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Aula 08 –
Linguagem

FAMEMA

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Fernando Andrade
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Sumário
Introdução ............................................................................................................... 3
1. A linguagem na dissertação ................................................................................. 3
1.1 Grau zero da linguagem................................................................................................... 4
1.2 Objetividade ..................................................................................................................... 5
2. O Erro no Vestibular ........................................................................................... 10
3. Estilística ............................................................................................................ 12
3.1 Descrição, relato e caracterização como recursos argumentativos .............................. 13
3.2 Clareza e estrutura sintática .......................................................................................... 20
3.2.1 Período ........................................................................................................................ 20
3.2.2 Interrupção da ordem direta...................................................................................... 23
3.2.3 Indefinidos ................................................................................................................... 26
3.2.4 Paralelismo.................................................................................................................. 27
3.3 Ênfase ............................................................................................................................. 31
3.4 Escolha de palavras ........................................................................................................ 33
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3.4.1 Retomada da ideia e implícitos ................................................................................... 34


3.4.2 O verbo “ser” e o verbo “ter” ...................................................................................... 35
3. 5 Vícios: queísmo e gerundismo....................................................................................... 35
3.5.1 Queísmo ...................................................................................................................... 36
3.5.2 Gerundismo ................................................................................................................. 36
4. Erros gramaticais................................................................................................ 37
4.1 Concordância ................................................................................................................. 37
4.2 Vírgula: dicas de sobrevivência ...................................................................................... 40
4.3 Crase ............................................................................................................................... 41
5. Propostas de Redação ........................................................................................ 42
5.1. Possibilidades de Encaminhamento das Propostas ...................................................... 48
6.Considerações finais ........................................................................................... 61
7. Referências ........................................................................................................ 62

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INTRODUÇÃO
Querido aluno,
Último pdf oficial de redação! Chegamos ao final do curso. Se fosse fazer um curso gradual, a
matéria dessa aula não seria a última, mas a primeira. Mas trata-se de um curso de redação para
Vestibular e, normalmente, vestibulando é bicho apressado, ansioso. Já quer logo respostas para as
seguintes questões: como escrevo? Qual o esquema? Assim tá certo?
Por isso, deixei essa parte para o final. A questão da linguagem está na base da escrita, mas
é uma preocupação que deve estar presente também no final, no momento da revisão. Não sei se
você reparou, mas os dois últimos pds estão voltados para esse momento fundamental para que
seu texto fique “daora”: coesão/coerência e linguagem.
Obviamente, não se trata de ensinar o padre-nosso ao vigário. Você deve ter como língua
materna o português, isso significa que você sabe usar a Língua Portuguesa com competência. É
preciso separar o que é básico (regras gramaticais) daquilo que pode ajudá-lo a se expressar com
mais eficácia (estilística). Lembre-se de que a linguagem também é um grande recurso
argumentativo.

Então bora lá, mergulhar na Língua Portuguesa e seus recursos.


Boa aula e boa escrita.
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1. A LINGUAGEM NA DISSERTAÇÃO
Em alguns momentos em nossas vidas, precisamos emitir opiniões sobre determinados fatos
ou mesmo justificar determinadas ações que têm a ver com o que acreditamos ser verdade. As
crenças ou opiniões são juízos, julgamentos, que fazemos da realidade e que devem ter como traço
principal a generalização.
A partir da experiência, vamos formando princípios gerais para podermos agir com segurança
no futuro. Quando falamos que a água fervendo provoca queimaduras, esse juízo não é particular,
restrito somente ao dia em que alguém queimou a mão, mas serve como princípio para que
qualquer pessoa não se aproxime de uma caneca de água que está no fogão, por exemplo.
Dessa forma, durante a vida vamos acumulando uma série de princípios que norteiam nosso
comportamento. Em alguns momentos, somos chamados a expor esses princípios, é aí que

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mudamos nossa organização linguística para dissertar, ou seja, para expor uma ideia. Ora, ao
fazermos isso, estamos aceitando o risco de sermos contrariados. O receptor pode achar que nossa
crença é infundada, julgando-nos imaturos ou incapazes de entender o mundo que nos cerca. Esse
grave risco nos leva a ser cuidadosos quando emitimos uma opinião que vai contra a ideia geral.
Com medo do julgamento alheio, tomamos certos cuidados: expressar com máxima clareza o que
vamos dizer; usar um vocabulário diferenciado para poder dar seriedade ao que é dito; fundamentar
a ideia, procurando provar com fatos, raciocínios ou apelando para outras pessoas mais influentes
como forma de convencer o interlocutor de que estamos certos.

1.1 GRAU ZERO DA LINGUAGEM


Qual é o sonho da ciência e da filosofia? A captação da realidade
tal como ela é. Há um a dificuldade intransponível, pois a realidade é
apreendida pelos nossos 5 sentidos e é representada na nossa mente
como se fosse um filme. Ora nesse processo, algo se perde. Nossas
percepções são extremamente limitadas. Mas o pior está por vir.
Para se produzir conhecimento é preciso generalizar e transpor
aquilo que foi vivenciado para a linguagem. Quando expressamos
aquilo que testemunhamos, a nossa forma de encarar o mundo
contamina o que descrevemos. O sonho dos filósofos era depurar a
linguagem para que ela pudesse expressar o mundo tal qual ele seria
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de fato.
E se pudéssemos ter uma linguagem puramente referencial, ou seja, se pudéssemos ter
palavras e combinações de palavras que pudessem representar o real da forma como ele se
apresenta como seria essa linguagem? Seria um discurso construído por denotações, com
gramaticalidade lógica, uso perfeito de conectivos, palavras precisas sem ambiguidades e ordem
direta dos termos. Um discurso desse tipo seria um meio tão perfeito para a transmissão da ideia
que nem perceberíamos a linguagem.

Como exemplo, considere essa definição de estrela:

As Estrelas são corpos celestes que têm luz própria. Elas são, na verdade, esferas gigantes compostas
de gases que produzem reações nucleares, mas, graças à gravidade, podem se manter vivas (sem se
explodir) por trilhões de anos.

Parece um bom texto de caracterização do que seria uma estrela, certo? Não exatamente.
Observe que duas palavras não podem ser lidas de forma literal, “corpos” e “vivas”. Rigorosamente,
os dois atributos pertencem a seres vivos, o que não é o caso de uma estrela. Além disso, o uso da
palavra esfera é impreciso. Impossível que gases que se aglutinam pela gravidade sejam capazes de
produzir uma esfera perfeita.

Nossa, escrever no grau zero é quase impossível...

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Você tem toda razão, corujinha cética. Trata-se de um modelo de linguagem. Embora, não
passe de um ideal, o modelo serve como meta a ser alcançada. Cada vez que o escritor se aproxima
desse paradigma, seu texto tende a ser lido como “confiável”.
Como ficaria o texto acima numa linguagem mais precisa?

O que chamamos de “estrela” são formas materiais celestes que emitem luz. Essas formas, na
verdade, se apresentam num campo esférico irregular. São compostas por gases em fusão nuclear
que, devido, principalmente, à gravidade mantém-se nesse processo por trilhões de anos.

Seu texto dissertativo pode, obviamente, se afastar de ideal de grau zero. Numa introdução,
a referencialidade é média, você deve apresentar o tema. No desenvolvimento, um estilo pautado
na objetividade angaria maior credibilidade. Já na conclusão, o uso de figuras de linguagem é bem-
vindo.
Em todo caso, é importante que você compreenda bem o que vem a ser essa linguagem de
grau zero para ter consciência de como se valer dos expedientes linguísticos e assim produzir os
efeitos que deseja. Digamos que o grau zero, numa dissertação, deva ser o esqueleto do seu texto
assim como a haste de uma árvore de natal. A partir disso, você pode ir jogando com os enfeites
que vão compor esse texto ou essa árvore.

1.2 OBJETIVIDADE
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Objetividade se refere a um estilo pautado por recursos linguísticos cujos efeitos levem o
leitor a acreditar que aquela opinião tem caráter geral e não particular, individual. Normalmente,
quando dizem que o texto deve ser mais objetivo, entende-se que ele dever ser direto. Não é bem
isso que o termo significa.
Objetividade vem da palavra “objeto” e se refere à forma analítica e impessoal com que
tratamos determinado assunto. Se tivermos que fazer um texto sobre, por exemplo, uma cadeira,
adotaremos uma linguagem com poucos adjetivos valorativos, poucos advérbios e faremos uma
enumeração de traços que não despertaria qualquer emoção. Essa situação mudaria de figura se
alguém pedisse que você descrevesse a cadeira onde seu avô, de quem você tem muitas saudades,
sentava-se regularmente. Um jornalista que cobre uma tragédia, por mais emocionado que esteja,
deve adequar a linguagem para que ela seja informativa, não emotiva.
Quais são os recursos que se usam e quais os que devem ser evitados para conseguir o
efeito de subjetividade?

✓ Utilize... ✓
Linguagem técnica quando possível. O ir e vir de carro e ônibus na cidade tá
cada vez mais difícil.
A mobilidade urbana tornou-se um
problema nos grandes centros.

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Conceitos, defina-os e dê exemplos Mobilidade urbana é um termo que se


que se adequem ao seu tema. refere à facilidade de deslocamento de pessoas e
bens em uma cidade...

Conectivos de forma apropriada. Apesar da gravidade do problema


relacionado a quase imobilidade urbana, poucas
ações efetivas foram tomadas com sucesso
comprovado.

Subdivisões típicas da linguagem A mobilidade urbana deve ser encarada


analítica: “esse problema pode ser analisado sob duas perspectivas: a do prejuízo econômico
de duas formas”, “três características definem para o país e a da qualidade de vida para o
essa ideia”, “dois fatores concorrem para cidadão.
isso”, etc.

X Evite... Exemplos

O uso da primeira pessoa do singular Eu acredito que a questão de mobilidade


“eu” e verbos conjugados nessa pessoa. urbana tem a ver com o planejamento da cidade.
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Esse expediente do qual estou Nas cidades grandes, provavelmente, te


abusando, dirigir-me a você, ou seja, conversar irrita o tempo perdido nos congestionamentos.
com o leitor.

Expressões com forte carga valorativa, Até quando continuaremos a gastar parte
emotiva ou mesmo perguntas retóricas. de nossas vidas parados no trânsito? Isso é um
absurdo!

Adjetivos e advérbios valorativos na Infelizmente, as autoridades nem sempre


argumentação. competentes, não se importam muito com essa
questão.

Palavras/expressões inespecíficas ou Muitas coisas estão envolvidas nessa


que revelem uma certa visão ingênua do coisa de mobilidade urbana e nem sempre são
mundo como boas.

Abaixo você encontrará trechos dissertativos, com palavras destacadas que distanciam o
texto do grau zero da linguagem e da objetividade. Reescreva o texto alterando o que você achar
necessário para que o texto passe a impressão de tecnicidade.

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Q.1 O ambiente digital é muito mais dinâmico: basta tomar como exemplo
as redes sociais. A empresa cria uma ação específica — ou se posiciona de
determinada forma diante de algum acontecimento — e tem o feedback dos
consumidores em tempo real. E isso pode ser usado como termômetro para medir
como será a aceitação de determinado conteúdo.
Falando em medir, fazer a mensuração dos resultados das estratégias
adotadas em âmbito digital também é muito mais fácil e preciso. É possível,
inclusive, ajustar determinadas ações durante sua execução. É simples: se você
percebeu que os resultados não estão atendendo sua expectativa, basta adotar
novos rumos.

Q.2 Os grandes veículos de informação da era digital não têm interesse em provocar uma
reflexão por parte dos usuários sobre as informações que lhe são transmitidas;
tornando-o um indivíduo incapaz de formular uma opinião própria.

Q.3 O conceito da autopromoção está implícito nas mais variadas esferas da vida e
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costuma ser confundido com ostentação e atitude de “gente metida”. São coisas
diferentes. A autopromoção é uma ferramenta de vendas, enquanto ostentação e ser
metido são reflexos de falta de valores e desvios de caráter (tem gente que se perde
na correria do dia a dia também e não tem tempo para aprender a se vender).
Sabe aquele sujeito que gosta de mostrar suas habilidades e talentos nas reuniões de
equipe da empresa? Esta pessoa não é “metida”. Ao contrário, ela compreende que
para crescer na hierarquia e alcançar seus objetivos de carreira, ela precisa “vender”
suas competências para seus superiores. Pense também nas crianças e em como elas
são mestres na arte de chamar nossa atenção. (https://dinheirama.com/autopromocao-
vender-bem-si-mesmo-nao-e-sinonimo-ser-metido/)

Q.4 No contexto contemporâneo, o maior tipo de entretenimento dos jovens e até


mesmo das crianças encontra-se na internet, mais precisamente nas redes sociais.
Sendo assim, esses indivíduos passam a maior parte do seu tempo concentrados em
todas as informações que esses mecanismos têm a oferecer, sempre ávidos por
Incoerên- mais informações sobre os mais variados assuntos. Entretanto, essas pessoas podem
cia se tornar vítimas do universo digital, estando sujeitos a sofrer agressões, exposições
e ameaças que impactam de modo assustador a vida de qualquer um.

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Q.5 Por que chegamos a esse ponto de banalização do coaching?


Primeiro porque coaching realmente funciona e faz a diferença. Quando é bem-
sucedido, muda o clima da empresa, e muita gente começou a achar isso mágico.
Mas isso demora, leva tempo e as organizações passaram a querer tudo muito
rápido. E sempre vai ter gente na outra ponta que acha que pode fazer em cinco,
quatro meses. Quanto menos formação você tem, mais mágico você se acha. O
processo, nesse caso, pode até causar mudanças fantásticas, mas não se sustenta.
Segundo porque que quem olha de fora e vê quanto um coach recebe por hora acha
isso um ótimo negócio.

(https://exame.abril.com.br/negocios/a-banalizacao-do-coaching/)

Resolução exemplificativa

Q.1 O espaço digital se altera rapidamente e permite interação : basta


tomar como exemplo as redes sociais. A empresa cria uma ação específica — ou se
posiciona de determinada forma diante de algum acontecimento — e tem
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o feedback dos consumidores em tempo real. E isso pode ser usado como parâmetro
para avaliar como será a aceitação de determinado conteúdo.
Falando em métodos de averiguação das estratégias adotadas, eles são mais
precisos e mais rapidamente aplicáveis. É possível, inclusive, ajustar determinadas
ações durante a sua execução. É simples: se o gestor percebeu que os resultados
não estão atendendo sua expectativa, basta adotar novos rumos...

Q.2 Os grandes veículos de informação da era digital não têm como finalidade
comercial proporcionar elementos para a reflexão por parte dos usuários sobre as
informações que lhe são transmitidas; isso pode levar o indivíduo a formar opiniões
precárias e imprecisas.

Q.3 O conceito da autopromoção está implícito nas mais variadas esferas da vida e
costuma ser confundido com ostentação e atitude de “gente metida”. São coisas
diferentes. A autopromoção faz parte da metodologia de vendas, enquanto
ostentação é reflexo de falta de valores e formação deficiente dos padrões morais
(tem gente que se perde na correria do dia a dia também e não tem tempo para aprender
a expressar seu potencial).

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Sabe aquele sujeito que gosta de mostrar suas habilidades e talentos nas reuniões
de equipe da empresa? Esta pessoa não é “metida”. Ao contrário, ela compreende
que para ocupar uma posição acima na hierarquia empresarial e alcançar seus
objetivos de carreira, ela precisa convencer seus superiores de suas competências
são adequadas para uma nova posição. Pense também nas crianças e em como elas
são hábeis na arte de chamar nossa atenção. (https://dinheirama.com/autopromocao-
vender-bem-si-mesmo-nao-e-sinonimo-ser-metido/.

