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INTRODUÇÃO
A Bíblia é o livro mais importante do mundo. Vendeu mais cópias do que
qualquer outro volume na história. É o ponto de referência da religião Judaica e
Cristã, e tem influenciado a cultura, a lei, a arte e a moralidade de quase todas
as sociedades à face da terra.
Mas a Bíblia não é apenas um livro influente. É o registo histórico da
narrativa mais importante de todos os tempos: a interação de Deus com a
humanidade. Apesar de a Bíblia conter géneros literários distintos e de
introduzir uma ampla variedade de personagens, todos eles se combinam para
contar a história principal: Deus criou o mundo, os humanos revoltaram-se
contra ele, e Deus iniciou um plano para salvar o mundo que culminou em
Jesus Cristo. Esta é a “grande história” que dá sentido à Bíblia e a toda a vida.
O DESAFIO E100 é uma forma de descobrires a “grande história” por ti
próprio. Conduzir-te-á numa viagem através de 100 textos de leitura fácil,
organizados em 20 secções, para que possas compreender de que forma tudo
se encaixa. Ao longo do percurso poderás registar os teus pensamentos e
descobertas, e tirar as tuas próprias conclusões acerca da forma como a
mensagem da Bíblia se aplica a ti, hoje, relacionando a tua história com a
“grande história”.
Um mapa
Antes de iniciares a tua viagem através da Bíblia, pode ser útil consultar
um mapa. Por isso, aqui fica uma breve descrição das 20 secções do estudo e
de como estas se encaixam na “grande história" — o plano de salvação de
Deus.
O ANTIGO TESTAMENTO
No princípio — A Bíblia apresenta-nos o seu personagem principal —
Deus — logo na primeira frase. A primeira ação de Deus é criar um mundo belo
e complexo, onde pessoas criadas à “sua imagem e semelhança” podem viver.
Infelizmente, não demora muito para que as primeiras pessoas, Adão e Eva,
falhem e fiquem separados de Deus. Isso determinou o grande dilema da vida:
como podem homens e mulheres imperfeitos e pecadores reconciliar-se com
um Deus santo e perfeito?
Abraão, Isaac e Jacob — Felizmente, Deus toma a iniciativa para resolver
o dilema. O seu primeiro passo é começar um relacionamento íntimo com um
grupo de pessoas. Abraão, Isaac e Jacob, por vezes chamados os Patriarcas,
são escolhidos por Deus para dar início a este grupo especial de pessoas — os

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Israelitas.
A história de José — A Bíblia detém-se bastante tempo na história deste
homem e da sua família. Inicialmente, parece que o plano de Deus, de criar
uma nação especial, é desfeito quando José é vendido como escravo e feito
prisioneiro no Egito. Mas, na verdade, é no Egito que o “povo escolhido” se
expande e passa de uma família a uma nação.
Moisés e o Êxodo — Por fim, os Egípcios começam a oprimir os
Israelitas. Então, Deus escolhe Moisés para conduzir o povo à liberdade.
Durante o processo, Deus demonstra o seu poder extraordinário e ensina
lições importantes ao povo sobre confiar e obedecer-lhe. Este resgate,
conhecido por Êxodo, torna-se, também, o símbolo da liberdade bastante mais
importante que Deus iria oferecer ao seu povo — a liberdade do domínio do
pecado.
A Lei e a Terra — Muitos anos antes, Deus prometeu dar um território aos
descendentes de Abraão. Moisés conduz o povo desde o deserto até à fron-
teira da terra prometida. Mas é Josué quem lidera, finalmente, o povo na tra-
vessia do rio Jordão e até à terra de Canaã. Pelo caminho, Deus mostra como
quer que o seu povo viva, dando-lhe os Dez Mandamentos.
Os Juízes — Os Israelitas, agora, tornam-se uma nação e entram na terra
prometida, mas não têm rei. Em vez disso, Deus dá-lhes uma série de “líderes
interinos” chamados juízes, cuja principal responsabilidade é defender o povo
dos inimigos à sua volta. Ao termos estes relatos impressionantes, aprendemos
as consequências da desobediência, bem como a reação de Deus quando o
povo clama e se volta para ele.
A Ascensão de Israel — Deus dá, finalmente, um rei a Israel; Saul
começa bem, mas no final é rejeitado por Deus devido à sua desobediência;
David, o rapaz que derrota o gigante e passa a herói nacional, sucede a Saul.
Israel atinge o ponto alto da sua história, devido às vitórias militares de David e
à sua paixão espiritual. O rei David torna-se o símbolo de um rei maior que
havia de vir—Jesus Cristo.
A Queda de Israel - Apesar de o rei Salomão ser lembrado pela sua
sabedoria e pelos feitos incríveis que realizou, no final do seu reinado abriu a
porta — ainda que só um pouco — à idolatria. Com o passar do tempo, esta
pequena transigência faz com que o povo se afaste de Deus e adore os deuses
falsos das nações vizinhas. A idolatria de Israel resulta num castigo
devastador.
Salmos e Provérbios — Os Salmos é um livro de oração e louvor escrito,
na sua maioria, por David. Dá-nos acesso à vida interior de alguém que a Bíblia

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descreve como “um homem segundo o coração de Deus”. O Livro de Pro-
vérbios é uma coleção de dizeres, principalmente de Salomão, repletos de
sabedoria prática, para viver de uma forma que agrada a Deus.
Os Profetas — Ao longo da história de Israel, Deus envia profetas que
têm a difícil tarefa de declarar julgamento sobre a idolatria e o pecado do povo.
O NOVO TESTAMENTO
A palavra Viva — O que Deus tem vindo a dizer ao longo da história de Israel,
através de sinais e maravilhas, pela Lei e pelos profetas, agora, di-lo pessoalmente.
Como o apóstolo João disse: “A Palavra fez-se homem e veio habitar no meio de nós”
(João 1:14). Jesus Cristo foi a declaração viva e verdadeira do amor de Deus pelo
mundo.
Os Ensinamentos de Jesus — Jesus comunica a sua mensagem às multidões
na forma de sermões e histórias baseadas da vida real (parábolas). No seu sermão
mais famoso, o Sermão do Monte, Jesus baseia-se na Lei de Moisés e explica, com
um discernimento incrível, como Deus pretende que vivamos. Nas parábolas, Jesus
descreve de forma notável, um dos temas centrais do seu ensino — o reino de Deus.
Os Milagres de Jesus — Os quatro Evangelhos registam muitos dos milagres
que Jesus realiza durante o seu ministério público. Ele cura os doentes, anula as leis
da natureza, expulsa demónios e devolve a vida aos mortos. Os seus milagres não
são, apenas, uma demonstração da sua compaixão e poder, mas, a prova de que ele
é quem diz ser — o Filho de Deus.
A Cruz de Cristo — O principal motivo por que Jesus vem à terra é para pagar a
pena que um Deus perfeito exige pelo nosso pecado, e oferecer salvação a todos os
que acreditam nele. Ele fá-lo através da sua morte e ressurreição. A cruz de Cristo
está no centro do plano de Deus para a salvação. É a forma como ele resolve o
“grande dilema” da desobediência, permitindo que qualquer pessoa se relacione com
ele. Estas são as Boas Novas do Cristianismo!
O Nascimento da Igreja — Após a ressurreição, Jesus regressa ao céu, mas
envia uma “dádiva maior” — o Espírito Santo. Isto marca o nascimento da Igreja.
Além disso, inicia, também, uma drástica expansão no plano de salvação de Deus.
Desde Abraão que Deus se tem relacionado, somente, com um grupo de pessoas, os
Israelitas. Mas, agora, a porta da salvação está aberta para todos.
As Viagens de Paulo — O embaixador mais enérgico da Igreja primitiva é o
apóstolo Paulo. Originalmente, Paulo é um inimigo implacável da Igreja. Mas Deus
transforma-o, radicalmente, na estrada para Damasco e converte-o numa destemida
testemunha de Cristo. As viagens missionárias de Paulo estão registadas no Livro dos
Atos e são a razão principal por que o evangelho se começa a espalhar por todo o
mundo.

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De Paulo para as Igrejas — Paulo escreve cartas aos cristãos recentes das
igrejas que ele começou. Através delas, explica o evangelho, encoraja-os a cres-
cerem na sua caminhada com Deus e oferece ajuda prática para a vivência Cristã. As
suas cartas são tão relevantes, hoje, como o foram há 2000 anos.
De Paulo para os Líderes — Paulo sabe que para a igreja crescer precisa de
líderes capazes de continuar o trabalho depois dele. Assim, ele escreve cartas aos
líderes das igrejas, para instrui-los e avisá-los contra os falsos mestres. Sendo a igreja
o meio através do qual Deus continuará a expandir o seu plano de salvação pelo
mundo até que Jesus regresse, uma liderança fiel era algo, absolutamente, vital.
Os Ensinamentos dos Apóstolos — Para além de Paulo, outros apóstolos;
como Pedro, Tiago e João, também, escreveram cartas a encorajar e a ensinar os
primeiros seguidores de Jesus. Estas cartas ajudam-nos a compreender os diferentes
aspetos do Evangelho e da vida cristã, oferecendo-nos, também, algumas das
passagens mais célebres da Bíblia.
Apocalipse (A Revelação) — Perto do fim da sua vida (cerca de 95 d.C.), o
apóstolo João tem uma visão espetacular, através da qual. Deus revela mensagens
específicas a sete igrejas do primeiro século. Estas imagens, ainda são aplicáveis às
igrejas do século XXI. Por último, a visão de João prevê e descreve a segunda vinda
de Cristo, quando o plano de salvação de Deus atingir o cumprimento final.

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ACEITAR O DESAFIO
Recomendamos que, antes de iniciares o DESAFIO E100, Desafio à Leitura da
Bíblia, procures uma Bíblia de leitura fácil. Se tiveres dificuldade em compreender a
linguagem da tua Bíblia atual, experimenta a BÍBLIA para todos, da Sociedade
Bíblica de Portugal. Se não tens a certeza sobre que versão usar, consulta o teu
pastor ou líder.
Cada estudo segue 5 etapas:
Oração — Leitura — Reflexão — Aplicação — Oração
Na verdade, podes usar este modelo sempre que leres a Bíblia. Deus fala
através da Bíblia, tu podes responder-lhe através da oração. Juntando as duas
poderás ter uma verdadeira conversa com Deus.
As etapas funcionam do seguinte modo:
ORA antes de leres, pedindo a Deus que te ajude a compreender a sua Palavra.
A oração escrita serve apenas para começares, por isso, fica à vontade para adicionar
seja o que for que gostasses de expressar a Deus. Lembre-te que estás a começar
uma conversa.
LÊ o texto bíblico cuidadosamente. Se tiveres tempo, lê mais do que uma vez,
ou examina os versículos à volta para compreenderes o contexto. Tem sempre um
lápis ou marcador à mão para tomares notas, sublinhares frases ou versículos
importantes.
REFLETE sobre o que leste. Resume as tuas observações sobre a leitura no
espaço dado para esse fim, na secção de notas, no final deste livro. Tentar responder
às perguntas seguintes, pode ajudar-te a começar:
• Qual é a parte principal desta passagem?
• Que versículos que se aplicam à minha vida, presentemente?
Depois lê as notas do comentário à passagem.
APLICA o que Deus te está a ensinar pela sua Palavra à tua vida. Toma algum
tempo para pensar sobre isso. Será que o texto continha:
• Um exemplo a seguir?
• Um aviso para estares atento?
• Uma promessa para declarar?

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De que forma isto deveria influenciar os teus pensamentos, as tuas palavras e
ações? Uma vez mais, podes tomar notas sobre a forma como gostarias de aplicar
estes princípios à tua vida, no espaço dado para esse fim, no final deste livro ou num
bloco de notas.
ORA uma vez mais, pedindo a Deus que te ajude a viver a sua Palavra. Desta
vez, faz daquilo que aprendeste uma oração. Ora acerca das tuas necessidades e
das dos outros. E não te esqueças de agradecer a Deus pela resposta.
No final de cada secção encontrarás uma página especial de revisão, que deves
utilizar para recapitulares o que aprendeste até à data. Quais são os conceitos mais
importantes que adquiriste através destas cinco leituras? Fazer isto, ajudar-te-á a
manter uma imagem clara daquilo que Deus te está a dizer, ao longo da tua viagem
através da Bíblia.
No final deste livro, encontrarás um espaço para escreveres o teu “diário de
bordo”, à medida que avanças nesta viagem. Podes anotar as partes que se
destacam em cada passagem, bem como os teus pensamentos, as tuas reflexões e
assuntos de oração. Consulta-o regularmente, para veres Deus a trabalhar na tua
vida e na vida dos outros à tua volta.
Outras abordagens
Há pessoas que ficam mais motivadas a aceitar um desafio como este, se o
fizerem em grupo. Se fazes parte de um pequeno grupo da tua igreja, que se reúne,
habitualmente, para passar tempo juntos, orar e estudar a Bíblia, então, considera
apresentar o DESAFIO E100, Desafio à Leitura da Bíblia a todo o grupo. Existem
recursos disponíveis para te ajudar. Nomeadamente, Guia para Pequenos Grupos (O
Manual para o líder do grupo, inclui dois conjuntos de questões para cada semana de
leituras: um para estudo bíblico e outro para partilha), o Guia Pessoal e Plano de
Leituras (com as 100 leituras e o cartão perfurado para verificares o teu progresso), e
o Guia para Devocional em Família (com devocional, leitura das Escrituras e
actividades para cada semana), que ajudará os pais a juntar os filhos em redor da
Bíblia. Podes encontrar mais informações sobre outros recursos disponíveis em www.
DesafioE100.net em www.LojadaBiblia.com ou em www.uniaobiblica.pt
Alguns grupos, especialmente, de jovens usam o DESAFIO E100, também,
como uma ferramenta para angariação de fundos. Levantam donativos de amigos e
familiares, para completarem as 100 leituras. Utilizado desta forma, o DESAFIO E100
pode ser feito por pessoas individualmente, por pequenos grupos, ou até mesmo por
um único grupo lendo em voz alta as 100 passagens, notas e orações, durante um fim
de semana inteiro, sem parar. Um evento deste tipo não será benéfico, apenas, a
nível pessoal para os que nele participam, mas, também, aumenta a visibilidade da

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Bíblia na igreja e na comunidade.

OBJECTIVO PRINCIPAL: CONHECER DEUS


Uma mensagem pessoal do autor
Os livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento foram escritos por muitos
autores, ao longo de um período de tempo de 1500 anos. Apesar disso, cada autor foi
inspirado por Deus de uma forma única. Como disse o apóstolo Paulo: “Toda a
Escritura é inspirada por Deus e serve para ensinar...” (2 Timóteo 3:16). O apóstolo
Pedro disse: “Pois nunca uma profecia [A Bíblia] veio por iniciativa humana, mas
porque certos homens, conduzidos pelo Espírito Santo, falaram da parte de Deus." (2
Pedro 1:21). Jesus salientou esta verdade quando citou o livro de Deuteronómio: «A
Sagrada Escritura diz: Não se vive só de pão, mas também de toda a palavra que
vem de Deus.» (Mateus 4:4).
O que distingue a Bíblia de outro livro qualquer é a sua origem divina. É por isso
que as pessoas, geralmente, se referem à Bíblia como a Palavra de Deus; é o registo
do que ele disse, do que fez e do que deseja de nós.
Assim, à medida que começas a tua viagem através do DESAFIO E100, lembra-
-te que o teu objetivo não é apenas ler o livro mais importante de todos, ou ganhar
mais conhecimento bíblico, ou mesmo desenvolver mais disciplina espiritual. Todas
estas coisas são importantes, mas, o objetivo principal é conhecer o seu Autor. O
segredo para tornar a leitura da Bíblia mais do que um bom hábito apenas, é
pensares nesse tempo, como uma oportunidade para conheceres Deus — para teres
um encontro com o Deus que te criou, que te ama e que deseja ter um
relacionamento vivo contigo. Se ainda não tens a certeza, se já iniciaste um
relacionamento deste tipo com Deus, podes vir a tê-la ao leres a secção “Começar um
relacionamento com Deus”, no final deste livro.
A minha oração é que, no decorrer dos próximos meses, a Bíblia e a sua
mensagem intemporal se tornem vivas para ti como nunca antes. Mas, não deixes
que estas 100 leituras marquem o fim da tua viagem através da Bíblia. Que o
DESAFIO E100 seja o início de uma aventura para toda a vida - encontrar Deus,
diariamente, através da Bíblia e da oração.
Whitney T. Kuniholm

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Semana 01 - NO PRINCÍPIO
Se quisesses desenvolver uma amizade íntima com outra pessoa, irias procurar
saber o máximo possível acerca dela. De onde é, onde cresceu e o que fazia antes de
a conheceres, quais os seus interesses e valores.
Se quisesse comprar uma casa, irias procurar saber quando é que foi construída,
que divisões fazem parte do projeto original, e de que forma a propriedade foi mantida
ao longo dos anos.
Mas se quiseres perceber de onde surgiu o mundo, ou melhor, de onde vieram
as pessoas, onde irias procurar? Estas primeiras cinco leituras podem ajudar-te.
Descrevem a criação do mundo, o nascimento da humanidade, e o começo da
civilização. É uma leitura, deveras, interessante.
A Bíblia começa com a frase de abertura, indiscutivelmente, mais célebre alguma
vez escrita, “No princípio... Deus. Não oferece qualquer desculpa por esta afirmação
basilar: Deus existe. Esta é a verdade sobre a qual todo o livro e toda a vida são
fundamentados. Podes ler a Bíblia como um relato histórico, ou uma obra literária,
certamente, é ambos, mas, em última instância, a Bíblia é um livro acerca de Deus e é
isso que o faz único.
Outra característica, destas cinco leituras, é o facto de nos apresentarem a uma
série de “primeiros”. Lemos acerca das primeiras pessoas, do primeiro pecado, da
primeira consciência de culpa e do primeiro caso de orgulho. Como estamos a ler
sobre o princípio dos tempos e da história humana, tudo é uma "primeira” vez. Porém,
apesar de tudo ter acontecido há muitos anos atrás, os temas mantêm-se bastante
atuais.
Ainda há mais um “primeiro” a considerar nestas leituras: as primeiras palavras
registadas por Deus: “Que haja luz!” À medida que vais avançando no DESAFIO
E100, vais descobrir que a intenção de Deus sempre foi trazer luz às trevas. Ele fê-lo
da forma mais incrível, ao enviar o seu próprio filho, Jesus, para morrer na cruz e
quebrar o poder das trevas de uma vez por todas.
Mas, isto é antecipar o final, e existem algumas coisas importantes que
precisamos de aprender antes. Primeiro, acerca de Deus, depois, acerca do mundo e
de nós próprios.

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01 -- CONHECER O AUTOR
DATA:__________
ORAÇÃO: Senhor Deus, por favor “abre os meus olhos, para que eu veja as
maravilhas da tua lei.” Salmos 119:18
LEITURA: Génesis 1, 2
REFLEXÃO:
A Bíblia apresenta-nos a sua personagem principal, logo no início: “No princípio,
quando Deus criou o céu e a terra...” (1:1). Todo o restante, deste único e maravilhoso
livro, é acerca dele. Os teólogos descrevem a Bíblia como a "autorrevelação” de
Deus. Isto quer dizer, que não é apenas um livro acerca de Deus, mas, é também um
livro escrito por Deus. Foi ele quem inspirou os escritores humanos (vê 2 Pedro 1:21;
2 Timóteo 3:16). Portanto, se quiseres conhecer Deus, lê este livro.
A seguir, a Bíblia trata uma das grandes questões da vida: Como explicar a
origem do universo? Alguns cientistas olham para as rochas e para os mares à
procura de respostas, mas, a Bíblia olha para os céus (1:1). Naturalmente, a ciência
ocupa um lugar importante, ao ajudar-nos a explorar o mundo natural. Mas, para o
explicarmos, verdadeiramente, devemos aceitar que Deus o criou, e a nossa leitura
dá-nos duas perspetivas de como ele o fez.
O Grande Plano (1:1-2:3) — Ao lermos o resumo dos sete dias da criação,
reparamos que Deus tomou a iniciativa. Ele tinha um plano e um projeto para o seu
mundo. Experiências, tais como, pegar num bebé recém-nascido ao colo ou observar
as estrelas numa noite clara, são provas evidentes de quão incrível é o seu projeto.
A História de interesse Humano (2:4-25) Génesis 2:4 é uma espécie de “híper-
ligação” para mais informação sobre uma parte importante da história — a criação da
humanidade. Já aprendemos que Deus decidiu fazer o homem e a mulher e que
ambos refletem a sua imagem (1:27). Agora, aprendemos que as pessoas possuem,
pelo menos, mais duas características: a vida de Deus (2:7) e os seus padrões (2:16-
17). Temos uma consciência dada por Deus, o sentido inato do bem e do mal. Viver
como se assim não fosse, é desumano.
APLICAÇÃO: Que provas da existência de Deus vês no mundo à tua volta?
Quando te sentes mais próximo de Deus?
ORAÇÃO: Obrigado, Senhor Deus, pelo projeto incrível e pela beleza da tua
criação. Ajuda-me a cuidar melhor dela. 

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02 -- OLHOS BEM ABERTOS
DATA:__________
ORAÇÃO: Senhor, estou verdadeiramente grato por nos teres dado a Bíblia e
porque tenho liberdade para a ler. Ajuda-me a compreender o que tens para me dizer,
hoje.
LEITURA: Génesis 3
REFLEXÃO:
A cultura popular, muitas das vezes, retrata o sexo como o “pecado original”. Mas
não é isso que a Bíblia diz. Na verdade, o prazer da intimidade sexual entre marido e
mulher faz parte do propósito de Deus para a criação (2:23-25). Na verdade, o pecado
original foi pôr em causa (3:1), desafiar (3:4) e, depois, desobedecer (3:6) à definição
de Deus do bem e do mal (2:16-17). Tanto Adão como Eva cometeram este erro
trágico que afeta toda a criação desde então. Basta ler um pouco de História ou, se
formos honestos, olhar para as nossas vidas para vermos que é verdade.
O pecado trouxe consequências imediatas. Para Eva, significou ter dores durante
o parto e uma nova tensão na sua relação com o marido (3:16). Para Adão, significou
sofrimento no trabalho e futilidade na vida (3:17-19). Consegues imaginar como seria,
se todos os nossos relacionamentos fossem sempre satisfatórios e o trabalho fosse
sempre relevante?
Mas, a maior consequência do pecado não foi, apenas, corromper a criação
perfeita de Deus foi, também, interromper o nosso relacionamento com ele. Adão e
Eva desfrutavam de uma comunhão única e próxima com Deus (3:8, 9), mas, agora,
estavam com medo e tentaram esconder-se (3:10). Para agravar o problema,
começaram a racionalizar o seu comportamento e, assim, testemunhamos o
aparecimento da culpa no mundo (3:11-13). Por fim, Adão e Eva foram banidos da
presença de Deus, sem qualquer hipótese de regresso (3:23-24).
Dor, lamento, futilidade, culpa, dificuldades nos relacionamentos, separação de
Deus. O pecado colocou-nos numa situação terrível! Mas, Deus tinha um plano para
resolver o problema, e isso são boas notícias.
APLICAÇÃO: O que te faz sentir culpa? Fizeste alguma coisa, há algum tempo
ou mais recentemente, de que te arrependes profundamente? Como podes endireitar
as coisas com Deus e com as outras pessoas?
ORAÇÃO: Senhor, é difícil admitir, mas tenho um problema com o pecado. Por
favor, perdoa-me e ajuda-me a viver de um modo que te agrade.

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03 -- UMA LIMPEZA!
DATA:__________
ORAÇÃO: Pai, hoje, tenho tantas coisas no meu coração e na minha mente.
Ajuda-me a colocá-las de parte para poder passar algum tempo de qualidade contigo.
LEITURA: Génesis 6:5—7.24
REFLEXÃO:
Na última leitura vimos como as pessoas decidiram deixar o caminho de Deus e
seguir o seu próprio caminho. A Bíblia chama a essa decisão pecado e, na leitura de
hoje, veremos quão longe de Deus o pecado nos pode levar (6:5). O pecado, pela sua
natureza, torna-se sempre cada vez pior. Desenvolve-se como um cancro. Se não for
controlado, destrói-nos. Por isso, podemos compreender por que Deus está tão triste.
É difícil deixar que alguém que amamos faça más escolhas.
Algumas pessoas pensam que Deus está só à espera de as apanhar a fazer
mal, como se sentisse prazer em castigá-las. Porém, é interessante ler que a sua
primeira emoção não é condescendência nem ira, mas, antes dor e pesar (6:6,7). É
isso o que o nosso pecado faz ao coração de Deus. E, tal como aprendemos, o
pecado traz consequências terríveis que, por fim, levam Deus a agir; como um oleiro
que recomeça uma peça com um pedaço de barro disforme.
“Hiperligamos”, agora, à história de Noé (6:9-7:24), um homem que viveu em
contraste com o pecado e a violência à sua volta. Por que razão Deus estava tão
satisfeito com Noé? Porque Noé estava disposto a ouvir e a obedecer à sua palavra
(6:22; 7:5). É esta a definição de integridade. Vejamos a frase, “no fim dos sete dias”
(7:10). É difícil imaginar como Noé se sentiu durante aquela semana. Mas, ainda
assim, ele obedeceu a Deus, apesar, de não fazer sentido e de não haver resultados
visíveis. Deus, ainda hoje, se agrada de um tipo de fé assim.
O Dilúvio fez uma limpeza da cultura inclinada ao pecado daqueles dias (7:22,
23). Mas, foi temporária. Ainda não era para ser o fim. Embora Deus tenha soltado um
julgamento esmagador sobre o pecado (7:17-24), ele prometeu um novo começo
(6:18). Apesar das nuvens negras, recebemos outra pista que nos diz que Deus tem
um plano para a salvação do mundo.
APLICAÇÃO: Já te encontraste em situações em que estás cercado de
pecado? Como reagir de forma a agradar a Deus?
ORAÇAO: Senhor Deus, quero seguir o teu caminho para a minha vida. Por
favor, ajuda-me a manter os meus olhos em ti e no teu caminho, independentemente,
do que os outros possam fazer à minha volta.

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04 -- NUNCA MAIS
DATA:__________
ORAÇÃO: Senhor Deus, eu te louvo e adoro. Por favor, dá-me a perceção da
tua presença ao ler a tua Palavra, hoje.
LEITURA: Génesis 8:1—9:17
REFLEXÃO:
Tivemos um cão, um Beagle, chamado Rascal, era muito nervoso e inconstante.
Quando eu abria a porta para o levar a passear, corria como um relâmpago para a
relva, raspando os nós dos meus dedos e a trela contra a porta. Por isso, posso
imaginar a explosão de alegria captada em Génesis 8:18-19. Finalmente livres!
Mas, será que estavam? Sim. Noé, a sua família e os animais estavam livres da
arca mal cheirosa, mas, estariam definitivamente livres do mau cheiro do pecado?
Teria o dilúvio deixado o registo completamente limpo? Como veremos, dentro em
breve na nossa leitura, a resposta é um definitivo e triste “não”.
Noé parece compreender este dilema subjacente à vida. Talvez por isso, a sua
primeira reação não tenha sido festejar, mas adorar. Deus agrada-se quando,
humildemente, o buscamos (8:21-22). A resposta de Noé a Deus, também, nos dá
uma pista sobre um dos grandes temas da Bíblia — o sacrifício como forma de
alcançar o perdão pelos pecados. Vemos isso por todo o Antigo Testamento e,
quando chegarmos ao Novo, vamos descobrir que essa é a chave para compreender
a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.
É claro, que Deus entende perfeitamente a realidade do pecado, e é isso que
torna a sua promessa a Noé ainda mais tocante (9:8-17). Embora Deus saiba que os
seres humanos são pecadores incorrigíveis (8:21), nunca mais os destruirá
completamente (8:21; 9:11,15). Na verdade, Ele vai bastante mais longe para lhes
garantir que a sua intenção era fazer, exatamente, o oposto. Nesta fase da história, o
arco-íris era o símbolo do seu amor. Mas, não faltaria muito para que Ele viesse ao
mundo e o demonstrasse pessoalmente.
APLICAÇÃO: O que mais te faz lembrar que Deus te ama? O que poderias
fazer hoje, para lhe mostrar que estás agradecido pelo seu amor?
ORAÇÃO: Obrigado, Senhor, por me amares mesmo conhecendo todos os
segredos do meu coração. Ajuda-me a partilhar o teu amor com as outras pessoas
hoje.

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05 -- PODEMOS FALAR?
DATA:__________
ORAÇÃO: Ajuda-me a aquietar o meu coração e a minha mente, ó Deus, para
que hoje, possa ouvir a tua voz.
LEITURA: Génesis 11:1-9
REFLEXÃO:
O que tinha a torre de Babel de mal? Afinal de contas, estavam a ser criados
postos de trabalho, as pessoas estavam a trabalhar juntas para um objetivo comum,
estavam a ser feitos progressos tecnológicos e a sociedade parecia estar à beira de
um feito histórico. Um currículo destes elegia qualquer político, hoje em dia. Então,
qual era o problema?
Talvez tenhamos uma pista em Génesis 11:4. A motivação de todo este trabalho,
aparentemente bom, era alcançar a glória humana, em vez, da glória de Deus. Neste
ponto, confrontamos o que o escritor C. S. Lewis chamou de “o pior de todos os
vícios” — o orgulho. Desde a Queda, que as pessoas vinham a escolher, cada vez
mais, seguir o seu próprio caminho, em vez, do caminho de Deus. Esta torre
fantástica tornou-se uma afirmação provocadora da humanidade: "Aqui mandamos
nós.” Mas, não era verdade e, por isso, Deus confundiu e dispersou o povo de Babel
(11:7-9). Deus não vai permitir que o nosso orgulho desmedido dure para sempre
(Provérbios 16:18).
Ao mesmo tempo, Deus afirmou o poder da boa comunicação de uma forma
incrível (11:6). Imagina o que poderíamos alcançar, hoje em dia, na esfera política,
nos locais de trabalho, nas igrejas e, especialmente, nas famílias se fossemos
capazes de comunicar eficazmente uns com os outros e, ao mesmo tempo, evitar os
orgulhosos jogos do poder. Nada seria impossível! Mas, a triste realidade é que o
orgulho veio para ficar. E infetou-nos a todos.
No final, a torre não foi destruída. Foi deixada de pé, numa planície deserta, um
monumento à futilidade de tentar viver sem Deus. Esta história teria tido um final muito
diferente se as pessoas tivessem seguido o exemplo de Noé (8:20-22). Quando
reconhecemos Deus e o adoramos, ele pode fazer coisas grandes através de nós.
APLICAÇÃO: Tens algum problema de comunicação na tua família? Na igreja?
No teu local de trabalho ou estudo? Até que ponto o orgulho tem sido a causa? Como
poderias mudar a situação?
ORAÇÃO: Ó Senhor, por muito que tente, o orgulho parece infiltrar-se sempre
no meu coração. Perdoa-me e ajuda-me a ser humilde em tudo o que faço.

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NO PRINCÍPIO - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 02 – ABRAÃ O, ISAAC E JACOB
A Bíblia começa de forma brilhante, com o milagre da criação e a beleza do
jardim do Éden. Mas, como vimos, assim que o pecado entra no mundo tudo muda
para pior. Passado pouco mais de doze capítulos de Génesis, lemos como Deus teve
de castigar a humanidade, quase ao ponto da extinção com o dilúvio e, depois, a
dispersou por causa do seu orgulho na Torre de Babel.
O mundo estava a desintegrar-se e, o pior, era que as pessoas não podiam fazer
nada. A única esperança era que Deus agisse — e depressa! É por essa razão, que
as próximas cinco leituras são tão importantes. Mostram-nos o que Deus fez, ao
tomar a iniciativa de nos salvar. O seu plano era criar uma grande nação — Israel —
e, depois, através dela abençoar todas as pessoas do mundo, dando-lhes um
Salvador.
O seu primeiro passo foi escolher Abraão (ou Abrão, como era chamado quando
o conhecemos pela primeira vez). Abraão, o seu filho Isaac e o seu neto Jacob são,
por vezes, referidos como os Patriarcas. Eles foram as primeiras pedras na
construção da grande família de Deus. Como verás, não eram perfeitos, tinham
fraquezas: resistiram a Deus e pecaram. Mas, mesmo assim, Deus usou-os. Isto
deveria de servir para nos encorajar. O plano de Deus não é frustrado por causa dos
nossos erros.
Também podemos perguntar por que Deus o fez. Por que se deu ao trabalho de
se reconciliar connosco? Por que não enviou outro dilúvio e acabou com tudo de vez?
Só pode haver uma resposta. Como C. S. Lewis escreveu no seu livro "Cartas do
Inferno", “Ele ama verdadeiramente os bípedes carecas que criou" (Carta 14).
Há um outro tema, sobre o qual deves estar atento durante a leitura: chama-se
fé. Nesta questão essencial, Abraão acertou. Ele não sabia por que razão Deus o
tinha escolhido, nem para onde o mandava e, certamente, não sabia qual era o seu
plano. Tudo o que sabia era que Deus lhe disse “Sai de casa”, e ele assim fez. Fé
significa confiar a nossa vida a Deus. No Novo Testamento, o apóstolo Paulo explica
que o exemplo de Abraão apontou para um passo de fé maior — crer em Jesus Cristo
como Salvador e Senhor (Romanos 4:16 - 25). Já deste esse passo de fé?

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06 -- PORQUÊ EU?
DATA:__________
ORAÇÃO: Pai celestial, a tua palavra é uma dádiva incrível! Fala hoje comigo de
uma forma específica através dela.
LEITURA: Génesis 12
REFLEXÃO:
De todas as pessoas no mundo, por que razão Deus escolheu Abrão para re-
ceber uma promessa tão incrível (12:2-3)? A passagem não nos dá muitas pistas,
mas, lembra-nos de que Deus tinha um plano: abençoar o mundo inteiro. O pecado
impediu que as pessoas se reconciliassem com Deus (3:23-24) e recebessem essa
bênção.
Embora a iniciativa tenha partido de Deus, isso não significa que não tenhamos
responsabilidade no desenvolvimento do nosso relacionamento com Deus. Apa-
rentemente, Abrão cultivou o hábito de ouvir a voz de Deus, ao longo dos seus 75
anos. Estarás tu a fazer o mesmo? Abrão, também estava disposto a obedecer.
Quando Deus lhe disse para deixar a sua casa (12:1), ele foi, apesar, de não saber
qual o destino. Estás tu disposto a abandonar alguma coisa... tudo... para seguir a
Deus? Abrão não se esqueceu de Deus pelo caminho. Ele tomava tempo,
regularmente, para se lembrar do que Deus tinha feito e cultivar a sua relação com ele
(12:7-8). E Tu? Tens feito o mesmo?
O facto de Abrão ser um dos grandes exemplos de fé na Bíblia (15:6; Romanos
4:1-25), torna a sua reação à fome, ainda mais estranha (12:10). Depois de tudo o
que Deus tinha dito e feito, Abrão podia ter confiado em Deus para suprir a sua
necessidade de alimento, mas, em vez disso, mudou-se para o Egito (repara que
Deus não lhe disse para ir) e, depois, inventou uma desculpa para se "proteger” a si e
à sua mulher. Mesmo quando sabemos o que Deus quer que façamos, às vezes,
erramos. Mas, agradecemos a Deus por permanecer connosco mesmo quando
fazemos más escolhas. Podemos ter de enfrentar consequências difíceis ou
dolorosas, mas, Deus nunca nos abandona. Na verdade, muitas vezes, ele usa os
desvios da nossa caminhada para nos ensinar coisas que não aprenderíamos de
outra forma.
APLICAÇÃO: Como é que Deus te encontrou? Como lhe respondeste? Que
desvios tens encontrado no teu caminho, ao longo da vida? O que Deus te ensinou
através dessas experiências?
ORAÇÃO: Obrigado Pai, por teres tomado a iniciativa de me encontrar. Não
compreendo a totalidade do teu amor por mim, mas estou muito grato. Ajuda-me a

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seguir-te a cada passo do caminho.

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07 -- ELE SENTE A TUA DOR
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, conheces os segredos do meu coração. Convido-te a me


mostrares as áreas da minha vida que queres encher e usar.
LEITURA: Génesis 15
REFLEXÃO: Deve ter sido um tempo angustiante para Abrão. Já tinha passado
há muito a idade da reforma (12:4), quando Deus lhe disse para deixar tudo para trás
e ir para um destino desconhecido. Deus, nem sempre nos dá um mapa detalhado do
caminho. Muitas vezes, mostra-nos, apenas, o que fazer a seguir. Fé é confiar que
Deus nos levará ao destino certo. Mas, ter fé não garante que tudo seja fácil ou faça
sentido.
Um assunto sensível A incapacidade de ter filhos era um motivo de vergonha
nos tempos antigos, especialmente, para as mulheres. A incrível promessa de Deus,
de construir uma nação, tinha-se tornado uma fonte de dor emocional para Abrão e
Sara (15:2-3). “Sabes bem que não me deste filhos...” Mas, Deus estava a usar esta
questão sensível para edificar a fé de Abrão (15:6). Sobre que assunto estás sensível
neste momento? Bem lá no fundo, o que receias mais? Não pretendemos banalizar a
dor que possas sentir mas, por vezes, a única maneira de lidar com o medo e a dor é
dizer honestamente: “Deus odeio isto e preciso que me mostres o que me estás a
tentar ensinar.”
Uma tarefa impossível Sempre que seguimos a vontade de Deus, há um
momento em que as coisas parecem sombrias. Abrão encontra a terra cheia de
“hititas” (15:19). E agora? Deus sabe que Abrão necessita de ser encorajado, por isso,
deixa-o espreitar um bocadinho do plano original (15:12-21). Não gostavas que ele
fizesse o mesmo contigo? “Deus, se enviasses o teu plano por e-mail era uma grande
ajuda.” Na verdade, de certa forma, Deus tem-nos revelado o seu plano. É possível
ter uma imagem mais nítida, quando refletimos no que ele fez no passado — na Bíblia
e nas nossas vidas — e quando confiamos que ele continuará fiel no futuro.
A coisa mais importante que Deus faz por Abrão, não foi edificar a sua fé ou
revelar a sua vontade. Mas, deixá-lo experimentar a sua presença. Em última análise,
é a presença de Deus que varre o medo, a dor e as perguntas e nos permite passar
por tudo na vida com coragem e alegria.
APLICAÇÃO: Existem alguns “-itas” na tua vida — coisas que parecem impos-
síveis de ultrapassar? Como responder a essas situações de uma forma que mostre a
tua fé em Deus?
ORAÇÃO: Senhor, tu conheces as situações da minha vida que me causam
dor, ansiedade e preocupação. Por favor, mostra-me de que forma estás a trabalhar

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através delas e dá-me a capacidade de confiar mais em ti.

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08 -- ESTRANHO, MAS VERDADEIRO
DATA:__________

ORAÇÃO: Hoje, quero louvar-te, Pai. És tão fantástico, tão bom e amoroso para
mim. Quero que saibas o quanto te amo.
LEITURA: Génesis 21:1 – 22:19
REFLEXÃO: Hoje começamos com uma história tão estranha que poderia ser o
título de qualquer jornal diário: Mulher de 90 anos, grávida de um homem de 100! Mas
esta história é verdadeira e, mais uma vez, demonstra que Deus pode fazer o
impossível, não apenas nas páginas da Bíblia, mas, também, na tua vida. Depois da
nossa última leitura, Deus encontrou uma forma de lembrar a Abrão o seu plano, de
construir uma nação através dele, mudando-lhe o nome de Abrão, que significa “pai
exaltado”, para Abraão, que significa “pai de muitos" (17:5). Era uma espécie de
lembrete de que Abraão, em breve, iria precisar.
A história torna-se, ainda, mais estranha, quando Deus diz a Abraão para sacri-
ficar o seu filho Isaac (22:2). Qualquer pai sentiria, imediatamente, o horror de tal
dilema. Mas, a parte mais extraordinária da história, é que Abraão não perde tempo e
obedece a Deus. “Na manhã seguinte, Abraão levantou-se cedo...” (22:3). Não
discute, nem questiona a intenção de Deus. Levou toda a sua vida, mas Abraão
aprendeu a confiar em Deus, não importa o quê. Este, ainda, é um objectivo na vida
cristã.
O que Abraão não conseguiu perceber era que Deus estava a usar um teste,
aparentemente, cruel para fazer uma afirmação profunda. Enquanto a tensão au-
menta em frente ao altar improvisado, Abraão, sem saber, profetiza o plano de
salvação de Deus: “Deus há de encontrar a vítima para o sacrifício” (22:8). De facto,
Deus providenciou o cordeiro — o seu único Filho, Jesus Cristo, que morreu na cruz,
no sacrifício definitivo pelos nossos pecados. Esta é a “grande história”, em poucas
palavras. O Cordeiro de Deus está no centro das Boas Novas.
É verdade que Deus, por vezes, testa-nos e isso não é nada agradável. Mas, os
testes de Deus edificam mais a nossa fé do que qualquer outra coisa e produzem
bênçãos muito maiores na nossa vida, do que aquilo que somos capazes de perceber
na altura (22:15-18). Aconteça o que acontecer, podemos confiar que o plano de
Deus é sempre o melhor para nós (Romanos 8:28).
APLICAÇÃO: Será que Deus te está a testar de alguma forma neste momento?
De que forma pensas que Deus está a querer edificar a tua fé?
ORAÇÃO: Pai, não compreendo o teu amor por mim na totalidade, nem os teus
caminhos. Mas, quero confiar sempre em ti. Ajuda-me a ouvir a tua voz e a seguir-te

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ao longo do caminho.

