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Lang, W an ger

feito m ulh er (1952) e O tesouro do Barba Rubra (1955). Para a l g u n s , O segredo atrás da

I' ill Rey, ( am es Seay, M ar k Dennis,

década de 40 q ue i n c lu e m A mulher desejada {1947), de J e a n Renoir, e a pro-

carecer de a s s o c ia ç õ e s ou e xplicaçõ es ra cion ais, p o r é m O segredo atrás da


(1948)

People, de Ira Wolfert


F o t o g r a f i a : George Barnes

Jo h n

McVey, Beatrice P ears on, Fred o.

C h i n a 85 min. P8cB

(1948)
Direção: Fei Mu
I U A (i Maries K. Feldman, Monterey) <i948)
min.
l.lmrii.i ini'lc,
U m a ref ilm agem em forma de faroeste de O grande motim (1935), este é um filme
Director Howard Ha wk s , Arthur
consideravelmente m ais profundo do q ue o original, apresentando a relação entre Bligli
KIP.'.nil
e Christian cm t er mo s de um conflito pai/filho. O astro J o h n W a y n e - um dos mais
ii('(liiç.1o: Charles K. Feldm an,
bonitos protagonistas m asc ulinos da década de 30, interpretando um personagem mais

velho do q ue ele próprio c om uma aspereza autêntica e circunspecta - é contrastado de


i' Iro: Borden Chase, Charles
forma interessante por H a w k s c om o fotogênico M o n t g o m c r y Cllft, a síntese do tipo
S< l i n e r
de neurose sensível e masculina que entraria em moda na década seguinte.
Russell Harlan
Depois de um longo prólogo que se passa durante as conseqüências de um ataque de

rlcnco: John W a y n e , M ont gom er y índios em 1851, no qual v e m os o empobrecido Tom Dunson (Wayne) e o órfão M at th ew

1 III 1, |oanne Dru, Walter Brennan, Carth (Clift) juntarem seus rebanhos para formar um império do gado, somos apresentados
1
Oleen Cray, Harry Carey, John à Red River D - como o personagem de W a y n e chama sua propriedade - na depressão eco-
in 1 uni Nu,1I1 Beery Jr., Harry Carey
nômica pós-Guerra Civil. Conduzindo um rebanho até o Missouri, o inflexível Dunson se
l i . 1 h i d Yowlachie, Paul Fix, Hank
torna cada vez mais tirânico, levando Ma tt a se rebelar e conduzir a boiada para o Oeste atra-
Worden, Mickey K u h n , Ray Hyke,
w.illv W ale s vés de uma rota mais segura até Abilenc. Dunson admira a coragem do rapaz, m as, ainda

.10 ,10 Oscar: Borden assim, jura ira seu encalço para matá-lo, o que leva a um clímax que é dos mais emotivos do

(iiHrlio), Christian Nyby (edição) gênero, no qual dois h om ens que se a m a m duelam em meio ao gado nas ruas de Abilene.

H aw k s, o grande cronista das sagas masculinas do c inema , encena aqui a ópera de

caubóis definitiva, ofuscando todos os outros faroestes de condução de gado com seqüên-

cias belas, líricas e empolgantes de estouro de boiada, clima árido, vaquejadas e conflitos

c om os índios. Os protagonistas estão no auge, com W a y n e surpreendentemente rivali-

zando Clift em termos de sutileza. Temos ainda coadjuvantes excelentes, c om o Walter

Brennan como o tolo desdentado; John Ireland como um pistoleiro magricela; c j o a n n e Dru

como a garota pioneira q u e é c a p a z d e levar uma f lechada no ombro quase sem cambalear.

Embora seja conhecido por seus faroestes, H aw ks fez, surpreendentemente, poucos

filmes do gênero. Este parece ser um tributo carinhoso a J o h n Ford, realizado c o m uma

certa atitude de também-posso-fazer-isso, uma vez que Hawks escalou vários m embros

da trupe do colega; Harry Carey e Harry Carey Jr., Hank W orden c até o próprio W a y n e . O

diretor usa uma abordagem fordiana dos esplendores perigosos da paisagem do Oeste,

assim como um a trilha à Ford de Dimitri Tiomkin, baseada em canções folclóricas. KN


I inliora deva sua f a m a a um estilo mirabolante e carregado de e m o ç õ e s fortes, Alfred

l InÍ hcock sempre foi um dos c ineastas m a is experimentais do ci nem a comercial. Tendo
i n i n o base sólida u m a peça de Patrick Ham ilt on (famoso por À meia-luz) baseada no

Caso Leopold e Loeb e dramatizada de forma m ai s convencional no f ilm e Estranha

npuísão, de 1959, festim diabólico c ha m a a te nç ão para seu cenário único utilizando

h 11 nadas de um rolo de duração que são juntadas de maneira quase invisível para que ele
pareça não ter cortes. Em se considerando q ue , em 1948, mu it os dos espectadores mal

'.ablam que filmes consistiam cm trechos breves m on t a do s para efeito dram ático - a t é

hoje, a maioria dos filmes sobre ci nem a parece sugerir que as cenas são f ilmadas c om o

s e estivessem acont ecendo a o v ivo, c o m o em um palco -, pode-se supor qu e Hitchcock

estivesse mais interessado em se dirigir a colegas de profissão, d e m o n s t r a n d o um a

maneira alternativa de se contar um a história em filme de forma s e m e l ha n t e ao que o

posterior m o v i m e n t o Dogm.195 e A bruxa de Blair (1999) t e n t ar a m fazer.

Além dos desafios técnicos de fazer a câmera seguir os personagens por um aparta-

mento grande cm Nova York, contando uma história em " t e m p o real", Festim diabólico c
bastante interessante por si próprio, mostrando dois solteiros qu e m o r a m juntos (John

Dall e Farley Cranger) que t e n t a m se safar de um assassinato casual para provar uma teo-

ria obscura. Ao m e s m o t em po um drama psicológico intenso c um a comédia de humor E U A (Transatlantic, Warner Bros I
negro ao estilo de Este mundo 6 um hospício (1944), o filme apresenta um conflito de gato 80 min. Technicolor

e rato à medida que os assassinos convidam o professoral J i m m y S t ew ar t para Impres- inglês

sioná-lo c om a inteligência deles, flertando de várias formas c o m a revelação do crime. Alfred Hitchcock
Sidney Bernstein
A técnica distrai menos do que se poderia esperar, permitindo a S tewart e Dall se
H u m e Cronyn,
confrontarem em uma grande batalha entre afetação homicida e retidão moral. É possível
Laurents, baseado na peça Rope'1
que toda a atenção que se deu aos planos longos tenha feito os censores ignorarem a re-
End, de Patrick Hamilton
presentação extraordinariamente aberta de uma relação quase homossexual entre os a s -
W illiam V. Joseph *.
sassinos - apesar de nunca mencionado nos diálogos, há apenas um quarto no aparta-
Valentine
m e nt o que eles dividem. A insegurança de Cranger fica ainda mais clara com a duração
David Buttolph
impiedosa das to ma das , mas Dall e Stewart mostram-se á altura do desafio de apresentar Stewart, Dall.
atuações ininterruptas, ao estilo do teatro, na mídia mais intimista do cinema. KN Farley Cranger, Cedric Hardwii ke,
Constance Collier, Douglas Dick,
Edith Evanson, Dick Hogan, Juan
Chandler
Idloma: ingles

I > i n \ . > o : Anatole Litvak

111 v.11«., P ar r yl F. Z an uc k

Brand, Partos,
W ard

M i i - . n a : Alfred N e w m a n

[I ens, Leo G e n n , Celeste H o i m ,

Bassler,

Cas tle,

U n l t ' l i n : 1 ' r . m i Welles, baseado no


111 Pie Before / Wake, de

M i e n .1 11111 Is Fisher, Allan Roberts.


Ilein/ Koemheld

1 v r i e i 1 S lo an e, Glenn Anders, Ted de

Evelyn Ellis,
H . H i y sh ann on
(i948) EUA (Param ount) 91 min. Ter hnlcoloi

inglês

No rm an Z. M cLeod
J an e Russel interpreta Calamity J a n e , recrutada pelo governo dos Estados Unidos para ajudar
Robert L. Welch
na caçada a uma gangu e de brancos renegados que estão v enden do a rm as para os Índios.
E d m u nd L. H a r t m a n n , I
Para poder se passar por emigrante cm um trem que está indo para o Oeste, ela se casa c om
Tashlin
Painless Peter Potter, um dentista incompetente e covarde. (Não se deve buscar plausibilida-

de neste tipo de filme!) Bob Hope se diverte no papel de Painless, disparando uma enxurrada
Ray J a y Livingston,
de piadas e partindo do princípio de que, se você não gostou da que acabou de ser contada,
Victor Y oung
logo virá outra. M u it o do hum or de O valente treme-tremeé previsível, c o m índios inalando
Bob Hope, Russell,
o gás do riso do dentista e Hope protagonizando uma série de trapalhadas, que o levam a Robert Armstrong, Iris Adrian, Itohhy
ser confundido c o m um corajoso c om baten te de peles-vermelhas. Hope, é claro, sente-se Wa t s o n, Jackie Searl, Joseph Vital*,

lo ucam ente atraído pela curvilínea Russell: "Você tem o tipo de boca na qual eu gostaria de Charles Trowbridge, Clem B e v a n s , |ell
York, Stanley Andrews, W a d e Cmshy,
trabalhar." Há um a piada recorrente sobre a c ons um aç ão eterna mente postergada do
Cheif Y owlachle, Iron Eyes Cody, |ohfl
c as a m e nt o, á medida que Russell continua seu trabalho de derrotar os bandidos. Maxwell
Pa inle ss e C a l a m i t y são c a p tu ra d o s e levados para um a c a m p a m e n t o Indíge na,
Jay Livingston, Ray Evans,
o n d e os índios são in terpre tad os t a n t o pelo c h efe Y o w l a c h i e (que era índio de fato) Victor Y oung (canção origin,il)
q u a n t o por Iron Eyes Cody (u m ítal o-am e ric an o que se faz passar por pe le-v erm e lha ). As

piadas às c u s ta s deles, em bo ra n ão sejam p o l i t i c a m e n te c orretas , são b o b a s d e m a i s

para ser c on si de ra da s o fen s iv a s.

H o p e faz u m a interpretaçã o s i m pá ti c a da c a n ç ã o " B u t t o n s a n d B o w s " , escrita por

Victor Y o un g , q u e g a n h o u um Osc ar. Ela é um pedido para q u e as garotas v o l t e m para o

Leste e v i s t a m roupas b o n i t a s , m a s Russell está i g u a l m e n t e e n c a n ta d o r a c o m seus

v es ti do s d e seda e calç as de c ouro. Q u a t r o a n o s de po is , " B u t t o n s a n d B o w s " foi

reprisada em u m a s eq üên ci a Intitulada O filho do treme-treme (dirigida pelo roteirista

do fi lm e original). H ope e Russell se r e e n c o n t ra m , desta vez c o n t a n d o c o m Roy Rogers

e seu c a v al o Trigger, q ue g a n h a u m a c an ç ã o s ó para ele: " A Four-Le gge d Friend". E B


Po we ll,
• pari

Rottlro: P o w el l,

I M l i n l l i l I 111;. •. 111
I U A (Warner Bros.) 126 min. P & B 0 (i 4S)
9

inglês
Hus ton
J o r n a d a s fra c as s a d as , a l i m e n t a d a s pela a m b i ç ã o e frus trad as pela g a n â nc i a e de s a v ri l
Henry Blanke, L.
Wamel
ças i nte rna s , e ra m o e nred o favo rito de J o h n H u s t o n , pois a g r a d a v a m a mistura dl

r o m a n t i s m o e c i n i s m o q u e c o m p u n h a sua própria pe rs on ali da de. De O falcão ma/tél


H u s ton , B. Traven,
(1941) até O h o m e m que queria ser rei (1975), ele realizou u m a série de v ariaç ões sohie o
baseado no livro de B. Traven
t e m a - p o rém O tesouro de Sierra Madre o apresenta dentro de algo próximo da sul

Buddy Max Steiner form a arquetípic a. No M é x ic o , três an d ari lh os a m e ri c a n o s In c o m p a tí v e is j u n t a m fon,.is

Hum phrey Bogart, W alter para g a ri m p a r ouro, o e n c o n t ra m e - i n e v i t a v e l m e n t e -, no f i m , retiram a derrota das

Huston, Hm Holt, Bruce B en n ett , garras da vitória e f ra c a s s a m n o v a m e n t e . H u s t o n , responsável por gra ndes a d a p t a ç o i" .
li.iiion M a c L a n e , Alfonso Bedoya, da literatura para as telas, retirou essa história do misterioso e recluso escritor B. Traven
AH '.oto Rangel, M a n u e l Donde, e, c o m o s e m p r e , tra tou o m ate rial original c o m respeito e c a rin h o, preservando boa
I t i ' . e loivay, Margarlto Luna
parte d o s diá logos lac ônicos e do s a rc a s m o do autor.
Otc.ir: J o h n Huston (direção e
Apesar da o p o s i ç ã o do e s tú d i o - pois fi l m a g e n s em lo c a ç ã o , pelo m e n o s para
roteiro), Walter Huston (ator
p rodu çõe s h o l l y w o o d l a n a s clas se A, e ra m raras naquela época -, H u s ton Insistiu em

film ar qu as e I n te i ram e nt e em lo caç ões no México, próximo a um vilarejo Isolado a mais


ao Henry Blanke
(inelhiii lilme) de 200 q u il ô m e tro s da c a p i ta l . S u a intransigência rendeu bons frutos. A textura do

fi l m e transpira a aridez poeirenta da pa i sa g em m e x i c a n a , de m o d o q u e , ao assisti-lo,

v o c ê q u a s e c o n s e g u e sentir a areia entre os d e n t e s ; e os atores - exilados do a m b i e n t e

c o nf ortá v el do e stú dio e ten do q u e enfrentar as In te m p é ri e s - são obrig ado s a oferecer

in te rpretaç ões te n s a s e irascívels. Isso c o m b in a v a c o m o t e m a de O tesouro...: c o m o as

p e s s oa s re agem sob pressão. E n q u a n t o o ve lh o garimpeiro (interpretado por W al te r

H u s t o n , pai do diretor) e o j o v e m in g ê n uo (o ator de fil me s de c a u b ó i Tim Holt) se

a ga rram a seus princípios di an te das ad v ersi da de s e da t e n t a ç ã o do o uro, o paranóico

Fred C . Dobbs ( H u m p h re y B o g ar t em um dos seus papéis m ai s m e m o r a v c l m c n t e afliti-

vos) d e s m o ro n a e s u c u m b e .

A d e t e rm i n a ç ã o de H us to n em film ar O tesouro... c om o queria t a m b é m rendeu bons

frutos ao e s tú d io . A princípio, J a c k W a r n e r d ete s to u o fi l m e , m a s ele rendeu à W a r n e r

Brothers não s ó u m s uc es so d e bilheteria c o m o um d e s e m p e n h o triu n fan te n o Oscar.

H u s to n g a n h o u d u a s e s t a t u e t a s - de M e l h o r Direção e M e l h o r Roteiro -, e n q u a n t o seu

pai c o n q u i s to u o prêmio de M e l h o r Ator C o a d j u v a n t e . Foi a primeira e - até o m o m e n t o

- única vez que u m a e q u i p e de pai e filho foi prem iada na c e ri m ô n i a . PK


Louisiana,

Frances

Jose ph
™ir>-

b an ado no romance A herdeira, de

I I co Tover

Montgomery

Bitty
II I'd 11 a 11, Selena Royle, Paul Lees,

hardson
OITO (1949)

I n g l a t e r r a (Eallng Studios) 106 min.

