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COLÉGIO ESTADUAL ARY BORBA CARNEIRO - ENSINO FUNDAMENTAL, MÉDIO E

TÉCNICO
CASA FAMILIAR RURAL
CURSO TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA

DISCIPLINA DE SOLOS – 1º ANO


3º TRIMESTRE

ALUNO(A): _____________________________________________________________

APOSTILA DE NIVELAMENTO: CONTEÚDOS ESSENCIAIS

COMPOSIÇÃO DO SOLO

O solo é constituído pelas fases


líquida, gasosa e sólida. Um solo “ideal” é
constituído por 25% de água, 25% de
gases, 45% de material mineral e 5% de
material orgânico, conforme a imagem ao
lado.
No entanto, as proporções entre
essas fases podem variar bastante de um
solo para outro, de acordo com as
condições climáticas e o tipo de material
que constitui a fase sólida. Por exemplo, em
um lugar onde o período chuvoso seja mais
longo, pode ocorrer, por um tempo, uma
maior quantidade de água no solo em
detrimento da fase gasosa. Em regiões
mais frias, o conteúdo de matéria orgânica
pode ser maior, enquanto em regiões mais
quentes e/ou secas será menor.
No solo as fases líquida (água) e
gasosa (ar) ocupam os poros, que são formados pela agregação das partículas sólidas,
ou seja, estas se juntam formando estruturas, entre as quais se formam poros pelos quais
a água e o ar entram no solo.

POROS DO SOLO: FASES LÍQUIDA E GASOSA

A porosidade do solo é a porcentagem do


volume do solo não ocupado por partículas sólidas,
incluindo todo espaço poroso ocupado pelo ar e pela
água (CURI et al., 1993).
No solo formam-se dois tipos de poros, os
macroporos (poros com diâmetro maior que 0,05
mm) e os microporos (poros com diâmetro menor que
0,05 mm), conforme a imagem ao lado.
Normalmente a água ocupa os microporos e o
ar ocupa os macroporos. Entretanto, após uma chuva
intensa, tanto os macroporos quanto os microporos
estarão ocupados por água e, depois de algumas
horas, a água presente nos macroporos será drenada até chegar ao lençol freático. Essa
drenagem da água dos macroporos ocorre por simples ação da gravidade que “puxa” a
água para baixo. A gravidade, no entanto, não consegue retirar a água presente nos
microporos e, desta forma, a água dos microporos fica disponível para as plantas e os
organismos que vivem no solo.
Os macroporos do solo também ajudam na diminuição da erosão. Eles melhoram a
infiltração de água e com isso, diminui a quantidade de água que vai escorrer sobre o
solo. Um solo compactado possui menor quantidade de principalmente macroporos, o que
piora sua capacidade de infiltração e retenção de água.
Com o passar do tempo, a água presente nos microporos será absorvida pelas
plantas e organismos, e também pode ocorrer o processo de evaporação a partir da
superfície. Devido a isso, os microporos vão perdendo água, sendo preenchidos por ar.
Assim, será necessária uma nova chuva para que os microporos sejam preenchidos
novamente com água. A água presente no solo vem principalmente das chuvas, mas a
composição da água da chuva é bem diferente da água do solo
A fase líquida, ou a água do solo é chamada de solução do solo. Este nome é
dado porque no solo a água não é pura, ou seja, quando a água infiltra no solo muitos
íons se solubilizam (dissolvem) nela. Portanto, a solução do solo é resultante de inúmeras
reações que ocorrem com as outras fases que constituem o solo, principalmente a fase
sólida. Pode-se dizer que a solução do solo é um sistema dinâmico, e que troca matéria
com suas vizinhanças - as plantas absorvem a água e nutrientes que necessitam da
solução do solo.
O ar do solo ocupa principalmente os macroporos. Sua característica é semelhante
ao do ar atmosférico, diferenciando apenas na concentração dos gases que os
constituem. Essa diferenciação nos teores dos gases ocorre porque, em primeiro lugar, as
raízes e organismos que vivem no solo necessitam respirar. Neste processo, eles
consomem o oxigênio (O2) e liberam gás carbônico (CO2), aumentando os teores de CO2
e diminuindo os teores de O2. No solo os teores de CO2 ficam próximos a 1% enquanto
que na atmosfera é de 0,03% Embora não pareça, a boa aeração do solo é importante
para a produção agrícola e o crescimento das plantas em geral, pois sem ar as raízes não
conseguem respirar e podem morrer, causando danos e perdas no desenvolvimento
vegetal.

