade, sempre será a verdade!
Jesus é Deus e também é homem (1 Jo 4.1-3, 5.20).
Quem tem Jesus como único Senhor e Salvador, não precisa adorar qualquer ídolo (1 Jo 5.21).
A 2a. Carta volta a frisar o amor, como norma de liberdade e prática cristã (2 Jo 1.5-6), sem deixar de
considerar a necessidade de pureza doutrinária (2 Jo 1.7-11).
A 3a. Carta foi escrita para um amigo, chamado Gaio. Nela, João confessa sua alegria de ver seus “filhos”
andarem na verdade (3 Jo 1.4). Será que nós, como obreiros de Deus, podemos ser elogiados como Gaio o foi?
(3 Jo 1.3, 5-8).
Infelizmente, nas igrejas pode haver o “espírito de Diótrefes”, que equivale ao autoritarismo, arrogância e
malícia (3 Jo 1.9-10). As exortações práticas das duas cartas anteriores estão presentes também na terceira: 3 Jo
1.11-12.

Judas

JUDAS, A CARTA DO JUÍZO DE DEUS

− Judas , irmão de Jesus, escreve ás igrejas para orientá-las quanto a certeza do juízo de Deus,(Jd 1,5-
7,15).O fato de preceder Apocalipse é muito próprio , acendendo luz ao panorama profético daquele majestoso
livro.
− Por causa dos cristãos nominais, que tinham vida dissoluta ,Judas exortou aos leitores a manterem a fé
pura. Se você é um cristão dando mau testemunho, não justifique suas atitudes erradas com base naquilo que vê!
(3-4)
− Aqueles maus cristãos negavam o governo, difamavam as autoridades (v.8), murmuravam e andavam
descontentes (16), falavam arrogantemente e adulavam (16).
− Para nós, Judas adverte a mantermos a Boa Palavra (17), orando (20), e esperando Senhor Jesus
(21) e exercendo misericórdia (21-22).

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− Em Jd 3 contesta-se o uso de outros livros, senão a Bíblia , para a base da doutrina cristã (“uma
vez por todas foi entregue aos santos”). Ex: livro dos mórmons, o evangelho segundo Allan Kardec.
- Você acha que as suas tentações e problemas espirituais não têm solução? Leia Jd 24.
- Não apenas os homens ,mas os anjos caídos sofrerão o juízo de Deus.-6
- Veja que descrição exata que Judas faz do ímpio: 10-13
− Toda zombaria que a fé cristã tem sofrido é profética (17-18).
você zomba de algum aspecto da fé cristã? Cuidado!
− Os objetos de uso pagão (ex: imagens de Buda) podem fazer parte da decoração da casa de um
cristão? Veja 23.

GLOSSÁRIO:

Difamavam: falavam mau, desprezavam


Dissoluta: imoral
Arrogantemente:autoritariamente, “nariz empinado”
Adulavam:lisonjeavam, elogiavam para receber benefícios e não por causa dos mériots de quem recebia o
elogio.
Panorama: horizonte.
Profético:de profecia,revelação
Zombaria: piada, escárnio, sátira, comentários zombadores(Leia Salmo 1.1)

Profético

Apocalipse

APOCALIPSE – REVELAÇÃO GLORIOSA

Apocalipse quer dizer “revelação”, dada por Jesus Cristo ao apóstolo João (Ap 1.1).
Foi o último livro escrito da Bíblia, entre os anos 81 e 96, quando João estava preso na ilha de Patmos por
ter pregado o evangelho (1.9). Era época de perseguição aos cristãos sob o regime do imperador Domiciano.
A linguagem do Apocalipse é bastante característica:o uso de símbolos era bastante comum entre os
judeus. Vejamos alguns símbolos (são mais de 300!):
Cordeiro=Jesus Cristo
Mulher = Povo Judeu
Dragão = Satanás
Besta = Anticristo
Noiva = Igreja
Babilônia =Os povos e nações da Terra
− João, achando-se “em espírito, no dia do Senhor” (1.10-e 4.2) descreve o que lhe foi revelado por Jesus
(1.11-20). Inicia-se o livro com as 7 cartas ás igrejas da Asia Menor(atual Turquia):
Éfeso (2.1-7), Esmirna (2.8-11), Pérgamo (2.12-17), Tiatira (2.18-29), Sardes (3.1-6), Filadélfia (3.7-13) e
Laodicéia (3.14-19).
Nestas cartas, Jesus faz advertências contra a frieza espiritual (2.4-5), as heresias (2.14-15), a prostituição
e falsas cerimônias (2.20-22), as obras de aparência (3.2) e a falsidade religiosa (3.15-17).
− A partir do cap. 4 desenrola-se um duplo panorama :visões do céu e da terra , em tempos futuros
no desenvolvimento dos capítulos seguintes ,há contraste da glória nos céus com o juízo de Deus sobre a
terra e as obras satânicas.
− O apocalipse foi dirigido a uma igreja sofredora .Havia perseguições por parte de Roma , a
inimizade dos judeus, as heresias. É um livro de esperança, para quem sofre, e juízo, para os
perseguidores.
− Cap. 4 e 5: revela-se o “Trono de Deus”. É chegada o tempo de juízo,com a abertura do “livro do Juízo”
(5.7).
- Cap.6: cada abertura de cada selo mostra um juízo de Deus que recairá sobre a terra, no tempo da
“grande tribulação”.

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Cap.7 e 8: o povo de Deus na terra, neste período, os judeus ,serão “selados”, continuando no cap. 8 os
juízos de Deus: há caos ecológico (8.7-9), incluindo o envenenamento das águas (8.10.11) e escuridão
(8.12).”Ai,ai,ai dos que moram na terra” (8.13)!
Cap.9: está profetizado que os ímpios sofrerão no mínimo por 5 meses (9.5). O poder da morte será
sustado neste período: (9.6). Infelizmente está escrito que os “homens não se arrependeram” (9.20-21)

− Há coisas que o apóstolo João foi negado que relatasse (10.4). Deus ainda enviará duas testemunhas que
pregarão o evangelho neste período (11.3-13). Mas Satanás, irado, começara a dar suas últimas cartadas, sendo
expulso dos céus e atirando na terra junto com os deus pagãos (12.9). Sabendo que “pouco tempo lhe resta “
(12.12), Satanás persegue os judeus furiosamente (12.13-18).
− Surgem as “bestas”: o anticristo (cap. 13). Os homens adoram a Satanás (13.4). A difamação a Deus
atinge o ponto máximo (13.6). Cada homem recebe a marca da besta (13.18)
− Novamente iniciam-se as visões do céu, no cap. 14. Do céu, Deus ordena a retaliação aos planos de
Satanás dominar o mundo (são as “vozes e flagelos”' - cap. 14 e 15). Os sete “flagelos” consumem a cólera de
Deus (15.1). São muito parecidos com as pragas do Egito: úlceras (16.2), morte da vida marinha (16.3), águas
transformam-se em sangue (16.4), queimaduras (16.8), trevas (16.10), terremoto e chuvas de pedras (16.17-21).
− Apesar dos claros juízos de Deus, os homens se unirão ao anticristo para batalhar contra Jesus (cap. 17).
Tal como Sodoma e Gomorra, a capital do império do anticristo será destruída pelo fogo (cap.18). No céu, há
uma verdadeira comemoração pela queda da Babilônia (cap. 19.1-10).
− Cristo desce à terra e vence o anticristo (19.11-21). Satanás é preso por 1.000 anos (20.1-3). Inicia-se o
Reino de Cristo na terra, é o chamado “ Milênio “ (20.4-6).
− Após os 1.000 anos, Satanás será solto e volta a seduzir as nações (20.7-8). Mas desce fogo do céu e
consome os rebeldes (20.9). Finalmente, Satanás é preso eternamente, no “lago de fogo” (20.10). Começa o
julgamento das obras dos ímpios (20.11-15).
− Após a eliminação completa do mal, Deus cria o “ novo céu e a nova terra “ (21.1-8). A capital, Nova
Jerusalém, tem a “glória de Deus “ (21.11). Sua descrição é lindíssima, e nossa linguagem é impotente para
descrevê-la (21.12-27). Nós, os salvos, reinaremos junto com Cristo (22.5).

− Antes de finalizar o livro, há várias advertências e consolações (22.6-19). “Certamente venho sem
demora. Amém. Vem, Senhor Jesus “ (22.20).

GLOSSÁRIO :
“Grande tribulação”: período de 7 anos, logo após o arrebatamento da Igreja de Cristo na terra.
Sustado: retido, impedido.
Relatasse : narrasse, escrevesse.
Marca da besta : número 666, conforme Ap 13.18.
Difamação : Injúria, Palavreado obsceno
Retaliação : contra ação, resposta com atos.
Seduzir : tentar, puxar para um mau caminho.

EM TEMPO :

− “Alfa e Ômega” = últimas e primeiras coisas. Alfa é a primeira letra do alfabeto grego, ômega a última.
Símbolo que refere-se a Deus em Ap.1.8 e 1.17.
− Nas cartas às Igrejas, há promessas após a exortação. Leia 2.7, 11, 17, 26, 3.5,12,21.
− Leia os belos cânticos celestiais de 4.8,11,5.9,10,12,13,7.10,12 etc.
− Há uma promessa para os leitores de Ap. Veja 1.3 e 22.7.

5.Jesus na Bíblia

• Como exercício, encontre a referência bíblica concernente ao tipo referente a Cristo. Lembre-se
que Jesus sempre é o Antítipo. Se possível amplie a lista acrescentando alguns tipos de Cristo com as
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suas respectivas referências (Trechos Bíblicos). Lembre-se que a referência bíblica é composta de livro,
capítulo e versículo. Exemplo: Romanos, capítulo seis, versículo vinte e três – Rm. 6.23. Tenha um
bom Estudo!

Gênesis - Ele é a semente da mulher gritando: "Revivificai vosso trabalho no meios


Êxodo - Ele é o cordeiro pascal dos anos"
Levítico - Ele é o sumo sacerdote Sofonias - Ele é o nosso Salvador
Números - Ele é a nuvem de dia e a coluna Ageu - Ele é o nosso restaurador de heranças
de fogo a noite (Rocha Ferida) perdida de Deus
Deuteronômio - Ele é o profeta semelhante Zacarias - Ele é a fonte que purifica o pecado e
a Moisés (profeta vindouro) a impureza
Josué - Ele é o capitão da nossa salvação Malaquias - Ele é o Sol da Justiça
Juizes - Ele é o nosso Juiz e o nosso Mateus - É o Messias
Legislador Marcos - É o realizador de maravilhas
Rute - Ele é o parente remidor Lucas - É o Filho do homem
I e II Samuel - Ele é o profeta em quem João - É o filho de Deus
confiamos Atos - É o Espírito Santo
Reis e Crônicas - Ele é o Rei Reinante Romanos - É o nosso justificador
Esdras - Ele é o construtor de muralhas I e II Coríntios - É o nosso santificador
indestrutíveis na nossa vida Gálatas - É o nosso libertador da maldição da
Neemias - Ele é o nosso restaurador lei
Ester - Ele é o nosso Mardoqueu Efésios - É o Cristo das inescrutáveis riquezas
Jó - Ele é o nosso redentor sempiterno, porque Filipenses - É o Deus que supre todas as nossas
"Eu sei que meu Redentor vive" necessidades
Salmos - Ele é o nosso Pastor Colossenses - É a plenitude da Divindade
Provérbios e Eclesiastes - Ele é a nossa encarnada
sabedoria I e II Tesslanicenses - É o nosso Rei que
Cânticos de Salomão - Ele é o nosso amado regressará brevemente
Esposo I e II Timóteo - É o nosso mediador entre Deus
Isaías - Ele é o nosso Príncipe da Paz e o homem
Jeremias - Ele é o nosso Renovo Justo Tito - É o nosso pastor fiel
Lamentações - Ele é o nosso profeta Filemon - É o amigo mais chegado que um
Lamentador irmão
Ezequiel - Ele é o maravilhoso homem de Hebreus - É o sangue do Concerto Eterno
quatro faces Tiago - É o nosso grande médico, pois "A
Daniel - Ele é o quarto homem da fornalha de oração da fé salvará o doente"
fogo ardente I e II Pedro - É o nosso sumo Pastor que breve
Ozéias - Ele é o nosso marido fiel voltará com a coroa de glória
Joel - Ele é o nosso batizador com o Espírito I, II e III João - Ele é amor
Santo e com fogo Judas - É o Senhor vindo com milhares de seus
Amós - Ele é o carregador de nosso fardo santos
Obadias - Ele é o poderoso para salvar Apocalipse - Ele é o Rei do reis e o Senhor dos
Jonas - Ele é o nosso grande missionário SenhoresO Sacrifício de Abel - Gn. 4.4;
estrangeiro
Miquéias - Ele é o mensageiro de pés formosos Outro tipos de Cristo Jesus. (Pesquise em
Naum - Ele é o vingador dos eleitos de Deus um dicionário teológico acerca de Tipo e
Habacuque - Ele é o evangelista de Deus, Antítipo).
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• O arco-íris de Noé - Gn. 9.12, 13; • O profeta do futuro - ;


• O Cordeiro de Abraão - Gn. 22.8; • O Escudo (Gn. 15.1);
• Os Poços de Isaque - Gn. ; • A descendência de Abraão - ;
• A escada de Jacó - Gn. 28.10-17; • A rocha em terra sedenta - ;
• A Vara de Moisés - Êx. 9.12, 13; • O Parente Remidor – Et.
• O Manto de Elias - II Rs. 2.8; • O renovo de Davi - ;
• O Bordão de Eliseu - • O ômega (Ap. );
• O Velo de lã de Gideão - Jz. 6.36-40; • O Alfa (Ap. );
• O Vaso de azeite de Samuel - I Sm. • O Filho do Deus Vivo ();
16.49; • A Vara e o Cajado consoladores - ;
• A pasta de Figos de Isaías - II Re. 20.8; • A pedra de Esquina/Angular - ;
• O Relógio de Acaz - II Re. 20.11; • A Estrela da Manhã - ;
• As Visões de Daniel - Dn. 7 e 8; • Os sinais e maravilhas de Estevão -
• O Fardo de Amós - ; ;
• A sombra de Pedro - Atos ; • O sol da Justiça - Ml.______ ;
• Os lenços e aventais de Paulo - Atos ; • Aquele que não faz acepção - ;
• O marido da viúva - ; • O Pai do órfão ();
• O Cálice transbordante - Sl. 23 ; • O Chefe (Cabeça) da Igreja - ;
• O mel da rocha - ; • O Ressurreto - ;
• Tudo em todos (); • O Amado - ;
• O Filho do Homem - ; • O Socorro Celestial - ;
• O Governo da Nossa vida está em seus • O Restaurador - ;
ombros - ; • O Redentor Vivo -Jó. 19.25;
• A raiz de Jessé - ; • A Sabedoria ();
• A semente da Mulher -Gn. 3.15; • O Emanuel - ;
• O Brilho da Glória de Deus - • O General Invencível - ;
• Maravilhoso, Deus Forte, Conselheiro, • O Profeta do Futuro – Êx. ;
Pai da Eternidade e Príncipe da Paz - ;

6. Os Escritores e tradutores da Bíblia

Segundo reza a tradição, as sagradas escrituras foram escritas por cerca de quarenta homens que viveram
num período aproximado a mil e seiscentos anos. Estes homens escreveram sob diversas condições: Alguns na
Prisão ou cativeiro (o Apóstolo Paulo, os Profetas Daniel e Jeremias), outros em palácios (Salomão, Davi e
Daniel), outros em cavernas no deserto (Moisés), em viagens (Lucas), no campo (Amós); no Exílio (João, na
ilha de Patmos), na beira de rios (Ezequiel), na derrota, enfim sobre todas as circunstâncias. Deus não fez
acepção de pessoas. Quando Deus Escolheu, pois, estes homens eram das mais variadas profissões: Reis
(Salomão e Davi). Lavradores (Amós), Sacerdotes (Esdras e Samuel), Nobres estadistas (Daniel), pastores
(Davi), Cantores e músicos (Hemã, Etã, Asafe, os filhos de Coré e o próprio rei Davi), políticos (Daniel),
Cobrador de imposto (Levi, chamado Mateus), Pescadores (Pedro e João), Irmãos do Senhor (Tiago e Judas),
Doutores da Lei (Paulo), Fazedores de Tendas (Paulo), Escribas (Esdras) e Etc.. Os assuntos também são
diversos e as formas de escrever Idem. Foram escritos em prosa e em poesia, os temas foram criação, a
existência e o caráter do plano de Deus, a justificação, a natureza e o destino do pecado e da morte, os Céus, o
Inferno entre milhares de outros. Até a diferença entre os Testamentos, o Velho Termina com maldição – Ml. 4.6
– e o Novo com benção – Ap. 22.11, Ap. 21.3.