Balcón,

Price,
J o a n G r e e nw o od , Alec G uinnes s ,
DlrccMo: Joseph H. Lewis

t a m b é m caracteriza c â n o n e s do g ê n e r o, c o m o O destino bate à porta {1946) e Curva do

Eles
min.
inglês
George Cukor
" l o d o s t e m o s n o s s os tru qu e s ." Esta excelente c o m é d i a de guerra dos sexos se rviu de
Lawrence W eing arten
inspiração para i n c o nt áv e i s f il m es e séries de tele vis ão sobre casais brig u en tos , p oré m Ruth Go rd on, Garson Kanin
'.('x ualmen te i n f l a m á v e i s . D os n o v e fi l m e s q u e a lendária d upla S p e n c e r Tracy e

K a t h a rln e H e p b u rn fez entre 1947 e 1967, A costela de Adão pode ser c on s id era do o m e - Cole Porter, Mlklõs Ró/s.i
lhor. Ele ainda co nserva o frescor c o m seus diálo gos e sp irituo so s, d i s c us s ã o a n i m a d a Spencer Tracy, Katharine

'.obre Igu alda de entre os sexos e es tereótipo s de gênero e a t u a ç õ e s m a ra v i l h o s a s . O H ep bu rn, J u d y Holllday, Tom Ewell.

loteiro foi escrito pelos g rand es a m i g o s de Tracy e H e p b u rn , o casal G a rs o n K a n i n e Francis Attinger, David W a y n e , lean
Hägen, Hope E m e rs o n, Eve M a rc h ,
Ruth G o rd o n (a atriz q ue g a n h o u um Os c a r por O bebê de Ros emary). A história real que
Clarence Kolb, Emerson Treacy, Polly
deu orig em ao en re d o foi a do s a d v o g a d o s W i l l i a m e Dorothy W h i t n e y , m ari do e
M o r a n , Will W ri gh t, Elizabeth
mulher, q ue rep res e nt ara m o Sr. e a S ra. R a y m o n d M a s s e y em seu divórcio, em seguida
Flournoy
se divorc iaram e c a s a r a m - s e c o m s e u s re spe ctiv os c lie nt es .
ao Ruth Cordon,
A coisa n ão chega a ta n t o em A costela de Ad ão. Q u a n d o Dóris Attinger, u m a loura
Garson Kanln (roteiro)
meiga e a m a l u c a d a - interpretada pela s e n s a c i o n a l m e n t e eng raç ada J u d y Holllday, e s -

treand o no papel q u e lançou sua carreira me te óric a -, é ac u s ad a de ten tati va de a s s a s -

s inato de W a r r e n (Tom E well), s e u m ari do infiel, a a dv o g ad a protofem lnis ta A m a n d a ,

" P i n k l e " B o n n e r (He pb u rn ) concorda e m d efen dê-la. No e n t a n t o , o m a r i d o de A m a n d a

A d a m " P i n k y " B o n n e r (Tracy), é o promotor público e a batalha dos dois no tribunal logo

se es t en d e para o q u a rt o . As hostilidade s se a g r a v a m q u a n d o Kip (Dav id W a y n e ) , um

m úsic o a p a i x o n a d o , passa a m o strar interesse por A m a n d a , c o m p o n d o " F a r e w e l l ,

A m a n d a " (u m a c a n ç ã o escrita por Cole Porter) e m sua h o m e n a g e m .

O diretor G e org e Cukor, rec on he c en do a tea tra lid ad e In e ren te a s i tu a ç õ e s de

tribu nal, m a n t é m um ritmo d e li be rad a m en te teatral depois da seqüência de abertura de

s us pens e c ô m i c o em qu e Dóris segue W a rre n do trabalho até o local do encontro c o m

Beryl ( J c a n H ag c n), sua a m a n t e vulgar, e ten ta m a t á -l o in u ti l m e n t e a tiros. Os longos

p lano s-seq üên cia do film e dão a Hepburn a liberdade de passear pelo tribunal, o nd e ela

faz seu sh ow ex trao rdinariamente a s tuc io s o, e p e r m i t e m a Tracy extravasar sua indigna-

ção d ia n te das t át ic as da e sp osa . Dentre os m o m e n t o s de d e s t a q u e e stã o A m a n d a

Interrogando a Idiota Dóris no início e o espetác ulo de A d a m em lágrimas expondo seu

lado fe m ini no para ficar b e m c o m a espos a. Embora alguns dos a r g u m e n t o s po s sa m

parecer a n t i q u a d o s hoje em dia, a sofistic aç ão do fi lm e p e rm a ne c e In tac ta . AE


(1949)

J u n t a m e n t e c o m Um pnís de anedota e As oito vítimas, Alegrias o granel faz parte da pri

I n g l a t e r r a {Ealing Studios, Rank)

1 'ro d u ç .l o : M ic hael B a lc o n, M onja

I ' i ' i i - i i o : Aiij^us M a c P h a il , Com pton

l u l o | > , i a f i a : Gerald Cibbs

Joan

I n n I . H kson, Jea n Cadell, Ja me s

J a m es o n

embriaguez do sucesso, de 1957. AE


(1949) E U A (Warner Bros.) 1 1 4 m in . P&B

D i r e ç ã o : Raoul Walsh

J a me s MayO,

(1949)

W ang er

M ú s i c a : Hans J . Salter

J ames M a s o n , Joan
Inglaterra
(THE THIRD MAN)

Reed

1 ' i o i l n ç ã o : Hugh Perceval, Carol Reed

Rottlro: Greene,

Korda <

Múllca: Love, Karas

' In W e lle s , Trevor H o w ar d , Paul

a in da n as a d a p t a ç õ e s de Eric A m bler, c o m o tornada do pavor (1942) e A máscara de

Reed
i UA ( M ( , M ) 98 m i n . Technicolor
DIA NOVA (1949)

inglês

Stanley D o n e n , Gene Kelly Dois m a ri n h e i r o s , Ga b e y (G en e Kelly) e Chip (Frank S in a tra ), na c o m p a n h i a da taxlstl


Roger Freed B r u n h i l d c ( B c t t y Ga rrett), i n v a d e m u m a aula de d e s e nh o c o m m o d e l o v ivo . Eles fii arfl
U n i i ' i i o : Adolph Green, Betty
b o q u i a b e rt o s ao v e r e m u m a m u l h e r n u a , de c o s t a s . A m o d e l o se vira: está us ando uni
( o m d e n , baseado na peça de sua
v e s t id o s e m a parte de trá s . O trio sai correndo pela porta giratória pela qual e ntrou.
•ml l.i
V e m o s e n t ã o o terceiro m a rin h e iro , Ozzie (J u l e s M u n s h i n ) , e sua n a m o r a d a antropólo
Harold Rosson
g a , Claire (Ann Miller), q u e s e b e i j am f u r t i v a m e n t e .
M o - . i i . 1 : 1 eonard Bernstein, Saul
A diversão l e v e m e n t e subversiva de Um dia em Nova York está toda contida nesta
( h.nihil, Roger Edens
1 I r i n o: 1 , i w Kelly, Frank Sinatra, com plex a g a g . O f i l m e é b a s i c a m e n t e u m a caça a sexo c a s u a l : três m a ri nh eiros , em

h ei i v d ai rc tt , Ann M i l l e r j u l e s u m a licença de 24 horas , q u e q u e r e m transar. Na su perfíc ie, o f i l m e tenta negar esse


M i ne ,hi n, Vera-Ellen, Florence B a te s , imp ulso básico t e m o s , afi na l, o a m o r de G a b e y por Ivy (Vcra-Ellen), a meiga e inocente
Alii 1 i v . i n e , i ,eorge Meader, Judy " M i s s Tu rn s tile s " - m a s há prova disso em toda parte: na s referências culturais (u m

m u s e u d e v o t a d o a o " h o m o e r e c t u s " ), na s frases de duplo s en ti do (" E le queria ver as


1 IM .11: Roger E d e ns , Lennie Hayton atraç õ es turís tic as e eu m os tre i t u d o " ) c, p ri n c i p a l m e n te , nos n ú m e r o s m u s i c a i s , e m

q u e t o d o o e ro t i s m o c s u b l i m a d o , e m b ora a p e r f o r m a n c e v irt u o s a de Mi ller de

" P re hi s to ri c M a n ! " nã o faça q u e s t ã o d e es c on der n a d a .

Um dia em Nova York oferece m u i t o s e variados e n c a n t o s c o m sua premissa simples

porém vigorosa de " u m a vida em um dia", m e s m o c o m os diretores Kelly e S tanle y

Do ne n ainda a a lguns an os de distância do seu ideal de m u s ic a l d r a m a t i c a m e n t e inte-

grado. Depois qu e os m arinheiros se s e p a r a m , o fil m e fica e s p e c i a l m e n te agi tad o, indo

desde o burlesco ("You C a n C oun t On M e " ) até o alto balé, este ú lti m o a cargo do dueto

S ln atra -Garrett (" C om e Up to My P l ac c ", um dos de s taq ue s da trilha jazzfstica de Leonard

Bern stein). Os a c o n t e c i m e n t o s a b r e m c a m i n h o para toda sorte de d ev a ne ios (Gabey

i m a g i n a n d o t o l a m e n t e Ivy c o m o u m a garota para toda a v ida), digressões e g a g s .

A faceta esquerdista da vida e da carreira de Kelly é g e ra l m e n t e ignorada. No e n t a n -

to, Um dia em Nova York possui - esc ondida sob a s uperfíc ie, j u n t a m e n t e c o m o i m p u l -

so sexual - u m a as piraç ão política: esta " sin fon ia u r b a n a " (c om u m a fotografia em

lo c a ç ã o formidável) é u m a verdadeira od e às alegrias e tristezas de trab alh ad ores

c o m u n s , a c u m u l a n d o experiências n a s brechas de u m a rotina m a s s a c r a n t e . A M


(1949) Paulvé, Palais Royal)

D i r e ç ã o : J e a n Cocteau

Paulvé

Hayer
Georges

René W o r m s , Faure,
B e rtin, J a c q u e s V arennes, Claude

John

Rosson
Rózsa
Ha yde n,
C a l h e m , J e a n Hagen, J a m e s
W h lt mo r e , S a m Jaffe, Joh n M c l o l i i e .

John

«
(Daiei) 88 m i n . P & B (1950)
Três v i a j a n t e s se r e ú n e m sob a s ruín a s de u m t e m p l o du ra n te u m a t e m p e s t a d e . U n i
Akira Kurosawa le nh ado r (Takashi S h i m u r a ) , um s ac erdo te (M i n o r u Chiaki) e um servo (Kichijiro Ueda)
M in o ru Jingo, Ma saichi fa z e m u m a fogueira e refletem sobre u m a história pe rturba dora. A s si m c om e ç a uma
N .i)' ,,H ,i
história dentro da história sobre um h o m e m e u m a m ul h e r c a s a d o s e um bandido qu e
Ryunosuk e Ak uta gaw a, Akira se e n c o n t r a m em u m a estrada na floresta. O le nha do r se depara m a i s ta rde c om o
I Lirosawa, Shinobu H ash im oto,
c a d á v e r do marido e dá seu t e s t e m u n h o di an te de u m a c o m i s s ã o da polícia q u e inves-
baseado nos contos " R a s h o m o n " e
"D entro da m a t a " , de Ry un os uk e tiga o ocorrido. A explicação horroriza o sacerdote e e n t re t é m o servo de tal forma que

os m a n t é m o c u p a d o s d urante toda a t e m p e s t a d e c o m q ua tro v e rs õ e s do c ri m e .

C o n t a d o a partir de p on to s de vista c o nfl ita nt es em form a de fl as hba c k, film ad o


Fumio Hayasaka c o m u m a câm era fluida, em c o n s t a n t e m o v i m e n t o , e fotografado s ob u m a abóbada d e
lóshiro M i fu n e , Machiko Kyó, luz s alpic ad a, R a s h o m o n de talha pers pe ctiv a s n â o -c o n fiá v e i s . A since ridade dos perso-
Uasayukl M o ri, Takashi Sh im u ra ,
n a g e n s na tela e a v e ra c i d a d e das a çõ es rela ta das m o s t r a m - s e , p o r ta n to , e n g a n o s a s .
M il io n i Chiaki, Kichijiro U e d a ,
Fatos são c o loc ad os à prova e i m e d i a t a m e n t e q u e s t i o n a d o s . Di sc re pâ nc ias entre as
I n i i i i k i i H o n m a , Daisuke Katô
histórias s obrepo sta s do m a ri d o , da esposa e do bandido t o r n a m difícil um relato fiel.
Akira Kurosawa (prémio
Um perfeito pesadelo e p i s te m ol ó g i c o , a obra de Akira K u ro s a w a ven cedora do
honorário)
Os c ar ainda te rm i n a c o m u m a injeç ão de retidão m o ra l . Em bora R a s h o m o n explore de
ao 5o M a t s u y a m a ,
li M o t s u m o t o (direção de arte) fo rm a Implícita a possibilidade perdida de ren o v aç ã o e re d e nç ã o , s eu t e m a central da

de Akira Kurosawa de s co b erta da v e rda d e c o m o u m a d is tin ç ão en tr e o b e m e o m al é s u s t e n t a d o por


[Ltfto de Ouro), Akira Kurosawa g es to s si m ple s de b o n d a d e e sacrifício.
(prêmio da crítica italiana)
C o m o a estrada na floresta é explorada através da perspectiva do bandido Tajomaru

(Toshiro M i f u n e ), ele é caracteriz ado c o m o um ser diabólico. D ep ois de ver M a s a k o

( M a c h i k o Kyô), ele se en ca nta c o m sua s u b m i s s ã o voluntária a n te s de soltar seu marido

s a m u r a i , Takehlro ( M a s a y u k l M o ri ) , para q ue os dois h o m e n s p o s s a m lutar até q u e u m

deles seja m o rt o . Do ponto de vista de M a s a k o , ela é es t up ra da , deson rada e em

seguida rejeitada pelo ma rid o; e n t ã o s u c u m b e a u m a ira histérica e o m a t a . C on c o rd a n -

do a p e n a s que foi m o r t o , Takehiro fala atra vé s de um m é d i u m (F um ik o H o n m a ) ,

ex plicand o c o m o sua esposa c orre s po n de u à paixão de Tajom aru a n t e s de exigir a mor-

t e dele pelas m ã o s do ba nd ido . S e m ver n e n h u m benefício n o a s s a s s i n a t o , Tajom ar u

foge, a s s i m c o m o M a s a k o , a b a n d o n a n d o Takehiro, q ue c o m e t e s uicídio .

Cada história é c on ta da de fo rm a lisonjeira pelos seus próprios p ro ta g on is t as .

A s s i m , T a jo m a ru é um c ri m in o s o im p i e d os o , M a s a k o é u m a vítima

i n o c e n te e Takehiro, um guerreiro honrado. Tudo isso parece v e r d a d e ,

até o lenhador explicar o qu e v iu es con dido na s s o m b r a s . S ua perspec-

tiva ratifica a frivolidade da es pos a, a bravata do ba n did o e a covardia do

m a ri d o . Ela t a m b é m o culta a sua c u m p l i c i d a d e em relação ao c r i m e até

o servo a p o n t á - l a , d e sp rez a nd o a busca pela v e rd a d e .

K uro sa w a te rm i n a esta história desoladora c o m u m a nota positiva.

Um bebê a b a n d o n a d o é descoberto sob as ruínas do te m p l o . O lenhador

introduz no fi lm e o t e m a da b o n d a d e h u m a n a ao a s s u m i r a re s p on s a bi -

lidade de cuidar do órfão c o m o forma de re den çã o. Um de sfecho c o e re n -

te - dada a esquizofrenia fo rm a l de Rashomon c o m sua estrutura narra-

tiva brilhante - para esta obra-prim a de K u ro s a w a . CC-Q


I U A (universal) 9 2 m in. P & B 73
ingles O primeiro dos oito f il m e s q u e o diretor A n t h o n y M a n n fez c o m o ator J a m e s S t e w a r t ,
A nthony M a n n Winchester '73 es ta bel ec e o t o m dessa parceira lendária. Os faroestes qu e esses dois ho
Aaron Rosenberg m e n s realiz aram j u n t o s são g e r a l m e n t e a m a r g o s e de um a beleza árida, c o m fas cinan-
Borden Chase, S tua rt N. tes i m p l ic a ç õ e s de incerteza m o r a l .
i il - Reiben I. Richards, baseado no
Winchester '73 gira em torno de um rifle poderoso q u e troca de m ã o s repetidas
in le •,in,ut N. Lake
v ez es . Cada h o m e m q u e o possui é m o d i f i c a d o de a lg u m a form a - a l g u m a s vezes para
W i l l i a m H. Daniels
o b e m , o u tras para o m a l . Tudo se d e c id e em u m a c o m p e t i ç ã o de tiro na qual o prêmio

),imes S t e w a r t, Shelley é a própria a rm a do títu lo .