FASE SÓLIDA DO SOLO: MATÉRIA ORGÂNICA E MINERAL

Agora, será apresentada a fase sólida do solo, que pode ser dividida em duas
partes: os sólidos orgânicos, ou matéria orgânica, e os sólidos inorgânicos, ou matéria
mineral. Para ficar mais fácil o entendimento, essas partes (orgânicas e inorgânicas do
solo) serão apresentadas separadamente.

MATÉRIA ORGÂNICA

A matéria orgânica, assim chamada a fase sólida orgânica do solo, é constituída


por restos vegetais (folhas, galhos, frutos e raízes) e animais (esqueletos e fezes) em
diferentes graus de decomposição. Os resíduos vegetais frescos, depositados sobre ou
dentro do solo, sofrem o processo de decomposição pelos organismos do solo. Essa
matéria orgânica será fonte de nutrientes tanto para plantas quanto para organismos.
Parte desse material orgânico vai ser humificado pelos organismos do solo, formando
uma fração conhecida como húmus, ou fração húmica, que é constituída de moléculas
orgânicas bem grandes e complexas. A fração húmica é muito importante no solo, pois
além de ajudar na agregação das partículas sólidas, ela também é responsável pela
maioria das cargas negativas, que podem reter nutrientes, presentes nos solos tropicais e
subtropicais.
Embora a matéria orgânica seja importante para o solo, ela é encontrada em
pequenas quantidades (cerca de 5% do volume de solo ou menos). Ela se concentra nas
primeiras camadas, porque é depositada pelos animais e vegetais que estão
principalmente sobre ou na superfície do solo. Assim, o teor de matéria orgânica no solo
diminui conforme aumenta a profundidade do solo.
A mineralização é o processo final da decomposição, que destrói as moléculas
orgânicas transformando-as em inorgânicas. Quando isso acontece, o solo perde material
orgânico.
A matéria orgânica humificada pode, inclusive, dar cor ao solo. As camadas de solo
que apresentam maior teor de matéria orgânica apresentam coloração que varia de
castanho a preto.

MATÉRIA MINERAL

A parte mineral é constituída por fragmentos de rochas e minerais, com formas e


tamanho variados. No solo, a matéria mineral ou simplesmente minerais do solo sofrem
uma divisão por tamanho de partícula. Partículas maiores que 2 mm são chamadas de
esqueleto do solo e são constituídas por cascalhos (2 mm a 2 cm), calhaus (2 a 20 cm) e
matacão (> 20 cm). O esqueleto do solo vai constituir a pedregosidade ou rochosidade do
solo e, ao contrário do que se imagina, não é muito comum encontrar partículas maiores
que 2 mm nos solos brasileiros.
Já a fração mais importante do solo é chamada de terra fina, que é composta por
partículas menores de 2 mm. É dividida da seguinte maneira: areia (2 a 0,05 mm), silte
(0,05 a 0,002 mm) e argila (menor que 0,002 mm). Esta divisão está relacionada
exclusivamente ao tamanho da partícula (conforme a imagem a seguir) e não com o tipo
de mineral que a compõe.
Então, quando se diz que um solo é argiloso, está se dizendo apenas que neste
solo existe um predomínio de minerais do tamanho de argila.
Quando seguramos um torrão de solo em nossas mãos, não estamos segurando
apenas um grão de areia, ou silte, ou argila, estamos segurando bilhões de partículas de
areia, silte e argila. Todo solo tem as três frações que compõem a terra fina. Lógico que
em alguns solos uma fração vai ter maior porcentagem que as outras, mas sempre as três
frações estarão presentes.

