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Álgebra Linear - Base e Dimensão

Base de um Espaço Vetorial • O conjunto B = {1, x, x2 , ..., xn } é uma base do espaço ve-
torial Pn uma vez que são linearmente independentes, pois
a única solução possível da equação abaixo:
Definição 1 (Base de Espaço Vetorial): Um conjunto B =
{v1 , ..., vn } ⊂ V é uma base de um espaço vetorial V se: a0 + a1 x + a2 x2 + ... + an xn = 0

1. B é LI; é a0 = a1 = a2 = ... = an = 0. Além disso, qualquer vetor


deste espaço pode ser escrito como:
2. B gera V .
a0 + a1 x + ... + an xn ,

que é uma combinação linear dos vetores da base. Portanto


Exemplos
B é a base canônica de Pn .
• B = {(1, 1), (−1, 0)} é uma base de R2 pois estes dois ve-
tores são LI (calcule você mesmo para se certificar) e uma É importante notar que nem todo conjunto de vetores é uma
combinação linear destes dois vetores gera R , já que: 2 base de um espaço vetorial:

(x, y) = a(1, 1) + b(−1, 0) = (a − b, a), • B = {(1, 2), (2, 4)} não é base de R2 pois não são LI;

ou seja:  • B = {(1, 0), (0, 1), (3, 4)} não é base de R2 pois não são LI;
a = y
b = y − x. • B = {(1, 2)} não é base de R2 pois apesar de ser LI, não
gera todo R2 ;
• B = {(1, 0), (0, 1)} também é uma base de R2 . Esta é cha-
Todo conjunto LI de um espaço vetorial V é uma base
mada de base canônica. Estes dois vetores são LI pois a
do subespaço por ele gerado. Isto pode ser facilmente
única solução da equação:
! verificado pois 1) por definição este conjunto é LI e 2) gera
(0, 0) = a(1, 0) + b(0, 1) um (sub)espaço.

é a = b = 0. Além do mais, R pode ser obtida através da


2

combinação linear desta base pois: Teorema 1 (Conjunto Gerador): Seja A = {v1 , ..., vn }
(x, y) = x(1, 0) + y(0, 1) um conjunto em um espaço vetorial V = L(A), então:

a) qualquer vetor de A que seja uma combinação linear


Na verdade, para qualquer Rn podemos mostrar que
dos demais poderá ser retirado de A de tal forma que
a sua base canônica pode ser representada por n
o novo conjunto ainda gerará V ;
vetores na forma B = {e1 = (1, 0, 0, 0, .., 0); e2 =
(0, 1, 0, 0, ..., 0); ...; en = (0, 0, 0, 0, ..., 1)}. Isto pois b) se A 6= {∅} então algum subconjunto de A é uma
! todos estes vetores serão sempre LI e porque, gene- base de V .
ralizando o último exemplo visto acima, podemos es-
crever qualquer vetor neste espaço como uma com- A prova da primeira parte deste teorema foi dada na última
binação linear dos vetores desta base. parte da aula sobre combinação linear. Lá foi introduzido o te-
orema de que se temos um conjunto A formado por n vetores
• O conjunto: quaisquer, o espaço formado por estes vetores será o mesmo se
introduzirmos um vetor adicional que seja uma combinação linear
(" # " # " # " #)
1 0 0 1 0 0 0 0
B= , , ,
0 0 0 0 1 0 0 1 dos n vetores que já se encontram em A. Por conta disso, pode-
mos retirar, uma-a-um, todos os vetores que sejam combinações
forma uma base pois são LI, já que:
" # " # " # " # " # lineares dos restantes no grupo até que tenhamos um grupo so-
1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 brevivente de vetores que sejam LI. Como este grupo ainda gera
a +b +c +d =
0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 o subespaço V , então este grupo é uma base para V .
implica em a = b = c = d = 0 e, adicionalmente, geram
Teorema 2: Se B = {v1 , v2 , ..., vn } for uma base de um
M2×2 já que qualquer matriz:
" # " # " # " # " # espaço vetorial V , então todo conjunto com mais de n ve-
a b 1 0 0 1 0 0 0 0 tores será linearmente dependente.
=a +b +c +d
c d 0 0 0 0 1 0 0 1