W inte rs , I).in Duryea, S t ep he n O ele nco é e x t r e m a m e n t e forte. S h el le y W i n t e r s está excelente e e ntre os c o a d j u -


M i Nlll y, Millard M i tc h el l, Charles v a n t es há atores v ers átei s c o m o M illard M i t c h c l l , S t e p h e n M c N a ll y , W il l Geer e o i n c o m -
Duke, M c lntire, W i ll Geer, parável D a n Du ry ea . (Veja se v o c ê c o n s e g u e identificar um j o v e m Tony Curtis e Rock
I Uppen, Rock H u d s o n , J o h n
H u d s o n c o m o u m guerreiro indígena!)
' • Brodie,
Considerado hoje e m dia u m ator d e I n c o m u m versatilidade, S t e w a r t estava preocu-
M i l l n . i n . Aimer B i b e rm a n , Tony Curtis
pado - na época da produção do f i l m e - c o m críticas relac ionadas às suas limitações

c o m o intérprete. S e u p e rs o n a g e m , Lin M c A d a n i , é um herói insólito - ti tu b e a n t e , de

certa fo rm a , embor a seja o eixo m oral do film e. As at u aç õ e s de S t e w a r t para M a n n se

to rn a ri am cada vez m a is com plexas e cínicas em film e s c o m o Um certo capitão Lockhart

e O preço de um h o m e m , provando, s e m deixar sombra de dúvida, qu e esse m es tre do seu

ofício poderia interpretar c o m c o m p e t ê n c i a qua lquer papel que lhe fosse dado. E d e S

1 ha (Aij',n',y, Republic) 105 m in . P & B

A últim a parte da "Trilogia da C a v a l a ri a " de J o h n Ford - Sangue de heróis (1948) e

Legião invencível (1949) são as o u t ra s d u a s -, Rio Grande é um f i l m e me nor, em bora


M eria n Cooper, e s s en c ia l, s u p o s t a m e n t e realizado para garantir o f i n a n c i a m e n t o para o projeto pessoal
I o k I . Herbert J . Yates do diretot. Depois do vendaval (1952). Ele é m e n o s revisionista, criador de m i t o s e
11 Iro: I,lines W arn er Be llah , J a m e s e le g íac o do qu e os do is f i l m e s an te rio res da s érie, o fe re c e nd o u m a m i stu r a de

b eb ed eira s, farras no qu arte l e c e n a s de ca v a lg ad a repletas de a ç ã o .


ei d e jornal " M i s s i o n W i t h No
O c a p i tã o Kirby York (J o h n W a y n e , não e x a t a m e n t e recriando s eu Kirby York de
I I
cord . i l e I.lines W arn er Bellah
S a n g u e de heróis), u m i a n q u e ra b u g e n to , se reconcilia c o m K a t h l e e n ( M a u r e e n 0 ' H a r a ) ,
G le n n o n
sua e x -m u l he r sulista - cuja m a n s ã o foi incendiad a du ran te a Guerra Civil -, para q ue

i iweie., Vic lor Young possa criar c o m ela s e u in g ê nu o filho recruta (Cla ude J a r m a n J r. ). O filho se torna um

h o m e m sob a influência do pai s e m perder a s ensibilidade da m ã e . York lidera seus


1 ' 1 lira, Ben l o h n s o n , Claude J a r m a n h o m e n s na p erse gu iç ão a os in díg en as q u e a t a c a m o qu arte l, v i n d o s do Méx ico c o m a
li . ll.niy ( areyjr., Chill W il l s , J. Carrol
i nt e nç ã o de prom ove r s e q ü e s tra s , premissa que indica um e m b ri ã o da obra-prim a de
lllh, vii tor M c L a g l e n , Grant
Ford e W a y n e , Rastros de ódio. Esta é u m a a ve ntu ra m e n o s neurótica e m a i s interessada
Withers, Peter Ortiz, S te v e Pe ndleto n,
I' irolyn Grim es , Alberto M o ri n , S ta n em a ç ã o , a l é m de um raro fi lm e de Ford q u e ad o t a, de forma i n q u e s t i o n á v e l , u m a abor-

loin-,, 1 ied Kennedy d a g e m m o c i n h o s ve rs us b an di do s d e n t ro da guerra contra os índios.

B e n J o h n s o n d e m o n s tra seu t a l e n t o de peão d e rodeio e m o u s a d a s s e q ü ê n c i a s d e

c av algada e o grupo m u s i c a l S o n s of t h e Pio nee rs acresc enta um t o m folclórico c o m

baladas o p o r t u n a s , em b o r a " B o l d Fe n ia n M e n " t e n h a sido u m i m p ro v á v el s uc es s o v i n -

do do O e s t e na década de 1870. KN
(1950) E U A (Fox) 138 m i n. P8tB

(ALL ABOUT EVE)


Jo sep h

Joseph

D avis,

M c Lean

Cidadão Kane. I n d e p e n d e n t e m e n t e dessa d is c u s s ã o , A malvada é amplamente c o ns i-


I U A (Paramo un t) n o m i n . P & B (isso)
Idioma: inglês

Billy W il d e r
J o e Gill ( W i l l i a m H o ld e n ) , u m r o te l ri s a d e s e m p r e g a d o , f l u t u a n d o m o r t o e m u m
f

Charles B r a c k e n
piscina, reconta a história do seu r e la c i o n a m e n to pessoal e profissional m a lfa d a d o com
Charles Brackett, Billy
a m e g a l o m a n í a c a diva d o c i n e m a m u d o N o rm a D e s m o n d (Gloria S w a n s o n ) . U m a m e -
Wilder, n. M. M a r s h m a n Jr., baseado
lindrosa c i n q ü e n t o n a , cuja te n ta t iv a de p e r m a n e c e r j o v e m a faz parecer ter mil a n o s,
un i un i o "A Can of Beans", de Charles
lit.u k e n e Billy W ild e r N o r m a v i ve e m u m a m a n s ã o d e c a d e n t e n o S u n s e t B o u le v a r d , realizand o u m fun e ral á

m e i a - n o i t e para seu m a c a c o d e e s t i m a ç ã o ("E le d e ve ter sido um c h i m p a n z é m u i to

Livingston, Franz W a x m a n im p o r ta n t e ", reflete J o e ) , r a s c u n h a n d o um roteiro im po ssível de se produzir e s o n h a n d o

I I r n c o : W illia m H olde n, Gloria c o m u m r e co m e ç o inviável ("O d e io essa palavra! Este será u m retorno!") c o m o S a l o m é .

' . w . n r . m i , Erich vo n Str o h e im , Nancy De p ro n tid ã o , há u m m o r d o m o sinistro (Erich vo n S t r o h e i m ) , q u e havia sido seu
i III Fred Clark, Lloyd G o u g h j a c k
Webb, I ranklyn F ar n um , Larry J.
Ge ra l m e n te um cineasta avesso a visuais osten to sos, W ilde r é Incen tivado por esse
Ill.ikr, Charles D a y to n , Cecil B.
cenário a criar com p osiçõ es q ue tra ze m à m e n te o covil do F an ta sm a da Ópera ou a m a n -
DtMllle, Hedda Hopper, Buster
II , Anna Q. Nilsson, H. B. W a r n e r são X a n a d u , de K a n e , c o m o o e n o r m e d o s e nas m ã o s de luvas brancas toca nd o um órgão

O ic a r: Charles Brackett, Billy Wilder, sibilante e n q u a n t o o gigolô aprisionado aproxima-se agitado ao fu n d o . O passeio ácido,

D M M a r s h m a n Jr. (roteiro), Ha n s p orém nostálgico, de W ild er por essa casa m al-assom bra da da indústria cinem atog ráfica
i lohn M e e h a n , Comer, é um film e que pode ser revisto Incontá veis vezes, m e s m o depois de sua Influência ter se
M " V ' i (,ln,'(..i» d e arte), Franz
Infiltrado no gênero terror (O que terá acontecido a Babyjane?, de Robert Aldrich) e gerado
W a x m a n (música)
u m a a d a p t a ç ã o para o teatro de And rew Lloyd W eb be r. Ele co m b in a um estranho carinho
Indli -li a o a o Charles Brackett
pela de ca d e n te Norm a e pelo fracassado J o e co m o uso um t a n to sádico de rostos devas-
( i i i i l l i i i i filme), Billy W ild e r (diretor),
W i l l i . m i Holden (ator), Gloria tados e enrijecidos do cine m a m u d o c o m o Buster Ke a to n , H. B. W a r n e r e Anna Q. Nilsson.

IW IniOn (atriz), Erich von Stroh eim U m a da s d iscretas ironias de Crespúscuío dos deuses é q u e , e mb o ra N o r m a n ã o
(.um i oa djuvante), Na ncy Olson
consig a se safar da sua loucura ( " N i n g u é m dá as costas para u ma e stre la!"), a indústria
(.ii i l / 1 u.uljiivante), J o h n F . Seitz
p e r m ite q u e to d a s a s o u tra s p e s so a s a j a m c o m o m o n s tr o s : Cecil B. D e M i l l e (interpre-
(fotografia), D o a n e Harrison, Arthur
t a n d o a si m e s m o ) lembra g e n t i l m e n t e a N o r m a qu e o ra m o do c i n e m a m u d o u , po ré m

W i l d e r co n clu i essa cena a p o n t a n d o a câ m e r a para su a s b o tas de e q u it a ç ã o lustrosas e


E m bo ra Os esquecidos faça u so de v ária s c o n v e n ç õ e s dos fi l m e s sobre q u e s tõ e s sociais,

ele v ai m u l t o a l é m de la s . P a s s a d o na periferia da Cidade do M é x i c o , a p u n g e n te obra

prima de B u ñ u e l se concentra em dois garotos d e s a f o r tu n a d o s : Pedro (Alfonso Mejia),

q u e se esforça para ser b o m , e o m a i s v e l h o e Incorrigível J a i b o (Roberto Cobo), que

surge a to d o m o m e n t o c o m o u m irm ão d e m o n í a c o para d e s e n c a m i n h a r Pedro. U m dos

críticos do n eo-re alis mo itali ano , B u ñ u e l exigia que o c onceito de realismo fos se expan

dido para incluir e l e m e n t o s e s s e n c i a i s , c o m o o s o n h o , a poesia e a irracionalidade - re

p re s e n t a d o s pelo pesadelo de Pe dro, no q u al um e m a r a n h a d o de culpa e desejos é

d e s l in d a d o na i m a g e m s e n s a c i o n a l de u m a peça de c a rn e crua oferecida pela m ã e do

garoto f a m i n to , e pela visã o que se a pre sen ta a um J a ibo a g o n i z a n t e , na qual o anjo da

(Ultramar) 85 m in . m o r t e surge c o m o um cão s a r n e n to q u e o c o n d u z por u m a estrada longa e s om bria.

Dentre as outras a l m a s perdidas da c idade dos c o n d e n a d o s de B u ñ u e l e s t ã o o re-

pulsivo m e n d i g o cego C arm elo (M i g u e l Inc lán); o m e n i n o de rua Ojito s (M á ri o Ramirez),


Oscar Danclgers, Sergio explorado por C a rm e lo : a ninfeta M e c h e (A lm a Della Fue ntes ), c ujas coxas n u a s são ba-
Kogan, Jaime A. Menasce
n h a d a s em leite e u m a das m u l t a s I m a g e n s p ro vo c ativ as do f i lm e ; e o v i rt u o s o J u l i á n
Luis Alcorlza, Luis B u nue l
(Javier A m é z c u a ) , ra p i da m e n te as s as si na do por J a i b o . P e g a n d o e m p re s ta d o o bordão de

Nos/iW /le, p o d e - s e dizer q u e o ú l t i m o p e r s o n a g e m e s s e n c i al é v o c ê , e s p e c t a d o r


Rodolfo Halffter, Gus tavo
hipócrita. Um fator crucial que torna Os esquecidos superior a outros film es sobre q ue s -

tõ es sociais é a m an eira c o m o ele provoca a g r e s s i v a m e n t e a platéia - de forma m ai s


Alfonso M e jia , Estela Inda,
a s s om b ro s a q u a n d o Pedro, revoltado e m um reform atorio, joga u m ovo n a c a m e r a .
Migue l Inclán, Roberto Cobo, Alma
De maneira m e n o s espetacular, porém ainda c h o c a n t e . Os esquecidos desencoraja o
1 ' ' l i . 1 1 uentes, Francisco Jambrina,
losus Navarro, Efrain Arauz, Sergio e spec tador a as sum ir a postura de sensibilidade nobre ge ral m en te cultivada pelos filmes

de m e n s a g e m liberal. Para com eça r, o to m é c áustic o d e m a i s , distanciado e contraditório


A n u v c u a , Mário Ramirez - c o m o q u a n d o o es petác ulo patético do l i n c h a m e n to do cego C arm el o pela g a n g u e de
de Luis Bunuel
J a i b o é a c o b erta d o por um plano sarcástico de u m a galinha. A lé m disso, B u ñ u e l evita
(melhor diretor)
p ri m o ro s a m e n te um verdadeiro c atálogo de subterfúgios de f i l m e s - m e n s a g e m , entre

eles o uso de arquétipos para conduzir nossos s e n t i m e n t o s e a c on ce ntraç ã o em casos

específicos para atenu ar o problema m a is a m p l o . Os esquecidos foi criticado por sua

insensibilidade e falta de s o luç õe s c o ns t rut iv a s , porém B u ñ u e l é um artista, nã o um

legislador, e talvez seja difícil reconhecer a c o m p ai xã o deste fi lm e extraordinariam ente

h o ne s to a p e n a s por ela não estar a m e n iz ad a pelo s e n t i m e n t a l i s m o . MR


(1950)

MONTANHA

Lesser

F o t o g r a f i a : Charles Lang

Frank J a c q u e t
E U A (charles K. Feldman, Warner

Bros.) 122 m i n. P & B

D i r e ç ã o : Elia Kazan

H o t e l r o : Tennessee Wi ll i ams, Oscar

Tennessee

J a me s

Uma aventura na África). Não obstante, o impacto de B r a nd o em Uma rua chamada


E U A (W arner Bros.) ío i m in. P & B

J o h n , J o h n B r o w n , Norma Varden.
Inglaterra Rank) (1951)
Idloma:

(1951)

Allin

Ja ck
Jo h n
J ame s Agee, Jo hn

John
tança (UGC)iio

Bresson,

\IIV,IVI(I ,

l n t o g r . i f i a : Léonce-Henri Burel

MÛlll a: jV.~in-Jacqu.es Griinenwald


Laydu,
Antoine Jeanne

Veneza:

Idioma:

•fOduÇlo: Edens,

k i i i r i r n : Al.in Jay Lerner

John

Saul

I I n n o : ' ,1 in Kelly, Jerry Mulligan,

OlCII

1 - -111 • 11 G ie e n , Sa u l Chaplin (música)


S0L(1951) E U A (Paramoun t) 122 min . P & B
Id io m a : inglês

Ao adap tar Uma tragédia americana, de Theodore Dreiser, para as te la s , o diretor Ge orge Direç ão: George Stevens

S t e v e n s se d e pa rou c o m a difi cu ld ade de tornar a história c r u e l m e n t e na tura lis ta de lu- P ro d u ç ã o : Ivan M offat, George
Stevens
ta de clas ses algo In tere ss a nte para u m a platéia da década de 50, m a i s ávida por e nt re -

t e n i m e n t o do q u e por d o u t ri n a ç ã o política. S u a s olu çã o foi de u m a eficácia brilha nte: R ote i ro: Harry B r o w n , Theodore
Dreiser, Patrick Kearney, M icha el
dar d e s t a q u e ao de s ej o sexual de G eo rg e E a s t m a n ( M o n t g o m e r y Clift) pela bela Angela
W i l s o n , baseado no livro Uma
Vlckers (Elizabeth Taylor). P arente pobre de um industrial rico, Ge o rg e é e n v i a d o a ele
tragédia americana, de Theodore
pela m ã e para v enc er na v ida . No e n t a n t o , d o m i n a d o por s e n t i m e n t o s de p rivaç ão e Dreiser, e na peça Um lugar iw sol, dl
exclusão, G eo rg e nã o d e m o n s t r a d is posição ou iniciativa para sair da sarjeta a t rav és do Patrick Kearney
trab alho. Na v e rd a d e , ele é t ã o fraco q u e , m al c o m e ç a a trabalhar na fábrica, viola u m a Fotografia: W i l l i a m C. Mellor

de s u a s regras f u n d a m e n t a i s . Ao sair c o m u m a colega, aca ba e n g ra v i d a n d o a pobre M ú s i c a : Franz W a x m a n

mulher, pela qual logo perde o Interes se. E lenc o: M o n t g o m e r y Clift, Elizabeth
Taylor, Shelley W i n te rs , A nn e Revert,
Interpretado c o m u m a In ge n ui d ad e patética por Clift, os m a io re s be ns de George
Keefe Brasselle, Fred Clark, RaynT I
p a s s a m a ser sua beleza e d oc ili da de . A s s i m , Um (rigor ao sol se to rn ou um d os r o m a n -
Burr, Herbert He ye s, Shepperd
ces m ai s c o m o v e n t e s e trágicos da H o l l y w o o d clássic a, resultado da m ane ira cuida dosa S trud wlc k, Frieda Inescort, Kathryn
c o m o George S t e v e n s dirigiu os prota go ni sta s (que fo ram Instruídos a e nfatiza r a Glvney, W alter S a n d e , Ted de Coisl.i,
l in g u a g e m corporal, e n ão o diálogo) e de sua m a n i p u l a ç ã o habilidosa de dois estilos J oh n Ridgely, Lois Chartrand
O s c a r: George S tevens (diretor),
c o n t r a s t a n t e s . O en c o n tro de c on to de fa d a s de Ge o rg e c o m a Ino c en te Angela é d o m i -
M icha el W i l s o n , Harry B rown
na do por um traba lho d e c â m e r a Intim i sta , c o m d o s e s so brepo stos de fo rm a e s p e c ia l -
(roteiro), W i l l i a m C. Mellor (fotogrll l|
m e n t e c u id ad o s a em uma fotografia borrada. As c ena s na fábrica, c o m a n a m o ra d a
em P & B ) , Edith Head (figurino),
Alice (Shelley W i n t c r s ) , e p o s terio rm en te no tr ib u n a l, no e n t a n t o , s ão fotog rafa das no W i lli am Hornbeck (edição), Franz
estilo de f i l m e noir, e n fa t i z a n d o a i l u m in a ç ã o c hiaros curo e c o m p o s i ç õ e s In stá v eis q ue W a x m a n (música)

e x pre ss a m b e l a m e n t e a a m e a ç a q u e as c i rc u n s tâ n c i a s r e p re s e n t a m ao desejo de Indicação a o Oscar: George M r v n r ,