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09 -- ANALISA ISTO!
DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, obrigado por me convidares para ser parte da tua família. Ajuda-
me a viver de forma a honrar-te.
LEITURA: Génesis 27, 28
REFLEXÃO: Um psiquiatra poderia passar o dia inteiro a analisar o estado
mental desta família disfuncional: um pai permissivo, uma mãe controladora, um filho
inconstante, e o outro, mais novo, manipulador. Ponham-nos todos a lutar pela
herança da família et voilá! Aqui está um argumento excelente para uma telenovela.
Contudo, esta é uma das famílias mais importantes na Bíblia, porque Deus usou-a
para construir a nação de Israel. Vejamos, mais de perto, o que se está aqui a passar.
Antigamente, o ato de dar “a bênção” era uma forma importante de passar a
riqueza e a liderança de uma família. Além disso, pela forma como Isaac o tratou, a
bênção parecia ter, também, algum impacto espiritual (27:27-40). A importância de
receber uma bênção deste tipo, não é, apenas, um costume antigo. A afirmação
parental, ainda hoje, é uma das necessidades mais básicas dos seres humanos e o
facto de a recebermos, ou não, pode fortalecer ou enfraquecer-nos para o resto da
vida. As crianças de hoje estão desesperadas por receber o amor e a aceitação dos
pais, especialmente, do pai. Quando isso não é possível, os adultos cristãos podem
ter um impacto positivo enorme, ao estenderam a sua bênção às crianças do seu
círculo de influência.
Mas, a verdade é que nenhuma família é perfeita. Deus usa pessoas vulneráveis
para realizar o seu propósito. Não há outra forma. Vejamos o exemplo de Jacob, que
deixou que a mãe o manipulasse, a ponto de “vestir um fato de Carnaval”, para roubar
a bênção do seu irmão e, depois, teve de fugir para não ser morto. Mas, o fracasso de
Jacob isola-o, permitindo que Deus lide com ele de uma forma pessoal (28:10-22).
Embora doa, as partes quebradas da nossa vida, proporcionam-nos algumas das
melhores oportunidades para termos um encontro com o Deus vivo.
APLICAÇÃO: Que exemplos da tua infância — saudáveis ou outros - moldaram
significativamente a tua forma de estar, hoje em dia? Como podes ser uma influência
mais cristã na tua família?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, oro para que atraias os membros da minha família a ti.
Por favor, mostra-me como posso ser parte do que estás a fazer nas suas vidas.

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10 -- VERDADEIRA RECONCILIAÇÃO
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, obrigado por me aceitares. Eu amo-te e louvo-te neste dia.


Quero aprender tudo o que tens para me ensinar.
LEITURA: Génesis 32, 33
REFLEXÃO: Por vezes, a culpa faz com que as pessoas façam coisas erradas
— como mentir ou encobrir a verdade com outro crime. Mas, aqui vemos um exemplo
de como a culpa pode motivar alguém a fazer algo de bom. Jacob tinha, obviamente,
uma consciência pesada. Há alguns anos atrás, tinha enganado o seu irmão Esaú,
roubado o seu direito de primogenitura e a sua bênção. Agora, porém, o seu
sentimento de culpa leva-o a querer reconciliar-se com o seu irmão.
Mas, será que era isso mesmo o que Jacob queria? Provavelmente, não! Ao
procurar acertar contas com o irmão e lisonjeá-lo, Jacob desejava, acima de tudo,
salvar a pele (32:13-21). Até a sua vida de oração estava manchada pela culpa
(32:11). A verdadeira reconciliação envolve, primeiro, uma mudança de coração e,
depois, uma mudança nas atitudes. Por vezes, leva muito tempo até que Deus mude
os nossos corações, principalmente, porque é muito difícil admitirmos o nosso
pecado. Mas, enquanto não o fizermos, vamos estar a substituir a racionalização pela
verdadeira reconciliação, e permanecemos encurralados pela culpa e pelo pecado.
Ironicamente, é Esaú quem demonstra verdadeira reconciliação. Há alguns anos
atrás, era um homem impelido pelo desejo de vingança. Agora, é um homem satis-
feito (33:9), não guarda rancor e está, genuinamente, disposto a abraçar o seu irmão
nervoso. Esaú é um exemplo do Antigo Testamento; do pai amoroso de quem Jesus
falaria muitos anos mais tarde, numa parábola (Lucas 15:11-32). A verdade é que
Deus pode restaurar relacionamentos, por mais destruídos que estejam, mas, temos
de deixar que ele o faça à sua maneira; temos de estar dispostos a mudar.
Por vezes, a vida pode fazer-nos sentir tão culpados, amargos ou zangados que
a única coisa que pode mudar os nossos corações, é uma experiência genuína com
Deus. Foi isso que aconteceu com Jacob (32:22-32). Se existem relacionamentos e
situações difíceis na tua vida, talvez tenhas de deixar de pedir a Deus que mude as
circunstâncias. Em vez disso, pede-lhe que te ajude a compreender e a aceitar o
modo como ele está a usar essas circunstâncias para te mudar.
APLICAÇÃO: Pensa num relacionamento teu que esteja sob tensão ou
quebrado. O que pode Deus estar a tentar ensinar-te através disso? O que podes
mudar de forma a melhorar a situação.
ORAÇÃO: Pai Celestial, acolheste-me de braços abertos. Por favor, ajuda-me a

25
mostrar o teu amor incondicional, mesmo, àqueles que me deixam frustrado e irritado.

26
ABRAÃO, ISAAC E JACOB - REVISÃO

Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.

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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 03 – A HISTÓ RIA DE JOSÉ
As próximas cinco leituras vão levar-nos à história de José. Como veremos,
Bíblia dá muito “tempo de antena” a José. E podemos, com alguma razão, perguntar:
"Porquê?” O que tem este homem de tão importante que mereça ter catorze capítulos
em Génesis, dedicados aos altos e baixos da sua vida?
Por um lado, a história de José forma um elo importante entre os patriarcas
(Abraão, Isaac e Jacob) e Moisés. A maioria das pessoas, conhece a história de
Moisés e sabe como confrontou Faraó e lhe ordenou que deixasse o povo ir. Mas, é a
história de José que nos mostra como, e por que razão, o povo de Israel acabou no
Egito.
Outro aspeto, acerca da vida de José é que esta demonstra, claramente, a
soberania de Deus, isto é, o seu controlo total sobre todas as coisas. Não importa
quão difícil a situação de José se torna, e sabemos que se torna bastante grave, Deus
utiliza sempre essa circunstância para o bem (Génesis 50:20; Romanos 8:28). Esta é
uma lembrança encorajadora, quando enfrentamos crises e problemas na nossa vida
atual.
Mas, talvez o aspeto mais significativo, ainda, da narrativa de José seja o facto
de esta se tomar o capítulo seguinte da "grande história” da Bíblia: o plano de Deus
para a salvação de todas as pessoas. Há alguns anos atrás, Deus disse a Abraão que
a sua família se tornaria numa grande nação e seria uma bênção para o mundo
inteiro. Mas, naquela altura, os descendentes de Abraão eram um grupo heterogéneo
de viajantes nómadas, com um vasto historial de problemas familiares. Parecia que
qualquer situação difícil que acontecesse, como uma fome, seria suficiente para
separar a família e acabar com a "grande história” de vez.
Mas, Deus permitiu que José e os seus irmãos se metessem numa confusão,
para poder demonstrar a sua disponibilidade e capacidade para libertar o povo que
tinha escolhido. Na altura em que decorre esta parte da “grande história”, a libertação
é da fome e da opressão (Génesis 45:4-7). Mais tarde, Deus haveria de realizar uma
libertação muito maior: do pecado e da morte, através da obra do seu Filho, Jesus.
Era esta a grande bênção que Deus tinha em mente desde o princípio, e é isto que
torna a história deste homem tão importante.

28
11 -- CONFLITO FAMILIAR
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, aprecio muito a oportunidade de estar próximo de ti. Por


favor, ajuda-me a compreender o que leio e o que queres que faça em resposta.
LEITURA: Génesis 37
REFLEXÃO: Não é preciso ser um génio para perceber por que motivo esta
família tinha problemas. Como na maioria das rivalidades entre irmãos, raramente, a
culpa é somente de um. Quando as coisas correm mal, temos tendência para nos
lembrarmos de uma grande discussão, mas, geralmente, esquecemos que até a ten-
são chegar a esse ponto de ebulição, levou o seu tempo a crescer. Vejamos o que
levou as coisas a aquecer na família de José.
Favoritismo José, provavelmente, era uma criança dotada. Mas, isso não era
razão para que o pai o favorecesse em relação aos irmãos, dando-lhe um presente
(37:3). Ao fazê-lo, Jacob abriu a porta a muita amargura. Uma das coisas mais
destrutivas na família é a utilização do “amor” como ferramenta de manipulação ou de
controlo.
Arrogância José sabia, seguramente, que ninguém gosta de “queixinhas”, muito
menos, os irmãos mais velhos (37:2). Mas, parece não se importar com isso. Chega,
até, a usar as suas experiências espirituais para provocar os irmãos (37:5-9). Deus
deu dons espirituais a cada um de nós, mas, para serem usados eficazmente, têm de
ser combinados com humildade.
Ciúmes O que mais incomodava os irmãos, era quererem o que José tinha — a
bênção do seu pai (37:11). Imaginem como as coisas poderiam ter sido diferentes, se
Jacob tivesse convocado uma reunião familiar para dizer: “Eu amo a cada um de vo-
cês.” Será que existem pessoas na tua família que precisam de saber que tu as
amas?
Ódio Esta passagem diz três vezes, que os irmãos odiavam José (37:4, 5,8). Se
não resolvermos os nossos sentimentos de raiva, eles vão destruir-nos de dentro para
fora. É muito melhor seguir o exemplo de Jesus (Mateus 5:43-48, Mateus 18:15-17) e
lidar atempadamente com as pequenas ofensas, antes que as feridas infetem e se
transformem em ódio puro.
APLICAÇÃO: Quais são as causas de conflito e tensão na tua família? Como
podes expressar amor genuíno àqueles que mais precisam?
ORAÇÃO: Pai, estou tão grato por me amares. Ajuda-me a amar, verdadei-
ramente, as pessoas à minha volta, especialmente, as da minha família.

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12 -- NÃO É JUSTO!
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, tens sido tão bom para mim. Obrigado pelas muitas formas,
pelas quais me tens abençoado.
LEITURA: Génesis 39 - 41
REFLEXÃO: Quando conhecemos José peia primeira vez, ele era um
adolescente egoísta que irritava a família propositadamente. Embora estivesse a
precisar de uma lição, esta foi muito dura: foi vendido como escravo, foi acusado
injustamente e atira-lo para a prisão. Como poderia isto ser o plano de Deus?
Mas, alguma coisa aconteceu a José pelo caminho. Talvez o trauma de ter sido
rejeitado pelos irmãos e de estar preso longe de casa o tenha levado a uma profunda
reflexão. Ou talvez tenha, simplesmente, percebido que a sua vida estava a ir na
direção errada. O quer que tenha sido, ajudou José a amadurecer. Na verdade, ele
tornou-se um modelo de força moral (39:8-10) e tornou-se sensível às oportunidades
de ministério à sua volta (40:6-8).
Como reages quando a vida é injusta? Atacas as pessoas à tua volta? Desistes
e entregas-te à depressão? Culpas Deus? José tinha todas as razões para fazer
estas e mais coisas. Mas, não o fez e existem, pelo menos, duas razões para tal.
Ele colocou Deus no centro Quando a mulher de Potifar o tenta, José percebe
que é a Deus que tem de prestar contas (39:9). Mais tarde, na prisão, dá a Deus o
crédito pela sua capacidade de interpretar sonhos (40:8b). José colocou Deus no
centro da sua vida e isso deu-lhe uma perspetiva completamente nova, e poder para
lidar com os problemas que enfrentou.
Ele confia no plano de Deus À primeira vista, a vida de José parece uma
confusão, mas, no fundo, é Deus quem está no controlo (39:2, 21). Os tempos de
crise fazem-nos aprofundar o nosso relacionamento com Deus. Não devemos
procurar problemas, mas os tempos difíceis, de facto, oferecem-nos algumas das
melhores oportunidades para crescermos na fé. Contudo, para agarrarmos essas
oportunidades temos de confiar que Deus tem um plano — quando as coisas correm
bem, ou mal.
APLICAÇÃO: Que dificuldades experimentas na tua vida, presentemente?
Passa algum tempo em oração, ouvindo e pedindo a Deus que te mostre o que ele te
quer ensinar e como te podes aproximar dele.
ORAÇÃO: Senhor, detesto quando as coisas correm mal. Mas quero aproximar-
me de ti, por isso, ajuda-me a ver o que estás a fazer em tempos difíceis.

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13 -- A HISTÓRIA VISTA POR DENTRO
DATA:__________

ORAÇÃO: Jesus, que eu fique mais perto de ti, à medida que leio e medito na
tua palavra.
LEITURA: Génesis 42
REFLEXÃO: Os irmãos de José não estavam a pensar no ato cruel e injusto que
tinham feito no deserto, há anos atrás. Estavam, apenas, a tentar encontrar comida
para a família. Mas, “quem semeia, colhe” e José percebe que chegou a altura da
desforra. Será que ele sentiu prazer quando acusou os irmãos de serem espias (42:7-
17)?
Mas, este texto contém muito mais do que apenas uma história de vingança.
Quando examinamos cada uma das personagens, percebemos que se passa algo
mais profundo. Vejamos José, por exemplo. Exteriormente, parecia ser extremamente
bem sucedido, poderosos e ter tudo sob controlo. Mas, por dentro, carregava uma
alma ferida e desejava o amor e a aceitação da sua família (42:22-24; 43:30).
Os irmãos pareciam ser homens de família, responsáveis e honestos, cumprindo
o seu dever em tempo de crise. Mas, por dentro, estavam consumidos pela culpa
(42:21), temendo que Deus os destruísse a qualquer momento. Por sua vez, o pobre
velho Jacob, por fora era o sábio patriarca da família, mas, por dentro, tinha-se
tornado amargo, medroso e fatalista.
Já sentiste a tensão de ter de parecer bem, quanto, por dentro, te sentes miserá-
vel? Já todos o experimentaram, em alguma altura, e é um dos piores dilemas da
vida. Mas, parecer bem, não resolve os nossos problemas. Na verdade, ter uma boa
aparência torna mais difícil receber ajuda. “Como posso admitir a forma como
realmente me sinto, se as pessoas pensam que eu sou um pai/empregado/
pastor/cristão tão bom? Nunca me vão compreender.” A terapia pode identificar os
nossos problemas interiores, mas, somente Deus, através do seu Espírito Santo,
pode resolvê-los verdadeiramente. É por essa razão, que a igreja não é um lugar para
pessoas que se julgam perfeitas, mas, o lugar onde as pessoas que não têm medo de
admitir as suas dores e dificuldades, podem ser curadas e libertas.
APLICAÇÃO: O que pensam as pessoas a teu respeito? Como te sentes por
dentro, hoje? Existem assuntos por resolver? Que passos podes dar esta semana,
nesse sentido?
ORAÇÃO: Senhor Deus, por vezes, fico exausto de tanto tentar parecer bem.
Espírito Santo, por favor, ajuda-me a descobrir o verdadeiro perdão, amor e a
aceitação no mais profundo da minha vida.

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14 -- JOGOS MENTAIS
DATA:__________

ORAÇÃO: Sabes como me sinto hoje. Senhor, quando venho passar tempo
contigo. Por favor, abre o meu coração às coisas que queres que eu saiba.
LEITURA: Génesis 43, 44
REFLEXÃO: José resistiu ao mal no passado (39:10), mas, esta tentação era
demais. Afinal, todos os irmãos fizeram o mesmo, deve ter sido difícil conter-se.
“Atirem-me para o fosso! Despachem-me rio abaixo! Destruam a minha vida! Tudo
bem, mas, agora, vamos ver se vocês gostam do sabor do vosso próprio veneno!”
José, agora, tinha poder para esmagar os seus irmãos desesperados. Mas não o fez
— e vale a pena saber porquê.
Não costumamos pensar na ira como uma tentação. Na verdade, a ira não é má
em si. Estar zangado faz parte de ser humano. Até Jesus se zangou (João 2:12-17).
Mas, a ira pode levar-nos a reagir de formas erradas com aqueles que nos ofendem
"Sim, estou zangado... mas ele mereceu-o!” contudo, duas coisas erradas não fazem
uma certa. É por isso que a Bíblia diz: “Se porventura se irritarem contra alguém, não
lhe façam mal" (Efésios 4:26; Salmos 4:4).
José ganha tempo a fazer jogos mentais com os seus irmãos. Pergunta-lhes
acerca do pai, esconde uma taça de prata nos sacos deles e alinha-os por ordem de
nascimento. Alguns podem criticá-lo por não os ter deixado logo ir. Mas, a vida real
não é assim. Algumas mágoas são tão profundas, que é preciso tempo e uma
pressão gradual da parte de Deus para que subam à superfície. Se estás a sentir
pressão ou mesmo raiva acerca de coisas do teu passado, talvez Deus esteja a tentar
dizer-te alguma coisa. Uma das melhores reações que pudemos ter, à raiva causada
pelo passado é orar.
Mas o motivo principal peto qual José não acabou com os seus irmãos, foi
porque os amava. Por vezes, descobrimos que sob os nossos sentimentos de raiva,
está um profundo amor. Por isso, reagir violentamente, é o pior que podemos fazer
quando estamos zangados. José, de forma sensata, procura um lugar onde possa
chorar (43:30). Sentir verdadeira tristeza, por causa de mágoas do passado, é um
passo essencial no processo de cura que Deus usa para suavizar os nossos corações
endurecidos. José e os seus irmãos acabariam, eventualmente, por se perdoar e
reconciliar. Mas ainda não tinha chegado o momento. Fica atento.
APLICAÇÃO: Existem mágoas por resolver no teu passado? Precisas de
encontrar um lugar privado para chorar e orar?
ORAÇÃO: Pai, não me quero agarrar aos meus sentimentos de raiva, mas,

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preciso da tua ajuda. Senhor, sei que magoei outras pessoas com as minhas atitudes.
Mostra-me como posso ajudá-las a encontrar cura também.

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15 -- UM SUSSURRO INTRIGANTE
DATA:__________

ORAÇÃO: Abro o meu coração e as minhas mãos para ti, em adoração. Por favor,
aceita o meu louvor e abre os meus olhos para o quer que seja, que eu precise de ver hoje.
LEITURA: Génesis 45:1- 46:7
REFLEXÃO: Citizen Kane (O mundo a seus pés) é um clássico realizado por
Orson Wells e conta a história de um homem rico e poderoso chamado Charles
Foster Kane, que conseguiu alcançar tudo na vida, exceto a felicidade. O filme
começa com um sussurro intrigante, "Rosebud!”, cujo significado é a questão central
ao longo do filme. Em criança, Kane é rejeitado pelo pai e mandado para longe, para
ser educado por um tutor, num ambiente de riqueza, mas, sem amor. Ao separar-se
do pai, separa-se também do seu brinquedo preferido - um trenó. Na cena final,
percebemos que ‘Rosebud’ era a palavra gravada no trenó, o símbolo do relacio-
namento interrompido com o pai, um facto que o atormentou por toda a vida.
Nesta passagem, José revela não só a sua identidade, mas, o mais importante, o
sussurro que o tem mantido e motivado todos estes anos. “O meu pai ainda está
vivo?” (45:3). Era este o “Rosebud” de José. Podemos pensar que um relacionamento
interrompido, especialmente, com alguém de quem estivemos próximos, não tem
assim tanta importância. Mas, de facto, pode ter um efeito bastante maior do que
pensamos, se não deixarmos que Deus trabalhe em nós para o resolver.
Mas, não esqueçamos os irmãos de José. Como é que ele se reconciliou, final-
mente, com aqueles patifes? Vimos José entristecido e vimo-lo a orar. Agora vemo-lo
perdoar os seus irmãos cruéis (45:14-15). O verdadeiro perdão é o último passo para
a cura das feridas do passado. Leva tempo e temos de estar abertos à transformação
de Deus mas, o ato de perdoar capacita-nos, de uma forma maravilhosa, para amar
outra vez. Além disso, também, abre os nossos olhos para a abrangência daquilo que
Deus está a fazer na nossa vida. Como José disse: “Não foram, portanto, vocês que
me mandaram para aqui; foi Deus...” (45:8).
Queres receber cura para as mágoas do teu passado? Gostavas de ter a capaci-
dade de amar outra vez? Será que desejas uma compreensão mais clara da vontade
de Deus? Então, compromete-te, tanto quanto possível, a resolver qualquer
relacionamento que tenha sido quebrado na tua vida. É uma verdadeira alegria,
quando o sussurro intrigante é substituído por uma canção de louvor.
APLICAÇÃO: Há um “sussurro intrigante” na tua mente e no teu coração hoje? Que
passos podes dar para resolver esses assuntos subjacentes? Como vais procurar a ajuda de
Deus?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, tu compreendes melhor do que ninguém como me sinto.

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Obrigado por teres suportado a cruz para que eu fosse perdoado.

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A HISTÓRIA DE JOSÉ - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 04 – MOISÉ S E O Ê XOD0
Luzes, câmara, ação... é tempo para a história de Moisés e o Êxodo! Sempre
que leio esta parte da Bíblia, penso no filme clássico, Nunca esquecerei a imagem de
Charlton Heston, no papel de Moisés: musculado, bem — parecido, de cabelo ao
vento, a segurar as placas de pedra com os dez mandamentos, no cimo do Monte
Sinai.

A vida de Moisés é uma das partes mais famosas e emocionantes da Bíblia.


Tanto os Cristãos como os Judeus olham para Moisés como um exemplo de força
espiritual e convicção apegada. Por causa da ênfase dada à libertação, esta saga,
tem servido de inspiração a pessoas oprimidas — especialmente as que foram
sujeitos à escravidão — durante séculos. A vida de Moisés veio a simbolizar a busca
humana por liberdade.

Mas, há mais na vida de Moisés do que aquilo que vemos nos filmes, como
verás nas próximas cinco leituras. Nos primeiros 40 anos da sua vida, Moisés fez
parte dos ricos e famosos do Egito. Depois, perdeu as estribeiras e deitou tudo a
perder, tendo de passar os 40 anos seguintes em “nenhures" a viver com os sogros e
a guardar ovelhas.

Moisés teria morrido na obscuridade se não fosse uma coisa: ele teve um
encontro com Deus (Êxodo 3:1-4:17) e isso mudou tudo. Nos últimos 40 anos da sua
vida, Moisés era um homem numa missão — enfrentar o Faraó, lançar as pragas,
abrir o Mar Vermelho, receber os Dez Mandamentos e conduzir o povo escolhido até
à fronteira com a Terra Prometida. Um final apoteótico!

A verdade é que Deus pode usar-nos, independentemente do que tenha


acontecido no nosso passado, da nossa idade, ou de quão “deslocados" nos
possamos sentir. Tudo o que precisamos é de experimentar o Deus vivo, de uma
forma nova. Depois disso, nunca mais serás o mesmo. Não tens visto arbustos a
arder, ultimamente? Não te preocupes, uma das melhores formas de encontrar Deus,
todos os dias, é através da Bíblia e da oração, e é isso que estás prestes a fazer.

Agora é a tua vez de entrares na história de Deus!

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16 -- “O QUE ESTÁS A FAZER?”
DATA:__________

ORAÇÃO: Deus Pai, é tão bom estar sossegado na tua presença. Ajuda-me a
colocar de lado todas as distrações do meu coração e da minha mente, ao vir a ti
neste momento.
LEITURA: Êxodo 1,2
REFLEXÃO:
"Devias ser um lindo bebé...”, parece ter sido o que a filha do Faraó pensou
acerca de Moisés (2:6). Alegremente alheia, ao sofrimento da família da criança (1:11-
14,22), retira o bebé da água e assim começa a vida de um dos maiores heróis da
Bíblia (Mateus 17:1-13).
O nome “Moisés” tem o mesmo som da palavra Hebraica “retirado”. O bebé que
foi retirado do rio por uma princesa iria, anos mais tarde, retirar o povo Hebraico da
opressão e da escravatura. Atualmente, os nossos nomes, geralmente, não têm o
mesmo nível de significado. Mas, ainda assim, vale a pena considerar as nossas
origens. Em que tipo de família nasceste? Como é que os teus primeiros anos de
vida, moldaram o teu carácter?
A Bíblia não nos conta muito acerca da vida de Moisés depois da sua fuga feliz
pelo rio. Tudo o que se sabe é que ele se tornou parte da elite Egípcia (2:11).
Contudo, interiormente, era um jovem zangado, que fez justiça pelas próprias mãos,
numa tentativa inútil de salvar o seu povo (2:12). No trabalho de Deus, o fim não
justifica os meios. Por isso, a oração é tão importante, pois, ajuda-nos a manter
contacto com o tempo e os caminhos de Deus.
Quase a desaparecer numa nuvem de pó, a caminho de Madiã, Moisés deve ter
perguntado: “Deus, o que estás a fazer?” É a pergunta que todos fazemos quando a
vida não corre como queremos. Podes ter a certeza de que Deus tem um plano
maravilhoso para a tua vida e que usa cada pormenor — até os momentos difíceis —
para o realizar.
APLICAÇÃO: Como é que as dificuldades da vida, te têm preparado melhor
para servires a Deus? Como descreverias a tua missão na vida?
ORAÇÃO: Querido Deus, abre os meus olhos para as coisas que estás a fazer
na minha vida. Quero ser tudo o que desejas que eu seja — mesmo que isso
signifique que tenha de mudar algumas coisas.

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17 -- ENCONTRO COM DEUS
DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, sabes que a minha “lista de tarefas” não sai do meu pensa-
mento. Ajuda-me a colocar tudo de parte para que me possa concentrar em aprender
de ti.
LEITURA: Êxodo 3:1-4:17
REFLEXÃO: Nesta fase da sua vida, Moisés, provavelmente, não seria um bom
exemplo do poder do pensamento positivo. Oitenta anos de idade, a arrastar-se num
emprego sem saída, a viver com os sogros... Não admira que quisesse estar sozinho
(3:1).
Deus, muitas vezes, escolhe pessoas às quais o mundo não dá importância (1
Samuel 16:7). David era um pastor de ovelhas pouco impressionante; Maria era uma
rapariga Judia desconhecida; Pedro era pescador. Nesta altura, Moisés era um
reformado desgastado sem pensão de reforma! Vale a pena pensar nas “pessoas
esquecidas” à tua volta. Se presumimos que Deus só trabalha através de líderes
cristãos, podemos estar a perder uma das coisas mais poderosas que Deus quer
fazer. O que é empolgante na vida cristã é que Deus pode aparecer quando menos
se espera.
Como será ter um encontro com Deus? Ao longo dos séculos as pessoas têm
tentado “encontrar Deus” de todas as formas possíveis. Esse desejo é bom, cer-
tamente. Mas, como Moisés descobriu, Deus está sempre presente, em todos os
lugares, e está à nossa espera (Salmos 46:10ª). A verdadeira questão é: será que
queremos mesmo encontrá-lo, nos seus termos?
Repara na progressão da interação de Moisés com Deus. Começa com
curiosidade (3:3), depois passa a medo (3:6) e, finalmente, rejeição absoluta (4:13).
Quando Moisés percebeu que o plano que Deus tinha para ele ia ser difícil,
considerou a hipótese de não aceitar o cargo. Se estás, realmente, à procura, não faz
mal ter dúvidas e perguntas honestas. Mas, quando estas se tornam um pretexto para
rejeitar Deus, o assunto é outro (4:13-14).
A coisa mais maravilhosa é que Deus vê aquilo pelo qual passamos (3:7) e quer
estar connosco (3:12). O Deus do universo quer que saibas quem e como ele é. E foi
ao ponto mais extremo para te ajudar a compreender isso mesmo.
APLICAÇÃO: Quando e de que formas tens encontrado Deus na tua vida?
Como é que isso te mudou?
ORAÇÃO: Deus, admito que às vezes hesito em vir a ti, mas, quero mesmo ter
mais de ti na minha vida. Abre a minha mente, o meu coração e a minha vontade

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àquilo que queres fazer em mim, hoje.

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18 -- ATORMENTADO PELA DÚVIDA?
DATA:__________

ORAÇÃO: És digno da minha adoração, Senhor Deus. Começo este tempo


adorando-te do fundo do meu coração.
LEITURA: Êxodo 6:28-11:10
REFLEXÃO: Aqui temos uma das batalhas clássicas entre o bem e o mal,
contada na Bíblia e na história da humanidade. Moisés confronta o Faraó dez vezes,
com as pragas e a mensagem de Deus: “Deixa o meu povo ir...” (7:16). Mas, a
teimosia incrível do Faraó acaba por arruiná-lo. Rejeitar Deus, completamente, não é
a única forma de os nossos corações se endurecem. Isso, também, acontece como
resultado de, gradualmente, fazermos as coisas à nossa maneira, durante um período
de tempo. No final, o resultado é o mesmo: um relacionamento quebrado com Deus.
Por que razão Deus se incomodou em mandar dez pragas? Afinal de contas, po-
dia ter poupado o ecossistema e passado, logo, para a décima. Ou, podia derrubar o
Faraó e entregar o seu poder a um sucessor mais tolerante. A resposta, na verdade,
tem duas partes. A primeira é muito abrangente: Deus queria proclamar o seu nome,
queria que as pessoas soubessem que ele é Senhor (9:16:10:2). Ele quer que todas
as pessoas do mundo inteiro e de todas as épocas, saibam que ele é Deus, que é
poderoso e digno do nosso louvor.
A segunda parte da resposta é muito pessoal: Deus, também trabalha na vida de
indivíduos, moldando-os e preparando-os para o trabalho que os chamou para fazer.
Pensemos em Moisés: desperdiçou os melhores anos da sua vida e, quando Deus
lhe tentou dar uma segunda oportunidade, resistiu e rejeitou o plano de Deus. Moisés
precisava de ter uma daquelas frases estampadas no seu manto: “Sê paciente...
Deus ainda não terminou a obra em mim.” As dez pragas não eram apenas para o
Faraó. Parece que Moisés, também, precisava de se convencer, de que só Deus era
o Senhor.
Se queres conhecer Deus, o ponto de partida é acreditar que ele é o Senhor de
toda a terra. Mas para o conheceres, verdadeiramente, deves também fazer dele o
Senhor da tua vida. É isso que significa ser um seguidor de Jesus.
APLICAÇÃO: O que é/será preciso para te convencer que Deus é o Senhor de
toda a terra? E da tua vida também?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, ajuda-me hoje, a ser um seguidor teu, disponível,
confiante e fiel.

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19 -- POUPA-ME!
DATA:__________

ORAÇÃO: Louvo-te, Senhor Jesus, porque tu és o Caminho, a Verdade e a Vida


(Jo 14:6). Ajuda-me a aproximar-me de ti, enquanto leio e medito na tua Palavra viva.
LEITURA: Êxodo 12:1-42
REFLEXÃO: Já alguma vez pensaste no significado da Páscoa? Está
assinalada na maioria dos calendários e os Judeus, de todo o mundo, ainda a
celebram. Mas, ao leres estes versículos talvez te interrogues sobre o que Deus
estaria a pensar! Porquê as instruções elaboradas acerca do cordeiro e do partilhar,
acerca do tempo que a carne deveria levar a ser consumida e, especialmente, acerca
do que fazer com o sangue (12:1-11)? O nosso texto dá-nos duas grandes pistas.
O primeiro propósito de Deus para a Páscoa foi julgamento (12:12). Os Egípcios,
não estavam, apenas, a oprimir os Judeus, cruelmente, e a escravizá-los estavam,
também, profundamente envolvidos com a idolatria. Deus, simplesmente, não suporta
que participemos na opressão a outras pessoas ou que adoremos qualquer outra
coisa além dele. Os Egípcios faziam ambas, e Deus teve de pôr fim àquela situação,
castigando-os severamente (12:29-30). Hoje em dia, as formas de opressão podem
não incluir o chicote; podem ser económicas ou sociais. A idolatria pode não envolver
estátuas; pode ser, simplesmente, a forma como nos vestimos ou a atitude que temos
perante a nossa equipa de futebol preferida. A verdade é que, quando oprimimos os
outros ou permitimos que outras coisas na nossa vida, se tornem mais importantes do
que Deus, pisamos terreno perigoso.
O segundo propósito foi criar um memorial (12:14). Ele queria que o povo se lem-
brasse de como ele os libertou. Mas, não apenas isso. O cordeiro e o sangue eram
símbolos de uma salvação muito maior que havia de vir. Jesus era “o Cordeiro de
Deus” que derramou o seu próprio sangue, para levar os pecados do mundo (João
1:29). Na verdade, durante a Última Ceia, Jesus aplicou a si próprio, especificamente,
todas as imagens da Páscoa (Mateus 26:17-30). Esta era a estratégia de Deus para
salvar as pessoas do pecado.
O Faraó pensou que podia resistir a Deus ou manipular os acontecimentos à sua
maneira. Mas, tal como esta passagem nos mostra, Deus é quem comanda e ele está
a trabalhar de forma a alcançar o seu propósito no mundo. A melhor atitude é fazer o
que os Israelitas fizeram: obedecer a Deus imediatamente (12:28).
APLICAÇÃO: Há algo na tua vida que tenha mais poder sobre ti do que Deus?
O que é preciso para colocar Deus no centro da tua vida?
ORAÇÃO: Senhor Deus, eu sei que és tu quem controla o mundo e a minha

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vida. Liberta-me de qualquer coisa que me impeça de te adorar, de todo o coração.

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20 -- O MOMENTO DECISIVO DATA:__________

ORAÇÃO: “A tua palavra é o farol que me guia; é a luz do meu caminho”


(Salmos 119:105). Senhor, que isto seja verdade, hoje.
LEITURA: Êxodo 13:17-14:31
REFLEXÃO:
Algumas pessoas pensam que a travessia do Mar Vermelho foi o momento de-
cisivo de Moisés. Deve ter sido espetacular, certamente, ver aquela quantidade de
água erguida, em duas grandes paredes. Quem ousaria desafiar um líder que
consegue fazer uma coisa assim? “E só dizer, Chefe!”
Mas, esta passagem mostra-nos um momento ainda mais decisivo, que ocorre
mesmo antes da separação das águas. Imagina como Moisés se sentiu: Estava en-
curralado à frente pelo mar; era perseguido pelo exército mais poderoso do mundo; e
o seu próprio povo estava à beira de um tumulto (14:11-12). Moisés deve ter pensado
que tinha cometido um erro grave, e que ia tudo acabar em desastre.
Alguma vez te sentiste assim, ao tentares fazer algo para Deus? Talvez tenhas
assumido uma posição de liderança na igreja ou na comunidade, mas, desmoronou-
se tudo e, agora, todos te culpam. Há pessoas que ficam cheias de amargura ou
desistem. Mas, os desastres, apesar de difíceis, dão-nos as melhores oportunidades
de crescimento; empurram a nossa fé para um nível mais alto.
Em vez de racionalizar ou de fugir, Moisés levantou-se e proclamou,
ousadamente, a sua confiança em Deus (14:13-14). Este é um dos melhores
exemplos de liderança cristã, de toda a Bíblia. O que Deus tinha ensinado a Moisés,
através da progressão das pragas: que era poderoso, que tinha um plano e que quer
que confiemos nele e lhe obedeçamos — Moisés põe, agora, em prática. Uma coisa é
saber todas as respostas certas, outra, é agir publicamente, quando a pressão está ao
rubro. Mas, ao fazê-lo, temos o momento decisivo no nosso relacionamento com
Deus.
APLICAÇÃO: Quais foram os momentos decisivos na tua caminhada com
Deus? Algum deles envolveu pressão ou desastre? Há alguma situação na tua vida,
neste momento, que te dê a oportunidade de confiares em Deus, ousadamente? O
que iria isso parecer?
ORAÇÃO: Pai Celestial, tu sabes que eu prefiro evitar problemas. Ajuda-me a
discernir, se a pressão que enfrento são resultado do meu mau julgamento ou do teu
desejo de fazer crescer a minha fé em ti.

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MOISÉS E O ÊXODO - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 05 – A LEI E A TERRA
Agora, que os Israelitas foram libertos da escravidão do Egito, o seu principal
objetivo é encontrar um território onde se possam estabelecer como nação. O
território sempre foi uma questão importante para o povo Judeu, não apenas, porque,
queriam um lugar ao qual chamar seu, mas, também, porque Deus o tinha prometido.
A procura da Terra Prometida é o motivo das próximas cinco leituras.

Há quem diga que, “A viagem é mais importante que o destino.” Talvez haja
alguma verdade nisto para os filhos de Israel, porque Deus fez coisas incríveis,
enquanto vaguearam pelo deserto. Já vimos como Deus dividiu o Mar Vermelho e
destruiu o exército Egípcio. Agora, vamos ver o poder de Deus sobre o Monte Sinai e
a entrega dos Dez Mandamentos, vamos vê-lo separar o rio Jordão e dar uma vitória
militar, extraordinária, aos Israelitas em Jericó. Quando entram na Terra Prometida, os
Israelitas estão a viver um momento de, verdadeiro, impulso.

Há um tema importante, transversal às leituras, a que deves ter atenção. Os


sucessos de Israel, não foram devidos ao seu grande exército, a uma estratégia
eficaz ou à boa sorte. Foram o resultado da sua disponibilidade para ouvir e obedecer
a Deus. Tão simples quanto isso. Foram precisos muitos anos para Moisés aprender
a lição, mas quando, por fim, conseguiu Deus usou-o verdadeiramente. Josué teve a
vantagem de poder observar Moisés, por isso, aprendeu a lição mais depressa. A
chave para o crescimento e para a eficácia na vida cristã, é cultivar a disponibilidade e
a capacidade para ouvir a Palavra de Deus e praticá-la.

Estas leituras perspetivam algumas nuvens escuras no horizonte do povo es-


colhido. O bezerro de ouro foi a primeira experiência, direta, de Israel com a idolatria.
Vão ter de lutar contra essa tendência destrutiva, ao longo de todo o Antigo
Testamento. No final, isso afasta-os de Deus e traz um castigo terrível. Mas, também,
realça a sua necessidade de um Messias, um Salvador, e é disso de que trata o Novo
Testamento.

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21 -- LISTA DOS 10+ DATA:__________

ORAÇÃO: Obrigado por tornares clara, na tua Palavra, a forma como desejas
que eu viva. Ajuda-me, hoje, a ler e a compreender com o meu coração.
LEITURA: Êxodo 19:1-20:21
REFLEXÃO: As pessoas gostam de argumentar acerca dos Dez Mandamentos.
Que relevância têm, hoje em dia? Será que a vida pode ser, apenas, a preto e
branco? Não será uma lógica demasiado simplista?
Mas, em todos os argumentos, a maioria das pessoas, passa ao lado do ponto
mais importante. Os Dez Mandamentos não são, apenas, uma lista de “Podes” e
“Não podes” Talvez, uma religião prescrita desta maneira fosse o que muita gente
queria. Mas, Deus não está a tentar começar uma religião; está a tentar construir um
relacionamento com o seu povo (19:4-6).
Podemos dividir os mandamentos em três grupos. Os quatro primeiros
mandamentos centram-se no nosso relacionamento com Deus: Existe um único
Deus (20:3) e ele alerta-nos a não aceitar substitutos (20:4-6); Não deveremos referir-
nos a ele de uma forma vulgar, ou ofensiva (20:7); E devemos honrá-lo e louvá-lo
regularmente (20:8-11). Sendo, ele, o Soberano Criador de todas as coisas, é o
mínimo que pudemos fazer.
Os mandamentos do segundo grupo centram-se no nosso relacionamento com
os outros. Antes de podermos amar “todas as pessoas”, precisamos de começar por
amar aqueles que nos estão mais próximos: os nossos pais (20:12) e os nossos
cônjuges (20:14). O padrão que desenvolvermos nestes relacionamentos irá afetar
todos os restantes. O desafio que se segue, é sermos verdadeiros para com o nosso
próximo (20:16) — mais fácil dizer do que fazer, num mundo de manipulação e
transigência. Por essa razão, é um alívio que haja, pelo menos, um mandamento
“fácil” (20:13). Exceto, que para Jesus, não foi tão fácil assim (Mateus 5:21-22).
Finalmente, no terceiro grupo, Deus preocupa-se com a relação que temos com
as coisas. A disposição para roubar (20:15) começa quando não nos satisfazemos
com aquilo que temos (20:17). O desejo de ter cada vez mais é um motivador forte,
que pode afastar-nos de Deus (1 Timóteo 6:6-10). Se houvesse mais pessoas a ter
um relacionamento correto com Deus, com os outros e com as coisas, o mundo seria,
realmente, um lugar diferente. Não admira, que as pessoas prefiram argumentar
acerca dos Dez Mandamentos, em vez de, simplesmente, obedecer-lhes.
APLICAÇÃO: Quais são as coisas que podem melhorar ou deteriorar o teu
relacionamento com Deus? Quais dos mandamentos gostavas de praticar esta
semana?
ORAÇÃO: Senhor, quero mesmo conhecer-te melhor. Por favor, ajuda-me a
preocupar-me com as coisas que são importantes para ti. E obri¬gado por me amares
e perdoares quando falho.

