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Fernando Andrade
Aula 07 – FAMEMA
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Aula 07 –
Coesão e coerência
Redação
FAMEMA

Fernando Andrade

Aula 07 – Coesão e coerência 1


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Sumário
Apresentação ........................................................................................................... 3
1. Coerência ............................................................................................................. 4
2. Coerência: erros a serem evitados ........................................................................ 9
2.1 Ambiguidade/ Figuras de linguagem .............................................................................. 9
2.2 Uso indiscriminado de conceitos .................................................................................. 10
2.3 Jogo entre generalização e particularização ................................................................. 12
2.4 Causa e consequência .................................................................................................... 21
2.5 Analogia ......................................................................................................................... 24
2.6 Gap (Buracos) ................................................................................................................. 31
3. Coesão ............................................................................................................... 35
3.1 Anáfora ........................................................................................................................... 36
3.2 Conectivos ...................................................................................................................... 38
3.2.1 Exercícios ..................................................................................................................... 43
3.2.2 Gabarito ..................................................................................................................... 47
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3.2.3 Exercícios comentados ............................................................................................. 47


3.3 Expressões coesivas ....................................................................................................... 53
4. Modelo a partir da Coesão ................................................................................. 59
4.1 Esqueleto de redação ..................................................................................................... 60
4.2 Esqueleto e plágio .......................................................................................................... 61
5. Propostas de redação ......................................................................................... 62
Proposta 1 ......................................................................................................................................................... 62
Proposta 2 ......................................................................................................................................................... 63
Proposta 3 ......................................................................................................................................................... 66
5.1. Possibilidades de encaminhamento das propostas ...................................................... 67
Comentário/Proposta 1 .................................................................................................................................... 68
Comentário/Proposta 2 .................................................................................................................................... 71
Comentário/Proposta 3 .................................................................................................................................... 75

6. Considerações finais ........................................................................................... 79


7. Referências ........................................................................................................ 80

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APRESENTAÇÃO

Querido aluno,
Saudações. Sétimo pdf! Basicamente, terminamos a parte teórica sobre estrutura de texto.
Consideramos, no último pdf, a conclusão. Consideramos tema, tese, projeto de texto, introdução,
desenvolvimento e conclusão. Agora, supondo que chegamos ao final do texto, o que falta? A
revisão.
Sim, corujinha escritora, não há bom texto sem revisão. Na hora da escrita, naquele
momento em que as palavras e ideias parecem tomar conta do ser (é, estou exagerando), sua
capacidade crítica de escrita não pode ser elevada. Lembre-se: a forma atrapalha a ideia e a ideia
atrapalha a forma.
No momento do brainstorm e mesmo da primeira escrita do texto, se você ficar preocupada
com regras gramaticais e coesão do texto, as ideias vão fugir de você. Ideias são como gatos ariscos,
você tem poucas oportunidades para agarrá-los. O processo é meio atabalhoado no começo. As
ideias vêm chegando, você as coloca no rascunho, não deixa escapar as relações entre elas,
registrando tudo no rascunho, e, depois de chegar à tese, começa a escrever a primeira versão do
texto.
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Ela não deve ser definitiva e você deve ter a liberdade de errar, inclusive de cometer erros
ortográficos. Depois do texto pronto, aí é a hora do pente fino. Você deve ter olhos de lince para
perceber erros que você geralmente comete, resolver problemas de ligação entre ideias e frases
(coesão), afinar a coerência, relativizar argumentos que ficaram muito radicais e, até, alterar ou
acrescentar algum argumento.
No calor da produção textual, dificilmente, você perceberá esses “erros”. É preciso um certo
distanciamento do texto para perceber os cochilos. Por conta disso, é bom você ter em mente uma
estratégia para produzir o texto no dia do Vestibular. Seria interessante que seu texto estivesse
pronto lá pela metade da prova. Supondo que sua prova tenha 5 horas, depois de 2h, você teria a
primeira versão pronta. Nesse ponto, você poderia se “distrair” com as outras questões da prova,
para depois retornar ao texto. Isso permitiria o distanciamento necessário para que você
conseguisse perceber o que seria necessário melhorar.
O que você deverá observar? Sobretudo o quesito coesão e coerência. Normalmente, as
bancas consideram esse item como critério de pontuação.
Bora entender melhor o que vem a ser isso no seu texto e como garantir que seu texto seja
coerente e coeso.

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Boa escrita.

1. COERÊNCIA
Para começar a discutir coerência, melhor seria falar do contrário. O que você acha das frases
abaixo?
"A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que
estão extintos possam se reproduzir e aumentar seu número respirando um ar mais limpo."
"A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta."
"A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu."
“O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando."
"A Amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento devastador,
intenso e imperdoável."
“Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna."
Engraçadas? Pois é, elas são incoerentes em alguma medida. É isso que você deve evitar a
todo custo na sua redação. Mas, afinal, o que é coerência?
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Para simplificar, é aquele texto que apresenta concepção geral lógica e progressão temática
(algo visto na aula passada).

Ué, mas nós já não vimos isso?

Com certeza, corujinha direta. Nos outros pdfs, vimos esses elementos como importantes na
construção do texto. Agora, supondo que você produziu uma primeira versão, é importante que
você se treine em verificar se o seu texto está coerente, ou seja, se manifesta tanto progressão
quanto linearidade lógica.
Na dissertação as ideias devem se complementar. Uma deve ser a continuidade da outra.
Primeira e única regra da coerência...

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Figura 1 : Pixabay

Mas o que é contradição? Em lógica não é somente aquilo que nega diretamente o que é
afirmado. Se alguém pergunta “que dia é hoje” e um engraçadinho responde “não é domingo”, ele
na verdade não respondeu. Contradição, no caso da dissertação, significa que a continuidade que
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você dá ao raciocínio não segue as coordenadas que você desenhou anteriormente.


Para entender melhor, observe o exercício de lógica muito comum em testes de Q.I. ou de
concursos públicos.

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Nessa brincadeira, você deve perceber qual a lógica que está pautando apresentação das
pedras de dominó. Depois de quatro peças apresentadas você deve ter percebido qual é o padrão e
deve apresentar um que siga o critério desenhado. Pode demorar um pouco, mas você vai perceber
que o paradigma não se relaciona com uma pedra e outra, mas com os números no interior de cada
um dos dominós. O primeiro tem o número 2 na parte de cima e 3 na parte de baixo, houve,
portanto, uma soma 2+1=3, os outros seguem essa equação, logo, a última peça deve ser a da
alternativa “e”.

Resumindo: Háverá incoerência quando a ideia


seguinte não der continuidade às coordenadas
anteriores , quando uma informação não for
complementar no sentido forte (falácia do tipo
"non sequetur", do que foi exposto, não se
segue a próxima ideia).

Considerando essa definição, textos como os abaixo são incoerentes.

“A parte mais delicada de todo projeto é o que diz


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respeito aos relacionamentos e associações. O fator


humano continuará sendo imprevisível, algumas vezes
trazendo coisas boas outras nem tanto “

“O aumento da temperatura na terra está cada vez mais


aumentando."

No primeiro caso, a informação é vaga, não se diz nada, pois a mensagem serve para qualquer
circunstância. No segundo, a informação se repete.
Acho que ficou claro... O problema é como evitar a tal da incoerência. Bom, há dois tipos de
incoerência:

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Incoerência

Textual Factual

Incoerência factual
O repertório que você apresenta deve ter como premissa a aceitação coletiva daquilo que
você afirma. A realidade não pode desmenti-lo. Tome cuidado com informações erradas. Podem
ocorrer por:
- Lapso de memória. Um aluno que escreveu “como disse Hobbes, “penso, logo existo”,
obviamente se atrapalhou, quem disse isso foi Descartes. Mesmo que o leitor compreenda, o erro
tira a credibilidade do texto. Mas isso não se aplica somente a citações. Na história, fatos históricos
paralelos podem levar o escritor à confusão. Por exemplo, pode-se confundir a Revolta da Armada
com a revolta do Forte de Copacabana. Nesse caso, não há muito o que se fazer. Por isso, quando
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apresentar fatos históricos ou citações, argumentos que dependem da memória, reveja o que
escreveu e certifique-se de que há pouca possibilidade de erro.
-Comentários gerais que não são apropriados à realidade. A dissertação exige uma leitura
literal do texto. Considere a seguinte afirmação: “ministros caindo, governadores e prefeitos
suspeitos de superfaturamento, desvios de verbas e movimento popular de que mais se fala são a
marcha da maconha e da homofobia”. Trata-se de uma generalização exagerada dos fatos. Esse tipo
de frase é encarado como incoerência factual. Não é verdade que as pessoas só falem da “maconha”
ou de “homofobia”.
-Previsões ingênuas. Imagine que um candidato tenha defendido a tese de que uma das
causas da violência se relaciona com a desestrutura familiar. Essa tese é defensável. Seguindo essa
observação, o candidato poderia chegar à conclusão de que uma intervenção possível seria o Estado
tirar a criança do ambiente familiar degradado. Ora, como fazer isso na realidade? Com quem a
criança ficaria? Quem aceitaria essa criança? Por mais lógica que pareça, essa proposta é incoerente.

Incoerência textual
A coerência tem uma premissa muito clara: um texto com progressão lógica é coerente. As
informações não devem ser justapostas. Vamos supor que você queira defender seu time de futebol
e faça a seguinte afirmação:

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Tese

Meu time é o melhor. Em 1984, ele foi


campeão brasileiro, ano em que muita Trecho irrelevante
coisa aconteceu no Brasil, já que foi quando para a tese
houve a campanha “Diretas Já”. Ele
também é muito alegre, porque a alegria
faz parte do futebol brasileiro. Além disso, é Conectivos que parecem
colorido, o uniforme tem várias cores todas apresentar informação,
combinadas, as pessoas gostam, até mas, novamente é
mesmo um estilista estrangeiro, que ficou irrelevante
Figura 2: Pixabay

encantado com o Brasil, disse algo a


respeito do uniforme. Os jogadores atuais
estão em uma má fase, mas já houve Trecho que depõe
melhores. Todo time tem seus altos e contra a tese
baixos.

Uma conclusão é inevitável: se o aumento do número de torcedores depender do discurso


acima, no próximo jogo, a torcida não vai lotar uma van. Observe duas informações específicas: o
time é alegre e é colorido. Ora, ser colorido ou ser alegre podem ser qualidades do time, mas não o
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tornam melhor.
Se o texto fosse organizado de outra forma, o autor até poderia se valer desses atributos,
mas teria que explicar o motivo de esses elementos fazerem do time algo melhor. Você precisaria
pensar em temas e subtemas e tentar fazer uma ligação entre eles. Se isso for possível, o texto pode
ficar coerente.
Considere um outro esquema:

Meu time é bom

Ganhou títulos Dá alegria à torcida

Concessão: apesar da
atuação sofrível atual

Com esse esquema o texto ficaria assim...

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Meu time é o melhor. Tem vários títulos,


entre eles o de campeão brasileiro de 1984, Argumento
quando todos diziam que a conquista do principal
título seria impossível. Mas um time não
deve ser avaliado somente pelos títulos, a
alegria dos torcedores também deve ser
considerada. Esse seria um sinal de que Alegria, cores etc.
torcer por um determinado time é Subtema introduzido pela
gratificante e, nesse quesito, a torcida do expressão conectiva “Mas
time é reconhecidamente a mais festeira. A um time não deve ser
alegria se estampa até nas cores do time, analisado só pelos títulos”.
Figura 3: Pixabay

que foram elogiadas inclusive por um


estilista famoso. Embora o time esteja
numa fase ruim, um momento de fraqueza O “embora”
não deve depor contra um time que, ao introduz um
longo dos anos, deu a seus torcedores tanta trecho concessivo.
felicidade.

2. COERÊNCIA: ERROS A SEREM EVITADOS


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Para conseguir coerência, você já sabe o que fazer, basta seguir o que foi sugerido nas duas
últimas aulas. Ao considerar o raciocínio lógico e a progressão textual, consideramos, de forma geral,
como produzir um texto coerente. Neste pdf, vamos considerar o que não se deve fazer.
Normalmente, os atentados à coerência textual têm a ver com 4 fatores: ambiguidade textual,
generalização/particularização, causa/consequência, analogia, uso indiscriminado de conceitos e
gap.

2.1 AMBIGUIDADE/ FIGURAS DE LINGUAGEM


Essa imagem exemplifica bem o estrago que uma frase ambígua
pode causar no seu texto. Para quem está no contexto, o cartaz deve
fazer sentido. Mas veja que ele depende demais de fatores
extratextuais. Provavelmente, trata-se de uma fila para compradores de
linguiça. Do jeito como foi redigido, dá a entender que as linguiças farão
fila nesse caixa.
Óbvio que um erro desse tipo não chega a comprometer todo o
texto, mas provoca ruído na leitura. Talvez, você imagine que não fará
isso, mas é preciso cuidado de revisão. Imagine uma frase como esta: a
mulher, hoje, está bem integrada no mercado. A palavra “mercado” de
forma isolada tem dois significados (1) “mercado de trabalho” e
“mercado” como local de venda de produtos alimentícios.
Mas não é só a ambiguidade que provoca estranhamento no texto dissertativo. É preciso
muito cuidado com figuras de linguagem. Suponha a seguinte frase, “a fé é uma graça através da

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qual podemos ver o que não vemos”. Para alguém religioso, ela faz muito sentido. Mas, lida de forma
literal, ela se torna um paradoxo, não é possível ver o que não vemos. O escritor não poderia se
contentar com o jogo antitético de palavras. Ele teria que escrever “a fé é uma graça que permite
aos fiéis a crerem em ideias que não podem ser observadas empiricamente, são invisíveis aos olhos”.
Na revisão do seu texto, fique atento(a) para o uso das palavras e das figuras de linguagem.

2.2 USO INDISCRIMINADO DE CONCEITOS


A palavra conceito vem do latim “concepto”
que literalmente significa “pegar e manter firme
algo com alguém”. Assumiu o sentido atual de
“pegar mentalmente, entender”. Há quem afirme
que se trata de uma outra origem, cujo significado
seria “conter dentro de si”.

Figura 4: Pixabay
Trata-se de uma imagem puramente
mental que deve conter dentro de si uma série de
circunstâncias e que permite perceber
semelhanças em fenômenos diferentes. Por
exemplo, alguém pode devolver um dinheiro
perdido, outra pessoa pode se recusar a pagar propina para um policial e outra, contar a verdade
mesmo diante de uma situação desfavorável. O que elas manifestam? HONESTIDADE.
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Tal termo é um conceito e, como tal, permite que eu veja algo que vai além da realidade
concreta. Honestidade não se testemunha, o que se pode observar é uma ação denominada honesta
dentre tantas outras. Trata-se, portanto, de um ente mental e dependente da linguagem.

Mas qual a importância dele ?

O conceito permite julgamentos e criar realidades tipicamente humanas. “Honestidade”, por


exemplo, pode levar o indivíduo a ser condenado. O conceito tem consequências. Considere uma
polêmica recente sobre a liberação maconha para fins terapêuticos. Para ser liberada, ela deve ser
caracterizada como um medicamento. Contudo, os cientistas relutam em classificar a droga dessa
maneira, pois entendem que não há estudos suficientes para dizer que se trata de um fármaco
comprovado, talvez seja simplesmente um placebo (substância sem ação efetiva sobre o organismo,
mas que, devido ao efeito sugestivo, leva o paciente a uma melhora do quadro).
Tanto “medicamento” quanto “placebo” são conceitos. Contudo, se a maconha for
classificada como placebo, ela não poderá gozar de legislação especial e será proibida para qualquer
tratamento; se for classificada como fármaco, ela pode ser liberada.
Sacou, corujinha esperta?

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Por que eu iria usar um conceito na minha redação ?

As Humanidades são dependentes dos conceitos e eles são valioso para elaborar argumentos.
Considere a sociologia, nossa melhor ferramenta para conhecer o mundo humano. Como entender
o mundo sem os conceitos de “capitalismo”, “liberalismo”, “modernidade”, “tecnologia”,
“sociedade de massas” etc?
Se ele é tão operacional, qual o problema? Todo conceito, por ter de abarcar situações muito
díspares, apresenta um certo traço de indistinção que o torna dependente da interpretação. Pense
na palavra “liberdade”: a que circunstâncias ela pode ser aplicada? A pessoa que cumpre suas
obrigações é livre? O indivíduo inconsequente é livre? A pessoa que não reconhece limites para os
seus desejos é livre ou é egoísta?
Você já deve ter percebido qual é a treta. Usar mal um conceito torna seu argumento
incoerente. Geralmente, isso ocorre por dois motivos. Tente percebê-los nos exemplos abaixo.

Num texto dissertativo,


O amor é um sentimento indefinível, capaz de nos trazer você deve tentar defini-
sensações incríveis que podem ir da alegria ao amor. lo, até porque há vários
Trata-se de uma forma de ser e de estar no mundo, tipos de amor.
animada não mais pelos parâmetros de sucesso ou
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eficácia. Além disso, tal sentimento nos faz mais


solidários em relação ao outro. Frases de efeito, sem carga
informativa, apenas emotiva.
Trata-se de impressões sobre o
conceito e não análise do conceito.

Indefinição de um termo que necessita de


delimitação para ser discutido

Este caso é ligeiramente diferente.

Pode-se dizer que a Globalização tem seu lado terrível. A Globalização tem a ver
velocidade, descartabilidade e efemeridade das notícias, com a
modas e padrões, que surgem e são substituídos em desregulamentação do
questão de dias, horas e minutos deixam o indivíduo sem mercado global e não
referência. com efemeridade das
notícias.

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Aplicacação inadequada do conceito

2.3 JOGO ENTRE GENERALIZAÇÃO E PARTICULARIZAÇÃO


A importância da generalização foi apontada no pdf inicial. Em um bom texto, faz-se
constantemente esse movimento entre generalização e particularização. Note que toda tese é uma
espécie de generalização que deve ser provada. O problema é encaixar os fatos concretos na
generalização sem incorrer em erro lógico.
Essa questão não diz respeito somente à redação. As questões de interpretação de texto,
tão frequentes em provas de humanas em geral, levam em consideração esse pressuposto. Por
exemplo, considere o jogo entre metáfora e sentido abstrato de um ditado.

MAIS CONCRETO, MAIS PRECISO (conotativo MAIS ABSTRATO, MAIS VAGO (denotativo ou
ou metafórico) não figurado)

Água mole em pedra dura tanto bate até que A perseverança acaba levando à consecução
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fura. dos objetivos almejados.

Agora, veja como isso caiu na prova da FUVEST de 2020.

Q.(FVUEST/2020)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Uma planta é perturbada na sua sesta* pelo exército que a pisa.
Mas mais frágil fica a bota.
Gonçalo M. Tavares, 1: poemas.
*sesta: repouso após o almoço.