(melhor filme), M o n tg o m e ry ( 1
G eo rg e por seu " l u g a r ao s o l ".
(ator), Shelley W in te rs (atri/)
Gráv ida, Alice a m e a ç a entregar Geo rge a sua família se ele não se casar c o m ela: ele

é salvo dess e destino s o m e n t e porque a prefeitura está fechada por causa de um feriado

q u a n d o o casal c h e g a . George sugere um

passeio n o lago em um p e q u e n o barco; sua

Inte nç ã o é q u e ocorra um " a c i d e n t e " e Alice

se af o g u e . Não c o n s e g u e levar a c a b o o a s -

s as s in ato, p o ré m Alice, a s s u s ta d a , cai na

ág ua. Ela se afoga porque ele n ão tenta

salvá-la e George paga c o m a vida pela sua

indiferença. S t e v e n s , no e n t a n t o , o torna

m a i s m e m o rá v e l c o m o a m a n t e trágico do

q ue c o m o objeto d e lição política. B P


Wise

Bat es,

grafia: Leo T o v e r ,

N ea l,

HAN BLAUSTEN
I • ROBERT WS
IE • EOMUNO H. NM
i H 2o
John

Forbes, J o h n Ford, L. T. Rosso

John Wayne,

Jo h n
(1952)

René

Jean
'mu<-1n lie, Pierre Bost, René Clé me nt ,

Narciso Yepes

Indll

René
(1952)

passado Jacques Oscar

Farley, J im B ack us
(M(,M)

Gene

Freed

fotografia: Rosson

Brown,

Gene
lobble Reynolds, Hagen,
Idioma:

lanço: rakashi S him u ra , S hinichi

I rsl i v a l I n t e r n a c i o n a l d e B e r l i m :
John

l o t o g r a f l a : Robert Surtees

maldição do homem-gato no lugar de A montanha distante. KN


DA (1952) E U A (Winchester) 1 4 0 min . P & R
inglês
Howard Hawks
Em O rio da aventura, de H o w a rd H a w k s , Kirk D ou gl as e D e w e y M a r t i n são do is v e n d e -
Howard H a wk s , Edward
dores de peles na década de 1830 q u e s o b e m o rio M i s s ou ri até a região dos índios Lasker
a l g o n q u i n o s em u m a peq ue na e m b a r c a ç ã o . O fi l m e é ba s e ad o em um excelente ro-
A. B. Guthrie Dudley
m a n c e de A. B, G u t h ri e Jr., qu e t a m b é m es cre veu o roteiro de Os brutos t a m b é m a m a m
Nichols, baseado no livro de A. B.
(1953) e c uj os livros These T/iotrsand Hi/is e Tire Way West t a m b é m se t o r n a r a m fi l m e s de

faroeste. No c a m i n h o . D o u g l a s e M a r t i n e n f r e n t a m o b s t á c u l o s t a n t o n a tu ra is q u a n t o Russell Harlan


h u m a n o s e t ra n s f o r m a m sua tripulaç ão em u m a elite profissional típica de H a w k s . Essa Tiom kln
c a m a r a d a g e m é a m e a ç a d a q u a n d o c a p t u r a m u m a garota indígen a. Teal Eye (Elizabeth Kirk Douglas, Dewey

Threatt), c o m o refém para garantir sua s e gu ran ç a . Os dois h o m e n s se a p a i x o n a m por Elizabeth Threatt, Arthur Hunnll U M .
Buddy Baer, S te ve n Geray, Henri
ela, m a s o c onflito é s o l u c i o n a d o no f i m .
Letondal, Hank W o r d e n , J i m D a v i )
Fotografado em p re to-e -b ra nc o, c o m a l g u ns ce nários i m p r e s s i o n a n t e s , o f i l m e de
ao Arthur
H a w k s está m e n o s In te res sad o nas possibilidades épica s da história do qu e na sua rica
H u n ni c u tt (ator coadjuvante), R u i fl l l
galeria d e p e rs o n a g e n s . In cluindo Hank W o r d e n c o m o u m v e l h o índio e n l o u q u e c i d o ,
Harlan (fotografia)
A rthur H u n n i c u t t c o m o um v el ho rabugento e S t e v e n Ceray c o m o Frenchy, o c a p i tã o do

barco. Há t a m b é m o s to q u e s d e h u m o r negro característic os do diretor, e s p e c i a l m e n t e

q u a n d o D ou g la s precisa ter s eu dedo a m p u t a d o , u m a cena q u e , o r i g i n a l m e n t e , deveria

ter sido interpretada por J o h n W a y n c em Rio vermelho (1948). EB

(1952) E U A (Stanley Kramer) 8 5 min iT.it

inglês
(HIGHNOON)
Fred Z i n n e m a n n
N u m a bela m a n h ã d e d o m i n g o na p aca ta cida de de Ha d le y v il le , no N o v o M é x ic o ,
Carl Forem an, Stanley
q u a n d o o xerife W i l l K a n e (Gary Cooper) está prestes a se casar c o m u m a q u a c r e (Grace
Kramer
K elly), chega a notícia de que Frank M lllcr (Ian M a c D o n a l d ) - o psicopata q u e K a n e ha-
W . C u nn i ng h a m , ail
via prendido a n t e r i o r m e n t e - foi solto da prisão e v ai c h eg a r no trem do m e i o - d i a . E n - Foreman, baseado no conto "The tio
q u a n t o os m a i s o d i o s o s c ú m p l i c e s de M iller e s p e r a m na e s t a ç ã o , o xerife tenta Star", de J o h n W . C u nn i ng h a m
c onseg uir aj uda . No e n t a n t o , os h a b i t a n te s da cid ade (c olega s, a m i g o s , dignitários) se Floyd Crosby

r e c u s a m a arriscar s ua s v i d a s por ficar do seu lado contra o c r i m i n o s o qu e quer não Tiomkin


Gary Cooper, Th o m a s
a p e n a s v in ga n ça c o m o t a m b é m d o m i n a r Had ley v ille n o v a m e n t e .
M itc hell, Lloyd Bridges, K aly lurado,
Vários relógios re v e la m que o m eio -d ia está se a p rox i m an d o : t o d o s ins istem para
Grace Kelly, O tto Kruger, Lon 1 hani
q ue K a n e saia da c id a d e , m a s o herói, no m elh or estilo G a ry Cooper, precisa arcar c o m Jr., Harry M o rg a n , Ian M a c D o n a l d ,
suas re sp ons ab ilid ade s . Matar ou morrer se passa em t e m p o real, c o m a hora fatal se Eve M c V e a g h , Morgan Farley, Harry
a p ro x im a n d o e n q u a n t o a m ú s i c a - t e m a (a balada " D o Not Forsake M e , Oh M y D arl ing") S h a n n o n , Lee Van Cleef, Roheii |

insiste em frisar os a c o n t e c i m e n t o s , c o m a q u e le s q u e o xerife s u p õ e q ue v ã o a ju d á -l o Wilke, Sheb Wooley


Gary Cooper (ator), Elmo
c ai nd o c o m o pinos de boliche. N o cl ím ax , q u e c on ti nu a p u n g e n te m e s m o ne ste s dias
W il li am s , Harry W. Gerstad (edição),
de fi l m e s de a ç ão de um h o m e m contra um exército, ele é deixado p ra t i c a m e n t e
Dimitri Tiomkin (música), Diiiiitn
sozinho contra qu atro v il õ e s . O f i l m e de Z i n n e m a n n é ao m e s m o t e m p o um excelente
Tiomkin, Ned W as h i ng to n (cançlo)
fa roe s te de s u s p e n s e e u m a perfeita alegoria do c l i m a de m e d o e su s pe ita q u e

prevalecia nos E s t a do s U n i d o s d urante a era M c C a rt h y . KN (melhor filme), Fred Zinnemann


(diretor), Carl Foreman (roteiio)
n . i l i . i (Amato, De Sica, Rizzoli) 91 mi n .

Sica

Roteiro: Cesare
otografia:

lena
Cesare
(1952)

du Saint-Sacrement, de Prosper

F o t o g r a f i a : Claude Renoir

E U A (Filmmakers) 8 0 mi n. P81B

Stevens
Joan
Freed

Green

fotografia: Jackso n

I Iii .11 i evant, N an e tte Fabray, J ac k


J ame s
Baum

Madame de, de Louise de Vil mui 111

M ú s i c a : Oscar Straus, Georges v.m


Parys

Boyer,

Noel, Lia Di Leo

Desejos proibidos é, alternadamente, frágil,


Idioma: inglês

Ja me s Jones,

|| Mil's

Múllca:
1n ig, J a m e s J o n e s , Fred Karger,

Borgnlne, J ac k W a r d e n , J o h n Dennis,
(1953) (shochlku) 136 m in . p & B

Yasujiro Ozu
"A vida n ão é d e c e p c i o n a n t e ? " , pergunta u m a a d o l e s c e n te a sua c u n h a d a v iú v a no
Takeshi Y a m a m o to
funeral da m ã e ; " S i m " , é a resposta, a c o m p a n h a d a de um sorriso. Esse breve diálogo, Kôgo Noda, Yasujiro Ozu
perto do f i m de Era u m a vez em Tóquio, a obra-prima de Yasujiro O z u , exemplifica a Yuharu Atsuta
a tm o s fe ra n ão s e n t i m e n t a l de tranq üila res ig n aç ão q ue d i s ti n g u e sua obra. As Kojun S aitô

a t u a ç õ e s , o cenário - o lar de clas se média que a garota dividia até e n t ã o c o m seus pais Chishu R y u , Chieko

idosos - e os d iá l og o s são t o t a l m e n t e n atu ral is ta s e nã o p a r e c e m , n e m por um H ig as hi ya m a, Setsuko Hara, Haruko


S ug im ura, S ô Y a m a m u ra, Kunlko
in s ta n te , ter sido p la ne jad os para fazer parte de a l g u m c lím ax g ran di os o . No e n t a n t o ,
M ly a k e , Kyoko K a g a w a , Ejirõ Tono,
q u an d o as palavras s ão ditas , elas p o s s u e m um e n o r m e peso e m o c i o n a l e filosófico. Os
Nobuo N ak a m u ra, Shirô Osaka, 1 llsio
f il m e s de O z u são m a r a v i l h o s a m e n t e c on ti do s e de u m a s i m p l i c i d a d e ilusória ao
Toake.Teruko Nagaoka, M utsu ko
retratarem , em sua m a ioria , rituais c o ti di a n os d o m é s t i c o s e profissionais da cl as s e
Sakura, Toyoko Takahashl, Tom A bi
média j a p o n e s a c o m u m a Idiossincrática falta d e ên fas e (d ram átic a o u estilística) q u e

pod e fazer c o m q u e os m a i s d e s a t e n t o s o s c o n s i d e re m b a n a i s . A q u i , t u d o o qu e

ac o n tec e é q u e os pais idosos deixam sua filha em sua casa no c a m p o para visitar seus

outros filhos em Tóquio; eles nunca h a v i a m ido à c ap ita l , m a s f a z e m ess e esforço por

s a b e re m que seu t e m p o está se a c a b a n d o . P oré m seus filh os já t ê m s u a s próprias

f a m í l i a s e e v i t a m os pais, m a l dis farç and o a n ec es sid ade de v o l t a r e m para s u a s v i d a s

atarefad as no J a p ã o do pós-guerra. A p e n a s a nora deles, q u e perdeu o m arido na guerra,

parece ter t e m p o para os do is . Não que eles re c l a m e m disso, n e m ela t a m p o u c o .

Tudo é o b s e rv a d o , c o m o de c o s t u m e nos fi l m e s de O z u , por u m a c a m e r a parada a

algu ns pou co s m e tro s do c h ã o ; a p e n a s um plano do fil m e se m o v e - e, ainda a s s i m , ele

o faz c o m discreta l e nt id ã o, embo ra se dê no exato m o m e n t o em q u e os pais d e c i d e m

v oltar para c a sa . E n t ã o c o m o O z u prende nossa a t e n ç ã o , q u a n d o o q u e v e m o s e

o u v i m o s é t ã o d i s ta n t e do q u e a maioria dos es p e c tad o re s considera d ra m á t i c o ou

i n c o m u m ? Tudo s e re s u m e n o caráter c o n t e m -

plativo dess e olhar, q u e implica que qu alque r

at iv i d a d e h u m a n a , por m a i s " d e s i m p o r t a n t e "

q u e seja, m e re c e nossa a t e n ç ã o . E m c o n tra s te

co m seu estilo de fil m a r especial (e e s pe ci al-

m e n t e Inspirador), as ex periências , e m o ç õ e s e

p e n s a m e n t o s dos s e u s p e rs o n a g e n s são t ã o

" u n i v e r s a i s " q u a n t o q ua lq u e r outra coisa no c i -

n e m a - um paradoxo q u e c onsa grou este f i l m e

c o m justiça c o m o um dos m a io re s de to do s os

tempos. GA
W yler .

W y ler

Wyler,
Wylel

Jo hn

Georges

Peck,

W y ler
O (1953) Fllmsonoi, h m '
Vera) 1 41 min. P & B

francês / inglês / e sp anho l /


Um retrato c o n t u n d e n t e da g a n â n c ia e da influê n cia corruptora do c a p i t a l i s m o a lem ã o
disfarçado de film e de a v e n tu r a , O salário do medo, de Henri G e o r g e s - C l u z o u t, pode ser
Henrí-Georges Clouzot
con sid era d o , c o m ju stiça , u m d o s fil m e s m a is ca rre g ad os d e te n s ã o d e t o d o s o s t e m - R a y m o n d Borderle, Henri
pos. Pa ssa do n a Amé rica do S u l , d u a s e q u ip e s c o m p e t e m para realizar um serviço Georges Clouzot, Louis W ipf

r e la ti v a m e n te s im p l e s : tra n sp o r ta r u m c a m i n h ã o d e nitroglicerina por u m d esfila deiro Henri-Georges Clouzot.

de cerca de 5 0 0 q u i l ô m e tr o s a té o local de u m In cên dio e m u m a refinaria de petróleo J é r ô m e G é r o n l m i , baseado no


ro ma nce de Georges Arnaud
para q ue a c o m p a n h i a petrolífera possa explodir o o le o d u to e a p a g a r o fo g o . O
A r m a n d Thlrard
p ro b le m a ? N o t o r i a m e n t e in stá ve l, o c a r r e g a m e n t o de nitroglicerina fará o m o to r ista ir
Georges Aurlc
pelos ares se ele n ã o tiver o m á x i m o de c u i d a d o .
M o n t a n d , Charles Vanel
Com u m a I m a g i n a ç ã o sá d ica , C lou zo t coloca vários o b s tá c u l o s n o c a m i n h o dos
Peter va n Eyck, Antonio Ceuta,
dois c a m i n h õ e s à me d id a qu e eles s e g u e m ( e m ritm o de t a r ta r u g a ) pelo desfiladeiro Darling L egitimu s, Luis De Lima, Jo
a c i d e n ta d o . C u r v a s fe c h a d a s e po n te s b a m b a s já são u m pr o b le m a m e s m o se os Dest, Dario M o r e n o , Faustini,

c a m i n h õ e s não correm o risco de explodir e cada buraco ou d e sl iza m e n to de pedras traz Se g u n a , W i ll ia m Tubbs, Vera t louzot

consigo a p ossibilida de de m o r t e i n s t a n t â n e a . N ã o é a pro m essa de glória q u e faz cada Folco Lulll, J e r ó n im o Mitchell

dupla de m o to r is ta s aceitar esse serviço tã o a rriscad o, e s i m a pro m essa de d in h eiro , e,


Henri-Georges Clouzot (Urso de
à m e d id a q u e o film e se de se nro la , c o m e ç a m o s a nos p erg un ta r a té o n d e a q u e le s
Ouro)
h o m e n s Iriam para pôr su as m ã o s n e le .
de Henri Georgei
D e fo rm a v i t a l , Clo uzot a n t e c e d e o s m o m e n t o s d e a ç ã o e m q u e o s p ro ta g o nis ta s
Clouzot (Palma de Ouro), c h .n l i - .
d e s a f i a m a m o r te c o m u m a longa seqü ên cia - q u e foi cortada por seu caráter político -
Vanel (m e n çã o honrosa atuai 9o)
passada em u m a favela à beira de u m a estrada s u l - a m e r i c a n a , na q u a l a n d a r ilh o s e

v a g a b u n d o s v ã o parar q u a n d o já não t ê m para o n d e Ir. Lá, d e s c o b r im o s q u e , e m m u i t o s

a s p e c t o s , q u a s e n ã o v a l e a pena co n h e c er a qu e les patifes disp osto s a arriscar s u a s

vid a s por d inh e iro . S u a s a titu d e s su icida s sã o i m p u l s io n a d a s pelo e g o ís m o e pelo

d e se s p e ro , traços explorados pela co rpo ra ção o p o r tu n ista q u e segura c o m c i n i s m o a

ce noura na p onta d a va re ta d ia n te desses h o m e n s q u e , n a prática, n ã o p a s s a m de

m u l a s . De fato , e sse g rup o m a l - a ja m b r a d o de m e rce n á rio s , cheio de d e s c o n fi a n ç a e

ó d io, ag e de ma ne ira primitiva e b estia l, r ep re se nta nd o u ma a m e a ç a tã o g ra n d e uns

a o s o u tr o s q u a n t o os c a r r e g a m e n t o s de explo sivo s re p re s e n ta m a t o d o s . É u m a situ a -

çã o s e m sa íd a , u m a vez q u e a linha de ch e g a d a é a re co m p e n sa fin an ceira à custa da

falência e sp iritu a l. J K I
F U A (i.oew's, M G M ) g i m in . 0 UM
Idioma: inglês
O terceiro da extraordinária série de faroestes que o diretor Ant hony M a n n realizou c o m
Anthony M a n n
J a m e s S t e w a r t na década de 50, O preço de um hom em traz S t e w a r t c o m o Howar d
W illia m H. W right
K e m p , um caçador de re co m pen sa s am a r gu r ad o t e n t a nd o conseguir dinheiro para
Sam Rolfe, Harold
comprar de volta o rancho que perdeu q ua ndo sua mulher o traiu durant e a Guerra de
Hloom *
S ec es s ã o. No c a m i n h o , ele se junta a J ess é (Millard Mltchell), um v elho mlnerador, e
William C. Mellor
Anderson (Ralph M eek er) , um oficial do Exército renegado. O per son agem de S t e w a r t
Branislau Kaper acaba c ap t ur a nd o o h o m e m q ue está perseguindo, um m at ad o r sarcástico c h a m a d o
I I ' - i n o: |.imes S tewart, J a n et Leigh, B en (Robert Ry an ), porém seus pr oblem as estão a p en a s c o m e ç a n d o . A jornada árdua
Ralph Meeker, Millard
pelo deserto para levar Ben à justiça testa os limites de K e m p .
Mitchell
O q ue torna este f ilme excepcional é, em primeiro lugar, a exploração - escrita c om

Hamid Jack Blo om (roteiro) m ã o f ir me e b e la m en t e representada - das tensões entre os personagens, à medida que

K e m p e B e n l u t a m para ter a supr emac ia psicológica, c o m Ben usa ndo sua nam orada
Lina ( J a n e t Leigh) c o m o Isca ao notar a vulnerabilidade sob a dureza exterior do rival.