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22 -- PRÓXIMO E PESSOAL
DATA:__________

ORAÇÃO: “Examina-me, ó Deus, e conhece o meu coração; põe-me à prova e


conhece os meus pensamentos. Vê se eu sigo pelo caminho do mal e guia-me pelo
caminho eterno.” (Salmos 139:23, 24)
LEITURA: Êxodo 32 - 34
REFLEXÃO:
Nesta passagem, Arão diz uma das frases mais engraçadas de toda a Bíblia
(32:24). Que desculpa esfarrapada! Ficou responsável pelo arraial durante alguns dias
e deixou o povo fazer o que quis.
Mas, antes de nos rirmos demasiado de Arão, devemos olhar para nós próprios.
Com tudo o que sabemos acerca de Deus e, depois, de tudo o que ele já fez por nós,
quantas vezes lhe voltamos as costas, para darmos largas a pensamentos e ações
erradas? Até Paulo lutou contra esta tendência (Romanos 7:15-20). Ser cristão, não
significa estar isento da tentação e do pecado. Mas Deus, através de Jesus, deu-nos
a única solução para quebrar esse poder sobre as nossas vidas (1 João 1:9).
Esta passagem, também, nos dá uma imagem da ira de Deus (32:9,10); ele
odeia mesmo o pecado, uma verdade que não deveríamos tomar de ânimo leve. Moi-
sés também odeia o pecado (32:19, 20) e está disposto a fazer o que for preciso para
salvar o seu povo (32:11-14, 31, 32). Ao tomar essa atitude, dá-nos uma pista daquilo
que Jesus iria fazer, muitos anos depois.
Mas, talvez a parte mais fascinante deste texto, seja a interação entre Deus e
Moisés. Eles desenvolveram um relacionamento muito pessoal (33:11). É isto que
Deus pretende fazer comigo, contigo e com todas as pessoas. Ele não tem interesse
num mundo de clones religiosos. Deus criou homens e mulheres à sua imagem, com
a capacidade para lhe responderem, cada um, à sua maneira e ele, apenas, quer que
o reconheçam como Senhor, o amem e sigam de todo o coração, usando os seus
dons individuais únicos.
APLICAÇÃO: Como descreves o teu relacionamento atual com Deus? O que te
afasta de Deus? O que te aproxima dele?
ORAÇÃO: Ó Deus, ambos sabemos a facilidade com que cedo ao pecado. Por
favor, perdoa-me e ajuda-me a aproximar-me de ti.

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23 -- APRENDE E VIVE DATA:__________

ORAÇÃO: Ao meditar na tua Palavra, hoje, guia o meu coração à mensagem


que queres que eu ouça e aplique.
LEITURA: Josué 1
REFLEXÃO: Por vezes, os novos pastores e ministros, têm dificuldade em
suceder a alguém que esteve muito tempo no cargo e que foi, profundamente,
amado. As pessoas não conseguem evitar comparar o líder novo ao antigo,
geralmente, de forma desfavorável para o primeiro. Pode ser um tempo difícil, tanto
para o novo pastor, como para a congregação. Por isso, imagina como Josué se
sentiu neste momento da sua “carreira”. Alguma vez “chegaria aos calcanhares” de
Moisés?
Mas, se recuarmos um pouco, vemos que Deus tinha vindo a preparar Josué
para este desafio de liderança. Josué tinha testemunhado a liderança de Moisés
sobre os Israelitas (Êxodo 32:17), e tinha aprendido com ele a desenvolver um
verdadeiro relacionamento com Deus (Êxodo 33:11b). Uma das melhores formas de
crescer na nossa vida espiritual é ter um mentor — alguém mais velho e mais sábio
na fé. Se queres aprender uma determinada coisa, observa a vida de quem a pratica.
Se já és cristão, há algum tempo, ora pedindo a Deus que te guie às pessoas, de
quem ele deseja que sejas mentor. Este é um ministério importante.
Deus empenhou-se na tentativa de encorajar Josué para a sua tarefa. Prometeu
dar-lhe terras, sucesso e uma base sólida de liderança, como tinha dado a Moisés
(1:3-6). Mas, acima de tudo, prometeu estar com ele (1:5). Um dia, talvez sejas cha-
mado para servir a Deus numa situação difícil, que vá para além das tuas capaci-
dades. Mas, se Deus te chamou, ele vai ser consigo. As situações difíceis podem ser
uma oportunidade para o experimentares.
Deus, em troca, pediu apenas uma coisa a Josué: obediência (1:7). Parece fácil,
mas, não é — principalmente, porque somos pecadores. Por isso, Deus deu-lhe a
sua Palavra e instruiu-o a absorvê-la completamente (1:8). Se queres viver uma vida
cristã eficaz, o segredo é refletir na Palavra de Deus (meditar) e aplicar o que ela diz
(fazer). Por essa mesma razão, este preciso momento, pode se a parte mais
importante do teu dia.
APLICAÇÃO: Qual o desafio que se aplica melhor a ti, nesta altura: encontrar
um mentor espiritual ou ser o mentor espiritual de alguém? Porquê e como o farás?
ORAÇÃO: Pai, obrigado pelas pessoas que me influenciaram a seguir-te. Por
favor, ajuda-me a continuar a crescer e mostra-me como posso ajudar outros a
crescer também.

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24 -- LIDERANÇA CRISTÃ EFICAZ
DATA:__________

ORAÇÃO: “Quanto eu amo, SENHOR, a tua lei! Medito nela todos os dias.”
(Salmos 119:97). Que esta seja a minha experiência, hoje, ao ler a tua Palavra.
LEITURA: Josué 3, 4
REFLEXÃO: Quando Josué liderou o povo pelo rio Jordão, foi uma repetição
quase exata do momento em que Moisés liderou o povo pelo Mar Vermelho — só
que, desta vez, os inimigos de Israel tinham desistido de os perseguir! Deus estava a
usar as semelhanças entre as duas situações, para fortalecer a posição de liderança
de Josué (3:7).
Mas, o sucesso de Josué resultou de muito mais, que a mera associação do seu
passado a uma celebridade espiritual. Ele tinha cultivado o hábito de ouvir Deus (1:7)
e de lhe obedecer prontamente (1:9-13). Esta é a chave de uma liderança cristã
eficaz: seguir as ordens de Deus. Além disso, Josué tinha duas características que o
tornavam eficiente no trabalho de Deus. A primeira era uma fé ousada; ele afirmava
publicamente a sua crença no poder de Deus (3:5). A segunda era humildade. Foi o
próprio Deus, quem anunciou a sua confiança nele para suceder a Moisés (3:7), mas,
Josué não deixou que isso lhe subisse à cabeça. Independentemente daquilo que
Deus te peça para fazeres, são estas as qualidades que te tornarão bem sucedido.
Esta passagem, também, apresenta alguns símbolos interessantes. A Arca da
Aliança simbolizava a presença de Deus no meio do povo de Israel. O Rio Jordão
simboliza, para muitos, a experiência da morte — o fim da caminhada e o princípio da
Terra Prometida. E as pedras, no meio do rio, simbolizavam o que Deus tinha vindo a
fazer pelo povo.
Quais são os símbolos da tua vida cristã? Recua mentalmente, aos momentos
significativos da tua caminhada com Deus. Há algum símbolo que te faça lembrar
uma lição que Deus te tenha ensinado? Tem cuidado para não dares demasiada
importância ao símbolo, e esqueceres o seu significado. Isto pode acontecer até com
a Bíblia. De nada adianta ser um perito na Bíblia, se perdemos a paixão por Deus!
Entrar na Terra Prometida foi o ponto alto da vida espiritual de Israel. Infelizmente,
com o decorrer do tempo, o povo acabou por se esquecer do Deus que os tinha
levado até lá.
APLICAÇÃO: Qual é a maior necessidade na tua vida atualmente: mais conhe-
cimento da Palavra de Deus ou mais paixão por Deus? Como podes começar a suprir
essa necessidade?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, obrigado pelos momentos em que te encontraste

52
comigo de uma forma especial. Mantém-me faminto pela tua palavrae apaixonado por
te conhecer melhor.

53
25 -- FI-LO À MINHA MANEIRA?
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, louvo-te por seres um Deus extraordinário e amoroso.


Obrigado pelas inúmeras bênçãos na minha vida
LEITURA: Josué 5:13 – 6:27
REFLEXÃO: Se alguma vez frequentaste a Escola Dominical ou o Culto Infantil
da tua igreja, certamente, gostavas da história da queda dos muros de Jericó. PUM!
Deus queria a Terra Prometida livre, de todos os que adoravam ídolos e das práticas
detestáveis que faziam. A parte triste é, que apesar de os Israelitas terem tido um
começo espetacular, não acabaram o trabalho, e isso provou ser a sua ruína.
Mas, esta passagem levanta uma questão desconfortável: não terá sido Deus
um bocadinho extremista? Não teria sido melhor, deixar que cada um adorasse à sua
maneira? A dura verdade é que Deus é o Criador e o Senhor de tudo. É essa a
mensagem que ele tem vindo a transmitir através da história de Israel. Colocar as
nossas próprias condições a Deus, não é adoração, mas, rejeição. O barro não diz ao
oleiro o que este deve fazer (Isaías 45:9).
Isto, não quer dizer que Deus seja intolerante. Observa o que aconteceu a Raa-
be. Não era Judia e era uma prostituta a viver numa cidade marcada para a des-
truição. A Bíblia não condena o pecado dela. Mas, mostra, porém, que aqueles que se
voltam para Deus e o demonstram pelas suas ações (Josué 2) serão salvos. Isto, não
é intolerância; é o dom gratuito do perdão e amor abrangente de Deus. Os que
insistem em seguir o seu próprio caminho correm o risco de perder esta oferta.
Imagina como te terias sentido a marchar à volta da cidade. Certamente, os Is-
raelitas suportaram alguns insultos e humilhações, por parte, dos guardas que
estavam na muralha. Mas, os caminhos de Deus não são os nossos e, mais uma vez,
somos lembrados da necessidade de ouvir e obedecer a Deus. Esta é uma lição que
Deus te quer ensinar, verdadeiramente, porque é a chave para o crescimento e para
a eficácia da vida cristã.
APLICAÇÃO: Existe algum assunto por resolver na tua vida, que dificulte o teu
relacionamento com Deus? Qual é, e como podes começar a lidar com isso esta
semana?
ORAÇÃO: Pai, não alego perceber tudo a teu respeito. Mas acredito que tu és o
Senhor e quero seguir-te.

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A LEI E A TERRA - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 06 – OS JUÍZES
O Livro de Juízes é uma parte do Antigo Testamento, muitas vezes, subva-
lorizada. O Génesis e o Êxodo foram novidades empolgantes! Ao milagre da criação,
seguiram-se as aventuras de Abraão, Isaac, Jacob, José, Moisés e Josué. Mais
adiante, temos os livros de 1 e 2 de Samuel e 1 e 2 de Reis, onde conhecemos dois
dos maiores reis de Israel: David e Salomão.
Mas, espera! Estamos a perder qualquer coisa! O que aconteceu ao povo de
Deus, entre o tempo dos Patriarcas e o tempo dos Reis? É disso que trata o Livro de
juízes. O povo de Israel está na Terra Prometida e começou a crescer e a
desenvolver-se numa grande nação. O problema - do ponto de vista deles — é que
não têm rei. O problema - do ponto de vista de Deus - é que eles continuam a afastar-
se dele, para adorar os ídolos. Por que haviam de querer adorar os deuses Cananeus
da fertilidade (Baal e Astarté), em vez do único e verdadeiro Deus, que os tirou do
Egito com tantas demonstrações de amor e poder? Já agora, por que razão as
pessoas viram as costas a Deus, hoje em dia? Esta é uma das questões subjacentes,
em que deves meditar nas próximas cinco leituras.
Deus puniu o povo por causa da sua idolatria, permitindo que os povos vizinhos
(Midianitas e Filisteus) o atacassem e oprimissem, por longos períodos de tempo.
Quase que ouvimos Deus dizer: “Quantas vezes temos de passar por isto, até vocês
aprenderem?” Mas, apesar disso, Deus dá-lhes líderes especiais (Juízes) que,
quando o povo, finalmente, cai em si e clama a Deus, o livram das consequências do
seu pecado. Contudo, uns anos depois, voltam a esquecer-se de Deus e começa
tudo outra vez.
O Livro de juízes não é apenas tristeza e condenação. Contém as histórias de
algumas das personagens mais intrigantes da Bíblia — Débora, Gedeão e Sansão. A
nossa leitura termina, ainda, com uma das histórias mais românticas da Bíblia, o Livro
de Rute.
Por vezes, as partes da Bíblia que nos são menos familiares revelam-se as mais
percetíveis. Isto, porque, ao não trazemos ideias pré-concebidas; conseguimos ter
uma visão fresca daquilo que Deus está a dizer. Prepara-te para algo especial!

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26 -- ESPÉCIE AMEAÇADA
DATA:__________

ORAÇÃO: Pai celestial, anseio por ouvir a tua voz. Ajuda-me a ouvir, verda-
deiramente, o que tens para me dizer agora.
LEITURA: Juízes 2:6 – 3:6
REFLEXÃO:
Alguma vez ouviste alguém dizer: “O Cristianismo está morto, à beira da extin-
ção". Pode ser irritante, mas, na verdade, o Cristianismo está sempre à distância de
uma geração de ser extinto. A próxima geração nunca saberá a realidade do
evangelho e a verdade da Palavra de Deus, a menos, que os seguidores de Jesus a
comuniquem.
Certamente, vemos um exemplo disso na leitura de hoje. Josué e os seus líderes
tinham morrido (2:7), levando consigo os relatos do trabalho extraordinário de Deus no
meio deles. Não importa a tua idade, tu tens uma missão importante para o resto da
tua vida: contar aos outros, especialmente, aos mais jovens o que Deus fez por ti.
Infelizmente, os Israelitas não o fizeram e iniciou-se um ciclo de depressão na
sua história (2:10-19). Afastaram-se de Deus, adoraram ídolos e experimentaram a
derrota. Então, em desespero, clamaram a Deus e ele levantou-lhes líderes (Juízes) e
salvou-os. Mas, não demorou muito até que o ciclo começasse outra vez, e outra vez.
Já viveste um ciclo assim na tua vida? Virar as costas a Deus ou dar pequenos
passos, gradualmente, para longe dele, pode levar-nos a sofrer consequências
dolorosas. Mas, mesmo assim, Deus está a trabalhar. Repara, que ele planeou usar
as derrotas para testar o seu povo (2:22), para descobrir se eles voltariam,
verdadeiramente, para ele quando as coisas apertassem. Se, alguma coisa boa há
em afastarmo-nos de Deus, é o facto de, quando nos aproximamos de novo, o nosso
relacionamento com ele fica mais forte (Tiago 1:2-4).
APLICAÇÃO: Como está o teu relacionamento com Deus, neste momento?
Um pouco distante? Estás prestes a meter-te em problemas ou num desastre? O
que podes aprender com o passado, que te aproxime de Deus no presente?
ORAÇÃO: Senhor Deus, estou grato, porque, mesmo quando vacilo tu queres
ajudar-me a aproximar-me de ti. Ajuda-me a remover as barreiras que impedem que
a minha intimidade contigo cresça.

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27 -- PODER NO FEMININO
DATA:__________

ORAÇÃO: Espírito Santo, convido-te a estares comigo. Por favor dá-me


uma mente perspicaz e um coração terno, quando hoje leio a tua Palavra.
LEITURA: Juízes 4, 5
REFLEXÃO:
Se estás à procura de uma passagem na Bíblia que faça as mulheres sentirem-
se poderosas, ela aqui está! Débora rompeu a barreira do preconceito, numa socie-
dade dominada por homens; é a única juíza mencionada na Bíblia. E, a heroína desta
história é Jael, uma jovem mulher que teve a inteligência e a coragem para destituir
Sísera, o comandante militar. Força, miúda!
Mas, para ouvirmos, verdadeiramente, o que esta passagem nos diz, temos de
olhar, para além, da questão da rivalidade entre géneros. Primeiro, repara na fonte de
liderança de Débora. Ela não procura liderar nem está interessada em tomar a
dianteira (4:9-10). Diz e faz, simplesmente, o que Deus lhe diz (4:6, 7,14), e isso tem
um efeito poderoso.
Como vimos na vida de Josué, um líder espiritual é alguém que segue as ordens
de Deus. Se isto é verdade, o caminho da liderança cristã não tem nada a ver com
alcançar uma posição proeminente, ou mandar numa grande equipa. Tem a ver com
desenvolver a capacidade de ouvir Deus. E, sejas homem, mulher, menino ou
menina, tu podes ser esse tipo de líder (Joel 2:28-29). Na verdade, a Igreja precisa,
desesperadamente, de pessoas que saibam ouvir e seguir a direção de Deus.
Existe uma segunda questão, nesta passagem, que tem a ver com coragem;
outra qualidade que não está limitada ao género. Ninguém poderia adivinhar o que a
esposa hospitaleira de Héber tinha em mente, quando convidou Sísera para a sua
tenda (4:17-21). Ela não aprendeu a fazer aquilo nas Reuniões de Senhoras! Mas,
Deus usou a atitude corajosa de Jael para derrotar os poderosos Cananeus. A
questão é que não podemos impedir Deus de usar quem ele quiser, para cumprir a
sua obra. Porque no final, é a nossa capacidade para ouvir Deus e a nossa
disponibilidade para depender do seu poder, que fazem toda a diferença.
APLICAÇÃO: De que forma tens desenvolvido (poderás desenvolver) a capa-
cidade de ouvir e seguir a direção de Deus? Em que área da tua vida precisas mais
de depender do poder de Deus?
ORAÇÃO: Pai, abre os meus olhos para que eu veja todas as pessoas que
queres usar para fazer o teu trabalho. Com a tua ajuda, pretendo ser uma delas.

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28 -- COMO TER A CERTEZA? DATA:__________

ORAÇÃO: “Com toda a minha alma espero o Senhor e confio na sua palavra. A
minha alma espera pelo Senhor, mais do que a sentinela pelo romper da aurora.”
(Salmos 130:5-6)
LEITURA: Juízes 6, 7
REFLEXÃO:
As primeiras palavras desta passagem dizem-nos tudo o que precisamos de
saber sobre a condição espiritual de Israel: “De novo...” (6:1). Quantas mais
desgraças serão necessárias, para que o povo escolhido aprenda a obedecer a
Deus? Arão, não fazia ideia das consequências da sua intransigência no deserto
(Êxodo 32:1-6). Mas, é assim que o pecado funciona; primeiro não parece ter grande
importância, mas, se não for dominado vai-se tornando cada vez mais destrutivo. A
única forma de o parar é arrependermo-nos, e quanto mais cedo, melhor.
Entra Gedeão, um homem nada interessado em ser líder (6:11-15), mas Deus
viu o seu potencial (6:12) e usou este tempo difícil da história de Israel, para prepará-
lo para um desafio maior no futuro. Se, neste momento, estiveres a passar por uma
situação frustrante, isto deve encorajar-te. Talvez Deus te esteja a preparar para a tua
próxima missão. O que precisas de aprender agora?
Alguns perguntam se o pedido de Gedeão, para receber “sinais” demonstra falta
de fé (6:17-40). Será que, hoje, também podemos pedir um sinal? Não, se fizermos
disso uma espécie de fórmula mágica. Mas, se buscarmos a Deus, genuinamente,
em fé, podemos pedir-lhe que torne a sua vontade clara para nós. O verdadeiro poder
e a convicção vêm quando esperamos, em oração, por uma confirmação de Deus.
Foi isso que aconteceu a Gedeão.
Porém, o sucesso de Gedeão foi o resultado de outras duas coisas: ele foi
comissionado pelo Espírito (6:34) e forçado a confiar nesse poder (7:2). Esse foi o ob-
jectivo, ao reduzir um exército de 32.000 para 300 homens. Não te deixes abater, por
pensares que não possuis os recursos suficientes para fazer o trabalho de Deus.
Tudo o que ele precisa é de uma pessoa disposta a ouvir e obedecer.
APLICAÇÃO: Como ouves a Deus? O que te tem ele dito? Há algum assunto
ou necessidade particular, sobre o qual precises de esperar a confirmação de Deus?
ORAÇÃO: Soberano Deus, é tão encorajador ler sobre o que és capaz de fazer
através daqueles que confiam em ti e te obedecem. Por favor, mostra-me como
deixar que mais do teu poder opere através de mim.

59
29 -- UM MULHERENGO
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, ao preparar-me para me encontrar contigo, hoje, mostra-me


as coisas que estão a bloquear o meu relacionamento contigo, para que te possa
pedir perdão.
LEITURA: Juízes 13 - 16
REFLEXÃO:
O que terá acontecido entre os capítulos 13 e 14? Manoé e a sua esposa
(desconhecemos o seu nome) parecem ser o modelo dos pais dedicados ao Senhor
(13:8,12). Sabiam que o seu filho prodígio tinha sido, especialmente, escolhido (13:5)
e fortalecido por Deus (13:25), para realizar um grande trabalho em Israel. Mas, de
alguma maneira, Sansão desenvolveu uma falha de caráter fatal; não tinha
autocontrolo e isso provou ser a sua ruína.
Os pais cristãos, que têm filhos rebeldes, precisam de ajuda especial e de
oração. Pode ser, extremamente, doloroso observar as pessoas que amamos a
fazerem escolhas destrutivas. Mas, podemos sentir-nos encorajados por saber que
Deus, por vezes, trabalha de uma forma que nos escapa totalmente (14:4).
A falta de controlo de Sansão expressou-se de duas formas: luxúria e raiva. A
sua perseguição irrefletida às mulheres parece cómica, mas, produziu uma sequência
de relacionamentos falhados e violência. Perdeu a piada! Encontrar uma esposa ou
um marido que partilhe o teu compromisso com Cristo, e ter determinação suficiente
para ultrapassar os altos e baixos de uma relação duradoura, não é fácil. Mas é a
única forma de encontrar o amor e a satisfação que Sansão nunca encontrou.
No final, Sansão tornou-se no clássico exemplo do líder talentoso mas fracas-
sado. Talvez a encenação de Dalila o tenha enganado ou, talvez, ele tenha, sim-
plesmente, desistido. Mas, a verdadeira tragédia da vida de Sansão foi ele saber que,
no fundo, tinha estado sempre a fugir de Deus (16:17). A maior vitória na vida de
Sansão, não foi a derrota dos Filisteus sob os escombros do templo. Foi o facto de,
no momento de abatimento mais profundo ter voltado, finalmente, para Deus (16:28).
APLICAÇÃO: O que te motiva a relacionares-te com pessoas do sexo oposto?
Como podes desenvolver relacionamentos que honram a Deus (1 Timóteo 5:1-2)?
ORAÇÃO: Senhor Deus, obrigado pelas pessoas que me são mais próximas na
vida. Capacita-me a ser um bom exemplo e uma fonte de encorajamento para elas,
nesta semana.

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30 -- HISTÓRIA DE AMOR DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor Jesus, abdicaste de tudo para morreres na cruz pelos meus
pecados. Não compreendo por que me amas tanto assim, mas estou muito grato.
LEITURA: Rute 1 - 4
REFLEXÃO: Que grande história de amor! Tem cenas dramáticas, intriga,
romance e até um final feliz. A história de Rute é um raio de luz, no ciclo depressivo de
pecado que temos visto no Livro de Juízes. Mas, é muito mais do que uma história
romântica. Rute é um exemplo tremendo de um caráter dedicado a Deus (3:11) e é
isso que torna este pequeno livro tão útil para nós, nos dias de hoje.
A vida de Rute começou da forma tradicional. Durante dez anos, esteve casada
e rodeada pela sua extensa família (1:1-5). Mas, quando o seu marido e o seu sogro
morrem, o mundo de Rute desmorona-se. Os tempos difíceis, por vezes, revelam o
nosso verdadeiro caráter. Podemos ficar ressentidos como Noemi (1:20-21), ou
podemos deixar que Deus use os desvios das nossas vidas, para nos tornar mais
fortes e mais parecidos com ele. Aconteça o que acontecer, é esta a escolha que
temos de fazer.
Então, o que nos revelam os tempos difíceis acerca do caráter de Rute? Ela era
leal; não abandonou a sua família, apesar de poder ser do seu interesse fazê-lo
(1:14). Era otimista, não se tornou amarga como a sogra (1:13). Era trabalhadora
(2:7); não desistiu da vida, só porque lhe aconteceu uma coisa má. Era submissa; tra-
balhava, graciosamente, sujeita aos costumes do seu tempo (3:5-6). Tinha integri-
dade; não recorreu a vias menos próprias, para construir o relacionamento com o seu
futuro marido (3:7-14). E, finalmente, tinha fé; comprometeu-se com Deus,
independentemente das consequências (1:16).
Hoje em dia, muitas pessoas procuram alcançar sucesso, possuindo muitos
bens materiais ou conhecendo as pessoas certas. Mas, a forma de Rute o alcançar,
foi cultivando um caráter nobre e confiando em Deus para a abençoar da forma que
ele entendesse. E Deus, certamente, o fez, dando a Rute um casamento feliz com um
homem distinto, dando-lhe riqueza e segurança e, mais importante que tudo, dando-
lhe um filho que seria o avô do rei David e um antepassado de Jesus Cristo (Mateus
1:5-6). Nada mal para uma ex-viúva sem abrigo.
APLICAÇÃO: Estás a enfrentar tempos difíceis, presentemente? De que forma
pode Deus estar a tentar desenvolver o teu caráter através disso?
ORAÇÃO: Pai, preciso da tua ajuda para enfrentar os problemas da minha vida.
Acima de tudo, preciso que, através deles, me ajudes a tornar na pessoa que queres
que eu seja.

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OS JUÍZES - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 07 – A ASCENSÃ O DE ISRAEL
Quem iria agora liderar o povo de Israel, depois de se terem fixado na Terra
Prometida? Esta é a questão a ser trabalhada nas próximas cinco leituras. Tal como
vimos, o plano de Deus era formar uma “grande nação” a partir dos descendentes de
Abraão e, através deles, trazer “grande bênção” a todos os povos (Génesis 12:2-3).
Essa bênção havia de ser o Salvador dos pecados de toda a humanidade — Jesus
Cristo.

Por causa do lugar único que ocupam neste plano, os Israelitas experimen-
taram a ajuda e liderança direta de Deus, ao longo dos anos. Foi Deus quem libertou
os filhos de Israel do cativeiro do Egito; foi Deus quem os liderou através do deserto,
com colunas de nuvens e fogo; foi Deus quem os trouxe à Terra Prometida. E,
durante a caminhada, foi Deus quem tomou a iniciativa de revelar as suas prioridades,
dando-lhes a Lei no Monte Sinai. Deus tem liderado o seu povo desde o princípio, de
forma poderosa e maravilhosa.

Mas, como veremos, os Israelitas começaram a sentir-se desconfortáveis com


o estilo de liderança de Deus; pois, recusava, absolutamente, deixá-los adorar outros
deuses e participar em tudo o que se relacionasse com isso. Em vez disso, o povo
queria um rei “como todas as outras nações” (1 Samuel 8:19-20). À primeira vista, não
parecia um pedido ofensivo. Mas, por detrás do desejo de ter um “rei normal”, estava
a rejeição da liderança de Deus sobre Israel (1 Samuel 8:6-7). Atualmente, deparamo-
nos com a mesma escolha: seguir Jesus e ser parte do reino de Deus, ou seguir o
nosso próprio caminho. É uma decisão que tem consequências eternas.

Apesar da rejeição subtil do povo, Deus não os abandona. Dá-lhes os reis que
desejam e continua a executar o seu plano através deles. Como resultado, somos
apresentados a algumas das maiores personagens da Bíblia. Conhecemos Samuel, o
menino que ouviu Deus; Saul, o talentoso primeiro rei de Israel que teve um trágico
fim; e David, o maior rei de Israel e “um homem de acordo com o coração de Deus”.

Estas leituras levam-nos ao auge da história de Israel — o único momento em


que tiveram território e paz. Sabemos, ao ler o resto da Bíblia e os jornais diários, que
não durou muito tempo. Mas foi um tempo glorioso!

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31 -- O MUNDO REAL DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, eu sei que não sou perfeito, mas comprometo-me a tornar-
me na pessoa que queres que eu seja. Estou aberto a tudo o que me quiseres dizer
através da tua Palavra.
LEITURA: 1 Samuel 1—3
REFLEXÃO:
Uma das coisas que confere marca de autenticidade à Bíblia é o facto, de regis-
tar histórias reais, de pessoas reais. Apesar, dos acontecimentos registados nesta
leitura terem acontecido há milhares de anos, poderiam estar a acontecer, hoje em
dia.
A esposa sob pressão Como vimos em leituras anteriores (Génesis 16:1-10;
18:11-12), a incapacidade de ter filhos era uma fonte de vergonha no Israel antigo.
Para Ana, foi causa de stress e de um trauma pessoal profundo (1:8,15). Como
reages quando as coisas na tua vida pessoal não acontecem como desejas? Apesar
da dor, Ana derramou, abertamente, o seu coração perante Deus e pediu a sua ajuda
(1:10-17). Isto é oração verdadeira.
O pai demasiado tolerante Apesar das suas boas qualidades, Eli falhou, redon-
damente, ao não disciplinar os seus filhos enquanto eram pequenos. Quando
cresceram, rapidamente, perdeu o controlo sobre eles (2:12-25). Hoje, muitos pais
acham que a maior prova de amor que podem dar aos seus filhos adolescentes, é
deixá-los “tomar as suas próprias decisões”. Mas, estabelecer limites apropriados
para os filhos, é uma das responsabilidades mais importantes dos pais. Isto é amor
verdadeiro.
A criança fiel Nesta leitura, o contraste entre os irmãos Hofni e Fineias, e Samuel
é marcado várias vezes. Qual era a diferença principal? Samuel estava disposto a
ouvir Deus (3:10), os outros dois jovens, não (2:17). A tarefa mais importante dos pais
cristãos é serem modelos para os seus filhos, de como ouvir e seguir a Deus de todo
o coração. Este é o teste final.

APLICAÇÃO: Com que personagem desta leitura te identificas? O que podes


aprender a partir das suas experiências? Como poderás modelar melhor o teu
compromisso com Cristo perante as pessoas à tua volta, especialmente, os jovens?
ORAÇÃO: Pai, preciso da tua ajuda para demonstrar o meu amor por ti aos
outros. Ajuda-me a ser uma testemunha eficaz.

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32 -- VIVA O REI!
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, obrigado pela liberdade que tenho para ler a tua Palavra.
Peço-te pela dádiva da tua presença, hoje, ao ouvir o que tens para me dizer.
LEITURA: 1 Samuel 8—10
REFLEXÃO:
O facto de uma nação em desenvolvimento, desejar ter o seu próprio rei, não
parece nada por aí além. Afinal de contas, quem vai governar, gastar os impostos ou
comandar o exército (8:10-18)? Alguém tem de o fazer!
Mas, sob o desejo “razoável” de Israel estava uma motivação rebelde. Eles que-
riam ser como todos os outros povos (8:20). Depois de tudo o que Deus tinha feito por
Israel, queriam, ainda assim, seguir o seu próprio caminho (8:6-9)! Esta é uma
tentação que todos os cristãos enfrentam. Se não tivermos cuidado, a pressão de nos
conformarmos, encaixarmos e sermos aceites, pode levar-nos, gradualmente, para
longe de Deus. Jesus disse apenas: “Sigam-me” (Marcos 1:16-18). Parece fácil, mas,
o que ele está a pedir, realmente, é para ser o “rei” da nossa vida. Isso é o que
significa dizer que “Jesus é Senhor”.
Ainda assim, Saul parecia ser uma boa escolha para o “primeiro” rei de Israel; era
alto, impressionante, humilde e até religioso. Às vezes Deus dá-nos o que pedimos,
apesar de não ser o seu plano, mas, isso leva-nos por caminhos de grandes
dificuldades, como aconteceu com os Israelitas. Porém, Deus ama-nos tanto, que até
está disposto a usar as más decisões que tomamos, para nos ensinar algumas lições
importantes.
No caso de Saul, Deus também estava disposto a dar-lhe a característica vital de
um líder cristão eficaz — um coração aberto à liderança do Espírito (10:5-10). Esta é
uma qualidade que vale a pena cultivar, sejas líder ou não, porque é assim que Deus
te pode usar para marcares a diferença nas vidas das pessoas à tua volta. Repara,
que ser liderado pelo Espírito é como as duas faces de uma moeda — Deus tem de
trabalhar no teu coração, mas tens de desenvolver a capacidade de o ouvir. Podes
fazê-lo, quando lês a Bíblia, oras e usas os seus dons (1 Coríntios 12) para benefício
dos outros. Mas, como em qualquer outra aptidão, vais perdê-la se não a usares.

APLICAÇÃO: Quando dizes: “Jesus é Senhor”, o que queres dizer? O que


poderias fazer, esta semana, para cultivar mais a capacidade de ouvir Deus?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, quero ser um seguidor inteiramente comprometido.
Por favor, prepara o meu coração, para que me possas usar para fazer a tua vontade.

65
33 -- SOMENTE UM MENINO CHAMADO DAVID DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, eu sei que não sou perfeito, mas comprometo-me a tornar-
me na pessoa que queres que eu seja. Estou aberto a tudo o que me quiseres dizer
através da tua Palavra.
LEITURA: 1 Samuel 16:1—18:16
REFLEXÃO: A passagem de hoje relata uma história bíblica, que se tornou parte
da nossa cultura. Quando um cidadão solitário desafia o conselho municipal, quando
um negócio recente compete com uma grande empresa, quando a pior equipa joga
na liga dos campeões, geralmente, dizemos que é David a enfrentar Golias. Mas,
qual foi, verdadeiramente, o fator chave para o sucesso de David?
Primeiro, é preciso coragem para um adolescente se voluntariar para lutar com
um guerreiro tão grande (17:32). Não admira que os irmãos de David pensassem que
aquela vitória tinha sido, um puro golpe de sorte. Mas, a verdadeira razão por que
David matou Golias pouco teve a ver com a sua coragem ou sorte. Foi ação de Deus.
Repara, que Deus tinha escolhido David (16:12), tinha-o enchido com o seu
Espírito (16:13) e ficado com ele até ao fim (18:14). Deus espera que usemos os
talentos e as capacidades que ele nos deu para fazermos a sua obra, mas temos de
ter em mente que os resultados finais dependem dele. É por isso, que o sucesso e a
humildade têm de andar de mãos dadas. No final, David venceu, porque, percebeu
que Golias tinha escolhido lutar contra Deus (17:45).
Isto não quer dizer que David fosse perfeito. O velho e rabugento Eliab pensava
que David era vaidoso e perverso (17:28). Talvez o fosse por vezes, geralmente, há
sempre um pouco de verdade numa crítica. Mas, a Bíblia clarifica que David de-
senvolveu o instinto para depender de Deus noutras situações difíceis (17:34-37), por
isso, quando a pressão com Golias aumentou, ele estava preparado.
A força maior de David foi o seu coração segundo Deus (Atos 13:22). É natural,
sentirmo-nos atraídos por pessoas que têm tudo, na conta certa — beleza, in-
teligência, capacidades atléticas, charme, fama, riqueza... etc. Mas, Deus diz-nos,
claramente, que procura algo mais profundo do que isso (16:7). Procura pessoas com
corações completamente comprometidos com ele.
APLICAÇÃO: De que forma tens alcançado sucessos na tua vida? Quem, à tua
volta, tem um coração segundo Deus e como o podes identificar? Como podes
desenvolver um coração assim?
ORAÇÃO: Senhor Deus, perdoa-me quando me comparo com os outros, em
coisas superficiais. Por favor, ajuda-me a desenvolver um coração sedento por te
conhecer e seguir.

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34 -- O PRIMEIRO IMPULSO
DATA:__________

ORAÇÃO: Deus, como é maravilhoso estar contigo. Quero pôr de parte todas as
distrações da minha mente e do meu coração, para que me possa focar naquilo que
me queres dizer hoje.
LEITURA: 1 Samuel 23:7—24:22
REFLEXÃO:
Para mim, Saul sempre foi uma das figuras mais trágicas da Bíblia. Começou tão
bem: talentoso, humilde, escolhido por Deus e cheio do Espírito. Um sucesso po-
tencial infalível. Mas, na leitura de hoje, Saul tornou-se invejoso, paranóico e pe-
caminoso. Ele sabia que os seus dias estavam contados (23:17). O que aconteceu?
Apesar das suas características positivas, Saul tinha o impulso de fazer as coisas
à sua maneira, em vez, da de Deus (13:1-15; 15:11). Esta é uma boa definição de
pecado. Com o decorrer do tempo, esse impulso perverteu os seus relacionamentos
(23:21-23), arruinou a sua capacidade de decisão (capítulo 28) e levou-o à destruição
(capítulo 31). Será que o teu impulso é obedecer a Deus em cada situação? Vale a
pena investir algum tempo em oração e reflexão sobre este assunto, para que estejas
preparado, quando chegar o momento da verdade.
Imagina como as coisas teriam sido diferentes se Saul se tivesse arrependido e
re-comprometido a obedecer a Deus. Não importa o que tenhamos feito, não importa
o quanto tenhamos desobedecido a Deus, ele está sempre disposto a dar-nos um
novo começo (1 João 1:9). Esta é a essência das Boas Novas.
Contrariamente, o primeiro impulso de David foi confiar em Deus em todas as
situações da sua vida. Mesmo, quando tinha todo o direito de matar Saul, em
autodefesa, David retraiu-se, preferindo deixar que Deus fizesse as coisas à sua
maneira (24:12). Já foste tratado injustamente, traído ou enganado por alguém
próximo? Ripostar e dar-lhes um pouco do seu próprio veneno, raramente, ajuda. É
bastante melhor orar: “Senhor, isto não é justo e eu estou muito zangado, mas estou
determinado a fazer escolhas que te agradem.” Vais ficar admirado, com a forma
como Deus pode usar a confiança honesta nele, para mudar a mais difícil das
situações (24:16-21).
APLICAÇÃO: Pensa em algumas situações em que foste tentado. Qual foi o teu
primeiro impulso? Pensa numa situação em que vais ter de ser corajoso e confiar em
Deus. O que vai isso exigir de ti?
ORAÇÃO: Senhor Deus, quero que o meu primeiro impulso seja a disponi-
bilidade para te obedecer. Não sou capaz de o fazer sozinho, por isso, te peço que

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me enchas do teu Espírito, agora e sempre

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35 -- AVANÇA DAVID!
DATA:__________

ORAÇÃO: “Eu procuro servir-te com todo o coração; não deixes que me afaste
dos teus mandamentos. Guardei no meu coração as tuas promessas, para não pecar
contra ti.” (Salmos 119:10-11)
LEITURA: 2 Samuel 5—7
REFLEXÃO:
Chegámos agora ao ponto alto da história de Israel. David está, definitivamente,
estabelecido como rei. Derrotou os seus inimigos completamente (5:6-25), trouxe a
Arca para Jerusalém (capítulo 6) e liderou o povo escolhido a um período de paz (7:1)
sem precedentes, na história de Israel. Como seria o mundo atual se houvesse mais
líderes como David? Vejamos, então, os pontos positivos que ele construiu na sua
vida durante a sua ascensão.
David buscou a direção de Deus Repara na frase: “David consultou o Senhor”
(5:19, 23). Às vezes, os líderes têm dificuldade em fazer isto. Quando ganham reputa-
ção, começam a acreditar demasiado em si próprios! Mas, tal como vimos com
Abraão, Moisés, Josué, Débora e outros, Deus está à procura de homens e mulheres
que busquem e sigam a sua direção.
David celebrou o trabalho de Deus Para David, adorar a Deus era uma atividade
apaixonante e intensa (6:14, 21), porque, ele estava profundamente consciente do
que Deus tinha feito na sua vida. Se pensas que os teus tempos de adoração estão a
ficar secos ou a cair na rotina, a solução pode não ser mudar de igreja. Podes, antes,
ter de tomar mais atenção ao que Deus está a fazer à tua volta. Então, terás motivos
para louvar!
David centrou a sua atenção nas prioridades de Deus A oração de David (7:18-
29) revela muito sobre o seu interior. Ele era, genuinamente, humilde, sabia que Deus
era o responsável pelo seu sucesso e, acima de tudo, mostrou compreender a
“perspetiva global” de Deus (7:23).
Por todas estas razões, David foi o maior rei de Israel. Mas, o seu maior legado
foi ter-se tornado o percursor de um rei ainda maior, que nasceria muitos anos mais
tarde, numa pequena cidade chamada Belém.

APLICAÇÃO: Será que Deus já moldou o teu caráter através das dificuldades?
Como? Será que ainda aplicas essas lições?
ORAÇÃO: Rei Jesus, louvo-te e adoro-te com todo o meu coração. Quero

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seguir a tua vontade para a minha vida, onde quer que ela me leve.

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A ASCENSÃO DE ISRAEL - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 08 – A QUEDA DE ISRAEL
O que sobe tem de descer. Pelo menos, é assim que acontece com a maioria
das coisas. Infelizmente, também, foi assim com Israel. Tinham atingido feitos
gloriosos, sob o reinado do Rei David. E parecia que, finalmente, o povo que Deus
escolhera para ser o seu, tinha conseguido: território, paz e — acima de tudo — um
relacionamento especial com o Deus verdadeiro.
Mas, como veremos nas próximas cinco leituras, os Israelitas não foram capazes
de resistir à tentação de desobedecer à Lei de Deus e de continuar a adorar os ídolos.
Como resultado, Deus permitiu que os Babilónios, vizinhos impiedosos e poderosos
de Israel, lhe infligissem um castigo severo.
Mas, antes que nos tornemos demasiado presunçosos, é bom admitir que, nós
temos o mesmo problema. Como diz o ditado: “Resisto a tudo, menos à tentação.”
Uma das grandes lições desta secção é, que todos precisamos da ajuda de Deus e
dos nossos irmãos cristãos, para evitar ceder ao pecado. E, como veremos, até os
líderes espirituais necessitam de apoio e de prestar contas de uma forma franca, para
evitarem cair nas armadilhas do inimigo.
Vemos isto demonstrado na vida de três grandes personagens bíblicas. O rei
David cometeu adultério e planeou um crime, no auge do seu sucesso. Deus
perdoou-o e continuou a usá-lo, como o seu líder escolhido, mas David viveu com as
consequências dos seus atos — conflito e divisão na família — para o resto da vida.
O rei Salomão, o homem mais sábio que jamais viveu, não conseguiu resistir à
tentação de adorar os ídolos, ainda, que por pouco tempo. O problema foi que, essa
atitude deu início a um padrão de idolatria que foi piorando, cada vez mais, com os
reis que se lhe seguiram. Por fim, Deus teve de acabar com aquilo, apesar, de no
princípio, não parecer ter grande importância.
E, finalmente, conheceremos Elias, um dos profetas mais corajosos da Bíblia,
apesar, das suas falhas. Após um ajuste de contas bem sucedido com os profetas de
Baal, Elias, abandona o posto, sem autorização superior e desiste do seu trabalho
para Deus.
O pecado pode envolver uma situação pública ou, tão despercebida, como o
passo de um bebé. Pode, até, levar-nos a fugir de Deus. Devemos estar sempre
atentos. No momento em que pensarmos: “Eu, jamais faria aquilo", essa é a altura em
que estamos mais vulneráveis a cair.