O ditado popular que se relaciona melhor com o poema é:


(A) Para bom entendedor, meia palavra basta.
(B) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
(C) Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
(D) Um dia é da caça, o outro é do caçador.
(E) Uma andorinha só não faz verão.
Comentário.

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Observe que nesse caso, a banca pediu para que você entendesse a lógica da relação entre
um ditado e um poema, ambos metafóricos. O exercício é semelhante àquele de lógica apresentado
no começo dessa nossa discussão. A diferença é que não se trata de pedras de dominó, mas de
textos metafóricos.
Alternativa "a" está incorreta. O poema gira em torno da ação do exército, o ditado faz
referência ao processo de interpretação.
Alternativa "b" está correta. O poder da bota é semelhante ao da dureza da pedra; a ação
da planta que vai contaminando o poder militar é semelhante à ação da água que vai minando a
dureza do rochedo.
Alternativa "c" está incorreta. O ditado faz referência à reação violenta como resposta a
outra do mesmo aspecto. Ora, a planta não reage com a mesma intensidade com que foi ferida.
Alternativa "d" está incorreta. Esse ditado supõe que a resistência civil poderia agir da
mesma maneira como o exército age; se as pessoas agirem com violência contra o exército, haveria
uma rebelião e não resistência civil.
Alternativa "e" está incorreta. Se essa ideia fosse aplicada ao poema, deveria significar que
outras plantas deveriam se juntar a essa única que foi pisada, ideia que não está presente no texto.
Gabarito: B
E para você perceba que não se trata somente de português, que tal uma questão de
história, também de 2020, FUVEST?
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Q. (FUVEST/2020)
De acordo com o historiador Martyn Lyons, “nos temores contemporâneos em relação ao acesso
ilimitado a sites perigosos da Internet, e às dificuldades enfrentadas por governos de diversos
países no policiamento da distribuição da informação, ouve‐se o eco do pânico causado pela
invenção da imprensa”.
Martyn Lyons, A história da leitura de Gutenberg a Bill Gates, RJ: Casa da Palavra, 1999.
Escolha a alternativa que demonstre corretamente os elementos de continuidade e de
descontinuidade entre a “revolução do impresso” e a “revolução eletrônica” apontados pelo autor.
(A) As chamadas “revolução do impresso” e “revolução eletrônica” não somente favoreceram a
multiplicação e democratização do acesso à informação como também auxiliaram a formação de
um público mais vasto e mais crítico.
(B) A implementação das novas tecnologias de comunicação eliminou a diferença entre os usuários
e os excluídos do universo da cultura escrita, tal como se prometera no início de sua adoção.
(C) A manutenção de índices elevados de circulação de fake news nas redes sociais demonstra que
a “revolução da comunicação” depende de quem domina e de quem usa as tecnologias.

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(D) Diferentemente do Index Librorum Prohibitorum promulgado para a atuação da Inquisição no


controle da expansão do Protestantismo durante o século XVI, os atuais marcos regulatórios da
Internet limitam‐se ao controle da pornografia.
(E) O advento da tipografia não foi necessariamente revolucionário, pois não mudou a natureza
nem o assunto dos livros; já a tecnologia digital suprimiu todas as formas anteriores de
comunicação, da oral à impressa.
Comentário.
No comando da questão, o avaliador indicava qual generalização deveria ser observada nos textos
que se encontravam nas alternativas: “Escolha a alternativa que demonstre corretamente os
elementos de continuidade e de descontinuidade”.
Alternativa "a" está incorreta. Essa alternativa apresentada somente continuidade. Isso pode ser
observado pelo uso dos conectivos “não só”, “como também”.
Alternativa "b" está incorreta. Essa alternativa só se aplica à descontinuidade.
Alternativa "c" está correta. “Depender de quem domina” é uma continuidade, pois a revolução
impressa produziu assimetria entre usuários e detentores dos meios de produção de notícia; a
novidade se dá pelo fato de que os usuários fazem parte da cadeia de distribuição de notícia que
favorece a propagação de fake News, essa é a descontinuidade.
Alternativa "d" está incorreta. É falsa, há incoerência factual, os marcos regulatórios da internet
não se limitam à pornografia.
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Alternativa "e" está incorreta. É falsa, há incoerência factual, o advento da tipografia foi
revolucionário.
Gabarito: C
É importante que você desenvolva uma sintonia fina para perceber quando as relações entre
duas ideias não estão perfeitamente encaixadas. Nesse caso, seria necessário desenvolver um
olhar clínico para isso. O estudo das falácias ajuda, mas saber reconhecer uma falácia é mais
importante do que decorar a tipologia desse tipo de raciocínio torto.
Observe o fragmento de texto de uma redação escolar. exagero

Todos têm o direito à educação, mas poucos têm o acesso às Palavra importante:
escolas. Em diversas cidades do Brasil, as escolas encontram-se em “acesso “
situações precárias, alunos vão a à escola e faltam professores.
Governadores ainda reduzem as verbas da educação.
Esse trecho não concretiza
“acesso”, introduz outra
generalização

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Q.1 Assinale a alternativa que concretiza apropriadamente a tese.


Tese: O pensador Karl Marx definiu a religião como o ópio do povo e isso é uma
verdade histórica,
a) A linha entre o fanatismo religioso e a religiosidade exercida de forma correta,
sem preconceitos com demais religiões e pessoas, é tênue e nem sempre
respeitada por aqueles que escolhem o caminho da religião.
b Na Idade Média, os cristãos foram os responsáveis por uma certa unidade
cultural na Europa depois da derrocada do Império Romano.
c) A religião sempre representou uma grande fonte de renda, basta observar a
riqueza do Vaticano.
d) A crença de uma vida após a morte compensatória em relação aos problemas
da vida desvia a atenção para as necessidades de mudança política.
e) Os religiosos manifestam uma moralidade restrita e a impõem aos outros, fato
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que leva as pessoas a não entenderem seus próprios desejos.

Q.2 Assinale a alternativa que concretiza apropriadamente a tese.


Tese: Os conflitos que deveriam ter desaparecido no mundo globalizado
tornaram-se mais agudos devido ao jogo de interesses.
a) A situação da Venezuela é dramática, pois os apoiadores de Nicolás Maduro
têm apoio dos militares.
b) No conflito da Síria, países como Rússia e Estados Unidos alteraram o desfecho
da guerra civil.
c) A guerra comercial entre China e Estados Unidos está levando o mundo à
estagnação econômica.
d) O papel das Nações Unidas tem sido contestado.
e) A imigração é a face terrível dos conflitos modernos. A população móvel no
planeta aumentou nos últimos anos.

Q.3 Assinale a alternativa que concretiza apropriadamente a tese.

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Tese: A educação, no Brasil, tem sido relegada a segundo plano.


a) Uma proposta de Emenda Constitucional (PEC) foi aprovada restringindo os
gastos com educação.
b) Os professores não são tratados com respeito como ocorria antigamente.
c) Segundo o PISA (Programa de Internacional de Avaliação de Estudantes), o
Brasil se mantém estagnado no quesito interpretação de texto e perdeu posições
na habilidade dos alunos com a matemática.
d) Os governos não querem que as pessoas tenham conhecimento do que
realmente está acontecendo.
e) Um povo instruído é um povo capaz de escolher melhor seus governantes.

Q.4 Assinale a alternativa que concretiza apropriadamente a tese.


Tese: Em nome da segurança, os governos invadem cada vez mais a vida dos
cidadãos.
a) Na internet, qualquer um é capaz de roubar dados de um usuário, valendo-se
de um conhecimento médio sobre programação.
b) Há alguns anos, os dados de alguns dirigentes internacionais, inclusive da
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presidenta Dilma Roussef , foram roubados por agências do governo americano.


c) A NSA (Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos) coletou registros de
telefonemas e mensagens de texto que não estava autorizada a obter.
d) A Polícia Federal, no Brasil, pode acessar informações bancárias de suspeitos se
obtiver autorização judicial.
e) Os condomínios têm câmeras de vigilância instaladas.

Q.5 Assinale a alternativa que concretiza apropriadamente a tese.


Tese: O consumismo está ligado à troca de valores da sociedade contemporânea.
a) Hoje, a pessoa que tem poder aquisitivo elevado tem status.
b) É comum o furto de objetos de marca por parte de jovens excluídos do mundo
do consumo.
c) Até meados do século XX, o nível cultural do indivíduo pesava diante da
consideração pública; atualmente, a ostentação em relação ao consumo basta
para que a pessoa seja considerada importante.

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d) O importante é consumir, pois dessa forma a pessoa fará parte do sistema de


produção de riqueza: para consumir, ela deve trabalhar e produzir. Produção e
consumo são dois lados da mesma moeda.
e) Atualmente somos o que usamos. A etiqueta vale mais do que qualquer coisa.
Antigamente, um fio de bigode era a fiança do indivíduo. Triste situação a que
chegamos.

Resolução comentada

Q.1 Assinale a alternativa que concretiza apropriadamente a tese.


Tese: O pensador Karl Marx definiu a religião como o ópio do povo e isso é uma
verdade histórica,
a) A linha entre o fanatismo religioso e a religiosidade exercida de forma correta,
sem preconceitos com demais religiões e pessoas, é tênue, e nem sempre
respeitada por aqueles que escolhem o caminho da religião.
b) Na Idade Média, os cristãos foram os responsáveis por uma certa unidade
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cultural na Europa depois da derrocada do Império Romano.


c) A religião sempre representou uma grande fonte de renda, basta observar a
riqueza do Vaticano.
d) A crença de uma vida após a morte compensatória em relação aos problemas
da vida desvia a atenção para as necessidades de mudança política.
e) Os religiosos manifestam uma moralidade restrita e a impõem aos outros, fato
que leva as pessoas a não entenderem seus próprios desejos.
Comentário.
Alternativa "a" está incorreta. Esse percurso argumentativo não concretiza a ideia
de Marx, apresenta o tema do fanatismo religioso, o que não encaixa na frase de
Marx.
Alternativa "b" está incorreta. Esse fragmento apresenta a religião pelo seu
aspecto positivo e não expressa a crítica presente na frase de Marx.
Alternativa "c" está incorreta. Ópio significa é uma droga que entorpece a
capacidade de entender a realidade; Marx se referia à evasão quando menciona
a religião como ópio do povo. Ele não estava condenando a riqueza da Igreja.
Alternativa "d" está correta. Do ponto de vista de Marx, a esperança
proporcionada pela religião é ilusória e entorpece as pessoas, enfraquecendo a
luta pela mudança social.

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Alternativa "e" está incorreta. Há nessa alternativa algo de ilusório também, mas
a frase de Marx deve ser entendida dentro do contexto de crítica à sociedade e
não crítica à subjetividade.
Gabarito: D

Q.2 Assinale a alternativa que concretiza apropriadamente a tese.


Tese: Os conflitos que deveriam ter desaparecido no mundo globalizado
tornaram-se mais agudos devido ao jogo de interesses.
a) A situação da Venezuela é dramática, pois os apoiadores de Nicolás Maduro
têm apoio dos militares.
b) No conflito da Síria, países como Rússia e Estados Unidos alteraram o desfecho
da guerra civil.
c) A guerra comercial entre China e Estados Unidos está levando o mundo à
estagnação econômica.
d) O papel das Nações Unidas tem sido contestado.
e) A imigração é a face terrível dos conflitos modernos. A população móvel no
planeta aumentou nos últimos anos.
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Comentário.
Alternativa "a" está incorreta. No trecho em que se descreve a situação da
Venezuela, não há atores externos, que poderiam denunciar a Globalização.
Alternativa "b" está correta. Rússia e EUA configuram agentes globais que têm
interesses no Oriente Médio e que interferiram no conflito sírio.
Alternativa "c" está incorreta. Nessa alternativa, comenta-se a questão
econômica, o trecho generalizante faz referência a conflitos bélicos.
Alternativa "d" está incorreta. Essa ideia pode ser um agravante em relação à
situação mundial, mas não particulariza a generalização citada no enunciado.
Alternativa "e" está incorreta. A imigração é consequência dos conflitos; exige-se
a concretização de algum conflito.
Gabarito: B

Q.3 Considere a tese que está sendo defendida e assinale a alternativa que concretize
adequadamente o que está sendo dito.
Tese: A educação, no Brasil, tem sido relegada a segundo plano.
a) Uma proposta de Emenda Constitucional (PEC) foi aprovada restringindo os
gastos com educação.

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b) Os professores não são tratados com respeito como ocorria antigamente.


c) Segundo o PISA (Programa de Internacional de Avaliação de Estudantes), o
Brasil se mantém estagnado no quesito interpretação de texto e perdeu posições
na habilidade dos alunos com a matemática.
d) Os governos não querem que as pessoas tenham conhecimento do que
realmente está acontecendo.
e) Um povo instruído é um povo capaz de escolher melhor seus governantes.
Comentário.
Alternativa "a" está correta. Essa é uma prova concreta de que a economia está
em primeiro plano.
Alternativa "b" está incorreta. Nessa afirmação, não se reconhece primeiro e
segundo plano, reconhece-se apenas uma mudança de comportamento em
relação aos professores.
Alternativa "c" está incorreta. Essa pesquisa mostra que o país está em um nível
inferior no que diz respeito à questão educacional, isso poderia ocorrer mesmo
que a Educação fosse prioridade para os governos brasileiros. Não há relação
imediata entre prioridade e qualidade.
Alternativa "d" está incorreta. Aponta-se nessa alternativa uma suposta causa, o
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exercício pede que se assinale o trecho em que haja concretização da ideia.


Alternativa "e" está incorreta. Essa afirmação tematiza a educação, mas sob a
perspectiva do efeito político; a generalização constata uma situação que deve
ser provada.
Gabarito: A

Q.4 Assinale a alternativa que concretiza apropriadamente a tese.


Tese: Em nome da segurança, os governos invadem cada vez mais a vida dos
cidadãos.
a) Na internet, qualquer um é capaz de roubar dados de um usuário, valendo-se
de um conhecimento médio sobre programação.
b) Há alguns anos, os dados de alguns dirigentes internacionais, inclusive da
presidenta Dilma Roussef, foram roubados por agências do governo americano.
c) A NSA (Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos) coletou registros
de telefonemas e mensagens de texto que não estava autorizada a obter.
d) A Polícia Federal, no Brasil pode acessar informações bancárias de suspeitos se
obtiver autorização judicial.
e) Os condomínios têm câmeras de vigilância instaladas.

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Comentário.
Alternativa "a" está incorreta. Nessa alternativa, o agente é “ qualquer um”, mas,
na generalização, o agente são os governos.
Alternativa "b" está incorreta. Essa alternativa faz referência a vitimização dos
governantes e a generalização tem como foco o cidadão.
Alternativa "c" está correta. A agência é autorizada a funcionar pelo governo
americano e coletou dados dos cidadãos.
Alternativa "d" está incorreta. O fato de haver coleta discriminada e autorizada
pelo judiciário configura caso de exceção e não uma ação sistemática.
Alternativa "e" está incorreta. O trecho que deveria ser concretizado tem como
agente o governo e não os condomínios.

Q.5 Assinale a alternativa que concretiza apropriadamente a tese.


Tese: O consumismo está ligado à troca de valores da sociedade contemporânea.
a) Hoje, a pessoa que tem poder aquisitivo elevado tem status.
b) É comum o furto de objetos de marca por parte de jovens excluídos do mundo
do consumo.
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c) Até meados do século XX, o nível cultural do indivíduo pesava diante da


consideração pública; atualmente, a ostentação em relação ao consumo basta
para que a pessoa seja considerada importante.
d) O importante é consumir, pois dessa forma a pessoa fará parte do sistema de
produção de riqueza: para consumir, ela deve trabalhar e produzir. Produção e
consumo são dois lados da mesma moeda.
e) Atualmente somos o que usamos. A etiqueta vale mais do que qualquer coisa.
Antigamente, um fio de bigode era a fiança do indivíduo. Triste situação a que
chegamos.
Comentário.
Alternativa "a" está incorreta. Apesar do advérbio “hoje”, não está explícita nessa
afirmação a “troca de valores”.
Alternativa "b" está incorreta. Fala-se de algo comum nos dias de hoje; troca de
valores exige comparação com o passado.
Alternativa "c" está incorreta. A comparação temporal que demonstra mudança
de parâmetros de julgamento configura apropriadamente “troca de valores”
relacionada ao consumo.
Alternativa "d" está incorreta. Nessa alternativa, explora-se o significado de
consumismo, mas não da troca de valores.

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Alternativa "e" está incorreta. Há comparação temporal, mas a argumentação se


baseia em um jogo retórico, emotivo, e não em um argumento baseado em fatos.
Gabarito: C

2.4 CAUSA E CONSEQUÊNCIA


Há dois erros comuns no que diz respeito à causa e consequência. O primeiro se refere à
interpretação errônea do que é a causa de um evento social. E nem sempre é possível perceber a
causa de fenômenos complexos. Qual a causa do atraso brasileiro? Os liberais responderão que se
deve a intervenção estatal; os progressistas dirão que ocorre devido à interferência empresarial no
Estado.
A primeira fonte de erro é atribuir uma causa sem verificar se realmente procede a
informação, o outro erro comum é tomar uma causa secundária como principal.
Quando se fala em causa, deve-se procurar a causa necessária ou a principal. Para
exemplificar, considere uma circunstância bastante inusitada nesse mundo tecnológico, alguém
produziu fogo girando uma haste de madeira na base também de madeira.
O que produziu o fogo?
- A vontade de quem girou a haste;
- A ação de girar a haste;
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- O fato de a haste e a base estarem secas;


- O oxigênio;
- A temperatura normal, não abaixo de zero.
São muitos os fatores. O necessário é aquele sem o qual não haveria o fogo e que se liga à
ação ativa. O oxigênio, por exemplo, é necessário, mas ele pode estar presente e não haver fogo. A
existência desse gás é uma circunstância necessária, mas não incondicional. O desejo de quem fez o
fogo também não é condição necessária. O indivíduo que acende o fogo pode estar cumprindo a
tarefa por ordem de alguém. De todas as ações, a ação de girar a haste é a causa necessária e
primeira.
Quando alguém considera e dá ênfase demais a uma causa não necessária, ocorre a falácia
de acidente.
Observe o trecho de uma redação sobre o tema da influência da religião na vida das pessoas.

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O pensamento religioso está enraizado na cultura brasileira O pensamento


desde o século XVII, quando as pessoas buscavam intensamente religioso não tem
a religiosidade para obter a salvação e sucesso na vida; mesmo como causa o século
vivendo em completa desarmonia entre a vida religiosa e os XVII
prazeres da vida terrena, essa desarmonia ficava por conta do
Cultismo e o Conceptismo.
Conceptismo e cultismo são
termos de estilo poético, não
podem ser responsáveis pela
desarmonia entre vida
religiosa e os prazeres da vida

Nesse caso a incoerência se deve à junção entre duais ideias como se uma fosse a causa de
outra e não são. No último caso, há inclusive uma incoerência factual, já que escritor não usou com
propriedade factual o “conceptismo” e “cultismo”.
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Q.1 Considere o parágrafo abaixo.