Q.4 No contexto contemporâneo, o maior tipo de entretenimento dos jovens e até


mesmo das crianças encontra-se na internet, mais precisamente nas redes sociais.
Sendo assim, esses indivíduos passam a maior parte do seu tempo concentrados
em todo tipo de dado que as plataformas têm a oferecer. Os usuários estão sempre
ávidos por mais entretenimento. Entretanto, essas pessoas podem ser prejudicadas
pelo espaço virtual. O anonimato é um fator que dá mais liberdade para que
agressões e ameaças possam ser veiculadas por esse canal. Além disso, a
quantidade de informações próprias e impróprias podem impactar negativamente
o usuário.

Q.5 Por que chegamos a esse ponto de banalização do coaching?


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Primeiro porque coaching realmente funciona e faz a diferença. Quando é bem-


sucedido, muda as relações pessoais na empresa, e muita gente começou a achar
isso admirável. Mas isso demora, leva tempo e as organizações passaram a querer
tudo muito rápido. E sempre vai existir gente pragmática que se preocupa mais
com os resultados do que como o processo. Tais pessoas acham que se pode fazer
mudanças em cinco, quatro meses. Quanto menos formação o coach tem, mais ele
demonstra crença em sua capacidade em operar mudanças rapidamente no
processo, nesse caso, pode até causar mudanças prodigiosas mas elas não são
perenes. Segundo porque que quem não pertence a essa área profissional e vê
quanto um coach recebe por hora acha isso um ótimo negócio.

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2. O ERRO NO VESTIBULAR
A diferença mais importante entre fala e escrita se dá
pelo fato de que a primeira é imediata e mais perceptiva
diante do contexto de comunicação. A escrita é precária e
deve suprir ausências. Quando você está diante do receptor,
um amigo, por exemplo, recebe sinais de como sua
mensagem está sendo recebida de várias formas: ele
interrompe se não estiver entendendo a informação, faz
perguntas, faz caretas e assume uma postura corporal que
revela o efeito de sua fala sobre ele. Versus
Além disso, você também usa vários outros recursos:
modulação da voz, gestos, movimento corporal etc. Tudo
isso falta à escrita, cuja estrutura é linear e monolítica, você
escreve uma ideia de cada vez e não existe qualquer outro
recurso de correção ou de ênfase.
Desse fato, decorre a necessidade de maior cuidado ao se expressar através da escrita. Se
você redigir seu texto de forma descuidada, deixando traços da fala se infiltrarem na redação -
prolixidade, coloquialismos, expressões genéricas etc -, o texto se tornará confuso para seu leitor.
Isso ultrapassa a simples questão gramatical.
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Segundo o senso comum, o grande problema da escrita se concentra na parte gramatical: se


um texto não contiver erros segundo o padrão culto, será um bom texto. Isso não é verdade, tanto
que, em algumas redações publicadas pela FUVEST como exemplo de melhores produções, era
possível encontrar pequenos “cochilos” gramaticais.
Você se vale da língua falada o tempo todo, por isso, é muito mais fácil falar do que escrever.
Mas isso não significa que você não domine a língua, por isso, esse pdf não é sobre ortografia e
regras básicas. A ortografia é um problema porque não escrevemos como falamos por um motivo
básico, a escrita é gráfica e a fala é sonora, nunca haverá correspondência perfeita entre esses dois
códigos. Como você faz para não errar em ortografia? Escreva, escreva e escreva. Você será corrigido
ou procurará no Google ou no dicionário como se escreve e vai fixar essa forma na sua memória.
Ortografia é hábito.
Outra preocupação dos alunos é com a vírgula. Nesse ponto é importante saber um pouco
de teoria, e ela será apresentada nesta aula. Mas atenção, a Banca não se preocupa com “cochilos”
gramaticais relacionados à vírgula e crase. O corretor não vai ficar tirando 0,2 a cada erro
relacionado a esses tópicos gramaticais.
Por outro lado, há dois tipos de erros que tiram a credibilidade do texto: erros de
concordância e uso inadequado do conetivo. No primeiro caso, isso se deve ao fato de que tal erro
denuncia que o candidato não tem intimidade com o texto escrito. Na fala, a concordância é mais
econômica, quando alguém diz “isso custa dez real”, tal falante entende que já marcou o plural no
numeral “dez”. Na escrita, exige-se que todos os termos sofram flexão.
No segundo caso, o conectivo mal empregado torna o texto incoerente, tema que estudamos
na aula passada.

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Fiz uma tabela dos erros mais comuns e sua importância na dissertação.

Tipo de erro Efeito Gravidade Como resolver

Ortografia Tira a Se forem palavras pouco utilizadas, e for Prática


credibilidade um ou outro erro, o corretor releva,
do escritor entende com um “cochilo”. Se forem
palavras de uso corrente e houver mais
de 3 de erros desse tipo, compromete-se
a ideia

Vírgula Provoca ruídos Prejudica pouco a exposição das ideias Conhecer as regras e
na leitura fazer exercícios

Uso da crase Quase nulo Não prejudica em nada, apenas revela Conhecer as regras e
que o escritor não é atento em relação fazer exercícios
ao padrão culto da linguagem

Conectivo Torna o O candidato perde pontos em linguagem Melhorar a prática


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fragmento e em coerência. de interpretação


incoerente

Colocação Coloquialismo Não prejudica muito a exposição da Conhecer as regras e


pronominal ideia, o texto torna-se um pouco fazer exercícios
impreciso, e revela um certo descaso
com o padrão culto da linguagem

Concordância Provoca A falha na concordância passa a Exercícios


aversão ao impressão de falha no letramento; fere o
texto status da escrita

Como, dito, uma vez que você é falante da língua, esses erros, se cometidos, não devem
comprometer o seu texto. Por isso, você encontrará no final desse pdf algumas questões gramaticais
para que você se exercite.
Vou considerar no próximo tópico algo realmente relevante para a boa escrita do texto, a
estilística. Nós já vimos em pdfs anteriores a importância de uma mensagem bem redigida. O senso
comum, os ditados, clichês e generalizações, muitas vezes, são apresentados sem erros gramaticais,
mas são recursos que empobrecem sua argumentação e fazem com que você perca preciosos
pontos.
E o senso comum é uma questão de linguagem...Uma frase mais elaborada com uso de
termos precisos coloca seu texto em um outro patamar, mesmo que você esteja dizendo o óbvio.

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3. ESTILÍSTICA
Em 2008, a UNICAMP propôs que o candidato fizesse um texto dissertativo-argumentativo
sobre o uso de animais em experimentação científica. No ano seguinte, a Banca publicou e
comentou uma redação acima da média e outra abaixo da média. Tente adivinhar qual é qual.

Texto I
Infelizmente os animais ainda serão alvos de experimentos científico por muito tempo. O
homem é muito egoísta para se deixar fazer experiências no seu corpo. Por isso que animais
como camundongos são usados, não porque são os menos importantes, mas são eles os que
mais se parecem com o corpo humano em termos de quantidade e volume do animal.
Texto II
Tão antiga quanto a relação homem-homem é a relação entre homens e animais. Envolveu, ao
longo da história, vários aspectos: desde o antagonismo caça/predador até uma afetividade
exagerada em relação aos bichinhos criados em casa. O ponto mais polêmico dessa relação,
contudo, surgiu recentemente, com o uso de animais em experimentações científicas.
Façam as suas apostas, qual fragmento deve ser o classificado como acima da média?
Acertou quem disse: o texto II. Ambos são trechos introdutórios. Não se pode dizer que a escolha
levou em consideração o caráter comprobatório das afirmações. Nesse caso, a própria linguagem
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passa ser sinônimo de recurso argumentativo. O leitor do texto I não espera bom desenvolvimento
textual, pois o autor se distanciou do grau zero da linguagem, aproximou-se do coloquialismo e
valeu-se do senso comum (“o homem é muito egoísta”).

Ou seja, a forma como algo é dito


altera o próprio conteúdo do que é
dito.

Considere outro exemplo.


A música abaixo foi composta dor Edu Lobo e Guarnieri e interpretada por Elis Regina.
Basicamente, os autores se valem de um estilo mais coloquial para expressa uma realidade típica do
morro, das comunidades.
Upa neguinho na estrada
Upa pra lá e pra cá
Virgem que coisa mais linda
Upa nequinho começando a andar
E já começa a apanhar

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(“Upa Neguinho”- Edu Lobo e Guarnieri)


O eu lírico descreve uma cena cotidiana no morro, de uma criança que mal começa a andar
também já conhece a violência, já começa a apanhar.
Mas vamos supor que fizéssemos a transposição dessa linguagem para outra, com traços
parnasianos, aquele movimento literário que procurava representar a realidade através de uma
linguagem sublime, empolada e dentro do que convenciona chama de padrão culto. Como ficaria a
mesma canção?
Evoé negro infante na senda
Evoé para aqui e para acolá
Imaculada que coisa maravilhosa
Evoé negro infante começando a caminhar
E já o látego a sofrer
Veja que a transformação é grande. Só para citar o elemento mais significativo, observe a
expressão “negro infante”. Ela é sinônimo de “negrinho”. Contudo, “infante” era uma palavra que
designava criança pertencente à nobreza. “Negro infante” faz imaginar uma criança negra, bem
vestida, asseada e bochechuda. Deve exalar “nobreza”. Por outro lado, “negrinho” traz outra
imagem a memória: uma criança magra, não tão asseada e vestida de forma simples. Uma criança
típica do morro.
Qual seria a linguagem mais apropriada? Depende. Se você quisesse “dourar” a pílula do que
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significa ser negro no Brasil, deveria valer-se do segundo texto, do texto com traços parnasianos. Se
você quisesse refletir a situação a que o negro está submetido. Até mesmo a discussão em relação
ao preconceito embutido na palavra “negrinho” importa na construção do texto.
A música de Edu Lobo tinha como propósito protestar contra a pobreza e a diferença social
no Brasil, nesse caso, usar uma palavra com traços de preconceitos seria apropriado, pois a música
não reforça o preconceito, usa-o como forma de protesto.
O mais notável é que as palavras escolhidas, a organização textual e as conexões feitas
produzem um efeito textual que muda a recepção da informação, apesar de, no fundo, os dois textos
desenvolverem a mesma ideia.

3.1 DESCRIÇÃO, RELATO E CARACTERIZAÇÃO COMO RECURSOS ARGUMENTATIVOS


O que é um bom texto? Você já deve ter ouvido a seguinte resposta vaga: é aquele bem
desenvolvido. Tentei mostrar no pdf sobre conclusão que é aquele em se observa uma progressão
lenta da ideia. Isso vale também para o desenvolvimento frasal, linguístico.
Então vou refazer a pergunta, o que é um texto bem escrito? É aquele em que há progressão
detalhada de uma frase inicial. Vamos partir da seguinte frase: “ela é mulher independente”. Dito
dessa maneira, o autor da frase não impressiona o leitor. A frase é curta e o receptor da mensagem
tende a pensar “bem, essa é a opinião do escritor, eu nem a conheço”.
Mas se o autor do texto disser o seguinte...

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Ela tem nome de mulher guerreira


E se veste de um jeito que só ela
(...)
Ela tem um tribal no tornozelo
E na nuca adormece uma serpente
(...)
Ela fala num celular vermelho
Com amigos e com seu namorado
Ela tem perto dela o mundo inteiro
E à volta outro mundo, admirado
Agora a situação mudou, porque obviamente o escritor do texto quer que você chegue a
mesma conclusão que a dele e passa a detalhar os traços dessa mulher para que você também a
admire.
Ao descrever, o autor vai escolhendo traços que devem reforçar o ponto de vista da tese,
dando unidade ao texto. Isso tem a ver com estilística, pois o autor pode escolher entre fazer uma
frase mais sucinta ou um trecho longo com detalhes e, no último caso, a tarefa depende da
competência linguística, pois o autor deve ter um vocabulário amplo e capacidade de encadear os
detalhes de maneira lógica.
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No caso de uma dissertação, o expediente de dar detalhes de uma determinada ideia é um


recurso linguístico que vale pontos. No caso de uma ideia, trata-se de caracterização; descrição,
no caso de especificar um objeto, um lugar ou uma pessoa; ou relato no caso de especificação de
um fato ou de uma história.

Descrição

Não é um recurso tão usado, mas é ótimo para introduções e para treinar a linguagem. A
descrição é um gênero que tem como alvo um objeto, uma pessoa ou um lugar. Você deve
enumerar traços significativos do objeto até que o leitor consiga criar na sua mente uma imagem
daquilo que você está descrevendo. Supondo que você tenha que desenvolver um tema sobre a
influência das redes sociais na nossa vida, você poderia se valer da descrição de uma das redes,
escolhendo elementos que já indicam sua opinião sobre o assunto.

Objeto a ser descrito: uma página do facebook

Finalidade: destacar a quantidade de informações até desnecessárias na plataforma.


Elementos: quantidade de amigos sugeridos; quantidade de imagens que são oferecidas ao
usuário; possibilidades de links que podem ser feitos.
Descrição
Ao abrir sua página do Facebook, usuário se depara com Tópico
uma quantidade de informações requeridas, sugeridas ou frasal
apresentadas que ultrapassam a possibilidade de acompanhar

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seriamente o que se passa. Na página inicial, o indivíduo se


depara com as abas “linha do tempo”, “amigos” e “fotos”. No
primeiro caso, o sistema quase exige que você preencha muitas
informações sobre você. A segunda aba, realmente, é a mais
importante. Quando se abre essa janela, uma série de amigos são
sugeridos a partir do seu perfil. Mas esse processo não para. Cada Descrição do Facebook
vez que você aceita ou adiciona um amigo, uma série de outros
são sugeridos. Isso é só começo, pois há ainda as imagens ou
textos que são compartilhados...

Narrativa factual (relato)

Normalmente, “narrativa” se refere a um texto ficcional em que se desenvolve uma história.


No caso, de um texto factual, faz-se um relato. Em um relato, o escritor deseja simplesmente
enumerar ações para que o leitor tenha detalhes (1) do fato que está sendo elencado como prova
do argumento ou (2) da história que está sendo rememorada, uma vez que é comum em
dissertações uso de resenhas de filmes, romances etc.
Há uma técnica para isso. Você deve responder às seguintes questões: Quando? Onde?
Quem? O quê? De que forma? E depois você deve aplicar o que foi dito ao seu argumento. Observe
como o argumento dessa redação sobre o tema das redes sociais é desenvolvido.
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Onde? Quem? O quê?


No livro "1984 ", George Orwell descreve um mundo distópico
em que um "big brother" vigia e controla a população através Novamente se
de ministérios, hoje, esses departamentos seriam nossas contas responde: Quem?
no facebook. O escritor inglês, não imaginaria um futuro no qual Faz o quê?
não haveria a necessidade de o Estado impor uma vigilância, pois
isso seria voluntário. A aflição de se sentir vigiado, exposta no Relaciona-se o
livro, se transformou no desejo de ter sua vida compartilhada, relato à tese
em troca do maior número possível de likes.
Nesse caso, o autor se valeu de um argumento retórico por analogia. Mas vamos supor que
ele quisesse argumentar baseando-se em fatos. Vamos retomar o tema geral do uso dados não
autorizados por parte de usuários de redes socias. Imagine um argumento como o abaixo.
Vivemos em uma sociedade sem escrúpulos nas qual as pessoas
que detém o poder valem-se de meios tecnológicos para
influenciar os cidadãos e tirar proveito disso. Observou-se isso na
última eleição americana, quando uma empresa roubou dados Cadê o: Quando?
para favorecer o candidato Trump. Isso mostra a que ponto nós Onde? Quem? O quê?
chegamos no uso de informações. De que forma?

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As informações, nesse caso, são vagas. Não dão segurança ao leitor, nem despertam
interesse. Se o escritor tiver dados sobre esse caso, poderia apresentá-los. O texto ganha outra
qualidade. Observe.
Vivemos em uma sociedade na qual é possível valer-se de meios
tecnológicos para influenciar os cidadãos e tirar proveito disso. Tópico frasal
Na última eleição presidencial americana, os responsáveis pela
campanha de Trump contrataram uma empresa inglesa, a
Analytica, que conseguiu, através do facebook, roubar Quando, quem,
informações para montar um cadastro de eleitores indecisos. qual empresa, o
Esse cadastro foi utilizado posteriormente para que esses que ela fez
eleitores fossem bombardeados por propagandas políticas. Note
que isso aconteceu à revelia da vontade dos usuários e sem que
eles soubessem. Esse é um dos grandes riscos que a tecnologia
da informação representa.
Percebeu a diferença linguística?