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36 -- O PECADO SOB HOLOFOTES
DATA:__________

ORAÇÃO: Somente tu, Senhor, és digno de adoração e honra e glória. Eu


louvo-te hoje, ao ler à tua Palavra.
LEITURA: 2 Samuel 11:1—12:25
REFLEXÃO:
Dizem que quando um líder cristão cai, geralmente, a causa é uma de duas:
dinheiro ou moral. David não parecia ter problemas com o primeiro (1 Crónicas 29:1-
30). Infelizmente, parecia ter uma fraqueza com a segunda, pelo menos, neste
episódio bastante conhecido. De facto, é triste, mas, verdade: uma vida de sucessos
pode ser ensombrada, por uma perda temporária da capacidade de avaliação
autocrítica.
Como pôde David fazer tal coisa? Como pôde o “homem de acordo com o cora-
ção de Deus”, o homem que mostrou tanta coragem ao derrotar Golias, o homem que
demonstrou tanta integridade ao resistir às tentativas paranóicas de Saul para o
matar... como pôde, a mesma pessoa, ser tão pronta para cometer adultério, planear
um homicídio e depois usar a sua posição de poder para o encobrir?
A resposta para David, é a mesma para nós, hoje. Não importa o quão fortes
possamos ser, todos temos lugares na nossa vida que fraquejam perante a atração
do pecado. Por essa razão, o maior erro que podemos cometer é esquecermo-nos
disso, ou pensar que isso não nos afeta. Muitas das vezes, o momento em que
estamos mais sujeitos a tropeçar é depois de termos feito um progresso espiritual. Por
isso, é tão importante fazer parte de uma comunidade cristã, que nos conheça o
suficientemente bem, para nos responsabilizar. Sem isso, até o cristão mais forte
pode cair.
Outra questão que surge desta passagem é: por que foi David perdoado e Saul
rejeitado? Afinal de contas, ambos pecaram contra o Senhor. A resposta resume-se
numa única palavra: arrependimento. Quando David foi confrontado com o seu
pecado (12:1-10), arrependeu-se imediata e genuinamente (12:13; Salmos 51).
infelizmente, a atitude de Saul foi racionalizar as suas ações (1 Samuel 13:1-15).
Pode ser, incrivelmente, difícil e doloroso admitir o nosso pecado, perante os outros e
diante de Deus. Mas, quando o fazemos, Deus remove o peso, dá-nos alegria e
aproxima-nos dele de uma forma que não poderíamos experimentar de outra
maneira.
APLICAÇÃO: Como reages quando tomas consciência do teu pecado? Já al-
guém foi um “Natan” para ti?

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ORAÇÃO: “Examina-me, ó Deus, e conhece o meu coração; põe-me à prova e
conhece os meus pensamentos. Vê se eu sigo pelo caminho do mal e guia-me pelo
caminho eterno.” (Salmos 139:23-24).

37 -- HOMEM SÁBIO DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, procuro, ansiosamente, a orientação da tua Palavra hoje. Ao


fazê-lo, ajuda-me a estar consciente da tua presença.
LEITURA: 1 Reis 2 - 3
REFLEXÃO:
David sabia, realmente, como pressionar o seu filho. Elogiou publicamente a
sabedoria de Salomão e depois encarregou-o de acertar umas contas antigas pelo
seu querido pai (2:6). Como se viu mais tarde, ambas as atitudes tiveram um papel
importante na vida de Salomão. Não podemos negar que a visão e encorajamento
(ou falta dele) de um pai pode ter um enorme impacto na vida dos seus filhos. Sejas
pai ou não, que tipo de influência tens sido na tua família? Que tipo de influência
gostarias de ser?
Salomão é lembrado pela sua sabedoria invulgar (3:16-28). Apesar de ter
mostrado uma disciplina impressionante ao escolhê-la em detrimento de outras
possibilidades (3:9), é de facto, importante, que a sua sabedoria fosse, ainda assim,
um dom de Deus (3:12). Salomão soube, instintivamente, que reconhecer Deus era a
chave para o verdadeiro entendimento (Provérbios 1:7).
Mas, Salomão fez outra escolha nesta passagem que iria, por fim, provocar a
queda de Israel. Essa escolha encontra-se resumida na expressão, “No entanto” (3:3).
Apesar de toda a sabedoria divina, Salomão abriu a porta à adoração de ídolos, algo
que Deus odiava, claramente (Êxodo 20:3-6). Muitas vezes, o pecado não parece
assim tão mau no princípio. Mas, uma série de pequenos passos, podem fazer-nos
cair do precipício, da mesma forma que um grande salto.
Podemos sentir-nos melhor connosco próprios, pelo facto de, até, alguns dos
maiores heróis da Bíblia — David e Salomão — terem as suas fraquezas e terem feito
más escolhas. Mas, o que mais nos deve encorajar é que, apesar de tudo, Deus
estava a executar o seu plano (2:4) através deles. David sabia que o segredo de
permanecer em sintonia com esse plano, era andar perante Deus, fielmente, com
todo o seu coração e toda a sua alma (2:4). Este é, ainda, o desafio e a nossa
oportunidade, a cada dia.
APLICAÇÃO: Honestamente, o que responderias se Deus te dissesse: “Pede-
-me o que quiseres!” (3:5)? Porquê?

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ORAÇÃO: Senhor Deus, escolhi correr atrás de tantas coisas na minha vida.
Que o desejo de te conhecer e seguir, seja a minha maior ambição.

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38 -- O CENTRO DA ADORAÇÃO
DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, procuro, ansiosamente, a orientação da tua Palavra hoje. Ao


fazê-lo, ajuda-me a estar consciente da tua presença.
LEITURA: 1 Reis 8:1—9:9
REFLEXÃO:
Imagina como as pessoas de Israel se sentiram, quando se juntaram para a
dedicação do novo templo (8:1-2). Por um lado, era um edifício espetacular (1 Reis 6;
7:13-51), por outro, o rei não se ia poupar a sacrifícios, ia celebrar com tudo o que a
ocasião pedia (8:5, 62, 63). Mas, enquanto Salomão e os seus funcionários
terminavam a cerimónia de inauguração, aconteceu algo estranho (8:10). O que
tornou este edifício tão especial?
Alguns, possivelmente, pensaram que foi a arca, que continha as tábuas de
pedra com os Dez Mandamentos (8:6-9). Uma lembrança palpável do envolvimento
de Deus no passado de Israel. Mas, a coisa mais importante, foi o facto de Deus ter
aparecido e da sua glória ter enchido o templo (8:11). Um exemplo poderoso da
verdadeira adoração.
E natural pensar na adoração, hoje em dia, como parte dos diferentes momentos
do culto — o louvor, a música, a pregação, a oração e a comunhão. Mas, o que torna
a adoração algo vivo, não é a forma como o culto decorre, mas, o quão preparados e
sedentos estamos para nos encontrarmos com o Deus vivo. Até um culto “mau” pode
transformar-se em boa adoração, se tivermos o coração no lugar certo. Quando vais à
igreja, esperas que Deus esteja lá?
Muitos anos mais tarde, o apóstolo Pedro usou a imagem do templo para des-
crever a Igreja, isto é, todos os que decidiram seguir Jesus Cristo (1 Pedro 2:5).
Apesar de ser impressionante, o templo de Salomão era apenas temporário. Era uma
antevisão de um templo muito maior, o Corpo de Cristo, que durará para sempre.
No final da cerimónia de dedicação de Salomão, Deus lembrou ao povo que
permanecesse fiel (9:1-9). Ele sabia, quão depressa, se podiam centrar na mecânica
da religião e esquecê-lo. Mas, o centro da adoração não é tanto o que fazemos —
mas, antes, quem encontramos.
APLICAÇÃO: Como descreverias os teus momentos de adoração recentes? O
que torna a tua adoração viva
ORAÇÃO: Senhor Jesus, ensina-me a adorar-te com o mais íntimo do meu
ser. Tu és grandioso, santo e amoroso. Obrigado por me dares oportunidade de fazer
parte do teu novo templo.

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39 -- CONFRONTO DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, existem muitas vozes a competir pela minha atenção neste
momento. Mas a voz que mais quero ouvir é a tua.
LEITURA: 1 Reis 16:29—19:18
REFLEXÃO:
Se Salomão abriu uma fresta da porta à idolatria, (1 Reis 3:3) Acab escancarou-
a! Ele, e a sua esposa infame, Jezabel, conduziram o povo de Israel por um caminho
maligno (16:29-33). Por isso, apetece-nos aplaudir quando Elias desafia os profetas
de Baal para um confronto público (18:22-24).
Mas, o sacrifício no Monte Carmelo, não foi um evento do tipo, “pagar para ver”.
Elias encarou-o, corretamente, como uma luta pelo coração e pela alma do povo de
Deus (18:36-37). Ao longo da história, a Igreja tem-se afastado, periodicamente, de
Deus e das suas prioridades. Existem muitos cristãos, hoje, que sentem que a sua
denominação ou igreja está nesse caminho. É preciso sabedoria e coragem para
desafiar a Igreja, mas temos de ter cuidado para não deixar que o nosso ego seja a
força motora. A melhor forma de marcar a diferença é, naturalmente, através da
integridade do nosso próprio testemunho.
Mas, o que é fascinante, nesta passagem, é o facto de nos apresentar “dois
Elias”. O primeiro é um profeta corajoso e destemido que obteve uma vitória extraor-
dinária para Deus. O segundo é um desertor deprimido e assustado que foge de Deus
(19:1-9). A verdade é que servir a Deus é difícil. Por vezes, Deus permite-nos ter
grandes sucessos, mas, porque, somos humanos, às vezes, caímos e esgotamo-nos.
É por isso que, não importa o quão fortes sejamos, é importante tirar tempo para
descansar e renovar forças (19:7-9).
Afinal, aquilo que mais nos sustém, perante os desafios da vida cristã, é uma co-
munhão diária e consistente com Deus. Isto acontece quando passamos tempo a ler
a sua Palavra, a orar e a adorá-lo com outros cristãos. São estas as coisas que
podem voltar a inflamar o nosso coração para Deus. É bom apreciar e relembrar o
“fogo-de-artifício espiritual”, quando este acontece. Mas, aquilo de que mais
precisamos é da capacidade de ouvir o “suave sussurrar” de Deus (19:12).
APLICAÇÃO: Tens experimentado, recentemente, “fogo-de-artifício espiritual”
na tua vida cristã? Tens Ouvido o “suave sussurrar” de Deus?
ORAÇÃO: Pai, ajuda-me a ver como posso ser uma influência tua, no meu
mundo. Estou disposto a confiar em ti, para que faças a diferença através de mim.

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40 -- UMA MISERICÓRDIA SEVERA?
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, estou ansioso por ouvir o que tens para me dizer neste
momento.
LEITURA: 2 Reis 25
REFLEXÃO:
Esta passagem, não é uma das mais inspiradoras da Bíblia. Na verdade, é uma
imagem bastante deprimente. Contudo, é importante porque marca o ponto mais
baixo da história de Israel, até agora. O povo de Deus teve de aprender, da forma
mais dura, que o pecado traz consequências devastadoras. E, isto ainda hoje é
verdade.
Como Israel continuou a procurar, voluntariamente, a adoração aos ídolos, Deus
permitiu que os Babilónios fossem o seu instrumento de condenação. E o preço foi
muito alto: mataram os seus líderes, destruíram o templo glorioso, queimaram
Jerusalém e levaram a maioria das pessoas para o cativeiro (25:21b).
Já viveste momentos, incrivelmente, difíceis? Talvez tenhas ficado chocado com
a morte prematura de uma pessoa querida, um súbito reverso financeiro, ou notícias
inesperadas de que te foi diagnosticada uma doença grave. Como reages quando o
teu mundo desaba?
Por vezes, a única maneira de seguir em frente é relembrar o que Deus fez no
passado. “Senhor, sinto-me miserável, não aguento mais e não vejo saída. Mas, tens
sido tão bom para mim no passado, confio que agora não me vais abandonar.” Toma
um minuto para leres o Salmo 74, uma oração escrita por Assaf, um dos que foram
para o cativeiro. Verás que foi, exatamente, isto que ele orou.
Se há alguma coisa boa nas desgraças, é o facto de que nos obrigam a agar-
rarmo-nos mais a Deus, simplesmente, porque, não temos outra alternativa. O escritor
Sheldon Vanauken referiu-se à “misericórdia severa” de Deus (A Severe Mercy,
Hodder 1977) — é o facto de Deus, por vezes, permitir que experimentemos dor, por
um propósito que jamais poderíamos entender antes de tempo (Apocalipse 3:19).
Deus pode abanar-te, mas não te abandona. Na verdade, o momento em que te
sentes mais em fraco pode ser aquele em que estás mais perto de Deus (Salmos
34:18).
APLICAÇÃO: O que aprendeste com os problemas graves da tua vida? Deus
atraiu-te para mais perto dele, através disso? De que forma?
ORAÇÃO: Pai, estou tão grato por me convidares a lançar sobre ti todas as
minhas preocupações (1 Pedro 5:7).

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A QUEDA DE ISRAEL - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 09 – SALMOS E PROVÉ RBIOS
A Bíblia contém muitos géneros literários diferentes, mas, até agora, só lemos
narrativa histórica — relatos carregados de ação, do povo de Deus a caminho de se
tornar uma grande nação. As próximas cinco leituras, no entanto, apresentam-nos a
dois novos géneros — a poesia e a literatura de sabedoria.
Os Salmos são, essencialmente, poesia escrita para expressar verdades pro-
fundas acerca de Deus e do mundo. A pessoa que escreveu a maioria dos Salmos e,
para muitos os melhores, foi o rei David. As nossas leituras anteriores mostraram-nos
alguns dos sucessos e fracassos de David. E, como veremos, David tinha uma
capacidade incrível para expressar os seus sentimentos, tanto a nós como a Deus.
Os textos lembram-nos a mistura única de talentos do rei David; pastor, guerreiro,
administrador, político, líder espiritual e poeta!
O Livro de Provérbios, por outro lado, é uma coleção de dizeres escritos,
principalmente, pelo rei Salomão. Este fascinante livro da Bíblia divide-se em duas
secções básicas: os capítulos 1-9 são o ensino extensivo de um pai para um filho,
sobre sabedoria divina; enquanto os capítulos 10-31 são uma coleção de afirmações
sucintas, cada uma expressando uma verdade espiritual de forma memorável.
Na verdade, é impossível captar a maravilha e riqueza do Livro de Salmos e
Provérbios em apenas cinco leituras. Vale mesmo a pena, ler estes livros mara-
vilhosos de uma ponta à outra.
Ao longo dos anos, tenho usado um padrão simples para desfrutar da leitura dos
Salmos e Provérbios durante todo o ano. Além do meu plano regular de leitura da
Bíblia, se tenho tempo, leio cinco Salmos e um capítulo de Provérbios por dia. Isto
permite-me ler os dois livros num mês. Ou, quando acordo a meio da noite e não
consigo dormir, desço as escadas e leio os cinco Salmos e o capítulo de Provérbios
daquele dia. Geralmente, é o suficiente para redirecionar a minha mente e o meu
coração para um lugar mais tranquilo que me permita voltar a adormecer.
Vamos, então, descobrir por que os Salmos e os Provérbios se tornaram dois
dos livros mais populares da Bíblia.

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41 -- SEM MEDO
DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, quero concentrar-me em ti hoje. Coloco aos teus pés todos os
meus problemas e preocupações para que possa ouvir a tua voz.
LEITURA: Salmos 23
REFLEXÃO:
Certa vez, participei num grupo de estudo bíblico com pessoas de todo o mundo.
Estávamos a estudar o Salmo 23 e o líder pediu a cada um de nós que “rees-
crevesse” o versículo inicial, de uma forma que fizesse sentido na nossa cultura. As
respostas foram muito elucidativas. Na América Latina: “O Senhor é meu amigo, ele
ajuda-me a encontrar trabalho para cada dia." Na Rússia: “O Senhor é o meu taxista,
ele leva-me em segurança pelas ruas de Moscovo.” Na Austrália: “O Senhor é a
minha querida mãe, ela toma conta de mim durante todo o dia.” Na índia: “O Senhor é
o meu guru, ele ensina-me o que preciso de saber.” Como descreverias o Senhor?
David compara-o a um pastor — um trabalho que ele tinha experimentado
pessoalmente (1 Samuel 17:34). Um pastor conforta (23:2-3) e protege (23:4) as
ovelhas. Aconteça o que acontecer, o pastor fica com as ovelhas e trabalha ati-
vamente em favor das mesmas. Já experimentaste estas coisas no teu relacio-
namento com o Senhor? Jesus usou esta imagem no Novo Testamento, auto
designando-se o “Bom Pastor” (João 10:11-18).
Mas, há uma segunda imagem neste Salmo, que parece um pouco estranha a
princípio. David imagina-se num banquete, rodeado pelos seus inimigos (23:5)! Isto
parece dizer, que mesmo que aconteça o pior (23:4) podemos confiar que Deus
tomará conta de nós (Romanos 8:28).
Noutra ocasião, fiz parte de um grupo de estudo do Salmo 23 numa prisão. Um
dos detidos contou-nos acerca da sua vida descontrolada e dos crimes que tinha
cometido. Certo dia, em desespero, diz ter telefonado à mãe a pedir ajuda. Ela disse-
lhe: “Não sei o que te dizer filho, exceto para leres o Salmo 23.” E, ele assim fez, vez
após vez, até que recebeu Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor.
APLICAÇÃO: Toma tempo para “reescreveres” o início deste salmo, usando
imagens do teu mundo. Quando estás mais consciente da presença de Deus?
ORAÇÃO: Senhor, sabes que existem situações na vida que me levam a ter
medo. Mas, peço-te que me ajudes a sentir a tua presença e a confiar no teu cuidado
para que as possa enfrentar na tua força.

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42 -- DAVID CONFESSA
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, ajuda-me a ser completamente honesto enquanto ouço e


falo contigo hoje.
LEITURA: Salmos 51
REFLEXÃO:
Certa vez, assisti a um programa de televisão em que os comentadores
discutiam qual o nível de impacto de uma confissão de delitos, feita por um político
proeminente. “Este, não atingiu os valores mínimos aceitáveis no ‘humilhatómetro’” -
disse um. “Se é para se humilhar, é melhor fazê-lo até ao fim.”
A confissão de David, neste famoso salmo vai, certamente, até ao fim. O
contexto, como vimos numa leitura anterior, é o seu pecado com Betsabé e contra o
seu marido Urias (2 Samuel 11:1-12:25). O Salmo 51 dá-nos um olhar intimista sobre
os pensamentos e sentimentos do “homem segundo o coração de Deus”, após ter
sido confrontado com o seu pecado (2 Samuel 12:7.13). Ao examinarmos a oração de
David, cuidadosamente, encontramos três passos para uma confissão genuína.
“Tem compaixão de mim..." (51:1) David não justificou as suas ações. Antes
descreve-as, honestamente, como “transgressões... maldade... pecado”. Uau! Isto sim
é uma confissão verdadeira: admitir totalmente que desobedecemos a Deus. Não faz
sentido esconder nada — Deus já sabe o que fizemos.
“Limpa-me...” (51:9) David percebeu que Deus vê o pecado como sujidade. Por
isso usou a imagem da limpeza para descrever o perdão. Não somos capazes de
remover a nódoa do pecado, por nós próprios. Somente Deus o pode fazer.
“Dá-me um coração puro” (51:12) O coração de David tinha sido pervertido de-
vido à desobediência. Por isso, pediu a Deus que endireitasse a sua motivação
interior para evitar pecar futuramente. Depois de pecarmos, precisamos de tempo
para que Deus nos reconstrua, de dentro para fora.
David sabia, que a coisa pior do pecado é separar-nos de Deus (51:13). Mas,
também, descobriu a alegria de vestir as roupas limpas do perdão e de experimentar
um companheirismo íntimo com Deus mais uma vez.
APLICAÇÃO: Pensa numa altura em que te sentiste esmagado pela noção do
teu próprio pecado. Como te relacionaste com Deus durante esse tempo?
ORAÇÃO: “Ó Deus, dá-me um coração puro; renova e dá firmeza ao meu
espírito. Não me afastes da tua presença nem me prives do teu Santo Espírito! Faz-

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me sentir de novo a alegria da tua salvação; mantém-me com o teu espírito generoso”
(Salmos 51:12-14).

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43 -- LOUVAI AO SENHOR!
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, louvo-te por quem tu és e por tudo o que tens feito na minha vida.
LEITURA: Salmos 103
REFLEXÃO: Este é o meu salmo preferido. Porquê? Porque abrange muitos
dos grandes temas do Antigo Testamento, em apenas 22 versículos: justiça, história
de Israel, compaixão de Deus, perdão, fragilidade humana e mais. Para mim, ler este
salmo faz-me lembrar várias das melhores passagens da Bíblia. Talvez fosse isso que
David pretendia quando o escreveu.
O que torna a poesia de David tão poderosa é o facto de, através dela, ele falar
de coração, acerca do seu relacionamento com Deus. Então, vejamos se somos
capazes de descobrir algumas coisas neste Salmo que aprofundem o nosso rela-
cionamento com Deus, hoje.
Os benefícios de Deus Geralmente, não pensamos nisto nestes termos, mas
David lembra-nos que existem benefícios, incríveis, por conhecer Deus (103:2-5). O
principal é o perdão pelos nossos pecados. No Novo Testamento, veremos como
Deus tornou isto possível através da morte de Jesus Cristo na cruz. Mas, viver a
nossa vida à maneira de Deus, tem efeitos positivos em muitas áreas. Na verdade,
atualmente, os investigadores estão a descobrir que as pessoas que oram são mais
saudáveis. David não precisou de um encomendar um estudo caro para descobrir
isso!
O caráter de Deus Como é Deus? As principais características enfatizadas por
David são a compaixão (103:8,13) e a disposição para perdoar (103:9-12). Isto é, cer-
tamente, reconfortante. Mas, tal como Jesus nos lembrou na sua oração modelo
(Lucas 11:1-4), se queremos receber o perdão de Deus, temos de estar disponíveis
para estendê-lo, também, aos que estão à nossa volta. Isso é “caráter divino".
A resposta a Deus Este salmo começa e termina com louvor. Quando pensa-
mos, realmente, em quem Deus é, e tudo o que tem feito por nós, que mais podemos
fazer? Gosto muito desta frase em particular: “com todo o meu ser” (103:1). Por
vezes, penso nela quando estou na igreja. “Pai, das profundezas do meu coração e
com todo o meu ser, eu louvo-te, hoje.” O meu desafio é viver cada dia, dando este
tipo de resposta a Deus.
APLICAÇÃO: Tens algum salmo preferido? És capaz de fazer uma lista, a partir
da tua experiência, dos benefícios de conheceres Deus?
ORAÇÃO: Obrigado Pai, pela tua compaixão e pelo teu perdão. Ajuda-me a
mostrar essas qualidades às pessoas à minha volta.

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44 -- TAL PAI, TAL FILHO
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, venho a ti como uma criança: sou fraco e não tenho todas as
respostas. Mas confio que tomarás conta de mim e dar-me-ás o que necessito para este dia.
LEITURA: Provérbios 1—4
REFLEXÃO: Quando eu era uma criança, a cave da nossa casa tinha uma casa
de banho que ninguém usava. Um dia, reparei que alguém tinha empurrado uma
secretária e uma cadeira para o pequeno espaço entre o lavatório e o chuveiro. No
espelho, estava um cartão com um versículo escrito: “Fala, que o teu servo está a ou-
vir” (1 Samuel 3:10). Apercebi-me, de que aquela divisão “esquecida” era o lugar onde
o meu pai ia de manhã, antes de todos se levantarem, para ler a Bíblia e orar. Foi
assim que ele me ensinou a importância da Palavra de Deus.
O Livro de Provérbios contém os escritos do rei Salomão. Como já vimos, Deus
deu-lhe um dom de sabedoria único (1 Reis 2-3). Mas, por detrás dos textos sábios,
há um pai a tentar ensinar ao filho como viver uma vida santa (1:8,10,15; 2:1-5; 3:1,
etc). Este é o trabalho mais importante de qualquer pai.
O argumento principal de Salomão é que, a sabedoria é o fundamento para viver
uma vida reta, sejamos um filho ou uma filha. É uma sabedoria que começa com o
“respeitar o Senhor” (1:7; 2:5). Outras versões dizem “temer”, mas, não no sentido de
ter medo ou pavor. É antes, uma noção de reverência, obediência e confiança, que
deve caracterizar o nosso relacionamento com Deus. É assim que te relacionas com
Deus?
A sabedoria divina, também, produz vários benefícios. Ela protege-nos contra o
mal e as suas consequências (1:10-19) e oferece-nos alegria e saúde (3:13-26). Por
isso, vale a pena buscá-la. Contudo, é importante notar que Salomão está a falar de
uma sabedoria mais profunda, que o mero conhecimento racional. A verdadeira
sabedoria é o compromisso feito de coração, de aprender e seguir os caminhos de
Deus (4:23).
Um pormenor maravilhoso, nesta passagem, é a referência de Salomão à
influência dedicada do seu pai e da sua mãe — David e Batsabé (4:3-4). Todos os
pais cometem erros, mas, nunca é tarde demais para começarmos a ensinar aos
nossos filhos a sabedoria divina, através das nossas palavras e do nosso exemplo.
APLICAÇÃO: Como caracterizas o teu relacionamento com o teu pai terreno?
E com o teu Pai celestial? Como tens aprendido acerca da sabedoria de Deus?
ORAÇÃO: Pai, quero viver uma vida que te agrade. Ajuda-me a demonstrar a
tua sabedoria nas minhas palavras e ações.

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45 -- UM TESOURO DE SABEDORIA
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, existem tantas coisas que preciso de aprender a teu res-
peito. Ajuda-me a fazê-lo enquanto leio e oro neste dia.
LEITURA: Provérbios 16—18
REFLEXÃO:
À medida que eu fui crescendo, os meus pais tentaram várias estratégias para
termos um tempo devocional em família. Uma, das que funcionou melhor foi ler
Provérbios, depois do jantar. Cada pessoa à volta da mesa tia um versículo em voz
alta até termos terminado o capítulo. Então, a minha mãe perguntava: “Qual dos
versículos vos tocou mais hoje e porquê?” Antes, que pudermos ir brincar lá para fora
tínhamos de dar uma resposta pensada. Confesso, que para mim, o versículo mais
“importante” era, quase sempre, o último que eu lia!
Qual destes versículos teve mais significado para ti hoje? O que é maravilhoso
no Livro de Provérbios é que está repleto de pequenas jóias, tal como a arca de um
tesouro. É espantoso, como ainda me lembro de muitos dos provérbios que líamos à
mesa. A Palavra de Deus tem uma maneira, especial, de penetrar em nós (Salmos
119:11). O que parecem ser versículos soltos, na verdade, encaixam-se em, peto
menos, três grandes categorias:
Sabedoria e loucura Quando Salomão escreveu Provérbios 16:16, talvez
estivesse a pensar na escolha que tinha feito, anos antes (1 Reis 3:4-15). De todas as
coisas sábias que podemos fazer, usar as nossas palavras para fins positivos é uma
das mais importantes.
Humildade e orgulho A declaração mais famosa de Salomão sobre este tema,
encontra-se em Provérbios 16:18. Uma vida humilde e contente é muito mais sa-
tisfatória do que a ambição de querer tudo. Todos aprendemos esta tição, mais cedo
ou mais tarde.
A vontade de Deus e a ação humana Deus, espera que usemos os nossos ta-
lentos e capacidades, mas, o paradoxo é que o resultado final depende dele (16:1-4).
Se esta verdade não estiver em equilíbrio, podemos ser tentados, tanto à inércia,
como ao orgulho. Deus quer que ajamos na dependência dele.
APLICAÇÃO: Que tipo de sabedoria tens obtido das tuas experiências da vida e
do teu relacionamento com Deus? Tenta criar um ou dois provérbios por ti próprio.
ORAÇÃO: “...Senhor, meu Deus... [...] embora eu seja ainda um jovem inex-
periente. [...] Dá-me, por isso, um coração sábio ... sabendo distinguir entre o bem e o
mal...” (1 Reis 3:7-9)

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SALMOS E PROVÉRBIOS:- REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 10 – OS PROFETAS
De que te lembras quando alguém diz: “Este é um profeta do nosso tempo”?
Num fundamentalista de cabelos compridos, com um cartaz a dizer: O FIM ESTÁ
PRÓXIMO? Num comentador perspicaz em assuntos sociais? Numa figura solitária
que luta, corajosamente, contra a injustiça, através da desobediência civil?
De certa forma, os Profetas da Bíblia eram tudo isto. Avisavam acerca do julga-
mento que havia de vir, escreviam críticas à sociedade e, como resultado, eram
forçados a tomar posição contra os poderosos dos seus dias. Mas, há outra coisa
importante acerca dos profetas bíblicos, que os distingue: eles falavam por Deus (2
Pedro 1:20-21). E foi isso que lhes conferiu o seu grande poder.
Até agora, temos lido, maioritariamente, narrativa histórica, com alguma poesia e
provérbios, na última secção. Mas, as próximas cinco leituras apresentam — nos um
novo género de escrita bíblica. A profecia. O Antigo Testamento inclui 16 livros
proféticos e existem diferentes formas de os classificar. A forma mais comum é de
acordo com a sua extensão: os Profetas Maiores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel)
e os Profetas Menores (os restantes 12 livros do Antigo Testamento com os nomes
esquisitos!).
Outra forma de os dividir é a sua relação com um determinado evento histórico
importante: a derrota de Israel e o exílio na Babilónia. Se um profeta foi “pré-exílio” (tal
como Oseias, Joel ou Amós), a sua tendência era centrar-se na denúncia do pecado
e anunciar a vinda do Dia do Senhor. Se fosse “pós-exílico” (tal como Ageu ou
Zacarias), centrava-se na esperança e restauração do povo de Deus quebrantado.
Alguns profetas, os que viveram mais tempo, estiveram ativos antes e depois do exílio
e os seus escritos abrangem ambos os temas (como Isaías).
Outro aspeto fascinante dos livros proféticos é a história de vida dos próprios
profetas. Como era ser profeta? Vamos ler as histórias pessoais dramáticas de três
deles: Jeremias, Daniel e Jonas. Como verás, ser um profeta é um trabalho duro e
ingrato.
Há ainda outra característica, nos livros proféticos, que devemos ter em atenção:
muitas vezes, apontam para a vinda de um Messias, um Salvador que havia de
aparecer muitos anos mais tarde. Vamos encontrar muitas referências como esta,
mas, a mais condensada encontra-se em Isaías 52:13-53:12, como iremos ver nas
nossas leituras.
Os livros proféticos são apaixonantes, diretos e muito relevantes para o nosso
mundo atual. Prepara-te para seres desafiado!

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46 -- O SERVO SOFREDOR
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, torna-me receptivo à mensagem específica que tens para


mim hoje.
LEITURA: Isaías 51—53
REFLEXÃO:
No que toca aos Profetas do Antigo Testamento, Isaías é um peso pesado! O
seu livro de profecias é, não somente o mais longo, como, também, o mais citado no
Novo Testamento. O ministério de Isaías sobreviveu a vários reis (Isaías 1:1), tanto
antes como depois do exílio, e os seus escritos, cobriram em extensão dois grandes
temas da profecia do Antigo Testamento — aviso e julgamento (capítulos 1-39),
esperança e salvação (capítulos 40-66).
A leitura de hoje, vem da metade esperançosa de Isaías e refere-se a um tempo
em que o povo de Deus estava a precisar, imenso, de esperança. Como viemos a
descobrir, a idolatria e o pecado de Israel, trouxeram um castigo terrível (2 Reis 25). E,
pior do que isso, agora, temiam que Deus tivesse desistido deles completamente
(Salmos 74:1,9). Mas, Deus inspirou Isaías com uma mensagem de esperança, tão
relevante hoje em dia, como o foi há treze séculos atrás.
Deus salvará o seu povo (Isaías 51:1-52:12) Enquanto o povo definhava no exílio
Babilónico, Isaías apontava para a perspetiva global, para o que Deus tinha feito pelo
povo no passado (51:1-2). É por aí que deves começar, quando percebes que te
desviaste de Deus. A seguir, Isaías enfatizou a disponibilidade e o poder de Deus
para salvar. Quando estragamos tudo, pode ser difícil acreditar, mas, a verdade é que
Deus gosta, quando os pecadores voltam para ele (Lucas 15:11-32). Isto, são Boas
Novas para o povo de Deus, naquela altura e agora (52:7).
Deus enviará um Salvador (Isaías 52:13-53:12) A coisa mais incrível nesta
secção, (além do facto de ter sido escrita 800 anos antes de Cristo!) é a descrição do
tipo de salvador que Deus iria enviar. Não um poderoso conquistador militar, mas um
servo sofredor, ferido e trespassado pelos nossos pecados (53:5). A única forma de
sermos salvos, de nos livrarmos do problema do pecado, era se alguém fosse
castigado por nós. E foi, exatamente, isso que Jesus fez na cruz.
APLICAÇÃO: Existem áreas na tua vida em que estás a perder a esperança?
De que forma esta passagem te ajuda? Como descreverias a “perspetiva global” de
Deus para ti?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, obrigado por morreres por mim. O teu amor é tão
incrível! Louvo-te com todo o meu coração.

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47 -- QUEM, EU?!
DATA:__________

ORAÇÃO: Deus, és verdadeiramente grande e, ainda assim, preocupas-te e


queres estar comigo. Obrigado.
LEITURA: Jeremias 1:1—3:5
REFLEXÃO: Jeremias tinha uma missão difícil. Era jovem e sabia que era um
orador, que metia dó (1:6). Contudo, Deus escolheu-o para confrontar os líderes dos
seus dias, com uma mensagem assustadora. Não admira que tenha tentado escapar.
Mas, isto é o que torna este livro tão interessante, pois, combina uma mensagem
poderosa com uma história pessoal franca.
Jeremias era um jovem sacerdote, aparentemente, satisfeito por cumprir as suas
tarefas numa pequena “paróquia” do campo (1:1). Mas, Deus tinha um plano maior e
chamou-o para ser “profeta entre os pagãos" (1:5). É natural pensar que Deus usa as
pessoas mais talentosas ou bem-sucedidas para fazer o seu trabalho. Mas, isso é
presumir que Deus está dependente das nossas capacidades. Na verdade, ele tem
poder para fazer muito mais do que podemos imaginar. Tudo o que Deus precisa, é
de pessoas fiéis e dispostas a segui-lo quando ele chamar.
Repara, no interesse pessoal de Deus em Jeremias (1:5). Podes pensar que
Deus não te conhece ou não se interessa por ti, mas, isso não é verdade. O Criador
do universo já pensava em ti, ainda, antes de teres nascido. Com um único versículo
(1:5), Deus acaba com o debate moderno acerca de quando começa a vida, real-
mente, e dá a todas as vidas — incluindo a tua — um propósito divino.
Isto não quer dizer, que a vida vai ser sempre fácil. Jeremias teve a difícil tarefa,
de dizer ao seu próprio povo que Deus estava prestes a soltar um castigo terrível,
(1:14-16) por causa da idolatria deles (1:16; 2:11-19). E, que melhor imagem para o
descrever do que esta — uma noiva que se transforma numa prostituta (2:1-3:5). O
pior do pecado, não é o facto de quebrarmos as leis de Deus, mas, antes, a quebra
do nosso relacionamento com ele.
Mas a história não acaba aqui. O amor de Deus é tão grande que ele está
disposto a perdoar e a “voltar a casar”, com o seu povo rebelde (Jeremias 31:31-34).
Como veremos em breve, nas leituras do Novo Testamento, enviar Jesus Cristo à
terra foi o plano de Deus para voltar a ganhar o coração do seu povo (Gálatas 4:4-7).
APLICAÇÃO: O que te afasta de Deus? Quando é que te sentes mais apaixo-
nado pelo teu relacionamento com ele?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, perdoa-me pelos momentos em que não te valorizei
acima de tudo. Ofereço-te a minha adoração, o meu louvor e o meu amor.

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48 -- ATREVE-TE A SER UM DANIEL
DATA:__________

ORAÇÃO: “Bendito seja o Senhor, dia após dia; ele libertou-nos” (Salmos 68:20)
LEITURA: Daniel 6
REFLEXÃO:
As nossas leituras, em Isaías e Jeremias, deram-nos o contexto desolador desta
passagem de Daniel. A idolatria de Israel tinha trazido uma derrota nacional e era a
causa do exílio do povo de Deus. Certamente, que muitos na geração de Daniel
foram tentados a desistir, a assumir que não tinham qualquer hipótese na vida. Mas,
Daniel não estava preocupado com as circunstâncias negativas. A sua principal
prioridade era aprofundar o seu relacionamento com Deus e, depois, confiou que
Deus o usaria conforme achasse melhor (capítulo 1).
Com efeito, quando deu por ele, Daniel ocupava uma posição importante no
governo (6:1-3). É interessante, que Daniel estava plenamente disposto a trabalhar
para um rei secular. É errado pensar, que o serviço cristão a tempo inteiro é a única
forma de fazer a diferença para Deus. Naturalmente, Deus chama, alguns, para
serem pastores e para trabalharem no meio cristão. Mas, também, chama outros,
para estarem no mercado ou no governo. Na verdade, as pessoas que estão
dispostas a viver a sua fé com coragem, em ambientes seculares, podem ter o
impacto espiritual que nenhum evangelista a tempo inteiro terá (6:25-27).
Mas, erguer-se a favor de Deus traz oposição. No caso de Daniel, veio da parte
de burocratas invejosos (6:4-9). Quando enfrentamos ataques semelhantes, no local
de trabalho, apesar de poder parecer “um dia igual aos outros”, geralmente, há um
elemento de oposição espiritual envolvido. Daniel parece compreender isso, uma vez
que, a sua primeira reação é afastar-se e orar (6:11). Também, é esta a tua reação à
oposição? Podes nunca ter de enfrentar uma cova de leões, por causa da tua fé, mas
vais enfrentar outras dificuldades. Daniel estava disposto a sacrificar toda a sua
carreira, porque, confiava em Deus acima de tudo (6:23). Esta é chave para o
sucesso de Daniel e para o teu também.
APLICAÇÃO: Que significado tem para ti confiar em Deus acima de tudo, no teu
dia-a-dia? Como podes seguir o exemplo de Daniel, e tirar mais tempo para orar em
privado durante o dia?
ORAÇÃO: Senhor, quero ser uma testemunha tua, corajosa. Por favor dá- -me
a força e a coragem para te defender através das minhas palavras e ações a cada
dia.

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49 -- BON VOYAGE!
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, deixo, agora, a minha vida agitada para estar na tua calma presença.
Enche a minha mente e o meu coração com as coisas que sabes que eu preciso de ouvir.
LEITURA: Jonas 1—4
REFLEXÃO: Existem muitas razões, pelas quais, as pessoas fazem cruzeiros,
mas a de Jonas deve ser a mais original. “Sabes uma coisa? Estou a fugir de Deus!”
(1:10). Assim começa este livro delicioso que mais parece uma peça de teatro em
quatro atos do que literatura profética.
Primeiro Ato: Fugir de Deus Hoje em dia, somos demasiado sofisticados para
acreditar que podemos fugir de Deus. Certo? Mas, a viagem de Jonas para Társis,
não é mais ridícula do que quando pecamos e agimos como se fosse segredo. O
pecado é assim, leva-nos a fazer coisas que sabemos não serem corretas, (1:12;
Romanos 7:7-25) e depois convence-nos de que não há nada de mal nisso (4:2).
Segundo Ato: Oração por salvação Jonas foi engolido por um grande peixe
(1:17-2:1) e, apesar de ser motivo de riso, na peça de teatro da Escota Dominical,
deve ter sido uma experiência aterradora (2:3-6). Dar de caras com as consequências
do nosso pecado, pode ser terrível. Nessas alturas, as nossas justificações distorcidas
peto pecado, desfazem-se e percebemos que a única esperança é gritar: “Senhor,
salva- -me!” A experiência de Jonas, também simboliza a nossa necessidade de
salvação.
Terceiro Ato: Reavivamento em Nínive O que é animador, neste capítulo, é que
Deus dá uma segunda oportunidade a todas as pessoas. O fracasso não nos des-
qualifica para o trabalho de Deus. Mas, a indisponibilidade para o arrependimento,
sim. Os Ninivitas viraram as costas aos seus costumes perversos e acreditaram em
Deus. Foi o mesmo ato de fé que Deus honrou em Abraão (Jonas 3:5; Génesis 15:6).
Quarto Ato: Desapontamento com Deus Esta “peça” talvez tivesse tido mais
hipóteses de ser um grande sucesso, se terminasse no terceiro ato! Mas, a vida real,
não é assim; por vezes, acontecem coisas que nos levam a questionar Deus.
Contudo, a birra temperamental de Jonas, ainda, dá a Deus outra oportunidade para
demonstrar a sua paciência e o seu amor. Algumas pessoas acreditam que o Deus
do Antigo Testamento, não perdoa e é severo... apesar das evidências em contrário.
Até Jonas o sabia (4:2).
APLICAÇÃO: Alguma vez te sentiste desapontado com Deus? Porquê? O que
restaurou a tua confiança nele?
ORAÇÃO: “Mas eu, com hinos de gratidão, hei — de oferecer-te um sacrifício e

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cumprirei as minhas promessas. Só tu, SENHOR, podes livrar — nos do perigo” (Jonas 2:9).