7. Traduções da Bíblia e outros assuntos concernentes à bíblia

• Vulgata – Latim – Jerônimo mais ou menos quatrocentos a. C.;

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• Septuaginta – Grego – Versão dos setenta – Setenta homens que moravam em Alexandria, no Egito,
onde muitos judeus se haviam estabelecido;
• Português – João Ferreira de Almeida, Figueiredo, entre outros;
• Inglês – King James Version – Versão do Rei Tiago.

BÍBLIA - Traduções em Português


Os mais antigos registros de tradução de trechos da Bíblia para o português datam do final do século XV.
Porém, centenas de anos se passaram até que a primeira versão completa estivesse disponível em três volumes, em
1753.
Trata-se da tradução de João Ferreira de Almeida.
A primeira impressão da Bíblia completa em português, em um único volume, aconteceu em Londres, em
1819, também na versão de Almeida.

Veja a seguir a cronologia das principais traduções da Bíblia completa publicadas na língua portuguesa.
Traduções da Bíblia em Português

· Publicação da tradução de João Ferreira de Almeida, em três volumes.


1753 -

· Versão de Figueiredo - elaborada a partir da Vulgata pelo Padre católico Antônio Pereira de
1790 - Figueiredo, publicada em sete volumes, depois de 18 anos de trabalho.

· Primeira impressão da Bíblia completa em português, em um único volume. Tradução de João


1819 - Ferreira de Almeida.

· Revisão da versão de João Ferreira de Almeida, que recebeu o nome de Revista e Corrigida. A
1898 - tradução de Almeida foi trazida para o Brasil pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, em data
anterior à fundação da SBB. Naquela época, a tradução de Almeida foi entregue a uma comissão de
tradutores brasileiros, que foram incumbidos de tirar os lusitanismos do texto, dando a ele uma feição
mais brasileira.

· Versão Brasileira. Elaborada a partir dos originais, foi produzida durante 15 anos por uma comissão
1917 - de especialistas e sob a consultoria de alguns ilustres brasileiros. Entre eles: Rui Barbosa, José Veríssimo
e Heráclito Graça.

· Versão de Matos Soares, elaborada em Portugal.


1932 -

· Versão Revista e Atualizada, elaborada pela Sociedade Bíblica do Brasil. Quando em 1948, a SBB
1956 - foi fundada, uma nova revisão de Almeida, independente da Revista e Corrigida, foi encomendada a outra
equipe de tradutores brasileiros. O resultado desse novo trabalho, publicado em 1956, é o que hoje
conhecemos como a versão Revista e Atualizada.

· Versão dos Monges Beneditinos. Elaborada a partir dos originais para o francês, na Bélgica, e
1959 - traduzida do francês para o português.

· Versão dos Padres Capuchinhos. Elaborada no Brasil, a partir dos originais, para o português.
1968 -

· Bíblia na Linguagem de Hoje. Elaborada no Brasil, pela Comissão de Tradução da SBB, a partir
1988 - dos originais.

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Bibliologia

· 2a Edição da versão Revista e Atualizada, de Almeida, elaborada pela SBB.


1993 -

· 2a Edição da versão Revista e Corrigida, de Almeida, elaborada pela SBB.


1995 -

· Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Elaborada pela Comissão de Tradução da SBB


2000 -
Fonte: site da SBB -

II. REVELAÇÃO

A) Definição:
“Um desvendamentos; especialmente a comunicação da mensagem divina ao homem”

B) Meios de Revelação:
1) Pela Natureza (Rm 1.18-21; Sl 19)
2) Pela Providência (Rm 8.28; At 14.15-17)
3) Pela Preservação do Universo (Cl 1.17)
4) Através de Milagres (Jo 2.11)
5) Por Comunicação Direta (At. 22.17-21)
6) Através de Cristo (Jo 1.14)
7) Através da Bíblia (1Jo 5.9-12)

III. INSPIRAÇÃO

A) Definição:
Inspiração é a ação supervisionadora de Deus sobre os autores humanos da Bíblia de modo a, usando suas
próprias personalidades e estilos, comporem e registrarem sem erro as palavras de Sua revelação ao homem. A
Inspiração se aplica apenas aos manuscritos originais (chamados de autógrafos).

B) Teorias sobre a Inspiração:


1) Natural - não há qualquer elemento sobrenatural envolvido. A Bíblia foi escrita por homens de grande
talento.
2) Mística ou Iluminativa - Os autores bíblicos foram cheios do Espírito como qualquer crente pode ser hoje.
3) Mecânica (ou teoria da ditação) - Os autores bíblicos foram apenas instrumentos passivos nas mãos de Deus
como máquinas de escrever com as quais Ele teria escrito. Deve-se admitir que algumas partes da Bíblia foram
ditadas (e.g., os Dez mandamentos).
4) Parcial - Somente o não conhecível foi inspirado (e.g., criação, conceitos espirituais)
5) Conceitual - Os conceitos, não as palavras, foram inspirados.
6) Gradual - Os autores bíblicos foram mais inspirados que outros autores humanos.
7) Neo-ortodoxa - Autores humanos só poderiam produzir uma registro falível.
8) Verbal e Plenária - Esta é a verdadeira doutrina e significa que cada palavra (verbal) e todas as palavras
(plenária) foram inspiradas no sentido da definição acima.
9) Inspiração Falível - Uma teoria, que vem ganhando popularidade, de que a Bíblia é inspirada mas não isenta
de erros.

C) Características da Inspiração Verbal e Plenária:


1) A verdadeira doutrina é válida apenas para os manuscritos originais.
2) Ela se estende às próprias palavras.
3) Vê Deus como o superintendente do processo, não ditando aos escritores, mas guiando-os.

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Bibliologia

4) Inclui a inerrância.

D) Provas da Inspiração Verbal e Plenária:


1) 2Tm 3.16. Theopneustos, soprado por Deus. Afirma que Deus é o autor das Escrituras e que estas são o
produto de Seu sopro criador.
2) 2Pe 1.20,21. O “como” da inspiração - homens “movidos” (lit., “carregados”) pelo Espírito Santo.
3) Ordens especificas para escrever a Palavra do Senhor (Ex 17.14; Jr 30.2).
4) O uso de citações (Mt 15.4; At 28.25).
5) O uso que Jesus fez do ANTIGO TESTAMENTO (Mt 5.17; Jo 10.35).
6) O NOVO TESTAMENTO afirma que outras partes do NOVO TESTAMENTO são Escrituras (1Tm 5.18;
2Pe 3.16).
7) Os escritores estavam conscientes de estarem escrevendo a Palavra de Deus (1Co 2.13; 1Pe 1.11,12)

E) Provas de Inerrância:
1) A fidedignidade do caráter de Deus (Jo 17.3; Rm 3.4).
2) O ensino de Cristo (Mt 5.17; Jo 10.35).
3) Os argumentos baseados em uma palavra ou na forma de uma palavra (Gl 3.16, “descendente”; Mt 22.31,32,
“sou”).

IV. CANONICIDADE.

A) Considerações fundamentais:
1) A Bíblia é auto-autenticável e os concílios eclesiásticos só reconheceram (não atribuíram) a autoridade
inerente nos próprios livros.
2) Deus guiou os concílios de modo que o cânon fosse reconhecido.

B) Cânon do ANTIGO TESTAMENTO:


1) Alguns afirmam que todos os livros do cânon do ANTIGO TESTAMENTO foram reunidos e reconhecidos
sob a liderança de Esdras (quinto século a.C.).
2) O NOVO TESTAMENTO se refere a ANTIGO TESTAMENTO como escritura (Mt 23.35; a expressão de
Jesus equivaleria dizer hoje “de Gênesis a Malaquias”; cf. Mt 21.42; 22.29).
3) O Sínodo de Jamnia (90 A.D.) Uma reunião de rabinos judeus que reconheceu os livros do ANTIGO
TESTAMENTO

C) Os princípios de Canonicidade dos Livros do NOVO TESTAMENTO:


1) Apostolicidade. O livro foi escrito ou influenciado por algum apóstolos?
2) Conteúdo. O seu caráter espiritual é suficiente?
3) Universalidade. Foi amplamente aceito pela igreja?
4) Inspiração. O livro oferecia prova interna de inspiração?

D) A Formação do Cânon do NOVO TESTAMENTO:


1) O período dos apóstolos. Eles reivindicaram autoridade para seus escritos (1Ts 5.27; Cl 4.16).
2) O período pós-apostólico. Todos os livros forma reconhecidos exceto Hebreus, 2 Pedro e 3 João.
3) O Concílio de Cartago, 397, reconheceu como canônicos os 27 livros do NOVO TESTAMENTO
V. ILUMINAÇÃO

A) Em Relação aos Não-Salvos:


1) Sua necessidade (1Co 2.14; 2Co 4.4)
2) O ministério do convencimento do Espírito ( Jo 16.7-11)

B) Em Relação ao Crente:
1) Sua necessidade (1C0 2.10-12; 3.2).
2) O ministério do ensino do Espírito (Jo 16.13-15)

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VI. INTERPRETAÇÃO

A) Princípios de Interpretação:
1) Interpretar histórica e gramaticalmente.
2) Interpretar de acordo com os contextos imediatos e mais amplo.
3) Interpretar em harmonia com toda a Bíblia, comparando Escritura com Escritura.

B) Divisões Gerais da Bíblia:


1) ANTIGO TESTAMENTO
A- Livros históricos: de Gênesis a Ester.
B- Livros poéticos: de Jó a Cantares.
C- Livros proféticos: de Isaías a Malaquias.
2) NOVO TESTAMENTO
A- Evangelhos: Mateus a João.
B- História da Igreja: Atos.
C- Epístolas: de Romanos a Judas.
D- Profecia: Apocalipse.

C) Alianças Bíblicas:
Adãmica (Gn. )
Noética (Gn 8.20-22)
Abraâmica (Gn 12.1-3)
Mosaica (Ex 19.3 - 40.38)
Palestiniana (Dt 30)
Davídica (2Sm 7.5-17)
Nova Aliança (Jr 31.31-34; Mt 26.28)

8. Curiosidades

• Maior Livro - Salmos


• Menor Livro – II João – treze versículos;
• Maior Capítulo – Salmo 119 – cento e setenta e seis versículos;
• Menor Capítulo – Salmo 117 – Apenas dois versículos;
• Maior Versículo – Ester 8.9 – noventa e duas palavras;
• Menor Versículo – varia com a versão. O mais aceito é Êx. 20.13 – Não matarás. Em outras
versões temos ainda Lucas 20.30 – E o segundo e Jo. 3.2 – E disse Jó;
• Total de capítulos – Mil cento e oitenta e nove;
• Total de versículos – trinta e um mil e cento e setenta e cinco;
• Total de livros – sessenta e seis, sendo trinta e nove do Antigo Testamento e vinte e sete do
Novo Testamento;
• Idiomas traduzidos – mil e trezentos, com dialetos inclusos;
• Divisão em versículos – Velho Testamento – Rabi Mardoqueu Natã e Novo Testamento –
Estéfano – um tipógrafo Francês;
• Primeira Impressão – 1516 – Erasmo de Roterdã;
• Livro que não cita o nome de Deus – Ester;
• Homem mais velho _ Metusala ou Matusalém – novecentos e sessenta nove anos;
• Homem mais manso – Moisés – Nm. 12.3;
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• Versículo Central – Sl. 118.8;


• Palavra Senhor – Oito mil vezes;
• Palavra Jeová – Seis mil oitocentos e cinqüenta e cinco vezes;
• Não Temas – Trezentos e sessenta e cinco vezes;
• Bênçãos – Oito mil;
• Foi escrita em couro, papiro e pergaminhos;
• Foi escrita em hebraico e grego;
• Primeira tradução – Grego – mais ou menos trezentos a. c. (Septuaginta) ou 285 a. C.;
• Tradução mais célebre em latim – Vulgata - São Jerônimo mais ou menos quatrocentos anos a.
C.;
• Novo Conserto – Jo. 3.16;
• Velho Conserto – Êx. 24.8 paralelo a Hb. 9.14 (Novo conserto);
• Exempla mais antigo – “Codéx Hillel” – Toledo;
• Remanescente – “Codéx Vaticano” – 4º Século d. C. – Biblioteca do vaticano;
• O primeiro livro da Bíblia – Gênesis foi escrito por Moisés cerca de mil e quinhentos anos antes
de Cristo;
• O último Livro – Apocalipse ou revelação foi escrito por João cerca de noventa e seis anos
depois de Cristo;
• A Bíblia inteira foi escrita num período que abrangeu aproximadamente mil e seiscentos anos.
Foi escrita por cera de quarenta autores; entre eles reis, agricultores, pastores, advogados, cobradores de
impostos, escribas, doutores da Lei, médicos, pescadores e etc.;
• Houve um período de quatrocentos anos de silêncio entre Malaquias e Mateus – Período
Interbíblico;
• Os originais não contêm pontuação, capitulação e versiculação;
• Atribui-se ao cardeal Hugo a divisão da Bíblia em capítulos – mil duzentos e cinqüenta depois
de Cristo;
• O AT. Foi escrito em hebraico por cerca de trinta autores, contem trinta e nove livros canônicos,
Seu livro central é provérbios – vigésimo livro; versículo central – II Cr. 20.8; Metade da Bíblia Sl.
117.2;
• O Novo Testamento foi escrito em grego – exceto Mateus – por cerca de dez autores. Contém
vinte e sete livros, capítulo central – Rm. 13; versículo central At. 17.17; Maio versículo – Lc. 20.30;

Selecionamos dezenas de curiosidades bíblicas para você usar em gincanas, brincadeiras, etc.
Confira!

1. Quais os livros da Bíblia que tem apenas 1 capítulo?


R: Obadias, Filemom, II João, III João e Judas.

2. Quais os livros da Bíblia que terminam com um ponto de interrogação?


R: Lamentações, Jonas e Naum.

3. Qual o menor livro da Bíblia?


R: II João (possui somente 13 versículos).

4. Qual o maior livro da Bíblia?


R: Salmos (possui 150 capítulos).

5. Qual o menor capítulo da Bíblia?


R: Salmo 117 (possui 2 versículos).

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6. Qual o maior capítulo da Bíblia?


R: Salmo 119 (possui 176 versículos).

7. Qual o menor versículo da Bíblia?


R: Êxodo 20-13 (possui 10 letras).

8. Qual o maior versículo da Bíblia?


R: Ester 8-9 (possui 415 caracteres).
9. Quantas palavras a Bíblia contêm aproximadamente?
R: 773.693 palavras.

10. Quantas letras a Bíblia contêm aproximadamente?


R: 3.566.480 letras.