Caracterização de uma ideia

No pdf de introdução, discuti qual era a essência de uma dissertação. Trata-se de um texto
que gira em torno de uma abstração. Decorre daí a grande dificuldade de se desenvolver esse
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gênero, afinal toda generalização representa um risco de se afirmar algo que não se verifica na
realidade. Mas há ainda um outro problema.
Uma generalização, uma ideia, uma abstração são representadas por palavras imprecisas. O
que é honestidade? E moralidade pública? E Povo? O que um político quer dizer com a frase: eu
represento o povo?
O autor J.R. Whitaker Penteado fez algumas considerações bem pertinentes em relação ao
uso que fazemos desse tipo de palavra.
Como a palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a escuta, definindo as
palavras abstratas, antes de utilizá-las, damos um passo no caminho do entendimento
entre os homens. A grande maioria dos conflitos humanos nasce efetivamente do
emprego descuidado de palavras abstratas.
De que adianta reunir-se a Associação Comercial para estabelecer um lucro razoável nas
operações mercantis, antes de chegar-se a um acordo sobre o que venha a ser lucro
razoável?
(...)
Atrás de uma palavra nem sempre está uma coisa. Palavras não são coisas; são
representações de coisas, quase sempre específicas, e por isso difíceis de serem
transmitidas, com fidelidade, de uma cabeça para outra.
Não resolveremos nossos problemas com palavras, ou modificando seus nomes. Antes de
morrermos por uma palavra, será útil procurar saber o que ela significa. Definindo as

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palavras, antes de discuti-las, percebermos que, ou estamos de acordo, ou pensamos em


coisas diferentes, embora lhes emprestemos a mesma forma.” 1

Mas como definir uma palavra abstrata?

Há pelo menos três técnicas que você pode usar para definir uma palavra: uso de aposto
explicativo, caracterização e definição pelas 4 causas.
Aposto
Aposto é um termo que se junta a outro para explicá-lo melhor, geralmente separado por
vírgulas. Muitas vezes, ao utilizar um termo abstrato, procure defini-lo um pouco melhor. Pergunte-
se: meu leitor entende esse termo? Ele sabe qual o significado estou atribuindo a ele?
Observe alguns exemplos, considerando termos bastante complexos.
A liberdade, entendida como escolha entre duas possibilidades, não é algo que seja
experimentado pelo homem a todo momento.
A Democracia, cujos radicais significam governo do povo, foi assumindo várias formas desde
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que foi inventada na Grécia.


A justiça, compreendida como gozo de direitos iguais entre duas pessoas, precisa de todo um
sistema para que seja garantida.

Caracterização
O aposto é curto e serve como aperitivo para a nossa brincadeira de aprender a definir
termos. Em alguns casos é preciso especificar melhor ainda o objeto que está sendo discutido. Tome
como exemplo a frase: “Esportes fazem mal à saúde”. Obviamente, ela diz uma besteira. Mas
poderíamos acrescentar caracterizações e apostos de tal forma que tornasse tal frase verdadeira.
Considere.

• Esportes fazem mal a saúde;


• Esportes violentos fazem mal a saúde;
• Esportes violentos, tais como os que envolvem artes marciais, fazem mal à a saúde de
pessoas fisicamente mal preparadas.
• Esportes violentos, entre outros, os associados às artes marciais, tais como boxe, jiu-jítsu,
vale tudo, podem provocar sérios traumas musculares a pessoas que não estejam
condicionadas fisicamente.

Penteado, J.R. Whitaker. A técnica da comunicação humana. São Paulo: Livraria Pioneira Editora,
1

1982, p. 106.

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As 4 causas
A verdade é que definir uma ideia não é coisa para amadores. Mesmo os expedientes acima
ainda não resolvem seu problema quando você precisa definir melhor um termo para que ele sirva
de premissa (base) para um argumento. Na Grécia, Aristóteles já tinha enfrentando esse problema,
e ele encontrou uma resposta metodológica razoável. Para dizer o que uma coisa era, o indivíduo
deveria aplicar 4 perguntas: do que isso é feito? Para que ele serve? Como ele foi feito? Qual é o seu
formato?
Por exemplo, suponha que você precise dizer para um E.T. o que é uma
cadeira sem que ele veja o objeto.
Do que ela é feita? Uma cadeira normalmente é feita de um material
sólido: madeira, plástico ou ferro.
Qual sua finalidade? Serve para uma pessoa se sentar com um pouco de
conforto.

Como foi feita? Depende do material, a resposta pode ser variada.


Qual o seu formato? Uma base sustentada por pés que serve de assento;
a base deve ficar a 50 cm do chão; além disso deve ter um espaldar para apoio
das costas.
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A definição ficaria da seguinte forma: cadeira é um objeto cuja finalidade é sentar-se,


normalmente construída de um material sólido, tendo espaldar e pés que sustentam uma base que
servirá de assento para uma pessoa.

Eu vou ter que definir cadeira numa dissertação?

Claro que não, corujinha impaciente. Mas, em alguns casos, definir um termo abstrato ajuda
bastante. Vamos supor que você tenha que falar de democracia. “Bora lá”, fazer o exercício das 4
causas.
Do que ela é feita? Do voto das pessoas participantes no processo de decisão.

Qual sua finalidade? Evitar que uma pessoa imponha sua vontade aos outros.
Como foi feita? Os gregos a inventaram.
Qual o seu formato? Atualmente, ela funciona apoiada em 3 poderes: legislativo, executivo e
judiciário, sendo que, para os dois primeiros, há eleição na qual as pessoas votam para seus
representantes ou governantes diretos.
A partir daí, você seleciona as informações mais relevantes e escreve seu texto.

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No Enem de 2018, a Banca deu a seguinte instrução:


A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de
sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua
portuguesa sobre o tema "Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na
internet", apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione,
organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de
vista.
Esse tema poderia ser bem desenvolvido se o candidato explorasse o que é um algoritmo e a
Banca até forneceu dados para que o candidato elaborasse uma definição própria.

Q.1 Considere os dois textos de apoio abaixo e elabore uma definição do que
seria algoritmo valendo-se das 4 causas. Lembre-se de que você não
precisa responder a todas elas, mas deve fazer, a partir desse estímulo,
escrever um fragmento de caracterização.

TEXTOS MOTIVADORES
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TEXTO I
Às segundas-feiras pela manhã, os usuários de um serviço de música digital recebem uma lista
personalizada de músicas que lhes permite descobrir novidades. Assim como os sistemas de outros
aplicativos e redes sociais, este cérebro artificial consegue traçar um retrato automatizado do gosto
de seus assinantes e constrói uma máquina de sugestões que não costuma falhar. O sistema se
baseia em um algoritmo cuja evolução e usos aplicados ao consumo cultural são infinitos. De fato,
plataformas de transmissão de vídeo on-line começam a desenhar suas séries de sucesso rastreando
o banco de dados gerado por todos os movimentos dos usuários para analisar o que os satisfaz. O
algoritmo constrói assim um universo cultural adequado e complacente com o gosto do consumidor,
que pode avançar até chegar sempre a lugares reconhecíveis. Dessa forma, a filtragem de
informação feita pelas redes sociais ou pelos sistemas de busca pode moldar nossa maneira de
pensar. E esse é o problema principal: a ilusão de liberdade de escolha que muitas vezes é gerada
pelos algoritmos.
VERDCI. Daniel. O gosto na era do algoritmo. Osponivel em. Mtps.libiasitelpals.corn. Acesso em. 11 Jun. 2018 (adaptado).

TEXTO II
Nos sistemas dos gigantes da intemet, a filtragem de dados é transferida para um exército de
moderadores em empresas localizadas do Oriente Médio ao Sul da Ásia, que têm um papel
importante no controle daquilo que deve ser eliminado da rede social, a partir de sinalizações dos
usuários. Mas a informação é então processada por um algoritmo, que tem a decisão final. Os
algoritmos são literais. Em poucas palavras, são uma opinião embrulhada em código. E estamos
caminhando para um estágio em que é a máquina que decide qual notícia deve ou não ser lida.

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PEPE ESCOBAR. A silenciosa ditadura do algoritmo. Disponível em' Ntoficutraspalavrasnet. Acesso em: 5 Jun. 2017 (adaptado).

Resolução

Q.1 Selecionei os trechos em que o autor se expressa em relação ao algorítimo.


“ um algoritmo (...)rastreando o banco de dados gerado por todos os movimentos
dos usuários para analisar o que os satisfaz. O algoritmo constrói assim um
universo cultural adequado e complacente com o gosto do consumidor”
“filtragem de informação”
“Os algoritmos são literais. Em poucas palavras, são uma opinião embrulhada em
código”
A partir dessas informações vamos as 4 causas.
Do que ele é feito? De códigos (uma opinião embrulhada em código>
Qual sua finalidade? Considerar o gosto de consumidor para que isso possa ser
utilizado para oferecer produtos de acordo com seu universo cultural.
Qual seu formato? Como age? Filtra a informação dos movimentos dos usuários
para a analisar o que os satisfaz.
Qual sua origem? Não sei.
A definição ficaria da seguinte forma:
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O algoritmo é um código de filtragem, capaz e captar os movimentos dos usuários e


fornecer uma análise do que os satisfaz; tem como finalidade oferecer informações
que podem ser utilizadas para fomentar o consumo.

3.2 CLAREZA E ESTRUTURA SINTÁTICA


Você se lembra do que é sintaxe? A forma de combinação das palavras dentro da frase. Essa
escolha de como combinar palavras pode tornar seu texto mais claro ou mais confuso.

3.2.1 PERÍODO

O que você acha desse texto?

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Há necessidade de amigos para viver bem, pois uma vida solitária Há um período
e sem reconhecimento, onde não era comum na antiguidade, e ( espaço entre letra maiúscula
pode ser vazia de sentido, embora os amigos muitas vezes e ponto final) e 5 conectivos.
podem ser possessivos e interesseiros, já que vive-se numa época Você entendeu a matéria?
em que os valores acabam por influenciar a forma de as pessoas
reagirem ao mundo.
Esse texto contém muita informação hierarquizada por
conectivos lógicos de tal modo que do meio em diante, seu leitor
já deve ter abandonado a tentativa de compreender seu texto.
Fazer isso com seu leitor é como obrigá-lo a comer um lanche
grande demais para sua degustação. O contrário também seria
complicado. Observe.

Agora vemos um
Há necessidade de amigos para viver bem. Uma vida solitária e
parágrafo e 5 períodos
sem reconhecimento não era comum na antiguidade. Ela pode e somente um conectivo.
ser vazia de sentido. Os amigos podem ser possessivos e As informações estão jogadas. O
interesseiros. Vive-se em uma época em que os valores acabam leitor deve se virar
por influenciar a forma das pessoas reagirem. para entendê-las.
Períodos longos são armadilhas comuns. Para alongar uma ideia, o escritor precisa de muitos
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conectivos, o que muitas vezes leva a utilização inadequada de um deles. Óbvio que isso tem
impacto na coerência do texto. Sem mencionar a possibilidade de se cometer um erro de
concordância. Como o sujeito do parágrafo é retomado várias vezes em algumas delas pode-se
deixar de fazer a flexão de número necessária.
O ideal é que um parágrafo médio tenha entre 2 e três períodos por parágrafo. Assim você
divide a informação e utiliza um pronome de retomada que permite ao seu leitor recuperar o fôlego
para novas informações. Vamos tentar mais uma vez....
Há necessidade de amigos para viver bem. Desde a antiguidade O uso do pronome
se postulava isso, época em que uma vida solitária e vazia era “isso” permite a
considerada sem sentido. Apesar disso é preciso cautela, pois os quebra do período.
amigos podem ser possessivos e interesseiros, reflexo de uma Há menos conectivos.
sociedade competitiva. O texto ficou mais
claro.

A seguir você encontrará parágrafos de redações nota 1000 do ENEM sobre o tema do uso de dados
da internet. Eles foram modificados. Apresentam períodos longos. Reescreva o texto fazendo as
adaptações necessárias para que o texto fique claro.

Q.1 Presencia-se um forte poder de influência desses algoritmos no comportamento da


coletividade cibernética, pois ao observar somente o que lhe interessa e o que foi

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escolhido para ele, o indivíduo tende a continuar consumindo as mesmas coisas e fechar
os olhos para a diversidade de opções disponíveis, fato exemplificado em um episódio da
série televisiva Black Mirror, no qual, um aplicativo pareava pessoas para relacionamentos
com base em estatísticas e restringia as possibilidades para apenas as que a máquina
indicava – tornando o usuário passivo na escolha.

Q.2 É notável que o acesso a esse meio de comunicação ocorre de maneira, cada vez mais,
precoce segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, no ano de 2011, quando apenas 35% dos
entrevistados, que apresentavam idade igual ou superior a 10 anos, nunca haviam
utilizado a internet, pois desde cedo a criança tem contato com aparelhos tecnológicos
que necessitam da disponibilidade de uma rede de navegação, que memoriza cada passo
que esse jovem indivíduo dá para traçar um perfil de interesse dele e, assim, fornecer
assuntos e produtos que tendem a agradar ao usuário, por isso , o uso da internet torna-se
uma imposição viciosa para relações sócio-econômicas.

Q.3 Conforme o conceito de “Mortificação do Eu”, do sociólogo Erving Goffman, é possível


entender o que ocorre na internet que induz o indivíduo a ter um comportamento
alienado, que afirma que, por influência de fatores coercitivos, o cidadão perde seu
pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva pela internet, na qual o usuário,
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sem perceber, é induzido a entrar em determinados sites devido a um “bombardeio” de


propagandas que aparece em seu dispositivo conectado.

A estruturação do meio cibernético fomenta a conjuntura regida pela denominada denominada


Q.4
pós-verdade, traduzida na sobreposição do conhecimento fundamentado por conotações
subjetivas de teor apelativo, na qual, os algoritmos como ferramentas de busca fornecem fontes
correspondentes às preferências de cada usuário, cria-se uma assimilação unilateral, contendo
exclusivamente aquilo que promove segurança emocional ao indivíduo e favorece a reprodução
automatizada de pensamento, tendo como consequência, o sujeito ser manipulado de forma
alienante, mitigando do seu senso crítico e capacidade de compreender a pluralidade de opiniões.

Resolução

Você encontra abaixo, os fragmentos originais, como conferência ou curiosidade. Lógico que
não era necessário que você chegasse a esta redação textual.

Q.1 Presencia-se um forte poder de influência desses algoritmos no comportamento da


coletividade cibernética: ao observar somente o que lhe interessa e o que foi
escolhido para ele, o indivíduo tende a continuar consumindo as mesmas coisas e
fechar os olhos para a diversidade de opções disponíveis. Em um episódio da série
televisiva Black Mirror, por exemplo, um aplicativo pareava pessoas para

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relacionamentos com base em estatísticas e restringia as possibilidades para


apenas as que a máquina indicava – tornando o usuário passivo na escolha.

Q.2 É notável que o acesso a esse meio de comunicação ocorre de maneira, cada vez
mais, precoce. Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, no ano de 2011, apenas 35%
dos entrevistados, que apresentavam idade igual ou superior a 10 anos, nunca
haviam utilizado a internet. Isso acontece porque desde cedo a criança tem contato
com aparelhos tecnológicos que necessitam da disponibilidade de uma rede de
navegação, que memoriza cada passo que esse jovem indivíduo dá para traçar um
perfil de interesse dele e, assim, fornecer assuntos e produtos que tendem a
agradar ao usuário. Dessa forma, o uso da internet torna-se uma imposição viciosa
para relações sócio-econômicas.