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50 -- GRANDE É A TUA FIDELIDADE DATA:__________

ORAÇÃO: “Lembro-me dos tempos que passaram e penso em tudo o que me tens
feito; medito sobre todas as tuas obras” (Salmos 143:5). Obrigado, Senhor Deus, pelas
muitas coisas que me ensinaste acerca de ti no Antigo Testamento.
LEITURA: Malaquias 1—4
REFLEXÃO: O Livro de Malaquias é de leitura difícil. É uma exposição direta e
áspera, da cultura de infidelidade de Israel após o exílio. Depois de tudo o que Deus
tinha feito pelo povo, Israel, parece não ser capaz de resistir à tentação de seguir o
seu próprio caminho. (Para uma revisão rápida da história de Israel lê os Salmos 105 e
106).
Encontramos vários exemplos deste tema na leitura de hoje, mas, três deles têm
uma relevância particular. Primeiro, os Israelitas tinham-se tornado fingidos na sua
adoração (1:7-14). Isto é o que acontece, quando reduzimos o nosso relacionamento
com Deus a uma rotina religiosa. Cumprir apenas os rituais é ofensivo para Deus
(1:10), porque, demonstra que não estamos sintonizados com a verdadeira essência
da adoração (Deuteronómio 6:4-5).
Em segundo lugar, Malaquias destaca a falta de compromisso dos homens para
com as suas esposas (2:10-16). O profeta lembra-lhes da necessidade de guardarem,
tanto as suas ações como os seus espíritos (2:15; Mateus 5:27-30), um desafio,
especialmente, importante nos dias que correm, em que as oportunidades para pecar
estão à distância de um clique na Internet. Finalmente, Malaquias repreende,
intensamente, o povo pela sua infidelidade na área dos dízimos — “roubar”, é o nome
que Deus lhe dá (3:6-18). Palavras fortes. Mas, consideremos que hoje em dia,
apenas, uma dúzia e meia de cristãos dá o mínimo prescrito na Bíblia de dez por
cento do seu rendimento, à igreja local e muitos não dão quase nada — apenas os
trocos soltos na carteira! Malaquias termina com dois textos a alta voz, sobre “O Dia
do Senhor” (2:17-3:5; 4:1-6). Sejam o povo escolhido ou não, o pecado acaba sempre
por trazer condenação.
Ao chegarmos ao final do Antigo Testamento, temos de concluir que tem de
existir uma forma melhor para as pessoas se relacionarem com Deus. Não importa o
quanto tentemos, nunca conseguiremos resolver o problema do pecado por nós
próprios. Mas, espera mais um pouco. As Boas Novas estão a chegar.
APLICAÇÃO: O que pode enfraquecer a tua decisão de permanecer fiel a
Deus? O que te ajuda a amar a Deus com todo o teu coração, alma, forças e
entendimento?
ORAÇÃO: Senhor, tens sido tão fiel comigo. Quero mostrar a minha gratidão

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através da sinceridade da minha adoração e da integridade das minhas ações.

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OS PROFETAS:- REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 11 – A PALAVRA VIVA
Parabéns! Chegaste a meio do Essencial 100! Depois de 50 leituras no Antigo
Testamento estás preparado para te lançares no Novo Testamento. E, naturalmente,
o ponto central das próximas 50 leituras será uma pessoa — Jesus Cristo.
Deus tem vindo a cumprir o seu plano de salvação, desde que Adão e Eva lhe
desobedeceram no Jardim do Éden. Até agora, a maior parte desse plano envolvia o
povo de Israel, a nação Judaica. Vimos como Deus se revelou através de sinais e
maravilhas no Egito, através da Lei e, posteriormente, através da mensagem dos
profetas. Mas, ao terminarmos o Antigo Testamento, ficamos com a sensação de que
ainda faltava alguma coisa. O povo continuava a virar — lhe as costas. Não eram
capazes de endireitar as coisas com Deus por si próprios.
Foi por isso que Deus tomou a decisão dramática de enviar o seu próprio Filho,
Jesus Cristo, à terra. O que Deus tinha vindo a dizer ao povo, durante anos e anos, e
de várias maneiras dizia, agora, pessoalmente (Hebreus 1:1-3). É difícil de atenuar o
significado deste evento singular. Na verdade, a vinda de Jesus Cristo é o momento
mais marcante na história da humanidade.
Mas, isto acaba, também, por introduzir a questão mais importante de toda a
História, à qual, todos terão de responder: “Quem é Jesus?” (Lucas 9:18-27). Como
verás imediatamente, nas próximas cinco leituras, o Novo Testamento é muito claro
na resposta. Jesus é Deus em forma humana (João 1:14), o Messias prometido que
veio à terra para nos salvar dos nossos pecados (João 1:29-34).
É claro, que muitas pessoas não estão dispostas a aceitar o que a Bíblia ensina
acerca de Jesus. A resposta do escritor C.S. Lewis, no seu livro Mere Christianity
(Cristianismo Puro e Simples, Ed. Martins Fontes, Brasil) talvez seja a melhor resposta
para esse ponto de vista. Ele escreveu o seguinte:
Estou com isto, a tentar evitar que alguém diga o verdadeiro disparate que as
pessoas frequentemente dizem sobre Ele: “Estou pronto a aceitar Jesus como um
grande professor de moral, mas, não aceito a sua pretensão de ser Deus.” Esta é a
única coisa, que não devemos dizer. Um homem que fosse apenas um homem e
dissesse as coisas que Jesus disse, não seria um bom professor de moral. Seria
doido — ao mesmo nível de um homem que afirme ser um ovo escalfado — ou
então, seria o Diabo do Inferno. Têm de se decidir. Ou este homem era, e é, o Filho
de Deus, ou então era um doido ou algo pior. Podem tomá-Lo por louco, podem
cuspir-Lhe e matá-Lo como a um demónio; ou podem cair aos seus pés e chamá-Lo
de Senhor e Deus. Mas, deixemo-nos de paternalismo absurdos acerca de Ele ser
um grande professor humano. Ele não nos dá espaço para tal. Não era essa a sua
intenção. (Mere Christianity, MacMillan Publishing Company, 1943).

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51 -- NO PRINCÍPIO, OUTRA VEZ DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, queria encontrar o teu Filho, Jesus Cristo, hoje, de uma forma
nova e real.
LEITURA: João 1:1-18
REFLEXÃO:
“Ok... havia um homem chamado Jesus e estou a escrever-vos isto para vos
contar todas as coisas maravilhosas que ele fez.” Era desta forma que eu teria come-
çado o meu evangelho. Mas, João não. Ele começou bastante acima das nuvens
(1:1-5) — antes do tempo, antes da criação, antes de tudo.
A sua frase inaugural “No princípio...” (1:1), faz um paralelo com o primeiro
versículo do Génesis. João queria que soubéssemos que a vinda de Jesus era tão
importante como a criação do mundo: era, literalmente, o início de uma nova criação
(2 Coríntios 5:17). Ele usou uma expressão um tanto misteriosa, “a Palavra” (1:1),
para descrever Jesus. O facto, é que o que Deus tinha vindo a dizer à humanidade, à
distância de tantos anos — através da criação, dos sinais e maravilhas, através da Lei
e dos Profetas — agora dizia em pessoa. Jesus Cristo era o próprio Deus (1:1,14), a
Palavra viva. Se quiseres saber como Deus é, olha para Jesus.
O mais triste é que as pessoas daquele tempo, não perceberam! Não perce-
beram quem Jesus era verdadeiramente (1:5,10). Hoje em dia, isto ainda acontece.
Muitos aceitam-no como um homem bom ou um grande professor de moral, ou até
mesmo como um modelo único de formação de equipas ou de liderança. Mas, a
menos que o aceitemos, também, como Deus (1:14), é o mesmo que rejeitá-lo (1:11).
As Boas Novas são que Deus ama-nos e, através de Jesus, encontrou a forma
de fazer com que todas as pessoas possam ser seus filhos (1:12). O nosso relaciona-
mento com Deus já não está dependente de sacrifícios ou de guardarmos um
conjunto de leis, como vimos no Antigo Testamento (1:17a). Tudo o que Deus quer
que façamos é “receber” e “acreditar” em Jesus. Só, assim, podemos descobrir as
bênçãos incríveis que Deus nos quer dar (1:16-17) — sendo, a melhor de todas, o
relacionamento pessoal com ele por toda a eternidade. É isto o que desejas?
APLICAÇÃO: Podes dizer, honestamente, que já recebeste Jesus e que
acreditas nele?
ORAÇÃO: Pai, é desconcertante pensar que vieste a este mundo, porque,
desejavas ter um relacionamento comigo. Eu recebo e acredito em Jesus. Por favor,
aproxima-me de ti.

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52 -- SAUDAÇÕES!
DATA:__________

ORAÇÃO: “A minha alma celebra a grandeza do Senhor e o meu espírito se


alegrou em Deus, meu Salvador, porque ele olhou com amor para esta sua humilde
serva!” Lc 1:46-48
LEITURA: Lucas 1
REFLEXÃO: Isabel e Maria devem ter tido uma feliz reunião de família, quando
se encontraram (1:39-40). Não só, estavam ambas grávidas devido a circunstâncias
milagrosas, como se aperceberam, ambas, de que Deus as tinha escolhido para algo
especial. Deus, muitas vezes, usa pessoas improváveis para fazer o seu trabalho.
Podes sentir-te demasiado velho, como Isabel (1:18) ou demasiado insignificante,
como Maria (1:48). Mas, Deus é capaz de fazer coisas incríveis (1:37), através de
pessoas fiéis, que dependem dele humildemente (1:6,13, 50). Independentemente da
fase da vida em que estejas, Deus pode usar-te se desenvolveres estas qualidades.
Mas, quando Deus nos escolhe, devemos estar prontos para responder.
Compara a reação de Zacarias: “Como posso ter a certeza disso?” (1:18), com a de
Maria “Como é que isso pode ser?” (1:34). Maria acreditava que Deus era capaz de o
fazer; Zacarias não tinha tanta certeza. Ter fé, não significa que vais conseguir
compreender, exatamente, o que Deus está a fazer na tua vida. Muitas vezes, não
vais. Fé é, simplesmente, acreditar que Deus tem o poder de fazer qualquer coisa
(1:37) e depois comprometeres-te a fazer as coisas à sua maneira,
independentemente do que possa acontecer (1:38).
Por vezes, a vida de fé leva-nos por caminhos solitários. Podemos sentir-nos
desencorajados e questionar se alguém repara nas nossas tentativas de seguir Deus.
Mas, Gabriel abriu as cortinas do céu e deu-nos uma maravilhosa imagem do próprio
Deus a ouvir as nossas orações (1:13) e a registar as nossas tentativas de viver para
ele (1:28-30). Viver a vida cristã pode ser um desafio, mas nunca estamos sozinhos.
A principal função de Gabriel, era anunciar que Deus estava pronto a cumprir a
grande obra do plano de salvação (1:30-35). Temos vindo a seguir esse plano desde
que Adão e Eva pecaram pela primeira vez no Jardim do Éden. O que torna o Novo
Testamento interessante, é que Deus entra na história e faz, ele próprio, o plano
acontecer. Esta é a “grande história”.
APLICAÇÃO: Alguma vez te sentiste isolado ou desencorajado ao tentar seguir
a Deus? Quando e porquê? O que te faz sentir que Deus, afinal, importa-se?

101
ORAÇÃO: Pai, é verdade que, às vezes, não compreendo o que estás a fazer
na minha vida. Mas, acredito que tens o poder para fazer coisas incríveis através de
mim e estou pronto, se me quiseres usar hoje.

102
53 -- VERDADE EXTRAORDINÁRIA
DATA:__________

ORAÇÃO: “Eis dos anjos a harmonia, cantam glória ao novo rei!” Senhor, não importa
em que dia foi, mas estou grato pelo que fizeste por mim naquele primeiro Natal.
LEITURA: Lucas 2:1-40
REFLEXÃO:
Sempre que leio esta passagem, lembro-me do clássico programa especial de
Natal do Charlie Brown, em que o Linus entra num palco vazio, recita um excerto do
segundo capítulo de Lucas e termina a dizer, simplesmente, “O Natal é isto, Charlie
Brown.” A verdade, extraordinária, é que Deus veio à terra.
É incrível pensar, que o Salvador do mundo iria fazer a sua entrada desta forma:
um nascimento à pressa num estábulo (2:6-7). Não é assim que se obtêm bons níveis
de popularidade, ou reputação. Mas, Deus escolheu, intencionalmente, realizar este
grande milagre através de “pessoas invisíveis", como estes pais alarmados e uns
quantos pastores aterrorizados.
É um engano e um perigo, para nós, que vivemos no mundo ocidental, presumir
que Deus prefere usar estrelas da televisão ou pessoas proeminentes para cumprir o
seu propósito. Mesmo nas igrejas locais, por vezes, agimos como se Deus só
pudesse trabalhar através dos membros do ministério ou do clero. Deus tem,
certamente, dado aos pastores e a outros líderes cristãos uma chamada importante e
especial (1 Timóteo 3). Contudo, as igrejas mais saudáveis são aquelas que
encorajam todos os seus membros, independentemente da sua posição ou
capacidades naturais, a usarem os seus dons espirituais para o benefício de todos (1
Coríntios 12).
Vejamos o que aconteceu aos pastores. Provavelmente, vieram aos tropeções
diretamente dos campos para o estábulo, a cheirar a ovelhas e completamente
perplexos por, de repente, se verem no papel de embaixadores de Deus. O que
sabiam eles acerca da profecia ou dos planos de salvação de Deus? Tudo aquilo que
sabiam era que as suas vidas tinham sido mudadas, por um incrível tempo de louvor
(2:13-14) e pela oportunidade de conhecerem Jesus (2:15-16). Essa experiência
transformou-os em evangelistas eficazes com um poderoso impacto para Deus
(2:17). A Igreja é isto, Charlie Brown!
APLICAÇÃO: Podes dizer que Jesus transformou a tua vida? Porquê e como?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, eu louvo-te e adoro-te neste dia. Por favor, dá-me
coragem e capacidade para partilhar com os outros o que fizeste na minha vida.

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54 -- O MAIOR PROFETA DO MUNDO
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, por favor prepara o meu coração e a minha mente para
receber a tua palavra com alegria.
LEITURA: Lucas 3
REFLEXÃO:
João Baptista foi o profeta bíblico por excelência. Vivia no deserto (3:2), comia
alimentos naturais e usava roupas grosseiras (Mateus 3:4). Mas, o mais importante foi
que Deus lhe falou (3:2). Como descobrimos, através das leituras do Antigo
Testamento, Deus chamou os profetas para a dura tarefa de anunciar a sua men-
sagem, fosse de condenação ou de esperança.
Porém, João Baptista, ainda, tinha outra missão: preparar o caminho para o Mes-
sias (3:4). Como se viu, o “Ungido” era o seu primo, Jesus. João Baptista merece
crédito por reconhecer o trabalho de Deus num membro da sua família. Por vezes, é
difícil encorajar o crescimento espiritual nos nossos parentes mais próximos ou na
família alargada, porque “conhecemo-nos demasiado bem". Mas, os membros da
nossa família são as pessoas de quem estamos mais próximos na vida, e aqueles em
quem podemos ter uma maior influência espiritual.
João teve uma grande influência em Jesus. Repara, nos elementos principais da
sua mensagem — um chamado ao arrependimento e um desafio para produzir fruto,
preparando-se para a vinda do Cristo (3:7-14). Mais tarde, no seu próprio ministério,
Jesus pregou o famoso sermão dos “seis ais" (Lucas 11:37-54), muito ao estilo de
João Baptista, usando muitas das suas palavras e os temas da sua mensagem.
Jesus foi ao ponto de dizer, que João Baptista era o maior dos profetas (Lucas 7:24-
28).
No final, João dedicou a sua vida ao propósito superior de direcionar, humilde-
mente, as pessoas a Jesus (3:15-17; João 3:27-36). Podes não ser um profeta cheio
de garra ou um pregador intenso, mas, podes ter um grande impacto para Deus, ao
permitir que as tuas palavras e ações apontem os outros para Jesus.
APLICAÇÃO: Como podes influenciar os membros da tua família para as prio-
ridades de Deus? Algum dos padrões da tua família teria de ser alterado para isso
acontecer? De que forma a tua família influenciou a tua fé?
ORAÇÃO: Senhor Deus, por vezes sinto-me como “uma voz que clama do
deserto” Mas com a tua ajuda, vou defender-te na minha família, no meu trabalho e
na minha comunidade.

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55 -- NÃO NOS DEIXES CAIR EM TENTAÇÃO
DATA:__________

ORAÇÃO: Estou tão grato pelo teu amor, Pai. Alimenta-me da tua Palavra hoje
para que possa viver uma vida que te agrade.
LEITURA: Mateus 3:13—4:17
REFLEXÃO: Por que razão Jesus precisou de ser batizado por João? Ambos
sabiam que não era necessário. Afinal de contas, Jesus era o Filho de Deus sem
pecado. Assim, o batismo do arrependimento de João era desnecessário. A resposta
está na palavra “cumprir” (3:15). A missão de Jesus era carregar o pecado do mundo
— incluindo o teu e o meu — sobre si próprio (João 1:29). A sua vida na terra, foi
consagrada ao cumprimento desta missão e, como resultado, recebeu a afirmação do
seu Pai celestial (3:17).
Passar diretamente da comunhão íntima com Deus, para as armadilhas que
Satanás lhe tinha preparado no deserto (4:1), deve ter sido um choque para Jesus.
Mas, muitas vezes, o inimigo escolhe atacar, logo, após um tempo de crescimento
espiritual (ou mesmo durante). As tuas tentações podem não ser tão dramáticas
como as que Jesus enfrentou. Podem ser, simplesmente, uma troca de palavras
enraivecida com o teu cônjuge ou com colegas num momento de fraqueza, procurar
relacionamentos pouco saudáveis, quando estás cansado e carente ou, até,
orgulhares-te acerca do teu progresso espiritual. Mas, se estás a crescer no teu
relacionamento com Deus, tem cuidado! Satanás vai procurar confundir-te e
convencer-te de que não passas de uma fraude espiritual. Talvez tenha sido por essa
razão, que Jesus se afastou para orar, após períodos de atividade espiritual intensa
(Marcos 1:32-35).
É bom reparar no que Jesus fez para evitar as tentações de Satanás. Jesus
recorreu à Palavra de Deus, a Bíblia, todas as vezes. Isso deu-lhe as bases sólidas
necessárias para fazer as escolhas certas (4:4). O mesmo se aplica a nós, hoje.
Repara, que a Bíblia pode proteger-nos, tal como protegeu Jesus. Mas, também,
pode induzir-nos em erro se a usarmos mal, como Satanás tentou fazer (4:5-6). Por
isso, é importante fazer parte de uma igreja que seja centrada em Cristo e onde a
Bíblia seja ensinada. É muito mais fácil permanecer no caminho, quando temos de
prestar contas a uma comunidade fiel de amigos cristãos. Não tentes atravessar o
deserto sozinho.
APLICAÇÃO: Quando te sentes mais próximo de Deus? Quando estás mais
suscetível à tentação? O que podes fazer para te preparares para as tentações que
vais enfrentar esta semana?
ORAÇÃO: Senhor, perdoa-me pelas muitas vezes que cedi à tentação. Com o

105
auxílio da tua Palavra e do teu Espírito, quero agradar-te com as minhas palavras,
pensamentos e ações neste dia.

106
A PALAVRA VIVA: - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 12 – OS ENSINAMENTOS DE JESUS
Imagina que estavas vivo quando Jesus veio à terra, e que tinhas a oportunidade
de o ouvir ensinar. Talvez estivesses na encosta onde ele pregou o Sermão do
Monte, ou no meio da multidão, quando contou uma das suas parábolas profundas.
Agora, imagina que foste passar a noite a casa e, ao entrares, alguém da tua família
diz: “Então, o que é que ele tinha para dizer?” De que forma resumirias os
ensinamentos de Jesus?
Esta é a missão impossível que enfrentamos agora — captar a essência dos
ensinos de Jesus em cinco curtas leituras. Jesus estava sempre a ensinar, porque,
sabia que as suas ações falavam tão alto, senão mais, ainda, do que as suas
palavras.
Por exemplo, uma das leituras desta secção inclui “A Oração do Senhor”
(Mateus 6:9-13). Mas o ensino mais eficaz de Jesus sobre a oração, pode não ter sido
este modelo de oração em particular, mas sim, o seu estilo de vida de oração. Repara
no que instigou o interesse dos discípulos pela oração (Lucas 11:1a). Ao lermos os
Evangelhos, encontramos referências frequentes ao padrão de oração de Jesus
(Marcos 1:35).
Jesus praticava o que pregava, e isso foi um dos fatores que lhe deu credibili-
dade enquanto professor (Mateus 5:19b). Naturalmente, o fator principal era o facto
de ele ser Deus em forma humana. Os seus ouvintes, não perceberam isso. Mas,
quanto mais ensinava, mais eles se apercebiam de que ele era único (Mateus 7:28-
29).
As nossas leituras centram-se nas pregações e parábolas de Jesus. O Sermão
do Monte é, sem dúvida, o maior sermão alguma vez pregado. Jesus proferiu-o no
início do seu ministério, quando começava a chamar a atenção pública. Em vez de
palavras “agradáveis ao ouvido”, ele dava às multidões, uma dose completa de
ensinos morais e éticos, que convocavam as pessoas a viver um padrão de vida, o
mais elevado possível (Mateus 5:48). Jesus nunca “aligeirou” a sua mensagem.
Quanto às parábolas, Jesus sabia que contar histórias sobre coisas comuns e
situações familiares da vida, ia ajudá-lo a criar laços com os seus ouvintes. Também,
lhe permitia realçar a hipocrisia e o pecado dos líderes religiosos que se lhe opunham,
sem parecer demasiado hostil.
Como verás, a pregação e o contar de história combinados com um estilo de
vida consistente — era a fórmula sábia de Jesus transmitir a sua mensagem.

108
56 -- FELICIDADE RADICAL DATA:__________

ORAÇÃO: “Que as minhas palavras e os meus pensamentos sejam bem


aceites por ti, ó SENHOR, meu refúgio e meu libertador.” (Salmos 119:15)
LEITURA: Mateus 5:1—6:4
REFLEXÃO:
Hoje em dia, quando as pessoas pensam no Sermão do Monte, muitas vezes,
referem-se às “Bem-aventuranças”, por causa das nove afirmações que Jesus fez no
início desta passagem (5:1-12). “Bem-aventurança” significa "abençoado” ou, li-
teralmente, “feliz”. Por outras palavras, Jesus começa o melhor sermão do mundo a
definir o que é a verdadeira felicidade. Parece promissor.
O problema é que Jesus só falou de falhados — os pobres de espírito, os que
choram, os humildes e perseguidos. Ninguém quer andar com pessoas destas. Mas,
segundo Jesus, o caminho para a felicidade, passa por sair da nossa zona de
conforto e acolher os que estão em dificuldades. Jesus amou os abatidos e os
excluídos e, se quisermos ser seus seguidores, também teremos de o fazer.
Seguidamente, Jesus tocou noutro assunto delicado: influenciar os outros (5:13-
16). Hoje em dia, muitos pensam que a coisa mais importante na religião é mantê-la
privada. Para estas pessoas, a privacidade é mais importante do que a verdade. Mas,
Jesus desafiou os seus seguidores a serem como o sal — dando sabor e
preservando o mundo com o evangelho — e como a luz - demonstrando o evangelho
através das suas ações. Quando descobrires “o caminho, a verdade e a vida” (João
14:6), vai ser impossível mantê-lo escondido (5:14-15). Como disse Francisco de
Assis: “Preguem o evangelho sempre. Usem palavras quando for necessário."
Jesus continuou a abordar alguns assuntos mais complicados ainda — assassí-
nio, adultério, divórcio, vingança e outros (5:21-48). Em cada um dos casos, ele
referiu-se ao ensino da Lei (“Ouviram o que foi dito...”) e elevou a fasquia ao
concentrar-se na origem do problema: o coração (5:28). De nada serve seguir uma
lista de regras, se o coração não estiver comprometido com a motivação correta —
reconciliação, fidelidade, perdão e amor. Foram estas coisas que Jesus mais
valorizou.
APLICAÇÃO: O que te faz feliz? Que parte do Sermão do Monte pensas ser
mais desafiante? Porquê?
ORAÇÃO: Senhor, a busca da felicidade ocupa muito do meu tempo e energia.
Talvez até demasiado. Ajuda-me a ter as prioridades certas.

109
57 -- A AUDIÊNCIA DE UM DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor Deus, eu louvo-te e adoro-te por saberes tudo o que eu


necessito para este dia e por estares comprometido em me amares.
LEITURA: Mateus 6:5—7:29
REFLEXÃO:
É evidente que Jesus nunca frequentou um seminário ou uma escola bíblica. Se
o tivesse feito, teria começado o seu sermão com uma piada, depois, desenvolvia três
pontos essenciais e terminava com uma citação contundente. Mas, Jesus andava em
missão; tinha três curtos anos, para comunicar tudo o que o seu Pai celestial desejava
que ele dissesse ao mundo. E, depois disso, enfrentava a cruz. Por essa razão, os
seus sermões eram tão compactos.
Um dos ensinos mais importantes foi acerca da oração. O Pai-Nosso (6:9-15) é,
sem dúvida alguma, a oração mais famosa do mundo e combina duas perspetivas
que nos podem ajudar hoje em dia. Primeiro, quando oramos, olhamos para além de
nós mesmos, olhamos para Deus: a sua natureza, a sua santidade, o seu reino e o
seu perdão. Segundo, concentramo-nos nos assuntos do dia-a-dia: o alimento, o
perdão e a força para evitar a tentação. No mínimo, a oração envolve adoração e
petição. Se estas duas perspetivas não estiverem em equilíbrio, as nossas orações
tornam-se tendenciosas e, finalmente, pouco eficazes.
Mas, para Jesus, a oração não era apenas uma fórmula verbal. Era a extensão
natural de um estilo de vida centrado em fazer a vontade do Pai. Repara no número
de vezes que Jesus se refere ao “teu Pai” ou “vosso Pai”, na segunda metade deste
sermão (6:6, 8,18, 32, etc). Seja a falar acerca da oração, do jejum, do dar ou de
qualquer outra coisa, a questão é fazer todas as coisas tendo o nosso Deus Pai em
mente. Ou, como o escritor de “Os Guinness” disse, tocar para “a audiência de um”.
Quando isso se tornar o ponto central das nossas vidas, as preocupações com o
dinheiro, as posses, roupas ou comida, todas tomam o seu devido lugar (6:33).
Jesus concluiu o Sermão do Monte com mais alguns temas complicados: perdoa
se queres ser perdoado (6:14-15), não julgues os outros (7:1-6), tem cuidado com os
falsos profetas (7:15-20). Mas, guardou a sua palavra mais dura para o fim (7:21-23).
Há uma grande diferença entre sentirmo-nos bem e sermos “abençoados” (5:1-12).
APLICAÇÃO: O que pensas que Jesus diria hoje, às pessoas que andam no
centro comercial mais próximo de ti?
ORAÇÃO: Conclui o teu tempo devocional dizendo a oração do Pai-Nosso,
lentamente, parando para refletir no final de cada frase.

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58 -- DIA D PARA O PECADO DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, existem tantas coisas que impedem que a tua Palavra crie
raízes na minha vida. Ajuda-me a colocá-las, hoje, de parte para que possa receber a
tua Palavra.
LEITURA: Mateus 13
REFLEXÃO:
Na tempestuosa manhã de 6 de Junho de 1944, a Inglaterra e os seus aliados
iniciaram um esforço massivo para libertar a Europa das garras da Alemanha Nazi.
Com um elevado custo em vidas humanas, as Forças Aliadas invadiram as praias da
Normandia, em França, e durante o ano seguinte foram, gradualmente, reclamando o
território ocupado até derrotarem o regime inimigo.
O Dia D dá-nos a imagem perfeita do reino dos céus. Desde que Adão e Eva de-
sobedeceram a Deus no Jardim do Éden, o mundo tem estado sob a influência do
pecado. Mas, quando Jesus “invadiu” a terra deu-se o início do fim do império maligno
de Satanás. Os teólogos descrevem o reino dos céus como o “domínio da graça de
Deus no mundo”. Ao cumprir o seu ministério público, Jesus libertou mais e mais
pessoas do pecado e expandiu o seu reino na terra. Através da sua morte na cruz, ele
abriu o caminho para que todos entrem no seu reino.
Mas, para as pessoas daquele tempo, este conceito foi difícil de entender, razão
pela qual, Jesus usou tantas analogias comuns. Ao comparar o reino de Deus com
coisas, tais como, o fermento, um tesouro escondido, uma semente de mostarda ou
uma rede de pesca, Jesus pintou a imagem de algo, aparentemente, insignificante,
mas, que teria um impacto esmagador. É isso que acontece quando decidimos seguir
Jesus — no princípio parece um pequeno passo, mas, com o tempo, muda tudo na
nossa vida, agora, e na eternidade.
No entanto, temos de ter cuidado para que as nossas considerações acerca do
reino dos céus, não se tornem num mero exercício intelectual. Jesus desafiou os seus
ouvintes a “compreender com o coração” (13:15). Isto significa que permitimos que a
sua Palavra penetre e afete as nossas atitudes, motivações e ações. Os habitantes
do reino de Deus estão comprometidos a ser ouvintes, mas, também, praticantes da
sua Palavra (Tiago 1:22-25).
APLICAÇÃO: De que forma estar no reino de Deus tem mudado a tua vida? Ou
será que ainda tens de dar esse passo?
ORAÇÃO: Pai, obrigado por me convidares para o teu reino. Quero permitir que
a tua Palavra penetre mais profundamente no meu coração, para que possa produzir
fruto para ti.

111
59 -- AÇÃO INVULGAR DATA:__________

ORAÇÃO: Espírito Santo, convido-te a estares presente comigo, à medida que


exploro esta passagem.
LEITURA: Lucas 10:25-37
REFLEXÃO:
Esta passagem tem um significado especial para mim, uma vez, que a minha
igreja local se chama Igreja do Bom Samaritano. No hall de entrada do edifício temos
uma estátua de uma pessoa em tamanho real, a ajudar outra a levantar-se,
simbolizando, de forma comovente, esta parábola e o lema da nossa igreja: “Fazer
ações invulgares no nome de Jesus Cristo”.
À primeira vista, o homem, na história de Jesus, colocou uma questão pertinente
acerca da próxima vida (10:25). Mas, não ficou totalmente satisfeito com a resposta,
por isso, voltou a questionar Jesus para ter a certeza (10:29). Às vezes, também
temos a tendência de reduzir o amor generoso de Deus a uma simples fórmula. Mas,
não é assim que as coisas funcionam. Se o teu relacionamento com Deus está
excessivamente definido por uma lista do que podes ou não fazer, vai ser difícil seres
apaixonado na expressão do teu amor por Deus, ou alegre no serviço aos outros.
Jesus, também, não parece estar muito interessado nas “necessidades visíveis” do
homem. Indo ao cerne da questão, ele conta a já bem conhecida parábola, da qual,
pessoalmente, gostaria de realçar dois pontos.
Primeiro, o desprezado era o herói. Ninguém gostava ou respeitava os
Samaritanos, mas, Jesus diz que aquele homem rejeitado, intocável, compreendia e
expressava o amor de Deus melhor do que ninguém, incluindo os mestres da religião.
A fé cristã, nada tem a ver com ser-se muito instruído ou sempre perfeito, mas, sim,
com estarmos disponíveis para receber o amor e o perdão de Deus, e dispostos a
expressá-lo a quem nos rodeia.
Em segundo — e este é o ponto alto da história - o verdadeiro próximo foi a
pessoa que demonstrou misericórdia. A palavra “misericórdia” carrega consigo a ideia
de um sentimento de empatia e compaixão, bem como de ação em favor dos
desamparados. Um cristão que tem todas as respostas certas, mas que não mostra
misericórdia, não é uma testemunha eficaz de Deus (Lucas 6:36).
APLICAÇÃO: Quem necessita da tua misericórdia? Como a poderias expressar
hoje?
ORAÇÃO: Senhor Deus, obrigado por demonstrares uma misericórdia incrível
por mim. Hoje, com a tua ajuda, desejo fazer o mesmo por outras pessoas.

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60 -- PROPRIEDADE PERDIDA DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor Jesus, quero aproximar-me mais de ti. Por favor, dá-me um
entendimento mais profundo sobre o que te levou a morrer na cruz por mim.
LEITURA: Lucas 15
REFLEXÃO: Certa vez vi uma banda desenhada que mostravam dois
sacerdotes a deitar olhares fulminantes para um terceiro que, propositadamente,
avançava a passos largos por uma igreja apinhada de gente. O que estava a franzir a
testa, disse ao outro: “Sim, mas o que me faz ferver o sangue é a forma como ele
ganha almas!”
Facilmente, os líderes cristãos sentem o tipo de inveja profissional e snobismo
teológico que vemos na passagem de hoje (15:1-2). Mas nós, também, facilmente
descarrilamos, quando vemos a Igreja como um clube para aqueles que estão bem
na vida — ou pensam que estão. A imagem que Jesus usou para a igreja é mais pa-
recida com um “entreposto de perdidos e achados". Este é ponto fulcral das histórias
sobre a ovelha e a moeda perdidas (15:3-10). O motivo pelo qual Jesus veio foi
reclamar pessoas perdidas e desfeitas. Os Fariseus, simplesmente, não percebiam!
Nesta terceira história (15:11-32), Jesus dá-nos uma imagem do coração de
Deus — ele ama os pecadores e está à espera que voltem para ele. Seria de esperar
que o pai tivesse dado uma tareia no filho pródigo, ou pelo menos o repreendesse,
antes de o receber de volta. Mas, contrariamente ao que pensamos, Deus está muito
mais interessado no arrependimento do que no castigo. Na verdade, Jesus definiu o
verdadeiro arrependimento quando citou o irmão mais novo (15:17-19). É assim que
te sentes quando reconhece o teu pecado?
Temos de sentir pena do irmão mais velho, ressentido. Ele pensava que o amor
do pai devia de estar reservado, apenas, para os poucos que o merecessem —
especialmente ele. Mas, se Deus pensasse assim, ninguém seria salvo. A missão da
Igreja de Jesus Cristo, não é isolar as pessoas “boas", mas, sim receber e salvar as
pessoas “más”. E qual de nós se encaixa, realmente, na primeira categoria?
APLICAÇÃO: Pensa num momento em que te tenhas arrependido verdadei-
ramente. Como é que essa experiência te fez sentir em relação a Deus? Quem se
sente bem-vindo na tua igreja? Alguma vez cometeste o erro de tentar merecer o
amor de Deus?
ORAÇÃO: Pai, perdoa-me quando sou igual àquele irmão mais velho. Tens sido
tão generoso para mim com o teu amor. Ajuda-me a partilhar esse amor com as
pessoas em dificuldade à minha volta.

113
OS ENSINAMENTOS DE JESUS: - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 13 – OS MILAGRES DE JESUS

Antes, gostava muito dos filmes do Woody Allen. Ele é famoso por criar
co¬médias que retratam pessoas desajeitadas (com ele no papel principal), a lutar
com as questões da vida, da morte e de Deus. Num determinado filme, Allen disse de
forma sarcástica: “Se eu pudesse ver um milagre a sério, acreditava" Mas, descobri
que as personagens de Woody Allen, nunca acreditam — apenas procuram. Hoje em
dia, tenho dificuldade em ver os seus filmes, porque, questiono-me se, de facto, ele
deseja encontrar a resposta. Para mim, um beco sem saída não tem nada de humor.
Mas, como iremos descobrir nas próximas cinco leituras, ver não significa crer.
Jesus realizou todo o tipo de milagres. Curou coxos e cegos, andou sobre as águas e
mudou o estado do tempo, expulsou demónios e ressuscitou mortos. E, muitos
colocaram a sua fé e confiança nele. Mas, ver milagres, também, fez com que outros
se lhe opusessem, como os líderes religiosos. A verdade é que, se decidirmos não
acreditar, não há prova que nos faça mudar de ideias.
Josh McDowelI, autor e orador, é uma pessoa que se debateu, arduamente, com
as questões da vida, da morte e de Deus. Foi à procura de respostas, e tentou ser
honesto quanto às suas suposições. McDowelI decidiu provar, que Jesus não era
divino e que o Cristianismo era uma fraude. Pesquisou e analisou tudo quanto pôde e
reuniu grandes quantidades de informação. Mas, no fim, concluiu que a sua
suposição inicial estava errada. As provas apontavam para uma conclusão: Jesus
Cristo era quem afirmava ser — o Filho de Deus, Salvador e Senhor de todos.
No seu livro, A Evidência que Exige um Veredito, (Editora Candeia, Brasil)
McDowelI salienta que um filósofo famoso comparou a fé a um “salto no escuro".
Mas, depois de ter avaliado a informação de forma honesta, Josh McDowelI disse
que, para ele, ter fé em Jesus foi como um “salto para a luz”.
Jesus combinou os seus ensinamentos com milagres (Mateus 4:23) e instruiu os
seus discípulos a fazerem o mesmo (Lucas 9:1-2). Foi uma ligação poderosa, mas, o
maior milagre de todos foi quando ele voltou a viver, depois, de ter morrido na cruz
pelos nossos pecados. Esse foi o grandioso milagre, que legi¬timou tudo o que ele
disse e fez.

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61 -- COMER ATÉ FARTAR DATA:__________

ORAÇÃO: “Bendito Senhor, que fizeste com que as sagradas Escrituras fossem
escritas para o nosso ensino: permite que possamos ouvi-las, lê-las, marcá-las, aprendê-las
e digeri-las, interiormente, de forma sábia...” (O Livro de Oração Comum, Igreja Lusitana)

LEITURA: Lucas 9:1-36


REFLEXÃO: Qualquer político ou líder de jovens sabe qual o segredo para atrair
uma grande multidão: comida grátis! Jesus não era político, mas, o seu milagre da
multiplicação dos pães, que alimentou 5.000 homens (para não falar nos milhares de
mulheres e crianças que, certamente, estavam presentes) teve uma importância
tremenda, tanto para os discípulos como para nós.
Para compreender este milagre, na sua totalidade, temos de considerar o
contexto em que ocorreu. Como já descobrimos, Jesus tinha estado a pregar acerca
do reino dos céus (Mateus 13). Depois, envia os discípulos com a mesma mensagem
(9:1-2). “Já viram como eu faço — agora experimentem vocês.” Hoje em dia, há
pessoas que ficam ofendidas com a ideia de evangelismo. Mas, Jesus não pediu aos
seus seguidores que impusessem um conjunto de crenças pessoais aos outros.
Pediu, simplesmente, que curassem as pessoas e partilhassem as Boas Novas (9:6).
Quando os discípulos regressaram, Jesus levou-os à parte para ficarem a sós e
conversarem sobre o que tinha acontecido (9:10), um bom modelo para os que estão
envolvidos no ministério. Foi, então, que ele decidiu alimentar a multidão. Era bom
sabermos como tudo aconteceu. Será que caíram pães do céu? Será que o pão se
repôs, automaticamente, enquanto as pessoas se serviam? O texto só diz: “Todos
comeram até ficarem satisfeitos...” (9:17). Mas, o facto é que Jesus tinha dado aos
seus discípulos um símbolo inesquecível, daquilo que lhes tinha vindo a ensinar: que
o reino de Deus multiplica-se, à medida que vai sendo transmitido.
O milagre demonstrou, também, outra verdade importante: Jesus era, verdadei-
ramente, o Filho de Deus. Pedro compreendeu isto mais cedo do que todos os outros
(9:20). E, cerca de uma semana mais tarde, Deus confirmou-o a Pedro, João e Tiago
na sublime “experiência no monte” (9:28-36). Jesus não criou comida de forma
milagrosa para atrair a multidão. Fê-lo, antes, para confirmar uma mensagem
importante: “Eu sou Deus em carne. Estou aqui para estabelecer um reino que deve
crescer. Preciso que falem dele aos outros.”
APLICAÇÃO: O que pensas acerca de partilhar as Boas Novas de Deus com os
outros?
ORAÇÃO: Pai, tens-me dado tanto através do teu Filho, Jesus Cristo. Com a tua
ajuda, estou pronto a partilhar as Boas Novas com as outras pessoas.