J a m e s S t e w a r t oferece um retrato brilhante de um h o m e m à beira da histeria. Em s e -

g u n d o lugar, M a n n possui um e n o r m e talent o para filmar cenários m o n t a n h o s o s ,

usa ndo a natureza árida do terreno c o m o um contraponto físico à conf usão interna dos
per sonagens. O filme é quase int eiram ente rodado em locação. EB

IUA(Fox)8omin. P&B MAL


inglês
Samuel Fuller Um f e n ô m e n o m eno r do Início da Guerra Fria, o ciclo do gênero de filmes de espião

a n t i c o m u n i s t a s gerou uma obra-prima, Anjo do mal. Um batedor de carteiras dev e


Samuel Fuller, baseado no escolher entre o patriotismo e o lucro depois de roubar um mic rof ilm e confidencial.
"iii 11 de Dwight Taylor Anjo do mal transcende seu subgénero c om seu estilo di nâ mi co e representação vívida

do s u b m u n d o nova-iorquino. S a m u e l FuIler demonstra um prodigioso leque de criativi-


Lelgh Harline d ad e estilística, descobrindo novos conceit os visuais para qu ase t od a s as cen as. O
I Richard W id m a r k , ingred iente -ch ave é o d o s e , c o m a c âm er a enfiada no rosto dos atores de forma tão
rhelma Ritter, M u r v y n V y e , Richard
agressiva q ue qu ase c o ns e gu im os ver a respiração deles e m b a ç a r a lente. Esse excesso
I' ili'V, Willis Bouchey, Jerry O'Sulllvan,
de d o s e s sinaliza a prioridade que o f ilme dá ao intimísimo em de tr im en t o do a spec to
II n iv 1 arter, George E. S tone , George
I Idtedge, Stuart Randall, Frank ideológico, sua aprovação das at it udes m ot iva das não só por abstrações, m a s por amor,

i- umagal, Victor Perry, E m m e t t Lynn, lealdade e culpa no seu nível m ai s í n t im o e pessoal.

Os protagonistas nunca e st iv era m t ã o b e m : Richard W i d m a r k , o cínico co nv en cid o;


ao Thelma Ritter
J e a n Peters, a prostituta de coração grande; Richard Kiley, o patife suarento; e, especial-
m e n t e , a delatora sem a rre pendim en tos Thelma Ritter. A cena m a is poderosa mostra
I de Samuel Fuller,
u m a Ritter exausta enca rand o a mor te pelas m ã o s do assassino de aluguel Kiley. Em
de Ouro)
um f ilm e t ão de vot ado à individualidade, faz sentido q ue seu ma io r m e d o não seja a

m o rt e , m a s u m a sepultura a n ô n i m a . C o m o diz ela em u m a das m u i t a s frases de efeito


do roteiro: " S e fosse para ser enterrada em Potter's Field, eu me m a t a v a ! " MR
(1953)

Jane Russell,
Com o O diabo feito mulher, o faroeste de 1937 de Fritz Lang, Os corruptos é

um a balada de "ódio, assassinato e v inga nça ": começa c o m um d o s e de

um a arma prestes a ser usada pelo policial corrupto Tom Duncan para

cometer suicídio e se volta rapidamente para os horrores chocantes que

deformam os personagens. O policial Dave Bannion (Glenn Ford) passa de

h o m e m de família a obsessivo quando sua esposa (Jocelyn Brando) é

morta por um carro-bomba endereçado a ele. Moll Debby (Gloria Graha-

me) fica amargurada quando Vince (Lee Marvin), seu namorado gângster,

a desfigura jogando-lhe café quente no rosto, e passa para o lado de

B a n n i o n . Em um desdobramento crucial à trama, o herói atorm entado ainda não consegue

(< ulumbia) 8 9 m i n . cometer assassinato a sangue-frio, de m o d o que um substituto precisa entrar em cena para

inglês t o m a r a atitude decisiva que permititá que a justiça seja feita: a grande operação policial que

derruba o chefão do crime Lagana (Alexander Scourby) é desencadeada quan do Debby


Fritz Lang
confronta e assassina sua "Irmã de casaco de pele", a gananciosa viúva do policial corrupto.
Robert Arthur

Sydney B o e h m , baseado no M a i s b a s e a d o em u m a realidade política do q ue a maioria dos f i l m e s noir de L a n g ,


llvio de W ill iam P. M c G iv e rn graças ao d e t a l h i s m o c o n t u n d e n t e do r o m a n c e de W i l l i a m P. M c G i v c r n e do roteiro de
1 S y d n e y B o e h m , Os corruptos faz parte de um ciclo de f il m e s de d e nú n c i a da década de
M u s i c a : Daniele Amfitheatrof, Arthur 50 ao estilo m á f i a - c o n t r o l a -a -c l d a d e - de ntre outros exe mplo s e s t ã o Cidade do vício

(1955) e Cidade cativa (1952). A direç ão de L a n g ainda bebia no express ionism o a q u i , c o m


I lenco: Glenn Ford, Gloria G ra h a m e ,
c en ári os q u e refletem os traços de pe rs on al ida de d o m i n a n t e s dos p e rs o n a g e n s : o luxo
Im rl y n Brando, Alexander Scourby,
frio da casa de D u n c a n , c om prad a c o m dinheiro sujo; a opu lênc ia de m a u gosto da
I r r M a r v i n , J e a n e t t e N o la n , Peter
Whitney, W illis Bouchey , Robert m a n s ã o de L a g a n a , c o m o retrato horroroso da sa ntific ada m ã e do m a fi o s o c s u a s

Burton, A d a m W i l l i a m s , Ho war d fes ta s de a d ol e s c e n te ; a cobertura m o d ern a de V in c e e Debby, o n d e o c o mi ss ário de


Wendell, Chris Alcaide, Mic hae l polícia joga c a rt a s c o m a s s a s s i n o s ; o a p a r t a m e n t o p e q u e n o , pobre, porém ho nrad o, da
Gl,inger, Dorothy Gre en , Carolyn
fam ília B a n n i o n ; e o quarto de ho tel em que B a n n i o n te rm i n a , sua vida degradada pelo
|i,in".
desejo de v i n g a n ç a . O final t a m p o u c o oferece conforto: depois da queda da m á f i a , o

herói retorna para sua m esa no D e p a r t a m e n t o de H o m i c íd i o s . As b o a s -v i n d a s d o s seus

c oleg as de trab alho - exp ressadas , é claro, pela oferta de um café - são ab re vi ada s à

m e di d a qu e os créditos finais s u r g e m sobre B a n n i o n , q u e coloca s eu c h a p é u e c as ac o

ao sair para cuidar de um " c a s o de a t r o p e l a m e n t o e fuga na S o u t h S t re e t" . KN


(1953) França (Cady Films, Specta Fllms)

I d i o m a : francês
Este clássico a t e m p o ra l e c a t i v a n te do c i n e m a francês revelou J a c q u e s Tatl, em seu
Direção: Jac ques Tati
s egundo l o n g a - m e t r a g e m c o m o diretor, c o m o um dos estilistas m a i s in v e n ti v o s e ori-
P ro d u ç ã o : Fred Orain
ginais da m ídia c i n e m a to g rá f i c a . U m a s u c es s ã o de inc i de nte s p ra t i c a m e n t e d e s p ro v i-
Ro te iro: J a c q u e s Tati, Henri M a r q u e i ,
dos de enredo e d iálog os pa s s ad o s em um resort à beira da praia, o f i l m e retira graça Plerre Aubert, J a c q u e s Lagrange
dos d et al h es a p a r e n t e m e n t e m a i s b an a is do d ia-a-dla. P a r a l e l a m e n te ao s a c o n t e c i -
Fotografia: J a c q u e s M erc a nto n, h . n i
m e n t o s e n c e n a d o s c o m e s m e ro - c o m o u m b a n d o d e turis tas c orrendo d e u m a plata- M ou ss elle
forma de t r e m para outra à me dida q u e m e n s a g e n s distorc idas s ã o v oc ife rad as de M ú s i c a : Alain R o m a n s
forma in c om p re en s ív el pelos a lto-fal ante s -, há vários m o m e n t o s e n g r a ç a d o s e delicio- E len co : J a c q u e s Tati, Nathalle

sos e m q u e q u a s e nada a c o n t e c e . A s pess oas s i m p l e s m e n t e s e n t a m - s e , c o m e m , l ê e m , P a s c au d , M ic helin e Rolla, Raymond

f i c a m à t o a , d e t e r m i n a d a s a p e r m a n e c e r no ri t m o de feriado o t e m p o t o d o . A Carl, Luclen Frégis, Valen tinr ( . n n . i •


Indicação ao Oscar: Jacques L m .
im o b il id a d e estóica de tu do é e x t r e m a m e n t e c o n ta g i a n t e .
Henri M arq ue t (roteiro)
Tati c o m p r e e n d e u tão b e m q u a n t o H ltc hc o c k q u e a m l s e - e n - s c è n e n ão d eve ser

imposta pelo c in ea s ta, m a s s im desc oberta dentro dos rituais c oti dia nos : q u ã o perto as

pessoas s e s e n t a m u m a s das outra s e m u m a sala d e j a n ta r ; o s códigos e m vigor q u a n -

do se p e rm i te q u e elas t r o q u e m olhares; to das as regras de etique ta e c o m p o r t a m e n t o

social d u ra n t e o período livre, porém e s tru tu rad o , de férias na França - Tati e n c o nt rou

inspiração para sua c om é d ia nesse tipo de o bs e rv a ç ão a te n t a .

O fi l m e controla rig oro s a m en te o t i m i n g c ô m i c o , a orga niz a çã o es p a c ia l e os so ns

p ós-s incroniza dos das suas ga gs c onc e bid as de forma brilhante - a té o repetitivo

rangido de u m a porta é en g ra ç ad o , graças à m aneira c o m o Tati o " m u s l c a ll z a " . Ele pega

f o rm a s c o n h e c i d a s de g a g s - c o m o a ma ne ira à la B uster K e a t o n c o m q u e o protago-

nista imita a l u c i n a d a m e n t e os m o v i m e n t o s de um faná tic o por exercícios - e e n t ã o as

torna e s t ra n h a s pelo m o d o c o m o as film a e m o n t a a a ç ã o , m u i t a s vez es d e s v i a n d o

r a p i d a m e n t e nossa a t e n ç ã o para outra g a g q ue está c o m e ç a n d o perto da anterior.

E m bo ra n o s s eu s ú l t im o s fi l m e s Tatl te nha reduzido d e l i b e ra d a m e n t e s u a s ap ari-

ções na tela, aqui a figura esguia c d es aje itad a do Sr. Hulot é u m a g ra n d e fo nte de

c h a r m e e graça - e há até a te nta tiv a c o m o v e n t e , e m b o ra m a l- s u c e d i d a , de u m a intriga

a m o ro s a . S e m p r e h e s ita n do a n t e s d e entrar e m qualqu er lugar, d e s c u l p a n d o - s e e c u m -

p r i m e n t a n d o c o m e d u c a ç ã o t od o s o s presentes a o fazê-lo, H ulot n ão c o n s e g u e deixar

de d e s e n c a d e a r a l g u m a c a l a m i d a d e c o m os m o v i m e n t o s aflitos de s e u corpo - qu e

c u l m i n a m no m a i s inspirado uso de fogos de artifício da história do c i n e m a . AM


Ariane, S.E.C., S C C , Sveva) 1 0 0 min.

F o t o g r a f í a : Enzo Serafín

tviii-.ii.i: Renzo Rossellini

B e rg m a n,
Hay asaka,

(Leão de Prata), indicação (Leão de


AMAM
D i r e ç ã o : George Stevens

Stevens
m e s m o o m ais a u t ên t ic o - J ogo s & trapaças .(1971) -, o m a is e s tr a n ho - lohnny Cuitar

Ladd,
Heflln, Brandon De W i l d e , J ac k
J o h n s o n , Edgar (Jean

Stevens

I'.i,1 IH I n n D e W ild e (ator coadjuvante),


(1953)

Jo h n

Jack

John

(1954)

Yates

Joa n

Scott Brady, Wa rd Bo nd , Ben ( n u p e i .


D i r e ç ã o : Elia Kazan

ROttlro:

Mdlll couard Bernstein

limes

Gene
(1954)

Jack

F o t o g r a f i a : George J . Folsey

i 11.11>l11•. John ny Mercer, G en e de Paul


llenco : J an e Powell, Ho w ard Keel, Jeff

iinlii Jack

(1954)
Idioma: francês

Producta

I' • G r r o n i m i , Frederic G rendel,

m i i - . i c . 1 : George Van Parys

V i n i ' l . l e a n Brochard, Pierre Larquey,

ques
{1954)

I n g l a t e r r a (Halas and Batchelor)

J o h n Halas

John

Halas

Joh n

Seiber
Ha yes,

M i i t i h i " . d e Cornell W o olr lc h


t o t o g r a f l a : Robert Burks

11• -• 1«11. | . l i n e s Ste wa rt, Grace Kelly,

Ra y m o nd Burr, J u d it h E v e ly n, Ross

Cady, Jesslyn Rand

[dlrttor), Hayes

I men 1 Ryder (som)


(1954)

J a me s

James

(1954)

i i i , e , . i o : Joseph L. Ma n k i e w i c z

Jack

A condessa descalça foi buscar em Cidadão Kane (1941) a sua es tru tura em mo s a ic o

ao Jose ph
(Leão de P rata), indicação (I ejo dl
J j p J u (loho) 155 min. P & B
idioma: japonês
Akira Kurosawa
Akira K u ro s a wa é o diretor j a p o n ê s m a i s c onhe cido em to d o o m u n d o . Os sete samurais,
Produção: Motoki
um épico e m p o l g a n t e e h u m a n o , é sua o bra-p rim a de po pu laridad e m a i s duradoura e
Roteiro: S hi no b u Ha s h im o to , Akira
t a m b é m seu f i l m e m a is ass is tido. A re f i l m a g e m ho l l y w o o d i a na eletrlzante, em bora
!• urosawa, Hideo O g u m i
m e n o s profunda, Sete hom ens e um destino (1960) é o m a i s b e m -s u c e d i d o do s m u i t o s

Fumio Hayasaka f il m e s de faroes te b a se a do s na obra de K u ros a wa - incluindo Quatro confissões, de

I Itnco: lakashi S him u ra.Tos hir o 1964, u m a releitura de Rashomon (1950), e o w e s t e r n s pa gh ettl f u n d a m e n t a l Por um

M i l u ii r , Yoshio Inaba, Seiji p u n ha d o de dolares (1964), c o m p l e t a m e n t e d e c a l c a d o por S ergio Leo ne de Vojimbo, o