Q.3 Conforme o conceito de “Mortificação do Eu”, do sociólogo Erving Goffman, é


possível entender o que ocorre na internet que induz o indivíduo a ter um
comportamento alienado. Tal preceito afirma que, por influência de fatores
coercitivos, o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa
coletiva. Dentro do contexto da internet, o usuário, sem perceber, é induzido a
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entrar em determinados sites devido a um “bombardeio” de propagandas que


aparece em seu dispositivo conectado.

Q.4 A estruturação do meio cibernético fomenta a conjuntura regida pela denominada


pós-verdade, traduzida na sobreposição do conhecimento fundamentado por
conotações subjetivas de teor apelativo. Nesse contexto, como os algoritmos das
ferramentas de busca fornecem fontes correspondentes às preferências de cada
usuário, cria-se uma assimilação unilateral, contendo exclusivamente aquilo que
promove segurança emocional ao indivíduo e favorece a reprodução automatizada
de pensamentos. Desse modo, o sujeito é manipulado de forma alienante,
mitigando do seu senso crítico e capacidade de compreender a pluralidade de
opiniões.

3.2.2 INTERRUPÇÃO DA ORDEM DIRETA


Para você entender melhor o que significa isso que tal um pouco de poesia? Como figura de
linguagem a inversão chama-se hipérbato. Inversão do quê? Observe os primeiros versos de um
poema de Camões.
“Sete anos de pastor Jacob servia
Labão...”

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Essa frase está torcida. Em português, a ordem natural da frase segue a seguinte equação:
Sujeito + verbo + objeto direto ou indireto + adjunto adverbial. Usando esse esquema, a frase ficaria
da seguinte forma: Jacó (sujeito) servia (verbo) Labão (objeto direto) por sete anos de pastor. Mas
por que o poeta inverteu os termos da frase?
A vida de poeta não é fácil. Para conseguir cumprir a métrica, para conseguir rimar uma
palavra com outra, ou mesmo para dar ênfase, muitas vezes ele troca palavras de lugar. No caso
desses versos, observe que ao trazer o advérbio para o início do poema, o eu lírico dá destaque à
questão do tempo, algo primordial na construção do sentido do poema.
Mas você não é poeta, então por que motivos você torce o período ou enche a frase de
termos intercalados de tal forma que o texto fica confuso?
Tomemos um exemplo. Observe a frase abaixo.

Pode-se notar, no cotidiano das grandes cidades, que as pessoas,


sempre envolvidas com seus afazeres, não podem, ou não Note a quantidade de
querem, prestar atenção, nem que seja por um minuto, no ser, termos intercalados.
como muitos se referem a quem não teria qualquer identidade,
à sua frente.
Tente descobrir qual a frase simples que serve de base para esse monte
de penduricalhos que estão colocados no meio dela.
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Essa investigação não é complicada. Procure o verbo que seja o centro


do sentido do texto. A partir dele você procura restabelecer o sujeito depois os
complementos. No caso do texto acima, há dois verbos importantes, “notar” e
“não podem ou não querem”. No caso do verbo “notar”, o sujeito é a oração
que se segue, então basta dizer: “pode-se notar que”. A outra oração é que
está toda enfeitada parecendo mula de cigano. O verbo “não podem” se refere
às pessoas; e ao se perguntar o que as pessoas não podem ou não querem, rapidamente chegamos
a frase básica.
Pode-se notar que as pessoas não podem ou não querem prestar atenção no ser a sua frente.
Que tal escrever dessa forma? Talvez, você ache que, desse jeito, o texto perdeu a definição
dos termos, afinal os comentários servem para tornar a informação mais precisa, como já vimos. Há
duas possibilidades: tente colocar os termos em outra ordem ou retome as outras informações em
outro período. Vamos reescrever esse texto.

Termo deslocado

No cotidiano das grandes cidades, pode-se notar que as pessoas Ordem direta
não podem ou não querem prestar atenção no ser, como muitos se
referem a quem não é reconhecido, à sua frente, pois estão sempre Trecho
envolvidas em seus afazeres deslocado,
nem que seja por um minuto, introduzido por
Termo suprimido um conectivo

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Um outra opção seria...


Pronome que permite
a retomada da ideia
Ordem direta

Pode-se notar pessoas que não podem prestar atenção ao


A informação
indivíduos à sua frente um minuto sequer. Isso ocorre devido ao
foi dividida em
cotidiano das grandes cidades, onde os cidadãos estão atarefados dois períodos
com seus afazeres sem poder dedicar um minuto ao outro.
Sacou corujinha? Sua vez de brincar.
Há trechos como esse estudado nos exercícios que se seguem. Sua tarefa é tornar os
períodos mais claros. Utilize qualquer uma das técnicas vistas acima.

A seguir você encontrará frases com muitos termos intercalados ou invertidos. Reescreva a frase
fazendo as adaptações necessárias para que o texto fique claro.
Nos dias atuais, com o auxílio da internet, o meio de conexão que está se tornando
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Q.1
universal, as pessoas estão mais expostas, uma vez que as plataformas possuem o acesso
aos dados e históricos de navegação, ao controle em potencial já que, em algum
momento, essa informação pode ser acessada por algum ator social.

Q.2 A manipulação do comportamento do usuário ocorre, nos dias de hoje, pelo controle, de
certa forma indireto devido à falha de políticas públicas efetivas, como inclusão dessa
informação no currículo básico, que auxiliem o indivíduo a “navegar”, de forma correta,
na internet, e à ausência de consciência, da grande parte da população, sobre a
importância de saber utilizar adequadamente o meio virtual.

Q.3 Atualmente, é possível traçar um paralelo entre essa circunstância , visto que milhões de
pessoas no mundo são influenciadas e, até mesmo, manipuladas, todos os dias pelo meio
virtual, por meio de sistemas de busca ou de redes sociais, sendo direcionadas a produtos
específicos, o que aumenta, de maneira significativa, o consumismo exacerbado, e a ideia
de mundo administrado exposta pelos filósofos da Escola de Frankfut.

Q.4 E importante destacar que grande parte da população, sem consciência da importância da
utilização, de forma correta, da internet, visto que as instituições formadoras de conceitos
morais não têm preconizado, como deveriam, o ensino de uma ética virtual, tem se
deixado abater pelos interesses de quem deseja se aproveitar desse meio.

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Resolução

Você encontra abaixo, uma possível resolução, obviamente há outras possibilidades.


Ordem direta

Q.1 As pessoas estão mais expostas ao controle potencial já que a informação colhida
por plataformas digitais pode ser acessada por algum ator social. Isso ocorre com
o auxilia da internet, meio de conexão que está se tornando universal.

Ordem direta

Q.2 A manipulação do comportamento do usuário ocorre devido à falha de políticas


públicas e a ausência de conscientização. No primeiro caso, quase não há ações
efetivas como a inclusão de informação sobre a questão no currículo escolar, isso
auxiliaria o usuário a navegar de forma correta. Quanto à conscientização, grande
parte da população não é consciente sobre a importância de saber utilizar
adequadamente o meio virtual.
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Q.3 Atualmente, milhões de pessoas no mundo são influenciadas e manipuladas por


meio de sistemas de busca ou de redes sociais que as direcionam para produtos
específicos, o que aumenta o consumismo exacerbado. É possível traçar um
paralelo entre esse fenômeno e a ideia de mundo administrado exposta pelos
filósofos da Escola de Frankfurt. Ordem direta

Ordem direta

Q.4 E importante destacar que grande parte da população tem se deixado abater pelos
interesses de quem deseja se aproveitar desse meio, pois não tem consciência do
uso adequado da internet, já que as instituições formadoras de conceitos morais
não tem preconizado, como deveriam, o ensino de uma ética virtual.

3.2.3 INDEFINIDOS
Imagine um texto da seguinte forma:
Muitos cariocas se vestem mal, com um desleixo
O que as palavras
considerável. Sempre foram muito displicentes nas coisas que
grifadas têm em
usam como adereços. Ultimamente, então esse jeito de ser
comum?
tornou-se ainda mais lamentável. É verdade que algumas
mulheres se vestem um pouquinho melhor, mas, mesmo assim,
revelam um gosto duvidoso.

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Calma corujinha carioca, não tenho nada contra cariocas. O texto é exemplificativo e, na
verdade, considerei esse tema porque poderia apresentar um contraexemplo de um cronista que,
na década de 60, fez uma crítica sobre o modo de vestir dos cariocas. Você entendeu a crítica que o
texto anterior faz ao carioca? Teve alguma ideia de como ele se veste? Claro que não...a não ser que
estivesse escrito de outra maneira.
Observe.
O carioca veste-se como a cara dele, que não é primorosa, e é
vício antigo que ele tem e provado pelos visitantes estrangeiros,
coloniais ou imperiais. Tempo houve em que o terno branco e o
sapato de verniz preto constituíam o supremo chique popular —
o traje a rigor para os saraus. Ultimamente adota o indigente
refinamento do cabelo grande, da blusa colorida, do sapato
cambaio e sem meias, e da calça de pescar siri com uma irritante
etiqueta nos fundilhos.
Do ponto de vista do estilo de escrita, o primeiro texto é recheado de expressões que o
tornam vago, indistinto. Basicamente, o escritor se valeu de pronomes e artigos indefinidos, além
de advérbios como “muito” e “pouco”, que determinam imprecisamente a informação.
Portanto, vamos a algumas recomendações:
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Evite pronomes indefinidos: eles não colaboram com a clareza, dão a impressão de
falta de domínio sobre o assunto. Pronomes indefinidos são aqueles que se referem à
3ª pessoa do discurso de modo genérico: muitos, poucos, alguns, toda etc.

Evite artigos indefinidos um, uma, uns, umas. Eles indeterminam o substatantivo.

Evite ou seja cuidadoso com palavras vagas como "coisas", "algo", "substâncias" ,
"produtos", "objetos" etc

3.2.4 PARALELISMO

Dias atrás, ouvindo um podcast Clovis Barros Filho, professor de filosofia da USP, falando
sobre Miakhail Bakthin (1895-1975), linguista e filósofo, fez referência a grande obra do pensador

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Marxismo e filosofia da Linguagem e destacou seu triste fim, pois foi considerado dissidente na
União Soviética. Terminava sua exposição sobre o autor com a bela frase:
“O seu marxismo não era ortodoxo, por isso você deve ter entendido por que a Sibéria
foi seu espaço, e a pneumonia, o seu fim”.
Por que esse final é impactante? Ele se vale do paralelismo linguístico. Ele poderia ter dito
“você pode entender por que o pensador morreu na Sibéria de pneumonia”, mas isso não teria o
mesmo efeito.
O que é paralelismo? Observe:

A Sibéria foi seu espaço Mesma estrutura


sintática,
A pneumonia foi o seu fim informações
contrárias.
Sujeito verbo Predicativo
do sujeito

O paralelismo consiste na apresentação de ideias similares, coordenadas, equivalentes, numa


estrutura sintática idêntica. Assim, pode-se dizer que há quebra de paralelismo quando associamos
elementos que não são equivalentes quanto à forma ou ao conteúdo.
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Nesse caso, é importante conhecer um pouco o que é paralelismo não exatamente para usá-
lo no seu texto, embora isso fosse bem legal. Mas também para evitar erros. É comum, em frases
não tão elaboradas, que o escritor cometa erros que trazem ruídos para o seu texto. Veja essa
frase:
Para minha ex-namorada, homem tem que ser gentil, culto, e não fumar.
Onde está o paralelismo?

gentil

Para minha ex-namorada, homem tem que ser


culto

Tirando os outros
dois atributos, a frase NÃO FUMAR
ficaria assim: o homem
tem que ser não fumar.
Isso não tem sentido.

Além dessa situação comum, o erro ocorre, também, quando você usa dois verbos com
regências diferentes. O verbo gostar pede a preposição “de”, mas o verbo “conhecer”, não.
Vamos supor que você dissesse: Conheci e gostei muito de Maria. Essa frase apresenta erro e de
paralelismo, basta você observar o esquema.

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Conheci
de Maria
Gostei

Em outros casos, o erro de concordância se dá em relação ao verbo. Na frase,


“recomendou-se aos Ministérios economizar energia e que elaborassem planos de redução de
despesas” os verbos que são dependentes de “recomendou-se” estão conjugados de forma
diferente, “economizar” está no infinitivo e “elaborassem” está no subjuntivo. O mais adequado
seria escrever “recomendou-se aos Ministérios economizar energia e elaborar planos de redução
de despesas” ou “recomendou-se aos Ministérios que economizassem energia e que
elaborassem planos de redução de despesas”
Há outro tipo de erro, que lembra erro de concordância. Uma enumeração deve seguir
uma ordem reconhecida pelo leitor. Toda vez que você colocar um elemento que não segue os
mesmos parâmetros das palavras anteriores, haverá erro de paralelismo. Observe a seguinte
oração: Ná África visitei o Egito, Moçambique, Marrocos e Pretória. Nessa enumeração, as três
palavras referiam-se a países, já a última a uma cidade.
Trata-se de uma questão semântica e gramatical, mas que raramente é pedida em
vestibular. Às vezes, observa-se alguma referência a isso em questões de interpretação de texto
relacionada a literatura. Apesar disso, como é algo a se observar na hora da escrita, escolhi dois
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exercícios de concursos que cobram esse tipo de conhecimento. Exercício como fixação mesmo.

1. Q(TRT – 12ª Região / Adaptada)


Reconheça a quebra do paralelismo sintático e reescreva a frase.
Mais do que isso, o Brasil recebeu menção elogiosa do relatório não só por seu modelo de maços
com fotos ilustrativas das moléstias associadas ao fumo, mas também por oferecer na rede pública
de saúde terapias de interrupção do tabagismo.
2. Q.(autoral)
Explique em que consiste o erro de paralelismo semântico da frase a seguir: “A seleção portuguesa
vai enfrentar a Alemanha na final dos jogos olímpicos.”
3. (ANP – 2008)
Observe as sentenças abaixo, retiradas de uma reclamação, feita por uma secretária, sobre um
móvel enviado com defeitos. Qual delas não tem erro de paralelismo?
a) O produto logo no início mostrou má-qualidade no acabamento e que tinha as gavetas
emperradas.

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b) O novo móvel deve estar dentro dos critérios previamente combinados, e que seja enviado
o mais rapidamente possível.
c) Além disso, o manual de instalação tem mais de 150 páginas e pouca clareza.
d) Assim, gostaríamos de pedir a troca do móvel enviado, que não foi aprovado pela gerência
e por outros interessados.
e) Recomendamos a V.S. retirar o móvel inadequado e que envie outro, de melhor qualidade,
para substituí-lo.

Resolução

1. Q(TRT – 12ª Região / Adaptada)


Reconheça a quebra do paralelismo sintático e reescreva a frase.
Mais do que isso, o Brasil recebeu menção elogiosa do relatório não só por seu modelo de maços
com fotos ilustrativas das moléstias associadas ao fumo, mas também por oferecer na rede pública
de saúde terapias de interrupção do tabagismo.
Comentário.
a) Depois do verbo “receber” há uma enumeração de motivos que levou o Brasil a receber a menção
honrosa. Um dos motivos é exposto tem como núcleo o substantivo “modelo”, enquanto o outro,
tem como núcleo um verbo “oferecer”. Ou se usa somente substantivos ou somente verbos.
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1ª opção: (...)não só por obrigar as empresas a colocar nos maços fotos ilustrativas da moléstias
associadas ao fumo, mas também por oferecer pela rede pública de saúde terapias de interrupção
do tabagismo.
2. Q.(autoral)
Explique em que consiste o erro de paralelismo semântico da frase a seguir: “A seleção portuguesa
vai enfrentar a Alemanha na final dos jogos olímpicos.”
Comentário.
A seleção portuguesa só poderia enfrentar outra seleção, no texto, a seleção enfrenta o país,
Alemanha.
3. (ANP – 2008)
Observe as sentenças abaixo, retiradas de uma reclamação, feita por uma secretária, sobre um
móvel enviado com defeitos. Qual delas não tem erro de paralelismo?
a) O produto logo no início mostrou má-qualidade no acabamento e que tinha as gavetas
emperradas.
b) O novo móvel deve estar dentro dos critérios previamente combinados, e que seja enviado
o mais rapidamente possível.
c) Além disso, o manual de instalação tem mais de 150 páginas e pouca clareza.
d) Assim, gostaríamos de pedir a troca do móvel enviado, que não foi aprovado pela gerência
e por outros interessados.