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62 -- FÉ IMAGINATIVA DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor Deus, eu louvo-te e adoro-te por saberes tudo o que eu


necessito para este dia e por estares comprometido em me amares.
LEITURA: Mateus 14:22-36
REFLEXÃO: Há alguns anos atrás, estive envolvido numa situação que me
trouxe muito stress. O problema era tão grande, que julguei nunca mais me ver livre
dele. Quando estava mais em baixo, li esta passagem e colei uma cópia das palavras
de Jesus na parede, ao lado da minha secretária. Depois, sempre que sentia medo,
proclamava este versículo em voz alta: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo!”
(14:27). Foram precisos vários anos, mas Deus, maravilhosamente, resolveu o meu
problema.
Algumas pessoas agem como se o facto de serem Cristãos as isentasse dos
problemas da vida. Infelizmente, não é verdade. Mas, independentemente de quão
más as coisas se possam tornar, Deus nunca nos abandona. Se estivermos dis-
postos a estender-lhe a mão, o momento de crise pode tornar-se no momento de
mais íntima comunhão com Deus.
Muito tem sido dito, acerca da falta de fé de Pedro no lago (14:30-31), mas, a
mim, o que me impressiona é a sua capacidade de imaginação sob tamanha pressão.
Por vezes, a fé requer imaginação — disponibilidade para acreditar, que Deus pode
fazer coisas que parecem impossíveis (Mateus 19:26). Ao contrário de Pedro, eu
nunca teria imaginado que conseguiria andar sobre as águas; teria, certamente,
ficado dentro do barco. Deus não nos dará tudo o que desejamos. Mas podemos
confiar que ele providenciará tudo o que precisarmos, quando for necessário, se
permanecermos centrados nele.
Com todo o drama da tempestade, era fácil não reparar no que Jesus estava a
fazer, antes de andar sobre a água; estava a passar “tempo de qualidade” com o seu
Pai (14:23). O que gostas de fazer quando tens tempo para ti? Jesus podia ter
permitido que os primeiros sucessos lhe subissem à cabeça (14:13-21) ou podia ter
sido, facilmente, esmagado pelas pressões do ministério (14:22-36). Por essa razão,
necessitava de passar tempo sozinho em oração. Se Jesus precisava da oração para
se manter espiritualmente focado e renovado, nós, então, precisamos muito mais
APLICAÇÃO: Quais são os teus maiores problemas? O que te deixa receoso?
O que podes fazer para buscar a Deus no meio da tua tempestade?
ORAÇÃO: Senhor, sabes que existem alguns problemas na minha vida que eu
gostava que resolvesses. Mas, mais do que isso, quero experimentar ter-te comigo.
Esta é a minha oração hoje.

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63 -- PERCEBO O QUE QUERES DIZER! DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, “Abre os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei.”
(Salmos 119:18)
LEITURA: João 9
REFLEXÃO: Por vezes, as pessoas mais religiosas são as mais resistentes ao
trabalho genuíno de Deus. É o que vemos nesta passagem. Quando ouviram falar da
cura milagrosa de um homem cego (9:6-7), os líderes religiosos reagiram com
ceticismo. O problema, era estarem mais interessados nas suas regras do que na
veracidade do que Deus tinha feito (9:16).
O que leva pessoas boas a resistirem ao trabalho de Deus? Às vezes, é o medo
do desconhecido ou um desejo legítimo de evitar serem enganadas. Mas, se
sentimos resistência às coisas espirituais, apenas, porque não se encaixam na nossa
forma de pensar, temos de ter cuidado. Às vezes, a coisa mais honesta a dizer é: “Isto
está fora da minha experiência, mas estou aberto, ao quer que seja que Deus me
queira mostrar” (Atos 5:38-39). Este tipo de honestidade pode abrir a porta a uma
compreensão mais profunda de Deus.
Os discípulos tentaram analisar a situação do cego (9:1-2). Por vezes, o pecado
pode ser a causa da doença. Mas, Jesus lembra-nos que, muitas das vezes, existem
razões para que ele permita que aconteçam coisas, que não nos parecem tão óbvias
(9:3-5) e isto são boas notícias para aqueles que estão a passar por enfermidades ou
doenças graves. De que forma isso pode afetar a forma como oras pelas pessoas
que amas?
No meio de toda aquela argumentação, o homem cego teve a perceção mais
clara de todos. Repara na progressão da sua fé. Ele começou com uma
compreensão básica dos factos (9:11,25), formou uma opinião acerca de Jesus (9:17)
e, por fim, tomou a decisão de acreditar (9:38), apesar das consequências (9:34). Esta
é uma boa explicação de como nos tornamos Cristão. Jesus acolhe de braços
abertos, as questões difíceis de quem o busca com honestidade (9:35-37). Mas, já
não é tão paciente, assim, com aqueles que usam as suas dúvidas para evitar a
verdade (9:39-41).
APLICAÇÃO: Como esquematizarias o progresso da fé, na tua vida? Tens
algumas questões honestas acerca de Jesus? Quem te poderá ajudara encontrar as
respostas?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, obrigado por abrires os meus olhos para a verdade a
teu respeito. Ajuda-me a partilhar essa verdade com os outros, através das minhas
palavras e ações

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64 -- NO NOME DE JESUS
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, és poderoso, grandioso e estás acima de todas as coisas.


Contudo, conheces-me e amas-me. Obrigado!
LEITURA: Marcos 5:1-20
REFLEXÃO:
Sempre que vou a conduzir, e passo por uma loja de pornografia ou por um
centro de ciências paranormais, sinto-me mais consciente da realidade do mal.
Nessas alturas, costumo cantar uma música que a minha mãe me ensinou quando eu
era criança: “No nome de Jesus, pelo poder de Deus/ O inimigo foge, o inimigo foge.”
É a minha maneira de reclamar a proteção de Deus e anunciar a sua autoridade
sobre o mal.
Nesta passagem, o homem possuído por um demónio conhecia a realidade do
mal (5:1-5) que estava a destruir a sua vida. É essa a agenda de Satanás — capturar
e destruir a criação de Deus. Algumas pessoas pensam que o diabo é divertido. Mas,
o mal, não é uma brincadeira e estamos todos vulneráveis ao seu ataque (1 Pedro
5:8). No entanto, apesar dos seus poderes destrutivos, Satanás sabe quem é,
realmente, o mais poderoso. Quando Jesus veio à terra, Satanás foi derrotado e ele
sabe-o (5:6-7).
Era de esperar, que quando Jesus curou o homem possesso, as pessoas
aplaudissem. Acabaram-se os gritos durante a noite e o perigo para a comunidade.
Mas, em vez de contentes, ficaram assustadas (5:15). Porquê? Talvez estivessem
mais confortáveis com o status quo. “Oh, ele é mesmo assim.” Mas, Jesus quer trazer
um tipo de cura mais radical às nossas vidas: quer quebrar a nossa dependência do
pecado. E isso pode ser perturbador.
Jesus também deseja dar-nos poder para partilharmos as Boas Novas. Repara,
ele não gastou tempo a ensinar o homem liberto da possessão demoníaca. Não
precisava de o fazer. Tudo o que lhe disse foi: “Vai... e conta lá tudo o que o Senhor te
fez e como te tratou com misericórdia” (5:19). Uma vida mudada, ainda é a afirmação
mais clara e poderosa que existe do evangelho.
APLICAÇÃO: De que forma, se existir alguma, te tornaste dependente do pe-
cado? Como te poderás abrir para receber a cura radical de Deus na tua vida?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, convido-te a entrares naqueles lugares da minha vida
onde o inimigo ainda tem domínio. Por favor, liberta-me das correntes que me
prendem, para que te possa servir de todo o coração.

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65 -- HOMEM MORTO, VIVE DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, não gosto de pensar na morte. Mas, ao explorar a tua


palavra hoje, dá-me uma nova consciência de como venceste a morte e me
ofereceste vida nova.
LEITURA: João 11
REFLEXÃO: No que toca aos líderes religiosos, este milagre foi a gota de água
que fez transbordar o copo. Quando Jesus ressuscitou Lázaro, os chefes dos
sacerdotes e os Fariseus decidiram que tinham de matar Jesus (11:53). O que tornou
este milagre tão ameaçador para a instituição religiosa?
A resposta encontra-se na situação política. Os líderes temiam, toda e qualquer
coisa, que pudesse levar os Romanos a tirar-lhes os símbolos da sua identidade
nacional (11:48). Valorizar qualquer coisa acima do único e verdadeiro Deus —
mesmo coisas boas, como a igreja ou o nosso país — pode ter implicações
desastrosas. O nosso mundo está cheio de guerras, que são o resultado direto deste
mesmo erro.
Mas, Jesus não se interessava muito por política. Interessava-se mais pelas
pessoas. Uma característica que se destaca nesta passagem é a compaixão de
Jesus. Ele amava mesmo as pessoas (11:3, 5, 36). E como o seu amor teve impacto
em Marta! Num encontro prévio com Jesus, ela tinha-se destacado pela atitude
queixinhas e impertinente (Lucas 10:38-42). Agora, é a primeira a corresponder-lhe
(11:20). Ao contrário dos líderes religiosos, Marta colocou Jesus no centro da sua vida
e das suas prioridades.
Havia uma realidade mais profunda neste milagre. Jesus sabia que, ele próprio,
ia morrer e que Deus o devolveria à vida. Ao ressuscitar Lázaro, criou um símbolo
inesquecível da nova vida, da vida eterna, que ele ofereceria a todos os que cressem
nele (11:25-26). Ironicamente, foram os líderes religiosos que acabaram por realçar
isso, sem se aperceberem (11:50). Como é triste, que pessoas que se consideram
toda a vida “religiosas”, mesmo assim, não compreendam quem Jesus é. Marta,
também, não compreendeu tudo, mas, afirmou, com honestidade, aquilo que
compreendia (11:24) e, depois, confiou, ela mesma, o seu futuro a Jesus (11:27). É
tudo o que ele nos pede para fazer.
APLICAÇÃO: Há alguma coisa em Jesus que te faça sentir ameaçado? Existe
alguma coisa que ames mais, do que a ele?
ORAÇÃO: Sim, Senhor, eu acredito que tu és o Cristo, o Filho de Deus. E creio
que tu és a ressurreição e a vida. Obrigado por me ofereceres essa vida nova e
eterna.

120
OS MILAGRES DE JESUS: - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

121
Semana 14 – A CRUZ DE CRISTO

A cruz é, seguramente, o símbolo mais reconhecido e reproduzido da história da


humanidade. Não é apenas usado em contextos cristãos, tais como, igrejas e vitrais,
ou Bíblias e livros de oração, mas, tornou-se, também, popular em contextos
seculares, tais como, em jóias ou “amuletos” que se penduram no espelho dos carros.
O que torna a cruz tão importante?
Naturalmente, a principal razão é o facto de Jesus Cristo ter sido morto numa
cruz. Este acontecimento único foi, literalmente, o cruzar do tempo com a eternidade.
Foi na cruz que Jesus morreu pelos pecados do mundo, abrindo, assim, um caminho
para que todas as pessoas possam ter um relacionamento com Deus para sempre.
Mas, a popularidade da cruz tem, de certa forma, ofuscado o horror do seu uso
original. No tempo em que Jesus esteve na terra, os Romanos usavam a crucificação
como forma de punir criminosos ou humilhar inimigos do estado. De qualquer das
formas, era uma forma macabra de execução pública. As vítimas eram, geralmente,
primeiro chicoteadas e obrigadas a carregar a trave mestra até ao local da execução.
Depois, eram pregadas à trave, e esta, era içada num poste. A morte era um
processo lento e agonizante que, geralmente, ocorria devido à perda de sangue ou à
sufocação. Um símbolo moderno que capta algum do horror da cruz é a cadeira
eléctrica, apesar, de ninguém ter, ainda, considerado usá-la como peça de joalharia.
Jesus sabia, perfeitamente, o que o esperava (Lucas 9:18-22). E, apesar da sua
missão na terra ser, de facto, morrer na cruz, foi uma grande batalha (Marcos 14:32-
42). Mas, cumpriu-a — primeiro, porque era a vontade do Pai e, segundo, porque era
o único meio de saldar a dívida do pecado, de uma vez por todas. Sem a cruz não
poderia haver salvação.
Nunca foi intenção de Jesus que a cruz se transformasse numa tendência de
moda. Para ele, ela era o símbolo do compromisso total dos seus seguidores: “E
aquele que não quiser pegar na sua cruz e vir comigo, também não pode ser meu
discípulo.” (Lucas 14:27) — disse Jesus. E, como verás, no resto do Novo
Testamento, a Igreja primitiva compreendeu, perfeitamente, o seu significado
(Filipenses 2:5-11; Gálatas 2:20; Romanos 6:5-11).
As próximas cinco leituras vão levar-te ao coração do plano de salvação de Deus
— a “grande história”, que temos vindo a seguir através de Bíblia.

122
66 -- UMA REFEIÇÃO PARA RECORDAR
DATA:__________

ORAÇÃO: Jesus, és o pão da vida (João 6:25-40). Por favor, enquanto passo tempo
contigo hoje, satisfaz a minha fome de Deus.

LEITURA: Lucas 22:1-46


REFLEXÃO: Na pintura famosa intitulada O Sacramento da Última Ceia, o pintor
Salvador Dali, retrata o cenáculo como uma cena imaculada, surreal, quase de outro
mundo. Mas, quando lemos a passagem, cuidadosamente, vemos que a realidade foi
bastante mais terrena: uma sala emprestada, um jantar cozinhado por homens, muita
discussão à volta da mesa e uma pessoa com um segredo obscuro.
Por que Jesus se terá dado ao trabalho de organizar este estranho serão? Por
que não se escusou, simplesmente, de toda aquela discussão insignificante, para se ir
deitar mais cedo? A resposta pode ser encontrada numa só palavra: “cumprimento”
(22:16). Tudo o que a Lei e os sacrifícios tinham simbolizado, tudo o que os Profetas
tinham predito, tudo o que lemos no Antigo Testamento, apontava para o que estava
prestes a acontecer. Jesus estava ali para cumprir a missão que lhe fora dada pelo
seu Pai — morrer na cruz pelos pecados do mundo.
Esta era a mensagem que ele queria tornar simbólica para os seus seguidores,
com esta refeição. O pão ajuda-nos a lembrar o seu corpo (22:19), o facto de estar
prestes a ser “despedaçado” pelo pecado. E o vinho ajuda-nos a lembrar o seu
sangue (22:20), o facto, de estar prestes a fazer o derradeiro sacrifício, pelo perdão
dos pecados. A isto Jesus chamou de “nova aliança”, isto é, um novo acordo entre
Deus e as pessoas, que duraria para sempre.
No meio de tudo isto, Jesus destacou duas pessoas a quem daria uma atenção
especial. Apesar de Judas estar a preparar uma traição, Jesus deu-lhe várias
oportunidades para mudar de ideias (22:21-23; Mateus 26:20-25), as quais ele
ignorou. E, quando Pedro falou com o seu modo fanfarrão habitual (22:33), Jesus pôs
em ação a maior lição que Pedro haveria de receber na vida (22:34, 54-62; João
21:15-19). Durante esta refeição especial, apesar de Jesus ter o peso do mundo
sobre os seus ombros (22:39-46), ainda se preocupou com pessoas individuais —
incluindo tu e eu. Esta é a compaixão motivadora que o levou à cruz.
APLICAÇÃO: Em que pensas quando tomas a Ceia do Senhor /Comunhão na
tua igreja? De que coisas te “recordas” acerca de Jesus?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, jamais esquecerei o que fizeste por mim através do
teu corpo e do teu sangue. Estou muito grato por poder ter um relacionamento novo e
vivo contigo.

123
67 -- A GRANDE DECISÃO
DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, abre a minha mente e prepara o meu coração para que te possa
adorar “em espírito e em verdade”
LEITURA: João 18
REFLEXÃO: Algumas pessoas pensam que o que levou Judas a trair Jesus não
foi ódio ou ganância, mas, impaciência. Talvez Judas estivesse cansado de esperar
que Jesus agisse, por isso, tentou forçá-lo a lutar (18:1-3). “Usa o teu poder para
estabelecer um reino... agora!” Qualquer que tenha sido a motivação de Judas, as
coisas ficaram fora de controlo.
O julgamento que se seguiu, dificilmente, seria a promulgação de um processo
judicial adequado. Os líderes religiosos invalidaram todas as regras do direito, porque,
o veredicto já tinha sido, previamente, decidido (18:30-31). Isto é o que acontece
quando permitimos que o ódio nos domine. Se tiveres alguma situação por resolver
na tua vida, é bom ires ao fundo da questão, antes que os sentimentos de raiva e ódio
danifiquem o teu relacionamento com os outros e com Deus.
Pilatos pouco se importava com as regras do direito; apenas queria evitar pro-
blemas (18:29-35). Ao que parece, ele, também, não se importava muito com a
verdade (18:38). Para muitas pessoas, hoje, a certeza da verdade foi substituída por
uma estranha noção de “tolerância”, que diz: “O que é verdade para ti, pode não ser
verdade para mim.” Jesus rompeu esta forma de pensar com muita clareza: “Todos
os que vivem da verdade ouvem aquilo que eu digo” (18:37). Se não permanecermos
ligados à Palavra de Deus, ficaremos cada vez mais afastados da verdade. Por isso é
tão importante ler a Bíblia.
Quando se apercebeu, Pilatos tinha a decisão mais importante de todos os tem-
pos sobre os seus ombros — o que fazer com Jesus? Mais cedo ou mais tarde,
todos, individualmente, teremos de tomar a mesma decisão. O que é Jesus? Uma
fonte de ódio e frustração? Um conflito a ser evitado, ou será ele “o caminho, a
verdade e a vida” (João 14:6)? Pensa cuidadosamente, porque esta é a maior deci-
são que alguma vez vais tomar.
APLICAÇÃO: Acreditas que existe uma “verdade absoluta”? Como argumenta-
rias com aqueles que pensam de maneira diferente?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, quero estar do lado da tua verdade. Ajuda-me a
aumentar a minha capacidade para ouvir e a minha disponibilidade para obedecer à
tua voz.

124
68 -- PAGO NA TOTALIDADE!!!
DATA:__________

ORAÇÃO: Ó Deus, começo este tempo a sós contigo confessando os meus


pecados. Obrigado por estares disposto e seres capaz de me perdoar e limpar.
LEITURA: João 19
REFLEXÃO: O relato da crucificação descrito por João parece uma notícia de
última hora no título de um jornal; está cheio de pormenores importantes. Contudo,
não é um relato sensacionalista. Apenas, deixou que os factos falassem por si. É difícil
compreender a tortura que Jesus suportou na totalidade — as chicotadas, os
espinhos cravados no couro cabeludo, os murros na cara, os pregos a trespassar as
mãos e os pés, um golpe de espada à queima-roupa. Foi um assassínio macabro.
Mas, naqueles dias a crucificação era comum, por isso, esta, não deve ter feito as
primeiras páginas dos jornais.
Há um pormenor da história que é bastante explícito: os líderes religiosos
odiavam Jesus. Gritavam, pedindo a sua execução, eram como lobos em volta da
presa (19:6-16). É de admirar que ninguém lhes tenha perguntado: "Se é verdade que
ele não é o Filho de Deus, como dizem, por que estão tão preocupados com ele?" É
uma boa questão para colocar a quem se opõe veementemente a Jesus, hoje em dia.
Por fim, até Pilatos percebeu o que motivava os líderes religiosos, e no seu modo
débil respondeu-lhes, “ O que escrevi, escrevi” (19:22), como que a dizer, “Basta, já
chega!”
Porém, o significado da cruz vai para além dos factos históricos. Mesmo antes de
morrer, Jesus gritou: “Tudo está cumprido” (19:30). Noutras versões lemos: “Está
consumado” ou “Está acabado”. Alguns podem ter pensado que eram as últimas
palavras de um homem acabado. Mas no Grego, o significado literal da palavra que
Jesus usou era: “Pago na totalidade" — a mesma palavra que era carimbada numa
factura depois de paga. Em vez de um arfar moribundo, a última palavra de Jesus foi
um grito triunfante: “Eu paguei o preço total pelos pecados de todo o mundo para toda
a eternidade. A morte já não tem a última palavra. O reino das trevas foi derrotado.
Completei a minha missão. Está consumado!"
Um outro aspeto interessante no artigo de João é a história de Nicodemos
(19:39). No seu primeiro encontro, Nicodemos parece não ter correspondido a Jesus,
concretamente (João 3:1-21). Mas, ao pé da cruz, a verdade, finalmente, fez sentido e
este líder religioso afasta-se dos seus colegas enraivecidos e identifica-se publica-
mente como seguidor de Jesus. É aos pés da cruz que tudo, finalmente, faz sentido.
APLICAÇÃO: És um discípulo secreto? Porquê? Qual é o significado da cruz na
tua vida?

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ORAÇÃO: Senhor Jesus, agradeço-te por tudo o que passaste na cruz por
mim. Hoje e todos os dias, o meu desejo é identificar-me publicamente como teu
seguidor.

126
69 -- OS CRAVOS
DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, “o que eu desejo é conhecer Cristo e experimentar o poder da sua


ressurreição” (Filipenses 3:10). Abre o meu coração, ao ler hoje a tua Palavra.
LEITURA: João 20—21
REFLEXÃO:
A ressurreição de Jesus Cristo é o elemento de coesão central da fé Cristã. Se o
eliminarmos, como muitos têm tentado, tudo cai por terra. O apóstolo Paulo
compreendeu isso quando disse: “E se Cristo não ressuscitou, então a nossa pre-
gação é inútil e a vossa fé é inútil também” (1 Coríntios 15:14). Por isso, é importante
compreender o significado da ressurreição e é isso que as pessoas sobre quem
vamos ler na passagem de hoje, estão a ter dificuldade em fazer.
Maria Madalena foi a primeira a chegar ao túmulo (20:1). O seu amor por Jesus
era tão profundo, que ela nem se lembrou de avisar os outros sobre o que tinha
acontecido (20:10-17). Será que o teu amor por Jesus pode ser descrito desta forma?
João, também, tinha experimentado o amor de Jesus (João 13:23) e, correspondeu-
lhe sendo seu fiel seguidor. Mas, lá no fundo, ainda estava confuso (20:9). Alguma
vez te sentiste assim? Talvez frequentes a igreja há alguns anos, mas ainda te falte
alguma coisa. João teve a sua verdadeira experiência de conversão, quando tomou a
decisão de acreditar com base nas provas (20:8). Já tomaste uma decisão destas por
Jesus?
Tomé andava na corda bamba, entre a honestidade intelectual e a rejeição
egoísta: “Se eu não vir... não acredito” (20:25). Às vezes, o nosso orgulho pode
impedir — nos de compreender mais acerca de Deus. Felizmente, Tomé mudou de
atitude (20:28). Há alguma coisa a impedir-te de te tornares um seguidor de Cristo
totalmente comprometido? Quanto a Pedro, já não sabia se ainda era um seguidor de
Jesus ou não (Lucas 22:54-62). Mas, na praia, Jesus restaurou-o e deu-lhe uma nova
missão na vida (21:15-19).
Não há forma de dar a volta à situação: a ressurreição de Jesus Cristo é funda-
mental para a fé Cristã.
APLICAÇÃO:
Qual é a prova mais convincente da ressurreição de Jesus Cristo para ti?
ORAÇÃO:
Meu Deus, maravilho-me com o milagre do túmulo vazio. Obrigado por teres
vencido a batalha contra o pecado, a morte e o inferno... por mim.

127
70 -- ADEUS... POR AGORA
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, quero conhecer a tua realidade na minha vida. Estou mesmo
ansioso por te encontrar hoje.
LEITURA: Atos 1:1-11
REFLEXÃO: Jesus excedeu-se para provar que tinha ressuscitado dos mortos
(João 20:30-31; 21:25). Deixou um rasto de provas para que todos, incluindo eu e tu,
pudéssemos compreender o que ele fez na cruz e no túmulo. Porém, por estranho
que possa parecer, os discípulos ainda não tinham compreendido: ainda esperavam
ver surgir um reino político (1:6).
Às vezes, é difícil abrir mão das nossas próprias ideias e deixar que Deus
comece a trabalhar. Pode ser confuso e até doloroso, mas, até deixarmos os nossos
planos, não podemos experimentar os planos de Deus. Não restava muito tempo a
Jesus na terra, por isso, ele não o desperdiçou a corrigir os discípulos. Usou-o antes,
para comunicar duas realidades importantes sobre o seu reino, pela última vez.
A primeira chama-se poder. Era impossível aos discípulos cumprirem a missão
que Jesus estava prestes a dar-lhes, (Mateus 28:18-20) por si próprios. Eles neces-
sitavam da sua presença e poder — razão pela qual Jesus prometeu enviar-lhes o
Espírito Santo. Algumas pessoas, hoje em dia, enfatizam demasiado o Espírito Santo,
tornando-o quase mais importante do que Jesus. Outras parecem ter medo dele, e
agem como se ele já não trabalhasse entre nós. O ponto de partida, é que Jesus
disse que nós precisamos da ajuda do Espírito Santo e devemos estar ansiosos por
pedi-la.
A segunda realidade chama-se testemunho. O poder tinha como função comu-
nicar uma mensagem (1:8). Repara, que Jesus disse-lhes para esperarem (1:4). Por
vezes, esperar que Espírito Santo crie uma oportunidade para o ministério é difícil.
Mas, quando esperamos pela direção do Espírito Santo em oração, os verdadeiros
resultados surgem.
Não é possível, sequer, imaginar o que terá sido a ascensão de Jesus aos céus.
Sem dúvida, que deixou uma sensação inesquecível nos discípulos, e confirmou tudo
o que Jesus lhes tinha ensinado. O mais maravilhoso é que um dia, não vamos
precisar de imaginar mais. Vamos ver Jesus face a face (1:11).
APLICAÇÃO: O que significa para um Cristão viver “com o fim em mente”?
ORAÇÃO: Jesus, o teu nome é acima de todos os outros. Dobro os meus
joelhos e confesso que és o meu Senhor para sempre (Filipenses 2:9-11). Anseio
pelo dia em que te verei face a face.

128
A CRUZ DE CRISTO: - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 15 – O NASCIMENTO DA IGREJA

Atualmente, é possível encontrar um local onde se possa adorar a Deus,


(geralmente, uma igreja) em qualquer parte do mundo onde estejamos. Porém, a
pergunta que se põe, especialmente, nos países ocidentais é: estará lá alguém?
Como começou a Igreja e qual é o seu objetivo?
As próximas cinco leituras vão levar-nos ao começo da Igreja, para nos ajudar a
compreender as suas origens e propósito. Nas últimas leituras do capítulo anterior,
deixamos os discípulos num turbilhão de emoções, por causa da morte, ressurreição
e ascensão de Jesus. Não sabiam o que iria acontecer a seguir. Tudo o que Jesus
lhes disse antes de voltar para o céu foi, “Esperem” (Atos 1:4). Esperem? Esperem
por quê?
Jesus estava a preparar-se para enviar-lhes uma dádiva incrível, o Espírito
Santo, que foi “derramado” sobre todas as pessoas no dia de Pentecostes. Este
acontecimento, deu poder aos seguidores de Jesus, e desencadeou uma explosão
evangelística. Foi o nascimento da Igreja.
Então, o que é a Igreja? Algumas pessoas pensam, que a Igreja é uma
denominação especial ou um edifício. Alguns, agem como se a Igreja fosse uma
cadeia de clubes sociais para pessoas boas. A essência da Igreja é muito mais
profunda. A Igreja é, literalmente, a união de Jesus e de todos os que decidiram segui-
lo.
A missão da Igreja é partilhar as Boas Novas da salvação com todos os povos.
No início, isto não foi tão assim claro. Como Deus tinha desenvolvido um
relacionamento especial com o povo Judeu, muitos pensavam que a salvação era,
apenas, para eles. Mas Deus interveio no Pentecostes e abriu as portas de par em
par. O evangelho e a Igreja estão abertos a todos.
Assim que os seguidores de Jesus compreenderam isto, a Igreja começou a
crescer aos milhares de pessoas por dia. Foi um crescimento descontrolado, que nem
a oposição e a perseguição podiam parar. Na verdade, em vez disso, acabaram por
acelerar o seu crescimento.
Então, por que razão existem tantas igrejas quase vazias atualmente? Talvez
seja por terem perdido a visão da missão original da Igreja. O nosso desafio ao
estudar as próximas leituras é redescobrir essa missão.

130
71 -- UMA PRESENTE SURPRESA
DATA:__________

ORAÇÃO: Jesus, obrigado pela promessa de enviares o teu Espírito Santo.


Estou à espera e disponível para aquilo que me quiseres mostrar.
LEITURA: Atos 2
REFLEXÃO:
Como te sentirias se fosses um dos discípulos neste momento? Durante três
anos estiveste no centro da maior história do mundo. Ouviste Jesus pregar e viste os
seus milagres. Assististe à sua crucificação e testemunhaste a sua ressurreição e
ascensão. Mas agora que tudo acabou, como te sentes? O que será que vai
acontecer?
Os discípulos não eram capazes de responder a estas questões, por isso,
regressaram à sua rotina habitual (2:1), mas juntaram-se para adorar no dia de Pente-
costes (um festival de colheitas Judeu). Este é um bom conselho depois de uma crise
— juntar-se com outros cristãos e adorar a Deus. Às vezes, a única forma de se
conseguir tirar algum sentido para as coisas que nos acontecem na vida é esperar na
presença de Deus.
Neste caso, a espera dos discípulos levou a um avanço espiritual incrível — o
derramar do Espírito Santo (2:2-4). Porque o Espírito Santo é parte da Trindade (Pai,
Filho e Espírito Santo), tem estado presente e ativo desde o princípio do tempo
(Génesis 1:2). Mas no Pentecostes, foi “derramado” sobre todos os que crêem em
Jesus (2:38) e não apenas em algumas pessoas selecionadas. Quando o Espírito
Santo entrar na tua vida, nunca mais serás o mesmo.
Pedro é um excelente exemplo de como o Espírito Santo pode mudar comple-
tamente uma pessoa. Foi sempre uma pessoa do tipo impulsivo e isso causou-lhe
problemas no passado. Mas o Espírito Santo mudou Pedro, de um desertor impulsivo
para um líder persuasivo na Igreja recém nascida. Repara como o Espírito Santo
trabalhou. Deu a Pedro uma compreensão da Palavra de Deus, um profundo
entendimento do plano de Deus, coragem e poder invulgares, e ainda uma eficácia
sobrenatural no ministério (2:40-41). Estas são as características de uma pessoa que
cheia do Espírito Santo.
APLICAÇÃO: Tens experimentado a presença e o trabalho do Espírito Santo na
tua vida?
ORAÇÃO: Vem Espírito Santo, enche-me com o teu entendimento e poder para
que eu possa ser uma testemunha eficaz da realidade de Jesus Cristo.

131
72 -- UMA EQUIPA COMPLETAMENTE DIFERENTE
DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, quero deixar o meu passado para trás e começar a fazer parte
da tua equipa. Estou pronto para que me uses como desejares.
LEITURA: Atos 3:1—4:37
REFLEXÃO:
Já assististe a um evento desportivo, por exemplo um jogo de futebol, em que a
equipa não-favorita é castigada na primeira metade do jogo mas, na segunda metade
dá a volta ao resultado e vence? Foi isso que aconteceu com os discípulos na pas-
sagem de hoje. A “derrota” da cruz já era passado, o Espírito Santo tinha-os transfor-
mado numa equipa completamente diferente, destinada a mudar o rumo da história.
Pedro poderia ter pensado: “Jesus foi o capitão da equipa durante estes anos to-
dos, e eu apenas um seguidor. Agora, chegou a minha vez de brilhar.” Mas, Pedro
ainda se lembrava da conversa que Jesus tinha tido com eles “no intervalo”, anos
antes (Lucas 9:1-2), por isso, não perdeu tempo, e colocou a “tática” imediatamente
em ação. Capacitado pelo Espírito Santo, Pedro curou um coxo e pregou outro
sermão poderoso. E fê-lo humildemente, com os olhos postos em Jesus (3:6,11-26),
algo, que até os líderes religiosos reconheceram (4:13). Isto é o que acontece quando
deixamos o Espírito Santo capacitar-nos para partilharmos as Boas Novas.
Mas, nem todos estavam satisfeitos com o súbito regresso dos discípulos (4:1-7).
Na verdade, quando Deus começa a trabalhar na sua igreja, a oposição surge. Podes
contar com ela na tua vida e na tua igreja também. Mas a oposição não pode conter a
Igreja — na realidade, fá-la crescer (4:23-35), como muitos governantes anticristãos
têm descoberto recentemente. Quem faz parar a igreja são os Cristãos, quando não
se centram em Jesus, não testemunham da sua fé e não dependem do poder do
Espírito Santo.
Há quem pense que a coisa mais extraordinária na Igreja primitiva era a atitude
que tinha em relação ao dinheiro e às possessões (4:32-37). Era, sem dúvida, im-
pressionante e desafia o nosso compromisso para com o dar. Contudo, parece que
aquela disposição para a prática da “partilha radical” era resultado de uma
característica ainda mais impressionante: a união (4:32). Imagina o que a Igreja
poderia fazer, hoje, se fosse “una no coração e na mente"
APLICAÇÃO: Estará a Igreja, hoje, próxima de ser “una no coração e na
mente”? O que podes fazer para encorajar a união na tua própria igreja?

132
ORAÇÃO: Senhor, capacita-me “para pregar a tua mensagem com toda a
ousadia... e fazer sinais milagrosos e maravilhas, pelo nome do teu santo servo
Jesus” (Atos 4:29-30).

133
73 -- SEMENTES AO VENTO DATA:__________

ORAÇÃO: Jesus, ao começar o meu tempo contigo, quero confessar os meus


pecados e pedir-te perdão. Também te peço que me lembres as pessoas a quem
tenho de perdoar.
LEITURA: Atos 6:8—8:8
REFLEXÃO: Estêvão foi um grande líder da Igreja primitiva (6:5, 8), mas anulou
todas as regras dos pregadores convidados. O sermão ultrapassou, em muito, os
vinte minutos; o texto era demasiado extenso (ele tentou explicar a Bíblia toda) e a
conclusão continha algumas acusações pessoais, feitas a alto e bom som. Com este
tipo de mensagem, ninguém é convidado segunda vez.
Mas foi Deus quem deu esta mensagem a Estêvão, dirigida aos líderes religiosos
que, infelizmente, não estavam minimamente interessados. Uma coisa é certa, eles
ficaram mesmo muito zangados. Por vezes, as pessoas usam a raiva para esconder
uma luta interior com Deus. Se percebes que te zangas com muita frequência, talvez
valha a pena perguntares: “Será que Deus me está a querer dizer alguma coisa, que
eu tenho medo de ouvir?”
A outra razão, pela qual não estavam recetivos à mensagem de Estêvão, era
porque amavam a sua religião mais, do que amavam a Deus (6:13-14). Não há nada
de mal em apreciares a tua igreja e as suas tradições. Mas, é bom ter cuidado para
que não se tornem demasiado importantes para ti. Tem sido dito, muitas vezes, e
continua ser verdade: Jesus não veio para começar uma religião; veio para começar
um relacionamento... contigo.
Estêvão tornou-se no primeiro mártir da Igreja. O seu apedrejamento foi uma
expressão de ódio terrível (7:54-58). Contudo, até para este ato brutal Deus tinha um
propósito: espalhar a mensagem de salvação ainda mais (8:4). Naquele dia, a
perseguição que se seguiu foi como um tornado sobre um dente — de — leão; espa-
lhou sementes por todo o lado (8:1-3). Além disso, fez sobressair, também, um jovem
que vai ter uma exposição proeminente no resto do Novo Testamento (8:1, 3). Apesar
de ter levado o seu tempo, o raivoso Saulo acabou por se tomar no apóstolo Paulo,
um homem destinado a ser o maior evangelista da Igreja primitiva, depois, de ter tido
um encontro dramático com Jesus. Nunca devemos duvidar do poder de Deus para
mudar vidas.
APLICAÇÃO: Já foste perseguido por causa da tua fé? Como reagiste? Será a
ausência de perseguição uma indicação importante?
ORAÇÃO: Senhor, quero defender-te ousadamente, apesar, de às vezes me
sentir hesitante. Por favor dá-me coragem para agarrar todas as oportunidades para ti.

134
74 -- HERÓI DESCONHECIDO
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, obrigado pela Bíblia. Por favor ajuda-me a compreender e a


aplicar aquilo que vou aprender hoje.
LEITURA: Atos 8:26-40
REFLEXÃO: Filipe não foi um dos nomes grandes da Igreja primitiva.
Comparado com apóstolos como Pedro ou Paulo, o seu papel foi mais discreto.
Talvez te sintas, também, assim por vezes. Mas, o sucesso da Igreja, não depende
de celebridades. Depende de pessoas comuns, capacitadas pelo Espírito Santo para
se tornarem testemunhas extraordinárias de Jesus Cristo.
É o que lemos nesta passagem. Filipe seguia o seu caminho, quando um anjo
(8:26) e o Espírito (8:29), planearam uma oportunidade para que ele partilhasse as
Boas Novas. Nunca devemos perder de vista o facto, de que Deus já está a trabalhar
no mundo. A nossa função é estarmos sensíveis ao que ele está a fazer e dispostos a
deixá-lo usar-nos no momento certo.
Então, o que podemos aprender acerca de partilhar a nossa fé, eficazmente, a
partir do exemplo de Filipe? Primeiro, ele fez perguntas (8:39), não deu respostas. É
importante compreendermos aquilo pelo qual as pessoas estão a passar, antes de
oferecermos uma solução. A seguir, Filipe tomou tempo para explicar o que a Bíblia
dizia sobre Jesus (8:35). Hoje em dia, um dos melhores contextos para se fazer isto é
em pequenos grupos de estudo bíblico. Não admira, que tantas igrejas em
crescimento tenham dado ênfase aos pequenos grupos.
Mas, o mais importante acerca desta história é que Filipe estava disposto a agir,
mesmo sem saber porquê. Filipe não sabia o que iria encontrar ao dirigir-se para o
deserto (8:26). Apenas sabia que Deus queria que ele seguisse por aquela estrada e
que estivesse preparado. É fundamental, para quem deseja partilhar as Boas Novas
— ou fazer qualquer outra coisa de valor para Deus — estar disposto a ouvir e a
obedecer em quaisquer circunstâncias. Será que Deus está a impelir-te a fazer algo
que não faz muito sentido?
APLICAÇÃO: O que sentes em relação a partilhar a Tua fé? Como pode Deus
estar a trabalhar na vida dos teus amigos descrentes? Como fazer parte daquilo que
Deus já está a fazer?
ORAÇÃO: Pai, sei que estás a trabalhar à minha volta. Por favor, abre os meus
olhos para o que estás a fazer, e dá-me a coragem para responder de imediato.

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75 -- A COLIGAÇÃO ARCO-ÍRIS
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor Deus, mostra-me mais acerca do teu Filho Jesus..


LEITURA: Atos 10:1—11:18
REFLEXÃO:
Chegámos a um importante ponto de viragem na nossa viagem através da
“grande história” da Bíblia. Como vimos anteriormente, o plano de salvação de Deus
começou com Abraão (Génesis 12:1-9) e esteve inicialmente ligado à história do povo
Judeu. Agora, o círculo expande-se para incluir também os não-judeus (11:18). Pode
parecer estranho que esta parte específica da história tenha sido tão detalhada em
Atos. Mas, talvez tenha sido assim, para salientar a grande barreira que existia entre
Judeus e Gentios naqueles dias e, por conseguinte, o enorme passo que foi dado
para quebrá-la.
A passagem enfatiza, também, a intervenção ativa de Deus nos acontecimentos
humanos (10:3,17,19). Algumas pessoas pensam em Deus como um relojoeiro, e no
mundo, como o seu relógio. Deus criou o mundo, deu-lhe “corda” e, depois, deixou-o
seguir o seu destino. Mas, a Bíblia não ensina, apenas, que Deus criou o mundo, de
facto, ele intervém ativamente no que nele se passa. Em momentos importantes,
como este, Deus intervém para guiar os acontecimentos de acordo com o seu plano
de amor. Ele faz o mesmo na vida das pessoas, individualmente. Talvez possas olhar
para trás, e recordar situações da tua vida, em que percebeste existir algum tipo de
padrão divino.
O principal resultado deste encontro entre Pedro e Cornélio, foi a clarificação de
uma verdade fundamental acerca das Boas Novas de Deus: a salvação através de
Jesus Cristo é para todos, não apenas para um grupo selecionado de membros, O
reino dos céus é a derradeira “coligação arco-íris" O que não quer dizer, que a
entrada seja automática para todos. Está aberta a todos os que crêem em Jesus
Cristo (10:43) e que, por conseguinte, recebem o Espírito Santo (10:47). Hoje, o nosso
desafio é manter a Igreja tão inclusiva, quanto Deus intencionou que ela fosse.
APLICAÇÃO: Existem pessoas no teu mundo, que parecem estar fora do al-
cance do evangelho? O que fazer para construir uma ponte entre elas e as Boas
Novas?
ORAÇÃO: Perdoa-me Senhor, por manter as Boas novas só para mim. Estou
pronto e disposto a partilhá-las com quem tu quiseres.