Mlyafuichi, Min oru Chiaki, Daisuke guarda-costas (1961). A divertida pe rm u ta cultural é u m a deliciosa prova da li ng ua ge m e
K a l o , K a o Kimura, Keiko Tsushima, do apelo univ ers ais do c i n e m a . K u ros a wa inspirou-se nos faroes tes de J o h n Ford e rea-
ml' [ko S hl m a z a k i, K a m at ari Fujiwara, lizou algo q u e r o m p e c o r a j o s a m e n te c o m as tradições li m i t ad a s do típico jidal-geki
rOlhlO Kosugi, Bozuken Hidari,
j a p o n ê s , fil me histórico c o m ê n f a s e e m lutas d e es p a da s e m u m J a p ã o m e d i e v a l
iMichiya, Kokuten K o d o j i r o
retratado c o m o u m a terra de f a n t a s i a . Os sete sam urais é c arregad o de c en as de aç ã o
Kum.ici
s u r p re e n d e nt e s , In cide nte s c ô m i c o s , d e s v e n t u r a s , drama s o c i a l , ó t i m o d e s e n v o l v i -
ao So M a t s u y a m a
m e n t o de pe rs o na g en s e con flito e ntre dever e desejo, tud o t ra ta do c o m u m a a t e n ç ã o
(direção <lc arte), Kôhei Ezaki
i m a c u l a d a ao re alism o.

de Akira Kurosawa Um pobre vilarejo de fazendeiros, à m ercê de b andidos que retorna m todos os a no s
il lio de Prata), indicação (Leão de para estuprar, m a t a r e roubar, t o m a a d ec is ã o radical de revidar c o n tr a t a n d o roii/n (s a -
I mio)
m u ra is itinerantes, s e m mestre) para s al vá -los . U m a vez q u e p o d e m oferecer a p e n a s

p e q u e n a s porções de arroz c o m o p a g a m e n t o , o s aflitos e m is s ári o s qu e s a e m e m busca

d e e s p a d a s de alu gu el t ê m a sorte d e en c ontrar K a m b e l (Takashi S h l m u r a ) , um h o m e m

h on rad o c c o m p a s s i v o resignado a fazer o q u e um h o m e m t e m que fazer, apesar de

saber q u e não gan hará nada ao fa zê -lo . Em m u i t o s a s pe c tos o arq ué tip o do herói, ele

recruta cinco o utro s an darilhos dispostos a lutar por com ida e di v ers ão , entre eles um

v e lho e b e m - i n t e n c i o n a d o a m i g o , um j o v e m aprendiz i no ce nte e um m es tr e e s p a d a -

c h i m de p o uc a s palavras. O j o v e m K ik uc h l y o (Toshlro M i f u n e ) , e s q u e n t a d o , Im pu ls ivo e

p alha ço , é rejeitado pelos h o m e n s experientes, m a s o c a m p o n ê s f a n ta s i a d o de s a m u ra i

os a c o m p a n h a a s s i m m e s m o , louco para provar seu valor e Im p re s s io n ar K a m b e l . Os

ald eõe s t ra t a m o grupo c o m d e s c o n f i a n ç a , m a s , aos p o u c o s , laços se for-

m a m , um caso de a m o r floresce, as c rian ças s e a p ro x im a m de s eu s heróis

e K a m b e i organiza u m a resistência i m pe tuo s a q u e su rp re end e, en furec e e

acaba derrotan do os inv as ore s.

O film e é leve, ágil e e c o n ô m i c o , e l i m i n a n d o explicações d e s n e c e s -

s árias. Ele evoca m istério e s usten ta um clima de ap ree n s ão - c o m plano s

breves e cortes rápidos c o n s t i t u i n d o a busca dos c a m p o n e s e s por prote-

tores em potenc ial e e xp ond o seu c as o a K a m b e l . Há m u l t a s c e n a s de um

poder v i su a l e e m o c i o n a l a v as s a la d o r - u m a m u lh e r à beira da m o rt e se

a rra s t a n d o d e u m m o i n h o e m c h a m a s e e n t r e g a n d o s eu bebê para

K l k u c h i y o , que s e senta no riacho em c h o q u e , s o l u ç a n d o e gri tan do : " E s t e

bebê sou e u . A c o n te c e u a m e s m a coisa c om ig o " , a roda do m o i n h o , i n c e n -

diada, girando às s u a s co s tas . No e n t a n t o , o m elh or m o m e n t o do f i l m e é o

d e s f e c h o : os três s o b re v i v e n t e s e x a m i n a m as co va s dos s e u s c a m a r a d a s à

me dida que os c a m p o n e s e s abaixo, dis traídos, v o l t a m toda sua a t e n ç ã o

para o alegre ritual da p l a n ta ç ã o do arroz. AE


DA (1954)

Sedução da carne foi o terceiro fil m e do c o nd e Lucfnno Visconti e seu primeiro em cores.

P a s s a d o nas Veneza e Verona da d écada de 1860, às vésperas da expulsão dos aus tríaco s

realizada por C i u s e p p c Garibaldi e da c ria çã o do E stado italiano m o d e r n o , m a rc o u u m a

ruptura to ta l c o m o m e io proletário d o s film es anteriores do diretor, Obsessão (1942) e

A terra treme (1948). Não o b s t a n t e , a te atral ida de p a t e n te de Seduç ão da carne nã o é

diferen te das paixões ex tra va ga ntes de Obsessão, n e m m e n o s " a u t ê n t i c a " por co nta de

se u cenário aristocrático s u n t u o s o (dizem q u e o diretor insistiu para qu e flores fo s s e m

c o rt a d a s d i a ri a m e n t e para cada a p o s e n t o no set d e f i l m a g e m , i n d e p e n d e n t e m e n t e de

haver ou não f i l m a g e m ali).

Alida Valli é a co nd es s a Lívia S e p ie ri , u m a partidária de Garibaldi que intercede em

favor de s eu primo q u a n d o ele de s a fi a, de forma s uicida , um oficial au s tría co para um

du e lo . O t e n e n te Franz M a h l e r (Farley Granger) d i s t i n t a m e n t e foge da luta. Um c o n q ui s -

tador b on ito e s e m princípios, M a h l e r seduz a c o n d e s s a , que irá trair i m p u l s i v a m e n t e

se u m a ri d o , sua honra e seu país pelo a m o r dele.

C o m um roteiro creditado t a n t o a Ten nes se e W i l l i a m s q u a n t o a Paul B o w l e s - entre

seis roteirlstas no to tal -, S edução da carne é um m e lo d ra m a n i t i d a m e n t e de alto nível.

Valli, u m a atriz que já passara do seu a u g e , c o m o lh o s fa is c an te s , os d e n te s ex pos tos ,

m a l parece acreditar n as suas a t i t u d e s à medida qu e pede cautela a o s qu atro v e n t o s e

ap os ta t u d o em u m irresponsável q u e nã o faz q u e s t ã o de esconder sua própria co va r-

dia. Farley Granger está ainda melhor, e s -

p e c i a l m e n t e na g ra n d e cena do clímax em

q u e ele dá v az ão ao seu au to des prezo . R e -

lações des equilib rada s e s a d o m a s o q u i s t a s

s e m e l h a n t e s a essas v o l t a m a aparecer em

f i l m e s posteriores d e V i s c o n t i , e s p e c i a l -

m e n t e em Os deuses ma/d/tos (1969) e M o r-

te em Veneza (1971), p oré m n e n h u m deles

alc ança a ferocidade d e m o n s t ra d a a q u i .

Sedução da carne c om e ça na ópera e a

trilha de Anton Bruckner acentua cada ponto

de virada dramático c o m um trovão operís-

tico. " G o s t o m u it o de óperas, m a s não

qu a n d o elas ocorrem fora do palco", observa

a condessa ao tentar dissuadir Mahler de

aceitar o desafio de seu primo. O m a is re-

n o m a d o diretor de óperas da Itália, Visconti

cl aram en te pensava o contrário. T C h


(1954)

John

J o h n Payne,

Meyer, Robert W a rw i c k , J oh n I l i n K o n ,

(1954)

Hayes
Barela,

m i : Michael Bib er man, Michael

f i n i r a : M i l Kaplan

i,n/1.1 W o lle , M ervin W i l li a m s , David

(1955)

j l o i l l . i : ingles

Paul

« ' i . ' i m 1 'on M i Guire, Frank Tashlin,

i i . i r i . i l i a : Daniel L Fapp

Jerry Lewis,

(Celine et ¡ulie Vont en Bateau), P. T. And er so n (Embriagado de amor) e no au stralian o


(1955)
Ea stm a nco lor

Os e ste re ó tip o s feitos por H o ll y w o o d de o u tra s cu ltu ras m u i t a s vezes são t o m a d o s


Joseph L. M a n k l e w i c /
c o m o o fe n sa , m a s é im po ssível resistir à v is ã o de H a v a n a , em C u b a , na cen a principal
Samuel Coldwyn
de Eles e elas. S ky M a s t e r s o n ( M a r lo n B r a n d o ) , um jo ga dor de fala m a n s a , c o n v e n c e a
Joseph L. M a n k ie w icz ,
certlnha S a r a h B r o w n ( J e a n S i m m o n s ) , m e m b r o d o Exército d a S a l v a ç ã o , a pegar u m
baseado na peça d e j o Sw erling v Ah<-
a vião e j a n t a r c o m ele. À m e did a q ue fica bêb ada e s u c u m b e a seus i m p u l s o s , ela é Burrows e no conto "The Idyll ol Mlsj
In fla m a d a pelo d ra m a p rim itivo e l a t in o - a m e r i c a n o qu e se desenrola ao s e u redor: u m a Sarah B r o w n " , de D a m o n Runynn
da nçarina exótica, sua rival I n s t a n t â n e a , t e n t a n d o seduzir Sky. Logo, t o d o o lugar é Harry Stradling Sr.

a rre b a ta d o por u m a d a n ça h ilarian te d e paixões e m b r i a g a d a s . Ja y Bla ckton , Frank Loessci


Ma rlon Brand o,
A cena fornece um exemplo m ag nífico da coreografia revolucionária de M i c h a e l Kldd
S i m m o n s , Frank Sin atra , Vivian
para o c i n e m a . C e s to s n o rm a is , cotidia no s, c o m o andar ou ap ontar algo, são a o s p ouco s
Blain e, Robert Ke ith , Stub by Kayfi,
estilizados, to r n a d o s a ng u la res e rítm ico s, a té se tra n s fo rm a r e m por c o m p l e t o em B. S. Pulley, J o h n n y Silver, Sheld on
d a n ça . As a çõ e s individu als são orga nizad as em padrões coletivos. E, a c i m a de tu d o , a Leonard, Dan n y D a y t o n , C e o i g r I

e n c e n a ç ã o incorpora m o v i m e n t o s q u e são p ro p o sita lm e n te d e s a jeita d o s, d e se le g a n te s S to n e , Regis Toomey, Kathryn (avni'v.


Veda An n Borg , M a r y Alan HokanSOrl
e a p a r e n t e m e n te a m a d o r e s - c o m o as e s to c a d a s e giros b êb ad os de S a r a h .
ao Oliver S m i t h ,
Eles e elas é, na v e r d a d e , dois film e s em u m , dividido entre sua dupla de p rotag o nis-
Josep h C. W r ig h t, Howard Bristol
ta s m a s c u li n o s - e, de fa to , há um diálogo e n tre Brando e Sinatra qu e a ntecip a o e n c o n - (direção de arte), Harry Stradling Si
tro e n tre Al Pa cin o e R obe rt De Niro cm Fogo contra fogo (1995). A m e t a d e de N a t h a n (fotografia), Irene Sharaff (figulino).
Detroit ( Si n a tr a ) está m a i s em dívida c o m a fo n te do roteirista e direto r J o s e p h J a y B la ck to n , Cyril J . Mockridge

M a n k i e w i c z , as histórias de D a m o n R u n y o n sobre trap ace iro s a d o rá ve is e m a l a n d r o s (música)

(cada m a n e i r i s m o " é t n i c o " do linguajar e c o m p o r t a m e n t o n o v a - io r q u i n o d eliciosa-

m e n t e exage ra do). N a t h a n t e m c o m o par u m a m u l h e r q u e já sofreu b a s t a n t e , Ad e la id e

(Vivian Bla ine ), o q u e gera m o m e n t o s divertid os no te nso c a m i n h o dos dois para o altar,

c o m o a c a n ç ã o " Ad e la i d e ' s L a m e n t " na a n i m a d a trilha de Frank Loesser.

C o n t u d o - em bo ra os n ú m e r o s c o le -

tiv o s arre b atad o res e m a is c o n v e n c i o n a i s

c o m o " L u c k Be A L a d y " e " S i t D o w n , Y ou 'r e

R o c ki n g Th e B o a t " se ja m o s m a i s recor-

da d os pelos fãs da Bro a d w a y -, é na m e t a d e

m a i s ro m â n tic a de S ky e Sa ra h q u e o film e

realmente deslancha, com Mankiewicz

f i n a l m e n t e s u p e r a n d o sua h a b itu a l verbor-

ragia. As c a n ç õ e s "If I W e r e A B e l l " e "I'll

K n o w W h e n M y Love C o m e s A l o n g " são

glorioso s á p ic e s d e e m o ç ã o a m o r o s a , e

M a n k i e w i c z as cerca d e u m a m a ra vilh osa

m l s e - e n - s c è n e de idas e v in d a s e a tr a ç ã o e

repulsão e ntres esses dois corpos a d m i -

ráveis. A M
India loverno de Bengala Ocidental)
A DA (1955)
n', m i n.

•lema: bengali B a s e a d o e m um r o m a n c e clássico do escritor bengali B i b h u t i b h u s h a n B a n d y o p a d h y a y ,

Satyajit Ray A canção da estrada, primeiro f i l m e de S a ty a ji t Ray, faria, p o s t e ri o rm e n t e , parte de um a

trilogia c o m O invencível (1957) e O m un d o de A pu (1959). Ray, q ue trabalhava em um a

Satyajit baseado no agên cia de publicidade de C alc utá na é p o c a , t e v e grande d if ic u l da d e em l ev anta r o


In/m de Blbhutibhus han dinhe iro para fazer seu f i l m e . A c a b o u c o n s e g u i n d o e m p r é s t i m o s su fic ien tes para
lindyopadhyay c o m e ç a r as f i l m a g e n s , na esperança de que o ma teria l co n v en c es s e os patrocinadores a
l i il o g ra fl a : Subrata Mltra
ajudá-lo a c on c luí-la s . Embora t e n h a m c o m e ç a d o a filmar em o u tu bro de 1952, s o m e n t e

no c o m e ç o de 1955 A c anção da estrada foi finalizado.


Kanu Bannerjee, Karuna
Apu (Subir Bannerjee) é um m e n i n o crescendo em um re mo to vilarejo do interior de
linnerjee, Subir Bannerjee, U m a Das
Gupta, ( hunlbala D evi, Runki B e n g a l a . S e u s pais s ã o pobres e m a l c o n s e g u e m prover c o m id a s u fic ie nte para A p u e

Ban jcc, Reba Devi, Apaena Devi, Durga ( U m a Das C u p t a ) , sua irmã m a i s v e l h a , q u a n t o m a is para a idosa c onhe cida c o -
ll.ui'ii Bannerjee, Tulsi Chakraborty, m o Tia (Chunibala Devi), q ue v i v e c o m e le s . Em u m a d as primeiras c e n a s , Durga rouba
llibli.ni.ini Devi, Roma C an g ul i, Binoy
a l g u m a s m a n g a s , q u e dá à Tia, m a s a m ã e das c ria n ç a s , S arba jaya (K aruna Ba nnerjee),
I i n ! herjee, H a rim o ha n N a g , Kshlrod
ralha c o m ela. M a i s t ar de , Durga é a cu s ad a por um vizinho m a i s rico de ter roubado um
RO) I una Cango padhay a
de Satyajit Ray colar. Nessa hora, t e s t e m u n h a m o s nã o só a aflição da m ã e e da filha c o m o t a m b é m a

I in ile melhor d o c u m e n t o reação de A p u , à m e d id a que ele fica, i m p l i c i t a m e n t e , do lado da Irmã .


hiiin.iiio), (Prêmio OC IC - menç ão Essas pas s age ns m e n o re s de d ram a são p o n t u a d a s por gra n d es tragédias . U m a das

c e n a s m a i s c o n h e c i d a s do fi l m e se dá q u a n d o as crianç as b ri gam c Durga é m a i s u m a

vez repreendida pela m ã e . Ela sal correndo pelos c a m p o s , c o m A p u no seu e n c al ç o.

V e m o s f u m a ç a preta su b ind o ao céu e, em se guid a, um t r e m . A p u e Durga c orrem na

direç ão de l e , e m p o l g a d o s por essa v i s ã o de algo do i m e n s o m u n d o a l é m do s e u

vilarejo. No c a m i n h o de v olta , c o n v e rs a n d o , as pazes feitas, eles e n c o n t r a m a Tia em

u m a p l a n ta ç ã o de b a m b u s - q u a n d o Durga toca nela, ela cal de lado, está m o rre nd o .

O p ai, Harlhar ( K a n u B a nn erj ee ), parte para a c i d ad e para arranjar a l g u m dinheiro.