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e) Recomendamos a V.S. retirar o móvel inadequado e que envie outro, de melhor qualidade,
para substituí-lo.
Comentário.
Alternativa "a" está incorreta. Para haver paralelismo não poderia se seguir um “que” depois da
conjunção “e”; além disso, no texto a expressão “má-qualidade no acabamento” teria que ter um
equivalente, algo como “emperramento nas gavetas”.
Alternativa "b" está incorreta. O verbo está no infinitivo na primeira parte da frase “deve estar” e
está conjugado na segunda “que seja”. A frase deveria ser escrita da seguinte forma: O novo móvel
deve estar dentro dos critérios previamente combinados, e ser enviado o mais rapidamente
possível.
Alternativa "c" está incorreta. “Páginas” é um termo material, “clareza” um substantivo abstrato;
além disso e “mais” teria como contraponto o “menos” e não o “pouca”.
Alternativa "d" está correta. O conctivo “por” é equivalente a “pela” e ambos estão ligados à
expressão “não foi aprovado”.
Alternativa "e" está incorreta. O verbo “retirar” está no infinitivo; o verbo paralelo “envie” está
conjugado, deveria também estar no infinitivo o que dispensaria o “que”.

3.3 ÊNFASE
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Bom, agora que consideramos vários elementos da sintaxe e da construção frasal, fica mais
fácil começar a produzir outros efeitos com os termos da frase. Um deles é a ênfase. Um texto
objetivo demais, ou seja, naquela grau zero, conquista a confiança do leitor, mas não envolve. Além
disso, na exposição da tese ou mesmo na conclusão, vale a pena realçar aquilo que você deseja que
fique gravado na cabeça do leitor.

No trecho abaixo, tente identificar o que provoca o efeito de ênfase.


Respondeu
Enfrentamos a violência que, às vezes, parece sem controle. Isso bem quem observou
leva muitas pessoas a acreditarem em saídas mais fáceis: a o efeito dos
licença para desrespeitar os direitos humanos. Isso é perigoso. dois pontos...Mas não
é só isso.
Além da pontuação, o uso do período curto é um outro recurso
possível e bastante usado. Se você está escrevendo um texto com períodos medianos, o período
extremamente curto chamará a atenção do seu leitor.
Já que falei em período, lembre-se daquele papo de termos da oração. Para conseguir ênfase
muitas vezes, basta trazer para o começo do período, a informação para a qual você deseja dar
destaque. No exemplo a seguir, a frase é a mesma, mas o termo deslocado muda, produzindo
efeitos diferentes.
A maneira de se aprender a respeitar a Sentido neutro
constituição é reconhecendo do direito de
cada um,

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Ênfase no Ênfase na
direito constituição
constituição
Reconhecer o direito de cada um, essa é Respeitar a constituição , isso é o que se
maneira de se aprender a respeitar a faz quando se aprende a reconhecer o
constituição (o direito de cada um). direito de cada um.

Essas são formas sutis de enfatizar o que se diz e envolver o leitor. Há outras técnicas menos
discretas: uso do aposto, de advérbios ou expressões enfáticas e a repetição.
O aposto alonga chama atenção para o termo que se quer enfatizar, pois o leitor é obrigado
a prestar mais atenção àquela palavra. Nesta frase “a maneira de se aprender a respeitar o direito
do outro, preceito legal legítimo na sociedade de direito, é aceitando o direito de cada um”, o
aposto tem somente a função de chamar a atenção para o termo “direito do outro”. Mas há ainda,
nela outro recurso. O uso do adjetivo “legítimo” deixa claro o posicionamento de quem escreve.
Além dos adjetivos, os advérbios de intensidade “muito”,” suficientemente”, “raramente” e
vários outros não deixam dúvidas em relação a intensão de se intensificar o que se diz. O mesmo
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vale para expressões inteiras como “Isso não se justifica”, “esse fato não deixa dúvidas”, “trata-se
de um equívoco” etc.
Por fim, vale destacar as figuras de linguagem que conferem sempre grande expressividade
ao que se diz. Lembre-se apenas que é preciso tomar cuidado com tais recursos, porque tendem a
conferir subjetividade a escrita. Um texto bom é aquele que anda no fio da navalha, tem que ser
equilibrado. Dentre todas as figuras, vou dar um exemplo relacionado a estrutura linguística, a
anáfora. Trata-se de repetição de palavras no início de uma frase oração, ou pequeno trecho
descritivo. Note como esse recurso coube bem nesse parágrafo de conclusão:
Metáfora entre aspas

Pode-se dizer que respeitar “bandidos”, ou seja, pessoas mal-


intencionadas é uma ação que prejudica o cidadão comum. E
Uso da anáfora,
isso é verdade. Contudo, julgar sem provas a intenção das
repetição no
pessoas significa vitimar o direito, direito de ir e vir, direito à
começo da
vida, direito a ter a condição social respeitada, enfim os
enumeração da
direitos que deveriam ser assegurados a todos os seres
palavra “direito”
humanos.

Frase de ênfase

Para resumir, aí vai um quadro como os recursos mais comuns para dar ênfase a uma ideia.

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Pontuação, sobretudo os dois pontos

Período curto

Uso de adjetivos, advérbios ou expressões enfáticas

Aposto

Deslocamento do termo na oração


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Figuras de linguagem: anáfora

3.4 ESCOLHA DE PALAVRAS


Nos primeiros exercícios, aquele em que propus que você alterasse o texto para aproximá-lo
do grau zero da escrita de um texto referencial, você já deve ter sentido o drama de ter que trocar
palavras. Aliás, dominando as palavras você domina o jogo inclusive o jogo de enganar. Gosto muito
de um comentário que encontrei numa crônica em um jornal, infelizmente não anotei o nome do
escritor, mas observe o comentário bem-humorado que ele fez sobre a escolha das palavras entre
os comentadores de futebol.
Entre o que diz o locutor de futebol e a realidade não é que haja propriamente uma
disparidade mas, de qualquer forma, o telespectador tem de ter em mente que a linguagem
da mídia baseia-se em toda uma série de arquétipos. A seguir, damos uma pequena tabela
para que o fã de futebol não se perca nas transmissões.
O QUE É DITO O QUE É

O Brasil estuda o jogo Faz hora, ganha tempo, faz cera.

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O Brasil sente o gramado pesado Não acerta um passe


O Brasil espera o momento certo para atacar Não consegue furar a retranca adversária
A intenção foi boa Passe errado
O goleiro faz golpe de vista Quase gol
O adversário marca sob pressão O Brasil não consegue sair da intermediária
Pesou a tradição O juiz roubou pro Brasil

Você já entendeu a diferença que faz um domínio lexical razoável. Para isso, prezada
corujinha, eu não tenho receita nem remédio. Você deve ampliar seu vocabulário lendo e
escrevendo.
Um exercício muito bom é fazer resumos. Ao estudar faça resumos e mapas mentais. O
resumo exige que você preste atenção ao vocabulário do autor e utilize sinônimos para expressar o
texto lido. O que farei nessa parte da aula é destacar o efeito da escolha de palavras e dar uma
dica em relação ao uso dos verbos “ser” e “ter”.

3.4.1 RETOMADA DA IDEIA E IMPLÍCITOS


Como nós vimos na parte sobre progressão, para se manter a unidade do texto, há uma
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grande dose de repetição que pode inclusive ser observada no número de vezes que você repete a
palavra-tema. Isso abre também a oportunidade para você escolher palavras, entre sinônimos,
expressões de paráfrase ou comentários que, implicitamente, apresentem seu ponto de vista.
Vamos considerar como exemplo esse artigo de crítica da Folha de São Paulo e que serviu de
texto base para a prova de redação da UNESP em 2006.
A brincadeira de mandar um astronauta ao espaço custou ao Brasil 10 milhões de dólares. Foi
uma “carona paga”, segundo o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência,
Ennio Candotti. Nos meios científicos, o ufanismo não pegou. “O vôo de Marcos Pontes é na
realidade uma grande jogada eleitoreira do governo”, escreveu o astrônomo Ronaldo Rogério
de Freitas Mourão. O biólogo Fernando Reinach, em artigo no jornal O Estado de S.Paulo,
calculou que, com 10 milhões de dólares, o Brasil poderia formar 290 novos doutores, em
universidades do país, ou 150, em universidades estrangeiras.
(Veja, 12.04.2006.)
Nesse texto, o cronista está dando sua opinião sobre o primeiro astronauta brasileiro. A
missão de lançamento, tema central, foi retomada no texto várias vezes em negrito. Em cada
expressão observa-se a crítica do escritor. No primeiro trecho isso é “uma brincadeira”, no segundo
“é carona paga”, no terceiro, não se trata de uma viagem espacial, mas de um vôo, ou seja, ele
desqualificou a missão. Finalmente, o julgamento aparece com todas as letras, isso seria uma grande
jogada eleitoreira.
É claro que você vai precisar repetir palavras, mas você pode pensar em sinônimos ou
expressões qualificativas. Esteja atento a essa possibilidade.

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3.4.2 O VERBO “SER” E O VERBO “TER”


O uso excessivo do verbo de ligação empobrece a expressão textual. Um verbo da ação ao
sujeito. No as duas frases a seguir.

Uso exclusivo do facebook como meio de manter relações


sociais é prejudicial ao indivíduo.

O uso exclusivo do facebook como meio de manter relações


sociais prejudica o indivíduo.

Nesse caso, é muito simples. Basta transformar o adjetivo “prejudicial” em verbo. As vezes,
torna-se impossível. Terminado um parágrafo sempre verifico se eu não abusei no uso do verbo
“ser”.
Já o uso do verbo “ter”, na verdade, dize respeito ao não uso. Raramente, você utilizara o
verbo “ter” a não ser como auxiliar, como na expressão “o uso do “ter” tem sido frequente”. No
padrão coloquial utilizamos esse verbo como sinônimo de existir. Quem já não cometeu a frase: Tem
um homem aí fora que deseja falar com você”?
Na verdade, você quer dizer: existe alguém aí fora. A gramática não reconhece esse uso do
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“ter” ele deve ser substituído pelo verbo “existir” ou “haver”. Dentre eles, o mais comum nos textos
dissertativos é o verbo haver, e posso dizer com propriedade que ele “quebra um galho” em alguns
momentos.
Vamos supor que eu tenha feito um esboço e nele tenha associado a facebook vários
subtemas: controle, possibilidade de conexão e entretenimento. Talvez eu até consiga estabelecer
uma relação entre os dois primeiros, mas o último me parece difícil de ligar ao que vinha
desenvolvendo, como posso fazer? O verbo haver junto com um conectivo resolve o problema.
Veja o que você acha dessa escrita:
O facebook possibilita conexões com amigos e parentes além de ser um canal de
entretenimento. Contudo, há um risco no uso da rede social: o controle.

Advertência: lembre-se de que o verbo haver com sentido de existir tem um regime de conjugação
próprio. Ele é impessoal, ou seja, não vai para o plural. Você deve usá-lo sempre no singular, se ele
acompanhar a palavra “riscos”, ele continua conjugado da mesma maneira: há riscos no uso da rede
social.

3. 5 VÍCIOS: QUEÍSMO E GERUNDISMO


Vícios são hábitos que prejudicam o indivíduo e no, nosso caso, deixam seu texto confuso.
São formas de escrita desnecessárias, mas que, por serem fáceis, serviram de muletas de escrita e
você tem dificuldade em abandoná-las. Vamos a elas.

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3.5.1 QUEÍSMO
Vamos para a primeira praga da escrita, o uso excessivo do “que”. Todo mundo, algum dia já
cometeu essa heresia porque é mais fácil ir colocando verbos seguidos de “que” para acrescentar
uma outra oração. Além de você cair no pecado capital do período longo, o texto fica insuportável
pela repetição do “que”. Parece que existe uma galinha cacarejando dentro do seu texto.
Primeira dica: procure não deixar um período com mais de um “que”. Depois de escrever um
texto tente reduzir o número de “ques”, corte alguns. O texto fica mais elegante.
Mas como cortar?
1. Simplesmente omita e repita o sujeito
Você deve observar que alguns são desnecessário. Basta tirar o “que”, colocar o sujeito e
transformar aquela frase em principal. Vamos considerar a seguinte frase:
A sociedade se vale de novos meios de comunicação que estão transformando a realidade.
Observe a mágica do desaparecimento do “que”.
A sociedade se vale de novos meios de informação. Essas mídias estão transformando a
realidade.
2. Use o infinitivo
A rede social foi feita para que houvesse interação entre as pessoas.
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A rede social foi feita para haver interação entre as pessoas.


3. Transforme o verbo da segunda oração em substantivo.
O usuários querem que possibilidades ilimitadas sejam oferecidas.
Os usuários querem oferta de possibilidades ilimitadas.

3.5.2 GERUNDISMO
O gerúndio é aquela forma verbal marcada pela nasalização, você acrescenta “ndo”, corre,
correndo; escrever, escrevendo; errar; errando. O gerúndio é uma fora fácil de fazer ligações lógicas.
Você quer relacionar dois fenômenos, “o aumento da influência da internet” e “a queda no número
de leitores de livro”, basta usar um gerúndio, nem precisa escolher o conectivo: a internet tem
ampliado o número de usurário, diminuindo o número de leitores de livros.
Qual a relação entre essas duas ideias? De causa/consequência? De concomitância (ao
mesmo tempo que)? Pois é, fica-se sem saber.
Mas o que é o gerúndio mesmo? “uma das formas nominais do verbo que apresenta o
processo verbal em curso e que desempenha a função de adjetivo ou advérbio". O gerúndio introduz
sempre uma oração subordinada e expressa uma ação que ocorre ao mesmo tempo que outra. No
campo das ideias, seu emprego acaba por estabelecer relações entre ideias.
Na fala, alastrou-se uma mania de se falar utilizando um gerúndio e mais dois verbos, “estarei
enviando ao senhor esse documento, algo que poderia ser resolvido com uma frase mais simples
“vou enviar” ou “enviarei”. No caso da escrita, quem faz uma redação não comete esse erro, mas

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muitas vezes enche o texto de gerúndio. O excesso de gerúndio no texto, torna-o monótono e
impreciso no que diz respeito as relações entre as ideias. Por conta disso, não use mais do que um
ou dois gerúndios em um parágrafo. Não é difícil transformar um gerúndio numa outra frase, basta
desenvolver o verbo e restabelecer a relação lógica apropriada.
Observe a mágica.
A internet tem ampliado o número de usurários, diminuindo o número de leitores de livros.
A internet tem ampliado o número de usurários. Isso, de certa fora, corroborou para que o
número de leitores de livros diminuísse.

4. ERROS GRAMATICAIS
Essa parte é dedicada a algumas dicas para você não fazer vergonha. Não se trata de um
estudo aprofundado do assunto. Vou considerar 3 tópicos: concordância, uso da virgula e crase;

4.1 CONCORDÂNCIA
Me dá dez real...
Rapidamente, você percebe o erro dessa frase, não? Esqueça o fato de que não é muito ético
o professor pedir dinheiro para o aluno. Concentre-se na falta de flexão do “real”. O correto,
segundo o padrão culto seria : “dê-me dez reais”.
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Há erro de concordância. Isso ocorre quando as flexões de gênero e número que deveriam
ser uniformes, não são. Se houver um número na frente de um substantivo e for maior que 1, o
substantivo, o verbo e o adjetivos devem ir para o plural.
Mas qual o problema dessa expressão, se qualquer um consegue entender o tal pedido?
Linguisticamente: nenhum problema, a língua está caminhando para a economia linguística:
o “dez” marca o plural, nada mais é necessário para a compreensão.
Socialmente: esse tipo de linguagem que está associada a um indivíduo não letrado ou que
foi precariamente alfabetizado; há, portanto, um julgamento negativo sobre quem não aplica bem
a regra de concordância na fala, que dirá na escrita.