O ensino à distância (EAD) tão festejado nos anos recentes deve ser avaliado com
cuidado. Surgiu devido às demandas dos estudantes por mais tecnologia e
apresenta uma série de vantagens em relação ao ensino tradicional: possibilidade
de ter horários flexíveis, estudo acessível a quem mora em algum lugar distante,
incentivo à pós-graduação.
Considerando causa e consequência, explique a(s) incoerência(s) do texto.

Q.2 Considere o parágrafo abaixo.


Com o avanço da tecnologia, as pessoas têm acesso muito rápido a diversos
acontecimentos mundiais através de um clique. Problemas políticos aparecem em
decorrência de uma informação distorcida ou mentirosa. O Brasil passa por um
momento muito turbulento na política e muitas inverdades são divulgadas com a
intenção de destruir a imagem de um político.

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Considerando causa e consequência, explique a(s) incoerência(s) do texto.

Q.3 Considere o parágrafo abaixo.


A violência associada ao tráfico surge por conta dos consumidores, que mantêm
esse comércio ilegal aquecido e tornam o tráfico de drogas uma atividade muito
rentável.
Prova disso é que, segundo a ONU, houve um aumento no consumo de drogas no
Brasil nos últimos anos. A maior procura dos usuários pelas drogas ilegais se
reflete também na luta das facções por territórios de vendas.
Considerando causa e consequência, explique a(s) incoerência(s) do texto.

Resolução comentada

Q.1 Considere o parágrafo abaixo.


O ensino à distância (EAD) tão festejado nos anos recentes deve ser avaliado com
cuidado. Surgiu devido às demandas dos estudantes por mais tecnologia e
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apresenta uma série de vantagens em relação ao ensino tradicional: possibilidade


de ter horários flexíveis, estudo acessível a quem mora em algum lugar distante,
incentivo à pós-graduação.
Considerando causa e consequência, explique a(s) incoerência(s) do texto.
Comentário.
A causa apresentada é factualmente incorreta. O EAD surgiu como modalidade
de educação devido ao desenvolvimento tecnológico, mas não como demanda
dos alunos por mais tecnologia. Há também uma consequência incoerente.
Incentivo à pós-graduação não é uma vantagem dessa modalidade de ensino.
Talvez a pessoa se sinta motivada, mas não se trata de uma consequência direta.

Q.2 Considere o parágrafo abaixo.


Com o avanço da tecnologia, as pessoas têm acesso muito rápido a diversos
acontecimentos mundiais através de um clique. Problemas políticos aparecem em
decorrência de uma informação distorcida ou mentirosa. O Brasil passa por um
momento muito turbulento na política e muitas inverdades são divulgadas com a
intenção de destruir a imagem de um político.
Considerando causa e consequência, explique a(s) incoerência(s) do texto.
Comentário.

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Os problemas políticos aparecem em decorrência de vários fatores, a informação


distorcida é um deles e não é a causa necessária. Além disso, da forma como está
escrito o texto, tem-se a impressão de que as inverdades são divulgadas apenas
para destruir a imagem de um político. Ora, essa deve ser uma consequência
secundária, mesmo a destruição da imagem do político raramente se dá por
questões puramente pessoais.

Q.3 Considere o parágrafo abaixo.


A violência associada ao tráfico surge por conta dos consumidores, que mantêm
esse comércio ilegal aquecido e tornam o tráfico de drogas uma atividade muito
rentável.
Prova disso é que, segundo a ONU, houve um aumento no consumo de drogas no
Brasil nos últimos anos. A maior procura dos usuários pelas drogas ilegais se
reflete também na luta dos facções por territórios de vendas.
Considerando causa e consequência, explique a incoerência do texto.
Comentário.
A afirmação de que o tráfico surge por conta dos consumidores é duvidosa e não
necessária. Afinal, pode haver consumidores, mas se não houver possibilidade de
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lucro, não haverá traficantes. Na Idade Média, quando lucro não tinha nenhum
significado, não havia tráfico.
Mas o problema maior pode ser observado no parágrafo seguinte. O aumento do
consumo de drogas no Brasil não é prova de que a violência surge por conta dos
consumidores.

2.5 ANALOGIA
Analogia ou comparação já foi estudada como recurso argumentativo. Nesse momento,
interessa treinar a percepção para que você não se perca numa comparação mal elaborada. Há, na
verdade, dois tipos de analogia: a comparação entre duas realidades concretas, por exemplo, a
situação educacional de dois países; e a imagética, em que o escritor compara uma dada situação
com um objeto metafórico.
Nos dois casos, deve-se ter certeza de que se é possível estabelecer as semelhanças entre os
elementos escolhidos sem que o leitor perceba isso como incoerente. Para se ter uma ideia, segue
abaixo uma redação que foi publicada pela FUVEST sobre o tema da amizade, na qual o autor se valia
de uma estrutura analógica, à primeira vista, estranha.
Chocolate amigo

A amizade é uma palavrinha bonita, e apenas isto. Inventada por Floristas e fazedores de cartões

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enfeitados de coração e poemas hipócritas. Usada em discursos românticos, sem significado algum,
completamente banalizada.
A maioria das pessoas fala de sentimentos como amor ou amizade com um orgulho
desmedido e inexplicável facilidade. Falam porque tê-los é o que se espera do ser humano, e parece
sensível e legal. Mas boa parte delas mal sabe o que tais palavras significam, e acaba soando frio,
superficial e possessivo. De fato, muitas vezes parece que estamos falando de um simples chocolate.
O chocolate, como bem sabemos, é um petisco engordativo que geralmente proporciona
grande prazer. Talvez, prazer maior que um amigo; afinal, ele não nos decepciona – a não que o
sabor esteja errado -, não mente, não faz competições primitivas, não é egoísta e só nos abandona
quando decidimos devorá-lo. Porém, também é sabido que chocolates nunca desenvolvem ou
demonstram a devoção e sentimento que reservamos para ele, seja qual for.
Ele não sente, não pensa, não fala... não é seu companheiro, não apoia, não segura a mão...
portanto, não pode de maneira alguma ser um amigo; entretanto, é assim que temos tratado nossos
amigos: como chocolates.
É bem fácil dizer “meu amigo” como quem diz “minha barra de chocolate preferida”, uma
propriedade sem sentimentos que você pode declarar adoração e fidelidade sempre que tiver
vontade porque ele não entende e nem vai morrer quando não lhe for mais conveniente continuar
a “amizade”.
Pois somos todas pessoas, seres humanos, egocêntricos, dissimulados e egoístas. Só
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enxergamos a própria vontade e acreditamos que cada um de nós é o único que pode ser magoado.
Mantemos relações e gostamos das pessoas e coisas quando e enquanto for conveniente. Usamos
e pisamos nossos “amigos” ...
...e nos escondemos. Atrás de músicas, poemas, declarações, discursos sobre sentimento que
sabemos não ter.
Ao fazer uma comparação, incialmente, é preciso pensar nas similaridades e diferenças. Essa
contabilidade de traços deve aparecer de alguma maneira no seu texto. Vejamos como seria a
tabela do “amigo chocolate”?

Chocolate Amigo

Não decepciona Decepciona

Não mente Mente

Não faz competições infantis Compete

Não abandona Abandona

Por outro lado

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não é seu companheiro É companheiro (?)

não apoia Apoia (?)

não segura a mão Segura (a mão?)

Até este ponto, a comparação parece absurda. Quem imaginaria comparar chocolate com
amigo? Mas eis que, em uma frase, o autor do texto resolve o que até agora estava parecendo
incoerente. Ele afirma, “é assim que temos tratado nossos amigos: como chocolates... É bem fácil
dizer ‘meu amigo’ como quem diz ‘minha barra de chocolate preferida’”. Essa frase dá coerência ao
restante.
A partir desse texto, é possível entender que a comparação deve atender a três requisitos
básicos

Elementos similares suficientes para uma comparação

Uso de conectivos comparativos (não há comparação se


você falar de um elemento e depois de outro).
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Ponto de justificação da comparação, dada pelo motivo pelo


qual você está comparando os termos

Fundamental, perceber as similaridades e os pontos que permitirão ao leitor reconhecer que


sua associação é devida. Pense numa comparação como a seguinte...

Educação no Brasil Educação no Japão

Professores ganham mal Professores ganham melhor

Alunos sem interesse Aluno interessados

Currículo bastante extenso (não sei)

Carga horária: 800 horas (não sei)

Matérias do Ensino Médio: Português, (não sei)


Matemática, Química, Biologia, Física,
História, Geografia, Filosofia e Sociologia.

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Forma de ingresso no ensino superior: (não sei)


Vestibular

Que tipo de texto seria possível, levando em conta esses dados? O que você acha do texto
abaixo?
O ensino no Brasil é diferente do que ocorre no Japão, país que conseguiu relativo sucesso
nessa área. Lá os alunos são mais interessados talvez porque os professores ganhem melhor. No
Brasil, a carga horária é de 800 horas anuais para uma grade de matérias bastante extensa. Além
disso, a forma de ingresso no ensino superior, aqui no Brasil, ocorre pelo Vestibular. Quando
comparamos o sistema brasileiro com o japonês, conseguimos perceber o porquê do fracasso das
políticas educacionais no Brasil.
Seguindo os critérios estritos do que é coerência, esse parágrafo tem graves defeitos de
progressão. Só há dois dados apresentados em relação ao Japão e eles não são suficientes para que
o aluno pudesse chegar à conclusão que chegou no último período.

Abaixo, você encontrará alguns desafios para se fazer uma analogia. Faça um rascunho de
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analogia construindo um quadro com pelo menos 4 elementos. Julgue se você teria condições de
fazer a comparação. Se for possível, anote qual seria a frase motivadora da comparação que poderia
dar unidade aos elementos levantados.
Esquema

Elemento 1 Elementos 2

Não tenho dados suficientes para a comparação ou tenho dados suficientes para a comparação.
Tópico frasal que daria unidade à comparação:
_____________________________________________________________________________

Q.1 Tema: A vigilância e falta de liberdade nas sociedades contemporâneas.

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Analogia (imagética/metafórica) : Compare um condomínio com uma prisão

Q.2 Tema: Ética e tecnologia/ciência


Analogia (imagética/narrativa): use alguma história de ficção para ilustrar a tese e
o mesmo tempo resgate os elementos que permitem o diálogo com a realidade.
Um bom ponto de partida é Frankenstein ou a história do aprendiz de feiticeiro,
mas outras histórias podem ser utilizadas.

Q.3 Tema: O movimento antivacinação: entre a liberdade do indivíduo e a saúde


pública.
Comparação histórica: Comparar a Revolta da Vacina (Brasil) com a revolta contra
a vacinação do dias atuais.

Q.4 Tema: O manejo do patrimônio histórico


Comparação espacial: Comparar as políticas de proteção do patrimônio histórico
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no Brasil como o que ocorre em algum outro país.

Resolução comentada

Q.1 Tema: A vigilância e falta de liberdade nas sociedades contemporâneas.


Analogia (imagética/metafórica): Compare um condomínio com uma prisão.
Comentário.

Condomínio Prisão

Só entra quem for identificado O mesmo

Os guardas vigiam os indivíduos O mesmo

Os proprietários podem sair quando Os detentos não podem sair


quiserem

As pessoas que circulam são suspeitas Detentos e pessoas que circulam são
suspeitas

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Essa comparação é bastante problemática, pois os pontos de contato são poucos.


Nesse caso, pode-se fazer um parágrafo de comparação parcial, destacando
somente a aproximação possível. Segue um parágrafo analógico somente como
ilustração do que foi dito.
Comparar o condomínio a uma prisão seria um exagero. Obviamente, os
proprietários gozam de uma liberdade que o detento não pode usufruir. Contudo,
a sensação de estar sempre vigiado e a necessidade de se identificar
constantemente é algo em comum a esses habitantes de lugares tão diferentes.
Fica evidente que a liberdade não é palavra mais importante nesses lugares
fechados e vigiados.

Q.2 Tema: Ética e tecnologia/ciência


Analogia (imagética/narrativa): use alguma história de ficção para ilustrar a tese e
o mesmo tempo resgate os elementos que permitem o diálogo com a realidade.
Um bom ponto de partida é Frankenstein ou a história do aprendiz de feiticeiro,
mas outras histórias podem ser utilizadas.
Comentário.
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Os perigos da tecnologia Aprendiz de feiticeiro

O homem desenvolve tecnologia Um jovem torna-se aprendiz de


feiticeiro

A intenção é que as máquinas façam o Um dia o mestre manda que ele lave a
serviço pesado casa

As máquinas ganham vida até com Como ele tem acesso ao livro mágico,
inteligência artificial através da magia, ele dá vida aos
objetos para que façam o trabalho por
ele

As máquinas começam a determinar o Os objetos exageram e começam a


ritmo de vida dos homens. destruir o local.

É possível fazer um texto comparativo a partir desses dados.


Tópicos frasal que daria unidade à comparação:
O risco da tecnologia para a vida humana pode ser melhor entendido a partir da
história do aprendiz de feiticeiro.

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Q.3 Tema: O movimento antivacinação: entre a liberdade do indivíduo e a saúde


pública.
Comparação histórica: Comparar a Revolta da Vacina (Brasil) com essa revolta
contra a vacinação.
Comentário.

Movimento antivacinação Revolta da vacina

Irritação com a interferência Mesmo


autoritária do estado

Recusa passiva: as pessoas não vão se Recusa ativa: as pessoas agiram com
vacinar violência para manifestar a
discordância

O governo incentiva a vacinação O governo obrigou

Há desconfiança em relação à vacina Falta de informação


por conta da crença de que se deve
viver de forma mais natural; excesso
de informação
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A única conclusão possível é de que o movimento antivacinação de hoje é


diferente da Revolta da vacina. Só valeria a pena fazer a comparação se fosse
possível encontrar um tópico frasal capaz de fazer um julgamento no qual a
comparação pudesse fazer sentido.
Tópico frasal que daria unidade à comparação:
O movimento antivacinação atual parece fútil ou sem sentido quando comparado
com a revolta da vacina do começo do século.

Q.4 Tema: O manejo do patrimônio histórico


Comparação espacial: Comparar as políticas de proteção do patrimônio histórico
no Brasil como o que ocorre em algum outro país.
Comentário.

Brasil França

Há política de tombamento de prédios Mesmo


históricos

São destinados poucos recursos Há recursos

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Pouco interesse das autoridades Há interesse

Pouca exploração do valor turístico; Consciência de que o patrimônio tem


turismo não chega a constituir valor um valor turístico, valor econômico
econômico

Desprezo cultural pelo que é antigo Apreço pela tradição

É possível fazer a comparação.


Tópico frasal que daria unidade à comparação:
Quando comparamos o manejo do patrimônio cultural Brasil com o que ocorre na
França, é possível perceber que se trata de uma questão de perspectiva.

2.6 GAP (BURACOS)


Observe o fragmento argumentativo abaixo.
Segundo o grande líder do movimento dos direitos civis dos negros, Martin Luther King, “a
injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”. A manipulação política nas
redes sociais, mesmo após os avanços constitucionais, tem prejudicado a consolidação da
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democracia.
No primeiro período, o tema principal era a justiça. Senhor dos incompreendidos, por que o
autor passou de “justiça” para “democracia”? Esse é um mistério fácil de desvendar. Trata-se do
“gap”. O autor pula etapas da argumentação deixando o leitor na mão, ou seja, ele é obrigado a
desvendar por conta própria a relação entre dois segmentos de sentidos não diretamente
complementares.
Normalmente, isso ocorre quando o escritor não leva em consideração seu leitor. Não se
coloca no lugar dele. Então vale a pena a campanha:
Figura 5: Pixabay

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Figura 6: Pixabay

Não deixe buracos entre as ideias.


s

Q.1 Considere o texto abaixo que apresenta incoerência por gap.


Segundo o grande líder do movimento dos direitos civis dos negros, Martin Luther
King, “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”. A
manipulação política nas redes sociais, mesmo após os avanços constitucionais,
tem prejudicado a consolidação da democracia.
Refaça o texto, fazendo o caminho argumentativo que poderia cobrir o gap entre
as duas ideias desconexas.
Resolução
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Segundo o grande líder do movimento dos direitos civis dos negros, Martin Luther
King, “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”. A
manipulação política nas redes sociais beneficia determinados grupos capazes que
atendem a interesses econômicos restritos. A representação democrática, nesse
caso, não corresponde ao real interesse popular, o que configura injustiça.
Os trechos em amarelo introduzem ideias que fazem a transição de uma ideia para
outra.

Q.2 Considere o texto abaixo que apresenta incoerência por gap.


O filósofo Gilles Deleuze é conhecido por caracterizar o marketing como “a raça
impudente de nossos senhores.” Pessoas estão adquirindo roupas de grifes, cuja
campanha publicitária usa o aquecimento global como mote. O consumismo
torna-se também ideológico.

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.
Refaça o texto, fazendo o caminho argumentativo que poderia cobrir o gap entre
as duas ideias desconexas.

Q.3 Considere o texto abaixo que apresenta incoerência por gap.


Podemos dizer que vivemos um “falso Iluminismo”, as pessoas questionam assim
como no século XVIII. As pessoas acabam por se valer da subjetividade para
aceitar fake News.
Refaça o texto, fazendo o caminho argumentativo que poderia cobrir o gap entre
as duas ideias desconexas.

Q.4 Considere o texto abaixo que apresenta incoerência por gap.


A “Declaração dos direitos do homem e do cidadão”, elaborada durante a
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Revolução Francesa, representa um marco histórico em prol de humanidade, no


que se refere à igualdade jurídica e social. O reconhecimento de direitos civis a
grupos antes marginalizados marcou nova etapa na luta política.
Refaça o texto, fazendo o caminho argumentativo que poderia cobrir o gap entre
as duas ideias desconexas.

Q.5 Considere o texto abaixo que apresenta incoerência por gap.


Seis em cada dez brasileiros acreditam que “os direitos humanos apenas
beneficiam pessoas que não os merecem”. A discussão pública sobre a violência
contamina projetos institucionais.
Refaça o texto, fazendo o caminho argumentativo que poderia cobrir o gap entre
as duas ideias desconexas.

Resolução comentada

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Q.2 Considere o texto abaixo que apresenta incoerência por gap.


O filósofo Gilles Deleuze é conhecido por caracterizar o marketing como “a raça
impudente de nossos senhores.” Pessoas estão adquirindo roupas de grifes, cuja
campanha publicitária usa o aquecimento global como mote. O consumismo
torna-se também ideológico.