11. Quantos capítulos e quantos versículos a Bíblia possui?


R: 1.189 capítulos e 31.102 versículos.

12. Em quais os livros da Bíblia não encontramos a palavra Deus?


R: Ester e Cantares de Salomão.

GÊNESIS
13. Quem foi o primeiro bígamo citado na Bíblia e quais eram os nomes das esposas?
R: Lameque. Ada e Zilá. Gênesis 4-19.

14. Quem foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado?
R: Jabal. Gênesis 4-20.

15. Quem foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta?


R: Jubal. Gênesis 4-21.

16. Quem era rei e sacerdote ao mesmo tempo?


R: Melquisedeque. Gênesis 14-18.

17. Qual é a única mulher cuja idade é mencionada na Bíblia?


R: Sara. Gênesis 23-1.

18. Onde lemos na Bíblia de camelos se ajoelhando?


R: Gênesis 24-11.

19. Quais os nomes dos filhos de Abraão?


R: Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque, Sua (filhos de Quetura), Isaque (filho de Sara) e Ismael
(filho de Hagar). Gênesis 25-2,9.

ÊXODO
20. Qual a mãe que recebeu um salário para criar o seu próprio filho?
R: Joquebede, mãe de Moisés. Êxodo 2-8,9,10.

21. Qual o nome do homem acusado por sua esposa de derramar sangue?
R: Moisés. Êxodo 4-24,25.

22. Qual o sobrinho que se casou com a sua tia?


R: Anrão, pai de Moisés. Êxodo 6-20.

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23. Onde se lê na Bíblia que as águas, por serem amargas, não serviam para consumo, porém
tornaram-se doces depois?
R: Êxodo 15-23,24,25.

24. Onde se encontra a lei, por meio da qual um escravo ganhava liberdade por perder um dente?
R: Êxodo 21-27.

25. Onde se lê na Bíblia que os israelitas foram advertidos para obedecerem a um Anjo?
R: Êxodo 23-20,21.

NÚMEROS
26. Qual o rei teve os seus inimigos abençoados pelo profeta que ele tinha chamado para amaldiçoá-
los?
R: Balaque, rei de Moabe. Números 22-5,6,12 + Números 23-11,12.

27. Qual o cavaleiro que teve o seu pé imprensado contra o muro?


R: Balaão. Números 22-25.

DEUTERONÔMIO
28. Onde se lê na Bíblia sobre a conservação da natureza?
R: Deuteronômio 20-19.

29. Quais os alimentos que o povo de Israel não comeu durante os 40 anos de peregrinação pelo
deserto?
R: Pão e vinho. Deuteronômio 29-5,6.

30. Quais as 4 cidades mencionadas na Bíblia que foram destruídas por causa da ira de Deus ?
R: Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim. Deuteronômio 29-23.

31. Quem foi sepultado por Deus em um vale?


R: Moisés. Deuteronômio 34-5,6.

JOSUÉ
32. Que homem, citado na Bíblia, era o mais alto no meio do seu povo (que era formado por
gigantes)?
R: Arba. Josué 14-15.

33. Onde se lê na Bíblia o nome de um estado brasileiro e de sua capital?


R: Pará - Josué 18-23 e Belém - Josué 19-15.

JUÍZES
34. Que rei reconheceu que Deus fez com ele o mesmo que ele tinha feito aos seus inimigos?
R: Adoni-Bezeque, rei de Bezeque. Juízes 1-6,7.

35. Qual o rei citado na Bíblia pelo sua massa?


R: Eglom, rei dos moabitas. Juízes 3-17.

36. Qual o juiz de Israel que libertou o seu povo, usando um ferrão de tocar bois?
R: Sangar. Juízes 3-31.

37. Qual o comandante de Israel que disse que só iria à batalha se uma mulher fosse com ele?
R: Baraque. Juízes 4-4,6,8,9.

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38. Qual a mulher que acolheu o seu inimigo e depois o matou?


R: Jael. Juízes 4-18,21.

39. Qual a mãe que aguardava ansiosamente seu filho, olhando pela janela?
R: Mãe de Sísera. Juízes 5-28.

40. Qual o filho de um juiz de Israel que, depois da morte do seu pai, se declarou rei junto a seus
irmãos e depois os matou?
R: Abimeleque. Juízes 9-1,2,3,4,5,6.

41. Qual o juiz de Israel tinha 30 filhos, que cavalgavam 30 jumentas e tinham 30 cidades?
R: Jair. Juízes 10-4.

42. Que personagem bíblico prometeu sacrificar ao Senhor a 1ª pessoa que visse ao voltar vitorioso
da batalha e quem foi sacrificado?
R: Jefté. Sua filha. Juízes 11-30,31,32,34,35,39,40.

43. Qual o homem que, depois de morto, matou mais pessoas que em sua vida?
R: Sansão. Juízes 16-30.

RUTE
44. Qual era o nome da bisavó de Davi?
R: Rute. Rute 4-13,16,17.

I SAMUEL
45. Qual o juiz que morreu após cair da cadeira para trás?
R: Eli. I Samuel 4-18.

46. Que mulher que, ao saber que a Arca do Senhor tinha sido tomada e de que seu marido e seu
sogro tinham morrido, teve um parto prematuro e, depois, morreu?
R: A mulher de Finéias. I Samuel 4-19,20.

47. Que povo foi derrotado na batalha por causa dos trovões?
R: Os filisteus. I Samuel 7-10.

48. Quem ganhou um reino quando procurava as jumentas do seu pai?


R: Saul. I Samuel 9-2,3,17.

49. Qual o homem que, engatinhando, venceu uma batalha e contra que povo ele estava
guerreando?
R: Jônatas, filho do rei Saul. Filisteus. I Samuel 14-13,14.

50. Onde se menciona o queijo na Bíblia pela 1ª vez?


R: I Samuel 17-18.

II SAMUEL
51. Quem foi condenado à morte por ter matado um rei de Israel?
R: Um moço amalequita. II Samuel 1-1 a 16.

52. Quais os 2 irmãos que, depois de mortos, tiveram suas mãos e pés decepados ?

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R: Recabe e Baaná. II Samuel 4-8,9,10,11,12.

53. Que homem israelita era celebrado por sua beleza ?


R: Absalão. II Samuel 14-25.

54. Quem cortava os cabelos no fim de cada ano, pois os mesmos muito lhe pesavam?
R: Absalão. II Samuel 14-25,26.

55. Qual o nome do amigo do rei Davi, que disse que estaria a seu lado em qualquer situação?
R: Itai. II Samuel 15-21.

56. Quais os 2 homens que, ajudados por uma mulher, se enconderam em um poço, conseguindo,
assim, enganar os seus inimigos ?
R: Jônatas e Aimaás. II Samuel 17-17,18,19,20,21.

57. Quem foi o 1º homem, citado na Bíblia, que se enforcou?


R: Aitofel. II Samuel 17-23.

58. Quem matou o irmão quando o beijava?


R: Joabe. II Samuel 20-9,10.

59. Quem matou um gigante que tinha 6 dedos em cada mão e em cada pé ?
R: Jônatas, irmão de Davi. II Samuel 21-20,21.

60. Quais os 3 melhores guerreiros do exército do rei Davi ?


R: Josebe-Bassebete, Eleazar e Samá. II Samuel 23-8,9,10,11,12.

I REIS
61. Qual o personagem bíblico que morreu por ir em busca dos seus escravos fugitivos ?
R: Simei. I Reis 2-40,42,46.

62. Quantos provérbios escreveu Salomão?


R: Três mil. I Reis 4-32.

63. Quantos cânticos Salomão compôs?


R: Mil e cinco. I Reis 4-32.

64. Por que o rei Davi não pôde construir um Templo para Deus?
R: Por causa das muitas guerras que ele teve de enfrentar contra os seus inimigos. I Reis 5-3.

65. De onde foi tirada a madeira para a construção do 1º Templo de Jerusalém?


R: Do Líbano. I Reis 5-6.

66. Quais os reis que praticaram comércio marítimo entre os seus reinos?
R: Hirão, rei de Tiro e Salomão, rei de Israel. I Reis 9-27.

67. Quantas vezes Deus apareceu a Salomão?


R: Duas vezes. I Reis 11-9.

68. Qual o nome do rei de Israel cujo filho morreu quando sua mãe entrou em casa?
R: Jeroboão. I Reis 14-1,2,17.

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69. Qual o rei de Israel que morreu queimado em seu próprio castelo?
R: Zinri. I Reis 16-18.

II REIS
70. Onde se lê na Bíblia a morte de um grupo de rapazes por terem zombado de um servo do
Senhor, chamando-o de careca?
R: II Reis 2-23,24.

71. Quem morreu de dor de cabeça?


R: O filho da mulher de Suném. II Reis 4-17,18,19,20.

72. Quem foi a 1ª pessoa na Bíblia que realizou o milagre da multiplicação de pães?
R: Eliseu. II Reis 4-42,43,44.

73. Quem fez o ferro flutuar na água?


R: Eliseu. II Reis 6-6.

74. Qual o nome que deram à serpente de bronze levantada por Moisés no deserto?
R: Neustã.II Reis 18-4.

75. Quem, pela oração, teve sua vida aumentada por 15 anos?
R: Rei Ezequias. II Reis 20-1,2,3,4,5,6.

76. Qual o rei que adivinhava pelas nuvens, praticava feitiçaria e queimou o seu filho em sacrifício?
R: Manassés, rei de Judá. II Reis 21-6,11.

I CRÔNICAS
77. Por que Rubens, o filho mais velho de Jacó, perdeu a sua primogenitura?
R: Por ter profanado o leito do seu pai. I Crônicas 5-1.

78. Qual o nome da mulher fundadora de duas cidades?


R: Seerá. I Crônicas 7-24.

79. Por que o rei Saul morreu?


R: Por causa da sua transgressão contra o Senhor, por não ter guardado a Palavra do Senhor e por
ter consultado uma necromante. I Crônicas 10-13,14.

80. Quem perdeu a vida por ter tocado na arca de Deus?


R: Uzá. I Crônicas 13-9,10.

81. Quem recebeu a visita de um anjo quando debulhava trigo?


R: Ornã. I Crônicas 21-20.

82. Qual homem que, além de profetizar, regia os seus 6 filhos com harpas em ações de graças e
louvores ao Senhor ?
R: Jedutum. I Crônicas 25-3.

II CRÔNICAS
83. Quais as 3 festas anuais que a Lei Mosaica estabelecia e o rei Salomão obedecia ?
R: Festa dos Pães Asmos, Festa das Semanas (Pentecostes) e Festa dos Tabernáculos. II Crônicas 8-
13.

84. Qual o profeta que foi esbofeteado?

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R: Micaías. II Crônicas 18-23,24.

ESDRAS
85. Onde se lê que o barulho do choro não era ouvido, porque os gritos de alegria eram maiores?
R: Esdras 3-12,13.

ESTER
86. Quais os nomes dos 3 reis citados na Bíblia, que tiveram insônia ?
R: Assuero, rei da Pérsia - Ester 6-1,2 ; Nabucodonosor, rei da Babilônia - Daniel 2-1 e Dario, rei
da Pérsia - Daniel 6-18.

87. Quem morreu pelo instrumento que pretendia matar seu inimigo?
R: Hamã. Ester 7-10.


88. Qual o nome do servo de Deus que teve seus filhos mortos por um tufão?
R: Jó. Jó 1-18,19.

89. Quem chamou os médicos de mentirosos?


R: Jó. Jó 13-4.

90. Que personagem bíblico que se vestia de justiça e era pai dos necessitados?
R: Jó. Jó 29-14,16.

91. Qual a ave, citada na Bíblia, que trata os seus filhos como se não fossem seus?
R: A avestruz. Jó 39-13,14,15,16.

SALMOS
92. Quais os 2 salmos que são idênticos ?
R: Salmo 14 e Salmo 53.

93. Qual é o versículo que se encontra no meio da Bíblia?


R: Salmo 118-8.

PROVÉRBIOS
95. Onde se lê que o coração alegre é bom remédio?
R: Provérbios 17-22.

ECLESIASTES
96. Onde se lê que a mágoa é melhor que o riso?
R: Eclesiastes 7-3.

ISAÍAS
97. Qual rei que teve o seu coração agitado como árvores no bosque?
R: Rei Acaz. Isaías 7-2.

98. Onde se lê que o lobo, o cordeiro e o leão comerão palha juntos?


R: Isaías 65-25.

JEREMIAS
99. Qual a mãe animal que abandona suas crias por falta de água?
R: Veada. Jeremias 14-4,5.

100. Que falso profeta lutou contra um profeta de Deus e morreu naquele mesmo ano por sua
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rebeldia contra o Senhor?


R: Hananias. Jeremias 28-15,16,17.

101. Qual o profeta mentiroso que Deus disse que não teria mais descendentes e não veriam o bem
que Ele iria fazer?
R: Semaías. Jeremias 29-31,32.

102. Onde a Bíblia compara o coração dos valentes com o coração da mulher que está com dores de
parto?
R: Jeremias 49-22.

103. Que profeta escreveu um livro falando dos males que aconteceriam a uma determinada cidade?
Qual o nome da cidade e qual o nome do rio dessa cidade onde o livro deveria ser lançado, após sua
leitura em voz alta?
R: Jeremias. Babilônia e rio Eufrates. Jeremias 51-60,61,62,63,64.

104. Qual o nome do 1º aposentado da Bíblia?


R: Rei Joaquim. Jeremias 52-33,34.

EZEQUIEL
105. Quem recebeu uma ordem de Deus de usar uma balança para fazer um penteado?
R: Filho do homem, isto é, Ezequiel. Ezequiel 5-1.

106. Que profeta a quem Deus determinou que profetizasse contra Israel?
R: Ezequiel. Ezequiel 21-1,2,3.

107. Onde se lê na Bíblia que o Senhor ficou a favor da Babilônia e contra o povo do Egito?
R: Ezequiel 30-25.

DANIEL
108. Qual o rei que teve suas unhas crescidas como as das aves?
R: Nabucodonosor, rei da Babilônia. Daniel 4-33.

109. Quem perdeu o sono por causa de um jejum?


R: Rei Dario. Daniel 6-18.

110. Que rei mandou matar um servo de Deus e depois não conseguiu comer nem dormir?
R: Rei Dario. Daniel 6-16 a 19.

OSÉIAS
111. Qual o povo foi comparado a uma vaca rebelde?
R: O povo de Israel. Oséias 4-16.

112. Qual o povo que iria tremer de medo por causa de um simples bezerro?
R: O povo de Samaria. Oséias 10-5.

113. Qual o rei que foi comparado a um pedaço de madeira na superfície da água?
R: O rei de Samaria. Oséias 10-7.

AMÓS
114. De onde eram as mulheres que oprimiam pobres e induziam os seus maridos a beberem e a que
animal elas foram comparadas?
R: Basã. Vaca. Amós 4-1.

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115. Quem, em visão, contemplou o Senhor com um instrumento de pedreiro na mão?


R: Amós. Amós 7-7,8.

116. Onde lemos na Bíblia que Israel passou 3 meses sem chover ?
R: Amós 4-7.

MIQUÉIAS
117. Onde se lê que os sacerdotes ensinavam por interesse e os profetas adivinhavam por dinheiro?
R: Miquéias 3-11.

ZACARIAS
118. Qual a frase que será gravada nos apetrechos dos cavalos no dia do Senhor?
R: Santo ao Senhor. Zacarias 14-20.

MATEUS
119. Quais os nomes dos 12 discípulos de Jesus?
R: Simão Pedro, André, Tiago (filho de Zebedeu), João, Filipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Tiago
(filho de Alfeu), Judas Tadeu, Simão (o Zelote) e Judas Iscariotes. Mateus 10-2,3,4.