Os minerais do solo

As frações areia e silte são compostas principalmente por minerais primários,


enquanto que a fração argila é composta por minerais secundários. Os minerais
primários são aqueles provenientes das rochas, que ao sofrerem a ação do clima e dos
organismos começam a apodrecer e a dar origem ao solo – este processo de
apodrecimento das rochas pela ação de agentes químicos, físicos e biológicos é chamado
de intemperismo. Sendo assim, os minerais que estão no solo, da mesma forma de
quando estavam na rocha, são chamados de minerais primários, pois sofreram apenas
intemperismo físico (diminuição de tamanho).
Já os minerais secundários são formados no solo pelo intemperismo dos minerais
primários. Isto é, os minerais primários que estavam no tamanho de areia ou silte sofrem
intemperismo químico, podendo ser totalmente dissolvidos, e os elementos químicos
liberados podem se recombinar e dar origem aos minerais secundários, ou seja, aos
minerais que são formados no próprio solo e predominam na fração argila. Quando esses
elementos dissolvidos não se recombinam, eles permanecem na solução do solo,
podendo ser absorvido pelas plantas ou simplesmente perdido por lixiviação.
Como dito anteriormente, é nas frações areia e silte que se encontram os minerais
primários. Estes minerais podem apresentar alguma reserva de nutrientes, ou seja, na
constituição destes minerais podem-se encontrar alguns nutrientes para as plantas, tais
como cálcio (Ca), potássio (K), magnésio (Mg), ferro (Fe), manganês (Mn), cobre (Cu),
zinco (Zn), entre outros. Estes nutrientes fazem parte da estrutura dos minerais primários
que, ao sofrerem o intemperismo, liberam esses nutrientes para a solução do solo.
O quartzo (SiO2), formado apenas por silício (Si) e oxigênio (O), embora não tenha
nenhuma reserva de nutrientes, é o mineral primário mais comum na fração areia e silte
dos solos brasileiros. Pela presença do quartzo, nossas areias são de cores claras,
porém, em outras regiões, se pode encontrar areia de outras cores, de acordo com a cor
do mineral que compõe esta fração.

As cargas do solo

A fração argila é composta principalmente por minerais secundários e, ao contrário


das frações areia e silte, não apresenta nenhuma reserva de nutrientes. Mas, apesar de
tão pequena, por que a fração argila é tão importante no solo? A resposta a essa pergunta
é simples: embora a fração argila não possua reserva de nutrientes, ela possui cargas em
sua superfície. Estas cargas são responsáveis pela capacidade de troca de cátions (CTC)
do solo. As cargas na superfície da argila podem reter os nutrientes por simples atração
eletrostática, retirando-os da solução do solo e evitando que estes nutrientes sejam
perdidos do solo por lixiviação.
As plantas e os organismos retiram os nutrientes que eles precisam da solução do
solo, ou seja, dos nutrientes que estão retidos na superfície da argila. Para isso, a planta
faz uma troca com a superfície da argila liberando um H + para a superfície e a superfície
libera o nutriente para ela, através da solução do solo.
A CTC (capacidade de troca catiônica) está relacionada com a presença de cargas
negativas na superfície da matéria orgânica e da fração argila. A maioria dos nutrientes
essenciais para as plantas possuem cargas positivas, ou seja, são cátions. Dessa forma,
a retenção deles na superfície tanto da argila quanto da matéria orgânica será maior se
estas superfícies apresentarem cargas negativas. É importante que o nutriente seja retido
na superfície dos minerais ou da matéria orgânica para evitar que seja lixiviado, que
significa ser “lavado” do solo, para as camadas mais profundas.
Os minerais secundários mais encontrados na fração argila são os minerais
silicatados (que tem silício em sua estrutura) e os oxihidróxidos de ferro (Fe) e alumínio
(Al). A presença de determinado mineral vai depender basicamente do grau de
intemperismo do solo. Solos mais jovens, ou seja, em que o intemperismo atuou pouco,
são normalmente solos mais rasos, a fração argila terá o predomínio de minerais como a
vermiculita e a esmectita (que são argilas 2:1. Vamos estudar o que isso significa
futuramente, mas guardem na memória).
A vermiculita e a esmectita apresentam alta CTC e características de expansão e
contração com a presença e ausência de água. Essa característica de expansão e
contração do mineral, de acordo com o grau de umidade do solo, gera algumas
características físicas indesejáveis ao solo, como elevada dureza e pegajosidade e
formação de muitas fendas no período seco do ano.
Já em solos muito intemperizados (“velhos”), normalmente solos profundos, a
fração argila será constituída principalmente por minerais como a caulinita (argila 1:1) que
apresenta baixa CTC e baixa capacidade de expansão.
Também nestes solos mais intemperizados há os óxidos de ferro (como hematita e
goethita) e hidróxido de alumínio (como a gibbsita), os quais apresentam em sua
superfície maior número de cargas positivas sendo responsáveis pela capacidade de
troca de ânions (CTA) dos solos. Esses minerais são os mais comuns da fração argila dos
solos brasileiros, pois, devido ao clima tropical, concentra uma maior quantidade de solos
mais intemperizados. A imagem a seguir apresenta a retenção de cátions e ânions.