Refaça o texto, fazendo o caminho argumentativo que poderia cobrir o gap entre
as duas ideias desconexas.
Comentário.
O filósofo Gilles Deleuze é conhecido por caracterizar o marketing como “a raça
impudente de nossos senhores.” No afã de vender a qualquer preço, campanhas
publicitárias foram feitas tendo como mote o aquecimento global. As pessoas,
influenciadas pela marca ou mesmo pela campanha, tornam-se consumidoras não
apenas da roupa, mas também dessa forma de pensar que banaliza a questão
ambiental.
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Q.3 Considere o texto abaixo que apresenta incoerência por gap.


Podemos dizer que vivemos um “falso Iluminismo”, as pessoas questionam assim
como no século XVIII. As pessoas acabam por se valer da subjetividade para
aceitar fake News.
Refaça o texto, fazendo o caminho argumentativo que poderia cobrir o gap
entre as duas ideias desconexas.
Comentário.
Podemos dizer que vivemos um “falso Iluminismo”, as pessoas questionam assim
como no século XVIII. A diferença é que elas acabam tomando como verdade
aquilo que lhes convém. Nesse sentido, elas se valem da subjetividade para
aceitar fake News. Definitivamente, esse não era o espírito dos iluministas.

Q.4 Considere o texto abaixo que apresenta incoerência por gap.


A “Declaração dos direitos do homem e do cidadão”, elaborada durante a
Revolução Francesa, representa um marco histórico em prol de humanidade, no
que se refere à igualdade jurídica e social. O reconhecimento de direitos civis a
grupos antes marginalizados marcaram nova etapa na luta política.

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Refaça o texto, fazendo o caminho argumentativo que poderia cobrir o gap entre
as duas ideias desconexas.
Comentário.
A “Declaração dos direitos do homem e do cidadão”, elaborada durante a
Revolução Francesa, representa um marco histórico em prol de humanidade, no
que se refere a igualdade jurídica e social. A partir do século XX, essa declaração
serviu como pauta para a luta por direitos. Em pleno século XXI, ficou clara qual é
a nova etapa na luta política: a conquista de direitos civis a grupos antes
marginalizados.

Q.5 Considere o texto abaixo que apresenta incoerência por gap.


Seis em cada dez brasileiros acreditam que “os direitos humanos apenas
beneficiam pessoas que não os merecem”. A discussão pública sobre a violência
contamina projetos institucionais.
Refaça o texto, fazendo o caminho argumentativo que poderia cobrir o gap entre
as duas ideias desconexas.
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Comentário.
Seis em cada dez brasileiros acreditam que “os direitos humanos apenas
beneficiam pessoas que não os merecem”. Essa opinião acaba por influenciar os
políticos que procuram atender seu eleitorado. Essa perspectiva contamina a
proposição de projetos institucionais e torna pobre a reflexão sobre a questão.

3. COESÃO
Até agora estudamos a não contradição no que se refere às ideias. Incoerente é aquele texto
que não tem progressão, porque apresenta alguma falha lógica. Isso tem a ver com a
macroestrutura do texto.
Mas as escolhas lexicais (escolha de palavras) também podem provocar ruídos e incoerência.
Imagine o que significa um “não” colocado no lugar errado: num casamento, uma noiva que diz
“não” quando deveria dizer “sim”; o aluno que escreve um “não” inadequado na frente de uma
resposta dissertativa ou mesmo o “não” dito para um garçom que pergunta ao cliente se ele deseja
alguma coisa. Pequenas palavras, grandes efeitos.
Isso também ocorre com aquelas palavras responsáveis pelas ligações lógicas, importantes
para a progressão textual. Como você deve se lembrar, a tal da progressão significa que seu texto
deve apresentar ideias novas e ao mesmo tempo reforçar a repetição para que o texto não se torne
um amontoado de frases.

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Nesse caso, há de cara dois tipos de palavras que são responsáveis pela tessitura do que você
está escrevendo: elementos catafóricos e os anafóricos. Não, você não precisa decorar esses
palavrões. Basta saber que há palavras responsáveis por retomar ideias e outras que se relacionam
com a apresentação de algo novo.

3.1 ANÁFORA
Vamos começar com o que está nos manuais de redação, embora eu ache meio inútil saber
disso para o momento da escrita.
➢ Substituição é um mecanismo que se usa para repetir uma ideia sem que o leitor fique
incomodado com isso.;
Nos processos de substituição, são utilizados termos ou expressões que pertençam ao
mesmo campo semântico.

Recurso de substituição Exemplo

Sinonímia: expressões São Paulo inspirou muitas músicas. A terra da


linguísticas de significados garoa já ganhou músicas de Tom Zé, Caetano Veloso e
semelhantes. Rita Lee.
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Antonímia: expressões Economizar dinheiro é difícil entre os jovens.


linguísticas de significados opostos. Pessoas com menos de vinte anos tendem a gastar
muito.

Hiperonímia: expressões Artistas tendem a ver o mundo de maneira


linguísticas que representam conjunto diferente. Os pintores enxergam de modo único as
ou termo geral. cores que os circundam.

Hiponímia: substituir por As abelhas são muito importantes para o


expressão linguística que representa equilíbrio ambiental. O desaparecimento desses
individual ou termo detalhado. insetos está causando muitas mazelas na natureza.

O importante nesse caso, é saber usar. No seu texto, você vai necessariamente repetir a
palavra-tema. Para que sua redação fique estilosa, substitua os termos. Aliás, aqui vai uma dica legal,
antes de começar a escrever, rascunhe os sinônimos e expressões que possam retomar a palavra-
chave. É um exercício legal, uma espécie de aquecimento linguístico. Por ora, vou exemplificar o
que isso significa.

Na convenção da ONU sobre mudanças climáticas (COP-25), os cientistas ressaltaram o


agravamento da crise ambiental. Ficou claro: as previsões que os cientistas fizeram se confirmaram.

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Das 17 simulações feitas por cientistas entre 1970 e 2007, 10 acertaram como o clima se
comportaria de forma ampla e 14 predisseram quais seriam as temperaturas médias. A
comprovação dos modelos pôs abaixo a balela tão repetida de que cientistas da área não são
confiáveis, pois ganham mais verbas quando criam confusão.
Considere a palavra cientista. Troque a palavra, considerando cada um dos recursos de substituição.
Sinonímia:
Antonímia:
Hiperonímia:
Hiponímia:
Comentário.
Sinonímia: pesquisador
Antonímia: negativista
Hiperonímia: estudioso
Hiponímia: climatólogo
Na convenção da ONU sobre mudanças climáticas (COP-25), os estudiosos ressaltaram o
agravamento da crise ambiental. Ficou claro: as previsões que os pesquisadores fizeram se
confirmaram. Das 17 simulações feitas por climatólogos entre 1970 e 2007, 10 acertaram como o
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clima se comportaria de forma ampla e 14 predisseram quais seriam as temperaturas médias. A


comprovação dos modelos pôs abaixo a balela tão repetida pelos negativistas de que cientistas da
área não são confiáveis, pois ganham mais verbas quando criam confusão.
Mas não somente sinônimos são responsáveis pela coesão textual. Não se pode esquecer dos
pronomes demonstrativos, “isso”, “esse”, “isto”, “este” e suas variações. Seria quase impossível
fazer um texto sem esses padrinhos mágicos. Você terminou um parágrafo e gostaria de retomar
toda a ideia, como fazer isso? Com o “isso” seus problemas acabaram! Realmente eles resolvem!
Apenas, lembre-se de que para a gramática tradicional, raramente você usará o “este” ou o
“isto”. Eles são catafóricos. Apontam para o que vai vir depois. Por exemplo, vamos supor que minha
querida Bruna, professora de Biologia, tenha falado de angiospermas (ela fala disso), e queira
mostrar o que é isso em uma figura que virá a seguir. Ele deve escrever algo do tipo: “a angiosperma
como pode ser observado nesta figura”. A figura não foi apresentada antes, se fosse antes, ela teria
que dizer, “nessa figura”.
Em outras palavras, você vai usar muito “esse” “isso” e suas variações e não o seu primo
“este”, “isto” etc.
Há ainda outra dúvida em relação a uso desses demonstrativos: quando usar “aquele”?
Quando você está escrevendo sobre dois fatores e quer retomá-los. Por exemplo, vamos supor que
Túlio, o professor de História, lembre-se de sua mineirice e afirme: “dois são os maiores produtos
culinários, o pão de queijo e o doce de leite; aquele é muito bom com café, este, com queijo”.
“Aquele” retoma o elemento mais longínquo; “este” o elemento próximo.
Diria apenas para tomar cuidado com esse tipo de retomada. Eu costumo evitá-la, pois exige
que o leitor volte ao texto para ler o que vem em primeiro lugar e o que vem em segundo.

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(ENEM – 2014)
Há qualquer coisa de especial nisso de botar a cara na janela em crônica de jornal ‒ eu não
fazia isso há muitos anos, enquanto me escondia em poesia e ficção. Crônica algumas vezes também
é feita, intencionalmente, para provocar. Além do mais, em certos dias mesmo o escritor mais
escolado não está lá grande coisa. Tem os que mostram sua cara escrevendo para reclamar:
moderna demais, antiquada demais.
Alguns discorrem sobre o assunto, e é gostoso compartilhar ideias. Há os textos que parecem
passar despercebidos, outros rendem um montão de recados: “Você escreveu exatamente o que eu
sinto”, “Isso é exatamente o que falo com meus pacientes”, “É isso que digo para meus pais”,
“Comentei com minha namorada”. Os estímulos são valiosos pra quem nesses tempos andava meio
assim: é como me botarem no colo ‒ também eu preciso. Na verdade, nunca fui tão posta no colo
por leitores como na janela do jornal. De modo que está sendo ótima, essa brincadeira séria, com
alguns textos que iam acabar neste livro, outros espalhados por aí. Porque eu levo a sério ser sério…
mesmo quando parece que estou brincando: essa é uma das maravilhas de escrever. Como escrevi
há muitos anos e continua sendo a minha verdade: palavras são meu jeito mais secreto de calar.
LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de janeiro: Record, 2004.
Os textos fazem uso constante de recurso que permitem a articulação entre suas partes.
Quanto à construção do fragmento, o elemento
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a) “nisso” introduz o fragmento “botar a cara na janela em crônica de jornal”.


b) “assim” é uma paráfrase de “é como me botarem no colo”.
c) “isso” remete a “escondia em poesia e ficção”.
d) “alguns” antecipa a informação “É isso que digo para meus pais”.
e) “essa” recupera a informação anterior “janela do jornal”.
Comentário.
Alternativa "A" está correta. O nisso anuncia a ação. Ele usou o pronome de forma coloquial. O
correto seria “nisto”.
Alternativa "B" está incorreta. “Assim”, (um advérbio), não pode ser uma paráfrase, no máximo um
conectivo.
Alternativa "C" está incorreta. Esse “isso” refere-se à “botar a cara na janela”.
Alternativa "D" está incorreta. “Alguns” se refere a pessoas.
Alternativa "E" está incorreta. “Essa brincadeira séria” refere-se ao contexto; escrever no jornal.
Gabarito: A

3.2 CONECTIVOS
Conectivos são palavrinhas curtas que fazem o milagre de juntar duas informações dando
algum tipo de sentido a essa junção.

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Já que estamos falando de relação entre ideias, vamos voltar à nossa equação já mencionada
e que consigo resolver:

2+ 3= 5
Vamos preencher essa operação mental com palavras.

O aprendizado Celular distrai O celular não


necessita de
atenção
+ a atenção = deve ser usado
no momento
do aprendizado
Já usei essa equação no pdf sobre relações lógicas (pdf 5), mas lá não tinha preenchido esses
outros símbolos matemáticos. Chegou a hora da grande revelação, confira...
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O aprendizado O celular logo O celular não


necessidade distrai a deve ser usado
de atenção atenção Portanto
no momento
do aprendizado

Percebeu a importância do conectivo. Ele é capaz de estabelecer relações diferentes


entre dois termos.

quando

enquanto

Lucas costuma vir a Niterói porque ganha dinheiro em São Paulo

se

embora

Tenho certeza de que você sabe disso e os usa com propriedade do cotidiano. E mesmo
quando não usa, o interlocutor o entende. Mas estamos falando de um discurso que você vai
produzir para um avaliador que verificará se você sabe se expressar com eficácia. Então você

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não pode bobear no uso dessas palavras. Bora relembrar os conectivos mais utilizados em
redação.
Relações possíveis e conectivos

- Exemplificação: Isso observa-se, podemos tomar como


exemplo, por exemplo, isto é, a saber, em outras palavras,
quer dizer

- Contrariedade: mas porém, contudo, todavia, entretanto, no


entanto, não obstante. Concessividade: apesar, embora,
mesmo que, ainda que

- Causa: por isso, por causa de , em virtude, porque


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- Consequência: daí, por conseqüência, como resultado, de tal


modo que

- Comparação, mostrar a diferença: Paradoxalmente, pelo


contrário, em contrate com, salvo, exceto, menos, mas, porém,
todavia, embora, apenas

- Comparação, mostrar a semelhança: igualmente, da


mesma forma, assim também, do mesmo modo, similarmente,
analogamente, de acordo com, segundo, conforme, sob o
mesmo ponto de vista

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-Proporção: à medida que; à proporção que; ao passo que

-Complementariedade, adição: além disso, ademais,


outrossim, ainda mais,ainda por cima, por outro lado,
também, e, nem, não só...como também

Propósito: com o fim de, a fim de, com o propósito, para

-Amplificação: de fato, aliás


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-Correção/ esclarecimento: quer dizer, isto é, ou seja, em


outras palavras

Propósito: com o fim de, a fim de, com o propósito, para

Na verdade, há ainda outros termos que têm função coesiva. Os advérbios de tempo ou de
espaço estabelecem imediatamente uma relação lógica, embora não sejam exatamente conectivos.
Quando você começa um paragrafo argumentativo com “atualmente”, o leitor entende que você
havia discutido algum conceito de forma ampla e agora o aplica ao presente. Nesse sentido, esse
advérbio serve para ligar ideias. Algo similar acontece quando você menciona outro país e, no
parágrafo seguinte, menciona o Brasil, por exemplo.
Além disso, o gerúndio, por “esconder” relações entre ideias, muitas vezes tem função
também conectiva.

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Q.(UFF) Os diversos tipos de relação sintática entre orações podem ser


estabelecidos sem conectivo explícito, através das formas de infinitivo, gerúndio ou particípio, como
vemos no seguinte exemplo:"TOMANDO Gilberto Freyre como a linha vertical e Mário de Andrade
como a linha horizontal de um ângulo reto, teríamos Guimarães Rosa como a hipotenusa fechando
o triângulo." (par.5)Reconheça o tipo de relação sintática expressa pelo gerúndio destacado no
período acima.
a) conclusão
b) temporalidade
c) condicionalidade
d) mediação
e) conformidade
Comentário.
Alternativa "A" está incorreta. Gilberto Freyre e Mário de Andrade são pressupostos para Guimarães
Rosa.
Alternativa "B" está incorreta. O trecho considera os autores de forma metonímica, está falando das
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ideias deles, portanto uma discussão sem o fator tempo.


Alternativa "C" está correta. Trata-se de uma suposição, de uma hipótese. Se considerarmos Gilberto
Freire com uma linha e Mário de Andrade como outra.
Alternativa "D" está incorreta. Gilberto Freire e Mário de Andrade estão na base da prosa de
Guimarães, segundo o autor; não seriam intermediários.
Alternativa "E" está incorreta. Conformidade significaria que os três estariam no mesmo patamar, o
que não é o caso.
Gabarito: C

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Minha dica...
Há dois conectivos que para mim são um santo remédio. Sabe quando você não definiu
exatamente que tipo de relação existe entre uma ideia e outra?
Só para citar um exemplo. Estava escrevendo sobre Platão e suas ideias antidemocráticas.
Queria acrescentar que a perspectiva dele tinha a ver coma morte de seu mestre Sócrates e não
me ocorreu estabelecer uma relação de causa, porque talvez não fosse a causa necessária. Quem
me socorreu nesse momento forma uma das duas expressões:

ou

Veja só que coisa curiosa, podem ser até transformadas em verbos, mas têm função
conectiva. Escrevi: Platão julgava negativamente a democracia, isso se relacionava com sua
experiência pregressa quando era discípulo de Sócrates...
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Experimente....

3.2.1 EXERCÍCIOS
Essa brincadeira com conectivo é uma preferência nacional nos Vestibulares. As Bancas se
divertem pedindo que o candidato mude o conectivo sem alterar o sentido, ou assinalar a alternativa
que explica o sentido do conectivo. Para você fixar essa função e ficar esperto nas provas, seguem
alguns exercícios.

1.(ITA SP – 2014 adaptada)


Assinale a opção cujo elemento coesivo em negrito substitui os dois pontos sem alterar
o sentido do período. São trechos de um texto sobre a criação do personagem, Carlito, de
Charles Chaplin.
a) O andar do personagem não saiu completo e definitivo da cabeça de Chaplin: foi
uma criação em que o artista procedeu por uma sucessão de tentativas e erradas. – já que
b) O público riu: estava fixado o andar habitual do personagem Carlito. – visto que
c) O público não achou graça: estava desapontado. – de forma que
d) Cada espectador pode encontrar nele o que procura: o riso, a crítica, o lirismo ou
ainda o contrário de tudo isso. – posto que
e) A interpretação cabe perfeitamente dentro do tipo e mais: o americano bem
verdadeiramente americano, o que veda a entrada do seu território a doentes e estropiados,
não poderia pensar outra coisa. – tanto que

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2. (ITA SP - 2011)
Os trechos a seguir, que estão fora de ordem, fazem parte de um texto coeso e coerente.

I. Estudos feitos com várias profissões que trabalham em turnos mostram que ficar
acordado por mais de 19 horas ou ter uma jornada de trabalho superior a 12 horas provoca
sintomas semelhantes ao de um porre.
II. Se essas duas condições se sobrepõem numa madrugada, as consequências
negativas se potencializam ao extremo.
III. As reações ficam mais lentas e o julgamento da realidade é comprometido.
IV. Um piloto dormir no manche do avião é uma cena muito mais rara do que um
motorista de ônibus ou caminhão cochilar no volante. Mas pode acontecer.
V. No caso da aviação, há ainda o agravante de que os pilotos trabalham a 10 mil
metros do solo, no comando de aeronaves complexas e delicadas, às vezes com mais de uma
centena de passageiros a bordo.
(Em: Pesquisa Fapesp, agosto/2009. Adaptado)

Assinale a opção que apresenta a melhor sequência.

a) I – II – IV – III – V.
b) IV – I – II – V – III.
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c) IV – I – III – II – V.
d) I – V – IV – III – II.
e) IV – I – II – III – V.