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O NASCIMENTO DA IGREJA: - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 16 – AS VIAGENS DE PAULO
Tal como descobrimos nas últimas leituras, o Livro dos Atos conta como as Boas
Novas se espalharam pelo mundo, depois da ascensão de Jesus aos céus. É um dos
livros com mais ritmo e mais empolgantes da Bíblia. As nossas leituras cobrem,
apenas, os destaques, mas, vale a pena ler o livro todo.
A personagem principal em Atos é Paulo, que se auto descreveu como “o último
dos apóstolos" (1 Coríntios 15:9). Saulo, (o seu nome Judeu) era um jovem promissor
entre os Fariseus, um grupo muito tradicional e devoto de líderes Judaicos. Mas,
Paulo (o seu nome Romano), era cidadão Romano por nascimento, o que lhe dava
uma grande liberdade e privilégios na sociedade da altura. Como veremos, Deus
interveio dramaticamente na sua vida e usou estas duas características, para
transformá-lo no missionário mais eficaz que o mundo já conheceu.
As próximas cinco leituras seguem Paulo nas suas “viagens missionárias”.
Muitas Bíblias contêm mapas que assinalam o percurso destas viagens. Se puderes,
toma algum tempo para os examinar. Verás, que Paulo cobriu grandes extensões de
território, sobretudo, a pé, para além, de todo o tipo de dificuldades, que teve de
suportar. Vê como Paulo descreve as coisas por que passou:
Passei por mais trabalhos, prisões, perseguições e perigos de morte, muitas
vezes. Fui cinco vezes castigado pelos judeus com trinta e nove chicotadas. Fui três
vezes espancado e uma vez apedrejado. Naufraguei três vezes e passei uma noite e
um dia perdido no mar. Tive de fazer viagens sem conta, sofrendo perigos nos rios;
com ladrões, com os compatriotas, com os estrangeiros; perigos na cidade, no
deserto, no mar e mesmo entre os falsos irmãos. Tive de suportar trabalhos e
canseiras, muitas noites sem dormir, fome e sede, muitos dias sem comer, frio e falta
de roupa. E, além do mais, tenho de carregar diariamente com o peso das
preocupações de todas as igrejas (2 Coríntios 11:23-28).
Por que terá Paulo passado por tudo isto? Por duas razões. Primeiro, ele teve
um verdadeiro encontro com Jesus, e percebeu, imediatamente, que se Jesus Cristo
estava vivo, isso era a única coisa que importava realmente. Segundo, Paulo era o
“instrumento escolhido” por Deus para partilhar o evangelho e semear a Igreja pelo
mundo, até então, conhecido.
O grande evangelista Americano, Dwight L. Moody, certa vez disse: “O mundo
ainda está para ver, o que Deus pode fazer com um só homem, totalmente, dedicado
a ele.” Pode ser verdade, mas, se alguém esteve, alguma vez, perto deste objetivo foi,
seguramente, Paulo, como estás prestes a ver.

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76 -- A ÚNICA COISA QUE IMPORTA
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, creio que a tua palavra é “viva” e “poderosa” e estou pronto a
recebe-la na minha alma e no meu espírito (Hebreus 4:12).
LEITURA: Atos 9:1-31
REFLEXÃO:
Esta passagem descreve uma das histórias de transformação mais radicais de
toda a Bíblia. Literalmente, num abrir e fechar de olhos (9:3), Paulo deixa de planear
“ameaças de morte contra os discípulos do Senhor” (9:1), para passar a provar “que
Jesus era o Messias” (9:22). Como pode uma pessoa sofrer uma reviravolta destas?
A razão principal é ter sido escolhido por Deus (9:15). Tal como Deus chamou
Abraão, há séculos atrás (Génesis 12:1-3), agora, dá a Saulo uma missão especial.
Isto lembra-nos que ninguém está fora do alcance de Deus, e que ele é capaz de usar
as pessoas mais improváveis para a sua glória. Também nos lembra, que devemos
estar prontos para ser chamados por ele. Deus pode ter uma missão especial para ti.
A segunda razão é que Saulo teve um encontro com Jesus (9:3-6). É triste, mas,
há quem passe a vida inteira, envolvido em atividades religiosas, sem nunca chegar a
compreender a verdade acerca de Jesus. Mas, naquele caminho empoeirado, Saulo,
finalmente, compreendeu que, o simples facto de Jesus estar vivo, mudava tudo. As
Boas Novas têm uma forma de nos alcançar e mudar. Quando compreendemos
quem Jesus é realmente (9:5), as nossas suposições, a nossa direção, os nossos
amigos, os nossos objetivos mudam; a nossa vida muda para sempre. Como verás,
Saulo foi transformado no apóstolo Paulo e passou o resto da sua vida a construir a
Igreja.
Outra das razões que contribuiu para a reviravolta de Saulo foi a ajuda de outros
cristãos. Ananias, teve a coragem de o aceitar (9:17) e Barnabé, teve a sabedoria de
o ajudar a crescer na fé (9:27). Na maioria das vezes, os cristãos julgam as “arestas
por limar” dos novos crentes. Esse criticismo pode levá-los a esmorecer na fé e,
consequentemente, a abandonar a Igreja.
Talvez a última razão para a mudança de Saulo tenha sido a sua disposição para
responder a Jesus. Quando Saulo caiu do cavalo, perguntou: “Quem és tu, Senhor?”
(9:5). Quando compreendermos, realmente, a verdade acerca de Jesus, nada mais
importa.
APLICAÇÃO: De que forma o teu encontro com Jesus mudou a tua vida? Para
que missão especial podes estar a ser chamado hoje?

139
ORAÇÃO: Senhor Jesus, o facto de quereres ter um relacionamento pessoal
comigo enche-me de alegria. Se tiveres uma missão especial para mim, estou pronto.

140
77 -- PARTILHAR JESUS DATA:__________

ORAÇÃO: Deus, anseio por caminhar mais intimamente contigo. Mostra-me


como posso dar mais um passo em direção a ti, ao refletir, hoje, na tua Palavra.
LEITURA: Atos 13,14
REFLEXÃO:
Durante muitos anos fiz visitas prisionais. Organizávamos eventos evangelísticos
e estudos bíblicos para os reclusos. Por vezes, isso incomodava os guardas
prisionais. “Podem fazer reuniões para os que já são cristãos” - diziam-nos. “Mas não
queremos que nos convertam”. No mundo moderno, isto é uma grande ofensa. Mas,
tal como vemos na leitura de hoje, Deus comissionou Barnabé e Saulo para fazerem,
exatamente, isso (13:2; ver também Mateus 28:18-20). Podemos dar-lhe outro nome
mas, a missão da Igreja é partilhar as Boas Novas.
Apesar disso, não temos o direito de enfiar o evangelho pela garganta das
pessoas abaixo. Repara na diplomacia que Paulo usou ao longo desta mensagem
(13:16-43). Não se afastou das duras verdades do evangelho, mas apresentou-as de
uma forma que respeitava a sua audiência mista (13:26) e que enfatizava o que era
positivo (13:32, 38-39). Esta combinação produz resultados (13:42-44).
Contudo, também cria problemas. Ao longo desta empolgante viagem missioná-
ria, vemos um misto de resultados incríveis e oposição violenta. Paulo e Barnabé
estavam a roubar “tempo de antena” aos líderes religiosos, que ficaram com inveja
(13:45). Mas a oposição tinha um motivo, ainda, mais profundo (14:2). Tornar-se
cristão, não faz com que as pessoas fiquem com uma mentalidade fechada - mas,
recusar-se a ver a verdade, sim.
Mas, existiram, ainda, dois fatores que fizeram de Paulo uma testemunha tão
eficiente. O primeiro foi coragem (14:19-20). Podes nunca ter de enfrentar uma
multidão enraivecida por causa da tua fé, mas, provavelmente, terás de correr alguns
riscos. E, quando o fizeres, para além dos outros ouvirem as Boas Novas, vais ganhar
um relacionamento mais profundo com Deus. O segundo foi prestação de contas.
Pauto foi enviado pela Igreja e prestava-lhe contas do que tinha acontecido (13:1-3;
14:26-28). O propósito do evangelismo é edificar a Igreja de Cristo e não a nossa
reputação.
APLICAÇÃO: Que risco está Deus a pedir que corras para poderes partilhar as
Boas Novas com as outras pessoas?
ORAÇÃO: Senhor, não me sinto um bom “missionário”, mas estou disposto a
partilhar as Boas Novas com os outros. Por favor, dá-me a coragem para correr riscos
para ti, hoje.

141
78 -- PARA QUEM É A IGREJA?
DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, estou tão grato por poder estar na tua presença, por ter crido no
que Jesus fez através da sua morte e ressurreição.
LEITURA: Atos 15
REFLEXÃO:
Bill Hybels foi forçado a abandonar a sua posição de pastor de jovens, relati-
vamente cedo na sua carreira, porque os anciãos da igreja entenderam que ele
estava a atrair o “tipo errado de miúdos” para o grupo de jovens. Frustrado, Hybels
iniciou a Willow Creek Community Church. Intencionalmente planeada para atrair
descrentes, tornou-se numa das maiores igrejas na América.
O texto de hoje levanta o mesmo tipo de questão que Bill, enquanto pastor de
jovens: Para quem é a Igreja? No primeiro século, muitos pensavam que era apenas
para o povo Judeu (15:1) ou, pelo menos, para aqueles que adotassem os costumes
Judaicos. Mas, os primeiros Cristãos precisavam de compreender que a chave para o
plano de salvação de Deus, não estava na raça, mas, sim, na graça (15:11).
Naturalmente, a Igreja é, também, o lugar onde os Cristãos crescem na fé, mas, se
alguma vez deixar de atrair o “tipo errado de pessoas”, então, perdeu contacto com a
visão de Deus.
Outro ponto fascinante sobre esta passagem é perceber de que forma a Igreja
primitiva lidava com assuntos que causavam divisão. Repara, que quando o de-
sentendimento se tornou público (15:2), os opositores não recorreram ao “diz que
disse” ou a lutas internas. Em vez disso, uniram-se (15:2-4), ouviram todas as partes
(15:5-12), permaneceram sensíveis ao trabalho do Espírito Santo (15:8) e, finalmente,
aceitaram a decisão do líder (15:19). A Igreja atual devia adotar este modelo.
O capítulo termina com um pós-escrito triste, mas real. Depois de terem ar-
riscado, juntos, as suas vidas pelo evangelho, e evitado uma grande divisão na Igreja
emergente, Paulo e Barnabé não foram capazes de se entender em relação a um
assunto pessoal e separam-se (15:37-39; 13:13). Os desentendimentos entre
Cristãos acontecem, nessas alturas devemos buscar a sabedoria de Deus e o
conselho de outras pessoas para evitar divisões desnecessárias. Mas, quando tal não
for possível, Deus ainda pode fazer surgir coisas boas dos nossos fracassos. Neste
caso, o desentendimento duplicou o esforço missionário (15:39-41).
APLICAÇÃO: Que tipo de pessoas a tua igreja atrai? Porquê? Tens algum tipo
de desacordo com outro grupo de Cristãos? Como é que esta passagem te instrui?
ORAÇÃO: Espírito Santo, peço a tua direção para saber quando devo defender

142
aquilo em que acredito, e quando me devo conter para evitar divisões.

143
79 -- CONHECER A VONTADE DE DEUS DATA:__________

ORAÇÃO: Obrigado, Senhor, pelo exemplo de Paulo. Que eu possa ser tão
dedicado a ti como ele.
LEITURA: Atos 16—20
REFLEXÃO: "Irá Deus castigar-me se eu não conseguir levar a cabo o que ele
quer que eu faça? E se eu tentar e correr tudo mal?” Talvez já te tenhas sentido
assim, ao tomar uma decisão importante. Sem dúvida, que Paulo estava a buscar a
direção de Deus no início desta nova viagem missionária. Mas, como podemos
conhecer a vontade de Deus?
O ponto de partida, é esperar no Senhor (13:2-3). Para nós, é mais natural
delinear o caminho e depois pedir a Deus que o abençoe. Mas, isso pode trazer-nos
problemas. É muito melhor orar, jejuar, pedir conselhos e esperar que o Espírito Santo
nos guie. Isto, não quer dizer que devemos ficar parados. Repara que, no princípio,
Paulo pareceu não compreender qual era a vontade de Deus. Tentou ir para a Ásia,
depois para a Bitínia e, Deus impediu-o duas vezes (16:6, 9-10). Por fim. Deus abriu a
porta para a Macedónia. Quando tomamos tempo para buscar, seriamente, a vontade
de Deus, podemos caminhar em fé, mesmo que o caminho pareça, ainda, pouco
claro. Deus pode usar os desvios da nossa rota, para nos colocar onde ele quer.
Mas, a caminhada nem sempre vai ser fácil. Pensa em todas as coisas más que
aconteceram a Paulo e aos seus companheiros em cada uma destas cidades.
“Senhor, pensei que me tinhas dito para ir à Macedónia.” O mais curioso é que,
muitas vezes, o trabalho de Deus não aparenta ser bem sucedido. Isto deve-se ao
facto de ele usar as nossas fraquezas para concretizar os seus planos (2 Coríntios
12:9-10). Mas, independentemente, do que aconteceu — de bom ou de mau - Paulo
continuava focado na motivação correta para o ministério (20:24). Nós, também,
devemos fazer o mesmo.
Paulo usou estratégias diferentes, dependendo de quem estava a tentar
alcançar. Com os que estavam familiarizados com a Bíblia, falava “sobre a Sagrada
Escritura” (17:2), mas, com os outros, usava a arte e a cultura, de forma a criar pontos
de ligação para, depois, poder partilhar as Boas Novas (18:1-17). Esta é uma boa
estratégia, para qualquer pessoa que tente comunicar o evangelho no mundo pós-
moderno.
APLICAÇÃO: Como buscas a vontade de Deus? Deus já usou algum desvio na
tua vida, para concretizar a sua vontade em ti ou nas noutras pessoas?
ORAÇÃO: Pai Celestial, quando olho para trás, vejo como me tens guiado. Se
há uma nova direcção que desejas que eu tome, peço-te que me dês a coragem de

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avançar em fé.

145
80 -- S.O.S.!
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, a parte mais importante do meu dia é este tempo que passo
contigo. Tens toda a atenção da minha mente, do meu coração e das minhas
emoções.
LEITURA: Atos 25—28
REFLEXÃO: Que grande história! Paixões conflituosas, conspirações secretas,
tensões políticas, um trágico naufrágio — e um final, que deixa em aberto a
possibilidade de continuação. Parece um livro de suspense e é mesmo. O Livro dos
Atos é uma das melhores leituras da Bíblia.
À partida, parecia que a sequência de acontecimentos estava fora de controlo, e
que o derradeiro apelo de Paulo a César (25:11) tinha afundado o seu ministério. Mas,
sob o aparente desastre, Deus tinha um plano, tal como a corrente corre forte, sob
águas aparentemente calmas. Ele queria que Paulo pregasse o evangelho na cidade
mais poderosa do mundo e levou-o até lá, com o patrocínio das autoridades
Romanas. Se estás a viver algum tipo de desastre, neste momento, talvez seja bom
pedires a Deus que te ajude a ver o plano subjacente: “Senhor, o que me estás a
tentar dizer através desta situação difícil?"
No meio do caos aparente, havia duas coisas que mantinham Paulo firme. A pri-
meira era a sua concentração persistente, na missão que Deus lhe tinha dado (9:15).
Mesmo sob a pressão de ter de enfrentar o Rei Agripa, Paulo não pestanejou (26:20,
28-29). Não se importava que as pessoas pensassem que era louco. Tudo o que
queria era partilhar as Boas Novas. Podes tornar-te numa testemunha, incrivelmente,
eficaz quando deixares de te preocupar com o que as pessoas pensam a teu respeito.
A segunda era a intervenção do Espírito Santo. Deus alterou, milagrosamente, o
curso dos acontecimentos, diversas vezes (27:33-34,44; 28:1-10). Quando te vires
numa situação, em que a única forma de avançar é confiar em Deus, vais começar a
experimentar verdadeiramente, o poder do Espírito Santo na tua vida.
No fim, parece que o resultado do ministério de Paulo foi inconclusivo. Mas, na
verdade ele concretizou, exatamente, o que Deus desejava dele — pregar o
evangelho aos Gentios e aos Judeus e semear a Igreja de Jesus Cristo nas maiores
cidades do mundo, até então, conhecido. Bom trabalho, servo bom e fiel!
APLICAÇÃO: Qual é a missão que Deus te deu? Que significado tem para ti,
confiares nele nesta situação?
ORAÇÃO: Querido Senhor, Paulo é uma inspiração tremenda. Estou pronto a
aceitar qualquer missão que me queiras dar e peço a ajuda do Espírito Santo para a

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concretizar.

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AS VIAGENS DE PAULO: - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 17 – DE PAULO PARA AS IGREJAS

Tal como descobrimos ao ler o livro dos Atos, Paulo viajou por todo o Império
Romano a pregar o evangelho e a começar igrejas. Foi uma missão empolgante e
perigosa, mas, apesar de todas as dificuldades encontradas, ele foi eficaz.
Porém, o seu sucesso na plantação de igrejas criou um problema. Como manter
estas comunidades de novos crentes na direção certa, após a sua partida? A maioria
delas vivia em cidades pagãs, cheias de idolatria e imoralidade. Muitas das vezes,
Paulo só tinha oportunidade de pregar o essencial das Boas Novas, até ser corrido da
cidade, pelos seus inimigos. Havia muito mais a comunicar acerca do evangelho,
acerca da vida Cristã, da Igreja e de outros assuntos ainda.
Além dos inimigos, Pauto teve de enfrentar falsos profetas que andavam de um
lado para o outro a confundir as pessoas, tentando desacreditar a Pauto e ao seu
ministério. E, como se isso não bastasse, Paulo esteve preso muitas vezes ficando,
assim, impedido de fazer qualquer coisa, ainda que quisesse. Deve ter sido,
incrivelmente, frustrante e preocupante ver o trabalho de uma vida inteira a dissipar-se
perante os seus olhos. Mas, foi tudo isso que fez dele um escritor de cartas tão
diligente. Além da oração, escrever cartas, foi um ponto decisivo da sua estratégia de
fortalecimento e edificação da Igreja.
Nas próximas leituras, vamos analisar porções das cartas de Paulo a cinco
cidades diferentes — Roma, Galácia, Éfeso, Filipos e Colosso. Cada carta contém
conselhos diferentes e comentários apropriados às necessidades particulares de cada
local. Mas, as cartas contêm, também, temas fortes em comum, tais como as
imutáveis Boas Novas de Jesus.
Ao ler as cartas de Paulo podes perguntar: O que posso fazer para fortalecer e
encorajar os cristãos à minha volta? De certa forma, as circunstâncias que Paulo
estava a enfrentar eram muito diferentes das de hoje. Mas, por outro lado, são
surpreendentemente semelhantes. Pede a Deus que te mostre como te podes juntar
a Paulo na sua missão de edificar a Igreja.

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81 -- AMÉM, IRMÃO! DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, obrigado por enviares o teu Filho para morrer por mim e o teu
Espírito Santo para viver em mim. Quero que estes factos sejam as influências mais
importantes na minha vida.
LEITURA: Romanos 8
REFLEXÃO: Este capítulo faz-me lembrar os discursos do Dr. Martin Luther
King. Pauto começa lenta e metodicamente e vai ganhando força, gradualmente, até
que, no final, estamos todos de pé a gritar “Amém”! Para compreender esta
passagem de uma forma criativa, tenta tê-la em voz alta, imaginando que estás a
pregar para uma multidão.
Pauto inicia o seu “sermão” com a base do evangelho: Jesus Cristo venceu o
pecado e a morte e, depois, deu-nos um novo Espírito (8:1-4). Mas, não chega,
simplesmente, entender o evangelho; temos de permitir que afete, também, as
nossas ações. Pauto continua e lembra-nos que não existe meio-termo; ou somos
controlados pela nossa natureza pecaminosa ou somos controlados pelo Espírito
Santo (8:5-17). Se dás por ti, a lutar para viver como um cristão, talvez ainda não
tenhas, tomado uma decisão definitiva, acerca de quem é a influência que controla a
tua vida.
Nem sempre é fácil fazer esta escolha. A vida é complicada e muitas das situa-
ções são ambíguas. Mas, o Espírito Santo é capaz de nos guiar mesmo quando não
sabemos o que lhe pedir. Por vezes, aplico Romanos 8:26, literalmente. Quando me
sinto esmagado por uma situação oro: “Espírito Santo, não sei qual é a resposta, mas
gostaria de orar por...” e, depois, identifico a situação ou o nome da pessoa, várias
vezes, e espero em silêncio. Muitas vezes, sinto mais o poder de Deus nestas alturas,
do que se tivesse inventado uma “solução” para dizer a Deus.
Romanos 8:28, é um daqueles versículos que devemos, mesmo, memorizar.
Mas, repara, lá não diz que tudo vai ser bom, divertido ou correr bem na tua vida. A
experiência de Paulo não foi essa (8:18, 35). Mas, Deus vai usar tudo — até as coisas
más para teu benefício, se lhe pertenceres. Ser cristão não vai tornar a tua vida mais
fácil, mas, vai dar-te a certeza de que Deus, realmente, te ama e está no controlo da
tua vida. É isto que nos torna mais do que vencedores (8:37).
APLICAÇÃO: Quais são as influências que controlam a tua vida? Que signifi-
cado teria para ti, seres controlado pelo Espírito?
ORAÇÃO: Espírito Santo, existem tantas situações na minha vida e neste
mundo para as quais não tenho resposta. Mas, sei que estás no controlo. Por isso,
aqui estão algumas coisas pelas quais peço que ores por mim...

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82 -- DUAS LISTAS DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor Deus, a tua Palavra é uma dádiva incrível. Onde mais poderia eu
descobrir quem tu és e qual a tua vontade para a minha vida? Por favor, ajuda-me a ouvir o
que tens para me dizer hoje.
LEITURA: Gálatas 5:16—6:10
REFLEXÃO: Hoje em dia, as pessoas sentem-se desconfortáveis com
“verdades absolutas” — a ideia de que algumas coisas estão sempre certas e, outras,
sempre erradas. Para elas, a verdade é mais uma preferência pessoal: “O que é
verdade para ti pode não ser verdade para mim.”
Esta não era a perspetiva que Paulo tinha do mundo. Para ele, havia um
contraste nítido entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, como vemos nesta
passagem. Paulo começa, por dar uma imagem, clara, da natureza pecaminosa
(5:19-21). Não passes por cima da lista. Apesar de conter alguns pecados que,
geralmente, temos o cuidado de não cometer (idolatria, feitiçaria), contém outros, que
nos poderão atingir mais de perto (ciúme, inveja, ambição desmedida). Ironicamente,
a lista parece o resumo do enredo de muitos filmes e programas de televisão atuais.
Mas, a mensagem de Paulo diz-nos que a natureza pecaminosa não é nenhuma
brincadeira e tem consequências graves (5:21).
Em comparação, Paulo dá-nos uma segunda lista, à qual chama os “frutos do
Espírito” (5:22-23). São as qualidades que devemos cultivar nas nossas vidas. É
preciso tempo e trabalho, mas o esforço fiel para crescer em santidade, no final,
compensa. Esta lista, também, nos ensina a pensar acerca da vontade de Deus.
Quando tiveres de escolher, entre duas opções, aparentemente, boas, pergunta:
“Com qual das opções poderei desenvolver mais os frutos do Espírito?” Esta é uma
boa sugestão a seguir.
Mas, arrancar as ervas daninhas e cultivar o fruto na nossa vida, é trabalho duro,
por isso, Paulo sugere duas fontes de ajuda. A primeira, os amigos cristãos (6:1-5).
Mesmo conhecendo a diferença entre o certo e o errado, cometemos erros. É nessa
altura, que precisamos de amigos cristãos que nos ajudem a restaurar os pedaços da
nossa vida. A segunda é o Espírito Santo. Algumas pessoas sentem-se hesitantes
acerca do Espírito Santo. Pauto não. Ele diz-nos para vivermos “segundo o Espírito”
(5:16), para nos deixarmos “orientar pelo Espírito” (5:18) e para nos deixarmos “guiar
por ele” (5:25). O Espírito Santo é a ajuda de Deus para nós, hoje.
APLICAÇÃO: Consegue identificar algumas ervas daninhas que gostasses de
arrancar da tua vida? Que fruto gostarias de cultivar?
ORAÇÃO: Consegue identificar algumas ervas daninhas que gostasses de
arrancar da tua vida? Que fruto gostarias de cultivar?

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83 -- A LUTA DA TUA VIDA
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, louvo-te por quem és e agradeço-te pelo que tens feito na
minha vida. Abre os meus olhos para o que me desejas ensinar hoje.
LEITURA: Efésios 6:10-20
REFLEXÃO:
Por que razão as pessoas celebram o “Halloween” ou o “dia das bruxas”? Numa
sociedade tão empenhada em eliminar os símbolos religiosos dos locais públicos, por
que gastamos semanas, em cada Outono, a exibir símbolos, que muitos Cristãos e
outras pessoas acham ofensivos — bruxas, duendes, diabos, etc? O que há de tão
bom, no mal?
Paulo estava bastante consciente da realidade do mal. Mas, antes que
possamos compreender o que tinha em mente quando descreveu a “armadura de
Deus”, temos de entender por que precisamos dela. A vida na terra é uma verdadeira
batalha espiritual. O diabo é real; ele opõe-se a Deus e faz planos contra os filhos de
Deus (6:11-12). Vale a pena refletir na natureza desses planos. Por vezes, tomam a
forma de atividades que são obviamente malignas — a prática de ocultismo, o abuso
de drogas ou álcool, ou a promiscuidade. Outras vezes, são mais subtis — como o
orgulho, a ganância ou a inveja. De qualquer forma, o diabo usa estas coisas para
destruir o que Deus quer fazer nas nossas vidas.
Por isso, precisamos de proteção. O modo como a obtemos, é vestindo a arma-
dura de Deus — a verdade, a justiça, o evangelho, a fé, a salvação, a Palavra de
Deus e a oração (6:14-18). Estas, não são apenas palavras reconfortantes. São as
armas que Deus nos deu para sobreviver na batalha espiritual.
Repara que Paulo encoraja os seus leitores a serem pró-ativos. “Sejam fortes...
resistam... estejam vigilantes... orem (...), em união com o Espírito Santo.” Não importa
quem és, não importa, há quanto tempo és cristão, podes ter a certeza de que o diabo
vai atacar-te. O apóstolo Pedro foi ainda mais direto, ao dizer, que Satanás é como
um leão, procurando a quem devorar (1 Pedro 5:8). A melhor defesa contra o diabo é
vestir a armadura de Deus.
APLICAÇÃO: Estás consciente de que estás a participar numa batalha espiri-
tual? O que tens feito para vestir a armadura de Deus?
ORAÇÃO: Senhor, não tenho medo, porque, sei que já venceste a batalha e eu
pertenço-te. Mas, não me quero tornar complacente, por isso, peço a tua ajuda para
vestir a tua armadura para qualquer batalha, à qual me chames.

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84 -- DÁ UMA OPORTUNIDADE À PAZ
DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, a minha vida é tão stressante e desencorajante, por vezes.


Gostava muito de experimentar mais da tua paz e alegria neste dia.
LEITURA: Filipenses 4:2-9
REFLEXÃO: É interessante Paulo ter escrito este famoso trecho acerca da paz
de Deus, numa altura em que esteve preso (1:12-14,17) e havia uma tensão latente
entre várias pessoas na igreja (4:2-3). É possível experimentar paz, não apenas
quando as coisas correm bem, mas, também, no meio dos problemas da vida. Então,
de que forma, exatamente, é que Paulo diz que isto pode acontecer? Requer pelo
menos três decisões conscientes.
Alegra-te A primeira é a decisão de te alegrares — quer sintas disposição para
isso ou não (4:4). Isto, porque, o centro da nossa alegria é o Senhor e não as
circunstâncias. Louvamos a Deus por quem ele é e, não pelo que nos pode estar a
acontecer no momento. Certa vez, participei numa reunião em que vários cristãos se
juntaram, para discutir alguns assuntos complicados que ameaçavam dividir o grupo.
Reparei que um dos meus amigos estava, particularmente, feliz. Quando lhe
perguntei o porquê de tal felicidade, ele disse-me que, no intervalo, tinha dado uma
volta pelo perímetro do parque de estacionamento às escuras, louvando a Deus. Ele
estava alegre no meio da tensão.
Ora A segunda decisão é orar (4:6). Às vezes, ficamos tão dominados pelas
preocupações que nem conseguimos dormir. Se deres contigo, deitado na cama a
imaginar o pior que te pode acontecer na vida, levanta-te e ora. Pessoalmente, sinto
que, ajoelhar-me e derramar as minhas preocupações diante de Deus, ajuda imenso.
Depois, ainda de joelhos, levanto as mãos o mais alto que posso e louvo ao Senhor.
Descobri que estas “reuniões de oração”, a meio da noite, são os momentos em que
experimento mais daquela paz que “transcende todo o entendimento”. E, geralmente,
volto para a cama e adormeço logo!
Sê positivo A terceira decisão é centrar a nossa atenção em coisas positivas
(4:9). Por vezes, temos tantos problemas que o “ecrã” da nossa mente fica, completa-
mente, cheio. É, então, que devemos de pressionar o botão “minimizar” sobre as
preocupações e abrir alguns “separadores” novos no “ecrã”, que nos lembrem a di-
vindade de Deus. Alegra-te, ora, minimiza. É assim que se troca a ansiedade pela
paz.
APLICAÇÃO: Faz uma lista das coisas que hoje te preocupam. Agora, faz uma
lista das coisas pelas quais podes louvar a Deus.

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ORAÇÃO: Senhor, entrego-te as minhas ansiedades e preocupações, apesar,
de já saberes quais são. E alegro-me, porque, tens um plano para a minha vida e
nada me pode separar do teu amor.

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85 -- E OS QUE SE AFASTAM?
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor Deus, peço que me enchas com o conhecimento da tua


vontade, para que eu possa produzir frutos e viver uma vida que te agrade.
LEITURA: Colossenses 1:1-23
REFLEXÃO:
Talvez conheças um amigo ou membro da família, que já foi um cristão compro-
metido mas, cujo entusiasmo foi diminuindo, ao longo do tempo, a ponto, de pôr em
causa esse compromisso. Como podemos encorajar os cristãos que se estão a
afastar da fé? Era este o desafio que o apóstolo Paulo enfrentava, quando escreveu a
carta aos Colossenses.
Paulo começou por enfatizar o lado positivo (1:3-6). O crescimento em Cristo,
nem sempre é uma linha reta. Às vezes, ao compromisso inicial segue-se um
contratempo. Em vez de repreender os Colossenses, Paulo louvou o seu bom
começo e lembrou-os da influência positiva que tiveram sobre outras pessoas.
Também, lhes garantiu que orava por eles (1:9-14). Os novos crentes precisam de
encorajamento e oração, não de críticas.
Mas os Colossenses corriam o risco de descarrilar, pois, estavam a acrescentar
coisas ao evangelho. Alguns até pensavam, que tinham de seguir as leis Judaicas
para serem cristãos, Paulo corrigiu estes mal-entendidos, voltando ao ponto central
do evangelho: Jesus Cristo. Escolheu cada frase da sua afirmação, cuidadosamente,
redigida, (1:15-20) para comunicar as verdades importantes acerca de Jesus. Agora,
estavam prontos para ouvir as Boas Novas, e Paulo entregou-as de forma compacta
(1:21-23).
A estratégia de Paulo para ajudar os Colossenses dá-nos um bom exemplo. Na
maioria das vezes, esperamos que os novos crentes sejam perfeitos e criticamo-los,
assim que falham. “Estão a ver, eu sabia que ele não era verdadeiro.” Precisamos de
orar por qualquer pessoa que se tenha afastado da fé, para que volte a centrar-se em
Jesus Cristo, e precisamos de reconhecer que Deus é quem conhece os corações
das pessoas — nós, não.
APLICAÇÃO: Conheces alguém que se tenha afastado? O que podes fazer
esta semana, para o encorajar na sua fé? Como o poderás ajudar a voltar a centrar-
se em Jesus Cristo?
ORAÇÃO: Jesus, obrigado por me reconciliares com Deus. Mantém-me perto.

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DE PAULO PARA AS IGREJAS: - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 18 – DE PAULO PARA OS LÍDERES

Segundo o autor J. Robert Clinton, “A liderança é um processo dinâmico, no


qual, um homem ou mulher com capacidades dadas por Deus, influencia um grupo
específico de pessoas de Deus, em direção aos propósitos de Deus para o grupo”,
(Etapas na Vida de um Líder, Editora Descoberta, Brasil). Uma das tarefas mais
importantes de um líder cristão é preparar novos líderes e delegar. Na verdade, a
melhor forma de testar o nível de influência dos líderes cristãos, é perguntar-lhes, se
são capazes de deixar o seu ministério —seja uma grande organização ou uma
pequena classe de Escola Dominical — em boas mãos.
Depois de muitos anos a pregar o evangelho e a plantar igrejas, o ministério ativo
de Paulo estava prestes a terminar (2 Timóteo 4:6-7). Paulo percebeu, que o seu
último desafio era encontrar a próxima geração de líderes para a Igreja.
Inclusivamente, resumiu a sua estratégia de desenvolvimento de liderança, numa
carta ao seu ajudante Timóteo: “E o que ouviste de mim, diante de muitas
testemunhas, transmite-o a pessoas de confiança que sejam capazes de o ensinar a
outros.” (2 Timóteo 2:2). Para Pauto, o futuro da Igreja tinha a ver com encontrar as
pessoas certas.
Nas próximas cinco leituras, vemos Paulo escrever, para instruir e encorajar os
líderes da Igreja primitiva, principalmente, Timóteo. Ele estabelece uma descrição de
funções, para os líderes das igrejas, avisa-os acerca das dificuldades da liderança,
clarifica alguns assuntos essenciais e enfatiza a importância dos dois fundamentos da
liderança Cristã: o evangelho e a Palavra de Deus.
Estas leituras, também, nos dão uma perspetiva das dificuldades da Igreja do
primeiro século. Uma coisa é certa; a igreja crescia, apesar, da perseguição. Como
vimos no Livro dos Atos, Deus, por vezes, usa a perseguição para fazer crescer o seu
reino. Mas, a Igreja, também, se debatia com lutas internas, por causa dos falsos
mestres. Perante ambas as situações, percebe-se, claramente, que Paulo considera
ser a última, a que ameaçava mais, seriamente, o crescimento da Igreja. Ainda hoje,
assim é. Paulo enfrenta ambos os desafios, com uma combinação de incentivo e
correção aos líderes.
Talvez não te vejas como líder. Mas, se refletires na definição de liderança cristã
acima mencionada, talvez queiras reconsiderar. Todos, incluindo tu, podem influenciar
outras pessoas para os propósitos de Deus. Se isto for verdade, o apóstolo Paulo tem
alguns conselhos bons para ti, como vais descobrir já de seguida.

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86 -- OS HÁBITOS DOS LÍDERES ALTAMENTE EFICAZES DATA:_____

ORAÇÃO: Senhor, quero crescer na minha caminhada contigo. Estou pronto a


ser moldado pela tua Palavra hoje.
LEITURA: 1 Timóteo 3
REFLEXÃO: O sucesso causa problemas. Era o que Paulo sentia ao escrever
esta carta a Timóteo, o seu ajudante. Apesar, da oposição e das provações, as
viagens missionárias de Paulo eram, incrivelmente, bem sucedidas. Surgiam igrejas
por todos os lados. Mas, quem as iria liderar?
Quem já fez parte de uma organização em crescimento sabe, que uma boa li-
derança é essencial. Jesus sabia-o e fez do ensino prático de líderes, uma das suas
principais prioridades (Lucas 6:12-16; 9:1-6; 10:1-17). Agora, Paulo enfrentava o
mesmo desafio. Para manter o sucesso na plantação de igrejas, para além do seu
tempo de vida, era preciso encontrar uma nova geração de líderes. Mas como?
Paulo começou por elevar bastante a fasquia, estabelecendo uma “descrição de
tarefas” (3:2-13). Estes, são bons objetivos para se trabalhar, quer penses em ti como
líder na tua igreja ou não. Repara, que as listas equilibram características pessoais,
assuntos familiares e uma boa reputação exterior. Um líder cristão é uma pessoa
equilibrada e, não apenas, um bom orador.
Hoje em dia, as pessoas, por vezes, agem como se os líderes fossem a parte
mais importante da Igreja. Ao fazê-lo, perdem a noção de um princípio mais impor-
tante. A Igreja não pertence aos líderes, pertence a Deus (3:15). Ele é o líder por
excelência. Os líderes servem-no, ao servirem os outros. Qualquer pessoa, que
aspire a um cargo de liderança na Igreja, deve acrescentar mais uma qualidade à
lista: humildade.
Mas, de facto, se um dos objetivos da Igreja é crescer, então, precisa de uma
liderança de qualidade. O que, não quer dizer, que tenha de ter o maior pregador ou
plantador de igrejas do mundo. A Igreja precisa de uma liderança sólida a todos os
níveis — professores de Escola Dominical, líderes de projectos evangelísticos, líderes
de grupos familiares, etc. Sendo assim, talvez devas começar a desenvolver as tuas
qualidades de liderança agora mesmo. Deus pode chamar-te em breve.
APLICAÇÃO: O que podes fazer para desenvolver as tuas capacidades de lide-
rança? Como começar a usar essas capacidades na tua igreja?
ORAÇÃO: Senhor, sabes que ainda estou a crescer em muitas áreas. Mas
estou disposto a usar as capacidades que me deste, na tua Igreja. Se me chamares
para a liderança, eu vou.

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87 -- MOSTRA-ME O DINHEIRO DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor Jesus, ofereceste-me uma “pérola de muito valor” (Mateus


13:44-46). Valorizo o meu relacionamento contigo mais do que qualquer outra coisa.
LEITURA: 1 Timóteo 6:3-21
REFLEXÃO: Certa vez ouvi um recluso descrever o objetivo da sua vida antes
de ser preso: “Tudo o que eu queria era mais, e mais, daquelas notinhas de dez e de
vinte.” Podemos não manifestar o nosso interesse por dinheiro com esta franqueza,
mas, a verdade, é que este exerce uma influência poderosa na nossa vida. Paulo
sabia-o, por isso, fez questão de explicar três “princípios financeiros” importantes aos
cristãos, na sua carta a Timóteo.
O amor ao dinheiro conduz ao mal (6:10) Ter dinheiro não é mau, mas amá-lo, é.
Contudo, o que significa “amar” o dinheiro? Quando amamos uma pessoa pensamos
nela constantemente, tomamos decisões com ela em mente, dedicamos-lhe grande
parte do nosso tempo. Será que isto descreve o teu relacionamento com o dinheiro?
Se sim, cuidado!
A ganância produz conflitos (6:3-5) Sabemos que o dinheiro se tornou
demasiado importante, quando começa a contaminar outras áreas da nossa vida. Na
Igreja primitiva, a ganância de alguns líderes, enfraqueceu o seu compromisso com o
ensino sólido e profundo, o que produziu inveja, conflitos, conversas maliciosas,
suspeições malignas e constante fricção. Ainda hoje, o dinheiro está na base de
muitos conflitos nas igrejas.
O caráter divino produz contentamento (6:6) Algumas pessoas pensam que ter
muito dinheiro as fará mais felizes. Mas, na maioria das vezes, o dinheiro acaba,
apenas, por torná-las, mais insaciáveis. Perguntaram a John D. Rockefeller, um dos
homens mais ricos do mundo: “Quanto é suficiente?”, ao que ele respondeu: “Só mais
um pouco”. O segredo da felicidade, não é correr atrás de mais dinheiro; mas buscar
os objetivos e os valores do reino de Deus e, depois, deixar que as moedas caiam
onde tiverem de cair (Mateus 6:33).
Mas, devemos ter cuidado para não concluir que, só porque o dinheiro e as pos-
sessões têm uma influência poderosa, são coisas más. Paulo reconheceu que alguns
cristãos podem ser ricos (6:17). Ainda assim, ordenou-lhes que fizessem de Deus a
sua principal prioridade, praticassem boas obras e partilhassem os seus recursos.
Este é um desafio que nós, no Ocidente, precisamos de abraçar
APLICAÇÃO: Diz-se, muitas vezes, que podemos conhecer muito sobre alguém,
se analisarmos a sua conta bancária. O que é que a tua diz a teu respeito?

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ORAÇÃO: Senhor, obrigado pela forma como me abençoas, com bens ma-
teriais. Por favor, ajuda-me a ter mais paixão para te servir do que para gastar
dinheiro.

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88 -- MAIS DO QUE UM AMIGO
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, há momentos na minha vida em fico cansado e desgastado,


tanto física como espiritualmente. Por favor, renova a minha paixão por te conhecer e
o meu desejo por te servir, enquanto leio a tua Palavra, hoje.
LEITURA: 2 Timóteo 2
REFLEXÃO:
Ter um mentor tornou-se importante nos dias que correm. Os investigadores
descobriram, que a orientação de um mentor pode produzir um impacto positivo na
vida de jovens problemáticos. Também, pode ajudar empregados de pequenas
empresas, a terem sucesso em grandes corporações.
Nesta passagem, Pauto age como “mentor espiritual” de Timóteo. Paulo estava,
profundamente, convicto da conversão de Timóteo e a sua ajuda foi decisiva na
descoberta do seu dom espiritual (1:5-6). Agora, Paulo escreve a Timóteo para lhe
ensinar como ser um líder eficaz na Igreja emergente. Se anseias por ter um mentor
espiritual, experimenta ter a 1 e 2 Carta a Timóteo, como se Paulo as tivesse escrito
só para ti.
Paulo usa quatro imagens para ajudar Timóteo a compreender o seu ministério
(2:3-7,15). O que têm um soldado, um atleta, um agricultor e um trabalhador em
comum? A concentração na tarefa dada. Se se distraírem, vão falhar a concretização
do objetivo. Era esta a mensagem de Paulo para Timóteo e, também, para ti: por mais
difíceis que as coisas possam ficar, permanece centrado na missão de viver e
partilhar o evangelho.
Apesar de Paulo referir várias distrações possíveis, incluindo o termo abrangente
“paixões da juventude” (2:22), é interessante verificar, que aquilo que mais parece
preocupá-lo são as disputas (2:14-26). Atualmente, alguns líderes cristãos, parecem
mais interessados em discutir assuntos supérfluos, do que em partilhar o evangelho e
a Palavra de Deus com um mundo necessitado. Se Pauto estivesse aqui, agora, diria:
“Deixem-se disso! Estão a distrair-se.” Até os líderes cristãos precisam de um mentor.
APLICAÇÃO: Pensa em algumas pessoas mais velhas, mais sábias na fé, e em
experiência de vida. Alguma delas poderia ser um bom mentor espiritual para ti?
Como poderias abordá-las a esse respeito?
ORAÇÃO: Senhor Deus, perdoa-me pela forma como permito distrair-me. Com
a tua ajuda quero ser uma testemunha tua, focada e eficaz.

