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Universidade Federal do Pará

Núcleo de Altos Estudos Amazônicos


Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do
Trópico Úmido

Disciplina: Políticas Urbanas


Professora: Simaia Mercês
Aluno (a): Tatiane de Cássia Silva da Costa
Data: 08 de setembro de 2010

VASCONCELLOS, E. A. Transporte urbano, espaço e equidade: analise de políticas


públicas. São Paulo: Editoras Unidas, 1996.

Informações sobre o autor:


Engenheiro civil e sociólogo, doutor em políticas publicas pela Universidade de
São Paulo (USP), Pós-doutor em planejamento de transportes pela Cornell University
EUA e assessor da associação nacional de transportes públicos ANTP e diretor do
Instituto Movimento.

Idéia central:
Analisar a questão do transporte e da circulação urbana a partir da abordagem que
adiciona aos processos de produção e consumo aquele referente à organização espacial,
como força de produção e não apenas “meio de produção”.
Objetivos:
 Analisar o processo de reprodução e seus impactos no trânsito e nos transportes
 Analisar a formação e transformação dos ambientes construídos nas sociedades
capitalistas, considerando os aspectos específicos do desenvolvimento
capitalistas nas esferas da produção e da reprodução;
 Analisar a provisão do sistema de circulação considerando as formas especificas
de intervenção nas áreas de transporte e trânsito;
Síntese da obra:
1. A cidade e o sistema de circulação:
1.1. Questões teóricas:
1.1.1. Debate sobre os processos sociais e econômicos no âmbito urbano;
1.1.1.1. Questões essenciais:
1.1.1.1.1. Processo de produção e reprodução;
1.1.1.1.2. Circuitos de circulação do capital;
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1.1.1.1.3. O papel da propriedade da terra;


1.1.1.1.4. O papel do Estado;
1.1.1.1.5. As formas de participação política nas decisões das
políticas públicas;
1.1.1.2. Pressupostos básicos:
1.1.1.2.1. A sociedade definida conforme seus modos de produção e
como forma de organização social;
1.1.1.2.2. O desenvolvimento da sociedade é dominado pelo
processo de acumulação de capital;
1.1.1.2.3. As relações sócio-espacial são fundamentais;
1.1.2. Polemica em torno das teorias sobre organização sócio espacial – o que
determina o desenvolvimento urbano?
1.1.2.1. As relações entre capital e trabalho;
1.1.2.2. A circulação do capital;
1.1.2.3. Relação Estado – Capital;
1.1.2.4. A visão adotada no texto parte dos pressupostos básicos
apontados anteriormente, com ênfase para dois aspectos:
1.1.2.4.1. A provisão e apropriação de meios coletivos de consumo;
1.1.2.4.2. Forma especifica assumida pelo espaço urbano e pelo
espaço de circulação;
1.2. A cidade como ambiente construído:
1.2.1. “ não é estático e está sujeito a um processo permanente de construção e
destruição, em meio a processos econômicos complexos” (p. 22);
1.2.2. Analise importante para este debate:
1.2.2.1. “mediação feita pelo espaço de circulação com relação aos
espaços de produção e reprodução”(p. 23);
1.2.2.2. Esta analise baseia-se numa distinção funcional entre:
1.2.2.2.1. Estrutura de produção: é aparte do ambiente construído
onde a maior parte da produção ocorre: indústria, comércio,
serviços e empresas públicas;
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1.2.2.2.2. Estrutura de reprodução: onde ocorre principalmente a