3. (FUVEST – 2018)
1
Uma obra de arte é um desafio; não a explicamos, 2 ajustamo-nos a ela. Ao interpretá-
la, fazemos uso dos nossos 3 próprios objetivos e esforços, dotamo-la de um significado que 4
tem sua origem nos nossos próprios modos de viver e de pensar. 5 Numa palavra, qualquer
gênero de arte que, de fato, nos afete, 6 torna-se, deste modo, arte moderna.
7
As obras de arte, porém, são como altitudes inacessíveis. 8 Não nos dirigimos a elas
diretamente, mas contornamo-las. 9 Cada geração as vê sob um ângulo diferente e sob uma
nova 10 visão; nem se deve supor que um ponto de vista mais recente é 11 mais eficiente do que
um anterior. Cada aspecto surge na sua 12 altura própria, que não pode ser antecipada nem
prolongada; 13 e, todavia, o seu significado não está perdido porque o 14 significado que uma
obra assume para uma geração posterior 15 é o resultado de uma série completa de
interpretações anteriores.
Arnold Hauser, Teorias da arte. Adaptado.

No trecho “Numa palavra, qualquer gênero de arte que, de fato, nos afete, torna-se,
deste modo, arte moderna” (Refs. 5-6), as expressões sublinhadas podem ser substituídas, sem
prejuízo do sentido do texto, respectivamente, por
a) realmente; portanto.
b) invariavelmente; ainda.
c) com efeito; todavia.

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d) com segurança; também.


e) possivelmente; até.

4. (FUVEST - 2015)

1
Tornando da malograda espera do tigre, alcançou o 2 capanga um casal de velhinhos,
que seguiam diante dele o 3 mesmo caminho, e conversavam acerca de seus negócios 4
particulares. Das poucas palavras que apanhara, percebeu 5 Jão Fera que destinavam eles uns
cinquenta mil-réis, tudo 6 quanto possuíam, à compra de mantimentos, a fim de fazer 7 um
moquirão*, com que pretendiam abrir uma boa roça.
8
– Mas chegará, homem? perguntou a velha.
9
– Há de se espichar bem, mulher!
10
Uma voz os interrompeu:
11
– Por este preço dou eu conta da roça!
12
– Ah! É nhô Jão!
13
Conheciam os velhinhos o capanga, a quem tinham 14 por homem de palavra, e de
fazer o que prometia. 15 Aceitaram sem mais hesitação; e foram mostrar o lugar que 16 estava
destinado para o roçado.
17
Acompanhou-os Jão Fera; porém, mal seus olhos 18 descobriram entre os utensílios a
enxada, a qual ele 19 esquecera um momento no afã de ganhar a soma precisa, 20 que sem mais
deu costas ao par de velhinhos e foi-se 21 deixando-os embasbacados.
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José de Alencar, Til.


* moquirão = mutirão (mobilização coletiva para auxílio mútuo, de caráter gratuito).

Considere os seguintes comentários sobre diferentes elementos linguísticos presentes


no texto:
I. Em “alcançou o capanga um casal de velhinhos” (L. 1-2), o contexto permite
identificar qual é o sujeito, mesmo este estando posposto.
II. O verbo sublinhado no trecho “que seguiam diante dele o mesmo caminho” (L. 2-3)
poderia estar no singular sem prejuízo para a correção gramatical.
III. No trecho “que destinavam eles uns cinquenta mil-réis” (L. 5), pode-se apontar um
uso informal do pronome pessoal reto “eles”, como na frase “Você tem visto eles por aí?”.

Está correto o que se afirma em


a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) I, II e III.

5. (UNESP – 2018)
“Na pedreira perdi um. A alavanca soltou-se da pedra, bateu-lhe no peito, e foi a conta.
Deixou viúva e órfãos miúdos. Sumiram-se: um dos meninos caiu no fogo, as lombrigas
comeram o segundo, o último teve angina e a mulher enforcou-se.” (2o parágrafo)

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Os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, a


a) “alavanca”, “um”, “viúva e órfãos”.
b) “pedra”, “um”, “meninos”.
c) “pedra”, “alavanca”, “viúva e órfãos”.
d) “alavanca”, “pedra”, “viúva e órfãos”.
e) “alavanca”, “pedra”, “meninos”.

6. (UNESP – 2017 adaptada)


Em “Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, chegou-se a ela com ar
disfarçado.”, a conjunção destacada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do texto,
por:

a) assim como.
b) logo que.
c) enquanto.
d) porque.
e) ainda que.

7. (UNESP - 2016 adaptado)


Leia o trecho do texto Brinquedos incendiados, e Cecília Meirelles.
Assim, o bando que passava, de casa para a escola e da escola para casa, parava longo
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tempo a contemplar aqueles brinquedos e lia aqueles nítidos preços, com seus cifrões e zeros,
sem muita noção do valor – porque nós, crianças, de bolsos vazios, como namorados antigos,
éramos só renúncia e amor. Bastava-nos levar na memória aquelas imagens e deixar cravadas
nelas, como setas, os nossos olhos.

Abaixo, você encontra o texto reescrito, mas mantendo o mesmo sentido do texto
original:

___________, o bando de crianças passava em frente ao bazar e parava ____________


pudesse contemplar aqueles brinquedos, _____________ lia os preços sem muita noção de
valor, _____________ o importante era levar na memória aquelas imagens fantásticas.

Para que haja coesão entre as ideias, as lacunas do texto devem ser preenchidas,
respectivamente, por:
a) Portanto ... se bem que ... assim que ... pois
b) Entretanto ... para que ... depois que ... à medida que
c) Desse modo ... para que ... enquanto ... pois
d) Apesar disso ... ainda que ... depois que ... à medida que
e) Todavia ... ainda que ... enquanto ... de sorte que

8. (INSPER – 2017)
Os memes – termo usado para se referir a um conceito ou imagem que se espalha
rapidamente no mundo virtual – costumam surgir de um fato inusitado ou de uma situação

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engraçada que se espalha pela internet e começa a ganhar variadas versões. Em época de
eleições, os candidatos viram alvos perfeitos dessas paródias.
Especialistas ouvidos pelo Estado dizem, no entanto, que o surgimento desses
“memes políticos” não significa que as pessoas estejam mais interessadas em discutir política.
“Isso aconteceria se elas estivessem debatendo propostas dos candidatos. O meme surge só
para divertir”, diz o consultor em marketing político Carlos Manhanelli.
Rafael Sbarai, pesquisador de mídias digitais, concorda. Para ele, o fenômeno se
explica pela tecnologia, não pela política. “Temos hoje mais pessoas conectadas, mais pessoas
passando mais tempo nas redes sociais, especialmente no Facebook.”
O especialista em marketing político digital Gabriel Rossi recomenda: quando algum
candidato for alvo de um meme, desde que ele não seja ofensivo, as campanhas têm de encarar
o fato com bom humor.
(http://politica.estadao.com.br)

No segundo parágrafo, emprega-se a expressão “no entanto”, em relação às


informações do parágrafo anterior, com a finalidade de indicar uma
a) comparação de ideias, com as quais se pode inferir que a análise de temas políticos
já faz parte do cotidiano da maioria dos internautas.
b) conclusão de ideias, com as quais se pode concluir que as pessoas têm se mostrado
mais preocupadas atualmente em debater política.
c) consequência de ideias, com as quais se pode comprovar a tendência do brasileiro em
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analisar a situação política do país com humor.


d) contrajunção de ideias, com as quais se pode concluir que a discussão política perde
espaço para o humor e para o entretenimento no mundo virtual.
e) explicação de ideias, com as quais se pode entender que, no campo da política
nacional, o humor tem espaço bastante restrito.

3.2.2 GABARITO
1. A 4. D 8. D
2. E 5. A
3. A 6. B
7. C

3.2.3 EXERCÍCIOS COMENTADOS


1. (ITA SP – 2014 adaptada)
Assinale a opção cujo elemento coesivo em negrito substitui os dois pontos sem alterar
o sentido do período. São trechos de um texto sobre a criação do personagem, Carlito, de
Charles Chaplin.
a) O andar do personagem não saiu completo e definitivo da cabeça de Chaplin: foi
uma criação em que o artista procedeu por uma sucessão de tentativas e erradas. – já que
b) O público riu: estava fixado o andar habitual do personagem Carlito. – visto que

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c) O público não achou graça: estava desapontado. – de forma que


d) Cada espectador pode encontrar nele o que procura: o riso, a crítica, o lirismo ou
ainda o contrário de tudo isso. – posto que
e) A interpretação cabe perfeitamente dentro do tipo e mais: o americano bem
verdadeiramente americano, o que veda a entrada do seu território a doentes e estropiados,
não poderia pensar outra coisa. – tanto que
Comentários: A alternativa A está correta, pois “já que” tem valor de explicação: o andar não
saiu completo, pois partiu de uma sucessão de tentativas.
Alternativa B está incorreta, pois “visto que” tem valor causal e, neste caso, a relação é de
consequência: porque o público riu, fixou-se o andar de Carlito.
Alternativa C está incorreta, pois “de forma que” tem valor de consequência e, neste caso, a
relação é de conclusão: o público não achou graça, logo, ficou desapontado.
Alternativa D está incorreta, pois “posto que” tem valor de causa e, neste caso, a relação é
de explicação, enumerando tudo o que se pode encontrar na personagem.
Alternativa E está incorreta, pois “tanto que” tem valor explicação e, neste caso, a relação é
de causa: a interpretação cabe bem, pois é realmente isso que pensa o americano.
Gabarito: A
2. (ITA SP - 2011)
Os trechos a seguir, que estão fora de ordem, fazem parte de um texto coeso e coerente.
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I. Estudos feitos com várias profissões que trabalham em turnos mostram que ficar
acordado por mais de 19 horas ou ter uma jornada de trabalho superior a 12 horas provoca
sintomas semelhantes ao de um porre.
II. Se essas duas condições se sobrepõem numa madrugada, as consequências
negativas se potencializam ao extremo.
III. As reações ficam mais lentas e o julgamento da realidade é comprometido.
IV. Um piloto dormir no manche do avião é uma cena muito mais rara do que um
motorista de ônibus ou caminhão cochilar no volante. Mas pode acontecer.
V. No caso da aviação, há ainda o agravante de que os pilotos trabalham a 10 mil
metros do solo, no comando de aeronaves complexas e delicadas, às vezes com mais de uma
centena de passageiros a bordo.
(Em: Pesquisa Fapesp, agosto/2009. Adaptado)

Assinale a opção que apresenta a melhor sequência.

a) I – II – IV – III – V.
b) IV – I – II – V – III.
c) IV – I – III – II – V.
d) I – V – IV – III – II.
e) IV – I – II – III – V.
Comentários: Para compreender esta questão é preciso observar o conteúdo de cada item.
Só assim pode-se auferir se o texto faz sentido. Sobre o que tratam todos os itens? Sobre as longas
jornadas de trabalho dos pilotos de avião. A primeira informação, portanto, deve ser relacionada a

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situar o contexto. Tanto a I. quanto a IV. dão informações contextuais. Logo, deve-se observar a
relação entre os itens.
Em I. se apresentam duas alternativas prejudiciais à saúde: ficar acordado muito tempo e ter
uma jornada de trabalho longas. Na alternativa II., a oração se inicia por “Se essas duas condições
se sobrepõem numa madruga”, logo, ela deve vir automaticamente depois da alternativa I.
O item II. ainda fala sobre as consequências negativas, mas não as enumera. O item III. é o
único que contém a listagem de possíveis consequências para as práticas, logo, III. deve vir
automaticamente depois de II.
O item V. se inicia com “no caso da aviação”, o que demonstra que deve ser precedido por
uma afirmação mais geral sobre os malefícios. Por isso, deve vir automaticamente depois de III.
Assim, como o item IV. não consegue estabelecer relação com a oração V., ele deve ser a
primeira oração, antecipando toda a sequência que ficaria: IV – I – II – III – V.
Gabarito: E
3. (FUVEST – 2018)
1
Uma obra de arte é um desafio; não a explicamos, 2 ajustamo-nos a ela. Ao interpretá-
la, fazemos uso dos nossos 3 próprios objetivos e esforços, dotamo-la de um significado que 4
tem sua origem nos nossos próprios modos de viver e de pensar. 5 Numa palavra, qualquer
gênero de arte que, de fato, nos afete, 6 torna-se, deste modo, arte moderna.
7
As obras de arte, porém, são como altitudes inacessíveis. 8 Não nos dirigimos a elas
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diretamente, mas contornamo-las. 9 Cada geração as vê sob um ângulo diferente e sob uma
nova 10 visão; nem se deve supor que um ponto de vista mais recente é 11 mais eficiente do
que um anterior. Cada aspecto surge na sua 12 altura própria, que não pode ser antecipada
nem prolongada; 13 e, todavia, o seu significado não está perdido porque o 14 significado que
uma obra assume para uma geração posterior 15 é o resultado de uma série completa de
interpretações anteriores.
Arnold Hauser, Teorias da arte. Adaptado.

No trecho “Numa palavra, qualquer gênero de arte que, de fato, nos afete, torna-se,
deste modo, arte moderna” (Refs. 5-6), as expressões sublinhadas podem ser substituídas, sem
prejuízo do sentido do texto, respectivamente, por
a) realmente; portanto.
b) invariavelmente; ainda.
c) com efeito; todavia.
d) com segurança; também.
e) possivelmente; até.
Comentários: A alternativa A é correta, pois “de fato” funciona como locução adverbial de
afirmação, ou seja, confirma e dá mais força ao verbo “afete”, podendo ser substituída por
“realmente”; e “deste modo” funciona como conjunção consecutiva, ou seja, denota consequência:
se a obra de arte nos afeta, logo, ela se torna arte moderna.
A alternativa B está incorreta, pois “ainda” não denota consequência, mas sim adição.
A alternativa C está incorreta, pois “todavia” não denota consequência, mas sim oposição.
A alternativa D está incorreta pelo mesmo motivo da B: denota adição.

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A alternativa E está incorreta, pois “possivelmente” denota dúvida.


Gabarito: A
4. (FUVEST - 2015)

1
Tornando da malograda espera do tigre, alcançou o 2 capanga um casal de velhinhos,
que seguiam diante dele o 3 mesmo caminho, e conversavam acerca de seus negócios 4
particulares. Das poucas palavras que apanhara, percebeu 5 Jão Fera que destinavam eles uns
cinquenta mil-réis, tudo 6 quanto possuíam, à compra de mantimentos, a fim de fazer 7 um
moquirão*, com que pretendiam abrir uma boa roça.
8
– Mas chegará, homem? perguntou a velha.
9
– Há de se espichar bem, mulher!
10
Uma voz os interrompeu:
11
– Por este preço dou eu conta da roça!
12
– Ah! É nhô Jão!
13
Conheciam os velhinhos o capanga, a quem tinham 14 por homem de palavra, e de
fazer o que prometia. 15 Aceitaram sem mais hesitação; e foram mostrar o lugar que 16 estava
destinado para o roçado.
17
Acompanhou-os Jão Fera; porém, mal seus olhos 18 descobriram entre os utensílios a
enxada, a qual ele 19 esquecera um momento no afã de ganhar a soma precisa, 20 que sem mais
deu costas ao par de velhinhos e foi-se 21 deixando-os embasbacados.
José de Alencar, Til.
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* moquirão = mutirão (mobilização coletiva para auxílio mútuo, de caráter gratuito).

Considere os seguintes comentários sobre diferentes elementos linguísticos presentes


no texto:
I. Em “alcançou o capanga um casal de velhinhos” (L. 1-2), o contexto permite
identificar qual é o sujeito, mesmo este estando posposto.
II. O verbo sublinhado no trecho “que seguiam diante dele o mesmo caminho” (L. 2-3)
poderia estar no singular sem prejuízo para a correção gramatical.
III. No trecho “que destinavam eles uns cinquenta mil-réis” (L. 5), pode-se apontar um
uso informal do pronome pessoal reto “eles”, como na frase “Você tem visto eles por aí?”.

Está correto o que se afirma em


a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) I, II e III.
Comentários: O Item I. está correto, pois “alcançou” dá sentido à oração seguinte: “, que
seguiam diante dele o 3 mesmo caminho”. Foi alcançado quem “seguiam diante dele”, portanto, essa
pessoa verbal é necessariamente plural: “casal de velhinhos”. Logo, o sujeito será o outro termo da
oração “capanga”.

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O Item II. está correto, pois apesar de se referir a duas pessoas, “casal” é substantivo de
coletividade e, como tal, é tratado no singular. O uso de plural aqui – que justifica o Item I. – é útil
para não causar ambiguidades, como a questionada no Item I.
O Item III. está incorreto, pois o “eles” do texto assume função de sujeito (quem destinou os
cinquenta mil-réis) e na frase do item, como objeto (quem foi visto por aí).
Gabarito: D
5. (UNESP – 2018)
“Na pedreira perdi um. A alavanca soltou-se da pedra, bateu-lhe no peito, e foi a conta.
Deixou viúva e órfãos miúdos. Sumiram-se: um dos meninos caiu no fogo, as lombrigas
comeram o segundo, o último teve angina e a mulher enforcou-se.” (2o parágrafo)

Os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, a


a) “alavanca”, “um”, “viúva e órfãos”.
b) “pedra”, “um”, “meninos”.
c) “pedra”, “alavanca”, “viúva e órfãos”.
d) “alavanca”, “pedra”, “viúva e órfãos”.
e) “alavanca”, “pedra”, “meninos”.
Comentários: O pronome “se” é reflexivo, pois se refere ao próprio sujeito da ação: quem soltou da
pedra? A alavanca.
O pronome “lhe” se refere à pessoa em cujo peito a alavanca bateu. Essa informação está no período
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anterior: “Na pedreira perdi um”: este “um” é a pessoa que morreu após ser atingida pela alavanca.
O segundo “se”, também reflexivo, refere-se a quem sumiu. Aqui, fica claro que eram “a viúva e
órfãos miúdos” pelo período que precede, pois explica o que ocorreu com cada uma das pessoas
da família.
Gabarito: A
6. (UNESP – 2017 adaptada)
Em “Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, chegou-se a ela com ar
disfarçado.”, a conjunção destacada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do texto,
por:

a) assim como.
b) logo que.
c) enquanto.
d) porque.
e) ainda que.
Comentários: O conectivo “mal” pode ser substituído por “nem bem”, “assim que” ou “logo
que”, pois tem valor temporal sucessão (a viu sair e depois chegou-se). Por isso, a alternativa correta
é a B.
A alternativa A está incorreta, pois tem valor comparativo.
A alternativa C está incorreta, pois tem valor temporal concomitante, ou seja, liga dois
elementos que ocorrem ao mesmo tempo.
A alternativa D está incorreta, pois tem valor explicativo, de causa.