161
89 -- TERMINAR BEM
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor Deus, obrigado pela dádiva da tua Palavra. Ajuda-me a vivê-la
hoje.
LEITURA: 2 Timóteo 3:10—4:5
REFLEXÃO: Os psicólogos chamam “confissão ao puxador da porta”, aos
comentários que os pacientes fazem, no compasso de espera ao pé da porta, ao
saírem de uma sessão de terapia. Geralmente, esses comentários, acabam por
revelar aquilo que mais os preocupa. Esta passagem é como uma longa “confissão ao
puxador da porta” de Paulo. Ele sabe que está prestes a deixar este mundo (4:6) e
estes versículos são os seus pensamentos de despedida para Timóteo, antes de
morrer. Quais eram, as últimas coisas que Paulo queria enfatizar?
Sofrimento A primeira tinha a ver com o sofrimento (3:12). Paulo diz que o sofri-
mento é inevitável, não apenas para evangelistas e plantadores de igrejas, mas para
“todos os que quiserem viver piedosamente em Cristo". É a única promessa da Bíblia,
que não vais encontrar escrita num cartaz ou num marcador de livros. Isto, não quer
dizer, que devemos andar à procura de provações e problemas. Mas, não devemos
estranhar quando surgirem. Na verdade, Deus vai usá-los para nos ajudar a crescer
(Tiago 1:2-4; 1 Pedro 1:6-7).
Escrituras A segunda coisa que Paulo enfatizou foi as Escrituras (3:15-16). Se
Jesus Cristo é a pedra de esquina da Igreja (1 Pedro 2:4-10), a Bíblia, é o fio — de —
prumo que a mantém nivelada com as prioridades e os valores de Deus (Amós 7:7-
8). Paulo acentua que a Bíblia, não se assemelha com nenhum outro livro, porque,
expressa as palavras de Deus (“inspiradas por Deus”) e, por conseguinte, tem, pelo
menos, três propósitos: explicar o plano de salvação de Deus, preparar-nos para uma
vida piedosa e motivar-nos para as boas obras. São estes os resultados das tuas
leituras da Bíblia?
Missão Finalmente, Pauto desafia Timóteo a continuar a sua missão de
pregação da palavra (4:1-2). É interessante ler, como Paulo resumiu as suas próprias
experiências e missão na vida (3:10-11). De que forma resumirias as tuas? Apesar,
de tudo o que aconteceu a Paulo ao longo do percurso, ele teve a alegria de saber
que ia terminar bem (4:7-8).
APLICAÇÃO: Como descreverias tua missão para o resto da tua vida? O que é
necessário para que termine bem?
ORAÇÃO: Pai, quero comprometer o resto da minha vida a buscar os objetivos
que são mais importantes para ti.

162
90 -- QUERO ESTAR PRONTO
DATA:__________

ORAÇÃO: Se puderes, sai, ou vai até junto de uma janela e observa o céu. Ora
em voz alta, oferecendo ações de graças e louvando a Deus.
LEITURA: 1 Tessalonicenses 4:13—5:11
REFLEXÃO:
A Segunda Vinda de Cristo foi um assunto que causou confusão aos líderes da
Igreja primitiva. A maioria dos crentes sabia que Jesus tinha dito que voltaria, mas
quando? Alguns pensaram que seria numa questão de dias, por isso, deixaram de
trabalhar. Outros alegavam, que ele já tinha voltado. A Igreja precisava de ser,
devidamente, ensinada acerca deste assunto delicado.
Ocasionalmente, ouvimos falar de um grupo de pessoas que vendeu todos os
seus bens e dirigiu-se para o topo de uma montanha, à espera da Segunda Vinda,
numa determinada data que acreditam ter identificado. Ou, de um professor da Bíblia
que declara ter descoberto a data do regresso de Cristo. Não há dúvida, de que essas
pessoas são motivadas por uma intensa e admirável devoção a Cristo. Mas,
perderam de vista o que a Bíblia diz acerca deste assunto.
Mas, não deveremos evitar falar sobre a Segunda Vinda, só porque algumas
pessoas a compreenderam mal. Paulo não hesitou em falar sobre como seria o
regresso de Cristo, ao dizer que será um acontecimento espetacular (4:16-17). O
próprio Jesus tomou algum tempo para explicar aos seus seguidores como será esse
dia (4:15; Mateus 24). O nosso desafio, presentemente, é não valorizar demais, nem
de menos, este importante facto.
Paulo estava hesitante em falar sobre quando a Segunda Vinda haveria de acon-
tecer (5:1-3). Contudo, o que precisamos de saber, principalmente, é que será uma
surpresa, como “um ladrão na noite". Em vez de tentar determinar, exatamente,
quando vai acontecer, devemos estar vigilantes e sóbrios (5:6) para estarmos
preparados, quando acontecer.
Se formos capazes de manter este equilíbrio, a esperança do regresso de Cristo
deve ser uma das realidades mais empolgantes da vida Cristã (4:18). Imagina como
será ouvir as trombetas e a voz do arcanjo e, então, finalmente, ver o Senhor face a
face!
APLICAÇÃO: De que forma a realidade do regresso de Cristo afeta a maneira
como vives a tua vida? De que forma te deveria afetar?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, é sobremaneira incrível o facto, de que um dia, eu

163
serei capaz de te ver face a face, e isso enche-me de alegria. Ajuda-me a viver o dia
de hoje, tendo essa verdade maravilhosa em mente.

164
DE PAULO PARA OS LÍDERES: - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 19
– OS ENSINAMENTOS DOS APÓ STOLOS

As próximas cinco leituras apresentam-nos os escritos de quatro grandes líderes


da Igreja do primeiro século.
Apesar, de não ter feito parte dos 12 discípulos originais, Paulo tornou-se cristão
quando conheceu Jesus na estrada para Damasco, tal como descobrimos numa das
secções anteriores. Depois disso, tornou-se no maior evangelista e no escritor mais
prolífero de todo o Novo Testamento. Se quiseres saber o que significa dar tudo pelo
evangelho, lê as cartas de Paulo.
Mas, nos relatos dos evangelhos, Pedro foi o discípulo mais proeminente. Na
maioria das vezes, agia por impulso, o que o levou a grandes progressos, por vezes,
(Lucas 9:20) e, noutras, a fracassos humilhantes (Lucas 22:54-62). Mas, Jesus
restaurou-o e deu-lhe uma nova missão. O novo Pedro, foi o primeiro a explicar o
evangelho no dia de Pentecostes, e o primeiro a levá-lo aos Gentios. A sua vida de
sucessos e fracassos, como seguidor de Jesus, deu-lhe um conhecimento profundo
da fé Cristã. Se quiseres uma expressão clara e apaixonada das implicações de ser
nascido de novo, lê as cartas de Pedro.
No Novo Testamento, existem cinco pessoas diferentes com o nome Tiago. Mas,
provavelmente, terá sido Tiago, o irmão de Jesus (Mateus 13:55; Marcos 6:3) e o líder
da igreja em Jerusalém (Atos 15:13-21) quem, posteriormente, escreveu o Livro de
Tiago. Possivelmente, devido ao seu relacionamento com Jesus, ou à sua sabedoria,
era tido como alguém competente, sincero e direto. Se quiseres compreender as
implicações práticas da fé, lê a carta de Tiago.
De todos os discípulos, João era, provavelmente, o que teve um relacionamento
mais chegado com Jesus (João 13:23). Porém, só acreditou que Jesus era quem
dizia ser, depois de ver o túmulo vazio (João 20:8). No início da sua vida, era um
homem comum, para a sua época. Mas, no final da sua vida, tornou-se num dos
discípulos mais meditativos de todos. Se quiseres compreender as profundas
implicações do amor de Jesus, lê as cartas de João.
Por isso, prepare-te para mergulhares nas cartas dos homens que eram mais
próximos de Jesus. Eles têm muito para te dizer.

166
91 -- O PRINCÍPIO ATIVO
DATA:_____

ORAÇÃO: Senhor, tanta coisa neste mundo é dedicada à busca da ilusão do


amor. Mas eu oro para que me ajudes a conhecer e experimentar a realidade do teu
amor hoje.
LEITURA: 1 Coríntios 13
REFLEXÃO:
Casei-me com a minha esposa Carol a 4 de Junho de 1977, e ela tem sido uma
das maiores bênçãos que Deus trouxe à minha vida. Mas, de vez em quando, irrita-
mo-nos mutuamente! Na verdade, tenho vergonha de admitir que, houve alturas, em
que a nossa frustração um com o outro durou vários dias. Descobri, que quando isso
acontece, a melhor coisa a fazer é ficar sozinho, ler este capítulo e orar. Fico sempre
maravilhado com a rapidez com que estas palavras, acabam por desafiar e derreter o
meu coração endurecido.
Paulo, tinha concluído uma preleção extensa acerca dos dons espirituais, mas,
chamou ao amor “o caminho melhor” (12:31b). O que, não quer dizer, que, por
exemplo, a sabedoria, a fé ou a cura (12:7-11) sejam más. A questão é que sem
amor, até a pessoa mais dotada perde a perspetiva. O amor é o princípio ativo da vida
cristã.
A meio deste capítulo (13:4-7), Paulo respondeu à questão, “O que é o amor?”
Podemos ler toda a literatura alguma vez escrita, e não encontrar uma expressão
melhor do amor do que esta. Vale a pena memorizá-la. Mas, apesar, de maravilhosa
como é, esta passagem, é apenas a segunda melhor expressão de amor de sempre.
A melhor de todas, foi a morte de Jesus Cristo na cruz pelos pecados do mundo.
Ao refletir sobre isso, percebemos que gastamos demasiado tempo da nossa
vida a correr atrás de coisas que são passageiras ou, até, completamente inúteis.
Esta passagem lembra-nos, que as coisas que têm mais valor na vida são: a fé, a
esperança e o amor. Mas, o amor é, de todos, o maior. E a melhor forma de o
descobrir é distribui-lo.

APLICAÇÃO: De que modo estás a buscar a fé, a esperança e o amor na tua


vida? Como podes viver a definição de amor de Paulo, esta semana?
ORAÇÃO: Obrigado Jesus, pelo teu incrível amor por mim. Com a tua ajuda
pretendo partilhar este amor com as pessoas à minha volta, através das minhas
palavras, atitudes e ações.

167
92 -- HERÓI SOBRENATURAL
DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, mostra-me um pouco mais do que significa viver por fé e não por
vista.
LEITURA: 2 Coríntios 4:1—6:2
REFLEXÃO:
Clark Kent é um jornalista discreto. Mas, quando o mal e o perigo espreitam,
esconde-se e transforma-se no... Super — homem! Depois disso, os maus não têm
qualquer hipótese. A transformação deste herói, da banda desenhada, dá-nos uma
pequena imagem do que Paulo tinha em mente, quando descreveu o que significa ser
uma “nova pessoa” ou “nova criatura” em Cristo (5:17). Quando ouvimos e
recebemos o evangelho, tudo muda nas nossas vidas e o diabo não tem qualquer
hipótese.
Era de esperar que, uma mensagem sobre vida nova fosse muito popular. Mas
nem sempre! Nesta passagem, Paulo descreve os seus esforços para partilhar esta
mensagem “impopular” (4:2, 8-12) e, ao fazê-lo, deu-nos algumas noções incríveis
sobre o significado do evangelho.
A primeira coisa que ele enfatizou foi o ministério (4:1), que mais tarde descreveu
como “o ministério da reconciliação” (5:18). As pessoas ficaram separadas de Deus,
desde que Adão e Eva pecaram no Jardim do Éden. Este é o “grande problema”. Mas
a “grande história” é, que Jesus morreu na cruz pelos pecados do mundo. As Boas
Novas dizem que através da fé em Jesus Cristo, podemos reconciliar-nos com Deus.
Não admira que Paulo se refira ao evangelho como este tesouro (4:7). Surpre-
endentemente, Deus escolheu colocar esta mensagem em “vasos de barro”, isto é,
em pessoas fracas e imperfeitas, como tu, Paulo e eu. Mesmo assim, sendo a pessoa
nova que és, tens uma nova missão — ser um embaixador de Cristo (5:20). Isto faz
de ti um herói sobrenatural.

APLICAÇÃO: De que modo, te tens tornado uma “pessoa nova”, por seguires a
Jesus?
ORAÇÃO: Senhor, perdoa-me por não me sentir e não agir como teu em-
baixador. Mas peço que me capacites a partilhar o tesouro que me desde com as
outras pessoas.

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93 -- É CLARO, QUE TENHO CERTEZA!
DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor Jesus, alegro-me, porque, a esperança que me ofereceste, é


mais valiosa e duradoura do que qualquer coisa que o mundo tenha para oferecer.
LEITURA: 1 Pedro 1:1—2:12
REFLEXÃO:
Um agnóstico é uma pessoa que diz, não ser possível conhecer Deus. Para al-
guns, isto é ser intelectualmente honesto — mas, na verdade, é um dilema escusado.
A única coisa em que os agnósticos acreditam, é que não é possível acreditar. E isto
implica muita fé.
Pedro, não foi um intelectual, mas, tinha muita certeza naquilo em que
acreditava. Porquê? Porque tinha visto o Cristo ressurreto (João 21). Quando
pensamos no assunto, verdadeiramente, é a única coisa que explica, como é
possível, um grupo de discípulos sem poderes sobrenaturais e sem instrução, de
repente, transformar-se em evangelistas destemidos, dispostos a sofrer e a sacrificar
as suas vidas. Se, soubessem que a ressurreição não era verdadeira, teriam acabado
por se afastar. Mas, não o podiam fazer, porque tinham visto Jesus vivo outra vez.
Então, do que Pedro tinha assim tanta certeza? Em primeiro lugar do novo nas-
cimento (1:3). Estar livre do pecado e reconciliado com Deus, é como ser nascido de
novo (1:23; João 3:1-21). É uma vida nova. Em segundo, da esperança viva (1:3).
Porque Jesus está vivo, temos uma esperança verdadeira, e não contos de fadas
para nos ajudar a dormir à noite. Independentemente do que acontecer neste mundo,
podes ter a sólida certeza de que um dia estarás com Jesus para sempre.
Por causa disso, devemos ser “estranhos” aos “desejos mundanos deste mundo”
(2:11), e concentrar-nos em viver vidas caridosas, santas e auto-controladas (1:13-16,
22), mesmo, que tenhamos de sofrer ou que tudo corra mal. E, podemo-nos alegrar
sempre porque a “grande história” tem um final feliz, para todos os que crêem em
Jesus Cristo e nada pode alterar isso (1:4). Entretanto, ganhamos força e amparo
sabendo que somos parte da Igreja — não de um edifício, mas de um “povo que
pertence a Deus” (2:9-10) que tem o Cristo vivo como líder. As Boas Novas dizem que
Jesus torna a esperança possível.
APLICAÇÃO: O que te dá a certeza da tua fé? O que te dá mais esperança na
vida? Como demonstras a resposta que acabaste de dar, na tua vida?
ORAÇÃO: Senhor, que a alegria da minha salvação e o meu compromisso em
seguir-te de todo o meu coração, seja evidente para todas as pessoas com quem me
cruzar.

169
94 -- APENAS AGE!
DATA:__________

ORAÇÃO: Ajuda-me, Senhor, ao observar atentamente a tua Palavra. Quero


experimentar a bênção de fazer aquilo que me dizes para fazer.
LEITURA: Tiago 1,2
REFLEXÃO: Se Pedro era um lutador e Paulo um pensador, Tiago era um
pragmático. E o ponto central da sua carta é a descrição dos aspectos práticos
daquilo que significa ser Cristão.
Como já vimos, os Cristãos do primeiro século estavam a ser perseguidos. O
conselho prático de Tiago foi que vissem esses desafios, não como um motivo para
queixas, mas como uma oportunidade para crescer (1:2-4). Tiago salientou uma
verdade importante: muitas vezes, o que nos leva a crescer mais, na nossa
caminhada com Cristo são os tempos de crise, porque, acima de tudo, obrigam-nos a
depender de Deus. Isto não significa, que devemos procurar problemas. Mas, quando
acontecerem, alegra-te! Deus deu-te uma oportunidade para cresceres.
Tiago tinha, também, alguns conselhos práticos sobre o falar. O seu conselho,
lembra-nos o Livro de Provérbios, quando sugere: “cada um deve estar sempre
pronto para ouvir; mas não deve precipitar-se no falar, nem irritar-se com facilidade”
(1:19, 26; 3:1-12). O que aconteceria se passasses um dia inteiro, a tentar ouvir mais
do que falar? Tiago sugeriu, ainda, uma abordagem prática à Palavra de Deus: é bom
refletir nela — mas é melhor pô-la em prática (1:22-25).
Talvez a citação mais famosa desta carta seja: “A fé, sem obras, está morta”
(2:26). É, relativamente, fácil fazer uma má interpretação daquilo que Tiago queria
dizer. Não é que a fé não seja importante, ou que Deus valorize as boas obras acima
de qualquer outra coisa. A Bíblia é muito clara, quando diz, que não podemos
merecer a nossa salvação (Efésios 2:8-9). O que Tiago está a dizer é que, se a tua fé
é verdadeira, tem de refletir-se nas tuas ações. Se não conseguisses falar, será que
alguém saberia que tu segues Jesus?

APLICAÇÃO: Pensa em todas as coisas que fazes que demonstram a realidade


da tua fé aos outros. O que poderias juntar à lista?
ORAÇÃO: Senhor Deus, estou tão grato pela verdade da tua Palavra. Dá-me
prontidão e paixão para fazer o que ela diz.

170
95 -- CRISTIANISMO AUTÊNTICO
DATA:__________

ORAÇÃO: Pai, obrigado por me amares. Senhor Jesus, obrigado por me sal-
vares. Espírito Santo, obrigado por viveres em mim.
LEITURA: 1 João 3:11 — 4:21
REFLEXÃO:
“Não tenho bem a certeza de quando me tornei Cristão.” Algumas pessoas
preocupam-se demasiado com esta questão; outras, não se preocupam o suficiente.
O mais importante é saberes que, agora, és um Cristão. Então, quais são as marcas
de um verdadeiro Cristão? João oferece-nos três características fundamentais.
A primeira é acreditar em Jesus Cristo (3:23). Este, é o fundamento da genuína
fé Cristã. Acreditar significa, pelo menos, duas coisas: concordar que Jesus é quem
disse ser - o ressurreto Filho de Deus, e seguir os seus mandamentos. Uma vez que
tenhas decidido dar estes passos, nada te poderá separar do amor de Deus
(Romanos 8:31-39).
A segunda característica de um verdadeiro Cristão é receber o Espírito Santo
(4:13). Há uma grande controvérsia acerca do trabalho do Espírito Santo na Igreja,
hoje em dia. Alguns querem limitar a sua ação, provavelmente, em reação aos que a
enfatizam demais. Contudo, o Novo Testamento é claro ao referir, que o Espírito
Santo não é algo à parte ou reservado a um grupo de pessoas. Ele está aqui,
disponível para todos os seguidores de Jesus (Atos 2:14-21).
A terceira marca de um verdadeiro Cristão é amar os outros (3:11, 23; 4:21).
João é contundente neste ponto (3:15; 4:7-8), mas Jesus também o foi (4:11; 3:23b).
Se quiseres saber o que é o amor, pensa no que Jesus fez, ao dar a sua vida pelos
outros (3:16). Este é o padrão de amor mais sublime. Podes não ser chamado para
sofrer como mártir, mas, João está a dizer, que o amor Cristão requer sacrifício.
João sabia o que era o Cristianismo autêntico, porque, tinha estado com Jesus.
E deixou-nos o seu relato, como testemunha ocular, para que tivéssemos a certeza e
a alegria de o conhecer também (1:1-4).
APLICAÇÃO: Já alguma vez deste ou recebeste amor sacrificial? Quando? Há
alguma característica do Cristianismo autêntico na tua vida?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, acredito que és o Filho de Deus e que estás vivo. Dá-
me poder, pelo teu Espírito, para seguir-te de todo o meu coração.

171
OS ENSINAMENTOS DOS APÓSTOLOS: - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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Semana 20
– APOCALIPSE OU A REVELAÇÃ O

O Apocalipse é um livro exigente e, contudo, talvez seja o livro mais popular e


mais estudado, entre os livros proféticos da Bíblia. Por vezes, as pessoas referem-se
ao Apocalipse como A Revelação de São João. Mas, isto pode ser um pouco
enganador, porque, na verdade, é a revelação de Jesus Cristo (1:1). João foi,
simplesmente, o receptor que a descreveu para nós.
João estabelece, logo de início, que esta era uma mensagem de Deus, acerca
do futuro (1:1-3). Deus revelou-lhe esta mensagem, através de uma série de sete
visões, enquanto João esteve na ilha de Patmos (1:9).
A primeira visão refere-se à Igreja primitiva, por volta de 81-96 DC. Tinham
passado, cerca de 50 anos, desde que Jesus ascendera aos céus, e a Igreja
começava a desviar-se do evangelho. Para além dos Cristãos sofrerem perseguições,
também, começavam a aceitar falsos ensinamentos e a adotar padrões de
comportamento pecaminosos. Vais descobrir, certamente, que as mensagens às sete
igrejas (2:1 — 3:22) mantêm-se relevantes nos nossos dias. As visões acerca do fim
do mundo que se seguem às mensagens, desafiam a nossa compreensão. Há quem
tenha tentado descobrir o significado de cada um dos pormenores das visões, mas,
isto pode tornar-se, no mínimo, confuso. Pode ser mais útil, se refletires nos temas
principais destas visões, da mesma forma que fazes, para te lembrares de um sonho
que tiveste durante a noite.
Provavelmente, o tema transversal aos últimos capítulos da Revelação (ou
Apocalipse) é o confronto final entre o bem e o mal, entre Deus e Satanás. As visões
dão-nos uma imagem, de como o diabo vai ser derrotado e de como será o céu. A
nossa curiosidade natural, faz-nos querer ter a imagem, exata, do que vai acontecer,
mas, a verdade é que vai ser ainda melhor do que imaginamos. Porquê? Porque a
principal característica do céu é que todos os que crêem em Jesus estarão para
sempre com ele!
Só mais um pensamento antes de completares a tua viagem através da Bíblia.
Não deixes que este seja o fim da tua experiência de leitura da Bíblia. Que seja, antes,
o início de um diálogo com Deus para toda a vida. Uma vez que decidires, ser um
seguidor de Jesus Cristo, a melhor forma de manteres e desenvolveres o teu
relacionamento com ele é, encontrando-o, diariamente, na leitura da Bíblia e na
oração. Obrigado por percorreres comigo, o DESAFIO E100, Desafio à Leitura da
Bíblia

173
96 -- UMA VOZ E UMA VISÃO
DATA:_____

ORAÇÃO: Senhor Deus, quero adorar-te em Espírito e em verdade (João 4:24).


Ao fazê-lo, dá-me uma compreensão mais profunda de Jesus.
LEITURA: Apocalipse 1
REFLEXÃO:
Vamos diretamente aos factos: o apóstolo João tem, provavelmente, 90 anos a
esta altura e já passaram, cerca de 50 anos, desde que Jesus deixou a terra. Deus
conduziu João até à ilha de Patmos (1:9), mas ele não sabia o que iria acontecer a
seguir. Por isso, dedicou-se à adoração a Deus (1:10).
Quando não se tem a certeza do que fazer na vida, este é um bom conselho a
seguir — na verdade, ligarmo-nos a Deus em adoração é bom, especialmente,
quando não temos as respostas todas! A verdadeira adoração lembra-nos que Deus
está presente, e está no controlo de cada detalhe da nossa vida.
A adoração aprofunda a nossa perceção. Primeiro, João ganha uma melhor
compreensão acerca de Jesus, a figura central da sua visão (1:13). Jesus é
deslumbrante, avassalador e tem as chaves da morte e do inferno (1:18). É uma
posição muito poderosa. Quando Jesus veio à terra pela primeira vez, veio como
Salvador, mas, quando regressar, virá como Juiz. Outra perceção que João obtém
durante a adoração, é uma compreensão mais profunda, da perspetiva de Deus
acerca da Igreja (1:11). Mas, voltaremos a este ponto na próxima leitura.
Ao ler estes versículos podes pensar: “Gostava que o meu relacionamento pes-
soal com Deus fosse tão real e pessoal como o de João.” Repara nas dicas que João
nos dá, sobre a sua caminhada com Deus. Já vimos que ele se entregou à adoração
de todo o coração. Além disso, era obediente à Palavra de Deus (1:2,9), estava
centrado em Jesus (1:2-8), abraçava entusiasticamente o Espírito Santo (1:10) e
estava a passar por sofrimentos (1:9). E esta a receita, para uma caminhada mais
profunda com Deus.

APLICAÇÃO: Como descreverias o teu relacionamento com Deus? Isso trans-


parece na forma como o adoras?
ORAÇÃO: Jesus, tu és o todo-poderoso, o primeiro e o último, o eternamente
vivo e presente. Adoro-te e louvo-te do mais profundo do meu ser.

174
97 -- BOAS E MÁS NOTICIAS DATA:__________

ORAÇÃO: Senhor, a porta do meu coração está aberta para ti. Quero ouvir a tua
voz e experimentar uma comunhão íntima contigo hoje.

LEITURA: Apocalipse 2:1—3:22


REFLEXÃO:
Uma coisa sobressai nesta passagem: Jesus importa-se, realmente, com a
Igreja. Isto dá que pensar, especialmente, quando pensamos em algumas das coisas
que se passam atualmente nas igrejas, e a fraca opinião que muitos têm a seu
respeito. Mas, Jesus está presente e sabe o que se está a passar; repara quantas
vezes ele disse: “Eu sei...” (2:2, 9,13,19; 3:1, 8,15).
Então, o que tinha Jesus a dizer a estas sete igrejas? As variáveis são diferentes,
mas, o tema principal é a comparação entre as congregações que eram fiéis no
ensino e na prática, e as que eram infiéis. Se tiveres tempo, faz o esquema das sete
igrejas numa folha de papel. Depois, ao lado de cada uma, resume os motivos por
que foram elogiadas e criticadas. No final, ficarás com uma imagem, clara, do que
Jesus deseja do seu povo.
Apenas duas igrejas receberam, somente, elogios (Esmirna e Filadélfia). Repara
no motivo: eram pobres e fracas (2:9; 3:8). De facto, quando somos impotentes
estamos muito mais dispostos a depender do poder de Deus. É este o segredo de
uma igreja eficaz. Contrasta isto, com a igreja de Sardes. O problema foi pensar que
estava viva, quando, na realidade, estava morta (3:1). A definição de sucesso de
Jesus, geralmente, é muito diferente da nossa. A sua mensagem para uma igreja bem
sucedida, mas morta é: voltem às bases do evangelho — obedeçam e arrependam-
se (3:3).
De certa forma, esta passagem pode parecer dura. De facto, nenhuma igreja
poderá, alguma vez, comparar-se, totalmente, com aquilo que Jesus quer. Contudo, a
parte encorajadora é que a sua disciplina é um reflexo do seu amor pela igreja... e por
ti (3:19; Provérbios 3:12; Hebreus 12:6, 10). Por isso, anima-te, Jesus deseja
relacionar-se contigo (3:20) e está disposto a fazer o que for preciso para o conseguir
(Romanos 5:8).
APLICAÇÃO: Como pensas que Jesus se sentiria em relação à tua igreja? Que
mensagem poderá ele ter para a tua igreja e para ti?
ORAÇÃO: Senhor Jesus, és o meu primeiro amor. Perdoa-me pelas vezes em
que o meu compromisso contigo ficou morno.

175
98 -- O CÉU!
DATA:__________

ORAÇÃO: És digno, meu Senhor e meu Deus, de receber glória e honra e


poder, pois criaste todas as coisas, e pela tua vontade elas foram criadas e têm a sua
existência.
LEITURA: Apocalipse 4:1—7:17
REFLEXÃO:
Que grande sonho este! Vinte e quatro anciãos vestidos de branco, cavalos,
criaturas com asas, uma grande multidão em adoração e mais. Não são precisos
efeitos especiais, para dar vida a este texto. Alguns têm tentado determinar com
exatidão o significado de cada pormenor, mas, para aquilo que nos propomos, é mais
importante olhar para o plano geral: esta é uma visão do céu.
Qual é a tua visão do céu? A visão estereotipada do céu, é um lugar nas nuvens
para onde as pessoas vão depois de morrer, tocar harpa e ver os seus familiares na
terra. A música Country dá a entender, que a melhor coisa em relação ao céu é
podermos rever os nossos pais. Talvez o façamos, mas, a melhor coisa será, de
longe, vermos Jesus. O Cordeiro de Deus está no centro do céu (5:6; 7:17). Mais
nada se compara a isso.
No entanto, existem alguns aspectos inquietantes na visão de João. Por
exemplo, o caminho para o céu nem sempre é uma jornada sentimental; às vezes,
envolve sofrimento (6:9). Além disso, parece, também, que as coisas podem piorar
antes de, finalmente, melhorarem (capítulo 6). Mas, para aqueles que pertencem ao
Cordeiro, o fim transforma-se no princípio de uma maravilhosa eternidade com Jesus
(7:15-17).
Então, o que faremos no céu? O Livro do Apocalipse realça a adoração como
sendo a principal ocupação. O que mais poderíamos fazer na presença de Jesus?
Repara na constituição desta espetacular comunidade de adoradores: “todas as
nações, tribos, povos e línguas” (7:9), estarão representadas. A razão pela qual
devemos partilhar as Boas Novas com todas as pessoas e acolhê-las nas nossas
igrejas, não é para sermos politicamente corretos, mas porque é assim que o céu vai
ser.

APLICAÇÃO: Por que queres ir para o céu? Se Deus te dissesse, “Por que
deveria deixar-te entrar no céu?” o que lhe responderias?
ORAÇÃO: Louvo-te por me teres salvo e por me dares o céu como esperança.

176
99 -- À ESPERA NO MIRADOURO
DATA:__________

ORAÇÃO: Aleluia! Porque tu, Senhor Deus Todo-Poderoso, reinas sobre toda a
criação.
LEITURA: Apocalipse 19, 20
REFLEXÃO:
Há alguns anos atrás, fizemos uma viagem em família às Cataratas do Niágara, na
fronteira entre Nova Iorque e o Canadá. De pé, no miradouro, na falésia das cataratas,
podíamos observar a água do rio Niágara a ganhar velocidade e a precipitar-se na
ruidosa ravina, lá em baixo. Esta passagem é como estar num mira¬douro, no fim do
mundo, pois descreve o incrível e invencível poder de Deus, a enviar Satanás e todo o
mal para o abismo.
Apesar de haver muitos pormenores curiosos e intrigantes nesta passagem, o
ponto central é que, no final, o mal vai ser derrotado (19:11 - 20:10). Agora, nem
sempre parece assim, especialmente, quando vemos algumas das coisas horríveis
que acontecem no nosso mundo. Às vezes, parece que o diabo está a ganhar
vantagem, mas a Bíblia assegura-nos o contrário. Ele perdeu a batalha decisiva na
cruz. Quão maravilhoso é saber, que a condenação de Satanás está garantida!
Outra realidade do final dos tempos, é o juízo final (20:11-15). É isto que o “livro
da vida" simboliza. Há quem veja o julgamento final como um conjunto de ba¬lanças.
Se, as boas obras pesarem mais do que as más, recebes um bilhete para o céu. Mas,
não é isto que a Bíblia diz. Só serão salvos os que crêem em Jesus (Romanos 3:23;
5:8; 10:9).
Para aqueles que estão em Cristo, o fim do mundo, será um tempo de alegria e
celebração (19:1-10). A imagem que João viu na sua visão, foi a de um magnífico
casamento tendo Jesus, (o Cordeiro) como o noivo, e a Igreja como a noiva (19:7).
Imagina como será estar nesse miradouro, quando o fim do mundo chegar, e ser
arrebatado para encontrar Jesus nos ares. Aleluia!

APLICAÇÃO: Como te sentes quando pensas no céu? De que forma isso afeta
a maneira como adoras e o modo como vives atualmente?
ORAÇÃO: Obrigado Deus, porque um dia não haverá mais morte, nem la-
mento, nem choro ou dor, e eu adorar-te-ei com todos os santos na Nova Jerusalém.
Vem Senhor Jesus!

177
100 -- PORTÕES RESPLANDECENTES
DATA:__________

ORAÇÃO: “SENHOR, a tua palavra permanecerá para sempre, mais estável do


que o firmamento” (Salmos 119:89). Muito obrigado Pai, pelo que me tens ensinado
na minha viagem através da Bíblia.
LEITURA: Apocalipse 21, 22
REFLEXÃO:
Quando os nossos filhos eram pequenos, tínhamos uma edição ilustrada da ale-
goria clássica O Peregrino, de Johan Bunyan. É a história de um homem chamado
Cristão, que inicia uma caminhada na Cidade da Destruição, passa por todo o tipo de
perigos e tentações, até chegar ao pé da cruz e, finalmente, ao céu. Lemo-lo tantas
vezes ao deitar, que a capa acabou por se gastar. Os nossos filhos já são crescidos,
mas eu ainda gosto de ler aquele livro esfarrapado em voz alta. E, sempre que chego
à parte em que o Cristão entra na cidade celestial, choro de alegria. Quando leio esta
passagem, sinto-me da mesma forma.
Como expressar a sensação de entrar nos portões do céu? Estes dois capítulos
estão cheios de imagens que se tornaram populares, acerca desse momento ma-
ravilhoso — os portões resplandecentes, as estradas de ouro, o rio da vida, etc. Mas,
por mais incrível que tudo possa parecer, a realidade do céu é ainda melhor, em dois
aspetos importantes.
Primeiro, tudo será novo (21:5). Parte da maldição do pecado foi o facto, de tudo
ficar sujeito à destruição e à morte (Romanos 8:19-22). Mas, quando Jesus regressar
para a sua Igreja, vai criar um novo céu e uma nova terra (21:1), e surgirá uma nova
Jerusalém (21:2). Estas são imagens fortes, que descrevem como Deus recriará o
seu mundo. Uma das alegrias de se ser Cristão é ter a certeza, de que um dia o
nosso corpo, a nossa vida e o nosso mundo — tudo — será, gloriosamente, novo
outra vez.
Mas a segunda realidade do céu, e a mais importante, é ser o lugar onde Deus
habitará com o seu povo para sempre (21:3). Foi este o seu plano desde o início e,
por essa razão, enviou o seu Filho à terra (João 1:14). “Deus amou de tal modo o
mundo que entregou o seu Filho único, para que todo aquele que nele crer não se
perca, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Esta é a “grande história” da Bíblia.
APLICAÇÃO: De que forma a realidade do regresso de Cristo afeta a maneira
como vives a tua vida? De que forma te deveria afetar?
ORAÇÃO: Obrigado Deus, porque um dia não haverá mais morte, nem la-
mento, nem choro ou dor, e eu adorar-te-ei com todos os santos na Nova Jerusalém.

178
Vem Senhor Jesus!

179
APOCALIPSE OU A REVELAÇÃO: - REVISÃO
Com base nas cinco leituras desta secção, resume as tuas perceções,
descobertas mais significativas e quaisquer pensamentos, sobre como podes aplicá-
las à tua vida.
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2_______________________________________________________________
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Antes de iniciares uma nova secção, deves reler as revisões anteriores para
relembrares o que Deus te tem vindo a ensinar.

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COMEÇAR UM RELACIONAMENTO
COM DEUS
À medida que vais percorrendo o DESAFIO E100, vais descobrir que a “grande
história" da Bíblia, é o caminho que Deus criou, para que fosses livre do pecado e
pudesses ter um relacionamento com ele. Esse caminho é Jesus.
Como o apóstolo João escreveu, no final do seu evangelho: “Estes foram aqui
contados para que creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que,
crendo, tenham vida no seu nome.” (João 20:31). A única forma de teres um
relacionamento com Deus é através da fé em Jesus. Também é desta forma, que
puderás usufruir dos benefícios da vida nova que Deus oferece através de Jesus.
Aqui estão eles:
Vida eterna — Jesus venceu a morte e ressuscitou. Ele dá vida que dura para
sempre a todos os que colocam nele a sua fé: “Deus amou de tal modo o mundo que
entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crer não se perca, mas tenha a
vida eterna.” (João 3:16)
Vida com sentido — Jesus disse: “Eu vim para que as minhas ovelhas tenham
vida e a tenham em abundância." (João 10:10b). Deus quer que a tua vida seja plena,
ele pode dar-te sentido e satisfação.
Vida livre de culpa — Todos nós, fizemos coisas erradas, a Bíblia chama-lhe
pecado. O pecado separa-nos de Deus. Mas, Deus oferece-nos perdão através de
Jesus Cristo, como João escreveu na sua primeira carta: “Mas se confessarmos os
nossos pecados, Deus que é fiel e justo perdoará os nossos pecados e nos purificará
de todo o mal." (I João 1:9).
Vida nova — “Mas a todos quantos o receberam, aos que crêem nele, deu-lhes o
poder de se tornarem filhos de Deus.” (João 1:12). Deus criou-nos para termos um
relacionamento chegado e especial com ele, tal como uma criança tem com os seus
pais. Este novo relacionamento com Deus está disponível através de Jesus.
Como posso ter fé em Jesus?
Ter fé em Jesus é:
• Admitir que eu não posso ir para o Céu ou ter uma vida nova, por mim próprio,
porque pequei e os meus pecados separaram-me de Deus.
• Acreditar que Jesus é o Filho de Deus que morreu na cruz para pagar pelos
meus pecados e dar-me uma vida nova.
• Decidir seguir Jesus para toda a vida.

181
Aqui está uma oração simples que podes dirigir a Deus, para lhe dizeres que
gostavas de receber o dom da vida nova oferecido por Jesus, o seu Filho.
Querido Deus, admito que fiz coisas erradas e que o meu pecado me separou de
ti. Acredito que enviaste Jesus à terra para morrer pelos pecados do mundo —
incluindo os meus — e que o ressuscitaste dos mortos. Senhor Jesus, a partir deste
momento decido seguir-te a cada dia. Espírito Santo, peço a tua ajuda para viver uma
vida nova. Amém.
Acerca da tua vida nova
Viver a vida da forma que Deus desejou — na sua plenitude — significa, ter um
relacionamento diário com ele e com aqueles que também têm uma nova vida em
Cristo. Aqui estão algumas das coisas que Deus quer que façamos, para
desenvolvermos os nossos relacionamentos:
Fala com Deus Isto quer dizer orar. Podes falar com Deus a qualquer momento,
seja em silêncio ou em voz alta. Deus quer ouvir-te. Podes dizer-lhe o que pensas
dele, podes agradecer-lhe pelas coisas materiais, podes até pedir-lhe coisas para ti ou
para os outros.
Ouve Deus A principal forma de Deus falar connosco é através do seu livro, a
Bíblia. Ler a Bíblia vai ajudar-te a conhecer Deus melhor, e a compreender como ele
quer que vivas a tua vida. Depois de teres concluído o DESAFIO E100, podes obter
mais ajuda através da leitura, compreensão e aplicação da Bíblia, nas organizações
que produziram este recurso. Vê a próxima página para mais informação.
Junta-te a outros seguidores de Jesus A vida Cristã, não é uma decisão
individual, apenas. Deus quer que te juntes a outros seguidores de Jesus. O melhor
local para o fazeres, é numa igreja onde as pessoas amem Jesus e acreditem na
Bíblia. Nessa comunidade, vais encontrar o sentido de pertença, vais poder servir e
ser servido, e crescer no teu relacionamento com Deus.
Conta aos outros Quando recebes um presente novo de valor, é natural que
desejas contar aos outros. Então, vai e partilha a melhor oferta do mundo - Jesus
Cristo. Não sejas demasiado insistente. Diz às pessoas, apenas, o que Deus tem feito
na tua vida e confia que ele vai fazer o resto.
Que Deus te abençoe!

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ACERCA DO AUTOR
Whitney T. Kuniholm vive em Exton, na Pensilvânia, nos Estados Unidos da
América. Ele e a sua esposa Carol têm três filhos e dois netos e congregam na Igreja
Episcopal, onde Whitney coopera; no ministério de oração, no grupo de comunhão
para homens, prega a Palavra e ensina ocasionalmente. A carol, por sua vez, é a
responsável pelo grupo de jovens da igreja.
Whitney é também o presidente da União Bíblica dos Estados Unidos desde
1997. A sua função consiste, em liderar o ministério da União Bíblica por todo o país,
o que inclui projetos de evangelismo e discipulado para crianças e jovens, bem como
a promoção da leitura bíblica diária e da oração, entre pessoas de todas as idades.
Anteriormente, Whitney foi vice-presidente executivo do ministério prisional “Prison
Fellowship” no Estado de Whashington, onde serviu por mais de 13 anos, numa
variedade de funções.
Whitney escreveu vários livros, todos sob o tema do Estudo Bíblico individual e
em grupo. Além do DESAFIO E100, os restantes títulos são, Essencial Jesus (União
Bíblica, EUA), e John: An Eyewitness Account of the Son of God (Wa- terbook Press).
Também escreve, ocasionalmente, para o Scripture Union’s Bible Guide e Encounter
with God, e no blog: www.EssentialBibleBlog.com.
Whitney, também é orador em igrejas e conferências e, quando não está a
trabalhar ou a escrever, gosta de estar em família, de jogar golf, correr ou de ir ao
ginásio do YMCA (Associação Cristã da Mocidade). É fã do café Starbucks, de
música jazz, country, clássica, e da rádio pública nacional. Além disso, faz também
parte de uma equipa que dá apoio a um dos projetos da União Bíblica para crianças
em risco, numa zona complicada de Filadélfia. Whitney costuma dizer: “Fico sempre
maravilhado com a diferença incrível que faz partilhar o amor de Cristo, de formas
muito básicas, com pessoas mais desfavorecidas.”

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