‘Pode-se observar na imagem anterior que a superfície da argila que tem cargas
negativas retém os cátions (íons com carga positiva, como o Ca +2) e a superfície que tem
cargas positivas retém os ânions (íons com carga negativa como o NO 3 - ). Cátions e
ânions que estão na solução do solo podem ser perdidos por lixiviação antes de serem
absorvidos pelas plantas. Já os cátions e ânions retidos nas superfícies dos minerais
secundários e da matéria orgânica são nutrientes prontamente disponíveis para as
plantas.

ACIDEZ DO SOLO E CALAGEM

A calagem é considerada como uma das práticas que mais contribui para o
aumento da eficiência dos adubos e consequentemente, da produtividade e da
rentabilidade agropecuária. Apesar deste fato, ela ainda é pouco utilizada, tendo em vista
a pouca informação recebida em nível de campo, pelos agricultores.
O conceito químico mais simples de ácido é suficiente para ilustrar as ideias
relacionadas à acidez dos solos. Ácidos são substâncias que em solução aquosa liberam
íons hidrogênio (H+ ) de acordo com a seguinte reação: HA → H + + A- . O ácido HA, em
solução aquosa, dissocia-se no cátion H+ e no ânion A-. Ácidos fortes dissociam-se
completamente, ácidos fracos (que se assemelham mais aos problemas de acidez em
solos) dissociam-se muito pouco.
Pela pouca dissociação de ácidos fracos, ocorrem nas soluções aquosas
concentrações muito baixas de H+ , que são de difícil representação em frações decimais.
O conceito de pH foi introduzido para representar essas concentrações baixas de H +
sendo expresso por: PH = -log (H+) = log 1
(H+)
Assim, para uma concentração de 0,000001 mols de H +, o pH será 6. A escala de
pH varia de 0 a 14. Em solos, naturalmente podem ser encontrados valores de 3 a 10,
com variações mais comuns em solos brasileiros entre 4,0 a 7,5. Solos com pH abaixo de
7 são considerados ácidos; os com pH acima de 7 são alcalinos.
Os solos podem ser naturalmente ácidos devido à própria pobreza em bases do
material de origem, ou a processos de formação que favorecem a remoção de elementos
básicos como K, Ca, Mg, Na, etc. Além disso, os solos podem ter sua acidez aumentada
por cultivos e adubações que levam a tal processo.
Em qualquer caso, a acidificação se inicia, ou se acentua, devido à remoção de
bases (são os cátions K+, Ca2+, Mg2+), da superfície dos colóides do solo (são as argilas
e húmus com cargas negativas), e a substituição dessas bases por íons H + e Al3+, que não
são nutrientes e, inclusive, intoxicam as raízes (Al 3+).

