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Disciplina

MUS0266 -A MÚSICA CONTEMPORÂNEA LATINO-


AMERICANA ENTRE AS DÉCADAS DE 1930 E 1980

Professora Supervisora : Analia Chernavsky


Professor : Cristiano R. Galli

MOVIMENTO MUSICA NOVA


A Crise
 A crise anos (50) e a reorganização novos atores
 Contexto histórico
 A reorganização geopolitica (guerra fria)
 O realismo Soviético e as novas dretrizes ( congresso de Praga)
Condenação do Dodecafonismo) II Congresso Internacional dos
Compositores e Críticos Musicais organizado em Praga, de 20 a 29
de maio de 1948, pelo Sindicato dos Compositores Tchecos

 A negação da vanguarda
 O Rompimento com Kolreuter
 Koll se converte ao realizmo?
Resurgimento da Vanguarda
Brasileira
 Denuncias dos crimes de Stalin
 O suicidio de vargas
 Intensa atividade de Kollreuter pós musica viva
 Surgimento de novos atores no cmpo musical brasileiro
 Nacionalismo e vanguarda nova aproximação
Movimento “música nova”
 Membros fundadores Gilberto Mendes, Willy Corrêa de Oliveira,
Rogério Duprat, Regis Duprat, Damiano Cozzella e Olivier Toni.
 Este grupo que se formou em torno da Orquestra de Câmara de
São Paulo, regida por Olivier Toni.
 A orquestra se dedicava a um reportório variado que incluía estreia
de obras de música de vanguarda.
 O primeiro compositor a ter uma obra estreada pela orquestra foi
Rogério Duprat, em 1958, em seguida Gilberto Mendes, em 1960,
ambas as obras de cunho serial.
 Entrevista Gilberto Mendes -
https://www.youtube.com/watch?v=Bx2YCAjjKSQ
Inicio do Musica Nova

 O movimento Música Nova, no Brasil, começou em 1961, com um


concerto executado pela Orquestra de Câmara de São Paulo, na
época regida e dirigida por Oliver Toni, durante o I Festival de
Música de Vanguarda, em colaboração com a VI Bienal de Arte
de São Paulo. Esse foi o primeiro evento em que obras de Gilberto
Mendes, Willy Corrêa de Oliveira, Rogério Duprat e Damiano
Cozzela foram tocadas conjuntamente. Segundo Gilberto Mendes,
a ideia de grupo ainda não existia como tal antes da realização
desse concerto, que acabou por ser um marco na trajetória de
todos os seus integrantes. (Carla Delgado de Souza p.116)
Entre Mário de Andrade
e o Música Viva
 Pode-se dizer que o movimento Música Nova é, em certa medida, o
continuador de, pelo menos, um forte princípio estético herdado tanto
do Modernismo, da Semana de 22, de Mário de Andrade, quanto do
Música Viva, de H. J. Koellreutter, que foi o tema recorrente da ruptura
com o passado, a busca da inovação, da atualização técnica, de se
integrar ao mundo.

Neste sentido, o grupo Música Nova (e o Festival como um “bem


simbólico” conseqüente) foi o último representante, na área da música
erudita, na busca pelo novo, e atravessou os 40 anos finais do século XX
interagindo, participando das linhas que iam compondo novos
sistemas.p.38
MN frente ao nascionalismo

 Na política cultural oficial, a corrente nacionalista tinha a


preferência, enquanto que a vanguarda ganhava uma posição
cada vez mais centralizada em um pequeno grupo
Em Darmstadt

 Em 1962, Gilberto Mendes, Willy Corrêa de Oliveira e Rogério Duprat


foram aceitos como alunos no Festival Ferienkurse fuer Neue Musik –
em Darmstadt, na Alemanha Federal

 Segundo Gilberto Mendes, ele e seus amigos puderam conhecer


de perto as pessoas vinculadas à composição de vanguarda da
época, bem como a produção contemporânea americana, por
meio dos alunos do compositor John Cage, que também estavam
presentes no Festival. Essa interlocução teria sido fundamental para
a definição dos rumos do que foi o movimento Música Nova no
Brasil, visto que tanto Gilberto, quanto Willy Corrêa de Oliveira e
Rogério Duprat decidiram voltar ao país fazendo uma música que
se diferenciasse em alguns pontos daquela que estava sendo
praticada pela vanguarda europeia.
Manifesto 1963