E n q u a n t o está longe, Durga contrai p n e u m o n i a e mo rre . S e m saber de nada , o pai volta,

a n i m a d o pelo s uc es s o e ca rre ga ndo presentes para a fam ília, inc lu ind o um sãrl para

D u rg a . S a rba ja y a c o m e ç a a chorar. Harlhar d e s m o r o n a de dor. O b s e r v a m o s Apu

o u v i n d o o choro do pai.

Com o t e m p o , Harihar decide levar o resto da sua família para a

cidade. Em um m o m e n t o revelador, enqua nto ajuda a li mp ara casa, Apu

encontra um colar escondido em um vaso. Então Durga o havia roubado,

no fim da s con tas . A descoberta torna a dor de Apu ainda m a is p u n-

gen te. Ele joga o c o l a r e m um lago, onde as algas se fecham sobre ele.

A direção de Ray é de um a grand e d elic ade za , c ap az de expressar

t a n t o e m o ç õ e s fortes q u a n t o lirismo. P ou c os esq ue ce rão a se qüê nc ia

em q u e Apu e Durga o u v e m o s o m do v e n d e d o r de doces a m b u l a n t e .

Embora não t e n h a m dinheiro para c om prar as g u l o s e i m a s , os dois

s a e m correndo atrás dele, seguidos por um cachorro curio so, e n q u a n -

to a pequena procissão é refletida em uma lagoa.

Auxiliado pela m ú s ic a m arav ilho sa de Ravi S ha nk a r , A c ançã o da

estrada alc anço u sucesso m u n d i a l , a lça ndo Ray ao re c on h ec im e n to no

Festival de C a n n e s em 1956. EB

, (> (
I U A ( MGM) 8 1 min. Eastmancolor

John

Schary

Ryan,

de S turges, entre eles A fuga do Forte Bravo e Sem lei, sem alma. Ainda as s i m , apesar de sua
r i ' i m i n . J oh n Ericson, Ernest
lorgnlne, Rüssel

Jo h n

apenas

D o l c
OS (1955)

D i r e ç ã o : Je an Rouch

F o t o g r a f i a : Jean Rouch

J ean

24 (1955)
P&B

Frye,

Paul

lie.
Inglaterra (Ealing, Rank)

Idioma: inglês

B alc on, S eth

Rose

Rose

ROttlro: I ' a d d y Chayefsky

l i i i o g i a f i a : Joseph LaShelle
Bassman,

1 loni nest Borgnine, Betsy Blair,

M . i n h ' l l , Karen Ste el e, Jerry Paris

Itlben Mann (diretor), Paddy Chayefsky

OCIC)
D i n a m a r c a (Palladium) 126 min. P M i

Sylvia

A gesen,
Play Cy m e )

Jean-Pierre

Jean-Pierre

Decaë

silêncio do m ar), u m a a d a p t a ç ã o de um r om a n c e de J e a n C o c t e a u (Les enfants tcrribles)


(1955) E U A (P arklane) 106 m i n . P & B

Paul S t e w a r t, J u a n o Hernandez,

(1955) E U A (Columbia) 104 m i n . Technlcoloi

F o t o g r a f i a : Charles Lang

James

Wallace Ford, Jack


Jo h n W ar Eagle, J a m e s Millican,

DeKova
(1955)

M u i t a s veze s este clássico pop ular é i n c o n s c i e n t e m e n t e c o n d e n a d o a o elogio d i m i n u -

tivo de ser o m e l h o r d o s três l o n g a s - m e t r a g e n s estrela do s por j a m e s D e a n d u ra n te sua

vida t r a g i c a m e n t e cu rta . N o e n t a n t o , ju v e n tu d e transviada co n tin u a se n d o , c o m v a n t a -

g e m , o m e lh o r film e da década de 50 a lidar c o m o e n tã o no vo f e n ô m e n o da d e l in q ü ê n -

cia j u v e n i l . Ele é t a m b é m u m a obra e ss e nc ia l de N ich o la s Ray, um diretor I m e n s a m e n t e

ta l e n t o s o e especial q u e , in fe lizm e n te , c o n tin u a se n d o tã o s u b e s t i m a d o q u a n t o n a

épo ca e m q u e tra b alh a va e m H o l l y w o o d .

"Você s e stã o me destruindo!", grita o j i m Stark de D ea n c o m os pais que v i v e m

brigando, da n do voz à co nfusã o e a lie na ção a n g u s tia n te de ta n to s dos protagonistas de

Ray. Desd e o seu primeiro fi lm e . Am arga esperança (1949), o diretor lidou de forma

recorrente c o m a classe solitária dos outsiders dos Estad os U n i d o s , m o str a n d o simp atia

especial pelos jo v e n s vulneráveis q u e b u s c a v a m o rie ntaçã o de um a geração m a is velha

que não era m a is sábia ou m a is feliz do qu e eles próprios, j im se desilude c o m sua famí-
W.ll I H ' H llllll
lia, c o m se u s professores, c o m a polícia e c o m a maioria de seus a m ig o s . Sua busca co n s -
Idl .1 ingles
ta n te por diversão é tã o irresponsável (embora m e n o s c o n d e n á ve l, dada sua ju v e n tu d e )
Dlrncao: Nicholas Ray
q u a n to a recusa dos ad u lto s em encarar d il e m a s m o rais. J u n t o c o m o utras a lm a s
i' i"'lin .io : David W e isb a rt
perdidas, J u d y (Nata llc W o o d ) e Plato (Sal M l n e o ) , J i m tenta estabelecer sua própria famí-
Ro telro: Nicholas Ray, Irving
lia a lternativa , baseada em c o m p r e e n sã o m ú t u a . N ão é de surpreender q u e o trio -
M in im a l) . Ste w a rt Stern
aproxima do pela m o rte absurda de um a m ig o levado pelo tédio a provar seu valor em um
m u m . , i : I ro na rd R o se n m a n
" r a c h a " no topo de um p en h asco e un ido por noções Idealistas de " sin ce r id a d e " - vive sse
I I n n ii I ••, I lean , Natalie W o o d .
em u m a casa a b a n d o n a d a nas colinas de Los An geles, b e m longe d as outras pe ssoas.
'..il M ln e o , J i m B a c k u s , A n n D or an ,
i prty Allen, W i l li a m Hopper, Rochelle A solução que Ray encontrou para retratar o idealismo romântico de seus jo ve n s so-

H ud so n, Dennis Hopper, Edward nhadores é admirável e aleg rem ente física. O filme seria originalmente preto-e-branco,
Mm Steffi Sidney, Marietta Canty, m a s Ray co nve nceu os Irmãos W a rn er a deixá-lo filmar em cores. Os tons m uitas vezes e s -
H - n i l . i Brlssac, Beverly Long, Ian
plend orosamen te expressionistas de Ray e suas composições cheias em C in e m a Sco p e e vo -
Willie
c a m a natureza febril da adolescência. Da m e sm a forma, Ray usa a arquitetura e os ce ná-
India I C l O ao Oscar: Nicholas
rios, principalmente a diferença entre o espaço público e o privado, para a u m e n ta r nossa
( i n l e l m ) , Sal Mlneo (ator coadjuvante),
riii Mm W o o d (atrlz coadju van te) com pre ensã o das e m o çõ e s dos personagens. A escuridão de dentro de um planetário se

torna um espaço de piadas íntim as, refúgio e fantasias, a té m e s m o de co nte m pla ção do

lugar do Indivíduo no co sm o s. O terraço do lado de fora se transforma m a is tarde, através

de u ma câmera posicionada no alto, em um a arena Iluminada pelo sol na qual u ma luta de

facas s e m e lh a n te a um a tourada é encenada co m gestos apropriad amen te histriónicos.

Ray co mpreen de co m o , e specialme nte na ju ve n tu de , v e m o s nossas vidas co mo um drama,

a ' - » su a sensibilidade Imaculada para cores, composiçã o, c o n e s , ilumin ação e

direção de atores eleva a Importância da ação .

Um dos m o tiv o s q u e fez c o m que ele e Dean fo s se m perfeitos um para

o outro é q u e era não só o estilo do ator, m a s to do seu corpo que dava vida

dramática à turbulência Interna. Assistir ao J i m de Dean é ver um persona-

g e m nascer, crescendo a cada instante diante dos nossos olhos. Isso, é

claro, comb ina co m o te m a de juventude transviada, m a s t a m b é m c o m p le -

m e n ta a direção de Ray q u a n to à precisão co m a qu al ele expressa fisica-

m e n te a ato rm e n ta d a vita lid ad e dos seus p ersonag ens. As s i m , é u m a tris-

teza que os projetos nos q ua is Ray e D ea n planejaram trabalhar ju n to s

j a m a is t e n h a m sido realizados. Um s ó gran de film e te ve q u e bastar. G A


(1955)

Samuel

em loc ação. Cidade do vicio, de Paul Karlson, relaclona-se c om certas tendências do pós-

John

P8cB (1955)
I d l o m a : sueco

l ' i o d i i ç . i o : Allan Ekelund


i i o i c i i o : Ingmar Bergman

Jacobson,
Resnais

S a my

Sacha
(1955)

Paul

James Agee,

W i m r r . . Lilian G is h, J a m e s G le as on ,

1 velyn Varden, Peter Graves, Don


Sally
• M C I / Alemanha Ocidental (1955)

Idioma:

(1956)

I ' , , I , l , , , . 1 0 : Nicholas Nayfack

I i ' . I . i l l a : George J . Folsey

Bebe

M l l l e i (eleitos especiais)
Wada,

Ja pã o
nsse)

Rastros de ódio c o m e ç a c o m o p lano de u m a p a is a ge m de deserto vista de dentro de

u m a ca s a. A l g u é m se aproxima m o n t a d o em um c a v a lo . É E th a n Ed w ards (J o h n W a y n e ) ,

v o l ta n d o da Guerra Civil para a fazenda do irmão no Texas. A tra v é s de u m a série de

o l h a re s e g e s t o s , p e rc e b e m o s q u e E t h a n está a pa i x o na d o pela m u l h e r do I r m ã o ,

M a r t h a (Dorothy J o r d a n ) . No dia s e g ui n te , ele parte c o m um grupo de Texas Rangers em

busca d e índ ios q u e h a v i a m rou ba do a l g u m a s c a b e ç a s d e g a d o . E n q u a n t o está

a f a s ta d o , c o m a n c h e s a t a c a m a faz e nd a, m a t a n d o o Irm ão e a c u n h a d a de E th a n e

ra pt an d o s u a s d u a s fil ha s . Por to do o resto do fi l m e , em a tos que s e p as s am em u m

período de ci nc o a n o s , E t h a n e M a r t i n (Jcffrey H un ter), seu c o m p a n h e i r o de s a n g u e

in dí ge na , c r u z a m o O e s t e em busca da s ga ro tas .

C o m o J o h n Ford tr a n s f o r m o u esse enredo s im pl es em um dos m a iore s faroes tes de

t o d o s os t e m p o s ? Em primeiro lugar, há o cenário. Ford rodou m u i t o s faroestes no

M o n u m e n t Valley, u m a região des olada na fronteira entre U t a h e Arizona. As rochas de

arenito erodldas são um e s p e t á c u l o extraordinário, e o o l ho clínico de Ford para

c o m p o s i ç õ e s as In ves te de u m a aura e s p ec i al . O próprio t a m a n h o da p ai s ag e m faz as

figuras h u m a n a s parecerem e s p e c i a l m e n t e vu l ne ráv e is e a vida dos c olo no s t e x a n o s ,

precária. C o m o é possível tirar s u s t e n to de um lugar t ã o Inculto e árido?

No c ora çã o da história, e n t re t a n t o , está a figura de E t h a n E d w a rd s . Na interpre-

t a ç ã o d e W a y n e , E t h a n é um c olo ss o , de v a s ta d o r e I n d o m á v e l . C o n t u d o , ele t e m u m

defeito trágico. E t h a n é d ev orad o por s e u ódio ao s índios e fica claro q u e sua busca é

Im p u l s io n a d a por um racismo Im p l a c á v e l . S u a I n t e n ç ã o , c o n f o r m e percebe M a r t i n , nã o

é resgatar De bble (N ata li e W o o d ) , sua sobrinha s o b re v i v e nt e , m a s as sa ss in á-la. Na vi

são de E t h a n , ela se c o n t a m i n o u de form a irremed iá vel pelo c o n t a t o c o m seus raptores

c o m a n c h e s . A o s p o u c o s , p e rc e be m o s que Scar (Henry B r a n d o n ) , o c h e f e c o m a n c h e ,

func ion a c o m o u m a espécie de e spe lho de E t h a n . A o estuprar M a r t h a a n te s de m a t á - l a ,

S c ar ex ec utou u m terrível s imu la cro do a to qu e E t h a n , em segredo, s o n h a v a c om eter.

A s s i m , a ânsia d es te últ im o em m a t a r Scar e De bbie nas ce da sua ne ce ss ida de de

destruir s e us próprios desejos i l e g íti m o s .

A verdadeira gen ia lida de de Rastros de ódio está no fato de ele con seguir m a n t e r a

s im p atia dos es p ec ta d ore s por E t h a n , ap es a r de ele ser um racista h o m i c i d a . Ao fazê-lo,

a fita gera u m a reação m u lt o m ai s complexa e produtiva do qu e a m aioria dos fi l m e s

liberais desse filão, c o m o Flechas de fogo (1950). Em vez de pregar u m a m e n s a g e m , Ford

nos c o n d u z para as c o m p le x i da d e s da experiência am e ric an a c o m a diferença racial.

Há vários o utro s prazeres pelo c a m i n h o , en tre eles u m a trilha sonor a ma ra vi lhos a

de M a x S te ln er e m u i t o h u m o r a cargo de m e m b r o s da S o c i e d a d e A n ô n i m a J o h n Ford,

c o m o Harry Carey J r., K e n Curtis, Ha nk W o r d e n e W a r d B o n d . Vera M l l e s está excelente

c o m o Laurle, a n a m o ra d a de M a rt y , cuja m ã e é interpretada por Ol iv e Carey, v iú va do

primeiro astro do faroeste de Ford, Harry Carey.

Em 1992, Rastros de ódio foi v o t a d o o q u i n to m elh or f i l m e de to do s os t e m p o s em

u m a e n q u e t e c o m críticos de c i n e m a de vários países pro m o v i d a pela revista S ight &

S o u n d . É u m a honra e t a n t o , m a s o f i l m e de Ford faz j u s a ela. EB


(1956)

Poiré, Jean

I" I , L i u I . M , lid i e N o r m a n , W i l l i a m
W y n d h a m - L e w i s , J oh n Michael H j y t l

James

Eva.is

(canção)

(1956)
(GIANT)
D i r e ç ã o : George Stevens

S tev ens

J a m e s D e a n , Carroll Baker, J a n e

Steven-.

James
\
(1956)

flcnco: Jane W y m a n , Rock Hud son ,


Agnes Nagel,

Reynolds, Charles Drake, H ay den


ROtke, Jacqueline d e W i t , Leigh
Inowden,
Paiva,
Palavras ao vento (1956), Almas maculadas (1958) e Imitação da vida (1959).

J u n t a m e n t e com Imitação da vida. Tudo o que o céu permite foi uma grande referência

paraíso Haynes.

mulheres
(1956)

I l u c . t o : Waller Wanger

Carolyn J o ne s , Je a n W i l l e s , Ralph

I Hi 1 1 1 Ste ven s, Beatrice M a u d e , J e a n


(1956)

Story of Chistopher Emmanuel

James

Joseph

J a me s
(19 )
56

Direção:
ProduçSo:

l u i i i | ; i . i f l a : Paul Vogel

Saul

.1111,

I M i n i . m . i u n i a produção de Sol Siegel

(1956)

Hui r li 11 I n e . i ' . M a i Kenzie, Jessie Lasky


Ii 11.1 ' .111 - .1 l e i l e i i r M. Frank, baseado

1 ' 1 1 1 .'il. '•, IV1111/, de A. E. S o ut h o n, e

M u \ l i .1:11111 <-1 Bernstein

( Ih. 11 l i l i n e ) , Hal Pereira, Wa l te r H.

Head, Jester,

JRos
(1957)
(12ANGRY MEN)
O f i l m e de trib un al de S i d n e y L u m e t goza de u m a pop ula rid ade duradou ra por ser um

caldeirão de interp retaç õe s intel ige ntes , v irada s repe ntin as e m o n ó l o g o s a p a i x o n a d o s .

De form a ú ni c a, o dram a b r i l h a n te m e n t e e c o n ô m i c o e I ns t ig a n te de Doze homens e

uma sentença não se dá e x a t a m e n t e no trib un al - exceto por um breve prólogo em q u e

o júri é d is p e n s a d o c o m as in struções do juiz -, e s im no decorrer de u m a únic a tarde

calorenta na sala do júri.