reprodução biológica, social e cultural das pessoas e das classes
sociais (residência, locais de lazer, escola, serviços médicos etc);
1.2.2.2.3. Estrutura de circulação: é parte do ambiente físico que
permite a circulação de pessoas e mercadorias;
1.2.2.2.3.1. Em sua relação com os meios de circulação
compõe o sistema de circulação e este por sua vez em
relação com o ambiente construído constitui o ambiente de
circulação;
1.3. Produção e transporte:
1.3.1. O sistema de circulação é essencial para a mobilização da força de
trabalho;
1.3.1.1. O objetivo do planejamento de transportes pode ser visto como o
de propiciar uma ampla mobilização de força de trabalho, o que pode
ser obtido por meio da organização de meios de transportes;
1.3.1.2. A estrutura de circulação é organizada para:
1.3.1.2.1. Reduzir os tempos de viagem necessários à produção;
1.3.1.2.2. Para incorporar novas áreas ao mercado;
1.4. Reprodução e transporte:
1.4.1. Necessidades de reprodução:
1.4.1.1. Para a reprodução do mundo do trabalho outras relações além das
econômicas, também são importantes como as relações sociais ligadas
a família, religião, escola, comunidade etc.
1.4.1.1.1. Essas relações são determinadas por fatores sociais,
políticos, e econômicos que variam no tempo e no espaço, de
acordo com classes sociais, regiões e países;
1.4.1.2. A produção de bens e serviços não podem ser compreendidas
apenas como um meio de satisfazer as necessidades inatas do ser
humano;
1.4.1.3. As necessidades que são biológicas são condicionadas e
produzidas pelas condições sociais e econômicas especificas
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enfrentadas pelas pessoas, sendo satisfeitas pela produção de bens e


serviços específicos de cada condição;
1.4.2. Mobilidade e acessibilidade;
1.4.2.1. O processo de reprodução requer mobilidade física para realizar
as atividades, implica na disponibilidade de meios de transportes e
implica na ligação física e temporal adequada entre os meios de
transportes e os destinos desejados;
1.4.2.2. O processo de reprodução é uma combinação entre meios
pessoais, o sistema de circulação e os destinos desejáveis;
1.4.3. Estratégias de reprodução;
1.4.3.1. Existe uma grande diversidade nas estratégias de deslocamentos
das pessoas em função de sua renda;
1.4.3.2. O espaço de circulação é consumido de forma diferenciada,
refletindo diferentes condições sociais e econômicas entre as famílias
e as pessoas;
1.4.3.3. As estratégias de deslocamentos refletem, portanto, estratégias de
reprodução muito distinta;
1.5. O ambiente construído e os “meios de consumo coletivo”:
1.5.1. Uma característica essencial da sociedade capitalista é a participação
crescente do Estado na provisão de condições físicas de produção e
reproduçã;
1.5.2. Esta intervenção está ligada ás mudanças ocasionadas pela
mercantilização crescente das relações sociais;
1.5.3. Duas formas básicas de consumo:
1.5.3.1. Consumo individualizado: através do mercado;
1.5.3.2. Consumo socializado: através do Estado;
1.5.4. Alguns termos essenciais:
1.5.4.1. Consumo coletivo:
1.5.4.1.1. Novas formas de consumo, submetidas em grande parte a
regras emanadas do Estado e implicando em
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negociação/priorização com relação às necessidades de outras


pessoas e grupos sociais;
1.5.4.1.2. Implica em discussões sobre equidade no acesso a
produtos e serviços, o que não ocorre quando o consumo é
baseado nas condições de mercado;
1.5.4.2. Meios de consumo: expressa os equipamentos que permitem o
consumo físico de produtos e serviços;
1.5.4.3. Provisão dos meios de consumo pode ser feita pelo Estado, o
setor privado, família ou comunidade;
1.5.4.4. As características físicas e simbólicas dos meios de consumo são
também importantes:
1.5.4.4.1. Condições físicas: como forma de compreender a natureza
do produto ou serviço oferecido;
1.5.4.4.2. Características simbólicas: o significado real do consumo
é determinado social e culturalmente;
1.5.4.5. A regulamentação: refere-se aos condicionantes e limites
impostos à provisão e à apropriação dos meios de consumo;
1.5.4.6. A operação: refere-se a quem é responsável em fazer a estrutura e
os meios de operarem regularmente e quais são os recursos
disponíveis para realizar a tarefa;
1.5.4.7. O controle: refere-se a quem tem o poder de exercê-lo e qual éa
natureza das regras nele implícita;
1.5.4.8. A apropriação: revela as praticas dos usuários, reveladas pelo ato
de circular utilizando vias, calçadas e veículos;
2. Provisão do sistema de circulação:
2.1. Condições gerais:
2.1.1. DECISÃO: regulamentação, provisão operação e controle
2.1.2. Infra-estrutura (vias, calçadas) não é rentável – responsabilidade do
Estado;
2.1.3. Meios de circulação (veículos; ferrovias; ônibus)
2.2. Planejamento Urbano (uso do solo)
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2.3. Planejamento dos Transportes (estrutura de circulação estrutura – rodovias,