ORIGEM DA ACIDEZ

Há duas maneiras principais que provocam a acidificação do solo. A primeira ocorre


naturalmente pela dissociação do gás carbônico: CO 2 + H2O → H+ + HCO3-. O H+
transfere-se então para a fase sólida do solo e libera, da superfície do colóide, um cátion
trocável (K, Ca, Mg, Na…) que se liga ao bicarbonato (HCO 3-) e é lixiviado, “lavado” do
solo. Esse fenômeno é favorecido por valores de pH elevados, tornando-se menos
importante em pH baixos, sendo inexpressivo a pH abaixo de 5,2. Portanto, em solos
muito ácidos não é provável uma grande acidificação através do bicarbonato.
Apesar dos diversos benefícios da adubação no aumento da produtividade
agropecuária, a segunda causa da acidificação é ocasionada por alguns fertilizantes
(sobretudo os amoniacais e a uréia) que durante a sua transformação no solo (pelos
microrganismos) resulta em um aumento de H+:

Amoniacal: 2NH4+ + 3O2 → 2NO2 - + 2H2O + 4H+

Uréia: CO(NH2)2 + 2H2O → (NH4)2 CO3 (o NH4+ formado reage no solo como explicado na
equação acima, resultando em 4H+).

Alguns autores atribuem ainda como uma terceira causa importante da acidificação
dos solos, a hidrólise do alumínio, a qual produz íons H + , de acordo com a reação:

Al3+ + 3H2O → Al(OH)3 + 3H+

Esses H+ produzidos, como no primeiro caso, liberam um cátion trocável do


colóide para a solução do solo, que será lixiviado com o ânion acompanhante,
intensificando a acidificação do solo.

COMPONENTES DA ACIDEZ

A acidez do solo pode ser dividida em acidez ativa e acidez potencial, e esta, por
sua vez, em acidez trocável e acidez não trocável.
Denomina-se acidez ativa a parte do hidrogênio que está dissociada, ou seja, na
solução do solo, na forma de H+ e é expressa em valores de pH. No entanto, nos solos (à
semelhança aos ácidos fracos) a maior parte do hidrogênio não está dissociada, estando
ligada aos componentes sólidos, podendo se dissociar ou não, a depender do tipo de
ligação.
A acidez trocável refere-se aos íons H + e Al3+ que estão retidos na superfície dos
colóides por forças eletrostáticas (ligações fracas). A quantidade de hidrogênio trocável,
em condições naturais, parece ser pequena. A acidez não trocável é representada pelo
hidrogênio de ligação covalente (ligação forte), associado aos colóides com carga
negativa variável e aos compostos de alumínio. A acidez potencial corresponde à soma da
acidez trocável e da acidez não trocável do solo. Em resumo:

Acidez ativa.................... H+ da solução do solo.


Acidez trocável............... Al3+ trocável + H+ trocável
Acidez não trocável........ H+ de ligação covalente.
Acidez potencial.............Al3+ trocável + H+ trocável mais H+ de ligação covalente.

Vale observar que dentre os conceitos citados, a maior preocupação do agricultor


deve ser corrigir a maior parte da acidez potencial, que corresponde a substâncias do solo
que agem como ácidos fracos, ou seja, continuamente liberam íons H + para a solução do
solo.

REAÇÃO DO SOLO

Para corrigir a acidez e devolver ao solo os teores adequados, usamos um


corretivo de acidez. Quando se aplica esse corretivo de acidez no solo, na maioria das
vezes calcário (carbonato de cálcio + carbonato de magnésio), as reações resultantes são
as seguintes:

Dissolução + dissociação do calcário


CaCO3 (sólido) ↔ CaCO3 (aquoso) + H2O ↔ Ca2+ + HCO3- + OH-

Neutralização da acidez ativa


HCO3- + H+ ↔ H2CO3 ↔ H2O + CO2

OH- + H+ ↔ H2O

Neutralização do alumínio tóxico


Al3+ + 3OH- ↔ Al(OH)3

Criação de cargas negativas na matéria orgânica


MO-COOH + OH - ↔ MO-COO- + H2O

• Ca2+ resultante da dissociação será adsorvido nas cargas negativas.