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A alternativa E está incorreta, pois tem valor concessivo, ou seja, indica uma condição para
que algo ocorra.
Gabarito: B
7.(UNESP - 2016 adaptado)
Leia o trecho do texto Brinquedos incendiados, e Cecília Meirelles.
Assim, o bando que passava, de casa para a escola e da escola para casa, parava longo
tempo a contemplar aqueles brinquedos e lia aqueles nítidos preços, com seus cifrões e zeros,
sem muita noção do valor – porque nós, crianças, de bolsos vazios, como namorados antigos,
éramos só renúncia e amor. Bastava-nos levar na memória aquelas imagens e deixar cravadas
nelas, como setas, os nossos olhos.

Abaixo, você encontra o texto reescrito, mas mantendo o mesmo sentido do texto
original:

___________, o bando de crianças passava em frente ao bazar e parava ____________


pudesse contemplar aqueles brinquedos, _____________ lia os preços sem muita noção de
valor, _____________ o importante era levar na memória aquelas imagens fantásticas.

Para que haja coesão entre as ideias, as lacunas do texto devem ser preenchidas,
respectivamente, por:
a) Portanto ... se bem que ... assim que ... pois
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b) Entretanto ... para que ... depois que ... à medida que
c) Desse modo ... para que ... enquanto ... pois
d) Apesar disso ... ainda que ... depois que ... à medida que
e) Todavia ... ainda que ... enquanto ... de sorte que
Comentários: A alternativa correta é a C, pois a primeira lacuna deve ser substituída por um
conectivo que denote conclusão, semelhante a “assim”; a segunda lacuna, por um conectivo que
denote finalidade, semelhante à preposição “a”; a terceira lacuna e a quarta precisam dar noção de
concomitância, pois é a descrição de uma ação: os meninos contemplavam os brinquedos, enquanto
liam os preços sem perceber e criavam memórias.
A alternativa A está incorreta, pois há erro na segunda lacuna, já que “se bem que” dá noção
de concessão e na segunda lacuna “pois” dá noção de explicação.
A alternativa B está incorreta, pois “entretanto” dá noção de oposição, não conclusão.
A alternativa D está incorreta, pois “apesar disso” dá noção de concessão.
A alternativa E está incorreta, pois “todavia” dá noção de oposição.
Gabarito: C
8.(INSPER – 2017)
Os memes – termo usado para se referir a um conceito ou imagem que se espalha
rapidamente no mundo virtual – costumam surgir de um fato inusitado ou de uma situação
engraçada que se espalha pela internet e começa a ganhar variadas versões. Em época de
eleições, os candidatos viram alvos perfeitos dessas paródias.

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Especialistas ouvidos pelo Estado dizem, no entanto, que o surgimento desses


“memes políticos” não significa que as pessoas estejam mais interessadas em discutir política.
“Isso aconteceria se elas estivessem debatendo propostas dos candidatos. O meme surge só
para divertir”, diz o consultor em marketing político Carlos Manhanelli.
Rafael Sbarai, pesquisador de mídias digitais, concorda. Para ele, o fenômeno se
explica pela tecnologia, não pela política. “Temos hoje mais pessoas conectadas, mais pessoas
passando mais tempo nas redes sociais, especialmente no Facebook.”
O especialista em marketing político digital Gabriel Rossi recomenda: quando algum
candidato for alvo de um meme, desde que ele não seja ofensivo, as campanhas têm de
encarar o fato com bom humor.
(http://politica.estadao.com.br)

No segundo parágrafo, emprega-se a expressão “no entanto”, em relação às


informações do parágrafo anterior, com a finalidade de indicar uma
a) comparação de ideias, com as quais se pode inferir que a análise de temas políticos
já faz parte do cotidiano da maioria dos internautas.
b) conclusão de ideias, com as quais se pode concluir que as pessoas têm se mostrado
mais preocupadas atualmente em debater política.
c) consequência de ideias, com as quais se pode comprovar a tendência do brasileiro
em analisar a situação política do país com humor.
d) contrajunção de ideias, com as quais se pode concluir que a discussão política perde
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espaço para o humor e para o entretenimento no mundo virtual.


e) explicação de ideias, com as quais se pode entender que, no campo da política
nacional, o humor tem espaço bastante restrito.
Comentários: “No entanto” é um conectivo que denota oposição. Portanto a alternativa
correta é a D.
A alternativa A é incorreta, pois o período afirma que o uso de memes não garante a análise
política.
A alternativa B é incorreta, pois o texto afirma justamente o contrário: que as pessoas não
estão interessadas em discutir política.
A alternativa C é incorreta, pois as ideias não estão concatenadas a partir da ideia de
consequência: segundo o texto, não é porque consomem memes que as pessoas não se interessam
por discutir política.
A alternativa E é incorreta, pois o espaço de humor na política nacional não é restrito, uma
vez que o texto versa sobre a profusão de memes de política.
Gabarito: D

3.3 EXPRESSÕES COESIVAS

Você já deve ter percebido que a conexão entre as ideias não se restringe às conjunções.
Advérbios, pronomes e até mesmo verbos podem ter essa função. Em alguns casos, para unir
parágrafos e ideias, é preciso uma frase inteira.

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Aliás, na hora do desespero, uma das possibilidades de escrita do texto pode ser a de
conjugar comentário ampliado com elementos coesivos, contanto que você tenha uma tese, para
que o texto tenha direcionamento.
Para ilustrar isso, considere a proposta do Enem de 2009.

Com base na leitura dos textos a seguir e em seus conhecimentos, redija um texto dissertativo-
argumentativo em norma culta escrita da língua portuguesa sobre o tema O indivíduo frente à ética
nacional, apresentando proposta de ação social, que respeite os direitos humanos. Selecione,
organize e relacione coerentemente argumentos e fatos para a defesa do seu ponto de vista.
Enem/2009
TEXTO I
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TEXTO II

Andamos demais acomodados, todo mundo reclamando em voz baixa como se fosse errado
indignar-se.

Sem ufanismo, porque dele estou cansada, sem dizer que este é um país rico, de gente boa e
cordata, com natureza (a que sobrou) belíssima e generosa, sem fantasiar nem botar óculos cor-
de-rosa, que o momento não permite, eu me pergunto o que anda acontecendo com a gente.

Tenho medo disso que nos tornamos ou em que estamos nos transformando, achando bonita a
ignorância eloqüente, engraçado o cinismo bem-vestido, interessante o banditismo arrojado,
normal o abismo em cuja beira nos equilibramos — não malabaristas, mas palhaços.
LUFT, L. Ponto de vista. Veja. Ed. 1988, 27 dez. 2006 (adaptado).

TEXTO III

Qual é o efeito em nós do “eles são todos corruptos”?

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As denúncias que assolam nosso cotidiano podem dar lugar a uma vontade de transformar o
mundo só se nossa indignação não afetar o mundo inteiro. “Eles são TODOS corruptos” é um
pensamento que serve apenas para “corfirmar” a “integridade” de quem se indigna.

O lugar-comum sobre a corrupção generalizada não é uma armadilha para os corruptos: eles
continuam iguais e livres, enquanto, fechados em casa, festejamos nossa esplendorosa retidão.

O dito lugar-comum é uma armadilha que amarra e imobiliza os mesmos que denunciam a
imperfeição do mundo inteiro.
CALLIGARIS, C. A armadilha da corrupção. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br
(adaptado)

Comentário.
Se você fizer uma leitura atenta, perceberá que a coletânea já indica um percurso
argumentativo que pode ser usado na hora do desespero. A questão proposta é de julgamento da
ética nacional. Poderíamos dividir o tema em duas perguntas: Qual é a ética nacional que predomina
no Brasil? Qual deve ser a reação do indivíduo?
No caso da primeira pergunta, a resposta da coletânea aponta para a corrupção e para a
desonestidade como marcas do cotidiano nacional. A segunda, deveria ser respondida como
proposta de intervenção.
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Observe o texto abaixo que segue o percurso proposto pela Banca. Minha estratégia foi fazer
comentários e conectá-los segundo a tese estabelecida logo no começo do texto.

O comportamento ético no Brasil é, quando não raro, Tese


desvalorizado. Millor Fernandes em sua charge apresenta um
indivíduo num deserto que exclama: “só lidar com gente
Conclusão do
honesta, meu Deus, quanta solidão!” O cartunista expressa o
argumento, essa frase
sentimento daqueles que fazem questão de levar o outro em
permite a conexão com
consideração, ao mesmo tempo que indica que não são muitos
o segundo parágrafo.
os brasileiros que realmente se preocupam com a questão.
Se essa realmente é a situação, deveríamos temer
o futuro, diante do que estamos nos tornando. E são várias as Tópico frasal,
evidências de que isso é verdade. Recentemente uma música estabelece
tornou-se sucesso simplesmente por afirmar que ser rico era relações a partir
um valor em oposição a pobreza, repetindo o refrão humilhante da condicional.
“pobreza pega”. Duro é perceber que muitos encaram como
verdade esse jargão que justifica a ideia de que vale tudo para
se alcançar o sucesso.
Novo tópico frasal,
Pode-se dizer que nem todos adotam tal filosofia, que é responsável
mas nesse ponto há um outro problema: a tolerância para pela mudança do
com a corrupção e a malandragem. Na aparência, temos a rumo
sensação de que o brasileiro na verdade não tolera a falta de argumentativo com
a finalidade de
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ética. É comum ouvirmos concidadãos indignados acusando os


políticos de serem todos corruptos. Infelizmente, isso é só
aparência. O indivíduo indignado acha que só isso é suficiente e
não faz nada para que haja mudança. Permanece tolerante à
nossa falta de ética de cada dia.

Faça a frase inicial de cada parágrafo. Siga o modelo.

Parágrafo de introdução

“A chamada família contemporânea nasceu de profundas mudanças da dilatada lacuna entre a família
clássica e a família moderna. A realidade das famílias modernas esboçou uma revolução em sua
organização, enfraqueceu o autoritarismo do pai ao tempo que a mãe deixou o fogão para concorrer
com os homens no mercado de trabalho.”
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Segundo parágrafo

_______________________________________________________. Colocada estava a supremacia do


homem na relação conjugal. Na antiga família, os laços de sangue eram mais importantes e o interesse
econômico prevalecia sobre os vínculos do amor. Sendo que muitos casamentos sobreviviam ausentes
de afeto, sua coesão era vinculada à propriedade e à estirpe.

Relação: de contraste relacionada ao tempo

Até meados do século passado a situação era bem diferente. Colocada estava a supremacia do
homem na relação conjugal. Na antiga família, os laços de sangue eram mais importantes e o interesse
econômico prevalecia sobre os vínculos do amor. Sendo que muitos casamentos sobreviviam
ausentes de afeto, sua coesão era vinculada à propriedade e à estirpe.

Q.1 “A chamada família contemporânea nasceu de profundas mudanças da dilatada lacuna


entre a família clássica e a família moderna. A realidade das famílias modernas esboçou uma
revolução em sua organização, enfraqueceu o autoritarismo do pai ao tempo que a mãe deixou
o fogão para concorrer com os homens no mercado de trabalho.”

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_____________________________________. Percebe-se desorientação e perplexidade


na medida em que não é mais possível assegurar modelos e paradigmas capazese de responder
nossas ansiedades.

Relação: _________________________________
Frase incial: ______________________________

Q.2 “A chamada família contemporânea nasceu de profundas mudanças da dilatada lacuna


entre a família clássica e a família moderna. A realidade das famílias modernas esboçou uma
revolução em sua organização, enfraqueceu o autoritarismo do pai ao tempo que a mãe deixou
o fogão para concorrer com os homens no mercado de trabalho.”

_____________________________________. Principalmente a contracultura acelerou


o processo de luta de diretos pela igualdade faminina. Durante esse período revolucionário no
plano do comportamento, a mulher começou a questionar seu papel dentro do lar exigindo a
redefinição do papel masculino.
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Relação: __________________________________
Frase incial : ______________________________

Q.3 “A chamada família contemporânea nasceu de profundas mudanças da dilatada lacuna


entre a família clássica e a família moderna. A realidade das famílias modernas esboçou uma
revolução em sua organização, enfraqueceu o autoritarismo do pai ao tempo que a mãe deixou
o fogão para concorrer com os homens no mercado de trabalho.”

______________________________________. A escola, por exemplo, não segue mais


critérios autoritários de épocas passadas. Parece ter havido um movimento geral de
democratização das relações sociais.

Relação: ________________________
Frase inicial : _____________________

Resolução possível

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Q.1 “A chamada família contemporânea nasceu de profundas mudanças da dilatada


lacuna entre a família clássica e a família moderna. A realidade das famílias modernas
esboçou uma revolução em sua organização, enfraqueceu o autoritarismo do pai ao tempo
que a mãe deixou o fogão para concorrer com os homens no mercado de trabalho.”
_____________________________________. Percebe-se desorientação e
perplexidade na medida em que não é mais possível assegurar modelos e paradigmas
capazese de responder nossas ansiedades.

Relação: Consequência
Frase incial: Essse processo modificou a forma das pessoas viverem.

Q.2 “A chamada família contemporânea nasceu de profundas mudanças da dilatada


lacuna entre a família clássica e a família moderna. A realidade das famílias modernas
esboçou uma revolução em sua organização, enfraqueceu o autoritarismo do pai ao tempo
que a mãe deixou o fogão para concorrer com os homens no mercado de trabalho.”

_____________________________________. Principalmente a contracultura


acelerou o processo de luta de diretos pela igualdade faminina. Durante esse período
revolucionário no plano do comportamento, a mulher começou a questionar seu papel
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dentro do lar exigindo a redefinição do papel masculino.

Relação: Consequência restrita para as mulhers


Frase incial : Essas mudanças foram benéficas para as mulheres.

Q.3 “A chamada família contemporânea nasceu de profundas mudanças da dilatada lacuna


entre a família clássica e a família moderna. A realidade das famílias modernas esboçou uma
revolução em sua organização, enfraqueceu o autoritarismo do pai ao tempo que a mãe deixou
o fogão para concorrer com os homens no mercado de trabalho.”

______________________________________. A escola não segue mais critérios


autoritários de épocas passadas. Parece ter havido um movimento geral de democratização
das relações sociais.

Relação: Exemplificação
Frase inicial : Podemos exemplificar a mudança a partir de algumas intituições
disciplinares.

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4. MODELO A PARTIR DA COESÃO


Vale a pena lembrar que uma receita para fazer redação não é muito bem vista pelo corretor.
Normalmente, dá para perceber quando o escritor se vale de uma modelo fixo. Mas, no fundo, acho
que até mesmo modelos tem o seu valor. Alguns conseguem fazer uma redação colocando no inicio
de cada parágrafo um conectivo. Isso, de certa forma, vai obrigá-lo a seguir uma sequência lógica.
Antes de consideramos um modelo a partir de conectivos, vale a pena pensar na combinação
entre conectivos e partes da dissertação.
Introdução
Parar iniciar o texto (nada melhor do que advérbios de tempo e espaço)
o Atualmente....
o No Brasil, ...
Para presentar o argumento contrário, ou a ideia que serve de base para a discussão
o muito se tem discutido acerca de…
o sabe-se que…
o comenta-se, com freqüência, a respeito de…
o É comum ouvirmos que...
Para apresentar a tese
o é indiscutível/inegável que…
ao contrário do que muitos acreditam…
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o
o pode-se afirmar que, em razão de/devido a…
o ao refletirmos criticamente a respeito de…
Desenvolvimento
O parágrafo que se segue à introdução geralmente segue a lógica determinada pela tese.
Mas há alguns conetivos que podem ser utilizados em alguns momentos do desenvolvimento, no
começo ou no meio dos parágrafos.
Par adicionar ideias
o além disso…
o outro fator diz respeito a…
o convém lembrar que…
o
Para apresentar uma ideia contrária
o por outro lado…
o porém, mas, contudo, todavia, no entanto, entretanto…

Ênfase
o no que tange ao/diz respeito…
o dentre os inúmeros motivos que levaram a/ao…
o uma preocupação constante…

Conclusão
Por síntese de ideias

o levando-se em consideração os aspectos expostos…
o dessa forma…

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o em vista dos argumentos apresentados…


o em virtude do que foi mencionado…
o pela observação dos aspectos analisados…
Proposta de intervenção
o é imprescindível que tais medidas sejam tomadas…
o é necessário que/faz-se necessário que…

4.1 ESQUELETO DE REDAÇÃO


Como disse é possível estabelecer um modelo dissertativo a partir de conectivos. Trata-se de
construir um esqueleto que deve ser preenchido pelo seu repertório próprio.
Esqueleto geral de redação tradicional, na qual se apresenta a tese com dois argumentos.
Atualmente, comenta-se frequentemente a respeito (coloque o tema). Não raro, ouvimos
falar (dê detalhes exemplificativos do tema). Considerando-se essa questão, pode-se afirmar que
(tese geral com 2 argumentos de forma simplificada).
Em primeiro lugar, deve-se considerar (primeiro argumento). Verifica-se isso (concretização).
Além disso, outro fator deve ser levado em consideração. (Segundo argumento). Entende-se,
com isso...(desdobramento).
Levando-se em consideração (argumento 1 resumido + argumento 2), é possível dizer que
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(reafirmação da tese). Em virtude (de alguma circunstância atual), precisamos considerar com
atenção essa questão. (Frase de efeito).

Exemplo

Atualmente, comenta-se frequentemente a respeito da ética nacional. Não raro, ouvimos


histórias de malandragem e corrupção que parecem indicar que essa ética distorcida compensa.
Considerando-se a questão, pode-se afirmar que o comportamento que envolve responsabilidade
ética não é valorizado no Brasil, seja por causa da cultura do jeitinho brasileiro, seja pela passividade
com que reagimos ao espaço público.
Em primeiro lugar, deve-se considerar a cultura do jeitinho brasileiro. Verifica-se esse
costume no cotidiano. O jovem que, para passar de ano, cola na prova; o empresário que paga
propina para o fiscal da prefeitura como forma de não cumprir seu dever; a mãe que pede para a
escola dar um jeito para que seu filho não fique retido; são exemplos bem conhecidos do lema
“vantagem acima de tudo”.
Além disso, outro fator deve ser levado em consideração. O brasileiro não tem preocupação
pública e coletiva. O cidadão observa passivamente a corrupção e acredita que por reclamar da
situação cumpre o seu papel. Entende-se com isso que o indivíduo não está de fato disposto em
gastar energia para realizar qualquer tipo de mudança. Até, porque, em muitos casos, ele se
beneficia de uma sociedade em que prevalece uma certa permissividade.

