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7º Seminário de Pesquisa em Artes da Faculdade de Artes do Paraná

Anais Eletrônicos

PRINCIPAIS CAUSAS NEUROLÓGICAS DO AUTISMO

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Priscila Mertens Garcia
Faculdade de Artes do Paraná

RESUMO
O artigo tem como objetivo fazer uma revisão das causas neurológicas do autismo,
uma necessidade constante de pesquisa para que o tema não se esgote. A definição
etiológica do autismo ainda não é comprovada e apresenta comprometimento em
várias áreas do desenvolvimento. Entretanto, a principal conjectura faz referência à
área neurológica, por ter uma maior aceitabilidade nos últimos tempos. Depois de
concluída essa revisão, na qual a metodologia bibliográfica baseou-se em artigos do
banco de dados da Scielo, percebeu-se uma vasta exposição de hipóteses sobre
alterações nas estruturas cerebrais de autistas. Os dados apresentados sugerem um
funcionamento anormal do cérebro em pessoas autistas e, proporcionam uma melhor
compreensão que nos estimulam a buscar novos tratamentos.

Palavras-chave: autismo; neurologia; ressonância magnética; tomografia.

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Acadêmica do 3º ano do curso de Musicoterapia da Faculdade de Artes do Paraná (FAP/UNESPAR). Bolsista da
Fundação Araucária para o Programa de Iniciação Científica (PIC) da Faculdade de Artes do Paraná.

Anais do 7º Seminário de Pesq. em Artes da Faculdade de Artes do Paraná, Curitiba, p. 256-259, jun., 2012.

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Garcia, P. M. Principais Causas Neurológicas do Autismo.

No Projeto de Iniciação Científica (PIC) do ano passado, 2011, revisei o tema


relacionado à neurologia e ao autismo. Ao final da pesquisa constatei que ainda havia
outros artigos mais recentes que poderiam melhor esclarecer possíveis causas
neurológicas do autismo. Como acadêmica do curso de Musicoterapia, acredito que
esta revisão possa ajudar na minha formação e dos leitores deste. O trabalho tem por
objetivo revisar as principais causas neurológicas do autismo descritas nos últimos
anos. Os critérios de inclusão, utilizados na metodologia bibliográfica deste trabalho,
foram todos os artigos em português do banco de dados da Scielo, que relacionassem
no título a área neurológica. Utilizaram-se também como apoio outros artigos
científicos específicos da área, disponíveis na internet.
Mesmo sendo senso comum, faz-se necessário uma breve definição do
autismo. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV-
TR, 2002), o autismo é neste critério diagnóstico classificado com o numero 299.00 e
entre as principais características pode-se citar: “comprometimento qualitativo da
interação social; comprometimento qualitativo da comunicação e padrões restritos e
repetitivos de comportamento, interesses e atividades”.
O autismo é uma síndrome ainda sem comprovação etiológica. Mesmo os
estudos serem inúmeros, ainda não se chegou a nenhuma causa definida para o
autismo, com uma possível manifestação antes dos três anos de idade, como apontam
os estudos clássicos desta área (ASSUMPÇÃO et al, 1999). Também são muito
conhecidas as características básicas desta síndrome: problemas em seu
comportamento, na sociabilidade e na comunicação. Ocorre em graus de severidade
que variam de leve à grave, com uma maior incidência no sexo masculino. No Brasil
estima-se que a incidência gira em torno de 1-140 (BOSA, 2001). Estudos americanos
mais recentes apontam 1/88 nascidos, e isso mostra que a incidência cresce a cada
ano.
Depois que o autismo foi descrito pela primeira vez, por Kanner, em 1943,
muitos estudos já foram publicados e, as causas do autismo foram sendo reescritas
devido à evolução da ciência. As causas concebidas para o autismo foram desde a
“mãe geladeira” até as neurológicas, que são o tema desta pesquisa (KANNER, 1943).
Com isso, as teorias atingiram outras dimensões, ainda assim, as causas neurológicas
são as mais recentes e mais aceitas. Contudo, optei por continuar com a pesquisa por
haver mudanças significativas nos estudos em neurologia em apenas um ano. Entre
elas podemos citar:
Através de uma tomografia computadorizada de crânio (TCC) detectou-se um
cisto porencefálico, que faz referência a um cisto benigno e congênito, que também é
sugestivo para outro achado, que foi a lesão hipodensa localizado na região parietal
direita. O achado tomográfico revelou ainda uma calcificação do globo pálido bilateral
(COSTA; NUNESMAIA, 1998)

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Garcia, P. M. Principais Causas Neurológicas do Autismo.

Em outro estudo feito com amostras do cerebelo de indivíduos com autismo, a


proteína ácida fibrilar glial (GFAP) e o ácido ribonucléico mensageiro (RNAm)
mostraram estar significativamente aumentados (PURCELL et al, 2001). Estudos
patológicos post-mortem do cerebelo de pessoas autistas têm demonstrado reduções
variáveis no numero de células de Purkinje. O mesmo autor ainda relata que em
muitos estudos há uma disfunção do sistema nervoso central. Mesmo estes estudos
ainda não serem conclusivos, sabe-se há muito tempo da importância do cerebelo no
SNC, por isso, a importância destes estudos.
Apesar dos grandes avanços feitos acerca do autismo, incluindo importantes
estudos de neuroimagem, tomografia e ressonância magnética, a compreensão da
etiologia do autismo ainda se mantém reduzida. Embora haja um conhecimento das
áreas cerebrais envolvidas, os achados continuam sendo um tanto quanto
controversos, devido à limitação dos métodos e da não demarcação exata das sub-
regiões envolvidas. Depois de concluída essa revisão, percebeu-se uma vasta exposição
de hipóteses sobre alterações nas estruturas cerebrais, porém, quanto mais a
neurologia avança nesses estudos, mais nítida é a percepção de que ainda muito
pouco se sabe. A busca da neurologia por uma resposta é oportuna e necessária, mas
essas pesquisas ainda continuam indicando que a possível cura do autismo, ainda se
encontra longe.

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Garcia, P. M. Principais Causas Neurológicas do Autismo.

REFERÊNCIAS
DORNELLES, Cláudia. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM –
IV – TR). Porto Alegre: Artmed. 4.ed. rev., 2002.

ASSUMPÇÃO et al. “Escala de avaliação de traços autísticos” in Arquivos de


Neuropsiquiatria. Vol 57, nº 1, 1999. p. 23-29. Disponível em:
<http://www.scielo.br /pdf/anp/v57n1/1531.pdf> Acesso em: 20 fev. 2012.

BOSA, Cleonice; CALLIAS, Maria. “Autismo: breve revisão de diferentes abordagens” in


Psicologia: Reflexão e Crítica. Vol. 13 nº. 1, 2000. p. p.167-177.

KANNER Leo. Autistic disturbances of affective contact in Nervous Child. Vol. 2, p. 217-
50, 1943. (Acta Paedopsychiatr. Vol. 4, nº 35, p. 100-36, 1968).

PURCELL; ZIMMERMAN; PEVSNER. Postmortem brain abnormalities of the glutamate


neurotransmitter system in autismo in Neurology. Vol. 57, p. 1618-1628, 2001.

COSTA, Maria; NUNESMAIA, Henrique. Diagnóstico genético e clínico do autismo


infantil in Arquivos de Neuropsiquiatria. Vol. 56, nº 1, p.24-31, 1998.

Anais do 7º Seminário de Pesq. em Artes da Faculdade de Artes do Paraná, Curitiba, p. 256-259, jun., 2012.

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