MARCOS
120. Quem foi a 1ª pessoa para a qual Jesus apareceu após a sua ressurreição?
R: Maria Madalena. Marcos 16-9.

LUCAS
121. Quem ficou mudo após falar com um anjo?
R: Zacarias. Lucas 1-18,19,20.

122. Quem disse que não morreria sem conhecer o Cristo?


R: Simeão. Lucas 2-25,26.

123. Onde se encontram na Bíblia os 4 pontos cardeais ?


R: Lucas 13-29 e Gênesis 13-14.

124. Qual é a única pessoa de quem diz as Escrituras haver subido em uma árvore ?
R: Zaqueu. Lucas 19-4.

125. Onde se lê na Bíblia que Jesus escreveu ?


R: João 8-6,7,8.

126. Em quais idiomas foi escrito o título "Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus", colocado em cima da
cruz de Cristo ?
R: Hebraico, latim e grego. João 19-19,20.

ATOS
127. Qual acontecimento extraordinário que foi visto por todos os habitantes de Lida e Sarona ?
R: Enéias, homem que era paralítico havia oito anos, foi curado por Pedro. Atos 9-33,34,35.

128. Onde os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez ?


R: Em Antioquia. Atos 11-26

129. Qual o profeta que previu uma grande fome nos dias do Imperador Romano Cláudio ?
R: Ágabo. Atos 11-27,28.

130. Quais os personagens bíblicos que foram chamados por nome de planetas ? Quais os nomes

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dos planetas ?
R: Barnabé foi chamado de Júpiter e Paulo, de Mercúrio. Atos 14-12.

131. Quem foi a 1ª mulher convertida na Europa pelo apóstolo Paulo ?


R: Lídia. Atos 16-14.

132. Qual o profeta que através de um cinto, previu a prisão do dono do cinto?
R: Ágabo. Atos 21-10,11.

133. Quem foi professor do apóstolo Paulo ?


R: Gamaliel. Atos 22-3.

134. Onde se lê na Bíblia que mais de 40 homens juraram não comer nem beber até matar uma
pessoa e quem era esta pessoa ?
R: Atos 23-12,13,14. Paulo.

135. Qual dos apóstolos foi mordido por uma cobra, porém não sofreu mal nenhum ?
R: Paulo. Atos 28-3,5.

ROMANOS
136. Qual o nome das 3 mulheres, mencionadas pelo apóstolo Paulo, que muito o ajudaram na
causa do Senhor ?
R: Trifena, Trifosa e Pérside. Romanos 16-12.

137. Quem escreveu a carta de Paulo aos Romanos ?


R: Tércio. Romanos 16-22.

I TESSALONICENSES
138. Onde se lê que não se deve apagar a luz do Espírito Santo ?
R: I Tessalonicenses 5-19.

I TIMÓTEO
139. Quantas vezes na Bíblia é encontrada a palavra imortal ?
R: Uma vez. I Timóteo 1-17.

140. Quais os nomes dos 2 homens que o apóstolo Paulo entregou a Satanás para serem
castigados ?
R: Himeneu e Alexandre. I Timóteo 1-20.

TIAGO
141. Quem foi chamado de "amigo de Deus" ?
R: Abraão. Tiago 2-23.

APOCALIPSE
142. Na visão de Jesus glorificado que João teve, o que significavam as 7 estrelas e os 7
candeeiros ?
R: 7 candeeiros = 7 igrejas da Ásia e 7 estrelas = 7 anjos das igrejas. Apocalipse 1-20.

143. Onde se lê que um homem recebeu ordem para não chorar ?


R: Apocalipse 5-5.

GERAL
143. Quem profetizou que a luz da lua seria tão brilhante quanto a do sol ? - Isaias 30:26

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144. Onde é mencionada uma rede de dormir ? - Isaías 24:20 (SBB)

145. Quem queimou uma víbora viva ? - Atos 28:3,5

146. Quantos conveses havia na arca de Noé ? - Gênesis 3:16

147. Quem fez um machado de ferro flutuar ? - II Reis 6:5,7

148. Qual o pai de dois filhos que foi também o seu avô ? - Gênesis 19:36-38

149.De quem a respiração era semelhante ao aroma das maçãs ? - Cantares 7:1-8

150. Quem descobriu fontes termais no deserto ? - Gênesis 36:24

151. Qual a única referência da bíblia a anões ? - Levítico 21:20

152. Qual o livro da bíblia que não contém o nome de Deus ? - O livro de Ester

153. Qual o salmo mais curto ? - Salmos 117

154. Onde se diz, na Bíblia, que é difícil domesticar um boi selvagem ? - Jó 39:9-12

155. Onde são descritos os espirros do crocodilo ? - Jó 41:18

156. Quais os dois lugares em que são mencionados pavões ? - IRs 10:22,IICr 9:21

157. Que homens tinham rostos semelhantes a leões ? - I Crônicas 12:8

158. Onde há pena de morte prescrita para um animal ? - Êxodo 21:28

159. Onde se fala da planta do pé da pomba ? - Gênesis 8:9

160. Quem comeu carne de vitela preparada por uma feiticeira ? - I Samuel 28

161. Quem é o único escritor da Bíblia que menciona o estômago ? - Juízes 1:7

162. Quem comeu o próprio filho ? - II Reis 6:29

163. Quem comeu um livrinho e teve indigestão ? - Apocalipse 10:10

164. Os Apóstolos de Jesus: SAIBA QUAL O DESTINO DE CADA UM

166. Abraão oferece Isaque - Gênesis 22

167. Davi e Golias - I Samuel 17

168. Sansão e Dalila - Juízes 16

169. Adão e Eva são tentados - Gênesis 3

170. José e sua túnica - Gênesis 37

171. Noé entra na arca - Gênesis 7

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Bibliologia

172. A estória de Davi - I e II Samuel

173. O Novo Testamento foi originalmente escrito em Grego e o Velho Testamento foi escrito em
Hebraico.

174. Nenhum dos livros da Bíblia recebeu qualquer título na época em foram escritos. Os títulos
dos 66 livros vieram muitos anos depois que os livros já estavam circulando

175. Saduceus (Mc. 12.18). Era uma classe religiosa que não acreditava em ressurreição. Também
não criam na existência de anjos e deus pagãos. nos tempos de Jesus, os saduceus em Jerusalém
eram uma minoria, entretanto tinham mais poder político e religioso do que a maioria da população.

176 Aos tempos do Novo Testamento, cerca de 50% da população de Roma era formada de
escravos. Como já dissemos, ela tinha mais de 1milhão e meio de habitantes. A grande maioria de
todos os crentes de Roma era de escravos

177 Gólgota ou Calvário (João 19.17). Literalmente significa "caveira". É o nome do lugar onde
Jesus foi crucificado. Tinha este nome porque ali ficavam jogados os ossos de algumas das pessoas
que eram crucificadas. Quando pensavam neste lugar, só lembravam das caveiras que tinham sido
deixadas lá..

178 A Babilônia, famosa por sua crueldade e poder nos tempos do Velho Testamento, fica situada
num deserto que está dentro dos limites do Iraque (terra de Saddan Russein). O mais espantoso é
que o governo do Iraque está trabalhando para reedificar a antiga Babilônia.

179 As Epístolas (cartas) do Novo testamento foram escritas antes dos Evangelhos (Mateus,
Marcos, Lucas e João). Estas epístolas foram escritas pelos apóstolos. Depois que eles e todas as
pessoas que tinham conhecido a Jesus morreram, não havia mais ninguém para contar as histórias
sobre a vida de Jesus. Por isso então foram escritos os Evangelhos, para que tudo o que Jesus fez e
ensinou fosse preservado para sempre. Você sabia? Confiram em Lucas cap. 1 versículos 1 a 4.

180 Thiago ou Jacó. Este nome vem do hebraico Yaqôbh (Jácó), que em grego é Iakobos (Thiago) e
no inglês é James. De acordo com Vila & Escuan, este nome significa "usurpador"

181 Corinto era uma importante cidade Grega aos tempos do Novo Testamento. Nessa época era
uma cidade com cerca de 600 mil habitantes. Era uma metrópole com várias religiões. Ali havia
adoração a todos os deuses. O principal culto praticado nesta região era a adoração à Afrodite
(deusa do amor erótico - e daí vem a palavra afrodisíaco). Quando Paulo chegou ali, muitas vidas
que estavam cansadas do pecado entregaram suas vidas ao Senhor Jesus, e a partir disso uma grande
igreja começou a nascer naquela grande cidade

182 Escribas (Mt. 23.2). Tinham esse nome porque escreviam (copiavam) os escritos bíblicos numa
época em todas as cópias tinham que ser feitas à mão. De tanto copiarem o Velho Testamento, eles
acabaram se tornado grandes conhecedores dos escritos bíblicos, por isso também eram chamados
de "doutores da Lei". Muitos escribas se converteram ao Senhor Jesus, mas a maioria era contra o
Cristianismo e por isso foram duramente criticados por Jesus.

183 Evangelho (Mc. 1.1). Essa palavra significa literalmente "Boa Notícia", mas muitas vezes, nos
textos bíblicos, ela significa a história do ministério de Jesus, isto é, suas obras, sua morte e
ressurreição. Assim, "crer no Evangelho" é crer que a vida, morte e ressurreição de Jesus são
poderosos para mudar os rumos da nossa vida mesmo nos dias de hoje.

184 O primeiro livro do Novo Testamento foi escrito cerca de 400 anos depois do último livro do

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Velho Testamento. Neste período de 400 anos foram escritos alguns livros não inspirados por Deus
conhecidos por "apócrifos", que são justamente os livros excedentes da bíblia católica.

185 Publicanos (Mt. 9.11). Eram funcionários públicos, mais especificamente "cobradores de
impostos". Os publicanos eram detestados pelo povo, pois cobravam impostos muito acima do que
o Império Romano havia estipulado

186 Tiago foi o primeiro livro do Novo Testamento a ser escrito, e muitos acreditam que sua escrita
tenha ocorrido entre 45 e 48 d.C. Os Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas) só foram escritos pelo
menos 10 anos depois de Tiago. E o Evangelho de João só foi escrito quase 45 anos depois de
Tiago.

187 Davi. Esse nome significa "amado" (J. Davis - p.149). Foi o nome do mais importante rei da
história de Israel. Uma variação desse nome é "Davidson" (em inglês, "filho de David").

188 Voto (Salmo 116.14). Significa promessa, compromisso, pacto ou acordo que alguém faz com
alguém. Normalmente os personagens do Antigo Testamento faziam votos (promessas) a Deus,
para que Ele lhes abençoasse em algum empreendimento ou necessidade particular. Uma pessoa
que faz votos mas não cumpre é uma pessoa infiel, e por isso deve pensar muito bem antes de
prometer alguma coisa a Deus.

189 "BÍBLIA" vem do grego "Biblion" (que significa "livro"). O plural de "biblion" é BÍBLIA (que
significa simplesmente "LIVROS).

190 Durante anos, os céticos declararam que MOISÉS não poderia ter escrito a primeira parte da
Bíblia porque a escrita era desconhecida na época (1500 A.C). A ciência da arqueologia provou
desde então que a escrita já era conhecida milhares de anos antes dos dias de Moisés. Os sumérios
já escreviam cerca de 4000 A.C., e os egípcios e babilônios quase nessa mesma época.

191 Judeu (Rm. 1.16). Este era o nome do povo que vivia numa tribo de Israel chamada JUDÁ.
Com o passar do tempo todos os israelitas passaram a ser chamados de "judeus", pois hoje a nação
de Israel ocupa apenas a região que era ocupada pela tribo de Judá. Se alguém tem descendência
judaica, então é um judeu, mesmo que venha a nascer em outro país.

192 Os Salmos 14 e 53 são um só. O Salmo 53 é apenas uma cópia do 14. A única diferença entre
eles é que as palavras no Salmo 14 estão distribuídas em sete versículos, e no Salmo 53 estão
distribuídas em seis versículos

193 O idioma que Jesus falava era o aramaico. Sim , esta era a língua praticada na Judéia e na
Galiléia dos tempos de Jesus. O Hebraico - idioma dos hebreus (judeus) descaracterizou-se em anos
anteriores aos tempos do Novo Testamento e desta descaracterização é que surgiu o aramaico, o
idioma que Jesus e seus discípulos falavam

194 Aba (Mc. 14.36). Esta é uma palavra aramaica que significa simplesmente "pai". Quando na
oração Jesus disse "aba", o autor do livro estava apenas informando qual foi a palavra exata que
saiu da boca de Jesus.

195 Lucas e Atos provavelmente são os únicos livros da Bíblia que não foram escritos por israelitas.
O médico Lucas (Cl. 4.14) é o autor desses dois livros. Todos os autores dos livros bíblicos têm
origem israelita, menos Lucas. Ele era grego e não tinha qualquer descendência israelita. Também,
ao contrário do que muitos imaginam, não tinha sido discípulo de Jesus

196 Igreja (Mt. 16.18). Esta palavra ocorre 109 vezes na Bíblia, mas não aparece nenhuma vez no

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Bibliologia

Antigo Testamento. É a tradução da palavra grega "eklesia" e significa "chamados para fora". O
conceito exato é que igreja é um povo que Jesus comprou com Seu sangue. A igreja não tem nome,
nem endereço, nem cor, nem tribo, nem nação. Ela não é uma instituição com templos,
organizações, etc. A igreja são as pessoas, o povo de Deus.