O Grupo Musica Nova lança em março de 1963 um manifesto, e promove


seis meses mais tarde um debate sobre seu conteúdo. Este debate ocorreu
nas dependências do teatro de Arena na cidade de São Paulo. O evento foi
organizado pelos membros do Música Nova que moravam em São Paulo,
destes Rogério Duprat e Olivier Toni tiveram destacada atuações no evento
que contou também com o poeta de Décio Pignatari ligado a poesia
concreta.
música nova
Manifesto 1963
 compromisso total com o mundo contemporâneo:
 desenvolvimento interno da linguagem musical (impressionismo,
politonalismo, atonalismo, músicas experimentais, serialismo,
processos fono-mecânicos e eletro-acústicos em geral), com a
contribuição de debussy, ravel, stravinsky, schoenberg, webern,
varèse, messiaen, schaeffer, cage, boulez, stockhausen.
 atual etapa das artes: concretismo: 1) como posição generalizada
frente ao idealismo; 2) como processo criativo partindo de dados
concretos; 3) como superação da antiga oposição matéria-forma;
4) como resultado de, pelo menos, 60 anos de trabalhos legados
ao construtivismo (klee, kandinsky, mondrian, van doesburg,
suprematismo e construtivismo, max bill, mallarmé, eisenstein, joyce,
pound, cummings) - colateralmente, ubicação de elementos extra-
morfológicos, sensíveis: concreção no informal.
 exata colocação do realismo: real = homem global; alienação está
na contradição entre o estágio do homem total e seu próprio
conhecimento do mundo. música não pode abandonar suas
próprias conquistas para se colocar ao nível dessa alienação, que
deve ser resolvida, mas é um problema psico-sócio-político-cultural.
 transformação das relações na prática musical pela anulação dos
resíduos românticos nas atribuições individuais e nas formas
exteriores da criação, que se cristalizaram numa visão idealista e
superada do mundo e do homem
 educação musical: colocação do estudante no atual estágio da
linguagem musical; liquidação dos processos prelecionais e
levantamento dos métodos científicos da pedagogia e da
didática. educação não como transmissão de conhecimentos mas
como integração na pesquisa
 superação definitiva da freqüência (altura das notas) como único elemento
importante do som.
 elaboração de uma "teoria dos afetos" (semântica musical) em face das
novas condições do binômio criação-consumo
 cultura brasileira: tradição de atualização internacionalista (p. ex. atual
estado das artes plásticas, da arquitectura, da poesia), apesar do
subdesenvolvimento econômico

maiacóvski: sem forma revolucionária não há arte revolucionária.


são paulo, março 1963.
A poesia concreta

 Nessa busca por um caminho próprio de composição, que não


fosse uma mera cópia da estética darmstadtiana, Gilberto Mendes,
Rogério Duprat, Damiano Cozzela e Willy Corrêa de Oliveira
puderam contar com o apoio que lhes seria dado pela vanguarda
da poesia concreta
 Não é por acaso que o primeiro poema concreto musicado por
Gilberto Mendes foi Nascemorre, de Haroldo de Campos,
executado pela primeira vez em 1963
https://www.youtube.com/watch?v=O6JrRwuY7Kk
O MN e seu tempo
 Para Zeron50, o Música Nova estava coerente com outras formas de Arte pós-
64: Arena, Oficina, Opinião; Cinema Novo e Cinema Marginal, CPC’s da UNE; a
Poesia Concreta; a canção de protesto e de certa parte até o Tropicalismo.
Resumindo o pensamento do autor, Zeron considera quatro pontos de união
para qualificar os signatários do Manifesto de 63 como um grupo:

 1. Adoção da política cultural do PCB, mesmo com a divisão interna sobre uso
do Nacionalismo;
 2. Colaboração com os poetas concretistas;
 3. Respaldo e projeção no exterior, por meio de citações em artigos, estréias de
obras em Festivais e o próprio Festival Música Nova de Santos;
 4. O fato de que os membros do Grupo Música Nova passam da vanguarda e
se “dissolvem” em: de um lado, atuações no Mercado e na Indústria Cultural,
em especial Rogério Duprat e Damiano Cozzella, e, do lado oposto, a
vinculação política no início da década de 80 – engajamento – de Willy Corrêa
de Oliveira e Gilberto Mendes.p.3

Sobre o grupo música Nona
Gilberto Mendes comenta:
 (...) fomos realmente os primeiros compositores brasileiros – o nosso Grupo
Música Nova – a fazer música aleatória, microtonal, música estruturada parâmetro
por parâmetro segundo os princípios do serialismo integral, não periódica, não
discursiva, música com a introdução do ruído no contexto sonoro (o ruído elevado
à categoria de som, de objeto musical, vale dizer, música concreta e/ou
eletrônica), com a utilização dos mixed media (como eram chamados então,
liquidificadores, aspiradores de pó, televisores etc.), do gesto e da ação musical
como teatro (a serem encarados e desenvolvidos como tal, como teatro musical),
de novos grafismos, abolindo a notação musical tradicional (falávamos em design
para nossas obras), música com a participação do ouvinte na sua execução, e
música “programada” em computador (ordenador eletrônico, ou cérebro eletrônico,
como era conhecido na época). Mudamos tudo, não tenho a menor dúvida.
Alguém tinha que fazer isso. Aconteceu que fomos nós, simplesmente.
(MENDES,1994, p. 80-81)
Obras

 Gilberto Mendes - BEBA COCA-COLA


https://www.youtube.com/watch?v=6DKRtGjIaD4
 Gilberto Mendes - Santos Football Music
 https://www.youtube.com/watch?v=a_P_USxgGFM
 ÚltimoTango em Vila Parisi - Gilberto Mendes
 https://www.youtube.com/watch?v=axX2azUvSNI
 Um movimento vivo - Willy Corrêa de Oliveira
 https://www.youtube.com/watch?v=YWbLlGuca_Q

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