Eu nunca faria
isso!

Em relação à frase dos dez reais, acredito que isso não ocorreria mesmo, corujinha aplicada,
mas o problema ocorre quando o verbo vem antes do sujeito.
Quem já não cometeu um erro assim?
Saiu os resultados (ao invés de “saíram os resultados”)
Foi inaugurado as usinas (ao invés de “foram inauguradas as usinas”)
Apareceu cinquenta pessoas (ao invés de “apareceram cinquenta pessoas”).

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Isso acontece porque começamos a escrever a frase no singular, mas o sujeito que aparece
depois está no plural. Ainda assim, creio que você não cometeria esse erro no vestibular, pois sujeito
e verbo estão muito próximos. O problema surge mesmo quando há períodos longos com termos
intercalados.
Em um texto como o abaixo, manter a concordância é um verdadeiro desafio.
Foi anunciada na semana passada uma descoberta que pode lançar novas luzes sobre as
origens da língua escrita. Arqueólogos chineses encontraram nas escavações de um antigo
altar usado para sacrifícios, na província de Shandong, leste da China, dois pedaços de ossos
de cordeiro onde foram esculpidos oito caracteres, considerados uma forma primitiva de
chinês. Junto com os ossos, desenterrraram-se 360 peças de cerâmica pertencente à cultura
yueshi, que vivu em Shandong 3.500 anos atrás.

1.Passe para o plural


a) Ainda há esperança.
b) Vai haver novo encontro.
c)Se houver comprador interessado, existirá grande possibilidade de lucro.
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d)Poderá haver sério incidente automobilístico, caso não exista autoridade competente para
fiscalizar a rodovia.
2. Siga o modelo:
Foi estabelecida nova ordem política.
Foram estabelecidas novas ordens políticas
Estabeleceram-se novas ordens políticas.

a) Foi montada programação mais específica.


b) Amanhã, será discutido o incremento à agricultura
c) Ainda que fosse homologada a decisão, não haveria muito tempo para a prática.
d) Foi muito criticado o esforço de segurança no espaço público.

Resolução

1.Passe para o plural


a) Ainda há esperança.

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b) Vai haver novo encontro.


c)Se houver comprador interessado, existirá grande possibilidade de lucro.
d)Poderá haver sério incidente automobilístico, caso não exista autoridade competente para
fiscalizar a rodovia.
Comentário.
No caso desse exercício, você deveria prestar atenção ao verbo “haver” que é impessoal quando
assume o sentido de existir.
a) Ainda há esperanças.
b) Vai haver novos encontros.
c) Se houver compradores interessados, existirão grandes possibilidades de lucro.
d) Poderá haver sérios incidentes automobilístico, caso não existam autoridades competentes para
fiscalizar a rodovia.
Nesse último exercício (d), observe que a impessoalidade do verbo haver contamina o verbo auxiliar.
Como o verbo haver é impessoal, o verbo auxiliar também não vai para o plural.
2. Siga o modelo:
Foi estabelecida nova ordem política.
Foram estabelecidas novas ordens políticas
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Estabeleceram-se novas ordens políticas.

a) Foi montada programação mais específica.


b) Amanhã, será discutido o incremento à agricultura
c) Ainda que fosse homologada a decisão, não haveria muito tempo para a prática.
d) Foi muito criticado o esforço de segurança no espaço público.
Comentário.
a)Foram montadas programações mais específicas.
Montaram-se programações mais específicas
b) Amanhã, serão discutidos os incrementos à agricultura.
Amanhã, discutir-se-ão os incrementos à agricultura.
c)Ainda que fossem homologadas as decisões, não haveria muito tempo para as práticas.
Ainda que se homologassem as decisões, não haveria muito tempo para as práticas.
d) Foram muito criticados os esforços de segurança no espaço público.
Criticaram-se muito os esforços de segurança no espaço público.

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4.2 VÍRGULA: DICAS DE SOBREVIVÊNCIA


Como a virgula não é tão importante do ponto de vista da Banca, vou considerar aqui o
básico do básico.
Primeiramente, você deve entender o que é a vírgula, sinal gráfico que marca....a pausa?
Não, a virgula não tem nada a ver com o fôlego do cidadão que está lendo o texto. Trata-se de um
sinal gramatical de marcação sintática e, as vezes, de ênfase.
O que ela registra? A alteração na mudança dos termos de uma oração. Lembre-se de que
discutimos, pelos menos em dois momentos diferentes a questão da inversão de uma frase. A
famosa ordem direta do português é aquele em que aparece primeiro o sujeito, depois o verbo e
daí os complementos, de forma geral.
Vamos supor que você corujinha disse, para a alegrai do seu professor, no caso, eu, o
seguinte:

Eu estudo redação escrevendo todo dia.

Eu estudo redação escrevendo todo dia.


Nessa frase não há vírgula obrigatória, porque os termos da oração estão na ordem,
costumeira do português. Vamos supor que você quisesse dar ênfase em um outro termo e
trocasse algum termo de lugar. Nesse caso, você deveria assinalar isso com uma vírgula.
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Todo dia, eu estudo redação escrevendo.

Redação, eu estudo escrevendo todo dia.

Escrevendo, eu estudo redação todo dia.

Então por que se coloca vírgula antes do "pois"?

Boa pergunta, corujinha antenada. Por que estamos falando de duas orações. Nesse caso
pode-se colocar a vírgula para separá-las. Você deve considerar cada oração como se fosse um
trecho sintático para saber se você deve ou não colocar uma vírgula. Por exemplo, um aposto
sempre aparece entre vírgulas, pois ele interrompe a ordem da frase. Sendo assim, uma oração
com função de aposto, aparecerá entre vírgulas e assim por diante.

A desigualdade social, uma chaga social, tem aumentado nos últimos anos.
A desigualdade social, que é uma chaga social, tema aumentado nos últimos anos.

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O “pois” introduz, normalmente, uma oração subordinada adverbial causal. A virgula separa
essas duas orações.
Com essas informações e sua prática, tenho certeza que você não passará vexame. Quer
dizer, para isso seria bom você levar em consideração realmente duas regras que deveriam ser
obedecidas:
- Não separe sujeito de verbo a não ser por aposto ou por alguma frase
intercalada, mas daí ela deve aparecer entre 2 vírgulas;
- Sempre que você for começar uma oração com adjunto adverbial de tempo
ou espaço, use vírgula:

Na última reunião da ONU, os fatores mais importantes foram pesquisados.

4.3 CRASE

“Crase foi feita para humilhar o escritor”. Foi isso que ouvi do meu orientador que estava na
banca do meu mestrado. Falou porque encontrou uns 3 erros de crase no meu trabalho de 200
páginas. Ele falou para me chamar a atenção para o erro, mas também para aliviar a barra, já que
trata-se de um detalhe linguístico que muitos vezes passa despercebido. E em minha defesa,
posso justificar dizendo que se trata de um requisito da língua escrita muito específico e
totalmente desnatural.
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Ela lembra o acento, mas o acento tem uma relação com a sílaba tônica, com o som; a crase
está longe disso. Ela é um sinal gráfico que indica que houve uma elisão entre a preposição “a” e
o artigo “a”.
Exemplo: Eu fui a a adega (aliás, quanto “a” nessa frase!).

Artigo feminino “a”

Preposição exigida pelo verbo ir, quem vai, vai a

Já pensou escrever desse jeito “Eu fui a a”? Então, os gramáticos resolveram adotar a crase
para indicar que naquele único “à”, há dois, na verdade. Pode parecer picuinha, afinal, qual seria
o problema em colocar um “a” apenas sem marcação nenhuma.
Bom, a questão tem a ver com o seu par masculino. E se você colocasse uma palavra
masculina depois da preposição, ficaria só uma vogal ou duas? Fizemos o teste para você, veja que
coisa curiosa, são mesmo duas vogais.

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Exemplo: Eu fui a o supermercado.

Artigo feminino “a”

Preposição exigida pelo verbo ir, quem vai, vai a

Se você não pode suprimir uma vogal em “ir ao supermercado”, não se pode suprimir um
dos dois “as”, quando está diante de um substantivo feminino
Diante dessa rega meio aleijão, a gente acaba por esquecer de colocar o maldito acento
grave para indicar crase.
Bom vamos às regras.
Primeira:
NUNCA haverá crase na frente de um termo masculino.
Segunda:
Faça o teste rápido. Troque a palavra que vem a seguir por um substantivo masculino, veja
como se comporta a frase. Se a frase exigir “ao” no jogo com o masculino, exigirá “à” diante de
uma palavra feminina.
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Terceira:
Na indicação de horas, dias de semana, por exemplo: às segundas, às 10 horas.
Quarta:
Em locuções adverbias em que se seguem palavras femininas (à direita, à escolha etc), no
equivalente masculino não ocorrerá crase (a jato, a olho nu etc).
Quinta:
Nas expressões “à maneira” ou “à moda” mesmo que subtendidas (lagosta à thermidor,
caso bastante raro).

5. PROPOSTAS DE REDAÇÃO

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Proposta 1

Questão Social
UEA -2017

UNIFESP 2011
TEXTO I
Num restaurante de classe média, pessoas torcem o nariz e pagam a conta
antecipadamente, sem concluir a refeição, porque na mesa ao lado senta-se um casal negro, com
uma filha e um filho adolescentes. Ninguém comenta ou reclama de que se trata de uma
demonstração criminosa de racismo, não comprovável, mas evidente. A adolescente discriminada
põe-se a chorar e pede aos pais para irem embora também. A família comemorava ali o 14º
aniversário dela.
Uma mulher decide sair de um casamento infeliz e pede a separação. O marido, que
certamente também não está feliz, recusa qualquer combinação amigável e quer uma separação
litigiosa. As duas filhas moças tomam o partido do pai, como se de repente a mãe que delas cuidara
por mais de vinte anos tivesse se transformado em alguém desprezível, irreconhecível e inaceitável.
Nenhuma das duas lhe pergunta os seus motivos; ninguém deseja saber de suas dores; nenhuma
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das duas jovens mulheres lhe dá a menor chance de explicação, o menor apoio. Parece-lhes natural
que, diante de um passo tão grave da parte de quem as criara, educara, vestira, acarinhara e
acompanhara devotadamente por toda a vida, fosse negado qualquer apoio, carinho e respeito.
Os casos se multiplicam, são muito mais cruéis do que estes, existem em meu bairro,
em seu bairro. Nossa postura diante do inesperado, do diferente, raramente é de atenção, abertura,
escuta. Pouco nos interessam os motivos, o bem, as angústias e buscas, direitos e razão de quem
infringe as regras da nossa acomodação, frivolidade ou egoísmo. Queremos todos os privilégios para
nós, a liberdade, a esperança. Para os outros, mesmo se antes eram muito próximos, queremos a
imobilidade, a distância. Cassamos sem respeitar os seus direitos humanos mais básicos. A
intolerância, que talvez não conste no índex das religiões mais castradoras, é com certeza um feio
pecado capital. Do qual talvez nenhum de nós escape, se examinarmos bem.
(Lya Luft. Veja, 15.12.2004. Adaptado.)

TEXTO II
Entrevista com Zilda Márcia Gricoli, historiadora e diretora-executiva do Laboratório de
Estudos da Intolerância da Universidade de São Paulo (USP), que investiga e discute o tema em todas
suas vertentes.
Qual a proposta do Laboratório de Estudos da Intolerância?
Trata-se de um centro multidisciplinar da Universidade de São Paulo (USP) que investiga
todos os dilemas da intolerância, seja ela política, religiosa, cultural, sexual. Incluímos também o
que chamamos de tolerância ao intolerável: prostituição infantil e massacres de populações
indígenas e de rua, por exemplo. Trabalhamos ainda com os direitos dos animais. Refletindo sobre

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a forma como os homens os tratam, descobrimos como eles agem em relação aos seres humanos.
Faremos um grande seminário sobre o assunto, aberto ao público.
Dê exemplos da intolerância no Brasil,
Não toleramos o pobre, por exemplo. Pobre é lixo, não queremos ver, queremos jogá-los
fora. Pode ser índio, negro, branco. Em São Paulo, há praças que contam com o banco
“antimendigo”, com braçadeiras especiais, que não permitem que ninguém durma ali. Gradearam
chafarizes para que a população não tome banho. Tudo para “limpar” a cidade dos pobres. Como se
eles fossem responsáveis pela sujeira.
É possível desenvolver a tolerância?
Sim. A intolerância é totalmente cultural. A cultura foi criada pelo homem para a
sobrevivência da espécie. Ela tem esse objetivo, que é a proteção da vida, e não a destruição. A
autonomia cultural não pode ir além da vida humana. Quando a cultura se apropria da negação do
outro, é preciso uma intervenção.
(http://planetasustentavel.abril.com.br. Adaptado.)

Texto III
Fascismo, comunismo, nazismo e todos os outros ismos totalitários produziram ao
longo dos tempos algumas das mais pavorosas cenas de intolerância perpetradas pelo homem
contra alguém que ele julga diferente. “Fogueiras, patíbulos, decapitações, guilhotinas,
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fuzilamentos, extermínios, campos de concentração, fornos crematórios, suplícios dos garrotes, as


valas dos cadáveres, as deportações, os gulags, as residências forçadas, a Inquisição e o índex dos
livros proibidos”, descreveu o jurista italiano Italo Mereu, são algumas das mais bárbaras
manifestações de ódio adotadas por quem julga “possuir a verdade absoluta e se acha no dever de
impô-la a todos, pela força”. A praga da intolerância só atinge esse patamar de perversidade quando
um outro valor já não vigora mais há muito tempo: a democracia. É mais ou menos assim que as
coisas funcionam. Aniquila-se a democracia em nome de um ideal revolucionário que promete
semear a liberdade e o fim da opressão dos mais fracos. Essa é a promessa, mas o que se colhe
jamais é a libertação, apenas abuso e intolerância. Numa primeira fase, o abuso é interno e
concentrado contra os inimigos políticos do regime. Depois, todos se tornam inimigos em potencial
e até a delação de vizinhos vira uma arma de controle social. Na fase seguinte, surgem as guerras
contra os inimigos externos.
(Amauri Segalla. Veja, 16.04.2003. Adaptado.)

Com base nas informações e reflexões dos textos apresentados – ou, ainda, agregando a eles
outros elementos que você julgar pertinentes –, redija uma dissertação em prosa e em norma
padrão sobre o seguinte tema:
A intolerância em xeque

Proposta 2

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Questão Ambiental

Unesp 2012

TEXTO I
Instrução: Leia o fragmento de Urupês, de Monteiro Lobato, e o texto Antecedentes, da
Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Andam todos em nossa terra por tal forma estonteados com as proezas infernais dos
belacíssimos “vons” alemães, que não sobram olhos para enxergar males caseiros.
Venha, pois, uma voz do sertão dizer às gentes da cidade que se lá fora o fogo da
guerra lavra implacável, fogo não menos destruidor devasta nossas matas, com furor não menos
germânico.
Em agosto, por força do excessivo prolongamento do inverno, “von Fogo” lambeu
montes e vales, sem um momento de tréguas, durante o mês inteiro.
Vieram em começos de setembro chuvinhas de apagar poeira e, breve, novo “verão
de sol” se estirou por outubro a dentro, dando azo a que se torrasse tudo quanto escapara à sanha
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de agosto.
A serra da Mantiqueira ardeu como ardem aldeias na Europa, e é hoje um cinzeiro
imenso, entremeado aqui e acolá de manchas de verdura — as restingas úmidas, as grotas frias, as
nesgas salvas a tempo pela cautela dos aceiros. Tudo mais é crepe negro.
À hora em que escrevemos, fins de outubro, chove. Mas que chuva cainha! Que
miséria d’água! Enquanto caem do céu pingos homeopáticos, medidos a conta-gotas, o fogo,
amortecido mas não dominado, amoita-se insidioso nas piúcas*, a fumegar imperceptivelmente,
pronto para rebentar em chamas mal se limpe o céu e o sol lhe dê a mão.
Preocupa à nossa gente civilizada o conhecer em quanto fica na Europa por dia, em
francos e cêntimos, um soldado em guerra; mas ninguém cuida de calcular os prejuízos de toda sorte
advindos de uma assombrosa queima destas. As velhas camadas de húmus destruídas; os sais
preciosos que, breve, as enxurradas deitarão fora, rio abaixo, via oceano; o rejuvenescimento
florestal do solo paralisado e retrogradado; a destruição das aves silvestres e o possível advento de
pragas insetiformes; a alteração para pior do clima com a agravação crescente das secas; os vedos
e aramados perdidos; o gado morto ou depreciado pela falta de pastos; as cento e uma
particularidades que dizem respeito a esta ou aquela zona e, dentro delas, a esta ou aquela
“situação” agrícola.
Isto, bem somado, daria algarismos de apavorar; infelizmente no Brasil subtrai-se; somar
ninguém soma...
(*) Piúcas: tocos semicarbonizados.
(Monteiro Lobato. Urupês. São Paulo: Editora Brasiliense, 1962.)