197 Apocalipse significa revelação. No grego tem a mesma raiz do verso "apocalipto", que significa
"tirar o véu". O último livro da Bíblia tem este nome porque se propõe revelar as coisas que estão
encobertas para os últimos dias

9. Os livros Apócrifos

LIVROS APÓCRIFOS (CURIOSIDADES)


Apócrifos = “escritos escondidos”, no grego.
Os livros de nosso Antigo Testamento (versão “evangélica”), embora em ordem diferente, são idênticos
aos livros das Escrituras hebraicas (utilizadas pelos judeus até hoje), no total de 39 livros.
Há, porém 14 livros contidos em algumas Bíblias, entre os 2 Testamentos. Originaram-se do 3 º ao 1º
Século A.C., a maioria dos quais de autores incertos, e foram adicionados á Septuaginta, tradução grega do
Antigo Testamento feita naquela período.
Detalhes sobre estes livros:
1) Não foram escritos no ANTIGO TESTAMENTO (Antigo Testamento) hebraico.
2) Foram produzidos depois de terem cessado as profecias e revelação direta do ANTIGO
TESTAMENTO
3) A maioria destes livros originaram-se fora da Palestina.
4) Josefo, um dos maiores historiadores judeus, que viveu na época da Igreja Primitiva, rejeitou-os
totalmente.
5) Não foram reconhecidos pela Igreja Primitiva como sendo de autoridade canônica, nem de
inspiração divina.
6) Nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte das
Escrituras hebraicas.
A palavra
7) Nunca foram citados por Jesus, nem por ninguém mais no
NOVO TESTAMENTO (Novo Testamento). “Apócrifo” significa
A Igreja Romana, no Concílio de Trento, de 1546, realizado para oculto, e com toda
deter o movimento da Reforma, declarou canônicos tais livros, que ainda probabilidade foi o
figuram na Versão de Matos Soares, etc. (Bíblica Católica Romana).
Os livros são os seguintes: 1 e 2 Esdras, Tobias, Judite, termo
complemento de Ester, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, primitivamente
Cântico dos Três Moços, História de Susana, Bel e o Dragão, Oração de utilizado por certas
Manassés, 1 e 2 Macabeus. seitas a respeito de
Fonte: Manual Bíblico, de H.H.Haley (Ed. Vida Nova)
LIVROS APÓCRIFOS livros seus, que eram
A palavra “Apócrifo” significa oculto, e com toda probabilidade foi guardados para o seu
o termo primitivamente utilizado por certas seitas a respeito de livros seus, próprio uso.
que eram guardados para o seu próprio uso.
O termo Apócrifo é, agora, restritivo aos livros não-Canônicos.
Posteriormente, o vernáculo apócrifos era aplicada aos livros expúrios.
Vejamos alguns:
• III de Esdras: trata dos fatos históricos desde o tempo de Josias até Esdras, sendo a maior parte da
matéria tirada dos livros das crônicas, de Esdras e de Neemias. Foi escrito, talvez, no 1º século depois de Cristo;
• IV de Esdras: Uma série de visões e profecias, especialmente, apocalípticas, que Esdras anunciou. É do
fim do 1º século depois de Cristo;

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Bibliologia

• Tobias: Uma narrativa lendária, interessante pelo conhecimento dos costumes dos antigos tempos de
Aicar. Cerca do princípio do 2º século depois de Cristo;
• Judite: Uma história a respeito de serem libertados os judeus do poder de Holofernes, General persa,
pela coragem da heroína Judite. Foi escrito cerca de meados do 2º século depois de Cristo;
• Ester: Capítulos adicionais à obra canônica. È talvez, do 2º século depois de Cristo;
• Sabedoria de Salomão: livro escrito um pouco no estilo do livro de provérbios, sendo precioso por
estabelecer o contraste entre a verdadeira sabedoria e o paganismo. A data de seu aparecimento deve ser entre o
ano cinqüenta antes de Cristo e dez depois de Cristo;
• Eclesiástico; ou sabedoria de Jesus, filho de Siraque: È uma coleção de ditos prudentes e judiciosos em
forma muito semelhante ao livro de provérbios. Foi escrito primitivamente em hebraico, cerca do ano Cento e
oitenta a cento e setenta e cinco antes de Cristo, e traduzido em grego depois de cento e trinta e dois antes de
Cristo. A maior parte do original hebraico foi descoberta entre os anos mil oitocentos e noventa e seis e mil e
novecentos;
• Baruque: uma pretensa profecia feita por Baruque na babilônia, com uma epistola ao mesmo Baruque
por Jeremias. Provavelmente é um escrito por volta do 2º século depois de Cristo;
• Adições à historia de Daniel: Isto é:
oO Cântico dos três jovens (Benedicite, com uma introdução);
oA história de Suzana, representando Daniel como justo Juiz;
oBel e o Dragão, em que Daniel mostra a loucura do paganismo. Há pouca base para determinar a data
destas adições.
• Oração de Manassés, rei de Judá, no seu cativeiro da babilônia. A data é desconhecida.
• Primeiro livro dos Macabeus, narrando os fatos da revolta macabeana que se deu no ano cento e sessenta
e sete antes de Cristo. Foi escrito por volta do ano oitenta antes de Cristo;
• Segundo livro dos Macabeus, assunto semelhante, porém mais legendário e homilético. Há também, o
terceiro livro dos Macabeus, que é, segundo parece, uma historia fictícia do ano duzentos e dezessete antes de
Cristo, tratando das relações do rei Egípcio, Ptolomeu IV com os judeus da Palestina e de Alexandria. Data
incerta, mas antes de setenta depois de Cristo. Existe ainda o quarto livro dos Macabeus, que é um ensaio
homilético, feito por um judeu de Alexandria, conhecedor da Escola Estóica, sobre a matéria contida no
Segundo livro dos Macabeus. É. Talvez, do 1º Século depois de Cristo. Ainda que os livros Apócrifos estejam
compreendidos na versão dos setenta, nenhuma citação certa se faz deles no Novo Testamento. É verdade que os
Pais muitas vezes os citaram isoladamente, como se fossem escritura sagrada, mas, na argumentação, eles
distinguiam os Apócrifos dos livros canônicos. São Jerônimo, em particular, no fim do quarto século depois Ed
Cristo, fez entre estes livros uma claríssima distinção. Para defender-se de ter limitado a sua tradução latina aos
livros do Cânon hebraico, ele disse: “Qualquer livro, além destes, deve ser contado entre os Apócrifos”, santo
Agostinho, porém trezentos e cinqüenta e quatro e quatrocentos e trinta depois de Cristo que não sabia hebraico,
juntava os apócrifos com os Canônicos como para diferenciá-los dos livros heréticos. Infelizmente,
prevaleceram as idéias deste escritor, e, ficaram, os livros apócrifos na edição oficial (a vulgata) da Igreja Ed
Roma. O concílio de Trento, mil quinhentos quarenta e seis, aceitou “todos os livros (...) com igual sentimento e
reverência”. E anatematizou os que não os consideravam de igual modo. A Igreja Anglicana, pelo tempo da
reforma, nos seus trinta e nove artigos (1563 e1571), seguiu precisamente a maneira de ver São Jerônimo, não
julgando os Apócrifos como livros das santas escrituras, mas aconselhando a sua leitura “para exemplo de vida e
instrução de costumes.
• Livros pseudo-epígrafos. Nenhum artigo sobre os livros apócrifos pode omitir estes inteiramente, porque
de ano para ano está sendo mais compreendida a sua importância. Chamam-se Pseudo-Epígrafos, porque se
apresentam como escritos pelos Santos do Antigo Testamento. Eles são amplamente apocalípticos, e
representam esperanças e expectativas que não produziram boas influências no Primitivo Cristianismo.
oEntre eles, podem mencionar-se o Livro de Enoque (Etíope), que é citado em Judas 14. Atribui-se
várias datas pelos últimos dois séculos da era cristã.
o Os segredos de Enoque (eslavo), livro escrito por um judeu helenista, ortodoxo, na primeira metade do
primeiro século depois de Cristo.
oO Livro dos Jubileus (dos Israelitas), ou o Pequeno Gênesis, tratando de uma forma imaginária e
legendária escrito por um fariseu entre os anos de cento e trinta e cinco e cento e cinco antes de Cristo.

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oOs Testamentos dos Doze Patriarcas: É este livro um alto modelo de ensino moral. Pensa-e que o
original hebraico foi composto nos anos 109 a 107 AC, e a tradução grega, em que a obra chegou até nós, foi
feita antes do ano 50dc.
oOs oráculos Sibilinos, livros III-V: Descrições poéticas das condições passadas e futuras dos judeus; a
parte mais antiga é colocada cerca de 140 AC, sendo a porção mais moderna do ano 80 da nossa era, pouco mais
ou menos.
oOs salmos de Salomão, entre 70 e 40 AC;
oAs odes de Salomão, cerca do ano cem da nossa Era (tempo), são provavelmente escritos cristãos.
oO apocalipse Ciríaco de Baruque (II Baruque), 60 a cem dc.
oO apocalipse grego de Baruque (III Baruque), do segundo século da nossa Era;
oA Assunção de Moisés 7 a 30 dc.
oA Ascensão de Isaías, do primeiro século ou do segundo século dc.
• Os livros Apócrifos do Novo Testamento. Sob este nome são algumas vezes reunidos vários escritos
cristãos de primitiva data, que pretendem dar novas informações acerca de Jesus Cristo e seus Apóstolos, ou
novas instruções sobre a natureza do cristianismo em nome dos primeiros cristãos. Entre os evangelhos apócrifos
podem mencionar-se: o evangelho segundo os hebreus (há fragmentos do segundo século);
oO Evangelho Segundo São Tiago, tratando do nascimento de Maria e de Jesus (segundo século);
• Ainda que casualmente algum livro não-Canônico se ache apenso a manuscritos do Novo Testamento,
esse fato é, contudo, tão raro que podemos dizer que, na realidade, nunca se tratou seriamente de incluir qualquer
deles no Cânon
oOs Atos de Pilatos.
oAtos, os de Paulo e Tecla (segundo século);
oAtos de Pedro (terceiro século);
oEpístolas, a de Barnabé (fim do século primeiro);
oApocalipses, o de Pedro (segundo Século);

10. A Bíblia por Ela Mesma


Como nós, cristãos, sabemos, a Bíblia é:
• A Palavra de Deus – Sl 33.4;
• A Verdade – Jo. 17.17;
• Completa – Ap. 22.18,19;
• Eterna – Is. 40.8;
• Inspirada – II Tm. 3.16;
• Obra do Espírito Santo – II Ped. 1.21;
• Escrita por ordem divina – Jr. 36.1,6;
• Alimento – Mt. 4.4; Dt. 8.3;
• Mais prezada que o próprio alimento – Jó. 23.12;
• Mais doce que o mel – Sl. 119.103;
• Fonte de alegria – Jr. 36.1-6;
• O leite racional – I Ped. 2.2;
• Lâmpada e luz – Sl. 119.105;
• Divinamente inspirada – I Ped. 1.21;
• Alimento desejado – Jr. 15.16; Ez. 3.1,3; Ap. 10.6,10;
• Absolutamente digna de confiança – I Rs. 8.56; Mt. 5.18;
• Pura – Sl. 19.8; 119.140;
• Santa, Justa e Boa – Rm. 7.12;
• Perfeita – Sl. 19.7; Rm. 12.2;
• Verdadeira – Sl. 119.142;
• Eterna Sl 119.89; Mt. 24.35;
• Etc..
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Bibliologia

Questionário

Responda as seguintes perguntas acerca do Tema Noções de Bibliologia. Este questionário contém alguns
subsídios a ser utilizados na nossa prova.
1. O que significa Testamento?

2. Quais as palavras, na Bíblia, traduzidas por Testamento?

3. Quantos Livros Há no Velho Testamento?

4. Quantos Livros Há no Novo Testamento?

5. Em quantos anos foi escrito Velho Testamento?

6. Em quantos anos foi escrito Novo Testamento?

7. Quantos foram os anos de silêncio (Período Interbíblico)?

8. Em Quais Livros da Bíblia Jesus Esta Presente;

9. O que significa Apócrifo?

10. Quais as Traduções mais antigas da Bíblia?

11. Quais os Livros do Pentateuco?

12. Quais os Livros Históricos?

13. Quais os Livros Poéticos?

14. Quais os Livros Proféticos

15. Quais os Livros Biográficos? Quais são os sinóticos?

16. Qual é o Livros Histórico do Novo Testamento?

17. Quais as Epístolas Paulinas? Quais São as Pastorais? Quais as de prisão?

18. Quais as Epístolas Católicas ou Universais?

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19. Quem escreveu a Epístola aos Hebreus?

20. Qual é o livro Profético do Novo Testamento?

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Questionário 2

Medite nos textos bíblicos abaixo e responda com suas próprias palavras.
1. Quem foi que escreveu a Bíblia?
II Pedro 1.21
2. Qual é o tema central da Bíblia?
Jo 5.39 compare com Mt 20.28
3. Como a Bíblia que é a Palavra de Deus age?
Sl 119.15
Sl 119.72
Sl 119.103
Tg 1.23
Hb 4.12
Jr 23.29
Is 55.10
Lc 8.11
Dt 8.3
Ef 5.23
4. Conhecimentos bíblicos.
4.1. O que quer dizer a palavra Bíblia?
4.2. Encontramos a palavra Bíblia, na própria Bíblia?
4.3. Aproximadamente, quantos autores escreveram a Bíblia?
4.4. Em quantas línguas a Bíblia foi escrita?
4.5. Como está dividida a Bíblia?
4.6. Quantos livros têm o Velho Testamento?
4.7. Quantos livros têm o Novo Testamento?
4.8. Quanto tempo demorou para se formar a Bíblia?
4.9. Como podemos classificar o VT?
4.10. Como podemos classificar o NT?
4.11. O Velho Testamento está relacionado como o Novo? Por que?
5. O que é revelação?
5.1. O que é revelação geral? Cite versículos da Bíblia!
5.2. O que é revelação especial? Cite versículos da Bíblia!
6. O que é inspiração?
6.1. Como a inspiração se revela? Comprove com a Bíblia!
7. O que é Iluminação?
8. Por que é de suma importância orar antes de ler a Bíblia?
Jo 14.26
9. Por que devemos praticar a Palavra de Deus?
Mt 7.24-25 compare com Tg 1.22-25

Conclusão
Este é o livro mais polêmico de todos os tempos, porém é fonte de esperança, não só para os que nele
crêem, mas também a todos os que vierem a crer na palavra de Deus.

Bibliografia Consultada e Recomendada

• Heresiologia, EETAD, 1994;


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• Bíblia sagrada. ARC, 1987;


• Bíblia sagrada. ARA, 1993;
• Arante, Janildo da Silva e Queiroz, Anderson Raulino. O Caminho do Justo. Ágape Estudos
Bíblicos. Novembro de 1996;
• Buckland, A. R.. Glossário Bíblico Universal. 2 ed. . Vida,USA, 1998. (traduzida por Joaquim
dos santos Figueiredo);
• Colaboração: Walney Lopes Cosmo e Josué dos Santos Barbosa.
• www.teologia.org.br/biblia/abiblia.htm
• www.EBDONLINE.com.br
• ZANL,UCA Júlio César. CURSO NOVO TESTAMENTO. Reprodução permitida, desde que
de forma gratuita e citando-se a fonte

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Bibliologia

APÊNDICE

GLOSSÁRIO

ALGUNS TERMOS IMPORTANTES:

MANUSCRITOS: Conforme o próprio APÓCRIFOS: Apócrifo do grego =


nome sugere significa "Escritos à mão"; São rolos OCULTO - Sem inspiração divina. A Bíblia
ou livros da antiga literatura. protestante tem 66 livros, 7 a menos que a Bíblia
PAPIRO: Era uma planta aquática que católica. Os livros de Baruc, Tobias, Judite,
crescia junto aos rios, lagos e banhados do Oriente Sabedoria, Eclesiástico, 1º e 2º Macabeus e parte
da casca dessa planta se faziam às folhas para os dos livros de Ester e Daniel fazem parte da Bíblia
manuscritos, e estas eram de 15 a 27 cm de Católica; os mesmos não constam na bíblia
cumprimento; as tiras extraídas do papiro eram protestante. Razões teológicas e históricas levaram
coladas uma a outra até formarem um rolo de os judeus - e depois os protestantes - a considerar
qualquer extensão; de papiro derivou-se a nossa esses livros como livros apócrifos.
palavra papel. COMPOSIÇÃO DA BÍBLIA: A Bíblia é
PERGAMINHO: É a pele de animais composta de dois testamentos; são eles, o "Antigo e
curtida e polida utilizada na escrita; é uma material o Novo Testamento". O Antigo Testamento contém
de qualidade superior ao papiro. A origem do os livros sagrados dos judeus, isto é, a "coleção das
pergaminho: Do latim pergamina, de Pergamo. escrituras que o povo hebreu foi acumulando desde
"Segundo Plínio, o nome pergaminho teve origem o tempo de Moisés até cerca de um século antes de
com o que aconteceu ao rei de Pérgamo, Eumenis Jesus Cristo; Nos diversos livros dessa coleção
II, em 160 AC. Este rei planejou formar uma acham-se os principais fatos históricos e outras
biblioteca maior que a de Alexandria, no Egito". O manifestações da vida espiritual desse povo". A
rei desse país, por inveja, proibiu a exportação de língua original do Antigo Testamento é o Hebraico,
papiro para Pérgamo, obrigando Eumenis a recorrer com ligeira exceção: Ed 4.8 - 8.18; 7.12-26; Jr
ao processo de preparar peles para escrita. Isto 10.11; Dn 2.4-7 - 7.28, escritos em aramaico. Três
promoveu o surgimento de um novo método de séculos antes de Cristo, o AT foi traduzido para o
prepará-las tão aperfeiçoado que a cidade-estado grego em Alexandria, autorizado pelos setenta e
deu o nome ao pergaminho (2 Tm 4.13). dois juizes ou príncipes do Sinédrio (Versão dos
FORMATO PRIMITIVO DA BÍBLIA: A LXX), aproximadamente no ano de 275 AC. Foi
Bíblia foi originalmente escrita em forma de rolos, esta versão que dividiu e situou os livros por
sendo cada livro um rolo. assuntos, como temos hoje: Lei, História, Poesia,
O VOCÁBULO BÍBLIA: Literalmente Profecia. Citada freqüentemente por Jesus. A
significa "Coleção de livros pequenos"; é um disposição, divisão e ordem dos livros no Cânon
vocábulo grego, derivado do nome que os gregos hebraico é também diferente da nossa; nele temos
davam ás folhas do papiro preparadas para a escrita 24 livros, enquanto que no nosso temos 39; Damos
"biblos"; um rolo de papiro de tamanho pequeno era a seguir essa disposição dentro da tríplice divisão do
chamado "biblion" e vários destes, era uma Bíblia. cânon já mencionada (Lei, Profetas e Escritos).
CÂNON: É uma palavra grega e significa 1- LEI - 5 livros -: Gênesis, Êxodo, Levítico,
literalmente "Vara reta de medir"; no sentido Números e Deuteronômio.
religioso Cânon não significa aquilo que mede, mas 2- PROFETAS - 8 livros - divididos em 2
aquilo que serve de regra ou norma. grupos:
ESCRITURAS CANÔNICAS: É a coleção 2-1- Primeiros Profetas: São 4 livros - Josué,
completa dos livros divinamente inspirados, Juizes, Samuel e Reis.
constituindo a Bíblia. Obs. No Cânon hebraico, 1º e 2º Samuel e 1º
TORÁ: Nome dado pelos judeus aos livros e 2º Reis são contados como um só livro.
da Lei; os cinco primeiros livros da Bíblia, também 2-2- Últimos Profetas: Isaías, Jeremias,
conhecidos como "O Pentateuco". Ezequiel e os Doze.
PENTATEUCO: É a junção das palavras Obs. Os doze profetas menores aparecem no
PENTA = CINCO + TEUCO = VOLUMES, logo, Cânon hebraico como um único livro também.
Pentateuco significa cinco volumes, referindo-se 3- ESCRITOS - 11 livros, divididos em 3
aos cinco primeiros livros da Bíblia. grupos:
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Bibliologia