Henry Fonda Interpreta o J u ra d o ns 8, cu jas d ú v i da s cabív eis e resistência b e m

f u n d a m e n t a d a ao s poucos d e m o v e m os 11 o utro s m e m b r o s do júri de se u primeiro e

i m p e n s a d o v e red i c t o d e c ul p a d o no c as o de u m j o v e m a c u s a d o da m o r t e d o próprio

pai. Fonda ficou i m p r es s i o na d o c o m o poder da en g e n ho s a peça para te vê de Reginald

Rose, exibida ao viv o pela C B S em 1954 (e q u e se acreditava estar perdida até 2003, E U A (Orlon-Nova) 96 m in. P8di

q u a n d o u m a fita V H S foi de s c ob e rta ). R e c o n h e c e n d o um papel qu e s e a d e q u a v a c o m inglês


Sidney Lu m et
perfeição à sua sinceridade tranqüila e v e n d o a o p o rt u n i d a d e de um f i l m e e m o c i o n a n -
Henry Fonda, Reginald
te , ele o produziu do próprio bolso. En tregou a direção a L u m e t , um d i n â m i c o v e te ra n o

do tea tro de t e v ê ao v ivo. cuja experiência lhe permitiu - e ao diretor de fotografia Borls

K a u f m a n , outro especialista c m trabalhar cm e sp a ç os l im i tad o s c em p re to -e -b ran co - Reginald


Boris K a u f m a n
extrair a te n s ã o g a l o p a n t e do roteiro b e m a m a r r a d o de Rose e concluir o fi lm e em
Kenyon Hopkins
m e n o s de 20 d ias.
Henry Fonda, Lee í ohh, I d
A adorada e c a ti v a nt e estréia de L u m e t n ão se envergonha de sua tea tralidade, tor-
Begley, E. G. Marshall, Jack W a i d e n ,
nan do sua in ten si da de claustrofóbica e tórrida um a vi rtud e. E cada ator deixa sua mar- M arti n B a l s a m , J o h n Fiedler, l a d
ca nesta vitrine de caracterizações excelentes, q u e é t a m b é m um e xem plo de d in âm ic a K l u n g m a n , Ed Bln ns , Joseph
de grupo, desde o inseguro líder dos jurado s de M a r t i n B a l s a m até o beligerante e a m a r- S w e en e y , George Vosk ov et. Ro b irl

gurado J ura d o n2 3 de Lee J. Cobb. In te re s s an tem e n te, dois dos h o m e n s , J o s e p h S w e e n e y , Webber

c o m o o idoso e perspicaz Jurado n' 9, e George Voskovlc, c o m o o m et ód ic o J u ra do ns 1 1 ,


J
ao Henry i Ii

estiveram na p rodu ção televisiva original. Preconceitos de classe e raciais, s upos ições Reginald Rose (melhor filme), slilm y
Lumet (diretor), Reginald Rose
pessoais e personalidades v ê m à tona em u m a batalha colossal por um j u l g a m e n t o
(roteiro)
limpo. O fi l m e g a n h o u o Urso de Ouro no Festival de B e rli m , m a s sua maior glória é q u e ,
de Sidney I
depois de assisti-lo, n i n g u é m participará n o v a m e n t e de um júri s e m fa n ta s ia s de se
(Leão de Ouro), (Prêmio OCIC)
tornar um t e na z c a m p e ã o da justiça c o m o Fonda, seja qual for o caso em q u e s t ã o . AE
Allan Ekelund

B e rg m a n,

Brii/MUIl «

f o t o g r a f i a : Gunnar Fischer

C o r m a n , A últim a noite de Boris Crashenko (1975), de W o o d y A llen , O dirimo grande herói


(1957)

'roducao: Leo McCarey, Jerry Wa l d


(1957)
sueco /
Ing m ar B e rg m a n
P o s s i v e l m e n t e a m a i s terna das o b ra s -p rim a s de In g m a r B e r g m a n , M o ra ng o s silvestres Allan Ekelund
a c o m p a n h a a odisséia geográfica e espiritual traçada pelo Idoso professor Isak Bo rg Ingmar B e rgm an
(cujo n o m e em s ue co significa, a p r o x i m a d a m e n t e , "fortaleza de g e l o " ), In te rpreta do

por Victor S j õ s t r õ m . Bo rg v ai de carro, em c o m p a n h i a da sua nora M a r i a n n e (Ingrid Erik Nordgren

Thulln), de E s to c o l m o para a U ni ve rs id ad e de Lun d para receber um título honorário. No Victor S j õs trõ m , Bibi

c a m i n h o , dá carona para três j o v e n s - en tre eles a a n i m a d a Sara (B ibi A n d e rs o n ) , cujo A nders on, Ingrid Thulln, Gunn.n
Björnstrand, Juli an Kindahl, Füll
n o m e e ín dole o fa z e m lembrar do a m o r de sua vida - e um c as al de m el a Id a d e. Ele
S u n dq v is t, Björn Bjelfvenst.mi
visita sua m ã e já an c iã , an te s de f i n a l m e n t e ter u m a conversa sincera c o m s e u filho
N alm a W lf s tra n d , Gun nel Brost m m ,
Evald (C u n n a r Bjõ rns tran d), um m is an tro p o cínico q ue M a r i a n n e planeja a b a n d o n ar . A
Gertrud Frldh, Sif R u u d . Gunnai
conversa q u e B o r g t e m c o m Edvald é crucial n ã o só porque po de salvar o c a s a m e n t o do
Sjöberg, Max von S ydo w. Ake Frida II
s eu filho, m a s por m os tra r q u e a jorn ada do professor lhe trouxe um ce rto g ra u de
Yngve Nordwall
a u t o c o n h e c i m e n t o . Ele s e to rn o u c i e n t e nã o s ó da sua m o r t a l i d a d e , m a s t a m b é m da
ao Ingmat Bsrgmin
sua própria reticência e m o c i o n a l - herdada dos pais, cons olida da por u m a vida de
(roteiro)
d ece pçõ es e por sua im ers ão no trab al ho . E ele a t r a n s m i t i u , qu as e i n c o n s c i e n t e m e n t e ,
de Viel sji r.t m m
c o m o um v í ru s , para E v a ld . (Prêmio FIPRESCI), Ingmar Bergman
A força do relato de B e r g m a n deste dia na vida - o u , m elho r f a l a n d o , de u m a vida (Urso de Ouro)

em um dia, pois a longa jornada de 24 horas traz de volta toda sorte de m e m ó r i a s re v e- de Ingm ai Bi
ladoras - está na m an eir a segura c o m q u e ele c o m b i n a as realidades obj etiv as e (prêmio da crítica italiana)

subjetivas da vida de B o rg. Os detalh es internos e externos j o g a m , a os po u c o s , m a i s luz

sobre o h o m e m . Não são a p e n a s s e u s s o n h o s e l e m b ra n ç a s que I l u m i n a m nossa c o m -

preensão d e le (e sua c o m p re e n s ã o de sl m e s m o ) , m a s t a m b é m s e u s vá rios e n c o n tr o s e

c o nv e rs a s . M a r i a n n e , e m b o ra e d uc a d a e c ari n h o s a, é c o m p a r a t i v a m e n t e explícita na

suas a l u s õ e s ao s fracassos de B org . Sara o recorda de sua j u v e n t u d e m a i s a p ai x on a da .

O casal b rig uen to lhe traz à m e n t e sua própria rabugice e o futuro q ue M a r i a n n e pode

enfrentar c o m E d v a l d .

A aq ui si çã o redentora de a u t o c o n h e c i m e n t o de B org t a m b é m afeta a q u e l e s ao seu

redor, e o m ilagre de Morangos silvestres é

q ue B e r g m a n j a m a i s i m b u i essa c o n c l u -

são de s e n t i m e n t a l i s m o . A b e n ç o a d o por

uma interpre ta ção rad ia nte , p oré m cora-

j o s a m e n t e d e s a g r a d á v e l , de S j õ s trõ m -

ele próprio um d o s maiores c i n e a s ta s da

S uécia a n t e s d e B e r g m a n - , este fi lm e

extraordinário c multo Imitado possui

uma h o n e s t i d a d e e m o c i o n a l c o m p l e t a -

m e n t e e m h a r m o n i a c o m a v i a g e m feita

por seu p rotag on is ta. C A


• H l / i rança (De Laurentiis,
(1957)
nn no m i n. P&B

italiano A Cabíria do t ít u lo do clássico de 1957 de Federico FeIIIni é interpretada pela esposa do


3lreç3o: Federico Fellini c i n e as ta , Giuletta M a s i n a , que g a n h o u , c o m ju stiç a , o prêmio de M e l h o r Atriz em
• i rdcrico Fellini, Ennio C a n n e s por sua a t u a ç ã o c o m o u m a prostituta in gê nu a . E n ve rgo nh ad a pela sua profis-
i o, hillio Pinelli, Pier Paolo s ã o , a vigorosa Cabíria b us ca , s e m g ra nd e s e s p era n ç a s , a l g u m ricaço para levá-la e m -

bora, p o r é m , no f u n d o , o q u e está proc uran do é por um a m o r d urad ou ro .


I n n t i : • aiilictta M asina, François
Depois de sua estréia, um trecho controverso env olv endo um s am a rita no repleto de
• • m i Aiiicdco Nazza ri, Aldo Si Iva ni,
' im i M a r / i , Dorian Gray, Mario boas intenções foi cortado devido aos protestos da Igreja Católica. A p a re nt e m e n te , g en e -

•.r.-..mie, i'ina Gualandri, Polidor, rosidade espo ntânea é uma característica provinciana, m a s , felizmente, o material foi
olami, Christian Tassou, resgatado c om o passar do t em p o . De fato, a qu es tão da bondade é essencial ao filme de
f . m Molller, Riccardo Fellini, Maria
Fellini, no q u a l , apesar do m aterialism o de f a c h a da , Cabíria só quer ser feliz, c om o qu al -
|j i Rolando, A medeo Girardi,
quer u m . Ainda a s s i m , ela é a maior das prostitutas c o m coração de ouro, nunca triste o

b as ta nte a ponto de um b o m m a m b o , ou u m a feira de rua, não levantar seu moral.


Iii .H Itália (melhor filme
Cabíria não consegue deixar de espalhar sua b ondade, porém ela m uitas vezes lhe

de Giulietta M asina causa decepção o u , piot, hum ilh ações . Um encontro casual co m um hipnotizador de circo
atrlz), Federico Fellini (Aldo Silvani), que extrai dela seus desejos íntimo s, é bastante c o m o v e n te , m a s t a m b é m
i OCIC - m e n ç ã o especial)
partic ularmente cruel, um a vez que lhe dá esperanças de qu e seus sonhos e fantasias de

um a vida melhor p os s am se tornar realidade. Sua franqueza até leva um observador a

explorar sua fragilidade em o ci on al . As atenções igualm ente cruéis do artista de cinem a

galantcador (Alberto Lazzari) t a m b é m lhe dão falsas expectativas, m e s m o quando ela é, no

fim das c ontas (e literalmente), tratada c o m o um cachorro.

Os sonhos de Cabíria jam ais se tornam realidade e, na ver-

dade, muitas vezes resultam cm violência casual, à medida que

predadores se aproveitam de sua inocência obstinada. M e s m o

assim, Fellini não explora a história de Cabíria em busca de c o m -

paixão fácil. Ela é uma mulher forte e orgulhosa que compra

brigas, erguendo-se depois de cada queda, sacudindo a poeira e

recomeçando sua caminhada em direção a uma vida nova e m e -

lhor. Noites de Cabíria é, como A doce vida (1960), t a m b é m de

Fellini, contado através da perspectiva dos destituídos, um olhar

para o proverbial outro lado da sociedade, ornamentado com uma

alegria otimista, mas, no fim das contas, imbuído de tristeza. JKI


MANCHADO (1957) (Toho) 105 m in . P & B

Akira Kurosawa
Com bastant e justiça, a adap t aç ão ha bilidos amen te arrepiante, formal e e x t r e m a m e n t e
Akira Kurosawa, Sojlro
Mel de Akira Ku rosawa de M a c bc t h é considerada u m a das m ai s s e ns a ci on ai s versões
Motokl
para o cinema de um a peça de S hak esp eare . A trama e a psicologia são t rans postas
S hinobu Hashimoto,
be la m e nt e para o J a p ã o f eudal, o nd e o valoroso guerreiro sam ur ai general W a s h l z u Klkushima, Akira Kurosawa. Hideo
(loshlro M i f u n e ) e sua esposa d e m o n í a c a , Lady Asaji (Isuzu Y a m a d a ) , I mp uls io na dos O gunl, baseado na peça Mui betfl .Ir
por uma a m b i ç ã o implacável e inspirados pela profecia de u ma bruxa, a s s a s s i n a m seu William Shakespeare

1 o m a n d a n t e militar, I n va de m um reino e se c o n d e n a m a um fim ritual e Inescapável de

(ar nif iclna, paranóia, loucura e ruína.


Toshlro Mifune, Isuzu
O maravilhoso M if un e - um dos protagonistas favoritos de Kurosawa em u m a par-
Yamada, Takashi Shimura, Akira
tc ria longeva ( m ai s de 16 filmes) t ã o notável q ua nt o a de M a r t in S corsese c o m Robert
Kubo, Hiroshi Tachikawa, Mlnuiii
De Niro - a pr o f un do u sua reputação c o m o ilustre astro Internacional j ap onê s c o m sua Chiaki, Takamaru Sasaki, Kokuten
at ua ção . A seqüência da sua m or t e, encenada de forma brilhante, na qual ele é cravado Kodo, Kichljiro Ueda, Eiko Mlyiishl,
por uma saraivada de flechas, é uma das grandes I m age ns Icônicas do c ine ma m u n di al . Chleko Nanlwa, Nakajiro Touilla, vu

I lement os do teatro Nô, da tradicional arte da batalha japones a, de realismo histórico Fujikl, Sachio Sakaí, Shin Otomc
de Akira Kurosawa,
e da reflexão co n t e m po r ân e a sobre a natureza do b e m e do mal são f undidos aqui em
Indicação (Leão de Ouro)
um m u n d o opressivo e envolto em neblina, repleto de presságios sinistros e m á gi c o s ,
c o m suas florestas e castelos (o castelo foi construído em locação nas alturas do m o n t e

Fuji, c o m a ajuda de um batalhão do Corpo de Fuzileiros Navais dos E stados Un id o s

baseado nas proximidades). AE

E U A (Universal) 8 1 m in . P & B
inglês
Arnold
Albert Z ugsmlt h
1 xposto a uma n u v e m misteriosa, p rov av elm ent e radioativa, e n q u a n t o estava em um
Richard M at he s o n , Rn
( lu z eir o , Sc ot t Carey (Grant W illia m s) se surpreende enc olhendo aos poucos. A simpll-
Alan S i m m o n s , baseado no livro Dll
( I d a d e visual do diretor J a c k Arnold c om b ina per f eita men te c o m o caráter absurdo e
Shrinking Man, de Rlchaid Mathe-.ini
a m b í g u o da premissa da história de Richard M a t h e s o n . A primeira m e t a d e de O incrível
homem que encolheu - representando a co ndiç ão do herói c o m o um problema alterna-
Foster Carling,
d a m e n t e m édico, domést ic o e socioeconómic o - não faria feio ao lado de Delírio delou-
E. Lawrence
1 ura (1956), de Nlcholas Ray, e de Palavras ao Vento (1956), de Douglas Slrk, c o m seu
Grant W illiams , Randy
retrato Irônico e aterrorizante da vida da classe média am er ican a virada do a vess o.
April Kent, Paul Langton, Ray I
C o n t u d o , é na sua segunda m e t a d e - Scot t , e nt ão menor do que o salto de um sapat o, Bailey, W illia m Schallert, Frank I
i' ab a n d o n a d o em seu porão e precisa enfrentar várias a m e a ç a s naturais - que o filme Scannell, Helene Marshall, Diana

l e a l m e n t e d e sl an c ha , t o rn and o- s e uma aventura de ficção científica e m o c i o n a n t e e D a m n , Billy Curtis

poética. O desf echo inspirador - "Para De u s , não existe zero" - é um raro exemplo de

1 inema popular lidando de forma explícita c om a m et afí sica.

G r ande parte da força do filme v e m da sua agudeza psicológica e do uso ví vido e

preciso dos objetos - sua arquitetura de e s c ad as , caixotes, caixas de fósforos e latas de

tinta. Para M a t h e s o n e Arnold, Scott Carey é um típico h o m e m da era a t ô m i c a : sua

aventura é uma lição sobre a hostilidade do espaço urbano e da propensão Indestrutível

da h u m a n i d a d e de t o m a r a si m e s m a c om o medida de todas as coisas. Cfu


India (i pic) 127 min. P&B

(APARAJITO)
invencível

l l v i u de Bibhutibhusan

llenco: B annerjee,

Gosh.

liny

(Leão
(1957)

R o t e i r o : George Scullln, Leon N u I ,

(1957)

Lean

Guinness, Jack Hawkins, Se S!

Pcter

Lean

i I H . i r . de destruição sejam enaltecidas, com


M i l / . I , S. All Raza

Oscar:
sua peça ietjat Zhuravll
Sergel

r e n a s c im e n t o foi Quando voam as cegonhas, de M i k h a l l Kalatozov. A p a r e n t e m e n t e um

Sua própria es tilização barroca, Quando voam as cegonhas ja - jm