ferrovias - e de oferta – linhas, rota, hprários)
2.4. Planejamento da Circulação (prioridades no uso do espaço)
2.5. O estado, os atores e o processo de decisão;
2.5.1. Cristalização de interesses da sociedade (conflitos internos e entre Estado
e sociedade): a busca a eqüidade
2.5.2. Democracias “delegativas” e não “representativas”(institucionais):
informais e fortes – corrupção, clientelismo, patronalismo.
2.5.3. Prefeito: foco central – poder “discricionário e irresponsável” ;
precariedade técnico-administrativa dos órgãos e agências públicas +
superposição de funções e de hierarquias governamentais (federal, estadual
e municipal)
2.6. Os agentes no processo de decisão: além do Estado, vários outros
desempenham papéis essenciais:
2.6.1. Prefeito, Secretários e Ministros + assessoria política próxima
2.6.2. Técnicos (burocratas em particular e técnicos em geral)
2.6.3. Políticos
2.6.4. Comunidades e grupos sociais
2.6.5. Agentes econômicos (indústria, comércio e serviços, especialmente da
construção civil)
2.6.6. Operadores públicos e privados
2.6.7. Sindicatos de trabalhadores e de segmentos usuários
2.6.8. Mídia
2.6.9. Organizações sociais e ambientalistas
2.7. Burocracia tecnocracia e classe média;
2.7.1. Burocracia / Tecnocracia: grau de independência?
2.7.2. Classe média: privilegiada com relação à reprodução do sistema
2.8. Planejadores;
2.8.1. Racionalidade para conciliar interesses divergentes (trabalhadores;
capitalistas; construção civil; e proprietários de terra) – a eficiência
econômica
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2.9. Operadores privados de transporte publico;


2.9.1. Rentabilidade (exclusividade geográfica e tarifa)
2.10. Setores de negócios, indústria e consultoria técnica;
2.10.1. (“pedestrianização”; infra-estrutura transporte; indústria automobilística)
2.11. Usuários das vias/ Usuários de transportes públicos;
2.11.1. O poder dominante não é absoluto: competição com outras fontes de
poder;
2.12. Movimentos sociais nas áreas de transporte e trânsito;
2.12.1. Tipos de movimentos políticos: reformista / estrutural; individual /
coletivo; direto / indireto; demanda / reação;
2.12.2. Analise política dos movimentos políticos: a natureza mutável dos papéis
na circulação urbana; conflito na esfera do consumo (reprodução):
2.12.2.1. Conflitos físicos e políticos: expressão de lutas de classe (custos
de transporte de bens: internalizados e depois repassados; custos de
transporte de pessoas: mercado);
2.12.3. O movimento mais bem sucedido: movimento indireto de adaptação das
cidades ao uso do automóvel

Conclusões do autor:
 As dificuldades de acesso são maiores quanto menor a classe de renda da
família/pessoa. As pressões por melhoria das condições de acesso, promovidas
por movimentos sociais, não são tão efetivas quanto àquelas exercidas pelas
classes de renda mais alta. O resultado é que o atendimento às pessoas de mais
baixa renda se dá em condições precárias de qualidade e quantidade, capazes de
atender minimamente às necessidades de deslocamento das pessoas enquanto
força de trabalho.
 Os movimentos sociais são fragmentados, eventuais, diretos e, muitas vezes,
contraditórios.
 O resultado é que as políticas públicas de transporte e trânsito não conseguem
propiciar efetivas melhorias no atendimento às pessoas de mais baixa renda que
continuam satisfazendo suas necessidades de deslocamento em condições
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precárias de qualidade e quantidade, capazes de satisfazer, minimamente, às


necessidades de deslocamento das pessoas enquanto força de trabalho.