3-1- Livros Poéticos: São 3 livr5os; Salmos, 2 - Rute: No Pentecoste, na celebração da


Provérbios e Jó. colheita, em seu inicio;
3-2- Os cinco Rolos: São 5 livros; Cantares, 3 - Ester: Na Festa do Purim, comemorando o
Rute, Lamentações, Eclesiastes e Éster. livramento de Israel da mão do mau Hamã;
3-3-Livros Históricos: São 3 livros; Daniel, 4 - Eclesiastes: Na Festa dos tabernáculos -
Esdras/Neemias e Crônicas. festa de gratidão após a colheita;
Obs. Esdras e Neemias também são contados 5 - Lamentações: No mês de Abibe,
como um único livro, assim como 1º e 2° Crônicas. relembrando a destruição de Jerusalém pelos
Nota: Os Cinco Rolos eram assim chamados babilônios.
porque eram rolos separados, lidos anualmente em Obs. No cânon hebraico os livros não estão
festas distintas, assim: em ordem cronológica ( Ordem exata em que foram
1 - Cantares: Na Páscoa, em alusão ao Êxodo; escritos); Os judeus não se preocupavam com um
sistema cronológico.

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Anexo:
ESCRITURA
Provamos que a Escritura é a autoridade definitiva no sistema cristão, e que nosso conhecimento de Deus
depende dela. Portanto, é apropriado começar o estudo da teologia examinando os atributos da Escritura.
A NATUREZA DA ESCRITURA
Devemos enfatizar a natureza verbal ou proposicional da revelação bíblica. Numa época em que muitos
menosprezam o valor de palavras, em prol de imagens e sentimentos, devemos notar que Deus escolheu se
revelar através das palavras da linguagem humana.
A comunicação verbal é um meio adequado de transmitir informação de e sobre Deus.
Isto não somente afirma o valor da Escritura como uma revelação divina significante, mas também o valor
da pregação e da escrita como meios para comunicar a mente divina, como apresentada na Bíblia.
A própria natureza da Bíblia como uma revelação proposicional, testifica contra as noções populares de
que a linguagem humana é inadequada para falar sobre Deus, que as imagens são superiores às palavras, que a
música tem valor maior que o da pregação, ou que as experiências religiosas podem ensinar mais a uma pessoa,
sobre as coisas divinas, do que os estudos doutrinais.
Alguns argumentam que a Bíblia fala numa linguagem que produz vívidas imagens na mente do leitor.
Contudo, esta é somente uma descrição da reação de alguns leitores; outros podem não responder do mesmo
modo às mesmas passagens, embora eles possam captar a mesma informação delas. Assim, isso não conta contra
o uso de palavras como a melhor forma de comunicação teológica.
Se imagens são superiores, então, por que a Bíblia não contém nenhum desenho? Não seria a sua inclusão
a melhor maneira de se assegurar que ninguém formasse imagens mentais errôneas, se são elas deveras um
elemento essencial na comunicação teológica?
Mesmo se imagens fossem importantes na comunicação teológica, o fato de que Deus escolheu usar
palavras-imagens ao invés de desenhos reais, implica que as palavras são suficientes, se não superiores. Mas
além de palavras-imagens, a Escritura também usa palavras para discutir as coisas de Deus em termos abstratos,
não associados com quaisquer imagens.
Uma figura não vale mais do que mil palavras. Suponha que apresentemos um desenho da crucificação de
Cristo a uma pessoa que não tenha qualquer background cristão. Sem qualquer explicação verbal, seria
impossível para ela constatar a razão para sua crucificação e o significado dela para a humanidade. A imagem
em si mesma não mostra nenhuma relação alguma entre o evento e qualquer coisa espiritual ou divina. Ela não
mostra se o evento foi histórico ou fictício. A pessoa, ao olhar para o desenho, não saberia se o ser executado à
morte era culpado de algum crime, e não haveria como saber as palavras que ele falou enquanto estava na cruz.
A menos que haja centenas de palavras explicando a figura, a imagem, por si só, não tem nenhum significado
teológico. Mas, uma vez que há muitas palavras para explicá-la, alguém dificilmente necessitará de imagem.
O ponto de vista que exalta a música acima da comunicação verbal sofre a mesma crítica. É impossível
derivar qualquer significado religioso da música, se ela é executada sem palavras. É verdade que o Livro de
Salmos consiste de uma grande coleção de cânticos, provendo-nos com uma rica herança para adoração, reflexão
e doutrina.
Contudo, as melodias originais não acompanharam as palavras dos salmos; nenhuma nota musical
acompanha qualquer um dos cânticos na Bíblia. Na mente de Deus, o valor dos salmos bíblicos está nas
palavras, e não nas melodias. Embora a música desempenhe um papel na adoração cristã, sua importância não se
aproxima das palavras da Escritura ou do ministério da pregação.
Com respeito às experiências religiosas, até mesmo uma visão de Cristo não é de mais valia do que mil
palavras da Escritura. Não se pode provar a validade de uma experiência religiosa, seja uma cura miraculosa ou
uma visitação angélica, sem o conhecimento da Escritura. Os encontros sobrenaturais mais espetaculares são
vazios de significado sem a comunhão verbal para informar a mente.
O episódio inteiro de Êxodo não poderia ter ocorrido, se Deus houvesse permanecido em silêncio quando
apareceu a Moisés, através da sarça ardente. Quando Jesus apareceu num resplendor de luz, na estrada de
Damasco, o que teria acontecido se Ele se recusasse a responder quando Saulo de Tarso lhe perguntou: “Quem
és, Senhor?” A única razão pela qual Saulo percebeu quem estava falando com ele, foi porque Jesus respondeu
com as palavras: “Eu sou Jesus, a quem persegues” (Atos 9:3-6). As experiências religiosas são sem significado,
a menos que acompanhadas pela comunicação verbal, transmitindo conteúdo intelectual.

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Outra percepção errônea com respeito à natureza da Bíblia é considerar a Escritura como um mero registro
de discursos e eventos reveladores, e não a revelação de Deus em si mesma. A pessoa de Cristo, suas ações e
seus milagres revelavam a mente de Deus, mas é um engano pensar que a Bíblia é meramente um relato escrito
deles. As próprias palavras da Bíblia constituem a revelação de Deus para nós, e não somente os eventos aos
quais elas se referem.
Alguns temem que uma forte devoção à Escritura implica em estimar mais o registro de um evento
revelador do que o evento em si mesmo. Mas, se a Escritura possui o status de revelação divina, então tal
preocupação não tem fundamento. Paulo explica que “Toda Escritura é soprada por Deus” (2 Timóteo 3:16). A
própria Escritura foi soprada por Deus. Embora os eventos que a Bíblia registra possam ser reveladores, a única
revelação objetiva com a qual temos contato direto é a Bíblia.
Visto que a elevada opinião da Escritura que advogamos aqui é somente a que a própria Bíblia afirma, os
cristãos devem rejeitar toda doutrina exposta como sendo da Escritura que comprometa nosso acesso à revelação
infalível de Deus. Sustentar uma opinião inferior sobre a Escritura destrói a revelação como a autoridade última
de alguém, e, então, é impossível superar o problema de epistemologia resultante. 1
Enquanto uma pessoa negar que a Escritura seja a revelação divina em si mesma, ela permanece sendo
“apenas um livro”, e essa pessoa hesita em lhe dar reverência completa, como se fosse possível adorá-la
excessivamente. Há supostos ministros cristãos que pressionam os crentes a olhar para “o Senhor do livro, e não
para o livro do Senhor”, ou para algo com esse objetivo. Mas, visto que as palavras da Escritura foram sopradas
por Deus, e aquela é a única revelação objetiva e explícita de Deus, é impossível olhar para o Senhor sem olhar
para o seu livro. Visto que as palavras da Escritura são as próprias palavras divinas, alguém está olhando para o
Senhor somente até onde estiver olhando para as palavras da Bíblia. Nosso contato com Deus é através das
palavras da Escritura. Provérbios 22:17-21 indica que confiar no Senhor é confiar em suas palavras:
Preste atenção e ouça os ditados dos sábios, e aplique o coração ao meu ensino.
Será uma satisfação guardá-los no íntimo e tê-los todos na ponta da língua. Para que você confie no
Senhor, a você hoje ensinarei. Já não lhe escrevi conselhos e instruções, ensinando-lhe palavras dignas de
confiança, para que você responda com a verdade a quem o enviou?
Deus governa sua igreja através da Bíblia; portanto, nossa atitude para com ela reflete nossa atitude para
com ele. Ninguém que ama a Deus não amará as suas palavras da mesma forma. Aqueles que declaram amá-lo,
devem demonstrar isso por uma obsessão zelosa para com as suas palavras:
Como eu amo a tua lei! Medito nela o dia inteiro... Como são doces para o meu paladar as tuas palavras!
Mais que o mel para a minha boca! (Salmo 119:97,103) O temor do Senhor é puro, e dura para sempre. As
ordenanças do Senhor são verdadeiras, são todas elas justas. São mais desejáveis do que o ouro, do que muito
ouro puro; são mais doces do que o mel, do que as gotas do favo. (Salmo 19:9-10)
Uma pessoa ama a Deus somente até onde ame a Escritura. Pode haver outras indicações do amor de
alguém para com Deus, mas o amor por sua palavra é um elemento necessário, pelo qual todos os outros
aspectos da nossa vida espiritual são mensurados.

A INSPIRAÇÃO DA ESCRITURA
A Bíblia é a revelação verbal ou proposicional de Deus. É Deus falando a nós. É a voz do próprio Deus. A
própria natureza da Bíblia indica que a comunicação verbal é a melhor maneira de transmitir a revelação divina.
Nenhum outro modo de se conhecer a Deus é superior ao estudo da Escritura, e nenhuma outra fonte de
informação sobre Deus é mais precisa, acurada e abrangente.
O apóstolo Paulo diz:
Toda Escritura é soprada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir
em justiça; para que o homem de Deus seja plenamente preparado para toda boa obra (2 Timóteo 3:16-17).
Todas as palavras da Bíblia foram sopradas por Deus. 2 Tudo que podemos chamar de Escritura foi
inspirado por Deus. Que a Escritura é “soprada por Deus” refere-se a sua origem divina. Tudo da Escritura
procede de Deus; portanto, podemos corretamente chamar a Bíblia de “a palavra de Deus”. Esta é a doutrina da
INSPIRAÇÃO DIVINA.
O conteúdo da Escritura consiste de todo o Antigo e Novo Testamento, sessenta e seis documentos no
total, funcionando como um todo orgânico. O apóstolo Pedro dá endosso explícito aos escritos de Paulo,
reconhecendo seu status de Escritura inspirada:

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Tenham em mente que a paciência de nosso Senhor significa salvação, como também o nosso amado
irmão Paulo lhes escreveu, com a sabedoria que Deus lhe deu. Ele escreve da mesma forma em todas as suas
cartas, falando nelas destes assuntos. Suas cartas contêm algumas coisas difíceis de entender, as quais
os ignorantes e instáveis torcem, como também o fazem com as demais Escrituras, para a própria
destruição deles (2 Pedro 3:15-16).
Pedro explica que os homens que escreveram a Escritura foram “impelidos pelo Espírito Santo”, para que
nenhuma parte dela “tivesse origem na vontade de homem” ou pela “interpretação pessoal do profeta” (2 Pedro
1:20-21).
A Bíblia é uma revelação verbal exata de Deus, a ponto de Jesus dizer que “Digo-lhes a verdade:
Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que
tudo se cumpra” (Mateus 5:18). Deus exerceu tal controle preciso sobre a produção da Escritura que o seu
conteúdo, na própria letra, é o que ele desejava colocar em escrito.
Essa elevada opinião da inspiração escriturística não supõe ditado. Deus não ditou sua palavra aos profetas
e apóstolos como um patrão dita suas cartas para uma secretária. A princípio, alguém pode tender a pensar que o
ditado seria a mais alta forma de inspiração, mas não o é. Um patrão pode ditar suas palavras à secretária, mas
ele não pode ter controle sobre os detalhes diários da vida dela — seja passado, presente ou futuro —e tem ainda
menos poder sobre os seus pensamentos.
Em contraste, a Bíblia ensina que Deus exercita controle total e preciso sobre cada detalhe de sua criação,
a tal ponto que até mesmo os pensamentos dos homens estão sob o seu controle. 3
Isso é verdade com respeito a todo indivíduo, incluindo os escritores bíblicos. Deus de uma tal forma
ordenou, dirigiu e controlou as vidas e pensamentos 4 de seus instrumentos escolhidos que, quando o tempo
chegou, suas personalidades e os seus cenários eram perfeitamente adequados para escrever aquelas porções da
Escritura que Deus tinha designado para eles:5
Disse-lhe o SENHOR: “Quem deu boca ao homem? Quem o fez surdo ou mudo? Quem lhe concede vista
ou o torna cego? Não sou eu, o SENHOR? Agora, pois, vá; eu estarei com você, ensinando-lhe o que dizer”
(Êxodo 4:11-12).
A palavra do Senhor veio a mim, dizendo: “Antes de formá-lo no ventre eu o escolhia; antes de você
nascer, eu o separei e o designei profeta às nações”... O Senhor estendeu a mão, tocou a minha boca e disse-me:
“Agora ponho em sua boca as minhas palavras” (Jeremias 1:4-5,9).
Irmãos, quero que saibam que o evangelho por mim anunciado não é de origem humana. Não o recebi de
pessoa alguma nem me foi ele ensinado; ao contrário, eu o recebi de Jesus Cristo por revelação.... Mas Deus me
separou desde o ventre materno e me chamou por sua graça. Quando lhe agradou revelar o seu Filho em mim
para que eu o anunciasse entre os gentios... (Gálatas 1:11-12, 15-16).
Então, quando chegou o tempo de escrever, o Espírito de Deus supervisionou o processo para que o
conteúdo da Escritura fosse além do que a inteligência natural dos escritores pudesse conceber. 6 O produto foi a
revelação verbal de Deus, e ela foi literalmente o que Ele desejava pôr por escrito. Deus não encontrou as
pessoas certas para escrever a Escritura; Ele fez as pessoas certas para escrevê-la, e então, supervisionou o
processo de escrita. 7
Portanto, a inspiração da Escritura não se refere somente aos tempos em que o Espírito Santo exerceu
controle especial sobre os escritores bíblicos, embora isto tenha deveras acontecido, mas a preparação começou
antes da criação do mundo. A teoria do ditado, a qual a Bíblia não ensina, é, em comparação, uma opinião
inferior a respeito da inspiração, atribuindo a Deus um controle menor sobre o processo.
Esse ponto de vista acerca da inspiração explica o suposto “elemento humano” evidente na Escritura. Os
documentos bíblicos refletem vários cenários sociais, econômicos e intelectuais dos autores, suas diferentes
possibilidades, e seus vocabulários e estilos literários singulares. Este fenômeno é o que se poderia esperar, dado
o ponto de vista bíblico sobre a inspiração, no qual Deus exerceu controle total sobre a vida dos escritores, e não
somente sobre o processo de escrita. O “elemento humano” da Escritura, portanto, não prejudica a doutrina da
inspiração, mas é consistente com ela e pela mesma explicado.