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TEXTO II
Antecedentes
O fogo é uma tecnologia do Neolítico, amplamente utilizada na agricultura brasileira,
apesar dos inconvenientes agronômicos, ecológicos e de saúde pública. As queimadas ocorrem em
todo território nacional, desde formas de agricultura primitivas, como as praticadas por indígenas e
caboclos, até os sistemas de produção altamente intensificados, como a cana-de-açúcar e o algodão.
Elas são utilizadas em limpeza de áreas, colheita da cana-de-açúcar, renovação de pastagens,
queima de resíduos, para eliminar pragas e doenças, como técnica de caça etc. Existem muitos tipos
de queimadas, movidas por interesses distintos, em sistemas de produção e geografias diferentes.
O impacto ambiental das queimadas preocupa a comunidade científica,
ambientalista e a sociedade em geral, no Brasil como exterior. O fogo não limita-se às regiões
tropicais mas ocorre com frequência, sob a forma de incêndios florestais, nos climas mediterrânicos
da Europa, Estados Unidos, África do Norte, África do Sul, Chile e Austrália. Também acontece sob a
forma de incêndios florestais devastadores em áreas de floresta boreal, como no Alasca, Canadá,
Finlândia e na Rússia. Em anos mais secos – como nos episódios do El Niño – o número e a extensão
das queimadas e incêndios aumentam em todo o planeta, como ocorreu em Roraima em 1998.
O fogo afeta diretamente a físico-química e a biologia dos solos, deteriora a
qualidade do ar, levando até ao fechamento de aeroportos por falta de visibilidade, reduz a
biodiversidade e prejudica a saúde humana. Ao escapar do controle atinge o patrimônio público e
privado (florestas, cercas, linhas de transmissão e de telefonia, construções etc.). As queimadas
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alteram a química da atmosfera e influem negativamente nas mudanças globais, tanto no efeito
estufa como no tema do ozônio.
Começam a surgir sistemas que visam monitorar a dinâmica mundial das queimadas,
nos USA [...] e Europa [...]. Um Centro Internacional de Monitoramento Global do Fogo (GFMC) foi
criado [...], como uma atividade da ONU no âmbito da UN International Strategy for Disaster
Reduction (ISDR).
Também no Brasil, as queimadas têm sido objeto de preocupação e polêmica.
Elas atingem os mais diversos sistemas ecológicos e tipos de agricultura, gerando impactos
ambientais em escala local e regional. Conjugando sensoriamento remoto, cartografia digital e
comunicação eletrônica, a equipe da Embrapa Monitoramento por Satélite realiza, desde 1991, um
monitoramento circunstanciado e efetivo das queimadas em todo o Brasil, com apoio da FAPESP.
Os mapas semanais são geocodificados e analisados pela Embrapa Monitoramento por Satélite e
seus parceiros, no tocante às áreas onde estão ocorrendo as queimadas, sua origem, uso das terras
em cada local, impacto ambiental decorrente etc. O sistema está operacional desde 1991, utilizando
os Satélites da série NOAA 12 e 14, e é constantemente aperfeiçoado [...].
Na letra da toada Quebra de milho, bem como no fragmento de Urupês e no texto
Antecedentes é abordado, sob pontos de vista distintos, o problema das queimadas na agricultura.
Jornais, rádios, revistas, televisões e sites da internet exploram diariamente o mesmo assunto, que
também é estudado e discutido nas escolas. Com base em sua experiência e, se achar necessário,
levando em consideração os textos mencionados, escreva uma redação de gênero dissertativo,
empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
A questão das queimadas no Brasil

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Proposta 3

Representação do
mundo/ Educação

FAMERP 2015

TEXTO I
Machado de Assis virou assunto nas redes sociais. O autor de Dom Casmurro esteve no
centro de intensos debates depois que uma coluna da Folha de S.Paulo revelou que a escritora
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Patrícia Secco lançará uma versão simplificada de O Alienista, obra de Machado lançada em 1882.
Secco coordena um projeto que visa “descomplicar” os clássicos para o leitor não acostumado a lê-
los.
Autorizada pelo Ministério da Cultura, ela captou cerca de R$ 1 milhão, via leis de
incentivo, para a empreitada – além do conto de Machado, também adaptou A Pata da Gazela, de
José de Alencar. Os dois terão, juntos, tiragens de 600 mil exemplares e serão distribuídos de graça
pelo Instituto Brasil Leitor.
A notícia alvoroçou as redes sociais. Uma petição on-line com mais de 6.500 assinaturas
contesta o apoio do Ministério da Cultura.
“O foco do projeto é a doação de livros para pessoas que não tiveram oportunidade de
estudar, constantemente excluídos do acesso à cultura”, diz Secco. “Trata-se de uma disputa entre
o purismo e a democratização da leitura.”
(“Machado de Assis vira alvo de debate após divulgação de obra simplificada”.
www.folha.com.br, 10.05.2014. Adaptado.)

TEXTO II
Lançar versões simplificadas de clássicos da literatura é uma prática comum em qualquer
país do mundo. No Brasil, um país em que metade da população não leu uma só página de um livro
nos últimos três meses e a média de tempo dedicado à leitura por dia é de seis minutos, qualquer
iniciativa para divulgar a literatura deveria ser bem-vinda. Mesmo se a qualidade das adaptações de

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Patrícia Secco se revelar duvidosa, é impossível que a distribuição de centenas de milhares de livros
tenha algum impacto negativo.
(Danilo Venticinque. “Machado de Assis e a choradeira dos críticos”. www.epoca.com,
13.05.2014. Adaptado.)

TEXTO III
Segundo o poeta e professor da Universidade de São Paulo Alcides Villaça, que é
veementemente contra o princípio de reescrever um clássico, há trechos das adaptações de Patrícia
Secco que ficaram incompreensíveis. “Você tem impressão de estar até reconhecendo Machado,
porque são muitos trechos dele, mas de repente vem aquilo que ele jamais faria. Um bom escritor
você reconhece quando o texto flui ou quando ele te faz enfrentar uma prosa quebradiça, mas o
ritmo é dele. Quando você mexe na pontuação, na sintaxe, suprime palavras e corta parágrafos,
você perdeu o ritmo, um elemento da maior importância da literatura. É vender gato por lebre, uma
coisa grosseira”, ressalta.
(“Versão simplificada de livro de Machado de Assis gera polêmica”. www.g1.globo.com,
17.05.2014. Adaptado.)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma
dissertação, empregando a norma -padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
Simplificação de livros clássicos: democratização da leitura ou desrespeito ao texto
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original?

5.1. POSSIBILIDADES DE ENCAMINHAMENTO DAS PROPOSTAS

Proposta 1

Análise da proposta
Tema e proposta
O tema “Os zoológicos são locais de preservação e educação ambiental ou uma forma cruel
de diversão?” nos leva a refletir sobre um tema que para muitas pessoas não aparenta ser um
problema. Não é de hoje que os zoológicos são atrações turísticas ao redor do mundo. Além de
conhecer espécimes de animais, sorrir de suas diferenças, o que não chega aos frequentadores é a
reflexão em como esses animais se sentem ao estarem aprisionados nesses espaços. Esse ato é
motivado porque não veem humanidade nesses animais, portanto não há sentimento em torno de
suas presenças em cativeiro. Mas a permanência de animais nesses espaços passou a ser
questionada, levando cientistas a defenderem que sua importância se deve às pesquisas científicas
que contribuem para a preservação dessas espécies.
Assim, em posse dessas informações, vejamos, a seguir, possibilidades de se trabalhar o tema.

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A partir das informações elencadas no quadro, observem que o tema pode ser trabalhado a
partir de variadas perspectivas. Assim, um caminho para você desenvolver seu texto é pensar que
os zoológicos representam um problema social, que não leva em consideração os problemas que o
aprisionamento dos animais pode acarretarem aos mesmos. Portanto, esse pode ser um argumento
que possibilite um desenvolvimento textual mais consistente, apresentando mais possibilidades de
ideias a serem desenvolvidas.
Diante disso, esperamos que você, em sua redação, focalize uma das posições seguintes: ou
disserte que os zoológicos são espaços de preservação de espécies; por outro lado, você pode falar
que esses espaços se tornaram locais de diversão populacional e uma crueldade com os animais.
Assim, caso você queira focalizar a primeira perspectiva, aborde que os zoológicos cuidam de muitas
espécies em extinção, procurando sua reprodução para que não haja seu fim. Ademais, existem
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muitas pesquisas científicas para viabilizar a manutenção de espécimes. Por sua vez, caso você
queira trabalhar em seu texto a segunda perspectiva, sinalize que os zoológicos são modelos antigos
de circos, em que havia a exposição de animais ao público em busca de lucro. Portanto, mais que
um ambiente de preservação de espécies, é um espaço de comércio, que não leva em consideração
o sentimento dos animais, que padecem de estresse, que pode levar à morte precoce.
Pensando no exame, o texto Dissertativo-Argumentativo, utilizado pela UEA, compõe-se de
três partes essenciais:

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Na elaboração do texto dissertativo-argumentativo, deve-se apontar uma tese clara e


consistente para que você, ao longo de seu texto, consiga argumentar com facilidade, sem
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necessitar recorrer a ideias que possam enfraquecer sua argumentação.


Assim, em sua introdução, você deverá delimitar o seu tema, visto que, como comentamos
acima, é amplo, e apresentar a sua tese. A partir disso, você estará construindo seu projeto de texto,
elemento fundamental na escrita de uma redação. Quando uma produção apresenta um projeto de
texto, o leitor, na introdução, já focaliza o assunto que está sendo abordado e o seu ponto de vista
sobre ele, o que você irá defender sobre esse tema. Logo, com o projeto de texto, mostra-se, antes
de argumentar, qual o caminho opinativo, ou seja, qual a tese que você apresentará em seu texto.
Pense que o seu leitor, ainda que seja um corretor, não “conhece” o seu tema. É como se estivesse
entrando em contato com ele pela primeira vez. Tudo caminha para que ele compreenda o tema a
partir do seu texto. Se, por acaso, você costuma se perder na argumentação, principalmente quando
tratamos da organização dos argumentos na cabeça, indique, logo na introdução, os argumentos
que irá trabalhar ao longo da sua redação. Isso facilita a coerência de suas ideias.
Por sua vez, no desenvolvimento, você deverá apresentar seus argumentos. Comumente,
recomendamos dois argumentos pela extensão da redação. Pode parecer muito, mas 30 linhas, para
um texto bem desenvolvido, acaba sendo pouco. Assim, com dois argumentos, fica um pouco mais
fácil de desenvolver as ideias como deve. É importante destacar que o repertório deve estar
presente, fundamentando seus argumentos de forma clara e produtiva. Sempre coloque repertório
em seus argumentos e apresente, claramente, a ligação entre as duas partes: a sua afirmação e o
repertório.
Por fim, você deve concluir as ideias desenvolvidas ao longo do texto. Retome aos
argumentos explanados para poder dar um fechamento geral no texto, sempre articulando ao tema
de sua redação.

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Coletânea de textos
Os textos motivadores são suportes para a compreensão do tema. Assim, não se pode utilizar
seus argumentos e nem parte desses textos na produção textual. Busque utilizar os textos como
direcionadores dos seus pensamentos. Muitas vezes, vocês apresentam a ideia de que não podem
ler os textos motivadores porque ocorrem essencialmente dois problemas: ou vocês descobrem que
todos os argumentos que têm estão colocados nos textos; ou sentem uma incontrolável necessidade
de usar aqueles argumentos que ficam fixos no seu inconsciente. Para resolver isso, só treinando
muito a produção textual. Treine e treine e, quando cansar de treinar, treine mais um pouco.
Escrever, nós realmente só aprendemos escrevendo.
Os textos motivadores da coletânea apresentam caminhos para que você, na hora de sua
escrita, consiga focalizar melhor a discussão que está sendo esperada. Portanto, apresentamos uma
síntese das principais ideias apresentadas nesses textos.

TEXTO I TEXTO II
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TEXTO III

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Tese e argumentos possíveis


Como observamos ao longo dessa descrição, é possível pensar, sem se desligar do tema, em
diferentes argumentos para o desenvolvimento textual. Buscamos sinalizar que encontrar um
problema para dá solução ao assunto é um dos caminhos mais fáceis para o desenvolvimento de
seu texto, desviando da possibilidade de sua redação ficar muito descritiva. Assim, o processo
argumentativo, que inclui defender um posicionamento acerca de uma temática específica, fica
facilitado quando se enxerga problemas, sendo possível, assim, argumentar sobre a razão da
existência desses problemas.
Dessa forma, a tese de seu texto pode problematizar tanto a importância dos zoológicos para
a preservação da biodiversidade, quando destacar que sua existência está articulada ao lucro.
Lembramos a você, ainda, que quando se utiliza o argumento de tese como um problema, existe a
possibilidade de se descrever o porquê desse problema, o que possibilita articular causas de
consequências. É, literalmente, construir a motivação da existência do problema e, a partir disso,
apresentar argumentamos em favor de comprovar essa existência.
A seguir, apresentamos algumas possibilidades de argumentação. O objetivo não é
apresentarmos uma verdade absoluta, mas somente indicar um caminho para que vocês possam
argumentar mais claramente, visto que este costuma ser um problema para muitos estudantes.
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Apresentaremos argumentos para a tese que, como dissemos anteriormente, é indicada pelos
textos motivadores e pelo próprio tema.

Para enriquecer sua argumentação, é interessante que você utilize repertórios. Esses podem
ser compostos de dados estatísticos, de falas de sociólogos, escritores, podem ser referências de
filmes, livros que você tenha lido e que se articule à ideia que você está desenvolvendo. Lembre-se
que, desde que seja bem articulada ao que você está desenvolvendo, as possibilidades de
referências externas são muitas, e o uso produtivo dessas referências vai enriquecer sua
argumentação e possibilitar uma nota mais elevada.