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Levando-se em consideração essa apatia aliada ao jeitinho brasileiro já incorporado pelo


brasileiro, é possível afirmar com todas as letras que uma ética distorcida grassa no Brasil. Em
virtude do mundo tão pouco solidário em que vivemos, essa situação precisaria ser revista com
urgência. Com essa ética da vantagem a todo custo, todos perdem.

Limites

Ficou encantado com o esqueleto? Parece algo do


tipo “seus problemas acabaram”. Não é bem assim.
O texto acima ficou interessante porque eu soube
utilizar bem a linguagem para fazer com que as ideias
do senso comum ali apresentadas pudessem ser
descritas como sendo de bom senso. Ou seja, o texto
Figura 7: Pixabay

manifesta bom traquejo com a linguagem.


O esqueleto não resolve todos seus problemas, mas
vai ajudá-lo, se você tem muita dificuldade para
escrever. Esse deve ser um estágio de produção de
texto que deve ser abandonado por aqueles que querem a nota máxima. Com uma boa linguagem,
o autor de um texto como o acima pode até tirar uma nota um pouco acima da média, mas jamais
vai passar de 7,5, a não ser que tenha argumentos muto bons. Mas o problema é que o esqueleto
engessa o escritor. No momento em que estava preenchendo o esqueleto tive que deixar de lado
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várias ideias interessantes.

4.2 ESQUELETO E PLÁGIO


No caso da redação do Enem, cuja estrutura é mais engessada, alguns “professores”
começaram a sugerir o uso de esqueletos mais precisos com citações de pensadores como forma de
introduzir temas diferentes. Por exemplo, para expor algum tipo de questão social, o aluno deveria
decorar um esqueleto que começasse da seguinte forma:
“Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e
econômicas é característica da “modernidade liquida” vivida no século XX. (Tema problema), reflete
essa opinião.”
Esse trecho foi utilizado em uma redação nota 1000 do Enem e começou a circular em
esqueletos feitos por “profissionais” para seus alunos como garantia de que tirariam nota máxima.
Bom, isso é um grande engano. Engano utilizado por quem quer ganhar dinheiro com isso (ele está
enganando incautos) e autoengano de quem compra essa ideia.
Se o corretor perceber essa colagem, ele pode classificar a prática como plágio. Mas há um
dado a mais. Quem seria capaz de começar uma redação com Bauman e continuar o raciocínio de
forma coerente e coesa? Quem já sabe escrever bem. Então para que serviria tal esqueleto?
Acho que todo tipo de esquema de aprendizado é bem-vindo, contanto que promova
realmente o aperfeiçoamento da habilidade e não o engano de comprar gato por lebre. Por isso vou
parar no esqueleto acima e sugerir que você produza os seus a partir da observação dos textos dos
outros e dos seus próprios textos. Ao fazer isso, você começará a fazer textos autorais.

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5. PROPOSTAS DE REDAÇÃO

Hora da diversão.
Bom texto.

Proposta 1

Questão social
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FAMEMA 2017
Texto I
Em 2013, o Brasil chegou ao primeiro lugar no ranking dos países que mais faziam cirurgias
plásticas no mundo. Segundo a mais recente pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia
Plástica Estética, o Brasil realizou 1,22 milhão de procedimentos em 2015. O Brasil está agora em
segundo lugar no ranking, superado apenas pelos Estados Unidos que, em 2015, registraram 1,41
milhão de cirurgias.
(Mariana Lenharo. “Cai número de plásticas no Brasil, mas país ainda é 2o no ranking, diz
estudo”. http://g1.globo.com, 27.08.2016. Adaptado.)
Texto II
Que modelo de mulher é a Barbie, que reinou por mais de meio século como um ideal
feminino a ser atingido? Um que não existe. E não é que Barbie não exista por ser linda demais,
inatingível para pobres mortais com seus genes imperfeitos, mas sim por ser bizarra demais, uma
arquitetura que literalmente não para em pé. Graças a sua cinturinha, Barbie só teria espaço para
acomodar metade de um rim e alguns centímetros de intestino. Como o pescoço é duas vezes maior
do que o de uma mulher e 15 centímetros mais fino, ela não teria como manter a cabeça erguida.
Andar, só como um quadrúpede.
(Eliane Brum. “Quem precisa da Barbie, tenha o corpo que tiver?”. http://brasil.elpais.com,
01.02.2016. Adaptado.)
Texto III

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Sabe-se que há riscos para a pessoa que faz uma cirurgia plástica. Podem ocorrer
infecções, sangramentos, perfuração de órgãos e hematomas. Além disso, não são raros casos de
morte na sala cirúrgica ou por complicações posteriores. Por que essa incessante busca pelo corpo
perfeito, à custa de bisturi e sangue? A mídia tem uma grande influência sobre seu público. Homens
e mulheres comuns estão cercados de anúncios que utilizam modelos esteticamente perfeitos.
Numa guerra contra o espelho, há pessoas que não aceitam sua imagem fora do padrão estético
vigente. Assim, não bastam academias de ginástica, dietas, cosméticos e salões de beleza. É preciso
cortar a própria carne. Tudo bem quando isso é feito de forma responsável e conforme o mais alto
grau de profissionalismo. Contudo, a recorrência ao bisturi para alterar a aparência é um problema
quando se torna obsessão. Na mitologia grega, Procusto era um malfeitor que capturava viajantes
para fazê-los caber numa espécie de leito de ferro. Se fossem maiores que o leito, cortava-lhes
pedaços a golpes de machado. Se menores, os esticava. Metaforicamente, eu prefiro não caber no
leito de Procusto.
(Márcio Chocorosqui. “À procura do corpo perfeito”. http://lounge.obviousmag.org.
Adaptado.)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma
dissertação, empregando a norma- -padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
O excesso de cirurgias plásticas em uma sociedade de padrões estéticos opressores
impostos pela mídia
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Representação da realidade

Proposta 2

Fuvest/ 2019

Leia os textos para fazer sua redação.

TEXTO I
O progresso, longe de consistir em mudança, depende da capacidade de retenção. Quando a
mudança é absoluta, não permanece coisa alguma a ser melhorada e nenhuma direção é

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estabelecida para um possível aperfeiçoamento; e quando a experiência não é retida, a infância é


perpétua.
George Santayana, A vida da razão, 1905, Vol. I, Cap. XII. Adaptado

TEXTO II
O Historiador
Veio para ressuscitar o tempo
e escalpelar os mortos,
as condecorações, as liturgias, as espadas,
o espectro das fazendas submergidas,
o muro de pedra entre membros da família,
o ardido queixume das solteironas,
os negócios de trapaça, as ilusões jamais confirmadas
nem desfeitas.
Veio para contar
o que não faz jus a ser glorificado
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e se deposita, grânulo,
no poço vazio da memória.
É importuno,
Sabe-se importuno e insiste,
rancoroso, fiel.
Essa escultura de um
garoto negro foi esculpida
no tamanho real de uma
criança, com seus cabelos
crespos, seu nariz largo,
sua boca marcada. A
criança segura uma lata
por sobre sua cabeça, de
onde escorre uma tinta
branca sobre seu corpo
feito de bronze.
Nexo Jornal, 13/07/2018.

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Carlos Drummond de Andrade, A paixão medida, 1981

TEXTO III

Essa
escultura de um
garoto negro foi
esculpida no
tamanho real de
uma criança, com
seus cabelos
crespos, seu nariz
largo, sua boca
marcada. A criança
segura uma lata por
sobre sua cabeça, de
onde escorre uma
tinta branca sobre
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seu corpo feito de


bronze. Nexo Jornal,
TEXTO IV
13/07/2018
A minha vontade, com a raiva que todos estamos sentindo, é deixar aquela ruína [o Museu
Nacional depois do incêndio] como memento mori, como memória dos mortos, das coisas mortas,
dos povos mortos, dos arquivos mortos, destruídos nesse incêndio. Eu não construiria nada naquele
lugar. E, sobretudo, não tentaria esconder, apagar esse evento, fingindo que nada aconteceu e
tentando colocar ali um prédio moderno, um museu digital, um museu da Internet – não duvido
nada que surjam com essa ideia. Gostaria que aquilo permanecesse em cinzas, em ruínas, apenas
com a fachada de pé, para que todos vissem e se lembrassem. Um memorial.
Eduardo Viveiros de Castro, Público.pt, 04/09/2018

TEXTO V
Articular historicamente o passado não significa conhece-lo ‘como ele de fato foi’. Significa
apropriar-se de uma reminiscência, tal como ela relampeja no momento de um perigo.
Walter Benjamin, Sobre o conceito de história,1940

Considerando as ideias apresentadas nos textos e também outras informações que julgar
pertinentes, redija uma dissertação em prosa, na qual você exponha seu ponto de vista sobre o
tema: De que maneira o passado contribui para a compreensão do presente? Instruções:

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A dissertação deve ser redigida de acordo com a norma padrão da língua portuguesa.
Escreva, no mínimo, 20 linhas, com letra legível e não ultrapasse o espaço de 30 linhas da
folha de redação.
Dê um título a sua redação

Proposta 3

Ética
(UNESP 2019)

TEXTO 1

O mundo enriqueceu-se com uma nova beleza: a beleza da velocidade. Um automóvel de


corrida com seu cofre enfeitado de grossos tubos, semelhantes a serpentes de hálito explosivo… um
automóvel rugindo é mais belo do que a Vitória da Samotrácia1.

(Filippo Tommaso Marinetti. “Manifesto do Futurismo”. Le Figaro, 20.02.1909. Adaptado.)


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. Vitória da Samotrácia: famosa escultura grega, considerada uma obra-prima do período


1

helenístico e datada, aproximadamente, do ano de 190 a.C. Integra o acervo do Museu do Louvre.

TEXTO 2

Cota Zero
Stop.
A vida parou
ou foi o automóvel?

(Carlos Drummond de Andrade. Alguma poesia, 1930.)

TEXTO 3

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TEXTO 4

Jaime Lerner, arquiteto e ex-prefeito de Curitiba que priorizou o transporte coletivo na capital
paranaense, chamou o carro de “cigarro do futuro”: “Você poderá continuar a usar, mas as pessoas se
irritarão por isso.” Depois de décadas em que o modelo curitibano, que privilegia corredores de ônibus,
vem sendo copiado no exterior, é ainda lentamente que ganha adeptos no Brasil, com a adoção de
corredores e ciclovias e a discussão de limitar, no Plano Diretor de São Paulo, a oferta de vagas de
garagem.

O escritor e empresário australiano Ross Dawson tem opinião parecida à de Lerner: “Um dia as
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pessoas vão olhar para trás e se perguntar como era aceitável poluir tanto, da mesma forma como
hoje pensamos sobre o tempo em que cigarro era aceito em restaurantes, aviões e lugares fechados.”

Nos EUA, o carro perde espaço não apenas como meio de locomoção, mas também como objeto
de desejo e expressão de um certo modo de vida. Demografia e economia, além da questão ambiental,
fazem com que menos jovens tirem carteira de motorista e cidades invistam em sustentabilidade para
atrair moradores. 20% dos jovens americanos entre 20 e 24 anos de idade não têm hoje habilitação
— e o mesmo vale para 40% dos americanos de 18 anos. Em ambos os casos, o número de jovens que
não dirigem dobrou entre 1983 e 2013, segundo estudo da Universidade de Michigan.

(Raul Juste Lores. “O declínio de uma paixão”. Folha de S.Paulo, 29.06.2014. Adaptado.)

5.1. POSSIBILIDADES DE ENCAMINHAMENTO DAS PROPOSTAS

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Comentário/Proposta 1

Análise da proposta
Análise da proposta
Tema e proposta
O tema “O excesso de cirurgias plásticas em uma sociedade de padrões estéticos opressores
impostos pela mídia” nos leva a discutir acerca de um tema muito comum em nossa sociedade, a
realização de cirurgias com vistas apenas a cumprir um padrão de beleza imposto pelas mídias
sociais. Não é de hoje que os padrões estéticos moldam os estilos de vida de nossa população. Por
sua vez, com a ascensão da medicina, a efervescência de métodos para correções estéticas
caminhou junto. Assim, como vivemos em um mundo midiatizado, com exposições frequentes de
corpos atléticos e considerados ideias de beleza, a população procura meios para acompanhar esse
ritmo de vida. O resultado é o aumento exacerbado de usos da medicina para simples métodos
estéticos, ato que pode ser, a depender da quantidade, prejudicial à saúde da pessoa. Em posse
dessas informações, vejamos, a seguir, possibilidades de se trabalhar o tema.
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A partir das informações elencadas no quadro, observem que o tema pode ser trabalho a
partir de variadas perspectivas. Assim, em seu texto, trabalhar com a perspectiva de que a mídia é
uma das grandes responsáveis para a ascensão das cirurgias plásticas, em vista de promover um
corpo idealizado, é um caminho mais prático para sua argumentação. A escolha dessa perspectiva,
por trazer intrínseco um problema, pode ser uma argumentação que possibilite um
desenvolvimento textual mais consistente, apresentando mais possibilidades de ideias a serem
desenvolvidas.
Diante disso, esperamos que você, em sua redação, focalize uma das posições seguintes: ou
você disserte que as mídias são as grandes responsáveis pela ascensão de cirurgias plásticas na
modernidade, ou aponte que os padrões sociais opressores são os causadores do problema. Assim,
caso você escolha a primeira perspectiva, é possível argumentar que a visibilidade provocada pelas
redes sociais levou as pessoas a se compararem cada vez mais. Essa comparação exacerbada criou
um padrão de corpo ideia. Isso faz com que as pessoas recorram a cirurgias para se parecerem com
os modelos corporais apresentados pela mídia. Por outro, caso você queira focalizar sua tese nos
padrões sociais opressores, pense que essa realidade não é um construto de nossa época, mas
atravessa tempos. Essa imposição faz com que os indivíduos se vejam sempre abaixo do ideal

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pregado. Devido à facilidade provocada pela ascensão da medicina, na contemporaneidade, essas


pessoas procuram sanar o problema recorrendo às cirurgias, sem se atentar para os malefícios que
isso traz para a saúde.
Pensando no exame, o texto Dissertativo-Argumentativo, utilizado pela Famema, compõe-se
de três partes essenciais:
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Na elaboração do texto dissertativo-argumentativo, deve-se apontar uma tese clara e


consistente para que você, ao longo de seu texto, consiga argumentar com facilidade, sem necessitar
recorrer a ideias que possam enfraquecer sua argumentação.
Assim, em sua introdução, você deverá delimitar o seu tema, visto que, como comentamos
acima, é amplo, e apresentar a sua tese. A partir disso, você estará construindo seu projeto de texto,
elemento fundamental na escrita de uma redação. Quando uma produção apresenta um projeto de
texto, o leitor, na introdução, já focaliza o assunto que está sendo abordado e o seu ponto de vista
sobre ele, o que você irá defender sobre esse tema. Logo, com o projeto de texto, mostra-se, antes
de argumentar, qual o caminho opinativo, ou seja, qual a tese que você apresentará em seu texto.
Pense que o seu leitor, ainda que seja um corretor, não “conhece” o seu tema. É como se estivesse
entrando em contato com ele pela primeira vez. Tudo caminha para que ele compreenda o tema a
partir do seu texto. Se, por acaso, você costuma se perder na argumentação, principalmente quando
tratamos da organização dos argumentos na cabeça, indique, logo na introdução, os argumentos
que irá trabalhar ao longo da sua redação. Isso facilita a coerência de suas ideias.
Por sua vez, no desenvolvimento, você deverá apresentar seus argumentos. Comumente,
recomendamos dois argumentos pela extensão da redação. Pode parecer muito, mas 30 linhas, para
um texto bem desenvolvido, acaba sendo pouco. Assim, com dois argumentos, fica um pouco mais
fácil de desenvolver as ideias como deve. É importante destacar que o repertório deve estar
presente, fundamentando seus argumentos de forma clara e produtiva. Sempre coloque repertório

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em seus argumentos e apresente, claramente, a ligação entre as duas partes: a sua afirmação e o
repertório.
Por fim, você deve concluir as ideias desenvolvidas ao longo do texto. Retome aos
argumentos explanados para poder dar um fechamento geral no texto, sempre articulando ao tema
de sua redação.

Coletânea de textos
Os textos motivadores são suportes para a compreensão do tema. Assim, não se pode utilizar
seus argumentos e nem parte desses textos na produção textual. Busque utilizar os textos como
direcionadores dos seus pensamentos. Muitas vezes, vocês apresentam a ideia de que não podem
ler os textos motivadores porque ocorrem essencialmente dois problemas: ou vocês descobrem que
todos os argumentos que têm estão colocados nos textos; ou sentem uma incontrolável necessidade
de usar aqueles argumentos que ficam fixos no seu inconsciente. Para resolver isso, só treinando
muito a produção textual. Treine e treine e, quando cansar de treinar, treine mais um pouco.
Escrever nós realmente aprendemos escrevendo.
Os textos motivadores da coletânea apresentam algumas informações que podem contribuir
para o entendimento do tema e ajudar em seu desenvolvimento. Assim, o TEXTO I reflete sobre o
exacerbado número de cirurgias plásticas realizadas pela sociedade brasileira, que se tornou a que
mais faz esse tipo de cirurgia no mundo. O TEXTO II faz uma comparação dos modelos corporais
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pregados pela mídia, e que as pessoas procuram alcançar, e a boneca Barbie, procurando ressaltar
que esses padrões não existem, são inalcançáveis. Por sua vez, o TEXTO III relata os perigos da
recorrência ao Bisturi, pois seu excesso pode levar a complicações na saúde dos pacientes, inclusive
podendo perfurar os órgãos internos dessas pessoas.

Tese e argumentos possíveis


Como observamos ao longo dessa descrição, é possível pensar, sem se desligar do tema, em
diferentes argumentos para o desenvolvimento textual. Buscamos sinalizar que encontrar um
problema para dá solução ao assunto é um dos caminhos mais fáceis para o desenvolvimento de seu
texto, desviando à possibilidade de sua redação ficar muito descritiva. Assim, o processo
argumentativo, que inclui defender um posicionamento acerca de uma temática específica, fica
facilitado quando se enxerga problemas, sendo possível, assim, argumentar sobre a razão da
existência desses problemas.
Dessa forma, a tese de seu texto pode problematizar como causa do problema tanto a
ascensão das mídias, quanto os padrões sociais que sempre existiram. Quando você utiliza o
argumento de tese como um problema, existe a possibilidade de se descrever o porquê desse
problema, o que possibilita articular causas de consequências. É, literalmente, construir a motivação
da existência do problema e, a partir disso, apresentar argumentamos em favor de comprovar essa
existência.
A seguir, apresentamos algumas possibilidades de argumentação. O objetivo não é
apresentarmos uma verdade absoluta, mas somente indicar um caminho para que vocês possam
argumentar mais claramente, visto que este costuma ser um problema para muitos estudantes.