A UNIDADE DA ESCRITURA
A inspiração subentende a unidade da Escritura. Que as suas palavras procedem de uma única mente
divina, faz supor que a Bíblia deve exibir uma coerência perfeita. Isso é o que encontramos na Bíblia. Embora a
personalidade distinta de cada escritor bíblico seja evidente, o conteúdo da Bíblia como um todo exibe uma

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unidade e desígnio que revela um único autor divino. A consistência interna caracteriza os vários documentos
escriturísticos, de forma que uma parte não contradiz outra.
Jesus pressupõe a coerência da Escritura quando responde à seguinte tentação de Satanás:
Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse: “Se és o Filho de
Deus, joga-te daqui para baixo. Pois está escrito: “Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles
o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra”. Jesus lhe respondeu: “Também
está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus’” (Mateus 4:5-7).
Satanás encoraja Jesus a pular do templo citando Salmo 91:11-12. Jesus replica com Deuteronômio 6:16,
subentendendo que o uso da passagem por Satanás contradiz aquela instrução e, portanto, é uma má-aplicação.
Quando alguém entende ou aplica uma passagem da Escritura de uma maneira que contradiz outra passagem, é
porque manejou mal o texto. O argumento de Cristo aqui presume a unidade da Escritura, e nem mesmo o diabo
pôde contestá-la.
Numa outra ocasião, quando Jesus tratava com os fariseus, seu desafio para com eles supõe a unidade da
Escritura e a lei da não-contradição:
E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus, dizendo: Que pensais vós do Cristo? De Estando os
fariseus reunidos, Jesus lhes perguntou: “O que vocês pensam a respeito do Cristo? De quem ele é filho?” “É
filho de Davi”, responderam eles. Ele lhes disse: “Então, como é que Davi, falando peloEspírito, o chama
‘Senhor’? Pois ele afirma: “ ‘O Senhor disse ao meu Senhor:
Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo de teus pés ’. Se, pois, Davi o chama
‘Senhor’, como pode ser ele seu filho?” Ninguém conseguia responder-lhe uma palavra; e daquele dia em diante,
ninguém jamais se atreveu a lhe fazer perguntas (Mateus 22:41-46).
Visto que Davi estava “falando pelo Espírito”, ele não poderia ter errado. Mas, se o Cristo haveria de ser
um descendente de Davi, como ele poderia ser seu Senhor ao mesmo tempo? Que isso coloca um problema
significa, em primeiro lugar, que tanto Jesus como sua audiência admitiam a unidade da Escritura e a lei da não-
contradição.
Se eles reconhecessem que a Escritura se contradiz, ou que alguém pode afirmar duas proposições
contraditórias, então Jesus não estaria significativamente fazendo questão em absoluto. A resposta aqui é que o
Messias é tanto divino como humano e, portanto, tanto “Senhor” como “filho” de Davi.
Mas é popular encorajar-se uma tolerância para com as contradições na teologia. Alister McGrath escreve
em seu livro Understanding Doctrine:
O fato de que algo é paradoxal e até mesmo autocontraditório, não o invalida...
Aqueles dentre nós que têm trabalhado no campo científico estão muitíssimos conscientes da completa
complexidade e do caráter misterioso da realidade. Os eventos subjacentes à teoria quântica, as dificuldades de
se usar modelos na explicação científica — para mencionar apenas dois fatores de que posso lembrar claramente
do meu próprio período como cientista natural — apontam para a inevitabilidade do paradoxo e da contradição
em tudo, exceto quando o compromisso com a realidade é o mais superficial.... 8 Isso não tem sentido.
Admitindo que McGrath conheça ciência o suficiente para falar sobre o assunto, 9 esse é um testemunho contra
a ciência, e não um argumento para se tolerar contradições na teologia. Ele pressupõe a confiabilidade da ciência
e julga todas as outras disciplinas por ela. Parafraseando-o, se há contradições na ciência, então, as contradições
devem ser aceitas, e deve-se tolerá-las quando surgirem também numa reflexão teológica.
Contudo, uma razão para rejeitar a confiabilidade da ciência é precisamente porque ela freqüentemente se
contradiz. A ciência é uma disciplina pragmática, útil para manipular a natureza e avançar a tecnologia, mas que
não pode descobrir nada sobre a realidade. O conhecimento sobre a realidade vem somente de deduções válidas
da revelação bíblica, e nunca de métodos científicos ou empíricos. 10 McGrath não nos dá nenhum argumento
para ignorar ou tolerar as contradições na ciência; ele apenas assume a confiabilidade dela, a despeito das
contradições. Mas, ele não dá nenhuma justificativa para assim o fazer.
O que torna a ciência o padrão último pelo qual devemos julgar todas as outras disciplinas? O que dá à
ciência o direito de criar as regras para todos os outros campos de estudo? McGrath declara que a ciência aponta
“para a inevitabilidade do paradoxo e da contradição em tudo, exceto se o compromisso com a realidade for o
mais superficial”. Porém, ciência não é teologia. Além do mais superficial “compromisso com a realidade” —
embora eu negue a confiabilidade da ciência até mesmo em tal nível— a ciência gera contradições e desmorona,
mas isto não quer dizer que a teologia sofra o mesmo destino.

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A teologia trata de Deus, que tem o direito e poder para governar tudo da vida e do pensamento. Deus
conhece a natureza da realidade, e a comunica para nós através da Bíblia. Portanto, é a teologia que cria as regras
da ciência, e um sistema bíblico de teologia não contém paradoxos ou contradições.
Qualquer proposição que afirme uma coisa é, necessariamente, uma negação do seu oposto. Afirmar X é
negar não-X, e afirmar não-X é afirmar X. Para simplificar, suponha que o oposto de X é Y, de forma que
Y=não-X. Então, afirmar X é negar Y, e afirmar Y é negar X. Ou, X=não-Y, e Y=não-X. Visto que afirmar uma
proposição é, ao mesmo tempo, negar o seu oposto, afirmar X e Y ao mesmo tempo é o equivalente a afirmar
não-Y e não-X. Afirmar duas proposições contrárias é, na realidade, negar ambas. Mas afirmar tanto não-Y
como não-X, é afirmar também X e Y, que significa novamente negar Y e X. E, assim, toda a operação se torna
sem sentido. É impossível afirmar duas proposições contrárias ao mesmo tempo.
Afirmar a proposição, “Adão é um homem” (X) é, ao mesmo tempo, negar a proposição contrária, “Adão
não é um homem” (Y, ou não-X). Da mesma forma, afirmar a proposição, “Adão não é um homem” (Y), é negar
a proposição contrária, “Adão é um homem” (X). Ora, afirmar tanto “Adão é um homem” (X) como “Adão não
é um homem” (Y) não é nada mais do que negar ambas as proposições na ordem inversa. Ou seja, é equivalente
a negar “Adão não é um homem” (Y) e negar “Adão é um homem” (X). Mas então, isto é o mesmo que voltar a
afirmar as duas proposições na ordem inversa outra vez. Quando afirmamos ambas, negamos ambas; quando
negamos ambas, afirmamos ambas. Afirmar duas proposições contrárias, portanto, não gera nenhum significado
inteligível. É o mesmo que não dizer nada.
Admita que a soberania divina e a liberdade humana sejam contraditórias. Alguns teólogos, alegando que
a Bíblia ensina ambas, encorajam seus leitores a afirmarem aquelas duas. Contudo, se afirmar a soberania divina
é negar a liberdade humana, e afirmar a liberdade humana é negar a soberania divina, então, afirmar ambas
significa rejeitar tanto a soberania divina (na forma de uma afirmação da liberdade humana)
como a liberdade humana (na forma de uma afirmação da soberania divina). Nesse exemplo, visto que a
Bíblia afirma a soberania divina e nega a liberdade humana, não há contradição —nem mesmo uma que seja
aparente. 11Por outro lado, quando incrédulos alegam que a encarnação de Cristo acarreta uma contradição, a
qual é o contexto da passagem acima de McGrath, o cristão não tem a opção de negar a deidade ou a
humanidade de Cristo. Antes, ele deve articular e clarificar a doutrina como a Bíblia a ensina, e mostrar que não
há contradição. O mesmo se aplica à doutrina da Trindade.
É fútil dizer que essas doutrinas estão em perfeita harmonia na mente de Deus, e que somente parece
haver contradições para os seres humanos. Enquanto permanecerem contradições, seja somente na aparência ou
não, não podemos afirmar as duas coisas. E como alguém pode distinguir entre uma contradição real e uma
apenas aparente? Se devemos tolerar as contradições aparentes, então devemos tolerar todas as outras. Visto que
sem conhecer a resolução, uma aparente contradição parece ser o mesmo que uma real, saber que uma
“contradição” o é somente na aparência significa que alguém já a resolveu, e, então, o termo não mais se aplica.
Cientistas e incrédulos podem chafurdar em contradições, mas os cristãos não devem tolerá-las. Pelo
contrário, ao invés de abandonar a unidade da Escritura e a lei da nãocontradição como uma “defesa” contra
aqueles que acusam as doutrinas bíblicas de serem contraditórias, devem afirmar e demonstrar a coerência
dessas doutrinas. Por outro lado, os cristãos devem expor a incoerência das crenças não-cristãs, e desafiar seus
adeptos a abandoná-las.

A INFALIBILIDADE DA ESCRITURA
A infalibilidade bíblica acompanha necessariamente a inspiração e a unidade da Escritura. A Bíblia não
contém erro algum; ela está correta em tudo o que declara. Visto que Deus não mente nem erra, e que a Bíblia é
a sua palavra, segue-se que tudo que nela está escrito tem que ser verdade. Jesus disse, “a Escritura não pode ser
anulada” (João 10:35), e que “é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei” (Lucas 16:17).
A INFALIBILIDADE da Escritura se refere a uma incapacidade para errar — a Bíblia não pode errar.
INERRÂNCIA, por outro lado, enfatiza que a Bíblia não erra. A primeira faz alusão ao potencial, enquanto a
última se dirige ao real estado de coisas. Estritamente falando, infalibilidade é a palavra mais forte, e ela acarreta
necessariamente a inerrância, mas algumas vezes as duas são intercambiáveis no uso.
É possível alguém ser falível, mas produzir um texto que esteja livre de erro. Pessoas que são capazes de
cometer enganos, apesar de tudo, não erram constantemente.
Contudo, há aqueles que rejeitam a doutrina da inerrância, mas ao mesmo tempo desejam afirmar a
perfeição de Deus e a Bíblia como a sua palavra, e como resultado, mantém a impossível posição de que a Bíblia
é deveras infalível, mas contendo erros.

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Algumas vezes, o que eles querem dizer é que a Bíblia é infalível num sentido, talvez no que se relaciona
às coisas espirituais, enquanto que contém erros em outro sentido, talvez no que toca aos acontecimentos
históricos.
Contudo, as afirmações bíblicas sobre as coisas espirituais estão inseparavelmente unidas às declarações
bíblicas sobre a história, de forma que é impossível afirmar uma enquanto se rejeita a outra. Por exemplo,
ninguém pode separar o que a Escritura diz sobre a ressurreição como um evento histórico e o que ela diz sobre
seu significado espiritual. Se a ressurreição não aconteceu como a Bíblia diz, o que ela diz sobre seu significado
espiritual não pode ser verdade.
O desafio para aqueles que rejeitam a infalibilidade e a inerrância bíblica é que eles não têm nenhum
princípio epistemológico autorizado pelo qual possam julgar uma parte da Escritura como sendo acurada e outra
não. Visto que a Escritura é a única fonte objetiva de informação a partir da qual todo o sistema cristão é
construído, alguém que considere qualquer porção ou aspecto da Escritura como falível ou contendo erros deve
rejeitar todo o cristianismo. Novamente, esse é o porquê de não haver um princípio epistemológico mais alto
para julgar uma parte da Escritura como sendo correta e outra errada.
Não se pode questionar ou rejeitar a autoridade última de um sistema de pensamento e ainda reivindicar
lealdade a ele, visto que a autoridade última em qualquer sistema define o sistema inteiro. Uma vez que uma
pessoa questiona ou rejeita a autoridade última de um sistema, ele não é mais um adepto dele, pelo contrário, é
alguém que adere ao princípio ou autoridade pelo qual ele questiona ou rejeita a autoridade última do sistema, a
qual acabou de deixar para trás. Ter uma outra autoridade última além da Escritura é rejeitá-la, visto que a
própria Bíblia reivindica infalibilidade e supremacia.
Alguém que rejeita a infalibilidade e a inerrância bíblica assume a posição intelectual de um incrédulo, e
deve prosseguir para defender e justificar sua cosmovisão pessoal contra os argumentos dos crentes a favor da
veracidade da fé cristã.
A confusão permeia o estado psicológico prevalecente no meio teológico de hoje; logo, é melhor afirmar
tanto a infalibilidade como a inerrância bíblica, e explicar o que queremos dizer com esses termos. Deus é
infalível, e visto que a Bíblia é a sua palavra, ela não pode ter e não contém nenhum erro. Nós afirmamos que a
Bíblia é infalível em todo sentido do termo, e, portanto, ela deve ser também inerrante em todo sentido do termo.
A Bíblia não pode e não contém erros, seja falando de coisas espirituais, históricas ou de outros assuntos. Ela é
correta em tudo o que afirma.