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Proposta 2

Análise da proposta
Tema e proposta
O tema “A questão das queimadas no Brasil” nos leva a refletir sobre as relações do homem
com o meio ambiente. Não é de hoje que o homem se utiliza do fogo para devastar áreas para o
plantio. Por sua vez, contemporaneamente, o excesso de queimadas vem preocupando os
ambientalistas pelos prejuízos causados. Desde a devastação de matas, leva à morte de animais,
extinção de espécimes, bem como traz grandes prejuízos à saúde humana, assim essas queimadas
passaram a representar um grande problema ambiental para o planeta. As leis frágeis do país
contribuem para a perpetuação e o aumento da prática.
Portanto, em posse dessas informações, vejamos, a seguir, possibilidades de se trabalhar o
tema.
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A partir das informações elencadas no quadro, observem que o tema pode ser trabalhado a
partir de variadas perspectivas. Assim, um caminho para você desenvolver seu texto é pensar como
os fatores econômicos são impulsionadores da problemática, em vista da ação de madeireiros.
Portanto, esse pode ser um argumento que possibilite um desenvolvimento textual mais
consistente, apresentando mais possibilidades de ideias a serem desenvolvidas.
Diante disso, esperamos que você, em sua redação, focalize uma das posições seguintes: ou
você aponta que as queimadas são fruto de problemas econômicas; por outro lado, você pode
trabalhar em seu texto que a perpetuação do emblema é resultado de ações irresponsáveis da
população. Portanto, caso você queira trabalhar em seu texto a primeira perspectiva, você pode
citar o aumento das queimadas realizadas no ato de retirada de madeiras, pois queimam-se as
plantas menores para facilitar a retirada de outras. Por sua vez, perde-se o controle desse fogo, o
que leva à devastação de grandes áreas. Por outro lado, caso você queira trabalhar a segunda
perspectiva, focalize a ação irresponsável de muitas pessoas, ao jogarem cigarros nas estradas, o
que provoca muitas queimadas. Sinalize, por exemplo, que o Brasil já perdeu vários biomas devido
a essa ação irresponsável. Portanto, você tem caminhos variados para está desenvolvendo seu texto,
basta se apropriar de um deles e escolher as ideias que melhor se articulem para desenvolver uma
argumentação consistente.

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Pensando no exame, o texto Dissertativo-Argumentativo, utilizado pela Unesp, compõe-se de


três partes essenciais:
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Na elaboração do texto dissertativo-argumentativo, deve-se apontar uma tese clara e


consistente para que você, ao longo de seu texto, consiga argumentar com facilidade, sem
necessitar recorrer a ideias que possam enfraquecer sua argumentação.
Assim, em sua introdução, você deverá delimitar o seu tema, visto que, como comentamos
acima, é amplo, e apresentar a sua tese. A partir disso, você estará construindo seu projeto de texto,
elemento fundamental na escrita de uma redação. Quando uma produção apresenta um projeto de
texto, o leitor, na introdução, já focaliza o assunto que está sendo abordado e o seu ponto de vista
sobre ele, o que você irá defender sobre esse tema. Logo, com o projeto de texto, mostra-se, antes
de argumentar, qual o caminho opinativo, ou seja, qual a tese que você apresentará em seu texto.
Pense que o seu leitor, ainda que seja um corretor, não “conhece” o seu tema. É como se estivesse
entrando em contato com ele pela primeira vez. Tudo caminha para que ele compreenda o tema a
partir do seu texto. Se, por acaso, você costuma se perder na argumentação, principalmente quando
tratamos da organização dos argumentos na cabeça, indique, logo na introdução, os argumentos
que irá trabalhar ao longo da sua redação. Isso facilita a coerência de suas ideias.
Por sua vez, no desenvolvimento, você deverá apresentar seus argumentos. Comumente,
recomendamos dois argumentos pela extensão da redação. Pode parecer muito, mas 30 linhas, para
um texto bem desenvolvido, acaba sendo pouco. Assim, com dois argumentos, fica um pouco mais
fácil de desenvolver as ideias como deve. É importante destacar que o repertório deve estar
presente, fundamentando seus argumentos de forma clara e produtiva. Sempre coloque repertório

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em seus argumentos e apresente, claramente, a ligação entre as duas partes: a sua afirmação e o
repertório.
Por fim, você deve concluir as ideias desenvolvidas ao longo do texto. Retome aos
argumentos explanados para poder dar um fechamento geral no texto, sempre articulando ao tema
de sua redação.

Coletânea de textos
Os textos motivadores são suportes para a compreensão do tema. Assim, não se pode utilizar
seus argumentos e nem parte desses textos na produção textual. Busque utilizar os textos como
direcionadores dos seus pensamentos. Muitas vezes, vocês apresentam a ideia de que não podem
ler os textos motivadores porque ocorrem essencialmente dois problemas: ou vocês descobrem que
todos os argumentos que têm estão colocados nos textos; ou sentem uma incontrolável necessidade
de usar aqueles argumentos que ficam fixos no seu inconsciente. Para resolver isso, só treinando
muito a produção textual. Treine e treine e, quando cansar de treinar, treine mais um pouco.
Escrever, nós realmente só aprendemos escrevendo.
Os textos motivadores da coletânea apresentam caminhos para que você, na hora de sua
escrita, consiga focalizar melhor a discussão que está sendo esperada. Portanto, o texto motivador
fala das diferenças no conceito de amizade, que antes representava proximidade, e nos dias atuais,
devido à ascensão das redes sociais, representa um maior número, porém com um maior
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distanciamento entre as pessoas.


TEXTO I

TEXTO II

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Tese e argumentos possíveis


Como observamos ao longo dessa descrição, é possível pensar, sem se desligar do tema, em
diferentes argumentos para o desenvolvimento textual. Buscamos sinalizar que encontrar um
problema para dá solução ao assunto é um dos caminhos mais fáceis para o desenvolvimento de
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seu texto, desviando da possibilidade de sua redação ficar muito descritiva. Assim, o processo
argumentativo, que inclui defender um posicionamento acerca de uma temática específica, fica
facilitado quando se enxerga problemas, sendo possível, assim, argumentar sobre a razão da
existência desses problemas.
Dessa forma, a tese de seu texto pode problematizar tanto que as queimadas são oriundas
de problemas econômicos, quanto de atitudes irresponsáveis da população. Lembramos a você,
ainda, que quando se utiliza o argumento de tese como um problema, existe a possibilidade de se
descrever o porquê desse problema, o que possibilita articular causas de consequências. É,
literalmente, construir a motivação da existência do problema e, a partir disso, apresentar
argumentamos em favor de comprovar essa existência.
A seguir, apresentamos algumas possibilidades de argumentação. O objetivo não é
apresentarmos uma verdade absoluta, mas somente indicar um caminho para que vocês possam
argumentar mais claramente, visto que este costuma ser um problema para muitos estudantes.
Apresentaremos argumentos para a tese que, como dissemos anteriormente, é indicada pelos
textos motivadores e pelo próprio tema.

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Para enriquecer sua argumentação, é interessante que você utilize repertórios. Esses podem
ser compostos de dados estatísticos, de falas de sociólogos, escritores, podem ser referências de
filmes, livros que você tenha lido e que se articule à ideia que você está desenvolvendo. Lembre-se
que, desde que seja bem articulada ao que você está desenvolvendo, as possibilidades de
referências externas são muitas, e o uso produtivo dessas referências vai enriquecer sua
argumentação e possibilitar uma nota mais elevada.
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Proposta 3

Análise da proposta
Tema e proposta
O tema “Simplificação de livros clássicos: democratização da leitura ou desrespeito ao texto
original? nos leva a refletir sobre o processo de leitura no Brasil. Não é novidade que muitos
estudantes, ao lerem um autor como Machado de Assis, consideram suas narrativas de difícil
compreensão. Isso levou estudiosos a entenderem que uma forma de levar esses leitores mirins a
adquirir prazer pela leitura dos clássicos, é fazer uma adaptação dessas obras, as quais passam a ser
bem mais reduzidas e possuem uma linguagem de maior acesso, em que leitores que não tiveram
ainda contato com uma grande carga de leitura possam entender sem grandes dificuldades. Mas
esse processo encontra resistência entre escritores, pensadores e professores, pois estes acreditam
que o processo põe a perder a áurea da obra original, ou mesmo o estilo do escritor. Portanto, em
posse dessas informações, vejamos, a seguir, possibilidades de se trabalhar o tema.

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A partir das informações elencadas no quadro, observem que o tema pode ser trabalhado a
partir de variadas perspectivas. Assim, acreditamos que um caminho para você desenvolver seu
texto é pensar que essas obras, mesmo que não possuam todo o conteúdo da obra original, são
formas de inclusão de vários indivíduos no ato da leitura, pois, inclusive, muitas aparecem com
figuras, o que desperta a atenção do possível leitor. Portanto, esse pode ser um argumento que
possibilite um desenvolvimento textual mais consistente, apresentando mais possibilidades de
ideias a serem desenvolvidas.
Diante disso, esperamos que você, em sua redação, focalize uma das posições seguintes: ou
você aponte que a simplificação das obras é uma forma de inclusão de grupos na leitura; por outro
lado, você pode defender a tese de que essas obras, ao serem adaptadas, deixam de ser a obra
original, apresentando um novo autor, reafirmado pelo novo estilo de linguagem. Com base nisso,
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caso você queira trabalhar com a primeira perspectiva, aborde que as extensões das obras muitas
vezes impedem que os leitores tenham interesse para iniciar uma leitura. Ademais, aponte, por
exemplo, que essas obras, na maioria das vezes, possuem uma linguagem considerada difícil, com
expressões da época de escrita, o que dificulta ainda mais que leitores tenham interesse para
realizar a leitura. Por sua vez, caso você queira trabalhar com a segunda perspectiva, sinalize em sua
discussão a importância para o leitor conhecer a obra original, pois nela está exposto mais que uma
narrativa, mas também o estilo de um escritor, a linguagem de uma época. Assim traga para sua
escrita escritores que condenam essa prática. Pensando no exame, o texto Dissertativo-
Argumentativo, utilizado pela FAMERP, compõe-se de três partes essenciais:

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Na elaboração do texto dissertativo-argumentativo, deve-se apontar uma tese clara e


consistente para que você, ao longo de seu texto, consiga argumentar com facilidade, sem
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necessitar recorrer a ideias que possam enfraquecer sua argumentação.


Assim, em sua introdução, você deverá delimitar o seu tema, visto que, como comentamos
acima, é amplo, e apresentar a sua tese. A partir disso, você estará construindo seu projeto de texto,
elemento fundamental na escrita de uma redação. Quando uma produção apresenta um projeto de
texto, o leitor, na introdução, já focaliza o assunto que está sendo abordado e o seu ponto de vista
sobre ele, o que você irá defender sobre esse tema. Logo, com o projeto de texto, mostra-se, antes
de argumentar, qual o caminho opinativo, ou seja, qual a tese que você apresentará em seu texto.
Pense que o seu leitor, ainda que seja um corretor, não “conhece” o seu tema. É como se estivesse
entrando em contato com ele pela primeira vez. Tudo caminha para que ele compreenda o tema a
partir do seu texto. Se, por acaso, você costuma se perder na argumentação, principalmente quando
tratamos da organização dos argumentos na cabeça, indique, logo na introdução, os argumentos
que irá trabalhar ao longo da sua redação. Isso facilita a coerência de suas ideias.
Por sua vez, no desenvolvimento, você deverá apresentar seus argumentos. Comumente,
recomendamos dois argumentos pela extensão da redação. Pode parecer muito, mas 30 linhas, para
um texto bem desenvolvido, acaba sendo pouco. Assim, com dois argumentos, fica um pouco mais
fácil de desenvolver as ideias como deve. É importante destacar que o repertório deve estar
presente, fundamentando seus argumentos de forma clara e produtiva. Sempre coloque repertório
em seus argumentos e apresente, claramente, a ligação entre as duas partes: a sua afirmação e o
repertório.
Por fim, você deve concluir as ideias desenvolvidas ao longo do texto. Retome aos
argumentos explanados para poder dar um fechamento geral no texto, sempre articulando ao tema
de sua redação.

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Coletânea de textos
Os textos motivadores são suportes para a compreensão do tema. Assim, não se pode utilizar
seus argumentos e nem parte desses textos na produção textual. Busque utilizar os textos como
direcionadores dos seus pensamentos. Muitas vezes, vocês apresentam a ideia de que não podem
ler os textos motivadores porque ocorrem essencialmente dois problemas: ou vocês descobrem que
todos os argumentos que têm estão colocados nos textos; ou sentem uma incontrolável necessidade
de usar aqueles argumentos que ficam fixos no seu inconsciente. Para resolver isso, só treinando
muito a produção textual. Treine e treine e, quando cansar de treinar, treine mais um pouco.
Escrever, nós realmente só aprendemos escrevendo.
Os textos motivadores da coletânea apresentam caminhos para que você, na hora de sua
escrita, consiga focalizar melhor a discussão que está sendo esperada. Portanto, os textos
motivadores desta proposta versam em torno da discussão acerca da viabilidade de adaptação de
clássicos. Se por um lado, defendem que a simples possibilidade de fazer um país como o Brasil, em
que a média de leitura é considerada irrisória, levar a sua população a ler mais não tem condições
de representar algo negativo; por outro lado, são apontados discursos os quais sinalizam a grosseria
que é uma adaptação, pois perde o estilo de escrita do autor.

Tese e argumentos possíveis


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Como observamos ao longo dessa descrição, é possível pensar, sem se desligar do tema, em
diferentes argumentos para o desenvolvimento textual. Buscamos sinalizar que encontrar um
problema para dá solução ao assunto é um dos caminhos mais fáceis para o desenvolvimento de
seu texto, desviando da possibilidade de sua redação ficar muito descritiva. Assim, o processo
argumentativo, que inclui defender um posicionamento acerca de uma temática específica, fica
facilitado quando se enxerga problemas, sendo possível, assim, argumentar sobre a razão da
existência desses problemas.
Dessa forma, a tese de seu texto pode problematizar tanto a importância da simplificação das
obras, quanto os males que esse representa para o leitor. Lembramos a você, ainda, que quando se
utiliza o argumento de tese como um problema, existe a possibilidade de se descrever o porquê
desse problema, o que possibilita articular causas de consequências. É, literalmente, construir a
motivação da existência do problema e, a partir disso, apresentar argumentamos em favor de
comprovar essa existência.
A seguir, apresentamos algumas possibilidades de argumentação. O objetivo não é
apresentarmos uma verdade absoluta, mas somente indicar um caminho para que vocês possam
argumentar mais claramente, visto que este costuma ser um problema para muitos estudantes.
Apresentaremos argumentos para a tese que, como dissemos anteriormente, é indicada pelos
textos motivadores e pelo próprio tema.

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Para enriquecer sua argumentação, é interessante que você utilize repertórios. Esses podem
ser compostos de dados estatísticos, de falas de sociólogos, escritores, podem ser referências de
filmes, livros que você tenha lido e que se articule à ideia que você está desenvolvendo. Lembre-se
que, desde que seja bem articulada ao que você está desenvolvendo, as possibilidades de
referências externas são muitas, e o uso produtivo dessas referências vai enriquecer sua
argumentação e possibilitar uma nota mais elevada.
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6.CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta foi a última aula, sobre linguagem.


Foi teórica. A intenção era dar a você algumas dicas de escrita e uma noção de como
uma boa linguagem faz diferença. Terminada a aula, você pode ter ficado com a sensação de
que ainda não alcançou o patamar linguístico desejado. Bobagem, até porque a gente nunca
alcança mesmo. O importante é que, a cada redação, você vá aprimorando sua capacidade
linguística.
Com certeza, você consegue fazer uma redação acima da média com o seu
vocabulário, tomando alguns cuidados e estruturando bem o seu texto. Não se esqueça de
brincar com os termos da oração, você consegue milagres de clareza fazendo isso.
Apesar se ser a última hora, haverá outras atualizações do caderno de propostas e
fique atento aos webnários sobre repertório.
Saudações
Bons estudos e boa prova.

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Professor Fernando Andrade

@filosofia.do.p Redaçao e Filosofia


ortuga https://www.youtube.com/channel/
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UC1T0i2Wjpshj32B4sADENPg?

Blog de crônicas :

https://www.outrasvias.com/

Versão Data Modificações


1 29/08/2020 Primeira versão do texto.

7. REFERÊNCIAS

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Figura 1:
Disponível em https://pixabay.com/pt/illustrations/columbo-detetive-homem-masculino-268641/ ,
acessado em 24.12.2019.
Disponível em https://pixabay.com/pt/illustrations/lanche-gula-obesos-brinde-vintage-1785883/ ,
acessado em 24.12.2019.
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