© 2019 Agenor Hentz - UFSC/Araranguá


Prova: Seja B 0 = {w1 , w2 , ..., wm } um conjunto de vetores • dim(Pn ) = n + 1;
de V com m > n. Queremos mostrar que B 0 é LD. Para tanto
• dim(∅) = 0.
queremos mostrar que existem números reais x1 , x2 , ..., xm não
todos nulos de forma que:
Observações sobre Dimensão
x1 w1 + x2 w2 + ... + xm wm = 0.
Podemos listar algumas observações importantes sobre dimen-
Como B é uma base de V , então cada vetor wi é uma combi- são de um espaço vetorial. Nos casos abaixo considere um es-
nação linear dos vetores de B. Portanto, cada vetor de B 0 é dado paço vetorial V com dim(V ) = n:
por:
• seja S um subespaço qualquer de V , S ⊂ V , então
w1 = α1 v1 + α2 v2 + ... + αn vn
dim(S) ≤ n. Se dim(S) = n, então S = V ;
w2 = β1 v1 + β2 v2 + ... + βn vn
.. • qualquer subconjunto de V com mais do que n vetores é LD;
.
• se um conjunto B é base de V , então B é LI e V = L(B).
wm = δ1 v1 + δ2 v2 + ... + δn vn
Por outro lado, se sabemos que dim(V ) = n, então se ti-
Substituindo-se estes vetores na equação de cima e rearran- vermos um conjunto B de n vetores pertencentes à V , para
jando os termos de forma a agrupar os vetores temos: podermos afirmar que este conjunto forma uma base de V
basta que apenas uma das duas condições acima sejam sa-
(α1 x1 + β1 x2 + ...δ1 xm )v1 +
tisfeitas, pois:
+ (α2 x1 + β2 x2 + ...δ2 xm )v2 +
+ ... + – qualquer subconjunto de V com n vetores LI é uma

+ (αn x1 + βn x2 + ...δn xm )vn = 0 base de V . Isto porque a dimensão do subespaço


formado por este subconjunto deverá ser n, que é a
Como todos os n vetores são LI, isto significa que todos os co- mesma dimensão do espaço V . Logo este subespaço
eficientes acima têm que ser nulos. Assim temos um sistema com é igual à V ;
n equações e m > n variáveis. Por conta disso, existem soluções
– qualquer subconjunto de V com n vetores que gere
não-triviais, isto é, para alguns xi 6= 0. Logo B 0 é LD.
V é uma base de V . Isto porque se o subconjunto B
formar um espaço vetorial, então a dimensão deste es-
Corolário 1: Duas bases quaisquer de um espaço vetorial paço será menor ou igual à n (dependendo se estes ve-
têm o mesmo número de vetores. tores forem LI ou LD). Entretanto, como estes vetores
geram V , que tem dimensão n, então obrigatoriamente
Prova: Consideremos conjuntos A = {v1 , ..., vn } e B = estes vetores terão que ser LI.
{w1 , ..., wm } de um espaço vetorial V . Se A é base de V , en-
tão os n vetores de A são LI. Isto significa que m não pode ser
Teorema 3: Seja B = {v1 , ..., vn } uma base de um es-
maior do que n senão os m vetores de B seriam LD. Por outro
paço vetorial V . Então, todo vetor v ∈ V pode ser descrito
lado, se B também é base de V , então os m vetores de B são LI,
de maneira única como uma combinação linear dos veto-
por conta disso o valor de n não poderá ser maior do que n senão
res de B
os n vetores de A seriam LD. Como m não pode ser maior nem
menor do que n, então, obrigatoriamente m = n.
Prova: A prova é feita por contradição. Suponhamos que o
vetor v ∈ V pudesse ser escrito como duas combinações lineares
Dimensão de um Espaço Vetorial diferentes de B:

v = a1 v1 + a2 v2 + ... + an vn
Definição 2: Seja V um espaço vetorial. Se V possui uma
= b1 v1 + b2 v2 + ... + bn vn
base com n vetores, então V tem dimensão n e anota-se
dim(V ) = n. Subtraindo-se uma equação da outra temos:

Alguns exemplos: 0 = (b1 − a1 )v1 + ... + (bn − an )vn .

• dim(R2 ) = 2, pois toda base do R2 tem dois vetores; Como os vetores de B são LI, a única maneira de termos a igual-
dade é se:
• dim(Rn ) = n;
b1 = a1 b2 = a2 ... bn = an .
• dim(M2×2 ) = 4;
Portanto, so há uma única forma de se representar um vetor atra-
• dim(Mm×n ) = m × n; vés de uma base.

© 2019 Agenor Hentz - UFSC/Araranguá

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