A AUTORIDADE DA ESCRITURA
Precisamos determinar a extensão da autoridade da Bíblia, para verificar o nível de controle que ela deve
ter sobre as nossas vidas. A inspiração, unidade e infalibilidade da Escritura implicam que ela possui autoridade
absoluta. Visto que a Escritura é a própria palavra de Deus, ou ele falando, a conclusão necessária é que ela
porta a autoridade de Deus. Por conseguinte, a autoridade da Escritura é idêntica à autoridade divina.
Os escritores bíblicos algumas vezes se referem a Deus e a Escritura como se os dois fossem
intercambiáveis. Como Warfield escreve: “Deus e as Escrituras são trazidos em tal conjunção para mostrar que
na questão de autoridade, nenhuma distinção foi feita entre eles”. 12 “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da
tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e
abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e
amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12:1-3).
“Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o
evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” (Gálatas 3.8).
“Então disse o SENHOR a Moisés: Levanta-te pela manhã cedo, e põe-te diante de Faraó, e dize-lhe:
Assim diz o SENHOR Deus dos hebreus: Deixa ir o meu povo, para que me sirva;Porque esta vez enviarei todas
as minhas pragas sobre o teu coração, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, para que saibas que não há
outro como eu em toda a terra.Porque agora tenho estendido minha mão, para te ferir a ti e ao teu povo com
pestilência, e para que sejas destruído da terra;Porque agora tenho estendido minha mão, para te ferir a ti e ao teu
povo com pestilência, e para que sejas destruído da terra” (Êxodo 9:13-16).
“Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que
o meu nome seja anunciado em toda a terra” (Romanos 9:17).
Enquanto a passagem de Gênesis diz que foi “o Senhor” que falou a Abraão, Gálatas diz, “A Escritura
previu....[A Escritura] anunciou...”. A passagem de Êxodo declara que foi “o Senhor” quem disse a Moisés o que
falar a Faraó, mas Romanos diz, “a Escritura diz a Faraó...”. Visto que Deus possui autoridade absoluta e última,

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a Bíblia sempre porta autoridade absoluta e última. Já que não existe diferença alguma entre Deus falando e a
Bíblia falando, não há diferença nenhuma entre obedecer a Deus e obedecer a Bíblia. Crer e obedecer à Bíblia é
crer e obedecer a Deus; não crer e não obedecer a Bíblia é não crer e não obedecer a Deus. A Bíblia não é apenas
um instrumento através do qual ele nos fala; antes, as palavras da Bíblia são as próprias palavras de Deus
falando — não há diferença. A Bíblia é a voz divina para a humanidade, e sua autoridade é total.

A NECESSIDADE DA ESCRITURA
A Bíblia é necessária para a informação precisa e autorizada sobre as coisas de Deus.
Visto que a teologia é central para tudo da vida e do pensamento, a Escritura é necessária como um
fundamento para tudo na civilização humana. Aqueles que rejeitam a autoridade bíblica, todavia, continuam a
adotar as pressuposições cristãs para governar sua vida e pensamento, embora eles recusem admitir isso. Uma
tarefa do apologeta cristão é expor a suposição implícita do incrédulo das premissas bíblicas, a despeito de sua
explícita rejeição delas. Mas, à medida que qualquer cosmovisão consistentemente exclua as premissas bíblicas,
ela se degenera em ceticismo e barbarismo.
A infalibilidade bíblica é o único princípio primeiro justificável do qual alguém pode deduzir informação
sobre assuntos últimos, tais como metafísica, epistemologia e ética.
Conhecimento pertencente a categorias subsidiárias, tais como política e matemática, é também limitado
pelas proposições dedutíveis da revelação bíblica. Sem a infalibilidade bíblica como o ponto de partida do
pensamento de alguém, o conhecimento não é possível, em hipótese alguma; qualquer outro princípio não
consegue justificar a si próprio e, assim, um sistema que depende dele não pode nem mesmo começar. Por
exemplo, sem uma revelação verbal de Deus, não há razão universal e autorizada para proibir o assassinato e o
roubo. A Bíblia é necessária para todas proposições significativas.
A Escritura é necessária para definir todo conceito e atividade cristã. Ela governa cada aspecto da vida
espiritual, incluindo pregação, oração, adoração e instrução. A Escritura é também necessária para que a
salvação seja possível, visto que a informação necessária para tal está revelada na Bíblia, e deve aquela ser
levada ao indivíduo, para por ela receber a salvação. Paulo escreve, “as sagradas Escrituras, que podem fazer-te
sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2 Timóteo 3:15).
Uma seção anterior deste livro salienta que todos os homens sabem que o Deus cristão existe, e que Ele é
o único Deus. Os homens nascem com esse conhecimento. Embora isso seja suficiente para tornar a
incredulidade culpável, é insuficiente para a salvação.
Adquire-se conhecimento sobre a obra de Cristo diretamente da Escritura, ou indiretamente, mediante a
pregação ou escrito de outro.
Portanto, a Escritura é necessária para o conhecimento que conduz à salvação, as instruções que levam ao
crescimento espiritual, as respostas às questões últimas, e qualquer conhecimento sobre a realidade. Ela é a pré-
condição necessária para todo o conhecimento.

A CLAREZA DA ESCRITURA
Há dois extremos, com respeito à clareza da Escritura, que os cristãos devem evitar.
Um, é sustentar que o significado da Escritura é totalmente obscuro à pessoa comum — que somente uma
elite e um grupo de indivíduos escolhidos podem interpretá-la. Outro, é a opinião que alega que a Escritura é tão
clara que não há parte alguma dela que seja difícil de ser entendida, e que nenhum treinamento em hermenêutica
é requerido para manusear o texto. Por extensão, a interpretação de um teólogo maduro não é mais confiável do
que a opinião de uma pessoa despreparada.
A primeira posição isola o uso da Escritura do povão em geral, e impede qualquer pessoa de contestar o
entendimento bíblico de profissionais estabelecidos, mesmo quando eles estão enganados.
A segunda também é perigosa. A Bíblia não é tão fácil de compreender que qualquer pessoa possa
interpretá-la com igual competência. Mesmo o apóstolo Pedro, quando se referindo ao escritos de Paulo, diz que
“suas cartas contêm algumas coisas que são difíceis de entender”. Ele adverte que “as pessoas ignorantes e
instáveis distorcem” o significado das palavras de Paulo, “assim como eles fazem com outras Escrituras, para a
sua própria destruição” (2 Pedro 3.16).
Muitos gostariam de julgar a si mesmos competentes em assuntos importantes tais como teologia e
hermenêutica mas, ao invés de orarem por sabedoria e estudarem as Escrituras, supõem serem tão capazes
quanto os teólogos ou os seus próprios pastores.

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Tal modo de pensar é um convite ao desastre e à confusão. Diligência, treinamento e capacitação divina,
tudo isso contribui para a capacidade de alguém interpretar e aplicar a Bíblia.
Embora muitas passagens na Bíblia sejam fáceis de entender, algumas delas requerem diligência extra e
sabedoria especial para serem interpretadas acuradamente. É possível para uma pessoa ler a Escritura e adquirir
dela entendimento e conhecimento suficientes para salvação, embora algumas vezes alguém possa precisar de
um crente instruído até para isso:
“E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês?
E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se
assentasse” (Atos 8:30-31).
É possível também aprender os dogmas básicos da fé cristã, simplesmente lendo a Bíblia. Mas há
passagens ali que são, em diferentes graus, difíceis de entender. Nesses casos, alguém pode solicitar o auxílio de
ministros e teólogos para as explicarem, de forma a evitar a distorção da palavra de Deus.
Neemias 8:8 afirma o lugar do ministério de pregação: “E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e
explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse”. Contudo, a autoridade final repousa nas palavras da
Escritura mesma, e não na interpretação dos eruditos. Ela nunca está errada, embora nosso entendimento e
inferências dela extraídos possam estar, algumas vezes, equivocados. Este é o motivo pelo qual toda igreja
deveria preparar seus membros na teologia, na hermenêutica e na lógica, de forma que elespossam manusear
melhor a palavra da verdade.
Portanto, embora a doutrina da clareza da Escritura conceda a cada pessoa o direito de ler e interpretar a
Bíblia, ela não elimina a necessidade de mestres na igreja mas, antes, afirma a sua necessidade. Paulo escreve
que um dos ofícios ministeriais que Deus estabeleceu foi o de mestre, e que ele apontou indivíduos para
desempenhar tal função (1 Coríntios 12.28). Mas Tiago adverte que nem todos deveriam ansiar assumir tal
ofício: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo” (Tiago 3:1).
Em outro lugar, Paulo escreve, “Digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém;
antes, pense com moderação...” (Romanos 12:3).
Aqueles escolhidos por Deus para serem ministros da doutrina são capazes de interpretar as passagens
mais difíceis da Escritura, e podem também extrair valiosos insights que podem evitar outras dificuldades das
passagens mais simples também.
Efésios 4:7-13 se refere a tal ofício como um dos dons de Cristo à sua igreja e, conseqüentemente, os
cristãos devem valorizar e respeitar aqueles que estão em tal ministério.
Vivemos numa geração na qual pessoas desprezam a autoridade; elas detestam ouvir o que devem fazer ou
crer. 13 A maioria nem mesmo respeita a autoridade bíblica, para não citar a autoridade eclesiástica. Elas
consideram as suas opiniões tão boas quanto as dos apóstolos, ou, no mínimo, dos teólogos e pastores; sua
religião é democrática, não autoritária. Mas a Escritura ordena os crentes a obedecerem aos seus líderes:
“Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar
conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hebreus 13.17). Todo
crente tem o direito de ler a Bíblia por si mesmo, mas isto não deve se traduzir em desafio ilegítimo 14 contra os
sábios ensinos de eruditos ou contra a autoridade dos líderes da igreja.

A SUFICIÊNCIA DA ESCRITURA
Muitos cristãos alegam afirmar a suficiência da Escritura, mas seu real pensamento e prática negam-na. A
doutrina afirma que a Bíblia contém informação suficiente para alguém, não somente para encontrar a salvação
em Cristo, mas para, subseqüentemente, receber instrução e direção em todo aspecto da vida e pensamento, seja
por declarações explícitas da Escritura, ou por inferências dela necessariamente retiradas.
A Bíblia contém tudo que é necessário para construir uma cosmovisão cristã compreensiva que nos
capacite a ter uma verdadeira visão da realidade. 15 A Escritura nos transmite, não somente a vontade de Deus
em assuntos gerais da fé e conduta cristãs, mas, ao aplicar preceitos bíblicos, podemos também conhecer sua
vontade em nossas decisões específicas e pessoais. Tudo que precisamos saber como cristãos é encontrado na
Bíblia, seja no âmbito familiar, do trabalho ou da igreja.
Paulo escreve que a Escritura não é somente divina na origem, mas é também abrangente no escopo:
“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para
instruir em justiça. Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2
Timóteo 3.16-17).

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A implicação necessária é que os meios de instrução extra-bíblicos, tais como visões e profecias, são
desnecessários, embora Deus possa ainda fornecê-los, quando for de seu agrado.
Os problemas ocorrem quando os cristãos sustentam uma posição que equivale a negar a suficiência da
Escritura em fornecer abrangente instrução e direção. Alguns se queixam que na Bíblia falta informação
específica que alguém precisa para tomar decisões pessoais; entretanto, à luz das palavras de Paulo, deve-se
entender que a falta reside nesses indivíduos, e não no fato de que a Bíblia seja insuficiente.
Aqueles que negam a suficiência da Escritura carecem da informação de que necessitam, por causa da sua
imaturidade espiritual e negligência. A Bíblia é deveras suficiente para dirigi-los, mas negligenciam o estudo
dela. Alguns também exibem forte rebelião e impiedade. Embora a Bíblia se dirija às suas situações, recusam-se
a submeter aos seus mandamentos e instruções. Ou, eles rejeitam aceitar o próprio método de receber direção da
Escritura juntamente, e exigem que Deus os dirija através de visões, sonhos e profecias, quando ele lhes deu
tudo de que necessitam, através da Bíblia.
Quando Deus não atende às suas demandas ilegítimas por direção extra-bíblica, alguns decidem até
mesmo procurá-la através de métodos proibidos, tais como astrologia, adivinhação e outras práticas ocultas. A
rebelião deles é tal que, se Deus não fornecer a informação desejada nos moldes prescritos por eles, ficam
determinados a obtê-la do diabo.
O conhecimento da vontade de Deus não vem de orientação extra-bíblica, mas de uma compreensão
intelectual e de uma aplicação da Escritura. 16 O apóstolo Paulo escreve:
“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso
entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).
A teologia cristã deve afirmar, sem reservas, a suficiência da Escritura como uma fonte completa de
informação, instrução e direção. A Bíblia contém toda a vontade divina, incluindo a informação de que alguém
precisa para salvação, desenvolvimento espiritual e direção pessoal. Ela contém informação suficiente, de forma
que, se alguém a obedece completamente, estará cumprindo a vontade de Deus em cada detalhe da vida. Mas,
ele comete pecado à extensão em que falha em obedecer à Escritura. Embora nossa
obediência nunca alcance perfeição nesta vida, todavia, não há nenhuma informação que precisemos para
viver uma vida cristã perfeita, que já não esteja na Bíblia.

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i
1 Veja Vincent Cheung, Ultimate Questions.
2 Tudo que podemos chamar de Escritura foi inspirado por Deus. Que a Escritura é “soprada por Deus” refere-se a sua 2 A
palavra traduzida “divinamente inspirada” (ERC) ou “inspirada por Deus” (ARA) é theopneustos. Ela significa expiração (soprar
para fora) e não inspiração (soprar para dentro), daí o termo “soprada por Deus” na NVI. Embora “inspiração” seja um termo
teológico aceitável, referindo-se à origem divina da Escritura, e como tal permanece útil, ele não consegue transmitir o significado
literal de theopneustos.
3 A Bíblia nega que o homem tenha “livre-arbítrio”. Embora a sua vontade exista como uma função da mente, ela não é
“livre” no sentido de que pode funcionar independentemente do controle de Deus. Eu abordarei esse tópico mais adiante no livro.
4 Deus determina cada detalhe da vida de uma pessoa — sua ancestralidade, saúde, inteligência, educação, personalidade,
longevidade, localização geográfica, etc. Seções posteriores deste livro discutem a soberania de Deus.
5 O controle preciso de Deus sobre os homens não se aplica somente aos profetas e apóstolos, mas a toda pessoa (mesmo os
réprobos). Contudo, Deus especificamente ordenou as vidas dos escritores bíblicos para que pudessem ser preparados para
escrever a Escritura quando o tempo chegasse.
6 A Escritura excede o que os seres humanos podem produzir sem inspiração divina, mas ela não está além da capacidade
dos seres humanos de ler e entender.
7 Alguns chamam esta posição de INSPIRAÇÃO ORGÂNICA, mas outros consideram o termo ambíguoou equivocado.
8 Alister McGrath, Understanding Doctrine; Grand Rapids, Michigan: Zondervan Publishing House, 1990; p. 138.
9 Ele fez seu doutorado no campo da biofísica molecular.
10 Veja Vincent Cheung, Ultimate Questions.
11 Veja as seções relevantes deste livro que discutem a encarnação, a Trindade e a soberania divina versus a liberdade
humana.
12 The Works of Benjamin B. Warfield, Vol. 1; Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 2000
(original: 1932); p. 283.
13 Mas, naturalmente, pensam assim apenas porque foram ensinadas dessa maneira.
14 Visto que não há diferença entre obedecer a Deus e obedecer à Escritura, e visto ser ela o nosso contato direto com a
vontade divina revelada, o objeto imediato de nossa lealdade é a Bíblia (Atos 17:11), pela qual podemos testar os ensinos e práticas
daqueles que estão em posição de ensino e autoridade na igreja.
Portanto, ensinos e práticas que neguem as doutrinas escriturísticas, tais como a infalibilidade bíblica e a ressurreição de
Cristo, constituem fundamentos suficientes para desafiar a autoridade. “Devemos obedecer antes a Deus, do que aos homens” (Atos
5:29).
15 Ver Ultimate Questions, de Vincent Cheung, para um sistema de apologética consistente com a suficiência da Escritura.
Embora o livro permita o uso de argumentos extrabíblicos para certos propósitos, os mesmos não são requeridos; antes, ele afirma
que a Bíblia é suficiente para tanto defender como atacar, quando confrontando qualquer cosmovisão não-bíblica.
16 Veja Vincent Cheung, “Biblical Guidance and Decision-Making”, Godliness with Contentment.