Aula 07 – Coesão e Coerência 70


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Apresentaremos argumentos para a tese que, como dissemos anteriormente, é indicada pelos
textos motivadores e pelo próprio tema.

Para enriquecer sua argumentação, é interessante que você utilize repertórios. Esses podem
ser compostos de dados estatísticos, de falas de sociólogos, escritores, podem ser referências de
filmes, livros que você tenha lido e que se articule à ideia que você está desenvolvendo. Lembre-se
que, desde que seja bem articulada ao que você está desenvolvendo, as possibilidades de
referências externas são muitas, e o uso produtivo dessas referências vai enriquecer sua
argumentação e possibilitar uma nota mais elevada.
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Comentário/Proposta 2

Análise da proposta
Tema e proposta
O tema “De que maneira o passado contribui para a compreensão do presente?” de imediato
nos lembra que o ensino de história é obrigatório nas grades curriculares brasileiras. A presença
dessa disciplina não é por acaso, mas porque se reconhece que o passado é importante para a
compreensão dos fatos que sucedem no contemporâneo, bem como para que as sociedades não
voltem a repetir possíveis erros cometidos no passado. Mais que um registro cultural, ele é suporte
de construção de uma cadeia de acontecimentos que visa a transformação. Observa-se isso
claramente quando olhamos para os aparatos tecnológicos desde a Primeira Revolução Industrial e
as mudanças decorrentes até o presente. Essa cadeia de transformação leva o homem a cada dia
reinventar e construir ferramentas que permitem mais flexibilidade ao seu dia a dia. Portanto, em
posse dessas informações, vejamos, a seguir, possibilidades de se trabalhar o tema.

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• O conhecimento do passado é essencial para que não se repita,


no presente, os problemas que marcaram negativamente a A partir das
história de uma sociedade;
informações elencadas
• O conhecimento do passado possibilita a evolução tecnológica
no mundo; no quadro, observem
• O passado é a memória de uma sociedade, portanto, de grande que o tema pode ser
importância cultural e afetiva. trabalho a partir de
variadas perspectivas.
Assim, percebemos que o avanço social é um dos elementos centrais de verificação do tema. Isso
ocorre porque, mesmo que você queira trabalhar em seu texto que o passado é essencial para que
os erros que aconteceram não se repitam no presente e no futuro, isso também é um avanço social.
Portanto, esse pode ser um argumento que possibilite um desenvolvimento textual mais
consistente, apresentando mais possibilidades de ideias a serem desenvolvidas.
Diante disso, esperamos que você, em sua redação, focalize uma das posições seguintes: ou
você aponte que a transformação tecnológica é uma das ferramentas que mostra a importância do
conhecimento do passado para que sempre possamos buscar novas transformações; por outro lado,
você pode salientar que conhecer o passado também é essencial para que os erros cometidos não
se repitam no presente. Com base nisso, caso você queira trabalhar com a primeira premissa, nela
você pode apontar evoluções históricas de fundamental importância para a modernização das
sociedades, como a criação da luz, do telefone, entre outros artefatos tecnológicos que atualmente
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ressignificam a história do homem. Por sua vez, se seu interesse é trabalhar com o passado enquanto
elemento de sustento de transformação histórica, caminhe pelas guerras mundiais, o Holocausto,
aspectos históricos que não gostaríamos que voltasse a se repetir, portanto, precisamos desse
conhecimento, para que essa história não se repita. Portanto, você tem caminhos variados para está
desenvolvendo seu texto, basta se apropriar de um deles e escolher as ideias que melhor se
articulem para desenvolver uma argumentação consistente.
Pensando no exame, o texto Dissertativo-Argumentativo, utilizado pela Fuvest, compõe-se
de três partes essenciais:

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Na elaboração do texto dissertativo-argumentativo, deve-se apontar uma tese clara e


consistente para que você, ao longo de seu texto, consiga argumentar com facilidade, sem necessitar
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recorrer a ideias que possam enfraquecer sua argumentação.


Assim, em sua introdução, você deverá delimitar o seu tema, visto que, como comentamos
acima, é amplo, e apresentar a sua tese. A partir disso, você estará construindo seu projeto de texto,
elemento fundamental na escrita de uma redação. Quando uma produção apresenta um projeto de
texto, o leitor, na introdução, já focaliza o assunto que está sendo abordado e o seu ponto de vista
sobre ele, o que você irá defender sobre esse tema. Logo, com o projeto de texto, mostra-se, antes
de argumentar, qual o caminho opinativo, ou seja, qual a tese que você apresentará em seu texto.
Pense que o seu leitor, ainda que seja um corretor, não “conhece” o seu tema. É como se estivesse
entrando em contato com ele pela primeira vez. Tudo caminha para que ele compreenda o tema a
partir do seu texto. Se, por acaso, você costuma se perder na argumentação, principalmente quando
tratamos da organização dos argumentos na cabeça, indique, logo na introdução, os argumentos
que irá trabalhar ao longo da sua redação. Isso facilita a coerência de suas ideias.
Por sua vez, no desenvolvimento, você deverá apresentar seus argumentos. Comumente,
recomendamos dois argumentos pela extensão da redação. Pode parecer muito, mas 30 linhas, para
um texto bem desenvolvido, acaba sendo pouco. Assim, com dois argumentos, fica um pouco mais
fácil de desenvolver as ideias como deve. É importante destacar que o repertório deve estar
presente, fundamentando seus argumentos de forma clara e produtiva. Sempre coloque repertório
em seus argumentos e apresente, claramente, a ligação entre as duas partes: a sua afirmação e o
repertório.
Por fim, você deve concluir as ideias desenvolvidas ao longo do texto. Retome aos
argumentos explanados para poder dar um fechamento geral no texto, sempre articulando ao tema
de sua redação.

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Coletânea de textos
Os textos motivadores são suportes para a compreensão do tema. Assim, não se pode utilizar
seus argumentos e nem parte desses textos na produção textual. Busque utilizar os textos como
direcionadores dos seus pensamentos. Muitas vezes, vocês apresentam a ideia de que não podem
ler os textos motivadores porque ocorrem essencialmente dois problemas: ou vocês descobrem que
todos os argumentos que têm estão colocados nos textos; ou sentem uma incontrolável necessidade
de usar aqueles argumentos que ficam fixos no seu inconsciente. Para resolver isso, só treinando
muito a produção textual. Treine e treine e, quando cansar de treinar, treine mais um pouco.
Escrever, nós realmente só aprendemos escrevendo.
Os textos motivadores da coletânea apresentam caminhos para que você, na hora de sua
escrita, consiga focalizar melhor a discussão que está sendo esperada. Portanto, o TEXTO I leva-nos
à reflexão do prejuízo que é perder o passado, pois o resultado é a possibilidade de repetir sempre
a mesma coisa, não evoluir. No TEXTO II, ressalta-se a importância do historiador para a manutenção
da história, apresentando-o como catalisador das memórias de uma sociedade. O TEXTO III, que é
uma imagem com um texto ao lado descrevendo o que se passa nela, lembra-nos da escravidão, da
luta do povo negro, e da necessidade de embranquecimento, - simbolizada pela tinta branca -, para
ser aceito socialmente. No TEXTO IV, lê-se uma revolta com a queima do Museu Nacional, que o
falante sugere deixar como registro maior da história os escombros da queima do Museu, como
símbolo do desleixo das autoridades com um dos maiores guardadores da história do país. O TEXTO
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V é uma frase que salienta não ser necessário conhecer a história em detalhes, mas relembrar fatos
significativos, para não os repetir.

Tese e argumentos possíveis


Como observamos ao longo dessa descrição, é possível pensar, sem se desligar do tema, em
diferentes argumentos para o desenvolvimento textual. Buscamos sinalizar que encontrar um
problema para dá solução ao assunto é um dos caminhos mais fáceis para o desenvolvimento de seu
texto, desviando da possibilidade de sua redação ficar muito descritiva. Assim, o processo
argumentativo, que inclui defender um posicionamento acerca de uma temática específica, fica
facilitado quando se enxerga problemas, sendo possível, assim, argumentar sobre a razão da
existência desses problemas.
Dessa forma, a tese de seu texto pode problematizar tanto o avanço tecnológico quanto a
importância da história para não se repetir os erros do passado. Lembramos a você, ainda, que
quando se utiliza o argumento de tese como um problema, existe a possibilidade de se descrever o
porquê desse problema, o que possibilita articular causas de consequências. É, literalmente,
construir a motivação da existência do problema e, a partir disso, apresentar argumentamos em
favor de comprovar essa existência.

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Comentário/Proposta 3

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto
dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

O carro será o novo cigarro?


Comentários

A banca da UNESP apresentou um tema bastante próximo dos jovens adultos que chegam
ao vestibular. Quando faz 18 anos, o jovem se vê confrontado com a seguinte questão “tirar ou não
tirar carta de habilitação?”

Antenada com os movimentos sociais que mostram uma mudança de perspectiva da nova
geração em relação ao automóvel, a Banca solicitou que o candidato fizesse um texto dissertativo-
argumentativo sobre o tema explícito: “O carro será o novo cigarro?”

Havia quatro textos motivadores. O primeiro, um fragmento do “Manifesto do Futurismo”


(1918), apresentava uma visão bastante positiva do automóvel. Nele, Marinetti afirmava que o carro
representava uma nova beleza, exaltando a aparência, a sonoridade e até mesmo os resíduos tóxicos
(“hálito explosivo).
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O texto seguinte era um poema de Carlos Drummond sobre o carro. Nele, o eu


lírico tematizava o vínculo de dependência que o homem estava criando com o carro. A
pergunta “a vida parou/ ou foi o automóvel?” sugere que o ritmo de vida do homem é determinado
pela máquina.

A questão do poeta ganhou significados mais contundentes quando, nas décadas de 70 e 80,
as grandes cidades começaram a ter problemas com mobilidade devido ao grande número de
veículos circulando no espaço público.

O texto 3 levava ao extremo o problema já sugerido pelo que se lia no poema de Drummond.
Tratava-se de uma charge. No primeiro quadrinho, observava-se a representação de um
congestionamento de veículos.

Essa imagem se contrapunha-se ao terceiro quadrinho, no qual se observavam poucas


pessoas utilizando um metrô quase vazio. No quadrinho do meio, era possível ler um comentário a
essa situação: “a superfície era quase ocupada por carros, pedestres só podiam circular por debaixo
da terra.

Essa charge de 2016 tinha o seguinte título: “Quadrinhos dos anos 10”. Era como se alguém
que estivesse vivendo no final do século XXI comentasse com espanto e curiosidade como os
homens vivam no começo da década de 2010.

O texto 4 fechava o recorte temático com um fragmento de um artigo de opinião cujo título
era “ O declínio de uma paixão”. O articulista defendia a tese de que o carro não desperta mais a

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atenção da nova geração e que, no futuro, pode ter o mesmo destino do cigarro, que um dia foi
considerado um objeto de desejo e hoje é demonizado.

Ele acompanhava o argumento de Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba, que chamou o carro
de “cigarro do futuro”.

Ideias a serem defendidas

A proposta em forma de pergunta não deixava muitas alternativas de resposta a não ser estas
três:

• O carro será o nosso cigarro de amanhã, pois….


• O carro não será o novo cigarro, pois, apesar, dessa tendência, ele vai ser usado como é usado
hoje.
• Não será o novo cigarro, pois a tendência é que haja um equilíbrio em relação ao uso do
automóvel.

Pressupostos

Há dois implícitos nessa proposta que deveriam ser percebidos pelo aluno. Primeiramente, o
candidato deveria interpretar a metáfora. O cigarro foi símbolo de status durante boa parte do
século XX.
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No último quartel do século, começou-se a associar a substância aos efeitos negativos à


saúde. Leis foram aprovadas que autorizavam sanções aos fumantes. O paralelo entre carro e cigarro
supõe que o destino do automóvel será o mesmo.

A outra questão que surge quase como decorrência lógica do tema é: por quê? Quais são as
causas do aparente declínio do prestígio do carro. Nesse ponto, seria possível já pensar em respostas
para isso, o que nos levaria para o brainstorm necessário para pensar em uma tese completa.

Mapa mental do Brainstorm (ideias possíveis)

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Percurso mais simples


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Para o candidato que não tivesse muito tempo para fazer a redação ou que estivesse sem
ideias, haveria a possibilidade de acompanhar o percurso argumentativo implícito no diálogo entre
os textos da coletânea.

Há uma sequência temporal. O primeiro texto, de 1909, manifesta uma perspectiva


apologética do carro. Os seguintes apontam para os problemas que o uso do carro acarretam e o
último apresenta o declínio.

Veja, você poderia fazer uma introdução com a tese de que o carro seria, sim, o cigarro do
futuro.

Depois disso você poderia seguir esse percurso histórico. Não precisa se preocupar com a
questão da originalidade. Os exemplos que você apresentaria para comprovar os danos causados
pelo uso do carro seriam autorais.

Encaminhamentos possíveis

Vale sempre lembrar que há várias possibilidades de desenvolvimento da tese. Seguem


alguns como possibilidades.

Tese: O carro é o cigarro de amanhã.

• A emissão de CO2 afeta a saúde do planeta como o cigarro afetava a saúde do indivíduo;
• A economia compartilhada tornou o carro próprio quase desnecessário;

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• Os jovens tendem a encarar os celulares ou a tecnologia digital como status de modernidade


e não mais o automóvel;
• O carro necessita de cuidados que a jovem geração não quer dispensar
• O carro tornou-se sinônimo de imobilidade urbana.

Tese: O carro não é, e nunca será o cigarro de amanhã

• Diferentemente do cigarro, o carro tem um caráter utilitário que nunca poderá ser descartado;
• A tendência é de que o carro movido a combustível fóssil seja substituído pelo carro elétrico;
• A indústria automobilística representa uma parte importante da economia mundial e,
portanto, não vai ser suprimida;
• A queda do número de habilitações por parte dos jovens significa apenas que eles estão
transferindo a tarefa de dirigir para profissionais especializados, não houve diminuição
significativa na frota que, esse sim, seria um indicador de que o carro vai ser algo
ultrapassado.

Tese: O carro não tem mais o prestígio de antigamente, mas nada indica que haverá uma
sanção moral e uma sanção legal em relação ao uso do carro.

• O cigarro sofre sansão moral e legal, o carro não;


• É possível que, no futuro, haja alguma desvalorização em relação ao uso do carro, mas não
será como ocorre como o cigarro, pois o carro tem um valor utilitário inegável.
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• O carro pode ser substituído no futuro como sonho de consumo, mas seu valor utilitário vai se
manter.
• A questão da poluição pode ser resolvida com avanços tecnológicos que permitam ao carro se
valer de energia limpa;
• A questão da mobilidade pode ser contornada, seja pela estagnação do aumento da
população, seja por projetos urbanísticos que têm permitido ampliar o leque de opções de
transportes.

Repertório

Alguns conceitos de outras áreas do conhecimento poderiam ser utilizados, mas sempre
tendo bastante cuidado de conciliar o conceito com a resposta que deveria ser dada ao tema.

Fato social (sociologia)

Fatos sociais são valores, normas, formas de comportamento e estruturas sociais que
exercem um grande poder sobre os indivíduos por serem coercitivos culturalmente.

O candidato poderia dizer que “fumar cigarro” já foi um fato social, coercitivo, pois as pessoas
se viam confrontadas com ter que fumar e sentiam-se pressionadas a isso; hoje o fato social mudou.

O indivíduo se sente pressionado a não fumar, há sanções contra esse ato. Algo similar pode
acontecer com o carro, e parece que estamos vivendo esse momento de transição.

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Fetiche (mercadoria capitalista)

Dentro da lógica capitalista toda mercadoria tem uma espécie de vida útil. Quanto há
saturação da mercadoria ou ela deixa de dar tanto lucro como antigamente, ela tende a ser
substituída por outra. O capitalismo se revoluciona a si mesmo. Nesse sentido, o carro pode tornar-
se uma mercadoria obsoleta no futuro.

Revolução Industrial

Pode-se usar a revolução industrial como substituta da analogia com o cigarro. Aquelas
fábricas fumegantes foram substituídas por outros modos de produção.

Assim como também a produção industrial sofreu ao longo de dois séculos transformações.
Por isso, pode-se esperar que, em algum momento, o carro deixe de ter a importância que ele
ocupou no século XX.

Ditado “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”. Como todo ditado,
ele não serve para muita coisa, mas seria bem-vindo como frase de efeito para se terminar o texto.
No meio do texto, como argumento, ele é complicado, é geral demais.

A não ser que servisse de mote para explicar que o carro foi um bem que foi se transformando
num mal. Lembre-se de que generalizações muito amplas precisam de sucessivas concretizações
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para começar a ter efeito argumentativo.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao final desta aula de Redação. Expliquei o que significa coesão e coerência
e como você deve usar esse conhecimento para revisar sua redação. Criei uma série de exercícios
que você raramente encontrará nos livros de redação. São exercícios práticos e eficazes para que
você vá alterando seus hábitos de escrita.
Só recapitulando, discutimos nesta aula:
✓ Coerência;
✓ Como evitar incoerências;
✓ Coesão;
✓ Uso de conectivos para fazer uma boa redação ;
Não deixe de fazer sua autoavaliação, sobretudo depois que receber sua redação corrigida.
Espero você na próxima aula.

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Professor Fernando
Andrade

@filosofia.do.portuga
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Redaçao e Filosofia

Blog de crônicas :

https://www.outrasvias.com/

Versão Data Modificações


1 31/07/2020 Primeira versão do texto.

7. REFERÊNCIAS

Figural 1: Disponível em https://pixabay.com/pt/illustrations/crist%C3%A3-cristianismo-religi%C3%A3o-


1316187/, acessado em 04.12.2019.

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Figura 4: Disponível em https://pixabay.com/pt/photos/pensamento-id%C3%A9ia-


inova%C3%A7%C3%A3o-2123970/ , acessado em 04.12.2019.

Figura 2: Disponível em https://pixabay.com/pt/photos/menina-bal%C3%A3o-compondo-


crian%C3%A7a-2934257/ , acessado em 04.12.2019.

Figura 3: Disponível em , https://pixabay.com/pt/vectors/menina-dan%C3%A7a-alegre-sorrindo-


t%C3%AAnis-309196/, acessado em 04.12.2019.

Figura 5: Disponível em https://pixabay.com/pt/illustrations/anunciar-marketing-


aten%C3%A7%C3%A3o-3192838/ , acessado em 10.12.2019.

Figura 6: Disponível em https://pixabay.com/pt/illustrations/rasgado-papel-atrav%C3%A9s-de-quebrado-


2034949/ , acessado em 06.12.2019.

Figura 7: Disponível em https://pixabay.com/pt/illustrations/halloween-esqueleto-fantasmas-1756756/,


acessado em 04.12.2019.
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