QUANDO APLICAR CALCÁRIO?

Sempre que o solo estiver com acidez prejudicial as plantas. Para verificar isso,
fazemos uma análise de solo. Retiramos pequenas amostras de solo da área desejada,
misturamos todas em um balde, e dessa mistura retiramos uma amostra que será enviada
ao laboratório. Lá é seguida uma série de procedimentos com o intuito de quantificar os
teores de nutrientes e a acidez presente no solo.
Nos resultados da análise, alguns valores merecem especial atenção, quando se
trata de acidez: pH, saturação por bases (V%), alumínio (m%), cálcio (Ca%) e
magnésio (Mg%).
Como discutido acima, o pH reflete a quantidade de íons H + presentes na solução
do solo. A grande maioria das plantas é favorecida por valores de pH entre 5,5 e 6,5, já
que é nessa faixa de pH onde a absorção dos nutrientes é facilitada. Portanto, podemos
concluir que sempre que o pH estiver abaixo de 5,5, provavelmente precisaremos realizar
uma calagem.
Para confirmar essa necessidade, verificamos o valor V%. Lembra que falamos
sobre as cargas negativas dos colóides (argila e matéria orgânica) que armazenavam
nutrientes (K+, Ca2+, Mg2+…)? Então, quando o solo está ácido, essas cargas estão
ocupadas por H+ e Al+3 também. Para determinar a proporção dessas cargas que estão
ocupadas por nutrientes, solicitamos a análise da saturação por bases (V%). O valor
reflete a quantidade, em porcentagem, de cargas ocupadas por nutrientes, e não por H + +
Al3+ (exemplo: V% igual a 60, quer dizer que 60% das cargas estão ocupadas por
nutrientes). A maioria das culturas é favorecida por saturação por bases maiores que
65%, portanto, sempre que a análise indicar um V% menor que esse, a calagem será
necessária.
Outros valores importantes são m%, Ca% e Mg%. A porcentagem de alumínio nas
cargas negativas é representada por m%, e começa a se tornar preocupante quando esse
valor é maior que 5%. A quantidade de cálcio (Ca%) nas cargas dos colóides precisa
estar, no mínimo, entre 50% e 70%, e a de magnésio (Mg%) entre 10% e 15%. Logo,
quando a análise de solo indicar valores diferentes destes, é mais um motivo para realizar
a calagem.

Para determinar a quantidade de calcário, época e maneira de aplicação,


precisamos estudar as condições de cultivo e a cultura principal. Faremos isso no nosso
próximo ano letivo. Bons estudos!

QUESTÕES

01) Qual é a composição, em porcentagem, “ideal” de um solo? Explique por que,


em condições naturais, essas proporções ficam diferentes do “ideal”.
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02) O que é a porosidade do solo? Qual a importância dos poros?
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03) A terra fina do solo é composta por areia, silte e argila. Qual a diferença entre
esses três componentes?
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04) O que são minerais primários? Qual sua importância? Fale sobre os minerais
secundários e sua importância também.
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05) O que são as cargas negativas do solo? Onde elas se encontram? Qual sua
importância?
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06) O que significa dizer que um solo está ácido? O que o H+ faz com os nutrientes
retidos nos colóides do solo?
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07) Qual a diferença entre acidez ativa e acidez potencial?


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08) Qual a diferença entre acidez trocável e acidez não trocável?


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09) Como sabemos quando é necessário aplicar calcário?


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10) Explique o que é saturação por bases (V%).


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11) O que é capacidade de troca catiônica? Com quais componentes do solo ela
está relacionada?
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